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Editorial Esta edição da Revista do Ovo abre o nosso calendário editorial de 2019 e, com ela, já temos a responsabilidade de participar do XVII Congresso da Associação Paulista de Avicultura sobre Produção e Comercialização de Ovos, em Ribeirão Preto (SP). Este é um dos mais importantes eventos do setor de postura do Brasil e a Mundo Agro Editora é parceira e mídia oficial do evento. Esta edição traz tópicos que abrange ciência, pesquisa, inovação, o mercado empresarial e os últimos números e estatísticas do setor. Fazemos aqui um destaque especial para a matéria “10 anos da produção e exportação de ovos de poedeiras comerciais no Brasil”, produzido pelas pesquisadoras Jakline Brandhuber de Moura, Marli Aguirre Aranda Feil e Sarah Sgavioli. Nele, elas apontam que existem perspectivas para o aumento do consumo com abertura de novos mercados, mas para isso, a cadeia produtiva de ovos brasileira deve se adequar às exigências internacionais de segurança alimentar, bem-estar animal e status sanitário dos plantéis. Em tempo: este material foi considerado pela APA como o “melhor trabalho do XVII Congresso de Produção e Comercialização de Ovos – APA”. Um enorme parabéns às autoras e fica aqui nosso agradecimento pela confiança em compartilhá-lo com a Revista do Ovo! Boa leitura a todos!

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10 anos da produção e exportação de ovos de poedeiras comerciais no Brasil

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Existem perspectivas para o aumento do consumo com abertura de novos mercados, mas para isso, a cadeia produtiva de ovos brasileira deve se adequar às exigências internacionais de segurança alimentar, bemestar animal e status sanitário dos plantéis

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Publicação Bimestral nº 52 | Ano VI Março/2019

EXPEDIENTE Publisher Paulo Godoy paulogodoy@avisite.com.br Redação Giovana de Paula (MTB 39.817) imprensa@avisite.com.br Comercial Karla Bordin (19) 3241 9292 comercial@avisite.com.br Diagramação e arte Mundo Agro e Innovativa Publicidade luciano.senise@innovativapp.com.br

Sumário

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Mundo Agro Editora Ltda. Rua Erasmo Braga, 1153 13070-147 - Campinas, SP

Eventos Notícias Curtas Ovo e a alimentação da gestante e lactante IOB esclarece público sobre benefícios dos ovos à saúde Instituto Ovos Brasil lança Informe Trimestral Concurso de Qualidade de Ovos de Bastos acompanha a evolução da avicultura Grupo Mantiqueira comemora conquista do selo ‘eureciclo’ O uso de revestimentos a base de proteína de arroz na manutenção da qualidade de ovos armazenados Nutrição aminoacídica da poedeira moderna Orffa do Brasil reforça equipe com a contratação de Sonia Bazan Nutriad e Adisseo divulgam dados de pesquisa sobre micotoxinas em milho no Brasil Desempenho do ovo Pintainhas de Postura Matérias-Primas Ponto Final José Eduardo dos Santos

Internet Gustavo Cotrim webmaster@avisite.com.br Administrativo e circulação financeiro@avisite.com.br

Para facilitar o acesso às matérias que estão na internet, disponibilizamos QrCodes. Utilize o leitor de seu computador, smartphone ou tablet

A essência do alimento ovo na atualidade

Movimento de queda de preços foi revertido em fevereiro e o setor trabalha agora de forma positiva

Revista do Ovo

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Eventos

2019 Março 26 a 28

XVII Congresso de Ovos Organizado pela APA (Associação Paulista de Avicultura) Local: Centro de Convenções de Ribeirão Preto (SP). Informações: www.congressodeovos. com.br E-mail: congresso@apa.com.br

Maio 14 a 16

Conferência FACTA WPSA-Brasil 2019

Local: Expo Dom Pedro, Campinas (SP) Site: www.facta.org.br

Abril 02 a 04

20º Simpósio Brasil Sul de Avicultura

Local: Chapecó, SC Promoção: Nucleovet informações: www.nucleovet.com.br Contato: nucleovet@nucleovet.com.br

Junho

Há cinco anos no OvoSite

Ovo e frango vivo nas duas primeiras semanas de 2014 13/01/2014: A firmeza de mercado demonstrada pelo frango vivo no início de 2014 se desvaneceu com inusitada rapidez no final da semana passada. Culpa, basicamente, do consumo. Que, tipicamente fraco (como é natural neste período do ano), fez recuarem os preços do frango abatido. Isto levou as empresas integradas a reduzirem seus abates e a jogarem aves vivas no mercado “spot”. O resultado é um visível desequilíbrio entre oferta e procura, com risco de iminente recuo do preço pago ao produtor. De toda forma, nas negociações de sábado, as vendas ocorreram sem modificação na cotação que, assim, completou 75 dias consecutivos em R$2,50/kg. O ovo, por seu turno, não cessa de perder preço. O processo, que vem desde o final de 2013, se intensificou nos primeiros dias de 2014. Assim, enquanto em relação ao valor inicial do ano se registra queda de mais de 20%, em 15 dias o retrocesso não está muito distante dos 30%. Em função do atual desempenho, o ovo alcança nas granjas do interior paulista valor médio mensal próximo de R$38,00/caixa, o que representa queda de mais de 20% em relação à média de janeiro de 2013.

As quatro mais lidas do OvoSite

05 e 06

FAVESU - Espírito Santo Feira de Avicultura e Suinocultura Capixaba Local: Espírito Santo Telefone: (27) 3288-2748 Site: www.associacoes.org.br 16 a 19

CONBRASUL 2019

Local: Gramado/RS Telefone: (51)3228-8844 E-mail: conbrasul@ovosrs.com.br Site: www.conbrasul.ovosrs.com.br

Agosto 27 a 29

Salão Internacional de Avicultura e Suinocultura (SIAVS) Local: Anhembi Parque, em São Paulo (SP). Promoção: Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) Informações: www.siavs.com.br

Outubro 08 a 11

OVUM 2019 XXVI Congresso Latino-Americano de Avicultura Local: Lima, Peru Site: www.elovum.com

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Revista do Ovo

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Desempenho do ovo no primeiro mês de 2019 Nos primeiros dias deste ano, enquanto o consumidor paulistano gastava mais de R$5,00 para adquirir uma dúzia de ovos brancos, nas granjas do interior paulista o produtor recebia cerca de um quinto desse valor.

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Alta expressiva na abertura de fevereiro Nos ovos brancos, o novo aumento elevou o preço médio diário para R$66,00, valor que supera pela primeira vez no decorrer deste ano o recebido no mesmo período do ano anterior e que equivale a quase 12% de aumento.

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Mercado permaneceu firme, mas sem modificação nos preços Ontem o mercado permaneceu firme mas os preços não tiveram alteração. A caixa de ovos brancos continuou sendo comercializada por valores entre R$70,00 a R$72,00 e a de vermelhos por um mínimo de R$83,00 ao máximo de R$95,00 a caixa.

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Mercado permanece firme e ajustado Ontem, quinta, o mercado permaneceu firme mas os preços novamente inalterados: a caixa de ovos brancos variando de R$75,00 a R$77,00 e a de ovos vermelhos entre R$90,00 a R$100,00.


Evento

2ª Conbrasul Ovos 2019 vai reunir lideranças da avicultura de postura nacional e internacional de 16 a 19 de junho Evento vai promover debates sobre as mais recentes tecnologias e inovações para o setor, além de temas como economia e mercado, sanidade, marketing e promoção de ovos com cases de sucesso no Brasil e no exterior

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2ª edição da Conferência Brasil Sul da Indústria e Produção de Ovos (Conbrasul Ovos) vai acontecer de 16 a 19 de junho, em Gramado, no Rio Grande do Sul. Durante estes três dias, o evento deve receber cerca de 500 participantes, entre produtores, empresários, representantes das principais entidades da cadeia produtiva, da agroindústria e dirigentes dos segmentos de equipamentos e tecnologias, além de órgãos de comunicação setorial e convidados internacionais. As principais tendências e perspectivas de mercado e economia, além dos desafios e oportunidades na produção e qualidade do ovo, na sanidade e no marketing e na promoção do produto ovo com apresentação de cases de sucesso no Brasil e no exterior são alguns dos temas que serão debatidos durante o encontro, além de discussões sobre as mais recentes tecnologias e inovações para este setor, antecipa o diretor Executivo da ASGAV (Associação Gaúcha de Avicultura) e coordenador executivo do evento, José Eduardo dos Santos. Uma realização e promoção da ASGAV/Programa Ovos RS, o evento segue diretrizes das conferências internacionais promovidas pela International Egg Comission (IEC) e Organização Mundial da Indústria e Produção de Ovos. “A programação novamente permitirá não apenas um elevado nível de debate entre os participantes, como também a interatividade entre empresários, produtores, autoridades e convidados de diversos locais do Brasil e Exterior. Será uma oportunidade de rela-

2ª Conbrasul Ovos 2019 é uma promoção da ASGAV/Programa Ovos RS

cionamento qualificado, além de uma fonte de informações importantes e estratégicas”, ressaltou o executivo.

voos especiais de Porto Alegre a Gramado, além de reservar a hospedagem.

Inscrições

Algumas das mais importantes empresas do setor já confirmaram seus apoios ao congresso, como Bionutri e Grasp, Auster e ORFFA na cota de Patrocinador Prata. Mercoaves e Vencomatic na cota de Patrocinador Bronze. Artabas, Anpario, Alltech do Brasil, Lohmann do Brasil, MSD Saúde Animal Big Dutchman e Kilbra vão participar como apoiadores especiais. A Conbrasul Ovos conta com o apoio institucional da Associação Brasileira de Proteína Animal, Instituto Ovos Brasil, International Egg Commission (IEC), Organização Mundial da Indústria e Produção de Ovos e Egg Farmers Canadá. Outras informações sobre a 2a Conbrasul estão disponíveis no site www. conbrasul.ovosrs.com.br, através do telefone (51) 3228. 8844, com Kamila Beheregaray, ou pelo e-mail: comercial. conbrasul@ovosrs.com.br.

Realizado na serra gaúcha, em uma das cidades mais aconchegantes do país e com forte apelo turístico, o evento vai promover uma programação especial para acompanhantes. As inscrições estão disponíveis no site do evento (www. conbrasul.ovosrs.com.br). Neste primeiro período de inscrições, os participantes individuais podem se inscrever pelo valor de R$ 600. As inscrições para participantes, com direito a programação social do encontro, podem ser confirmadas pelo valor de R$ 250.

Agência de Turismo Para facilitar a reserva de passagens e hospedagem, os organizadores da 2a Conbrasul fizeram um convênio com a Agência de Turismo Rossi & Zorzanello, que pode oferecer serviços como traslados do aeroporto, aluguel de carros e

Apoiadores

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Notícias Curtas Mercado

Ovo x Milho: o segundo pior poder de compra do produtor de ovos na presente década Em janeiro o preço médio dos ovos brancos na granja (interior paulista, caixa com 30 dúzias) sofreu queda mensal de 15%. Em doze meses o índice de redução atingiu 13%. O produtor de milho, por sua vez, obteve valorização de 3% e 19%, no mês e em doze meses, respectivamente, na comercialização do seu produto. Assim, com a valorização na cotação do milho e a desvalorização nos negócios realizados com ovos, foram necessários 16,5 caixas de ovos para adquirir uma tonelada de milho, causando situação ainda pior que dezembro último quando a

necessidade atingiu 13,6 caixas. Com isso, a perda mensal no poder de compra foi alta, de 17,6%. Em doze meses o índice negativo foi ainda maior, de quase 27%, pois, em janeiro de 2018 foram necessários 12 caixas de ovos para adquirir a tonelada de milho. Isso já ajuda a apontar porque a relação atual é a segunda pior desde que o acompanhamento passou a ser realizado, consequentemente, também da presente década, perdendo, apenas, para o poder de compra do já distante janeiro de 2011 quando foram necessários 16,7 caixas de ovos.

Na comparação com a média histórica de janeiro dos últimos nove anos – 13,2 caixas de ovos - a perda do produtor de ovos de janeiro último permanece extremamente alta, ficando em índice negativo na casa dos 20%. Com a matéria-prima básica compondo mais de 70% do custo de produção, será preciso grande esforço do produtor de ovos para melhorar as condições de comercialização nos próximos meses e poder permanecer nessa atividade tão essencial para a qualidade de vida da população brasileira.

RELAÇÃO DE TROCA OVO X MILHO (caixas de ovos necessárias para adquirir uma tonelada de Milho) JANEIRO/2019

Fonte dos dados básicos: JOX Elaboração e análises: OVOSITE

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Mercado

Ovo: os preços na granja e no varejo em 2018 Em seu balanço anual sobre o comportamento de preços dos produtos integrantes da cesta básica na cidade de São Paulo, o Procon-SP, partindo do fato de que – no final de dezembro – a dúzia do ovo branco foi adquirida pelo consumidor paulistano por R$5,43, conclui que em 2018 o produto recuou 4,06%, pois um ano antes seu preço estava em R$5,66/kg. Na realidade, o recuo no ano foi bem menor, pois, consideradas as médias mensais apontadas pelo próprio Procon-SP, o valor médio em 2017 ficou em R$5,91/dúzia, caindo para R$5,80/dúzia no ano passado. Redução, portanto, inferior a 2%. Mas poderia ter sido mais, muito mais. Pois, nas granjas do interior paulista, o valor médio recebido pelo produtor passou de R$2,39/dúzia para R$1,91/dúzia. Queda superior a 20%! É verdade que o valor pago ao avicultor incide sobre produto a granel, sem embalagem. Mas avaliando-se o percentual que coube ao produtor (em relação ao preço final, no varejo) verifica-se que ele recuou de uma média de pouco mais de 40% em 2017 para menos de 33% em 2018.

OVO BRANCO EXTRA

Preços ao consumidor e ao produtor e margem do produtor - 2017 e 2018 Fontes dos dados básicos: PROCON-SP e JOX – Elaboração e análises: AVISITE

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PROTEÇÃO PARA OS MELHORES RESULTADOS.

Tradição movida pela inovação.

