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Editorial

2018 e 2019 Segundo os analistas do CEPEA, em artigo publicado nesta edição da Revista do Ovo, desde o início do segundo semestre, a avicultura de postura atravessa um dos momentos mais difíceis de sua história recente. Além dos altos preços dos insumos utilizados na formulação de ração, as cotações dos ovos comerciais têm recuado com força. E, em um cenário de excesso de oferta no mercado interno e de sucessivas desvalorizações do produto, a necessidade de limitar a quantidade de ovos disponíveis tem impulsionado as exportações nos últimos meses. O aumento na produção provocado pela intensificação de investimentos, especialmente no ano passado, e a retração da demanda têm diminuído significativamente os preços dos ovos comerciais, e nem mesmo o intenso descarte de poedeiras foi suficiente para reduzir a oferta do produto. Concomitantemente, ainda que em movimentos de queda, os valores dos principais insumos utilizados na atividade (milho e farelo de soja) continuaram em patamares elevados. Mas o ano chega ao seu final, com boas perspectivas. É o que aponta uma análise produzida por Ricardo Santin, diretor-executivo da ABPA, Presidente do Instituto Ovos Brasil,e vice-presidente do Conselho Mundial da Avicultura- IPC). Segundo ele, temos boas expectativas quanto ao próximo ano. A começar pelo cenário político mais positivo para o Brasil. Que o ano de 2019 reserve bons momentos ao setor!

Sumário 04

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ABPA: entidade analisa o ano de 2018 e projeta 2019 para o setor avícola O ano de 2019 chega com boas perspectivas para o setor de postura no Brasil

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Setor de ovos orgânicos projeta crescimento

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Fernando Bicaletto, diretorexecutivo da Fazenda da Toca, destaca os passos que a empresa terá que trilhar para acompanhar esse crescimento

Mantiqueira aposta em “Clube do Ovo” para atrair consumidores

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Consumidores encontrarão kits de ovos especiais da marca para assinatura, com planos disponíveis de entrega a partir de 30 ovos

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Eventos, Há cinco anos no OvoSite e As quatro mais lidas no OvoSite em Novembro Congresso de Ovo – APA Notícias Curtas 2ª Conbrasul Ovos 2019 Transformação em direção à inovação e liderança Condomínio Avícola garante prêmio nacional de inovação à Coopeavi Ovos geneticamente modificados tratam doenças Luteína + zeaxantina podem reduzir risco de câncer de mama Como o ovo auxilia no desenvolvimento cognitivo das crianças Instituto Ovos Brasil amplia Semana do Ovo Fundamentos teóricos e aplicação no processamentos de ovos e derivados De Heus fortalece Recursos Humanos com foco na gestão de alta performance das equipes Indústria de ovos dos EUA: desafios e oportunidades Yamasa lança ovoscopia automática por câmeras Além do enriquecimento de ovos, selênio apresenta benefícios produtivos A crescente preocupação com ectoparasitas e os prejuízos econômicos causados por estes Controle e análise dos dados em granjas produtoras de ovos No 2º semestre de 2018, custos aumentam e preços dos ovos recuam Estatísticas

Mundo Agro Editora Ltda. Rua Erasmo Braga, 1153 13070-147 - Campinas, SP

Publicação Bimestral nº 51 | Ano V Dezembro/2018

EXPEDIENTE Publisher Paulo Godoy paulogodoy@avisite.com.br Redação Giovana de Paula (MTB 39.817) imprensa@avisite.com.br Comercial Karla Bordin (19) 3241 9292 comercial@avisite.com.br Diagramação e arte Mundo Agro e Innovativa Publicidade luciano.senise@innovativapp.com.br Internet Gustavo Cotrim webmaster@avisite.com.br Administrativo e circulação financeiro@avisite.com.br

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Revista do Ovo

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Eventos

2019 Março 26 a 28

XVII Congresso de Ovos Organizado pela APA (Associação Paulista de Avicultura) Local: Centro de Convenções de Ribeirão Preto (SP). Informações: www.congressodeovos. com.br E-mail: congresso@apa.com.br

Maio 14 a 16

Conferência FACTA WPSA-Brasil 2019

Local: Expo Dom Pedro, Campinas (SP) Site: www.facta.org.br

Abril 02 a 04

20º Simpósio Brasil Sul de Avicultura

Local: Chapecó, SC Promoção: Nucleovet informações: www.nucleovet.com.br Contato: nucleovet@nucleovet.com.br

Junho

Há cinco anos no OvoSite

2013: preços mais competitivos para o ovo e mercado interno aquecido Campinas - SP, 16 de Dezembro de 2013 - Este foi um ano muito bom para a avicultura de postura brasileira. O mercado interno ofereceu preços mais atraentes para o produto, os insumos mantiveram-se estáveis e as margens dos produtores melhoraram. Segundo cálculos da União Brasileira de Avicultura (Ubabef), a produção de ovos neste ano deve efetivar um aumento de 7,4%, resultando num volume de 34,12 bilhões de unidades, sendo 27 bilhões de unidades de ovos brancos e 7,12 bilhões de ovos vermelhos. “O setor teve um ano muito bom, com desempenho de preços bem positivos”, confirma Rogério Belzer, diretor executivo do Instituto Ovos Brasil. “A média de preço da caixa de ovo com 30 dúzias comercializada no interior de São Paulo, de janeiro a novembro de 2013, foi de R$ 60,27. Neste mesmo período de 2012, a média da caixa de ovos foi de R$ 49,11”, compara. Com os preços mais competitivos, o produtor de ovos viu no mercado interno a sua grande oportunidade. Dessa forma, as exportações brasileiras de ovos retraíram em 2013. Os embarques de ovos (in natura e ovo produto), entre janeiro e outubro deste ano, totalizaram 9,829 mil toneladas, resultado 54,8% menor em relação ao mesmo período de 2012. Em receita também houve queda: 48,7%, com US$ 17,5 milhões, segundo relatório da Ubabef.

As quatro mais lidas no OvoSite em Novembro

05 e 06

FAVESU - Espírito Santo Feira de Avicultura e Suinocultura Capixaba Local: Espírito Santo Telefone: (27) 3288-2748 Site: www.associacoes.org.br 16 a 19

CONBRASUL 2019

Local: Gramado/RS Telefone: (51)3228-8844 E-mail: conbrasul@ovosrs.com.br Site: www.conbrasul.ovosrs.com.br

Agosto

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Desempenho do ovo no mês de outubro e no decorrer de 2018 Em outubro os preços do ovo voltaram a apresentar novas baixas em relação ao mês anterior, fato que se repetiu pelo quarto mês consecutivo.

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Ovos: mercado passa a condição de calmo com antecipações Ontem, o preço da caixa de ovos brancos variou de R$47,00 ao máximo de R$49,00 e o de ovos vermelhos de R$47,00 até o máximo de R$51,00.

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Salão Internacional de Avicultura e Suinocultura (SIAVS) Local: Anhembi Parque, em São Paulo (SP). Promoção: Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) Informações: www.siavs.com.br

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Ovos: quase dois meses depois, produtores conseguiram novo reajuste Os produtores de ovos brancos e vermelhos obtiveram novo reajuste. Nos ovos brancos, o novo aumento elevou o preço médio diário para R$50,00.

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Revista do Ovo

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Ovos: mercado firme favorece novo aumento aos produtores Ontem, quarto dia útil da melhor semana do mês para os negócios, vários fatores contribuíram para que os Produtores de ovos brancos e vermelhos obtivessem mais um reajuste nos negócios realizados.


Evento

Programa técnico do Congresso de Ovos já tem principais temas definidos Evento acontece em Ribeirão Preto, SP, entre os dias 26 e 28 de março de 2019

Comissão organizadora do Congresso de Ovos da APA se reuniu para definir temas e assuntos mais importantes para o setor de postura

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uitos assuntos foram sugeridos e discutidos em proveitosas reuniões entre os membros do conselho e do comitê científico do XVII Congresso de Produção e Comercialização de Ovos APA. A cargo do Professor Lúcio Araújo, da USP, o temário do encontro que acontece entre os dias 26 e 28 de março de 2019 (Ribeirão Preto, SP), está em fase de finalização. Mas a avicultura de postura pode aguardar palestras sobre as oportunidades para ampliar os canais de distribuição de ovos, o uso das plataformas digitais para a promoção do consumo de ovos, a produção de ovos líquidos e um painel sobre Laringotraqueíte, entre outros. A comissão também prepara um pré-congresso, gratuito, no primeiro

dia do encontro, no mesmo modelo do que foi realizado em 2018. Para 2019, o tema deve girar em torno das preocupações atuais da avicultura de postura sobre as salmoneloses. O Congresso de Ovos é realizado pela Associação Paulista de Avicultura (APA) e em 2019 chega à sua 17ª com o desafio de manter a qualidade de palestras e o recorde de público alcançados na edição de 2018, que contou com mais de 700 participantes.

Trabalhos científicos Premiar a pesquisa científica e a contribuição de profissionais e acadêmicos à área avícola é um dos destaques do XVII Congresso de Produção e Comercialização de Ovos APA.

Os pesquisadores e estudantes que desejam inscrever seus trabalhos científicos nas áreas de Sanidade, Nutrição, Manejo e Outras Áreas podem acessar a página http://www.congressodeovos. com.br/trabalhos.php para obter mais informações. Vale lembrar: O primeiro colocado de cada área recebe a premiação de um salário mínimo. A grande dedicação dos membros do conselho do evento e seu comitê científico é um dos motivos pelo salto alcançado na última edição do Congresso de Ovos. Para 2019, há algumas novidades nos critérios de recebimento dos trabalhos. A principal delas é que haverá uma limitação no número de trabalhos aceitos, que vai variar de acordo com a quantidade de inscritos em cada área e a nota de corte a ser definida pela comissão científica. Além disso, 82 artigos serão apresentados na forma de pôsteres; aqui a limitação é uma questão de espaço. Os autores destes 82 trabalhos terão direito a uma inscrição gratuita. Vale ressaltar que todos os aceitos (aqueles com notas acima de 5) serão publicados nos anais. E não se esqueça: O prazo para o envio de trabalhos científicos vai até o dia 21/12/18. A comissão do Congresso de Ovos já dá o recado: Não haverá prorrogação da data de recebimento dos trabalhos científicos.

Calendário: Recebimento de trabalhos científicos: 21/12/2018 Notificação de negados e devolução para correção: 21/01/2019 Notificação de premiados e não aceitos: 18/02/2019 Revista do Ovo

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Notícias Curtas Produção

Ovos registram recorde de produção em um terceiro trimestre A produção de ovos de galinha foi de 911,63 milhões de dúzias no terceiro trimestre de 2018. Considerando a série histórica, iniciada em 1987, essa foi a maior produção já registrada em um terceiro trimestre, sendo 8,0% maior que a produção do mesmo período no ano anterior. A quantidade registrada também foi a maior na série da pesquisa, representando um aumento de 4,3% sobre o trimestre imediatamente anterior.

Terceiro trimestre de 2017 843.908 mil dúzias Segundo trimestre de 2018 874.397 mil dúzias Terceiro trimestre de 2018 (primeiros resultados) 911.627 mil dúzias

Ovos: em outubro a pior relação de preço entre granja e varejo Em outubro o produtor de ovos paulistano sofreu queda mensal de 15,5% na comercialização do seu produto. Em doze meses, o índice de perda alcançou 30%. Na outra ponta, ou seja, no varejo paulistano, também houve perdas na comparação mensal e anual. Porém, em índices ínfimos na comparação com os verificados na granja: em relação ao mês anterior, de 2,8%, e, em relação a outubro de 2017, de 1,9%. Assim, além da piora no poder de compra do produtor em relação à sua principal matéria-prima, também houve grande

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diferença na relação do produto na granja em relação ao varejo: em setembro era de 30,3% e caiu para 26,4% em outubro. A perda de participação do produtor foi ainda mais intensa na comparação com outubro do ano passado: lá, o preço da dúzia de ovos na granja equivaleu a cerca de 36,9% do alcançado no varejo, equivalendo a perda anual de 10,5 pontos percentuais. Por ora, os preços médios alcançados por ambos os produtos em novembro indicam melhora na relação para um índice próximo dos 30%.


Mercado

Frango, ovo, milho e inflação em outubro de 2018

Seladoras Manuais e Automáticas Embora seus preços continuem evoluindo bem aquém da inflação acumulada desde a implantação do Real (1994), frango vivo e milho mantêm, nos últimos meses, quase a mesma paridade de preços registrada há pouco mais de 24 anos. Detalhando, na época do advento do Real o produtor necessitava de 12,8 kg de frango vivo para adquirir uma saca de milho. Em outubro passado, com o frango cotado a pouco mais de R$3,19/kg e o milho comercializado por R$38,52/saca, o grão pode ser adquirido com cerca de 12,1 kg de aves vivas, ou seja, 5,5% menos que em 1994, diferença pouco significativa dado o espaço de tempo decorrido (quase 300 meses). Já com o ovo, a situação atual é, comparativamente, muitíssimo diferente. E preocupante. Retrocedendo no tempo, na época de implantação do Real o produtor de ovos adquiria, com uma caixa do produto, 2,5 sacas de milho. Ou – adotando o mesmo raciocínio aplicado ao frango – necessitava de menos de 12 dúzias de ovos para adquirir uma saca de milho. Pois bem: em outubro passado a mesma caixa de ovos brancos extra utilizada para o cálculo inicial foi comercializada por R$50,12. E isto, considerados os R$38,52 da saca de milho, propiciou a compra de 1,3 saca do grão – quase 50% menos que há (quase) um quarto de século atrás. Ou, tomando como padrão a dúzia de ovos, foram necessárias cerca de 23 dúzias de ovos para a aquisição de uma saca de milho – quase o dobro do estimado para 1994. De toda forma, os três produtos – frango vivo, ovo e milho – perdem para a inflação acumulada apontada pelo IGP-DI. O preço do frango fechou outubro com 177 pontos percentuais aquém do índice inflacionário, enquanto para o milho essa diferença a menos superou ligeiramente os 200 pontos percentuais. Mas para o ovo – que em outubro viu seu preço médio retroceder, nominalmente, ao menor nível dos últimos 45 meses – a diferença é brutalmente significativa. Se tivesse acompanhado o IGP-DI, teria sido comercializado no último mês por algo em torno de R$136,00/caixa. Porém, alcançou pouco mais de um terço desse valor, ficando perto de 450 pontos percentuais aquém do IGP-DI acumulado no período.

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Notícias Curtas Matérias-primas

Tendências do milho na safra 2018/19 Em sua segunda previsão sobre a próxima safra de milho (2018/2019), a CONAB estima produção pouco superior a 90 milhões de toneladas, volume 12% maior que o projetado para a presente safra. Prevê-se, é verdade, algum recuo (-8,5%) no estoque inicial do exercício. Mas isso não deve afetar o suprimento do produto, que pode aumentar em torno de 8% e ultrapassar os 106 milhões de toneladas – o que, se confirmado, representará suprimento recorde na história brasileira do grão. Quanto ao consumo, a CONAB estima que aumente nos mesmos níveis deste ano e do ano passado (pouco mais de 4%), situando-se em torno de 62,5 milhões de toneladas. Já as exportações podem regredir a um dos mais baixos níveis destes últimos anos, não passando dos 23 milhões de toneladas.

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Para chegar aos 90 milhões de toneladas de produção a CONAB estimou que o volume da primeira safra ficará, aproximadamente, nos mesmos níveis da primeira safra deste ano – cerca de 27 milhões de toneladas, pouco mais, pouco menos. Como, porém, o clima vem se mostrando favorável, essa projeção pode ser superada, mas sem ir muito além dos 2% de incremento. A expectativa de aumento, portanto, está quase toda depositada na segunda safra. Em relação a ela, a CONAB projeta aumento de 18%, o que significa passar de um volume em torno de 54 milhões de toneladas (“safrinha” estimada neste ano) para perto de 64 milhões de toneladas. Há riscos desse volume não ser atingido? Se depender do mercado, não. Mas as indicações de um possível retorno de El Niño em 2019 coloca uma grande interrogação sobre a safra do ano que vem. E não só a de milho.


