O etanol, a bioeletricidade e a mitigação das mudanças climáticas - OpAA22

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SUCROENERGÉTICO: cana, açúcar, etanol & bioeletricidade sugarcane, sugar, ethanol & bioelectricity out-dez 2009

o etanol, a bioeletricidade e a mitigação das mudanças climáticas




o etanol e a cogeração podem ajudar o

índice

Tempo a tempo 05 08 12 16 18 21 24 26 29

Editorial da Edição: Marina Silva

Senadora da República do Brasil

Governo: Antonio Herman Benjamin

Ministro do Superior Tribunal de Justiça

Suzana Kahn Ribeiro

32 34 38

Secretária de Mudanças Climáticas do MMA

Tasso Rezende de Azevedo Consultor para Florestas e Clima

Usinas: Eduardo de Queiroz Monteiro Presidente do Grupo EQM

Antônio Eduardo Porto Ruette

40 43 46

Kees Pieter Rade

Embaixador do Reino dos Países Baixos no Brasil

Alan Charlton

Embaixador do Reino Unido no Brasil

Ricardo Rose

Diretor de MA da Câmara de Comércio Brasil-Alemanha

José Geraldo Eugênio de França Diretor-executivo da Embrapa

Tadeu Luiz Colucci de Andrade

Diretor de Pesquisa e Desenvolvimento do CTC

Antonio Donato Nobre

Pesquisador Sênior do INPA

Entidades: Elizabeth de Carvalhaes

Presidente Executiva da Bracelpa

Ismael Perina Junior Presidente da Orplana

Carlo Filippo Massimiliano Lovatelli Presidente da Abag

Empresas:

Diretor Industrial do Grupo Ruette

Embaixadas:

Centros de P&D:

48 51 54 56 59 61

Mario Lindenhayn

Presidente da BP Biofuels Brasil

Pedro Luiz Fernandes

Presidente da Novozymes Latin America

James Pessoa

Presidente da VSE - VALE Soluções em Energia

Décio Michellis Junior

Assessor da Vice-presidência de MA da Rede Energia

Holger Brauer

Diretor da Divisão de Turbinas a Vapor da Siemens

Ensaio Especial: Renato Lunardi de Amorim

Sócio da Carnegie Hill Global Advisors

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editorial

Opiniões

dezembro de

um momento 2009,

histórico

December of 2009, an historical moment

Estamos às vésperas da COP 15, a Conferência do Clima da ONU, que acontecerá em Copenhague, na Dinamarca, durante a primeira quinzena de dezembro. É um momento de muita expectativa e apreensão, uma vez que os grandes blocos de negociação e países não assumem propostas capazes de articular as iniciativas de governos locais, empresas, empreendedores e cidadãos em uma única direção: reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa - GEEs, de modo a estabilizar sua concentração na atmosfera terrestre em níveis que possam ser considerados seguros para a espécie humana e outras formas de vida no planeta.

We are on the eve of COP 15, The UNO’s Climate Convention, to be held in Copenhagen, Denmark, in the first half of December. It is a moment of great expectation and concern, given that the large negotiation blocks and countries lack proposals capable of directing the initiatives of local governments, companies, entrepreneurs and citizens in one single direction: to significantly reduce greenhouse gas (GHG) emissions, so as to stabilize the concentration of these gases in the Earth’s atmosphere, at levels one may consider safe for mankind and other forms of life on the planet.

" Nesse ponto, o etanol da cana-de-açúcar joga um papel ímpar. As áreas do planeta adequadas à produção da cana-de-açúcar coincidem com as de países em desenvolvimento com forte tradição agrícola. " Marina Silva Senadora da República Senator of Brazil

Esses níveis seguros, segundo o painel científico IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, em português), têm sido traduzidos em percentuais que acabam virando um caldeirão de números de difícil compreensão para os não especialistas. O que se quer é obter uma redução de emissões, dentro de certo prazo, tomando como base o nível de emissões existente no passado. Ou seja, colocar um freio na escalada da degradação ambiental, criando uma referência que possa ser utilizada, medida e compreendida em todo o mundo. Assim, o patamar de segurança a ser atingido, identificado pelos cientistas, exigiria uma redução global das emissões de GEEs de modo que, em 2030, não sejam maiores que 60% a 75% das emissões existentes em 1990. Além disso, em 2050, elas não podem ser maiores que 20% a 40% das emissões de 1990. Esses números não deixam dúvidas de que são necessárias mudanças profundas nos padrões de consumo e produção de bens e serviços em nossas sociedades. Não serão medidas do tipo “um pouco menos do mesmo” que nos conduzirão a níveis seguros de concentração de GEEs na atmosfera. Se o mundo acatar essas recomendações do IPCC e fizer sua lição de casa com responsabilidade e seriedade, a previsão é de que haja um aumento da temperatura média do planeta de 2 ºC até o final deste século. Se mantivermos os padrões atuais de emissões globais, o aumento de temperatura atingirá 2 ºC já por volta de 2060, o que traria grandes complicações para as condições de vida na Terra e afetaria de imediato, e principalmente, as popula-

These safe levels, according to the scientific panel IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) have been translated to percentages that end up in a heap of numbers, difficult to comprehend by non-specialists. What one wants to accomplish is a reduction of emissions, within a certain time, based on the level of emissions that existed in the past. In other words, to put the brakes on the escalation of environmental degradation, creating a useful reference that can be measured and understood around the world. Thus, the safety level to be attained, identified by the scientists, would require a global reduction in GHG emissions, so that in 2030 they would be no higher than 60% to 75% of the emissions measured in 1990. In addition, in 2050 they may not be higher than 20% to 40% of the 1990 emissions. These figures leave no doubt that farreaching changes in consumption and production standards of goods and services in our societies are necessary. It will not be initiatives of the type “more of the same” that will lead us to safe levels of GHG concentrations in the atmosphere. If the world accepts these IPCC recommendations and does its homework in a serious and responsible manner, the outlook would be an average temperature increase on the planet of 2 °C by the end of the century. If we stick to current global emission standards, the increase in temperature would reach 2 °C around 2060, bringing about major complications for life on Earth and would immediately

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editorial ções mais pobres. É preciso levar em conta, ainda, que essa recomendação do IPCC contém uma dose inevitável de incerteza, podendo ocorrer tudo um pouco antes do que hoje podemos prever. Ou seja, não há tempo a perder. O que pode ser feito? Muita coisa. Sem perder de vista que a Convenção do Clima introduz um princípio de justiça, ao estabelecer responsabilidades comuns e diferenciadas - que correspondem ao peso das economias, da participação dos países na configuração do problema e de sua capacidade para contribuir na solução -, podemos começar por identificar em nossas sociedades quais as fontes de emissões de GEEs a serem reduzidas ou eliminadas ao longo das próximas décadas. No Brasil, essas fontes já estão identificadas: desmatamento e pecuária, seguidos dos transportes e, num futuro muito próximo, geração termoelétrica de eletricidade. Com base nesse conhecimento, é possível planejar, com razoável segurança, os passos concretos para a redução a curto prazo das emissões de GEEs e, mais importante, as mudanças no consumo e na produção de bens e serviços que tornem a vida sustentável. No Brasil, o fato de as fontes renováveis ocuparem 46% da matriz energética dá uma boa vantagem na formulação e introdução das mudanças em direção a uma sociedade ajustada aos limites e demandas atuais do sistema climático global. Mas avançar nessa direção é apenas uma das nossas tarefas. A outra, tão importante quanto essa, é compartilhar com o resto do mundo as nossas experiências de sucesso na produção e consumo de energia de fontes renováveis. Nesse ponto, o etanol da cana-de-açúcar joga um papel ímpar. As áreas do planeta adequadas à produção da cana-de-açúcar coincidem com as de países em desenvolvimento com forte tradição agrícola. Mesmo alguns países africanos e do Caribe, com histórico de conflitos armados em períodos recentes, podem vir a se beneficiar, à medida que avance o processo de transição para regimes políticos mais democráticos. Pode ser até que a produção de etanol a partir da cana-de-açúcar seja um componente importante no estabelecimento de relações comerciais estáveis desses países com a comunidade internacional. A inserção comercial dos países em desenvolvimento no mercado internacional, por sua vez, tem papel importante na estabilidade política das suas sociedades, pela geração de renda e criação de empregos e ocupações em diferentes segmentos da população. Não se preconiza aqui a volta da produção de derivados da cana-de-açúcar em países em desenvolvimento para consumo apenas nos países mais ricos. Ao contrário, o consumo interno seria o primeiro passo para assegurar que, nas relações comerciais, os países ricos não desequilibrem totalmente as negociações. Tampouco se desconhece que o desenvolvimento tecnológico irá diversificar as culturas e as matérias-primas para a produção do etanol. Desenvolvimento tecnológico exige recursos excedentes. A cana-de-açúcar é ainda a única matéria-prima capaz de produzir etanol e gerar recursos fundamentais para uma série de investimentos prioritários, como, por exemplo, a educação. O Brasil pode dar significativa contribuição nesse processo, seja pelo compartilhamento de nossa expertise na produção, seja por meio de uma atuação internacional em defesa da adoção de padrões internacionais que assegurem a sustentabilidade social e ambiental da produção de biocombustíveis. Dessa forma, estaríamos não só nos comprometendo de fato com a sustentabilidade socioambiental da nossa própria produção, como também estimulando a adoção de políticas públicas avançadas e processos virtuosos em outros países.

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Opiniões and mainly affect poorer populations. Furthermore, one must take into consideration that the IPCC’s recommendation inevitably entails a certain degree of uncertainty, meaning that all this may actually happen a little earlier than one can predict today. In other words, there is no time to lose. What can be done? Much. Bearing in mind that the Climate Convention introduces a principle of justice when it sets ordinary and differentiated responsibilities which are the weight of the economies, the participation of countries in formatting the problem and their capability of contributing to the solution -, we can begin to identify, in our societies, the GHG emission sources that can be reduced and eliminated over the next decades. In Brazil, these sources have already been identified: deforestation and cattle-raising, followed by transportation, and in the near future, the thermoelectric generation of electricity. Based on this knowledge, one can plan, with reasonable safety, concrete steps for the short-term reduction of GHG emissions and, more importantly, the changes in consumption and production of goods and services that make life sustainable. In Brazil, the fact that renewable sources account for 46% of the energy matrix provides the country a major advantage in formulating and introducing changes and directing them towards a society adjusted to the current limits and demands of the global climate system. However, to advance in this direction is but one of our tasks. The other, just as important, is to share with the rest of the world, our successful experiences in the production and consumption from renewable energy sources. In this respect, ethanol from sugarcane plays a unique role. Areas around the globe appropriate for sugarcane production happen to be in developing countries with a strong agricultural tradition. Even some countries in Africa and the Caribbean that have a recent history of armed conflict can benefit to the extent that the transition process to more democratic regimes progresses. Actually, it is quite possible that ethanol production from sugarcane will be an important component for establishing stable trade relations between these countries and the international community. In turn, the commercial insertion of developing countries in the international market plays an important role in these societies’ political stability, by generating income and creating jobs and professional activities in different segments of society. We are here not advocating a return to the production of sugarcane-derived products in developing countries for exclusive consumption by the richer countries. Quite to the contrary. Domestic consumption would be the first step in warranting that in trade relations the rich countries would not completely unbalance the negotiations. One can also not ignore that technological development will bring about diversification of crops and raw materials to produce ethanol. Technological development requires surplus funds. Sugarcane is the only raw material capable of producing ethanol and generating essential funds for a series of priority investments, such as in education. Brazil can significantly contribute to this process, whether by sharing our expertise in production, or by means of international activities to defend the adoption of international standards, warranting social and environmental sustainability in the production of biofuel. In doing so, we would truly commit to social and environmental sustainability of our own production, while also fostering the adoption of advanced public policies and virtuous processes in other countries.



supremo tribunal de justiça

Opiniões

etanol e

sustentabilidade Ethanol and Sustainability

" enquanto o Pré-Sal e as termelétricas representam uma aposta na matriz do passado, o etanol é a alternativa do futuro, cujo limite será apenas a nossa ambição e inteligência em dele fazer um combustível sinônimo de sustentabilidade " Antonio Herman Benjamin Ministro do Superior Tribunal de Justiça e corredator de várias leis ambientais do Brasil Minister of the Superior Court of Justice and co-author of several environmental laws in Brazil

O etanol brasileiro é hoje objeto de debate em todo o mundo. Dos principais jornais e canais de televisão às cúpulas de chefes de Estado, dos encontros periódicos da FAO e do Pnuma às discussões áridas de cientistas do clima e às reuniões ruidosas de ONGs ambientais e de militantes dos direitos humanos, das planilhas de representantes do agronegócio e investidores internacionais às projeções dos especialistas em energia e biotecnologia — ninguém está imune a essa questão estratégica dos nossos tempos. Dois riscos antagônicos ameaçam o etanol brasileiro. De um lado, aquilo que poderíamos chamar de visão edênica, ou seja, a ideia de que o etanol é autoexplicativo, que representa a salvação da humanidade, uma atividade econômica repleta de benefícios e destituída de problemas. Do outro, a visão demoníaca, que só vê malefícios no etanol, entre os quais se incluem a destruição das nossas florestas, a poluição do ar e a matança indiscriminada da fauna silvestre pela queima da palha da cana, a contaminação do solo e recursos hídricos com agrotóxicos, a utilização de trabalho infantil e escravo, a perversão da paisagem e da biodiversidade agrícola por conta da monocultura, a radicalização da fome mundial pela conversão de terras para a produção de energia em vez de alimentos. Acredito que nosso etanol tem plenas condições de enfrentar e superar essas duas visões radicais. Superar de maneira sincera, não com medidas retóricas ou paliativas. Com tanto em jogo, em termos de uma matriz energética mais limpa e de geração de empregos e divisas, o primeiro passo é a renovação das lideranças e de seu modo de pensar. A transição não será fácil, mas já começou. Entidades empresariais, como a Unica, que, no passado, enxergavam no meio ambiente um entrave ao setor sucroalcooleiro, hoje percebem, pela voz respeitada de novos líderes, como Marcos Sawaya Jank, que a questão ambiental é, ao contrário do que se imaginava, instrumento de fortalecimento de mercado e de diferenciação do etanol. Há aqui espaço para uma frutífera aliança, pois, enquanto importa ao ambientalismo encontrar al-

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Brazilian ethanol today is the object of debate around the world. From major newspapers and TV channels to summit meetings of heads of State, from periodic meetings at FAO and UNEP to arid discussions of climate scientists and noisy meetings of environmental NGOs as well as human rights militants, from spreadsheets of agribusiness representatives and international investors to projections of specialists in energy and biotechnology – nobody is immune to this strategic issue of our time. Two antagonist risks threaten Brazilian ethanol. On the one hand, is what one might call the edenic vision, i.e., the notion that ethanol is self-explanatory, representing the salvation of mankind, and that it is an economic activity rich in advantages and destitute of problems. On the other hand, the demonic vision, which sees only malefaction in ethanol, including the destruction of our forests, polluting of air and the indiscriminate slaughter of wildlife through the incineration of sugarcane straw, the contamination of soil and water resources with agrotoxic substances, the utilization of child and slave labor, perversion of the landscape and of biodiversity due to monocultural agriculture, and the radicalization of hunger around the world, through the transformation of land for the production of energy rather than food. I believe our ethanol can fully overcome both these radical views. Overcome them in an honest way, not with rhetoric or palliative measures. With so much at stake, in terms of a cleaner energy matrix and the generation of jobs and foreign currency, the first step is the renewal of leadership and in the way leaders think. The transition will not be easy, but it has begun. Entrepreneurial entities, such as UNICA, that in the past saw the environment as a hindrance for the sugar and alcohol industry, nowadays perceive, voiced by respected new leaders such as Marcos Sawaya Jank, that the environmental question is, unlike what used to be the way of thinking, an instrument to strengthen the market and to differentiate ethanol. There is room here for a fruitful alliance, because, while what is important



supremo tribunal de justiça ternativas energéticas ao petróleo e ao carvão, também é do interesse da cadeia produtora do etanol demonstrar que é plenamente víável gerá-lo respeitando a biodiversidade, as Áreas de Preservação Permanente, a Reserva Legal, a qualidade da água e do ar. Iniciativas sérias de sustentabilidade estão ocorrendo em todo o país. Produtores apostam na produção de álcool em paz com a natureza. Não é financeiramente árduo; a dificuldade é cultural. Daí a necessidade de apoio governamental e das próprias entidades de classe a esses esforços. Divulgá-los passa a ser tarefa prioritária. Os bons exemplos não servem de modelo se ficarem escondidos. Merecem prêmios, incentivos, sobretudo porque melhoram a imagem do setor como um todo. Não há muito tempo para reinventar o setor sucroalcooleiro. Ganhar o embate perante a opinião pública mundial passa, antes, por fazer nosso dever de casa, enfrentando o passivo ambiental e social de 500 anos da presença da cana-de-açúcar entre nós, desde os primeiros colonizadores. Engana-se quem pensa que aí está uma tarefa individual, cujos beneficiários serão os proprietários de terra e as grandes usinas. Muito ao contrário, o etanol, se bem-sucedido, poderá colocar o Brasil na linha de frente da sustentabilidade energética do planeta e transformar os brasileiros em geradores ambulantes de energia. Enquanto o Pré-Sal e as termelétricas representam uma aposta na matriz do passado, o etanol é a alternativa do futuro, cujo limite será apenas a nossa ambição e inteligência em dele fazer um combustível sinônimo de sustentabilidade. O Poder Judiciário vem sendo importante ator nessa transformação de paradigma, especialmente ao demonstrar que a lei aí está para ser cumprida por todos. Não é justo que um proprietário rural implemente sua Reserva Legal e Áreas de Preservação Permanente para ser logo chamado de ingênuo ou pródigo pelos seus vizinhos, que continuam a explorar a terra sem qualquer preocupação com a sustentabilidade ecológica. No entanto, é sempre bom lembrar que a verdadeira sustentabilidade ecológica não nasce nos tribunais. Enquanto os cumpridores espontâneos da lei forem a minoria, o sistema como um todo será visto como inimigo do meio ambiente – aqui e nos mercados internacionais. É uma péssima publicidade para o setor e, de novo, é injusto com aqueles que estão liderando a radical transformação do etanol no campo.

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Opiniões for environmentalism is to find energy alternatives for oil and coal, for the ethanol production chain too it is important to show that ethanol is fully viable, while respecting biodiversity, Permanent Preservation and Legal Reserve areas, and the quality of water and the air. Serious sustainability initiatives are taking place throughout the country. Producers are betting on the production of alcohol in harmony with Nature. It is not financially difficult; the difficulty is of a cultural nature. Hence, the need for support from government and also from class entities for these efforts. To publicize them becomes a priority. Good examples are no good if they remain hidden. They deserve awards, incentives, particularly because they improve the image of the industry as a whole. There is not much time to reinvent the sugar and alcohol industry. To win the contest in the eyes of the world public opinion, first it requires that we do our homework facing our environmental and social debt resulting from the 500-year presence of sugarcane among us, ever since the first colonizers. It is a mistake to believe that this is a task for an individual, whose beneficiaries would be landowners and large mills. Quite to the contrary. Ethanol, if successful, may place Brazil in the front row of the Planet’s energy sustainability and make Brazilians ambulant energy generators. Whereas the pre-salt layer oil reservoirs and the thermoelectric plants stand for a bet on the technology of the past, ethanol is the alternative of the future, whose limit is only our ambition and intelligence to make it a fuel synonymous of sustainability. The Judiciary is becoming an important player in the transformation of this paradigm, particularly by showing that the law is there to be complied with by everyone. It is not fair if a landowner implements his or her Legal Reserve and Permanent Preservation areas only to be called naive or prodigal by the neighbors, who continue to exploit the land with no concern about ecological sustainability. However, one should always remember that true ecological sustainability is not generated in the Courts. As long as the volunteer abiders of the law are the minority, the system as a whole will be viewed as an enemy of the environment – here and in the international markets. It is bad publicity for the industry and, again, unfair for those who are leading the radical ethanol transformation in the countryside.



governo

Opiniões

o bioetanol como ação de mitigação a

mudanças climáticas Bioethanol as a Means to Mitigate Climate Change

" A recente mudança do clima foi constatada por meio de observações diretas dos aumentos de temperaturas médias globais do ar e do mar. Onze dos últimos doze anos (1995 a 2006) estão entre os mais quentes do registro instrumental da temperatura global. " Suzana Kahn Ribeiro Secretária de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente Secretary of Climate Change of the Ministry of the Environment

A mudança do clima pode ser considerada como um dos principais desafios globais a serem evitados neste e nos próximos séculos. Assim sendo, o Brasil precisa se planejar de forma a não só reduzir suas emissões e, dessa maneira, contribuir para a estabilização da concentração de gases de efeito estufa - GEEs, na atmosfera, como também se preparar para uma adaptação a um novo regime climático. O Quarto Relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima afirma que o aquecimento global é inequívoco. A recente mudança do clima foi constatada por meio de observações diretas dos aumentos de temperaturas médias globais do ar e do mar. Onze dos últimos doze anos (1995 a 2006) estão entre os mais quentes do registro instrumental da temperatura global. Nesse sentido, a Política Nacional sobre Mudança do Clima proverá o país com dois objetivos nacionais permanentes: 1. Reduzir as emissões antrópicas por fontes e fortalecer as remoções antrópicas por sumidouros de GEEs no território nacional, e 2. Definir e implementar medidas para promover a adaptação à mudança do clima das comunidades locais, dos municípios, estados, regiões e de setores econômicos e sociais, em particular aqueles vulneráveis aos seus efeitos adversos. Um importante instrumento da Política Nacional é o Plano Nacional sobre Mudança do Clima, que pretende não apenas coordenar as ações que ocorrem com o propósito de, direta ou indiretamente, reduzir as emissões de GEEs e provocar um aumento de sua remoção por sumidouros, mas também fortalecer outras iniciativas, além de promover novas ações. Assim sendo, o Plano Nacional sobre Mudança do Clima pode ser considerado uma “obra em progresso”, uma vez que está em constante atualização. Além desses objetivos principais, também se busca a identificação de lacunas de conhecimento, tanto para a melhor implementação das medidas de mitigação, como para o aumento do conhecimento das vulnerabilidades climáticas do país, de forma que se possa traçar um plano de ação de adaptação. No que se refere à mitigação, os principais desafios a serem enfrentados pelo Brasil são: de um lado a redução de suas emissões decorrentes de uso e mudança de uso do solo, e de outro lado, o crescimento econômico e social seguindo um caminho de uso racional e eficiente de recursos naturais,

