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UM SÉCULO DE CULTURA

Antônio Celso Mendes, Ernani Costa Straube e Paulo Roberto Karam


UM SÉCULO

DE CULTURA

História do Centro de Letras do Paraná 1912-2012

2012


O Centro de Letras do Paran谩 agradece o apoio econ么mico recebido:

Sr. Joel Malucelli Sra. Maria de Lourdes Araujo Canet Sra. Florlinda Andraus Livrarias Curitiba Itaipu Binacional


Sem você (escritor), eu (leitor) não sou ninguém Casa do saber, do verso, da prosa, da palavra, do romance, da poesia, da ficção, da biografia..., enfim, da alma da escrita paranaense. Este é o Centro de Letras do Paraná, cujo Centenário nosso Estado comemora com esta publicação. Para o Conversa Entre Amigos, fazer parte projeto editorial é uma honra e um privilégio. Afinal, como pode alguém ler se não houver quem escreva? Na condição de um programa de incentivo à leitura, o Conversa Entre Amigos só existe em razão dos poetas, romancistas, biógrafos e escritores que dão vida ao Centro de Letras do Paraná. Com este livro, o Conversa Entre Amigos quer homenagear aqueles que fazem nossos leitores viajar sem sair dos seus lugares, que exercitam nossos pensamentos com novas ideias, que alimentam nossas almas de novos sonhos e que fazem crescer nossa imaginação com tanta criatividade. A vocês, que fazem e fizeram do Centro de Letras do Paraná uma referência da Literatura Paranaense, nosso muito obrigado. Fazemos nossas as palavras do poeta Vinícius de Moraes:

Eu sem você Não tenho porquê Porque sem você Não sei nem chorar Sou chama sem luz Jardim sem luar Luar sem amor Amor sem se dar

Eu sem você Sou só desamor Um barco sem mar Um campo sem flor Tristeza que vai Tristeza que vem Sem você, meu amor, eu não sou ninguém

MARCELO ALMEIDA Conversa Entre Amigos


Expediente Autoria: Antônio Celso Mendes, Ernani Costa Straube e Paulo Roberto Karam Coordenação Geral: Luizita M. D’Albuquerque Teixeira - Centro de Letras do Paraná Coordenação Editorial e projeto gráfico: Núcleo de Mídia e Conhecimento Fábio André Chedid Silvestre Tarás Antonio Dilay André Felipe Martins Pré-projeto gráfico: Estúdio Texto Revisão: Neumar Carta Winter Pesquisas: Douglas Lenon da Silva – aux. Biblioteca Cicilia Branco Rodakoviski – aux. Biblioteca Digitação: Franciele Vieira Fotos: Centro de Letras do Paraná Diorcedi Oliveira – fotógrafo Núcleo de Mídia e Conhecimento Instituto Histórico e Geográfico do Paraná Casa da Memória de Curitiba Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba Diagramação e arte final: Guilherme Damiani Impressão: Secretaria da Cultura /Departamento de Imprensa Oficial do Paraná

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Um século de cultura: História do Centro de Letras do Paraná – 1912-2012/ Antonio Celso Mendes… [et al.]; Antonio Celso Mendes, Ernani Costa Straube e Paulo Roberto Karam. – Curitiba, PR: NMC Núcleo de Mídia e Conhecimento / Estúdio Texto, 2013. 1. Brasil - História. 2. Centro de Letras do Paraná - História. 3. Cultura Paranaense. I. Mendes, Antonio Celso. II. Straube, Ernani Costa. III. Karam, Paulo Roberto.T.

CDD 981.622 Índices para catálogo sistemático: 1. Curitiba : Paraná : História do Centro de Letras 2. Centro de Letras do Paraná : História. 3. Centenário : Centro de Letras do Paraná 4. Cultura : Centro de Letras do Paraná


Antônio Celso Mendes, Ernani Costa Straube e Paulo Roberto Karam

UM SÉCULO

DE CULTURA

História do Centro de Letras do Paraná 1912-2012

1ª Edição Curitiba – Paraná 2012


GESTÃO 2012/2014 Presidente: 1° Vice-Presidente: 2° Vice-Presidente: 1° Secretário: 2° Secretário: 1° Tesoureiro: 2° Tesoureiro: 1° Orador: 2° Orador:

Luís Renato Pedroso Vânia Maria Souza Ennes Paulo Roberto Walbach Prestes Neumar Carta Winter Milton Ribeiro Paulo Roberto Karam Lilia Souza Nilton Carias de Oliveira Celso Macedo Portugal

Diretores Cultural

Isaac Cubric Teresa Teixeira de Britto

Comunicação Apollo Taborda França Ângelo Batista Artístico Kathleen Evelyn Muller Orly Bach Nelson Victor Koerich Social Admilson Soares Jurídico

Dario Livino Torres Luiz Áureo de Araújo Perpétuo

Patrimonial Joel Pugsley Sylvio Magelanno Magalhães Conselho Fiscal Carlos Moritz Vicente Gomes Fernando Hatschbach Liamir Santos Hauer Tufi Maron Filho


1912-2012 Histรณria do Centro de Letras do Paranรก

Termo de abertura do Livro Ata do Centro de Letras do Paranรก.

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A Existência Gloriosa do Centro de Letras do Paraná “A história tem sido permanente fonte de sabedoria e experiência, instrumento de cultura humana, memória coletiva, ininterrupto jogo dialético entre o homem e o mundo objetivo” (Túlio Vargas).

O proêmio inicia-se, mercê da invocação do inesquecível TÚLIO VARGAS, expressão máxima das letras paranaenses, não só em sua homenagem, senão ainda, porque, na realidade, o Centro de Letras do Paraná marcou história, figurando e realçando, sobremodo, a própria história do Paraná. Poder-se-ia, por outro lado, recorrer a DAVID CARNEIRO, outro vulto proeminente, na assertiva de que “a tradição é para os novos como a experiência de vida para os indivíduos. Se estes esquecem o seu passado, se perdem a consciência de sua existência, tendem a anular-se ou, quando menos, a repetir os mesmos erros já cometidos, porque o farol com que os indivíduos se conduzem é a experiência armazenada na memória”, por isso, que o Cenáculo acode ao enunciado, sendo já, inegavelmente, tradicional, no meio cultural.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Os excertos colhidos em Pensamentos de Todos os Tempos, de nosso confrade JEOLING J. CLÉVE, embasam, portanto, o que a pena lapidar dos intelectuais ANTÔNIO CELSO MENDES, ERNANI STRAUBE E PAULO ROBERTO KARAM registra de forma inigualável.

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Os pródromos de criação de nosso Centro de Letras do Paraná são rememorados, no coracional chamamento dos sessenta e cinco intelectuais, EUCLIDES BANDEIRA à frente, inclusive com a presença de quatro damas, fato inusitado para a época, fazendo jus ao proclamado por aquele fundador, dez anos depois e anotado por seu biógrafo, o caríssimo PAULO ROBERTO KARAM, verbis: “O Centro de Letras do Paraná não os esqueceu, nem poderá jamais esquecer aqueles que, somando os seus esforços aos dos sócios sobreviventes, deram os primeiros impulsos a uma obra que vai para radioso futuro, sólida e triunfante, visando acima de tudo, o engrandecimento intelectual do Paraná”. E o sodalício se fez grande e majestático, comemorando, sob aplausos gerais, o primeiro centenário, tendo a seu lado, para sua maior glória, aquele da Universidade Federal do Paraná, a mais antiga do Brasil!


Honra-me, em alto grau, pertencer-lhe e dirigi-lo em quadra tão histórica, confiando não desmerecer suas tradições, convicto de que esta verdadeira obra de arte agora ofertada, a todos enriqueça, fazendo jus ao notável acontecimento! Deixo, por derradeiro, em homenagem aos fundadores, confrades e confreiras, enfim, ao próprio mundo cultural, esta joia poética universal, do eterno companheiro de EUCLIDES BANDEIRA, coroado o ‘Príncipe dos Poetas Paranaenses’ – nosso EMILIANO PERNETA: CREIO Eu creio. Pude crer. Ah! Finalmente pude, Rompendo das paixões o espesso torvelinho, Vibrando de prazer as cordas do alaúde, Ver a estrela da fé brilhar em meu caminho. E sinto-me tão bem dentro deste alvo linho, Que até me refloriu a graça e a saúde; Ando quase a voar, sou quase um passarinho E penso que voltou a flor da juventude...

Só me arrebata o olhar a luminosa altura Onde fulgem de amor todos os astros nus... Beijo embriagador! Oh! Fogo que me abrasas! Quanto me faz febril e ideia de ter asas E de poder fugir para a infinita luz! Luís Renato Pedroso Presidente

Curitiba, primavera de 2012.

História do Centro de Letras do Paraná

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Que doirada ilusão! Que divina loucura!

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O Centro de Letras do Paraná tem a longevidade da cultura na palavra e da imaginação na cultura.

Em essência, visando o progresso cultural, o Centro de Letras do Paraná é um dos pontos de convergência, para onde afluem os que se ocupam com a arte de escrever trabalhos artísticos, em prosa ou verso; acidentalmente, lugar de geração e difusão de conhecimentos literários e artísticos. Prof. Nelson de Luca, 18 de outubro de 2012

História do Centro de Letras do Paraná

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Carlos Nejar, da Academia Brasileira de Letras. 11 de outubro de 2012

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Ao leitor Este livro é resultado da pesquisa documental levada a termo por um grupo

de autores que reconhecidamente tem vivenciado a experiência do Centro de Letras do Paraná, mas também de outras entidades congêneres, como a Academia Paranaense de Letras e o Instituto Histórico e Geográfico do Paraná. A maturidade das organizações permite acompanhar a história das cidades e das pessoas, simbolizando e formalizando seu percurso cultural. Onde estávamos e o que fizemos, o que nos tornamos. Num esforço voluntário de revisão documetal, todas as atas de trabalhos destes últimos cem anos foram tratadas de modo a revelar a continuidade do labor em favor das letras, das artes, da liberdade de expressão, bem como a amizade e produtividade intelectual havida nas publicações deixadas em acervo, como fontes. Uma plêiade de grandes vultos parananenses que despontaram no Estado e tornaram o Paraná autêntico em sua criatividade intelectual e institucional. Naquele 1912, onde marchavam tropas hostis entre si e resistentes de um monarquismo caudilho, ainda se opunham à democratização republicana incipiente, estes homens e mulheres que aqui se apresentam foram personagens desta realidade, enquanto erguiam Curitiba e o Paraná.

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Este trabalho celebra a formação de uma sociedade plural, com personagens procedentes de todas as plagas do estado e de fora dele, mostrando nossa origem mestiça.

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A cidade ganhando seu traçado físico e os homens ganhando seu traçado intelectual e moral, uma sociedade centenária, com memória e futuro. Hoje, as ruas da cidade física, com os nomes dos homens de intelecto e moral, nas bibliotecas, as letras de nossa memória.


Homenageando como representante centrista legítimo, memoramos todos, através de nosso ilustre Túlio Vargas, que de tudo fez em sua vida, para o bem da cultura, edução e civismo. Concluindo-se com uma extensa lista dos centristas desta longa trajetória, relevados na coleção de publicações da Revista do Centro de Letras do Paraná. Um livro com três atores, os fundadores, os presidentes em suas gestões e os centristas de todas as épocas.

Curitiba, em 1900.


Apresentação

Toda luta pela liberdade teve como protagonistas aqueles que

acreditavam no poder das palavras, das letras, dos livros. Não por acaso, na mesma data em que se deu a Emancipação Política do Paraná, nascia, pela força e coragem de ilustres pensadores de nossa terra, o Centro de Letras do Paraná. Com grande ousadia, seus fundadores idealizaram a criação de uma identidade autenticamente paranista. Um século depois, só podemos destacar os resultados da união desses intelectuais, em prol das artes e da formação dessa cultura que tão bem nos define.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Grandes nomes figuram entre aqueles que deram sua contribuição ao longo desses 100 anos, para formar e transformar a nossa realidade. São poetas, escritores, historiadores, pesquisadores das nossas tradições e, sobretudo, defensores, sempre, de nossas raízes e legado cultural. Verdadeiros artífices na difícil tarefa de despertar, em cada um de nós, uma consciência de nosso valor histórico.

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Esta publicação é uma justa homenagem a todos os que fizeram e ainda fazem a história do Centro de Letras do Paraná, mantendo vivos os mesmos ideais de liberdade, lembrando-nos sempre que também fazemos parte dessa trajetória e temos o dever de ajudar a preservá-la. Paulino Viapiana Secretário de Estado da Cultura


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Prefácio

Num de seus cadernos de reflexões e memórias, escritos na ilha de Lazarote,

nas Canárias, José de Sousa Saramago, o primeiro Prêmio Nobel de Literatura da nossa língua, escreve, a certa altura, no seu estilo peculiar, inconfundível: “Poucas coisas existem mais desnecessárias, supérfluas e despiciendas, do que um prefácio. Pois, de duas, uma: ou o livro é excelente, ou apenas bom, e prescinde perfeitamente de considerações introdutórias; ou é mau e, nesse caso, o prefácio, necessariamente laudatório, só pode ser hipócrita”. Com todo o respeito pelo lúcido e agudo pensamento saramágico, do qual me permito discordar, eu direi antes que, via de regra, por melhores que sejam os prefácios, eles padecem de um grave defeito, para não dizer um pecado quase capital: retardam de alguns minutos a leitura, pelo leitor apressado e curioso, do livro propriamente dito. E quem negará que esse fator, por assim dizer finalístico, é fundamental?

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

O que objetiva, em última análise, o livro que o prezado leitor tem nas mãos, neste momento? Apenas isto: mostrar, evidenciar, narrar o que foram – e como foram – os cem anos de existência do Centro de Letras do Paraná. A partir da data, tão longínqua como emblemática, da sua gloriosa fundação: 19 de dezembro de 1912.

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Concretizava-se aí – e então – o sonho de Euclides Bandeira e Emiliano Pernetta. Que não era, por certo, aquele “revê d’um rêveur eveillé”, cantado por Marcel Proust numa das páginas da sua obra de gênio, “À la recherche du temps perdu”. Os ilustres autores deste livro, com brilho e competência, num labor quase beneditino, levaram a cabo o magno empreendimento: a confecção de uma obra tão necessária, se não inadiável, como oportuna e tempestiva.


Destaque-se que os autores em apreço constituem um triunvirato por todos os títulos respeitável. Um triunvirato de escol, cuja simples nomeação gratifica o prefaciador: Antônio Celso Mendes, Ernani Costa Straube e Paulo Roberto Karam. Sem dúvida, eles não carecem de apresentação formal. Os seus próprios nomes, na sua plenitude significante, valem por uma autoapresentação definitiva. Penso que é importante lembrar, aqui e agora, que ao surgir, no instante inaugural, o novel sodalício se voltava sobretudo, predominantemente, para a seara das letras, para a província da literatura e dos oficiantes da sua liturgia criadora – poetas e críticos, ensaístas e cronistas, dramaturgos e romancistas, contistas e “tutti quanti”. Entretanto, com o passar ininterrupto dos anos, a esfera de abrangência do Centro foi se alargando, foi se espraiando por outras latitudes, e ele começou a agasalhar também no seu seio, sucessivamente, expoentes das artes e das ciências, luminares do jornalismo e do magistério, astros do Direito e da Medicina, figuras marcantes da Igreja e membros das gloriosas Forças Armadas.

História do Centro de Letras do Paraná

Como é evidente e natural, a história de qualquer agremiação – e o Centro não poderia fugir à regra geral – é a história dos homens que a presidiram, dos que integraram as suas inúmeras diretorias, dos incontáveis membros dos seus quadros associativos. Assim, as biografias, ou melhor, as minibiografias seriam – como foram – essenciais para a elaboração desta História do Centro de Letras do Paraná. E, a propósito, eu lembro aqui uma colocação admirável de Emerson, o grande filósofo norte-americano, num dos seus luminosos ensaios: “Properly there is no history; only biography”.

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Dessarte, a Instituição, desde cedo, procurou ocupar estrategicamente todas as faixas do espectro cultural curitibano – e paranaense. Democraticamente. E foi assim, de forma paulatina, que a casa de Euclides e Emiliano iria se transformar num lídimo templo – ou santuário – da cultura. E, como ensina magistralmente Karl Jaspers, o homem é, por excelência, um “ente de cultura”.

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Mais ou menos na mesma época, num livro que deslumbrou Eça de Queirós, “Os filhos de D. João I”, o historiador luso Oliveira Martins escreve: “A biografia é o suporte da História. Só com biografias competentes, escrupulosas, avessas à imaginação e à invencionice, pode haver História verdadeiramente digna do nome”. Mesmo sem ser estatístico – e a estatística, como ensina um dos irmãos Goncourt, é a primeira das ciências inexatas – eu ousaria formular a seguinte estimativa: ao longo de sua profícua e centenária existência, a serviço da causa transcendente da paranaensidade, ao lado dos trinta nomes arquetípicos que presidiram os destinos da grei centrista, foram centenas – cerca de quinhentos – os que participaram das suas muitas diretorias, milhares o número dos seus associados, e dezenas de milhares os que acudiram, pressurosos, ao recinto do seu auditório sempre acolhedor. De braços abertos, ontem como hoje, para recepcionar todos quantos demandaram – e demandam – o seu “sanctum sanctorum”. Estimaria ainda em cerca de cinco mil o número – assombroso – dos oradores, homens e mulheres – conferencistas, palestrantes e outros expositores –, que abrilhantaram, com a sua presença física e o seu verbo, muitas vezes demiúrgico, a tribuna centrista, transformada, numa sutil metamorfose, em genuína e autêntica cátedra de difusão e disseminação cultural.

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A mera nominata dos Trinta que, ao logo de um século, presidiram o Sodalício, de Bandeira, Pernetta e Assumpção, até Ário Taborda Dergint, Apollo Taborda França, Lauro Grein Filho, Adélia Maria Woellner e Luís Renato Pedroso, mostra e evidencia, às escâncaras, uma plêiade de intelectuais altamente representativa da “kultur” e da “inteligentzia” da nobre Terra das Araucárias.

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Todos eles, sem exceção, no exercício dos seus mandatos presidenciais, deram o melhor de si, se houveram com maior ou menor brilhantismo, mas com o mesmo amor e dedicação, em prol da grandeza e da afirmação da Entidade, no contexto amplo e multímodo da Ecúmena Paranaense. Porém, confesso, “hic et nunc”, que me sinto tentado a considerar Luís Renato Pedroso como o “primus inter pares”. Data vênia, naturalmente, a todos os presidentes que o precederam, vivos e mortos. Até porque “de mortuis nihil nisi bonum”. Embora, no caso, só houvesse a dizer, não o bom – mas o ótimo.


Por outro lado, quis o destino, inexorável na consumação dos seus desígnios sempre insondáveis, que fosse à figura paradigmática de Pedroso que coubesse o privilégio singular, singularíssimo, de ser na sua gestão operosa e fecunda, idealista e pragmática, que transcorre o Centenário. Temos aí, pois, uma data auspiciosa que, nas landes do presente, permite que voltemos os olhos para trás, para os latifúndios do passado, dos tempos pretéritos, mas também para a frente, para as planícies verdejantes e os trigais dourados da futuridade. Lá onde repousam, grávidos de beleza, as esperanças e os sonhos dos homens. Não concluirei este prefácio sem afirmar, de forma singela, que me honro e orgulho em pertencer ao Centro, ao lado de tantos pares, que são amigos, e amigos, que são pares. Alguns deles, verdadeiramente ímpares, se me for permitido o trocadilho irresistível. E fico por aqui. Concluo. Fiel ao meu personalíssimo pensamento expendido no introito, não irei retardar mais aquilo que o imenso Machado de Assis, numa das suas crônicas imorredouras, considerava como “o imponderável prazer da leitura – tão semelhante ao da escrita”. Portanto, prezadíssimo leitor, o livro é todo seu. Pode desfrutá-lo à vontade, a seu bel-prazer.

João Manuel Simões

História do Centro de Letras do Paraná

Nas duas realidades transcendentes que o verbo traduz e consubstancia, na sua essência significante: o Tempo e a Esperança.

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Aliás, a leitura é também uma forma específica de comemoração. Parafraseando Fernando Pessoa, o Camões do século vinte, comemorar é preciso.

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“A gente nova do Paraná precisa conhecer a formação da terra que é sua, e é, sobretudo, a terra de seus filhos. Precisa saber por que o Paraná atraiu, chamou com tanta força, em determinado momento. Precisa conhecer a diversidade do Paraná para compreendê-lo como ele é. Para perceber a síntese que o Paraná representa.”

Bento Munhoz da Rocha Neto “Da Necessidade de Divulgação da História Paranaense”, Ensaios. Páginas Escolhidas da História – 150 Anos da Criação do Paraná. Assembleia Legislativa do Estado do Paraná


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Largo Osório, Curitiba - 1905

História do Centro de Letras do Paraná

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A cidade ganhando seu traçado físico, os homens ganhando seu traçado intelectual e moral, uma sociedade centenária, com memória e futuro.

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índice UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

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Preâmbulo

A Existência Gloriosa do Centro de Letras do Paraná 10 Ao Leitor 14 Apresentação 16 Prefácio 18 Índice 26 Introdução 28 Acontecia em 1912 34

Capítulo I

A Casa de Euclides Bandeira e Emiliano Perneta Fundação do Centro de Letras do Paraná 40 Ato de Fundação 42 Ata de Fundação 47

Capítulo II

Os Fundadores 54 Clemente Ritz 57 Aldo Silva 58 Ademaro Lustoza Munhoz 59 Daltro Filho 60 Zeno Silva 62 Ciro Silva 63 José Niepce da Silva 65 Gastão Faria 67 Oscar Martins Gomes 68 Ricardo de Lemos 70 Vicente Nascimento Júnior 72 Francisco Ferreira Leite 74 Leite Júnior 76 Raul Gomes 77 Lacerda Pinto 79 Júlio Cesar Hauer 81 Ildefonso Serro Azul 82 Hugo Simas 84 João Pernetta 86 Jayme Balão Júnior 88 Romário Martins 90 Euzébio Silveira da Motta 92 Alcibíades Plaisant 94 Dario Vellozo 96 Claudino dos Santos 98 Domingos Duarte Vellozo 99 Georgina Leonard Mongruel 100 Alves de Faria 103 Celestino Júnior 104 Adolpho Werneck 105 Ismael Martins 107 Generoso Borges 109


Júlio Pernetta 111 Sebastião Paraná 113 Domingos Nascimento 115 João Evangelista Espíndola 117 Manoel Francisco Corrêa Neto 118 Zaida Z. Zardo 120 Reynaldo Machado 121 José Guayba Affonso da Costa 122 Annete Macedo 123 Azevedo Macedo 125 Caio Graccho Machado Lima 126 Antonio Francisco da Santa Ritta Júnior 127 Alcides Munhoz 128 Gilberto Beltrão 130 Leocadio Correia 131 Chichorro Júnior 133 Icílio Saldanha 135 Alda Silva 136 Augusto Faria Rocha 136 Aluízio França 137 Veríssimo de Souza 138 José Guelbecke 139 Myrian Catta Preta 141 Sylvio Lourenço Scheleder 141 Ulysses Sarmento 141 José Maria de Paula 141 Humberto Moletta 141 Euclides Bandeira 141 Emiliano Perneta 141 Pânphilo D’Assumpção 141 José Henrique de Santa Rita 141 Jayme Balão 141 Heytor Stockler 141

Capítulo III

História do Centro de Letras através de suas gestões

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Euclides Bandeira (1912-1913) 144 Emiliano Pernetta (1913-1918) 150 Pânphilo d’ Assumpção (1918-1921) 1. Gestão 166 José Henrique Santa Rita (1921-1922) 172 Jayme Balão (1922) 178 183 Pânphilo d’ Assumpção (1922-1934) 2. Gestão Ulisses Falcão Vieira (1934-1940) 188 198 Otávio de Sá Barreto (1940-1942) Brenno Arruda (1942-1947) 204 Rodrigo Júnior (1948) 210 Gláucio Bandeira (1948-1949) 1. Gestão 216 Leonor Castellano (1949 - 1952) 222 David S. Carneiro (1952-1954) 240 Laertes Macedo Munhoz (1954-1956) 252 Gláucio Bandeira (1956-1958) 2. Gestão 263

Heitor Stockler de França (1958-1960) 268 274 Júlio Estrela Moreira (1960-1961) Vasco José Taborda Ribas (1961 - 1964) 1. Gestão 280 287 Gláucio Bandeira (1964-1966) 3. Gestão 291 Vasco José Taborda Ribas (1966 - 1968) 2. Gestão Juril Carnasciali (1968-1970) 294 Luiz Pilotto (1970-1972) 302 Benedito Nicolau dos Santos Filho (1972-1974) 308 Ário Taborda Dergint (1974 - 1976) 314 319 Vasco José Taborda Ribas (1976 - 1978) 3. Gestão Leopoldo Scherner (1978-1979) 322 Vasco José Taborda Ribas (1979 - 1980) 4. Gestão 329 Apollo Taborda França (1980-1982) 332 Vasco José Taborda Ribas (1982 - 1985) 5. Gestão 337 Harley Clóvis Stocchero (1985-1987) 340 Galeria 346 Felício Raitani Neto (1987-1989) 350 Valfrido Pilotto (1989-1991) 356 Lauro Grein Filho (1991-1993) 364 Samuel Guimarães da Costa (1993-1995) 370 Fernandino Caldeira de Andrada (1995-1997) 376 Adélia Maria Woellner (1997-1999) 382 Luiz Renato Pedroso (1999-2012) 390

Capítulo IV

A Celebração do Centenário

414

Programação Cultural 416 Perspectiva Institucional Contemporânea 453

Capítulo V

Eles fazem o Centro de Letras do Paraná

460

Um Centrista Exemplar - Túlio Vargas 462 Os Centristas de Todos os Tempos 466 Revistas do Centro de Letras do Paraná 476 Galeria 482 Futuro que Almejamos 486 Homenagem a Curitiba 488

Bibliografia 490


Introdução

O território do Paraná vem se desenvolvendo desde o século XVI, quando da fusão do branco com o índio nativo brotou o modelo das reduções jesuíticas, ainda submetido ao processo de assentamento de Tordesilhas. Deste período, também o litoral ganha suas primeiras povoações e há notícia de um dos primeiros livros impressos no Brasil, “Arte e Vocabulário da Língua Guarany”, em 1613. Com a destruição bandeirante da obra dos Jesuítas, um longo período de desocupação assolou nossa terra, sendo apenas reocupada gradativamente, em função de uma mineração incipiente, donde surgiu Curitiba.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Com a descoberta das Minas Gerais, um novo ciclo lentamente se formou, ao redor do fornecimento de animais para São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Pernanbuco, iniciando-se um período cultural fabuloso, o Tropeirismo, que até hoje nos marca e identifica.

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Mas foi no início do século XIX, com o ciclo do Mate, que o Paraná começou a revelar suas cidades e o desenvolvimento incipiente. Foi contudo na emancipação, em 1853, que esta terra ganhou personalidade. Bem gerida pelo ilustre baiano Zacarias de Góis e Vasconcelos, tomou feição de terra administrada, bem como a data de sua posse (19.12.1853) ficou marcada como solene, em reforço à promulgada Lei Imperial 704 (29.08.1853).


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Não obstante, muitos acontecimentos nefastos serviram para abalar a marcha tranquila de seu futuro, pelo surgimento de conflitos gerados fora de suas fronteiras, mas que tiveram desfecho ou consequências graves dentro de seu território. Refiro-me, em primeiro lugar, ao desfecho da Revolução Federalista, que teve lugar entre fevereiro de 1893 a agosto de 1895, e cujo epicentro foi a cidade da Lapa, onde as tropas leais ao governo central foram dizimadas pelos revolucionários comandados por Gumercindo Saraiva, mas que, apesar disso, tornaram possível que as forças leais ao Governo de Floriano Peixoto se reorganizassem, dando fim ao conflito. O segundo episódio marcante na evolução do Paraná foi o Episódio do Contestado, no qual o Estado perdeu vasta porção de seu território para Santa Catarina. A origem dos conflitos do Contestado têm fontes diversas, cabendo citar, em primeiro lugar, a atuação do monge José Maria, líder carismático de perfil messiânico, que desde algum tempo, nos finais do século XIX, vinha incitando o povo à revolta, com vistas à criação de um mundo novo de libertação.

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Se isso não bastasse, o agravamento da situação foi a construção da estrada de ferro do Rio Grande do Sul até São Paulo, que gerou a expropriação de uma larga faixa de terras, prejudicando as famílias locais por onde passava. Os combates principais referidos ao Paraná tiveram lugar em terras catarinenses, na Vila do Irany, em 1912, quando então veio a falecer o Comandante Geral da Polícia Militar, Cel. João Gualberto Gomes de Sá. A guerra, porém, teve seu fim apenas em 1916, quando as tropas federais prenderam o último líder rebelde, Adeodato, que foi condenado a trinta anos de prisão.

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Ao mesmo tempo, com o desenvolvimento da cultura da erva-mate, a necessidade de mão de obra levou o governo a permitir a imigração de estrangeiros, principalmente alemães, italianos, poloneses, ucranianos e asiáticos, que passaram a ocupar vastos locais dos territórios vazios. A produção de café (no norte pioneiro) começa igualmente a ganhar destaque.


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Com o incremento urbano, viu-se o governo na contingência de organizar núcleos agrícolas para o suprimento alimentar das populações. Assim, em torno da cidade de Curitiba, capital do Estado desde 1854, ocorreu a colonização da região norte pelos poloneses (bairro Santa Cândida); os italianos se fixaram em Santa Felicidade, Colombo e São José dos Pinhais, contribuindo para deixar a, então, pequena cidade dividida em grupos étnicos diferenciados e difíceis de serem integrados. A tímida capital que, em 1900, possuía não mais do que 50.000 habitantes, já investia em cultura, nos clubes associativos e teatros. Ora, o despertar de uma consciência cultural que pudesse indicar um perfil autóctone para a cidade que nascia, levou suas elites pensantes à criação de instituições culturais perenes e identificadas com as demandas locais. Assim, nasceu o Instituto Histórico e Geográfico em 1900, liceus de ofícios e artes. Então, em 1912, nasciam a magestosa Universidade Federal do Paraná, bem como, no mesmo dia, o nosso Centro de Letras do Paraná. A data escolhida para servir como ponto de partida das novas instituições foi justamente o dia da emancipação política do Estado (19 de Dezembro), o que reflete as verdadeiras intenções de seus fundadores, movidos que estavam por um profundo sentido de compromisso histórico.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Desde então, a marcha para a consolidação de uma verdadeira cultura local pôs-se a caminho, o que reflete o alcance dos sonhos de seus fundadores. A nós, cabe apenas a tarefa de não esquecê-los, contribuindo também para sua perpetuação e desenvolvimento constantes, contemporâneo das realidades e protagonista da cultura.

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Acontecia em

Cultura

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

• Livro “Coleção de Leis do Brasil” Volume nº 2 – O Decreto nº 9501 de 30/03/1912 abre ao Ministério da Justiça e Negócios Interiores o crédito especial de 10.000 réis para auxiliar a impressão dos trabalhos do Terceiro Congresso de Geographia, realizado em Cutityba.

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1912

• O Diário Oficial do Estado do Paraná, edição nº 20, de 24/03/1912, publica que o Congresso Legislativo Estadual (atual Assembleia Legislativa) autoriza o Poder Executivo Estadual a conceder ao cidadão Augusto Stresser, o auxílio de 20 contos de réis para que ele possa encenar a Ópera Sidéria, de sua autoria.

• O Almanaque do Paraná para 1912, organizado por Alcides Munhoz, publica o poema “Tristeza” de Emiliano Perneta (com 26 estrofes de 4 versos) e o poema “Rosa sem espinho”, de Almeida Garret; os sonetos “Adeus”, de Francisco Leite; “Marta”, de Helvídio Silva; “Mão”, de Euclides Bandeira; “Soneto” de Romeu Balster e um de Silveira Neto.

• Lançamento e naufrágio do Titanic, em 14/04/1912.

• O mesmo Almanaque publica também o conto “Bucólica”, de Romário Martins, e o conto “Decepção”, de Euclides Bandeira; fragmentos da crônica “Oriente de Sonhos”, de Nestor de Castro.

• Fundação do Clube de Regatas Vasco da Gama. • Fundação do Santos Futebol Clube, em 14/04/1912. • Fundação do Ponta Grossa.

Clube

Operário

de

• O Diário Oficial da União de 30/01/1912 publica o Decreto nº 922 que estabelece um novo regulamento para o Museu Nacional.

• Romário Martins (fundador e presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná) lança o protesto, “O que eu faria se fosse deputado”, ampliando o debate sobre os limites do Contestado. • No mesmo período, publica os contos “A Noiva” e “Bucólica”, no Almanaque do Paraná.


• Estreia no Teatro Guaíra, em 03/05/1912, a Ópera “Sidéria”, cuja música é de autoria de Augusto Stresser e a letra é de Jayme Balão.

• O “Diário da Tarde” publica, em 24/09/1912 o poema “Porque Gosto de Ti”, de Rodrigo Júnior;

• O “Jornal da Tarde”, de 11/05/1912, publica o poema “Oração da Noite”, de Emiliano Perneta, dedicado a Nestor Victor.

• O “Diário da Tarde”, de 02/08/1912, publica o nome do ganhador da concorrência para a construção da estátua do Barão do Rio Branco. O Projeto Bernardelli foi escolhido.

• O “Jornal da Tarde”, de 11/05/1912, publica “O consagrado Jornalista Euclides Bandeira”, uma homenagem prestada por seus ex-colegas de trabalho. • Os Jogos Olímpicos de 1912 realizaram-se em Estocolmo, capital da Suécia, entre 5 de Maio e 27 de Julho, com a participação de 2407 atletas (48 mulheres) de 28 nações.

• Inauguração do Bondinho do Pão de Açúcar no Rio de Janeiro (27 de Outubro).

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• O “Diário Oficial do Estado do Paraná”, de 05/07/1912, publica atos da Secretaria do Interior, através de Sebastião Paraná, pela comissão encarregada de publicar, em volume de luxo, as produções em prosa e verso da poetisa paranaense Júlia da Costa, solicitando a entrega da importância de 800$000 réis de acordo com a lei.

• Livro “Coleção de Leis do Brasil” – volume nº 3 - 1912 – O Decreto nº 9691, de 31/07/1912, abre ao Ministério da Justiça e Negócios Interiores o crédito especial de 20.000 Réis para pagamento de auxílio à Academia Brasileira de Letras.

• Fundação da UFPR, em 19/12/1912. • Fundação do Centro de Letras do Paraná, em 19/12/1912, liderada por Emiliano Perneta e Euclides Bandeira.

História do Centro de Letras do Paraná

• O jornal “Diário da Tarde”, de 01/06/1912, publica o poema “Cantilena”, de Rodrigo Júnior.

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• Morte do Coronel João Gualberto Gomes de Sá Filho, em 02/09/1912. Ele tinha assumido pouco mais de dois meses antes, o Comando do Regimento de Segurança. Foi trucidado pela gente do Monge José Maria, após a catastrófica derrota do Irani.

O Contestado • Iniciam-se as hostilidades na Guerra do Contestado. • O “Diário da Tarde” publica: “Catástrofe nos Campos do Irany”.

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• Em 06/02/1912, morre em combate, na Campanha do Contestado, o Capitão Caetano Munhoz.

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• Em 08/02/1912, ocorre o 2º grande combate, em território catarinense, durante a Campanha do Contestado.

Funeral do Cel. João Gualberto, 6 de nov 1912.

• O “Diário da Tarde” publica, em letras garrafais: “Homenagem do Diário da Tarde ao seu querido grande amigo Coronel João Gualberto, edição de 05/11/1912. • O “Diário da Tarde” de 07/12/1912 destaca, em sua manchete, o nome do Sargento Virgílio, “O Herói que matou o Monge”.

O então Governador Carlos Cavalcanti (esquerda), acompanhado dos futuros governadores Caetano Munhoz da Rocha 1920/ 1928 (centro), pai do pequeno Bento Munhoz da Rocha (1951/1955).


• Implantação dos bondes elétricos em Curitiba (em substituição aos 20 carros puxados por animais). • O “Diário Oficial do Estado”, de 19/11/1912, publica a Constituição do Município de Prudentópolis. • David Carneiro e Companhia registram na Junta Comercial do Paraná a marca Royal, que usam para distinguir os produtos da fábrica de beneficiar erva-mate. Na mesma data registra a marca Monarca. • Registro da marca Ouro Fino na Junta Comercial do Paraná. Pedido feito por João Ribeiro de Macedo, conforme consta na edição de nº 20 do “Diário Oficial do Estado do Paraná”. • Criação das Secretarias da Fazenda e da Agricultura do Estado do Paraná.

• Foi publicado o 1º exemplar do “Diário Oficial do Estado do Paraná”, no dia 02/03/1912. • Fundação do Corpo de Bombeiros do Estado do Paraná, 28/03/1912. • Livro Coleção de Leis do Brasil – volume nº 2 – 1912 – O Decreto nº 9620, de 13/06/1912, declara em caráter nacional a Sociedade da Cruz Vermelha Brasileira.

• O “Diário Oficial do Estado”, de 12/08/1912, publica o Balanço do Banco de Curytiba. Assina o documento o Presidente Chichorro Júnior e o contador Thales Saldanha. • O “Diário Oficial do Estado”, de 12/08/1912, publica um importante discurso do Dr. Ernesto Luiz de Oliveira, Secretário da Agricultura do Paraná, sobre as derrubadas e queimadas de vegetação florestal, e que devem ser proibidas por lei. • Fundação da Associação dos Engenheiros Agrônomos e Médicos Veterinários do Paraná, em 03/10/1912.

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• É eleito Governador do Estado do Paraná o Dr. Carlos Cavalcanti de Albuquerque, período no qual Hermes Fonseca presidia o Brasil.

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O Estado

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• Jorge Amado, em 10/08/1912. • Gene Kelly (dançarino, ator, cantor, diretor produtor e coreógrafo nos USA), em 23/08/1912. • Nelson Rodrigues, em 23/08/1912 . • Helena Kolody, em 12/10/1912. • Luiz Gonzaga, em 13/12/1912.

Nascimentos • Evandro Lins e Silva (jurista, jornalista, escritor e político), em 18/01/1912. • Herivelto Martins (compositor), em 30/01/1912, faleceu em 1992.

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• Amâncio Mazzaropi, em 09/04/1912.

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• Adoniran Barbosa (compositor, cantor e humorista), em 06/07/1912.


• Bram Stoker (escritor irlandês que criou o personagem Drácula), em 20/04/1912, nascido em 1847. • Frederico VII (Rei da Dinamarca), em 14/05/1912. • Meiji (Matsuhito, Imperador Japonês), em 30/06/1912. • Affonso Celso de Assis Figueiredo (Visconde de Ouro Preto), em 21/12/1912, nascido em 1836.

Falecimentos

Estátua em homenagem ao Barão do Rio Branco, na Praça Generoso Marques, em Curitiba.

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• O “Diário Oficial da União” de 10/02/1912 publica 3 páginas sobre a morte do Barão do Rio Branco – José Maria da Silva Paranhos.

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• Morte do Barão do Rio Branco (Diplomata), nascido em 1845 e falecido em 10/02/1912.

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A Casa de Euclides Bandeira e Emiliano Perneta A fundação do Centro de Letras do Paraná


Ato de Fundação

Rompendo o século XX, um mundo em ebulição conviveria com duas guerras mundiais em menos de duas gerações. Em todos os continentes, rearranjos territoriais e étnicos eram comuns, bem como os ajustamentos constitucionais e econômicos que moldaram cada nação. No Brasil, não era diferente, rebeliões institucionais de norte a sul forjaram esta república, dando-lhe a face atual.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Muitas filosofias e um exigente direito ao pensamento e expressão acendiam aos homens da época, impondo-lhes um aprimoramento civilizatório.

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Conforme nos relata Luiz Carlos Pereira Tourinho, em sua obra Recordações de um Cosmógrafo de Cabeza de Vaca (Curitiba, Estante Paranista, vol. 37, 2ª ed, 1992), a cidade de Curityba, no início do séc. XX, era uma babel de imigrantes e raças profundamente diferentes, composta principalmente de alemães, italianos, holandeses, sírios, portugueses, ocupando a totalidade das atividades comerciais e industriais consentâneas com a época (p.95). Nesta “Curityba” de então, um grupo de pessoas, altamente empreendedoras e intelectualizadas, conviveram harmoniosamente na sessentenária capital. Desde os bancos escolares no Gimnasio Paranaense (atual Colégio Estadual do Paraná), todos abolicionistas e republicanos, alguns ligados à Maçonaria. Prédio do Ginásio Paranaense - abriga hoje a Secretaria da Cultura do Paraná.


Em pé: Rocha Pombo, Sebastião Paraná, Luiz Mariano de Oliveira, Jayme Ballão. Sentados: Leôncio Correia (que depois se radicou no Rio De Janeiro), Emilisno Perneta, Nestor Victor, José Moraes.

Jayme Reis, Brasílio Moura, Antönio Carvalho Chaves, Paulo Assumpção e Romário Martins.

Outros combateram juntos, na Guerra Federalista, defendendo a República. Nos eventos significativos do fim do Século Dezenove e início do Século Vinte, eram as mesmas personalidades que se encontravam presentes e atuantes, como na Delegação do Paraná à Exposição de 1908. Uma intelectualidade, originalmente do Paraná, já se formava desde o fim dos oitocentos, ganhando ares de personalidade própria, contestadora e propositiva, exigente da ampliação cultural da sociedade arcaica, ainda reinante.

E entre vivas, aplausos e brindes, a sorte estava lançada. Guerra inclemente contra a velharia, massacre aos tabus literários, deposição dos valores ultrapassados e rançosos...

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A mocidade se dividia entre o esoterismo de Dario Veloso e o anticlericalismo de Euclides Bandeira, mocidade boêmia, que enchia as colunas dos jornais e revistas com suas seções humorísticas e que gosava das noites deliciosas dos clubes noturnos de elite, Savoy e American Club...

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Nas letras de Wilson Bóia, bem se via o ambiente efervescente da época:

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Sabedor de tais ocorrências, certo de que o momento era de união e nunca de dissidências, passando o susto inicial, Euclides Bandeira procura harmonizar o ambiente. Vem-lhe a ideia da criação de uma entidade líterocientífica, onde se reunissem não só o mundo mental de Curitiba burguesa e pacata como também os jovens idealistas, revolucionários, congregando todos os credos, tendências e cores partidárias. Euclides Bandeira convoca os maiorais para uma reunião. Expõe os seus planos. E escolhe Raul Gomes para missão delicada: a de procurar, um por um, todos os intelectuais. E a cada um dos sessenta e sete, Raul ia explicando o pensamento bandeirense, alimentado do espírito de união de todos os camaradas líteroculturais...

Emiliano Perneta chegando ao Passeio Público, onde é coroado Princípe dos Poetas (1911).

E a 19 de dezembro, no salão de honra da redação do Diário da Tarde, à Rua 15 de Novembro, nº 54, fundava-se o nosso CENTRO DE LETRAS DO PARANÁ, uma instituição verdadeiramente democrática, “não comportando limitações ao número de sócios, nem exclusão do sexo feminino, nem fardões”. (Bóia, Wilson. Raul Gomes – Vida, projetos, desilusões – Inédito)

Uniram-se Parnasianos e Simbolistas, historiadores e contistas, profissinais e altruístas, filósofos e cronistas, amplos humanistas, todos paranistas.

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Autênticos filhos da terra, porque aqui nasceram, ou para cá vieram depois da emancipação política, ainda que imigrantes de outros estados, conscientes da ausência de uma identidade própria da urbe que estava despontando, resolveram unir esforços para forjar um espírito verdadeiramente local. Conforme se lê na ata de sua fundação, no dia 19 de dezembro do referido ano, seus primeiros integrantes criavam o Centro de Letras ‘com o fim de concorrer para o progresso mental do Estado, publicando uma revista, editando livros, fazendo conferências, etc’.

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Não por acaso, e resultante das mesmas forças criativas, no dia em que se comemorava o 59º aniversário da Emancipação Política do Paraná, outro grupo, também visionário (alguns estavam nas duas reuniões fundacionais, como os proeminentes Hugo Simas, Daltro Filho e Pânphilo D`Assunção), instalaram a Universidade Federal do Paraná (na época Universidade do Paraná), ampliando a esfera de institucionalização do poderio intelectual do Paraná, de si e para si. Neste dia 19 de dezembro de 1912, foi eleita, por aclamação, uma diretoria provisória, sob a presidência de Euclides Bandeira, instaurando o CENTRO DE LETRAS DO PARANÁ, unindo as forças de nossa cultura pulsante.

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Evento no Passeio Público reúne personalidades curitibanas - quase todos são fundadores do Centro de Letras.

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Ata de Fundação

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Transcrição da Ata de Fundação

Aos dezenove dias do mês de Dezembro do ano de mil novecentos e doze, nesta cidade de Curytiba, capital do Estado do Paraná, no salão de Honra da redação do “Diário da Tarde” , à rua Quinze de Novembro, número cincoenta e quatro, com a presença dos abaixo-assinados, foi deliberada a creação nesta capital, de um centro de letras com o fim de concorrer para o progresso mental do Estado, publicando uma revista, editando livros, fazendo conferência, etc.

O sr. presidente, usando novamente da palavra, declarou, entre aplausos da assistência, fundado o Centro de Letras do Paraná, pelo que todos contribuíriam com seus esforços e seus talentos para o engrandecimento que se fundava nesta data gloriosa da emancipação política do Paraná como homenagem prestada ao Estado pelo intelectualismo patrício.

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Terminada a sua breve allocução, o sr. presidente declarou livre a palavra a quem dela quisesse fazer uso a fim de ser escolhida a denominação para o novo centro. Diversas foram as denominações alvitradas: Silogeu, Centro Paranaense de Letras e Ciências; Centro de Arttes e Ciências, Cameron Paranaense, Centro de Letras do Paraná, Centro Literário Paranaense; Centro Lítero-Artístico e outros, sendo escolhido, por maioria, de votos o nome Centro de Letras do Paraná.

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Aceita por todos a ideia, foi aclamado presidente da reunião o sr. Euclides Bandeira que, assumindo a direção dos trabalhos, depois de agradecer a distincta gentileza, convidou para secretário o Sr. Clemente Ritz. Em seguida, fez uma ligeira apologia da ideia, que congregava os presentes, mostrando a utilidade da sua effetivação e acentuando que a fundação do Centro de há muito se impunha num ambiente intelectual grande e brilhante como o nosso, com espíritos affinizados no mesmo ideal -- poetas, romancistas, publicistas, críticos, jornalistas, etc.

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Em seguida, nomeou a seguinte commissão para organizar o projeto de Estatuto: Doutor José Henrique de Santa Ritta, Zeno Silva, Romário Martins, Doutor João Pernetta, Generoso Borges e Raul Gomes. O sr. presidente declarou que seria oportunamente convocada Assembleia Geral para a discussão dos Estatutos. Nada mais havendo a tratar-se, foi pelo sr. presidente levantada a sessão. E Eu, Clemente Ritz, servindo de secretário, lavrei a presente acta, que vai devidamente assignada pela mesa interina e por todos os presentes.

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(seguem-se as assinaturas)

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Sentados: Ermelino de Leão, Claudino Rogoberto dos Santos e Octávio de Sá Barreto; Em pé: Adolpho Werneck, Jarbas Saldanha, Hyppolito de Araujo e Alcíbiades Plaisant.


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Passeio Público. Parnasiano e Simbolista.

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Os Fundadores


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Clemente Ritz

Um dos fundadores do Centro de Letras do Paraná, sendo escolhido por Euclides Bandeira, naquele momento, para secretariá-lo na histórica data de 19 de dezembro de 1912, sendo dele a primeira ata de nossa entidade cultural. Autor de vários livros, destacam-se Álbum, versos, 1906; Barros Júnior, biografia, 1907; Sonhos de Moço, versos, 1907; A Caminho de Eleusis, versos, 1914 e Meu Surrãozinho de Trovas, versos, 1935, o seu Canto De Cisne, revelando-se inteiramente outro, sob impressionante sentimentalismo, repleto de saudades, recordações e tristezas.

Desfile de Carnaval na Rua XV de Novembro, 05 de março de 1912.

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Presidente do Centro Livre – Pensador do Paraná, Venerável da Loja Maçônica Cardoso Júnior, pertence à geração literária de 1905, a da revista “Stellario”, outrora conhecida com a dos “novos”. Jornalista irreverente, cronista, charadista, cultor do humorismo em prosa e verso, ingressou na carreira de servidor público como funcionário postal, ascendendo ao posto de Administrador dos Correios de Campanha, em terras mineiras, onde desfrutou de grande conceito.

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Clemente Ritz, fundador da cadeira número 15 da Academia Paranaense de Letras, nasceu em Curitiba, numa casa da Rua Borges de Macedo, hoje Ébano Pereira, a 23 de novembro de 1888. Estudante do Ginásio Paranaense, neste educandário fez vários exames em cursos preparatórios, adquirindo forte conhecimento das línguas portuguesa e latina.

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Lança várias seções em jornais e revistas como a dos Perfis Acadêmicos, na A Cidade, em 1926, nela perfilando em sonetos magistrais figuras como Brandão Pontes, Jurandir Manfredini, Rodrigo Júnior e Sá Barreto. Uma de suas facetas pouco divulgadas merece aqui o seu registro, suas polêmicas em alto nível, como aquela contra o filólogo português Teixeira Coelho, no “Diário da Tarde”, em novembro de 1920, intituladas O Mondrongo Filólogo, em trinta capítulos, por ele denominados trinta asneiras. Doente, internado na Clínica Erasto Gaertner, então localizada na Praça Senador Correia, em Curitiba, acaba sendo transferido para o Sanatório São Sebastião, na Lapa, onde falece a 4 de novembro de 1935, antes de completar quarenta e sete anos de idade, vitimado por tuberculose pulmonar.

Fonte: Gazeta do Povo – 05 de julho de 1997.

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Aldo Silva

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Aldo, como seus irmãos, se dedicou aos estudos, formando-se em Direito, atuou em jornais de diversas cidades e no campo do Direito, chegou a Juiz em algumas comarcas do interior.


Ademaro Lustoza Munhoz

Filho de Caetano Alberto Munhoz e de Maria da Conceição Lustoza Munhoz, nasceu a 27 de maio de 1889, em Curitiba. Fez todos os estudos em Curitiba: escolas públicas, Ginásio Paranaense e Universidade do Paraná, onde recebeu o grau de Engenheiro Civil. Cidadão probo, de costumes simples. Chefe humano, exerceu os cargos de engenheiro de Obras do Estado; diretor geral das Obras Públicas do Estado, tendo exercido a profissão. Publicou uma tese sobre física experimental em 1919, com o título de “Considerações sobre a lei de Hohm”.

Faleceu Dr. Ademaro Lustoza Munhoz na cidade natal, a 7 de maio de 1927, pouco antes de completar trinta e oito anos de idade. Fonte: Livro – Almas das Ruas. NICOLAS, Maria. 1969. Volume 1. Página: 163-164.

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Foi também um dos fundadores do Centro de Letras do Paraná.

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Usando o pseudônimo “Horácio Guanabara”, colaborou no Diário da Tarde, A República. Revistas tais como: O Olho da Rua, Raios X, Fanal, Calendário do Paraná, O Itiberê, de Paranaguá, Sonetos Paranaenses, Sonetos Regionais.

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Daltro Filho

Manoel Cerqueira Daltro Filho nasceu em Feira de Sant’Ana, Bahia, a 2 de novembro de 1882. Era filho de Manoel Cerqueira Daltro e Brasília Cerqueira Daltro. Depois dos estudos primários, aos quinze anos, viajou para o Rio de Janeiro. Em 1903, realizou o Curso das Três Armas, nesta cidade.

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A conselho médico, em 1904, procurou as terras das araucárias para fixar residência.

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O General Daltro desempenhou os seguintes cargos: membro da comissão de linhas telegráficas, quando esteve em Porto Alegre e aí realizou os cursos de Engenharia e de Estado Maior do Exército, tendo sido orador da turma; serviu no 6º Regimento de Infantaria e no Quartel General de Curitiba; Comandante da 3ª Companhia de Metralhadores, ajudante de Ordens do Presidente Arthur Bernardes; Adido Militar na França e na Bélgica; serviu no 7º B.C., em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, depois de fazer o curso de oficiais superiores da 2ª Região Militar, São Paulo; Interventor Federal, membro da Diretoria de Engenharia do Ministério da Guerra, quando, então, elaborou a planta do atual Palácio da Guerra; 8ª Região Militar, Belém, Pará; 3ª Região Militar, Rio Grande do Sul, numa época de convulsão política, tendo, com sua forte personalidade e habilidade militar, pacificado o Rio Grande. Como consequência, perdeu sua preciosa vida, pois o seu estado de saúde exigia o máximo repouso, o que não lhe era possível, a fim de bem cumprir o seu dever.


O povo sul-riograndense cognominou-o “Pacificador do Rio Grande” e mandou construir um túmulo monumental, em reconhecimento e gratidão eterna. O Rio Grande deu o seu honrado e ilustre nome a uma de suas cidades e a uma Rua de Porto Alegre. Paranaense de coração, aqui constituiu família. Era fervoroso adepto da Liga de Defesa Nacional. Foi um dos fundadores da Universidade do Paraná e do Centro de Letras do Paraná. Durante meses, varejou o sertão paranaense em lutas no Contestado. Como Comandante da Brigada de Caçapava, Estado de São Paulo, tomou parte na Revolução Constitucionalista, 1932. Fonte: Livro – Almas das Ruas. NICOLAS, Maria. 1969. Volume 1. Página: 143-144.

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Rua XV de Novembro.

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Zeno Silva

Zeno Silva é filho de Albino José da Silva e de Rosa de Souza e Silva, irmão do Dr. José Niepce da Silva, Aldo, Alda e Ciro, todos dedicados à literatura, uns, como Alda, no jornalismo, outros, como Ciro, na poesia. Seus estudos decorreram em diversas cidades, pois seu pai, onde chegava, fundava um jornal e dava início a uma escola. Chegou a colar grau de Bacharel em Direito. O próprio Albino, com somente seis meses de aula regular em escola, trabalhando na redação de jornais “O Dezenove de Dezembro” e “A República”, se instrui sozinho, sendo um exemplo marcante de autodidatismo. Zeno nasceu depois de 1891. Seus cinco irmãos e ele inclusive foram sócios fundadores do Centro de Letras do Paraná. Em 1926, viajou pelo Egito com seu irmão Ciro e fizeram, em conjunto, um livro de viagem: “Na terra das pyramides: impressões de viagens através do Egypto”.

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Por ocasião da fundação da Academia Paranaense de Letras, em 1936, ele foi convidado para ser sócio correspondente, pois na época morava e trabalhava no Rio de Janeiro, então Capital Federal, o que ele aceitou.

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Não há registro da data de seu falecimento. Fonte: Paulo Roberto Karam.


Ciro Silva

Autor de várias letras para melodias de Bento Mossurunga e de Benedito Nicolau dos Santos, como teatrólogo colaborou com Serro Azul nas revistas O Pau da Gaita, 1920; Na Terra da Prontidão, 1922; O Diabo atrás da Porta e Rumo ao Catete, 1931. Legou pequena obra literária, Cantos do País das Araucárias (versos, 1939 e 1979), Estrada sem fim... (versos, 1958), Relicário (trovas, 1968) e um livro relatando suas impressões de viagem pelas terras dos Faraós, com o seu irmão Zeno, Na Terra das Pirâmides, 1926.

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Boêmio, carnavalesco, secretário-geral do famoso bloco Clube dos Puritanos, orador popular, advogado, violinista, tocador de gaita de boca - executava até trechos operísticos de O Guarani -, poeta, vereador, professor da Escola de Artífices do Paraná, cargo no qual se aposenta, mostra-se um espírito irrequieto, “sempre a carregar debaixo do braço ou nas mãos um livro ou um maço de jornais, alguma coisa que o impedisse de movimentar em excesso seus membros superiores, que trazia em constante gesticulação”.

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Primeiro ocupante da cadeira número 20 da Academia Paranaense de Letras, Ciro Silva nasceu em Campo Largo, a 22 de agosto de 1881. Vindo à luz do dia, numa casa onde funcionava uma pequena tipografia, ele não poderia fugir ao seu destino. Assim, começa a traçar notícias, artigos e crônicas para as folhas que seu pai, Albino Silva, editava e isso em localidades diferentes, tais como Paranaguá, Curitiba, Morretes e Ponta Grossa. Interessante o fato de que só depois dos trinta e cinco anos de idade se lhe manifestaria a veia poética.

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Faleceu em Curitiba, na terça-feira de 21 de maio de 1968, quase nonagenário, saindo o féretro de sua residência, na Rua Visconde de Nácar, dia seguinte rumo ao Cemitério Municipal. Sócio fundador do Centro de Letras, secretário da Academia Paranaense de Letras por quinze anos, o seu amigo inseparável – o cachimbo – e a sua gaitinha de boca, mereceram de Euclides Bandeira um soneto interessante e que termina assim:

“Teu cachimbo é, por certo, quem inspira o teu estro adorável, ó poeta! é quem cobre de louros tua lira... E... ou brotam versos da tua alma louca ou chora o coração mágoa secreta pela voz de uma gaita em tua boca!...”

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Fonte: Gazeta do Povo - 10 de maio de 1997.


José Niepce da Silva

Nascido em Curitiba, em 1º de outubro de 1876, passou a exercer, a partir dos 10 anos de idade, o ofício de tipógrafo, compondo os periódicos locais das cidades por onde passava sua família, tais como Paranaguá (Pátria Livre), Campo Largo (Escolar) ou Curitiba (Diabinho).

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Em seguida, mudou-se para o Rio. Lá, na Escola Politécnica, recebeu o diploma de engenheiro, com 23 anos de idade. Exerceu funções técnicas na Estrada de Ferro São PauloRio Grande e na Leopoldina. Voltou ao Paraná em 1903, casando com Francisca, que lhe deu 11 filhos. Foi nomeado Comissário de Terras e, posteriormente, Chefe de Seção da Câmara Municipal de Curitiba. Continuou sua ascensão na vida burocrática, passando a Diretor de Obras e Viação do Paraná e, no biênio 1912-1913, chegou a Secretário de Estado dos Negócios de Obras Públicas, logo determinando a reabertura da estrada da Graciosa, por 30 anos abandonada. Iniciou o serviço de fundações de colônias nacionais, no Irani. Protegeu os índios. E se fez pioneiro, no Brasil, em 1913, do aproveitamento do trabalho de sentenciados no serviço de conservação e construção de estradas. A partir de então, mudou-se para o Maranhão, como Diretor da Estrada de Ferro São Luís – Teresina.

1912-2012

Aluno aplicado do Instituto Paranaense, em 1893 inscreveu-se como voluntário do Batalhão Patriótico 23 de Novembro.

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68 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


Adepto fervoroso da Maçonaria, orador, polemista, ao lado de quatro irmãos, fundou o Centro de Letras do Paraná. Em 1927, ingressou na Academia de Letras do Paraná, fazendo o elogio do Patrono, no caso seu pai, o abolicionista e republicano Albino Silva. Interessado pelos problemas e assuntos nacionais, grande autoridade em transportes ferroviários, deixou obras como As Aves, conferência, 1906; O Problema da Catequese, 1910; Contribuição para o Estudo da Climatologia, 1910; Através do Romanismo, 1911; Aspectos do Norte, 1921; Lauro Sodré, 1917 e As Vias Estratégicas para as Fronteiras Meridionais, 1930. Redator da revista “Ramo de Acácia”, Presidente e orador do Clube Curitibano, somente nove anos após o seu falecimento, ocorrido no Rio em 26 de setembro de 1935 saiu sua obra histórica, Ecos da Revolução de 1893 no Paraná. Fonte: Livro – Academia Paranaense de Letras: Biobibliografia. HOERNER Júnior, Valério, BÓIA, Wilson, VARGAS, Túlio. 2006. Página: 162. Da Igreja Bom Jesus, observa-se a Santa Casa, o Quartel, na atual praça Rui Barbosa.

