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Editorial

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Sumário

Incubação 28 Especial Empresas apontam

- Primas 44 Matérias O mercado de milho e

diferenciais e a ciência envolvida no processo de incubação

anova dinâmica para a indústria Breve histórico do desafio de abastecimento do milho no Brasil

e Pesquisa 12 Ciência Eficácia de métodos alternativos para a desinfecção de ovos férteis

halal pode chegar a US$ 3,2 trilhões 16 Mercado em 2024 no mundo

dão suporte à resposta vacinal na 54 Betaglucanos avicultura

22 Probióticos: uma questão de escolha

do frango vivo em agosto e nos 56 Desempenho dois primeiros quadrimestres de 2020

Pesquisa e Inovação no Incubatório 28 Aviagen: Moderno Tecnologia a base de ozônio garante 30 Casp: eficiência e segurança na sanitização de ovos Novas tecnologias focam 32 Cobb-Vantress: bem-estar animal e melhor desempenho nos incubatórios Considerações para melhor 34 Hendrix: eclodibilidade Breeders: Novas tecnologias e a 36 Hubbard incubação Reform: Inovações Tecnológicas para 38 Pas Incubatórios

do ovo em agosto e nos dois 57 Desempenho primeiros quadrimestres de 2020

58 Matérias-Primas Ponto Final Jorge Chacón e Tharley Carvalho (Ceva Saúde Animal) Bronquite Infecciosa causa elevados prejuízos na indústria de produção de frango de corte “Somos o Brasil que dá certo. Mas também somos o Brasil que passa longe do olhar da maioria dos brasileiros”

Conforto dos pintinhos na sala de 40 Petersime: espera – Dicas práticas Incubação: a importância da 42 Yamasa: classificação dos ovos férteis e da avaliação da qualidade da casca

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Editorial

O mercado avícola e seus ajustes Analistas da Mundo Agro apontaram que o esforço de produtores paulistas e mineiros pela recomposição dos preços do frango vivo começou a ser recompensada na abertura do mês de setembro. No interior de São Paulo e no mercado de Minas Gerais o produto obteve novos reajustes. Isso tem muito a ver com o início do mês e com a retomada das atividades econômicas, movimento que intensifica a alimentação fora do lar. Um terceiro fator pode estar influenciando a recuperação de preços do frango vivo: a oferta ajustada. A crise enfrentada a partir do momento em que o isolamento social se tornou obrigatório, forçando a paralisação da maior parte das atividades econômicas, tornou inviável a manutenção da produção, visto que os custos continuaram ascendentes a pontos de se tornarem proibitivos. Isso afetou e descapitalizou muito mais os produtores de frangos independentes que tiveram ou encontram dificuldade para retornar ao mercado. Daí a oferta mais ajustada nesse segmento e, com ela, a possibilidade de recuperar preços. Claro, ainda vai ser preciso muito mais. Porque ainda que os preços recebidos pelo frango vivo estejam no momento mais de 20% acima dos alcançados um ano atrás, os preços dos dois insumos básicos para sua produção evoluíram bem acima disso. Neste início de setembro, o milho alcança valor 62% superior ao de um ano atrás; e o farelo de soja está 65% mais caro. Os dados oficiais de produção ainda não foram divulgados. Porém, mesmo tendo permanecido nos mesmos níveis de junho passado, a produção brasileira de pintos de corte do mês de julho pode ter registrado novo recorde histórico. Produção de Pintos de Corte: a produção brasileira de pintos de corte do mês de julho pode ter registrado novo recorde histórico. A aparente incongruência baseia-se no número de nascimentos do mês - variável conforme o nível de atividade diária de cada empresa produtora de pintos de corte. Ou seja: esses nascimentos podem ocorrer (a) durante sete dias por semana, (b) de segunda a sábado (6 dias); ou (c) apenas nos chamados “dias úteis”, de segunda a sexta-feira (cinco dias). Pois considerados esses três fatores, tudo sugere que, depois de ter alcançado os 568 milhões de cabeças no mês de junho, no mês seguinte o volume produzido pode ter chegado aos 590 milhões de cabeças – sem que tenha ocorrido qualquer alteração no número de nascimentos diários. No mês de encerramento do primeiro semestre a produção diária de pintos de corte variou, conforme o nível de atividade das empresas, desde um mínimo de, aproximadamente, 19 milhões de cabeças/dia, até um máximo próximo de 26 milhões de cabeças/dia. Resultados que aplicados aos nascimentos possíveis em julho sugerem volume total entre 586,9 e 593,8 milhões de pintos de corte – o que remete a novo recorde no setor (o máximo produzido até agora, 582,4 milhões de cabeças, data de outubro de 2019). Essa produção teve ou vem tendo alguma influência negativa no mercado final, o do frango abatido? A resposta só pode ser não, pois não ocorreu um aumento real de produção, visto que a média diária permaneceu a mesma. Porém, a melhor resposta está no próprio comportamento do mercado que, nestes dias, vem propiciando aumento das cotações das aves vivas que foram alojadas, ainda como pintos, exatamente em julho passado (os últimos pintos alojados em julho – considerado um tempo médio de 42 dias para a criação – somente estarão prontos para o abate dentro de uma semana, em 10 de setembro próximo). Pelos mesmos parâmetros, a produção de pintos de corte de agosto passado pode ter sofrido redução em relação aos dois meses anteriores. Mas este, por ora, permanece como remoto exercício de futurologia.

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Mundo Agro Editora Ltda. Rua Erasmo Braga, 1153 13070-147 - Campinas, SP

ISSN 1983-0017 nº 132 | Ano XI | Setembro/2020

EXPEDIENTE Publisher Paulo Godoy paulogodoy@avisite.com.br Redação Giovana de Paula (MTB 39.817) imprensa@avisite.com.br Comercial Natasha Garcia e Paulo Godoy (19) 3241 9292 comercial@avisite.com.br Diagramação e arte Mundo Agro e Luciano Senise senise@senise.net Internet Gustavo Cotrim webmaster@avisite.com.br Administrativo e circulação financeiro@avisite.com.br

Os informes técnicoempresariais publicados nas páginas da Revista do AviSite são de responsabilidade das empresas e dos autores que os assinam. Este conteúdo não reflete a opinião da Mundo Agro Editora.


Eventos Notícias Curtas

2020 Outubro 06 a 09

Alimentaria Foodtech Barcelona, Espanha - Gran Via Venue www.alimentariafoodtech.com/en/ 06 a 08

Conferência Científica Latino-Americana 2020 da Poultry Science Association (PSA) Local: Foz do Iguaçu, Paraná, Brasil Realização: Poultry Science Association (PSA) Site: poultryscience.org/Latin-American-Scientific-Conference

Novembro 04 e 05

Canadian Poultry Expo Countdown 2020 Stratford, Ontario https://poultryxpo.ca/ 17 a 20

EuroTier

As 4 notícias mais lidas no AviSite em Agosto

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Brasil está completando 45 anos de exportações de carne de frango Foi em 1º de agosto de 1975 que o navio finlandês Aconcágua zarpou do porto de Itajaí, em Santa Catarina, levando para o Oriente Médio as primeiras 650 toneladas de carne de frango do Brasil.

Local: Hanover/Alemanha Telefone: 49 69 24788 -263 E-mail: C.Iser@DLG.org Site: www.eurotier.com/en

2021 Janeiro 25

Conferência Latino-Americana de Avicultura Local: Georgia World Congress Center - 285 Andrew Young International Blvd NW - Atlanta, Georgia, USA Realização: U.S. Poultry & Egg Association Email: info@ippexpo.org Site: www.ippexpo.org 26 a 28

International Poultry Expo (IPE) - Feira de Atlanta

Local: Georgia World Congress Center - 285 Andrew Young International Blvd NW - Atlanta, Georgia, USA Realização: U.S. Poultry & Egg Association Email: info@ippexpo.org Site: www.ippexpo.org Site: www.eurotier.com/en

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Afinal, qual é a carne mais consumida no mundo? Segundo alguns analistas, por conta da forte redução na produção de carne suína em decorrência da peste suína africana, em 2020 - pela primeira vez na história - a carne mais consumida no mundo será a de frango.

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FAO: preço dos alimentos segue em alta e - ao menos desta vez - carne de frango acompanha Depois de retroceder ao pior resultado dos últimos quatro anos, em julho o Índice de Preços da FAO para os alimentos prosseguiu no processo de recuperação de preço iniciado no mês anterior. Nada que alterasse o ritmo de retração que vem sendo observado desde o início de 2020.

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Com nova alta, custo de produção do frango bate todos os recordes anteriores Depois de apresentar ligeira redução, o custo de produção do frango subiu novamente. Chegou em julho à marca dos R$3,44/kg, valor que supera todos os recordes anteriores até agora registrados.

Há 10 anos no AviSite www.avisite.com.br

Disponibilidade de carnes no Brasil supera, pela primeira vez, 90 kg per capita Campinas, 30/09/2010 - Pelas últimas projeções da Conab, devem ser disponibilizadas no mercado interno, em 2010, 17,5 milhões de toneladas das três carnes – bovina, suína e de frango. Como a Conab estima, para este ano, população em torno dos 193,250 milhões de habitantes, o volume total ofertado deve superar, pela primeira vez, a marca dos 90 kg per capita. As projeções também indicam que quase metade da oferta per capita (46% do total, ou 41,5 kg) estará representada pela carne de frango. Vêm na sequência a carne bovina (35,4 kg, 39% do total) e a carne suína (13,9 kg, 15% do total). Em relação a 2003, quando a disponibilidade per capita ficou em 86,6 kg, o aumento fica próximo (mas ainda abaixo) dos 5%. E quem mais contribuiu para esse incremento chegando até a impedir que houvesse redução na oferta per capita foi a carne de frango. A Revista do AviSite

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Notícias Curtas Matérias-primas

Milho: em 2021, o mesmo estoque inicial de 2020 Nas previsões de agosto corrente para a safra brasileira de grãos 2019/20, a CONAB sugere que o estoque final de milho do corrente exercício – inicial de 2021 – deve se manter, aproximadamente, nos mesmos níveis do estoque inicial deste ano, estimado em quase 10,2 milhões de toneladas. A previsão é de um volume apenas 1,1% superior, o que irá significar estoque de 10,3 milhões de toneladas. Cerca de 17,5% maior que o sugerido na previsão anterior, de julho passado, o atual aumento de estoque

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decorre da estimativa de um incremento de 2% na presente safra de milho, cujo volume total pode superar os 102 milhões e, assim, registrar novo recorde (embora também recorde, a produção prevista em julho era apenas meio por cento superior à da safra 2018/19). Se, efetivamente, alcançar o nível previsto, igualando-se ao do ano passado, o estoque final apontado para 2020 continuará sendo o segundo menor das últimas sete safras. Porém, começa a surgir a perspectiva de que alcance volume

maior, podendo, até, formar-se estoque final recorde. Essa possibilidade advém do fato de – nos sete primeiros meses do ano e até meados de agosto – o volume de milho exportado encontrar-se quase 50% abaixo do alcançado em idêntico período do ano passado. É verdade que, nestes cinco meses finais de 2020, os embarques do grão ainda podem intensificar-se. Mas tendem a apresentar redução anual superior à prevista pela CONAB que, em suas projeções, mantém queda da ordem de 16%.


Pesquisa

Coronavírus aviário: motivo de dúvida nos EUA, agente de pesquisa promissora no Brasil Em artigo para o The Poultry Site, o médico veterinário Philip A. Stayer, técnico da Sanderson Farms (sede em Laurel, Mississípi, EUA), aborda o surgimento de uma nova variante do vírus da bronquite infecciosa (VBI – ou IBV, na sigla em inglês): o DMV 1639, assim batizado por ter sido identificado em granjas de frango e de reprodutoras pesadas da península de Delmarva. Nas palavras de Stayer, por enquanto há mais perguntas do que respostas sobre o DMV 1639. No entanto prevê que, “como em outras doenças, nós veterinários de aves aprenderemos mais sobre o DMV 1639 muito antes de nossos colegas médicos entenderem o Covid-19”. Clique aqui para acessar, no The Poultry Site, a íntegra da fala de Stayer e obter mais detalhes acerca dos sintomas e efeitos sobre a produtividade em matrizes e frangos de corte do DMV 1639.

UM CICLO COMPLETO DE PROTEÇÃO.

Não foi dito mas, na realidade, o VBI não é um vírus, mas – triste coincidência – um coronavírus. Que embora exclusivo das aves (ou seja, não transmissível ao homem ou a outras espécies animais) é muito similar ao da Covid-19. E tal similaridade – feliz coincidência – permitiu que aqui no Brasil fosse escolhido como o agente principal para uma pesquisa visando conter a disseminação do vírus da Covid-19. A pesquisa – ainda em desenvolvimento, mas bastante promissora – envolve três unidades da Embrapa (Suínos e Aves, de Concórdia, SC; Pecuária Sudeste; e Instrumentação, ambas de São Carlos, SP) e conta com o apoio da Fiocruz (Rio de Janeiro, RJ), do Instituto de Zootecnia (Nova Odessa, SP) e de uma aluna de doutorado do Instituto de Química de São Carlos, da Universidade de São Paulo. O que se buscou nessa pesquisa foi um produto similar ou mais eficiente que o

hoje universal álcool em gel. E o que se descobriu é que um simples preparado à base de detergente e óleo de soja se revelou bastante promissor na formação de uma película antiviral para mãos e superfícies inanimadas. A pesquisa prossegue, pois resta saber se esse achado se aplica integralmente ao vírus da Covid-19. Porque os resultados até agora obtidos tiveram como base o coronavírus aviário. No caso, uma cepa vacinal de coronavírus aviário ACoV mantida pela Embrapa Suínos e Aves na Coleção de Microrganismos de Interesse para Avicultura e Suinocultura (CMISEA). Clique aqui (https://www.embrapa. br/busca-de-noticias/-/noticia/54983229/ peliculas-a-base-de-detergente-inativam-virus-similar-ao-da-covid-19-em-minutos) para conhecer, em matéria elaborada pela Embrapa, detalhes dessa pesquisa ainda em andamento.

Além de imunizar as aves contra Gumboro, impedindo a infecção por cepas de campo, a aplicação da Vaxxon IBD imc em lotes sucessivos promove a disseminação da cepa vacinal, reduzindo a pressão de infecção do ambiente. Com formulação exclusiva, a Vaxxon IBD imc é a proposta do Biovet Vaxxinova para garantia de um ciclo completo de proteção no controle da doença de Gumboro.

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Notícias Curtas Eventos

X Fórum Virtual ASGAV/SIPARGS debateu futuro da avicultura pós-pandemia Penz: “É hora de pararmos de olhar as médias oferecidas friamente pelos números e passarmos a entender a produção avícola de forma cada vez mais individualizada. As pessoas que pensam na média, são medianas”, afirmou.

A Associação Gaúcha de Avicultura (ASGAV) e o Sindicato da Indústria de Produtos Avícolas do Estado do Rio Grande do Sul (SIPARGS) promoveram em agosto o X Fórum Virtual ASGAV & SIPARGS - Edição Especial Alusiva ao Mês da Avicultura. O evento representou, também, oportunidade para duas homenagens: a Francisco Turra, que deixou a presidência da Associação Brasileira de Produção de Proteína Animal (ABPA) após 12 anos de liderança no associativismo avícola brasileiro. E a Nestor Freiberger que, após várias gestões à frente de ASGAV e SIPARGS e diante da reestruturação de ambas as entidades, assume a presidência de seu Conselho Diretivo, transferindo a José Eduardo dos Santos a Presidência Executiva dos dois órgãos. O evento também lembrou os 55 anos de fundação da ASGAV e enalteceu a força da avicultura gaúcha, com a geração de mais de 40 mil empregos diretos. Nestor Freiberger agradeceu a todos ressaltando que o sucesso não veio sozinho. “Ele depende do trabalho em equipe e é o que acontece quando deixamos uma competente equipe trabalhar”, destacou. “Agradeço a todos que me acompanharam. Agora passo o cargo para o Edu-

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ardo, com muita confiança na realização de um excelente trabalho. Francisco Turra cumprimentou Nestor Freiberger, “um grande amigo”, e José Eduardo dos Santos que, segundo ele, já demonstrou muita capacidade. Também fez referência a Ricardo Santin, que passou a presidir a ABPA. “Vocês assumem uma importante missão. Ao Ricardo, meu substituto, somente agradeço e digo que tenho muita confiança em seu trabalho. Não me sinto fora do setor. Recebi tantas homenagens e colecionei as mensagens. Muito obrigado a todos da ASGAV, entidade que serve de modelo para nós. Em todos os momentos dessa pandemia (do novo coronavírus) a ASGAV demonstrou confiança em nosso trabalho. O Rio Grande do Sul foi o estado mais ‘incomodado’, com uma luta difícil, e quem ‘desanuviou’ a situação foi o trabalho da ASGAV que nos ajudou demais. Vivemos em um momento complicado de definição do futuro. Vocês estimulam o empreendedor, defendem o empresário com muita coragem e confiança. Ricardo e Eduardo, vocês estão totalmente preparados. Somos pessoas feitas e moldadas para as questões do campo”, completou Francisco Turra. Ricardo Santin também homena-

geou Freiberger e Turra. “Falo por mim e pelo Eduardo. Vamos dar continuidade a um excelente trabalho, com a manutenção do esforço conjunto para o avanço do setor”, disse. Todo desenvolvido de forma virtual, o evento contou ainda com uma apresentação do Prof. Dr. Antônio Mario Penz Jr., Diretor Global de Contas Estratégicas da Cargill Animal Nutrition, que abordou o tema 'Desafios da avicultura no pós-covid - Um novo normal'. Segundo Penz Jr. temos de nos reinventar, nos reorganizar - de preferência, antes da concorrência. “Experiências precisam ser questionadas, pois a Inteligência Artificial será o novo guru”, disse. Ele afirmou que para falarmos de um ‘novo normal’ é preciso entender o ‘velho normal’. “Até hoje vivíamos discutindo a substituição de antibióticos como melhoradores de performance, a sustentabilidade do agronegócio, bem-estar animal, biossegurança e a produção de proteínas alternativas à proteína animal”, disse. “Estes tópicos fazem parte do agronegócio há décadas e agora, precisamos entender quais serão as novas metas a serem atingidas pelo agro para que possamos nos manter competitivos”, disse.


