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AlĂŠm do olhar e do sentir


Esse texto é uma tentativa de aproximação e um convite a partir de um – talvez – novo entendimento de percepção dos mundos dentro e fora de nós, das relações e daquilo que nos torna humanos: a comunicação. É por meio da palavra que o homem se difere dos outros animais. A cognição nos faz ser, dentre todas as outras formas de existência, singulares; faz-se aí a identidade e quem somos. Agora, imagine você viver boa parte da sua vida sem qualquer forma de conceituação da realidade em que vive. Você observa, tenta fazer conexões, mas não há linguagem para traduzir o pensamento. Ainda assim você seria gente? O choro, o grito, o sorriso, o abraço, o amor.... Essas são formas de expressão legitimas por essência, modos de dizer algo a alguém e até para si mesmo. Comunicar é partilhar algo, é revelar-se ao outro, é tornar comum aquilo que habita dentro de nós. Ser um mediador da comunicação é, além de uma posição privilegiada, também pertencer a mundos que por vezes são invisíveis um para o outro. Construir pontes ao invés de muros é uma tarefa árdua, cansa, o processo é doloroso, mas quando o encontro se dá, tudo se justifica, tudo flui e mundos que outrora eram invisíveis passam a se enxergarem como são, distintos, plurais e humanos. Na Língua de Sinais Brasileira o conceito de “estar presente” é dito da mesma forma como se diz “ estar vivo” e é justamente esse olhar que deveria talhar o ofício de um tradutor e intérprete de qualquer língua; possibilitar que as pluralidades estejam vivas, presentes umas para as outras, construir novas imagens sobre as realidades e de mãos dadas às palavras da voz e aos sinais das mãos, trilharmos juntos nessa jornada chamada vida.

THALITA ARAÚJO & LENILSON COSTA Maleta Cultural


Celyse Sasse, Elise Milani, Flávia Pompeu, Jacson Vale, Johnnatan Albert e Nubia Laismann são as “Vozes da Alma” que ao longo de um ano receberam bases de fotografia a fim de torná-las ferramenta de comunicação. Essa jornada não foi meramente um aprendizado técnico de fotografia, mas uma viagem nas luzes, nos risos e choros, nas alegrias e dores. Durante esses meses de vida, cada participante teve a oportunidade de encontrar um pouco de si nos trabalhos que cada um estava desenvolvendo, além de uma reflexão sobre a vida e sobre si mesmo. Espero, do fundo do coração, que o que eles receberam sirva para poderem se expressar livremente, sem barreiras e despertar empatia, principalmente nas pessoas ouvintes. Eu gostaria de convidar todos a entrarem realmente na pele dessas pessoas que não entendem por que são tratadas diferentemente, que se perguntam por que os ouvintes não têm interesse em aprender um outro idioma tão diferente e encantador para integrá-los na sociedade. Como fotógrafo, tenho uma atenção muito especial a movimentos e formas. Libras é uma língua na qual as palavras se manifestam através das mãos, como duas bailarinas interagindo para criar uma outra forma de ver e viver o mundo. Abram seus corações por um momento e mergulhem no universo desses jovens que também têm sonhos e desejos de serem felizes, como eu e vocês. Tentem, através da fotografia, entender o que eles querem nos dizer. A fotografia tem esse poder lindo: falar em todos os idiomas do mundo para os que sabem observar com o coração pronto a deixar brotar a empatia.

OLIVIER BOËLS


Que grande taciturnidade! Meu mundo criado por mim, meu silêncio, meu porto seguro, minha vida e, principalmente meu refúgio. Onde eu posso ser eu mesma. Sem medo. Onde não há criticas, ofensas e preconceito. Meu mundo era mais feliz quando uma pessoa entrava e me entendia. Infelizmente ela não está mais aqui, mas ela me ensinou, me guiou, e tudo que aprendi não foi embora. A sua essência permaneceu e permanecerá sempre em mim. Depois dela não soube mais como demonstrar e muito menos expressar. Quando eu tentava, ou melhor, quando me esforçava para conviver fora do meu mundo, mais opressor ele se tornava, mais obstáculos surgiam e preconceito vinha à tona, gerando mais medo, e a insegurança tomava conta de mim. Quem está de fora acha que não tenho sentimentos, pois não enxerga o meu mundo que deixo bem guardado para evitar mais mágoas e ofensas. Sei que não consigo extrair os sentimentos e as emoções através das palavras. Através da fotografia encontrei meu norte, minha direção, transmutando minha capacidade de integração com tudo que está a minha volta. Agora consigo me expressar pelo olhar e a fotografia capta os momentos mais significativos de meus sentimentos. Assim posso demonstrar como sinto, não apenas registrar o momento inesperado de forma simples. Descobri outra forma para suprir a falta da minha audição: a visão!!! A visão é o meu sentido mais aguçado, com ela posso observar acuradamente tudo que está ao meu redor, com ela tenho mais facilidade de observar, de compreender, de sentir, de interpretar e exprimir os meus sentimentos. O que mais me frustra é que, de tudo aquilo que vem de fora do meu mundo, o preconceito é ainda a atitude mais podre e sórdida. Ele me faz voltar de maneira infeliz para essa desprezível realidade. Para ele, eu gostaria de ser verdadeiramente surda!