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Climate change may be viewed as one of the main global challenges to be avoided in the current and forthcoming centuries. Thus, Brazil must plan the way, not only to reduce its emissions, thereby contributing to the stabilization of greenhouse gases (GHG) in the atmosphere, but also to prepare itself for the adoption of a new climate regime. The Fourth Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change states that global warming is unequivocal. The recent change in climate was observed in direct observations of increases in average temperatures of the air and the sea. Eleven of the last twelve years (1995 to 2006) are among the twelve hottest in the registration, using instruments, of the global temperature. In this respect, the National Policy on Climate Change will provide the country two permanent national objectives: 1. Reduce anthropic emissions by sources and enhance anthropic removals through GHG sinks within the country, and 2. Define and implement measures to promote the adaptation to climate change of local communities, municipalities, states, regions, and economic and social sectors, particularly those especially vulnerable to its adverse effects. An important instrument of the National Policy is the National Plan on Climate Change, which is intended not only to coordinate actions that take place, directly or indirectly, for the purpose of reducing GHG emissions, thereby increasing their removal through sinks, but also to enhance other initiatives, apart from promoting new initiatives. Thus, the National Plan on Climate Change may be considered “a work in progress”, given that it is constantly being updated. Apart from these main objectives, one is also searching for knowledge gaps, both for the better implementation of mitigation initiatives, and also for the increase in knowledge about the country’s climate vulnerabilities, to be able to draw up an action plan for adaptation. Concerning mitigation, the main challenges facing Brazil are: on the one hand, the reduction of its emissions resulting from the use of the land, and land usage changes, and on the other hand, economic and social growth, following a path of rational and efficient use of natural resources, thereby causing the least possible environmental impact.



governo causando, dessa forma, o menor impacto ambiental possível. O Brasil irá enfrentar os desafios da mudança climática tanto por meio de estratégias de mitigação como de adaptação, porém cabe ressaltar a relevância do aprofundamento do conhecimento dos custos dessas alternativas, de maneira a se optar pela adoção das medidas mais custo efetiva para o país. Assim, torna-se imperativo que políticas públicas sejam traçadas para enfrentar os desafios associados à mitigação e à adaptação à mudança do clima. No entanto, as estratégias para essas ações de mitigação e adaptação deverão levar em consideração as especificidades e vulnerabilidades de cada região. Cabe ao Brasil harmonizar suas ações com os processos de desenvolvimento econômico e social. Como alternativa, com grande potencial de mitigação e, simultaneamente, promoção do desenvolvimento nacional, está o uso de bioetanol, tanto na substituição de combustíveis líquidos, no setor de transporte, como insumo para a geração de eletricidade. O bioetanol também atende uma demanda por diversificação energética. Do ponto de vista estratégico, é interessante, pois pode ser produzido em diferentes regiões. Do ponto de vista ambiental, é positivo, uma vez que é produzido a partir de biomassa renovável, suas emissões de CO2, principal gás dentre os GEEs, são praticamente anuladas, pois, quando a biomassa volta a crescer, utiliza-se do mesmo CO2 liberado para a atmosfera. É nesse contexto que o bioetanol assume um importante papel no que tange à medida de mitigação de GEEs nos setores de transporte e de geração de energia elétrica. No Brasil, o cultivo da cana-de-açúcar para a produção do álcool combustível já é um exemplo para o mundo de uma alternativa energética competitiva baseada na biomassa. Evidentemente, não se espera que o bioetanol venha a substituir integralmente os derivados de petróleo, mas certamente pode ser parte significativa da matriz energética mundial, em especial no setor de transporte. Nesse sentido, o Brasil deve se posicionar de forma a manter a liderança na produção de biocombustíveis. O mundo todo se prepara para produzi-los. No entanto o Brasil possui enormes vantagens comparativas, como a disponibilidade de terra agricultável, recursos hídricos, clima favorável, entre outras. Um dos instrumentos atualmente em negociação é o NAMA - National Appropriate Mitigation Action, que são ações de mitigação apropriadas nacionalmente. Esse instrumento surgiu por ocasião do processo de Bali (Bali Road Map), como forma de estimular os países em desenvolvimento a reduzirem sua expectativa de aumento de emissões. Para cada NAMA, espera-se uma contrapartida financeira por parte dos países desenvolvidos. Diferentemente do MDL - Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, o NAMA não trata de projetos específicos e sim de uma ação nacional, que deve ser estruturante para o país. Espera-se, dessa forma, que o bioetanol possa representar um importante NAMA para o Brasil em um novo regime climático. O Brasil, como país em desenvolvimento, tem o compromisso de reduzir sua expectativa de emissão, ou seja, desacelerar a curva de crescimento das emissões de GEEs. A maior parte do desvio possível dessa curva, em 2020, deverá se dar por conta da redução das taxas de desmatamento na Amazônia. Se mantivermos o mesmo ritmo de crescimento, com um cenário tendencial, a redução de desmatamento da Amazônia representará um desvio de cerca de 20% no ano de 2020. No entanto, o Brasil pode contribuir ainda mais no esforço global de redução das emissões mundiais por meio de outras ações de mitigação. O bioetanol tem potencial de colaborar enormemente para o desvio da curva de emissões brasileiras sendo um NAMA com grande impacto no novo período de negociação.

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Opiniões The means for Brazil to face the challenges of climate change will be both through mitigation and adaptation strategies, however one should emphasize the relevance of deepening one’s knowledge about the costs of such alternatives, so as to opt for the most cost effective initiatives for the country. Thus, it becomes imperative that public policies be laid out to face the challenges associated with mitigation and adaptation to climate change. However, the strategies for these mitigation and adaptation initiatives must take into consideration the specific aspects and vulnerabilities of each country or region. It is up to Brazil to harmonize its actions with economic and social development processes. The alternative, for Brazil, with great mitigation potential, which simultaneously promotes national development, is the use of bioethanol, both in replacing liquid fuel in the transportation sector, and as input in electric power generation. Bioethanol also meets the demand for energy diversification. From a strategic point of view, this is interesting, because bioethanol can be produced in different regions. From the environmental point of view, it is also positive, given that it is produced from renewable biomass, its CO2 (the main gas causing the greenhouse effect) emissions are practically eliminated when biomass grows again, given that, to that end, one uses the same CO2 contained in the atmosphere. It is in this context that bioethanol plays an important role in terms of mitigating GHG effects, whether in the transportation sector, or in the generation of electric power. In Brazil, the cultivation of sugarcane for the production of alcohol as fuel is already an example for the world, of a competitive energy alternative based on biomass. Obviously, one does not expect bioethanol to fully replace products derived from oil, however, it may surely become a significant part of the world energy matrix, particularly in the transportation sector. In this regard, Brazil must position itself to uphold its leading position in the production of biofuel. The whole world is getting ready to produce it. However, Brazil has enormous competitive advantages, such as the availability of land for agriculture, hydric resources, and a favorable climate, among others. One of the instruments currently under negotiation is NAMA (National Appropriate Mitigation Action), which consists of nationally appropriate mitigation initiatives. This instrument surfaced on the occasion of the Bali process (Bali Road Map), as a means to encourage developing countries to reduce their expectations concerning the increase in emissions. For each NAMA, one expects financial offsetting on the part of the developed countries. Unlike the CDM (Clean Development Mechanism), NAMA does not handle specific projects, but rather a national initiative, intended to provide the country the needed structure. In this way, one hopes that bioethanol may represent an important NAMA for Brazil in a new climate regime. Brazil, as a developing country, is committed to reducing emissions, i.e., to decelerating the growth curve of GHG emissions. Most of the possible deviation from this curve, in 2020, is expected to occur due to the reduction in deforestation rates in Amazonia. If we maintain the same growth rate, in a trend scenario, the reduction in deforestation in Amazonia will represent a deviation of about 20% in the year 2020. However, Brazil can do more for the global effort of reducing world emissions, through other mitigation initiatives. Bioethanol has enormous potential in cooperating towards the Brazilian emissions’ curve deviation, therefore being an important NAMA with great impact in the new negotiation period.



governo

de o desafio do desenvolvimento baixo carbono The Challenge of Developing Low Carbon

O Brasil precisa criar o seu modelo próprio de desenvolvimento, que seja voltado para a construção de uma sociedade educada, saudável, segura, ética, feliz e que seja capaz de respeitar as gerações passadas e ao mesmo tempo se manter compromissada com as gerações futuras. Esse novo modelo deve ser uma evolução das conquistas recentes em estabilidade econômica e social e se conectar à urgente necessidade de reduzir drasticamente a intensidade de emissões de gases do efeito estufa, ou seja, estar articulada com o que se convencionou chamar uma economia de baixo carbono. O desafio é superar uma lógica minimalista de indicadores de crescimento, focando numa evolução da prosperidade e sustentabilidade. Desenvolver-se de forma sustentável pode significar inclusive decrescer. Por exemplo, o uso de transporte público ou bicicleta, como alternativa de transporte ao carro particular, contribui para um ambiente menos poluído e amplia a prática física saudável. No entanto, baseia-se numa cadeia de produção de menor valor agregado, e a migração de um modelo para outro pode significar um decrescimento pelos conceitos tradicionais. A busca do desenvolvimento sustentável neste século XXI está intrinsicamente ligada à ideia de descarbonização da economia global. Esse processo é necessário para que as emissões do planeta sejam reduzidas em pelo menos 80% até 2050, de forma que a temperatura média do planeta não suba mais do que 2 °C, evitando uma série de impactos negativos de enorme magnitude. É o desafio da humanidade e de fundamental importância para o Brasil, que poderá ser um dos países mais afetados pelas mudanças climáticas globais, em especial quanto às alterações no regime hídrico que colocam em risco a agricultura e a geração de energia elétrica. A orientação para essa nova economia descarbonizada será geradora de grandes oportunidades. A necessidade da descoberta de novas soluções tecnológicas desafiará nossos cientistas e deverá estimular uma expansão significativa de nossa capacidade de P&D. A grande maioria das alternativas energéticas renováveis está baseada em ativos muito abundantes no Brasil, como é o caso da energia solar, eólica, de biomassa e de hidroelétrica - rio e marés. O Brasil tem uma das maiores áreas de insolação do planeta e um dos maiores potenciais eó-

" Desenvolver-se de forma sustentável pode significar inclusive decrescer. O uso de transporte público ou bicicleta, como alternativa ao carro particular, contribui para um ambiente menos poluído e amplia a prática física saudável. " Tasso Rezende de Azevedo

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Consultor para Florestas e Clima Forest and Climate Consultant

Brazil must create its own development model, aimed at building an educated, healthy, safe, ethical and happy society, capable of respecting past generations, while at the same time committing to future generations. This new model must be an evolution of recent conquests in terms of economic and social stability and tied to the urgent need of drastically reducing the intensity of greenhouse gas emissions, i.e., it must be linked to what has been termed a low carbon economy. The challenge is to overcome a minimalist logic of growth indicators, to focus on an evolution of prosperity and sustainability. To develop in a sustainable manner may even mean to grow negatively. For example, to make use of public transportation or a bicycle, as alternatives to using a private car, contributes to a less polluted environment and fosters healthy physical practices. However, this is based on a production chain of lower aggregate value and the migration from one model to another may imply growing negatively according to traditional concepts. The search for sustainable development in this 21st Century is intrinsically linked to the notion of decarbonizing the global economy. This process is necessary so that the planet’s emissions are reduced by at least 80% until 2050, and so that the average temperature on the planet will not increase by more than 2 oC, avoiding a series of negative impacts of gigantic magnitude. This is a challenge for mankind and of fundamental importance for Brazil, since the country may be one of the most affected by global climate change, particularly as related to alterations in the hydric regime that endanger agriculture and the generation of electric power. The orientation afforded this new decarbonized economy will generate great opportunities. The need to discover new technological solutions will challenge our scientists and is expected to foster a significant expansion of our R&D capacity. Most renewable energy alternatives are based on assets that are abundant in Brazil, as is the case of energy generated from the sun, the wind, from biomass and hydroelectric energy (from rivers and the tide).


Opiniões licos, tanto em terra quanto em mar. Além disso, temos a maior capacidade de produção de biomassa de todo o planeta, além do domínio de tecnologias de biocombustíveis. Outras áreas também deverão ser cobertas. Os combustíveis fósseis, grandes vilões das emissões, são também base da indústria de plásticos, fertilizantes e outros químicos derivados. O Brasil já produz plástico biodegradável, feito diretamente da biomassa de cana--de-açúcar, e investimentos bem orientados na área de biotecnologia que, nas biorefinarias, podem viabilizar alternativas renováveis para a quase totalidade dos produtos da indústria petroquímica. O caminho para esse novo modelo de desenvolvimento deve ser traçado o quanto antes. As decisões tomadas hoje em relação ao planejamento da infraestrutura, educação e tecnologia não podem ser revertidas no curto prazo. Uma nova termoelétrica a carvão mineral, quando contratada, indica, de fato, o contrato, por décadas, de emissões de gases do efeito estufa. Da mesma forma, o modelo educacional implantado hoje afetará toda uma geração, e não terá retorno. Nos últimos 20 anos, o Brasil conseguiu avanços significativos na formação como nação, alcançando a estabilidade econômica e implementando uma efetiva política de inclusão social. Agora, é preciso ir além, é hora de se colocar a sustentabilidade no centro da pauta de debate do país. O processo eleitoral de 2010 se apresenta como uma excelente oportunidade de fazer essa reflexão e debate, e, quem sabe, independente do vencedor, tenhamos uma inflexão do Brasil para o foco no desenvolvimento sustentável.

Brazil has one of the largest insolation areas on the planet and one of the highest eolic potentials, both on land and at sea. Furthermore, we have the largest capacity to produce biomass on the entire planet, in addition to dominating biofuel technologies. Other areas too will be covered. Fossil fuel – the main emissions’ villain – is also the basis for the plastic, fertilizer and other chemical derivative industries. Brazil already produces bio-degradable plastic, made directly from sugarcane biomass, and has made well-oriented investments in biotechnology, which, in the “bio-refineries”, can make feasible renewable alternatives for almost all products of the petrochemical industry. The path to this new development model must be laid out as soon as possible. Decisions made today with respect to planning infrastructure, education and technology cannot be reverted in the short-term. A new thermoelectric plant, when contracted, in fact is a contract with a life of decades of greenhouse gas emissions. By the same token, an educational model implemented today will affect an entire generation, and there is no way back. In the last 20 years, Brazil advanced significantly in terms of its formation as a nation, achieving economic stability and implementing an effective social inclusion policy. Now is the time to go beyond and place sustainability in the center of the country’s debating agenda. The electoral process of 2010 stands out as an excellent opportunity to reflect on this and to bring about the debate, and, who knows, regardless of who turns out to be the winner, make Brazil turn to focus on sustainable development.


usinas

Opiniões

o etanol, a bioeletricidade e o

Clima

Ethanol, Bioelectricity and the Climate

" o volume de cana produzido hoje no Brasil permitirá gerar quantidade de energia superior à energia gerada por hidroelétricas, à medida que as unidades industriais apliquem tecnologias modernas no processo de produção e de cogeração " Eduardo de Queiroz Monteiro Presidente do Grupo EQM President of the EQM Group

O reconhecimento mundial das consequências ambientais, em razão do aquecimento global e de sua correlação com o consumo de combustíveis fósseis, encontra no Brasil uma das mais consistentes respostas, pelos fatores favoráveis que congregam para a ampliação da oferta de energia limpa e renovável a partir de biomassa, representada pela produção de etanol e da cogeração a partir do bagaço de cana-de-açúcar. Cresce, assim, a convicção na sociedade internacional de que alternativas bem-sucedidas aos combustíveis fósseis devem ser buscadas e incentivadas a qualquer custo. O Brasil é o maior exemplo para o mundo de um programa em larga escala de redução da emissão de gases do efeito estufa e substituição de combustível fóssil, pelo estrondoso sucesso do etanol como combustível, materializado na crescente frota de veículos flex-fuel. Em 2009, praticamente 90% dos veículos comercializados no país foram flex, o que demonstra a grande aceitação da população em dispor de um mecanismo que permita consumir um combustível limpo e ainda obter vantagem econômica. O consumidor brasileiro tem o poder de decidir que combustível utilizar a cada vez que for abastecer seu veículo. À medida que o nível de conscientização da população em relação aos efeitos prejudiciais de emissão de gases para o meio ambiente for aumentando, maior será o nível de consumo de energias limpas, mesmo em condições pouco vantajosas em termos econômicos. O etanol de cana brasileiro não só produz um combustível verde, que reduz as emissões por si só, quando comparado com a gasolina, mas também, no próprio processo produtivo do etanol, sequestra grande quantidade de carbono da atmosfera, sendo capaz de gerar energia e ainda ter um balanço positivo de biomassa, ou seja, o processo gera a energia necessária para a transformação da cana em etanol e ainda permite a utilização do excedente de biomassa para a produção de energia elétrica, a chamada bioeletricidade. O volume de cana produzido hoje no Brasil nos permitirá, num futuro próximo, gerar quantidade de energia superior à energia gerada por hi-

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The world’s acknowledgement of environmental consequences, due to global warming, and their correlation with the consumption of fossil fuel, in Brazil finds one of the most consistent responses, brought about by the favorable factors it entails in contributing to the expansion of the supply of clean and renewable energy obtained from biomass, represented by the production of ethanol and the cogeneration of energy from sugarcane bagasse. Thus, the belief is growing in international society that successful alternatives to fossil fuel must be sought and fostered at any cost. Brazil is the world’s best example of a large-scale program to reduce greenhouse gas emissions by replacing fossil fuel, due to ethanol’s extraordinary success as fuel, which is reflected in the growing fleet of “flex fuel” vehicles. In 2009, practically 90% of the vehicles sold in the country were “flex fuel”, which shows the broad acceptance by the population of a system that allows the consumption of clean fuel, while enjoying an economic advantage. The Brazilian consumer has the power to decide which fuel to use every time he or she fills up the car. To the extent that the population’s awareness level concerning the damaging effects on the environment of gas emissions increases, the higher the consumption level of clean energy will be, even under non-optimal economic conditions.Ethanol produced from sugarcane in Brazil is a “green” fuel, which, in itself, reduces emissions when compared with gasoline, but even in the very ethanol production process it sequesters a large quantity of carbon from the atmosphere, being capable of generating a positive biomass balance, which is to say that the process generates the energy necessary for transforming sugarcane into ethanol, while also allowing the use of excess biomass to produce electric power, the so-called bioelectricity. The sugarcane volume currently produced in Brazil will allow us, in the near future, to generate an energy quantity higher than that generated in the country by the hydroelectric plants,



usinas droelétricas no país, à medida que as unidades industriais apliquem tecnologias modernas no processo de produção e de cogeração, o que já vem ocorrendo acentuadamente nos últimos anos. Estamos diante de nova revolução tecnológica com a produção, nos próximos anos, do etanol a partir da celulose, o que abrirá enormes oportunidades de ampliação da produção de combustível limpo e renovável, mas tornará a cana-de-açúcar produzida no Brasil, mais uma vez, extremamente competitiva em relação a outras biomassas. Os primeiros passos para relaxamento de barreiras protecionistas ao álcool nos Estados Unidos e na Comunidade Europeia foram dados recentemente, e a tendência é de maior liberalização. Essas iniciativas, aliás, são benéficas para as pretensões brasileiras e de outros eventuais produtores e exportadores de álcool, pois a diversificação de fontes tranquiliza o comprador. O álcool de cana, tendo o Brasil como principal destaque, já é a opção de biomassa energética de maior produtividade por unidade de área e de melhor ciclo de vida - balanço energético. Ciclo de vida é a razão entre a energia produzida durante a vida total do sistema e a energia consumida, desde a sua implantação até o seu descomissionamento. Enquanto o álcool de milho produzido nos EUA apresenta um ciclo entre 1,2 e 1,4, o de cana é superior a 8. Nenhuma forma de aproveitamento de energia solar, nem mesmo o fotovoltaico, tem um ciclo de vida tão elevado. A despeito dessa já elevada produtividade e ciclo de vida, é de se esperar, ainda, significativos avanços desses valores. Esperamos que, em Copenhague, possamos assistir a um avanço objetivo, no sentido de os países do primeiro mundo assumirem uma posição mais efetiva e objetiva nas metas de redução das emissões dos gases poluentes, e, finalmente, darmos um passo amplo na evolução de um mecanismo que incentive a utilização de energias renováveis e cada vez mais limpas. Impossível continuarmos convivendo com o derretimento progressivo das camadas polares e dos efeitos climáticos a que assistimos nas últimas décadas. Precisamos ter a consciência de que qualquer esforço que for realizado por uma geração só será percebido a longo prazo. É como se estivéssemos abastecendo nossos veículos hoje, pensando no bem-estar das gerações futuras.

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to the extent that companies apply modern technologies in the production process and in cogeneration, which has actually been occurring in an upward trend in recent years. We are faced with a new technological revolution, involving the production, in forthcoming years, of ethanol from pulp, which will open tremendous opportunities to grow the production of clean and renewable fuel, but will, once again, make sugarcane produced in Brazil extremely competitive in relation to other types of biomass. The first steps towards dismantling protectionist barriers against alcohol in the USA and the European Community were recently taken, and the trend is towards increased liberalization. Such initiatives, by the way, are beneficial to Brazil, and possibly other alcohol producing and exporting countries, given that the diversification of sources tranquilizes buyers. Alcohol from sugarcane, with Brazil as the main attraction, is already the energy biomass option that has the highest productivity per area unit and the best life cycle (energy balance). Life cycle is the ratio between the energy produced during the system’s total life and the energy consumed from its implementation to its decommissioning. While alcohol produced from corn in the USA has a cycle from between 1.2 and 1.4, in the case of sugarcane, it is above 8. No means of using solar energy, not even the photovoltaic one, has such a high life cycle. Despite this high productivity and life cycle, one may also expect significant improvement of these figures. We hope that, in Copenhagen, we may see objective progress, in the sense that first world countries will take up a more effective and objective position in achieving the reduction targets for polluting gases and, finally, that we will take a significant step in the development of a mechanism that fosters the use of renewable and increasingly cleaner energy. It is impossible to go on watching the progressive meltdown of polar layers and the climate effects we have been seeing in recent decades. We must be aware of the fact that any effort undertaken by any given human generation will only be noticed in the long-term. It is as if we were filling up our cars today, thinking of the well-being of future generations.


Opiniões

run "forest", Frente à elevação da temperatura global, em função das emissões de gases que provocam o efeito estufa, estratégias combinadas na área de energias renováveis, aliadas à eficiência energética e ao adequado uso da terra, surgem como consenso na redução das emissões de CO2 e mitigação das mudanças climáticas. Segundo o relatório “Tendências Mundiais dos Investimentos em Energia Sustentável”, publicado este ano pelo Pnuma - Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, em 2008, foram investidos US$ 155 bilhões em empresas e projetos de energia limpa, superando, pela primeira vez, os investimentos em energias fósseis.

run! Run "forest", run!