Advogado e Jornalista, o Dr. Gastão da Costa Faria foi toda uma existência dedicada ao Direito e ao problema do menor. Formado em Direito, desde logo exerceu com raro brilho a sua profissão. Como colaboradores do antigo “Correio do Paraná”.

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Gastão Faria

1912-2012

Ao fundo, a Catedral Nossa Senhora da Luz dos Pinhais. 1912.

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Oscar Martins Gomes

Nasceu em Curitiba, em 1º de setembro de 1893, filho de Francisco Xavier Gomes e Júlia Martins Gomes. Formou-se em Direito pela Faculdade Livre de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro. Exerceu, de 1917 a 1925, cargos públicos naquela capital, tendo militado na imprensa carioca. Tomou parte na 1ª Conferência Nacional de Juristas e no Congresso Nacional de Direito Judiciário, apresentando trabalhos da sua lavra.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Voltando ao Paraná, tornou-se membro do Tribunal Regional Eleitoral. Foi suplente de deputado à Assembleia Legislativa do Paraná (1935) e de vereador à Câmara Municipal de Curitiba. Dedicou-se à advocacia e ao magistério. Tornou-se catedrático, por concurso, da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná, na disciplina de Direito Internacional. E também foi um dos fundadores do Centro de Letras do Paraná.

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Começou a afirmar-se na literatura por meio da revista “Fanal”, que ele mesmo dirigia, apesar de seus 19 anos de idade. Teve como companheiros de geração Andrade Muricy, Tasso da Silveira e Lacerda Pinto. Estes, discípulos de Dario Vellozo no Ginásio Paranaense, receberam sua influência, produzindo poemas simbolistas. Sua obra em versos mais vigorosa é o poema Goiobang (1953), de feição épica, retratando os fatos principais da História do Paraná. Em 1965, publicou um livro diferente, Carnaval Carioca, com flagrantes das folias momescas, o que lhe valeu receber o título de cidadania honorária do Rio de Janeiro.


Movimento de tropas durante a Guerra do Contestado, caminhada para o Irany.

Vida literária intensa, participante de todos os movimentos culturais, exerceu cargos na diretoria de várias instituições do gênero. Das suas colaborações é mister ressaltar: A Batina; Folha Rósea; Atheneia; A Sulina; O Itiberê; Sonetos Paranaenses.

Durante o governo Clotário Portugal, exerceu o cargo de secretário de Estado da Justiça. Faleceu em Curitiba, dia 3 de abril de 1977. Fonte: Livro – Academia Paranaense de Letras: Biobibliografia. HOERNER Júnior, Valério, BÓIA, Wilson, VARGAS, Túlio. 2006. Página: 69.

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Escritor, poeta, jornalista, jurista e professor universitário, serviu ao Paraná com apreciável lastro de cultura, humanismo e ética.

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Poesias: Ode ao Imigrante; Hino à Paz; Ode ao Café; No Delírio dos Salões; Páginas Folclóricas.

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Ricardo de Lemos

Nasceu em Morretes (PR), no dia 15 de maio de 1871. Após os primeiros estudos no Instituto Paranaense, ingressou na carreira burocrática, desempenhando com zelo suas funções de servidor estadual. Suas colaborações encontram-se espalhadas em jornais e revistas curitibanas da época, como Cenáculo, O Sapo, Azul, Diário da Tarde, Cartão Postal, Stellario, A Notícia, O Olho da Rua, Comércio do Paraná, Senhorita, O Dia, Prata da Casa e O Itiberê. Poeta de feição essencialmente humorista, foi um dos fundadores do Centro de Letras do Paraná.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Era de natureza tímida, fugia dos aplausos. Versejava com correção, acobertado por vários pseudônimos, como Garrone, F. A. Brício e Alberto Cadaveira. Perdem-se em revistas e almanaques seus delicados contos.

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Foi também compositor e decifrador de charadas, logogrifos e enigmas. Sua grande paixão era a filatelia. Costumava colecionar com carinho pelo menos uma crônica ou uma poesia de cada confrade. Deixaria publicado apenas um livro com 41 peças humorísticas, Ventarolas, de 1898, por sinal o primeiro livro de versos jocosos dados à publicidade no Paraná.


Estávamos em abril e Sá Pinho (Leocádio Correia), na revista O Sapo, espalhara a notícia de que Ricardo andava a distribuir exemplares de sua obra em pleno inverno. João de Tapitanga, ao divisar na vitrina da Livraria Econômica o volume em questão, improvisou uma ferina quadra alexandrina. Zé Ferino, pseudônimo com que se escondia o poeta Alfredo Coelho, foi em defesa de Ricardo Lemos, saindo-se com esta quadra:

Não é só no estio que os leques para abanar nos convém, pois há “ventos” mal cheirosos que sopram com o frio também. Casado com Rosinha Taques, faleceu em Curitiba, em 11 de outubro de 1932, deixando três filhos, dentre eles o conhecido cantor lírico, baixo-profundo, Túlio de Lemos.

Fonte: Livro – Academia Paranaense de Letras: Biobibliografia. HOERNER Júnior, Valério, BÓIA, Wilson, VARGAS, Túlio. 2006. Página: 269.

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Amo-te, ora modesta, ora em tuas galas, e quando te ouço atento, em vários tons, esqueço as aves porque és tu que falas!

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Dedicava excessivo amor ao vocábulo, traduzido no seu soneto Língua Portuguesa, cujo terceto final, vale transcrição:

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Vicente Nascimento Júnior

Vicente Montepoliciano Nascimento Júnior, fundador da cadeira número 37 da Academia Paranaense de Letras, nasceu em Guaratuba, no dia 24 de janeiro de 1880, tendo frequentado as escolas primárias de sua genitora, Maria Júlia, e a de seu professor Alfredo Alves da Silva. Dedicou-se, desde a adolescência, ao jornalismo, fundando o jornal “O Município”, de Antonina, onde passou a residir após trabalhar no posto telegráfico de Guaratuba. Sua atuação na imprensa foi reconhecida, pois se tornou sucessivamente secretário da municipalidade e prefeito municipal de Antonina.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Defendeu com veementes artigos a instalação da primeira colônia nipônica na região de Cacatu, resultante da Missão Yonosuke Yanoda, contra órgãos de imprensa que combatiam essa colonização, julgando-a incompatível com a sociedade brasileira. Os jornais de Tóquio reproduziram esses artigos, que alcançaram expressiva repercussão internacional.

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Colaborou em vários jornais de circulação estadual, entre eles o “Diário do Comércio”, de Paranaguá. Suas crônicas foram disputadas pelas revistas O Itiberê e Marinha, de Paranaguá, ambas de grande conceito editorial. Durante a interventoria de Manoel Ribas, viu-se nomeado consultor jurídico do estado, pois formado em Direito pela Universidade do Paraná adquiriu renome profissional, prestígio e respeito.


Dedicou-se especialmente ao estudo da história. Foi responsável também pela implantação de um curso comercial, em Curitiba, por meio do qual se habilitaram muitos técnicos do setor. Historiador espírita, jornalista e homem público, sua modéstia e bondade o enalteceram na memória de todos os que privaram do seu convívio. Faleceu em Curitiba, dia 4 de fevereiro de 1958. Em sessão de 23 de fevereiro do mesmo ano, o Centro de Letras do Paraná – cenáculo do qual foi um dos fundadores – prestou-lhe homenagem póstuma na pessoa de Maria Nicolas. Fonte: Gazeta do Povo – 06 de dezembro de 1997

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Carnaval - 5 de março de 1912.

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Francisco Ferreira Leite

Curitibano de 8 de outubro de 1889, ainda pequeno, seus irmãos corriam a copiar-lhe os versos improvisados. Embora frequentasse, já crescido, duas escolas primárias, abandonou-as a seguir, sem prestar exames finais.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Sem ter diplomas, sem curso superior, nem por isso deixou de se firmar no cenário intelectual e principalmente educacional do Paraná. Participou de todas as manifestações literárias da acanhada Curitiba do início do século XX, como autor didático, publicou Cantigas de Infância, No Lar e na Escola e Reino Infantil, poemas e contos infantis.

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Como explicar que alguém que não frequentou os bancos escolares chegasse a Diretor-Geral de Educação? Certamente herdara do pai, João, o gosto pelas letras e artes em geral, a vocação para o teatro, pela boemia, a andar pelas madrugadas dedilhando o pinho e, de seu avô materno, o Professor Brandão, o envolvimento com o mundo da petizada. Paranaense consciente, não deixou de reverenciar o símbolo augusto do Paraná, o pinheiro, no seu Reino dos Pinheirais e, fixando residência no Rio, a partir de 1938, foi o representante máximo da política paranaense durante seis anos seguidos, acompanhando o interventor Manoel Ribas em suas visitas, reuniões e audiências oficiais, no Rio de Janeiro. Foi um verdadeiro embaixador da cultura paranaense.


Poeta, revistógrafo (A Crise, no Teatro Hauer; O Diabo em Curitiba, no Mignon; e A Magia do Ouro, no Guairá), músico, conferencista, jornalista, o nosso embaixador cultural. É extensa a sua bibliografia, destacando-se: Horas; Poentes de Outono; Vaticínios (crônicas); A Hora da Mulher (ensaio); e Em Louvor do Paraná (discurso). Em 1982, com mais de 90 anos, faleceu no Rio de Janeiro o menestrel insólito do bandolim, dissolvendo as energias em cantar madrigais quentes, por debaixo dos balcões, disputando sorrisos de castelãs a golpes de florete. Fonte: Livro – Academia Paranaense de Letras: Biobibliografia. HOERNER Júnior, Valério; BÓIA, Wilson; VARGAS, Túlio. 2006. Página: 204.

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Revista Azul. Alegoria de seus Quatro Fundadores, em painel exposto na sede do Centro de Letras do Paraná.

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Leite Júnior

Filho de João Ferreira Leite, e de Hygina Célia de Jesus Brandão Leite, nasceu a 3 de março de 1876, em Curitiba, e aí faleceu, a 28 de setembro de 1930. Foi funcionário público do Ministério da Fazenda, trabalhando na Delegacia Fiscal de Curitiba e também sócio fundador do Centro de Letras do Paraná. Poeta, cronista, conferencista e humorista usou os pseudônimos “Gabirol”, “Val Verde”, “Tullio”, “Ralé-Rey” e “Conde de Monte Oeiras”.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Fez parte dos seguintes periódicos: Recreio Familiar (1894), O Sapo (1898-1902), Almanach Paranaense, Azul, O Internacional, Electra, Victrix, Club Curitibano, Diário da Tarde, A República, A Fanfarra (1903), A Notícia, O Olho da Rua, A Rolha, Cinema, O Velho não quer..., Folha Rósea, Fanal, Sonetos Paranaenses e A Cidade, todos eles de Curitiba.

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Colaborou na cultura paranaense com suas obras, Ritual, versos (1900); Da Theosophia, conferência (1902). Fonte: Livro – Antologia Paranaense. RODRIGO JÚNIOR; PLAISANT, Alcibíades. 1938. Página: 238.


Raul Gomes

Primeiro ocupante da cadeira de número 34 da Academia Paranaense de Letras, filho de Joaquim Rodrigues Gomes e Guilhermina Negrão da Costa Gomes, nasceu em Piraquara (PR), no dia 27 de abril de 1889, figurando entre seus ascendentes Ricardo Negrão e João Negrão. Professor, jornalista, pesquisador, paranaense extremado, “sem nunca temer esfinges, nem dragões”, ele foi dessas exuberâncias espirituais que marcaram gerações e abriram caminhos, cuja memória tem sido reverenciada, após décadas de seu passamento.

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Recebia os alunos e os iniciados nas letras com palavras de amizade. Eliminou as fronteiras que separavam o corpo discente da cátedra universitária. Democratizou esse relacionamento, antes formal e distante, através de um convívio salutar e proveitoso. Participante de todas as campanhas de interesse cultural ou comunitária, encontra-se entre os fundadores da Academia Paranaense de Letras, Centro de Letras do Paraná e outras associações congêneres. Ao lado de Euclides Bandeira, liderou os movimentos cívicos e políticos na fase da áurea do Diário da Tarde.

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Traço marcante do seu espírito: a proverbialidade.

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Criou a Opala, órgão destinado a erradicar o analfabetismo, antecipando-se às semelhantes iniciativas modernas. O GERPA foi outra entidade da sua inspiração, com objetivo de publicar obras de autores paranaenses. Formado pela Escola Normal, lecionou em escolas públicas de Morretes, Rio Negro e Curitiba. Diplomando-se, mais tarde, pela Faculdade de Direito, dedicou-se aos estudos aprofundados da ciência jurídica, habilitando-se, em 1947, por concurso, à cadeira de Economia Política. Deixou obras tais como: Ação e Civismo (1918); Caminhos da Paz: maior produção e melhor distribuição (1948); O Desespero de Cham (1926); A Economia mundial e o desenvolvimento do caminho marítimo das Índias: tese de concurso (1946); Emiliano Pernetta (1959); Histórias Rudes (1915); Instrução Pública do Paraná (1914); O Milho no Paraná (1918); Missão e não profissão (1928); Prática de Redação (1927); A Questão Orthographica (1924); Redação sem mestre (1967); Versa tribunícia (1925) entre outros folhetos. Disseminou bibliotecas nos educandários do interior, implantou escolas de arte infantil, promoveu exposições de artes plásticas, gestionou junto ao deputado constituinte Rivadávia Vargas, para incluir, nas Disposições Transitórias da Constituição Estadual de 1947, emenda criando a Casa de Alfredo Andersen, enfim, desenvolveu ação abrangente e benéfica em todas as áreas de interesse público. A Sociedade de Cultura Artística Brasílio Itiberê foi outra de suas lucubrações permanentes. Faleceu em Curitiba, em 12 de novembro de 1975.

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Fonte: Gazeta do Povo – 08 de novembro de 1997.

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Lacerda Pinto

Filho de Manoel Rodrigues Pereira Pinto e Rita de Lacerda Pinto, nasceu em 4 de dezembro de 1893, na cidade da Lapa (PR).

Exerceu, a seguir, interinamente, a Procuradoria Geral da República. Em 1937, foi nomeado pelo interventor Manoel Ribas para as funções de Procurador-Geral do Estado, depois Secretário de Estado do Interior e Justiça. Em 1941, foi nomeado desembargador do Tribunal de Justiça, onde exerceu a presidência, inclusive a do Tribunal Regional Eleitoral.

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Na condição de deputado federal, participou da Assembleia Nacional Constituinte de 1934. Ao regressar a Curitiba, advogou junto ao escritório do notável jurista Marcelino Nogueira.

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Jurista e político, poeta e prosador. Pertencente à elite cultural do Paraná, foi um dos fundadores do Círculo de Estudos Bandeirantes e também sócio fundador do Centro de Letras do Paraná. Teve importante atuação nos episódios que antecederam a criação da primeira Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, juntamente com José Farani Mansur Guérios, Bento Munhoz da Rocha Neto, Padre Jesus Ballarin Carrera, Sá Nunes, Brito Pereira, Pedro Macedo e Loureiro Fernandes.

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Caserna Tiro Rio Branco

Aposentou-se em 1963, após o meritório desempenho no exercício das funções jurisdicionais. Dedicou-se ao magistério. Foi um dos fundadores da Universidade Católica. Lecionou na Universidade Federal do Paraná e no antigo Instituto de Educação.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Voltado à atividade literária, participou intensamente dos movimentos de vanguarda e na administração de entidades culturais, notadamente no Círculo de Estudos Bandeirantes e Centro de Letras do Paraná.

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Publicou um livro de poesias – Fonte Rústica –, recebido favoravelmente pela crítica especializada. Faleceu em Curitiba, no dia 15 de fevereiro de 1974. É considerado também fundador da Academia Paranaense de Letras. Fonte: Livro – Academia Paranaense de Letras: Biobibliografia. HOERNER Júnior, Valério; BÓIA, Wilson; VARGAS, Túlio. 2006. Página: 149.


Júlio Cesar Hauer

Filho de Júlio Hauer e de Genoveva Hauer, nasceu em Curitiba, a 26 de junho de 1893. Estudou no Ginásio Paranaense e doutorou-se em medicina na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Exerceu vários cargos públicos no Rio, e foi redator do jornal “O Dia” de Curitiba. Jornalista e poeta. Foi sócio fundador do Centro de Letras do Paraná. Usava os pseudônimos “Zip”, “Timeo”, “Juvenal” e “Pif ”.

Fonte: Livro – Antologia Paranaense. RODRIGO JÚNIOR; PLAISANT, Alcibíades. 1938. Página: 227-228.

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Publicou as seguintes obras: A Vitória de Prometheo – sob o pseudônimo “Timeo” –, prosa, Curitiba (1912) e O Eterno Feminino – sob o pseudônimo “Timeo” –, prosa, Curitiba (1916).

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Colaborou nos periódicos: Diário da Tarde, O Olho da Rua, Club Curitibano (1912), Revista do Povo, Sonetos Paranaenses, O Dia, todos eles de Curitiba.

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Ildefonso Serro Azul

Primeiro ocupante da cadeira número 8 da Academia Paranaense de Letras, Ildefonso Pereira Correia, mais conhecido por Ildefonso Serro Azul, ou Barãozinho, nasceu em Curitiba, a 8 de julho de 1888, filho de Barão do Serro Azul. Poeta, humorista, boêmio, contista, romancista e autor teatral, sócio fundador do Centro de Letras do Paraná, tornou-se um colaborador assíduo da maioria dos jornais e revistas paranaenses. Sua figura física, inconfundível, inspiraria um soneto que assim começava: Baixo e ventrudo, gordo, redondinho, que esquisita figura ele oferece... Não é perfídia minha: um leitãozinho,

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Rechonchudo e luzente, ele parece.

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Sua bibliografia não é pequena e dela podemos destacar: Lilazes; O Eco Daquela Voz...; Saudade; Paisagens de Minha Terra, poesias; a novela Liberdade; os romances Viva o Tango!; Fazendo a América; e A Mania da Época, este publicado em capítulos pelo “Diário da Tarde”, em janeiro de 1927. Já bem marcante a sua contribuição para o teatro: O Pau da Gaita, com Ciro Silva; Mais Uma... O Coração Adivinha, com Bento Mossurunga; Na Terra da Prontidão, com Ciro Silva; É do que há!, com Nho Lisandro; O Tifo, com Léo Kessler;


O Diabo atrás da porta, com Ciro Silva; Um Genro Milionário; e Rumo ao Catete, ainda com Ciro Silva; e as inéditas, Tarde Piaste!, A Mocidade Tudo Vence, Depois da Epidemia, Casamento Original, No Dias dos Reis Magos, e um Rapto Político, com Rodrigo Júnior, baseado no rapto do Dr. João Cândido, fantasiado de mulher, pelo Tenente Carlos Eiras. Foi proprietário do Teatro Mignon, com Adalberto Nácar, redator do jornal humorístico “O Anzol”, com Alceu Chichorro, Ciro e Correia Júnior, responsável por várias seções de feição satírica como Arame Farpado e A Semana Cômica, na “Gazeta do Povo”; A Semana Rimada, no “Comércio do Paraná”; Escapamento Livre, em “O Dia”; Glosas, no “Diário da Tarde” e Pólvora Miúda, em “A Tribuna”. Utilizando-se das armas do humorismo, ora assinando-se “Barãozinho”, ora “Jeca Rabecão”, tentava enganar-se a si próprio, vencendo os momentos trágicos de sua existência, as perdas do filho Luís Fernando, de suas irmãs, de sua mãe, do sogro e da sogra Argentina, consolado pela presença de sua Constancinha. Nomeado fiscal do ensino secundário, segue para a capital paulista, lá falecendo a 30 de junho de 1949. Fonte: Gazeta do Povo – 30 de março de 1997.

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Indústria ervateira: A erva-mate representava a riqueza do Paraná no início do século XX.

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Hugo Simas

Hugo Gutierrez Simas, primeiro ocupante da cadeira número 23 da Academia Paranaense de Letras, nasceu em Paranaguá (PR), dia 23 de outubro de 1883, filho do republicano Fernando Simas e Helena Gutierrez Simas. Depois dos estudos preliminares em Paranaguá, seguiu para o Rio de Janeiro, onde se formou em Direito. Ao retornar, exerceu a Promotoria Pública, em Antonina. Foi um dos fundadores da Universidade do Paraná e do Centro de Letras do Paraná, em 1912. Mais tarde, catedrático, lecionou várias disciplinas. Dirigiu a Biblioteca e o Instituto de Assistência Judiciária. Militou no jornalismo político, redigindo artigos para o Diário da Tarde e Diário do Comércio.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Elegeu-se deputado estadual, porém, não se adaptando às injunções políticas, renunciou ao mandato para voltar à carreira jurídica.

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Em 1921, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde praticou intensa advocacia e exerceu o cargo de consultor jurídico do Lloyd Brasileiro. Em 1931, foi chamado para integrar a Comissão Legislativa na 7ª Sub-Comissão de Direito Marítimo, quando redigiu os Livros II e III do Projeto do Código Marítimo, obra de fôlego. E Comentários ao Código de Processo Civil.


Em 1938, publicou o Compêndio de Direito Marítimo Brasileiro e, no ramo de Direito Aéreo, elaborou o Código Brasileiro do Ar, em 1939. Antes porém, em 1932, retornara a Curitiba, quando fora nomeado Procurador-Geral do Estado. No ano seguinte, desembargador do Tribunal de Justiça, então Tribunal de Apelação. Ocupou a presidência do Tribunal Regional Eleitoral, em 1937. Além de publicações na área do Direito, foi autor de obras literárias, tais como Na Festa de Clóris (1913); O Crime do Hotel Biela (1915); Olavo Bilac (1919); Paranaguá e a República (1940); Romance de Amor do Poeta (1941); O Comando de Caxias na Guerra do Paraguai (1951). Conferencista, suas crônicas andam espalhadas pelos nossos periódicos acobertadas sob alguns dos seus pseudônimos, como “Clódio de Toledo”, “Menarcho de Samos”, “Poty Veniero” e “Santos Gomes”. Redigiu, a pedido do Ministro da Justiça, o anteprojeto da Lei Orgânica dos Transportes. Foi jurista da mais alta expressão e prestígio. Faleceu em Curitiba, dia 27 de outubro de 1941.

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1912-2012

Fonte: Gazeta do Povo – 27 de setembro de 1997.

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João Pernetta

Fundador da cadeira número 34 da Academia Paranaense de Letras, João David Pernetta nasceu em Curitiba, a 27 de julho de 1874, o quarto filho da família Pernetta, num total de quatro irmãos, Emiliano, Júlio, Manoel e Evaristo. Fez os preparatórios no Parthenon e prestou exames no Liceu Paranaense. Em 1890, seguiu para o Rio de Janeiro, matriculando-se na Escola Politécnica e, ao mesmo tempo, empregou-se nos Correios, ensinou matemática aos empregados da Casa da Moeda e se tornou tipógrafo da prefeitura do antigo Distrito Federal.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Trabalhou na construção da estrada de Ferro Vitória-Cachoeiro do Itapemirim e aí adoeceu de beribéri. Voltou ao Rio de Janeiro e graças aos cuidados de um médico positivista se restabeleceu, concluindo o curso de Engenharia e colando grau, a 7 de março de 1898.

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Retornou ao Paraná e se casou com Laura Beltrão. Nasceram-lhe os dois filhos, o engenheiro civil e advogado Augusto Pernetta e o pediatra de fama internacional César Pernetta. Como Comissário de terras em São João da Boa Vista, sobrou-lhe tempo para se entregar à leitura da Filosofia e da Política Positivista.


Em 1902, deu início a sua carreira política como deputado estadual. De 1915 a 1922, como deputado federal, realizou, na Câmara, inúmeros trabalhos de alto valor. Didata extraordinário, dava aulas de Cálculo, na Faculdade de Engenharia de nossa Universidade e, quando solicitado, as de Mecânica e de Astronomia, além das de Máquinas e de Termodinâmica. João costumava ler e comentar com seus filhos, todos os domingos, o Catecismo Positivista e, a partir de 18 de março de 1923, resolveu tornar pública suas exposições doutrinárias a um reduzido e selecionado grupo de interessados. Somente quatro anos depois, fundava o Centro de Propaganda do Positivismo no Paraná, em sua própria residência. A Revolução de 30 encontrou-o pronto a contribuir para a restauração do regime republicano. Durante um mês e um dia, governou, interinamente, o Paraná, entregando-o, a 30 de janeiro de 1932, ao interventor Manoel Ribas. Sócio fundador do Centro de Letras do Paraná. Sua obra mais importante Os Dois Apóstolos, publicada entre 1927 e 1929. Faleceu em Curitiba, a 3 de setembro de 1933, vítima por um edema pulmonar.

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1912-2012

Fonte: Gazeta do Povo – 05 de outubro de 1997.

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Jayme Ballão Júnior

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Filho do acadêmico Jaime Ballão, nascido em Curitiba, em 9 de fevereiro de 1891, fez seus estudos primários na própria cidade natal. Com apenas 11 anos de idade, fundou um dos primeiros jornais infantis do Paraná, “O Estudo”, que ele sozinho redigia, compunha, paginava, revisava, expedia e distribuía. Com a mudança da família para o Rio, em 1904, passou a cursar o Ginásio Nacional e, após, os colégios Alfredo Gomes e Silva Ramos. Desfrutou sua juventude nos Estados Unidos e na Europa, frequentando, em Paris, o Curso Rolin da Sorbonne, mantendo contato com os expoentes da cultura e do pensamento do Velho Mundo.

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De volta ao Brasil, trabalhou em São Paulo, no jornal “O Estado de São Paulo”. Lá mesmo diplomou-se bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, pela Faculdade de Direito, após brilhante curso. Felício Raitani Neto, em seu sempre consultado livro Letras Paranaenses, que o conhecera de perto, fez essa curiosa revelação: ele costumava sair ao lusco-fusco, na boca da noite, metido num comprido casaco ou capa preta, chapéu de aba larga na cabeça. Andava colado às paredes como se quisesse vará-las, recolher-se para fugir ao convívio humano, na sua invencível timidez. Moço simples, modesto, retraído, escondia vasta erudição e aprimorada cultura humanística. Membro fundador do Centro de Letras do Paraná, premiado pela Academia Brasileira de Letras, sua extensa biobibliografia inclui:


Eterno Sonho, novela (1918); Sagrada Solitude, prosa (1921); Orando ao Crepúsculo, teatro (1921); Últimas Páginas, (1922); O Amor Morre, teatro (1922); O Pensamento Poético de Gonçalves Dias, conferência (1923); Seara Morta, novela (1925); Impressões sobre Guarapuava, memórias (1926); Romance de Meu Pai (1933); Impressões Literárias (1938); O Livro do Expedicionário (1944); Mensagem da Infância (1957); Roteiro da Montanha (1960). Deixou, inéditas, cerca de seis obras. Faleceu em Curitiba, em 10 de janeiro de 1968. A Academia Paranaense de Letras o homenageou postumamente, em Sessão Solene de 25 de fevereiro, com discurso de seu íntimo amigo e confidente, o também acadêmico José Augusto Gumy. Fonte: Livro – Academia Paranaense de Letras: Biobibliografia. HOERNER Júnior, Valério; BÓIA, Wilson; VARGAS, Túlio. 2006. Página: 76.

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1912-2012

Rua Trajano Reis.

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Romário Martins

Primeiro ocupante da cadeira número 33 da Academia Paranaense de Letras, Alfredo Romário Martins nasceu em Curitiba, a 8 de dezembro de 1874. Diante das dificuldades financeiras da família, fez apenas o curso primário. Com a morte do pai, abandonou os estudos e já aos quinze anos de idade andava empregado como aprendiz de tipógrafo, começando no “Dezenove de Dezembro”, depois no “A Republica”, no “Correio Oficial”, na “Folha Nova” e na “Federação”.

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Das oficinas passa para as redações, de tipógrafo a jornalista. Mas nunca esqueceria a sua humilde condição “quando a merenda que eu levava para o trabalho era posta a aquecer sobre a cadeira do motor da oficina e tinha o sabor dos mais finos manjares”.

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Desempenhou vários cargos públicos como o de Oficial da Secretaria de Obras Públicas e Colonização, de Diretor do Museu Paranaense durante vinte e seis anos, de Delegado Fiscal do Governo Federal junto ao Ginásio Paranaense, de Diretor do Departamento de Agricultura. Fundou a União Rural Paranaense, a Granja do Canguiri, o Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico do Paraná. Desenvolveu o reflorestamento e a silvicultura. Realizou a Cruzada do Trigo. Foi secretário do “Diário do Comércio”, da “República” e da “Tribuna”. Tomou parte ativa na questão de limites entre Paraná e Santa Catarina, publicando nessa área cerca de 14 trabalhos bem documentados, mas que não mereceram, infelizmente, a devida atenção das autoridades.


Camarista, presidente da Câmara Municipal de Curitiba, eleito deputado ao Congresso Legislativo em 10 legislaturas, foi autor de vários projetos, entre os quais o da criação da Escola Agronômica do Paraná. Historiador, escritor, indianista, folclorista, sócio benemérito do Círculo de Estudos Bandeirantes, fundador do Centro de Letras do Paraná, presidente de honra da Associação Paranaense de Imprensa, dono de uma bibliografia extensa, senhor de inesgotável anedotário, de verve repentista, tinha como seu ponto a porta da livraria da Gazeta do Povo. Tio de Serafim França, de Oscar Martins Gomes e de Arthur Pajuaba, foi considerado o Príncipe dos Jornalistas Paranaenses. Faleceu na sexta-feira, 10 de setembro de 1948, saindo o féretro de sua residência, na Rua Cruz Machado, 253, às 16 horas, para o Cemitério Municipal de Curitiba. Otávio Secundino, abalado com a perda do amigo, afirmava que Romário não morrera, imortalizara-se.

Romario Martins foi um grande cartógrafo.

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Fonte: Gazeta do Povo – 02 de agosto de 1997.

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Euzébio Silveira da Motta

Nasceu em Curitiba, no dia 30 de janeiro de 1847, filho de Joaquim Inácio Silveira da Motta e Maria da Conceição Silveira da Motta. Após o curso preparatório matriculou-se na Faculdade de Direito de São Paulo, onde obteve, em 1870, o grau de bacharel. Elegeu-se deputado em 1874, mas não se adaptou. Exerceu a magistratura até 1892. Antes, desempenhou as funções de Oficial de Gabinete do Governo do Estado, das quais foi afastado por motivos estritamente políticos. Inclusive da judicatura, mais tarde. Dedicou-se, então, à advocacia e às letras. Lecionou no Ginásio Paranaense e na Escola Normal, respondendo também pelas cátedras de filosofia, português e pedagogia. Em 1914 , demitiu-se de seus cargos do magistério.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Reintegrado à magistratura, aposentando-se dois anos após.

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foi

nomeado

desembargador,

em

1917,

Homem de letras e filósofo, dele disse o desembargador Egmidio Westphalen: “Não expandiu seu espírito em escritos especiais e nem no jornalismo. O seu maior gosto era o estudo das obras filosóficas, as quais lia com avidez, ensinando seus alunos e palestrando com seus amigos. Dedicava a isso um interesse de cientista.”


A influência do seu pensamento filosófico na formação de escritores representativos do Paraná do seu tempo é estudada por Andrade Muricy, na obra O Símbolo à Sombra das Araucárias. Foi presidente de honra do Instituto Neopitagórico, e também fundador do Centro de Letras do Paraná. Era exatamente formal e excêntrico. Vivia na solidão, taciturno e tímido. Era visível e flagrante o desnível da sua cultura humanística e a relativa vulgaridade do meio intelectual de Curitiba da época. Deixou publicados: Razões e Recursos; Recurso Extraordinário; O Evolucionismo de Spencer e outras colaborações literárias e filosóficas esparsas. Faleceu no Rio de Janeiro, em 22 de setembro de 1920. Fonte: Livro – Academia Paranaense de Letras: Biobibliografia. HOERNER Júnior, Valério; BÓIA, Wilson; VARGAS, Túlio. 2006. Página: 139.

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No trilho da modernidade: construção das linhas para os bondes.

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Alcibíades Plaisant

O major Alcibíades César Plaisant nasceu em Paranaguá, a 15 de abril de 1865. Filho do Comendador Carlos Augusto César Plaisant e de Basilisa Branco Plaisant. Iniciou os estudos primários com o professor Décio da Costa Lobo. Seguindo a família, que se havia transferido para o Rio de Janeiro, aí findou o curso primário. Em 1879, embarcou para São Paulo. Não conseguindo se matricular na Faculdade de Direito, porém, conseguiu realizar esse grande desejo, por motivo de força maior. Ao regressar ao Rio, assentou praça e, em março de 1882, matriculou-se na Escola Militar. Em 1886, já em Curitiba, dirigiu-se para a Colônia Militar do Chopim.

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Na qualidade de professor, muito trabalhou pelo levantamento cultural desse núcleo.

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Como sargento que era, encarregaram-no de dirigir a construção da estrada que ia da Colônia ao povoado de Mangueirinha, no caminho para Palmas. Nessa mesma época, auxiliou eficazmente a Comissão Mixta de Limites, entre a Argentina e o Brasil, chefiada pelo Barão de Capanema. Em 1889, fez parte do Batalhão que proclamou a República. Promovido de posto em posto, atingiu o de major, no qual se reformou.


Primeiras aeronaves no Paraná.

Exerceu os seguintes cargos: Secretário do Comando da 5ª Região Militar, Ajudante de Ordens de General, Ajudante da Colônia Militar de Foz do Iguaçu, da qual foi administrador, Ajudante do Comandante do 2º Esquadrão de Trem da 2ª Brigada Estratégica. Militar brioso, sua fé de ofício era um exemplo para os jovens soldados.

Pertencia ao Centro de Letras do Paraná, ao qual dispensava “carinho de mãe”, como se costuma dizer, pois tendo o Centro permanecido sem sede, durante certo lapso de tempo, o major Plaisant mudou-lhe a biblioteca para uma sala de sua “oratório”, cujo altar era representado pelos livros muito amados. Publicou: Scenário Paranaese, Joana D’Arc, Brasil Colonial, Reminiscências de um louco, Sciência Agronômica, Palestra Militar, Reminiscências Militares e Antologia Paranaense, 1938 (poesia), de colaboração com Rodrigo Júnior, fazendo as biografias. Fonte: Livro – Vultos Paranaenses. NICOLAS, Maria. 1951. Volume 2. Página 79-80.

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Colaborou em vários jornais e revistas do Paraná e do Rio de Janeiro.

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Desde muito moço, dedicou-se à literatura.

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Dario Vellozo

Dario Persiano de Castro Vellozo nasceu no Rio de Janeiro, no dia 26 de novembro de 1869, numa propriedade chamada Retiro Saudoso, nome que mais tarde daria à sua chácara de Vila Isabel, em Curitiba. Estudou no Parthenon Paranaense e Instituto Paranaense (os colégios mais graduados de então). Reuniu em torno de si as Inteligências da época e fundou o Cenáculo, associação que publicava a revista de mesmo nome, com produções de caráter nitidamente simbolista.

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Em 1914, fundou, em Rio Negro, a Escola Brasil-Cívico, cujas portas foi obrigado a cerrar, em face da iminência de ataques de fanáticos das lutas do Contestado.

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Voltou a Curitiba e readquiriu o Retiro Saudoso. Ali construiu, em estilo grego, o Templo das Musas, sede do Instituto Neopitagórico. A elite intelectual de Curitiba frequentou esta sociedade de caráter filosófico-artístico-cultural, durante mais de um quarto de século. O lema adotado: “O estudo por norma, a amizade por base, o altruísmo por fim”. Estudando e escrevendo até os últimos anos de sua vida, deixou numerosas obras, publicadas ou não. Estreou aos 20 anos de idade com Primeiros Ensaios. Sua obra mais vigorosa é o poema Atlântica. Suas poesias mais conhecidas estão em Cinerário.


Descrições repassadas de ternura encontram-se em livros de cunho biográfico, tais como O Livro de Allyr; Do Retiro Saudoso. Suas convicções filosóficas aparecem marcadamente em Jesus Pitagórico. O livro que encerra seu evangelho cívico é Limiar da Paz. O grande humanista que foi está presente em toda a sua obra que, pronunciadamente simbolista, contém intensa espiritualidade. Conviveu com maiores talentos do seu tempo, entre os quais Emiliano Pernetta – sendo sócio fundador do Centro de Letras do Paraná junto a ele –, Romário Martins, Nestor Victor, Leôncio Correia e Olavo Bilac. Manteve sempre a liderança intelectual. Durante o governo de Caetano Munhoz da Rocha, esteve em iminência de prisão por protestar contra a concessão de verbas do governo para a instalação de palácio episcopal, nas dioceses de Jacarezinho e Ponta Grossa. Dario Vellozo era anticlerical. Orador primoroso, sua coerência era expressiva. Escritor e poeta, sua obra, verdadeira profissão de fé, está enfeixada em três volumes: Horto de Lísis, Primeiros Ensaios e Efêmeras. Faleceu em Curitiba, no dia 28 de setembro de 1937. Fonte: Livro – Academia Paranaense de Letras: Biobibliografia. HOERNER Júnior, Valério; BÓIA, Wilson; VARGAS, Túlio. 2006. Página: 140.

Aspecto do Passeio Público.

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Claudino dos Santos

Claudino Rogoberto Ferreira dos Santos nasceu em Recife, a 4 de janeiro de 1862. Foi aluno dileto de Tobias Barreto. Aos 24 anos, diplomou-se bacharel em direito. Poeta, quando estudante do 2º ano da Faculdade de Direito de Recife, publicou Estatuetas; depois, Ebulições e Sons e Brados, coletâneas de rimas. Amava as representações teatrais. Jornalista vigoroso. Em 1889, ainda no Recife, atuou brilhantemente no “Diário de Notícias”.

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Iniciou a advocacia no rincão natal e, seguindo para o Paraná, continuou a exercer a mesma profissão.

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No periódico “A Federação”, combateu ao lado dos revoltosos de 1893. Fracassada a revolta, teve de exilar-se na Europa. Anistiado, regressou ao recanto adotivo. Fundou, então, o Colégio Paranaense. Nesse lapso de tempo, delineou os Primeiro e Segundo Livro de Leitura. Pacificados os ânimos, harmonizados os partidos, o Dr. Claudino ingressou na política.


Exerceu os cargos: Secretário de Viação, Diretor de Instrução Pública, Secretário do Interior e Justiça, Prefeito, Juiz Municipal e Federal de Morretes. Em todos os cargos desempenhados, revelou-se justo, bom e honesto. Espírito altamente culto, era possuidor de belo estilo. Dedicou-se à difícil tarefa da literatura didática e do teatro. As revistas de sua lavra, quando encenadas, conquistaram grande sucesso. Muito honrou Pernambuco, irradiando, na terra dos pinheirais, as fulgurações de uma inteligência privilegiada, aliada a um coração bem formado. Além dos trabalhos já citados, escreveu Lord Bung, Poemas da Dor, O Batizado, e inúmeros e brilhantes artigos. Suas virtudes cívicas são comprovadas pelas suas ações dignificantes. Exerceu o espinhoso cargo de Prefeito de Curitiba, quando faleceu no Rio, a 7 de fevereiro de 1917. A capital recebeu muitos melhoramentos dignos de nota, graças à atuação do Dr. Claudino. Curitiba homenageou-o, dando-lhe o impoluto nome a uma das suas ruas.

Português, radicado em Curitiba, foi dono do Jornal “ Commercio do Paraná”, no qual publicava algumas crônicas.

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Domingos Duarte Vellozo

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Fonte: Livro – Vultos Paranaenses. NICOLAS, Maria. 1951. Volume 2. Página: 129-130.

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Georgina Leonard Mongruel Desenho de José Demeterco, em Um Século de Poesia, 1953.

Nasceu a 1º de abril de 1861, em Charleroi, Bélgica. Filha do Dr. Léon Leonard, médico e engenheiro e Emma Bernard Leonard. Tendo ficado órfã muito criança, foi educada em Paris – França, pelo seu avô, o Dr. Desiré Werwort.

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De retorno ao país de origem, continuou os estudos, diplomando-se Professora pela Escola Normal Superior de Mons, Bélgica. Colou grau em 1885.

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Em 1891, em companhia de seu esposo, transferiu-se para o Brasil. Residiu em São Paulo e Rio de Janeiro. Em 1895, passou a morar em Curitiba, onde lecionou canto, piano, violino e pintura aos alunos da Escola de Belas Artes. Essa escola situava-se na Praça Tiradentes, local que existiu primeiramente a Casa Feres; francês, na Escola Americana, Ginásio Curitibano, Colégio Júlio Theodorico, Duílio Calderari e na Associação dos Empregados no Comércio.


Particularmente, sempre lecionou, nada recebendo dos alunos, como nós, pobres. Bondosa e justa, dispensava igual trato, não diferenciando os que pagavam dos que não procediam assim. Constituiu-se em elemento social de destaque, durante a sua estada em nossa Capital. Era pianista, cantora e poetisa. Mudando-se para o Rio, em 1922, continuou labuta educacional. Lecionou no Colégio Anglo-Americano. D.ª Georgina era sempre procurada para ministrar Literatura, Francês prático e teórico, por meio de método próprio. Jamais pôde findar suas aulas, pela insistência dos que reconheciam a sua grande cultura e o pendor para as lides do Magistério. Mesmo depois de não mais sair de casa, os discípulos procuravam-na em seu lar.

Pertenceu ao Centro de Letras do Paraná como fundadora; ao Instituto Neopitagórico, do qual foi Presidente de Honra; à Academia de Letras José de Alencar, na qualidade de sócia correspondente, entidades paranaenses. No ano de 1950, recebeu a “Medaille Civile Nationale Française”, pelo mérito revelado no Estrangeiro, de acordo com o Decreto de 1º de janeiro de 1950 — Paris.

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Quando recebia visita de curitibanos, ela sentia grande prazer em ouvir os relatos sobre o progresso da terra que a hospedara. Fazia perguntas sobre os conhecidos, as escolas, os melhoramentos da cidade e os seus olhos brilhavam, denotando a grande alegria que lhe ia na alma ao receber notícias gratas ao seu bondoso coração.

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Jornalista vibrante, redatoriou o “Moniteur Universal”, em Bruxelas, Bélgica, e colaborou no “Mercure de France”, Paris, 1899, e nas revistas “Escrínio” e “Vitrix”, de Curitiba; Jornal “Diário da Tarde”; no Rio, na Revista “Fon Fon”. Na imprensa parisiense, D.ª Georgina usou o pseudônimo Rose Fernande.

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Poetisa inspirada, sua jovialidade a acompanhou até o derradeiro momento. Publicou os livros: Sous Le Charme, prosa e verso (1946); La Derniere Chevanchée, poesias (1958); Avril Eternel Renouveau, poesias (1952). Faleceu a grande intelectual Georgina Leonard Mongruel a 26 de novembro de 1952, aos 93 anos e meio, em perfeita lucidez de espírito, no Rio de Janeiro, então Capital do Brasil. D.ª Georgina viveu 16 anos na terra das araucárias, onde lhe nasceram os filhos. Considerava-se curitibana por adoção. No Paraná, deixou filhos, netos e bisnetos. Em geral, usando roupas brancas e com aquela eterna juventude, era-nos grande a satisfação visitá-la e levar-lhe as boas notícias de nossa querida terra.

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Fonte: Livro – Almas das Ruas. NICOLAS, Maria. 1974. Volume 2. Página: 319-320.

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Ninfas de Curitiba - Jovens trajadas para a Festa da Primavera de 1912.


Alves de Farias Antônio Joaquim Alves de Farias, filho de Antônio de Farias e de Maria Carolina de Farias, nasceu em Maceió, a 17 de julho de 1867, e faleceu em Curitiba, a 17 de abril de 1938. Era engenheiro civil, formado pela Escola Politécnica. Jornalista e poeta, dotado de veia humorística. Sócio fundador do Centro de Letras do Paraná. Usou os pseudônimos “Gil Ó”, “Alves Branco” e “Aristóteles”. Colaborou nos periódicos: “Almanach do Paraná”, “Diário da Tarde”, “Revista do Centro de Letras do Paraná” (1913-1914), “A Tribuna”, “Correio do Paraná” (1916), “Revista do Povo”, “Álbum do Paraná” e “O Estado”. Todos eles de Curitiba.

Hipódromo de Curitiba.

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Fonte: Livro – Antologia Paranaense. RODRIGO JÚNIOR; PLAISANT, Alcibíades. 1938. Página: 33-34.

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Celestino Júnior

José Celestino de Oliveira Júnior era filho de José Celestino de Oliveira e de Maria Benedicta de Loyola. Cursando as letras primárias e as matérias do curso de humanidades, inclinou-se pela carreira jornalística. E, como tal, foi perfeito. Foi diretor e redator-chefe do “Diário da Tarde”, aí trabalhou desde a sua fundação. Espírito de iniciativa, incumbiu-se da parte material do jornal. Foi organizador prático; Euclides Bandeira, diretor mental. Assim, reunidas duas capacidades intelectuais, duas inteligências de escol; o periódico em questão tomou orientação criteriosa e eficiente.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Sócio fundador do Centro de Letras do Paraná.

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Desempenhou o mandato de deputado, tendo-se revelado um grande conhecedor dos magnos problemas de sua terra. Há, em Curitiba, uma rua com seu nome, como homenagem às suas honestas e dignas ações, no desempenho de cargos públicos. Fonte: Livro: Cem anos de vida parlamentar: Deputados Provinciais e Estaduais do Paraná. NICOLAS, Maria. 1954. Página: 285.


Adolpho Werneck

Ao escrever o soneto Morretes, em seu primeiro quarteto, Adolpho Jansen Werneck de Capristrano já deixaria registrado o local e o mês de seu nascimento:

Nascido em 3 de dezembro de 1877, após os estudos preparatórios ingressou, como funcionário público do Ministério da Fazenda, onde, por muitos anos, serviu na Delegacia Fiscal do Tesouro Nacional de Curitiba.

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Morretes, meu torrão, solo fecundo regado pelo manso Nhundiaquara, terra em que os olhos eu abri ao mundo, ao calor de Dezembro, em tarde clara.

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Jornalista e cultor do humorismo, deixou, no entanto, vasta colaboração em jornais e revistas paranaenses, ainda não catalogada, con trastando com a sua pequena bibliografia: Dona Loura, versos (1903); Bizarrias, sonetos (1908); Insônia, poemeto (1921); Minha Terra, poemeto (1922); Arco-Íris, versos (1923) e a revista teatral em 1 prólogo e 2 atos, O Jornal. Poeta acima de tudo, a sua lírica revela o seu estado de espírito, suas fantasias, visões sanguíneas, rubras, como em Bizarrias, onde predomina o satanismo já que ele, autor, roga ao diabo proteção para o seu livro. A sua verve e o seu chiste podem ser comprovados na série Caricaturas, sonetos publicados no “Diário da Tarde”, escondidos sob os pseudônimos de “Mello Dias e Companhia” (no mês de fevereiro, com “Helvídio Silva”) e de “Mostarda e Companhia” (no mês de março), satirizando figuras conhecidas no mundo político, social e literário, dentre elas De Sá Barreto, Marins Camargo, Lamenha Lins, Emiliano Pernetta, Cônego Braga, Mosenhor Celso e Marechal Bormann. Emérito charadista, no “Almanach Paranaense” para 1900, na seção de Charadas, recebeu bela homenagem na “Página de Honra”, com retrato, como decifrador de todos os trabalhos publicados no referido almanaque do ano anterior.

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Presidente do Cassino Curitibano, em 1922, redator-chefe da revista “O Sapo”, encontram-se pelas páginas desbotadas de nossos periódicos suas crônicas e poesias assinadas por Ad. Janwer, Bingue, Hugo, Jansen de Capristrano, Nelson de Andrade e Plutão.

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Viúvo de Maria Antonieta que lhe deu nove filhos, falecida em agosto de 1922, casou novamente com Alice Taborda. Por pouco tempo. Faleceu, em Curitiba, no dia 18 de agosto de 1932. Fonte: Livro – Academia Paranaense de Letras: Biobibliografia. HOERNER Júnior, Valério; BÓIA, Wilson; VARGAS, Túlio. 2006. Página: 224.


Ismael Martins

Era desses idealistas que não temem as consequências de seus atos. A Política foi-lhe, porém, desfavorável. Pretendia corrigir o mundo como todos os adolescentes, mas pagou preço alto por seus gestos de desprendimento e ousadia. Mesmo classificado em primeiro lugar para lecionar francês, não foi nomeado por motivos essencialmente políticos. A vaga foi ocupada, em seguida, pelo Cônego João Evangelista Braga.

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Dedicou-se ao magistério e ao jornalismo. Colaborou assiduamente no jornal “A República”, não somente em temas políticos, mas também com publicações de poesias. Tornou-se poeta espiritualista. Frequentou o Instituto Neopitagórico e sofreu a influência do mestre Dário Vellozo. Em 1924, participou da coluna Prestes, vivendo as agruras daquele célebre episódio de guerrilha, sob o comando de Luiz Carlos Prestes. E, por isso, esteve exilado. Falava fluentemente o francês. Candidatou-se, em concurso, à cadeira correspondente na Escola Normal, em Curitiba. Obteve o primeiro lugar.

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Nasceu em Campo Largo (PR), dia 27 de julho de 1876, filho de Francisco Alves Pereira Martins e Maria Aspicuelta Garret Martins.

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Seu temperamento de verdadeiro revolucionário levou-o a muitas aventuras, com Carvalho, Benjamin Batista Lins de Albuquerque, Antônio Jorge Machado Lima, Plínio Tourinho e Couto Pereira, entre outros. Foi, todavia, um intelectual, um poeta, na melhor acepção do vocábulo. Publicou: Tartufos, polêmica (1900); A Mocidade de hoje, prosa (1903); Luz da Ásia - estudo filosófico de Émile Vedel, tradução (1919) e Ciclos, versos, edição póstuma (1931). Sua colaboração em periódicos e revistas paranaenses foi importante, sobressaindo-se no Diário da Tarde, Almanaque do Paraná, Brasil Cívico, Victrix, O Cenáculo, Jerusalém, O Olho da Rua e Folha Rósea, adotando, por vezes, o pseudônimo de “Raphael de Castro”. Faleceu em Curitiba, no dia 7 de dezembro de 1926 e o Centro de Letras do Paraná – entidade da qual era sócio fundador –, na sessão de 31 de janeiro do ano seguinte, prestou comovida homenagem à sua memória, na palavra de Sebastião Paraná.

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Bairro do Portão.

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Fonte: Gazeta do Povo – 13 de julho de 1997.


Generoso Borges

Generoso Borges de Macedo nasceu em Guarapuava (PR), no dia 23 de julho de 1875.

Leitor voraz de todos os gêneros literários, poesia, romance e crítica, fossem nacionais ou estrangeiros, adquiriu sólida cultura humanística. Elegeu, na poesia, Emílio de Menezes, para mentor, admirador que era de seus versos alexandrinos, o que o levaria a escrever um livro de poemas, Estrelas Cadentes, nunca dado à publicidade, mas cujos versos encontram-se nas páginas de “O Sapo” e da revista “Azul”.

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Explodira a Revolução Federalista e ele, de certa forma comprometido, retirou-se do palco da guerra. Apagadas as mágoas partidárias, iniciou-se no jornalismo curitibano, sem contudo deixar as lides mercantis.

1912-2012

Após os estudos primários realizados em sua cidade natal, segue, aos dezessete anos de idade, para o Rio, com o fito de se matricular no Liceu de Artes e Ofícios. Não conseguindo o seu intento, retornou ao Sul, para iniciar-se no comércio da cidade de Paranaguá.

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Retornou ao Rio de Janeiro, quando foi nomeado despachante da Alfândega. Ficou nessa cidade pouco tempo, já que laços afetivos o atraíam ao Paraná, especialmente à cidade de Antonina, na qual, aos 25 anos de idade, casou-se com Otávia, aquela que ele evocava em versos como a dama dos seus castelos de ouro. Em Curitiba, exerceu também as funções de camarista e o mandato de deputado estadual. Jornalista, poeta, cronista, são encontráveis seus trabalhos em jornais e revistas paranaenses. Tentou o teatro e participou, com outros parceiros, da autoria da revista “Colcha de Retalhos”, com música de Luís Bastos, encenada pela primeira vez no Teatro Guairá, em 22 de julho de 1906. Publicou Semana Santa (propaganda da Liga Anticlerical Paranaense, 1902); Flâmulas, versos; Discursos e Conferências; e Terra das Maravilhas, impressões e estudos do oeste paranaense. Sócio fundador do Centro de Letras do Paraná, membro da antiga Academia de Letras do Paraná, diplomou-se, já maduro, em Direito, pela Universidade do Paraná, em cuja turma desfrutou da amizade de companheiros como Oscar Joseph Plácido e Silva e Samuel César. Foi escolhido orador da turma de direito. Curioso que, além de estudante, participara da fundação da Universidade do Paraná, pois foi um dois professores do Curso de Comércio. Mais tarde, passou a advogar em São Paulo, onde faleceu, em 4 de março de 1945.

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Fonte: Livro – Academia Paranaense de Letras: Biobibliografia. HOERNER Júnior, Valério; BÓIA, Wilson; VARGAS, Túlio. 2006. Página: 298.

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Júlio Pernetta

Nasceu em Curitiba, no dia 27 de dezembro de 1869. Filho de Francisco David Pernetta e de Christina Maria Pernetta. Teve por irmãos, Emiliano, o Príncipe dos Poetas Paranaenses, o deputado federal João Pernetta, o poeta Manoel Pernetta e o chefe de seção dos Correios, Evaristo Pernetta. Casou-se duas vezes, Júlia e Carolina, as esposas.

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Escritor filiado à corrente simbolista, poeta, conferencista, jornalista, fundador de periódicos, adversário intransigente do clericalismo, da igreja romana e do jesuitismo, deu-lhes combates memoráveis que aí ficaram registrados, atestando o vigor de sua pena e de suas convicções. Alguns de seus livros: Razão porque... (1896), Os chacais (1898), A Igreja de Roma (1901), Missões Jesuíticas no Brasil (1903), afora artigos nas revistas “Jerusalém”, “Acácia” e “A Pena”.

1912-2012

Grande coração, pai extremoso, franco à ternura, ao sair de sua repartição nunca se esquecia de passar pelo comércio e comprar frutas, biscoitos, qualquer coisa, atitude natural nele, à guisa de mimo para os seus pequeninos.

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Ainda moço, por ocasião da revolução de 1893, prestou serviços à República como oficial do Batalhão Patriótico 23 de Novembro. Atuou em Antonina, como delegado de polícia e secretário da Câmara Municipal; em Morretes, como promotor público, e em Curitiba, desempenhou as funções de chefe de Seção da Secretaria da Agricultura e, interinamente, a da Secretaria do Interior, Justiça e Instrução Pública. Pertenceu à plêiade brilhante dos que escreviam nas seguintes revistas: O Cenáculo, Revista Azul, A Evolução, Jerusalém, O Futuro, Victrix, A Pena e Club Curitibano. Redator do Boletim Colonial e Agrícola e de A Casa do Lavrador. Sócio fundador do Centro de Letras do Paraná. Assíduo colaborador do Correio da Manhã, A Noite, A Tribuna, A República. Diário da Tarde, Comércio do Paraná e Diário dos Campos. Vítima de pneumonia, apesar da compleição forte e do pronto atendimento médico, faleceu em Curitiba, à meia-noite de 22 de julho de 1921, saindo o féretro de sua residência, na Rua Marechal Deodoro. Com o seu desaparecimento, rompia-se o primeiro elo da corrente simbólica que o unia aos outros membros do Cenáculo, Dario Vellozo, Silveira Netto e Antônio Braga. À beira da sepultura, falaram os amigos José dos Passos, Dario Vellozo e, representando o Centro de Letras do Paraná, Ciro Silva.

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Fonte: Livro – Academia Paranaense de Letras: Biobibliografia. HOERNER Júnior, Valério; BÓIA, Wilson; VARGAS, Túlio. 2006. Página: 257.

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Sebastião Paraná

Sebastião Paraná de Sá Sotto Maior, filho do Capitão Inácio de Sá Sotto Maior e neto do Coronel de Milícias do mesmo nome, nasceu em 19 de novembro de 1864, em Curitiba. Bacharelou-se em Direito, no Rio de Janeiro. Em Curitiba, lecionou no Ginásio Paranaense, onde se tornou especializado publicista em temas de corografia.

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Quando concluía o curso de Direito, alistou-se no Batalhão Benjamin Constant, para combater a Armada que se havia revoltado. Essa atuação valeu-lhe a patente de capitão honorário do Exército Nacional. Exerceu ainda os cargos de superintendente geral do ensino, agente auxiliar do Arquivo Nacional e diretor-geral da Secretaria de Estado do Interior e Justiça. Foi membro do Conselho Superior do Ensino Público no Paraná e catedrático da Universidade do Paraná.

1912-2012

Foi polivalente: professor, diretor do Ginásio Paranaense, da Biblioteca Pública e Museu Paranaense; juiz de Direito, deputado estadual e jornalista.

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Destacou-se pelos excelentes conhecimentos que possuía sobre Geografia e Corografia do Paraná e do Brasil. Escreveu obras de reconhecido valor, sempre procuradas pelos estudiosos, entre as quais: Esboço Geográfico da Província do Paraná (1889); O Brasil e o Paraná (1903), obra didática com 22 edições; Guia do Comerciante (1903); Os Estados da República (1913); Galeria Paranaense (1922); Efemérides (Revolução de 3 de outubro de 1930) e Países da América. Colaborou assiduamente na imprensa paranaense, publicando estudos e crônicas. Teve desempenho brilhante em todas iniciativas culturais, tornando-se figura indispensável nas tertúlias prestigiosas do seu tempo, tanto no ensino quanto na literatura e na política. Espírita de convicções, duas semanas antes de seu passamento deixou seu anel de rubi a Lauro Schleder, genro e mui dedicado amigo, dizendo que era uma “simples lembrança, após o meu retorno ao planalto da eternidade”.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Seu falecimento deu-se em 8 de março de 1938.

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Fonte: Livro – Academia Paranaense de Letras: Biobibliografia. HOERNER Júnior, Valério; BÓIA, Wilson; VARGAS, Túlio. 2006. Página: 30.


Domingos Nascimento

Nascido em Guaraqueçaba (PR), em 31 de maio de 1862, foi um dos fundadores do Centro de Letras do Paraná e membro também da antiga Academia de Letras. Nas sessões do Centro de Letras, sempre comunicativo, risonho e franco, não lembrava o severo militar da Arma de Artilharia. Filho de pais pobres, pescadores, fez as primeiras letras em Paranaguá.

Militar, poeta, prosador, jornalista, político, inventor e industrial, suas crônicas se encontram nas páginas amarelecidas de todos os jornais e revistas curitibanos. As suas obras publicadas não são pequenas e vale aqui ser citadas: Revoadas, versos (1883); Trenós e Arruídos, versos (1887); O Sul, prosa (1895); Em Caserna, contos militares (1901);

História do Centro de Letras do Paraná

Proclamada a República, regressou vitorioso à terra natal, com o curso das Três Armas, como tenente.

1912-2012

Em Curitiba, matriculou-se no Instituto Paranaense, onde completou com destaque o curso da Humanidades. Daqui partiu para a Escola Militar da Praia Vermelha. Do Rio foi para o lado de Júlio de Castilhos, Borges e Medeiros e outros.

