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Editorial Esta edição da Revista do traz um destaque especial à cobertura do Congresso de Ovos promovido pela Associação Paulista de Avicultura. O evento contou com o suporte da Fundação Apinco de Ciência e Tecnologia Avícolas (FACTA) e foi recorde de público, com mais de 700 participantes em Ribeirão Preto (SP).

Mundo Agro Editora Ltda. Rua Erasmo Braga, 1153 13070-147 - Campinas, SP

Na opinião de José Roberto Bottura, Coordenador do encontro, os bons números alcançados pela XVI edição do evento mostram o aspecto positivo da atividade. “Tivemos 40 patrocinadores, 127 trabalhos científicos aceitos e quase 700 participantes. Temos orgulho do que alcançamos e também consciência de que o desafio para o próximo ano é grande”. Ainda nesta edição, acompanhe um artigo especial produzido por Gustavo Lima, pesquisador da Embrapa, que aborda o tema “Evolução genética do milho e interferência na formulação de ração para poedeiras comerciais”. Este foi o assunto de sua palestra em Ribeirão durante o Congresso de Ovos e ele nos solicitou que, dada a importância do tema, que a Revista do Ovo publicasse o artigo na íntegra, com exclusividade. E ainda, análises explicam o atual momento do mercado de postura. O material foi produzido por nossos analistas e também pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA) da Esalq-USP, que nesta edição passa a ser analista fixo da Revista do Ovo. E muito mais! Acompanhe em sua Revista do Ovo! Boa leitura!

Sumário

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Cobertura do Congresso de Ovos da APA

Ribeirão Preto recebe mais de 700 pessoas para o evento

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Evolução genética do milho e interferência na formulação de ração para poedeiras comerciais Medidas para melhorar a estimativa do valor nutricional do milho e de práticas que melhorem sua qualidade

Publicação Bimestral nº 48 | Ano V Maio/2018

EXPEDIENTE Publisher Paulo Godoy paulogodoy@avisite.com.br Redação Giovana de Paula (MTB 39.817) imprensa@avisite.com.br Comercial Karla Bordin (19) 3241 9292 comercial@avisite.com.br Diagramação e arte Mundo Agro e Innovativa Publicidade luciano.senise@innovativapp.com.br Internet Gustavo Cotrim webmaster@avisite.com.br

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Eventos, As mais lidas no OvoSite e Há cinco anos no OvoSite

Administrativo e circulação financeiro@avisite.com.br

Notícias Curtas Ovos Bampi incorpora ao calendário da granja treinamento em vacinação Asgav/ Ovos RS firma parcerias e busca desenvolvimento do setor de ovos no RS

Para facilitar o acesso às matérias que estão na internet, disponibilizamos QrCodes. Utilize o leitor de seu computador, smartphone ou tablet

Hy-Line do Brasil recebe Certificado de Compartimentação Análise de Mercado CEPEA Avicultura de postura Métodos de Debicagem Fibra dietética na alimentação de frangas Condomínio Avícola contribui para redução de custos da ração para associados à Coopeavi Análises: Estatísticas do mercado avícola de postura Revista do Ovo

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Eventos

2018 Maio 16 e 17

35ª Conferência FACTA WPSA Brasil 2018 Avicultura 4.0: Redução de perdas, otimização de processo e melhoria de produtividade. Local: Campinas, SP Realização: Fundação APINCO de Ciência e Tecnologia Avícolas (FACTA) Telefone: (19) 3243-6555 E-mail: facta@facta.org.br Site: www.facta.org.br

Junho 21

Avicultor 2018 O maior evento sobre avicultura de Minas Local: Praça Rui Barbosa, 104 Centro Belo Horizonte/MG Realização: Avimig/Sinpamig/Funamig Telefone: (31)3482-6403 E-mail: vimig@avimig.com.br Site: www.avimig.com.br/eventos.php

Julho 13 a 15

Festa do Ovo de Bastos Local: Bastos, SP Realização: Sindicato Rural de Bastos Site: www.bastos.sp.gov.br/ noticia/925/58-festa-do-ovo 24 a 26

IX Encontro Técnico Unifrango Local: Maringá, PR Realização: Integra/ Sindiavipar Informações: ww.integra.agr.br/ encontrotecnico

Setembro

Há cinco anos no OvoSite

Gaiolas enriquecidas na UE: Grécia e Itália no banco dos réus Campinas, 30 de Abril de 2013 - Acredite se quiser: na semana passada a Comissão Europeia (CE), braço executivo da União Europeia (UE), decidiu abrir processo e levar a Grécia e a Itália à Corte de Justiça da UE por falhas na implementação da Diretiva CE 1999/74, que baniu o uso de gaiolas convencionais na criação de poedeiras. No comunicado em que divulgou sua decisão, a CE – que trata as gaiolas convencionais como “não-enriquecidas” – lembra que a decisão política de banir o superado equipamento foi adotada pelo bloco em 1999. Assim, Grécia e Itália tiveram 12 anos para realizar uma transição tranquila para o novo sistema e, assim, implementar a Diretiva, que vigora desde 1º de janeiro de 2012. Ainda de acordo com o comunicado, em 26 de janeiro de 2013 (isto é, mais de um ano depois de vigência do embargo ao equipamento tradicional) a CE expediu notificação formal à Grécia, Itália e a outros 11 países membros da UE recomendando a adoção de medidas urgentes visando à correção da falha detectada, qual seja, persistência de uso de gaiolas convencionais. Dos 13 países notificados, apenas dois não atenderam à recomendação – Itália e Grécia, levados agora ao banco dos réus.

As quatro mais lidas no OvoSite em Abril

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Ovo: desempenho em março e no 1º trimestre Em março o ovo obteve o melhor preço de 2018. Ou, retrocedendo um pouco mais no tempo, a melhor remuneração desde setembro de 2017. E ninguém esperava que fosse diferente, pois, afinal, vivia-se o período de Quaresma.

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Ovos: mercado vulnerável, mas preços inalterados Ontem (03/04) o mercado de ovos permaneceu com preços inalterados: a caixa de ovos brancos na faixa de R$70,00 a R$72,00 e os ovos vermelhos de R$75,00 a R$80,00. Resta ao setor trabalhar para que os preços se mantenham até que a entrada dos salários no mercado melhore o atual panorama.

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Curso de Atualização em Avicultura de Postura Comercial Local: Unesp - Campus de Jaboticabal Realização: Unesp - Campus de Jaboticabal, SP

Outubro 16 a 18

VIII Clana – Congresso Latino Americano de Nutrição Animal Local: Centro de Eventos Expo D. Pedro – Campinas, SP Realização: CBNA e Amena Site: www.cbna.com.br/site/Noticias/Agenda

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Revista do Ovo

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Ovos: cresce represamento e preços não tem sustentação

Ovo x Milho: poder de compra do avicultor é pior que a média histórica

Nos ovos brancos a baixa – 1ª da semana e do mês, 12ª do ano – derrubou o preço médio diário para R$69,00, valor 25% inferior ao praticado no mesmo período do ano passado.

Em março o preço médio dos ovos brancos na granja (interior paulista, caixa com 30 dúzias) alcançou valorização mensal de 11,8%. Em doze meses o índice ficou negativo em 11,4%. O preço médio do milho, saca de 60 kg, interior de São Paulo, obteve valorização mensal de 21,4% enquanto em doze meses o incremento ficou próximo de 25%.


Notícias Curtas Números

Exportação de ovos comerciais em março As vendas externas de ovos comerciais in natura (com casca) levantadas através do sistema AliceWeb do MDIC indicam retrocesso nos embarques de março. Em março foram exportados cerca de 6,9 milhões de ovos comerciais, equivalendo a queda mensal superior a 50%. Por outro lado, na comparação com março do ano passado, o índice de aumento também é grande, de 61,5%. Mas é bom lembrar - o que pode ser verificado na tabela de acompanhamento mensal - que o ano passado foi extremamente ruim para os embarques. De toda forma, com os dados de março o setor embarcou no primeiro trimestre o equivalente a 39,5 milhões de ovos, alcançando índice positivo de quase 55% em relação ao mesmo período do ano passado. Já no acumulado dos últimos doze meses – abril de 2017 a março de 2018 – o volume é pouco inferior a 70 milhões de unidades e equivale a 15,6% de redução sobre o mesmo período imediatamente anterior.

Ovos

Em março, a melhor relação do trimestre entre valor na granja e varejo

Em março o produtor de ovos paulistano alcançou ganho mensal de 11,8% na comercialização do seu produto. Na comparação com março do ano passado o índice de perda é muito parecido, 11,3%. Na outra ponta, ou seja, no varejo paulistano, o ganho mensal foi de 7,8%. Já em relação a março do ano passado, diferente do produtor, houve valorização de 1,6%. Com a maior valorização na comercialização do seu produto no mês, houve leve recuperação mensal na participação do produtor em relação ao varejo: era de 38% em fevereiro e subiu para 39,4% em março, a melhor relação do trimestre. Já em relação a março do ano passado, a perda atingiu 5,8 pontos percentuais. Lá, a participação do produtor equivaleu a 45,2%. Por ora, os preços médios alcançados por ambos os produtos em abril indicam que a participação do avicultor em relação ao varejo está abaixo dos 35%.

A Revista do OvoSite

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Parcerias

Asgav/Ovos RS firmam parcerias e buscam desenvolvimento do setor de ovos no RS Entidades fecham parceria com o Instituto de Alimentos do Senai, Departamento de Zootecnia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (URGS) e Egg Farmers do Canadá

Eduardo Santos

“Nosso apoio é junto ao produtor, para garantir a sustentabilidade da atividade”

Asgav abre frente para o avanço no mercado de ovos processados, uma fatia ainda pouco explorada no Brasil mas que possui um campo enorme para atuação 6

Revista do Ovo

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ntrando no sexto ano de sua atividade, a Ovos RS, criada pela Asgav desenvolve uma série de parcerias para o avanço do setor produtivo de ovos, aumento do consumo e melhoria da qualidade do produto vindo das granjas gaúchas. Eduardo Santos, Diretor Executivo da Asgav, destacou o acerto de importantes parcerias como, por exemplo, Instituto de Alimentos do Senai, Departamento de Zootecnia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (URGS) e Egg Farmers do Canadá. “Nosso apoio é junto ao produ-

tor, para garantir a sustentabilidade da atividade. E esse apoio visa suprir, inclusive, a carência de bons profissionais para a avicultura”, destacou. “O suporte do Senai para avaliação dos estabelecimentos avícolas e na questão da legislação para a obtenção do SIF é fundamental e nossa expectativa é o aumento de número de granjas com o selo, inclusive visando o crescimento das exportações”, afirmou. Em relação ao trabalho feito junto à URGS refere-se à monitoria da qualidade dos ovos. “Todas as granjas do Rio Grande do Sul foram visitadas, com o índice de aprovação em 98%, o que nos deixa muito motivados ainda mais a melhorar”, disse. “Não podemos abrir mão da qualidade, pois atuamos em um mercado altamente exigente e com novos critérios de inspeção, são necessários alguns ajustes e estamos oferecendo todo o suporte aos profissionais”, disse. “Pretendemos abrir frente para ovos processados também, uma fatia ainda pouco explorada no Brasil mas que possui um campo enorme para atuação”, destacou. E, na busca pelo aumento do consumo de ovos, veio a parceria com a Egg Farmers, do Canadá. “Eles tiveram acesso aos nossos materiais de marketing para o aumento do consumo de ovos, apresentado no International Egg Commission (IEC), realizado na Bélgica e nos procuraram. Eles querem divulgar o seu trabalho no Brasil, e, em contrapartida, vão nos disponibilizar um enorme suporte técnico e operacional, para troca de informações, principalmente em vídeos, com um intercâmbio valoroso de experiências”, disse.


Empresas

Ovos Bampi incorpora ao calendário da granja treinamento em vacinação Processo de uso de produtos biológicos inclui etapas que precisam ser atentamente observadas para garantir a qualidade da produção de ovos

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radicional marca gaúcha do setor de postura, com um posicionamento comercial muito forte no mercado do Rio Grande do Sul, a Ovos Bampi acaba de revisar mais uma vez o processo de vacinação durante programação organizada pelo Laboratório Biovet, por meio do assessor técnico Cesar Junior Poletto, e do distribuidor da marca do Sul do País, GVN, representado por Alexandre (proprietário) e Lucas Maldaner (vendedor). Assim, em março, pelo segundo ano consecutivo, foi realizada a atualização do manejo de produtos biológicos (vacinas) específico para as atividades de postura comercial do cliente Biovet/GVN, cuja unidade fica baseada em Farroupilha (RS).

“A partir de agora, já podemos dizer que o treinamento faz parte do nosso calendário, passando a integrar a rotina da empresa devido à importância dos tópicos abordados, como os principais pontos críticos de controle do processo de vacinação, que precisam ser observados com atenção para manter a qualidade da produção da granja”, avalia Juarez Bampi, um dos proprietários da granja. Juarez Bampi conta que, depois do treinamento da equipe, a empresa fez algumas alterações e o processo abordou todas as vias de vacinação e foi verificado onde este poderia ser melhorado. “Demos muita atenção aos principais pontos críticos de controle do processo de vacinação, principalmente referente a conservação das vaci-

nas vivas, o que requer muito cuidado durante o manejo das mesmas, bem como as particularidades de cada via de vacinação e a importância de se fazer uma dose completa para cada ave”, explicou Bampi e completou: “O Biovet, com a ajuda do Cesar Poletto e a distribuidora GVN com o Lucas Maldaner e o Alexandre tem sempre nos ajudado, nos orientando e sempre se disponibilizando para nos ajudar dentro dos processos produtivos da granja. A vacinação é um dos processos que nos ajuda a manter a saúde das aves e com isso colabora com os resultados produtivos das mesmas. Ave doente não produz ovos de qualidade e uma vacina de qualidade associada ao manejo adequado de aplicação nos ajuda a alcançar a produtividade que queremos”, apontou.

Revista do Ovo

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Empresas

Certificado de Compartimentação recebido pela Hy-Line do Brasil é um grande avanço para a genética de postura do Brasil Tiago Lourenço, Diretor Geral da empresa, explica o que significa o fato de a Hy-Line do Brasil, ser a primeira empresa de genética de postura comercial a receber o certificado de compartimentação do mundo

Lourenço: “A equipe da Hy-Line celebra esta conquista inédita, ciente da sua responsabilidade ainda maior em elevar o padrão da companhia, e consequentemente, do próprio setor”

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Hy Line do Brasil recebeu em março o Certificado de Compartimentação. A entrega foi feita pelo Secretário de Agricultura do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, em Nova Granada (SP). Estiveram representados a Associação Brasileira de Proteína Animal, a Associação Paulista de Avicultura e a Secretária de Agricultura e Abastecimento. A compartimentação é um programa que promove a estruturação da produção em compartimentos, mapeia e isola as estruturas de Unidades Produtivas, como uma blindagem sanitária.

