Competência em informação

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IV Seminario Hispano Brasileiro de Pesquisa em Informação, Documentação e Sociedade

Competência em Informação: teoria e práxis

Coordenação: Profa. Dra. Elmira Luzia Melo Soares Simeão (UnB) Profa. Dra. Regina Célia Baptista Belluzzo (Unesp)


Reitor Ivan Marques de Toledo Camargo Vice – Reitora Sônia Nair Báo Decanato de Pesquisa e Pós-graduação Decano: Prof. Dr. Jaime Martins de Santana Faculdade de Ciência da Informação Diretora: Elmira Luzia Melo Soares Simeão

Rector Carlos Andradas Heranz Faculdad de Ciencias de la Documentación Decano: José Maria de Francisco Olmos Departamento de Biblioteconomia y Docuentación Directora: Dra. Mª Teresa Fernández Bajón

Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação Coordenador: Fernando Cesar Lima Leite

Reitor Julio Cezar Durigan Faculdade de Filosofia e Ciências Diretor: Dr. José Carlos Miguel Departamento de Ciência da Informação Chefe: Edberto Ferneda Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação Coordenadora: Dra. Maria Cláudia Cabrini Grácio

Faculdade de Ciência da Informação FCI Biblioteca Central, entrada leste Campus Universitário Darcy Ribeiro Brasília - DF - Brasil - CEP: 70.910.900 email: necfci@unb.br, fone: 3107-264

Diretor Cecilia Leite Oliveira Coordenação Geral de Pesquisa e Manutenção de Produtos Consolidados Coordenadora: Lillian Alvares Coordenação de Planejamento, Acompanhamento e Avaliação Coordenador: Ricardo Crisafulli Rodrigues


IV Seminario Hispano Brasileiro de Pesquisa em Informação, Documentação e Sociedade

Competência em Informação: teoria e práxis

Coordenação: Profa. Dra. Elmira Luzia Melo Soares Simeão (UnB) Profa. Dra. Regina Célia Baptista Belluzzo (Unesp)

Brasília Faculdade de Ciência da Informação Universidade de Brasília 2015


Copyright © 2015 Elmira Luzia Melo Soares Simeão

Equipe Editorial

Conselho Editorial e Científico

Faculdade de Ciência da Informação - FCI Diretora

Dra.Cecília Leite de Oliveira (IBICT)

Elmira Luzia Melo Soares Simeão

Profa. Dra. Georgete Medleg Rodrigues (UnB)

Núcleo de Editoração e Comunicação - NEC Coordenadora

Profa. Dra. María Aurora Cuevas Cerveró (UCM)

Claudia Neves Lopes Diagramação Bruna Ribeiro de Freitas Capa

Faculdade de Ciência da Informação FCI Núcleo de Editoração e Comunicação – NEC/ FCI Biblioteca Central, entrada leste Campus Universitário Darcy Ribeiro Brasília - DF - Brasil - CEP: 70.910.900 email: necfci@unb.br, fone: 3107-264

Profa. Dra. Elmira Luzia M. Soares Simeão (UnB)

Profa. Dra. Mª Teresa Fernández Bajón (UCM) Profa. Dra. Marta Lígia Pomim Valentim (Unesp) Profa. Dra. Regina Célia Baptista Belluzzo (Unesp)


SUMÁRIO

1

Selma Letícia Capinzaiki Ottonicar,Glória Georges Feres

11

A COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO NAS ORGANIZAÇÕES RELIGIOSAS: UM ESTUDO DE CASO NA PARÓQUIA SÃO JOSÉ 2

Claudio Marcondes de Castro Filho

27

O ASPECTO SOCIAL, AS COMPETÊNCIAS E O PERFIL DO BIBLIOTECÁRIO NO CONTEXTO EDUCACIONAL 3

Camila de Biaggi, Marta Lígia Pomim Valentim

43

PERSPECTIVAS E TENDÊNCIAS DA ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO NA ÁREA DA SAÚDE 4

Selma Letícia Capinzaiki Ottonicar,Cristiana Portero Yafushi, Rafaela Rosa de Melo, Samantha Sasha Andrade

57

COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO E A COMPETÊNCIA MIDIÁTICA SOB O ENFOQUE DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO 5

Renata Lira Furtado, Adriana Rosecler Alcará

73

MODELOS PARA DESENVOLVIMENTO E FORMAÇÃO DA COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO 6

Camila Araújo dos Santos, Regina Célia Baptista Belluzzo

89

A COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO (CoInFo) COMO PRÉ-REQUISITO DIFERENCIAL E INOVADOR NO APOIO À EDUCAÇÃO PROFISSIONAL 7

Renata Lira Furtado, Regina Célia Baptista Belluzzo

103

FORMACIÓN Y DESARROLLO ALFABETIZACION INFORMACIONAL: UN ESTUDIO COMPARATIVO ENTRE LOS PROGRAMAS Y ACCIONES. 8

Mônica Regina Peres,Antonio Lisboa de Carvalho Miranda,Elmira Luzia Melo Soares Simeão

111

COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DE ACERVOS: A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA NA TRÍADE DA EDUCAÇÃO SUPERIOR 9

Marianna Zattar, Nysia Oliveira de Sá

123

PRÁTICAS DE COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO NA LITERATURA NACIONAL 10

Selma Letícia Capinzaiki Ottonicar, Glória Georges Feres A COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO COMO FATOR DE COMPETITIVIDADE DAS INDÚSTRIAS

135


11

Marcia Rosetto,Dina Elisabete Uliana, Regina Célia Baptista Belluzzo

153

A COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO (CoInFo) SOB A ÓTICA DO AMBIENTE ACADÊMICO: ANÁLISE PROSPECTIVA EM RELAÇÃO À GESTÃO DA INFORMAÇÃO PARA A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO 12

Denise Bacellar Nunes, Elmira Luzia Melo Soares Simeão, Emir José Suaiden, Fabiane Nogueira Freitas, Francisco Rafael Amorim dos Santos, Jane Nasser, Lídia Santos, Mara Karoline Lins Teotônio, Marcelo Augusto Dias Scarabuci, Mônica Regina Perez, Rafael Barcelos Santos, Valéria Canto Pereira

169

PROPOSTA DE INTEGRAÇÃO DA AÇÃO BIBLIOTECÁRIA E AÇÃO DOCENTE NO PROGRAMA DE FORMAÇÃO PARA COMPETÊNCIAS EM INFORMAÇÃO NA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA 13

Daniela Oliveira Spudeit, Rodrigo Pereira

185

INDICADORES PARA AVALIAÇÃO DE PROGRAMAS PARA DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS INFORMACIONAIS 14

Daniele da Fonseca Garamvolgyi e Silva, Alberto Calil Júnior

203

ESTUDO SOBRE OS PROGRAMAS DE PROMOÇÃO À COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO EM BIBLIOTECAS DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA 15

Linete Bartalo,Joao Arlindo dos Santos Neto

217

A CONCEPÇÃO DE COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO DAS DIFERENTES GERAÇÕES DE PESSOAS 16

Gabriela Belmont de Farias, Eliene Gomes Vieira Nascimento, Neiliane Alves Bezerra, Pablo Gomes

231

COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO: INDICADORES DE PERFORMANCE DOS BIBLIOTECÁRIOS ATUANTES EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS 17

Ana Paula Meneses Alves, Helen de Castro Silva Casarin, Juan-Carlos Fernández-Molina

247

COMPETÊNCIA INFORMACIONAL, ÉTICA E PLÁGIO ACADÊMICO: UM RETRATO DAS AÇÕES REALIZADAS POR UNIVERSIDADES BRASILEIRAS E ESPANHOLAS 18

Meri Nadia Marques Gerlin, Elmira Luzia Melo Soares Simeão

265

TECENDO REDES E NARRANDO HISTÓRIAS: COMPETÊNCIAS DO CONTADOR DE HISTÓRIAS NA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO 19

Rodrigo Barbosa de Paulo, Helen de Castro Silva Casarin A CONSTRUÇÃO DO PROCESSO DE PESQUISA ESCOLAR: UMA EXPERIÊNCIA COM PROFESSORES DO ENSINO FUNDAMENTAL

283


20

Gerardo Ruiz López

295

EL PROFESIONAL DE LA SALUD MENTAL Y LA INFORMACIÓN EN EL ÁMBITO PÚBLICO 21

Clemilton Luis Bassetto, Regina Célia Baptista Belluzzo

307

DISPONIBILIZANDO INFORMAÇÕES ADEQUADAS AO PERFIL DO EMPRESÁRIO: UM ESTUDO TEÓRICO PRÁTICO 22

Vanessa Cristina Bissoli dos Santos, Cristiana Aparecida Portero Yafushi

323

A COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO UTILIZADA PELAS ORGANIZAÇÕES NO CONTEXTO INFORMACIONAL E DO CONHECIMENTO 23

Paula Sanhudo da Silva

339

DISSERTAÇÕES SOBRE COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO CADASTRADAS NOS ÚLTIMOS CINCO ANOS NA PLATAFORMA LATTES: PRÁXIS BRASILEIRA 24

Marta Leandro da Mata

353

IDENTIFICAÇÃO DE DISCIPLINAS QUE ABORDEM CONTEÚDOS ACERCA DA COMPETÊNCIA INFORMACIONAL NOS CURSOS DE BIBLIOTECONOMIA DO BRASIL 25

Bruna A. Bochnia, Adriana R. Alcará

369

COMPETÊNCIA DIGITAL: CONCEITOS, CARACTERÍSTICAS E MODELOS 26

Luciane de Fátima Beckman Cavalcante, Regina Célia Baptista Belluzzo

387

REFLEXÕES SOBRE A TELEVISÃO UNIVERSITÁRIA E A COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO E COMPETÊNCIA MIDIÁTICA 27

Carla Luciane Thuns

403

COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO: UM ESTUDO SOBRE O ENFOQUE NA PRODUÇÃO CIENTÍFICA NA BASE DA BRAPCI 28

Enisete Malaquias Macedo Santos, Regina Célia Baptista Belluzzo PROGRAMA DE COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO (CoInFo) NA REDE DE INFORMAÇÃO E EDUCAÇÃO DO SESI-SP

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APRESENTAÇÃO É com muita alegria que publicamos as três edições com os trabalhos apresentados no IV SEMINÁRIO HISPANO-BRASILEIRO DE PESQUISA EM INFORMAÇÃO, DOCUMENTAÇÃO E SOCIEDADE e IV SEMINÁRIO DE COMPETÊNCIA INFORMACIONAL realizado na Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" - Unesp – Câmpus de Marília- SP, entre 24 e 26 de junho de 2015. O evento reuniu especialistas em Ciência da Informação, Biblioteconomia, Arquivologia, Museologia, Comunicação e Tecnologia da Informação, e pesquisadores em Competência em Informação do Brasil, Espanha, México e da Austrália. Além da Universidade de Brasilia (UnB), Universidad Complutense de Madrid (UCM) e Unesp, o evento tem apoio permanente do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia IBICT. O principal objetivo do SEMINÁRIO HISPANO-BRASILEIRO DE PESQUISA EM INFORMAÇÃO, DOCUMENTAÇÃO E SOCIEDADE é promover o intercâmbio acadêmico e científico entre instituições brasileiras e espanholas, além de outras instituições em âmbito internacional, consolidando a cooperação e o vínculo estabelecido pelas universidades brasileiras e seus representantes com instituições de outros países. O Seminário também reforça os conhecimentos dos participantes em relação às novas perspectivas e incentiva o conhecimento de outras realidades acadêmicas e científicas que podem contribuir para a convergência cultural e linguística entre os países integrantes. Trata-se da quarta edição desse evento, que surgiu como fruto de um acordo de cooperação científica entre a Universidade de Brasília e a Universidade Complutense de Madrid e que, a partir dessa edição, amplia a parceria institucional para a Unesp buscando um formato desafiador e cooperativo. Tem como principal característica a criação e sustentabilidade da comunidade educativa das instituições com a compreensão mútua e criando sinergias que podem levar a projetos conjuntos de pesquisa, ensino, inovação, publicações, mobilidade e excelência na prestação de serviços nas áreas de Informação, Documentação e Sociedade. O Vol. I da IV edição do seminário que trata "Competência em Informação: teoría e praxis", é coordenado pelas Professora Dra. Elmira Luzia Melo Soares Simeão (UnB) e Professora Dra. Regina Célia Baptista Belluzzo (Unesp). Apresenta uma significativa produção científica revelando pesquisas e o estado da arte da Information Literacy, em um movimento que tem crescido no contexto da Ciência da Informação da Ibero-américa, merecendo destaque por ter ocupado a agenda de muitos profissionais interessados em temáticas


com Estudo de usuários e atividades bibliotecárias vinculadas com capacitação. Pela demanda de trabalhos pôde-se realizar paralelamente o IV SEMINÁRIO DE COMPETÊNCIA INFORMACIONAL. No segundo volume apresenta-se o debate sobre "Gestão da informação, comunicação e tecnologia", sob a coordenação das professoras Dra. Marta Lígia Pomim Valentim (Unesp) e Dra. Cecília Leite de Oliveira (IBICT); e o Vol. III apresenta os trabalhos sobre "Políticas de Informação, universidade e desenvolvimento" coordenado pelo professor Dr. Antonio Lisboa Carvalho de Miranda, pela professora Dra. María Aurora Cuevas Cerveró (UCM) e professora Dra. María Teresa Fernández-Bajón (UCM). O evento também conjuga esforços dos Programas de Pós-graduação em Ciência da Informação da Universidade de Brasília e Unesp e Departamento de Biblioteconomía y Documentación da UCM buscando promover a aproximação entre pesquisadores da Ibero - américa e de outras latitudes, para a troca de experiências, mediante o debate e posterior publicação de textos relevantes que espelhem as linhas de pensamento e ação, tanto no campo acadêmico quanto profissional e empresarial. Temas relacionados com a comunicação científica, comunicação organizacional e comunitária, arquitetura da informação, gestão do conhecimento, infodiversidade e inclusão digital, epistemologia e metodologias em curso na área da Ciência da Informação, assim como as questões que estão sendo propostas e discutidas em escala internacional sobre a Sociedade da Informação e do Conhecimento. Destacamos que um esforço de tal envergadura só é possível com a participação de uma rede ampla de colaboradores e, nesse sentido, gostaríamos de agradecer o apoio de pesquisadores nas ações programadas de atuação na Comissão Científica (peer review) do evento encarregada da seleção de textos, parte deles também selecionada para publicação na Revista Iberoamericana de Ciência de la Información) – RICI. Também agradecemos a equiepe de apoio das instituições e os alunos da pós-graduação da Unesp que se envolveram fortemente nas ações operaciponais. Para a próxima edição (V SEMINÁRIO HISPANO-BRASILEIRO DE PESQUISA EM INFORMAÇÃO, DOCUMENTAÇÃO E SOCIEDADE), a ser realizada na espanha em 2016, a rede virá ainda mais fortalecida. Todos os parceiros prometem todo o empenho para que o evento se torne uma referência brasileira como edição internacional notável na área. Os autores

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1 A COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO NAS ORGANIZAÇÕES RELIGIOSAS: UM ESTUDO DE CASO NA PARÓQUIA SÃO JOSÉ

Selma Letícia Capinzaiki Ottonicar selma.leticia@hotmail.com Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação - Universidade Estadual “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp) Glória Georges Feres gloriaferes@gmail.com Docente Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação - Universidade Estadual “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp)

Resumo: A ciência da informação abrange diferentes áreas do saber, dentre elas esta a gestão da informação e do conhecimento que estuda a informação e o conhecimento como ferramentas de aprendizagem no contexto organizacional. Nesse sentido justifica-se uma pesquisa no âmbito das organizações religiosas por possibilitar a inserção da área nessas instituições, além disso, as igrejas necessitam de gestão para a tomada de decisão. Ressalta-se que essa pesquisa possui como foco a área de gestão, procurando evitar aplicações de cunho teológico. Portanto, este trabalho possui a seguintes questões como problema de pesquisa: Qual a importância da competência em informação para a igreja? Existe competência em informação na organização religiosa? O funcionário da igreja pode ser competente em informação? Como objetivo tem-se a definição da importância da competência em informação para as organizações religiosas e como ela acontece nesse ambiente. Assim os procedimentos metodológicos envolvem um estudo de caso em uma organização religiosa católica da cidade de Gália/SP através de uma entrevista realizada com o secretário paroquial da referida igreja. Palavras-Chave: Competência em Informação; Gestão de Igrejas; Organizações Religiosas; Interdisciplinaridade.

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Competência em Informação: teoria e práxis

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Competência em Informação: teoria e práxis

1 INTRODUÇÃO Existe uma área, dentro da ciência da informação, que estuda gestão da informação e do conhecimento em organizações. Os aspectos abordados pela gestão da informação e do conhecimento envolvem a coordenação, controle, disseminação, o acesso, o uso da informação pelos gestores e indivíduos que fazem parte das instituições. Nesse sentido, existe uma necessidade de que pessoas sejam competentes nos processos, no relacionamento humano e em informação, garantindo a sobrevivência da organização. O autor Saracevic (1995) aponta que há uma interdisciplinaridade na ciência da informação e esta aconteceu devido às diferentes experiências dos pesquisadores que buscavam soluções para os problemas relacionados com a informação. Uma das principais preocupações dessa área é a recuperação da informação. Sendo assim a Ciência da Informação é interdisciplinar porque a informação é objeto de estudo em diferentes áreas do conhecimento como a estatística, psicologia, comunicação, administração, computação, análise e desenvolvimento de sistemas, entre as demais áreas que possuem sua base de aprendizagem e crescimento dependente da informação. Borko (1968, p. 3) aponta os campos da matemática, lógica, lingüística, psicologia, tecnologia da computação, pesquisa de operação, arte gráfica, comunicação, biblioteconomia e gestão como áreas do conhecimento que estudam a informação, segundo ele a ciência da informação possui um componente puro, ou seja, que investiga o objeto sem uma aplicação prática e um componente de ciência aplicada na qual cria produtos e serviços. Ressalta-se que a CI não possui um registro oficial em si, todavia foi construída por um arcabouço teórico-científico ou não que guiaram o início da área. Nesse sentido, essas quantidades de elementos que formaram a ciência complicam a compreensão de seu conceito, mas prova que a Ciência da informação esta vinculada com uma grande quantidade de saberes (SILVA; FREIRE, 2012). A sociedade da informação e do conhecimento possui como principal característica as diferentes organizações que a compõem e cada uma atua em diferentes setores como as indústrias na economia, as organizações do governo atuam na política e cultura, o tribunal para se aplicar as leis e as organizações do

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terceiro setor como as ONGs1 que servem para atender a sociedade de diferentes maneiras, por exemplo, as igrejas que suprem necessidades místicas, subjetivas e sociais do ser humano. O Brasil é um país considerado religioso, já que segundo o senso de 2010 apontou 24. 781. 28 pessoas do Estado de São Paulo fazem parte da religião católica apostólica romana e por isso essas organizações exercem uma grande influência no país. Essa igreja é uma organização formal, pois contem uma estrutura tradicional e é formada por papéis representantes de uma hierarquia religiosa baseada na nomeação. A partir da observação desses dados estabeleceu-se três problemas de pesquisa: Qual a importância da competência em informação para a igreja? Existe competência em informação na organização religiosa? O funcionário da igreja pode ser competente em informação? A pesquisa se justifica porque a área Ciência da Informação percebeu a organização religiosa como um foco de estudo, não obstante percebeu-se a ascensão das organizações religiosas na sociedade moderna, principalmente através de mídias tais como televisão e internet. Nesse sentido, supõe-se que o crescimento dessas organizações esta relacionado com a competência em informação de seus funcionários. Infere-se também que na área da Ciência da Informação existem poucas pesquisas no âmbito das igrejas, principalmente na área de gestão e uso da informação. Portanto as organizações religiosas necessitam de gestão, pois possuem recursos financeiros, materiais e humanos que compõem sua administração. Ressalta-se que o presente estudo não é de cunho teológico, já que não faz menção as características e aspectos dos valores, regras e dogmas religiosos, mas investiga o fenômeno da competência em informação da pessoa responsável pela gestão da igreja em questão. Não obstante, esse estudo serve como abertura inicial no que diz respeito à investigação de fenômenos relacionados com a informação e conhecimento no interior dessas organizações. De acordo com a ACRL (Association of College and Research Libraries) os aspectos necessários para que um indivíduo seja a competente em informação são:

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Organizações Não Governamentais: sua função é atender a sociedade e não objetiva o lucro de seu fundador, ou seja, o dinheiro arrecadado é investido na própria organização

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Para ser competente em informação, uma pessoa deve ser capaz de reconhecer quando uma informação é necessária e deve ter a habilidade de localizar, avaliar e usar efetivamente a informação. Resumindo, as pessoas competentes em informação são aquelas que aprenderam a aprender. Elas sabem como o conhecimento é organizado, como encontrar a informação e como usá-la de modo que outras aprendam a partir dela. (ACRL, 1989, p. 1).

Desse modo a ACRL discute a competência em informação na área da educação e biblioteconomia, contudo estudos demonstraram que o processo de aprendizagem está presente em qualquer organização da sociedade, uma vez que para aprender basta existir seres humanos. Uma vez que os membros estejam em constante aprendizagem nas atividades de rotina, no relacionamento interpessoal e nos aspectos que envolvem a informação, há a presença de uma competência em informação. No desenvolvimento do estudo de caso da pesquisa, escolheu-se a organização religiosa católica porque é a maior religião praticada no Brasil, conforme mostra o quadro comparativo fornecido pelo IBGE, no qual uma comparação do Censo de 2000 com o Censo de 2010. O IBGE utiliza o termo “Católica Apostólica Romana” para identificar os fiéis dessa igreja que representam 64,6% da amostra, conforme a figura abaixo:

Figura 1: O percentual de grupos religiosos dos anos de 2000-2010

Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2010

Uma organização religiosa possui pessoas que atuam em sua administração, já que possuem obrigações, dívidas a pagar, leis que deve obedecer, indivíduos que necessitam de gestão, entre outros aspectos que também compreendem o mundo empresarial. Na maioria das igrejas católicas existem funcionários contratados para

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realizar a gestão dos recursos e não se pode esquecer de mencionar a figura dos líderes religiosos como tomadores de decisão. Segundo Serafim et AL.(2012, p.219): A igreja gera e propicia internamente, a seus membros, recursos organizacionais que são fatores chave para a abertura de negócios. Isso é, especialmente importante para aqueles que possuem níveis insuficientes de capital físico e humano. Entretanto, talvez o principal tipo de capital gerado pela associação de um indivíduo a uma organização religiosa seja o capital social.

Em uma instituição religiosa, geralmente, há uma estrutura organizacional representada por um organograma que envolve os cargos administrativos e cargos religiosos,

além

disso,

possuem

dívidas,

cadeia

de

comando,

disfunções

organizacionais, conflito, mudança entre outros aspectos que se assemelham as empresas, contudo são consideradas diferentes no que diz respeito a sua missão, visão e valores. Dentro da organização religiosa e sem fins lucrativos, a “gestão” é definida como “gestão compartilhada numa perspectiva de envolvimento de seus membros” (CARVALHO 2004, apud SILVA; RIBEIRO, 2010). Desse modo, Silva e Ribeiro (2010, p. 116) defendem que: [...] as “organizações sociais e religiosas não são empresas”, entretanto, no entendimento de Drucker, são prestadoras de serviços, portanto, não devem distanciar em hipótese alguma de sua tarefa no contexto da missão. Seu desafio é “conhecer seus destinatários, interpretar e antecipar-se às suas demandas e inovar caso contrário, não será viável”.

Todavia, a administração de uma igreja não pode se resumir apenas na gestão do patrimônio e nos recursos, mas é importante que os funcionários possuam habilidades para lidar com a informação e transformá-la em conhecimento. Concordando, Cavalcante e Valentim (2010, p. 236) explicam que: A informação e o conhecimento direta e indiretamente estão presentes em todos os processos e atividades organizacionais, logo se entende que, ao absorver e utilizar da melhor forma possível esses recursos, as organizações tendem a obter um melhor desenvolvimento e competitividade ante o mercado. Ressalta-se que as organizações são permeadas por intensos fluxos informacionais, tanto internos quanto externos a elas, fator importante para a compreensão da dinâmica organizacional.

Portanto as organizações contam com dois tipos de fluxos, os formais presentes em documentos ou relatórios, e os fluxos informais gerados pelo compartilhamento de informações entre os indivíduos que são difíceis de mapear (VALENTIM, 2005).

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Competência em Informação: teoria e práxis

Nas igrejas não é diferente, desse modo existe um fluxo informacional interno e externo que define o modus operandi da organização. Esses por sua vez irão influenciar diretamente no desenvolvimento da instituição, uma vez que depende de informações geradas na própria organização e daquelas advindas do ambiente externo. Por isso é fundamental que os funcionários possuam a competência em informação na rotina das atividades eclesiásticas, pois lidam com fluxos de informação internos e externos. É importante considerar a competência em informação como ferramenta fundamental no processo de gestão organizacional. Não se pode aprender e construir conhecimento sem a competência em informação, pois é por meio dela que os indivíduos realizam as ações de busca, identificação, avaliação, uso e o armazenamento de informações. A competência em informação é também conhecida como competência informacional, alfabetização informacional, letramento informacional, habilidade informacional (GASQUE, 2010), entretanto adotou-se para o presente trabalho o termo ‘competência em informação’ por ter sido indicado pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) como mais adequado para o Brasil (BELLUZZO, 2014). A união de conhecimentos e habilidades que possibilita a avaliação, o uso e a busca de informação é denominada por competência em informação. Essas informações podem ser utilizadas pelos indivíduos ou ser filtradas. Cada habilidade da competência é uma ferramenta que contribui para o sucesso das perspectivas em informação. No mundo contemporâneo, a maioria das organizações é composta pela informação e pela tecnologia como, por exemplo, os cenários da educação, do trabalho e da recreação (EISENBERG, 2008). Dudziak (2001) estabeleceu três características que compõem a competência em informação: ● É transdisciplinar, incorporando um conjunto integrado de habilidades, conhecimentos, valores pessoais e sociais; ● É um processo de aprendizado contínuo que envolve informação, conhecimento e inteligência; ● Permeia qualquer processo de criação, resolução de problemas e/ou tomada de decisões;

A partir do momento em que é vista como um assunto transdisciplinar a competência em informação é visualizada como um campo de estudo capaz de quebrar barreiras e fronteiras nos diversos saberes, podendo estar presente em diferentes áreas do conhecimento e ser objeto de estudo nas mais diversas organizações, como é o caso das organizações religiosas. 17


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Para exemplificar a transdisciplinaridade da competência em informação, em novembro de 2014 a UNESCO2 criou um grupo de líderes religiosos e adeptos do diálogo inter-religioso para realizar um curso com o objetivo de: “capacitar os indivíduos com relação a compreensão da mídia, como o acesso a informações e notícias moldam as suas percepções sobre religião e cultura, encontrar informação de qualidade e defini a desinformação quando encontrada”. Antes de iniciar com os dois cursos propostos pela UNESCO e o KAIICID, os participantes devem ter uma percepção apurada sobre as comunidades religiosas e crenças. Essa ação serve para demonstrar que todos têm direitos de demonstrar livremente sua fé e com isso diminuir o ódio entre as pessoas e consequentemente estimulando a paz mundial. Grande parte dessas organizações possui como objetivo principal a disseminação de suas crenças e a consequente adesão de novos adeptos, fatores estes que contribuem com o crescimento da igreja. Porém essa organização não é movida apenas por seus aspectos religiosos, sendo assim dentro delas existem uma administração formada por departamentos, cargos hierárquicos e trabalhadores contratados ou voluntários. Isso também explica o motivo pelo qual coletas e dízimos são recolhidos, pois sua finalidade é custear as despesas. No desenvolvimento da pesquisa prática do trabalho utilizaram-se os padrões, indicadores de desempenho e seus respectivos resultados desejáveis desenvolvidos por Belluzzo (2007), de acordo com quadro: Quadro 1: Padrões e indicadores da competência em informação PADRÃO 1 – A pessoa competente em informação determina a natureza e a extensão da necessidade de informação Indicador de Desempenho 1.1 Define e reconhece a necessidade de informação Resultados Desejáveis 1.1.1 Identifica um tópico de pesquisa ou outra informação necessária 1.1.2 Formula questões apropriadas baseado na informação necessária ou tópico de pesquisa 1.1.3 Usa fontes de informação gerais ou específicas para aumentar o seu conhecimento sobre o tópico 1.1.4 Modifica a informação necessária ou o tópico de pesquisa para concluir o foco sob controle. 1.1.5 Identifica conceitos e palavras-chave que representam a informação necessária ou o tópico de pesquisa/questão. Indicador de Desempenho 1.2 Identifica uma variedade de tipos e formatos de fontes de informação potenciais Resultados Desejáveis 1.2.1 Identifica o valor e as diferenças de potencialidades de fontes em uma variedade de formatos (documentos impressos e eletrônicos, pessoas, instituições, etc.) 1.2.2 Identifica o propósito e o tipo de informação a que se destinam as fontes 1.2.3 Diferencia fontes primárias e secundárias, reconhecendo o seu uso e a sua importância para cada área específica 2

Para mais informações acesse: < http://www.unesco.org/new/en/media-services/singleview/news/media_and_information_literacy_training_for_religious_leaders_and_dialogue_practitioners/ #.VQbEao7F9NE

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Indicador de Desempenho 1.3 Considera os custos e benefícios da aquisição da informação necessária Resultados Desejáveis 1.3.1 Determina a disponibilidade da informação necessária e toma decisões sobre as estratégias de pesquisa da informação e o uso de serviços de informação e qual a mídia adequada (por exemplo: intercâmbio, utilização de fontes locais, obtenção de imagens, vídeos, textos ou registros sonoros, etc.) 1.3.2 Determina um planejamento exequível e um cronograma adequado para a obtenção da informação necessária. PADRÃO 2 – A pessoa competente em informação acessa a informação necessária com efetividade Indicador de Desempenho 2.1 Seleciona os métodos mais apropriados de busca e/ou sistemas de recuperação da informação para acessar a informação necessária. Resultados Desejáveis 2.1.1 Identifica os tipos de informação contidos em um sistema tradicional e os tipos de fontes indexadas eletronicamente 2.1.2 Seleciona apropriadamente os sistemas de recuperação de informação para pesquisar o problema/tópico baseado na investigação da sua abrangência, conteúdo, organização e solicita ajuda para pesquisar em diferentes instrumentos como as bases de dados, fontes de referência e outras. 2.1.3 Identifica outros métodos de pesquisa para obter a informação necessária, os quais podem não estarem disponíveis por meio dos sistemas de recuperação da informação tradicionais e eletrônicos (por exemplo: necessidade de fazer entrevistas com especialistas, etc.) Indicador de Desempenho 2.2 Constrói e implementa estratégias de busca delineadas com efetividade. Resultados Desejáveis 2.2.1 Desenvolve um plano de pesquisa apropriado aos sistemas de recuperação da informação e/ou método de pesquisa. 2.2.2 Identifica palavras-chave, frases, sinônimos e termos relacionados com a informação necessária 2.2.3 Seleciona vocabulário controlado específico como instrumento de pesquisa e identifica quando o vocabulário controlado é usado em um item registrado e executa a pesquisa com sucesso usando adequadamente o vocabulário selecionado. 2.2.4 Constrói e implementa uma estratégia de busca usando códigos e comandos de acordo com o sistema de recuperação de informação utilizado (por exemplo: a lógica booleana, ordem alfabética de termos, referência cruzada, etc.) 2.2.5 Utiliza a autoajuda dos sistemas de recuperação e outros meios (por exemplo: profissionais da informação) para melhorar os seus resultados. Indicador de Desempenho 2.3 Busca a informação via eletrônica ou com pessoas utilizando uma variedade de métodos. Resultados Desejáveis 2.3.1 Usa vários sistemas de recuperação da informação em uma variedade de formatos (impressos e eletrônicos) 2.3.2 Distingue pelas citações os vários tipos de documentos (por exemplo: livros, periódicos, teses, etc.) 2.3.3 Utiliza vários esquemas de classificação ou outros sistemas para localizar as fontes de informação junto aos serviços de informação. 2.3.4 Utiliza serviços on-line ou pessoas especializadas disponíveis na instituição para recuperar a informação necessária Indicador de Desempenho 2.4 A pessoa competente em informação retrabalha e melhora a estratégia de busca quando necessário Resultados Desejáveis 2.4.1 Avalia a quantidade, qualidade e relevância dos resultados da pesquisa para determinar sistemas alternativos de recuperação da informação ou métodos de pesquisa ainda precisam ser usados. 2.4.2 Identifica lacunas na informação necessária face aos resultados da pesquisa

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Competência em Informação: teoria e práxis

2.4.3 Revisa a estratégia de busca se for necessário obter mais informação. Indicador de Desempenho 2.5 A pessoa competente em informação extrai, registra e gerencia a informação e suas fontes Resultados Desejáveis 2.5.1 Registra todas as informações com as citações pertinentes para futura referenciação bibliográfica 2.5.2 Demonstra compreender como organizar e tratar a informação obtida 2.5.3 Diferencia entre os tipos de fontes citadas e compreende os elementos e a forma correta de citação para os vários tipos de fontes de acordo com as normas de documentação vigentes Padrão 3 – A pessoa competente em informação avalia criticamente a informação e as suas fontes Indicador de Desempenho 3. 1 Demonstra conhecimento da maior parte das ideias da informação obtida Resultados Desejáveis 3.1.1 Seleciona a informação relevante baseado na compreensão das ideias contidas nas fontes de informação Indicador de Desempenho 3.2 Articula e aplica critérios de avaliação para a informação e as fontes Resultados Desejáveis 3.2.1 Examina e compara a informação de várias fontes para avaliar a sua confiabilidade, validade, precisão, autoridade, atualidade e ponto de vista ou tendências 3.2.2 Analisa a lógica da argumentação da informação obtida 3.2.3 Reconhece e descreve os vários aspectos de uma fonte, seus impactos e valor para o projeto de pesquisa, assim como as tendências e impactos relacionados a pressupostos de ordem cultural, geográfica ou histórica e/ou atualidade da fonte de informação 3.2.6 Demonstra compreensão da necessidade de verificar a precisão e completeza de dados ou fatos Indicador de Desempenho 3.3 Compara o novo conhecimento com o conhecimento anterior para determinar o valor agregado, contradições ou outra característica da informação Resultados Desejáveis 3.3.1 Determina se a informação obtida é suficiente e adequada ou se é necessário obter mais informação 3.3.2 Avalia se as fontes de informação são contraditórias 3.3.3 Compara a nova informação com o conhecimento próprio e outras fontes consideradas como autoridade no assunto para conclusões 3.3.4 Seleciona a informação que traz evidências para o problema /tópico de pesquisa ou outra informação necessária Padrão 4 – A pessoa competente em informação, individualmente ou como membro de um grupo, usa a informação com efetividade para alcançar um objetivo/obter um resultado. Indicador de Desempenho 4.1 É capaz de sintetizar a informação para desenvolver ou completar um projeto Resultados Desejáveis 4.1.1 Organiza a informação, utilizando esquemas ou estruturas diversas Indicador de Desempenho 4.2 Comunica os resultados do relatório/documento com efetividade Resultados Desejáveis 4.2.1 Utiliza adequadamente as normas de documentação e o formato e estilo apropriados para um documento ou atividade. Padrão 5 – A pessoa competente em informação compreende as questões econômicas, legais e sociais da ambiência do uso da informação e acessa e usa a informação ética e legalmente Indicador de Desempenho 5.2 Cumpre as leis, regulamentos, políticas institucionais e normas relacionadas ao acesso e uso às fontes de informação Resultados Desejáveis

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Competência em Informação: teoria e práxis

5.2.1 Utiliza adequadamente os passwords para acesso às fontes de informação 5.2.2 Obedece às políticas institucionais de acesso às fontes de informação 5.2.3 Preserva a integridade das fontes de informação, equipamentos sistemas e instrumentos disponibilizados para o acesso e uso da informação 5.3.3 Demonstra compreensão das normas de documentação recomendadas para a sua área de trabalho Fonte: adaptado Belluzzo (2007, p.95-103)

A entrevista foi construída com base nos padrões e indicadores Belluzzo da competência em informação. Entretanto, alguns resultados desejáveis e indicadores de desempenho não foram adotados, já que não fazem parte do contexto das organizações religiosas. O quarto padrão sofreu modificações a fim de ser adequado no contexto de trabalho do entrevistado, já que não realiza projetos científicos, entretanto produz e armazena documentos e relatórios que obedecem a uma norma. Portanto a construção do instrumento de pesquisa corresponde ao objetivo geral que é descrever a relevância da competência em informação no contexto das organizações religiosas. 2 METODOLOGIA A presente pesquisa é uma pesquisa exploratória de natureza qualitativa. Assim para ser desenvolvida contou com uma revisão bibliográfica sobre a competência em informação e a gestão de organizações religiosas, pois são os temas principais na resposta dos problemas de pesquisa. Além disso, apresentou informações do senso de 2010 fornecido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Posteriormente, realizou-se um estudo de caso na Paróquia São José da cidade de Gália no interior do estado de São Paulo, por meio de uma entrevista estruturada com o secretário paroquial, pessoa responsável pela gestão da organização. As perguntas da entrevista foram elaboradas com base nos indicadores Belluzzo (2007), cujo objetivo é disponibilizar indicadores para a investigação da competência em informação nas organizações. Ainda que o sujeito de pesquisa seja membro da referida igreja, procurou-se evitar questões religiosas e assim, as perguntas se focaram na aprendizagem, informação e conhecimento. Segundo Borko (1968, p. 3) o estudo prático é fundamental na ciência da informação, pois: Como foi salientado na definição, a Ciência da Informação tem ambos os aspectos, ciência pura e aplicada. Os membros desta disciplina, dependendo do interesse ou prática, enfatizarão um ou outro aspecto. No âmbito da Ciência da Informação há, portanto, lugar para os teóricos e para os práticos, e claramente ambos são necessários. A teoria e prática são inexoravelmente relacionadas; um alimenta o trabalho do outro.

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Competência em Informação: teoria e práxis

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES O questionário da entrevista foi dividido em duas partes: a primeira consistiu em um questionário básico composto de 10 questões para que se entenda o contexto da organização estudada e as atividades do sujeito de pesquisa. A segunda parte foi formada com base nos indicadores Belluzzo. O sujeito de pesquisa atua como secretário paroquial e sua função é a de assistente

administrativo,

trabalhando

de

segunda-feira

a

sábado.

Suas

responsabilidades envolvem armazenar as informações sobre normas sacramentais (religiosas) e administrativas para atender aos indivíduos e responder as necessidades de cada um. Além disso, exerce suas atividades há 14 anos iniciando através do convite do padre e foi um desafio para o sujeito, pois estava fora do mercado de trabalho a mais de 10 anos. Além de trabalhar como funcionário registrado, o sujeito também contribui voluntariamente em um dos grupos do conselho. A organização possui uma hierarquia com estatutos e normas assim na paróquia existem o padre e os conselhos, formados pelos fiéis que contribuem com a igreja. Em cada conselho trabalham membros da igreja de uma maneira voluntária e o trabalho é voltado para a sociedade. Assim, apresenta-se o organograma da Paróquia São José para facilitar a compreensão do funcionamento dessa organização: Figura 2: Organograma da Paróquia São José de Gália/SP

Fonte: as autoras

Ressalta-se que o Conselho Pastoral Paroquial, CPP é formado por grupos de fiéis que realizam atividades de cunho social e, portanto não foi detalhado pela pesquisa por estar relacionado com as práticas religiosas. O Conselho Administrativo 22


Competência em Informação: teoria e práxis

Paroquial é formado por diáconos e outros indivíduos que contribuem com a administração da igreja. Apesar de o padre ser uma figura religiosa, ele também atua na gestão organizacional como um tomador de decisão. O sujeito de pesquisa afirmou que seu trabalho é importante para a igreja, pois é a célula central da organização onde se concentra todas as informações religiosas e administrativas. Para exercer seu trabalho é fundamental conhecer os processos administrativos, saber lidar com as pessoas e ter qualidades como educação e paciência. Também lida com informações na maior parte do tempo, pois armazena e fornece informações para as pessoas e com isso, supre as necessidades dos indivíduos. Segundo ele, as informações são “importantíssimas”, pois esclarecem as dúvidas. Assim, as informações ajudam na tomada de decisão porque possibilitam que a pessoa se sinta mais confiante. Antes de diagnosticar os padrões e indicadores é fundamental entender a percepção do entrevistado com relação à importância da informação. Portanto foram elaboradas questões a fim de diagnosticar esse aspecto e as respostas do entrevistado demonstraram que ele percebe as informações como um fator primordial em suas atividades e defende que as utiliza em suas atividades de trabalho. O sujeito busca as informações com as pessoas responsáveis por cada área da diocese, com o padre, no computador e nos documentos. Portanto o sujeito diagnostica sua necessidade de informação por meio da dúvida e conhece as fontes de informação e sabe como acessá-las, indicando uma resposta satisfatória com relação ao padrão 1. Para ele é fácil acessar as informações e considera que possui capacidade para acessar a tecnologia, satisfazendo suas necessidades. O sujeito de pesquisa esta no centro dos fluxos de informação, pois armazena e dissemina tanto informações religiosas, relacionadas com o CPP e aquelas de cunho administrativo. A diocese é uma organização superior à igreja e é responsável por divulgar as normas religiosas e administrativas. Segundo o sujeito de pesquisa, a diocese armazena informações que podem ser consultadas pelo secretário paroquial e também determina como trabalhar em cada conselho por meio de documentos que contém informações sobre o “momento da sociedade” e assim, cada conselho realiza

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Competência em Informação: teoria e práxis

um trabalho social. O sujeito de pesquisa demonstrou saber buscar e acessar as informações nos locais apropriados de forma eficiente e eficaz. Os documentos da igreja são vistos como fontes confiáveis de informação, pois contém as normas e procedimentos administrativos estabelecidos por uma organização maior, denominada por Conferência Nacional dos Bispos do Brasil³. Essa resposta esta relacionada com o padrão 3, o indivíduo reconhece as fontes de informações confiáveis. As informações contribuem para que o sujeito solucione os problemas organizacionais, afirmando que sempre busca no “local certo” e as pessoas e fiéis buscam

as informações na

secretaria paroquial,

contudo existem

aquelas

consideradas confidenciais armazenadas pela igreja. Com relação ao padrão 4, sabe diferenciar os tipos de informações, abertas ao público ou sigilosas, demonstra compreender que a informação ajuda-o atingir um objetivo, seja para solucionar um problema ou tomar uma decisão. O sujeito de pesquisa organiza as informações e atualiza a cada ano segundo as modificações da diocese para facilitar a busca no “momento presente”. As informações são guardadas em livros, no arquivo e computador. O padrão 4 se associa também ao armazenamento, por isso o sujeito sabe onde colocar as informações, correspondendo ao padrão 5. A tecnologia também contribui para que o sujeito realize seu trabalho e consiga utilizá-la de forma eficiente para atingir seus objetivos, tanto para enviar quanto para buscar as informações. As normas são determinadas nessa ordem sequencial: Igreja Universal situada no Vaticano, Conselho Nacional de Bispos do Brasil, Dioceses 3, Paróquias, Capelas e fiéis. Para o sujeito as normas são de fácil entendimento. Portanto compreende as normas e sua relevância para a organização e conhece os órgãos que as determinam, correspondendo ao padrão 5.

4 CONCLUSÕES A competência em informação é um fenômeno que ocorre também no contexto das organizações religiosas. No caso desse trabalho, o sujeito de pesquisa demonstrou conhecer os aspectos relacionados com a identificação da necessidade de informação, busca, acesso, avaliação de fontes e o uso da informação. 3

Disponível em: http://www.cnbb.org.br/

24


Competência em Informação: teoria e práxis

Assim o problema de pesquisa “Qual a importância da competência em informação para a igreja?” é respondido por meio do estudo de caso, no qual foi possível perceber que a competência em informação é importante para a organização porque auxilia os membros e principalmente, a administração lidar com a informação e utilizá-la para atingir seus objetivos organizacionais. Além disso, pode-se afirmar que existe competência em informação na organização religiosa, pois o secretário paroquial se enquadrou dentro dos padrões e indicadores Belluzzo, conhecendo a importância da informação para administrar a igreja. Essa observação permite responder ao segundo e terceiro problemas de pesquisa. Como sugestões a pesquisas futuras sugere-se realizar estudo de caso em diferentes organizações religiosas para verificar a competência em informação em contextos opostos, realizar uma pesquisa comparativa entre as organizações e buscar novos meios para fortalecer a transdisciplinaridade defendida por Dudziak (2001).

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GASQUE, K. C. G. D. Competência em Informação: conceitos, características e desafios. AtoZ: novas práticas em informação e conhecimento, Curitiba, v.2, n.1, p. 5-9, jan. /jun. 2013. Disponível em: < http://www.atoz.ufpr.br > Acesso em 10 de mar. 2015. Entrevista. IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2010. Disponível em: < http://www.ibge.gov.br/estadosat/temas.php?sigla=sp&tema=censodemog2010_relig> . Acesso em: 20 abril de 2015. SARACEVIC, T. Interdisciplinarity nature of Information Science. Ciência da Informação, Brasília, v.24, n.1, p. 36-41, 1995. SERAFIM, M. C. ET AL. “Segurando nas mãos de Deus”: organizações religiosas e apoio ao empreendedorismo. Revista de administração de empresas. São Paulo, v.52 n.2 Mar./Apr. 2012. SILVA, G. J. O.; RIBEIRO, L. Gestão e Serviço: administração nas organizações reliosas sem fins lucrativos. Revista Caminhando v. 15, n. 1, p. 107-118, jan./jun. 2010. VALENTIM, M. L. P. Gestão da Informação e do conhecimento e a importância da estrutura oganizacional. Londrina: infohome, 2005 (Artigo em Web). Disponível em: < http://www.ofaj.com.br/colunas_conteudo.php?cod=241>. Acesso em 15 fev. 2015. UNESCO, 2014. Media and information literacy training for religious leaders and dialogue practitioners. Disponível em: http://www.unesco.org. Acesso em 18 maio 2015.

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2 O ASPECTO SOCIAL, AS COMPETÊNCIAS E O PERFIL DO BIBLIOTECÁRIO NO CONTEXTO EDUCACIONAL

Claudio Marcondes de Castro Filho claudiomarcondes@ffclrp.usp.br Professor Doutor da Universidade de São Paulo / Departamento de Educação, Informação e Comunicação / Curso de Ciências da Informação, Documentação e Biblioteconomia. Grupo de Pesquisa Práticas e Reflexões sobre Biblioteca Escolar. Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UNESP/Marília. Avenida Bandeirantes, 3900. Ribeirão Preto – SP.

Resumo: A biblioteca escolar deve ser reconhecida como um equipamento cultural e, ainda, como uma instituição social, com intuito de integrar a sociedade da informação, estabelecendo novos conceitos e se adequando às realidades sociais, culturais, educativas e tecnológicas da sociedade. Com a explosão informacional, a sociedade contemporânea necessita de profissionais bibliotecários que atuem em biblioteca escolar com competências que possam atender as novas demandas de produtos e serviços de informação. Sendo assim, qual é o papel e as competências desses profissionais? Estão preparados para a demanda social de nossos leitores? Nesse aspecto o objetivo desse estudo é apontar o perfil e as competências do bibliotecário no campo social utilizando como escopo a biblioteca escolar. Para a pesquisa utilizamos como método científico, a pesquisa exploratória, que tem como finalidade desenvolver e elucidar conceitos e ideias e que normalmente envolvem a pesquisa bibliográfica e documental. Com relação ao bibliotecário escolar apontamos que deve ter como práticas de atuação, a intermediação entre a biblioteca, o leitor e o contexto, entre a técnica e a promoção da leitura; deve estar atento para ajudar a erradicar, ou pelo menos amenizar, a exclusão digital e a falta de acesso à informação; deve prescindir de conjunto de atitudes, habilidades e competências que o certifiquem a trabalhar e contribuir de forma positiva, ser flexível, saiba administrar a unidade de informação escolar, gerando recursos e serviços de informação, trabalhar com as ferramentas disponibilizadas pelas tecnologias da informação e comunicação e aproximar a comunidade escolar com o espaço da biblioteca. Palavras-Chave: biblioteca escolar; competência; aspecto social; bibliotecário

27


Informação, documentação e sociedade

28


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

1 INTRODUÇÃO Nas últimas décadas, com o advento das tecnologias de informação e comunicação, a disseminação da informação passou por transformações que geraram outras formas de divulgação da produção científica e literária. Essa mudança de paradigma fez com que fosse imprescindível a remodelação na formação dos bibliotecários que, para (CASTRILLÓN, 2004, p.31) deve ter um papel de intelectual comprometido, e que possui em suas mãos um instrumento de democratização como deveria ser a biblioteca, deve contribuir para a luta contra a miséria, a injustiça, a exploração, a violência, 1 contra tudo que restrinja a liberdade de pensamento .

No entanto, para (CENDÓN, et. al. 2005), os bibliotecários passaram a se deparar com um novo contexto no mundo do trabalho, que lhes exige conhecimentos e habilidades no uso de tecnologias para organizar, processar, recuperar e disseminar informações, independentemente do suporte no qual elas estejam registradas. Entretanto, a presença das tecnologias de informação e comunicação na escola, não significa que estejam comumente integrados à biblioteca e às atividades desenvolvidas, no âmbito das várias disciplinas ministradas aos alunos. Essa situação nos leva a concordar com Cuevas Cerveró (2007, p. 181) e sua afirmação de que é “[...] un gran desafio la integración de recursos electrónicos con las funciones tradicionales de la biblioteca”, que exige ainda mais esforços e habilidades dos profissionais que atuam nas escolas, a fim de aproximar a biblioteca e seus leitores dessas novas ferramentas, valendo-se de suas funcionalidades para tecer uma relação mais criativa com o saber. Para Campello (2010, p. 198), “a integração e a cooperação entre bibliotecários, professores, pedagogos e toda equipe da escola, torna-se imprescindível

para

que

o

bibliotecário

possa

ser

reconhecido

como

catalizador/protagonista dessa colaboração”. Nesse aspecto, Moraes; Valadares e Amorim (2013, p. 59) aponta que o bibliotecário exerce uma “função educativa” que “se estende ao ensino-aprendizagem de habilidades específicas e vinculadas à pesquisa, tanto no que diz respeito ao conhecimento e busca das fontes de informações, como no que tange ao seu uso”.

1

Tradução nossa

29


Informação, documentação e sociedade

Autores, como Fragoso (2002) e Silva, Ferreira e Scorsi (2009), retomam esses sentidos apontando diferentes ações a serem realizadas pelos bibliotecários, como o de atendimento às necessidades dos alunos, professores e outros membros da comunidade escolar; a orientação nas consultas, leituras e utilização da biblioteca; o incentivo ao pensamento crítico e reflexivo; a disponibilização de diversos recursos e serviços; e a promoção da interação entre professores, bibliotecários e alunos. Com a inserção das tecnologias de informação e comunicação, a biblioteca passa a ingressar a chamada sociedade da informação, pois, conforme aponta Fuentes Romero (2006, p. 30), “la biblioteca escolar es para los alumnos la puerta de entrada a la sociedad del conocimiento y de la información”. Nessa perspectiva, o bibliotecário escolar tem a função de se adequar a essa sociedade, inserindo crianças e jovens em seu âmbito e também promovendo a chamada competência informacional (information literacy- IL), que “abrange desde os processos de busca da informação para construção do conhecimento, pelas habilidades em tecnologia da informação até o aprendizado independente, por meio da interação social dos sujeitos” Fuentes Romero (2006, p. 30). A informartion literacy tem por objetivo “formar indivíduos que aprendem por toda a vida” (QUEIROZ, 2006, p. 25), através de um processo educativo independente, crítico, ativo e investigativo. Consideramos que essas competências, ao invés de se configurarem de maneira mecânica, devem auxiliar a construção de conhecimentos de forma mais ampla e criativa, colaborando para práticas de ensinoaprendizagem mais plurais, pelas quais os estudantes possam ter acesso aos livros e à leitura, à informação e à tecnologia da informação e comunicação, buscando com isso diferentes perspectivas. (AMERICAN ASSOCIATION OF SCHOOL LIBRARIANS, 2007). Já Moraes; Valadares e Amorim (2013, p. 53), “defende a urgente necessidade de se considerar no processo de letramento informacional, a inter-relação entre os conhecimentos e informações presentes nos portadores textuais acessados no ambiente da biblioteca escolar”. Em relação ao âmbito das bibliotecas escolares, é esperado do bibliotecário um conjunto de saberes, como as suas competências e habilidades técnicas e tecnológicas que permitam auxiliar a formação de leitores e aprendizes capazes de “compartilhar conhecimento e aprendizagem, tanto em situações presenciais quanto 30


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

por meio do uso de tecnologia” (AMERICAN ASSOCIATION OF SCHOLL LIBRARIANS,

2007,

p.

2).

Por

isso,

interessa-nos

aqui

abordar

esses

conhecimentos esperados do bibliotecário no contexto educacional do século XXI, apontando também algumas questões referentes às bibliotecas e a sua atuação no âmbito social. Nesse aspecto a biblioteca escolar deve ser reconhecida como um equipamento cultural e, ainda, como uma instituição social, com intuito de integrar a sociedade da informação, estabelecendo novos conceitos e se adequando às realidades sociais, culturais, educativas e tecnológicas da sociedade. Com a explosão informacional, a sociedade contemporânea necessita de profissionais bibliotecários que atuem em biblioteca escolar com competências que possam atender as novas demandas de produtos e serviços de informação. Sendo assim, qual é o papel e as competências desses profissionais? Estão preparados para a demanda social de nossos leitores? Tais informações são extremamente relevantes, visto que o bibliotecário deve transcender os aspectos burocráticos da organização da informação e realizar ações criativas que visam a formação não somente de leitores, mas também de pesquisadores. Nesse sentido o objetivo desse estudo é apontar o papel, o perfil e as competências do bibliotecário no campo social utilizando como escopo a biblioteca escolar. Para a pesquisa utilizamos como método científico, a pesquisa exploratória, que tem como finalidade desenvolver e elucidar conceitos e ideias e que normalmente envolvem a pesquisa bibliográfica e documental. Segundo Gil (1999, p.43) este método têm como objetivo principal o “aprimoramento de ideias ou a descoberta de intuições é, portanto, bastante flexível, de modo que possibilite a consideração dos mais variados aspectos relativos ao fato estudado, pois na maioria dos casos, envolve levantamento bibliográfico”.

2 BIBLIOTECA ESCOLAR COMO ESPAÇO EDUCATIVO A biblioteca escolar deseja se colocar como um lugar de disseminação cultural, de “encontro de pessoas, pipocar de teclados de notebooks e dispersão de livros” (ARENA, 2009, p. 162), de circulação de diferentes sujeitos, sentidos, serviços e recursos (incluindo os eletrônicos), não se restringindo a um papel meramente didático-pedagógico, a apoiar o programa do professor, devendo ir além 31


Informação, documentação e sociedade

(PERROTTI, 2006), explorando sua multiplicidade, as suas várias dimensões, citadas por (ELY, 2003), a saber: social, informativa, criativa, pedagógica e recreativa; dimensões que significam as funções que deveriam ser desempenhadas pelas bibliotecas, de acordo com a International Association of School Librarianship (1993). Uma das diversas funções, destacamos a mediação do acervo para que a biblioteca não seja mais um lugar de imposição de leituras, fechado para sua circulação, que impede diferentes experiências com as obras e afeta o despertar do gosto pela leitura. Assim sendo, consideramos que, lançando mão de uma diversidade de obras, suportes informacionais e atividades amparadas por uma nova concepção de leitura, escrita e apreensão dos sentidos, o bibliotecário, juntamente com os educadores, poderá fazer da biblioteca um lugar privilegiado para um processo de ensino-aprendizagem mais profícuo. (FERRAREZI, 2010). Atualmente atingindo um perfil almejado de biblioteca escolar destacamos a existência

do

modelo

CRA

Centro

de

Recursos

e

Aprendizagem,

hispanoamericano, é considerado essencial para a educação, no âmbito da sociedade do conhecimento que reclama um novo padrão de biblioteca escolar (CUEVAS CERVERÓ, 2007), diferentemente da tradicional ideia de biblioteca como um lugar isolado da dinâmica da escola, destinado somente a organizar e conservar livros, conforme nos conta (MARZAL ; CUEVAS CERVERÓ 2007). Tal modelo não anula, mas enriquece a noção tradicional ao integrar os recursos eletrônicos, a dimensão educativa, o princípio de aprendizagem autônoma e a formação ao longo da vida. Caracterizado pela existência de diversos recursos e serviços de acordo com o projeto pedagógico, no qual deverá estar incluído e não ser visto como seu complemento, o CRA: es el espacio de carácter pedagógico que contribuye de manera permanente a la innovación educativa. Reúne una variada gama de recursos de información en diversos soportes (bibliográficos, electrónicos, y audiovisuales, entre otros) organizándolos en función a los requerimientos del proyecto curricular del centro poniéndolos a disposición de los usuarios, alumnos y profesores, a través de sus variados servicios (MARZAL ; CUEVAS CERVERÓ 2007, p. 9).

Assumindo a função de biblioteca educativa, um “novo espaço educativo dinâmico”2 (CUEVAS CERVERÓ, 2007, p.178), o CRA visa a formação, a informação, o entretenimento, o intercâmbio e o conhecimento. Sobre essa nova 2

Tradução nossa

32


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

ótica, afirma (MILANESI, 2002, p. 77): “a biblioteca, para exercer a sua função, deixa de ser o acervo milenar passivo e passa a ser um serviço ativo de informação”. Ressaltamos ainda, apoiando-nos em (FUENTES ROMERO, 2006, p. 22), que a nova denominação de biblioteca refere-se à biblioteca escolar de sempre, porém adaptada aos novos tempos: “se pude llamar biblioteca escolar, centro de recursos, centro de recursos multimedia, centro de documentación curricular, mediateca etc. pero siempre nos estaremos refiriendo a la misma Idea”. Consideramos que uma biblioteca escolar mais dinâmica, formada por uma variedade de recursos movimentados por atividades educativas, lúdicas e de leitura, pode inaugurar novas maneiras de aprender, mais atraentes e polissêmicas, aproximando os sujeitos de diferentes linguagens, sentidos e também outros sujeitos, superando, assim, práticas rígidas e desestimulantes encontradas frequentemente nas escolas. Para que haja mudanças, a biblioteca escolar precisa contar com um profissional preparado e interessado em colocá-las em prática, já que “não basta que a biblioteca exista fisicamente para que sua identidade se consolide. São os atores (coincidentes com o processo educativo) que lhe darão sustentação”. (ANTUNES, 1998, p. 177). Na próxima seção, iremos tecer algumas considerações sobre esses atores e o perfil que deles se espera.

3 PERFIL DO BIBLIOTECÁRIO SOCIAL E AS COMPETÊNCIAS Pensando nessas questões, destacamos que de tempos em tempos as tarefas mudam, seja pela tecnologia, seja por movimentos sociais, políticos ou culturais, fazendo com que os ambientes informacionais e os próprios profissionais também tenham que adaptar-se as mudanças. Nesse sentido, Souto (2003, p.10) destaca que “a tecnologia traz novas exigências quanto aos atributos dos trabalhadores, e requer destes maior preparo e educação permanente para o desempenho de funções que estão em constante mudança”. Além das unidades de informação convencionais, como as bibliotecas universitárias, públicas, escolares e instituições públicas e ONGs, outros espaços se abrem para a atuação do bibliotecário,

tais

como

cinematecas,

filmotecas,

videotecas,

centro

de

documentação e pesquisa, empresas privadas, museus, livrarias e editoras, além da internet, em que destacamos a elaboração de blogs, bibliotecas virtuais e a indexação de sites (CUNHA E CRIVELLARI, 2004). Observamos que, em alguns 33


Informação, documentação e sociedade

casos, suportes de informação como vídeos, CDs, blogs e bibliotecas digitais também estão inseridos nas unidades de informação que denominamos de convencionais, exigindo novas práticas por parte dos bibliotecários tanto no que diz respeito ao seu tratamento quanto a sua dinamização. Por isso, na literatura científica, o bibliotecário é visto como aquele que “adquire a informação, organiza, descreve, indexa, armazena, recupera e a distribui para os usuários” (TARGINO, 2000, p.64). Para tanto, esse profissional deve apresentar em seu perfil um conjunto de atitudes, habilidades e competências que o habilitem a trabalhar e contribuir de forma positiva nos diferentes espaços de trabalho em que atua. Como exemplo, citamos a necessidade de que ele seja flexível, saiba administrar unidades de informação, comunicativo, saiba gerir recursos e serviços informacionais e lidar com as ferramentas disponibilizadas pelas tecnologias da informação e comunicação, conforme Walter e Baptista (2008). Além disso, Faria et al. (2005) aponta ainda algumas outras características atribuídas a esses profissionais, que passam a ser os responsáveis pelo acervo da instituição em que atuam por estruturar e manter a memória da instituição. É viável também que esse profissional possa trabalhar com os recursos humanos, dando sustentação às práticas de compartilhamento do conhecimento dentro da organização. Chegamos, nesse momento, a um ponto importante, visto que nas bibliotecas escolares, a ação bibliotecária deve ter como foco os leitores e não o acervo. Desse modo, o bibliotecário deve transcender os aspectos burocráticos da organização da informação, suplantando assim uma prática comum nas bibliotecas das escolas que se refere à concentração nas atividades de ordenação das estantes e a subsequente não realização de “ações criativas que visam à formação de leitores e pesquisadores” (ALMEIDA JÚNIOR e BORTOLIN, 2009, p.205). Assim sendo, os teóricos Silva, Ferreira e Scorsi (2009, p. 62) apontam que, a partir de uma nova perspectiva para o trabalho bibliotecário, a biblioteca escolar não precisa nem pode ser um lugar de excessiva ordenação, normatização e resguardo, mas um “lugar para as escolhas de cada leitor, para as indicações deste a outro, para conversas em torno dos livros”. Sob essa ótica, o bibliotecário se abre a novas atividades “relacionadas com a promoção da leitura, atividades de extensão cultural para a comunidade, recreação, lazer, etc.” (FURTADO, 2004, p. 8). Ultrapassandose, assim, o foco apenas no empréstimo de obras e criando “em torno das ações de 34


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

leitura e pesquisa um clima de liberdade e ludicidade” (ALMEIDA JÚNIOR E BORTOLIN, 2009, p. 206). E ainda, de acordo com Castro Filho e Campos (2014, p.23), que seja um laboratório de pesquisa, que se permite que formem leitores; um centro de fazer educativo; que seja um local de comunicação e de utilização de várias fontes de informação, seja no suporte físico, impresso ou virtual; de busca de questionamentos e soluções de problemas; que precisa ser ativa; de entretenimento; e que tem como missão o desenvolvimento e a formação dos cidadãos.

Esse profissional é visto também por Rigoleto e Di Giorgi (2009, p. 229) como um educador apto a “despertar o interesse do leitor, multiplicar as práticas de leitura e oferecer a diversidade de material [...]”. Maroto (2012, p. 133) também frisa a necessidade de que esse profissional esteja preparado para o exercício da leitura e sua difusão, o que implica que ele também seja, além de dinâmico, um leitor que goste de ler, conforme apontado por Fragoso (2002). Com relação às competências desejadas para o bibliotecário escolar, atualmente é muito discutida, sendo frequentes as menções à criatividade; ao interesse; aos conhecimentos de organização de bibliotecas; à capacitação para atender os leitores; e ao conhecimento sobre a realidade da escola, buscando “outros espaços e outras práticas de atuação e de intermediação entre a biblioteca e o leitor; entre o leitor e o contexto; entre a técnica e a promoção da leitura.” (MAROTO, 2012, p. 132). Para Perrenoud (2013, p. 27), com a evolução global da sociedade, o mundo “exige que se tenha cada vez mais competências. Competências diversificadas e competências que se desenvolvam em função das tecnologias, dos modos de vida, do trabalho, etc.” Para tanto Perrenoud (2013, p. 141) definiu algumas competências que podemos relacionar com o trabalho do bibliotecário como: a) saber, individualmente ou em grupo, elaborar e conduzir projetos, desenvolver estratégias; b) saber cooperar, participar de um grupo e compartilhar uma liderança; c) saber gerir e dirimir conflitos; d) saber analisar de modo sistemático, as situações e as relações. Para Farias e Cunha (2009, p.32) aponta que o bibliotecário escolar tem como ações, e que consideramos como competências, em quatro dimensões: a) “técnica” no sentido de “dominar com propriedade o campo específico de atuação”, ou seja, se apoderar do conhecimento adquirido e reconstruí-lo de acordo com os usuários; b) “estética” o bibliotecário escolar na utilização da “sensibilidade e criatividade”; c) 35


Informação, documentação e sociedade

“ética”, no sentido do convívio e da realização de um bem coletivo e d) “política” no significado da formação de cidadãos. Para Castro Filho (2013, p. 21) existem as “competências específicas” que determinam um alto grau de conhecimento, ou seja, de uso de ferramentas aplicativas a biblioteconomia; as “competências intelectuais” que estão relacionadas a gestão da informação, das tomadas de decisões; as “competências sociais e políticas”, que envolvem diretamente a determinada comunidade, como

o

conhecimento de grupos específicos de usuários de uma área do conhecimento; as “competências metodológicas” que fornecem suporte na utilização de fluxos de informação, como também na elaboração de políticas, normas e procedimentos. Portanto, o trabalho nas bibliotecas escolares exige do profissional que nela atua, mais do que saber organizar e classificar os materiais do acervo, exige aspectos como colaboração e parceria entre bibliotecas; uma cultura de captura e compartilhamento do conhecimento; trabalho em equipe incluindo profissionais de outras áreas de conhecimento; e adoção de práticas de gestão do conhecimento e de um novo estilo de gestão da biblioteca.

4 DISCUSSÃO: BIBLIOTECA ESCOLAR E O PERFIL SOCIAL DO BIBLIOTECÁRIO Diante de algumas explanações teóricas sobre a biblioteca escolar e o aspecto social do bibliotecário que nela trabalha, o presente trabalho alerta apara um ponto importante, a necessidade de profissionais bibliotecários que atuem em biblioteca escolar com competências, que possam atender as novas demandas de produtos e serviços de informação. Diante dessas questões, cabe aos bibliotecários que gerenciam as bibliotecas escolares, Castro Filho e Pacagnella (2011), programas e projetos de ações, projetar os custos de serviços e produtos, programar atividades cooperativas entre os leitores, difusão e eventos culturais, atividades de fomento à leitura, atividades infanto-juvenis e capacitar os leitores a realizar atividade de pesquisa e ensino, ou seja, “o bibliotecário não deve limitar-se a questões técnicas de organização do acervo; de modo que assumam uma postura reflexiva e ativa do contexto em que atuam” (BRANDÃO, 2014, p. 65). Como bibliotecário que assume o papel de educador social, Dudziak (2007, p. 96) destaca que 36


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

como agente educacional de transformação, o bibliotecário assume para si, além do papel de educador, renovação de sua própria competência informacional, adotando e disseminando práticas transformadoras na comunidade como: pratica o aprender a aprender; difunde e populariza a ciência; explica as implicações da tecnologia; discute a realidade social e política; alerta para a responsabilidade social e ambiental. É antes de tudo, sua atuação como líder e cidadão que sobressai.

Nesse contexto, o bibliotecário deve estar constantemente atualizado e preparado para os desafios que a sociedade contemporânea o insere, no sentido de ajudar a exercer a cidadania de forma plena. Outro aspecto a destacar é o papel social do bibliotecário diante da mediação da informação e da leitura, sendo uma importante ação que pode ser realizada como abordagem educativa, pois “nessa sociedade, o papel educativo do bibliotecário torna-se mais evidente, tendo em vista suas competências específicas para atuar como mediador de leitura” (RASTELI e CAVALCANTE, 2013, p.159). Suas competências são descritas por Almeida, Costa e Pinheiro (2012, p. 472) que assinalam que a mediação da leitura constituiu-se um dos processos de aproximação do leitor com o texto de forma significativa, uma vez que mediar é facilitar a relação deste indivíduo com o texto, filtrando a informação antes de passála para o receptor.

Como também por Stumpf (1987) e Oliveira (1987), que destacam algumas como: a de exercer a “função educativa; cultura e social e recreativa / educativa”. Essas competências funcionaram como “apoio ao desenvolvimento de atividades curriculares; como instrumento de formação do indivíduo; como transmissão dos conhecimentos e conduzindo para a leitura e pesquisa de forma prazerosa e não por obrigação”. Para tanto, o bibliotecário tem que ter estima pela leitura e uma preocupação constante com a sua atualização e capacitação a fim de aperfeiçoar suas metodologias de trabalho como educador social. Em se tratando de mediação, (BRANDÃO, 2014, p. 71) destaca que existe outra prática importante, que é a mediação voltada à formação da cidadania, aonde o bibliotecário mobiliza os materiais do acervo, visando à formação do indivíduo para acessar e utilizar informações, tomando consciência de seus direitos e deveres, e adquirindo formação para viver em uma sociedade.

Na conjunção das tecnologias de informação e comunicação, o bibliotecário deve tomar consciência das mudanças ocorridas no século XX e no atual, de modo a aprimorar suas competências para promover produtos e serviços que atendam as 37


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necessidades dos usuários contemporâneos. Nesse sentido, o bibliotecário deve estar atento para ajudar a erradicar, ou pelo menos amenizar, a exclusão digital e a falta de acesso à informação. Ao contribuir para a inclusão digital, o mesmo assume uma postura política e social, contribuindo com mudanças significativas na sociedade brasileira. Por fim, frisamos a importância de avaliar se os cursos de formação em biblioteconomia e ciência da informação estão preparando seus alunos para atuarem nas bibliotecas escolares a partir das políticas públicas e das competências essenciais desses profissionais, pois as julgamos como sendo mais adequadas para a realização de práticas educativas e culturais mais férteis e dinâmicas.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Com relação às competências do bibliotecário, podemos destacar que, primeiramente, ele deve ter consciência da importância da informação na sociedade atual e, consequentemente, do seu papel social como mediador de leitura e informação. O bibliotecário também precisa ser proativo, dinâmico e criativo, se adaptando às mudanças que ocorrem constantemente nas tecnologias de informação e comunicação; além de trabalhar em grupo, participar de salas tutorais e de conferências, interação e comunicação com o usuário, utilizando-se das tecnologias da informação e comunicação. O bibliotecário escolar tem que ter consciência do seu papel como agente de transformação social, ter a informação como objeto de trabalho e pesquisa; elaborar e trabalhar novas metodologias de tratamento da informação; participar do planejamento de políticas públicas e de informação para o país; otimizar o uso das telecomunicações e das tecnologias de informação e comunicação e ser um profissional aberto e crítico, com capacidade de adaptar-se as mudanças, uma vez que, tanto os suportes informacionais, como os canais de distribuição, disseminação e transferência da informação, estão constantemente em mutação. E por fim, alçamos uma questão: será que não é o momento de capacitarmos profissionais no sentido de realizar ações de inclusão entre biblioteca escolar, tecnologia, sujeito e leitor? Uma das opções de resposta é gerar uma política de biblioteca escolar para o Brasil como um todo, de modo que possamos tentar igualar as diferenças ambientais e culturais de cada região; uma segunda opção é trabalharmos em 38


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conjunto com as Universidades, Instituições, Ministérios da Cultura, Educação, Entidades de Classe e bibliotecas escolares visando fortalecer as pesquisas no campo das competências dos profissionais bibliotecários. Para tanto, a biblioteca escolar precisa estar amparada não apenas por uma legislação, mas também por profissionais da informação que sejam conhecedores da Tecnologia da Informação e Comunicação e da sua utilização como ferramenta para o ensino-aprendizagem e, a partir de então, colocar em prática ações para entretimento, leitura, informação e conhecimento.

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3 PERSPECTIVAS E TENDÊNCIAS DA ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO NA ÁREA DA SAÚDE

Camila de Biaggi camila_biaggi@hotmail.com Graduanda de Biblioteconomia. Bolsista FAPESP. Universidade Estadual Paulista (Unesp) – Câmpus de Marília Marta Lígia Pomim Valentim valentim@marilia.unesp.br Docente do Departamento de Ciência da Informação. Universidade Estadual Paulista (Unesp) – Câmpus de Marília

Resumo: O campo de atuação do bibliotecário é amplo, assim há a possibilidade de atuar em diferentes contextos. Dentre as áreas em que o bibliotecário pode atuar, destaca-se a da saúde, uma vez que a informação nesse âmbito é essencial para subsidiar as equipes médicas a tomarem decisões. O profissional da informação que trabalha em uma instituição especializada na área de saúde deve se adequar ao ambiente de trabalho, buscando compreender além da estrutura organizacional da instituição, as demandas de seus usuários, visando elaborar produtos e serviços informacionais que atendam essas necessidades. Analisa-se a literatura nacional e internacional sobre a atuação do bibliotecário em contextos da área de saúde, evidenciando quais as competências e habilidades que se destacam ou que são recorrentes para o bibliotecário atuar nesses ambientes. A pesquisa está sendo no Centro de Referência em Saúde do Trabalhador, da Cidade de Marília, interior do Estado de São Paulo. A pesquisa é de natureza qualiquantitativa, do tipo descritiva exploratória. No que tange a análise dos dados e informações coletados na pesquisa de campo, definiu-se o método ‘Discurso do Sujeito Coletivo’. A pesquisa propicia informações que podem subsidiar a equipe do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador, bem como uma melhor compreensão no que tange a prática profissional do bibliotecário na área de saúde. Evidencia a relação entre a formação e a atuação do bibliotecário nesse contexto, de modo a identificar e caracterizar as competências e habilidades específicas indispensáveis para uma atuação eficiente, apresentando as perspectivas e tendências da área de saúde. Palavras-Chave: Formação em Biblioteconomia; Atuação Profissional; Biblioteconomia Clínica; Informação em Saúde Baseada em Evidência; Unidades de Informação em Saúde.

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1 INTRODUÇÃO O campo de atuação do bibliotecário é amplo, assim há a possibilidade de atuar em diferentes contextos. Dentre as áreas que o bibliotecário pode atuar, destaca-se a da saúde, uma vez que a informação nesse âmbito é essencial para subsidiar as equipes médicas a tomarem decisões. Sob uma perspectiva mais abrangente, observa-se que o bibliotecário deve desenvolver competências e habilidades específicas para atender as demandas e necessidades exigidas pela comunidade na qual atua cujo perfil requer maior qualificação profissional (ARRUDA; MARTELETO; SOUZA, 2000). O profissional pode trabalhar em distintas atividades voltadas à informação e ao conhecimento, desde o processamento técnico de materiais, até a gestão da informação e do conhecimento. Dentre as áreas que o bibliotecário pode atuar, destaca-se a da saúde. Nessa ambiência, o bibliotecário pode atuar como: 1. Bibliotecário Médico-Esse tipo de profissional atua em instituições

de ensino ou em hospitais, porém não compõem as equipes médicas. Sua atuação torna as bibliotecas hospitalares um espaço ativo para a prestação de serviços. 2. Informacionista - O informacionista trabalha como mediador entre as equipes clínicas e a informação especializada, atualizada, buscando as melhores evidências científicas a serem tratadas pelo corpo clínico, analisando os dados e aplicando de acordo com os casos. 3. Bibliotecário Clínico - O bibliotecário clínico atua junto às equipes médicas, participando de todo o tratamento dos pacientes. Ao fazer parte das rondas, os bibliotecários colhem informações relevantes sobre o caso para realizar uma pesquisa especializada, atuando diretamente entre as necessidades informacionais e o corpo clínico (BERAQUET et al., 2006).

A atuação do bibliotecário na área da saúde pode se transformar em uma prática consolidada, propiciando investigações inovadoras que contribuam para o avanço desse campo, englobando as subáreas: científica, clínica, tecnológica e administrativa. Desse modo, evidencia-se a importância da atuação do bibliotecário para a sociedade, bem como para a eficiência das organizações da área de saúde, uma vez que a informação é essencial para subsidiar as equipes médicas a tomarem decisões assertivas que, por sua vez, visam à saúde e o bem-estar dos pacientes. O profissional da informação que trabalha em uma instituição especializada na área de saúde deve se adequar ao ambiente de trabalho, visando realizar as atividades informacionais, assim, necessita compreender além da estrutura 45


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organizacional da instituição, conhecer as demandas de seus usuários para poder atender satisfatoriamente suas necessidades. Nessa perspectiva, destaca-se a não ocupação desse mercado de trabalho por parte do bibliotecário como poderia ser. Observa-se que apesar de haver amplo espaço de atuação, há a necessidade de desenvolver competências e habilidades específicas para que possa atuar nessa área, uma vez que várias atividades são relativas à informação em saúde que, por sua vez, subsidiam decisões clínicas da equipe médica e, em vista disso, o bibliotecário exerce uma função imprescindível para a eficiência do setor. Apesar de o reconhecimento da prática profissional do bibliotecário na área de saúde no Brasil, verifica-se a necessidade de se realizar estudos aprofundados sobre esta temática, visando enfocar e analisar a formação, atuação, bem como identificar e caracterizar as competências e habilidades específicas indispensáveis para a atuação eficiente do bibliotecário, bem como identificar quais as perspectivas e tendências da área de saúde para o profissional da informação. Esta pesquisa se justifica na medida em que pode enriquecer as discussões sobre o exercício profissional do bibliotecário na área de saúde, como também denotar e expor as competências e habilidades informacionais inerentes a essa especialidade. O bibliotecário clínico precisa criar mecanismos cada vez mais eficientes, de modo a levar a informação e o conhecimento ao usuário de maneira a consolidar sua função social nesse contexto, qual seja propiciar ambientes informacionais e de conhecimento em saúde, de modo a atender eficientemente os diferentes públicos dessa ambiência: médicos, enfermeiros, assistentes sociais, especialistas e técnicos em diagnósticos etc.para sua ação efetiva junto ao paciente. Nessa perspectiva, esta pesquisa objetiva analisar a literatura sobre a atuação do bibliotecário em ambientes da área de saúde, visando mapear as competências e habilidades necessárias de modo a estabelecer as perspectivas e tendências de atuação. Como objetivos específicos definiu-se: a) analisar a literatura nacional e internacional, contemplando artigos de periódicos, livros, capítulos de livros, teses e dissertações da área de Ciência da Informação sobre a temática; b) verificar quais são as competências e as habilidades necessárias para o bibliotecário

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atuar em ambientes da área da saúde; c) estabelecer as perspectivas e tendências de atuação do bibliotecário no âmbito da área da saúde. A atuação do profissional da informação na área de saúde é uma realidade, bem como se tornou um tema relevante de pesquisa na área da Ciência da Informação, de modo a propiciar conhecimento inovador e contribuidor para o avanço do campo científico.

2 GESTÃO DA INFORMAÇÃO EM SAÚDE A gestão da informação no ambiente hospitalar tem a função de buscar a melhoria contínua para o acesso, compartilhamento e uso da informação. A informação relaciona-se aos exames de diagnóstico, às consultas médicas, ao receituário prescrito, às informações financeiras relativas às internações, enfim uma gama de informações que possuem distintos objetivos e, portanto, diferentes tipos de usos. As equipes de saúde e a administração hospitalar podem ser beneficiadas com a gestão da informação, uma vez que esta dinamiza os processos de atendimento, bem como propicia maior segurança para a equipe médica tomar decisões. Além disso, os sistemas de informação propiciam maior velocidade de resposta, bem como melhor condição de acesso e uso das informações por parte da equipe médica. Para que as instituições de saúde funcionem adequadamente é necessário que haja uma assistência, uma gestão hospitalar organizada que realize: políticas, planejamentos, gestão administrativa, financeira e de pessoal, coordenação de atividades, regulação, controle, avaliação e prestação direta de serviços de saúde. Trata-se de um contexto complexo, em que a tomada de decisão é fundamental para ações seguras e, com isso, alcançar a gestão de saúde com qualidade, implantando a cultura informacional em todos os níveis da rede, sistema, unidade ou serviços de informação voltados à saúde. Uma das principais tarefas da gestão em saúde é possibilitar e garantir às pessoas o acesso aos serviços de saúde (cobertura assistencial), com maior atenção aos grupos populacionais e prioritários. Em síntese, a gestão em saúde é a inteligência constitutiva de um sistema de saúde mediante a definição de critérios de alocação de recursos, papeis de órgãos públicos e privados, oferta de cooperação 47


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técnica aos órgãos descentralizados, redistribuição dos gastos correntes e de investimentos e estabelecimento de mecanismos de contratos de gestão. Por conseguinte, a gestão em saúde absorve totalmente as atividades do planejamento em saúde e agrega as articulações políticas e as ações de implementação de planos. O acesso à informação em saúde é cada vez mais fácil, graças às tecnologias de informação e comunicação (TIC), que propiciam agilidade, fidedignidade e consistência no que tange às fontes de informação necessárias às equipes clínicas, para que possam elaborar diagnósticos, prescrições médicas e intervenções médicas de diferentes tipos, enfim a ação médica no cotidiano de uma unidade de saúde. Os sistemas denominados de ‘Clinical Decision Support Systems’(CDSS) [sistemas de suporte às decisões clínicas], cujo objetivo é integrar distintas informações sobre os pacientes, para produzir avaliações ou recomendações específicas e, portanto, subsidiar os profissionais de saúde na tomada de decisão. Os profissionais de saúde que trabalham diretamente com pacientes têm em mente que, uma interpretação errada de um exame poderá resultar em diagnósticos errados e/ou condutas inadequadas e ou prejudiciais ao paciente. Há diferentes tipos de informações clínicas como as armazenadas e conservadas em arquivos médicos como, por exemplo, os prontuários de pacientes, informação técnico-científica, bases de dados referenciais (bibliografias, artigos, textos completos), informação de caráter administrativo etc. Esses dados e informações precisam ser gerenciados, ou seja, prospectados, selecionados, analisados, tratados, organizados e disseminados, para que a equipe clínica possa usufruir e, a partir, da apropriação, construir conhecimento. As futuras investigações sobre condições patológicas desconhecidas ou que tenham sofrido alguma mudança no padrão de incidência dependem do acesso a essas informações. Nessa perspectiva, a gestão da informação médica abrange o conceito de translação do conhecimento crítico e a avaliação da informação científica que cerca os vários profissionais da área da saúde, inclusive o bibliotecário que atua nesta área, porquanto integra a equipe e os ajuda na atuação em distintos momentos, desde atividades simples até a tomada de decisão a respeito do estado clínico de saúde do paciente. 48


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Assim, o bibliotecário que atua nessa área, deve desenvolver competências e habilidades necessárias para desempenhar seu trabalho com precisão. A qualidade do trabalho do bibliotecário incidirá diretamente na atuação da equipe clínica, bem como propiciará maior integração à equipe multiprofissional, garantindo o direito de acesso e viabilizando dados e informações de qualidade para a pesquisa e o ensino em saúde. 3 COMPETÊNCIAS E HABILIDADES DO BIBLIOTECÁRIO Em organizações hospitalares é essencial que haja a gestão da informação (GI), cuja função é buscar a melhoria contínua para o acesso, compartilhamento e uso da informação. As equipes de saúde e a administração hospitalar podem ser beneficiadas com a GI, uma vez que dinamiza os processos organizacionais, além de propiciar maior segurança para a equipe médica no desenvolvimento de atividades e tomada de decisão. A gestão da informação se constitui em uma atividade essencial para a efetividade das ações médicas de qualquer profissional da área de saúde. A gestão da informação é um conjunto de estratégias que visa identificar as necessidades informacionais, mapear os fluxos formais de informação nos diferentes ambientes da organização, assim como sua coleta, filtragem, análise, organização, armazenagem e disseminação, objetivando apoiar o desenvolvimento das atividades cotidianas e a tomada de decisão no ambiente corporativo (VALENTIM, 2004).

O bibliotecário na área da saúde contribui de maneira efetiva para a equipe clínica, na medida em que pode desenvolver pesquisas informacionais que apoiam a tomada de decisão em diagnósticos e tratamentos clínicos, por esse motivo o trabalho bibliotecário torna-se uma ferramenta de trabalho que subsidia todas as práticas profissionais no ambiente hospitalar, pois possibilita que as informações relevantes e necessárias ao cotidiano médico-hospitalar sejam acessadas, compartilhadas, disseminadas e apropriadas em diferentes momentos, melhorando sensivelmente a atuação clínica. O bibliotecário é responsável por desenvolver um conjunto de estratégias informacionais, visando que a equipe clínica possa apropriar, construir e compartilhar informação e conhecimento, bem como estabelecer fluxos formais e informais que assegurem que a informação ‘certa’ seja acessada no‘tempo’ e ‘formato’ adequado, auxiliando na geração de ideias, na solução de problemas e na tomada de decisão. Nessa perspectiva, é necessário explorar a literatura 49


Informação, documentação e sociedade

especializada e, neste caso, o bibliotecário pode planejar e estabelecer um fluxo informacional eficiente, abrangendo desde a área de gestão hospitalar até as áreas de diagnóstico, tratamento e reabilitação. Segundo Beraquetet al. (2006), o campo de atuação do bibliotecário é amplo, porque além de diferentes instituições, ao ingressar no mercado de trabalho pode atuar em áreas específicas do conhecimento, contudo para isso é necessário desenvolver competências e habilidades específicas. A mesma autora destaca a área de saúde no que tange a constante necessidade de atualização e inovação no setor, e por constituir um campo de interesse universal que ultrapassa as fronteiras de países e continentes, a responsabilidade do bibliotecário nessa ambiência é significativamente aumentada. O trabalho do bibliotecário médico que se encontra, na maioria das vezes, nas universidades, pressupõe atividades de busca em sistemas de informação, análise e negociação de questões e formulação de estratégias que indiquem o êxito da busca. Atuando fora das bibliotecas médicas, pode agir como um mediador entre a informação e o usuário, respondendo às necessidades informacionais do público usuário. No papel de mediador, o bibliotecário precisa ser visto como parte integrante da equipe clínica, relacionando-se com os profissionais de saúde em igualdade. Sendo um profissional atento, conhecendo as nuances específicas da área e as especificidades de cada setor/serviço ou especialidade. A Biblioteconomia, enquanto campo de conhecimento e de formação universitária precisa ampliar as possibilidades de atuação. Para ser um profissional competente e obter sucesso no âmbito da atuação, é importante buscar constantemente por conhecimento, enfrentar desafios com segurança e determinação. Para tanto, é necessário que o bibliotecário interaja com os profissionais subordinados e, também, com os outros profissionais clínicos do ambiente de saúde, trabalhando diretamente na melhoria dos fluxos de informação que promovam maior comunicação. As organizações da área de saúde necessitam de melhorias em diversas áreas, inclusive no que tange as questões informacionais, carecendo de profissionais que exerçam com competência e habilidade as funções, atividades e tarefas informacionais, maximizando o desempenho do sistema de saúde, proporcionando para toda a sociedade mais qualidade e bem-estar. Em 50


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

organizações hospitalares a gestão estratégica dos fluxos de informação é uma atividade crucial, pois sem ela a equipe médica não possui uma: [...]estratégia aperfeiçoada para o gerenciamento eficaz da informação e como uma resposta aos problemas informacionais das organizações – obter a informação correta, na hora certa, na forma/meio correto e endereçá-la à pessoa certa (BERGERON, 2006 apud FRADE et al., 2003, p.37).

