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Editorial Esta edição da Revista do Ovo traz um destaque especial à tecnologia verificada para o Concurso Qualidade de Ovos, realizado em Bastos (SP), em meio a um dos mais tradicionais eventos da avicultura de postura, a Festa do Ovo. Em Bastos, um número que impressiona. Por lá são produzidos 237 ovos por

Mundo Agro Editora Ltda. Rua Erasmo Braga, 1153 13070-147 - Campinas, SP

segundo. Essa espantosa produção de ovos acontece em cerca de 60 granjas instaladas no pequeno município e em áreas de municípios vizinhos. Como Bastos é territorialmente pequeno, os avicultores bastenses têm propriedades em várias localidades adjacentes, formando o que o Ministério da Agricultura chama de “Bolsão de Bastos”, uma área geoeconômica de enorme impacto no mercado da postura comercial brasileira. De lá saem ovos para abastecer 20% do mercado consumidor brasileiro. Com uma história singular, construída a custo de muito sacrifício por imigrantes japoneses que por lá se instalaram em 1928, Bastos é considerada - desde os anos 1960 – como a capital brasileira do ovo. Em parceria com as jornalistas Elenita Monteiro e Teresa Godoy, a Revista do Ovo mostra como está sendo aplicada na avicultura de postura toda a tecnologia verifica para o Concurso Qualidade de Ovos. Esta edição traz também uma matéria especial sobre o Clube do Ovo, o primeiro site de ‘assinatura de ovos’ criado no Brasil. Ele mostra como sempre é possível criar e inovar. Tudo isso e muito mais! Acompanhe em sua Revista do Ovo! Boa leitura!

Sumário

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A ciência por trás do Concurso Qualidade de Ovos de Bastos

Município paulista é um dos principais polos produtores de ovos e anualmente realiza o Concurso que avalia os melhores ovos da região

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Site do Ovo inova na maneira de comercializar ovos

Primeiro clube de assinaturas com entrega de ovos em domicílio do Brasil cria sistema com planos especiais de comercialização do produto

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Eventos, As mais lidas no OvoSite e Há cinco anos no OvoSite IOB e entidade capixaba trabalham juntas em prol do aumento do consumo do ovo

Publicação Bimestral nº 49 | Ano V Julho/2018

EXPEDIENTE Publisher Paulo Godoy paulogodoy@avisite.com.br Redação Giovana de Paula (MTB 39.817) imprensa@avisite.com.br Comercial Karla Bordin (19) 3241 9292 comercial@avisite.com.br Diagramação e arte Mundo Agro e Innovativa Publicidade luciano.senise@innovativapp.com.br Internet Gustavo Cotrim webmaster@avisite.com.br Administrativo e circulação financeiro@avisite.com.br

Comer um ovo por dia pode proteger o coração, sugere estudo Melhoradores da saúde intestinal das poedeiras: Oportunidades e desafios Galinhas poedeiras liberam defesas naturais contra doenças Max Film destaca as vantagens do Filme Poliolefínico

Para facilitar o acesso às matérias que estão na internet, disponibilizamos QrCodes. Utilize o leitor de seu computador, smartphone ou tablet

Pontos importantes de iluminação e cores de cortinas em postura comercial Utilização de uma nova fitase sobre a qualidade óssea de poedeiras em final de ciclo produtivo Impacto e controle da Bronquite Infecciosa em granjas de postura comercial Cuidados sanitários no sistema de produção livre de gaiolas Análise de Mercado CEPEA - Avicultura de postura Análises: Estatísticas do mercado avícola de postura. Revista do Ovo

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Eventos

2018 Julho 13 a 15

Festa do Ovo de Bastos Local: Bastos, SP Realização: Sindicato Rural de Bastos Site: www.bastos.sp.gov.br/ noticia/925/58-festa-do-ovo 24 a 26

IX Encontro Técnico Unifrango Local: Maringá, PR Realização: Integra/ Sindiavipar Informações: ww.integra.agr.br/ encontrotecnico

Setembro 12 a 14

Curso de Atualização em Avicultura de Postura Comercial Local: Unesp - Campus de Jaboticabal Realização: Unesp - Campus de Jaboticabal, SP

Outubro 16 a 18

VIII Clana – Congresso Latino Americano de Nutrição Animal Local: Centro de Eventos Expo D. Pedro – Campinas, SP Realização: CBNA e Amena Site: www.cbna.com.br/site/Noticias/Agenda

Há cinco anos no OvoSite

Informações e prestígio na Jornada Técnica e na Festa do Ovo de Bastos 2013 Campinas, SP, 22 de Julho de 2013 - Casa cheia. Foi assim que ficou o Teatro Mário Covas, em Bastos, SP, na última sexta-feira (19/07), com a realização da 36ª Jornada Técnica de Avicultores. O evento, promovido pelo Sindicato Rural da cidade, reuniu produtores, técnicos, acadêmicos e pesquisadores de toda a região e também de várias partes do Brasil. O local parecia até pequeno para a quantidade de participantes deste ano que, com certeza, ultrapassou todos os recordes de sua realização. Os trabalhos foram iniciados com a palestra do médico veterinário e vice-presidente do Sindirações, Ariovaldo Zani, que falou sobre o uso de antibióticos na produção de ovos comerciais e suas implicações na produção avícola. Na sequência, falou a Profa. Dra. Dalia dos Prazeres Rodrigues, pesquisadora da Fiocruz, do Rio de Janeiro, RJ. Dalia discorreu sobre a importância do controle (inocuidade) da contaminação na cadeia produtiva do ovo por salmonelas e suas ocorrências nos produtos diversos. Oportunidades de otimização econômica na produção de ovos comerciais foi a terceira palestra da Jornada, apresentada pelo médico veterinário Ricardo Issao Ito, da Provimi América Latina, que destacou o aproveitamento racional dos nutrientes no dia-a-dia da granja, estabelecendo a relação desempenho e eficiência. E, por fim, o gerente de oleaginosas e produtos pecuários da Conab, Thomé Luiz Freire Guth, falou sobre o mercado de grãos e a logística aplicada no Brasil (veja mais detalhes sobre as apresentações na Revista do Ovo, de agosto).

As quatro mais lidas no OvoSite em Junho

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Ovos: ofertas não suprem a demanda e preços sobem novamente

Nos ovos brancos, o aumento – 2º da semana e do mês, 16º do ano – elevou o preço médio diário para R$80,00. De toda forma, embora tenha alcançado dois reajustes expressivos, ainda permanece 3,6% abaixo do praticado no mesmo período do ano passado.

Pelo quarto dia consecutivo, os produtores de ovos brancos e vermelhos alcançaram novos reajustes. Nos ovos brancos, o novo aumento – 4º da semana e do mês, 18º do ano – elevou o preço médio diário para R$90,00 e, agora, representa 4,7% de aumento sobre o praticado no mesmo período do ano passado.

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Revista do Ovo

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Ovos: demanda é muito superior à oferta e preços sobem novamente

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Altas do ovo não têm absolutamente nada de anormal

Ovos: aumento expressivo na abertura da semana

De segunda-feira (4) até ontem (6) o ovo comercializado no atacado da cidade de São Paulo obteve reajustes que, acumulados, vão além dos 30% “Em apenas três dias!” – surpreendem-se alguns.

Nos ovos brancos, o aumento – 1º da semana e do mês, 15º do ano – elevou o preço médio diário para R$76,00, que, mesmo assim, permanece 8,4% abaixo do praticado no mesmo período do ano passado.


Marketing

IOB e entidade capixaba trabalham juntas em prol do aumento do consumo do ovo Associações Estaduais vêm desempenhando seu papel fundamental para promover o ovo, fazendo com que as ações de promoção e marketing extrapolem seus próprios territórios

Autor: Nélio Hand é Diretor Executivo da AVES (Associação dos Avicultores do ES) e Membro do Conselho Deliberativo do Instituto Ovos Brasil

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ue o ovo já não é mais considerado o vilão da saúde das pessoas é sabido há um bom tempo. Aliás, uma responsabilidade atribuída que nunca existiu e que, justiça seja feita, está posicionando a proteína entre os itens saudáveis do dia a dia de uma dieta balanceada e que é indicada a todas as idades. Não é intenção aqui provocar alguma polêmica, mas se pararmos para pensar o tamanho do prejuízo que esse valioso alimento sofreu tendo sua imagem denegrida e induzindo - na maioria das vezes de maneira involuntária o consumidor a rejeitar esse produto tão acessível a todas as classes, poderemos ver quantas oportunidades se passaram em vários sentidos. Ainda bem que aos poucos, não só o ovo, mas muitas outras proteínas animais estão retomando o seu espaço merecido, seja nos meios da mídia, seja junto aos vários segmentos da medicina e especialmente junto ao consumidor. Isso é muito bom, vários produtores e indústrias têm bastante a comemorar, especialmente em épocas difíceis como as vividas atualmente o consumo tem gradativos crescimentos, possibilitando sustentação ao setor de postura comercial que tem importância fundamental nos aspectos econômico e social de nosso país. E não é de se estranhar que em vários momentos, importantes organizações que trabalham em prol dessas ati-

vidades, muitas vezes não aparecem. É, muitas vezes, um trabalho silencioso, mas que traz o resultado que vemos constantemente. Nesse aspecto as entidades representativas – as Associações Estaduais vêm desempenhando seu papel fundamental, não somente de organizar o setor, trabalhar as demandas existentes, resolver gargalos, problemas... mas também promover o ovo, fazendo com que as ações de promoção e marketing extrapolem seus próprios territórios. Com muita alegria podemos dizer que a Associação dos Avicultores do Estado do ES (AVES), está entre os destaques nacionais, atuando fortemente junto a entidades de ensino, na área médica, academias, na mídia, no varejo, entre vários outros que proporcionam esse destaque, levando para crianças, jovens, adultos e a melhor idade, toda e qualquer informação, quebrando mitos e paradigmas, fazendo jus a um estado importante na produção nacional. Essa movimentação que também é realizada em outros estados como Bahia, Ceará, Goiás, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul, São Paulo, através de suas entidades estaduais, empresas e outros parceiros, faz com que tenhamos força e condições para repercutir o trabalho que é feito para levar cada vez mais esse importante alimento à mesa do consumidor. Todo esse trabalho fica mais ainda

potencializado com o apoio e suporte do Instituto Ovos Brasil (IOB), que é a grande instituição alavancadora do setor de postura comercial brasileiro, atuando há 11 anos pela atividade e contribuindo para que o consumo per capita brasileiro pudesse evoluir significativamente, saindo de 120 ovos/habitante em 2007 para 192 ovos ao final de 2017. É claro que ainda estamos longe dos principais consumidores mundiais, como China, México, Dinamarca e Japão que passam os 300 ovos par capita, mas com a determinação que vem sendo aplicada nos últimos tempos pelos estados, orientados pelo IOB, certamente esse é um número possível de se alcançar. As ações do IOB, quaisquer que sejam em cada estado, repercutem de maneira fundamental. E o produtor capixaba reconhece isso, buscando ajudar essa atuação conjunta realizada pelo Instituto e a AVES. Essa atuação fica mais fortalecida quando temos cada vez mais produtores e empresas participando e trabalhando em conjunto. Foi somente desta maneira que conseguimos enfrentar até hoje os obstáculos e ter o ovo no seu devido lugar de destaque na mesa do consumidor, e continuará sendo desta forma – juntos - que conseguiremos enfrentar os desafios que aparecem no dia a dia nesta importante atividade. Revista do Ovo

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Saúde

Comer um ovo por dia pode proteger o coração, sugere estudo Pessoas que consomem o alimento têm menos riscos de doenças cardiovasculares

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Revista do Ovo

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ovo, muitas vezes visto como vilão por causa do colesterol e da salmonela, pode ser um aliado da saúde do coração. Ao menos é o que sugere um estudo realizado por pesquisadores da China e do Reino Unido com dados de mais de meio milhão chineses e publicado nesta semana na revista científica “Heart”. Os resultados indicam que pessoas que consomem um ovo por dia reduzem de forma significativa os riscos de doenças cardiovasculares, em comparação com pessoas que não ingerem o alimento. “O presente estudo revela que existe uma associação entre o consumo moderado de ovos (até um ovo por dia) e taxas mais baixas de eventos cardíacos”, dizem os pesquisadores. “Nossas descobertas sugerem evidências científicas para as diretrizes alimentares em relação ao ovo para o adulto chinês saudável”. O estudo, divulgado pelo O Globo e coordenado por cientistas do Centro de Ciências em Saúde da Universidade Pequim e da Universidade de Oxford, analisou dados do China Kadoorie Biobank, com informações de 512.891 adultos com idades entre 30 e 79


anos, de dez regiões diferentes da China. Os participantes foram recrutados entre 2004 e 2008, e, entre as perguntas, foram questionados sobre a frequência do consumo de ovos. Eles foram acompanhados para determinar as taxas de morbidade e mortalidade. Os pesquisadores focaram num grupo com 416.213 participantes, que não possuíam histórico de câncer, doenças cardiovasculares e diabete. Ao longo de nove anos, foram registrados 83.977 casos de doenças cardiovasculares, com 9.985 mortes, além de 5.103 eventos coronarianos. No início do estudo, 13,1% dos participantes relataram o consumo diário de ovos, enquanto 9,1% disseram nunca consumir o alimento. A análise dos dados sugere que pessoas que consomem um ovo diário têm menos riscos de doenças cardiovasculares. Em particular, os que comem ovos têm 26% menos riscos de hemorragias cerebrais, 28% menos chances de morrerem por causa do derrame e 18% menos chances de mortes por doenças cardiovasculares. Também foi observado o menor risco para doença arterial coronariana.

Os pesquisadores ressaltam que o estudo é observacional, então não é possível determinar a causalidade, mas pelo tamanho da amostra a correlação é significativa. Nita Forouhi, professora da Universidade de Cambridge não envolvida na pesquisa, explica que por décadas se acreditou que o consumo de ovos aumentava os riscos de doenças cardíacas por causa do colesterol. Entretanto, a concentração de colesterol no sangue é influenciada, principalmente, pelas gorduras saturadas e processos internos do organismo. — A mensagem deste grande estudo da China é no mínimo que o consumo de um ovo por dia não está relacionado com o aumento do risco cardiovascular e, no máximo, que um ovo por dia pode até trazer benefícios — comentou a pesquisadora. — Mas é importante enfatizar que ovos não são comidos isoladamente, e os padrões saudáveis ou não de dieta como um todo que importam. No contexto ocidental, se você consumir ovos com pães, carnes processadas como bacon e salsichas e ketchup, é diferente de comer ovos com vegetais.