Evento

2ª Conbrasul Ovos 2019: Gramado será a capital internacional da avicultura de postura de 16 a 19 de junho Evento vai reunir a elite da postura comercial do Brasil e de vários outros países para debater os principais desafios e oportunidades para a cadeia produtiva, marketing e promoção do ovo, tecnologias e inovações, sanidade e as principais tendências e perspectivas de mercado e economia

A

s mais recentes tecnologias e inovações para a avicultura de postura, as principais tendências e perspectivas de mercado e economia, os grandes desafios e oportunidades na produção e qualidade do ovo, na sanidade e no marketing e na promoção alimento, com apresentação de cases de sucesso no Brasil e no exterior, serão alguns dos destaques da 2ª edição da Conferência Brasil Sul da Indústria e Produção de Ovos (Conbrasul) vai acontecer de 16 a 19 de junho, em Gramado, no Rio Grande do Sul. Organizado pela ASGAV/Programa Ovos RS, o evento deve reunir cerca de 500 participantes, do Brasil e de vários outros países durante estes três dias de evento. Serão produtores, empresários, representantes das principais entidades da cadeia produtiva, da agroindústria e dirigentes dos segmentos de equipamentos e tecnologias, além de órgãos de

comunicação setorial e convidados internacionais, declara o diretor Executivo da ASGAV (Associação Gaúcha de Avicultura) e organizador do evento, José Eduardo dos Santos. Consagrada já na primeira edição pelo elevado nível de participantes e debates, a reunião segue diretrizes internacionais das conferências promovidas pela International Egg Comission (IEC) e Organização Mundial da Indústria e Produção de Ovos. “A programação novamente permitirá não apenas um elevado nível de debate entre os participantes, como também a interatividade entre empresários, produtores, autoridades e convidados de diversos locais do Brasil e Exterior. Será uma oportunidade de relacionamento qualificado, além de uma fonte de informações importantes e estratégicas”, ressaltou o executivo. Inscrições: Realizado na serra gaúcha, em uma das cidades mais aconchegantes do país e com forte apelo

José Eduardo dos Santos: “A programação permitirá um levado nível de debate entre os participantes e também a interatividade entre empresários, produtores, autoridades e convidados de diversos locais do Brasil e Exterior”

turístico, o evento vai promover uma programação especial para acompanhantes. As inscrições estão disponíveis no site do evento (www. conbrasul.ovosrs.com.br). Neste primeiro período de inscrições, os participantes individuais podem se inscrever pelo valor de R$ 600,00. As inscrições para participantes, com direito a programação social do encontro, podem ser confirmadas pelo valor de R$ 250,00. Agência de Turismo: Para facilitar a reserva de passagens e hospedagem, os organizadores da 2a Conbrasul fizeram um convênio com a Agência de Turismo Rossi & Zorzanello, que pode oferecer serviços como traslados do aeroporto, aluguel de carros e voos especiais de Porto Alegre a Gramado, além de reservar a hospedagem. Apoiadores e Patrocínio: Algumas das mais importantes empresas do setor já confirmaram seus apoios ao congresso, como Bionutri e Grasp na cota de Patrocinador Prata. Lohmann do Brasil, Big Dutchman, Kilbra Artabas e Anpario vão participar como apoiadores especiais. Mais informações: www.conbrasul.ovosrs.com.br 51 3228 8844, com Kamila Beheregaray, ou pelo e-mail: comercial.conbrasul@ovosrs.com.br. 2ª Conbrasul Ovos. Wish Serrano Resort & Convention, Gramado, Rio Grande do Sul. De 16 a 19 de junho de 2019. R$ 600,00 para congressistas individuais e R$ 250 para acompanhantes. Revista do Ovo

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Agronegócios

Transformação em direção à inovação e liderança Romper a acomodação é fundamental Autor: Marcos Fava Neves, PhD. Professor Titular FEA/USP, Professor of Planning and Strategy, FEARP Business School University of Sao Paulo - Brazil

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urante uma semana de imersão nos EUA no mês de setembro, com um grupo de empresários tivemos oportunidades de tocar o assunto inovação e liderança em diversos momentos. Seja em visitas a empresas, em rodas de conversas e em um treinamento oferecido pela Florida International University (FIU). Este artigo é um resumo, um material de trabalho no sentido de alterarmos nosso comportamento e o comportamento da nossa organização, buscando nestes objetivos, sermos mais orientados pela demanda e com um comportamento de mudança. Romper a acomodação é fundamental, e para isto segue na primeira parte do artigo, uma coleção de perguntas a serem usadas em reflexões individuais e eventos de discussão interna em grupos maiores, para geração de ideias a serem implementadas. Basicamente, a sequência de um líder inovador pode ser dividida em três blocos a saber: 1 – Conhecimento (Saber o que Realizar); 2 – Atitude (Querer Realizar) e 3 – Habilidade (Saber Realizar). A segunda parte deste texto envolve a necessidade de se criar margens num ambiente onde os mercados vão crescer, mas os preços tendem a ficar os mesmos. Para este processo de criação de margens, temos que pensar criativamente em 10 grandes itens, que também se relacionam entre eles.

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Revista do Ovo

E aqui transformei os 10 itens em mais uma ferramenta de trabalho: Especificamente no agro, na cana, na pecuária e outras culturas, temos estas preocupações vindas de executivos do setor, em ordem decrescente de importância, conforme o número de vezes em que o item foi citado pelos participantes. Também aqui foram transformadas em perguntas de trabalho e são os elementos onde se pode lutar mais para construir margens especificamente em cana: • Como melhorar a produtividade agrícola? • Como melhor o capital humano? • Como melhorar a eficiência operacional e sinergia tanto agrícola e/ou industrial? • Como melhorar a gestão do negócio? • Como promover contínua redução dos custos? • Como fazer a otimização do uso dos ativos? • Como acrescentar novos produtos ao portfolio? • Como melhorar a gestão financeira? • Como pensar e implementar inovações tecnológicas? • Como melhorar o relacionamento com sociedade? • Como fomentar demanda pelos produtos já existentes no setor? Finalmente, fica a proposta de um método a ser aplicado nas usinas para conseguirmos inovar e melhorar nos-

so comportamento, tanto individual como o coletivo. Método: Inovação, Adoção de Tecnologia e Novos Modelos de Negócios 1 – Estar disposto a adotar um modelo de liderança e soluções criativas de problemas na cultura organizacional. Fortalecer a equipe com talentos na área digital. Trabalhar a ferramenta das perguntas mostrada acima. 2 – Estabelecer um Benchmarking Colaborativo (em rede) para encontrar boas praticas, no ganha-ganha entre usinas do setor. 3 – Construir nas usinas ecossistemas de negócios integrados (redes verticais e horizontais) que criam oportunidades em modelos de cooperação. 4 – Digitalização: captura, mensuração e gestão de dados, entregando informações aos participantes do ecossistema, melhorando a eficiência, compartilhamento de dados e melhoria das conexões. 5 – Fazer acontecer. Concluo dizendo da importância de separarmos um tempo como este em que conseguimos pensar no futuro, nos desafiar, conversar, aprender com os outros e em ambientes diferentes. Aqui procurei fazer um resumo executivo para que possamos usar como ferramenta de trabalho muitas coisas que aprendemos e outras questões que tenho de reflexão individual. As ferramentas estão no texto. Agora, ao trabalho para criarmos coisas novas e melhorarmos sempre.


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Premiação

Condomínio Avícola garante prêmio nacional de inovação à Coopeavi Prêmio é dado pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB)

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Localizado em Alto Caldeirão (Santa Teresa), região serrana capixaba, o projeto é pioneiro em todo o país e viabiliza a permanência de pequenos avicultores cooperados na avicultura Argêo Uliana, sócio fundador e diretor administrativo comercial da Coopeavi recebe o prêmio: “É um orgulho para nós. O nosso projeto se destaca ainda mais em nível nacional. É o reconhecimento de um trabalho desenvolvido por toda a equipe Coopeavi, é um orgulho para Santa Maria de Jetibá e para o Espírito Santo

Condomínio Avícola para Postura Comercial garantiu à Cooperativa Agropecuária Centro Serrana (Coopeavi) a segunda colocação na categoria “Inovação” do 11º Prêmio Somos Coop - Melhores do Ano, realizado pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). A cerimônia ocorreu em Brasília em novembro. Localizado em Alto Caldeirão (Santa Teresa), região serrana capixaba, o projeto é pioneiro em todo o país e viabiliza a permanência de pequenos avicultores cooperados na avicultura. A iniciativa foi ideia de um cooperado, com o intuito de democratizar uma produção de alta escala e com tecnologia para os associados, que participam com cotas. Com 300 mil aves alojadas, o Condomínio Avícola também é o único do país para produção de ovos. São três galpões automatizados, cada um com 100 mil aves. A capacidade total da área do condomínio é para 22 galpões, que poderão acomodar 2,2 milhões de galinhas futuramente. “É um orgulho para nós receber esse prêmio. O nosso projeto se destaca ainda mais em nível nacional. É o reconhecimento de um trabalho desenvolvido por toda a equipe Coopeavi, é um orgulho para Santa Maria de Jetibá e para o Espírito Santo. O prêmio é um incentivo muito grande para continuar inovando dentro do cooperativismo. A inovação é fundamental para o nosso crescimento”, comenta Argêo Uliana, sócio fundador e diretor administrativo comercial da Coopeavi.

O prêmio O Prêmio Somos Coop tem como objetivo reconhecer e valorizar nacionalmente as iniciativas realizadas pelas cooperativas que melhoram a vida dos seus associados e da comunidade onde estão inseridas. A premiação é realizada a cada dois anos. “Todas as 267 cooperativas que enviaram seus projetos, um total de 437, são vencedoras. Afinal, elas colocam em prática, todos os dias, os princípios cooperativistas que diferenciam o nosso modelo de negócio dos demais. Ao focarem no bem-estar das pessoas, essas cooperativas mostram ao país que é possível gerar trabalho, emprego e renda de forma ética, social e ambientalmente justa e inclusiva”, avalia o presidente do Sistema OCB Nacional, Márcio Lopes de Freitas.

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Ciência

Ovos geneticamente modificados tratam doenças O preço de um tratamento pode cair em 10% do seu valor atual

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Ovos M Pesquisadores japoneses modificaram genes de galinhas poedeiras para que seus ovos contenham medicamentos para tratar doenças, incluindo o câncer. De acordo com os cientistas, essa é uma tentativa para reduzir o custo dos tratamentos contra as principais doenças. O intuito dos cientistas é chegar ao ponto de conseguir produzir ovos com uma proteína que é usada atualmente para tratar doenças comuns e perigosas para a saúde humana, como esclerose múltipla e todo os tipos de hepatite. Segundo eles, o trabalho ainda está no

início e não se pode tirar nenhuma conclusão precipitada sobre o real impacto que isso terá para o corpo humano. No entanto, o fato que os pesquisadores tratam como certo é a baixa considerável que deverá ser notada nos preços dos remédios que tratam essas doenças. De acordo com as informações divulgadas no relatório da pesquisa, o preço das drogas, que atualmente chegam a 100 mil ienes (cerca de US $ 888) por alguns microgramas, terá uma queda considerável. O projeto começou quando pesquisadores do Instituto Nacional de Ciên-

cia Industrial e Tecnológica Avançada (AIST) da região de Kansai lançaram o processo através da introdução de genes que produzem interferon beta em células precursoras de espermatozoides de galo. Essas células são usadas para fertilizar óvulos com a ideia de que as galinhas que nascem têm seus genes modificados com essa particularidade. No momento, os cientistas têm três galinhas com a característica, botando ovos quase diariamente. A equipe de pesquisadores estima que o preço de um tratamento pode cair em 10% do seu valor atual. (Leonardo Gottems, Agrolink).

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Benefícios do ovo

Luteína + zeaxantina, presentes na gema do ovo, podem reduzir risco de câncer de mama O câncer de mama é o tipo mais comum de câncer nas mulheres de forma geral Autora: Lúcia Endriukaite, nutricionista do Instituto Ovos Brasil, entidade sem fins lucrativos que busca esclarecer a população sobre as propriedades nutricionais do ovo e os benefícios que este alimento proporciona à saúde

O Lúcia Endriukaite

“A gema do ovo possui luteína e zeaxantina, que é também uma fonte de proteína, de fácil preparo, saboroso, contribui para o consumo de alimentos menos industrializados e pode colaborar com um aumento dos carotenoides dentro de uma alimentação equilibrada”.

Um estudo realizado entre mulheres chinesas na região de Guandong indicou que uma maior ingestão de carotenoides (α-caroteno, ß-caroteno, ß-criptoxantina e luteína / zeaxantina) foi associada com uma diminuição do risco de câncer de mama 14

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câncer de mama é uma doença resultante da multiplicação de células anormais da mama, que forma um tumor com potencial de invadir outros órgãos. Há vários tipos de câncer de mama. Alguns se desenvolvem rapidamente e outros não. A maioria dos casos tem boa resposta ao tratamento, principalmente quando diagnosticado e tratado no início. De acordo com o INCA (Instituto Nacional do Câncer), o câncer de mama é o tipo mais comum de câncer nas mulheres de forma geral. A idade é um dos fatores que mais aumenta o risco. Entretanto, fatores endócrinos, história reprodutiva, fatores ambientais e fatores genéticos estão relacionados à doença. Em se tratando de fatores ambientais, estudos mostram que a prevalência de câncer de mama está relacionada à ingestão de bebidas alcoólicas, sobrepeso e obesidade. As recomendações relacionadas à prevenção têm sido a prática de exercícios físicos para o controle ou manutenção do peso, redução do consumo de alimentos ultraprocessados e ricos em gorduras e o aumento do consumo de verduras, legumes, frutas e oleaginosas. Apesar de muitos estudos ainda serem necessários, alguns deles têm apresentado associação inversa entre nutrientes e câncer de mama. Compostos bioativos como os carotenoides possuem a capacidade de proteger as células contra radicais livres que provocam alterações como inflamação e alterações no DNA. Um estudo realizado entre mulheres chinesas na região de Guandong indicou que uma maior ingestão de carotenoides (α-caroteno, ß-caroteno, ß-criptoxantina e luteína / zeaxantina) foi associada com uma diminuição do risco de câncer de mama. Uma análise de 8 estudos de corte, com mais de 80% dos dados prospectivos publicados sobre carotenoides séricos e câncer de mama sugere que mulheres com maiores níveis circulantes de α-caroteno, ß-caroteno, luteína + zeaxantina, licopeno e carotenoides totais podem ter um risco reduzido de câncer de mama. A gema do ovo possui luteína e zeaxantina, que é também uma fonte de proteína, de fácil preparo, saboroso, contribui para o consumo de alimentos menos industrializados e pode colaborar com um aumento dos carotenoides dentro de uma alimentação equilibrada.


Nutrição

Como o ovo auxilia no desenvolvimento cognitivo das crianças A colina participa de processos biológicos como desenvolvimento neural, sinalização celular, transmissão do impulso nervoso, transporte e metabolismo de lipídios Autora: Lúcia Endriukaite, nutricionista do Instituto Ovos Brasil

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colina é um daqueles nutrientes que receberam reconhecimento pelo Institute of medicine e foram transformadas em vitamina do complexo B depois que cientistas descobriram que o ser humano não consegue produzir este nutriente em quantidade suficiente para atender as necessidades do organismo. O fato é que a colina participa de processos biológicos como desenvolvimento neural, sinalização celular, transmissão do impulso nervoso, transporte e metabolismo de lipídios (1). Fosfatidilcolina, esfingomielina, lisofosfatidilcolina, colina plasmogenico produzidos a partir de colina são componentes essenciais de todas as membranas celulares que atuam no desenvolvimento cerebral (2). A colina também é um ingrediente ou substrato para a formação da acetil-

colina, um neurotransmissor e uma molécula de sinalização celular não neuronal que é importante para a memória, o humor, o controle muscular e outras funções do cérebro e do sistema nervoso (3). A colina atua no fechamento do tubo neural e no desenvolvimento cerebral do feto com a formação do centro da memória. Após o nascimento, a intensa biossíntese de membranas cerebrais requer um aumento das necessidades de colina nos primeiros anos de vida devido ao desenvolvimento próprio da idade e que pode ser eficiente ao longo da vida (2). Mas, o que o ovo tem a ver com o feto e a criança? O ovo tem uma quantidade expressiva de colina, cerca de 113mg por unidade. Além disso, é uma fonte de proteína importante e de um conjunto de vitaminas, minerais que

juntamente com a alimentação equilibrada favorece muito o desenvolvimento dos pequenos. A luteína é outro ingrediente do ovo – um carotenoide- relacionado ao combate de radicais livres e importante para o desenvolvimento da criança. Apesar da pesquisa cientifica apoiar o papel da luteina na saúde visual, evidencias sugerem que a luteína desempenha papel importante na cognição ao longo da vida (4). Entre a composição de gorduras, o ovo também possui uma pequena, mas também quantidade de DHA, o acido docosa hexaenoico, importante para a função cerebral e cognição. O ovo é um alimento saboroso, muito apreciado pela maioria das crianças e pode favorecer o seu desenvolvimento.

