Especial Mundo Agro - SIAVS 2022

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ESPECIAL

Agosto/2022 - No 1 - ano 1 www.mundoagro.com.br

Unindo forças: o futuro do agronegócio se faz agora! Em edição especial para o SIAVS, primeira edição da Revista Mundo Agro celebra a importância da avicultura, da suinocultura e dos elos que compõem essas cadeias para a economia brasileira

SIMPÓSIO OVOSITE

AVES E SUÍNOS

POSTURA COMERCIAL

Evento aborda inovação na produção de ovos durante SIAVS 2022

Arroz é alternativa viável para reduzir custos de produção de suínos e aves

Tendências para o desenvolvimento de novos revestimentos para ovos A Revista da MundoAgro

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A Revista da MundoAgro


A Revista da MundoAgro

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Sumário

Editorial

Entrevista

Caro leitor, Resiliência pode ser definida como a capacidade de enfrentar e superar as adversidades. E digo com propriedade que essa é a palavra que define nosso setor de aves e suínos. Nos últimos anos enfrentamos os maiores desafios dessa geração: a Covid-19 nos mudou, nos desafiou, nos venceu em vários momentos, mas resistimos e enfrentamos. A avicultura e a suinocultura brasileira se viram em crise, estão em crise, faltam insumos, preços altos, dependência do mercado chinês, entre outros fatores. Mas nossos produtores seguem firmes, realizando milagres todos os dias para poder levar alimento para a mesa dos brasileiros e de todo o mundo. Chegamos ao SIAVS 2022, maior evento dedicado ao setor na América Latina, a sua realização esse ano é a prova de que estamos vencendo as adversidades, sendo “resilientes”. E nós, da mídia especializada, também passamos por momentos difíceis, informar e levar conhecimento não foi uma tarefa fácil, mas foi necessária e fundamental para a retomada do setor. Hoje comemoramos o SIAVS e a quarta edição do Simpósio OvoSite, e também a primeira edição da Revista da Mundo Agro, uma celebração da agropecuária, em uma publicação multiproteína que já nasce com o conhecimento de mais de 20 anos de estrada, chancelado pelas revistas AviSite, OvoSite, SuiSite e PecSite. Sucesso para o SIAVS, para o Simpósio OvoSite, para a Revista da Mundo Agro e, principalmente, para o agronegócio brasileiro, que ele continue alimentando o mundo.

Publicação Especial nº 1 | Ano I | Agosto/2022

Os informes técnico-empresariais publicados nas páginas da Revista da Mundo Agro são de responsabilidade das empresas e dos autores que os assinam. Este conteúdo não reflete a opinião da Mundo Agro Editora.

A Revista da MundoAgro

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Empresas & Instituições Ceva

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Bronquite Infecciosa na cadeia de carne de frango: Quadros clínicos, perdas produtivas e abordagens de controle Simpósio OvoSite

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Simpósio OvoSite aborda inovações na produção de ovos SIAVS2022

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Salão Internacional de Avicultura e Suinocultura 2022 Aves e Suínos

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Arroz é alternativa viável para reduzir custos de produção de suínos e aves Postura Comercial

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Tendências para o desenvolvimento de novos revestimentos para ovos Opinião

EXPEDIENTE

Mundo Agro Editora Ltda. Rua Erasmo Braga, 1153 13070-147 - Campinas, SP

Ricardo Santin dá as boas-vindas ao SIAVS 2022 Destaques

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Glaucia Bezerra

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Juntos crescemos mais fortes e vamos mais longe Publisher Paulo Godoy paulo.godoy@mundoagro.com.br Redação Glaucia Bezerra (MTB 80373/SP) imprensa@mundoagro.com.br José Carlos Godoy jcgodoy@avisite.com.br Comercial Natasha Garcia, Paulo Godoy e André Di Fonzo (19) 3241 9292 | (19) 98963-6343 comercial@mundoagro.com.br

Diagramação e arte Gabriel Fiorini gabrielfiorini@me.com Internet Gustavo Cotrim webmaster@avisite.com.br Administrativo e circulação financeiro@avisite.com.br



Entrevista

“É momento de celebrar”, Ricardo Santin dá as boas-vindas ao SIAVS 2022 Para o presidente da ABPA há um clima de otimismo no ar, e isto está claro pela dimensão que o SIAVS ganhou na primeira edição com a volta de público Glaucia Bezerra

R

icardo Santin dispensa apresentações, advogado de formação e mestre em Ciências Políticas, tem uma extensa carreira voltada para o agronegócio nacional. Foi presidente do Conselho da CEAGESP, e atuou no Banco Nacional de Desenvolvimento Regional (BRDE), na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Seu ingresso na avicultura aconteceu em 2007, como assessor especial da Associação Brasileira dos Exportadores de Carne de Frango (ABEF). Foi um dos articuladores para a criação da UBABEF (unindo exportadores e produtores de aves) e da ABPA, com a unificação da avicultura e da suinocultura do País em uma única entidade. Em entrevista para a primeira edição da Revista Mundo Agro, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin fala sobre os desafios e as expectativas para a realização histórica da edição que marca a Simpósio Internacional de Avicultura e Suinocultura após a crise da Covid-19.

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A Revista da MundoAgro

REVISTA MUNDO AGRO: O SIAVS é certamente o evento mais esperado do ano para os setores de avicultura e suinocultura. Qual a sensação de voltar com o evento após dois anos de pandemia? RICARDO SANTIN: É muito boa!

Há um clima de otimismo no ar, e isto está claro pela dimensão que o SIAVS está ganhando este ano. A área do evento dobrou de 2017 para cá, e segue em expansão. Tudo isso nos traz essa sensação de que, como nunca, o SIAVS será um momento de celebração e de superação das grandes dificuldades que passamos. Nos mostra que nós, como cadeia produtiva, saímos maiores e mais fortes.

Qual a expectativa da ABPA para a edição 2022 do SIAVS? O que podemos esperar de novidades no Simpósio e para Feira? As expectativas são as mais otimistas possíveis. A forte expansão da feira veio acompanhada de novidades para


que querem conhecer um pouco do nosso processo produtivo?

abrilhantar o setor. Teremos iniciativas como o SIAVS Talks, que será um espaço exclusivo e gratuito para startups, a ampliação do evento em Multiproteínas, agregando outras cadeias produtivas; a presença de toda a agroindústria produtora e exportadora e as grandes fornecedoras do setor, de empresas de equipamentos, raçoes, insumos biológicos e farmacêuticos, entre tantos outros. Teremos grandes novidades em tecnologias para as instalações produtivas e para as estratégias de produção. A ideia central é mais tecnologia para menor custo e maior competividade e sustentabilidade.

O SIAVS tem esse propósito, e digo isto não apenas por tudo o que vemos a partir das ações realizadas por todos os elos da cadeia produtiva no evento. Falo também por conta das iniciativas programas em parceria com a ApexBrasil, que trarão dezenas de jornalistas, formadores de opinião e compradores estrangeiros. São representantes de mais de 50 países tendo, no SIAVS, a experiência setorial que faz de nosso setor protagonista global.

Quais os destaques da programação para a edição 2022 do evento?

O sucesso da nossa avicultura e suinocultura vem de onde?

Na programação de palestras, além do Simpósio Ovosite, teremos atrações exclusivas como o Painel dos CEOS, a divulgação de um estudo de competitividade encomendado pela ABPA, debates sobre a imagem setorial, um amplo programa construído pela FACTA sobre produção sem uso de antimicrobianos melhoradores de desempenho, abastecimento de grãos, acesso a mercados e gestão de crise de imagem, entre diversas outras atrações.