Altas taxas de colesterol estão relacionadas com o aumento do risco de doenças cardiovasculares, entretanto, aponta Tom Sanders, professor da universidade King’s College London, o efeito do consumo de cinco ovos por semana é de 0.1 mmol/L de colesterol, o que representa um aumento de apenas 1% a 2% no risco de doenças cardíacas provocadas pelo colesterol, que pode ser suplantado pelos possíveis benefícios do alimento. Entretanto, os especialistas ressaltam que o estudo não sugere que as pessoas passem a consumir mais ovos. — O estudo mostra que comer ovos não está associado com taxas mais altas de doenças cardíacas, então as pessoas que comem ovos podem se garantir que o hábito não apresenta riscos para o coração — avaliou Tim Chico, da Universidade de Sheffield. — Embora seja importante reduzir nosso risco de doenças cardíacas pela dieta e estilo de vida, não é realista pensar que comer mais ovos fará muita diferença, a menos que seja parte de uma mudança mais abrangente em direção a uma dieta mais saudável.

Eventos

LPN Congress 2018 conclui a programação técnica voltada à avicultura O Congresso será realizado em Miami nos dias 23, 24 e 25 de outubro

A organização do LPN Congress 2018 já concluiu a programação técnica voltada à avicultura e nutrição animal, tudo preparado especialmente para o público latinoamericano. O Congresso, que acontece em Miami nos dias 23, 24 e 25 de outubro, será dividido em três momentos. No primeiro dia (23) serão realizados 4 workshops, cada um patrocinado por um empresa diferente. A Tectron está patrocinando o workshop sobre nutrição e alimentação, enquanto a JamesWay é a patrocinadora do workshop sobre incubação de reprodutoras, a Lohman patrocina o workshop sobre avicultura de postura e a Exafan é a patrocinadora do workshop sobre instalações avícolas. No segundo dia (24) a programação será marcada pelo debate acerca das perspectivas globais e regionais para a produção de proteína animal na América Latina. Os participantes contarão com três salas, dividas por diferentes temáticas Nutrição, Carne e Poedeiras. No terceiro dia (25), os debates serão permeados pelo tema Big Data na avicultura: como coletar e utilizar, de forma produtiva, milhões de dados na produção avícola. Para mais informações: www.lpncongress.com. Revista do Ovo

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Entrevista

Site do Ovo inova na maneira de comercializar ovos O primeiro clube de assinaturas com entrega de ovos em domicílio do Brasil cria sistema de assinaturas e planos especiais de entrega do produto

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efinitivamente, a criatividade do brasileiro para se superar é que algo que merece ser estudado! Quando você acha que todos os caminhos já foram percorridos e que muitas vezes não há mais saída...lá vem uma nova ideia, criativa, inovadora e capaz de transformar uma realidade. Quando você vê este slogan “Site do Ovo - O primeiro clube de assinaturas com entrega de ovos em domicílio do Brasil”, o que lhe vem à mente? Esta frase chamou muito a atenção da redação da Revista do Ovo,

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Revista do Ovo

pois nunca havíamos visto uma forma tão diferente de comercializar o produto ovo. Por isso, fomos conversar com os idealizadores do Site do Ovo: Leonardo Araújo – Sócio/CEO e Perlla Pinheiro – Sócia/Gestão e Expansão. Segundo Araújo conta, a ideia surgiu de observar o quanto os “carros do ovo” vendiam nas ruas de Salvador. “Sempre fiquei imaginando por que eles não faziam uma carteira de clientes e vendiam toda semana de forma recorrente para esses clientes”, disse Araújo. “Fui pesquisar o

mercado de ovos no Brasil e descobri que o mercado havia movimentado algo em torno de R$ 13 bilhões no ano anterior. Nesse momento visualizei o potencial do negócio”, destacou. Eles fecharam parceria com fornecedores do Ceasa de Salvador, procuraram o Sebrae para ajudá-los na gestão do negócio e não pararam de crescer. Em menos de um ano, tiveram propostas de granjas de Minas Gerais e Bahia para fidelizar o fornecimento dos produtos. Também receberam convites para franquear a marca. “Mas decidimos que primeiro vamos solidificar a empresa para depois pensar nisso. Está nos nossos planos”, explicou Leonardo Araújo. A empresa trabalha com um modelo simples, na qual o cliente acessa o site, escolhe o plano (semanal, quinzenal ou mensal), define o tipo de ovo (brancos, vermelhos, caipiras, orgânicos e até ovos de codorna), escolhe o meio de pagamento e finaliza a assinatura. “Funciona como um Netflix. As assinaturas se renovam automaticamente”, diz. Com ticket-médio de R$ 70, os planos variam de R$ 15 (mensal, com 30 ovos), até R$ 104 (plano fitness, com 60 ovos por semana). Atualmente, a rede conta com 700 assinantes – todos em Salvador. Segundo o empreendedor, a empresa está faturando R$ 40 mil mensais, com venda média de 84 mil ovos por mês. O objetivo agora é estruturar a empresa para levá-la a outros estados do Brasil. “Queremos que as pessoas comprem ovos por assinatura em todo o país. Estamos trabalhando


muito para isso”, diz o empreendedor. Acompanhe na sequência mais detalhes de nossa conversa. Como surgiu a ideia do Clube de Assinatura de ovos? A ideia surgiu de observar o quanto os “carros do ovo” vendiam nas ruas de Salvador. Sempre fiquei imaginando por que eles não faziam uma carteira de clientes e vendiam toda semana de forma recorrente para esses clientes. Ao mesmo tempo eu percebi que muita gente como eu acabava não comprando com eles, por vários motivos: nunca estava em casa quando o carro passava; quando estava em casa ficava com preguiça de descer; quando descia pensando que o carro estava próximo ele já estava distante; nem sempre tinha dinheiro em mãos para pagar por conta de usar muito débito; e também por não saber a procedência do produto. Fui pesquisar o mercado de ovos no Brasil e descobri que o mercado havia movimentado algo em torno de R$ 13 bilhões no ano anterior, nesse momento visualizei o potencial do negócio, já que o ovo é um alimento de consumo altamente recorrente, vi uma oportunidade incrível no modelo de assinatura. Quando falei da ideia com minha esposa, a

Perlla, ela de cara achou a ideia genial, foi minha motivação para o ponta pé inicial. Como empreendedor quis logo executar, gosto de prática e sou apaixonado por tecnologia, inovação e sucesso do cliente! Quando surgiu o Clube? O site do Ovo já nasceu como clube de assinatura. Antes mesmo de ter a ideia eu vinha pesquisando muito sobre o modelo de assinaturas, estudei bastante os principais cases do mercado, como Wine (clube de vinhos) e o Dollar Shave Clube (clube de lâminas) que é considerado o maior case no mundo com modelo de assinatura, e muitos outros. Também fui buscar quais eram as principais ferramentas do mercado para gestão e cobrança das assinaturas. Fiz uma pesquisa detalhada sobre esse modelo, então quando comecei a pensar como poderia atuar nesse mercado veio imediatamente a ideia de vender ovos para o mercado B2C (venda da empresa para o consumidor final) no modelo de assinatura. O Site do Ovo não é nem um Delivery tradicional e nem um e-commerce convencional, o modelo de assinaturas possui particularidades e precisa de ferramentas especificas para escalar, entender tudo isso foi

A empresa trabalha com um modelo simples, na qual o cliente acessa o site, escolhe o plano (semanal, quinzenal ou mensal), define o tipo de ovo (brancos, vermelhos, caipiras, orgânicos e até ovos de codorna), escolhe o meio de pagamento e finaliza a assinatura

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Entrevista

O segredo do sucesso para Leonardo Araújo é a informação. Mesmo não tendo concluído o curso de Administração de Empresas, ele revela que nunca parou de estudar. “Eu passo horas pesquisando sobre coisas que eu acho que são tendência. Pesquiso muito sobre o mercado, sobre o produto, antes de colocar no comércio”, diz nosso diferencial, até por que foi criado algo totalmente novo e não tínhamos referência para seguir. Nosso modelo de entregas por exemplo foi necessário pivotar algumas vezes, a gente testava e o que não dava certo a gente mudava rapidamente até encontrar o modelo ideal. Pois eu tinha convicção que para ser viável para o cliente todos os planos precisariam ter entrega grátis. É tudo muito simples. O cliente acessa nosso site, escolhe um plano que pode ter ovo branco, vermelho, caipira, orgânico ou ômega 3. Escolhe a frequência que deseja receber as entregas, que pode ser semanal, quinzenal ou mensal. Depois escolhe o dia da semana da entrega e por fim escolhe o meio de pagamento que pode ser cartão de crédito ou boleto bancário (em breve também cartão alimentação diretamente em nosso site). No cartão de crédito o plano é renovado automaticamente (muito parecido como acontece na NETFLIX) e o cliente não precisa fazer o mesmo pedido todo mês, no boleto nosso sistema também funciona de forma recorrente e automática, o assinante recebe em seu e-mail a fatura para pagamento no dia certo. Pronto, o resto é com a gente! Todos os planos

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Revista do Ovo

são sem fidelidade e o assinante pode pausar, alterar ou cancelar a qualquer momento. Vocês já trabalhavam com avicultura? Já tinham experiência? Não. Não sabíamos nada sobre esse mercado, quando comecei a validar a ideia eu não sabia ainda nem onde compraria os ovos, meu objetivo naquele momento era saber se as pessoas estavam dispostas a pagar por aquele serviço, aí criei o meu MVP (mínimo produto viável) que foi a primeira versão do Site do Ovo, hoje estamos na terceira. Tudo que eu queria era testar a ideia! Onde fica a sede/base de vocês? Nossa sede fica em Salvador - BA, costumo falar que somos uma startup orgulhosamente baiana! Quantas caixas de ovos vocês comercializavam no começo e como evoluiu o negócio até hoje? Quantas caixas vocês comercializam atualmente? No planejamento inicial do negócio eu percebi que nesse modelo de assinatura e por ser um produto com validade curta não precisaria comprar alto estoque para vender, mas sim vender assinaturas para comprar o estoque de acordo com a demanda. Isso me possibilitou validar a ideia com baixo investimento inicial em estoque, e criar um modelo que o assinante pudesse receber ovos frescos toda semana. Atualmente comercializamos o equivalente a mais de 200 caixas por mês, dividas entre, ovos brancos, vermelhos, caipira, orgânicos e ômega 3, além de ovos de codorna. Vocês trabalham em quantas pessoas? Conte-me como é a estrutura de vocês. Atualmente o time tem eu, a Perlla (minha esposa), e mais um funcionário. Como a recorrência nos possibilita prever a demanda, também possibilita crescer o time de acordo com crescimento no número de assinantes. Na gestão do negócio estamos eu e Perlla, toda a operação é administrada por nós dois, mas até hoje eu ainda faço algumas entregas, desde o início

eu quis fazer parte de todos os processos da operação, me fez entender coisas do modelo de negócio que jamais eu saberia do escritório, tomei várias decisões por conta disso. Lembro que no começo íamos eu e a Perlla fazer as entregas, ela no GPS e eu na direção, uma experiência incrível, era um laboratório todos os dias. De onde vocês compram os ovos? (Qual é a granja, cidade) Não compramos de apenas uma granja, temos mais de um fornecedor, o que seguimos à risca é o padrão dos ovos, temos um padrão bem definido e não abrimos mão disso, com o tempo identificamos as marcas que oferecem a qualidade que desejamos, e entre elas compramos de acordo com a cotação. Recebemos ofertas de fornecedores o tempo inteiro, mas temos uma preocupação muito grande com a qualidade do produto, nosso controle de qualidade verifica ovo por ovo antes de embalar e entregar ao cliente, no Site do Ovo não existe ovo rachado ou um pequeno rachado, fazemos um controle rigoroso quanto a isso, e se acontecer alguma avaria durante o percurso basta o assinante nos informar que é feita a reposição na entrega seguinte. Como estão os projetos de expansão? Estamos no processo de formatação da nossa franquia, já recebemos mais de 150 pedidos de praticamente todos os estados, estamos buscando as pessoas que mais se aproximam do nosso propósito, queremos crescer com a mesma cultura que começamos. Trabalhamos com um produto tão comum do dia a dia, o nosso modelo de negócio tem como objetivo transformar a experiência desse mercado, vamos ser o maior canal de vendas de ovos para o consumidor final no Brasil. Desde o início o Site do Ovo foi projetado para escalar para todos os estados. Uma novidade que já estamos implantando e em breve estará disponível é a opção de pagamento com Bitcoin (criptomoeda), se já era genial comprar ovos na internet e por assinatura, então imagine agora poder pagar com Bitcoin! Para conhecer o Clube do Ovo, acesse www.clubedovo.com.br.


Ração pré-inicial Galdus

Melhor desempenho para pintainhas

Galdus é um alimento especialmente criado para ajudar as pintainhas a superarem os desafios das primeiras semanas

de

vida.

Além

disso,

assegura um desenvolvimento inicial superior,

proporcionando

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zootécnica

e

alta maior

produtividade ao plantel. Com

formulação

balanceada

e

inovadora, Galdus é produzido na fábrica dedicada às rações iniciais da De Heus. Tecnologia que melhora o consumo das aves, com máximo aproveitamento

dos

nutrientes,

Galdus possibilita ótimo crescimento e uniformidade, além de tornar o seu negócio mais lucrativo.