In view of the rising global temperature, due to the emission of gases that cause the greenhouse effect, combined strategies in the field of renewable energy, along with energy efficiency and adequate use of land, arise as consensus factors in reducing CO2 emissions and mitigating climate change. According to the report “Global Investment Trends in Sustainable Energy”, published this year by UNEP – The United Nations Environment Program, in 2008, US$ 155 billion were invested in clean energy companies and projects, for the first time exceeding investments in fossil energy. Achim Steiner, UNEP’s executive director, credits investment growth in renewable energy, in times of

" áreas que margeiam nascentes e açudes, anteriormente ocupadas pelo café, laranja e posteriormente cana-de-açúcar, hoje desenvolvem vigorosas matas "

Antônio Eduardo Porto Ruette Diretor Industrial do Grupo Ruette Industrial Director of Ruette Group

Achim Steiner, Diretor-executivo do Pnuma, credita o crescimento dos investimentos em renováveis, em tempos de crise, aos pacotes governamentais de estímulos ao setor. O Brasil, com louváveis 46% da sua matriz energética provenientes de fontes renováveis, sendo 13% a média mundial, está correndo risco de perder a liderança na área. O setor elétrico, por exemplo, que tem o marco institucional e regulatório baseado numa expectativa de expansão de usinas hidroelétricas com reservatório, não deu a devida atenção ao planejamento de um parque gerador complementar ao hídrico existente, problema agravado pela nova legislação ambiental, tendo em vista que quase a totalidade das poucas hidroelétricas que se efetivam é a fio d’água. Criou-se uma “armadilha térmica”, constatada nos resultados dos leilões de energia, a partir do “Novo Modelo” do setor elétrico (2003/2004), com a forte predominância de termoelétricas sujas, movidas a óleo combustível ou a gás natural, de elevados custos de instalação, operacional e grau de importação de equipamentos. Ora, mas e a bioeletricidade? Opção de baixo impacto ambiental, de elevada eficiência energética, que gera créditos de carbono, utilizando equipamentos 100% produzidos pela indústria nacional, de geração distribuída, no centro de carga brasileiro, de combustível disponível renovável e o mais relevante, complementa o parque hídrico, pois opera no período seco, aumentando a segurança do sistema?

a crisis, to governmental incentive packages for the sector. Brazil, which has laudable 40% of its energy matrix based on renewable sources (the world average is 13%), is running the risk of losing its lead position in this field. The electric energy sector, for example, whose institutional and regulatory mark is based on the expansion expectation of hydroelectric plants with water reservoirs, did not give proper attention to the planning of a generation complex supplementary to the existing hydric one, a problem enhanced by the new environmental legislation, considering that almost half of the few hydroelectric plants that reach fruition are built on water streams. A “thermal trap” has been created, which is asserted by the results of the energy auctions, following the creation of the “New Model” for the electric energy sector (2003/2004), with high prevalence of “dirty” thermoelectric plants, powered with fuel oil or natural gas, with high installation and operation costs, as well as a high imported equipment ratio. Alright, but what about bioelectricity? A low environmental impact option, with high energy efficiency, that generates carbon credits, uses equipment entirely made by the national industry, with a broadly distributed generation, in the middle of the Brazilian load center, obtained from available renewable fuel, and more importantly: which complements the hydric park, because it operates in the dry period, increasing the system’s safety. Well, this option awaits adequate valorization, which surely will

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usinas estratégica visão Pois bem, está aguardando a adequada valoração, que certamente não acontecerá pelas atuais regras. Seria essa morosidade devido ao potencial da biomassa (2 Itaipus) ser considerado uma reserva? Não sei dizer, mas certamente esse reconhecimento aconteceria em excelente hora para o setor sucroenergético, que passa por uma consolidação de sustentabilidade, com investimentos pesados em reflorestamento, eliminação da prática da queima da palha da cana-de-açúcar, aplicação racional de vinhaça, tratamento de efluentes líquidos e gasosos, qualificação da mão de obra, etc. Concomitantemente, atravessa a sua mais forte crise financeira, com muitas unidades à venda e com expressiva entrada de pocket money das gigantes internacionais, representando 16% do setor e com previsões de que em 3 a 5 anos representarão 25% do mercado (Datagro), salientando que esta não considera investimentos estrangeiros em ações de empresas de capital aberto, devido à oscilação de propriedade. O etanol apresenta redução de 90% das emissões de CO2 comparada às emissões da gasolina, como reconhece a Ademe - Agência do Meio Ambiente de Controle de Energia da França, constatação fortemente abalada, recentemente, pela restrita visão da “nota verde” - ranking veicular dos poluidores, publicada pelo Ibama. É considerado, internacionalmente, como a única alternativa atual economicamente viável aos combustíveis fósseis e com vantagem de ser uma fonte renovável, que pode ser produzida em várias regiões do planeta, condição indispensável para que se torne uma commodity, garantia de significativa redução dos gases causadores do efeito estufa. Os diversos aspectos positivos governamentais se tornam irrelevantes frente à urgência de leis e políticas coerentes, ou mesmo incentivos regulatórios para estruturar o desenvolvimento de um mercado de renováveis seguro e consistente aos investidores e consumidores, livre de incertezas como pré-sal, redução de adição à gasolina, diesel em veículos leves e leis insensatas criadas numa realidade de meio século atrás (Reserva Legal). Que tais medidas não demorem, para que não se repita o que aconteceu com o financiamento da estocagem, que chegou tardiamente para as empresas do setor. Talvez sejamos mesmo heróis... heróis da resistência.

Opiniões not come about under the current rules. Can it be that this moroseness occurs because of the fact that the biomass’ potential (equivalent to 2 Itaipu complexes) is viewed as a reserve? I cannot tell, but for sure such acknowledgement would take place at an excellent point in time for the sugarbased energy sector, which is going through sustainability consolidation, with heavy investments in reforestation, the elimination of the habit of incinerating sugarcane straw, the rational utilization of vinasse, the treatment of liquid and gas effluent, the qualification of the workforce, etc. Concurrently, ethanol is going through its worst financial crisis, with many plants up for sale and with the expressive inflow of pocket money of multinational giants, representing 16% of the industry, and with an outlook that in 3 to 5 years they will represent 25% of the market (Datagro). One should emphasize that these figures do not consider foreign investments in stock of publicly traded companies, due to the variation in ownership. Ethanol brings about a reduction of 90% of CO2 emissions compared with gasoline, as acknowledged by ADEME – The French Environment and Energy Management Agency, albeit this finding was recently strongly challenged by the “green grade” (a vehicle pollution ranking) published by Ibama, the Brazilian environmental authority. Internationally, ethanol is considered as the only current economically feasible alternative to fossil fuel, having the advantage of coming from a renewable source, which can be produced in different regions around the globe. This is an essential condition for it becoming a commodity, and for the certainty of a significant reduction in gases that bring about the greenhouse effect. Several positive government-caused effects become irrelevant in view of the urgent need for coherent laws and policies, or even for regulatory incentives to structure the development of a safe and consistent market for renewable fuel, for investors and consumers, free of uncertainties such as the “pre-salt” oil reserves, the reduction in the volume added to gasoline, lighter diesel vehicles and senseless laws created for a reality of half a century ago (Legal Reserve). May such measures materialize shortly, to avoid what happened with storage financing, that was offered much too late to do the companies in the industry any good. Perhaps we are in fact heroes… heroes of the resistance.



embaixadas e câmaras de comércio

Opiniões

cooperação bilateral o significado de biocombustíveis na

entre o Brasil e os Países Baixos

The meaning of biofuel in the bilateral cooperation between Brazil and The Netherlands

" tanto os Países Baixos como o Brasil têm a mesma opinião, de que a expansão da capacidade de produção não poderá resultar no encolhimento da biodiversidade, tampouco na redução da superfície das florestas tropicais " Kees Pieter Rade Embaixador do Reino dos Países Baixos no Brasil Ambassador of The Netherlands to Brazil

A União Europeia - UE, adotou uma política climática, na qual a energia sustentável desempenha relevante papel. Um item importante dessa política é o objetivo ambicioso para que, em 2020, haja uma redução de 10% de emissão de gás carbônico no setor de transporte. Sem dúvida, a maior parte do objetivo deverá ser preenchida com biocombustíveis. Devido ao clima menos favorecido e à limitação de terra, a Europa, de forma alguma, teria condições de se autoabastecer com biocombustíveis a fim de atender às suas próprias necessidades; a importação de biocombustíveis será necessária para poder cumprir tal objetivo. Ao final de 2008, a UE estabeleceu uma diretriz no tocante aos biocombustíveis, na qual os Estados-membros terão a obrigação de misturar um certo percentual de biocombustíveis com os combustíveis fósseis. Em 2020, tal percentual deverá ser de 10%. Desde os anos 70, o Brasil conduz uma política ativa no que concerne à produção de tais biocombustíveis em seu território. Esses biocombustíveis são principalmente o bioetanol, feito da cana-de-açúcar, e o biodiesel, produzido da soja. Acrescente-se que o Brasil não somente construiu uma infraestrutura de produção e distribuição, mas também desenvolveu e produziu automóveis que utilizam biocombustíveis. Atualmente, o Brasil produz uma grande quantidade de bioetanol, de tal forma que poderá exportar uma parte da sua produção. O governo brasileiro está planejando aumentar a produção de biocombustíveis para uma larga escala em poucos anos, assim uma maior quantidade de bioetanol poderá ser exportada, para a Europa, por exemplo, onde a demanda por biocombustíveis, devido à diretriz estabelecida pela UE, será mais do que dobrada nos próximos anos. O porto de Roterdã é o maior da Europa e possui todos os requisitos para se tornar o porto de acesso mais importante do continente europeu ao Brasil. A intenção é que a distribuição de bioetanol seja feita a partir de Roterdã para toda a Europa. O interesse público em biocombustíveis nos Países Baixos e na Europa é muito grande e diz respeito à sustentabilidade da produção de bioetanol. Se queremos nos Países Baixos contribuir para a redução da emissão de CO2

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The European Union adopted a policy on the climate, in which sustainable energy plays a relevant role. One important item of this policy is the ambitious objective to achieve a 10% reduction in carbon dioxide emissions, in the transportation sector, by 2020. Certainly, for the most part, this objective will be attained with biofuel. Due to the less favorable climate and limitations in the availability of land, Europe will never be able to self-supply its demand for biofuel; the import of biofuel will be necessary to comply with said objective. At the end of 2008, the European Union established a directive for biofuel, by which member states will be obliged to mix a certain percentage of biofuel to fossil fuel. In 2020, this percentage figure is expected to be 10%. Since the 70’s, Brazil has adopted an active policy with respect to the production of biofuel in the country. This biofuel comprises mainly bioethanol, produced from sugarcane, and biodiesel, produced from soya. One may add that Brazil set up not only a production and distribution infrastructure, but also developed and produced cars powered with biofuel. Currently, Brazil produces a large volume of bioethanol, allowing it to export some of its production. The Brazilian government is planning to increase the production of biofuel to reach a grand scale in a few years, so that a larger volume of bioethanol may be exported, for example, to Europe, where the demand for biofuel, due to the directive established by the European Union, will more than double in the next few years. The port of Rotterdam is the largest in Europe and complies with all the requirements to become the main port of access for Brazil on the European continent. The intention is that the distribution of bioethanol will take place from Rotterdam to all of Europe. There is a very big public interest in biofuel in The Netherlands and in Europe with respect to the sustainability of bioethanol production. If in The Netherlands we want to


Opiniões mediante mistura do bioetanol com a gasolina, ou do biodiesel com o diesel, somente faremos isso com a ciência de que os biocombustíveis foram produzidos no país de origem de forma sustentável. Portanto, os Países Baixos e o Brasil têm interesse em comum na área de biocombustíveis. Os Países Baixos querem desempenhar um papel relevante no suprimento de biocombustíveis para toda a Europa, e o Brasil poderá obter por meio dos Países Baixos acesso ao mercado europeu. O interesse de ambas as nações foi motivo para a assinatura de um acordo de cooperação mútua entre os Países Baixos e o Brasil, em abril de 2008, no que tange à produção sustentável de biocombustíveis no Brasil e no mundo. Um item desse acordo de cooperação mútua é o estabelecimento de um grupo de trabalho bilateral, com representantes do governo, que agendarão atividades e providenciarão as suas execuções. O referido grupo de trabalho deverá possuir especialistas representando as mais variadas disciplinas. A produção de biocombustíveis envolve aspectos econômicos, sociais e ambientais, sendo que cada um desses aspectos possui o seu ponto de vista. Os Países Baixos têm a opinião de que, além do intercâmbio de conhecimento de assuntos atuais, a questão principal é a promoção de uma melhor visão sobre a situação contemporânea no Brasil e nos Países Baixos e, também, para compreender os pontos de vista que esses dois países possuem a respeito da questão de sustentabilidade. Além disso, o grupo de trabalho também tem o objetivo de facilitar a exportação de bioetanol sustentável, devidamente certificado, para os Países Baixos. O supramencionado grupo de trabalho entre o Brasil e os Países Baixos se reuniu em setembro desse ano nos Países Baixos, quando foi debatida a questão da sustentabilidade do bioetanol, em uma oficina de trabalho com os participantes. O Brasil teve nada menos do que doze representantes. Na oficina de trabalho, havia participantes dos Países Baixos, tais como ONGs, institutos de pesquisa, departamentos de certificações, empresas da indústria e do comércio e, ainda, representantes do governo. Naquela data, foram introduzidas pelo Brasil e discutidas em conjunto as recentes políticas de desenvolvimento no Brasil, como o Zoneamento Agroecológico da Terra - AEZ, a Comissão Nacional para o Desenvolvimento das Condições de Trabalho na Atividade de Cana-de-açúcar e a mudança indireta no uso da terra ILUC. A ILUC, como consequência da expansão da área de biocombustíveis, é um assunto problemático que ainda não foi abordado na Diretriz Europeia. Tanto os Países Baixos como o Brasil têm a mesma opinião, de que a expansão da capacidade de produção não poderá resultar no encolhimento da biodiversidade, tampouco na redução da superfície das florestas tropicais. O intercâmbio de conhecimento a respeito da ILUC contribuiu para se obter uma melhor compreensão sobre a questão por ambos os lados. O bioetanol do Brasil se classificou muito bem na escala de sustentabilidade; questões relativas à sustentabilidade serão primeiramente concentradas na produção de outros biocombustíveis. Mas a atenção continuará a ser dirigida para o bioetanol, sobre o qual o Brasil e os Países Baixos concordaram que existe uma necessidade para aprimorar as ferramentas a fim de se estudar melhor os aspectos da ILUC. Para 2010, também foram planejadas diversas atividades, nas quais a proveitosa cooperação entre o Brasil e os Países Baixos poderá ser mais uma vez destacada. Temos o interesse em comum por um mundo mais limpo. Com certeza, na Conferência de Copenhague, temos que empenhar os nossos máximos esforços no intuito de proporcionar, por meio desse tipo de cooperação, um clima melhor.

contribute to decreasing CO2 emissions by mixing bioethanol to gasoline, or biodiesel to diesel, we can only accomplish this if we know that the biofuel was produced in its country of origin in a sustainable manner. Thus, The Netherlands and Brazil share interests in the field of biofuel. The Netherlands want to play a relevant role in supplying biofuel to Europe, and through The Netherlands, Brazil can gain access to the European market. This shared interest of the two nations was the reason for their signing a mutual cooperation agreement in April 2008, covering the sustainable production of biofuel in Brazil and the world. One of the items of this mutual cooperation agreement set forth the establishment of a bilateral workgroup, comprising government representatives, which will schedule activities and undertake to implement them. Said workgroup will comprise specialists representing a broad range of disciplines. The production of biofuel involves economic, social and environmental aspects, whereas each entails its own perspective. The Netherlands are of the opinion that, apart from the exchange of knowledge about current affairs, the main issue is the promotion of a better view of the contemporary situation of Brazil and The Netherlands, and also understanding the points of view that these two countries have on the issue of sustainability. In addition, the workgroup also has the objective of facilitating the export of sustainable biofuel, duly certified, to The Netherlands. The above mentioned bi-national workgroup met in September of this year in The Netherlands to discuss the issue of bioethanol sustainability, in a workshop attended by the participants. Brazil had no less than twelve representatives. In the workshop, there were representatives of The Netherlands, such as from NGOs, research institutes, certification entities, industrial and commercial companies, as well as government representatives. On that occasion, Brazil submitted recent development policies in Brazil, which were jointly discussed, such as the Agro-ecological Land Zoning (“AEZ”), the National Commission for the Development of Working Conditions in the Sugarcane Activity and the Indirect Change of the Use of Land issue (“ILUC”). “ILUC”, as a consequence of the expansion of the biofuel area, is a problematic issue that is as yet not covered in the European Directive. Both The Netherlands and Brazil share the same opinion, according to which the production capacity may not result in the shrinking of biodiversity, nor in the reduction of tropical forest areas. The exchange of knowledge about “ILUC” contributed to the better understanding of the subject matter by both parties. Brazilian bioethanol ranked very well on the sustainability scale; issues pertinent to sustainability will initially be concentrated on the production of other types of biofuel. However, attention will continue to be focused on bioethanol, on which the two countries agreed that there is a need to improve the instruments used, so as to better study all aspects relating to “ILUC”. For 2010, several activities are planned, in which the useful cooperation between Brazil and The Netherlands may again be highlighted. We share a common interest in a cleaner world. Certainly, at the Copenhagen Conference, we will have to optimize our efforts to, through this type of cooperation, bring about a better climate.

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embaixadas e câmaras de comércio

para nós, não há

Opiniões

plano B For us, there is no Plan B

Em dezembro, as atenções dos líderes mundiais estarão voltadas para as negociações de um novo acordo global para o clima. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, espera que a Conferência do Clima em Copenhague fique marcada como um daqueles momentos em que as nações se unem para fazer história. Para nós, não há plano B. Não há segunda chance quando se trata de mudança do clima. O governo britânico tem trabalhado de maneira incessante para criar políticas públicas que estimulem a redução das emissões de Gases de Efeito Estufa - GEEs, e já cumpriu as metas do Protocolo de Kyoto, com reduções de 18,4% em 2007, acima das metas obrigatórias de 12,5%, baseado nos níveis de emissão de 1990. Projeções recentes indicam que se pode esperar uma redução de emissões de 23% até 2010.

In December, the attention of the world leaders will be focused on the negotiations of a new global agreement on the climate. The British Prime Minister, Gordon Brown, hopes that the Copenhagen Climate Conference will stand out as one of those moments in which nations unite to make history. For us, there is no Plan B. There is no second chance when the issue is climate change. The British government has worked incessantly to create public policies that foster the reduction in greenhouse gas (GHG) emissions, and it has already complied with the targets set under the Kyoto Protocol, with reductions of 18.4% in 2007, above the mandatory targets set at 12.5% (based on the 1990 emission levels). Recent projections show that one may expect emission reductions of 23% by 2010.

" o Reino Unido não deverá adotar políticas tão ambiciosas para criar um mercado interno de biocombustíveis como o brasileiro, já que, no médio e no longo prazos, estamos apostando nos carros híbridos e elétricos " Alan Charlton Embaixador do Reino Unido no Brasil Ambassador of the United Kingdom to Brazil

Na área de energias renováveis, o governo assumiu um compromisso de utilização de 10% de combustíveis renováveis no setor de transportes, como parte da Diretiva Europeia para Energias Renováveis - RED, aprovada pelo Parlamento Europeu no fim do ano passado. Acreditamos que os biocombustíveis sustentáveis apresentam-se hoje como uma das mais importantes alternativas, tanto para redução de GEEs no setor de transporte, como para aumentar a segurança energética dos países. Por esses motivos, o incentivo ao seu uso é hoje mais do que uma obrigação legal, é uma realidade. O fato é que iniciativas como a do governo britânico deverão beneficiar o Brasil, já que a demanda por biocombustíveis irá aumentar e, consequentemente, impulsionar a criação de um mercado global.

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In the field of renewable energy, the government assumed the commitment of using 10% of renewable fuel in the transportation sector, in compliance with the Renewable Energy Directive (RED), approved by the European parliament at the end of last year. We believe that sustainable biofuel nowadays is one of the most important alternatives, both in terms of GHG reductions in the transportation sector, as well as to increase countries’ energy safety. For those reasons, fostering its use nowadays is more than a legal obligation – it is a reality. The fact of the matter is that initiatives such as that of the British Government are expected to benefit Brazil, given that the demand for biofuel will increase and, consequently, foster the development of a global market.



embaixadas e câmaras de comércio O Brasil desempenha um papel fundamental, pois, além de ser uma potência energética - notadamente o segundo maior produtor e maior exportador mundial de biocombustíveis - tem uma posição estratégica de liderança na América Latina. Em especial, o etanol brasileiro é reconhecido internacionalmente por apresentar o maior potencial de redução de GEEs entre os biocombustíveis de primeira geração, o que amplia as perspectivas de exportação do produto para a Europa. Atualmente, os países europeus discutem critérios de sustentabilidade que servirão como base para certificação dos biocombustíveis comercializados no mercado interno. Entendemos que esse processo deve ser visto como uma oportunidade para o Brasil, uma vez que o etanol apresenta uma clara vantagem em relação aos outros biocombustíveis, com índices de redução de emissões superiores aos exigidos pela diretriz europeia, entre outros critérios. Essa vantagem pode ser comprovada por dados recentes sobre o consumo interno de biocombustíveis no Reino Unido, apresentados pela Agência Britânica de Combustíveis Renováveis (RFA, do inglês Renewable Fuel Agency), indicando que 85% do etanol utilizado no país são provenientes do Brasil. Essa é uma clara demonstração do reconhecimento da liderança brasileira no setor. Dentro desse contexto, gostaria de destacar os esforços brasileiros na busca constante de aprimoramento do setor, tanto na utilização de novas tecnologias, como na busca de maior eficiência nos processos agrícolas e industriais, e parabenizar o empenho em desenvolver políticas públicas que busquem atender aos critérios socioambientais atualmente em discussão, como o Zoneamento Agroecológico da Cana e o Compromisso Nacional para Aperfeiçoar as Condições de Trabalho na Cana-de-Açúcar. Essas políticas demonstram o comprometimento do país com a preservação ambiental e a garantia da sustentabilidade dos biocombustíveis brasileiros. O desafio no médio prazo será a consolidação do mercado global de biocombustíveis, com o aumento da oferta e da demanda. Considerando as limitações geográficas da Europa, o Reino Unido vem incentivando e promovendo o uso de biocombustíveis de segunda geração e, em parceria com o Brasil, apoia um programa de pesquisa conjunta de intercâmbio entre pesquisadores da Embrapa e universidades britânicas. O Reino Unido não deverá adotar políticas tão ambiciosas para criar um mercado interno de biocombustíveis como o brasileiro, já que, no médio e no longo prazos, estamos apostando nos carros híbridos e elétricos. Mas podemos, sim, apostar em uma política de aumento da mistura de etanol na gasolina. Portanto esperamos fortalecer o nosso diálogo com o Brasil, nessa área tão promissora, e trabalhar com o governo brasileiro para a consolidação do mercado global de biocombustíveis. Estamos confiantes que iniciativas como essa são fundamentais para enfrentar o maior desafio da nossa geração: o de acelerar a transição para uma economia global de alto crescimento e baixas emissões de carbono.