A prática do bibliotecário clínico se distingue do fazer tradicional, pois a equipe de profissionais clínicos e as atividades e tarefas são relacionadas à prospecção, monitoramento, filtragem, análise e disseminação de informação relevante, subsidiando continuamente a equipe clínica no processo decisório, seja a respeito dos casos clínicos que estão em andamento, seja em relação a pesquisas inovativas na área. O bibliotecário formula as estratégias de busca a partir das necessidades informacionais da equipe clínica, cujos resultados são amplamente disseminados e compartilhados, visando supri-los nas necessidades informacionais. É um trabalho que, uma vez executado com eficiência, contribui para a resolução de diversos casos clínicos e torna o atendimento ao paciente mais eficaz (RIGBY et al., 2002).

4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS A pesquisa está sendo no Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST), da Cidade de Marília, interior do Estado de São Paulo, Brasil.A pesquisa é de natureza qualiquantitativa, do tipo descritiva exploratória. As técnicas de coleta de dados se referem à aplicação do questionário e da entrevista. No que tange a análise dos dados e informações coletadas na pesquisa de campo, definiu-se o método ‘Discurso do Sujeito Coletivo’ (DSC).Para que haja exequibilidade dos objetivos da pesquisa, o método escolhido DSC, foi idealizado por pesquisadores renomados da área de Saúde Pública. O método do DSC: [...] é uma proposta de organização e tabulação de dados qualitativos de natureza verbal, obtidos de depoimentos, artigos de jornal, matérias de revistas semanais, cartas, papers, revistas especializadas (LEFRÈVRE, F.; LEFRÈVRE, A., 2003, p.15).

Para que o método seja efetivado Lefrèvre e Lefrèvre (2003, p.37) esquematizaram as etapas necessárias para o desenvolvimento do DSC. Primeiramente é preciso coletar os discursos dos sujeitos que, geralmente é feita por meio da aplicação de entrevistas ou questionários. Após obter os discursos, o segundo passo consiste na tabulação das informações coletadas. Para organizar as 51


Informação, documentação e sociedade

informações é necessário desenvolver uma tabela, composta por três colunas distintas: expressões chave (ECH), ideias centrais (IC) e ancoragens (ANC) respectivamente. Cada questão é analisada individualmente e, após isso, transcreve-se a resposta de cada questão na primeira coluna da tabela. Após a transcrição literal de cada resposta, destacam-se as IC e as ANC, utilizando diferentes recursos gráficos, preenchendo assim as outras duas colunas, para ao final se obter o discurso do sujeito coletivo. O levantamento bibliográfico, a análise e o fichamento da literatura pertinente ao tema da pesquisa estão sendo realizados, visando identificar as competências e habilidades comumente definidas para a atuação do bibliotecário. Para a pesquisa de campo, utilizar-se-á o questionário e a entrevista para a coleta de dados, e o DSC para a análise dos dados/ informações coletados. O universo de pesquisa é o CEREST, conforme anteriormente mencionado, a população alvo é composta pela equipe de profissionais da saúde que atuam no CEREST. Por último, refletir sobre os dados e informações coletados, a partir do estabelecimento da relação entre a literatura e a realidade observada, de modo a produzir inferências para a construção das considerações finais.

5 RESULTADOS E DISCUSSÕES A pesquisa propicia informações que podem subsidiar a equipe do CEREST, bem como uma melhor compreensão no que tange a prática profissional do bibliotecário na área de saúde. Os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST) promovem ações para melhorar as condições de trabalho e a qualidade de vida do trabalhador por meio da prevenção e vigilância. Cabe ao CEREST promover a integração da rede de serviços de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS), assim como suas vigilâncias e gestão, para a incorporação da saúde do trabalhador na sua atuação cotidiana. As atribuições incluem apoiar investigações de maior complexidade, assessorar a realização de convênios de cooperação técnica, subsidiar a formulação de políticas públicas, fortalecer a articulação entre a atenção básica, de média e alta complexidade para identificar e atender acidentes e agravos relacionados ao trabalho. A equipe do CEREST Marília atende todos os acidentes ocorridos na região de Marília, mais especificamente trabalhadores que são atendidos na Rede do Sistema Único de Saúde (SUS), cujos dados são 52


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

registrados e armazenados em um banco de dados que propicia informações sobre ondee como os acidentes de trabalho ocorrem, bem como qual a gravidade dos referidos acidentes. A partir dessas informações, a equipe do CEREST Marília planeja as inspeções nos diversos ambientes de trabalho, para propor intervenções que auxiliem na prevenção de novos agravos à saúde do trabalhador. Além disso, a equipe do CEREST Marília também oferece assistência em algumas especialidades médicas: Ortopedia, Clínica Geral, Acupuntura, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Psicologia, Terapia Ocupacional. Por fim, a equipe desenvolve um trabalho educativo junto aos profissionais de saúde que atuam no SUS e, também, junto aos trabalhadores da região. Aprofundar os estudos sobre essa temática é importante, uma vez que é uma área em expansão. Além disso, evidenciar a relação entre a formação e a atuação do bibliotecário nesse contexto, de modo a identificar e caracterizar as competências e habilidades específicas indispensáveis para uma atuação eficiente, apresentando as perspectivas e tendências da área de saúde.

6 CONSIDERAÇÕES A atuação do profissional da informação na área de saúde é uma realidade, bem como se tornou um tema relevante de pesquisa na área de Ciência da Informação, cujos resultados podem evidenciar aspectos que dizem respeito à formação do bibliotecário, mais especificamente competências e habilidades necessárias para que possa atuar eficientemente nesse nicho do mundo do trabalho. Nessa perspectiva, o bibliotecário que atua nessa área deve desenvolver competências e habilidades especializadas para desempenhar seu trabalho com precisão. A qualidade do trabalho do bibliotecário incidirá diretamente na atuação da equipe clínica, garantindo o direito de acesso e viabilizando dados e informações de qualidade para a atuação dos profissionais de saúde.

REFERÊNCIAS ARRUDA, M.C.C.; MARTELETO, R.M.; SOUZA, D.B.Educação, trabalho e o delineamento de novos perfis profissionais: o bibliotecário em questão. Ciência da Informação,Brasília,v.29, n.3, p.14-24. 2000. Disponível em:<http://www.scielo.br/pdf/ci/v29n3/a02v29n3.pdf>.Acesso em: 10 nov. 2014.

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Informação, documentação e sociedade

BERAQUET, V. S. M.; AZEVEDO, A. W. Formação e competência informacional do bibliotecário médico brasileiro. Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Campinas (SP), v.7, n.2, 2010.Disponível em: <http://www.brapci.ufpr.br/documento.php?dd0=0000008355&dd1=1442e>. Acesso em: 31 out. 2014. BERAQUET, V. S. M.; CIOL, R. O bibliotecário clínico no Brasil: reflexões sobre uma proposta de atuação em hospitais universitários. DataGramaZero: Revista de Ciência da Informação, Rio de Janeiro, v.10, n.2, abr. 2009. Disponível em: <http://www.dgz.org.br/abr09/Art_05.htm>. Acesso em: 4 out. 2014. BERAQUET, V. S. M. et al. Bases para o desenvolvimento da biblioteconomia clínica em um hospital da cidade de Campinas. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIENCIA DA INFORMACAO, 7., 2006, Marília. Anais... Marília: Unesp, 2006. 12p. 1 CD-ROM CARBONE, P. P. et al. Gestão por competências e gestão do conhecimento. 3.ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2009. FRADE, A. C. M. N. et al. Gestão estratégica da informação: a distribuição da informação e do conhecimento. Informação &Sociedade: Estudos, João Pessoa, v.13, n.2, p.37-64, 2003. Disponível em:<http://www.ies.ufpb.br/ojs/index.php/ies/article/viewFile/90/1557>. Acesso em: 07 fev. 2014. GALVÃO, M. C. B.; RICARTE, I. L. M. Prontuário eletrônico do paciente. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012. 344p. GRAMIGNA, M. R. Modelo de competências e gestão dos talentos. 2.ed.São Paulo: Person Prentice Hall, 2007. GUIMARÃES, A. G. R.; CADENGUE, M. A interferência da Biblioteconomia Clínica para odesenvolvimento da saúde. Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Campinas, v.9, n.1, p.150-165, 2011. Disponível em: <http://www.sbu.unicamp.br/seer/ojs/index.php/rbci/article/view/509/pdf_13>. Acesso em: 19 out. 2014. LEFÈVRE, F.; LEFÈVRE, A. M. C. O discurso do sujeito coletivo: um novo enfoque em pesquisa qualitativa (desdobramentos). Caxias do Sul: UDUCS, 2003. (Coleção Diálogos) MOREIRA, F. C. Bibliotecário tradicional e bibliotecário clínico: convergências para o desenvolvimento profissional. 2008. 74f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Biblioteconomia) - Faculdade de Biblioteconomia, Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Campinas, 2008. RIGBY, E. et al. Clinical librarians: A journey through a clinical question. Health Information and Libraries Journal, v.19, n.3, p.158-160, Sep. 2002.Disponível em: <http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1046/j.1471-1842.2002.00393.x/full>. Acesso em: 15 out. 2014. 54


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4 COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO E A COMPETÊNCIA MIDIÁTICA SOB O ENFOQUE DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Selma Letícia Capinzaiki Ottonicar Cristiana Portero Yafushi Mestrandas do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação Universidade Estadual Paulista (Unesp) , Câmpus Marília Rafaela Rosa de Melo Samantha Sasha Andrade Mestrandas do Mestrado Profissional em TV Digital Universidade Estadual Paulista Unesp) , Câmpus Bauru

Resumo: Qualquer pessoa hoje pode se tornar um produtor de informação e influenciar na opinião da sociedade, portanto, cabe aos profissionais da comunicação possuir capacidades e habilidades que os diferenciem na mídia. Nesse sentido, como problema de pesquisa tem-se: o profissional da comunicação precisa possuir competência em informação? Quais competências midiáticas são fundamentais para esse profissional? Qual a importância da competência em informação e a competência midiática para trabalhar em uma sociedade que demanda a liberdade de expressão? Assim a pesquisa apresenta como objetivo investigar se a competência em informação é um fator necessário para o profissional da informação, quais as competências midiáticas que contribuem para a produção de informação em um contexto de liberdade de expressão. Para desenvolver o trabalho foi necessária uma pesquisa bibliográfica sobre competência em informação, competência midiática e liberdade de expressão. As discussões e resultados se pautaram na revisão da literatura e desenvolveu-se um quadro a partir da relação dos indicadores Belluzzo (2007) com o Modelo Social do Ciclo da Informação (LE COADIC, 1996), a fim de estabelecer norteadores para a atuação do profissional no contexto atual. Portanto as considerações finais apontam que a competência em informação e a competência midiática contribuem para que o profissional se adeque segundo o editorial do veículo de comunicação levando em conta a discussão sobre a liberdade de expressão e principalmente, do respeito ao próximo. Palavras-Chave: Competência em Informação. Competência Midiática. Liberdade de Expressão. Profissional da Comunicação.

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Informação, documentação e sociedade

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

1 INTRODUÇÃO Na Idade Média os súditos deveriam obedecer ao rei, os fiéis não podiam expressar opiniões contrárias às igrejas, os pobres não “tinham voz” e as mulheres nem pensavam sobre determinados assuntos públicos porque essa era função dos homens e algumas até se interessavam pelos assuntos, mas eram proibidas de dizer. Com o surgimento do estado-nação e o aparecimento dos primeiros ministros e presidentes fizeram com que a população e a igreja fossem submetidas ao governo, assim se tornou a maior organização de um país. Com a implantação do sistema capitalista, os grupos econômicos se tornaram mais influentes que o próprio governo, ou seja, o poder econômico passou a influenciar as regras e submeter as pessoas nos seus interesses financeiros. As tecnologias de informação e comunicação no século XXI contribuíram para mudar esse cenário e se tornaram instrumentos essenciais para a sociedade, pois além de facilitar o contato humano, possibilitou que os cidadãos pudessem expressar suas ideias e se tornarem produtores de informação na rede. Qualquer pessoa hoje pode criar um blog ou site e expressar o seu pensamento ou ideia, adquirir seguidores e influenciar o público. Mas a repressão a manifestações pacíficas ainda continua nas comunidades, já que ainda existem resquícios costumeiros da ditadura militar no Brasil. Como exemplo, cita-se as repressões ocorridas contra manifestantes da Marcha da Maconha em São Paulo1no ano de 2011. Assim a tecnologia possibilitou que a população tivesse acesso às informações e, consequentemente facilitou a manifestação social, podendo ocorrer tanto nas ruas da cidade como no espaço cibernético. Para os profissionais da comunicação a situação também é complexa porque devem ter capacidades e conhecimentos para lidar com o contexto atual e se constituir como profissionais de qualidade. Contudo, os veículos de comunicação estão atrelados a ideologias e assim os profissionais estão sujeitos às determinações da organização em que atuam, por exemplo, a revista Carta Capital que defendeu publicamente o seu apoio à candidata Dilma Roussef para a eleição

1

Ver notícia em: http://www1.folha.uol.com.br/multimidia/videocasts/919102-policia-agride-reporter-emanifestantes-na-marcha-da-maconha-em-sp-veja.shtml

59


Informação, documentação e sociedade

de 20142. Cabe ao profissional se adequar nessa sociedade cheia de ideologias e para tanto são necessários saberes e competências que o ajudarão a exercer seu trabalho nesse contexto. Nesse sentindo, o presente trabalho tem as seguintes questões como problema de pesquisa: O profissional da comunicação precisa possuir

competência

em

informação?

Quais

competências

midiáticas

são

fundamentais para esse profissional? Qual a importância da competência em informação e a competência midiática para trabalhar em uma sociedade que demanda a liberdade de expressão? Portanto o trabalho possui como objetivo investigar se a competência em informação é um fator necessário para o profissional da comunicação, demonstrar os padrões e indicadores voltados para a competência em informação e a competência midiática que contribuem para a produção de informação de qualidade no atual contexto de liberdade de expressão. A pesquisa se justifica por se tratar de um tema atual e relevante para o contexto em que vive o profissional da comunicação e a sociedade da informação. Para enfrentar os desafios faz-se necessário compreender e incorporar a competência midiática e a competência em informação como norteadores de sua atuação no mercado. Ressalta-se que para realizar os objetivos da pesquisa foi necessária uma revisão bibliográfica sobre os temas competência em informação, competência midiática, liberdade de expressão, bem como uma análise crítica do contexto atual em que vive o profissional da comunicação.

2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Esse trabalho é de natureza exploratória realizada por meio de uma pesquisa bibliográfica, que segundo Gil (2008, p. 50): “é desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído de livros e artigos científicos”. Assim, os temas compreendidos pela revisão de literatura são a competência em informação, a competência midiática, padrões e indicadores Belluzzo, a liberdade de expressão como fatores de influencia no contexto do trabalho. A relação entre esses temas possibilita discutir sobre a atuação do profissional da comunicação e ao fim, propõe-se a relação entre os padrões e indicadores Belluzzo com a cadeia de produção da comunicação. 2

Ver notícia 131.html

60

em

http://www.cartacapital.com.br/revista/807/por-que-escolhemos-dilma-rousseff-


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

3 COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO (CoInfo) E COMPETÊNCIA MIDIÁTICA A sociedade da informação e do conhecimento envolve as tecnologias e o ser humano, é fundamental nesse processo. Como saber manusear e lidar com a tecnologia é um desafio, sendo assim os indivíduos necessitam da competência em informação. Ressalta-se que nesse artigo foi adotado o termo ‘Competência em Informação’ por ter sido recomendado pelo relatório da UNESCO em 2013, como concorda Basseto (2013, p.61): “não é uma adjetivação semântica” como o termo competência informacional. Para Eisenberg (2008) a CoInfo é conceituada pelas habilidades que possibilitam o indivíduo buscar, avaliar, usar e filtrar a informação para se alcançar determinada meta presente ou futura. Complementando, Belluzzo (2006) afirma que essa competência abrange a solução de problemas, o alcance dos objetivos por meio do pensamento e do raciocínio lógico, baseado em princípios e evidências. Enfatiza-se que a autora defende a competência em informação baseada no saber, alternativas existentes e na avaliação dos resultados já alcançados. A pessoa competente em informação é capaz de acessar e organizar as fontes de informação de uma maneira analítica, pois verifica a autenticidade das informações e também, sabe como utilizar a tecnologia para construir o conhecimento (BASSETTO, 2013). Portanto não se limita aos conhecimentos de informática, mas abrange toda ação relacionada com a busca, o acesso, a avaliação e o uso efetivo de informações para criar conhecimento. Para Belluzzo (2008, p. 13): Ressalta-se que o conceito de competência traz à tona várias concepções, porém, vamos entendê-la como sendo um composto de duas dimensões distintas: a primeira, um domínio de saberes e habilidades de diversas naturezas que permitem a intervenção prática na realidade e, a segunda, uma visão crítica do alcance das ações e o compromisso com as necessidades mais concretas que emergem e caracterizam o atual contexto social [...].

Para atuar no contexto de liberdade de expressão de uma forma ética é necessário compreender os limites editorias de um veículo de comunicação e respeitar o público alvo daquela notícia, assim é fundamental conhecer tanto a competência em informação quanto a competência midiática. A agilidade da sociedade da informação faz com que haja maior valorização do conhecimento humano. É a partir do conhecimento adquirido que se organiza uma sociedade e segundo Barreto (1994, p? qual página?), “a informação referencia 61


Informação, documentação e sociedade

o homem ao seu destino”. As mensagens são transmitidas ao receptor de diversas formas, podendo ser visuais, auditivas, audiovisuais e textuais. A informação é o conteúdo/mensagem, que depende da produção do comunicador para que possa ser transferida de um emissor para um receptor sendo, assim, estabelece uma comunicação. O receptor passa a adquirir conhecimento de diversas formas e formatos, independente se aliado à um livro ou à alguém que transfira a informação. A informação deve ser processada por pessoas competentes para que se alcance um conhecimento, uma vez que se trata de um saber empírico. A mídia precisa trabalhar com diversas formas para que o ser humano possa aprender a partir de uma mensagem, sendo, portanto, extremamente importante que a linguagem utilizada na comunicação envolva todos os aspectos que possam ser captados por esse receptor. A disseminação e construção do conhecimento da sociedade depende das formas de linguagem, que possuem três grandes grupos: Audiovisual (Imagem e som), scriptovisual (Texto e imagem) e a áudio-scripto-visual, que engloba as três habilidades humanas. Essas três linguagens possuem como base a linguagem visual, percebida pelo sistema espacial; a áudio, percebida pelo sistema auditivo, temporal; e a scripto, que é percebida pelo sistema visual, mas decifrada no tempo como uma informação acústica, da qual é uma transposição gráfica (CLOUTIER, 1975). Assim, segundo Belluzzo (2007, p. 59-60): A informação representada em mensagens pode ser tecnicamente construída, armazenada e disseminada sob essas formas de linguagens, sendo que, a digitalização nos meios de comunicação veio alterar significativamente a produção/edição da informação na atualidade. A compreensão e o entendimento dessas linguagens é muito importante para a produção e recepção no processo de comunicação, devendo ser uma competência desenvolvida tanto para comunicadores como para os usuários/receptores da informação transmitida por um desses formatos, denomina-se como competência midiática (media literacy).

Compreender essas linguagens é parte fundamental no processo de comunicação. A produção e recepção da mensagem depende do entendimento que o receptor terá dessa informação, tornando completo o processo da comunicação. Desse modo, Belluzzo (2007) explica que a competência midiática é importante na sociedade a partir da observação dos fatores propostos pelo Center for Media Literacy (2003, apud BELLUZZO, 2007, p. 60): ● Existe uma forte influencia da mídia nos processos de democratização da sociedade, principalmente quando predomina uma cultura global e as

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

pessoas precisam desenvolver habilidades para o aprendizado ao longo da vida e o exercício da cidadania. ● As pessoas estão cada vez mais convivendo e inserindo diferentes tipos de mídia em seu cotidiano, em decorrência das inovações tecnológicas e sua rapidez. ● A mídia influencia as percepções, valores e atitudes das pessoas e nas suas visões de mundo, necessitando pensar criticamente a esse respeito. ● As pessoas vivem em um mundo onde há um aumento considerável de informação e comunicação visual, em decorrência da economia informacional e das convergências disponibilizadas pelos avanços tecnológicos. ● Existência de um novo paradigma de agregação de valor à informação e ao conhecimento e a necessidade do aprendizado ao longo da vida, uma vez que as pessoas precisam dispor de novos meios alternativos para acessar e usar a informação para produzir conhecimento, apresentando diferenciais em mercados produtivos e contribuindo para seu autodesenvolvimento e o bem coletivo.

Nesse sentido a competência midiática é um assunto complexo, pois exige que o indivíduo seja um receptor crítico e analítico da mídia e do contexto em que esta inserida e não ser facilmente convencido pela desinformação. Esse é um fenômeno de deturpação da informação que ocorre, principalmente nas campanhas eleitorais, cujo objetivo é convencer o cidadão de que determinado partido político é melhor que outro.

5 LIBERDADE DE EXPRESSÃO A Declaração Interamericana de Princípios de Liberdade de Expressão é um documento que justifica e valida à liberdade de expressão para os países do continente americano. É baseada na Declaração de Chapultepec divulgada no México em 1994 que ressalta os direitos humanos e a liberdade pública para o exercício democrático. Essa declaração foi aprovada pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos no 108º período ordinário de sessões celebrado de 16 a 27 de outubro de 2000. O objetivo principal com a aprovação da Declaração é que a liberdade de expressão seja garantida para todos. Com isso, também fica reconhecido à liberdade de imprensa, que a comissão julga ser “um instrumento indispensável para o funcionamento da democracia representativa, mediante a qual os cidadãos exercem seu direito de receber, divulgar e procurar informação". Na prática a teoria é diferente, um exemplo são os inúmeros veículos de comunicação existentes que dependem de uma reunião de pauta e da autorização do editor chefe para avaliar o que é relevante e deve ser informado ao público e o 63


Informação, documentação e sociedade

que deverá ser descartado diariamente. O profissional possui a liberdade de expressão moderada e ela varia conforme a linha de pensamento do lugar em que ele trabalha. Alguns editores jamais permitirão que jornalistas façam uma reportagem que pode prejudicar o cliente que mais paga para divulgar sua propaganda, nesses casos, as matérias são editadas de maneira diferente ou não são divulgadas. Essa filtragem de informações já muda a característica principal da lei que garante que todos possuem liberdade de expressão. Muitos comentários feitos em sites, enviados para empresas de comunicação ou outras são editados antes de serem publicados. Chegamos ao ponto onde mesmo sabendo que a Liberdade de Expressão está clara, definida e garantida pelo Artigo 19 da Constituição Federal, ela se torna subjetiva. Cada pessoa irá interpretá-la de uma maneira e isso está diretamente ligada à bagagem cultural e educacional de cada um. O meio se torna o responsável pela formação do caráter e do senso crítico.

6 DISCUSSÃO E RESULTADOS A sociedade da informação traz para a comunicação algumas mudanças. A informação não corresponde mais a simples ideia de notícia, mas engloba vários conceitos que devem ser passados junto a essa notícia. Concepções como: informações de base (ter acesso a bancos de dados, acervos digitais, arquivos multimídia), informação cultural (filmes, vídeos, jornais, programas televisivos, livros etc.) e know-how (invenções, patentes, protótipos etc.) (BELLUZZO, 2007). Essas concepções são fundamentais no trabalho do profissional de comunicação, que devem levar em consideração o público para o qual ele irá se dirigir. O comunicador precisa estar preparado para passar não apenas a notícia em si, mas compartilhar informações que estejam ligadas com o acontecimento, de forma que seu público receba a mensagem de uma forma rápida e supra as suas necessidades. Com as mudanças tecnológicas, o comunicador passa a ter os mais diversos tipos de receptores, como o assunto abordado, a faixa etária do público alvo, gênero e classe social. A variedade oferece a ele uma gama maior de liberdade e atinge diferentes tipos de pessoas, entretanto, a partir da liberdade e o maior conhecimento 64


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

do público, sua responsabilidade em oferecer uma informação concisa aumenta. Portanto é importante apresentar os diferentes pontos de vista ou opiniões para informar rapidamente este público, com a finalidade de possuir habilidades e capacidades que um indivíduo produtor de informação não desenvolveu. O repórter internacional, por exemplo, que está sediado em outro país já não está mais lá para informar o público sobre o que acontece ao redor do mundo. A grande diferença deste profissional está na transformação dos fatos internacionais em um conhecimento, na tradução das entrelinhas do fato, coisa que outro repórter ausente não consegue fazer com apenas a informação de agências de notícias. O mesmo acontece com os jornais do interior do país e que tentam repassar informações dos grandes meios. O comunicador hoje precisa trabalhar suas habilidades e desenvolvê-las para oferecer ao leitor não apenas a informação, mas sim todo o trabalho de lapidá-la de forma que o conhecimento seja construído a partir daquilo que está sendo produzido pelo jornalista. Neste aspecto, a responsabilidade do profissional exige que este desenvolva competências para passar uma informação de qualidade ao seu público. desse modo cabe ao profissional da comunicação: amplo conhecimento cultural,

saber como ocorre todo o processo de produção, habilidades técnicas

comunicacionais, ex: escrita, avaliar a confiabilidade das fontes de informação, habilidades para reconhecer as diferentes versões dos relatos, capacidade de pesquisa de fontes, perceber a desinformação (informações falsas), atuar dentro da política editorial do veículo de comunicação, respeitar as diferenças das pessoas, atuar dentro dos principio éticos, conhecer o público-alvo e ser transparente. Vale lembrar que competente não é apenas aquele que possui conhecimento ou habilidade para comunicar, mas também sua atitude diante do que recebe e sabe. O comunicador competente é aquele que conhece, consegue compartilhar e o faz passando credibilidade ao público. Para se tornar competente é fundamental conhecer e praticar os padrões e indicadores Belluzzo (2007) tanto sobre competência em informação quanto a competência midiática em cada etapa do Modelo Social do Ciclo da Informação proposto por Le Coadic (1996). A pesquisadora Regina Belluzzo adequou padrões capazes de medir como a competência em informação e a midiática ocorre em um determinado contexto. Para aeuqar adequar os padrões ao ambiente investigado, é fundamental adotar um 65


Informação, documentação e sociedade

modelo, no caso dessa pesquisa adotou-se o Modelo Social do Ciclo da informação desenvolvido por Le Coadic (1996). Assim o modelo Social do Ciclo da Informação é formado pela produção seguida da transmissão e do uso da informação e o sistema se retroalimenta. A informação possui um significado simbólico para o indivíduo e que é incorporada por alguém. Posteriormente ocorre a interlocução, ou seja, a informação é compartilhada por um canal até o receptor a fim de realizar a comunicação entre as pessoas (LE COADIC, 1996).

Fonte: Le Coadic (1996, p. 11)

Apesar do autor Le Coadic ter desenvolvido esse modelo no século XX, a sua estrutura é útil para entender, de forma geral, o processo de produção de conteúdo de um determinado veículo de comunicação. Portanto na construção ocorre a criação de informações, já na comunicação há o processo de empacotamento no qual a informação é modificada segundo normas e critérios e por fim, tem-se o uso das informações por meio de sua distribuição para o público – alvo da notícia.

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Tabela 1: Inter-relação entre o Modelo de Produção e os Indicadores Belluzzo® Modelo Social do Ciclo da Informação

Indicadores Belluzzo®

Construção Produção Conteúdo

-Padrão 1: a pessoa competente em informação determina a natureza e a extensão da necessidade de informação. -1.1: Define e reconhece a necessidade de informação. -1.1.1: Identifica um tópico de pesquisa ou outra informação necessária - 1.1.2: Formula questões apropriadas baseado na informação necessária ou tópico de pesquisa. - 1.1.3: Usa fontes de informações gerais ou específicas para aumentar seu conhecimento sobre o tópico. - 1.1.4: Modifica a informação necessária ou o tópico de pesquisa para concluir o foco sob controle. -1.1.5: Identifica conceitos e palavras-chave que representam a informação necessária ou o tópico de pesquisa/questão. -1.2: Identifica uma variedade de tipos e formatos de fonte de informação potenciais. 1.2.1: Identifica o valor e as diferenças de potencialidades de fontes em uma variedade de formatos (documentos impressos e eletrônicos, pessoas, instituições, etc.). 1.2.3: Diferencia fontes primárias de secundárias, reconhecendo o seu uso e a sua importância para cada área específica. -1.3: Considera os custos e benefícios da aquisição da informação necessária. -1.3.1: Determina a disponibilidade da informação necessária e toma decisões sobre as estratégias de pesquisa da informação e o uso de serviços de informação e qual a mídia adequada (por exemplo: intercambio, utilização de fontes locais, obtenção de imagens, vídeos, textos ou registros sonoros, etc.). -1.3.2: Determina um planejamento exeqüível e um cronograma adequado para obtenção da informação necessária. - Padrão 2: A pessoa competente em informação acessa a informação necessária com efetividade. - 2.1: Seleciona os métodos mais apropriados de busca e/ou sistemas de recuperação da informação para acessar a informação necessária. - 2.1.1: Identifica os tipos de informação contidos em um sistema tradicional e os tipos de fontes indexadas eletronicamente. - 2.1.2: Seleciona apropriadamente os sistemas de recuperação da informação para pesquisar o problema/tópico baseado na investigação da sua abrangência, conteúdo, organização e solicita ajuda para pesquisar em diferentes instrumentos como as bases de dados, fontes de referências, entre outros. - 2.1.3: Identifica outros métodos de pesquisa para obter a informação necessária, os quais podem não estarem disponíveis por meio dos sistemas de recuperação da informação tradicionais e eletrônicos (por exemplo: necessidade de fazer entrevistas com especialistas, etc.). - 2.2: Constrói e implementa estratégias de busca delineadas com efetividade -2.2.1: Desenvolve um plano de pesquisa apropriado aos sistemas de recuperação da informação e/ou método de pesquisa. - 2.2.2: Identifica palavras-chave, frases, sinônimos e termos relacionados com a informação necessária. - 2.2.3: Seleciona vocabulário especifico como instrumento de pesquisa e identifica quando o vocabulário controlado é usado em um item registrado e executa a pesquisa com sucesso usando adequadamente o vocabulário selecionado -2.2.4: Constrói e implementa uma estratégia de busca usando códigos e comandos de acordo com o sistema de recuperação de informação utilizado (por exemplo: a lógica boleana, ordem alfabética de termos, referencia

ou de

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Informação, documentação e sociedade

cruzada, etc.). -2.2.5: Utiliza auto-ajuda dos sistemas de recuperação e outros meios (por exemplo: profissionais da informação) para melhorar seus resultados -2.3: Busca a informação via eletrônica ou com pessoas utilizando uma variedade de métodos. -2.3.1: Usa vários sistemas de recuperação da informação em uma variedade de formatos (impressos e eletrônicos). -2.3.2: Distingue pelas citações os vários tipos de documentos (por exemplo: livros, periódicos, teses, etc.). -2.3.3: Utiliza vários esquemas de classificação ou outros sistemas para localizar as fontes de informação junto aos serviços de informação. - 2.3.4: Utiliza serviços on-line ou pessoas especializadas disponíveis na instituição para recuperar a informação necessária. - 3.1: Demonstra conhecimento da maior parte das ideias da informação obtida. -3.2.1: Examina e compara a informação de várias fontes para avaliar sua confiabilidade, validade, precisão, autoridade, atualidade e ponto de vista ou tendências. -3.2.2: Analisa a lógica da argumentação da informação obtida. -3.2.3: Reconhece e descreve os vários aspectos de uma fonte, seus impactos e valor para o projeto de pesquisa, assim como as tendências e impactos relacionados a pressupostos de ordem cultural, geográfica ou histórica e/ou atualidade da fonte de informação. -3.2.4: Demonstra habilidade de encontrar a informação sobre a autoridade e qualificação de autores e/ ou editores-produtores. -3.2.5: Demonstra compreensão e habilidade para interpretar referencias bibliográficas ou créditos encontrados nas fontes como meios de acessar a informação precisa e válida. Comunicação Empacotamento

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ou

-1.3.1: Determina a disponibilidade da informação necessária e toma decisões sobre as estratégias de pesquisa da informação e o uo de serviços de informação e qual a mídia adequada (por exemplo: intercambio, utilização de fontes locais, obtenção de imagens, vídeos, textos ou registros sonoros, etc.). -3.2: Articula e aplica critérios de avaliação para a informação e as fontes. - 3.2.6: Demonstra a compreensão da necessidade de verificar a precisão e a completeza de dados ou fatos. - 3.3.2: Avalia se as fontes de informação são contraditórias. -3.3.4: Seleciona a informação que traz evidências para o problema/tópico de pesquisa ou outra informação necessária. - 4.2: Comunica os resultados do projeto com efetividade. - 4.2.1: Utiliza adequadamente as normas de documentação e o formato e estilo apropriados para um projeto científico. - 5.1: Demonstra compreensão sobre as questões legais éticas e socioeconômicas que envolvem a informação, a comunicação e a tecnologia. - 5.1.1 Identifica e discute questões relacionadas ao livre acesso versus o acesso restrito e o pagamento de serviços de informação e comunicação. -5.1.2: Demonstra compreensão acerca das questões ligadas ao direito nacional e internacional e propriedade intelectual e as leis de imprensa. - 5.1.3: Define e identifica exemplos de plágio. -5.1.4: Demonstra conhecer as políticas institucionais sobre o plágio e os direitos autorais. - 5.3: Indica as fontes de informação nas comunicações do produto ou resultados. - 5.3.1: Utiliza estilo e a forma linguagem e redação apropriadas, com a indicação correta e consistente das fontes consultadas. - 5.3.2: Identifica elementos de citação para as fontes de informação consultadas em diferentes formatos. -5.3.3: Demonstra compreensão das normas de documentação


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recomendadas para sua área de pesquisa/estudo. Uso ou Distribuição

- 2.4: A pessoa competente em informação retrabalha e melhora a estratégia de busca quando necessário. -2.4.1: Avalia a quantidade, qualidade e relevância dos resultados da pesquisa para determinar sistemas alternativos de recuperação da informação ou métodos de pesquisa ainda precisam ser usados. -2.4.2: Identifica lacunas na informação necessária face aos resultados da pesquisa. -2.4.3: Revisa a estratégias de busca se for necessário obter mais informações. - 2.5: A pessoa competente em informação extraí, registra e gerencia a informação e suas fontes. -2.5.1: Registra todas as informações com as citações pertinentes para futura referenciação bibliográfica. -2.5.2: Demonstra compreender como organizar e tratar a informação obtida. -2.5.3: Diferencia entre os tipos de fontes citadas e compreende os elementos e a forma correta de citação para os vários tipos de fontes de acordo com as normas de documentação vigentes. - P3: A pessoa competente em informação avalia criticamente a informação e suas fontes. -3.1.1: Seleciona a informação relevante baseado na compreensão das ideias contidas nas fontes de informação. - 3.1.2: Reformula conceitos com suas próprias palavras. -3.1.3: Identifica textualmente a informação que foi adequadamente transcrita ou parafraseada. - 3.3: Compara o novo conhecimento com o conhecimento anterior para determinar o valor agregado, contradições ou outra característica da informação. -3.3.1: Determina se a informação obtida é suficiente e adequada ou se é necessário obter mais informação. -3.3.3: Compara a nova informação com o conhecimento próprio e outras fontes consideradas como autoridade no assunto para conclusões. - Padrão 4: A pessoa competente em informação, individualmente ou como membro de um grupo, usa a informação com efetividade para alcançar um objetivo/obter um resultado. -4.1: É capaz de sintetizar a informação para desenvolver ou completar um projeto. -4.1.1: Organiza a informação, utilizando esquemas ou estruturas diversas. - 4.1.2: Demonstra compreender como usar as citações ou paráfrases de um autor ou texto para apoiar ideias/ou argumentos. - Padrão 5: A pessoa competente em informação compreende as questões econômicas, legais e sociais da ambiência do uso da informação e acessa e usa a informação ética e legalmente. - 5.2: Cumpre as leis, regulamentos, políticas institucionais e normas relacionadas ao acesso e uso às fontes de informação. - 5.2.1: Utiliza adequadamente os passwords para acesso às fontes de informação. - 5.2.2: Obedece as políticas institucionais de acesso as fontes de informação. - 5.2.3: Preserva a integridade das fontes de informação, equipamentos sistemas e instrumentos disponibilizados para o acesso e uso da informação. - 5.2.4: Demonstra conhecimento do que é o plágio e como não usá-lo em suas comunicações. - 5.2.5: Obtém permissão para copiar textos, imagens ou sons incluídos em seu produto final. Fonte: as autoras

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7 CONSIDERAÇÕES FINAIS Os principais desafios hoje para o profissional da comunicação envolvem a dificuldade de se ter qualidade em suas publicações, se adequar a linha de editorial da revista, que muitas vezes não condiz com as crenças do profissional. A dificuldade em aceitar opiniões diferentes é um fator de desafio. Para responder o primeiro problema de pesquisa “o profissional da comunicação precisa possuir competência em informação?” utilizou-se da revisão bibliográfica por se constituir de elemento fundamental na construção do corpo teórico e metodológico do trabalho. Portanto, defende-se que a competência em informação permite que o indivíduo se adeque no contexto da liberdade de expressão, fornecendo capacidades, habilidades e atitudes inerentes à sua profissão. O contexto da produção comunicacional se baseia em tres níveis: a produção, o empacotamento e a distribuição do conteudo; ressalta-se que os niveis são interdependentes. Assim, desenvolveu-se uma inter-relação entre o Modelo de Produção e os indicadores Belluzzo®, já que o modelo de produção se insere no contexto do profissional da comunicação. Essa ligação permitiu responder à segunda questão “quais competências midiáticas são fundamentais para esse profissional?”. Assim, por meio da observação dessa inter-relação, é fundamental destacar que o senso crítico é um fator que influencia fortemente o profissional na produção de um conteúdo, o discernimento para compreender a organização em que atua, seus objetivos e o público que se apropria de seu conteúdo. Não obstante, o conhecimento sobre os pressupostos legais é primordial para o desenvolvimento da competência em informação e midiática, pois o profissional adquire capacidades e habilidades para atuar dentro das normas sociais com eficiência e eficácia. Com relação a terceira questão problematológica, defende-se que a competência em informação e a competência midiática são fatores que contribuem e fundamentais para trabalhar em uma sociedade que demanda a liberdade de expressão, uma vez que para atuar nesse contexto o indivíduo necessita ser ético. Para tanto, existem conhecimentos ou saberes importante para o comunicólogo, por exemplo,a produção de conteúdo para um público específico, se adequar a linha editorial do veículo de comunicação, compreender a cultura organizacional e do 70


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ambiente que compatilha as informações e principalmente respeitar as opiniões das pessoas. Como sugestões a pesquisas futuras tem-se a aplicação desse trabalho na prática, por meio da construção de um instrumento de pesquisa que visa diagnosticar os padrões como norteadores do profissional da comunicação. Além disso, faz-se necessário uma avaliação desse resultado para que o profissional compreenda como ele se insere no contexto da liberdade de expressão e o entendimento do público sobre a adequação do veículo no contexto dessa liberdade.

REFERÊNCIAS BASSETTO. A inter-relação entre competência em informação e a construção de conhecimento corporativo em ambiência de redes organizacionais: um estudo do SEBRAE-SP / Escritório Regional de Bauru. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista, Marília, 2012. BELLUZZO, R. C. B. Construção de Mapas: desenvolvendo competências em informação e comunicação. 2.ed. Bauru, São Paulo. Cá entre nós, 2007. BELLUZZO, R. C. B. O uso de mapas conceituais e mentais como tecnologia de apoio à gestão da informação e da comunicação: uma área interdisciplinar da competência em informação. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação: Nova Série, São Paulo, v.2, n.2, p. 87-89, dez. 2006. BUCCI, Eugênio. A Imprensa e o Dever da Liberdade. São Paulo: Contexto. 2008. CETIC. Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação. Disponível em: http://cetic.br/media/analises/tic-domicilios-2013.pdf. Acesso em: 21 abr. 2015. CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm. Acesso em: 22 abr. 2015. Declaração de Princípios de Liberdade de Expressão, 2000. Disponível em: http://www.cidh.oas.org/basicos/portugues/s.Convencao.Libertade.de.Expressao.htm Acesso em: 22 jan. 2015. Declaração Universal dos Direitos Humanos, 1948. Disponível em: http://www.ohchr.org/EN/UDHR/Documents/UDHR_Translations/por.pdf. Acesso em: 9 jan. 2015. EISENBERG, M. B. Information literacy: essential skills for the information age. Journal of Library and Information Technology, p.39-47, 2008. 71


Informação, documentação e sociedade

FERREIRA, A. Direito à informação, direito à comunicação: direitos fundamentais na Constituição brasileira. São Paulo: Celso Bastos Editor; Instituto Brasileiro de Direito Constitucional, 1997. HORTON JÚNIOR, F. W. Understanding information literacy: a primer. Paris: UNESCO, 2008. Disponível em: <http://unesdoc.unesco.org/images/0015/001570/157020e.pdf>. Acesso em: 21 abr.2015. LE COADIC, Y. A ciência da informação. Brasília: Briquet de Lemos/Livros, 1996. LEI de Acesso à Informação 12527/2011. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12527.htm. Acesso em: 12 jan. 2015. NUNES JR., V. S. Direito e Jornalismo São Paulo: Verbatim, 2011. PEREIRA, G. D. C. Liberdade e responsabilidade dos meios de comunicação. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2002. PIZZANNI, L.; DA SILVA, R. C.; BELLO, S. F.; HAYASHI, M. C. P. I. A arte da pesquisa bibliográfica na busca do conhecimento. Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Campinas, v.10, n.1, p.53-66, jul./dez. 2012. Disponível em: http://www.sbu.unicamp.br/seer/ojs/index.php/rbci/article/view/522. Acesso em: 06 dez. 2014. POR QUE escolhemos Dilma Roussef? Revista Carta Capital, n.807. Disponível em: http://www.cartacapital.com.br/revista/807/por-que-escolhemos-dilma-rousseff131.html. Acesso em: 06 dez. 2014.

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5 MODELOS PARA DESENVOLVIMENTO E FORMAÇÃO DA COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO

Renata Lira Furtado re23br@gmail.com Discente Programa de Pós Graduação em Ciência da Informação. Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" Adriana Rosecler Alcará adrianaalcara@gmail.com Docente Programa de Pós Graduação em Ciência da Informação. Universidade Estadual de Londrina Resumo: Diante da necessidade de identificar o papel dos Modelos de Competência em Informação e como esses podem auxiliar no planejamento de ações mais efetivas no desenvolvimento e na avaliação das habilidades para o processo de busca e uso da informação, foram elencados para o desenvolvimento deste trabalho, três modelos: Big6 Skill, Seven Pillars Model for Information Literacy e Empowering 8. A pesquisa foi feita com base em um estudo bibliográfico. Tais modelos compõem um universo de tantos outros que, em sua maioria, configuram-se modelos de aprendizagem para a busca e o uso da informação voltados para a educação básica e ensino superior, porém estudos recentes mapeiam a presença dos temas relacionados à Competência em Informação também em outras esferas, principalmente nas questões que envolvem a cidadania e a tecnologia. Palavras chaves: Modelos de Competência em Informação; Competência em Informação; Habilidades Informacionais.

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Informação, documentação e sociedade

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

1 INTRODUÇÃO Os aspectos que delineiam a Sociedade da Informação – também designada, como Sociedade do Conhecimento e Sociedade da Aprendizagem, abrangem temas relativos à democratização do acesso à informação, inclusão digital, segurança da informação, formação profissional, educação continuada entre outros. São esses aspectos que norteiam o desenvolvimento de programas de informação que objetivam organizar e desenvolver ações que possam solucionar, amenizar e reduzir problemas e diferenças ocasionados por essa nova realidade social e econômica. Um dos desafios enfrentados por todas as nações, inclusive o Brasil, é a priorização do acesso democrático à informação, que de acordo com Dudziak (2008) só será plenamente realizado quando atingirmos o modelo proposto no encontro de Alexandria (2005), onde fatores como inclusão social e desenvolvimento sócioeconômico, são requisitos essenciais ao processo. Nesse contexto, Johnston e Webber (2006, p.112) apontam a Competência em Informação como uma disciplina relevante para a Sociedade da Informação e definem "uma pessoa competente em informação como um ser social e autoconsciente e não um simples repositório de habilidades e conhecimento". Partindo

desse

viés,

observou-se

a

necessidade

de

identificar

as

características dos Modelos de Competência em Informação e como essas podem auxiliar no planejamento de ações mais efetivas no desenvolvimento e na avaliação das habilidades para o processo de busca e uso da informação. Para tanto, foram elencados para o desenvolvimento deste trabalho três modelos, diante da grande diversidade de modelos propostos para a formação e desenvolvimento da Competência em Informação, são eles: Big6 Skill, Seven Pillars Model for Information Literacy e Empowering 8. Este estudo é recorte de uma pesquisa mais abrangente que teve como objetivo principal mapear e analisar os modelos, padrões e documentos para a formação e o desenvolvimento da Competência em Informação. Trata-se de um levantamento bibliográfico sobre os principais modelos de Competência em Informação, que objetivou por meio da análise de suas características, identificar possíveis contribuições para os estudos que visam o desenvolvimento e a formação da Competência em Informação.

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Informação, documentação e sociedade

2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Trata-se de uma pesquisa descritiva, com delineamento bibliográfico e abordagem qualitativa. A pesquisa descritiva, segundo Vergara (2000) expõe as características de determinada população ou fenômeno, estabelecendo correlações entre variáveis e definindo sua natureza. Gil (2008, p. 28) acrescenta que algumas pesquisas descritivas vão além da simples identificação da existência de relações entre variáveis, pretendendo determinar a natureza dessa relação. Do ponto de vista da abordagem do problema e da análise dos dados, conforme já mencionado, a pesquisa tem uma abordagem qualitativa que segundo Flick (2009) utiliza o texto como material empírico e parte da noção da construção social das realidades em estudo. Os recursos utilizados para a pesquisa bibliográfica foram a Biblioteca Setorial de Ciências Humanas da Universidade Estadual de Londrina, o Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), que permitiu o acesso às bases de dados bibliográficas Scopus e Web of Science; a base de dados Scielo, a ferramenta Google Acadêmico, entre outros. Para realizar a busca nas fontes já citadas não houve um recorte cronológico, apenas foram estabelecidos critérios para a questão idiomática, restringindo a busca às produções escritas em Português, Inglês e Espanhol. Com o embasamento teórico resultado da pesquisa bibliográfica, o estudo seguiu para análise dos dados, etapa em que foram identificadas as características dos diferentes modelos. As informações foram organizadas e representadas utilizando a ferramenta MINDOMO, por meio de mapas conceituais, que na perspectiva de Blanch e Batle (2010) permitem a representação gráfica dos conceitos e das relações existentes entre eles possibilitando a geração de novos conhecimentos.

3 COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO A palavra competência tem origem no latim competentia e sua definição aborda conceitos relacionados à capacidade para resolver qualquer assunto, aptidão, idoneidade (DA CUNHA,1982; FERREIRA, 2004). Fleury e Fleury (2001) conceituam competência como conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes, uma junção de capacidades humanas que justificam um alto desempenho. Para os autores, a noção de competência é 76


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percebida como estoque de recursos, que o indivíduo detém e aparece associada a verbos como: saber agir, mobilizar recursos, integrar saberes, saber aprender, saber engajar-se, assumir responsabilidades, ter visão estratégica. Tais ações estão intimamente relacionadas com os preceitos da Competência em Informação, conceituada como um conjunto de comportamentos, habilidades e ações que envolvem o acesso e uso da informação de forma inteligente, tendo em vista a necessidade da construção do conhecimento e a intervenção na realidade social (BELLUZZO; KOBAYASHI; FERES, 2009). A expressão Competência em Informação é uma das traduções do termo Information Literacy que surgiu na literatura em 1974, no relatório elaborado pelo bibliotecário americano Paul Zurkowski e intitulado The information service environment relationships and priorities. Nesse documento ele descreveu uma série de produtos e serviços de informação, providos por instituições privadas e suas relações com as bibliotecas, preconizando que as pessoas treinadas na aplicação de recursos informacionais, são consideradas competentes, pois aprenderam técnicas e habilidades para utilização de ferramentas informacionais e fontes primárias a fim de criar soluções para problemas (DUDZIAK, 2001). Pessoas competentes em informação podem desenvolver habilidades relativas ao manuseio dos diversos recursos informacionais, conhecimento sobre as diversas fontes de informação existentes, valores que permitem que o indivíduo reconheça suas necessidades informacionais e saibam acessar, avaliar e apropriar as informações recuperadas e atitudes para pensar criticamente diante do universo informacional (CONEGLIAN; SANTOS; CASARIN, 2010). A

Competência

em

Informação

apresenta

características

como

a

transdiciplinaridade, a incorporação de um conjunto de habilidades, conhecimentos, valores pessoais e sociais que permeiam fenômenos de criação, resolução de problemas e tomada de decisões. É um aprendizado ao longo da vida – lifelong learning - um processo de aprendizado contínuo que envolve a informação, o conhecimento e a inteligência. Em seu sentido mais amplo fica aparentemente restrito a uma pequena camada privilegiada da sociedade, considerando os indivíduos plenamente alfabetizados, capazes de identificar suas necessidades informacionais (DUDZIAK, 2003; 2008).

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Informação, documentação e sociedade

4 MODELOS PARA DESENVOLVIMENTO E FORMAÇÃO DA COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO Na perspectiva dos modelos para estudos de usuários é possível identificar dois tipos: os modelos de Comportamento Informacional que descrevem as etapas do processo de busca da informação a partir da identificação das necessidades, e os modelos de Competência em Informação que estão direcionados para as características que qualificam os processos de busca e uso (LINS; LEITE, 2011). Os modelos a seguir estão voltados especificamente para a Competência em Informação, desse modo o foco está no desenvolvimento e na avaliação das habilidades para o processo de busca e uso da informação. a)

Big6 Skill

Desenvolvido por Mike Eisenberg e Bob Berkowitz em 1987, o Big6 Skill é amplamente utilizado para ensinar habilidades informacionais e tecnológicas em todo o mundo. Utilizado em milhares de escolas, instituições de ensino superior e programas de treinamentos corporativos, o modelo de resolução de problemas informacionais integra a informação para pesquisa e uso de habilidades juntamente com ferramentas tecnológicas em um processo sistemático para encontrar, usar, aplicar e avaliar as informações para necessidades e tarefas específicas (EISENBERG; BERKOWITZ, 2001). De acordo com seus proponentes, o Big6 Skill é um modelo de processo de como as pessoas de todas as idades podem resolver um problema informacional a partir de prática e estudo, através de seis etapas, cada uma com duas fases, conforme Quadro 1: Quadro 1 – Estágios Big6 Skill Estágios 1 Definição de tarefas 2

3 4 5 6

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Estratégia de informação

busca

de

Ações Definir o problema de informação; Identificar informação necessária para completar a tarefa. Determinar todas as possíveis fontes (brainstorming);

Avaliar as diferentes fontes possíveis para elencar as prioridades. Localização e Acesso Localizar fontes (intelectuais e físicas); Localizar informação dentro das fontes. Uso da Informação Extrair a informação de uma fonte; Elencar informações relevantes de uma fonte. Síntese Organizar informações de várias fontes; Apresentar a informação. Avaliação Julgar a eficácia do produto; Julgar a eficiência do processo de resolução de um problema informacional. Fonte: EISENBERG; BERKOWITZ, 2001


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O modelo Big6 Skill tem sido usado, em muitos casos, como um modelo de pesquisa comum no universo escolar de modo a favorecer a uniformização de critérios e procedimentos, para que os alunos se habituem gradualmente com a metodologia e o rigor do processo de pesquisa e de tratamento da informação. As pessoas passam por esses seis estágios conscientemente ou não, quando buscam informação para resolver um problema ou tomar uma decisão. Não é necessário preencher essas etapas em uma ordem linear e não há prazo determinado para execução de cada uma. Além de considerar o Big6 Skill como um processo, outra maneira útil para vê-lo é como um conjunto de habilidades básicas para a vida, que podem ser aplicadas em situações acadêmicas, pessoais e/ou profissionais (EISENBERG; BERKOWITZ, 2001). b)

Sete Pilares da Competência em Informação – SCONUL

O modelo Seven Pillars Model for Information Literacy,elaborado em 1999 no Reino Unido pela Society of College National and University Libraries (SCONUL) aponta sete características necessárias para que uma pessoa possa ser competente em informação (SCONUL, 2011). O modelo fornece uma estrutura baseada nos conceitos defendidos pela American Library Association (ALA) e na lista de habilidades definidas por Doyle1, com a qual é possível identificar e examinar as habilidades necessárias para ser um cidadão competente em informação. Os sete pilares (Figura 1) compreendem o conjunto de habilidades ligadas à capacidade de localizar e acessar a informação, bem como às habilidades referentes ao uso da informação: reconhecer a informação necessária; distinguir formas para preenchimento de lacunas; construir estratégias para localizar a informação; localizar e acessar a informação; comparar e avaliar; organizar, aplicar e comunicar e sintetizar e criar.

1

Christina Doyle elencou dez atributos, que caracterizam uma pessoa competente em informação. 1.Reconhecer a necessidade de informação; 2. Reconhecer que informações acuradas e completas são a base para a tomada de decisões inteligentes; 3. Formular questões baseadas na necessidade de informação; 4. Identificar fontes de informação potenciais; 5. Desenvolver estratégias de busca adequadas; 6. Acessar fontes de informação inclusive as eletrônicas; 7. Avaliar informações; 8. Organizar informações para aplicações práticas; 9. Integrar novas informações ao corpo de conhecimento existente; 10. Usar informações para pensar criticamente e para solucionar problemas (CAMPELLO 2009, p.35-36)

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Informação, documentação e sociedade

Figura 1 – Representação do modelo Seven Pillars Model for Information Literacy – 1999

Fonte: SCONUL, 2011

O primeiro pilar consiste no indivíduo saber o que é conhecido, saber o que não é conhecido e identificar as lacunas. O segundo pilar está relacionado à capacidade de identificar as fontes apropriadas de informação a fim preencher a lacuna identificada (necessidade da informação). O terceiro aborda a habilidade de desenvolver e aperfeiçoar estratégias de busca eficaz. O quarto pilar implica em saber como acessar fontes de informação e utilizar ferramentas de busca para obter e recuperar informações. O quinto enfatiza a capacidade de saber avaliar a relevância e qualidade das informações recuperadas. O sexto se refere a habilidade de saber como associar novas informações às já existentes, a fim de construir ações e tomar decisões, e finalmente compartilhar os resultados dessas ações ou decisões com outros. O último pilar consiste na capacidade de assimilar informações a partir de uma variedade de fontes, a fim de criar novos conhecimentos (SCONUL, 2011). Em abril de 2011 houve uma atualização do modelo (Figura 2) com o intuito de acompanhar a dinamicidade e a complexidade do conceito Competência em Informação, ressaltando que as habilidades básicas inerentes ao modelo inicial permanecem válidas. 80


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Nesta nova apresentação do modelo a pessoa competente em informação é aquela capaz de: identificar (habilidade para identificar uma necessidade pessoal de informação); observar (aptidão para avaliar o nível de conhecimento atual e identificar necessidades de novos conhecimentos); planejar (capacidade para construir estratégias para localizar informações); reunir (competência para localizar e acessar informação necessitada); avaliar (agilidade para comparar e avaliar informações obtidas de fontes diferentes, conscientes das questões de autoridade e parcialidade das informações apresentadas); gerenciar (habilidade para organizar profissionalmente e eticamente as informações); apresentar (excelência para aplicar o conhecimento adquirido, apresentando resultados de pesquisa, e sintetizar velhos e novos dados para criar conhecimento, disseminando-os através de meios variados.) (SCONUL, 2011). Figura 2 – Representação do modelo Seven Pillars Model for Information Literacy – 2011

Fonte: SCONUL, 2011

A Figura 2 representa a nova estrutura apresentada por uma combinação de habilidades, competências, atitudes e conhecimentos. A flexibilidade é a maior vantagem do novo modelo, diante da possibilidade de adaptá-lo em diferentes contextos sociais. A principal diferença da versão atualizada está na forma circular do modelo que demonstra que o processo de desenvolvimento da Competência em Informação é contínuo e não-linear. O indivíduo competente em informação está localizado no centro do círculo, relacionando suas experiências pessoais com o 81


Informação, documentação e sociedade

desenvolvimento de cada habilidade. O modelo demonstra ainda que a recuperação e o uso da informação dependem da combinação simultânea das sete habilidades, além do contexto cultural que o indivíduo está inserido. c)

Empowering 8

O Empowering 8 é um modelo de Competência em Informação desenvolvido em 2005 pelo National Institute of Library and Information Sciences, University of Colombo, Sri Lanka adaptado para a cultura e condições locais do Sul e Sudeste da Ásia. Ainda que haja necessidade de integrar a Competência em Informação no currículo, o modelo tornou-se significativo por ter sido desenvolvido pelos próprios asiáticos. A proposta do modelo é utilizar a abordagem de resolução de problemas para a aprendizagem baseada em recursos e descreve a competência em informação através de um conjunto de oito habilidades e seus respectivos resultados, relacionados aos processos de busca e utilização da informação. Cada categoria, aqui resumida nos verbos Identificar, Explorar, Selecionar, Organizar, Criar, Apresentar, Avaliar e Aplicar – possui uma série de atributos explicativos que qualificam a competência, de forma que o indivíduo que as apresenta, obtenha de forma satisfatória seu rendimento (SAYERS, 2006). Os oito componentes estão contemplados no Quadro 2: Cabe ressaltar que existem outros modelos de Competência em Informação além dos aqui mencionados, entre eles podemos citar: 8Ws (LAMB,1990); Follett’s Pathways to Knowledge (PAPPAS; TEPE, 2002); Information Process (New South Wales, 2007); Information skills (IRVING, 1985); Research Process (PITTS; STRIPLING, 1988); Info Zone (2005) e o Research Cycle (2000).

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Quadro 2 – Etapas do modelo Empowering 8

Fonte: SAYERS, 2006.

5. RESULTADOS Em relação à Competência em Informação foram elencados para o desenvolvimento desta pesquisa, três modelos, diante da grande diversidade de modelos propostos para a formação e desenvolvimento da Competência em Informação. As características de cada um estão esquematizadas no Mapa Conceitual (Figura 3). Os modelos de Competência em Informação aqui apresentados foram desenvolvidos em décadas diferentes: Big6 Skill em 1987, Seven Pillars em 1999 e Empowering 8 em 2005. Os modelos Big6 Skill e Seven Pillars, não apresentam a linearidade das etapas como característica necessária para a conclusão do processo

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Informação, documentação e sociedade

e o modelo Empowering 8 não faz nenhuma indicação relacionada à ordem de execução das etapas. Figura 3: Modelos de Competência em Informação

Cada um dos modelos apresenta características e etapas que sintetizadas, convergem em ações que determinam a Competência em Informação do indivíduo, essa integração entre os modelos tem sido frequente na literatura especializada, uma vez que, os modelos são mais complementares do que conflitantes (WILSON, 1999). As etapas apresentadas em cada modelo evoluem de forma gradativa, conforme o indivíduo avança no processo de busca, assim como o grau de complexidade das habilidades exigidas, demonstrando a necessidade de evolução do usuário em relação à sua Competência em Informação. Dessa forma, aos usuários da informação são requeridas diferentes habilidades, desde as cognitivas (estratégias mais simples) até as metacognitivas (estratégias mais complexas) 2. 2

As estratégias cognitivas referem-se aos métodos mais gerais utilizados para compreender os conteúdos de uma disciplina ou uma necessidade de informação. As estratégias metacognitivas são as mais elaboradas, tratase do conhecimento da cognição e a autorregulação da cognição. Estão relacionadas ao planejamento, monitoramento e autorregulação (ALCARÁ, 2012; BORUCHOVITCH; SANTOS, 2006).

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Na perspectiva de Pianovski e Alcará (2013), principalmente nas etapas finais do processo de busca e uso da informação, que envolvem a verificação, a avaliação, a finalização e a aplicação, há a necessidade de uma maior reflexão por parte do usuário, sobressaindo-se assim, aqueles que dominarem um repertório diversificado de estratégias de aprendizagem, notadamente as metacognitivas. Ainda, segundo as autoras, são as estratégias de autorregulação que podem contribuir para que o usuário da informação tenha a percepção quanto às dificuldades encontradas no decorrer do processo de busca e uso da informação, bem como, quanto às possibilidades de planejar ações para não repetir os mesmos erros em uma atividade futura. Nessa direção, Nardi (2012) também enfatiza que as habilidades metacognitivas aparecem implícitas nas etapas, como um recurso para formação do pensamento crítico e reflexivo no processo de construção do conhecimento. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Os três modelos de Competência em Informação abordados neste estudo compõe um universo de tantos outros modelos, que em sua maioria, configuram-se modelos de aprendizagem voltados para a educação básica e ensino superior. O modelo Big6 Skill, considerado primeiro modelo de Competência em Informação, foi proposto com o intuito de resolver os problemas causados pela ‘explosão informacional’ instaurada diante do crescimento exponencial das fontes de informação e da ansiedade causada pelo volume de informações disponíveis. Seu objetivo é integrar a informação para pesquisa e uso de habilidades com ferramentas de tecnologia em um processo sistemático de localização, uso, aplicação e avaliação das informações para resolução das necessidades e tarefas. Os proponentes do Big6 Skill sugerem que os estudantes, público-alvo do modelo, aperfeiçoem suas formas de trabalho, realizando suas tarefas de forma mais inteligente e não necessariamente ágil, desenvolvendo estratégias para reconhecer a necessidade de informação, localizar e utilizar eficientemente. O Seven Pillars Model for Information Literacy proposto pela SCONUL, fornece uma estrutura flexível, por meio de uma combinação de habilidades, competências, atitudes e conhecimentos que possibilitam identificar e examinar as habilidades necessárias para que um cidadão seja competente em informação. É um modelo contínuo, não linear que permite ser adaptado aos diferentes contextos sociais. O Empowering 8 utiliza a abordagem de resolução de problemas para a aprendizagem baseada em recursos e descreve a Competência em Informação por 85


Informação, documentação e sociedade

meio de oito habilidades e 38 resultados de aprendizagem, relacionados aos processos de busca e uso da informação, já descritos no Quadro 2. O modelo foi elaborado para atender as condições culturais e locais das regiões Sul e Sudeste da Ásia, com características próprias não identificadas em outros modelos utilizados em regiões economicamente desenvolvidas. O público alvo são os estudantes da educação básica, por intermédio das bibliotecas escolares. Estudos indicam que por quase três décadas os modelos propostos para a construção e desenvolvimento de Competência em Informação forneceram ferramentas pedagógicas e estratégias de aprendizagem para ensinar os alunos a pesquisar, avaliar e usar os recursos para fins de pesquisa. Estudos atuais reconhecem que essas habilidades são importantes, não só na vida acadêmica do indivíduo enquanto aluno, mas também em outros aspectos em que são necessários para tomar decisões assertivas (STEWART; BASIC, 2014). Vale ressaltar que estudos recentes mapeiam a presença dos temas relacionados à Competência em Informação também em outras esferas, principalmente nas questões que envolvem a cidadania e a tecnologia, fatores que aproximam os indivíduos comuns à área de estudo restrita ao âmbito científico e acadêmico. Dessa forma, é válido o incentivo à expansão na aplicação e na apropriação dos preceitos da Competência em informação, por meio da implementação de programas e ações, também em outras esferas, além da educação formal. Este estudo não teve a intenção de ser conclusivo, mas de ser parte do universo de pesquisas sobre Competência em Informação, respeitando os estudos já existentes e desejando seu pleno desenvolvimento teórico, técnico e científico. REFERÊNCIAS ALCARÁ, A. R. Compreensão de leitura, estratégias de aprendizagem e motivação em universitários: estudos de validade de medidas. 2012. 191f. Tese (Doutorado em Psicologia) - Universidade São Francisco, Itatiba. BLANCH, V. A.; BATLLE, M. P. Mapas conceptuales y mentales en historia de la veterinaria: estudio de dos casos prácticos. In: CONGRESSO NACIONAL, 16., 2010, Córdoba. Anais... Cordobá, 2010. Disponível em: http://ddd.uab.cat/pub/artpub/2010/80273 Acesso em: 20 jul. 2014. BELLUZZO, R.C. B.; KOBAYASHI, M.C.; FERES, G. G. Information literacy: um indicador de competência para a formação permanente de professores na sociedade do conhecimento. ETD-Educação Temática Digital, Campinas, v. 6, n. 1, p. 81-99, out. 2009. Disponível em: 86


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6 A COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO (CoInFo) COMO PRÉ-REQUISITO DIFERENCIAL E INOVADOR NO APOIO À EDUCAÇÃO PROFISSIONAL

Camila Araújo dos Santos camilaar_santos@hotmail.com Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação Universidade Estadual Paulista (UNESP). Regina Célia Baptista Belluzzo rbelluzzo@gmail.com Docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação e do Programa de Pós-Graduação em TV Digital, Informação e Conhecimento Universidade Estadual Paulista (UNESP).

Resumo: O objetivo do trabalho foi elucidar de que forma a competência em informação (CoInFo) pode se figurar em um elemento inovador no aprimoramento dos princípios da educação profissional no Brasil. Por meio da pesquisa bibliográfica, constatou-se que capacidades e habilidades da CoInFo como questionamentos, avaliação e revisão sobre o processo de busca e a reflexão sobre êxitos, fracassos e estratégias das informações recuperadas são essenciais para o técnico manter-se atualizado, resolver problemas e tomar decisões demandados pelo mundo do trabalho. Palavras-Chave: Competência em Informação; Educação Profissional; Mundo do Trabalho.

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

1 INTRODUÇÃO Em contextos socioeconômicos cambiantes e instáveis, a educação profissional necessita desenvolver competências e habilidades nos futuros profissionais a fim de que se tornem capazes de “[...] enfrentar situações esperadas e inesperadas, previsíveis e imprevisíveis, rotineiras e inusitadas, em condições de responder aos novos desafios profissionais, [...] de forma inovadora, imaginativa, empreendedora [...]” (BRASIL, 1999). Ressalta-se que, para Durand (1998) o conceito de competência baseia-se em três dimensões: conhecimentos, habilidades e atitudes, englobando não só questões técnicas, mas também a cognição e as atitudes relacionadas ao trabalho. Nesse caso, competência diz respeito ao conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes pertinentes à consecução de determinado propósito. Tais dimensões são interdependentes na medida em que, para a exposição de uma habilidade, se presume que o indivíduo conheça princípios e técnicas específicos. Da mesma forma, a adoção de um comportamento no trabalho exige da pessoa, não raras vezes, a detenção não apenas de conhecimentos, mas, também de habilidades e atitudes apropriadas. Abordagens como essa parecem possuir aceitação mais ampla tanto no ambiente empresarial como no meio acadêmico, visto que procuram integrar diversos aspectos relacionados ao trabalho. Nesta conjuntura, é imprescindível que os futuros profissionais tenham uma postura pró-ativa na busca pelas informações referentes às suas necessidades informacionais para que consigam atualizar seus saberes, resolver problemas e tomar decisões assertivas em seu campo de atuação. A competência em informação (CoInFo) pode ser o elemento complementar inovador neste contexto, uma vez que é um processo de desenvolvimento/aprimoramento de capacidades e habilidades relacionadas

à

busca,

recuperação,

avaliação,

uso,

disseminação

e

compartilhamento das informações. Frente ao exposto, surge o seguinte questionamento: quais capacidades e habilidades da CoInFo são essenciais para aprimorar os princípios educativos “pensamento

crítico”,

“aprender

a

aprender”,

“autonomia

intelectual”

e

“aprendizagem permanente” presentes no discurso governamental sobre educação profissional? Como forma de responder esta questão, o presente trabalho, enquanto parte do desenvolvimento da tese de doutorado junto ao Programa de Pós-Graduação em 91


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Ciência da Informação (Marília-UNESP), tem por objetivo de apresentar e refletir sobre algumas capacidades e habilidades em informação que podem apoiar e otimizar os princípios que regem a educação profissional em favor de uma aprendizagem crítica e autônoma para os futuros profissionais tecnólogos.

2 COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO (CoInFo) A competência em informação (CoInFo) está no cerne do aprendizado ao longo da vida, na medida em que desenvolve/aprimora capacidades e habilidades que permitem às pessoas em todos os momentos da vida buscar, recuperar, avaliar, usar e comunicar a informação disposta em variadas fontes, de forma efetiva, para atingir suas metas pessoais, sociais, ocupacionais e educacionais (IFLA, 2005). Enquanto ação educativa constitui-se [...] em processo contínuo de interação e internalização de fundamentos conceituais, atitudinais e de habilidades específicas como referenciais à compreensão da informação e de sua abrangência, em busca da fluência e das capacidades necessárias à geração do conhecimento novo e sua aplicabilidade ao cotidiano das pessoas e das comunidades ao longo da vida (BELLUZZO, 2005, p. 38 apud FARIAS, 2014, p. 75).

O indivíduo competente em informação assume, de forma crítica e ética, a complexidade de fatores que medeiam o acesso e a abrangência da informação e do conhecimento (MARCIALES-VIVAS et. al. 2008). Os componentes que sustentam a CoInFo são o processo investigativo, o aprendizado ativo, o aprendizado independente, o aprender a aprender, o aprendizado ao longo da vida e o pensamento crítico. No pensamento crítico, a informação é desconstruída para ser (re) interpretada de modo que a pessoa seja capaz de construir referenciais que a permita explicar fenômenos e eventos, solucionar problemas e transitar por novas experiências (LAHERA, 2007). Não podemos relegá-la a uma enumeração de capacidades pessoais, mas sim no indivíduo inserido na sociedade da informação e do conhecimento, onde se deve levar em consideração uma diversidade de experiências e conteúdos que se integrarão para amparar o desenvolvimento da CoInFo (JOHNSTON; WEBBER, 2007, p. 493). A competência em informação permite a intervenção prática na realidade a partir do uso crítico, reflexivo, criativo, ético e inovador das informações. Porém, o 92


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

seu desenvolvimento é considerado por Garcia (2006) como um processo cultural, portanto, dependente de governos, instituições e da sociedade em geral, sobretudo, dos profissionais da informação.

Entretanto, destaca-se carência de estudos

sistemáticos cujo enfoque seja essa temática na área de educação profissional no país. 3 EDUCAÇÃO PROFISSIONAL NO BRASIL Constituída no curso de um processo histórico, essa relação de trabalho e educação é um fenômeno que se consolidou com a Revolução Industrial do século XVIII. A partir da Enciclopédia de Diderot e D’Alembert, “[...] aparece pela primeira vez descrito o quadro de ocupações da época – e o que se deveria estudar para exercê-las” (MACHADO, 2000 apud SENAC, 2004, p. 17). O esforço público, entretanto, no sentido de preparar pessoas para o exercício profissional só se torna efetivo no período de 1906 a 1910. É quando o ensino profissional passa a ser uma atribuição do Ministério de Indústria e Comércio, consolidando-se uma política de incentivo ao desenvolvimento do ensino industrial, comercial e agrícola (SENAC, 2004). Convém lembrar que, até meados da década de 1980, a educação profissional no Brasil ainda era associada ao conceito de “formação de mão-de-obra”, reproduzindo um dualismo presente na sociedade brasileira. (CORDÃO, 2005). A educação profissional pauta-se no preceito da apreensão da realidade quando se refere ao mundo do trabalho (BRASIL, 2004). Isto significa que suas dimensões e práticas não se restringem à compreensão de uma educação “[...] linear que apenas treina o cidadão para a empregabilidade, nem a uma visão reducionista, que objetiva simplesmente preparar o trabalhador para executar tarefas instrumentais” (BRASIL, 2004). Esta modalidade educacional foi concebida pela Lei nº 11.741/2008 como o ensino que conduz ao estado permanente de desenvolvimento de competências e habilidades necessárias para o acompanhamento da dinâmica da sociedade, fornecendo ao cidadão condições de acompanhar as mudanças para a intervenção na realidade. O mundo do trabalho constitui-se em dimensões econômicas, sociais e culturais de relações de produção, tecnologias e meios de comunicação cambiantes e instáveis. A educação profissional, neste cenário, antepõe a articulação e 93


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mobilização de capacidades, habilidades e valores para a atualização de saberes, resolução de problemas e aprendizagem permanente nos discentes. É preciso uma nova parceria entre a educação e o mundo do trabalho que responda [...] às dificuldades em criar uma sinergia entre o setor da educação e as empresas e os diversos outros setores da economia, facilitando o desenvolvimento de competências gerais, a ética do trabalho, as competências tecnológicas e as que se fizerem necessárias para empreender e transmitir valores humanos e normas para uma cidadania responsável. (UNESCO, 1999, sem paginação).

Frente ao exposto, compreende-se que o profissional tecnólogo não é simplesmente um “fazedor de ações”: trata-se de um profissional reflexivo e crítico que precisa possuir funções intelectuais e instrumentais que permita apreender sua realidade para intervir nela, baseando-se em [...] esquemas heurísticos ou analógicos próprios de seu campo, em processos intuitivos, procedimentos de identificação e resolução de um certo tipo de problemas, que aceleram a mobilização dos conhecimentos pertinentes e subentendem a procura e a elaboração de estratégias de ação apropriadas. (PERRENOUD, 1999, p. 9).

Alguns referenciais foram oferecidos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC, 2004), um organismo privado que tradicionalmente busca voltar suas ações educacionais para a formação voltada às áreas de comércio e serviços. Tais referenciais buscaram (re) significar a noção de educação profissional para bem mais

além

da

dimensão

estritamente

instrumental,

de

enfoque

centrado

exclusivamente no desenvolvimento de competências técnico-operacionais. As ações educativas foram norteadas por expressar a preocupação com uma formação mais abrangente, de natureza sistêmica e totalizante do cidadão trabalhador. Assim, nasceu uma proposta pedagógica que, fundamentada numa concepção crítica das relações existentes entre educação, sociedade e trabalho, inspira a implementação de uma prática educativa transformadora e participativa, centrada na construção do conhecimento e na aprendizagem crítica e ativa de conteúdos vivos, significativos e atualizados. Nos termos da legislação vigente, a estruturação curricular, além de flexível, marcada pela prática pedagógica interdisciplinar e contextualizada, supõe que [...] a identidade dos cursos, antes conferida por matérias predefinidas, agora pauta-se pelos perfis profissionais de conclusão, delineados em conformidade com as tendências econômico-tecnológicas do contexto produtivo. (RAMOS, 2000, p. 1 apud SENAC, 2004, p. 26).

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Destaca-se que ao se considerar como sendo o foco da estrutura curricular o desenvolvimento de competências, conforme proposto, criam-se perspectivas favoráveis à superação de uma pedagogia centrada na transmissão de conteúdos, quase sempre dissociados da prática concreta de sujeitos que vivem uma sociedade complexa e altamente dinâmica. Esse novo enfoque estimula os profissionais de educação a assumirem uma nova postura – um maior envolvimento da comunidade escolar, e desta com os demais atores da educação profissional; a troca de saberes, assim como a permanente atenção às tendências do mundo do trabalho. Impõe, ainda, a necessidade de apropriação de metodologias que favoreçam a aprendizagem significativa, tanto sob a ótica do trabalho quanto da própria vida (SENAC, 2004). Por sua vez, em alguns documentos governamentais (BRASIL, 1999, 2004, 2007, 2008) sobre educação profissional é recorrente o discurso sobre a importância em se adotar no currículo princípios educativos para que o futuro profissional técnico possa participar ativa e criticamente do mundo do trabalho, são eles: pensamento crítico, aprender a aprender, autonomia intelectual e aprendizagem permanente. Estes fundamentos devem oferecer condições para que essa educação forme um técnico capaz de participar reflexiva e criticamente da construção e intervenção de sua realidade para a otimização de suas funções. Mas, convém lembrar que na sociedade contemporânea é extremamente difícil antecipar o futuro. Cabe-nos, entretanto, estar atentos às tendências e delimitar com maior clareza o espaço da educação profissional. Certamente, não se pode assegurar que ela seja garantia de emprego, mas tem importante papel social a cumprir, no que concerne a ser a oferta de educação que assegure condições de laboralidade do trabalhador. No cenário atual precisamos, sim, preparar – e bem – para o domínio dos fundamentos tecnológicos e das habilidades técnicas necessárias ao fazer das profissões. Mas, é importante também ir além, cuidando do desenvolvimento da CoInfo, competência que poderá assegurar a compreensão desse fazer, a autonomia, a crítica, a criatividade, elementos fundamentais ao exercício da cidadania, da participação política e, portanto, da intervenção nos destinos da sociedade futura.

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4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Optou-se por desenvolver um estudo de natureza exploratória e qualitativa, com enfoque na pesquisa bibliográfica procurando considerar [...] toda a bibliografia já tornada pública em relação ao tema de estudo, [...] não é mera repetição do que já foi dito ou escrito sobre certo assunto, mas propicia o exame de um tema sob novo enfoque chegando a conclusões inovadoras. (MARCONI; LAKATOS, 2010, p. 166).

Num primeiro momento, para o desenvolvimento deste trabalho, realizou-se uma leitura teórico-exploratória de alguns documentos governamentais sobre educação profissional (BRASIL, 1999, 2004, 2007, 2008) e de outras contribuições consideradas de importância para a construção de referencial de apoio. Após esta etapa, a partir da literatura abordada sobre CoInFo (ACRL, 2000; AASL, 2007; IFLA, 2004) foi possível traçar algumas capacidades e habilidades em informação componentes da CoInFo e que podem apoiar/aprimorar e tornar inovadores os princípios educativos da educação profissional. Ressalte-se que, consideramos que uma competência permite a mobilização de conhecimentos para que se possa enfrentar uma determinada situação, uma capacidade de encontrar vários recursos, no momento e na forma adequadas. A competência implica uma mobilização dos conhecimentos e esquemas que se possui para desenvolver respostas inéditas, criativas, eficazes para problemas novos. A capacidade, por sua vez, compreende que uma pessoa seja capaz de completar uma atividade por ter o conhecimento e o talento para tal, embora ainda necessite de processo de educação nesse sentido. As habilidades são inseparáveis da ação, mas exigem domínio de conhecimentos. Desta forma, as habilidades estão relacionadas ao saber fazer. A habilidade tende a dar uma perspectiva atual e a capacidade implica uma perspectiva futura.

5 ANÁLISE E DISCUSSÕES DOS RESULTADOS A CoInFo serve para todos os níveis educacionais. É um processo que visa desenvolver capacidades e habilidades para aplicar a informação na prática no que tange à construção de conhecimento, resolução de problemas e tomada de decisões nos campos pessoal, educacional e profissional. No discurso governamental sobre educação profissional, a CoInFo apresentase de forma implícita. É possível identificá-la nas discussões sobre o dinamismo da sociedade e do mundo do trabalho e da necessidade de atualização de saberes para 96


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uma aprendizagem permanente. Mas, considerando suas especificidades e identidade, destacam-se também os valores estéticos, políticos e éticos como norteadores desse tipo de educação e que se fazem presentes no cerne da CoInFo. Entretanto, esses valores só se farão concretizar mediante uma pedagogia centrada na atividade do aluno, o que supõe o desenvolvimento de criatividade, iniciativa, liberdade de expressão; na elaboração de currículos e adoção de práticas didáticas que possam assegurar a todos a constituição de competências laborais relevantes para o exercício da subsistência com dignidade, auto-respeito e reconhecimento social como seres produtivos; no reconhecimento e na valorização do ethos de cada profissão, baseados na solidariedade e na responsabilidade, para o exercício da cidadania e do aprendizado in continuum. Ressalta-se, ainda, que transformações do mundo contemporâneo e dos processos produtivos, trouxeram a compreensão de que a qualificação para o trabalho deixa de ser fruto da aquisição de modos de fazer, passando a ser vista como resultado da articulação de vários elementos, tais como: natureza das relações sociais vividas pelos indivíduos, escolaridade, acesso à informação, a saberes, a manifestações científicas e culturais, além da duração e da profundidade das experiências vivenciadas, tanto na vida social, quanto no mundo do trabalho, o que requer o desenvolvimento de competências e, dentre elas, em especial a CoInFo, contribuindo com uma preparação para lidar com a incerteza, com a flexibilidade e a rapidez na resolução de problemas. Desta forma, com base em algumas diretrizes sobre CoInFo (ACRL, 2000; IFLA, 2004; AASL, 2007), ilustram-se no Quadro 1 algumas capacidades e habilidades em informação e seus respectivos questionamentos (CALLISON, 2006) que podem facilitar a compreensão do processo de busca, recuperação, avaliação e uso das informações pelos futuros tecnólogos. Os questionamentos que abrangem as capacidades e habilidades da CoInFo ilustrados no Quadro 1 podem estar presentes em todos os momentos desde uma indagação inicial à pesquisa, pois compreende-se que a CoInFo é um processo de mobilização e articulação de conhecimentos que a todo instante instiga no indivíduo a reflexão sobre suas atitudes e estratégias utilizadas no processo de busca, recuperação, avaliação, uso e compartilhamento das informações

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Quadro 1 – Capacidades e habilidades da CoInFo como aportes inovadores aos princípios da educação profissional Princípios da educação profissional

Capacidades e habilidades em informação da CoInFo  

Pensamento crítico

 

 

Aprender a aprender e aprendizagem permanente

  

   Autonomia intelectual

   

Monitora a informação coletada, avaliando-a para detectar lacunas ou pontos fracos; Avalia e reflete criticamente se as informações recuperadas condizem às suas necessidades; Analisar a informação coletada em diversas fontes, identificando conceituações errôneas, ideias principais e de apoio, informações conflitantes e pontos de vista ou tendências; Seleciona métodos ou ferramentas mais adequados para encontrar a informação que necessita; Utiliza pensamento divergente e convergente para formular conclusões alternativas e testá-las frente à evidência. Elabora e refina uma série de perguntas para estruturar a busca de novos entendimentos; Compara o novo conhecimento com o conhecimento inicial para determinar o valor agregado, contradições ou outras características únicas da informação; Valida a sua compreensão e interpretação da informação por meio de conversas com outras pessoas e peritos da área; Adapta-se continuamente às tecnologias emergentes, para compreender, avaliar e fazer uso das contínuas inovações oriundas delas; Monitora os processos próprios de busca da informação com base na eficácia e desenvolvimento do trabalho, fazendo adaptações quando necessário.

Reflete sobre êxitos, fracassos e estratégias; Consegue identificar lacunas na informação recuperada e determina se é necessário realizar outra busca relacionada à sua necessidade informacional; Mostra curiosidade, buscando informação de interesse em várias fontes; Demonstra motivação, buscando informação para responder a perguntas de cunho profissional e pessoal, utilizando vários tipos de formatos e gêneros e demonstra interesse em ir além das exigências acadêmicas; Reconhece novos conhecimentos e entendimentos; Repete a busca utilizando uma estratégia revisada segundo seja necessário; Mostra iniciativa e envolvimento, elaborando perguntas e investigando respostas além do conjunto de fatos superficiais (disposição para agir); Mostra resistência emocional frente aos desafios, persistindo na busca pela informação.