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Notícias Curtas Mercado

Ovo: evolução de preços frente ao custo e à inflação Levando em conta os preços pagos ao produtor do Interior paulista, a análise parte dos valores registrados em 2010 (igualados em 100). E – comparativamente à inflação (IPCA) – o que se constata é que já no primeiro semestre de 2011, frente a uma inflação próxima de 4%, o preço do ovo obtém valorização da ordem de 25%. Esses ganhos se mantêm e se ampliam pelos seis semestres seguintes, mas são perdidos no segundo semestre de 2014, quando preço e inflação praticamente se igualam (variação em torno de 27%-28% em relação a 2010). Porém, voltam a registrar evolução significativa (pra não dizer “explosiva) nos cinco semestres seguintes. O processo atinge seu ápice (e se esgota) no primeiro semestre de 2017. Pois a partir daí os ganhos em relação

à inflação passam a definhar. No final de 2018, todos os ganhos de anos anteriores desapareceram, pois ovo e inflação voltaram a registrar quase a mesma paridade de 2010 (diferença, entre ambos, de menos de 8%). De toda forma, o ovo fechou os 16 primeiros semestres da presente década (8 anos) com preços que – relativamente aos valores de 2010 (e só de 2010) nunca ficaram aquém da inflação oficialmente registrada. Já no tocante à relação com os custos, a história é bem diferente. Aliás, o fato de, na maior parte desse período, o preço recebido pelo produtor de ovos ter evoluído acima da inflação nada tem de anormal. Por sinal, sequer representou ganho para o produtor, porquanto em boa parte desses oito anos os preços registrados apenas acompanharam o custo de produção.

Inclusive em 2016 (primeiro semestre), ano em que a avicultura de corte quase quebra por não conseguir repassar os custos (elevados) ao frango. Assim, os ganhos “de verdade” do ovo parecem ter ficado restritos ao período entre o segundo semestre de 2016 e o segundo semestre de 2017. Porque os preços permaneceram elevados, mas sobretudo porque o custo sofreu drástica redução. Infelizmente, porém, tudo isso também se perdeu em 2018. Pois ao mesmo tempo em que os preços pagos pelo ovo refluíam, iniciava-se nova escalada dos custos. O fecho (segundo semestre de 2018), como mostra o gráfico abaixo, é um preço 64,2% superior à média registrada em 2010, mas um custo 103,3% superior ao daquele ano.

OVO Evolução relativa de preços na presente década em relação ao custo de produção e à inflação 2010 = 100 Fontes dos dados básicos: IBGE, Embrapa Suínos e Aves e JOX – Elaboração e análises: AVISITE Custo: levantamento mensal da Embrapa Suínos e Aves para o frango; Inflação: IPCA do IBGE; Preço: ovo branco extra a granel - valor recebido pelo produtor no interior paulista (JOX).

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Redes Sociais

Um ovo se torna a foto mais curtida do Instagram Um ovo em fundo branco versus a foto da filha de uma das mulheres mais famosas e admiradas do planeta. Obviamente a seleção de algo tão simples quanto um ovo é nada mais do que um belo protesto diante de uma sociedade que valoriza tanto aspectos físicos e padrões de beleza em busca de reforços positivos como likes e comentários nas redes sociais. O êxito da brincadeira mostra que, apesar disso, há um grande número de pessoas dispostas a quebrar padrões e criticar costumes sociais. Que fique de exemplo – e também de inspiração – para as marcas e também para os publicitários. O recorde de foto mais curtida no Instagram antes era de Kylie Jenner, mas agora um ovo conseguiu ultrapassar mais de 30 mi-

lhões de likes.

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Nutrição

Ovo e a alimentação da gestante e lactante A ingestão de uma alimentação equilibrada com macronutrientes (carboidratos, proteínas e gorduras) e micronutrientes (vitaminas e minerais) são fundamentais para a saúde de mãe e feto Autora: Lúcia Endriukaite, Nutricionista do Instituto Ovos Brasil, entidade sem fins lucrativos que tem o objetivo de esclarecer a população sobre as propriedades nutricionais do ovo e os benefícios que este alimento proporciona à saúde, além de desfazer mitos sobre seu consumo

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A vitamina D, cuja maior captação se dá pela pele é um outro nutriente presente no ovo e é fundamental para a saúde da mãe e feto 10

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urante a gestação, a mulher tem suas necessidades nutricionais aumentadas para garantir a sua saúde e também a do feto que está em pleno desenvolvimento e, portanto, a nutrição da gestante nesta fase é fundamental. A ingestão de uma alimentação equilibrada com macronutrientes (carboidratos, proteínas e gorduras) e micronutrientes (vitaminas e minerais) são fundamentais para a saúde de mãe e feto. Estudos sugerem que este equilíbrio alimentar pode estar relacionado a gerações futuras. Alguns nutrientes recebem destaque ou são mais explorados. É o caso da colina, uma vitamina do complexo B que, apesar de ser produzido no organismo, não é suficiente para atender todas as necessidades, pois esta vitamina é um importante precursor de neurotransmissores acetilcolina e esfingomielina (uma estrutura que envolve o axônio, parte da célula do tecido nervoso), melhorando a transmissão do impulso nervoso e desenvolvimento cerebral do feto e nos primeiros anos de vida (4,5). O ovo é uma rica fonte de colina: 2 ovos contêm aproximadamente 250mg de colina, cerca de 50% das necessidades da lactante. Evidências suportam os benefícios do consumo do ovo pela mulher durante a gestação e lactação, pois o mesmo contribui com proteínas, gorduras, vita-

minas, minerais que são metabolizados pelo organismo. A vitamina D, cuja maior captação se dá pela pele é um outro nutriente presente no ovo e é fundamental para a saúde da mãe e feto, pois está relacionada à mineralização óssea do feto e sua deficiência está relacionada a alterações no parto, tolerância a glicose e numa condição mais tardia de vida a doenças autoimunes. Após o nascimento, o cuidado com a alimentação deve ser mantido. As necessidades da mãe permanecem elevadas, afinal é o momento da amamentação, que deve ser estimulada e priorizada pela mãe se possível até o 6º mês de vida do bebê, período em que o leite materno atende todas as necessidades da criança. Segundo a American Academy of Pediatrics, a nutrição da gestante e da criança nos primeiros 2 anos de vida é fundamental para o desenvolvimento da criança e consequentemente um adulto saudável. O ovo é um grande aliado na alimentação, pois contribui com proteínas, ácidos graxos, minerais como magnésio, cromo, cobre, selênio, ferro vitaminas A, D,E, K e vitaminas do complexo B, como colina. A luteína, também presente na gema do ovo tem uma ação protetora dos olhos e apresenta ação antioxidantes e protetora. Referências: Favor solicitar imprensa@avisite.com.br


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No final das contas, o que vale é deixar uma nova marca no mundo.

Para comemorar os seus vinte anos, a Biocamp acaba de adotar uma nova marca. Graficamente, é o resumo de duas décadas de uma visão de mundo cada vez mais Pró. Um símbolo de uma empresa que enxerga na pesquisa, no desenvolvimento e na inovação a consolidação do mercado avícola. A Biocamp acredita num mundo que zela pelo direito dos consumidores, fornecedores e colaboradores. Um lugar com mais saúde para os seres humanos e mais respeito aos animais e ao meio ambiente. Biocamp, 20 anos. A marca de um mundo mais Pró.

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Marketing / Consumo de Ovos

IOB esclarece público sobre benefícios dos ovos à saúde Frequentadores da Estação Tucuruvi do metrô de São Paulo recebem informações sobre o consumo de ovos

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estratégia de distribuição de flyers e material promocional pelo Instituto Ovos Brasil, que atinge um grande público em pouco tempo, segue trazendo bons resultados. Dessa vez o local escolhido foi a estação do metrô Tucuruvi na Zona Norte de São Paulo, que recebe cerca de 67 mil usuários diariamente. Os materiais trabalhados nesta última ação são os mesmos distribuídos na Semana do Ovo 2018 e que fizeram sucesso por todo o Brasil, como o novo livro de receitas. Outro destaque é o cardápio desenvolvido para o café da manhã, almoço, lanche e jantar para cada um dos sete dias da semana. Além da distribuição de flyers, um dos frequentadores do metrô também ganhou uma camiseta, alusiva à Semana do Ovo 2018.

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Marketing / Consumo de Ovos

Instituto Ovos Brasil lança Informe Trimestral O informe detalha as suas atividades em prol do marketing do ovo

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om o objetivo de tornar o alimento ovo cada vez mais reconhecido por suas propriedades nutricionais o Instituto Ovos Brasil realiza ações em escolas, universidades, restaurantes, eventos da avicultura, cursos, empresas, supermercados, academias e até mesmo nas ruas e estações de metrô, sempre apoiados pela distribuição de materiais promocionais. Composto por livro de receitas, cardápio semanal, flyers desmistificando e explicando os mitos que cercam o consumo de ovos e gibis para a criançada, este material de apoio é distribuído por todo o Brasil. Desde o início de 2019, os membros, conselheiros e entusiastas do Instituto Ovos Brasil terão mais uma oportunidade de conhecer o seu trabalho e suas ações. O IOB preparou um informe trimestral onde detalha as suas atividades em

O IOB convida: “Engaje-se nesse importante trabalho de divulgação do ovo e nos ajude a compartilhar esse informativo. A sua participação é fundamental. Espalhe por aí: Ovo é bom, saboroso, prático e nutritivo”. 14

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prol do marketing do ovo. Com fotos, curiosidades, informações nutricionais, dados sobre as matérias-primas da produção de ovos e uma mensagem do seu Presidente, Ricardo Santin. Para ele, a expansão dos atributos do ovo e o crescimento do consumo deste alimento vieram para ficar. E o IOB convida: “Engaje-se nesse importante trabalho de divulgação do ovo e nos ajude a compartilhar esse informativo. A sua participação é fundamental. Espalhe por aí: Ovo é bom, saboroso, prático e nutritivo”. Acesse a primeira edição do Informe Trimestral do IOB em: www.ovosbrasil. com.br/site/1a-edicao/. Boa leitura!

Sobre o IOB O Instituto Ovos Brasil é uma entidade sem fins lucrativos criada em 2007 com objetivo de esclarecer a população sobre as propriedades nutricionais do ovo e os benefícios que este alimento proporciona à saúde, além de desfazer mitos sobre seu consumo. O IOB tem atuação em todo o território nacional e hoje é referência em informação sobre ovos no Brasil. O site da instituição (www.ovosbrasil.com.br) reúne campanhas, dados, pesquisas e artigos de credibilidade para o público em geral e profissionais das mais diversas áreas.


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Ciência e Tecnologia

Concurso de Qualidade de Ovos de Bastos acompanha a evolução da avicultura Par e passo com o mercado brasileiro, o evento sofisticou-se, encampou tecnologias de ponta e somou-se à profissionalização do setor avícola para garantir confiabilidade e transparência. Ganhou respeito e segue fazendo história

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ue os últimos anos estão favoráveis ao ovo é certo. E que bom! Hoje o consumidor tem fartas informações de que se trata de um alimento saudável, cujo consumo é benéfico em todas as etapas da vida, da criança ao idoso, da gestante ao convalescente, do sedentário ao atleta de alta performance. Vive-se hoje esse bom momento favorável a seu consumo, porém sabe-se que nem sempre foi assim. Houve tempos difíceis em que o ovo teve que superar preconceito por ser rico em colesterol, essa substância tão vital à formação da vida. Aliás, o ovo é -per se - fonte de uma nova vida, visto que - desde que seja um ovo fertilizado - é dele que nascem novos pintinhos, que gerarão novas

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vidas, mais ovos, mais frangos, mais alimento à mesa. Desde a constatação nos anos 1970 de que o ovo tem alto teor de colesterol até os anos 2000, quando pesquisas sérias e definitivas mostraram que o colesterol do ovo não se transforma em colesterol no sangue do consumidor...ah! Quantas dificuldades foram enfrentadas pelo produtor. Mesmo sendo um alimento barato, saboroso, disponível com fartura da mercearia e feira ao hipermercado, grande parte da população poupava-se da delícia dos ovos à mesa. Posto abaixo o mito de seu colesterol, o ovo frequenta hoje os melhores restaurantes em pratos sofisticados ou singelos, está nas capas de revista, nos realities de

gastronomia, nas páginas do Facebook e Instagram, nos congressos de nutrição, nas pesquisas médicas, e até em textos de cronistas famosos, como o festejado Veríssimo. Reabilitado, é um queridinho, enfim! No município de Bastos (SP), um dos maiores produtores de ovos do Brasil, o ovo nunca perdeu o trono, nem mesmo em seus piores momentos de injustificada má fama. Aliás, o conceito, moral e fama do ovo só foram aumentando na pequena comunidade de Bastos, que a partir dos anos 1940 dedicou-se à avicultura de postura e já em 1960 profissionalizou-se de tal forma na atividade que ganhou o título de Capital do Ovo. Suas granjas são referência para muitos players de nutrição, vacina e genética avícola no mundo, pois muitos testam e confirmam a eficácia de produtos no gigante plantel do município. Motivo de orgulho, a intensa produção de ovos de Bastos é que fez nascer o evento mais importante da avicultura de postura brasileira, a Festa do Ovo, tradicional feira que reúne produtores, técnicos e empresas do segmento uma vez ao ano, desde 1948. É também nesse ano – na primeira Festa do Ovo -, que surgiu um evento paralelo que até hoje dá brilho e destaque a Bastos, o Concurso de Qualidade de Ovos. Provavelmente tenha sido o primeiro do gênero e é até hoje o mais completo concurso para verificação das características que referendam a qualidade do produto.