REFERÊNCIAS: 1- Usual Choline Intakes Are Associated with Egg and Protein Food Consumption in the United States 2- Zeisel SH, da Costa K. Choline: An essential nutriente for public health. Nutrition Reviews, 2009; 67(11): 615-623. 3- Wallace TC, Fulgoni VL. Usual Choline Intakes Are Associated with Egg and Protein Food Consumption in the United States Nutrients 2017, 9, 839; doi:10.3390/nu9080839 4- Wallace TC. A Comprehensive Review of Eggs, Choline, and Lutein on Cognition Across the Life-span, Journal of the American College of Nutrition, DOI: 10.1080/07315724.2017.1423248 Revista do Ovo

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Semana do Ovo

Instituto Ovos Brasil amplia Semana do Ovo; sucesso, dedicação e muito trabalho deram o tom ao evento nacional A celebração de 2018 contou com o engajamento de entidades estaduais, empresas, produtores, revendedores e diversos profissionais da área

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Semana do Ovo 2018 demonstrou o quanto podemos ser fortes quando nos unimos! O Instituto Ovos Brasil aproveita a oportunidade para parabenizar cada pessoa que despendeu seu tempo, contribuiu com ideias, promoveu as ações e participou ativamente desta ação que aconteceu no Brasil inteiro. A entidade agradece ainda, especialmente, aos patrocinadores DSM, Ceva Saúde Animal, Label Rouge, EPM Embalagens e MSD Saúde Animal, além de todas as empresas que contribuíram com as entidades estaduais e com ações regionais. Ao lado dos patrocinadores, as entidades estaduais do setor avícola tiveram papel fundamental: Associação dos Avicultores do Estado do Es-

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Revista do Ovo

pírito Santo (AVES), Associação Goiana de Avicultura (AGA), Associação Cearense de Avicultura (ACEAV), Associação de Avicultores de Minas Gerais (AVIMIG), Associação Avícola de Pernambuco (AVIPE), Associação Baiana de Avicultura (ABA) e Associação Paulista de Avicultura (APA). Ações em faculdades, escolas infantis, restaurantes, supermercados e pontos de venda de ovos, entre outros, fizeram parte de inúmeras atividades que contaram com a ajuda e organização de uma série de parceiros juntamente com o Instituto Ovos Brasil. Foram 455 kilos de material distribuídos por todo o país! Muitas empresas também realizaram suas próprias ações em suas unidades, clientes e parceiros. Ricardo Santin, Presidente do

Ações em faculdades, escolas infantis, restaurantes, supermercados e pontos de venda de ovos, entre outros, fizeram parte de inúmeras atividades que contaram com a ajuda e organização de uma série de parceiros juntamente com o Instituto Ovos Brasil


Conselho Diretor do Instituto Ovos Brasil, afirma: “Em nome de toda a equipe que esteve engajada na organização da Semana do Ovo, queremos mandar o nosso muito obrigado aos nossos patrocinadores e parceiros. Conseguimos cumprir o grande objetivo de engajar o Brasil todo nessa festa. A importância do trabalho em conjunto é uma das maiores lições aprendidas pelos membros e entusiastas do Instituto Ovos Brasil”. Diversas instituições de ensino foram envolvidas na campanha da Semana do Ovo 2018, em vários estados: Escola de Educação Infantil Pommer, Multivix, Faculdade Católica de Vitória, Instituto Federal de Minas Gerais, Universidade Federal de Lavras, Colégio São Luiz do Gonzaga, Hotec, Senac Escola Técnica Estadual Getúlio Vargas, CMEI Bem Me quer e Universidade Federal de Goiás. O IOB também promoveu em sua sede em São Paulo um curso sobre segurança alimentar e os valores nutricionais do ovo. E mais uma vez o Instituto Ovos Brasil manteve parceria junto ao Grupo GPA, realizando degustações de omeletes e palestras nos Supermercados extra e Pão de Açúcar. A ação no Extra da Avenida Ricardo Jafet, em

O sucesso de 11 anos de trabalho de marketing do Instituto Ovos Brasil é sacramentado com a excelente perspectiva para o aumento do consumo per capita de ovos, que deve alcançar 212 unidades em 2018 SP, contou com uma cabine de fotos instantâneas, degustação de omeletes e a distribuição de material promocional. Os consumidores levavam para casa uma foto com o logotipo do Instituto e tiraram dúvidas com a nutricionista Lúcia e equipe de promoção. Foi tanto sucesso que todos os ovos da gôndola ao lado foram vendidos! O mercado entrou em contato

solicitando que a ação fosse semanal. Vale a pena ressaltar também a importância do material promocional elaborado pelo Instituto Ovos Brasil em conjunto com as entidades estaduais e que foi distribuído junto a todas as ações realizadas. O novo livro de receitas fez muito sucesso. Outro destaque é o cardápio desenvolvido para o café da manhã, almoço, lanche e jantar para cada um dos sete dias da semana. Os gibis, material tradicional, garantiram a diversão para as crianças contando através de histórias em quadrinhos os benefícios do ovo e curiosidades sobre sua forma de produção. O sucesso de 11 anos de trabalho de marketing do Instituto Ovos Brasil é sacramentado com a excelente perspectiva para o aumento do consumo per capita de ovos, que deve alcançar 212 unidades em 2018. Em 2007, quando o Instituto foi criado a meta era alcançar 208 ovos per capita em 10 anos. Meta cumprida: em 2007 o consumo per capita era de apenas 120 ovos. Em breve, um relatório completo com as fotos e locais das ações será disponibilizado em no site do Instituto Ovos Brasil (www.ovosbrasil.com.br).

Revista do Ovo

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Entrevista

Setor de ovos orgânicos projeta crescimento Em entrevista exclusiva à Revista do Ovo, Fernando Bicaletto, diretor-executivo da Fazenda da Toca, destaca os passos que a empresa terá que trilhar para acompanhar esse crescimento

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mercado de ovos cresce no Brasil ano a ano e busca suas diferenciações para ganhar ainda mais espaço no gosto e na mesa do brasileiro. Uma das alternativas é a produção e comercialização de ovos orgânicos. A Revista do Ovo foi conversar com Fernando Bicaletto, diretor-executivo da Fazenda da Toca sobre o tema. Ele explica que os consumidores, em busca de uma alimentação mais saudável, optam cada vez mais pelos orgânicos. “E isso já sabíamos, mas agora vemos que, além de orgânicos, procuram algo que proporcione um ganho adicional à saúde”, afirmou. De acordo com Bicaletto, essa demanda que fez a empresa lançar os chamados ovos funcionais, que são aqueles enriquecidos naturalmente com Ômega 3, Selênio e Vitamina E, nutrientes essenciais para o bom funcionamento do organismo. “Sim, o setor está em plena expansão, com um crescimento de 20% a 30% ao ano, o que nos permite trabalhar com um cenário de aumento de investimentos. Atualmente, nossos ovos orgânicos estão presentes em mais de 500 pontos de venda, especialmente em São Paulo e Rio de Janeiro. Acompanhe na sequência os principais trechos da entrevista. 2018 foi um ano de grande avanço e crescimento dos produtos orgânicos, e a Fazenda da Toca garantiu a certificação do Certified Humane Brasil, o que corroborou o trabalho feito pela empresa. Qual foi o índice de crescimento da empresa em 2018 e que análise o Sr. faz sobre este ano e quais são as projeções da empresa para o ano de 2019?

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De fato, 2018 tem um sido ano de grandes conquistas para a Fazenda da Toca em diversos aspectos. Nesse período, consolidamos a nossa solidez financeira, comprovando a viabilidade econômica da produção de orgânicos em larga escala. Somos hoje a maior produtora de ovos orgânicos do país, com uma posição cada vez mais expressiva nesse segmento. Ao longo desse período, investimos na ampliação de nossa capacidade produtiva e chegaremos ao final do ano safra com 180.000 aves produzindo 115.000 ovos/dia, um aumento de 42% em relação ao período anterior. Também expandimos nosso portfólio de produtos, com o lançamento dos ovos orgânicos enriquecidos com Ômega 3, Selênio e Vitamina E e os ovos pequenos de galinhas jovens. Com o aumento na produção e os novos produtos, começamos a buscar outros mercados fora de São Paulo e Rio de Janeiro, onde já temos presença comercial consolidada. E estamos agora dirigindo as nossas vendas para Estados como Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais e Espírito Santo. Além de firmarmos a perna da sustentabilidade financeira com uma operação eficiente e rentável, tivemos reconhecimentos importantes na área ambiental e social. Neste ano, a Fazenda foi considerada uma das empresas que mais promovem impacto positivo para o meio ambiente pelo Sistema B, comunidade global que busca redefinir o conceito de bons negócios como uma força para o bem do planeta e da sociedade. E fomos ainda credenciados pelo Great Place to Work, que avalia as melhores companhias para se trabalhar no país. E a Toca foi a primeira empresa do Brasil a receber o selo Certified Humane pela modalidade de pro-

Bicaletto “O setor está em plena expansão, com um crescimento de 20% a 30% ao ano, o que nos permite trabalhar com um cenário de aumento de investimentos”


dução de ovos caipira, atestando que o manejo das nossas aves está de acordo com os melhores padrões mundiais de bem-estar animal. Foi, portanto, um ano repleto de realizações e avanços no tripé ambiental, social e financeiro, o que nos trouxe muito orgulho. Para 2019, continuaremos nessa trajetória de crescimento e avanços, fortalecendo práticas sustentáveis, otimização de custos, investimentos em inovação, fortalecimento da cultura organizacional e excelência em nossa operação. Quais são as principais demandas identificadas pela empresa para o setor de ovos orgânicos? Os consumidores, em busca de uma alimentação mais saudável, optam cada vez mais pelos orgânicos. E isso já sabíamos, mas agora vemos que, além de orgânicos, procuram algo que proporcione um ganho adicional à saúde. E foi essa demanda que nos fez lançar os chamados ovos funcionais, que são aqueles enriquecidos naturalmente com Ômega 3, Selênio e Vitamina E, nutrientes essenciais para o bom funcionamento do organismo. Essa foi uma inovação da Toca porque os ovos enriquecidos estavam disponíveis apenas no mercado convencional. E conseguimos introduzi-los com muito sucesso em nosso setor. O ovo já é um produto muito procurado pelo seu valor nutricional e por ter a vantagem de ser a proteína animal mais ba-

“Para 2019, continuaremos nessa trajetória de crescimento e avanços, fortalecendo práticas sustentáveis, otimização de custos, investimentos em inovação, fortalecimento da cultura organizacional e excelência em nossa operação”.

rata e acessível que existe. É considerado o segundo alimento mais completo da natureza, atrás apenas do leite materno. E o enriquecimento natural da forma como fazemos aqui proporciona ainda mais benefícios para a saúde. A empresa projeta aumento de produção em 2019? Sim, o setor está em plena expansão, com um crescimento de 20% a 30% ao ano, o que nos permite trabalhar com um cenário de aumento de investimentos. Atualmente, nossos ovos orgânicos estão presentes em mais de 500 pontos de venda, especialmente em São Paulo e Rio de Janeiro. E agora, como mencionado, vamos expandir o nosso raio geográfico, atuando em novos Estados e fortalecendo a nossa posição em segmentos como food service, além de investir em pesquisa e inovação para identificar novas oportunidades para atender o mercado. Como é trabalhado o marketing para a venda dos produtos da empresa? O fator ‘preço’ ainda é um impeditivo para o aumento de consumo de ovos orgânicos? Por que? O fator preço não chega a ser um impeditivo porque temos visto um aumento constante da demanda. Mas, naturalmente, é um fator limitador, uma vez que restringe as vendas para a parcela da população de maior poder aquisitivo. De fato, a diferença de preço entre produtos orgânicos e convencionais no Brasil ainda é grande, podendo chegar a 300%. Nos Estados Unidos, essa diferença é menor, varia de 40% a 140%. Esse cenário começa a mudar à medida em que a cadeia de produção orgânica ganha escala para reduzir seus custos e conseguir colocar produtos com preços mais acessíveis para o consumidor. Já estamos vendo esse movimento e acredito que essa diferença de preços tenderá mesmo a diminuir no futuro próximo. Temos um trabalho de marketing muito focado nos pontos de venda e também nas mídias sociais. Sempre nos aproximamos do nosso público e reforçamos a divulgação dos nossos produtos com a participação em feiras e eventos e a realização de degustações. E temos canais muito fortes nas nossas redes, como Facebook, que hoje tem mais de 80 mil seguidores, e

Instagram, com quase 68 mil seguidores, além de outros meios de comunicação, como a nossa newsletter para aprofundar a relação com o público da Toca. O que deverá mudar em termos de avanços nas estruturas produtivas e mercadológicas da empresa? A Toca já possui um moderno complexo de aviários com uma estrutura projetada para garantir às galinhas a melhor qualidade de vida. As aves contam com galpões climatizados com ventiladores e nebulizadores que proporcionam a elas todo conforto térmico. Também têm à disposição bebedouros e cochos com comida e água da melhor qualidade para consumirem à vontade. As áreas externas são dimensionadas para que cada ave tenha um espaço de pelo menos um metro quadrado para ciscar e passear livremente todos os dias. Esse é o nosso padrão, que fazemos questão de manter para atender aos requisitos de bem-estar animal, que é o princípio máximo de nossa produção. Em termos mercadológicos, como comentamos anteriormente, vamos buscar novos segmentos e mercados para atuar nesse e nos próximos anos. Como a empresa está lidando com gargalos como manejo, transporte, armazenagem de grãos e a diferença de preços e o que deve mudar? A Toca já investiu muito com o objetivo de enfrentar esses desafios. Hoje, não os encaramos como gargalos, mas como uma complexidade natural da operação com a qual estamos bem preparados para lidar. Uma das maiores dificuldades em nosso segmento é a obtenção de grãos orgânicos para a ração, com uma oferta ainda muito restrita no Brasil. Por isso, temos dentro da Fazenda uma área destinada ao plantio de milho orgânico gerida por um parceiro que nos garante o suprimento desse insumo nas especificações que precisamos para oferecer o melhor alimento para as nossa aves. Também há uma imensa complexidade na operação para atender todos os requisitos de certificação e manejo de bem-estar animal, além de desafios logísticos e de armazenagem. Esse não é um ramo simples nem fácil, mas estamos hoje bem preparados para encarar seus desafios. Revista do Ovo

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Marketing

Leandro Pinto: “Em pesquisas, identificamos uma excelente aceitação do público para esta ideia de receberem os ovos em casa”

Mantiqueira aposta em “Clube do Ovo” para atrair consumidores Grupo investe em ovos por assinatura

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Ovos Mantiqueira acaba de lançar uma novidade para os consumidores: o Clube do Ovo Mantiqueira®. A iniciativa, que começa a valer a partir de novembro, permitirá que assinantes cadastrados recebam os ovos da marca em casa, com entregas semanais, quinzenais e mensais. Os assinantes do Clube do Ovo Mantiqueira encontrarão kits exclusivos de ovos especiais da marca para assinatura, com planos disponíveis de entrega a partir de 30 ovos. Para aqueles que mantêm um consumo maior do alimento, o clube oferecerá kits com 60 ovos. As opções de kits, sempre com a garantia de ovos frescos, virão com Happy Eggs (ovos de galinhas livres), Ovos Gourmet (ideal para uso culinário), ovos da Galinha Pintadinha (temático