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Ciência e Tecnologia

A ciência por trás do Concurso Qualidade de Ovos de Bastos Município paulista é um dos principais polos produtores de ovos e anualmente realiza o Concurso que avalia os melhores ovos da região

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m Bastos, no interior de São Paulo, um número que impressiona. Por lá são produzidos 237 ovos por segundo. Essa espantosa produção de ovos acontece em cerca de 60 granjas instaladas no pequeno município e em áreas de municípios vizinhos. Como Bastos é territorialmente pequeno, os avicultores bastenses têm propriedades em várias localidades adjacentes, formando o que o Ministério da Agricultura chama de “Bolsão de Bastos”, uma área geoeconômica de enorme impacto no mercado da postura comercial brasileira. De lá saem ovos para abastecer 20% do mercado consumidor brasileiro. Com uma história singular, construída a custo de muito sacrifício por imi-

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Revista do Ovo

grantes japoneses que por lá se instalaram em 1928, Bastos é considerada - desde os anos 1960 – como a capital brasileira do ovo. Segundo dados do Sindicato Rural local, os 237 ovos por segundo produzidos pelo Bolsão de Bastos vêm de um plantel de 24.200 milhões de galinhas poedeiras, que produzem 20.570 milhões de ovos por dia. E esses são dados de 2017; a expectativa é que os dados do novo Censo Agropecuário do IBGE –

o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – apresentem significativo aumento nesses números. Algo que se saberá no segundo semestre desse ano. Mas independentemente da quantidade fantástica de ovos que são produzidos a cada segundo no Bolsão de Bastos, a avicultura local tem focado em expandir também a qualidade da produção. E esse foco está cada vez mais ajustado com a preocupação da avicultura local


em fazer de seu tradicional Concurso de Qualidade de Ovos de Bastos – realizado desde os tempos pioneiros – um verdadeiro campo de checagem de todas as características que - cientifica e sensorialmente - definem o que é um ovo de qualidade. Foi na virada dos anos 2000 que uma geração mais nova de avicultores tomou para si o desafio de fazer da premiação do ovo mais bonito da Festa do Ovo – outro evento criado pelos pioneiros de Bastos em 1948 – um verdadeiro balizador da evolução da qualidade dos ovos produzidos por lá. Era uma geração de filhos de produtores que já havia saído para estudar em boas universidades e retornavam para se preparar para a suceder pais e avós nas granjas. E foi aí que, ano a ano, o popular “Concurso do Ovo” se tornou o prestigiado Concurso de Qualidade de Ovos de Bastos. Hoje uma plêiade de especialistas em ovos faz as avaliações criteriosas dos ovos de galinha e de codorna ins-

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Ciência e Tecnologia

Rodrigo Takeo Ono preside a comissão organizadora do Concurso de Qualidade de Ovos 2018. Com vários troféus conquistados no Concurso, ele sabe bem que o caminho de aprender com o evento, aplicar esse conhecimento no dia a dia da granja e manter o padrão de qualidade constante nos ovos que comercializa é um excelente caminho.

Médico Veterinário Fernando Venâncio: há mais de 15 anos ele tem composto a comissão julgadora e é testemunha do quanto aumentou a relevância do evento no cenário da avicultura de postura nacional e o quanto o evento tem estimulado o avicultor do Bolsão de Bastos a investir na melhoria da qualidade do ovo

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Revista do Ovo

critos anualmente no evento, realizado sempre em julho, como parte da programação da Festa do Ovo. O regulamento do Concurso é publicado em jornal local, sites especializados e na página oficial do evento no Facebook, e tem critérios dignos de laboratórios de institutos de pesquisa. Desde 2010 conta inclusive com uma máquina de alta tecnologia para fazer análises precisas da unidade Haugh, medida criada para medir de maneira científica o índice de qualidade do ovo. A Digital Egg Tester – DET, mensura ainda a espessura da casca, faz teste para medir o quanto a casca suporta de carga – ou seja, detecta sua resistência - e também registra a pigmentação da gema, apontando a intensidade do amarelo presente nela. O resultado que aponta as granjas ranqueadas nos primeiros lugares em qualidade no concurso da Capital do Ovo sai depois de equalizadas as pontuações dos juízes – feitas em análises visuais e sensoriais - com a análise fria e matemática da máquina Digital Egg Tester. Em 2015, o pesquisador científico Antônio Gilberto Bertechini pôde conferir in loco como isso se dá e o quão eficientes são os resultados somados entre os juízes e a DET. Dono de um invejável currículo e uma vida acadêmica e de pesquisa das mais respeitadas no mundo da avicultura mundial, o professor e pesquisador científico Antônio Gilberto Bertechini foi juiz no Concurso de Qualidade de Ovos daquele ano e considerou a experiência muito enriquecedora: “O trabalho de avaliação no Concurso é intenso. São avaliados milhares de ovos, sendo equalizados todos dentro do mesmo check-list. E a avaliação nos remete a pensar um pouco melhor na qualidade dos ovos que são colocados no mercado. Eu aprendi bastante com a experiência porque pude associar toda o conhecimento científico que tenho sobre a formação do ovo à análise prática durante o concurso”. O zootecnista explica que a avaliação no concurso reflete toda a ciência que se conhece sobre a formação do ovo no útero da galinha, além da ação de um conjunto de fatores, como o manejo da ave, sua nutrição, o programa de luz escolhido. Assim, a qualidade final do pro-


duto está diretamente ligada ao trabalho feito na granja. “Tudo o que acontece com o ovo tem uma explicação científica por trás”, vaticina ele, exemplificando: “A cor depende da quantidade de oxi-carotenoides presentes na ração; a viscosidade da clara reflete o balanço ideal de aminoácidos na dieta; a casca mal formada é decorrente de problemas da nutrição do cálcio e também da solubilidade in vivo do calcário usado como fonte de cálcio na dieta”. Quanto ao uso da tecnologia da máquina Digital Egg Tester no Concurso de Bastos, o professor Bertechini aponta que é importante especialmente para a definição exata da qualidade interna do ovo: “A DET acelera e complementa a avaliação do ovo, através da definição da unidade Haugh, que reflete a altura do albúmen em relação ao peso do ovo. O equipamento ajuda a equalizar e reduzir os erros da avaliação visual”. Mestre da Universidade Federal de Lavras (UFLA-MG), Antônio Gilberto Bertechini é também uma fonte respeitada da grande imprensa brasileira. Sua opinião abalizada já o credenciou a participar de vários programas de TV de alto impacto como o Roda Viva (TV Cultura) e Canal Livre (TV Bandeirantes), sempre discorrendo sobre a qualidade dos produtos de origem animal para consumo humano. Ele elogia o Concurso de Qualidade de Ovos de Bastos: “É um exemplo, e estamos pensando em instituir também em Minas Gerais um concurso para avaliação do ovo do estado, usando a experiência paulista”, anuncia.

Antônio Gilberto Bertechini, Zootecnista e Professor da Universidade Federal de Lavras (MG): “O trabalho de avaliação no Concurso é intenso. São avaliados milhares de ovos, sendo equalizados todos dentro do mesmo check-list. E a avaliação nos remete a pensar um pouco melhor na qualidade dos ovos que são colocados no mercado”

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Ciência e Tecnologia

Desde 2010 o Concurso Qualidade de Ovos conta com uma máquina de alta tecnologia para fazer análises precisas da unidade Haugh, medida criada para medir de maneira científica o índice de qualidade do ovo. A Digital Egg Tester – DET, mensura ainda a espessura da casca, faz teste para medir o quanto a casca suporta de carga – ou seja, detecta sua resistência - e também registra a pigmentação da gema, apontando a intensidade do amarelo presente nela Como bom homem da Ciência, está sempre disposto a mais aprendizados: “A experiência que eu tive em Bastos como julgador foi muito importante para eu conhecer a amplitude da avaliação através de um check-list bastante longo de análise da qualidade dos ovos. Pudemos ficar atentos a detalhes, como a verificação da gema – se tem petéquias de sangue, se tem cicatrículas bem formadas, se tem toda uma formação interna adequada sem ter sido afetada por qualquer efeito externo no manejo na granja”.

Reflexo da evolução Quem tem acompanhado – a um só tempo – a evolução do Concurso de Qualidade de Ovos e a melhoria da produção de ovos de Bastos é o médico veterinário Fernando Venâncio. Há mais de 15 anos ele tem composto a comissão julgadora e é testemunha do quanto aumentou a relevância do evento no cenário da avicultura de postura nacional e o quanto o evento tem estimulado o avicultor do Bolsão de Bastos a investir na melhoria da qualidade do ovo que produz em suas granjas. Ele conta que quando começou a ser juiz, não havia muita dificuldade em selecionar as melhores amostras de ovos para compor o ranking dos campeões nas categorias ovos brancos e ovos vermelhos e ovos de codorna.

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“Hoje, ao contrário, as melhores amostras inscritas estão muito niveladas num padrão alto de qualidade em todos os aspectos”, conta Fernando. E quanto mais o concurso torna-se exigente e rigoroso, mais essa evolução na produção é sentida, constata o experiente veterinário, que atua há décadas na área de genética avícola. O avicultor bastense Rodrigo Takeo Ono, que preside a comissão organizadora do Concurso de Qualidade de Ovos 2018, experimenta essa evolução em duas frentes: como produtor e como colaborador do evento. Desde que terminou o ensino superior no Paraná e retornou a Bastos para prosseguir com o trabalho da família na tradicional Granja Ono, Rodrigo interessou-se pelo evento, que via como uma possibilidade de aprender mais sobre a atividade avícola e, ao mesmo tempo, diferenciar sua granja através de participações positivas na marca Ono no tradicional evento da Capital do Ovo. Hoje com vários troféus conquistados no Concurso, Rodrigo Ono sabe bem que o caminho de aprender com o evento, aplicar esse conhecimento no dia a dia da granja e manter o padrão de qualidade constante nos ovos que comercializa é um excelente caminho. Ele tem em sua memória as muitas vezes em

que viu o pai selecionando ovos para participar todos os anos no Concurso de Qualidade de Ovos de Bastos, iniciado pelos imigrantes japoneses que fundaram o município. Ele considera que manter essa tradição e, ao mesmo tempo, zelar pela transparência e seriedade do Concurso, é sempre muito importante para a força da avicultura de Bastos. “Certamente os avicultores que criaram o Concurso apenas para homenagear o produtor do ovo mais bonito jamais imaginaram que ele se tornaria - mais de 50 anos depois - um evento que avalia criteriosamente os ovos de maneira científica para eleger os de melhor qualidade em todos seus aspectos”, diz o novo presidente do Concurso. “Espero que possamos manter a tradição do Concurso de Qualidade passando-a para as próximas gerações de avicultores bastenses, honrando nossos antepassados e a história da Capital do Ovo”, conclui, orgulhoso entre os troféus conquistados no evento, um deles o tão cobiçado Troféu Permanente, que pode ficar permanentemente na granja depois da empresa ter conseguido o primeiro lugar em qualidade por três anos consecutivos ou cinco anos alternados. Um símbolo de evolução que é muito especial para qualquer produtor da sempre espantosamente produtiva Capital do Ovo.


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Manejo e Saúde

Melhoradores da saúde intestinal das poedeiras: oportunidades e desafios Nunca as pontas do triângulo ‘Quantidade, Qualidade e Custos’ tiveram seus nós tão apertados na avicultura de postura comercial Autor: Marco Aurelio Stefanoviciaus Nunes Technical Manager Anco Latin marco.nunes@anco.net

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momento atual impõe ás atividades pecuárias demandas que, nunca na história, se impuseram de forma tão intensa e rápida como se observa agora. De um lado temos a necessidade de produzir proteína animal em volumes crescente para atender as demandas por alimento de uma população que não para de crescer, por outro lado, esta mesma população está cada dia mais informada (com boas e más informações) e clamando por alimentos de melhor qualidade que possam suportar uma expectativa de vida saudável por mais tempo, mais baratos e sem ter o peso na consciência de que este alimento produziu algum sofrimento animal, social ou ambiental. Soma se a isto o fator “recursos limitados” e podemos ter uma ideia dos desafios que temos pela frente. Nunca as pontas do triângulo Quantidade, Qualidade e Custos tiveram seus nós tão apertados e a avicultura de postura comercial não fica fora deste contexto e, sem dúvida nenhuma, as principais tendências que estão em curso envolvem a restrição de uso de gaiolas convencionais e restrição de uso de agentes antibióticos. Estas duas tendências vão ter impacto direto na saúde e eficiência do TGI (Trato Gastrointestinal), que é uma importante peça desta máquina de transformação de rações em ovos chamada poedeira.

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Portanto, o objetivo desta discussão é pontuar algumas ideias e pontos de vista que possam ajudar no entendimento e atendimento das demandas atuais, elencando algumas ferramentas e tecnologias de produção disponíveis com foco na manutenção e melhoria da saúde intestinal das aves.

Alguns pontos importantes sobre saúde do TGI: O TGI apresenta uma complexidade enorme, tanto em termos de estrutura anatomofisiológica e histológica, como em termos de Inter relações com outros sistemas ou mesmo com o conteúdo intraluminal. Quando falamos em saúde intestinal em poedeiras, não estamos tratando somente sobre a eficiência dos processos de ingestão e digestão do alimento e consequente absorção dos nutrientes, mas também sobre uma importante função do TGI que muitas vezes passa desapercebida: A seleção do que deve ou não ser absorvido, ou seja, nutrientes, água, eletrólitos podem. Toxinas, micotoxinas, endotoxinas e microrganismos, não podem. Diferente do que possa parecer, o epitélio do tubo digestivo tem contato direto com o meio externo, já que assim se considera o lúmen intestinal e dadas as condições de temperatura, humidade e presença de nutrientes, este espaço se constitui em ambiente

perfeito para o desenvolvimento de uma enormidade de microrganismos, uns benéficos ou simples comensais, porém outros que são patógenos. Além disso, o epitélio intestinal está em contato íntimo e constante com material estranho ao organismo, ou seja, com o alimento antes de este ser “preparado” pelos processos de digestão. Junto com nutrientes, este “material estranho” chamado alimento, carreia uma infinidade de componentes e microrganismos que podem ser considerados inertes, porém não raro carreia toxinas, micotoxinas, agentes antinutricionais, alcaloides e um sem número de outros componentes que são potencialmente danosos. Em resumo, o TGI está constantemente exposto a riscos e agressões. Felizmente, a natureza dotou os animais de mecanismos de proteção que funcionam muito bem em condições normais e que mitigam estes riscos. Infelizmente nem sempre temos as condições de normalidade e a intensidade dos riscos sobre passa a capacidade de mitigação. Podemos dizer que o lúmen intestinal pode ser um “amplificador” do que está ocorrendo no ambiente externo. Assim sendo, não dá para falar de saúde intestinal sem comentar algo sobre saúde ambiental e saúde alimentar. Qualquer ferramenta usada com a intenção de melhorar a saúde intestinal vai falhar frente a um ambiente alta-


mente contaminado, com temperatura, humidade e condições de conforto inadequadas ou a um alimento deteriorado ou inadequado. Neste sentido, o cuidado com a saúde ambiental e alimentar no que se refere a cuidados com desinfecção, controle de pragas, controle de temperatura, umidade bem-estar dos animais e controle de qualidade das matérias primas usadas nas rações, vai ter reflexo direto com o que está no interior do lúmen intestinal e consequentemente no sucesso do emprego das ferramentas que serão discutidas adiante.