Fonte: Elaborado pelas autoras 98

Questionamentos que abrangem a CoInFo Quais perguntas representam a minha necessidade informacional? Como faço para localizar a informação que eu preciso? Quais métodos vão me ajudar a localizar, de forma eficaz, as informações mais úteis? Qual informação eu necessito para resolver este problema? Quais informações sobre esta situação eu já sei e quais eu preciso descobrir para resolvê-la? Devo obter opiniões de outras pessoas quanto à utilidade e validade da informação? Quanta (quantidade) informação eu preciso para solucionar meu problema? Quais informações sobre esta situação eu já sei e quais eu preciso descobrir para resolvê-la? Como faço aplicar informações resolver o problema?

para essas para meu


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Os questionamentos que abrangem as capacidades e habilidades da CoInFo ilustrados no Quadro 1 podem estar presentes em todos os momentos desde uma indagação inicial à pesquisa, pois compreende-se que a CoInFo é um processo de mobilização e articulação de conhecimentos que a todo instante instiga no indivíduo a reflexão sobre suas atitudes e estratégias utilizadas no processo de busca, recuperação, avaliação, uso e compartilhamento das informações. Em seu campo de atuação, o profissional tecnólogo pode deparar-se com situações inesperadas que demandam decisões assertivas para a resolução rápida de um problema. Nesta perspectiva, a partir da apreciação do Quadro 1, é possível compreender que as capacidades e habilidades da CoInFo tornam-se elementos inovadores para a educação profissional na medida em que fazem os indivíduos:  Determinar a maneira como agem com a informação (se aceitam, rejeitam, modificam);  Construir significados a partir da informação;  Mobilizar e refletir sobre as práticas que permeiam a complexidade da abrangência do conhecimento disponível nos variados formatos e fontes;  Expor estratégias de ação e motivação para lidar com as informações conflitantes;  Refletir sobre a metodologia empregada para avaliar o desempenho da investigação;  Constatar como concentrar esforços na aprendizagem profissional;  Buscar informação voltada para o aprimoramento profissional em diversos formatos e gêneros;  Manter a mente aberta para novas ideias, levando em consideração opiniões divergentes;  Interpretar novas informações com base em contextos culturais e sociais. Os princípios da educação profissional em confluência com a CoInFo articulam e mobilizam capacidades, habilidades, conhecimentos e valores que sustentam a tomada de decisão e resolução de problemas não só rotineiros, mas também aqueles inusitados no campo de atuação pelo profissional técnico, que pode agir eficazmente diante do inesperado, tornando-se criativo e inovador em suas ações para atender às demandas do mundo do trabalho e da dinâmica social para a apreensão de sua realidade. 99


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6 CONSIDERAÇÕES FINAIS Com fundamento no referencial teórico de apoio, pode-se inferir que nos documentos governamentais analisados não há menção sobre a CoInFo, porém, pode-se observar que existem elementos inerentes a essa competência em todo o desenvolvimento argumentativo sobre a importância do profissional técnico ser capaz de ter uma postura pró-ativa e ética na atualização/renovação de conhecimentos, resolução de problemas e tomadas de decisões assertivas em sua área de atuação. Convém lembrar que, a exemplo de qualquer outra competência, o desenvolvimento da CoInFo enquanto padrão de articulação entre conhecimento e inteligência pessoal, se torna também o eixo do processo de ensino e de aprendizagem. Como se demonstrou teoricamente, a legislação focaliza a dimensão da competência quando diz que não se limita ao conhecer, vai mais além, porque envolve o agir numa determinada situação. Assim, considera-se que na educação profissional o sujeito competente em informação deve ser aquele que age com inteligência e eficácia diante do inesperado, superando a experiência acumulada e partindo para uma atuação transformadora e criadora. O ideal é que a CoInFo seja incluída no planejamento de curso, de aula e do currículo

na

educação

profissional

como

condição

efetiva

de

apoio

à

empregabilidade e educação continuada enquanto fator de atualização dos saberes dos futuros profissionais. É importante considerar que o desenvolvimento dessa competência exige a criação de condições para que os sujeitos articulem saberes para enfrentar os problemas e as situações inusitadas encontradas em seu trabalho, atuando, a partir de uma visão de conjunto, de modo inovador e responsável. Essa articulação de saberes supõe a realização de operações mentais que vão das mais simples e concretas (comparação, classificação e seriação, por exemplo) até aquelas mais complexas

e

abstratas,

que

compreendem

análises,

sínteses,

analogias,

associações, generalizações etc. E no processo de desenvolvimento dessas formas superiores de raciocínio, dessas operações mentais de nível superior, o sujeito necessita do acesso e uso inteligente da informação, o que vai permitir a construção de conhecimento que possa ampliar sua autonomia e seu senso crítico quando

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intervenções necessárias forem efetivadas na realidade social e organizacional em que se insere. É recomendável estabelecer linhas de ação e articulação entre governo, escolas técnicas e bibliotecários para o apoio, inserção e desenvolvimento da CoInFo como fator inovador de construção de conhecimento para a geração de bens à sociedade e (re) ordenamento de práticas e estratégias educacionais.

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7 FORMACIÓN Y DESARROLLO ALFABETIZACION INFORMACIONAL: UN ESTUDIO COMPARATIVO ENTRE LOS PROGRAMAS Y ACCIONES.

Renata Lira Furtado re23br@gmail.com Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação Universidade Estadual Paulista (UNESP) Regina Célia Baptista Belluzzo rbelluzzo@gmail.com Docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação e do Programa de Pós-Graduação em TV Digital, Informação e Conhecimento Universidade Estadual Paulista (UNESP).

Resumen: La sociedad contemporánea ha requerido el desarrollo de habilidades para hacer frente a la información, poniendo Alfabetización Informacional como una condición que permite al individuo para tomar ventaja de la información y los recursos tecnológicos para desarrollar de forma autónoma, satisfacer sus propias necesidades de información y necesidades de su entorno social. Así presenta la investigación dirigida inicialmente a identificar aplicaciones prácticas de orientaciones teóricas relativas a dicha jurisdicción, propuesta por los organismos nacionales y internacionales. Espera es que los resultados obtenidos contribuyen al desarrollo de las políticas de organizar y desarrollar programas y acciones eficaces que puede reducir y resolver los problemas y las diferencias causadas por esta nueva realidad social y económica y fomentar el pleno ejercicio de la ciudadanía a través de la democratización del acceso a la información y la inclusión digital. Palabras clave: Alfabetización Informacional; Política pública; Inclusión social.

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1 INTRODUCCIÓN La información es un recurso estratégico en la transformación de la sociedad contemporánea e acceso a ella es un derecho humano básico en el artículo XIX de la Declaración Universal de Derechos Humanos, este derecho no ha afectado a gran parte de la población que busca la inclusión social y digital y el la igualdad de acceso a la información. Así lo destacó en el programa brasileño de la Sociedad de la Información (SocInfo), que posiciona a la formación continua a lo largo de la vida como un requisito básico para la participación en la sociedad actual, permitiendo a los individuos para mantener el ritmo de los cambios tecnológicos, el dominio de nuevos conocimientos y habilidades y los conocimientos avanzados de tecnologías de la información y la comunicación (TIC) que ahora ocupan el centro de la dinámica de la innovación, estableciendo así una relación con los preceptos de la Alfabetización Informacional (CoInFo) (Takahashi, 2000). Investigadores como Suaiden; Leite (2006) mencionan que la información y el conocimiento en la actualidad, requieren conceptualización de los valores desde la perspectiva de la educación, la economía y la cultura. Por lo tanto, tenga en cuenta: es fundamental identificar la dimensión humana, en la que la educación es el meollo de la cuestión; la dimensión tecnológica, en la que el factor económico es de importancia fundamental, y la dimensión social, en el que la cultura se presenta como resultado de las transformaciones de la sociedad [...] (SUAIDEN; LEITE, 2006, p.102).

Las organizaciones internacionales y nacionales, buscan ampliar la aplicación y la apropiación de esos preceptos, mediante la implementación de programas y acciones en todo el mundo, buscando la participación de los sectores público y privado con el fin de desarrollar acciones colectivas destinadas a la promoción y el despliegue las políticas de formación y desarrollo de CoInFo, que aparece reflejado principalmente en temas relacionados con la ciudadanía, la educación, la comunicación y la tecnología, factores que aportan las personas comunes a la zona de estudio restringido a entorno científico y académico. ¿Qué justifica y alienta la realización de este estudio, es el resultado de la investigación llevada a cabo en el programa de maestría en Ciencias de la Información por la Universidade Estadual de Londrina, que se reunió y discutió los modelos, estándares y documentos publicados relacionados con el desarrollo y la formación de Alfabetización Informacional, a nivel nacional e internacional. Sin embargo, como la información obtenida en esa búsqueda no fueron suficientes para responder a las preguntas que surgieron durante el desarrollo de la 105


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misma, la necesidad de más estudios con el fin de responder a las siguientes preguntas: el papel de las organizaciones nacionales e internacionales en la formación y el desarrollo de Alfabetización Informacional refleja una preocupación de nosotros mismos en relación con el tema¿ Si es así, esta preocupación se evidencia en la práctica¿ Como resultado, buscamos desarrollar un estudio comparativo de los documentos relacionados con el desarrollo y la formación de Alfabetización Informacional a nivel nacional e internacional y los posibles programas y acciones existentes, que tienen por objeto la sociedad, lo que les permite ofrecer subsidios a la mejor consecución de la ciudadanía y el aprendizaje durante toda la vida.

2 METODOLOGÍA Teniendo en cuenta el objetivo propuesto, el objetivo era llevar a cabo inicialmente el estudio a través de la literatura, el documental y la investigación descriptiva, con el fin de promover una profundización teórica por tema, recuperar documentos necesarios para alcanzar los objetivos propuestos y observar, ficha, correlacionar y describir hechos y/o fenómenos de una cierta realidad, de acuerdo con los principios de Marconi; Lakatos (2010). Desde el punto de vista de la solución del problema y el análisis de los datos, fue elegido para la investigación cualitativa, cuyo objetivo es poner de relieve las características no observables a través de un estudio cuantitativo. Empezó por las encuestas y análisis que los datos de izquierda, conceptos y principios teóricos extraídos principalmente de fuentes impresas y electrónicas en los siguientes temas: La Alfabetización Informacional, Políticas Públicas, y la inclusión Social y digital, cuyo resumen se presenta a continuación en forma de sistematización, pretende, desde construida teórico, el diseño y el desarrollo de un estudio de investigación/ caso de estudio, con el fin de identificar las aplicaciones prácticas de orientaciones teóricas relativas a CoInFo propuesto por las organizaciones nacionales e internacionales.

3 ALFABETIZACION INFORMACIONAL, POLÍTICA PÚBLICA, INCLUSIÓN SOCIAL Y DIGITAL La alfabetización informacional es una de las traducciones de término Information Literacy que surgieron en la literatura en 1974, el informe elaborado por el estadounidense Paul Zurkowski titulado The information service environment 106


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relationships and priorities que se describen una serie de productos y servicios de información proporcionados por las instituciones privada y su relación con las bibliotecas. Los primeros estudios sobre alfabetización informacional en Brasil se asociaron con la educación de los usuarios, en las posibilidades de desarrollo de habilidades relacionadas con la información en las bibliotecas. Estos estudios llevaron a la información del proceso de valoración como producto y los avances en las TIC, en el que el desarrollo de habilidades que permitan el acceso físico e intelectual a los recursos de información se ha convertido en necesario. La Asociación Americana de Bibliotecas (ALA, 2000) conceptualiza la alfabetización informacional como un conjunto de habilidades esenciales para los individuos para reconocer cuándo se necesita información y tener habilidades para localizarlo, evaluar y utilizar eficazmente. Para Horton Jr. (2008) el término alfabetización informacional está estrechamente vinculada a aprender a aprender y pensar crítico. A alfabetización informacional tiene características tales como la transdisciplinariedad, la incorporación de un conjunto de habilidades, conocimientos, valores personales y sociales que permean fenómenos de la creación, la resolución de problemas y toma de decisiones. Es un aprendizaje durante toda la vida, un proceso continuo que implica la información, el conocimiento y la inteligencia (DUDZIAK, 2003; 2008). En el rostro de una sociedad desigual, donde parte de la población es capaz de procesar la información que circula a gran velocidad, y uno que, aún con todo el proceso de globalización, todavía viven en los márgenes de acceso a la información que es relevante para discutir las políticas promover la igualdad social. Neves (2010) define la práctica de la inclusión de los ciudadanos y la sociedad civil en la universalización de política de información, que según Marciano (2006) debe ser dirigida a la caracterización, el diseño y la definición de acciones para utilizar la información como elemento transformador de la sociedad en el gobierno, de organización y de lo privado, asumiendo el papel principal en la inclusión de los ciudadanos como usuarios y proveedores de cualificado nuevos medios. Destaca si es que las políticas de información alrededor de la inclusión digital fuerza adquirida en los últimos años del siglo XX en todo el mundo, en una búsqueda para la formulación de propuestas abarcasen elementos que proporcionan la inclusión de los ciudadanos en la sociedad de la información. Brasil también invirtió en allanamiento dirigido por el Ministerio de Ciencia y Tecnología (MCT), que involucró a la iniciativa gubernamental, 107


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privado, académico y el tercer sector, y las organizaciones internacionales, con intenciones claramente a los servicios universales y la necesidad de soluciones de diseño y promover acciones que involucran a la expansión y mejoramiento de la infraestructura para el acceso a la formación de los ciudadanos, que informado y consciente, puede utilizar los servicios disponibles en la red (TAKAHASHI, 2000) .Pero, el país aún tiene que implementar más las acciones propuestas y, por lo tanto, hay que considerar que los cambios están relacionados con los "valores que la sociedad de la información y la falta de preparación impone de la gente para hacerles frente. Están presentes en todas las actividades humanas, pero sólo materializarse de la conciencia crítica, la adaptabilidad y la creatividad "(SUAIDEN; LEITE, 2006, p.110).

4. CONTRIBUCIONES ESPERADOS Se espera que los resultados de esta investigación contribuyen al desarrollo de las políticas de organizar y desarrollar programas y acciones eficaces orientadas al desarrollo de COINFO y puede resolver, mitigar y reducir los problemas y las diferencias causadas por esta nueva realidad social y económica e que favorecen ejercicio da plena ciudadanía a través de la democratización del acceso a la información y la inclusión digital. REFERÊNCIAS

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COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DE ACERVOS: A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA NA TRÍADE DA EDUCAÇÃO SUPERIOR

Mônica Regina Peres Antonio Lisboa de Carvalho Miranda Elmira Luzia Melo Soares Simeão Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação Universidade de Brasília (UnB) Docentes do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação Universidade de Brasília (UnB)

Resumo: Mostra a relevância da biblioteca universitária como um dos pilares da tríade ensino, pesquisa e extensão nas universidades brasileiras. Sendo a biblioteca, de qualquer instituição de ensino superior, um dos principais itens avaliados para aprovação e reconhecimento dos cursos de graduação justifica-se a importância de implantação de ações para capacitar usuários. Antes do início da disciplina foi realizadas visitas in loco e análise bibliográfica e relato de outras experiências do trabalho conjunto desenvolvido pela Biblioteca Central e Faculdade de Ciência da Informação na Universidade de Brasília em outras ações. Foram observadas as formas para um melhor atendimento à demanda de formação informacional dos usuários, sendo assim possível relacionar os temas comuns a serem trabalhados e realizar a divisão de módulos de conteúdo. O planejamento e execução ocorreram através da oferta de uma disciplina transversal, que contou com o envolvimento de bibliotecários e docentes e observados os cuidados com o desenvolvimento de acervos adequados aos usuários. Demonstra a necessidade em desenvolver acervos que atendam à realidade atual, com a divulgação das informações disponíveis e o correto uso de ferramentas tecnológicas pelos usuários. Descreve ações que estimulam a pesquisa de forma a criar as competências em informação com a implantação da disciplina transversal. Palavras-Chave: Competência Desenvolvimento de Coleções.

em

Informação;

Biblioteca

Universitária;

Ensino

Superior;

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1 INTRODUÇÃO Este trabalho relata como a formação de acervos de uma biblioteca universitária pode colaborar para a implantação de uma disciplina transversal de Competência em Informação (CI) a ser desenvolvida pela Faculdade de Ciência da Informação (FCI) no âmbito da Universidade de Brasília (UnB), com apoio da Biblioteca Central (BCE), que devido às novas tecnologias e tipos de acervos, está em constante mudança na sua relação não só com os usuários, mas também na sua forma de gestão e constituição de acervos que atendam as necessidades educacionais dos usuários com uso de todas suas possibilidades tecnológicas atuais e disponíveis. Em geral, as bibliotecas devem contribuir para o desenvolvimento, implantação e execução da formação do acervo referencial e didático que visa, segundo os parâmetros do Ministério da Educação (MEC), atender as bibliografias básicas e complementares. Podemos considerar que, a biblioteca universitária é o local democrático para o desenvolvimento das atividades fins de uma Instituição de Ensino Superior (IES), que está inserida na tríade educação, pesquisa e extensão. Sendo a biblioteca da instituição um dos principais itens avaliados pelo MEC para autorização e reconhecimento dos cursos de graduação e, por estar diretamente ligada ao quesito qualidade nos aspectos relativos ao acervo, infraestrutura e recursos humanos. Saber encontrar, selecionar e fazer uso adequado de informações relevantes é primordial para evitar desperdício de tempo dos usuários e de recursos da instituição. É neste contexto que há necessidade da formação de competências digitais, informacionais e de comunicação, a partir de ações multidisciplinares que partam da instituição através de sua biblioteca. A biblioteca universitária é uma organização sem autonomia própria, sendo dependente da universidade à qual pertence. O seu relacionamento com a sociedade se faz através da universidade e não diretamente. O relacionamento da universidade com a sociedade é seletivo, sujeito às funções da universidade dentro desta sociedade e de suas decisões e ‘negociações’ políticas. Este relacionamento é mutável no tempo e no espaço. A universidade e a biblioteca universitária brasileiras são produtos da história social, econômica e cultural do país, bem como das características regionais brasileiras (TARAPANOFF, 1981, p. 10).

A implantação de uma disciplina transversal em CI foi a forma encontrada para que a FCI, em parceria com a BCE e com apoio do Decanato de Graduação, realizasse as ações referentes às competências em informação que viessem atender a comunidade interna da UnB em ensino, pesquisa e extensão. Em um primeiro momento, houve uma investigação para a implantação de metodologias a serem 113


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utilizadas para a formação de acervos digitais monográficos, de periódicos e nos repositórios institucionais, considerando as habilidades e competências dos profissionais responsáveis para o desenvolvimento dos acervos digitais da BCE, com a investigação das necessidades informacionais de seus usuários potenciais e as ações que deveriam ser implantadas para desenvolver as competências em informações para a busca e uso da informação relevante a suas necessidades enquanto usuários. São as bibliotecas universitárias que visam satisfazer as necessidades informacionais dos usuários internos das IES e, neste sentido, têm como objetivo formar e desenvolver coleções adequadas para cada área, bem como promover o acesso ao conhecimento e à informação, auxiliando no cumprimento das finalidades da Universidade. Cavalcante (2006, p. 56), afirma que o “[...] papel de excelência na formação acadêmica para a competência no uso de informação, pois, notadamente, o universo do conhecimento e dos processos de pesquisa passa, necessariamente, pelo mundo da documentação”. Dessa forma, pretendeu-se determinar as melhores ferramentas e ações relativas às CI a serem utilizadas para o desenvolvimento dos acervos bibliográficos digitais na BCE/UnB. Objetivando identificar as demandas e necessidades informacionais essenciais ao desenvolvimento dos acervos bibliográficos. Além de formular o modelo teóricometodológico que considere o projeto geral de CI na UnB ao longo de seu desenvolvimento, como um conjunto de indicadores quantitativos e qualitativos que permitam avaliar as competências requeridas para uma aprendizagem digital e informacional em ambientes tecnológicos: as competências informacionais e a habilidade digital em contextos virtuais.

2 PARA COMPREENDER O TEMA Em Vergueiro (1993) dizia que a expressão "desenvolvimento de coleções" que era recente na literatura da biblioteconômica, sendo um dos motivos à falta de conhecimento do bibliotecário como “as atividades relacionadas com a constituição e/ou planejamento de acervos informacionais se encontravam interligadas.” Hoje podemos dizer que a expressão recente é de "desenvolvimento de coleções digitais", que vem ampliando em uso e possibilidades o acesso à informação, como citado no trabalho de Dias, Silva e Cervantes (2012). É no texto Vergueiro que encontramos a 114


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definição de Biblioteca Universitária, quando considera o modelo desenvolvido por Evans: Bibliotecas universitárias - Devem atender aos objetivos da universidade, a saber, o ensino, a pesquisa e a extensão de serviços à comunidade. Isto vai exigir, quase que necessariamente, uma coleção com forte tendência ao crescimento, pois atividades de pesquisa exigem uma variada gama de materiais de informação que possibilitem ao pesquisador ter acesso a tocos os pontos de vista importantes ou necessários para sua pesquisa.

Ao adotarmos a definição acima, onde a biblioteca universitária está sempre em crescimento, podemos dizer que fatores relativos à qualidade e quantidade devem estar presentes no planejamento de constituição do acervo. O desenvolvimento de coleções inclui o planejamento de uma construção sistemática e racional da coleção geral. O processo inclui diversas atividades, tais como as necessidades dos usuários, a avaliação das coleções atuais, a determinação de uma política de seleção, gestão de itens selecionados, a análise e o armazenamento de itens da coleção, incorporadas ao planejamento e compartilhamento de recursos. Assim, o desenvolvimento de coleções não é uma atividade singular, mas um grupo de atividades (KHAN; KHAN, 2010, p. 5),

Embora as bibliotecas universitárias sejam item avaliado pelo MEC, muitas vezes, elas não figuram nos planos, programas e orçamentos das IES, também não têm uma política específica para elas. Cabe lembrar que a denominação acervo/coleção bibliográfica compreende a reunião parcial ou total dos documentos disponibilizados à comunidade, independentemente do suporte ou formato em que a informação pode se apresentar (impresso, eletrônico ou digital).

3 JUSTIFICATIVA O desenvolvimento de coleções e o gerenciamento de coleções têm sido usados quase como sinônimos, embora sejam diferentes entre si. Desenvolvimento de coleção significa seleção, aquisição e descarte de materiais de biblioteca, observando as necessidades dos usuários atuais e futuros, bem como as diretrizes estabelecidas pela política de desenvolvimento de coleções institucional, além dos aspectos tecnológicos necessários aos acervos eletrônicos. Gerenciamento de coleções é bem mais do que o desenvolvimento de coleções, pois envolve vários aspectos gerenciais, tais como dotação orçamentária, a avaliação do acesso à informação, condições de armazenagem e utilização, organização, aplicação de métodos de preservação e conservação, e também quando necessário, o monitoramento de acesso para a melhor utilização dos recursos de 115


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informação. Ela não só envolve o desenvolvimento de coleções, mas também a apresentação das coleções para os usuários. As implicações práticas do modelo proposto são relevantes à medida que contribuirão, não só para uma modelagem de constituição de acervos bibliográficos digitais, mas para a valoração das Bibliotecas Universitárias (Bus) como ferramenta diferenciada para o êxito acadêmico através de ações em CI. Alguns autores escrevem sobre o tema de desenvolvimento de coleções, mas acabam por tratar em subtemas como desenvolvimento de coleções: especiais, hemerográficas, raras, entre outros. A disciplina oferecida abrangeu todas as formas de coleções digitais disponíveis no acervo da BCE ou disponíveis na rede em formato eletrônico. No artigo de Vergueiro (1993) encontramos alguns autores que já discutiram as questões relacionadas ao desenvolvimento de coleções, como o modelo do processo, elaborado por Evans, que enfatiza o caráter cíclico do desenvolvimento de coleções, sem que uma etapa chegue a distinguir-se ou sobrepor-se às demais. Os estudos de Bonita Bryant, que “debruçou-se sobre a questão do desenvolvimento de coleções, procurando distinguir as diversas estruturas organizacionais que são utilizadas para desempenho dessas atividades”. E Cogswell que apresenta sua definição de administração de coleções como sendo "a administração sistemática do planejamento, composição, orçamentação, avaliação e uso das coleções de bibliotecas durante grandes períodos de tempo, a fim de atingir objetivos institucionais específicos" Em outra obra de Vergueiro (2010, p. 11), encontramos a comparação da seleção de acervos a uma corrida de obstáculos, devido as várias etapas que deve-se obedecer para constituir adequadamente o acervo. Imaginemos todos os documentos competindo para atingir um determinado objetivo (sua inclusão no acervo) e tendo que ultrapassar certos obstáculos que existem no caminho (os critérios de seleção). Alguns serão bemsucedidos, vencendo todos os obstáculos que lhes foram colocados. Outros tropeçarão e terão que ser excluídos da competição.

Quando há planejamento adequado as necessidades do usuário e organizacional, com processo definidos, a competição citada pelo autor passa a ser apenas uma corrida, sem qualquer grande obstáculo.

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5 CONTEXTUALIZAÇÃO No texto de Mosher (1972, apud KHAN; KHAN, 2010, p.6) diz que construir um acervo que supra o crescimento de informações úteis que apoiem e enriqueçam a organização é propósito do desenvolvimento de coleções, sobre o qual as bibliotecas precisam definir diretrizes que forneçam os melhores materiais informacionais necessários para estruturar os acervos de bibliotecas. Mesmo

a

informação

sendo

reconhecida

como

primordial

para

as

organizações, faz-se necessária de adoção de estratégias que além de satisfazer os usuários, valorizem os serviços e produtos das unidades de informação, segundo Amaral (2008, p. 34). Apesar de a informação ser considerada o recurso nas organizações da sociedade atual, ela representa uma classe particular dentre os demais recursos. [...]. Isto reforça a adoção do marketing da informação, que recomenda e enfatiza a importância do usuário como cliente consumidor de informação e a adequação da oferta dos produtos e serviços de informação aos interesses e necessidades desses usuários. Clientes cada vez mais exigentes vão considerar os produtos e serviços informacionais oferecidos em função do valor agregado que esses produtos e serviços lhes possam oferecer.

A informação existe independente de sua forma ou de qualquer processo interpretativo de sua mensagem pelo seu receptor, ela está por toda parte, mas como diz Capurro (2007, p. 166) “A mensagem pode adquirir significado, se e somente se, tiver a sua informação processada por um receptor”. Para a aquisição desse significado traduzido em conhecimento é primordial que seu usuário processe a mensagem e que ela seja realmente algo que dela ele necessitasse. Na mesma obra, Capurro (2007, p. 172) comenta sobre a existência da informação relativa ao conhecimento “...mesmo se a informação for vista como algo existindo independente do conhecimento do receptor, isto não implica necessariamente que a informação seja algo absoluto”. O desenvolvimento de coleções irá constituir-se, então, no entrecruzamento de planejamento, implementação e avaliação de coleções, que serão assim definidos: a) planejamento da coleção – é um projeto para a acumulação de documentos afins, da maneira determinada pelas necessidades, propósitos, objetivos e prioridades da biblioteca; b) implementação da coleção – trata do processo de tornar os documentos acessíveis para uso; c) avaliação da coleção – envolve seu exame e julgamento em relação aos objetivos e propósitos estipulados. (VERGUEIRO, 1993)

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Se formos analisar a história da Biblioteconomia, o planejamento de coleções está previsto nas 05 Leis de Ranganathan. Desta forma, não há como manter um acervo em uso sem que a coleção esteja adequada ao leitor, para que ele possa recuperar a informação desejada e da forma que melhor se adequar as suas necessidades e, assim, para manter um acervo que sempre atenda aos usuários, ele sempre tem que estar em processo de renovação. A Quinta Lei chama nossa atenção para o fato de a biblioteca, como instituição, possuir todos os atributos de um organismo em crescimento. Um organismo em crescimento absorve matéria nova, elimina matéria antiga, muda de tamanho e assume novas aparências e formas. [...] O que persistiu através de todas essas mudanças de forma foi princípio essencial da vida. O mesmo acontece com a biblioteca. (RANGANATHAN, 2009, p. 241)

A busca pela informação vem causando mudanças nas formas de constituição dos acervos e são os avanços tecnológicos os maiores responsáveis por tais mudanças. Na obra de Floridi (1999), ele já discutia a evolução tecnológica e seu uso desde o simples manuseio em tarefas rotineiras ao uso para elaboração e execução das viagens espaciais, da necessidade diária dessas Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) no cotidiano das pessoas e, considero que aqui também estão inclusas as atividades das bibliotecas. As várias formas de recuperação da informação e os vários suportes que ela pode estar inserida acabam por fazer com que o gestor passe a melhor planejar a manutenção de seus acervos, o autor Johnson, (1994 apud KHAN; KHAN, 2010, p.8) afirma que “Bibliotecas sem políticas de desenvolvimento de acervo são como negócios sem planos de negócios”. As pessoas estão sempre em busca de alguma informação, de alguma solução para seus questionamentos, deve-se oferecer ao usuário formas de acessá-las, fator necessário para o desenvolvimento ético de políticas de seleção e disseminação do acervo, conforme Carvalho (2008, p. 13). Na sociedade da informação os indivíduos devem ser capazes de conhecer suas necessidades de informação, acessá-las eticamente. Nesse sentido estudos da Ciência da Informação têm atribuído destaque à figura do indivíduo enquanto usuário da informação.

Ainda na mesma obra, o autor relata sobre a necessidade de “entender as necessidades e comportamentos de uso da informação dos usuários para promover a esses a educação das competências necessária”. A necessidade de informação e de adequação do material para as atividades acadêmicas leva os usuários a buscarem alternativas além das fronteiras das de suas instituições. 118


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Mas, preocupar com o gerenciamento das coleções e não atentar para as necessidades de uso da informação pelos usuários, pode ser um grande erro. Visto que mesmo a informação, infraestrutura, equipamentos etc., estejam disponíveis, nada será utilizado adequadamente se o usuário não souber acessar a informação certa às suas necessidades. E este foi o motivo da criação de uma disciplina transversal, que mostra ao usuário que as pesquisas vão muito além da Google mania ou de bases abertas. Pretendeu-se com a disciplina de CI, levar os usuários não só aprenderem a buscar a informação em várias plataformas, mas que eles saibam selecionar o que realmente seja relevante para sanar aquela necessidade específica.

6 RESULTADOS A ideia foi preparar discentes e docentes para o acesso e uso criativo da informação em diversos suportes, promovendo o uso estratégico de conhecimentos básicos nas tarefas acadêmicas. Os alunos, orientados por professores e bibliotecários no processo criativo de pesquisa e reconstrução dos conteúdos acessados, entendendo o valor de cada informação e a forma de encontrar a referida informação, identificando qualidade e confiabilidade na informação encontrada: É função também da biblioteca universitária orientar cada usuário sobre livros e bibliotecas, fornecer informações precisas e confiáveis no momento exato em que forem solicitadas, armazenar e recuperar informações de caráter geral ou específico e colocá-las à disposição dos usuários, além de promover e divulgar eventos culturais, entre outros. Para que os objetivos da educação universitária possam ser atingidos, é preciso que o ensino e a biblioteca se complementem, pois a biblioteca é considerada um recurso indispensável para o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem e formação do educando/educador. Compete às bibliotecas universitárias prover o acesso da comunidade acadêmica aos recursos de informação relevantes, de modo a subsidiá-la no desenvolvimento de suas atividades de ensino, pesquisa e extensão (MACHADO; BLATTMANN, 2011).

Os meios de comunicação somados aos outros provedores de informação (bibliotecas, arquivos e internet) são ferramentas essenciais para

formar

profissionais conscientes; também são canais pelos quais a sociedade aprende sobre si mesma. Têm importante impacto na aprendizagem ao longo da vida mesmo quando utilizados como instrumentos de formação acadêmica. Pretendendo contribuir para a melhoria dos processos de educação através da criação e aplicação de um modelo formativo baseado em competências digitais e 119


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

informacionais. A pesquisa trabalhou em uma amostra significativa de alunos e professores nos quatro campi da UnB. Neste

processo

foi

importante

preparar

o

discente

para

melhor

aproveitamento das informações recuperadas, bem como o correto uso das ferramentas para busca e disponibilidade de materiais. A participação dos bibliotecários como tutores da disciplina foi registrada formalmente para futuros efeitos de comprovação de experiência profissional e de estágio em docência da pós-graduação. Para apoio à disciplina foi criado um site onde os conteúdos são disponibilizados aos alunos e demais interessados, visto que não há nenhuma exigência de cadastro para acessar as informações e atividades postadas. Observou-se que durante a aplicação da disciplina, os usuários/alunos iniciaram as atividades sem compreender a dimensão e importância em realizar uma pesquisa com todas as ferramentas disponíveis e em acervos adequados as áreas de conhecimento.

REFERÊNCIAS CAPURRO, Rafael; HJORLAND, Birger. O Conceito de Informação. Perspectivas em Ciência da Informação, v.12, n.1, jan./abr. 2007. CARVALHO, F. C. Educação e estudo de usuários em bibliotecas universitárias brasileiras: abordagem centrada nas competências em informações. Dissertação do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação, Universidade de Brasília-UnB, 2008. 145 p. CAVALCANTE, L. E. Políticas de formação para a competência informacional: o papel das universidades. Rev. Bras. Bibl. Doc., São Paulo, v. 2, n. 2, p. 47-62, dez. 2006. Disponível em: <http://www.febab.org.br/rbbd/ojs2.1.1/index.php/rbbd/article/view/17/5>. Acesso em: 10 jan. 2011. DIAS, G. D.; SILVA, T. E.; CERVANTES, B. M. N. Política de desenvolvimento de coleções para documentos eletrônicos: tendências nacionais e internacionais. Enc. Bibli: R. Eletr. Bib. Ci. Inf., Florianópolis, v. 17, n. 34, p.42-56, maio/ago., 2012. Disponível em: <http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/eb/article/view/15182924.2012v17n34p42/22652>. FLORIDI, Luciano. Philosophy and computing. London: Routledge, 1999. KHAN, S. I.; KHAN, M. A. Desenvolvimento de acervo na biblioteca Maulana Azad (AMU) e na Biblioteca Central da Universidade de Delhi: um estudo comparativo. BJIS, Marília (SP), v.4, n.2, p.3-21, jul./dez. 2010. Disponível em: 120


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

<http://www2.marilia.unesp.br/revistas/index.php/bjis/index>. Acesso em: 10 ago. 2011.

ISSN:

1981-1640.

LE COADIC, Yves-François. A Ciência da Informação. 2. ed. Brasília: Briquet de Lemos, 2004. TARAPANOFF, K. Planejamento de e para bibliotecas universitárias no Brasil: sua posição sócio-econômica e estrutural. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 2., 1981, Brasília. Anais... Brasília: CAPES, 1981. p. 9-35. VALENTIM, Marta Lígia Pomim (Org.). Métodos qualitativos de pesquisa em Ciência da Informação. São Paulo: Polis, 2005. VERGUEIRO, Waldomiro de Castro Santos. Desenvolvimento de coleções: uma nova visão para o planejamento de recursos informacionais. Ciência da Informação, Brasília, v.22, n.1, 1993. Disponível em: <http://revista.ibict.br/index.php/ciinf/article/view/1208/849>. Acesso em: 12 fev. 2011. VERGUEIRO, Waldomiro de Castro Santos. Seleção de materiais de informação. 3.ed. Brasília: Briquet de Lemos, 2010. 120p.

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

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9 PRÁTICAS DE COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO NA LITERATURA NACIONAL Marianna Zattar mzattar@facc.ufrj.br Nysia Oliveira de Sá nysia@facc.ufrj.br Docentes no Curso de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Resumo: As expressões “informação é poder” e o “poder da informação” permeiam a sociedade atual nos mais diferentes aspectos de sua composição nos espaços econômicos, políticos, tecnológicos, tornando a informação potência central que impulsiona as mais diversas atividades sociais. Sob essa perspectiva, podem-se destacar as questões que envolvem a necessidade, o acesso, o uso e a produção informacional. É neste sentido que se percebe, de forma evidente, a importância de ações que promovam a competência na produção e no uso de informações em diferentes contextos, como na educação e nas organizações. Assim, estudos sobre Competência em Informação, principalmente, no campo de estudos da informação (a Biblioteconomia e a Ciência da Informação), buscam compreender as práticas que podem promover a informação como fator de desenvolvimento social. Baseada na evidente relevância da aprendizagem contínua e autônoma no cenário atual tem-se como objetivo central deste trabalho a identificação das práticas de competência em informação apresentadas na literatura nacional da área de estudos. Os procedimentos metodológicos adotados para a elaboração dessa pesquisa fundamentam-se na metodologia exploratória com abordagem qualitativa. Essa opção se deu diante da necessidade de buscar maior familiaridade com o tema. Os dados analisados foram documentos publicados em fontes de informação do campo de estudos da informação. E a seleção dos documentos analisados baseou-se nos seguintes critérios: a) escolha das fontes de informação pesquisadas; b) delimitação temporal; c) utilização do termo “Competência em Informação” (entre aspas); d) elaboração da busca avançada no campo de palavras-chave. O resultado da pesquisa evidenciou a concentração de trabalhos com abordagem teórica sobre a temática. Com relação àqueles com abordagem prática, pode-se notar a dispersão geográfica da temática em âmbito nacional, a possibilidade de classificação dos textos “práticos” em níveis enunciativos ou descritivos das ações de Competência em Informação e a baixa incidência de textos que apresentavam parâmetros para as avaliações. Conclui que outros trabalhos devem ser desenvolvidos a partir do recorte proposto e que outros recortes podem auxiliar no desenvolvimento do objetivo utilizado. Palavras-Chave: Competência em Informação; Prática; Brasil.

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

1 INTRODUÇÃO As expressões “informação é poder” e o “poder da informação” permeiam a sociedade atual nos mais diferentes aspectos de sua composição nos espaços econômicos, políticos, tecnológicos etc. Isto porque o direito à informação na sociedade contemporânea é condição sine qua non caracterizada “pelos fluxos da informação em escala global, [...] assume papel fundamental, não só por constituirse crescentemente como direito elementar, mas também porque encontra-se integrado à base da ação na esfera privada ou pública” (KOBASHI; TÁLAMO, 2003, p. 8). Como esclarece Belluzzo, Feres e Bassetto (2011, p. 280), à medida que a sociedade reconhece a importância da informação, esta se constitui em [...] poderosa forma de transformação e autonomia do homem. O poder da informação, aliado aos modernos meios de comunicação de massa, tem a capacidade ilimitada de transformar culturalmente o homem, a sociedade e a própria humanidade como um todo.

Sob essa perspectiva podem-se destacar as questões que envolvem a necessidade, o acesso, o uso e a produção informacional. É neste sentido que se percebe, de forma evidente, a importância da criação de estratégias de ações educativas que promovem a competência no uso e na produção de informações nos mais diferentes contextos, como na educação e nas organizações, que superam o simples conhecimento de inovações tecnológicas. Assim, tem-se a abrangência dos estudos da Competência em Informação, no campo de estudos da informação (ora composto pela Biblioteconomia e pela Ciência da Informação) como ponto de partida para a compreensão de práticas que podem promover a informação como um dos aspectos de fomento do desenvolvimento social. Antes de chegar às questões práticas, destaca-se que o lastro dos estudos da Competência em Informação remonta à expressão publicada originalmente na língua inglesa, Information Literacy, nos Estados Unidos da década de 1970. Nessa perspectiva confere-se à Paul G. Zurkowski, então presidente do Information Industry Association, que em 1974 publicou o relatório “The information service environment relationships and priorities, o surgimento da expressão Information Literacy”. Sua meta era estabelecer as diretrizes para um programa nacional de preparação e acesso universal à Information Literacy (DUDZIAK, 2003; 2010). O uso do termo Information Literacy no Brasil tem sua base nas traduções da expressão que foram trazidas por pesquisadores brasileiros em suas publicações na 125


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

língua portuguesa, como é o caso do artigo de Sonia Caregnato, que traduziu a expressão em inglês para “alfabetização informacional” quando publicou no periódico intitulado “Revista de Biblioteconomia & Comunicação”, no ano 2000, o artigo “O desenvolvimento de habilidades informacionais: o papel das bibliotecas universitárias no contexto da informação digital em rede” (CAMPELLO, 2003; DUDZIAK, 2003). Desde os anos 2000 pode-se notar o franco desenvolvimento dos estudos na área de Competência em Informação. Contudo, é somente no mês de agosto do ano de 2011 que este termo foi consolidado com a tradução coletiva e formal da expressão Information Literacy para a expressão Competência em Informação em âmbito nacional. A consolidação da nomenclatura em língua portuguesa para a expressão na comunidade de pesquisadores das áreas de Biblioteconomia e Ciência da Informação tem seu assento na “Declaração de Maceió sobre Competência em Informação”, elaborada pelos participantes do “Seminário sobre Competência em Informação: cenários e tendências”, organizado pela Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições (FEBAB), pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) e pela Universidade de Brasília (UNB) no Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação (CBBD) realizado pela FEBAB com a Associação Alagoana dos Profissionais em Biblioteconomia (AAPB) e apoio da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) na cidade

de

Maceió

DOCUMENTAÇÃO,

(Alagoas)

2011,

(CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E

FEDERAÇÃO

BRASILEIRA

DE

ASSOCIAÇÕES

DE

BIBLIOTECÁRIOS, CIENTISTAS DA INFORMAÇÃO E INSTITUIÇÕES; INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA; UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA, 2011). De forma geral, quando abordada a temática da Competência em Informação, utiliza-se a definição desenvolvida pela American Library Association (ALA) em 1989 nas mais diversas publicações do campo de estudos da informação, a saber: Para ser competente em informação, uma pessoa deve ser capaz de reconhecer quando uma informação é necessária e deve ter a habilidade de localizar, avaliar e usar efetivamente a informação. Resumindo, as pessoas competentes em informação são aquelas que aprenderam a aprender. [...] (American Library Association – Presidential Committee on information literacy, 1989, p.1 apud DUDZIAK, 2003, p. 26).

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Apesar de a literatura do campo da informação (especificamente das áreas de Biblioteconomia e de Ciência da Informação) apresentar inúmeros estudos contemplando, entre outros aspectos, as habilidades e as competências exigidas para os bibliotecários atuar no contexto da Competência em Informação e as implicações e desdobramentos do uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) neste novo ambiente, percebe-se a incidência de relatos de experiência e projetos desenvolvidos no âmbito das bibliotecas/unidades de informação. Assim, com base na evidente relevância da aprendizagem contínua e autônoma no cenário atual, tem-se como objetivo central deste trabalho a identificação das práticas de competência em informação apresentadas na literatura nacional, no período de 2011 a 2015. Espera-se,

com

isso,

contribuir

para

o

aprofundamento

das

discussões/pesquisas em torno das atividades desenvolvidas nos mais diversos ambientes informacionais, cujas iniciativas promovam a aprendizagem contínua dos cidadãos, o “aprender a aprender”. Além disso, tem-se como expectativa uma sistematização das práticas em torno da temática para fins de estudos em nível de ensino no Curso de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação (CBG) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS O percurso metodológico adotado para alcançar os objetivos deste trabalho foi o da pesquisa exploratória com abordagem qualitativa. A escolha desse tipo de pesquisa se deu em decorrência da necessidade de obter mais familiaridade com o tema (GIL, 2002). A seleção dos documentos analisados foi realizada com base nos seguintes critérios: a) escolha das fontes de informação pesquisadas; b) delimitação temporal de agosto de 2011 a abril de 2015; c) utilização do termo “Competência em Informação” (com aspas)1; d) elaboração da busca avançada no campo de palavras-chave. 1

Cabe ressaltar que os anais dos trabalhos apresentados no CBBD não se encontravam disponíveis em fontes de informação que concentravam todas as informações. Como foi o caso do evento ocorrido em 2011, que disponibilizou os trabalhos em formato de CD-Rom.

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

A escolha das fontes de informação onde foram realizadas as buscas procurou contemplar aquelas que têm maior concentração de materiais do campo de estudos da informação e que pudessem fornecer o estado da arte da Competência em Informação no Brasil. Assim sendo chegou-se a quatro fontes de informação: o Repositório BENANCIB, a Base de Dados Referenciais de Artigos de Periódicos em Ciência da Informação (BRAPCI), a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD) e ao Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação (CBBD). A BENANCI é um repositório que disponibiliza os trabalhos e palestras apresentados nos Encontros Nacionais de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciência da Informação – (ENANCIB). A BRAPCI permite a busca por artigos de periódicos científicos na área de Ciência da Informação. A BDTD possibilita ter acesso às produções dos Programas de Pós-Graduação do Brasil. O CBBD é o congresso nacional do campo de estudos da informação no Brasil. Com relação à delimitação temporal da pesquisa, foi escolhido o mês de agosto de 2011 por ser a data de publicação da “Declaração de Maceió sobre Competência em Informação”, conforme citado anteriormente. Cabe ressaltar que o mês de abril de 2015 foi o período limite, pois nessa data foram realizadas as buscas pelas informações. Dessa forma chegou-se à seguinte distribuição: Quadro 1 – Documentos recuperados nas fontes de informação Fonte de informação

Documentos recuperados

BENANCIB

14

BRAPCI

7

BDTD

6

CBBD

21 Total (população)

48 Fonte: As autoras.

Durante o processo de seleção dos textos para análise, verificou-se a incidência

de

diferentes

expressões

utilizadas

como

palavras-chave

na

representação do conteúdo dos textos, tais como alfabetização informacional, competência informacional, letramento informacional para designar trabalhos com a temática competência em informação. De forma a organizar as recuperações 128


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

empreendidas, optou-se, no entanto, por constituir a amostra com os que apresentassem como palavra-chave competência em informação, o que totalizou 48 documentos. Após a recuperação da informação, a etapa seguinte foi a leitura de cada um dos itens recuperados para a identificação do objetivo do texto, ou seja, se o texto abordava uma iniciativa prática ou se tratava essencialmente da abordagem teórica da temática. Dessa forma, formou-se a amostra final da pesquisa com 12 trabalhos que apresentavam algum tipo de prática voltada para a Competência em Informação, conforme apresentado a seguir. Quadro 2 – Documentos selecionados nas fontes de informação Fonte de informação

Documentos selecionados (práticas)

BENANCIB

3

BRAPCI

2

BDTD

1

CBBD

6 Total

12 Fonte: As autoras.

Entende-se, para efeitos dessa pesquisa, que os documentos identificados e selecionados na amostra contêm também, em sua maioria, uma abordagem teórica em seu referencial. Assim, os documentos classificados como práticos são aqueles que descrevem e enunciam etc. iniciativas, atividades, programas, cursos, treinamentos específicos, que foram aplicados em uma determinada comunidade. Já os considerados teóricos foram aqueles que continham propostas de atividades, mas que ainda não foram colocadas em prática. De forma a sistematizar as leituras e as análises empreendidas dos textos selecionados na composição da amostra no recorte proposto, buscou-se identificar os seguintes aspectos: a) identificar o tipo de instituição e a localização geográfica na qual a prática proposta foi ou será aplicada; b) identificar o tipo de apresentação da proposta, isto é, se a abordagem poderia ser classificada enunciativa ou descritiva; 129


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

c) identificar se existe alguma proposta de acompanhamento e avaliação da prática que foi descrita. A adoção de tais critérios tem por finalidade traçar um panorama minucioso das práticas que compõem a amostra da pesquisa apresentada com vistas ao desenvolvimento da temática.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES Os

resultados dessa

pesquisa

tiveram como

ponto direcionador a

identificação das práticas de competência em informação na literatura nacional, com vistas a contribuir para o aprofundamento das discussões/pesquisas em torno das atividades elaboradas nos mais diversos ambientes informacionais, cujas iniciativas promovam a aprendizagem contínua dos cidadãos. Cabe uma ressalva antes do prosseguimento da apresentação dos resultados e das análises realizadas. Visto que há que se destacar que as escolhas realizadas durante os procedimentos metodológicos podem não ter contemplado fontes de informação que porventura possam também ser consideradas de suma importância em determinada comunidade ou olhar no campo de estudos da informação. Contudo, conforme exposto anteriormente, as estratégias desenhadas para o processo de busca e recuperação das publicações analisadas procuraram contemplar os recursos informacionais que pudessem apresentar um panorama da produção científica e acadêmica nacional no escopo da abordagem proposta. A partir da seleção dos documentos analisados, considerando os critérios elencados para análise, pode-se inferir que, primeiramente, a expressão competência em informação não se encontra plenamente consolidada entre os profissionais bibliotecários. Essa diversidade foi encontrada, algumas vezes, no próprio texto, o que reforça a fragilidade terminológica do conceito. No que se refere ao tipo de instituição e sua localização geográfica, buscouse verificar se havia predominância de um tipo de instituição bem como região geográfica do país. No que concerne aos aspectos geográficos percebe-se que embora exista considerável concentração de publicações de autores e instituições das regiões Sudeste e Sul do país, ocorrem, da mesma maneira, trabalhos identificados que advém de diferentes cidades e regiões do país. Essa diversidade geográfica pode, 130


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entre outras coisas, evidenciar a abrangência da temática da competência em informação na pauta de discussão do campo de estudos da informação de forma pulverizada e plural. Em relação à classificação dos documentos que possuíam em seus objetivos a abordagem “enunciativa” ou “descritiva”, tomou-se como base o objetivo apresentado no documento analisado, tratando-se de uma meta análise dos objetivos a partir das abordagens. A diferença que fora considerada entre “enunciar” ou “descrever” está na efetividade da ação, ou seja, se a iniciativa apresentada de fato ocorreu (descrita) ou não (enunciada). Nos textos analisados pode-se visualizar que algumas das propostas aconteceram em outros espaços que não os das bibliotecas. Trata-se, portanto, de um entendimento de que o ambiente pode influenciar na necessidade de informação, mas não é determinante. Outrossim, é considerável o número de trabalhos identificados que tinha como campo empírico o espaço das bibliotecas universitárias de instituições públicas de ensino superior brasileira, quando são sinalizados espaços específicos de atuação ou desenvolvimento das atividades. Ainda sobre a Competência em Informação no contexto das bibliotecas universitárias, pode-se visualizar uma variedade de objetivos, sem predominância, dentre os quais: pesquisa bibliográfica, formação de bibliotecários, circulação de materiais, capacitação de técnicos e promoção de usos de fontes de informação. Das iniciativas que contemplavam a promoção de usos de fontes de informação, viuse que elas tinham como público-alvo os discentes de cursos de graduação e pósgraduação em áreas específicas do conhecimento, como por exemplo, os trabalhos para as áreas de Química e de Saúde. Já no que se refere às iniciativas em espaços de informação diferentes do das bibliotecas universitárias, ressalta-se o curso para capacitação de funcionários de instituição em âmbito nacional na busca de informações técnicas requeridas para o seu desenvolvimento estratégico. Por fim, buscou-se, também, identificar se entre os que apresentavam atividade já aplicada em algum tipo de comunidade fizeram avaliação dos resultados alcançados. Destarte, pode-se verificar que a adoção de critérios para avaliação das atividades desenvolvidas, quando citados nos textos, se referem a sistema de

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

avaliação ainda incipiente, sem adoção de padrões consolidados ou ainda que possam auxiliar na construção de novos parâmetros.

4 CONCLUSÃO Buscou-se oferecer, como resultado deste estudo exploratório, visão ainda preliminar sobre a natureza das práticas para a competência em informação, a partir de um quadro de critérios considerados como os mais relevantes e pertinentes para estudo desta natureza. Pretendeu-se apresentar com esta pesquisa um passo inicial para reflexão e possíveis desdobramentos dessa temática em novos estudos e pesquisas. É inegável a importância da Competência em Informação tanto na perspectiva temática do campo de estudos da informação como forma de possibilitar que os indivíduos se tornem aptos em buscar, usar e avaliar criticamente a informação de que necessitam, de forma a contribuir para o desenvolvimento social. Dentre os mais diversos pontos identificados a partir da análise empreendida, pode-se verificar que a Competência em Informação não possui um único método (ou iniciativa) na perspectiva da prática. São várias as possibilidades que buscam garantir o “ser competente em informação”. E, de forma geral, a variação está atrelada à necessidade de informação do contexto. Outro ponto de destaque nessa análise é com relação ao baixo número de publicações que apresentam ações isoladas e pontuais. Isto porque nem todos os textos indicavam uma preocupação em torno da permanência/continuidade das iniciativas. Nesse sentido, dada a importância da Competência em Informação para os sujeitos na sociedade atual, encaminha-se aqui o desdobramento dessa pesquisa com a identificação específica das iniciativas propostas ou elaboradas ou, ainda com a representação da comunidade científica e acadêmica que tem trabalhos publicados nessa temática. Por fim, outra possibilidade aqui sugerida seria a verificação da aceitação da comunidade que compõe o campo de estudos da informação para a “tradução terminológica” do “information literacy” para a competência em informação no Brasil.

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10 A COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO COMO FATOR DE COMPETITIVIDADE DAS INDÚSTRIAS

Selma Letícia Capinzaiki Ottonicar selma.leticia@hotmail.com Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp) Glória Georges Feres gloriaferes@gmail.com Docente Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp)

Resumo: Com a revolução industrial as organizações precisaram ser mais competitivas para atuarem no mercado e para isso houve a necessidade de desenvolver várias competências. O gestor deveria possuir a competência nos processos, fator que resultou das escolas clássicas, posteriormente surgiu a competência em lidar com os indivíduos no ambiente organizacional que foi um produto da escola das relações humanas e a terceira revolução ocorreu por meio da informação e do conhecimento, exigindo aprendizagem no acesso e uso da informação de forma inteligente para a construção de novos conhecimentos, ou seja, a competência em informação. Esse trabalho é um recorte de uma pesquisa de mestrado em desenvolvimento intitulada: “análise teórico-descritiva da competência em informação de gestores como fator de competitividade das indústrias de eletroeletrônicos da cidade de Garça/SP”, com o propósito de apresentar a inter-relação da competência em informação em aglomerações produtivas localizadas (APL). Para operacionalização da pesquisa a metodologia adotada é um estudo exploratório por meio de revisão bibliográfica, documental e estudo de caso nas indústrias do município de Garça. O universo da pesquisa é composto das micro e pequenas indústrias, utilizando para a coleta de dados uma entrevista não estruturada com o gestor da Associação Comercial e Industrial de Garça (ACIG) e de questionário aplicado aos gestores das organizações selecionadas. A partir dos resultados será feita uma triangulação dos dados de acordo com Yin (2010) para verificar se a competência em informação influencia na competitividade das indústrias. Nesse recorte apresenta-se o resultado da entrevista com o gestor da ACIG. Palavras-Chave: Competência em Informação; Clusters; Competitividade.

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1 INTRODUÇÃO O pesquisador Peter Drucker, da área da gestão percebeu que os executivos são competentes em computação, porém poucos executivos são competentes em informação. Portanto saber manejar com maestria os sistemas informacionais e a tecnologia não é suficiente, para tanto as pessoas devem ter habilidades de identificar os problemas informacionais, localizar, avaliar, sintetizar e fazer o uso da informação de forma inteligente para a construção do conhecimento (EINSENBERG, 2008). No Brasil existem empresas de pequeno e médio porte que influenciam sobremaneira na economia nacional e local, ou seja, essas organizações menores competem com empresas consideradas de grande porte no mercado. Portanto, considera-se que a competência em informação está presente nos processos das instituições organizadas como aglomerações produtivas localizadas. A pesquisa se justifica porque a área de Ciência da Informação percebeu a relevância de se estudar fenômenos em organizações empresariais. Nesse caso, um estudo desenvolvido no setor de eletroeletrônico viabiliza a inserção da área nesse ambiente, principalmente em nichos em ascensão como ocorre na cidade de Garça, que por sua vez foi considerada pela Associação Comercial e Industrial de Garça (ACIG) polo industrial de tecnologia em segurança eletrônica e automação. Nesse sentido, o crescimento dessas organizações está relacionado com a competência em informação dos gestores. Para gerir uma organização é necessário saber como utilizar a informação e o conhecimento no alcance de objetivos. Para tanto, pressupõe-se que os gestores possuem competências atreladas aos processos administrativos, à competência na gestão de pessoas e a competência em informação. Além disso, o estudo descritivo demonstra como micro e pequenas indústrias sobrevivem no mercado e conseguem competir com as organizações de grande porte. Ressalta-se que Garça é considerada como um polo industrial de eletroeletrônicos, assim uma investigação dentro desse cluster é importante para entender como as empresas sobrevivem e influenciam o desenvolvimento da cidade, por exemplo, a geração de empregos para os cidadãos, a construção de instituições de ensino superior e cursos profissionalizantes.

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O objetivo desse trabalho é analisar as características e a situação da competência em informação de gestores como diferencial competitivo de empresas de pequeno porte organizadas em aglomerações produtivas localizadas.

1.1 Competitividade Desde o momento em que as organizações passaram a ser vistas como sistemas abertos, as transformações ambientais foram consideradas na gestão, assim as modificações políticas, sociais, ambientais e tecnológicas possibilitaram novos competidores no mercado, novos indicadores econômicos e padrões de consumo que influenciam a competitividade empresarial, necessitando ser considerada na tomada de decisão estratégica (SILVA; BARBOSA, 2002). Na perspectiva das organizações o enfoque da competitividade envolve os fatores internos que fazem as empresas competidoras se tornarem sucedidas (NADLER ET AL, 1994). Além disso, está relacionada com o processo de inovação e tomada de decisão. No contexto industrial onde as organizações precisam de estratégias, a competitividade se enquadra como fator principal para a o sucesso. Assim, segundo Mariotto (1991, p.38): “o termo competitividade é aplicado tanto para nações quanto para empresas”. Complementando Porter (1999) defende que a competitividade de uma nação não é baseada nos recursos naturais de um país, mas em sua capacidade de inovar e melhorar. As organizações se desenvolvem mediante as pressões e os desafios por meio dos rivais, fornecedores e clientes. Desse modo a competitividade não é herdada, porém é um produto da criatividade humana. Assim, Vantagem competitiva pode ser assegurada por meio da diferenciação da organização e/ou de seus produtos e serviços de alguma maneira, para obter a preferência do todo ou de parte do mercado sobre os rivais. Isso pode resultar em participação de mercado e/ ou margens mais altas que os concorrentes. Em geral, vantagem competitiva pode ser obtida pelo fornecimento de maior valor ao cliente (COOPER; ARGYRIS, 2003, p.1406).

Assim Porter (2004) desenvolveu as cinco forças competitivas que atuam na organização, fazendo com que esta adquira estratégias e ações para lidar com as demandas internas e externas (Figura 2).

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Figura 2: Forças que dirigem a concorrência da indústria.

Fonte: Porter (2004, p.4).

Assim as organizações possuem uma pressão exercida por meio dos concorrentes diretos e, além disso, há a pressão por parte dos entrantes potenciais, aquelas novas organizações que surgem no ambiente competitivo, os fornecedores, os clientes e os produtos ou serviços substitutos que são alternativas viáveis para o público consumidor. Portanto a competitividade envolve diferentes fatores como os apresentados no presente capítulo, principalmente no que cerne as organizações de grande porte e multinacionais. Porém como as organizações de pequeno e médio porte sobrevivem nesse contexto? Como resposta apresenta-se, os clusters, um tipo de arranjo entre as indústrias que contribuem com sua competitividade.

1.2 Clusters Em meados de 1920 o estudioso Alfred Marshal identificou as principais razões de o cluster contribuir com a competitividade de pequenas empresas, pois observou que organizações de atividades semelhantes agrupadas são capazes de gerar um ambiente econômico favorável, pois reduz os custos para os produtores. Não obstante, as aglomerações favorecem o surgimento de trabalhadores especializados, facilita o acesso a fornecedores e agiliza a disseminação de novos conhecimentos (SCHMITZ; NADVI, 1999).

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De acordo com Scheffer, Cário e Ederle (2006) no contexto do emprego, os clusters ou aglomerações produtivas localizadas absorvem a mão-de-obra local e os empresários encontram na região pessoas especializadas, se adequando aos padrões necessários a área de atuação. Da mesma maneira que cluster não é necessariamente uma entidade formal, enfatiza-se que o sucesso da elevada competitividade não se origina das empresas separadamente e tampouco, os executivos não adquirem uma “extracompetência” no alcance de melhores resultados que outras empresas fora do cluster (ZACCARELLI ET AL, 2008, p. 66). No caso das instituições organizadas em clusters, a sua competitividade, segundo Zaccarelli et AL (2008, p.7), advém do fato que: Não restavam dúvidas de que clusters têm uma capacidade de competir maior do que as empresas congêneres isoladas. Em outros termos, as empresas componentes de clusters de negócios desfrutam de vantagens competitivas sobre empresas concorrentes isoladas, sendo que a fonte para essas potenciais vantagens não foi construída conscientemente por nenhum empreendedor ou estrategista.

Contudo os clusters não conseguem ser competitivo apenas por seu modo de organização e, portanto, é fundamental que os gestores adquiram habilidades no acesso e uso das informações, denominada como competência em informação.

1.3 Competência em Informação No ano de 2013, a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) apontou a expressão Competência em Informação como termo padrão para a information literacy no Brasil. A indicação desse termo se deu por meio de teses e artigos escritos pelos pesquisadores Campello, Dudziak, Lecardelli, Schoffen, Feres, Belluzzo, entre outros. O termo competência em informação, segundo Basseto (2013), melhor se adapta porque não é uma adjetivação semântica, além disso, auxilia no melhor entendimento do objeto ou foco de análise: o acesso e uso da informação. Portanto na presente dissertação adotou-se o termo competência em informação por estar compatível com significado semântico da palavra, e por ter sido indicado internacionalmente como termo apropriado para o Brasil. De início, a competência em informação estava diretamente conectada com as competências do bibliotecário, que eram resumidas como o ensino de habilidades como a localização, recuperação da informação, pensamento crítico, ler, ouvir, ver, 140


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ou seja, o profissional ensinava aprender a aprender. Além destas atividades, foi responsável pela integração da biblioteca com o currículo escolar e participar no planejamento de atividades curriculares (CAMPELLO, 2003). De acordo com Hatschbach e Olinto (2008, p. 9): A competência em informação tem vários enfoques, recebe aporte de várias áreas, permitindo o trabalho dentro de uma perspectiva interdisciplinar, abordando questões como a nova forma de acessar, utilizar, analisar e avaliar a informação, atendendo as exigências atuais do mundo acadêmico e profissional, para construir novos conhecimentos e servir de instrumento para o uso da informação como fator de inclusão social.

Complementando para Belluzzo, Kobayashi e Feres (2004, p.87) a competência em informação: Inegavelmente, está ligada ao aprendizado e à capacidade de criar significado a partir da informação, sendo uma condição indispensável que as pessoas saibam “aprender a aprender” e realizem o “ aprendizado ao longo da vida.

O compartilhamento de informações não garante a qualidade e faz com que a quantidade de informações gere um desafio para a sociedade, além disso, a própria informação não gera eficiência no uso e, portanto, cabe aos indivíduos reconhecer quando a informação é necessária, ser hábil para localizar, diagnosticar e usar a informação (ACRL, 2000). Existem padrões e indicadores para medir o grau de competência em informação que foram adotados como referência para construção do instrumento na presente pesquisa, por se tratar de clusters industriais. Essas organizações compreendem diferentes áreas daquelas propostas inicialmente pela ACRL/ALA e IFLA, contudo as indústrias também são espaços de aprendizagem. De acordo com Belluzzo e Kerbauy (2004, p.139): Padrões e indicadores de desempenho aqui apresentados estão sendo lançados, em base inicial, a fim de que grupos de trabalhos, educadores, gestores e instituições responsáveis por programas de educação em todos os níveis, os identifiquem e aperfeiçoem. Espera-se que esta contribuição possa ser de utilidade para o despertar de novos estudos e pesquisas na área, considerando-se os cenários da sociedade do conhecimento e as perspectivas de aprendizado ao longo da vida, características marcantes deste novo milênio.

Assim, para efeito dessa pesquisa adotou-se os seguintes padrões e indicadores para medir o grau de competência em informação das indústrias:

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Quadro 1 - Padrões e indicadores da competência em informação PADRÃO 1 – A pessoa competente em informação determina a natureza e a extensão da necessidade de informação

Indicador de Desempenho 1.1 Define e reconhece a necessidade de informação

Resultados Desejáveis 1.1.1 Identifica um tópico de pesquisa ou outra informação necessária 1.1.2 Formula questões apropriadas baseado na informação necessária ou tópico de pesquisa 1.1.3 Usa fontes de informação gerais ou específicas para aumentar o seu conhecimento sobre o tópico 1.1.4 Modifica a informação necessária ou o tópico de pesquisa para concluir o foco sob controle. 1.1.5 Identifica conceitos e palavras-chave que representam a informação necessária ou o tópico de pesquisa/questão. Indicador de Desempenho 1.2 Identifica uma variedade de tipos e formatos de fontes de informação potenciais Resultados Desejáveis 1.2.1 Identifica o valor e as diferenças de potencialidades de fontes em uma variedade de formatos (documentos impressos e eletrônicos, pessoas, instituições, etc.) 1.2.2 Identifica o propósito e o tipo de informação a que se destinam as fontes 1.2.3 Diferencia fontes primárias e secundárias, reconhecendo o seu uso e a sua importância para cada área específica Indicador de Desempenho 1.3 Considera os custos e benefícios da aquisição da informação necessária Resultados Desejáveis 1.3.1 Determina a disponibilidade da informação necessária e toma decisões sobre as estratégias de pesquisa da informação e o uso de serviços de informação e qual a mídia adequada (por exemplo: intercâmbio, utilização de fontes locais, obtenção de imagens, vídeos, textos ou registros sonoros, etc.) 1.3.2 Determina um planejamento exequível e um cronograma adequado para a obtenção da informação necessária. PADRÃO 2 – A pessoa competente em informação acessa a informação necessária com efetividade

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Indicador de Desempenho 2.1 Seleciona os métodos mais apropriados de busca e/ou sistemas de recuperação da informação para acessar a informação necessária. Resultados Desejáveis 2.1.1 Identifica os tipos de informação contidos em um sistema tradicional e os tipos de fontes indexadas eletronicamente 2.1.2 Seleciona apropriadamente os sistemas de recuperação de informação para pesquisar o problema/tópico baseado na investigação da sua abrangência, conteúdo, organização e solicita ajuda para pesquisar em diferentes instrumentos como as bases de dados, fontes de referência e outras. 2.1.3 Identifica outros métodos de pesquisa para obter a informação necessária, os quais podem não estarem disponíveis por meio dos sistemas de recuperação da informação tradicionais e eletrônicos (por exemplo: necessidade de fazer entrevistas com especialistas, etc.) Indicador de Desempenho 2.2 Constrói e implementa estratégias de busca delineadas com efetividade. Resultados Desejáveis 2.2.1 Desenvolve um plano de pesquisa apropriado aos sistemas de recuperação da informação e/ou método de pesquisa. 2.2.2 Identifica palavras-chave, frases, sinônimos e termos relacionados com a informação necessária 2.2.3 Seleciona vocabulário controlado específico como instrumento de pesquisa e identifica quando o vocabulário controlado é usado em um item registrado e executa a pesquisa com sucesso usando adequadamente o vocabulário selecionado. 2.2.4 Constrói e implementa uma estratégia de busca usando códigos e comandos de acordo com o sistema de recuperação de informação utilizado (por exemplo: a lógica booleana, ordem alfabética de termos, referência cruzada, etc.) 2.2.5 Utiliza a autoajuda dos sistemas de recuperação e outros meios (por exemplo: profissionais da informação) para melhorar os seus resultados.

Indicador de Desempenho 2.3 Busca a informação via eletrônica ou com pessoas utilizando uma variedade de métodos. Resultados Desejáveis 2.3.1 Usa vários sistemas de recuperação da informação em uma variedade de formatos (impressos e eletrônicos) 2.3.2 Distingue pelas citações os vários tipos de documentos (por exemplo: livros, periódicos, teses, etc.) 2.3.3 Utiliza vários esquemas de classificação ou outros sistemas para localizar as fontes de informação junto aos serviços de informação. 2.3.4 Utiliza serviços on-line ou pessoas especializadas disponíveis na instituição para recuperar a informação necessária Indicador de Desempenho 2.4 A pessoa competente em informação retrabalha e melhora a estratégia de busca quando necessário

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Resultados Desejáveis 2.4.1 Avalia a quantidade, qualidade e relevância dos resultados da pesquisa para determinar sistemas alternativos de recuperação da informação ou métodos de pesquisa ainda precisam ser usados. 2.4.2 Identifica lacunas na informação necessária face aos resultados da pesquisa 2.4.3 Revisa a estratégia de busca se for necessário obter mais informação. Indicador de Desempenho 2.5 A pessoa competente em informação extrai, registra e gerencia a informação e suas fontes Resultados Desejáveis 2.5.1 Registra todas as informações com as citações pertinentes para futura referenciação bibliográfica 2.5.2 Demonstra compreender como organizar e tratar a informação obtida 2.5.3 Diferencia entre os tipos de fontes citadas e compreende os elementos e a forma correta de citação para os vários tipos de fontes de acordo com as normas de documentação vigentes Padrão 3 – A pessoa competente em informação avalia criticamente a informação e as suas fontes Indicador de Desempenho 3. 1 Demonstra conhecimento da maior parte das ideias da informação obtida Resultados Desejáveis 3.1.1 Seleciona a informação relevante baseado na compreensão das ideias contidas nas fontes de informação 3.1.2 Reformula conceitos com suas próprias palavras 3.1.3 Identifica textualmente a informação que foi adequadamente transcrita ou parafraseada Indicador de Desempenho 3.2 Articula e aplica critérios de avaliação para a informação e as fontes Resultados Desejáveis 3.2.1 Examina e compara a informação de várias fontes para avaliar a sua confiabilidade, validade, precisão, autoridade, atualidade e ponto de vista ou tendências 3.2.2 Analisa a lógica da argumentação da informação obtida 3.2.3 Reconhece e descreve os vários aspectos de uma fonte, seus impactos e valor para o projeto de pesquisa, assim como as tendências e impactos relacionados a pressupostos de ordem cultural, geográfica ou histórica e/ou atualidade da fonte de informação 3.2.4 Demonstra a habilidade de encontrar a informação sobre a autoridade e qualificação de autores e/ou editores-produtores 3.2.5 Demonstra compreensão e habilidade para interpretar referências bibliográficas ou créditos encontrados nas fontes como meios de acessar informação precisa e válida 3.2.6 Demonstra compreensão da necessidade de verificar a precisão e completeza de dados ou fatos Indicador de Desempenho 3.3 Compara o novo conhecimento com o conhecimento anterior para determinar o valor agregado,

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contradições ou outra característica da informação Resultados Desejáveis 3.3.1 Determina se a informação obtida é suficiente e adequada ou se é necessário obter mais informação 3.3.2 Avalia se as fontes de informação são contraditórias 3.3.3 Compara a nova informação com o conhecimento próprio e outras fontes consideradas como autoridade no assunto para conclusões 3.3.4 Seleciona a informação que traz evidências para o problema /tópico de pesquisa ou outra informação necessária Padrão 4 – A pessoa competente em informação, individualmente ou como membro de um grupo, usa a informação com efetividade para alcançar um objetivo/obter um resultado. Indicador de Desempenho 4.1 É capaz de sintetizar a informação para desenvolver ou completar um projeto Resultados Desejáveis 4.1.1 Organiza a informação, utilizando esquemas ou estruturas diversas 4.1.2 Demonstra compreender como usar as citações ou paráfrases de um autor ou texto para apoiar as ideias e/ou argumentos (ver também 3.1.2 e 3.1.3) Indicador de Desempenho 4.2 Comunica os resultados do projeto com efetividade Resultados Desejáveis 4.2.1 Utiliza adequadamente as normas de documentação e o formato e estilo apropriados para um projeto científico (ver também 5.3.1) Padrão 5 – A pessoa competente em informação compreende as questões econômicas, legais e sociais da ambiência do uso da informação e acessa e usa a informação ética e legalmente Indicador de Desempenho 5.1 Demonstra compreensão sobre as questões legais, éticas e socioeconômicas que envolvem a informação, a comunicação e a tecnologia Resultados Desejáveis 5.1.1 Identifica e discute questões relacionadas ao livre acesso versus o acesso restrito e o pagamento de serviços de informação e comunicação 5.1.2 Demonstra compreensão acerca das questões ligadas ao direito nacional e internacional de propriedade intelectual e as leis de imprensa 5.1.3 Define e identifica exemplos de plágio 5.1.4 Demonstra conhecer as políticas institucionais sobre o plágio e os direitos autorais Indicador de Desempenho 5.2 Cumpre as leis, regulamentos, políticas institucionais e normas relacionadas ao acesso e uso às

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fontes de informação Resultados Desejáveis 5.2.1 Utiliza adequadamente os passwords para acesso às fontes de informação 5.2.2 Obedece às políticas institucionais de acesso às fontes de informação 5.2.3 Preserva a integridade das fontes de informação, equipamentos sistemas e instrumentos disponibilizados para o acesso e uso da informação 5.2.4 Demonstra conhecimento do que é o plágio e como não usá-lo em suas comunicações 5.2.5 Obtém permissão para copiar textos, imagens ou sons incluídos em seu produto final Indicador de Desempenho 5.3 Indica as fontes de informação nas comunicações do produto ou resultados Resultados Desejáveis 5.3.1 Utiliza estilo e forma de linguagem e de redação apropriados, com a indicação correta e consistente das fontes consultadas 5.3.2 Identifica elementos de citação para as fontes de informação consultadas em diferentes formatos 5.3.3 Demonstra compreensão das normas de documentação recomendadas para a sua área de pesquisa/estudo Fonte: Belluzzo (2007, p.95-103)

A partir do entendimento e observação dos indicadores propostos por Belluzzo (2007), fez-se uma adaptação daqueles que podem ser inseridos no contexto dos clusters industriais e excluíram-se aqueles que não se aplicam às organizações. A partir dessa construção, foi possível desenvolver o instrumento aplicado junto aos sujeitos de pesquisa.

2 METODOLOGIA Esse trabalho conta com uma revisão bibliográfica sobre os temas competência em informação, clusters e competitividade a fim de estabelecer uma relação lógica para se compreenda o fenômeno em questão. Além disso, é de natureza documental pois o universo de pesquisa foi construído a partir de informações e documentos fornecidos pelo Museu Histórico e Pedagógico de Garça (MHPG), pelo Arquivo Municipal, pela Secretaria Municipal de Indústria e Comércio (SEMIC) e por informações encontradas no site da Incubadora de Garça e da Associação Comercial e Industrial de Garça (ACIG). A pesquisa documental foi fundamental para caracterizar as indústrias de eletroeletrônicos como uma aglomeração produtiva localizada que para efeito da pesquisa, a expressão doravante utilizada foi cluster. 146


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O trabalho é uma pesquisa descritiva, exploratória que será realizada por meio de um estudo de caso múltiplo realizado nas micro e pequenas indústrias de eletroeletrônicos na cidade de Garça, interior do Estado de São Paulo. A cidade foi considerada um “pólo industrial de tecnologia em segurança eletrônica e automação” pela ACIG e escolheu-se as micro e pequenas indústrias porque as indústrias de médio porte competem entre si e desse modo inviabiliza sua caracterização como cluster industrial. Como técnica tem-se a triangulação proposta por Yin (2010) entre um questionário em formato escala Likert que será aplicado nos gestores de recursos humanos das micro e pequenas indústrias e um roteiro de entrevista não estruturado (MARCONI; LAKATOS, 2003). A fim de obter uma melhor interpretação da entrevista propõe-se uma análise de conteúdo (BARDIN, 1977), contudo nesse recorte apresenta-se o resultado apenas da entrevista com o gestor da ACIG.

3 RESULTADOS PARCIAIS A entrevista foi construída com quatorze questões destas, quatro serviram para compreender o contexto em que o sujeito atua e as demais focaram em entender a ACIG e o cluster. O sujeito está no cargo de gestor e suas atribuições são gerir as pessoas, a parte administrativa, financeira, serviços, gerir a incubadora de Garça e lidar com os associados. Além disso é responsável pela reunião da diretoria que acontece a cada quinze dias com 17 diretores convidados e 5 diretores eleitos para ocupar a função. O gestor trabalha há três anos e sete meses e é formado em administração com ênfase em comércio exterior. A informação é muito importante na rotina, assim o tempo fornece condições para que os comerciantes possam prever se haverá muita ou pouca venda. O sujeito acessa as informações por meio da televisão, de jornais, rádio e dos comentários das pessoas a fim de solucionar os problemas. De acordo com o sujeito as empresas da cidade estão passando por uma crise econômica e assim, é fundamental buscar informações governamentais. Atualmente a cidade vive em um período de crise, pois o empresariado está demitindo seus funcionários. A Competência em informação foi entendida como sinônimo de “trabalhar a informação” que são captadas e utilizadas para que a organização se antecipe aos

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

acontecimentos

futuros.

Ressalta-se

que

algumas

informações

não

são

comunicadas, mas são armazenadas para ser resgatadas no futuro. A ACIG foi considerada importante para a cidade de Garça, pois procura contribuir e fornecer informações para os diretores das indústrias de médio porte da cidade. Para isso realizam reuniões mensais com os diretores de recursos humanos (RH) das indústrias e a maioria dos participantes atuam na indústria de médio porte, pois segundo o gestor, as micro e pequenas indústrias não possuem um departamento de RH, que é representado pela “esposa ou filhos do dono” caracterizando-as como familiares. Nessas

reuniões

comparecem

os

funcionários

das

indústrias

de

eletroeletrônicos e outras provenientes do ramo alimentício, químico entre outros. Para o gestor a ACIG representa os empresários da cidade e possibilita que eles “unam suas forças” para ter sucesso em um momento difícil e busca soluções junto com a prefeitura, a órgãos federais, estaduais e outras cidades. Além disso, por meio das reuniões, há um compartilhamento de informação entre os demais sobre assuntos externos e por tanto as informações de cunho técnico

não

são

divulgadas.

Entretanto,

expressam

sua

necessidade

de

competências assim, junto com a ACIG organizam os treinamentos e cursos de capacitação em conjunto, assim uma indústria fornece o equipamento e outra o espaço em que acontecerão as atividades. O gestor busca as informações nos veículos de comunicação, com os próprios associados e com a diretoria da ACIG, o sujeito também cita os “boatos” que ocorrem na cidade. Nesse sentido percebe-se que a busca de informação ocorre tanto por meios formais quanto por informais e o meio informal é bastante comum em pequenas cidades. Assim a competência mais importante para o gestor da indústria de eletroeletrônico é a de visualizar o futuro, ou seja o indivíduo deve ter a capacidade de antecipar suas ações conforme as modificações futuras. As indústrias de eletroeletrônicos estão passando por um momento de crise e isso gerou demissões, porém aqueles que se prepararam para essa situação e “trabalham com a informação” sofre menos as consequências. Segundo o gestor o fator que gera maior competitividade nas indústrias de eletroeletrônicos são os “terceiros” (industrias de micro e pequeno porte), ou seja indústrias menores que fornecem matéria-prima e produtos paras as de médio porte. Assim a organização não precisa fabricar todas as peças e ferramentas que 148


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

necessita e adquire os produtos sem o custo de frete, já que se localizam na mesma cidade. Portanto o cluster é o que fornece competitividade para indústrias da cidade de Garça e foi por causa disso que a cidade foi conhecida como polo industrial da eletroeletrônica. Assim as organizações estão inseridas em um sistema no qual são fornecedoras e clientes ao mesmo tempo, existindo uma interdependência entre elas e esse sistema faz acontecer a economia da cidade. As indústrias de médio porte competem entre si e as de micro e pequeno porte são fornecedoras de produtos, fator de preocupação da ACIG pois se uma única indústria depender de outra indústria maior limita o sistema, portanto é importante que as indústrias de médio e pequeno porte também forneçam produtos para outros estados do país e não apenas ao cluster. A associação não tem participação na tomada de decisão no interior da indústrias, sua atuação é baseada no aconselhamento dos gestores e nas decisões que são feitas em grupo, porém, atua diretamente nas decisões tomadas na incubadora de empresas. Como exemplo, cita-se o desenvolvimento de um curso de capacitação em negociação e vendas que foi oferecido para que as indústrias e o comércio melhorem a sua situação. Desse modo contribui com o desenvolvimento de competências dos trabalhadores de acordo com o contexto do mercado, ressaltase que os cursos são oferecidos também para a sociedade em geral. A ACIG possui influencia total porque atua no desenvolvimento da cidade principalmente pelas indústrias de eletroeletrônicos que absorve a mão de obra disponível. Não obstante, possibilita que os gestores compartilhem informações a fim de comparar saber qual decisão adotar e principalmente, como enfrentar a concorrência chinesa. O gestor desenvolve um plano estratégico para direcionar as ações das indústrias de eletroeletrônicos que é apresentado nas reuniões, entretanto a adoção das medidas propostas é opcional, ou seja, dependem da implementação dos gestores. Assim a organização em clusters possui várias vantagens para as indústrias e por isso há discussões entre os gestores, a ACIG e a prefeitura para implementar efetivamente essa estrutura, pois o cluster é fundamental para que a organização sobreviva no mercado e seja mais competitiva.

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4 CONCLUSÕES A partir dos resultados parciais foi possível perceber que a ACIG é o órgão principal para o compartilhamento de informações e que há a compreensão da importância da informação para as indústrias de eletroeletrônico. Além disso, o sujeito demonstrou entender parcialmente o que é competência em informação, principalmente no que diz respeito ao trato da informação que acontece por meio do acesso de uso. A

associação

também

se

preocupa

com

a

construção

de

novos

conhecimentos dos gestores e para isso fornece cursos de capacitação elaborados de acordo com o contexto em que perpassam as organizações. Observou-se que as indústrias de eletroeletrônico da cidade Garça estão organizadas como clusters, segundo os estudos de Porter (1989) e Zaccarelli et AL (2008). Para a continuação da presente pesquisa pretende-se aplicar o questionário tipo Likert nos gestores das micro e pequenas industrias para verificar a existência e o grau da competência em informação nas indústrias de eletroeletrônicos de Garça.

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

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11 A COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO (CoInFo) SOB A ÓTICA DO AMBIENTE ACADÊMICO: ANÁLISE PROSPECTIVA EM RELAÇÃO À GESTÃO DA INFORMAÇÃO PARA A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO

Marcia Rosetto mrosetto@usp.br Dina Elisabete Uliana uliana@usp.br Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Universidade de São Paulo Regina Célia Baptista Belluzzo rbelluzzo@gmail.com Docente do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Resumo: Com o objetivo de refletir quanto à importância da Competência em Informação no ambiente universitário foi realizado na Biblioteca da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP) o Workshop “Desenvolvimento de Competência em Informação em Ambiente Acadêmico”, aberto para os profissionais da USP e externos a mesma, para análise dessa temática como um fator crítico de base para a realização de pesquisas pelos docentes/pesquisadores e alunos de graduação e pós-graduação enquanto emissores e receptores do fluxo informacional da comunicação científica. São apresentados os resultados consolidados em diagramas e matriz utilizados para a dinamização do processo. Palavras-Chave: Competência em Informação. Ambiente Acadêmico. Análise Prospectiva. Gestão da Informação.

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

1 INTRODUÇÃO A temática competência vem sendo estudada desde os anos 1970, aparecendo tanto no discurso dos administradores, como no contexto educacional atrelada à ideia de disciplina à medida que os currículos se constituem num mapeamento

do

conhecimento

(MACHADO,

2002).

Essas

competências

representam potenciais a serem desenvolvidos em contextos de relações significativas, prefigurando ações a serem realizadas em determinado âmbito de atuação. Elas fornecem a condição de se exercer a autonomia intelectual, condição essencial para as exigências das capacidades de: iniciativa, decisão, domínio cultural (geral e técnico), domínio lógico (saber pensar e resolver) e psicológico (perceber os significados e significações), permitindo aprender a aprender, assimilando, criticando e aprimorando o conhecimento especializado. Na esfera da área de informação, a United Nations Educational, Scientific

and Cultural

Organization (UNESCO) identifica que atualmente as pessoas vivem num mundo onde a qualidade da informação determina as escolhas e ações, incluindo a capacidade de vivenciar a liberdade e construir habilidades para a própria determinação e desenvolvimento. Usar tecnologias, os vários tipos de mídias e provedores de informação são variáveis que devem ser consideradas para o acesso à informação e conhecimento. Dessa forma, propôs um conjunto de diferentes tipos de competências delineadas como “Competências em Informação e Mídias – CIM”1, com ênfase na Competência em Informação (CoInFo)2, e que dentre as várias definições

existentes,

pode-se

identificá-la

como

sendo

um

conjunto

de

comportamentos, habilidades e ações que envolvem o acesso e uso da informação de forma inteligente, tendo em vista a necessidade da construção do conhecimento e a intervenção na realidade social (BELLUZZO, 2004). Na América Latina essa temática também vem sendo pesquisada, e informações sobre o estado da arte podem ser consultadas no portal organizado por

1

Disponível em http://milunesco.unaoc.org/about-media-and-education-literacy/ Acesso em: 25 de abril de 2015. 2 A expressão Competência em Informação (Information Literacy) foi empregada por Paul G. Zurkowski em 1974 que já delineava a necessidade de "ajudar os alunos e cidadãos de modo geral a manejar rapidamente o volume enorme de informação e de dados no contexto das tecnologias” (GIBSON, 2008). Na literatura brasileira o termo Information literacy vem sendo traduzido como competência informacional, alfabetização informacional, letramento informacional, e competência em informação, expressão que está sendo adotada para o presente trabalho, conforme indicação da UNESCO (UNESCO, 2014).

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Alejandro Uribe Tirado. 3 No Brasil, estudos são elaborados desde os anos 2000 registrados em artigos de periódicos, trabalhos em eventos, entre outras fontes. Um overview quanto às atividades realizadas nesse período é descrito no livro editado pela Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Instituições e Ciência da Informação (FEBAB), contemplando três eixos: 1- Trajetórias da Inserção do Tema da Competência em Informação no Brasil como parte das Linhas de Gestão da FEBAB; 2- Formação e Atuação do Profissional da Informação e a Transversalidade da Competência em Informação; 3- Aplicações e Lições Aprendidas com Programas Institucionais no Contexto Brasileiro (BELLUZZO; FERES, 2013). Além disso, vários tipos de encontros também foram realizados nesse período oferecendo espaços diferenciados para que os profissionais analisassem com mais profundidade sobre o tema. Um sumário desses eventos é apresentado na Tabela 1, e pode-se verificar que, em alguns deles, proposições de manifestos e cartas foram apresentadas consolidando-se como indicadores para subsidiar o desenvolvimento de políticas e práticas de aprendizagem. Tabela 1 - Competência em Informação (CoInFo) Eventos realizados no Brasil (posição março 2015) Ano 2004

   

 2005 

3

Título do Evento Workshop FEBAB - O desenvolvimento da competência em informação: desafios e perspectivas - São Paulo (SP). IV Ciclo de Palestras FEBAB - Competência em Informação (Information Literacy) - São Paulo (SP). FEBAB - 1º. Seminário sobre Competência em Informação (Information Literacy) - Bienal Internacional do Livro – São Paulo (SP). Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo Organização de cinco Oficinas de Trabalho sobre Competência em Informação: um diferencial das pessoas no século XXI para a rede de bibliotecas públicas paulista e realizadas nas regiões: Área Metropolitana de São Paulo, Bauru, São Carlos, Sorocaba, Vale do Paraíba (participação de aproximadamente 500 bibliotecários) Continuidade das Oficinas iniciadas em 2004. Relatório disponível: http://www.febab.org.br/ CBBD_WORKSHOP_RELATORIO_FINAL.doc FEBAB/CBBD – Palestras: Competência em informação – cenário internacional (Prof. Dr. Jesus Lau); A competência em informação: um fator de integração entre a biblioteca e a escola (Profa. Dra. Regina Célia Baptista Belluzzo); Competência virtual em Ciência da Informação (Profa. Dra. Daniela Melaré); Contribuição ao desenvolvimento da competência em informação em bibliotecas públicas paulistas: uma experiência com apoio de oficinas de trabalho (Profa. Dra. Regina Célia Baptista Belluzzo e Profa. Ms. Marcia Rosetto). Workshop Competência em Informação (Coordenação da Profa. Dra. Regina Célia Baptista Belluzzo) - Curitiba (SP).