Criado pela cooperativa que atendia aos imigrantes japoneses que iniciaram a produção de ovos no município, o Concurso tratava-se tão somente de premiar o produtor que apresentasse a amostra do ovo mais bonito na exposição da Festa do Ovo. De lá para cá, conforme Bastos cresceu e sua avicultura tornou-se vigorosa e determinante para o mercado de ovos no Brasil, o Concurso de Qualidade de Ovos foi ganhando contornos que lhe garantiram um lugar de destaque no calendário das festividades do agronegócio brasileiro. A beleza do ovo tornou-se um detalhe estético importante, mas beleza tão somente já não leva o troféu como nos anos pioneiros. Hoje, para uma granja poder ostentar o honroso título de campeão em qualidade de ovos em Bastos é preciso ter comprovado por “a + B + Y + Z” que o ovo que coloca no mercado atende a requisitos dignos dos mais sofisticados laboratórios de averiguação de qualidade dos grandes players genéticos. Desde os anos 2000 uma comissão de avicultores arregaçou as mangas e deu tratos à bola para ampliar a confiabilidade do Concurso, tornar seus resultados cada vez mais conhecidos, estimular os produtores a participar ainda mais, chamar a atenção do mercado. Assim, foram estabelecidas regras mais rígidas e um corpo de jurados cada vez mais aprimorado, prêmios melhores, divulgação nacional. Assim, do Concurso feito de maneira algo improvisado nos corredores da Festa do Ovo do passado, o Concurso de Qualidade de Bastos passou a ganhar espaço próprio, regras bem definidas e cada vez mais rígidas, virou notícia mais de uma vez no importante Globo Rural, ganhou redes sociais próprias, transmissão ao vivo pela internet. E o mais importante: foi encorpando seu júri com profissionais de destaque no universo da avicultura, inclusive juízes internacionais. Em 2018, o Concurso ganhou ainda mais sofisticação sob o comando de uma comissão liderada pelo produtor Rodrigo Ono, da Granja Ono, uma das pioneiras da Capital do Ovo. Liderando um grupo formado por avicultores, técnicos e estagiários voluntários de áreas afins à avicultura, Rodrigo Ono preparou o que se pode chamar de o mais “redondo” dos concursos, duas máquinas digital egg tester (a mesma de grandes laboratórios de pesqui-

Rodrigo Ono: “A comissão julgadora do Concurso faz seu trabalho com a mesma seriedade e comprometimento que nossos antepassados tiveram para transformar Bastos no grande produtor que é”

sa), com 18 juízes – dois internacionais, sendo um deles a pesquisadora Reys Pla Soler, da renomada Universidade Autônoma de Barcelona, da Espanha. Em 2018, destaque também para o número recorde de empresas patrocinadoras. E assim, se pôde ver na Festa do Ovo 2018, o resultado do Concurso em um estande montado de maneira primorosa expondo as 15 amostras dos ovos ranqueados nos primeiros lugares nas categorias ovos brancos, ovos vermelhos e ovos de codorna. Sempre uma atração à parte na Festa do Ovo, o estande do Concurso atrai visitantes o tempo todo, sendo ele, por si só, uma grande propaganda para o ovo, pois ali fica claro ao consumidor que ovo, definitivamente, não é tudo igual. Há os excelentes! Visivelmente feliz com o resultado do trabalho que ele e seus companheiros de comissão organizadora fizeram em 2018, Rodrigo Ono discursou emocionado na hora da entrega das dezenas de troféus aos avicultores campeões e a todos os classificados por qualidade. Na ocasião ele lembrou que tudo havia começado com os primeiros avicultores do município, antepassados que fizeram a base sólida da avicultura bastense brilhar no cenário nacional e ser conhecida internacionalmente. Em entrevista à Revista do Ovo, Rodrigo Ono destacou que é o trabalho em equipe, comprometido e sério, que faz o sucesso do Concurso de Qualidade de Bastos. “A comissão faz seu trabalho com a mesma seriedade e comprometimento que nossos antepassados tiveram para transformar Bastos no grande produtor

que é. Desde os anos pioneiros, o avicultor bastense soube ser profissional e persistente, resistindo às diversas dificuldades da atividade, superando desafios e crescendo no principal: no fornecimento de uma proteína nobre e acessível ao consumidor. Essa é a nossa riqueza e nossa força, que o Concurso de Qualidade de Ovos, de alguma forma, reflete”, analisa. Consciente da importância do Concurso para a história de Bastos, Rodrigo Ono destaca que ao longo das décadas – principalmente as duas últimas – o evento passou a ser um importante balizador de técnicas de nutrição e de manejo das aves, além de norteador de desempenho genético das poedeiras. “Essa é uma questão que orgulha a todos nós, produtores bastenses, pois conseguimos fazer evoluir a mera competição pelo ‘ovo mais bonito’ da época pioneira para uma averiguação de qualidade real do ovo em todos seus aspectos internos e externos, num nível de profundidade de análise que, de alguma forma, ajuda a todos que estão nessa atividade produtiva, que hoje é cada vez mais valorizada pela qualidade da nutrição que oferece à população.” Na terceira semana de julho deste ano, mais uma vez estará lá a comissão de produtores de Bastos a realizar o que será neste ano, o 60º Concurso de Qualidade de Ovos de Bastos, um dia antes da abertura oficial da Festado Ovo, que comemora, também, os 60 anos da Festa do Ovo e os 91 anos de Bastos, essa pequena gigante que oferece ao mercado brasileiro algo como 20% de todos os ovos consumidos no Brasil. Revista do Ovo

17


Ciência e Pesquisa

ANOS DA PRODUÇÃO E EXPORTAÇÃO DE OVOS DE POEDEIRAS COMERCIAIS NO BRASIL Existem perspectivas para o aumento do consumo com abertura de novos mercados, mas para isso, a cadeia produtiva de ovos brasileira deve se adequar às exigências internacionais de segurança alimentar, bem-estar animal e status sanitário dos plantéis Jakline Brandhuber de Moura1, Marli Aguirre Aranda Feil2, Sarah Sgavioli1* (1) Programa de Mestrado Profissional em Produção Animal, Universidade Brasil. Descalvado – SP. (2) Programa de Pós-Graduação em Agronegócios, Universidade Federal da Grande Dourados, Dourados – MS. *Autor correspondente: sarahsgavioli@yahoo.com.br

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O

sistema produtivo brasileiro de ovos de poedeiras comerciais é baseado em produtores independentes de pequeno e médio porte e em grandes produtores. A produção é feita predominantemente no sistema de criação em gaiolas, com granjas de cria e recria, as quais são separadas das granjas de produção. De acordo com os dados da Comissão Internacional de Ovos 89,7% das poedeiras estavam alojadas em sistemas de gaiolas. No entanto, a predominância de sistemas de produção de gaiolas convencionais vem perdendo para os sistemas de produção alternativos, como os de gaiolas enriquecidas, cage-free (galinhas criadas livres de gaiola) e free-range (galinhas criadas livres de gaiola e com acesso ao pastejo) (Conway, 2017). A cadeia produtiva mundial caracteriza-se pela produção de ovos in natura e industrializados, os ovoprodutos. O volume de produção

dos ovoprodutos teve crescimento significativo no comércio internacional devido à consolidação das empresas agroindustriais. A expansão da avicultura brasileira de postura se deu no polo de desenvolvimento da região Sudeste, com destaque para o estado de São Paulo, em razão da colonização, da posição geográfica e localização próxima dos grandes centros urbanos (Santos Filho et al., 2011). As campanhas promovidas pelas associações de produtores, o baixo custo desta proteína, com alto valor biológico contribuíram para o aumento do consumo e assim, para a consolidação do mercado interno.

Consumo mundial de ovos Japão, China e México são os países com maior consumo de ovos em nível mundial (Tabela 1), superiores a 300 ovos/habitante/ano. A Índia, embora ocupe o terceiro lugar no

ranking mundial de produção de ovos (Tabela 2), não possui números expressivos quanto ao consumo per capita, ficando com 63 ovos no ano de 2015 (Tabela 1). O Brasil em 2017 atingiu o pico de consumo de ovos, com 192 unidades per capita, valor este 47% maior quando comparado ao ano de 2007, onde o consumo foi de 131 ovos/habitante/ano. As campanhas pró-consumo e o cenário no mercado interno contribuíram para que o Brasil mantivesse esse patamar. Além dessas campanhas de desmitificação do ovo, houve o desenvolvimento de tecnologia no setor, o que resultou em maior eficiência produtiva, principalmente em relação à evolução genética das linhagens de poedeiras comerciais (Pavan et al., 2005), entretanto, o consumo brasileiro ainda é considerado baixo, se comparado aos demais países. Existem perspectivas para o aumento do consumo com abertura de

Tabela 1. Consumo per capita anual mundial de ovos comerciais de 2007 a 2017 (unidades). Países/Anos

2007

2008

2009

2010

2011

2012

2013

2014

2015

2016

2017

China

316

-

320

-

336

-

-

-

300

310

-

EUA

250

247

246

249

234

255

259

263

261

252

274

México

329

331

355

365

358

335

347

398

352

-

-

Índia

35*

36*

38*

39*

40*

-

-

62

63

-

-

Japão

327*

323*

316*

316*

315*

-

-

-

329

347

-

Rússia

238*

236*

243*

250*

253*

269

269

269

285

273

-

Brasil

131

120

120

149

163

162

169

182

191

190

192

Indonésia

93

85*

76*

78*

70*

-

-

-

63

-

-

Ucrânia

262

269

283

282

327

211*

244*

-

-

-

-

Turquia

165

159*

156*

158*

168

-

-

119*

194

-

-

África do Sul

108*

112*

122*

112*

122*

163

148

142

142

141

128

Argentina

178*

173*

180*

197*

243

-

-

-

256

273

-

Canadá

188*

183*

183*

194*

206*

214*

223*

223*

182

239

-

Austrália

95*

105*

120*

105*

216

-

-

-

214

235

-

França

245*

248*

238*

232*

222

207*

243*

243*

216

-

-

Itália

193*

197*

212*

212*

206

-

-

229*

216

-

-

Suécia

187*

183*

192*

200*

207

-

-

-

217

195*

-

Alemanha

209

208

209

214

217

220

224

232

231

235

-

Fonte: Elaboração do autor com base nos dados do International Egg Commission, (2013); HelgiLibrary; International Egg Commission, (2015); South African Poultry Associaton, (2017) e Statista, (2018). *valores transformando em unidades (consumo de ovos em kg/0,06 kg – peso médio de ovos).

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Ciência e Pesquisa Tabela 2. Produção mundial de ovos de 2007 a 2016 (toneladas). Anos/ países

China

EUA

Índia

México

Japão

Rússia

Brasil

Indonésia

Ucrânia

Turquia

2007

21.833.160

5.395.000

2.947.000

2.290.833

2.583.292

2.121.780

1.779.190

1.174.600

807.200

795.310

2008

23.292.210

5.344.000

3.047.000

2.337.215

2.553.557

2.118.500

1.844.670

1.122.617

855.200

824.419

2009

23.633.516

5.374.000

3.230.000

2.360.301

2.507.542

2.194.500

1.921.887

1.071.500

883.800

864.545

2010

23.820.080

5.437.000

3.378.100

2.381.375

2.515.323

2.260.600

1.948.000

1.121.100

973.900

740.025

2011

24.231.630

5.475.000

3.466.340

2.458.732

2.482.628

2.283.600

2.036.534

1.027.846

1.064.200

809.668

2012

24.659.155

5.589.000

3.655.000

2.318.261

2.506.768

2.333.600

2.083.800

1.139.949

1.092.600

931.923

2013

24.786.994

5.778.000

3.835.205

2.516.094

2.521.974

2.283.600

2.171.500

1.223.716

1.121.400

1.031.047

2014

24.942.678

5.974.000

4.111.360

2.567.199

2.501.921

2.313.500

2.240.551

1.244.311

1.119.800

1.071.587

2015

25.842.153

5.756.875

4.316.620

2.652.530

2.520.873

2.357.200

2.260.940

1.372.829

959.500

1.045.396

2016

26.835.481

6.037.552

4.561.000

2.720.194

2.562.243

2.412.849

2.289.460

1.428.159

854.600

1.122.050

Variação (%)

22,9

11,9

54,8

18,7

-0,8

13,7

28,7

21,6

5,9

41,1

Média

24.387.706

5.616.043

3.654.763

2.460.273

2.525.612

2.267.973

2.057.653

1.192.663

973.220

923.597

Fonte: Elaboração do autor com base nos dados da FAO - Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, (2018)

novos mercados, mas para isso, a cadeia produtiva de ovos brasileira deve se adequar às exigências internacionais de segurança alimentar, bem-estar animal e status sanitário dos plantéis.

Produção mundial de ovos de poedeiras comerciais

Em 2016, o Brasil foi o 7º maior produtor mundial de ovos comerciais. Sendo, em 2017, o estado de São Paulo o principal produtor brasileiro, com 29,86% da produção nacional e Minas Gerais, o maior exportador, com 41,28% de representatividade no cenário nacional 20

Ao se avaliar a produção mundial de ovos de 2007 a 2016, em milhões de toneladas, verificou-se que a China, os EUA e a Índia se mantiveram na liderança e obtiveram ao longo deste período uma ascensão na produção (Tabela 2). O ano de 1978 foi um marco na produção de ovos para a China, que até então, praticamente, não priorizava o comércio de ovos. Dez anos depois, em 1988, a produção chinesa de ovos conseguiu ultrapassar os 20 milhões de toneladas, o que representou quase 40% da produção mundial (Cision PR Newswire, 2015). Os EUA produzem ovos em larga escala, com baixos custos das rações, e portanto, tornaram-se mais competitivos internacionalmente. Para atender a demanda dos consumidores e empresas, a avicultura de postura americana tem buscado adequação aos aspectos de segurança alimentar, sustentabilidade am-

biental e biossegurança (Amaral et al., 2016).

Produção nacional de ovos de poedeiras comerciais O Brasil assumiu a sétima posição no ranking mundial na produção de ovos em 2016. No período de 2007 a 2016, teve variação de 28,7%, atingindo média de 2.057.652 milhões de toneladas (Tabela 2). Embora ocupe lugar de destaque entre os dez maiores produtores mundiais, a avicultura brasileira de postura é pouco desenvolvida e voltada para o mercado interno (Amaral et al., 2016). Ao se avaliar a produção nacional de ovos, pode-se notar no ano de 2009, com redução de 2.071 bilhões de ovos, se comparado ao ano de 2007. Segundo Ariel Mendes, presidente da União Brasileira de Avicultura (UBA), a crise de 2009 foi uma das maiores crises financeiras enfrentadas pela economia mundial, menor do que a ocorrida em 1929. Houve aumento nos custos de produção de ovos e queda no preço do atacado, e ainda, redução no alojamento de matrizes. Já no setor de equipamentos avícola, os avicultores enfrentaram dificuldades devido a dependência dos créditos públicos, os quais eram escassos (ABPA, 2009).

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A partir de 2009, a produção nacional esteve em ascendência com pico significativo em 2015, mesmo em meio a outra crise econômica. A produção brasileira de ovos atingiu em 2017, o patamar mais alto (40 bilhões de unidades de ovos) no período entre 2007 a 2017 e obteve crescimento de quase 2% se comparado a 2016 (39,2 bilhões de ovos), devido a relativa cambial deste ano (ABPA, 2018). O Brasil apresentou crescimento de 52,09% na produção de ovos, no período de 2007 a 2017 (Tabela 3). Este crescimento está atrelado à adoção de novas tecnologias, ao melhoramento genético, à sanidade e à nutrição das aves. Ainda em 2017, o Brasil alcançou no setor de postura, plantel de 153,3 milhões de poedeiras alojadas/ano (OvosRS, 2017). A produção de ovos na região Centro-Oeste apresentou, no período de 2007 a 2017, aumento de 112,28% (Tabela 3). Este fato se deve

à expansão das granjas de outros estados (Minas Gerais e São Paulo) e ao investimento feito no setor avícola. As regiões Norte e Nordeste tiveram aumento na produção, no período de 2007 a 2017, 25,62 e 65,07%, respectivamente (Tabela 3). Embora a produção de ovos das referidas regiões seja considerada pouco significativa, há perspectivas de crescimento devido a facilidade de transporte fluvial. Em 2017, a região Sudeste liderou o ranking nacional de produção de ovos com 48,58% na representatividade da produção nacional, seguida da região Sul (21,89%) e do Nordeste (14,57%) (Tabela 3). Na região Sudeste destaca-se o estado de São Paulo com produção que representa 29,91% da produção nacional. Os fatores que contribuíram para o desenvolvimento e modernização desse segmento em São Paulo estão relacionados à proximi-

Em 2017, o consumo de ovos do brasileiro foi de 192 per capita e está aquém quando comparado a outros países, entretanto, houve aumento expressivo de 47% durante o período de 2007 a 2017.