Sucesso é fruto de dedicação e inovação. Nossa cadeia produtiva tem forte espírito de empreendedorismo, e se desafia constantemente ao aprimoramento. Falo isso vislumbrando os mais diversos pontos de vista. Do ponto de vista comercial, estamos constantemente buscando novas oportunidades, novas fronteiras, novos mercados. Na área técnica, compreendemos assertivamente o conceito de competitividade em todas as suas vertentes, com foco em competividade, preservação sanitária e aprimoramento do bem-estar animal, da qualidade e da sustentabilidade. A avicultura e a suinocultura do Brasil não medem esforços para avançar.

A presença de políticos é esperada para o evento. Quais autoridades estão confirmadas e apoiam o SIAVS? A solenidade de abertura é uma atração à parte. O Ministro da Economia, Paulo Guedes, realizará um painel inicial no evento, e participará da solenidade ao lado do Ministro da Agricultura, Marcos Montes. Já temos a confirmação de Governadores dos estados do Sul conosco e outros préconfirmados, além de parlamentares como a nossa exministra Tereza Cristina, entre tantos outros. Também são esperados prefeitos, legisladores estaduais, secretários de agricultura e lideranças das grandes entidades do agro brasileiro.

A feira está maior este ano. Ao que se deve essa maior adesão das empresas ao evento? A feira dobrou de 2017 para cá. Essa forte adesão é resultado de muitos fatores, que incluem os bons resultados gerados pelas edições anteriores, o clima de otimismo e o sentimento de que é preciso avançar. Aqui também quero fazer deferência especial ao apoio de parceiros como a Editora Mundo Agro, que tiveram papel importante para a consolidação do que o SIAVS é hoje para o setor e para o País.

Hoje o Brasil tem a maior avicultura do mundo e a suinocultura segue pelo mesmo caminho. O SIAVS surge como uma vitrine para os produtores e empresas do mundo

Qual a expectativa para a realização do Simpósio OvoSite? No Simpósio Ovosite, os debates sobre inovações na produção de ovos contará com a participação dos líderes das grandes produtoras do Brasil, em um debate amplo sobre tendências de um mercado cada vez mais complexo e desafiado pela competitividade. O simpósio já se consolidou como um dos grandes eventos da cadeia produtiva de postura, e há grande expectativa não apenas pela forte adesão do público do setor, como também do que teremos em debate para os rumos de um dos setores que mais cresce na proteína animal do Brasil.

Qual a importância da parceria entre o SIAVS, ABPA e Revista do OvoSite para a promoção de conhecimento para o setor? Estas três marcas têm em comum o propósito de fomentar a cadeia produtiva, tornando-a mais forte por meio da promoção de marcas, de consumo e de conhecimento. Hoje, o SIAVS é o maior evento da cadeia produtiva e abriga um dos principais eventos dos setores de ovos, graças a esta parceria com a Mundo Agro e a Revista do Ovosite. Nesta soma de esforços, os avicultores de postura são os principais beneficiados.

A Revista da MundoAgro

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Destaques:

Calsporin: Pioneiro na otimização da microbiota Intestinal

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elecionado entre centenas de espécies de bactérias diferentes, Calsporin é um aditivo probiótico composto pelo Bacillus subtilis C-3102, cepa não geneticamente modificada. Devido a sua termoestabilidade, pureza, resistência ao suco gástrico e intestinal e compatibilidade com ou-

tras moléculas, Calsporin é aprovado como aditivo em diversos países e reconhecido internacionalmente pela sua alta capacidade de modular a microbiota intestinal dos animais, gerando economia e uma produção mais sustentável e eficiente.

Ferraz Parts – matrizes em aço inox para peletizadoras

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Ferraz Parts é uma divisão da Ferraz exclusiva para produção de matrizes e capas de rolo de peletizadoras das principais marcas do mercado. As matrizes são fabricadas em aço inox e recebem tratamento térmico à vacuo, além disso as máquinas CNC de última geração possibilitam baixa rugosidade nos furos e produtos com altíssima qualidade. Todas as matrizes e capas de rolos fabricados passam por um processo de controle de qualidade onde são verificados: dureza, dimensões, trincas e porosidade, de forma a assegurar um produto final de altíssimo padrão. Além disso, a empresa possui um vasto estoque de matéria-prima, que possibilita entrega rápida e valor de negociação bastante competitivo.

Cobb-Vantress anuncia investimentos de R$ 50 mi em MG

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íder global em genética avícola investe em unidade de produção de pintinhos de um dia em Prata, no Triângulo Mineiro, para ampliar sua capacidade de atendimento na América do Sul em aportes que ultrapassam R$ 160 mi no país. A Cobb anuncia investimentos de R$ 50 milhões em uma unidade de produção de pintinhos de um dia em uma área de 16 hectares adquirida em Prata, no Triângulo Mineiro. A iniciativa deve gerar 60 empregos diretos, estima o diretor de Produção de Incubatórios da Cobb-Vantress na América do Sul, Eduardo Costa. “Este projeto prevê a construção de um incubatório de ovos férteis com a finalidade de produzir aves matrizes de um dia para produção de frango de corte aten-

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A Revista da MundoAgro

dendo ao mercado nacional e exportações”, explica. A construção do incubatório em Prata faz parte do plano de expansão da Cobb em toda a América Latina e tem como objetivo absorver a produção das granjas de Minas Gerais, que já estão em obras, para expandir a capacidade produtiva, com um investimento total ultrapassando R$ 160 milhões.


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Destaques:

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omos distribuidores exclusivos da Teknometal, empresa Turca que vem investindo muito na tecnologia para fabricação de diversos modelos de bebedouros em niple e acessórios hidráulicos para avicultura. Nossa MISSÃO é desenvolver e aumentar nossa oferta de diferentes modelos de bebedouros em Niple para postura comercial e para frangos de corte. Para atingir os objetivos e necessidades dos nossos clientes, contamos com produtos de alta qualidade e preço justo! Nossa meta é a EXCELÊNCIA NA QUALIDADE DOS PRODUTOS E TAMBEM NOS SERVIÇOS PRESTADOS, contribuindo para o crescimento dos pequenos, médios e grandes produtores e empreendedores da avicultura brasileira.

Tricinophós® é a solução inovadora da nutrição de precisão da Nutrivet Brasil.

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ricinophós® é a solução inovadora da nutrição de precisão que a Nutrivet Brasil entrega para a avicultura de alto desempenho. Fonte real de fósforo, perfeita para uso em todas as fases da criação e absolutamente independente de substratos.

AveLive tem edição histórica no SIAVS 2022

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m sua terceira edição, o AveLive tem edição história no SIAVS 2022. Uma parceria entre a Agroceres Multimix e a Editora Mundo Agro, a iniciativa reúne as principais lideranças do setor avícola, em entrevista ao vivo, diretamente do maior evento latino-americano do setor.

Mais de 20 lideranças, entre presidentes de agroindústrias e Promove a saúde e longevidade das aves, a qualidade da casca dos de associações influentes do setor avícola, participam de ovos e a melhora da digestibilidade, além de reduzir aque excreção Tricinophós® é a solução inovadora da nutrição de precisão a Nutrivet Brasilmais entrega de para 8 horas de transmissões ao vivo para o youtube. mineral. a avicultura de alto desempenho. Fonte real de fósforo, perfeita para uso em todas fases da Paraasdesenvolver a ação, um estúdio de TV totalmente equicriação e absolutamente independente de substratos. pado para uma excelente transmissão, foi montado no esBeneficia a eficiência produtiva ao entregar níveis constantes de tandedada Agroceres Multimix. Promove a saúde e longevidade das aves, a qualidade da casca dos ovos e a melhora fósforo, permitir dietas precisas e seguras e maximizar a lucratividigestibilidade, além de reduzir a excreção mineral. dade do produtor reduzindo seu custo operacional. “Levar informação de qualidade ao Beneficia a eficiência produtiva ao entregar níveis constantes de fósforo, permitir dietas setor é o principal objetivo desta precisas e seguras e maximizar a lucratividade do produtor reduzindo seu custo operacional. A Nutrivet Brasil, comprometida em atender a avicultura com soluação”, salienta Eric Favoretto Wood, ções seguras paracomprometida a nutrição animal, inaugurará sua com planta exclu-seguras Coordenador A Nutrivet Brasil, em atender a avicultura soluções para a nutrição de Marketing da Agrosiva parainaugurará fabricaçãosua doplanta Tricinophós®. ceres Multimix. “E a parceria com a animal, exclusiva para fabricação do Tricinophós®. Editora Mundo Agro nesta ação acaImpressione-se com nossas soluções acessando nutrivetbrasil.com.br. Impressione-se com nossas soluções acessando ba sendo perfeita, pelo seu know nutrivetbrasil.com.br. how em noticiar os principais acontecimentos do setor”, completa