Disponível em: http://alfiniberoamerica.blogspot.com.br Acesso em: 25 de abril de 2015.

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

2006 2008

2009 2010

2011

2013

2014

FEBAB/ INTEGRAR – Lançamento da Revista RBBD v. 2, n. 2 (2006) – edição especial sobre Competência em Informação – São Paulo (SP).  FEBAB - Palestra Construção de Cidadania em Cidades Multiculturais, com destaque para as atividades realizadas em Competência em Informação (Profa. Dra. Regina Célia Baptista Belluzzo) - X Congresso Internacional de Cidades Educadoras, São Paulo (SP).  FEBAB/CBBD - Atelier 2 – Competência em informação – Bonito (MS).  I Seminário Brasil-Espanha sobre Alfabetização em informação - Brasília (DF).  SNBU - Capacitação de agentes multiplicadores da competência informacional (Training the trainers in Information Literacy IFLA/UNESCO) – Rio de Janeiro (RJ).  FEBAB/CBBD - I Seminário Competência em Informação: Cenários e Tendências – Maceió (AL). Lançamento da Declaração de Maceió - Disponível em: http://www.febab.org.br/congressos/ index.php/cbbd/xxiv  FEBAB/CBBD - II Seminário Competência em Informação: Cenários e Tendências Florianópolis (SC) - Lançamento do Manifesto de Florianópolis – Disponível em: http://portal.febab.org.br/anais/issue/current/showToc  II Encontro Hispano-Brasileiro de Ciência da Informação – Brasília (DF).  III Seminário Competência em Informação: Cenários e Tendências - Marília (SP) Lançamento da Carta de Marília - Disponível em: http://www.fundepe.com/seminario-decompetencia-em-informacao/#.VJF_YdKG-vw  I Seminário ENANCIB sobre Competência em Informação - Belo Horizonte (MG). Fonte: Elaborado pelas autoras.

Entre as manifestações realizadas nos eventos relacionados, encontra-se a “Carta de Marília” emitida em setembro de 20144, e que dentre os vários tópicos arrolados, exprime a necessidade do compartilhamento de experimentações e vivências aplicáveis à realidade brasileira com o propósito de se elaborar diretrizes para a inserção da CoInFo nos vários níveis educacionais, incluindo nesse processo as unidades e serviços de informação. Dessa forma, cabe aos gestores de informação e do conhecimento conhecerem as necessidades de informação de sua comunidade e construírem processos que propiciem o desenvolvimento de competências apropriadas em distintos ambientes. Em sintonia com esse contexto, foi realizada na Universidade de São Paulo (USP), no período de 2010 a 2012, uma pesquisa por um grupo de profissionais do Sistema Integrado de Bibliotecas (SIBiUSP) com o propósito de analisar as novas tendências quanto à implementação de serviços, produtos e estruturas das bibliotecas para fazer frente a esse momento diferenciado quando as inovações, pautadas em tecnologias da informação e comunicação (TIC), são propostas às organizações e pessoas. As categorias que compuseram a análise de forma

4

Disponível em: http://www.valentim.pro.br/GICIO/Textos/Carta_de_Marilia_Portugues_Final.pdf Acesso em: 25 de abril de 2015.

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

sistêmica foram as seguintes: Assistência ao Usuário, Desenvolvimento de Coleções, Ambiência, Informação Digital, Publicações e Informação, Pesquisa, Ensino e Aprendizagem, Perfil das Equipes para a gestão e implementação de serviços de informação. A partir dos dados coletados junto às 42 bibliotecas que compunham o Sistema até aquele momento, foi possível identificar, entre os vários indicadores construídos, a importância dos processos relacionados à comunicação e escrita científica, assim como focar na realização de serviços com base na Competência em Informação. Além disso, constatou-se a importância dos bibliotecários estarem incluídos nas equipes de pesquisa da Universidade e nos programas educacionais para promoverem a CoInFo, de acordo com as propostas consolidadas pela American Library Association (ALA) em sua publicação “Value of Academic Libraries: A Comprehensive Research Review and Report for Librarians”, publicada em 2010, e cujo expertise inclui as áreas de Educação do Usuário, Ensino, Condução de Pesquisa sobre a Satisfação do Usuário, Estudos na área de Bibliometria e Cientometria, Uso das Coleções e Programas sobre Competência em Informação (CUENCA, 2012). Com base nas proposições desse estudo, verificou-se a importância de se realizar um encontro especifico para refletir sobre a Competência em Informação como um início de análise prospectiva no ambiente universitário. Dessa forma, foi realizado na Biblioteca da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP) o Workshop “Desenvolvimento de Competência em Informação em Ambiente Acadêmico”, aberto para os profissionais da USP e externos a mesma, para análise dessa temática como um fator crítico de base para a realização de pesquisas pelos docentes/pesquisadores e alunos de graduação e pós-graduação enquanto emissores e receptores do fluxo informacional da comunicação científica. 2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Conforme Fadel et al. (2010, p.13-14), “Os estudos sobre a informação, o conhecimento e a inteligência em contextos organizacionais são alicerçados na gestão da informação e do conhecimento e são essenciais para a constituição da memória organizacional, de políticas de informação, de ambientes e fluxos informacionais compreendidos de forma ampla [...]”, podendo ser inserido nesse processo as questões relacionadas à Competência em Informação (CoInFo) 158


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

interligada fundamentalmente com o usuário no que tange à sua necessidade de informação e a interação com os diferentes recursos informacionais e com o intuito de se apropriar da informação para gerar novos conhecimentos. A CoInFo deve ser compreendida como uma das áreas em que o processo de ensino e aprendizagem está centrado e se constitui num conjunto de ações que promova a interação e internalização de fundamentos conceituais, atitudinais e de habilidades específicas. Essas ações são essenciais à compreensão da informação, e de sua abrangência, na busca de fluência e capacidades necessárias à geração de novos conhecimentos e sua aplicabilidade ao cotidiano das pessoas e das comunidades ao longo da vida (BELLUZZO, 2004). Embora seja um tema de largo interesse, existe carência de estudos e pesquisas em nosso contexto, tanto no que se refere à sua definição e relação com a organização de programas educacionais, bem como à existência de parâmetros metodológicos para avaliações e de suas aplicações. Segundo Uribe Tirado (2012), que realizou pesquisa relacionada à identificação da CoInFo no contexto das universidades e bibliotecas ibero-americanas, os “nativos digitais” necessitam de formação em Competência em Informação, pois os currículos dos níveis escolares, primário e secundário, não contemplam um programa estruturado para esse fim. Nessa pesquisa foi possível observar que no ambiente universitário se realizam atividades nessa esfera, mediante o uso de diferentes estratégias didáticas de aprendizagem e de recursos de informação que permitem às pessoas as possibilidades de aquisição de conhecimentos, habilidades e atitudes para um melhor desempenho acadêmico. Com as informações coletadas a partir de 465 websites de bibliotecas universitárias (224 públicas e 241 privadas/particulares) quanto à oferta dessa atividade fundamental de formação, foi possível verificar que 249 (53.5%) apresentavam algum tipo de atividade de aprendizagem, conforme detalhamento na Figura 1, e 216 (46%) não apresentavam nenhuma atividade nessa linha de ação (na figura original do autor consta COMPINFO/ALFIN) . A partir desses dados, também foi possivel verificar os níveis de incorporação da Competência em Informação no universo pesquisado, e o autor propos uma classificação dos níveis das bibliotecas, Tabela 2, por tipo de atividades de formação.

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Figura 1 - Classificação das 249 (53.5%) que apresentaram algum tipo de atividade de formação em CoInFo

Fonte: URIBE TIRADO, 2012.

Tabela 2 - Classificação dos níveis de bibliotecas universitárias que proporcionam atividades de formação em Competência em Informação (CoInFo) Nível de comprometimento

COMPROMETIDAS

EM CRESCIMENTO

INICIANDO

DESCONHECEDORA S

Tipo de atividades em CoInFo

Programas de CI. Nivel 2 : cursos na biblioteca para desenvolver a CI : o instrumental + aprendizado ao longo da vida + pensamento crítico; e cursos/módulos específicos inseridos oficialmente nos currículos de distintos programas acadêmicos-carreiras para formar de maneira transversal e disciplinar nessa competência. Programas de CI. Nivel 1: cursos na biblioteca para desenvolver a CI : o instrumental + aprendizado ao longo da vida + pensamento crítico. Educação de Usuários. Nivel 2 : capacitação em serviços oferecidos pela biblioteca e alguns cursos bastante instrumentais para a busca da informação : utilização de catálogos/bases de dados, apesar de se poder notar um princípio de análise da necessidade de mudança nesta forma tradicional de educação. Educação de Usuários. Nivel 1: somente capacitação para o uso de alguns serviços e do catálogo. Não há indicação da presença de programas de desenvolvimento de CI. Fonte: URIBE TIRADO, 2012 (Elaborado pelas autoras).

Em relação ao Brasil, dentre as bibliotecas que apresentavam algum tipo de atividade de aprendizagem, o autor identificou, por Estado, que 33 bibliotecas 160


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

universitárias estão no nível 1 ou 2 da CoInFo, sendo que 15 são do Estado de São Paulo (47%), conforme indicado na Figura 2. Figura 2 – Identificação, por Estado, das 33 bibliotecas universitárias brasileiras que apresentaram algum tipo de atividade de formação em CoInFo

Fonte: URIBE TIRADO, 2012.

Um programa de desenvolvimento da Competência em Informação pressupõe a existência de profissionais qualificados para propor um projeto apoiado em bases pedagógicas a fim de contemplar o estudo do contexto, análise de características e peculiaridades dos usuários, especialmente suas necessidades de informação. Como pode ser constatado, as bibliotecas universitárias brasileiras ainda apresentam tímidas e fragmentadas ações no que se refere ao desenvolvimento da CoInFo, devido talvez à falta de políticas ministeriais e acadêmicas. É importante que os profissionais e a comunidade tenham consciência da responsabilidade de contribuir para o desenvolvimento de potencialidades cognitivas e da atitude científica nas bibliotecas, porém, em articulação com as atividades acadêmicas e com o apoio de abordagens adequadas. Conforme Uribe Tirado (2012), a formação em CoInFo é um dos principais desafios das bibliotecas universitárias frente à possibilidade de acesso aos recursos de informação que os meios digitais proporcionam e é necessário se conhecer e aplicar os melhores critérios de seleção e avaliação da informação para recuperar de forma mais pertinente e com maior qualidade. Segundo esse autor, a partir dessas experiências foi possível identificar um conjunto de “Lições Aprendidas” em sintonia com: o contexto social e organizacional específico; aos processos de ensino e investigação; aos processos 161


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

de aprendizagem e de avaliação da qualidade e melhora contínua. Trabalhar em rede com instituições educativas, como as bibliotecas universitarias, poderia ser um caminho fundamental a se incorporar nas múltiplas maneiras conforme cada contexto,

onde

a

capacitação

permanente

dos

formadores

(bibliotecários,

informáticos, professores de diferentes disciplinas, etc.) seria um aspecto importante para a constituiçao de uma comunidade de aprendizagem nessa temática formativa (URIBE TIRADO, 2013). Seguindo essa tendência, e a partir dos estudos realizados pelo SIBiUSP, a realização do Workshop promovido na FAUUSP teve como objetivo proporcionar um espaço diferenciado para que os profissionais da área analisassem quais seriam as variáveis e as perspectivas para refletir e articular a CoInFo como um fator essencial para o desenvolvimento de estudos e pesquisas no ambiente acadêmico. Os participantes foram bibliotecários da USP e externos à Universidade. Para a sua dinamização foi elaborada uma metodologia que proporcionasse a participação ativa dos presentes. Após a introdução do tema pelos dinamizadores do Workshop, foram organizados 13 Grupos de Trabalho (GT) com os participantes e nas temáticas propostas para análise: 1ª - O que é Competência em Informação no ambiente acadêmico; 2ª - Como criar e implementar programas de desenvolvimento da Competência em Informação nas bibliotecas universitárias;3ª - Que modelos e padrões podem ser utilizados para o desenvolvimento da Competência em Informação no ambiente acadêmico; 4ª - Em que a Competência em Informação se inter-relaciona com a pesquisa, ensino e extensão na universidade e 5ª - Quais seriam os pontos fortes e fracos das bibliotecas universitárias em relação à gestão da informação para otimizar a construção do conhecimento científico. Para a dinamização da análise desses aspectos propostos (1 a 4), foi utilizado o Diagrama Belluzzo5; para o 5º. aspecto foi utilizada a Matriz “SWOT”6. 5

O Diagrama Belluzzo, que está embasado em propostas de mapa conceitual, é um recurso pedagógico que proporciona a organização de representações de relações entre conceitos, ou entre palavras que substituem os conceitos, através de diagramas, nos quais as pessoas podem utilizar sua própria representação organizando hierarquicamente as ligações entre os conceitos e as pesquisas a serem realizadas (BELLUZZO, 2007). 6 A Matriz SWOT propicia a análise de dados, sendo possível tirar uma série de conclusões e traçar estratégias adequadas e utilizadas para traçar diretrizes relacionadas aos planos de ação. A matriz elaborada para o Workshop foi composta dos seguintes elementos:FORÇAS: Coisas que a universidade/ biblioteca/bibliotecários fazem bem; FRAQUEZAS: Coisas que a universidade/ biblioteca/bibliotecários não fazem bem; OPORTUNIDADES: Condições do ambiente externo que favorecem as forças; AMEAÇAS: Condições no ambiente externo que não favorecem as forças ou

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Na sequência das análises pelos Grupos 1, 2, 3 e 4 os dados foram consolidados de forma consensual em quatro únicos diagramas, com os seus três níveis de representação: círculo (conceitos diretamente relacionados ao foco da análise), quadrados (conceitos indiretamente relacionados ao foco em análise), triângulos (conceitos que envolvem o ambiente mais geral/macro relacionado ao foco em análise). Os grupos elegeram um único Relator para analisar, com o Relator do grupo 5, os resultados alcançados. Em seguida, procedeu-se à socialização dos dados, sendo que os mesmos se encontram descritos nas Figuras 3 a 6 e Tabela 3 no item 3. Ao final, foi realizada pelos dinamizadores uma síntese dos resultados obtidos em comparação com os princípios teóricos que envolvem a temática da Competência em Informação, objeto central do Workshop, encerrando-se as atividades.

3 RESULTADOS E CONCLUSÕES O Workshop foi desenvolvido com compromisso e comprometimento pelos participantes, sendo que o clima de cordialidade e interesse propiciou uma ambiência de trabalho que culminou com resultados considerados relevantes para a compreensão do tema “Competência em Informação - CoInFo”, que tem uma interrelação bastante estreita com o ambiente de ensino, pesquisa e extensão na Universidade. Ressalta-se, ainda, que os participantes apresentaram muito bem em suas discussões e na consolidação consensual da representação de suas ideias nos Diagramas (Figuras 3 a 6) e Matriz (Oportunidades e Forças) construídos. Através dos três níveis de representação nos diagramas e dos tópicos indicativos na matriz, pode-se verificar que os termos chave inseridos pelos Grupos de Trabalho demonstram a existência de uma compreensão quanto a importância do tema Competência em Informação, apresentando uma concordância em sua grande

enfatizam as fraquezas; AMBIENTE EXTERNO: Todos os elementos que, atuando fora da universidade/bibliotecas, são relevantes para suas operações; incluem variáveis econômicas, demográficas, tecnológicas, político-legais e socioculturais. AMBIENTE INTERNO: Elementos controláveis pela universidade/bibliotecas que impactam sua capacidade de obter resultados, negativa ou positivamente. Envolve: políticas institucionais, recursos de informação, clientes/usuários, concorrentes, distribuidores, fornecedores etc.

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maioria quanto aos recursos e ambiência necessários para a implementação de programas específicos para o desenvolvimento dessa área e atrelados aos currículos e projetos de pesquisa. Houve unanimidade em considerar que existem situações que poderão ser otimizadas por serem consideradas oportunidades e forças já existentes no cenário em foco, porém, também foram apontadas ameaças e fraquezas que precisam ser analisadas e transformadas em diferenciais de atenção primária para as comunidades envolvidas e que impactam sobremaneira o acesso e uso da informação de forma inteligente para a construção do conhecimento e a inovação em direção ao bem comum, missão maior da Universidade. Figura 3 - Dados consolidados da 1ª temática - O que é Competência em Informação no ambiente acadêmico

Fonte: Elaborado pelas autoras.

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Figura 4 - Dados consolidados da 2ª temática - Como criar e implementar programas de desenvolvimento da Competência em Informação nas bibliotecas universitárias

Fonte: Elaborado pelas autoras.

Figura 5 - Dados consolidados da 3ª temática - Que modelos e padrões podem ser utilizados para o desenvolvimento da Competência em Informação no ambiente acadêmico.

Fonte: Elaborado pelas autoras.

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Figura 6 - Dados consolidados da 4ª temática - Em que a Competência em Informação se inter-relaciona com a pesquisa, ensino e extensão na universidade

Fonte: Elaborado pelas autoras.

Tabela 3 – Consolidação da 5ª temática - Quais seriam os pontos fortes e fracos das bibliotecas universitárias em relação à gestão da informação para otimizar a construção do conhecimento científico ? OPORTUNIDADES Internet & Intranet Redes sociais & relações institucionais Estágios para alunos de qualquer área Mídias tecnológicas Educação continuada para os profissionais da informação AMEAÇAS

FORÇAS Atualização e variedade de acervos/USP Espaço físico & virtual Profissionais especializados Orçamentos destinados Fontes de informação Relatórios e indicadores Projetos específicos FRAQUEZAS

Orçamentos não destinados Falta de conhecimento em competência em Falta de espaço para a guarda de acervos Informação Enfraquecimento de sistemas de informação Burocracia Falta de renovação dos quadros de pessoal Falta de ambientação na universidade Falta de flexibilidade na seleção e Falta de acolhida da biblioteca recrutamento de pessoal Falta de equipes multidisciplinares Deficiência nas equipes das unidades de Falta de pares em outras unidades para a informação troca de informações Mudanças de gestão Políticas de governo ou de instituição Linguagem hermética e perfil dos bibliotecários Fonte: Elaborado pelas autoras.

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Esses resultados tornam-se referencial relevante e de representação sobre a compreensão do tema Competência em Informação (CoInFo) e de sua inter-relação estreita com o ambiente de ensino, pesquisa e extensão na Universidade, podendo também ser um subsídio para a implementação de programas de desenvolvimento da CoInFo de forma inter e multidisciplinar e devidamente planejadas no contexto das bibliotecas universitárias. Ficou evidente a importância do trabalho em parcerias e do apoio institucional para que tal situação tenha efetividade. Os resultados alcançados poderão ser utilizados por outros profissionais à medida que a competência deve ser compreendida como uma das áreas que requer um aprendizado, e se constitui num processo contínuo de interação e internalização de fundamentos quanto à compreensão da informação, sua articulação e abrangência em busca da fluência e das capacidades necessárias à geração de novos conhecimentos.

REFERÊNCIAS BELLUZZO, R. C. B. Construção de mapas: desenvolvendo competências em informação e comunicação. 2.ed. rev. atual. Bauru: Cá Entre Nós, 2007. BELLUZZO, R.C.B.; FERES, G. G. F. Competência em informação: de reflexões às lições aprendidas. São Paulo, SP: FEBAB, 2013. Disponível em: http://goo.gl/hMmJYe Acesso em: 20 maio 2015. BELLUZO, R.C.B. et al. Information literacy: um indicador de competência para a formação permanente de professores na sociedade do conhecimento. Educação Temática Digital, v.6, n.1, p. 181-99, 2004. CUENCA, A. M. B. et al. Academic Libraries Information Services in a Digital Environment – the current state of a Brazilian university. In: QQML 2012 - 4th Qualitative and Quantitative Methods in Libraries International Conference. Limerick, Irlanda, 22 a 25 de maio, 2012. FADEL, B. et al. Gestão, mediação e uso da informação. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2010. p. 13-32. Disponível em: <http://www.valentim.pro.br/Livros.htm>. Acesso em: 20 abr. 2015. GIBSON, C. The history of information literacy. In: COX, C. N.; LINDSAY, E. B. Information literacy instruction handbook. Chicago: Association of College and Research Libraries, 2008. p. 10-25. MACHADO, N. J. Sobre a ideia de competência. In: PERRENOUD, P. et al. As competências para ensinar no século XXI: a formação dos professores e o desafio da avaliação. Porto Alegre: Artmed, 2002. p. 137-154. 167


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

UNESCO. Overview of information literacy resources worldwide, 2014. Disponível em: <http://infolit.org/wp-content/uploads/2014/10/UNESCO-ILResourcesEd.2.pdf>. Acesso em: 10 abr. 2015. URIBE TIRADO, A. La alfabetización informacional en las bibliotecas universitarias de Brasil: visualización de los niveles de incorporación desde la información publicada en sus sitios web. Perspectivas em Ciência da Informação, v.17, n.1, p.134-152, jan./mar. 2012. URIBE TIRADO, A. Lecciones aprendidas en programas de alfabetización informacional en universidades de Iberoamérica: propuesta de buenas prácticas. Granada: Universidade de Granada; Havana: Universidade de Havana, 2013. 406 p. (Tese de Doutorado).

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12 PROPOSTA DE INTEGRAÇÃO DA AÇÃO BIBLIOTECÁRIA E AÇÃO DOCENTE NO PROGRAMA DE FORMAÇÃO PARA COMPETÊNCIAS EM INFORMAÇÃO NA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA

Elmira Luzia Melo Soares Simeão elmira@unb.br Universidade de Brasília (UnB) Emir José Suaiden emir@unb.br Docentes do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação Universidade de Brasília (UnB) Denise Bacellar Nunes denisebacellar@unb.br Universidade de Brasília (UnB) Lídia Santos flidiasan@gmail.com Universidade de Brasília (UnB) Fabiane Nogueira Freitas fabianefreitas@bce.unb.br Universidade de Brasília (UnB) Francisco Rafael Amorim dos Santos franciscosantos@bce.unb.br Universidade de Brasília (UnB) Jane Nasser janne@bce.unb.br Universidade de Brasília (UnB) Mara Karoline Lins Teotônio marak@bce.unb.br Universidade de Brasília (UnB) Marcelo Augusto Dias Scarabuci marceloscarabuci@bce.unb.br Rafael Barcelos Santos rafaelsantos@bce.unb.br Universidade de Brasília (UnB) Valéria Canto Pereira Universidade de Brasília (UnB)

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Mônica Regina Perez mperes.bsb@gmail.com Doutoranda Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação Universidade de Brasília (UnB)

Resumo: Relata experiência inovadora da Biblioteca Central da Universidade de Brasília em um Programa de Formação em Competência em Informação que integra docentes, discentes e bibliotecários da instituição. O programa reúne um conjunto de habilidades, desenvolvidas de forma disciplinada e coerente com o currículo universitário. A ação capacita o aluno para a autonomia na busca e uso de informações significativas à sua formação. A proposta inicial se apoia na oferta de uma disciplina cujo conteúdo aborda questões de normalização, metodologia, prática de pesquisa, direitos autorais e similares. A oferta da disciplina é complementada com outros formatos de treinamentos, alguns já utilizados pela biblioteca. A ideia é que parte desses conteúdos pode ser construído por bibliotecários, apoiados pelos professores. O mais importante é destacar a biblioteca como protagonista do processo de qualificação da pesquisa institucional. Na prática há consulta e interação com os diversos materiais a partir da página da biblioteca (textos, vídeos, tutoriais, etc.) e a divulgação dos repositórios institucionais. A avaliação se dá em processo quali-quantitativo e tem como objetivo principal verificar se os alunos utilizaram nas pesquisas a documentação certificada pela instituição, se produziram resultados satisfatórios, a partir da leitura e compreensão dos materiais indicados. Destaca-se que a avaliação considera o nível do aluno em função das etapas de curriculares de cada curso. Palavras-Chave: Competência em Informação; Biblioteca Universitária; Setor de Referência; Programa de Formação para Bibliotecas; Biblioteconomia.

170


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

1 INTRODUÇÃO A Faculdade de Ciência da Informação e a Biblioteca Central (BCE) da Universidade de Brasília, buscando ampliar o modelo de treinamento para a prática de pesquisa com o uso de materiais disponibilizados na BCE, vem trabalhando com os bibliotecários no desenvolvimento de um Programa de formação de usuários integrado à concepção dos currículos da graduação. O trabalho tem o apoio do Decanato de Ensino de Graduação (DEG) e pretende auxiliar os alunos no uso da documentação adequada às atividades acadêmicas, orientando sobre normalização e comunicação científica. A Universidade de Brasília, uma das mais importantes instituições públicas federais de ensino no Brasil é dividida atualmente em quatro campi. O campus Darcy Ribeiro comporta a maior parte de institutos e faculdades. Outros três campi descentralizados, distintos e especializados compõem a instituição: Planaltina, Gama e Ceilândia, que possui 26 institutos e faculdades e 21 centros de pesquisa especializados, com 109 cursos de graduação e 147 cursos de pós-graduação stricto sensu e 22 especializações lato sensu. Sua missão: Ser uma intuição inovadora, comprometida com a excelência acadêmica, cientifica e tecnológica, formando cidadãos conscientes de seu papel transformador na sociedade, respeitadas a ética, a valorização de 1 identidades e culturas com a responsabilidade social (SITE UNB, 2015 ).

No âmbito da formação proposta pela Biblioteca Central, houve a preocupação em adaptar o programa as especialidades de cada campi, pois cada um deles tem peculiaridade curriculares. O campus de Planaltina é especializado em agroecologia e a abordagem se diversifica com 04 cursos de graduação: graduação em Gestão Ambiental, Gestão do Agronegócio, Ciências Naturais e Educação do Campo e o Mestrado em Ciências de Materiais, Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural, Ensino de Ciências e Gestão Pública. O campus do Gama é especializado em engenharias com 05 graduações: Engenharias

Aeroespacial,

Automotiva,

Eletrônica,

Energia

e

Software;

Especialização em Engenharia Clínica e o Mestrado em Engenharia Biomédica e Mestrado em Integridade de Materiais de Engenharia. Já o campus da Ceilândia é especializado em Saúde Coletiva: com graduação (seis cursos) em Enfermagem,

1

Fonte: http://www.unb.br. Acesso em: 08 jun. 2015.

171


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Saúde Coletiva e Terapia Ocupacional e o Mestrado em Ciências e Tecnologias da Saúde. A formação nos campi é acompanhada pelas bibliotecas setoriais e o trabalho realizado por uma equipe de bibliotecários da BCE e das bibliotecas setoriais nos campi das cidades satélites onde a UnB foi instalada. Além de especialistas do setor de referência das bibliotecas, professores de distintas unidades acadêmicas participam dos cursos. A formação conta principalmente com docentes que lidam com as temáticas de metodologia, normalização e iniciação científica nos respectivos cursos de graduação. O trabalho contribui para o desenvolvimento de metodologia mais ampla que ajude na formação dos alunos, considerando seu perfil, ou seja, se é calouro ou é aluno de períodos mais avançados. A Competência em Informação é importante no ambiente acadêmico, pois ajuda na formação integral dos indivíduos, preparado-os para os desafios do uso da informação em redes, numa lógica hipertextual, e em espaços de múltiplas opções em termos de formatos e tipologias documentais. O trabalho tem como referências teóricas os estudos de Comunicação Extensiva (SIMEÃO, 2003; 2006), considerando a linguagem animaverbivocovisual (MIRANDA; SIMEÃO, 2014). Na proposta está prevista a realização de diversos eventos, cursos de formação e a oferta de disciplinas para calouros de graduação. O diferencial em relação aos programas desenvolvidos anteriormente na BCE é que esse é um trabalho integrado à sala de aula e que inicia convocando a colaboração dos professores de cada unidade acadêmica. O objetivo é introduzir em algumas disciplinas dos currículos da graduação os módulos de capacitação desenvolvidos pela equipe, com informações sobre produção científica e aporte teórico para aprimoramento dos alunos de cada curso. Com a colaboração das unidades e considerando a integração dos professores que lidam com disciplinas vinculadas à metodologia científica, será possível uma pesquisa mais ampla dentro do contexto acadêmico para a capacitação em larga escala, observando especificidades dos cursos e a criação de “núcleos pedagógicos”. Na avaliação espera-se indicadores do trabalho com informações sobre produção científica, e o aporte teórico para aprimoramento de técnicas que podem auxiliar o planejamento acadêmico de uma maneira mais propositiva, aproximando o 172


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

acervo do currículo, bibliotecário do professor. Esse trabalho poderá certamente ajudar na perspectiva da avaliação dos cursos e na melhoria e qualificação dos acervos, em um processo de acervamento permanente (MIRANDA; SIMEÃO, 2003).

2 DEFINIÇÕES, OBJETIVOS E DELIMITAÇÃO DO PROGRAMA - DADOS UNB Nesse programa, que integra bibliotecário e professores, entende-se Competência em Informação como um conjunto de habilidades, desenvolvidas de forma disciplinada e coerente com o currículo, capazes de tornar o discente mais autônomo na busca e uso de informações. Ou seja, dentro de um ciclo completo de ações, o aluno de graduação deverá perceber suas limitações e necessidades, o contexto onde se insere, compreender os diferentes tipos de opções e escolher os documentos e informações mais adequados. Ao verificar a pertinência, tem que dimensionar a pesquisa com conteúdos vinculados à uma problematização orientada pelo professor. É importante ensinar também sobre obediência a prazos e outros fatores condizentes com a rotina acadêmica. O aluno mostra autonomia quando é capaz de comunicar sobre o tema pesquisado em eventos de sua e quando mostra bom desempenho na iniciação científica. É importante destacar que tal ação é acompanhada por bibliotecários, professores observando os diferentes níveis dos alunos (do calouro ao sênior) e será monitorada pelo DEG com avaliação das etapas de intervenção. Nesse momento a equipe analisa com mais profundidade um estudo inicial de disciplinas de cada unidade identificando aquelas que poderiam integrar o programa de formação o que será validado pelos coordenadores dos cursos e professores interessados. O trabalho contribui para o desenvolvimento de metodologia de "Competência em Informação" em cinco vertentes principais: 1. Competência instrumental: capacidade para compreender e usar as ferramentas disponibilizadas pelas bibliotecas; notadamente a BCE/UnB e os repositórios institucionais; 2. Competência de recursos: habilidade para compreender o conteúdo, o formato, os métodos de localização e acesso de recursos informacionais, observando aspectos normativos e estratégias de uso para problemas de pesquisa vinculados ao conteúdo de cada graduação e temas escolhidos pelos professores; 173


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

3. Compreensão de contexto, ou seja, conhecer como a informação é socialmente situada e produzida no contexto da comunicação científica e acadêmica; 4. Competência investigadora: capacidade de compreender e usar as ferramentas baseadas nas tecnologias da informação relevantes ao trabalho de pesquisa; notadamente para a Iniciação científica; 5. Competência

editorial:

habilidade

para

dar

forma

e

publicar

eletronicamente pesquisas e ideias. Ter a postura para comunicação científica, verificando normas para formatos impressos e em multimídia. No ambiente acadêmico é essencial que as iniciativas de Competências em Informação aconteçam por meio de uma aprendizagem significativa, ajudando na formação integral dos indivíduos e preparando-os para os desafios no uso da informação em redes sociais (TIC). É preciso observar também a lógica de produção hipertextual, interativa e no contexto da "Animaverbivocovisualidade - AV3", quando a informação é integrada a um espaço de múltiplas opções em termos de formatos e tipologias documentais (MIRANDA; SIMEÃO, 2013; 2014).

3 HISTÓRICO Desde 2011, na primeira etapa da capacitação de alunos e multiplicadores foram promovidas ações com a finalidade de sensibilizar a equipe da biblioteca, docentes e integrantes do projeto, que estudam o tema. A equipe foi definida e composta por: bibliotecários, auxiliares de biblioteca, técnicos em assuntos educacionais, docentes, pesquisadores e discentes (pós-graduação e iniciação científica). Em 2014 iniciam-se as ações de divulgação e instalação operacional do projeto em toda a Universidade com a oferta de uma disciplina multicampi, disponibilizada para três turmas de estudantes dispersos em três dos quatro campi. A disciplina “multicampi” visa trabalhar e definir melhor os conteúdos propostos pelo Programa, contribuindo para a utilização da documentação e manejo da informação referente à área do conhecimento, e viabilizando a melhoria dos guias de fontes de cada um dos cursos. Durante a primeira oferta da multicampi foram habilitados cerca de 70 discentes

em

um

semestre,

atendendo

às

seguintes

áreas

e

cursos:

Biblioteconomia, Artes Plásticas, Ciências da Saúde e Ciências do Campo. A divisão 174


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

das turmas foi efetuada de acordo com a natureza de cada um dos campi da Universidade. Esta divisão propiciou que a aprendizagem fosse orientada às respectivas áreas de atuação profissional, proporcionando um conhecimento de caráter mais expressivo e identitário. Durante a primeira etapa de propagação do Programa a disciplina foi dividida em quatro módulos, referentes às seguintes temáticas: a) Universidade – ambientação no ensino superior e noções sobre o projeto pedagógico da UnB e seu histórico; Peculiaridades dos cursos e também informações complementares das unidades acadêmicas. b) Pesquisa – como procurar informações nas fontes online e meios físicos disponíveis na biblioteca, como utilizar funções nos catálogos sofisticando a busca de conteúdos e facilitando o desenvolvimento de investigações acadêmicas. Divulgação dos serviços disponíveis na biblioteca de cada campus e dos repositórios institucionais e respectivas coleções; c) Comunicação – formas de comunicar e compartilhar conhecimentos no meio científico e normalização de trabalhos acadêmicos; d) Preservação – como salvaguardar os dados obtidos por meio de pesquisa e a organização da informação pessoal. Após esta primeira experiência, a disciplina foi ofertada novamente durante o primeiro semestre de 2015. Na segunda etapa a disciplina foi ofertada a quatro grupos

de

distintos

cursos

e

também

com

propostas

mais

específicas:

Biblioteconomia, Ciências da Saúde, Ciências do Campo e alunos calouros inscritos no Programa Jovens Talentos (estudantes em períodos iniciais de diversos cursos, vinculados a um edital da Capes que visa induzir à iniciação científica). Os conteúdos desta fase foram segmentados em apenas três módulos (universidade, pesquisa e comunicação) e iniciou-se um trabalho de melhoria dos guias de fontes. Nessa etapa destaca-se a pesquisa para os aspectos relacionados ao guia de fontes de informação para qualificar melhor as práticas de pesquisa de cada área. Na matriz principal alguns temas relevantes foram enfatizados, considerando as especificidades de cada curso: direito autoral, análise de métricas nas pesquisas, utilização de bases de dados exclusivas, eventos científicos importantes para cada curso, periódicos de cada área e pesquisadores renomados que servem como referência. 175


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Com uma oferta que considera o efeito multiplicador do programa, houve crescimento expressivo de discentes atendidos em relação à primeira etapa (70 discentes, apenas). Na segunda etapa um total de 250 estudantes foram matriculados e vinculados de forma direta à disciplina em seu formato matricial, mas apenas cinco professores e seis bibliotecários acompanharam de perto a atividade. O objetivo agora é expandir o processo por meio de outras estratégias de multiplicação das ações de formação. Alguns aspectos foram observados e melhor considerados para a nova etapa, ainda em execução (2015/01). Entre as principais modificações para as próximas etapas, destacam-se a ênfase nas práticas de pesquisa de acordo com a especificidade de cada área e o uso das questões motivadoras nas atividades efetuadas nos treinamentos com a orientação dos professores. Parte das questões foram selecionadas pelo setor de referência das bibliotecas e tornaram-se elementos norteadores das aulas atuais. Com o tempo, o setor deverá reunir um banco de questões que poderão melhorar os treinamentos, complementadas pelo Guia de Fontes de Informação para cada área do conhecimento (ou para cada curso, quando for necessário).

4 GUIA DE FONTES DE INFORMAÇÃO COMO PRINCÍPIO NORTEADOR O Guia de Fontes identifica as principais fontes de informação no âmbito da Universidade, na busca de excelência para a comunicação científica a partir das propostas curriculares. Também pode melhor o acervamento de cada área e ajudar os coordenadores na hora das avaliações indicadas pelo MEC, ou de outra natureza. Dessa forma valoriza-se e contextualiza-se a função do bibliotecário no apoio estratégico de uma biblioteca escolar e universitária. O trabalho da comunidade universitária se qualifica na busca dos dados e fontes que podem enriquecer o plano de ensino das disciplinas, e também aproxima docentes e discentes para o uso do material acadêmico dos repositórios, facilitando práticas relacionadas à vida de pesquisador: produção de artigos, relatórios, palestras, cursos, etc. O Guia de Fontes de Informação serve para melhorar o acesso a informações por meio de referências (organizadas estrategicamente) e resumos sobre diversos aspectos que podem apoiar a busca de informações acadêmicas. No caso dos 176


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

treinamentos realizados pela BCE/UnB, pode organizar e facilitar o contato com conteúdos natureza institucional, por exemplo, quando explica aspectos importantes dos repositórios institucionais ou também valoriza o histórico e a memória, reportada em documentação organizada e disponível à toda comunidade universitária. Munir cidadãos e instituições com tais informações é uma forma de ampliar as possibilidades de participação e integração com os chamados “espaços de memória” (arquivos, museus, laboratórios, etc.) entre eles a própria biblioteca. No Guia de Fontes de informação são cadastrados conteúdos que atendem docentes, discentes e técnicos socializando materiais pertinentes e ajustáveis às peculiaridades curriculares e institucionais, articulando a organização da informação paripassu a formação para a autonomia. Deve também, considerando os preceitos da comunica. É um espaço onde cada um dos atores tem a possibilidade de acessar e ao mesmo tempo incluir informações.

5 ESTRATÉGIA DE MULTIPLICADORES NA GESTÃO INSTITUCIONAL DO PROJETO Procurando dar sustentação à longo prazo para o programa de formação "Competência em Informação para a Iniciação Científica", foi retomada a idéia de criação de um processo de formação de multiplicadores, iniciativa já fomentada pelo MEC e descrita em 2009 em portaria da Capes que trata do treinamento de multiplicadores na pós-graduação. A iniciativa do MEC é de 2009, funcionou até 2011 com o apoio das principais editoras do portal de periódicos da Capes, e agora serve de referência para a reformulação dos treinamentos da UnB, no programa coordenado pela Biblioteca Central e Faculdade de Ciência da Informação. Na portaria publicada em Diário Oficial, com o regulamento do projeto de formação intitulado "Multiplicadores do Portal de Periódicos Pró-multiplicar" em outubro de 2009 o MEC destaca como objetivo no Capítulo I: Art. 1º Capacitar alunos bolsistas de doutorado/mestrado da CAPES em instituições credenciadas ao Portal e habilitá-los para que atuem como monitores e multiplicadores na divulgação e instrução do Portal de Periódicos, com o objetivo treinar os alunos de graduação e pós-graduação, mestrado e doutorado, em suas instituições, para ampliar o uso do portal de Periódicos da Capes.

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Pode-se concluir que as duas ideias estão alinhadas em seu aspecto essencial por preocuparem-se em incentivar nos alunos e pesquisadores da instituição a utilização dos recursos de informação (do Portal e os demais disponíveis na biblioteca) na sua plenitude. É elementar que as ações da formação atinjam todas as diversas áreas do conhecimento propiciando uma melhor qualificação

no

uso

dos

diversos

recursos

eletrônicos

disponíveis,

mas

principalmente observando as especificidades dos conteúdos e as novidades mais importantes lançadas pelos grandes editores internacionais. Na metodologia pode-se destacar que além das leituras, exercícios e práticas de pesquisa, tudo elaborado com o acompanhamento dos professores e coordenadores pedagógicos de cada curso de graduação, é fundamental o planejamento das chamadas "Questões Motivadoras", ou seja, as questões de pesquisas trabalhadas durante o treinamento e que refletem problemas de pesquisa tratados pelos professores nos programas de pós-graduação e iniciação científica. Com uma permanente comunicação entre professores, bibliotecários e alunos, a instituição poderá criar uma base importante na formação, alicerçada no trabalho de investigação que é mais oportuna para cada área, observando o nível do aluno e a sua

contribuição

como

"aluno

de

graduação".

O

aluno

multiplicador

(preferencialmente um bolsista) deverá mostrar um desempenho superior e poderá não só para orientar os "calouros", mas também supervisionar suas tarefas e aproveitá-lo efetivamente como um "iniciante" na atividade de pesquisa. O trabalho tenderá a fortalecer a iniciação científica aproximando os alunos de graduação dos de pós-graduação. As

"Questões

motivadoras"

devem

ser

construídas

por

equipes

multidisciplinares. Com o tempo será possível que um “Núcleo Pedagógico” (com a participação da BCE, bibliotecas setoriais e unidades acadêmicas) mantenha permanente avaliação dos resultados obtidos nas ações de formação, propondo melhorias e ajustes. Essas questões motivadoras devem refletir assuntos das carreiras e currículos envolvidos, situando o aluno do contexto da profissão escolhida, locus de ação responsável para solução de problemas reais em contexto social explícito. No melhor dos cenários, espera-se que à longo prazo a instituição fortaleça o trabalho da biblioteca e mantenha um bibliotecário para o atendimento específico em cada instituto ou faculdade. 178


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Em um futuro próximo e com o acompanhamento permanente dos bibliotecários, a Biblioteca poderá desenvolver mais pontualmente os indicadores de produção qualificada. Esse esforço poderia ajudar também, do ponto de vista quantitativo e qualitativo, na produção científica dos grupos de pesquisa da instituição, com o compromisso, conforme defendia a portaria da Capes, de disseminar informação e promover treinamentos periódicos da comunidade acadêmica discente. A incorporação do Decanato de Pesquisa e Pós-Graduação (DPP) no projeto, numa segunda etapa, é importante pois o pressuposto principal é que alunos de pós-graduação poderão fortalecer a iniciativa, se devidamente treinados para o uso da documentação. Se os alunos de graduação puderem realizar atividades com a pesquisa em projetos já orientados nos programas de pós-graduação da UnB, com a supervisão dos discentes da pós, naturalmente a aproximação entre graduação e pós acontecerá. A FCI se compromete em fazer a oferta para o treinamento na pós-graduação a partir de 2015/02, a partir do efetivo apoio da BCE e DPP. O contato permanente com Ceilândia e Planaltina, unidades que aderiram desde o ano passado à proposta e já iniciaram, com as bibliotecas setoriais, permitirá a organização dos núcleos pedagógicos para o desafio com a pósgraduação. Com a pós também será priorizada a participação de professores que têm disciplinas vinculadas aos temas (normalização e prática de pesquisa e análise da informação). Será concluído em breve o estudo das disciplinas de graduação, mas torna-se essencial consolidar o trabalho junto às unidades. Com a liderança do DEG e DPP, é possível ampliar os espaços de treinamento incorporando a atividade ao fluxo dos cursos, observando as dinâmicas da formação e o nível dos alunos. A

pesquisa

busca

atualmente

ampliar

sequencialmente

modelo

de

treinamento para a prática de pesquisa com o uso de materiais disponibilizados na BCE integrando as Unidades Acadêmicas para a implementação do Programa de Formação em Competências para cursos de graduação em todas as áreas do conhecimento. O trabalho tem o apoio do Decanato de Ensino de Graduação (DEG) da instituição e o acompanhamento de pesquisadores do Brasil e da Espanha e poderá expandir-se gradativamente com a participação dos alunos da pósgraduação, em treinamentos e como multiplicadores do processo. 179


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

O Programa de Formação da Biblioteca Central da Universidade de Brasília tem como objetivo auxiliar os alunos no uso da documentação adequada às suas atividades acadêmicas (e de iniciação científica) e também orientar sobre normalização e comunicação científica. Uma das premissas do trabalho é a interlocução permanente do bibliotecário com os professores na discussão das questões que envolvem os treinamentos e a orientação dos alunos, observando a pertinência dos conteúdos e problemas de pesquisa e sua estratégia de conformação à natureza das propostas curriculares.

6 INOVAÇÃO NO ENSINO DE BIBLIOTECONOMIA Desde o início do projeto, ainda nas discussões de 2011, os pesquisadores perceberam que o Programa de Formação deveria ter um olhar especial quanto à participação dos alunos do curso de biblioteconomia. Com alunos calouros do curso, o treinamento seria oportuno, já que eles apresentam, quase sempre as mesmas dificuldades identificadas nos alunos calouros dos outros cursos de graduação, ou seja, a grande maioria não utiliza técnicas de pesquisa mais sistemáticas e tão pouco tem o hábito de frequentar bibliotecas. Para todos os alunos calouros da Unb, o programa prevê um necessário apoio básico quanto aos temas preparatórios à iniciação científica. Ao contrário dos calouros, os alunos de biblioteconomia de semestres mais avançados, podem colaborar de forma mais efetiva e deverão ser treinados para tornarem-se multiplicadores mais especializados. A hipótese é que eles são aptos a desenvolverem habilidades pedagógicas importantes para a profissão, o que os tornará mais sensíveis em relação ao atendimento de usuários, compreendendo a dimensão de um atendimento que prospecta para uma autonomia. No contexto da biblioteca universitária, essa habilidade, além de importante, é estratégica. A partir do primeiro semestre de 2015, os alunos do curso de Biblioteconomia da Universidade de Brasília acompanharam o programa de forma efetiva, por meio de ação curricular. A coordenação do curso passa a oferecer disciplina regular de quatro créditos, visando um treinamento programado para um apoio ao Setor de Referência da biblioteca. A ideia é sofisticar as práticas de pesquisa e normalização para motivar no aluno a vontade de ajudar na formação de outros alunos de

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graduação, apoiando as ações da biblioteca e sugerindo uma intervenção mais integrada com a expectativa do discente. O intuito deste grupo é compartilhar o conhecimento adquirido nas aulas com outros estudantes da Universidade não matriculados nessa disciplina. A equipe de multiplicadores foi formada, nesta etapa, por 25 alunos do curso de Biblioteconomia, denominados de tutores, conforme definido na proposta. Os alunos do curso de Biblioteconomia também acompanham, junto com o Setor de Referência da biblioteca, a evolução das práticas como "avaliadores” com a supervisão dos professores e bibliotecários, observando o desempenho dos discentes treinados pelo setor de Referência. Dessa forma a aprendizagem é fortalecida com o entendimento das questões relacionadas ao atendimento de usuários nas universidades, o que os torna também multiplicadores da formação para iniciação científica. Durante os treinamentos em que os alunos de biblioteconomia são apresentados como tutores, há um roteiro para a integração com os alunos de outros cursos de graduação. Além da apresentação do bibliotecário, há uma apresentação dos tutores, o que viabiliza, também uma explicação sobre o valor da ação profissional do bibliotecário. Na sequencia, há uma aula expositiva sobre Bases de Dados (BD) e Normalização (NZ) para apoio nos trabalhos acadêmicos. Na aula sobre BD, questões motivadoras são trabalhadas como as questões de pesquisa que orientam as atividades práticas dos alunos. Em NZ o aluno deverá simular a montagem de trabalho acadêmico observando as normas pertinentes. Os alunos de biblioteconomia acompanham todas as tarefas e avaliam o desempenho dos discentes dos outros cursos observando a prática da aula. Na aula de pesquisa, por exemplo, o exercício treina para a busca conteúdos com as fontes da biblioteca apresentadas durante a aula, conforme temáticas demandadas pelo professor identificadas na tabela de questões motivadoras. Na aula de normalização de trabalhos acadêmicos, pode-se auxiliar os alunos na padronização do arquivos para aplicação de diversas normas. Na divisão de tarefas, cada tutor ficará responsável por um grupo de alunos, devendo preencher os formulários de avaliação com observações sobre o desempenho dos alunos treinados, destacando suas principais dificuldades e também apontando sugestões para futuros treinamentos. A ideia é que em reuniões posteriores os relatórios 181


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

comportem essas informações, com a análise do bibliotecário, dos tutores e dos professores. No treinamento dos "alunos-tutores", a aprendizagem é fortalecida com o entendimento das questões relacionadas ao atendimento de usuários nas universidades, o que os torna também multiplicadores da formação para iniciação científica. Vale ressaltar que os indicadores para avaliação dos módulos e do impacto para alunos e profissionais envolvidos são construídos por uma equipe multidisciplinar, com o acompanhamento de especialistas do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), de bibliotecários da Biblioteca Central e Setoriais, e dos professores que lidam com as temáticas de metodologia, normalização e iniciação científica nos cursos de graduação. O programa foi iniciado em 2014 com a oferta de 200 vagas em disciplina "multicampi", o que permitiu a integração da equipe e a consolidação do conteúdo de cada módulo de formação. Apesar do modelo inicial não viabilizar uma consolidação, foi possível demarcar os principais tópicos de normalização, técnicas de pesquisa em base de dados, e informações pertinentes sobre direitos autorais, integridade e ética na pesquisa a serem utilizados na capacitação dos alunos de graduação, observando especificidades de sua formação e cursos. O envolvimento dos alunos da pós-graduação poderá ampliar a capacidade de atendimento à graduação, pois os alunos de pós certamente são usuários muito mais sensíveis à temática do treinamento. Com a adesão das 26 unidades acadêmicas existentes atualmente na Universidade de Brasília, e a ampliação do trabalho com alunos bolsistas de pósgraduação, a tarefa será mais facilmente executável, um desafio empolgante considerando um contexto institucional que reúne atualmente quase 50 mil alunos (graduação, extensão e pós-graduação).

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13 INDICADORES PARA AVALIAÇÃO DE PROGRAMAS PARA DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS INFORMACIONAIS

Daniela Oliveira Spudeit danielaspudeit@gmail.com Docente do curso de Biblioteconomia (Licenciatura e Bacharelado) Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) Rodrigo Pereira rodrigopereiracg@hotmail.com Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação Universidade Estadual Paulista (Unesp) Proprietário da Triagem Consultoria Ltda. Professor do Curso de Biblioteconomia do Instituto de Ensino Superior da FUNLEC (IESF)

Resumo: O presente trabalho apresenta indicadores de avaliação para acompanhar os programas para desenvolvimento de competências informacionais a partir das diretrizes propostas pela National and University Libraries (SCONUL), International Federation of Library Associations and Institucions (IFLA) e da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). A pesquisa se caracteriza por ser descritiva e exploratória, com abordagem qualitativa baseada em uma análise bibliográfica e documental em diretrizes e publicações internacionais da área. Apresenta orientações para a elaboração de um programa de competência em informação e indicadores de avaliação para proporcionar maior qualidade ao processo, otimizar recursos e contribuir para o alcance dos objetivos propostos. Palavras-Chave: Competência em Informação; Programa para Desenvolvimento de Competências Informacionais; Indicadores de Avaliação; Information Literacy.

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1 INTRODUÇÃO Desde a década de 80 vários pesquisadores, bibliotecários e associações internacionais de Biblioteconomia estão unindo esforços para criar programas e/ou diretrizes para qualificar e subsidiar os trabalhos dos bibliotecários em prol da melhoria da educação e formação de sujeitos com maior consciência crítica e reflexiva. Programas como Information Search Process, BIG6, The Research Cycle, PLUS, Flip It, 8Ws of Information Inquiry, entre outros foram criados com a finalidade de promover atividades visando o desenvolvimento de competências relacionadas ao uso da informação conhecido mundialmente pelo termo information literacy. Dentro desse bojo, esse trabalho se propõe a resgatar as diretrizes das principais associações bibliotecárias, entidades e organizações tais como National and University Libraries (SCONUL), International Federation of Library Associations and institucions (IFLA) e Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) para propor indicadores de avaliação para acompanhar os programas para desenvolvimento de competências informacionais visando proporcionar maior qualidade ao processo, otimizar recursos e contribuir para o alcance dos objetivos propostos. A pesquisa se caracteriza por ser descritiva e exploratória, com abordagem qualitativa baseada em uma análise bibliográfica e documental em diretrizes e publicações internacionais da área. A seguir, são apresentados os principais programas de competência em informação e as diretrizes criadas por pesquisadores envolvidos com a Literacy Information no âmbito internacional. Posteriormente, são descritas orientações para elaboração de programas de competência em informação e criação de indicadores de avaliação.

2 PROGRAMAS DE COMPETÊNCIA INFORMACIONAL Internacionalmente, existem vários programas criados por entidades e que buscam apresentar diretrizes para tornar as pessoas competentes em informação por meio de etapas que envolvem a identificação, busca, seleção e utilização de informação desde o ensino infantil até o superior. O Information Search Process (ISP) foi o primeiro programa criado nos Estados Unidos em 1981 por Carol Kuhlthau. Foi desenvolvido ao longo dos anos 187


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para ser focado nos estudantes do ensino médio e envolve seis etapas: início (conhecer a necessidade de informação), seleção, exploração, formulação, coleta e apresentação da informação (KUHLTHAU, 1987). O modelo Big Six Skills foi criado em 1988 pelos americanos Eisenberg e Berkowitz que objetivaram a resolução de problemas e tomada de decisões por meio de informações. Foi desenvolvido para ser aplicado em todos os níveis de ensino e também no ambiente de trabalho a partir de quatro etapas: identificação, busca, seleção e utilização da informação. O The Research Cycle foi criado em 1995 pelo professor Jamie Mackenzie no qual visava o processo de pesquisa como uma tarefa contínua e cíclica, sendo muito usado nas escolas da América do Norte, Ásia, Austrália e Nova Zelândia (MCKENZIE,1999). O Programa PLUS foi criado em 1996 pelo professor James Hering no Reino Unido e propõe quatro etapas: Planificação do processo de trabalho, localização das fontes, uso da informação e a self-evaluaton que envolve a avaliação do trabalho realizado (HERRING, 1996). O Flip It desenvolvido pela educadora Alice H. Yucht em meados de 1988, tendo uma classe de 7ª série do ensino fundamental como lócus do desenvolvimento do programa, foi criado a partir de quatro etapas: a definição do problema; a identificação e localização dos recursos (fontes de informação); reunião das informações estratégicas, fase que envolvia a tomada de notas, organização, análise e sintetização das informações coletadas e, por fim, a produção e apresentação das conclusões da pesquisa (YUCHT, 2012). O 8Ws of Information Inquiry desenvolvido por Annette Lam em meados de 1990, aborda oito dimensões e se baseia inicialmente na exploração, momento dirigido aos alunos com o intuito de torná-los melhores observadores de seu próprio meio, momento caracterizado como fase um, exploração (Watching), a segunda fase, caracterizada como fase de questionamento (Wondering), oportuniza aos alunos a problematização do meio, objetivando levá-los ao pensamento crítico e questionador, na fase três, inicia-se o processo de localização (Webbing), fase de orientação dos estudantes sobre localização e conexão de ideias. Inicia-se a quarta fase, caracterizada como avaliação (Wiggling), nessa fase a autora sugere utilizar de grupos de discussão, pois, segunda ela, essa fase gera exacerbada ansiedade, pois, 188


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nem sempre, os estudantes sabem selecionar as melhores fontes de informação. A quinta fase busca educar os estudantes ao processo de síntese, após selecionadas as fontes de informação, pretende-se levá-los a uma análise ainda mais específica, em função do estabelecimento das relações possíveis entre as informações e a problemática gerada no início do processo de pesquisa. A sexta fase é intitulada de criação (Wrapping), envolvendo a criação de ideais e soluções relacionadas à projeção e transformação da informação. Na sétima fase, dá-se o processo de comunicação (Waving), momento de manifestação da aprendizagem, nos mais diversos formatos e meios de comunicação. Por fim, a última fase é o momento de avaliação (Wishing), análise do processo desenvolvimento, buscando identificar melhores estratégias e redimensionamento de ações desenvolvidas e não tão bem sucedidas. (INFORMATION AGE INQUIRY, 2012). No Brasil, Kelley Gasque (2012) apresenta um modelo intitulado de “Padrões de Letramento Informacional” o qual se desenvolve sob a perspectiva de cinco padrões, sendo eles: primeiro, determinar a natureza e extensão da necessidade de informação; segundo, acessar as informações efetiva e eficientemente; terceiro, avaliar criticamente a informação e suas fontes, incorporando as informações selecionadas na base de conhecimento e sistema de valores do educando; o quarto padrão dirige-se ao uso, individualmente ou em grupo, da informação, de forma efetiva, aos objetivos propositados; o quinto, compreensão dos aspectos econômico, legal e social das questões relacionadas ao acesso e uso da informação, bem como, utilizar da informação de forma ética e legal. Além desses, existem outros que podem ser encontrados facilmente na literatura, contudo o foco desse artigo é apresentar indicadores de avaliação para que esses programas se tornem instrumentos efetivos para atingir os resultados e objetivos propostos a partir de padrões internacionais. Ao elaborar um programa voltado para desenvolvimento de competências informacionais, é necessário que o mesmo esteja alinhado às diretrizes da instituição onde será aplicado, deve estar de acordo com as necessidades, interesses e o contexto do público-alvo e principalmente unificar todos os profissionais possíveis por meio de um trabalho colaborativo. Belluzzo (2011) cita que em uma escola, por exemplo, o programa deve promover a articulação entre a missão, metas, objetivos e a fundamentação 189


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pedagógica do programa, antecipando e prevendo os desafios e oportunidades atuais e futuras. Deve considerar a análise do ambiente educacional da instituição e envolver estudantes, professores, bibliotecários, administradores e outros grupos de interesse, enquanto usuários da informação. Além disso, a autora ressalta que o mesmo também deve prever mecanismos formais e informais de comunicação e diálogo com a comunidade educativa, estabelecendo os meios para a execução e adaptação. A definição clara dos recursos humanos, tecnológicos e financeiros, atuais e projetados, assim como a especificação de mecanismos de articulação com o currículo, referindo-se às atividades que serão desenvolvidas e conteúdos focalizados é importante segundo Belluzzo (2011). As mesmas diretrizes podem ser aplicadas no ambiente empresarial, onde também se devem pensar as etapas a partir do planejamento estratégico e missão da

instituição,

interesses

do

público-alvo,

produto/serviço

ofertado

pela

empresa/setor, deve envolver diferentes profissionais com formações múltiplas para somar no processo, entre outras etapas apresentadas anteriormente. Dessa forma, se propõe aqui um roteiro para elaboração de um programa para desenvolvimento de competência informacional pautada em indicadores de avaliação. O programa deve ter a caracterização do local onde será desenvolvida a ação, público-alvo, quantidade de pessoas favorecidas, objetivo geral do programa, objetivos específicos de cada atividade, duração, descrição do programa, recursos, resultados esperados e indicadores conforme explicados no quadro a seguir:

Caracterização do local

Descrição da instituição onde será aplicado o programa, sinalizar se é pública ou privada, sua abrangência (municipal, estadual ou federal), tipo de atividades desenvolvidas, entre outras informações importantes.

Público-alvo

Pessoas que serão beneficiadas pela ação.

Quantidade de pessoas

Descrição da quantidade de participantes beneficiados diretamente com a ação.

Objetivo geral do programa

Descrição de uma frase que inicie com um verbo na voz ativa elencando a principal ação que se buscará no programa e que contemple as atividades propostas. Ao elaborar os objetivos é importante que o mesmo esteja relacionado aos documentos norteadores da instituição onde ele será aplicado (missão, visão, objetivos, etc).

Objetivos específicos das atividades

Descrição do objetivo de cada atividade que compõe o programa.

190


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Duração

Descrição do detalhamento da quantidade de horas, dias, semanas ou meses.

Descrição do programa

Descrição da metodologia e detalhamento das atividades e etapas que serão desenvolvidas. Caso seja usado algum programa existente, é importante enfatizar qual programa e descrevê-lo. Se forem criar ou adaptar um programa, também descrevam aqui. Coloquem aqui as habilidades que serão desenvolvidas nas atividades e como se dará a participação de outros profissionais da instituição no programa. Verifique se as atividades estão apropriadas a faixa etária dos participantes e necessidades dos mesmos.

Recursos

Descrição dos recursos materiais, financeiros, humanos e tecnológicos.

Resultados esperados

Descrição dos resultados que se espera alcançar após a conclusão das atividades propostas.

Indicadores para avaliação

Seleção e descrição de critérios para verificar se os objetivos foram alcançados.

Ao analisar os programas existentes, percebe-se que poucos apresentam indicadores de avaliação das etapas. Quando tem, são muito genéricos e pouco mensuráveis o que torna o processo de avaliação ineficaz. Essa questão será tratada a seguir à luz da literatura que tange avaliação de desempenho e aprendizagem na área de administração e de educação.

3 INDICADORES DE AVALIAÇÃO Os indicadores de avaliação constituem-se em uma dimensão do processo avaliativo determinante para o sucesso de um programa de desenvolvimento de competências informacionais, pois o estabelecimento de indicadores pode definir parâmetros básicos, intermediários e avançados do processo educacional dirigido às competências informacionais. Minayo (2009, p. 84) define indicadores como “parâmetros quantificados ou qualitativos que servem para detalhar se os objetivos de uma proposta estão sendo bem conduzidos (avaliação de processo) ou foram alcançados (avaliação de resultados)”. Ou seja, servem para medir o alcance de determinados objetivos, metas e resultados e se referem aos aspectos tangíveis e intangíveis da realidade. Sob a abordagem educacional, os indicadores são sinais que revelam aspectos de determinada realidade e que podem qualificar algo cuja variação possibilita constatar mudanças segundo Ministério da Educação (BRASIL, 2004). 191


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Diniz (1982, p.2) afirma que “a avaliação inclui julgamento de valor e apreciação do mérito”. A autora salienta ainda que a avaliação deve ser contínua, sistemática e integral buscando as evidências úteis para o desenvolvimento ao longo do processo e se tornando formativa. A avaliação formativa tem o propósito de precisar o grau de domínio de uma determinada tarefa de aprendizagem e assinalar com exatidão a parte não dominada. Sua finalidade não é qualificar o aluno e, sim, ajudá-lo a caminhar seguro em busca de meios necessários para chegar ao domínio da aprendizagem (DINIZ, 1982, p.7).

Ao assinalar a formação de indicadores ou critérios, na educação, é importante não confundir com níveis, graus ou conceitos. Podem-se usar como indicadores: desempenho dos alunos, interesse, assiduidade, relacionamento, responsabilidade, entre outros. Diniz (1982) cita algumas técnicas como a observação, inquirição, testagem, entre outras que podem ser usadas para verificar se os indicadores foram atingidos. Dentro da perspectiva administrativa, os indicadores de desempenho permitem monitorar e avaliar o processo para corrigir falhas ao longo da implantação e atingir melhores resultados, auxiliando no processo de tomada de decisão estratégica gerando um diferencial competitivo. Desempenho é a manifestação concreta, objetiva, do que uma pessoa é capaz de fazer. É algo que pode ser definido, acompanhado e mensurado e tem como suportes básicos: as habilidades técnico-operacionais, atributos pessoais e os comportamentos (LUCENA, 2004, p. 20).

A mesma autora enfatiza ainda que “o desempenho humano não é algo que se possa isolar da dinâmica cotidiana de uma organização e das relações dessa organização com o contexto maior onde atua” (LUCENA, 2004, p.16). A observação e os relatórios são importantes técnicas para mensurar o desempenho “de forma a avaliá-lo de acordo com algum critério quantitativo ou qualitativo”

segundo

Chiavenato

(2000,

p.370).

Definir

indicadores

para

acompanhamento e avaliação é a parte crítica do processo e definem o grau da qualidade e da quantidade esperadas sendo especificações dos resultados esperados. Os indicadores podem ter uma abordagem qualitativa ou quantitativa. Segundo Almeida (2005, p.28) A abordagem quantitativa utiliza metodologias baseadas na estatística e na experimentação controlada, dá ênfase à mensuração e quantifica metas e resultados. A abordagem qualitativa recai nos agentes e processos aprofundando o alcance da avaliação. [...] A abordagem qualitativa procura descrever significados que são socialmente construídos, e por essa razão, é considerada subjetiva.

192


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Dessa forma, optou-se por elencar indicadores de abordagem qualitativa porque permite maior interação, leva em conta a subjetividade dos sujeitos, permite compreender múltiplos aspectos e a dinâmica interna do programa e das atividades. Além disso, Minayo (2009, p.88) esclarece que os indicadores qualitativos são “construídos de forma participativa e considerados como balizas avaliativas, que permitem mapear com mais profundidade a natureza das mudanças ocorridas e em processo”. Os indicadores quando estabelecidos em função de objetivos claros em torno da competência informacional, têm a função de definir os resultados que devem ser avaliados para demonstrar a aquisição da competência informacional dos estudantes envolvidos no processo (NEELY; SULLIVAN, 2006.). Gómez Hernández (2000) esclarece que o desenvolvimento de parâmetros e indicadores para a aprendizagem de estudantes permite reconhecer as habilidades e atitudes que permeiam a competência informacional, bem como, oportuniza a estruturação e planejamento de atividades de desenvolvimento da competência informacional pela ação conjunta entre bibliotecários e professores. As diretrizes propostas pela AASL/AECT, SCONUL, ACRL, CAUL, IFLA e UNESCO apresentam recomendações para as equipes implantarem programas com ações sistematizadas para promover nos indivíduos a construção de competências informacionais. Entretanto, poucas citam indicadores de avaliação para verificar se as metas e propostas destacadas em seus programas estão sendo atingidas. Nas diretrizes da IFLA, é apresentado no capítulo 9 considerações sobre o monitoramento da aprendizagem visando à observação/acompanhamento dos aprendizes durante o seu processo de aprendizagem porque sob um caráter formativo e somativo é possível enriquecer o crescimento dos alunos, melhorar a formação e modificar, ao longo do processo, as diretrizes estabelecidas para que os objetivos sejam plenamente atingidos. Para fazer esse monitoramento, a IFLA propõe diferentes métodos para apoiar os alunos durante o seu processo de aprendizagem de habilidades em informação como listas de verificação, rubricas, diálogos, portfólios, relatórios, exames tradicionais e etc. Sob a luz de vários autores, Pereira (2015) também apresenta algumas atividades que podem ser desenvolvidas como a entrevista, painéis, diários, quiz, 193


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

autoavaliação, simulação, observação, ensaios, questionários de múltiplas escolhas, relatórios e enfatiza o uso de portfólios como sendo um instrumento bem completo para acompanhar os alunos no desenvolvimento das competências informacionais, comm também, para efetuar uma avaliação formativa. Também pode-se usar a triangulação que consiste no uso de vários métodos de avaliação reunindo dados para sedimentar a avaliação. Além disso, podem-se citar outras metodologias destacadas por Anastasiou e Alves (2012) como o estudo de texto, portfólio, tempestade cerebral, mapas conceituais, solução de problemas, phillips 66, estudo de caso, júri simulado, entre outras. A UNESCO publicou em 2008 diretrizes para o alcance de desenvolvimento das competências informacionais. O documento apresenta na introdução as definições, elementos e a cadeia entre informação e conhecimento abordando o papel da pesquisa para obter competência informacional.

Depois discorre sobre

alguns padrões ficando nas competências dos adultos que devem ser usadas no ensino superior, enfatiza a importância da ética e da igualdade nesse processo. Apresenta também opções e indicadores para o desenvolvimento das competências informacionais, critérios que podem ser usados pelos professores, entre outras informações importantes. Com base nesses indicadores e também nos sete pilares propostos pela The SCONUL Seven Pillars of Information Literacy – Core Model for Higher Education pela Society of College National and University Libraries (SCONUL) em 1999, apresentar-se-á indicadores de abordagem qualitativa que podem ser usados para avaliação

de

programas que

visem

o

desenvolvimento

de

competências

informacionais. Os sete pilares são baseados nas habilidades voltadas para bibliotecas e outras relacionadas às tecnologias da informação, além disso, é separado em níveis que começa no iniciante e vai até o expert. O Information Skills Model define as habilidades, atitudes e comportamentos que um estudante deve construir ao longo do seu processo educativo, para o desenvolvimento de competência informacional. Como

existem

vários

programas

internacionais

que

buscam

o

desenvolvimento de competências informacionais, aqui se optou por apresentar indicadores que proporcionem uma avaliação mais qualitativa para mensurar cada 194


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etapa dos programas existentes, visto que grande parte deles é criada com base nas diretrizes e padrões internacionais. Dessa forma, são propostos a seguir os indicadores com base nos sete pilares da SCONUL publicado no documento The SCONUL Seven Pillars of Information Literacy – Core Model for Higher Education visto que muitos programas seguem as diretrizes da SCONUL, IFLA e UNESCO como parâmetro internacional.

1. Reconhecer a necessidade de informação Para que o indivíduo seja capaz de reconhecer sua necessidade de informação, uma boa estratégia de atividade proposta é tempestade cerebral que permite estimular a imaginação e criatividade para gerar novas ideias. Como indicadores de avaliação pode-se usar a observação das habilidades desenvolvidas para apresentar as ideias, concisão, pertinência e aplicabilidade do tema. A técnica do grupo focal proposta por Minayo (2009) também se apresenta como importante instrumento para verificar se o sujeito consegue limitar o que precisa ser investigado e interpretado para responder ao seu problema de pesquisa. 2. Distinguir maneiras de eliminar os gaps A forma de eliminar os “gaps” ou lacunas de conhecimento é verificar se o sujeito conhece as fontes disponíveis e sabe como usar os recursos disponíveis. Os mapas conceituais que podem ser usados isoladamente ou em conjunto com outras estratégias para auxiliar o indivíduo a distinguir maneiras de eliminar as lacunas. Os mapas conceituais consistem na construção de um diagrama ou esquema que relaciona conceitos mostrando as relações hierárquicas entre eles acerca de um assunto. O mapa conceitual pode ser feito individualmente ou em grupo e permite que o aluno faça conexões e amplie seu quadro conceitual ao desenvolver a interpretação, classificação e organização de informações. Entre os indicadores de avaliação pode-se citar a representatividade do conteúdo, riqueza das ideias, criatividade na organização, relação justificada de conceitos. Para melhorar esse processo de acompanhamento, é importante usar técnicas como observação, quizz, construção de textos ou mesmo alguma atividade que envolva perguntas e respostas acerca do tema que facilitarão a mensuração da avaliação. 195


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3. Construir estratégias de busca Para construir estratégias de busca ou mesmo localizar e acessar informações o estudo de caso pode ser aplicado, pois permite uma análise minuciosa e objetiva de uma situação real que precisa ser investigada e desafiadora. O bibliotecário junto com o professor pode expor um caso a ser resolvido e um roteiro para o trabalho. Antes de debater soluções e fazer a análise do caso, o professor pode ajudar os alunos na construção de estratégias para a pesquisa para depois localizar e acessar as informações em diferentes fontes. Como indicadores de avaliação pode-se citar a escolha dos termos usados, as fontes escolhidas, a riqueza na argumentação, tais como: profundidade e variedade, coerência na prescrição, síntese e aplicação dos conhecimentos. Para verificar esses indicadores, a equipe envolvida deve estabelecer parâmetros para verificar se essas habilidades foram plenamente atingidas. Por exemplo, na escolha das fontes, é possível adotar alguns critérios de avaliação como a autenticidade da informação em fonte confiável, autoridade de quem é responsável

intelectualmente

pela

obra,

data

em

que

a

publicação

foi

disponibilizada, referencial teórico usado pelos autores para escrever a publicação, entre outros apontados por Tomael (2008). 4. Localizar e acessar Uma vez desenvolvida as habilidades de construção de estratégias de busca, desencadeia-se o processo de localização e acesso à informação propriamente dita. Esse pilar do desenvolvimento da competência informacional dirigiu-se a educação dos estudantes para a procura e possíveis conexões de informações em seu percurso de localização e acesso, pois, a ação de pesquisar desencadeia múltiplas conexões entre o conhecimento, levando o estudante a verticalização de seu processo de pesquisa, ampliando o campo de pesquisa e proporcionado ao estudante novas possibilidades de análises dos conteúdos recuperados. Entre os indicadores de avaliação pode-se citar a capacidade de reconhecer a necessidade de informação; de perceber que informação apropriada e abrangente é a base para tomada inteligente de decisão; de formulação de perguntas baseadas nas necessidades de informação; de identificação de múltiplas fontes de informação potenciais; de desenvolver e usar estratégias de localização de informação de maneira bem-sucedida. 196


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5. Comparar e analisar A elaboração de portfólios também é uma rica forma para propor uma atividade e, ainda, avaliar o aluno, pois permite um acompanhamento gradual e formativo ao longo do processo. O portfólio permite que o aluno faça o registro, análise, seleção e reflexão de suas produções com base em diferentes fontes e recursos de informação de uma forma mais significativa. Entre os indicadores de avaliação pode-se citar a clareza e coerência das ideias apresentadas, o uso da variedade e qualidade das fontes e recursos, objetividade e coesão que podem ser verificadas por meio da observação e também de um relatório escrito. Permite a equipe acompanhar todo o processo desde a construção, reconstrução e finalização apontando melhorias e sugestões para que cada aluno aprimore suas ideias, mas seja o protagonista da construção do seu conhecimento e se sinta responsável por sua aprendizagem. 6. Organizar, comunicar e aplicar Para verificar se o sujeito consegue organizar, comunicar e aplicar o que buscou, indica-se o uso do estudo de texto que é uma estratégia que ajuda a explorar as ideias de um autor a partir do estudo crítico de um texto, ou ainda, buscar em outras fontes de informação sobre um determinado conjunto de ideias que se deseja explorar. Tais ações ajudará o sujeito à obtenção e organização dos dados, interpretação, análise, reelaboração e criação de um resumo com suas palavras a partir de sua compreensão acerca do assunto. A avaliação poderá ser por meio de produção escrita ou oral. Ao estabelecer os indicadores, é possível traçar parâmetros qualitativos para verificar a capacidade cognitiva de organização das ideias e a divulgação delas, seja por meio impresso ou oral. Alguns indicadores possíveis de serem aplicados para efeitos de avaliação: demonstra capacidade de selecionar a informação apropriada para o problema ou pergunta proposta; de organizar a informação para a aplicação prática; de integrar nova informação ao próprio conhecimento; de aplicar a informação ao pensamento crítico e à resolução de problemas; de produzir e transmitir informação e ideias em formatos apropriados, de projetar e desenvolver produtos e soluções de informação, relacionados a interesses pessoais e organizacionais; de desenvolver produtos 197


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criativos em diferentes formatos, bem como, de comunicar, utilizando os mais diversos suportes de informação, os resultados do processo de aprendizagem. 7. Sintetizar e criar O processo de síntese e criação sugere a culminância da aprendizagem por meio de programas de competência informacional. Esse pilar externa a capacidade autônoma do estudante em analisar os conteúdos recuperados, reelaborá-los em função de suas próprias demandas informacionais, atribuindo a esses conteúdos novos elementos que fazem parte de seu background de conhecimento, ação cognitiva capaz de criar novos conhecimentos. Como indicadores possíveis à verificação desse processo pode-se citar: a capacidade de avaliar a qualidade dos processos e produtos da busca pessoal pela informação; de agregar novas informações em projetos e em seu próprio conhecimento; de delinear estratégias para revisar, melhorar e atualizar o serviço ou conhecimento gerado individualmente; de utilizar as tecnologias de informação e comunicação de forma responsável; de determinar exatidão, relevância e abrangência. Para Pereira (2015), os indicadores devem ser bem definidos, aplicados ao processo de avaliação do desenvolvimento da competência informacional como elementos

capazes

desenvolvimento

da

de

validar

competência

as

ações

e

informacional.

atividades Esse

decorrentes

processo

deve

do se

fundamentar em uma perspectiva colaborativa, entre educandos e profissionais envolvidos, evidenciando aspectos educacionais dirigidos à autonomia, por vias dinâmicas de aprendizagem, participativa e questionadora, colaborando à formação crítica, reflexiva e significativa.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS A partir do processo em que o desencadeamento da competência informacional de manifesta de forma efetiva, o sujeito externaliza sua aprendizagem a partir de seu campo conceitual e experimental, gerando novas manifestações de sua aprendizagem, sugerindo a capacidade de aprender ao longo da vida. Além desses, existem várias outras formas de acompanhar e avaliar as atividades propostas nos programas de desenvolvimento de competências informacionais. O importante é que a equipe sistematize os objetivos de cada 198


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atividade, escolha uma metodologia e elenque indicadores, sejam quantitativos e/ou qualitativos, para promover a avaliação processual e formativa. O aprimoramento dos estudos direcionados à competência informacional é determinante para a verticalização da temática, bem como, para a elaboração de propostas práticas dirigidas ao contexto brasileiro. Ao considerar a competência informacional como uma metodologia capaz de fomentar o processo educacional de indivíduos, tornando-os artífices de suas próprias vidas, expande-se a importância da competência informacional no Brasil. As habilidades informacionais, oriundas do desenvolvimento da própria competência informacional, apresenta-se como fator determinante a atualização permanente em torno do conhecimento, já que a Sociedade da Aprendizagem decorre dos processos de aceleramento do ciclo produtivo de informação, sustentados pelas tecnologias de informação e comunicação. Por

assim

dizer,

programas

de

desenvolvimento

da

competência

informacional carecem do estabelecimento de parâmetros e, sobretudo, de indicadores, orientados aos princípios que circuncidam o processo de educação do sujeito no século XXI, oportunizando-os ação efetiva em seus contextos de aprendizagem, trabalho e laser, potencializando-os a efetiva condição cidadã. Considerando essas expectativas, outros estudos dirigidos especificamente à questão dos indicadores para programas de desenvolvimento de competências informacionais tornam-se necessários, sobretudo, àqueles que conseguem externar as condicionantes que envolvem o processo educativo. REFERÊNCIAS ACRL. Information literacy competency standards for higher education. Disponível em: http://www.ala.otg/ala/acrl/acrlstandards/informationliteracycompetency.html. Acesso em: 02 jun. 2015. ALMEIDA, Maria Christina B. Planejamento de bibliotecas e serviços de informação. 2. ed. rev. ampl. Brasília: Briquet de Lemos, 2005. AMERICAN ASSOCIATION OF SCHOOL LIBRARIANS. Information Literacy Standarts for Student learning. 1998. Disponível em: http://www.ala.org/acrl/sites/ala.org.acrl/files/content/issues/infolit/standards/using/sta ndardsintro.pdf. Acesso em: 24 maio 2015. AMERICAN LIBRARY ASSOCIATION. Information Literacy Competency Standards for Higher Education. 2000. Disponível em: 199


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reflexão

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201


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202


14 ESTUDO SOBRE OS PROGRAMAS DE PROMOÇÃO À COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO EM BIBLIOTECAS DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA

Daniele da Fonseca Garamvolgyi e Silva danielefon@gmail.com Mestranda do Programa de Pós-graduação em Biblioteconomia Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) Alberto Calil Júnior caliljr@unirio.br Docente do Programa de Pós-graduação em Biblioteconomia Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)

Resumo: Objetiva traçar um panorama das ações de promoção à competência em informação realizada pelas bibliotecas que atendem aos cursos de pós-graduação em engenharia avaliados com conceitos entre seis e sete pela Coordenação de Avaliação de Pessoal de Nível Superior (Capes). A pesquisa empírica se dá através da aplicação de questionários on-line, encaminhados aos bibliotecários responsáveis por cada uma das bibliotecas e pela análise de conteúdo de documentos normativos destas unidades de informação, visando observar como os programas voltados para o desenvolvimento da competência informacional estão descritos nestes documentos e como se dá a prática das atividades de capacitação de usuários nas Instituições estudadas. Avalia a eficiência do questionário como instrumento de coleta de dados, através da aplicação de um pré-teste e sugere algumas alterações para a aplicação desta metodologia na presente pesquisa. Palavras-Chave: Competência em Informação; Biblioteca Universitária; Mediação; Educação de Usuários.

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1 INTRODUÇÃO Na atual sociedade em que vivemos, denominada Sociedade da Informação, o fluxo informacional tem se tornado cada vez mais intenso por conta da crescente proliferação de dados e de diferentes fontes de informação ao qual podemos ter acesso. Diante desta realidade, é imprescindível que os indivíduos saibam lidar com este vasto universo informacional, aprendendo a definir suas necessidades de conhecimento e a buscar, acessar e avaliar as informações, tornando-se aprendizes independentes e gerando saber ao longo da vida. Dessa forma, a Competência em Informação, entendida como o conjunto de habilidades necessárias à compreensão da necessidade informacional, estratégias de pesquisa, avaliação e uso eficiente da informação, torna-se de extrema importância para que os indivíduos se tornem emancipados na questão informacional e sejam capazes de construir conhecimento para ser aplicado junto a sociedade. Nesse cenário, acreditamos que a biblioteca universitária tem um papel importante, pois é neste espaço que ocorrerá a dinâmica de mediação da informação, além de se caracterizar como um local propício para discussões, formação de redes de relacionamento e fortalecimento de laços entre pares. Assim, ações voltadas para o desenvolvimento das habilidades informacionais dos usuários devem ser promovidas nesse ambiente de forma organizada e sistemática, através de programas de promoção à competência em informação que tenham como foco o usuário e suas necessidades informacionais. Diante do exposto, este estudo, que vem sendo desenvolvido como parte da dissertação de mestrado no âmbito do Programa de Pós-graduação em Biblioteconomia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO, tem como objetivos gerais: conhecer as atividades voltadas para a promoção da competência em informação nas bibliotecas que atendem a programas de pósgraduação em engenharia e averiguar como estas ações e programas de Competência em Informação são descritos nos documentos normativos destas unidades de informação.

205


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2 METODOLOGIA Para alcançar os objetivos pretendidos, buscamos embasamento teórico através de uma revisão de literatura, identificando os principais conceitos apresentados em artigos, teses e dissertações sobre competência em informação, mediação e programas de competência em informação. A pesquisa bibliográfica foi realizada em bases de dados (BRAPCI, Scielo, Emerald; LISA), na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) e em Anais de eventos da área. Como ambiente de pesquisa, elegemos bibliotecas que atendem aos programas de pós-graduação em engenharia avaliados pela Comissão de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior (Capes). Por se tratar de um universo amplo (362 cursos), delimitamos o campo empírico apenas para as unidades de informação ligadas a programas avaliados com notas entre seis e sete. Assim, através da Avaliação Trienal, divulgada no site da Capes, encontramos, no total, 47 cursos que se enquadraram nesta avaliação. Dessa forma, o universo da pesquisa se dará em 15 universidades, localizadas em diferentes regiões do país e 22 bibliotecas. Como estratégia para a investigação serão utilizadas técnicas distintas. A primeira ferramenta de coleta de dados a ser utilizada são os questionários, que serão aplicados junto aos responsáveis pelas bibliotecas estudadas, visando conhecer o perfil das unidades de informação e as práticas voltadas para a promoção da competência em informação desenvolvidas nesse ambiente. Um ponto importante a ser considerado na utilização deste instrumento de coleta de dados é a aplicação de um pré-teste, que segundo Marconi e Lakatos (2010) tem o objetivo de verificar a fidedignidade, a validade e a operabilidade do questionário, proporcionando a chance de constatar a ambiguidade das questões, verificar se a linguagem empregada é acessível e averiguar se os objetivos do estudo estão sendo alcançados. Assim, o pré-teste se caracteriza como uma importante ferramenta, pois nos dá a chance de refletir sobre aspectos relevantes da pesquisa, antes que se inicie efetivamente a coleta de dados. Para esta etapa preliminar do estudo, foi elaborado um questionário on-line, através da ferramenta Google drive, com 15 perguntas abertas sobre o perfil das bibliotecas e as ações voltadas para promoção à competência em informação dos usuários. 206


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O questionário foi composto pelas seguintes questões: 1) Nome da Biblioteca e Centro a qual pertence; 2) Número de alunos cadastrados; 3) Quais cursos voltados para engenharia a Biblioteca atende? 4) Qual o nº de funcionários? Quantos estão envolvidos com as atividades de capacitação de usuários? Eles também exercem outras atividades dentro da Biblioteca? 5) A biblioteca possui algum documento que descreva as atividades desenvolvidas? Ex: estatuto; diretrizes. 6) A biblioteca oferece algum tipo de atividade voltada para a capacitação de usuários? Quais? 7) Qual o conteúdo oferecido nas capacitações? 8) A equipe que atua nas capacitações teve algum treinamento especial? 9) Qual categoria de usuários é beneficiada com as atividades de capacitação? Existe alguma diferença entre as atividades oferecidas para diferentes categorias de usuários? 10) Qual a frequência com que são realizadas as atividades de capacitação? 11) Existe algum planejamento pré estabelecido pela biblioteca para a realização destas atividades? Qual? 12) A aplicação destas atividades de capacitação estão descritas dentro de algum documento da biblioteca? (Diretrizes; estatutos...) 13) Existe algum tipo de avaliação das atividades oferecidas? Qual? 14) Existe alguma parceria com professores ou com os programas da instituição? 15) É realizado algum tipo de acompanhamento com os discentes, após as ações de capacitação? Neste primeiro momento, o questionário piloto foi encaminhado para quatro bibliotecas que atendem a programas de pós-graduação em engenharia avaliados com conceitos entre seis e sete pela Capes e situadas na cidade do Rio de Janeiro. No entanto, apenas três unidades informacionais responderam ao pré-teste. O segundo método para coleta de informações a ser utilizado é a análise de conteúdo dos regimentos e políticas das bibliotecas selecionadas, a fim de identificar

207


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

como os programas de promoção à competência informacional estão descritos dentro destas unidades. De acordo com Bardin (1977), a metodologia de análise de conteúdo é composta por três fases distintas: a pré-análise; a exploração do material e o tratamento e interpretação dos resultados. Ressaltamos que nesta primeira fase da pesquisa, ainda não tivemos acesso aos regimentos das bibliotecas e nem aos documentos que descrevem os possíveis programas de promoção à Competência em Informação destas unidades, não sendo possível aplicar o método de análise documental neste momento. Assim, os resultados preliminares descritos nesta etapa do estudo têm como base apenas as repostas obtidas com os questionários piloto.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES Na visão de LAU (2007), ao elaborar as Diretrizes sobre desenvolvimento de habilidades em informação para a aprendizagem permante da International Federation of Library Associations and Institutions (IFLA), qualquer pessoa, seja um estudante ou um profissional, é considerado competente em informação quando possui habilidades para identificar suas necessidades informacionais, sabe onde encontrar e acessar a informação, além de avalia-la e organizá-la de modo que possa utilizar esse conhecimento adquirido da melhor forma possível. Considerando os principais componentes que sustentam o conceito da competência em informação, apontados por Dudziak (2003):

o processo

investigativo; o aprendizado ativo e independente; o pensamento crítico e aprender a aprender, entendemos que as ações voltadas para à promoção da Competência em Informação surgem como um dos principais serviços que podem ser oferecidos pelas bibliotecas universitárias, pois tem como intuito proporcionar aos usuários a oportunidade não só de se capacitar na utilização de fontes informacionais, como interagir de forma dinâmica com todo esse universo, desenvolvendo habilidades que os auxiliarão a lidar com a aprendizagem de forma ética e crítica ao longo de toda sua vida. Dessa forma, acreditamos que é importante estabelecer, dentro das bibliotecas, programas voltados para a promoção de competência em informação, que irão, de forma estruturada e sistemática oferecer aos usuários a oportunidade 208


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de desenvolver a capacidade de utilizar de forma eficaz, crítica e eficiente múltiplas fontes informacionais para que assim possam se tornar agentes ativos na construção de conhecimento. Nesse sentido, tomamos como base para este estudo, as recomendações elaboradas por órgãos internacionais como Association of College & Research Libraries, ACRL, denominado Guidelines for Instruction Programs in Academic Libraries (ACRL, 2011) e International Federation of Library Associations and Institutions (IFLA), que redigiu as “Diretrizes sobre desenvolvimento de habilidades em informação para a aprendizagem permanente” em 2007.Ambos documentos que buscam nortear e orientar as instituições interessadas em desenvolver ou potencializar um programa de competência em informação dentro de bibliotecas. Ambos os documentos descrevem tópicos essenciais que devem ser abordados durante a elaboração de um programa de competência em informação, como: a) Planejamento: abrangendo as estratégias que serão adotadas para o desenvolvimento das práticas voltadas para a capacitação dos usuários, reconhecendo as necessidades da comunidade a ser atendida, definindo o conteúdo que será disponibilizado, quais ferramentas serão utilizadas e qual metodologia das ações serão implantadas; b) Metas e objetivos: os programas devem direcionar suas metas e objetivos de acordo com a missão da biblioteca e da instituição de ensino pois a partir desse tópico, em um momento futuro, será possível averiguar se os resultados esperados estão sendo alcançados; c) Apoio: deve-se definir o material didático empregado durante as ações, quais profissionais da equipe ficarão responsáveis pela organização, desenvolvimento do programa e elaboração da previsão orçamentária para realização das atividades; d) Articulação com o currículo: é importante que as atividades voltadas para a promoção de competência em informação colaborem com os programas acadêmicos já existentes ou em desenvolvimento e que, de alguma forma, estejam ligados diretamente a disciplinas de metodologia da pesquisa, para que os alcances das ações desses programas sejam ampliados, mantendo sempre o foco da aprendizagem no estudante; 209


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e) Colaboração: é imprescindível a parceria entre bibliotecários, professores e membros da coordenação dos cursos, visando o desenvolvimento contínuo e integrado do programa de promoção à Competência em Informação. g) Pessoal: é necessário determinar a equipe que irá trabalhar no programa, incluindo não só profissionais ligados a biblioteca (bibliotecários e técnicos administrativos), mas os professores e coordenadores parceiros. h) Divulgação: utilizar os canais de comunicação disponíveis na instituição (formais e informais) para disseminar os programas à comunidade acadêmica. i) Avaliação: a avaliação do programa deve ter como base a missão e os objetivos traçados durante a fase de planejamento, abrangendo tanto o rendimento individual de cada um dos usuários, como a eficácia global do programa, verificando se os objetivos e metas foram alcançados. A utilização destas diretrizes se faz importante pois, atuando de forma integrada e articulada, irão nortear o planejamento, a implantação, a execução e a avaliação das ações de capacitação, aumentando a efetividade dos programas de promoção à Competência em Informação dentro das unidades de informação. Ressaltamos ainda a importância de desses procedimentos voltados para a promoção da competência em informação estarem registrados e descritos formalmente nos documentos normativos das Bibliotecas, para que as ações destes programas sejam realizadas de forma efetiva e sistemática e alcancem os melhores resultados possíveis.