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Ciência e Pesquisa Tabela 3. Evolução da produção de ovos de galinha e variação (%) por região brasileira de 2007 a 2017 (milhões de dúzias) Anos/Regiões

Norte

Centro-oeste

Nordeste

Sul

Sudeste

Brasil

2007

62.369

196.897

290.060

495.985

1.118.264

2.163.575

2008

66.241

212.714

306.820

525.175

1.166.823

2.277.773

2009

79.002

244.172

323.018

530.969

1.179.855

2.357.016

2010

65.231

291.309

331.191

549.364

1.216.506

2.453.601

2011

59.954

331.361

351.847

601.903

1.217.337

2.562.402

2012

67.906

362.092

371.203

613.640

1.280.638

2.695.479

2013

71.134

379.073

373.948

603.485

1.312.682

2.740.322

2014

69.962

373.746

384.886

617.192

1.379.092

2.824.878

2015

74.154

375.986

401.516

669.762

1.405.924

2.927.342

2016

74.739

400.315

442.437

680.338

1.488.087

3.085.916

2017

78.345

417.967

478.791

719.340

1.596.200

3.285.509

Variação (%)

25,62

112,28

65,07

45,03

42,74

52,09

Fonte: Elaboração do autor com base nos dados da Sistema IBGE.

Em 2017, as exportações brasileiras para ovos in natura e industrializados obtiveram resultado inexpressivo, representando 0,26% do total produzido, mas há expectativas de melhorias para 2018, com abertura de novos mercados 22

dade dos grandes centros, à facilidade de transporte em relação às outras regiões, à imigração e à proximidade dos estados produtores de grãos (Gomes, 2017). As criações concentradas na região Sudeste expandiram-se para a região Sul do país, nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, com 7,94; 8,90 e 5,02% de produção em relação a produção nacional (Gomes, 2017). Ao analisarmos o crescimento da produção de ovos por região do país de 2007 a 2017, concluímos que houve aumento no volume de produção de ovos nas cinco regiões brasileiras, cujo percentual variou de 60 a 340% (Tabela 4). Os estados que apresentaram aumento considerável na produção de ovos, ao longo de 2007 a 2017, foram Mato Grosso, Pará, Espírito Santo, Piauí, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Goiás, Ceará e Bahia. Já os estados com menor crescimento foram Santa Catarina e São Paulo (Tabela 4). Os estados do Amazonas e Alagoas e o Distrito Federal apresentaram déficit na produção nesse período. Embora Minas Gerais tenha mantido estável a produção de ovos, no período de 2007 a 2017, apresentou percentual de desenvolvimento de 11,68% (Tabela 4). Maranhão e Tocantins não apresentaram produção na Pesquisa da Pecuária Municipal,

por isso não foram inseridos na compilação dos dados.

Panorama nacional da exportação de ovos Na avicultura de postura, as exportações brasileiras desde 2007 são pouco expressivas, portanto, há grande mercado a ser explorado (ABPA, 2017). Nesses últimos anos o Brasil vem buscando profissionalização, a fim de aumentar as exportações e atender às exigências do mercado internacional, porém tem enfrentado grandes desafios como: implantação contínua de programas que garantam padrão de qualidade dos ovos in natura e dos produtos à base de ovo e ainda, aplicação de boas práticas de produção que busquem, principalmente, a preservação do meio ambiente e bem-estar do animal e dos trabalhadores (Amaral et al., 2016). Entre 2007 a 2017, houve déficit de 44,01% nas exportações brasileiras: de 10.656 mil toneladas em 2007 para 5.966 mil toneladas de ovos em 2017. Entretanto, houveram picos na exportação, em 2008 (36.038 toneladas), em 2009 (37.009 toneladas) e em 2012 (26.853 toneladas) (ABPA, 2018). O crescimento das exportações ocorrido no período de 2008 a 2009 se deu às ações promovidas pelas entidades e pelo governo, por meio do

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MAPA e do Ministério da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior. Este foi um período de incerteza; devido à crise financeira global que afetou o comércio internacional (ABPA, 2010). Embora o Brasil ocupe o 7º lugar no ranking mundial na produção de ovos (Tabela 2), a representatividade brasileira no mercado global, quando comparada aos demais exportadores de ovos, é pequena, ocupando o 16º lugar no ano de 2016. O aumento de países importadores, associado ao maior volume produção de ovos poderá contribuir para crescimento do país no ranking internacional (AviSite, 2018). Em 2013, houve problemas burocráticos nas exportações de ovos para a Angola, até então, o principal mercado, o que impactou na redução de volume e receita (ABPA, 2014), ficando em apenas 12.391 toneladas. Em 2015, as exportações de

ovos comerciais chegaram a 18.747 toneladas de ovos, mas voltaram a cair a partir de então (ABPA, 2016). Em 2016, o custo do milho atingiu altos índices, faltaram insumos para abastecer polos de produção. Houve impacto no câmbio e no preço dos insumos, estes fatores resultaram em queda nas exportações dos ovos (10.411 toneladas). Em 2017, as vendas externas de ovo de consumo atingiram o maior déficit em novembro, com volume de 1.966.680 milhões de ovos embarcados. Isso representou -67,04% em relação a novembro de 2016, quando se exportou 5.966.000 milhões de ovos. As exportações de ovos brasileiros representaram em 2017 menos de 1% da produção (OvoSite, 2017). Existem expectativas de recuperação da exportação de ovos devido à abertura de novos mercados. A Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio do MAPA anun-

O Brasil demonstrou crescimento contínuo tanto na produção, quanto no consumo per capita de ovos, mesmo assim, é importante que agências de divulgação atuem no mercado de ovos in natura para favorecer o aumento do consumo, bem como sua exportação

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Ciência e Pesquisa Tabela 4. Produção de ovos de poedeiras comerciais por região, média e variação (%) no período de 2007 a 2017(milhões de dúzias de ovos). Regiões

2007

2008

2009

2010

2011

2012

2013

2014

2015

2016

2017

Média

Variação (%)

NORTE Amazonas

48.754

49.807

62.297

47.544

40.930

41.083

42.552

40.878

41.626

37.315

38.136

44.629

-21,78

Pará

10.556

12.595

13050

13715

15.035

16.387

16.897

17.896

20.443

23.888

26.109

16.961

147,34

Rondônia

-

3.839

3655

3972

3.989

4.421

4.244

4.451

5.252

6.968

6.964

43.41

-

Roraima

-

-

-

-

-

3.083

4.521

4.294

3.859

3.629

3.587

2.367

17,26

Acre

-

-

-

-

-

2.932

2.920

2.443

2.974

2.939

3.549

1.614

-

NORDESTE Pernambuco

91.659

98.130

108.270

112.411

120.626

134.353

133.739

139.203

146.499

152.401

171.266

128.051

86,85

Ceará

88.506

97.040

100.759

100.561

105.165

102.899

104.711

105.664

105.949

134.897

146.915

108.461

65,99

Bahia

29.016

31.321

33.255

34.324

34.696

38.675

39.742

40.073

47.086

45.569

46.560

38.211

60,46

Alagoas

26.016

25.779

25.738

24.441

24.549

24.539

23.944

23.892

22.102

21.704

21.330

24.003

-18,01

Rio Grande do Norte

17.279

15.000

16.288

20.943

22.130

24.781

25.773

27.418

26.887

31.130

33.742

23.761

95,28

Paraíba

18.618

18.536

18.079

18.522

21.712

22.744

22.887

23.386

25.286

26.818

28.342

22.266

52,23

Sergipe

13.056

14.153

14.043

14.060

16.389

16.214

14.856

15.064

16.384

16.828

16.715

15.251

28,03

Piauí

5.910

6.861

6.586

5.929

6.580

6.998

8.296

10.186

11.323

13.090

13.921

8.698

135,55

39,09

SUDESTE São Paulo

706.517

723.881

723.681

749.651

748.911

789.252

819.148

849.095

864.358

914.296

982.700

806.499

Minas Gerais

283.908

302.026

298.679

294.857

298.744

292.317

287.481

292.067

289.361

302.541

317.067

296.277

11,68

Espírito Santo

122.581

135.299

152.015

165.559

164.325

193.538

200.481

231.294

245.184

264.532

289.747

196.778

136,37

Rio de Janeiro

5.258

5.617

5.480

6.439

5.357

5.531

5.572

6.636

7.021

6.718

6.686

6.029

27,16

SUL Paraná

205.777

213.406

224.338

229.647

259.316

256.969

252.293

258.448

285.314

288.248

292.970

251.521

42,37

Rio Grande do Sul

162.984

178.935

190.073

195.693

209.847

208.947

215.081

226.459

243.255

241.882

261.325

212.226

60,34

Santa Catarina

127.224

132.834

116.558

124.024

132.740

147724

136.111

132.285

141.193

150.208

165.045

136.904

29,73

CENTRO-OESTE Goiás

99.649

115.540

124.187

133.816

139.069

147143

157.322

149.796

152.266

171.689

184.392

143.170

85,04

Mato Grosso

39.499

42.667

69.721

107.035

140.798

164030

169.462

169.562

168.257

170.225

173.856

128.647

340,15

Mato Grosso do Sul

27.392

28.073

32.028

33.932

33.977

34.757

35.249

35.449

37.160

39.752

41.518

34.481

51,57

Distrito Federal

30.357

26.434

18.236

16.526

17.517

16.162

17.040

18.939

18.303

18.649

18.201

19.669

-40,04

Fonte: Elaboração do autor com base nos dados do Sistema IBGE

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Revista do Ovo

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Durante o período de 2010 a 2017, Minas Gerais tem disputado seu lugar no ranking como o primeiro estado exportador, com o Rio Grande do Sul ciou, em dezembro de 2017, a abertura da África do Sul para a importação de ovos in natura e processados (MAPA, 2018). A produção de ovos comerciais, no período de 2010 a 2017, foi destinada quase que em sua totalidade ao mercado interno. Em 2017, 99,74% da produção de ovos in natura foram destinados ao mercado interno e 0,26%, à exportação. Do volume exportado em 2017, 61% foram ovos in natura e 39% ovoprodutos: gema, al-

bumina e ovo integral desidratados (ABPA, 2018). Durante o período de 2010 a 2017, Minas Gerais tem disputado seu lugar no ranking como o primeiro estado exportador, com o Rio Grande do Sul. Essa disputa teve fim a partir do ano de 2014, onde Minas Gerais ocupou a posição do estado que mais exportou ovos no Brasil e permanece neste posto até 2017. A participação de Minas em média é de 47,06% no cenário nacional de exportação de ovos. O maior volume ocorreu no ano de 2015, onde o estado obteve participação de 58,87% do total exportado no Brasil (Tabela 5). O Rio Grande do Sul segue como segundo maior exportador de ovos do Brasil, ocupando o primeiro lugar somente nos anos de 2010, 2011 e 2013, em seguida estão os estados de São Paulo e Mato Grosso. São Paulo teve crescimento de 14,93% nas ex-

portações no ano de 2016, em relação ao ano de 2010. Em 2012 o Brasil teve a maior exportação de ovos in natura, seguidos dos anos de 2015, 2013, 2014 e 2016. No ano de 2017 o Brasil teve a menor exportação de ovos in natura no período analisado (ABPA, 2008-2018). Em 2012, a avicultura enfrentou problemas como aumento nos preços do milho e da soja. No entanto, as exportações brasileiras tiveram aumento devido à alta do dólar em relação ao real (ABPA, 2013). A queda nas exportações principalmente no ano de 2017, se deve ao aumento do consumo interno e a elevação do valor pago ao produtor pelos ovos in natura e industrializados, sendo então, inviável a exportação dos produtos. Em 2017, as exportações de ovos atingiram total de US$ 8.747, que equivalem a 6.045 toneladas, o índice mais baixo entre 2007 a 2017. Os

Revista do Ovo

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Ciência e Pesquisa Tabela 5: Representatividade dos estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São Paulo e Mato Grosso nas exportações brasileiras de ovos de 2007 a 2017 (%)

Anos

Brasil mil ton

Minas Gerais (%)

Rio Grande do Sul (%)

São Paulo (%)

Mato Grosso (%)

2007

10.656

-

-

-

-

2008

36.038

-

-

-

-

2009

36.887

-

-

-

-

2010

27.722

45,65

45,23

8,75

-

2011

16.655

42,30

73,34

10,72

-

2012

26.853

55,52

39,27

1,85

3,14

2013

12.391

51,63

38,76

2,36

7,01

2014

12.213

54,10

38,40

0,70

6,70

2015

18.747

58,87

28,66

8,68

3,70

2016

10.411

40,09

33,48

23,61

2,75

2017

6.045

41,28

40,62

17,96

-

Média

19.511

48,60

42,25

9,37

4,66

Fonte: Elaborado pelo autor com base nos dados dos Relatórios Anuais da ABPA (2008-2018).

países importadores de ovos brasileiro em 2017 foram: Guiné Equatorial, Argentina, Arábia Saudita, Chile, Cuba, Emirados Árabes Unidos, EUA, Japão, Paraguai e Uruguai (ABPA, 20 08 -2018). Os Emirados Árabes Unidos sempre se mantiveram como importadores, embora tenham reduzido em 82% as importações de ovos in natura, ou seja, de 13.534 toneladas em 2015 para 310 toneladas em 2017. No ano de 2017 o Japão aumentou a quantidade importada em 70,61%, com relação ao 2015, passando de 382 para 1.300 toneladas (ABPA, 2008-2018). As maiores dificuldades que o Brasil enfrenta nas exportações são as barreiras não tarifárias (mecanismo protecionistas, que prejudicam diretamente às exportações dos países em desenvolvimento), a falta de reconhecimento do status sanitário e do controle de resíduos nos alimentos. Para o crescimento nas exportações, a avicultura brasileira de postura precisa melhorar o marketing e, ainda, adotar rigoroso sistema sanitário e de vigilância sanitária animal (Amaral et al., 2016).