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Brazil plays a fundamental role, given that apart from being an energy powerhouse ― in particular, the world’s second largest producer and largest exporter of biofuel, the country holds a strategic lead position in Latin America. Brazilian ethanol is in fact known around the world for having the largest potential to reduce greenhouse gas among all first generation biofuels, increasing the prospects of exporting the product to Europe. Currently, the European countries are debating sustainability criteria that will be the basis for the certification of biofuel sold in the domestic market. We believe this process must be viewed as an opportunity for Brazil, since ethanol clearly entails advantages over other biofuels, reaching emission reduction rates that are higher than those required by the European directive, among other criteria. This advantage is evidenced by recent data on domestic biofuel consumption in the United Kingdom, made public by the British Renewable Fuel Agency - RFA, showing that 85% of the ethanol used in the country comes from Brazil. This is the unequivocal acknowledgement of Brazilian leadership in this field. In this context, I would like to highlight Brazilian efforts in seeking to constantly improve this sector, both with respect to new technologies and the search for higher efficiency in processes in agriculture and industry. I also want to commend Brazilians for their engagement in developing public policies that seek to meet the social and environmental criteria currently being debated, such as the Sugarcane Agro-ecological Zoning initiative and the National Commitment to Perfect Sugarcane Working Conditions. Such policies attest to the country’s commitment to environmental preservation and warrant sustainability of Brazilian biofuel. The medium term challenge will be to consolidate the global biofuel market, increasing supply and demand. Considering the geographic limitations of Europe, the United Kingdom has been fostering and promoting the use of second generation biofuel and, in partnership with Brazil, supporting a joint exchange program between researchers of Embrapa (the Brazilian agriculture and livestock breeding research company) and British universities. In comparison with Brazil, the United Kingdom is not expected to adopt too ambitious policies aimed at creating a domestic market, given that in the medium and long-term we are betting on hybrid and electric cars. We can, however, bet on a policy to increase the mixture of ethanol added to gasoline. Thus, we expect to intensify our dialogue with Brazil in this so promising field, working with the Brazilian government to consolidate the global biofuel market. We trust in that such initiatives are essential to face the largest challenge of our generation: to accelerate the transition to a global economy of high growth and low carbon emissions.


Opiniões

um mundo cada vez mais avesso às

emissões de GEEs A world increasingly against GHG emissions

O programa brasileiro do álcool, o Proálcool, teve início em 1975, como reação aos altos preços do petróleo, depois da primeira crise do petróleo. O número de carros produzidos a álcool aumentou gradativamente, chegando a 95% dos veículos de passeio fabricados no país, em 1986. Na década de 1990, os produtores de álcool, por um curto período, não conseguiram atender a demanda total do mercado. Ao mesmo tempo, caiu a cotação do barril de petróleo no mercado internacional, barateando o preço da gasolina. Esses fatores fizeram com que caíssem as vendas de carros a álcool, substituídos pelos a gasolina. Somente no início dos anos 2000, a demanda de automóveis movidos a etanol voltou aos poucos a subir. Foi, porém, uma inovação tecnológica - o desenvolvimento de um sensor que detecta o nível de oxigênio no combustível, que possibilitou construir motores bicombustíveis flex-fuel, a partir de 2003. Assim, os consumidores tinham a vantagem do preço baixo e da garantia do fornecimento do combustível, o que fez com que a demanda por automóveis bicombustíveis aumentasse rapidamente, chegando a 90% do total das vendas. Seguindo o exemplo do Brasil, vários países implantaram programas de biocombustíveis. A União Europeia tem um programa de biodiesel bastante desenvolvido e também iniciou o uso do etanol, misturado à gasolina. Na Alemanha, por exemplo, os biocombustíveis representam 5,9% do consumo de combustível e já se adicionam 5,25% de etanol à gasolina - percentual que deverá subir para 6,25% em 2010. A maior parte desse combustível é produzida localmente, à base de açúcar de beterraba, cevada e aveia. A grande expectativa dos usineiros brasileiros é a de que possam vender volumes maiores de etanol à Europa, já que o seu preço é bastante competitivo em relação ao etanol europeu. No entanto, ainda existem impedimentos ao aumento dessas exportações. Por um lado, existem as barreiras não tarifárias, como a negociação de uma certificação do etanol brasileiro dentro de certos padrões técnicos, ambientais e sociais; por outro, há ainda a pressão de parte da opinião pública europeia, mal informada, acreditando que a cana-de-açúcar compete com a produção de alimentos; por último, persiste o subsídio à agricultura europeia, dificultando o acesso de produtos agrícolas àquele mercado.

The Brazilian alcohol program, “Proálcool”, began in 1975, as a reaction to high oil prices, following the first oil crisis. The number of alcohol-powered cars produced increased gradually, reaching 95% of the country’s total family car output in 1996. In the 90’s, for a short period, alcohol producers could not meet the market’s total demand. At the same time, the oil barrel price declined in the international market, reducing the gasoline price. These factors resulted in a decline in sales of alcohol-powered cars, replaced by gasoline cars. Only in the beginning of the current decade, the demand for ethanol-powered vehicles again began to increase a little. However, it was a technological innovation – the development of a sensor that detects the oxygen level in the fuel – that made it possible to build dual-fuel engines (“flexfuel”), beginning in 2003. Thus, consumers enjoyed the advantage of the low price and had the assuredness of the fuel’s supply, resulting in that the demand for dual-fuel vehicles increased quickly, reaching 90% of total sales. Following Brazil’s example, several countries implemented dual-fuel programs. The European Union has a well-developed biodiesel program and has also started using ethanol mixed with gasoline. In Germany, for example, biofuel represents 5.9% of fuel consumption and 5.25% of ethanol is already being added to gasoline – a percentage expected to increase to 6.25% in 2010. Most of this fuel is produced locally, from beet, corn and oat sugar. The big expectation on the part of Brazilian ethanol producers is that they might sell larger volumes to Europe, since their price is competitive in comparison with European ethanol. However, there are still barriers to increasing exports. On the one hand, there are non-tariff barriers, such as the negotiation of a Brazilian ethanol certificate in compliance with certain technical, environmental and social standards; on the other hand, there is still pressure from the European public opinion, which is ill-advised and believes that sugarcane competes with the production of food. Finally, the subsidies for European agriculture continue being granted, making access of agricultural products to that market difficult.

" o conceito de descarbonização dos processos produtivos, dos produtos e dos serviços estará, em poucos anos, fazendo parte do nosso dia a dia " Ricardo Rose Diretor de Meio Ambiente da Câmara de Comércio Brasil-Alemanha Environment Director of the Brazilian-German Chamber of Commerce

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embaixadas e câmaras de comércio

A bioeletricidade é o mais importante subproduto da indústria do açúcar e do álcool no Brasil, gerando, hoje, cerca de 1.400MW médios. A tecnologia da queima do bagaço da cana não é nova, tendo sido usada por algumas usinas para gerar energia para consumo próprio desde a década de 1960. No entanto o interesse econômico foi despertado na década de 1990, quando foi criada legalmente a possibilidade de um empreendedor privado vender energia elétrica a uma distribuidora. Apesar de sua ainda baixa remuneração em relação aos diversos custos de implantação, a bioeletricidade tem um potencial de expansão muito grande. Segundo estudo da Unica - União da Indústria de Cana-de-açúcar, até 2020/2021, as usinas poderão produzir um total de 13.150MW; cerca de uma Itaipu e meia. Na Alemanha, cerca de 15% da eletricidade gerada são provenientes de fontes renováveis. A energia de biomassa representa cerca de 60% de toda a energia renovável gerada no país, além da eólica, solar e geotérmica. A biomassa também é utilizada para gerar grandes quantidades de vapor, além da bioeletricidade. O vapor é destinado ao processo industrial e ao aquecimento de residências. Na Alemanha, em 2007, a quantidade de energia elétrica produzida a partir de biomassa - não incluindo energia gerada por biogás, que também é bastante representativa - foi de 6,6 bilhões de KWh. Metade dos cerca de 150 projetos brasileiros aprovados pela ONU no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo do Protocolo de Kyoto é referente a projetos de cogeração - bioeletricidade. A tendência é que o número de iniciativas nessa área aumente ainda mais, já que a produção de energia e o transporte estão cada vez mais na mira daqueles que se preocupam com o aumento dos gases de efeito estufa na atmosfera. Ambos os setores têm sido, principalmente nos países industrializados, os maiores geradores de gases poluidores. Outro aspecto é que o conceito de descarbonização dos processos produtivos, dos produtos e dos serviços estará, em poucos anos, fazendo parte do nosso dia a dia. O que teremos é uma economia cada vez mais avessa às emissões de gases de efeito estufa, causadores das mudanças climáticas.

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Opiniões

Bioelectricity is the most important sub-product of the sugar and alcohol industry in Brazil, currently generating, on average, about 1,400MW. The technology applied to incinerating sugarcane bagasse is not new, having been used in some mills to generate power for selfconsumption since the 60’s. However, economic interest was awakened in the 90’s, when the legal framework was created for a private entrepreneur to be able to sell electric power to a distribution company. Notwithstanding still low compensation levels in comparison with the several implementation costs, bioelectricity has a very high growth potential. According to a study by UNICA, The Brazilian Sugarcane Industry Association, by 2020/2021 mills will be able to produce a total of 13,150MW, roughly one and a half times the capacity of the Itaipu complex. In Germany, about 15% of electric power is obtained from renewable sources. Power from biomass represents about 60% of all renewable power generated in the country, in addition to wind, solar and geothermal energy. Biomass is also used to generate large volumes of steam, apart from bioelectricity. Steam is intended for industrial processes and for heating homes. In Germany, in 2007, electric power produced from biomass – not including power generated from biogas, which is also quite significant – totaled 6.6 billion KWh. Half of the approximately 150 Brazilian projects approved by the UNO under the Kyoto Protocol’s Clean Development Mechanism relate to cogeneration (bioelectricity) projects. The trend is that the number of initiatives in this field will further increase, since production and transportation are increasingly being targeted by those concerned about the increase of greenhouse gases in the atmosphere. Both sectors – mainly in the industrialized countries – have been the largest polluting gas generators. Another aspect is that the concept of “decarbonization” of productive processes, products and services will, in a few years, be a part of our everyday lives. We will be faced with an economy increasingly contrary to greenhouse gases that are the cause of climate change.



centros de pesquisa e desenvolvimento

os biocombustíveis e as bioletricidades

como ferramentas de

mitigação

Biofuel and bioelectricity as mitigation tools of climate change

" A área florestal diminui, as geleiras tornam-se escassas, e há quem diga que, em 2030, já não existirão. A água potável tornou-se um objeto de cobiça e, tal qual o petróleo, torna-se uma razão para desentendimentos e falta de cooperação entre as nações. " José Geraldo Eugênio de França Diretor-executivo da Embrapa Executive Director of Embrapa

O número de céticos diminui a cada dia. Torna-se uma verdade aceita que mudanças significativas no clima do planeta estão ocorrendo e que, desta vez, a ação do homem é um fator preponderante. A área florestal diminui em quase todos os continentes, as geleiras tornam-se escassas, e há quem diga que, em 2030, já não existirão. A água potável, há tempos, tornou-se um objeto de cobiça e, tal qual o petróleo, torna-se uma razão para desentendimentos e falta de cooperação entre as nações. Durante algumas décadas, o petróleo continuará sendo a principal fonte da matriz energética do planeta, fator de riqueza e desenvolvimento e força capaz de alçar ou fazer retroceder os ciclos econômicos, sejam das nações que o possuem ou não. As últimas descobertas de novas bacias na Venezuela, Israel, Cuba e no Brasil também mostram que não se pode ser apocalíptico quanto à imediata exaustão dessa matéria-prima, muito embora os novos depósitos não confiram segurança para uma previsão de longo prazo quanto ao fornecimento, preço e sustentabilidade. As opções estão postas à mesa. Alguns creem que a energia nuclear ou o desenvolvimento de baterias à base de hidrogênio serão as soluções “limpas” para o fornecimento de eletricidade às futuras gerações. No primeiro caso, sabe-se que, apesar dos avanços tecnológicos das últimas duas décadas, os fantasmas de Chernobil e Three Mile Island continuam presentes. A segunda opção, além de depender de um grande refinamento tecnológico, não será facilmente disponível a todos os países para finalidades como a iluminação, o uso industrial ou familiar. O Brasil, desde 1975, oficialmente, optou por valorizar um caminho alternativo: o da bioenergia e dos biocombustíveis, sem desprezar seu potencial de produção de hidroenergia ou de extração, beneficiamento e distribuição de produtos à base do petróleo. Com essa decisão, duas questões cruciais foram atendidas: o aproveitamento sustentável de seu solo agricultável, seguindo-se do uso efetivo das tecnologias agrícolas desenvolvidas para a agricultura alimentar e industrial.

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The number of skeptics decreases by the day. It is becoming an accepted reality that significant change in the planet’s climate is occurring and that this time action by man is a preponderant factor. Forest areas are decreasing on almost all continents, glaciers are becoming rare and some say that in 2030 they will no longer exist. Drinking water has, for quite some time, become an object of greed, and like oil, a reason for conflict and lack of cooperation among nations. For some decades to come, oil will continue to be the main source in the planet’s energy matrix, a factor of wealth and development, and a force capable of accelerating or de-accelerating economic cycles, whether countries have or do not have oil. The most recent discoveries of new reservoirs in Venezuela, Israel, Cuba and Brazil all show that one may not be apocalyptic about the immediate exhaustion of this raw material, even though these new reserves do not confer safety as to the long-term outlook in terms of supply, price and sustainability. The options are on the table. Some believe that nuclear energy or the development of hydrogen batteries will be the “clean” solutions for the supply of electricity to future generations. In the first case, one knows that notwithstanding technological advancements in the last two decades, the ghosts of Chernobyl and Three Mile Island are still around. The second option, apart from depending on a great deal of technological refinement, will not be easily available to all countries for applications such as lighting, or industrial or domestic uses. Officially, since 1975, Brazil opted for valuing an alternative path: that of bioenergy and biofuel, while not neglecting its potential to produce hydro-energy or extracting, processing and distributing oil-based products. With this decision, two crucial issues were dealt with: the sustainable use of land suited for agriculture, followed by the effective use of agricultural technologies developed for food and industrial agriculture.


Opiniões Essa ação estratégica é fundamental para o país como fonte de energia, implicando a democratização da renda e a interiorização do desenvolvimento nacional, iniciado com a conquista do cerrado. Conquista essa reconhecida pelo Dr. Norman Borlaug, Nobel da Paz em 1970 e recém-falecido, como a maior revolução agrícola ocorrida no planeta desde a Revolução Verde. O controle sobre as emissões de gases de efeito estufa, a exemplo do CO2, e do metano, em especial, tornou-se parte estratégica da agenda mundial, e, em breve, ocorrerá mais um encontro de países, dessa vez em Copenhague, a debater o futuro do planeta: quem polui, o quanto polui, o que dever ser feito e, em especial, quem deverá pagar pelas correções ou uso de novas tecnologias que serão utilizadas na redução das emissões de gases de efeito estufa. É nessa etapa da discussão que o uso de bioenergia apresenta-se como um fator diferenciado e de vantagem para o país. Primeiro, porque, ao tratar a produção de combustível como uma atividade agrícola, a exemplo do cultivo da cana-de-açúcar, demonstra-se que nenhuma outra opção energética consegue ter um balanço de emissões tão positivo quanto esse. Segundo, do ponto de vista de emissões, estudos de cientistas da Embrapa e de outras instituições têm mostrado que, ao se utilizar o etanol como combustível em automóveis, reduz-se em até 80% a emissão de CO2 para a atmosfera. Esse número é algo invejável, sob qualquer ponto de vista, para qualquer opção atual. As vantagens do ponto de vista ambiental não se exaurem aí. Vale salientar que, com as tecnologias atuais, a razão entre o input e o output de energia, quando do processamento da cana-de-açúcar em etanol, é de 1:9. Esse nível de eficiência não ficará restrito a essa já extremamente positiva razão, uma vez que, apenas para o etanol de primeira geração, estima-se que, nas próximas duas décadas, a produtividade agrícola se elevará 25%, alcançando-se uma produtividade agrícola de 100 t/ha/ano, enquanto a produtividade industrial crescerá 15%, fazendo com que uma destilaria eficiente possa produzir, em média, 110 litros de etanol por tonelada de cana moída. Nesse caso, ainda com a primeira geração de etanol, a produtividade brasileira saltará de 7.000 litros para 10.000 l/ano/hectare. A terceira etapa do ganho de produtividade energética com a bioenergia está na cogeração e na produção de carvão e briquetes a partir do bagaço da cana-de-açúcar. O bagaço, somente recentemente, tornou-se um coproduto na indústria sucroalcooleira de valor econômico e ambiental reconhecido. Com a introdução de caldeiras e reatores mais eficientes, sistemas de distribuição de energia mais eficazes e preços crescentes de energia de uso doméstico e industrial, a cogeração passou a ser uma opção econômica e ambiental para diversas empresas do setor. No caso do Brasil, o consumo de carvão vegetal, de uso doméstico ou industrial, é uma outra fonte de preocupação, uma vez que sua produção se dá, na maioria dos casos, à custa do uso da vegetação nativa. O bagaço e a palha da cana-de-açúcar apresentam-se como uma das opções mais efetivas de renda, redução de desmatamento e mitigação na emissão dos gases de efeito estufa. A bioenergia não é uma solução para todos os problemas, entretanto, no caso de países tropicais, com áreas agrícolas subutilizadas, ela se apresenta como opção lógica do ponto de vista econômico, social e ambiental.

This strategic action is essential for the country as an energy source, bringing about the democratization of income and the interiorization of the country’s development, which began with the conquest of the Cerrado region. This conquest was acknowledged by Dr. Norman Borlaug, the 1970 Nobel Prize winner who recently passed away, as the largest agricultural revolution to have occurred on the planet since the Green Revolution. Control over greenhouse gas emissions, such as of CO2, and especially of methane, became a strategic element in the world agenda. Shortly, yet another meeting of countries will take place, this time in Copenhagen, to debate the planet’s future, who pollutes, how much pollution there is, what needs to be done, and more importantly, who should bear the cost of corrections or of using new technologies to be applied in reducing greenhouse gas emissions. It is in this phase of the debate that the use of bioenergy presents itself as a differentiated factor and an advantage for the country. First, because by viewing the production of fuel as an agricultural activity, such as the cultivation of sugarcane, one shows that no other energy option has such a positive emissions balance as this one. Second, from the emissions point of view, Embrapa scientists’ studies, and studies of other institutions, show that when using ethanol as fuel in cars, one reduces CO2 emissions to the atmosphere by up to 80%. This figure is quite enviable, under any point of view, in a comparison with any current option. The advantages from the environmental point of view do not end there. One should point out that, with the current technologies, the ratio between energy “input” and “output” when transforming sugarcane into ethanol, is 1:9. This efficiency level will not be restricted to this already highly positive ratio, given that for first generation ethanol alone, one estimates that in the next two decades agricultural productivity will increase by 25%, reaching a level of 100 t/ha year, whereas industrial productivity will grow by 15%, resulting in that an efficient distillery may produce on average 110 liters of ethanol per ton of crushed cane. In this case, even with the first generation of ethanol, Brazilian productivity will escalate from 7,000 l to 10,000 l/year. The third phase of energy productivity gains with bioenergy lies in cogeneration and the production of charcoal and briquettes from sugarcane bagasse. Only recently did bagasse become a by-product in the sugar and alcohol industry, with recognized economic and environmental value. With the utilization of more efficient boilers and reactors, more efficient energy distribution systems and rising prices of energy used in domestic and industrial applications, cogeneration became an economic and environmental option for several companies in the industry. In the case of Brazil, the consumption of charcoal, domestically and industrially, is another reason for concern, given that its production, in most cases, takes place using native vegetation. Bagasse and sugarcane straw are better options in terms of income, reduction in deforestation, and the mitigation of greenhouse gas emissions. Bioenergy is not a solution for all problems. However, in the case of tropical countries, with under-utilized agricultural areas, it becomes a logical option from economic, social and environmental points of view.

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centros de pesquisa e desenvolvimento

Opiniões

a pesquisa na sustentação do

setor sucroenergético Research in the sustainability of the sugar-based energy sector

Uma séria reflexão sobre as mudanças impostas nos últimos 30 anos, tais como alterações climáticas, combustíveis alternativos, novas fontes de eletricidade e, mais recentemente, bioeletricidade, e como elas dizem respeito ao setor sucroalcooleiro, faz-se necessária. No final dos anos 70, o mundo foi sacudido pelo violento aumento do preço do petróleo, até então a matriz energética. Procurar alternativas passou a ser prioridade, pouco ou quase nada questionando a forma e as consequências dessas alternativas. Assim, à época, no Brasil, prevaleceu o álcool combustível, o que acarretaria uma revolução tecnológica no setor de cana-de-açúcar.

Serious reflection on the imposed changes of the last 30 years, such as climate change, alternative fuels, and new sources of electricity (and, more recently, bioelectricity) – and on how they affect the sugar and alcohol sector – is required.At the end of the 70’s, the world was shaken by an extremely high increase of the price of oil, which, until then, constituted the energy matrix. Looking for alternatives became a priority, while questioning the forms and the consequences of these alternatives was done very little or not at all. Thus, at the time, in Brazil, alcohol fuel prevailed, and brought about a technological revolution in the sugarcane industry.