CELYSE SASSE


CELYSE SASSE


CELYSE SASSE


CELYSE SASSE


Os surdos: a experiência das vidas sem acessibilidade O tema que eu abordei nas minhas fotografias, é a comunicação. Este tema foi motivado por uma pergunta inicial e mediadora: O que é comunicação? Eu entendo que comunicação não é só fala, só a oralidade. Mas, comunicação é o olhar, comunicação são símbolos, são códigos. Comunicar é também o corpo e as expressões. Enfim, tudo isso são formas de se comunicar. Inclusive, por exemplo, as comunicações não verbais, como as luzes de um semáforo. Por meio delas a gente entende que um carro pode parar ou ele pode prosseguir, isso é comunicação. Filmes, novelas, cinema, são formas de comunicação. Os animais em si, também têm sua própria forma de se expressar e de se comunicar. Ou seja, comunicação não está atrelada apenas à voz, à comunicação oral. A partir disso, eu me pergunto também: Qual que é a principal diferença entre os ouvintes e os surdos? Bom, de acordo com o que eu penso, o ouvinte, além de falar oralmente, escuta. E nós, surdos, não. A gente só não ouve, mas fala. Substituímos os nossos ouvidos pelos nossos olhos. E a nossa boca, pelas nossas mãos. Essa é a única diferença que nos distingue, pois temos os mesmos corpos, o mesmo cérebro, a mesma cognição, a mesma emoção e a mesma capacidade criativa. Somos iguais! Diferindo apenas nessa questão de ouvir ou não ouvir. O mundo está cheio de barreiras e muito destas barreiras, dessas limitações, são construídas a partir dessa falta de comunicação, ou de uma comunicação muito truncada, muito defeituosa. As pessoas, de modo geral, desconhecem a forma de comunicação em sinais. Isso porque o mundo é ouvinte! O mundo é feito e pensado para pessoas que escutam. E é por isso que nós, surdos, continuamos a lutar. Nós lutamos para sermos inseridos na sociedade e para sermos respeitados enquanto pessoas com uma forma de comunicação diferente. A gente luta para: entrar no mercado de trabalho, ser reconhecido e para ter reconhecida a nossa identidade. A gente luta também para ter acesso aos espaços sociais públicos: teatros, museus, hospitais, escolas... enfim, em diversos âmbitos da sociedade. Então, foi mais ou menos, essa reflexão que eu almejei trazer a partir das minhas fotografias.

JOHNNATAN ALBERT


JOHNNATAN ALBERT


JOHNNATAN ALBERT


JOHNNATAN ALBERT


Brasília Upside Down Primeiro, surge uma pergunta: O que eu quero dizer com estas fotografias?

Então, é com essa provocação, que eu quero incentivar o seu olhar. E que você tenha empatia, acessibilidade, e uma nova forma de olhar ao redor. Além

Quero dizer: compreendam e percebam os meus sentimentos, a minha visualidade e emoções. A partir do momento em que observar essas fotos, eu espero

disso, é uma forma também de ressignificar o que você vê e o que sente a partir das suas percepções.

que percebam que há um estranhamento. Esse estranhamento é uma forma para provocar o seu olhar. Fazer com que realmente pense o olhar de uma outra forma,

Como minhas fotografias são um pouco destoantes, diferentes, têm

diferente do que vê, diferente do padrão. Esses sentimentos que falei, eu também

uma outra estética. É a partir dessa estética que eu quero que você se sinta

gostaria que remontasse a uma outra forma de ver o mundo, que é o mundo invertido,

provocado. Que tenha uma revelação, por mais que não consiga entender à

de ponta a cabeça, sabe? Algo diferente e surpreendente.

primeira vista. Mas, que você possa se sentir conectado por algo presente nessas

Essa é a provocação que eu pretendo que sintam. De observar elementos do mundo real e perceber que eles não estão em uma disposição costumeira. Também tem a ver com empatia. Por exemplo: eu, como uma pessoa surda, quero, sim, que entendam que eu não sou ouvinte, mas eu tenho sensibilidade, tenho a minha percepção e o meu emocional. Da mesma forma que as pessoas ouvintes.