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Conclusões O país tem demonstrado crescimento contínuo quanto à produção e ao consumo de ovos, entretanto há necessidade de investimento em novas tecnologias, bem como adequação às normas de sanidade e segurança alimentar, e ainda, que as agências responsáveis pela divulgação dos valores nutricionais do ovo junto à população brasileira se tornem mais eficazes e atuem no mercado de ovos in natura. O Brasil possui capacidade para aumentar a produção e a exportação de ovos, bem como o consumo per capita.

Referências Bibliográficas ABPA, Associação Brasileira de Proteína Animal. Relatórios Anuais. Disponível em: < http://abpa-br.com. br/setores/avicultura/publicacoes/relatorios-anuais>. Acessado em: 20 ago. 2018. AMARAL, G.; GUIMARÃES, D.; NASCIMENTO, J.C.; CUSTÓDIO, S. Avicultura de postura: estrutura da

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Revista do Ovo

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do em: 03 ago. 2018. FAO, Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura. Disponível em: <http://www.fao.org/ faostat/es/#data/QL>. Acessado em: 12 dez. 2017. GOMES, M. Brasil bate recorde em produção de ovos e fica em sétimo no ranking mundial. Correio Braziliense. 2017. Disponível em: <https://www. correiobraziliense.com.br/app/noticia/economia/2017/11/13/internas_ economia,640566/brasil-bate-recorde-em-producao-de-ovos-e-fica-em-setimo-no-ranking-mu.shtml>. Acessado em: 04 dez. 2017. HELGILIBRARY. Egg consumption per capita in Turkey. Disponível em: <https://www.helgilibrary.com/indicators/egg-consumption-per-capita/ turkey/>. Acessado em: 12 mai. 2018. INTERNATIONAL EGG COMMISSION. Annual review. 2015. Disponível em: <http://www.internationalegg.com/wp-content/uploads/2015/08/ AnnualReview_2015.pdf> Acessado em: 12 mai. 2018.

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MÓRI, C.; PIZZOLANTE, C.C.; PICCINI, A. Efeito da densidade na gaiola sobre o desempenho de poedeiras comerciais nas fases de cria, recria e produção. Rev. Bras. Zootec., v.34, n.4, p.1320-1328, 2005. SANTOS FILHO, J.I.; MIELE, M.; MARTINS, F.M.; TALAMINI, D.J.D. Os 35 anos que mudaram a avicultura brasileira. In: Sonho, Desafio e Tecnologia EMBRAPA, SC. Livro Técnico CNPSA. Concórdia: Embrapa Suínos e Aves, 2011. p.59-87. SIDRA, Sistema IBGE de Recuperação Automática. Produção de ovos de galinha. Disponível em: <https://sidra.ibge.gov.br/tabela/915>. Acessado em: 23 jul. 2018 SOUTH AFRICAN POULTRY ASSOCIATION. Egg industry stats summary for 2017. 2017. Disponível em: <https://www.sapoultry.co.za/pdf-statistics/Egg-industry-stats-summary. pdf>. Acessado em: 13 jun. 2018. STATISTA. Per capita consumption of eggs in the United States from 2000 to 2018. 2018. Disponível em: <ht-

Revista do Ovo

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Ciência e Pesquisa

O uso de revestimentos a base de proteína de arroz na manutenção da qualidade de ovos armazenados A busca por tecnologias inovadoras que possam auxiliar na manutenção da qualidade interna dos ovos e também trazer melhoria nas propriedades da casca se torna de grande interesse por parte de pesquisadores e também da indústria avícola Paula Gabriela da Silva Pires - Médica Veterinária e doutoranda em Zootecnia (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). paulagabrielapires@yahoo.com.br Ines Andretta – Professora do Departamento de Zootecnia (Universidade Federal do Rio Grande do Sul)

O

s ovos são uma excelente fonte de proteína e estão entre os alimentos mais nutritivos consumidos diariamente (Yuceer e Caner, 2014) por serem ricos em vitaminas, minerais, ácidos graxos e proteínas de excelente valor biológico (Rêgo et al., 2014). No entanto, os ovos são um produto perecível e devem ser mantidos refrigerados desde a produção até o consumo. No Brasil, 92% dos ovos comercializados in natura estão expostos a temperatura ambiente e resfriado apenas na casa do consumidor (Oliveira e Oliveira, 2013), uma vez que a refrigeração dos ovos não é exigida, apenas sugerida durante sua estocagem doméstica, imediatamente após a

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Revista do Ovo

aquisição, conforme Resolução RDC n. 35 de 17 de junho de 2009. Portanto, o prazo de validade dos ovos em relação ao seu estado físico-químico e qualidade microbiológica dependerá de fatores como as condições ambientais de produção, armazenamento, manuseio e processamento. A perda de qualidade é um fenômeno inevitável e contínuo e pode ser agravada por diversos fatores, como a alta umidade e temperatura durante o armazenamento. Quanto maior for o tempo de estocagem, maior é a deterioração da qualidade interna, pela maior movimentação de dióxido de carbono através da casca, principalmente em temperatura ambiente (Oliveira & Oliveira,

2013). Outro fator importante que pode acelerar a deterioração dos ovos e que ainda gera dúvidas ao consumidor é a lavagem dos ovos. A lavagem dos ovos é um tema controverso no que diz respeito à qualidade dos ovos, uma vez que ainda se questiona o seu efeito e a ação dos desinfetantes sobre a casca do ovo, que se torna mais frágil e suscetível à contaminação após esse procedimento. O processo de lavagem pode remover ou danificar a cutícula externa que recobre a casca. Liu et al., (2016) observaram através do método de microscopia eletrônica de varredura, que as cascas de ovos submetidos ao processo de lavagem e desinfecção sofreram alterações significativas em sua es-


trutura, como a remoção da cutícula protetora que envolve a casca do ovo. A Portaria N° 01 de 21 de fevereiro de 1990 do Ministério da Agricultura Pecuária e Desenvolvimento recomenda a lavagem dos ovos previamente à quebra e adverte que a lavagem e secagem devem ser feitas por meios mecânicos com procedimentos que impeçam a penetração microbiana para o interior do ovo (MAPA, 1990). Os Estados Unidos da América, o Japão e a Austrália também adotam procedimentos de lavagem de ovos, enquanto muitos países - incluindo o Reino Unido e a União Europeia - têm resistido à prática (Jones, 2018). Nesse sentido, a busca por tecnologias inovadoras que possam auxiliar na manutenção da qualidade interna dos ovos e também trazer melhoria nas propriedades da casca se torna de grande interesse por parte de pesquisadores e também da indústria avícola. As vantagens da utilização dos revestimentos podem ser justificadas pela capacidade de proteger os alimentos mecanicamente, já que atuam principalmente como barreira a gases e vapor de água, diminuindo a degradação e aumentando a vida de prateleira dos alimentos, além de atuarem como carreadores de compostos antimicrobianos, antioxidantes, entre outros (Maia et al., 2000). Estudos anteriores avaliaram as melhorias para a qualidade interior e também a redução de quebra da casca do ovo após a aplicação revestimentos (Xie, 2002; Caner, 2005; Câncer & Cansiz, 2008). Reduzir a quebra de ovos é um importante fator, uma vez que o aumento da resistência da casca irá diminuir potencialmente o número de ovos trincados e resultar em economia significativa para a indústria (Caner, 2015). Revestimentos de proteína isolada de soja (Biladeau & Keener, 2009), proteína isolada ou concentrada do soro de leite (Caner, 2005) e zeína (Caner & Yuceer, 2015) podem auxiliar na manutenção da qualidade interna de ovos

durante o armazenamento em temperatura ambiente por longos períodos.

Revestimento de proteína concentrada de arroz (PCA) na manutenção da qualidade interna de ovos armazenados Apesar da diversidade de matérias-primas já disponíveis, o desenvolvimento de revestimentos a partir de subprodutos é uma alternativa economicamente interessante para a indústria. Nesse contexto, os subprodutos do arroz merecem destaque devido à sua disponibilidade em muitos países, como o Brasil, onde o arroz colhido de fevereiro a agosto (2017) foi estimado em um nível de 12,3 milhões de toneladas (FAO, 2017). Estudos descrevem o uso de proteína de arroz como matéria-prima para a preparação de um revestimento comestível para produtos alimentícios (Dias et al., 2010; Das et al., 2013). O uso de óleo de farelo de arroz também foi estudado e pesquisas anteriores sugerem seu efeito na preservação da qualidade interna de ovos crus (Nongtaodum et al., 2013). No entanto, nenhum relato do uso de revestimentos à base de proteína de arroz para ovos foi encontrado. O objetivo do estudo realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul foi, portanto, avaliar a qualidade interna, a resistência e as alterações morfológicas da casca após a aplicação do revestimento proteico de arroz de diferentes concentrações (5, 10 e 15%) em ovos após 8 semanas de armazenamento em condições ambientais (20 ◦C). No estudo foi observado que a perda de peso dos ovos aumentou (P < 0,001) durante o período de armazenamento a longo prazo e os ovos não-revestidos apresentaram a maior perda de peso (8,28%), enquanto que os ovos revestidos com proteína de arroz nas soluções 5% (5,60%), 10% (5,45%), 15% (5,54%) foram eficazes na prevenção de perda de peso (P < 0,001). A perda de peso durante a estocagem é uma medida importante

As vantagens da utilização dos revestimentos podem ser justificadas pela capacidade de proteger os alimentos mecanicamente, já que atuam principalmente como barreira a gases e vapor de água, diminuindo a degradação e aumentando a vida de prateleira dos alimentos

Revista do Ovo

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Ciência e Pesquisa

Figura 1. Microscopia eletrônica de varredura (× 750) de casca de ovo não revestida e ovos revestidos com proteína concentrada de arroz após 8 semanas de armazenamento

Figura 2. Avaliação do frescor dos ovos. A: Ovo fresco; B: Ovo não revestido após 21 dias de armazenamento; C: Ovo revestindo com 15% de proteína concentrada de arroz após 21 dias de armazenamento

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para monitorar as mudanças na qualidade da casca dos ovos frescos, uma vez que a diminuição de peso ocorre devido à transferência de umidade do albúmen para o ambiente externo por meio da casca (Scott e Silversides, 2000). A perda de qualidade do albúmen e da gema também foi influenciada pela capacidade do revestimento em bloquear os poros na superfície da casca (conforme pode ser visualizado na Figura 1). Em geral, os efeitos de revestimentos em albúmen e gemas são favoráveis, indicando que o uso de revestimento baseado em PCA pode ser uma alternativa viável para manter a qualidade interna dos ovos (Figura 2). Os ovos revestidos apresentaram maiores valores de Unidade Haugh durante todo o período de armazenamento quando comparados aos ovos não revestidos (Figura 3). Após 8 semanas de armazenamento, o índice da gema (IG) do ovos não revestidos diminuíram de 0,43 para 0,28, enquanto ovos revestidos com 5, 10 ou 15% de proteína de arroz apresentaram valores de IG de0,31, 0,32 e 0,32, respectivamente, no final do período de estocagem. O uso do revestimento também teve influencia sobre o pH do albúmen , sendo possível observar a diferença entre os tratamentos já na segunda semana de armazenamento. A determinação do pH do albúmen é uma medida adequada para avaliar o frescor dos ovos, uma vez que, há menor influência de fatores como a linhagem e idade da poedeira (Silversides & Scott, 2001).


Em resumo, o uso do revestimento com diferentes percentagens de PCA, especialmente 10 e 15%, é uma maneira eficaz de preservar a qualidade interna dos ovos na temperatura ambiente. Esses fatos podem ajudar a indústria de ovos a diminuir as perdas econômicas durante o armazenamento. Futuros estudos são necessários para verificar o uso de revestimentos à base de PCA associados à presença de agentes antimicrobianos ativos, a fim de minimizar a contaminação por microrganismos.

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Em 2017, as exportações brasileiras para ovos in natura e industrializados obtiveram resultado inexpressivo, representando 0,26% do total produzido, mas há expectativas de melhorias para 2018, com abertura de novos mercados

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Ciência e Pesquisa

Figura 3. Valores de Unidade Haugh conforme tempo de armazenamento. PCA: Proteína concentrada de arroz

Figura 4. Ovos logo após a aplicação dos revestimentos

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p.213-219, 2010. FAO- Food and Agriculture Organization of the United Nations. 2017 http://faostat.fao.org. Accessed Jan. 2019. FIGUEIREDO, T. C. et al. HPLC-UV method validation for the identification and quantification of bioactive amines in commercial eggs. Talanta, Oxford, v.142, p.240-245, 2015. JONES, D. R., G. E. WARD, P. REGMI., KARCHE, D. M. Impact of egg handling and conditions during extended storage on egg quality. Poultry Science. v.97, p.716-723. 2018. LIU, Y., T. CHEN, Y. WU, Y. LEE, F. TAN. Effects of egg washing and storage temperature on the quality of eggshell cuticle and eggs. Food Chemistry, v.211, p.687-693, 2016. MAIA, L. H.; PORTE, A.; SOUZA, V. F. Filmes comestíveis: aspectos gerais, propriedades de barreira a umidade e oxigênio. Boletim do Centro de Pesquisa de Processamento de Alimentos, Curitiba, v.18 n.1 p.105-128, 2000. OLIVEIRA, B. L.; OLIVEIRA, D. D. Qualidade e tecnologia de ovos. Lavras: Ed. UFLA, 2013. REGO, I. O. P., L. D. M. MENEZES, T. C. FIGUEIREDO, D. D. OLIVEIRA, J. S. R. ROCHA, L. J. C. LARA, A. L. LIMA, M. R. SOUZA, S. V. CANCADO. Bioactive amines and microbiological quality in pasteurized and refrigerated liquid whole egg. Poultry Science. v.93 p.10181022, 2014. SCOTT, T., SILVERSIDES, F. G. The effect of storage and strain of hen on egg quality. Poultry science. v.79 p.1725-1729, 2000. SILVERSIDES, F., SCOTT, T. Effect of storage and layer age on quality of eggs from two lines of hens. Poultry Science. v.80 p.1240-1245, 2001. XIE, L, et al. Edible film coating to minimize eggshell breakage and reduce post-wash bacterial contamination measured by dye penetration in eggs. Journal of Food Science, Chicago, v.67 p.280-284, 2002. YUCEER, M., C. CANER. Antimicrobial lysozyme-chitosan coatings affect functional properties and shelf life of chicken eggs during storage. Journal Science and Food Agriculture. v.94 p.153-162, 2014.