O agronegócio está cheio de profissionais competentes, dos mais diversos níveis e áreas, procurando novos desafios. E também está repleto de empresas de sucesso, dos mais variados portes, à procura de mão de obra qualificada para concretizar seus planos de expansão.

O problema é que um não sabe do outro. Mas agora ficarão sabendo. O primeiro portal do Brasil especializado em carreiras do agro, idealizado com o propósito de potencializar a empregabilidade dos trabalhadores do setor, com todos os tipos de capacitação e aproximá-los das áreas de recursos humanos de fazendas, agroindústrias, cooperativas, empresas comerciais e pequenas propriedades, gerando benefícios nas duas pontas.

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Artigo Técnico-Empresarial Ciência e tecnologia

Impacto do uso de leveduras como adsorventes de micotoxinas na avicultura Um estudo da ICC Brazil, empresa pioneira na produção de soluções inovadoras à base de aditivos de levedura para a saúde e nutrição animal, foi destaque na Food Reserch International, um periódico renomado do setor. O artigo publicado "In vitro and in vivo capacity of yeast-based products to bind to aflatoxins B1 and M1 in media and foodstuffs: A systematic review and meta-analysis" é resultado de uma pesquisa, desenvolvida pelo time de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e especialistas da USP, que mostra, através de uma revisão sistemática e meta análise de diversos dados, a eficiência de produtos à base de leveduras como adsorventes de micotoxinas. A ICC Brazil prioriza a base científica e busca constantemente a avaliação de especialistas comprovando

que seus produtos têm qualidade testada e aprovada. Desde a sua fundação, a empresa realizou mais de 200 estudos que asseguram a qualidade de seus produtos. Por ano, são investidos aproximadamente R$ 1 milhão em pesquisa e desenvolvimento em soluções para saúde e nutrição animal. A Mundo Agro Editora foi conversar com exclusividade com a Dra. Liliana Borges, analista de Pesquisa & Desenvolvimento da ICC, para saber mais sobre o tema, principalmente quando analisamos seu impacto na avicultura de corte de postura. Segundo ela, a ação das micotoxinas na avicultura de corte e postura pode ser extremamente tóxica, resultando não só em queda de produtividade e mortalidade animal, mas também em risco de contami-

nações de ovos e carnes para os humanos. As micotoxinas consideradas mais importantes para avicultura brasileira são aflatoxina, seguido pela fumonisina e desoxivalenol (DON). Ela explica que a aflatoxina, por exemplo, é extremamente tóxica devido à sua rápida absorção pelo trato gastrintestinal das aves. “Uma vez absorvida, ela transloca pela corrente sanguínea e liga a alguns órgãos, como o fígado, no qual tem seu metabolismo alterado. Uma das consequências desta contaminação é observada por uma alteração na coloração do fígado, que se torna amarelado por conta da infiltração de gordura e com uma consistência mais frágil que o normal. Outros órgãos também são afetados como os rins, o baço, o timo e a Bursa. Outra consequência muito característica é a

Liliana Borges, analista de Pesquisa & Desenvolvimento da ICC.

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presença de partículas de ração na excreta, resultado da má digestão e absorção”, disse Liliana Borges. Segundo ela, os efeitos, por sua vez, são refletidos em redução de ganho de peso e piora de conversão alimentar de frangos de corte, e em situações mais severas manchas de sangue na carne, na qual pode estar contaminada para consumo humano. “Em poedeiras, observamos uma queda na postura alguns dias após a contaminação. Os ovos, assim como as gemas, reduzem o tamanho por conta da alteração na síntese proteica e lipídica, e pode ocorrer a presença de sangue na gema”, afirmou. Embora as micotoxinas afetem diretamente a saúde e produção de aves de corte e postura, a toxicidade está relacionada com seu status imune e integridade intestinal, pois uma ave que apresenta uma qualidade intestinal e melhor produção de células imunes estará apta a responder com mais eficiência a desafios estressantes como as micotoxinas.

“A integridade intestinal é um indicador de eficiência para a barreira protetora formada pelo trato gastrintestinal, que impede a translocação paracelular de compostos indesejados, como micotoxinas, do lúmen do intestino para a lâmina própria e posteriormente para a corrente sanguínea ligando-se a tecidos e orgãos. Assim, quanto menos permeável a mucosa intestinal se apresentar, menor será a passagem desses compostos”, explicou. Ainda segundo ela, os aditivos à base de levedura constituem uma alternativa natural, segura e benéfica aos frangos de corte e poedeiras. “É comprovado cientificamente que estes aditivos possuem ação efetiva contra as micotoxinas, devido principalmente à presença de B-glucanas em sua parede celular na qual confere uma adsorção específica”, disse. Ela ainda explicou que as β-glucanas são responsáveis por inativar as micotoxinas através de sua

capacidade de se ligarem seletivamente às micotoxinas polares e não polares através de forças intermoleculares, como pontes de hidrogênio e forças de Van der Waals. Existe uma correlação entre a quantidade de β-glucanas na parede celular de levedura e a eficácia sequestrante. “Assim sendo, quanto maior for a quantidade de B-glucanas disponíveis no produto, maior a disponibilidade dos polos de ligação e consequentemente mais eficiente será a adsorção das micotoxinas”, disse. “A utilização de aditivos à base de leveduras nas dietas de frangos corte e postura é uma prática conhecida, onde vários estudos na literatura mostram sua eficiência. As propriedades conferidas pelas B-glucanas, juntamente com a ação do MOS e demais componentes presentes nestes aditivos, proporcionam grande potencial para melhorar a saúde intestinal, status imune, melhorar desempenho e reduzir a mortalidade de frangos de corte e poedeiras”, disse.

62 ESTUDOS EM DIVERSAS ESPÉCIES DEMONSTRAM SUA EFICIÊNCIA. +200 ESTUDOS IN VITRO. EFICAZ CONTRA AS MICOTOXINAS. A MELHOR RAZÃO DE

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Ciência e Pesquisa

Eficácia de métodos alternativos para a desinfecção de ovos férteis A desinfecção de ovos é uma medida básica do incubatório para minimizar a prevalência e a existência de patógenos Giancarlo Rieger1, Sarah Sgavioli1*, Leandro Fregonezi Ruy2, Carolina Haubert Franceschi3, Inês Andretta3, Otto Oliveira Martins2, Catarina Mora Fossatto2 (1) Pós graduação em Produção Animal – Universidade Brasil; (2) Graduação em Medicina Veterinária – Universidade Brasil; (3) Pós graduação em Zootecnia – UFRGS; *adutor correspondente: sarahsgavioli@yahoo.com.br

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Brasil Altos índices de contaminação microbiana em ovos férteis podem levar a redução da eclodibilidade, além de queda na qualidade e desempenho dos pintos pós eclosão. O uso de um desinfetante eficaz é importante para reduzir a contaminação externa e interna, contudo, a aplicação inadequada de desinfetantes pode favorecer que microrganismos penetrem nos poros da casca dos ovos. A desinfecção de ovos é uma medida básica do incubatório para minimizar a prevalência e a existência de patógenos prejudiciais como Salmonella, Escherichia ou enterobactérias, fungos e leveduras, que estão localizados principalmente na casca do ovo. Portanto, a higienização da casca dos ovos é um procedimento recomendado para a incubação de ovos férteis devido à incidência de contaminação patogênica.

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A contagem bacteriana da casca de ovos pode variar amplamente, de centenas a milhões, sendo as principais fontes de contaminação da casca de ovos, a poeira e as excretas das aves. Reduzir a contaminação microbiana nas cascas dos ovos pode auxiliar na contenção da infecção bacteriana nos embriões em desenvolvimento e nos pintos pós eclosão. Os ovos para incubação são convencionalmente higienizados por fumigação com formaldeído, esta técnica reduz os microrganismos patogênicos, no entanto, esse produto afeta adversamente os embriões e prejudica à saúde dos colaboradores. A necessidade de desinfectar os ovos férteis é reconhecido desde 1908, quando a fumigação com formaldeído foi usada para controlar populações microbianas. No entanto, desde a publicação em 1991, da Administração de Seguran-

ça e Saúde Ocupacional (OSHA), sobre os efeitos adversos da exposição prolongada ao formaldeído, vários estudos têm avaliado desinfetantes alternativos. Além de ser eficaz quanto a desinfecção dos ovos, o tratamento alternativo deve ser sustentável com relação ao meio ambiente e à saúde dos colaboradores. Luz ultravioleta (UV), peróxido de hidrogênio (H2O2), ozônio(O3) e ácido peracético (APA) são exemplos de desinfetantes alternativos. De acordo com pesquisas recentes, a luz UV e o H2O2 podem ser utilizados combinados ou de forma isolada, com eficácia na diminuição de contagens bacterianas na casca do ovo. Outros estudos demonstraram que o O3 se mostrou eficaz em reduzir a contagem microbiana, no entanto, os efeitos sobre a eclodibilidade precisam ser reavaliados. Embora o APA seja considerado um desinfe-


tante com um amplo espectro antimicrobianos, poucos estudos estão disponíveis na literatura. Melo et al (2019) ao avaliarem a eficácia de métodos alternativos (O3, luz UV, H2O2 e APA) na desinfecção de ovos férteis, como alternativa ao formaldeído, observaram que somente a luz UV e o APA são indicados como alternativas eficazes para a desinfecção de ovos. Além disso, a desinfecção imediatamente após a postura foi recomendada para evitar desafios microbianos no ambiente do incubatório. Além destas substâncias, o uso da própolis e de óleos essenciais também são considerados na desinfecção de ovos férteis. A própolis é uma substância resinosa produzida por abelhas e pode ser utilizada na desinfecção dos ovos, pois é composto por flavonóides e compostos fenólicos, possui atividade antimi-

crobiana, apresenta comportamento lipofílico e tem baixa toxicidade inata. Mousa-Balabel et al. (2016) e Oliveira et al. (2019) observaram redução na eclodibilidade com o uso da própolis em comparação ao paraformaldeído, no entanto, Aygunet al. (2012), Vilela et al. (2012) e Batkowska et al. (2018) relataram que a própolis não afetou a eclosão. O óleo essencial de cravo-da-índia tem um forte efeito antimicrobiano, possui alta volatilidade e contém eugenol, β-cariofileno e acetato de eugenilo. Eugenol é o principal composto do óleo essencial de cravo e é responsável pelos efeitos farmacológicos, além de apresentar baixa toxicidade. Copur et al. (2010) avaliaram o efeito do óleo essencial de orégano e observaram que não houve diferença de eclodibilidade dos ovos de-

Os ovos para incubação são convencionalmente higienizados por fumigação com formaldeído, esta técnica reduz os microrganismos patogênicos, no entanto, esse produto afeta adversamente os embriões e prejudica à saúde dos colaboradores

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Ciência e Pesquisa

Variação da eclodibilidade de ovos férteis

Alternativos Usuais Água

Ano Figura 1. Variação da eclodibilidade de ovos férteis tratados com diferentes grupos de desinfetantes (alternativos, usuais e água).

A necessidade de desinfectar os ovos férteis é reconhecido desde 1908, quando a fumigação com formaldeído foi usada para controlar populações microbianas

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sinfetados com formaldeído. Outros estudos usaram óleos essenciais para a desinfecção de ovos e não observaram efeitos negativos sobre a eclodibilidade dos ovos (Ulucay e Yildirim, 2010; Debes e Basyony, 2011; Zeweil et al., 2015). O desenvolvimento de novos métodos para desinfecção de ovos férteis fez com que surgisse um elevado número de publicações científicas, tornando-se um problema para a seleção e análise qualificada da literatura. Diante disso, a metanálise pode ser utilizada para analisar e sistematizar as informações, pois se trata de um procedimento que combina resultados de vários estudos. Além disso, a metanálise permite,

em caso de resultados aparentemente discordantes, obter uma visão geral da situação Mediante está demanda um grupo de docentes e discentes de pós graduação e graduação iniciaram o desenvolvimento de uma metanálise, sobre desinfecção de ovos férteis, com o objetivo principal de verificar a eficácia dos métodos alternativos em relação aos usuais. As professoras Sarah Sgavioli e Inês Andretta, estão coordenando este projeto de pesquisa, com o auxílio dos discentes. A pesquisa digital incluiu artigos científicos publicados em revistas especializadas e foi realizada nas seguintes bases de dados: Scopus,


Variação da eclodibilidade de ovos férteis

Classificação

Ano Figura 2. Variação da eclodibilidade de ovos férteis tratados com diferentes grupos de desinfetantes (2=água; 3=químicos; 4=biológicos e 5=físico)

Web of Science e PuMed, por meio do método PICO. Os artigos selecionados possuem experimentos com ovos de matrizes de frangos de corte, submetidos a métodos físicos, químicos e biológicos de desinfecção dos ovos, com presença de resultados de parâmetros de incubação (eclodibilidade, eclosão, mortalidade embrionária total e fertilidade), publicados entre os anos de 1990 e 2020. Foram selecionados 32 artigos científicos que fizeram parte do desenvolvimento da base de dados, para avaliação dos métodos usuais em relação aos alternativos. Resultados preliminares destes estudos mostram que os tratamentos alternativos (própolis, óleos es-

senciais, extrato de alho, lisozima, água eletrolisada, luz UV, peróxido de hidrogênio, entre outros) para a desinfecção de ovos férteis apresentaram eclodibilidade superior, quando comparado com os usuais (formaldeído, amônia quaternária, entre outros). Além disso, ficou nítido o aumento dos artigos publicados com o uso de tratamentos alternativos a partir do ano de 2010 e a eficiência destes tratamentos em relação aos usuais com relação à eclodibilidade dos ovos (Figura 1). Semelhante a isto ao analisar os tratamentos com produtos químicos (formaldeído, cloro, H2O2, álcool etílico, amônia quaternária, entre outros), biológicos (própolis,

óleos essenciais, extrato de alho, lisozima, água eletrolisada, entre outros) e o físico (luz UV), foi possível verificar a eficácia dos tratamentos biológicos, pois os resultados para eclodibilidade se mostraram superiores ou iguais ao dos tratamentos com produtos químicos (Figura 2). O estudo em questão irá fornecer resultados importantes para as agroindústrias envolvidas com a incubação de ovos férteis, pois poderá auxiliar na tomada de decisão quanto ao uso de métodos alternativos para a desinfecção de ovos férteis, sem que ocorra prejuízos na eclodibilidade. A lista de referências pode ser solicitada ao autor correspondente. A Revista do AviSite

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Exportação

Mercado halal pode chegar a US$ 3,2 trilhões em 2024 no mundo Até 2050 a população muçulmana poderá alcançar 1/3 da população, ou seja, quase 3 bilhões de habitantes Autor: Ali Saifi, CEO da Cdial Halal

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tualmente, vivem no mundo aproximadamente 1,8 bilhão de muçulmanos. As maiores populações estão concentradas na Indonésia, Paquistão e índia. Até 2050, de acordo com Research Center´s Forum on Religion & Public Lifes, a população muçulmana poderá alcançar 1/3 da população, ou seja, quase 3 bilhões de habitantes. É um mercado crescente, uma população de alto poder aquisitivo, jovem e ávidos para consumir produtos com qualidade, além de atenderem a todas as exigências da jurisprudência, como a certificação halal.