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Pela Fronteira – viagem de 1901 até fronteira com a Argentina em Palmas; Pelo Dever, discurso (1902); Flora Têxtil, prosa (1908); A Hulha Branca no Paraná, estudo (1914); Dr. Vicente Machado, estudo político-social, em colaboração (sem data). (Biografia e Antologia 0rg. Paulo Roberto Karam). A turrice de um superior hierárquico, General Comandante do Distrito Militar, que o puniu por indisciplina, e uma prisão injusta, obrigou-o a ensarilhar as armas. Dias depois, em humorísticos alexandrinos, convidou José Raposo, da revista A Semana, a visitá-lo na jaula: Um animal feroz, um redator deposto! Tal incidente redundaria em consequências perduráveis para a sua carreira militar. Grande coração, dono de uma bondade extrema, com carinho atendia os pedintes, os pobres que o procuravam em sua residência. Trabalhava muito em seu gabinete de estudo, folheando livros de sua biblioteca pequena e selecionada. Apreciador da música, era comum vê-lo rodeado dos filhos, a tocarem violino, violoncelo e piano. Até no último instante da vida, teve a energia de exclamar: Eu sei que morro, mas protesto contra esta morte. Faleceu em Curitiba, em 30 de agosto de 1915.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Fonte: Livro – Academia Paranaense de Letras: Biobibliografia. HOERNER Júnior, Valério; BÓIA, Wilson; VARGAS, Túlio. 2006. Página: 209.

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João Evangelista Espíndola Nascido na cidade do Rio Grande, Estado do Rio Grande do Sul, a 27 de dezembro de 1864, o Dr. João Evangelista Espíndola era filho do Dr. Francisco de Abreu Espíndola e Anna Gomes de Oliveira Espíndola. Fez os estudos primários e preparatórios no Rio Grande e o superior, no Rio de Janeiro. Diplomou-se em Medicina. Logo após a formatura, mudou-se para Paranaguá, como Inspetor de Saúde do Porto. Um ano depois, fora nomeado médico da Escola de Aprendizes de Marinheiros e da Santa Casa da Misericórdia. Jornalista de grandes méritos, colaborou na “República”, “Notícia” e “Diário da Tarde”, periódicos de Curitiba. Seu brilhante e fluente estilo versou sobre medicina, higiene e literatura, em Paranaguá redatoriou os jornais “Razão” e “Século”.

Sócio fundador do Centro de Letras do Paraná. Na qualidade de fino humorista, proporcionava aos seus leitores momentos de alegria, com o seu oportuno chiste. Caráter independente. Altivo e nobre, porém afável e bom. Filantropo e amigo sincero. Viveu estimado e respeitado por todos, até pelos que só o conheciam de nome. Fonte: Livro – Almas das Ruas. NICOLAS, Maria. 1969. Volume 1. Página: 139-140.

História do Centro de Letras do Paraná

Era o Dr. Espíndola um dos mais abalisados clínicos do Paraná, nessa época. Foi mais: Fiscal Federal do Ginásio Paranaense; Deputado Estadual, de cuja Assembleia foi secretário; primeiro suplente de Juiz Federal; primeiro suplente de Juiz de Direito da 1ª Vara da Capital; chefe do Serviço Médico da Caixa de Socorro da Companhia São Paulo – Rio Grande (Estrada de Ferro) e lente da Faculdade de Medicina da Universidade do Paraná.

1912-2012

Acalmados os ânimos alterados com a revolução de 1893, transferiu-se para a Capital. Dois anos depois, foi nomeado médico adjunto do Exército, seguindo-se-lhe nomeação para o cargo de médico do Hospital de Misericórdia de Curitiba, atingindo, posteriormente, a direção desse nosocômio.

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Manoel Francisco Corrêa Neto

Nasceu em Curitiba, a 2 de janeiro de 1871, filho do comerciante português Manoel Francisco Corrêa Júnior e de Arminda de Campos Corrêa, natural de Curitiba. Fez seus primeiros estudos no antigo Colégio Curitibano, do professor Nivaldo Teixeira Braga. Mais tarde, matriculou-se no Instituto Paranaense. Mudando-se para o Rio de Janeiro; ali continuou seus estudos no Colégio Almeida Bastos e em cursos particulares de ensino secundário. Terminando o curso de preparatórios, matriculou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, na qual se diplomou farmacêutico-químico, no dia 29 de dezembro de 1894. Colaborou em muitos jornais, revistas, almanaques, tanto do Rio de Janeiro como de Portugal e do Paraná, em que se encontram, esparsos, contos, crônicas, charadas, etc. de sua lavra, firmados com seu nome e com diversos pseudônimos de que faz uso: Bráulio César, Vero Paranista, Eugenio Biet, Mestre Jeronymo e outros. Redigiu durante 10 anos o “Almanque do Paraná” e o “Calendário do Paraná”. Trabalhando também no “Diário dos Campos”.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Foi um dos fundadores do Centro de Letras do Paraná e ocupou, na primeira diretoria deste Cenáculo, o cargo de tesoureiro.

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Na capital Federal, de 1893 a 1894, foi auxiliar da Farmácia do Hospital de São Sebastião, para doentes de febre amarela, durante a terrível epidemia que assolou aquela cidade. Na mesma época, foi interno dos hospitais de sangue, durante a revolta da Armada, de 6 de setembro de 1893 a 13 de março de 1894, tendo servido no hospital situado no Campo de São Cristóvão, no edifício do Internato do Colégio Pedro II daquela época. Seus serviços foram galardoados pelo governo do Marechal Floriano Peixoto, que lhe concedeu a patente de Tenente Honorário do Exército.


Químico do Laboratório de Analises Químicas e Microscópicas do Estado do Paraná, durante 4 anos, e diretor interino do mesmo estabelecimento, por espaço de 4 meses, na ausência do efetivo, então em viagem à Europa. Foi procurador, até meados de 1922, do Hospital de Misericórdia e do Asilo de Nossa Senhora da Luz, para alienados, ambos pertencentes à Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba, cargo que exerceu durante 9 anos consecutivos. Foi presidente, durante 6 anos seguidos, da Associação Curitiba dos Empregados no Comércio, e sócio benemérito da mesma, estando o seu retrato no salão de honra daquela agremiação. Foi também presidente da Comissão Promotora da Exposição Industrial e Agrícola, realizada pela Associação acima referida, por ocasião da visita do Dr. Affonso Pena, ao Estado do Paraná, em 1903, exposição que causou grande sucesso e foi merecidamente elogiada pelo aludido chefe do poder executivo federal. Foi proprietário da antiga Farmácia Corrêa, instalada em Curitiba a 24 de março de 1877, por seu finado tio João Francisco Corrêa. Em 8 de agosto de 1914, casou-se com Anna Fonseca Corrêa, natural da cidade da Limeira, em São Paulo.

História do Centro de Letras do Paraná

Fonte: Livro – Galeria Paranaense. PARANÁ, Sebastião. 1922. Página: 216-218.

1912-2012

Sem dados da data de seu falecimento.

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Zaida Z. Zardo Prosista,

labutou

na

“Folha

Rósea”

e

em

outros

jornais

de

Curitiba.

Fez parte da primeira geração feminina das letras paranaenses, ao lado de Mariana Coelho, Mercedes Seiler, Maria da Luz Seiler, Annita Philipowski, Annette Macedo e Myrian Catta Preta.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Movimento de tropas para o Contestado.

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Reynaldo Machado

Nasceu em São Francisco do Sul, Estado de Santa Catarina, a 5 de fevereiro de 1868. Era filho de Francisco Machado da Luz e de Maria Bárbara da Conceição Machado da Luz. Fez o curso primário na pitoresca cidade onde nasceu e os preparatórios em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, no colégio São Pedro, indo a Florianópolis, depois de haver concluído as humanidades. Nessa época, fez parte do Centro Republicano, dessa cidade, do qual foi um dos fundadores. Em 1888, seguiu para o Rio de Janeiro, a fim de continuar os estudos.

Ardoroso republicano, pertenceu à grei dos espíritos iluminados. Em 1895, concluiu os estudos de medicina. Primeiro, clinicou em Rio Negro, depois, na Lapa, mudando-se, em 1897, para Curitiba. Foi redator chefe do “Diário da Tarde”. Jornalista independente, labutou com brilhantismo pelos interesses do povo paranaense. Homem ilustrado e probo constituiu uma das mais fortes garantias do direito e da justiça.

História do Centro de Letras do Paraná

O futuro clínico que pegara em armas para salvar a República, não retirou a patente que lhe concederam como bravo soldado. Considerou-se bem remunerado, tendo cumprido o seu dever de patriota.

1912-2012

Ao rebentar a revolta de 1893, alistou-se no Batalhão Acadêmico. Finda a campanha, recebeu a patente de tenente-coronel honorário do Exército.

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Como verdadeiro defensor da liberdade, soube se impor a todas as classes sociais e a todos os partidos políticos. Bondoso e amável, porém austero e intransigente, quando se lhe deparava a injustiça dos homens. Médico humanitário e caritativo. Foi diretor da Escola Normal e lecionou história natural, agronomia e higiene nessa escola e no Ginásio Paranaense e deputado a Assembleia Legislativa do Estado do Paraná. Despreocupado de grandezas, isento de vaidade. Afável e acessível, quer para o opulento, quer para com os infelizes, desprotegidos da sorte. Faleceu no Rio de Janeiro, a 27 de julho de 1918, tendo os seus restos mortais sido transladados para a capital paranaense, aqui chegando a 3 de agosto. Abastados e humildes, irmanados, confundiram a sua dor, pela grande perda que sofreram. Fonte: Livro – Almas das Ruas. NICOLAS, Maria. 1969. Volume 1. Página: 142-143.

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José Guayba Affonso da Costa

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Publicou um livro ilustrado com paisagens do Paraná, denominado Beleza Paranaense, e colaborou na Revista do Centro de Letras com uma crônica datada do Rio de Janeiro.


Annette Macedo

Annette Clotilde Portugal Macedo, filha do Dr. Francisco Ribeiro de Azevedo Macedo e Clotilde Portugal Macedo, nasceu a 3 de dezembro de 1894, em Curitiba e faleceu a 29 de julho de 1963, no recanto natal. Após o curso primário, ingressou na Escola Normal, diplomando-se professora, no ano de 1911. Mais tarde, mediante ótimo concurso, passou a professora do curso normal.

Caridosa, como poucas, era a simplicidade e a modéstia em pessoa. Ela viveu para os seus entes queridos e para a sua escola. Sensível até as lágrimas, Annette jamais soube o que era ofender. Sabia, sim e muito, desculpar, perdoar. Ela, sempre preocupada com o bem-estar dos seus alunos, criou o “Pecúlio”, cooperativa escolar. Recorria a seus parentes comerciantes ou abastados, a fim de conseguir meios de amenizar a sorte de suas crianças. Sua extremosa mãe era a companhia dedicada, pronta a atender ao menor gesto de sua filha, em benefício dos seus alunos.

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Annette era uma criatura dotada de extrema sensibilidade e um coração todo amor e perdão. As criancinhas eram-lhe como a “menina dos seus olhos”. Fora mestra na legítima acepção da palavra.

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Exerceu o magistério em escola isolada de Santa Quitéria; diretora do Grupo Escolar Rio Branco e da Escola de Prática Pedagógica, anexa à antiga Escola Normal, onde fizeram estágio todas as normalistas de uma certa época; Diretora fundadora da Escola Maternal, anexa à Sociedade de Socorro aos Necessitados, onde Maria Nicolas lecionou; professora de Pedagogia e Metodologia do atual Instituto de Educação.

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Mestra, amiga de seus discípulos, bem poucos a têm igualado, em nosso Estado. Depois de aposentada, passou a viver com o pai, em sua chácara de Santa Quitéria, sempre em contato com a mãe Natureza. Faleceu a boa e simples professora Annette Clotilde Portugal Macedo, deixando uma grande e imperecível saudade, não só em seu lar, como no coração das suas amigas, colegas, parentes e alunos. Annette espalhou pétalas do seu coração, em caridade. Enxugou lágrimas; vestiu o esfarrapado, saciou a fome do faminto. Mas, sobre todos os reflexos de sua boníssima alma, mais ressalta o seu amor pela infância, a quem deu carinho a fartar, como a mais desvelada das mães, apesar de haver-se conservado em estado núbil. Annette era a expressão da bondade e da modéstia sincera. Bibliografia : Os Meus. sem. data Fonte: Livro – Pioneiras do Brasil: Estado do Paraná. NICOLAS, Maria. 1977. Volume 1. Página: 42-43.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Comendador Araújo. Os bondes são o transporte público da época.

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Azevedo Macedo

Dr. Francisco Ribeiro de Azevedo Macedo nasceu em Campo Largo (PR), dia 5 de julho de 1872, filho de João Ribeiro de Macedo e Ana Maria de Azevedo Macedo. Fez o curso fundamental, no Colégio Parthenon Paranaense, em Curitiba, e o preparatório, no Ginásio Paranaense. Matriculou-se na Faculdade de Direito de São Paulo, onde obteve o grau de bacharel.

Sempre requisitado para oferecer pareceres nas questões judiciais da época. Colaborou com assiduidade na imprensa local, tanto com artigos literários quanto jurídicos e técnicos. Tornou-se colaborador de A Ideia (1888), da revista do Club Curitibano, Almanaque Paranaense, Diário do Paraná, A República, O Comércio, A Notícia, Diário da Tarde, O Dia e Sonetos Regionais.

História do Centro de Letras do Paraná

Exerceu diversos cargos públicos: procurador fiscal do Estado, procurador-geral da Justiça, diretor da Instrução Pública, professor de português na Escola Normal e no Ginásio Paranaense. Catedrático de Economia Política e Finanças na Faculdade de Direito da Universidade do Paraná e desembargador, junto ao Tribunal de Justiça do Estado. Jurista de inteligência fulgurante, foi um dos autores dos códigos de processo criminal, civil e comercial.

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Fundou e dirigiu, em 1894, o Instituto Curitibano.

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Constam da sua bibliografia, entre outras obras: Estudos de Direito (1900), Apontamentos Sobre o Ministério Público do Paraná (1900), Autonomia Municipal (1908), Codificação do Processo Criminal (1909), Cooperativas de Crédito de Consumo (1913), Código de Ensino (1915), Código de Posturas de Curitiba (1918), Organização Judiciária do Estado do Paraná (1919), Codificação de Processo Criminal (1919) e Projeto de Revisão dos Códigos de Processo Civil e Comercial (1919). Dedicou-se também à literatura, tanto em prosa quanto em verso. Dos seus sonetos, o mais conhecido intitula-se De Curitiba a Paranaguá. Fundador do Centro de Letras do Paraná, espírita praticante, autor da belíssima obra Conquista Pacífica de Guarapuava, pai da sempre lembrada educadora Annette Macedo, faleceu, em Curitiba, no dia 12 de maio de 1955. Muito feliz o acadêmico Pereira de Macedo quando, em discurso à memória do biografado, afirmou: “Ensinar foi o seu destino”. Fonte: Livro – Academia Paranaense de Letras: Biobibliografia. HOERNER Júnior, Valério; BÓIA, Wilson; VARGAS, Túlio. 2006. Página: 31.

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Caio Graccho Machado Lima

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Filho do Doutor Vicente Machado, que foi presidente da Província na fase da Revolução Federalista e que foi acusado de mandar matar os fuzilados do Quilômetro 65, desenvolveu-se nas lides jurídicas.


Antônio Francisco de Santa Ritta Júnior

Nasceu em Paranaguá, a 16 de outubro de 1879. Filho do Sr. Francisco Santa Ritta e de Maria dos Anjos Pereira de Santa Ritta. Terminados seus estudos primários, empregou-se no comércio. Em Curitiba, durante algum tempo, com Celestino Júnior e Euclides Bandeira, ocupou um lugar na redação do “Diário da Tarde”, sendo depois nomeado para exercer um cargo de funcionário público federal. Foi 1º escriturário da Alfândega de Paranaguá. Publicou um livro de contos, intitulado Episódios. Colaborou nas seguintes revistas: O Sapo, Azul, Victrix, Álbum do Paraná. Sócio fundador do Centro de Letras do Paraná.

Fonte: Livro – Galeria Paranaense. PARANÁ, Sebastião. 1922. Página: 342-343.

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Foi literato e jornalista de merecimento, também burocrata inteligente e cumpridor de seus deveres.

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Casou-se com Alice Abreu Santa Ritta, tendo, desse matrimônio, os seguintes filhos: Agenor, Ruy, Henrique, Laura, Hugo, Nair, Alberto e Ernani.

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Alcides Munhoz

Curitibano de 2 de agosto de 1873, ainda pequeno e já órfão de mãe, foi levado para São Paulo por seu pai, Caetano Alberto Munhoz, que o apresentou ao então Padre Alberto (mais tarde Dom Alberto José Gonçalves), que o matriculou no Seminário Episcopal. A sua passagem pelos bancos escolares desse estabelecimento religioso marcou profundamente sua crença em Deus. Essa formação católica, de início radical, no começo do século XX, encontrou barreiras no ateísmo e anticlericalismo então em moda. A resposta a essa animosidade contra Deus foi traduzida no seu livro de estreia, Scalpellum, uma crítica aos versos heréticos de Euclides Bandeira.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Sua vida dividiu-se entre compromissos de funcionário estadual e jogos de inteligência. Orador do Clube Católico Paranaense, fundado em 1902, defendeu seus princípios cristãos pela tribuna e pela imprensa.

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Escreveu romances e travou polêmicas com Vicente de Carvalho e com Osório Duque Estrada. Enfrentou adversários do porte do erudito sergipano Sílvio Romero, enfeixando suas controvérsias nos opúsculos Sílvio Romero e o Alemanismo no Sul do Brasil, em 1907, e A Teutofobia do Sr. Sílvio Romero, em 1910, trabalhos que chegaram a merecer não só a transição nos mais destacados órgãos da imprensa paulista e carioca como, até mesmo, tradução e publicação em periódicos alemães que circulavam em Nova York.


Destacou-se também como autor teatral, embora tenha enfrentado um meio hostil e acanhado, o que não impediu que algumas de suas peças fossem encenadas por Jaime Costa e Procópio Ferreira. Faleceu em Curitiba aos 57 anos, em 13 de junho de 1930. Fonte: Academia Paranaense de Letras: Biobibliografia. HOERNER Júnior, Valério; BÓIA, Wilson; VARGAS, Túlio. 2006. Página: 98.

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Amando a sua terra, autêntico propagandista no potencial socioeconômico do Paraná, escreveu, em francês escorreito, Lê Paraná pour l’Ètranger, em 1907. Incentivador do plantio do trigo, lançou dois opúsculos, O Pão Brasileiro e O Paraná e o Trigo. Por sua capacidade administrativa, chegou a ocupar o posto de secretário-geral do Estado, por sete anos, no governo de Caetano Munhoz da Rocha, período em que esteve investido de extraordinária soma de poderes.

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Bairro do Batel.

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Gilberto Beltrão Gilberto Gutierrez Beltrão, filho de Francisco da Cunha Machado Beltrão e de Rosa Correia Gutierrez Beltrão, nasceu em Antonina, a 12 de outubro de 1885. Fez os preparatórios em Curitiba, no Ginásio Paranaense, e recebeu o grau de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro. Foi promotor público de Campo Largo, depois de Imbituva, e, por fim, de Araucária. Em seguida, foi nomeado juiz municipal de São José dos Pinhais, passando, dentro em pouco, a ser juiz de direito de Foz do Iguaçu.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Residiu em Campo Largo, onde se aposentou como juiz de direito. Orador, cronista, poeta, polemista, historiador e jurista. Sócio fundador do Centro de Letras do Paraná. Usou pseudônimos como “Licério”, “Bolívar” e “Cesar Bolívar”.

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Colaborando nos periódicos: Stellario (1905-1906); Diário da Tarde, Cartão-Postal, A Vanguarda, A República, A Notícia, O Olho da Rua, A Rolha, Almanach do Paraná, Fanal, Álbum do Collegio Renascença, A Bomba (1913), Revista do Centro de Letras do Paraná, Commercio do Paraná, Almanach do Peitoral Paranaense, A Tribuna, Anthos, Sonetos Paranaenses, Jornal dos Poetas, todos eles de Curitiba. A Lucta, Tribuna Paranaguense e Marinha de Paranaguá. E por fim, contribuiu na revista A Semana (1913) do Rio. Fonte: Livro – Antologia Paranaense. RODRIGO JÚNIOR; PLAISANT, Alcibíades. 1938. Página: 167-168.


Leocadio Correia

Colaborou nos periódicos: Almanach Paranaense, O Sapo (1898 – 1902), Club Curitibano, Diário da Tarde, Azul, entre outros vários periódicos da capital paranaense e de alguns municípios como Ponta Grossa e Paranaguá. Deixou obras como Flocos, versos (1897); Sonetos Paranaenses, coletânea (1922); Pelo meu caminho, crônicas (1923) Torrão Paranaense (1925), entre outras obras fantásticas que enriqueceram a literatura paranaense. Fonte: Livro – Antologia Paranaense. RODRIGO JÚNIOR; PLAISANT, Alcibíades. 1938. Página: 240-241.

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Ao seu lúcido espírito muito devem as letras paranaenses, que ele sempre procurou desenvolver e propagar, quer incentivando as inteligências ou fundando revistas literárias, quer promovendo e, às vezes mesmo, custeando a publicação de obras de mérito real. Poeta e prosador. Pseudônimos que usou: “Raul Brazil”, “M. Pessoa”, “Satyro”, “Bellini”, “Sá Pinho”, “Léo Júnior” e “Murillo”.

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Leocadio Cysneiros Correia, filho de Leocadio José Correia e de Carmela Cysneiros Correia, nasceu em Paranaguá, a 1º de dezembro de 1875. Após ter feito estudos preparatórios no Rio, abraçou a carreira comercial, que abandonou mais tarde para seguir a burocracia, sendo um alto funcionário do Estado. Em 1921, recebeu o grau de engenheiro agrônomo na Escola Agronômica do Paraná.

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UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Rua Ébano Pereira com Borges de Macedo.

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Chichorro Júnior

Nasceu em Antonina (PR), no dia 20 de outubro de 1864. Na terra natal, fez os estudos de primeiras letras e, em São Paulo, no Seminário Episcopal, as diversas matérias do curso secundário, prestando exames preparatórios para a Faculdade de Direito.

Revelou-se administrador acurado e de largos conhecimentos financeiros. Alterou o sistema da apresentação dos orçamentos. Foi também deputado estadual em duas legislaturas, administrador dos Correios e diretor-presidente do Banco de Curitiba. Apesar dessa intensa atividade, conseguia dispor de tempo para lecionar, pois era professor do Ginásio Paranaense, titular das cadeiras de Pedagogia, Lógica e História Natural.

História do Centro de Letras do Paraná

Ocupou cargos importantes na administração pública paranaense, destacando-se o de procurador da Fazenda, o de secretário do Interior e Justiça e Instrução Pública e o de secretário das Finanças, Comércio e Indústria, este por dois quatriênios.

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Retornando ao Paraná, casou-se, em Piraquara, com Francisca, que viria a ser popularizada por seu filho Alceu como Dona Chiquinha. Deste casamento, realizado em 1887, adveio numerosa prole.

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Em 1869, no concurso aberto para preenchimento do cargo de lente de Aritmética e de Álgebra do Ginásio e Escola Normal, conquistou o primeiro lugar na classificação geral. Muito o desagradou, no entanto, a anulação do concurso, atribuída a pressões políticas da época. Enfrentando problemas financeiros e de saúde, sem um teto próprio onde morar, dirige-se ao amigo industrial Xavier de Miranda solicitando-lhe, sob empréstimo, a importância de duzentos mil réis, para pagamento do aluguel da casa em que residia. Foi notável sua atuação nos cenários literário, filosófico e político. Homem de letras, polemista vigoroso, comentarista, poeta e jornalista, pianista exímio, sócio fundador do Centro de Letras do Paraná, chegou a publicar Vozes Livres, versos, 1886; O Deus Social, prosa, 1889; e diversas conferências. Ao lado de Menezes Dória, Claudino dos Santos e Cunha Brito, colaborou no jornal “Federação” (1892), como que a prosseguir sua meta quando, à frente da redação de “A República”, tudo fizera para a queda do regime monárquico e consolidação dos princípios republicanos. A morte colheu-o em plena atividade mental, em Curitiba, numa sexta-feira, 31 de agosto de 1926, deixando viúva e 12 filhos, entre eles o acadêmico Alceu Chichorro.

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Fonte: Livro – Academia Paranaense de Letras: Biobibliografia. HOERNER Júnior, Valério; BÓIA, Wilson; VARGAS, Túlio. 2006. Página: 243.

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Icílio Saldanha

Filho de Antônio de Freitas Saldanha e de Maria Augusta Saldanha, nasceu a 22 de março de 1892, em Curitiba, e aí faleceu a 17 de maio de 1921. Fez os seus estudos primários na sua cidade natal, e ingressou na imprensa como repórter, entrando a colaborar em vários jornais curitibanos, desde 1907. Poeta e cronista, foi um dos redatores do “Paraná”, também sócio fundador do Centro de Letras do Paraná. Usou pseudônimos como “A. Lepin”. Colaborando nos seguintes periódicos: A República, O Paraná, Diário da Tarde, Commercio do Paraná, A Tribuna, Anthos, Sonetos Paranaenses e Jornal dos Poetas, todos de Curitiba. As Armas e as Letras do Paraná de União da Vitória e O Itiberê, de Paranaguá.

Rodrigo Júnior, (lendo) Castela Braz (em pé) e Icílio Saldanha.

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Fonte: Livro – Antologia Paranaense. RODRIGO JÚNIOR; PLAISANT, Alcibíades. 1938. Página: 181-182.

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Alda Silva Como foi citada no verbete de seus irmãos, Alda dedicou-se ao jornalismo em diversas cidades onde seu pai fundou jormais e ecolas, sendo também professora.

Augusto Faria Rocha Filho de José Elias da Rocha e de Francisca Vitalina de Faria Rocha, nasceu na Lapa, em 2 de fevereiro de 1883.

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Fez os exames preparatórios no Gimnásio Paranaense, em Curitiba e matriculou-se na Faculdade Livres de Ciências Jurídicas e Sociais, do Rio de Janeiro, onde se bacharelou.

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Jornalista, poeta, contista e historiador literário. Radicou-se em Ponta Grossa, dedicando-se ali às lides literárias e jurídicas. Publicou poesias no Olho da Rua, Diário da Tarde, Almanach do Paraná, Senhorita, Diário dos Campos (Ponta Grossa) e outros jornais e antologias. É nome de rua em Ponta Grossa. Bibliografia: O Princípio Moral na História – Tese de concurso 1919; Paraná Intelectual, - Memória histórica, Ponta Grossa, 1923.


Aluízio França Filho de Luiz Ferreira França e de Josephina Martins França, nasceu em Curitiba, a 6 de abril de 1884. Fez o curso de preparatórios no Ginásio Paranaense e matriculou-se na Academia de Medicina do Rio de Janeiro, onde se diplomou. Clínico, jornalista e poeta, é infatigável a sua atividade. Exerceu o cargo de prefeito de Curitiba.

As suas produções métricas, aliás numerosas, estão espalhadas em revistas e jornais. Colaborou nos seguintes periódicos: O Pierrot (1903-1904), Stellario (1905-1906), Cartão Postal, Diário da Tarde, A Vanguarda, A Notícia, O Olho da Rua, A Rolha, Fanal, Almanach do Peitoral Paranaense (1914), Anthos, Sonetos Paranaenses, Gazeta do Povo, Revista do Centro de Letras do Paraná, Ilustração Paranaense, Jornal dos Poetas, todos de Curitiba. E também na revista O Itiberê, de Paranaguá. Fonte: Livro – Antologia Paranaense. RODRIGO JÚNIOR; PLAISANT, Alcibíades. 1938. Página: 31.

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Sócio fundador do Centro de Letras do Paraná. Usou pseudônimos como “Luiz Aio”.

História do Centro de Letras do Paraná

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Veríssimo de Sousa Nasceu em Campo Largo, filho do Capitão Firmino Lourenço de Sousa e de Paulina Lourenço de Sousa, ambos professores: ela, paga pelo governo; ele, lecionando gratuitamente, e por muitos anos, os filhos dos colonos pobres. Veríssimo de Sousa exerceu o magistério durante quase 30 anos. Fez parte do Congresso Maçônico, do Congresso dos Professores e do 2º Congresso Nacional de Geografia. Ardorosamente bateu-se pela liberdade religiosa na escola, por ocasião do projeto apresentado pelo Cônego Alcindino, pedindo o ensino católico nas casas de ensino. Colaborou em muitos jornais e revistas do Paraná, do Rio, de São Paulo, de Minas e de Pernambuco, geralmente sobre a religião evangélica, do qual era adepto fervoroso. Sócio fundador do Centro de Letras do Paraná, era membro correspondente do Centro de Ciências, Letras e Artes de Campinas Filho de ardoroso propagandista da República e da abolição da escravatura, conservou e sempre defendeu ideias liberais. Professor paciente e dedicado, soube muito bem transmitir seus conhecimentos à infância de sua terra. Patriota exaltado. Modesto e bom.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Amigo apaixonado da arte cênica: só motivo de força maior o impedia de assistir às representações teatrais.

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Sinceramente afeito à cátedra de mestre escola que soube dignificar, Veríssimo de Sousa publicou: Pontos de Nossa História, de colaboração com o irmão, o Dr. Lourenço de Sousa; Reflexões sobre as línguas alemã e inglesa. Sustentou com galhardia algumas polêmicas. Seus artigos deixavam transparecer caráter reto e coração bem formado, a par de sólida educação. Faleceu em Curitiba a 21 de julho de 1948. Fonte: Livro – Vultos Paranaenses. NICOLAS, Maria. 1951. Volume 2. Página: 53-54.


José Gelbecke

Nascido em Morretes, em 4 de agosto de 1879, fez os estudos primários com o mestre Arthur Loyola.

Excelente palestrador e declamador, andava sempre pela Rua XV, em bate-papo com amigos. Boníssimo de coração, mesmo sem ser solicitado, socorria com presteza e desinteressadamente aos que necessitavam ou de seus serviços profissionais ou de sua influência no meio social.

História do Centro de Letras do Paraná

Funcionário público do Ministério da Fazenda, serviu, em Curitiba, na Delegacia Fiscal do Tesouro Federal, sendo figura indispensável nas tertúlias e serões de arte das reuniões do Club Curitibano e da Sociedade Thalia.

1912-2012

Após os exames preparatórios no Ginásio Paranaense, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade do Paraná, bacharelando-se em 1922.

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Sócio fundador do Centro de Letras do Paraná e seu orador, são suas inúmeras letras para as melodias de Bento Mossurunga e de Benedito Nicolau dos Santos. Deixou apenas dois livros publicados, Missas, sonetos (1905), de feição simbolista, aplaudido por Andrade Muricy e, em 1950, Acordes, edição do Centro de Letras do Paraná. Isto, além de um discurso recepcionando Serafim França na Academia Paranaense de Letras, em sessão solene de 26 de setembro de 1940, nos salões do Club Curitibano. Colaborador de praticamente todas as revistas e jornais curitibanos, ligado ao grupo de O Olho da Rua, muitos de seus trabalhos literários andam mascarados sob os pseudônimos: “G. de Ivone”, “Xisto” e “Xisto Pandorga”. Incursionou também pela arte cênica com as revistas: Conchas de Retalhos, em colaboração com Serafim França, Euclides Bandeira e Generoso Borges, música de Luís Bastos, representada pela primeira vez no Teatro Guairá, em 22 de julho de 1906; Coritiba em Cinematógrafo, também com Serafim França e Luís Bastos, apresentada no mesmo Teatro, em 11, 26 e 29 de novembro de 1908; e Do Rio Grande à Curitiba!, com Doulival Moura, encenada no Teatro Politeama.Octogenário, faleceu em 2 de dezembro de 1960. O Centro de Letras o homenageou, em sessão de 26 de fevereiro de 1962, com a inauguração de seu retrato na Galeria da Saudade.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Fonte: Livro – Academia Paranaense de Letras: Biobibliografia. HOERNER Júnior, Valério; BÓIA, Wilson; VARGAS, Túlio. 2006. Página: 154.

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Dos seguintes fundadores, não há informação disponível e a pesquisa continuará:

Myriam Catta Preta Sylvio Lourenço Scheleder Ulysses Sarmento José Maria de Paula Humberto Moletta

História do Centro de Letras do Paraná

Euclides Bandeira Emiliano Perneta Pânphilo D’Assumpção José Henrique de Santa Rita Jayme Balão Heitor Stockler

1912-2012

Fundadores que foram, também, presidentes e cujas biografias estão em capítulos próprios:

143


Hist贸ria do Centro de Letras atrav茅s de suas diretorias


146 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


Histテウria do Centro de Letras do Paranテ。

1912-2012

GESTテグ

EUCLIDES BANDEIRA 1912-1913

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Euclides da Motta Bandeira e Silva nasceu em Curitiba, em 22 de

novembro de 1876, filho de Carlos da Motta Bandeira e Silva e de Thereza Maria da Silva. Seus antepassados foram fundadores da Cidade, trazendo sua linhagem de Baltazar Carrasco dos Reis. Fez os estudos preparatórios em Curitiba, nos quais foi aprovado com distinção na "Escola dos Bons Meninos" do Dr. José Cleto da Silva, obtendo a medalha de ouro, no dia 24 de dezembro de 1890. Matriculado na Escola Militar do Rio de Janeiro, teve seus estudos interrompidos em 1895, em decorrência da extinção pelo governo da Escola Militar. Durante sua permanência nas linhas, executou tarefas militares, tanto nas trincheiras de terra como a bordo do vaso Itaipu. Na sua fé de ofício, consta elogio por suas atividades contra o Aquidaban. Regressando a Curitiba, foi-lhe oferecido emprego nos Correios, que ele não aceitou, preferindo dedicar-se ao jornalismo, trabalhando ativamente como repórter, articulista, redator e diretor. Iniciou sua carreira no periódico “A Luz”, cujo primeiro número saiu a 15 de janeiro de 1890, publicação quinzenal do Centro Espírita; o “Artista”, 1892 e “Azul”, em 4 de março de 1900, de tendência simbolista, juntamente com Santa Rita Júnior, Nicolau dos Santos, Evaristo Perneta, Adolfo Werneck, e Thiago Peixoto, também colaborou.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

O “Azul” foi muito importante no Simbolismo do Paraná, apesar de sua pouca duração.

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Colaborou também em todas as revistas e jornais da fase Simbolista, como Pallium, Turris Eburnea, O Sapo, o Olho da Rua, este último mais para o lado humorístico. Sua atuação mais duradoura foi no “Diário da Tarde”, o que ensejou sua liderança sobre um grupo de jovens escritores, republicanos, livre-pensadores, e levou à criação do Centro de Letras do Paraná, em 1912.


Cronistas da época relatam as reuniões prévias, realizadas em 1912, dando destaque para a reunião do dia 14 de julho, no salão de honra do “Diário da Tarde”, na qual se cantou de joelhos a "Marselhesa", o que demonstra a mística que a República recém proclamada e consolidada na Guerra Federalista despertava nos jovens idealistas da época. Assim, no dia 19 de dezembro de 1912, aniversário da instalação da Província do Paraná, no Salão de Honra do “Diário da Tarde”, reunidos 65 intelectuais paranaenses, foi fundado o Centro de Letras do Paraná. Fato inusitado para a época, a presença de quatro mulheres: Georgina Mongruel, Annete Macedo, Carmen Cattapreta, Alda Silva e Zaida Zardo. Primeiro presidente do Centro de Letras do Paraná, teve importância fundamental numa polêmica contra os novíssimos e a corrente espiritualista do Modernismo, de caráter mais ideológico e menos interessado em romper com a geração consagrada, onde despontavam Tasso da Silveira, Andrade Muricy e Lacerda Pinto.

Quando da fundação da Academia Paranaense de Letras, foi-lhe oferecido o patronato de uma cadeira, que ele, por motivos próprios não aceitou. Posteriormente, na reforma da Academia, foi-lhe atribuida a cadeira nº 12, cujo ocupante atual é Ernani Straube. Gláucio Bandeira publicou um folheto da biografia de Euclides. Euclides Bandeira faleceu em Curitiba, em 26 de agosto de 1947.

História do Centro de Letras do Paraná

Cultivou a crônica, em detrimento da poesia, e gostava de publicar peças humorísticas, assinando com os pseudônimos: W. Schowski, Delmiro Caiubi, Don Juan Lascivo, Ruy Pacheco, Marquês de Val de Vinos, Hélio, Gil, Gil Pachola, Gláucio, Fra Diávolo, Diavolino, Flavius, Shopp Nhauer, Hermann, Max, Stelio.

1912-2012

Casou-se com Joanina Ferrante e com ela teve filhos, dos quais Gláucio seguiu a carreira de Medicina e das letras, tendo sido também Presidente do Centro de Letras.

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Bibliografia: Heréticos, 1901, poesia; A Mulher e o Romantismo, ensaio, 1901; Ditirambos, 1901, poesia; Velhas Páginas, 1902, poesias; Versos Piegas, 1903; Ouropéis, 1906; Troças e Traços, 1909, prosa; O Monstro, 1927 - na "Novelas Paranaenses"; Prediletos, 1940 - coletânea de poemas; Colcha de Retalhos, Revista Teatral em colaboração com Generoso Borges, Serafim França e José Gelbcke. (Biografia e Antologia, organização de Paulo Roberto Karam). Analisando as estrofes de Prediletos sob o ponto de vista técnico, verificamos, desde logo, o requinte estético que presidiu sua fatura.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Sabemos que o autor de Prediletos vota estima a versos artisticamente lavorados, porque não crê, como Anatole France, que haja poesia sem arte nem arte sem metier.

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De 19.12.1912 a 10.01.1913-Diretoria Provisória, eleita por aclamação. Posse em 19.12.1912. Presidente: Euclides Bandeira Secretário: Clemente Ritz Comissão do Projeto do Estatuto José Henrique de Santa Ritta Zeno Silva Alfredo Romário Martins João Pernetta Generoso Borges Raul Rodrigues Gomes

História do Centro de Letras do Paraná

Conforme se lê na ata de sua fundação, no dia 19 de dezembro do referido ano, seus primeiros integrantes criavam o Centro de Letras “com o fim de concorrer para o progresso mental do Estado, publicando uma revista, editando livros, fazendo conferências, etc”, justamente no dia em que se comemora a Emancipação Política do Paraná, marcando firme a presença de sua intelectualidade na evolução cultural do Estado. No mesmo dia foi eleita, por aclamação, uma diretoria provisória, sob a presidência de Euclides Bandeira.

1912-2012

Primeira Assembleia Geral e 1ª Diretoria eleita:

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152 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


Histテウria do Centro de Letras do Paranテ。

1912-2012

GESTテグ

EMILIANO PERNETTA 1913-1918

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Emiliano Davi Perneta

nasceu em 3 de janeiro de 1866, em um sítio em Pinhais, próximo a Curitiba, filho de Francisco Davi Antunes e de Maria dos Santos Antunes. Francisco Davi Antunes tinha como alcunha “Perneta” que perpetuou no nome de seus filhos; era português e cristão-novo e Maria dos Santos era mulata, o que confere a Emiliano ascendência judaico-negra. Em, 1872, aos seis anos, sua família se muda para Tindiquera, atual Araucária, onde permanece um ano. Fez as primeiras letras no Colégio Mueller, em Curitiba e no Colégio Nossa Senhora da Luz. Fez o curso secundário no Instituto Paranaense (Marista) e no Gimnásio Paranaense, atual Colégio Estadual do Paraná, onde foi colega de Nestor Victor, Leôncio Correia e Silveira Neto, entre outros que vão formar o Movimento Simbolista no Paraná.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Em 1889, funda com Rodrigo Otávio (de Menezes), cujo pai era na época o Presidente da Província, o Clube Juvenil (literário).

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Três anos depois, publica seus primeiros trabalhos no “Dilúculo”, e a partir de 1884, no “Dezenove de Dezembro” e na “Vida Literária”, jornal dirigido por Jayme Balão. Grupo que editou a Revista Cenáculo, Importante órgão Simbolista: Em pé: Júlio e Emiliano; sentados, Nestor Victor da Silva e Silveira Netto.


Em 1885, segue para São Paulo, matriculando-se na Faculdade de Direito. Nesse mesmo ano publica um ensaio no jornal “Ganganelli”, órgão republicano, dirigido por Horácio de Carvalho. Trata-se de um ensaio sobre a influência do pensamento de Baudelaire na relação poesia–sagrado. Nas férias de 1885, vem a Curitiba onde inicia seus amigos na leitura das “Flores do Mal”, que, conforme Nestor Victor, deu início ao movimento literário que viria a desembocar no Simbolismo. Em 1887, em São Paulo, aparece ao lado de Artur de Castro Lima como redator do jornal “Vida Literária”, impresso pela tipografia King. Em 1888, Emiliano publica Músicas poesia parnasiana e Cartas à Condessa d’ Eu, sob o pseudônimo de Victor Marinho. No dia 15 de novembro de 1889, sem saber que a República fora proclamada, num discurso de formatura, defende com veemência ao ideal republicano.

Em 1893, João Pinheiro fê-lo nomear juiz em Caldas, de Minas Gerais e depois Juiz de Direito, em Santo Antônio do Machado. Em 30 de agosto de 1896, retorna a Curitiba, em companhia de seu irmão Júlio, que foi buscá-lo, gravemente enfermo. Depois de um período de cura, no sítio de Pinhais, advogou e iniciou intensa atividade jornalística.

História do Centro de Letras do Paraná

Em 1892 é o ano importante de efervecência das ideias e da estética simbolista nos periódicos cariocas, o que prepara o desencadear da publicação das obras de Cruz e Souza: Missal e Broquéis.

1912-2012

Em 1890, segue para o Rio de Janeiro, onde entrou como redator na “Cidade do Rio”, de José do Patrocínio, e colabora em diversos periódicos. Nesse ano, conhece Cruz e Souza através de apresentação de Virgílio Várzea e consegue um lugar para ele na “Revista Ilustrada”.

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Desde 1900 até 1911, exerce a profissão de professor de português no Ginásio Paranaense e na Escola Normal, acumulando com Auditor da Guerra, com patente de Capitão. Em 20 de agosto de 1911, é coroado “Príncepe dos Poetas Paranaenses” em cerimônia pública, no Passeio Público, na “Ilha da Ilusão”. Em 19 de dezembro de 1912, Euclides Bandeira, amigo de Emiliano e o irmão deste, Júlio, assim como diversos literatos e jornalistas, fundam o Centro de Letras do Paraná e convidam Emiliano para ser seu Presidente de Honra, e, na segunda gestão, presidente do Centro, de 1913 a 06 de junho de 1918. No dia 19 de janeiro de 1921, faleceu de sícope cardíaca, às 17h e 30 min, enquanto se preparava para jantar em sua casa, em companhia do dr. Alegretti Filho, poeta e médico que tentou salvá-lo, não o conseguindo. No dia 20 de janeiro, o “Commercio do Paraná” publicou um extenso necrológio. Bibliografia: Músicas, poesia, 1888; Canta à Condessa d’Eu, 1888; O Inimigo, prosa, 1889; Floriano, discurso, 1902;

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Alegoria, 1903;

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Ilusão, Poesia Simbolista, 1911; Pena de Talião – Teatro em versos, 1914; Setembro, poesia, 1934 (Póstuma) Ed. Andrade Muricy; Obras Completas – Rd. Zélio Valverde, 1945;


Ilusão e outros Poemas, antologia organizada por Andrade Muricy, 1966; Papilio Inocentia – libreto de ópera, 1966; A Vovozinha – Libreto de infantil, José Nicolau dos Santos, 1982.

ópera

Sobrado na Rua XV (Das Flores), onde residia e faleceu Emiliano Perneta.

Observação: Em 22.01.1913 foram criadas as cadeiras da Diretoria e Conselhos, com os respectivos Patronos: Presidente: Dias da Rocha Filho Vice Presidente: Fernando Amaro 1º Secretário: Cicero França 2º Secretário: Aristides França 1º Orador: Lycio de Carvalho 2º Orador: Nestor de Castro 1º Tesoureiro: José Morais 2º Tesoureiro: Roberto Faria Bibliotecário: Alcides Plaisant Conselho Fiscal:Azevedo Macedo Conselho Literário: Ulisses Vieira Conselho Administrativo: Pamphilo de Assumpção Comissão de Imprensa e Publicidade: Romário Martins.

História do Centro de Letras do Paraná

De 19.01.1913 a 07.12.1913 . Posse em 19.01.1913 Presidente: Emiliano David Pernetta Vice-Presidente:-João Pâmphilo de Assumpção 1º Secretário:- João Ferreira Leite Júnior, renuncia em 03.04.1913 e foi substituído por Augusto Rocha 2º Secretário: Rodrigo Júnior 1º Tesoureiro: Manoel Francisco Correa Netto, renuncia em 03.04.1913 e foi substituído por Alcebíades Plaisant (capitão) 2º Tesoureiro: Clemente Ritz 1º Orador: Dario Velloso 2º Orador:- José Henrique de Santa Ritta Bibliotecário: Júlio Cesar Hauer Comissão Redatora da Revista, constituída em 22.01.1913 José Niepce da Silva Euclides Bandeira Adolpho Jansen Werneck de Capistrano

1912-2012

A 1ª Assembleia Geral foi realizada em 10.01.1913, na sede da Associação Comercial do Paraná, quando foi eleita por aclamação a 1ª Diretoria, empossada em 19 de janeiro de 1913, onde foram aprovados os Estatutos.

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Com a admissão de diversas escritoras e poetisas, o Centro consegue derrubar tabus e preconceitos; as reuniões se realizavam aos sábados, 1º e 3º de cada mês; a presença nas reuniões era obrigatória, com justificativas de ausência.Também, os integrantes do Centro decidiram a leitura prévia dos manuscritos a serem publicados; e o primeiro livro a ser editado pelo Centro foi o de autoria de Júlia da Costa. Para a programação das festas públicas, foi designada a seguinte comissão: Oscar Martins Gomes, Leite Júnior e Júlio Cesar Muniz e o primeiro local a ser escolhido, os salões do Clube Curitibano. A fundação e as primeiras reuniões do Centro de Letras ocorreram na redação do Jornal “Diário da Tarde”, na rua Quinze de Novembro, mas não demorou para que a Associação Comercial do Paraná oferecesse suas dependências para abrigar as reuniões, o que foi aceito. As presenças e ausências eram rigorosamente controladas. Uma comissão designada deveria fazer uma análise crítica da obra de Clemente Ritz, A Caminho de Eleuzis. Em março de 1913, foi apresentado aos confrades o livro de Clemente Ritz, A Caminho de Eleuzis. Em abril, é a vez de Cânticos e Balladas, de Rodrigo Júnior. Em agosto, Euclides Bandeira lança o seu livro Épocas.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Em abril, agradecimentos ao presidente do Estado e Congresso Legislativo, pelos auxílios doados à publicação dos livros do Centro. São designados representantes do Centro junto aos diversos órgãos de imprensa da Capital, com vistas a estreitar as relações: Aluízio França, Domingos Nascimento, Euclides Bandeira, Augusto Rocha, Generoso Borges, Domingos Vellozo, Raul Gomes e Clemente Ritz.

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No mês de abril, Rodrigo Júnior apresenta o seu livro Cânticos e Balladas, que seria objeto de parecer competente, para publicação. No dia 13 de maio, o Centro prestaria uma homenagem aos poetas abolicionistas; em 18 de maio, são excluídos do Centro, por excesso de ausências: Leocádio Correa, Alcides Munhoz, Evangelista Espindola. No mês de junho, é constituída a comissão encarregada de organizar a biblioteca do Centro, composta pelos seguintes confrades: Alcebiades Plaisant, Miriam CattaPreta, José Henrique da Santa Ritta, Sílvio Scheleder, Júlio César Hauer, Alves de Farias e Martins Gomes; a palestra de Zaida Zardo.


Euclides Bandeira e Sebastião Paraná são designados para manter contacto junto aos diretores de jornais, no sentido de prestigiarem mais os profissionais da imprensa no Paraná. No mês de julho, as palestras de Georgina Mongruel, Sebastião Paraná e Leite Júnior. Em agosto de 1913, o jornal “Diário da Tarde”, o principal órgão de imprensa curitibana daquela época, oferece um espaço para publicar as notícias do Centro, aos sábados de cada semana. Neste mesmo ano, o Centro de Letras decide apoiar a candidatura de Emílio de Menezes à Academia Brasileira de Letras, tendo sido o mesmo eleito para ocupar uma vaga naquele silogeu. A revista “Fanal”, edição de 1913, dirigida por José Guahiba, Martins Gomes, Lacerda Pinto e Tasso da Silveira, publicou a seguinte matéria: “CENTRO DE LETRAS DO PARANÁ: Em magnífico elance de solidariedade espiritual, os escritores conterrâneos se agremiaram, dezembro findo, nesse rútilo e vitorioso Centro de Letras do Paraná.

Procurando promover no estado a cultura intelectual sob a tríplice face — artística, filosófica e científica — como o estabelece a sua lei orgânica, o Centro de Letras indubitavelmente exercerá decididas e eficaz preponderância nos domínios do pensamento, em o Paraná. Alto penhor de quem efetuará o seu patriótico programa dá o Centro apresentando a brilhante plêiade que o compõe – nomes em geral conhecidos e muitos de reputação firmada nas letras nacionais. Há, por outro lado, como garante da execução integral do programa, o entusiástico esforço e a boa vontade dos sócios, convictos como todos se acham de que é saliente necessidade, no Estado, uma associação desse cunho.

História do Centro de Letras do Paraná

Respeitando a liberdade individual, quer o Centro imprimir ao trabalho coletivo elevada orientação colimando os interesses mentais do Paraná, certo de que assim, com os valiosos concursos de todos lançará pelo menos as pedras angulares de um edifício cuja grandeza intelectual e moral só o futuro poderá desvendar.

1912-2012

A linha, alcandorada e pulcra, que se traçou o seleto instituto redundará em serviços inestimáveis ao Estado, onde as Letras são cultivadas com excepcional carinho e esclarecida inteligência.

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Estimulando os novos, reanimando os descrentes, desenvolvendo o gosto literário e o amor aos estudos filosóficos e científicos, publicando em livro as produções esparsas nas revistas, bem como os volumes que jazem no segredo das gavetas; promovendo palestras e reuniões intelectuais; executando, enfim, as belas intenções de seus Estatutos, há o Centro de Letras cooperar imensamente na grandiosa obra do Paraná de amanhã. Entretanto, ele se não olvidou do Paraná de ontem, e uma de suas missões mais simpáticas consiste na publicação de livros de escritores mortos, sendo que iniciará sua biblioteca o volume poético de Júlia da Costa. Ainda em homenagem aos extintos, as cadeiras da Diretoria estão sob a lembrança tutelar de Dias da Rocha, Fernando Amaro, Cícero França, Lycio de Carvalho, Aristides França, Nestor de Castro, José Morais e Roberto Faria.” “Em agosto de 1913, Euclides Bandeira apresenta os originais de seu livro Épocas, que será submetido a parecer. O jornal “Diário de Tarde” oferece ao Centro, nas edições de sábado, uma página que será preenchida com artigos e trabalhos literários. O Centro patrocinará conferências comemorativas dos acontecimentos nacionais; a primeira será no dia 7 de setembro, a cargo do Dr. Santa Ritta; a próxima será de Pamphilo d’Assumpção. O Centro se manifesta sobre o assassinato do jornalista pernambucano Trajano Chacon, enviando um telegrama de protesto e solidariedade.”

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

No mês de dezembro, a eleição da nova diretoria:

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Praça Tiradentes. Mesmo ponto do observador em três momentos diferentes.

1904

1915

História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

1910

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Nova Diretoria de 07.12.1913 a 09.12.1914. Posse em 19.12.1913 Presidente:- Emiliano David Pernetta Vice-Presidente:- Antônio José Alves de Farias 1º Secretário:- Alcebíades Plaisant 2º Secretário:- Gastão Faria 1º Tesoureiro:- Celestino Júnior 2º Tesoureiro:- Heitor Stockler de França 1º Orador:- Manoel de Azevedo da Silveira Netto 2º Orador:- Hugo Gutierrez Simas Bibliotecários: Veríssimo de Souza e Francisco Heráclito Ferreira Leite

Redatores da Revista Euclides Bandeira -renunciou José Henrique de Santa Ritta Domingos Nascimento (Major) Sylvio Schleder (2º Tenente) Em 02.02.1914 foram eleitos dois Redatores: Clemente Ritz Rodrigo Júnior Em 14.08.1914 foram eleitos mais três Redatores Claudino Rogoberto dos Santos Rodrigo Júnior Francisco Ferreira Leite

Em 19 de dezembro de 1913 foi publicado o 1º número da “Revista do Centro de Letras do Paraná”.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

“Ainda nesse mês o presidente fez entrega de um exemplar da revista do Centro ao Sr Presidente do Estado, que na ocasião ofereceu uma repartição pública para que o Centro possa se instalar.”

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O início da I Guerra Mundial, em 1914, começa a afetar as atividades do Centro, pela ocorrência dos atrasos no pagamento das mensalidades e a não publicação da Revista, por falta de recursos. Em maio, é apresentada a obra de Silveira Netto De Guayra aos Saltos do Iguassu, que desperta o desconhecimento sobre as nascentes do rio, tendo sido designada comissão de centristas para pesquisá-las. O mês de agosto registra o sucesso do novo livro de Emiliano Pernetta, Pena de Talião. No mês de dezembro, ocorre a eleição de nova diretoria:


História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

Inauguração da estátua do Barão do Rio Branco, em 1914, com o Paço Municipal ao fundo, ainda em construção.

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De 09.12.1914 a 21.11.1915. Posse em 19.12.1914 Presidente:- Emiliano David Pernetta Vice-Presidente:- Antônio J. Alves de Farias 1º Secretário:- Alcebíades Plaisant 2º Secretário:- Gastão Faria 1º Tesoureiro:- Celestino Júnior 2º Tesoureiro:- Heitor Stockler de França 1º Orador:- Silveira Netto

2º Orador:- Hugo Gutierrez Simas Redatores da Revista José Henrique de Santa Ritta Domingos Nascimento Claudino Rogoberto dos Santos Rodrigo Júnior Francisco Ferreira Leite

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

No mês de agosto, o Centro resolve conseguir os recursos para o fardão de Emílio de Menezes, para sua posse na ABL. Em novembro, a eleição de nova diretoria:

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De 21.11.1915 a 15.12.1916. Presidente:- Emiliano David Pernetta Vice-Presidente:- Antônio J. Alves de Farias 1º Secretário:- Rodrigo Júnior 2º Secretário:- Heitor Stockler de França 1º Tesoureiro:- Celestino Júnior 2º Tesoureiro:- Sebastião Paraná 1º Orador:- José. Henrique de Santa Ritta

2º Orador:- Hugo Gutierrez Simas Redatores da Revista Eusébio Silveira da Motta Generoso Borges de Macedo Ciro Silva Raul Rodrigues Gomes Francisco Ferreira Leite Claudino Rogoberto Ferreira dos Santos


Um dos muitos banquetes dos Centristas, no Passeio Público.

História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

Em 1915, um grupo grande de confrades centristas se reuniu no Passeio Público, com a intenção de acertar estratégias para combate a Igreja Católica, sob a orientação de Dario Velozo.

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Em 20 de fevereiro de 1916, o Centro de Letras realiza uma sessão magna em homenagem ao historiador morretense Rocha Pombo, com a outorga simultânea do título de Sócio Benemérito ao Dr. Carlos Cavalcanti, pelo seu apoio dado ao Centro durante sua gestão como Presidente do Estado. Em dezembro, uma nova diretoria:

Diretoria de 15.12.1916 a 15.12.1917. Posse em 19.12.1916 Presidente:- Emiliano David Pernetta Vice-Presidente:- Antônio J. Alves de Farias 1º Secretário:- Veríssimo Antônio de Souza 2º Secretário:- Heitor Stockler de França 1º Tesoureiro:- Celestino Júnior 2º Tesoureiro:- Sebastião Paraná 1º Orador:- Dario Veloso 2º Orador:- Cyro Silva Bibliotecário:- Francisco Ferreira Leite

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Praça Osório. Mesmo ponto do observador em dois momentos diferentes..

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1906

Redatores da Revista Eusébio Silveira da Motta Raul Rodrigues Gomes Claudino Rogoberto Ferreira dos Santos José Henrique de Santa Ritta José Niepce da Silva Hugo Gutierrez Simas João Baptista Carvalho de Oliveira- Rodrigo Júnior

1916


No mês de março, o falecimento de Domingos Nascimento e Claudino dos Santos. Em maio, o Centro financia a obra de Nestor Victor, O que fui, o que sou. Em dezembro, nova eleição de diretoria:

Neste período, passa Pânphilo D’Assumpção.

a

presidir

o

Centro

de

Letras

do

Paraná,

História do Centro de Letras do Paraná

O livro de Atas marca a última ata de 06.07.1918, na qual consta o falecimento de Emílio de Menezes, no Rio de janeiro, realizando-lhe homenagem em seção magna; e a seguinte ata começa em 26.06.1921 –“Nova fase, em virtude do marasmo devido à apreensão que dominou o meio, durante a 1ª Guerra Mundial”.

1912-2012

Bibliotecário:- Francisco Ferreira Leite Redatores da Revista Eusébio Silveira da Motta Raul Rodrigues Gomes José Henrique de Santa Ritta José Niepce da Silva Hugo Gutierrez Simas Rodrigo Júnior

Diretoria de 15.12.1917 a 06.07.1918. Posse em 19.12.1917 Presidente:- Emiliano David Pernetta Vice-Presidente:- Antônio J. Alves de Farias 1º Secretário:- Veríssimo Antônio de Souza 2º Secretário:- Heitor Stockler de França 1º Tesoureiro:- Celestino Júnior 2º Tesoureiro:- Sebastião Paraná 1º Orador:- Dario Veloso 2º Orador:- Cyro Silva

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168 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

GESTÃO

Pânphilo d’Assumpção 1918-1921

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Terceiro e sexto presidente do Centro de Letras do Paraná, de 1918 a 1921 e de 1922 a 1934, o Dr. João Pâmphilo d’Assumpção nasceu em Curitiba, a 7 de setembro de 1868, filho do Coronel Manoel Eufrásio d’Assumpção e de Germina Velloso d’Assumpção. Fez seus estudos iniciais e os preparatórios em Curitiba e diploma-se pela Faculdade de Direito de S. Paulo, em 7 de julho 1889, na turma de que também faziam parte o poeta Emiliano Perneta e o jurista Otávio do Amaral. Formado, continua na capital paulista, dedicando-se aos estudos jurídicos e à profissão de advogado. Conquista, em 1897, o grau, então raro, de Doutor em Ciências Jurídicas e Sociais, sendo o único doutor em Direito do Paraná até o doutoramento da Drª. Rosi Pinheiro Lima. Mediante concurso, foi nomeado lente substituto de um grupo de cadeiras referentes à Economia e à Administração, na faculdade de S. Paulo. Retornando a Curitiba, já ornado por uma auréola de prestígio, respeito e admiração, monta então a sua banca de advogado, por sinal bastante solicitada, e ao mesmo tempo, colabora na imprensa local com suas crônicas e páginas de crítica, nos domínios da pintura, escultura e música. Daí, naturalmente, a sua aproximação com Maria Amélia de Barros, pintora de alta relevância no meio artístico curitibano e sua esposa, desde 1920.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Foi presidente da Associação Comercial do Paraná, de 1909 à 1915 e de novo, de 1927 à 1931.

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Membro da antiga Academia de Letras do Paraná, um dos fundadores do Centro de Letras do Paraná, seu Presidente de 1918 a 1921 e seu baluarte por muitos anos, foi também um dos fundadores da Universidade do Paraná, nela passando a lecionar a disciplina de Direito Civil das Obrigações, desde os seus primórdios, em 1913.