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Empresas

Grupo Mantiqueira comemora conquista do selo ‘eureciclo’ A certificação comprova que a marca colabora na compensação ambiental de suas embalagens através de logística reversa Ovos ganharam carimbo com o logo da marca envolto por um coração, graças ao uso de uma nova tecnologia para impressão com tinta atóxica

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esde o início de 2019, os ovos especiais Mantiqueira exibirão o selo ‘eureciclo’ em suas embalagens, reafirmando o compromisso da marca com a sustentabilidade e responsabilidade com o meio ambiente. O selo, que exibe um sorriso, traduz a gratidão do meio ambiente e atesta que a Mantiqueira faz a compensação ambiental das embalagens colocadas no mercado; contribuindo com o fortalecimento do movimento sustentável e cumprindo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos. A certificação comprova que a marca colabora na compensação ambiental de suas embalagens através de logística reversa, destinando recursos para operações das cooperativas de reciclagem, retirando do meio ambiente a quantidade equivalente de material utilizado nas embalagens de seus produtos. A iniciativa da Mantiqueira em aderir ao selo Eu

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Reciclo vai ao encontro da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) para reduzir em 22% a emissão de massa destinada a aterros sanitários. Através dessa certificação, a Mantiqueira irá realizar a compensação ambiental de 83.446 TON de plástico e 110.288 TON de papel provenientes de suas embalagens correspondente aos anos de 2018 e 2019. O processo é feito através de uma plataforma de rastreamento e armazenamento de dados da cadeia de reciclagem da empresa pela New Hope Ecotech. A empresa idealizadora e criadora do ‘eureciclo’ é líder no setor de tecnologias de gestão de resíduos sólidos no Brasil e tem como missão servir de ponte entre as empresas e cooperativas de reciclagem. “Estamos muito felizes com o selo que reforça o comprometimento da Mantiqueira com o meio ambiente, contribuindo para o desenvolvimento do setor de reciclagem no Brasil, além de promover um impacto positivo na edu-

cação e conscientização ambiental de nossos consumidores, parceiros e fornecedores”, explica Leandro Pinto, sócio-fundador do Grupo Mantiqueira. A iniciativa vai ao encontro da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que determinou que o Brasil reduzisse a massa destinada a aterros sanitários em 22% até 2015 e 45% até 2031. A medida atraiu mais de 400 marcas certificadas. Os recursos são destinados para a operação das cooperativas de reciclagem, retirando do meio ambiente a quantidade equivalente de material utilizado nas embalagens dos produtos. As embalagens de ovos especiais virão com o selo do Eu Reciclo para que o consumidor tenha conhecimento da destinação de seus resíduos sólidos. As embalagens representam boa parte da produção de resíduos sólidos, perde apenas para os dejetos das galinhas que também são transformados em condicionador de solo orgânico, através da Solobom. Além disso, outras iniciativas importantes marcaram o início do ano para a marca. Uma delas é o uso de embalagens repaginadas e sustentáveis (em polpa de papel) nas linhas de ovos especiais, a exemplo dos Happy Eggs (livres de gaiola), Gourmet e Caipira Orgânico. E nestes produtos, os ovos ganharam um carimbo com o logo da marca envolto por um coração, graças ao uso de uma nova tecnologia para impressão dos ovos em tinta atóxica. A ideia é reforçar os valores e pilares do grupo, mostrando o amor e a qualidade com que cada ovo é produzido.


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Artigo Técnico-Comercial

Nutrição aminoacídica da poedeira moderna Como atingir 100 semanas de produção com qualidade Diogo Gambaro, gerente de produtos para aves de postura na Agroceres Multimix

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a mesma forma que a tecnologia - a cada ano - evolui exponencialmente, com a genética das poedeiras não é diferente. As aves de 5 anos atrás já não são mais as mesmas de hoje. As casas genéticas investem pesado nos processos da seleção genética, para desenvolver aves com: melhor conversão alimentar, maior persistência de postura, melhor qualidade de casca e maior resistência a doenças. Além de mais produtivas, as aves estão mais longevas. Há quinze anos, os lotes eram descartados por volta de 80 semanas de idade com, aproximadamente, 355 ovos por ave alojada. Atualmente, não é raro encontrar lotes ultrapassando as 100 semanas de idade com excelentes índices produtivos. O maior ganho genético em ovos por ave alojada se dá a partir da segunda metade do ciclo produtivo (55 semanas de idade), ou seja, as linhagens estão melhorando a persistência de postura.

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Revista do Ovo

Tendo em vista toda essa evolução do potencial genético, a nutrição, que antes já tinha um peso enorme sobre o “ótimo desempenho produtivo”, passou a ser ainda mais relevante e desafiadora. Quanto mais alongamos a vida produtiva e melhoramos a conversão alimentar, mais aumentamos a importância da nutrição na atividade, ou seja, as aves estão produzindo mais e consumindo menos. Consequentemente, a importância em se trabalhar com dietas bem ajustadas à realidade do momento da ave, aumenta. Pensando pelo lado nutricional, temos basicamente 5 pontos importantes para garantir que a ave tenha uma vida produtiva longeva e com ovos de qualidade: 1. Cria e recria – É essencial que a ave tenha um desenvolvimento corporal e fisiológico adequado;

2. Manutenção do escore corporal na fase de produção – Garantir que a ave não utilize demasiadamente sua reserva corporal ao longo da vida produtiva, garantindo uma boa persistência de postura nas fases finais de produção; 3. Saúde hepática – O fígado é o responsável pelo metabolismo de nutrientes, além de participar ativamente no metabolismo do cálcio para síntese de casca; 4. Saúde intestinal – Manter o intestino íntegro para garantir uma boa absorção dos nutrientes; 5. Controle do peso do ovo – Ajustar corretamente as dietas, baseado em dados de produção e peso do ovo, em cada fase de produção, para evitar o aumento exagerado do peso do ovo e garantir uma boa qualidade de casca nas fases finais. Se pensarmos que a galinha de hoje possui uma maior produção de

Figura1. Influência da metionina+cistina digestível na dieta de poedeiras comerciais brancas (de 20 a 50 semanas).


massa de ovos ao longo de sua vida, além de uma grande persistência de postura, podemos afirmar que essa ave possui um metabolismo de nutrientes muito maior do que de suas antepassadas, principalmente da parte aminoacídica. As aves mais produtivas metabolizam uma maior quantidade de proteína e aminoácidos para manter a produção elevada. Para conseguirmos ultrapassar as 100 semanas de idade com bons resultados produtivos e, principalmente, com boa qualidade de casca é importante pensarmos na exigência aminoacídica da poedeira moderna. Sabemos que os aminoácidos são substâncias orgânicas vitais para quase todos os processos metabólicos do organismo, pois participam da síntese proteica, do sistema imunológico, da sínteses enzimáticas e das enzimas, dos hormônios do crescimento e reprodução, do metabolismo de cálcio, da manutenção e reparo de tecidos, possuem funções estruturais, atuam no transporte de nutrientes (hemoglobina e mioglobina), coagulação, entre outras coisas. Diariamente, a ave mobiliza uma grande quantidade, e diversidade, de aminoácidos obtidos da dieta e também de sua reserva corporal, principalmente do músculo peitoral que funciona como uma reserva de aminoácidos para manter a síntese proteica e, consequentemente, a produção de ovos. Para conseguirmos atingir as 100 semanas com boa persistência de postura é essencial que as dietas fornecidas estejam balanceadas e adequadas à cada fase de vida da poedeira. A metionina é o primeiro aminoácido limitante para poedeiras. Trata-se de um aminoácido sulfurado que além de atuar em diversos mecanismos fisiológicos através da doação de grupos metil, também possui funções estruturais e pode ser transformada em cisteína, que é o aminoácido encontrado em maior quantidade nas penas. As aves de antigamente tinham uma resposta muito sensível aos aumentos de metionina das dietas, principalmente na fase de pico de postura. A utilização de dietas com ní-

Fonte: Adaptado do Guia de Manejo Hy-Line (2016) veis elevados aumentava o risco de problemas de excesso de peso de ovo e, consequentemente, prolapsos. Esse receio ainda existe, porém, atualmente, diversos experimentos de dose-resposta para os AAS têm mostrado que as linhagens atuais possuem uma exigência maior desse aminoácido para a produção de ovos e, além disso, seu efeito no aumento do peso do ovo foi reduzido. A possibilidade de se trabalhar com níveis mais elevados de AAS no início de produção é uma das estratégias que contribui para preservar o escore corporal da ave e, consequentemente, melhorar sua persistência de postura e longevidade de produção nas fases finais. Pensando na nutrição aminoacídica de poedeiras, um dos pontos mais críticos seria o período de 18 a 26 semanas de idade, pois nessa fase a poedeira ainda não atingiu sua capacidade máxima de consumo de ração, ou seja, a ave está em um período de aumento de produção, com consumo de ração ainda limitado e, além disso, na fase final de crescimento corporal. Esse é o período mais crítico e decisivo para que consigamos atingir bons resultados de persistência de postura. Nesse momento, precisamos ficar atentos com o escore corporal de gordura e, principalmente, muscular das aves. Se não conseguimos fornecer a

dieta adequada, certamente não teremos boa persistência e, consequentemente, o número de ovos/ave alojada ficará abaixo do preconizado pelos manuais. Trabalhar com mais fases de rações no terço inicial de produção (18 a 40 semanas de idade) pode ser uma boa alternativa. Essa estratégia facilita a adequação de todos os nutrientes em função do consumo real da ave. Quanto maior o número de rações utilizadas, mais fácil fica atender a exigência das aves. Porém, sabemos da dificuldade logística de algumas fábricas ao se trabalhar com número elevado de raçoes, portanto, neste caso, o recomendado é trabalhar pelo menos com uma ração específica para esse período crítico (19 a 26 semanas). A fração proteica das dietas é apenas um dos diversos pontos da nutrição que influencia nos resultados zootécnicos das linhagens modernas. Hoje, com a disponibilidade dos diversos aminoácidos cristalinos (metionina, lisina, treonina, triptofano, valina), é possível ajustar adequadamente as formulações para garantir o bom desempenho produtivo. Outros assuntos, como: exigência energética, exigências vitamínicas e minerais, também devem ser ajustados para buscar o ótimo desempenho. Revista do Ovo

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Empresa

agVit

Linha de suplementos vitamínicos da Agroceres Multimix atua diretamente na redução do estresse das aves A Linha agVit proporciona aporte vitamínico às aves, além de fornecer outros nutrientes essenciais para o seu desenvolvimento

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odo e qualquer investimento realizado para aprimorar a produção de frangos e ovos, deve levar em consideração a praticidade e o retorno financeiro a médio e curto prazo. Seguindo essas exigências, a Agroceres Multimix desenvolveu a Linha agVit, que é composta por dois suplementos vitamínicos, desenvolvidos para serem diluídos em água de bebida. Marcelo Torretta, gerente nacional de aves da Agroceres Multimix, evidencia os desafios da produção e a proposta de valor da nova linha. “Sabemos que as aves estressadas produzem menos e temos diversos fatores que potencializam esse problema. Transporte, alojamento, vacinações, seleções, transferência, debicagem, tudo isso interfere diretamente no desempenho das aves, sem contar o estresse térmico e a formação de amônia. A Linha agVit proporciona aporte vitamínico às aves, além de fornecer outros nutrientes essenciais para o seu desenvolvimento, evitando assim, surpresas indesejáveis na produção”, explica. Seja para aves de corte, matrizes pesadas ou postura comercial, os suplementos vitamínicos surgem como uma alternativa ideal para evitar que a ingestão diária de vitaminas seja reduzida com o consumo de ração comprometido. Linha agVit. Força e vigor para vencer os desafios de produção. Saiba mais em: http://www.agroceresmultimix.com.br/blog/agvit/

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Empresas

Orffa do Brasil reforça equipe com a contratação de Sonia Bazan Sonia Bazan é uma profissional com ampla atuação em marketing e vendas diretas ao consumidor

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Orffa do Brasil anunciou a contratação da especialista em Marketing e Vendas Sonia Bazan para integrar sua equipe. Ela atuou, por 22 anos como Gerente de Produtos na linha de nutrição animal, para produção de ovos Enriquecidos com ômega 3, Vitamina E, Selênio, Vitamina D, Zinco e outros, tendo como responsabilidade o acompanhamento e fidelização dos clientes, no mercado nacional também no Panamá e Bolívia , desenvolvendo ações de divulgação em toda mídia impressa e digital, ações de incremento de vendas, posicionamento do produto e também no desenvolvimento de novos produtos.

De acordo com Gerente Geral da Orffa do Brasil, Marcos Banov, apesar de estar há seis anos atuando no Brasil, 2019 será o terceiro ano da Orffa como uma subsidiária (entidade jurídica) devidamente instalada no Brasil. “Iniciamos em 2013 com algumas representações e distribuições terceirizadas e a partir de 2017 fundamos a Orffa do Brasil, no Estado de São Paulo, visando aumentar nosso alcance dos principais mercados de produção animal. Nosso plano para este ano é ampliar a rede de representantes técnico-comerciais para os principais centros de produção”, detalhou. Novamente investindo em pessoas, a Orffa caminha fortemente

Sonia Bazan atuou, por 22 anos como Gerente de Produtos na linha de nutrição animal

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para ocupar mais áreas com a prestação de serviços e fornecimento de produtos. “Em 05 anos pretendemos estar entre as principais empresas fornecedoras de aditivos para nutrição animal atuante no Brasil. Queremos ser uma empresa reconhecida no mercado pelo alto nível tecnológico dos seus produtos, associado ao dinamismo, entusiasmo, profissionalismo e alegria das pessoas que trabalham nela”, finalizou. Sonia Bazan atuará em todo Brasil e será ligada a contas especiais da empresa. Veja na sequência como será a atuação de Sonia Bazan na Orffa, seus projetos e sobre a comercialização de ovos no Brasil. Quais são os seus principais projetos para a atuação na Orffa? Trabalhar com diferencial de atendimento, levando soluções e produtos de qualidade ao produtor, direcionando esforços para ampliação da participação da Orffa do Brasil no mercado brasileiro com foco na produtividade, eficiência, qualidade e sustentabilidade. Em qual região atuará? No Estado de São Paulo e em algumas contas chaves pelo Brasil, sempre focada na produção de ovos. Como a empresa europeia está analisando o atual momento do mercado avícola brasileiro? Desafiador, mas vale a pena lembrar que grandeza da avicultura brasileira é visível na sua atuação, re-


Marcos Banov

“A Orffa possui mais de 50 anos de experiência e o know how adquirido ao longo destes anos possibilitou que trouxéssemos ao Brasil o que há de melhor em tecnologia de aditivos para a produção animal, existente na Europa”. sultados e eficiência garantindo que produto avícola do Brasil chegue a mesa de consumidores pelos cinco continentes. Toda atuação, apesar da transição de governo e dificuldades sinaliza o enorme potencial. Com quais produtos você atuará? Alliin Plus - Alternativa natural aos promotores de crescimento, Selenium 4000 - A nova geração de Selênio Orgânico, Energy Plus – Emulsificante Nutricional, Beta-Key – Fonte econômica e eficaz da Betaína HCL e Toxin A e Toxin Plus – Linha de adsorvente de micotoxinas. Em sua opinião, em que os produtos da empresa se diferem para atuação em avicultura? Os produtos Orffa significam qualidade excepcional, bem como a eficiência comprovada e documentada. A Orffa está sediada na Europa desde 1967. São mais de 50 anos dedicados ao fornecimento de Aditivos para Nutrição Animal, reconhecidas pelo mundo, atuante em mais de 75 países.