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Destaques:

Furgões Soberano Biossegurança e inovação no transporte de cargas vivas Vandré Dubiela (V10 Comunicação)

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bem-estar animal é fator primordial em todas as etapas da cadeia produtiva das aves principalmente quando se fala em logística de transporte dos pintainhos. A Furgões Soberano sabe dessa importância e desenvolveu uma solução inovadora e inteligente no transporte de cargas vivas. A tecnologia inovadora garante ambiência apropriada para o deslocamento dos lotes por meio dos furgões com tecnologia de ponta, entre elas a VHF - Ventilação Horizontal Forçada, uma verdadeira virada de página em comparação com o sistema convencional, este último mais nocivo à sanidade animal por conta do fundo falso, um prato cheio para a proliferação de bactérias e agentes patogênicos. Essa fusão de fatores negativos é potencializada pela sujeira, umidade e temperatura inadequada acumulada no fundo falso. A carroceria isotérmica da Furgões Soberano reduz em até 95% a probabilidade de mortandade das aves. A otimização do espaço garante o aumento de volume transportado. A gestão visual é feita para controlar o ambiente de forma centralizada e intuitiva, por meio de um painel touchscreen. A tecnologia VHF é favorecida por um baú feito com fibra de vidro revestido com poliéster. A sala de máquinas tem fácil acesso e higienização, com acesso externo. Outro ponto positivo é que não há exaustores no teto, evitando assim as infiltrações. A Furgões Soberano é uma empresa paranaense, com foco no transporte de pintainhos de um dia, perus e matrizes. A indústria está localizada em uma área de dois mil metros quadrados em Cascavel, no oeste do Paraná, uma das mais prósperas

do Brasil, referência em agronegócio. “Estamos credenciados para exportar nossa tecnologia para todo o mundo”, enfatiza o sócio proprietário e diretor comercial, Adelsio Floriano. Ele é médico-veterinário e possui experiência de 12 anos na avicultura, responsável pelo aprimoramento do sistema até então arcaico de transporte de pintainhos. Essa tecnologia surgiu diante da necessidade de mudança do sistema convencional presente há três décadas e por não ter acompanhado a evolução do segmento em todas as suas vertentes. “As cooperativas e empresas de transporte estavam cansadas de contabilizar prejuízos em virtude do transporte feito por furgões com climatização ruim e o que é pior, com um nível altíssimo de CO² no ambiente, fazendo com que as aves sofram o processo conhecido como alcalose respiratória, extremamente danoso e que compromete o desenvolvimento corporal e ósseo do animal, com risco elevado de mortandade e refugagem”, comenta Adelsio Floriano. A otimização do espaço é outra questão importante de se ressaltar. “Visto que o custo de uma operação de transporte em função do valor do litro do óleo diesel está cada vez mais elevado e qualquer aproveitamento de espaço no furgão faz toda a diferença”. A missão principal é produzir e comercializar o melhor sistema de transporte para pintainhos na agregação do agronegócio na avicultura do Brasil e dos países do Mercosul. Um dos principais clientes da Furgões Soberano é a Globoaves, uma das maiores empresas avícolas do País. O diretor Rober-

A Furgões Soberano abre uma nova era no transporte de cargas vivas: fundo falso é arcaico e é substituído por uma nova tecnologia

to Kaefer ressalta a biosseguridade e a tecnologia garantidas pelos furgões isotérmicos. “Outras vantagens são a otimização do espaço por conta da capacidade de transporte dos pintainhos”, destaca.

Adelsio Floriano é sócio proprietário da Furgões Soberano: 12 anos de experiência no segmento avícola

Gestão visual é feita para controlar o ambiente de forma centralizada e intuitiva, por meio de um painel touchscreen

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Quer saber mais sobre a Furgões Soberano, entre no nosso site www.furgoessoberano.com.br ou ligue no (45) 9-99090096.


Nesta edição do #SIAVS2022, a GI-OVO anuncia a mais nova expansão, sua fábrica no Brasil, trazendo a qualidade e tradição que o mundo já conhece.

C

riamos e produzimos soluções logísticas e embalagens dedicadas as indústrias de ovos, que ajudam a aumentar o volume transportados de uma única só vez e garantem reduzir o desperdício de ovos quebrados durante todo seu trajeto. Entre outras soluções para reduzir os riscos de contaminação e aditivos para garantir a longa vida útil de todos os seus produtos e soluções. Nossa missão é adotar – Adaptar e Melhorar. GI-OVO é uma empresa do grupo Giordano Holding.

Smurfit Kappa Marca presença na SIAVS 2022

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Smurfit Kappa compreende que quando se trata de alimentos, é necessário que as embalagens proporcionem frescor, proteção e os mais altos padrões de segurança alimentar. Por isso, estamos na SIAVS 2022 para compartilhar toda a nossa experiência em embalagens para avicultura e suinocultura, sejam frescos, congelados ou processados, que garantem segurança e proteção em toda a cadeia de distribuição. Da fazenda aos processadores, temos uma variedade única de soluções de embalagem de transporte para proteger seus produtos e otimizada para a cadeia logística. Dos processadores aos varejistas, contamos com um extenso portfólio de soluções que aumentam a visibilidade no ponto de venda, além de soluções para o e-commerce que encantam os consumidores.

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CEVA

Bronquite Infecciosa na cadeia de carne de frango: Quadros clínicos, perdas produtivas e abordagens de controle M.V. MSc. PhD. Jorge Chacón; M.V. Tharley Carvalho; Felipe Pelicioni M.V Ceva Saúde Animal – Brasil

I. INTRODUÇÃO A Bronquite infecciosa (BI) é uma das doenças de maior impacto da avicultura industrial mundial, sendo a principal causa de perdas econômicas da avicultura brasileira. Embora não seja uma doença caracterizada por alta mortalidade, o agente etiológico leva a elevada morbilidade devido a sua elevada capacidade infecciosa e de transmissão. Esse vírus, assim como a maior parte dos Coronavírus, tem marcada capacidade de mutação, e no Brasil há muitos anos a variante BR-1 têm sido causadora de enormes prejuízos na avicultura. E por isso, uma sólida imunidade contra essa variante se faz necessária para a manutenção da sanidade e lucratividade nas granjas. A Bronquite Infecciosa é muito mais que uma doença respiratória. Impacta em toda a cadeia produtivae sobremaneira no abatedouro.

I. QUADROS CLÍNICOS O VBI afeta vários tecidos de diferentes sistemas das aves, por isso, a diversidade de quadros clínicos pode ser variada, com aparecimento de doença respiratória, renal e reprodutiva.

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Não há sinais patognomônicos ou exclusivos da Bronquite Infecciosa, e muitas vezes seus efeitos são associados com a presença de fatores complicadores (ambientais, nutricionais, outros). Porém, muitas vezes temos no campo os quadros subclínicos que normalmente têm um impacto econômico muito maior que os quadros clínicos aparentes. Isso porquê estas alterações “subclínicas”, como a febre por exemplo, impactarão no consumo das aves (menor ganho de peso), que estarão usando sua energia para combater a infecção (pior conversão alimentar). Nas aves em fase de reprodução, a infecção pode não causar aumento expressivo da mortalidade, mas a alteração da casca das aves infectadas causará mortalidade embrionária (menos pintinhos por ave alojada), e impactando de forma muito negativa na sanidade da progênie.