4 RESULTADOS PARCIAIS Ao analisarmos as respostas obtidas através da aplicação do questionário piloto, observamos que as bibliotecas investigadas atendem alunos tanto de pósgraduação como de graduação, tendo suas ações de capacitação voltadas para os dois públicos e não havendo diferenças entre as atividades. Foi possível averiguar que estas unidades de informação oferecem atividades voltadas para capacitação de seus usuários e que estas ações se baseiam principalmente no conteúdo apresentado no quadro a seguir:

210


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Quadro 1 - Conteúdo oferecido Conteúdo de

Quantitativo bibliotecas

Acesso ao Portal Capes

3

Acesso a bases de dados voltadas para engenharia

3

Apresentação de serviços e produtos oferecidos pelas Bibliotecas

3

Catálogo e recursos informacionais oferecidos pela Universidade

3

Normas para trabalhos acadêmicos

1

Gerenciadores de referências

1

Ferramentas de busca na web

1

Fonte – Elaboração própria, 2015

Em relação a periodicidade das atividades, as bibliotecas relataram diferentes frequências regulares para a prática das ações, como podemos constatar no quadro a baixo: Quadro 2 - Periodicidade das atividades Periodicidade

Quantitativo

Trimestral

1

Semestral

1

Mensal

1 Fonte – Elaboração própria, 2015

Ainda de acordo com os resultados obtidos com a pesquisa através do questionário piloto, notamos que, mesmo diante do esforço dos bibliotecários em estabelecer ações voltadas para a capacitação dos usuários, as práticas oferecidas nestas unidades de informação não contam com um planejamento efetivo, pois possuem apenas a definição de um calendário prévio para a execução das atividades e a elaboração de um roteiro com o conteúdo para as apresentações. Percebemos que não existe praticamente nenhuma parceria entre as bibliotecas e os docentes ou outra unidade da instituição, o que dificulta o canal de interação entre bibliotecários e discentes, que acabam, salvo algumas exceções, participando das atividades de capacitação apenas quando sentem dificuldades no desenvolvimento de suas pesquisas. 211


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Também verificamos que apenas duas das bibliotecas investigadas realizam uma avaliação de satisfação em relação as capacitações, não sendo realizado nenhum tipo de acompanhamento para observar o desenvolvimento das habilidades ligadas à competência em informação de seus usuários. A falta deste acompanhamento e da avaliação do programa de competência em informação como um todo dificulta a constatação da eficácia das ações implementadas e o reconhecimento dos resultados obtidos, não sendo possível verificar se os objetivos almejados realmente estão sendo alcançados. Em relação aos funcionários envolvidos nas ações voltadas para promoção à Competência em Informação, observamos que apenas uma unidade afirma ter uma “equipe”, que apesar de exercer outras atividades dentro da biblioteca tem seu trabalho voltado para as capacitações de usuários. Nas outras duas unidades (talvez por se tratarem de bibliotecas de menos porte), praticamente todos os funcionários acabam se envolvendo com as capacitações. Porém, em nenhum dos casos foi relatado algum tipo de treinamento dos funcionários para atuarem nestas atividades. Tanto os bibliotecários quanto os técnicos administrativos destas unidades se preparam para desenvolver as atividades de promoção à competência em informação dos alunos apenas participando de treinamentos em bases de dados e buscando continuamente, por conta própria, novas fontes informacionais que possam auxiliar ao público alvo da biblioteca. Por fim, apesar de possuírem normas e diretrizes formalizadas para o funcionamento das bibliotecas, as três unidades informaram que as ações de capacitação de usuários não estão descritas nesses documentos. Diante das informações obtidas acreditamos que as práticas voltadas para a promoção de competência informacional dentro das bibliotecas observadas devem seguir de forma mais efetiva as diretrizes propostas pelos órgãos ACRL e IFLA, e assim definir melhor suas ações. Tomando como base a literatura da área (DUDZIAK, 2009; ACRL,2011; DIAS, 2004) destacamos como exemplos de ações foram observados e acreditamos que possam ser melhor trabalhadas pelas unidades de informação estudadas até o momento: -

Estreitamento do relacionamento com professores e departamentos;

-

A formalização do programa de competência em informação com o delineamento de objetivos e metas;

212


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-

O registro das diretrizes a serem seguidas pelo programa de promoção à competência em informação nos documentos normativos da Biblioteca;

-

A elaboração de um plano de marketing visando uma maior divulgação das atividades e serviços da biblioteca

-

O incentivo ao desenvolvimento da competência informacional dos funcionários, para que estes conheçam os recursos informacionais, serviços e produtos oferecidos pela biblioteca e estejam aptos a auxiliar os usuários com suas necessidades

-

Instituição de uma avaliação ao final das ações de capacitação, não apenas para verificar o grau de satisfação dos usuários em relação às atividades, mas também para averiguar se o conteúdo apresentado foi assimilado pelos discentes, e dessa forma, programar ações que acompanhem o desenvolvimento das habilidades informacionais destes alunos.

4 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS Por se tratar de uma pesquisa ainda em fase inicial, ressaltamos que as observações realizadas até o presente momento, refletem o resultado obtido através do pré-teste aplicado em apenas três bibliotecas do universo ao qual pretendemos estudar. Esta fase preliminar foi de suma importância, uma vez que nos proporcionou a oportunidade de averiguar se as questões abordadas nesse instrumento de coleta de dados foram elaboradas de forma clara, objetiva e se realmente estão alinhadas com a proposta e os objetivos da pesquisa. Através das repostas coletadas, constatamos que as práticas voltadas para a promoção de competência em informação dentro das unidades estudadas até o momento ocorrem ainda de forma tácita, decorrentes de um esforço dos bibliotecários, porém sem seguir as diretrizes propostas pelos órgãos da área. Percebemos ainda, mesmo não tendo acesso aos estatutos normativos das bibliotecas observadas, que estas ações não estão formalmente registradas e descritas nestes documentos, o que acaba dificultando sua realização de maneira ordenada e efetiva. Dessa forma, acreditamos que um alinhamento estratégico pode ser melhor definido pelas bibliotecas analisadas, para que as ações de promoção à 213


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

competência em informação possam ser trabalhadas de maneira mais efetiva e os programas voltados para estas práticas possam ser melhor estruturados, buscando

ampliar

assim,

sua

abrangência

dentro

da

instituição

e

consequentemente, contribuir para o desenvolvimento do ensino, pesquisa e extensão.

REFERÊNCIAS ALMEIDA JÚNIOR, Oswaldo.Francisco. Mediação da Informação e múltiplas linguagens. Tendências da Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação. v.2, n.1, p.89-103, jan/dez. 2009. Disponível em:<http://inseer.ibict.br/ancib/index.php/tpbci/article/view/17/39>. Acesso em: 14 maio 2014. ASSOCIATION OF COLLEGE AND RESEARCH LIBRARIES (ACRL). Guideline for instruction programs in academic libraries. Chicago: ALA, 2011. Disponível em: <http://www.ala.org/acrl/standards/guidelinesinstruction>. Acesso em: 03 jan. 2015. BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1977. BELLUZZO, Regina Celia Baptista. Educação de usuários de bibliotecas universitárias: da conceituação e sistematização ao estabelecimento de diretrizes. 1989. 107f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação)-Escola de Comunicação e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1989. BELLUZZO, Regina Celia Baptista. Educação de usuários de bibliotecas universitárias: da conceituação e sistematização ao estabelecimento de diretrizes. 1989. 107f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) -Escola de Comunicação e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1989. ________; SANTOS, Camila Araújo dos; ALMEIDA JÚNIOR, Oswaldo Francisco de. A Competência em informação e sua avaliação sob a ótica da mediação da informação: reflexões e aproximações teóricas. Inf. Inf., Londrina, v. 19, n. 2, p. 60 77, maio/ago. 2014. Disponível em: <http://www.uel.br/revistas/ uel/index.php/informacao/article/view/19995> DIAS, Maria Matilde Kronha; PIRES, Daniela. Usos e usuários da informação. São Carlos: EDUFSCAR, 2004. (Série Apontamentos). Disponível em: <http://bibliotextos.files.wordpress.com/2012/12/usos-e-usuc3a1rios-dainformac3a7c3a3o.pdf>Acesso em: 17 abril 2014. DUDZIAK, Elizabeth Adriana. Information literacy: princípios, filosofia e prática. Ciência da Informação, v.32, n.1, p. 23-35, jan./abr. 2003. Disponível em: <http://revista.ibict.br/ciinf/index.php/ciinf/article/view/123> Acesso em: 13 out. 2013. LAU, Jesus. Diretrizes sobre desenvolvimento de habilidades em informação para a aprendizagem permanente. IFLA, 2007. Disponível em: 214


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<http://www.ifla.org/files/assets/information-literacy/publications/ifla-guidelines-pt.pdf >. Acesso em: 3 maio 2014. MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de metodologia científica. São Paulo: Atlas, 2010.

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

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15 A CONCEPÇÃO DE COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO DAS DIFERENTES GERAÇÕES DE PESSOAS

Linete Bartalo linete@uel.br Joao Arlindo dos Santos Neto neto.john.1@gmail.com Docentes do Departamento de Ciência da Informação Universidade Estadual de Londrina (UEL)

Resumo: A competência em informação permeia todas as competências humanas, sejam quais forem, e se faz necessária para qualquer atividade desempenhada por um indivíduo. O presente trabalho discute os temas competência em informação e concepção popular de competência de acordo com as gerações de pessoas. Apresenta, a princípio, a concepção popular de pessoas de uma cidade do interior do estado do Paraná, quanto à competência em informação. Os dados foram coletados a partir de entrevistas realizadas em locais de aglomeração pública, gravadas e posteriormente transcritas e analisadas. Utilizou-se os procedimentos da Análise de Conteúdo de Bardin (2011) e categorizou-se as respostas. Como resultado, constatou-se que as pessoas não conhecem a competência em informação e seu significado. Conclui que entre as gerações estudadas, não há divergência quanto à concepção de competência em informação, isto é, o período em que as pessoas nasceram não interfere na compreensão que elas possuem sobre a temática estudada. Palavras-Chave: Competência em Informação. Concepção Popular de Competência. Gerações de Pessoas.

217


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

218


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1 INTRODUÇÃO Bruce (2003) delineou em sete categorias as concepções de competência em informação de professores universitários, encontradas como resultados de sua pesquisa, levando em consideração a ênfase identificada nas respostas, que se transformaram nas clássicas “sete faces da competência em informação”. Vignoli e Bartalo (2014) relacionaram estas concepções às características das Gerações de Pessoas (SANTOS et al., 2011), num trabalho teórico que partiu da premissa de que a competência em informação de pessoas nascidas em períodos históricos distintos, diante de uma necessidade informacional, possa ser diferenciada. Tendo por base tais estudos, e por pressuposto que a ocorrência individual do uso da informação é um fenômeno cotidiano na vida do cidadão comum de qualquer idade, o presente estudo teve por objetivo investigar empiricamente a concepção de competência em informação das cinco gerações de pessoas elencadas de acordo com Santos et al. (2011): 1ª Geração: Veteranos (nascidos de 1900 a 1950); 2ª Geração: Baby Boomers (nascidos entre 1941 e 1965); 3ª Geração: Geração X (nascidos de 1960 a 1985); 4ª Geração: Geração Y (nascidos entre 1976 e 2002); 5ª Geração: Geração Z (nascidos de 1994 até a data presente) . Embora a competência em informação (CoInfo) seja reconhecida como condição essencial para que o indivíduo alcance a cidadania e a inclusão social (DUDZIAK, 2008), os estudos desta temática, em grupos não institucionalizados, sofrem restrições diversas, além de serem até mesmo desqualificados e considerados irrelevantes (NASCIMENTO; MARTELETO, 2004; ARAUJO, 2008). Alinhando-se à modalidade de grupos não institucionalizados, a relevância deste estudo reside na busca da concepção popular de competência em informação, que definiu seus participantes a partir de locais de aglomeração de pessoas em uma cidade

paranaense,

com

critérios

abertos

sobre

atividade

profissional

e

pertencimento institucional, mas fechados no que diz respeito ao período de nascimento. Considerando-se que a CoInfo seja a competência que permeia todas as competências humanas, pois informação se faz necessária para qualquer atividade desempenhada por um indivíduo, e que a concepção que ele possui a esse respeito possa ser influenciada de algum modo pela geração a que pertença, a questão que norteou este estudo e ofereceu suporte à orientação teórica-metodológica pode ser 219


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assim expressa: Qual a concepção popular de competência em informação? De um modo geral, a concepção que o indivíduo forma a respeito dos fenômenos, das situações, dos acontecimentos, enfim, do mundo que o rodeia, possui dois componentes, um individual e um coletivo. No caso específico da concepção do fenômeno da CoInfo, a interferência que o período de seu nascimento pode ter, desvelaria úteis aproximações com as quais pesquisadores desta temática poderiam contar.

2 A CONCEPÇÃO DE COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO NAS GERAÇÕES DE PESSOAS O termo concepção vem a ser uma noção, uma ideia, um conceito, uma compreensão, um ponto de vista (FERREIRA, 1988). Por terem uma natureza cognitiva e atuarem como uma espécie de filtro, as concepções são indispensáveis ao entendimento do mundo, pois estruturam o sentido que direciona a significação individual a respeito dos fatos, das situações, dos saberes, das novas informações, enfim, de tudo que chega ao intelecto. Segundo Ponte (1992, p. 1) “As concepções formam-se num processo simultaneamente individual (como resultado da elaboração sobre a nossa experiência) e social (como resultado do confronto das nossas elaborações com as dos outros)”. Addison e Meyers (2013), num estudo teórico, cujo objetivo foi o de alinhar a competência em informação aos contextos formais e informais nos quais as pessoas a empregam e a desenvolvem, identificaram na literatura da temática, três concepções de competência em informação: 1) a competência em informação como aquisição de habilidades na "era da informação"; 2) a competência em informação como cultivo de hábitos da mente; e 3) a competência em informação como envolvimento em práticas sociais com informação abundante. Dudziak (2001) também destaca três concepções de competência em informação: 1) Concepção com ênfase na informação; 2) Concepção com ênfase nos processos cognitivos; e 3) Concepção com ênfase no aprendizado ao longo da vida. Para esta autora, estas concepções são um continuum e se integram à medida que a primeira concepção representa a sociedade da informação, a segunda, a sociedade do conhecimento e a terceira, a sociedade da aprendizagem, sendo que à

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

primeira ênfase corresponde uma visão tecnocrata, à segunda, uma visão cognitiva e à terceira, uma visão sistêmica. Segundo Miranda (2006, p. 109) a competência informacional refere-se a “um conjunto de competências individuais que possa ser colocado em ação nas situações práticas do trabalho com a informação”, ou seja, a competência manifestase no indivíduo e se materializa nas atividades e práticas informacionais cotidianas. Perrenoud (1999, p.7) ressalta que a competência é “uma capacidade de agir eficazmente em um tipo de situação, capacidade que se apoia em conhecimentos, mas não se reduz a eles”. De um modo geral, a competência em informação pode ser entendida como a capacidade do indivíduo em lidar com a informação nos atos de buscar, acessar, avaliar, usar, e compartilhar, além de identificar sua necessidade informacional que, via de regra, desencadeia essas ações (DOYLE, 1992; DUDZIAK, 2008; DUDZIAK, 2001, entre outros). Resumindo, desde a primeira veiculação do termo (ZURKOWSKI, 1974), a concepção de competência em informação vem apresentando variações de acordo com a ênfase adotada. Assim, na década de 1970, a ênfase estava na busca da informação para resolução de problemas no ambiente profissional e focava o domínio de habilidades no uso de ferramentas com vistas a atender a parte técnica, ou seja, uso profissional. No decorrer da década de 1980, as publicações acrescentavam ao conceito existente, o conjunto de habilidades e atitudes para compreender e avaliar a informação, com uma clara orientação à construção do conhecimento. Em 1987 Kuhlthau publica sua monografia que defende uma pedagogia

orientada para

a

competência

informacional, proporcionando

à

comunidade acadêmica um novo enfoque para a temática, com fins educacionais (KUHLTHAU, 1991). Em 1989 a American Library Association publica o “Information Power” com a finalidade de explicitar as habilidades informacionais a serem desenvolvidas, além de trazer uma definição de “Information Literacy” que recebe ampla aceitação considerando o surgimento de programas educacionais voltados para a competência informacional. Na sequência, abrangendo o final do século passado e começo deste, são criadas organizações de pesquisa, discussão e disseminação da competência informacional.

221


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No Brasil, a partir de 2011, seguindo a tendência internacional do movimento da competência em informação, foram produzidos três documentos1 que estabelecem diretrizes políticas visando abranger amplamente a população no que diz respeito à aquisição da competência em informação. Na discussão e estabelecimento do último documento, ocorrido em 2014 no III Seminário de Competência em Informação em Marília-SP, foi adotada a sigla CoInfo e estabelecido o termo Competência em Informação, com vistas a alinhar as produções científicas da temática. A concepção popular a respeito de um fenômeno é o ponto de partida para propostas que visem avançar no entendimento ou implantação de uma atividade que oriente para um objetivo maior. As diferentes gerações de pessoas apresentam características diversas no que tange aos aspectos sociais e individuais nas questões de trabalho e enfrentamento das situações cotidianas, como alerta Maldonado (2005) “Há semelhanças e diferenças entre elas [as gerações] em várias questões tais como: valores e visão de mundo, modo de lidar com a autoridade, sentido de lealdade, expectativas, equilíbrio entre as diversas áreas da vida”. Choo (2006) defende que o valor da informação está contido no relacionamento que a pessoa constrói entre si e determinada informação. Portanto, a informação somente será útil a partir do momento em que alguém lhe atribui significado, sendo possível que uma mesma informação objetiva receba um significado subjetivo diferenciado pelos indivíduos. Nesse sentido, a própria concepção de competência informacional pode receber diferentes significados. As Gerações de Pessoas diferem principalmente em três pontos: pela ética no trabalho, pela percepção de hierarquia nas organizações e pela resistência a mudanças (RODRÍGUEZ SEGURA; PELÁEZ GARCÍA, 2010). Dessa forma, a concepção centrada no uso das tecnologias para buscar informação ou para gerar conhecimentos cooperativamente, uma das categorias evidenciadas por Bruce (2003) é, com base na literatura, uma ação diferente para cada geração. A Geração Z, por exemplo, acredita que “Su sociedade existe en internet donde se abre su mente y expresan sus propias opiniones.” (REVISTA DE ANTIGUOS ALUMNOS DEL IEEM, 2011, p. 66). Por seu turno, a concepção centrada nos processos cognitivos e a concepção centrada na aprendizagem ao longo da vida contemplam 1

Declaração de Maceió (2011); Manifesto de Florianópolis (2013); Carta de Marília (2014).

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principalmente as características apresentadas nas gerações X e Y, sendo que as gerações Baby bommer e Veteranos não apresentariam estas características com a mesma expressividade.

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Esta pesquisa utilizou o método exploratório, com abordagem qualitativa e descritiva. Cervo e Bervian (1978, p. 62), conceituam pesquisa descritiva como aquela que “[...] trabalha sobre dados ou fatos colhidos da própria realidade buscando conhecer as diversas situações e relações que ocorrem na vida social, política e econômica e aspectos do comportamento humano”. As entrevistas foram encerradas quando se obteve um número de respostas suficientes para se fazer a análise, isto é, com sujeitos pertencentes a todas as gerações apontadas por Santos et al. (2011). Os dados foram coletados a partir de entrevistas realizadas nos terminais urbanos, em diferentes regiões da cidade de Londrina/Pr, durante duas semanas. Os respondentes foram abordados e lhes era explicado o objetivo da pesquisa, e que os dados fornecidos seriam utilizados somente para este fim. Ao término da coleta, 27 participantes das diferentes Gerações de Pessoas assinaram o Termo de Consentimento Livre e esclarecido em duas vias, sendo que uma delas ficou com cada um deles e a outra foi devidamente arquivada. O roteiro da entrevista foi composto pelas seguintes questões: O que é competência e o que é uma pessoa competente? Já ouviu falar de competência em informação? O que é competência em informação? Quais as características de uma pessoa competente em informação? Você se considera competente em informação? As entrevistas foram transcritas e tratadas de acordo com o método de análise de conteúdo que, segundo Bardin (2011), consiste em técnicas e procedimentos sistemáticos de descrição do conteúdo das mensagens, permitindo estabelecer categorias de acordo com a ênfase evidenciada nas respostas dos participantes.

5 RESULTADOS E DISCUSSÃO Ressalta-se que uma das dificuldades encontradas na coleta de dados foi a desconfiança de alguns participantes em fornecer as respostas e a não autorização 223


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da gravação das falas, sendo que neste caso, não foram entrevistados. Além disso, houve entrevistas interrompidas devido ao ônibus dos respondentes estar saindo do terminal. Do total de 27 entrevistados, contou-se com a participação de 13 homens e 14 mulheres, sendo cinco membros da Geração Baby Boomer, sete da geração X, nove da geração Y, cinco da geração Z e somente um da geração Veteranos. Em relação ao nível de escolaridade dos respondentes, obteve-se a participação daqueles que possuem desde o 1º grau incompleto até o nível superior completo. Um respondente afirmou não possuir escolaridade e outro cursar pósgraduação. Pelo fato das pessoas estarem “em trânsito”, isto é, deslocando-se de uma região da cidade para outra, não foi possível obter um número de respostas equivalente por região. Por exemplo, em muitos casos as entrevistas realizadas no terminal urbano da região norte foram com participantes que moram no centro ou em outra região, mas que ali estavam somente de passagem. Para análise e discussão dos dados, integrou-se as perguntas que eram mais próximas em relação ao seu questionamento e tendo sido extraídas três categorias: 1) concepção de competência, 2) características de uma pessoa competente e 3) auto percepção de CoInfo. Os dados são apresentados a partir do discurso coletado dos sujeitos de uma mesma geração, observando se há convergência ou divergência em relação às respostas. Essa diferenciação entre as respostas foi realizada a partir do estabelecimento de categorias com base nas proximidades e distanciamentos entre as respostas dos entrevistados.

5.1 Concepção de competência A concepção de competência e de pessoa competente para as gerações, está ligada ao “saber fazer”, “fazer bem feito” e “ser responsável”. Essas categorias foram explicitadas nas respostas de todas as gerações. No entanto, as gerações apresentaram diferentes percepções quanto à competência. Tanto a Baby Bommer, quanto a X e a Y percebem que a competência está ligada ao aprendizado e ao conhecimento. Para a Baby Bommer e a Y, ser competente está ligado a obedecer e a respeitar. Para a Baby Bommer, X e Y ser competente é saber falar. A geração Z confunde competência com competição, pois aponta em seu discurso o alcance de metas e o reconhecimento, e segundo a geração Veteranos não existe pessoa competente. 224


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Percebe-se a falta de conhecimento das pessoas em relação ao significado do termo competência, pois a maioria reduz ao fazer. A competência envolve outros fatores além da ação em si própria, como por exemplo, a cultura, o comportamento, os valores, os conhecimentos, as habilidades e as atitudes de uma pessoa. Todas as gerações vislumbram a pessoa competente como aquela que respeita e obedece. Pode se considerar que seja uma visão muito restrita e ingênua se comparada à abrangência do significado do termo. 5.2 Características de uma pessoa competente Não houve consenso entre as gerações pesquisadas sobre as características de uma pessoa competente em informação, várias foram as respostas e diferentes são as visões entre elas. As gerações X, Y e Z destacaram como característica: ser inteligente, ter conhecimento e informação. Já os Veteranos, Y e Z apontaram o “saber falar” como característica. A geração X e Y se referem às pessoas que respeitam e obedecem. Para a geração Baby Bommer e Y são as pessoas criativas e dinâmicas. A geração X também indica a pessoa que é responsável. Segundo a geração Y é a pessoa que tem autonomia em buscar o que precisa. E de acordo com a geração Z é necessário ser também simpático, sincero, crítico e consciente. As gerações elencaram diversas características para uma pessoa ser competente em informação, no entanto, ainda foi evidenciado o aquela pessoa que obedece, respeita e é responsável. Nesta categoria, foi possível inferir que o período de nascimento de cada pessoa, isto é, a geração a que ela pertence, interfere no modo de perceber as características de uma pessoa competente. 5.3 Autopercepção de competência em informação Dos 27 entrevistados, somente três sujeitos da geração Baby Bommer e X afirmaram já ter ouvido falar sobre CoInfo, todos os outros das demais gerações disseram nunca ter escutado sobre o termo. No entanto, ao perguntar se eles arriscariam a falar sobre o que seria a CoInfo, quatro sujeitos pertencentes as gerações X e Z discursaram que está ligada ao embasamento e ao conhecimento sobre determinada informação, e a capacidade que a pessoa tem em explicar bem a informação. O sujeito da geração Baby Bommer que afirmou já ter ouvido falar, não arriscou a explicar o que seria a CoInfo. Ao questionar se os participantes se consideravam competentes em informação, as respostas também foram bastante divergentes entre as gerações. 225


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Dois sujeitos da Geração Baby Bommer não se consideram competentes em informação porque há muita informação disponível e outros dois disseram não saber se são competentes, pois não sabem o que é a CoInfo, mas que podem ser. Um sujeito declarou possuir autonomia e, portanto, ser competente. A geração Veterano informou com firmeza ser competente em informação, pois procura o que precisa. Na geração X, quatro sujeitos afirmaram ser competentes, pois são pontuais e responsáveis, buscam informações e gostam de ler, tem consciência de que o senso comum é diferente do conhecimento científico e, que são competentes em suas áreas de atuação. Dois afirmaram ser mais ou menos competentes, mas não justificaram o que os levou a tal afirmação. Um afirmou não saber se é, que depende saber para quê ele precisa ser competente. Em relação a geração Y um sujeito diz não saber se é, mas que procura ser competente em informação. Um sujeito afirma não ser, e outro diz que é competente, mas somente naquilo que faz. Quatro sujeitos dizem ser mais ou menos competentes, e que o aprendizado interfere neste quesito. Quanto aos sujeitos da geração Z, um afirmou que não é competente em informação. Um disse que é, mas somente em relação ao que ele precisa. Dois disseram que são mais ou menos competentes, pois depende do assunto a ser debatido. Por fim, um afirma não ser e confunde competência com competição. Infere-se que em relação à auto percepção sobre a CoInfo, existe uma divergência entre as gerações. Existem aquelas que se autodenominam como competentes em informação, as que não fazem isto, as que não sabem dizer se realmente são e as que afirmam ser competentes somente na sua especialidade ou área de atuação. 6 POSSÍVEIS CONSIDERAÇÕES A partir das categorias encontradas na análise dos conteúdos das respostas obtidas junto aos participantes, pode-se afirmar que o período de nascimento não interfere na formação da concepção dos sujeitos sobre o que é a competência e o que é ser competente em informação, pois os respondentes apresentaram em suas falas, discursos muito próximos quanto a esta percepção. Os participantes da Geração Z por terem nascido em ambiente já fortemente estruturado pelas tecnologias para as diversas rotinas, acreditam que ser 226


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competente em informação perpasse pelo domínio das tecnologias, mas confunde competência com competição. Por valorizar a educação, a Geração Y acredita que a competência em informacional esteja nesta direção e não ocorra sem ela. Já os membros da Geração X, por buscarem oportunidades e desafios de aprendizagem, autodesenvolvimento e por trabalharem em grupo, vislumbram a competência em informação como fenômeno espontâneo ligada ao embasamento e ao conhecimento. A competência que permeia a maneira de lidar com a informação pode ser considerada imprescindível para todas as idades e gerações. Os resultados encontrados neste estudo dão conta de que a concepção desta competência sofre interferência da cultura, das experiências individuais e da realidade atual, no entanto, existe um fator comum entre essas concepções, o de que ela seja fundamental para a Era da informação em que vivemos. Apesar do presente estudo ser pontual e, em decorrência disto, seus resultados não se prestarem a generalizações, possibilita evidenciar a compreensão da concepção popular da competência em informação das diferentes gerações de pessoas. Espera-se também com este trabalho, suscitar novas investigações e reflexões que contemplem novos estudos com grupos não institucionalizados e, que venham a contribuir com o avanço da temática dentro da área de Ciência da Informação.

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16 COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO: INDICADORES DE PERFORMANCE DOS BIBLIOTECÁRIOS ATUANTES EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS

Gabriela Belmont de Farias Eliene Gomes Vieira Nascimento Neiliane Alves Bezerra Pablo Gomes gpcmai.ufc@gmail.com Universidade Federal do Ceará (UFC) - Centro de Humanidades - Departamento de Ciências da Informação - Grupo de Pesquisa Competência e Mediação em Ambientes de Informação

Resumo: O ambiente universitário é reconhecido pela sociedade como um locus de conhecimento e fomento da educação. Neste espaço, as bibliotecas universitárias vêm desenvolvendo ações com intuito de sensibilizar e desenvolver habilidades de acesso e uso da informação. No contexto brasileiro, as ações relacionadas à competência em informação têm sido vinculadas, em sua grande maioria, à capacitação do usuário, ficando subtendido que o bibliotecário possui habilidade informacional suficiente para atender às demandas informacionais dos usuários. Com intuito de refletirmos sobre a performance do bibliotecário em relação às habilidades informacionais exigidas pelo contexto universitário, formulamos a seguinte questão: Na perspectiva do bibliotecário, quais indicadores de performance eles identificam ao realizarem suas atividades? O objetivo geral está em caracterizar os indicadores de performance dos bibliotecários que atuam no processamento técnico e serviço de referência, pois entendemos que ambos os serviços estão diretamente relacionados a atender às demandas informacionais do usuário. A pesquisa caracteriza-se por sua natureza aplicada, exploratória e de campo. A coleta de dados evidenciou que os bibliotecários vêm buscando a capacitação através da educação continuada. Revela ainda que são capazes de definir e articular as necessidades informacionais dos usuários, observando as questões éticas, legais e socioeconômicas que cercam o uso da informação. Concluiu-se que os bibliotecários, na sua grande maioria, possuem habilidades informacionais. Ressalta-se que essa análise se baseou em dados estatísticos que revelam um esforço real dos bibliotecários em assumir o papel de mediador da informação no contexto universitário. Palavras-Chave: Bibliotecário; Biblioteca Universitária; Competência em Informação; Indicadores de Performance.

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1 O PAPEL DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA NO ENSINO SUPERIOR A biblioteca universitária (BU) das Instituições de Ensino Superior (IES) pode ser considerada como equipamento da maior importância, por ser um sistema de informação imprescindível no suporte às ações acadêmicas, na valorização da instituição e na credibilidade social da universidade que a mantém. Seu papel como sistema de informação se faz presente no trinômio ensino, pesquisa e extensão quando: Serve de apoio ao ensino, pesquisa e extensão, através da prestação de serviços aos alunos de graduação, pós-graduação, professores e funcionários da instituição na qual está inserida, bem como promove a cooperação e o intercâmbio de ideias e conhecimentos científicos com outras bibliotecas e a sociedade em geral. (MACHADO, BLATTMANN, 2011, p. 10).

Na perspectiva de cumprir seu papel, a BU deve estar alinhada à missão da universidade, com o objetivo de suprir as necessidades informacionais de sua comunidade acadêmica, conduzindo estrategicamente suas atividades meios para atingir o melhor desempenho de suas atividades fins. Assim, o resultado positivo na oferta de seus serviços promoverá avanços significativos nos programas educacionais. Nesse sentido, a BU deve estar atenta ao cenário mutante e economicamente instável, da atual sociedade da informação, exigindo cada vez mais conhecimentos e habilidades dos bibliotecários nas áreas de gestão e avaliação de serviços, na tentativa de compreender as complexas transformações e os avanços promovidos pelas tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). As organizações, de um modo geral, têm buscado novas estratégias de ações para se firmarem no mercado competitivo e exigente, em termos de qualidade e inovação. Sobre este aspecto, a BU é afetada sob um ponto de vista ainda mais pragmático no que se refere à sua estrutura, serviços e produtos, estilo gerencial adotado e pela tecnologia utilizada (OLIVEIRA,2002).

Na perspectiva de acompanhar este novo fenômeno, a BU tem buscado adequar-se aos novos paradigmas administrativos e aos novos modelos gerenciais, inserindo novas técnicas que possibilitam melhorias nos processos, nos produtos e na prestação de seus serviços ofertados. A esse respeito, Miguel e Amaral (2007, p.3) reforçam que, […] a informação não deve ser considerada de maneira isolada nas instituições, às bibliotecas universitárias está reservado o papel de repensar suas atividades e funções, procurando adaptar-se aos novos modelos organizacionais e assim extrair das tecnologias disponíveis o substrato para o aperfeiçoamento na prestação de serviços e na eficaz utilização de suas informações.

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As limitações dos antigos catálogos substituídos pela agilidade e praticidades de recuperação pelas bases e banco de dados online, demonstra que as BU's usufruem deste avanço em seus serviços e produtos quando a literatura aponta como mudanças: mais acesso da informação; mais agilidade nas tarefas; menos tempo gasto nas atividades de processamento técnico; maiores possibilidades nas buscas; acesso a bases nacionais e internacionais; comunicação entre bibliotecas; mais agilidade e controle no material de circulação; sistema de comutação bibliográfica; crescimento da variedade dos suportes; entre outros, que vieram facilitar o acesso e a localização da informação, otimizando estratégias de buscas focadas no objetivo de disponibilizar o acervo com maior rapidez e eficácia (GOMES; BARBOSA, 2005). Diante das mudanças necessárias na estrutura da BU acerca dos procedimentos, técnicas, tecnologias e ferramentas utilizadas, torna-se urgente uma ampla discussão sobre a gestão da BU. Nesse sentido, destaca-se o papel do bibliotecário como um empreendedor atento às exigências do mercado e à cultura organizacional da instituição que a BU está inserida, compreendendo o seu papel como mediadora da informação. Neste cenário, o bibliotecário deverá conhecer tanto a realidade interna como a externa para que sua percepção seja capaz de gerir políticas de gestão eficiente para monitorar e aprimorar fatores como satisfação dos usuários, qualidade em serviços, gerenciamento eficiente da produção entre outros. Tudo isso sempre tendo como premissa básica os objetivos da BU. No contexto brasileiro, a BU vem empreendendo ações relacionadas à competência em informação (CoInfo) vinculadas, em sua grande maioria, à capacitação do usuário, ficando subtendido que o bibliotecário possui habilidade informacional suficiente para atender às demandas informacionais da sua comunidade acadêmica. Com intuito de refletirmos sobre a performance do bibliotecário em relação as habilidades informacionais exigidas pelo contexto universitário, formulamos a seguinte questão: Na perspectiva do bibliotecário, quais indicadores de performance eles identificam ao realizarem suas atividades? Tendo como objetivo: caracterizar os indicadores de performance dos bibliotecários que atuam no processamento técnico

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e serviço de referência, pois entendemos que ambos os serviços estão diretamente relacionados a atender às demandas informacionais do usuário.

2 INDICADORES DE PERFORMANCE EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS As ações de controle e certificação de qualidade se intensificaram nas organizações e, consequentemente, atingem os serviços de informação que é a matéria prima utilizada pelas BU's. A busca por essas ações exige a elaboração de indicadores de desempenho e o seu monitoramento com o intuito de avaliá-las e, assim, promover ações estratégicas visando a concretização da missão e visão da mesma. A esse respeito, Vergueiro e Carvalho (2001, p.4) destacam que “A qualidade dos serviços bibliotecários na área universitária requer, entre outras coisas, indicadores que permitam avaliar seus serviços”. Observa-se que a qualidade se transformou alvo principal para as instituições e os desafios que se impõem para o seu alcance, remetendo imediatamente à necessidade de se descobrir formas de medição de produtos e serviços. O desafio da gestão da BU, assim como de todas as organizações, é saber converter o capital humano em recursos intelectuais, na tentativa de inovar e agregar valor a produtos e serviços de qualidade para seus usuários. Dessa forma, a organização consegue sustentabilidade, alcançando suas estratégias e objetivos, estabelecidos previamente na declaração da sua missão. Habilidade, criatividade, memória, know-how, intuição são atributos do capital humano (STWART, 1998) e que se aplicam ao contexto da CoInfo no âmbito das atividades dos bibliotecários, uma vez que a materialização desses atributos se converte no capital intelectual sob a forma de: invenções, processos, programas, projetos e documentos. Na constituição de Sistema de Recuperação da Informação (SRI) são mobilizados conhecimento, informações e saberes. Os SRI´s são definidos por Dias (2006, p. 65) como: “instrumentos fundamentais para localizar, de forma mais precisa, as informações existentes nas coleções da biblioteca e com a mesma função básica: selecionar e adquirir materiais de informação, de fazer o tratamento, organização e armazenamento, para posterior recuperação”.

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Insere-se aqui, a reflexão sobre as habilidades informacionais do bibliotecário, enquanto capital humano essencial na elaboração, desenvolvimento e manutenção de um SRI. Na área da Ciência da Informação revela-se uma preocupação crescente com a temática da CoInfo, não porque os bibliotecários desejem assumir o papel de docentes, mas por acreditarem que a sua função é também educativa e não se limita ao apoio meramente instrumental ao processo de aprendizagem, mas acompanhar o processo de produção do conhecimento, assumindo o significado de mediador da informação. Sendo assim, as bibliotecas acadêmicas vêm, a cada dia, tentando inserir em seu planejamento os programas de desenvolvimento da CoInfo. Mas o que dizer das habilidades informacionais dos bibliotecários? Como avaliar a sua performance e com que instrumento? Que características o bibliotecário reconhece e identifica em suas práticas profissionais? Na busca de instrumentos para avaliar as habilidades informacionais do bibliotecário, pode-se recorrer a algumas características de caráter mais técnico e conforme Manga (2007, p. 9-10), são elas: a) O domínio das técnicas da entrevista de referência; b) O adequado conhecimento das obras de referência existentes sobre o tema ou temas em que está especializada a biblioteca, isto é, o conhecimento da estrutura bibliográfica interna da literatura científica; c) A compreensão da relação entre as fontes de informação primárias e secundárias de uma determinada área científica; d) O conhecimento do ritmo de crescimento da literatura respectiva, isto é, que fontes vão surgindo, produzidas por quem e com que frequência; e) O conhecimento da idade das fontes e das respectivas lacunas; f) A diversidade de recursos de informação de uma determinada área científica (fontes impressas, bases de dados, CD-ROM’s e Internet); g) O conhecimento das técnicas de selecção, recuperação, tratamento e difusão de informação querem a partir das fontes de informação tradicionais quer a partir dos novos suportes e recursos de informação como a Internet; h) Conhecimentos vastos das tecnologias de informação e comunicação. A identificação da habilidade informacional do bibliotecário, assim como do usuário, pode também basear-se nos padrões da (ACRL, 2000 apud MATA; CASARIM, 2011) para: Determinar a extensão de sua necessidade informacional; 236


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Acessar a informação de que precisa eficiente e eficazmente; Avaliar a informação e suas críticas e suas fontes criticamente; Incorporar a informação selecionada a sua base de conhecimentos; Usar a informação eficazmente para cumprir um propósito específico; Entender os problemas e questões econômicas, legais e sociais que se relacionam com o uso da informação e acessar a informação ética e legalmente. As características e padrões acima podem ajudar na modelagem de indicadores, pois apontam para uma relação estreita entre o processo de organização do conhecimento e o serviço de referência. Alertando que não se trata de valorizar a questão meramente técnica, pois não basta aperfeiçoar o desenvolvimento da técnica de processamento de informações, em detrimento dos fins, ou seja, do atendimento ou do serviço de referência. Um depende do outro para o aperfeiçoamento constante do sistema na perspectiva de atingir níveis elevados de qualidade. 3 METODOLOGIA A pesquisa se caracteriza por sua natureza aplicada, exploratória e de campo. Os sujeitos desta pesquisa constituíram-se dos: bibliotecários da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE), tendo um quantitativo de 30 (trinta) bibliotecários participantes. Como instrumento de coleta de dados utilizou-se um questionário específico com questões fechadas, dividido em duas etapas, sendo a primeira com intuito de identificar não somente o setor de trabalho como também o tempo de experiência e dados relacionados à formação continuada desse profissional. A segunda etapa está relacionada a identificação das habilidades informacionais, identificada pelos bibliotecários que atuam nas universidades mencionadas acima. As questões relacionadas às competências (conhecimentos, atitudes e habilidades) foram préestabelecidas adotando os padrões de performance estabelecido pela Association of College & Research Libraries. A coleta de dados envolveu a distribuição dos questionários

para

cada

bibliotecário,

acompanhados

por

uma

carta

de

apresentação, enfatizando os objetivos da pesquisa. Os questionários foram entregues pessoalmente aos sujeitos investigados. A análise dos dados respaldou-se na tabulação dos mesmos que descreveram respectivamente: o setor de atuação; o tempo de experiência e dados relacionados à formação continuada bem como a perspectiva do bibliotecário em relação às suas habilidades informacionais. 237


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5 RESULTADOS E DISCUSSÕES 5.1 Caracterização da formação do bibliotecário, instituição, setor e tempo de atuação.

Fonte: Dados da pesquisa

Verificou-se que os bibliotecários das bibliotecas universitárias da UFC e UECE estão em sua maioria com uma formação acadêmica em nível de pósgraduação. Tendo 77% dos bibliotecários uma formação de pós-graduação lato sensu, 7% dos bibliotecários com mestrado e 3% com doutorado. Ficando 13% dos bibliotecários somente com a graduação. Observa-se que os bibliotecários atuantes nas BU's, após sua formação básica, continuam buscando a qualificação profissional através da educação formal. Em relação à distribuição dos bibliotecários por IES, identificamos que 73% dos bibliotecários atuam na UFC e 27% dos bibliotecários, UECE. Os setores no qual os bibliotecários atuam na BU estão definidos da seguinte forma: 43% dos bibliotecários atuam no setor de referência, 39% no setor de processamento técnico, 11% dos bibliotecários atuam nos dois setores e 7% não responderam à pergunta. Evidencia-se que os bibliotecários das BU`s das IES pesquisadas possuem um quantitativo relevante em seu quadro de colaboradores. No entanto, verifica-se que há uma porcentagem pequena de bibliotecários atuando nos dois setores (processo técnico e referência) ao mesmo tempo. 238


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

O tempo de serviço dos bibliotecários nas IES é bem significativo, mostrando que há bibliotecários com um amplo tempo de atuação, mas ao mesmo tempo possuem

uma

renovação

de

bibliotecários

dessas

bibliotecas.

47%

dos

bibliotecários, atuam na BU a menos de 5 anos, 3% atuam de 6 a 10 anos, 17% atuam de 11 a 20 anos e 30% atuam a mais de 20 anos, 3% dos bibliotecários não responderam à pergunta. A estabilidade que o serviço público permite a seus servidores pode ser um dos elementos a garantir a permanência desses profissionais nas bibliotecas. Quanto à capacitação, verificou-se que os bibliotecários se mostraram muito interessados em áreas como tecnologia, 38%, área de gestão 29%, 21% se capacitaram no processamento técnico e 12% dos bibliotecários procuram capacitação na área de fundamentação teórica.

Fonte: Dados da pesquisa

Ao analisarmos o tempo de serviço com a formação acadêmica e a capacitação, observa-se que de forma geral a CoInfo vem sendo desenvolvida através da busca e renovação de conhecimento de alto nível por meio das capacitações.

5.2 Indicadores da CoInfo Ao acessar a informação necessária com efetividade, os bibliotecários reconhecem a natureza e a extensão da informação para eleger algum método de análise e recuperação da informação. 46% dos bibliotecários disseram que seleciona um método de análise e 17% disseram que não adota nenhum tipo de método de análise e recuperação da informação. 37% não responderam a essa pergunta. Conforme o gráfico abaixo. 239


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Fonte: Dados da pesquisa

Em relação às habilidades de avaliar as fontes de informação que utilizam em sua atuação e que indicam aos usuários, 53% dos bibliotecários realizam uma avaliação das fontes de informação que são usadas ou indicadas ao usuário; 23% às vezes, avaliam as fontes de informação; 17% raramente avaliam as fontes de informação e 7% dos bibliotecários não responderam a questão, conforme gráfico abaixo.

Fonte: Dados da pesquisa

A habilidade de sintetizar as principais ideias de um item informacional durante a atuação, com objetivo de melhorar práticas profissionais ou desenvolver projetos de melhoria à BU é bem acentuada aos bibliotecários tendo 73% dos bibliotecários consideram capazes de sintetizar ideias, 13% às vezes conseguem sintetizar ideias; 7% faz raramente e 7% dos bibliotecários não responderam.

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Fonte: Dados da pesquisa

Em relação às habilidades de elaboração do conhecimento para realização das atividades. Verificamos que 46% dos bibliotecários às vezes consegue desenvolver um novo conhecimento sobre suas práticas profissionais; 37% sempre desenvolve um novo conhecimento; 10% raramente desenvolve um novo conhecimento; e 7% dos bibliotecários não responderam à questão.

Fonte: Dados da pesquisa

Em

relação

ao

impacto

do

conhecimento

adquirido

através

dos

aprofundamentos teóricos conceituais e práticos, observa-se que 50% dos bibliotecários são capazes de verificar os impactos da aplicabilidade do conhecimento adquirido em sua atuação e no ambiente de trabalho; 33% dos bibliotecários às vezes visualizam esse impacto; 10% raramente visualizam esse impacto e 7% dos bibliotecários não responderam à questão.

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Fonte: Dados da pesquisa

Ao tratar das habilidades necessárias para desenvolver produtos e serviços de informação e o desempenho profissional pessoal e da equipe, verifica-se que 50% dos bibliotecários sempre refletem sobre as habilidades necessárias para o desenvolvimento de produtos e serviços; 23% às vezes refletem sobre as habilidades necessárias e 27% dos bibliotecários não responderam a questão. Já em relação a comunicação do desempenho profissional ou da equipe da BU à comunidade universitária, verifica-se que 43% dos bibliotecários afirmam que sempre há essa comunicação; 20% às vezes visualiza a comunicação de seu desempenho; 10% raramente visualiza e 27% dos bibliotecários não responderam a questão.

Fonte: Dados da pesquisa

Ao indagarmos sobre as questões éticas em relação ao o acesso e uso da informação abordamos três itens: aspectos ético, legal e socioeconômico; normas e regulamento da IES que pertence e padrões e normas nacionais e internacionais.

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Fonte: Dados da pesquisa

A capacidade de reconhecer e lidar com questões éticas, legais e socioeconômicas que envolvem o trabalho com informação está presente em 81% dos bibliotecários sempre reconhece as situações nas quais as questões citadas influenciam em seus trabalhos e 19% dos bibliotecários não responderam à questão.

Fonte: Dados da pesquisa

53% dos bibliotecários sempre consultam o regulamento ou normas institucionais sobre o acesso e uso da informação; 23% às vezes consultam; 7% raramente consultam e 17% dos bibliotecários não responderam à questão. Ao serem questionados sobre o uso de padrões e normas nacionais e internacionais 74% dos bibliotecários sempre usam e 26% dos bibliotecários não responderam à questão. Ao completar a análise verificamos que 40% dos bibliotecários estão preocupados em manter um canal de comunicação com o usuário com a finalidade de receber um feedback sobre o trabalho que desenvolvem com a informação. 27% disseram que raramente buscam manter um feedback com o usuário. 23% dos profissionais, às vezes, matem esse feedback. 10% não responderam.

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6 CONCLUSÃO O bibliotecário é um profissional envolvido com o cenário educacional e, portanto, sua formação também deve ser contínua para que ele possa manusear as ferramentas informacionais e tecnológica na perspectiva do aprender a aprender. Essa tendência vem se configurando entre os bibliotecários brasileiros, mesmo considerando as disparidades regionais. Um ponto que chama a atenção no setor de atuação dos bibliotecários pesquisados é a quantidade de profissionais que atuam somente no setor de processamento técnico ou somente no setor de referência, evidenciando-se uma lacuna entre mediação implícita e explicita no tratamento e recuperação da informação. O serviço de referência é fundamentalmente um processo comunicativo, dialógico e fortalece a retroalimentação entre atividades meio e fim. No entanto, essa pesquisa revelou que existem um número significativo de bibliotecários atuando no processo técnico e serviço de referência de forma isolada. A área de capacitação mais atrativa continua sendo a de processamento técnico da informação. Por um lado, pode-se ver esse fato como positivo, à medida que essa capacitação é essencial para melhorar a qualidade da representação descritiva e temática da informação. É essa atividade que dá corpo a um SRI. Não adianta adquirir para a unidade de informação tecnologias de última geração e não ter os dados e informações para alimentar o sistema. O que deve ser evitado é o fechamento no tecnicismo. Esquecendo o lado humano do processo, isto é a comunicação com o usuário e que tudo deve ser feito dentro das probabilidades das suas demandas e necessidades de informação. Portanto, quanto mais próximo dele, mais chances de aperfeiçoar a prática profissional e a qualidade da informação processada. O método de análise documental é essencial na atividade de descrição física e indexação de documentos, mas não é um fim em si mesmo. É uma mediação implícita e é realizada juntamente com a avaliação das fontes de informação. Todo bibliotecário que atua, pelo menos há 10 anos, em uma área específica aprende, no contato com o usuário, o que pode ser uma fonte de informação relevante e por que. Esse conhecimento ajuda na avaliação, isto é, a selecionar o que deve ou não ingressar no sistema. 244


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Revela-se nesse estudo que fundamentação teórica e elaboração do conhecimento estão relacionadas. Basta observar que na pergunta sobre capacitação, a fundamentação teórica teve um dos percentuais mais baixos, por sua vez a elaboração do conhecimento não é muito praticada entre os bibliotecários. Esses dados podem revelar o distanciamento entre teoria e prática. Entre os que fazem e os que pensam. A fundamentação teórica fornece o aporte para enriquecer as experiências empíricas. É possível verificar atualmente uma grande preocupação com a formação do bibliotecário o que já é um passo no sentido de superação da dicotomia teoria-prática, visando a chegar a práxis. A elaboração de produtos e serviços envolve uma ampla gama de conhecimentos sobre a instituição, sua missão, objetivos, usuários, tecnologias disponíveis, recursos financeiros e humanos. Dessa forma, se agrega valor a produtos e a serviços. As habilidades e atitudes contribuem com esse processo. As questões legais, éticas são imprescindíveis no trabalho do bibliotecário e ele deve transmitir e comunicar esses aspectos por meio da educação de usuários. A elaboração de trabalhos científicos se utiliza de uma linguagem, de um formato padrão recomendado internacionalmente. Regulamentos institucionais, padrões e normas não podem ser relegados a um plano secundário. São estes instrumentos que dão apoio ao bibliotecário, na instituição, para que ele aja com segurança, transparência e credibilidade. Ajudam também no feedback com o usuário, uma vez que os canais de comunicação são estabelecidos de forma transparente, formal, respeitosa. Assim se constrói a cidadania, sendo a ética um componente essencial para o convívio social harmonioso. Portanto, essa pesquisa revelou que os bibliotecários das instituições pesquisadas ainda não atingiram a excelência em CoInfo, mas estão conscientes dessa necessidade e reconhecem e a importância da mesma em suas práticas. Constata-se que a busca da educação continuada se faz presente na qualificação dos profissionais envolvidos na pesquisa na tentativa de efetivar a CoInfo na BU. REFERÊNCIAS DIAS, E. W. Organização do conhecimento no contexto das bibliotecas tradicionais e digitais. In.: NAVES, M. M. L.; KURAMOTO, H. (Orgs.). Organização da informação: princípios e tendências. Brasília, DF: Briquet de Lemos, 2006, p. 36-45. 245


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17 COMPETÊNCIA INFORMACIONAL, ÉTICA E PLÁGIO ACADÊMICO: UM RETRATO DAS AÇÕES REALIZADAS POR UNIVERSIDADES BRASILEIRAS E ESPANHOLAS1

Ana Paula Meneses Alves anameneses@fclar.unesp.br anameneses@correo.ugr.es Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação Universidade Estadual Paulista (Unesp) Doutoranda em Ciências Sociais Universidade de Granada (GR) Helen de Castro Silva Casarin helenc@marilia.unesp.br Docente do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação Universidade Estadual Paulista (Unesp) Juan-Carlos Fernández-Molina jcfernan@ugr.es Catedrático da Universidad de Granada (UGR) Departamento de Información y Comunicación

Resumo: O impacto das tecnologias de informação e comunicação, bem como a falta de conhecimentos, habilidades e atitudes sobre o uso ético e legal da informação na era digital têm favorecido a ocorrência de práticas como o plágio acadêmico e elevado o nível de preocupação com ações éticas na realidade acadêmica. Neste contexto, as bibliotecas universitárias podem exercer um papel primordial no combate ao problema através da formação dos usuários com foco no uso ético da informação, ou seja, para o desenvolvimento e fortalecimento da dimensão ética da competência informacional. Com base nestas constatações, nosso objetivo é apresentar um breve retrato de um levantamento sobre ações e informações relacionadas à competência informacional, aos aspectos éticos, de orientação e/ou combate ao plágio disponibilizadas nos sites de bibliotecas universitárias brasileiras e espanholas. Para a análise das páginas utilizamos um formulário próprio, que nos permitiu indicar a quantidade, qualidade e o tipo de informações que são apresentadas por estas bibliotecas. Os resultados obtidos demonstram que o tema tem sido pouco explorado pelas bibliotecas brasileiras pesquisadas e exposto de forma mais explicita nos sites das bibliotecas espanholas selecionadas. De modo geral, notamos que os temas ainda podem ser explorados com mais profundidade nas duas realidades. Assim podemos fortalecer as boas práticas e estimular as ações que focam o desenvolvimento de competências em informação voltadas as questões legais,

1

Trabalho baseado em trechos e dados da tese de doutorado “Competência informacional e o uso ético da informação na produção científica: o papel do bibliotecário na produção intelectual no ambiente acadêmico”, em fase de elaboração nos programas de pós-graduação em Ciência da Informação – Unesp e Ciências Sociais – Universidade de Granada.

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éticas e sociais que cercam o acesso e o uso da informação no ambiente acadêmico das duas realidades estudadas. Palavras-Chave: Plágio Acadêmico; Ética da Informação; Bibliotecas Universitárias; Competência Informacional.

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1 INTRODUÇÃO O impacto das tecnologias de informação e comunicação, bem como a falta de conhecimentos, habilidades e atitudes sobre o uso ético e legal da informação na era digital têm favorecido a ocorrência de práticas como o plágio acadêmico e elevado o nível de preocupação com ações éticas no contexto universitário. A conscientização dos indivíduos sobre ética no ambiente acadêmico e do aprendizado a respeito do que é o plágio, suas tipologias, o quê leva a sua ocorrência e quais as formas para evitá-lo são alternativas importantes para lidar com esta realidade. Neste contexto, as bibliotecas universitárias e os bibliotecários podem exercer um papel importante no combate ao problema através da formação de seus usuários com foco no uso ético da informação, ou seja, para o desenvolvimento e fortalecimento da dimensão ética da competência informacional. Ao tratarmos de competência informacional destacamos o seu papel enquanto um processo de ensino-aprendizagem, que abarca o indivíduo e o coletivo, com o objetivo de alcançar conhecimentos, habilidades e atitudes, informáticas, comunicativas e informativas, para lidar de forma adequada e eficiente com a informação (URIBE-TIRADO, 2013). Isto implica em realizar operações mentais complexas, capazes de equilibrar as dicotomias da prática e da teoria, da técnica e da sensibilidade, dos direitos e dos deveres, do individual e do coletivo, do cidadão e da sociedade. Sendo assim, a noção de competência informacional pode ser melhor observada a partir de suas quatro dimensões (VITORINO, 2007; VITORINO; PIANTOLA, 2009, 2011), a saber: dimensão técnica, dimensão estética, dimensão política e a dimensão ética, esta última, será a ênfase deste trabalho. A dimensão técnica da competência informacional se revela na ação prática, na habilidade para a execução de algo. Por meio dela sabemos se o indivíduo apreendeu o processo, se já constituiu habilidades e instrumentos para acesso, busca e uso da informação. Sobre a dimensão estética, é a aquela que trabalha a criatividade e a intelectualidade, que observa a capacidade de apreender, relacionar e ressignificar a informação, de acessar suas experiências e conhecimentos anteriores, na capacidade de crítica, reflexão, solidariedade e responsabilidade social.

A

dimensão

política,

se

refere

a

relação

cidadão-sociedade,

ao

reconhecimento dos direitos e deveres em relação a comunidade e ao Estado, a 249


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participação efetiva do cidadão na construção de uma coletiva de uma sociedade, ressalta a formação de indivíduos capazes de articular discursos coesos, críticos, com implicações políticas, propondo que sejam capazes de interferir na realidade e visar o bem-estar do coletivo. A dimensão ética, por sua vez, abarca as decisões do indivíduo com ponderações sobre si e sobre o coletivo, com base no julgamento de valor e pode ser apresentada como a dimensão fundante das outras três (VITORINO, 2007; VITORINO; PIANTOLA, 2009, 2011). Espera-se que o indivíduo competente em informação seja capaz de usar toda uma gama de recursos disponíveis (sejam eles existentes, construídos por ele, por outro, e/ou do seu entorno) de forma crítica, consciente e comprometida para satisfazer

suas

necessidades

informacionais

e

em

diferentes

contextos

informacionais. Neste sentido, o comportamento ético em face a informação, ou seja, a dimensão ética, presumi o uso responsável, cidadão e legal da informação, com a perspectiva do bem comum e responsabilidade social. A American Library Association (ALA), por meio de sua divisão Association of College and Research Libraries (ACRL, 2000), assim como outras instituições internacionais, ao estabelecer padrões para a competência informacional para o ensino superior, destacam a importância do entendimento das questões legais, éticas e sociais que cercam o acesso e o uso da informação. A associação americana descreve para este caso um padrão específico para estas questões, o padrão 5, considerado como um dos padrões mais complexos, exatamente porque pressupõe o pensar criticamente sobre questões informacionais, aliando a este pensar o contexto e experiência do indivíduo, bem como ideias e questões do direito e da política (FRANÇOIS, 2006). O padrão trabalha com a capacidade de compreender e aplicar políticas de informação, sejam elas locais, nacionais e internacionais, (como por exemplo as questões de direito do autor e produção e publicação acadêmica) em diferentes contextos, bem como modos de interagir eticamente com informações e tecnologias e reconhecer implicações sociais e políticas inerentes ao diversos processos e espaços informacionais (FRANÇOIS, 2006). Deste modo, pressupõe conhecimentos que abarquem o uso ético e responsável da informação, as noções básicas de propriedade intelectual, que compreendam direito de autor e direitos conexos; o reconhecimento das questões que envolvam a importância da honestidade 250


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acadêmica e dos problema do plágio acadêmico, considerando também valor do citar e referenciar corretamente; as questões a respeito do acesso aberto à informação e as Licenças Creative Commons; os apontamentos sobre censura e liberdade de expressão, bem como os direitos de autor no ambiente digital, compreendendo o que pode ou não ser digitalizado, divulgado, preservando a privacidade dos dados pessoais, o direito à honra, à intimidade pessoal e familiar e à imagem pessoal (REBIUN, 2014). A publicação mais recente da American Library Association (ALA) e Association of College and Research Libraries (ACRL, 2015) apresenta uma nova forma de abordar estas competências informacionais, vinculando as mesmas ao conceito de Metaliteracy ou metacompetências. Tal conceito tem a importância de agregar as atuais mídias de comunicação e a necessidade de novas competências para lidar com a produção, uso e compartilhamento das informações em ambientes digitais colaborativos (BASTOS, 2010; MACKEY; JACOBSON, 2011). Neste novo modelo, a ACRL (2015) trabalha com conceitos fundamentais interligados que devem ser apreendidos, assim como explicita práticas de conhecimentos e disposições, nas quais são relacionadas as habilidades que serão desenvolvidas pelo aluno e quais as atitudes se espera que sejam realizadas por este indivíduo após o desenvolvimento das mesmas. Os conceitos fundamentais abordam a questão a autoridade, a criação da informação como um processo, o valor da informação, a investigação por meio de perguntas complexas, as novas modalidades de comunicações e a importância dos discursos sustentados e, por fim, a busca como uma forma de exploração estratégica. Destaca-se, neste novo modelo, a transversalidade dos temas e propostas. Deste modo, é possível visualizar nos seis conceitos fundamentais as dimensões éticas inerentes a cada um, ressaltando a importância da dimensão ética como base para as outras dimensões, ou conceitos expostos. Assim, apesar do item que trata do valor da informação ser o que mais aborda as dimensões éticas a serem desenvolvidas, nos outros itens também são relacionados aspectos éticos. De modo geral, este modelo prevê que o indivíduo deve ser capaz de avaliar criticamente suas contribuições e as contribuições de outros em ambientes de informação participativos; entender como alguns indivíduos são mal representados e/ou marginalizados dentro de sistema de produção e divulgação de informações; 251


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reconhecer as autoridades e as responsabilidades no trato informacional; decidir como e onde publicar uma informação; respeitar à propriedade intelectual, bem como seu entendê-la enquanto conceito jurídico e social, e que pode variar conforme as diferentes culturas; reconhecer e monitorar o valor da informação; compreender as questões de direito do autor, uso justo acesso aberto e domínio público; reconhecer as questões de acesso e falta de acesso à informação; fazer escolhas com consciência, respeitando os direitos individuais e a privacidade; e, por fim, saber dar crédito as ideias de outros e fazer citações adequadas (ACRL, 2015). Os problemas que envolvem a questão do plágio acadêmico estão relacionados tanto com questões jurídicas (direitos do autor) como com questões éticas (honestidade acadêmica). Estas questões foram evidenciadas pelas facilidades geradas pelas tecnologias de informação e comunicação e pela falta de conhecimentos, habilidades e atitudes sobre o uso ético e legal da informação. O plágio pode ser descrito como a reapresentação, como inédito e/ou próprio, de qualquer conteúdo (artístico, intelectual, comercial, etc) que tenha uma autoria anterior (KROKOSCZ, 2012). Já o plágio acadêmico, também envolve a apresentação como próprio de um conteúdo de outra autoria, mas especificamente de trabalhos acadêmicos (projeto de pesquisa, trabalho de conclusão de curso, artigo científico, ensaio e outros). Neste caso, configura plágio acadêmico a cópia literal, o texto reescrito sem a indicação da fonte original, tanto na não indicação do autor por meio de citações, como por meio da falta de menção ao documento consultado por meio das referências (PLÁGIO.NET, 2013). Desta forma, o plágio pode ser realizado com intenção, que é a apresentação direta da produção do outro como sua, ou seja, por meio de uma decisão deliberada, com má-fé e falta de ética; ou sem intenção, que ocorre quando as citações, as paráfrases e as referências não são realizadas de forma correta ou o não se tem o conhecimento adequado de como fazê-las, caracterizando desconhecimento técnico das normas de documentação (EGAÑA, 2012; KROKOSCZ, 2012). O problema do plágio envolve três atores principais: o autor do texto original, que por não ser citado tem seu reconhecimento negado; o redator do trabalho (plagiário), que prejudica ao leitor e ao autor original, além de a si mesmo, prejudicando seu próprio aprendizado e, por fim, o leitor, (que também pode ser o

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orientador, professor), mas que confiou no conteúdo apresentado, sendo que o mesmo é uma fraude (KROKOSCZ, 2012). Já os fatores que podem ser apontados como instigadores da prática do plágio no âmbito educacional são vários, como o próprio desconhecimento técnico das normas e a falta de ética do indivíduo, conforme apontamos anteriormente, ou mesmo por fatores que compreendem as facilidades geradas pelas novas tecnologias (facilidade de acesso à informação disponível em meio eletrônico, o uso de editores de texto), dificuldades de formação (dificuldade de escrita, dificuldade de realizar pesquisas, hábitos de reprodução de textos), bem como exigências externas e internas (tempo escasso e muita demanda de atividades, pressão para possuir um grande número de publicações, grande número de disciplinas, ansiedade, entre outros fatores) (KROKOSCZ, 2012; COMAS FORGAS; SUREDA NEGRE; OLIVER TROBAT, 2011). O plágio pode ser melhor entendido a partir da sua categorização em situações possíveis, para a qual nos basearemos na divisão apresentada por Tripathi e Kumar (2009, p.514-516, tradução nossa) e nos textos de Morató Agrafojo (2012) e Krokoscz (2012): 1. Fontes não citadas: entregar um trabalho alheio como se fosse próprio; reproduzir fragmentos completos, sem alteração; utilizar vários trechos literais de fontes diferentes, organizadas com o acréscimo de algumas palavras; reproduzir trechos com a mudança de algumas palavras; reproduzir citações usadas por outros autores; reproduzir trabalhos próprios, já apresentados em circunstâncias distintas, sem citá-los; 2. Fontes citadas (mas ainda assim plagiadas): menção ao autor original, mas sem a informar dados básicos que permitam localizar a fonte; fornecer informações incorretas sobre a fonte tornando impossível sua localização; omissão das aspas das citações fazendo o trecho reproduzido passar por seu; organizar várias citações, sem incluir informações originais para discussão do texto; mesclar citações corretas com trechos citados sem aspas, simulando uma análise própria do plagiário; 3. Outros tipos de plagio: reproduzir citações diretas sem aspas; utilizar de termos ou palavras-chaves criados por outros autores sem identificá-los; utilizar metáforas criadas por outros autores como próprias; usar uma ideia 253


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original de outro autor como própria; seguir exatamente o estilo, a organização e raciocínio de determinado texto original; plagiar dados de outras pesquisas. Apesar das diversas situações citadas como tipos de plágio, o mais importante é destacar que o plágio pode ser considerado uma erosão de diversos outros princípios éticos no meio universitário, como a honestidade acadêmica, a descoberta científica, o processo de aprendizagem e o próprio esforço pessoal. Neste contexto acadêmico, destaca-se as bibliotecas universitárias como agentes de mudanças para combater o problema e um dos meios sob sua tutela de ação é o fortalecimento das formações em competência informacional com foco no uso ético da informação (DOMÍNGUEZ-AROCA, 2012). Mas, embora os profissionais da informação reconheçam as implicações políticas, sociais, éticas e legais do uso da informação, bem como a problemática do plágio acadêmico, nem sempre estas questões são abordadas com profundidade no âmbito das unidades de informação e das Universidades (FERNÁNDEZ-MOLINA; VIVES-GRÀCIA; GUIMARÃES, 2011) e, em muitas ocasiões, o profissional acaba agindo pela força do hábito e do costume, sem a reflexão necessária para lidar com determinadas implicações éticas da sua rotina e da realidade de produção científica da sua comunidade (FERNÁNDEZ-MOLINA, 2000). Com base nestas constatações, nosso objetivo é apresentar um breve retrato de um levantamento sobre as informações sobre ações relacionadas à competência informacional, aspectos éticos no ambiente acadêmico, orientação e/ou combate ao plágio disponibilizadas nos sites de bibliotecas universitárias brasileiras e espanholas. Consideramos que os sites das bibliotecas universitárias uma das principais fontes de informação e de difusão de conteúdo para toda a comunidade acadêmica. Deste modo, este é um importante meio para a disseminação de informações utilitárias que podem auxiliar na luta contra o plágio acadêmico e, consequentemente, promover o desenvolvimento de competências informacionais relacionadas ao uso ético da informação, daí a razão da escolha deste objeto para este estudo. Dando sequência a nossa proposta, apresentamos os procedimentos metodológicos adotados, bem como nossos resultados e os pontos de discussão e análise. 254


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2 METODOLOGIA Para a coleta de dados foram verificados os sites de todas as unidades de informação que formam as redes de bibliotecas de três universidades brasileiras Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP) – e, de três universidades espanholas - Universidade de Granada (UGR), Universidade Complutense de Madrid (UCM) e Universidade Carlos III de Madrid (UC3M). As seis instituições foram escolhidas por se tratarem de instituições públicas, de impacto regional e nacional e com destaque em rankings nacionais de seus países (RUF, 2014; DOCAMPO, 2014). No caso brasileiro, foram consultados os sites de 48 bibliotecas na USP, 27 na Unicamp e 32 na Unesp. É importante ressaltar que não se trata de um estudo comparativo entre as seis universidades selecionadas, mas de uma exposição de ações e propostas, para caracterizar as atividades empreendidas por estas unidades, bem como a qualidade das informações expostas as suas comunidades científicas sobre os temas analisados. Para o registro dos dados coletados utilizamos um formulário próprio, que nos permitiu registrar e pontuar as informações coletadas de acordo com a quantidade, qualidade e o tipo de informações que são apresentadas por estas bibliotecas em seus sites. Verificamos se havia indicações das ações realizadas com o objetivo de desenvolver competências informacionais dos usuários, no que diz respeito aos aspectos éticos do uso da informação, orientação e/ou combate ao plágio acadêmico. A coleta de dados das universidades brasileiras ocorreu no período de 21 de novembro de 2014 a 09 de fevereiro de 2015 e a coleta espanhola entre 28 de abril e 01 de maio de 2015. Com base nas proposições vinculadas a competência informacional, nos baseamos nos estudos de Uribe-Tirado (2013) e classificamos as bibliotecas em quatro níveis: nível 1 - formação de usuários (somente a capacitação em serviços gerais oferecidos pela Biblioteca/Sistema); nível 2 - formação de usuários (capacitação em serviços gerais oferecidos pela Biblioteca/Sistema e alguns cursos instrumentais

- busca de informações, uso das normas da ABNT, utilização de

catálogos e bases de dados); nível 3 - competência informacional (compreende nível 1, 2 + cursos e/ou programas mais complexos desenvolvidos pela biblioteca 255


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individualmente, ou um programa formal encabeçado pelo sistema de bibliotecas); nível 4 - competência informacional (compreende nível 1, 2, 3 + cursos, programas e/ou módulos específicos vinculados a currículos e /ou disciplinas de cursos de graduação e/ou pós-graduação). Focalizando a questão do plágio acadêmico, definimos que o site que não apresenta nenhum tipo de informação relacionada a plágio acadêmico é categorizado em informação inexistente, recebendo, deste modo, a pontuação O. A biblioteca cuja informação é restrita a indicação de software para detecção de plágio é classificado como informação insuficiente e recebe a pontuação 1. Os sites que apresentam informações com conteúdo próprio ou externo, com referência ao que é o plágio, as fontes de informação e normalização documentária, indicação de softwares de identificação de plágio é arrolada na categoria de informação basilar, cuja pontuação 2. Os que apresentam além das informações da básicas da pontuação 2, a indicação para a orientação para escrita acadêmica e conscientização ética, possuem informação boa e pontuação 3. Por último, a mais alta categoria, contempla os sites que apresentam todas informações anteriores, em maior e melhor qualidade e quantidade, e com indicação que a mesma está inclusa em cursos, treinamentos e/ou disciplinas específicos a respeito do tema, referenciando também as iniciativas internas e/ou regras institucionais a respeito do tema plágio, recebem a pontuação 4. A seguir detalhamos os resultados encontrados.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES A análise dos sites das bibliotecas começa por nos mostrar um pouco da organização administrativa destas unidades. No caso das redes das três universidades brasileiras analisadas, todas as unidades estavam com os sites disponíveis e apenas uma biblioteca, do rol de 27 unidades da Unicamp, não possuía site. No caso das bibliotecas espanholas, também observamos cada site individualmente, mas observamos que cada unidade é considerada um ponto de atendimento, sendo assim, os sites das mesmas têm pouco ou nenhuma particularidade e as descrições principais das ações e serviços são remetidas ao site principal do sistema de informação. 256


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Começaremos nossa análise com base nas proposições vinculadas a competência informacional. Com relação ao contexto brasileiro, a maior parte das bibliotecas pode ser classificada no nível 2, sendo 71 % na USP, 76 % na Unicamp e 84 % na Unesp). Esta classificação destaca que estas unidades apresentam informações a respeito de formação de usuários (capacitação em serviços gerais oferecidos pela Biblioteca/Sistema) e alguns cursos instrumentais (busca de informações, uso das normas da ABNT, utilização de catálogos e bases de dados). Na Unesp, 16 % das unidades restantes, não detalham em suas páginas suas ações referentes a competência informacional. As 84%, classificadas no Nível 2, de formação de usuários, destacam suas orientações a respeito do funcionamento da biblioteca e uso do acervo, orientações para elaboração de trabalhos acadêmicos, artigos e teses, bem como seus treinamentos em catálogos e bases de dados. A Unicamp apresenta um programa de Programa de Capacitação de Usuários em Informação Científica "Usuários da Informação de Ciência e Tecnologia", mencionado na página principal do sistema e por apenas 24% de suas unidades em seus sites. Pela existência e menção ao programa tais bibliotecas foram categorizadas no Nível 3. O programa oferece à comunidade um calendário de treinamentos no uso dos recursos informacionais disponíveis nas bibliotecas da Universidade. O Programa trata de assuntos pertinentes às necessidades dos usuários, que vão desde fontes bibliográficas à pesquisa em bases de dados nacionais e internacionais, do uso da Internet como instrumento de pesquisa até a elaboração e normalização de trabalhos acadêmicos. A USP foi a única universidade brasileira avaliada que apresenta bibliotecas categorizadas no nível 4 de competência informacional. No total foram 04 bibliotecas, 01 da área de engenharia e 03 da área de saúde que possuem programas de competência vinculados a currículos e /ou disciplinas de cursos de graduação e/ou pós-graduação, totalizando 10% do total da universidade. A USP também apresenta bibliotecas categorizadas em outros níveis: 04 unidades no nível 01, 10% do total, que é composto por bibliotecas especializadas que trabalham apenas com a informação geral sobre o seu acervo. No nível 03 foram também categorizadas 04 unidades, novamente 10% do total. Estas unidades obtiveram esta classificação por desenvolverem programas locais formais e regulares de desenvolvimento de competências informacionais. 257


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A respeito das bibliotecas espanholas, como dissemos anteriormente, a biblioteca universitária é vista como uma unidade principal, composta por outras unidades de atendimento, mas todas oferecem os mesmos serviços descritos na página principal. Sendo assim, podemos dizer que 100 % das bibliotecas das UGR, UC3M e UCM foram categorizadas no nível 4 para a competência informacional. As três universidades oferecerem programas formais, regulares, em forma de cursos e módulos que perpassam pelos outros 3 níveis e se concretizam com formações específicas vinculados aos currículos e /ou disciplinas de cursos de graduação e/ou pós-graduação. A Biblioteca da UGR possui um programa de atividades formativas em três modalidades: cursos introdutório (sobre uso e recursos da

biblioteca para

ingressante - não vale créditos), cursos especializados (de acordo com os cursos, ministrados pelas equipes de cada biblioteca, e que se desenvolvem ao decorrer dos cursos, com reconhecimento de 1 a 3 créditos; cursos "a la carta" cursos oferecidos com colaboração com os docentes, como parte de disciplinas e/ou mestrado ou de acordo com a demanda dos usuários, sem créditos). Já o sistema de biblioteca da UCM tem um programa de formação em competências informacionais que contém atividades formativas presenciais e à distância de dois tipos: especializadas (realizadas por cada unidade) e "a la carta" (a pedido de docentes, grupos de pesquisa e /ou estudantes). As atividades formativas são complementadas com inúmeros recursos informativos internos e externos a respeito do tema. No caso da UCM há cursos que valem créditos e outros não, e dependem da unidade onde são realizados. Apesar desta observação, optamos por manter a universidade como Nível 4 por não haver meios de distinguir esta particularidade. A UC3M oferece cursos de formação básicos e especializados, estes também podem ser programados ou sob demanda, de grupo ou forma personalizada. Assim como as outras também possui muitas informações complementares para auxiliar o usuário. Com relação ao plágio, os resultados obtidos demonstram que o tema tem sido pouco exposto pelas bibliotecas brasileiras, por meio de seus sites. 94 % das bibliotecas da USP, 100 % da Unicamp e 42% da Unesp não apresenta nenhum tipo de informação relacionada a plágio acadêmico, sendo classificadas em Plágio 0. 258


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Uma categorização nos chama atenção: 45 % das unidades da Unesp foram categorizadas como Plágio 1. As 14 unidades desta categoria se restringem a apresentar em suas páginas informações a respeito do software de detecção de plágio adotado pela instituição, sem uma orientação específica do que é o problema, os motivos que levam a sua ocorrência e orientações gerais de como agir para não estimular a sua ocorrência. Ainda com relação a Unesp, temos 02 unidades que apresentam a pontuação Plágio 2. Estas unidades correspondem a 7% do total e apresentam em suas páginas informações que fazem referência ao que é o plágio, as fontes de informação e normalização documentária, com destaque para documentos de propriedade intelectual institucional, além dos softwares de identificação de plágio. A instituição apresenta também apresenta 02 unidades com a pontuação Plágio 3. Estas unidades se destacam por apresentam conteúdo explicativo a respeito de plágio e links externos para conteúdos que abordam orientações de redação científica e apoio ao pesquisador. Esta categorização, de Plágio 3, também ocorre com ¨6 % das unidades da USP, nas quais também se destacam as orientações de redação científica. É importante destacar que com relação aos aspectos éticos, 85 % das bibliotecas da USP, 100% da Unicamp e 84 % da Unesp não apresentam nenhum tipo de informação relacionada aos aspectos éticos no uso da informação para a produção científica. Além destes dados, temos que 13 % das bibliotecas da Unesp e 7 % da USP apresentam poucas informações, na forma de uma simples referência, a restrição para uso de materiais e /ou a indicação da lei de direitos autorais. Com relação a realidade espanhola, duas das três universidades avaliadas tem conteúdo a respeito de plágio. Trata-se da UGR e da UC3M. A UGR apresenta informações com conteúdo próprio e externo, com referência ao que é o plágio, as fontes de informação e normalização documentária e softwares de identificação de plágio. A UC3M apresenta informações similares, mas presentes nas orientações para trabalhos de fim da graduação e para fim do mestrado. A Universidade ainda não possui um software de identificação de plágio. Um detalhe interessante da instituição é que apresenta orientação para a escrita acadêmica e faz referência as normas institucionais de conduta de alunos. A UCM não apresenta nenhuma informação direta referente a plágio. A partir de um link externo, na página de 259


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atividades formativas, há uma atividade a respeito de citações. Neste conteúdo a uma menção rápida na qual se justifica que um dos motivos pelos quais se deve realizar uma citação é para evitar o plágio acadêmico. O conteúdo se restringe a esta menção e ainda não há software de detecção de plágio indicado. É interessante destacar que as três universidades apresentam informações, por meio de conteúdo próprio e links externos, a respeito de aplicação das normas de documentação, direitos e limites relacionados a direitos autorais, propriedade intelectual e um serviço de apoio para as questões de direitos autorais.

4 CONCLUSÃO Na realidade das universidades brasileiras avaliadas por meio dos seus sites, ainda há poucas informações que retratem suas ações a respeito dos aspectos éticos, plágio e a competência informacional. Com relação à orientação em relação ao plágio, há ênfase na indicação de softwares de detecção de plágio, sem uma orientação específica do que é o problema, os motivos que levam a sua ocorrência e orientações gerais de como agir para não estimular a sua ocorrência. Com relação aos aspectos éticos, a maioria das bibliotecas não apresenta nenhum tipo de informação relacionada a este tema aplicado ao uso da informação para a produção científica. Deste modo, consideramos que ainda é necessário um maior estímulo para o desenvolvimento e divulgação de ações que compreendam o desenvolvimento de competências informacionais voltadas as questões legais, éticas e sociais que cercam o acesso e o uso da informação nestas universidades. Os resultados obtidos demonstram que os temas avaliados têm sido explorados de forma mais explícita nos sites das bibliotecas espanholas selecionadas. Com relação à caracterização de competência informacional, temos todas as bibliotecas classificadas no nível 4, com destaque para os cursos vinculados a currículos e /ou disciplinas de cursos de graduação e/ou pósgraduação. As recomendações em relação ao plágio estão mais vinculadas à preparação de trabalhos de fim de graduação e fim de mestrado. Com relação ao uso ético, destaca-se o serviço de apoio a comunidade para a questão de direitos autorais.

260


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De modo geral, notamos que os temas poderiam – e deveriam – ser tratados com um nível maior de intensidade e profundidade em ambos contextos: brasileiro e espanhol. Sem dúvida, este impulso facilitaria o desenvolvimento de melhores práticas sobre os temas éticos, jurídicos e sociais, vinculados a ações de competência informacional, relacionadas com o acesso e o uso da informação nas duas realidades estudadas. REFÊRENCIAS ASSOCIATION OF COLLEGE AND RESEARCH LIBRARIES [ACRL]. Framework for Information Literacy for Higher Education. Chicago: ALA, 2015. Disponível em: < http://www.ala.org/acrl/standards/ilframework>. Acesso em: 18 mar. 2014. ASSOCIATION OF COLLEGE AND RESEARCH LIBRARIES [ACRL]. Information literacy competency for higher education. Chicago: ALA, 2000. Disponível em: <http://www.ala.org/ala/mgrps/divs/acrl/standards/informationliteracycompetencystan dards.cfm>. Acesso em: 06 ago. 2014. BASTOS, V. M. Literacia de Informação: paradigma de desenvolvimento de competências de informação na formação docente em Angola. 2010. 177 f. Dissertação (Mestrado em Ciências da Documentação e Informação) – Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa, Lisboa, 2010. COMAS FORGAS, R.; SUREDA NEGRE, J. ; OLIVER TROBAT, M. Prácticas de citación y plagio académico en la elaboración textual del alumnado universitario. Revista Teoría de la Educación: Educación y Cultura en la Sociedad de la Información, Salamanca, v. 12, n. 1, p. 359-385, 2011. Disponível em: <http://campus.usal.es/~revistas_trabajo/index.php/revistatesi/article/view/7837/7863 >. Acesso em 22 fev. 2015. DOCAMPO, D. Shanguai Ranking Expanded: universidades españolas según el ranking de Shanguai - 2014 ed. Granada: UGR, 2014. Disponível em: <http://www.rankinguniversidades/shanghai>. Acesso em 29 abr. 2015. DOMÍNGUES-AROCA, M. I. Lucha contra el plágio desde las bibliotecas universitárias. El profesional de la información, Barcelona, v. 21, n. 5, p. 498-504, sept./nov., 2012. Disponível em: <http://eprints.rclis.org/17727/1/Plagio-BU2012.pdf>. Acesso em: 19 jan. 2014. EGAÑA, T. Uso de bibliografía y plagio académico entre los estudiantes universitarios. Revista de Universidad y Sociedad del Conocimiento, Barcelona, v. 9, n. 2, p. 18-30, 2012. Disponível em: <http://rusc.uoc.edu/ojs/index.php/rusc/article/view/v9n2-egana/v9n2-egana>. Acesso em 12 dez. 2014. FERNÁNDEZ-MOLINA, J. C. Los aspectos éticos en la formación de los profesionales de la información. Revista de Investigación Iberoamericana en Ciencia 261


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18 TECENDO REDES E NARRANDO HISTÓRIAS: COMPETÊNCIAS DO CONTADOR DE HISTÓRIAS NA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO

Meri Nadia Marques Gerlin meri.gerlin@ufes.br Professora do Departamento de Biblioteconomia Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) Elmira Luzia Melo Soares Simeão elmira@unb.br Docente do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação Universidade de Brasília (UnB)

Resumo: No século XXI o contador de histórias apropria-se de técnicas da cultura oral para o enriquecimento da sua prática. Participa de atividades presenciais como cursos e oficinas, conecta-se às redes digitais, realiza pesquisas, produz conhecimento e compartilha informações. Com base no exposto, procede-se ao relato da ação de uma pesquisa em andamento com o objetivo de investigar as competências narrativas e em informação que o contador de histórias possui na sociedade da informação. Realizada no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade de Brasília, insere-se no contexto das discussões do Grupo de Pesquisa Competência em Informação e do Grupo de Estudos sobre Educação e Trabalho de Arquivistas e Bibliotecários. No processo da pesquisa utilizou-se um questionário contendo indicadores de perfil e contexto para dar visibilidade às competências dos contadores de histórias de duas regiões brasileiras: Brasília e Espírito Santo. Com a análise comparativa dos dados, percebeu-se que os contadores de histórias profissionais interagem socialmente por meio do acesso às redes digitais. De uma maneira geral, possuem experiência no campo da narrativa oral e participam de atividades de formação. São possuidores de competências que tornam possível o compartilhamento de informações em espaços híbridos, porém, precisam aprender a produzir conhecimento voltado para a sua área de atuação. Apesar de a investigação ser realizada no Estado do Espírito Santo e em Brasília, entende-se que o movimento de apropriação das Tecnologias de Informação e Comunicação que alimentam as redes dos contadores de histórias tende a aproximá-los em diversas regiões brasileiras. Palavras-Chave: Contador de Histórias; Competência Narrativa; Competência em Informação; Redes Colaborativas; Sociedade da Informação.