Você é uma profissional com ampla atuação em marketing e vendas diretas ao consumidor. O que falta para o mercado de ovos crescer no Brasil e aumentar o consumo de ovos? Grandes passos já foram dados, de acordo com a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) o consumo de ovos per capita no Brasil em 2018 alcançou 212 unidades, 10,4% maior que as 192 unidades registradas em 2017. Apesar do forte crescimento, o consumo brasileiro ainda está relativamente baixo, em comparação com outros países. A informação direta ao consumidor sobre os benefícios do ovo e a sua desmistificação , além de informações direcionadas aos médicos e formadores de opinião , com certeza poderão ao longo do tempo contribuir para elevação e ascensão deste aumento de consumo. Como você avalia o trato que as principais redes supermercadistas dão ao setor de

ovos? Como é possível melhorar? Em 2018 chegamos a aproximadamente 89.369 lojas de auto serviço alimentar brasileiro, com uma área de vendas aproximada de 21,94 (m2/milhões). Enorme potencial para exposição de produtos, informações, proximidade com o consumidor. A maioria das redes, no momento, estão preocupadas com novas tendências de produção de ovos visando o bem estar da ave, mas não disponibilizam esforços para levar informações sobre produto de maneira geral, seus benefícios sua eficácia, formalizando parcerias viáveis junto a produtor fornecedor para que o seu produto esteja bem posicionado e esteja mais próximo do consumidor. Acredito em formas de crescimento vindas diretamente da área de vendas com trabalhos organizados voltados a informação e melhor posicionamento deste produto altamente saudável, rico e necessário para a nossa saúde. Revista do Ovo

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Pesquisas

Nutriad e Adisseo divulgam dados de pesquisa sobre micotoxinas em milho no Brasil Trabalho produzido por Radka Borutova, responsável global pelo Gerenciamento de Micotoxinas da Adisseo, destaca estratégia eficaz para manter o risco de micotoxinas baixo sob todas e quaisquer condições

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Figura 1: Milho colhido no Brasil, 2018

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Revista do Ovo

icotoxinas são metabólitos secundários produzidos por fungos filamentosos que causam resposta tóxica (micotoxicose) quanto ingeridos por animais de criação e animais de companhia. Fusarium, Aspergillus, e Penicillium são os fungos mais comuns que produzem tais toxinas. Eles contaminam alimentos tanto para humanos quanto para animais por meio do crescimento fúngico antes e durante a colheita, ou se perante armazenamento inadequado (Bhatnagar et al., 2004). A Pesquisa de Micotoxinas da Nutriad/Adisseo incluiu 120 amostras de milho da safrinha, em todo o Brasil. As amostragens foram realizadas em vários estados do Brasil, incluindo Pará, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul. O objetivo do trabalho foi obter informações sobre a incidência de aflatoxina B1 (AfB1), zearalenona (ZEN), deoxynivalenol (DON) e fumonisina B1 (FB1). As amostras de milho foram coletadas diretamente em armazéns e fábricas de ração conforme os princípios de amostragem indicados na literatura (Richard, 2000). Todas as 120 amostras foram coletadas quase imediatamente após a colheita. Um total de 480 análises foram realizadas para testar a ocorrência de 4 das micotoxinas mais

frequentemente encontradas em commodities agrícolas destinadas à produção animal. Para quantificação das micotoxinas foi utilizado o Kit RIDA® Quick Scan da R-Biopharm. Para fins de análise de dados, os níveis de não-detecção foram baseados nos limites de quantificação (LQ) do método de teste para cada micotoxina: AfB1 <4 μg/kg; ZEN <50 μg/kg; DON <0.5 mg/ kg e FB1 <0.3 mg/kg.

Resultados Os resultados mostraram que 58.3% das amostras de milho estavam contaminadas com FB1, e a maior concentração encontrada em uma única amostra foi de 9400 μg/kg. A concentração média de FB1 foi de 2660 μg/kg, uma concentração relativamente alta, especialmente quando fornecida a suínos ou equinos, espécies muito sensíveis. Apenas 0,8% das amostras continham DON e ZEN, uma incidência de contaminação inesperadamente baixa. As concentrações médias detectadas de DON e ZEN foram baixas. A maior concentração de DON encontrada em uma das amostras foi de 500 μg/kg. Conforme esperado, os resultados mostraram que 4,2% das amostras de milho estavam contaminadas com AfB1, e a maior concentração encontrada em uma única amostra foi de 23.49 μg/kg (Tabela 1, Figura 1).


Tabela 1 – Contaminação do milho por micotoxinas no Brasil

Conclusão Os principais cultivos agrícolas da América Latina (milho, trigo, café, algodão, soja, cevada, girassol, amendoim, cacau e produtos lácteos) são altamente suscetíveis à contaminação por fungos e produção de micotoxinas (Pineiro, 2004). Dezenove países, que correspondem a 91% da população da região, são conhecidos por terem regulamentações específicas sobre micotoxinas. Existem regulamentações harmonizadas para aflatoxinas no MERCOSUL, um bloco comercial formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Outros países afirmaram que também seguem as regulamentações do MERCOSUL. As regulamentações para aflatoxinas nos alimentos são frequentemente definidas

pela soma das aflatoxinas B1, B2, G1 e G2. O limite para aflatoxina B1 em qualquer matéria-prima a ser utilizada diretamente ou como ingrediente para rações destinadas ao consumo animal é de 50 μg/kg (FAO, 2004). Nesta pesquisa, o limite regulatório da aflatoxina B1 não foi excedido em nenhuma das amostras analisadas. A Pesquisa de Micotoxinas da Nutriad/Adisseo 2018 concluiu que a colheita da safrinha de milho de 2018 no Brasil foi de qualidade media (>LOD, mas abaixo do nível regulatório do MERCOSUL) em termos de contaminação por micotoxinas. Com base nos resultados da pesquisa realizada imediatamente após a colheita de milho de 2018, a safrinha de milho de 2018 no Brasil não pode ser consi-

O objetivo do trabalho foi obter informações sobre a incidência de aflatoxina B1 (AfB1), zearalenona (ZEN), deoxynivalenol (DON) e fumonisina B1 (FB1). Revista do Ovo

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Pesquisas

Figura 1 – Porcentagens de amostras positivas

AfB1=aflatoxina B1; DON=deoxynivalenol; FB1=fumonisina B1; ZEN=zearalenona

A Pesquisa de Micotoxinas da Nutriad/Adisseo incluiu 120 amostras de milho da safrinha, em todo o Brasil. As amostragens foram realizadas em vários estados do Brasil, incluindo Pará, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul 44 Revista do Ovo

derada segura para a inclusão em rações para todas as espécies animais, e um grau de vigilância seria prudente. Uma atenção especial deve ser dada à alta concentração média de FB1, encontrada em mais de 50% das amostras, e à concentração máxima recuperada, que atingiu 9400 μg/kg. O monitoramento é sempre aconselhável, pois os cereais em alimentos para animais são originários de muitas fontes. Alguns cereais colhidos nos Estados Unidos em 2018 estavam contaminados com concentrações médias a altas de micotoxinas. A última linha de defesa possível é a desintoxicação de micotoxinas in vivo. A adição de desativadores de micotoxinas comprovados a rações é um método bastante comum para prevenção de micotoxicoses, e é uma estratégia eficaz para manter o risco de micotoxinas baixo sob todas e quaisquer condições. A Nutriad/Adisseo fornece produtos e serviços para mais de 80 países, através de uma rede de escritórios de venda e distribuidores. Estes são apoiados por 4 laboratórios dedi-

cados e 5 fábricas em 3 continentes. Saiba mais em http://nutriad.com/

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Análise

Em fevereiro, mercado de ovos sinaliza recuperação A mortalidade das galinhas (devido ao calor) e a realização de muda forçada por parte dos granjeiros diminuíram a oferta de ovos Juliana Ferraz, Maristela de Mello Martins e Sergio De Zen Equipe de Ovos, Aves e Suínos do Cepea/Esalq/USP

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m janeiro, os preços recebidos pelos produtores de ovos de galinha recuaram de forma contínua como reflexo da menor procura pela proteína e, ao mesmo tempo, do alto volume produzido pelos granjeiros. É válido lembrar que o segundo semestre de 2018 foi marcado pela queda expressiva nas cotações do produto, uma vez que nem o consumo doméstico nem o maior volume exportado foram suficientes para enxugar a disponibilidade de ovos no Brasil. Na maior região produtora, Bastos (SP), a caixa com 30 dúzias do

ovo branco, tipo extra, teve preço médio de R$ 56,28 em janeiro, valor 13,6% inferior àquele praticado em dezembro/18. Para o produto vermelho, a queda foi de 7,7% no mesmo comparativo, a R$ 67,76/cx em janeiro. Em relação ao mesmo período de 2018, as cotações tiveram queda de 10,6% para o ovo branco e de 6,4% para o vermelho, em termos nominais. Quanto ao produto entregue no Rio de Janeiro (RJ), as retrações foram de 12,3% e 7,2% para o produto branco e para o vermelho, respectivamente, com médias de R$ 64,05/

cx e R$ 75,63/cx. No comparativo anual, as baixas foram de 10,4% para o ovo branco e de 5,9% para o vermelho, também em termos nominais. O movimento baixista, no entanto, foi revertido no correr de fevereiro, quando a mortalidade das galinhas (devido ao calor) e a realização de muda forçada por parte dos granjeiros diminuíram a oferta de ovos. Ao mesmo tempo, o final das férias escolares aqueceu a procura pela proteína, uma vez que ela é utilizada como ingrediente na merenda.

Revista do Ovo

45


Análise

Nesse cenário, os preços tiveram recuperação expressiva em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea. Em Bastos (SP), na parcial de fevereiro (até o dia 15), a valorização do ovo branco foi de 38% frente ao mês anterior, a R$ 77,44/cx. Quanto ao produto vermelho, o avanço nos preços foi ainda mais expressivo, de 46%, a R$ 98,99/cx na primeira quinzena de fevereiro. Para o ovo entregue no Rio de Janeiro (RJ), as cotações foram de R$ 85,00/cx para o branco e de R$ 105,00/cx para o vermelho, altas de 33% e de 39%, na mesma ordem. Na região paulista, o preço do ovo branco na parcial de fevereiro é o maior desde junho/18, quando o mercado estava em alta, em consequência dos efeitos da paralisação dos caminhoneiros; já para o verme-

46 Revista do Ovo

lho, as cotações são as maiores desde março/18, período em que a procura pela proteína se intensificou devido à Quaresma. INSUMOS – As contínuas altas no preço do ovo no correr de fevereiro (até o dia 15) contribuíram significativamente para que o avicultor de postura paulista registrasse recuperação no seu poder de compra. Na primeira quinzena de fevereiro, a saca de 60 quilos de milho negociada em Campinas (SP) se valorizou 3,2% frente ao mês anterior, a R$ 39,17. Por outro lado, quanto ao farelo de soja, na mesma região, os preços recuaram 2% no mesmo comparativo, passando para R$ 1.219,29/tonelada. Mesmo com a valorização do cereal, produtores paulistas consegui-

ram aumentar em 33% a quantidade comprada do insumo frente a janeiro. Na parcial de fevereiro, avicultores compraram até 118,6 quilos de milho com a venda de uma caixa com 30 dúzias de ovos brancos, tipo extra, em Bastos (SP); no primeiro mês do ano, essa quantidade era de até 88,9 quilos – a menor de toda a série histórica do Cepea (iniciada em maio/2013). Quanto ao farelo de soja, ainda na região paulista, a recuperação no poder de compra foi mais expressiva, de 40% entre janeiro e fevereiro. Na primeira quinzena do segundo mês do ano, o avicultor comprou até 63,5 quilos do derivado com a venda de uma caixa com 30 dúzias do produto branco, tipo extra; em janeiro, a quantidade adquirida do insumo era de até 45,2 quilos.