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Em termos de avanço de mercado, Tiago Lourenço, Diretor Geral da empresa, explica o que significa o fato de a Hy-Line do Brasil, ser a primeira empresa de genética de postura comercial a receber o certificado de compartimentação do mundo. “Esse é o selo que demonstra e valida que nós temos uma estrutura que previne a entrada de doenças em nossas unidades, especialmente Influenza Aviária e Doença de Newcastle, e se elas eventualmente entrarem no país, há protocolos implantados e nosso time sabe o que fazer para mitigar os riscos através de planos de contingência bem elaborados para manter as operações da em-

presa seguras, e conseguir manter a comercialização e exportação de seus produtos para mais de 27 países em quatro continentes. Trata-se de uma conquista inédita no mundo e extremamente relevante para o setor de postura como um todo, que vem recebendo cada vez mais notoriedade e destaque, no cenário nacional e internacional, pela sua evolução”. Acompanhe, na sequência, uma entrevista exclusiva com Tiago Lourenço: Quais são os benefícios para o setor de postura como um todo, à partir de agora? Qual o impacto para a avicultura de postura brasileira? Trata-se de uma conquista inédita no mundo e extremamente relevante para o setor de postura como um todo, que vem recebendo cada vez mais notoriedade e destaque, no cenário nacional e internacional, pela sua evolução. Este certificado é importante para todos aqueles que buscamos atender e contribuir, dentro do tripé da nossa estratégia de fazer pela nossa Empresa, fazer pelos nossos Clientes e fazer pelo nosso Setor. O setor tem uma empresa fornecedora, como a Hy-Line do Brasil, com altos padrões de biossegurança, conhecimento de procedimentos, protocolos e planos de contingência, que


pode compartilhar processos, treinar equipes e contribuir com a melhoria das Boas Práticas de Produção e Sanidade nas granjas de produção de ovos brasileiras. Já dizia o provérbio inglês: “Quando a maré sobe, todos os barcos sobem juntos”. O que muda para a equipe da empresa e como está sendo o processo de treinamento? A equipe da Hy-Line celebra esta conquista inédita, ciente da sua responsabilidade ainda maior em elevar o padrão da companhia, e consequentemente, do próprio setor. O processo de treinamento é contínuo, com matriz de treinamento com quantidades mínimas de horas por nível hierárquico de cada colaborador, desde processos operacionais básicos, passando por requisitos sanitários estratégicos relacionados aos protocolos que compõe a compartimentação, até liderança e trabalho em equipe, pois certamente é necessário manter a rotina, a padronização e a motivação elevada para esta busca constante pela melhoria contínua e alta performance. Como será o status sanitário diferenciado apresentado pela empresa? Em 2004, a OIE (Organização Mundial para Saúde Animal) lançou o conceito de “compartimento”, para reconhecer empresas que operam com padrões de biossegurança tão altos que são capazes de permanecer livres de doenças mesmo na ocorrência de registro de surtos no país, garantidos através de rigorosos processos, auditorias, e manutenção de um sistema “fechado”, desde a chegada das aves e entrada ou produção da ração, até a saída dos pintinhos ou descarte de aves e resíduos do processo produtivo. Desta forma, a “compartimentação” elimina a questão geográfica, o que garante a nossa blindagem sanitária (e econômica). Este é o status sanitário diferenciado que conquistamos! A partir de agora, como serão as instalações, procedimentos e protocolos, para apresentar o mais alto nível de biossegurança, e impedir a entrada de doenças importantes como a Influenza Aviária e a Doença de Newcastle?

A Hy-Line já possui rigorosos processos de controle sanitário em suas unidades produtivas, já que há vários anos conta com suas auditorias internas realizadas por profissionais que vem dos Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha, pelo menos duas vezes ao ano cada um, em diferentes áreas especializadas, com objetivo de acelerar o aprendizado e nível de conhecimento da equipe, bem como auditar procedimentos e simular cenários desafiadores, validando assim o planejamento estratégico e planos de contingência da companhia, que é auditada periodicamente pelo Serviço Veterinário Oficial (SVO), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), e daqui em diante mais intensamente para manutenção da Certificação. A compartimentação é um programa que tem como base a Instrução Normativa 21 do MAPA, reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), e consiste basicamente na estruturação da produção em compartimentos que mapeiam e isolam as estruturas de unidades produtivas, como uma blindagem sanitária. Você considera a compartimentação um avanço para a avicultura? Com certeza, já que daqui em diante várias empresas irão se aplicar para obter esta certificação, o que naturalmente demandará uma melhoria de seus processos, maior capacitação de suas equipes e investimentos em estruturas mais biosseguras. O poder dos modelos replicáveis permitirá o compartilhamento de protocolos e procedimentos que rapidamente auxiliarão na garantia da blindagem sanitária (e econômica) das empresas e seus negócios avícolas, tanto no setor de genética e reprodução, quanto para poedeiras comerciais e frangos de corte, o que será excelente para a avicultura brasileira. Internacionalmente a compartimentação representa um avanço nas negociações internacionais, especialmente na garantia de fornecimento estratégico de genética para multiplicação dos plantéis domésticos, visto que os poucos grupos fornecedores de ma-

terial genético se encontram em alguns países desafiados ou com histórico de IA e DNC, mas se sentem e são extremamente responsáveis para garantir e prover seus clientes com seus produtos, mesmo que provenientes de diferentes regiões. Quanto mais os países evoluírem para este nível, e estabelecerem seus compartimentos, mais os clientes terão certeza que receberão seus produtos independentes dos desafios sanitários apresentados neste ou naquele país ou região, sem interrupção de barreiras comerciais e negociações bilaterais. A Hy-Line investiu mais de U$10 milhões nos últimos cinco anos na operação brasileira de avós e linhas puras. Dado que a empresa exporta seus produtos para mais de 27 países em quatro continentes, quais serão os reflexos tanto dos investimentos como da conquista da compartimentação, para a Hy-Line do Brasil? O certificado de compartimentação é um seguro relevante, tanto para os investimentos realizados no Brasil e continuidade dos negócios, quanto para os clientes que recebem desta importante plataforma de produção e exportação, até hoje completamente livre da Influenza Aviária. Em recente declaração, o Sr. afirmou que “A sanidade é o nosso passaporte para o mundo e o certificado de compartimentação é o visto que precisávamos para seguir evoluindo e crescendo”, sendo esse o terceiro grande marco na história da Hy-Line do Brasil, seguindo a fundação da sede própria da empresa no país há quase 20 anos, e a chegada das primeiras linhas puras no país, em junho de 2016. A empresa já projeta o ‘quarto’ passo de sua história? “Esta é um informação estratégica, e não queremos estragar a surpresa”, brinca o diretor. Mas visto a relevância da China, como um país que contempla quase 40% da produção mundial de ovos, certamente será um marco muito celebrado o primeiro envio de material genético brasileiro para o território chinês. Revista do Ovo

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Evento

Congresso para Produção e Comercialização de Ovos da APA ressalta bom momento para o setor de postura em Ribeirão Preto (SP) Evento registrou nesta edição um recorde de público, cerca de 700 pessoas acompanharam os três dias do Congresso. Autoridades presentes em Ribeirão Preto, na Cerimônia de abertura do Congresso de Ovos

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combinação de um temário bem preparado, com temas que atenderam às necessidades do produtor, e o bom momento vivido pelo setor de postura contribuíram para o grande sucesso de público do Congresso para Produção e Comercialização de Ovos da Associação Paulista de Avicultura (APA). Mais de 700 pessoas acompanharam o evento, entre os dias 20 e 22 de março, em Ribeirão Preto (SP). Na opinião de José Roberto Bottura, Coordenador do encontro, os bons números alcançados pela XVI edição do evento mostram o aspecto positivo da atividade. “Tivemos 40 patrocinadores, 127 trabalhos científicos aceitos e quase 700 participantes. Temos orgulho do que alcançamos e também consciência de que o desafio para o próximo ano é grande”. Esta edição do Congresso também contou com o suporte da Fundação Apinco de Ciência e Tecnologia Avícolas (FACTA) e entre os temas debatidos, estiveram em destaque o bem-estar animal, muito lembrado no Pré-Congresso - uma novidade para este ano - e a sanidade. O engajamento do setor frente às exigências regulatórias do Ministério da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento também foi lembrado. O fato é que o setor de postura tem

José Roberto Bottura, Coordenador do encontro: os bons números alcançados pela XVI edição do evento mostram o aspecto positivo da atividade muitos bons atores envolvidos em seus papeis. Especialistas, autoridades, acadêmicos, fornecedores e produtores que vestem a camisa da produção e consumo de ovos. Algumas empresas apostaram alto no Congresso de Ovos e marcaram a ocasião de forma diferenciada. É o caso da MSD Saúde Animal, que aproveitou

o encontro para lançar um produto contra o ácaro vermelho, e da Desvet, que comemorou seus 35 anos com uma extensa rodada de chopp da marca Colorado e conversas descontraídas entre os participantes. Além disso, a Ceva usou o espaço que lhe cabia em uma palestra empresarial para falar sobre a Laringotraqueíte.

Pré-Congresso abre o evento com debates sobre bem-estar animal Pela primeira vez a Associação Paulista de Avicultura abriu espaço para a realização de um pré-congresso anterior ao evento principal. Organizado pela Embrapa Suínos e Aves e pela equipe da Esalq-USP, esta abertura, segundo explica José Roberto Bottura, foi mediante à necessidade de ampliar os conhecimentos e os debates sobre um dos temas mais ‘espinhosos’ dos últimos anos para os produtores de proteína animal: o bem-estar animal. Porém, de um tema recheado de ‘melindres’ e ‘pormenores’, o assunto está sendo tratado com mais naturalidade pelo setor de postura. Em resumo: é um caminho sem volta para todos, então, é melhor que sejam feitas

uma organização e uma sistematização a fim de que todos possam se adequar à esta demanda de forma economicamente viável, e este foi o ambiente do Pré-Congresso. Um conceito muito forte sobre a necessidade de “one world – one health” (um mundo, uma saúde) ganha cada vez mais espaço e cresce também a interdependência entre a saúde animal e a saúde humana nas análises sobre bem-estar animal. Menor cuidado com esta questão reflete-se em maior quantidade de medicamentos nas granjas e, consequentemente, maior resistência a estes produtos e o evento debateu amplamente a necessidade de a avicultura de postura estabelecer um

sistema mais sustentável de produção: boas práticas produtivas agregam valor e garantem tanto a saúde animal como a humana. E esta ‘quebra de paradigma’ se faz proeminente na sociedade, que já não aceita mais produtos que advenham de práticas sem esse devido cuidado. O setor avícola deve não apenas se preocupar com a produtividade, mas também com a sustentabilidade do negócio (qualidade sustentável aliada à sustentabilidade ética). De acordo com Helenice Mazzuco, pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves, o setor avícola começa a caminhar de forma mais integrada rumo a um melhor sistema produtivo, se adequando às exigências atuais (e futuras) Revista do Ovo

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Evento

Helenice Mazzuco, pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves: “O setor avícola começa a caminhar de forma mais integrada rumo a um melhor sistema produtivo”.

Iran: “O setor avícola está tirando o ‘peso’ de cima das costas que envolvia a questão do bem-estar e passou a analisá-la mais friamente”.

envolvendo o bem-estar animal. “Estamos percebendo o crescimento de uma visão empresarial sobre o tema, com um olhar mais ‘calmo’, sem a ‘negação’ que havia anteriormente e os produtores e o setor em geral perceberam que pode ser extremamente vantajoso um trabalho que vise o bem-estar animal, no qual todos podem ganhar e, acima de tudo, que é preciso de união para que a legislação sobre esta questão seja feita por todos, sem passividade”, explicou a pesquisadora. Para Iran José Oliveira da Silva, Professor do Nupea, Núcleo de Pesquisa em Ambiência da Esalq/USP, a grande motivação para a realização do encontro em Ribeirão Preto para o debate sobre bem-estar é garantir maior proximidade do mercado com o tema. “O setor avícola está tirando o ‘peso’ de

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cima das costas que envolvia esta questão e passou a analisá-la mais friamente. As empresas começam a analisar os dados com mais critério, discutindo o futuro de forma mais isenta”, destacou. Cláudio Machado, Gerente Geral do Vencomatic Group apresentou a visão da empresa frente à demanda do mercado. “Cage Free ou Free Range? Devemos nos questionar e, acima de tudo, entender quem é o novo consumidor e como devemos produzir para ele. O sistema produtivo deve estar preparado para atendê-lo da melhor maneira possível”, disse. A Fazenda da Toca, primeira empresa brasileira a produzir ovo caipira orgânico com o reconhecimento do instituto Certified Humane Brasil participou também do Pré-Congresso. Esteve presente Fernando Bicaletto, dire-

Hanna Thompson –Weeman da Animal Agriculture Alliance, dos Estados Unidos: “Houve - e ainda há - muita pressão de ativistas e muitos questionamentos por parte de produtores”

tor-geral da empresa. Segundo ele, ainda o ‘fator preço’ é um limitador do mercado de produtos fora do padrão convencional. “As dificuldades para a produção de ovos orgânicos, por exemplo, vão desde o suprimento dos grãos para a nutrição - seu manejo, transporte, armazenagem e claro, a preço do grão produzido especificamente para este fim – às melhorias das técnicas produtivas, com melhores práticas de bem-estar e manejo”, detalhou. “Mas este é um mercado totalmente viável e em franco crescimento”, afirmou. A certificação obtida pela Fazenda da Toca garante que suas galinhas poedeiras são criadas segundo os princípios exigidos pela instituição para o bem-estar animal, com práticas mais humanas e responsáveis. Bicalleto afirma que o selo Certified Humane sem-


pre esteve no radar da empresa. “É uma certificação importante, além de muito conhecida e difundida em nosso meio. A busca pelo aprimoramento constante de nosso manejo e o reconhecimento externo de nossas práticas voltadas ao bem-estar animal são as principais razões que nos levam a querer fazer parte do programa”, disse. A Fazenda da Toca é uma propriedade de 2.300 hectares localizada em Itirapina, a 200 km da capital, São Paulo, e dedica-se à produção e comercialização de polpas de frutas e ovos, tudo 100% orgânico. Edival Veras Filho, da EPE Produtos Agropecuários destacou durante o evento a visão do mercado varejista de ovos nas redes do nordeste do Brasil. “Existem várias formas de comercialização e o que é certo é o aumento da demanda por alimentos, que deve dobrar até 2050 e o Brasil tem muita responsabilidade pela sua alta capacida-

de produtiva e o nosso desafio é atender em escala às demandas do mercado, principalmente referente às questões de bem-estar e até mesmo produtos orgânicos e diferenciados”, disse. Hanna Thompson –Weeman, da Animal Agriculture Alliance, dos Estados Unidos, destacou como foi a adaptação ao mercado norte-americano nas questões de bem-estar animal. “Houve - e ainda há - muita pressão de ativistas e muitos questionamentos por parte de produtores. Claramente o objetivo era eliminar toda e qualquer produção animal, com muitas forças políticas por trás”, destacou. “Com grandes marcas apoiando o movimento, hoje já são 232 empresas que já afirmaram abolir a compra de ovos vindos de galinhas criadas em gaiolas, e nos EUA, 228 milhões de aves deverão estar livres de gaiolas até 2025, com um total de investimento para a conversão do sistema produtivo que

vai girar em torno de US$ 10 bilhões”, explicou. “O importante é fazer o consumidor entender e pagar a mais por este produto. Vemos que ainda faltam informação. O consumidor sabe a real dimensão do sistema de produção? O quanto vai encarecer o seu produto? Ou ele só quer um ovo de uma ‘galinha feliz’, até mesmo porque houve um marketing forte em cima desta questão? Ressalto: ainda faltam informações e critérios para a obtenção de maior sustentabilidade na agricultura, com melhores métodos, viáveis para quem produz e para quem compra. Essa é a busca da ética como comportamento natural”, afirmou. “Nos EUA, os próximos passos da cadeia produtiva de ovos é entender qual será o sistema aceito por ativistas, deixar claro que o setor apoia todos os métodos de produção e optar por deixar a escolha para um consumidor mais consciente”, explicou.