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para crianças), Orgânicos (de galinha caipira), e ainda haverá uma seleção surpresa, onde o consumidor será surpreendido com outros tipos de ovos da marca, podendo conhecer assim outros produtos, a cada entrega. O cadastro será feito pelo site e a compra por meio de cartão de crédito com renovação automática. Para tornar o recebimento dos ovos uma experiência ainda melhor, a marca lança Kombi personalizada exclusivamente para o delivery, que inicialmente cobrirá as regiões da Barra da Tijuca, Zona Sul e Tijuca, no Rio de Janeiro. Em entrevista exclusiva à Revista do Ovo, Leandro Pinto, sócio-proprietário da Ovos Mantiqueira, explica como está sendo feito este trabalho. Como se deu a iniciativa? Observando tendências mundiais e as mudanças no hábito de consumo de

seus clientes, a Mantiqueira decidiu ficar mais próxima de seus consumidores, oferecendo seus ovos já conhecidos pela qualidade e frescor através do Clube do Ovo Mantiqueira. O clube tem como objetivo realizar entregas pré-programadas diretamente na casa do consumidor de acordo com o pacote assinado. Com isso, nossos clientes terão a segurança de receber ovos em casa com conhecimento da procedência e qualidade da Mantiqueira. Qual foi o investimento? Investimos na reestruturação do site, na aquisição de uma Kombi exclusiva para o frete dos produtos e no treinamento da equipe de produção e logística. Como foi a identificação desta demanda pela Mantiqueira? Verificamos que cada vez mais os consumidores estão indo direto ao pro-


Kombi utilizada pela Mantiqueira para a entrega dos ovos

dutor através da internet. Em pesquisas, identificamos uma excelente aceitação do público para esta ideia de receberem os ovos em casa, e por isso decidimos oferecer um canal a mais para o consumidor que busca uma solução mais prática para o seu dia a dia, uma vez que ele não vai precisar se preocupar com a falta do produto. Em quais mercados já está funcionando? O serviço terá início em alguns bairros da cidade do Rio de Janeiro (Zona Sul, Barra da Tijuca, Tijuca e alguns bairros da Zona Norte). Média mensal prevista de entrega de ovos no novo sistema. Estamos otimistas com o lançamento do Clube do Ovo Mantiqueira e acreditamos que a demanda em busca do serviço crescerá ao longo dos meses. Como a iniciativa amplia a necessidade de buscar novos nichos para o mercado de ovos? Os consumidores buscam cada vez

mais comodidade, e esta iniciativa permite que os consumidores tenham acesso de forma rápida e prática a toda aos mais diversos ovos de nosso portfólio. Novos mercados, novas estruturações de comercialização. Qual é a realidade hoje do mercado de ovos e qual será o futuro? Há mais de 30 anos, a Mantiqueira acompanha uma constante mudança no mercado de ovos. De vilão da saúde, hoje temos um cenário onde ele é o “queridinho” da alimentação dos brasileiros. Além disso, estamos vendo um produto que sempre foi vendido como commoditie ganhando um novo olhar dos consumidores que buscam opções para atender suas necessidades diárias, sem abrir mão de qualidade e confiança. Para o futuro, acreditamos que esse comportamento só tende a aumentar, e que cada vez mais nossos consumidores procurarão nossos produtos em diferentes canais, por isso estamos apostando também na internet.

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PROTEÇÃO PARA OS MELHORES RESULTADOS.

Tradição movida pela inovação.

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Comportamento e consumo

Metodologias sensoriais projetivas e observacionais: fundamentos teóricos e aplicação no processamento de ovos e derivados Pesquisas relacionadas à percepção do consumidor e motivações de compra são de suma importância para as indústrias de alimentos, pois ajudam a definir as melhores estratégias de comercialização Autores: Carla A.B. Sass1, Shigeno P. Kuriya2, Wanessa P. Silva3, Mônica Q. Freitas3, Adriano G. Cruz2, Erick A. Esmerino3* (1) Universidade Federal Fluminense (UFF), Departamento de Tecnologia de Alimentos, Rua Vital Brasil Filho, nº 64, Vital Brasil, Niterói, 24320 340, Brasil (2) Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ), Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos, Rua Senador Furtado, n° 121/125, Maracanã, Rio de Janeiro 20270-021, Brasil. (3) Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRuralRJ), Departamento de Tecnologia de Alimentos, Rodovia BR 465, Km 07, s/n - Zona Rural, Seropédica, Rio de Janeiro, 23890-000, Brasil. E-mail: erick_almeida@hotmail.com

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s ovos são uma fonte barata e rica em nutrientes, sendo um dos alimentos mais completos da dieta humana, apresentando uma composição rica em vitaminas, minerais, ácidos graxos e proteínas de excelente valor biológico e apresentando aproximadamente 20% das recomendações diárias (RDA) de proteína (Applegate, 2000; Abdel-Nour et al., 2011; Rêgo et al., 2012; Surai & Fisinin, 2015). O aumento do consumo de ovos tem tornado a indústria avícola um dos segmentos animais que mais crescem em todo o mundo, tendo a produção mundial aumentado cerca de 95% (68,26 milhões de toneladas de ovos) comparada a produção de 1990 (Faostat, 2015). O mercado de ovos está se expandindo e o consumidor tem ao seu alcance uma grande variedade de ovos, como os convencionais, de galinhas poedeiras brancas e marrons, ovos caipiras, orgânicos e enriquecidos com ômega 3 e enriquecidos com vitaminas (Haas, 2015; Lordelo et al., 2016), porém os fatores envolvidos na sua escolha ainda são poucos elucidadas. Pesquisas relacionadas à percepção do consumidor e motivações de compra são de suma importância para as indústrias de alimentos, pois ajudam a definir as melhores estratégias de comercialização (Van Kleef, Van Trijp, &Luning, 2005; Roininen, Arvola, & Lähteenmäki, 2006; Ares et al., 2008). Entretanto, muitas vezes, os consumidores não são capazes de explicar

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seu próprio comportamento ou não partilham seus verdadeiros pensamentos devido a barreiras sociais (Van Kleef, Van Trijp, &Luning, 2005). Para facilitar esse entendimento, se tem disponível algumas ferramentas de pesquisa qualitativas exploratórias para, visando investigar o comportamento do consumidor de alimentos, onde tem se destacando o uso de técnicas observacionais e técnicas projetivas (Levy, 2005).

2. Metodologias projetivas As metodologias projetivas são ferramentas de pesquisa que utilizam tarefas menos estruturadas quando comparadas às abordagens quantitativas e permitem que valores, ideias e necessidades abstratas que impactam de forma direta o comportamento do consumidor e dificilmente seriam alcançados usando métodos diretos, sejam extraídos de forma prática (Van Kleef, Van Trijp, &Luning, 2005; Guerrero et al., 2010). Elas têm sido utilizadas para identificar oportunidades de mercado, gerar ideias e hipóteses, explorar e desenvolver novos conceitos e compreender a percepção dos consumidores com relação aos produtos (Lawless & Heymann, 2010; Viana et al., 2016; Pontual et al., 2017; Soares et al., 2017) baseando-se no pressuposto de que os sentimentos, crenças, atitudes e motivações mais íntimas podem ser descobertos apresentando-lhes um estímulo não estruturado e ambíguo (Donoghue, 2000), sendo vistas como uma uma ma-

neira rápida de acessar informações sobre novos produtos (Gámbaro, 2018). Dependendo do tipo de respostas requeridas, podem ser subdivididas em cinco categorias: associação, construção, conclusão, escolha de ordenação e expressiva (Donoghue, 2000; Hofstede, et al., 2007).

2.1 Categoria de associação 2.1.1 Associação de palavras (Word Association) Essa técnica é, atualmente, uma referência quando se quer conhecer a percepção dos consumidores em relação à um alimento. (Gambaro, 2018). Na associação de palavras, os consumidores entrevistados são solicitados a indicar as primeiras palavras, imagens ou pensamentos que vem à sua mente, após apresentação de um estímulo, é considerada rápida e fácil para englobar informações úteis sobre a percepção dos consumidores de determinado produto alimentar (Antmann et al., 2011; Gámbaro, 2018). Essa técnica não é somente aplicada para avaliar as características sensoriais, como também para demonstrar a expectativa dos consumidores sobre a eficácia do produto e revelar a imagem associada pelo subconsciente de potenciais consumidores (Gámbaro et al., 2014). Uma de suas vantagens é que ela dá resultados mais espontâneos do que um questionário ou entrevista normal, mas tem sido criticada por suas desvantagens, como por exemplo a complexidade da análise dos dados e, principalmente, a sub-


jetividade do agrupamento dos termos utilizados pelos consumidores (Donoghue, 2000). 2.1.2 Mapa projetivo (Projective Mapping) O mapa projetivo é uma técnica moderna de análise sensorial onde se obtém a relação de semelhança e diferença dentro de um grupo de a mostras disponíveis através da disposição em um espaço de duas dimensões. É solicitado ao entrevistado que componha grupos de amostras semelhantes e que descreva cada grupo formado. (Louw et al., 2013; Varela & Ares, 2015). A tarefa de mapeamento projetivo pode envolver a percepção de semelhanças e diferenças de uma perspectiva intrínseca (sensorial), de uma perspectiva extrínseca (embalagem, rotulagem, etc.), ou de ambas (Carrillo, Varela & Fiszman, 2012). Esse é um dos métodos holísticos mais populares, com um número emergente de estudos nos últimos anos (Vidal et al., 2014 ; Esmerino et al., 2017). Como principal vantagem,

fornece um julgamento global sobre produtos, integrando todas as características sensoriais (Dehlholm et al., 2012; Perrin et al., 2008), entretanto, o uso de equipe treinada na avaliação favorece na obtenção de uma resposta mais rápida (Alcântara & Freitas-Sá, 2018)

útil para entender melhor o comportamento dos consumidores (Vidal, Ares & Gimenez, 2013). No entanto, apesar dos resultados promissores, estudos com esta abordagem ainda são escassos (Saher et al.,2004; Vidal, Ares & Giménez, 2013, Pinto et al., 2018).

2.2 Categoria preenchimento

2.3 Complemento de sentença

2.2.1 Lista de compras (Shopping list) O primeiro estudo publicado utilizando técnicas projetivas de preenchimento foi realizado por Haire (1950) e demonstrou ser uma ferramenta útil ampliar hipóteses sobre o comportamento e perfil do consumidor, sendo a metodologia conhecida como “Haire’s shopping list”, que consiste em projetar uma situação de compras de mantimentos para uma lista, fornecendo uma breve descrição de sua personalidade. Esse tipo de estudo foi replicado muitas vezes décadas atrás e, embora algumas limitações tenham sido declaradas, os resultados indicam que essa abordagem é

Na metodologia “completion task” ou completo de sentença, o entrevistado é solicitado a preencher uma frase, história, argumento ou conversa incompleta podendo ou não ser combinada com imagens (Kubacki & Siemieniako, 2017). Apesar de ter um fácil entendimento por parte dos entrevistados e ter uma fácil análise dos dados, dentro da ciência do consumidor, estudos com essa metodologia ainda são escassos, restritos à investigação da percepção do consumidor sobre saladas minimamente processadas (Vidal, Ares & Giménez, 2013), bem como a percepção de sustentabilidade na produção de vinhos (Ginon, et al., 2014) e hambúrgueres congelados (Viana et al., 2016).

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Comportamento e consumo 2.4 Técnicas de observação Pesquise observacionais implicam em observar os usuários em seus ambientes, sem fazer perguntas sobre o porquê e como as coisas estão sendo feitas e essa a observação é uma forma mais intensiva de pesquisa observacional, que requer a aderência dos pesquisadores à cultura estudada, visando um melhor entendimento. (Dutcosky, 2007) 2.4.1 Etnografia Define-se etnografia como a observação do consumidor em seu ambiente natural, por um etnógrafo profissional podendo este estar disfarçado com apoio de equipamentos especializados tais como câmeras de vídeo (Dutcosky, 2007). É uma ferramenta de pesquisa qualitativa que fornece insights sobre o consumo e os comportamentos de compra, que podem ser tão importantes quanto os atributos do produto em determinar o gosto e a compra. (Jervis, Lopetcharat & Drake, 2012). A metodologia envolve a observação das palavras, ações e comportamentos, dentro do contexto das várias culturas que eles são membros, onde essas identidades culturais podem ser muito amplas, como identidade nacional, ou muito estreita, como consumidor de um produto específico (Jervis & Drake, 2014). É importante considerar cada uma dessas associações culturais ao longo da coleta de dados e análise. (Jervis & Drake, 2014). Na observação, é importante que o pesquisador esteja imerso e ativo na comunidade, mas imperceptível e despercebido ao mesmo tempo (Agar ,1996; Elliott & Jankel-Elliott 2003; Singer, 2009). A coleta dos dados etnográficos podem ajudar os pesquisadores a entender fatores que afetam os comportamentos e decisões de compra (Jervis, Lopetcharat & Drake, 2012). No contexto da pesquisa sensorial, a etnografia tem sido usado para estudar o comportamento do consumidor ambientes apropriados, com o objetivo de melhor entendimento intenções de compra. (Jervis & Drake, 2014). 2.4.2 Diários O uso de diários está bem documentado em diferentes campos da ciência e empregados em uma ampla gama de projetos de pesquisa, como estudo em saúde (Zaccarelli, Godoy, 2010; de Araújo et al., 2013). Essa metodologia tem sido utilizada em pesquisas naturalísticas, incluindo estudos etnográficos, oferecendo uma fonte tradicional de informações para obter insights e compreensão sobre a vida dos

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indivíduos, podendo ser usados de maneira independente ou em combinação com outros métodos de pesquisa, concentrandose na coleta de dados no tempo presente/ próximo, portanto, superando problemas de recordação que frequentemente existem em métodos de pesquisa retrospectivas, tendo uma ampla gama de categorias pode ser registrada, incluindo fatos, pensamentos, sentimentos, opiniões, atividades ou interações, podendo a gravação pode ter várias formas com o uso de diferentes tecnologias (Kubacki & Siemieniako, 2017). O uso dessa metodologia se mostrou mais eficiente na captura de memórias do que metodologias clássicas, como entrevistas, questionário ou métodos experimentais (Burton & Nesbit, 2015). Além disto, é uma técnica que não se mostrou excludente, podendo ser triangulada com entrevistas, bem como com outras técnicas quantitativas, tais como escalas e testes, permitindo complementaridade de dados e colabora com a validade das investigações (Zaccarelli, Godoy, 2010). A principal desvantagens apontadas está na dificuldade de convencer os respondentes a preencher os diários durante o decorrer da pesquisa com o mesmo entusiasmo do início, pois essa é uma tarefa que exige comprometimento e dedicação (Chaston et al., 1993; Cassel & Symon, 2004).

3. Metodologias projetivas aplicadas a Ovos e Derivados Apenas dois trabalhos envolvendo metodologias projetivas na área de ovos e derivados, o que demonstra que há um campo imenso a ser explorado para as industrias de ovos e derivados, visando entender como o consumidor entender seus produtos e assim procurar a melhor estratégia de marketing e de divulgação para aumentar sua venda e encontrar um melhor posicionamento no mercado em relação aos seus concorrentes. Na medida em que muitos industrias de ovos e derivados são de pequeno e médio porte, vale a pena uma associação com o meio acadêmico para o desenvolvimento de trabalhos ligados ao tema. Teixeira e colaboradores (2018) realizaram um trabalho investigativo para captar a percepção dos consumidores de ovos brasileiros e chilenos quanto aos métodos de criação de galinhas poedeiras. O estudo utilizou a metodologia de associação de palavras para captar essas informações e

obteve, como resultado, uma grande quantidade de citações sobre liberdade e bem-estar animal, o considerando como sistema de criação ideal. Isso refletiu uma demanda por esses sistemas de produção, mostrando uma desconexão entre a expectativa do consumidor e a realidade da indústria, que não apresenta muitas dessas características em suas criações. A metodologia de complemento de sentenças foi empregada para captar a percepção dos consumidores de ovos (Sass et al., 2018). Nesse estudo, os entrevistados foram convidados a complementar uma sentença, apresentada com uma imagem, sobre cada tipo de ovo encontrado no mercado, como ovos de granja brancos e marrons, ovos orgânicos, ovos caipiras e ovos enriquecidos com ômega 3 ou vitaminas. O resultado demostrou que o ovo branco, apesar de provenientes de uma criação de granja, ainda são os preferidos por serem mais conhecidos e pelo seu preço mais baixo. Os ovos caipiras são procurados pelo sabor, mas ainda há uma grande confusão com os ovos orgânicos e marrons de granja. Os ovos enriquecidos ainda apresentam desconhecimento e desconfiança por grande parte da população.