Estatísticas e Preços Pintainhas de postura comercial

Quase 10% de aumento no ano

A

EVOLUÇÃO MENSAL (OVOS BRANCOS E VERMELHOS) - MILHÕES DE CABEÇAS

PINTAINHAS COMERCIAIS DE POSTURA

% OVO BRANCO

MÊS

2017

2018

VAR.%

2017

2018

Jan

7,769

10,377

33,56%

80,58%

80,61%

Fev

7,253

9,082

25,23%

84,08%

79,15%

Mar

8,380

10,034

19,74%

82,87%

78,84%

Abr

8,653

10,111

16,85%

81,31%

81,46%

Mai

9,396

9,996

6,38%

79,56%

80,17%

Jun

9,043

8,476

-6,27%

79,73%

79,50%

Jul

8,671

9,432

8,77%

78,36%

80,31%

Ago

9,427

10,205

8,26%

80,37%

79,56%

Set

9,634

9,241

-4,08%

79,48%

80,85%

Out

9,495

10,209

7,51%

78,30%

79,57%

Nov

9,510

9,816

3,22%

80,82%

77,89%

Dez

8,361

8,577

2,59%

81,02%

77,74%

1º Semestre

50,494

58,076

15,02%

81,25%

79,99%

2º Semestre

55,099

57,480

4,32%

79,72%

79,33%

Em 12 meses

105,592

115,556

9,44%

80,45%

79,66%

Fonte dos dados básicos: ABPA – Elaboração e análises: AVISITE

PLANTEL ANUAL

Revista do Ovo

115,556

2018

105,592

2017

92,777

2016

91,273

2015

94,010

2014

91,102

2013

85,588

2012

79,549

2011

78,228

60,718

2009

2010

60,112

Milhões de cabeças

2008

inda depende de confirmação oficial, mas Informações colhidas no mercado indicam que no mês de encerramento do ano passado o alojamento de pintainhas de postura comercial sofreu redução pelo segundo mês consecutivo. O número levantado indica que o alojamento de dezembro atingiu 8,577 milhões de cabeças, equivalendo a redução mensal de 12,6%. E, tomando por base o total alojado na abertura do ano, recorde absoluto no setor, a redução atingiu índice negativo de 17,3%. Já na comparação com dezembro de 2017 houve aumento de 2,6%. O acompanhamento semestral mostra volumes alojados bem distintos: crescimento de 15% no primeiro semestre e de 4,3% no segundo semestre, respectivamente. O que não muda é o percentual de pintainhas para postura de ovos brancos, na casa dos 80%, pouco mais, pouco menos. O total acumulado nos doze meses de 2018 alcançou novo recorde anual de 115,6 milhões de pintainhas – cerca de 9,630 milhões/mês - e significou aumento de 9,4% sobre o ano anterior, quando somou 105,6 milhões de cabeças. Impressionante constatar o crescimento verificado no setor no espaço dos últimos 10 anos: em 2008 o volume alojado estava na casa dos 60 milhões de cabeças, um incremento de 92% no decênio, uma evolução de 6,75% ao ano. Infelizmente tão grande avanço em tão pouco tempo, esteve concentrado nos últimos dois anos – quase um quarto de aumento sobre 2016 – trazendo grandes ônus para os produtores de ovos, principalmente no ano passado, quando teve que conviver com baixos preços e excessos de produto na maior parte do ano. Assim, é esperado que os produtores busquem melhor equilíbrio entre o alojamento e as necessidades do mercado interno e externo. Diante disso, é possível que os alojamentos do primeiro semestre de 2019 sejam mais comedidos.

47


Estatísticas e Preços Mercado

Desempenho do ovo em fevereiro e no 1º bimestre de 2019

Forte recuperação em fevereiro não altera resultado negativo do bimestre

A

inda bem que fevereiro tem apenas 28 dias deve ter dito muito produtor de ovos. Porque, fosse mês mais longo, corria-se o risco de ver os preços do produto retrocederem aos mesmos níveis do início do período. E o início de fevereiro, neste ano, não foi dos melhores para o setor. É verdade que o mês foi iniciado em condições superiores às de janeiro, ocasião em que o setor conviveu com as piores cotações da presente década. Mesmo assim, os preços de abertura continuavam sendo os menores dos últimos cinco anos. Mas a atuação incisiva do setor produtivo (descartando poedeiras mais velhas e/ou com baixa produtividade) combinada com a retomada do consumo (fim parcial das férias e volta da merenda escolar) propiciou rápida e significativa reversão da situação. Tanto que, em apenas nove dias de negociações, o preço registrado nas granjas do interior paulista chegou a apresentar valorização de mais de 35% em relação aos valores recebidos na abertura do mês. Era, porém, o máximo a que se podia chegar. Assim, após pouco mais de uma semana de preços estáveis, o consumo voltou a refluir (situação típica de toda segunda quinzena do mês) e, com ele, também os preços obtidos pelo produtor. Resultado: embora cerca de 50% superior à de janeiro passado, a média alcançada em fevereiro ficou apenas 1% acima da registrada em fevereiro de 2018. Mas não só, porque continuou no mais baixo nível dos últimos cinco anos. A forte valorização experimentada de um mês para outro não altera os resultados do primeiro bimestre do ano, que continuam fraquíssimos, pois, a cotação média de R$59,44/caixa (valor aplicável a cargas fechadas comercializadas no Grande Atacado da cidade de São Paulo) se encontra mais de 4% abaixo da que foi registrada no mesmo período de 2018.

OVO BRANCO EXTRA

Evolução de preços no atacado paulistano R$/CAIXA DE 30 DÚZIAS Média mensal e variações anual e mensal em treze meses MÊS.

MÉDIA R$/CXA

Média anual em 10 anos R$/CAIXA

VARIAÇÃO % NO ANO

NO MÊS

2010

FEV/18

71,35

-15,54%

32,31%

MAR

79,08

-10,59%

10,83%

ABR

67,75

-25,66%

-14,32%

2012

MAI

62,84

-24,57%

-7,25%

2013

JUN

80,23

-7,40%

28,26%

JUL

63,12

-24,52%

-21,33%

AGO

60,70

-24,35%

-3,72%

2015

SET

58,21

-21,85%

-4,11%

2016

OUT

50,12

-27,41%

-13,90%

NOV

56,71

-14,08%

13,61%

DEZ

55,00

-14,54%

-3,01%

JAN/19

47,65

-11,63%

-13,36%

FEV

72,21

1,21%

51,53%

48 Revista do Ovo

2011

2014

2017 2018 2019

R$ 37,93 R$ 44,61 R$ 49,11 R$ 57,86 R$ 52,70 R$ 59,47 R$ 75,43 R$ 77,78 R$ 63,24 R$ 59,44

Sob esse aspecto, aliás, é oportuno retroceder àquele que foi um dos melhores momentos do ovo nesse período (primeiro bimestre do ano), ou seja, à média de janeiro-fevereiro de 2017, dois anos atrás. E a constatação é a de que a média atual corresponde a pouco mais de 80% do valor então registrado – R$72,24/caixa. Ao contrário de momentos idênticos anteriores, o ovo encerrou fevereiro em mercado ainda fraco, sem dar sinais claros de alguma reversão. Com a passagem do Carnaval, começa o período de Quaresma, o melhor período do ano para a comercialização do produto. As esperanças são de maior recuperação no decorrer de março corrente.

Em apenas nove dias de negociações, o preço registrado nas granjas do interior paulista chegou a apresentar valorização de mais de 35% em relação aos valores recebidos na abertura do mês


Milho e Soja Milho registra alta de preço em fevereiro

FFarelo de soja registra nova queda em fevereiro

O preço do milho registrou aumento de preço em fevereiro. O preço médio do insumo, saca de 60 kg, interior de SP, fechou o mês cotado a R$43,68, valor quase 6% acima da média alcançada pelo produto em janeiro último, quando ficou em R$41,23. Na comparação anual o índice de crescimento é três vezes superior, atingindo 18,5%. Isso porque em fevereiro do ano passado o preço praticado foi de R$36,86 a saca.

O farelo de soja (FOB, interior de SP) registrou queda em fevereiro de 2019 pelo quinto mês consecutivo. O produto foi comercializado pelo preço médio de R$1.191/t, valor 4,4% inferior ao praticado no mês de janeiro quando atingiu R$1.246/t. Em comparação com fevereiro de 2018 – quando o preço médio era de R$1,146/t – a cotação atual registra alta de 3,9%.

Valores de troca – Milho/Frango vivo No frango vivo (interior de SP) o preço médio de fevereiro, alcançou R$2,94 kg, atingindo índice de valorização mensal de 5,3%. Assim, com a valorização do frango vivo levemente inferior à alcançada na cotação do milho, houve piora ínfima no poder de compra do avicultor. Nesse mês, foram necessários 247,6 kg de frango vivo para se obter uma tonelada de milho, considerando-se a média mensal de ambos os produtos. Este volume representa 0,5% de perda no poder de compra em relação ao mês anterior, pois, em janeiro, a tonelada do milho “custou” 246,3 kg de frango vivo. Já em relação a fevereiro do ano passado, o índice de crescimento do milho e frango foi praticamente igual e não houve alteração no poder de compra.

A valorização alcançada pela cotação do frango vivo e a queda verificada no preço do farelo de soja em fevereiro fez com que fossem necessários 405,1 kg de frango vivo para adquirir uma tonelada do insumo, significando melhora de 10,2% no poder de compra do avicultor em relação a janeiro quando 446,6 kg de frango vivo foram necessários para obter uma tonelada do produto. Na comparação em doze meses houve melhora de 14,1%, pois, lá, foram necessários 462,1 kg para adquirir o cereal.

Valores de troca – Milho/Ovo

Valores de troca – Farelo/Ovo

O preço do ovo, na granja (interior paulista, caixa com 30 dúzias), obteve forte valorização em fevereiro e fechou à média de R$66,21, valor 59% superior ao alcançado no mês anterior, quando o produto foi negociado por R$41,65. Com essa excelente valorização no preço médio dos ovos em comparação com o aumento no preço do milho, houve considerável melhora no poder de compra mensal do avicultor. Em fevereiro foram necessárias 11 caixas de ovos para adquirir uma tonelada do cereal. Em janeiro, foram necessárias 16,5 caixas/t, um ganho de 50% na capacidade de compra do produtor. Entretanto, em doze meses, o poder de compra ainda é negativo em quase 15%.

De acordo com os preços médios dos produtos, em fevereiro foram necessárias aproximadamente 18 caixas de ovos (valor na granja, interior paulista) para adquirir uma tonelada de farelo de soja. O poder de compra do avicultor de postura em relação ao farelo registrou forte ganho mensal de 66,3%, já que, em janeiro, foram necessárias 29,9 caixas de ovos para adquirir uma tonelada do cereal. Em relação a fevereiro de 2018 o poder de compra ainda foi 2,5% negativo, pois naquele período a tonelada de farelo de soja custou, em média, 17,5 caixas de ovos.

fevereiro fevereiro março março abril abril maio maio junho junho julho julho agosto agosto setembro setembro outubro outubro novembro novembro dezembro dezembro janeiro janeiro fevereiro fevereiro

53,00 53,00 51,00 51,00 49,00 49,00 47,00 47,00 45,00 45,00 43,00 43,00 41,00 41,00 39,00 39,00 37,00 37,00 35,00 35,00 33,00 33,00 31,00 31,00 29,00 29,00 27,00 27,00

2018 2018

2019 2019

MédiaFevereiro Fevereiro Máximo Mínimo Média Mínimo Máximo 40,50 46,50 R$R$40,50 R$R$46,50

43,68 43,68

Fonte das informações: www.jox.com.br

Preçomédio médioFarelo Farelode desoja soja Preço R$/toneladaFOB, FOB,interior interiordedeSPSP R$/tonelada

1600 1600 1500 1500 1400 1400 1300 1300 1200 1200 1100 1100 1000 1000 950 950 900 900 850 850 800 800 750 750

fevereiro fevereiro março março abril abril maio maio junho junho julho julho agosto agosto setembro setembro outubro outubro novembro novembro dezembro dezembro janeiro janeiro fevereiro fevereiro

Preçomédio médioMilho Milho Preço

R$/sacadede60kg, 60kg,interior interiordedeSPSP R$/saca

Valores de troca – Farelo/Frango vivo

2018 2018

2019 2019

MédiaFevereiro Fevereiro Média Mínimo Máximo Mínimo Máximo 1.160,00 R$ 1.240,00 R$ R$ R$ 1.160,00 R$ R$ 1.240,00

1.191,00 1.191,00

Revista do Ovo

49


Ponto Final

A essência do alimento ovo na atualidade

Produtores, granjas, indústrias de processamento de ovos que hoje investem no aprimoramento e adequações de seus estabelecimentos, visando atender as normas e regras nas áreas de sanidade, inspeção e qualidade, estes, realmente produzem valorizando o alimento ovo em sua essência José Eduardo dos Santos, Diretor Executivo Asgav/Sipargs Coordenador Programa Ovos RS Coordenador Executivo Conbrasul Ovos 2019. Embaixador no Brasil da Organização Mundial da Industria e Produção de Ovos – IEC/WEO

A

tualmente com a evolução dinâmica das redes sociais e a voracidade com que as pessoas tem acessado informações e compartilhado experiências ou novidades, nem sempre originais mas que no final todo esse movimento resulta em um volume considerável de likes, visualizações, envolvimentos que dependendo dos índices alcançados, surgem novas celebridades e fenômenos das mídias sociais. Recentemente, a imagem de um ovo foi a “bola da vez” no instagram, atigindo nada mais nada menos, algo em torno de quase 48 milhões de visualizações. Foi um fenômeno passageiro mas que deu o que falar e ainda por cima, uma onda onde muitos envolvidos com a produção ou comercialização de ovos puderam surfar, produtores, indústrias, fornecedores e a própria mídia. Todos estes, onde também me incluo, de alguma forma fizeram suas imagens adaptadas ao fenômeno da imagem “top” do instagram, destacando a importância do ovo como alimento. Porém, o que precisa ser observado é que neste caso o fenômeno foi a imagem, a foto, um acontecimento de larga repercussão que não se relacionou diretamente ao alimento ovo em sua essência. E assim, com esta análise inicial é que devemos refletir sobre a essência do alimento ovo na atualidade. Uma série de mudanças, novas leis, produções alternativas, novos produtores, consumo em evolução, indústria em expansão etc...Toda esta transformação e uma série de exigências recaem sobre aqueles que buscam produzir com qualidade e dentro das exigências para

50

Revista do Ovo

produção de um alimento de muita importância nutricional para alimentação das pessoas. Todos produtores, granjas, indústrias de processamento de ovos que hoje investem no aprimoramento e adequações de seus estabelecimentos, visando atender as normas e regras nas áreas de sanidade, inspeção e qualidade, estes, realmente produzem valorizando o alimento ovo em sua essência, e justificam este cuidado impulsionando suas marcas com participação pró ativa no mercado. Por outro lado, aqueles que resistem as mudanças, ao atendimento dos novos conceitos e regramento da produção que se aventuram no mercado, produzindo sem qualidade, sem visão de evolução, estes, produzem sem valorizar o alimento ovo em sua essência. Ante a esta analogia é que precisamos estar atentos aos novos rumos do setor de produção de ovos, onde o horizonte almejado permeado de prosperidade e expansão de mercado, está diretamente alicerçado em um novo perfil da produção com ênfase na profissionalização, na tecnologia e inovação e principalmente nos cuidados que regem uma produção saudável e sustentável. Somente aqueles que entenderem e aceitarem este caminho, estarão realmente produzindo e valorizando o alimento ovo em sua essência, resguardando é claro, os méritos de sua majestade “a galinha”. E tem mais! Após a consolidação desta transformação em curso com a definição de quem está alinhado com estas diretrizes de mercado e produção é que se deveria desenvolver um programa nacional de avaliação e classificação destes estabelecimentos, criar uma identidade, uma referência ou algo do gênero para daí sim, pensar em um robusto, consistente e estruturado programa de marketing nacional com um bom investimento, dando destaque e evidenciado aqueles que estão dentro dos padrões de qualidade e produção de ovos.


Revista do Ovo

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Ponto Final

abcd 52

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Edição 52 - Revista do Ovo  

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