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Evento

MSD lança Exzolt durante o Congresso de Ovos

André Gomes (esq), gerente de Produtos da Unidade Avicultura da MSD Saúde Animal e Laura Villareal (dir), Diretora da Unidade de Avicultura. A MSD escolheu o Congresso de Ovos da APA para realizar o lançamento do EXZOLT®, tratamento inovador contra infestações de ácaros na avicultura. Segundo informações da empresa, o Brasil é o primeiro país das Américas a receber o produto Exzolt, produto com um princípio ativo fruto de 17 anos de pesquisa e desenvolvimento da MSD Saúde Animal (conhecida, nos EUA e Canadá, como Merck Animal Health). EXZOLT®, administrado com dose recomendada de 0,5 mg/kg de peso corporal duas vezes no intervalo de sete dias, obteve 100% de eficácia na morte de ácaros em estudos clínicos por semanas. O produto começa agir quatro horas após o início do tratamento, resultando em eliminação efetiva da praga. As galinhas são tratadas em dois momentos e isso garante que os ácaros adultos e seus ovos sejam totalmente eliminados. “Além de uma molécula inovadora em sua composição, dentre as principais vantagens de EXZOLT® está o método de aplicação, uma vez que, é administrado via água de bebida. Além disso, o produto tem indicação em bula para tratamento destes ácaros, o que o torna uma importante ferramenta ao avicultor”, explica André Gomes, ge-

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Revista do Ovo

Além de uma molécula inovadora em sua composição, dentre as principais vantagens de EXZOLT® está o método de aplicação, uma vez que, é administrado via água de bebida.

rente de Produtos da Unidade Avicultura da MSD Saúde Animal. Conhecido cientificamente como Dermansyssus Gallinae e popularmente como “piolho de galinha”, o ácaro vermelho é uma das cinco principais pragas da avicultura. Quando atacadas, as aves têm grande irritabilidade, estresse generalizado, perda de peso, diminuição da postura e anemia. Se o ectoparasita não for controlado, a criação fica extremamente debilitada, podendo chegar à morte. Na natureza, esses parasitas, que também estão presentes em outras espécies de aves, não causam muitos danos, já que os animais possuem suas próprias defesas, além de estarem expostas ao sol – o que não ocorre nas granjas. No confinamento, os ácaros se alimentam das aves, principalmente, durante a noite e podem acabar parasitando também os avicultores, causando coceira intensa e irritação da pele. EXZOLT® chega ao mercado como mais uma ferramenta de combate a esse tipo de praga e se propõe a trazer uma evolução para a avicultura brasileira. Com a mensagem “Evoluir depende de você”, o produto tem por objetivo: o melhoramento do bem-estar das aves, eliminando drasticamente o seu estresse, e traz uma forma exclusi-

va de manejo sanitário correto. Outra vantagem da medicação é a eliminação definitiva da exposição dos trabalhadores e aves a produtos aplicados via spray que não são tão eficientes, já que o parasita se esconde em frestas e ranhuras de difícil acesso ao spray. “A MSD traz ao Brasil uma solução que proporciona segurança alimentar para o consumidor. Com um período de retirada de zero dia, os ovos das galinhas tratadas com EXZOLT® são seguros para consumir, tornando a ferramenta ideal para manter a saúde e bem-estar das aves e, principalmente, a saúde econômica do avicultor”, ressalta Gomes. O especialista também adverte que aliada à medicação é preciso que o avicultor fique atento à realização de um trabalho preventivo para evitar nova infestação do ácaro vermelho, com o uso de melhores métodos de limpeza do aviário. Laura Villarreal, Diretora da Unidade de Avicultura destacou o profundo alinhamento da empresa com o mercado para o lançamento do produto. “Nossos pilares de trabalho envolvem acima de tudo estar em perfeita sintonia com a demanda do setor avícola para o lançamento do EXZOLT®”, afirmou.


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Evento

Economista aborda pontos positivos para a economia brasileira em 2018 O economista Felippe Serigatti, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) realizou a Palestra Magistral durante o Congresso de Ovos da APA. Ele destacou durante sua apresentação que o ano de 2018 se inicia bem melhor do que o ano de 2017, um ano no qual a economia interna reagiu e demonstrou poder de crescimento. “Viemos em um período de extrema dificuldade, com uma grave crise desde 2014 e, no último ano, começamos a reagir e a tendência é que nos firmemos em 2018, melhorando ainda mais”, desta-

cou. “Provavelmente passaremos por 2018 com a menor taxa de juros do mercado, com a recuperação do emprego, de forma lenta, mas contínua”, apontou. Porém, Serigatti fez alguns alertas. “Os riscos ainda ficam por conta das contas públicas, que não fecham e é necessário um corte grande de gastos, porém, o governo não tem muito ‘onde’ cortar, pois todas as áreas são vitais, e também lembremos que este ano teremos eleições e que ela terá que atender melhor a demanda do país.

Felippe Serigatti: “Viemos em um período de extrema dificuldade, com uma grave crise desde 2014 e, no último ano, começamos a reagir e a tendência é que nos firmemos em 2018, melhorando ainda mais

O que precisa melhorar em 2018? Apesar dos números anteriores favoráveis, infelizmente, há variáveis que ainda não conseguiram apresentar melhoras robustas. Nesse conjunto, dois grandes grupos de variáveis merecem destaque: - Mercado de trabalho: foi justamente ao longo do primeiro trimestre de 2017 que a taxa de desocupação (a popular “taxa de desemprego”) na economia brasileira atingiu o seu pico (13.7%), indicando que mais de 14 milhões de pessoas estavam desocupadas. Ao longo do ano, o mercado de trabalho exibiu uma recuperação lenta e concentrada nas ocupações informais. A perspectiva é que, ao longo de 2018, o mercado de trabalho permaneça na sua trajetória de recuperação, uma vez que foi observado um aumento da abertura de vagas com carteira assinada no final do 3º trimestre; - Contas públicas: é justamente no lado fiscal que está, atualmente, a situação mais delicada da economia brasileira e, portanto, a sua maior fonte de risco e incerteza. As contas públicas continuam deterioradas, com gastos do governo superiores às suas receitas – o deficit público ficou praticamente inalterado, em torno de 9% do PIB, entre 2016 e 2017. Infelizmente, diferente da recuperação no mercado de trabalho, que parece já estar encaminhada, o equilíbrio das contas públicas demandará a continuidade do avanço da agenda de reformas. Esta dependerá do perfil do grupo político que assumir o controle do Palácio do Planalto a partir de 2019. Infelizmente, a incerteza nesse ponto ainda é muito grande.

Sérgio De Zen, do Cepea, analisa possibilidades do Agronegócio durante o Congresso Sérgio De Zen, Diretor do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP e que esteve também presente em Ribeirão Preto, destacou durante o evento a necessidade do olhar mais apurado da avicultura para o mercado externo. “Ainda não temos um viés exportador na avicultura brasileira, nem grandes players do mercado de ovos. Ainda há muito por se trabalhar e conquistar,

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Revista do Ovo

com um campo muito fértil de atuação, porém, vejo que ainda faltam transparência, informação e conhecimento na avicultura de postura”, destacou. “As oportunidades são claras para um avanço sustentável macroeconômico do setor”. Ele aponta que depois de registrar fraco ritmo das exportações no ano passado, o setor de ovos, segundo apontam pesquisas do Cepea, tem ex-

pectativa de recuperação nas vendas externas do produto em 2018, fundamentados nas recentes aberturas de novos mercados internacionais. “No final de 2017, a África do Sul liberou as importações de ovos in natura e processados provenientes do Brasil. No longo prazo, um crescimento no número de países importadores associado ao maior volume produzido podem contribuir para aumentar a inserção


do Brasil no mercado internacional. Vale lembrar que a representatividade do País no mercado global ainda está distante dos demais exportadores. Em relação ao consumo doméstico, espera-se que a modesta recuperação econômica do Brasil, prevista para 2018 em, pelo menos, 0,62% a.a. segundo o Banco Central do Brasil (BC), contribua para estimular a demanda por ovos, seja por parte da indústria de alimentos ou pelo consumo in natura”, disse. Segundo ele, em 2017, o consumo per capita dos brasileiros já havia aumentado cerca de 1% em relação a 2016, atingindo o volume de 192 ovos no ano. O setor pode, ainda, ser beneficiado, mesmo que indiretamente, pela ampla divulgação de pesquisas científicas recentes que demonstram os benefícios nutritivos resultantes do consumo de ovo. Por outro lado, o

crescimento da economia e a redução da inflação podem favorecer o aumento do poder aquisitivo do brasileiro em 2018, estimulando o consumo de outras proteínas mais caras, como as carnes bovina, suína e de frango. Dentro da porteira, estimativas da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) indicam que, em 2018, a produção nacional de ovos será entre 5% e 6% superior à do ano passado. “Diante disso, a capacidade de absorção dos mercados doméstico e externo é de extrema relevância para a determinação dos preços que serão recebidos pelos produtores e, consequentemente, para o desempenho do setor. O aumento na produção já pôde ser observado em 2017, uma vez que, segundo a ABPA, o plantel de postura comercial aumentou 4,7% em dezembro do ano passado, em comparação com o mesmo período de 2016”, apontou.

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Evento

Painel sobre genética avalia o futuro da avicultura de postura Foi realizado durante o Congresso de Ovos da APA um Painel sobre genética, com o objetivo de avaliar o futuro da avicultura de postura sob este aspecto. Participaram Tiago Lourenço, Diretor Geral da Hy-Line do Brasil e Fidel Gonzales, Gerente de Área da América do Sul da Isa Hendrix. De acordo com Lourenço, a avicultura moderna não é nem de longe a mesma praticada há alguns anos. “A Poedeira Moderna é um animal muito mais eficiente, desenhada pelas mãos da genética, nutrição, sanidade e do manejo para

satisfazer suas próprias necessidades e atender aos anseios e a fome da crescente população do planeta. A evolução genética para produção de ovos continua apresentando aves cada vez mais produtivas, e com ciclos mais longos, fruto de elevados investimentos em pesquisa e desenvolvimento, abertura tecnológica e visão empresarial dos poucos grupos que detém as genéticas para distribuição de poedeiras comerciais no mundo, todos com atendimento direto aos produtores de ovos no caso do Brasil”, destacou. “Entretanto, o potencial genéti-

co destas aves somente será aproveitado em sua plenitude com o emprego de boas práticas de produção (BPP) e programas bem sucedidos de criação e manejo. Os avanços em todos os elos da avicultura, da ciência à gestão da granja, proporcionaram que o setor crescesse, impulsionasse o consumo de ovos per capita em mais de 60% na última década e se destacasse dentro do agronegócio brasileiro nos últimos anos, fornecendo proteína de alto valor biológico e de custo acessível”, disse.

Tiago Lourenço, Hy-Line do Brasil “Além de entender e atender às novas demandas do novo consumidor, ou seja, produzir um alimento saudável e seguro, respeitando o bem-estar animal, e livre de resíduos, antibióticos e contaminantes, de maneira sustentável para o campo e para as pessoas. São necessárias novas práticas de manejo e adequação destas aves às novas instalações, cada vez mais automatizadas, com ambiente controlados e complexos com maior coletividade e número de aves. Cabe aos produtores assumir cada vez mais seu papel protagonista neste cenário, e atuar pro ativamente com competência e dedicação em todas estas questões, propiciando o melhor ambiente possível para que a Poedeira Moderna consiga expressar seu máximo potencial produtivo, com maior rentabilidade”.

Já Gonzales apontou o fator humano ainda como um diferencial para a evolução do setor. “O material humano é o nosso mais importante nas empresas. Devemos entender que os funcionários das granjas são muito, mais muito importantes, estes são a existência e futuro das empresas. Deles depende o sucesso ou insucesso de qualquer atividade em uma empresa. Portanto, devem ser motivados por meio de boa remuneração, reconhecimento do seu trabalho, formação profissional, treinamento, treinamento e mais treinamento”, exemplificou. “Como vão entender a importância de lavar as mãos se, para o funcionário isso não parece fazer a menor diferença? Por que é preciso retirar as carcaças logo, não deixá-las na granja e rapidamente dar o destino correto a elas? Qual o problema de ter pássaros, cães, gatos, na granja? As poedeiras estão

cada vez mais produtivas, botam muito mais ovos e, por mais tempo através de ciclos de produção mais longos. Isso significa que, gastam todo o seu potencial para produzir. Sobra pouco para suas necessidades fisiológicas, como o funcionamento do sistema imune. Assim sendo, precisamos fazer de tudo para que não contraiam um agente patogênico. É aí que entra o manejo sanitário, o qual, depende muito dos funcionários das granjas e Incubatórios”.

Fidel Gonzales, Gerente de Área da América do Sul da Isa Hendrix “O principal motor econômico em quase todos os mercados de ovos no mundo é o aumento da produção do número de ovos de alta qualidade. As melhorias no desempenho das poedeiras foram possíveis através de melhorias genéticas na persistência da produção, na qualidade da casca, na viabilidade e na robustez das poedeiras. A evolução e pioneirismo no trabalho genético com ciclos longos de alta persis-

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Revista do Ovo

tência e produção é o que evidenciamos hoje no mercado atual. Então: Já existem granjas que produzem 510 ovos de primeira qualidade por ave alojada às 102 semanas de idade já não são mais um sonho, e sim uma realidade. Todos os pontos acima citados dependem grandemente do material humano para um bom manejo e extração do potencial genético das aves”.


biovet.com.br

“Agriwar - A guerra pelas percepções humanas. A superação de todos os desafios” Dr. José Luiz Tejon apresentou durante o evento a Palestra: “Agriwar - A guerra pelas percepções humanas. A superação de todos os desafios”. Segundo ele, Fight4perceptions é a grande batalha do futuro do alimento. “De vilão a herói, entre mitos e fatos, vivemos uma era onde o futuro será uma reunião de seis mega fatores. Fast: veloz como numa na história humana. Universal: não há nada mais que fique restrito ao local. Tribal: segmentos e nichos se multiplicarão, onde veremos legítimas guerras por opiniões, religiões, ideologias e visões. Urbano: o planeta deixa de ser rural e a decisão se dará nos centros urbanos (Urban Power). Radical: o radicalismo como uma vertente real, paixões e egos inflados em redes sociais, o alimento será cada vez mais um ‘bitfood’. Ética: sem a luta pela ética não haverá futuro. Essa luta precisa ser guerreada pelos agentes com preocupações pelo longo prazo. Aprender a aprender, o segredo da viagem do futuro, onde tanto produtores quanto consumidores se integrarão como ‘prosumidores’. Qual o desafio do eggbusiness no teatro das disputas por corações e mentes dos próximos 10 anos?”, ele lançou o questionamento.

Pode contar com os ovos dentro da galinha! • Desenvolvimento da flora lática benéfica • Maior percentual de postura durante todo o ciclo • Diminuição de ovos desclassificados por trincas

Tejon: “O planeta deixa de ser rural e a decisão se dará nos centros urbanos (Urban Power).