4. Perspectivas A aplicação de metodologias projetivas e observacionais tem se mostrado eficaz no estudo de produtos alimentícios e captação da percepção dos consumidores, pois elas evidenciam os fatores intrínsecos e extrínsecos que guiam o consumidor em sua escolha, servindo como uma excelente fonte de coleta de informações sobre a expectativa de compra e consumo, desenvolvimento e reformulação de produtos por parte da indústria, razões de escolhas, percepção de produtos semelhantes, segmentação, determinação de estratégias de marketing, entre outros. Assim, se produzindo uma fonte de informação valiosa aos produtores para que o mercado produtor possa adequar os seus produtos ao consumidor. Em se tratando de ovos, apesar do crescente consumo mundial e dos diferentes ovos que estão disponíveis no mercado hoje em dia, ainda ocorre a necessidade maior de informações que tracem um perfil de consumidor além dosfatoreslevemaoconsumodedeterminado produto. (Para Referências, solicitar à Redação da Revista do Ovo)


Empresas

De Heus fortalece Recursos Humanos com foco na gestão de alta performance das equipes Contratação de Edmilson Ribeiro reforça visão estratégica do grupo no Brasil

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multinacional holandesa De Heus completa seis anos de suas atividades no Brasil reforçando seu perfil inovador de negócios. Focada na tradução de soluções nutricionais globais de alta competitividade e uma abordagem prática, comprometida com o cliente — os produtores de proteína animal —, a companhia vem crescendo de forma acelerada, contrariando as instabilidades do mercado nacional nesse mesmo período. Para manter essa evolução, a De Heus investe constantemente na gestão de Recursos Humanos: “a nossa empresa é considerada uma das melhores para se trabalhar na Holanda; no Brasil não pode ser diferente. Temos atuado global e localmente para o desenvolvimento de nossos talentos e suas competências, que nos guiam para o sucesso”, afirma Rinus Donkers, diretor LATAM da empresa. Alinhado a esse posicionamento de unir a estratégia de negócios da companhia com a gestão de talentos, a empresa anuncia a contratação de Edmilson Ribeiro como Head da área de Recursos Humanos no Brasil. Com 20 anos de experiência, o profissional é graduado em Administração, pós-graduado em Recursos Humanos pela FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado) e atuou na Nestlé Skin Health como gerente sênior de RH e SHE, gerente regional de Re-

cursos Humanos para a América Latina baseado nos Estados Unidos, na Europa e também liderou um projeto de Recursos Humanos na China. “Trabalhar na De Heus significa trabalhar em um ambiente dinâmico. Nossos colaboradores são entusiastas e comprometidos com o progresso conjunto. O perfil empreendedor é constantemente incentivado dentro da companhia, qualificação fundamental para nossa consolidação como um dos principais players no mercado internacional de nutrição animal”, comenta o novo gestor de RH. Desde que chegou ao Brasil, a De Heus ampliou a sua capacidade de atuação, aumentando em torno de 80% o volume de produção, e o faturamento das operações em 180%. Essas conquistas atraíram — durante os últimos seis anos — profissionais de diferentes formações, mais 350 colaboradores nas sete unidades do grupo no País, que compõem e reforçam a cultura da empresa de fomento ao progresso do agronegócio. “Estou feliz em ver o alto nível de engajamento profissional de nossas pessoas e sentir o orgulho de todos em atuar em uma empresa condecorada pela Coroa Real Holandesa. Vejo que os colaboradores fazem a diferença e meu foco é continuar contribuindo para o desenvolvimento de nosso talentos e negócio”, finaliza Ribeiro.

Edmilson Ribeiro

“Trabalhar na De Heus significa trabalhar em um ambiente dinâmico. Nossos colaboradores são entusiastas e comprometidos com o progresso conjunto”.

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Bem-estar animal / mercado externo

Indústria de ovos dos EUA: desafios e oportunidades Durante um período aproximado de um ano (a partir de setembro de 2015), mais de 230 marcas de restaurantes, mercearias e empresas alimentícias assumiram compromissos públicos de fornecer apenas ovos de sistemas de produção sem gaiolas Autora: Hannah Thompson-Weeman Vice Presidente de Comunicação da Animal Agriculture Alliance

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ão há como negar - os americanos adoram ovos. O consumo per capita de ovos tem crescido constantemente nas duas últimas décadas, de 239,7 em 1998 para 276,3 em 2018, de acordo com o American Egg Board. Os ovos são conhecidos por serem fontes saudáveis e acessíveis de proteínas e outros nutrientes essenciais. Mas eles reterão essa reputação, já que os fazendeiros devem ser obrigados a adotar métodos de produção mais caros para atender à chamada “demanda do consumidor”? A indústria de ovos nos Estados Unidos está enfrentando um grande desafio. Durante um período aproximado de um ano (a partir de setembro de 2015), mais de 230 marcas de restaurantes, mercearias e empresas alimentícias assumiram compromissos públicos de fornecer apenas ovos de sistemas de produção sem gaiolas, a maioria dando um prazo de 2025. Essa mudança exigirá que 228 milhões de galinhas fiquem livres de gaiolas dentro desse prazo, que ao preço de US $ 10 bilhões para construir ou converter todos os galpões sem gaiolas necessários. Atualmente, 41,5 milhões de galinhas estão alojadas em sistemas não orgânicos, incluindo cerca de 13% do total do rebanho dos Estados Unidos. Esse percentual precisará aumentar para cerca de 75% para produzir ovos livres de gaiola suficien-

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Revista do Ovo

tes para atender aos compromissos assumidos pelas empresas de alimentos. Apesar dessa aparente necessidade de aumento de produção, vários grandes produtores de ovos estão se afastando dos esforços para aumentar o estoque sem gaiolas porque atualmente existem mais ovos livres de gaiolas no mercado do que os consumidores estão dispostos a comprar. De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, a partir de novembro de 2018 os ovos livres de gaiolas custam em média cerca de US $ 2,40 a dúzia, enquanto o custo médio de uma dúzia de ovos convencionais é de US $ 1,10, e a maioria dos consumidores parece não estar disposta a pagar esse prêmio. No início de 2018, Jayson Lusk, Ph.D., economista agrícola da Purdue University, conduziu pesquisas usando técnicas de modelagem de opções que imitam a tomada de decisões no ambiente de varejo para avaliar o conhecimento do consumidor e a disposição de pagar por vários atributos do produto, incluindo gaiola. - ovos livres. A pesquisa teve mais de 2.000 entrevistados que fizeram uma série de escolhas entre produtos que variam em preço e outros atributos, como práticas de produção, reivindicações de rotulagem, embalagem, cor e aparência do produto. As principais conclusões da pesquisa incluíram: há um potencial de

maior participação de mercado para os ovos livres de gaiolas do que a observada atualmente, mas não a participação majoritária no mercado; mais da metade dos compradores de ovos são sensíveis ao preço, demonstrando disposição para pagar menos de US $ 0,40 a mais por dúzia de ovos livres de gaiolas; e remover a opção de comprar os ovos produzidos de forma convencional e mais acessíveis aumenta significativamente a parcela de consumidores que não compram ovos. O que leva a uma questão crítica por que as empresas de alimentos se comprometeram a usar apenas um produto que a maioria de seus clientes não está disposta a pagar mais? O impulso para a produção sem gaiolas nos EUA foi impulsionado por grupos ativistas dos direitos dos animais que descobriram que conseguir que as marcas de alimentos adotem políticas para suas cadeias de suprimentos é uma maneira mais rápida de exercer influência sobre a pecuária do que com uma série de regulamentações estaduais no cuidado animal ditado por campanhas legislativas. A legislação ainda desempenha um papel, como a Proposição 12 acabou de passar na Califórnia com 61% dos votos. A Proposição 12 exige que as galinhas sejam alojadas em sistemas livres de gaiolas com base nas diretrizes da United Egg Producers até 2022. Grupos da indústria expressaram preocu-


Hanna

“Se os produtores de ovos e outros envolvidos na agropecuária quiserem continuar tendo sucesso, é essencial comunicar proativamente informações precisas e científicas sobre a agropecuária em toda a cadeia de fornecimento”. pação sobre o prazo de 2022 ser curto demais para permitir que os produtores façam a transição, além de levantar questões sobre os custos dos alimentos e escassez potencial, mas sem sucesso. A campanha para apoiar a proposta (liderada pela Humane Society dos Estados Unidos) arrecadou mais de US $ 13 milhões, incluindo uma contribuição de US $ 4 milhões do Open Philanthropy Project. Pressionando as marcas de alimentos em todo o país a adotar certas políticas, as organizações ativistas são capazes de forçar a implantação de exigências de fornecedores sob o disfarce de bem-estar animal - mesmo que a política não beneficie verdadeiramente os animais. O motivo subjacente a essas mudanças, que são quase sempre muito caras para os agricultores, é tornar a produção de alimentos menos eficiente e elevar os custos dos alimentos, forçando os consumidores a fazer escolhas difíceis sobre o que podem pagar. O impulso de ovos sem gaiolas é um exemplo claro desse esforço, já que grupos ativistas afirmaram que são mais humanos para as aves. A Coalition for a Sustainable Egg Supply é um grupo de múltiplas partes interessadas formado por cientistas líderes em bem-estar animal, instituições acadêmicas, organizações não governamentais, fornecedores de ovos e empresas de varejo de alimentos e restaurantes. O grupo realizou um estudo de três anos para avaliar vários sis-

temas de alojamento de galinhas poedeiras considerando o impacto de múltiplas variáveis em um sistema sustentável. Os três tipos de alojamento avaliados foram: gaiolas convencionais, aviários sem gaiolas e gaiolas de colônias enriquecidas. Os resultados finais revelaram que, no que diz respeito à saúde e bem-estar animal, a gaiola-livre tem substancialmente pior canibalismo / agressão e danos na quilha (extensão do esterno) em comparação com os sistemas convencionais e enriquecidos de colônias. Tanto a colônia sem gaiola quanto a enriquecida apresentam melhor resistência à tíbia / úmero e condições de penas e pés em comparação com galinhas criadas em gaiolas convencionais e a colônia enriquecida mostrou ter a menor taxa de mortalidade em comparação aos sistemas convencional e sem gaiola. Um dos principais grupos por trás da iniciativa sem gaiolas é a anteriormente mencionada Humane Society dos Estados Unidos. Este grupo mudou a sua sintaxe na habitação de galinhas várias vezes, apoiando sistemas de colônias enriquecidas em julho de 2011, antes de escalar para livre de gaiolas. Líderes da HSUS já estão movendo o poste novamente, com os líderes afirmando que a moradia sem gaiolas não vai longe o suficiente. A HSUS, juntamente com a Mercy for Animals e a Humane League, recebeu mais de US $ 2 milhões em subsídios para financiar suas campanhas corporativas sem gaiolas. Se os produtores de ovos e outros envolvidos na agropecuária quiserem continuar tendo sucesso, é essencial comunicar proativamente informações precisas e científicas sobre a agropecuária em toda a cadeia de fornecimento. Grupos ativistas estão investindo enormes quantias de dinheiro e outros recursos em campanhas semelhantes que visam outras indústrias, como a pressão por frangos de crescimento lento. A agricultura animal precisa tomar medidas para se conectar com as partes interessadas da indústria de alimentos, se envolver com os principais influenciadores e, finalmente, proteger o futuro da indústria. Revista do Ovo

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Empresas

Yamasa lança ovoscopia automática por câmeras Novo sistema de detecção de sujeira e ovos vazando é totalmente automático, sem mão de obra

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Yamasa lançou um novo sistema de ovoscopia automático totalmente controlado por multicâmeras e iluminação. Com o novo equipamento é possível detectar ovos sujos e vazando através do processamento de imagens pelo sistema de visão computacional. Totalmente eletrônico, o novo processo dispensa mão de obra durante a análise. A nova tecnologia da empresa que é a mais tradicional no Brasil em equipamentos para lavagem, classificação e embandejamento de ovos permite que cada ovo seja inspeciona-

do por câmeras e cada uma delas registre imagens do ovo enquanto ele está girando sobre os roletes da esteira transportadora. As imagens são coletadas e analisadas, cobrindo toda a superfície de cada ovo. Após a análise, o sistema atribui uma nota de vazamento e uma nota de sujeira para cada ovo. “É o cliente quem define a nota com a qual o ovo será aprovado ou rejeitado. Isso garante que o avicultor defina o nível de sensibilidade da sujeira ou vazamento para a máquina aprovar ou rejeitar o ovo”, explica Nelson Yamasaki Júnior, diretor comercial da Yamasa.

Nelson Yamasaki Júnior: tecnologia leva ainda mais qualidade à produção de ovos

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Revista do Ovo

Na interface de visualização, a sujeira no ovo aparece na cor azul e o vazamento aparece na cor vermelha. Os ovos vazando são retirados logo após a detecção para não contaminar ou sujar a classificadora. Os ovos sujos são retirados automaticamente e direcionados para uma saída específica da classificadora. O diretor da Yamasa destaca que o equipamento é mais uma tecnologia da Yamasa para oferecer ao avicultor opções de produzir um ovo com ainda maior qualidade, levando excelência ao mercado avícola brasileiro.


Ovoscopia automática: inspeção de ovos por câmeras dispensa mão de obra

A Yamasa nasceu no interior paulista e hoje tem sua sede na cidade de Rinópolis, no Oeste do Estado de São Paulo. Em sua ampla fábrica são produzidas as linhas de máquinas classificadoras de ovos para o setor de postura e as embandejadoras de ovos férteis para o setor de corte, tecnologia que hoje atende todo o Brasil e mais 25 países do mundo

A Yamasa Ao comemorar 53 anos em 2018, a Indústria de Máquinas Yamasa também conta um pouco da história da avicultura brasileira, pois a empresa está ao lado do setor em toda a sua trajetória como avicultura moderna. A Yamasa nasceu no interior paulista e hoje tem sua sede na cidade de Rinópolis, no Oeste do Estado de São Paulo. Em sua ampla fábrica são produzidas as linhas de máquinas classificadoras de ovos para o setor de postura e as embandejadoras de ovos férteis para o setor de corte, tecnologia que hoje atende todo o Brasil e mais 25 países do mundo. As linhas de produtos da empresa contam com máquinas para granjas e empresas dos mais variados portes, além de exclusividades como as embaladoras de ovos de codorna, criação inédita no mundo criada pela empresa para o setor de coturnicultura. Foi ouvindo o mercado e sabendo traduzir suas necessidades que a Yamasa criou suas diversas linhas de máquinas. A parceria da empresa com o mercado tem sido responsável pela produção de equipamentos que atendem avicultores e incubatórios de forma personalizada, de acordo com o perfil de cada empresa. Revista do Ovo

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Análise 2018/Projeções 2019

Ovo

Consumo maior, custo maior, preço menor

Associação Brasileira de Proteína Animal analisa o ano de 2018 e faz projeções para o setor avícola em 2019 Autor: Ricardo Santin – diretor-executivo da ABPA, Presidente do Instituto Ovos Brasil,e vice-presidente do Conselho Mundial da Avicultura- IPC).

