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Fim dos Tempos

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Juliano Sasseron

Fim dos Tempos

S達o Paulo 2013

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Copyright © 2013 by Juliano Sasseron

Coordenação editorial

Projeto Gráfico e Composição

Letícia Teófilo Claudio Tito Braghini Junior

Capa Monalisa Morato Revisão Rinaldo Milesi

Fabrícia Romaniv

Texto de acordo com as normas do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (Decreto Legislativo nº 54, de 1995) Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Sasseron, Juliano Fim dos tempos / Juliano Sasseron. -- Barueri, SP : Novo Século Editora, 2013. -- (Coleção novos talentos da literatura brasileira)

1. Ficção brasileira I. Título. II. Série.

13-12353

CDD-869.93

Índices para catálogo sistemático: 1. Ficção : Literatura brasileira 869.93

2013

Impresso no Brasil Printed in Brazil Direitos cedidos para esta edição à Novo Século Editora Alameda Araguaia, 2190 - 11o andar CEP 06455-000 - Barueri -SP Tel. (11) 3699-7107 – Fax (11) 3699-7323 www.novoseculo.com.br atendimento@novoseculo.com.br

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Àqueles que mantêm a esperança viva.

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Agradecimentos Como sempre falo, esta é, sem dúvida, a parte mais difícil de escrever em um livro. Cada pessoa que passa por nossas vidas deixa uma marca e, de certa forma, nos ensina algo. Dessa forma, todos que fizeram parte dessa jornada estarão guardados na memória e no coração. Amanda, minha querida esposa, obrigado por estar ao meu lado em cada passo. Sua alegria é minha alegria. Seu medo é meu medo. Seu amor é minha vida. Além disso, não posso deixar de agradecer a você, leitor Amigo. Talvez nós nunca nos encontraremos, mas, apesar disso, creio eu, sempre pensaremos com carinho um no outro...

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Prólogo: A cortina cai “Bem-vindo. Mil vezes bem-vindo. Fico feliz em reencontrá-lo. Por favor, queira se acomodar. Vejo que se fortaleceu muito desde nosso primeiro encontro, e sinto orgulho disso. Aprendeu a enxergar a magia nos pequenos detalhes? Sim? Ora, isso é realmente maravilhoso. Nosso mundo é uma constante mudança, nem sempre para melhor. Mas, como eu costumo dizer, até mesmo a involução é uma forma de evolução. As coisas andam difíceis, meu caro. Não vejo segurança nem mesmo em antigos refúgios. Os seres sobrenaturais andam agitados ultimamente. E não apenas os vampiros. Essa raça exerce um enorme fascínio sobre mim; por isso, acompanho seus hábitos há tempos. Mesmo assim, sempre me surpreendo com suas atitudes. Entretanto, as demais criaturas do mundo oculto também agem de maneira curiosa nesses últimos dias. Magos andam provocando diversos tipos de fenômenos climáticos. Lupinos estão cada vez mais presentes nas ruas das grandes metrópoles. Aparições vêm assombrando regiões pacíficas... O leque de fenômenos paranormais aumenta nossa preocupação para o que virá em breve. Alguns já se preparam para o pior, temendo que, enfim, a cortina que separa o mundo comum do fantástico caia.

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Ainda não sei o que pensar. Talvez estejam certo. Talvez o amanhã seja nosso último dia. Se for, esteja preparado. Mas caso isso não ocorra, é melhor aproveitar a noite. Tenho certeza de que ela será diferente, pois cada noite se destaca com a mesma singularidade de uma nota distinta na obra de um compositor. Contudo, ao ouvirmos a composição, não examinamos toda e qualquer nota. Nós a experimentamos em sua totalidade. Eis a chave para evitar o mal-estar da eternidade. Deixe cada noite, cada nota, se destacar no contexto maior da benção na qual sua vida se transformou. Lembre-se de que o mundo é muito maior do que essa cor cinza que vemos todos os dias. Como eu disse na primeira vez que nos encontramos, tenha muito cuidado! Já percebeu que, com magia, a vida se torna muito mais bela, porém mais perigosa. Te encontro no futuro. Se você sobreviver...”

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Mundo incomum

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...1... Um frio sobrenatural dava tônica àquela paisagem. A temperatura beirando alguns graus negativos e a névoa cinzenta abatiam-se sobre qualquer um que se atrevesse a ali penetrar. O fogo fátuo indicou qual túmulo deveria ser violado. O cheiro desprendido do ataúde chegava às narinas e causava mal-estar; todavia, por mais terrível que fosse, não superava o odor exalado pelo corpo do necromante. Ao abrir a esquife, vários vermes caíram no chão e outros tantos se remexeram no corpo em extremo estado de decomposição. As roupas, que outrora cobriam o cadáver, agora não passavam de trapos. Em grande parte a carne já não existia, dando lugar apenas aos ossos. Com delicadeza, Pest enfiou sua mão dentro do caixão, pegou o esqueleto e o pôs refletido contra a luz do luar. Uma leve transparência se fez nesse instante, como se uma folha de papel grossa fosse colocada contra uma lâmpada acesa, e ele moveu o conjunto de ossos de um lado para outro, observando atentamente cada um dos detalhes visíveis. Em todos os aspectos, aquele esqueleto era semelhante ao de qualquer homem ou mulher que tivesse perecido e cuja degradação natural agisse sobre sua carne. No entanto, havia algo que deixava aquela ossada diferente. Algo necessário para sua utilização no ritual que Pest preparava.