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1 INTRODUÇÃO Os contadores de histórias do século XXI apresentam características distintas do narrador tradicional de culturas orais. Atuam em espaços tempos de educação, informação e cultura como bibliotecas, centros de educação infantil, escolas, praças, livrarias e organizações da sociedade civil de interesse público (OSCIPs). São herdeiros da tradição oral e encontram-se “[...] inseridos num contexto mediado pelos novos meios de comunicação e transmissão de saber” (BUSATTO, 2011, p. 19). Esse perfil demanda competência narrativa e competência em informação para atuar em diferentes regiões brasileiras. A competência narrativa é composta de saberes e fazeres adquiridos no campo de atuação, bem como, em cursos, oficinas e outros eventos de formação direcionados ao contexto da narrativa oral. Por meio dela, esse profissional detém técnicas voltadas para a seleção, a adaptação, a escolha de recursos, ao ensaio e a apresentação da narrativa. Para atingir a transmissão performática das histórias preparadas usa e abusa da palavra contada, o que requer um ritmo especial, a entonação, a expressão facial, a expressão gestual e o silêncio que de uma maneira especial integra-se ao discurso. “O valor estético da narrativa oral está, portanto, na conjugação harmoniosa de todos esses elementos” (MATOS; SORSY, 2009, p. 4). Ao adquirir habilidades para interagir com um público cada vez mais exigente, o sujeito narrador poderá (re) escrever contos brasileiros e de outras procedências direcionando-os ao contexto de sua atuação. Também poderá resgatar, armazenar e trabalhar na divulgação das narrativas em formato de livros e em suporte de mídias digitais como CDs, DVDs, blogs e outras páginas da internet. Essas demandas acabam requerendo o domínio das novas tecnologias de informação e comunicação de modo a realizar pesquisas, divulgar serviços e produtos que geralmente se baseiam na oralidade preservada na memória dos grupos sociais. Tendo em vista que competências específicas são adquiridas autonomamente presencialmente

e

virtualmente,

torna-se

preciso

acessar

aos

recursos

disponibilizados pela sociedade da informação1. Nessa direção, o ciberespaço2 1

A expressão sociedade da informação é entendida como abreviação (discutível!) de um aspecto da sociedade: o da presença cada vez mais acentuada das novas tecnologias da informação e da comunicação (ASSMANN, 2000).

2

Também conhecido como ciberespaço, o espaço virtual de forma alguma pode ser considerado como sinônimo de Internet. Constituindo-se como um espaço tempo em que não se necessita da presença física para o estabelecimento do processo de comunicação, se fortalece com o uso de

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fortalecido pela Web (ambiente de rede da internet) fornece meios para a ressignificação das relações sociais em redes digitais. Entender a sociedade informação como sociedade da aprendizagem é necessário ao contador de sendo fundamental compreender que “O processo de aprendizagem já não se ao período de escolaridade tradicional [...] trata-se de um processo que dura vida, com início antes da idade da escolaridade obrigatória, e que decorre no trabalho e em casa” (ASSMANN, 2000, p. 9). Belluzzo (2007) considera o impacto gerado pela evolução tecnológica na área da informação e comunicação, ao destacar a importância de um entendimento sobre a competência em informação. Esse termo concebe a criação e a identificação de habilidades que tornam possível a busca, a recuperação e o uso efetivo da informação, envolvendo também a reflexão sobre um aprendizado permanente ao longo da vida. A capacidade de aprender é imprescindível à aquisição da competência em informação dos contadores de histórias, sendo esta composta por duas dimensões. A primeira é divida entre o domínio de saberes e habilidades de diversas naturezas, ao possibilitar a intervenção da realidade vivida durante sua trajetória. A segunda é permeada por uma visão crítica do alcance das ações (fazeres) e do compromisso com as necessidades concretas que emergem e caracterizam o contexto social dos sujeitos narradores (BELLUZZO, 2007). Com base no exposto, procede-se ao relato da uma ação de pesquisa em andamento, com o objetivo de investigar as competências narrativas e em informação que o contador de histórias possui na sociedade da informação. Acredita-se que o domínio das redes digitais apresenta-se como um desafio para os atores culturais que durante décadas dominam os mecanismos da comunicação interpessoal. Realizada no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCINF) da Universidade de Brasília (UnB)3, insere-se no contexto das discussões do grupo de pesquisa Competência em Informação (GPCI) 4 e do recursos tecnológicos como celular, computador e tablet que conecta os sujeitos da atualidade (LEVY, 2011). 3

Trata-se do relato de uma ação da pesquisa em andamento “No balanço das redes dos contadores de histórias”, pertencente ao Doutorado Interinstitucional firmado entre a Universidade de Brasília e Universidade Federal do Espírito Santo (Dinter UnB-Ufes).

4

O Grupo de Pesquisa Competência em Informação (GPCI) reúne pesquisadores, profissionais e estudantes da Faculdade de Ciência da Informação (UnB) e Universidade Complutense de Madrid.

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Grupo de Estudos sobre Educação e Trabalho de Arquivistas e Bibliotecários (GEETAB)5, ambos certificados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

2 PROCEDIMENTOS DA PESQUISA:

NO BALANÇO DAS REDES DOS

CONTADORES DE HISTÓRIAS Estruturada em torno de duas ações de pesquisa e extensão universitária, obteve-se a participação de 20 contadores de histórias de Brasília e do Estado do Espírito Santo (10 narradores de cada região). A primeira ação foi registrada pela Faculdade de Ciências da Informação (FCI) da UnB, dando origem ao I Seminário No balanço das redes dos contadores de histórias, realizado na Biblioteca Demonstrativa de Brasília (BDB) no segundo semestre de 2013. A segunda ação foi registrada pelo Departamento de Biblioteconomia (DBIB) da UFES, culminando no II Seminário No balanço das redes dos contadores de histórias, realizado no Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas (CCJE) da UFES no segundo semestre de 2014. As ações dos eventos foram norteadas pelas discussões do GPCI e do GEETAB, criando, com isso, espaços de diálogos sobre a competência narrativa e em informação. No processo utilizou-se um questionário contendo indicadores de perfil e contexto direcionado às competências (ser, saber e fazer) dos sujeitos narradores das duas regiões brasileiras, culminando numa análise comparativa dos contextos espírito santense e brasiliense6. Essa fase da pesquisa teve como parâmetro o modelo de indicadores de inclusão digital e informacional direcionado para o desenvolvimento de competências (IDEAS), constantemente utilizado pelos pesquisadores da UnB (CERVERÓ et al., 2011). Três indicadores consubstanciaram a coleta e análise da amostra apresentada nesta comunicação. O primeiro denominado indicador do perfil do contador de histórias reuniu informações sobre gênero, idade, formação, espaços de atuação, dentre outras. O indicador do contexto da competência em informação

5

Grupo de pesquisa conduzido por sujeitos dos Departamentos de Biblioteconomia e Arquivologia da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), ao trabalhar com os estudos da linha Sociedade, Informação e Cultura (s).

6

Capixaba ou espírito santense são termos utilizados para designar objetos ou sujeitos de naturalidade do Espírito Santo, assim como, brasiliense é usado para designar a realidade de Brasília.

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permitiu a identificação de aspectos relacionados com a inclusão digital e informacional desse narrador. O terceiro indicador não pertence ao campo de investigação do modelo IDEAS, foi criado especificamente para dar conta do contexto da narrativa oral ao receber a seguinte denominação: indicador da competência narrativa do contador de histórias. Com esse indicador iniciou-se o processo de investigação de competências específicas (ser, fazer e conhecer) do contador de histórias na sociedade da informação, tendo a conexão em redes dos narradores investigada com maior afinco. 3 INDICADORES DE PERFIL E CONTEXTO DAS COMPETÊNCIAS NARRATIVAS E EM INFORMAÇÃO O indicador de perfil conduziu às informações de que em Brasília 50% dos contadores de histórias possuem entre 20 e 50 anos e 40% mais do que 50 anos. No contexto capixaba 80% possuem entre 20 e 50 anos e 20% mais do que 50 anos. Nas duas regiões a maioria pertence ao sexo feminino, desse modo, cabe considerar a informação relacionada ao gênero predominante (Gráfico 1), ao requerer novas investigações em torno das competências dos contadores de histórias que geralmente são representados pelo imaginário social como avós, mães e professoras. Essa constatação acaba remetendo para o fato de que “Em muitas culturas de tradição oral, as avós são narradoras contam histórias que transmitem os frutos do seu aprendizado sobre a vida para o benefício das gerações futuras” (MATOS; SORSY, 2009, p. 37). Gráfico 1 – Predominância do gênero feminino.

Espírito Santo 70%

Brasília 80%

Fonte: Dados da pesquisa.

270


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Em Brasília 70% atuam profissionalmente, 20% iniciaram a prática no século XX e 30% no século XXI (50% dos participantes dessa região não se manifestaram sobre essa questão). No Espírito Santo 100% atuam como contadores de histórias profissionais, tendo 50% iniciado a prática no final do século XX e 50% no início do século XXI. Conforme colocado pelos bibliotecários do território capixaba (50%), a atuação profissional desenvolvida no ambiente escolar conduz ao desenvolvimento da prática de contar histórias, com a finalidade de incentivar à leitura em diferentes idades. Porém, outras atividades profissionais são desenvolvidas paralelamente pelos narradores das duas regiões da pesquisa, muitas vezes não tendo ligação alguma com a prática de narrar histórias: 

BRASÍLIA – tendo em vista que entre a maioria dos sujeitos (70%) que responderam a essa questão um exerce mais de uma profissão, identificou-se que atuam como advogado (10%), auxiliar administrativo (10%), bibliotecário (10%), editor de controle interno (10%), professor de artes (10%), professor de espanhol (20%), professor de língua portuguesa e promotor cultural infantil (10%).

ESPÍRITO SANTO – a maioria dos entrevistados atua como bibliotecário escolar (50%) e o restante dos narradores exercem a função de professor (40%) e psicopedagogo (10%).

Perante a constatação de que nas duas regiões a maioria dos narradores atua em instituições de educação formal, recebe-se “[...] um estímulo pela capacitação de professores e bibliotecários escolares a incorporarem essa prática no seu cotidiano e, não raro, contratam-se pessoas especialmente dedicadas a realizar esta tarefa” (FLECK, 2007, p. 216). Antes porém, as profissões paralelas exercidas pelos narradores chama a atenção para o fato de que terem buscado formação acadêmica que estivessem em consonância com elas (Gráfico 2). Gráfico 2: Formação acadêmica dos contadores de histórias Brasília

Espírito Santo

50% 40% 30% 20%

10%

20% 10%

Graduação incompleta

Graduação Especialização completa

10% Mestrado

Doutorado

10% Em branco

Fonte: Dados da pesquisa.

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No que se refere à realização de cursos de formação e outras atividades voltadas para a arte de narrar, em Brasília 40% dos sujeitos afirmaram que receberam formação específica para atuar como contador de histórias, enquanto 50% não buscaram formação alguma e 10% não se manifestaram. O perfil dos contadores de histórias do cenário capixaba aponta para o fato de que 100% buscaram algum tipo de formação na área da narrativa oral. Nas duas regiões as atividades de formação assumem uma característica presencial: cursos; oficinas; seminários; grupos de discussões em secretarias de educação e no espaço universitário. Além dessas atividades, os narradores citam a influência que as pesquisas realizadas em livros e na internet exerceram no processo de formação, assim como, a audição dos pares e a visualização de vídeos que atualmente podem ser compartilhados no espaço virtual. Em se tratando dos territórios de atuação do narrador de histórias, no cenário brasiliense 60% responderam que trabalharam contando histórias em escolas (40%), bibliotecas (20%), instituições religiosas (20%), feiras de livros (10%) e livrarias (10%). No Estado do Espírito Santo 100% dos entrevistados atuaram em escolas (90%), instituições de ensino superior (30%), instituições de educação infantil (20%), bibliotecas (70%), OSCIPs (30%), hospitais (20%), asilos (20%), livrarias (20%), tribo indígena (10%) e assentamento de trabalhadores rurais sem terra (10%). Diante da necessidade de acessar, buscar, avaliar e usar a informação para fundamentar o desenvolvimento da oralidade nos seus territórios de atuação, entende-se que a prática cultural desse profissional também exige saber comunicar a sua arte na sociedade da informação. Com isso, recorre-se a análise do indicador de contexto da competência em informação que engloba os polos da inclusão digital e informacional. A inclusão digital exige um tipo de alfabetização direcionada para o desenvolvimento das competências de acesso e de utilização das tecnologias de informação e comunicação, bem como, requer habilidades específicas para aprendizagens de como usar recursos digitais e eletrônicos. Ao investigar os tipos de equipamentos de acesso às redes digitais, constatou-se que 90% dos narradores de Brasília e 100% do Estado do Espírito Santo se apropriam de aparelhos celulares, computadores e de outros equipamentos com essa finalidade (gráfico 3).

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Gráfico 3: Equipamentos de acesso às redes digitais. Brasília

Espírito Santo

90%

40%

50%

40%

Telefone fixo

30% 10%

Celular

80% 60%

70% 50%

20%

tablet

TV digital

Computador de mesa

Notebook

Fonte: Dados da pesquisa.

Perante a constatação de que o uso desses equipamentos torna possível o acesso às redes digitais, 90% dos contadores de histórias brasilienses e 100% pertencentes ao território capixaba afirmaram aproveitar os recursos que a internet oferece para a buscar informações. Ao utilizar os recursos ofertados por essa grande rede o contador de histórias interage com um (con) texto diferenciado na tela de um computador, celular, tablet ou qualquer outro equipamento conectado. “A tela apresenta-se então como uma pequena janela a partir da qual o leitor explora uma reserva potencial” (LÉVY, 2011, p. 39). Existem múltiplas possibilidades de produção, armazenamento e distribuição da informação em “[...] fóruns e listas de discussão, prints, jornais on line, blogs, enciclopédias e dicionários colaborativos [...]” (GARCÍA-MORENO, 2011, p. 50). Talvez, então, tenha sido redundante perguntar de quais aplicações de acesso à internet o contador de histórias faz uso. Mesmo assim, essa pergunta foi feita no Estado do Espírito Santo e em Brasília, possibilitando a visualização do uso de algumas aplicações que viabilizam o acesso de informações na grande rede (Gráfico 4). Gráfico 4 – Aplicações de acesso à internet. Brasília 90% 70%

100%

Espírito Santo 100%

60%

50%

50% 20%

Correio eletrônico

Navegador

Mensagens instantâneas

10%

Chats

10% Fóruns

Fonte: Dados da pesquisa.

273


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Ser capaz de entender o significado do acesso a uma rede de comunicações, seja no trabalho, em casa ou em qualquer outro local que permita usufruir dos serviços que por ela são disponibilizados é realmente importante. Na visão de Belluzzo (2007) saber navegar na Internet com a finalidade de buscar novas fontes de conhecimento é uma habilidade fundamental e importante. Assim sendo, 90% dos capixabas e 50% dos brasilienses afirmaram acessá-la várias vezes ao dia. O levantamento de que 100% dos narradores capixabas e 70% dos narradores de Brasília usam algum tipo de mídia social, requer entender quais são os meios de comunicação mais utilizados pelos narradores nas redes digitais. De maneira geral, esse tipo de acesso exige uma diversidade de mídias para comunicar-se socialmente e para buscar informações conforme pontuado pelos contadores de histórias (gráfico 5). Gráfico 5 – Meios de acesso à informação. Brasília 100% 80%

60%

80%

Google e outros Páginas webs buscadores institucionais

60%

80%

Redes sociais

Espírito Santo

60%

Wikis

40%

60%

Bibliotecas digitais

40%

60%

Blogs

Fonte: Dados da pesquisa.

As aplicações e os meios de acesso à informação culminam numa diversidade de possíveis em termos de conexão, aliadas ao acesso à informação, às trocas de experiências e ao processo de aquisição de conhecimentos. Tudo isso e mais um pouco exige a capacidade de aprender a aprender na sociedade da informação (ASSMANN, 2000; DEMO, 2012). Nessa direção, ressalta-se a urgência de o contador de histórias aprender “[...] acessar e utilizar os serviços de comunicação diferentes (e-mail, chat, newsgroups, etc) e acesso a conteúdo, navegação e diretórios e motores de busca para localizar informações” (GARCÍAMORENO, 2011, p. 43). Por conseguinte, torna-se necessário saber buscar, avaliar e usar a informação de lazer, divulgação, técnica ou científica. 274


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O contexto da alfabetização em informação engloba as habilidades de saber localizar, avaliar e utilizar uma variada gama de informações, ao considerar nesse processo a realização de uma leitura com significado e entendimento. No contexto brasiliense averigua-se que 80% dos narradores possuem essa competência, 10% afirmaram não possuir e 10% não responderam a essa questão. No Espírito Santo 100% se consideram capazes de localizar a informação de que necessitam com entendimento não apenas em obras impressas, mas também nas redes digitais. Em Brasília 70% possuem a capacidade de selecionar e identificar a informação ao considerar os objetivos da busca, 10% afirmaram não possuir e 20% não responderam a essa questão. No Espírito Santo 100% selecionam e identificam a informação por grau de importância e em função de seus objetivos. A qualidade do conteúdo do texto a ser recuperado foi avaliada como essencial por 90% dos contadores de histórias de Brasília e 100% do Espírito Santo, ao afirmarem que conseguem detectar as palavras chaves que são mais importantes no processo de pesquisa. Também foram citados os critérios que utilizam para verificar a qualidade das fontes e dos conteúdos de informação (Gráfico 6). Gráfico 6 – Critério de avaliação das fontes recuperadas. Brasília

80% 50% 30%

100% 70%

80%

30%

Acessibiliade Atualidade

Espírito Santo

20% Autoria

Conteúdo

30% 10% Cobertura

30%

Domínio

Fonte

Fonte: Dados da pesquisa.

Entendendo como necessária não apenas a capacidade de localizar, recuperar, avaliar, mas também de apreender criticamente informações buscadas em diversos formatos (imagem, texto, som), a organização e disponibilização do conteúdo de documentos informativos (palestras, artigos, apresentações etc.) torna-se necessária nas redes do contador de histórias. Resta saber o que está sendo produzido e compartilhado em termos de conhecimento nos territórios da pesquisa.

275


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Quando perguntados se organizam e disponibilizam conteúdos informativos para público e pares, no Espírito Santo 80% dos entrevistados afirmaram que realizam essa tarefa e 20% afirmaram que não. Em Brasília 20% dos sujeitos narradores organizam e disponibilizam conteúdos de documentos informativos para seus pares, enquanto que 50% dos participantes confessam que não se dedicam e um percentual de 30% deixou de respondeu a essa questão. O material produzido e compartilhado em sua maioria é composto por textos, vídeos e fotografias através de e-mail, redes sociais e pen drive. O documento impresso também foi citado por alguns contadores de histórias. O indicador de contexto da competência narrativa, direcionada ao acesso das redes dos contadores de histórias, aponta para o fato de que em Brasília a maioria dos narradores considera importante tanto o conhecimento sobre as novas tecnologias quanto o acesso à informação voltado para a sua prática nas redes digitais: 70% efetivamente julgam ser importante e 30% entregaram essa questão em branco. No Estado do Espírito Santo identificou-se que 100% consideram igualmente importante esse tipo de conhecimento e o acesso à informação de sua área de atuação nas redes digitais. Perante a importância que é dada a conexão em redes digitais voltada para a oralidade, no contexto brasiliense 50% afirmaram utilizar esse recurso para divulgar informação atualizada de interesse da narrativa oral, 40% afirmaram que não usam e 10% não respondeu a essa questão. Em se tratando dos narradores espírito santenses, 80% afirmaram usá-las para divulgar informação de seu interesse, enquanto 20% não divulgam esse tipo de informação. No Estado do Espírito Santo 80% dos narradores buscam informações voltadas para a narrativa oral em sites da internet, não deixando de utilizar em menor grau os livros. O mesmo não pode ser afirmado sobre a realidade de Brasília, tendo em vista que apenas 30% dos narradores buscam informação voltada para a narrativa oral na internet (Gráfico 7).

276


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Gráfico 7 – Busca de informação voltada para a narrativa oral. Brasília

Espírito Santo

80% 30%

40%

30% 10%

Busca informação voltada para a narrativa oral

10%

Não busca esse tipo Respostas em branco de informação

Fonte: Dados da pesquisa.

Acerca da especificação do tipo de informação narrativa que comumente é buscada, obteve-se o seguinte resultado: novas histórias; novos artigos; técnicas de narração; cursos e outros eventos; recursos para enriquecer a narrativa; recursos tecnológicos; experiências de outros contadores por meio de vídeos; blogs de outros narradores; ideias de divulgação de atividades. Em relação ao compartilhamento das informações voltadas para a narrativa oral, em Brasília 50% afirmaram que costumam se dedicar a essa atividade; 30% afirmaram que não e 20% entregaram a questão em branco. No Espírito Santo 50% dos entrevistados se dedicam a essa atividade e 50% afirmaram que não compartilham informações voltadas para a narrativa oral nas redes digitais. De maneira geral afirmaram compartilhar informações como fotos, textos e vídeos. Em se tratando da produção de novos arquivos no campo da narrativa oral, 30% dos contadores de histórias de Brasília sinalizaram que trabalham com novos arquivos, 60% afirmaram não trabalhar e 10% deixaram de responder a essa questão. No Estado do Espírito Santo 70% afirmaram que trabalham com a produção de novos arquivos e 30% que não desenvolvem esse tipo de atividade. As habilidades citadas acabam requerendo uma base de conhecimentos sobre as tecnologias de informação e comunicação, bem como, a aquisição de conhecimentos para que se possa melhor aproveitar aos serviços que as redes oferecem, principalmente na esfera de atuação da narrativa oral. Para investigar sobre a atribuição de valor que é dada ao acesso à informação nas redes digitais e presenciais (redes híbridas), questionou-se se elas seriam importantes para melhorar as condições de atuação do contador de histórias, legitimar a sua profissão, contribuir com a prática que é desenvolvida ou para 277


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divulgar a sua arte. Diante da apresentação destas questões, segue o resultado de atribuição da importância ao acesso à informação voltada para a narrativa oral nas redes digitais (Gráfico 8): Gráfico 8 – Importância do acesso à informação voltada para a narrativa nas redes. Brasília

Espírito Santo 40%

30%

30%

30%

20% 10%

10%

Contribuir

10%

Divulgar

Legitimar

Melhorar

Contribuir, divulgar, legitimar e melhorar

Fonte: Dados da pesquisa.

No Espírito Santo (40%) e em Brasília (30%) alguns narradores consideram a conexão em redes digitais igualmente importante para auxiliar nos processos de divulgação, melhoria, legitimação e contribuição da sua prática, assinalando dessa forma todas as questões que o questionário traziam como opção. No Espírito Santo nenhum entrevistado assinalou apenas as opções contribuir e legitimar. Em relação à participação em redes voltadas para o processo de aprendizagem e, por consequência, ao compartilhamento de informação, no Espírito Santo constatou-se 30% não participam de nenhuma rede de formação voltada para a arte de narrar histórias, enquanto 70% afirmaram estar conectados às redes criadas na própria instituição em que atuam: grupos de formação da secretaria de educação (30%); grupos viabilizados pelos espaços universitários (20%) e OSCIPs (20%). Ao serem questionados sobre as redes das quais fazem parte, os contadores de histórias capixabas reponderam que atuaram nas seguintes redes: Grupo de Contadores de Histórias Colorindo Vidas (presencial e virtual); Grupo Experimental de Contadores de Histórias da UFES (presencial); Projeto de Pesquisa GENTE (presencial);

Comunidade

Universitária

UFES

(presencial);

Comunidade

de

Bibliotecários da Prefeitura Municipal de Cariacica (presencial e virtual), Carrapicho Poético (facebook); Roda de Histórias (página web).

278


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Em Brasília 30% dos sujeitos narradores afirmaram participar de redes de aprendizagem voltadas para a formação do contador de histórias, enquanto que 60% não estão conectados a nenhum grupo com essa característica. Tendo em vista que 10% não responderam a essa questão, considera-se que uma pequena parcela está conectada em redes na área de sua atuação nessa região. Entre as redes presenciais citadas pelos narradores de Brasília cita-se a rede informal de troca de experiências e formação possibilitada pelos eventos promovidos na BDB. Vários contadores de histórias citaram o Sarau de Contação de História que fora realizado durante o I Seminário No balanço das redes dos contadores de histórias. Nele foram apresentados recursos narrativos e estratégias de como contar histórias para os sujeitos narradores e demais participantes que demonstraram interesse pelo tema. Percebe-se que a conexão em rede digital torna-se um diferencial e apresenta um elemento importante para as suas relações de trabalho, artísticas e comunitárias, ao inserir esse profissional em processos de aprendizagens requeridos pela sociedade da informação. Todavia, sem desconsiderar o perfil que move a prática desse narrador, bem como, suas competências narrativas (ser, conhecer e fazer) torna-se necessário repensar a sua função na sociedade em que vivem.

4. À GUISA DE CONCLUSÕES Com a realização da pesquisa identifica-se que os dois grupos de contadores de histórias inciaram a sua prática entre o final do século XX e início do século XXI, possuindo um nível de formação superior compactível com as profissões paralelas que por eles são assumidas: a maioria professor em Brasília e Bibliotecário no Estado do Espírito Santo. Todos os narradores capixabas e a maioria dos brasilienses buscaram formação na área da contação de histórias para atuar como narradores profissionais em diversos territórios de educação, informação e cultura. Esses dados são importantes para delinear o perfil dos contadores de histórias das duas regiões em que foi realizada a pesquisa. Prossegue-se a análise ao identificar que a competência narrativa e em informação que os contadores de histórias possuem são importantes para o desenvolvimento de um trabalho potencial em redes de comunicação. Devido esse sujeito ser alfabetizado digitalmente e informacionalmente, pontua-se que a as novas tecnologias de informação e comunicação reforçam as relações nas redes 279


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digitais, recentemente integradas a sua realidade de trabalho no campo da comunicação interpessoal. Parte-se então do princípio de que os sujeitos da pesquisa possuem habilidades necessárias para a realização de busca de informação e produção de conhecimento voltado para a oralidade. Considera-se que a maior parte dos narradores utiliza equipamentos de acesso às redes digitais, aproveitando os recursos que a internet oferece para a localização, avaliação, recuperação e uso da informação. Identifica-se que também conhecem as possibilidades de uma efetiva conexão em rede que perpassa saberes e fazeres específicos de um sujeito narrador que durante séculos domina técnicas que possibilitam a comunicação interpessoal. Todavia que ainda pouco utilizam esses recursos para o contexto de sua atuação. Por fim, constatou-se que os contadores de histórias das duas regiões brasileiras são possuidores de habilidades e competências passíveis de serem compartilhadas em espaços presenciais e virtuais, porém, que, ainda assim, precisam aprender a partilhar informação e conhecimento produzido de sua área. Apesar de a investigação ser realizada no Estado do Espírito Santo e em Brasília, entende-se que o movimento de apropriação das Tecnologias de Informação e Comunicação que alimentam as redes dos contadores de histórias desses dois Estados, tende a aproximá-los em diversas regiões brasileiras. REFERÊNCIAS

ASSMANN, H. A metamorfose do aprender na sociedade da informação. Ciência da Informação, Brasília, v. 29, n. 2, p. 7-15, maio/ago. 2000. BELLUZZO, R.C.B. Construção de mapas: desenvolvimento competências em informação e comunicação. 2ª ed. Bauru, SP Cá Entre Nós, 2007. BUSATTO, C. A arte de contar histórias no século XXI: tradição e ciberespaço. 3ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2011. CERVERÓ, A. C. et al. Instrumentos de aplicação do modelo IDEIAS. In: CUERVAS, A. C.; SIMEÃO, E. Alfabetização informacional e inclusão digital: modelo de infoinclusão social. Brasília: Thesaurus, 2011. DEMO, P. Habilidades e competências no século XXI. 3ª ed. Porto Alegre: Mediação, 2012. 280


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FLECK, Felícia de Oliveira. A profissionalização do contador de histórias contemporâneo. 89 f. 2009. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação). Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2009. GARCÍA-MORENO, M. A. As tecnologias da informação e comunicação no contexto da alfabetização digital e informacional. In: CUERVAS, Aurora Cerveró; SIMEÃO, Elmira. Alfabetização informacional e inclusão digital: modelo de infoinclusão social. Brasília: Thesaurus, 2011. LÉVY, P. O que é virtual? 2ª ed. São Paulo: Editora 34, 2011. 160p. MATOS, G. A.; SORSY, I. O ofício do contador de histórias: perguntas e respostas, exercícios práticos e um repertório para encantar. 3ª ed. SP: Editora WMF Martins Fontes, 2009.

281


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282


19 A CONSTRUÇÃO DO PROCESSO DE PESQUISA ESCOLAR: UMA EXPERIÊNCIA COM PROFESSORES DO ENSINO FUNDAMENTAL

Rodrigo Barbosa de Paulo rodrigodepaulo22@hotmail.com Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação Universidade Estadual Paulista (Unesp) – Bolsista CAPES Helen de Castro Silva Casarin helenc@marilia.unesp.br Docente do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Resumo: O desenvolvimento da competência informacional se faz necessário desde os primeiros anos escolares. A competência informacional aprimora a capacidade das pessoas usufruírem de seus direitos humanos fundamentais, objetivando a compreensão da relação entre os processos que envolvem a competência informacional para a construção de conhecimento. Este trabalho apresenta os primeiros resultados de uma experiência realizada em conjunto como um grupo de professores do ensino fundamental visando a introdução da competência informacional no ensino fundamental utilizando-se a pesquisa-ação como metodologia. A pesquisa está em andamento, mas até o presente momento podemos perceber mudanças significativas no modo como os professores planejam, utilizam fontes de informação, desenvolvem pesquisa escolar com seus alunos e aplicam noções de normalização dos trabalhos. Palavras-Chave: Biblioteca Escolar; Formação de Usuários; Competência Informacional; Ensino Fundamental; Professor.

283


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284


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1 INTRODUÇÃO Esta comunicação apresenta os primeiros resultados da dissertação de mestrado que investiga o impacto do trabalho conjunto entre pesquisadores e professores do ensino fundamental para inserção da competência informacional no processo de ensino-aprendizagem em escolas de da rede municipal de Marília. Esta pesquisa está vinculada a um projeto maior intitulado “Biblioteca escolar no ensino fundamental: em busca de um modelo alternativo”, que tem como objetivo desenvolver um modelo de biblioteca escolar que contribua de forma efetiva para o processo educacional, através de uma ação conjunta entre especialistas nacionais e estrangeiros e professores de duas escolas públicas e periféricas da cidade de Marília/SP (CASARIN, 2013). O espírito de pesquisa começa ao nascer, com a curiosidade da criança e a necessidade de confrontar-se com a realidade e o desafio de organizar mentalmente o mundo que vive. Porém é nas séries iniciais que se pode dizer que há o início da “pesquisa pedagógica”, quando a criança inicia a elaboração de textos próprios e desenvolvimento da autonomia. Este espírito investigativo deve ocorrer dentro e fora da escola, preparando a criança para dar conta das habilidades requeridas no século XXI, construindo conhecimento de forma individual ou coletiva (DEMO, 2014). A iniciativa aqui relatada teve início em 2013 com a fase de planejamento e a partir do início de 2014 começaram as primeiras ações. O projeto tem basicamente duas vertentes: a primeira foca a formação dos usuários (professores e alunos) a partir da perspectiva da competência informacional, na qual se inclui a dissertação aqui relatada e a outra centra-se na organização de uma estrutura física, acompanhada da organização e tratamento da informação de uma forma sistematizada e adequada ao contexto das bibliotecas escolares (CASARIN, 2013). Nesta comunicação serão apresentados os primeiros resultados da etapa de formação de usuários.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Desde a geração Y ou geração do milênio, termo oriundo da sociologia, que classifica as pessoas nascidas nas décadas de 80 e 90, os indivíduos têm crescido acompanhando o grande desenvolvimento tecnológico e econômico, sendo

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estimulados a realizar tarefas múltiplas e a utilizar aparelhos de alta tecnologia. Assim: No momento em que essa geração, formada por jovens nascidos entre 1983 e 1994, começa a dominar a paisagem em escritórios de empresas de todos os portes, perfis e setores, é natural que as organizações comecem a rever sua maneira de pensar e principalmente seus mecanismos de relacionamento (OLIVEIRA, 2011, p.13).

Familiarizados com dispositivos móveis e comunicação em tempo real, tornaram-se consumidores exigentes, informados e com grande poder de decisão de compra. É a primeira geração verdadeiramente globalizada, tendo acesso à tecnologia desde a primeira infância. Nutrem a expectativa de ter informação em qualquer lugar, de forma fácil e rápida, porém, de forma superficial. Deste modo, a competência informacional se torna quesito importante para a construção de conhecimento na sociedade contemporânea. Os parâmetros curriculares nacionais preveem que os alunos sejam preparados para lidar com diferentes fontes de informação e recursos tecnológicos (BRASIL, 1997). Porém, nem sempre as escolas estão preparadas pela falta de um profissional habilitado, visto que não dispõem, em geral, de bibliotecários e os professores também não estão preparados para lidarem com a pesquisa escolar na perspectiva da competência informacional, também não dispõem de infraestrutura adequada, com biblioteca com acervo organizado e atualizado que inclua materiais para realização de pesquisas escolares. A pesquisa escolar é uma estratégia interessante para o ensino da competência informacional por envolver o uso de habilidades de busca de informação através o uso de fontes de informação, avaliação e interpretação das informações recuperadas, registro e organização da informação. Neste sentido, é uma estratégia privilegiada para o ensino das diversas etapas e aspectos da competência informacional. Conforme Pieruccini (2008, p.53): A pesquisa significativa não é, assim, gesto simples, mas, ao contrário, conjunto complexo de operações de diferentes ordens, envolvendo tanto atitude interessada do sujeito, quanto habilidades e competências indispensáveis à identificação da questão a ser estudada, à capacidade de reconhecimento e localização de fontes informacionais pertinentes, à capacidade de seleção e organização da informação com foco no problema de interesse do aluno e de seu grupo, ao domínio de processos de reelaboração das informações, ou seja, de produção/construção de novos conhecimentos.

286


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Com esta evolução tecnológica, o acesso e uso da informação sofreu grande impacto inclusive nas bibliotecas e serviços de informação. Ao discutirmos competência informacional nesse contexto, estamos refletindo sobre o perfil de competência informacional necessária para atendermos aos desafios que compõe esta diversidade e complexos meios de uso da informação. Porém existe um paradoxo especial no contexto brasileiro em relação aos processos da utilização adequada das fontes eletrônicas e ao aumento exponencial de informação, que muitas vezes, não tem a qualidade necessária, exigindo uma maior reflexão crítica sobre a pertinência, relevância e confiabilidade (BELLUZZO, 2007). Este é o contexto encontrado ao discutirmos competência informacional, onde muitas vezes antes mesmo de discutirmos algumas características desejadas para pessoas competentes em informação, destacando que estas características variam de acordo com público analisado, ex: crianças do ensino fundamental, advogados, dentistas, etc. Um aspecto a ser discutido é a criação da necessidade da informação, enfoque de grande relevância ao discutirmos competência informacional ainda mais no contexto educacional, que nos permite perceber que muitas vezes a comunidade de aprendizagem que atuamos, não tem clareza da necessidade de informação muitas vezes básica que seu contexto social exige. A competência informacional preocupa-se com a formação do cidadão, inserindo-o no processo de ensino aprendizagem, habilitando-o a usar a informação através

dos

diversos

suportes

que

a

informação

encontra-se

disponível,

possibilitando que os usuários possam desenvolver autonomia para busca e uso da informação, porém de forma mais eficiente e ética (MATA; CASARIN, 2010). A competência informacional aprimora a capacidade das pessoas usufruírem de seus direitos humanos fundamentais, conforme expresso no artigo 19 da Declaração de Direitos Humanos e segundo a qual todo ser humano tem direito a liberdade de expressão e opinião, esta liberdade inclui receber e transferir informações e ideias por qualquer meio e independente de fronteiras (UNESCO, 2013). Segundo Belluzzo (2011, p.280): A informação constitui poderosa forma de transformação e autonomia do homem. O poder da informação, aliado aos modernos meios de comunicação de massa, tem a capacidade ilimitada de transformar culturalmente o homem, a sociedade e a própria humanidade como um todo.

287


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Uma das funções da biblioteca escolar é desenvolver competências de alunos e professores para busca, avaliação e uso da informação no ambiente educacional. Este desenvolvimento pode ocorrer de diversas maneiras como: atividades de ensino formal ou informal, orientações para a realização de pesquisas, lazer dirigido, consultas livres, etc. Objetiva-se na pesquisa aqui relatada investigar a relação entre os processos que envolvem a competência informacional e o ensino fundamental como requisitos para a construção de conhecimento na sociedade contemporânea, atentando-se a situação e necessidade de desenvolvimento da competência informacional de professores do ensino fundamental da rede de ensino municipal de Marília-SP, analisando o domínio que os professores possuem deste conteúdo. 3 METODOLOGIA Para a operacionalização dos objetivos propostos na pesquisa, foi escolhida a pesquisa-ação, metodologia surgida há mais de 50 anos com uma abordagem especifica em Ciências Sociais nos Estado Unidos (BARBIER, 2007). Esta metodologia com ação transformadora da realidade e produção de conhecimentos relativos a essas transformações se define em sua relação com a complexidade da vida humana de forma dinâmica, se afirma como trans-pessoal ao mesmo tempo possui especificidades teóricas (BARBIER, 2007). A aplicação da pesquisa-ação prevê a coleta de dados de diversas fontes e uma série de ações ao longo de desenvolvimento do estudo. Entre as ações previstas na realização desta pesquisa está a realização de encontros mensais entre a equipe da pesquisa, que inclui a participação de bibliotecários, docentes e os professores das duas escolas participantes para discussão estratégias para o desenvolvimento da competência informacional dos alunos. Ao longo do ano de 2014, foram realizados oito encontros entre a equipe da pesquisa e os professores das duas escolas participantes da pesquisa. O propósito destes encontros era apresentar os objetivos do projeto e preparar os professores para lidar com os conteúdos sobre competência informacional e do uso da pesquisa como estratégia para o ensino da competência informacional (PAULO, REDIGOLO, CASARIN, 2015). 288


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Nesta comunicação serão relatados os encontros em que foram abordados os conteúdos referentes às etapas do planejamento de pesquisa escolar que abrange desde a escolha dos temas, como também a exploração das fontes: início do trabalho; seleção do assunto; exploração de informação; definição de foco; coleta de informações; preparação para apresentação do trabalho e avaliação do processo, de acordo com Kuhlthau (2010). A obra de Kuhlthau (2010) é resultado de uma série de estudos desenvolvidos pela autora na década de 1980 e visando verificar “a complexidade da aprendizagem pela busca e pelo uso da informação” e os aspectos cognitivos e afetivos envolvidos em diversos estágios de desenvolvimento do trabalho e do aluno. Ressalta-se também a atuação da biblioteca escolar e do profissional bibliotecário neste processo. Baseando-se na obra de Kuhlthau (2010), propõe-se trabalhar sete etapas para a construção da pesquisa escolar ou de busca de informações para cada um dos temas escolhidos previamente pelos professores. As sete etapas são: 1)

Início do trabalho: criação da necessidade da informação, convite a pesquisa, planejamento do projeto de pesquisa, contextualização da pesquisa.

2)

Seleção dos assuntos: Neste tópico, em nossa pesquisa, as temáticas foram

escolhidas

previamente

pelos

professores

e

coordenador

pedagógico, conforme mencionado anteriormente baseado do plano de ensino geral. Porém, deve-se trabalhar neste momento: Criação de um clima motivador e delimitação dos assuntos. 3)

Exploração de informações: Busca de informações, visão do processo informacional, identificação de termos de busca, exploração de ideias, flexibilização do tempo, anotação de ideias, registro do material consultado.

4)

Definição do foco: critérios para definir o foco, economia de tempo, necessidade de voltar ao estágio anterior.

5)

Coleta de informações: visão do universo informacional disponível na biblioteca, busca de fontes de informação, uso de termos de buscas e pistas, entendimento da organização das informações, uso do catálogo da 289


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biblioteca, uso de instrumentos de acesso, compreensão da utilidade das fontes, leitura direcionada. 6)

Apresentação do trabalho: Encerramento da busca de informações, manutenção do prazo, esgotamento dos recursos informacionais, verificação final das fontes de informação, organização das anotações, formatação, citação, resumo, redação do trabalho, referências.

7)

Avaliação do processo: Evidência do foco, uso do tempo, uso dos recursos informacionais, redação e síntese.

4 RESULTADOS Com o intuito de desenvolver a competência informacional nos alunos das escolas pertencentes à pesquisa, foi desenvolvido um plano de ação envolvendo a biblioteca como espaço pedagógico. Este planejamento foi desenvolvido a partir do Projeto Político Pedagógico 2015 compartilhado por todas as escolas que compõe a rede municipal de ensino de Marília. Cada escola, porém realiza alterações ou adendos a este documento anualmente de forma a contemplar os interesses e demandas característicos de cada escola. Para isso, desenvolveu-se o seguinte planejamento em ambas as escolas, no processo de criação do projeto: 1. Solicitação do documento oficial da Proposta Curricular (todas as escolas possuem); 2. Apresentação do diagrama com conteúdos de todas as áreas; 3. Definição dos conteúdos para serem explorados no formato de pesquisa escolar: Nesta etapa os professores de cada turma ficaram livres para escolher os temas/ assuntos de acordo com o planejamento dos conteúdos dos bimestres. A escolha foi feita em reunião no horário de estudo coletivo (HEC), que consiste em duas horas por semana em período contrário ao período de aula do professor que é dedicado a leitura de textos, instruções pedagógicas e outras questões gerais da escola e que contribuam para a melhoria do ensino (CONEGLIAN, 2013) .

Os

professores de cada série fizeram as escolhas dos temas e registraram em uma ficha. Após a definição dos temas pelos professores, a coordenação fez a digitação e organizou todos os levantamentos de temas/ assuntos em um único documento. 290


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Como resultado deste processo, foram escolhidos alguns temas a serem trabalhados no formato de pesquisa divididos por ano escolar e bimestre, dentre eles pode-se exemplificar: 1º ano: alimentação saudável, crise da água, história do brinquedo; 2º ano: mapas, folclore, movimento Hip Hop; 3º ano: reciclagem, escritores renomados, contos maravilhosos; 4º: tratamento da água, a vida caipira em São Paulo, jogos de matemática; 5º ano: sistema solar, imigração e corpo humano. Com o intuito de não gerar um esforço extra no desenvolvimento das atividades, os temas escolhidos foram pautados no planejamento de conteúdo já existentes das escolas. Após as escolhas dos temas, realizamos mais um encontro entre professores, direção e bibliotecários para seleção de atividades que possam desenvolver a competência informacional dos alunos através de um processo de pesquisa, conforme proposto por Kuhlthau (2010). Dentre as atividades escolhidas exemplificase: convite a pesquisa, passos do levantamento para seleção do assunto; ações do estágio de exploração: relaxar, ler e refletir; reflexão sobre possíveis focos; uso de informações correntes; citação, paráfrase e resumo; redação da síntese do trabalho. Os exemplos de atividades acima mencionados foram algumas das atividades que os professores divididos em grupos por ano escolar selecionaram para trabalhar com seus alunos posteriormente em sala de aula, tendo como critério a escolha de ao menos uma atividade que trabalhasse um dos passos para pesquisa proposto pela autora. A próxima etapa da pesquisa será a análise dos semanários, documento em que são registradas as atividades desenvolvidas em sala de aula pelos professores envolvidos na pesquisa, para verificar como ocorreu a aplicação das atividades escolhidas.

5 CONCLUSÃO A pesquisa está em andamento, mas tem sido interessante observar as mudanças ocorridas nas escolas participantes do projeto em relação ao desenvolvimento da pesquisa escolar. Apesar da existência de um certo receio por parte dos professores decorrente de experiências anteriores de participação em projetos iniciados e não finalizados de forma coerente e com retorno construtivo ao 291


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trabalho de sala de aula, tem sido enriquecedor da maior parte dos professores reconhecendo a importância da biblioteca escolar no processo de ensino aprendizagem e do profissional bibliotecário no âmbito do desenvolvimento da competência informacional. Pode-se verificar também que alguns professores já introduziram em suas aulas a busca de informações em fontes indicadas durante a formação em 2014, e para 2015 se dispuseram a aplicar atividades de pesquisa escolar junto às suas turmas. Além disto, identificou-se a necessidade de se desenvolver um diretório de fontes de informação voltado ao público escolar. Isto demandou algumas reuniões com integrantes da área de tecnologia e um estudo tanto sobre critérios de avaliação de fontes de informação para este público como a elaboração de um diretório com características adequadas também a este público. Por ser o objeto de interesse da pesquisa uma área ainda emergente em contexto brasileiro, espera-se que os resultados obtidos nesta pesquisa possam servir como contribuição no sentido de demonstrar como se dá o processo de desenvolvimento da competência informacional no ambiente escolar visando o acesso e uso da informação para a construção de conhecimento, possibilitando a criação e divulgação de referenciais teóricos de relevância à sua consolidação, oferecendo um panorama a respeito da inter-relação entre a competência informacional e o ensino fundamental e contribuir com referenciais norteadores que possam facilitar a adoção de postura reflexiva, crítica e inovadora em relação aos conteúdos decorrentes do acesso e uso da informação para a construção de conhecimento. As próximas etapas da pesquisa e do projeto para o ano de 2015 serão: -

Acompanhar os professores na aplicação das atividades escolhidas;

-

Analisar o desenvolvimento das atividades junto aos alunos através dos registros no semanário;

-

Oferecer suporte com fontes de informação que atendam os professores em suas necessidades informacionais, pessoalmente e através de compartilhamento de fontes de informação em documento criado no Google Drive.

292


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20 EL PROFESIONAL DE LA SALUD MENTAL Y LA INFORMACIÓN EN EL ÁMBITO PÚBLICO

Gerardo Ruiz López retornoalpasado812@gmail.com Doctorando en el Posgrado de Bibliotecología y Estudios de la Información Universidad Nacional Autónoma de México

Resumen: Este trabajo presenta los resultados de la primera fase de una investigación más amplia relacionada con el comportamiento informativo en médicos psiquiatras. El objetivo de esta fase es analizar los roles, tareas, necesidades y fuentes de información. Para este objetivo se aplicó el ERI (encuesta de roles e información) con 51 reactivos a un grupo de 42 médicos psiquiatras pertenecientes a dos hospitales en la ciudad de México. Los resultados obtenidos permiten afirmar que el trastorno bipolar, la esquizofrenia, depresión, trastorno de la personalidad y el trastorno por uso de drogas, fueron los padecimientos que más han tratado recientemente los médicos. El medio a través del cual prefieren acceder a la información es el correo electrónico. La fuente de información preferida de los médicos fueron las bases de datos. Sólo cuatro médicos declararon efectuar investigación sobre los siguientes temas: Trastorno bipolar en la infancia, Trastornos afectivos en la infancia, Autismo, y Farmacodependencia; finalmente, la clase de artículos qué más leen son los meta análisis. Con esto se sustenta la siguiente fase de la investigación que consiste en la aplicación del protocolo Think aloud y el análisis documental. Lo que se puede concluir con el estudio realizado es que los médicos psiquiatras encuestados utilizan la información de manera frecuente en su práctica clínica y que el tipo de información es de un alto valor agregado. Sin embargo, es necesario identificar si cuentan con las habilidades para usar esa información eficazmente, aspecto que será abordado en la siguiente fase de la investigación. Palabras-Clave: Alfabetización Informacional; Médicos Psiquiatras; Bibliotecología; Salud Pública; México.

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

1 INTRODUCCIÓN El comportamiento informativo es definido por el contexto donde se encuentra la persona que desea una información determinada. El contexto puede ser el lugar de trabajo, la universidad donde labora o simplemente la investigación que hace al individuo buscar datos e información. Pero su comportamiento informativo dependerá de qué fue lo que originó su búsqueda de información, esto es, del contexto individual de esa persona; es fundamental la importancia del ambiente donde se desenvuelve el sujeto, ya que de ello dependerá la conducta informativa que él adopte (González, Teruel A., 2005a). Lo anterior sale a colación ya que T.D. Wilson deduce que el comportamiento informativo (information behavior), comprende a dos conceptos más en el proceso, la conducta de búsqueda de información (information seeking behavior) y la conducta de búsqueda en los sistemas de información (information searching behavior). La primera la define como: la conducta informativa que estudia la totalidad del comportamiento humano en lo referente a las fuentes y canales de información. La segunda es: el estudio de aquellos procesos que suponen una búsqueda activa por parte del individuo. Y la tercera es descrita como: un micronivel del comportamiento del individuo cuando interactúa con sistemas de información de cualquier tipo (González, Teruel A., 2005c). Por otra parte, Donald O. Case menciona que después de hacer una revisión bibliográfica sobre el comportamiento informativo (information behavior) a principios de la década pasada,

concluyó que existen diferentes y muy variados temas,

poblaciones, muestras, sitios, teorías y métodos sobre ese tema. (Case, Donald O., 2006a). Al final de su investigación Case señaló que el comportamiento informativo (information behavior) gozaba de un gran arraigo tanto en el aspecto individual como dentro de la sociedad. Poniendo especial atención en el investigador (seeker), así como en informantes individuales, para ejecutar una mayor y profunda descripción general. De tal manera que la investigación que nos ocupa se centra en la indagación de los patrones que caracterizan el perfil informativo de una comunidad de médicos en México.

El marco teórico toma como base la obra titulada Theories of 297


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Informationbehavior.,(eds. Fisher, Erdelez, y Mackechnie, 2009), en la que se compilan 72 modelos teóricos que representan el comportamiento informativo de personas de diferentes disciplinas, entornos laborales y niveles educativos. Esto hace que la obra sea esencial para comprender los contextos, las variables y las metodologías que son apropiadas para caracterizar a una comunidad de usuarios. El objetivo general de la investigación es caracterizar el comportamiento informativo de los médicos psiquiatras con respecto a sus necesidades y búsqueda de información. Los objetivos específicos son: 

Identificar los aspectos sociodemográficos y académicos que influyen en el tipo de necesidades de información relacionadas con el tratamiento de pacientes.

Determinar cómo los médicos psiquiatras buscan la información clínica para mejorar su tratamiento con los pacientes y la dirección de sus prácticas.

Identificar las habilidades y conocimientos que tienen los médicos psiquiatras para buscar la información.

2. METODOLOGÍA La investigación se basó en un instrumento (ERI) encuesta de roles e información, con el cual se analizaron los roles, tareas, necesidades y fuentes de información; todo ello con el objetivo de lograr una visión integral del comportamiento informativo de los médicos psiquiatras. El diseño de la investigación está fundado en el modelo de (Leckie, Pettigrew y Sylvain, 1996a) 

Sujetos

En este estudio participaron 41 médicos psiquiatras con tres categorías: médicos adscritos, médicos de confianza y médicos residentes; los médicos adscritos son especialistas que son trabajadores de base y ocupan de forma definitiva un puesto tabulado conforme a las normas de su contrato colectivo de trabajo; los médicos de confianza son todos aquellos que realizan funciones de dirección, inspección, vigilancia y fiscalización de carácter general y no tabuladas, así como las relacionadas con trabajos personales del patrón dentro del instituto; en el caso de los médicos residentes, son médicos generales que se encuentran 298


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haciendo una residencia en el hospital donde laboran y estudian de acuerdo a su especialidad para posteriormente obtener el grado correspondiente de acuerdo a los convenios establecidos con diversas entidades académicas públicas y privadas. 

Descripción del escenario.

Los médicos psiquiatras donde se aplicó la encuesta son: el Hospital “Héctor Tovar Acosta” del Instituto Mexicano del Seguro Social, y el Hospital de Psiquiatría “Dr. Samuel Ramírez Moreno”. La primera encuesta que se realizó fue en el Hospital “Héctor Tovar Acosta” del Instituto Mexicano del Seguro Social, México D.F., esta unidad médica cuenta con personal capacitado para brindar una atención integral al paciente, que consta de: admisión continua, hospitalización, extensión hospitalaria y hospital parcial. En el servicio médico se desprenden tres categorías: médicos adscritos, médicos de confianza y médicos residentes; tomando en consideración médicos residentes, distribuidos en tres turnos y fines de semana; todos son médicos psiquiatras, a excepción de dos profesionales de la salud, uno de ellos es médico internista,

una

médica

neuróloga

y

un

psiquiatra

con

especialidad

en

paidopsiquiatría. La segunda encuesta que se aplicó fue en el Hospital de Psiquiatría “Dr. Samuel Ramírez Moreno” de la Secretaría de Salud; México, Distrito Federal, en colindancia con el municipio de Valle de Chalco, Estado de México. Los servicios que brinda a la comunidad es consulta externa, hospitalización, hospital de día y urgencias. En el Hospital de Psiquiatría “Dr. Samuel Ramírez Moreno” se encontraron dos categorías médicas: de base y confianza; según las características de las actividades que desempeñaban en su práctica médica diaria es posible inferir que el estatus laboral es muy semejante al que presenta el IMSS. 

Diseño del instrumento

Encuesta sobre roles e información (ERI)

Objetivo

Identificar si el rol y las tareas asignadas a los médicos psiquiatras influyen en las fuentes seleccionadas y en el tipo de necesidades de información que surgen de su actividad clínica, investigación o docente. 

Descripción 299


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El instrumento consta de las siguientes secciones: datos demográficos, clínica, investigación, medicina basada en la evidencia, necesidades de información, y fuentes de información; para hacer un total de 58 preguntas. Las preguntas que formula la encuesta se basaron en el modelo de (Leckie, Pettigrew y Sylvain1996b), donde establece las variables de rol, tareas asociadas, características de las necesidades de información, así como los factores que afectan la búsqueda de información: fuentes de información y la conciencia de la información y finalmente resultados. 3. RESULTADOS 

Aplicación del instrumento

Los resultados siguientes comprenden las 41 encuestas efectuadas en el Hospital “Héctor Tovar Acosta” del Instituto Mexicano del Seguro Social, y el Hospital de Psiquiatría “Dr. Samuel Ramírez Moreno”, de la Secretaría de Salud. 

Aplicación

En el Hospital “Dr. Héctor Tovar Acosta” se entrevistaron a un total de 19 médicos, cinco médicos adscritos, cuatro médicos de confianza, entre ellos: Director, Sub director médico, Coordinadora de Educación Médica y Jefe del departamento clínico; de los cuales, cinco fueron hombres y cuatro mujeres; y diez médicos residentes, nueve residentes R1, y un médico residente R4; de los cuales, ocho fueron hombres y dos mujeres. En el Hospital “Dr. Samuel Ramírez Moreno”, se entrevistaron a un total de 22 médicos, 14 médicos adscritos, y ocho médicos de confianza, entre ellos: Sub director de hospitalización, Responsable de la Unidad de Psicogeriatría, Asistente de la dirección y función clínica, Asuntos de la dirección, turno vespertino, Jefe de la consulta externa, y Jefe de hospitalización, Sub directora de consulta externa y admisión, y Jefe de la Unidad Terapéutica; de los cuales, once fueron hombres y once mujeres. Las encuestas tuvieron lugar el mes de mayo y junio 2014. Para efectos de este artículo se tomarán en cuenta únicamente algunos de los resultados que consideramos más relevantes de acuerdo a la ERI. En la Gráfica 1 se detalla el pronóstico que tienen los psiquiatras sobre los trastornos psiquiátricos que se presentarán en los siguientes años en México. Observamos que la Depresión y los Trastornos de Ansiedad ocupan el primero y segundo lugar según los médicos de base.

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Gráfica 1. Trastornos psiquiátricos que se presentarán en los próximos años en México.

En la Gráfica 2 señala que existe información disponible sobre esos padecimientos de acuerdo a las tres categorías de médicos.

Gráfica 2. Información disponible sobre padecimientos Sí; Médico de base; 18

¿Hay información publicada o disponible? Sí; Médico de confianza; 12

Sí; Médico residente; 9

Sí No

No; Médico de base; 1

No; Médico de confianza; 0

No; Médico residente; 1

La Gráfica 3 menciona donde hay más información publicada es en la Revista de Salud Mental del INPRFM.

301


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Gráfica 3. Publicaciones donde se encuentra información sobre esos trastornos 12

¿Dónde hay información publicada o disponible? 10

10 8 8

7 6

6

Médico de base 4

4

3

3

3

3

Médico de confianza

4 3

Médico residente

3

2

2

2

1 0

1

1

1

0

0

0 ENEP

ENA

RAMP

RSM

Psiquis

OTRA

NS/NC

La Gráfica 4 establece la unanimidad de las tres categorías de médicos sobre la existencia de información de esos padecimientos.

Gráfica 4. Existencia de información sobre esos trastornos

En la Gráfica 5 se observa que los temas que más recibe el médico de base y de confianza son: Guías de Práctica Clínica, Tratamientos Nuevos, Depresión y Farmacología.

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Gráfica 5. Temas sobres los que recibe información el médico psiquiatra

La Gráfica 6 señala que el correo electrónico, el Internet y el material impreso son los medios preferidos de las tres categorías de médicos psiquiatras.

Gráfica 6. Medios preferentes para el acceso a la información

La Gráfica 7 menciona que los médicos de base y de confianza consideran que poseen buenas habilidades para la búsqueda de información, mientras que los médicos residentes piensan que son regulares.

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Gráfica 7. Valoración de habilidades para realizar búsquedas

¿Cómo valora sus habilidades para realizar búsquedas en fuentes electrónicas de información? 14

12

12 10 8

Médico de base

7

6

Médico de confianza

6 3

4 2

1

0 0

2

3 3 1

1

Médico residente 0

1

0

0 Excelentes

Muy buenas

Buenas

Regulares

Malas

4. DISCUSIÓN Los resultados obtenidos nos permiten afirmar que el trastorno bipolar, la esquizofrenia, depresión, trastorno de la personalidad y el trastorno por uso de drogas, entre otros, fueron los padecimientos que más han tratado recientemente los médicos. El medio a través del cual prefieren acceder a la información es el correo electrónico. La fuente de información preferida de los médicos fueron las bases de datos. Sólo cuatro médicos declararon efectuar investigación sobre los siguientes temas: Trastorno bipolar en la infancia, Trastornos afectivos en la infancia, Autismo, y Farmacodependencia; finalmente, la clase de artículos qué más leen son los meta análisis. La relevancia del estudio radica en que se creó un instrumento de acuerdo al perfil del médico psiquiatra mexicano que labora en el sector público de salud con relación al uso que hace este especialista con la información.

5. CONCLUSIONES Lo que se puede concluir con el estudio realizado es que los médicos psiquiatras encuestados utilizan la información de manera frecuente en su práctica clínica y que el tipo de información es de un alto valor agregado. El conocimiento de herramientas tecnológicas que permiten una búsqueda eficaz de la información deseada tiene una relación clara con la actividad clínica o de investigación que realiza el médico. Si el profesional de la salud mental efectúa investigación, su proximidad y conocimiento sobre la consulta y búsqueda de información será de mayor profundidad y dominio. Sin embargo, es necesario identificar si cuentan con 304


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las habilidades para usar esa información eficazmente, aspecto que será abordado en la siguiente fase de la investigación, en la cual se aplicará un protocolo basado en la técnica de Think aloud y el análisis documental de la producción académica de un grupo de médicos seleccionados a partir de los resultados del ERI. REFERENCIAS CASE, D. O. (2006).Information behavior.[Online] In: Annual Review of Information Science and Technology. Wiley Online Library. Disponible en: http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/aris.v40:1/issuetoc . [Consultado: 15/4/2015] Ibid., p. 314 CASE, D. O. (2012) Looking for information : a survey of research on information seeking, needs, and behavior.[Online]Bingley, UK : Emerald Group Pub. Library and information science series Disponible en: https://books.google.es/books?hl=es&lr=&id=XYX_RV7Wy9QC&oi=fnd&pg=PP1&dq =Looking+for+information+:+a+survey+of+research+on+information+seeking,+needs ,+and+behavior.+&ots=s0g1EGAvEZ&sig=WoKPnCtYBa0qPhbTrLJZreNCnTs#v=on epage&q=Looking%20for%20information%20%3A%20a%20survey%20of%20resear ch%20on%20information%20seeking%2C%20needs%2C%20and%20behavior.&f=fa lse . [Consultado: 01/3/2015] FISHER, E.K. ET AL., (eds.) (2009) Theories of information behavior.[Online]In: Medford, New Jersey. ASIST Monograph Series.Disponible en: http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/aris.2009.1440430114/abstract?deniedAcc essCustomisedMessage=&userIsAuthenticated=false . [Consultado: 31/3/2015] FOURIE, J. (2009). Learning from research on the information behaviour of healthcare professionals: a review of the literature 2004–2008 with a focus on emotion. Health Information and Libraries Journal, [Online]26, p.171–186.Disponible en: http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1471-1842.2009.00860.x/full . [Consultado: 10/3/2015] GONZÁLEZ TERUEL AURORA. (2005) Los estudios de necesidades y usos de la información fundamentos y perspectivas actuales. Somonte-Cenero, Gijón :Trea, p. 81 Ibid., p. 83 Ibid., p. 83-84-85 HEPWORTH, M. y WALTON, G. (2009) Teaching information literacy for inquirybased learning. [Online] Oxford: Chandos Disponible en: https://books.google.es/books?hl=es&lr=&id=p_jAgAAQBAJ&oi=fnd&pg=PP1&dq=Hepworth,+Mark+E.+y+Walton,+Geoff+L.+&ots=Y 305


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

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21 DISPONIBILIZANDO INFORMAÇÕES ADEQUADAS AO PERFIL DO EMPRESÁRIO: UM ESTUDO TEÓRICO PRÁTICO

Clemilton Luis Bassetto profbassetto@gmail.com Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação Universidade Estadual Paulista (Unesp) Docente das Faculdades Integradas de Bauru (FIB) Regina Célia Baptista Belluzzo rbelluzzo@gmail.com Docente do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Resumo: A quantidade e variedade de informação disponível evidenciam novas necessidades e demandas no ambiente empresarial. Compreender os mecanismos de acesso e uso da informação pode oferecer vantagens competitivas aos empreendedores ao oferecer informações de acordo com o seu nível de conhecimento em gestão empresarial. Após pesquisa realizada junto aos analistas e consultores que realizam atendimento aos empresários que buscam os serviços da entidade estudada evidenciou-se que em ações coletivas deve-se realizar procedimento de organização dos participantes pelo seu perfil de conhecimento e não simplesmente pelo porte legal da empresa e nas ações de atendimento individualizado, percebeu-se que, apesar de haver direcionamento estratégico, existe a subjetividade no processo que evidencia a falta de padronização do atendimento considerando as respostas dos entrevistados. No entanto, baseado na experiência profissional, os objetivos da organização conseguem ser alcançados de forma satisfatória ao estabelecer padrões e indicadores para a avaliação do desenvolvimento da Competência em Informação (CoInFo) na entidade pesquisada ao analisar como forte diferencial a oferta de informações adequadas às reais necessidades empresariais para construção de conhecimento em gestão empresarial para que reflitam na melhoria dos processos de gestão e, em decorrência, na tomada de decisão. Palavras-Chave: Informação; Conhecimento; Competência em Informação; Empreendedorismo.

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

1 INTRODUÇÃO O contexto atual da sociedade contemporânea está envolto em universo cada vez maior de informação, disponível em vários canais e dispositivos de acesso e, por sua vez, trazem consigo a necessidade de identificar, tratar, consolidar e utilizar a informação mais adequada para apoio à tomada de decisão nas organizações. No âmbito empresarial, decidir de maneira ágil e acertada pode acarretar em vantagens

competitivas

significativas

e,

por

isso,

o

desenvolvimento

de

competências específicas para o acesso e uso da informação apresentam-se como necessidades reais e imediatas para sobrevivência empresarial em mercado competitivo, como reforça Rezende (2002, p.75) ao afirmar que “[...] gerenciar de maneira inteligente as informações obtidas e o consequente conhecimento gerado e incorporado pela empresa a partir dos seus processos de inovação passa a ser diferencial estratégico”. Fortalecendo esse pensamento e a necessidade de um olhar mais direcionado para o contexto apresentado, Fadel e Moraes (2007) destacam um aumento considerável de empresas de pequeno e médio porte que se veem obrigadas a ‘trabalhar’ a informação com foco no desempenho de suas atividades no processo de tomada de decisão, objetivando o engajamento nas dinâmicas das transformações mundiais. Peter Drucker, em 1994, quando esteve no Brasil, mencionou que todo executivo, para sobreviver e se sustentar no ambiente das empresas

baseadas

em

informação,

“[...]

precisa

aprender

a

aceitar

a

responsabilidade pela informação, dar à informação o formato de uma ferramenta de compreensão, contrabalançar as informações externas com as internas e definir precisamente o que são informações” (apud ALVIM, 1998). Deve-se entender por essa informação, conforme Cohen (2002, p.27): [...] qualquer coisa que possa ser digitalizada, transformada em um fluxo de bits; sendo dados estruturados cuja forma e conteúdo são apropriados para um uso em particular, possuindo significado contextual, de utilidade, proporcionando incremento ao conhecimento estabelecido.

Para esse mesmo autor: O referencial que estrutura o uso da informação por parte das organizações. De modo genérico, entende-se que tal uso, visando a alcançar melhor posicionamento competitivo no mercado, é direcionado para seis estratégias genéricas [...] redução de custos, criação de valor, inovação, redução do risco, virtualização e diferenciação de produto (COHEN, 2002, p.34).

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

No esforço em compreender as carências informacionais dos empresários ao utilizá-las como insumo no cotidiano de suas empresas, depara-se com a seguinte questão: Como disponibilizar informações adequadas ao nível de conhecimento do empresário e não ao porte da empresa? Ao analisar os serviços prestados pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (SEBRAE/SP) quando disponibiliza informações para o segmento empresarial, identifica-se que as ações coletivas oferecidas através de cursos, palestras, oficinas e workshops são direcionadas pelo porte da empresa, ou seja, apresentam temas específicos para Microempreendedores Individuais (MEI), Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP). O desafio que se propõe, objeto deste estudo, parte integrante de pesquisa desenvolvida na tese de doutorado junto ao Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (Marília-UNESP), é compreender a necessidade de se adequar as informações pelo nível de conhecimento e formação do empresário e não pelo porte da empresa utilizando-se de padrões e indicadores reconhecidos e validados.

2 COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO (CoInFo) Cada vez mais exigidos, os participantes em mercados competitivos devem superar e transpor desafios e barreiras a cada momento e nesse contexto é necessário o desenvolvimento de inúmeras competências como definem vários autores que apoiam este estudo. Entretanto, deve-se ressaltar que a questão da competência reporta-se ao final da Idade Média, quando essa expressão surgiu associada essencialmente à linguagem jurídica. Dizia respeito à faculdade, atribuída a alguém ou a alguma instituição, de apreciar e julgar certas questões. Por extensão, o conceito de competência veio a designar o reconhecimento social sobre a capacidade de alguém de pronunciar-se em relação a determinado assunto e, mais tarde, passou a ser utilizado, de forma mais genérica, para qualificar o indivíduo capaz de realizar determinado trabalho (ISAMBERT-JAMATI, 1997). Assim, é importante que alguns conceitos sobre a competência possam ser apresentados para que se possa conhecer as suas principais concepções. Sparrow e Bognanno (1994) consideram que a dinâmica do ambiente organizacional interfere na qualificação profissional e propõem uma classificação 310


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

das competências de acordo com sua importância em um determinado contexto organizacional considerando o efeito do tempo. Para os autores, essas competências se comportam em ciclos de vida, de acordo com as intervenções e inovações tecnológicas e as alterações nas estratégias da organização. Dessa forma, os autores denominam quatro categorias para as competências: emergentes: competências que mesmo não sendo importantes atualmente na organização podem ser enfatizadas no futuro, dependendo da estratégia organizacional; declinantes: são as competências que já possuíram grande relevância na história organizacional, mas que perderam seu significado ou relevância ao longo do tempo, por conta de mudanças nas estratégias da organização, nas tecnologias ou na essência do trabalho; transicionais ou transitórias: são competências que, mesmo sendo importantes em determinados momentos, não estão diretamente ligadas ao negócio e, dessa forma, não são diretamente importantes para a execução do trabalho ou evidenciadas na estratégia da organização; estáveis: são competências que se manterão tão importantes no futuro quanto no momento atual. São competências que representam o núcleo dos processos de negócio e se mantém relevantes ao longo do tempo e, por isso, devem ser mantidas para assegurar a continuidade da organização. Ainda, segundo Sparrow e Bognanno (1994), o tratamento do ciclo de vida faz com que haja uma inter-relação entre o desenvolvimento de competências e os processos de mudança na organização, tendo em vista que esses processos podem transitar entre áreas de competências declinantes para áreas de competências emergentes. Sendo assim, a organização e seus colaboradores podem antecipar-se às mudanças ou turbulências provocadas pelo ambiente econômico ou social, a fim de desenvolver hoje competências que provocarão impactos no futuro. Hamel e Prahalad (1995) defendem o conceito de competência essencial como um conjunto de forças, capacidades e habilidades que atribuem diferencial competitivo à organização, podendo, a competência, ser ainda, como um agrupamento e um item isolado dentro de um conjunto de habilidades e tecnologias. Afirmam ainda que, para administrar esse estoque de competências específicas da empresa, é necessário diluírem-se as competências em seus componentes até o nível de indivíduos específicos com talentos específicos.

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Durand (1998) entende competência como um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes interdependentes e necessárias à realização de determinado propósito. Defende, ainda, que o desenvolvimento de competências se desenvolve através da aprendizagem individual e coletiva, por meio de três dimensões simultâneas: assimilação de conhecimentos; integração de habilidades; e adoção de atitudes relevantes para uma realidade na organização ou para obtenção de alto padrão de desempenho no trabalho. Sveiby (1998) menciona que o termo competência é mais adequado do que o termo conhecimento, quando o enfoque é aplicado ao indivíduo na organização, usando-o para delinear o conhecimento humano ‘de forma prática’. Segundo o autor, a competência é composta de cinco elementos recíprocos dependentes: conhecimento explícito: requer conhecimento dos fatos e é adquirido essencialmente pela informação, na maioria dos casos pela educação formal; habilidade: arte de saber fazer, que envolve uma habilidade prática, física e mental e é adquirida principalmente

por

treinamento

e

prática;

experiência:

que

é

adquirida

essencialmente pela análise sobre erros e sucessos anteriores; julgamentos de valor: percepções de que o indivíduo pensa estar correto, e que atuam como filtros conscientes e inconscientes para o mecanismo da construção do saber de cada pessoa; rede social: formada pelas relações do indivíduo com outros seres humanos, inserida em ambiente e cultura transmitidos ao longo de uma tradição. Nisembaum (2001) apresenta como competência a associação dos conhecimentos, habilidades e atitudes para conquistar um resultado diferenciado. Ainda, o autor classifica competência de acordo com seu nível de relevância na organização, conforme a seguir: madura: intrínseca ao capital intelectual da organização; emergente: que terá importância em futuro próximo; transição: que pode ter relevância em determinado momento dentro da organização. Para Fleury e Fleury (2001) a competência compreende um conjunto de habilidades humanas, atribuídas por conhecimentos, habilidades e atitudes que demonstram um desempenho superior, acreditando que os melhores desempenhos estão baseados na inteligência e personalidade das pessoas, ou seja, a competência é entendida como acúmulo de recursos que cada indivíduo possui. Embora a base de observação seja o indivíduo, muitos autores americanos indicam

312


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

a importância de alinhamento entre as competências e as necessidades especificadas pelos cargos ou posições nas organizações. Enfim, atribuídos os conceitos e significados da competência, é necessário efetuar a sua transposição para o melhor entendimento dessas interpretações e análises e sua contribuição aos contextos empresariais. Neste particular, a questão da competência tem sido mencionada por diferentes autores. Dentre eles, destacamse Quinn, Anderson e Filkestein (2000), ao afirmarem que o verdadeiro profissional domina um agregado de conhecimentos sistematizados em determinada disciplina, os quais devem ser atualizados constantemente. Porém, esses autores também mencionam que a vasta quantia de informações, conhecimentos e inovações produzidos de maneira cada vez mais rápida, aliados ao ambiente global atual de incerteza e turbulências diversas, podem dificultar, de alguma maneira, a atualização que sugerem. Dessa forma, para que haja atualização constante do profissional, fazse necessário realizar um monitoramento sistemático e acompanhamento do conhecimento que é produzido na organização, além de compreender e separar o conhecimento existente do conhecimento necessário para a realização de suas tarefas e para a melhoria dos resultados das organizações. Sob esse prisma, o conjunto de conhecimento, habilidades e atitudes, são considerados também como componentes intrínsecos da Competência em Informação (CoInFo), quando associados e aplicados no ambiente corporativo geram resultados observáveis e mensuráveis. Dudziak (2001) defende que é uma área de estudos que envolve o processo contínuo de internalização de fundamentos conceituais, atitudinais e de habilidades necessários à compreensão e interação permanente com o universo informacional e sua dinâmica, de modo a proporcionar um aprendizado ao longo da vida. Já as pessoas competentes em informação reconhecem que a informação precisa e detalhada é a base para uma tomada de decisão inteligente segundo Doyle (1992 apud DOYLE, 1994, p.3). Além disso, segundo essa autora, essas pessoas competentes em informação conseguem formular perguntas baseadas na sua necessidade de informação; são capazes de identificar fontes potenciais de informação; desenvolvem estratégias de busca com êxito; têm acesso às fontes de informação que incluem a informática e outras; realizam avaliação da informação; organização da informação em relação a uma aplicação prática; realizam a 313


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

integração da informação nova a uma área de conhecimento

existente; e fazem a

utilização da informação criticamente para a resolução de problemas. Belluzzo (2003) entende, ainda, que a CoInFo é uma área de estudos e de práticas que trata das habilidades para reconhecer quando existe a necessidade de se buscar a informação, estar em condições de identificá-la, localizá-la e utilizá-la efetivamente na produção do novo conhecimento, integrando a compreensão e uso de tecnologias e a capacidade de resolver problemas com responsabilidade, ética e legalidade.

Tais

habilidades

indicam

a

necessidade

da

existência

de

empreendedores e empresários que estejam empenhados e busquem desenvolver as capacidades implícitas à sua participação em mercados competitivos. A CoInFo representa a capacidade de flexibilidade e adaptação frente às constantes e incessantes mudanças pelas quais passam a sociedade, ainda mais se for analisado todo o contexto informacional a que estão inseridas as organizações considerando todo o volume de informações disponíveis e a necessidade de rápida resposta em mercado competitivo. Nota-se, porém, a ausência de pesquisas e estudos que tratem e busquem o desenvolvimento dessa competência no âmbito empresarial como maneira de oferecer subsídios ao melhor desempenho na construção de conhecimento para a tomada de decisão.

3 EMPRESÁRIOS E SEUS DESAFIOS Foco deste estudo, as micro e pequenas empresas representam um universo de 99% das organizações existentes no estado de São Paulo, as quais empregam 48% da força trabalhadora e são responsáveis por 36% da folha de salários (SEBRAE, 2015). De acordo com a Lei 123/2006 (BRASIL,2006) considera-se como microempreendedor individual (MEI) a pessoa jurídica que, aufira, em anocalendário, receita bruta igual ou inferior a R$ 60.000,00, micro empresa (ME) a pessoa jurídica que, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta igual ou inferior a R$ 360.000,00 e como pequena empresa (EPP) a pessoa jurídica que aufira, em cada ano-calendário, receita bruta superior a R$ 360.000,00 e igual ou inferior a R$ 3.600.000,00. O universo das MPE´s é caracterizado por fatores tais como: possuir pequeno número de funcionários; estrutura organizacional simplificada, com pouco ou 314


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

nenhum nível hierárquico e alta concentração de autoridade; ocupar espaço bem definido no mercado em que atua; possuir maior intensidade de trabalho; e a gestão geralmente não distingue assuntos particulares e profissionais, misturando, em muitos casos, a conta bancária pessoal com a conta bancária da sua empresa (SCHELL, 1995). Ainda, segundo Schell (1995), a grande vantagem da MPE é que, por produzir em pequenas séries, tem maior possibilidade de responder às oportunidades em menor tempo atendendo mercados específicos e especializados. Pelos resultados apresentados em pesquisa do Sebrae (2015), pode-se perceber o alto nível de importância desses empreendimentos na economia do País e seu impacto na sociedade brasileira, daí o objeto deste estudo ora proposto estar focado nesse tipo de organização. No entanto, essa mesma pesquisa aferiu a taxa de mortalidade (fechamento) das MPE´s com 27% no primeiro ano de atividade, chegando a 58% no 5º ano no mercado e destaca os

principais fatores que

contribuem para esses índices de mortalidade como sendo: a falta de comportamento empreendedor, ausência de planejamento prévio e baixo nível de conhecimento em técnicas de gestão empresarial. Esse cenário, entretanto, não tem recebido transformações representativas até o momento, contando-se com evidências que reforçam a necessidade do desenvolvimento de competências específicas em gestão para os empresários e a necessidade premente de mecanismos de gestão, mediação, acesso e uso da informação e conhecimento para o ambiente de negócio e em mercado altamente competitivo, de maneira que proporcione

ao

empreendedor

maior

proximidade

da

disponibilização

de

oportunidades e de inovação, de acordo com a nova realidade e necessidade apresentadas. Diante do exposto, entende-se ser importante a realização de estudos que tenham o foco na CoInFo como uma área de interesse para os empresários e para as MPE’s, a fim de contarem com a informação como recurso primordial à construção de conhecimento e intervenção em sua realidade, criando diferenciais à competitividade e à produtividade, exigências do ambiente de negócios na sociedade contemporânea.

315


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Como forma de operacionalização dos objetivos propostos, busca-se desenvolver os seguintes procedimentos, com apoio nos princípios de Gil (2009); Marconi e Lakatos (2010): Pesquisa e levantamento bibliográfico, realizado com base em bibliografia especializada e que se constituirá em referencial teórico de apoio. Ainda, para a realização deste trabalho, optou-se pelo método de estudo de caso de natureza qualitativa (YIN, 2005, p.35) que afirma ser “[...] uma investigação empírica que investiga um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não estão claramente definidos”, utilizando-se também a pesquisa exploratória e descritiva, a pesquisa documental em documentos oficiais e relatório de pesquisa do SEBRAE (2015). Ainda, conta com o apoio da triangulação de métodos e técnicas de questionário, entrevistas e na análise de conteúdo (BARDIN,2009).

Para o

desenvolvimento do estudo de caso selecionou-se como universo de pesquisa os analistas

e

consultores

que

prestam

orientações

aos

clientes

(empresários/empreendedores de MPE’s) do SEBRAE-SP/Escritório Regional de Bauru, que é uma entidade de serviço social autônomo composta por representantes da iniciativa privada e do setor público, visando sintonizar as ações que buscam estimular e promover as empresas de pequeno porte com as políticas nacionais de desenvolvimento econômico e social do país. Espera-se contribuir com um modelo teórico-prático validado e que possa se constituir em subsídio ao desenvolvimento da competência no acesso e uso da informação para negócio que seja aplicável a outros contextos e organizações similares. Este modelo tem por finalidade a representação dos objetos ou indivíduos e as relações associadas para formulação de um modelo descritivo ou explicativo de uma realidade complexa (FOUREZ, 1998).

5 ANÁLISE E DISCUSSÕES DOS RESULTADOS O desenvolvimento da CoInFo nos profissionais do universo pesquisado carece de atenção especial no que se refere ao alinhamento dos conhecimentos disponíveis em ações coletivas, tais como: cursos, palestras, oficinas e workshops tendo em vista a realidade empresarial detectada, identificando a oferta de

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

informações adequadas ao nível de conhecimento do empresário no tema gestão empresarial e não na organização de temas pelo porte da empresa. Inicialmente, mediante o desenvolvimento de pesquisa documental, tomou-se como subsídio a observação e a análise de relatório de pesquisa do SEBRAE (2015), detectando-se que há uma lacuna entre a oferta dessas informações e a real absorção do conhecimento pelo empresário. Ao deparar-se com um nível de informação acima da capacidade de compreensão deste último, percebe-se a falta de sincronismo entre a oferta e a demanda. Situação que acaba por acarretar condições de conflito e diminuição do interesse no desenvolvimento de tais competências em gestão necessárias ao desenvolvimento das habilidades empresariais detectadas (SEBRAE, 2015). As ações coletivas são disponibilizadas por temas de gestão, organizados metodologicamente, em temas por área de interesse, por exemplo: marketing, finanças,

recursos

humanos,

administração,

entre

outros

e

o

nível

de

aprofundamento se dá pelo estágio de maturidade da empresa que se afere pelo porte da mesma: MEI, ME ou EPP. São nesses tipos de ações coletivas que a ausência de alinhamento entre a necessidade dos empreendedores e a oferta acaba por ser situação de conflito em parte dos casos. Considera-se que, de acordo com resultados da pesquisa do Sebrae (2015) a maioria dos empresários empreende pela aptidão técnica em determinado assunto e não por identificar oportunidade em determinado segmento de negócio e, nessas situações, o nível de conhecimento do empresário nos temas relacionados à gestão empresarial nem sempre acompanha o desenvolvimento da empresa. Ou seja, a empresa evoluiu de ME para EPP, mas o conhecimento em gestão do empresário ainda continua como sendo de empresário de ME. Em outras palavras, a empresa cresce, mas a sua gestão não se desenvolve, e pode-se inferir que o nível de maturidade em gestão permanece inalterado ou deficiente e, em decorrência, afeta o nível de competitividade no mercado em que atua. Contudo, em ações de atendimento individualizado, percebe-se que ocorre a adequação do nível de informação e/ou linguagem utilizada pelos profissionais quando conseguem identificar o nível de conhecimento do empresário com relação aos temas de gestão empresarial. Nesse tipo de ação, que ocorre de forma exclusiva e direcionada, o nível de aproveitamento e sucesso do atendimento atinge 317


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

o seu objetivo em oferecer informações de qualidade e adequadas às reais necessidades do empresário e que, de fato, ao transformá-las em conhecimento, possam auxiliar na tomada de decisão. Na pesquisa, foi solicitado que respondessem na forma de passo a passo, desde o contato inicial do cliente até a entrega da informação solicitada, devendo, ainda, mencionar os procedimentos pósatendimento quando fosse o caso. Dessa forma, elencam-se, por ordem crescente, do início ao fim do atendimento, os passos relatados. Somente 1 sujeito alega realizar a apresentação pessoal; 16 sujeitos solicitam descrição sucinta das dificuldades enfrentadas pelo cliente; outros 16 sujeitos alegam realizar a análise de causa e efeito com identificação da origem dos problemas; 4 sujeitos alegam realizar pesquisa em várias fontes; somente 1 sujeito diz que seleciona e organiza as informações; 4 sujeitos afirmam discutir com o cliente a proposta de soluções; 21 sujeitos alegam orientar o cliente para implementar as soluções ou elaboração de plano de atendimento; 10 sujeitos dizem encaminhar o cliente para outros profissionais, palestras, cursos ou outros profissionais e somente 5 sujeitos alegam oferecer informações e complemento das mesmas após o atendimento. Pode-se constatar, diante das respostas, que não há processo ou padrão de atendimento aos clientes. Pode-se inferir ainda que a base do atendimento realizado baseia-se na experiência profissional, formação escolar e tempo de trabalho dos sujeitos pesquisados ao oferecer resposta aos clientes da empresa em estudo, o que pressupõe uma grande influência da subjetividade nesse processo. É importante ressaltar que o atendimento ao cliente na organização em estudo depende do fluxo de percepção, análise e informação identificado por Valentim (2010, p.18). Os resultados também colaboram com o que afirmou essa autora ao mencionar que a informação que circula nos ambientes organizacionais, em verdade, é produzida “[...] pelas próprias pessoas e setores que nelas atuam” (p.17). Alerta-se, ainda, para o fato de que existe certo distanciamento da padronização desejada pela empresa em estudo, tendo em vista que cada sujeito realiza o atendimento de acordo com sua experiência ou forma de entender como sendo correto o procedimento que executa. O que permite entender, ao observar as respostas, que a grande maioria dos sujeitos pesquisados demonstra desconhecer o fluxo de atendimento ou padrão de atendimento esperado pela empresa. Infere-se, portanto, que há necessidade urgente de sensibilização e capacitação dos sujeitos pesquisados sobre as reais 318


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

necessidades de informação dos empresários com relação à suas carências em gestão empresarial para melhor administrar suas empresas. Além disso, se houver um olhar especial, em decorrência dos resultados obtidos, para as questões que envolvem também a necessidade da competência para o acesso e uso inteligente da informação permeando todo o fluxo de atendimento ao cliente, certamente, essa é uma dimensão que também precisará ser contemplada.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao analisar as situações encontradas na entidade estudada, percebe-se que nas ações coletivas é possível amenizar situações de conflito ou gaps entre a oferta e demanda mediante a implantação de um instrumento prévio de avaliação de perfil de conhecimento em gestão. Isso permite o enquadramento dos participantes em atividades de acordo com seu perfil de conhecimento no tema a ser disponibilizado. Pode-se perceber que ocorre maior índice de sucesso nas ações de atendimento individualizado, apesar de não ser evidenciado padrão de atendimento inspirado nas diretrizes estratégicas da entidade. Além disso, observou-se que a experiência individual dos analistas e consultores, quando aplicada, consegue aproximar às necessidades e demandas de informações nos temas relacionados às lacunas e dúvidas dos empresários em gestão empresarial. Entende-se que a CoInFo pode oferecer instrumentos e mecanismos para melhor preparar os profissionais mediadores de informações aos empresários. Tendo em vista que, ao conseguirem identificar, tratar e oferecer as informações adequadas ao perfil do empresário, os objetivos institucionais da empresa pesquisada serão plenamente atendidos, considerando-se “[...] que visa sintonizar as ações que buscam estimular e promover as empresas de pequeno porte”. O estudo em foco, embora se encontre em fase inicial, compreende no momento, a construção de referencial teórico de apoio e em observação e análise de resultados de pesquisa inicial realizada pela entidade selecionada como universo de pesquisa (SEBRAE, 2015). Mas, pode-se ressaltar mediante os resultados iniciais e a pesquisa desenvolvida até o momento que o tema em foco é de interesse para a Ciência da Informação e está plenamente articulado com a CoInFo e seus impactos

enquanto

fator

crítico

ao

diferencial

competitivo

em

ambientes

empresariais. Certamente, estudos como este poderão trazer consigo contribuição que auxilie na compreensão e mobilize ao desenvolvimento e implementação de programas de CoInFo no mundo de negócios em nosso contexto. 319


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

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22 A COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO UTILIZADA PELAS ORGANIZAÇÕES NO CONTEXTO INFORMACIONAL E DO CONHECIMENTO

Vanessa Cristina Bissoli dos Santos vanessa.bissoli@hotmail.com Mestre em Ciência da Informação Universidade Estadual Paulista (Unesp) Cristiana Aparecida Portero Yafushi cristianayafushi@gmail.com Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Resumo: O estudo busca demonstrar que, pessoas competentes em informação são capazes de reconhecer suas necessidades de informação e a partir disso construir seu conhecimento. Neste âmbito o problema de pesquisa reflete a seguinte abordagem: como a competência em informação utilizada no contexto informacional influencia as organizações a gerarem conhecimento e vantagens nos mercados competitivos? Justifica-se a realização na medida em que se busca proporcionar subsídios que demonstrem a importância da competência em informação nas organizações para gerar vantagens competitivas e diferenciais frente à concorrência. O objetivo do trabalho caracterizase na análise da competência em informação, almejando propiciar diferenciais competitivos com o seu uso e implementação da competência em informação nas organizações. O método utilizado é de abordagem teórica conceitual com aporte da pesquisa bibliográfica, o resultado visa demonstrar que competências e habilidades adquiridas por profissionais como a competência em informação resultam no alcance dos objetivos estratégicos da organização, por meio de diferenciais como domínio de informações e criação do conhecimento, fornecendo assim as instituições profissionais com valor agregado. Como considerações finais, almeja-se contribuir de fato, com reflexões acerca da competência em informação utilizada pelas organizações para gerar informação, criar conhecimento por meio de profissionais competentes que contribuam nas tomadas decisões para que de forma assertiva propiciem a empresa condições de alcançar vantagens competitivas sustentáveis. Palavras-Chave: Competência em Informação; Informação; Conhecimento.