" As antigas práticas agroindustriais já não são aceitas. Hoje, o setor preocupa-se com a expansão das fronteiras agrícolas da cultura, com níveis de fertilizantes utilizados, com questões trabalhistas, etc." Tadeu Luiz Colucci de Andrade Diretor de Pesquisa e Desenvolvimento do CTC Research and Development Director of CTC

Até então, a cana era, basicamente, produtora de açúcar. Com algumas exceções, eram plantadas variedades desenvolvidas em outros países, pouco adaptadas aos nossos ambientes de produção, mas que, de certa forma, supriam as demandas. Quando o álcool passou a ser alternativa ao petróleo, a produção da época mostrou a necessidade de variedades mais produtivas que atendessem, além da demanda de açúcar, também ao novo mercado do álcool combustível e que pudessem ser cultivadas em áreas consideradas não aptas ao plantio de cana. Nesse momento, os programas de melhoramento genético dessa cultura ganharam força e mudaram o perfil do setor. A produção por hectare tornou-se cada vez maior, e o Brasil se consolida como líder dessa cultura. No entanto, mesmo com a expressividade do setor, as práticas agrícolas vigentes não foram questionadas. A queima da cana, o uso de fertilizantes, os tipos de preparo de solo, o consumo de água seguiam os padrões até então utilizados. Mas um fato novo despertou a atenção: a vinhaça, subproduto da produção de álcool. Após o impacto negativo provocado pelo seu descarte no meio ambiente, as pesquisas mostraram que esse subprodu-

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Until then, cane was essentially used to make sugar. In a few exceptional cases, other varieties developed in other countries were grown. They were ill-suited for our production environment, but, in certain ways, met the demand. When alcohol became an alternative to oil, production at the time showed a need for more productive varieties that could meet not only the demand for sugar, but also the needs of the new alcohol fuel market, while being cultivated in areas considered inappropriate for planting cane. At that time, genetic improvement programs of this crop gained momentum and changed the industry’s profile. Production per hectare increased constantly and Brazil consolidated its leading position in this crop. However, even with the significance of this industry, prevailing agricultural practices were not questioned. The incineration of cane, the use of fertilizers, the way how soil was prepared and water consumed followed the customs of that time. However, a new fact did call attention: vinasse, a sub-product of alcohol production. Following the negative impact that resulted from it being dumped into the



centros de pesquisa e desenvolvimento to é um insumo de grande valor na própria cultura da cana-de-açúcar. Hoje, a conscientização ambiental está presente em todas as atividades humanas. Cada vez mais se questiona o impacto que os produtos causam ao ambiente, quer na sua produção, quer no seu consumo. Com o álcool combustível (etanol) acontece o mesmo. As antigas práticas agroindustriais já não são aceitas. Hoje, o setor preocupa-se com a expansão das fronteiras agrícolas da cultura, com níveis de fertilizantes utilizados, com questões trabalhistas, etc. Novamente, a pesquisa tem um papel fundamental: programas de melhoramento genético, novas práticas agrícolas e novos modais de corte, carregamento e transporte e, até, processos industriais. Se, no passado, a pesquisa brasileira gerou a tecnologia que deu suporte ao crescimento do setor, hoje, geram-se tecnologias que procuram solucionar os problemas detectados na prática agroindustrial. No cenário atual, o CTC - Centro de Tecnologia Canavieira, está totalmente preparado para atender às novas demandas. Diversificou seu programa de melhoramento genético e está presente em todos os seus associados, selecionando variedades de alta produção para todos os ambientes edafoclimáticos. Só nos últimos cinco anos, vinte variedades de alta produtividade foram disponibilizadas aos associados. Desenvolveram-se novas práticas agrícolas, e, hoje, a expansão da cultura se dá de forma sustentável, com o plantio mecânico, colheita mecanizada com equipamentos de alta precisão no corte da cana e impacto mínimo na recuperação das soqueiras. A opção pelo controle biológico de praga faz com que a cultura da cana-de-açúcar seja uma das que menos faz uso de agroquímicos. O CTC desenvolveu uma tecnologia que considera solo/clima de cada região, para que as práticas agrícolas sejam adotadas de forma mais racional, desde a escolha varietal até o sistema de cultivo da área. Na área industrial, novos processos de produção de etanol que irão revolucionar o atual sistema de fermentação, com significativa redução na geração de subprodutos, estão sendo desenvolvidos. A utilização da biomassa, até então matéria-prima da geração de energia para o próprio processo industrial, será uma nova plataforma de produtos. O etanol celulósico será o primeiro produto da biomassa, e ele já existe nos laboratórios do CTC. O próximo passo é o uso comercial da tecnologia. Com o advento da gaseificação, a partir da biomassa, será possível se obter fertilizantes, biocombustíveis, biopolímeros e processos de alta produção de bioeletricidade. No campo da biologia molecular, estudos feitos pelo CTC trarão maior produtividade através da inserção de características não conseguidas pelo melhoramento genético tradicional. Assim, novas variedades apresentarão tolerância ao estresse hídrico, resistência a pragas e doenças, alta eficiência no uso de fertilizantes, garantindo um rendimento agrícola em níveis não conseguidos ainda. Como no passado, a escolha do etanol como alternativa ao petróleo foi sustentada e justificada pela pesquisa científica; hoje, no que depende das pesquisas do CTC, o etanol e demais produtos gerados a partir da cana-de-açúcar terão vida longa, consolidando a força agrícola do país.

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Opiniões

environment, research showed that this sub-product is a high-value input for the very cultivation of sugarcane. Nowadays, environmental awareness is present in all human activities. Increasingly, one questions the impact caused on the environment, whether in production or consumption. With alcohol fuel (or ethanol) the same happens. The old agro-industrial practices are no longer accepted. Nowadays, the industry is concerned with the expansion of the crop’s agricultural frontier, with the volume of fertilizers used, with labor issues, etc. Again, research plays a fundamental role: genetic improvement programs, new agricultural practices and cutting methods, loading and transporting, and even industrial processes. If, in the past, Brazilian research generated the technology that supported the industry’s growth, nowadays the generated technologies seek to solve the problems detected in agro-industry practice. In the current scenario, the CTC - Sugarcane Plantation Technology Center is fully equipped to meet the new demands. It diversified its genetic improvement program and it is present at all its associates, selecting high production varieties for all edaphoclimatic environments. In the last five years, twenty high productivity varieties were made available to the associates. The CTC developed new agricultural practices, and currently the crop’s expansion occurs in a sustainable manner, with mechanized planting and harvesting using high-precision equipment for cutting cane and with minimal impact on the recovery of the stems. The option for the biological control of plagues results in that the sugarcane crop is among those that minimally use agrochemicals. The CTC – Sugarcane Plantation Technology Center developed a technology that takes into consideration the soil/climate of each region, so that agricultural practices can be adopted in more rational ways, from selecting the plant variety, to an area’s cultivation system. In the industrial area, new ethanol production processes that will revolutionize the current fermentation process (with a significant reduction in the generation of sub-products) are being developed. The use of biomass, until then a raw material in the generation of energy for the industrial process itself, will constitute a new product platform. Cellulosic ethanol will be the first biomass product, which already exists in CTC’s labs. The next step will be the commercial use of the technology. With the introduction of gasification using biomass it will be possible to obtain fertilizers, biofuel, biopolymers and highproduction bioelectricity processes. In the field of molecular biology, studies made by CTC will result in higher productivity, by introducing characteristics not achievable through conventional genetic improvement. Thus, new varieties will tolerate hydric stress and be resistant to plagues and diseases and they will be highly efficient for the use of fertilizers, warranting agricultural efficiency at levels never before achieved. Like in the past, the selection of ethanol as an alternative to oil was supported and justified by scientific research; nowadays, to the extent it will depend on research conducted at CTC, ethanol and all other products generated from sugarcane will be long-lived, consolidating the country’s agricultural force.



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os biocombustíveis num planeta ameaçado Biofuel on an endangered planet

Enquanto o mundo desenvolvido move-se a passos de tartaruga, resistindo e empurrando para o futuro distante as necessárias mudanças em seus portfolios de emissões, o Brasil tem um trunfo significativo: é o primeiro e único país do mundo que terá mais de 50% de sua frota de veículos queimando combustíveis renováveis já no início do novo período do acordo climático, em 2012, quando termina Kyoto. Sabemos que esse protagonismo verde não surgiu de preocupações climáticas. O motor flex é certamente uma solução criativa e barata, que permitiu a consolidação do etanol como combustível viável, apesar da natureza oscilante da sua produção. E a indisputável eficiência na produção brasileira de etanol de cana soma-se como argumento tentador para nos vermos seguros no pódio dos vencedores. Mas será que esse ciclo vai durar e consolidar o Brasil como uma Arábia Saudita verde dos combustíveis renováveis? O primeiro problema é uma aritmética de volumes e áreas que não fecha. Enquanto for somente a frota brasileira, parece que teremos terra suficiente, sem ameaçar a Amazônia nem o cultivo de alimentos. Mas, para catapultar os biocombustíveis no combate às emissões em escala mundial, seria necessária a substituição do petróleo, uma possibilidade que demandaria mais terra para cultivo do que existem solos aráveis em toda a Terra. Por conta dessa constatação, muitas vozes se levantaram contra os biocombustíveis. Entretanto, as críticas se concentram na produção e olvidam as tecnologias na ponta do consumo. Os motores de combustão interna a pistão foram inventados há mais de 100 anos, permanecendo inalterados em sua concepção geral. Apesar dos numerosos componentes sofisticados num motor moderno, a eficiência na conversão ainda é abissal: mais de 80% da energia liberada na combustão termina obscenamente dissipada como calor na atmosfera. Compare-se essa eficiência com a de um veículo elétrico: mais de 90% da energia acumulada nas baterias transformam-se silenciosamente em energia cinética de movimento. Dezenas de protótipos alternativos de motores eficientes foram demonstrados ao longo dos anos - cerâmicos sem arrefecimento, radiais com pistões rotativos, de 6 tempos com injeção alternada de água, turbinas, etc. E recentemente, sistemas híbridos, que combinam a tração elétrica (com baterias) a um gerador com pequeno motor a combustão, que permite grandes autonomias, um protótipo do Mini roda 1.500 km com um tanque de gasolina. Ou ainda, o mais eficiente: células de combustível que podem extrair o hidrogênio diretamente do etanol ou gasolina, sem combustão, e produzir eletricidade para alimentar motores elétricos.

While the developed world moves ahead at a turtle’s pace, resisting and postponing to the distant future the necessary changes to its emission portfolios, Brazil holds a significant trump card: it is the first and only country in the world that will have in excess of 50% of its vehicle fleet running on renewable fuel by the time the new climate agreement begins (in 2012, when Kyoto ends). We know that this green role did not result from climate concerns. The "flex" engine is surely a creative and cheap solution, which allowed consolidating ethanol as feasible fuel, notwithstanding the oscillating nature of its production. To the undisputed efficiency of the Brazilian production of ethanol from sugarcane one must add a tempting argument in order to make sure we are safely installed on the winners’ podium. But will this cycle last long enough to consolidate Brazil as a green Saudi Arabia of renewable fuel? The first is an arithmetic problem in which volumes and areas do not match. As long as it is only the Brazilian fleet, it seems we will have sufficient land, without endangering Amazonia or the cultivation of food. But in order to catapult biofuel in the fight against emissions on a world scale, it would be necessary to replace oil, a possibility that would require more land for cultivation than there is tillable land available anywhere on Earth. Due to this fact, many voices spoke out against biofuel. However, criticism is concentrated on the production, while technologies at the consumption end are forgotten. Internal piston driven combustion engines were invented more than 100 years ago, and remain unchanged in their general concept. Notwithstanding the numerous sophisticated components in a modern engine, efficiency in the conversion is still abysmal: more than 80% of the freed energy in the combustion ends up obscenely dissipated as heat into the atmosphere. Let us compare this efficiency with that of an electric vehicle: more than 90% of the accumulated energy in the batteries is silently transformed into kinetic movement energy. Dozens of alternative prototypes of efficient engines have been demonstrated over the years (ceramic without cooling, rotary radial piston, 6-stroke with alternated water injection, turbines, etc.). And recently, hybrid systems appeared, which combine electric traction (battery powered) with a generator equipped with a small combustion engine, that allows for plenty autonomy (a prototype of the Mini ran 1,500 km on a tank of gasoline. Or still, the more efficient: fuel cells that can extract hydrogen directly from ethanol (or gasoline), without combustion taking place, to produce electricity to feed electric motors.

" Para evitar que o bonde da história nos pegue de calças curtas, na condição de obsolescência e inadequação para um novo mercado ultraverde que vem por aí, manda a boa providência que nos antecipemos. Pelo lado de quem produz, o etanol de celulose é só o começo. " Antonio Donato Nobre

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Pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia Researcher of National Research Institute of Amazonia


Opiniões Se toda a energia química contida no biocombustível fosse aproveitada, isso equivaleria a reduzir a área requerida de cultivo para um quarto da hoje necessária. Os biocombustíveis somente serão considerados na arena climática quando seu cultivo não ameaçar os biomas e seus serviços ambientais ou a produção de alimentos. Percebendo essa inevitabilidade climática, todas as montadoras do mundo estão na corrida para a construção dos novos veículos híbridos ou elétricos puros que possam salvar o clima e também seus próprios negócios. O que será dos biocombustíveis nesse contexto instável e de rápida transformação tecnológica? Se permanecermos apegados às velhas tecnologias, pode ocorrer o mesmo que se passou com o disco de vinil. Como na ficção que se torna realidade, quem se importará com o etanol se tiver um carro movido a energia nuclear na garagem? Outra velha tecnologia que tem seus dias contados é a produção de etanol apenas da sacarose, sem aproveitar os carboidratos abundantes presos em cadeias maiores, como na celulose do bagaço e da palhada. Isso é motivo para outra corrida tecnológica em centenas de grupos nos melhores institutos de pesquisa públicos e privados para desenvolver a quebra enzimática da celulose. Um cofre (celulose) pode ser aberto de duas formas, com explosivos (digestão ácida) ou com o segredo (quebra enzimática - aquilo que todos os organismos herbívoros, xilófagos e decompositores sabem fazer com maestria e incrível eficiência). Enquanto lá fora já registram muitas patentes na segunda modalidade, no Brasil, engatinha-se. Será que o líder tecnológico na produção de etanol de cana se verá em poucos anos reduzido à condição de pagador de royalties? E quando a celulose dos resíduos agrícolas locais gerarem biocombustíveis a preços competitivos, como continuar no páreo mundial, considerando os custos de transporte? A mensagem é clara: o etanol produzido a partir de açúcares (tecnologia do tempo das capitanias hereditárias) para motores a pistão (cuja tecnologia pouco mudou desde o século XIX) tem um espaço precioso, como auxiliar na transição energética do mundo. Mas, numa época de brutal quebra de paradigmas, não devemos esperar que esse etanol de hoje torne-se o salvador do clima, nem da lavoura amanhã. O Brasil mostrou ser o melhor nesse negócio, com as aperfeiçoadas e sofisticadas tecnologias de ontem. Estará preparado para ser também um vencedor nos próximos negócios que virão, quando o terremoto climático em curso acelerar a produção em série de descobertas e implementações tecnológicas revolucionárias? Pelo lado de quem produz, o etanol de celulose é só o começo. Métodos novos de conversão química ou bioquímica da biomassa devem levar a combustíveis de maior densidade energética. Quanto mais litros por hectare e mais energia por litro, menor a área plantada, menor o impacto nos biomas, maior o efeito benéfico para o clima e, por consequência, mais populares se tornarão os biocombustíveis. Pelo lado da aplicação, produzir motores de combustão interna mais eficientes, mais simples e mais baratos que os atuais é o mínimo ético para começar, dadas as muitas soluções tecnológicas existentes, todas completamente ao alcance das montadoras que tiverem juízo. Mas o pulo do gato será qualificar tecnologicamente os biocombustíveis para se tornarem alternativas viáveis, seguras e vantajosas às baterias, nas diversas variantes de veículos elétricos, ou mesmo contribuírem como fonte de energia complementar nos novos veículos híbridos. Se soubermos inovar, e enquanto não chegarem os carros da família Jetson movidos a flúons, o futuro dos biocombustíveis tem tudo para ser brilhante.

If all the chemical energy contained in biofuel were used, this would be equivalent to reducing the required cultivation land to one fourth of that needed nowadays. Biofuel will only be considered in the climate arena when cultivation no longer challenges the biomes and their environmental services or the production of food. Perceiving this climate inevitability, every automaker in the world is in the race to build the new hybrid or pure electric vehicles that may save the climate, as well as their very businesses. What will become of biofuel in this unstable and rapidly changing technological scenario? If we continue to be attached to the old technologies, the same that happened to vinyl discs. Like fiction that becomes reality, who will care about ethanol if there were to be a nuclear energy powered car in the garage? Another old technology whose days are counted is the production of ethanol only from saccharose, without making use of the abundant carbohydrates embedded in bigger chains, such as pulp from bagasse or corn straw. This is the reason for another technological race in hundreds of groups in the best public and private research institutes seeking to develop the enzymatic breakdown of cellulose. A safe can be broken open in two ways: with explosives (acid digestion) or by knowing the secret (enzymatic breakdown, which is what all herbivorous beings, wood eaters and decomposers know how to do skillfully and with incredible efficiency). Whereas abroad already many patents of the second modality are being registered, Brazil is crawling along. Could it happen that the technological leader in the production of sugarcane in only a few years will be reduced to the condition of a royalty payer? And once pulp from local agriculture residues produces biofuel at competitive prices, how to stay in the world race considering transportation costs? The message is clear: the ethanol produced from sugars (technology of the time of colonial days) for piston engines (whose technology almost did not change since the 19th century) occupies a precious space as a helper in the world’s energy transition. But, in an age when paradigms are being broken on an unprecedented scale, one should not expect that today’s ethanol will tomorrow either be the savior of the climate or of the crop. Brazil showed that it is the best in this business, using the perfected and sophisticated technologies of yesterday. Will the country also be prepared to become a winner when the next business opportunities come along, when the ongoing climate earthquake will expedite the serial production of revolutionary technological discoveries and implementations? On the producers’ side, ethanol from cellulose is but the beginning. New methods of chemical or biochemical conversion of biomass should result in fuel with higher energy density. The more liters per hectare and the more energy per liter, the smaller the planted area, the smaller the impact on the biomes, the larger the beneficial effect on the climate and, consequently, the more popular biofuel will be. On the applications’ side, to produce more efficient internal combustion engines, simpler and cheaper than the current ones, is the minimum in ethical terms to get started, given the many existing technological solutions, all within the reach of the smart automakers. However, the secret of the trade will be to technologically classify biofuel to make it a viable, safe and advantageous alternative to batteries, in the several variations of electric vehicles, or even to contribute as a source of complementary energy in the new hybrid vehicles. If we know how to innovate and for as long as the cars of the Jetson family, powered with fluons, do not arrive, the future of biofuel will be a really bright one.

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entidades

é hora de decidir o

Opiniões

futuro

que queremos

It’s time to think about the future we want

" o Brasil é um dos principais focos de atenção do mundo na 15ª Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, negociação multilateral que tratará de políticas climáticas globais e definirá, para cada país, os limites para a emissão de gases causadores do efeito estufa " Elizabeth de Carvalhaes Presidente Executiva da Bracelpa Executive President of Bracelpa (The Brazilian Pulp and Paper Association)

Uma grande reviravolta no consumo e no consumidor. A maior negociação climática da atualidade tratará a fundo dessa temática ao traçar o futuro do século XXI e fazer o primeiro esboço de como será o planeta nas próximas gerações. Menor avidez por consumo e maior preocupação com qualidade e procedência dos produtos, opção por menores espaços, porém mais qualificados e utilitários, além de outras mudanças em padrões de comportamento, deverão moldar um novo ser humano e, também, guiar novas políticas e mercados daqui por diante. O Brasil é um dos principais focos de atenção do mundo na 15ª Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas - COP-15, negociação multilateral que tratará de políticas climáticas globais e definirá, para cada país, os limites para a emissão de gases causadores do efeito estufa - GEEs. O fórum é uma grande oportunidade para o Brasil reforçar seu modelo econômico de baixo carbono, e, nesse contexto, o tripé florestas plantadas, agricultura e bionergia oferece importantes soluções para a mitigação do aquecimento global. Esse argumento tem sido reforçado constantemente pela Associação Brasileira de Celulose e Papel - Bracelpa, em todos os fóruns recentes, nacionais e internacionais, dos quais participa. Também tem sido abordado pelas 15 entidades setoriais que compõem a Aliança Brasileira pelo Clima - Agricultura - Bionergia - Florestas Plantadas, cuja finalidade é propor ações concretas para as negociações da COP-15, com base na agenda do governo brasileiro. No debate climático, a principal questão para o setor de celulose e papel é mostrar ao mundo a colaboração das florestas na redução dos efeitos do aquecimento global. Com dois milhões de hectares de florestas plantadas, as mais produtivas e sustentáveis do mundo, esses

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A major turnaround in consumption and in terms of the consumer. The most important climate negotiation of our time will cover this subject matter in depth, when it will lay out the future of the 21st Century and do a sketch of how the planet might be for the generations to come. Less eagerness to consume and more concern with the quality and origin of products, the option for less space, albeit better qualified and useful, in addition to other changes in behavioral standards, are expected to design a new human being and also to orient policies and markets from now on. Brazil will be one of the main focal points at the 15th Convention of the Parties at the United Nations Framework Convention on Climate Change (COP-15), a multilateral negotiation that will discuss global climate policies and will define, for each country, limits for greenhouse gas (GHG) emissions. This forum will be a great opportunity for Brazil to reinforce its low carbon economic model and, in this context, the tripod comprising planted forests, agriculture, and bioenergy, offers important solutions in mitigating global warming. This argument has constantly been reinforced by Bracelpa - The Brazilian Pulp and Paper Association in all recently attended fora, both local and international. It has also been brought up by the 15 sectoral entities that comprise the Brazilian Climate Alliance – Agriculture – Bioenergy – Planted Forests -, whose objective is to propose concrete actions for the COP-15 negotiations, based on the Brazilian government’s agenda. In the climate debate, the main issue concerning the pulp and paper industry is to show the world how forests contribute to reducing the effects of global warming. With two million hectares of planted forests – the most productive and sustainable in the world – these biomes absorb and store some 64 million tons of



entidades biomas absorvem e estocam cerca de 64 milhões de toneladas de carbono por ano, ou seja, compensam emissões de GEEs na atmosfera. O número é ainda maior se considerarmos toda a base de florestas plantadas do país, que soma 6,6 milhões de hectares. Trata-se de uma contribuição impressionante ao clima que as atuais políticas climáticas não valorizam. Porém a COP-15 abrirá oportunidades para o setor mudar esse conceito. Esse é o ponto em que a negociação ganha um viés econômico de impactos globais. Se for favorável às florestas plantadas, os créditos de carbono florestal poderão ser comercializados a empresas para compensar o excesso de emissão de GEEs. Atualmente, o principal mercado de carbono do mundo, a União Europeia, não considera a absorção de CO2 das florestas como válidos para compensar emissões. O desenvolvimento sustentável com vistas à criação de uma indústria de baixo carbono é algo que o setor de celulose e papel busca há décadas. Dados de 30 anos atrás já confirmam o interesse do setor em melhorar seus processos com a substituição do uso de combustíveis fósseis por renováveis. A reestruturação da matriz energética reduziu dramaticamente o uso de combustíveis fósseis, que passou de 49%, em 1970, para apenas 6% de sua base, em 2008. Isso quer dizer que, hoje, 94% das fontes energéticas empregadas pelo setor provêm de energia limpa e renovável. Vale acrescentar que os novos projetos, ainda em estudo, devem melhorar o aproveitamento de biomassa em processos como cogeração de energia, aumento da capacidade de queima do licor negro nas caldeiras de recuperação, tratamento de efluentes - evitando a emissão de metano - e projetos de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo - MDL, para resíduos compostáveis e para reaproveitamento de calor. Outras iniciativas do setor em prol da mitigação das alterações climáticas envolvem altos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, publicação e levantamento de um inventário de carbono setorial, venda de créditos de carbono em mercados voluntários, além da criação de uma política eficaz para se reduzirem as emissões de carbono na manufatura dos produtos. Nos últimos anos, projetos de MDL - sobretudo relacionados à substituição de combustível fóssil por combustíveis provenientes de fontes renováveis, reduziram emissões, geraram créditos de carbono em todo o mundo e permitiram também que os países desenvolvidos compensassem suas emissões comprando créditos do setor de celulose e papel. O interesse de todo o setor produtivo do Brasil nessa temática é tão grande, que, atualmente, o país ocupa o terceiro lugar em número de projetos de MDL no mundo, com outros 295 em fase de análise. O número só não é maior que o da China e o da Índia, os líderes em projetos registrados, porque a matriz energética brasileira já é, hoje, uma das mais limpas que existe: mais de 40% de seu conteúdo é originado de fontes renováveis. O Brasil entra na COP-15 com o desafio de vencer a questão do desmatamento ilegal. Porém o patrimônio natural incomparável que coloca o país em posição de soberania para as negociações mostra um saldo ambiental e energético sem precedentes. Ao setor de celulose e papel, que lida diretamente com o principal ativo da economia do futuro - recursos naturais renováveis, que absorvem e reciclam o carbono - cabe assegurar uma posição de destaque nesse novo cenário.