Restrição ao uso de antibióticos & Restrição ao uso de gaiolas convencionais: Tempestade perfeita? Deixando um pouco de lado questões de bem-estar animal e segurança alimentar, podemos afirmar que o modelo convencional de produção de ovos seria quase perfeito em termos de saúde intestinal das aves. Manter os

animais distantes da principal fonte de contaminação que seriam as excretas e além disso usar um promotor de crescimento antibiótico ou mesmo um “choquezinho” com antibióticos em doses terapêuticas de tempos em tempos, com vistas a dar uma “limpada” nas aves, a priori poderia parecer o ideal. Em termos práticos, não foi isso que vimos em várias situações. Infelizmente, uma arma extremamente potente foi usada como ferramenta para acertar erros no “B a Ba” do manejo, ambiência e desinfecção e realmente tudo indica que teremos fortes restrições de uso. Juntemos a isso uma tendência, que tudo indica também irreversível, se não no curto, mas no médio e longo prazo, de restrições ao uso de gaiolas convencionais, onde os animais ficarão mais expostos ás fontes de contaminação ou que apresentem maior dificuldade para higienização (certamente os trabalhos de higienização de uma “gaiola mobiliada” será um pouco mais difícil) e talvez tenhamos desenhada

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Manejo e Saúde

uma tempestade perfeita em termos de saúde intestinal. Felizmente a experiência tem mostrado que é sim possível a adaptação à nova realidade, que será focada em bem-estar animal e qualidade intrínseca do ovo, mantendo os mesmos níveis de rendimento zootécnico e econômicos observados com técnicas de produção que utilizamos até então. Logicamente, com a mudança no modelo de produção, novos desafios surgirão no futuro e problemas que não tinham tanta importância no modelo convencional podem ganhar nova dimensão. Como exemplo podemos citar agravamento de problemas com insetos, principalmente o Anphitobius diaperinus e parasitas intestinais. Em se atendo exclusivamente á saúde intestinal, podemos afirmar que para atingir este objetivo, atenção deve

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ser dada a 3 áreas estratégicas do modelo de produção: - Saúde Ambiental -Saúde Alimentar -Emprego adequado de ferramentas auxiliares.

Saúde Ambiental: A principal barreira contra o desenvolvimento de enfermidades se encontra na própria ave, porém estes mecanismos de defesa possuem limites relativamente estreitos com relação a condições de temperatura, umidade e mesmo estresse social para perfeito funcionamento. Desta forma, boas condições de manejo dos animais, bem como ambiência, jogam papel fundamental. Como dito anteriormente, o TGI é um amplificador do que está ocorrendo em termos microbiológicos no ambiente, dado as condições de tempera-

tura e disponibilidade de nutrientes encontrados em seu lúmen. Desta forma, manter os níveis de contaminação microbiológica ambiental controlados é fundamental. Não dá para falar de saúde microbiológica ambiental sem fazer breves comentários sobre desinfetantes. Primeiramente é bom deixar claro que não existe uma molécula ou formulação que seja melhor que a outra. O que existe são situações distintas em que um produto vai funcionar melhor que o outro. Em assim sendo, causa muita surpresa encontrar uma granja que trabalha somente com um tipo de desinfetante, já que em um ambiente de produção existem diversas situações. Daí a necessidade de conhecimento da realidade de cada granja em termos de desafio microbiológico e ambientais e o conhecimento sobre as características dos produtos disponíveis.


Existem várias tabelas agrupando as características das diversas moléculas, mas o ideal é a consulta aos provedores destes produtos para maiores informações. Abaixo, segue um exemplo extraído do The Center for Food Security & Public Health, Iowa State University.

Saúde Alimentar: Quando falamos de saúde alimentar, não nos referimos somente ás rações e seus componentes. A água se encaixa nesta categoria como sendo um dos principais alimentos (e também vetor de disseminação de enfermidades), além de servir como veículo e agente na aplicação de medicamentos, vacinas, desinfetantes e processos de limpeza. A monitoria constante da qualidade de agua, bem como o uso de técnicas de potabilização são muito importantes para garantir a saúde intestinal. No que se refere ás dietas (matérias primas e rações), não há dúvidas de que a melhor ação estratégica continua sendo a vigilância constante através de técnicas de controle de qualidade aplicadas de forma sistemática. Muitos desvios nos parâmetros normais de qualidade (desvios físicos, químicos ou microbiológicos) de matérias primas e rações podem ter seus efeitos negativos minimizados quando identificados a tempo. Infelizmente muitos produtores de ovos não têm um controle de qualidade adequado em suas fábricas de rações ou por não dar a devida importância a este tema ou por acreditarem que são caros e de difícil execução, o que não é verdade. A simples monitoria rotineira de umidade, densidade, classificação de grãos e avaliação do milho em câmara de Barabolak, podem trazer informações preciosas para tomada de ações corretivas ou que minimizem o impacto de matérias primas fora de padrão nas dietas. Abaixo segue sugestões que podem orientar na implantação de um programa básico de controle de qualidade de milho:

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Manejo e Saúde

Sugestão de projeto para câmara de Barabolak Referente ao tema de saúde nutricional, não podemos esquecer os esforços no sentido de equilíbrio nutricional das dietas que deve ser feito de maneira a não faltar nutrientes, como também a não sobrar. Da mesma forma que os animais precisam de nutrientes, os patógenos também precisam. Isto se verifica de forma clássica na relação excesso proteico e desenvolvimento de Clostridium.

Emprego adequado de ferramentas auxiliares Parâmetros de observação Câmara de Barabolak

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Primeiramente definiremos ferramentas auxiliares como sendo produtos e serão consideradas auxiliares porque vão ajudar a controlar estressores e suas manifestações que vão aparecer ou ter sua manifestação amplificada em decorrência de falhas nas estratégias de manutenção da saúde ambiental e saúde alimentar. Podemos listar os principais estressores que impactam diretamente sobre a saúde intestinal como sendo: - Micotoxinas -Mudanças abruptas na dieta -Agentes Antinutricionais


-Ingredientes de baixa digestibilidade -Patógenos -Estresse Ambiental A figura acima representa as principais manifestações, ou efeitos, produzidos pelos estressores. Estas manifestações são compartilhadas pelos diversos estressores e são potencializadas quando da presença de vários estressores ao mesmo tempo. Fatalmente, estas manifestações vão levar a perda de produtividade das aves e também redução na qualidade do ovo produzido. Vamos antes a uma breve descrição sobre os efeitos da ação dos estressores, o que será importante no entendimento de alguns mecanismos e oportunidades do emprego de algumas das ferramentas auxiliares.

conviver em seu interior, gerando energia em troca de proteção e nutrientes, o que foi um passo gigantesco para acelerar os processos de evolução. Infelizmente o processo de produção de energia gerado pela mitocôndria traz como consequência a produção concomitante de Radicais livres (tanto de Oxigênio como de Nitrogênio, também chamados de Espécies Reativas, EROs e ERNs). Estes radicais livres são altamente tóxicos para as células, estando envol-

vidos nos processos de oxidação lipídica, proteica, danos ao DNA e morte celular. Felizmente a evolução proveu as células de mecanismos de combate a estes radicais livres dos quais podemos citar mecanismos enzimáticos (SOD, Catalase, GPX, etc), metaloproteínas e vitaminas (C e E). O Estresse Oxidativo se dá quando um estressor promove a produção de radicais livres a um nível que ultrapassa a capacidade da célula em combate los. Chama a atenção o potencial de

Estresse oxidativo A interessante teoria endossimbiótica diz que provavelmente a mitocôndria, importante organela celular responsável pelo processo de respiração da célula eucarionte (fosforilação oxidativa) e consequente produção de energia, era, no passado, um organismo procarionte (talvez uma bactéria) que em algum momento foi capturado pela célula eucarionte e passou a Revista do Ovo

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Manejo e Saúde

A atividade pecuária de produção de ovos está passando por um momento bastante dramático do modelo de produção convencional devido a exigências do mercado no que diz respeito a bem-estar animal e segurança alimentar

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estimulação de produção de radicais livres protagonizados pelas micotoxinas o que pode ser verificado nas alterações dos complexos enzimáticos celulares antioxidantes e produção de Malondialdeído:

Inflamação: O intestino, como mais importante órgão linfoide e em contato direto com “material estranho” está constantemente sob influência de processos inflamatórios através da ativação da resposta imune inata, o que pode ser agravado pela ação de estressores. O problema com isso é que a manutenção destes processos inflamatórios demanda uma grande quantidade de energia, que é mobilizada em detrimento da energia destinada aos processos produtivos. Além disso, sob ação de processo inflamatório a ave tem seu apetite comprometido, o que agrava ainda mais os danos sobre a produtividade e qualidade de ovos. Quando há inflamação, 70% da redução de desempenho se deve a perda de apetite. (Klassing, 2004) e Em aves sob

desafio, a resposta imune inata e adaptativa utilizam 550µmol/kg/día de lisina, a qual poderia ser utilizada para crescimento sendo convertida em 7,8g de massa corporal (Kassing, 2004). Podemos assim dar uma dimensão econômica em frente a este problema.

Redução da integridade intestinal Quando falamos sobre integridade intestinal podemos nos referir à eficiência dos processos de ingestão, digestão e absorção de nutrientes, porém não é só isso. Como dito anteriormente, existe uma infinidade de substâncias e microrganismos na luz do intestino que não podem ultrapassar a mono camada de enterócitos, sendo assim, uma importante função do intestino é proceder a absorção seletiva. A mais importante estrutura histológica que é responsável por esta característica se encontra na junção entre os enterócitos chamada de junções ocludentes (Tight Junctions). Esta complexa estrutura é formada por diversas proteínas, entre as quais pode-


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mos citar Ocludina, Caludina e ZO-1. O perfeito arranjo entre estas proteínas “sela” o espaço entre os enterocitos permitindo a passagem somente pequenos solutos hidrossolúveis e ions, deixando na luz intestinal moléculas mais complexas como toxinas e micotoxinas e microrganismos. Diversos estressores têm o potencial de interferir na qualidade e quantidade da produção das proteínas de junção, o que vai resultar em “permissividade” intestinal, ou seja, o intestino passa a “permitir” a passagem de “coisas” que não deveriam passar. Além disso, dada a complexidade dos processos normais de absorção, vários estressores vão comprometer a absorção normal de nutrientes, o que vai resultar em uma inversão de função entérica, ou seja, o TGI começa a dar passagem ao que não devia e deixa de absorver o que deveria.

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Alteração na Microbiota: Possivelmente, em termos numéricos, existam mais células microbianas no TGI do que todas as células teciduais nos organismos superiores. Tamanha é sua importância na manutenção da homeostase e processos digestivos que muitos pesquisadores entendem a microbiota intestinal como sendo mais um órgão. Somente muito recentemente começamos a entender as complexas relações entre as diferentes espécies de microrganismos encontrados no tubo digestivo. Diversos problemas entéricos surgem simplesmente devido a um pequeno desequilíbrio de populações desta microflora e os estressores jogam papel importante neste aspecto.

Apetite Reduzido São muito complexos os mecanismos de regulação do apetite em aves e

muitos deles são afetados direta ou indiretamente pela presença de estressores. Vale chamar a atenção para a ação de alguns estressores sobre os mecanismos hormonais de regulação do apetite, como por exemplo os mecanismos envolvendo colecistocininia e peptídeo YY que podem sem “enganados” através de hiperestimulação por alguns estressores, principalmente micotoxinas, produzindo se assim inapetência.

Ferramentas Auxiliares (breve descrição). Como dito anteriormente, a natureza proveu as aves de mecanismos de defesa contra os estressores, porém estes mecanismos apresentam limitações de funcionamento de acordo com condições ambientais e intensidade do desafio. Neste sentido, as ferramentas au-


xiliares (produtos) têm como objetivo diminuir ou neutralizar a intensidade do desafio ou estimular os mecanismos de defesa naturais das aves ou uma interação dos dois. Será deixada de lado a abordagem sobre promotores de crescimento antibióticos, já que uma das teses centrais desta discussão leva em conta a possibilidade de restrição de uso desta ferramenta. Por motivo de mais fácil entendimento sobre cada uma, as ferramentas auxiliares serão classificadas em 2 grupos: - Ferramentas de impacto direto sobre os estressores - Ferramentas de estimulo aos mecanismos de defesa.

Ferramentas de impacto direto sobre os estressores

A atividade pecuária de produção de ovos está passando por um momento bastante dramático do modelo de produção convencional devido a exigências do mercado no que diz respeito a bem-estar animal e segurança alimentar

a) Enzimas Apesar do entendimento geral sobre o uso destes produtos estarem mais focados no tripé destruição do substrato – liberação de nutrientes – redução no custo da dieta, entendo que os benefícios das enzimas possam ser melhores entendidos em termos de melhoria da saúde intestinal do que em termos nutricionais propriamente ditos. Os produtos enzimáticos vão ter impacto direto na saúde intestinal ao “destruir” potentes estressores como agentes antinutricionais e componentes de baixa digestibilidade favorecendo uma menor disponibilidade de nutrientes a patógenos e redução dos impactos dos agentes anti nutricionais sobre, principalmente, processos inflamatórios e de redução de integridade intestinal. b) Ácidos Orgânicos Estes produtos tanto podem trabalhar diretamente na redução da população de patógenos das rações como na redução dos patógenos no interior do tubo digestivo e em alguns casos como agentes de potabilização de agua. Está comprovado também que muitas moléculas também apresentam um efeito direto na melhoria integridade intestinal e aumento da superfície de absorção. c) Agentes Anti Micotoxinas: Existem uma grande disponibilidade de produtos e conceitos destes produtos disponíveis no mercado, desde produtos monocomponentes (principalmente a base de argilas ou leveduras), até produtos de formulação complexa com a introdução de enzimas, extratos herbais, algas, etc. A principal função destes produtos é neutralização de micotoxinas, ou por via de adsorção ou destruição enzimática, quando da contaminação das matérias primas das rações por este estressor.