Aditivo probiótico para poedeiras comerciais, reprodutoras e frangos de corte – Pediococcus acidilactici MA 18/5M

ADITIVOS

O futuro em criação

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Evento

Edivaldo Antônio Garcia é homenageado durante o Congresso de Ovos da APA Antigo conhecido do setor de postura e da área de pesquisa científica, o Professor Edivaldo Antônio Garcia, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, recebeu durante o Congresso de Ovos uma homenagem em formato de vídeo com flashbacks de sua vida e carreira pelos anos dedicados à avicultura. O professor se aposenta nesse início de 2018 e deixa um legado importante para o setor desde o início de sua vida acadêmica, em 1977, quando concluiu a sua graduação em zootecnia. Emocionado, ao agradecer a honraria ele passou um recado: “É preciso viver intensamente cada momento da vida”.

A evolução genética do milho e interferência na formulação de ração para poedeiras comerciais “As cadeias produtivas de animais e milho apresentam grandes áreas de interseção e deveriam buscar objetivos que contemplem o crescimento conjunto de todos esses setores. Como as aves são os maiores clientes do milho, há necessidade de adequação de grãos com qualidade necessária para manter ou aumentar a competitividade da produção desses animais”. Em destaque: Veja o artigo completo sobre o tema apresentado durante o Congresso de Ovos da APA na página 22.

“Quero aqui enaltecer a capacidade da avicultura em reagir às crises. Foi assim no ano passado, um ano muito positivo para nós. Com certeza, ainda virão melhores dias ao setor em 2018. A cada ano percebemos o reflexo do correto trabalho da atividade na melhoria do Congresso de Ovos. Deixo aqui meus parabéns ao organizadores com este recorde de público e, acima de tudo, pela melhoria constante do evento.” Érico Pozzer, Presidente da APA.

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Revista do Ovo

Gustavo Lima, Pesquisador da Embrapa Suínos e Aves.


“Porque ainda não fomos capazes de erradicar os micoplasmas? Porque controlar ao invés de erradicar? Nenhuma granja é uma ilha e erradicar é um processo longo e caro e a medicação ainda tem sido muito útil para a prevenção”.

“As notificações sobre a Laringotraqueíte, uma doença causada por problemas de manejo e de controle, ainda estão muito aquém da realidade, pois ainda há um grande receio por parte do produtor. O impacto da LTI não tem sido maior que outras enfermidades no Brasil, porém, ressalto a importância da notificação por parte do criador. Somente os estados de São Paulo e Minas Gerais fazem essa comunicação. Está na hora dos outros estados também notificarem. Somente assim podemos atuar e agir de forma mais assertiva no que se refere à saúde animal e prevenção”

Naola Ferguson, Professora do College of Veterinary Medicine – University of Georgia

Luciano Lagatta, membro do Grupo Técnico LTI

Trabalhos científicos premiados

A avaliação e a organização dos trabalhos científicos ficaram a cargo do Professor Edivaldo Garcia. Veja abaixo a lista dos ganhadores.

Outras áreas

Nutrição

Morfologia do útero de poedeiras comerciais alojadas em diferentes densidades” Lizandra Amoroso, FCAV/ Unesp

Utilização de farinha de alga marinha sobreo desempenho, qualidade e tempo de vida de prateleira de ovos de poedeiras comerciais Sara Mariane da Silva, USP

Sanidade Avaliação de patogenia em Salmonella Thiphimurium hiperflagelada durante infecção inicial do paratifo aviário Fernanda de Oliveira Barbosa, FCAV/ Unesp

Manejo Debicagem em codornas japonesas Jéssica Moraes Cruvinel, FMVZ/UNESP

Revista do Ovo

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Nutrição

Evolução genética do milho e interferência na formulação de ração para poedeiras comerciais Argumentos técnicos e econômicos para se adotar medidas que melhorem a estimativa do valor nutricional do milho e de práticas que melhorem sua qualidade Autor: Gustavo J. M. M. de Lima, Ph.D. Embrapa Suínos e Aves

O

milho é utilizado como a principal fonte de energia na formulação de dietas para aves no Brasil. A produção desses animais é altamente dependente da utilização do grão, uma vez que a rentabilidade do negócio depende da sua disponibilidade e preço. Ao contrário do conteúdo energético, a maior limitação do milho como fonte de nutrientes são os baixos teores dos aminoácidos metionina, lisina e triptofano. A qualidade do milho é muito importante na nutrição de aves para assegurar: (1) os nutrientes necessários; e (2) a au-

22

Revista do Ovo

sência de substâncias tóxicas, especialmente micotoxinas. As partidas de milho são valorizadas pelo peso, teor de umidade e parâmetros de classificação, mas as diferenças em conteúdo de nutrientes são praticamente esquecidas. Pela importância que o milho apresenta na produção animal o bom senso nos leva a pensar que maior cuidado deve ser dado a este ingrediente, tirando o máximo de aproveitamento do seu valor nutricional. O objetivo deste artigo é apresentar argumentos técnicos e econômicos para se adotar medidas que melhorem a estimativa do valor nutri-

cional do milho e de práticas que melhorem sua qualidade. Ao mesmo tempo, fazemos uma avaliação da evolução desses parâmetros nos últimos anos, decorrentes da melhoria genética e de manejo da cultura do milho.

A variabilidade na composição nutricional do milho Do ponto de vista econômico, o milho representa cerca de 70% do custo das dietas. Esse grão é a fonte mais importante de energia para aves e o teor de óleo representa grande impacto no


valor nutricional desse grão e nos custos das dietas. Assim, é fundamental proceder ao ajuste do valor energético do milho nas planilhas de formulação das dietas, em função deste parâmetro. O milho apresenta grande variação na sua composição nutricional, o que normalmente é negligenciado. A qualidade de um lote de milho é heterogênea. Ela é afetada pela posição do grão na espiga, localização da planta que gerou esta espiga na lavoura, além de outras variáveis, como genética da semente, fertilidade do solo, nível de adubação, clima, colheita, processamento, armazenamento, mistura de lotes, entre outros fatores. Foi realizado um grande número de análises e experimentos com milho na Embrapa Suínos e Aves nos últimos trinta anos. A Tabela 1 apresenta um primeiro retrato dessas informações, obtidas até 1999. O teor de óleo médio dessas amostras foi de 3,67%, variando de 1,41% a 6,09%. Através de estudos com frangos de corte, também realizados na Embrapa Suínos e Aves, estimou- se que o valor energético do milho é acrescido em 50 kcal EM/kg para cada unidade percentual acima do teor médio de óleo no grão. Usando esta referência, uma partida de milho com 6,09% de óleo possui 2,42% mais óleo do que a média, ou 121 kcal EM/kg a mais do que a média. Conforme observado na mesma tabela, os valores de energia metabolizável, obtidos em 23 balanços de energia, variaram de 3045 a 3407 kcal/kg, o que reflete as variações encontradas nas análises bromatológicas das diferentes partidas de milho. Em geral, a quantidade de energia

Tabela 1. Resultados de análises químicas e experimentos de digestibilidade com diferentes partidas de milho na Embrapa Suínos e Aves, até 1999 Parâmetro1

N2

Média

Valor Mínimo

Valor Máximo

Matéria Seca, %

489

87,68

82,69

91,97

Proteína Bruta, %

637

8,49

6,43

10,99

Óleo, %

356

3,67

1,41

6,09

Cinza, %

305

1,15

0,24

2,00

Fibra Bruta, %

362

2,25

1,10

3,48

Energia Metabolizável, Aves, kcal/kg3

23

3229

3045

3407

Ca, %

273

0,04

0,01

1,05

P, %

281

0,26

0,11

0,88

Mg, %

23

0,10

0,08

0,12

K, %

10

0,35

0,30

0,41

Na, %

3

0,00

0,00

0,00

Cu, mg/kg

47

4,65

0,91

19,39

Fe, mg/kg

43

58,67

22,48

182,30

Mn, mg/kg

44

7,34

1,10

20,00

Zn, mg/kg

47

27,39

13,93

151,88

Lisina total, %

95

0,24

0,19

0,31

Metionina total, %

74

0,21

0,14

0,27

Metionina + Cistina total, %

75

0,48

0,32

0,62

Treonina total, %

92

0,27

0,22

0,33

Triptofano total, %

119

0,05

0,02

0,14

1-Valores expressos em base natural; 2-N = número de amostras; 3-Resultados de balanços de energia, determinados com animais.

liberada pelo metabolismo de gorduras e óleos é 2,25 vezes maior que a quantidade de energia liberada pelo metabolismo de carboidratos. Desta forma, o

aumento do teor de óleo do milho indica que ele tem maior valor energético, podendo reduzir o custo de produção de aves e suínos.

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Nutrição

Recentemente, fizemos uma avaliação da composição nutricional do milho, baseado em 41.508 amostras coletadas e analisadas nos anos de 2005, 2011, 2012 e no período de 2015 a 2017. O teor de óleo vem caindo ao longo do tempo, assim como a variabilidade desse parâmetro (Figuras 1 e 2). A queda no teor de óleo ao longo dos anos é reflexo direto do aumento do número de plantas cultivadas por área, fato conhecido na literatura. Essa constatação tem influência direta no conteúdo energético do milho, que vem caindo da mes-

ma forma. Entretanto, a variabilidade verificada anteriormente, exemplificada na Tabela 1, vem reduzindo drasticamente, conforme pode ser observado na Figura 2. Este fato indica que o milho vem se tornando em um ingrediente com menor variação, o que acarreta em menor preocupação com o ajuste das formulações, especialmente com relação ao conteúdo energético. A análise do teor de matéria seca do milho é importante para avaliar o grau de concentração de nutrientes na partida, contribuindo para a comercializa-

Tabela 2 – Análise de Espectrofotometria de Reflectância de Infra Vermelho Próximo das 1021 amostras de milho coletadas pela Embrapa Suínos e Aves Média

DP

Valor mínimo

Valor máximo

MS, %

85,877

1,877

69,770

93,540

PB, em base seca, %

10,534

1,328

6,591

15,886

EE, em base seca, %

4,402

0,782

2,000

6,660

DP = desvio padrão; MS = matéria seca; PB = proteína bruta; EE = extrato etéreo

Tabela 3 - Valores de correlações de Pearson entre parâmetros analisados de amostras de milho coletadas pela Embrapa Suínos e Aves PB PB

EE 0,40

EE

0,40

FB

0,08

-0,09

FB

Lys

Met

Thr

Trp

Val

0,08

0,05

0,51

0,43

-0,31

0,60

-0,09

-0,06

0,09

0,09

-0,02

0,26

0,03

0,05

-0,12

-0,20

0,10

Lys

0,05

-0,06

0,03

Met

0,51

0,09

0,05

0,17

Thr

0,43

0,09

-0,12

0,34

0,33

Trp

-0,31

-0,02

-0,20

-0,13

-0,04

-0,14

0,60

0,26

0,10

0,62

0,47

0,55

Val

0,17

0,34

-0,13

0,62

0,33

-0,04

0,47

-0,14

0,55 -0,06

-0,06

PB = proteína bruta; EE = óleo; FB = fibra bruta; Lys = lisina; Met = metionina; Thr = treonina; Trp = triptofano; Val = valina

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Revista do Ovo

ção mais justa e também para servir de subsídio para os processos de secagem e armazenagem dos grãos. Por outro lado, o teor de proteína bruta não é um bom indicador, porque a proteína bruta de um alimento é calculada a partir da quantidade de nitrogênio total determinada na amostra multiplicada pelo fator 6,25. Assim, uma maior adubação nitrogenada de cobertura, realizada para aumentar a produtividade, acarreta no aumento da absorção de nitrogênio pela planta. Como decorrência, o teor de nitrogênio aumenta no grão e, por conseguinte, o teor de proteína bruta. Contudo, esse maior nível de nitrogênio na planta e nos grãos é depositado, predominantemente, na forma de amônio e nitrato, que não são diretamente utilizados por animais monogástricos como as aves e suínos. De uma maneira geral, o aumento da adubação nitrogenada proporciona um aumento dos teores de proteína bruta, sendo este aumento relacionado ao aumento da zeína, que é uma proteína de baixo valor nutricional. O aumento da adubação nitrogenada também exerce influência sobre o balanço dos aminoácidos, uma vez que o aumento do teor de proteína bruta leva a um decréscimo da concentração de aminoácidos, especialmente lisina e triptofano, que são muito importantes para aves e suínos. O mesmo acontece com a metionina (Figura 3). Assim, a adubação nitrogenada de cobertura é importantíssima para aumentar a produtividade, mas ela piora a qualidade nutricional do grão, através da menor deposição de aminoácidos essenciais. Considerando-se que as dietas são formuladas para teores de aminoácidos digestíveis, e não para proteína bruta, aconselha-se a não desperdiçar recursos com análises de proteína bruta, pois ela é de pouca importância prática na avaliação de partidas de milho. A cor do milho não afeta seu valor nutricional. A diferença básica entre um milho branco e um milho amarelo, ou alaranjado, são as concentrações de carotenóides e xantofilas, as quais são maiores no milho amarelo com coloração mais intensa. Do ponto de vista nutricional essas características per-


Tabela 4. Número de amostras (valor absoluto e percentual), média valor máximo e valor mínimo (ppb) em função do tipo e concentração de micotoxinas em milho no Brasil, em 2016 e 2017 1 Tipo e Concentração de Micotoxinas

N (valor absoluto e percentual)

Média

Valor Mínimo

Valor Máximo

ND2

194 (53,01%)

0

0

0

<20 ppb

145 (39,62%)

2,29

1,01

14,50

27 (7,38%)

61,51

26,97

127,20

0

0

0

0

366 (100,00%)

5,22

0

127,20

1 (1,54%)

0

0

0

50 (76,92%)

487,06

220,00

930,00

>1000ppb

14 (21,54%)

1277,14

1010,00

1800,00

Total

65 (100,00%)

657,23

0

1800,00

ND

52 (53,06%)

0

0

0

≤ 100 ppb

43 (43,88%)

20,18

10,10

68,40

Aflatoxinas

20<ppb<1000 ≥ 1000ppb Total Deoxinivalenol ND ≤ 1000 ppb

Tricotecenos (T2)

>100 ppb

3 (3,06%)

172,67

124,60

237,20

Total

98 (100,00%)

14,14

0

237,20

ND

90 (23,81%)

0

0

0

≤ 5000 ppb

257 (67,99%)

1622,88

210,00

4910,00

> 5000 ppb

31 (8,20%)

8148,71

5190,00

22490,00

378 (100,00%)

1771,67

0

22490,00

Fumonisina

Total Ocratoxina A (OTA)

65 (90,28%)

0

0

0

≤ 50 ppb

ND

7 (9,72%)

4,87

2,10

8,85

>50 ppb

0

0

0

0

72 (100,00%)

0,47

0

8,85

Total Zearalenona (ZEA) ND

66 (61,68%)

0

0

0

≤ 500 ppb

40 (37,38%)

72,01

20,70

483,10

>500 ppb

1 (0,93%)

857,10

857,10

857,10

107 (100,00%)

34,93

0

857,10

Total

1 Dados, de 1086 análises, gentilmente cedidos pelo CBO Análises Laboratoriais, Valinhos, SP; 2 ND = não detectado.

dem importância quando a vitamina A é adicionada às dietas, o que é uma medida imprescindível para a produção de aves e suínos e ocorre rotineiramente.