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carbon per year, i.e., they offset GHG emissions to the atmosphere. The number is even larger if one considers the entire forest base planted in the country, which adds up to 6.6 million hectares. This is an impressive contribution to the climate, which current climate policies do not value. However, COP-15 will provide the industry with opportunities to change this concept. At this point the negotiation is afforded an economic perspective of global impacts. If it turns out to be favorable to planted forests, carbon credits may be sold to companies to offset excessive GHG emissions. Currently, the main carbon market in the world, the European Union, does not view CO2 absorption by forests as a legitimate offsetting of emissions. Sustainable development in light of the creation of a low carbon industry is something the pulp and paper industry has been seeking to achieve for decades. Thirtyyear old data already shows the industry’s interest in improving its processes by replacing the use of fossil fuel with renewable fuel. The restructuring of the energy matrix greatly reduced the use of fossil fuel, which decreased from 49%, in 1970, to only 6% of its base, in 2008. This means that nowadays 94% of the energy used by the industry comes from clean and renewable sources. One should further mention that new projects, still under consideration, are expected to improve the use of biomass in processes such as energy cogeneration, increase in the burning capacity of black liquor in recovery boilers, the treatment of effluents (avoiding the emission of methane) and Clean Development Mechanisms (CDMs) — for compostable residues and the reutilization of heat. Other industry mitigation initiatives involving climate change imply high investments in research and development, the surveying and publicizing of a sectoral carbon inventory, the sale of carbon credits into voluntary markets, in addition to the creation of a policy capable of reducing carbon emissions in the manufacturing of products. In recent years, CDM projects – particularly as related to the substitution of fossil fuel by fuel obtained from renewable sources – reduced emissions, generated carbon credits around the world and also allowed developed countries to offset their emissions by purchasing credits from the pulp and paper industry. The interest of Brazil’s productive sectors in this subject matter is big, given that the country currently ranks third in the number of CDM projects in the world, with other 295 under analysis. The number is only not larger than that of China or India, the countries leading the ranking in registered projects, because the Brazilian energy matrix currently already is one of the cleanest of all: more than 40% of its content is originated in renewable sources. Brazil will attend COP-15 with the challenge of resolving the issue of illegal deforestation. On the other hand, the incomparable natural patrimony that places the country in a sovereign position for the negotiations shows an unprecedented environmental and energy balance. For the pulp and paper industry, that directly handles the main asset of the economy of the future – renewable natural resources, that absorb and recycle carbon – it is imperative that it secure for itself a distinguished position in this scenario.


o que esperar para o

futuro?

Opiniões

What to expect for the future?

Estamos assistindo, nesses últimos tempos, a uma verdadeira avalanche de informações sobre aquecimento global, emissão de gases do efeito estufa, contaminação de mananciais, produção de alimentos como grande agente poluidor, uso indiscriminado do solo, conflito entre produção de alimentos e energia, código florestal brasileiro, entre tantos outros assuntos. Isso tem deixado o cidadão comum, que tenta se orientar por meio da leitura de artigos e textos, no mínimo, muito confuso. Ouvimos, há muito tempo, que os malefícios ocasionados pela queima de combustíveis fósseis são reais. Aliás, todo tipo de queima é bastante prejudicial. Nas queimadas realizadas pelo setor produtivo da agricultura, é visível a mudança de postura, e os dados demonstram que os índices vêm diminuindo. Voltando à questão do combustível fóssil, por se tratar de material finito e com potencial poluidor bastante alto, a única certeza que temos é a da necessidade de diminuição de seu uso e da produção de energias alternativas renováveis, com poder poluidor muito menor. Preocupa-me tremendamente o fato de que a descoberta do pré-sal volte todas as atenções simplesmente para os aspectos de como será a exploração e o quanto isso será importante para o país. Ora, sua exploração e consequente utilização farão com que os danos relativos à poluição e aquecimento sejam esquecidos. A ideia passa a ser somente a questão econômica? E a sustentabilidade? O Brasil, e isso deve ser motivo de orgulho para nós, é o país com a matriz energética mais limpa do mundo, com grandes conquistas nas áreas de hidroeletricidade, biocombustíveis e bioeletricidade. Acredito que só não tenhamos avançado ainda mais, devido à falta de políticas públicas, que deveriam beneficiar as fontes de energias alternativas, principalmente as advindas de biomassa. Felizmente, começamos a assistir, nos últimos dias, à receptividade de segmentos do poder público, para a elaboração de um marco regulatório, visando, principalmente, à sustentabilidade, dentro da revisão de nossa matriz energética.

We have recently been watching a true avalanche of information about global warming, greenhouse gas emissions, the contamination of fountains, the production of food viewed as a major polluting agent, the indiscriminate use of land, the conflict between the production of food and energy, the Brazilian Forest Code, among so many other issues. This has confused the ordinary citizen, who seeks guidance by reading articles and texts. For a long time we have heard that the maleficences resulting from the burning of fossil fuel are real. In fact, all types of burning are quite harmful. In the incinerations carried out by the productive sector of agriculture, the change in attitude is visible and the data shows that burn rates are decreasing. Concerning the fossil fuel issue, since it is finite material with high polluting potential, the only certainty we have is the need to reduce its use and to produce renewable alternatives, with lesser polluting power. I am much concerned that the pre-salt oil reservoirs discovery will simply attract all attention to aspects of how the exploration will take place and to just how important it will be for the country. Well, their exploration and consequent utilization will result in that the relative damage of pollution and warming will be forgotten. Will the issue become solely an economic one? What about sustainability? Brazil, and this must be reason of pride for us, is a country that has the world’s cleanest energy matrix, having accomplished great feats in the areas of hydroelectricity, biofuel and bioelectricity. I believe we only did not advance more due to the lack of public policies, which should benefit alternative energy sources, mainly those based on biomass. Fortunately, we have begun to see, in recent days, the receptiveness of certain areas in the Public Administration to the idea of elaborating a regulatory mark, aimed mainly at sustainability, in the context of the revision of our energy matrix.

" ... problema causado por convivermos com preços de etanol muito baixos, por um longo período... beneficiando os intermediários (leiam-se distribuidoras e postos), que sempre operaram com margens positivas, sem repassar tudo que seria possível ao consumidor " Ismael Perina Junior Presidente da Orplana President of Orplana (a Brazilian Sugarcane Planters Organization)

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entidades

É fato que a produção de energias renováveis, especialmente as de biomassa, é importantíssima, quando olhamos pelo ângulo dos fatores ambiental e social, pois ela traz resultados muito benéficos ao ambiente, sendo também grande geradora de emprego e renda. Em recente Seminário no Congresso Nacional, realizado pelo Projeto Agora, o trabalho da professora Márcia Azanha apresenta claramente o grande poder de interiorização e geração de empregos do setor sucroenergético, quando comparado com o setor de exploração petrolífera. Temos que, sem sombra de dúvida, levar esses aspectos em consideração. Como costumamos dizer no interior, “mudando um pouco o rumo da prosa”, entro no aspecto que está mais voltado à nossa atividade e que diz respeito à produção agrícola. A confusão de informações citada no início deste artigo acaba trazendo grande insegurança para os produtores rurais, principalmente os de cana-de-açúcar, pois a maioria dos investimentos nessa área são de médio e longo prazos. Imaginem que estamos encerrando nossa terceira safra, cujos preços pagos pela cana-de-açúcar encontram-se abaixo dos custos de produção. Boa parte desse problema foi causado por convivermos com preços de etanol muito baixos, por um longo período, o que, de certa forma, privilegiou o consumidor. Entretanto beneficiou muito mais os intermediários da cadeia produtiva (leiam-se distribuidoras e postos), que sempre operaram com margens positivas, em detrimento de ganhos ao produtor, sem repassar tudo que seria possível ao consumidor. Ou seja, encontramo-nos numa situação muito grave, na qual endividamento e inadimplência passaram a ser assuntos corriqueiros. Abordei essa questão econômica que estamos atravessando para, em poucas palavras, procurar resumir que é de extrema importância o equilíbrio entre o econômico, o social e o ambiental. Infelizmente, de nossa parte, sem uma sustentabilidade financeira, fica muito difícil avançar no aspecto social e ambiental. Temos assumido compromissos dessa natureza e vamos cumpri-los, mas precisamos dos incentivos públicos quanto à política agrícola, para que as coisas aconteçam de maneira mais rápida. Temos que criar mecanismos para menores taxações para segmentos que poluam menos ou que empreguem mais e impostos diferenciados para quem produz benefícios sociais e ambientais. Somente levando em consideração esses vários aspectos, conseguiremos harmonizar uma situação de difícil ajuste, mas que permitirá a sobrevivência da humanidade.

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Opiniões

It is a fact that the production of renewable energy, especially from biomass, is very important when we look from the perspective of environmental and social factors, because it allows very beneficial results for the environment, whereas it is also a great generator of jobs and income. In a recent seminar in the National Congress, organized by “Projeto Agora”, the work of teacher Márcia Azanha clearly showed the great potential to interiorize the generation of jobs in the sugar-based energy sector, in comparison with the oil exploration sector. There is no doubt that we must take these aspects into consideration. As we would say here in the interior of the country, “let us change the direction of the wind” and enter the subject that is more related with our activity, i.e., agricultural production. The confusing information addressed at the beginning of this article ends up bringing a lot of uncertainty to rural producers, mainly of sugarcane, since most of the investments in this area are medium to longterm oriented. Think about the fact that we are ending our third harvest, whose prices paid for sugarcane are below production costs. A major part of the problem was caused because for a long time we had very low ethanol prices, and that, in a certain way, privileged the consumer. However, it benefited even more the intermediaries in the production chain (i.e., distributors and fuel stations), that always operated with positive margins, to the detriment of gains pocketed by the producer, without passing anything on to the consumer. In other words, we are in a very difficult situation, in which debt and default became everyday topics. I touched upon this economic issue we are experiencing to, in a few words, try to summarize by stating that the balance between economic, social and environmental aspects is extremely important. Unfortunately, on our part, without financial sustainability, it becomes very difficult to progress in the social and environmental aspects. We have made commitments and we will honor them, but we need the public incentives for the agricultural policy, so that events can occur more expediently. We need to create mechanisms aimed at lower taxation in segments that pollute less or that employ more, and differentiated taxes for those who produce social and environmental benefits. Only by taking into consideration these various aspects, will we be able to harmonize this situation so difficult to adjust, but which will allow the survival of humanity.



entidades

o papel do etanol e da bioeletricidade

para a política sobre o clima The Role of Ethanol and Bioelectricity in the Policy on Climate

A cadeia sucroenergética é um case na consolidação da tecnologia e da gestão no agronegócio brasileiro. São 40 anos de experiência desde o surgimento do Proálcool. Nas últimas décadas, o aumento da produtividade nas lavouras e na indústria de cana-de-açúcar, fruto dos significativos avanços tecnológicos, foi o grande responsável pela competitividade do etanol. Dos anos 70 até a atual década, a produtividade média de conversão de cana em etanol, em tonelada por litro, passou do patamar de 60 para 90. Um aumento expressivo na ordem de 50%. Maior extração, tratamento e fermentação do caldo da cana, destilação e melhorias no campo da energia contribuíram para esse avanço. Recentemente, o grande marco nesse processo de evolução do uso do etanol foi o lançamento, em março de 2003, dos modelos de carros flex-fuel. Desse ano até os dias de hoje, foram comercializados mais de 8 milhões de carros flex. A estimativa é que esses modelos somem 75% da frota em 2020. Como o etanol vem sendo testado para abastecer ônibus, motos, aviões e até usinas termelétricas, o mercado desse biocombustível crescerá ainda mais. A produção de energia a partir da biomassa, chamada de bioeletricidade, ganhou espaço quando do apagão em 2001, sendo apontada como um complemento limpo e seguro da matriz energética nacional. Com competência, as usinas de açúcar e álcool conseguiram inserir a bioeletricidade na conjuntura, e, com uma política setorial estabelecida, em breve, teremos a inserção total desse potencial no setor elétrico. O impacto positivo do etanol no clima é substancial e já foi comprovado em pesquisas do Instituto de Estudos Avançados da USP e do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético da Unicamp. Entre 1990 e 2006, o uso do álcool combustível permitiu ao Brasil, excluindo a parcela devida ao desmatamento, reduzir as emissões dos gases de efeito estufa em 10%. No transporte e na geração de energia elétrica, a contribuição do álcool é ainda mais significativa. Em 2006, o uso do etanol como combustível proporcionou a redução de 22% das emissões finais dos dois setores e pode chegar a 43% em 2020. O balanço energético também é positivo, seja em relação ao milho, ou à gasolina. O Protocolo de Kyoto estabelece limites para as emissões de CO2 para todos os países e mecanismos de mercado de créditos de carbono para minimizar o custo dessas emissões que causam o efeito estufa. O primeiro período de verificação do cumprimento das metas de Kyoto termina em 2012.

The sugar-based energy chain is a case for study in the consolidation of technology and management in Brazilian agribusiness. It adds up to 40 years of experience since the implementation of the “Proálcool” program. In recent decades, the increase in productivity in sugarcane plantations and mills, the result of significant technological innovation, was the major factor that brought about the competitiveness of ethanol. From the 70’s to the current decade, the average productivity in converting sugarcane to ethanol, in tons per liter, went up from a level 60 to a level 90 - a significant increase, in the magnitude of 50%. This improvement was made possible by increased extraction, processing and fermentation of sugarcane juice, as well as in distillation and in the field of energy. Recently, an important mark in this ethanol usage evolutionary process was the launching, in March of 2003, of "flex fuel" car models. Since that year and until now, more than 8 million “flex” cars were sold. Expectations are that these models will total 75% of the fleet in 2020. Given that ethanol is being tested as fuel in buses, motorcycles, airplanes and even thermoelectric plants, the market for this fuel will grow even more. The production of energy from biomass, called bioelectricity, grew with the power shortage that occurred in 2001. Bioelectricity is viewed as a clean and safe complementary alternative in the national energy matrix. Sugar and alcohol mills were competent to introduce bioelectricity in the energy scenario, so once the policy for this industry is defined in the near future, this energy potential will have been fully incorporated into the electric power sector. Ethanol’s positive impact on the climate is quite considerable, as has been proven in research in the Advanced Studies Institute of the University of São Paulo (USP) and in the Energy Planning Interdisciplinary Nucleus of the University of Campinas (Unicamp). Between 1990 and 2006, the use of alcohol fuel allowed Brazil to reduce greenhouse gas emissions by 10% (excluding the volume resulting from deforestation). In transportation and electric power generation, the contribution of alcohol is even more significant. In 2006, the use of ethanol fuel resulted in a 22% reduction in final emissions in those two sectors, and may reach 43% in 2020. The energy balance is also positive, whether compared to corn or gasoline. The Kyoto Protocol sets limits for CO2 emissions for all countries and market mechanisms for carbon credits to minimize the cost of the emissions that cause the greenhouse

" não se sabe ao certo quais serão esses limites, mas há um consenso recente de que o aumento da temperatura não pode chegar a 2 ºC até o final do século " Carlo Filippo Massimiliano Lovatelli

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Presidente da Abag - Associação Brasileira de Agribusiness President of Abag - Brazilian Agribusiness Association


Opiniões Hoje, o debate está centrado nos limites para um segundo período. Não se sabe ao certo quais serão esses limites, mas há um consenso recente de que o aumento da temperatura não pode chegar a 2 ºC até o final do século. A COP 15 - 15ª Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima, que acontecerá em dezembro, em Copenhague, na Dinamarca, tem a missão de definir essas metas para emissão de gases do efeito estufa e rever o Protocolo de Kyoto. Independente do sucesso ou não das negociações, essa será uma grande oportunidade para o Brasil assumir uma postura firme e ativa sobre mudanças climáticas, como uma posição de vanguarda mundial no uso de energia limpa e de líder em biocombustíveis. Com objetivo principal de sensibilizar o governo e incrementar a agenda das negociações globais na COP 15, a Abag e outras treze importantes entidades brasileiras do agronegócio, florestas plantadas e bioenergia saíram na frente e criaram a Aliança Brasileira pelo Clima, em setembro passado. Em documento entregue ao embaixador Luiz Alberto Figueiredo, a Aliança aponta a necessidade de ações coordenadas e urgentes que priorizem tecnologias de mitigação disponíveis, economicamente viáveis e de impacto no curto prazo. Para a Aliança, primeiro o Brasil precisa criar formas para mensurar, verificar e ainda comunicar o andamento do seu processo de redução do desmatamento. Para tanto, deve pleitear a remuneração pela prestação de serviços ambientais, de modo que os recursos deverão chegar diretamente ao produtor rural. O agronegócio brasileiro está preparado para os desafios da sustentabilidade. Temos história, potencial e competência para isso.

effect. The initial compliance monitoring period of Kyoto targets will end in 2012. Currently, the debate focuses on the limits for the second period. Nobody knows for sure what those limits will be, but there has been recent consensus that the increase in temperature cannot be allowed to reach 2ºC by the end of the century. COP 15 – the 15th Conference of the Parties of the United Nations Framework Convention on Climate Change, which will take place in December, in Copenhagen, will have the mission of defining these targets for greenhouse gas emissions and reviewing the Kyoto Protocol. Irrespective of the positive or negative outcome of the negotiations, this will be an excellent opportunity for Brazil to take up a strong active position on climate change, taking a leading stance in the world on the use of clean energy and as related to biofuel. Bearing in mind the main objective of calling the attention of the government and enhancing the global negotiations agenda at COP 15, ABAG and 13 other important Brazilian agribusiness, planted forests and bioenergy entities led the way by creating the Brazilian Alliance for the Climate, in the past month of September. In a paper delivered to Amb. Luiz Alberto Figueiredo, the Alliance points out the need for coordinated and urgent actions to prioritize available mitigation technologies that are economically feasible and have a short-term impact. In the eyes of the Alliance, Brazil must create forms to measure, check and inform about progress in its deforestation reduction process. To that end, it must demand compensation for environmental services, in such a way that funds are channeled directly to agricultural producers. Brazilian agribusiness is prepared for the challenges of sustainability. We have a positive track record, the potential and the competence for that.


empresas

Opiniões

o Brasil

terá um importante papel no cenário presente e futuro

Brazil will play an important role in the current and future scenario Nota: Tradução em inglês produzida pelo Articulista

" O setor de transporte representa, aproximadamente, 20% das emissões de gases de efeito estufa e está crescendo rapidamente. Em 2030, o número de carros de passeio nas estradas deve dobrar, chegando a 1,4 billhão de unidades. " Mario Lindenhayn Presidente da BP Biofuels Brasil President of BP Biofuels Brasil

A pergunta em discussão hoje é: que papel o etanol e a bioeletricidade podem ter na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas? Para contextualizar essa questão, é válido lembrar o que motivou a BP (British Petroleum), uma empresa global de petróleo e gás, a escolher os biocombustíveis como parcela significativa de nosso portfolio de energias alternativas. Ao fazer essa escolha, a BP está respondendo a duas grandes tendências que impactam o setor de energia. A primeira, naturalmente, é a necessidade de maior segurança energética em um mercado no qual a demanda está crescendo e a oferta é limitada. A segunda é a necessidade urgente de lidar com os riscos das mudanças climáticas através da redução das emissões de gases de efeito estufa globalmente. Essa necessidade de mudança é particularmente aparente nos combustíveis para transporte: mais de 60% do petróleo do mundo vão para o setor de transporte. Mais de 90% do combustível usado em transporte são de origem fóssil. O setor de transporte representa, aproximadamente, 20% das emissões de gases de efeito estufa e está crescendo rapidamente. Em 2030, o número de carros de passeio nas estradas deve dobrar, chegando a 1,4 billhão de unidades. Enquanto existem várias alternativas para descarbonizar a geração de energia elétrica, como a energia nuclear, eólica e solar, o setor de transporte tem menos opções para considerar. Na BP, nós acreditamos que os biocombustíveis são a única solução viável para fornecer energia de baixo carbono para transporte, de forma segura, competitiva e em larga escala. E, naturalmente, o investimento em agricultura, implícito na produção de biocombustíveis, terá um efeito significativo na melhoria das condições do setor agrícola, tanto nos países desenvolvidos, quanto nos em desenvolvimento. Esses fatos ajudam a explicar por que os legisladores em todo o mundo têm tratado os biocombustíveis com certo entusiasmo, demandando um crescimento significativo dessa indústria.