Com outros colegas do Foro curitibano, funda, em março de 1917, o Instituto de Advogados do Paraná e dele foi presidente por eleições sucessivas, por quinze anos, findos os quais passa a figurar como seu presidente honorário. Cria, ainda, a Sessão do Paraná da Ordem dos Advogados do Brasil, em novembro de 1930, dedicando a ela, durante cinco anos, a sua atividade, inteligência e zelo. Dono de altas qualidades morais, porém desambicioso de bens materiais, nos últimos anos de sua operosa existência necessita recorrer à ajuda financeira da Ordem dos Advogados. Atendido com um auxílio mensal e não achando como retribuir tal magnanimidade, faz a doação de sua preciosa biblioteca à referida entidade jurídica. É o fundador da cadeira nº 7 da Academia Paranaense de Letras. Aos setenta e sete anos de idade, na segunda-feira de 15 de janeiro de 1945, às catorze horas, falece em Curitiba. Bibliografia: Além de suas Dissertações e Teses, publicadas em 1897, Dr. João Pâmphilo d’Assupção escreveu e publicou diversos artigos e folhetos da sua área de atuação, como Recursos crimes, Ações Ordinárias, Ação Cível, Pareceres, e outros textos nos quais se destaca:

Pró-Germânia, em folha diária durante a guerra 1914-1918; Rios e Águas correntes, s.d.

História do Centro de Letras do Paraná

Curitiba Antiga, 1911;

1912-2012

Memorial da Associação Comercial,1909;

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UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Este período, historicamente, é considerado como a primeiro mandato de Pânphilo D’Assumpção, que coincide com a inauguração do Paço Municipal e o falecimento do grande Emiliano Perneta.

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DÉCADA DE 1920 Ao início dessa década criativa, o Paraná ganha seu contorno atual e se prepara para ingressar no Modernismo que logo viria.


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Hist贸ria do Centro de Letras do Paran谩

1912-2012


174 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

GESTÃO

JOSÉ HENRIQUE SANTA RITA 1921-1922

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Dr. José Henrique de Santa Rita foi o quarto presidente do Centro de Letras do Paraná, no biênio l921-22 . Nasceu em Paranaguá, em 23 de dezembro de 1872, filho de Antônio Francisco de Santa Rita e de Maria dos Anjos Pereira de Santa Rita. Estudou inicialmente na Escola do professor José Cleto da Silva, seu primeiro mestre. Concluiu os preparatórios no Ginásio Paranaense (Colégio Estadual do Paraná) e colou grau em Direito, pela Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro, em 1895. Voltando ao Paraná, foi Juiz municipal em Cerro Azul, Campo Largo e Lapa, depois Juiz de Direito na Capital e Procurador da República. Foi nomeado Desembargador em 1919, cargo em que se aposentou. Dele disse: “Das mais fulgurantes inteligências da época. Orador primoroso, crítico, novelista e poeta, foi incomparável no talento e no poder criativo. Admirador de Eusébio da Motta, escreveu sobre aquele notável pensador ensaio crítico, denominado Solitário da luz, no qual lhe enaltece os predicados de mestre.”

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

(Tulio Vargas)

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Sócio do Centro de Letras desde o primeiro momento, foi também fundador da Academia de Letras do Paraná e da Academia Paranaense de Letras, fundando a cadeira nº 30, escolheu como patrono Emiliano Perneta. Conservou inédito um estudo alentado sobre o livro Ilusão, de Emiliano Perneta, cuja introdução foi publicada no “Fanal”, nº 15, 16, 17, de 1913. Não reuniu em volume suas produções poéticas, restando apenas quatro sonetos nas antologias paranaenses e repetidos por Andrade Muricy, no seu Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro.


“Santa Rita chegou ao Rio de Janeiro no início da fase heroica do Simbolismo. Nestor Victor aproximou-o de Cruz e Sousa, Oscar Rosas e dos demais simbolistas da vanguarda. Em carta de Cruz e Sousa a Gonzaga Duque, o nome de Santa Rita é mencionado entre os de um grupo seleciona do de partícipes da nova tendência.” (Andrade Muricy). Faleceu em Curitiba, a 19 de julho de 1944. Bibliografia: Solitária Luz, 1921- ensaio crítico sobre Eusébio da Mota

1º Tesoureiro:- Alcebíades Cesar Plaisant 2º Tesoureiro:- Sebastião Paraná 1º Orador:- Dario Veloso (renuncia em 30.09.1922) 2º Orador:- Cyro Silva Bibliotecário:- Francisco Ferreira Leite Redatores da Revista Alcides Munhoz Ismael Alves Pereira Martins Júlio David Pernetta Domingos Duarte Vellozo Ulisses Falcão Vieira Jaime Balão Júnior Rodrigo Júnior

História do Centro de Letras do Paraná

De 26.06.1921 a 03.12.1922 Eleito Patrono: Emiliano Pernetta e Presidentes Honorários: Euclides Bandeira e João Pâmphilo de Assumpção Presidente: José Henrique de Santa Ritta Vice-Presidente: Jayme Ballão (esteve na Presidência de 05.10. a 31.10.1922) 1º Secretário:- Veríssimo de Souza 2º Secretário:- Heitor Stockler de França

1912-2012

Emi, 1925 – novela.

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UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Em 26.06.1921, o 1º Secretário, Veríssimo Antônio de Souza, assume a Presidência, tendo como Secretário Heitor Stockler de França, sendo eleita nova Diretoria.

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O Centro realiza sessões na sede dos Correios, quinzenalmente, às quartas-feiras. Em julho é assinalado o falecimento de Júlio Pernetta. No mês de agosto, são prestadas homenagens póstumas aos confrades: Euzébio Silveira da Mota, Emiliano e Júlio Pernetta, Tiago Peixoto e Hélio Saldanha. Diversos novos sócios ingressam no Centro: Plácido e Silva, Serafim França, Marcelino José Nogueira Jr, Alegretti Filho, Angelo Guarinello, Francisco Negrão, Saldanha Sobrinho, Quintiliano Pedroso, Andrade Muricy, Samuel Cezar, Acyr Guimarães, Leônidas Loyola, Laertes Munhoz, Nilo Brandão e José Leandro da Costa Pereira. A Associação Comercial cede espaço para acolher as reuniões do Centro.


Em seguida, no mês de Outubro, surge a proposta para a feitura de um novo estatuto, que fixasse o número de sócios do Centro. O percurso do ano de 1922 foi bastante agitado no Centro de Letras, e começa com a realização, em 19 de Janeiro, de uma sessão magna, pelo transcurso do primeiro ano do falecimento de Emiliano Pernetta. A 29 desse mesmo mês, a realização de uma sessão magna no Clube Curitibano para homenagear os 120 anos do nascimento de Vitor Hugo. Em fevereiro, a saudação do presidente e de Cyro Silva a um ilustre visitante, administrador dos correios em Curitiba, Raul de Azevedo, oriundo do estado do Maranhão. Em Março, é proposta a construção de ‘hermas dos poetas’, mediante subscrição dos centristas, o que mereceu os agradecimentos e elogios da diretoria. O clínico e escritor João Cândido Ferreira, recentemente admitido, recebe elogios por seus pares. Clemente Ritz se transfere para o Rio de Janeiro, onde passará a residir.

No mês seguinte, Ulisses Vieira pondera que a renúncia dos citados confrades não deve ser acatada, tendo sido designada uma Comissão Conciliadora composta pelos confrades Ulisses Vieira, Generoso Borges e Ângelo Guarinello. Um mês depois, os pedidos de exoneração são arquivados, com base nas argumentações de Ulisses Vieira. Dario Vellozo é então convidado a retornar a seu cargo no Centro. No mês de outubro, é criada comissão para solucionar a querela da grafia do nome da cidade de Curitiba, tendo por base sua etimologia, pois não há consenso a respeito.

História do Centro de Letras do Paraná

Na sessão de 30 de Setembro, Dario Velozzo traz a público sua indignação contra o acadêmico do Amazonas, Raul de Azevedo, cujas notícias na imprensa o difamavam. As ponderações de Ulisses Vieira não foram suficientes para acalmar os ânimos, o que resultou na renúncia de Dario Velozzo, de Santa Ritta, Silveira Netto e José Maria de Paula, como membros do Centro.

1912-2012

Em agosto, homenagens póstumas ao falecimento de José Celestino de Oliveira Júnior, dono do jornal “Diário da Tarde”.

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180 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


Histテウria do Centro de Letras do Paranテ。

1912-2012

GESTテグ

JAYME BALLテグ 1922

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Jayme Ballão nasceu em Curitiba, a 10 de fevereiro de 1869, filho de José de Sá

Ballão e de Carolina Schleder Ballão.

Foi presidente do Centro de Letras do Paraná, em 1922. Fez seus estudos iniciais em Curitiba, na Escola de Miguel Schleder, onde se sobressaiu conquistando medalha de ouro; e o preparatório no Instituto Paranaense, tendo feito o curso de direito na faculdade do Rio de Janeiro, em 1922. Seu primeiro trabalho profissional foi de professor. Contista e poeta, foi diligente funcionário dos Correios, exercendo também vários cargos públicos como fiscal do consumo, vereador e deputado em diversas legislaturas, de 1914 a 1921. Homem de Imprensa, já em 1888 colaborava com poesias na “Galeria Ilustrada”, fundou o “Diário do Comércio” em 1896 e foi diretor do “Diário da Tarde”, que, posteriormente, comprou. Implicado como revoltoso na Guerra Federalista, foi encarcerado de 1893 a 1896 e absolvido, depois de julgado. Casou-se com Maria Luíza da Rocha , como diz no obituário e com Ana Áurea Lisboa, como diz Pompília Lopes dos Santos, que possuía talento artístico musical na cítara e no piano e executava peças belíssimas.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Sócio fundador do Centro de Letras do Paraná e da Academia Paranaense de Letras, na cadeira 8, cujo patrono é Francisco Antônio Monteiro Tourinho, e, atualmente, é ocupada por Rafael Greca de Macedo.

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À época de seu falecimento, era 2° oficial de Registro de Imóveis e Hipotecas. Faceceu às 16 horas de 1° de agosto de l.930.


Bibliografia: Mártir, 1894; Cecy, poema fúnebre, 1896; Propaganda da Erva Mate, 1908; Sidéria, libreto da ópera de Augusto Stresser, 1912; Riquezas naturais, matérias primas, quedas d’água, 1919; A Foz do Iguaçu, 1920; O Céguinho, 1929;

Presidência transitória, exercidas de 05.10. a 31.10.1922.

História do Centro de Letras do Paraná

De 26.06.1921 a 03.12.1922 Eleito Patrono: Emiliano Pernetta e Presidentes Honorários: Euclides Bandeira e João Pâmphilo de Assumpção Presidente: José Henrique de Santa Ritta Vice-Presidente: Jayme Ballão

1912-2012

Causas do Progresso, revista teatral musicada por João Itiberê da Cunha, em colaboração com Nestor de Castro.

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UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Prédio sede da Associação Comercial do Paraná, onde originalmente funcionou o Centro de Letras do Paraná (Rua XV de Novembro, esquina com Presidente Faria).

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GESTÃO

História do Centro de Letras do Paraná

SEGUNDO MANDATO 1922-1934

1912-2012

Pânphilo d’Assumpção

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De 03.12.1922 a 07.12.1924.Posse em 19.12.1922 Presidente:- João Pâmphilo de Assumpção Vice-Presidente:- João Baptista Carvalho de Oliveira- (Rodrigo Júnior) 1º Secretário:- Heitor Stockler de França 2º Secretário:- Quintiliano Pedroso 1º Tesoureiro:- Alcebíades César Plaisant (Major) 2º Tesoureiro:- Sebastião Paraná

1º Orador:- Jayme Ballão Júnior 2º Orador:- Ulysses Falcão Vieira Bibliotecário:- Ildefonso de Serro Azul Redatores da Revista Euclides Bandeira Generoso Borges de Macedo Alcides Munhoz

Em janeiro de 1923, o Centro realiza palestras sobre o tema: “Os fatores que concorrem para o aperfeiçoamento da raça”, tendo sido designado o Dr. João Cândido para proferir a seguinte. Pela Lei nº 2231 de 09.04.1923, do Presidente do Paraná, Caetano Munhoz da Rocha, o Centro de Letras é reconhecido como entidade de utilidade pública estadual. Em votação secreta, o Dr. Lysímaco Ferreira da Costa é admitido como sócio do Centro de Letras. Em agosto, o Centro realiza sessão especial, em homenagem a Gonçalves Dias. Na sessão de 21 de setembro, a leitura do ofício do Vice-Presidente do Estado, oferecendo uma sala para sede do Centro. Em maio de 1924, o confrade Luiz Cézar faz um relato de sua viagem pelo nordeste do Brasil, na qual teve lugar uma maior integração entre as culturas.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Em 7 de dezembro de 1924, é eleita nova diretoria, quando de sua posse usou da palavra o presidente da Academia de Letras do Paraná, desembargador Santa Ritta.

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De 07.12.1924 a 05.12.1926. Posse em 19.12.1924 Presidente: João Pâmphilo de Assumpção Vice-Presidente:- Lysimaco Ferreira da Costa 1º Secretário:- Heitor Stockler de França 2º Secretário:- Octávio de Sá Barreto 1º Tesoureiro:- Alcebíades César Plaisant 2º Tesoureiro:- Sebastião Paraná

1º Orador:- Luiz Lens de Araújo César 2º Orador:- Jayme Ballão Júnior Redatores da Revista Euclides Bandeira Generoso Borges de Macedo Raul Rodrigues Gomes


O ano de 1925 marca a criação do emblema do Centro de Letras, até hoje em uso. Discutiu-se, nesse ano, a qualidade do ensino no Brasil e o Centro deliberou sobre a aceitação de sócios correspondentes. Em 1926, no mês de Abril, a leitura de ofício da Academia Brasileira de Letras solicitando auxílio financeiro para o erguimento, em sua sede, de uma estátua em homenagem a seu fundador, Machado de Assis. No mês de agosto, ingressa no Centro o Dr. Laertes Munhoz. Em agosto de 1927, os despojos de Emílio de Menezes são trazidos para o Paraná e recebidos com grande emoção. No final do ano, ocorre a eleição de nova diretoria para reger o biênio 26/28. Na ocasião, é proposta a instituição das “Sacerdotisas dos Poetas”, que homenagearão os centristas falecidos. São elas: Risoleta Machado Lima, Fernandina Marques, Lúcia Pereira, Rosinha Pinheiro Lima, Didi Caillet e Ilsa Espinola. E, no encerramento da década, o Centro oficia ao Governo do Estado que recomende em suas escolas o uso da ortografia simplificada da Academia Brasileira de Letras.

História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

Didi Caillet (ao centro), Miss Paraná em 1928, concorrendo ao Miss Brasil tornou-se “personalidade paranaense”. Foi uma das fundadoras do Centro de Letras do Paraná.

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De 05.12.1926 a 02.12.1928. Posse em 26.12.1926 Presidente:- João Pâmphilo de Assumpção Vice-Presidente:- José Niepce da Silva 1º Secretário:- Heitor Stockler de França 2º Secretário:- Octávio de Sá Barreto 1º Tesoureiro:- Alcebíades Cesar Plaisant 2º Tesoureiro:- Sebastião Paraná

1º Orador:- Jayme Ballão Júnior 2º Orador:- Cyro Silva Bibliotecário:- Ildefonso Serro Azul Redatores da Revista Euclides Bandeira Lysímaco Ferreira da Costa Clemente Ritz

DÉCADA DE 1930 O período se inicia com a promessa de muitas ditaduras, no Brasil e na Europa. O progresso tecnológico e a crise econômica preparam o mundo para uma segunda grande guerra.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Este período foi de intensa atividade para o Centro de Letras, com a sucessão das seguintes diretorias:

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De 02.12.1928 a 15.01.1931. Posse em 19.12.1928. Presidente:- João Pâmphilo de Assumpção Vice-Presidente:- Raul Rodrigues Gomes 1º Secretário:- Heitor Stockler de França 2º Secretário:- Octávio de Sá Barreto

1ºTesoureiro:- Alcebíades César Plaisant 2º Tesoureiro:- Sebastião Paraná 1º Orador:- Laertes de Macedo Munhoz 2º Orador:- Ângelo Guarinello Bibliotecário:- Ildefonso Serro Azul Redatores da Revista Euclides Bandeira José Niepce da Silva Rodrigo Júnior

De 04.12.1932 a 11.12.1934. Posse em 19.12.1932. Presidente:- João Pâmphilo de Assumpção Vice-Presidente:- Luiz Lens de Araújo César 1º Secretário:- Heitor Stockler de França 2º Secretário:- Ângelo Guarinello 1º Tesoureiro:- Alcebíades César Plaisant 2º Tesoureiro:- Sebastião Paraná

1º Orador:- Laertes de Macedo Munhoz 2º Orador:- Cyro Silva Bibliotecário:- Veríssimo Antônio de Souza Redatores da Revista Euclides Bandeira Serafim França Rodrigo Júnior

De 15.01.1931 a 04.12.1932. Posse em 15.01.1931 Presidente:- João Pâmphilo de Assumpção Vice-Presidente:- Luiz Lens de Araújo César 1º Secretário:- Heitor Stockler de França 2º Secretário:- Ângelo Guarinello 1º Tesoureiro:- Alcebíades Cesar Plaisant 2º Tesoureiro:- Sebastião Paraná

Em 1934, sessão de evocação aos direitos das mulheres, defendidos por importantes associações internacionais. Ainda nesse ano, a ocorrência de inúmeras propostas para modernizar o Centro de Letras.


História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

Vista aérea de Curitiba em 1930, quando da chegada do ditadar Getúlio Vargas.

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190 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


1912-2012

1934-1940 Histテウria do Centro de Letras do Paranテ。

GESTテグ

ULISSES FALCテグ VIEIRA

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O Dr. Ulisses Falcão Vieira nasceu em Curitiba, a 31 de março de 1885, filho de José Rodrigues Vieira e de Cecília Falcão Vieira. Efetuou os cursos primário, secundário e superior, em Curitiba; formou-se bacharel em Direito pela Faculdade de Direito do Paraná. “De 1900 a 1905, destinado à vida militar por seu pai, atendeu aos anseios paternos, mas por ter-se insistentemente revelado um inadaptado, o Exército, por fim, deu mão à palmatória: foi desligado em 1906, deixando atrás de si história digna de figurar nos anais como a do militar que se engajou por engano.” (Valério Hoerner Júnior) Dentre suas várias atividades, foi Promotor Público em Rio Negro, em 1912, delegado em Curitiba, deputado ao Congresso Legislativo em duas legislaturas, tendo sempre exercido a advocacia. Homem combativo, desde os primeiros tempos esteve engajado na imprensa, primeiro como articulista, depois como diretor-proprietário do “Diário da Tarde”.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Lecionou Direito Penal na Universidade do Paraná, e também substituindo todos os professores, nos seus impedimentos, o que comprova sua elevada erudição.

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Fez parte da comissão que elaborou o anteprojeto da Constituição do Paraná, aprovada em 1935, sendo também um de seus signatários, por estar como suplente de deputado. Foi Presidente do Centro de Letras do Paraná de 1934 a 1940. Primeiro ocupante da cadeira n.º 6 da Academia de Letras do Paraná, cujo fundador foi Nestor Victor que escolheu como Patrono o Senador Correia (Manoel Francisco Correia Neto). Faleceu em Curitiba, no dia 17 de junho de 1942.


Bibliografia: Além de publicações referentes a sua atividade de advogado, como Razões de Apelação, Recursos de Habeas Corpus, Recursos Extraordinários, publicou também: Da minha Cátedra, 1928; Discurso de Paraninfo, 1933;

Bibliotecário:- Oscar Joseph de Plácido e Silva Redatores da Revista Luiz Lens de Araújo César Rodrigo Júnior Antônio Castelã Braz 1º Orador:- Laertes de Macedo Munhoz 2º Orador:- Cyro Silva Bibliotecário:- Veríssimo Antônio de Souza Redatores da Revista Euclides Bandeira Octávio de Sá Barreto Rodrigo Júnior

História do Centro de Letras do Paraná

De 11.12.1934 a 06.12.1936. Eleição no 1º Domingo de dezembro Posse em 19.12.1934 Presidente:- Ulysses Falcão Vieira Vice-Presidente:- Raul Rodrigues Gomes 1º Secretário:- Heitor Stockler de França 2º Secretário:- Quintiliano Pedroso 1º Tesoureiro:- Alcebíades Plaisant 2º Tesoureiro:- Ângelo Guarinello 1º Orador:- Octávio de Sá Barreto 2º Orador:- Cyro Silva

1912-2012

Um Sábio Paranaense, 1939 – Biografia de Ernesto de Oliveira.

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Residência do poeta na antiga rua Aquidabã, nº 413, hoje Rua Emiliano Perneta.

Neste período, tem lugar a inauguração da Rua Emiliano Pernetta, antiga Aquidaban, que contou com efusivo discurso de Raul Gomes. Ainda nesse ano, a sugestão para a realização de Festivais da Primavera, de caráter literomusical.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Ingressa, no Centro, Leonor Castellano e ocorreu uma sessão magna para homenagear Alfredo Andersen.

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Em Julho de 1936, começaram os acertos para a criação de uma Academia Paranaense de Letras, de vez que a tentativa anterior resultou frustrante. E, no final desse ano, ocorreu a reforma dos Estatutos do Centro, bem como foram prestadas reverências ao brilhantismo das presenças de Tasso da Silveira e Silveira Netto, no Rio de Janeiro. Igualmente, homenagens ao Centro Feminino Paranaense de Cultura. No final do ano, eleição de nova diretoria:


1912-2012

De 06.12.1936 a 04.12.1938. Posse em 19.12.1936 Presidente:- Ulysses Falcão Vieira Vice-Presidente:- Octávio de Sá Barreto 1º Secretário:- Osmany Emboaba 2º Secretário:- Veríssimo Antônio de Souza

1º Tesoureiro:- Ângelo Guarinello 2º Tesoureiro:- Leonor Castellano 1º Orador:- Elias Karam 2º Orador:- Ilnah Pacheco Secundino de Oliveira Bibliotecário:- Alcebíades César Plaisant

“Fundava-se, assim, em 26 de setembro de 1936, em curitiba, a Academia Paranaense de Letras”

História do Centro de Letras do Paraná

Passagem do dirigível Zeppelin em 1936.

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Na ata da reforma do Estatuto aprovada em Assembleia de 29 de novembro de 1936, constam os nomes dos sócios que compareceram à reunião: Heitor Stockler, Alcibiades Plaisant, Benedito Nicolau dos Santos, Silveira Netto, Veríssimo A de Souza, Elias Karam, Mariana Coelho, Francisco Stobbia, Ilnah Secundino, Rodrigo Júnior e J. de Santa Rita. O artigo 47 criou o distintivo do Centro, constituído de uma coroa de ramos de pinheiro e mate, caneta e pena, tendo inscrita a legenda “Centro de Letras do Paraná” e a data de sua fundação. Em 10 de dezembro de 1936, realiza-se sessão magna, em homenagem a Silveira Netto. Em meados do ano de 1937, o Centro de Letras recebeu subvenção oriunda do Tesouro do Estado, cujo valor corresponde aos meses de janeiro a junho daquele ano e que foi depositado na Caixa Econômica Federal e cuja destinação seria a construção de um edifício-sede para o Centro. Houve a sugestão para que se alugasse uma casa, que poderia ser em parceria com a Academia Paranaense de Letras, dividindo-se as despesas.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

No mês de agosto, têm início as providências relativas aos festejos do Jubileu de Prata do Centro e em setembro, assinala-se o falecimento de Francisco Negrão, autor de obra famosa no campo literário, a Genealogia Paranaense, tendo o Centro prestado a ele as devidas homenagens.

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Em 31 de outubro, ocorreu o falecimento de Dario Vellozo. O ano termina com a realização de uma sessão magna para comemorar os 25 anos do Centro, a 19 de Dezembro.


É eleita uma nova diretoria: De 04.12 1938 a 01.12.1940. Posse em 19.12.1938. Presidente:- Ulysses Falcão Vieira (Em 10.06.1940 o Presidente renunciou, é proposto como Sócio Benemérito e assume o Vice para completar o mandato) Vice-Presidente:- Octávio de Sá Barreto

1º Secretário:- Elias Karam 2º Secretário:- Veríssimo de Souza 1º Tesoureiro:- Leonor Castellano 2º Tesoureiro:- Cyro Silva 1º Orador:- Raul Rodrigues Gomes 2º Orador:- Ilnah Pacheco Secundino de Oliveira Bibliotecário:- Alcebíades César Plaisant

No transcorrer do ano de 1938, o Centro subvenciona a publicação do 1º volume da Antologia Paranaense, bem como livros de autoria de diversos sócios, entre eles Leonor Castellano, Jaime Ballão e O. Emboaba. Nesta ocasião, ocorre também o ingresso de Maria Nicolas como sócia do Centro. Morre Sebastião Paraná e o Centro recebe o pedido de ingresso de Luiz Silva Alburquerque.

O ano se encerra com uma sessão comemorativa de mais um aniversário do Centro, com as previsões de receita no ano vindouro, tendo tudo ocorrido em sua nova sede. O ano seguinte, encerrando a década, o Centro de Letras realizou uma sessão magna, em homenagem a Ernesto Luiz de Oliveira e no mês de maio, o jornal “Gazeta do Povo” critica o Centro pelo esquecimento do aniversário de morte de Emiliano Pernetta. Em junho, celebração pelo centenário do nascimento de Machado de Assis. Ocorreu, neste ano, o ingresso de Breno Arruda, e na sessão de 19 de dezembro, o regozijo pelo fim da II Guerra Mundial.

História do Centro de Letras do Paraná

O Tesouro do Estado aumenta o valor de sua subvenção, o que permite ao Centro alugar um apartamento (nº 101), do Palacete Avenida, para servir de sede conjunta do Centro de Letras e da Academia Paranaense de Letras.

1912-2012

Em 03 de abril, realiza-se seção solene, em homenagem a Sebastião Paraná.

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198 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


DÉCADA DE 1940 A década de 40, para o Centro de Letras, teve início com a reprovação do fuzilamento do professor polonês Czeslau Bialobrezski, como reflexos do fim da 2ª Grande Guerra Mundial. Em 10 de junho, o Presidente Ulysses F. Vieira apresenta o seu pedido de demissão, que foi aceito, tendo assumido a presidência o vice, Octávio da Sá Barreto. A partir de então, Ulysses F. Vieira passa à condição de Sócio Perpétuo, tendo-lhe sido outorgado um Pergaminho para eternizar a homenagem, fato que ocorreu na sede da Rádio Club Paranaense, PRB-2.

Praça Tiradentes, neste período vários logradouros públicos foram revitalizados, perdendo cobertura vegetal antiga e ganhando grande área de calçamentos.

História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

No final do ano, novas propostas e diretrizes para a dinamização do Centro de Letras, bem como a eleição de nova diretoria.

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200 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


1912-2012

1940-1942 História do Centro de Letras do Paraná

GESTÃO

OTÁVIO DE SÁ BARRETO

201


Otávio de Sá Barreto nasceu em Curitiba, a 22 de novembro de 1906, filho de

Dr. Antônio Victor de Sá Barreto e de Constância da Motta Sá Barreto.

Fez todos os seus estudos e sua carreira, tanto literária como profissional, inclusive seu bacharelado em Direito, em Curitiba. Iniciando-se profissionalmente no Serviço Público Estadual como simples datilógrafo, passou por todas as hierarquias até o alto cargo de Procurador Geral da Fazenda e Consultor Jurídico do Estado. Chefiou os gabinetes de várias secretarias e foi diretor de diversos departamentos dessas Secretarias, tendo-se aposentado no quadro da Presidência do Tribunal de Justiça como Assistente Técnico Jurídico. Também exerceu o magistério secundário e superior, regendo, no Colégio Estadual do Paraná,(na época Gimnasio Paranaense) a cadeira de Sociologia, na Escola de Cultura Física e Desportos a cadeira de História da Cultura Física e na Faculdade de Direito da Universidade do Paraná foi professor auxiliar de várias cadeiras, tendo também atuando na faculdade de Direito da PUC. Poeta, escritor, teatrólogo, crítico de arte, orador e conferencista, foi na Academia Paranaense de Letras, o primeiro ocupante da cadeira nº 30, fundada por Santa Rita, cujo patrono é Emiliano Perneta e, recentemente, foi ocupada pelo poeta Oldemar Justus, também falecido.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Com Castela Braz fundou a “Flâmula”, revista literária, no ano de 1922 e com Rodrigo Júnior, a editora “Novela Mensal”, depois “Novela Paranaense”, em 1925.

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De início, sua poesia se desenvolveu no estilo parnasiano, tendo feito diversos sonetos muito bem estruturados e que foram publicados na imprensa e em livros; porém, quando da eclosão do Modernismo em Curitiba, atrasado de quatro anos, pois foi em 1926, conforme ele relata num opúsculo muito interessante, tornou-se o chefe dessa vertente que se desenvolveu principalmente em S. Paulo . Foi Presidente do Centro de Letras do Paraná, nos anos de 1941-42. Faleceu em Curitiba, em 22 de outubro de 1986.


Bibliografia: Nuvem que passa, 1922; Este Livro, 1924 (versos acadêmicos); O Automóvel nº 117, 1925, contos e novelas; Palavra, que é certo!, 1928, noveleta; Pássaro sem asas, 1972 e Realejo de enlevos, 1977 trazendo peças modernistas de diversas épocas.

1º Tesoureiro:- Leonor Castellano 2º Tesoureiro:- Veríssimo Antônio de Souza 1º Orador:- Ciro Silva 2º Orador:- Alceu Chichorro Bibliotecário:- Alcebíades César Plaisant

Breno Arruda alerta para a necessidade urgente de reforma dos Estatutos. Em 31 de dezembro,, teve lugar uma semana de estudos e homenagens prestadas a Emiliano Pernetta, o “Príncipe dos Poetas Paranaenses”. Em 27 de Janeiro de 1941, a Associação de Cultura José de Alencar passa a se denominar “Academia de Letras José de Alencar”. No mês de novembro, ocorre o falecimento de Hugo Simas. Em dezembro de 42, ocorre a eleição de nova diretoria.

História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

De 01.12.1940 a 06.12.1942. Posse em 19.12.1940 Presidente: Octávio de Sá Barreto Vice-Presidente:- Serafim França (renunciou em 27.01.1941, e é eleito em 17.02. Hugo Gutierrez Simas, toma posse em 03.03 até 27.10.1941, quando faleceu) 1º Secretário:- Breno Arruda 2º Secretário:- Ilnah P. Secundino de Oliveira

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UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

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Homenagem aos pracinhas em dois tempos, na época da guerra (acima), e hoje no Museu do Expedicionário (direita).


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Hist贸ria do Centro de Letras do Paran谩

1912-2012


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Histテウria do Centro de Letras do Paranテ。

1912-2012

GESTテグ

BRENNO ARRUDA 1942-1947

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Breno Arruda nasceu em 1889, no Rio Grande do Sul. Advogado especializado no Trabalho, foi também Presidente da Junta de Conciliação e Julgamento de Curitiba, Juiz do Trabalho, jornalista militante, atuou em Curitiba, aqui falecendo em 1954. Bibliografia: Orações Cívicas em louvor de Caxias, 1941; Em louvor da Bondade, 1942; Natureza e Destino da Justiça do Trabalho, 1944; O conceito de advogado de partido no direito do Trabalho, 1944; Lâmpada Votiva, 1946 – Orações proferidas durante sua gestão como Presidente do Centro de Letras; Aspectos e interpretações do Direito Social, em colaboração, 1946; Mandado de segurança, 1948;

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Factum Principis: Um caso concreto, em colaboração, 1954.

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De 06.12.1942 a 07.12.1944. Posse em 19.12.1942 Presidente:- Breno Arruda Vice-Presidente:- Oscar Martins Gomes (renunciou em15.08.1944, por ter sido eleito Presidente da Academia Paranaense de Letras) 1º Secretário:- Ilnah P.Secundino de Oliveira (renunciou por ter se mudado para o Rio de Janeiro e é eleito em 15.08.1944, Dicesar Plaisant) 2º Secretário:- Heitor Stockler de França

1º Tesoureiro:- Leonor Castellano 2º Tesoureiro:- Veríssimo Antônio de Souza 1º Orador:- Elias Karam 2º Orador:- Alceu Chichorro Bibliotecário:- Alcebíades Plaisant


“Em 1943 passa a vigorar o novo acordo ortográfico da Língua Portuguesa no Brasil” Em outubro de 44, a inclusão no Centro de novos intelectuais, entre eles Vasco Taborda e Francisco Raitani. Em Novembro, ingressam Helena Kolody e Pompília Lopes dos Santos. E, no aniversário do Centro, sessão magna para a posse da nova Diretoria, com a fixação, na Sociedade Thalia, de uma placa comemorativa onde nasceu o historiador Romário Martins. Tomam posse como membros do Centro, Bento Munhoz da Rocha Netto e Manuel de Oliveira Franco Sobrinho.

História do Centro de Letras do Paraná

A nova diretoria passa a ser a seguinte: De 07.12.1944 a 1946. Posse em 19.12.1944 Presidente:- Breno Arruda Vice-Presidente:- Elias Karam 1º Secretário:- Dicesar Plaisant 2º Secretário:- Carlos Gonzales 1º Tesoureiro:- Leonor Castellano 2º Tesoureiro:- Vasco Taborda Ribas 1º Orador:- Heitor Stockler de França 2º Orador:- Alceu Chichorro Bibliotecário:- Alcebíades Plaisant

1912-2012

O livro de Atas nº 4, passa do registro de 19.12.1944 (p.71) para 09.03.1948 (p.72 verso). Constava como Presidente Breno Arruda que renunciou, tendo assumido Dicesar Plaisant. Temos, então, o início do ano de 1948, com a posse da nova diretoria.

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História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

Prédio da Universidade do Paraná, pouco antes da sua federalização.

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História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

GESTÃO

RODRIGO JÚNIOR 1948

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João Batista Carvalho de Oliveira, cujo pseudônimo mais frequente, se tornou

seu nome literário, nasceu em Curitiba, em 10 de setembro de 1887, filho de Francisco Carvalho de Oliveira e de Amélia Ribeiro Carvalho de Oliveira. Estudou no Gimnasio Paranaense, atual Colégio Estadual do Paraná, e cursou, no Rio de Janeiro, as faculdades de Odontologia e Farmácia, obtendo o grau de Mestre. De volta a Curitba, exerceu a profissão de farmacêutico, e ingressou na Faculdade de Direito da Universidade do Paraná, bacharelando-se, em 1930. Dedicou-se, daí em diante, ao jornalismo e às letras. Participou ativamente dos movimentos literários da primeira metade do Século XX, em Curitiba. Sócio fundador do Centro de Letras do Paraná, foi seu Presidente, no biênio 1947-1948. Foi membro da Academia Paranaense de Letras, fundador da cadeira n.º 28, para a qual escolheu como patrono seu pai, Francisco Carvalho de Oliveira, também poeta, e que foi ocupada por Helena Kolody.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

“Rodrigo Júnior foi um tímido. Quem o conheceu com seu sorriso triste, entreabrindo a porta do velho casarão, na Rua Marechal Deodoro, não suporia que ali estava um homem invulgar, estudioso de literatura, crítico severo e amigo incomparável de duas gerações de poetas e prosadores do Paraná.

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Recebeu, por mais de trinta anos todos os escritores de sua amada terra. Centralizava a colaboração para jornais e revistas, enviando para serem publicadas as produções dos moços.” (América Sabóia –l976) Gostava de escrever sob diversos pseudônimos, dos quais o Dr. Wilson Bóia, no seu premiado ensaio, “Rodrigo Júnior”, relata mais de 40, entre eles, os curiosos “Aracy Martins” e “Stelinha”.


Mantinha recortes de poesias suas e de seus amigos coladas nos Livros-Caixa velhos de farmácia, o que me proporcionou a coleta de quase duzentas peças poéticas líricas e satíricas, humorísticas, predominando sonetos. Faleceu em Curitiba, dia 8 de junho de 1964. Sua bibliografia é extensa, sobressaindo-se: Estrela d’Alva, 1905; Pela Noite da Vida; Anthologia Paranaense com Dicesar Plaisant, 1938; Sonetos Paranaenses, antologia, 1953; Palavras ...leva-as o vento, com o pseudônimo de “João de Curitiba”.

De 09.03.1948 a 15.12.1948. Posse em 09.03.1948 Presidente:- Rodrigo Júnior (João Baptista Carvalho de Oliveira) Vice-Presidente:- Glaucio Bandeira 1º Secretário:- Carlos Gonzales 2º Secretário:- Ciro Silva

1º Tesoureiro:- Leonor Castellano (renunciou em 15.11.1948, não sendo aceita a renúncia). 2º Tesoureiro:- Graciete Salmon 1º Orador:- Dicesar Plaisant 2º Orador:- José Gelbecke Bibliotecário:- Vasco Taborda Ribas

História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

(Biografia e Antologia, org. Paulo Roberto Karam).

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Sob a presidência de Rodrigo Júnior, são marcados os acertos iniciais para a construção de uma sede própria para o Centro, que tiveram lugar na Associação Médica do Paraná. Ocorre o falecimento de Euclides Bandeira. Com a reforma estatutária, foi criada a Comissão de Publicidade, para a qual foram eleitos Saul Lupion de Quadros e Maria Nicolas e o Conselho Social e Literário, integrado por Aluízio França, Arion Niepce da Silva e David Carneiro. Os festejos, por ocasião do aniversário de Curitiba, contaram com um brilhante discurso de David Carneiro, que mereceu registro nos anais do Centro, conforme ata de 6 de abril. Ainda nesse mês, aconteceu reunião interna da diretoria, para tratar do acervo literário do Centro, quando de sua transferência da Assembleia Legislativa para a Rua Riachuelo.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Em 3 de Setembro de 1948, ocorreu nova reforma dos estatutos do Centro, tendo acontecido as posses de novos sócios: Erasmo Pilotto, Emilio Sounis, Alô Guimarães, Lauro Scheleder, José Mugiatti Sobrinho, Orlando Lobo, Felício Raitani Netto, Durval Borges, Nelson Saldanha de Oliviera, Rui Noronha de Miranda, Valfrido Pilotto, José Loureiro Fernandes, Rozala Garzuze, Castro Velozo, Homero Braga, Cid Cercal e Hermano Machado.

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O ano de 1948 se encerra com a comemoração do 30º dia do falecimento do historiador Romário Martins e a aprovação de aluguel de uma sala, no Banco Nacional do Comércio, para servir de sede, até junho de 1950. É eleita nova diretoria.

Vista a partir da Catedral, com a Praça Tiradentes em primeiro plano.


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Hist贸ria do Centro de Letras do Paran谩

1912-2012


218 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

GESTÃO

GLÁUCIO BANDEIRA 1948-1949

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Glaucio Ferrante da Mota Bandeira e Silva, filho de Euclides Bandeira, o

fundador do Centro de Letras do Paraná, e de Joanina Ferrante Bandeira e Silva, também escritora de fina sensibilidade, nasceu em Curitiba, em 17 de agosto de 1915. Fez os preparatórios em Curitiba e formou-se na Faculdade de Medicina, especializando-se cardiologista e endocrinologista. Cronista de “O Dia” e radialista da Rádio Guairacá, ZYM-5. Casou-se, em 27 de dezembro de 1939, com Maria Rosa de Oliveira Franco. Presidente do Centro de Letras do Paraná em 1948, empolgava-se com o programa de reorganização e revitalização deste Sodalício, quase apagado, que ele logrou restabelecer como entidade atuante. Foi presidente do Centro de Letras do Paraná em mais duas ocasiões. Foi fundador e primeiro presidente da SOBRAMES - Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, fundada em São Paulo, em 26 de abril de 1965. Faleceu em 20 de dezembro de 1974. Bibliografia: Além dos artigos de sua área de atuação, a medicina, publicou uma biografia de seu pai, Euclides Bandeira, 1954;

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Fatos e Documentos, 1955, - subsídios para a história do Centro de Letras;

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Recolta de Emoções, 1958, Crônicas publicadas no “O Dia”, em 1951 e transmitidas pela Rádio Guairacá, no mesmo período; América de Relance, 1958; Publicou de seu pai, A Pequena Terra, 1957.


Em 2005, o Dr. Luiz Alberto Fernandes Soares, então presidente da SOBRAMES, escreveu e publicou um livro de recordação e biográfico denomionado Gláucio Bandeira - O Primaz da Terra das Araucárias.

No ano de 1949, mês de junho, é assinalado o falecimento de Arion Niepce da Silva e Viríssimo de Souza; a diretoria recebe, no aeroporto Afonso Penna, as misses Brasil e do Paraná; homenagens a Tasso da Silveira, que visita a Capital; falece Ildefonso Serro Azul. Em agosto, é registrada a lei municipal 191, de 22/8/49, que institui o prêmio de dez mil cruzeiros à melhor obra literária do ano. Em novembro, homenagem a Rui Barbosa.

1912-2012

Bibliotecário:- Dario Nogueira dos Santos (renunciou em 18.05.1949, sendo eleito Altivo Ferreira) Comissão de Publicidade (Imprensa) José Mugiatti Sobrinho Nelson Saldanha de Oliveira Comissão Social e Literária Rodrigo Júnior Manoel Lacerda Pinto Vasco Taborda Ribas Wilson Martins

História do Centro de Letras do Paraná

De 15.12.1948 a 18.05.1949. Posse em 19.12.1948 Presidente:- Glaucio Bandeira (renunciou em 01.04.1949) Vice-Presidente:- Leonor Castellano (no exercício da Presidência de 01.04.1949 a 1950) 1º Secretário:- Pompília Lopes dos Santos 2º Secretário:- Arion Niepce da Silva (renunciou, sendo eleito em 25.06.1949 Dario Nogueira dos Santos) 1º Tesoureiro:- Maria Nicolas 2º Tesoureiro:- Saul Lupion de Quadros 1º Orador:- Raul Rodrigues Gomes 2º Orador:- David Antônio da Silva Carneiro

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Em dezembro, o resultado do “Concurso de Livros” e a concessão do Título de Sócio Benemérito ao Governador Moisés Lupion. São admitidos novos sócios: Welcior Matana Villa, Adriano Carlos Robine, América da Costa Saboia, Antônio Chaubaud Biscaia, Ernani Santiago de Oliveira, Faustino Fávaro, Faris Antônio Michaelis, Francisco Castellano Netto, Frederico Faria de Oliveira, Joaquim de Almeida Peixoto, José Ericksen Pereira, José Augusto Gommy, José Pereira de Macedo, José Rocha Faria, Odila Portugal Castagnoli, Osvaldo Pilloto, Reinaldo Dacheux Pereira, Reinaldo Ribas Silveira, Pedro Sthengel Guimarães e Pórcia Guimarães Alves. É publicado o resultado do concurso de livros, com os vencedores. O Centro delibera que qualquer membro da Diretoria presente à reunião pode presidi-la; institui um “Concurso de Livros”, inaugura uma “Galeria da Saudade” e em maio houve palestra de David Carneiro sobre o episódio “Cormoran”, ocorrido nas proximidades da Ilha do Mel, em 1º de junho de 1850. Em maio, a eleição de nova diretoria.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Passeio Público.

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224 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


1912-2012

1949-1952 Histテウria do Centro de Letras do Paranテ。

GESTテグ

LEONOR CASTELLANO

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Leonor Castellano nasceu em Curitiba, a 25 de outubro de 1899, filha de

Francisco Castellano e de Francisca Vienowski Castellano.

“Foi sua vida um contínuo criar e repartir. Nunca a vimos senão às voltas com um trabalho meritório, o socorro a um ser desvalido, a valorização de uma pessoa. Tarefas da luz: aquecer, animar, projetar. E nessa missão em que se empenhou, esqueceu de si própria. Leonor Castellano foi, sempre, mulher de ação e de arrojadas iniciativas. Suas conquistas resultaram de muita perseverança e energia. Lutadora incansável, não media esforços quando se tratava de atingir as metas de trabalho, fossem elas quais fossem. Lider eficiente e dinânica, como presidente do Centro de Letras do Paraná, de 1949 a 1952, e do Centro Paranaense Feminino de Cultura, a partir de 1952.” (Vera Vargas – de jornal). Quando na presidência do Centro de Letras, obteve do prefeito de então a seção de um terreno na rua Loureiro Fernandes, onde foi construída a sede do Centro de Letras.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Na Academia Paranaense Feminina de Letras, Leonor Castellano é patronesse da cadeira nº 16, que tem como fundadora Vera Vargas, e atualmente está vaga.

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Foi chefe de Secção na Secretaria da Fazenda, Secretária da Procuradoria Geral do Estado, reorganizadora da Secção de Documentação Paranaense na Biblioteca Pública do Paraná, e funcionária pública, aposentada, depois de 39 anos de profícuo serviço prestado ao Estado.


Literariamente se dedicou ao gênero romance, escrevendo Marysa, em 1936, e, desde então, publicando discursos, biografias (Figuras de Onten e de Hoje), perfis, hagiografias e suas memórias que permanecem inéditas. Participou do Soroptimismo Internacional, na Comissão governadora da Academia Riograndense de Letras, onde era também Membro de Honra e na qual ganhou a “Rosa da Amizade”, daquela entidade. Bibliografia: Marysa, romance, 1936; Discursos; Santo Agostinho; Mensagem de Santa Clara de Assis às Mulheres; Figuras deOntem e de Hoje; O Anjo Bom; Tertúlias Centristas; História do Centro Feminino, Memórias, inédito;

Coordenou e levou à edição, em 1953, uma alentada antologia, Cem anos de Poesia, em que supriu uma antiga necessidade nas nossas letras, pois nela foram publicadas as poetisas do Paraná em ordem cronológica, desde Júlia da Costa até as mais novinhas da época. Faleceu em Curitiba, em 13 de janeiro de 1969.

Posse em 19.12.1950

História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

Roteiros da vida Cristã, Do meu Bazar.

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De 19.05.1949 a 11.12.1952. Chapa Centro de Letras do Paraná. Posse em 19.12.1950. Presidente:- Leonor Castellano Vice-Presidente:- David Antônio da Silva Carneiro 1º Secretário:- Alcyone Morais de Castro Veloso 2º Secretário:- Nelson Saldanha de Oliveira 1º Tesoureiro:- Saul Lupion de Quadros 2º Tesoureiro:- Francisco Pereira da Silva 1º Orador:- José Gelbecke 2º Orador:- Elias Karam Bibliotecário:- Ruy Noronha de Miranda (renunciou, sendo eleito Odilon Tavares de Oliveira)

Comissão de Publicidade (Imprensa) Vasco Taborda Ribas Emílio Leão de Matos Sounis -Comissão Social e Literária Gilberto Beltrão Raul Rodrigues Gomes Glaucio Bandeira Maria Nicolas -Redatores da Revista Rodrigo Júnior Leonor Castellano

DÉCADA DE 1950 A década tem início a quatro de janeiro, com as homenagens póstumas ao poeta Silveira Netto e a Pâmphilo d’Assumpção, duas grandes expressões do Centro. Oscar Martins Gomes aproveita o ensejo para rememorar a evolução cultural de nossas lideranças antigas, conclamando os jovens para que se espelhem em tão notáveis exemplos. A sessão contou com a presença do Deputado Federal Aramis Athayde, que fez uso da palavra. UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Em fevereiro, a inclusão no Centro de Daisy Luiz Wambier e Dr. Silva Araujo.

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No mês de maio, Elias Karam é designado para representar o Centro, nas homenagens que o Círculo de Estudos Bandeirantes prestaria à figura de Dom Ático Euzébio da Rocha, pouco antes falecido.


Na continuidade, ocorre reunião da diretoria para tratar de diversos assuntos, sendo o primeiro deles a confirmação de Leonor Castellano como Presidente; na função de secretário ad hoc, Emilio Sounis; a confirmação de menção honrosa a Péricles Busnardo, na categoria “Romance”, com a nota 6,13; a notícia da autorização do Governador Moysés Lupion para a impressão de seis obras, na Imprensa Oficial, bem como o pagamento da subvenção anual no valor de vinte mil cruzeiros; estabelecer a padronização das menções honrosas e numeração uniforme de todos os livros editados pelo Centro; a exclusão do Centro, a pedido, de Altino Ferreira e a inclusão de novos sócios: Daisy Luiz Wambier e Silva Araujo. No mês seguinte, o Centro apela ao Governador Moisés Lupion para que interceda junto à prefeitura para a cessão de um terreno destinado à construção de sua sede própria. Em junho, Anete Macedo louva as características da autêntica feminilidade; no mês de julho, a inauguração, na ABL, das hermas de Emílio de Menezes e Rocha Pombo. Falece Leôncio Correia. O segundo semestre é dedicação à publicação de diversas obras.

Foram intensos os trabalhos administrativos realizados no mês de março, cabendo destacar a obtenção de quatro armários pertencentes ao Colégio Estadual, para abrigar livros pertencentes ao Centro; o recebimento de vinte mil cruzeiros, como subvenção do governo do Estado; providências pela impressão, pela Prefeitura de Ponta Grossa, do livro de poesias de Maria Cândida de Jesus Camargo, recentemente falecida; as homenagens à poetisa uruguaia Asinor Muratori, em visita de intercâmbio cultural.

História do Centro de Letras do Paraná

Destacaram-se no período: Deputado Estadual Júlio Rocha Xavier; Dr. Lineu do Amaral, prefeito da Cidade; Leonor Castellano, liderando nova chapa para as eleições próximas; Desembargador Lacerda Pinto, Presidente do Tribunal de Justiça.

1912-2012

O mês de Novembro de 1950 foi marcado por intensas atividades literárias, nas três reuniões que ocorreram, marcando, de forma indelével, o entusiasmo que contaminou a Diretoria e os integrantes do Centro, pela publicação e distribuição de livros, projetos para a obtenção de recursos públicos do Estado e da Prefeitura.

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No mês de abril, teve lugar a proposta apresentada pelos confrades Rodrigo Jr. e Gilberto Beltrão, de concessão do título de sócio benemérito ao ex-governador Carlos Cavalcanti, pelo apoio que ele deu ao Centro; a decisão foi que ela seria levada à consideração, na primeira Assembleia Geral. Por proposta da Presidente, uma das estantes de livros do Centro passou a se chamar “Estante Moisés Lupion”, em reconhecimento às doações monetárias que ele autorizou. Foi transcrita em ata a carta que o confrade Raul Gomes encaminhou à Presidente do Centro, justificando sua posição quanto às notas consignadas na categoria ”contos”. Diversos acontecimentos tomaram a atenção do Centro de Letras: em primeiro lugar, a audiência da presidente com o Governador do Estado, na qual S. Exª reafirmou o propósito de mandar imprimir as obras nomiadas no concurso, bem como se interessou pelo problema da construção de uma sede para o Centro. Este se associa ao Círculo de Estudos Bandeirantes, nas homenagens póstumas pelo falecimento do Arcebispo de Curitiba, Dom Ático Eusébio da Rocha. Maria Nicolas publica as suas Páginas Escolhidas, e é cumprimentada por sua participação no programa radiofônico “Hora Literária” da Rádio Guairacá, às segundas e quintas-feiras.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

David Carneiro sugere o nome de Alcebiades Plaisant como titular de uma das estantes da Biblioteca, o mesmo fazendo Gláucio Bandeira, com o nome de Carlos Cavalcanti.

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Erasmo Pilotto, confrade e Secretário de Educação, sugere, como sede do Centro, um local próprio; após discussões, ficou deliberado que, em conjunto, todos os integrantes do Centro iriam ao governador solicitar a doação de um terreno, pela Prefeitura Municipal, no qual se pudesse construir a sede própria do Centro de Letras. David Carneiro se propõe a fazer a planta arquitetônica e Raul Gomes se apressa em conseguir tijolos e telhas.


1912-2012 Hist贸ria do Centro de Letras do Paran谩

Primeira proposta arquitet么nica para a primeira sede pr贸pria do Centro de Letras.

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A reunião do Centro, no começo de junho, consistiu na confirmação do pedido que tinha sido feito ao governador, para que intercedesse junto à Prefeitura pela doação de um terreno de sua propriedade, no perímetro urbano, no qual se pudesse erguer a sede do Centro. Maria Nicolas propõe uma sessão especial, em homenagem à educadora Anete Portugal Macedo, pela sua aposentadoria; Gilberto Beltrão foi designado para presidi-la. Tal sessão solene teve lugar no dia 18, com grande número de participantes. Ao final do mês de julho, uma comissão formada pelos confrades Davi Carneiro, Gilberto Beltrão, Raul Gomes, Vasco José Taborda, Leonor Castellano e Emilio Sounis reivindicou, junto ao Sr Prefeito, a doação de um terreno onde fosse erguida a sede do Centro de Letras. Neste mesmo mês, o Centro recebe a notícia do falecimento de Leôncio Correia. Os originais que estavam na Imprensa Oficial para serem impressos são transferidos para a impressora da Escola Técnica de Curitiba, que se prontificou a editá-los até o final do ano, segundo informação da Presidente. No Largo do Machado, no Rio de Janeiro, teria lugar, próximamente, a inauguração das hermas dos imortais paranaenses Emílio de Menezes e Rocha Pombo, em cuja cerimônia a representação do Centro ficaria a cargo de Francisco Leite.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Gláucio Bandeira elogia Emilio Sounis pela sua dedicação ao programa radiofônico do Centro, na rádio Guairacá.

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A ata do mês de agosto registra os intensos esforços da Diretoria do Centro para concretizar a impressão dos livros vencedores em concursos do ano anterior, tendo sido dado um sinal de pagamento à Escola Técnica de Curitiba para que efetivasse o compromisso da impressão dos livros: Cigarra, de Luíza Stendel Iversen; Velas Pardas, de Aluízio Ferreira de Abreu; Cômoros de Areia, de Elias Karan e O Guarani, de Francisco Pereira da Silva. A Editora Guaíra, de Juril Plácido e Silva, e a Impressora Paranaense, dos irmãos Scherappe, assumem a impressão dos livros respectivos: Incompreensão e O Milho das Almas.


Rodrigo Júnior pede a sua demissão como sócio do Centro; a ata registra também os intensos esforços da Diretoria para que a Prefeitura e a Câmara Municipal insiram, no orçamento do ano vindouro, uma subvenção de cento e dez mil cruzeiros, em favor do Centro, conforme autorização da Lei Municipal 203, de 1º de setembro de 1949; a presidente, com sua doação pessoal para a edição do livro Acordes, torna-se sócia benemérita do Centro, nos termos estatutários. No início de setembro, reuniu-se a Diretoria do Centro, para tratar das providências relativas à distribuição dos livros recém-impressos, ficando decidido que isto seria feito através de uma sessão solene, no final do mês, sendo orador oficial o Dr. Raul Gomes; isto de fato se deu no dia 26 de setembro, quando então o Centro, engalanado de flores naturais, homenageou os autores das obras vencedoras.

Maria Nicolas se destaca como dedicada tesoureira, tendo merecido os elogios de todos. No dia 19, os tradicionais festejos por mais um aniversário do Centro. O ano de 1951 tem início com a programação das homenagens pela passagem do trigésimo ano de falecimento de Emiliano Pernetta, a ter lugar no dia 23; a presidência do Centro comunica a concessão de subvenção de trinta mil cruzeiros por parte do governo estadual e de mais cinco mil, do governo federal, por iniciativa do Deputado Lauro Lopes.

História do Centro de Letras do Paraná

Registra-se a eleição de Francisco Leite para a Academia Carioca de Letras; Vasco Taborda propõe que seja erguida uma Galeria da Saudade para todos os patronos do concurso de livros, composta pelos seguintes confrades: Alcides Munhoz, Romário Martins, Clemente Ritz, Leite Júnior, Santa Rita Júnior, Ricardo de Lemos, Ismael Martins, Domingos Nascimento, Ildefonso Serro Azul e José Cadilhe; Gláucio Bandeira propõe uma Galeria Paranaense de Historiadores, que incluísse ainda os nomes de Rocha Pombo, Ermelino de Leão e Francisco Negrão.

1912-2012

Na reunião de outubro, ficou decidido que a entrega das restantes obras vencedoras, de Elias Karan e Aluízio Ferreira, teria lugar no Club Curitibano e na Sociedade Thalia, respectivamente.

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Ruy Noronha solicita sua demissão do cargo de bibliotecário e Nelson Saldanha foi escolhido como titular dos “encargos jornalísticos”. Em março, aceleram-se as démarches para encontrar um terreno que servisse de sede para o Centro; a sede social era na rua Marechal Floriano Peixoto, 113, 1º andar, sala 6. No transcurso do mês de fevereiro, teve início a realização das Sessões Literárias, nas quais diversos escritores e poetas puderam apresentar suas resenhas e suas poesias. No mês de março, por iniciativa de Gláucio Bandeira, têm início as tratativas sobre a doação de um terreno onde pudesse ser erguida a sede própria do Centro; coube ao vereador Oswaldo Bittencourt o encargo de apresentar o projeto ao Legislativo Municipal; David Carneiro propõe que as atividades do Centro sejam agrupadas nos seguintes temas: 1) Letras; 2) Folclore; 3) História. Forma-se a constituição da comissão encarregada da edificação da nova sede: Gláucio Bandeira, Leonor Castellano, David Carneiro, Maria Nicollas, Emílio Sounis, Gilberto Beltrão, Elias Karan e Francisco Pereira da Silva.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Alcione Velozzo propõe o erguimento de um monumento ao índio Guairacá, numa das praças da Capital.

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Surge um “Livro de Ouro”, com as contribuições voluntárias dos sócios do Centro, para angariar fundos para a construção. O mês termina com as homenagens na “Galeria da Saudade” à memória de Alcides Munhoz, Romário Martins e José Maria de Paula, nas quais os filhos e parentes dos homenageados tiveram participação ativa. Na ocasião, o Centro recebe novos sócios: Clementino de Alencar, Emília Dantas Ribas, Enói Renê, Hellê Velozo Fernandes, Inácio Bugão, Maria do Carmo S. Sounis, Odilon Tavares de Oliveira, Sebastião Izidoro Pereira e Yone Peixoto. A Lei Municipal nº 316, de 13.03.1951, da Câmara Municipal de Curitiba, cedeu um terreno de sua propriedade com frente para a Rua Visconde do Rio Branco, destinado à construção de sua sede social. Em agosto, o governador manda dar início à construção, liberando a verba correspondente.


História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

Diretoria do Centro de Letras recebe o Governador Bento Munhoz da Rocha em razão dos preparativos da construção da nova sede.

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No transcurso do mês de abril, o Centro se dedicou à comemoração das datas referentes ao “Dia Panamericano” e “Dia de Tiradentes”. Também estiveram com o governador do Estado, Bento Munhoz da Rocha Netto, para reivindicarem a liberação da subvenção de cem mil cruzeiros. No mês de maio, a ata registra a homenagem prestada ao ministro sírio, Omar Bey Richeh, em conjunto com a Academia Paranaense de Letras, Instituto Histórico e Geográfico e Círculo de Estudos Bandeirantes e que tiveram lugar no salão nobre da Universidade Federal do Paraná, no dia 24 de Abril . No dia 17, teve lugar a palestra do Prof. Dr. Leonildo Ribeiro, da Universidade do Brasil, que discorreu sobre a vida e a obra de Afrânio Peixoto, sendo muito aplaudido. O mês se encerra com a apresentação de inúmeras obras inéditas dos centristas. No mês de julho, o Centro de Letras realiza uma excursão a Paranaguá, ao ensejo das comemorações do 303º aniversário daquela cidade, quando prestaram uma homenagem a Júlia da Costa. O mês de agosto de 1951 marca a autorização do Governador do Estado para que o Centro inicie imediatamente a construção de sua sede própria, estando já mobilizado o confrade Gláucio Bandeira. Em visita ao Centro, o arquiteto Ernesto Guimarães Máximo se dispõe a fazer a planta do prédio, dando assistência à construção, sem ônus para a Entidade, o que foi muito bem recebido.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

O mês de setembro assinala o pedido de licença, por três meses, da Presidente Leonor, para tratamento de saúde, tendo assumido a presidência interina o confrade David Carneiro.