pessoas que estão “dentro da fotografia”! Como se fosse uma espécie de revelação... alguma coisa oculta que por mais que você não entenda, sabe que tem uma ligação, tem um link a partir dessa percepção, do meu trabalho com a fotografia. E que essa revelação seja de alguma forma, uma maneira de quebrar o que você entende por empatia, que você possa ressignificar isso e observar as pessoas de uma outra forma. Que você possa se ver inserido nesse mundo

A partir das fotografias, eu também quero mostrar uma outra perspectiva

invertido, nesse mundo de ponta a cabeça. Essa é, de fato, a revelação. Por mais

da visualidade. Mostrar uma outra possibilidade de entender o mundo, de ver o

que soe estranho para você, que você se veja parte dessa estranheza e parte desse

mundo de ponta a cabeça. E a partir dessa inversão, dessa compreensão do mundo,

mundo invertido.

eu espero bastante que se sintam provocados, e entendam que lugar ocupam dentro deste contexto de um mundo invertido. Onde há essa dicotomia, essa dualidade, entre surdos e ouvintes e outros tipos de dualidades, de contrastes sociais.

JACSON VALE


JACSON VALE


JACSON VALE


JACSON VALE


Perspectivas do olhar Para mim, é importante que percebam que é possível olhar por diferentes perspectivas.

Quando pensamos no olhar, podemos nos perguntar: de onde vem essa palavra? Sabemos que surge da visualidade e deriva dos olhos humanos. Sabemos ainda que, todas as obras arquitetônicas surgem de projetos humanos e são repletas de subjetividade. Ao

Brasília, por exemplo, traz a proposta de Oscar Niemeyer do modernismo. Se o público não se aproxima do monumento para ter uma experiência, jamais poderá fruir de suas formas, linhas e curvas que são tão características do modernismo. Defendo a aproximação e as diferentes possibilidades do olhar através do deslocamento do corpo, pois tem muito para

propor um novo olhar, uma aproximação das obras, proponho encontros, assimilar o outro, sentir emoções através do olhar para o outro. Ou seja, perceber as alegrias, felicidades, angustias, raiva, enfim, uma gama de emoções e sensações humanas que são despertadas por meio desse encontro. É propor uma busca dentro de um imaginário habituado com o que se vê, no caso as linhas e as formas geométricas da arquitetura moderna de Brasília.

ser descoberto se explorado visualmente. Porém, o encontro trata-se de permitir que o olhar seja a relação mais profunda

Considero muito a perspectiva, o olhar. O que me motiva a essa provocação do olhar para um ponto, é saber que diversas pessoas olham somente as formas dos monumentos e não exploram suas possibilidades, o que

com a razão e o coração, a relação do humano e os monumentos carregados de expressões. Enquanto artista, as pessoas não podem acessar o que há de mais profundo em mim e a fotografia torna-se ponte, materializa o meu olhar para as pessoas e revela de mim o que

contraponho nas minhas fotografias, pois por mais que eu apresente um

nunca foi acessado, por conta desses encontros rasos, que nos submetemos. E falar sobre o

monumento conhecido, o público poderá se surpreender com as possibilidades

olhar é falar sobre os diversos encontros que podemos ter, em tudo. É estar sensível aos

do olhar, ao reconhecerem as formas vistas por ângulos diferentes.

detalhes, é mostrar diferentes perspectivas do sentir e das formas.

Então, a minha forma de relacionar Brasília com o mundo, é entende-la

Se vejo, por exemplo, um circulo em uma fotografia, posso ser levado a pensar em

como única, por ser moderna, assim como a arquitetura europeia se tornou única

uma bola e nas relações que esse objeto me proporciona. Posso não pensar imediatamente

com o Barroco e o Gótico, que possibilitam ao público apreciar seus detalhes pela

na arquitetura de um espaço. Essa é uma das grandezas do olhar. É saber que somos diversos

riqueza que oferecem. O que parece, que de certa forma, contrapõe com a

e constituídos de experiências diversas, expressões diversas. Se aproximar e tentar novas

simplicidade que a arquitetura moderna de Brasília pode oferecer, com suas

perspectivas do que, ou de quem seja, nos proporciona encontros repletos de expressões.

linhas e geometrias, que precisam de olhares sensíveis a perspectiva para se ter

Então, experimente novas formas de olhar a arquitetura, o mundo e as pessoas.

essa descoberta.