II. ABORDAGENS PARA O CONTROLE O controle eficaz da BI depende do correto desenho do programa vacinal e da qualidade da vacinação. 1. Programa vacinal A. Cepas vacinais

No Brasil, a circulação dominante e extensa da variante BR-I (GI-11) levou ao desenvolvimento de vacinas contendo o vírus BR-I. Essas vacinas com cepas homólogas ao desafio de campo são a única opção realmente efetiva para o controle da BI. B. Tipos de vacinas a. Vivas atenuadas: Elas conferem proteção pelo estímulo de imunidade celular local, com duração de proteção entre 6 e 9 semanas. Estas vacinas suprimirão a multiplicação dos vírus de campo; b. Inativadas: Conferem proteção pelo estímulo de imunidade humoral mediada por anticorpos neutralizantes, os quais irão conferir uma proteção prolongada desde que a vacina oleosa tenha sido adequadamente formulada. Desta forma, no Brasil, o programa vacinal ideal para frango de corte incluiu a aplicação no incubatório da


Cevac IBras, vacina viva adequadamente atenuada contendo a cepa BR-I. Para aves de vida longa, o programa adequado inclui a aplicação da Cevac IBras a cada 8 semanas durante a fase de recria, e da Cevac Maximune Pro, vacina inativada contendo a mesma cepa BR-I, no final do período de recria. 2. Aplicação das vacinas A melhor vacina disponível, será tão eficiente quanto a maneira como for aplicada! Apenas com a vacinação executada com excelência é que teremos a garantia de uma proteção rápida, robusta e duradoura. Para assegurarmos isso, precisamos atentar-se para: a. Vias de aplicação A vacinação ocular (granja) ou spray (incubatório) são as vias de aplicação mais eficientes para a eficiente imunização; b. Processo de aplicação Especiais cuidados são necessários durante o preparo e aplicação da vacina viva, uma vez que o vírus vacinal é um agente sensível. Os equipamentos

usados devem garantir a aplicação de uma dose vacinal viável em 100% das aves do lote.

OS RESULTADOS DO CONTROLE DA BRONQUITE NO BRASIL No Brasil, a Ceva Saúde Animal possibilitou o efetivo controle desse agente em toda a cadeia produtiva, desde a granja de matrizes, até o abatedouro. E isso foi graças a muita pesquisa e determinação de inovar, em parcerias com centros de pesquisas brasileiros e europeus, que permitiu o desenvolvimento da Cevac Maximune e Cevac IBras, seguindo os mais rigorosos padrões de qualidade da Farmacopeia Europeia. E como resultado, entregamos vacinas muito equilibradas, altamente seguras e eficazes. A Cevac IBras e a Cevac Maximune, vacinas vivas inativadas formuladas com vírus BR-I, permitiram o redesenho dos programas vacinas nas granjas e já contribuíram para melhorar a eficiência produtiva das mesmas, aumentando em muitos milhares de toneladas de carne produzida, graças as reduções das condenações no

abatedouro e consequente maior eficiência no elo final da cadeia. Já são mais de 5 bilhões de aves vacinas e nenhum relatado de falta de segurança, como reações pós vacinais por exemplo. Essa vacinas vem mudando substancialmente a realidade de empresas que utilizam a vacina no programa vacinal de frangos de corte. Em levantamentos internos da Ceva, estima-se que as empresas conseguem ter uma melhoria de diversos indicadores zootécnicos e indústrias com a adoção da vacina. Em análise comparativa (100 milhões de aves) entre aves vacinadas e não vacinadas de diferentes empresas brasileiras, observou-se diferenças expressivas em diversos parâmetros produtivos, como: conversão alimentar, mortalidade, ganho de peso, condenação por aerossaculite, colibacilose, contaminação fecal, caquexia, uso de antibióticos, atrasos nos processos industriais (Tabela 1). Em levantamentos realizados pela Ceva em plantéis de diversas empresas no Brasil, estima-se que o controle eficaz da bronquite infecciosa pode retornar cerca de R$ 226,00 para cada grupo de 1.000 aves, se extrapolamos os dados

Tabela 1 – Diferenças encontradas em grupos vacinas e não vacinados com vacina contra bronquite infecciosa cepa variante BR (Cevac IBras). Parâmetro Incremento do GPD (gramas) Melhora da conversão alimentar (gramas) Redução do uso de antibióticos (R$/1000 aves) Redução da mortalidade depois dos 35 dias (%) Redução da mortalidade de transporte ao abatedouro (%) Redução de aerossaculite parcial (%) Redução da aerosacullite total (%) Redução de colibacilose (%) Redução de contaminação fecal (%) Redução de aves caquéticas (%)

Melhoria mínima e máxima 0,94 a 6,99 8 a 199 18 a 64 0,26 a 3,30 0,01 a 0,45 0,01 a 2,55 0,02 a 0,31 0,01 a 1,88 1,0 a 1,5 0,15 a 0,67

Média 3,16 62,73 41,00 1,32 0,18 0,62 0,09 0,65 1,20 0,41 A Revista da MundoAgro

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CEVA para quantidade média de frangos produzidos no país anualmente, chegamos a grandeza de 1,5 bilhões de reais. No entanto, esses dados são subestimados, uma vez que não tivemos a totalidade dos dados disponíveis, o que deixa claro todo o potencial de ganho para indústria avícola brasileira. O efetivo controle da Bronquite nas matrizes assegura melhor qualidade dos ovos (casca), e consequentes maiores índices de eclosão e melhor qualidade sanitária dos pintinhos, como apontado abaixo – Figura 1.

Em resumo, a proteção proferida pela Cevac IBras e Cevac Maximune em lotes de matrizes pesadas resulta em ganhos amplos ao longo da cadeia. Para cada lote de 40.000 aves, devidos os efeitos positivos sobre a mortalidade de fêmeas, eclosão e qualidade de pintinho foram observados ganhos de mais de 1.000 toneladas de carne de frango. A inovação trazida pela Cevac IBras, ajuda a avicultura brasileira a ser mais eficiente e produtiva, proporcionando ganhos de mais de 7.100 TONELAS DE CARNE, para cada lote de 40.000

frangos vacinados, graças às reduções das perdas nos abatedouros e granjas. A Ceva mantém um olhar atento aos desafios enfrentados pela avicultura brasileira para entregar soluções de grande impacto, e o controle da Bronquite demanda rigor e conhecimento para estabelecer programas vacinais efetivos, com vacinas seguras e eficientes e que sejam também, bem administradas.

Figura 1 - Benefícios produtivos obtidos em lotes de matrizes após uso combinado de Cevac IBras e Cevac Maximune Pro (Chacón et al., 2019).

Menor mortalidade na fase de produção 2 a 5,4% Eliminação do uso de antibióticos R$ 915 por cada 1.000 aves

Aumento da Produção de ovos 5,3 a 6,4% Aumento de Ovos incubáveis por galinha alojada 2,7 a 6,8% Redução da Mortalidade embrionária 1,2 a 6,8% Maior Taxa de eclosão 1,2 a 6,4% Maior número de pintos 1,3 a 7,3 pintos /galinha alojada

Redução de pintos de Segunda qualidade 0,2 a 0,5% Redução da Mortalidade na primiera semana 2 a 10% Redução do uso de antibióticos R$ 15 mil /1.000 pintos de 7 dias

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Simpósio OvoSite

Simpósio OvoSite aborda inovações na produção de ovos O Simpósio OvoSite irá levantar as tendências para a comercialização no mercado interno e nas exportações para o setor