Ferramentas de estimulo aos mecanismos de defesa a) Vacinas: Este tipo de produto se encaixa nesta categoria de forma clássica, tendo seu objetivo em estimular as defesas humorais e celulares a reagirem mais prontamente quando da presença de patógenos como estressor. Em termos diretos envolvendo saúde intestinal podemos citar as vacinas de coccidiose e Salmonella. b) Probióticos Estes produtos são compostos de microrganismos, geralmente vivos, que tem como objetivo promover o equilíbrio da flora intestinal de uma maneira mais rápida do que uma possível adaptação normal do animal frente a desafios de estressores envolvendo patógenos. Os mecanismos de ação envolvem principalmente o conceito de exclusão competitiva e alteração do ambiente intestinal através da produção de substâncias ácidos Revista do Ovo

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Manejo e Saúde

O principal desafio das mudanças na produção avícola vai se dar a nível de saúde intestinal, que vão exigir a adaptação do produtor tanto no sentido de se ater com mais cuidado a tecnologias que já são consagradas a muito tempo, principalmente se ater aos fundamentos de ambiência e controle de qualidade de processos, quanto a implantação de novas tecnologias

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orgânicos e bacterinas, tornando o ambiente intestinal mais hostil a presença de patógenos. Algumas evidências mostram que fragmentos encontrados na membrana celular de alguns probióticos podem também estimular outros mecanismos de defesa, principalmente os envolvidos com a integridade intestinal. c) Prebioticos Conceitualmente são produtos, geralmente tendo como base açucares, que não são digeridos pelo animal, porém podem sofrer hidrolise principalmente por microrganismos benéficos, servindo de fonte de nutriente para os mesmos, promovendo assim seu crescimento populacional no intestino. d) Fitogênicos São produtos a base de vegetais ou seus extratos, como por exemplo os óleos essenciais. Algumas destas substâncias apresentam a propriedade, em baixíssimas concentrações, de estimular a produção de enzimas digestivas endógenas, estimular a produção celular de enzimas antioxidantes e proteínas envolvidas na junção entre os enterocitos além de potente ação anti-inflamatória. Alguns fitogênicos apresentam potente ação sobre o apetite devido tanto a ação

sensorial quanto na regulação de mecanismos envolvidos no controle da saciedade. Como podemos ver frente a característica de cada ferramenta, o uso isolado ou a combinação destas ferramentas podem se mostrar bastante efetivas no combate aos principais estressores intestinais podendo ser alternativa a altura na substituição a promotores de crescimento antibiótico.

Conclusões: - A atividade pecuária de produção de ovos está passando por um momento bastante dramático do modelo de produção convencional devido a exigências do mercado no que diz respeito a bem-estar animal e segurança alimentar. - O principal desafio destas mudanças vai se dar a nível de saúde intestinal - Estas mudanças vão exigir a adaptação do produtor tanto no sentido de se ater com mais cuidado a tecnologias que já são consagradas a muito tempo, principalmente se ater aos fundamentos de ambiência e controle de qualidade de processos, quanto a implantação de novas tecnologias.


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Informe Técnico-Comercial

Galinhas poedeiras liberam defesas naturais contra doenças Pesquisa pioneira sobre o genoma completo de mais de 1600 aves de postura revelou um vínculo genético com Anticorpos Neutralizantes (naturais, chamados NAbs) Autor: Frans van Sambeek Frans.van.Sambeek@hendrix-genetics.com Diretor Global de Pesquisa e Desenvolvimento Hendrix Genetics Layers

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ma nova correlação genética com o sistema imunológico de Aves de Postura foi descoberta e pode vir a resultar em Poedeiras nascendo já resistentes a muitas doenças. Pesquisa pioneira sobre o genoma completo de mais de 1600 aves de postura revelou um vínculo genético com Anticorpos Neutralizantes (naturais, chamados NAbs). Esta pesquisa, realizada pela Universidade de Wageningen na Holanda e Hendrix Genetics, tem um enorme potencial para impactar positivamente produtividade, biosseguridade e sustentabilidade.

Um sistema imunológico preparado Ao contrário dos anticorpos tradicionais que o corpo produz para combater infecções após a exposição a germes (virais / bacterianos), os NAbs estão presentes naturalmente no organismo. Isso significa que se o corpo vier a ser exposto a germes, tais NAbs poderão auxiliar a Ave a reagir mais prontamente e eliminar a ameaça muito mais rapidamente. Com maior importância ainda, descobriu-se que esses NAbs são hereditários e, portanto susceptíveis a progresso genético.

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Informe Técnico-Comercial

Uma solução ideal para mudar práticas O momento dessa descoberta é crucial, pois os NAbs podem desempenhar um papel vital na evolução da cadeia de valor das proteínas animais. A área de Postura Comercial, em particular, está passando por mudanças profundas em todo o mundo. Os dois maiores fatores são a transição de gaiolas para diversas formas de alojamentos em grupo, mais abertos, e a outra é a redução ou eliminação de antibióticos preventivos. Embora mudanças em tipo de alojamento e uso de antibióticos tenham razões fundamentais pelas quais elas estão ocorrendo, a realidade é que, quando combinadas, elas trazem consigo uma consequência: como as galinhas são colocadas em grupos maiores e em alguns sistemas com acesso ao ambiente externo, o risco de adquirir e disseminar doenças aumenta drasticamente quando comparada ao sistema

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de gaiolas convencionais; combinado com uma diminuição ou eliminação de antibióticos preventivos, potencializaria uma tendência de aumento ainda maior do risco de enfermidades e disseminação das mesmas. Os NAbs-Anticorpos Neutralizantes (naturais) parecem ser uma solução ideal para os atuais desafios enfrentados pela avicultura de Postura. Não só ajudariam a melhorar a produtividade em ambientes com mais pressões de doenças, mas o fariam sem o uso de antibióticos. A chave para desbloquear esta solução está em identificar corretamente a parte do genoma com maior impacto sobre os NAbs, para que as futuras Poedeiras possam ser selecionadas também por esta característica. No estudo realizado já foi identificada uma região genômica de destaque: ainda em regime experimental e confidencial, acredita-se que tal região responda por até 60% da va-

riação genética associada aos níveis de NAbs.

Mais pesquisas necessárias antes de estarem comercialmente disponíveis Atualmente a Hendrix Genetics está realizando três estudos de campo com galinhas com altos e baixos níveis de NAbs. Tais animais serão então monitorados quanto a adaptabilidade e produtividade. A expectativa é de que a partir desta e de futuras pesquisas os NAbs se tornem um componente chave de linhagens puras da Hendrix Genetics destinadas a ovos comerciais no final da cadeia produtiva. Este é um exemplo fundamental de como a genética pode agregar valor, ao mesmo tempo em que aumenta a sustentabilidade em toda a cadeia de valor das proteínas alimentícias.


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Informativo Técnico-Comercial

Max Film destaca as vantagens do Filme Poliolefínico – Max film A Desenvolvido para embalar e proteger, esse filme possui capacidade de utilização em todos os equipamentos, desde seladoras automáticas, como seladoras manuais

O

Filme Poliolefínico Max Film – A tem como objetivo principal proporcionar uma melhor visualização do seu produto, tornando-o mais atraente e destacando suas principais características. Extremamente resistente, com brilho e transparência que destaca a apresentação do produto nos pontos de venda. Desenvolvido para embalar e proteger, esse filme possui capacidade de utilização em todos os equipamentos, desde seladoras automáticas, como seladoras manuais.

Veja abaixo Algumas das vantagens que você terá ao utilizar o filme:

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Características - Maior resistência à tração; - Maior resistência ao impacto; - Quando tencionado tende a retornar à posição original sem deixar marcas ou rugas; - Maior brilho e transparência; - Maior rendimento; - Menor peso específico (0,92/cm3); - Espessura uniforme; - Estabilidade dimensional (não sofre pré-encolhimento quando exposto à temperatura); - Resistente à temperatura de até -51ºC. Benefícios - Menor perda por rompimentos e reprocessos; - Maior segurança ao produto embalado; - Melhor aparência ao produto embalado e melhor segurança; - Melhor acabamento e visual; - Menor número de bobinas; - Muito mais filme por bobina/menos mão de obra para a troca de bobinas; - Integridade do produto/rendimento garantido; - Permite estocagem em temperatura ambiente não refrigerado/não necessita de transporte; com refrigeração em regiões quentes/Possibilidade de manter-se em estoque por até 2 anos sem qualquer problema de modificação de estrutura e propriedades; - Pode embalar congelados/não trinca a baixas temperaturas mantendo sua plasticidade.

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34 Revista do Ovo

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Revista do Ovo

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Informe Técnico-Comercial

Pontos importantes de iluminação e cores de cortinas em postura comercial A iluminação é um ponto crítico no período de recria e produção de ovos Departamento Técnico – Hy-Line do Brasil Ltda.

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Revista do Ovo


A

iluminação é essencial para a avicultura. Na maioria dos aviários, a luz é usada para maximizar o desempenho das poedeiras. Existem diferentes tipos de lâmpadas disponíveis para uso em avicultura, todas com vantagens e desvantagens. O ponto fundamental é entender a diferença entre as diversas opções, assim como o seu funcionamento e gerenciamento, para atingir os melhores resultados.

Entendendo o papel da luz no ambiente e na biologia das aves A iluminação é um ponto crítico no período de recria e produção de ovos. Ao contrário dos humanos, aves domésticas enxergam e respondem a diferentes frequências de espectro de cores e intensidade luminosa. Além disso, a magnitude da sensibilidade para espectro vermelho e azul é muito maior para as aves.

Ambiente luminoso As aves são afetadas pela duração, intensidade e espectro de luz. Lâmpadas podem ser utilizadas para otimizar o crescimento de frangas e padronizar a idade de maturidade sexual, peso e produção de ovos em diferentes ambientes. Como regra geral, diminui-se o período de luz na recria e aumenta-se o período de luz na produção. O estímulo luminoso tem efeito imediato na produção dos hormônios reprodutivos. O período total de luz (natural + artificial) deve ser no máximo de 16 horas diários. O ideal é que se atinja essa quantidade de horas em torno de 30 a 35 semanas de idade, o que ajuda a prolongar o pico de produção. Para poedeiras em fase de produção, deve-se utilizar lâmpadas de LED quente, com espectro entre 2700K e 3000K (normalmente os fabricantes colocam essa informação nas embalagens). Para a fase

de recria, recomenda-se a utilização de LED frio com espectro de 5000K. Em geral, menos de 5 lux é muito escuro para estimular o crescimento e produção de ovos e mais de 50 lux podem causar estresse, fazendo com que as aves fiquem mais agitadas. Via de regra é interessante manter de 30 a 50 lux nas três primeiras semanas de idade, 10 a 15 lux até 14 semanas de idade e na produção uma média de 30 lux, medido na altura dos comedouros entre as lâmpadas (vide guias de manejo da linhagens e a recomendação para cada fase de criação).

Na maioria dos aviários, a luz é usada para maximizar o desempenho das poedeiras

Fontes de luz disponíveis LUZ DO SOL – a variação da luz solar ocorre no dia a dia, de acordo com as estações do ano, período do dia e presença de nuvens, por exemplo. Além disso, varia em diferentes partes dos galpões, sendo a intensidade maior em algumas áreas e menor em outras. Em um dia ensolarado, pode-se atingir 100.000 lux, o que é um super estímulo e extremamente inade-

Figura 1- Comparação do espectro da visão humana (linha pontilhada) e das aves domésticas (linha contínua) Revista do Ovo

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Informe Técnico-Comercial quado, porém como vantagem, economiza-se energia elétrica. LÂMPADAS FLUORESCENTES – são eficientes na economia de energia e produzem pouco calor, porém contém mercúrio e a limpeza dos bulbos é difícil devido ao formato cheio de curvas. Além disso, a dimerização faz com queimem rapidamente. Também apresentam queda no desempenho na época mais fria do ano. LÂMPADAS LED – são as mais eficientes em economia de energia e possuem um espectro mais cheio (próximo ao da luz do sol ao meio dia). Como não emitem radiação infravermelha, podem ser fabricadas com materiais que não utilizam vidros e que são resistentes à água. Não utilizam mercúrio em sua composição. Essas lâmpadas podem ser dimerizadas e possuem vida útil que pode chegar a 60.000 horas. Lâmpadas LED podem perder em torno de 70% do lúmen original ao longo do tempo (vide garantia do produto). Ao lado as comparações entre os diferentes tipos de fontes de luz:

Uso do led na avicultura

A iluminação é um ponto crítico no período de recria e produção de ovos. Ao contrário dos humanos, aves domésticas enxergam e respondem a diferentes frequências de espectro de cores e intensidade luminosa 38

Revista do Ovo

O uso de lâmpadas de LED tem sido mais comum em vários países, inclusive no Brasil, já que são mais eficientes energeticamente, tem um espectro mais cheio e maior durabilidade. Escolhendo o melhor tipo de bulbo de led para o aviário Atualmente, existem três classes de bulbos de LED disponíveis: 1- Lâmpadas específicas para avicultura: apesar do investimento mais elevado, esse tipo é projetado para a visão das aves e sua produção atende as necessidades da indústria avícola. Essas lâmpadas podem ser lavadas e desinfetadas juntamente com os outros equipamentos do aviário. 2- Lâmpadas para uso em agricultura: utilizadas geralmente na produção agrícola, normalmente resistem às condições ambientais do aviário. Possuem um custo


mais baixo, porém é importante verificar o tipo de espectro e resistência à água antes da aquisição. 3- Lâmpadas LED domésticas: podem até ser utilizadas em aviários, porém, deve-se atentar para os mesmos detalhes que as lâmpadas para agricultura. Essas lâmpadas normalmente não são projetadas para ficarem ligadas durante 16 horas por dia, podendo queimar e perder a eficiência mais rapidamente quando usadas em aviários fechados e com ambiente controlado, por exemplo. A importância da dispersão das lâmpadas Para a fase de recria, principalmente nas primeiras semanas, é importante garantir que a iluminação alcance o interior das gaiolas, permitindo assim, que as aves encontrem mais facilmente água e alimento, portanto, deve-se atentar para a dispersão da luz. Para pinteiros, lâmpadas entre 200°e 300° são indicadas. Nos galpões de recria, bulbos próximos de 200° são os recomendados, e, para a produção, uma dispersão menor que 180° é suficiente, já que nessa fase é importante garantir a iluminação nos comedouros. A duração do período de luz, intensidade luminosa e espectro de luz emitida por diferentes tipos de lâmpadas, são pontos críticos e importantes para se atingir os parâmetros zootécnicos das aves, com efeitos também no comportamento das aves. Ao optarmos por uma iluminação mais precisa e econômica como LED, temos que executá-la com ajuda de especialistas nessa atividade, afim de conseguirmos maior eficiência desta tecnologia.