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1 INTRODUÇÃO Vivemos numa era em que a competitividade entre as empresas é cada vez mais voraz e a disputa para o alcance da liderança de mercado é travada diariamente. Portanto, relacionada ao fato do ser humano produzir a informação, interpretá-la, construir seus significados a partir de um repertório formado ao longo da sua vida, a informação, no ambiente organizacional, pode ser considerada fator estratégico, desde que as organizações desenvolvam a gestão da informação voltada para buscar vantagem competitiva. E toda essa necessidade do uso da informação como diferencial competitivo para a organização dar-se-á por meio da competência em informação que o indivíduo dentro da organização deve alcançar para que de fato possa ter um comportamento no qual as informações adquiridas possam ser assimiladas, interpretadas e que lhes possibilitem a construção de conhecimento. “Em um mundo onde há tanta informação e pouca sabedoria, também faz parte do kit de sobrevivência a capacidade de usar bem a informação e de estabelecer a sua utilidade, selecionando o que é importante para a tomada de decisões, em especial, nos contextos organizacionais” (CABESTRÉ e BELLUZZO, 2009, p. 147). Desse modo, o estudo objetiva demonstrar a importância da competência em informação para as organizações como um propenso requisito de perfil que se deveria adotar, induzindo aos seus profissionais a buscarem o desenvolvimento da capacidade e de habilidades no trato com a informação. E a partir dessa competência alcançar melhores resultados no âmbito profissional, acadêmico e até mesmo social ao longo da vida.

2 INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO NAS ORGANIZAÇÕES A informação e o conhecimento são fatores fundamentais para o êxito organizacional, são dois aspectos “ativos” que as organizações deverão tratar com o gerenciamento adequado e assertivo. Falar de informação e conhecimento no ambiente organizacional é o mesmo que debater sobre processo produtivo e matéria-prima, não há como separá-los e trata-los como fatores independentes; pois são elementos interdependentes e intrínsecos no contexto organizacional. Ressaltando essa afirmação, Terezinha Fróes Burnham (1999) declara: 325


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Nessas relações entre a produção, a circulação e o consumo de bens e serviços devem-se enfatizar que o conhecimento [a informação] se impõe com o uma nova mercadoria. Deixa de ser um bem imaterial, um princípio para a formação do sujeito ou indivíduo social, um direito. Conquanto esse conhecimento, assim como outros bens e serviços, esteja sendo produzido e disseminado em larga escala, ele não está disponível para todos; tampouco estão disponíveis, para grande parte da população, as condições para a sua produção. Poucos produzem, alguns consomem, muitos ficam aquém. Se conhecimento, como nos mostrava Foucault, por exemplo, era lastro de poder e de poder simbólico (Bourdieu), agora, como mercadoria, ele é poder econômico (BURNHAM, 1999, p. 36).

A declaração da autora enfatiza um profundo desconhecimento por parte das organizações na utilização adequada e assertiva da informação para a geração de conhecimento e consequentemente maior poder econômico para as organizações. Administrar corretamente a informação de maneira estratégica é para poucos; para organizações visionárias, que realmente estão preocupadas em alcançar diferenciais em todos os âmbitos da organização e do mercado competitivo isso é um princípio. McGee e Prusak (1994) abordam três perspectivas sobre o uso da informação de maneira estratégica que as organizações podem beneficiar-se, dentre elas: 

Informação e definição da estratégia: a informação é utilizada como recurso para balanço e definição de ações sobre o contexto competitivo, resulta na auto avaliação da organização em decorrência do mercado, proporciona identificar as ameaças e oportunidades, gerando alternativas e ações estratégicas com maior eficácia.

Informação e execução da estratégia: a informação é utilizada pelas organizações como uma das ferramentas mais importantes e flexível, por meio da tecnologia da informação, alternativas são implementadas nos processos e resultam em diferenciais, tanto nos produtos quanto nos serviços ofertados pela organização.

Informação e integração: a informação é avaliada sobre o retorno do desempenho

organizacional

de

maneira

flexível

e

ágil,

gerando

aprendizado e alinhamento dos objetivos para implementação ou alterações necessárias as ações estratégicas. Para Choo (2003, p. 83) “[...] a informação é fabricada por indivíduos a partir de sua experiência passada e de acordo com as exigências de determinada situação na qual a informação deve ser usada”. A informação possui a “essência transformadora”, à medida que a informação se apropria do conhecimento cognitivo do indivíduo, este assimila e correlaciona com a nova informação adquirida e resulta 326


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

na criação de um novo conhecimento aos indivíduos, à organização e a sociedade; é um processo de mudança mental, comportamental, atitudinal e lógico que desenvolve o ser humano em suas características profissionais e intelectuais. Neste aspecto, Davenport e Prusak (1998, p. 19), contribuem ao afirmar que o conhecimento constitui na: [...] informação mais valiosa e, consequentemente, mais difícil de gerenciar. É valiosa precisamente porque alguém deu à informação um contexto, um significado, uma interpretação; alguém refletiu sobre o conhecimento, acrescentou a ele sua própria sabedoria, considerou suas implicações mais amplas. Para os meus propósitos, o termo também implica a síntese de múltiplas fontes de informação.

A informação de acordo com os autores, é muito valiosa e o seu gerenciamento é árduo e dificultoso, necessita da dedicação da organização, de planejamento, de investimento, de acompanhamento, de gerenciamento, de avaliação, de uma profunda sistematização e estruturação na sua produção, uso e disposição de informações confiáveis, diferenciada e necessária, para suprir as necessidades e estar em sintonia de maneira alinhada e sincronizada com os objetivos, metas e criação de conhecimento no contexto organizacional. Assim, Choo (2003) elucida sobre as diferentes formas de conhecimento, encontrado nas organizações: O conhecimento existe de muitas formas e em muitos níveis da organização. O conhecimento organizacional pode ser tácito e estar implícito na competência dos indivíduos ou nas habilidades, experiências e relacionamentos dos membros de um grupo. Indivíduos e grupos podem desempenhar uma atividade sem serem capazes de articular regras ou uma teoria que descreva a atividade. O conhecimento organizacional pode também ser explícito e prontamente observável [...] Devido ao espectro de conhecimentos tácitos/explícitos, a identificação e seleção das fontes de informação tornam-se um elemento importante para estabelecer as necessidades de informação. Isso geralmente requer uma avaliação do local e do nível organizacional onde a informação necessária pode ser encontrada. Se o conhecimento tecnológico está sendo importado de fora, o desafio é determinar onde reside o conhecimento (CHOO, 2003, p. 234).

O conhecimento tácito está implícito nos seres humanos, pois origina de suas crenças, de seu processo mental, das experiências adquiridas desde seu nascimento, das normas e procedimentos determinados pela cultura, pela sociedade e pela própria organização; é o universo do qual o indivíduo está inserido e faz parte; já o conhecimento explícito, é aquele encontrado em livros, normas, procedimentos, relatórios, aquele conhecimento externalizado e registrado que pode ser compartilhado de maneira prática. Contudo, as organizações deverão utilizar-se de estratégias, que consistem na maneira como farão uso desse conhecimento que 327


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está atrelado também às competências ou habilidades individuais, coletivas e profissionais dos membros; identificar as fontes de informações que podem ser tecnológicas e humanas, absorvendo, assimilando e promovendo o conhecimento, gerados pelas tecnologias da informação e da comunicação e do próprio colaborador como “detentor do conhecimento prático organizacional”, resultarão não só no desenvolvimento das habilidades e competências de seus colaboradores, mas também em inovação, agilidade, diferencial produtivo, domínio e compartilhamento de novos conhecimentos e consequentemente em lucratividade. 2.2 COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO (COINFO) A Competência em Informação (CoInfo) evoluiu consideravelmente desde o seu surgimento, e desse modo, é importante resgatar os aspectos históricoconceituais da (CoInfo) e que contribuem para o entendimento da sua origem e conceitos. - Anos 70 A Competência em Informação (information literacy – termo em inglês) surgiu na década de 1970, com o relatório de autoria do bibliotecário Paul Zurkowski e nesse período ocorria também à evolução das tecnologias de informação e comunicação

(TIC)

e,

portanto,

demandava

das

pessoas

buscar

novos

conhecimentos e habilidades, ou seja, necessitava dos indivíduos competências para lidar com a informação. Em 1976, o conceito de information literacy reapareceu de forma mais abrangente, ligado a uma série de habilidades e conhecimentos que abarcavam a localização e uso da informação para a resolução de problemas e tomadas de decisão (DUDZIAK, 2003). Assim, a Information Literacy nos anos 70, foi edificada a partir do crescimento informacional que surgiu com a implementação da tecnologia e de suas formas de disponibilização e acesso, além do reconhecimento de que a informação é elemento imprescindível à sociedade, daí a necessidade de habilidades, ou melhor, de competências para fazer o uso eficiente das informações na resolução de problemas (SANTOS, 2014, p. 69).

- Anos 80 A competência em informação começou a ser conhecida como Information Literacy Technology, devido ao crescimento e a difusão das tecnologias da informação os serviços referentes à produção, guarda, disseminação e acesso à informação foram modificados nas bibliotecas. Desse modo, habilidades e 328


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

conhecimentos atrelados à tecnologia da informação necessitavam ser aprendidos e a CoInfo começou a ser inserida nas escolas secundárias para a capacitação do ambiente escolar (SANTOS, 2014). Em 1985, Patricia S. Breivik, diretora da Biblioteca da University of Colorado em Denver, nos Estados Unidos, possibilitou um passo qualitativo ao demonstrar que a Competência em Informação deveria corresponder a um conjunto conexo de habilidades, conhecimentos e atitudes. Neste sentido, o conceito de Information Literacy se desenvolveu da simples descrição de habilidades de localização, para a definição de habilidades intelectuais superiores que abrangem a compreensão e a avaliação da informação, exigindo uma série de atitudes ligadas à pesquisa como a relevância, a eficácia e a eficiência, o pensamento crítico e o pensamento criativo, num contexto abrangente que ultrapassa a biblioteca, definindo dessa forma o trinômio conhecimentos, habilidades e atitudes (DUDZIAK, 2001). No ano de 1989, o relatório da ALA, chamado de Report of the Presidential Committee on information literacy: Final Report, elevou de forma decisiva a importância da CoInfo para os cidadãos, reforçando o papel da informação na solução de problemas e tomada de decisão. Nesse novo modelo, introduzido por meio de uma reestruturação curricular, levaria ao desenvolvimento do pensamento crítico e do aprendizado ao longo de toda a vida, o que conduziria à formação de profissionais e cidadãos realmente integrados à sociedade (DUDZIAK, 2003). - Anos 90 Depois da divulgação do relatório da ALA, no início da década de 1990, os profissionais da informação, reconhecendo a importância de disponibilizar o acesso rápido e simplificado ao novo contexto informacional, destacam que os usuários da informação deveriam tornar-se aprendizes independentes (DUDZIAK, 2003). Seguindo essa mesma linha, em 1999 outra contribuição relevante para a CoInfo foi oferecida com o desenvolvimento dos “Sete Pilares da Competência em Informação” pela Society of College National and University Libraries (SCONUL), que foram exibidos e aprovados na Conference of National and University Libraries, em Londres. O modelo retratava as competências no diz respeito às habilidades na busca, recuperação e uso da informação. A Information Literacy trata das habilidades fundamentais para que a pessoa obtenha sucesso na Sociedade da Informação, permitindo lhe realizar uma aprendizagem de maneira autônoma em diversos aspectos da vida. Estas habilidades não são apenas úteis em atividades acadêmicas e escolares, mas aplicáveis a todas as situações de resolução de um problema ligado à necessidade de informação. (HATSCHBACH, 2002 p. 13).

329


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Destarte, é possível inferir que a busca pelo desenvolvimento de habilidades pode ser introduzida em qualquer grupo de usuários que deseje aperfeiçoar sua competência sob a ótica de um processo de reflexão e pensamento crítico das informações que ele precisa e que lhe são repassadas (SANTOS, 2014). Assim sendo, a década de 1990, é marcada pelo surgimento de vários estudos que objetivavam a compreensão da Competência em Informação como um processo educativo informacional, além da criação de diretrizes e parâmetros que cooperem para a competência das pessoas. Desse modo, destaca-se que: Várias organizações se estabeleceram nos anos 90, e a information literacy ganhou dimensões universais, disseminando-se nos vários continentes, havendo uma busca constante pela elucidação do conceito, procurando torná-la acessível a um número cada vez maior de pessoas. (DUDZIAK, 2003, p. 28).

- Anos 2000 e até os dias atuais A UNESCO estabeleceu o programa intergovernamental The Information for All Programme (IFAP) no ano 2000, com o intuito de criar novas oportunidades de acesso à informação em nível mundial. Após a criação desse programa, nos últimos anos, vários encontros vêm acontecendo para a divulgação e exposição de trabalhos que estão sendo desenvolvidos sobre a CoInfo. Como resultado desses eventos, têm surgido inúmeras reflexões e discussões entre os participantes que se consolidam em declarações e manifestos, tais como: Praga (2003), Alexandria (2005), Ljubjana (2006), Toledo (2006), Lima (2009), Paramillo (2010), Murcia (2010), Maceió (2011), Havana (2012), Fez (2011), Florianópolis (2013) e a Carta de Marília (2014). Em meio às origens e evolução da Competência em Informação, desde a década de 1970, quando surgiu a expressão em inglês Information Literacy, nos EUA, ocorreram inúmeras discussões em torno da tradução única e adequada para o termo como, por exemplo, Alfabetización Informacional, na Espanha e América Latina; Literacia, em Portugal; Competência Informacional, Letramento Informacional ou Alfabetização Informacional, Competência em Informação, no Brasil (DUDZIAK, 2001; LECARDELLI; PRADO, 2006; CAMPELLO, 2009). Todavia no ano de 2013, a UNESCO, num trabalho em conjunto com pesquisadores do tema Information Literacy de todo o mundo, publicou sob a autoria de Horton Júnior (2013), o documento chamado Overview of Information Litearcy Resources Worldwide, no qual foi deliberado o termo mais adequado para cada um 330


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

dos países. E, para o Brasil, o termo escolhido foi ‘Competência em Informação’. Belluzzo e Feres (2013) apoiam esse conceito, pois para essas autoras “[...] apresenta claramente a combinação e mobilização de conhecimentos, habilidades e atitudes para o domínio do universo informacional” (BELLUZZO; FERES, 2013). Neste sentido, e após a exposição resumida do percurso histórico da Competência em Informação, algumas conceituações podem ser destacadas para melhor compreensão da CoInfo. A American Library Association (ALA, 1989, p. 1) expõe que: Para ser competente em informação, uma pessoa deve ser capaz de reconhecer quando uma informação é necessária e deve ter a habilidade de localizar, avaliar e usar efetivamente a informação... Resumindo, as pessoas competentes em informação são aquelas que aprenderam a aprender. Elas sabem como aprender, pois sabem como o conhecimento é organizado, como encontrar a informação e como usá-la de modo que outras pessoas aprendam a partir dela.

As autoras Belluzzo, Kobayashi e Feres (2004, p. 87), conceituam a Competência em Informação como sendo o “[...] conjunto de comportamentos, habilidades e ações que envolvem o acesso e uso da informação de forma inteligente, tendo em vista a necessidade da construção do conhecimento e a intervenção na realidade social”. Dudziak (2003, p. 28) define a CoInfo, como: O processo contínuo de internalização de fundamentos conceituais, atitudinais e de habilidades necessário à compreensão e interação permanente com o universo informacional e sua dinâmica, de modo a proporcionar um aprendizado ao longo da vida.

Para Bruce (2003), a CoInfo é entendida [...] normalmente se entende a competência em informação como um conjunto de atitudes para localizar, manipular e utilizar a informação de forma eficaz para uma grande variedade de finalidades. Como tal, se trata de uma “habilidade genérica” muito importante que permite a pessoas confrontar com eficácia a tomada de decisão, a solução de problemas ou a investigação. Também lhes permitem responsabilizar-se pela sua própria formação e aprendizagem ao longo da vida e nas áreas de seu interesse pessoal ou profissional. (BRUCE, 2003 p. 289).

Por conseguinte, Hatschbach (2002, p. 95) oferece também uma síntese sobre a CoInfo: A Competência em Informação é uma área de estudos e de práticas que trata das habilidades acerca do uso da informação em relação à sua busca, localização, avaliação e divulgação, integrando a utilização de novas tecnologias e a capacidade de resolução de problemas de informação.

331


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Nota-se assim, que estes elementos propiciam às pessoas a construção de novos conhecimentos sendo estes passiveis de aplicação em seu cotidiano, não se restringindo assim a um contexto determinado o que leva a crer que essa competência pode ser abordada em diversos campos do conhecimento e em ambientes de redes, tais como organizações (BELLUZZO, 2014). Assim, de acordo com Santos (2014, p. 67) “o ponto central do desenvolvimento de competências na sociedade contemporânea e, principalmente no contexto organizacional, não é mais somente o acesso à informação, mas o que se fazer com o uso da informação”. E pensando nesta questão é que a Competência em Informação (CoInfo) deve ser ressaltada, ou seja, como um item relevante no contexto social, que incide de duas dimensões: [...] a primeira, um domínio de saberes e de habilidades de diversas naturezas que permite a intervenção prática na realidade, e a segunda, uma visão crítica do alcance das ações e o compromisso com as necessidades mais concretas que emergem e caracterizam o atual contexto social (BELLUZZO, 2007, p. 34).

Dessa maneira, a Competência em Informação emerge do domínio teórico à prática emposta frente à realidade percebida pelo indivíduo de maneira crítica, e por meio da CoInfo este consegue assimilar “o saber presente adquirido” com “o saber existente”, interpretando e criando significado em suas ações e crenças, além de propiciar um ambiente e orientações para o uso das ferramentas informacionais mais assertivas para à mudança dos usuários na sociedade, levando assim a construção de um país mais justo e igualitário, e que se preocupe em ofertar condições concretas que gerem crescimento, conhecimento e pessoas competentes para realizar as diversas tarefas e atividades diárias em qualquer ambiente, seja ele organizacional, acadêmico ou pessoal.

2.3 A COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO NO ÂMBITO ORGANIZACIONAL A CoInfo, voltada para condições de trabalho, pode ser observada como um dos requisitos do perfil profissional necessário para trabalhar com a informação, e sem levar em consideração o tipo de profissional ou de atividade, sendo desejável que fizesse parte do rol de competências dos mais variados profissionais, atividades e organizações1 (BELLUZZO; FERES, 2013).

1

Material didático utilizado pelas professoras Dra. Regina Célia Baptista Belluzzo e Dra. Glória Georges Feres para a disciplina “Competência em informação, redes de conhecimento e inovação”

332


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Refletindo sobre o ambiente organizacional, Belluzzo e Feres (2013) 2 destacam que as organizações podem trabalhar a Competência em Informação nos profissionais em que nela atuam, levando a compreensão e domínio nos contextos: 

Contexto ético: composto por normas e códigos de conduta profissionais.

Ambiente legal: está presente a proteção de dados, direito à informação, direito à privacidade, direitos de autor, liberdade de informação, etc.

Política de informação: Formas de disponibilização e regulamentos que determinam ou delimitam o acesso à informação, facilitam ou impedem a difusão da informação.

Governança da informação: visa assegurar a efetivação de políticas, normas e estratégias para o uso da informação dentro de valores éticos e legais.

Perspectiva da comunicação: acompanhamento da dinâmica do fluxo da informação dentro da organização e na sociedade. Para melhor compreensão acerca dos profissionais que possuem Competência em Informação, foi elaborado um quadro conceitual (Quadro 1), baseado em Fleury e Fleury (2002, p. 188) “Competências necessárias a um profissional” e nos “Padrões Internacionais de Desenvolvimento de Habilidade em Informação e Aprendizagem Permanente” (LAU, 2007, p. 16-17).

no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Estadual Paulista (UNESP) - Marília, 2013. 2 Idem.

333


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Quadro 1: Inter-relação das Competências requeridas ao profissional organizacional e o profissional da informação no contexto organizacional Profissional da informação (duas vias: detém e proporciona domínio da informação)

Competências requeridas aos profissionais

Saber agir

Saber o que e por que faz. Saber julgar, escolher, decidir.

Define ou reconhece a necessidade de informação.

Saber mobilizar recursos

Criar sinergia e mobilizar recursos e competências.

Desenvolve estratégias de busca.

Saber comunicar

Compreender, trabalhar, transmitir informações, conhecimentos.

Busca novas formas de comunicar, apresentar e usar a informação.

Trabalhar o conhecimento e a experiência, rever modelos mentais; saber desenvolver-se.

• Analisa, examina e extrai a informação; • Generaliza e interpreta a informação; • Seleciona e sintetiza a informação.

Saber aprender

Saber engajar-se e comprometer-se

Saber empreender, assumir riscos. Comprometer-se. Ser responsável, assumindo os riscos e consequências de suas ações e sendo por isso reconhecido.

Decide fazer algo para encontrar a informação.

• Compreende o uso ético da informação e aplica; • Respeita o uso legal da informação. • Comunica o produto da Conhecer e entender o negócio informação com reconhecimento da organização, o seu ambiente, Ter visão estratégica da propriedade intelectual; identificando oportunidades e • Usa os padrões para o alternativas. reconhecimento da informação. Fonte: Fleury e Fleury (2002, p.188), (LAU, 2007, p. 16-17). Saber assumir responsabilidades

O profissional inserido nas organizações necessita de todos os domínios dos saberes “agir, mobilizar recursos, comunicar, aprender, engajar-se, comprometer-se, assumir responsabilidades e ter visão estratégica”, contudo são necessárias ações intrínsecas e decorrentes desses saberes como o conhecimento e competências aplicáveis para que suas atividades e ações tenham êxito; já para o profissional Competente em Informação, além de todos esses atributos faz-se necessário o domínio da percepção em relação à necessidade, a estratégia, a busca e uso da informação

em

benefício

próprio

e

do

desenvolvimento

das

habilidades

informacionais dos usuários, almejando o aprendizado consolidado e contínuo ao longo da vida, tanto dos membros organizacionais como da própria organização. Todo o esforço da organização na busca por esse reconhecimento poderá proporcionar a obtenção de resultados de qualidade, além de possibilitar aos colaboradores domínio de conhecimentos, habilidades e destrezas para alcançar o 334


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

êxito mesmo que em condições extremas. E como retorno, a organização terá um desempenho eficiente de uma atividade de informação em condições ótimas de eficiência, precisão, custo e oportunidade (BELLUZZO; FERES, 2013) 3. Acerca disso, pode-se ressaltar que: Relacionada à cidadania, a competência em informação vai muito além da busca, organização e uso das informações, pois significa saber o porquê do uso de determinada informação, considerando implicações ideológicas, políticas e ambientais. Observa-se uma ligação inerente ao desenvolvimento sustentável e suas dimensões de sustentabilidade social, cultural, ecológica e econômica. (DUDZIAK, 2008, p. 47).

A CoInfo tem um papel estratégico no contexto organizacional que não acontece pela própria informação, mas sim pelo seu conteúdo estratégico. Esse conteúdo não se desponta diretamente porque é somente o objeto de um processo que necessita da mediação humana, mas porque implica no uso de recursos intelectuais como a memória, a imaginação, a percepção e o raciocínio, organizados ao redor de métodos que têm como objetivo a identificação dos conteúdos estratégicos (SANTOS, 2014). Disso é que se deriva a importância de se trabalhar com a Competência em Informação nas organizações e, a partir de um mapeamento das competências presentes nessa ambiência, propor e implementar programas de desenvolvimento

para

auxiliar

na

busca

da

vantagem

competitiva

pelas

organizações nesse contexto informacional tão reluzente em que as empresas buscam sua sobrevivência.

3 METODOLOGIA Realizou-se uma pesquisa bibliográfica, por meio de informações já divulgadas por outros autores. Segundo Marconi e Lakatos (2008), a pesquisa bibliográfica compreende toda a bibliografia já publicada em torno do tema de estudo, e tem como finalidade colocar o pesquisador em contato direto com tudo o que foi escrito, dito ou filmado sobre determinado assunto.

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES As pessoas, as organizações e até mesmo o governo que tem apresentado maior capacidade de competição e de alcance de seus objetivos são aquelas que aprenderam a lidar e a gerir a informação para transformá-la em conhecimento

3

Idem.

335


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

(COELHO, 2011). Para Valentim (2010, p.14) “[...] a informação se constitui em insumo para o desempenho das atividades, tarefas e tomada de decisão de curto e médio prazo”, e para tanto as pessoas precisam de competências e habilidades para lidar com esse insumo estratégico e vital dentro das organizações, portanto necessitam ser competentes em informação. Neste sentido, a competência em informação [...] apoia-se em princípios que envolvem aplicação de técnicas e procedimentos ligados ao processamento e distribuição de informações, com base no desenvolvimento de habilidades e no uso de ferramentas e suporte tecnológicos (BELLUZZO, 2006, p. 82). 5 CONCLUSÕES Observando-se o panorama do mercado competitivo que se sustenta atualmente em uma economia na qual a informação e o conhecimento são seus principais ativos, obriga as organizações a almejarem oportunidades para o seu aprimoramento como, por exemplo, a identificação de novas habilidades para continuarem a serem mais atrativas no mercado. Portanto, desse fato se observa que a competência em informação tem grande importância no âmbito organizacional, pois “[...] perpassa processos de negócio, processos gerenciais e processos técnicos diversos, bem como diferentes partes de uma mesma organização ou atividade. Seria desejável que as competências informacionais fizessem parte do rol de competências dos mais variados profissionais, atividades e organizações” (MIRANDA, 2004, p. 118). REFERÊNCIAS AMERICAN LIBRARY ASSOCIATION. ALA Presidential Committee on Information Literacy: final Report. 1989. Disponível em: <http://www.ala.org/acrl/ publications/whitepapers/presidential >. Acesso em: 05 maio 2015. BELLUZZO, R. C. B. O conhecimento, as redes e a competência em informação (CoInfo) na sociedade contemporânea: uma proposta de articulação conceitual. Revista Perspectivas em Gestão & Conhecimento, João Pessoa, v. 4, Número Especial, p. 48-63, out. 2014. Disponível em: http://periodicos.ufpb.br/ojs2 /index.php/pgc. Acesso em: 25 maio 2015. ______. O uso de mapas conceituais e mentais como tecnologia de apoio à gestão da informação e da comunicação: uma área interdisciplinar da competência em informação. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, v. 2, n.2, p.78-89, 2006. 336


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

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338


23 DISSERTAÇÕES SOBRE COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO CADASTRADAS NOS ÚLTIMOS CINCO ANOS NA PLATAFORMA LATTES: PRÁXIS BRASILEIRA Paula Sanhudo da Silva

paulasanhudos@gmail.com Programa de Pós-Graduação em Gestão da Informação Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)

Resumo: A competência em informação tem instigado novos pesquisadores brasileiros em estuda-la no século XXI. Diante de tal necessidade, o objetivo deste constructo é justamente levantar quantitativamente as dissertações brasileiras, cadastradas nos últimos cinco anos na Plataforma Lattes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e verificar se as dissertações tratam a temática somente no campo teórico ou buscam a sua aplicabilidade em determinado contexto. Neste sentido, este estudo justifica-se para identificar quais instituições e/ou regiões estão investindo na aplicabilidade e não somente na teorização sobre competência em informação. Para tanto, os indicadores cientométricos foram adotados como metodologia de levantamento e análise dos dados coletados na Plataforma Lattes na segunda quinzena do mês de abril do ano corrente. Após o preenchimento do formulário de busca avançada da Plataforma Lattes, recuperou-se 141 currículos, dos quais somente 20 foram considerados nessa pesquisa por atenderem aos critérios estabelecidos. Dos 20 currículos válidos, somente 14 são referentes a estudos conclusos entre os anos de 2010 a 2014 e, 10 são dissertações que de fato usufruem da competência em informação aplicada a realidade do pesquisador. Destaca-se ainda que, a região Sudeste detém 45% da produção nacional no período descrito e, a instituição mantenedora principal é a UNESP. Assim, diante desta pesquisa, convida-se os demais aspirantes a pesquisadores em competência em informação, aplicarem de fato essa teoria – objetivando alavancar a produção nacional acerca da temática, mas também obter informações relevantes sobre as unidades de informação ou grupos de pessoas/profissionais, informações estas que subsidiarão qualiquantitativamente novos estudos. Palavras-Chave: Competência em Informação; Dissertações Brasileiras; Plataforma Lattes; Cientometria.

339


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

340


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

1 INTRODUÇÃO Buscar a aplicabilidade de uma teoria relativamente nova, sempre é um desafio para os pesquisadores que desejam desbravar novos horizontes. Trilhar por novos caminhos sempre são “difíceis”, mas não impossíveis. Ao desenvolver a busca na literatura recente referente às dissertações produzidas no Brasil que descrevessem a forma aplicada da competência em informação (CoInfo) em unidades de informação ou junto a algum grupo de pessoas/profissionais, tornou-se uma tarefa difícil, pois deparou-se com uma lacuna - justamente a falta de tal levantamento. A partir dessa necessidade informacional para subsidiar a dissertação desta autora, a mesma realizou tal estudo para justificar a práxis da produção científica que envolve a aplicabilidade da CoInfo no cenário nacional. A práxis que se inferi é aquela em que a teoria e prática são indissociáveis, onde “[...] a compreensão da realidade, sustentada na reflexão teórica, é a condição para a prática transformadora, ou seja, a práxis”. (VAZQUEZ, 1977, p. 203). Seguindo nesta linha de raciocínio, foco e inópia, iniciou-se no primeiro trimestre de 2015, o referido estudo. Estudo este que objetivou definir o que seja CoInfo – brevemente, através de alguns autores já consagrados, mas principalmente quantificar os pesquisadores e Instituições de Ensino Superior (IES) que estão debruçando-se sobre a temática e que estejam devidamente cadastrados na Plataforma Lattes. A Plataforma Lattes representa a experiência do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) na integração de bases de dados de Currículos, de Grupos de pesquisa e de Instituições em um único Sistema de Informações. [...] O Currículo Lattes se tornou um padrão nacional no registro da vida pregressa e atual dos estudantes e pesquisadores do país, e é hoje adotado pela maioria das instituições de fomento, universidades e institutos de pesquisa do País. Por sua riqueza de informações e sua crescente confiabilidade e abrangência, se tornou elemento indispensável e compulsório à análise de mérito e competência dos pleitos de financiamentos na área de ciência e tecnologia (BRASIL, 2015).

Por tratar-se de uma plataforma reconhecida e detentora das pesquisas em desenvolvimento ou já conclusas nas IES nacionais, baseou-se nesta para obter-se os dados necessários para este estudo. Para falar sobre CoInfo, precisa-se no primeiro momento buscar sua definição, a qual segundo Coelho (2010, p. 4) está, [...] relacionada à formação de pessoas capazes de, com espírito crítico, utilizar técnicas e aplicá-las nas suas necessidades de informação em qualquer ambiente. Inclui aprendizado ao longo da vida e habilidade para atuar efetivamente na sociedade da informação.

341


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Partindo dessa premissa, de que se deve desenvolver habilidades para satisfazer-se informacionalmente, busca-se nessa sociedade da informação os recursos necessários para tal. Mas, para tanto se faz necessários que se tenham estudos que verifiquem quais as necessidades informacionais e para tornar-se um competente em informação e ainda, quais os mecanismos e/ou ferramentas que são mais recorrentes dentro de determinado público-alvo para satisfazer-se. Mapear a forma com que as pessoas estão buscando a CoInfo são imprescindíveis para observar quais os fenômenos estão atuando sobre esta trajetória, bem como tentar diminuir as intercorrências negativas nesse processo. Para chegar-se a tais objetivos, os dados levantados e analisados através dos indicadores cientométricos, também fundamentados devidamente sob os autores que abordam tal metodologia, para que se monte a “mesa” propícia para abordar a proposta deste constructo. Posta a “mesa”, as informações acerca da análise foram discutidas para então culminar com a proposição de estudos aplicáveis nas mais diversas unidades de informação, nas quais hão diversos indivíduos ou profissionais sedentos por informação. Por fim, o estudo abarca algumas definições de CoInfo, a metodologia escolhida (Cienciometria), bem como as informações coletadas e devidamente tratadas para a compreensão do objetivo inicial e fim – mensurar as dissertações produzidas entre os anos de 2010 a 2014 que utilizam a CoInfo aplicada a alguma realidade e/ou necessidade de conhecimento sobre determinado fenômeno/contexto identificado pelo pesquisador (mestrando ou mestre) brasileiro. 2 METODOLOGIA De acordo com o descrito anteriormente, o estudo foi realizado conforme dados coletados no site da Plataforma Lattes (CNPq), estes foram colhidos na segunda quinzena do mês de abril de 2015. A busca utilizada foi a “Avançada por Assunto”, na qual a consulta foi através da “frase exata”, competência em informação. A base utilizada foi somente dos “Demais

pesquisadores”,

a

qual

abarca

os

graduados/graduandos, estudantes, técnicos, dentre outros. 342

mestres/mestrandos,


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Quanto

a

nacionalidades

desta

categoria,

optou-se

somente

pelos

“brasileiros”, justamente para levantar quão a produção nacional está desenvolvendo seus estudos sobre CoInfo. Os demais filtros disponíveis no site não foram aplicados. Após o preenchimento do formulário de busca com os critérios descritos acima, foram identificados 141 resultados de currículos cadastrados na Plataforma Lattes. Estes foram tabulados em planilha no Microsoft Office Excel (versão 2007) e foram registrados os seguintes campos: nome do pesquisador, titulação em mestrado (concluída ou em andamento), ano de conclusão do mestrado (quando aplicável), IES em que concluiu ou se está desenvolvendo o estudo e, as palavraschave do estudo, especificamente “competência em informação”. Por este motivo, a metodologia mais adequada para o levantamento, tabulação e análise dos dados foi a Cientometria, a qual busca mensurar o progresso científico de determinado campo da ciência, diante das publicações realizadas. Ou seja, a Cientometria refere-se ao uso de métodos quantitativos para estudar-se

as

atividades

científicas

ou

técnicas,

do

ponto

de

vista de sua produção ou comunicação, a qual, por convenção denomina-se de ciência da ciência. Tal teoria “[...] está associada ao nome de Derek de Solla Price e, mais concretamente,

aos

seus

dois

livros,

publicados

em

1961

e

1964,

Science since Babylon e Little science, Big science, respectivamente.” (BUFREM; PRATES, 2005, p. 13). Para Spinak (1998, p. 143 – tradução nossa) a Cientometria pode ser aplicada diante das seguintes situações: 

Identificar as tendências e o crescimento do conhecimento nas diversas áreas do conhecimento;

Aferir a cobertura dos periódicos;

Identificar os usuários e as distintas áreas;

Identificar autores e tendências de publicação;

Mensurar a utilidade dos serviços de disseminação seletiva da informação (DSI);

Identificar as revistas de determinado núcleo de pesquisa; 343


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Formular políticas de aquisição;

Adaptar políticas de descarte de materiais;

Estudar a dispersão e a obsolescência da literatura científica;

Definir normas para padronização de processos;

Definir processos de indexação, classificação e elaboração de resumos automáticos;

Predizer a produtividade de editores, autores individuais, organizações, países, dentre outros.

Perante as mais diversas possibilidades de aplicação da Cientometria, adotou-se está para mensurar a produtividade científica nacional quando se trata da CoInfo aplicada junto a determinada unidade de informação ou grupo de pessoas/profissionais – devidamente cadastradas na Plataforma Lattes nos últimos 5 anos. 3 RESULTADOS E DISCUSSÕES Ante ao início da exposição dos dados levantados e as informações analisadas, se faz imprescindível falar um pouco sobre a CoInfo na visão dos autores nacionais. No Quadro 1, foram estruturados os conceitos elencados pelas autoras Reis, Carvalho e Muniz (2011), conceitos sobre CoInfo, dispostos cronologicamente segundo suas publicações pelos principais autores nacionais e segundo a própria American Library Association (ALA): QUADRO 1 – Quadro Conceitual AUTORES ALA (2000)

Hatschbach (2002)

Dudziak (2003)

Belluzzo (2005)

344

CONCEITOS Um conjunto de habilidades indispensáveis ao indivíduo para reconhecer quando uma informação é necessária e ter habilidades para localizá-la, avaliá-la e usá-la eficazmente. Área de estudos e de práticas que trata das habilidades acerca do uso da informação em relação à sua busca, localização, avaliação, e divulgação, integrando a utilização de novas tecnologias e a capacidade de resolução de problemas de informação. Processo contínuo de internalização de fundamentos conceituais, atitudinais e de habilidades necessário à compreensão e interação permanente com o universo informacional e sua dinâmica, de modo a proporcionar um aprendizado ao longo da vida. Processo contínuo de interação e internalização de fundamentos conceituais, atitudinais e de habilidades específicas como referenciais à compreensão da informação e de suas abrangências, em busca de fluências e das capacidades necessárias à geração do conhecimento novo e sua aplicabilidade ao cotidiano das pessoas e das comunidades ao longo da vida. Fonte: Adaptado de Reis, Carvalho e Muniz (2011, p. 5).


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Para uma sociedade rodeada por um grande número de informações, tornase primordial que as pessoas saibam como lidar com tal volume e usar as informações a seu favor. A informação é o insumo para se desenvolver qualquer atividade, mas para que esta seja utilizada estrategicamente, compete aos indivíduos desenvolver em si ou no outro as habilidades necessárias para compreender o fluxo informacional atual e absorver todo o conhecimento necessário. Evidentemente que não é uma tarefa fácil de se desenvolver, contudo na atualidade o “saber-fazer” e “como-fazer” com a informação e as tecnologias são premissas para a apropriação de novos conhecimentos e, concomitantemente novas habilidades. E, foi a partir da necessidade de conhecer o panorama nacional que se pesquisou entre os currículos cadastrados na Plataforma Lattes, exclusivamente as dissertações que mencionam a aplicabilidade da CoInfo no período de 2010 à 2014. Foram extraídos através dos filtros, 141 currículos, dentre os critérios descritos anteriormente. Destes, 28 foram excluídos da análise, pois são anteriores aos últimos 5 anos – recorte estabelecido. Outros currículos foram excluídos da análise, de acordo com as informações da tabela abaixo: Tabela 1 – Currículos excluídos da análise vs. motivo. MOTIVO

QUANTIDADE

Dissertações com ano anterior à 2010

28

Monografias de Especialização

19

Monografias de Graduação

21

Organização de evento

1

Projeto de extensão

1

Sem

o

termo

“competência

em

informação” (título ou palavras-chave)

42

Termo diferente do estabelecido

7

Teses de doutorado

2 TOTAL

121

Fonte: Elaboração da autora, 2015.

345


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Na tabela 1 vislumbra-se que 121 currículos foram excluídos da análise, pois não se enquadraram nos critérios da pesquisa. São eles: 19 trabalhos são referentes a monografias de especialização; 21 são monografias de graduação; 1 currículo está relacionado à organização de evento sobre CoInfo; 1 faz referência a participação de projeto de extensão; 42 currículos foram excluídos, pois não consta no seu título ou palavras-chave a frase “competência em informação”, requisito da pesquisa; 7 currículos tratam de information literacy, letramento informacional ou competência informacional; e, 2 currículos são de doutorandos. Quando os dados são analisados sob a ótica anual, isto é, quanto ao produzido/publicado por ano, nos últimos 5 anos, tem-se: Gráfico 1 - Dissertações publicadas nos anos de 2010 a 2014

5 4,5 4 3,5

2010

3

2011

2,5

2012

2

2013

1,5

2014

1 0,5 0 QUANTIDADE Fonte: Elaboração da autora, 2015.

Das 20 dissertações válidas para a análise, 5 foram publicadas em 2014, 2 no ano de 2013, 4 defendidas em 2012, 2 dissertações publicadas em 2011 e somente 1 no ano de 2010. As 6 demais ainda se encontram em faze de finalização e/ou não foram atualizados seus status de finalização na Plataforma Lattes. Ao analisar os títulos e as palavras-chave inseridas na plataforma, nota-se que todas dão conta da aplicabilidade da CoInfo nos ambientes em que foram estudados, juntamente com a revisão teórico-histórica.

346


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Outro ponto significativo alçado com os dados foi o de 45% das dissertações descritas são da região Sudeste do país, o que inicialmente caracteriza um movimento significativo na região em prol do estudo acerca da CoInfo.

Gráfico 2 - Publicações por Região (2010 a 2014)

Fonte: Elaboração da autora, 2015.

Em segundo lugar temos a região Nordeste com 35% das publicações; e, as regiões Sul e Centro-Oeste aparecem empatadas com 10% cada. Dentre as regiões publicadoras, há ainda o destaque para os Estados com seus respectivos quantitativos de produção, são eles: Gráfico 3 – Quantidade de publicações por Estados brasileiros

Fonte: Elaboração da autora, 2015.

347


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O gráfico 3 apenas confirma o descrito no gráfico 2, reafirmando que o Estado de São Paulo (SP) totaliza 7 publicações, em seguida tem-se a Bahia (BA) com 5 publicações. O Rio de Janeiro (RJ), Distrito Federal (DF) e Paraíba (PB) estão em terceiro lugar com 2 publicações cada e, com uma publicação cada estão os Estados do Paraná (PR) e Santa Catarina (SC). Quando se tabulou os dados institucionais, isto é, as IES que publicaram mais valendo-se da CoInfo na forma aplicada, os dados abaixo ficaram evidentes: Gráfico 4 – Dados quantitativos por IES publicadora

Fonte: Elaboração da autora, 2015.

O gráfico 4 evidencia que a Universidade Estadual Paulista (UNESP) e a Universidade Federal da Bahia (UFBA) são as IES que mais publicaram nos últimos 5 anos, cada uma com um total de 5 dissertações. Na

sequência

estão:

a

Universidade

Federal

da

Paraíba

(UFPB),

Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade de Brasília (UnB) com 2 dissertações cada. E, as IES que possuem apenas uma publicação e/ou estudos em andamentos, são a Universidade Estadual de Londrina (UEL), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR) e a Universidade de São Paulo (USP).

348


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Ressalta-se também com tal levantamento que 60% das pesquisas foram desenvolvidas por pesquisadoras do sexo feminino. O que se acreditava previamente que haveria uma predominância do sexo masculino. Com as informações postas, nota-se que as dissertações estão fluindo entre duas universidades (UNESP e UFBA), as quais não fazem parte da mesma região, mas que buscam produzir cientificamente de acordo com a tendência da aplicabilidade da CoInfo. Outro sim, que compete o registro nesse momento é referente a ferramenta de busca da Plataforma Lattes, que não nos parece assertiva em sua totalidade, porque dentre os números levantados somente 14% corresponde ao foco desta pesquisa. Número abjeto diante dos filtros e critérios adotados para chegar-se ao desejado. Entretanto, a proposta fim foi a de quantificar as práxis brasileiras perante a produção dos mestres e mestrandos na busca de aplicar a CoInfo em suas realidades. A dinâmica da produção científica destacada, apenas sinaliza para um leque de possibilidades e aplicações da CoInfo nas mais variadas áreas do conhecimento, bem como com os mais variados públicos.

4 CONCLUSÕES No século atual a informação está fervilhando ao nosso redor, “pedindo” para ser recuperada, lida, processada, assimilada, armazenada e aplicada (quando necessário). A sociedade nos “exige” a todo momento o conhecimento nos mais variados níveis e complexidades de decisões, logo cabe a nós sabermos o que precisamos “aflorar” para então tornarmo-nos competentes em informação. E é nessa vertente que se desejou levantar, se, há estudos que traçam como determinado público de estudo ou unidades de informação conduzem suas pesquisas para buscar novas habilidades e tornarem-se competentes em informação. Identificar tais ações e/ou mecanismos para atingir-se um determinado fim, proporciona aos estudiosos que usufruam do caminho a ser seguido ou saber quais caminhos não seguir para evitar possíveis “erros” em suas jornadas científicas.

349


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Evidentemente estratégias bem definidas são “aparentemente” as melhores formas de buscar novas competências, mas deve-se levar em consideração a subjetividade de cada indivíduo, o que é bom para você, nem sempre será o adequado para o outro também. A partir das informações levantadas, percebe-se que ínfimas são as pesquisas aplicadas baseadas em CoInfo. O campo científico é muito vasto e requer mais trabalhos dos pesquisadores para inferir sobre determinado público ou unidade de informação. Mas, a Ciência da Informação requer mais estudos sobre o comportamento das pessoas quando das suas ações em busca das informações necessárias no seu cotidiano – seja ela em nível acadêmico, de atuação profissional ou até mesmo para suas atividades de lazer. Em todos esses segmentos necessitamos de informação, mas temos que saber recuperar o que precisamos, filtrar e saber o que fazer com elas, para que sejam significativas para um novo aprendizado ou aprimoramento do já existente. Neste cerne, precisa-se desenvolver ou absorver novas habilidades para conseguir seguir nesse processo cíclico da aprendizagem contínua, onde um conjunto de competências são premissas básicas para se alcançar a meta desejada. Cabe ressaltar que este não é um estudo finito, pelo contrário, é apenas o início para que novos estudos possam surgir a partir desse levantamento. O objetivo deste estudo foi alcançado plenamente, pois foram mensuradas as dissertações brasileiras, cadastradas na Plataforma Lattes e que aplicam no seu contexto a CoInfo. Ainda assim, é lastimável a baixa produção dos pesquisadores brasileiros que descrevam tais práticas – onde o cenário descoberto conota as práxis adotadas pelos poucos mestres/mestrandos. O que fica claro e torna-se relevante é a continuidade de estudos como este, que busquem trabalhar a dinâmica e a temática CoInfo, como forma de reforçar a necessidade de profissionais atuantes/capacitados para auxiliar, orientar e satisfazer as suas necessidades informacionais, mas também da comunidade em que está inserido.

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24 IDENTIFICAÇÃO DE DISCIPLINAS QUE ABORDEM CONTEÚDOS ACERCA DA COMPETÊNCIA INFORMACIONAL NOS CURSOS DE BIBLIOTECONOMIA DO BRASIL

Marta Leandro da Mata martaleandrodamata@gmail.com Professora do Departamento de Ciência da Informação Universidade Estadual de Londrina (UEL)

Resumo: Compreende-se que a formação do bibliotecário deve abarcar conteúdos que enfoquem o seu papel social, sobretudo no que concerne às questões referentes à Competência Informacional, dado que este profissional tem sido apontado como o responsável por promover, implementar e desenvolver programas desta natureza nas instituições de ensino. A presente investigação faz parte de uma pesquisa de doutorado, tendo-se como objetivo parcial identificar disciplinas que abordam conteúdos de competência informacional. Caracteriza-se como uma pesquisa de cunho exploratório e documental, realizando-se a análise dos currículos e dos planos de ensino. Por meio dos resultados, constatou-se que as disciplinas de serviço de referência e estudos de usuários mencionam a competência informacional em seus planos de ensino. Considera-se que é fundamental que o curso de Biblioteconomia tenha uma abordagem acerca da competência informacional, visto que o bibliotecário necessita ter noção do tema para que possa atuar com a implementação de tais programas e/ou com atividades de educação de usuários nos locais de atuação profissional. Palavras-Chave: Competência Informacional; Biblioteconomia; Serviço de Referência; Estudo de Usuário.

353


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354


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1 INTRODUÇÃO A Competência Informacional enfatiza uma abordagem na aprendizagem, referente aos processos informacionais, que situa os indivíduos como protagonistas na construção do seu saber e na sua aprendizagem ao longo da vida, possibilitandolhes agregar valor aos conhecimentos adquiridos por meio do emprego de diversas fontes e recursos informacionais, de forma que as utilize para a resolução de problemas no ambiente educacional e em variadas situações nos âmbitos social, político e econômico. O

desenvolvimento

da

Competência

Informacional

pode

influenciar

significativamente o modo de agir e, consequentemente, o modo de intervir dos indivíduos na sociedade, pois, quando a informação é adequadamente apropriada, produz-se conhecimento e modifica-se o estoque mental de saber do indivíduo, propiciando o seu aprimoramento e o bem-estar da sociedade em que vive (BARRETO, 2002, p. 70). Assim, possibilita-se a criação de uma cultura informacional que: [...] permitirá a todos um papel estratégico eficaz de uso da informação em áreas como: cultura, política ou econômica, bem como de desenvolvimento pessoal e do potencial humano, com o objetivo de eliminar o analfabetismo informacional característico de uma sociedade governada pelas tecnologias e com profundas desigualdades sociais (CAVALCANTE, 2006, p.49).

Considera-se o bibliotecário um dos principais responsáveis por divulgar, às instituições educacionais e ao seu corpo de profissionais, a proposta da Competência Informacional, de modo a promovê-la como parte integrante do processo de ensino-aprendizagem. Entretanto, um fator determinante para possibilitar a implementação de tal proposta é a atuação de profissionais capacitados, isto é, de bibliotecários que, por sua vez, também precisam possuir sua própria Competência Informacional, tanto como indivíduo como quanto profissional, além de saber planejar e ministrar sessões de instrução em programas desta natureza. Assim sendo, a seguinte questão sobre a formação deste profissional deve ser objeto de reflexão: será que os cursos de Biblioteconomia têm contemplado, em suas matrizes curriculares, conteúdos referentes à Competência Informacional? Algumas declarações internacionais acerca da Competência Informacional enfatizam a inclusão do tema nos currículos dos referidos cursos: “os planos de estudos das universidades que formam profissionais da informação deveriam 355


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

integrar conteúdos relacionados à Competência Informacional e às questões pedagógicas necessárias para o seu ensino” (DECLARAÇÃO DE TOLEDO, 2006, p. 2); “as escolas de formação em Biblioteconomia e Ciência da Informação deverão integrar conteúdos relativos à Competência em Informação nos seus projetos político-pedagógicos” (DECLARAÇÃO DE MACEIÓ, 2011). Neste sentido, na presente pesquisa, partiu-se da tese de que a inserção de uma disciplina e/ou de conteúdos de Competência Informacional podem auxiliar os graduandos de Biblioteconomia a compreenderem o significado da Competência Informacional e a serem capazes de desenvolver programas desta natureza em variados tipos de instituições. Este trabalho apresenta parte dos resultados de uma tese de doutorado, que abordou a inserção de disciplinas de competência informacional nos currículos dos cursos de Biblioteconomia do Brasil e da Espanha, no qual foi constatado que no âmbito brasileiro dos 39 cursos existentes, 10 possuem uma disciplina específica com a nomenclatura de competência informacional, sendo sete são obrigatórias e três são optativas. Neste sentido, buscou-se realizar uma análise mais detalhada da matriz curricular e dos planos de ensino dos cursos, procurando identificar disciplinas que incluam conteúdos de competência informacional.

2 A FORMAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIOS E OS ASPECTOS REFERENTES À COMPETÊNCIA INFORMACIONAL Uribe Tirado (2009), pesquisador colombiano, fez uma macrodefinição da Competência Informacional, visto que há uma multiplicidade de definições e descrições geradas desde o seu surgimento. Para tanto, foram analisadas as 20 definições mais utilizadas, extraindo tendências e inter-relações entre os conceitos, com o objetivo de servir de guia para a elaboração de atividades pelos profissionais bibliotecários, professores e demais membros da equipe pedagógica responsável pelos programas de competência informacional nas instituições de ensino, a saber: A Competência Informacional é o processo de ensino-aprendizagem que busca que um indivíduo e seu coletivo, devido ao apoio profissional e de uma instituição educativa ou uma biblioteca, empregando diferentes estratégias de ensino e ambientes de aprendizagem (modalidade presencial, virtual ou mixta – blend learning), alcance as competências (conhecimentos, habilidades e atitudes) digitais, comunicacionais e informacionais, de forma que lhes permitam, depois de identificar suas necessidades informacionais, utilizando diferentes formatos, meios e

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

recursos físicos, eletrônicos ou digitais, poder localizar, selecionar, recuperar, organizar, avaliar, produzir, compartilhar e divulgar (comportamento informacional) adequada e eficientemente essa informação, com uma posição crítica e ética, a partir de suas potencialidades (cognitivas, práticas e afetivas) e conhecimentos prévios (outras competências), e alcançar uma interação apropriada com outros indivíduos e grupos (prática cultural/ inclusão social), de acordo com os diferentes papéis e contextos que assume (níveis de ensino, pesquisa, desempenho de trabalho ou profissional) e, finalmente, com todo esse processo, alcançar e compartilhar novos conhecimentos e ter as bases para o aprendizado ao longo da vida para benefício pessoal, organizacional, 1 comunitário e social para as demandas da sociedade da informação (p. 14, tradução nossa).

Essa definição é funcional, voltada para a prática da Competência Informacional, permitindo entender o processo de planejamento e implementação de programas desta natureza nas instituições de ensino. Contém todos os elementos para sua execução, faz referência ao processo de ensino-aprendizagem, às estratégias didáticas, aos locais de aplicação, às ferramentas e às potencialidades que se espera que os indivíduos alcancem, bem como a responsabilidade social. De forma a exemplificar os aspectos contemplados em tal definição acerca da Competência Informacional, utilizou-se um conjunto de aspectos constitutivos de configuração textual, baseado em Mortatti (2001), com os questionamentos: “o que é”, “por quê”, “onde”, “quando”, “como” e “quem”, a saber: a) O que é? Um processo de ensino-aprendizagem visando à construção de competências digitais, comunicacionais e informacionais; b) Por quê? Para alcançar e compartilhar novos conhecimentos, ter as bases para o aprendizado ao longo da vida visando ao benefício pessoal,

1

El proceso de enseñanza-aprendizaje que busca que un individuo y colectivo, gracias al acompañamiento profesional y de una institución educativa o bibliotecológica, empleando diferentes estrategias didácticas y ambientes de aprendizaje (modalidad presencial, «virtual» o mixta - blend learning-), alcance las competencias (conocimientos, habilidades y actitudes) en lo informático, comunicativo e informativo, que le permitan, tras identificar sus necesidades de información, y utilizando diferentes formatos, medios y recursos físicos, electrónicos o digitales, poder localizar, seleccionar, recuperar, organizar, evaluar, producir, compartir y divulgar (comportamiento informacional) en forma adecuada y eficiente esa información, con una posición crítica y ética, a partir de sus potencialidades (cognoscitivas, prácticas y afectivas) y conocimientos previos (otras alfabetizaciones), y lograr una interacción apropiada con otros individuos y colectivos (práctica cultural-inclusión social), según los diferentes papeles y contextos que asume (niveles educativos, investigación, desempeño laboral o profesional), para finalmente con todo ese proceso, alcanzar y compartir nuevos conocimientos y tener las bases de un aprendizaje permanente para beneficio personal, organizacional, comunitario y social ante las exigencias de la actual sociedad de la información.

357


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

organizacional, comunitário e social conforme as demandas da sociedade da informação; c) Onde? Em uma instituição educacional ou em bibliotecas; d) Quando? Durante os ciclos de ensino; e) Como? Trabalhando com diversas fontes de informação em diferentes meios, recursos físicos, eletrônicos ou digitais, por meio de ambientes de aprendizagem presenciais e/ou portais de educação à distância, com vistas a empregar estratégias didáticas diversificadas; f) Quem? Indivíduos e/ou coletivos. Neste sentido, o bibliotecário é considerado o protagonista na implementação de tais programas, contando com todos os aspectos exemplificados por Uribe Tirado (2009). De acordo com Virkus et al. (2005), tais profissionais têm uma função específica no contexto em que uma pessoa desenvolve sua própria competência em informação, por facilitarem o acesso à informação e ajudarem a satisfazer as necessidades informacionais, assim como auxiliarem o indivíduo a tornar-se independente no que se refere ao uso dessa informação. Deste modo, os autores atestam que os estudantes das escolas de Biblioteconomia e Ciência da Informação devem: estar atentos à Competência Informacional como um conceito, tornar-se pessoas competentes em informação e aprender alguns aspectos chave acerca do ensino dessa competência (VIRKUS et al., 2005). A Competência Informacional tem sido suscitada como um componente curricular nas escolas de Biblioteconomia e Ciência da Informação no contexto europeu e em nível mundial. A temática pode ser abordada pelas escolas de diferentes formas: por meio de disciplinas específicas ou disciplinas já existentes no curso, que tratem das fontes de informação, de serviço de referência, educação de usuários; por meio de trabalhos de pesquisa ou, ainda, através do desenvolvimento de práticas pedagógicas com os graduandos (VIRKUS et al., 2005). A formação de competências informacionais nos indivíduos requer dedicação e esforço por parte do bibliotecário, visto que o seu papel é fundamental para auxiliar os estudantes a extraírem significado das informações e a pensar racional e logicamente diante de tantas fontes e informações, estejam elas impressas ou no formato eletrônico (ATLC; CASL, 1997). Por outro lado, o ensino dessa competência “[...] implica também na capacitação profissional do bibliotecário para lidar com a 358


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

variedade de suportes, tipos de informação e modos de acesso, transferência, pesquisa, fontes, usos e treinamento de usuário” (CAVALCANTE, 2006, p.56). Clyde (2005) realizou um estudo no qual verificou quais características e habilidades as instituições empregadoras vêm procurando nos profissionais bibliotecários2. Constatou-se que as unidades de informação3 vêm buscando recrutar profissionais que tenham habilidades de instrução de Competência Informacional, através de 150 (51,5%) anúncios de emprego entre 291 publicados no período de três meses. No

entanto,

muitos

bibliotecários

entram

no

mercado

de

trabalho

despreparados para realizar seu papel de ensino. Poucos cursos de graduação em Biblioteconomia fornecem os conceitos básicos necessários e, muitas vezes, o bibliotecário recém-formado tem pouco ou nenhum treinamento teórico ou prático sobre a Competência Informacional (PEACOCK, 2001). Essa deficiência tem ocorrido não apenas no Brasil, mas também em outros países como, por exemplo, a Austrália, mesmo contando com a Australian and New Zealand Institute for Information Literacy, instituição que atua especificamente em prol da Competência Informacional e colabora com outras organizações, nacionais e internacionais, para o desenvolvimento desta, principalmente no ensino superior (ANZIIL, 2010). Cientes dessas exigências por parte das instituições empregadoras, bem como das necessidades sociais em relação à aprendizagem dos estudantes, os órgãos e entidades de classe internacionais da área de Ciência da Informação, especializados na temática da Competência Informacional, têm definido as habilidades que o bibliotecário deve possuir para ter condições de atuar com esta competência (ATLC; CSLA, 1997; ACRL, 2007). E, à medida que a atuação deste profissional no ensino de habilidades ligadas ao processo informacional está crescendo, surge a necessidade de que o bibliotecário possua um conjunto de habilidades de ensino e de avaliação (MEULEMANS; BROWN, 2001). A questão da preparação do bibliotecário para ser um instrutor tem sido suscitada através da lista de discussões Information Literacy Instruction Discussion

2

3

O estudo foi realizado por intermédio da análise de conteúdos de anúncios de emprego postados numa lista de discussão, a LIBJOBS (Library and Information Science Jobs mailing list), promovida pela IFLA (International Federation of Library Associations and Intitutions), na qual são encontrados anúncios de emprego de vários países, mas, principalmente, dos Estados Unidos. Tais como bibliotecas universitárias, públicas e especializadas, dentre outras.

359


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

List (ILI-L4), que tem propiciado o debate entre profissionais e pesquisadores da área de Biblioteconomia e Ciência da Informação acerca da Competência Informacional (ILI-I, 2015). No Brasil, foram oferecidos cursos de competência informacional aos bibliotecários pela Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições (FEBAB), na modalidade de ensino à distância, no ano de 2010 e de 2015. A mesma instituição tem realizado parcerias com instituições internacionais como a The International Federation of Library Associations and Institutions (IFLA) que, por sua vez, tem focado o desenvolvimento da Competência Informacional em todos os tipos de bibliotecas, incluindo, para tanto, o treinamento de bibliotecários (INFORMATION LITERACY SECTION, 2010). O

assunto

também

vem

sendo

debatido

por

pesquisadores

da

Biblioteconomia e da Ciência da Informação, fato que se reflete no aumento das publicações científicas relatando a carência de proficiências em Competência Informacional em graduandos de Biblioteconomia e em profissionais bibliotecários (CAMPELLO; ABREU, 2005; POSSOBON et al, 2005; MELO; 2008; CARRANGA, 2008; MATA, 2009). Desta forma, compreende-se que é fundamental que a Competência Informacional seja trabalhada nos cursos de Biblioteconomia e de Informação e Documentação, visto que há uma demanda por profissionais que atuem com tal tema e estejam preparados para a implementação de programas desta natureza nas instituições em que estiverem atuando.

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS A investigação caracteriza-se como uma pesquisa de cunho exploratório e documental. Primeiramente, procedeu-se à identificação das instituições de ensino que oferecem o curso de Biblioteconomia no Brasil, sendo realizada uma consulta ao Portal do Ministério da Educação – MEC5. Verificou-se que existiam 39 cursos Biblioteconomia no Brasil funcionando regularmente, dos quais quatro estão localizados na Região Centro-Oeste, dez na Região Nordeste, três na Região Norte, dezessete na Região Sudeste e cinco no Sul do país. 4 5

Essa lista foi criada pela ACRL, uma divisão da American Library Association. Portal do Ministério da Educação no Brasil, disponível em:< http://emec.mec.gov.br/>, consultado em junho de 2013.

360


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Num segundo momento, os sites oficiais dos cursos foram consultados a fim de se extrair as informações sobre o currículo. Quando não haviam informações disponíveis, os coordenadores dos cursos foram contatados por correio eletrônico e/ou por telefone. Foram obtidas as matrizes curriculares de 92% dos cursos brasileiros, isto é, 36 do total de 39 cursos de Biblioteconomia existentes no país. Três cursos (8%) que não participaram da pesquisa, não dispunham de informações sobre o currículo em seus sites e os respectivos coordenadores ou departamento não retornou os emails ou forneceu os documentos solicitados. Realizou-se a análise flutuante das matrizes curriculares dos cursos de Biblioteconomia visando identificar disciplinas que poderiam abordar conteúdos relacionados ao tema, atentando-se para a área de recursos e serviços de informação, visto que possuem um enfoque nos usuários, em seus processos de identificação e satisfação de necessidades informacionais, busca e uso da informação, treinamento para uso dos serviços e produtos oferecidos pelas bibliotecas. Partiu-se do pressuposto de que, embora essas disciplinas não fossem específicas sobre o assunto, poderiam incluí-lo. Para a organização da análise dos resultados, foram criadas duas categorias, denominadas “serviços de referência” e “estudo de usuários”, verificando-se, em cada uma destas disciplinas, se citavam o termo “competência informacional” ou um de seus equivalentes na ementa e no conteúdo programático.

4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS A partir dos resultados, constatou-se que as disciplinas que mencionam a competência informacional em seus planos de ensino estão inclusas no núcleo de formação voltado para os recursos e serviços informacionais, que visa estabelecer a mediação da informação entre o usuário e as fontes de informação, no planejamento dos sistemas e canais de disseminação da informação. Essa área é composta por disciplinas de fontes de informação, serviço de referência e informação, estudo de usuários, mediação da informação, educação de usuários e/ou Competência Informacional, entre outras. Desta forma, a partir da análise dos resultados foi possível criar duas categorias, a saber: serviço de referência e estudo de usuários. 361


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

4.1 Serviço de Referência O serviço de referência é considerado uma “[...] interface entre informação e usuário, tendo à frente o bibliotecário de referência, respondendo questões, auxiliando, por meio de conhecimentos profissionais, os usuários” (MACEDO, 1990, p.12). Para realizar a análise dos resultados, no que se refere ao serviço de referência e informação, foram contempladas disciplinas que possuíam o termo “referência” ou “serviços de informação” devido à semelhança de conteúdos em suas ementas. Desta forma, encontraram-se 30 disciplinas, sendo que algumas vezes havia mais de uma disciplina por curso, por exemplo, “serviço de referência e informação” e “avaliação dos serviços de informação”. Constatou-se que apenas as disciplinas mencionavam a Competência Informacional, citando a mesma da seguinte forma: 

Desenvolvimento da Competência Informacional;

Competência Informacional (Letramento informacional).

Averiguou-se, também, a existência de 10 disciplinas de “serviço de referência” que mencionavam os termos: “educação de usuários”; “formação de usuários”; “treinamento de usuários”; “orientação de usuários”; “atendimento aos usuários”; “instrução de usuários”. Anteriormente, as bibliotecas incluíam atividades de formação bibliográfica no serviço de referência (RADER, 2000), justificando a menção a tais termos/atividades nos planos de ensino. Também é importante ressaltar que a educação

de

usuários6

é

considerada

uma

precursora

da

competência

informacional. Para Souza e Farias (2011), para que o bibliotecário consiga atuar no serviço de referência é necessário que tenha tido uma formação básica e que desempenhe de múltiplas funções, tais como busca e recuperação da informação; investigação bibliográfica; atenção a diversos tipos de usuários; interpretação das questões/problemas do usuário. As competências para exercer tal função são: capacidade de comunicação, capacidade de analisar necessidades de informações, capacidade de orientar e de treinar os usuários. 6

Diversas denominações surgiram para as atividades educacionais referentes ao uso dos recursos informacionais em bibliotecas, a saber: orientação bibliográfica, pesquisa bibliográfica, instrução/treinamento sobre o uso da biblioteca, treinamento e/ou instrução de usuários, formação de usuários e educação de usuários.

362


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Corroborando com tais apontamentos, Campello discorre que (2003, p. ), “a função educativa da biblioteca torna-se visível com o aparecimento do serviço de referência (reference service) e se amplia com a introdução da educação de usuários.” Neste sentido, a autora discorre que este último apresenta “[...] uma característica pró-ativa, realizando-se por meio de ações planejadas de uso da biblioteca e de seus recursos”.

4.2 Estudo de Usuários Os estudos de usuário podem ser entendidos como “[...] investigações que se fazem para saber o que os indivíduos precisam em matéria de informação, ou então, para saber se as necessidades de informação por parte dos usuários de uma biblioteca ou de um centro de informação estão sendo satisfeitas de maneira adequada” (FIGUEIREDO, 1994, p.7). Neste sentido, pode-se perceber que os estudos de usuário podem ser realizados em etapa anterior à implementação de programas de competência informacional, visto que

buscam fazer um diagnóstico das necessidades

informacionais dos usuários, de forma a apontar possíveis conteúdos para as sessões de instrução de tais programas. É importante mencionar que o estudo de usuários possui abordagem tradicional, voltado para um sistema de informação, visto que não considera os fatores que geram o encontro do usuário com o sistema de informação. Entretanto, existem os estudos de abordagem alternativa, focados nos usuários, de modo a caracterizar

estes

grupos,

interpretando

suas

necessidades

intelectuais

e

sociológicas (DIAS; PIRES, 2004). Na análise das matrizes curriculares, constatou-se a presença de 29 disciplinas de estudo de usuários nos cursos de Biblioteconomia do Brasil, sendo todas de caráter obrigatório, tendo-se acesso aos planos de ensino e às ementas de 26 deles. Verificou-se que apenas em dois planos de ensino havia menção ao termo “Competência Informacional”. No conteúdo programático de um deles, havia a seguinte abordagem: “O desenvolvimento da competência em informação a partir da alfabetização digital e da alfabetização em informação”.

363


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Verificou-se que em seis planos de ensino estava incluso conteúdos relacionados à Competência Informacional, mas que se tratam de seus precedentes, tais como: “treinamento de usuários”, “treinamento para o uso da informação”, “educação de usuários”.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS As bibliotecas e os bibliotecários possuem funções primordiais na implementação de programas de Competência Informacional nas instituições de ensino, porquanto devem divulgar os seus preceitos aos professores e demais membros destas instituições, bem como assumir um papel educativo no processo de ensino-aprendizagem com relação ao universo informacional e a seus processos. Os bibliotecários devem ser preparados para atuar em programas de Competência Informacional em variados tipos de instituição. À vista disso, os cursos de Biblioteconomia são os principais responsáveis pelo primeiro contato de seus alunos com este tema, ressaltando-se a pertinência da inclusão, nos currículos dos cursos, de disciplinas e/ou conteúdos acerca da competência informacional. Para Marzal (2004), a formação deste profissional deve responder aos desafios de reorientação de sua formação - pensando-se nas exigências sociais, adaptando-se aos novos modelos de unidade de informação - assimilar a Competência Informacional enquanto objeto de sua própria aprendizagem e como profissional, exercendo sua função docente nas aulas/sessões de programas desta natureza. Neste trabalho, buscou-se identificar disciplinas que abordam a competência informacional nos planos de ensino dos cursos de Biblioteconomia, tendo-se como resultado duas disciplinas, que fazem parte do núcleo de formação de serviço de recursos de informação, sendo as disciplinas de “serviço de referência” e de “estudos de usuários”. No que se refere à primeira, está inclusa em sua definição a “orientação aos usuários”, podendo fazer parte deste preceito a realização de programas e/ou atividades de competência informacional. Já no caso da segunda, estudo de usuários, que tem enfoque no diagnóstico das necessidades de informação dos usuários de um determinado sistema de informação, pode-se trazer uma abordagem em 364

torno

de

programas

de

competência

informacional

voltados

para

o


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

preenchimento de lacunas que diz respeito a estas necessidades. Também pode ter uma abordagem voltada preenchimento de lacunas de conhecimentos acerca do universo informacional e de seus processos, como selecionar, buscar, avaliar e usar eticamente a informação, que podem ser identificadas por meio de estudos de comportamento informacional. Considera-se importante que o curso de Biblioteconomia tenha uma abordagem acerca da competência informacional, mesmo que em outras disciplinas que não sejam específicas sobre o tema, visto que o bibliotecário necessita ter noção do tema para que possa atuar nos ambientes de trabalho com a implementação de tais programas e/ou com atividades de educação de usuários.

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368


25 COMPETÊNCIA DIGITAL: CONCEITOS, CARACTERÍSTICAS E MODELOS

Bruna A. Bochnia bruna.art.visual@gmail.com Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação Universidade Estadual de Londrina (UEL) Adriana R. Alcará adrianaalcara@gmail.com Docente do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação Universidade Estadual de Londrina (UEL)

Resumo: A sociedade da informação e do conhecimento, em meio às grandes mudanças com os avanços e utilização das tecnologias de informação e comunicação, exige novas habilidades informacionais e digitais para que as pessoas sejam mais autônomas no momento de solucionar seus problemas de informação. Diante desse contexto, este trabalho objetiva identificar, por meio de um estudo bibliográfico, conceitos, características e modelos voltados à competência digital. Os resultados mostram que a competência digital não é apenas a habilidade técnica para utilização de dispositivos digitais, mas a junção dessa com as habilidades de leitura, análise, síntese, uso, avaliação e compartilhamento dos conteúdos disponíveis em diferentes fontes de informação digitais. Palavras-Chave: Habilidade Informacional; Competência Digital; Alfabetização Digital; Competência em Informação.

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

370


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

1 INTRODUÇÃO O volume elevado de produção de informações e seu fluxo constante na sociedade atual exigem cada vez mais dos consumidores de informação habilidades diversificadas para buscar, avaliar e usar os diferentes recursos informacionais. A busca por tais habilidades é uma corrida contra o tempo, já que a sociedade está em constante mudança e isso se dá principalmente pelos avanços da ciência e tecnologia. O tempo e a distância não são mais vistos como obstáculos para o acesso a informação, o que teoricamente facilita as atividades das pessoas. Porém, este benefício de acesso à informação irá depender das habilidades que as pessoas dispõem para manejar tais informações, pois muitas se sentem sufocadas por não darem conta do grande volume de informações, sendo necessário ter habilidades e estratégias de busca, avaliação, seleção e uso da informação. Borges (2001, p.28) vê esta mudança ligada ao chamado mundo virtual e ressalta que “o uso da virtualização, cada vez mais presente no nosso cotidiano, amplia as potencialidades humanas, criando novas relações, conhecimentos, maneiras de aprender e de pensar”. A propagação dos recursos informacionais digitais exige novos saberes e habilidades para o uso adequado e efetivo desses recursos. Assim, como parte integrante da competência em informação, as pessoas precisam também desenvolver habilidades para a competência digital, uma vez que boa parte das informações geradas atualmente vem sendo armazenadas no meio digital. Alguns autores relacionam a competência digital diretamente com a competência em informação, porém nem todos utilizam o termo “competência”, aparecendo assim outras terminologias na literatura, que serão mantidas nas citações, conforme as ideias dos diferentes autores aqui apresentados, muito embora nesta pesquisa será utilizado o termo competência digital. Bawden (2008) traz em suas pesquisas alguns termos como Alfabetização em Meios, Alfabetização em Informática, Alfabetização em Tecnologias da Informação, Alfabetização Eletrônica. Esse autor aborda o conceito propriamente dito da “Alfabetização” como não sendo apenas a habilidade de leitura e escrita, mas a capacidade de compreensão e utilização na solução de problemas. O termo Alfabetização encontrase relacionado aos outros termos. Quando o autor trata da alfabetização em multimeios relaciona-a como um complemento da competência informacional, pois 371


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

um indivíduo que é considerado alfabetizado em multimeios consegue acompanhar os avanços da comunicação de massa, tais como: a televisão, o rádio, os periódicos, as revistas, a internet. Nesse caso a pessoa terá uma noção geral para compreender, produzir e relacionar significados dentro de uma cultura de vários meios que se expressam por meio de imagens, palavras e sons. Pontes Junior e Tálamo (2009) reportam que um dos grandes erros quando abordado os temas de inclusão digital e ou alfabetização digital, é que os estudos focam mais em analisar os equipamentos bem como seus benefícios e deixam em segundo plano as competências necessárias. Belluzzo (2005, p.44) acredita que competências relacionadas a informação apresentam diferentes percepções, evitando-se assim os erros mencionados por Pontes Junior e Tálamo (2009). As percepções a serem consideradas são: a) Digital – concepção com ênfase na tecnologia da informação e da comunicação; b) Informação – concepção com ênfase nos processos cognitivos; c) Social – concepção com ênfase na inclusão social, consistindo em uma visão integrada de aprendizagem ao longo da vida e exercício de cidadania. Complementar a isso, Hague e Payton (2010, p. 19) também apontam que muitas pessoas veem a competência digital como apenas ter acesso ou mesmo ser capaz de utilizar o computador. No entanto, consideram que estão envolvidos vários outros fatores, como a cultura, a consciência e compreensão social, o ser criativo, o ser crítico e colaborativo, a comunicação, a segurança em relação às habilidades para encontrar e selecionar informações. Katz (2007) menciona que uma pessoa é competente digitalmente quando é capaz de usar as tecnologias e ferramentas de comunicação do meio digital de forma adequada na busca de informação para a resolução problemas. Além de ser ativo dentro da sociedade da informação, inclui também habilidades específicas de como usar o meio digital e suas ferramentas para a pesquisa, de forma que saiba organizar e compartilhar informações com a compreensão das questões éticas que dizem respeito ao acesso e uso da informação. Assim, tendo em vista uma melhor compreensão da competência digital, o objetivo deste trabalho foi levantar na literatura conceitos e características, bem 372


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

como modelos que possam ser utilizados para o desenvolvimento de habilidades para a competência digital.

2 METODOLOGIA O presente estudo caracteriza-se com uma pesquisa descritiva, com delineamento bibliográfico e abordagem qualitativa. O levantamento bibliográfico se deu inicialmente com a seleção de algumas palavras-chave para a identificação da literatura,

quais sejam:

Competência

digital; Competência em

informação;

Competência informacional; Alfabetização e Letramento digital; Alfabetização em meios digitais. Os principais recursos informacionais utilizados para o levantamento bibliográfico foram o Sistema de Bibliotecas da Universidade Estadual de Londrina, o Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), as Bibliotecas Digitais de Teses e Dissertações, a Scielo, o Google Acadêmico, entre outros. Ressalta-se que não foi feito recorte cronológico, sendo apenas restringida a busca às publicações em português, inglês e espanhol.

3 RESULTADOS Em relação às características e conceitos da competência digital, Martínez et al. (2013) destacam alguns acontecimentos, como o aparecimento das tecnologias de informação e comunicação (TIC) em ritmo acelerado e a consequente estrutura e linguagem diferente a cada lançamento, os quais levam os usuários a se adaptar a cada mudança. Tal transformação pode ser notada na forma de utilização não linear, que conta com recursos multimídias. Nessa mesma perspectiva, Marzal (2009) menciona que existe hoje uma nova exigência que vai contra ao que as pessoas vivenciaram, pois até o momento as mesmas estavam acostumadas a realizar leituras de forma linear e com a chegada da internet e das TIC, a utilização do ciberespaço e as novas mídias tornaram a leitura e o uso de recursos de forma não linear, forçando o usuário da informação a dominar a leitura por hipermídia e realizar o cruzamento de informações por meio de links. Loureiro e Rocha (2012) referem-se à competência digital como a aptidão do usuário em realizar atividades no ambiente digital, bem como apresentar habilidade de ler e compreender mídias, sendo capaz de avaliar e empregar os conhecimentos adquiridos no meio digital de modo que seja confortável para operação nestes 373


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

ambientes. Esses mesmos autores inferem as seguintes habilidades para considerar a pessoa competente digitalmente: a) Saber como encontrar e recolher a informação em ambientes virtuais/digitais; b) Gerir e organizar informação para usá-la no futuro; c) Avaliar, integrar, interpretar e comparar informação de múltiplas fontes; d) Criar e gerar conhecimento adaptando, aplicando e recriando nova informação; e) Comunicar e transmitir informação para diferentes e variadas audiências, através de meios adequados. Ao abordar sobre as competências que uma pessoa deve apresentar nesta era digital, Serafim e Freire (2012, p.158) tratam de forma separada algumas competências, tais como: a) competências em mídias (media literacy) – habilidade para decodificar, avaliar, analisar e produzir tanto mídias eletrônicas quanto impressas; preza um relacionamento autônomo crítico com todas as mídias; b) competências visuais (visual literacy) – aptidão para discriminar e interpretar ações visíveis, objetos e símbolos, naturais ou produzidos pelo homem; c) competências digitais (digital literacy) – capacidade para entender e usar a informação de uma variedade de fontes digitais, incluindo pesquisar na internet, navegar por hipertextos e coletar informações relevantes e confiáveis; d) competências nas tecnologias emergentes (emerging technology literacy) – agilidade para se adaptar continuamente para entender, avaliar e utilizar as emergentes inovações em tecnologia da informação, de modo que a pessoa não fique prisioneira de antigas tecnologias, tornando-a apta a tomar decisões inteligentes ao adotar as mais novas; e) competências multiculturais (multicultural literacy): mestria para reconhecer, comparar, contrastar e apreciar similaridades e diferenças nos comportamentos culturais, crenças e valores dentro e entre culturas. Assim como Serafim e Freire (2012), Wilson (2013) trata no livro da UNESCO a competência digital como Alfabetização midiática e informacional (AMI) como sendo uma das formas para as pessoas desfrutarem dos seus direitos que constam no Artigo 19 da Declaração dos Direitos Humanos e reforçados pela Declaração de Grunwald, de 1982 e pela Declaração de Alexandria, de 2005. Esses documentos 374


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

reconhecem e evidenciam a importância de proporcionar aos cidadãos as competências necessárias para procurar, receber, transmitir informações e ideias em qualquer meio, posicionando a AMI como o ponto central do aprendizado ao longo da vida e habilitando os cidadãos a desempenharem seu papel social. As novas mídias e tecnologias auxiliam as pessoas competentes em informação e com competência digital nas tomadas de decisões, tornando-as pessoas cada vez mais críticas por estarem cada vez mais bem informadas devido as suas habilidades. Wilson (2013) se refere a junção da Alfabetização informacional e Alfabetização midiática em uma só, em que a informacional foca o acesso, avaliação e uso da informação de forma ética, e a midiática visa a habilidade de compreender as funções exercidas pela mídia, bem como, verificar de forma racional como são executadas estas funções como forma de autoexpressão. No que diz respeito aos modelos que podem ser utilizados para o desenvolvimento de habilidades informacionais e digitais, vale ressaltar a diversidade de modelos e propostas existentes, porém para este trabalho serão mencionados apenas alguns dos inúmeros identificados na literatura. É importante enfatizar que os modelos listados a seguir são propostas que orientam o desenvolvimento de habilidades para a competência em informação, mas que podem ser aplicados também na promoção da competência digital. Isso porque, conforme mencionado por Bawden a competência digital constitui-se em um complemento para a competência em informação. Dentre os modelos destacamos os seguintes: a) The Information Search Process (ISP): proposto por Kuhlthau (1991); analisa as habilidades informacionais, levando em conta a experiência de vida da pessoa, sua forma de aprender, suas características emocionais, ações e pensamentos. O ISP é apresentado em seis etapas (quadro 1): iniciação, seleção, exploração, formulação, coleta e apresentação. Como o armazenamento de informações está cada vez mais concentrado no ambiente digital, o usuário passa por estas seis etapas necessitando de habilidades informacionais e digitais.

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Quadro 1 - Information Search Process (ISP). ETAPAS

SENTIMENTOS

PENSAMENTOS

AÇÕES

TAREFAS

Iniciação

Incerteza

Geral/Vago

Conversar sobre o tema com o os colegas/professor

Reconhecer a necessidade de informações

Julgar e escolher

Consultar colegas/professor. Pesquisar informações disponíveis na biblioteca. Usar obras de referência.

Identificar o tema em geral.

Confusão/Frustra Tornar-se ção/ informado sobre o Dúvida assunto

Ler diferentes fontes. Listar Ideias.

Investigar informações sobre o tema geral para encontrar um foco

Estreito/ Mais claro

Ler as anotações e combinar as ideias para formar um foco.

Formular o foco (abordagem).

Interesse crescente

Buscar e selecionar informações relevantes. Solicitar auxilio para o bibliotecário.

Reunir as informações sobre o foco.

Mais claro ou Focalizado

Confirmar as citações e informações.

Completar a busca da informação e apresentar o resultado.

Seleção

Otimismo

Exploração

Formulação

Clareza

Coleta

Senso de direção/Confianç a

Alívio/ Satisfação Apresentação ou Desapontamento

Fonte: Elaborado com base no ISP.