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aior evento da avicultura e da suinocultura do Brasil, o Salão Internacional de Avicultura e Suinocultura (SIAVS 2022) - realizado entre 09 e 11 de agosto, no Anhembi Parque, em São Paulo (SP) - contará com uma atração especial para os produtores de ovos: o Simpósio OvoSite, um dos principais eventos para o setor de postura nacional. Previsto para o primeiro dia do SIAVS (09/08, terça-feira), o Simpósio OvoSite abordará nesta edição as “Inovações na Produção de Ovos”, levantando tendências para a comercialização no mercado interno e nas exportações para o setor. Grandes nomes foram confirmados para esta edição, como o presidente do Grupo Mantiqueira, Leandro Pinto; o presidente da Granja Faria, Ricardo Faria; o diretor da Naturovos, Anderson Herbert; e o diretor regional para a América Latina da Big Dutchman, John Freshel. A mediação ficará por conta do apresentador do Canal Terra Viva, Otávio Ceschi Júnior. Realizado em parceria com a Mundo

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A Revista da MundoAgro

Agro Editora, o Simpósio OvoSite já é referência entre os eventos para o setor de ovos no Brasil. Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e do conselho do Instituto Ovos Brasil (IOB), Ricardo Santin exalta a importância da iniciativa. “O Simpósio é um marco de tendências para um setor que vem crescendo e se transformando exponencialmente ao longo da última década. Grandes nomes foram convidados para esta edição, com o propósito de compartilhar e construir novas visões para os caminhos de uma das cadeias produtivas mais importantes para a segurança alimentar do País”, avalia Santin. Paulo Godoy, Publisher da Mundo Agro Editora, avalia que o Simpósio OvoSite já se consolidou na programação do SIAVS como fonte de conhecimento para o setor de postura nacional. “Para a edição de 2022 nossas expectativas são grandes. Teremos uma programação bastante diversificada, fazendo jus à importância dessa proteína para o agronegócio e para os brasileiros”.

Para Santin o Simpósio OvoSite é referência entre os eventos para o setor

A entrada no Simpósio OvoSite é gratuita para visitantes do SIAVS. Acompanhe mais sobre o evento pelo site www.siavs.com.br.


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SIAVS2022

Salão Internacional de Avicultura e Suinocultura 2022

Além das oportunidades de negócios, o SIAVS será palco do maior congresso técnico do setor, com intensa programação e mais de 100 palestrantes do Brasil e de outros países

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rincipal encontro da avicultura e da suinocultura do Brasil, o SIAVS 2022 será ainda maior que sua edição anterior, realizada em 2019. Sua área comercial foi expandida em 30%, adicionando novos anexos ao espaço tradicionalmente ocupado pela feira. Além das oportunidades de negócios, o SIAVS será palco do maior congresso técnico do setor, com intensa programação e mais de 100 palestrantes do Brasil e de outros países. O peso político do evento é outro diferencial. São esperadas autoridades dos poderes executivos e legislativos nacionais e dos estados, ampliando o papel do evento como principal ponto de debate dos rumos dos setores.

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A Revista da MundoAgro

O tema desta edição do SIAVS será “Produção Sustentável: Caminhos para a Segurança Alimentar Global”. Com atrações exclusivas e foco em pautas conjunturais, técnicas e políticas. Milhares de congressistas são esperados nos três dias de programação, reunidos em sete salas e auditórios instalados no Palácio de Convenções do Anhembi. Em pauta estarão temas relativos à competitividade, produção e comercialização, tendências técnicas, insumos e abastecimento, sustentabilidade e outros pontos. Entre os destaques da programação estão painéis realizados em parceria com a FACTA sobre produção de frangos, seminários sobre bem-estar

animal, enfermidades em suínos, acesso a mercados, perspectivas e negociações, tratativas do serviço veterinário oficial, imagem setorial, gestão de crise e o Painel dos CEOs, reunindo os líderes das maiores empresas da cadeia produtiva em um debate sobre os rumos setoriais.

Acesse e veja a programação:


A Revista da MundoAgro

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Aves e Suínos

Arroz é alternativa viável para reduzir custos de produção de suínos e aves Estudos da Embrapa mostram que o arroz pode complementar ou substituir o milho na ração animal Embrapa Suínos e Aves

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nacional, com uma sobra de 600 a 800 mil toneladas na safra 2020/2021, reforça a viabilidade do grão para baratear as rações de suínos e aves, que atualmente respondem por cerca de 70% a 80% do custo de produção das duas atividades. “A Embrapa já mostrou que o arroz descascado (arroz marrom), do ponto de vista nutricional, serve perfeitamente

para complementar ou substituir o milho na alimentação animal”, afirma o pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Jorge Vitor Ludke. Já faz três anos que o milho e a soja têm influenciado o desempenho da suinocultura e avicultura, de acordo com dados da Central de Inteligência de Suínos e Aves da Embrapa Suínos e Aves (CIAS), que apura mensalmente o Foto: Paulo Lanzetta

studos da Embrapa Suínos e Aves (SC) mostram que, do ponto de vista nutricional, o arroz pode complementar ou substituir o milho na alimentação animal. A conclusão pode ser uma ótima notícia para os suinocultores e avicultores brasileiros que enfrentam os altos preços decorrentes da crescente valorização do milho e da soja. Paralelamente, o excesso de oferta de arroz no mercado

O arroz pode complementar ou substituir o milho na alimentação animal

O arroz pode substituir milho na alimentação animal, com qualidade nutricional, e baratear custo da ração.

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A Revista da MundoAgro

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Aves e Suínos comportamento dos custos de produção nos dois setores. Para entender melhor como essa influência acontece na prática, basta observar a trajetória do preço das sacas de milho e soja. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) o preço médio real da saca de 60 quilos de milho passou de R$ 50,11, em abril de 2019, para R$ 97,15, em abril de 2021 - ou seja, um aumento de 93,9%. No mesmo período, a saca de soja encareceu 68,1%. Isso significa que os custos de produção da suinocultura e avicultura cresceram quase que na mesma proporção nos últimos três anos. Esse movimento para cima nas cotações do milho e soja foi puxado pelas incertezas relacionadas à pandemia da Covid-19, valorização do dólar frente ao real, alta demanda por grãos no mercado asiático (principalmente o chinês) e quebras na primeira e segunda safras de milho devido a problemas climáticos e à cigarrinha-do-milho, segundo avaliação de um estudo da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), divulgado em julho de 2021. A última estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é de que a produção total de milho na safra 2020/2021 chegará a 85 milhões, bem abaixo das 106 milhões de toneladas projetadas inicialmente. Assim, há a expectativa de que ocorra no curto prazo um déficit entre 15 e 20 milhões de toneladas de milho no mercado nacional.

Já o arroz vive situação oposta. Os arrozeiros gaúchos e catarinenses, responsáveis por 91% da produção brasileira, atingiram produtividade recorde e entregaram 8,5 milhões de toneladas na safra 2020/2021, a quarta maior da história. Porém, com a estabilização do consumo no mercado interno e menores vendas para o exterior (especialmente para a África) na comparação com 2020, sobrou arroz no País. “O arroz é um grão que tem como prioridade a alimentação humana e vai continuar sendo assim. Mas agora existe um excedente e a alimentação animal é uma alternativa”, explica Rodrigo Ramos Rizzo, engenheiro agrícola e assessor especial da

presidência da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul).