Impacto da coloração de cortinas na iluminação dos aviários No mundo todo muitas granjas são abertas, ou seja, não possuem paredes sólidas em suas laterais. Esses aviários, normalmente tem cortinas para ajudar a bloquear a

Figura 7Iluminação no interior da gaiola (lâmpadas de 330°)

luz do sol, controlar a temperatura e melhorar o ambiente e a ventilação. Muitas cores diferentes de cortinas têm sido observadas em uso. No entanto, nem sempre há um embasamento técnico para a cor de cortina utilizada, por tipo de animal ou fase da vida. Nos últimos anos, tem-se observado o impacto da coloração da luz, espectros e tipo de lâmpadas utilizadas nas fases de recria e produção das aves de postura. Em geral, pesquisas provaram que lâmpadas frias (4.000 a 6.000K) com espectros mais azul esverdeados auxiliam o crescimento de aves na recria, enquanto as de espectros mais quentes (menor que 3.000K) com coloração vermelho-alaranjado tendem a melhorar a produção de ovos. Todas as pesquisas foram feitas com diferentes tipos de cores e lâmpadas. Cortinas agem como filtros para a luz do sol que entra no aviário e a luz filtrada pode impactar no desempenho da recria e produção. O impacto da cor de cortina depende tanto do tipo de lâmpada usada no aviário quanto da quantidade de luz filtrada. O objetivo deste informativo, é entender melhor o impacto que a coloração de cortinas tem na luz do sol que en-

Figura 8 - Iluminação dos comedouros em galpão de produção (lâmpadas de 30°)

Revista do Ovo

39


Informe TĂŠcnico-Comercial

40 Revista do Ovo


Revista do Ovo

41


Informe Técnico-Comercial

tra no aviário e discutir como isso pode influenciar no desenvolvimento das aves e sua performance. Nestas páginas estão os resultados de algumas avaliações feitas com um espectrofotômetro.

Cortina preta e prata Sabe-se que esse tipo de cortina é o que melhor bloqueia a luz do sol e, portanto, permite um melhor controle da luminosidade por meio de lâmpadas do aviário e programa de luz, por evitar a interferência da luz externa. Pode-se utilizá-la tanto em aviários de recria quanto de produção.

42

Revista do Ovo


Revista do Ovo

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Informe Técnico-Comercial

É importante entender a capacidade de dimerização das cortinas usadas, devido à espessura e tipos de materiais utilizados 44 Revista do Ovo

Considerações importantes A cor da cortina escolhida exerce um efeito significativo na intensidade e cor de espectro da luz que entra no aviário. Esse estudo ilustra que a coloração de cortina deve ter uma atenção especial em sua escolha. Nessa pesquisa não testamos cortinas brancas ou pretas, pois há uma enorme variação de materiais utilizados em sua produção. É de se esperar que cortinas brancas não bloqueiem nenhum espectro, mas criem vários níveis de sombreamento. A cortina preta bloquearia completamente a passagem da luz do sol.

Sobretudo, é importante entender a capacidade de dimerização das cortinas usadas, devido à espessura e tipos de materiais utilizados. Finalmente, deve-se saber a relação entre intensidade luminosa oriunda das lâmpadas do galpão associadas com a luz que entra através da cortina. Se a luz que entra é mais forte que a das lâmpadas, essa pode influenciar no desempenho. Além disso, lâmpadas de LED são melhores em fornecer um espectro mais compatível com a luz que entra pela cortina, do que lâmpadas fluorescentes.


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45


Nutrição

Utilização de uma nova fitase sobre a qualidade óssea de poedeiras em final de ciclo produtivo* Trabalho apresentado no último Congresso de Ovos promovido pela APA aponta que a utilização de enzima fitase exógena tem sido estudada como uma alternativa para maior disponibilização e absorção de P e Ca para os animais, contribuindo para a redução dos custos com a suplementação de P, permitindo boa nutrição das aves quando aos minerais da dieta Autores: Luís Filipe Villas-Bôas de Freitas1, Alisson Hélio Sampaio Clemente1, Kimberly Cristina de Abreu Alves2, Yuri Martins Rufino2, Andressa Carla de Carvalho2, Antônio Gilberto Bertechini3 1. Alunos de Pós-Graduação em Zootecnia DZO/UFLA, luisfilipevbf95@gmail.com 2. Alunos de Graduação em Zootecnia DZO/UFLA 3. Professor Titular DZO/UFLA *APOIO FAPEMIG

N

o Brasil as rações de aves de postura consistem em sua maioria de ingredientes de origem vegetal. Esses ingredientes possuem fatores antinutricionais, como o ácido fítico, que indisponibiliza o mineral essencial fósforo (P) presente nos grãos, além de complexar também com minerais bivalentes como o cálcio (Ca), zinco (Zn), entre outros, não permitindo a absorção dos mesmos. Acredita-se que apenas 1/3 do P nos ingredientes de origem vegetal seja disponibilizado para as aves (Bertechini, 2012), sendo o restante eliminado nas excretas, devido às mesmas não produzirem a enzima fitase no trato digestório, para o aproveitamento do fósforo fítico. A fitase exógena, produzida por microrganismos específicos, possui a função de hidrolisar o fitato em fósforo inorgânico e inositol, disponibilizando o P fítico para absorção e reduzindo a sua excreção no ambiente. Aves de postura em final de produção possuem menor capacidade fisiológica

46 Revista do Ovo

de absorver Ca e P do que quando jovens (Scheideler & Sell, 1987), o que pode acarretar em prejuízos produtivos além de favorecer o aparecimento de doenças ósseas, como enfraquecimento, deformação óssea e osteoporose. Assim a utilização de enzima fitase exógena tem sido estudada como uma alternativa para maior disponibilização e absorção de P e Ca para os animais (Boling et al., 2000; Mansoori & Modirsanei, 2015), contribuindo para a redução dos custos com a suplementação de P, permitindo boa nutrição das aves quando aos minerais da dieta. Dessa forma esse trabalho foi conduzido com o objetivo de avaliar o efeito de uma nova enzima fitase na ração sobre a qualidade óssea de poedeiras leves em fase final de produção.

Material e Métodos O experimento foi conduzido no setor de avicultura da Universidade Federal de Lavras (UFLA), com duração de 12 semanas, divididos em quatro fases de avaliação de 21 dias. Foram utilizadas 384 poedeiras leves Hy-

-Line W-36, de 67 a 79 semanas de idade. As aves foram alojadas em um galpão convencional para pesquisa, em 32 gaiolas contendo 12 aves cada, distribuídas em quatro tratamentos com oito repetições cada, em um delineamento experimental inteiramente ao acaso. As rações foram formuladas a base de milho e farelo de soja, de acordo com as recomendações do manual da linhagem Hy-line (2015), no período de produção. Os tratamentos consistiram em controle negativo (CN), sem adição de fitase e com P reduzido; controle positivo (CP), sem adição de fitase e com maior concentração de fósforo disponível (Pd); CN + 30 g/t de fitase (300 FTU/kg) e CN + 50 g/t (500 FTU/kg). A fitase utilizada continha 10.000 FTU/g, sendo classificada como 6-fitase e os tratamentos foram obtidos por substituição gradual do inerte por fitase, de modo que chegasse a 100% (Tabela 1). Ao final do experimento, 32 aves foram abatidas, sendo quatro aves por tratamento. As tíbias esquerdas foram


Tabela 1 Composição das dietas experimentais Ingredientes

Controle Negativo (CN)

CN + Fitase 30g/t

CN + Fitase 50g/t

Controle Positivo

Milho

61,193

61,193

61,193

61,193

Farelo de soja

23,280

23,280

23,280

23,280

Óleo

2,445

2,445

2,445

2,445

Fosfato Bicálcico

1,167

1,167

1,167

1,770

Calcário

10,185

10,185

10,185

10,185

Sal

0,296

0,296

0,296

0,296

Suplemento Mineral¹

0,100

0,100

0,100

0,100

Suplemento Vitamínico²

0,100

0,100

0,100

0,100

DL-Metionina, 99%

0,165

0,165

0,165

0,165

L-Lisina HCl 70%

0,005

0,005

0,005

0,005

Adsorvente

0,300

0,300

0,300

0,300

Bicarbonato de Sódio

0,150

0,150

0,150

0,150

Inerte

0,613

0,610

0,608

0,015

Fitase

0,000

0,003

0,005

0,000

Total

100,00

100,00

100,00

100,00

EM, Kcal/kg

2.800

2.800

2.800

2.800

PB, %

15,50

15,50

15,50

15,50

Ca, %

4,300

4,300

4,300

4,300

Pt, %

0,499

0,499

0,499

0,610

Pd, %

0,303

0,303

0,303

0,415

Composição Nutricional

1Composição por kg de produto: Mn – 80.000 mg; Zn – 60.000 mg; Fe – 50.000 mg; Cu – 10.000 mg; I – 1200 mg; Se – 200 mg. 2Composição por kg do produto: Vit. A – 7.100.000 UI, Vit. D3 – 2.100.000 UI; Vit. E- 6.000 UI; Vit.K3 – 1.600 mg; Vit. B2 – 3.000 mg; Vit. B12 – 8.000 μg; Niacina - 21.000 mg; Ácido Pantotênico – 5.000 mg; biotina – 10 mg; B.H.T. (Hidróxido de tolueno Butilado) – 18.000 mg.

retiradas, pesadas e pré-desengorduradas durante quatro horas, e, em seguida, foram levadas a estufa de ventilação forçada (55 ºC), onde permaneceram por 16 horas. Após esse procedimento os ossos foram levados ao laboratório do Departamento de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Lavras e utilizando uma prensa mecânica universal foi determinada a resistência óssea de acordo com a metodologia de Silva (2008). Foi determinado ainda o índice Seedor (IS) com o auxilio de um paquímetro a partir da eminência intercondilar à incisura fíbular, e pesando os ossos em uma balança de precisão. Foi determinada a matéria mineral (MM), onde os ossos foram acondicionados em cadinhos de porcelana devidamente identificados e levados a mufla em temperatura

de 550° a 600°C por quatro horas. Posteriormente foi preparada uma solução mineral, aplicando-se o procedimento da via úmida (Silva & Queiroz, 2002), e a partir dessa solução mineral, foi quantificado o teor de P, pelo método colorimétrico, sendo o valor de P na tíbia representado em gramas (P tíbia) e em porcentagem de matéria seca desengordurada (P% na tíbia). Os dados obtidos foram submetidos à analise de variância utilizando o programa computacional SISVAR (Ferreira, 2014), e quando significativo, foi realizado o teste de Tukey a 5% de significância sendo o principal fator avaliado a suplementação de fitase.

Resultados e Discussão Não foram observadas diferenças entre os tratamentos (P>0,05) para

todas as características analisadas (Tabela 2). O resultado encontrado para resistência óssea corrobora com os autores Olgun & Aygun (2016), que fizeram uma revisão sobre os fatores que influenciam a resistência óssea de poedeiras em final de produção, citando diversos trabalhos de diferentes autores, e, em nenhum deles, a suplementação com fitase, em diferentes concentrações, promoveu diferença entre as forças para ruptura do osso. Ao avaliar o resultado obtido nessa pesquisa, não foi observado diferenças (P>0,05) entre nenhum tratamento para resistência óssea, o que possivelmente pode ter acontecido devido ao controle negativo fornecer as quantidades de P exigidas pelas aves. Al-Sharafat et al. (2009) encontraRevista do Ovo

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Nutrição Tabela 2 Índice Seedor (IS), Matéria mineral (MM), Fósforo na tíbia em gramas (P tíbia), porcentagem de fósforo na tíbia (P% tíbia) e Resistência óssea de acordo com os tratamentos experimentais Tratamentos

IS (g/cm)

MM (g)

P Tíbia (g)

P% Tíbia (%)

Resistência Óssea (kgf/cm2)

Controle Positivo

0,916

2,47

0,54

23,15

27,87

Controle Negativo

0,987

2,54

0,54

21,13

24,93

CN+Fitase 30g/t

0,903

2,38

0,51

21,78

27,01

CN+Fitase 50g/t

0,870

2,42

0,61

25,33

25,51

CV %

7,5

11,09

12,80

11,27

21,33

P<

NS

NS

NS

NS

NS

¹ Médias seguidas de letras distintas diferem ao nível de 5% de significância pelo teste Tukey NS: Não significativo

A utilização de enzima fitase exógena tem sido estudada como uma alternativa para maior disponibilização e absorção de P e Ca

ram maior valor de matéria mineral na tíbia quando suplementado dietas de poedeiras com fitase. Já Englmaierová et al. (2014) verificaram resultado semelhante aos do presente estudo, onde não houve diferença entre a suplementação de fitase e os demais tratamentos, possivelmente devido ao CN também atender à exigência de P das aves. Em pesquisa realizada por Tahmasbi et al. (2012), os autores observaram que quando suplementado a fitase para poedeiras em final de produção a quantidade de P% na tíbia aumentou, devido a maior liberação e absorção do fósforo que foi retido nos ossos das aves, contradizendo com os resultados obtidos nesse experimento onde a P% na tíbia não se alterou entre os tratamentos. Gordon & Roland (1997) evidenciaram que a suplementação de fitase nas dietas (300 FTU/Kg) proporcionou maior densidade óssea das poedeiras, sendo que esse resultado não foi observado na presente pesquisa, onde o IS que é uma medida correlacionada com a densidade óssea, não foi verificado diferença entre os tratamentos, evidenciando novamente, que o CN atendeu as exigências das aves.

Conclusões As exigências de P das aves foram atendidas pelo valor do Pd no controle negativo e indicam que a fitase utilizada não foi desafiada quanto ao nível de fósforo dietético.

Agradecimentos À FAPEMIG e a UNIQUIMICA pelo apoio financeiro na realização desse experimento.