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É apresentado o desenho da fachada da futura sede. O ano de 1951 termina com diversas atividades literárias, a admissão de novos sócios, bem como o retorno de Leonor Castellano, após seu restabelecimento, nas funções de presidente. A sessão solene pela comemoração de mais um aniversário do Centro teve lugar no salão nobre do Clube Curitibano, no dia 18, tendo contado com a presença das mais altas autoridades públicas do Estado, o que refletia o prestígio da Confraria, diante da sociedade paranaense.


Em dezembro, na sessão magna, são empossados os novos intelectuais: Augusto Waldrigues, Benedito Nicolau dos Santos Filho, Evaristo Chalbaud Biscaia, Eurides D. Ferreira, Mary Camargo, Maria G. Freitas, Orlando Soares Carbonar, Tito Pereira e Virgílio Moreira.

Lançamento da pedra fundamental da nova sede.

História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

Ao início do ano de 1952, o Centro realiza, no mês de janeiro, uma reunião administrativa, com vistas a atualizar a correspondência e colocar em dia os diversos assuntos pendentes. Na assembleia geral, que teve lugar no mês de fevereiro, com aprovação unânime, foi instituída uma Comissão Bibliográfica encarregada de comentar e divulgar as obras de poetas e escritores paranaenses, formada pelos seguintes centristas ilustres: Rodrigo Júnior, David Carneiro, Gilberto Beltrão, Pedro Saturnino, Milton Condessa, Pompília Lopes dos Santos, Hellê Vellozo Fernandes, Emilia Dantas Ribas, Helena Kolody, Maria Nicollas, Odilla Portugal Castagnolli, Maria do Carmo Sounis, José Rocha Faria, Cid Cercal, Francisco Pereira da Silva, Odilon Tavares e Leonor Castellano.

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É criada igualmente uma Galeria dos Benfeitores, na qual constaram os nomes das pessoas e das instituições que tinham contribuído para o engrandecimento do Centro: Assembleia Legislativa do Estado; Câmara Municipal de Curitiba; Erasto Gaertner, prefeito da capital; Amâncio Moro, ex-prefeito; Wallace Tadeu de Mello e Silva, ex-prefeito; Olavo das Chagas Correia, Diretor da Fazenda Municipal; Ernesto Guimarães Máximo, arquiteto; Manoel Alberto Munhoz e José Bittencourt de Paula. A comissão encarregada da construção da nova sede recebe plenos poderes para agir. São prestadas homenagens a Emiliano Pernetta, por ocasião de mais um aniversário de seu falecimento. São elevados à categoria de sócios beneméritos: Bento Munhoz da Rocha Netto, Rodrigo Júnior, Virgílio Moreira e Leocádio Correia, bem como aqueles que contribuíram, de uma só vez, com a quantia estipulada de mil cruzeiros. Em fevereiro, o Centro cria a “Galeria dos Benfeitores”, integrada pela Assembleia Legislativa, Câmara Municipal, Erasto Gaertner, prefeito, Amâncio Moro e Wallace Tadeu de Mello e Silva, ex-prefeitos; Olavo das Chagas Correa, Ernesto Guimarães Máximo, Manoel Alberto Munhoz e José Bitencourt de Paula. Em 29 de |março de 1952, é lançada a pedra fundamental da sede, segundo a planta do Dr. Ernesto Guimarães Máximo e Dr. David Azambuja, tendo como Presidente da Comissão pró-construção Gláucio Bandeira e mais: Leonor Castellano, David Carneiro, Maria Nicollas, Emílio Sounis, Gilberto Beltrão, Elias Karam e Francisco Pereira da Silva. A construção foi feita sob os auspícios do Governo do Estado. No mês de maio, são registrados inúmeros donativos pessoais e empresariais, em benefício da construção.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Em junho, o Centro assinala a criação do “Centro Indigenista Paranaense”; em agosto, tem lugar a “Festa da Cumieira”, com grande número de presentes.

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No mês de outubro, sessão solene para homenagear o governador Bento Munhoz da Rocha Netto, no auditório do Colégio Estadual do Paraná; no mês de novembro, discute-se sobre a prorrogação dos mandatos dos atuais diretores do Centro, tese que acabou vencendo, em escrutínio interno, mas não aceita por Leonor Castellano. No mês de abril, o Centro reconhece o jornal “O Dia” como seu porta-voz oficial, pela maneira desprendida e patriótica com que divulga as notícias do Centro.


Maria Nicollas se dispõe a viajar pelo interior do Estado, tentando conseguir, junto às Prefeituras, auxílios destinados à construção da nova sede. O mês seguinte é marcado pela proposta de realização do 1º Congresso de Escritores do Paraná, com a simultânea Exposição de Livros Inéditos, ao qual aderiram todas as instituições literárias do Estado. A Comissão pró-construção da sede apresenta relatório das diversas doações de pessoas e firmas que estão colaborando. Proposta para que duas salas da futura sede sejam denominadas “Sala Presidente Leonor Castellano” e “Sala Dr Gláucio Bandeira”. O ex-presidente do Estado, Caetano Munhoz da Rocha, passa a ser reconhecido como um dos benfeitores do Centro, por tê-lo reconhecido de utilidade pública. O mês se encerra com as homenagens à memória de Claudino dos Santos, um dos sócios fundadores do Centro. O mês de junho foi marcado por uma Assembleia Magna que teve lugar no salão nobre do Colégio Estadual do Paraná, com a finalidade de premiar diversos escritores da Casa: Hellê Vellozo Fernandes, Clementino de Alencar e Maria do Carmo Silva Sounis.

Realiza-se a Festa da Cumieira, em confraternização com os operários e técnicos que estavam construindo a nova sede, em companhia dos sócios do Centro e seus familiares. São programadas homenagens a Rachel Prado, por todas as instituições culturais do Estado, quando da inauguração da placa que conteria o nome da rua denominada em sua memória. Sua Ex.ª, O Arcebispo de Curitiba, D. Manoel da Silveira Delboux, manifesta, através de ofício, o desejo de que a letra com o hino do 1º Congresso Eucarístico Paranaense seja de autor local.

História do Centro de Letras do Paraná

O mês de agosto marca a concessão ao Dr. Bento Munhoz da Rocha Netto do título de Benemérito e Honorário, pelos relevantes serviços prestados ao Centro de Letras do Paraná.

1912-2012

A reunião do mês de julho foi apenas de âmbito administrativo, cuja ata demonstra as intensas atividades desenvolvidas pelo Centro, no momento em que prosseguem as obras da construção da nova sede.

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A assembleia geral do mês de setembro foi fértil em providências administrativas, tendo em vista os novos encargos surgidos com o término da construção da nova sede; assim, foi criado um Conselho Financeiro e tomadas providências quanto ao funcionamento normal do Centro; abre-se concorrência para o aluguel das lojas. A obra História da História do Paraná, de autoria de David Carneiro, seria publicada com o auxílio financeiro do Centro. São excluídos do Centro, por votação, Dalton Trevisan e Valfrido Pilotto, com base nos artigos 26 e 31 dos Estatutos (depois, ambos foram readmitidos). O mês de outubro assinala a realização da Sessão Magna em homenagem ao Governador, Bento Munhoz da Rocha Netto, no auditório do Colégio Estadual do Paraná, na qual estiveram presentes não só as demais entidades culturais de Curitiba, como também todas as autoridades representativas do Poder Público.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

O mês seguinte foi dedicado à discussão sobre a prorrogação do mandato da diretoria, não tendo sido aceita pela Presidente; assim, o mês de dezembro começa com a eleição de uma nova diretoria, saindo vitoriosa a chapa encabeçada pelo Dr. David Carneiro.

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1912-2012 Histรณria do Centro de Letras do Paranรก

Revista do Clube Curitibano com homenagem ao aniversรกrio do Centro de Letras do Paranรก.

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242 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


Histテウria do Centro de Letras do Paranテ。

1912-2012

GESTテグ

DAVID S. CARNEIRO 1952-1954

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David Antônio da Silva Carneiro nasceu em Curitiba, em 29 de março de

1904, filho do Coronel da Guarda Nacional e industrial de erva-mate, Davi Carneiro e de Alice Monteiro da Silva Carneiro, de tradicional família paulista. Fez seus primeiros estudos na Escola Americana de Curitiba, prosseguindo-os no Instituto Cesário Mota, em Campinas. Em 1917, seu avô regressou de Paris e o levou para o Liceu Francês, no Rio de Janeiro e, daí, foi para o Colégio Militar de Barbacena, em 1918, posteriormente para o Colégio Militar do Rio de Janeiro, onde, ao concluir o curso, foi laureado com medalha de ouro, prêmio Benjamin Constant. Então, alimentou o ideal de seguir a carreira militar, por pouco tempo, pois o episódio do levante do Forte de Copacabana e a execução dos Dezoito oficiais, entre os quais seu amigo Newton Prado, muito o traumatizou e foi decisivo na sua escolha profissional: fez-se engenheiro civil. Em 1924, o Dr. Davi Carneiro casou-se com Marília Suplicy de Lacerda, de conceituada família da Lapa. Positivista lúcido e convicto, diplomado em Engenharia Civil pela Universidade do Paraná, dedicou-se pouco tempo a essa profissão, pois o falecimento de seu pai o obrigou a assumir a direção do engenho de Erva-Mate, onde ficou até 1943.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Foi Presidente do Centro de Letras, no biênio 1952-53, que coincidiu com o período de construção da sede, “inaugurada” em 1953; teve a satisfação de receber a sede das mãos do Governador Bento Munhoz da Rocha Neto.

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Professor catedrático de Evolução da Conjuntura Econômica, no Curso de Economia.


Dedicou-se de corpo e alma ao estudo e pesquisa histórica, tendo, inclusive, formado um museu de história, a partir de 1928, versando seus livros, de um modo geral, sobre história do Paraná e do Brasil, nas suas pesquisas mais minuciosas. Poeta bissexto, suas poesias não foram reunidas em livro, encontrando-se esparsas nas antologias de Rodrigo Júnior, em 1938, e em jornais nos quais colaborava, principalmente na “Gazeta do Povo”, onde ultimamente mantinha uma coluna: Veterana Verba, de crônicas. No setor empresarial, dedicou-se também a construir dois cinemas, no centro de Curitiba, o Ópera, grandioso cinema no Edifício Eloísa, que também era dele, com entrada pela Avenida e o Cine Arlequim, com entrada pelo Largo Frederico Faria de Oliveira, além de outros cinemas pelos bairros: Guarani, no Portão. Por exemplo. Faleceu em Curitiba, em 4 de agosto de 1990.

Bibliografia: Sua bibliografia é muito extensa para este exíguo espaço, mas salientem-se: O Cerco da Lapa e seus Heróis, 1934, 2ª. u. 1991, Bibliex;

Paraná de Ontem e de Hoje, 1963; O Paraná na História Militar do Brasil, 1942.

História do Centro de Letras do Paraná

História do incidente do Cormoram, 1950;

1912-2012

O Paraná na Guerra do Paraguai, Bibliex, s. data;

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De 11.11.1952 a 05.12.1954. Chapa “Centro de Letras do Paraná”. Posse 19.12.1952 Presidente:- David Carneiro Vice-Presidente:- Leonor Castellano 1º Secretário:- Serafim França 2º Secretário:- Francisco Pereira da Silva (até 13.04.1953, quando assume a profª Emília Dantas Ribas, até 07.05.1954, após Enói Renée Navarro Swain) 1º Tesoureiro:- Alcyone Morais de Castro Veloso ( até 13.04.1953, quando assume Francisco Pereira da Silva) 2º Tesoureiro:- Emílio Leão de Matos Sounis 1º Orador:- Elias Karam 2º Orador:- Raul R.Gomes (até 13.04.1953, quando assume Alcyone Morais de Castro Veloso)

Bibliotecário:- Benedito Nicolau dos Santos Filho (em 10.06.1954, assume Enói R. Navarro Swain como 2ª Bibliotecária) -Comissão de Imprensa e Propaganda Rosy Pinheiro Lima José Rocha Faria -Comissão Social e Literária Pompília Lopes dos Santos José Gelbecke Heitor Stockler de França Oscar Martins Gomes -Comissão de Artes Wolf Schaia Eny Caldeira Raul Menssing Raquel Menssing

Em dezembro, é extinta a Comissão de Construção da sede e ocorre desagravo a Leonor Castellano, que recebe comovente homenagem.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Toma posse a nova diretoria, trazendo muitas inovações.

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Depois da exposição de Gláucio Bandeira sobre o andamento das obras, decide a assembleia extinguir a Comissão de Construção, ficando marcada a data de 29 de março de 1953 para as festividades de inauguração da nova sede, com a instalação simultânea do 1º Congresso Paranaense de Escritores e 1ª Exposição de Inéditos. No dia 19, data da emancipação política do Paraná e do 40º aniversário do Centro, realizou-se sessão solene no salão nobre do Instituto de Educação, com a posse solene da nova diretoria. O ano de 1953 começa com uma reunião da diretoria em sua sede provisória, no Banco Nacional do Comércio, na qual consta o registro da viagem do Presidente David Carneiro ao Chile, onde proferiria diversas conferências.


O mês de fevereiro registra o retorno de David Carneiro como presidente do Centro; assinala ainda o convite ao Sr Governador do Estado para que se digne participar da entrega solene das chaves do novo prédio, no dia de sua inauguração; cartas anônimas enviadas aos sócios requerem uma investigação da autoria de tão infausta iniciativa. A ata também assinala os preparativos para a inauguração do novo prédio, contendo ainda um extenso relatório das atividades ocorridas durante o período da presidente Leonor.

1912-2012 História do Centro de Letras do Paraná

Ocorre o falecimento do Dr. Vitor do Amaral, médico renomado; no dia 19, as tradicionais homenagens pelo aniversário de falecimento de Emiliano Pernetta, com declamação de seus versos. Em janeiro de 1953, o Centro recebe novos sócios: Maria Rozária Andery, Mariza Lira, Tasso da Silveira, Euclides de Mesquita, Euro Brandão, Maria de Lourdes Silva, Liguaru Espírito Santo, João Baptista Zagonel Passos, Orlando De Oliveira Mello, Estevão dos Santos, Otacílio Reis, Leonídia Correia, Corina Portes, Ary Florêncio Guimarães, Aníbal Ribeiro Filho, Maria Alba Mendes Silva, Oswaldo Nascimento.

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O mês de março assinala, no dia 17, as homenagens aos Drs. Elato Silva, Darcy Azambuja e Mozart Pinto, engenheiros responsáveis pela edificação da nova sede, que, afinal, é inaugurada no dia 29 de março, com a presença das mais altas autoridades do Estado e do Município. Foi, na ocasião, também instalado o 1º Congresso Paranaense de Escritores, promovido pelo Centro de Letras do Paraná, já ocupando a nova sede. Em 29 de março de 1953 (domingo), às 16h e 30min, foi inaugurada a sede própria na rua Fernando Moreira, construída às expensas do Governo EstadualBento Munhoz da Rocha Neto. Os móveis foram adquiridos com recursos obtidos por donativos dos sócios e em campanha popular.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Em maio, os ataques de Valfrido Pilotto no jornal “Gazeta do Povo” aos atuais dirigentes, são fortemente reprovados; o presidente e a vice do Centro constituem advogado, para acionar juridicamente contra o ex-sócio.

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1912-2012 História do Centro de Letras do Paraná

Vários Centristas participaram do magnífico projeto de modernização da capital Paranaense, dentre eles o Governador Bento Munhoz da Rocha (a direita), o engenheiro chefe Elato Silva (a esquerda), bem como o arquiteto David Azambuja (não presente na imagem).

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A nova sede começa a apresentar os primeiros defeitos. Em dezembro, a inauguração da nova biblioteca, com as estantes e seus patronos e Exposição de Originais Inéditos, como havia sido programado. O Dr. Gláucio Bandeira é conclamado a fazer a devolução do Livro de Ouro, contendo as diversas doações. Na continuidade, são fixados os valores dos aluguéis das lojas. O mês de junho assinala a identificação, pela Polícia, de duas cartas, uma anônima e outra com assinatura ilegível, que haviam sido enviadas ao Centro; o mês ocorre com a doação de diversos livros para a biblioteca do Centro; são confirmados os defeitos de infiltração no novo prédio. A partir do mês de julho, o Centro se prepara para participar das comemorações do 1º Centenário da Emancipação Política do Estado, reunindo os originais de diversos autores, para publicação. Entre eles: Benedito Nicolau dos Santos, Alcyone Vellozo, Ciro Silva, Durval Borges, Milton Condessa, Leonardo Henke, José Miranda de Castro, Reinaldo Ribas Silveira, Alcebíades Miranda, Francisco Pereira da Silva, Pompília Lopes dos Santos, Dario Nogueira dos Santos, Serafim Santos, Maria Nicolas, Graciete Salmon, David Carneiro, Leonor Castellano, Laertes Munhoz.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

O mês de agosto é reservado à prestação de homenagem ao fundador Euclides Bandeira, pela passagem do 6º ano de seu falecimento; já em setembro, temos o registro do projeto de lei do Deputado Guataçara Borba Carneiro, dispondo sobre uma verba de duzentos mil cruzeiros para custear as publicações das obras literárias comemorativas ao centenário.

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O mês de outubro assinala a recepção de novos sócios: Ary Florêncio Guimarães, Athos Moraes de Castro Vellozo, Carmen Cattapreta Wilhelm, Davi Azambuja, Elato Silva, Ernesto Guimarães Máximo, Joaquim Penido Monteiro, João Estevam dos Santos, Leonídia Vasconcelos Correia, Maria Alba Mendes da Silva, Tasso da Silveira, Maria da Luz Augusto, bem como de diversos sócios correspondentes. Finalmente, a 19 de novembro, o Centro comemorou solenemente o Centenário do Paraná, com a inauguração oficial de sua biblioteca.


História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

Obras no Centro Cívico e na Praça XIX de Dezembro.

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O ano de 1954 começa com a notícia do falecimento da sócia fundadora Georgina Mongruel, ocorrida a 26 de dezembro . A reunião de janeiro autoriza também a criação de uma galeria de ex-presidentes, a ser pintada a óleo. David Carneiro realizará viagem à Europa, com duração de três meses. No mês seguinte, no dia 2, falece Caio Gracho Machado Lima, sócio fundador do Centro; no dia 23, a inauguração da “Galeria Da Saudade”, com os seguintes sócios fundadores: Chichorro Júnior, Leite Júnior, Lisímaco da Costa, Dídio Costa, Clemente Ritz e Henrique Santa Rita. Na reunião do início do mês de março, Maria Nicolas oferece os direitos autorais de sua obra Vultos Paranaenses, pela quantia de vinte mil cruzeiros, tendo sido encaminhada ao tesoureiro, para apreciação de caixa. No dia 29, sessão solene para comemorar mais um aniversário da Cidade, contou-se com a participação de Alir Ratacheski, representando o Centro Acadêmico “Hugo Simas”, da UFPR. Os meses seguintes, de inverno rigoroso, tiveram suas reuniões voltadas para a memória e a divulgação de trabalhos inéditos dos centristas, sempre contando com boa frequência, aos sábados à tarde. O último sábado do mês de agosto não fugiu à regra, quando o Centro realizou uma grande sessão solene, uma “Festa da Saudade e de Arte”.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

O mês de setembro, ao início da primavera, o Centro realizou sessões de declamação poética, com variada participação de sócios e familiares. O mês de outubro contou com o acréscimo significativo do acervo da biblioteca, pela doação de diversas obras. No mês de novembro, o Centro decide pela extinção da cobrança de anuidades, nos termos estatutários, depois de apreciar o levantamento das contas e bens patrimoniais.

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É constituída comissão de centristas para compelir Gláucio Bandeira a devolver o Livro de Ouro, tendo o referido se negado, pretendendo fazê-lo apenas depois de eleita a nova diretoria. A decisão de Gláucio é reprovada por todos. No mês de dezembro, ocorre a eleição da nova diretoria e sua concomitante posse; ocorreram homenagens pelo falecimento de Mariana Coelho, professora e intelectual de reconhecida fama.


História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

Palácio Iguaçú em construção.

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254 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


1912-2012

1954-1956 Histテウria do Centro de Letras do Paranテ。

GESTテグ

LAERTES MACEDO MUNHOZ

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Laertes de Macedo Munhoz nasceu em Curitiba, em 19 de julho de 1900, filho

de Alcides Munhoz e de Ifigênia de Macedo Munhoz.

Em Curitiba, fez os cursos primário e secundário e o curso de Direito da Universidade do Paraná. Foi promotor público em diversas comarcas do Estado e de Curitiba e professor de Biologia Geral no curso pré-jurídico da Universidade, docente-livre de Direito Penal da mesma faculdade em que fez seu doutoramento, a 24 de junho de 1936. Político, foi deputado estadual, de 1934 a 1937 , cassado pelo Estado Novo, tornou à Assembleia Legislativa em 1947, pela União Democrática Nacional, da qual foi um dos líderes. Presidente do Instituto da Ordem dos Advogados do Brasil, Procurador Geral da Justiça e Advogado Geral do Estado. Presidente do Centro de Letras, no biênio 1954-56, que coincidiu com um período de consolidação da nova sede, “inaugurada um ano antes”. Na Academia Paranaense de Letras, foi o primeiro ocupante da Cadeira nº 11, fundada por seu pai, tendo como patrono, Alfredo Caetano Munhoz, seu avô, e atualmente ocupada por João Manoel Simões. “Orador inspirado, culto e eloquente, destacou-se no juri e na arena política consagrando-se dos melhores tribunos de seu tempo”.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

(Túlio Vargas).

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Poeta, suas produções em verso não foram coligidas em livro, permanecendo esparsas na Imprensa e nas antologias, como por exemplo, na do Rodrigo Júnior e Dicesar Plaisant, 1938. Faleceu em Curitiba, em 21 de dezembro de 1967.


Bibliografia: Suas obras versam, sobretudo, sobre o Direito, sendo as primeiras de ordem literária: Enredos fúteis, 1921- contos; Coroa de espinhos, 1921 – Contos; Veneno de Cobra, 1928-novela; Aspectos da vida literária de Alcides Munhoz; Elogio de Hugo Simas, 1949. Em 1957, Leonor Castellano publicou, pelo Centro de Letras do Paraná, Discursos e Perfis, abrangendo 42 peças, entre discursos e elogios de personalidades paranaenses.

Comissão Social e Literária David Antônio da Silva Carneiro Elias Karam Emílio Leão de Matos Sounis Enói R. Navarro Swain Diretores da Revista Leonor Castellano José Gelbecke Pompília Lopes dos Santos Rodrigo Júnior Serafim França Observação: As Atas de 16.12.1954 a 28.05.1955 e de 15.11.1955 a 06.12.1955 estão assinadas pela Vice-Presidente.

História do Centro de Letras do Paraná

Período de 05.12.1954 a 01.12.1956. Chapa “Centro de Letras do Paraná”- Posse em 16.12.1955: Presidente:- Laertes de Macedo Munhoz (esteve licenciado de 22.05.1956 a 17.10, assumindo a Vice Vice-Presidente:- Pompília Lopes dos Santos 1º Secretário:- Evaristo Chalbaud Biscaia (renunciou em maio de 1955) 2º Secretário:- Aurora da Silva Cury 1º Tesoureiro:- Francisco Pereira da Silva (renunciou em 15.06.1955) 2º Tesoureiro:- José Pereira de Macedo 1º Orador:- Ciro Silva 2º Orador:- Athos Morais de Castro Veloso Bibliotecário:- Leonor Castellano Comissão de Imprensa e Propaganda Virgílio Moreira Alcyone Morais de Castro Veloso

1912-2012

Nele, encontra-se o discurso que Laertes Munhoz proferiu, na inauguração do monumento da praça 19 de dezembro, em 1953.

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Foram designados auxiliares da Diretoria, em 13.11.1954, os Secretários: Gilberto Beltrão, Durval Borges, Leonardo Henke, Nelson Saldanha de Oliveira e Marita França; Oradores: Luiz Silva e Albuquerque, Rosy Pinheiro Lima, José Rocha Faria, Milton Condessa, Benedito Nicolau dos Santos; Bibliotecários: Graciete Salmon, Maria Nicolas, Leonidia Carneiro; Membros da Comissão de Imprensa e Propaganda: Marçal Maciel, Castellano Neto, João Sótero dos Santos, Augusto Waldrigues, Hellê Veloso Fernandes; Membros da Comissão Literária: Helena Kolody, Emília Ribas, América Saboia, Lígia Carneiro, Rosário Farani Mansur Guérios e Heitor Stockler de França. O ano de 1955 tem início com as preocupações quanto à segurança das dependências do Centro, bem como a franquia das instalações no período noturno, para que os intelectuais pudessem contar como local de frequência. É lançada a ideia da criação do Grêmio Cultural Júlia da Costa, que seria composto por sócias centristas, bem como por poetisas, jornalistas ou senhoras da sociedade que tivessem pendores literários. Foi escolhida presidente do grêmio a confreira Pompília Lopes dos Santos. No mês de março, a Diretoria toma inúmeras medidas para dinamizar os trabalhos do Centro, ao mesmo tempo em que contrata funcionário como responsável pela manutenção de seu funcionamento, o tesoureiro Francisco Pereira da Silva, com salário de mil e quinhentos cruzeiros. Xavier Jacob cede o uso de um piano de sua propriedade para ser utilizado no Centro, até que o mesmo possa adquirir um próprio. É noticiado o falecimento do confrade Brenno Arruda, ex-presidente do Centro.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

No mês de abril, o Centro realiza importante sessão literomusical, com a participação do prof. Fernando Correia de Azevedo.

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Em maio, a Diretoria aprova a realização de diversos cursos, taquigrafia, canto, ballet, esperanto, espanhol e alemão, ao mesmo tempo que inaugura os retratos, na Galeria dos Presidentes, de Octávio de Sá Barreto, Brenno Arruda, Gláucio Bandeira e David Carneiro.


Em junho, Leonor Castellano é colocada à disposição integral do Centro de Letras, pelo Procurador Geral do Estado. Em seguida, no mês de agosto, institui-se um “Livro de Ouro” para angariar fundos para a aquisição de um piano e, em setembro, são realizadas homenagens póstumas a Francisco Ribeiro de Azevedo Macedo, Celestino Júnior e Admaro Lustoza Munhoz. Realiza-se a FESTA DAS PORTAS, sessão de gala para homenagear poetas e escritores. O mês de outubro assinala o início de conferências sobre a “História da Poesia Paranaense” e em novembro, Durval Borges descreve o romantismo, na poesia paranaense. Ao final do ano, o Centro realiza sessão solene em homenagem a Tasso da Silveira, bastante concorrida e prestigiada. Na reunião de março de 1956, ficou registrado o falecimento de educadora Maria Ruth Junqueira; no final do mês, as homenagens ao aniversário de Curitiba.

A seguinte reunião, realizada no auditório da Biblioteca Pública, foi em memória e homenagem aos confrades Adolfo Werneck de Capistrano, Lucídio Correia Júnior e Telemaco Borba.

História do Centro de Letras do Paraná

No mês seguinte, são abertas, pela confreira Rosy de Pinheiro Lima, as propostas das firmas que participariam da concorrência para a venda da oficina de artes gráficas e ulterior deliberação; a situação da sede própria é precária, com rachaduras e vazamentos, o que sugere a sua pronta interdição temporária, dependendo do laudo dos engenheiros competentes.

1912-2012

No mês de maio, o Centro recebe a notícia, por projeto do Deputado Júlio Rocha Xavier, da doação, pelo Governo do Estado, de uma oficina de artes gráficas, a ser homologada pelo governador Moysés Lupion, que por isso receberia o título de Sócio Benemérito do Centro.

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No mês de junho, ocorre a avaliação entre os concorrentes ao fornecimento da oficina de artes gráficas, tendo sido vencedora a firma Editora Lítero-Técnica, de propriedade do Sr. Orlando Ceccon. No mês de julho, a comissão de engenheiros da SVOP do Estado recomenda que as reuniões do Centro sejam realizadas em outros locais, até que novos pareceres sejam emitidos. Falece Benedito Nicolau dos Santos. Rodrigo Júnior se interna, gravemente enfermo. O mês de agosto realiza sessão em, homenagem aos centristas recentemente falecidos: Benedito Nicolau dos Santos, Euripedes Branco e José Nogueira dos Santos. No mês de setembro, regozijo pelas propostas dos Deputados Federais Antônio Chalbaud Biscaia e Newton Carneiro, pela inclusão, no orçamento de 1957, de uma subvenção de duzentos mil reais para auxiliar nas publicações do Centro. Prosseguem as démarches pelas reformas da sede, pendendo agora de autorização direta do Sr. Governador. Leonor Castellano é escolhida gerente da “Editora Centro de Letras do Paraná”, nome que ela mesma dá à impressora recém comprada, mas cujo pagamento tem sido protelado pelo governo. O Departamento de Cultura do Estado comunica ao Centro a conclusão do Hino do Paraná, de autoria de Fernandina Marques. A assembleia geral do mês de outubro aprova o adiantamento, pelo Banco do Estado, da importância de cem mil cruzeiros, mediante a assinatura de notas promissórias.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

A Secretaria da Fazenda libera o pagamento de um milhão de cruzeiros para o pagamento da impressora.

260

Gláucio Bandeira devolve o “Livro de Ouro”.


O mês de novembro assinala a cerimônia de oficialização do Hino do Paraná, de autoria da confreira Fernandina Marques, conforme acolhimento, pelo governo do Estado, da solicitação do Centro a respeito. Os trabalhos foram dirigidos pelo Sr. Guido Arzua, diretor do Departamento de Cultura.

Primeiras reuniões na nova sede.

História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

O mês de dezembro assinala a realização de eleições para o seguinte biênio, sendo eleito Gláucio Bandeira como presidente do Centro; a posse ocorreu no dia do aniversário do Centro.

261


UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

262

Aspecto da capa da Revista do Centro de Letras do Paraná enfatizando a ultilidade pública da entidade.


1912-2012 Histรณria do Centro de Letras do Paranรก

Aspecto do miolo da Revista do Centro de Letras do Paranรก.

263


UM Sร‰CULO DE CULTURA PARANAENSE

264

Praรงa Rui Barbosa, local por onde circulavam eminientes centristas como o senhor Luiz Silva Albuquerque (ao centro).


GESTÃO

História do Centro de Letras do Paraná

SEGUNDO MANDATO 1956-1958

1912-2012

GLÁUCIO BANDEIRA

265


Sua segunda gestão, em 1956, foi a linha dominante do esforço coletivo, a restauração da Sede própria, com o retorno da sede social que estava provisoriamente na Biblioteca Pública.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

De 01.12.1956 a 01.12.1958. Chapa “Centro de Letras do Paraná” Posse em 19.12.1956 Presidente:- Glaucio Bandeira (de 04.07 a 13.09.1957 esteve em viagem aos Estados Unidos, sendo substituído pelo Vice) Vice-Presidente:- Vasco José Taborda Ribas 1º Secretário:- Arthur Borges de Macedo 2º Secretário:- Benedito Nicolau dos Santos Filho 1º Tesoureiro:- Graciete Salmon 2º Tesoureiro:- Tito Pereira 1º Orador:- Faustino Fávaro 2º Orador:- Milton de Oliveira Condessa Bibliotecário:- Nelson Saldanha de Oliveira Comissão de Imprensa e Propaganda Felício Raitani Neto Saul Lupion de Quadros

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Comissão Social e Literária Júlio Estrela Moreira Leonor Castellano Erasmo Pilotto Pompília Lopes dos Santos Diretores da Revista Rodrigo Júnior Maria do Carmo Sounis Leonor Castellano Orlando Soares Carbonar Leonardo Henke Maria Nicolas Secretária Executiva Dilah Martins

O ano de 1957 tem início com a designação de Leonor Castellano para gerenciar a instalação da impressora recém-adquirida. Não obstante, é forte a crise na administração do Centro, em virtude das reformas necessárias no prédio e o destino dos bens lá depositados. São feitos apelos para que os inquilinos compreendam a situação. Há divergências de opinião. O Centro vê-se na contingência de perder suas rendas, sendo sugeridas diversas formas para recompô-las; o prof. Cavallin é designado gestor para proceder as reformas da sede.


A prefeitura municipal dispensa o pagamento de impostos atrasados. O mês de fevereiro assinala sessão de gala, no Clube Curitibano, para homenagear a caravana de diplomatas, intelectuais e figuras de destaque da sociedade brasileira, ora em visita ao Paraná. Reiniciam-se os trabalhos de reconstrução da sede, o que causou grande alegria entre os centristas. O mês de março mostra sérias divergências entre os centristas quanto ao andamento na restauração do prédio, terminando com uma conclamação de união entre os confrades, para que, assim, o Centro possa continuar contribuindo com a cultura no Estado. O Governador do Estado autoriza o reinício das obras de reconstrução, conforme publicação do jornal “Gazeta do Povo” de 9/1/57. A reunião do Centro, no mês de abril, foi realizada no salão nobre da Sociedade Thalia e dedicada à memória de Benedito Nicolau dos Santos, sendo orador seu filho B.N. dos Santos Filho. O mês de março assinala a crise referente à publicação da Revista do Centro, da qual resultou a renúncia de Leonor Castellano do cargo de redatora.

Em setembro, a ata registra a altercação de Raul Gomes contra o sectarismo existente dentro do Centro, ao convocar os confrades ao comparecimento de uma missa de sétimo dia; o presidente lhe responde com o compromisso de respeitar as diversas opiniões religiosas dos centristas. O Centro se associa ao P.E.N. Clube do Brasil. No mês de dezembro, a homenagem à memória de Rocha Pombo.

História do Centro de Letras do Paraná

No mês de julho, o fato relevante foi o apoio dado pelo Centro, juntamente com a Academia de Letras José de Alencar, à candidatura do M. Cândido Rondon ao Prêmio Nobel da Paz.

1912-2012

No mês de maio, em virtude de viagem do Presidente Gláucio aos EUA, assume a presidência, interinamente, o confrade Vasco Taborda Ribas.

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O ano de 1958 assinala o retorno, ao convívio do Centro, do ex-sócio Valfrido Pilloto e de Dalton Trevisan. Em janeiro, Gláucio Bandeira sugere a aplicação de um milhão de cruzeiros, obtidos do Governo do Estado, para a aquisição de uma tipografia, mas ainda não consumada, em fundo de reserva, com vistas a obtenção de juros. No correr do ano, o Centro assinala a adoção de um novo Estatuto; novos sócios são admitidos, entre eles Wanderley Dias e José Vieira Netto; Érico Veríssimo é admitido como sócio correspondente. O Estatuto aprovado em 06. 10. 1958, no artigo 52, denominou o prédio da sede social de “Edifício Euclides Bandeira “e o prédio de apartamentos, de “Emiliano Pernetta”. Pelo Parágrafo Único do artigo 53, foram criados os prêmios literários: “Euclides Bandeira” para novelas, contos, crônicas ou romances e o “Emiliano Pernetta” para poesias.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Ocorre a eleição Heitor Stockler de França.

268

de

uma

nova

Diretoria,

sendo

presidente


Hist贸ria do Centro de Letras do Paran谩

1912-2012

A cidade se verticaliza.

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270 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


1912-2012

1958-1960 Histテウria do Centro de Letras do Paranテ。

GESTテグ

Heitor Stockler de Franテァa

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Heitor Stockler de França nasceu em Palmeira, dia 5 de novembro de 1888,

filho do capitão João de Araujo França e Leandrina Stockler de França.

Fez os estudos primários na escola pública de D.ª Ernestina Marcondes Stockler e na do professor Ezequias Machado de Oliveira, seguindo, depois, a carreira comercial. Veio para Curitiba em 1900, ligando-se, desde logo, em amizade, com os poetas mais atuantes, como Emiliano Perneta, Euclides Bandeira e Rodrigo Júnior. Em 1938, trabalhava na Livraria Mundial, em Curitiba e frequentava o curso de Direito da Universidade do Paraná, para isso tendo feito os exames do preparatório no Gimnasio Paranaense (Colégio Estadual do Paraná). Poeta, cronista, orador e teatrólogo, é sócio fundador do Centro de Letras do Paraná, que presidiu no biênio 1958-60. Na Academia Paranaense de Letras, é o fundador da cadeira nº36, para a qual escolheu, como patrono, Ricardo de Lemos, poeta que nasceu em 1871 e faleceu em 1932, e atualmente é ocupada por seu filho, Appolo Taborda França. “Foi literato dinâmico e fecundo a ponto de usar inúmeros pseudônimos como indormido colaborador de nossa imprensa.” (Dario Nogueira dos Santos).

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

“...poeta de quilates lamartineanos, dominador do ritmo, da cadência e da sonoridade, é nas nossas letras, uma voz sincera, uma força primaveril, um coração messiânico”.

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(Jayme Ballão Júnior). Em 1944, fundou, com um grupo de industriais, a Federação das Indústrias do Estado do Paraná, presidindo-a ininterruptamente durante 14 anos, com a mais absoluta dedicação. Dessa Federação nasceu, a nível nacional, o SESI.


Casou-se com Brasília Taborda, de Curitiba, e seus filhos se destacam nas letras, sobressaindo Appolo e Marita. Faleceu em Curitiba, no dia 11 de janeiro de 1975. Bibliografia: sua bibliografia é muito extensa para este resumo, mas destacam-se: Corolas Rubras, livro de versos de estreia, 1911, no qual predomina o soneto; Curitiba e o Sol, 1928; Cantos da Integração Nacional, 1974; Alma e Coração do Paraná, 1983; (Biografia e Antologia – Org. Paulo Roberto Karam).

Conselho Social Francisco Zicarelli Filho Maria Nicolas Enói Renée Navarro Swain Conselho Literário Rodrigo Júnior Vasco Taborda Ribas Faustino Fávaro Conselho Administrativo Glaucio Bandeira Milton Condessa Arthur Borges de Macedo Júnior Secretária Executiva Lavínia Maria Costa Straube Redator da Revista Percival Loyola Arildo José de Albuquerque

História do Centro de Letras do Paraná

De 01.12.1958 a 03.12.1960. Chapa “Centro de Letras do Paraná”. Posse em 19.12.1958 Presidente:- Heitor Stockler de França Vice-Presidente:- Júlio Estrela Moreira 1º Secretário:- Osvaldo Pilotto 2º Secretário:- América da Costa Saboia 1º Tesoureiro:- Juril de Plácido e Silva Carnascialli 2º Tesoureiro:- Heitor Borges de Macedo Júnior 1º Orador:- Athos Morais de Castro Veloso 2º Orador:- Evaristo Chalbaud Biscaia Bibliotecário:- Maria do Carmo Sounis Comissão de Imprensa e Publicidade Leonor Castellano Luiz Cataldi Pompília Lopes dos Santos Benedito Nicolau dos Santos Filho

1912-2012

No mês de dezembro, têm lugar as tradicionais cerimônias pelo aniversário do Centro de Letras do Paraná.

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UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Coleção Guido Ferencz, vista panorâmica a partir do Hospital das Clínicas (1958 - primeira foto). Nesta imagem, o autor desenvolveu sua máquina fotográfica, pois ainda não havia tecnologia disponível para realizá-la com esta dimensão.

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DÉCADA DE 1960 Em 29 de março de 1960, tem lugar uma sessão solene de reinstalação do Centro em sua sede própria, ao mesmo tempo em que se comemora o aniversário de Curitiba. No mês de maio, é consignado o depósito de um milhão de cruzeiros, no Banco Comercial do Paraná, obtidos do governo do Estado. A 25 de setembro, a ata assinala a publicação do festejado Dicionário Bibliográfico do Paraná, de autoria do presidente, Júlio Estrela Moreira. O Instituto Nacional do Livro concede a Dalton Trevisan o primeiro lugar, em concurso de contos.

História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

Ainda em setembro, Gláucio Bandeira assinala a necessidade de novas reformas na sede social, em virtude de vazamentos ocorridos. O final do ano assinala a eleição de uma nova diretoria, encabeçada por Júlio Estrela.

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276 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


1912-2012

1960-1961 Histテウria do Centro de Letras do Paranテ。

GESTテグ

Jテコlio Estrela Moreira

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Júlio Estrela Moreira nasceu em Curitiba, no dia 6 nde outubro de 1899, filho

do professor Fernando Moreira e de Rita Estrella Moreira.

Concluiu o curso fundamental no antigo Ginásio Paranaense. Formou-se em seguida, pela Escola Normal. Cursou Odontologia e Medicina, formando-se em ambas e foi Diretor da Faculdade de Odontologia. Manteve ininterrupta atividade associativa, pois pertenceu e dirigiu as mais importantes entidades culturais , tais como o Círculo de Estudos Bandeirantes, Museu Paranaense, Biblioteca Pública, Centro de Letras, no biênio 60-61 e SOBRAMES (Sociedade Brasileira de Médicos Escritores). Foi Governador do Rotary Club. Recebeu, ao aposentar-se como professor, o título de Professor Emérito da Universidade Federal. Antes de falecer, doou sua vasta biblioteca paranista ao Instituto Histórico, valioso acervo cultural e de valor incomparável como fonte de pesquisa. Na Academia Paranaense de Letras é o primeiro ocupante da Cadeira nº 14, cujo patrono é o General Bernardino Bormann, fundada pelo Almirante Didio Iratim Afonso da Costa e até recentemente ocupada por José Carlos Veiga Lopes. Todos eles historiadores.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

O jornalista Samuel Guimarães da Costa, quando Presidente do Centro de Letras, escreveu o depoimento publicado na “Gazeta do Povo”, em julho de 1975:

278

“Guardo do professor Júlio Moreira recordações duradouras de lições edificantes de perseverança, exemplos de lucidez e tolerância, ao lado de um apreciável senso de humor no julgamento dos homens e fatos. Era uma criatura, junto da qual não sentíamos o tempo passar, tantas e tão ricas horas passadas a seu lado”. Faleceu em Curitiba, em 24 de julho de 1975.


A biobibliografia de Júlio Moreira, na Revista da Academia, foi elaborada por Túlio Vargas, também biógrafo e historiador. A bibliografia de Júlio Moreira, na área médica, é tão vasta e diversificada que não se pode incluir neste pequeno espaço. A bibliografia literária consta de: Dia da Pátria, Ideal de Servir; Dicionário Bibliográfico do Paraná, 1953, 1957; História da Medicina no Paraná; História da Santa Casa de Misericórdia em Paranaguá; História da Biblioteca Pública do Paraná, s.d.; Professor Roquete Pinto, uma vida bem vivida; Paula Gomes; Luíza da Cunha e Marie Jarousse, dois nomes devem ser lembrado; Eleodoro Ébano Pereira e a Fundação de Curitiba, 1972;

História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

Caminhos e Povoamento do Paraná, 1975.

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UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Praça Zacarias (acima) e vista do Colégio Estadual do Paraná com o Centro Cívico ao fundo (a baixo).

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De 03.12.1960 a 08.12.1962. Chapa “Cinquentenário” Posse 03.12.1960 Presidente:- Júlio Estrela Moreira (resignou em 08.04.1961 em virtude do falecimento da esposa) Vice-Presidente:- Vasco José Taborda Ribas 1º Secretário:- Arthur Borges de Macedo Júnior 2º Secretário:- Benedito Nicolau dos Santos Filho 1º Tesoureiro:- Glaucio Bandeira 2º Tesoureiro:- David Augusto Ramos Filho 1º Orador:- Arildo José de Albuquerque 2º Orador:- Milton de Oliveira Condessa Bibliotecário:- América da Costa Saboia Comissão de Imprensa e Publicidade José Wanderley Dias Saul Lupion de Quadros Augusto Waldrigues Francisco Zicarelli Filho

Conselho Social Percival Loyola Helena Kolody Juril de Plácido e Silva Carnascialli Conselho Literário Athos Morais de Castro Veloso Ruy Noronha de Miranda Leonor Castellano Conselho Administrativo Heitor Stockler de França Osvaldo Pilotto Faustino Favaro Secretária executiva Iverly Lour Silva

O Centro começa a preparar os festejos de seu cinquentenário. É proposta a confecção de um busto em homenagem a Euclides Bandeira, para ser erguida em praça pública. A substituição da tradicional “Revista do Centro de Letras” por outra, trimestral, com o nome de “Prata da Casa”, não é aceita pela diretoria. O mês de setembro realiza sessão solene para homenagear os vencedores do concurso de contos, com a entrega de medalhas e diplomas. A dezenove de dezembro, efetiva-se uma sessão solene pelo transcurso de mais um aniversário de fundação do Centro.

História do Centro de Letras do Paraná

No mês de março, Pompília Lopes dos Santos ganha o prêmio por seu romance Origens. Em agosto, Júlio Moreira renuncia ao cargo de presidente, em carta aberta cheia de emoções e tristeza. Assume o vice, Vasco Taborda Ribas.

1912-2012

No mês de fevereiro do ano de 1961, a nova diretoria toma diversas medidas administrativas, seja em relação às reformas da sede, seja em relação à obtenção de novos recursos públicos para custeio das despesas do Centro.

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282 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


Histテウria do Centro de Letras do Paranテ。

1912-2012

GESTテグ

Vasco Josテゥ Taborda Ribas 1961-1964

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Vasco José Taborda Ribas nasceu em Curitiba, dia 18 de setembro de

1909, filho do Coronel Joaquim Inácio Brasil Taborda Ribas e de Magdalena Lycia Taborda Ribas. Fez seus estudos preparatórios no Colégio Estadual do Paraná, antigo Gimnásio Paranaense, onde depois lecionou com proficiência Português e Literatura Brasileira. Formado Bacharel em Direito, advogou muitos anos em Curitiba, depois, no Tribunal de Contas do Estado do Paraná, chegou a procurador, cargo em que se aposentou.

Poeta da vertente modernista, suas poesias são bem inspiradas e foi também profeciente em trovas. Presidente do Centro de Letras do Paraná em diversas gestões: 1961-64; 66-68; 78-80; 82-85; no dizer de Valério Hoerner Júnior:

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

“Caracterizou-se pelo potencial de realização que possuía, liderando e estimulando as mais diversas entidades culturais. Mentor, organizador e autor de incontáveis iniciativas, fez-se credor da cultura paranaense, pois certo tempo, quando organismos tradicionais da terra viam-se enxovalhados por mal postadas e aventurescas doutrinas novas, quase sempre passageiras e circunstanciais, e muitas vindas de fora, ereta e forte foi a onipresença de Vasco José Taborda Ribas na defesa dos valores regionais, da memória histórica e das instituições paranaenses e paranistas.”

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Biobibliografia da Academia de Letras do Paraná, 2001. Membro da Academia de Letras do Paraná, da qual foi presidente, é o 1º ocupante da Cadeira 9, cujo patrono é Manoel Eufrásio Correia, o fundador é Leôncio Correia e atualmente está ocupada por Ário Taborda Dergint.


Membro de muitas entidades culturais, no Paraná, como em outros estados do Brasil e organismos internacionais, sempre se dedicou a fomentar a cultura. Criou uma forma de auxiliar os autores a editarem seus livros, com um sistema de codomínio, na Editora “O Formigueiro”, o que possibilitou muitas edições. Faleceu em Curitiba, dia 23 de março de 1997. Bibliografia: A Estrela e Eu, 1963; Curriculum Vitae, 1965; Muçarai, 1970; Hay que... bilingue Português - Castelhano, 1971; Mogorim,- Trovas, 1996; O Fisquin; Anuário dos Poetas do Brasil, 1979; Trovadores do Brasil, ambos de Aparício Fernandes;

Iniciou seu primeiro mandato, em 1961, assumindo o cargo deixado por seu antecessor, resignado, sendo reconduzido à presidência em novo pleito, constituindo-se a seguinte diretoria:

História do Centro de Letras do Paraná

Muita colaboração na Revista da Academia Paranaense de Letras.

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7 poetas, 1986.

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286 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


Dois aspectos da avenida João Pessoa (atual calçadão da rua XV de Novembro). - foto a esquerda e próxima página.

De 08.12.1962 a 20.11.1964 Chapa “Cinquentenário”. Posse em 08.12.1962 Presidente:- Vasco José Taborda Ribas Vice-Presidente:- Glaucio Bandeira 1º Secretário:- Osvaldo Pilotto 2º Secretário:- José Rocha Faria 1º Tesoureiro:- Arthur Borges de Macedo 2º Tesoureiro:- Graciete Salmon 1º Orador:- Milton de Oliveira Condessa 2º Orador:- Arildo José de Albuquerque Bibliotecário:- Tito Pereira Comissão de Imprensa e Propaganda Juril de Plácido e Silva Carnascialli Heitor Stockler de França Alceu Chichorro Nelson Saldanha de Oliveira

Conselho Social Leonor Castellano Enói Renée Navarro Swain Saul Lupion de Quadros Conselho Literário Oscar Martins Gomes Felício Raitani Neto Ângelo Antônio Dalegrave Conselho Administrativo Alcyone Morais de Castro Veloso Júlio Estrela Moreira Luiz Silva e Albuquerque

No transcurso do ano de 1963, o Centro de Letras teve suas atividades realizadas de forma rotineira, cabendo destacar as homenagens ao Grêmio Brasileiro dos Trovadores; as providências referentes à reforma do telhado do prédio, ora em andamento; o pedido às livrarias locais para que reservem uma estante especial à divulgação de autores paranaenses; sessão especial de homenagem à professora Alayde Camargo Tureck, falecida em janeiro; o Centro institui um Concurso Literário.

História do Centro de Letras do Paraná

O mês de abril é reservado à memória do Mal. Candido Rondon, além de tratar de variados temas administrativos. O resto do ano é dedicado à programação do cinquentenário de fundação do Centro e com a instituição de um concurso literário. Prepara-se a eleição de uma nova diretoria, conquistada por Vasco Taborda Ribas, como presidente. No mês de dezembro, o Centro presta homenagem ao centenário de nascimento do Prof. Dr. Victor Ferreira do Amaral, um dos fundadores da Universidade Federal do Paraná. No dia 29, almoço solene de confraternização entre todas as entidades culturais do Estado, a Universidade e jornalistas, no Braz Hotel.

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Registra-se a presença de Tasso da Silveira, em visita a sua terra natal, tendo proferido brilhante conferência sobre a obra de Emiliano Pernetta. A reunião do mês de fevereiro é dedicada à memória dos sócios falecidos: José Gelbeck, Major Isidoro Pereira e Francisco Stobbia.

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UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

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Em 1964, o Centro de Letras se associa ao Grêmio Brasileiro de Trovadores, PM de Curitiba e Academia de Letras José de Alencar para a promoção, no dia de Curitiba, dos I Jogos Florais, com prêmios pecuniários e medalhas aos vencedores. O confrade José Augusto Gomy obteve o 1º lugar; foi instituído o ‘cafezinho das cinco’, todas as quintas feiras, destinado a reunir em confraternização os confrades presentes. O ano transcorreu com muitas atividades literárias e artísticas, o que refletia o vigor da instituição. No final do ano, a realização de novas eleições:


GESTÃO

História do Centro de Letras do Paraná

TERCEIRO MANDATO 1964 -1966

1912-2012

GLÁUCIO BANDEIRA

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De 20.11.1964 a 14.11.1966 Chapa “Rodrigo Júnior” Posse em 20.11.1964 Presidente:- Glaucio Bandeira Vice-Presidente:- Arildo José de Albuquerque 1º Secretário:- Francisco Zicarelli Filho 2º Secretário:- Hellê Veloso Fernandes 1º Tesoureiro:- Leonardo Henke 2º Tesoureiro:- Saul Lupion de Quadros 1º Orador:- Vasco José Taborda Ribas 2º Orador:- Assad Amadeu Yassin Bibliotecário:- José Rocha Faria Comissão de Imprensa e Propaganda Pompília Lopes dos Santos Heitor Stockler de França

José Augusto Gomy Alceu Chichorro Conselho Social Graciete Salmon Leonor Castellano Juril de Plácido e Silva Carnascialli Conselho Literário Oscar Martins Gomes Felício Raitani Neto Clementino de Alencar Conselho Administrativo Nelson Saldanha de Oliveira Luiz Silva e Albuquerque Lauro Schleder

O ano de 1965 transcorre com o Centro envolvido nas reformas estruturais de sua sede. No ano seguinte, as atividades se voltam para os esforços no reconhecimento federal do Centro como de utilidade pública, tendo ocorrido diversas convocações de assembleias dos associados. No âmbito municipal, o Centro de Letras foi considerado utilidade pública pela relevância de suas atividades, através da Lei nº 2806 de 30.04.1966, quando o engenheiro e centrista Ivo Arzua Pereira era prefeito de Curitiba. Sobre o ano, o presidente exortou “Em 1966, insistimos na atualização dos destinos desta casa. Vislumbramo-la conspícua sobre a literatura paranaense, desde seus albores, completa no tocante a nossos escritores.”

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Continua:

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“Vislumbramo-la com uma biblioteca especializada, paranista, com arquivos históricos e biográficos capazes de enfrentar estudos de pesquisas de nossa evolução literária.” No final do ano, ocorre a eleição dos novos dirigentes do Centro, bem como a inclusão de novos sócios, entre eles Leopoldo Scherner, Orlando Woczikoski e Nair Cravo Westfalen.


1912-2012 Histรณria do Centro de Letras do Paranรก

Aspecto da Biblioteca do Centro de letras do Paranรก.

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UM Sร‰CULO DE CULTURA PARANAENSE

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Aspecto de publicidade na Revista do Centro de Letras do Paranรก.


1912-2012

SEGUNDO MANDATO 1966-1968 Histテウria do Centro de Letras do Paranテ。

GESTテグ

Vasco Taborda

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De 14.11.1966 a 07.11.1968 Chapa “Evolução” Posse em 28.12.1966 Presidente:- Vasco José Taborda Ribas Vice-Presidente:- Luiz Silva e Albuquerque 1º Secretário:- Saul Lupion de Quadros (licenciado por doença, assume Orlando Woczikosky “ ad hoc”. 2º Secretário:- Nelson Saldanha de Oliveira 1º Tesoureiro:- Glaucio Bandeira 2º Tesoureiro:- Graciete Salmon 1º Orador:- Milton Condessa 2º Orador:- José Rocha Faria

Bibliotecário:- Juril de Plácido e. Silva Carnascialli Conselho Fiscal Oscar Martins Gomes Júlio Estrela Moreira Leonor Castellano Conselho Literário Helena Kolody Hellê Veloso Fernandes Arildo José de Albuquerque

No ano de 1967, o Centro realiza os IV Jogos Florais (concurso de trovas), quando presta homenagem ao prefeito Omar Sabbag. Sessão solene, em memória do prof. Fernando Augusto Moreira, pelo transcurso do centenário de seu nascimento.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Hellê Veloso Fernandes lança seu novo livro A outra razão.

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Hélio de Freitas Puglielli comanda as homenagens a Emílio de Menezes, pelo 101º aniversário de seu nascimento. O Centro cria o Pen Club do Paraná. Presta homenagem ao prefeito José Borges de Macedo. A Srª Ivone Pimentel, esposa do governador Paulo Pimentel, recebe o título de “Madrinha dos Escritores Paranaenses”. O ano de 1968 se inicia com a homenagem ao 90º aniversário de nascimento do poeta Reinaldino Scharffenberg de Quadros; homenagens a Serafim França e Laertes Munhoz, falecidos no final do ano anterior. No mês de março, o Centro recebe a visita do ator Sérgio Cardoso, que profere conferência sobre Shakespeare. Em novembro, ocorre a eleição de uma nova diretoria.

História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

Coleção Guido Ferencz, vista panorâmica de Curitiba (1968 - segunda foto).

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296 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


Histテウria do Centro de Letras do Paranテ。

1912-2012

GESTテグ

Juril Carnasciali 1968-1970

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Juril de Plácido e Silva Carnasciali nasceu em Curitiba, a 13 de maio de 1922,

filha de Oscar Joseph de Plácido e Silva, eminente jurista, dono de uma faculdade de Direito, e de Julieta Carlberg de Plácido e Silva. Após os estudos fundamentais, no grupo Anexo à Escola Normal e no Gimnásio Paranaense, o secundário na Escola Técnica de Comércio De Plácido e Silva, Juril fez o curso de Contador, na Faculdade de Ciências Econômicas do Paraná. Auxiliar de seu pai na direção e docência da Faculdade de Curitiba. Recebeu o diploma concedido pela Associação dos Diplomados da Escola de Guerra. Lecionou Português, Ciências Físicas e Biológicas, e Estenografia. Em fevereiro de 1940, iniciou-se como jornalista, primeiramente na redação de “Assuntos Femininos” da Revista Guaíra; e em 1956, integrou a redação da “Gazeta do Povo”, onde, até seu passamento, ainda atuava na coluna “O Que se Passa na Sociedade”, aos domingos, além de outras colaborações na imprensa. Foi a fundadora e diretora da Faculdade de Ciências Econômicas, Contábeis e Administração que leva o nome de seu pai. Fundou, também, a Associação Beneficente Santa Madre Marat, da qual fez parte da diretoria, e muitas outras associações de beneficência e de caridade. Casou-se com Dr. Arnaldo Carnasciali, Juiz auditor e tem uma filha, Julieta, que se formou em Direito.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Detentora de muitos prêmios e Diplomas de Honra, entre os quais se destaca o de Comendadora com a Cruz do Mérito Cultural, em São Paulo.

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Quando da promulgação do Código Penal, ela já havia escrito os comentários e interpretação ao novo código ao seu lançamento, o que atesta a sua capacida de trabalho. Foi Presidente do Centro de Letras do Paraná, de 1968 a 1970. Pertenceu também ao Centro Feminino Paranaense de Cultura, à Academia de Letras José de Alencar e a muitas outras entidades culturais, no Brasil e exterior. Faleceu em Curitiba, em 26 de junho de 2012.


Em novembro, o Centro realiza grande exposição, na Biblioteca Pública, de Gravuras e Poesias Modernas; homenagens ao Dia da Bandeira; tem início o I Curso de Leitura Dinâmica. Falece Tasso da Silveira. O ano termina com a solenidade de posse da nova diretoria e imediata renúncia do presidente-eleito Erasmo Pilloto, em 28.12.1968. Assume, então, Juril P. e Silva Carnascialli, vice-presidente da chapa eleita, cargo esse preenchido por Raul R. Gomes. O 1º Orador era Assad Amadeu Yassin que renunciou, sendo eleito José Wanderley Dias. No Conselho Fiscal, José Rocha Faria, foi substituído por João Régis Faisbender Teixeira. Na data da posse foi aprovado o título de “Príncipe dos Poetas Paranaenses”, proposto para Leonardo Henke, e de “Princesa das Poetisas Paranaenses”, para Helena Kolody.

1912-2012

Bibliotecário:- Alcyone Morais de Castro Veloso Conselho Fiscal Heitor Stockler de França Nelson Saldanha de Oliveira João Régis Fasbender Teixeira Conselho Literário Vasco Taborda Ribas Carmen Carneiro Felicio Raitani Neto

História do Centro de Letras do Paraná

De 07.11.1968 a 08.11.1970 Chapa “Euclides Bandeira”. Posse 27.12.1968 Presidente:- Juril de Plácido e Silva Carnascialli Vice-Presidente:- Raul Rodrigues Gomes 1º Secretário:- Heitor Borges de Macedo. 2º Secretário:- Orlando Woczikosky 1º Tesoureiro:- Graciete Salmon 2º Tesoureiro:- Gláucio Bandeira 1º Orador:- José Wanderley Dias 2º Orador:- Valfrido Pilotto

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O mês de março de 1969 assinala grande homenagem ao aniversário de Curitiba; no mês de maio, a inauguração do Museu do Som; em outubro, a eleição dos cargos vagos na diretoria, tendo sido eleito Raul Gomes como vice-presidente; homenagens à memória de Leonor Castellano. Em novembro, sessão solene pelos 57º aniversário do Centro, bem como à memória de Dario Velozo; em dezembro, a sessão “Noite do Passado”, em conjunto com a Sociedade Brasileira de Escritores Médicos, obtém grande sucesso. O ano termina com as homenagens ao centenário de nascimento do Des. Otávio Ferreira do Amaral.