Problema para um, solução para outro O problema de um setor, então, virou possibilidade de amenizar a situação do outro. Segundo Rodrigo Rizzo, já há contratos de venda de arroz em casca ou quirera de arroz entre arrozeiros e produtores de carne de frango e carne suína no Rio Grande do Sul. No entanto, o que vai definir a extensão do uso do arroz como alimento alternativo nas rações animais será a comparação da sua cotação com a do milho na hora da compra. Levando em consideração as cotações de outubro, cada quilo de milho para uso na alimentação animal, na média, ficou em R$ 1,50, enquanto o arroz chegou a R$ 1,82 (arroz marrom). Assim, a utilização do excedente de arroz na alimentação de suínos e aves depende muito do custo do frete. “É por isso que o uso do arroz como alimento alternativo compensa, na prática,

A Revista da MundoAgro

“A questão mais importante em torno do uso do arroz neste momento é, na verdade, reforçar o debate sobre a criação de mecanismos para tornar permanente a oferta de alimentos alternativos para a ração animal”, complementa o também pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Dirceu Talamini, especialista em temas ligados ao custo de produção de suínos e aves. Ainda não há um retrato claro do quanto o arroz ajudará a reduzir os

O problema da falta de milho

A alternativa do arroz

Tabela 1: Arroz para alimentação animal

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somente em lugares que poderão contar com uma grande vantagem logística”, ressalta o pesquisador Jorge Ludke. A região Sul se encaixa nessa lógica. Ela é a que apresenta o maior déficit de grãos para suínos e aves e também a que concentra o excedente de arroz. Em média, uma saca de arroz percorre 500 km no Sul do Brasil para se transformar em ração animal. Já no caso do milho, que vem do Centro-Oeste majoritariamente, a distância sobe para cerca de 2.000 km (de Sinop, MT, a Chapecó, SC), o que representa um frete até 70% mais caro.


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Arquivo Embrapa

Aves e Suínos

Já há contratos de venda de arroz em casca ou quirera de arroz entre arrozeiros e produtores de carne de frango e carne suína no Rio Grande do Sul

custos de produção na suinocultura e avicultura. Nem se as duas atividades consumirão todo o excedente de arroz. Já está certo, porém, que os três setores seguirão compartilhando preocupações e articulando sinergias.

Uso do arroz faz parte de debate maior O uso do arroz na alimentação animal faz parte de um debate retomado recentemente a respeito de como garantir um fluxo contínuo de alimentos alternativos para a suinocultura e avicultura. A Embrapa tem sido uma das protagonistas dessa discussão que interessa especialmente a Região Sul, que vê todo ano o déficit de grãos para suínos e aves aumentar. “Temos colaborado nessa discussão apresentando nossas pesquisas que mostram como cereais de inverno podem ocupar áreas ociosas no Sul do país e gerar bons resultados para produtores de grãos e de proteína animal”, afirma a pesquisadora Teresinha Bertol, da Embrapa Suínos e Aves. Pesquisas conjuntas desenvolvidas por equipes da Embrapa Trigo (RS) e Embrapa Suínos e Aves apontam que cereais de inverno (como trigo, aveia, centeio, cevada e triticale) podem ocupar cerca de 6 milhões de hectares em Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

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Essas áreas ficam ociosas após a colheita de verão e poderiam estrategicamente ser usadas para regionalmente abastecer de grãos o mercado de proteína animal. Segundo estudos da Embrapa, o trigo (foto ao lado) e o triticale são os grãos de inverno com maior potencial para substituir o milho e o farelo de soja nas dietas para suínos e aves. “São necessários ajustes nos níveis dos ingredientes que compõem as rações de forma a manter níveis equivalentes de nutrientes e de energia para atender às exigências dos animais em cada fase. Porém, o trigo e o triticale possuem viabilidade técnica e econômica e podem suprir parte significativa do déficit de milho no Sul do Brasil”, ressalta Teresinha Bertol. Uma das cultivares da Embrapa que mostrou bom potencial para a composição de rações de suínos e aves foi o trigo BRS Tarumã. Com teor de proteína próximo a 18%, foi desenvolvido para a alimentação animal e atende há 20 anos o setor de bovinos. Outras variedades de trigo da Embrapa, como o BRS Pastoreio e o BRS Sanhaço, assim como as cultivares de triticale BRS Saturno e Embrapa 53, apresentaram menor conteúdo de energia do que o milho, o que aumenta a demanda por óleo nas rações. Os pesquisadores da Embrapa destacam

que o uso desses cereais pode ser economicamente mais vantajoso nas fases em que os animais apresentam menor demanda de energia, como, por exemplo, na gestação dos suínos. Já no caso do trigo BRS Tarumã, devido ao seu conteúdo de energia superior ao do milho e ao alto conteúdo de proteína, o uso é mais produtivo nas fases de crescimento e terminação, quando a exigência desses fatores é mais elevada.

Mobilização já rende ações importantes O uso de cereais de inverno na produção de proteína animal não é novidade. Há muito que se discute como grãos adaptados aos meses mais frios podem contribuir na produção de suínos e aves. A diferença nesse momento é a mobilização que o tema despertou. Produtores, indústrias, pesquisadores, entidades representativas do setor produtivo e várias instâncias do poder público se uniram para encontrar uma maneira concreta de aproximar os interesses dos produtores de grãos das necessidades das indústrias de suínos e aves. Arquivo Embrapa

O trigo e o triticale são os grãos de inverno com maior potencial para substituir o milho e o farelo de soja nas dietas para suínos e aves


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Aves e Suínos

Quando surgiu a ideia de encaminhar o excedente de arroz para a alimentação de suínos e aves, a Embrapa foi chamada para responder sobre a viabilidade técnica dessa possibilidade. Não foi a primeira vez que isso aconteceu. No início dos anos 2010, por exemplo, houve uma situação parecida com a atual. Na época, a Embrapa Suínos e Aves publicou o comunicado técnico 503, escrito pelos pesquisadores Everton Luis Krabbe, Teresinha Marisa Bertol e Helenice Mazzuco, o qual mostrou que o arroz, além de apresentar um valor nutricional adequado para a alimentação de suínos e aves, oferece ainda efeitos positivos sobre a qualidade de carcaça. Segundo o comunicado técnico da Embrapa, “considerando-se que o óleo de arroz apresenta um perfil de ácidos graxos com maior conteúdo de ácidos graxos saturados e monoinsaturados e menor conteúdo de poli-insaturados do que o milho, a tendência é a de que, com uma dieta à base de grãos de arroz polido-farelo de soja sejam produzidas carcaças com melhor perfil de ácidos graxos do que com uma dieta de milho-farelo de soja, ou seja com gordura mais firme”. O mesmo comunicado ressalva, no entanto, que o arroz reduz a pigmentação de gemas de ovos a da pele de aves, sem implicar em perda de valor nutricional para o consumidor. Essa questão pode ser resolvida com a adição de um pigmentante à ração. O que a Embrapa recomendou no início dos anos 2010 continua valendo agora (confira no gráfico 1 o comparativo entre milho e arroz no que diz respeito ao valor nutricional dos dois grãos). O arroz disponível atualmente para ser utilizado na alimentação de suínos e aves é, em sua maioria, o arroz marrom. Esse tipo de arroz tem valor nutricional superior ao arroz branco polido e aos quebrados de arroz (também chamados de quirera de arroz). Porém, o arroz marrom vem em casca, que precisa ser descartada. A casca apresenta baixíssimo valor nutricional, além de conter elevado teor de fibra e sílica, que agridem a mucosa intestinal dos animais, provocando perda de desempenho. “É preciso sublinhar que o arroz é um cereal com nível de proteína bruta muito próxima ao do milho, o que o transforma em uma excelente fonte de energia”, aponta o pesquisador Jorge Ludke. Comparativo do valor nutricional do milho e do grão de arroz descascado para aves e suínos

10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0

Milho

% PB

% Ca

% Pt

Arroz

% Pd

% FB

% % Cinzas Gordura

Existem diferenças entre arroz marrom (apenas com a retirada da casca) e entre quirera de arroz e arroz polido do ponto de vista nutricional. Nesses dois últimos, a parte que seria o farelo de arroz integral não está mais presente. Outra questão importante é o fato de que o arroz apresenta um formato diferente do milho. Para que seja usado na alimentação de suínos é necessário que se façam ajustes específicos nas fábricas de rações. “A moagem precisa ser adaptada, com diferentes regulagens de peneiras. Mas esses ajustes não representam custos ou esforços significativos”, completa Jorge Ludke. No caso da produção de ração para aves, não é preciso fazer alterações.