48 Revista do Ovo

Referências Bibliográficas AL-SHARAFAT, A.; AL-DESIET, B.; AL-KOUN, S. The effect of calcium level, microbial phytase and citric acid on performance parameters and eggshell quality of laying hens fed corn soybean-meal diet. Asian Journal of Animal Science, vol.5, p. 118-126, 2009. Disponível em:< http://scialert.net/abstract/?doi=aj as.2011.118.126>. Acesso em: 21 Dez. 2017. ENGLMAIEROVÁ, M.; SKRIVANOVA, V.; SKRIVAN, M. The effect of non-phytate phosphorus and phytase levels on performance, egg and tibia quality, and pH of the digestive tract in hens fed higher-calcium-content diets. Czech Animal Science, vol. 59, p.107-115, 2014. FERREIRA, D. F. Sisvar: a Guide for its Bootstrap procedures in multiple comparisons. Ciência e Agrotecnologia, vol.38, n.2,p. 109-112, 2014 . Disponível em: ISSN 1413-7054. Acesso em: 21 Dez. 2017. OLGUN, S.; AYGUN, A. Nutritional factors affecting the breaking strength of bone in laying hens. World’s Poultry Science Journal, vol. 72, p.821-832, 2016. Disponível em: http://dx.doi. org/10.1017/S0043933916000696. Acesso em: 21 Dez. 2017. TAHMASBI, A. M.; MIRAKZEHI, M. T.; HOSSEINI, S.J.; et al. The effects of phytase and root hydroalcoholic extract of Withania somnifera on productive performance and bone mineralization of laying hens in the late phase of production. British Poultry Science, vol.53, n.2, p. 204-214, 2012. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1080/00071668.20 12.662628>. Acesso em: 21 Dez. 2017.


Revista do Ovo

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Informativo Técnico-Comercial

Impacto e controle da Bronquite Infecciosa em granjas de postura comercial A Bronquite infecciosa é a segunda doença de maior impacto econômico da indústria avícola mundial

Autor: M.V. MSc. PhD. Jorge Chacón Serviços Veterinários – Ceva Saúde Animal

S

egundo estudo do Banco mundial publicado em 2011 (Figura 1), a Bronquite infecciosa é a segunda doença de maior impacto econômico da indústria avícola mundial. Embora a doença não leve a mortalidade elevada, seu impacto está relacionado às múltiplas perdas ocasionadas durante todo o proceso produtivo. Na maioria de vezes, seu impacto é incrementado quando nas granjas também circulam outros patógenos como: Mycoplasma gallisepticum, Avibacterium paragallinarum ou o vírus da Laringotraqueite infecciosa. Todos estes agentes são patógenos primários, o seja, eles sozinhos levam a problemas sanitários, mas quando dois o mais deles infectam um lote de forma simultânea os problemas aumentam exponencialmente. O vírus da Bronquite infecciosa pode afetar aves de todas as idades, e as manisfetações clínicas e perdas asociadas variam dependendo da idade de infecção, em quanto que a severidade dependerá do estado fisiológico e resistência da ave, das condições ambientais e da presença de outros patógenos. Se os responsáveis das granjas conseguiram mensurar as perdas descritas na tabela 1, poderão confirmar o tremendo impacto da Bronquite infecciosa nas suas granjas.

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Revista do Ovo


A Bronquite Infecciosa no brasil Todos os trabalhos científicos publicados na ultima década coincidem em sinalar a circulação de apenas duas cepas do vírus da Bronquite infecciosa: cepas Massachusetts e BR, sendo que esta última é a mais prevalente chegando a detecções médias de 70 a 80%. O vírus BR está circulando no Brasil desde pelo menos a década dos 70s, e existe forte evidência que este virus já estava circulando desde a década dos 50s, o que coincidiria com a primeira descrição da doença no Brasil (Prof. Osmane Hipólito, 1957). Observações de campo mostraram que a cepa Massachusetts que vem sendo utilizada intensivamente desde 1979 não conferia proteção completa devido à aparição de sinais clínicos em lotes vacinados. Estudos moleculares ajudaram a explicar esta falta de proteção: estes lotes afetados clinicamente eram desafiados pelo

vírus BR, o qual apresenta baixa semelhança molecular com a cepa vacinal Massashuetts.

Controle eficaz da Bronquite e doenças respiratórias Para o controle eficaz da Bronquite infecciosa, a cepa vacinal usada deve ser homóloga ou muito semelhante geneticamente à cepa que está circulando e acomentando as granjas (Tabela 2). Trabalhos de patogenicidade conduzidos confirmaram que o vírus BR é virulento e afeta os tratos respiratórios, entéricos e urogenitais das aves. Outras publicações mostram as perdas econômicas causadas pelas infecções com vírus BR a nível de campo. Estudos moleculares, epidemiológicos, de patogenicidade, proteção e impactos econômicos conduzidos com vírus BR evidenciaram a necessidade da avicultura brasileira de ter uma vacina que ofereça níveis de

proteção próximos ao 100%, pois a cepa Massachusetts confere uma proteção parcial contra o vírus BR (aprox. 40%). Entendendo esta demanda na avicultura brasileira, a Ceva decidiu desenvolver uma vacina viva que contenha o vírus BR atenuado para o controle da doença. Anos de pesquisa e testes conduzidos na Europa e Brasil seguindo os padrões de qualidade mais exigentes resultaram na produção de uma vacina viva atenuada com vírus BR: Cevac IBras. O proceso de desenvolvimento resultou numa vacina única que garante segurança e eficácia. O genoma completo do vírus vacinal atenuado é conhecido, o que permitiu que seja patenteado e protegido de cópias pelos organismos oficiais.

Ganhos decorrentes do controle da Bronquite Infecciosa Desde sue recente lançamento, Cevac IBras tem se mostrado totalmente segura a nível de campo, pudendo ser utilizada em pintainhas desde o primeiro dia de idade até aves em fase de produção, e sem preocupação de rolagem viral. Desde os primeiros usos em campo, foi evidente a eficácia da vacina, conferindo resultados que superaram as expectativas dos granjeiros. Os ganhos observados em granjas de diferentes regiões avícolas do Brasil são aqueles listados na tabela 1. Os ganhos mais evidentes na fase de recria incluem: - Ausência de doença respiratória causada por Bronquite infecciosa - Eliminação de mortalidade recorrentes de doença respiratória - Eliminação do uso de antibióticos para tratar doença respiratória - Aumento de ganho de peso - Maior uniformidade de lote Granjas que têm sistemas que permitem quantificar e discriminar entre ovos vendáveis, de descarte e para uso industrial, conseguiram mesurar os ganhos obtidos nos lotes usando Cevac IBras em comparação com lotes com programa convencional com vacinas Massachusetts. Revista do Ovo

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Informativo Técnico-Comercial

Cuidados sanitários no sistema de produção livre de gaiolas Quais são os maiores desafios sanitários que hoje o setor enfrentará ao retirar as aves das gaiolas?

Autores: MV Harvey Sousa, Coordenador Técnico da MSD Saúde Animal, e MV. Dr. Gustavo Perdoncini, Coordenador de Contas-Chave Postura Comercial da MSD Saúde Animal

A

mudança de perfil da alimentação, nas últimas décadas, fez com que a população procurasse alimentos com atributos diferenciados. Novos nichos para ovos com diferentes características de produção ganham cada vez mais presença na mesa do consumidor e o setor avícola prepara-se para essa nova demanda. Paralelamente ao aumento da demanda por novos produtos, cuidados na produção de aves livres de gaiola se fazem necessários e surgem dificuldades sanitárias. Novas tecnologias, produtos, vacinas, bem-estar animal e outras constantes mudanças se fazem presentes no campo. Quais são, entretanto, os maiores desafios sanitários que hoje o setor enfrentará ao retirar as aves das gaiolas?

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Revista do Ovo


A demanda pela nova produção começa a refletir-se no campo. Estratégias para produzir aves livres de gaiola já são observadas do Norte ao Sul do Brasil, mas o papel da biosseguridade continua sendo extremamente importante. Os cuidados implementados na produção convencional também devem se repetir nos sistemas livres de gaiola. Acende-se uma luz amarela ao expor as aves ao ambiente externo dos galpões pois, ao aumentar o contato com as aves silvestres e diferentes microrganismos, a saúde das aves pode ser afetada. As produções de aves caipiras e orgânicas possuem acesso à área externa e, consequentemente, maior exposição, o que difere do sistema livre de gaiola, no qual as aves permanecem exclusivamente dentro dos galpões. Indiferente do sistema empregado, as instalações devem seguir o preconizado na legislação vigente de defesa sanitária animal, , objetivando reduzir os riscos sanitários e evitar consequências no setor. Produzir aves livres de gaiola não significa que elas estejam protegidas de enfermidades. Da mesma forma, não existe uma bala de prata que protegerá toda a produção, mas é possível construir e adotar programas integrados para obter melhor proteção e melhores resultados. Na construção desses trabalhos, conhecer as principais enfermidades cresce em importância, seja para diagnosticar, seja para prevenir e resolver os desafios. No sistema livre de gaiola, algumas enfermidades estão presentes com maior incidência, entre elas, as parasitoses (helmintoses, ectoparasitose e coccidiose), doenças bacterianas, como salmoneloses, virais, como pneumovirose, além de outras, com as quais devemos ter extrema atenção, como a Influenza. Explorar e conhecê-las é fundamental para mantermos a biosseguridade da cadeia avícola.

Coccidiose A coccidiose é uma doença das aves causada por protozoários do gênero Eimeria que resulta em lesões intestinais, redução do desempenho zootécnico e mortalidade. No campo, as manifestações clínicas e lesões variam conforme a idade das aves, a imunidade e as espé-

cies de coccídias envolvidas. Os sinais mais comuns são aves arrepiadas, anorexia, diarreia – que pode ser aquosa, mucosa ou com sangue –, desidratação, redução do desenvolvimento e mortalidade. O diagnóstico é presuntivo. A combinação de achados de lesões intestinais, presença de oocistos ou análises histopatológicas colaboram para definir o diagnóstico de coccidiose. Em quadros clínicos, o uso de amprolium, diclauzuril e sulfas são opções disponíveis. A reposição da flora, após o tratamento, também é recomendada para a recuperação mais rápida da saúde intestinal. Uma série de medidas pode ser aplicada no campo para prevenir a coccidiose, mas a utilização de programas de anticoccidianos ou a utilização de vacinas nos incubatórios são as ferramentas mais vistas atualmente. O emprego de vacinas cresce e ganha espaço por induzir uma imunidade ativa, promover proteção e reduzir efeitos de resistência das moléculas utilizadas. Para aves de ciclo longo e que estão alojadas em sistemas livres de gaiola, a vacinação é uma prática bem conhecida. Além da imunização das aves, a vacinação mostra-se um aliado maior no controle de resíduos em ovos.

Salmoneloses Salmonelas, bactérias presentes no trato entérico das aves, são alvos de inúmeros trabalhos para evitar a entrada e a disseminação entre as aves nas granjas. Seja por meio de quadros clínicos que envolvem Salmonella Gallinarum e Salmonella Pulorum, seja por quadros com maior importância na saúde pública, envolvendo a salmonelas paratíficas. As infecções por Salmonella ssp. podem induzir apresentações clínicas de formas distintas. E a exposição de aves em ambientes com baixo controle sanitário facilita a disseminação e prejuízos na produção. Devido a sua fácil disseminação e infecção das aves, a biosseguridade deve estar sempre em primeiro plano e o controle contínuo em todo o ciclo é fundamental. Nos sistemas nos quais as aves acessam áreas externas aos galpões, é imprescindível evitar o encontro com as aves silvestres. Aves que são criadas so-

Produzir aves livres de gaiola não significa que elas estejam protegidas de enfermidades mente dentro de galpões possuem uma exposição menor, mas indiferente do sistema empregado, a imunização ativa com uso de vacinas confere ganhos preventivos valiosos. Existem no mercado vacinas para diferentes sorotipos, mas nenhuma substitui os trabalhos básicos da biosseguridade.

Parasitos internos Instalações para criação de aves livres de gaiolas possuem ambientes mais favoráveis para proliferação de parasitos intestinais e seus reservatórios. Algumas espécies encontradas com maior frequência são Ascaridia galli, Heterakis gallinarum (nematoides) e Raillietina ssp (cestoda), os quais interferem nos índices zootécnicos. A redução da produção e a perda da coloração dos ovos vermelhos são as principais manifestações clínicas observadas, entretanto, infestações massivas podem causar mortalidade. No campo, o diagnóstico é realizado por meio da necropsias das aves e os achados destes parasitos nas fezes. Em suma, independentemente de etiologia, os desafios atuais continuarão, alguns em maior ou menor severidade, a depender do sistema de produção. Fato é que o mercado consumidor é o grande regente das demandas futuras; portanto, para a manutenção da competitividade, é estrategicamente importante que produtores avícolas e profissionais do setor estejam capacitados para produzir alimento de maneira sustentável, segura e suficiente. Revista do Ovo

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Mercado / CEPEA

Com demanda estável, oferta de ovos dita preços A oferta de ovos comerciais esteve baixa na primeira quinzena de junho Autores: Maristela de Mello Martins1, Juliana Ferraz1, Claudia Scarpelin1e Sergio De Zen2 1) Analistas da Equipe de Ovos, Aves e Suínos do Cepea, da Esalq/USP; 2) Professor Dr. da Esalq e pesquisador responsável pela área de pecuária do Cepea, da Esalq/USP.

REFLEXOS DA PARALISAÇÃO As estratégias de manejo adotadas pelos avicultores de postura durante a paralisação dos caminhoneiros devem ter seus reflexos estendidos para o curto/médio prazo. Durante a greve, as dificuldades de acesso aos insumos necessários para a composição da ração resultaram em diminuição gradual da quantidade de alimentação disponível às galinhas. Esse cenário, fez com que muitos granjeiros adotassem como estratégia a realização da técnica chamada de muda forçada nas aves. Dentre outras características, no procedimento de muda forçada, é feita uma interrupção temporária do fornecimento de alimentação às aves de postura. A restrição alimentar, associada a outros fatores que induzem os animais ao estresse, resulta na pausa da produção de ovos.