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The question raised today is what role ethanol and bioelectricity can play in mitigating climate change. To set that into context, it is worth first giving a short reminder of why, as a global oil and gas company, we have chosen to move into biofuels as a major part of our global alternative energy portfolio. BP (British Petroleum) is responding to two major trends that are impacting the energy sector. The first, of course, is a drive for greater energy security in a market where demand is increasing and supply is under pressure. And the second is the urgent need to address the risk of climate change by reducing global greenhouse gas emissions. The need for change is particularly apparent in transport fuel: more than 60% of the world’s oil goes into transport. More than 90% of the world’s transport fuel is made from oil. The transport sector accounts for around 20% of global greenhouse gas emissions and it is growing fast – by 2030 the number of passenger cars on the road is expected to double to 1.4 billion. And while there are many options for decarbonising power generation – such as nuclear, wind and solar - transport has fewer options to play with. At BP, we believe that biofuels are the only viable solution to provide safe, scalable and competitive low-carbon energy for transport. And of course, the investment in agriculture which is implicit in biofuel production will have a powerful effect on improving rural livelihoods, both in the developing and developed worlds. This helps explain why regulators around the world have taken to biofuels with some enthusiasm, demanding significant growth in this industry. Brazil has led the world in creating a sustainable fuels industry, becoming the largest producer and consumer of sugarcane ethanol and the largest exporter of ethanol globally. This has been the result of a strong policy framework which has driven innovation, enterprise and growth – in fact a model for encouraging clean and safe energy worldwide. With 92% of all new cars sold here now having ‘flex fuel’ capability, around 600 million tonnes of


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empresas O Brasil foi pioneiro, no mundo, na criação de uma indústria de biocombustíveis sustentáveis, tornando-se o maior produtor e consumidor de etanol de cana-de--açúcar e o maior exportador de etanol globalmente. Isso foi o resultado de um forte arcabouço de políticas e regulamentações que promoveram a inovação, o empreendorismo e o crescimento - na verdade, um modelo de sucesso que encoraja o desenvolvimento de energia limpa e segura em todo o mundo. A emissão de cerca de 600 millhões de toneladas de CO2 foi evitada desde o início do Programa Proálcool, e hoje cerca de 92% das vendas de carros de passeio novos são flex-fuel. A Agência Internacional de Energia projeta que 26% do volume global de combustíveis usados para transporte serão biocombustíveis em 2050. Na BP, acreditamos que percentuais superiores a esse são possíveis, com o nível correto de investimento em tecnologias avançadas e desenvolvimento de infraestrutura. Desde que o négocio BP Biofuels foi criado em 2006, procuramos oportunidades para fazer contribuições concretas para a segurança energética e para a redução da emissão dos gases de efeito estufa. Consideramos apenas o uso de matérias-primas sustentáveis, as quais tenham potencial para reverter o subinvestimento em agricultura e o desenvolvimento de tecnologias avançadas para fazer os bons biocombustíveis ainda melhores. Da grande variedade de opções tecnológicas em desenvolvimento (fotossíntese de algas, gaseificação de biomassa, etc.) acreditamos que as tecnologias que mais provavelmente atenderão a nossos critérios de seleção serão aquelas que envolvem a conversão de açúcares de baixo custo e baixo carbono. A cana-de-açúcar sempre será competitiva. Será necessário converter esses açúcares em moléculas de combustível de que a frota mundial de transporte precisa. Isso significa a produção de bioetanol e de biodiesel, mas também de uma nova molécula de combustível, o biobutanol. No ano passado, a BP fez um grande investimento na indústria de biocombustíveis, e nossa joint venture, Tropical BioEnergia, está produzindo etanol há pouco mais de um ano. O investimento na Tropical BioEnergia foi um primeiro passo para nós. A ambição da BP é ser um dos líderes dessa indústria. Sustentabilidade é um valor-chave para a BP e faz parte da nossa atuação no setor, desde o início. Em nossa joint venture, além de produzir combustível limpo, a cana cresce em áreas que anteriormente eram utilizadas para agricultura e em área de pasto subutilizadas. Utilizamos apenas água da chuva em nossos processos e milhares de árvores foram plantadas para minimizar a erosão do solo e promover a biodiversidade. Faz parte do projeto da joint venture a geração de bioeletricidade através da queima do bagaço. Esperamos exportar pelo menos 30MW para o grid. Na perspectiva da BP, os biocombustíveis são a única opção viável que o mundo tem para lidar com as mudanças climáticas no setor de combustíveis para transporte nos curto e médio prazos. No Brasil, o etanol e a bioeletricidade a partir do bagaço têm um papel-chave. Biobutanol e biodiesel a partir de açúcar se juntarão a esse esforço de redução nas emissões de gases de efeito estufa no futuro. A boa notícia para nós, brasileiros, é que o Brasil terá um papel importante nesse cenário presente e futuro. E, na BP, estamos comprometidos em ajudar nessa transição para uma economia de baixo carbono.

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CO2 have been avoided since the start of the “Proálcool” programme. The international energy agency projects 26% of transport fuels globally coming from biofuel by 2050. And at BP, we believe that even higher penetration rates could be possible, with the right level of investment in advanced technologies and in infrastructure development. Since BP’s biofuels business was formed in 2006, we look for opportunities that make material contributions to energy security and material reductions in greenhouse gas emissions. We will use sustainable feedstock which has the potential to help reverse underinvestment in agriculture. And we will develop advanced technologies to make good biofuels even better. Of the plethora of potential future technologies – photosynthetic algae, gasified biomass, etc, we believe that the technologies most likely to continue to meet our selection criteria are those that involve the conversion of low cost, low carbon, sugars. Sugarcane will always be competitive. And we will need to convert these sugars into the fuel molecules that the world’s transport fleet needs. This means bioethanol and biodiesel, but also the new fuel molecule, biobutanol. Last year, BP made a large investment in Brazilian biofuels and our joint venture, Tropical BioEnergia has been producing ethanol for just over a year. The investment in Tropical BioEnergia is a first step for us. BP’s ambition is to be a major player in this industry. We have also started as we mean to continue in terms of sustainability, which is a key value at BP. At our joint venture refinery, apart from producing a very clean fuel, the cane is grown on existing plantations and on under-utilised pasture land. Water comes from rain-fed irrigation and trees are being planted to minimise soil erosion and promote biodiversity. The refineries will also generate bioelectricity using waste bagasse and we expect them to sell at least 30MW of surplus power into the grid. From BP’s perspective, biofuels are the only material choice the world has to deal with climate change in transport fuel in the short-tomedium term. In Brazil, ethanol and bioelectricity from bagasse play a key role today. Biobutanol and biodiesel from sugar will join this effort to reduce GHG emissions in the future. The good news: Brazil will have a significant role in this play and we are committed to help in the transition to a low carbon future.


Opiniões

já não há mais tempo para

discussões

There is no more time for discussions

Desde a expansão da Revolução Industrial pelo mundo, a partir do século XIX, não paramos de produzir cada vez mais e, até certo momento, pensamos que os recursos naturais não chegariam perto da sua escassez e que o petróleo, até então abundante, era infinito. Em resposta a esse pensamento equivocado, temos as alterações climáticas cada vez mais perto de nós.

" Já não há mais tempo para discussões. Resta, agora, pensar o que fazer para que as futuras gerações não sofram os impactos negativos advindos dos equívocos até hoje cometidos e esperar que as nossas atitudes, de agora em diante, sejam sustentáveis. " Pedro Luiz Fernandes Presidente da Novozymes Latin America President of Novozymes Latin America

Nosso país, sempre tido como abençoado por Deus, tem passado por acontecimentos climáticos nunca antes experimentados. As alterações climáticas devem ser tratadas como um enorme risco para a nossa economia e sem falar nos prejuízos sociais que isso tem causado. Diante dessas evidências, muitos países começaram a pensar no futuro desenvolvimento de suas economias com baixas emissões de carbono e, na sua maioria, passaram a olhar com mais atenção para as fontes de energias renováveis. E o Brasil não é exceção, pois está olhando agora para outras fontes de energias renováveis, para impulsionar o seu desenvolvimento econômico a longo prazo e garantir a sua matriz energética nacional, acreditando que essas fontes poderão contribuir para a mitigação dos efeitos devastadores das evidentes alterações climáticas. Embora muitas ações tenham sido tomadas para mitigar esses efeitos, não devemos esquecer que o crescimento da população mundial é contínuo e deverá atingir cerca de 9 bilhões em 2050. As escolhas que se fizerem ao longo dos próximos cinco anos, em termos de energias renováveis, terão um profundo impacto nas próximas décadas para a sobrevivência da humanidade.

Ever since the Industrial Revolution expanded throughout the world, beginning in the 19th century, we have not stopped producing increasingly more, and, up to a given point in time, we even believed natural resources would never become rare, and that oil, until then abundant, was infinite. In response to this mistaken way of thinking, we now have climate change increasingly closer to us. Our country, always viewed as blessed by God, has been faced with climate events that we never before experienced. Climate change must be handled as an enormous risk to our economy, not to mention the social damage it has brought about. In light of these facts, many countries have begun to think about the future development of their economies with low levels of carbon emissions, and, for the most part, started paying attention to renewable energy sources. Brazil is no exception, since the country is now looking at other sources of renewable energy, to foster its long-term economic development and secure its national energy matrix, in the belief that these sources may contribute to mitigating the devastating effects of evident climate change.

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empresas As ações que serão tomadas de agora em diante hão de ser conjuntas, já que pouco representarão se forem isoladas, como acontece hoje. As nações precisam se unir em torno de um objetivo comum, num trabalho conjunto, para que obtenham resultados. É quando repensamos o amanhã que surgem alternativas para a energia do futuro. O Brasil é, indiscutivelmente, o líder mundial na produção e no consumo de biocombustíveis de fontes renováveis, utilizando, além das tecnologias já existentes, outras que estão em desenvolvimento. O melhor exemplo é o uso da cana-de-açúcar na produção de biocombustíveis, que cada vez mais terá sua importância aumentada devido à demanda mundial para combustíveis de origem não fóssil, e a produção de biocombustível de segunda geração, aquele produzido através do bagaço da cana, será uma excelente opção. Esse será um diferencial para o Brasil como futuro exportador. Além do etanol de segunda geração, do bagaço ainda se produz energia que pode ser convertida em bioeletricidade, pois, assim como o mundo necessita cada vez mais de combustíveis, o mesmo acontece com a eletricidade. Os biocombustíveis estão sendo taxados como poluidores tanto quanto o são os combustíveis fósseis. Para afirmações equivocadas como essa, os combustíveis fósseis, os biocombustíveis e a bioeletricidade devem ser avaliados e julgados pelo mesmo parâmetro. Caso contrário, será como uma brincadeira de cabo de guerra. O uso indireto de terras agricultáveis é outro tema que vem à tona quando se fala da produção de biocombustíveis - afinal, a terra existe para produzir alimentos ou biocombustíveis? A resposta é simples: as duas alternativas estão corretas. Uma excelente iniciativa do governo federal foi o recente lançamento do Zoneamento Agroecológico da Cana-de-açúcar - ZAE, ainda que necessite de certo aperfeiçoamento. O ZAE proíbe a expansão dos canaviais no Pantanal, na Amazônia e na Bacia do Alto Paraguai. Dessa forma, ficará patente que os canaviais não colocam em risco a produção de alimentos, embora não tenhamos esse debate no Brasil. São muitos os hectares de terras abandonadas no Brasil e no mundo. Já existem estudos que comprovam que, se um mapeamento dessas terras fosse feito, teríamos terra suficiente para a produção de alimentos e de matéria-prima para produção de biocombustíveis. Entretanto esse mapeamento deve fazer parte do conjunto de iniciativas do governo, assim como a participação das partes interessadas nesse tema, que deve assegurar que as iniciativas sejam exequíveis. Já não há mais tempo para discussões. Resta, agora, pensar o que fazer para que as futuras gerações não sofram os impactos negativos advindos dos equívocos até hoje cometidos e esperar que as nossas atitudes, de agora em diante, sejam sustentáveis. Que a Conferência das Partes (COP 15) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCC), que será realizada em Copenhague, Dinamarca, em dezembro próximo, não seja apenas mais um Protocolo de Kyoto, que mais 12 anos se passem e que pouco se faça. Espero ainda que os países mais industrializados discutam e encontrem uma maneira de transferir suas tecnologias para aqueles que estão em desenvolvimento.

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Opiniões Although many initiatives were undertaken to mitigate these effects, one should not forget that the world population’s growth is continuous and expected to reach 9 billion by 2050. The choices made over the next five years, in terms of renewable energy, will have a far-reaching impact, in the next few decades, on humanity’s survival. Actions taken from now on will have to be undertaken jointly, since they will accomplish very little if undertaken individually as is the case nowadays. Nations must congregate around a common objective, in joint efforts, to achieve results. It is when we rethink tomorrow that alternatives for the energy of the future arise. Brazil is unquestionably the world leader in the production and consumption of biofuel from renewable sources, using not only existing technologies, but also developing new ones. The best example is the use of sugarcane in the production of biofuel, which increasingly will become more important due to the world demand for non-fossil fuel, and the production of second generation biofuel, the one produced from sugarcane bagasse, will be an excellent option. This will be a distinguishing factor for Brazil as a future exporter. Apart from second generation ethanol, from bagasse one can also produce energy convertible to bioelectricity, given that like fuel, the world is increasingly in demand of electricity. Biofuel is being rated as a pollutant just as fossil fuel is. For equivocal assessments such as this, fossil fuel, biofuel and bioelectricity must be assessed and measured by the same parameter. Otherwise, this will amount to playing tug-of-war. The indirect use of land for agriculture is another theme that comes up when talking about biofuel – after all, does the earth exist to produce food or biofuel? The answer is simple: both alternatives are correct. An excellent initiative of the federal government was the recent launching of the agro-ecological sugarcane zoning (“ZAE”), although it will need some improvement. “ZAE” prohibits expanding sugarcane plantations to the Pantanal region, Amazonia, and the Upper Paraguay River Basin. In that way, it will become evident that sugarcane plantations do not endanger the production of food, notwithstanding the fact that this debate in ongoing in Brazil. There is much abandoned land – in Brazil and in the world. Studies show that if this land were mapped, one would have enough land for the production of food and biofuel. However, this mapping must be a part of the set of initiatives undertaken by the government, along with the stakeholders’ participation in this subject matter, which must make sure that such initiatives are feasible. There is no more time for debating. What needs to be done now is to think about what to do so that future generations do not suffer adverse impacts resulting from equivocal decisions made until the present time and hope that our actions, from now on, will be sustainable. May the Conference of the Parties (COP 15) of the United Nations Framework Convention on Climate Change (UNFCC), to be held in Copenhagen, Denmark, next December, be not only another Kyoto Protocol, with another 12 years going by without much being accomplished. I also hope that the more industrialized countries will debate the matter and find a way to transfer their technologies to the developing countries.



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álcool álcool para produzir

Alcohol to produce alcohol

" o ciclo de produção do etanol ainda não é

totalmente sustentável, o que só ocorrerá quando for possível eliminar o diesel utilizado para se produzir álcool "

James Pessoa Presidente da VSE - VALE Soluções em Energia President of VSE - VALE Soluções em Energia

Apresentarei uma visão de como a aplicação de tecnologias avançadas para o desenvolvimento de motores pesados e turbinas a gás utilizando o etanol como combustível podem ampliar substancialmente o campo de aplicações e a demanda por etanol, em substituição aos combustíveis derivados do petróleo, reduzindo emissões de CO2 fóssil e contribuindo para a redução do efeito estufa. Atualmente, o etanol é empregado apenas em transporte individual, em automóveis. O desenvolvimento de motores pesados de alto rendimento, 100% alimentados a etanol, permitirá o uso intensivo desse combustível renovável na produção agrícola, no transporte de cargas e de passageiros e também na geração distribuída de energia, aumentando fortemente seu potencial de utilização. Motores pesados a etanol poderão ser utilizados em tratores e colheitadeiras agrícolas, caminhões leves e pesados, ônibus e em motogeradores de energia elétrica, substituindo integral ou parcialmente o diesel em todas essas aplicações e reduzindo substancialmente as emissões de carbono fóssil. Aliás, é interessante notar que, atualmente, o diesel é utilizado no plantio, na colheita e no transporte da cana, no transporte dos trabalhadores e do próprio etanol das usinas para os centros de distribuição e postos de abastecimento. Ou seja, o ciclo de produção do etanol ainda não é totalmente sustentável, o que só ocorrerá quando for possível eliminar o diesel e se utilizar álcool para produzir álcool. O desenvolvimento de ônibus híbridos com acionamento elétrico equipados com motores a etanol permitirá a substituição de grande número de ônibus urbanos e rodoviários movidos a diesel. É fácil imaginar o potencial de redução de emissões de CO2 nas grandes cidades. O etanol poderá também ser utilizado em conjunto com o biodiesel em locomotivas ferroviárias, outro grande consumidor de diesel. Outro ponto importante é a substituição de geradores a diesel por geradores a etanol, inclusive os geradores de emergência utilizados nas grandes cidades. Na região amazônica, a quase totalidade da energia elétrica é produzida por milhares de geradores a diesel, na grande maioria antigos e altamente poluentes. A substituição do diesel por etanol na Amazônia é um projeto prioritário para o país e

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I will present a view of how the application of advanced technologies in the development of heavy engines and gas turbines using ethanol as fuel may substantially expand the demand for ethanol, as replacement for fuel derived from oil, thereby reducing CO2 emissions and contributing to the reduction of the greenhouse effect. Currently, ethanol is used only for individual transportation, in cars. The development of high-performance heavy engines, totally powered with ethanol, will allow the intensive use of this renewable fuel in agricultural production, in the transportation of cargo and passengers, and also in the distributed generation of energy, strongly enhancing its usage potential. Heavy ethanol-powered engines may be used in tractors and harvesting machines, light and heavy trucks, buses and electric power motor generators, fully or partially replacing diesel in all applications and substantially reducing carbon fuel emissions. Actually, it is interesting to notice that presently diesel is used in planting, harvesting and transporting ethanol from the mills to the distribution centers and the fuel stations. This means, ethanol’s production cycle is still not totally sustainable, which will only occur when it is possible to eliminate diesel and use alcohol to produce alcohol. The development of electrically driven hybrid buses equipped with ethanol-powered engines will allow replacing a large number of uban and intercity buses powered by diesel. One can easily imagine the reduction potential of CO2 emissions in the large cities. Ethanol may also be used together with biodiesel in railroad locomotives, thus eliminating another modus of high diesel consumption and fossil emissions’ generation. Another important aspect is the replacement of diesel generators by ethanol generators, including emergency generators used in big cities. In the Amazon region, almost all the electric power is produced by thousands of diesel generators, most of which are old and highly pollutant. The replacement of diesel with ethanol is a priority project for the country, which has until now not progressed due to the lack of ethanol generators.


Opiniões que ainda não foi possível por falta de oferta de geradores a etanol. A maioria das usinas de açúcar e álcool do país gera energia em centrais com caldeiras com queima de biomassa e turbinas a vapor. O uso de turbinas a gás, alimentadas por gás de biomassa e/ou etanol, e de centrais térmicas de ciclo combinado poderá elevar o potencial de geração de energia do setor de cerca de 6.000MW para até 10.000MW. Turbinas a etanol poderão também ser utilizadas para geração distribuída de energia, em centrais elétricas, minas e instalações industriais. Um conceito interessante que começa a ser considerado a partir da disponibilidade de sistemas de gaseificação de biomassa e de motogeradores a etanol ou biodiesel é o projeto de “Ilhas de Sustentabilidade”, no qual todas as atividades são feitas de forma sustentável. Esse projeto pode ser implantado em regiões e países pobres, permitindo o progresso e o bem-estar de milhões de pessoas atualmente vivendo em condições miseráveis. Nesse conceito, a pecuária intensiva e o plantio de cana-de-açúcar e outras culturas são feitos pela população local, conjuntamente com a produção de alimentos, de etanol e de biodiesel, bem como a geração de energia para processamento de alimentos, irrigação das plantações e pequenas atividades industriais. Isso permitirá uma vida mais digna, evitando ainda a migração para os grandes centros urbanos. As tecnologias e equipamentos que irão possibilitar as novas aplicações descritas neste artigo estão sendo desenvolvidos no Brasil e estarão disponíveis em menos de dois anos. A visão de tentar contribuir para a melhoria da qualidade de vida e do meio ambiente por processos sustentáveis levou à criação da VSE - Vale Soluções em Energia.

Most of the country’s sugar and alcohol mills generate energy in power units equipped with boilers that burn biomass, and with steam turbines. The use of gas turbines, powered by gas from biomass and/or ethanol, and the combined cycle thermal units, could increase the industry’s power generation potential from approximately 6,000MW to up to 10,000MW. Ethanol turbines could also be used to generate distributed energy, in electric power stations, mines and industrial installations. An interesting concept that is starting to be considered following the availability of biomass gasification systems and ethanol-powered motor generators is the project “Sustainability Islands”, in which all activities take place in a sustainable manner. This project may be implemented in poor regions and countries, allowing for the progress and well-being of millions of people currently living under deplorable conditions. Within this concept, intensive cattle raising and the cultivation of sugarcane and other crops are activities undertaken by local populations, along with the production of food, ethanol and biodiesel, as well as the generation of energy for the processing of food, the irrigation of plantations and secondary industrial activities. This will allow living more dignifying lives, while also avoiding migrations to the big urban centers. The technologies and equipment that will make possible these new applications described in this article are being developed in Brazil and will be available in less than two years. The vision of contributing to improve the quality of life and the environment through sustainable processes led to the creation of VSE - Vale Soluções em Energia.


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bioeletricidade:

a fusão de dois mundos Bioelectricity: the merger of two worlds

Os núcleos de duas galáxias em processo de fusão podem ser vistos na imagem em destaque. A brilhante cauda azulada, que surge no meio das duas, é composta de várias estrelas recém-nascidas. Essa é a imagem que se tem atualmente da ARP-274, do grupo de galáxias NGC 5679, cujas forças gravitacionais estão levando uma de encontro às outras. As galáxias estão começando a interagir. A maior parte de suas espirais ainda está intacta, mas há evidência de que nuvens de gás dentro de cada uma formam um enorme número de novas estrelas e de agrupamentos de estrelas, além de muita poeira. Similarmente, na matriz energética brasileira, dois mundos estão próximos de um processo de fusão: a. o setor de açúcar e álcool: 16,4% da matriz energética, em 2008, consolidou a segunda posição entre as principais fontes de energia primária no Brasil, atrás apenas do petróleo e seus derivados; b. o setor elétrico nacional: 13,8% da matriz energética em 2008. A estrela recém-nascida é a bioeletricidade da cana: menos de 4,8% da matriz elétrica nacional em 2008, com promessa de ativar forças gravitacionais que estão levando esses dois mundos um de encontro ao outro. O primeiro (biomassa), focado no mercado nacional e internacional; o segundo, majoritariamente no nacional. São negócios diferentes: commodities versus infraestrutura. Têm clientes e riscos diferentes. Seus processos produtivos têm forte relação entre açúcar e álcool e cogeração. Os níveis de investimento e respectivas receitas são heterogêneos. A cada dia que passa, novas oportunidades são abertas, com projetos competitivos e com tecnologia nacional que tendem a avançar em eficiência. Novos negócios são desenvolvidos na indústria da cogeração de energia - em toda a cadeia, com introdução de novas tecnologias. A questão de segurança energética (ampliando o uso de fontes renováveis, menos poluente e menos suscetível às crises internacionais) e a agroenergia se transformaram em um novo paradigma agrícola mundial. Incentivos regulatórios e benefícios fiscais proporcionam tarifas competitivas para a bioeletricidade.