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Arquivo Embrapa

Arroz é fonte de energia e bom para a qualidade da carcaça

Pelo menos duas ações já se materializaram a partir da mobilização em torno dos cereais de inverno. O governo do estado de Santa Catarina, estado que é o maior importador de milho no Brasil, lançou em fevereiro de 2020 o Programa de Incentivo ao Plantio de Grãos de Inverno. O programa conta com o suporte técnico da Embrapa e da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri/SC), fornecimento de insumos e assistência técnica do setor cooperativista e aquisição dos grãos pelas indústrias de suínos e aves. “Não há dúvida da viabilidade técnica dos cereais de inverno. O que faltava era um modelo de negócio, que começou a surgir a partir de 2020”, lembra a pesquisadora Teresinha Bertol. Outra iniciativa é o projeto Duas Safras no RS, parceria entre o sistema Farsul (Farsul, Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-RS) e Casa Rural), Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e Embrapa. O Duas Safras, lançado em 2021, visa incentivar o uso das áreas ociosas no inverno e ainda costurar acordos com as indústrias de suínos e aves para garantir contratos de compra futura dos cereais produzidos nos meses frios. De acordo com o presidente da Farsul, Gedeão Pereira, o projeto já iniciou a mobilização para capacitar os produtores de grãos gaúchos interessados em trabalhar com os cereais de inverno.

Jean Carlos Vilas Boas Souza Embrapa Suínos e Aves


6ª FEIRA DE AVICULTURA E SUINOCULTURA DO NORDESTE JÁ TEM DATA E LOCAL DEFINIDOS O maior ponto de network e negócios dos segmentos avícola e suinícola da região Nordeste do país já tem datas e local de realização definidos. A 6ª Feira de Avicultura e Suinocultura do Nordeste chega ao Parque de Exposições Eládio Por�rio de Macedo, na cidade de São Bento do Una, em Pernambuco, nos dias 21, 22 e 23 de setembro, para apresentar em um só espaço o melhor que os setores avícola e suinícola nordes no têm para oferecer em informações, conhecimento e tecnologias. Sucesso de público e aceitação no mercado desde as primeiras edições, o evento que já se tornou uma tradição no calendário do agronegócio nordes no, apresentará em seus três de dias mais de 90 empresas da avicultura e

suinocultura do país, entre outras ligadas a esses setores, que estarão expondo seus produtos e serviços. Além da área de exposições, a feira também é uma oportunidade para a troca de conhecimento do público, principalmente os profissionais técnicos do setor e de estudantes universitários, por meio do ciclo de palestras que destacarão as temá cas de produção de frango d e c o r t e , fá b r i c a s d e ra ç ã o, produção de ovos, infraestrutura para aviários e granjas, financiamentos e res tuição de créditos, incubatórios e abatedouros, temas relacionados a suinocultura e muito mais. Gestor da feira, Eduardo Valença enfa za a importância que a versão pocket de 2021 teve para a consolidação e o impulsionamento

do evento. “Ficamos felizes com o resultado. Infelizmente, devido à pandemia, vemos que limitar a nossa feira. Mesmo assim, não rou o brilho desse evento que funciona como cartão de visitas do potencial do município de São Bento do Una e das demais cidades polos do Nordeste no setor de aves, ovos e também de suínos que tem crescido ano após ano”, comemorou. Além dos espaços para negócios e trocas de conhecimentos, o evento também impulsiona a rede hoteleira das cidades de São Bento do Una, Lajedo, Belo Jardim e região com muitos par cipantes aproveitando o pós-feira para visitar as praias do litoral pernambucano e de outros estados vizinhos. Mais informações em breve. A Revista da MundoAgro 29


Postura comercial

Tendências para o desenvolvimento de novos revestimentos para ovos Atualmente, alternativas estão sendo testadas para prolongar a vida útil dos ovos e reduzir o desperdício de alimentos. Muitas pesquisas já demonstraram que o uso de revestimentos apresenta resultados favoráveis na manutenção da qualidade interna de ovos durante o armazenamento, principalmente em temperatura ambiente Paula Gabriela da Silva Pires Caroline Bavaresco Priscila de Oliveira Moraes

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ocê deve estar se perguntando, por que pensar no desenvolvimento de revestimentos para ovos se ele possui uma “embalagem naturalmente perfeita”? Realmente, a embalagem do ovo, a casca, protege muito bem o seu conteúdo do meio externo, mas ela não protege do efeito do tempo, tornando o ovo um produto perecível. Logo após a postura a qualidade do albúmen se reduz, há perda de água e CO2, aumento da câmara de ar, alteração da viscosidade e aumento do pH ocasionando perda de peso do ovo. A Figura 1 mostra a perda de qualidade do albúmen durante o armazenamento dos ovos. Atualmente, alternativas estão sendo testadas para prolongar a vida útil dos ovos e reduzir o desperdício de alimentos. Muitas pesquisas já demonstraram que o uso de revestimentos apresenta resultados favoráveis na manutenção da

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qualidade interna de ovos durante o armazenamento, principalmente em temperatura ambiente. Ao longo do tempo várias substâncias foram utilizadas na preparação de revestimentos, com destaque para os produtos naturais como polissacarídeos, proteínas e lipídios, além da combinação dessas substâncias com outras com ação antimicrobiana (Figura 2). Considerando o atual cenário do mercado consumidor, que prioriza a compra de produtos sustentáveis, livres de resíduos e com segurança alimentar, há uma necessidade de mais pesquisas para desenvolver revestimentos confeccionados a partir de matérias orgânicas de baixo custo e fácil aplicabilidade O revestimento comestível é uma tecnologia ecologicamente correta que pode influenciar positivamente as propriedades de diferentes alimentos e aumentar o tempo de prateleira. Dentre

os revestimentos comestíveis, há um crescente interesse pela utilização de subprodutos agrícolas que possuí uma ampla literatura com eficiência comprovada na conservação de frutas e hortaliças, permanecendo lacunas quando se trata do uso dessa tecnologia na conservação de ovos.

Utilização de agroindustrial

resíduo

O uso de resíduos agroindustriais colabora com a diminuição do desperdício de alimentos, além de ser uma boa oportunidade de desenvolvimento de novos produtos com agregação de valor, utilização sustentável desses resíduos e diminuição da poluição ambiental. É importante destacar que a escolha da matéria-prima utilizada na preparação do revestimento deve levar em consideração alguns fatores, dentre eles a à disponibilidade


FIGURA 1. PERDA DE QUALIDADE DO ALBÚMEN DURANTE O ARMAZENAMENTO EM TEMPERATURA AMBIENTE.

0 DIAS

dos recursos em cada região. Por exemplo, pesquisadores da Turquia desenvolveram diferentes revestimentos para ovos utilizando resinas de damasco, amêndoa e cerejeira (Akarca et al., 2021). No Brasil, Pires et al. (2019) demonstraram que o uso de revestimentos fabricados a partir de proteína concentrada de arroz (Figura 3) pode diminuir a velocidade de degradação da qualidade interna dos ovos durante o armazenamento em

7 DIAS

14 DIAS

temperatura ambiente. Estudos utilizando matérias-primas regionalizadas são extremamente importantes, visto que se baseiam na aplicação de produtos gerados localmente, mas deve-se dar destaque para os cereais produzidos em larga escala e disponíveis em diversos países, como milho, arroz, trigo e soja, além de frutas como banana, maçã, uva e laranja.