NUBIA LAISMANN


NUBIA LAISMANN


NUBIA LAISMANN


NUBIA LAISMANN


Mãe impedida Minha filha nasceu e me inspirou a ser mãe. Me apaixonei por filha linda. Meu maior desejo era que minha filha conhecesse o meu mundo, quem sou para ela. Que um dia a gente tivesse afinidade, respeito, relação e fosse companheira de vida toda e de amor, além de outras coisas mais. Eu espero que aconteça assim.

chamar a atenção com gestos ou me chamando tocando com as mãos. Mas, na maioria das vezes, infelizmente, não me obedece. Quando peço ou mando algo, quando chamo ou troco suas fraldas, ou tiro suas roupas. Fica agitada, grita, chora, não olha para mim. Com minha família, sim, ela aceita porque são ouvintes. Mas, não a mim, por ser única surda da família. A atenção de minha filha é chamada pelas vozes perfeitas, firmes. Quanto a mim, não. Estou me esforçando para que ela me

Mas no início, foi bem difícil para mim. Eu tinha problemas de tudo na minha vida, assim como qualquer pessoa tem. É comum das famílias. Eu passava por um processo de separação em

compreenda e escute meu coração. Tenho paciência e sei que é complicado. Eu considero o tempo dela, normalmente. Porque é o mundo dela.

meu relacionamento. Nos momentos em que eu e minha filha estamos sozinhas a história é totalmente outra. A interação com minha mãe é bem complicada, pois a gente tem entendimentos

Ela fica mais perceptiva, precisa da mãe mais próxima e também obedece. Por vezes, ela já tentou

totalmente diferentes, nossas opiniões e exigências também são diferentes. Hoje é avó da minha

usar gestos, até (PARA QUE) que eu lhe desse mais atenção. Sinto que tem vontade que eu esteja

filha, mas quando ganhou seus três filhos ninguém atrapalhou a sua vida. Ela pôde criar e cuidar

mais próxima e que cuide mais dela. É inexplicável! Meu desejo é que ninguém no mundo atrapalhe

deles sozinha. Alimentar e educar de seu jeito. E tudo que fez para os filhos foi por bem e por amor

a relação e ligação entre eu e minha filha. Pois, realmente e infelizmente, desse modo, eu perdi o

porque fez com a vivência dela. E eu, como filha, sempre admirei o seu modo de ser minha mãe e

interesse de ser mãe para minha filha e desanimei. Alguns dias dei menos atenção, mas me esforcei

por ser amorosa. Mas, ela atrapalhou toda minha vida quando eu me tornei mãe. Só vive me

e não deixei que minha filha sentisse minha ausência.

controlando, impondo seu jeito e desconsiderando o meu. Sei que é coisa de vovó que normalmente quer pôr em prática suas experiências... Mas, não me deixou viver de meu jeito as experiências da minha vida, como meu desafio. Eu achava que no decorrer do tempo eu ganharia um espaço de respeito enquanto mãe, vivendo com minha filha. Eu fazia qualquer coisa para ela. Mas, aconteceu o contrário porque ninguém me deixa agir e viver os meus desafios! Só porque sou surda? Por ser a minha primeira vez como mãe e não ter experiência? Ou pensam que sou coitadinha, ou que não saberei fazer? Porque me acham incapaz? Ou ... sei lá! Isso ocorre porque ninguém me deixa ir em frente, aprender com meus erros para fazer corretamente, desenvolver o conhecimento, superar as dificuldades e ganhar as experiências como qualquer mãe, pois são coisas da natureza da maternidade, não é? Com relação a minha filha, ela ainda não entendeu que sou surda. Isso é normal inicialmente, enquanto bebê. Ela está em crescimento e, por vezes me percebe, tentando me

Não sou mãe perfeita, mas fiz todo o possível para ser uma mãe legal e posso aprender muitas coisas com você que me desafiou a ser mãe. Percebi que não sou a única. Tem várias mães surdas vivendo do mesmo modo que tem acontecido comigo em minha família. Elas também estão sendo impedidas ou atrapalhadas nas suas vidas enquanto mães e simplesmente perdem o interesse em serem mães, pois são abandonadas da convivência com os filhos que, ou as deixam pelas avós ou por qualquer pessoa. Porque acham que mãe surda não sabe fazer ou que é coitadinha. Os avós, tios, cônjuges e outros precisam respeitar os espaços das mães surdas. Se elas precisarem de ajuda, sabem que é só pedir. Simples assim! Porque é o mundo delas! Assim como tenho o meu mundo que precisa ser respeitado. Eu me sinto como se tivesse uma barreira entorno de mim, sendo impedida de ser mãe porque minha mãe não entendeu o meu desejo e o meu mundo.

