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Aσία
mulheres asiáticas
“Os deuses e semi-deuses curvam-se a seus pés de “lótus”. Oh Tara! Vós que resgatais todos os destituídos, para vós Tara-mãe, rogo esta homenagem.” A Tara Branca é uma das 21 emanações da Mãe de todos os Budas. É mãe da compaixão, da longa vida e da cura. Os textos sagrados do Budismo falam que ela se manifestou da floração de lótus no lago criado a partir da primeira lágrima de compaixão do grande bodhisattva Avalokiteswara (cuja encarnação humana é o Dalai Lama). Dehra Dun, Índia Isabela Lyrio
No decorrer dos séculos, exploradores de todo o mundo sedimentaram um imaginário ocidental sobre a Ásia, repousando-o em aspectos femininos idealizados, exuberante e cheio de belezas misteriosas. Porém, por trás dos véus exóticos do romantismo, revela-se um continente que, apesar de ter o maior número de mulheres do mundo, precisa despertar para que a igualdade de direitos - algumas vezes citada na Constituição e em outras não - seja fato consumado. Atravessando obstáculos invisíveis, mas muito concretos, elas têm conquistado um espaço determinante na política e na economia, o que contrasta com o desrespeito secular a seu espaço físico e emocional. Em alguns países, coisas que nos parecem tão óbvias como o direito de estudar e escolher um companheiro, ainda é sonho que se desequilibra entre a resistência do gênero dominante e a luta daquelas que desafiam este ciclo. Como a própria Ásia, são múltiplas, plenas de força e encanto. Trabalham no campo, dirigem corporações, criam os filhos, estudam, celebram a vida, amam, sofrem e curam suas dores. São elas próprias as Deusas.
Apesar de viver uma complicada situação política, o povo tibetano é receptivo e tranquilo. Em regiões mais isoladas, encontrar um ocidental é um choque cultural que pode render boas risadas. Yushu, Tibet Arthur Monteiro
Após 25 anos de guerra civil, o Laos é hoje um país povoado majoritariamente por jovens. Mesmo se formalmente as mulheres conquistaram direitos iguais aos homens, as jovens de áreas rurais estão entre os alvos prioritários do tráfico humano no Sudeste Asiático. Vang Vieng, Laos Olivier Boëls
Mulher desce as escadarias dos banhos quentes de Manikaram em seu salwar kameez. Apesar de menos conhecidos que os famosos saris, estes trajes de origem muçulmana também eludem leveza e graça e estão entre as combinações mais usadas pelas indianas. Manikaram, Índia Olivier Boëls
A idade nĂŁo tira das mulheres sua vaidade. Desde crianças, as meninas nepalesas usam brincos no nariz, cuidam dos seus cabelos e se vestem com um colorido muito caracterĂstico. Gorkha, Nepal Arthur Monteiro
Tecelã da etnia karen, um povo refugiado político do Myanmar, vive atualmente no norte da Tailândia onde o cotidiano é baseado na agricultura de subsistência e na venda de artesanato. Chiang Rai, Tailândia Arthur Monteiro
O Damnoen Saduak é apenas um de uma verdadeira cultura de mercados flutuantes. A área que circunda a capital Bangkok foi engenhosamente esculpida com mais de 200 canais fluviais, o que possibilita aos agricultores acesso rápido e direto ao consumidor urbano. Ratchaburi, Tailândia Olivier Boëls
Amigas de longa data riem de alguma lembrança da infância após almoçarem juntas no fim de semana, quando a sesta é devidamente praticada. Vientiane, Laos João Paulo Barbosa
Senhora fuma cachimbo de tabaco Hukka chilim na porta de sua casa, em vilarejo do século VI que faz parte do território do povo Newar. Por causa das recentes migrações para a capital em busca de emprego melhor, os Newars estão se tornando minoria na região que outrora dominaram. Bungamati, Nepal Olivier Boëls
Na região desértica do estado indiano Gujarat vive o povo nômade Rabari, cujo sustento vem principalmente da criação de camelos e cabras. As mulheres Rabari são conhecidas por usarem véus pretos, pesados adornos de latão e tatuagens com símbolos mágicos no torso, pescoço e braços. Gujarat, Índia Olivier Boëls
Balinesa dirige livremente sua moto – transporte motorizado mais utilizado na Ásia - rumo a uma cerimônia hindu exclusiva para mulheres. Ubud, Indonésia João Paulo Barbosa
Durante apresentação folclórica, senhoras disputam “centímetros” de janela para prestigiar os artistas. Oecussi, Timor Leste João Paulo Barbosa
MĂŁe e filha espiam, desconfiadas, pela janela de sua mercearia na cidade que outrora foi um dos pontos comerciais mais importantes da Rota da Seda. Jiayuguan, China Arthur Monteiro