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Em vida, o dono daqueles ossos cometera parricídio e depois se suicidara. Exatamente o que o necromante precisava. Pest retirou o crânio do esqueleto e colocou o restante dos ossos de volta ao túmulo. Sem remorso pelo crime, o mago negro apagou todos os vestígios da exumação antes de retornar ao seu refúgio. Havia vários anos ele vinha trabalhando num feitiço que geraria a mais poderosa criatura que já caminhou sobre a Terra. Anos de extrema dedicação que lhe custaram sua própria humanidade. Mas agora estava perto de concluir seu objetivo. Desceu os degraus da passagem oculta numa das criptas do cemitério do Araçá e deu prosseguimento em seu plano. Já havia conseguido o conhecimento necessário para o ritual, porém ainda precisava de um artefato místico que canalizaria toda essa energia. Um cristal mágico que, reza a lenda, era passado de geração a geração por um grupo de xamãs muito poderosos. O único problema era a localização desse objeto. Pest o havia encontrado tempos atrás, mas na época não tinha poder suficiente para derrotar sua dona. Depois acabou perdendo o rastro do cristal, o que o levou a desenvolver de uma nova bússola espiritual. Fazia algum tempo que fora contratado para realizar o ritual da Corrente Desenterrada em uma cidade que, posteriormente, vivenciou a guerra entre as duas seitas vampirescas. Mas, apesar de seguir alguns padrões semelhantes, dessa vez o ritual não seria o mesmo. Sem sentir medo do que estava para fazer, o mago deu um passo a frente e encarou o espelho preso na parede. Seu reflexo hediondo não lhe incomodou. Havia outros pensamentos povoando sua mente. Um minuto se passou antes do autoflagelo. Com os dedos, Pest retirou um dos próprios olhos e o colocou na órbita do crânio usurpado. Um líquido viscoso escorreu-lhe pelo rosto e pingou sobre a terra enegrecida. A dor era grande, mas ainda maior era sua obsessão pelo que estava por vir. Recitou um cântico lamurioso com algumas palavras de uma língua morta, dando início ao ritual.

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Pegou o crânio e, em uma posição shakespeariana, encarou-o por alguns instantes antes de convocar seu exército maldito. Com um chamado que certamente causaria calafrio no mais corajoso dos homens, Pest esperou ser atendido. E, na calada da noite, os mortos se levantaram. Todavia não foram os ossos e a carne que saíram dos túmulos, mas a própria essência de cada indivíduo. Em outras palavras, as almas errantes se reuniram sob o chamado daquele que tinha o poder de convocá-las. Ter poder sobre os mortos era o desejo de vários magos, entretanto poucos ousavam trilhar o caminho da necromancia, mesmo que esse lhes oferecesse um poder quase sem igual. Pest, por sua vez, nunca teve dúvida de sua verdadeira natureza e, por isso, jamais deixou de estudar qualquer tipo de arte arcana. O resultado foi que reuniu para si próprio uma energia invejada por muitos. Mas uma energia tão maléfica que a própria carne era decomposta em plena vida, deixando o corpo em eterno estado de putrefação. “Um pequeno preço a se pagar”, pensou ele na primeira vez em que viu sua pele derreter como cera e atrair os mais nojentos vermes. Pequeno preço ou não, o fato é que ele comandava qualquer horda de espíritos que pudesse reunir. E, no momento, vários deles se encontravam naquela cripta, esperando suas ordens. Olhou novamente para o crânio à sua frente. O ritual que havia feito lhe proporcionava uma visão etérea e, assim, poderia encontrar qualquer coisa que já tivesse visto anteriormente. – A bruxa não possui mais o cristal – disse Pest, para si mesmo. – Ele está em posse de outro. – Ele continuou encarando o crânio para ter mais nitidez na sua visão. – Um mago. Um mestre de uma capela sitiada. Pest olhou pela última vez o crânio e, em seguida, pegou seu olho e colocou-o de volta na órbita vazia. A magia iria fazer que ele voltasse a se ligar ao corpo. Depois guardou o crânio em seu local de repouso. Aquele artefato poderia ser útil mais vezes. Em um breve giro com seu olho recém-instalado, visualizou todas as almas que estavam ali e deu-lhes o comando.

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Uma leve brisa com o mais absoluto frio percorreu a cripta no instante em que as apariçþes deixaram o local para cumprirem suas ordens. Pest sorriu, e o berne instalado na pequena tira de carne que ainda restava de sua face voltou a se alimentar. O primeiro passo para realizar o mais tenebroso experimento jå imaginado por sua mente insana foi dado.

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