O milho preferido para a produção de aves é o amarelo. O milho é o ingrediente utilizado em maior quantidade na alimentação de aves de corte e pos-

tura, contribuindo para a pigmentação de carcaças e ovos. Essa característica é economicamente importante, pois há demanda dos consumidores por frangos e gemas de ovos com coloração amarela de intensidade forte. A colheita do milho deve acontecer tão logo os grãos atinjam os teores de umidade adequados (20 a 24 % para a colheita mecânica e 18 a 22 % para colheita em espiga). Desta forma, as perdas pelo ataque de roedores, insetos e fungos são reduzidas significativamente e diminui os problemas de pós - colheita, havendo melhor qualidade do produto e menor grau de infestação inicial. O milho colhido deve ser secado imediatamente. O teor elevado de umidade dá condições ao desenvolvimento de microrganismos e aumenta as perdas de peso devido ao aceleramento do processo respiratório dos grãos, causando elevação da temperatura e deterioração do produto. Recomenda-se utilizar temperatura de secagem de 90ºC. Com esta temperatura o grão atinge um aquecimento em torno de 45ºC, o que não causa nenhum dano à sua integridade. Temperaturas mais elevadas (entre 90ºC e 140ºC) podem causar injúrias como quebras e fissuras nos grãos, prejudicando a qualidade de estocagem. A umidade recomendada para o armazenamento é de 13 a 14% quando a granel.

Correlação entre os nutrientes do milho Pesquisadores da Universidade de Illinois avaliaram a digestibilidade de aminoácidos em partidas de milho com diferentes teores de óleo (3,8%; 5,2%; 6,0%; 8,6%) em galos cecotomizados. Eles observaram que as amostras com maiores teores de óleo (6,0% e 8,6%) apresentaram maior digestibilidade verdadeira para ácido aspártico, treonina, serina, glicina, prolina, alanina, valina, leucina, arginina, cistina e isoleucina. Na média, as amostras com maiores teores de óleo obtiveram uma diferença positiva de 10% para os valores de digestibilidade verdadeira dos aminoácidos. No mesmo experimento verificou-se que a disponibilidade de lisina e energia metabolizável verdadeira foram maiores na amostra com Revista do Ovo

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Nutrição maior teor de óleo. Ao analisar os dados das análises bromatológicas das amostras de milho utilizadas, os pesquisadores verificaram que os teores de proteína bruta não se correlacionaram com os teores de óleo. Entretanto, os teores de lisina aumentaram (2,78%; 3,03%; 3,05%; 3,48%) conforme se aumentou os teores de óleo. Com estes resultados, os autores sugeriram a possibilidade de a proteína do gérmen apresentar melhor digestibilidade para aves. Também se deduziu ser possível que o maior teor de óleo nas amostras contribuiu para a maior disponibilidade dos aminoácidos. Em pesquisa realizada por nós na Embrapa Suínos e Aves foram coletadas 1021 amostras de milho (Tabela 2), em diferentes regiões do Brasil, no ano de 1999. Estas amostras foram individualmente homogeneizadas e analisadas quanto aos teores de matéria seca, proteína bruta e óleo através de espectroscopia de reflectância do infravermelho próximo (NIR). Com base nestes resultados, as amostras foram classificadas por ordem de teor de extrato etéreo e 80 amostras foram selecionadas de maneira a representar toda a população original, as quais foram analisadas quimicamente para óleo, proteína bruta, fibra bruta, cinza, matéria seca e aminoácidos, de acordo com metodologias recomendadas pela AOAC. A partir dos resultados obtidos, verificou-se que a grande maioria dos valores de correlação entre os nutrientes analisados foram baixos (Tabela 3), inclusive entre proteína bruta e aminoácidos. Esta constatação demonstra a falta de precisão de equações de predição do teor de aminoácidos em função do conteúdo de proteína bruta.

Milho com alto teor de óleo As variedades e os híbridos de milho com alto nível de óleo foram estudados por décadas pelos melhoristas norte americanos, com maior intensidade entre os anos de 1995 e 2005. Esses genótipos mostraram-se importantes para a moderna indústria de alimentos para animais porque continham mais energia do que o milho comum. Existem vários relatos na lite-

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Revista do Ovo

ratura sobre a variabilidade no teor de óleo no milho. Em alguns artigos são relatadas variações de 2,9 a 13,1% de óleo, observando-se uma nítida vantagem econômica com a formulação de rações, principalmente para aves, em aumentar-se o teor de óleo do milho. Não resta dúvida que a melhoria da qualidade genética do milho representa, per si, um aumento da competitividade da indústria animal. Como a maior parte do óleo se concentra no gérmen, ou embrião, do milho, normalmente observa-se que genótipos de teor mais alto de óleo apresentam maior gérmen, estabelecendo uma associação positiva entre tamanho de gérmen e conteúdo em óleo. A seleção para aumento de óleo no milho tem ocorrido com concomitante aumento de proteína bruta devido ao aumento do tamanho do embrião. Esse incremento é da ordem de 1,3% quando o conteúdo de óleo é elevado em 3,5%. Da mesma forma, o teor de aminoácidos, como a lisina e o triptofano, apresenta associação positiva com tamanho de gérmen e, por conseguinte, teor de óleo. Foi demonstrado que o milho alto óleo para frangos de corte apresenta maior teor de óleo e aminoácidos com incremento na energia metabolizável de 6,4 % do que a do milho comum. Foi observado em outras pesquisas que genótipos de milho alto óleo com até 132 % mais óleo e 8% mais energia metabolizável do que o milho convencional para suínos em crescimento. O maior enfoque em cultivares e híbridos de valor nutricional agregado traz consigo vantagens diferenciais na qualidade do milho que asseguram maior lucratividade aos setores de produção vegetal e animal. Na safra 1999, os produtores norte americanos de milho alto óleo receberam prêmios da ordem de US$5,91 a US$9,84/tonelada de milho alto óleo produzido, dependendo do teor de óleo nos grãos, segundo o U.S. Feed Grains Council. Segundo alguns autores, o milho alto óleo proporcionou maior valor agregado por bushel, em relação ao milho convencional, o qual variou de US$0,38 a US$0,77 para dietas de perus ou poedeiras. Além disso, há outras

vantagens para os produtores de aves e suínos: (a) redução no transporte e armazenamento com grãos, uma vez que é necessária uma menor quantidade de grãos por unidade de produção; (b) melhora na eficiência alimentar dos animais, devido ao menor incremento calórico produzido pelo óleo; e (c) redução da poeira na fábrica de rações e nas instalações com animais, reduzindo as perdas de ingredientes e incidência de doenças respiratórias. Um aspecto importante do uso de milho alto óleo é que ele promove uma maior produção de energia e proteína por ha sem necessidade de aumento dos níveis de adubação. Essa característica é desejável não só do ponto de vista social, pois abriria maiores oportunidades para os pequenos produtores, como também na visão ambiental, já que é necessária uma menor área para produzir a mesma quantidade de nutrientes, quando comparado aos grãos tradicionais. Foram desenvolvidas na Embrapa Suínos e Aves diversas pesquisas com grãos de alta concentração em nutrientes para reduzir o custo de produção de suínos e aves (Projeto 04.1999.301 Identificação e avaliação de cultivares de grãos de alta densidade em nutrientes para produção de aves e suínos). O principal objetivo desta linha de pesquisa foi identificar linhagens, variedades e híbridos de milho com alto teor de óleo para subsidiar os programas de melhoramento de empresas públicas e privadas para que os produtores brasileiros pudessem disponibilizar milho alto óleo ao mercado brasileiro de rações, para que a avicultura e suinocultura nacionais aumentassem o seu poder competitivo. O projeto identificou genótipos promissores, inclusive híbridos de milho comerciais, com altos níveis de óleo (6-6,5%). Uma das empresas parceiras do projeto lançou dois híbridos de alto óleo para validação em plantio comercial. Embora os resultados de produtividade e teor de óleo fossem muito promissores, comparados aos genótipos norte americanos, o mercado não se dispôs a pagar um prêmio aos produtores, demonstrando que não tinha capacidade para assimilar uma alta tecnologia, como essa, naquela oportunidade. A falta de pagamento de


um prêmio ao produtor de milho, baseado no teor de óleo, desanimou o setor produtivo e a empresa retirou os genótipos do mercado.

A preocupação com micotoxinas A principal preocupação dos produtores com o milho é a falta do grão no mercado. Entretanto, a presença de micotoxinas nos grãos constitui-se na segunda maior preocupação. As micotoxinas são metabólitos produzidos por fungos que prejudicam a saúde do homem e dos animais. Sua produção ocorre nas fases de pré colheita em condições favoráveis ao desenvolvimento fúngico e ao longo do período pós-colheita, quando o milho não é conservado em boas condições. Elas constituem grande ameaça a toda a cadeia de produção de alimentos e vem sendo utilizada como critério de restrição à importação por outros países e na comercialização pelas grandes empresas do setor. A presença de micotoxinas não é uma exclusividade do milho, podendo aparecer em outros grãos, seus subprodutos e de outros alimentos. Além disso, a falta de limpeza durante os processos de secagem, armazenagem e no próprio preparo das dietas na fábrica de rações constituem-se em importantes fatores que contribuem para a contaminação. Entretanto, quando ocorre o problema, o setor de produção de aves e suínos normalmente culpa o milho em primeiro lugar, pois ele é o ingrediente mais utilizado nas dietas. A ocorrência do problema pode ser reduzida escolhendo-se genótipos que proporcionem bom empalhamento de espigas ou tenham a presença de genes resistentes ao ataque de insetos, além do emprego de práticas de manejo que reduzam a quebra e os danos nos grãos. Na fábrica de ração este problema tem sido contornado parcialmente pelo uso de adsorventes de micotoxinas ou através da diluição da concentração do ingrediente contaminado com a toxina. Uma forma eficaz de redução do efeito prejudicial de algumas das micotoxinas é a pré limpeza dos cereais na chegada da fábrica de rações e o uso de mesas densimétricas, que separam os grãos mais densos daqueles chochos ou fragmentos de grãos. Mesmo que o milho seja comprado já com pré limpeza feita no silo de armazenagem do fornecedor, a limpeza na fábrica de rações é essencial para a melhoria da qualidade do alimento. O desenvolvimento de fungos no milho armazenado depende principalmente das condições de umidade, temperatura, nível inicial de contaminação e condições físicas dos grãos. A atividade fúngica pode estar associada à produção de micotoxinas. As mais frequentes no milho são a zearalenona, fumonisina e a aflatoxina. A presença de micotoxinas no alimento não está diretamente associada à presença de fungos, pois pode haver presença de fungos sem que haja produção de toxinas e estas podem permanecer no alimento mesmo após o desaparecimento dos fungos.

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Nutrição

Recentemente, estudou-se a ocorrência e quantificação das principais micotoxinas em milho para se verificar se apresentam risco à saúde humana e animal. O monitoramento foi realizado a partir de amostras analisadas em laboratório de controle de qualidade de alimentos nos anos de 2016 e 2017. Foram realizadas 1086 análises micotoxicológicas quanto às aflatoxinas, tricotecenos – T2 e deoxinivalenol, fumonisina, ocratoxina e zearalenona, utilizando-se o método ELISA (Tabela 4). Para poedeiras, os níveis aceitáveis (não produzem alterações clínicas e de desempenho) de micotoxinas isoladas em dietas animais, compilados da literatura e da legislação brasileira são de 20 µg/kg (ppb) para aflatoxinas, 500 ppb para zearalenona, 50 ppb para ocratoxina, 5000 ppb para fumonisina, 1000 ppb para deoxinivalenol e 100 ppb para tricotecenos. Considerando os resultados obtidos no presente trabalho e as pesquisas realizadas na literatura, é possível afirmar que as quantidades encontradas são difíceis de serem consideradas problemáticas do ponto de vista nutricional, se usadas na ração de ani-

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mais de produção de alimentos. Por exemplo, certas toxinas (tricotecenos) são mais toleráveis pelos frangos, ao passo que suínos devem receber dietas isentas de outras micotoxinas, pois são mais suscetíveis a doenças. Assim, as análises micotoxicológicas realizadas durante 2016 e 2017 mostraram que 43,1% dos resultados foram negativos. Das amostras positivas, de 78 a 100% estiveram abaixo do limite tolerável, não acarretando em prejuízo à saúde dos animais ou humana. Os fatores que podem ter contribuído para a menor ocorrência de micotoxinas no milho são: 1) Uso de genótipos BT, com maior resistência ao ataque a insetos; 2) Melhoria na operação de colheita como o emprego de colheitadeiras axiais; 3) Encurtamento do ciclo de produção do milho; 4) Colheita antecipada, com grãos com maior teor de umidade; 5) Melhores condições de secagem e armazenagem; 6) Maior uso de limpeza de grão e separação por densidade;

Não se inclui aqui, o desenvolvimento de aglutinantes de micotoxinas, que foram importantes para reduzir os problemas para os animais, mas não tem influência direta sobre a qualidade do milho.

Classificação Os defeitos e imperfeições que podem aparecer no milho são: - Grãos carunchados - São os grãos ou pedaços de grãos furados ou infestados por insetos vivos ou mortos. - Grãos ardidos - São os grãos ou pedaços de grãos que perderam a coloração característica, em mais de ¼ do tamanho do grão. - Grãos brotados - São os grãos ou pedaços de grãos que apresentam germinação visível. - Impurezas e fragmentos - São os detritos do próprio produto, bem como os fragmentos que vazam numa peneira de crivos circulares de três mm de diâmetro. - Matérias estranhas - São os grãos ou sementes de outras espécies, bem como os detritos vegetais, sujidades e corpos estranhos de qualquer natureza,


não oriundos do produto. Os valores de energia metabolizável dos grãos quebrados são em geral 2,5% menores. Por outro lado, a presença de matérias estranhas junto com os grãos de milho reduz o teor de energia do milho, tendo sido observados resultados variados, que chegaram a uma diminuição de até 11% no valor de energia metabolizável, quando comparado aos grãos inteiros. A densidade da amostra de milho constitui-se em outro parâmetro importante, mas que não é utilizado para a comercialização. Quanto maior a densidade, definida como o quociente entre a massa e o volume desse corpo, maior é o valor energético do milho e menor é o custo de produção de aves e suínos. A densidade é facilmente determinada e utilizada há muitos anos para a comercialização de cereais de inverno como o trigo, triticale e cevada. O ataque de insetos afeta a composição química do milho. A infestação por carunchos (Sitophilus zeamais), nas

fases iniciais, promove redução do teor de extrato não nitrogenado pelo fato do caruncho consumir preferencialmente o endosperma, rico em amido. Nos níveis mais elevados de infestação, os insetos atacam também o embrião. Neste estágio, os teores de proteína bruta e óleo são reduzidos.