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s produtores de ovos viram um sonho de anos ser alcançado em 2018. Finalmente devemos superar a marca de 200 unidades per capita/ano. É uma meta histórica, que aproxima o setor produtivo da média mundial, que está em torno de 230 unidades. Pelas previsões traçadas pela ABPA, a produção anual de ovos deve ser até 10% maior neste ano, na comparação com as 39 bilhões de unidades produzidas em 2017. Ou seja: falamos de uma produção de 44 bilhões de unidades. Falamos de uma disponibilidade per capita equivalente a 210 unidades. Se o consumo do ovo está em alta, o comportamento dos preços, entretanto, segue em montanha russa. Os indicadores do CEPEA apontam fortes elevações em março e junho (período pós-greve dos caminhoneiros), mas mostram também fortes quedas, especialmente

ao longo do segundo semestre. Outubro foi o pior momento do ano, tanto para ovos vermelhos (com a caixa de 30 dúzias abaixo de R$ 65) quanto para ovos brancos (por menos de R$ 60,00), considerando a praça de Bastos-SP. Os indicadores em novembro, entretanto, voltaram a subir. A rentabilidade do setor enfrentou gravíssimos obstáculos ao longo do ano. Um deles foi a alta histórica dos insumos. Em nosso momento mais crítico, vimos o preço do milho se elevar mais de 50% em relação ao mesmo período de 2017. A soja, que atingiu preços recordes, superou os custos do ano passado em mais de 40%. A situação do câmbio e a menor oferta foram os motores deste quadro. A competição pelo produto no mercado interno impulsionou negócios entre players de outros setores de proteína animal com produtores de grãos de países vizinhos, como a Argentina e o Paraguai.

Se o consumo do ovo está em alta, o comportamento dos preços, entretanto, segue em montanha russa

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Análise 2018/Projeções 2019

Outro momento difícil ocorreu nos dez últimos dias de maio, durante a Greve dos Caminhoneiros. A paralisação mostrou ao Brasil a grande dependência da avicultura da logística rodoviária. Sobrevivemos, mas não sem cicatrizes. Os impactos superaram os R$ 3,1 bilhões – disto, R$ 1,5 bilhão foi irrecuperável. E, como herança ao Brasil, temos o tabelamento do frete. No caso da avicultura, de-

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Revista do Ovo

pendemos do que denominamos como transportes dedicados – por questões sanitárias – tanto para animais, quanto para produtos. Exatamente por isto, são transportes fidelizados, majoritariamente em distâncias curtas. Com a nova tabela, o custo logístico dos setores apresenta uma elevação média de 35% - chegando próximo de 80% em algumas modalidades, como o transporte de ração.

Exportações Não só o consumo de ovo aumentou em 2018. As exportações também se fortaleceram neste ano. Em determinados meses, como agosto e outubro, as vendas foram mais de 100% superior em relação ao mesmo período do ano passado. Superaremos em pelo menos 3 mil toneladas as vendas de 2017, e a expectativa é de se aproximar das


A rentabilidade do setor enfrentou gravíssimos obstáculos ao longo do ano. Um deles foi a alta histórica dos insumos

10,4 mil toneladas registradas em 2016. Os Emirados Árabes Unidos são os principais importadores de ovos brasileiros – respondeu a metade das importações. O Japão – um destino conquistado há poucos anos e que é um grande validador dos critérios sanitários e de qualidade do Brasil – também está entre os destaques e deve encerrar o ano como segundo maior importador. África do Sul, Cuba, Arábia Saudita, Uruguai e Gâmbia também importaram volumes significativos.

Para 2019 Temos boas expectativas quanto ao próximo ano. A começar pelo cenário político mais positivo para o Brasil. O presidente eleito já deu seus indicativos quanto à valorização do Agro e da produção de alimentos. Apontou o claro caminho da desburocratização, pacificação no campo e nas estradas, um merca-

do mais livre e fomento às exportações. O anúncio da presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Deputada Tereza Cristina (DEM-MS) como futura Ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento indica que as promessas de valorização do agro deverão se cumpri. Ela possui força política e conhecimento técnico, será uma grande líder para o campo brasileiro. Ao mesmo tempo, se os indicativos de recuperação econômica se cumprirem, o consumo de ovos tende a se sustentar em bons níveis. Nas exportações, estamos trabalhando para abrir novos mercados, como União Europeia e Singapura. Os indicativos de custos de produção são favoráveis ao setor, com menor demanda internacional (diante dos quadros sanitários da produção animal de países importadores de grãos, como a China), ao mesmo tempo em que se avista uma produção de milho e soja em bons níveis.

Revista do Ovo

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Informativo Técnico-Comercial

Além do enriquecimento de ovos, selênio apresenta benefícios produtivos Fontes de selênio orgânico de terceira geração melhoram os parâmetros produtivos e elevam a qualidade dos ovos Adriana B. Toscan e Garros Fontinhas

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ara acompanhar as demandas de um mercado cada vez mais exigente em custo e qualidade, continuamente produtores de ovos estão em busca de maior eficiência, buscando alternativas e soluções para maximizar a postura e o desempenho animal. Nossos modelos atuais de produção, nutrição e sanidade precisam estar ajustados com os desafios produtivos aos quais os animais estão submetidos. Segundo Surai e Geraert (1), os tipos de estresses podem ser divididos em quatro fatores: tecnológico, ambiental, nutricional e imunológico. Nas células, esses fatores resultam em estresse oxidativo, caracterizado por um desbalanço entre a produção de radicais livres e a capacidade do metabolismo antioxidante em reduzir essas moléculas. Os radicais livres são formados, em sua maioria, dentro das mitocôndrias, durante a respiração celular. Essas moléculas se caracterizam por apresentarem elétrons desemparelhados e por isso, são altamente reativas, podendo causar danos em diversas células dos animais, reagindo com proteínas, DNA e membranas. Tais compostos também apresentam funções biológicas, sendo que a mais conhecida é na resposta imunológica. Neutrófilos e macrófagos usam o chamado “bombardeio de radicais li-

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vres” para combater a infiltração de agente infeccioso (2). Ao avaliarmos as condições de produção atual, podemos concluir que os animais estão expostos frequentemente aos fatores estressores mencionados. Sabemos que quanto maior o desafio enfrentado pelos animais, maior será a produção de radicais livres e, caso a ave não possua defesas antioxidantes à altura, sua eficiência produtiva é perdida, podendo impactar diretamente na produção de ovos e na qualidade do ovo produzido. Diversas moléculas apresentam funções já conhecidas no sistema antioxidante, dentre elas, as mais conhecidas são a Vitamina E, Vitamina C e o selênio (Se). Esses compostos atuam em diversos mecanismos e na formação de diversos sistemas enzimáticos, que atuarão na redução dos radicais livres. Dentre esses sistemas,

enzimas seleno-dependentes, conhecidas como selenoproteínas, se destacam, pois potencializam outros ciclos antioxidantes, seja pelo reaproveitamento das Vitamina E e C, da glutationa, seja por atuar diretamente na captação de radicais livres evitando assim a oxidação de proteínas e lipídios.

O que é Selênio (Se)? O selênio é um mineral pertencente à família VI A da tabela periódica (calcogênios), mesma família onde estão localizados o oxigênio e o enxofre. Dessa forma, o selênio apresenta características semelhantes a esses elementos, porém possui maior massa atômica, assim maior capacidade em trocar elétrons. Por isso, o selênio é um elemento altamente reativo quando encontrado em formas livres, apresentando alta toxicidade aos animais e plantas.

Fig. 1 – Comparação da estrutura química entre metionina e selenometionina.


Fig. 2 – Conteúdo de selenometionina de várias seleno-leveduras (Le-Lev) de diferentes fabricantes e diferentes lotes de produção, comparadas a produto à base de Se-OH-Met. Colunas com cores diferentes mostram fabricantes diferentes, colunas de mesma cor representam lotes diferentes de um mesmo produto. Adaptado de Geraert, et al. 2015(8) No solo, o Se é encontrado em formas inorgânicas (sais livres), principalmente como selenito de sódio. Esses sais tóxicos são absorvidos pelo sistema radicular das plantas e como não possuem mecanismos de excreção, ele é metabolizado em uma forma orgânica e altamente estável, conhecida como selenometionina (SeMet). Essa SeMet é formada quando uma molécula de metionina tem seu átomo de enxofre substituído por um átomo de selênio. A SeMet é a única forma de Se estável e que pode ser armazenada em organismos vegetais e animais. Devido à sua alta semelhança química à metionina, pode substituir a metionina em proteínas corporais, formando com isso estoque de selênio. Além de possivelmente armazenada, a SeMet pode seguir uma via de metabolização e gerar uma selenocisteína (SeCys), que é utilizada em sítios ativos das selenoproteínas. Diferentemente da SeMet, a SeCys é altamente reativa e não é desejável livre no sistema, por isso, essa conversão só acontece dentro de uma enzima antioxidante.

Funções e formas de suplementação do Se O selênio é conhecido por ser um mineral que participa, através das selenoproteínas, em diversos processos biológicos(3). O Se apresenta papeis de destaque no desenvolvimento embrionário(4), imunidade e reprodu-

ção(5) (6), além de ser conhecido como um antioxidante natural(7). Em aves domésticas, já foram evidenciadas 26 selenoproteínas e, ao menos, metade delas possui papel importante na proteção antioxidante do organismo. Podemos afirmar que existem 3 gerações de fontes de selênio. A primeira geração são as fontes de Se inorgânico, como o selenato e selenito de sódio, sendo o selenito de sódio o mais utilizado. A segunda geração, são fontes orgânicas, leveduras enriquecidas com Se. Nesse grupo também são considerados os proteinatos e glicinatos, embora esses produtos sigam a mesma rota metabólica do Se inorgânico, pois não contém Selenometionina em sua composição. E por fim, a terceira geração, que são as selenometioninas industriais, como a Seleno-Hidroxi-Metionina (Se-OH-Met) e a L-Selenometionina de Zinco (Se-L-Met Zn). As fontes inorgânicas vêm sendo utilizadas na suplementação animal há diversos anos. Apesar de fornecerem um baixo custo de inclusão, são fontes que suprem o mínimo para síntese das selenoproteínas. Quando os animais são suplementados com produtos deste grupo, após a absorção, as formas de selênio são rapidamente transformadas em uma forma altamente tóxica, reativa e precursora da excreção, seleneto de hidrogênio (H2Se), possibilitando uma pequena produção de SeCys. Devido à

O selênio é imprescindível para manutenção do equilíbrio do sistema antioxidante dos animais, dessa maneira, atua para reduzir as perdas devidas ao seu estresse produtivo Revista do Ovo

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Informativo Técnico-Comercial Produtos orgânicos puros, são os produtos que estão no mercado há pouco tempo, são sintetizados através de processos químicos, assim seus padrões de qualidade de produção podem ser garantidos em todos os lotes produzidos. Dessa maneira, esse grupo de produto apresenta a maior concentração possível de molécula biologicamente ativa, a SeMet. Tais produtos apresentam alta tecnologia de desenvolvimento e ganham espaço no mercado de suplementação animal em diversas regiões do mundo.

Fig. 3 – Avaliação do frescor, através de parâmetro visual, após 10 dias de armazenamento à 25ºC. Figura à esquerda é proveniente de galinhas que consumiram fonte inorgânica e o da direita, fonte orgânica, ambos na dose de 0,3ppm

O selênio é um mineral pertencente à família VI A da tabela periódica (calcogênios), mesma família onde estão localizados o oxigênio e o enxofre 36

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alta toxicidade, o H2Se deve ser excretado rapidamente e por isso, sua utilização para síntese de SeCys é por um período muito curto, e não pode ser armazenado, assim sua taxa de retenção é tida como baixa. As leveduras enriquecidas com selênio apresentam uma grande variação em seu conteúdo SeMet, que pode variar de 22 a 70%, dependendo do processo de fermentação. Já a selenometionina por síntese química apresenta maior quantidade de SeMet e maior estabilidade em sua composição. As leveduras selenizadas estão disponíveis no mercado para nutricão animal há algumas décadas. Tais produtos são produzidos por meio de fermentação biológica, onde leveduras são criadas em meio com alto teor de selênio mineral. Devido à toxicidade do selênio, essas leveduras necessitam transformar esse mineral em uma forma estável e não tóxica, o que por fim, gera uma concentração de SeMet. Porém, por se tratar de um processo biológico, a concentração de SeMet obtida é variável entre os lotes e seu conteúdo, em geral, permanece ao redor de 50 a 60%. Variações mais significativas podem ser vistas, tais concentrações podem variar de 22 a 70% (8). O fato das seleno-leveduras não possuírem 100% de selênio em forma de SeMet se deve ao seu processo fermentativo de produção. Acredita-se que hajam até 100 metabólitos intermediários até que uma levedura seja capaz de finalmente sintetizar a SeMet(9).

Suplementação de poedeiras com selênio orgânico apresenta benefícios seja para galinha seja para seus ovos Alguns trabalhos publicados recentemente, visam confirmar o benefício da implementação de fontes de selênio orgânico quando comparadas às fontes inorgânicas. No princípio, buscou-se avaliar possíveis melhoras na qualidade dos ovos. Os parâmetros de qualidade, podem ser divididos de acordo com pontos de vista(10): - Produtor: peso do ovo e resistência da casca: defeitos, sujidades, manchas e manchas de sangue. - Consumidor: prazo de validade e características sensoriais, como cor da gema e casca. - Indústria processadora: facilidade de remover casca, separação e coloração da gema e propriedades funcionais. O principal método utilizado para a avaliação da qualidade interna do ovo é a Unidade Haugh, correlacionando a altura da clara com o peso do ovo. Esse parâmetro pode ser, por fim, correlacionado com o frescor do ovo armazenado. Em trabalho realizado na Thailândia(11), os autores submeteram ovos provenientes de galinhas suplementadas com duas fontes de selênio ao armazenamento. Os ovos foram armazenados durante 10 dias à 25ºC e então submetidos à análise visual da clara. Notou-se a diferença entre os ovos


de aves suplementadas com selênio orgânico (figura 3). Cavalcante et al.(12) obtiveram resultados de 1600 animais suplementados com diferentes fontes de selênio. Os autores avaliaram não apenas os parâmetros produtivos, mas também analisaram histologicamente a morfologia do oviduto. Dentre os parâmetros produtivos, os autores concluíram que os animais suplementados com selênio orgânico apresentaram diferenças relacionadas à qualidade dos ovos – altura de albúmen, espessura de casca, unidade Haugh e pigmentação da gema. Além disso, verificaram que morfologia do oviduto das aves alimentadas com fonte orgânica apresentaram maior dilatação das glândulas do oviduto e melhor preservação e uniformidade do epitélio ciliar. Outros autores também evidenciaram os benefícios da suplementação de selênio para galinhas poedeiras.

Pan et al.(13) concluíram que fontes orgânicas de selênio melhoram os parâmetros produtivos, destacando-se a produção de ovos, peso do ovo, conversão alimentar, consistência da clara e coloração da gema. Além disso, o selênio pode influenciar positivamente o conteúdo nutricional dos ovos. Tufareli, et al. (14) mostraram que galinhas suplementadas com Se-OH-Met produziram ovos com maior conteúdo de ácidos graxos poli-insaturados (PUFA) e vitamina E. Em trabalho recente apresentado durante o congresso da Poultry Science Association, Brito et al., confirmaram os efeitos positivos da suplementação de Se-OH-Met para galinhas poedeiras. Quando comparado às aves alimentadas com fontes inorgânicas, animais que receberam Se-OH-Met apresentaram maior produção de ovos, número de ovos por ave e menor conversão (15). Além disso, seus ovos

possuíam maior peso individual, força e espessura de casca (16).

Enriquecimento de ovos com selênio Em humanos, a deficiência de Se está associada a uma variedade de distúrbios, incluindo: doenças cardiovasculares, diabetes, alguns tipos de câncer e baixa fertilidade. O selênio também é importante para a imunidade geral e as defesas antioxidantes da população, particularmente para neutralizar os fatores estressores. No entanto, dependendo da dieta e do modo como vivem, as necessidades de selênio podem não ser atendidas. A incidência de certas doenças, como câncer de próstata, câncer de mama e câncer colorretal, está frequentemente relacionada ao baixo nível de selênio presente nos alimentos consumidos, resultando em baixa selenemia em humanos (Beterchini, 2015). (17). Revista do Ovo

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Informativo Técnico-Comercial

Fig. 4 – Efeito de diferentes fontes e níveis de selênio na concentração de Se no ovo (mg/kg). CN: Controle Negativo. SS 0,2: selenito de sódio 0,2 ppm. SL 0,1: selênio-levedura 0,1 ppm. SL 0,2: selênio-levedura 0,2 ppm. Se-OH-Met 0,1: seleno-hidróximetionina 0,1 ppm. Se-OH-Met 0,2: seleno-hidróxi-metionina 0,2 ppm. a-dMédias com diferentes letras apresentaram diferenças significativas (P<0,05) Adaptado de Jlali et al.(15)

O mercado brasileiro já disponibiliza diversos tipos de ovos enriquecidos, dentre eles, os mais comuns são ovos enriquecidos com vitaminas, fósforo, selênio e ômega 3 (PUFA). Apesar de ainda ser um pequeno, este mercado apresenta crescimento rápido e alto potencial de lucratividade ao produtor. Diversos trabalhos já confirmaram que fontes orgânicas apresentam melhor eficiência no enriquecimento de ovos com selênio. Jlali et al.(18). concluíram que as fontes orgânicas apresentavam melhor eficiência para deposição de Se em ovos; e quando comparado às leveduras selenizadas, um produto puro (Se-OH-Met) apresentou melhor deposição de Se no produto.