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Para entender um pouco mais sobre a importância deste mercado, é interessante conhecer alguns conceitos. O alimento permitido no Islã, de acordo com as regras de Deus escritas no Alcorão, é denominado halal, que em árabe significa lícito, autorizado, ou seja, alimentos que seguem 100% todas as normas da jurisprudência islâmica para consumo dos muçulmanos. Há um versículo 6:38 do alcorão que diz: “Não existe ser algum que ande sobre a terra, nem aves que voem, que não constituam nações semelhantes a vós. Nada omitimos no Livro”. O Profeta Mohammad (que a paz e a ben-

ção de Deus estejam sobre ele) ressalta a importância de respeitar os animais. A relação do animal e o ser humano é muito forte. “Os animais, como os frangos, são bênçãos de Deus ao ser humano. Nós, seres humanos, nos beneficiamos deles para nos alimentar, portanto, devemos respeitá-los. Os animais na jurisprudência islâmica precisam ter direito à vida, à sua alimentação, não serem judiados e ter sua espécie protegida e preservada. Todos têm um único propósito: oferecer bem-estar animal”, comenta o sheik Muhammad Albukai. No entanto, que o abate halal de frango para muçulmanos é totalmente diferenciado. Há toda uma técnica que deve ser respeitada, para que a carne possa ser consumida. Confira abaixo como é realizado o abate halal em frango. De acordo com sheik Muhammad, as pessoas que realizam o abate halal precisam ser treinadas de forma espiritual. “O mercado halal é diferente dos outros. Halal não se resume apenas a forma como a degola é praticada, mas sim, a um conjunto de princípios e regras legislativas islâmicas, que devem ser seguidas e preservadas que envolvem inclusive como o animal deve ser tratado antes, durante e pós degola”, ressalta o sheik. Bem-estar animal: Hoje, os consumidores estão cada vez mais exigentes, buscam carne de qualidade e empresas que respeitam o bem-estar ani-


mal. E no ponto de vista islâmico, o animal precisa ter uma vida saudável, digna e com respeito. Estas não são condições somente para o islamismo, mas para qualquer povo no mundo. No Brasil, o MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – tem focado nos princípios de bem-estar de animais de produção que permeiam a boa nutrição, boa saúde, manejo e instalações adequadas. O bem-estar animal pode ter relevante impacto econômico no agronegócio. Ao adotar esses princípios é possível contribuir para o aumento da produtividade e da lucratividade da cadeia produtiva e colaborar para melhoria dos produtos de origem animal, além de perdas decorrentes do manejo inadequado dos animais. De acordo com o presidente da FPA, Alceu Moreira, o Brasil precisa realizar toda esta programação de forma propositiva e aberta, respeitando os créditos religiosos dos povos árabes e sistema de abate halal existente no país. “Para nos-

sa economia, o mundo árabe tem uma importância estratégica importante e as nossas parcerias necessitam que sejam mais profundas com relação à confiança, cooperação estratégica, deliberação conjunta e à evolução econômica e social entre nosso Brasil e o mundo árabe”, complementa.

No mundo, a proteína mais consumida é o frango. Mas é preciso que sejam respeitadas as normas de produção, para que as aves cresçam saudáveis e de forma natural. Atualmente, os abatedouros querem que os frangos cresçam de forma muito rápida, mas este fator pode gerar problemas, como

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Exportação uma carne sem sabor e com textura rígida. “Esta questão deve ser bem analisada, principalmente, a genética e a alimentação. Cada fase necessita de tempo e cuidados, para que a produção seja efetiva”, complementa a cientista Erika Voogd em recente webinar realizada pela Cdial Halal, com participação especial da renomada cientista Temple Grandin, sobre a relevância da certificação halal e bem-estar animal do frango. Durante a webinar, a doutora Temple enfatizou a importância de exercer

Hoje, os consumidores estão cada vez mais exigentes, buscam carne de qualidade e empresas que respeitam o bemestar animal. E no ponto de vista islâmico, o animal precisa ter uma vida saudável, digna e com respeito. Estas não são condições somente para o islamismo, mas para qualquer povo no mundo 18

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as boas práticas e o abate halal com eficiência. “Todas as fases do abate são importantes e todos os envolvidos fazem parte do processo. Precisamos lembrar que somos uma equipe, desde a granja, transporte e abate. Todos os cuidados devem ser respeitados e seguidos, para que possamos ter um resultado positivo, um frango de melhor qualidade sem ter causado estresse ou mal-estar para os animais. Estes fatores agregam ou não valor à proteína animal”. O mundo demanda corte de altíssima qualidade e segurança alimentar. “É

muito importante e necessário realizar um manejo adequado desde o pintinho até o momento da degola para ter uma carne de mais qualidade. Se o Brasil melhorar o bem-estar animal, não somente para cumprir a lei, mas para executar o que a gente acredita que seja uma entrega de qualidade, o país pode conquistar qualquer mercado, não somente o halal”, ressalta Temple. Exportação de frango halal para países árabes - “O mundo árabe tem uma grande importância para economia brasileira. É um mercado ex-


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Exportação

tremamente promissor e precisamos estreitar cada vez mais as relações bilaterais, para que este mercado se desenvolva com todo o potencial disponível. O Brasil é um parceiro comercial respeitado, principalmente, quando o assunto é proteína animal. Estamos preparados para atender as demandas de mercado, mas precisamos traçar novas estratégias de cooperação. Não podemos perder nosso foco. É importante manter nossa resiliência e continuar com controles sanitários rígidos, buscar e ampliar as oportunidades de negócio”, ressalta o CEO da Cdial Halal, Ali Saifi. As exportações de frango continuam em alta. O Brasil, de acordo com a ABPA – Associação Brasileira de Proteína Animal – no primeiro semestre deste ano foram exportadas quase 1 milhão de toneladas de frango halal para os países árabes, 992 mil toneladas embarcadas. Os principais importadores (em toneladas) foram a Arábia Saudita com 204.330 t; Emirados Árabes 153.710 t; Kwait 64.679 t; Iemen 52.812 t e Catar 42.478 t. O total de frango halal expor-

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tado pelo Brasil é responsável por em média 40% das exportações brasileiras de carne de frango (in natura e processados). Mercado halal no mundo - De acordo com relatório da Pew Research Center, em 2050, a população muçulmana em todo o mundo deverá atingir 2,76 bilhões, ou seja, 29,7% da população mundial. Atualmente, a comunidade muçulmana é de 1.8 bilhão. É uma população que cresce a cada ano e busca por produtos premium para seu consumo. Só para os leitores terem uma ideia do tamanho deste negócio, de acordo com dados da Africa Economic Foundation e Dinar Standard, o mercado halal como um todo, não somente proteína, pretende faturar US$ 3,2 trilhões em 2024. Uma grande oportunidade para as indústrias brasileiras expandirem seus negócios nos países árabes. Por outro lado, as exigências de exportação estão cada vez mais altas. “Toda cadeia, de qualquer segmento, deve ser certificada desde a matéria-prima,

insumos, transporte e armazenamento, inclusive as empresas que prestam serviços para as fabricantes. No caso de proteína animal, o processo acontece desde a segregação dos animais, manejo, nutrição, abate até a logística. É importante que as empresas entendam que é um conceito geral e não basta o produto ter um selo de certificação na embalagem para ingressar neste mercado. Eles querem entender todo o processo para ter certeza da validação da certificação halal de acordo com as leis islâmicas”, comenta Ali. Dentre os mercados emergentes halal, destacam-se: alimentos e bebidas (sucos, queijos, lácteos, gelatina, doces, entre outros); fármaco; cosmético; finanças islâmicas, moda; mídia e recreação e turismo. Em alimentos halal, de acordo com a Africa IslAmic Economic Foundation, o setor registrou faturamento, em 2018, US$ 1.369 bilhão. E a previsão é que alcance, em 2024, US$ 1.972 bilhão, aumento de 44%. É um mercado extremamente rentável e promissor.


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Ciência e Nutrição

Probióticos: uma questão de escolha Entenda a melhor forma para a definição de um processo nutricional Autor: Rogério Frozza, Gerente Técnico Nacional - CHR Hansen

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pesar da história do uso de probióticos ser antiga, há milhares de anos atrás no Egito, apenas recentemente, em 2001, o conceito de probióticos como “micro-organismos vivos capazes de promover a saúde quando administrados em quantidade adequada” foi aceito (Zoumpopoulou et al., 2018). Tal conceito foi amplamente discutido por especialistas e está consolidado, bem como os mecanismos associados aos efeitos dos probióticos, como alteração da microbiota intestinal por competição de nutrientes e locais de adesão, melhoria da função da barreira mucosa por

indução na produção de muco (expressão de genes de mucina), modulação na resposta imune e produção de enzimas úteis, ilustrados na figura 1. (Kotzampassi and Giamarellos-Bourboulis, 2012; Hill et al., 2014; Zoumpopoulou et al., 2018; Judkins et al., 2020). Desta forma, a dinâmica que precisa ser compreendida é que a saúde intestinal consiste no equilíbrio da microbiota entre as bactérias potencialmente benéficas e as bactérias potencialmente patogênicas, logo a suplementação de “bactérias boas” pode promover este equilíbrio (Pickard et al., 2017; Thursby and Juge, 2017).

Figura 1: Modo de ação dos Bacilos na microbiota intestinal

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A Revista do AviSite

A microbiota em equilíbrio ou eubiose é crucial para o desempenho do animal, que responde positivamente em performance com aumento do peso corporal, redução de riscos de enterites, melhora na eficiência alimentar, digestibilidade da dieta, bem como aumento na produção de ovos e na qualidade de ovos (Agazzi, 2015; Zoumpopoulou et al., 2018, Upadhaya et al., 2019). A colonização do trato gastrointestinal da ave começa imediatamente após a eclosão (Donaldson et al., 2017) chegando a impressionante densidade bacteriana de 108 e 1010 por gramas de conteúdo do íleo e do ceco, respectivamente,


Não patogênico Resistente ao processamento e estocagem Ácido & bile tolerante Aderir ao epitélio ou mucosa Persistir no trato gastrointestinal Produzir componentes capazes de inibir patógenos Modular a resposta imune Alterar a atividade da microbiota Adaptado de (Patterson and Burkholder, 2003; Pandey et al., 2015). Tabela 1: Características ideais dos probióticos

ainda no primeiro dia após incubação (Apajalahti et al., 2002; Apajalahti et al., 2004). Todavia, o equilíbrio da microbiota será atingido, em torno do vigésimo primeiro dia (Mirza, 2018). Manter esta população bacteriana em condições de anaerobiose requer quantidades significativas de substrato, em torno de 10% a 20% de carboidratos e aminoácidos, desviados da absorção da ave saudável (APAJALAHTI et al., 2004). As necessidades por substrato em população bacteriana desequilibrada requer níveis diferentes de nutrientes. A resposta imune humoral e celular tem relação direta com o desenvolvimento da microbiota intestinal e o uso regular de probióticos pode contribuir através do aumento da produção de interferons, citocinas, aumento de macrófagos, linfócitos, atividade de natural killers (NK) e aumento na produção de anticorpos ou imunoglobulinas IgG, IgM, IgA), (Kotzampassi and Giamarellos-Bourboulis, 2012; Fathi et al., 2017; Mirza, 2018). O desequilíbrio da microbiota ou Disbiose pode ser considerada uma alteração composicional e funcional na microbiota e está relacionada a um conjunto de fatores ambientais e ao hospedeiro, excedendo sua capacidade de resistência (Levy et al., 2017). Ela tem origens diferentes e se manifesta de diversas formas, persiste de forma estável na ave e dificilmente saberemos se a

disbiose foi a causa ou efeito da enfermidade, mas deve-se fazer a correção imediata para o estado de eubiose (David et al., 2014; Levy et al., 2017; (Brüssow, 2020). Eubiose é compreendida como o equilíbrio da microbiota intestinal, com predomínio das espécies bacterianas potencialmente benéficas, capazes de promover a integridade intestinal e melhorar a absorção de nutrientes. (Iebba et al., 2016; Judkins et al., 2020). Estudos recentes sugerem que probióticos exercem efeito restaurados e ou promotor da eubiose (Judkins et al., 2020). Deste modo, é logico pensar que a colonização precoce do trato gastrintestinal e a manutenção de forma intencional, com suplementação de bactérias probióticas, estabelecerá uma microbiota saudável e aumentar a resistência a colonização por bactérias patogênicas, (Zoumpopoulou et al., 2018; Judkins et al., 2020; Kogut et al., 2020). Contudo, para obter o máximo benefício dos micro-organismos probióticos, algumas características descritas na tabela 1 devem ser considerados na hora da escolha. Ao contrário de muitos probióticos conhecidos que são sensíveis e incapazes de sobreviver, principalmente, ao tratamento térmico das rações, os bacilos, anaeróbios facultativos e formadores de esporos, são manipulados na forma de esporos, consequentemente muito resistentes a extremos de pH e temperatura

O desequilíbrio da microbiota ou Disbiose pode ser considerada uma alteração composicional e funcional na microbiota e está relacionada a um conjunto de fatores ambientais e ao hospedeiro A Revista do AviSite

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Ciência e Nutrição (Nicholson, 2002; Jeong and Kim, 2014). Não apenas resistentes, como também capazes de colonizar o trato gastrointestinal de forma transitória, com poder de germinação e interação com a microbiota para produzir efeitos benéficos. (Cartman et al., 2008; Latorre et al., 2014). Vale ressaltar que uma cepa probiótica é um “subtipo” de um micro-organismo pertencente a uma espécie e possui identidade genética única, morfologia distinta, bem como características bioquímicas e capacidade de interação com o hospedeiro para produzir os efeitos benéficos, como algo exclusivo de cada cepa e não pode ser extrapolado para a espécie (Kotzampassi and Giamarellos-Bourboulis, 2012; Koedijk and Bostvironnois, 2017). Para melhor entendimento, a espécie Bacillus subtilis tem mais de

Figura 2: Similaridade entre espécies

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1000 cepas sequenciadas, e com diferenças genéticas de aproximadamente 20%, além de características morfológicas, bioquímicas e comportamentais distintas. Com isso compreendemos a necessidade de critério no momento de selecionar um probiótico. A figura 2 apresenta a similaridade entre espécies (Koedijk and Bostvironnois, 2017). Outro fator decisório é a segurança em relação as cepas a ser usadas. Cada cepa é cuidadosamente selecionada e os critérios de seleção serão diferentes em cada espécie animal (Zoumpopoulou et al., 2018). De acordo com Koedijk and Bostvironnois (2017) quatro cepas de Bacillus subtilis apresentam habilidades diferentes de produzirem enzimas ou até mesmo a capacidade de inibir patógenos. A consistência nos resultados também deve ser levado e conta, ou


*Letras distintas representam diferenças estatisticamente significativas (P<0,05). Figura 3: (Adaptado de Abudabos et al., 2015): Altura de vilosidade intestinal em frango de corte seja, a cepa selecionada deve vir acompanhada com uma bateria de estudos que comprovem sua eficácia tanto in vitro como in vivo. A figura 3 apresenta resultados de altura de vilosidades intestinal em frangos de corte. A estabilidade do probiótico também é fundamental para os resultados, haja visto que são bactérias vivas submetidas a processos de

peletização, acidificante para ração ou até mesmo formaldeído. A figura 4 mostra a resistência do Bacillus subtilis submetido a peletização em diferentes temperaturas. A mensuração de bacilos é outro ponto importante e deve ser checado a partir da Prova de Recuperação de Bacilos (PRB). A prova permite confirmar se quantidade de bacilos descrita em rótulo está de acordo

com o que realmente consta no produto e também auxilia na identificação de falhas nos processos de mistura da fábrica. O plano amostral deve incluir amostras de ração colhidas no silo e comedouro e amostras de cama e fezes. Por fim, o sucesso ou o fracasso do programa de uso de probióticos, seja para retirada de promotores, redução do uso de antibióticos ou até

Figura 4: Viabilidade do Bacillus subtilis antes e após a peletização A Revista do AviSite

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Ciência e Nutrição

Figura 5: Presença de bacilos viáveis em diferentes momentos mesmo para a melhora continua nos resultados, dependem dos pontos discutidos acima, que devem ser considerados no momento de montar um programa de uso de probióticos. Entende-se como Programa, a escolha da cepa correta para a necessidade de cada granja em quantidades e períodos adequados.