54 Revista do Ovo

Finalizada essa etapa e com a fisiologia da galinha normalizada, a quantidade de ovos produzidos pela ave atinge patamar similar ao auge do seu ciclo produtivo. Nesse contexto, a oferta de ovos comerciais esteve baixa na primeira quinzena de junho. Outro fator que também influenciou a baixa oferta foi o clima, uma vez que, com as temperaturas amenas, naturalmente, a produção das galinhas se reduz A oferta restrita e a volta da demanda – que esteve represada durante a paralisação – impulsionaram fortemente os valores na primeira semana de junho (de 4 a 8). Em Bastos (SP), a caixa de ovos com 30 dúzias do tipo extra, branco, foi comercializada a R$ 83,80, aumento de 20% em relação à semana anterior (de 28/maio a 1º de junho), quando era de R$ 69,86. Para o ovo tipo extra, vermelho, o aumento de

preços entre a última semana de maio e a primeira de junho foi de 19,92%, com a caixa de 30 dúzias do produto passando de R$ 80,39 para R$ 96,40. Já na segunda semana de junho (de 11 a 15), agentes do setor relataram que a procura intensa por ovos, observada após a finalização da paralisação, foi amenizada. No entanto, a oferta de ovos comerciais ainda bastante reduzida seguiu elevando os valores. Nesse período, a caixa de ovos com 30 dúzias do tipo extra, branco foi comercializada a R$94,88. Quanto ao ovo vermelho, a cotação atingiu R$ 109,53. No balanço da primeira quinzena de junho, o preço médio do ovo branco, assim como do ovo vermelho negociado em Bastos esteve 26,4% superior ao de maio. Vale lembrar que os preços estavam em queda desde março/18.


MERCADO EM ABRIL E EM MAIO Em abril/18, a caixa com 30 dúzias de ovos tipo extra, branco, era comercializada em Bastos ao preço médio de R$ 79,60, redução de 5,8% frente a março/18, quando estava a R$ 84,49. Nessa mesma comparação, a variação de preços foi mais intensa para o ovo tipo extra, vermelho, com redução de 11,5% entre março/18 e abril/18, passando de R$ 104,41 para R$ 92,40, respectivamente. A redução de preços observada de março/18 para abril/18 esteve atrelada ao recuo da demanda após a finalização da Quaresma e à maior oferta. Com o descredenciamento realizado pela União Europeia de cerca de 20 plantas frigoríficas brasileiras que antes eram aptas a exportarem para o bloco econômico, ovos férteis, que dariam origem a pintinhos de corte, foram comercializados no mercado de ovos comerciais. Assim, em maio/18, a caixa com 30 dúzias de ovos tipo extra, branco, foi comercializada em Bastos ao preço médio de R$ 69,28 e o tipo extra, vermelho, a R$ 79,81/cx, recuos de 13% e 13,6%, respectivamente, em relação ao mês anterior. No geral, agentes consultados pelo Cepea relataram a realização de descartes entre abril e maio, com o objetivo de controlar a oferta e, consequentemente, tentar reverter a tendência de queda dos preços – manobra que acabou não tendo sucesso nesse período. No contexto turbulento do período de paralisação (21 a 30 de maio), o mercado de ovos seguiu em ritmo lento, com poucas negociações sendo efetivadas. Os produtores que estavam próximos ao mercado consumidor conseguiam escoar a produção por meio de vias municipais e, portanto, fechar negócios. No entanto, o volume negociado por esses poucos granjeiros foi muito inferior à quantidade produzida, cenário que resultou em formação de estoques elevados de ovos. Já na quarta-feira, 30 de maio, quando se iniciaram as movimentações para o encerramento da paralisação, os negócios envolvendo ovos foram retomados com força e os estoques, começaram a ser escoados. Revista do Ovo

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Estatísticas e Preços Pintainhas de postura comercial

Alojamentos continuam expressivos no início de 2018

A

56 Revista do Ovo

EVOLUÇÃO MENSAL (OVOS BRANCOS E VERMELHOS) - MILHÕES DE CABEÇAS

PINTAINHAS COMERCIAIS DE POSTURA MÊS

2016/2017

2017/2018

Abr

% OVO BRANCO 2017/18

VAR.%

2016/17

11,49%

78,32%

81,31%

Mai

7,929

9,396

18,50%

80,34%

79,56%

Jun

7,438

9,043

21,57%

82,77%

79,73%

8,671

16,99%

81,63%

78,36%

Jul

7,412

Ago

7,638

9,427

23,41%

81,53%

80,37%

Set

8,125

9,634

18,58%

80,31%

79,48%

Out

7,763

9,495

22,32%

81,55%

78,30%

Nov

8,062

9,510

17,96%

83,66%

80,82%

Dez

7,522

8,361

11,16%

79,75%

81,02%

Jan

7,769

10,377

33,56%

80,58%

80,61%

Fev

7,253

9,082

25,23%

84,08%

79,15%

Mar

8,380

10,034

19,74%

82,87%

78,84%

Em 03 meses

23,402

29,494

26,03%

82,49%

79,56%

Em 12 meses

93,052

111,684

20,02%

81,69%

80,45%

Fonte dos dados básicos: ABPA – Elaboração e análises: AVISITE

J

2017

S

O

N

D

J

110,030

108,200

105,592

104,753

A

103,305

J

101,572

97,015

95,411 M

100,063

A

98,274

M

93,943

Março de 2017 a Março de 2018 Milhões de cabeças

F

2018

111,684

PLANTEL EM PERÍODO DE DOZE MESES

93,052

inda sem contar com a divulgação oficial dos dados mensais fornecidos pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), informações colhidas no mercado indicam que o plantel de pintainhas comerciais permanecem em crescimento no início de 2018. Em janeiro o volume alojado alcançou quase 10,4 milhões de cabeças, recorde absoluto no setor, representando um terço de crescimento sobre o mesmo período do ano passado. Em fevereiro o plantel caiu para pouco mais de 9 milhões. Mesmo assim, representou 25% de aumento sobre fevereiro de 2017. E, em março último, atingiu novamente a casa dos 10 milhões, equivalendo a aumento anual de quase 20%. Os dados levantados indicam que o plantel acumulado nos primeiros três meses deste ano alcançou 29,5 milhões de pintainhas, representando 26% de crescimento sobre o mesmo período do ano passado. O volume médio mensal do trimestre projeta cerca de 118 milhões de alojamento para 2018, significando aumento anual de 11,7%. Por enquanto, nos últimos doze meses – abril de 2017 a março de 2018 – o volume atinge 111,7 milhões, equivalendo a 20% de aumento sobre o mesmo período imediatamente anterior. O volume de crescimento já confirmado e o projetado para o ano se mostram desalinhados com o atual momento econômico vivido pela maioria dos brasileiros e, também, com os desafios vivenciados pela própria avicultura de postura comercial. É certo que em momentos de dificuldade econômica a população busca alimentos nobres, saudáveis, de alto valor nutritivo e a preços convidativos. Entretanto, para uma população que tem crescimento inferior a 1% e convivendo com forte desemprego, os altos índices verificados no plantel produtivo sugerem crescente desequilíbrio entre oferta e demanda de ovos. Assim, o produtor de ovos terá que conviver com excesso de produção e preços desfavoráveis no decorrer do ano. E com um custo de produção muito superior ao ano passado.

M


Desempenho do ovo em junho e no 1º semestre

Mercado em alta ma vez que o ovo, em menos de uma semana, chegou a registrar aumento superior a 40% (base: preço no atacado de São Paulo para o branco extra), o que irá prevalecer quando forem divulgados os índices inflacionários do mês é que – a exemplo do frango – está entre os “vilões da inflação” de junho. Na verdade, porém, excetuada a rapidez com que ocorreram, as altas do ovo no mês que passou não tiveram nada de anormal. Assim, por exemplo, o pico de preços registrado no período (média de R$93,00/caixa por volta do dia 10) ficou aquém dos R$96,00/caixa, valor alcançado há pouco mais de um ano, no final da Quaresma de 2017. Além disso, o valor médio de junho – R$80,23/caixa – ficou mais de 7% aquém dos R$87,04/caixa de junho do ano passado. Enfim, o ganho que o setor possa ter tido no pós-movimento caminhoneiro foi não só aparente, mas também absolutamente efêmero. Pois insuficiente para cobrir os prejuízos enfrentados com a paralisação nacional do trânsito de mercadorias.

OVO BRANCO EXTRA

Evolução de preços no atacado paulistano R$/CAIXA DE 30 DÚZIAS Média mensal e variações anual e mensal em treze meses MÊS.

MÉDIA R$/CXA

Média anual em 10 anos R$/CAIXA

VARIAÇÃO % NO ANO

NO MÊS

2009

JUN/17

87,04

1,94%

4,48%

JUL

83,62

-3,72%

-3,93%

AGO

80,33

-4,37%

3,93%

2011

SET

74,48

2,25%

-7,29%

2012

2010

OUT

69,04

0,70%

-7,30%

NOV

66,00

-3,00%

-4,40%

DEZ

64,36

-13,03%

-2,48%

2014

JAN/18

53,92

-12,21%

-16,22%

2015

R$ 38,63 R$ 37,93 R$ 44,61 R$ 49,11 R$ 57,86

2013

FEV

71,35

-15,54%

32,31%

MAR

79,08

-10,59%

10,83%

ABR

67,75

-25,66%

-14,32%

2017

MAI

62,84

-24,57%

-7,25%

2018

JUN

80,23

-7,40%

28,26%

R$ 52,70 R$ 59,47 R$ 75,43

2016

R$ 77,78 R$ 69,20

Não há como negar, de toda forma, que em termos de preço os resultados do último bimestre poderiam ter sido piores. Ou seja: quando o movimento caminhoneiro começou, no final de maio, a cotação do ovo vinha em decréscimo. Com a paralisação do mercado, os preços tornaram-se nominais, ficando congelados. Já a alta valorização de junho só se concretizou a partir das lacunas criadas no abastecimento. Não ocorreria em situação normal de oferta. Este, por sinal, é o grande desafio que espera o setor de postura na entrada do segundo semestre: a oferta considerada normal parece estar acima das necessidades de consumo. Um desafio que aumenta no corrente mês, já que o consumo não poderá contar com a demanda da merenda escolar. Enfim, nas circunstâncias aí presentes – demanda em recesso (não só por conta das férias escolares) e oferta elevada – corre-se o risco de ver repetido o desempenho do segundo semestre de 2017 (tabela à esquerda), ocasião em que os preços retrocederam mês após mês. Cabe à atividade agir com competência para afastar de vez essa possibilidade. Sobretudo porque as condições de produção deste ano são absolutamente diferentes das observadas um ano atrás. E porque, ainda, o 1º semestre está sendo fechado com um preço médio (R$69,20/caixa) 16% menor que os R$82,60/caixa do mesmo semestre de 2017.

99,7

100,4

112,3

101,6

Mai

114,5

117,1

Abr

Set

Out

Nov

103,1

109,4

Mar

2018 Média 2001/2017 (17 anos)

80,8

87,1

112,1

120,5 101,6

Jan

91,7

69,0

91,8

115,0

Preço relativo em 2018 comparativamente ao período 2001/2017 (17 anos) Média mensal do ano anterior = 100

110,4

U

Fev

Jun

Jul

Ago

Dez

Revista do Ovo

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Estatísticas e Preços

Milho e Soja Milho tem leve retrocesso mensal O preço do milho registrou leve retrocesso mensal em junho. O preço médio do insumo, saca de 60 kg, interior de SP, fechou o mês cotado a R$44,19, valor 2,4% abaixo da média alcançada pelo produto em maio, quando ficou em R$45,29. Porém, a disparidade de preço do milho em relação ao ano anterior permanece crescente. O valor atual é 57% superior, já que a média de junho de 2017 foi de R$28,14 a saca.

Valores de troca – Milho/Frango vivo No frango vivo (interior de SP) o preço médio de junho, influenciado pela paralisação dos caminhoneiros no último decêndio de maio, alcançou R$3,07 kg, atingindo índice de valorização mensal próximo de 30%. Assim, com a forte valorização do frango vivo e pequeno retrocesso na cotação do milho, melhorou o poder de compra do avicultor. Nesse mês, foram necessários 239,9 kg de frango vivo para se obter uma tonelada de milho, considerando-se a média mensal de ambos os produtos. Este volume representa 32,8% de ganho no poder de compra em relação ao mês anterior, pois, em maio, a tonelada do milho “custou” 318,5 kg de frango vivo. Entretanto, em relação a junho do ano passado, a perda chega a quase 22%.

Farelo de soja registra queda ínfima em junho O farelo de soja (FOB, interior de SP) voltou a registrar leve acomodação em junho de 2018. O produto foi comercializado pelo preço médio de R$1.430/t, valor 0,7% inferior ao praticado no mês de maio – R$1.440/t. Em comparação com junho de 2017 – quando o preço médio era de R$0,990/t – a cotação atual registra alta de 44,4%.

Valores de troca – Farelo/Frango vivo A forte alta na cotação do frango vivo e a leve queda no farelo de soja em junho fez com que fossem necessários 465,8 kg de frango vivo para adquirir uma tonelada do insumo, significando melhora de 30,4% no poder de compra do avicultor em relação a maio, quando 607,6 kg de frango vivo obtiveram uma tonelada do produto. Na comparação em doze meses houve piora de 15% já que lá, foram necessários 396 kg para adquirir o cereal.

Valores de troca – Farelo/Ovo Valores de troca – Milho/Ovo O preço do ovo, na granja (interior paulista, caixa com 30 dúzias), obteve forte valorização em junho e fechou à média de R$74,23, valor 30,6% superior ao alcançado no mês anterior, quando o produto foi negociado por R$56,84. Com a grande valorização no preço médio dos ovos e a leve queda verificada no milho, houve sensível melhora no poder de compra do avicultor. Em junho foram necessárias 9,9 caixas de ovos para adquirir uma tonelada do cereal. Em maio, foram necessárias 13,3 caixas/t, melhorando em 33,8% a capacidade de compra do produtor. Todavia, no ano, a perda está próxima de 42%.

58 Revista do Ovo

De acordo com os preços médios dos produtos, em junho foram necessárias aproximadamente 19,3 caixas de ovos (valor na granja, interior paulista) para adquirir uma tonelada de farelo de soja. O poder de compra do avicultor de postura em relação ao farelo registrou ganho mensal de 31,5%, já que, em maio, 25,3 caixas de ovos adquiriam uma tonelada de farelo. Em relação a junho de 2017 houve piora de 36,6% no poder de compra, pois naquele período a tonelada de farelo de soja custou, em média, 12,2 caixas de ovos.

Fonte das informações: www.jox.com.br


Revista do Ovo

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Estatísticas e Preços

ELEVE SUA PROTEÇÃO CONTRA A SALMONELA

Proteção segura e eficaz contra Salmonella Enteritidis e Salmonella Typhimurium com a qualidade Boehringer Ingelheim. Vacina altamente imunogênica com menor risco de choque endotoxêmico e contaminações exógenas. Auxilia na menor contaminação ambiental e redução da transmissão vertical.

abcd 60 Revista do Ovo

Revista do Ovo - Edição 49  
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