Conclusão: Fica claro que o selênio é imprescindível para manutenção do equilíbrio do sistema antioxidante dos animais, dessa maneira, atua para reduzir as perdas devidas ao seu estresse produtivo. Além disso, fontes orgânicas, e principalmente as fontes puras, baseadas exclusivamente em SeMet ou Se-

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Revista do Ovo

-OH-Met, apresentam-se como opções para melhorar tanto a parâmetros relacionados à qualidade dos ovos produzidos, quanto parâmetros produtivos das galinhas. Por fim, a suplementação de selênio, principalmente com fontes orgânicas, se mostra efetiva para produção de ovos enriquecidos.

Referências bibliográficas: (1) Surai, P.; Geraert, P. (2016) Selenocysteine: The functional selenium. All About Feed, 24, 26-27. (2) Freitas, M.; Gomes, A.; Porto, G.; Fernandes, E. (2010) Nickel induces oxidative burst, NF-κB activation and interleukin-8 production in human neutrophils. J. Biol. Inorg. Chem. 15, 1275– 1283. (3) Holben, D. H., Smith, A. M. (1999) The diverse role of selenium within selenoproteins: A review. J. Am. Diet Assoc. 99, 836–843. (4) Yuan, D.; Guo, X.; Shi, Mi.; Zheng, L.; Wang, Y.; Zhan, X. (2014) Int. J. Agric. Biol. 16 (3), 629-633. (5) Choct, M.; Naylor, A. J.; Reinke, N. (2004) Selenium supplementation

affects broiler growth performance, meat yield and feather coverage. Br. Poult. Sci. 45:677–683. (6) Juniper, D.T.; Phipps, R. H.; Bertin, G. (2011). Effect of dietary supplementation with selenium-enriched yeast or sodium selenite on selenium tissue distribution and meat quality in commercial-line turkeys. Animal 5:1751–1760. (7) Surai, P. F. (2002) Natural antioxidants in avian nutrition and reproduction. Nottingham University Press, Nottingham, UK. (8) Geraert, P.A.; Briens, M.; Mercier, Y.; Liu, Y.J. (2015) Comparing organic selenium sources. Asian Poultry Magazine, Aug., 26-29. (9) Gilbert-López, B.; Dernovics, M.; Moreno-González, D.; Molina-Díaz, A.; García-Reyes, J.F. (2017) Detection of over 100 selenium metabolites in selenized yeast by liquid chromatography electrospray time-of-flight mass spectrometry. J. chromatogr. B Analyt Tech. Biomed Life Sci. 1060: 84-90. (10) Rossi, M.; Pompei, C. (1995) Changes in some egg components and analytical values due to hen age. Poult.


Sci., 74, 152-160. (11) Adisseo internal trial (2016) Improving egg freshness using organic source of Selenium. Thailand – not published. (12) Cavalcanti, M.B.T.; Silva, J. L.; Neto, J. E.; Correia, G. M. G.; Aguiar, J. F. C. (2009) Avaliação dos aspectos produtivos e morfológicos do oviduto de poedeiras comerciais (Gallus gallus), tratadas com selênio orgânico. In: IX Jornada de Ensino, Pesquisa e Extensão, 2009, Recife. Anais. UFRPE. (13) Pan, E. A; Rutz, F.; Dionello, N. J. L.; Anciuti, M.; Krabbe, E.L. (2010) Desempenho de poedeiras semipesadas arraçoadas com a suplementação de selênio orgânico. Revista Brasileira Agrociência 16:1-4, 83-89. (14) Tufarelli, V.; Ceci, E.; Laudadio, V. (2016) Hydroxy-4-methylselenobutanoic acid as new organic selenium dietary supplement to produce selenium-enriched eggs. Biol. Trace Elem. Res. 171: 453-458. (15) Perazzo, C. F.; Brito, A. F.; Soares, M.N; Ferreira, T. S.; da Silva, J. V. C.; Cavalcante, D. T.; Muniz, C. L.; Gonçalves, J. G. Ceccantini, M. L. (2018) Effect of Selenium supplementation on performance of laying hens. In: Poultry Science Association Congress, 2018, Texas. Poultry Science Association 107th Annual Meeting Abstracts, Texas, 2018: 206. (16) - Perazzo, C. F.; Brito, A. F.; Soares, M.N; Ferreira, T. S.; da Silva, J. V. C.; Cavalcante, D. T.; Muniz, C. L.; Gonçalves, J. G.; Ceccantini, M. L. (2018) Effects of different selenium sources on egg quality of semi-heavy laying hens. In: Poultry Science Association Congress, 2018, Texas. Poultry Science Association 107th Annual Meeting Abstracts, Texas, 2018: 205-206. (17) - Bertechini, A. Tecnologia desenvolvida por professor da UFLA promete ser aliada na luta contra o câncer. Universidade Federal de Lavras. Publicado online dia 08 de julho de 2015. (18) – Jlali, M.; Briens, M., Rouffineau, F. ; Geraert, PA ; Mercier, Y. (2013) Effect of 2-hydroxy-4-methylselenobutanoic acid as a dietary selenium supplement to improve the selenium concentration of table eggs. J Anim Sci 91:1745–1752. Revista do Ovo

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Informativo Técnico-Comercial

A crescente preocupação com ectoparasitas e os prejuízos econômicos causados por estes Inúmeros fatores desafiam a obtenção do melhor desempenho produtivo das aves, dentre os quais, os desafios causados por ácaros

M.V. Dr. Gustavo Perdoncini Coordenador de Contas Chave Postura Comercial – MSD Saúde Animal

C

omo proteger as aves contra fatores que causem estresse, transmitam enfermidades e reduzam a produtividade? Nos últimos anos as práticas avícolas têm sido desenvolvidas para que estas perguntas possam ser respondidas e o resultado convertido em bem-estar animal e alta produtividade. Embora a avicultura tenha se desenvolvido e ganhado notoriedade na produção de carne e ovos, inúmeros fatores desafiam a obtenção do melhor desempenho produtivo das aves, dentre os quais, os desafios causados por ácaros, que já foi comprovado que são de

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grande importância para a indústria avícola. Ectoparasitos são consideradas pragas para aves de ciclo longo, sejam aves de postura comercial ou matrizes. Indiferente o sistema empregado, a presença desses, diversas vezes em infestações mistas ou não, resultam em prejuízos econômicos e sanitários significativos. Na avicultura, as espécies de ectoparasitos mais comuns identificadas no Brasil e que tem gerado desafios quanto ao controle eficaz são: • Dermanyssus gallinae (ácaro vermelho das aves) • Ornithonyssus silviarum (ácaro negro das aves) • Allopsoroptoides galli • Megninia spp. As perdas econômicas relatadas por infestações por essas pragas incluem principalmente impacto negati-

vo na eficiência produtiva, casos com queda de produtividade, aumento de ovos de baixa qualidade, aumento da susceptibilidade a enfermidades e nas situações mais extremas, perda de viabilidade das aves. Em especial, os ácaros vermelhos são considerados pragas significativas, representando grave ameaça para o setor. Esse ácaro apresenta hábitos noturnos, sugam sangue das aves hospedeiras e deixam-nas vulneráveis a enfermidades como as salmoneloses, o vírus da New Castle, e outras que podem ser transmitidas através do repasse sanguíneo durante a alimentação dos ácaros. Na postura comercial, o aumento do número de aves alojadas por metro cúbico, proporcionado pela utilização de sistemas automatizados, consiste em um aumento na incidência de ectoparasitas nas aves. Embora novas instalações estão sendo desenhadas para proporcionar melhor bem-estar animal, os sistemas no geral têm proporcionado ambientes que favorecem a proliferação e exacerbação de ácaros, principalmente ácaros vermelhos das aves. Nessas estruturas são observados grandes quantidade de frestas, buracos ou estruturas para que possam escapar de tratamentos convencionais por contato direto. Pesquisas recentes confirmam a alta e crescente prevalência da infesta-


ção de ácaros vermelhos das aves na Europa. A taxa média das infestações nos aviários europeus é estimada em 83%, com taxas de 94% relatadas na Alemanha, Bélgica e Holanda, e de 67% a 90% na França, Espanha, Itália, Polônia, Suécia e Reino Unido. A extrapolação destas estimativas sugere que cerca de 300 milhões de galinhas na Europa estão potencialmente sendo infestadas por ácaros em algum momento do ciclo de vida. A estimativa é que as perdas podem atingir média de 0,57€ por galinha/ano, podendo atingir 2,50€ em alta infestação. Os ácaros vermelhos das aves são encontrados em todos os tipos de produção, desde aves de fundo de quintal até a produção em escala industrial, linhas comerciais ou de genéticas, sendo elas soltas ou em gaiolas. Outro ácaro que afeta severamente a produtividade e o bem-estar das aves é o Ornithonyssus sylviarum, conhecido como ácaro negro. Este ácaro também se alimenta de sangue, causando irritação, anemia e também levando a morte das aves em situações severas. Os impactos econômicos observados incluem a redução da produção de ovos e ineficiência na conversão alimentar. Um estudo de 2009 relatou reduções de lucratividade na margem de US$0,07 a US$0,10/galinha ao longo de apenas um período de 10 semanas de infestação. Os desafios envolvendo infestações por Allopsoroptoides galli estão entre os que causam maiores perdas produtivas. Soares et al (2016), em estudo sobre os efeitos de A. galli em poedeiras comerciais, verificaram que as aves parasitadas apresentaram redução de 30,59% na produção de ovos, 3,34% no peso corporal e piora na conversão alimentar, quando comparadas às aves controle. Por se tratar de um novo desafio, esforços para compreender melhor a biologia, epidemiologia e controle desses ácaros devem ser intensificados para êxito na eliminação dessa praga. Níveis de infestações baixos dificilmente causam danos significativos, mas ao tornar-se de médio para alto, o impacto verificado é em qualidade dos ovos, como por exemplo, redução

da Unidade Haugh, peso dos ovos e gravidade específica. E desta forma, nos perguntamos novamente: o que podemos fazer para eliminar esses ácaros da postura comercial? Qual é o custo fisiológico e produtivo para as aves infestadas? O parasitismo sobre as aves em alguns casos pode ser extremamente agressivo. O incômodo gerado, redução da produção e aumento dos índices de mortalidade podem ser observados se os ectoparasitos não forem controlados. Há uma preocupação crescente com relação aos ácaros vermelho e preto, e sua implicação na saúde humana, uma vez que infestações têm sido associadas em infecções dermatológicas em pessoas que trabalham diretamente com as aves infestadas. A escolha da ferramenta ideal para eliminar estas pragas presentes nas granjas, deve somar características que permitam eliminar os ácaros, proteger os manipuladores/produtores, ser seguro para as aves e não deixar resíduos em ovos. A facilidade de aplicação também deve ser analisada, já que a instalação é um fator negativo ao utilizar controles que atuam por contato direto. Com isso, uma alternativa aos produtos que eliminam ácaros e piolhos por contato são os de ação sistêmica. Uma ferramenta eficiente que colabora para altíssima eficiência na eliminação de ácaros e possui ação sistêmica, é a molécula fluralaner, recém lançada no Brasil. Essa molécula está registrada e possui indicação para controle de ácaros vermelho das aves e ácaro preto das aves (Dermanyssus gallinae, Ornithonyssus silviarum). Possui indicação de administração via água de bebida e carência zero para ovos.

É possível controlar a entrada de ectoparasitos? Em condições onde é possível realizar o despovoamento das granjas para limpeza e desinfecção, protocolos para a eliminação de pragas corroboram para maior controle sanitário. Nesse período, onde não existe a pre-

As perdas econômicas relatadas por infestações por essas pragas incluem principalmente impacto negativo na eficiência produtiva, casos com queda de produtividade, aumento de ovos de baixa qualidade, aumento da susceptibilidade a enfermidades e nas situações mais extremas, perda de viabilidade das aves Revista do Ovo

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Informativo Técnico-Comercial

Níveis de infestações baixos dificilmente causam danos significativos, mas ao tornar-se de médio para alto, o impacto verificado é em qualidade dos ovos, como por exemplo, redução da Unidade Haugh, peso dos ovos e gravidade específica

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Revista do Ovo

sença de aves no galpão, o controle com produtos químicos é mais eficaz e permite que a área de abrangência dos produtos seja maior. Após finalizada os procedimentos de preparação dos galpões, a prevenção inicia através do alojamento de aves livres de ectoparasitos. O controle vai além de somente garantir a origem das aves. Durante o desenvolvimento dos lotes, o controle do fluxo de pessoas e equipamento é essencial para evitar a introdução destas pragas nas granjas. A utilização de paletes e bandejas para o transporte de ovos possuem papel importante na disseminação das infestações, visto que esses materiais podem ser transportados entre granjas. O emprego de tela como barreiras físicas minimizam a presença de pássaros silvestres, responsáveis pela transmissão de ácaros e piolhos, além de causarem estresse para as galinhas de produção, afetando os índices zootécnicos e sanitário dos lotes. O uso dessas barreiras físicas em granjas de

reprodução e de postura comercial colaboram para os controles dessas pragas silvestres. A presença de roedores, não deve ser desconsiderada. Roedores podem albergar ácaros e piolhos, e são responsáveis pela manutenção e transmissão das infestações.

Conclusão Em resposta à crescente demanda, o setor avícola de maneira geral tem buscado a intensificação de seu processo produtivo. Certamente este fenômeno traz ganhos relacionado à produção de alimentos em quantidade, qualidade e acessibilidade, entretanto traz consigo desafios maiores relacionados a controle de enfermidades e pragas. Neste sentido, sabe-se que os ácaros são absolutamente impactantes para a produção e seu controle tem se tornado cada vez mais importante ao produtor. Sendo consequentemente alvo de estudos acadêmicos e recebendo também atenção internacional de todos os elos da cadeia.