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Especial Incubação | Aviagen

Pesquisa e Inovação no Incubatório Moderno

À medida que compreendemos melhor as necessidades dos embriões e dos pintinhos, a necessidade de novos tipos de equipamentos fica evidente

Autora: Dinah Nicholson, gerente Global de Desenvolvimento e Suporte a Incubação da Aviagen

nas modernas, sendo a maior diferença observada no verão. Embora o número total de grupos de pesquisa interessados em incubação seja muito menor do que era 100 anos atrás, ainda há alguns grupos notáveis empenhados nas principais áreas de pesquisa. Como no passado, alguns desenvolvimentos são impulsionados pela disponibilidade de novos equipamentos que tornam os procedimentos inovadores mais práticos. Outros são meramente biológicos, e alguns são ambos. Um aspecto bastante novo é a preocupação maior com o bem-estar de embriões e pintinhos no incubatório, o que tem gerado projetos como a sexagem in ovo e a alimentação precoce.

Equipamentos

O

s seres humanos têm ajudado na incubação de ovos de aves há mais de 2000 anos. Incubacionistas especializados desenvolveram técnicas no Egito e na China que eram diferentes o suficiente para serem consideradas invenções totalmente independentes, sendo que, apesar de não terem termômetros, termostatos ou ventilação forçada, conseguiram obter resultados consideráveis. Algumas das incubadoras de estilo tradicional ainda operam no Egito e foram pesquisadas pela FAO em 2009. Descobriu-se que o desempenho dos incubatórios de estilo tradicional era 9% e 14% pior do que para os ovos de mesma origem incubados em máqui-

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A Revista do AviSite

Nos últimos 10 anos, as câmeras de imagem térmica se tornaram muito mais baratas e são uma ajuda inestimável para indicar às equipes dos incubatórios onde há problemas com a variação da temperatura. Os especialistas em incubatórios da Aviagen usam câmeras Flir para identificar quando os ovos não estão esfriando rapida ou uniformemente, pontos quentes e frios nos nascedouros e incubadoras e também condições de armazenagem de pintinhos. Os preços das câmeras caíram de vários milhares de libras, há dez anos, para US$ 300-500 para um modelo básico (e perfeitamente adequado) atualmente. É sempre importante obter o treinamento adequado sobre o uso das câmeras termográficas para compreender os princípios por que diferentes materiais

podem indicar temperaturas diferentes quando, na verdade, não são.

Inovações nos Equipamentos do Incubatório À medida que compreendemos melhor as necessidades dos embriões e dos pintinhos, a necessidade de novos tipos de equipamentos fica evidente. Um deles, que está bastante adiantado na sua implantação, são as Unidades especializadas de armazenamento de pintinhos que podem manter as aves em condições ideais enquanto a carga de pintinhos está sendo preparada ou aguardando o transporte. Três anos atrás, os especialistas em incubatórios da Aviagen examinaram todos os 35 incubatórios pertencentes ou administrados por empresas da Aviagen na época. A Aviagen cresceu internacionalmente por meio de aquisições e por isso houve consideráveis variações em diferentes incubatórios, sendo o componente mais variável o design e as condições de funcionamento nas salas de de pintos. O principal fato que deve ser assimilado em cada incubatório é como ajustar o set point das unidades de armazenamento de pintos para manter as temperaturas uniformes em uma unidade que esteja sendo carregada, de modo que a extração de calor mude ao longo do tempo, e também, que o fluxo de ar através das unidades não esfrie os pintinhos, em especial depois da vacinação por spray. Outro novo item de equipamento do incubatório é o desenvolvimento de má-


quinas que podem detectar se um embrião ainda está vivo durante os estágios intermediários da incubação. A principal vantagem de fazer isso é permitir que o incubatório remova os ovos contaminados antes que se tornem um problema, reduzindo assim a ameaça de bactérias. A maioria das máquinas disponíveis precisa de um manejo consistente e cuidadoso para o seu melhor desempenho, contribuindo muito para a higiene e a qualidade de pintinhos. Espera-se que, à medida que a tecnologia de manejo de ovos melhore, as máquinas se tornem parte essencial da automação do incubatório.

Bem-estar no Incubatório Os incubatórios são lugares fascinantes para trabalhar, mudam continuamente e contam com a implantação de novas descobertas. Nos últimos 30 anos, a nossa compreensão dos requisitos de incubação do embrião avícola e dos pintinhos passou por grandes mudanças. Os gerentes de incubatórios de estágio múltiplo antigos co-

nheciam seus incubatórios de dentro para fora, reagindo ao movimento do ar , aos cliques das solenoides, ás luzes acesas e apagadas, bem como ao cheiro e ao som dos pintinhos. Respondendo a sinais subliminares ,não foi fácil transmitir a experiência para os subordinados ou sucessores. As incubadoras modernas de estágio único nos permitem definir e cumprir metas para os parâmetros mais importantes, sendo muito mais fácil treinar as pessoas a buscar os mesmos objetivos. Os incubatórios são a base da indústria avícola – sem eles, não conseguiríamos produzir carne uniforme e de alta qualidade , nem ovos durante o ano todo para fornecer aos nossos clientes uma fonte de proteína sustentável e nutritiva. Eles continuarão a inovar e melhorar os parâmetros e os procedimentos à medida que aprendamos mais sobre como os embriões e os pintinhos reagem, através de estudos de incubação se extendendo a fase de desenvolvimento pós eclosão para garantir que todas as consequências de um tratamento sejam

assimiladas. Os trabalhos focados na incubação, publicados na Revista Poultry Science de janeiro a junho de 2020, abrangeram temas como desinfetantes alternativos para o ovo incubável, o impacto de diferentes temperaturas de incubação, a frequência de viragem, o transporte de pintos e o estresse pré-natal. No entanto, 10 artigos dos 24 que abordam a "incubação" foram sobre a alimentação in ovo de vários nutrientes. A alimentação in ovo ainda não é comumente usada em incubatórios comerciais; a provável razão disso é o fato de que, por existir tantas possibilidades, as pessoas não saibam por onde começar. Tenho certeza de que os incubatórios de amanhã usarão a alimentação in ovo e tratamentos que não podemos sequer imaginar. Artigo completo no link: https://www.avisite.com.br/index.ph p?page=cet&subpage=trabalhostecnicos &id=322

A Revista do AviSite

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Especial Incubação | Casp

Tecnologia a base de ozônio garante eficiência e segurança na sanitização de ovos

Produto inédito no Brasil revoluciona a forma de tratamento, até então utilizada com reagentes químicos, principalmente nos incubatórios Equipe Casp

A

s exigências quanto a qualidade dos produtos oferecidos ao consumidor é um fator que tem crescido no mercado e gerado impacto nos processos de produção de diferentes segmentos. No caso da indústria de ovos não é diferente, cada vez mais os procedimentos usados pelo setor, e seus impactos na saúde humana são analisados e questionados. O processo de sanitização de ovos, por exemplo, é importante para diminuir ou eliminar riscos de contaminações por microrganismos, mas em muitos casos é feito com o auxílio de produtos químicos que podem gerar danos para o consumidor. Buscando oferecer uma opção segura e eficaz, a CASP, uma das maiores indústrias de máquinas e equipamentos para avicultura, suinocultura e armazenagem de grãos do Brasil, oferece ao mercado

30 A Revista do AviSite

uma solução que proporciona, por meio da aplicação de ozônio, a sanitização de ovos. Inédita no Brasil, a tecnologia revoluciona a forma de tratamento, até então utilizada com reagentes químicos, principalmente nos incubatórios. Comprovadamente eficaz, o Ovoxx® reúne em um só produto qualidades que o destacam no mercado. “O Ovoxx® é um produto que une a eficiência e a segurança, pois depois de anos de pesquisa e ensaios ficaram estabelecidos os parâmetros de trabalho para não ser agressivo ao operador, e de promover a sanitização automática dos ovos, o que não é possível com o uso de outros produtos”, explica o Engenheiro da CASP, Carlos Augusto Dias. De acordo com testes realizados pela equipe da CASP em incubatórios e granjas, após a instalação do

O processo de sanitização de ovos é importante para diminuir ou eliminar riscos de contaminações por microrganismos


Ovoxx® foram registrados aumentos de eclosão consideráveis, maior pintos de primeira e diminuição de pintos de segunda. O ganho na eclosão de pintos pode superar, em alguns casos, 1%, mantendo a qualidade da sanitização dos ovos e pintinhos. O produto atende todas as normas do Ministério do Trabalho e foi desenvolvido para ser instalado em

qualquer incubatório, e pode, também, ser utilizado em diversos outros setores da granja como fumigador, sala de ovos, sala de nascimento, de transferência, laboratório, expedição de pintos e, até mesmo, no caminhão de transporte de ovos e pintos. O Ovoxx® oferece maior relação custo-benefício comparado às demais opções do mercado, pois sua instalação possibilita parar de utilizar todos

os produtos químicos, utilizando para limpeza apenas sabão neutro. O uso de produtos químicos gera gastos com a compra do produto, funcionários para manuseio, local de armazenamento, EPI’s, além do risco de incêndios, e em alguns casos um alto consumo de energia, custos que podem ser redirecionados a outros investimentos, que aprimorem a qualidade da produção. A Revista do AviSite

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Especial Incubação | Cobb-Vantress

Novas tecnologias focam bem-estar animal e melhor desempenho nos incubatórios Os incubatórios vivem uma fase de migração de incubadoras de estágio múltiplo para incubadoras de estágio único Autor: Eduardo Costa, médico veterinário e diretor de Produção de Incubatório da Cobb-Vantress na América do Sul.

T

odas as pesquisas e novas tecnologias voltadas para os incubatórios seguem o irreversível caminho do atendimento a demandas como bem-estar animal, melhor desempenho e eficiência produtiva no campo. As novas tecnologias ganham cada vez mais espaço para atender essas exigências. Neste artigo listo tendências e mudanças que já estão em curso nos incubatórios. Um dos entraves na produção de pintinhos de um dia está com os dias contados. Nas chamadas incubadoras de estágio múltiplo, ainda bastante populares no Brasil, a mesma máquina é incubada diversas vezes em dias alternados, apresentando ovos de diferentes idades de incubação dentro do mesmo equipamento, impossibilitando fornecer as condições ideais às distintas necessidades de cada fase do desenvolvimento embrionário. Aos poucos, os equipamentos de estágio múltiplo vêm sendo substituídos pelas incubadoras de estágio único, onde toda a carga é incubada em um mesmo momento. Dessa forma é possível atender por completo as exigências dos embriões

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A Revista do AviSite

em cada fase de desenvolvimento até o nascimento.

Incubadoras de Estágio Único Essa tecnologia nos permite controlar aspectos como CO2, temperatura ambiental e dos ovos, além de possibilitar trabalhar perfis de incubação fornecendo estímulos desses parâmetros em determinadas fases do desenvolvimento embrionário a fim de produzir pintos com capacidade de expressar todo o seu potencial genético. Essas e outras cinco fronteiras da avicultura começam a ser ultrapassadas por ciência e muita tecnologia empregada desde o início da cadeia produtiva. Os incubatórios vivem uma fase de migração de incubadoras de estágio múltiplo para incubadoras de estágio único. Esta tecnologia já vem sendo usada com inúmeros benefícios. Ao trabalhar em estágio único as incubadoras estão trabalhando para atender as necessidades de requerimentos do embrião com benefícios como melhor nascimento, principalmente em lotes mais velhos e também melhor qua-


lidade de pintinho, com impacto em melhor performance desta ave no campo.

Sexagem In Ovo A sexagem in ovo está no campo das novas tendências. Muitas empresas estão investindo bastante no desenvolvimento de diferentes métodos de sexagem in ovo e as primeiras máquinas já começam a aparecer no mercado, focando no segmento de poedeiras comercias com a finalidade de atender a demanda de bem-estar animal, pois com ela se descarta os ovos sem a necessidade de descartar os machos. O avanço dessa tecnologia e o surgimento de novos métodos deve baratear os custos do equipamento, que deve chegar em incubatórios de matrizes pesadas e de frangos de corte em escala comercial. O uso da sexagem in ovo vai trazer uma redução muito relevante de mão-de-obra, além de atender ao bem-estar animal.

Automação No Brasil estamos passando por uma transformação bastante interessante no que diz respeito a automação dos incubatórios. A automação já atua em diferentes frentes, como na vacinação in ovo. No entanto, ainda há desafios. Quando uma empresa busca a automação, mais do que a redução do quadro de funcionários, ela procura também aumento da produção, padronização, melhor qualidade, redução de erros, maior produtividade e flexibilidade. No final, esses fatores significam redução do custo de produção, maior eficiência e lucro. Outra grande vantagem dos sistemas automatizados é a melhor ergonomia e satisfação dos colaboradores, ou seja, menor rotatividade, proporcionando melhor especialização da equipe.

Nutrição In Ovo A nutrição in ovo está no campo das novíssimas tendências. Temos muitas pesquisas em campo,

mas nada concreto no mercado. Trata-se da injeção de micronutrientes in ovo para o embrião já começar com aporte de aminoácidos e vitaminas antes de nascer. O objetivo é melhorar o sistema inume das aves e a performance no campo. Estudos demonstram que a técnica se traduz em uma ave mais robusta e com melhor eficiência produtiva no campo. Uma das barreiras é o volume de nutrientes necessários a ser aplicado no ovo e sua capacidade limitada de comportar essa quantidade.

Alimentação Precoce ou Early feeding A alimentação precoce também está em destaque entre as novas tendências. A ave passa a ter acesso a água e ração imediatamente após o nascimento. Em alguns países da Europa isso já uma exigência de clientes (redes de supermercado, fast food, etc) e governos para atender diretrizes de bem-estar animal. A alimentação precoce também pode trazer benefícios zootécnicos. Com o estímulo precoce, o sistema digestivo tem um melhor desenvolvimento, trazendo melhor performance das aves no campo. O fornecimento de água ou alimentos com altos níveis de umidade também ajudam a prevenir a desidratação das aves, impactando a mortalidade de primeira semana.

Nascimento na granja ou On farm hatching O nascimento na granja é uma linha de trabalho que vem ao encontro com a essência da nutrição precoce. No caso desta inovadora forma de criação, no momento da transferência ao invés de ir para o nascedouro, os ovos vão diretamente para a granja. Essa prática traz vantagens de biosseguridade para o incubatório por não ter aves ou plumas dentro da unidade, mas também pode ser bastante desafiadora. Ela vai exigir um controle de ambiência muito mais preciso nos caminhões de

No Brasil estamos passando por uma transformação bastante interessante no que diz respeito a automação dos incubatórios. A automação já atua em diferentes frentes, como na vacinação in ovo

transporte desses ovos embrionados e nos galpões, além de aumentar o ciclo de cada lote para o produtor e subir o seu custo, além da dificuldade de realizar a seleção das aves e o controle preciso do número de aves alojadas em cada aviário, entre outros. Essa é uma tendência que ainda pode demorar um pouco a chegar no Brasil, mas deve chegar. O bem-estar animal tem papel fundamental nos avanços de tecnologias. Nos avanços e pesquisas de todo o setor, basicamente, as novas tecnologias e automações estão buscando redução de custo, melhor produtividade e bem-estar animal, além de melhor desempenho das aves em nível de campo. Somando todas estas tecnologias com os constantes ganhos genéticos, o frango do futuro será um animal mais eficiente, trazendo melhores resultados zootécnicos desde a conversão alimentar no campo até o rendimento das aves no abatedouro. A Revista do AviSite

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Especial Incubação | Hendrix

Considerações para melhor eclodibilidade

Dicas para melhorar os resultados de seus plantéis de galinhas reprodutoras Autor: Mark Cornelissen – Especialista em Incubação Global Hendrix Genetics Revisado por Equipe Técnica Hendrix Genetics Brasil

O

sucesso do fornecimento contínuo de pintos de um dia depende muito da fertilidade e da eclodibilidade. Apenas para alinhamento de conceitos: fertilidade se refere à porcentagem de ovos férteis sobre o total de ovos considerados incubáveis, enquanto a eclodibilidade é a porcentagem de ovos férteis que eclodem.

NUTRIÇÃO A dieta dos lotes de reprodutoras é de grande importância, não só pela

qualidade dos ovos para incubação, mas também pela qualidade do sêmen dos galos. Certifique-se de que o programa nutricional é adequado. Quando seu lote de reprodutoras está com um balanço energético negativo, isso terá um impacto negativo na fertilidade e na eclodibilidade. É de suma importância seguir as dietas recomendadas pelos fornecedores do material genético. É importante verificar e manter os níveis mínimos de ácido linoléico, selênio e vitamina E, pois todos estão positivamente relacionados com a eclodi-

bilidade e fertilidade. Assegure-se de que está sendo usado um premix de matrizes e não de poedeiras comerciais.

IDADE Existe uma tendência geral da fertilidade diminuir quando o lote de matrizes envelhece. Este é um fenômeno natural e extremamente difícil de influenciar por meio de manejo ou seleção genética.

