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Secretário de Estado na conferência “Famílias e empresas não vão pagar mais pela energia” O secretário de Estado da Energia, Artur Trindade garantiu que “as famílias e as empresas portuguesas não irão pagar mais pela energia” “A visão de futuro do Governo para a política energética passa por reforçar a aposta na eficiência energética, “afirmou o secretário de Estado da Energia, Artur Trindade, na conferência que jornal O Ribatejo promoveu esta quinta-feira, sobre o tema da “eficiência energética” e que contou com a intervenção da especialista Isabel Santos, administradora da Ecochoice, uma empresa pioneira na construção sustentável que desenvolve instrumentos no apoio ao uso racional de energia. Entre as medidas referidas pelo secretário de Estado da Energia destaca-se o Programa de Eficiência Energética na Administração Pública - Eco. AP, criado no âmbito do Plano Novas Energias – ENE 2020, com o objetivo de aumentar em 30% a eficiência energética nos serviços públicos, equipamentos e organismos da Administração pública, no horizonte de 2020. Artur Trindade referiu a continuação e reforço do financiamento dos 4 O RIBATEJO 17 maio 2012

programas que visam a eficiência energética, através dos fundos comunitários do QREN, fundo de eficiência energética, fundo de carbono e outros. O secretário de Estado da Energia referiu que está em preparação uma nova diretiva europeia, sob a presidência dinamarquesa. “A posição portuguesa sobre esta nova diretiva vai no sentido de apoiar, nós temos capacidade técnica, cientifica, tecnológica, só não temos acesso a financiamentos como outros país dispõem. Por isso, se nos propõem metas, que nos concedam acesso aos financiamentos necessários a alcançarmos essas metas”. Artur Trindade sublinhou ainda a importância de desburocratizar o acesso à produção de energias renováveis, embora não existam financiamentos disponíveis para reformar os incentivos. Por último, o secretário de Estado da Energia garantiu que nenhuma medida da política energética irá contribuir para que as famílias e as empresas

paguem mais do que hoje pela energia. Nenhuma medida que continua para onerar os consumidores e as empresas portuguesas contará com o nosso apoio”, garantiu Artur Trindade. Isabel Santos, administradora da Eco Choice, empresa pioneira na área da construção sustentável, foi a oradora convidada desta Conferência sobre Eficiência Energética organizada pelo jornal O Ribatejo. Licenciada em engenharia da energia e do ambiente, com pós-graduação em planeamento e projeto da construção sustentável, Isabel Santos, está ligada ao Grupo Lena no âmbito da construção sustentável, e

30% é quanto uma empresa pode poupar na conta de energia ao implementar um plano de redução de consumos depois de uma auditoria energética.

ao Grupo GALP Energia como coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Sustentável, entre outras inúmeras atividades. Nesta conferência abordou os instrumentos de que as empresas dispõem para promover a eficiência energética, nomeadamente o sistema de gestão de consumos de energia, para a indústria, e o sistema de certificação energética para os edifícios. Destacou a importância da auditoria energética que permite às empresas implementarem um plano de redução de consumos de energia, obtendo poupanças na fatura da energia que chegam aos 30 por cento e mais. Uma questão que suscitou vivo interesse da parte dos participantes desta conferência, muitos deles já envolvidos em processos de melhoria da eficiência energética nas suas empresas e instituições. Esta iniciativa contou com o apoio da Tagusgás, empresa distribuidora de gás natural nos distritos de Santarém e Portalegre.

01 Isabel Santos, engenheira da energia e do ambiente, administradora da EcoChoice, foi a oradora da conferência 02 O secretário de Estado da Energia, Artur Trindade, falou da política energética do governo. 03 Miguel Henriques, diretor executivo da Tagusgás, empresa que apoiou a conferência. 04 O presidente e o vicepresidente do Instituto Politécnico de Santarém, profs. Jorge Justino e Hélder Pereira. 05 O diretor do Centro Distrital de Segurança Social de Santarém Tiago Leite, com o vice-presidente da Câmara de Almeirim Pedro Ribeiro. 06 O diretor do jornal O Ribatejo Joaquim Duarte na apresentação dos dois oradores da conferência. 07 O administrador da Sojormedia Francisco Santos, com Miguel Henriques, diretor executivo da Tagusgás. 08 O administrador da Olitrem Armando Ferreira com o vice-presidente da Câmara de Santarém, Ricardo Gonçalves, e o gestor da Pearle Portugal Marco Pombo. 09 A presidente da Câmara de Rio Maior Isaura Morais com o advogado Ramiro Matos e o administrador do Centro Hospitalar do Médio Tejo Joaquim Esperancinha.