A evolução genética do milho Amino ácidos – Pesquisadores da Purdue University, Estados Unidos, descobriram, em 1964, que um mutante de milho, denominado opaco 2, apresentava grãos com cerca de 50% mais lisina e triptofano, aumentando o valor biológico da proteína do milho. Contudo, esses cultivares de milho opaco 2 não foram adotados pelos agricultores por terem menor produtividade e densidade, apresentarem grãos com textura farinácea, pulverulentos quando moídos, além de mais suscetíveis ao ataque de insetos e fungos, comparados ao milho comum. Outro mu-

tante, o floury-2, resultou na produção de endosperma com maior teor de lisina e metionina. Nos dois casos os teores de triptofano foram maiores em relação ao milho comum. Essas mudanças ocorreram devido à redução da síntese de zeína, fração da prolamina, do milho, que possui baixos teores de lisina, e um aumento das frações de globulina e de albumina, que são frações mais ricas em lisina que a prolamina. Além disso, houve um aumento dos teores de aminoácidos livres. Outra mudança observada nestes grãos foi o maior embrião do milho opaco-2. Para amenizar as características negativas, pesquisadores do Centro Internacional de Melhoramento de Milho (CIMMYT) no México, desenvolveram novos híbridos de milho chamados de QPM (“quality protein maize”) através de esquemas de cruzamentos e seleção recorrente. Esses novos materiais genéticos tornaram-se viáveis pela melhoria nas características dureza e densidade do grão, menor susceptibilidade aos

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Nutrição fungos e insetos e maturidade antecipada. Na Embrapa Milho e Sorgo foi desenvolvido o BR – 451, adaptado às condições brasileiras, a partir de material genético oriundo do CIMMYT. Milho Alto Óleo - Outra característica que se buscou no melhoramento genético do milho foi o teor de óleo. Este é depositado quase exclusivamente na porção do escutelo do gérmen. O conteúdo de óleo no grão é afetado pela posição do grão na espiga, podendo ser encontradas variações de 0,1% a 0,6% entre grãos da base, do meio e do topo da espiga, sendo que as porções mais elevadas em óleo eram encontradas no meio dela. Estes grãos, além de possuírem mais óleo, costumam ser mais uniformes em tamanho, comparados aos grãos maiores na base e os menores ao topo da espiga. O teor de óleo é uma característica de alta herdabilidade. Na Universidade de Illinois, nos estados unidos, após 85 gerações de seleção para alto óleo e baixo óleo, foram obtidos

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valores de 20,4% para a seleção de altos teores de óleo e 0,3% para a seleção de baixos teores de óleo. Constatou-se que o tamanho do germe e a porcentagem de óleo no germe aumentaram, mas o endosperma e o peso dos grãos diminuíram, bem como a produtividade. Desta maneira foi possível aumentar a porcentagem de óleo no grão aumentando-se o tamanho do gérmen e reduzindo-se o tamanho do endosperma. Milho com maior fósforo disponível - Uma das grandes ameaças à produção animal é o potencial poluente dos dejetos produzidos. O fósforo é um nutriente essencial ao crescimento dos animais e também um dos elementos com maior potencial poluente, já que os alimentos vegetais apresentam a maior parte desse mineral na forma fítica, que possui baixa disponibilidade. O milho, um dos maiores ingredientes das rações, apresenta menos de 15 a 30% do fósforo total disponível aos animais. Isso obriga à suplementação de fósforo com fontes de alta disponibilidade, como o fosfato bicálcico, para atender à exigência dos animais. Dois mutantes de milho com menor teor de ácido fítico foram desenvolvidos e apresentam 33% e 66% menos fósforo na forma fítica no grão, comparado ao milho comum. Esses híbridos são fenotipicamente iguais aos híbridos comuns, mas os grãos contém menor quantidade de fósforo fítico no gérmen do grão com pouco efeito sobre o conteúdo total de fósforo. Esses grãos apresentam excelentes perspectivas de aplicação na alimentação animal com o objetivo de reduzir o poder poluente dos dejetos produzidos. Embora esses materiais fossem desenvolvidos, o seu uso comercial foi inviabilizado pelo amplo emprego da enzima fitase, que catalisa a disponibilização de fósforo fítico, em praticamente todas as dietas de monogástricos. Materiais obtidos por transgenia - No Brasil, a primeira onda de grãos geneticamente modificados foi lançada em 1998, mas o primeiro evento de milho foi aprovado em 2007 (Liberty Link, evento T25), com tolerância ao herbicida glufosinato de amônio. No mesmo ano, o evento MON810 (Guardian) foi aprovado, contendo o


gene cry1Ab de Bacillus thuringiensis. Este gene codifica a proteína Cry1Ab, que é tóxica para as pragas de lepidópteros. Em 2011 foram aprovados três eventos, sendo que um combinou resistência aos insetos das ordens Lepidoptera e Coleoptera, além da tolerância ao glifosato. Até 2013, foram lançados 18 eventos para milho, que geraram 783 genótipos desenvolvidos e registrados para milho. Embora haja relatos de seleção de genótipos transgênicos com maior conteúdo em determinados nutrientes, nenhum evento com enfoque em composição nutricional diferenciada foi lançado comercialmente. Da mesma forma, mas em estágio mais preliminar, tem sido relatado o desenvolvimento da resistência do milho à contaminação por micotoxinas, no caso aflatoxina, na fase pré-colheita. A estratégia de resistência do milho ganhou maior enfoque devido aos avanços na identificação de traços de resistência natural. No entanto, a resistência nativa na contaminação do milho para os fungos produtores de aflatoxina é poligênica e complexa e, portanto, os marcadores precisam ser identificados para facilitar a transferência de traços de resistência em origens genéticas agronomicamente viáveis, ao mesmo tempo em que limitam a transferência de características indesejáveis.

Impacto sobre a formulação das dietas para aves O milho representa cerca de 70% do custo das dietas para aves. O milho é a fonte mais importante de energia para esses animais e os teores de óleo e amido representam grande impacto no valor nutricional desse grão e nos custos das dietas. Assim, maior importância deveria ser dada às variações na composição nutricional do milho, especialmente no teor de óleo, ajustando-se a composição nutricional do milho nas planilhas de formulação das dietas. Na prática, observa-se que os técnicos não fazem ajustes na matriz de composição nutricional do milho ao longo do tempo quando se utilizam diferentes partidas do grão na formulação de dietas para aves e suínos. Esta atitude seria procedente se a composição do milho fosse constante, o que não é. O fato da amplitude dos teores de óleo ter sido reduzida ao longo dos últimos anos, assim como a variabilidade, não dispensa a atenção que tem que ser dada ao monitoramento desta característica e adequação das fórmulas. A granulometria do milho, ou seja, o grau de finura com que esse grão é moído é de fundamental importância para o aproveitamento dos nutrientes pelas aves e suínos. O grau de moagem do milho determina alterações nos valores de energia metabolizável em função da maior ou menor exposição dos nutrientes aos processos digestivos. Em geral, quanto mais fino o tamanho das partículas do milho maior a digestibilidade e maior o consumo de energia elétrica demandado na moagem. Assim, é muito importante que o milho seja moído a uma granulometria que consuma o mínimo de energia elétrica e proporcione máximo desenvolviRevista do Ovo

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Nutrição

mento dos animais. Entre os fatores que influenciam a granulometria, no processo de moagem em moinhos a martelo usados na maioria das propriedades, citam-se: diâmetro dos furos da peneira, área de abertura da peneira, velocidade de rotação e número de martelos, distância entre martelos e peneira, fluxo de moagem e teor de umidade do milho. Com base nas análises de 1021 amostras de milho coletadas pela Embrapa Suínos e Aves (Tabela 2) e analisadas usando o NIR, foram escolhidas 80 amostras que representasse toda a população, baseado no teor de óleo, e realizadas análises químicas para determinação da composição bromatológica e de aminoácidos, estes analisados por HPLC. Das 80 partidas de milho, nove amostras foram descartadas durante a análise estatística por serem consideradas amostras discrepantes (“outliers”), ou seja, sua composição apresentava pelo menos um nutriente com valor tão discrepante que não permitia ser reconhecido como milho. No cálculo dos valores de EM do

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Revista do Ovo

milho, tomou-se como base uma pesquisa desenvolvida na Embrapa Suínos e Aves, na qual foi demonstrado que cada acréscimo de 1% de óleo na composição média do milho correspondia a um aumento de cerca de 50 kcal de energia metabolizável/ kg. Os preços dos ingredientes foram aqueles praticados em 2005. Tem sido relatado que os níveis de inclusão de óleo na ração alteraram significativamente a produção de ovos. Tem sido observado que à medida que se incrementa o nível de o óleo na dieta, a produção e a massa de ovos aumentam. Isso ocorre, possivelmente, em virtude da melhor utilização da energia da ração contendo níveis crescentes de óleo, pela diminuição do incremento calórico. Este efeito é especialmente desejável em condições de calor, quando se espera redução no consumo de ração.

Conclusões As cadeias produtivas de animais e milho apresentam grandes áreas de interseção e deveriam buscar objetivos que contemplem o crescimento

conjunto de todos esses setores. Como as aves são os maiores clientes do milho, há necessidade de adequação de grãos com qualidade necessária para manter ou aumentar a competitividade da produção desses animais. Nos Estados Unidos o setor de grãos com alto valor agregado, cresceu muito até o setor de produção de álcool demandar grande parte da produção e determinar que “quantidade” fosse mais importante que “qualidade”. Essa busca por maior oferta de milho favoreceu ganhos tecnológicos voltados predominantemente para as características agronômicas, em vez de características nutricionais. Mesmo assim, houve uma evolução nutricional do milho, uma vez que ocorreu redução na variabilidade da composição nutricional, embora o teor de óleo e aminoácidos tenha caído ao longo dos anos, e pela redução de ocorrência de micotoxinas. Conclui-se que o milho transformou-se em ingrediente de qualidade menos variável, com menor teor de micotoxinas, facilitando a formulação das dietas de poedeiras, frangos e suínos.


Mercado / CEPEA

Atratividade do mercado doméstico freia exportações em março Autores: Marcos Debatin Iguma1, Juliana Ferraz1, Claudia Scarpelin1 e Sergio De Zen2 1) Analistas da Equipe de Ovos, Aves e Suínos; 2) Professor Dr. da Esalq e pesquisador responsável pela área de pecuária do Cepea, da Esalq/USP.

MERCADO EXTERNO Após terem registrado bom desempenho em janeiro e em fevereiro, as exportações brasileiras de ovos in natura recuaram em março. Colaboradores do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, indicam que esse enfraquecimento das vendas externas pode estar atrelado à maior atratividade do mercado doméstico, que registrou demanda elevada por ovos, devido ao período de Quaresma. Embora o volume embarcado tenha se reduzido em março, o setor de ovos tem expectativa de recuperação nas vendas externas ao longo

de 2018. Agentes consultados pelo Cepea se fundamentam nos recentes surtos de Influenza Aviária (IA) reportadas pelo mundo, que podem direcionar demandantes externos ao Brasil. De acordo com dados da Secex, em janeiro, as exportações somaram quase 1.20 0 toneladas, volume 21,2 % superior ao embarcado no mesmo período de 2017 e quase cinco vezes mais que em dezembro/17. Ainda que os preços dos ovos brasileiros estivessem ligeiramente mais baixos naquele mês, a US $ 1.081,69/tonelada, a receita com exportações foi de

US $ 1,3 milhão no primeiro mês do ano. Em fevereiro, exportações se desaceleraram, com redução de 226 toneladas no volume enviado. Já em março, as exportações do produto in natura recuaram ainda mais, somando apenas 462 toneladas no mês, 52,55% a menos que em fevereiro, rendendo ao setor US$ 465.715, ainda de acordo com a Secex. Para o setor exportador, os números representaram grande ânimo para obter maior receita e recompor o caixa para a cadeia, prejudicada pelas quedas nos preços domésticos praticamente desde junho do ano passado.

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Mercado / CEPEA

MERCADO EM MARÇO Demanda aquecida impulsiona cotações dos ovos tipo extra Os preços dos ovos brancos e vermelhos subiram ao longo de março, influenciados especialmente pela demanda aquecida. Segundo levantamentos do Cepea, a média de preços da caixa de 30 dúzias de ovos tipo extra, brancos, negociada em Bastos (SP), passou de R$ 74,64 em fevereiro para R$ 84,49 em março, alta de expressivos 13,2 % . O produto ver-

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melho passou de R$91,00 /cx para R$ 104,41/cx, aumento de 14,7% no mesmo comparativo. Esse movimento foi generalizado em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea no período. Geralmente, a demanda tende a se aquecer nesta época do ano, devido à Quaresma. Além disso, a oferta de ovos esteve mais restrita, especialmente a de vermelhos. Tal comportamento do mercado se refletiu em uma diferença recorde entre os preços do

produto branco e vermelho, de expressivos 22,33 reais por caixa de 30 dúzias, na região de Bastos (SP), considerando-se toda a série do Cepea, iniciada em 2013. A menor disponibilidade de ovos, por sua vez, se deve ao forte calor e aos elevados custos de produção, especialmente dos insumos para ração, como o milho e farelo de soja. Ainda que as vendas tenham se aquecido significativamente em março, neste ano, o balanço final do período de Quaresma não foi tão animador para o avicultor de postura. Quando analisado o período de 40 dias de tradição religiosa deste ano, que ocorreu entre 14 de fevereiro e 29 de março, os patamares de preços estão inferiores aos da Quaresma de 2017 (entre 1º de março e 13 de abril), movimento pautado pela restrição de oferta registrada nos primeiros meses de 2017, que elevou as cotações naquele período. Pelo fato de a Quaresma ter ocorrido mais cedo em 2017, quando o calor e os descartes são tipicamente mais intensos, a oferta de ovos foi menor e manteve as cotações elevadas até o final do período religioso. Segundo dados do Climatempo, em fevereiro de 2017, foram registrados 13 dias consecutivos com temperatura média superior a 31ºC, o que impactou na mortalidade de galinhas e produção de ovos. Na Quaresma deste ano, o valor médio da caixa de 30 dúzias do ovo tipo extra, branco, a retirar na região de Bastos (SP), foi de R$ 82,32, queda de 10,7% frente ao da Quaresma de 2017. No mesmo comparativo, para o ovo tipo extra, vermelho, a queda foi de 7,4% , com média de R$ 101,69/cx neste ano. Desde o dia 29 de março, o mercado de ovos comerciais sinaliza estabilidade em patamares de preços mais baixos. Na parcial de abril (até o dia 10), os preços médios dos ovos brancos se sustentam a R$ 81,76/cx, desvalorização de 3,2% frente aos de março, na região de Bastos.


Revista do Ovo

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Informativo Técnico Comercial

Métodos de Debicagem A debicagem é uma prática comum e necessária na avicultura industrial brasileira Autora: Jéssica Russo, Nutricionista de Aves de Postura na Agroceres Multimix

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avicultura industrial passou por inúmeras transformações, como o aumento do volume de produção mundial para atender à crescente demanda por produtos e subprodutos dessa atividade e os diferentes níveis de exigência dos consumidores. O grande crescimento da avicultura brasileira é atribuído às novas tecnologias, melhoramento das linhagens, sanidade e nutrição das aves. Com isto, a indústria conseguiu aumentar o seu potencial de produção para disponibilizar aos consumidores uma fonte proteica saudável a um custo baixo (Rodrigues, 2016). Nas explorações avícolas de postura, os índices de produtividade são influenciados pela hierarquização social, que mediante a intensificação da produção originam plantéis suscetíveis à agressividade e ao canibalismo (ARAÚJO et al., 2000). A manifestação desse tipo de comportamento pode estar associada à forma do bico, a intensidade da luz, predisposição genética para agressividade, idade, nutrição, densidade na gaiola ou piso e hierarquia das aves dentro do grupo (MAZZUCO, 2008). A seleção genética para produção de ovos está indiretamente associada, em determinadas linhagens, às características negativas de comportamento, como a agressividade. Um dos maiores problemas enfrentados pela maioria dos produtores é, sem dúvida, a incidência de canibalismo no plantel, que pode variar consideravelmente, sendo que sua ocorrência se torna imprevisível, pois diversos fatores contribuem para esse comportamento (MAZZUCO, 2008).