MACHOS E FÊMEAS A proporção entre as aves machos e fêmeas é muito importante para otimizar seus resultados de fertilidade. Excesso de machos podem colocar muito estresse físico nas fêmeas e podem influenciar negativamente a fertilidade e a longevidade. Quantidade insuficiente de machos pode resultar em fertilidade baixa, pois as fêmeas podem se tornar dominantes em relação aos machos, reduzindo a quantidade de acasalamento bem-sucedidos. Comece a produção com um máximo de 9% de machos (sistemas de piso) e reduza lentamente para 8-8,5%. Atenção ao manejo de rodízio e seleção de machos com baixo desempenho.

QUALIDADE DO OVO Nem todos os ovos produzidos por galinhas reprodutoras são ade-

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quados para serem incubados. A separação adequada dos ovos incubáveis é essencial para melhorar os resultados de fertilidade e eclodibilidade. Ovos muito pequenos (<45 g) têm menos chance de chocar em comparação com ovos médios e grandes. É recomendável usar apenas ovos de 50 gramas ou mais. É muito importante também, retirar todos os ovos sujos e quebrados. A incubadora oferece o ambiente ideal para que as bactérias se multipliquem rapidamente. Ovos podres ou "ovos bomba" terão um impacto negativo na qualidade dos pintinhos de um dia.

ARMAZENAMENTO DE OVOS Sempre deixe os ovos esfriarem gradualmente,ou seja, não os armazene muito rapidamente após a postura. Tente minimizar a duração do armazenamento, já que ele com prazo longo (>7 dias) tem um impacto negativo na qualidade do ovo e na sobrevivência do embrião, o que le-

va à diminuição da eclodibilidade. Sabe-se também que a diminuição da eclodibilidade é maior em lotes de maior idade (>50 semanas de idade). De maneira geral, o armazenamento de ovos para incubação, mantendo sempre a premissa de ser menor do que 7 dias, causa menos impacto quando utilizado para lotes de reprodutoras jovens (<35 semanas de idade). Dê aos ovos incubáveis também algum "descanso" após a postura e não os incube de imediato, apenas 1-2 dias após produção. A temperatura e a umidade do armazenamento dos ovos são dois fatores que podem ser facilmente gerenciados e podem contribuir para o sucesso da eclodibilidade. Lembre-se sempre que o armazenamento começa no dia da produção dos ovos na granja. Uma prática recomendada é rotular cada lote de ovos para incubação com a data de produção. Tente minimizar o fluxo direto de ar frio/ quente dos sistemas de ambiência, umidificadores ou do sistema de aquecimento da sala de ovos, pois

"A proporção entre as aves machos e fêmeas é muito importante para otimizar seus resultados de fertilidade." tudo isso são fatores de influência na mortalidade embrionária. Além disso, nunca coloque os ovos para incubação diretamente contra a parede ou no chão. Dica: Para ovos que ficaram estocados por mais de 3 dias, acrescentar uma hora extra na incubadora para cada dia extra de estocagem.

Condições de Ambiência Recomendadas Durante o Armazenamento de Ovos Tempo Estoque

Temperatura

Umidade Relativa *

Orientação do Ovo

(°C/°F)

(%)

0 - 3 dias

18-21 / 64-70

75 - 85

Ponta menor p/ baixo

4 - 7 dias

15-17 / 59-63

75 - 85

Ponta menor p/ baixo

8-10 dias

12-14 / 54-57

80 - 85

Ponta menor p/ baixo

> 10 dias

12-14 / 21-57

80 - 85

Preferencialmente ponta menor p/ cima ou virá-los um vez ao dia.

* A faixa de umidade relativa recomendada para ovos armazenados em bandejas de papel é de 50% a 75%. O risco de desidratação é muito menor nas bandejas de papel e o risco de uma umidade relativa muito alta em bandejas plásticas dever ser evitado. A Revista do AviSite

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Especial Incubação | Hubbard Breeders

Novas tecnologias e a incubação Novas tecnologias estão sendo usadas em incubatórios não apenas para maximizar a eficiência da incubação, mas com foco em algumas preocupações amplas de todo o setor avícola Material desenvolvido pela Hubbard Breeders

P

or muitos anos, o setor de incubatórios tem estado na vanguarda no uso de novas tecnologias à medida que a indústria avícola tem se desenvolvido. Tradicionalmente, o principal foco tem sido o uso da tecnologia para maximizar a eclosão e a qualidade do pintinho. O processo de incubação é uma parte fundamental do sistema de produção de frangos de corte, por isso não pode ser visto isoladamente. Portanto, não é surpreendente que novas tecnologias estão sendo usadas em incubatórios não apenas para maximizar a eficiência da incubação, mas com foco em algumas preocupações amplas de todo o setor avícola, as quais incluem: • bem-estar animal • meio ambiente e sustentabilidade • sistemas de produção livre de antibióticos

Eficiência da incubação Maximizar a eclosão requer uma compreensão básica tanto dos requisitos de incubação dos ovos de cada linhagem e como esses requisitos variam, por exemplo, em relação à idade da reprodutora, tamanho do ovo e do tempo de estocagem prolongado antes da incubação. Os parâmetros básicos

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A Revista do AviSite

necessários incluem: temperatura da casca do ovo em diferentes estágios de incubação, perda aceitável do peso do ovo / perda de água durante a incubação, requisitos de viragem dos ovos e de ventilação especialmente antes da transferência e durante a incubação. As pesquisas tradicionais têm se concentrado em determinar esses requisitos básicos da média dos ovos e na maioria dos casos são bem definidos. Por exemplo, o desenvolvimento embrionário e a qualidade do pintinho são ótimos quando a temperatura do embrião é mantida entre 99,5 e 100,5ºF ao longo de toda incubação. Informações mais detalhadas podem ser encontradas no Guia de Incubação Hubbard. Os mais recentes desenvolvimentos tecnológicos têm levado a melhorias da eclosão e se concentraram em dois aspectos: - monitorar os parâmetros de incubação em tempo real, para que os requisitos ideais sejam fornecidos ao nível do ovo - reduzir o risco de variação do ambiente em uma incubadora, para que todos os ovos sejam mantidos o mais próximo possível de seus requisitos ideais em um ambiente uniforme.

Os fabricantes de incubadoras comerciais continuam a fazer melhorias através das tecnologias mais avançadas de sensores e controladores, particularmente para monitorar a temperatura do embrião ou da casca do ovo em tempo real e monitorar a ventilação ligada à concentração de CO2 dentro da incubadora. O controle ideal da velocidade do ar em torno de todos os ovos permanece sendo um requisito fundamental, assim como otimizar o tamanho das gotículas de água no ar impacta em como a umidade afeta a perda de calor. O zoneamento dentro das incubadoras agora é possível em alguns projetos de máquinas que permitem a adaptação para ovos pequenos ou ovos grandes, os quais possuem diferentes perfis de produção de calor durante a incubação e agora podem ser "micro gerenciados" afim de evitar a variação excessiva de temperatura na casca do ovo.

Gerenciamento de dados O aumento da sofisticação com mais sensores produz mais dados para serem monitorados. Assim, aplicativos de computadores e algoritmos de incubação mais avançados são necessários juntamente com a nova tecnologia da


Imagens: Courtesy to Hubbard  informação aplicada a sistemas de gerenciamento de incubatórios. No entanto, há algumas preocupações: - Isso transfere a gestão do incubatório dos gerentes de incubatórios para os computadores, mas também dá ênfase e importância ao treinamento dos funcionários do incubatório. A tecnologia é útil, mas devemos ser capazes de monitorar efetivamente o processo de incubação e garantir que o bem-estar dos pintinhos sejam monitorados. - Qualquer discussão sobre novas tecnologias também deve incluir a aplicação da tecnologia de análise de “big data” para identificar rapidamente a variação no desempenho em toda a cadeia produtiva. A incubação é uma parte fundamental na análise de dados da cadeia de frangos de corte, portanto deve incluir o impacto de muitos fatores, tais como, os lotes de origem, efeitos da granja, variação individual da incubadora e a variação de incubatório para incubatório.

Biosseguridade e uso reduzido de antibióticos Atualmente, muitos países têm planos nacionais para reduzir o uso de antibióticos ou algumas empresas têm programas de criação de aves livres de antibióticos. O manejo preciso dos incubatórios deve ser uma parte fundamental de qualquer estratégia global de redução de antibióticos. O impacto da qualidade do pintinho no desempenho subsequente do frango tem sido estudado em vários testes, bem como os riscos da alta temperatura na casca do ovo ou da baixa concentração de O2 durante a incubação sobre o subsequente crescimento do frango de corte ou do risco para ascite (Moolenaar, 2010). Sacos de gema contaminados, pintinhos fracos e/ou com umbigos expostos aumentarão os riscos para a necessidade de uso de antibióticos após o alojamento ou em estágio posterior de crescimento. Isso coloca mais ênfase na importância da biosseguridade no incubatório, como nas incubadoras, que podem ser facil-

mente limpas e em materiais que limitam o crescimento microbiano. Novos sistemas para monitorar rapidamente a eficácia dos protocolos de desinfecção também são fundamentais para tornar a biosseguridade do incubatório mais eficaz.

Bem-estar animal Algumas das mais esperadas novas tecnologias de incubação estão relacionadas à melhoria do bem-estar dos pintinhos. Novas tecnologias estão sendo introduzidas para identificar embriões machos e fêmeas durante a incubação e é provável que sejam obrigatórias em alguns países, especialmente para ovos de postura comercial a fim de evitar o sacrifício dos pintos machos. Essas tecnologias estão sendo aplicadas comercialmente, mas atualmente têm uma aplicação muito limitada para a produção de frangos de corte. No entanto, elas não devem ser ignoradas, pois uma vez que os custos e a velocidade de operação melhorarem, eles podem

ter um papel essencial em alguns sistemas de produção de frangos de corte. Em alguns países, o impacto da incubação no subsequente desempenho e no bem-estar dos pintinhos está sob uma pesquisa mais minuciosa e levou ao desenvolvimento de novas abordagens para reduzir o estresse da incubação e do transporte. Estas novas abordagens incluem a alimentação no incubatório antes do transporte, também incluem maquinas com nascedouros e pinteiros integrados ou sistemas de incubação nas granjas.

Conclusão O setor de incubatórios tem sido altamente inovador e bem sucedido não só na incubação de pintos, mas também na incubação de novas ideias. Esse espírito de inovação parece continuar para futuro. Artigo completo disponível no link: https://www.avisite.com.br/index.php?page=cet&subpage=trabalh ostecnicos&id=323. A Revista do AviSite

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Especial Incubação | Pas Reform

Inovações Tecnológicas para Incubatórios É preciso buscar melhorias de processos, sem os quais as empresas não serão capazes de se manter no mercado Autora: Lenise Inácio de Souza – Médica Veterinária – Membra da Academia Pas Reform de Incubação

N

as últimas décadas a avicultura mundial têm buscado a tecnificação de toda a sua cadeia produtiva para atender à crescente demanda do mercado de consumo tanto em termos de produtividade, como também buscando garantir a qualidade do produto final. Contudo, atualmente não basta pensar somente em volume produzido, custo

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A Revista do AviSite

e qualidade, já que a produção avícola também deve ser sustentável e atender as normas internacionais de bem estar animal. Sendo assim, cada vez mais é preciso buscar melhorias de processos que atendam todos estes quesitos, sem os quais as empresas não serão capazes de se manter no mercado. Não há dúvida de que principalmente na área da incubação, os avan-

ços tecnológicos têm sido muito expressivos, e cada vez mais a busca por inovações tem tornado a rotina dos incubatórios muito mais desafiadora e motivadora para as equipes de trabalho, que necessitam constantemente serem atualizadas e capacitadas para terem condições de acompanhar grandes mudanças em um curto espaço de tempo. Por muito tempo o sistema de incubação de estágio único foi visto como algo que traria somente benefícios em termos de biosseguridade, e pouco se conhecia sobre as possíveis melhorias de resultados e qualidade de pintinho que esse sistema era capaz de ofertar. Contudo, nos últimos quinze anos a indústria avícola brasileira passou a investir mais significativamente no setor de incubação, uma vez que resultados zootécnicos de campo relacionados com a qualidade do pintinho foram comprovados. Com isso a incubação de etapa única passou a ser a escolha para novos projetos de incubatórios, e mesmo para ampliações de plantas que tradicionalmente trabalhavam com o sistema de incubação de etapa múltipla, e que buscam gradualmente fazer a transição. Hoje, todos entendem e almejam um trata-


mento e ambiente específico na incubação para melhor atender às necessidades de cada fase de desenvolvimento do embrião moderno. Os departamentos de P&D das empresas de incubação estão atentos a essas necessidades e à demanda do mercado que frequentemente lança alguma novidade. Com a produção de incubadoras com eficiente capacidade de aquecimento e resfriamento, já é possível utilizar como rotina nos incubatório técnicas que há anos vinham sendo pesquisadas por diversas universidades ao redor do mundo, como por exemplo Incubação Pré-Estocagem (SPIDES) e Estímulos Térmicos Durante a Incubação (Incubação Circadiana). Segue crescendo no Brasil o número de incubatórios com máquinas inteligentes que trabalham com programas de incubação, mas que se adaptam automaticamente às condições da carga de ovos. São incubadoras e nascedouros que geram ciclos com uma janela de nascimento mais estreita e que viabilizam o registro de tudo que acontece em cada ciclo de incubação, fornecendo relatórios e gráficos com o histórico climático de cada máquina e da planta, e que facilitam a rastreabilidade dos produtos. Também existem softwares que permitem ao gerente da planta o acesso externo através da internet pelo seu notebook particular ou celular a qualquer momento, mesmo quando ele está em casa ou viajando, para visualizar o que está acontecendo na planta e fazer algum tipo de ajuste caso seja necessário. Consultorias técnicas e análises dos equipamentos por parte do fabricante também são possíveis de serem feitas mesmo à distância através desta tecnologia. Os sistemas de automação normalmente têm sido escolhidos pela questão da mão de obra que se tornou escassa na última década também na América Latina. Além disso, diversas tarefas dentro dos incubatórios ocasionam alta rotatividade devido ao esforço repetitivo, como na vacinação, transferência e higienização de bandejas e caixas. Contudo, é inegável os be-

nefícios que se obtêm também na produtividade, redução de custos, padronização de processos e melhoria de resultados. Com a classificação dos ovos feita por máquinas, por exemplo, além de separar os ovos por grupos de peso, é possível garantir a correta posição dos ovos nas bandejas de incubação, o que obviamente resulta em aumento na eclosão obtida. Assim como os benefícios da vacinação in ovo que proporciona uma maior uniformidade no processo de vacinação e estímulo precoce da imunidade. Consequentemente os sistemas de ovoscopia e transferência automatizada instalados junto com a vacinação in ovo, viabiliza a retirada dos ovos claros com o intuito de economizar vacina, mas também evita as quebras de ovos e o surgimento de pintos melados, e proporciona com antecedência uma previsão mais exata do número de pintinhos que serão produzidos em cada nascimento. Além disso, reduz os movimentos bruscos e impactos causados aos embriões quando comparado com a transferência feita de forma manual. Junto com a vacina durante a vacinação in ovo, também é possível administrar nutrientes e/ou probióticos para o embrião. Vários estudos demonstram as vantagens desse procedimento para o desempenho do frango e até mesmo para o controle de Salmonella. Para atender as normas de bem estar animal na Europa, onde a vacinação de Marek não é obrigatória, é comum transferir os ovos diretamente da incubadora para o galpão, onde os pintinhos eclodem e imediatamente têm acesso à água e alimento. No Brasil essa é uma prática ainda bem distante, já que seria necessário fazer também um grande investimento nas granjas para viabilizar o nascimento dos pintinhos nesse ambiente. Porém existem alternativas mais viáveis às condições brasileiras para atender as normas de imediato acesso ao alimento e água para os pintinhos. Sistemas específicos permitem essa prática, chegando a manter os pintinhos por alguns dias na planta, e há também a possibilidade de adaptar

nascedouros já instalados, com instalação de luzes apropriadas e fornecimento de alimento especial, garantindo assim a nutrição das aves logo após a eclosão. O desenvolvimento tecnológico que provavelmente se tornará um marco para os incubatórios, assim como foi a vacinação in ovo anos atrás, é a sexagem in ovo durante a incubação. Muitas pesquisas vêm sendo feitas nesse sentido, devido a exigências de bem estar animal feita por alguns países europeus, que não mais admitem o sacrifício dos pintos machos, normalmente sacrificados nos incubatórios de poedeiras. De fato, já existem diversas técnicas que viabilizam esse processo, utilizando a espectroscopia ou a diferença dos níveis hormonais encontrada no fluido alantoide dos embriões de fêmeas e machos, contudo ainda será necessário um pouco mais de tempo para que pesquisas possibilitem a sua aplicação como rotina em grandes incubatórios, com um custo viável. A Revista do AviSite

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Especial Incubação | Petersime

Conforto dos pintinhos na sala de espera – Dicas práticas Um sólido entendimento dos princípios envolvidos no armazenamento de pintos é vital para preservar o desempenho e a qualidade, e garantir o bem-estar das aves Autores: Bruno Machado, Especialista em Incubação (bruno.machado@petersime.com) e Antonio Geraldo da Silva, Zootecnista-Gerente técnico Comercial Latam (antonio.geraldodasilva@petersime.com)

A

pós o saque no dia da eclosão, os pintos de um dia são armazenados por um certo período antes de serem levados até a granja. O tempo de armazenamento pode variar consideravelmente, desde apenas algumas horas até um pernoite inteiro. A temperatura correta da sala de pintinhos depende da velocidade do ar e umidade relativa. Se os pintinhos forem submetidos a temperaturas muito altas ou muito baixas eles serão estressados, usarão mais energia e, se submetidos a temperaturas muito altas ficarão ofegantes e perderão água em uma velocidade maior. Importante: Logo após o nascimento as aves não são capazes de controlar sua temperatura corporal. Se levarmos em conta um frango abatido com 45 dias, e que o pintinho permaneceu 08 horas na sala de espera antes de ser levado a granja, podemos afirmar que ele passou 0,5% de sua vida desde a incubação até a saída da granja, na sala de estocagem. E muitas vezes este pequeno período pode comprometer o resultado a campo por falhas muitas vezes deixadas de lado, sem falar em todo trabalho perdido no período de incubação. Um sólido entendimento dos princípios envolvidos no armazenamento de pintos é vital para preservar o desempenho e a qualidade, e garantir o bem-estar das aves. Pintinhos mantidos nas melhores condições terão melhor desempe-

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nho pós-eclosão e menor probabilidade de morrer na primeira semana. Neste artigo vamos explicar os princípios e destacar as boas condições na estocagem de pintinhos.