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Dr. Artur Trindade

Engª Isabel Santos

SECRETÁRIO DE ESTADO DA ENERGIA

ADMINISTRADORA DA ECO CHOICE

●●● Antes de ocupar a pasta

●●● Isabel Santos é adminis-

de Secretário de Estado da Energia, Artur Trindade foi diretor da Entidade Reguladora do Sector Energético (ERSE). Exatamente na área de Custos e Proveitos onde é calculado o custo de eletricidade e do gás e de onde emanam as decisões do regulador em relação às tarifas pagas tanto aos produtores, como aos consumidores, industriais e domésticos. É mestre em economia pela Universidade de Kent e licenciado em economia pela Universidade Católica.

tradora da Eco Choice, empresa pioneira na área da construção sustentável. É licenciada em engenharia da energia e do ambiente, com pós-graduação em planeamento e projeto da construção sustentável. E, entre outras inúmeras atividades, está ligada ao Grupo Lena no âmbito da construção sustentável, e ao Grupo GALP Energia como coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Sustentável.

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Grande plano

Miguel Henriques

Artur Rosa

Armando Ferreira

Jorge Justino

DIRETOR EXECUTIVO DA TAGUSGÁS

ADMINISTRADOR DA RISA

ADMINISTRADOR DA OLITREM

PRESIDENTE DO INSTITUTO POLITÉCNICO DE SANTARÉM

Todas as estimativas apontam para que em 2030 o aumento da procura de energia seja exponencial. Apesar do forte investimento e do aumento da produção das energias renováveis, vamos estar muito mais dependentes das energias fósseis – carvão e petróleo - do que somos hoje. Por isso, esta questão da eficiência energética tem uma premência tanto maior quanto nós percebermos que o preço unitário da energia, a longo prazo, vai aumentar consideravelmente para países que sejam dependentes da importação dessas fontes de energia. Isto pela simples razão de que o mundo estáse a desenvolver em países asiáticos e da América latina, que vão ter o poder de compra para pagar essa energia. Países pequenos e periféricos como Portugal que estão muito dependentes da importação de energia terão mais dificuldades e vão ter de pagar um preço unitário muito mais elevado do que hoje. No curto prazo, pode haver políticas que façam com que o aumento dos custos da energia seja controlado, mas a longo prazo haverá aumentos.

Este é um tema da maior importância e que está em cima da mesa das empresas que têm de fazer contas e estudar as melhores opções para reduzir custos. No Nersant esta é uma matéria que nos preocupa muito. Não vemos atitudes da parte do Governo no sentido de fazer baixar os custos da energia. Daí a importância de estarmos aqui hoje a ouvir o Secretário de Estado da Energia para nos dizer quais são as grandes linhas da política energética deste governo. Há uma série de medidas que poderiam ser tomadas para reduzir a fatura energética das empresas e dos consumidores. Desde logo, à partida, devia haver livre concorrência no mercado, o que certamente poderia provocar uma baixa dos preços. Depois, todos concordamos que é escandaloso assistirmos a lucros fabulosos e salários desmedidos no setor, e não é justo que caiba sempre aos mesmos, as empresas e os consumidores, pagar a fatura. Por isso, achamos que é imperioso que o Governo tenha coragem para tomar as medidas que se impõem.

A eficiência energética é um tema da maior importância para as empresas e não só pela necessidade de reduzir os custos. Na Olitrem, os nossos clientes que exigiram uma eficiência energética ao nível do produto. O que nos levou a adotar uma norma europeia que, curiosamente, ainda não foi adotada em Portugal, e que leva a uma redução de 10% do custo energético no produto. Adotámos essa norma e a nossa fábrica está a produzir dentro desses parâmetros. A eficiência energética é cada vez mais uma exigência do mercado, o que nos leva a fazer investimentos para o futuro, nomeadamente num novo laboratório, que deverá estar a funcionar dentro de dois meses, e que nos irá permitir fazer estudos para reduzir os custos energéticos. Além de permitir baixar a fatura, esta é também uma arma de marketing e de mercado que nos permite consumir menos e vender mais.

Desde há cerca de um ano que o Instituto Politécnico de Santarém está a trabalhar nessa problemática da eficiência energética. O projeto tem como grande objetivo atingir uma poupança de aproximadamente 25% no consumo de energia, e abrange também as residências de estudantes. Criámos um sistema de incentivos aos estudantes para pouparem energia. Neste sistema, os próprios estudantes são beneficiados, pois as verbas que poupamos em energia são canalizadas para os estudantes mais carenciados, aravés do serviço de ação social. Uma medida tanto mais importante quanto neste momento temos estudantes com grandes dificuldades económicas que carecem de auxílio para que não abandonem os estudos devido a problemas financeiros.

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Agradecimentos Na abertura da conferência nosso diretor, Joaquim Duarte, começou por agradecer a disponibilidade do secretário de Estado da Energia, Dr. Artur Trindade, em ter acedido ao convite do jornal para vir falar a Santarém participar, em especial no momento em que está em discussão pública (até 17 de maio) o documento das linhas de orientação para a Revisão dos Planos Nacionais de Ação para as Energias Renováveis e para a Eficiência Energética. Assim como agradeceu também à engª Isabel Santos, administradora de Eco Choice, por ter acedido ao convite para falar sobre a eficiência energética, em especial nas áreas da edificação e da indústria. E por último, um reconhecido bem-haja à Tagusgás, empresa de gás do Vale do Tejo, por ter patrocinado este evento.


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