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Revista do Ovo


Nesse contexto, a prática do manejo de debicagem é o método mais eficiente nos sistemas produtivos, principalmente para reduzir o canibalismo e arranque de penas, diminuir a quebra de ovos, seleção e desperdício de ração, melhorando a conversão alimentar, comportamento das aves e reduzindo mortalidade (ROCHA et al., 2008; ARAÚJO et al., 2005). Entretanto, a debicagem apresenta desvantagens sob a ótica do bem-estar animal, alegando que é um procedimento que vai contra o bem-estar das aves, pois causa estresse, dor e, após este procedimento, as aves passam por um período em que não conseguem se alimentar normalmente, ocorrendo perda de peso e diminuição de seu desempenho produtivo. No entanto, é um manejo importante e essencial na avicultura de postura, pois não há uma alternativa viável que reduza efeitos negativos causados pelo canibalismo, arranque de penas, bicagem de ovos e mortalidade.

Convencional por lâmina quente A debicagem é um manejo realizado na fase de crescimento das aves, que influencia diretamente no desenvolvimento e na qualidade das frangas. Um dos maiores desafios para os criadores de poedeiras é atingir um nível de debicagem adequado, sendo esta uma característica primordial para seu sucesso (HUNTON, 1998). O estresse resultante do mau procedimento e de falhas na debicagem pode afetar a produção inicial de ovos. O método convencional de debicagem com utilização de lâmina quente é o mais empregado pela maioria das granjas, porém, apesar de seus efeitos benéficos, sua metodologia demonstra controvérsias no que diz respeito ao bem-estar das aves (GENTLE, 2011; DENNIS & CHENG, 2010;). Essa prática de manejo consiste no corte e na cauterização do bico da ave com lâmina quente, sendo ideal realizá-lo com sete a oito dias de vida do animal, e quando houver necessidade da redebicagem deve ser feita até a 12ª semana de idade.

Radiação Infravermelha Nos últimos anos, alguns métodos alternativos e menos agressivos vêm sendo testados para melhorar o bem-estar das aves. Como exemplo, podemos citar o tratamento de bico realizado por meio de radiação infravermelha no primeiro dia de vida da ave no incubatório. Essa metodologia consiste na exposição do bico de pintainhas à luz infravermelha, que é utilizada para tratar o tecido córneo da ponta do bico. Dessa forma, há queda gradual do bico. Em aproximadamente 10 dias a ponta do bico amolece e cai, sem cortes que possam favorecer a entrada de patógenos ou gerar sangramentos, proporcionando tempo para o animal adaptar-se à alteração de tamanho e forma do mesmo, o que não é observado ao se debicar uma ave por meio do método de lâmina quente (DENNIS et al., 2009). Nesse método também é necessário realizar a segunda debicagem, em torno de 70 dias de vida das aves. Por se tratar de um método automatizado, esse tipo de debicagem oferece precisão no tratamento e uniformidade de corte do bico, minimizando, assim, o erro do operador. Por se tratar de uma tecnologia menos traumática, espera-se que tenha melhor aceitação sob o ponto de vista do bem-estar animal. Segundo Honaker & Ruszler (2004), sua aplicação no incubatório representa menor custo, quando comparada ao método convencional realizado na granja. Enquanto um profissional experiente no processo de debicagem convencional por LQ consegue debicar de 1000 a 1200 pintainhas/hora, no sistema automático por RI estima-se a debicagem de 4000 mil aves/hora (NOVA-TECH ENGINEERING, 2012).

A debicagem é o método mais eficiente nos sistemas produtivos, pois reduz o canibalismo e arranque de penas, a quebra de ovos, seleção e desperdício de ração, melhora a conversão alimentar, o comportamento das aves e reduz a mortalidade

Debicagem em V Também tem-se adotado a debicagem V nas granjas, mas ainda são escassas as pesquisas sobre a realização dessa debicagem, em que é utilizado o debicador Verschuuren que realiza movimento de corte transversal com uma lâmina que no centro possui um formato em V. Essa técnica apresenta vantagens em relação à debicagem Revista do Ovo

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Informativo Técnico Comercial

A debicagem é um manejo realizado na fase de crescimento das aves, que influencia diretamente no desenvolvimento e na qualidade das frangas

por lâmina quente e radiação infravermelha, porque elimina a segunda debicagem que é a mais estressante e dolorosa devido à idade da ave, justificando ser um método que merece ser estudado.

Desgaste natural do bico Existem pesquisas que enfocam métodos menos invasivos para a ave, que é a utilização de materiais abrasivos dentro dos comedouros, que promovem o desgaste natural do bico cada vez que a ave se alimenta (VAN de WEERD, 2006). Essa técnica procura reproduzir o que acontece na natureza quando as aves repetidamente ciscam e bicam o solo em busca de alimento. A ideia surgiu a partir de trabalhos de Tauson (1986), que objetivava atender normativas da União Europeia em relação à presença de dispositivos de desgaste de unhas em gaiolas para poedeiras. Já que não ocorre o corte do bico, o bem-estar das aves é a principal vantagem do método. Outro ponto positivo é que o manejo fica mais fácil, pois o desgaste do bico ocorre naturalmente, sem a necessidade direta de intervenção humana.

Conclusão A debicagem é uma prática comum e necessária na avicultura industrial brasileira, tendo como objetivo o favorecimento do consumo da ração balanceada, uniformidade do lote em padrões técnicos aceitáveis e redução da quebra de ovos, melhorando o desempenho e as condições de bem-estar das aves durante a vida produtiva, uma vez que evita o canibalismo e a mortalidade. Pela importância desse manejo, é necessário estudar métodos alternativos que sejam eficientes e, ao mesmo tempo, aceitáveis do ponto de vista do bem-estar das aves.

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Revista do Ovo

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Agronegócios

Condomínio Avícola contribui para redução de custos da ração para associados à Coopeavi A maior escala na compra de insumos e na produção de rações para atender o Condomínio acaba por garantir vantagens a todos os cooperados

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avicultura apresentou os melhores resultados da Cooperativa Agropecuária Centro Serrana (Coopeavi) em 2017 e está no foco dos investimentos para a expansão dos negócios em 2018. Estão previstos recursos na ordem de R$ 2,5 milhões, conforme anunciado na Assembleia Geral Ordinária, realizada em Santa Maria de Jetibá, região serrana do Espírito Santo. O destaque é o segundo grupo do Condomínio Avícola de Postura Comercial, que culminará com a abertura do terceiro galpão para novos alojamentos de poedeiras. Outros investimentos em avicultura atendem a Fazenda Sede da Coopeavi, a recria e comercialização de ovos, e também a construção de novos silos. Além disso, dados das unidades estratégicas de negócio da Coopeavi indicam aumento na produção de ração

Brandt: Para este ano, a Coopeavi pretende investir em torno de R$ 2,55 milhões só na área de avicultura

e na venda de caixas de ovos e ovos pasteurizados. Em 2017, a cooperativa comercializou um volume 24,5% a mais que em 2016 e registrou aumento de 8,4% na venda de caixas de ovos, com 30 dúzias cada, e 10,1% de ovos pasteurizados. Para o gerente executivo de produção da Coopeavi, Luís Carlos Brandt, o funcionamento pleno do Condomínio Avícola impactou nos resultados, beneficiando todos os avicultores ligados à cooperativa. “A perspectiva é o Condomínio continuar a ampliar a participação nos negócios da cooperativa. Os custos de fabricação e transporte de ração foram reduzidos para os produtores, mesmo os não cotistas, devido ao volume demandado pelo Condomínio”, afirma. O mesmo ocorre na fábrica de ração da cooperativa. De acordo com Brandt, o Condomínio Avícola partici-

O Condomínio Avícola funciona na localidade de Alto Caldeirão, zona rural de Santa Teresa, na região serrana do Espírito Santo. É o primeiro do país. O empreendimento fica localizado em uma área de 60 hectares a 15 km da sede administrativa da cooperativa, no município vizinho de Santa Maria de Jetibá. Com capacidade para alojar até 2,2 milhões de galinhas, a ideia é envolver os pequenos avicultores ligados à cooperativa. O condomínio visa modernizar o setor avícola local, priorizando principalmente os avicultores cooperados neste processo, facilitando o acesso destes a uma estrutura toda automatizada e aos benefícios de uma produção em escala. pa de pelo menos 20% do volume de ração demandado para a fábrica. “Esse volume de ração acaba por diluir todo o custo fixo isso da ração produzida, acaba por gerar a todos os avicultores associados à Coopeavi”, explicou o gerente. Ainda segundo ele, a cooperativa também anunciou a construção do terceiro galpão para alojamento de poedeiras. Atualmente, temos 200 mil aves alojadas, e a previsão até o fim de 2018 é de 300 mil aves em produção. “A maior escala na compra de insumos e na produção de rações para atender o Condomínio acaba por garantir vantagens a todos os cooperados envolvidos na cadeia da avicultura na cooperativa, inclusive aqueles que não participam das cotas do Condomínio, pois a estrutura é otimizada com a ampliação dos volumes promovida pelo condomínio, o que contribui para a diluição dos custos fixos da fábrica de rações e principalmente do entreposto de ovos”, concluiu. Revista do Ovo

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Nutrição

Fibra dietética na alimentação de frangas Nutricionalmente, o termo fibra dietética, é definido como a fração do alimento indigestível ou lentamente digestível no sistema digestório Autores: Ana Flávia Basso Royer¹, Larissa Paula Gomides³, Elieser Leão Espindola ², Karine Isabela Tenório², Rodrigo Garófallo Garcia², José Henrique Stringhini³ ¹ Instituto Federal do Mato Grosso do Sul, campus Nova Andradina – MS; ² Faculdade de Ciências Agrárias da Universidade Federal da Grande Dourados – MS; ³ Escola de Veterinária e Zootecnia da Universidade Federal de Goiás – GO

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aviculturaAtualmente, maior é a preocupação com aspectos fisiológicos e nutricionais de poedeiras, sobretudo no desenvolvimento e qualidade de frangas de reposição. Cuidados importantes no alojamento, manejo e nutrição são requeridos na fase de cria e recria das fêmeas assim como a busca pelo peso ideal das aves para iniciar a postura (Praes et al., 2014). Contudo, visando garantir condições corporais para a expressão do potencial genético das aves adotam-se comumente programas alimentares estabelecidos a partir da influência direta percebida pela ingestão de nutrientes no ganho de peso e desenvolvimento fisiológico das aves, principalmente na fase de crescimento (Scheideler et al., 1998). Para tal, a adoção de programas de alimentação que reduzem os níveis nutricionais da dieta em resposta ao crescimento da ave, tem possibilitado a adição de alimentos fibrosos para manutenção dos níveis energéticos da ração, evitando peso excessivo para o início da fase de postura. O hábito de ingestão de dietas com alto teor em fibras tem sido universalmente difundido nos últimos anos devido aos seus efeitos benéficos no aparelho digestório, no sentido de regularizar o trânsito intestinal, reduzir a consistência do bolo fecal, melhorar a fermentação do conteúdo intestinal e o trofismo da mucosa do cólon (Coppini et al., 2001). Nutricionalmente, o termo fibra dietética, é definido como a fração do alimento indigestível ou lentamente digestível no sistema digestório (Praes et al., 2014), considerando-se os componentes da dieta resistentes a ação das enzimas endógenas, podendo incluir oligossacarídeos de reserva e qualquer componente resistente a digestão enzimática (amido resistente,

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proteína da parede celular, etc.)(Bach Knudsen, 2001). Mateos et al. (2012) definem que a quantidade de fibra exigida da alimentação de aves depende das características da fonte de fibra e que em condições comerciais os valores de inclusão desse nutriente na dieta de frangos e poedeiras flutuam entre limites de mínimo e máximo para obtenção de um desempenho ideal. Uma quantidade moderada de fibras na dieta pode permitir um efeito benéfico para o animal, por aumentar a metabolizabilidade do amido, devido à capacidade dessas fibras de se acumularem na moela, o que parece regular a taxa de passagem da digesta e da digestão de nutrientes no intestino (Bertechini, 2000). Essa melhoria na metabolizabilidade se deve a maior quantidade de ácidos biliares acumulados na moela, que já foi observada em aves submetidas a dietas com inclusão de maravalha, indicando um refluxo gastro-duodenal proporcional a quantidade de material fibroso na moela. Em que à medida que as fibras permanecem retidas a digesta presente no duodeno retorna a moela, prolongando a exposição dos alimentos à digestão mecânica e química (Van Krimpen et al., 2009). Esse aumento do refluxo explica, pelo menos em parte, a maior metabolizabilidade do amido, pois como os ácidos biliares são fortes emulsificantes, e os lipídeos, quando não emulsionados interferem com a solubilização de outros nutrientes, a capacidade emulsionante pode ser um fator limitante não só na digestão de lipídeos, mas também de outros nutrientes (Hetland e Choct, 2003; Sacranie et al., 2012) Em dietas com amido puro, por exemplo, se observam resíduos de ração no intestino grosso após duas horas de consumo e com a adição de fontes de celulose, esse tempo residual pode ser aumentado para três horas, melhorando a digestão e absorção dos açúcares solúveis (Brito, 2008). Hetland e Choct (2003) compararam o desenvolvimento da moela de poedeiras alimentadas com maravalha (material rico em fibras insolúveis) e farelo de trigo (material solúvel) e observaram maior metabolizabilidade do ami-

do, e a concentração de ácidos biliares presentes na moela aumentou proporcionalmente à medida que houve maior retenção de maravalha. Quando avaliado o consumo de maravalha e farelo de trigo em frangos, obtiveram moelas 50 % mais pesadas com o fornecimento de 4% de fibra insolúvel, enquanto o fornecimento de até 40% de fonte solúvel resultou em crescimento de apenas 10% da moela8indicando que a fibras insolúveis tem maior impacto sobre o peso da moela em comparação a fibras solúveis como do farelo de trigo (Arruda et al., 2011). Sacranie et al. (2012) descreveram que a adição de casca de aveia e cevada na dieta de frangos provocou maior peso das moelas e intestino, e maior desenvolvimento dos intestinos, redução do pH da moela e melhor metabolizabilidade do amido. Isto pode estar associada ao efeito da intensificação da atividade da moela na estimulação das secreções pancreáticas, resultando em maior concentração de amilase que,consequentemente, melhora a digestão do amido, sendo este metabolizado, gerando glicose destinada ao metabolismo energético (Moro et al., 2002; Choct, 2010). Resultados que ponderam a relação do tipo de fibra empregada, com a característica nutritiva da dieta e os efeitos obtidos no desempenho animal (Araújo et al., 2008). Os PNAs insolúveis também apresentam baixa metabolizabilidade para animais monogástricos e ainda podem interferir na metabolizabilidade de outros nutrientes da dieta, interferindo também na taxa de passagem da digesta, devido à ação mecânica da fibra na parede do trato gastrintestinal, aumentando a motilidade e a taxa de passagem, reduzindo conseqüentemente, o tempo de ação das enzimas sobre a digesta (Braz et al., 2011). Podem encapsular alguns nutrientes dentro da matriz das paredes celulares vegetaise possuem forte capacidade de ligação iônica com elementos minerais fazendo com que as dietas ricas em fibra interfiram negativamente na absorção de minerais, sobretudo com a presença de lignina. Associados ou não, os diferentes tipos de fibras podem diminuir a digestão e a absorção dos lipídios dieté-

A utilização de fibra na dieta de frangas é uma prática que apresenta grande potencial, sobretudo no desenvolvimento dos órgãos digestivos que serão utilizados pela ave no aproveitamento dos nutrientes dos alimentos