A retirada lógica dos carrinhos do nascedouro evita superaquecimento O próprio nascedouro é um ótimo ambiente de contenção para pintinhos, já que foi projetado para manter um ambiente rigidamente controlado e estável com bastante refrigeração e um fluxo de ar forçado. Mas, obviamente, os pintinhos não podem permanecer no nascedouro indefinidamente, já que precisam ser separados das cascas de ovos e dos ovos não eclodidos. No momento da retirada dos carrinhos do nascedouro, o fluxo de ar ao redor dos pintinhos de um dia será reduzido ao fluxo de ar presente na área para a qual eles forem levados. Portanto, é essencial evitar retirar todos os carrinhos

da máquina de uma vez, porque isso pode levar ao superaquecimento dos pintinhos, e consequentemente à desidratação. Ao retirar os carrinhos do nascedouro, a melhor coisa a se fazer é retirá-los em uma ordem tal, em que o último carrinho na máquina seja sempre o mais próximo do sensor de temperatura, para evitar o superaquecimento das bandejas restantes. Manter uma temperatura ambiente adequada é vital Após a separação das cascas de ovos e do processamento adicional, será necessário armazenar os pintinhos de um dia na sala de armazenamento de pintos por um certo período. Pintinhos não são capazes de regular a temperatura corporal nas primeiras semanas de vida. Eles dependem da temperatura ambiente para permanecer com a saúde ideal. Durante o armazenamento, a temperatura interna das aves deve permanecer entre 39,5 e 40⁰C (103 e 104⁰F).


Quando a ave está nessa temperatura, ela respira pelas narinas, o que limita a perda de umidade a cerca de 2 gramas a cada 24 horas. A essa taxa, as aves podem ser mantidas confortavelmente por longos períodos. - (A) Pintos respirando pelas narinas perdem cerca de 2 gramas a cada 24 horas. - (B) Pintos ofegando pelo bico podem perder 10 gramas de umidade em 24 horas. A temperatura ideal da sala de armazenamento de pintos varia, dependendo da velocidade do ar. De modo geral, uma temperatura entre 24 e 26 ⁰C (75 e 79 ⁰F), com fluxo de ar constante e rico em oxigênio, resulta em pintinhos confortáveis. Temperaturas mais baixas exigem velocidades do ar mais baixas, e vice-versa. A temperatura na caixa de pintos pode variar de 08° a 10°C acima da temperatura da sala de pintos. Ex: Se a sala de pintos estiver a 27°C, dentro da caixa podemos ter uma temperatura de 35 a 37°C.

e proativo dos seus níveis de conforto. Até hoje, a observação de Romijn Lokhorst, mostrada na tabela abaixo, é, de longe, a maneira mais fácil, rápida e eficaz de determinar o conforto dos pintos. Observação de Romijn Lokhorst sobre comportamento dos pintos. Verifique a distribuição dos pintinhos nas bandejas. Eles estão espalhados uniformemente nas bandejas? Quando os pintinhos se aglomeram para o centro ou para as bordas das bandejas, isso indica condições abaixo das ideais. Eles estão todos aglomerados no centro? Provavelmente, estão com frio. Quando fazem o oposto, é porque estão sentindo um calor desconfortável. Isso significa que será necessário ajustar o programa de temperatura e/ou ventilação da sala de armazenamento, uma vez que a velocidade do ar tem um grande impacto sobre a sensação térmica dos pintinhos com um dia de vida. Uma sala escura leva à inércia (sono) da ave, o que poupa uma preciosa energia. Uma luz azul opaca também gerará o mesmo efeito, além de permitir que a equipe consiga enxergar e se movimentar com segurança. Contudo, ainda é preciso usar luzes claras na sala de espera de pintinhos durante o processo de limpeza.

Comportamento como indicador

Outros dois fatores críticos a serem controlados: fluxo de ar e oxigênio.

A temperatura de cloaca fornece uma leitura muito precisa da temperatura de uma ave, mas são invasivas, demoradas e informam apenas as condições na área monitorada no momento da medição (as condições podem se alterar rapidamente). Portanto, o comportamento das aves é um indicador muito melhor

É crucial que o ar que entra na sala de espera de pintinhos passe pelas aves, sem se desviar das caixas. Uma regra de ouro geral: o espaçamento deve ser equivalente a uma caixa vazia no lado mais longo das caixas de pintinhos, para permitir um fluxo de ar suficiente (isso pode ser reduzido com velocidades do ar

Temperatura da caixa

Temperatura corporal

40-44

44-45

Inconscientes e mortos

38-39

42-43

Ofegação pesada e pios fortes

37-39

41-42

Bico aberto, respiração acelerada

33-38

40-41

Caminhando, abrindo as asas

Comportamento

30-36

39,5-40

Normal, quietos

26-34

38,5-39,5

Pouca aglomeração, pio suave

22-33

37-38

A maioria das aves se aglomera no lado quente da caixa

18-30

<36

mais altas). Além disso, evite turbulência demais dentro da sala, pois isso criará uma nuvem de penugem no ar. Outro fator crucial no armazenamento, além do fluxo de ar, é o oxigênio. É necessário haver oxigênio suficiente na sala com uma troca de ar fresco constante. Os níveis nunca devem ficar abaixo de 20%. Não é aconselhável reciclar o ar em salas de pintinhos, pois os filtros ficam bloqueados rapidamente. Durante a troca, é inevitável que um pouco de penugem acabe entrando nos dutos, tornando extremamente difícil limpar o sistema. Sensores de dióxido de carbono são úteis para tornar o sistema à prova de falhas. No entanto, as aves geralmente começam a superaquecer muito antes de ficarem sem oxigênio.

O que saber sobre iluminação? Pintos de um dia são naturalmente muito curiosos. Eles querem investigar seus arredores, e luzes brilhantes ativam esse comportamento. Luz azul-escura em nível baixo tem influência calmante, fazendo com que as aves durmam e economizem uma preciosa energia. Quando estão dormindo, as aves ficam mais agachadas nas caixas, garantindo um maior fluxo de ar através delas. Ao mesmo tempo, os funcionários conseguem enxergar o suficiente para circular com segurança.

Em resumo: A temperatura do ar, da caixa, o fluxo de ar e o oxigênio desempenham um importante papel na manutenção do ambiente de pintinhos de um dia nas condições certas. Essas condições merecem atenção, já que são vitais para preservar o desempenho e a qualidade e garantir o bem-estar dos pintos. A Petersime, atenta às necessidades do mercado, está lançando a incubadora BioStreamer Chick-StoreTM, para o armazenamento ideal e com bem-estar de pintinhos de um dia. Para maiores informações, consulte nosso website (www. petersime.com) ou entre em contato com os autores deste artigo.

Frios, debilitados Fonte: Romijn Lokhurst

A Revista do AviSite

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Especial Incubação | Yamasa

Incubação: a importância da classificação dos ovos férteis e da avaliação da qualidade da casca Nessa complexa cadeia de produção, cada variável conta para um resultado com maior vantagem competitiva Autores: Katia Yamasaki e Jair Machado, Yamasa Indústria de Máquinas

O

s ovos férteis, matéria-prima na incubação, exigem o controle de diversas variáveis ao longo do processo, que ditam a qualidade dos resultados, e que conjuntamente determinam o sucesso da produção, do início ao fim, nesse mercado em que pequenas melhorias trazem resultados expressivos em escala.

Classificação dos ovos férteis para maior uniformidade Um fator determinante do peso dos pintinhos é o peso dos ovos férteis. O peso do pintinhos pode corresponder a 66-68% do peso do ovo. Quanto mais uniforme for o peso dos ovos, mais uniforme será a janela de nascimento* e o tamanho

Embandejadora YHD

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A Revista do AviSite

dos pintos no nascimento, que resulta em menor desidratação, menor disparidade no consumo de ração, e consequentemente menor mortalidade e melhor qualidade geral do lote. Ovos maiores tendem a requerer mais tempo de incubação, enquanto ovos mais leves tendem a eclodir em menor tempo. Removendo os extremos (ovos muito grandes ou muito pequenos), faz-se o uso mais eficiente dos recursos disponíveis, como por exemplo a energia necessária e a ocupação da incubadora com ovos que apresentarão melhor eclodibilidade. “Outro ponto positivo é o ganho de peso na criação desses pintos na integração dos aviários, a redução de descarte no abate dos frangos, devido exatamente à uniformidade dos ovos proporcionada pela tecnologia de classificação por peso.”, afirma Jair Machado, consultor em incubação. Tecnologias disponíveis hoje permitem a pesagem eletrônica e dinâmica dos ovos, o que significa maior precisão mesmo em movimento nas esteiras transportadoras em escala. Os sistemas operacionais


Esteira de transferência para YHD

quentemente, melhor medida de sucesso do incubatório.

Gestão com tecnologia

aceitam configurações de diversas faixas de peso para atender à necessidade exata de cada incubatório.

Precisão na remoção dos ovos sujos e/ou trincados para eficiência de custo e sanidade

Pesagem Eletrônica

Ovoscopia automática

Para bons índices de nascimento e boa qualidade de pintos, os ovos precisam estar limpos, com boa qualidade de casca, que tem influência direta nos índices de contaminação. Além da ovoscopia que já conta com uma versão automática para a retirada dos ovos sujos ou vazando, também está disponível a tecnologia que detecta trincas não-visíveis, visando a parte sanitária. Com a retirada desses ovos no momento certo, reduz-se a proliferação de microrganismos durante o processo de incubação, com melhor controle sanitário no desenvolvimento do embrião e menor incidência de ovo podre ou estragado ao final do processo. A precisão na remoção dos ovos não-viáveis resulta em ocupação mais eficiente da incubadora, melhor eclodibilidade, melhor uso dos recursos como um todo e conse-

Os equipamentos disponíveis hoje possibilitam a geração de relatórios gerenciais de acompanhamento da produção, que detalham dados como número de ovos trincados, sujos, volume de produção por faixa de peso, entre outras métricas. Tudo isso alinhado à internet das coisas (IOT), para gestão remota e interface com outros sistemas. “Uma das inovações foi a implementação do sistema CLP, para a realização de funções de controle, que permite ajuste fino, de acordo com a necessidade de cada lote de ovo, sendo um sistema robusto, de fácil configuração e manutenção, com alertas específicos de diagnóstico, podendo ser controlado à distância, com grande versatilidade.”, afirma Alberto Yamasaki, engenheiro da Yamasa. “Essas inovações permitem melhor controle sobre o processo de classificação e embandejamento de ovos férteis, além de maior tranquilidade quanto a performance e a produção no incubatório”, conclui Alberto. “A evolução da tecnologia é dinâmica e traz infinitas possibilidades para automatizar processos do início ao fim. O conhecimento adquirido é imprescindível para identificar a melhor inovação que se traduz em maior benefício e melhor índice de sucesso para os incubatórios.”, complementa Nelson Yamasaki, Diretor Presidente da Yamasa. A Revista do AviSite

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Matérias-Primas

O mercado de milho e a nova dinâmica para a indústria consumidora A safra de milho verão veio reduzindo sua área plantada ano a ano, à medida que a soja se tornou muito mais rentável e com menos risco que o milho Autor: Étore Baroni - Consultor Sênior em Gerenciamento de Riscos INTL FCStone – Brazil

Q

uem acompanha o mercado de milho há algum tempo sabe muito bem a quantidade de mudanças e ajustes que este vem sofrendo nos últimos anos em diversos aspectos. Comecei a trabalhar no mercado agrícola em 1997 no interior do Estado de São Paulo e me lembro bem de duas palavras chave que sempre ouvia quando se referiam ao milho. São

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elas: cobertura e liquidez. Ainda menino, queria aprender e questionava tudo. Hoje, após anos na estrada acompanhando o mercado, sigo cada dia mais apaixonado pela agricultura e essas duas palavras fazem muito sentido na avaliação e nas mudanças do mercado de milho desde então. Cobertura significa aquele milho que era plantado como segunda safra após a colheita da safra de verão de soja, assim, essa segunda safra serviria como cobertura da terra para que houvesse palhada e proteção na área para ser realizada uma boa safra de verão, até então a principal cultura da agricultura brasileira. Essa segunda safra ficou famosa e conhecida como “safrinha”, uma vez que havia pouco investimento por parte do produtor e, consequentemente, os rendimentos eram bem menores que os rendimentos do milho verão, por exemplo. Hoje, temos investimentos altos que, aliados com os ajustes nas tecnologias e colaboração do clima, fazem com que a produtividade da safrinha suba ano a ano. O que era uma safra somente para cobertura, se tornou uma cultura tão importante quanto a soja da safra verão, para a composição da receita e rentabilidade do pro-

dutor e a safrinha na verdade, se tornou um safrão. A segunda palavra é liquidez. Essa na verdade é a principal mudança que estamos vendo nos últimos 5 anos no mercado de milho e a mais rápida e profunda para o mercado, principalmente na questão do preço. Me lembro da dificuldade de vender um volume mesmo que pequeno de milho. Era dureza, depois que a safrinha era colhida, o volume era armazenado nos silos e as empresas iam vendendo de acordo com a necessidade e apetite da indústria. De 2010 pra cá, quando o Brasil deu um salto na produção de milho safrinha, vimos uma mudança muito forte, tanto na produção, quanto na comercialização e liquidez do milho brasileiro. A safra de milho verão veio reduzindo sua área plantada ano a ano, à medida que a soja se tornou muito mais rentável e com menos risco que o milho. Mesmo com o aumento de ganho de produtividade no verão, a queda da produção foi inevitável. Dessa forma, a produção da safra de verão, que chegou a ser de 40 milhões de tons em 2008, hoje estacionou e gira perto de 26 a 28 milhões de tons por ano.