Segundo Oliveira (2014) este modelo tem sua aplicação ampliada não se limitando apenas ao ambiente acadêmico e sim nas demais atividades desenvolvidas pela pessoa, com o objetivo de auxiliar no desenvolvimento e execução de atividades que envolva qualquer tema. b) Big6 Skill: teve origem em 1987 e seus proponentes foram Mike Eisenberg e Bob Berkowitz. Segue uma estrutura de resolução de problemas e enfatiza as competências na utilização das TIC no processo de buscar, encontrar, avaliar e usar as informações para realização de atividades (tarefas). Assim como o modelo ISP, o Big6 é dividido em seis estágios (quadro 2): definição das tarefas, estratégias de busca, localização e acesso, uso, síntese e avaliação. No entanto não significa que as etapas ocorrem de forma linear.

376


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Quadro 2 - Estágios do modelo Big6 Skill. ESTÁGIOS

AÇÕES

1 – Definição das tarefas

2 - Estratégias de busca de informação 3 – Localização e acesso 4 – Usos da informação 5 – Síntese 6 – Avaliação

Etapa 1 - Definir o problema de informação. Etapa 2 - Identificar Informação necessária para completar a tarefa; Etapa 1 – Determinar todas as possíveis fontes. Etapa 2 – Avaliar as diferentes fontes para determinar as prioridades. Etapa 1 – Localizar Fontes Etapa 2 – Localizar informações no interior das fontes. Etapa 1 – Extrair a informação. Etapa 2 – Elencar informações relevantes. Etapa 1 – Organizar informações. Etapa 2 – Apresentar a informação. Etapa 1 – Julgar a eficácia do produto. Etapa 2 – Julgar a eficiência nos procedimentos utilizados na resolução do problema.

Fonte: Elaborado com base no Big 6 SKILL. Este modelo pode ser aplicado em atividades do dia-a-dia de qualquer pessoa tanto, no meio acadêmico como profissional. De acordo com Eisenberg (2008) o Big6 constitui-se em um processo que permite ao estudante o desenvolvimento de habilidades para a resolução de problemas informacionais. c) Information Problem Solving (IPS): foi baseado no Big6 e com isso considera as competências digitais necessárias na utilização das TIC. Seus proponentes foram Brand-Gruwel, Wopereis e Vermetten (2005). Foca nas habilidades para a resolução de problemas informacionais, evidenciando a necessidade da regulação integrada a todas as outras habilidades para estimular a pessoa a orientar-se para a própria atividade, gerenciar o tempo, o conteúdo e avaliar o produto final. Este modelo é composto por cinco habilidades consideradas princípais, com mais dezoite sub-habilidades e com uma habilidade reguladora, como pode ser verificado na figura 1. As cinco habilidades são: definir problema, busca

de

informações,

verificação

das

informações,

processamento

das

informações, organização e apresentação das informações.

377


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Figura 1 - Habilidades para resolução de problemas informacionais.

Fonte: Elaborado com base no modelo Information Problem Solving.

Conforme os demais modelos já mencionadas o IPS inicia-se

com a

necessidade de realizar alguma atividade (problema). A primeira habilidade listada no modelo de IPS é a habilidade de definir o problema informacional que envolve, segundo Oliveira (2014), a obtenção de uma visão geral da tarefa a ser realizada, a identificação do problema (concretizar) ativando para tal conhecimento anteriores e definindo assim as informações que devem ser buscadas. Em um segundo momento a habilidade necessária é a de buscar informações, a qual envolve a habilidade de derivar termos para pesquisa, habilidades para interação e busca na internet e a capacidade de avaliar os resultados da pesquisa. Assim que verificado a relevância de tal resultado passa para próxima etapa, em que a pessoa deve ter a habilidade de realizar uma leitura e verificar as informações coletadas, e assim havendo um aprofundamento sobre o conteúdo além de avaliar tais informações. Diante da avaliação o passo seguinte é a reunião e seleção das informações, assim processando-as para compreendê-las. E para finalizar a última etapa envolve a habilidade de organizar e apresentar as informações, após formulação do problema, estruturação e formato de um produto para elaboração de conteúdo referente a atividade proposta no inicio. Conforme pode ser visto na Figura 1, a habilidade de regulação está presente em todas as outras habilidades para estimular a pessoa a orientar a própria atividade, gerenciar o tempo, o conteúdo e avaliar o produto que será processado ao 378


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

final. Este modelo força a pessoa a se autorregular, fazendo-a refletir em cada questionamento relacionado às etapas do processo de busca e uso da informação e às habilidades, auxiliando-a na tomada de decisões na hora de solucionar um problema informacional. d) Competências Infocomunicacionais: proposto por Borges et al. (2013); refere-se ao um conjunto de habilidades, constituídas a partir da junção de competências

operacionais,

competências

informacionais

e

competências

comunicacionais. Figura 2 - Espiral das competências infocomunicacionais.

Fonte: Borges (2011).

Ao refletir sobre as competências em ambientes digitais Borges et al. (2013) observam que essas competências estão relacionadas à habilidade de lidar com a informação (localização, avaliação e aplicação), bem como à habilidade de estabelecer e manter processos de comunicação e subjacentes a esse conjunto de habilidades estão as competências operacionais, relativas ao manuseio de hardware e software. Borges et al. (2013) ainda destacam que as competências estão entrelaçadas já que as mesmas estimulam-se e desenvolvem-se ao mesmo tempo como foi representado na espiral das competências infocomunicacionais (figura 2). Em cada conjunto de competências os autores propõem indicadores que permitem avaliar as habilidades informacionais e digitais.

379


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Quadro 3 - Competências infocomunicacionais em ambientes digitais (operacionais, informacionais e comunicacionais). COMPETÊNCIAS

COMPONENTES O usuário sabe ou é capaz de ... Operar computadores e artefatos

INDICADORES O usuário... Reconhece a representação de sistema comunicada pela interface (ícones, pastas, programas etc.). Compreende a função de cada ferramenta e seus componentes Personaliza as funções de uma ferramenta de acordo com suas necessidades

Operacionais

Abre sítios eletrônicos com a entrada de uma nova URL Operar um navegador na internet

Usa os botões do browser adequadamente para retroceder, avançar, abrir novos separadores, abrir novas páginas etc. Abre, salva e imprime arquivos em vários formatos.

Operar motores de busca de informação

Operar mecanismos de comunicação Operar recursos para produção de conteúdo

Perceber uma necessidade

Insere termos de busca no campo adequado. Executa uma operação de busca. Abre os resultados a partir de uma lista. Reconhece mecanismos de comunicação disponíveis através da internet. Cria um perfil do utilizador. Recebe, abre e envia arquivos anexados. Preenche campos adequadamente. Submete informações. Percebe que seu problema é passível de ser solucionado com informação. Conhece as principais fontes de informação de acordo com suas necessidades (banco de dados, sítios eletrônicos especializados, motores de busca etc.). Escolhe um sistema de busca adequado ao tipo de informação necessária.

Acessar informações

Traduz a necessidade de informação para uma terminologia de busca.

Informacionais

Compreende os diferentes formatos de informação. Compreende e interpreta as informações recuperadas. Avalia as informações quanto a aspectos com pertinência, confiabilidade, correção e veracidade. Avaliar a informação

Verifica as fontes quanto à fidedignidade. Diferencia informação factual de opinião. Seleciona informação pertinente. Compara informações entre si e com o conhecimento prévio.

Inter-relacionar peças de informação

Mantém um senso de orientação entre as várias fontes. Resume a informação. Organiza a informação de forma recuperá-la para um uso atual e futuro.

Criar conteúdo

Demonstra capacidade de seleção e reaproveitamento do conteúdo, considerando aspectos éticos legais. Cria e disponibiliza produtos informacionais (vídeos, áudios, imagens, textos etc.) em ambientes digitais. Compreende e responde as mensagens recebidas.

Comunicacionais

Consegue expressar suas ideias. Estabelecer comunicação

Cria laços sociais Construir conhecimento em colaboração

380

Adequa a mensagem e o meio, considerando as características do receptor. Propicia que o receptor tenha oportunidade de resposta. Participa em redes e comunidades virtuais de acordo com seus interesses. Compartilhe informações, vivências, experiências (em redes sociais online, wikis, blogs, fóruns etc.). Mobiliza as redes sociais para conseguir ajuda quando precisa.


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Consegue trabalhar em cooperação ia rede. Contribui com seu próprio conhecimento. Argumenta e defende opiniões. Discrimina mensagens indesejáveis. Como spams e vírus. Julga questões de privacidade e segurança antes de disponibilizar informações. Avaliar a comunicação Compreende as consequências de uma publicação on-line. Considera aspectos legais e éticos da comunicação. Avalia a própria comunicação.

Fonte: Borges (2011).

e) Sete Pilares da Competência Informacional (SCONUL): desenvolvido pela Society of College, National and University Libraries (SCONUL) em 1999 e atualizado em 2011, com a intenção de acompanhar as mudanças que permeiam a competência em informação, considerando também as habilidades ligadas à competência digital. Constitui-se de sete etapas (figura 3) que contemplam as habilidades:

reconhecer

a

informação

necessária;

distinguir

formas

para

preenchimento de lacunas; construir estratégias para localizar a informação; localizar e acessar a informação; comparar e avaliar; organizar, aplicar e comunicar; sintetizar e criar. Figura 3 - Representação Information Literacy Lanscape – SCONUL 2011

Fonte: SCONUL (2011).

Em relação a habilidade de “Identificar” a pessoa deve ser capaz de: reconhecer a importância das habilidades de localizar, criar, administrar e compartilhar informações nos mais variados formatos digitais; identificar lacunas que se referem ao uso, aplicação e desenvolvimento de ambientes e ferramentas digitais; avaliar constantemente as ferramentas e conteúdos na busca de melhorar 381


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

as práticas acadêmicas; reconhecer as soluções digitais para auxiliar na necessidade de informações. Em relação ao “Escopo” a pessoa deve ser capaz de: identificar lacunas no conhecimento quando diz respeito a ferramentas e conteúdos digitais; identificar ferramentas de buscar para auxiliar na localização de materiais digitais de qualidade; avaliar diferentes formatos digitais e selecionar aqueles que atende a necessidade do momento; utilizar novas ferramentas e tecnologias assim que disponíveis avaliando-as para adequá-las; avaliar como a colaboração online pode aprimorar as práticas acadêmicas. No que se refere ao “Plano” (habilidade para elaborar estratégias), a pessoa deve ser capaz de: identificar as técnicas de pesquisa adequadas; acessar remotamente fontes digitais externas aumentando as oportunidades para a recuperação; avaliar quais formatos digitais melhor atendem aos critérios identificados; utilizar diferentes abordagens de comunicação online para aumentar o alcance; utilizar tags de metadados para conteúdos objetivando a futura recuperação dos mesmos (SCONUL, 2011). Em se tratando da habilidade de “Reunir” (localizar informações) a pessoa deve ser capaz de: utilizar várias ferramentas de recuperação de informações bem como tecnologias digitais de forma eficaz; acessar, ler e baixar informações e dados digitais; participar de forma colaborativa no meio digital, visando o networking para acessar e compartilhar informações. Já no que diz respeito a habilidade de “Avaliar” (analisar) a pessoa deve ser capaz de avaliar a adequação dos conteúdos digitais de acordo com o seu público; avaliar a qualidade precisão, relevância, credibilidade, formato e acessibilidade de materiais digitais; ler de forma crítica as informações online, levando em consideração as restrições de acesso; melhorar ao máximo a possibilidade de recuperação do próprio material digital utilizando estratégias de indexação. Em relação a habilidade de “Gerir” (organizar) a pessoa deve ser capaz de utilizar as ferramentas apropriadas para organizar dados e conteúdos digitais; citar e referenciar fontes eletrônicas de forma apropriada; gerenciar recursos digitais de maneira eficaz, levando em conta o controle de versão, armazenamento de arquivos e manutenção de registros de problemas; personalizar o ambiente digital de acordo com as necessidades. Por fim, na habilidade de “Apresentar” (demonstrar) a pessoa deve ser capaz de comunicar-se de maneira eficiente em ambientes digitais, utilizando ferramentas adequadas para a necessidade do público levando em conta questões de usabilidade; utilizar de maneira confiante, a mídia digital apropriada 382


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

para a apresentação; desenvolver um perfil pessoal online utilizando networks e tecnologias adequadas; manter-se seguro, de forma até privada no mundo digital; selecionar meios de publicar e disseminar o compartilhamento de informações (SCONUL, 2011). Podemos observar que o modelo dos Sete Pilares aborda a competência em informação juntamente com a competência digital, uma vez que a pessoa deve estar inserida no universo digital que consigo traz determinados cuidados e exigem assim outras habilidades visando sempre a resolução de problemas informacionais. Em síntese, podemos destacar a ideia de Bawden (2008) ao afirmar que a existência de um modelo perfeito é utópica, pois em nenhum momento uma lista de competências será adequada para todas as pessoas ou até mesmo em momentos diferentes da vida, devido ao fato de envolver diversas variáveis como o ambiente, o contexto, além das variáveis relacionadas a cada indivíduo. O que leva-nos a perceber a necessidade de adaptar os modelos às necessidades e requisitos do público que se pretende atingir, promovendo o desenvolvimento de habilidades, já que as pessoas devem estar em constante atualização de suas competências por fazerem parte de uma sociedade que está em constantes transformações.

4 CONCLUSÕES A partir do estudo da literatura que trata da competência digital pode-se perceber que as mudanças atuais associadas à evolução dos diferentes recursos informacionais afetam as habilidades necessárias para o processo de busca e uso da informação. Isso evidencia que a competência digital não é apenas a habilidade técnica para utilização de dispositivos digitais, mas a junção dessas habilidades de leitura, análise, síntese, uso, avaliação e compartilhamento dos conteúdos disponíveis em diferentes fontes de informação digitais. Ao contextualizar os modelos encontrados na literatura ao ambiente informacional e digital que ora se apresenta, pode-se perceber a relevância do desenvolvimento de habilidades para a competência digital, que se constitui em parte integrante da competência em informação, já que as pessoas devem estar em constante atualização de suas competências para acompanhar as transformações da sociedade. 383


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REFERÊNCIAS

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um

conceito

em

EISENBERG, M. B. Information literacy: Essential skills for the information age. DESIDOC Journal of Library & Information Technology, v. 28, n. 2, p. 39-47, 2008. EISENBERG, M.B.; BERKOWITZ, R. E. Information problem solving: the Big Six Skills Approach to Library & Information Skills Instruction. Ablex Publishing Corporation, 355 Chestnut St., Norwood, 1990. HAGUE, C.; PAYTON, S. Digital literacy across the curriculum. Becta: 2010. Disponível em: <http://www.futurelab.org.uk /Digital_Literacy_handbook_pdf>. Acesso em: 17 abr. 2015. KATZ, I. R. Testing information literacy in digital environments: ETS’ si Skill assessment. Information Technology and Libraries, v.26, n. 3, p. 3-12, sep. 2007. KUHLTHAU, C. C. Guided inquiry: School libraries in the 21st century. School Libraries Worldwide, v. 16, n. 1, p. 17-28, 2010. LOUREIRO, A.; ROCHA, D. Literacia digital e literacia da Informação: competências de uma era digital. 2012. MARTÍNEZ, R. A.et al. Evolución de la alfabetización digital: nuevos conceptos y nuevas alfabetizaciones. Medisur, v. 11, n. 4, p. 450-457, 2013. MARZAL, M. Á. Evolución conceptual de la alfabetizaciónen información a partir de la alfabetización múltipleens perspectiva educativa y bibliotecaria. Investigación bibliotecológica, v. 23, n. 47, p. 129-160, 2009. OLIVEIRA, A. P. A dimensão técnica da competência informacional: estudo com bibliotecários de referência das bibliotecas universitárias da grande florianópolis, sc. Tese de doutorado. Universidade Federal de Santa Catarina.2014. PONTES JUNIOR, J.; TÁLAMO, M. de F. G. M. Alfabetização digital: proposição de parâmetros metodológicos em competência informacional. Informação & Sociedade: Estudos, v. 19, n. 2, 2009. SCONUL. The SCONUL seven pillars of information literacy: core model for higher education. London: 2011.

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SERAFIM, L. A.; FREIRE, G. H. A. Ação de responsabilidade social para competências em informação. Perspectivas em Ciência da Informação, v. 17, n. 3, p. 155-173, 2012. WILSON, C. et al. Alfabetização midiática e informacional: currículo para formação de professores. Brasília: UNESCO, UFTM, 2013.194 p.

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26 REFLEXÕES SOBRE A TELEVISÃO UNIVERSITÁRIA E A COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO E COMPETÊNCIA MIDIÁTICA

Luciane de Fátima Beckman Cavalcante lucifbc@gmail.com Docente do Departamento de Ciência da Informação Universidade Estadual de Londrina (UEL) Regina Célia Baptista Belluzzo rbelluzzo@gmail.com Docente do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Resumo: Apresenta discussão teórica sobre a Televisão Universitária e a Competência em Informação e Competência Midiática enquanto elementos que permeiam as atividades desenvolvidas pelos sujeitos que produzem conteúdo no contexto de tal televisão. Nesse sentido, é importante compreender como as competências mencionadas podem interferir no fazer do profissional ligado à Televisão Universitária, uma vez que o mesmo lida diretamente com informação e conhecimento. As argumentações foram construídas com base em revisão de literatura sobre a temática abordada. Como considerações foi possível compreender que a prática profissional no âmbito da Televisão Universitária, é perpassada e requer elementos da competência em informação e competência midiática, uma vez que tais competências podem influenciar no desenvolvimento profissional e por consequência, na produção dos conteúdos veiculados pela emissora de Televisão Universitária. Palavras-Chave: Televisão Universitária; Competência em Informação; Competência Midiática.

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1 INTRODUÇÃO As emissoras de televisão universitárias são organizações que desempenham um papel importante no que tange à comunicação de massa, mediante processos de disseminação de informação, conhecimento, cultura e educação junto à sociedade, uma vez que a televisão é um dos principais meios de comunicação massiva, juntamente com a internet, apresentando um índice de inserção domiciliar em elevação no Brasil. A diferença da televisão universitária para a televisão comercial é que ela é produzida “por Instituições de Ensino Superior (IES) e transmitida por canais de televisão (abertos ou pagos) e/ou por meios convergentes (satélites, circuitos internos de vídeo, internet etc.), voltadas estritamente à promoção da educação, cultura e cidadania” como explica Magalhães (2002, p. 17). Algumas características devem ser inerentes à televisão universitária. Sobre este aspecto, Rincón argumenta que Os canais devem se converter num lugar para o intercâmbio de sensibilidades e identidades; num lugar que promova a convivência, outorgue a visibilidade aos diferentes atores da sociedade; e que amplie as agendas de opinião, permita a experimentação audiovisual, a inovação no tratamento do audiovisual, e que gere acontecimentos-símbolo, a fim de reinventar a cotidianidade a partir do cultural (RINCÓN, 2002, p. 316).

Entende-se a televisão com uma organização que, como tal, é permeada por infraestrutura, tecnologias, pessoas, fluxos informacionais e comunicacionais. No entanto, entre esses fatores, a presente pesquisa considera as pessoas o elemento principal, tendo em vista que é direta ou indiretamente por seu intermédio que ocorre o desenvolvimento de todos os processos organizacionais e informacionais, bem como decorre o funcionamento adequado das tecnologias adotadas e/ou implantadas pela organização. Logo, é preciso que as competências em informação e competências midiáticas, estejam desenvolvidas nos sujeitos que atuam neste cenário. Sanches Diás (2008, tradução nossa)1 argumenta que, independente do ambiente, “para alcançar um desenvolvimento social, a informação é um elementochave, o que demanda atenção às pessoas que devem ser capazes de interagir com as informações de forma eficaz em qualquer atividade”. 1

En cualquier entorno, para lograr el desarrollo social, la información es un elemento clave; por ende se debe prestar significativa atención a que las personas sean capaces de interactuar con la información de manera efectiva en toda actividad (SANCHEZ DIÁS, 2008, p.107)

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Em decorrência, a competência em informação, assim como a competência midiática dos sujeitos no contexto organizacional — elemento diferencial na Sociedade da Informação — é de extrema relevância para a estruturação de todas as atividades nela desenvolvidas, visto que os indivíduos se constituem em um dos alicerces da organização, porquanto é por eles que direta ou indiretamente perpassam os processos organizacionais e, portanto, a informação. A competência em informação perpassa todas as demais competências necessárias ao pleno desenvolvimento do sujeito enquanto ator social. Dessa forma “[...] ela pode ser considerada como uma competência transversal a todas as demais” na opinião desses mesmos autores (2011, p.284). Lloyd (2006, p.570) argumenta que “[...] a competência informacional pode ser definida como a habilidade de saber o que há em um cenário e, a partir daí, traçar um sentido a partir do contato e experiência com a informação”. Assim a competência em informação também perpassa a competência midiática. Para a IFLA (2005, não paginado), “[...] investimento maciço em estratégias de competência informacional e do aprendizado ao longo da vida cria valor público e é essencial ao desenvolvimento da Sociedade da Informação”. Ressalta-se que em relação à comunicação e à recepção da informação, acredita-se que a competência em informação exerce um papel de grande importância, visto que o processo comunicativo pressupõe uma interação de mão dupla, contribuindo para a criação e a socialização do conhecimento e compreendendo o ato de comunicar enquanto um elemento de mediação da informação. Area Moreira (2005, p.4, tradução nossa) afirma que “[...] o modo como nos comunicamos e a manipulação da informação afetam significativamente a percepção, o conhecimento e a compreensão que fazemos da realidade que nos rodeia”. Destaca-se, nesse processo, o papel do sujeito enquanto ator ativo no ato comunicacional, uma vez que é o mesmo que conferirá significados. A competência em informação vai tratar a informação pela ótica do sujeito que a interpreta, assimila e usa, ou seja, pelo relacionamento do sujeito com a informação. Pelo exposto, acredita-se que a abordagem proposta pelo presente artigo, possa contribuir para as discussões no escopo da Ciência da Informação no que concerne ao estudo da competência em informação e competência midiática no

390


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cenário da Televisão Universitária, visto que são poucos os trabalhos nessa área e com esse enfoque. Nesse sentido, o artigo possui como foco, a abordagem dos elementos da competência em informação e competência midiática no cenário da Televisão Universitária. Para tanto, como procedimento metodológico, optou-se por uma revisão de literatura sobre o assunto, de modo à relacionar o cenário da televisão universitária ao contexto da competência em informação e competência midiática, de forma a elucidar a relevância de tais competências ao desenvolvimento das atividades

do

profissionais

que

atuam

em

televisão

universitária

mais

especificamente, em relação à produção de conteúdo. 2 TELEVISÃO UNIVERSITÁRIA: BREVES ABORDAGENS A televisão sempre foi um veículo de comunicação capaz de contribuir à criação de significados e conhecimentos junto ao telespectador, sendo também muito criticada por ser considerada um veículo de comunicação – manipulaçãomassiva. Machado (2001) argumenta que é possível delinear estudos sobre a televisão em duas vertentes: Pode-se tomá-la como um fenômeno de massa, de grande impacto na vida social moderna, e submetê-la a uma análise de tipo sociológica, para verificar a extensão de sua influência [...]. Mas também pode-se abordar a televisão sobre um outro viés, como um dispositivo audiovisual através do qual uma civilização pode exprimir a seus contemporâneos os seus próprios anseios, dúvidas, as suas crenças e descrenças, as suas inquietações e descobertas e voos de imaginação (MACHADO, 2001, p.11). Pela afirmação de Arlindo Machado (2001), é possível dizer que a televisão pode ser vista também como um meio de comunicação no qual o sujeito — telespectador — pode assimilar o conteúdo transmitido e até mesmo criar sua própria significação. Entretanto, cabe destacar que a televisão também pode ser instrumento de instrução e educação, quando usada de forma crítica e racional. Sobre este aspecto Bechelloni (2000, p.67) defende que “[...] cada um de nós, habitante da contemporaneidade, usa a mídia de maneira distinta, independentemente das vontades e das intenções dos emissores, para dar sentido à própria vida, construir significados, buscar participação”, eximindo, assim, o caráter de passividade do 391


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

telespectador. Nesse sentido, buscamos apoio em Barreto (1994, p.2) ao argumentar que a informação corretamente assimilada “produz conhecimento, modifica o estoque mental de informações do indivíduo e traz benefícios ao seu desenvolvimento e ao desenvolvimento da sociedade em que ele vive”. No cenário atual, com os constantes avanços tecnológicos, bem como com o advento da televisão digital e a convergência tecnológica da mídia, o telespectador ultrapassa a linha de mero espectador de conteúdo audiovisual e passa a interagir com esse conteúdo, seja participando de enquetes via e-mail, mensagens de texto via telefone celular, ou até mesmo por redes sociais como o Twitter. Ressalta-se, nesse contexto, que o telespectador é tido como um interagente, termo que, segundo Primo (2003, p. 133), “[...] emana a ideia de interação, ou seja, a ação (ou relação) que acontece entre os participantes. Interagente, pois, é aquele que age com outro”. Em relação a esse pensamento de Primo, pode-se dizer que, tanto “receptor” quanto “usuário” são termos que denotam ideias limitadas sobre o processo interativo. Nesse contexto, as emissoras de televisão universitárias são organizações que desempenham um papel importante no que tange à comunicação de massa, bem como no papel de interação e relação, mediante processos de disseminação de informação, conhecimento, cultura e educação junto à sociedade, uma vez que a televisão é um dos principais meios de comunicação massiva, juntamente com a internet, apresentando um índice de inserção domiciliar em elevação no Brasil. A diferença da televisão universitária para a televisão comercial é que ela é produzida “por Instituições de Ensino Superior (IES) e transmitida por canais de televisão (abertos ou pagos) e/ou por meios convergentes (satélites, circuitos internos de vídeo, internet etc.), voltadas estritamente à promoção da educação, cultura e cidadania” como explica Magalhães (2002, p.17). A ABTU “[...] entende que a televisão educativa e universitária tem um caráter eminentemente público, sem finalidades comerciais ou lucrativas, visando à formação de cidadãos críticos e conscientes de sua participação na construção de uma sociedade mais justa e solidária” (ABTU, 2004, p.18). Compreende-se a televisão universitária pode atuar como agente propulsor da educação e cultura, por meio dos conteúdos veiculados pela mesma, propiciando a construção do conhecimento dos telespectadores. Belda (2009, p.52) defende que 392


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

as redes universitárias de televisão são emissoras nas quais “a programação deve refletir conteúdos educativos, culturais e de promoção da cidadania, na forma de uma atividade de extensão do ensino superior, possibilitando o acesso às informações e aos conhecimentos produzidos pela instituição”. Ao que concerne à produção do conteúdo em uma televisão universitária, este se dá por meio de um rol de etapas consecutivas, ao longo das quais os diversos insumos sofrem algum tipo de transformação, até a constituição de um produto final (bem ou serviço) e sua colocação na comunidade. Nesse processo, os profissionais envolvidos precisam lidar com a necessidade, busca, e uso da informação, elementos intrínsecos ao comportamento informacional e que são influenciados pela competência em informação e competência midiática. Portanto, é importante que seja verificada a competência em informação e competência midiática de tais profissionais, uma vez que o produto de seu trabalho não é somente informar, mas facilitar a formação de um pensamento crítico, da criação e da ampliação de conhecimentos, e, sem o desenvolvimento assertivo de tais competências, este papel fica prejudicado; 3 COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO E COMPETÊNCIA MIDIÁTICA Ao passo que estamos envoltos em uma sociedade permeada por informação e conhecimento, cujo contexto de mudanças é dinâmico, existe o fato que implica na necessidade do sujeito saber explorar todo o arcabouço informacional advindo de tal sociedade, justamente para poder exercer o seu papel de cidadão. Para tanto, se faz necessário que o sujeito possua determinadas competências para lidar com esse cenário informacional. No que tange à competência em informação, Miranda (2006, p. 99) argumenta que o “desenvolvimento de competências específicas relacionadas ao trabalho informacional pode fazer parte de um esforço para proporcionar ao usuário os recursos necessários para lidar com a informação que lhe faz falta e para resolver seus problemas informacionais”. Dentre as definições que são encontradas acerca da competência em informação na literatura, é possível verificar determinadas concepções, como argumenta Bruce (2003) ao apresentar sete concepções para a competência em informação sintetizadas como segue:

393


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Concepção baseada nas tecnologias da informação – a competência em informação é vista como a utilização das tecnologias de informação para a recuperação e comunicação da informação. Concepção baseada em fontes de informação – a competência em informação consiste em buscar a informação localizada nas fontes informacionais. Concepção baseada na informação como processo – a competência em informação é vista como a execução de um processo ao qual são aplicadas estratégias pelos usuários ao se deparar com uma situação nova ou de falta de conhecimento ou de informação. Concepção baseada no controle da informação – a competência em informação é vista como controle da informação, no qual o foco principal é fornecer a informação pelo controle do usuário. As pessoas competentes em informação são aquelas que podem utilizar diferentes meios para trazer a informação, dentro da sua esfera de influência, de forma que podem recuperá-la e manejá-la quando necessário. Concepção baseada na construção do conhecimento – A competência em informação é vista como a construção de uma base pessoal de conhecimentos em uma nova área de interesse. Concepção baseada na extensão do conhecimento – a competência em informação é vista como o trabalho com o conhecimento e as perspectivas pessoais adotadas de tal forma que são obtidos novos pontos de vista. O uso da informação nesta perspectiva implica uma capacidade de intuição e introspecção criativa. Concepção baseada no saber – a competência em informação é vista como a sábia utilização da informação em benefícios dos demais. Implica a adoção de valores pessoais no uso da informação. Implica colocar a informação num contexto mais amplo, e vê-la à luz de uma experiência maior, por exemplo, histórica, temporal ou sociocultural (BRUCE,2003, p. 279-284, tradução nossa).

No que tange à competência em informação e à competência midiática, existe uma interligação e relação entre os conceitos, o que nos leva a pressupor que ambas se centram em conceitos próximos, mas com enfoques distintos. Vale ressaltar que: A competência midiática e informacional é definida como as competências essenciais — habilidades e atitudes — que permitem aos cidadãos interagir com os meios de comunicação e outros provedores de informação de maneira eficaz e desenvolver o pensamento crítico e as atitudes para a aprendizagem ao longo da vida para a socialização colocando em prática a 2 cidadania ativa (WILSON, 2012, p. 16, tradução nossa) .

2

La alfabetización mediática e informacional es definida como las competencias esenciales – habilidades y actitudes– que permiten a los ciudadanos interactuar con los medios de comunicación y otros proveedores de información de manera eficaz y desarrollar el pensamiento crítico y las aptitudes para el aprendizaje a lo largo de la vida para la socialización y la puesta en práctica de la ciudadanía activa (WILSON, 2012, p.16).

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Wilson (2012) elenca alguns elementos sobre as competências midiática e informacional, a saber: A competência midiática e informacional está relacionada com o processo de entendimento e uso dos meios de comunicação e outros provedores de informação, assim como com as tecnologias de informação e comunicação; Está vinculada com a ajuda aos professores e estudantes para o desenvolvimento de uma compreensão crítica e informada sobre como operam diferentes meios de comunicação e as tecnologias, sobre como podem os atores educativos fazer uso deles, sobre como se organiza a informação e se criam significados nos meios de comunicação e sobre como avaliar a informação que transmitem; A competência midiática e informacional também envolve o uso ético dos meios, da informação e da tecnologia, assim como a participação democrática e o diálogo intercultural; É por sua vez, uma área de conteúdo e uma forma de ensinar e aprender. Não se trata de uma aquisição de habilidades técnicas, compreende também o desenvolvimento de marcos e abordagens de sentido crítico 3 (WILSON, 2012, p.16, tradução nossa) .

Sobre esse ponto, Dudziak (2010), apoiada em Miyake (2005), argumenta que, no que concerne à competência midiática, esta é resultante da “convergência de conhecimentos, habilidades e atitudes mobilizados em relação ao uso e à compreensão dos meios e processos de comunicação de massa, que ocorre em estados avançados de desenvolvimento da sociedade” (2010, p. 11). Enquanto a competência em informação está centrada no processo investigativo que se renova constantemente e modifica o sujeito nesta trajetória, a competência midiática centra-se mais nas formas de acesso, análise, avaliação e criação de mensagens em diferentes meios (DUDZIAK,2010, p.11).

O que se pode perceber da afirmação de Dudziak é que o arcabouço da competência em informação delineia-se de forma ampla, enquanto a competência midiática tem um enfoque específico, qual seja os meios de comunicação de massa. Wilson (2012, p.19, tradução nossa) argumenta que a competência midiática e em informação também “inclui uma conscientização sobre o direito ao acesso à informação, assim como a importância do uso ético das tecnologias da informação para comunicar-se com os outros”4 3

4

La MIL está relacionada con el proceso de entendimiento y uso de los medios de comunicación y otros proveedores de información, así como con las tecnologías de la información y la comunicación. Está vinculada con la ayuda a los profesores y a los estudiantes para el desarrollo de una comprensión crítica e informada sobre cómo operan diferentes medios de comunicación y las tecnologías, sobre cómo pueden los actores educativos hacer uso de ellos, sobre cómo se organiza la información y se crean significados en los medios de comunicación, y sobre cómo evaluar la información que ellos transmiten. La alfabetización mediática e informacional también involucra el uso ético de los medios, de la información y de la tecnología, así como la participación democrática y el diálogo intercultural. Es, a la vez, un área de contenido y una forma de enseñar y aprender; no se trata solo de la adquisición de habilidades técnicas, sino que comprende también el desarrollo de marcos y acercamientos de sentido crítico (WILSON, 2012, p.16). La alfabetización mediática e informacional también incluye una concienciación sobre el derecho al acceso a la información, así como la importancia del uso ético de las tecnologías de la información para comunicarse con los otros (WILSON, 2012, p.12).

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Como forma de elucidar as convergências e divergências entre esses dois campos, Dudziak (2010) apresenta uma comparação original da autora, como é possível visualizar pelo Quadro 10. Quadro 1 – Comparação entre Competência em Informação e Competência Midiática Competência em Informação Mobilização de conhecimentos, habilidades e atitudes relacionados à informação: necessidade, busca e uso, incluindo: ● Processos investigativos, pesquisa ● Leitura e escrita (redação) ● Manipulação de dados e informações ● Produção e disseminação ● Preservação e reuso

Competência Midiática Resulta da convergência de conhecimentos, habilidades e atitudes mobilizados em relação ao uso e compreensão: ● Meios e processos de comunicação de massa ● Uso crítico e contextual dos meios de comunicação ● Uso das TIC ● Produção e efeitos da mídia ● Convergência midiática Fonte: Adaptado de Dudziak (2010)

Por um lado, a competência em informação enfatiza a importância do acesso à informação e a avaliação do uso ético dessa informação. A competência midiática enfatiza a capacidade de compreender as funções da mídia, de avaliar como essas funções são desempenhadas e de engajar-se racionalmente junto às mídias com vistas à auto expressão (WILSON, 2013, p.18) (Quadro 11). Quadro 2 – Elementos da competência em informação e da competência midiática Competência em Informação

Competência Midiática ●

Definição e articulação de necessidades informacionais ● Localização e acesso à informação ● Organização da informação ● Uso ético da informação ● Comunicação da informação ● Uso das habilidades de TIC no processamento da informação

● ● ● ●

Compreensão do papel e das funções das mídias em sociedades democráticas Compreensão das condições sob as quais as mídias podem cumprir suas funções Avaliação crítica do conteúdo midiático à luz das funções da mídia Compromisso junto às mídias para a autoexpressão e a participação democrática Revisão das habilidades (incluindo as TIC) necessárias para a produção de conteúdos pelos usuários

Fonte: Adaptado de Wilson (2013, p.18)

Pode-se delinear que a competência midiática está relacionada com a capacidade de utilização dos meios de comunicação, centrada em uma avaliação crítica independente de qual meio seja, uma vez que a competência midiática 396


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

engloba os mais diversos meios de comunicação de massa, desde a comunicação impressa, a televisão, até a internet e ambientes digitais. Nesse cenário, com o advento

das

redes

sociais,

as

quais

são

um

veículo

importante

para

compartilhamento e comunicação da informação, tal competência é de suma importância. Wilson (2013) destaca os principais benefícios da Competência Midiática Informacional 1 No processo de ensino e aprendizagem, equipa os professores com um conhecimento aprimorado que contribuirá com o empoderamento dos futuros cidadãos; 2 A alfabetização midiática e informacional transmite conhecimentos cruciais sobre as funções das mídias e dos canais de informação nas sociedades democráticas. Além disso, fornece uma compreensão razoável sobre as condições necessárias para cumprir essas funções efetivamente e as habilidades requeridas para avaliar o desempenho das mídias e dos provedores de informação à luz das funções esperadas; 3 Uma sociedade alfabetizada em mídia e informação promove o desenvolvimento de mídias livres, independentes e pluralistas, e de sistemas abertos de informação (WILSON, 2012, p.20).

Em

decorrência

das informações apresentadas, é

possível verificar

claramente que existe uma inter-relação competência em informação-competência midiática, podendo-se inferir até mesmo que esta última seria uma interface, uma vertente da competência em informação, ao passo que ambas trabalham com o sujeito e sua relação com a questão do acesso e uso inteligente da informação. Outro ponto relevante para a discussão da competência em informação é justamente a sua influência sobre o comportamento informacional do sujeito. Por isso, serão destacados, ainda que de forma seletiva, os principais conceitos e elementos do comportamento informacional para que seja possível compreender essa influência e relação. O estudo de comportamentos em relação à informação possui um direcionamento com enfoque na necessidade, na busca e no uso da informação de determinado sujeito.

Dessa forma, é possível traçar um paralelo às atividades

jornalísticas no contexto da televisão universitária, ao passo que os atores envolvidos nesse cenário estão constantemente lidando com a criação de significados, seja de forma pessoal, interpretando-os, seja de forma ampla, ao

397


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

produzirem significados que serão interpretados pelos sujeitos que entram em contato com a informação produzida pela TV. 4 CONSIDERAÇÕES Destaca-se que as emissoras de televisão universitárias (TV universitária) estão inseridas na Sociedade da Informação e são organizações que desempenham um papel importante no que tange à disseminação de informação, conhecimento, cultura e educação junto à sociedade. Para Azambuja (2008, p. 15), “[...] a finalidade das TVs universitárias é de colaborar efetivamente para o desenvolvimento social, educativo, científico, cultural, artístico e econômico do país”. Em decorrência disso, há a necessidade da existência de habilidades específicas para que esses profissionais que atuam em TV universitária possam acessar e usar a informação de forma inteligente — a competência em informação —, construindo conhecimento aplicável a essa área de atuação. A informação é “uma das matérias-primas básicas e essenciais à atividade jornalística em qualquer meio de comunicação no qual se atue”, na visão de Cól e Belluzzo (2011, p.15). As referidas autoras expressam, ainda, que: Do jornal até a televisão, passando por qualquer outro veículo, é necessário que o jornalista consiga realizar um processo de gestão da informação (com identificação de necessidades, coleta, tratamento e disseminação) a fim de oferecê-la da melhor forma a seu público, o que faz parte do papel social que cabe a esses profissionais. Dessa forma, em sua vivência diária, o jornalista lida com os diversos valores que a informação pode assumir: é recurso, para seu trabalho, por exemplo; é mercadoria já que os produtos jornalísticos têm valor econômico; mas também é força social, na medida em que pode ser utilizada para fins práticos pelo público em prol de melhorias pessoais, profissionais, sociais e até mesmo contribuir para a produção do conhecimento (CÓL; BELLUZZO, 2012, p.15).

Argumentando sob o enfoque de Wolton (2004, p. 272), Cól e Belluzzo (2011, p.15) expressam que o jornalista possui um papel imprescindível no que concerne à capacidade para selecionar, organizar e hierarquizar a informação e os múltiplos discursos vigentes, remetendo-nos à indagação sobre o fato da competência junto a tal profissional. “Ao lidar com a informação, o jornalista está diante de um bem infinitamente compartilhável, que não se esgota com o uso, ao contrário, se multiplica por meio de operações de síntese, análise, combinação” (2004, p. 21). Assim, entende-se que a competência em informação e a competência midiática influenciam a produção de conteúdos e a tomada de decisão no contexto apresentado. Dessa forma, a identificação da competência em informação pode 398


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

propiciar uma gestão mais assertiva junto a este ambiente organizacional, assim como

trabalhar

uma

cultura

organizacional

e

informacional

voltada

ao

desenvolvimento dessa competência. Cabe destacar

a questão da produção de conteúdo dos programas

veiculados por tais emissoras, uma vez que os mesmos possuem um cunho científico, cultural e social, sendo preciso ressaltar que a competência em informação dos sujeitos que ficam nos bastidores de tais programas, podem exercer influência na produção dos mesmos, desde a questão de elaboração de pauta, levantamento de fontes de notícias, redação do texto final que irá ao ar, podendo influenciar na construção de conhecimento por parte do telespectador. Em síntese, a competência em informação e competência midiática são elementos imprescindíveis ao

desenvolvimento

das atividades jornalísticas,

principalmente no que tange à produção de conteúdo, uma vez que a mesma carrega em seu bojo um caráter educativo e de construção de conhecimento e criação de significado. REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE TELEVISÃO UNIVERSITÁRIA. Disponível em <http://www.abtu.org.br>. Acesso em 21 Mar.2012. ARAUJO, E. A. de. Informação, sociedade e cidadania: gestão da informação no contexto de organizações não-governamentais (ONGs) brasileiras. Ci. Inf. [online]. 1999, vol.28, n.2, pp. 155-167. AREA MOREIRA, M. La escuela y la sociedad de la información. In: Nuevas tecnologías, globalización y migraciones. Barcelona: Editorial Octaedro, 2005, p. 13-54. AZAMBUJA. C. N. de. Jornalismo educativo: da teoria à prática na tv universitária. Minho: 2008. Dissertação (Mestrado em Educação). Universidade Estácio de Sá. Rio de Janeiro, 2008. BAUTISTA, J.M.; MORA, B.; GATA, M. La televisión dominada: algunas limitaciones de la TV en educación y argumentos para una competencia televisiva. Comunicar, n. 25, 2005. BECHELLONI, G. Audiência: uma abordagem sociológica da comunicação. Comunicação & Educação, Brasil, n. 17, p. 61-67, abr. 2000. Disponível em: <http://www.revistas.usp.br/comueduc/article/view/36899>. Acesso em: 15 out. 2014.

399


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

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401


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

402


27 COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO: UM ESTUDO SOBRE O ENFOQUE NA PRODUÇÃO CIENTÍFICA NA BASE DA BRAPCI

Carla Luciane Thuns carlathuns@gmail.com Mestranda do Mestrado Profissional em Gestão de Unidades de Informação Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)

Resumo: O objetivo desta pesquisa é analisar nos artigos publicados na Base de Dados Referenciais de Artigos de Periódicos em Ciência da Informação (BRAPCI) qual o enfoque dados aos artigos (textos teóricos, conceitos e bibliografias) ou relatos de experiência (aplicações de modelos ou pesquisas nas unidades de informação). Para uma melhor compreensão deste assunto descreve-se sobre produção científica e competência em informação. Após analisar na produção para atender o objetivo geral, foram definidos os seguintes objetivos específicos: a) levantar a produção científica em competência em informação; b) quantificar as publicações dos periódicos destacando os artigos publicados sobre a competência em informação; c) identificar os autores que tratam do tema e a qual instituição pertencem e d) identificar o enfoque dos artigos. O universo da pesquisa é composto por 115 artigos publicados recuperados pelos termos em português e em frase exata entre aspas que são: competência em informação, competência informacional, literacia da informação, literacia informacional, letramento em informação, letramento informacional, alfabetização em informação, alfabetização informacional verificados no título, resumo e palavras-chave. A amostra é constituída por 97 artigos uma vez que dos 115 artigos recuperados, 18 se repetiram quando da pesquisa com os demais termos. Os dados foram coletados por meio do endereço eletrônico do site da BRAPCI, de 11 a 15 de maio de 2015 para que então fosse feita a classificação, seguida da análise e definição. Dos 97 artigos utilizados 65 são textos teóricos "conceitos e bibliografia" e 32 são relatos de experiência representando apenas 33% do total de artigos. Palavras-Chave: Competência em Informação; Produção Científica; BRAPCI.

403


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

404


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

1 INTRODUÇÂO O tema competência em informação tem sido fortemente abordado por pesquisadores e divulgado nos meios de comunicação, destacando que a preocupação em estudar está temática não se limita apenas ao campo da Biblioteconomia e da Ciência da Informação. O perfil e a forma de atuação dos profissionais da informação sofreram alterações com o advento tecnológico. Tais tecnologias também influenciaram na divulgação e no avanço da ciência. Mudanças no perfil necessitam de mudanças também na capacidade para aprender, aprender a ser, aprender a viver e aprender a fazer como um aprendizado contínuo. Ser competente em informação é estar capacitado para buscar, avaliar, usar e criar a informação de forma efetiva para alcançar metas, seja de cunho pessoal, social, ocupacional e educacional e em todos os percursos da vida. Em meio a estas discussões, surge a necessidade de dar início a um aprofundamento teórico sobre questões que envolvam o contexto social e a realidade do profissional da informação. Neste cenário, refletir e teorizar sobre o tema para viabilizar ações mais concretas será bem oportuno. Diante desta necessidade, o objetivo desta pesquisa é analisar na produção científica qual a ênfase dada pelos artigos publicados nos periódicos científicos sobre o tema na Base de Dados Referenciais de Artigos de Periódicos em Ciência da Informação (BRAPCI). Para atender o objetivo geral, foram definidos os seguintes objetivos específicos: a) levantar a produção científica em competência em informação; b) quantificar as publicações dos periódicos destacando os artigos publicados sobre a competência em informação; c) identificar os autores que tratam do tema e a qual instituição pertencem e d) identificar o enfoque dos artigos publicados sendo estes como textos teóricos (conceitos e bibliografias) ou relatos de experiência (questionários, pesquisas com usuários ou aplicação de modelos). Neste trabalho, serão apresentados aspectos conceituais e teóricos sobre Competência em informação e produção científica, a metodologia escolhida (Bibliometria), bem como as informações coletadas e tratadas para a compreensão do objetivo.

2 PRODUÇÃO CIENTÍFICA E COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO Ciência e tecnologia andam juntas, para Le Coadic (2004, p.206) “[...] não existe ciência sem tecnologia e nem tecnologia sem ciência”. 405


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

A tecnologia não resulta apenas na aplicação do conhecimento científico aos problemas, mas a tecnologia viva na sua essência é o enfoque científico dos problemas práticos decidindo

um

tratamento

ideal para estes problemas

fundamentados no conhecimento científico utilizando-se de métodos específicos. (BUNGE, 1998). Para Oliveira Netto (2006, p.1) “[...] a ciência pode ser entendida como o conhecimento sobre um objeto, obtido através do emprego do método racional. A ciência é a expressão máxima da capacidade racional humana em explicar as causas dos fenômenos naturais, sociais e humanos”. Para que tudo o que foi abordado sobre ciência e tecnologia seja colocado em prática é indispensável à realização de pesquisas, sejam elas científicas ou não, para que haja a comprovação e veracidade dos resultados. Para Oliveira Netto (2006, p. 8) “[...] a pesquisa científica visa contribuir para a construção do conhecimento humano em todos os setores da ciência”. Segundo Ruiz (2002, p.48) a pesquisa científica, [...] é a realização concreta de uma investigação planejada, desenvolvida e redigida de acordo com as normas da metodologia consagrada pela ciência. É o método de abordagem de um problema em estudo que caracteriza o aspecto científico de uma pesquisa.

De acordo com Soares (2003, p.42) “[...] a pesquisa científica é a realização de uma investigação planejada, que é desenvolvida e redigida conforme normas metodológicas”, e o autor ainda acrescenta que, [...] toda pesquisa deve iniciar-se com a formulação de um problema. Ela deve ter como objetivo sua solução. O problema o qual deve ser levantado como uma proposição interrogativa, é uma dificuldade teórica ou prática, para a qual se deve encontrar solução.

Através da comunicação o homem pode fazer conhecer suas idéias ou pensamentos, consegue manifestar seus sentimentos e expressar-se por palavras ou gestos. O conhecimento científico depois de registrado transforma-se em informação, Le Coadic (1996, p.27) afirma que, [...] sem informação, a ciência não pode se desenvolver e viver. Sem informação a pesquisa seria inútil e não existiria o conhecimento e também argumenta que a informação é produzida e renovada constantemente e só interessa se circular, e circular livremente. [...] o processamento desses conhecimentos torna-se possível quando começam a circular a partir de descobertas científicas e de inovações tecnológicas.

Considera-se a informação nos dias atuais um bem valioso e ao mesmo tempo um problema, pois quando lançada de forma exagerada, causa naqueles que não estão familiarizados com os processos de busca um certo pavor informacional. 406


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

O indivíduo precisa desenvolver um tipo de competência específica, competência esta necessária para lidar com a informação. Segundo Miranda (2004, p.118), competência informacional é: [...] o conjunto das competências profissionais, organizacionais e competências chave que possam estar ligadas ao perfil de um profissional da informação ou de uma atividade baseada intensivamente em informação. Pode ser expressa pela expertise em lidar com o ciclo informacional, com as tecnologias da informação e com os contextos informacionais.

Para Campello (2008, p.9) a “[...] competência informacional é o conjunto de habilidades necessárias para localizar, interpretar, analisar, sintetizar, avaliar e comunicar informação, esteja ela em fontes impressas ou eletrônicas”. Não basta apenas saber encontrar a informação, é preciso adquirir competência em informação, ferramenta necessária na atualidade, capaz de fomentar a produção do saber e o desenvolvimento do aprendizado que possibilite ao ser humano relacionar-se com seus pares de forma autônima e dinâmica e também como um ser reflexivo capaz de tomar decisões, mesmo diante dos desafios que a sociedade da informação impõe. A competência em informação é inicialmente definida por Dudziak (2002, p.2) como “[...] o processo de interiorização de valores, conhecimentos e habilidades ligadas ao universo informacional”. Complementando, a mesma autora expõe que a competência em informação engloba além das habilidades e conhecimento, a noção de valores situacionais e sociais, com ênfase na responsabilidade social do ser humano/sujeito que é o indivíduo enquanto ator social. Partindo desta análise de evolução de conceitos e da concepção de a competência em informação ser voltada para o aprendizado ao longo da vida Dudziak (2003, p.28) a define como um processo contínuo de internalização de conceitos, atitudes e habilidades necessárias para compreender e interagir permanentemente com o universo da informação e seu dinamismo. A competência informacional capacita as pessoas em todos os caminhos da vida para buscar, avaliar, usar e criar a informação de forma efetiva para atingir suas metas pessoais, sociais, ocupacionais e educacionais, sendo um direito humano básico em um mundo digital promovendo a inclusão social em todas as nações (IFLA, 2005).

407


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Para tanto entende-se que também se fazem necessários os saberes evolutivos adaptados à civilização cognitiva, pois são as bases das competências do futuro. Ainda nesta visão prospectiva Delors (2003, p.89) assevera que, [...] a educação deve organizar-se em torno de quatro aprendizagens fundamentais que, ao longo de toda vida, serão de algum modo para cada indivíduo, os pilares do conhecimento: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser.

O desenvolvimento da competência em informação se constitui em ferramenta necessária para todos aqueles que pretendem permanecer incluídos na sociedade da informação, pois está ligada ao acesso à informação, ao conhecimento e ao aprendizado, que incentiva a participação ativa do profissional e o usuário da informação, constituindo também forma de aprender a ser promovendo ações que os tornem competentes na busca pela informação, juntamente com a necessidade de aprender a aprender e a desenvolver a aprendizagem ao longo da vida. 3 METODOLOGIA De acordo com os objetivos propostos, a pesquisa caracteriza-se como uma pesquisa exploratória, pois oferece maior familiaridade com o problema tornando-o mais explícito e o objetivo desta pesquisa é o aprimoramento das ideias (GIL, 2008). É nela que se definem os critérios, métodos e técnicas para o desenvolvimento da pesquisa oferecendo informações sobre o seu objeto e orientando para a formulação de hipóteses (OLIVEIRA NETO, 2006). Com relação aos procedimentos, a pesquisa caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica, pois se desenvolve com base em obras já publicadas principalmente em livros, artigos de periódicos científicos, dissertações e teses, utilizando-se fundamentalmente das contribuições de vários autores sobre um determinado assunto (GIL, 2008). Do ponto de vista da forma de abordagem do problema a pesquisa caracteriza-se como qualiquantitativa. Na pesquisa quantitativa utilizando-se de técnicas estatísticas, considera-se que tudo pode ser quantificável, ou seja, quando a variável em estudo for mensurada numericamente (BARBETTA, 2002). Caracteriza-se também pelo uso de técnicas estatísticas tanto na fase de coleta quanto no tratamento dos dados, tendo como objetivo garantir maior precisão na análise e interpretação dos resultados e confiabilidade na obtenção destes (BAPTISTA; CUNHA, 2007). A

pesquisa

qualitativa,

ao

contrário

da

quantitativa,

não

emprega

procedimentos estatísticos no processo de análise do problema, mas sim a 408


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

interpretação dos fatos pelo pesquisador, buscando solução para o problema proposto (SOARES, 2003). Também pode-se dizer que a variável é dita qualitativa quando os possíveis resultados são atributos ou qualidades (BARBETTA, 2002). As pesquisas qualitativa e quantitativa interagem entre si permitindo uma melhor análise e compreensão dos resultados. Como abordagem metodológica optou-se pela Bibliometria cujo princípio é analisar a atividade científica ou técnica pelo estudo quantitativo das publicações. Esta concepção da Bibliometria levou Rostaing (1996, p.21) “[...] a adotar a abordagem de que a bibliometria é a aplicação dos métodos estatísticos ou matemáticos sobre o conjunto de referências bibliográficas1”. Para Macias-Chapula (1998, p.134), “[...] a bibliometria pode ser definida como: o estudo dos aspectos quantitativos da produção, disseminação e uso da informação registrada”, desenvolvendo modelos e padrões matemáticos para medir esses processos, usando seus resultados elaborando previsões e apoiando na tomada de decisões. Em alguns aspectos, o uso da Bibliometria pode ser vantajoso, como por exemplo: na contribuição às avaliações de pesquisa na universidade; na avaliação de grupos de pesquisa da mesma área; na avaliação da contribuição de pesquisadores para determinada área, e na classificação entre instituições, etc. A técnica de amostragem adotada foi a estratificada que, segundo Barbetta (2008, p. 49), “[...] consiste em dividir o universo em subgrupos”. O universo da pesquisa é composto por 115 artigos publicados recuperados pelos termos em português e em frase exata entre aspas que são: competência em informação,

competência

informacional,

literacia

da

informação,

literacia

informacional, letramento em informação, letramento informacional, alfabetização em informação, alfabetização informacional verificados no título, resumo e palavraschave. A amostra é constituída por 97 artigos uma vez que dos 115 artigos recuperados, 18 se repetiram quando da pesquisa com os demais termos. A opção por utilizar esta seleção foi para evitar que os títulos repetidos computassem tornando a pesquisa mais verossímil. Os dados foram coletados por meio do endereço eletrônico do site da BRAPCI, de 11 a 15 de maio de 2015 para que então fosse feita a classificação, seguida da análise e definição. 1

Bibliométrie est l'application de méthodes statistiques ou mathématiques sur des ensembles de références bibliographiques.

409


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

3 RESULTADOS E DISCUSSÔES A partir dos termos de busca utilizados foram recuperados 115 artigos, sendo que destes 78 apresentavam-se como artigos teóricos e 37 apresentavam-se como relatos de experiência ou pesquisa aplicada. A busca que compõem a amostra apresentou a quantidade de artigos publicados conforme a tabela 1 a seguir:

Tabela 1: Distribuição dos artigos por termos pesquisados e enfoque: Termos pesquisados

Recuperados

Teórico

Prático

Competência em Informação

31

21

10

Competência Informacional

60

39

21

Letramento em Informação

0

0

0

Letramento Informacional

12

8

4

Alfabetização em Informação

3

2

1

Alfabetização Informacional

9

8

1

Literacia da Informação

0

0

0

Literacia Informacional

0

0

0

TOTAL

115

78

37

Fonte: Elaboração da autora, 2015.

Os resultados mostram que o termo com maior número de artigos recuperados é a competência informacional com 60 artigos recuperados, seguido do termo competência em informação com 31 artigos. Destaca-se que ao pesquisar os termos letramento em informação, literacia da informação e literacia informacional não ocorreu à recuperação de nenhum artigo, sendo possível afirmar que não há artigos publicados sobre estes termos na base de dados da BRAPCI. Ao analisar os artigos por termos separadamente percebeu-se que alguns deles aparecem mais de uma vez em razão da utilização de mais de um termo, estando ambos os termos, por vezes, contidos em um mesmo artigo. Refazendo a tabela e excluindo os repetentes contabilizou-se um total de 97 artigos os quais foram utilizados para o restante da pesquisa, já caracterizando a sua aplicabilidade.

410


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Tabela 2: Distribuição dos artigos utilizados para pesquisa. Enfoque Teórico Prático Total

Artigos 65 32 97 Fonte: Elaboração da autora, 2015.

fi% 67% 33% 100%

Dos 97 artigos utilizados 65 são textos teóricos "conceitos e bibliografia" e 32 são relatos de experiência representando apenas 33% do total de artigos. Após a identificação dos artigos específicos que tratam de relatos de experiência elaborou-se a tabela 3 para informar a quantidade de artigos com aplicação prática publicados sobre estes termos por periódico e por ano de publicação. Tabela 3: Distribuição das publicações por periódico e período. Periódico

2004

2005

2006

2007

2008

2009

2010

2011

2012

2013

TOTAL

Biblionline Brazilian Journal of Information Science Ciência da Informação DataGramaZero Encontros Bibli ETD - Educação Temática Digital InCID Informação & Informação Informação e Sociedade: Estudos Perspectivas em Ciência da Informação Perspectivas em Gestão & Conhecimento Revista ACB Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação Revista IberoAmericana de Ciência da Informação Transinformação

0

0

0

0

0

0

0

0

0

1

1

0

0

0

0

1

0

0

0

0

0

1

0

0

0

0

0

0

0

1

0

0

1

0 0

1 0

0 1

0 0

0 0

0 0

0 1

0 0

0 0

0 0

1 2

1

0

0

0

0

0

0

0

0

0

1

0

0

0

0

0

0

0

0

2

0

2

0

0

0

0

0

0

0

0

0

1

1

0

0

0

0

1

1

1

0

0

1

4

0

1

0

0

0

1

0

0

0

0

2

0

0

0

0

0

0

0

0

2

0

2

0

0

0

1

2

0

1

0

2

0

6

0

0

0

0

2

0

0

0

0

0

2

0

0

0

1

0

1

0

1

0

0

3

0

0

0

0

0

2

0

0

0

0

2

0

0

0

0

1

0

0

0

0

0

1

TOTAL

1

2

1

2

7

5

3

2

6

3

32

Fonte: Elaboração da autora, 2015

411


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Dos 32 artigos publicados que tratam de relatos de experiência percebe-se que no ano de 2008 e 2009 publicaram-se 7 e 5 artigos respectivamente e em 2012 foram 6 artigos publicados. A revista que mais publicou artigos com enfoque em relatos ou aplicações práticas foi a Revista da Associação Catarinense de Bibliotecários com 6 artigos, seguida da revista Informação e Sociedade: estudos com 4 artigos e da Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação com 3 artigos publicados. O Quadro 1 apresenta os resultados sobre os autores dos artigos publicados que tratam de relatos de experiência na busca no site da BRAPCI. QUADRO 1: Identificação de autores e instituição nos artigos recuperados no site da BRAPCI Autores

Instituição

ALVAREZ, Maria do Carmo Avamilano

Universidade de São Paulo

ANGELUCI, César Belo

Universidade Estadual Paulista

Alan

BARTALO, Linete

Universidade Estadual de Londrina

BELLUZZO, Regina Célia Baptista

Universidade do Sagrado Coração (USC)

BLANK, Cintia Kath

Universidade Federal do Rio Grande

CAMPELLO, Bernadete Santos

Universidade Federal de Minas Gerais

CAMPELLO, Bernadete Santos

Universidade Federal de Minas Gerais

CAVALCANTE, Eugenia

Não informado

CUENCA, Maria Belloni DUDZIAK, Adriana

Lídia Angela

Elisabeth

Não informado

EVANGELISTA, Rosana

PUC de Campinas

FARIAS, Gabriela

Universidade Federal de Santa Catarina

FIDELIS, Joubert Roberto Ferreira

Não informado

FILHA, Mara Helena Forny Mattos

Universidade Fluminense

GARCIA, Moreira

Universidade Estadual Paulista

Rodrigo

GASQUE, Kelley Cristine Gonçalves Dias

412

Universidade de São Paulo

Universidade Brasília

Federal

de


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

GIORDANO, Rafaela Boeira

IBICT/UFRJ

LINS, Souza

Universidade Brasília

Greyciane

MARQUES, Emanueli

Lilian

MEDEIROS Benedito

NETO,

de

Universidade Federal de Minas Gerais Universidade Brasília

de

MOTA, Francisca Rosaline Leite

Universidade Federal de Minas Gerais

NASCIMENTO, Leandro dos Santos

PUC de Campinas

PASSOS, Jeane do Reis

SENAC/SP

PEREIRA, Rodrigo

Universidade Estadual Paulista

PETINARI, Sonia

Valdinéa

Universidade Estadual de Campinas

PONTES João de

JUNIOR,

PUC de Campinas

ROCHA, Carolini da

Universidade Federal de Santa Catarina

SANTOS, Mônica de Paiva

Não informado

SILVA, Angela Maria

Universidade do Porto

SIMEÃO, Elmira

Universidade Brasília

SOUSA, Rodrigo Silva Caxias de

Universidade de Passo Fundo

SPUDEIT, Daniela

Não informado

de

Fonte: Elaboração da autora, 2015.

No Quadro 1, dos 32 artigos publicados foram apresentados os principais autores (cujo nome aparece em primeiro no artigo) que publicaram seus artigos tratando de relatos de experiência. Dos autores apresentados destaca-se a professora Bernadete Santos Campello com dois artigos. As instituições que mais aparecem são respectivamente a Universidade de Brasília com 4 publicações, a Universidade Federal de Minas Gerais também com 4 publicações, a Universidade Estadual Paulista com 3 publicações e a PUCCampinas também com 3 publicações. Salienta-se que os resultados até o momento são parciais e as conclusões (considerações) que se chegou até o momento, ainda estão em análise com o intuito de promover o entendimento acerca do objetivo proposto. Por tratar-se de um 413


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

estudo em andamento, trará dados significativos e relevantes para os estudos que virão. Assim, após a análise e apresentação das informações significativas da análise realizada, pretende-se propor ações que possam alavancar produções acerca da temática.

4 CONCLUSÔES Considerando a fundamentação teórica, a análise dos dados coletados e os resultados encontrados, percebeu-se a importância desse estudo, uma vez que a produção científica representa o conhecimento adquirido, contribuindo para o desenvolvimento da ciência, analisando os artigos produzidos. Percebe-se com os dados coletados que as publicações a respeito da aplicabilidade da competência em informação, ainda é pequena, considerando que a pesquisa foi feita em uma única base de dados. Muitos autores publicaram sobre os termos pesquisados, mas pouco foi publicado sobre relatos de experiências nas unidades de informação. O avanço nas publicações é gradativo, mas ainda é um tema que necessita de estudos mais aprofundados, a fim de verificar no contexto, as ações que estão sendo feitas, no sentido de oportunizar o desenvolvimento da competência em informação, melhorando a qualidade de vida dos cidadãos. Com base nesta visualização, observa-se que há necessidade de estudos e projetos mais aprofundados no sentido de aplicação prática das competências no campo da Ciência da Informação, especificamente no contexto do profissional da informação. Em suma, questões podem ser estudadas sobre a competência em informação, porém, a intenção é compreender a realidade percebida pelo Profissional da Informação aprofundando discussões e reflexões sobre a aplicabilidade do tema em questão oportunizando o aprendizado ao longo da vida.

REFERÊNCIAS BAPTISTA, Sofia Galvão; CUNHA, Murilo Bastos da. Estudo de usuários: visão global dos métodos de coleta de dados. Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v.12, n.2, p.168–184, maio/ago. 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141399362007000200011&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 18 maio 2015. 414


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BARBETTA, P. A. Estatística aplicada às ciências sociais. 5.ed. Florianópolis: Ed. da UFSC, 2008. BUNGE, Mario. La ciencia, su método y su filosofía. Buenos Aires: Sudamericana, 1998. CAMPELLO, B. A competência informacional na educação para o século XXI. In: CAMPELLO, B.et al. A biblioteca escolar: temas para uma prática pedagógica. 2.ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2008. p.9-11 DUDZIAK, Elisabeth Adriana. Information literacy education: integração pedagógica entre bibliotecários e docentes visando a competência em informação e o aprendizado ao longo da vida. Disponível em: <http://www.sibi.ufrj.br/snbu/snbu2002/oralpdf/47.a.pdf>. Acesso em: 7 maio 2015. DUDZIAK, Elisabeth Adriana. Information literacy: princípios, filosofia e prática. Ciência da Informação, Brasília, v.32, n.1, p.23-35, jan./abr. 2003. Disponível em: <http://revista.ibict.br/ciinf/index.php/ciinf/article/view/123/104>. Acesso em: 07 maio 2015. FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DAS ASSOCIAÇÕES E INSTITUIÇÕES BIBLIOTECÁRIAS. Declaração de Alexandria sobre competência informacional e aprendizado ao longo da vida. 2005. Disponível em: <http://archive.ifla.org/III/wsis/BeaconInfSoc-pt.html>. Acesso em: 29 abr. 2015. GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 2008. 175p. LE COADIC, Yves-François. A ciência da informação. Brasília: Briquet de Lemos, 1996. ________. Princípios científicos que direcionam a ciência e a tecnologia da informação digital. Transinformação, Campinas, v.16, n.3, p.205-213, set./dez. 2004. Disponível em: < http://revistas.puccampinas.edu.br/transinfo/viewarticle.php?id=70>. Acesso em: 20 maio 2015. MACIAS-CHAPULA, C. A. O papel da informetria e da cienciometria e sua perspectiva nacional e internacional. Ciência da Informação, Brasília, v.27, n.2, p.134-140, maio/ago. 1998. MIRANDA, S. V. Identificando competências informacionais. Informação, Brasília, v.33, n.2, p.112-122, maio/ago. 2004.

Ciência

da

OLIVEIRA NETTO, Alvim Antônio de. Metodologia da pesquisa científica: guia prático para a apresentação de trabalhos acadêmicos. 2.ed. Florianópolis: Visual Books, 2006. ROSTAING, Hervé. La bibliométrie et sés techniques. 1996. Disponível em:<http://www.master-vti.fr/web/IMG/pdf/La_bibliometrie_et_ses_techniques.pdf>. Acesso em: 23 maio 2015. 415


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RUIZ, João Álvaro. Metodologia científica: guia para eficiência nos estudos. 5.ed. São Paulo: Atlas, 2002. SOARES, Edvaldo. Metodologia científica: lógica, epistemologia e normas. São Paulo: Atlas, 2003.

416


28 PROGRAMA DE COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO (CoInFo) NA REDE DE INFORMAÇÃO E EDUCAÇÃO DO SESI-SP

Enisete Malaquias Macedo Santos emalaquias@sesisp.org.br Supervisora Técnica Educacional do Serviço Social da Indústria (SESI-SP) Grupo Gestor da Rede de Informação e Educação do SESI-SP Regina Célia Baptista Belluzzo rbelluzzo@gmail.com Docente do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Resumo: Busca-se elucidar de que forma a competência em informação (CoInFo) pode se figurar em um elemento inovador no aprimoramento de Rede de Informação e Educação do SESI-SP. Apresenta-se relato de experiência a partir do desenvolvimento de curso de capacitação de bibliotecários que participam do Grupo Gestor dessa Rede, constituindo-se formadores para que o programa possa ser replicado em cascata aos bibliotecários e professores de todas as unidades de educação do SESI-SP. Como resultado inicial, obteve-se a construção das Diretrizes da Biblioteca Escolar da rede escolar SESI-SP voltada às ações intra e extracurriculares que poderão ser aplicados a outras instituições similares no contexto brasileiro. Palavras-Chave: Competência em Informação; Educação Básica; Educação de Jovens e Adultos.

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

418


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

1 INTRODUÇÃO O período de transição, entre a sociedade industrial e a sociedade da informação e do conhecimento, atinge tanto a ciência, a tecnologia, o sistema físico da sociedade e o aproveitamento da energia, como também as instituições sociais (BOULDING, 1971 apud BAPTISTA; MUELLER, 2004), implicando em um redirecionamento da conduta do homem perante os desafios do momento. Destaca-se que os dois bens primordiais da sociedade em que vivemos são a informação e o conhecimento, pois o seu uso não faz com que se acabem ou possam ser consumidos. Quando são utilizados, há um processo de interpretação, de interligação, de complementariedade, o que se constitui em ato de criação e de invenção, criando novas relações, novos conhecimentos, novas maneiras de aprender e de pensar. Desse modo, tanto a informação como o conhecimento, ao lado da educação, da formação, da competência e das habilidades são as alavancas e a garantia do sucesso das pessoas e das organizações. É importante destacar, no que diz respeito à questão da competência em particular, que a origem histórica acerca desse termo remonta ao final da Idade Média, quando essa expressão pertencia essencialmente à área jurídica. Assim, competência era a capacidade atribuída a alguém ou a uma instituição para apreciar e julgar certas questões. Por extensão, o termo veio a designar o reconhecimento social sobre a capacidade de alguém se pronunciar a respeito de um assunto específico. Com o tempo, passou a ser utilizado de modo mais genérico, principalmente na linguagem das organizações, para qualificar a pessoa capaz de realizar determinada atividade produtiva com efetividade. Considera-se, porém, que as definições, a propósito da noção de competência, podem representar perspectivas teóricas divergentes, por se tratar de um conceito muito requisitado e discutido (BELLUZZO, 2007). A competência não é transmitida. Aprender não é apenas acumular conhecimentos e sim adquirir conhecimento, compreendê-lo e utilizá-lo de forma adequada. Para Farias (2014, p.46) a educação possui um papel fundamental: [...] em difundir os ideais de paz, liberdade, equidade e justiça social, além de facilitar o desenvolvimento das competências profissionais, formando pessoas que possam utilizar sua inteligência e conhecimentos para transformar a sociedade, participando criticamente e respeitando a diversidade cultural.

419


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Em decorrência da importância da educação voltada para o desenvolvimento de competências e do conhecimento, vale lembrar que o perfil do profissional da informação está se transformando e sua participação nas políticas sociais, educacionais, cientificas e tecnológicas toma um caráter mais ativo, com interesse de mudanças construtivas voltados para área biblioteconômica. Há uma relação direta entre a atuação a sobrevivência desse profissional e as mudanças no mundo contemporâneo. Em artigo, Miranda (2002, p.71) afirma que: [...] o grande desafio do futuro será enfrentar o fato de que os estoques de informação do porvir serão como arquipélagos, distribuídos em milhares de pontos presumivelmente acessíveis, mas requerendo para isso um esforço fantástico de intervenção profissional para sua organização e uso mais adequados.

Há exigência de novo perfil profissional com adequação às mudanças que ocorrem no mundo do trabalho, o que requer melhor qualificação, o envolvimento e a participação social das pessoas, com capacidade para executar atividades em equipe inter, multi ou transdisciplinares e de fazer “parte de uma estratégia das organizações para obtenção da polivalência” (ARRUDA; MARTELETO; SOUZA, 2000, p.17). Elege- se como ideal o profissional que potencialize a comunicação, a interpretação de dados, a flexibilização, a integração funcional e a geração, absorção e troca de conhecimento. Este, portanto, deve ser capaz de operacionalizar seu conhecimento profissional de modo integrado às suas aptidões e vivências socioculturais. Assim, esse profissional precisa estar em sintonia com a realidade e se readequar para enfrentar as mudanças cada vez maiores. “A grande mudança na área de biblioteconomia é a mudança do paradigma do acervo para o paradigma da informação” (VALENTIM, 1995, p.4). A informação como objeto de estudo e de trabalho é o ponto norteador para a atuação do profissional bibliotecário, sendo que precisa empenhar-se em agregar valor à informação e não apenas em organizá-la e preservá-la, mas facilitar o acesso e o uso, disseminando-a. Nesse sentido, o papel do bibliotecário é o de gateway (guia) ou gatekeeper (orientador) do usuário, uma vez que será o mediador dos meios e das formas de acesso à informação e à leitura, organizando, refinando, auxiliando a pesquisar a informação desejada através dos novos recursos tecnológicos e tornando-se o elo entre informação-usuário-tecnologia – conhecimento. Porém, convém lembrar que: Nenhum profissional da atualidade tem condições de reunir todas as habilidades, conhecimentos e competências necessários para interagir e equacionar os problemas decorrentes dos fluxos de informação e conhecimento. Para resolvê-los é necessária a formação de equipes interdisciplinares em todos os níveis e processos: estratégicos, gerenciais e operatórios (ALMADA DE ASCENCIO, 1997, p.9).

420


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Surge, então, a necessidade das unidades de informação e do bibliotecário investirem em seu aperfeiçoamento contínuo, seja este aperfeiçoamento pela via da educação continuada e/ou por aprendizado autônomo; por sua capacidade de articular e aprofundar conhecimentos que respondam às demandas do setor produtivo, ou por sua capacidade de transferir para o trabalho sua vivência profissional e sociocultural. E no âmbito das bibliotecas escolares, qual a situação de bibliotecários e professores em termos de posturas e perfis profissionais para atender às necessidades de demandas ocupacionais e educacionais? Considerando-se o panorama de transformações ágeis e complexas da sociedade contemporânea há cada vez mais a exigência de novas posturas profissionais de bibliotecários, mas também de professores, no que tange especialmente às questões de acesso e uso da informação e sua aplicabilidade à construção do conhecimento. Além disso, podese ressaltar que: As mudanças que permeiam a sociedade, bem como a velocidade como fator determinante da revolução informacional, evidenciaram a necessidade de um elemento responsável pelo processo de aprendizagem no que tange à informação, auxiliando e dinamizando o processo de geração de conhecimento, surgindo assim a necessidade de propiciar competência aos indivíduos no âmbito informacional (VALENTIM; JORGE; CERETTA-SORIA, 2014, p.210).

É nesse cenário de mudanças e de aprendizado em relação à informação e à construção do conhecimento como diferenciais de desenvolvimento humano e social que emerge a importância da Information Literacy ou Competência em Informação (CoInFo), enquanto fator crítico para o alcance do efetivo exercício da cidadania e do aprendizado ao longo da vida. Essa competência tem suas origens nos anos 70 (Estados Unidos), quando Paul Zurkowisk considerado pioneiro nessa área, mencionou em um relatório intitulado The information service environment relationships and priorities que as pessoas capacitadas à utilização de fontes de informação em seu trabalho podem ser chamadas de “competentes em informação”. Complementando essa linha de raciocínio, a American Library Association (ALA, 1989) defende que pessoas information literates são aquelas que aprenderam a aprender. Sabem como a informação é organizada, como encontrá-la e como usá-la de forma que os outros também possam aprender com ela. Por sua vez, destaca-se também a contribuição de Kuhlthau (1989) ao afirmar que é um padrão que se constitui em maneira de aprender, sendo um processo de construção que envolve a 421


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

experiência de vida, os sentimentos, bem como os pensamentos e atitudes das pessoas - precisa se integrar ao currículo escolar e à formação contínua de professores. Entende-se

que

algumas

conceituações

têm

importância

à

melhor

compreensão da CoInFo. Assim, para as autoras Belluzzo; Kobayashi; Feres (2004, p.87), competência em informação é o “[...] conjunto de comportamentos, habilidades e ações que envolvem o acesso e uso da informação de forma inteligente, tendo em vista a necessidade da construção do conhecimento e a intervenção na realidade social”. Dudziak (2001) mencionou que é uma área de estudos que envolve o processo contínuo de internalização de fundamentos conceituais, atitudinais e de habilidades necessários à compreensão e interação permanente com o universo informacional e sua dinâmica, de modo a proporcionar um aprendizado ao longo da vida. Para Campello (2003), trata-se de área que possibilita a aprendizagem independente e resulta na responsabilidade social, na qual se tem a participação em grupos para busca e compartilhamento do conhecimento e colaboração com a comunidade. Em decorrência do que foi exposto é possível inferir a importância da criação de programa de desenvolvimento da competência em informação (CoInFo) com o objetivo precípuo de atender às necessidades das bibliotecas e das unidades de educação do Serviço Social da Indústria (SESI-SP), procurando proporcionar a ambiência ideal para que os usuários e a comunidade assistida possam desenvolver atividades

de

leitura,

pesquisa,

lazer

e

entretenimento

com

criticidade,

desenvolvendo capacidades e habilidades que permitam o exercício da cidadania e o aprendizado ao longo da vida. Desse modo, foi desenvolvido no período de abril/maio de 2015, um programa de capacitação, de natureza modular e presencial, num total de 40 horas, nas dependências do SESI-Bauru-SP, cujo público-alvo foi constituído de 16 bibliotecários do Grupo Gestor da Rede de Informação SESI-SP. Trata-se de programa que deverá ser estendido a todas os bibliotecários da rede escolar SESISP e que trouxe consigo a elaboração das Diretrizes para a consecução de ações estratégicas voltadas à inserção da Competência em Informação (CoInFo) de forma institucionalizada intra e extra-curricular, provendo o trabalho integrado e a interação entre bibliotecários e professores das diferentes modalidades educacionais 422


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

oferecidas: Ensino Fundamental, Ensino Médio, Ensino Técnico e Educação de jovens e adultos. 2 CAPACITAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO (CoInFo): EXPERIÊNCIA NO SESI-SP Para que o programa de capacitação do Grupo Gestor da Rede de Informação SESI-SP (16 bibliotecários multiplicadores) fosse realizado foram adotadas algumas estratégias de ação que serão sintetizadas em sequência. Foram definidos os objetivos do programa como sendo: proceder à atualização de princípios e de práticas de condutas aos profissionais que atuam como bibliotecários do SESI-SP, para o desenvolvimento da competência de acesso e uso inteligente da informação, considerada um diferencial das pessoas neste século

e

balizadora

da

produção

de

conhecimento,

da

inovação

e

do

desenvolvimento social e oferecer referencial e práticas que possibilitassem aos participantes a construção coletiva de projetos de desenvolvimento da CoInFo, no âmbito das unidades do SESI-SP. O programa constou de um total de 40 horas e foi dividido em dois módulos presenciais, apoiados nas modalidades didáticas de palestra dialogada e laboratório vivencial envolvendo as dinâmicas de grupo. Como conteúdo teórico-prático foi definido o que segue: 

Abordagem ao desenvolvimento da competência em informação (CoInFo) e suas diferentes concepções, enquanto um diferencial para a educação contemporânea;

Ênfase no uso de instrumentos de gestão da informação para a construção do conhecimento, destacando-se o cenário de novos paradigmas educacionais e o uso de abordagem significativa;

O desenvolvimento de habilidades de acesso e uso da informação em diferentes fontes e formatos e as condutas dos principais atores nela envolvidos; e,

Planejamento e desenvolvimento de projetos de construção coletiva.

Como

referencial

teórico

de

apoio

foram

utilizados,

dentre

outros

contribuições de importância: Perrenoud (1999); Campello(2003); Bruce (2003); Belluzzo; Kerbauy (2004); ALA (2005);

IFLA (2005);

Belluzzo (2005); Dudziak 423


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

(2005); Guedes; Farias (2007); Hatschbach; Olinto (2008); Kuhlthau (2010); Gasque (2013); Belluzzo; Feres (2013). 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Iniciou-se com a modalidade de palestra dialogada para apresentar referencial teórico necessário à compreensão da CoInFo e suas diferentes concepções, buscando-se estabelecer um elo com os novos parâmetros educacionais e os referenciais curriculares da rede escolar SESI-SP. Em seguida, foram divididos os grupos e os participantes realizaram uma “Oficina de Construção Coletiva” sobre o tema:“ De reflexões a respeito da competência em informação à elaboração de proposta para o seu desenvolvimento nas Bibliotecas do SESI/SP”, com o objetivo de efetuar uma síntese acerca dos conceitos e princípios desenvolvidos no curso, possibilitar a sua socialização e a aplicabilidade à elaboração de proposta de programa de desenvolvimento da competência em informação (CoInFo) nas bibliotecas do SESI/SP. As atividades desenvolvidas foram agrupadas na seguinte ordem: 

Preliminares – Divisão dos participantes em grupos;

Etapa 1 – Introdução e explicação sobre a oficina - responsável pela atividade;

Etapa 2 – Definição do foco central/problema a ser considerado pelo grupo;

Etapa 3 – Preenchimento individual da folha atividade (diagrama inicial) – Utilização

do

Tutorial

do

Diagrama

Belluzzo®

Disponível

em:

http://www.mmhinformacao.com.br/diagramabelluzzo/diagrama.php ;

Etapa 4 – Discussão entre os participantes do grupo e consenso para a construção do diagrama coletivo (final), utilizando o Tutorial do Diagrama Belluzzo®, e,

Etapa 5 – Apresentação dos diagramas construídos pelas duplas, com a indicação dos pontos fortes e pontos fracos que foram observados e discutidos em torno do tema/problema considerado como foco central das discussões, bem como com as considerações/recomendações finais. Para tanto, foram utilizados os recursos tecnológicos do laboratório de informática educacional - LIEs disponibilizado pela Instituição.

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

Na sequência, outras atividades foram desenvolvidas na forma de dinâmicas de grupo, cujos resultados culminaram em “Referenciais das Bibliotecas Escolares do SESI-SP” e “Documento Base de Construção de Diretrizes de Desenvolvimento da CoInFo para a Rede de Informação SESI-SP” que serão validados pela Diretoria de Educação e Cultura do SESI-SP, multiplicadas em cascata como formação continuada pelo Grupo Gestor e divulgados à comunidade interna e externa, devendo ser implementados como ações estratégicas à inserção institucional da CoInFo nas atividades intra e extra-curriculares em todas as bibliotecas e unidades educacionais que compõem a Rede de Informação SESI-SP. 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS Considera-se altamente salutar e de grande relevância para o contexto das bibliotecas escolares e as unidades educacionais do SESI-SP a busca da capacitação de bibliotecários, professores, alunos e comunidade assistida para o desenvolvimento da CoInFo, uma vez que a sociedade contemporânea caracterizase por um paradigma tecnológico e economia informacional, ou seja, as tecnologias, informação e o conhecimento são os seus alicerces. Nesse cenário, entende-se que a biblioteca escolar deve oferecer recursos ao serviço do ensino e aprendizagem que proporcionam informação e ideias fundamentais para a vida na sociedade atual, devendo desenvolver competência, de forma integrada e em interação com as ações intra e extra-curriculares para a aprendizagem ao longo da vida bem como a imaginação, permitindo-lhes tornaremse pensadores críticos e reflexivos, usuários efetivos da informação para a construção de conhecimento, em todos os suportes e meios de comunicação, além de cidadãos responsáveis. Portanto, a experiência ora relatada tem o propósito de contribuir para que outras instituições de natureza similar possam ser incentivadas a desenvolver programas de capacitação envolvendo a CoInFo e que tenhamos condições de enfrentar os desafios que se apresentam em nosso contexto, quer sejam a melhor compreensão do desenvolvimento da CoInFo que requer um tratamento que envolve desde a informação em seu sentido amplo e as exigências das sociedades humanas, dependendo da existência de políticas públicas

e também que os

componentes que integram essa competência são: processo investigativo, aprendizado ativo e independente, reflexão crítica, o aprender a aprender e o 425


Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

aprendizado ao longo da vida, em estreita relação com as questões de cidadania, devendo-se perceber as pessoas não apenas como usuários, mas como agentes ou protagonistas sociais. REFERÊNCIAS ALMADA DE ASCENCIO, M. Las políticas de información en un mundo globalizado. In: INFO’97. Anais... Havana, 1997. AMERICAN LIBRARY ASSOCIATION. ALA Presidential Committee on Information Literacy: final report. 1989. Disponível em: <http://www.ala.org/ala/mgrps/divs/acrl/publications/whitepapers/presidential.cfm>. Acesso em: 15 mar. 2015. ARRUDA, M.C.C; MARTELETO, R.M.; SOUZA, D. B. Educação, trabalho e o delineamento de novos perfis profissionais: o bibliotecário em questão. Ciência da Informação, Brasília, v. 29, n.3, p. 14-24, set./dez. 2000. BAPTISTA, S. G.; MUELLER, S. P. M. (Org.). Profissional da informação: o espaço de trabalho. Brasília: Thesaurus, 2004. BELLUZZO, R. C. B. Competências na era digital: desafios tangíveis para bibliotecários e educadores. Educação Temática Digital, Campinas, v.6, n.2, p.2742, jun.2005.Disponível em: http://www.bibli.fae.unicamp.br/etd/centraletd.html Acesso em: 09 mar. 2015. BELLUZZO, R. C.B.; FERES, G. G. (Orgs). Competência em informação: de reflexões às lições aprendidas. São Paulo: FEBAB, 2013. BELLUZZO, R. C. B.; KERBAUY, M. T. M.. Em busca de parâmetros de avaliação da formação contínua de professores do ensino fundamental para o desenvolvimento da information literacy. Educação Temática Digital, Campinas, v.5, n.2, p.129-139, jun.2004. Disponível em: http://www.bibli.fae.unicamp.br/etd/centraletd.html Acesso em: 09 mar. 2015. BRUCE, C.S. Las siete caras de la alfabetización en información en la enseñanza superior. Annales de Documentación, n.6, p.289-294, 2003. CAMPELLO, B. O movimento da competência informacional: uma perspectiva para o letramento informacional. Ciência da Informação, Brasília, v.32, n.3, p. 2837,set./dez.2003. Disponível em: http://www.scielo.br Acesso em: 4 mar. 2015. DUDZIAK, E. A. Competência em informação: melhores práticas educacionais voltadas para a information literacy. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 21., 2005, Curitiba. Anais...Curitiba: CBBD, 2005. 1 CD-ROM GASQUE, K. C. G. D. Competência em Informação: conceitos, características e desafios. AtoZ: novas práticas em informação e conhecimento, Curitiba, v. 2, n. 1, p. 5-9, jan./jun. 2013. Disponível em: http://www.atoz.ufpr.br. Acesso em: 20 mar. 2015.

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Gestão da Informação, Comunicação e Tecnologia

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