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Nutrição

Para garantir condições corporais para a expressão do potencial genético das aves são adotados programas alimentares estabelecidos a partir da influência direta percebida pela ingestão de nutrientes no ganho de peso e desenvolvimento fisiológico das aves, principalmente na fase de crescimento

ticos, sequestrar os ácidos biliares, aumentar a produção de ácidos graxos de cadeias curta no cólon devido à fermentação, e/ou diminuir a porcentagem de ácidos biliares primários na bile (Van Krimpen et al., 2009). As fibras solúveis como as pectinas, as gomas, a inulina e algumas hemiceluloses dissolvem-se em água, formando géis viscosos que não são digeridos no intestino delgado, sendo facilmente fermentados pela microflora do intestino grosso. Essa capacidade de retenção de água da fibra está particularmente relacionada com o seu conteúdo de hemiceluloses e pectinas (Tungland e Meyer, 2002) que podem aumentar a viscosidade intestinal e, consequentemente, reduzir a metabolizabilidade de outros componentes da dieta, compro-

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metendo o desempenho. A solubilização parcial das hemiceluloses contidos no trigo, as arabinoxilanas, por exemplo, produzem aumento na viscosidade do conteúdo intestinal, alterando a ação das enzimas digestivas, reduzindo o fluxo da digesta e a absorção de nutrientes pelas aves. Assim, os efeitos negativos principais das fibras solúveis estão associados à viscosidade, a efeitos morfológicos e fisiológicos no trato digestivo e a interação com a microflora intestinal (Nagashiro, 2007). Em ambiente viscoso, os nutrientes como as gorduras, amido e proteínas, se tornam menos acessíveis e disponíveis às enzimas endógenas e sais biliares. Essa viscosidade diminui a taxa de difusão de substratos e enzimas digestivas e impede suas interações na superfície da mucosa intestinal (Choct, 2010) levando ao comprometimento da digestão e absorção de nutrientes. A viscosidade da digesta também interfere na microflora intestinal e nas funções fisiológicas do intestino (Loureiro et al., 2007) e contribui para o trânsito mais lento da digesta no trato gastrintestinal de não-ruminantes (Van Soest , 1994). Alterações da viscosidade do conteúdo intestinal das aves, oriunda das frações solúveis de ß-glucanos e arabinoxilanos, além de comprometer a metabolizabilidade da ração aumentam a umidade e quantidade das excretas, piorando as características da cama, resultando em maior produção de amônia e dificuldade de manutenção da cama (Rodríguez-Palenzuela et al., 2008). Algumas fibras solúveis são de preferência fermentadas por bifidobactérias e lactobacilos, bactérias benéficas à microflora, pois, realizam a exclusão competitiva de bactérias maléficas, aderindo-se firmemente a mucosa intestinal e competindo por nutrientes e produzindo substâncias prejudiciais aos microrganismos indesejáveis, exercendo assim ação de prebiótico, em que as fibras solúveis promovem efeito benéfico à saúde intestinal (Ferreira et al., 2017). Vergara et al. (2009) estudaram a passagem das fases sólida e líquida da digesta em frangos e observaram que o tempo de retenção da fase líquida aumenta a partir da terceira semana

de idade das aves, por causa do início do funcionamento dos cecos. Estes autores sugeriram que o funcionamento dos cecos pode estar relacionado ao aumento na taxa de fermentação e conseqüente maior desaparecimento da fração solúvel da fibra no trato das aves. Segundo Praes et al. (2014) os ácidos graxos de cadeia curta podem inibir o crescimento de muitos patógenos, visto que a maioria prefere ambientes neutros ou ligeiramente alcalinos para o seu desenvolvimento, além do próprio estímulo provocado pelos AGCC no intestino grosso com a reabsorção de água e sódio, reduzindo o risco de diarreias, pois a fibra dietética pode agirna saúde do trato gastrointestinal e conseqüentemente, no bem estar animal (Huang et al., 2010). Segundo Tungland e Meyer (2002), o uso de frações de fibra como as pectinas e celulose pode interferir positivamente na absorção de minerais como cálcio, magnésio e ferro, pois pela ação dos materiais fibrosos, há redução do pH luminal por meio da fermentação pela microbiota do intestino grosso e um aumento na produção de AGCC. Os AGCC e o baixo pH podem, por sua vez, dissolver sais minerais insolúveis e aumentar sua absorção pela via paracelular. Dunkley et al. (2007) analisaram o potencial de fermentabilidade in vitro de ingredientes ricos em fibra na microflora cecal de poedeiras e observaram que as fontes de fibra em contato com a microflora cecal resultaram na produção de ácidos graxos de cadeia curta, e a produção de acetato foi mais elevada, seguida por propionato e butirato. Entretanto, o inoculo cecal sozinho produziu uma quantidade não detectável destes ácidos. Para os autores, estes dados sugerem que as fontes de fibra podem contribuir para a fermentação e diversidade microbiana no ceco de galinhas. A utilização de fibra na dieta de frangas é uma prática que apresenta grande potencial, sobretudo no desenvolvimento dos órgãos digestivos que serão utilizados pela ave no aproveitamento dos nutrientes dos alimentos, contudo o tipo e níveis de fibra inclusos na dieta devem ser melhor explicados.


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Estatísticas e Preços Pintainhas de postura comercial

Alojamento expressivo em 2017

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EVOLUÇÃO MENSAL (OVOS BRANCOS E VERMELHOS) - MILHÕES DE CABEÇAS

PINTAINHAS COMERCIAIS DE POSTURA

% OVO BRANCO

MÊS

2016

2017

VAR.%

Jan

7,580

7,769

2,49%

81,90%

80,58%

Fev

7,248

7,253

0,06%

78,88%

84,08%

Mar

8,299

8,380

0,97%

82,22%

82,87%

Abr

7,761

8,653

11,49%

78,32%

81,31%

Mai

7,929

9,396

18,50%

80,34%

79,56%

Jun

7,438

9,043

21,57%

82,77%

79,73%

Jul

7,412

8,671

16,99%

81,63%

78,36%

Ago

7,638

9,427

23,41%

81,53%

80,37%

2016

2017

Set

8,125

9,634

18,58%

80,31%

79,48%

Out

7,763

9,495

22,32%

81,55%

78,30%

Nov

8,062

9,510

17,96%

83,66%

80,82%

Dez

7,522

8,361

11,16%

79,75%

81,02%

1º Semestre

46,256

50,494

9,16%

80,76%

81,25%

2º Semestre

46,522

55,099

18,44%

81,42%

79,72%

Em 12 meses

92,777

105,592

13,81%

81,09%

80,45%

Fonte dos dados básicos: ABPA – Elaboração e análises: AVISITE

ALOJAMENTO ANUAL

2010

2011

2012

2013

2014

2015

2016

105,592

92,777

91,273

94,010

91,102

85,588

79,549

2010 a 2017 Milhões de cabeças

78,228

inda sem contar com a totalidade dos dados mensais fornecidos pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), dados colhidos no mercado indicaram forte crescimento no plantel de pintainhas comerciais alojadas no ano passado. No primeiro semestre houve incremento de 9,2% em relação ao mesmo período anterior. Índice que praticamente dobrou no segundo semestre quando o aumento atingiu 18,4%. Com isso, o volume alojado pela avicultura de postura comercial superou a marca dos 105 milhões de cabeças 80,45% delas para produção de ovos brancos - e representou crescimento anual de 13,8%. Em relação ao recorde anual anterior verificado três anos antes, o aumento chega a 12,3%. É um índice que mostra a expectativa do setor em continuar colocando à disposição da população este alimento nobre, barato e de grande aceitação. Entretanto, se verifica, atualmente, que o índice de aumento verificado é expressivo diante de um cenário interno que ainda não dá sinais de revitalização. E a recuperação do mercado externo ainda é pequena para contribuir com o equilíbrio do mercado. Aliás, como salientado na edição anterior, a população cresce em índice inferior a 1% enquanto a estimativa de crescimento no consumo de ovos apontada pela ABPA é de chegar, no máximo, a 6%. E como no quadriênio 2013/2016 o volume médio do plantel ficou em 92,3 milhões de cabeças, é certo que o índice de crescimento para 2017 foi demasiado alto. Dessa forma, os produtores de ovos terão que acompanhar a evolução do mercado e fazer os ajustes necessários para diminuir os efeitos negativos de um plantel excessivo. Pois, por outro lado, o custo de produção continua subindo devido ao aumento nas matérias-primas básicas, milho e farelo de soja, utilizadas na alimentação do plantel produtivo.

2017


Desempenho do ovo em abril e no 1º quadrimestre de 2018

Alta oferta influencia retrocesso de preço abitualmente, o preço dos ovos nos primeiros meses do ano só começa a retroceder após o período de Quaresma. Mas na Quaresma de 2018, encerrada em 31 de março, o processo começou bem antes, em meados do mês. E em abril o processo apenas se acentuou. Para começar – e também ao contrário do que ocorre habitualmente – o período de pagamento dos salários (primeira quinzena do mês, quando as vendas se intensificam) passou em brancas nuvens para o setor, pois os preços vigentes, em vez de experimentarem valorização, apenas recuaram - semana após semana, sem interrupção. Diversos fatores podem estar influenciando essa ocorrência. Mas a causa primeira está na alta expansão do alojamento de pintainhas de postura observado em 2017. Ele cresceu quase 14% no ano e seus efeitos (a produção de ovos daí decorrente) ocorre em momento de retração generalizada no consumo.

OVO BRANCO EXTRA

Evolução de preços no atacado paulistano R$/CAIXA DE 30 DÚZIAS Média mensal e variações anual e mensal em treze meses MÊS.

MÉDIA R$/CXA

Média anual em 10 anos R$/CAIXA

VARIAÇÃO % NO ANO

NO MÊS

R$ 38,63

2009

ABR/17

91,13

35,77%

3,04%

MAI

83,31

14,81%

-8,58%

JUN

87,04

1,94%

4,48%

2011

JUL

83,62

-3,72%

-3,93%

2012

AGO

80,33

-4,37%

3,93%

SET

74,48

2,25%

-7,29%

OUT

69,04

0,70%

-7,30%

2014

NOV

66,00

-3,00%

-4,40%

2015

DEZ

64,36

-13,03%

-2,48%

JAN/18

53,92

-12,21%

-16,22%

FEV

71,35

-15,54%

32,31%

2017

MAR

79,08

-10,59%

10,83%

2018

ABR

67,75

-25,66%

-14,32%

2010

R$ 37,93 R$ 44,61 R$ 49,11 R$ 57,86

2013

R$ 52,70 R$ 59,47 R$ 75,43

2016

R$ 77,78 R$ 67,93

Não fosse isso suficiente, também desaba sobre o setor, neste instante, um dos desdobramentos da perda (parcial) do mercado externo da carne de frango. Forçada a reduzir rapidamente sua produção, a avicultura de corte só tem como saída imediata a comercialização dos ovos férteis não incubados. Esse efeito, tudo indica, tende a ser superado no curto prazo, pois vem ocorrendo um maciço descarte de matrizes pesadas, fato indicado pela evolução dos preços no mercado de descartes. Mas ainda que a concorrência futura seja menor, os desafios tendem a permanecer, porquanto a maior parte do aumento no alojamento de pintainhas de postura, no ano passado, esteve concentrada no segundo semestre do ano. Mas, voltando aos preços de abril, eles foram um quarto menores que os registrados um ano atrás, no mesmo mês. Isto, em condições de produção totalmente contrárias, ou seja, com um acréscimo bastante significativo nos custos de produção. E enquanto os custos continuaram aumentando, o preço médio de abril retrocedeu mais de 14% em relação ao mês anterior. Já a média registrada no primeiro quadrimestre de 2018 – R$67,93/caixa para cargas fechadas comercializadas no atacado da cidade de São Paulo – vem correspondendo ao menor valor dos últimos três anos. E embora ainda tenhamos dois quadrimestres à frente, dificilmente essa situação será revertida. Ou seja: para o setor de postura, 2017 vai deixar muita saudade.

Jun

Jul

112,3

Ago

100,4

Mai

99,7

Abr

2018 Média 2001/2017 (17 anos)

101,6

Mar

114,5

117,1 109,4

112,1

120,5

87,1

Fev

101,6

Jan

91,7

69,0

91,8

115,0

Preço relativo em 2018 comparativamente ao período 2001/2017 (17 anos) Média mensal do ano anterior = 100

Set

Out

Nov

110,4

H

Dez

Revista do Ovo

45


Estatísticas e Preços

Milho e Soja Milho retrocede 5% em abril O preço do milho registrou retrocesso mensal em abril. O preço médio do insumo, saca de 60 kg, interior de SP, fechou o mês cotado a R$42,43, valor 5,2% abaixo da média alcançada pelo produto em março, quando ficou em R$44,74. Porém, a disparidade de preço do milho em relação ao ano anterior é altíssima. O valor atual é 40% superior, já que a média de abril de 2017 foi de R$30,29 a saca.

Farelo de soja registra alta anual de quase 40% O farelo de soja (FOB, interior de SP) voltou a registrar nova alta em abril de 2018. O produto foi comercializado pelo preço médio de R$1.295/t, valor 1,7% superior ao praticado no mês de março – R$1.273/t. Em comparação com abril de 2017 – quando o preço médio era de R$0,931/t – a cotação atual registra alta de 39,1%.

Valores de troca – Milho/Frango vivo No frango vivo (interior de SP) o preço médio de abril ficou em R$2,20 kg – alcançando índice 6,6% inferior à média de março. Dessa forma, com a maior desvalorização do frango vivo em relação ao milho piorou um pouco mais o poder de compra do avicultor. Nesse mês, foram necessários 321,4 kg de frango vivo para se obter uma tonelada de milho, considerando-se a média mensal de ambos os produtos. Este volume representa 1,7% de perda no poder de compra em relação ao mês anterior, pois, em março, a tonelada do milho “custou” 316 kg de frango vivo. Já a perda anual supera os 37%.

Valores de troca – Farelo/Frango vivo

Valores de troca – Milho/Ovo

Valores de troca – Farelo/Ovo

O preço do ovo, na granja (interior paulista, caixa com 30 dúzias), obteve forte desvalorização em abril e fechou à média de R$61,75, valor 15,5% inferior ao alcançado no mês anterior, quando o produto foi negociado por R$73,08. Com a grande desvalorização no preço médio dos ovos em relação à verificada no milho, houve sensível queda no poder de compra do avicultor. Em abril foram necessárias 11,5 caixas de ovos para adquirir uma tonelada do cereal. Em março, foram necessárias 10,2 caixas/t, piorando em quase 11% a capacidade de compra do produtor. No ano, a perda supera os 48%.

De acordo com os preços médios dos produtos, em abril foram necessárias aproximadamente 21 caixas de ovos (valor na granja, interior paulista) para adquirir uma tonelada de farelo de soja. O poder de compra do avicultor de postura em relação ao farelo registrou queda mensal de 16,9%, já que, em março, 17,4 caixas de ovos adquiriam uma tonelada de farelo. Em relação a abril de 2017 houve piora de 47,8% no poder de compra, pois naquele período a tonelada de farelo de soja custou, em média, 10,9 caixas de ovos.

46 Revista do Ovo

A queda na cotação do frango vivo e a alta alcançada no farelo de soja em abril fez com que fossem necessários 588,6 kg de frango vivo para adquirir uma tonelada do insumo, significando piora de 8,4% no poder de compra do avicultor em relação a março, quando 539,4 kg de frango vivo obtiveram uma tonelada do produto. Na comparação em doze meses houve piora de 36,7% já que lá, foram necessários 372,4 kg para adquirir o cereal.

Fonte das informações: www.jox.com.br


Revista do Ovo

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Estatísticas e Preços

48 Revista do Ovo

Revista do Ovo - Edição 48  
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