The nuclei of two galaxies in the process of merging can be seen in the image (page 57). The bright bluish tail, which appears in the middle of both, comprises several newborn stars. This is currently the view one has of the ARP-274, of the NGC 5679 group of galaxies, whose gravitational forces are attracting one to the others. The galaxies are beginning to interact. Most of their spirals are still intact, but there is evidence that gas clouds inside each of them form a huge number of new stars, along with a lot of dust. Similarly, in the Brazilian energy matrix, two worlds are close to a merging process: a. the sugar and alcohol industry: 16.4% of the energy matrix, in 2008, consolidated the second position in the ranking of the main primary energy sources in Brazil, second only to oil and its derivatives; b. the national electric power industry: 13.8% of the energy matrix in 2008. The newborn star is sugarcane bioelectricity: less than 4.8% of the national electric matrix in 2008, with a promise to activate gravitational forces that are driving these two worlds to encounter each other. The first, (biomass), focuses on the domestic and international markets; the second, for the most part, focuses on the domestic market: These are different businesses: commodities versus infrastructure. They have different clients and risks. Their production processes are intensively related to sugar and alcohol and cogeneration. Investment levels and respective revenues are heterogenous. Every day, new opportunities arise, involving competitive projects and Brazilian technology, that tend to stride ahead in terms of efficiency. New businesses are being developed in the energy co-generation industry (throughout the entire chain), with the introduction of new technologies. The issue concerning energy safety (expanding the use of renewable sources, less polluting and less prone to the consequences of international crises) and agroenergy have been transformed and have become a new agricultural paradigm in the world. Regulatory incentives and fiscal benefits afford bioelectricity competitive tariffs.

" mais do que uma união estável entre o setor de açúcar e álcool com o setor de energia elétrica, a bioeletricidade da cana molda um novo cenário na matriz energética nacional "

Décio Michellis Junior Assessor da Vice-presidência de Meio Ambiente da Rede Energia Advisor of the Vice-President for the Environment at Rede Energia

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A procura por projetos está mais aquecida com investimentos de longo prazo e capital estrangeiro vinculador a TIR adequadas. Estabilidade econômica, regulatória e política garantindo as metas suporta investidores de diferentes tamanhos. Cresce a confiança na comercialização nos dois ambientes de comercialização no Brasil: a. ACL - Ambiente de Contratação Livre: venda no mercado livre, incentivado ou autoprodução, e b. ACR - Ambiente de Contratação Regulada: venda nos leilões públicos do mercado regulado. Porém, além das novas estrelas no cenário energético, sobra muita poeira: demandam novas políticas públicas que garantam que a atual tendência de matriz limpa não vai mudar em função do Pré-Sal, com estímulo para maior uso do gás natural, deixando o setor sucroenergético em uma posição desconfortável. Permanecem os desafios ambientais de aumento de eficiência de produtividade, tecnologias poupadoras de insumos e de eliminação ou mitigação de impacto ambiental, com aproveitamento integral da energia da planta de cana-de-açúcar, com a mesma área plantada. O desenvolvimento da geração da biomassa depende das políticas do governo: programa de leilões periódicos, conexões, incentivos, financiamentos. Novas estrelas estão surgindo, com elevado potencial remanescente para geração de eletricidade, principalmente decorrente da utilização de novas tecnologias - resíduos agrícolas, florestais e madeireiros, pínus, eucalipto, capim elefante, etc. A geração elétrica com biomassa residual requer criterioso gerenciamento dos riscos de indisponibilidade do combustível. Maior credibilidade por parte da classe industrial deverá carrear investimentos de longa maturação na bioeletricidade. O crescimento do uso energético da cana, associado à energia hidráulica na matriz energética brasileira, sustenta, no longo prazo, uma proporção de fontes renováveis que a coloca entre as mais limpas do mundo. Mais do que uma união estável entre o setor de açúcar e álcool com o setor de energia elétrica, a bioeletricidade da cana molda um novo cenário na matriz energética nacional.

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The search for projects is in high gear, with longterm investments and foreign capital associated with adequate internal rates of return. Economic, regulatory and political stability, which supports the objectives, brings investors of different financial capacities. Faith in the growth of sales in the two environments is also growing in Brazil: a. ACL (Ambiente de Contratação Livre): selling in the free, incentivized or self-production market; b. ACR (Ambiente de Contratação Regulada): selling in the regulated public auction market. However, apart from the new stars in the energy scenario, a lot of dust is also left over: these stars require new public policies, to make sure that the current clean matrix trend will not change because of the pre-salt oil reservoirs, with the fostering of the use of natural gas, placing the sugar-based energy industry is an awkward position. The environmental challenges to increase productivity efficiency, to create input saving technologies and to eliminate or mitigate environmental impact, with the full usage of energy obtained from sugarcane, while using the same planted area. The development in biomass generation depends on government policies: the periodic auction program, links, incentives, financing. New stars are appearing, with high remaining potential for electric power generation, mainly resulting from the use of new technologies (residues from agriculture, forestry, the timber industry, pine trees, eucalyptus, elephant grass, etc.) The generation of electric power from residual biomass requires careful management of the risks related to the non-availability of the fuel. Enhanced credibility on the part of industry is expected to channel long-maturity investments into bioelectricity. Growth in the use of sugarcane for energy generation, together with hydraulic energy, in the Brazilian energy matrix, will, in the long-term, place it among the world’s cleanest, on account of the proportion of its renewable sources. More than a stable union between the sugar and alcohol industry and the electric power industry, bioelectricity from sugarcane is formatting a new scenario in the Brazilian energy matrix.


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etanol e bioeletricidade: potencial para reduzir a emissão dos

GEEs

Ethanol and Bioelectricity: potential to reduce GHG

As mudanças climáticas e suas consequências representam uma grande ameaça para a humanidade. É preciso agir com urgência. Felizmente, hoje em dia, não se questiona mais o fato de que a emissão de dióxido de carbono tem um impacto significativo no clima e é uma causa do aquecimento global. Mas mesmo os mais novos modelos de cálculo não podem prever com certeza as consequências reais que tal problema vai trazer para todos. Por essa razão, o mundo inteiro está se mobilizando para limitar e reduzir a emissão dos gases responsáveis pelo efeito estufa. Países como os Estados Unidos ou a China, que antigamente se mostraram mais preocupados com o crescimento da economia do que com as consequências de suas atividades econômicas sobre o meio ambiente, estão reavaliando essa posição e aplicando mudanças em suas políticas ambientais. O Brasil, como um país que já tem uma ampla experiência e muitas referências para uso de energias renováveis, tem tudo para assumir uma posição de liderança nesse novo cenário. O etanol e as energias produzidas à base de biomassa são fatos no Brasil, mas não chegaram perto do potencial com que eles poderiam contribuir para a matriz energética no Brasil e no mundo. Após a introdução do carro flex, o etanol se estabeleceu no Brasil como alternativa real para a gasolina. Infelizmente, ainda existem muita resistência e barreiras fora do país para o uso do nosso combustível verde. As exportações, em vez de crescerem, caíram ao longo do ano. Apesar de todos os trabalhos dos representantes da indústria brasileira de açúcar e etanol, o etanol brasileiro ainda está sendo visto de forma negativa.

Climate change and its consequences represent a great danger for humanity. It is necessary to act quickly. Fortunately, nowadays one no longer questions the fact that the emission of carbon dioxide has a significant impact on the climate and that it is one of the causes of global warming. However, even the most recent calculation models cannot safely predict the actual consequences that this problem will have for all of us. For that reason, the whole world is mobilizing to limit and reduce greenhouse gas emissions. Countries such as the United States or China, that in the past were more concerned about the growth of the economy than with the consequences of their economic activities for the environment, are reassessing this position and making changes to their environmental policies. Brazil, as a country that already has a broad experience and many references concerning the use of renewable energy, has what it takes to be in a leading position in this new scenario. Ethanol and the energy produced based on biomass are a reality in Brazil, but have not even come close to the potential they could contribute to the energy matrix of Brazil and the world. With the introduction of “flex” cars, ethanol in Brazil became a true alternative to gasoline. Unfortunately, there are still many barriers outside the country for the use of our “green” fuel. Exports, rather than grow, decreased during the year. Notwithstanding all the efforts made by representatives of the Brazilian sugar and ethanol industry, the country’s ethanol still has a negative image.

" Etanol não virou uma commodity ainda. A demanda global precisa crescer, assim como o desenvolvimento da produção do etanol em outros países, especialmente na América Latina e na África, onde existem condições climáticas favoráveis para a plantação de cana. " Holger Brauer Diretor da Divisão de Turbinas a Vapor da Siemens Director of the Steam Turbines Division at Siemens

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empresas Existem os preconceitos quanto ao seu modo de produção; alguns ainda creem que, ao aumentar a plantação de cana, estamos cortando a floresta amazônica, entre outros mitos difundidos. Precisamos de um amplo trabalho de comunicação para mostrarmos no exterior que a realidade brasileira é outra. Medidas como a demarcação das áreas permitidas para plantação de cana e auditorias dos produtores de etanol por entidades independentes, aptas a verificar e certificar a produção do nosso etanol como sendo baseada em processos e critérios sustentáveis, sem impacto negativo para o meio ambiente, são exemplos de medidas bem-sucedidas nesse caminho e nos ajudam a eliminar esse preconceito. Etanol não virou uma commodity ainda. A demanda global precisa crescer, assim como é importante o desenvolvimento da produção do etanol em outros países, especialmente nos países vizinhos na América Latina e na África, onde também existem condições climáticas favoráveis para a plantação de cana. Baseado nas experiências do Brasil, pode se desenvolver o etanol como alternativa para a gasolina, gerando empregos e renda para pessoas na área rural. Em paralelo ao etanol, estamos aumentando a geração de energia elétrica baseada em biomassa e, em especial, bagaço de cana-de-açúcar. Houve uma mudança muito grande no conceito das usinas de açúcar e etanol, antigamente projetadas para serem autossuficientes, mas sem a perspectiva de exportar a energia excedente. O bagaço, um resíduo do processo de fabricação que precisava ser queimado de qualquer forma, virou combustível com valor para a termelétrica. Uma usina nova está sendo projetada, hoje, com uma geração própria na faixa entre 50 e 100 MW, usando equipamentos de alta eficiência, como caldeiras e turbinas de alta pressão, entre outros, que permitem a venda de, aproximadamente, 50% da energia gerada para a rede. Aplicando esse mesmo padrão de eficiência energética para as usinas mais antigas, poderíamos aumentar muito o potencial de geração nas usinas, mesmo sem investir em novas plantas - greenfield. Após a entrada de muitos recursos nesse segmento, nos anos 2007 e 2008, o investimento teve uma retraída, e, com isso, o processo de modernização das usinas foi interrompido. Um problema é a falta de capital para investimentos, em função da crise financeira e um processo de consolidação na indústria. Mas, fora isso, ainda faltam condições claras para investidores. Investimentos que foram considerados viáveis em 2007 hoje têm muitos problemas para serem aprovados. Acrescente-se a isso o fato de que, nos últimos leilões, a energia baseada em biomassa não teve muito sucesso. Investimentos em termelétricas a biomassa (bagaço, madeira, capim elefante, etc.) têm um valor específico (R$/kW), relativamente alto se comparado com termelétricas a gás ou carvão, mas compensam esse fato com a redução da emissão de dióxido de carbono. Porém, é preciso que seja estabelecido um valor mínimo para a venda do MWh acima dos valores obtidos com combustíveis fósseis ou outras medidas regulatórias. É necessário um incentivo, que deveria ser condicionado a indicadores como eficiência da planta, gerando, assim, um estímulo para realizar o potencial de geração tecnicamente viável. Sem medidas para estimular o investimento em geração de energia à base de biomassa, nós não vamos ver um crescimento estável dessa energia limpa e sustentável.

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Opiniões There are biases concerning the way how it is produced; some people even believe that by expanding sugarcane plantations, we are destroying the Amazon forest, among other myths that are circulated. We need to develop broad communication efforts to show the world that Brazilian reality is quite different. Initiatives such as the demarcation of areas approved for planting sugarcane and audits of ethanol producers performed by independent entities, qualified to check and certify the production of our ethanol as being based on sustainable processes and criteria, without any negative impact on the environment, are examples of well-succeeded measures on this path, and help us do away with the bias. Ethanol has not yet become a commodity. The global demand must grow, just like it is important that the production of ethanol in other countries develops, especially in neighboring countries in Latin America and in Africa, where there are also favorable climate conditions for planting sugarcane. Based on the experience of Brazil, one can develop ethanol as an alternative to gasoline, generating jobs and income for people in rural areas. In parallel to ethanol, we are increasing the generation of electric power based on biomass and, in particular, on sugarcane bagasse. There has been a major change in the concept of sugar and ethanol mills, which in the past were designed to be self-sufficient, when there was no perspective of exporting surplus energy. Bagasse, a residue of the production process that one way or the other had to be incinerated, became a valuable fuel for thermoelectric plants. Nowadays, new mills are being designed for self-generation, in the range between 50 and 100 MW, using highly efficient equipment, such as high-pressure boilers and turbines, among others, that allow for the sale of approximately 50% of the energy generated to the network. Applying this same standard of energy efficiency to older mills, one could increase the generation potential quite considerably, even not investing in new green field mills. Following the influx of many funds into this segment, in 2007 and 2008, investment receded and thus the modernization process of the mills was interrupted. One problem is the lack of capital for investment, due to the financial crisis and a consolidation process in the industry. Apart from that, what is still lacking are clear conditions for investors. Investments viewed as viable in 2007, now have difficulty in getting approved. In addition, there is the fact that in the most recently held auctions, energy from biomass did not fare well. Investments in thermoelectric plants that run on biomass (bagasse, wood, elephant grass, etc) have a relatively high specific value (R$/kW), in comparison with thermoelectric plants that run on gas or coal, but offset this fact with the reduction in carbon dioxide emissions. However, one must establish a minimum amount to sell MWh at amounts higher than those obtained with fossil fuel, or other regulatory measures. An incentive is needed, which should be conditioned to a plant’s efficiency parameters, thereby generating a stimulus to achieve the technically feasible generation potential. Without such incentives for investment in energy generation based on biomass, one will not see stable growth of this clean and sustainable energy.


ensaio especial

Opiniões

internacionalização e

risco político Internationalization and political risk

" Cooperação é um belo conceito, mas deve ser arquitetada de forma a elevar os ônus de eventuais rupturas contratuais. A política externa pode e deve tratar o investidor como um parceiro na projeção da influência internacional do país. " Renato Lunardi de Amorim Sócio da Carnegie Hill Global Advisors Partner of Carnegie Hill Global Advisors

A constituição de um mercado global de biocombustíveis exigirá expansão da produção de cana-de-açúcar e outras matérias-primas, bem como da capacidade de processamento e estocagem, além das fronteiras do Brasil. Embora o país reúna condições físicas únicas para preservar sua liderança produtiva a longo prazo, esse movimento será necessário ao aumento e estabilização da oferta internacional. Nesse contexto, é plausível que ocorra a internacionalização em grande escala de produtores brasileiros de biocombustíveis nos próximos anos. Essa possibilidade povoa o discurso governamental junto a países em desenvolvimento e começa a fazer parte das considerações estratégicas de empresas e grupos de investidores. Investimentos internacionais na escala necessária para a consolidação do mercado global de biocombustíveis exigem atenção a variáveis ainda pouco presentes nos processos de planejamento estratégico de empresas brasileiras ou de outros países emergentes com baixa tradição em negócios transnacionais, agrupadas sob o rótulo de risco político. Trata-se de riscos de difícil quantificação, resultantes da interação entre fatores políticos, sociais, culturais e econômicos, cujas materializações mais extremas são rupturas contratuais e mudanças abruptas nos custos de transação. Quando o termo “globalização” se popularizou na década passada, grande parte da literatura a respeito o abordava, do ponto de vista de fluxos de capitais, como movimentos de expansão e complementação produtiva iniciados em países desenvolvidos. Daí decorre, em parte, a surpresa recente com a ascensão das “multinacionais emergentes”. Na prática, estas são semelhantes a suas congêneres mais tradicionais em gestão e objetivos, embora tendam a ter um maior apetite por riscos. Mas uma diferença importante marca os países onde têm suas sedes.

Creating a global market for biofuel will require expanding sugarcane production and that of other raw materials, as well as the processing and storage capacity, to beyond the borders of Brazil. Although the country has unique physical conditions to preserve its production leadership in the long-term, this movement will be necessary to stabilize international supply. In this context, it is plausible that the internationalization of Brazilian biofuel producers will occur on a large scale in coming years. This possibility stands out in the government’s discourse vis-à-vis developing countries and begins to be a part of the strategic considerations of investor companies and groups. International investments on the scale required to consolidate the global market for biofuel require attention to the variables still seldom present in the strategic planning processes of companies in Brazil and in other emerging countries that lack the experience of dealing transnationally, combined under the political risk label. This is about risks that are difficult to quantify, that result from the interaction of political, social, cultural and economic factors, whose extreme materializations are contractual breaches and sudden changes in transaction costs. When the term “globalization” became popular in the last decade, a large part of the literature on the subject referred to it, from the point of view of capital flows, as expansion and production complementation movements initiated in developed countries. Hence, to a certain extent, the recent surprise that results from the ascension of “emerging multinationals”. In practice, they are similar to their corporate akin in terms of management and objectives, albeit they tend to be more willing to take on risk.

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ensaio especial Com exceção da China, os países emergentes com multinacionais próprias têm baixa capacidade de projeção geopolítica ou intervenção diplomática em situações de crise. No primeiro semestre de 2006, duas empresas brasileiras sentiram os efeitos práticos disso. A Petrobras foi alvo de uma campanha nacional-populista na Bolívia, que levou à expropriação de ativos. A Vale, por pressões do governo chinês, perdeu um grande projeto de minério de ferro no Gabão. Em ambos os casos, a capacidade do governo brasileiro de atuação preventiva e negociação de compensações post-facto revelou-se limitada. E estamos falando das duas maiores empresas do país. A provável expansão produtiva internacional das empresas de biocombustíveis deverá ocorrer em países pobres, geralmente com fracas condições de governança. Os investimentos terão exposição elevada a riscos políticos, e estes poderão agravar-se por uma tendência ainda pouco analisada e possivelmente indutora de reações nacionalistas contrárias a investimentos estrangeiros no agronegócio, em alguns países e regiões. Em vários países africanos e no sudeste asiático, e menos na América Latina, governos de países com gargalos estruturais na produção de alimentos e grande disponibilidade de recursos (Arábia Saudita, China e outros), via fundos soberanos ou outros mecanismos, estão adquirindo terras para a produção dedicada a alimentos. A evolução desses arranjos poderá ter como efeito colateral a disseminação da resistência a empreendimentos estrangeiros, independentemente de sua origem. O fenômeno é incipiente, mas merece ser observado para a avaliação de riscos semelhantes às hostilidades enfrentadas por produtores de soja brasileiros no Paraguai e na Bolívia. A mitigação do risco político exige ações complementares empresariais e governamentais. Do lado das empresas, o primeiro passo é avaliar adequadamente o contexto sociopolítico no planejamento e na operação de projetos internacionais. Não fazê-lo pode levar à superestimação do potencial de retorno de investimentos e à falta de provisões financeiras ou operacionais para situações de crise. O engajamento com públicos locais é uma ferramenta útil, particularmente através de ações bem calculadas de desenvolvimento social e da construção de imagem de empresa responsável. A introdução de parceiros privados ou governamentais locais no negócio também tende a ser uma tática efetiva. O segundo elemento é a busca de alinhamento entre interesses empresariais e política externa. Trata-se de agenda na qual a atuação brasileira ainda é pouco consistente, que passa menos pelo reforço de embaixadas em países recipientes de investimentos do que pelo estabelecimento de canais de cooperação com países-chave, negociação de acordos de proteção de investimento e fomento a instituições e à capacitação para o tratamento adequado do investimento estrangeiro. Cooperação é um belo conceito, mas deve ser arquitetada de forma a elevar os ônus de eventuais rupturas contratuais. A política externa pode e deve tratar o investidor como um parceiro na projeção da influência internacional do país. Mas isso só funciona quando as empresas compreendem os riscos a que estão expostas e utilizam seu peso, individual ou coletivamente, para influenciar a agenda do governo. O que não pode acontecer é ignorar mudanças nos padrões de riscos que decorrem naturalmente da maior atuação internacional das empresas brasileiras.

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Opiniões However, one fundamental difference distinguishes the countries where they are headquartered. With the exception of China, emerging countries with their own multinational corporations have a low capability to project themselves geopolitically or to intervene diplomatically in crisis situations. In the first half of 2006, two Brazilian companies felt the practical effects of this. Petrobras was targeted by a nationalist-populist campaign in Bolivia, which resulted in the expropriation of assets. Vale, due to pressure from the Chinese government, lost a big iron ore project in Gabon. In both cases, the capability of the Brazilian government to act preventively and negotiate post-facto compensations proved limited. And we are talking about the country’s two largest companies. The probable international production expansion of biofuel companies is expected to occur in poor countries, usually weak on governance. Investments will face high political risks, which may become more threatening due to a trend still little analyzed, and which may possibly lead to nationalistic counterreactions to foreign investments in agribusiness, in some countries and regions. In several countries in Africa and Southeast Asia, but less in Latin America, governments of countries with structural bottlenecks in the production of food, and with abundant resources (Saudi Arabia, China and others), through sovereign funds or other mechanisms, are acquiring land for the dedicated production of food. The evolution of these arrangements may have, as a collateral effect, the dissemination of resistance to foreign entrepreneurship, regardless of national origin. This is an incipient phenomenon, but it merits being monitored to assess risks similar to the hostilities faced by Brazilian soya producers in Paraguay and Bolivia. The mitigation of political risk requires complementary corporate and governmental initiatives. On the part of companies, the first step is to appropriately assess the social and political context in planning and operating international projects. Not to do so may result in super estimating the ROI potential of investments and the lack of financial or operational provisions for crisis situations. The engagement with local publics is a useful tool, particularly through well-planned social development initiatives and in building the image of the responsible company. The introduction of local private or governmental partners in the business also tends to be an effective tactic. The second element is the effort to align business and foreign policy interests. This is an agenda in which the Brazilian role is little consistent, which has little to do with reinforcing embassies in investment receiving countries, but rather, with setting up cooperation channels with key countries, negotiating investment protection agreements and fostering institutions and bringing about the adequate treatment of foreign investment. Foreign policy should and must treat the investor as a partner in projecting the country internationally. But this only works when companies understand the risks they are exposed to and when they employ their individual and collective weight to influence the government’s agenda. What is not acceptable is to ignore changes in risk standards that naturally result from the increased international role of Brazilian companies.


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