Por outro lado, a safrinha veio subindo área plantada ano a ano, o que consequentemente aumentou muito a produção de milho no segundo semestre. Saímos de uma área próxima de 5,4 milhões de hectares em 2010 para quase 14 milhões de hectares em 2020, fazendo com que a produção saísse de 22 para perto de 75 milhões de toneladas. Podemos ver essas evoluções de área e produção nos gráficos abaixo: Todo esse ajuste entre safra verão e safrinha tem o seguinte balanço na produção de 2010 pra cá: • Área de milho verão: saiu de 7,72 mi hectares para 4,16 mi hectares = queda de 3,56 mi há (- 46,11%) • Produção de milho verão: de 34,1 milhões de tons para 26,6 milhões de tons = queda de 7,50 milhões de tons (- 22%) • Área de milho safrinha: saiu de 5,27 mi hectares para 13,38 mi há = aumento de 8,11 mi hectares (+ 153,89%) • Produção de milho safrinha: de 22,5 milhões de tons para 73 milhões de tons = aumento de 50,50 milhões de tons (+ 224,44%) Vejam que tivemos grandes mudanças na produção de milho. Uma das principais é a redução da área plantada da safra verão ano após ano. Por outro lado, a área da safrinha aumentando ano após ano, vem fazendo com que o mercado sofra um aperto de balanço entre oferta e consumo no primeiro semestre, e uma oferta muito além do consumo no segundo semestre. Nesse mesmo período, tivemos um crescimento considerável no consumo interno. Saímos de 48 milhões de tons para 68 milhões de tons, um aumento de 20 milhões de tons. Se dividirmos esse consumo por semestre de uma forma simplista, o país consome 34 milhões de tons de milho por semestre. Então, se no primeiro semestre o verão produz 26 milhões de tons e consome 34 milhões de tons, esse período é totalmente dependente do estoque de passagem do ano anterior para chegar até a próxima safrinha. Ao mesmo tempo, entrando a safrinha no segundo semestre, a oferta de milho de 75 milhões de tons é muito maior que a demanda interna do semestre, que necessita da exportação para enxugar o mercado interno e não derreta o preço do milho ao produtor. No geral, nesse período, tivemos um aumento da produção total de milho de 56,60 milhões de tons para 101 milhões de tons e um acréscimo na demanda interna somente de 20 milhões de tons. Olhando assim, de forma simplista, teoricamente a

O design da nova geração dos incubatórios focados no futuro

Mesmo com o aumento de ganho de produtividade no verão, a queda da produção foi inevitável. Dessa forma, a produção da safra de verão, que chegou a ser de 40 milhões de tons em 2008, hoje estacionou e gira perto de 26 a 28 milhões de tons por ano A Revista do AviSite

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Matérias-Primas

indústria interna consumidora não teria com o que se preocupar, uma vez que a produção subiu 43 milhões de tons no período, enquanto o consumo aumentou somente 20 milhões de tons a mais, correto? Errado. É aí que entra a questão da liquidez. De 2010 para cá, foram criados dois mercados para o milho brasileiro. O primeiro chama-se etanol, com foco na região Centro-Oeste do país, que consome hoje em torno de 7,5 milhões de tons, com expectativa de aumento em média entre 1 a 2 milhões tons por ano. Acredito que es-

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sa questão do etanol veio para ficar, uma vez que pelo preço do milho, essas indústrias têm payback médio de 5-7 anos, o que é excelente para um ativo do agronegócio. Ainda veremos muitos investimentos nos próximos anos mais focados na região Centro-Oeste do país, região com pouca produção de etanol de cana, alta produção de milho e com um fator muito importante: cadeia de bovinos, destino do DDG que é o subproduto (farelo de milho) que sobra do processo do etanol de milho. O segundo mercado, e principal em relação ao volume, é a exporta-

ção. Saímos de uma exportação de 10 milhões de tons em 2010, para 41 milhões de tons em 2019. Para 2020 a projeção da StoneX é de 34,5 milhões de tons. Notem que todo o aumento da produção de milho na safrinha, foi sendo destinado a novas demandas. Isso tem deixado o mercado interno com níveis de estoques apertados e mantendo preços firmes no interior, mesmo com todo o ganho de produção que tivemos nos últimos anos. O mundo produz hoje perto de 1,165 bilhões de tons e o Brasil somente 101 milhões de tons (8,67% do total da produção mundial). Mas, mesmo com produção muito menor que o Estados Unidos por exemplo, 385 milhões de tons, o Brasil hoje é o segundo maior exportador de milho mundial com 35 milhões de tons ficando atrás de EUA com projeção de 56,5 milhões tons. Então, a exportação brasileira ganhou mercado nos últimos anos e veio para ficar. Adicionando, temos mais alguns pontos sobre a avaliação. 1 – Logística: Temos que considerar que tivemos profundas melhoras nas questões logísticas nos últimos anos. Tivemos investimentos privados e governamentais, melhorias e organização nos portos, ajustes internos de estradas que nunca saíam do papel e travavam o escoamento brasileiro. Isso torna possível exportar 16 milhões de tons de soja em um único mês em plena safra. Essa melhora faz com que a soja seja escoada cada vez mais rápido no primeiro semestre e deixa a logística praticamente livre para a exportação do milho no segundo semestre, momento do pico de colheita da safrinha. Temos que lembrar que em alguns anos atrás, essa era quase impensável exportar soja e milho no mesmo tempo, o que acontece hoje de forma natural. 2 – Produtor: O produtor se modernizou, investiu, cresceu em produção e, juntamente a isso, tem hoje em suas mãos pelos celulares, de forma instantânea, informações de


safra, preço, mercado do Brasil e do mundo. Há 10-15 anos atrás, pensar que o produtor iria acompanhar cotações na bolsa de Chicago, dólar, níveis de preços, dentre outras coisas, era algo somente para produtores muito grandes e empresas. Hoje praticamente todos tem as informações de preços quase que ao vivo. Outro fator importante do lado do produtor é a comercialização antecipada, mais um fator que impulsionou a liquidez. Em anos anteriores, excluindo o Mato Grosso, o produtor praticamente não vendia milho antecipado. O produtor aguardava o plantio, e o bom andamento da safra era determinante para suas vendas. Hoje isso mudou. Claro que com a ajuda do dólar alto, que puxa os preços para cima no porto, como também no interior. Então vamos lá, fazendo um resumo da movimentação do mercado de milho temos: consumimos 68 milhões tons, passamos em média nos últimos anos com estoque de passagem de um ano para o outro de 10 milhões tons, produz 100-102 milhões tons por ano e exporta perto de 35 milhões tons. E quais as principais mudanças do mercado dos últimos anos? São várias. O milho verão que antes abastecia o 1ª semestre e chegava até a entrada da safrinha não chega mais com a queda na produção. A safrinha é, a cada dia que passa, vendida mais antecipadamente. A exportação e o etanol vieram para ficar, e o produtor cada vez mais capitalizado e com muita informação em relação aos preços, escolhe os melhores momentos para seus negócios. Se voltarmos 10-15 anos, toda a produção de milho brasileira ficava no mercado interno, não tinha concorrência nenhuma. Colhia verão e safrinha, as empresas no mercado interno sabiam que teriam o volume dentro de casa e compravam à medida que fosse necessário. Era relativamente confortável para a indústria, uma vez que o milho ficava 100 % no mercado interno e

não havia competição de demanda. Hoje, com a atual mudança, temos um mercado muito mais competitivo que, além da indústria de proteína e indústria em geral comprando, temos mais o etanol e a exportação que conseguem precificar esse produto para 1, 2, 3 anos antecipadamente. E esse é o principal fator de mudança no mercado. A indústria consumidora não pode ficar vendo o mercado rodar antecipado seja na exportação ou para o etanol e não se posicionar, é muito arriscado. Esse volume pode rodar, seja ele no mercado interno ou na exportação e termos exatamente o que está acontecendo hoje no Brasil. Estamos colhendo a segunda maior “safrinha” da história com 73 milhões de tons e sem oferta de milho. Mas como assim? Sim, em plena a colheita, não tem oferta, porque 75% do volume desse milho já foi negociado nos meses anteriores e agora em plena colheita, resta pouco volume a ser comercializado. Essa é uma mudança que estamos vendo há anos e viemos falando com os nossos clientes consumidores a respeito. E como participar disso? Não é simples, mas é crucial para a manutenção dos custos de produção. As indústrias consumidoras (proteínas), terão que se adaptar e ajustar internamente sua

operação e ir participando da originação à medida que o mercado interno for rodando. Dizemos que a indústria terá que tomar posição parecida com as tradings. Deixar de ser um consumidor. Deixar de somente avaliar se o preço está caro ou barato, se cabe ou não no custo para posicionar as compras futuras. Esforço que será crucial para não deixar a operação no risco de volume e preço. Temos novos concorrentes, o mercado mudou e a necessidade de ajuste na operação é inevitável. Se ficar aguardando o preço chegar a um nível confortável ou esperar a colheita para comprar, corre o risco de não ter volume disponível no mercado. Para isso, avalie bem, tenha informações reais e não midiáticas do mercado, entenda e tenha certeza de que sua equipe conhece 100 % da dinâmica do mercado e os instrumentos de proteção e hedge para operações futuras. Dessa forma, você terá uma operação muito mais saudável e competitiva no mercado, com maior previsibilidade de orçamento e margem, se ajustando à medida que o mercado exigir. O mercado é cada mais dinâmico e necessita de melhorias e ajustes constantes. Avalie sua operação, avalie o mercado, tenha segurança no dia a dia e vamos em frente. A Revista do AviSite

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Matérias-Primas

Breve histórico do desafio de abastecimento do milho no Brasil Custos de produção, equilíbrio no abastecimento interno e logística compõe detalhes do sistema produtivo de milho Arene Trevisan, Diretor Executivo da Seara. Marcelo Nogueira Maciel, Gerente de Inteligência de Mercado na Divisão de Suprimentos da Seara.

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Brasil vive um paradoxo entre uma evolução forte na produção de milho, gerando volumes excedentes a necessidade de consumo doméstico, ao mesmo tempo, vivemos uma preocupação constante no risco de desabastecimento, com custos caros no mercado interno e muito competitividade na exportação. O gráfico abaixo mostra a evolução da produção e o consumo no Brasil. Notem que 2005 foi o último ano que a produção doméstica foi inferior ao consumo, fato este que até então era preocupação constan-

te para os consumidores domésticos, normalmente buscava abastecimento com importação de milho americano. Este período também foi marcado por uma conjunção de fatores que foram determinantes para a evolução do Brasil agrícola. Tivemos o início da consciência ambiental, a necessidade de reduzir o desmatamento, novas pesquisas mostravam novas tecnologias para produzir mais em mentos área, crescia a confiança global no produto brasileira, sem contar os desafios logísticos que vamos comentar mais adiante.


O gráfico abaixo mostra a evolução de área plantada de milho, aonde tivemos um declínio constante na área de verão compensado parcialmente pela produtividade, ao mesmo tempo, tivemos um forte crescimento no plantio da safrinha, representando atualmente 75% da produção brasileira, comparado a 10% há duas décadas, gerando um ciclo virtuoso ao longo do tempo. A falta de capacidade de escoamento com custos logísticos enormes, fazia com que o produtor de milho nas regiões mais longínquas, enfrentassem um desafio constante de preços abaixo do custo de produção, com frequente intervenções governamentais com leilões de escoamento. Mesmo assim, os produtores continuamente plantando mais área e investindo em tecnologia, ao mesmo tempo desafiando as empresas de trading e logística na buscar solução de escoamento da produção. Fora da fazenda, o mercado buscava construir solução de transporte para fazer frente ao constante crescimento do volume de produção no Brasil. Este desafio que iniciou nos anos 90 para o escoamento da soja no primeiro semestre, viu mais um motivo para investir, pois o milho

seria escoado no segundo semestre, e neste caso, seria perfeito para dar mais produtividade nos ativos logísticos e justificar os investimentos. Iniciava as concessões da Ferrovia Norte Sul, Vitoria Minas, Ferronorte, malha sul, todas vocacionadas para exportação, construção de grandes projetos Hidroviários como a do Rio Madeira e Tapajós com saída pelo rio Amazonas, investimentos em praticamente todos os portos brasileiros, com forte aumento nos fluxos de recebimento, armazenagem e capacidade de carregamento para os navios. A maturação do conjunto de investimentos disponibilizou para o mercado uma capacidade enormes de escoamento entre 2015 e 2016, conforme pode ser visto no mapa abaixo. Também desapareceu as grandes filas de caminhões nos portos, a tradicional fila de 100 km de Paranaguá estão sumindo da nossa memória, mas foi um pesadelo num passado recente para os operadores deste mercado. Uma melhor infraestrutura de escoamento, gerou ganhos logísticos que foram repassados aos produtores, gerando preços crescentes no campo, ao mesmo tempo, as tradings tinham

A falta de capacidade de escoamento com custos logísticos enormes, fazia com que o produtor de milho nas regiões mais longínquas, enfrentassem um desafio constante de preços abaixo do custo de produção, com frequente intervenções governamentais com leilões de escoamento

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Arene Trevisan, Diretor Executivo da Seara

Marcelo Nogueira Maciel, Gerente de Inteligência de Mercado na Divisão de Suprimentos da Seara

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a necessidade de compra antecipada o produto para organizar os fluxos logísticos ao longo do próximo ano em função dos acordos monumentais de ToP ( Take or Pay, sigla em inglês que significa pegue ou pague, ou transporte ou pague) com hidrovias, ferrovias e portos. A combinação destes fatores, forçou uma nova dinâmica na comercialização das safras de milho no Brasil. As subvenções do Governo Federal deu lugar a oportunidade de trading pelas empresas exportadoras, com evolução constante na comercialização da safra antecipadamente, conforme pode ser visto no quadro abaixo. A capacidade de armazenagem continua sendo um eterno desafio para toda a cadeia, do produtor ao consumidor final. Conforme pode ser visto no gráfico abaixo, todos os estados tem déficit importante de armazenagem. A consequência disso, existe uma pressão constante de escoamento em qualquer safra durante a colheita por falta de espaço, que gera grande oportunidade para os atores de mercado, que estão preparados para operar dentro desta condição. Este déficit levou o mercado


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Matérias-Primas

para a dinâmica das compras antecipadas, para melhorar o planejamento logístico e garantir que o escamento acontecesse dentro da necessidade de espaço do produtor durante o período de colheita. Parta o consumidor do mercado doméstico, é importante pensar na

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infraestrutura necessária para armazenagem do milho a ser consumido no período de entressafra. Este aspecto se agravo com a redução da safra de verão, aonde forçou o mercado a carregar produto da Safrinha para ser consumido no período seguinte.

Esta nova dinâmica deu a sua primeira mensagem ao mercado brasileiro no ano de 2016, aonde coincidiu com a disponibilidade adicional na capacidade logística, vendas antecipada da safrinha muito consistente, adicionado a falta de chuvas que reduziu a produção, dei-


xo o consumidor brasileiro sem milho pela primeira vez desde de 2005. Para entender a situação atual do milho no Brasil, primeiro precisa aceitar que o mercado mudo e está alinhado aos movimentos global de commodities. O pensamento que teremos uma safra boa pode não significar abundância no abastecimento e preços competitivos no mercado interno. O mundo consumidor e as tradings estão permanentemente em busca de oportunidades de negócios, com liquidez diária, em qualquer geografia e com interesse permanente de comprar ou vender pro-

duto. Já os preços, são impactados diretamente pela expectativa futura de oferta e demanda global com a respectiva evolução dos estoques, além da influência nas oscilações do câmbio de cada país. A combinação disso tudo evoluiu para a safra ser mais um período de atuação operacional e logística para movimentação dos volumes contratados, do que oportunidade de compras como historicamente foi no Brasil. Este aprendizado, embora lento na minha visão, mostra sinais concretos de evolução, mas os desafios estão no aprendizado de como lidar com os riscos deste novo modelo e a infraestrutura necessá-

ria para acomodar os volumes que o setor integrador demanda. Embora exista uma consciência crescente do desafio do setor consumidor, especialmente pelo consumo estar concentrado no sul e sudeste do Brasil e o excedente da produção de milho no centro oeste, este último muito mais vocacionado para a exportação e consumo para etanol, teremos ainda um longo período de desafio até equacionar uma solução que seja economicamente sustentável para o setor transformador, apesar da importância social que representa em muitas comunidades no interior deste grande Brasil. A Revista do AviSite

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Empresas

Betaglucanos dão suporte à resposta vacinal na avicultura Uso de betaglucanos também aumenta a eficiência, segurança e rentabilidade na produção, segundo Matheus Calvo de Paula, médico-veterinário e gerente Nacional de Avicultura da Yes

Q

uando se fala em alta performance, a vacinação das aves é um importante componente para prevenção de doenças e perda de desempenho produtivo. Nesse ponto, os betaglucanos são amplamente reconhecidos como uma ferramenta para o aumento da resposta adaptativa após a vacinação. É o que explica Matheus Calvo de Paula, médico-veterinário e gerente Nacional de Avicultura da Yes. Ele afirma que vários estudos destacam os benefícios dos betaglucanos. “Em frangos de corte, por exemplo, os betaglucanos aumentaram os títulos de

anticorpos entre 60 e 80% após a vacinação contra doenças de Newcastle e contra o vírus de Bronquite Infecciosa”, afirmou. Segundo ele, o uso dos betaglucanos garante o aumento da proteção contra Salmonella, assim como a resposta dos pintainhos frente aos desafios de Escherichia coli. “Em testes foram observados melhor peso corporal e conversão alimentar das aves, que consumiram betaglucanos por sete dias, comparado com o tratamento sem os betaglucanos”, detalhou o médico-veterinário. A Yes conta em seu portfólio com o GlucanGold, um ingrediente natu-

ral, com 60% de betaglucanos, obtido através de um processo biotecnológico de purificação da parede celular de leveduras Saccharomyces cerevisiae. Seu uso em dietas de aves proporciona o equilíbrio do sistema imunológico, contribuindo para uma proteção mais eficaz e duradoura aos desafios sanitários e ambientais a que são submetidos. Isso impacta positivamente na eficiência produtiva e na rentabilidade da atividade. Acompanhe na sequência uma entrevista exclusiva com Matheus Calvo de Paula, médico-veterinário e gerente Nacional de Avicultura da Yes, sobre o tema.