DÉCADA DE 1970 Inicia-se um período de grandes mudanças em Curitiba, como a CIC (cidade industrial), o sistema de transporte coletivo e um direcionamento urbano em direção aos subúrbios.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Em junho, o Centro realiza sessão solene para homenagear a memória do prof. Francisco Villa Nueva, com a presença do Dr. Plínio Franco Ferreira da Costa, Vice-governador do Estado, e Dr. Laufran Villa Nueva. Em julho, no auditório da Universidade Federal do PR, repete-se a “Noite do Passado”; em outubro, o falecimento do maestro Bento Mossurunga; em 3 de novembro, as eleições de uma nova diretoria e lançamento do IV Concurso Nacional de Contos.

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Histรณria do Centro de Letras do Paranรก

1912-2012

Avenida Paranรก.

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UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

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Aspecto do conteúdo da revista do Centro de Letras do Paraná.


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Hist贸ria do Centro de Letras do Paran谩

1912-2012


304 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


Histテウria do Centro de Letras do Paranテ。

1912-2012

GESTテグ

Luiz Pilotto 1970-1972

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Luiz Pilotto nasceu em Mafra, Santa Catarina, no dia 10 de setembro de 1921.

Filho de Egydio Piloto e de Luíza Selmar Piloto.

Formou-se em odontologia, pela Universidade Católica do Paraná, Curitiba. Teve quarto filhos, a saber, Luiz Piloto Júnior, Cláudio Piloto, Reinaldo Piloto, Roberto Piloto. Teve oitos netos Melissa, Juliano, Ângela, Bernado, Gisah, Marih, Caitano, Luíza. Era professor da PUC e da Federal. Tinha consultório de odontologia na capital paranaense. Aos 75 anos, fechou o consultório e continuou como professor na faculdade, até os 80 anos. Ganhou muitas medalhas. Uma das mais importantes foi recebida em São Paulo, na década de 70, em homenagem por ser considerado um dos melhores profissionais da odontologia. Membro do Centro de Letras do Paraná, foi seu presidente no biênio 1970-72. Em seu tempo livre, organizava exposições de artes e pintura, dedicando-se também à literatura e poesia. Aos quatro anos de idade, apaixonou-se pela poesia. Alguns livros publicados por ele foram Pinheiro, Árvore Inspiração, uma plaqueta com alguns trechos de poesia sobre o pinheiro, ilustrada com xilogravuras e desenhos próprios.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Oração Ecumênica, onde orações e coisas ouvidas do cotidiano, Luiz Piloto transformava em poesia.

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Aos 89 anos de idade, faleceu no dia 14 de dezembro de 2010.


Em fevereiro de 1971, o Centro retoma seus trabalhos, com o novo presidente eleito, Luíz Piloto. No mês de março, as homenagens ao aniversário de Curitiba. Ficou acertado que no ano seguinte seria lançado o Boletim do Centro, comemorativo aos 60º de sua fundação. No final do ano de 1972, a eleição de uma nova diretoria e a realização de sessão magna para comemorar os 60º aniversário do Centro, com a admissão de novos sócios, no dia 20 de dezembro.

1912-2012

Bibliotecário:- Theodoro de Bona Conselho Fiscal Heitor Borges de Macedo Graciete Salmon Vasco Taborda Ribas Conselho Literário Juril de Plácido e Silva Carnascialli Raul Rodrigues Gomes Heitor Stockler de França

História do Centro de Letras do Paraná

De 08.11.1970 a 10.11.1972 Chapa “Centro de Letras do Paraná” Posse em 28.12.1970. Presidente:- Luiz Pilotto Vice-Presidente:- Alcyone Morais de Castro Veloso 1º Secretário:- Ceres De Ferrante 2º Secretário:- Benedito Nicolau dos Santos Filho 1º Tesoureiro:- Glaucio Bandeira 2º Tesoureiro:- Ario Taborda. Dergint 1º Orador:- Arildo José de Albuquerque 2º Orador:- José Wanderley Dias

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UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

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Vista aérea do Centro de Curitiba.


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Hist贸ria do Centro de Letras do Paran谩

1912-2012


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GESTテグ

Benedito Nicolau dos Santos Filho

Histテウria do Centro de Letras do Paranテ。

1912-2012

1972-1974

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Benedito Nicolau dos Santos Filho nasceu em Curitiba, a 9 de maio de 1914,

filho de Benedito Nicolau dos Santos e de Maria Luíza dos Santos.

As primeiras letras, no Colégio Bom Jesus, e em Paranaguá, no Nossa Senhora do Carmo. O curso secundário foi no Ginásio Paranaense. Bacharelou-se em Direito, pela Universidade do Paraná. Lecionou em vários educandários e como professor de Português, no Curso de Jornalismo, nas faculdades de Filosofia das Universidades Federal e Católíca. Membro do Centro de Letras do Paraná, foi seu presidente, no biênio 1972-74, e vice-presidente, nas duas gestões seguintes, teve destacada atuação na administração deste Centro. Secretário-geral do Conselho Diretor do Centro de Estudos Bandeirantes, sócio do Instituto Histórico e Geográfico, membro da Academia Paranaense de Letras, na cadeira nº 16, cujo patrono Brasilio Itiberê (da Cunha) foi escolhido por seu pai, que fundou a cadeira, e que foi em seguida ocupada por Bento Mossurunga, sendo, por isso, considerada a Cadeira Musical; atualmente é ocupada pelo Maestro Alceo Bocchino. Casado com D.ª Anunziata, que lhe deu quatro filhos, estudioso do nosso folclore, interessado na arte musical, também produziu contos e lendas. Faleceu em Curitiba, em 21 de junho de 1987. Bibliografia:

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Três Histórias Diferentes, contos, 1969;

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Lendas e Tradições do Paraná, 1972, reeditado alguns anos depois com o acréscimo de “Vereador Elias Karam”, recebendo este título; Hipólito José da Costa, -Arquiteto de Ideias, 1973, etc.


De 10.11.1972 a 14.11.1974 Chapa “Centro de Letras do Paraná” Posse 20.12.1972 Presidente:- Benedito Nicolau dos Santos Filho Vice-Presidente:- Heitor Stockler de França 1º Secretário:- Adalto G. de Araújo 2º Secretário:- Dario Nogueira dos Santos 1º Tesoureiro:- Ario Taborda Dergint 2º Tesoureiro:- Gláucio Bandeira 1º Orador:- Vasco José Taborda Ribas 2º Orador:- Arildo José de Albuquerque (faleceu em 28.04.1974)

Bibliotecário:- Arthur Borges de Macedo Júnior Conselho Fiscal Manoel de Oliveira Franco Sobrinho Theodoro de Bona Antônio Salomão Conselho Literário Pompília Lopes dos Santos Alcyone Morais de Castro Veloso Milton Condessa

No ano de 1973, a nova diretoria inicia suas atividades em torno das reformas da sede; no mês de março, novas homenagens ao aniversário da cidade; o ano transcorre com o lançamento de novos livros, dentre eles o de Maria Nicolas, com o título Páginas Curitibanas; a Fundepar auxilia o Centro na edição de sua revista, com a importância de dois mil e quinhentos cruzeiros.

Protásio de Carvalho lança o livro A Juventude e os Tóxicos. O Centro se vê em dificuldades para encontrar recursos para as reformas do prédio; Túlio Vargas lança o livro Barão do Serro Azul; votos de pesar pelo falecimento de Bento Munhoz da Rocha Neto. O ano termina com as solenidades comemorativas ao Dia do Paraná e ao aniversário de fundação do Centro. O ano de 1974 marca a eleição do presidente do Centro, Benedito Nicolau dos Santos Filho, para a cadeira nº 16, da Academia Paranaense de Letras.

História do Centro de Letras do Paraná

O Centro é convidado, pela Aeronáutica, a participar da pesquisa “Documentos Históricos de Santos Dumont”.

1912-2012

Esta foi a última revista do Centro até 2005, quando foi retomada a sua edição sob a presidência de Luiz Renato Pedroso.

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UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Mobilidade urbana, Curitiba se destaca por seu transporte coletivo, resultado do plano Plano Serete. (Praça da Ucrânia).

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Homenagens à memória do Des. Manoel Lacerda Pinto e Othon Mader, recentemente falecidos; a diretoria do Centro apela à Fundepar para financiar as reformas da sede; no mês de agosto, o encerramento das reformas; ocorre a posse de Odilon Túlio Vargas na Academia Paranaense de Letras; novas eleições, assumindo a presidência Ário Taborda Dergint.

História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

Falece Gláucio Bandeira. No final do ano, a reabertura solene da sede, com a fixação de uma placa de bronze, com os nomes dos principais atores do processo; sessão solene, em homenagem ao dia do Paraná e posse da nova diretoria.

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316 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


1912-2012

1974-1976 História do Centro de Letras do Paraná

GESTÃO

Ário Taborda Dergint

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Ário Taborda Dergint nasceu em Curitiba, em 31 de agosto de 1931, filho de

Ottono Miroslau Dario Dergint de Rawicz e de Jocelina Taborda Dergint de Rawicz.

Após os seus estudos preparatórios no Grupo Escolar de Aplicação, anexo ao Instituto de Educação, na época Escola Normal, e no Colégio Estadual do Paraná, formou-se em Engenharia Civil, aos 23 anos de idade, e em Ciências Econômicas, ambos na Universidade do Paraná.. Após a sua formação acadêmica, realizou cursos de pós-graduação, na área de Economia, em Santiago do Chile. Atuante como assessor técnico, coordenador, consultor e como conselheiro, nos mais diversos segmentos de setor empresarial, ainda encontrando tempo para se dedicar ao magistério superior, como professor assistente de Introdução à Economia, membro do Conselho Universitário e pró-reitor de Administração, na Universidde Federal do Paraná. Foi presidente do Centro de Letras, no biênio 1974-76. Sócio do Instituto de Engenharia, do Instituto Histórico-Geográfico, da Galeria de Arte e Museu de Arte do Paraná, conselheiro da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia, da Academia de Letras José de Alencar, da Academia Paranaense de Letras onde está como 2º ocupante da cadeira n° 9, sucedendo a Vasco Taborda. Bibliografia:

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

O Tratado de Montividéu e o Problema do Desenvolvimento, 1960;

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Relação entre o Crescimento da População e o número de oportunidades de Matrícula na Escola Primária do Estado.


Diretoria Eleita por aclamação em 27 /12 /1974, empossada nesse mesmo dia. Presidente: Ário Taborda Dergint Vice Presidente: Benedito Nicolau dos Santos Filho 1º Secretário: Dario Nogueira dos Santos 2 º Secretário: Adalto de Araujo 1º Tesoureiro: Gláucio Bandeira (Pediu afastamento em 1975) 2º Tesoureiro: Artur Borges de Macedo 1º Orador: Milton de Oliveira Condessa 2° Orador: Vasco José Taborda

Bibliotecário: Teodoro de Bona Conselho Fiscal Heitor Borges de Macedo (Presidente) Heitor Stockler de frança Ruy Noronha Miranda Conselho Literário Manoel de Oliveira Franco Sobrinho (Presidente) Pompília Lopes dos Santos Juril de Plácido e Silva Carnasciali

Na Sessão Solene do dia 27 de dezembro, tendo sido feita a aclamação da diretoria, por falta de chapa concorrente, deu-se-lhe imediatamente a posse.

O Culto ao Paraná foi feito pelo Milton de Oliveira Condessa. Foi estabelecida a realização de uma Reunião ordinária, na última quinta-feira de cada mês, com início às 17h e 30 min. Em julho, fez a Homenagem Póstuma a cerca de vinte Centristas, do qual Vasco Taborda ficou encarregado. Foi dado um voto de louvor ao artista Theodoro de Bona, por sua magnífca exposição de telas.

História do Centro de Letras do Paraná

Na mesma ocasião, o Dr. Vasco Taborda fez a apresentação do livro do Dr. Heitor Stockler de França: Cantos de Integração Nacional e outros Poemas.

1912-2012

Foi feita a inauguração de uma placa de bronze, onde figuram os nomes de Emílio Gomes, Governador do Paraná; Dr. João Elysio Ferraz de Campos, superintendente da FUNDEPAR, Gláucio Bandeira, idealizador da homenagem e muitos amigos do Centro.

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Em 23 de setembro, convocada uma Assembleia Geral que, em segunda convocação, elegeu os componentes dos cargos da Diretoria, vacantes, por desistência dos confrades: para 1º Tesoureiro, Faustino Fávaro, 2º Tesoureiro Felício Raitani Neto. Registra-se a inclusão como sócios de : Túlio Vargas, Astrogildo de Freitas, José Carlos Veiga Lopes, Milton Ferreira, Flora Camargo Munhoz da Rocha, Vera Vargas e Diva Ferreira Gomes. E como sócio correspondente Leônidas Hilgemberg, professor do ITA, escritor e matemático; foram empossados em 15 de dezembro de 1975. Na sessão de março, em homenagem a Curitiba, houve a apresentação da Camerata Antiqua, da Fundação Cultural. Finalmente, em 18 de novembro de 1976, foi aclamada a Chapa “Euclides Bandeira” para o biênio de 1976-78.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

As solenidades de fim de ano foram coroadas com as posses dos seguintes novos sócios: Apolo Taborda França, Argentina de Mello e Silva, Jandyra Sounis Carvalho de Oliveira, Francisco Filipak, Rozelis Velloso Roderjan, Sebastião Ferrarini, Luís Carlos Pereira Tourinho, Fernando Vellozo, Henrique Morozowski e Rui Wachowski, além de inúmeros sócios correspondentes.

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A famosa nevasca de 1975.


1912-2012

TERCEIRO MANDATO 1976-1978 Histテウria do Centro de Letras do Paranテ。

GESTテグ

Vasco Taborda

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UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

De 08.11.1976 a 08.11.1978 Chapa “Euclides Bandeira” Posse em 15.12.1976 Presidente:- Vasco José Taborda Ribas Vice-Presidente:- Ario Taborda Dergint 1º Secretário:- Ceres De Ferrante 2º Secretário:- Dario Nogueira dos Santos 1º Tesoureiro:- Osvaldo Pilotto 2º Tesoureiro:- Faustino Fávaro 1º Orador:- José Wanderley Dias 2º Orador:- Benedito Nicolau dos Santos Filho Diretor da Biblioteca:- Leopoldo Scherner Conselho Fiscal Manoel de Oliveira Franco Sobrinho Pompília Lopes dos Santos Ruy Noronha de Miranda

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Conselho Literário David A. da Silva Carneiro Helena Kolody Milton de Oliveira Condessa Comissão Social Theodoro de Bona Marita França Maria Alba M. da Silva Xavier Comissão de Imprensa e Propaganda Juril de Plácido e Silva Carnascialli Graciete Salmon Flora Munhoz da Rocha


O ano de 1977 assinala o falecimento de Alceu Chichorro, José Loureiro Fernandes e Oscar Martins Gomes; em agosto, a entrega dos prêmios referentes aos vencedores do III Concurso de Poesias. O ano termina com uma sentida homenagem pelo presidente à grande lista de confrades já falecidos. Votos de louvor à Ordem Soberana do Sapo. O final do ano seguinte assinala a eleição da nova diretoria.

História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

Coleção Guido Ferencz (1978 - terceira foto).

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324 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


1912-2012

1978-1979 Histテウria do Centro de Letras do Paranテ。

GESTテグ

Leopoldo Scherner

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Leopoldo Scherner nasceu em São José dos Pinhais, em 22 de julho de 1919,

filho de Paulo Scherner e de Maria Corona Scherner.

Fez os primeiros estudos em São José dos Pinhais, no Colégio da Divina Providência. Graduou-se em Letras Neolatinas pela Unversidade do Brasil, onde foi aluno de Manuel Bandeira, do que muito se orgulhava. Casado, de volta ao Paraná, formou-se em Direito. Preferindo a Literatura, com manifesta vocação para o Magistério, protagonizou eventos pioneiros, na Educação e na Cultura. Foi um dos fundadores da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras que depois evolui para a Pontifícia Universidade Católica do Paraná, e da Faculdade de Administração e Economia de Curitiba. Professor de Português, Filologia e Literatura, foi membro do Conselho Estadual de Cultura; Diretor Geral do Campus da PUC, em São José dos Pinhais, exercendo, concomitantemente o decanato do Centro de Ciências Agrárias e Ambientais. Manteve sempre ações de vanguarda nos movimentos culturais, sendo conhecido como o introdutor de Fernando Pessoa, no Paraná. Dele disse Túlio Vargas:

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

“Poeta da Nostalgia e da Pureza original, identificou-se com Manuel Bandeira, impregnou-se da poesia renovadora que alimentou o movimento Modernista de 22.”

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E, a exemplo do mestre, mesmo aposentado, jamais interrompeu as atividades literárias. Foi distinguido com a Ordem do Infante D. Henrique pelo governo Português e obteve o primeiro lugar, com o trabalho Literatura, elemento de Integração, em seminário, em Évora, Portugal.


Foi Presidente do Centro de Letras do Paraná, no biênio 1976-78. Na Academia Paranaense de Letras, foi o 2° ocupante da cadeira n° 5, cujo Patrono é Fernando Amaro, o Fundador Silveira Neto e o primeiro ocupante Tasso da Silveira. O Prof. Leopoldo Scherner faleceu aos 91 anos, no dia 27 de janeiro de 2011. Bibliografia: A Vida e a obra de Luiz de Camões, 1980; Cântico dos Cânticos; A Poética de Carlos Nejar, com Ernani Reichmann; Clássicos da Juventude, 8 vols, prosa; O dia anterior ao Dia da Criação, poesia. Organizou as antologias: Luara, Grupo Encontro; Sala 17; Os Reis Magros; Limo a Leme Nenhum; Contos e Crônicas de São José dos Pinhais.

História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

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328 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


De 08.11.1978 a 21.11.1980 Chapa “Rodrigo Júnior” Posse em 18.12.1980 Presidente:- Leopoldo Scherner ( Em 27.03.1979 o Presidente resignou, passando para o Vice) Vice-Presidente:- Vasco José Taborda Ribas 1º Secretário:- Maria Aparecida França 2º Secretário:- Ceres De Ferrante 1º Tesoureiro:- Faustino Fávaro 2º Tesoureiro:- Orlando Woczikosky 1º Orador:- Felício Raitani Neto 2º Orador:- Emílio Leão de Matos Sounis Bibliotecário:- Milton Vicente Ferreira

É proposta, em 08.11.1978, a denominação de “Rodrigo Júnior” para a Biblioteca do CLP, e na mesma data é aprovada a criação do Departamento de Artes. Não constam os nomes dos demais componentes da Diretoria e Conselho Fiscal. É lançado o 1º Concurso de Crônica Histórica/ Curitiba e Paraná.

História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

Inauguração do Edifício Castelo Branco.

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UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Projeção das reservas de água ao redor de Curitiba, nos anos 70 o meio ambiente se integra como tema social.

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1912-2012

QUARTO MANDATO 1979-1980 Histテウria do Centro de Letras do Paranテ。

GESTテグ

Vasco Taborda

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Presidente:- Leopoldo Scherner ( Em 27.03.1979 o Presidente resignou, passando para o Vice) Vice-Presidente:- Vasco José Taborda Ribas 1º Secretário:- Maria Aparecida França 2º Secretário:- Ceres De Ferrante 1º Tesoureiro:- Faustino Fávaro 2º Tesoureiro:- Orlando Woczikosky 1º Orador:- Felício Raitani Neto 2º Orador:- Emílio Leão de Matos Sounis Bibliotecário:- Milton Vicente Ferreira

O ano de 1979 assinala a prorrogação do mandato de Vasco Taborda, pela impossibilidade do Prof. Scherner assumir de fato a presidência do Centro. A realização do “II Festival da Torneira Poética” contou com a participação do Centro; novos sócios são admitidos.

DÉCADA DE 1980

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Em 1980, o Centro vê o seu transcurso de forma rotineira, com o lançamento de novas obras literárias, ao mesmo tempo em que começa a sentir o abandono de suas atividades, pela ausência contínua de muitos sócios, cuja sugestão é excluí-los.

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Em junho, realiza o III Festival da Torneira Poética e no final do ano, elege uma nova diretoria, tendo como presidente Apolo Taborda França. À posse da nova diretoria, esteve presente o vice-governador do estado, José Hosken de Novaes.


História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

O novo plano diretor de Curitiba permitiu a fusão do casario tradicional com a moderna distribuição de espaços urbanos.

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334 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


1912-2012

1980-1982 Histテウria do Centro de Letras do Paranテ。

GESTテグ

Apollo Taborda Franテァa

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Appolo Taborda França nasceu em Curitiba, a 11 de novembro de 1926, filho

do Dr. Heitor Stockler de França e de Brasilia Taborda Ribas de França.

Apos seus estudos básicos no Instituto Santa Maria, matricula-se na Faculdade de Direito da Universidade do Paraná, nela se diplomando em 1952, e ainda dispôs de tempo para as faculdades de Ciências Econômicas e Jornalismo. Durante quase vinte anos, desempenhou as funções como advogado-chefe da consultoria e procuradoria jurídica do SESI. Professor e coordenador do curso de Jornalismo da PUC, participa de seminários, mesas-redondas, simpósios e congressos, não só no Brasil como no exterior. Na área da Imprensa, foi redator de “O Estado do Paraná”, por mais de vinte anos e fundador do litorêneo “Tribuna de Guaratuba”. Presidente do Centro de Letras do Paraná, no biênio 1980-82. Sócio também do Círculo de Estudos Bandeirantes, Instituto Histórico e Geográfico, da União Brasileira dos Trovadores da qual foi, muitas vezes, presidente e da diretoria. Na Academia Paranaense de Letras é o 1º ocupante da cadeira nº 36, fundada por seu pai, Dr. Heitor Stockler, cujo patrono é Ricardo de Lemos. Exímio trovador, na sua bibliografia predomina a trova, por exemplo: Sinfonia da Rua 15, 1976; A Lua Escorregou Pela Parede, 1976;

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

O Nosso Alfabeto, 1982;

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Praças de Curitiba; 10 Temas de Literatura - Antologia organizada por ele com poesias suas.


Comissão Social Flora Munhoz da Rocha Juril de Plácido e Silva Carnascialli Marita França Departamento de Imprensa e Propaganda Maria Alba Xavier da Silva Selene Amaral Sperandio Hellê Veloso Fernandes Departamento de Artes Theodoro de Bona Ario Dergint Fernando Pernetta Veloso Octávio de Sá Barreto Rosely Veloso Roderjan

História do Centro de Letras do Paraná

De 21.11.1980 a 30.11.1982, Chapa “Júlio Pernetta” em 18.12.1980. Presidente:- Apollo Taborda França Vice-Presidente:- Túlio Vargas 1º Secretário:- Nelson Saldanha de Oliveira 2º Secretário:- Astrogildo de Freitas 1º Tesoureiro:- Orlando Woczikosky 2º Tesoureiro:- Faustino Fávaro 1º Orador:- Ceres De Ferrante 2º Orador:- Felício Raitani Neto Bibliotecário:- José Carlos Veiga Lopes Conselho Fiscal Vasco José Taborda Ribas Pompília Lopes dos Santos Osvaldo Pilotto Conselho Literário Manoel de Oliveira Franco Sobrinho Ruy Noronha de Miranda Graciete Salmon

1912-2012

No Largo da Ordem, o início da preservação dos prédios históricos.

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Inverno gelado no calçadão da Rua XV de Novembro.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

O ano de 1981 foi marcado pelas intensas atividades da nova diretoria; em maio, a realização da palestra do confrade Astrogildo de Freitas; com o tema “Palmeira e Palmeirenses”; em outubro, João Manoel Simões fala brilhantemente sobre a obra do poeta romano Virgílio, sendo muito aplaudido.

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No final do ano, ocorre a recepção de novos sócios efetivos: José Hosken de Novaes, Dom Pedro Fedalto, Antônio Lustosa de Oliveira, Edwino Tempski, Hélio de Freitas Puglielli, Valério Hoerner Júnior, Álvaro César Dutra, Olavo Soares, Agostinho José Rodrigues, Álvaro Borges, Valêncio Xavier, Eleonora Brasil Pompeu e Lais Miranda e muitos sócios representantes. No mês de agosto de 1982, o Centro realiza, no terceiro andar do Ed. Moreira Garcez, uma grande reunião de trovadores, contando não só com a presença da maioria dos poetas do Centro, como também do interior do Estado. No final de outubro, a eleição de nova diretoria, que tomou posse solene no mês de dezembro, comemorando os setenta anos de fundação do Centro.


1912-2012

QUINTO MANDATO 1982-1985 Histテウria do Centro de Letras do Paranテ。

GESTテグ

Vasco Taborda

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De 30.10.1982 a 30.11.1984 Chapa “Leonor Castellano” Posse em 14.12.1982 Presidente:- Vasco José Taborda Ribas Vice-Presidente:- José Carlos Veiga Lopes (assumiu a Presidência em abril de 1983 por 3 meses) 1º Secretário:- Juril de Plácido e Silva Carnascialli 2º Secretário:- Nelson Saldanha de Oliveira 1º Tesoureiro:- Joaquim Carvalho 2º Tesoureiro:- Orlando Woczikosky 1º Orador:- Valério Hoerner Filho 2º Orador:- Lauro Grein Filho Bibliotecário:- Faustino Fávaro Conselho Fiscal Apollo Taborda França Manoel de Oliveira Franco Sobrinho Felício Raitani Neto

Conselho Literário Helena Kolody João Manoel Simões Hellê Veloso Fernandes Departamento de Artes Theodoro de Bona Fernando Pernetta Veloso Luiz Carlos de Andrade Lima Departamento de História Tulio Vargas Osvaldo Pilotto Luiz Carlos Pereira Tourinho

A primeira decisão da nova diretoria, em janeiro de 1983, foi sugerir a compra de um apartamento mais central, localizado na rua Visconde de Nacar, para servir de apoio administrativo ao Centro; mas, para tanto, necessário se torna alterar os estatutos do Centro, o que foi feito, com registro em cartório.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

No mês de março, as tradicionais homenagens ao aniversário da Cidade de Curitiba e lançamento de diversas obras inéditas.

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O mês de julho é reservado às homenagens da Academia Paranaense de Letras, o Centro e mais a Academia Feminina ao ilustre professor Azevedo Macedo, renomado jurista. O final do ano assinala sessão magna pelos 71 anos de fundação do Centro, com palestra de Túlio Vargas sobre a emancipação política do Paraná. O ano de 1984, no mês de agosto, assinala-se uma grande homenagem ao Dr Lúcio da Costa Borges, pelo lançamento de seu livro O Marumbi por Testemunha.


No dia 16 de agosto, homenagens póstumas ao Dr. José Cândido de Andrade Muricy; sessão solene para o lançamento do livro de Harley Clóvis Stochero, Ermida Pobre. No final do ano, é assinado um termo de comodato, autorizando a Academia Paranaense de Letras a ocupar a sede do Centro. Ocorre também a recepção de novos sócios: Oldemar Justus, James Portugal de Macedo, Lúcio da Costa Borges, Harley Clóvis Stochero, Luiz Macedo Júnior, Toshiaki Saito, Armando Soichi Iwaia. Francisco Brito de Lacerda, Moacir Bordignon, Francisco Luiz Macedo Junior, Antônio Luza e Vitorino Antônio Boff. A prorrogação do mandato da atual diretoria por mais um ano: de 30.11.1984 a 06.11.1985, por proposta do sócio Apollo Taborda França, foi aprovada, por aclamação, a prorrogação do mandato da Diretoria, pelo prazo de um ano. O Centro comemora, a dezenove de dezembro, as bodas de ouro de Valfrido Pilloto.

História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

O ano de 1985 é primeiramente dedicado a homenagear o centenário de nascimento de Ulysses Falcão Vieira, um dos fundadores do Centro. No final do ano, a posse da nova diretoria.

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342 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


1912-2012

1985-1987 Histテウria do Centro de Letras do Paranテ。

GESTテグ

Harley Clテウvis Stocchero

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Harley Clóvis Stocchero, natural da Vila de Tamandaré, hoje cidade, nasceu

em 22 de outubro de 1926, filho de Bórtolo Ferreira Stocchero e de Hercília de Oliveira Stocchero, ambos de tradicionais famílias.

Fez curso de Humanidades na escola local, passando, em seguida, para o Colégio Novo Ateneu e Iguaçu, em Curitiba, e Barão de Antonina, em Mafra, Santa Catarina. Foi nomeado, em 1945, para a Inspetoria Regional de Estatística, no Paraná, retorna, mais tarde, aos estudos, formando-se em Contabilidade e Professor Normalista. Concluiu, em 1975, o curso de Direito, pela PUC de Curitiba. Possui formação artística, diplomado que foi em Desenho e Artes Plásticas, pela Escola de Música e Belas Artes Santa Cecília, de Curitiba. Participou também de cursos de gravura em xilogravura e linóleo, junto ao Solar do Barão, da Fundação Cultural de Curitiba. No campo literário, embora com antecedentes criativos na revista “Tingui”, produção de contos, estudo histórico e premiação em concurso na cidade de Apucarana, somente em 1983 passou a se dedicar mais intensamente à atividade cultural, após obter láurea em concurso promovido pela Academia de Letras José de Alencar. Exerceu a presidência do Centro de Letras do Paraná, no biênio 86-87. Pertenceu aos quadros da Academia Paranaense de Poesia, na cadeira 12 que fundou, escolhendo seu amigo Ciro Silva que frequentava a casa de seus pais.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Na Academia Paranaense de Letras, foi 5º ocupante da Cadeira nº 6, substituindo Felício Raitani Neto, cujo patrono é o Senador Francisco Correia Neto.

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Pertenceu também à União Brasileira de Trovadores, na qual foi figura destacada, e ao Institutio Histórico e Geográfico do Paraná. Em 1995, foi eleito para a Academia Sul-brasileira de Letras, com sede em Pelotas. Excelente trovador, recebeu muitas citações e prêmios em concursos de nível nacional, além de excelente sonetista, também compunha versos em outras métricas.


Nos almoços com música e poesia da Academia Paranaense da Poesia, alegrava a todos com sua gaitinha de boca. Faleceu em Almirante Tamandaré, em 23 de março de 2005. Bibliografia: Ermida Pobre, 1984 Poetas na Praça 7 Poetas, 1986 e 2002. Os Dois Mundos, O Pouso dos Guaraipos, Recordações de Clevelândia, Andanças na Terra Tingui, Seleções Poéticas e Novas Cantigas, A Vingança da Terra.

Conselho Literário Apollo Taborda França Hellê Veloso Fernandes Orlando Woczikosky Departamento de Artes Theodoro de Bona Ricardo Krieger Z. Henrique Morozowski Departamento de História Túlio Vargas Valério Hoerner Filho Valfrido Pilotto

História do Centro de Letras do Paraná

De 06.11.1985 a 16.11.1987 Posse em 19.12. 1985 Presidente:- Harley Clóvis Stochero Vice-Presidente:- Lauro Grein Filho 1º Secretário:- Moyses Paciornick 2º Secretário:- Nelson Saldanha de Oliveira 1º Tesoureiro:- Vasco José Taborda Ribas 2º Tesoureiro:- Ario Taborda Dergint 1º Orador:- Faustino Fávaro 2º Orador:- Vera Vargas Bibliotecário:- Astrogildo de Freitas Conselho Fiscal Ruy Miranda José Carlos Veiga Lopes Felício Raitani Neto

1912-2012

(Biografia e Antologia – Org. Paulo Roberto Karam).

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No início de 1986, as homenagens aos sócios recentemente falecidos: Graciette Salmon, Joaquim Carvalho e Leonardo Henke. Em outubro, sessão em homenagem ao advogado Dálio Zippin, por sua filha Anita Zippin Monteiro da Silva, com o lançamento do livro O Dálio que eu vi; no final do ano, sessão solene para comemorar os setenta e quatro anos de fundação do Centro. Em junho de 1987, o Centro realiza sessão extraordinária, em homenagem ao Dr Newton Carneiro, falecido em trágico acidente. No mesmo mês, Leonilda Hilgenberg Justus lança o seu livro Naquelas Horas... Nelson Saldanha de Oliveira recebe gratificação para exercer o cargo de Secretário Executivo do Centro. No mês de setembro, sessão em homenagem a Vasco Taborda Ribas, pelo seu regresso de viagem à Europa; no mês de outubro, as condolências pelo falecimento de Rosário Farani Mansur Guérios, renomado filólogo.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

No final do ano, a eleição de nova diretoria, com a admissão de novos sócios: Anita Zippin, Alzeli Bassetti, Carlota Faria de Campos, Eliana Damico Fonseca, Ercília Martins, Jofre Gineste,Leony de Souza Diotalevi, Maria Maciel Alzamora, Maria do carmo Santos, Maria Luiza Bizerril, Mário Marcondes, Nubar Salibian, Oldemar Vergés Bordin, Pedro Baggio, Regina Kracik Tizzot, Reinaldo Atem, Roza de Oliveira, Tereza Teixeira Brito, Vanda Fagundes Queirós e muitos sócios correspondentes.

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Histรณria do Centro de Letras do Paranรก

1912-2012

Praรงas em Curitiba. Generoso Marques (a cima) e Rui Barbosa (a baixo).

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348 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

galeria


Hist贸ria do Centro de Letras do Paran谩

Morretes - Theodoro de Bona.

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1912-2012


UM Sร‰CULO DE CULTURA PARANAENSE

galeria

350 Pรกgina 1 - Saudade de Caboclo.


Histรณria do Centro de Letras do Paranรก

Pรกgina 2 - Saudade de Caboclo.

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1912-2012


352 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


Histテウria do Centro de Letras do Paranテ。

1912-2012

GESTテグ

Felテュcio Raitani Neto 1987-1989

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Felício Raitani Neto nasceu na cidade de Cerro Azul, em 20 de novembro de

1917, filho do jurista Francisco Raitani e de Alzira Brito Raitani, aquele originário da Cidade do Rio Grande, Rio Grande do Sul.

Fez o curso fundamental em Curitiba e formou-se em Direito, pela Universidade do Paraná; Licenciado em Filosofia, lecionou Direito Financeiro, na Faculdade de Curitiba e Filosofia, no Colégio Estadual do Paraná. Dedicou a maior parte de sua vida ao Magistério, no qual se aposentou, depois de ensinar várias gerações. Afeito à Literatura, fez do conto a sua manifestação literária principal na qual, em estilo simples e fluente, lampeja seu talento. Sua primeira obra publicada, Lendas e Crendices da Infância, teve três edições: 1944, 1978 e 1986, onde narra acontecimentos, trabalhos e convivções da meninice e traduz seu pensamento em estilo agradável e rítmico, às vezes aventuroso, às vezes filosófico. Segundo Jayme Ballão Júnior, reportado por Túlio Vargas, foi uma estreia excelente, prenunciando a inclinação do autor pelo gênero de estórias. Publicou, a seguir, Conversa de Passarinho, em duas edições, 1952 e 1986, crônicas e contos, Estórias com Amor, 1969; Longe, Longe, 1980; Erótica, contos com conotação sexual, 1985. E, mais recentemente, O Beijo e mais estórias com Amor, 1991.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Na área do Direito, revisou e atualizou a obra de seu pai: Prática do Processo Civil, com a colaboração de Carlos Raitani e Milton Condessa.

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Na literatura, com a colaboração de Colombo de Sousa e introdução de Andrade Muricy, o excelente Letras Paranaenses em duas edições: 1970 e 1971, no qual arrola e comenta os escritores paranaenses da prosa e verso da época, muitos dos quais não teriam sidos conhecidos pelos pesquisadores, dada a insuficiência de obras publicadas. Felício Raitani Neto foi um dos responsáveis pela revitalização do Centro de Letras do Paraná, do qual foi presidente, em 1988-89, reformulou a sede, que estava abandonada, e, contando com a operosidade de Luizita Albuquerque Teixeira, nossa Secretária Executiva, reimplantou as reuniões das terças-feiras com palestras diversas, concedendo também, a terceira terça-feira para a Sala do Poeta, (atual Academia Paranaense de Poesia) que ainda não tem sede própria para as reuniões dos poetas.


Eleito, em seguida, para a Presidência da Academia Paranaense de Letras, na qual foi o 4º ocupante da cadeira nº6, cujo patrono é o Senador Correia, fundada por Nestor Victor dos Santos, na sua gestão, deixou marcas de operosidade. Toda a sua obra, como escritor, é um trabalho límpido, claro, honesto e puro, na expressão do sentimento e do pensamento. Felício Raitani Neto faleceu em Curitiba, no dia 18 de abril de 2000.

1912-2012

Conselho Literário Apollo Taborda França Edwino Donato Tempski Faustino Fávaro Departamento de Artes Ceres de Ferrante Ricardo Krieger Z. Henrique Morozowski Departamento de História Túlio Vargas Valfrido Pilotto Hellê Veloso Fernandes

História do Centro de Letras do Paraná

De 16.11.1987 a 09.11.1989 Chapa “Glaucio Bandeira” Posse em 19.12.1987 Presidente:- Felício Raitani Neto Vice-Presidente:- Nelson Saldanha de Oliveira (até 02.08.1988 redigiu as Atas) 1º Secretário: Oldemar Justus (resignou em 27.02.1989, sendo substituído por Ernani Costa Straube) 2º Secretário:- Astrogildo de Freitas 1º Tesoureiro:- Valério Hoerner Filho 2º Tesoureiro: Vasco José Taborda Ribas 1º Orador:- Ruy Miranda (até 27.02.1989 quando foi substituído por Oldemar Justus) 2º Orador:- Lauro Grein Filho Bibliotecário:- José Carlos Veiga Lopes Conselho Fiscal Ario Taborda Dergint Harley Clóvis Stochero Orlando Woczikosky

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No mês de março de 1988, reunião da nova diretoria elogia Túlio Vargas pela sua coluna no jornal “Gazeta do Povo” com o título “Porta-Retrato”; é sugerido por ele que o Centro realize duas reuniões abertas mensais, com a finalidade de manter a rotina, no funcionamento do Centro. A presença de Túlio Vargas na diretoria do Centro representou uma verdadeira oxigenação na rotina da Instituição, que sentiu-se renovada em suas atividades rotineiras.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

O centrista Harley Clovis Stochero fica encarregado de cumprir as exigências da Lei Sarney quanto ao registro do Centro, na Secretaria Estadual de Cultura.

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No mês de junho, o falecimento de Maria Nicolas; o Centro assina convênio com a Fundação Cultural de Curitiba; no mês de outubro, a recepção de novos sócios: Ayrton Ricardo dos Santos, Paulo Cintra Damião, Almir da Lara, Almir Vilela, Ernani Straube, Edilberto Trevisan, Valdemiro Bley, Ivo de Angelis, Mary Schaffer, Noel Nascimento, Sully Vilarinho, Gladys França, Roberval Ferreira de Freitas, José Salvador Ferreira e Guiomar Beltrão Ferreira. É proposta a reforma dos estatutos do Centro. As atividades do Centro de Letras do Paraná sempre estiveram ligadas ao Passeio Público, como nesta homenagem ao Príncipe dos Poetas, “Revivendo Emiliano”.


Na festa de aniversário do Centro, ocorrereu a eleição de uma nova diretoria com a recepção de novos sócios: Olga Gutierrez, Isis Hauer, Fernandino Caldeira de Andrade, Luiz Carlos Valeixo, Arthur Virmond de Lacerda Netto, Utizes Bressiani Vieira, Neumar Carta Winter, Denise Guimarães, Ronald Pereira da Silva, Werner Arthur Barthelness, Maria Eliza Paciornik, Jofre Sampaio, José Oliveira Rocha e Alberto Cardoso, Idolan Zawadzki.

História do Centro de Letras do Paraná

O ano de 1989 se inicia com a sugestão do confrade Noel Nascimento de incentivar o intercâmbio com outras entidades culturais do Estado, principalmente as Universidades; em maio, a inclusão de novos sócios: Milton Ivan Heller, Alir Silva, João Baptista Alberto Gnoato, José Wanderley Rezende, Wilson Boia, Antônio José Sandmann, Samuel Guimarães da Costa, Luiz Carlos Gomes de Mattos, Daisy Lúcia Ramos de Almeida, José de Oliveira Rocha, Viviane Grahl, Telma Regina Serur, Lígia Lopes dos Santos, Maurício Fernandes Leonardo, Carlos Antônio de Almeida Ferreira, Alcina Maria de Lara Cardoso, Eny Carbonar, que tomaram posse no mês de agosto. No mês seguinte, é proposto um convênio entre o Centro e o Círculo de Estudos Bandeirantes, homologado e assinado em dezembro.

1912-2012

Celebração do primeiro convênio entre o Centro de Letras do Paraná e a Fundação Cultural de Curitiba, na gestão do Prefeito Maurício Fruet. Subscrevendo o ato, o Centrista Túlio Vargas, tendo ao fundo (a direita) Felício Raitani Neto (CLP) e ao seu lado (ao centro) Carlos Frederico Marés de Souza (FCC).

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358 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


Histテウria do Centro de Letras do Paranテ。

1912-2012

GESTテグ

Valfrido Pilotto 1989-1991

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Valfrido Pilotto nasceu em Dorizon, no Paraná, em 23 de abril de 1903, filho de

Egídio Pilotto, e de Luíza Selmar Pilotto.

No serviço público, fez carreira na Polícia Civil. Bacharelou-se em Direito, em 1932, e chegou a Secretário de Estado dos Negócios de Segurança Pública. Segundo Valério Hoerner Júnior, seu biógrafo na Biobibliografia da Academia de Letras do Paraná, Valfrido Piloto: “Ensaista consagrado e das mais expressivas inteligências contemporâneas, jornalista, poeta e historiador, sabe usar a retórica, com maestria. Filósofo dos acontecimentos, observador arguto, um polígrafo.” Iniciou sua obra literária com Humilde, em 1935, prosseguiu com Paranistas e não parou mais de escrever e publicar. Seu acervo soma mais de 50 títulos de Poesia, História, Crônicas, Biografias e Polêmicas.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Desde 1926, teve na “Gazeta do Povo” uma coluna semanal. Os anos porém fizeram com que o ardoroso polemista arrefecesse o ardor da luta pelas grandes causas e enveredasse pela filosofia circunstancial, mística, na maioria das vezes, como provam seus esplêndidos e marcantes ensaios sobre Tolstoi, daí porque, sem desvinculação do território natal, transpostas as configurações regionais, passando para o domínio nacional e mundial.

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Pertenceu à geração que pretendeu transpor a experiência futurista, na poesia, para o Paraná, e, assinado-se Oto di La Nave, escreveu diversos artigos na “Gazeta do Povo”, ameaçando publicar Tripanossomos Lapislazulis da Crença, o que deu em nada, dado ao avanço do Modernismo. Seu livro Rua de Pedra, 1948, é escrito em versos modernistas. Na Academia de Letras do Paraná, é o 1º ocupante da cadeira N° 1, cujo Patrono é Antônio Vieira dos Santos, fundada por Rocha Pombo, cadeira dos Historiadores, portanto, o próprio Valfrido valorizando esta sua faceta.


Foi um profícuo Presidente do Centro de Letras do Paraná, no período de 1989-91, colaborando para o seu atual nível de atuação. Valfrido Pilotto faleceu em Curitiba, dia 10 de março de 2006. Bibliografia: Sendo sua obra composta de mais de 50 títulos, somente estão relacionadas algumas mais significativas: Rua de Pedra, 1948, poesias; Tinguianas, 1952 – Ensaio e Crítica; Rocha Pombo, 1953 – Biografia; Excelsitude, 1960; Querência, 1967; Cogitações e Retrato, 1975; Deixai Falar a Tiradentes, 1978; José Augusto Gumi, 1971 – perfil;

Felício Raitani Neto Ayrton Ricardo dos Santos Conselho Literário Vasco José Taborda Ribas José de Oliveira Rocha Hellê Veloso Fernandes Departamento de Artes Hélio de Freitas Puglieli Orlando Woczikosky Estevam Alexandre Silveira Departamento de História Samuel Guimarães da Costa Valério Hoerner Júnior Ario Taborda Dergint

História do Centro de Letras do Paraná

De 09.11.1989 a 12.11.1991 Chapa “Emiliano Pernetta” Posse em 20.12.1989 Presidente:- Valfrido Pilotto Vice-Presidente:- Lauro Grein Filho 1º Secretário:- Túlio Vargas 2º Secretário:- Ernani Costa Straube 1º Tesoureiro:- Astrogildo de Freitas 2º Tesoureiro:- José Carlos Veiga Lopes 1º Orador:- José de Oliveira Rocha 2º Orador:- Anita Zippin Monteiro da Silva Bibliotecário:- Ceres De Ferrante Conselho Fiscal Noel Nascimento

1912-2012

e muitos outros títulos.

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DÉCADA DE 1990 Aprovada a reforma estatutária, em Assembleia Geral Extraordinária de 22.06.1990, foi criado o Conselho de ex-Presidentes, constituído de:

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Ario Taborda Dergint- Presidente, eleito em 27.11.1990 Vasco José Taborda Ribas Juril de Plácido e Silva Carnascialli Harley Clóvis Stochero Leopoldo Scherner Felício Raitani Neto Apollo Taborda França Luiz Pilotto

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O Centro inicia o ano em nova dinâmica de ação, tendo sido proposta a revisão dos estatutos do Centro, bem como a realização de palestras nas escolas. Nova rotina de reuniões com o “Chá das Cinco” e as “Terças da Poesia”; novos palestrantes são designados; propõe-se a edição de um Boletim Bimestral.


Aspecto de uma Terça da Poesia a cargo da Academia Paranaense de Poesia, na época, Sala do Poeta.

Em junho, mediante Assembleia Geral Extraordinária, são revisados os estatutos do Centro, que foram aprovados e registrados em cartório.

Presidente:- Valfrido Pilotto 1º Vice-Presidente:- Lauro Grein Filho 2º Vice-Presidente:- Samuel Guimarães da Costa 1º Secretário:- Túlio Vargas 2º Secretário:- Ernani Costa Straube 1º Tesoureiro:- Astrogildo de Freitas 2º Tesoureiro:- José Carlos Veiga Lopes 1º Orador:- José de Oliveira Rocha 2º Orador:- Anita Zippin Monteiro da Silva Diretor Cultural:- Maria do Carmo Santos Diretor Social:- Estevam Alexandre Silveira

Diretor de Patrimônio:- Valério Hoerner Júnior Diretor de Comunicação:- Helio de Freitas Puglieli Conselho Fiscal Noel Nascimento Ayrton Ricardo dos Santos Hellê Veloso Fernandes Orlando Woczikosky Wilson da Silva Bóia

História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

Com a reforma estatutária em 04.09.1990, foram retificadas as denominações de alguns cargos. Assim, é procedido o remanejamento de cargos na diretoria, adaptando-as ao novo estatuto, ficando assim constituída:

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O mês de outubro assinala a proposição de novos sócios: Bernadete Zagonel, Mário Pilotto, Alberto Orlando da Eira Rebello, Parahides Soares Pereira, Jesus Bello Galvão, Dayse Ramos da Andrade, Gilmar Cardoso, Maria Cristina de Andrade Vieira, Marco Antônio Moreira da Silva, Celso de Macedo Portugal, Paulo de Tarso Monte Serrat, Dirceu Mendes Brito, Paulo Bitencourt e Clóvis Bezerra, Valdemar Ens, Inami Custódio Pinto, Tereza Hatue Rezende, João Marcassa, George Schapatoff, José Barbosa de Lima Netto, que foram admitidos em sessão magna no mês de dezembro. O ano de 1991 assinala a admissão de novos sócios: Ruy Alvares Vieira, Renato Schaitza, Salete Chiamulera, Maria Cecília Noronha e Arthur Hauer Filho. No mês de abril, as condolências pelo falecimento de Colombo de Souza. No mês de setembro, a palestra de Antônio Celso Mendes sobre “Natureza e Artifício como paradigmas filosóficos”.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Falece o ex-governador Moysés Lupion. Em novembro, apresentação da chapa que comporá a nova diretoria. São admitidos novos sócios:

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Ariosvaldo Cruz, Carla Yashin Cruz, Chlorys Casagrande Justen, Clotilde Branco Germiniani, Eros Gradowski, Euro Brandão, Henrique Lenz Cezar, João Acir Raitani, João Feder, João Maurício de Almeida, José Carlos Gabardo, Maria do Carmo Krieger Goulart, Marino Brandão Braga, Munir Karan, Nancy Westphalen Correia, Negi Calixto, Olívio Ronconi, Paulo Roberto Karan, Paulo Hilário Bonametti, José Penalva, Pe. Gustavo Pereira, Raphael Greca de Macedo, Tufy Maron Filho, Raimundo Negrão Torres, Nylzamira Cunha Bejes, Marlova Raimunda, Ruben Pinheiro, Manuel de Oliveira Teixeira, Jorge Andriguetto, Izza Zilli, Arnaldo Anater, Celso Macedo, Nely Valente de Almeida, que foram recepcionados em sessão magna, comemorativa ao 79º aniversário do Centro, com a posse da nova diretoria.


Aspecto da Posse em Dezembro de 1992. Na mesa: Valfrido Pilotto, Lauro Grein Luiz Reneto Pedroso. Recepiendário: Paulo Roberto Karam. Ao Microfone: Ernani Straube.

História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

Valfrido Pilotto ladeado por Helena Kolodi e Adélia Maria Woellner.

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366 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


Histテウria do Centro de Letras do Paranテ。

1912-2012

GESTテグ

Lauro Grein Filho 1991-1993

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Lauro Grein Filho nasceu em Rio Negro, Paraná, em 9 de agosto de 1921, filho

de Lauro Grein e de Maria da Conceição Sabóia Grein.

Depois de seus estudos preliminares, a partir de 1926, em Curitiba, estudos estes na Escola de Dona Carola e no Novo Ateneu, ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade do Paraná, colando grau em 1943, e distinguido, na ocasião, com o Prêmio Ramar, por haver obtido o 1° lugar em Clínica Médica. Radicado em Castro, dirige o jornal e a emissora de rádio locais, inclinando-se nitidamente para o campo das letras, a par das atividades profissionais da Medicina. Atraído pela política, elegeu-se vereador e presidente da Câmara Municipal. Do primeiro conto que publicou na revista “Fon-Fon”, aos demais que lhe ampliaram o horizonte criativo, revelou-se o escritor primoroso que iria desdobrar a vocação em festejados livros de memória . Ao transferir-se para Curitiba, ampliou a área de atuação intelectual como integrante da Academia Paranaense de Medicina, Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (SOBRAMES) e do Centro de Letras do Paraná dos quais foi operoso Presidente. Em nosso Centro introduziu inovações modernizantes e programas atraentes, elevando o conceito da entidade junto à sociedade cultural do Estado. Tem exercido atuante atividade comunitária, ocupando a presidência do Lions Club Curitiba-Centro, e do Club 21 Irmãos Amigos. Condecorado com a Ordem da Bandeira, por assinalado destaque no campo do Civismo, Científico, Cultural e Humanista.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Coleciona diversos títulos de relevância, tais como a Gran Cruz da Ordem de Malta, Medalha Dourada da União Brasileira de Trovadores.

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Como presidente da Cruz Vermelha do Paraná, em Curitiba, tem desenvolvido administração altamente profícua . Nessa condição, tem visitado países da América e da Europa, em observação e estudos, com o que tem aperfeiçoado os serviços essenciais daquela benemérita instituição.


Túlio Vargas, na biografia que fez para a Biobibliografia da Academia Paranaese de Letras acentua o talento de Lauro Grein Filho, nos relevantes campos da Memória e da Evocação. Na Academia Paranaense de Letras, Lauro é 1º ocupante a cadeira 31, cujo patrono é Emílio de Menezes, fundada por Helvídio Silva. Foi Presidente do Instituto Histórico e Geográfico. Bibliografia: Hora de Lembrar, 1983; Fatos que Ficaram;

Diretor de Patrimônio:- Noel Nascimento Diretor de Comunicação: Anita Zippin Monteiro da Silva Coordenadores de Projetos Especiais: Roza de Oliveira e Orlando Woczikosky Coordenador de Assuntos Jurídicos:- Arthur Virmond de Lacerda Coordenador Artístico:- Maria Cecília Noronha Coordenador do Setor Jovem: Estevam A Silveira Conselho Fiscal Astrogildo de Freitas Hellê Veloso Fernandes Samuel Guimarães da Costa José de Oliveira Rocha José Carlos Veiga Lopes Passa a integrar o Conselho de Ex-Presidentes, Valfrido Pilotto.

História do Centro de Letras do Paraná

De 12.11.1991 a 09.11.1993 Chapa “Valfrido Pilotto” Posse em 17.12.1991 Presidente:- Lauro Grein Filho 1º Vice-Presidente:- Túlio Vargas 2º Vice-Presidente: Fernandino Caldeira de Andrada 1º Secretário:- Ernani Costa Straube 2º Secretário:- Adélia Maria Woelner 1º Tesoureiro:- Ayrton Ricardo dos Santos 2º Tesoureiro:- Waldemiro Bley Júnior 1º Orador:- Wilson da Silva Bóia 2º Orador:- Alzeli Basseti Diretor Cultural:- Maria do Carmo Santos Diretor Social:- Helio de Freitas Puglieli

1912-2012

O Estetoscópio, in Escritores do Brasil, organizado por Aparício Fernandes em 1980.

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No ano de 1992, a sugestão é pela redução do número de reuniões, para que, assim, seja possível aumentar a frequência. Para tanto, é organizado um programa prévio de palestras e reuniões. No mês de agosto, Alzeli Basseti propõe que os candidatos a prefeito venham ao Centro comentar seus projetos relacionados à cultura. Em novembro, a proposta para inclusão de novos sócios: Afonso de Santa Cruz, Aldo Silva Júnior, Maria da Luz Werneck, Marlene Tourinho Britez, Nadir Infante Vieira, Ana Amélia Filizolla, Ary de Cristan, Carmem Zanki, Edvino Ferrari, Egdar Zanoni, Mieceslau Surek, Élio Eugênio Muller, Izabel Kluger Mendes, Zorah Dalcanalle, Ivo Arzua Pereira, Jaqueline Andrea Glaser, João Batista Kolbe, Mário Bley Pereira Júnior, Luiz Cesar de Oliveira, Luís Renato Pedroso, Wanderley Vieira, Rubens Correa, Ruy F. de Oliveira, Sebastião Lima, Sílvio Sebastiani. O ano termina com a realização de sessão magna pelo 80º aniversário do Centro, com a posse dos novos sócios.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

O ano de 1993 transcorre bastante ativo, em termos de palestras previamente programadas; no final do ano, ocorre a eleição de uma nova diretoria e a admissão de novos sócios: Luiz Geraldo Mazza, Luiz Romaguera Netto, Dino de Almeida, Maria Cecília Rosemann, Emir Kalluf, Margarita Sansoni, João Carlos Calvo, Maria do Carmo Cavalcanti Fortes, Gilberto Pacheco, Osmann de Oliveira, que tomaram posse na sessão comemorativa ao 81º aniversário do Centro.

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Curitiba por ocasião de seu tricentésimo aniversário.


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Hist贸ria do Centro de Letras do Paran谩

1912-2012


372 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


1912-2012

1993-1995 Histテウria do Centro de Letras do Paranテ。

GESTテグ

Samuel Guimarテ」es da Costa

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Samuel Guimarães da Costa nasceu em Paranaguá, em 22 de dezembro de

1918, filho de Augusto Régis Pereira da Costa e de Maria Tereza Guinarães da Costa, ambos de tradicionais famílias ligadas à política e às artes. Seu tetravô era o Patriarca Manoel Antônio Pereira, último Capitão-Mor e primeiro prefeito de Paranaguá. Foi a influência do pai que o fez enveredar pelo Jornalismo, depois de concluído o curso fundamental, na Escola Paroquial e Escola Normal de Paranaguá. Fez o Ginasio Paranaense, em Curitiba. Na vida profissional, começou como repórter da “Gazeta do Povo”, evoluindo para editorialista. Colaborou com diversos jornais e revistas. Simultaneamente, participou do movimento cooperativista no Estado. Criada a Federação das Cooperativas do Paraná, exerceu os cargos de Assistente, Superintendente e Assessor do Conselho de Administração. Assessorou igualmente os Ministros paranaenses Aramis Athayde e Bento Munhoz da Rocha Neto. Mais tarde, foi requisitado pelos governadores Ney Braga e Paulo Pimentel, cuja Casa Civil chefiou. Em 1983, recebeu o título de Cidadão Benemérito do Paraná, outorgado pela Assembleia Legislativa.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Manteve sempre atividade dinâmica e ininterrupta, tanto na área jornalística quanto como Presidente do Conselho de Ética do sindicato classista ou vice-presidente da associação de Jornalistas em Economia e Finanças do Estado do Paraná, quanto na produção literária, como provam seus diversos livros publicados.

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Petenceu a diveras entidades culturais, sendo destacáveis o Centro de Letras do Paraná, do qual assumiu a presidência, no biênio 1993-95, e no qual promoveu a modernização de nossa entidade. Pertenceu também ao Instituto Histórico e Geográfico e ao Centro de Letras Leôncio Correia, de Paranaguá. Faleceu em Curitiba, dia 14 de julho de 1997.


Bibliografia: Formação Democrática do Exército Brasileiro, 1957, Menção Honrosa do Prêmio Pandiá Calógeras; Economia Ervateira, 1958; Estudo das Áreas Culturais como Fundamento da Educação, 1965; Paraná, 1975; O Último Capitão-Mor, 1988; Erva-Mate no Paraná, 1989 As Quatro Faces da Geração de 22, 1992; História Política da Assembleia Legislativa do Paraná,

Diretor de Patrimônio: Astrogildo de Freitas Diretor de Comunicação: Alzeli Basseti Coordenador de Projetos Especiais: Roza de Oliveira Coordenador de Assuntos Jurídicos: Celso Portugal Coordenador Artístico: Maria do Carmo Santos Conselho Fiscal Ceres De Ferrante Jorge Andrigheto Raymundo Negrão Torres Ayrton Ricardo dos Santos Marino Bueno Brandão Braga Passa a integrar o Conselho de ex-Presidentes, Lauro Grein Filho

História do Centro de Letras do Paraná

De 09.11.1993 a 07.11.1995 Chapa “300 anos de Curitiba” Posse em 14.12.1993 Presidente: Samuel Guimarães da Costa 1º Vice-Presidente: Wilson da Silva Bóia 2º Vice-Presidente: João Marcassa 1º Secretário: Adélia Maria Woelner 2º Secretário: Ernani Costa Straube 1º Tesoureiro: Waldemiro Bley Júnior 2º Tesoureiro: Fernandino Caldeira de Andrada 1º Orador: Túlio Vargas 2º Orador: Anita Zippin Monteiro da Silva Diretor Cultural: Ruy Alvares Vieira Diretor Social: Milton Vernalha

1912-2012

além de esparsa produção de crônicas e artigos.