FIGURA 2. PRINCIPAIS MATERIAIS UTILIZADOS PARA A ELABORAÇÃO DE REVESTIMENTOS PARA OVOS

POLISSACARÍDEOS amido, pectina, celulose, quitosana, agar, alginato

LIPÍDIOS parafina, ceras, óleo

PROTEÍNAS colágeno, caseína, gelatina, proteína da soja, proteína do soro do leite

COMPOSTOS ANTIMICROBIANOS propolis óleo essencial

21 DIAS

Quando se aborda a utilização de revestimentos na conservação e manutenção da qualidade de alimentos, é imprescindível preocupar-se com a capacidade antimicrobiana dos produtos. Os pesquisadores devem estar atentos às espécies que podem apresentar capacidade de inibição dos crescimentos de microrganismos, e esse é o caso da copaíba. Alguns estudos já demonstraram que o óleo de copaíba pode ser utilizado para o recobrimento de ovos. Brasil et al. (2019) avaliaram os efeitos de um revestimento à base de óleo de copaíba em diferentes concentrações (4, 8, 12, 16 ou 20%), e verificaram que os ovos revestidos apresentaram melhor qualidade interna em relação aos ovos não revestidos. O estudo também demostrou que os atributos sensoriais foram afetados negativamente pelo óleo de copaíba. Pires et al. (2020) avaliaram o uso de óleo essencial de copaíba (1%) em associação com proteína de arroz na cobertura de ovos, e os resultados encontrados foram favoráveis. Para que um revestimento seja efetivo no controle das trocas gasosas entre o alimento e o ambiente, ele deve apresentar adequada capacidade de cobertura além de boa aderência ao produto. Retratando essa condição, a composição de hortaliças e frutas (amido, celulose e hemicelulose, substâncias pécticas, proteínas e lipídios) podem ser ótimas opções para o desenvolvimento de revestimentos. Vários estudos já demonstraram a utilização desses

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Postura comercial FIGURA 3. OVOS APÓS A APLICAÇÃO DO REVESTIMENTO DE PROTEÍNA CONCENTRADA DE ARROZ

como amido e proteínas (Majzoobi et al., 2015). Diversos estudos têm focado na avaliação de filmes biodegradáveis de farinhas como pinhão (Daudt et al., 2016), chia e quinoa (Araujo-Farro et al., 2010), e berinjela (Nouraddini, Esmaiili e Mohtarami, 2018).

Lacunas e oportunidades futuras para o desenvolvimento de novos revestimentos

materiais na fabricação de filmes, como o desenvolvido pelos pesquisadores Arquelau et al. (2019), que utilizaram coberturas comestíveis com farinha de casca de banana “Prata” madura e amido de milho. Os autores verificaram que a farinha de casca de banana madura é uma matéria-prima promissora para o desenvolvimento de filmes comestíveis. Além disso, a banana é uma das frutas mais populares e consumidas em todo o mundo, e a casca dela contribui com cerca de 40% do peso total da fruta fresca (Anhwange et al., 2009). Assim fica evidenciada a importância de estudos utilizando esses produtos em revestimentos para ovos. Sucos de frutas, vinhos e cervejas são uma grande fonte de bioresíduos, já que são produzidos em larga escala durante todo o ano. Os subprodutos do processamento de frutas e hortaliças, em sua maioria bagaços (contendo casca, polpa residual, sementes, talos) e resíduos da produção de vinícolas, cervejarias e

Paula Gabriela da Silva Pires é médica-veterinária e doutora em Zootecnia;

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A Revista da MundoAgro

destilarias, são fontes potenciais para a criação de coberturas para ovo. Os extratos de bagaço de uva para vinho contêm pectina, celulose e açúcares, o que é útil para a criação de material formador de filme (Deng et al. 2011). Em revestimentos à base de bagaço, geralmente é necessária a adição de proteína ou polissacarídeo para obter filmes com propriedades mecânicas e de barreira adequadas (Corrales et al., 2009; Deng e Zhao, 2011). Ferreira et al. (2015) utilizaram resíduos vegetais obtidos do processamento de sucos de frutas e hortaliças inteiras para desenvolver filmes e revestimentos biodegradáveis. Os filmes formulados apresentaram características promissoras como aspecto homogêneo e alta solubilidade em água. Recentemente, há um interesse crescente no desenvolvimento de revestimentos usando farinhas de culturas agrícolas devido ao seu baixo custo, facilidade de aquisição e disponibilidade em comparação com componentes puros,

Caroline Bavaresco é zootecnista e doutora em Zootecnia;

Priscila de Oliveira Moraes é eng. Agrônoma, doutora em Zootecnia e professora da UFSC.

Os estudos com revestimentos alimentares evidenciam que características como boa capacidade de cobertura e boa aderência ao produto são necessárias para que os revestimentos sejam realmente efetivos na conservação dos ovos. Com o avanço das pesquisas, percebe-se que muitos subprodutos são capazes de fornecer propriedades desejáveis, porém ainda existem lacunas dentro dos estudos que merecem atenção dos pesquisadores, como o efeito dos revestimentos nas características sensoriais dos ovos. É de suma importância que o desenvolvimento de novos produtos leve em consideração estudos sensoriais, aceitabilidade do consumidor e impacto econômico e ambiental. Além disso, estudos futuros são necessários para verificar a correlação entre o uso de revestimentos e a presença de agentes antimicrobianos ativos, a fim de minimizar a contaminação por microrganismos.

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Opinião

Juntos crescemos mais fortes e vamos mais longe Premissa adotada com a criação do SIAVS, de união dos setores de aves e suínos, pode ser a resposta para a manutenção do sucesso do agro brasileiro Glaucia Bezerra

E

m 2015, quando entrei para o mundo jornalístico do agronegócio, o primeiro artigo que escrevi para a publicação em que trabalhava na época falava sobre a importância da criação do Simpósio Internacional de Avicultura e Suinocultura (SIAVS), com o título “Para colher sucesso é preciso plantar união”. Exatos sete anos depois, outras publicações, uma pandemia, crise econômica, diferentes governos, ainda estou aqui, falando de agro e do SIAVS. Mas tem uma coisa que não mudou nessa quase uma década de cobertura jornalística, o segredo para o sucesso permanece sendo a união. A união dos setores avícolas (corte e postura) e suinícola, como a criação da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e do SIAVS nos mostraram na prática que unir forças nos deixa mais forte. Então por que ainda seguimos tão separados? A crise abriu novos mercados para o agronegócio exportar seus produtos para outros países, o alto valor do dólar é extremamente atraente, oportunidades ímpares surgem no horizonte. Mas o mercado interno sofre um grande impacto por causa dos altos custos de produção de

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aves e suínos que segue pressionado pela alta da inflação e defasagem dos preços. Nessa realidade as margens de lucro não cobrem os custos com a manutenção da atividade. Sabemos que em média a alimentação ocupa cerca de 70% dos custos totais na suinocultura, e hoje, os preços do milho e farelo de soja, matérias-primas da ração, estão muito altos, já o preço da carne de suíno está baixo. Na avicultura, o cenário é semelhante, embora estudos publicados pela Central de Inteligência de Aves e Suínos da Embrapa (CIAS), em junho, tenham indicado queda nos custos de produção da avicultura, influenciada principalmente pelos custos com a nutrição dos animais (-2,46%) e com a aquisição dos pintinhos de um dia (-0,21%). Com o crescimento das exportações e do consumo de proteína animal no mundo é importante à existência de um trabalho conjunto entre todos os elos da produção, nutrição, sanidade, dentro e fora da porteira, onde, além da integração entre as empresas, exista um planejamento apto a acompanhar as necessidades dos produtores e as novas demandas dos consumidores.

Sigo dizendo, essa união dos produtores de proteína animal (todas elas, aves, suínos, bovinos, etc.) e da cadeia de fornecimento de matérias-primas para a nutrição animal brasileira é o segredo para a manutenção do sucesso do nosso agronegócio. Sem orgulho ou supremacia, mas em um modo de trabalho e colaboração no qual todos os envolvidos ganhem, sejam produtores, associações, governo, nação e, principalmente, o consumidor. Apenas juntos conseguiremos transpor as barreiras e continuar crescendo, levando comida para a mesa dos brasileiros e fortalecendo o nome do Agro Brasil no mundo.


Três cepas probióticas selecionadas para: • Melhor controle de patógenos • Segurança alimentar Probióticos registrados na União Europeia.

• Melhor digestibilidade

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GANHO COMPROVADO DE PONTA A PONTA

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Juntos, além da saúde animal

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