Matheus Calvo de Paula, médico-veterinário e gerente Nacional de Avicultura da Yes. O Sr. afirma que ‘vários estudos apontam os benefícios dos betaglucanos. Em frangos de corte, por exemplo, os betaglucanos aumentaram os títulos de anticorpos entre 60 e 80% após a vacinação contra doenças de Newcastle e contra o vírus de Bronquite Infecciosa’. Como se dá esse processo? Esta foi uma citação do artigo "Benefits of Application of Yeast β-Glucans in Poultry", de autoria do Dr. ir. Mariët van der Werf - Global Platform Director - Feed Health. Isto se dá devido a

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melhora da resposta vacinal proporcionada pelos Beta-Glucanos, na qual os Beta-Glucanos proporcionam o aumento da resposta do sistema imunológico adaptativo após a vacinação. Por ser os Beta-Glucanos um polissacarídeo insolúvel, quando caem no intestino, são capturados através das células M presentes na Placa de Peyer e também pelas células dendríticas e são reconhecido por estas células com sendo um antígeno, com isto estimula o recrutamento das células de defesa (macrófagos), que liberam mais interleucinas e citocinas responsáveis pele

produção de linfócitos B (IgA e IgG) – anticorpos. Qual é o nível de utilização no campo do betaglucanos? Cada vez mais as empresas estão buscando aditivos alternativos aos antibióticos e que proporcionam uma melhor resposta frente aos desafios de campo, e neste caso os Beta-Glucanos proporcionam uma ação não diretamente no agente causador da doença, mas sim na melhora da saúde das aves, melhorando seu sistema imune através da imunomodulação, deixando esta ave mais resistentes e imunocompe-


tente frente aos desafios virais e bacterianos. Podendo ser usado na produção de Frangos de Corte, Poedeiras Comerciais e Matrizes Pesadas. Qual o avanço no mercado sobre essa prática? A Yes por ser uma empresa de biotecnologia, busca o desenvolvimento de tecnologias e produtos que possibilitem aos produtores e agroindústrias produtos seguros e livres de antibióticos, por ser uma exigência não só dos clientes diretos, mas sim do consumidor final. Os Beta-Glucanos são oriundos da parede celular de Levedura (Saccharomyces cerevisiae), onde os avanças nos processos de produção e purificação dos Beta-Glucanos possibilitam termos no mercado produtos com 60% de Beta-Glucanos purificados, proporcionando uma imunomodulação tanto a nível de mucosa intestinal quanto sistémico. Muitos produtores fazem uso dos Beta-Glucanos na produção avícola, focando a busca de aves mais imunocompetentes, fortalecimento das defesas naturais, redução da mortalidade, resposta pós-vacinal superior e melhora do equilíbrio da microbiota intestinal, além de diminuição da colonização de microrganismos patogênicos. A Revista do AviSite

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Estatísticas

Desempenho do frango vivo em agosto e nos dois primeiros quadrimestres de 2020

A

exemplo do ocorrido um ano atrás, o frango vivo comercializado no interior paulista entrou e saiu do mês de agosto sem sofrer qualquer alteração no preço básico. A única diferença em 2020 ocorreu no valor registrado – R$3,90/kg, resultado que representou valorização de 18,18% em relação ao oitavo mês de 2019. Mas como esses R$3,90/kg vêm desde os últimos dez dias do mês de julho passado, a variação em relação ao mês anterior foi relativamente pequena, de 3,72%. O que não impediu que, em apenas um mês, o produto voltasse a alcançar novo recorde nominal de preço. Isso, entretanto, não traz grande contribuição ao desempenho econômico do setor no corrente exercício. Porque o preço médio obtido no período, de cerca de R$3,35/kg, se encontra menos de 2,5% acima dos R$3,27/kg registrados

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entre janeiro e agosto de 2019, e apresenta um índice de evolução bem aquém do custo de produção – que, entre janeiro e julho (último dado da Embrapa Suínos e Aves) já havia aumentado perto de 18%. Sob esse aspecto, o poder de compra do frango vivo sofreu fortíssima diluição, dado o excepcional aumento de suas duas matérias-primas básicas, milho e farelo de soja, que – comparativamente aos preços médios de um ano atrás – registraram em agosto de 2020 valorização superior a 50%. Feitas as contas, o frango vivo fechou os primeiros dois terços do ano com um poder de compra quase um quarto menor que o de agosto de 2019. Ou, dito de outra forma, neste último agosto o produtor necessitou entre 30% e 33% mais frangos para adquirir a mesma quantidade de milho ou de farelo de soja de um ano atrás.


Desempenho do ovo em agosto e nos dois primeiros quadrimestres de 2020

M

esmo tendo obtido ligeira valorização nos dois últimos dias de negócios do mês, o ovo fechou agosto de 2020 – quando foram alcançados exatos dois terços dos 366 dias deste ano bissexto – com valor real inferior aos registrados no mesmo 31 de agosto de 2016, 2017 e 2019. Não só isso, porém. Pois os preços médios obtidos em agosto retrocederam pelo quarto mês consecutivo e embora apresentando queda de apenas 2,39% sobre o mês anterior, recuaram ao segundo menor valor de 2020, ficando acima, somente, dos baixos preços alcançados no mês de janeiro. Pior, porém, é constatar que a média atual, contraposta ao que foi registrado em agosto de 2019, apresenta variação positiva de não mais que meio por cento. E o ruim, neste caso, não é ter ficado aquém da inflação acumulada nos últimos 12 meses e, sim, tremendamente abaixo dos custos de produção, encarecidos sobretudo por milho e farelo de soja, cujos preços, em agosto último, registraram evolução anual superior a 50%. Aguarda-se, como já foi anunciado, que se estabeleça a isenção (mesmo temporária) do imposto de importação

dessas duas matérias-primas. Porque a situação do produtor se tornou insustentável. Comparando, um ano atrás, com o valor alcançado na venda (granja) de 50 caixas de ovos do tipo extra branco (volume correspondente a um poder de compra muito próximo ao da tonelada de frango vivo), o produtor adquiria 5,2 toneladas de milho ou 2,7 toneladas de farelo de soja. Pois neste agosto sua capacidade de aquisição recuou mais de um terço. E para adquirir as mesmas quantidades de matérias-primas de um ano atrás, o produtor precisou de um volume de ovos mais de 50% maior. Não é por menos, pois, que o setor declara estar sendo forçado a reduzir a produção. Porque embora o preço médio destes oito primeiros meses de 2020 esteja mais de 25% acima do registrado no mesmo período de 2019, os custos evoluíram muitíssimo além. Aliás, o que propiciou esse ganho foi o desempenho nos primeiros momentos da quarentena pelo Covid-19. Ou seja: se houve algum ganho neste ano, ele ficou restrito, praticamente, ao primeiro quadrimestre de 2020.

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Estatísticas Milho registra segundo maior valor do ano

Farelo de soja alcança novo recorde

O preço do milho registrou significativo aumento de preço em agosto. O preço médio do insumo, saca de 60 kg, interior de SP, fechou o mês cotado a R$59,45, atingindo a segunda maior cotação já verificada no setor, equivalendo a valorização mensal de 13,4%. Na comparação anual o índice positivo alcançou expressivos 54,7%. Isso porque em agosto do ano passado o preço praticado foi de R$38,43 a saca.

A cotação do farelo de soja (FOB, interior de SP) registrou aumento pelo sexto mês consecutivo culminando com novo recorde em agosto. O produto foi comercializado pelo preço médio de R$1.898/t, valor 6,1% superior ao praticado no mês de julho quando atingiu R$1.789/t. Em comparação com agosto de 2019 – quando o preço médio era de R$1,210/t – a cotação atual registra aumento significativo de quase 57%.

Valores de troca – Milho/Frango vivo No frango vivo (interior de SP) o preço médio de agosto, ficou em R$3,90 kg, equivalendo a aumentos de 3,7% sobre julho último e 18,2% sobre agosto do ano passado. Assim, com a significativa valorização do milho em relação ao frango vivo, houve piora acentuada no poder de compra do avicultor. No mês, foram necessários 254,1 kg de frango vivo para se obter uma tonelada de milho, considerando-se a média mensal de ambos os produtos. Este volume representa perda de 8,6% no poder de compra em relação ao mês anterior, pois, em julho, a tonelada do milho “custou” 232,3 kg de frango vivo. Já em relação a agosto do ano passado, a piora no poder de compra atingiu 23,6%, pois, lá, foram necessários apenas 194,1 kg de frango vivo para adquirir a tonelada da matéria-prima.

Valores de troca – Farelo/Frango vivo Com a forte valorização alcançada na cotação do farelo de soja em relação ao verificado na comercialização do frango vivo houve perdas no poder de compra do avicultor. Em agosto foram necessários 486,7 kg de frango vivo para adquirir uma tonelada do insumo, significando piora de 2,2% no poder de compra do avicultor em relação a julho quando 475,8 kg de frango vivo foram necessários para obter a tonelada do produto. Na comparação em doze meses o índice de perda atingiu quase 25%, pois, lá, foram necessários 366,7 kg para adquirir o cereal.

Valores de troca – Farelo/Ovo Valores de troca – Milho/Ovo O preço do ovo, na granja (interior paulista, caixa com 30 dúzias), fechou em R$67,27 e ficou levemente acima do alcançado no ano passado. Entretanto, sofreu queda de 2,6% na comparação com o mês anterior, quando o produto foi negociado por R$69,04. Assim, o aumento expressivo no milho também impactou negativamente o poder de compra do produtor de ovos. Enquanto em agosto foram necessárias 14,73 caixas de ovos para adquirir a tonelada do cereal, em julho foram somente 12,65 caixas/t, uma queda de 14,1% na capacidade mensal de compra do produtor. Em doze meses a perda no poder de compra atingiu relevantes 35%.

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De acordo com os preços médios dos produtos, em agosto foram necessárias, aproximadamente, 28,2 caixas de ovos (valor na granja, interior paulista) para adquirir uma tonelada de farelo de soja. O poder de compra do avicultor de postura comercial em relação ao farelo registrou perda mensal de 8,2%, pois em julho foram necessárias 25,9 caixas de ovos para adquirir a tonelada do cereal. Em relação a agosto do ano passado a perda no poder de compra atingiu quase 36%, pois naquele período a tonelada do grão custou apenas 18,1 caixas de ovos. 10 caixas de ovos a menos.


Ponto Final

Bronquite Infecciosa causa elevados prejuízos na indústria de produção de frango de corte Jorge Chacón, Gerente Técnico - Ceva Saúde Animal Tharley Carvalho, Gerente de ProdutosCeva Saúde Animal

O

s impactos da Bronquite Infecciosa acarretam perdas em todos os setores da avicultura. Os indicadores das granjas de matrizes e frangos de corte são afetados, a disponibilidade de carne para a comercialização local e internacional diminui e assim, os incubatórios e frigoríficos perdem lucratividade. Contudo, os prejuízos causados pela infecção das aves com a cepa variante BR do vírus da Bronquite Infecciosa são evitados de maneira efetiva com a vacinação adequada. Aos longos dos últimos anos, houve uma evolução no controle da doença no Brasil com a utilização de vacinas com cepa BR homóloga a cepa viral que circula no território nacional. Os esforços de pesquisadores brasileiros que conduziram diversos estudos epidemiológicos, moleculares, de patogenicidade e proteção levaram à conclusão da necessidade de desenvolvimento de vacinas para o controle eficaz da Bronquite Infecciosa. O desenvolvimento de novas vacinas exige trabalho científico e financeiro, já que vacinas podem demorar uma década para que os laboratórios tenham produtos comerciais seguros e eficazes. Portanto, com a Bronquite Infecciosa BR, a

“Somos o Brasil que dá certo. Mas também somos o Brasil que passa longe do olhar da maioria dos brasileiros”

primeira vacina comercial foi disponibilizada 8 anos depois do início dos primeiros estudos epidemiológicos. As vacinas com cepa BR quebram paradigmas em relação ao controle da doença no Brasil. Com o início da utilização de cepas homólogas ao desafio de campo, foi possível entender a dinâmica da doença e dos impactos reais na cadeia produtiva de frango de corte e poedeiras comerciais. Em razão ao controle completo da doença, resultados zootécnicos e econômicos foram desenvolvidos de forma evidente e significativa, o que permitiu à ave expressar o potencial genético. Na granja, por exemplo, o vírus da Bronquite Infecciosa BR causa, em média, uma diminuição do ganho de peso diário de 3,16 gramas. Utilizando os padrões atuais de produção, em razão ao controle completo da doença, a infecção levará a ter 4,4 toneladas a menos de carne pronta para comercialização. O vírus da Bronquite Infecciosa, diferente do que sugere o nome, não afeta apenas o trato respiratório. Vários tecidos e sistemas das aves sofrem com o processo de replicação viral, assim, a ave passa a apresentar um estado febril, redução do consumo de água e alimento, desse modo muitos animais não resistem e morrem. Esse processo causa inúmeros prejuízos para a cadeia, pois, além das perdas diretas como mortalidade e redução de peso, todo o planejamento de produção e comercial da empresa podem ser comprometidos uma vez que a disponibilidade de carne é reduzida. Além disso, muitos animais afetados pela bronquite sofrem com infecções secundárias, desenvolvem quadros clínicos e subclínicos que detectados no abatedouro resultam em condenações na linha de inspeção. As condenações totais e parciais da carne das aves no abatedouro é um fator de significativa melhoria quando o controle da Bronquite Infecciosa é adequado. No abatedouro, lotes infectados pelo vírus BR têm, em média, 0,65% mais condenação pelo critério definido como “colibacilose”, o que leva à eliminação total da carcaça e miúdos. Para lotes de 40.000 frangos abatidos, essa condenação leva a eliminar A Revista do AviSite

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integralmente 260 carcaças, ou seja, 0,637 toneladas de carne não são aproveitadas para a comercialização. Acompanhamentos de campo mostram que lotes positivos ao vírus BR têm, em média, 0,09% mais condenação de aerossaculite total comparados a lotes negativos. As condenações parciais de carcaças devido à contaminação fecal aumentam, em média, 1,2% quando os lotes apresentam aerossaculite, no caso do Brasil, principalmente, causados pelo vírus BR. Este nível de condenação representa o não aproveitamento de 0,353 toneladas de carne por cada lote de 40.000 aves abatidas. Outro ponto da cadeia afetado é a mortalidade das aves durante o transporte da granja até o abatedouro. As aves acometidas pelo vírus da Bronquite Infecciosa ficam debilitadas e muitas não resistem às condições de transporte e morrem no trajeto. Foram observadas redução na mortalidade em lotes vacinados com vacinas de cepa BR (média de 0,18%), em uma análise para lotes de 40 mil aves, isso significa um ganho de 176 quilos por lote de frango de corte produzido. Muitas vezes somente a redução dessa mortalidade paga todo o investimento para vacinar os animais. Quando um lote de 40.000 frangos é infectado, o impacto do vírus sobre o GPD, mortalidade final e de transporte, condenações por aerossaculite, colibacilose e contaminação fecal totalizam 7,183 toneladas de carne de frango que não serão aproveitadas. Existem, ainda, muitas oportunidades de melhoria no controle da bronquite infecciosa no Brasil. O trabalho com muitas empresas brasileiras vem nos mostrando que os impactos dessa doenças ainda não são mensurados na totalidade. Mesmo assim, analisando somente alguns parâmetros produtivos, os ganhos superam o investimento em vacinas. A imunização adequada dos plantéis é fundamental para manutenção da competitividade da indústria avícola brasileira. Os investimentos em vacinação representam menos de 1% dos custos de produção do frango de corte. No entanto, o impacto do adoecimento dos animais é enorme e compromete o trabalho desenvolvido por outras áreas, como genética, nutrição e ambiência, por exemplo. Mas do que nunca, precisamos entender a sanidade como um ativo valioso da indústria brasileira e que ainda temos espaço para melhorar. Empresas, como a Ceva Saúde Animal, promovem discussões sobre os benefícios da imunização e controle sanitário junto aos produtores. Orientar como aplicar corretamente as vacinas Cevac iBras e Eggmune, estimular o aumento da lucratividade e atualizar tecnologias para o diagnóstico preciso dos principais patógenos são ações organizadas pela Ceva que influenciam na diminuição dos impactos das doenças respiratórias.

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