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Aceita sugestão de que uma reunião de cada mês seja reservada a comentar o tema “O que fiz pela Cultura”, sob a responsabilidade do titular da Secretaria da Cultura; Túlio Vargas propõe a reforma dos estatutos, para que o Centro passe a cobrar mensalidades; organiza-se a programação de palestras para o primeiro semestre; diminui a frequência dos sócios; nova programação de palestras para o segundo semestre. No final do ano, a inclusão de novos sócios: Amaury de Oliveira e Silva, Ângelo Batista, Antenor Bonfim, Armando Ribeiro Pinto, Claret de Rezende, Dubby Loprete Frega, Horácio Ferreira Portella, João Cid de Macedo Portugal, José Carlos Mercer, José Ribamar Gaspar Ferreira, Luiz Alberto Bordenowski, Luiz Roberto Soares, Milton Cavalcanti, Wilson de Lucca, Irineu José Ferreira, Olga Maria Soares da Costa, Rafael de Lalla, Rubens Nogueira e Estefano Levandowski, que tomaram posse na sessão magna do fim do ano. Em fevereiro de 1995, a diretoria acolhe o nome de Antônio Celso Mendes para compor o Conselho Fiscal; organiza-se a agenda para o primeiro semestre e também para o segundo.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

No final do ano, a eleição de nova diretoria e a criação de nova categoria de sócios, aqueles considerados ‘Beneméritos’: Deputado Norton Macedo, Ministro José Eduardo Andrade Vieira, Lúcia Camargo, Alice Ruiz, Geraldo Paegy, Edmond Fatuch, Carlos Antônio de Almeida Ferreira, Carlos Francisco Marés de Souza Filho; o Centro admite novos sócios: Heriberto Arns, Vergínia Andersen, Maurício Humberto de Souza Leitão, Warum Sole, Alexandre Dabile, Heron Arzua, Luizita D’Alburquerque Teixeira.

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História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

A antiga estação de trem agora revitalizada, é museu ferroviário.

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378 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


1995-1997

Histテウria do Centro de Letras do Paranテ。

Fernandino Caldeira de Andrada

1912-2012

GESTテグ

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Fernandino Caldeira de Andrada, descendente dos Andrada, próceres da

Independência, nasceu em 17 de junho de 1919, em Florianópolis, Santa Catarina, filho de Patrício Caldeira de Andrada e de Gillete Caldeira Barros. Seus cursos de primeiras letra e preparatórios foram em Florianópolis; depois, vindo para o Paraná, formou-se em Direito pela Universidade Federal do Paraná. Tornou-se advogado, conselheiro da Ordem, vice-presidente do Conselho Seccional e membro do Instituto dos Advogados. Pertenceu à Diretoria da Fundação Bamerindus, da Fundação João XXIII, Fundação Avelino Vieira e da Fundação Presbiteriana de Curitiba, das quais exerceu a presidência. Presidente do Centro de Letras do Paraná, no biênio 1996-1998.

Dedicado à História, principalmete à que se refere aos descendentes da Família Real brasileira e ao Direito, brindou-nos em conferências sobre esses assuntos. Bibliografia: Um Comandante de Bancos, 1971; Uma Vida que ensinou a Viver. 1973;

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

O Pitoresco na Advocacia – Organizador, 1991.

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De 07.11.1995 a 11.11.1997 Eleição por aclamação Posse 19.12.1995 Presidente:- Fernandino Caldeira de Andrada 1º Vice-Presidente:- José Carlos Veiga Lopes 2º Vice-Presidente:- Túlio Vargas 1º Secretário:- Ernani Costa Straube 2º Secretário:- Raymundo Negrão Torres 1º Tesoureiro:- Ruy Alvares Vieira 2º Tesoureiro:- Waldemiro Bley Júnior 1º Orador:- Wilson da Silva Bóia 2º Orador:- Luiz Renato Pedroso Diretor Cultural:- Marino Bueno Brandão Braga Diretor Social:- Adélia Maria Woelner Diretor de Patrimônio:- Rubens Nogueira

Diretor de Comunicação:- Ângelo Batista Coordenador de Projetos Especiais:- Roza de Oliveira Coordenadores de Assuntos Jurídicos: Celso Portugal e Mário Diney Bittencourt Coordenador Artístico:- Maria do Carmo Santos (até 02.04.1996, após Alzeli Bassetti) Conselho Fiscal Ernani Simas Alves Astrogildo de Freitas Rubens Pinheiro Orlando Woczikoski Horácio Portela Passa a integrar o Conselho de ex-Presidentes, Samuel Guimarães da Costa.


O ano de 1996 começa com o levantamento das dificuldades financeiras do Centro; é fixada a importância de dez reais como contribuição mensal espontânea de cada sócio; é proposta medida judicial, com vistas a elevar o valor dos aluguéis dos imóveis pertencentes ao Centro; nova pauta de reuniões: uma formal, às primeiras terças-feiras; e a realização da “Sala do Poeta”, nas terceiras terças de cada mês. Fica estabelecida a programação para o primeiro semestre. Sugestão para que se realize uma “Semana dos Escritores Paranaenses”. Luiz Renato Pedroso comunica a eleição de Antônio Celso Mendes como presidente do Rotary Club de Curitiba-Norte.

História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

No final do ano, a admissão de novos sócios: Edson Vidal Pinto, Manuel Dória Guimarães Filho, Jorge Samek, Otávio Secundino Júnior, Cliceu Luiz Basseti, Marly Garcia Correia, Beatriz Helena Gessner, Rafael Otávio Zanlorenzi, Cattia Toledo Mendonça, Oziel Moura Santos, Marize Manuel, Aldacy do Carmo Capaverde, Joyce Novaes Kirchner, Palmerinda Vidal de Oliveira, Rafael C. Teigão, por ocasião da sessão magna de aniversário do Centro.

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382 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


Hist贸ria do Centro de Letras do Paran谩

1912-2012

A cidade ganha seu contorno atual.

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384 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


1912-2012

1997-1999 Histテウria do Centro de Letras do Paranテ。

GESTテグ

Adテゥlia Maria Woellner

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Adelia Maria Woellner nasceu em Curitiba, em 20 de junho de 1940, filha de

Osvaldo Woellner e Iolanda Joslyn Woellner.

As primeiras letras obteve no Grupo Escolar Barão do Rio Branco, Instituto de Educação e Colégio Estadual do Paraná. Graduou-se no Curso Normal e, finalmente, bacharel em Direito, pela Universidade Federal do Paraná, na qual obteve medalha de ouro, no prêmio “Professor Ernani Cartaxo” e Prêmio “Faculdade de Direito”, Prêmio “Professor Laertes Munhoz”, (medalha de Prata), e Prêmio “Enéas Marques dos Santos”, com a Medalha de Bronze. Assim, não lhe seria difícil conquistar seu lugar no magistério superior, como professora de Direito Penal, na PUC (Pontifícia Universidade Católica). Durante trinta anos, foi funcionária de Rede Ferroviária Federal, ocupande gradativamente cargos de maior importância, graças à sua competência e inteligência até, por fim, ser empossada na chefia do Departamento de Recursos Humanos; por sinal, a primeira mulher a ocupar esse honroso cargo, não só de caráter regional, mas de âmbito nacional, o que lhe valeria a concessão da Medalha de Mérito Ferroviário. Participante de vários Congressos, Feira de Livros e Seminários no exterior, principalmente em Quebec e no México, teve a oportunidade de confirmar a sua multiforme presença no campo das artes, em geral.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Seus poemas se encontram em diversas publicações nacionais, e seu nome incluído com destaque em antologias, dicionários e Enciclopédias.

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Revisora, por seis anos da “Revista Correio dos Ferroviários”, palestrante requisitada em diversas ocasiões por entidades culturais, além de sócia do Centro de Letras do Paraná, onde foi Presidente, no período 1998-99, movimentando as reuniões com palestras, lançamento de livros e comemorações de centenários, pertence à Academia José de Alencar, à Academia Paranaense da Poesia, onde ocupa a cadeira 26, cujo patrono é Durval Borges e à Academia Paranaense de Letra, onde ocupa a cadeira nº15, fundada pelo poeta Clemente Ritz e apadrinhada por Dr. Pedrosa, além de sua atuação efetiva na UBT e no Centro Paranaense Feminino de Cultura.


Suas poesias, de caráter transcedental, voltadas para a filosofia, são também, muito líricas, obedecendo ao estilo modernista. Usou os nomes literários de Adélia Maria e Adélia Garcia . Bibliografia: Balada do Amor que se Foi, 1963; Nhanduti, 1964; Poesia Trilógica, 1972; Encontro Maior, 1982; Avesso Meu, 1992; Poemas Soltos, 1992; Infinito Em Mim, 1997; A Ciranda da Estrela Sozinha - ensaio sobre Graciette Salmon,1997; um livro de autobiografia; A Água Que Mudou De Nome, Infantil De Caráter Ecológico,

História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

etc.

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De 16.12.1997 a 16.12.1999 Eleição por aclamação Posse 16.12.1997 Mandato 1998-1999 Presidente:- Adélia Maria Woelner 1º Vice-Presidente:- Wilson da Silva Bóia 2º Vice-Presidente:- Alzeli Bassetti 1º Secretário:- Raymundo Torres Negrão 2º Secretário:- Luiz Romaguera Neto 1º Tesoureiro:- Waldemiro Bley Júnior 2º Tesoureiro:- Ernani Costa Straube 1º Orador:- Túlio Vargas 2º Orador:- Lauro Grein Filho Diretor Cultural:- Roza de Oliveira Diretor Social:- Anita Zippin Monteiro da Silva

Diretor de Patrimônio:- Astrogildo de Freitas Diretor de Comunicação:- Rubens Nogueira Diretor de Projetos Especiais:- Hilary Grahl Passos Diretores de Assuntos Jurídicos:-Estefano Ulandoski e Celso Portugal Diretor Artístico:- Shirley Queiroz Diretor da Biblioteca:- Horácio Portela Diretor de Divulgação:- Juril de Plácido e Silva Carnascialli Diretor de Relações Exteriores:- Ozeil Moura Santos Conselho Fiscal Ruy Alvares Vieira Joel Pugsley Paulo Karam Marino Bueno Brandão Braga Ângelo Batista Passa a integrar o Conselho de ex-Presidentes, Fernandino Caldeira de Andrada.

O ano de 1998 começa com a programação sugerida para o primeiro semestre, com a realização de diversas palestras.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

No mês de maio, a realização, no parque Barigui, da Feira Interamericana do Livro.

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Oziel Moura Santos, Cônsul do Senegal, propõe intercâmbio com entidades culturais dos países do Mercosul. Em junho, é proposta a programação para o segundo semestre. Falecem os centristas Dario Lopes dos Santos e Luiz Alburquerque.


O Centro recebe a visita e palestra informal de Marcus Vinicius Vilaça, da Academia Brasileira de Letras; no final do ano, a eleição de uma nova diretoria, sob a presidência de Adélia Maria Woelner e admissão de novos sócios: Adelar José Schueda Barbosa, Antônio Garcia, Flávio Horizonte da Costa, Ivete Terezinha Mion Bodaczny, João Bosco da Rocha Strozzi, João Darci Ruggieri, Lilia Machado de Souza, Lourdes Strozzi, Pedro Destome de Mendonça, Sílvio Marques Antunes, Dimas Florian e Julieta Reis. Ainda no final do ano, as comemorações pelo 85º aniversário do Centro. Em março, a nova diretoria apresenta proposta de aumento da mensalidade simbólica de vinte para trinta reais por mês, para custear as despesas do Centro. Propõe-se pedir ao Prefeito que construa um Farol do Saber na penitenciária feminina do Estado. É fixada a programação para o segundo semestre. São propostos novos sócios: Hélio Puglieli e Marco Antônio Monteiro da Silva. O assessor jurídico Estefano Ulandowski faz relato sobre a situação dos aluguéis, de preços defasados. Valêncio Xavier e Raimundo Negrão Torres têm seus livros publicados por editoras nacionais.

Ao transcurso do último ano da década, Adélia propõe a necessidade de reforma dos estatutos do Centro; fixam-se as programações do 1º semestre; salienta-se a necessidade de retomada dos imóveis pertencentes ao Centro; é estabelecida a programação de palestras para o segundo semestre. No mês de novembro, realiza-se a eleição da nova diretoria, encabeçada por Luiz Renato Pedroso, que foi eleito.

História do Centro de Letras do Paraná

Em dezembro, novos sócios são admitidos: José Alexandre Saraiva, Nilza Guerra Brizola, Pedro Guilherme dos Reis e Sônia Maria Barbosa Braga.

1912-2012

Há programação para a comemoração do centenário de Cruz e Souza, poeta catarinense.

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390 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

O ícone da cultura paranaense é um legado do grande Oscar Niemeyer (1907-2012).

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392 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


1912-2012

1999-2012 Histテウria do Centro de Letras do Paranテ。

GESTテグ

Luiz Renato Pedroso

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Luiz Renato Pedroso nasceu em Foz do Iguaçu, em 18 de fevereiro de 1928, filho

de Accácio Pedroso e Sara Sottomaior Pedroso, ele autodidata, comerciante, Prefeito Municipal, Inspetor Geral do Ensimo, à época de Território Federal do Iguaçu. As primeira letras obteve no Grupo Escolar Bartolomeu Mitre, concluindo-as na Escola Anexa ao Instituto de Educação, em Curitiba, e o secundário, no Liceu Rio Branco, em regime de internato. Formou-se em Direito, pela Universidade do Paraná , tuma de 1950.

Optando pela judicatura, foi Promotor Público em Campo Mourão, Mandaguari e São José dos Pinhais, advogado do Departamento de Estradas de Rodagem, e do Departamento de Terras e Colonização. Em 1955, foi nomeado Juiz Substituto, na Seção Judiciária de Londrina, que abrangia Cambé e Rolândia. Classificado em primeiro lugar no concurso para Juiz de Direito, foi nomeado para Araruva, hoje Marilândia do Sul e, três mese depois, promovido, por merecimento para Astorga, onde permaneceu por oito anos, sendo removido, também por merecimento, para Londrina, e, posteriormente para Curitiba, judicando na Primeira Vara dos Feitos da Fazenda Federal, Estadual e Municipal. Com a criação do Tribunal de Alçada, em 1970, foi nomeado para ele, tendo exercido a vice-presidência e a presidência de tal corte. Foi nomeado Desembargador e foi Corregedor Geral de Justiça e Presidente do Egrégio Tribunal de Justiça. UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Foi Presidente, por quatro mandatos, da Associação dos Magistrados Brasileiros.

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Aposentou-se em 1993. Em Astorga, lecionou português, na Escola Normal Monsenhor Celso e na Escola Tècnica de Comércio Humberto de Campos, sem receber qualquer remuneração.


Publicou vários trabalhos jurídicos, em revistas especializadas e proferiu diversas palestras, abordando temas jurídicos. Na Faculdade de Direito de Londrina, foi professor de Direito Civil e paraninfou a turma de 1968. Em Curitiba, lecionou Direito Civil e Direito Processual Civil, na PUC e, na Fundação de Estudos Sociais do Paraná deu aulas de Direito Administrativo e Comercial. Foi, por três mandatos consecutivos, presidente da Academia de Cultura de Curitiba, e pelo sexto mandato, Presidente do Centro de Letras do Paraná, entidade na qual atua com abnegação e entusiasmo, procurando verbas e mais que tudo a reativação da publicação da “Revista do Centro de Letras”, que estava há vinte e cinco anos sem ser editada, havendo dela mais 12 edições, sob o seu mandato. Bibliografia:

Departamento de Comunicação: Anita Zippin Departamento Social: Shirley Queiroz Departamento Patrimonial: Joel Pugsley Departamento Jurídico: Fernandino Caldeira de Andrada Departamento Artístico: Neumar Carta Winter Conselho Fiscal: Clotilde de Quadros Cravo Maria do Carmo C.Fortes Estefano Ulandowski Munir Karam Tufi Maron Filho

História do Centro de Letras do Paraná

De 14. 12. 1999 a 11.12. 2001 Eleição por aclamação Posse 14. 12. 2000 Presidente:- Luiz Renato Pedroso 1º Vice Presidente: Túlio Vargas 2º Vice Presidente: Raimundo Negrão Torres Conselheiro:- Alzeli Bassetti Prochmann 1º Secretário: Horácio Ferreira Portela 2º Secretário: Waldemiro Bley Júnior 1º Tesourerio: Paulo Roberto Karam 2º Tesoureiro: Angelo Batista 1º Orador: Wilson da Silva Bóia 2º Orador: Aldo Silva Júnior Departamento Cultural: Ivete Terezinha Mion Bodaczny

1912-2012

Um Pouco de Mim, coleção de crônicas editadas no “Estado do Paraná”.

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Realiza-se a reforma dos Estatutos. Aprova-se a inclusão de novos sócios: Armando Oscar Cavanha, Carlos Danilo Costa Cortes, Dária Farion, Dario Livino Torres e João Laurindo de Souza Netto.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

A cidade ganha seu colorido de modernidade.

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DÉCADA de 2000 O mês de janeiro começa com a fixação da programação de palestras para o primeiro semestre; a assinatura de convênio com a Secretaria de Educação com o tema “Fortalecendo e Dinamizando Bibliotecas”, convocando os centristas que queiram


participar das “Feiras do Autor Paranaense”, apresentando seus livros para divulgação e vendas; divulga-se a programação para o segundo semestre. O ano de dois mil e um começa em março com a programação do semestre; a conclamação para que seja incrementada a presença de centristas; as dificuldades para o lançamento da edição de uma “Revista”. Efetiva-se a programação para o segundo semestre. No mês de novembro, a eleição da diretoria.

O ano de 2002 marca os noventa anos de fundação do Centro, no qual são admitidos novos sócios: Altair Patitucci, Carlos Renato Fernandes, Evaldo de Paula Silva Júnior, Valter Martins Toledo, Izaac Cubric, Josina Abelo, Paulo Roberto W. Prestes, Valéria Borges da Silveira, Rafael Tramujas Karan, Mariza Soares de Azevedo, Ivonete Silveira Euzébio, Jeorling Cordeiro Cleve, Carlos Mion, que tomaram posse na sessão magna comemorativa aos noventa anos do Centro.

1912-2012

Departamento Patrimonial: Joel Pugsley Departamento Jurídico: Fernandino Caldeira de Andrada Departamento Artístico: Neumar Carta Winter Assessoria da Presidência: Alzely Basseti Prochmann Conselho Fiscal: Clotilde de Quadros Cravo Maria do Carmo C.Fortes Estefano Ulandowski Munir Karam Tufi Maron Filho

História do Centro de Letras do Paraná

De 11.12 .2001 a 12. 2003 Eleição por aclamação Posse 11.12.2001 Presidente:- Luiz Renato Pedroso 1º Vice Presidente: Tulio Vargas 2º Vice Presidente: Raymundo Negrão Torres 1º Secretário: Horácio Ferreira Portela 2º Secretário: Waldemiro Bley Júnior 1º Tesourerio: Paulo Karam 2º Tesoureiro: Therezinha Ivete Mion 1º Orador: Wilson da Silva Bóia 2º Orador: Aldo Silva Júnior Departamento Cultural: Ivete Terezinha Mion Bodaczny Departamento de Comunicação: Rubens Nogueira Departamento Social: Shirley Queiroz

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História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

Posse da diretoria 2001/2003 (pág. anterior) e ampliação da galeria de ex-presidentes (a baixo).

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A criação em futuro próximo de uma sucursal da “Academia Sul Brasileira de Letras” desperta o interesse de vários centristas, entre eles Ivo Arzua Pereira, Túlio Vargas, Luiz Renato Pedroso, Chloris Casagrande Justen, Francisco Filipak, Raimundo Negrão Torres, Apollo Taborda França, Francisco Cunha Pereira Filho, Roza de Oliveira e Clemente Ivo Juliato. O ano de 2003 foi pródigo ao Centro, pelas doações de numerários obtidos através do Governo do Estado e de bancos particulares, como o Bradesco e HSBC. Fixou-se a programação literária para o primeiro e segundo semestres; houve eleição de nova diretoria, tendo sido reeleito Luiz Renato Pedroso.

De 12 2003 a 12. 2005 Eleição por aclamação. Posse em 12.2003. Presidente:- Luiz Renato Pedroso 1º Vice Presidente: Raymundo Negrão Torres 2º Vice Presidente: Aldo Silva Júnior 1º Secretário: Túlio Vargas 2º Secretário: Neumar Carta Winter 1º Tesoureiro: Paulo Roberto Karam 2º Tesoureiro: Valdemiro Bley Júnior 1º Orador: Wilson da Silva Bóia 2º Orador: Estefano Ulandowski

Diretores Departamento Cultural: Isaac Cubric Departamento de Comunicação: Rubens Nogueira Departamento Social: Marisa Soares de Azevedo Departamento Patrimonial: Joel Pugsley Conselho Fiscal: Clotilde de Quadros Cravo Maria do Carmo C.Fortes Ivete Terezinha Mion Horácio Ferreira Portella Tufi Maron Filho

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

E, finalmente, modificaram-se os estatutos.

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Hermas Brandão, José Cid Campello Filho e Antônio Bornia se tornam sócios beneméritos do Centro. No ano de 2004, o Centro se reúne em assembleia geral para tratar da adaptação dos estatutos do Centro ao novo Código Civil, o que foi feito. A reduzida frequência às reuniões das terças-feiras e a crise financeira por falta de pagamentos das mensalidades são os assuntos que preocupam a diretoria do Centro, no início de 2005.


História do Centro de Letras do Paraná

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Helena Kolody, em uma de suas últimas visitas ao Centro de Letras do Paraná. Na foto, ladeada Chloris Casagrande Justen e ao fundo a confrade cantora Orly Bach.

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402 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


Luizita Maria DÁlburquerque Teixeira recebe o troféu “Mulher, Simplesmente Mulher”, pela Associação Comercial do Paraná. É feita a sugestão para que a programação literária do Centro seja colocada em endereço eletrônico. Formou-se a Comissão de editoração para se retornar a publicação da “Revista do Centro de Letras”, retomando a numeração:45 – Junho de 2005, pelos confrades Neumar Carta Winter, Paulo Roberto Karam, Paulo Roberto Prestes e Tereza Teixeira de Britto. Supervisão técnica, Jornalista Appolo Taborda França Falece a profª Pórcia Guimarães Alves. Distribui-se a renascida “Revista do Centro”, nº 45. O Centro recebe novos sócios: Andréia Motta, Edma Coquemala, Eliana C. Teixeira de Freitas, Gilberto Ferreira, José Marins, Lea King Kou, Lygia Lopes dos Santos, Oli Antônio Coimbra e Sílvio José Aparecido Carioli Colombo. Ocorre a eleição de nova diretoria para o biênio 2006/7, sendo reconduzido Luiz Renato Pedroso.

A estrutura da “Revista do Centro de Letras” estabelece um padrão que foi seguido nas outras edições: uma parte em prosa e outra em poesia; uma sessão com as atividades semanais, documentadas fotograficamente. O Confrade Paulo Roberto Karam solicita desligamento da Comissão de Editoração sendo substituído pela confreira Adélia Maria Woellner.

História do Centro de Letras do Paraná

Em dezembro desse mesmo ano, a “Revista nº 46” estampa uma homenagem ao Centenário de Bento Munhoz da Rocha Neto, na capa e na Página do Presidente.

1912-2012

Dentre a programação de palestas de 2005, damos destaque ao lançamento do livro “Gláucio Bandeira, o Primaz da Terra dos Pinheirais” pelo Dr. Luiz Alberto Soares, Presidente da SOBRAMES.

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UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

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As atividades culturais se intensificam.


De 12.2005 a 12. 2007 - Eleição por aclamação. Posse 12.2005 Presidente:- Luiz Renato Pedroso 1º Vice Presidente:- Raymundo Negrão Torres 2º Vice Presidente:- Vânia Maria Souza Ennes 1º Secretário:- Neumar Carta Winter 2º Secretário:- Waldemiro Bley Júnior 1º Tesourerio:- Paulo Roberto Karam 2º Tesoureiro:- Paulo Roberto W. Prestes 1º Orador: -Túlio Vargas 2º Orador: - Estefano Ulandowski

Diretores Departamento Artístico: Teresa Teixeira de Britto Departamento Cultural:- Issac Cubric Departamento de Comunicação: -Apollo Taborda Ribas Departamento Social: -Mariza Soares de Azevedo Departamento Patrimonial: -Joel Pugsley Conselho Fiscal: Clotilde de Quadros Cravo Maria do Carmo Cavalcanti Fortes Horacio Ferreira Portella Tufi Maron Ivete Therezinha Mion

É proposta a feitura de um modelo padrão de currículo, para que assim os mesmos possam ser melhor analisados.

História do Centro de Letras do Paraná

A admissão de novos sócios: Adilson Pascoal, Julio Almada, Ariana B. da Rocha Loures, Aristides Ataíde Bisneto, Dalva Eudete da Silva Lacour, Deise Giacomazzi Silva, Djalma Luiz Vieira Filho, Emanuel Mascarenhas Padilha, Flori Antônio Tasca, João Correa Defreitas, Jocelino Alves de Freitas, Júlio Enrique Gomes, Marcelo Alexandre Siqueira de Lucca, Marco Antônio de Morais e Silva Filho, Moisés Lacour, Sandro Mansur Gibran, Vera Lúcia Sales Brasil, Yone Montibeler, José Carlos Pereira Portella, Laércio Souto Maior, José Jamur Júnior, Chloris Justen de Oliveira, Newton Marcos Carias de Oliveira, todos empossados aos doze dias de dezembro.

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O ano de 2006 assinala o falecimento de Raimundo Negrão Torres.

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O mês de março de 2007 assinala a programação a ser desenvolvida no correr do ano; Túlio Vargas distribui entre os presentes o discurso de posse de Oriovisto Guimarães na Academia Paranaense de Letras, ocorrida em 8 de maio do ano anterior; no mês de agosto, ocorre a programação do Centro para o segundo semestre do ano, com destaque para a palestra do confrade João Feder sobre a vida e a obra de Sêneca; Paulo Roberto Karam fala sobre o “Simbolismo no Paraná”, dia 23 de novembro.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Damos destaque à palestra do confrade Antônio Celso Mendes, sobre “Filosofia e Sociologia na Grade Curricular no Ensino Médio”.

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O ano termina com as queixas do Presidente quanto às dificuldades na obtenção de receitas para custear as despesas de manutenção do Centro. No dia 13 de dezembro, há eleição da nova diretoria para o biênio 2008/9.


De 12. 2007 a 15.12. 2010- Eleição por aclamação Presidente:- Luis Renato Pedroso 1º Vice-Presidente:- Vânia Maria Souza Ennes 2º Vice-Presidente: -Paulo Roberto Walbach Prestes 1º Secretário:- Neumar Carta Winter 2º Secretário:- Waldemiro Bley Júnior 1º Tesoureiro:- Paulo Roberto Karam 2º Tesoureiro:- Lília Souza 1º Orador:- Estefano Ulandowski Diretores de Departamento Cultural:- Isaac Cubric

Social:- Marisa Soares de Azevedo Artístico:- Teresa Teixeira de Brito Comunicação:- Apollo Taborda França Patrimonial:- Joel Pugsley Jurídico:- Dario Livino Torres Conselho Fiscal: Clotilde de Quadros Cravo Maria do Carmo C. Fortes Horácio Ferreira Portella Tufi Maron Filho Ivete Therezinha Mion

Na sessão magna de encerramento do ano, a posse de novos associados: Arthur Orlando Klas, Ayrton Borges, Carlos Alberto Rodrigues Alves, Domingo Prata Barbosa, Eloir Dante Alberti, Fernando Hatschbach, Glaci Cardoso de Carvalho, Giselle Macedo Goerdet, Jair Elias dos Santos Jr, Jefferson de Azevedo, Joaquim Osório Ribas, José Almir da Luz, Milton R. de Faria Ribeiro, Nelson Victor Koerich e Marco Antônio Cezar Villatore.

O ano de 2008 tem início no mês de março, com a apresentação da programação do Centro para o primeiro semestre, destacando-se a palestra de João Manuel Simões sobre o IV Centenário do Padre Antônio Vieira e a palestra de Antônio Celso Mendes, da Academia Paranaense de Letras, sobre o seu novo livro Filosofia em Forma de Poesia.

História do Centro de Letras do Paraná

A sessão termina com o relatório financeiro do tesoureiro, Paulo Roberto Karam e a distribuição da edição nº 50 da “Revista do Centro”. Votos de pesar pelo falecimento de Luiz Roberto Nogueira Soares, ex-secretário da Cultura do Estado.

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Na mesma Sessão Solene, Jonel Chede, vice–presidente do Movimento Pró-Paraná, foi empossado Sócio Benemérito do Centro.

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O segundo semestre assinala a programação do Centro para o restante do ano, com a indicação de novos sócios, aprovados: Airton Estanislau Rocion, Antônio Benedito de Siqueira, Celso Bracali Rabelo, Cyroba Ritzmann, Eduardo Biachi Gomes, Elieder Correa da Silva, Gilberto Bachmann, Glacy Tramujas Silva Muller, Joaquim Cardoso da Silveira Filho, Luiz Antônio Cavalli, Mamed Assim Zauith, Maria Lúcia Ferreira Barbosa, Ralf Gunter Rotstein, Sílvio de Magalhães e Sueli Diana Cavalli.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

João Manuel Simões fala sobre “Genialidade e Doença em Machado de Assis”.

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No mês de dezembro, a confreira Luizita D´Alburquerque Teixeira propõe a exclusão de vários sócios inadimplentes; é proposto o preechimento dos cargos vagos na Diretoria, ficando a decisão para o mês de março do próximo ano. No dia 16, ocorre a sessão magna por mais um aniversário do Centro, que além de contar com a posse dos novos associados, foi solene no cerimonial e na apresentação cultural. Elogios ao presidente, Des. Luiz Renato Pedroso, por sua dedicação à cultura do Paraná.


“Em janeiro de 2009 passa a vigir o novo acordo ortográfico da Língua Portuguesa” Em março de 2009, tem início o novo ano cultural do Centro, com a fixação das palestras e atividades do Centro no primeiro semestre do ano, a cargo de Roberto Magi, Algacyr Morgenstern, Dario Livino Torres, Fernando Hatschbach, Nelson de Luca, Armando Júlio Bittencourt, Euclides Scalco, Coronel aviador Leônidas de Araujo Medeiros Júnior, Romeu Huczok, Roberto Mugiatti, que falarão sobre diversos temas. Na continuidade, o preenchimento dos cargos vagos, de 1º orador, para Luiz Áureo de Araujo Perpétuo, e 2º secretário, Milton Ribeiro; para o Conselho Fiscal, Liamir Santos Hauer, Fernando Hatschbach e José Wanderlei Rezende. Em maio, é aprovada a criação de um concurso de monografias sobre a História do Paraná, tendo como alvo alunos do curso médio ou superior, com a distribuição de prêmios. A comissão julgadora ficou a cargo de José Carlos Veiga Lopes, Adélia Maria Woellner e Neumar Carta Winter. Subtema “A vida e a obra do Barão do Serro Azul”.

O Centro manteve um estande de Livros conjuntamente com outras entidades congêneres. Na programação referente ao transcurso do semestre, são os seguintes os palestrantes: Osmann de Oliveira, Ivo Arzua Pereira, Edmundo Blader, Nelson de Luca, João Candido Pereira de Castro Neto, Demétrios Fabiano Fernandes, Lília Souza, Isaac Cubric, Wilson de Araujo Bueno, Carias de Oliveira.

História do Centro de Letras do Paraná

No segundo semestre, a programação do Centro assinala o lançamento solene do Concurso de Monografias na Universidade Positivo sobre a vida e a obra do Barão do Serro Azul, com palestra do confrade Rafael Grecca e a fixação dos valores dos prêmios a serem concedidos aos três primeiros colocados, coincidindo com a abertura da Primeira Bienal do Livro, a ter lugar no dia 26 de agosto.

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Em junho, o senhor presidente do Centro propõe diligências para a obtenção dos benefícios da Lei Rouanet com vistas à construção de mais um pavimento na sede; após encontros com a direção do HSBC, contou o Centro com o apoio do vereador Ângelo Batista, membro do Centro, e de Leonel Chede.

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Na reunião do mês de novembro, são traçados comentários sobre o concurso a respeito da vida e obra do Barão do Serro Azul, com os prêmios pecuniários já em mãos do Centro. A divulgação do concurso foi intensa em escolas e faculdades. O presidente comentou as dificuldades para a obtenção de auxílio pelo HSBC, para a ampliação da sede; lembrando ainda estar no sexto mandato e que gostaria de passar o cargo a seu sucessor, a ser eleito para o próximo biênio. Por aclamação geral, foi-lhe solicitada a permanência no cargo e a eleição ocorreu no dia 24:

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Diretoria para o biênio 12.2010 a 12.2.012 Presidente:- Luiz Renato Pedroso 1º Vice-Presidente:- Vânia Maria Souza Ennes 2º Vice-Presidente: -Paulo Roberto Walbach Prestes 1º Secretário:- Neumar Carta Winter 2º Secretário:- Milton Ribeiro 1º Tesoureiro:- Paulo Roberto Karam 2º Tesoureiro:- Lília Souza 1º Orador:- Luiz Áureo de Araújo Perpétuo 2º Orador:: Estefano Ulandowski Diretore: de Departamentos Cultural:- Isaac Cubric

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Social:- Marisa Soares de Azevedo Artístico:- Teresa Teixeira de Britto Comunicação:- Apollo Taborda França Patrimonial:- Joel Pugsley Jurídico:- Dario Livino Torres Conselho Fiscal: Liamir Santros Hauer Fernando Hatschbach José Wanderley Rezende Tufi Maron Filho Horacio Ferreira Portella

Na oportunidade, são admitidos novos sócios: Anderson Ângelo Vianna da Costa, Carlos Magno Braga, Cláudia Sposito Zanin, Dione Amélia Minoski, Estela Moura Cantarelli, Francisco José S. Pimpão, Isabel Sprenger Ribas, Luiz Eduardo Gunther, Marcos Roberto Andreatta, Maria do Carmo Fonseca Dutra, Dalila Wachelke Morgenstern, Eliane Bastos, Fernando Simas Filho, Gabriel Kalinoroski Filho, José Sebastião F. Cunha, Luiz Helio Friedrich, Maria Francisca Carneiro e Maurício Friedrich.


A sessão magna do mês de dezembro, para comemorar mais um aniversário do Centro, começa com os acordes do Hino Nacional, sob a performance do maestro Júlio Gomez. O presidente relata as últimas realizações do Centro, agradecendo a todos, confrades e funcionários, pela continuidade da existência de tão singular instituição, próxima a comemorar um século. O Dr. Jonél Chede recebe o título de sócio benemérito; a rememória aos fundadores do Centro, Emiliano Pernetta e Euclides Bandeira; ocorre a posse da nova diretoria. Em março de 2010 o Centro dá início às suas atividades, avaliando o andamento do concurso, com premiação para o final do mês; fixa-se a programação para o semestre, com os seguintes palestrantes: Isabel Sprenger Ribas, Ubiratan Lustosa, Fernando Simas Filho, Nestor Celso Inton Bueno. Procedido o julgamento pela Comissão designada, foi considerada vencedora Maria Braga Carneiro, cabendo o segundo lugar para Gehard Ismail Hajar; a terceira colocação ficou para Gabriel Bernert Ribas.

O INEPAR doa cinco mil reais, como contribuição voluntária. O segundo semestre do ano assinala a fixação da programação a ser obedecida, contando com os seguintes palestrantes: Milton Fadel, Roza de Oliveira, Edmundo Blader, José Evane Dutra, Dario Livino Torres, Miguel Kfouri Neto. O presidente relata relata as dificuldades financeiras do Centro.

História do Centro de Letras do Paraná

O mês de maio registra a programação das palestras de Anthony Leahy, Gustavo Lamgoroski, Mariza Soares de Azevedo, Norma Assunção, Constantino Comninos, Hália Pauliv, Isaac Cubric.

1912-2012

Os demais concorrentes foram: Giovani Cássio Piovesan, Marcio Fabiano Bastos, Marcelo R. Sievendt, Eduardo Grassi Gogola, Nayamin S. Moscal e Marilza Ferreira da Silva.

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O mês de novembro é dedicado à análise dos currículos dos novos pretendentes ao ingresso no Centro: Ademilson Paulino Soares, Alcione Lume Weber Behrendt, Antônio Roberto da Silveira, Carla Moritz V. Gomes, Gleusa Salomon, José Evane Dutra, José Manuel Schorr Malca, Leandro Ayres França, Luiz Caprilhone Erbano, Maria da Graça S. de Araujo, Miguel Angel Almada, Sílvia Regina Damski Bonk, Zélia Maria Nascimento Sell, Ubiratan Lustosa, Zuleima Guerreiro Magaldi, bem como outros sócios correspondentes. O encerramento do ano contou com mais uma sessão magna, na qual o presidente relatou as doações do Banco Bradesco e da Binacional de Itaipu, acompanhado por intensa programação literomusical. O ano de 2011 tem início em sua rotina literária, no mês de março, com a programação para o semestre, contando com os seguintes palestrantes: Horácio Ferreira Portella, Vanderlei Vieira, Dario Livino Torres. O presidente relata as dificuldades financeiras do Centro, fazendo um relatório minucioso da situação; empréstimos e doações são solicitados, aguardando-se com ansiedade as respostas. O mês de maio está todo ele voltado para a obtenção de recursos, cabendo destacar as doações da Academia Paranaense da Poesia, do Bradesco e de Itaipu Binacional.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Em agosto, é fixada a programação do Centro para o segundo semestre, a cargo dos seguintes palestrantes: Paulo R. Prestes, Sylvio Magellano, Paulo Torres, Velecino Bruck Fernandes, Sylvia Maria de Gracia Marques, Jiomar Turim, Jorge Cardoso Pagano, Adélia Maria Woellner.

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Iniciam-se as preocupações quanto aos festejos do Centenário do Centro, a ser comemorado em dezembro de 2012; continuam as providências para a obtenção de recursos para a manutenção do Centro, tendo sido feito o pedido de auxílio a várias instituições públicas. A edição da “Revista nº 56” está comprometida, por falta de recursos. Aproxima-se o momento da eleição de uma nova diretoria para o Centro, a ter lugar no dia 29 de novembro, com a chamada prévia no jornal “Industria e Comércio”.


O senhor presidente manifestou o desejo de que houvesse rotatividade no exercício do cargo, dadas dificuldades financeiras e o fato de já estar a seis mandatos à frente da Instituição. Por aclamação geral, contudo, concordou em concorrer a mais um mandato, encabeçando a chapa União. Tendo em vista o lançamento de um livro comemorativo ao Centenário do Centro, foram encarregados de compô-lo os centristas Antônio Celso Mendes e Paulo Roberto Karan e Ernani Costa Straube, também do Instituto Histórico e Geográfico, aquele também da Academia Paranaense de Letras. À confreira Luizita é solicitada a apresentação de um relatório financeiro do Centro, com um déficit de quase dez mil reais.

Diretor Artístico: Kathleen Evlyn Muller e Orly Bach Diretor Social: Nelson Victor Koerich e Admilson Soares Diretor Jurídico: Dario Livino Torres e Luiz A. de Araujo Diretor Patrimonial: Joel Pugsley e Sylvio M. Magalhães Conselho fiscal: Carlos Moritz, Vicente Gomes, Fernando Hatschbach, Horácio Ferreira Portella, Liamir Santos Hauer, Tufi Maron Filho.

História do Centro de Letras do Paraná

Presidente: Luiz Renato Pedroso 1º Vice-presidente: Vânia Maria Souza Ennes 2º Vice-presidente: Paulo Roberto Walbach Prestes 1ª Secretária: Newmar Carta Winter 2º Secretário: Milton Ribeiro 1º Tesoureiro: Paulo Roberto Karam 2º Tesoureiro: Lília Souza 1º Orador: Nilton Carias de Oliveira 2º Orador: Celso Macedo Portugal Diretor Cultural: Isaac Cubric e Tereza Teixeira de Britto Diretores de Comunicação: Apollo Taborda França e Angelo Batista

1912-2012

Ocorrida a eleição, ficou assim constituída a diretoria para o biênio 2012/2013:

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O mês de dezembro assinala a realização de sessão magna para festejar mais um aniversário da Instituição, com a posse da nova Diretoria e o acolhimento de novos sócios: Adalice Maria de Araujo, Cidalita de Campos Hidalgo, Dirce Doroti Merlin Clève, Elizabeth M. S. Prosser, Francisco Romero V. da Rosa, Jorge Osmar C. Pagano, Liana Márcia Justen, Maria Alice N. Pedroso, Mário Augusto Joceguay, Marion Aranha P. Mugiatti, Neide de Azevedo Lima, Nilson Luiz S. de Arruda, Sérgio Augusto Pitaki, Ubirajara Salles Zoccoli, além de sócios correspondentes. O Presidente relata as tremendas dificuldades econômicas por que passa o Centro. O ano corrente de 2012 tem início no mês de março, contando com as seguintes palestras programadas: de Gehard Ismail Hajad, sobre o centenário do Contestado; Paulo Roberto W. Prestes, Manoel Anizio Moscalevski, Ceres de Ferrante, Ivan Justen Santana, Chloris Casagrande Justen, Luizita D’Alburquerque Teixeira, relatando as diversas solenidades que poderiam abrilhantar as comemorações do Centenário.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

São grandes as esperanças de que o segundo semestre seja fértil em iniciativas e festejos para as comemorações de tão gratas efemérides.

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História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

A passagem do tempo oportuniza a cada geração que dê valor ao patrimônio cultural.

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A Celebração do Centenário


A Programação Cultural no ano do centenário Em 2012, o programa cultural do Centro de Letras do Paraná privilegiou a manutenção das atividades semanais tradicionais, bem como no segundo semestre desenvolveu eventos para a celebração do centenário.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

O tema da celebração recuperou eventos e personagens, introduzindo-os no século XXI, revigorando a memória deste sodálicio secular centenário.

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Hist贸ria do Centro de Letras do Paran谩

1912-2012


PROGRAMAÇÃO PARA O MÊS DE MARÇO/2012 Dia 06 Tribuna Livre – Manifestação espontânea dos associados e convidados

Dia 13 Palestra do confrade e historiador– Gehad Ismail Hajad. Tema: “A Revolução do Contestado e o seu Centenário”

Dia 20 Terça da Poesia, a cargo da Academia Paranaense da Poesia.

Dia 27

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Musical inesquecível inicia nossas tardes do Ano do Centenário Oferta dos maestros Elisana e Paulo Kuhn.

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PROGRAMAÇÃO PARA O MÊS DE ABRIL/2012 Dia 03

Dia 17

“Dez décadas num século na Poesia e na Música Brasileira”. Exposição da confrade Luizita M. D’Albuquerque Teixeira.

Terça da Poesia, a cargo da Academia Paranaense da Poesia.

Dia 10

História do Centro de Letras do Paraná

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Homenagem do compositor e cantor Manoel Anísio Moscalewski. Tema: O Instituto Néo-Pitagórico e o Centenário do Centro de Letras do Paraná.

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PROGRAMAÇÃO PARA O MÊS DE MAIO/2012 DIA 1º FERIADO NACIONAL DIA 08 “Vida e obra de Euclides Bandeira, fundador a patrono do Centro de Letras do Paraná”. Narrativa da intelectual Ceres de Ferrante.

Dia 24 “Ballet no Cenário do Centenário”.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Apresentação das crianças do Projeto “Vó e Vô em ação, Dignidade Sempre”.

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Dia 15 Terça da Poesia, a cargo da Academia Paranaense da Poesia.

Dia 29 Homenagem do Centro Paranaense Feminino de Cultura. Dramatização. “ESTA HISTÓRIA MERECE SER RECONTADA”

Exposição do jovem Ivan Justen Santana.

DIA 05 “Homenagem a Leonor Castellano, presidente 1949/1952 do Centro de Letras do Paraná, pela confreira Chloris Casagrande Justen”. 1912-2012

“A Vida e obra de Emiliano Perneta, primeiro presidente do Centro de Letras do Paraná e também patrono”.

PROGRAMAÇÃO PARA O MÊS DE JUNHO/2012

História do Centro de Letras do Paraná

Dia 22

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Dia 12

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Homenagem a Juril Carnaciali, presidente 1968/1970, do Centro de Letras do Paraná, pela confreira Vânia Maria Souza Ennes.

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Hist贸ria do Centro de Letras do Paran谩

1912-2012


Dia 19 Terça da Poesia, a cargo da Academia Paranaense da Poesia.

Dia 26 “Celebração Musical em Homenagem ao Centro de Letras do Paraná”, promoção dos Maestros Fernanda e Luiz Carlos Gonçalves de Castro.

PROGRAMAÇÃO PARA O MÊS DE AGOSTO/2012 Dia 07 Palestra do ilustrado Rabino Pablo Borman, sobre “Sinopse da cultura judaica”. Saudação e apresentação pelo confrade José Manoel Schorr Malca.

Dia 14

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Homenagem à poetisa e confreira Adélia Maria Woellner, presidenta 1997/1999. Saudação pela mestra e confreira Neumar Carta Winter.

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19/08 – Desfile de carros da época, tertúlia e almoço no Parque Barigui.

História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

A abertura dos festejos do Centenário aconteceu no dia 19 de agosto, com um desfile de carros antigos e os centristas vestidos à época de 1912. Saindo da sede do Centro de Letras, o desfile passou pelas ruas do centro de Curitiba com destino ao Parque Barigui. No Salão de Atos, aconteceu uma Tertúlia Literária como era feita no início do século. Declamações de poesias e interpretações de serestas reviveram o passado e trouxeram ao público um pouco da obra dos centristas. A abertura teve a presença da Banda Lira de Curitiba e o Secretário de Cultura, Paulino Viapiana prestigiou o evento que culminou com almoço no restaurante do Parque e sorteio de prêmios.

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428 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


Histรณria do Centro de Letras do Paranรก

1912-2012

Mesa de autoridades prestigiada pelo Sr. Sercretรกrio Estadual da Cultura.

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Dia 21 Terça da Poesia, a cargo da Academia Paranaense da Poesia.

Dia 28 Apresentação do “Coral da Escola de Musica São Pio X”.

PROGRAMAÇÃO PARA O MÊS DE SETEMBRO/2012 Dia 04

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Tribuna livre.

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Dia 11 Apresentação do maestro Paulo Valente – regente de canto gregoriano e professor de técnica vocal.

18/09 – Sessão Solene de condecorações, no Clube Curitibano. O Clube Curitibano foi palco da Noite de Condecorações do Centro de Letras do Paraná. Na ocasião, os beneméritos da instituição foram agraciados com a Medalha “Euclides Bandeira” e Medalha “Emiliano Perneta”. A presença do poeta Carlos Nejar, representando a Academia Brasileira de Letras, que ministrou uma palestra ao final da cerimônia, na qual declamou suas próprias poesias e ressaltou as atividades do CLPR. “Para a Academia Brasileira de Letras é satisfatório ter um Centro de Letras tão pujante, vivo e atuante como o CLPR”, declarou o poeta.


MEDALHA “EUCLIDES BANDEIRA” • Bento Munhoz da Rocha Netto (in memorian) • Túlio Vargas (in memorian) • Antônio Bornia

Vereadores:

• Danilo Vianna • Darci Piana • Fernando Salinet Filho • Jorge Miguel Samek • José Antônio Andregheto • Marcelo Almeida • Paulino Viapiana • Roberta Storelli • Zaki Akel

• Jorge Yamawaki • Nely Almeida • Paulo Salamuni

Beneméritos: • Israel Jaime Reiss • Jonel Chede

Ex-Presidentes: • Adélia Maria Woellner • Apollo Taborda França • Ário Taborda Dergint • Lauro Grein Filho

História do Centro de Letras do Paraná

Comunidades:

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MEDALHA “EMILIANO PERNETA”

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UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Mesa de autoridades, colaboradores e convidados honraram as comendas oferecidas.

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Medalha Euclides Bandeira para TĂşlio Vargas (recebido por sua esposa, in memorian).

Medalha Euclides Bandeira para Antonio Bornia (vice-presidente do Banco Bradesco S.A).

Medalha Emiliano Perneta para Danilo Vianna.

Medalha Emiliano Perneta para Fernando Salinet Filho.

Medalha Emiliano Perneta para Marcelo Almeida.

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1912-2012

Medalha Euclides Bandeira para Bento Munhoz da Rocha Neto (recebido pelo seu filho, in memorian).

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UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

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Medalha Emiliano Perneta para Israel Jaime Reiss.

Medalha Emiliano Perneta para Jonel Chede.

Medalha Emiliano Perneta para Jorge Yamawaki.

Medalha Emiliano Perneta para Paulo Salamuni.

Medalha Emiliano Perneta para Adélia Maria Woellner.

Medalha Emiliano Perneta para Apollo Taborda França.


Medalha Emiliano Perneta para Lauro Grein Filho.

O orador Nilton Carias de Oliveira.

História do Centro de Letras do Paraná

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Medalha Emiliano Perneta para Ário Taborda Dergint.

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O CAMPEADOR COM AS RÉDEAS DO TEMPO

Poema de autoria do Imortal da Academia Brasileira de Letras Carlos Nejar, recitado pelo autor em homenagem ao Centro de Letras do Paraná.

VII. Quando os ventos forem caminhos e os ventos-ventos forem sementes, quando os cavalos forem moinhos e a noite negra for transparente. Quando os ventos forem caminhos, quando os barcos forem poente, quando os cavalos forem moinhos, moendo a noite tranquilamente. Quando os ventos forem caminhos, a vida cheia de ventos na vida feita semente, moendo o jugo com seus dentes. Quando os ventos forem caminhos, seremos ventos e ninhos, sombras esguias, ventos-moinhos, moendo a noite nos seus caminhos.

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VI. O vento é o vento; as crinas não rompem o silêncio e ao seu galope retumba a água, prossegue sempre, até que o tempo desmonte a morte, no seu galope, desmonte o tempo. Prossegue sempre.

História do Centro de Letras do Paraná

V. O vento é o vento , a vida é noite cheia de ventos, porém ao vento como encontrá-lo ? Na sombra branca , na sombra branca, na sombra branca de seu cavalo.

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Dia 25 Tarde da Poesia, a cargo da Academia Paranaense da Poesia.

09/10 – Homenagem ao Centenário do corpo de Bombeiros do paraná. PROGRAMAÇÃO PARA O MÊS DE OUTUBRO/2012 Dia 02

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Palestra do confrade Mauricio Friedrich. 17h00min Tema: “Vida e Obra de Carlos Drumond de Andrade”.

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O Corpo de Bombeiros do Paraná comemorou, em outubro, o seu centenário. A fim de homenagear essa data tão importante na história da instituição, o Centro de Letras do Paraná realizou uma Sessão Magna Comemorativa aberta ao público geral e à imprensa na sede do CLPR. Na ocasião, o comandante-coronel do Corpo de Bombeiros, Luiz Henrique Pombo Nascimento representou todos os corajosos bombeiros do Estado do Paraná e realizou uma palestra discorrendo sobre a história da instituição. O Corpo de Bombeiros do Paraná foi agraciado com um certificado do CLPR em homenagem a data.


1912-2012

Até meados da década de 30, a instituição passou por diversas reformulações administrativas, até que por decreto da Lei n° 155, de 25 de novembro de 1938, foi incorporada à Polícia Militar, adquirindo, desde então, autonomia administrativa para aplicar os recursos que lhe são destinados no orçamento do Estado e de total liberdade de ação quanto a parte técnica.

História do Centro de Letras do Paraná

Apesar de completar o centenário em 8 de outubro de 2012, a história de homens do nosso estado dispostos a lutar contra o fogo começou em 1897, quando a Sociedade Teuto-Brasileira de Bombeiros Voluntária passou a ter um grupo atuante no Paraná. Comprovada a necessidade de tal grupo, em 1912 foi fundado o Corpo de Bombeiros do Paraná.

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16/10 – Homenagem das entidades culturais a Helena Kolody, no Paço Municipal.

O Centro de Letras, demais entidades culturais de Curitiba e Adélia Maria Wollner, organizadora da antologia Infinita Sinfonia, de Helena Kolody, realizam singela homenagem ao nascimento de “Poeta Maior do Paraná”.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

A solenidade aconteceu no Paço da Liberdade em Curitiba e contou com projeções de filmes, composições e poemas da Helena Kolody.

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Nasceu em Cruz Machado (PR), em 12 de outubro de 1912, e faleceu em Curitiba (PR), em 15 de fevereiro de 2004. Seus pais nasceram na Galícia Oriental, Ucrânia, mas se conheceram no Brasil, onde se casaram em janeiro de 1912. Passou a maior parte da infância em Três Barras. Foi professora do ensino médio e inspetora de escola pública. De 1928 a 1931, cursa a Escola Normal Secundária (atual Instituto de Educação do Paraná). Consta que foi a primeira mulher a publicar hai-kais no Brasil (1941). Foi admirada por poetas como Carlos Drummond de Andrade e Paulo Leminski, sendo que, com esse último, teve uma grande relação de amizade. A partir de 1985, quando recebe o Diploma de Mérito Literário da Prefeitura de Curitiba, a sua obra passou a ter grande repercussão no seu Estado e no restante do País. Em 1988, é criado o importante “Concurso Nacional de Poesia Helena Kolody”, realizado anualmente pela Secretaria da Cultura do Paraná. Em 1989, o Museu da Imagem e do Som do Paraná grava e publica um seu depoimento. Em 1991, é eleita para a Academia Paranaense de Letras. Em 1992, o cineasta Sylvio Back faz filme “A Babel de Luz” em homenageia aos seus 80 anos, tendo recebido o prêmio de melhor curta e melhor montagem, do 25° Festival de Brasília. E, 2003, recebe o título de “Doutora Honoris Causa” pela Universidade Federal do Paraná.


História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

A solenidade foi prestigiada por autoridades (foto base) - primeira fila da esquerda para a direita Presidente do Centro Paranaense Feminino de Cultura e Academia Paranaense de Letras - Chloris Casagrande Justen; Presidente da Fecomércio (mantenedora do Paço da Liberdade) - Darcy Pianna; Presidente do Pró-Paraná - Jonel Chede e o Secretário da Cultura do Paraná - Paulino Viapiana.

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442 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


Uma Poesia de Helena Kolody CANTIGA DE RECORDAR ПІСНЯ СПОМИНІВ

“Doce lembrança orvalhada de madrugadas antigas.

Fumaça de chaminé

„Солодкий спомин з росою

давніх світанків. Дим із комина

subindo na manhã fria.

піднімаєтся холодним ранком.

Florescida malva-rosa

Квітуча рожева мальва

debruçada no jardim.

похилена край саду.

на світанку життя.

Cantiga de recordar...

Пісня споминів ...

Ai, que saudade de mim”!

Ах, як тужу за собою“!

Helena Kolody Олена Колодій

Tradução de Mariano Czaikowski

História do Centro de Letras do Paraná

na vida que amanhecia.

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Uma revoada de sonhos Злет мрій

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29/10 – COMENDA HELENA KOLODY O Presidente do Centro de Letras do Paraná foi homenageado com a comenda oferecida pelo Centro Paranaense Feminino de Cultura, das mãos de sua presidente Chloris Casagrande Justen.

Dia 23 Tarde da Poesia, a cargo da Academia Paranaense da Poesia.

Dia 30 Cenário Musical Descrito na Arte do Maestro Paulo Torres.

PROGRAMAÇÃO PARA O MÊS DE NOVEMBRO/2012 Dia 06 Tribuna Livre. Oportunidade associados e convidados.

para

manifestação

dos

Dia 13 Palestra do presidente da Rádio/TV Educativa, Dr. Paulo Vítola. Tema: “O papel da Rádio e Televisão Pública na cultura em geral”.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Lançamento da “Coleção Tagarela, composta de cinco livros de história infantil”. Autora: Poetisa e confreira Adélia Maria Woellner.

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Dia 20 Terça da Poesia, a cargo da Academia Paranaense da Poesia. Término do prazo na forma estatutária.

para

indicação

de

novos

associados,


20/11 – Câmara dos Vereadores – Sessão Solene de Homenagem ao Centenário do Centro de Letras do Paraná. O Centro de Letras do Paraná recebeu votos de congratulações e aplausos, na Câmara de Curitiba. O autor da iniciativa, vereador Jorge Yamawaki, saudou o presidente da instituição, desembargador Luiz Renato Pedroso, e demais membros do Centro, sintetizando a trajetória de luta e conquistas da entidade para preservar e divulgar a literatura no Estado. “Nesses 100 anos de existência, o Centro de Letras tem promovido valores literários, científicos, artísticos, cívicos e históricos. Tem ensinado a riqueza literária nos seus mais diversos estilos, sejam eles poemas, sonetos, sextilhas, haicais e tantos outros. Também tem preservado um acervo de cerca de 20 mil livros, com obras raras de valor inestimável”, Jorge Yamawaki .

História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

“A cultura é a ampliação da mente e do espírito”. Com a frase do indiano Sri Jawaharlal Nehru, o desembargador Luiz Renato Pedroso iniciou seu discurso em agradecimento à homenagem em nome do Centro de Letras do Paraná.

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446 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


27/11 – Assembleia Legislativa do Paraná Sessão Solene em homenagem ao Centro de Letras do Paraná. Homenagem proposta pelo deputado Artagão de Mattos Leão Jr. “Este é um ato de reconhecimento a Instituição cuja história está misturada a história do Paraná e do Brasil”, disse Artagão. O parlamentar enfatizou que são poucas as instituições que alcançam o centenário, sendo atuantes e com reconhecido como o Centro de Letras do Paraná. “Por isso, hoje temos a honra de fazer essa justa, singela e merecida homenagem a uma entidade tão importante”, concluiu.

História do Centro de Letras do Paraná

1912-2012

O presidente do Centro de Letras do Paraná, Des. Luiz Renato Pedroso, recebeu, em nome da instituição uma menção honrosa. “Diz um amigo jocosamente que os cem primeiros anos são os mais difíceis”, brincou. O Centro de Letras do Paraná foi fundado por um grupo de 65 intelectuais, em 1912, com Euclides Bandeira e Emiliano Perneta à frente. A instituição buscava, em seu início, organizar uma biblioteca paranaense, por meio de ações de cooperativismo literário. Durante a coletiva de imprensa, Pedroso foi questionado por um dos integrantes da instituição, que tem recebido recentemente diversos prêmios nacionais e internacionais, o contista paranaense Dalton Trevisam. “Esta é a única instituição ao qual Dalton Trevisam é filiado. Ele, que vive exclusivamente para seus escritos, honra nosso Centro de Letras e a própria história da cultura paranaense”, disse.

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1912-2012


04/12 – Sessão Solene de aniversário de Cem Anos. A Sessão Solene, com jantar comemorativo, no Clube Concórdia de Curitiba, teve a admissão de 27 novos membros e o pré-lançamento de um livro comemorativo “100 Anos de Cultura: História do Centro de Letras do Paraná”. “O Centro de Letras é uma das instituições culturais mais importantes do Estado e que contribui há um século para o desenvolvimento da nossa cultura”, destacou o secretário de Estado da Cultura, Paulino Viapiana. “Esta é uma entidade que merece o respeito de todos os paranaenses e nosso desejo – como Secretaria de Cultura e Governo do Estado, é para que continuem realizando trabalhos tão importantes quanto aos que fez até a presente data”, enfatizou. Para o presidente do Centro de Letras do Paraná (CLP), desembargador Luiz Renato Pedroso, esta é uma data extraordinária e marcante, pois para muitos era inconcebível que uma instituição cultural tivesse capacidade para chegar a cem anos de existência. “Aquele ideal de 1912, uma época tão difícil, pode resistir ao tempo e hoje comemoramos nossos 100 primeiros anos.” “O CLP doou-se ao Paraná, dedicando-se à cultura de um modo geral, prestando uma contribuição extraordinária ao desenvolvimento cultural do nosso estado e, em contra partida, foi acolhido pelo povo paranaense”, enfatizou o presidente. Ele também falou sobre aspectos históricos que envolvem a instituição, como quando das comemorações do primeiro centenário da emancipação do Estado, o então governador Bento Munhoz da Rocha Neto fez uma série de obras como o Palácio Iguaçu, o Teatro Guaíra, a Biblioteca Pública e, entre esses, o prédio do CLP. Livro – O livro conta a trajetória da Instituição, através das gestões de cada presidente, sua fundação, fundadores e associados, história relatada pelos autores Antônio Celso Mendes, Ernani Straube e Paulo Roberto Karam, e ilustrada com imagens cronologicamente selecionadas, mostrando a evolução da cidade e sua relação com as pessoas. “Foi uma grande emoção quando vi aproveitado o material que mantive atualizado sobre o CLP, nestes últimos 40 anos”, contou Straube – um dos autores do livro e presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná. Segundo ele, este livro é especial. “Evidentemente não é o primeiro livro que eu assino, mas este é marcante por ser uma data especial”, disse. “A cultura do Paraná tem certos reflexos que transcendem nosso Estado, por isso precisamos de mais apoio”, enfatizou.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

“Pensamos no passado, vivemos o presente e projetamos o futuro. Esses 100 anos de história são o nosso lastro”, disse Neumar Carta Winter, primeira secretária do CLP. Ela explicou que os trabalhos do CLP veneram o passado, pois admiram os escritores que deixaram história, mas são pessoas voltadas à cultura, com vontade de produzir, para alicerçar a juventude e o crescimento.