Pastora toca o gado ao fim do dia, entrelaçando os inúmeros templos e pagodas, em um cotidiano que se repete há centenas de anos. Bagan é um dos sítios arqueológicos mais impressionantes da Ásia, capital do Império do século XI ao XIII, e sempre foi um importante destino de peregrinação. Bagan, Myanmar Arthur Monteiro
O Ganges não é um rio, é uma entidade sagrada. É a Mãe Ganga, que ajuda na limpeza dos pecados e na passagem desta vida para a próxima. A água do Ganges é shakti, energia feminina líquida, néctar da imortalidade que anima o mundo. Rishikesh, Índia Olivier Boëls
O “carnaval” coreano, conhecido como Festival das Lanternas de Lótus, é celebrado no dia do nascimento de Buda. Seul, Coreia do Sul João Paulo Barbosa
No Myanmar, é tradição que as meninas frequentem monastérios budistas. Além da iniciação disciplinar, têm acesso ao ensino básico e é, muitas vezes, a única opção para que as crianças possam estudar. A cerimônia de iniciação monástica representa o desapego do Buda à vida de príncipe. Mandalay, Myanmar Isabela Lyrio
Segundo a lei islâmica, homens e mulheres devem ocupar lugares separados nos salões de oração. O silêncio da tarde acompanha as preces na Mesquita de Jama Masjid, localizada em uma região de maioria muçulmana disputada por Índia e Paquistão. Caxemira, Índia Isabela Lyrio
Devota hindu traz oferendas à Deusa no templo Shri Kali. Por ser tratar de uma cidade onde a presença chinesa e indiana é forte, as tradições culinárias, culturais e religiosas desses povos são mantidas com afinco. Yangon, Myanmar Arthur Monteiro
Em uma das cidades mais altas do mundo, crianças brincam em meio às bandeiras budistas que representam os elementos da natureza, colocadas ao vento para purificar o ar e soprar as orações por todo o mundo. Lithang, Tibet Isabela Lyrio
Em cerimônias especiais de casamento, a noiva é tatuada com henna por uma de suas madrinhas. Há 5 mil anos, a henna simboliza boa sorte, saúde e sensualidade. Ilha de Diu, Índia João Paulo Barbosa
Grupo de noivas timorenses aguardam, felizes, o início de um casamento coletivo. Liquiçá, Timor Leste João Paulo Barbosa
Pela tradição chinesa, são os filhos homens que cuidam dos pais na velhice, o que gera uma preferência por este sexo. Graças à política de controle populacional que permite apenas uma criança por casal, é comum as famílias não desejarem filhas mulheres. Isso gerou um abismo populacional entre os gêneros e hoje em dia os homens têm dificuldade para encontrar uma esposa. Nanjiecun, China Arthur Monteiro
Em Toradja, todo recém-casado já tem garantida sua casa própria. Isto porque antes de promover um casamento, as mulheres da família dançam a fim de arrecadar dinheiro para a construção da nova casa dos noivos. Ilha de Sulawesi, Indonésia Olivier Boëls
Em uma sociedade profundamente patriarcal e estratificada, o papel da maioria das mulheres na Índia ainda se restringe a ser esposa e mãe de família. Uttarkashi, Índia Isabela Lyrio
O dia em que o rosa do tradicional véu das muçulmanas encontrou o rosa da “modernidade” de supérfluos. Java Central, Indonésia João Paulo Barbosa
A Universidade Amrita foi criada por Amma. Conhecida como ”a Santa do abraço”, ela coleciona prêmios de direitos humanos e acolhe especialmente a causa da educação de mulheres. Embora seja uma iogue hindu, ela dá igual oportunidade a jovens de todas as religiões, como mostra a foto das estudantes de Ayurveda. Amritapuri, Índia Olivier Boëls
Um autorretrato a quase 500 metros de altura revela a moderna mulher chinesa e o horizonte da cidade mais cosmopolita do paĂs. Shanghai, China Isabela Lyrio
O padrĂŁo de beleza ocidental e seus produtos de luxo estĂŁo mudando a cara e os desejos da mulher asiĂĄtica. Chongqing, China Arthur Monteiro
Turista se delicia na pose em frente ao exótico templo Wat Rong Khun. Chiang Rai, Tailândia Isabela Lyrio
Desde 1989 viajando regularmente à Ásia, o grupo de fotógrafos brasilienses formado por Arthur Monteiro, Isabela Lyrio, João Paulo Barbosa e Olivier Boëls reuniu um conjunto inédito de imagens que retratam o cotidiano feminino do maior continente do mundo. Mais de 2 bilhões de mulheres representadas em uma seleção de 30 imagens, feitas em longas viagens ao redor de 10 países. Ásia, nome latim de origem grega, “Àσία” (Ásia), registrado primeiramente por Heródoto, denominava o continente alémconhecido de sua época. Ganhou o nome de uma ninfa, símbolo da feminilidade e fertilidade da terra. Dialogando com o tema que guia o Mês da Fotografia 2014, a exposição Àσία apresenta a pluralidade de universos femininos que florescem do outro lado do mundo.
Contato JoĂŁo Paulo Barbosa joaofotobrasil@gmail.com Isabela Lyrio isabelarl@gmail.com