ELISE MILANI


ELISE MILANI


ELISE MILANI


ELISE MILANI


...de encontro e para o encontro Com minhas fotos eu tento mostrar como que é o meu mundo interno, como eu sinto as coisas que acontecem comigo e como é a Flávia de fato.

Isso, para mim, foi e está sendo um aprendizado muito grande. Eu passei a me deliciar com esse aprendizado, a me deliciar com todas essas possibilidades de interação. De conhecer outras pessoas e seus universos, me faz ter muito mais interesse por elas. É

O percurso do projeto Vozes da Alma e a Nísia foram muito importantes

como se antes eu fosse alheia, quase cega à existência de outras pessoas ao meu redor.

porque me deram instrumentos para que eu possa me ver em um caminhar de autoanálise e de autopercepção.

A Nísia, o Olivier, a Thalita e o Lenilson me ensinaram muito em todo o meu processo de desenvolvimento no projeto Vozes da Alma. E o que eu quero compartilhar,

Toda vez que eu tento falar sobre mim é como se tivesse uma barreira que

é justamente esse caminhar interno.

me travasse e, com isso eu não consigo expressar claramente o que penso. E eu penso muitas coisas, mas parece que eu sou sem jeito, sabe? E eu não gostaria que as pessoas entendessem mal o que eu tenho para compartilhar.

Gostaria que se perguntem: quem é essa pessoa que está nessas imagens? E que possam vislumbrar uma possível resposta que essa pessoa que está na imagem é você, sou eu, e é qualquer outra pessoa.

Eu sou bastante observadora. Vejo as pessoas e as suas expressões nos seus cotidianos. A partir desse olhar, eu consigo traçar e pensar em pontes de encontro e para o encontro. Eu consigo me ver nestas pessoas que observo, nos seus gestos, nos

Esse é um desafio, né? Eu tenho consciência disso. É um desafio fazer com que o outro se enxergue em mim.

seus olhares e nas suas atitudes. É “sobre esse encontro” que eu quero que entendam e compreendam a minha fotografia. Que a partir dessas imagens que produzi consigam sentir empatia. Que embora estejam me vendo, que possam se ver em mim também, fazendo o processo que eu faço todos os dias.

Um outro anseio meu, é que quando uma outra pessoa surda ver essas fotos, ela possa se enxergar também fazendo esse trabalho. Que ela possa se sentir representada e que possa ter modelos para desenvolver seus próprios trabalhos.

FLÁVIA POMPEU


FLÁVIA POMPEU


FLÁVIA POMPEU


Este catálogo integra a primeira exposição Vozes da Alma que conta com fotografias e depoimentos dos artistas surdos Celyse Sasse, Elise Milani, Flávia Pompeu, Jacson Vale, Johnnatan Albert e Nubia Laismann, tendo como direção de fotografia e curadoria o fotógrafo Olivier Boëls . Museu Nacional da República, de 7 de maio a 2 de junho de 2019 - Brasília | DF

FICHA TÉCNICA Concepção e Realização: Olivier Boëls & Nísia Sacco Diretor e curador de fotografia: Olivier Boëls Gestão e Produção executiva: Nísia Sacco Artistas e Mediadores: Celyse Sasse, Elise Milani, Flávia Pompeu, Jacson Vale, Johnnatan Albert e Nubia Laismann. Artistas Bilíngues: Thalita Araújo & Lenilson Costa Designer Gráfico: Francine Ma‫מּ‬es Impressor das fotografias: Lincoln Sousa Revisão: Airi Sacco & Isabella Gurgel Tradução de textos: José Bizzeril Assessoria de imprensa: Território Cultural Gestora Financeira: Katiane Brito Iluminação: Jefferson Nascimento Land Fotos táteis: Hoana Gonçalves

AGRADECIMENTOS Arthur Monteiro, Celso Araújo, Conchita Fernandez, Cristiano Carvalho, Isabela Lyrio, Isabella Gurgel, João Paulo Barbosa e Giovanna Zu‫מּ‬ion.

Este projeto é realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal. REALIZAÇÃO FUNDO DE APOIO À

CULTURA DO DISTRITO FEDERAL

PARCEIROS

DESIGN

Profile for Olivier Boëls

Vozes da Alma_catálogo da exposição  

Este catálogo integra a primeira exposição Vozes da Alma e conta com fotografias e depoimentos dos artistas surdos Celyse Sasse, Elise Milan...

Vozes da Alma_catálogo da exposição  

Este catálogo integra a primeira exposição Vozes da Alma e conta com fotografias e depoimentos dos artistas surdos Celyse Sasse, Elise Milan...

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