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Hist贸ria do Centro de Letras do Paran谩

1912-2012


UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Noite de muitas homenagens.

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Hist贸ria do Centro de Letras do Paran谩

1912-2012


Lançamento editorial do livro “Um Século de Cultura - História do Centro de Letras do Paraná 1912-2012.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Acima, da esquerda para a direita os autores: Antônio Celso Mendes, Ernani Costa Straube e Paulo Roberto Karam. Abaixo, o Presidente Luiz Renato Pedroso ostenta um exemplar da obra, ladeado pelos novos associados.

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História do Centro de Letras do Paraná

Perspectiva Institucional Contemporânea

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1912-2012


As comemorações ao final deste ano do centenário do Centro de Letras do Paraná constituem momento assaz oportuno para que a sociedade paranaense volte seus olhares críticos para os valores que essa Instituição tem procurado concretizar, desde sua fundação, em 19 de dezembro de 1912, como foco aglutinador dos ideais literários, poéticos e históricos de um povo altamente miscigenado em suas origens. Por isso, o percurso existencial do Centro de Letras do Paraná tem sido marcado por sofrer uma crise permanente de autoafirmação, mas uma análise de sua história e dos percalços que tem enfrentado sugerem-nos uma trajetória constante de superação. Para tanto, selecionamos alguns tópicos considerados importantes, nessa análise:

COMPROMISSOS HISTÓRICOS COMPROMISSOS CULTURAIS REVISTA E BIBLIOTECA COMPROMISSOS SOCIAIS COMPROMISSOS LITERÁRIOS

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

AS DIMENSÕES POLÍTICAS

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COMPROMISSOS ECONÔMICOS BERÇO DA ACADEMIA PARANAENSE DE LETRAS


COMPROMISSOS HISTÓRICOS DO CENTRO: o Centro de Letras do Paraná surgiu no início do século XX, num momento crucial da evolução de Curitiba e do Estado. Como nos relata Luiz Carlos Tourinho (Estante Paranaense, vol 37), a população era bastante heterogênea, normalmente composta por grupos étnicos estrangeiros, todos desejosos de manter sólidas suas tradições histórico-culturais, em detrimento da formação integrada da população, o que seria por todos mais desejável. É sob tal background dispersivo que surge, então, a ideia de formar uma instituição que pudesse ser o berço de uma nova formação social, mais identificada com suas aspirações de integração e futuro. Sob este aspecto, os fundadores do Centro, Euclides Bandeira e Emiliano Perneta, entre outros, souberam perceber que só uma instituição voltada à convivência rotineira e à produção literária enraizada em nossos costumes, seria capaz de romper aquele momento adverso de ausência de identidade cultural. Conforme se lê na ata de sua fundação, eles criavam o Centro de Letras “com o fim de concorrer para o progresso mental do estado, publicando uma revista, editando livros, fazendo conferências, etc, justamente no dia em que se comemora a emancipação política de Paraná, marcando firme a presença de sua intelectualidade na evolução cultural do estado”.

História do Centro de Letras do Paraná

COMPROMISSOS CULTURAIS DO CENTRO: observa-se, na elite intelectual que desde o início compôs a formação do Centro, um desejo incontido de produzir um trabalho literário de fôlego, o que de fato se concretizou com a maioria de seus integrantes. Desde Euclides Bandeira, passando por Emiliano Pernetta, Dario Vellozo, Maria Nicolas, Leonor Castellano, Helena Kolodi e Túlio Vargas, conta-se uma série de outros autores originais, o que acabou formando um acervo considerável de livros e artigos de variada consistência. Se não alcançaram a repercussão desejada, foi em virtude da ausência de um ambiente favorável no meio social que pudesse facilitar o seu acolhimento.

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É assim que, sob um olhar prospectivo, o Centro permanece atuante no cumprimento de seus ideais transformadores de integração e desenvolvimento de uma cultura autenticamente paranaense e seus portões permanecem abertos a todos que desejarem participar de atividades intelectuais ou poéticas.

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Ressalte-se que a população brasileira e paranaense nunca estiveram estimuladas para apreciar, dando o necessário valor, aos trabalhos intelectuais de nossos autores (sic). Não obstante, por força dos meios de comunicação e dos processos de ensino, a situação está em processo acelerado de transformação, como se pode observar. É dessa forma que o Centro de Letras pode contar com um considerável acervo de bons livros que foram editados, através de seus longos cem anos e que se encontram à disposição dos curiosos. PUBLICAÇÃO DA REVISTA E BIBLIOTECA: desde sua fundação, o propósito do Centro tem sido a publicação de uma revista periódica que pudesse expressar com naturalidade a evolução do pensamento literário paranaense. Assim, graças aos esforços de seus dirigentes, a Revista nunca deixou de ser publicada, refletindo o pensamento original de muitas gerações de centristas. Incluindo os mais diversos assuntos, as referidas publicações têm-se constituído num espaço disponível a todos quantos desejam expressar suas opiniões literárias. Quanto ao acervo de sua biblioteca, tem sido louvável o esforço de suas diretorias na preservação de um grande número de obras raras, já relacionadas em diversos números da Revista. São documentos de real valor histórico, cabendo destacar: 1) 1886: Província do Paraná: Ata de inauguração de várias obras parciais do Passeio Público da Cidade de Curityba. 2) 1890: Decretos do Governo Provisório da República dos Estados Unidos do Brasil. 3) 1872: Collecção das Leis do Império do Brasil de 1833.

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4) 1888: Educação intellectual, moral e physica, de Herbert Spencer.

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5) 1756: Abrégé de l´anatomie du corps humain, de M. Verdier. 6) 1851: Cosmos: essai d´une description physique du monde, de Alexandre de Humboldt.


COMPROMISSOS SOCIAIS DO CENTRO: não se pode negar o caráter democrático do Centro, acolhendo centenas de pessoas, movidas muitas vezes apenas pelo desejo de aparecer, que passaram pelo Centro como meteoros cintilantes, mas incapazes de pouca ou nenhuma contribuição literária. Contudo, a elitização do Centro foi consequência natural da exclusão social que sempre teve lugar em nossa sociedade, carente que sempre foi no propósito de desenvolver uma política de maior integração, econômica ou cultural entre as pessoas. A situação agora se encontra agravada pela dispersão cultural de uma grande cidade, o que impõe novas formas de comunicação com o público intelectualizado, pela utilização intensa dos meios modernos de comunicação, como a televisão, as rádios, internet, sites, blogs, etc. COMPROMISSOS LITERÁRIOS DO CENTRO: seria injusto não reconhecer o enorme acervo de obras, artigos ou estudos patrocinados pelos integrantes do Centro, no correr de sua história, que muitas vezes permanecem desconhecidos, apenas porque nossas instituições literárias não contam com o necessário apoio dos meios de comunicação para o seu prestigiamento ou divulgação no meio social.

-Romário Martins, com sua notável História do Paraná, foi o manual didático a esclarecer detalhes de nossa formação regional. -Rocha Pombo: cidadão de Morretes, nos legou vasta obra histórica e literária; sua História do Brasil, em 10 volumes, é obra consagrada pela crítica nacional e pela Academia Brasileira de Letras.

História do Centro de Letras do Paraná

-Emiliano Pernetta: em 1911, coroado “Príncipe dos Poetas Paranaenses”, sua obra literária é de conteúdo inspirador, sendo fonte constante de citações; por iniciativa de Erasmo Pilotto, a editora Gerpa publicou, em 1945, o vol 1 de suas Obras Completas.

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Dessa forma, podemos constatar que o Centro conta com um considerável acervo de obras no campo literário da prosa e verso, ao lado de boas pesquisas históricas, cabendo destacar os seguintes autores memoráveis:

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-David Carneiro: renomado polemista e museólogo, marcou época com sua atuação no Centro de Letras. Sua obra histórica tem o título História da História do Paraná. -Helena Kolody: com início em 1930, nossa poetisa maior nos legou vasta obra literária, de profundo cunho inspirador e sentimental. Em 1983, publicou uma resenha, de elevado sabor poético, com o título Poesias Escolhidas. -Ruy Wachowicz: renomado pesquisador, sua obra histórica é de relevo, pela variedade e profundidade de suas pesquisas. Sua História do Paraná é obra valiosa. -Dalton Trevisan: escritor polêmico e muito original. É detentor de vários prêmios nacionais e internacionais.

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-Túlio Vargas: pesquisador intenso do processo de colonização dos campos gerais, publicou mais de vinte títulos. Político e líder social, a participação de Túlio Vargas marcou época no Centro de Letras, apesar de nunca ter sido presidente da instituição.

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A PROJEÇÃO POLÍTICA DO CENTRO: pode-se observar, no transcurso de seus cem anos, que o Centro de Letras do Paraná sempre teve um convívio muito próximo com as autoridades públicas do Estado. Desde sua fundação, teve o auxílio explícito de seus governadores, como Carlos Cavalcanti, Moysés Lupion, Bento Munhoz da Rocha, Ney Braga. No transcurso de seus cem anos, observa-se não só a obtenção de generosas contribuições de verbas públicas para a sua manutenção, como também o apoio de funcionários e repartições subalternas. Prefeitura Municipal, Câmara de Vereadores, Assembleia Legislativa, igualmente, sempre estiveram prontas a auxiliar na continuidade do funcionamento do Centro. Não obstante, observa-se hoje um considerável afastamento do Centro daqueles focos tradicionais de apoio, restando apenas um convênio com a Fundação Cultural de Curitiba, que tem auxiliado o Centro, em pequenos trabalhos burocráticos. Se há um aspecto relevante a considerar, não podemos deixar de assinalar uma acentuada transformação no nível cultural de nossos atuais políticos, que não têm demonstrado uma preocupação mais consistente com a cultura de nosso povo. O que é apenas um dos aspectos de nossa atual crise política.


OS COMPROMISSOS ECONÔMICOS: constitui-se em verdadeiro milagre que o Centro tenha sobrevivido, por todo esse tempo, saldando rotineiramente seus compromissos pecuniários, sem a presença de uma fonte de rendas suficiente para sustentá-lo, a longo prazo, pois as rendas provenientes dos aluguéis de seus imóveis não têm sido suficientes para equilibrar seus orçamentos. Assim, como se observa, durante todo seu percurso secular, a obtenção de verbas públicas ou particulares, sempre aconteceu de forma aleatória, não sistemática.

CONCLUSÃO: Deve haver um compromisso histórico de todos os intelectuais desta terra paranaense em promover melhores condições para a sustentação e o funcionamento de seu Centro de Letras, pela superação de seus atuais entraves. Só assim, seu futuro poderá ser digno de seu passado.

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BERÇO DA ACADEMIA PARANAENSE DE LETRAS: De 1934 a 1940, estando na presidência do Centro o ilustre Ulysses Falcão Vieira, fomos instados, pela Academia Carioca de Letras, a fundar uma congênere, para representar o Estado no concerto de uma Federação de Academias de Letras, envolvendo todos os estados brasileiros. Ocorre que aqui já tínhamos tentado organizar uma, em 1922, e que se autodissolveu, após o terceiro ano de sua fundação, por divergências na identidade filosófica entre seus membros. Mesmo assim, tentou sobreviver até 1930. Estabelecido o vácuo, coube, então, a Ulysses Vieira convocar, às 20 h do dia 26 de setembro de 1936, no Instituto de Educação, a eleição da primeira diretoria da academia, composta por integrantes do Centro de Letras. Dessa forma, o Centro permanece como o pai intelectual de nossa Academia, cujas relações têm tudo em comum e deveriam estar mais próximas, mutuamente se estimulando.

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Por outro lado, da parte dos associados, observa-se um displicente descuido com relação aos compromissos com o pagamento das mensalidades, que se fossem cumpridas regularmente, com certeza, seriam suficientes para custear as despesas corriqueiras da instituição. Ainda, o momento é oportuno para ressaltar o esforço de seu atual presidente, o Desembargador Luiz Renato Pedroso, que, por força do desempenho de diversos mandatos, mantém acesa uma chama permanente de entusiasmo para com a sustentação da vida no Centro, o que deve ser por todos reconhecido.

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Eles Fazem o Centro de Letras do Paranรก


UM CENTRISTA EXEMPLAR

TÚLIO VARGAS De tudo o quanto se pretendeu, nestes cem anos de existência centrista, a democrática participação indistinta de homens e mulheres, no quadro associativo geral e no exercício de mandato eletivo, pode-se concluir, com justiça, que esta missão foi inteiramente cumprida. Honrando a todos os associados, passados e presentes, eligimos, como personalidade referencial o grandioso Túlio Vargas, que não tendo sido nem fundador nem presidente, merece uma biografia que a todos encanta e representa. A nobre jornada deste paranista abre a longa lista de nomes que compõem a comunidade histórica do Centro de Letras do Paraná.


Odilon Túlio Vargas nasceu em Piraí do Sul, Paraná, filho de Rivadávia Vargas

e de Dalila Rolim, no dia 28 de junho de 1929.

Era bisneto de Telêmaco Borba, desbravador e sertanista, muito importante na História do Paraná. Seu pai era deputado. Seus estudos foram realizados em pequenas cidades do interior do Paraná e em São Paulo, (Itapetininga), somente vindo para Curitiba para ingressar no Internato Paranaense (Marista) e em nossa capital completou seus estudos, bacharelando-se em Direito pela Universidade Federal do Paraná, em 1954. Ainda estudante, dedicou-se à liderança estudantil, como presidente da União dos Estudantes Secundários e no Diretório Acadêmico Hugo Simas. Paralelamente, atuou com destaque no jornalismo e na radiofonia, nos campos da política, esportes e sindicalismo. Depois de formado, radicou-se em Maringá, onde se elegeu presidente da Associação dos Advogados. Inclinado às lides políticas, fundou, em Maringá, o Partido Democrata Cristão, por cuja legenda foi eleito Deputado Estadual, em 1961, 1964, e Deputado Federal, em 1970 e reeleição em 1974. Em ambas as casas legislativas, exerceu funções de liderança, integrou delegações em visita oficial ao Japão e Estados Unidos e presidiu a Comissão Interestadual Parlamentar de Estados do Extremo Sul.

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Foi eleito Senador com maior número de votos.

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Em 1974, no governo estadual de Jayme Canet Júnior, foi nomeado Secretário da Justiça e confirmado nos governos seguintes . Ocupou, em seguida, a presidência do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul.


Foi Procurdor Geral cargo em que se aposentou.

do

Estado

junto

ao

Tribunal

de

Contas,

Essa intensa atividade política não o afastou do gosto pela Históría do Paraná, especializando-se na pesquisa biográfica, na qual foi muito eficiente. Publicou muitos livros, entre os quais: Indomável Republicano (Vida de Telêmaco Borba); A Última Viagem do Barão do Serro Azul, que se transformou no argumento do filme “O Preço da Paz”, Senhor Senador, Senhor Ministro (Vida de Ubaldino do Amaral) e muitos outros de biografia e de Memórias. Durante muitos anos, manteve uma coluna de biografias no jornal “Gazeta do Povo”, denominado “Porta-Retrato”. Incentivador das letras e da cultura em geral, pertenceu ao Centro de Letras do Paraná, sempre em cargos de Vice-Presidente, por injunções políticas, mas nesse cargo de suma importância, pôde difundir a cultura por onde passou, estando sempre à frente de todos os projetos culturais do Centro.

Como Presidente da Academia, foi o incentivador da fundação de Academias de Letras nas cidades do Paraná que têm Faculdades, e de Centros de Letras, nas que não tem. Depois de uma longa e dolorosa doença dos pulmões, faleceu em Curitiba, dia 27 de março de 2008.

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Coautor com Wilson Bóia e Valério Hoerner Jr. do volume Biobibliografia da Academia Paranaense de Letras, 1995 .

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A partir de 11 de outubro de 1974, foi eleito para a Cadeira nº 23 da Academia Paranaense de Letras, cujo patrono é Fernando Simas, e o fundador Ernesto de Oliveira, e os ocupantes Hugo Simas e Artur dos Santos que mereceu um estudo biográfico de Túlio.

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OS CENTRISTAS DE TODOS OS TEMPOS PATRONOS Da entidade: Euclides Bandeira e Emiliano Perneta Das cadeiras da Diretoria (resolução de 2 de janeiro de 1913): Presidente: Dias da Rocha Filho Vice-Presidente: Fernando Amaro Miranda 1º secretário: Cícero França 2º secretário: Aristides França 1º orador: Lycio de Carvalho 2º orador: Nestor de Castro 1º tesoureiro: José Morais 2º tesoureiro: Roberto Faria Bibliotecário: Alcides Plaisant Conselho Fiscal: Azevedo Macedo Conselho Literário: Ulisses Vieira Conselho administrativo: Pamphilo D’Assumpção Comissão de Imprensa e Publicidade: Romário Martins

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FUNDADORES

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1. Ademaro Lustoza Munhoz 2. Adolpho Werneck 3. Alcebiades Plaisant 4. Alcides Munhoz 5. Alda Silva 6. Aldo Silva 7. Aluizio França

8. Annette Macedo 9. Antônio F. de Santa Ritta Júnior 10. Antônio J. Alves de Farias 11. Augusto Rocha 12. Caio Graccho Machado Lima 13. Celestino Júnior 14. Chichorro Júnior 15. Ciro Silva 16. Claudino Rogoberto F. dos Santos 17. Clemente Ritz 18. Daltro Filho 19. Dario Vellozo 20. Domingos Duarte Vellozo 21. Domingos Nascimento 22. Emiliano Perneta 23. Euclides Bandeira 24. Euzébio Silveira da Motta 25. Francisco Ferreira Leite 26. Francisco R. de Azevedo Macedo 27. Gastão Faria 28. Generoso Borges 29. Georgina Mongruel 30. Gilberto Beltrão 31. Heitor Stockler 32. Hugo Simas 33. Humberto Moletta 34. I. Serro Azul 35. Icilio Saldanha 36. Ismael Martins 37. Jayme Ballão 38. Jayme Ballão Júnior 39. João Evangelista Espíndola 40. João Perneta 41. José Guaiba Afonso da Costa 42. José Guelbeck 43. José H. de Santa Ritta 44. José Maria de Paula 45. José Niepce da Silva

46. Julio Hauer 47. Júlio Pernetta 48. Lacerda Pinto 49. Leite Junior 50. Leocadio Correia 51. Manoel Francisco Corrêa Netto 52. Myriam Catta Preta 53. Oscar Martins Gomes 54. Pamphilo D’Assumpção 55. Raul Gomes 56. Reynaldo Machado 57. Ricardo de Lemos 58. Rodrigo Júnior 59. Romário Martins 60. Sebastião Paraná 61. Sylvio Lourenço Scheleder 62. Ullysses Falcão Vieira 63. Ulysses Sarmento 64. Veríssimo de Souza 65. Vicente Nascimento Junior 66. Zaida Z. Zardo Sotomeior 67. Zeno Silva

BENEMÉRITOS 1. Alcebiades Miranda 2. Pedro Alegretti Filho 3. Alcyone Moraes de Castro Vellozo 4. Alice Ruiz 5. Arnaud Ferreira Velloso 6. Athos Moraes de Castro Vellozo 7. Augusto Waldrigues 8. Carlos Antonio de Almeida Ferreira 9. Carlos Frederico Moraés de Souza Filho 10. Carlos Gonzalez 11. Carmem Catta Preta Wilhelm


EFETIVOS 1. Abdon Nascimento 2. Adelaide Maltana Viela 3. Adelar José Schueda Barbosa 4. Adélia Maria Woellner 5. Ademilson Soares 6. Adil Calomeno 7. Adilson Pasqual 8. Afonso Bertagnoli 9. Afonso de Santa Cruz 10. Airton Estanislau Rocion 11. Airton Marques de Oliveira 12. Alayde de Camargo Turech 13. Alberto Orlando E. Rebelo 14. Alceo Bocchino 15. Alcina Maria de Lara Cardoso 16. Aldaci do Carmo Capaverde 17. Alexandre José Zakovicz 18. Algacir Morgestern 19. Almir Lara 20. Almir Vilela 21. Almo Saturnino 22. Altina Flores 23. Álvaro César Dutra 24. Álvaro Porto Alegre

25. Alzely Basseti Prochmann 26. Alzira Freitas Taques 27. Amani S. Oliveira 28. Amaury de Oliveira E Silva 29. Andrea Motta Paredes 30. Ana Amélia C. P. Filizola 31. Ana Lucia Malheiros Guedes 32. Ângelo Batista 33. Anita Zippin Monteiro da Silva 34. Anna Narbone de Faria 35. Anphiloquio Camara 36. Antenor Bonfim 37. Antônio Celso Mendes 38. Antônio Garcia 39. Antonio José Santermam 40. Apollo Taborda França 41. Ariana Bittencourt da Rocha Loures 42. Ario Taborda Dergint 43. Ariosvaldo Cruz 44. Armando Ribeiro Pinto 45. Arthur de Souza 46. Arthur Virmond de Lacerda Neto 47. Ayrton Borges 48. Atila Silveira Brasil 49. Beatriz Elena Gessner 50. Bernadete Zagonel 51. Bruno Enei 52. Carla Yasshin 53. Carlos Antônio de Almeida Ferreira 54. Carlos Danilo Costa Cortes 55. Carlos Gonzalez 56. Carlos Mion 57. Carlos Moritz Vicente Gomes 58. Carlos Magno Braga 59. Carlos Renato Fernandes 60. Carmen Lúcia Rigoni 61. Carmen Silvia de Barros Rocha Paes 62. Carmen Zanki

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50. Rosário Ferani Mansur Guérios 51. Rosy de Macedo Pinheiro Lima 52. Ruy Noronha Miranda 53. Tito Pereira 54. Valter Macedo 55. Vasco José Taborda Ribas 56. Virgilio Moreira 57. Zenon Pereira Leite

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12. Dário Nogueira dos Santos 13. David Azambuja 14. David Carneiro 15. Elato Silva 16. Elias Domit 17. Elias Karam 18. Emilia Dantas Ribas 19. Emilio Leão de Matos Sounis 20. Enói René Navarro Swain 21. Ernesto Guimarães Máximo 22. Evaristo Chalbaud Biscaia 23. Faris A Michaele 24. Geraldo Pougy 25. Gláucio Bandeira 26. Graciette Salmon 27. Helena Kolody 28. Hellê Vellozo Fernandes 29. Ignácio Bugno 30. Jaime Balão Júnior 31. Joaquim de Almeida Peixoto 32. José Augusto Gumy 33. José Eduardo Andrade Vieira 34. José Sotero Ângelo 35. Laertes Macedo Munhoz 36. Leonardo Henke 37. Leonidio Ribeiro 38. Leonor Castellano 39. Lisette Villar De Lucena Tacla 40. Lucia Camargo 41. Luís Silva e Albuquerque 42. Manoel Thomaz Pereira 43. Maria do Carmo Sounis 44. Maria Nicolas 45. Mary Camargo 46. Odila Portugal Castagnoli 47. Odilon Tavares 48. Oswaldo Pilotto 49. Pompília Lopes dos Santos

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63. Cátia Toledo Mendonça 64. Celito Medeiros 65. Celso de Macedo Portugal 66. Ceres de Ferrante 67. Cloris Elaine Justen de Oliveira 68. Chloris Justen 69. Claret de Rezende 70. Claudia Sposito Zanin 71. Clodilte Branco Germiniani 72. Clotilde de Quadros Cravo 73. Cremildes Ferreira Bahr 74. Crimoaldo Brito Beltrão 75. Cristiano Mion 76. Cyro Pereira da Cunha Filho 77. Cyroba Ritzmann 78. Dalila Morgenstern 79. Dalton Trevisan 80. Daria Farion 81. Dario Livino Torres 82. Daysy Lúcia R. de Andrade 83. Dirce Merlin Cleve 84. Deisi Giacomazzi Silva 85. Delores Pires 86. Denise A de Guimaraes 87. Dimas Floríani 88. Dione Almeida Miroski 89. Dirceu Mendes Brito 90. Diva Ferreira Gomes 91. Djalma Luiz Vieira Filho 92. Dubby José Lapuente Plada 93. Edgar Zanoni 94. Edivino Ferrari 95. Edma Coquemala 96. Edson Luiz Vidal Pinto 97. Eduardo Bacellar 98. Eduardo Francisco Machado 99. Eduardo Rocha Virmond 100. Eliana C. Teixeira de Freitas

101. Eliane Bastos 102. Eliana Damico Fonseca 103. Eliane Doria Nogiri 104. Elieder Corrêa da Silva 105. Elio Eugenio Muller 106. Elisabeth Muller Prosser 107. Elisio Eduardo Marques 108. Eloína Ribas Rodrigues 109. Eloir Dante Alberti 110. Emanuel Fay Mata da Fonseca 111. Emanuel Mascarenhas Padilha 112. Emilia de Sales Belinati 113. Enéas Athanázio 114. Enólia Macedo Bacellar 115. Eny Carbonar 116. Eolina de Paula Xavier 117. Ercília A Maria Martins 118. Ernani Straube 119. Eron Camargo Meyer 120. Estefano Ulandowski 121. Estela Maris Lançoni Cantarelli 122. Estevan Alexandre da Silveira 123. Eurides D. Ferreira 124. Evaldo de Paula e Silva Junior 125. Fahed Daher 126. Fernando Hatschbach 127. Fernando Perneta 128. Fernando R S Calderari 129. Flávio Horizonte da Costa 130. Flora Camargo Munhoz da Rocha 131. Flori Antônio Tasca 132. Florisvaldo Garcia Peres 133. Francine Gabriele da Silva 134. Francisco Cunha Pereira Neto 135. Francisco José Sinke Pimpão 136. Francisco Luz Macedo 137. Francisco Romero 138. Gabriel Kalinowiski Filho

139. Gehad Ismail Hajad 140. George Schapatoff 141. Geraldo Dallegrave 142. Gerson Foltran 143. Gilberto Bachmann 144. Gilberto Ferreira 145. Gilberto Pacheco 146. Gilmar Cardoso 147. Gisele de Macedo Goedert 148. Glacélia Quadros 149. Glaci Cardoso de Carvalhho 150. Glaci de Andrade Figueira 151. Gladys França 152. Gladys Lillian Bormann Sigwalt 153. Gleusa Salomon 154. Graziela Lamartine Barbosa 155. Gustavo Pereira 156. Hélio de Freitas Puglieli 157. Henedina Ayres Kendrick 158. Henrique Morozowicz 159. Heriberto Arns 160. Inami Custódio Pinto 161. Isaac Cubric 162. Isabel Sprenger Ribas 163. Ismail Macedo 164. Israel Jaime Reis 165. Ivan Xavier Vianna 166. Ivete Terezinha Mion Bodaczny 167. Ivo de Angelis 168. Ivonete Silveira Euzébio 169. Izabel Kugler Mendes 170. Izza Zilli 171. Jacqueline Andréa Glazer 172. Jair Elias dos Santos Junior 173. Janske Niemann Schlenker 174. Jarci Alves da Silva 175. Jean Dobignies 176. Jeorling Cordeiro Cléve


253. Mamed Assim zaulth 254. Manoel de Oliveira Franco Sobrinho 255. Manoel Dória Guimarães Filho 256. Manoel O F Sobrinho 257. Manoel O Teixeira 258. Manoel Thomas Pereira 259. Marcelo Alexandre Siqueira de Luca 260. Marcio Alessandro de lazzari 261. Marcelo Motta Carneiro (Pe.) 262. Marcio Antônio Monteiro da Silva 263. Marco Antonio Cesar Villatore 264. Marco Antonio de Morais e Silva Filho 265. Marcos Roberto Andreatta 266. Margarita Sansone 267. Maria Alba Mendes S Xavier 268. Maria Alice Pedroso 269. Maria Bernadete Cardoso Arduino 270. Maria C de Araújo de Noronha 271. Maria C. Fonseca Dutra 272. Maria C de Leão Rosemmann 273. Maria Francisca Carneiro 274. Maria da Graça Stinglin 275. Maria da Luz Portugal Wernek 276. Maria Lúcia Ferreira Barbosa 277. Maria de Lourdes C. S. Gomes 278. Maria do Carmo K. Goulart 279. Maria Elisa Paciornik 280. Maria Ernestina Maciel Alzamora 281. Maria Gertrudes de Freitas 282. Maria José Bauer Ribas 283. Maria Luiza Rubine Bizerril 284. Mario A. Jaceguay Zamataro 285. Mário D. C. Bittencourt 286. Mário G. Freitas 287. Mário Piloto 288. Marion Muggiati 289. Mariza F. Sampaio 290. Marlene Maia Britez

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215. José Sebastião Fagundes Cunha 216. José Vanderlei Resende 217. Josina Algusto Mello 218. Joyce Novaes Kirchner 219. Juarez C de Costa Antunes 220. Julieta Reis 221. Júlio Enrique Gomez 222. Kathleen Evelyn Muller 223.Laércio Souto Maior 224. Lais Miranda 225. Laís Rios 226. Lauro Grein Filho 227. Leoni Rosi Marconcin 228. Leonidas Boutin 229. Leontilia Novaes 230. Leony de Souza Diotaveli 231. Liamir Santos Hauer 232. Liana Baroncelo 233. Liana Justen 234. Ligia Christina de Menezes 235. Lilia M de Souza 236. Lineu do Espírito Santo Marques 237. Lineu Ferreira do Amaral 238. Luciane Chisostomo Seleme 239. Lucy Salete B. Nazaro 240. Luis Alexandre Carta Winter 241. Luis Renato Pedroso 242. Luisa Christina dos Santos Fontes 243. Luiz Alberto F Bordenowski 244. Luiz Aureo de Araujo Perpétuo 245. Luiz Carlos L Franco 246. Luiz Cezar de Oliveira 247. Luiz Roberto Soares 248. Luiz Romaguera Neto 249. Luisa Josefina Varaschin 250. Luiza Steudel Iwersen 251. Luizita Mª D’albuquerque Teixeira 252. Mahum Sole

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177. Jesus Bello Galvão 178. Joao Baptista Cobb 179. João Batista Alberto Gnoato 180. João Bosco da Rocha Strozzi 181. João Carlos Calvo 182. João Carlos Cascaes 183. João Correia Defreitas 184. Joao Cid de Macedo Portugal 185. João Darcy Ruggeri 186. João Estevan dos Santos 187. João Feder 188. Joao Laurindo de Souza Neto 189. João Manoel Simões 190. João Sampaio de Araujo 191. João Noel de Azevedo Macedo 192. Joaquim Cardoso da Silveira Filho 193. Jocelino Alves de Freitas 194. Jocely Lona Cleto 195. Joel Pugsley 196. Joel Sanches 197. Jofre Eduardo Gineste 198. Jorge Antonio dos Santos 199. Jorge Miguel Samek 200. José Alexandre Saraiva 201. José Almir da Luz Júnior 202. José Bittencourt de Andrade 203. José Carlos Gabardo 204. Jose Carlos Mercer 205. José Carlos Pereira Portela 206. José Cid Campêlo 207. Jose dos Santos Poli 208. José Ericksen Pereira 209. José Evani Dutra 210. José Ferrarini 211. José Jamur Junior 212. José Manoel Malca 213. José Maurício P de Almeida 214. José Ribamar Gaspar Ferreira

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291. Marlova Raimundo 292. Marly Garcia Correia 293. Mary Schaffer 294. Maurício Fernandes 295. Mauricio Friedrich 296. Mauricio H de Souza Leitao 297. Máuro Bley Pereira Jr. 298. Mescislau Surek 299. Metry Bacila 300. Miguel Angel Almada 301. Milton Cavalcanti 302. Milton I. Heller 303. Milton Ragalzi de Faria Ribeiro 304. Milton Vicente Ferreira 305. Miquelina Soifer 306. Moacir Bordignon 307. Moisés Paciornik 308. Munir Karan 309. Nancy W. Correa 310. Neide Azevedo 311. Nelson de Luca 312. Neumar Carta Winter 313. Newton C de Andrada 314. Ney José de Freitas 315. Nilson Arruda 316. Nilton Marcos Carias de Oliveira 317. Nilton Romanowski 318. Nireu Teixeira 319. Noel Nascimento 320. Nordelia Castello Branco Gradowski 321. Nubar Salibian 322. Nylzamira Cunha Bejes 323. Olavo Soares 324. Oldemar Jose Vergés Bordin 325. Olga Gutierrez 326. Olga M. S. da Costa 327. Oli Antonio Coimbra 328. Orlando Soares Carbonar

329. Orlando Woczikoski 330. Orly Bach Andrade 331. Osman de Oliveira 332. Ozeil Moura dos Santos 333. Palmerinda Vidal Donato 334. Paula Andrade de Moraes 335. Paulo Bittencourt 336. Paulo Cintra Damião 337. Paulo H Bomanetti 338. Paulo de Tarso Mont Serrat 339. Paulo Ferreira da Cunha 340. Paulo Roberto C. de Oliveira 341. Paulo Roberto Karam 342. Paulo Walbach Prestes 343. Pedro Bertome de Mendonça 344. Pedro Fedalto 345. Pedro Guilherme dos Reis 346. Pedro Stenghel Guimarães 347. Rafael Conik Teigão 348. Rafael de Lala 349. Rafael Greca de Macedo 350. Rafael Tramujas Karam 351. Ralf Gunter Rotstein 352. Regina Elena Sabóia Iorio 353. Regina Mª. K. Teixeira 354. Reinaldo Atem 355. Reinaldo Ribas Silveira 356. René Ariel Dotti 357. Roberval F. de Freitas 358. Rogério Mainardes 359. Ronaldo Pereira da Silva 360. Rita Camargo Caldas 361. Rosa de Oliveira 362. Rossine Sales Fernandes 363. Rosy M. P. Lima 364. Rubem Pinheiro 365. Rubens Bittencourt 366. Rubens Corrêa

367. Rubens Nogueira 368. Ruth Santos Crema 369. Ruy Alvares Vieira 370. Ruy Bernardo 371. Ruy F. Oliveira 372. Ruy Noronha Miranda 373. Sami Knoblich Goldstein 374. Sandro Mansur Gibran 375. Sebastião Ferrarine 376. Sebastião Izidoro Pereira 377. Sebastiao Lima 378. Segio A. Munhoz Pitaki 379. Shirley Queiroz 380. Silvio Marcos Antunes 381. Silvio Sebastiani 382. Sônia Maria Barbosa Braga 383. Sueli Dias Kavalli 384. Suzana Maria Araujo Slaviero 385. Sylvio de Magalhães 386. Tania Rosa Cascaes 387. Tereza H. de Resende 388. Tereza T. de Brito 389. Terezinha Ivete Míon 390. Tufi Maron Filho 391. Ubirajara S. Zoccoli 392. Ubiratan Lustosa 393. Utizes Bressiani Vieira 394. Valderez Archegas Ferreira 395. Valéria Beatriz Pimentel de Araujo 396. Valéria Borges da Silveira 397. Valério Hoerner Júnior 398. Valter Martins Toledo 399. Vanda F. Queiroz 400. Vania Maria de Souza Ennes 401. Vera Lúcia Sales Brasil Verginia Andersen 402. Vidal Idony Stockler 403. Vitorino Antônio Boff 404. Viviane Grahl


1. A Ermelino de Leão 2. A Garibaldi 3. Adalto G. Araújo 4. Adalice Araujo 5. Adelia Maria Garcia 6. Ademaro Munhoz 7. Adolfo Werneck 8. Adriano Gustavo Robine 9. Adyr Guimarães 10. Agostinho Pereira Alves 11. Airton Ricardo dos Santos 12. Alberico Figueira 13. Alcebiades Miranda 14. Alcebiades Plaisant 15. Alceu Chichorro 16. Alcides de Barros Cassal 17. Alcino Lima 18. Alcyone Moraes de Castro Vellozo 19. Aldo Penteado de Almeida 20. Aldo Silva

59. Aurora N. Wagner 60. Aurora Silva Curi 61. Beatriz Quadros Ribas 62. Benedito Nicolau dos Santos 63. Benedito Nicolau dos Santos Filho 64. Benoni Laurindo Ribas 65. Bento Munhoz da Rocha Neto 66. Breno Arruda 67. C. Paula Barros 68. Caetano Munhoz da Rocha 69. Caio Gracho Machado Lima 70. Camila F. Alves 71. Carlos Cavalcanti 72. Carlos Coelho Jr. 73. Carlos S. Araujo 74. Carlyle Martins 75. Cecim Calisto 76. Celestino Junior 77. Chichorro Junior 78. Cid Cercal 79. Ciro Silva 80. Claudino Rogoberto Ferreira dos Santos 81. Clemente Ritz 82. Clementino de Alencar 83. Conceição de Castro Araujo 84. Correia Junior 85. Daltro Filho 86. Dario Nogueira dos Santos 87. Dario Velozo 88. David Azambuja 89. David Carneiro 90. Dea R. Figueiredo 91. Denise Meiler Bordin 92. Deolindo Amorim 93. Dicesar Plaisant 94. Didio Afonso da Costa 95. Dilermando de Almeida 96. Dino de Almeida

1912-2012

SÓCIOS EFETIVOS JÁ FALECIDOS

21. Aldo silva Junior 22. Alir Silva 23. Alegretti Filho 24. Alexandre Drabik 25. Alô Ticoulat Guimarães 26. Altamirano Nunes Pereira 27. Aluizio Ferreira de Abreu 28. Aluizio França 29. Alvaro Borges 30. Amália Max 31. Amancio Moro 32. Améria da Costa Sabóia 33. Anete Clotilde Portugal Macedo 34. Angelo Antonio Dalegrave 35. Angelo Guarinello 36. Anibal Ribeiro Fº 37. Anita Filipowski 38. Antonio Chalbaud Biscaia 39. Antonio de Castela Braz 40. Antonio F. de Santa Rita Junior 41. Antonio Joaquim Alves de Farias 42. Antonio Luza 43. Aparicio L. de Almeida 44. Aramis Athayde 45. Arildo José de Albuquerque 46. Arion Niepce da Silva 47. Ariovaldina Andrade Lourenço 48. Armando Soichi Iwaia 49. Arnaud Vellozo 50. Arnoldo Anater 51. Arthur Borges de Macedo Júnior 52. Arthur Ferreira dos Santos 53. Arthur Martins Franco 54. Ary de cristian 55. Ary Florêncio Guimarães 56. Assad Amadeu 57. Astrogildo de freitas 58. Augusto Rocha

História do Centro de Letras do Paraná

405. Waldemar Ens 406. Waldir Jansen Mello 407. Walter Ferreira 408. Wanderlei Vieira 409. Washington B. de Oliveira 410. Waterloo Marchesini Junior 411. Wener A Barthelmess 412. Yone Montibeler 413. Yone Peixoto 414. Zelia Maria Sell 415. Zorah Dalcanale 416. Zuleima Magaldi

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UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

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97. Dinorah C. Bettega 98. Domingos Nascimento 99. Durval Borges 100. Ediberto trevisan 101. Eduardo Xavier da Veiga 102. Elias Domingos 103. Elias Domit 104. Elias Karam 105. Emanuel Coelho 106. Emilia Dantas Ribas 107. Emiliano Perneta 108. Emilio de Menezes 109. Eno Teodoro Wanke 110. Enoi Renné Navarro Swain 111. Erasmo Piloto 112. Erasto Gaertner 113. Ermano Machado 114. Ernani Guarita Cartaxo 115. Ernani Santiago de Oliveira 116. Ernesto de Oliveira 117. Ernesto Guimarães Máximo 118. Escolastica Moraes de Castro Vellozo 119. Euclides Bandeira 120. Eugenio Parolim 121. Eurico B. Ferreira 122. Euripedes Banco 123. Euro Brandão 124. Eusébio Silveira da Mota 125. Faria Goes Sobrinho 126. Faris Antonio Michaelis 127. Faustino Favaro 128. Felicio Raitani Neto 129. Felix Ayres 130. Fernandina Lagos Marques 131. Fernandino Caldeira de Andrada 132. Fernando Simas Filho 133. Florentina Vitel 134. Francisco Brito de Lacerda

135. Francisco Castellano Neto 136. Francisco Carolino Corrêa 137. Francisco Dias Negrão 138. Francisco Fillipak 139. Francisco Leite 140. Francisco Pereira da Silva 141. Francisco Pereira Filho 142. Francisco R. de Azevedo Macedo 143. Francisco Raitani 144. Francisco Stobbia 145. Francisco Zicarelli Filho 146. Frederico Faria de Oliveira 147. Gabriel Fontoura 148. Gabriel Marques 149. Gaspar Vellozo 150. Gastão Faria 151. Generoso Borges 152. Georgina Mongruel 153. Gilberto Beltrão 154. Glaucio Bandeira 155. Glacy Tramujas Silva Muller 156. Guiomar Beltrão Ferreira 157. Harley Clovis Stochero 158. Helena Kolody 159. Heitor Borges de Macedo 160. Heitor Stockler de França 161. Hélio do Amaral Camargo 162. Henrique Lenz Cezar 163. Henrique Castro 164. Henrique Fontes 165. Henriqueta Galeno 166. Herbert Munhoz Van Erven 167. Hermano Machado 168. Helle Veloso Fernandes 169. Hernani Cidade 170. Hilary Graal Passos 171. Homero Batista de Barros 172. Homero de Mello Braga

173. Horácio Ferreira Portella 174. Hostilio Cesar de Souza Araujo 175. Hugo Simas 176. Humberto Moleta 177. Humberto Scarpa 178. Icilio Saldanha 179. Ignácio Bugno 180. Idalina Bueno Magalhães 181. Ildefonso Juvenal 182. Ildefonso Serro Azul 183. Ilka Sanches 184. Ilnah Pacheco Secundino 185. Ismael Martins 186. Ivo Arzua Pereira 187. J. Wanderley Dias 188. Jacques Mongruel 189. Jaime Balão 190. Jaime Balão Júnior 191. Jeny Seabra 192. Jeronimo Cabral Pereira do Amaral 193. João Candido Ferreira 194. João Evangelista Braga 195. João Evangelista Espíndola 196. João Leite Júnior 197. João Perneta 417. João Regis Fassbender Teixeira 198. Joaquim Penido Monteiro 199. Joaquim Tramujas 200. Jofre Sampaio 201. Jorge Gomes Rosa 202. José Alvarenga Moreira 203. José Andrade Murici 204. José Augusto Gumi 205. José Barbosa de Lima Neto 206. José Bittencourt de Paula 207. José Cadilhe 208. José Carlos Veiga Lopes 209. José Cruz Medeiros


286. Milton Condessa 287. Miranda Rosa Junior 288. Mirian Cata Preta Machado 289. Moyses Lupion 290. Nadir F. Infante Vieira 291. Napoleao Lírio Teixeira 292. Napoleao Lírio Teixeira 293. Natercia Cunha Vellozo 294. Natercia Cunha Vellozo 295. Nelson Saldanha D’Oliveira 296. Nely Valente de Almeida 297. Nicolau Pedro 298. Nilo Brandão 299. Nisia Nobrega Leal 300. Noemi Valle Rocha 301. Odila Portugal Castagnoli 302. Odilon Tavares 303. Olavio Dietsch 304. Olavo Chagas Correia 305. Olavo Dantas 306. Oldemar Justus 307. Oney Barbosa Borba 308. Orlando Sprenger Lobo 309. Oscar de Plácido e Silva 310. Oscar Martins Gomes 311. Osmani Emboada dos Santos 312. Osvaldo Wanderley da Costa 313. Oswaldo Alves De Souza 314. Oswaldo Nascimento 315. Otávio de Sá Barreto 316. Otávio Secundino de Oliveira 317. Otoniel Menezes 318. Paulo de tarso Mont Serrat 319. Panphilo de Assunção 320. Parahydes Soares Pereira 321. Pedro Saturnino 322. Pericles Busnardo 323. Phocion Serpa

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248. Lisete Vilar de Lucena Tecla 249. Lisimaco Ferreira da Costa 250. Lourenço Branco 251. Lourival Portela Natel 252. Lucio da Costa Borges 253. Luis Carlos de Andrade Lima 254. Luis Manoel Alberto Munhoz 255. Luís Silva e Albuquerque 256. Luiz A . Lenz Cesar 257. Luiz Camara Cascudo 258. Luiz Cataldi 259. Luiz Daniel Cleve 260. Luiz Piloto 261. Manoel de Lacerda Pinto 262. Manoel de Oliveira Franco 263. Manoel Francisco Correia Neto 264. Manoel Lacerta Pinto 265. Marcelino Nogueira Junior 266. Maria Aparecida de França 267. Maria Bassevitz Cesar 268. Maria Cristina A. Vieira 269. Maria da Luz Augusto 270. Maria de Lurdes Marques Vieira 271. Maria de Lurdes C Cavalcanti Fortes 272. Maria do Carmo Sounis 273. Maria Nicolas 274. Maria Rozaria Anderi 275. Mariana Coelho 276. Marino B. Brandão Braga 277. Marita França 278. Mário Gomes Leitão 279. Marise Manoel 280. Marise Manoel 281. Mariza Lira 282. Mary Camargo 283. Mercês Maria Moreira 284. Miguel de Quadros 285. Milton Carneiro

História do Centro de Letras do Paraná

210. José de Andrade Muricy 211. José Gelbeck 212. José Guaíba Afonso da Costa 213. José H. de Santa Rita 214. José Leandro da Costa Pereira 215. José Loureiro Fernandes 216. José Maria de Paula 217. José Mugiatti Sobrinho 218. José Niepce da Silva 219. José Nogueira dos Santos 220. José Penalva 221. José Pereira de Macedo 222. José R. Castro 223. José Rocha Faria 224. José Vanderlei Dias 225. José Vieira Neto 226. Jossete Maria S. Fontán 227. Júlio César Hauer 228. Júlio Estrela Moreira 229. Júlio Perneta 230. Juril de Plácido E.S. Carnasciali 231. L. Romanovski 232. Laertes Macedo Munhoz 233. Laura Santos 234. Lauro Schleder 235. Leocadio Correia 236. Leonardo Henke 237. Leoncio Corrêa 238. Leonidas Loiola 239. Leonidia Vasconcellos Corrêa 240. Leonidio Ribeiro 241. Leonilda Hilgenberg Justos 242. Leonor Castellano 243. Leopoldo Scherner 244. Lidia Moschetti 245. Ligia Fumagali Ambrogi 246. Ligya Carneiro 247. Lilinha Fernandes

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UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

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324. Porcia G. Alves 325. Porthos Moraes de Castro Vellozo 326. Quintiliano Pedroso 327. Rachel Prado 328. Raimundo M. Ayres 329. Raimundo Negrão Torres 330. Raul Azevedo 331. Raul Darcanchy 332. Raul Gomes 333. Raul Menssing 334. Reinaldo Dacheux Pereira 335. Reinaldo Machado 336. Reinaldo Schaffenberg de Quadros 337. Reinaldo Steudel 338. Ricardo de Lemos 339. Roberto B. Lopes 340. Rocha Pombo 341. Rodrigo Junior 342. Romário Martins 343. Rosala Garzuze 344. Rosário Farani Mansur Guérios 345. Roselys Vellozo Roderjan 346. Saldanha Sobrinho 347. Samuel Cesar de Oliveira 348. Samuel Guimarães da Costa 349. Satilas do Amaral Camargo 350. Saul Lupion de Quadros 351. Savino Guadagnin 352. Sebastião Paraná 353. Selene L. A. Esperandio 354. Seleneh Medeiros 355. Serafim França 356. Silveira Neto 357. Silvio Lourenço Scheleder 358. Stella Dolores da Silva Monteiro 359. Suelly Rossler 360. Suely Vilarinho 361. Swami Vivekananda

362. Tasso da Silveira 363. Telemaco Borba 364. Theodoro de Bona 365. Tito Pereira 366. Tulio Vargas 367. Ulysses Falcão Vieira 368. Ulysses Sarmento 369. Valencio Xavier 370. Valfrido Pilotto 371. Vera Czelusniak 372. Vera Vargas 373. Verissimo de Souza 374. Victorina Sagbone Teixeira 375. Vicente Bove 376. Vicente Nascimento Junior 377. Virgilio Moreira 378. Waldemar Monostier 379. Waldemiro Bley Junior 380. Wallace Thadeu de Mello e Silva 381. Wilson da Silva Bóia 382. Zacarias Alves de Souza 383. Zaida Zardo Sotomaior 384. Zdzislau Zawadki 385. Zeno Silva 386. Zenon Pereira Leite

CORRESPONDENTES 1. A . Garibaldi 2. Almo Saturnino 3. Altamirano Nunes Pereira 4. Altino Flores 5. Aluísio Ferreira De Abreu 6. Alzira Freitas Taques 7. Anphiloquio Camara 8. Anibal Ribeiro Filho 9. Anita Filiposki

10. Antonio Castela Braz 11. Arthur Ferreira Dos Santos 12. Attilio Zelante Flosi 13. Aurora Nunes Wagner 14. Avaro Porto Alegre 15. Barbosa Lima Sobrinho 16. Bruno Enei 17. C. Paula Barros 18. Camila Furtado Alves 19. Carlos Da Silva Araujo 20. Carlyle Martins 21. Cecim Calixto 22. Celso Kelly 23. Chediak Michel 24. Correa Junior 25. Dea R Figueiredo 26. Deolindo Amorim 27. Elias Domingues 28. Eno Theodoro Wanke 29. Erico Verissimo 30. Ernani Santiago De Oliveira 31. Ernesto De Souza Campos 32. Eurico Branco Ribeiro 33. Eurides D. Ferreira 34. Evangelina Maia Cavalcanti 35. Faria Goes Sobrinho 36. Felix Ayres 37. Francisco Barreira Filho 38. Francisco De Souza Brasil 39. Francisco Paula Chaves 40. Gabriel Fontoura 41. Gabriel Marques 42. Gaspar Velloso 43. Georges Argyropoulus 44. Harry Cohen 45. Henrique Castro 46. Henrique Luiz Larramendi 47. Hernani Cidade 48. Idalina Bueno De Magalhaes


88. Tasso Da Silveira 89. Themis Alves Do Amaral Ribeiro 90. Vicente Bove 91. Walter Spalding

1. Algacir Nikalovski 2. Aparecida Maria Cardoso da Silveira 3. Elizabeth Souza Ferreira 4. Gamaliel Seme Skaff 5. Ivete Gualberto 6. Ivan Justen Santana 7. Ingrid Haydée Muller Seraphim 8. José Eugênio Maciel 9. José Joaquim de Oliveira Monte 10. José Assis Simôes Utsch 11. Mariângela Pellizzer 12. Luiz Carlos G. de Castro 13. Maria Helena de Azevedo 14. Mario de Mari 15. Mouthi Ibrahim 16. Nelci Veiga Mello 17. Ney Fernando Perracini de Azevedo 18. Nicaela Maria Sanchez 19. Otávio Bressani 20. Paulo Roberto Moreira Gomes Júnior 21. Paulo Torres 22. Rafael Faraco Benthien 23. Ricardo Jorge Vieira 24. Roberson Luiz Pondaruk 25. Silvia Maria de Gracia Marques 26. Taniamara Falabello Paluch 27. Tereza Cristina Carta Winter 28. Willians Franklin Lira dos Santos

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NOVOS ASSOCIADOS EM 2012

História do Centro de Letras do Paraná

49. Ilnah Secundino 50. Jacques L Mongruel 51. Jenny Seabra 52. Joaquim Tramujas 53. Jorge Beltrao 54. Ligia Fumagali Ambrigi 55. Ligia Moschetti 56. Lilinha Fernandes 57. Luiz Camara Cascudo 58. Luiz Cataldi 59. Maria Bassevitz Cesar 60. Maria Da Luz Augusto 61. Maria Rosario Anderi 62. Mario Gonçalves Viana 63. Mariza Lira 64. Merces Maria Morira Lopes 65. Narciso Vicente De Castro 66. Natercia C Velloso 67. Nisia Nobrega Leal 68. Noemy Valle Rocha 69. Nuhad Ibrahim Pascha 70. Octacilio De Carvalho Lopes 71. Olavio Dietsch 72. Olavo Dantas 73. Oscar Correia 74. Osmani Emboaba Dos Santos 75. Otavio Secundino 76. Otoniel Menezes 77. Paulo Tecla 78. Peregrino Junior 79. Phocion Sepa 80. Raimundo Maranhao Aires 81. Ramon Lopez Jimenez 82. Raphael Urdaneta 83. Rauz Bazan Davilla 84. Reinaldo Steudel 85. Roberto B Lopes 86. Stella Dolores Da Silva Monteiro 87. Suely Roessler

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revistas publicadas


480 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


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Hist贸ria do Centro de Letras do Paran谩

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482 UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


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Hist贸ria do Centro de Letras do Paran谩

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galeria

APAIXONÁVEL Ah! O amor! Eterno, puro, inexorável, sublime louco que rege o universo. Apaixonável brisa é a que me traz o aroma das flores sazonais , de mil jardins em flor; apaixonável sol, fulgurante redoma que guarda a força e a luz da vida em esplendor. O amor da natureza ao homem é sintoma de algo mais fiel do que o humano amor, pois desse pobre ser só a ingratidão assoma, desprezo à benfazeja ação do Criador. Mas, quão estranhos são estes apaixonáveis! Não percebem do outro as falhas reprováveis, Na ânsia da paixão com que cegos se entregam. De tanto ver amarem-se os apaixonados,

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

penso que Deus perdoa os seus rudes pecados,

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tornando até mais leve o fardo que carregam. ARIOSVALDO TRANCOSO CRUZ


Hist贸ria do Centro de Letras do Paran谩

Marinha - Fernando Calderari.

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galeria

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE


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Hist贸ria do Centro de Letras do Paran谩

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futuro que almejamos “O futuro é a projeção do passado condicionado pelo presente” (Georges Braque, pintor francês). Vivenciando o Centro de Letras do Paraná, no ano do Centenário, compreendemos, louvamos e exaltamos a sua importância e projeção, no cenário cultural paranaense.

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Fundada em 19 de dezembro de 1912 por um pugilo de intelectuais, desde logo se sobressaiu, por isso que teve a sustentá-lo, no dizer de Euclides Bandeira, “maiores valores mentais desta terra”.

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Dotado de sede própria, que oferece abrigo a outras entidades congêneres, um corpo associativo que ultrapassa três centenas, ampla biblioteca com mais de vinte mil títulos, a maioria de autores paranaenses, promovendo eventos literosmusicais todas as terças-feiras, antecedidos por “Chá de Confraternização”, patrocinando o lançamento de concursos e obras literárias e artísticas, produzindo, semestralmente, apreciável “Revista”, o Cenáculo acolhe os amantes da cultura e os confrades sentem tanto prazer em frequentá-lo, que nos acostumamos a intitulá-lo de “A Segunda Casa de Todos Nós”.


Tal acervo cultural, que preservamos com tanto carinho, deixamos às futuras gerações, deveras engrandecido, porque nos esforçamos em honrar aqueles que, Euclides Bandeira e Emiliano Perneta à frente, nos entregaram e confiaram. O Centro de Letras do Paraná fez história, incorporando-se à própria História do Paraná.

Praza aos Céus que o futuro seja risonho e feliz e que, aqueles que nos sucederem, possam usufruir do Sodalício em toda a plenitude! Curitiba, primavera de 2012. Luiz Renato Pedroso Presidente.

História do Centro de Letras do Paraná

E, no conceito do nosso David Carneiro, historiador e confrade ilustre, “A tradição é para os povos como a experiência da vida para os indivíduos. Se estes esquecem o seu passado, se perdem a consciência de sua existência, tendem a anular-se ou, quando menos, a repetir os mesmos erros já cometidos, porque o farol com que os indivíduos se conduzem é a experiência da vida armazenada da memória” (In “Pensamento de todos os tempos”, de Jeorling J. Cordeiro Cleve).

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É, pois, motivo e ensejo de glória para todos nós, pela sua própria tradição.

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homenagem ao paraná

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

Inspirado pela curiosidade fotográfica de Guido Ferencz, o Centro de Letras do Paraná homenageia o fotógrafo, o Instituto Histórico e Geográfico do Paraná, bem como nossa capital, propondo uma quarta fotografia para compor com as de 1958, 1968 e 1978.

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História do Centro de Letras do Paraná

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Foto editorial produzida em 2013, com o apoio do departamento de marketing do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná e realizada pelo fotógrafo Leandro Urban.

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BIBLIOGRAFIA: ABREU, Capistrano de. “Caminhos antigos e povoamento do Brasil”, São Paulo, Editora da Universidade de São Paulo. 1988; BIGG-WITHER, Thomas Plantagenet. “Novo caminha no Brasil meridional: a província do Paraná”, Curitiba, Universidade Federal do Paraná, 1974; CARNEIRO, David, VARGAS, Túlio. “História Biográfica da República no Paraná (1889 - 1994)”, Curitiba, 1994; FRANCIOSI, Eddy. “Uma Crônica, Curitiba e Sua História”, Curitiba, Esplendor Editora, 2008; HOERNER Júnior, Valério, BÓIA, Wilson, VARGAS, Túlio. “Biobibliografia da Academia Paranaense de Letras”. Curitiba, Posigraf, 2001; KRÜGER, Nivaldo Passos. “Paraná central: ‘A primeira república das Américas’”, Curitiba, Trento, 2011; LICCARDO, Antonio. “La Pietra e L’uomo: cantaria e entalhe em Curitiba”, São Paulo, Beca-ball Edições, 2010;

UM SÉCULO DE CULTURA PARANAENSE

SUTIL, Marcelo Saldanha. “O espelho e a Miragem: moradia e modernidade na Curitiba do começo do século 20”, Curitiba, Travessa dos Editores, 2009;

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VARGAS, Túlio, CHAVES, Maria L. M.. “Sergio de Castro - Biografia do Presidente da Constituinte Republicana do Paraná de 1892”, Litero-tecnica, 1987; VARGAS, Túlio. “A viagem do Barão do Serro Azul”, Curitiba, Juruá Editora, 2008; VARGAS, Túlio. “O Conselheiro Zacarias: 1815 – 1877”, Curitiba, Juruá Editora, 2007;


VARGAS, Túlio. “O Indomável Republicano”, O Formigueiro, 1970; VARGAS, Túlio. “Tempo de Secretaria”, Curitiba, Secretaria do Estado da Justiça, 1976; VARGAS, Túlio. “Senhor Senador Senhor Ministro”, Curitiba, Graficar, 1976; VARGAS, Túlio. “O Tempo de Meu Pai”, Curitiba, Litero-tecnica, 1980; VARGAS, Túlio. “O Tribuno da Liberdade - a Trajetória Estelar do Senador Arthur Santos”, Curitiba, Torre de Papel, 2004; WACHOWICZ, Ruy Christovam. “A Universidade do Mate: História da UFPR”, Curitiba, Editora UFPR, 2006; WINTER, Neumar Carta. “Reforma Ortográfica 2009”. Curitiba, Juruá Editora, 2009;

Instituto de Terras, Cartografia e Florestas do Estado do Paraná. “Coletânea de mapas históricos do Paraná”, Curitiba, ITCF, 2006.

História do Centro de Letras do Paraná

Assembleia Legislativa do Paraná, “Páginas escolhidas: Histórias”, Curitiba. Assembleia Legislativa do Paraná, 2003;

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Revista do Centro de Letras do Paraná;

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Um Século de Cultura: História do Centro de Letras do Paraná  

O livro faz parte das comemorações do centenário da instituição e conta sua trajetória através das gestões de cada presidente, sua fundação,...

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