Gestão e Gerenciamento

Controle e análise dos dados em granjas produtoras de ovos Para uma atividade eficiente, é fundamental que se realizem controles produtivos, administrativos e financeiros e, se possível, em tempo real, pois a produção de aves possui vários fatores que podem influenciar diariamente na eficiência do lote Autores: Angélica Santana Camargos e Leonardo Fonseca Faria, Agroceres Multimix

O

sucesso de uma granja está diretamente relacionado ao planejamento, sendo importante o controle e conhecimento dos índices zootécnicos da atividade. O acompanhamento dos dados, como: uniformidade, produtividade, mortalidade, consumo de ração, ganho de peso, peso e qualidade dos ovos é de fundamental importância para quem busca lucratividade e competitividade no mercado. É importante termos segurança dos dados coletados, pois essas informações possibilitam identificar eventuais problemas e suas causas. A avaliação do peso corporal e uniformidade do lote pode ser realizada desde a primeira semana de vida das pintainhas. A pesagem é feita através de uma amostragem representativa de 1 a 5%, coletada em vários pontos do galpão. Quando possível, é importante pesar 100% das aves na 5ª, 10ª e 15ª semana, para separação por categoria (leves, padrão e pesadas). A uniformidade é calculada pelo peso médio do lote com uma variação de ± 10%. A partir disso, determina-se a porcentagem de aves dentro do limite de peso. O objetivo é atingir uma uniformidade acima de 80%. Quando o lote é uniforme, há

uma garantia de aves com pico de produção elevada, persistência, tamanho de ovos uniforme e maior massa de ovos. A fase de postura inicia-se quando 5% das galinhas começam com a postura dos ovos. Vale ressaltar que o registro de dados de produção deve ser realizado diariamente, pois trata-se de um importante indicador de análise zootécnica e zooeconômica, que possibilita o acompanhamento da eficiência produtiva das aves (produção de ovos por ave alojada), além de garantir a supervisão da viabilidade econômica da atividade. Anotações confiáveis da produção permitem avaliar a relação entre o número de ovos produzidos dentro do galpão com a quantidade entregue ao mercado, o que facilita a gestão de estoques. O programa de alimentação é um dos fatores responsáveis pelo bom desempenho das aves, representando 70% do custo. Mensurar o consumo das aves, semanalmente, é uma prática que auxilia o produtor a encontrar possíveis falhas que afetam o consumo de ração, determinar a conversão alimentar (kg de ração consumida/ dúzia de ovos produzido) e ajustar o programa nutricional de acordo com as variações de consumo. É importante lembrar que as informações

Através dos índices calculados e definidos é possível fazer uma análise da situação atual, comparando o realizado com o previsto, para avaliação do desempenho e planejamento do próximo lote dos manuais de linhagens devem servir como guia para tomada de decisão. A mortalidade é fato preocupante na produção de poedeiras, e os vários eventos podem estar relacionados à sanidade, clima e manejo nutricional. Revista do Ovo

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Gestão e Gerenciamento

A coleta de dados é a base para qualquer controle e as informações confiáveis da produção representarão o retrato real da propriedade 44 Revista do Ovo

Trata-se de um fator que deve ser avaliado desde o início da criação. O registro possibilita o monitoramento das condições fisiológicas das aves e a identificação de comportamentos fora do padrão. O histórico zoosanitário proporciona uma documentação permanente dentro da granja, que pode ser utilizada como ponto de partida para determinar os principais fatores que influenciam negativamente na viabilidade dos lotes, para que, posteriormente, seja possível estabelecer medidas corretivas e preventivas. Pesagem e necropsia das aves mortas devem ser registradas, para posterior comparação entre a média de peso da mortalidade e frequência de achados na necropsia. Os dados de mortalidade e clima podem ser tabulados em um mesmo

banco de dados. De acordo com Compean et al. (2011), o estresse decorrente de altas temperaturas provoca redução no consumo de ração, provocando queda na produção, qualidade e tamanho dos ovos e, além disso, aumenta consideravelmente o risco de mortalidade. É importante identificar o número do galpão para eventual rastreamento das mortes registradas. Um dos fatores mais importantes para a comercialização de ovos é o peso, fator decisivo para classificação e a correta embalagem do produto. São diversos os mecanismos que influenciam a qualidade interna e externa dos ovos, como: idade da poedeira, condições de manejo, ambiente, nutrição, sanidade e tipo de embalagem. A tarefa diária do produtor é buscar conhecimento e


Um dos fatores mais importantes para a comercialização de ovos é o peso, fator decisivo para classificação e a correta embalagem do produto

alternativas para minimizar fatores negativos que afetam a qualidade do produto. Alguns parâmetros de qualidade podem ser acompanhados semanalmente ou mensalmente através de simples análises. Para as análises de qualidade física, uma amostra representativa de ovos deve ser coletada no dia, e pesados individualmente em uma balança com graduação de 0,01g. Os mesmos ovos seguem para a determinação da gravidade específica, um método indireto e eficaz para avaliar a qualidade da casca dos ovos, feito através da flutuação salina, de acordo com metodologia descrita por Hamilton (1982), na qual avalia a densidade do ovo por comparação à densidade da água salina (variação de 1,065 a 1,095g/cm³).

Em seguida, os ovos são quebrados em uma superfície plana e lisa, para a obtenção das medidas de altura do albúmen denso e da gema (em milímetros) por um micrômetro acoplado a uma base tripé. Através do peso do ovo e altura do albúmen são determinados os valores de unidade Haugh pela fórmula UH= 100log (H+7.57-1,7W0,37), em que H = altura do albúmen (mm) e W = peso do ovo (g) (LANA, et., 2017). A unidade “Haugh” é uma expressão matemática concebida pelo Sr. Raymond Haugh em 1937, que correlaciona o peso do ovo com a altura da clara espessa. Assim, quanto maior o valor da unidade “Haugh”, melhor a qualidade do ovo. Portanto, c É importante estabelecer metas desafiadoras e, ao mesmo tempo, alcançáveis. Revista do Ovo

45


Mercado

No 2º semestre de 2018, custos aumentam e preços dos ovos recuam O aumento na produção provocado pela intensificação de investimentos, especialmente no ano passado, e a retração da demanda têm diminuído significativamente os preços dos ovos comerciais

Autores: Juliana Ferraz1, Maristela de Mello Martins1, Claudia Scarpelin1 e Sergio De Zen2 (1) Analistas da Equipe de Ovos, Aves e Suínos do Cepea, da Esalq/USP; (2) Professor Dr. da Esalq e pesquisador responsável pela área de pecuária do Cepea, da Esalq/USP.

A

SemDesde o início do segundo semestre, a avicultura de postura atravessa um dos momentos mais difíceis de sua história recente. Além dos altos preços dos insumos utilizados na formulação de ração, as cotações dos ovos comerciais têm recuado com força. E, em um cenário de excesso de oferta no mercado interno e de sucessivas desvalorizações do produto, a necessidade de limitar a quantidade de ovos disponíveis

46 Revista do Ovo

tem impulsionado as exportações nos últimos meses. O aumento na produção provocado pela intensificação de investimentos, especialmente no ano passado, e a retração da demanda têm diminuído significativamente os preços dos ovos comerciais, e nem mesmo o intenso descarte de poedeiras foi suficiente para reduzir a oferta do produto. Concomitantemente, ainda que em movimentos de queda, os valores dos principais insumos

utilizados na atividade (milho e farelo de soja) continuaram em patamares elevados. De janeiro a outubro, na região de Bastos (SP), o poder de compra do avicultor de postura tanto em relação ao cereal como para o derivado da oleaginosa recuou 36% frente ao mesmo período de 2017, quando podia adquirir 177,4 quilos de milho e 88,9 quilos de farelo com a venda de uma caixa de ovos tipo extra, branco. Já neste ano (de janeiro a outu-


bro), a relação de troca foi de apenas de 144,4 quilos de milho ou 57 quilos de farelo de soja com a venda de uma caixa de ovos. Quanto ao mercado doméstico, a dificuldade de absorção da produção excedente pressionou com força as cotações tanto do produto branco como do vermelho. De janeiro a outubro, a caixa com 30 dúzias do ovo branco tipo extra na região de Bastos foi negociada a R$ 72,32, em média, queda de 16% frente ao mesmo período do ano passado. Para o produto vermelho, no mesmo comparativo, a desvalorização também foi de 16%, com a caixa de 30 dúzias comercializada em média de R$ 83,25. Nesse contexto de baixa liquidez interna no mercado de ovos e de insumos em patamares elevados, uma das principais estratégias do setor foi a de elevar as exportações. De acordo com dados do MIDC/Secex, entre janeiro e outubro deste ano, o País

exportou aproximadamente 5,8 mil toneladas de ovos in natura, aumento de expressivos 74,8% frente ao mesmo período de 2017. No mesmo comparativo, os embarques de ovos férteis e de ovos processados ao mercado internacional cresceram 24,5% e 85,2%, respectivamente. O bom ritmo de embarques ao exterior vem sendo consideravelmente intensificado neste segundo semestre. Em termos de receita, o montante recebido pelas vendas do produto in natura entre janeiro e outubro de 2018 somou US$ 5,9, milhões, 65,4% superior frente ao mesmo período de 2017, em termos nominais. As exportações totais, incluindo ovos férteis e processados, renderam cerca de US$ 60 milhões, aumento de 34% na mesma comparação (MDIC/Secex). Ao observar as exportações brasileiras em períodos anteriores, tem-se

que, nos meses em que a demanda doméstica está desaquecida e/ou a oferta de ovos está elevada, o volume escoado para o mercado internacional aumenta expressivamente. Dessa forma, percebe-se que as vendas ao exterior configuram-se como uma estratégia para evitar desvalorizações mais expressivas no mercado doméstico. Em março, por exemplo, a forte atratividade do mercado doméstico no período de Quaresma, quando o consumo de ovos pelo brasileiro é mais intenso em substituição às carnes, fez com que o setor exportador se retraísse. Apesar do expressivo aumento dos embarques, a demanda por ovos – tanto no mercado interno quanto dos países que importam do Brasil – ainda é inferior à produção nacional, sinalizando a necessidade de se traçar estratégias para promover um maior ajuste entre oferta e procura. Revista do Ovo

47


Estatísticas e Preços Pintainhas de postura comercial

Alojamento tem forte crescimento no decorrer do ano

I

48 Revista do Ovo

EVOLUÇÃO MENSAL (OVOS BRANCOS E VERMELHOS) - MILHÕES DE CABEÇAS

PINTAINHAS COMERCIAIS DE POSTURA

% OVO BRANCO 2017/18

MÊS

2016/2017

2017/2018

VAR.%

Out

7,763

9,495

22,32%

81,55%

78,30%

Nov

8,062

9,510

17,96%

83,66%

80,82%

Dez

7,522

8,361

11,16%

79,75%

81,02%

Jan

7,769

10,377

33,56%

80,58%

80,61%

2016/17

Fev

7,253

9,082

25,23%

84,08%

79,15%

Mar

8,380

10,034

19,74%

82,87%

78,84%

Abr

8,653

10,111

16,85%

81,31%

81,46%

Mai

9,396

9,996

6,38%

79,56%

80,17%

Jun

9,043

8,476

-6,27%

79,73%

79,50%

Jul

8,671

9,432

8,77%

78,36%

80,31%

Ago

9,427

10,205

8,26%

80,37%

79,56%

Set

9,634

9,241

-4,08%

79,48%

80,85%

Em 09 meses

78,226

86,954

11,16%

80,60%

80,06%

Em 12 meses

101,572

114,320

12,55%

80,85%

80,05%

S

O

N

2017

D

J

F

M

A

M

J

2018

J

A

114,320

114,714

113,175

113,142

111,684

110,030

108,200

105,592

104,753

103,305

Milhões de cabeças

113,741

PLANTEL EM PERÍODO DE DOZE MESES

113,935

Fonte dos dados básicos: ABPA – Elaboração e análises: AVISITE

101,572

nformações colhidas no mercado indicam que os dados mensais de alojamento de pintainhas comerciais levantados pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), ficaram pouco abaixo dos 29 milhões de cabeças no terceiro trimestre, equivalendo a aumento de 1% sobre o trimestre imediatamente anterior e de 4% sobre o mesmo trimestre do ano passado. O alojamento acumulado em três quartos do presente ano alcança, praticamente, 87 milhões de cabeças, equivalendo a 11,2% de aumento sobre o alojado no mesmo período do ano anterior. O alojamento médio – 9,662 milhões de cabeças – projetado para o restante do ano indica a possibilidade do alojamento total chegar a quase 116 milhões de cabeças alojadas. Se alcançado, significará aumento de quase 10% sobre o alojado em 2017. Por ora, o volume de pintainhas alojado nos últimos doze meses – outubro de 2017 a setembro de 2018 – alcança 114,3 milhões de cabeças e representa 12,6% de aumento sobre o mesmo período imediatamente anterior. Nesse espaço de tempo, houve leve perda no percentual de pintainhas alojadas para a produção de ovos brancos: era de 80,85% e retrocedeu para cerca de 80%. Diante de tão grande índice de evolução anual, as dificuldades na comercialização do produto se fizeram presentes no decorrer do ano: com volumes excedentes, os preços refluíram quase 20% no acumulado dos primeiros onze meses do ano. E deve fechar o ano em índice não muito diferente. E para complicar ainda mais a situação do produtor de ovos, as matérias-primas básicas utilizadas na alimentação das aves, Milho e Farelo de Soja, tiveram aumento superior a 25%. Melhor para o consumidor que pode usufruir de um alimento nobre, barato e de grande valor nutritivo por um preço ainda mais acessível. Com isso, o consumo per capita deu um grande salto e, segundo a ABPA, pode ter chegado aos 212 ovos por habitante. Se for confirmado, será um crescimento na casa dos 10% em relação ao consumo per capita de 2017.

S


Mercado

Desempenho do ovo em novembro e em 2018

Setor precipitou-se na expansão do plantel produtor

MÉDIA R$/CXA

VARIAÇÃO % NO ANO

NO MÊS

2009

NOV

66,00

-3,00%

-4,40%

DEZ

64,36

-13,03%

-2,48%

JAN/18

53,92

-12,21%

-16,22%

2011

FEV

71,35

-15,54%

32,31%

2012

MAR

79,08

-10,59%

10,83%

ABR

67,75

-25,66%

-14,32%

MAI

62,84

-24,57%

-7,25%

2014

JUN

80,23

-7,40%

28,26%

2015

2010

JUL

63,12

-24,52%

-21,33%

60,70

-24,35%

-3,72%

SET

58,21

-21,85%

-4,11%

2017 2018

OUT

50,12

-27,41%

-13,90%

56,71

-14,08%

13,61%

R$ 37,93 R$ 44,61 R$ 49,11 R$ 57,86

2013

AGO

NOV

R$ 38,63

R$ 52,70 R$ 59,47 R$ 75,43

2016

R$ 77,78 R$ 63,98

Jun

Jul

101,6

112,3

74,8

Mai

2018 Média 2001/2017 (17 anos)

78.0

114,5

117,1

109,4

81,3

Abr

103,1

Mar

80,8

112,1

120,5

87,1

Fev

101,6

Jan

91,7

69,0

91,8

115,0

Preço relativo em 2018 comparativamente ao período 2001/2017 (17 anos) Média mensal do ano anterior = 100

Ago

Set

Out

110,4

MÊS.

Média anual em 10 anos R$/CAIXA

100,4

Média mensal e variações anual e mensal em treze meses

72,9

OVO BRANCO EXTRA

Evolução de preços no atacado paulistano R$/CAIXA DE 30 DÚZIAS

ano. Aliás, terceira pior em mais de três anos, ou seja, desde outubro de 2015. A esta altura de 2018 é pouco provável que o valor médio do produto no ano ultrapasse os R$64,00/caixa (preço aplicável a cargas fechadas de ovo branco extra comercializado no atacado da cidade de São Paulo). Quer dizer: deve alcançar, no exercício, valor inferior ao dos dois anos anteriores. E por quê? Porque, sobretudo, estimulado pelo aumento do consumo observado dois anos atrás, o setor precipitou-se na expansão do plantel produtor. Para confirmar, basta observar que a média mensal de alojamento dos 10 primeiros meses de 2018 é quase 25% superior à de 2016. Junte-se a isso o habitual incremento de produtividade das linhagens em criação e uma retração de consumo que até agora não deu mostras de reversão e têm-se todos os ingredientes para colocar a atividade em xeque. Em situações anteriores de fraco andamento do mercado, era suficiente descartar as poedeiras mais velhas ou menos produtivas e as condições do mercado se revertiam. Essa receita, agora, não tem o menor efeito. Pois, independente dos descartes que sejam efetuados, mais e mais poedeiras iniciam a produção. Uma situação que somente será minimizada com o aumento do consumo e das exportações.

99,7

epois de fechar o décimo mês de 2018 com o pior resultado do ano e registrar o menor preço do último quadriênio para um mês de outubro, o ovo iniciou novembro sinalizando recuperação, porquanto obteve reajustes da ordem de 33% apenas nos oito primeiros dias de negócios do mês. Mas essa recuperação foi efêmera. Pois sucedida por brevíssimo período de estabilização. E, já na passagem da primeira para a segunda quinzena, os preços do produto voltaram a refluir. Quase no mesmo espaço de tempo do ganho anterior, o produto perdeu 17% de seu preço. Com tal desempenho, os resultados do mês foram pífios. Pois ainda que o preço médio tenha correspondido a um incremento de mais de 13% sobre outubro de 2018, comparativamente ao mesmo mês do ano passado prevaleceu redução superior a 14%. Com isso, a média alcançada em novembro, embora superando a do mês anterior, permanece como a terceira pior do

64,4

D

Nov

Dez

Revista do Ovo

49


Estatísticas e Preços

Milho e Soja Milho registra queda ínfima no preço médio

Farelo de soja registra queda em novembro

O preço do milho registrou queda mensal ínfima em novembro. O preço médio do insumo, saca de 60 kg, interior de SP, fechou o mês cotado a R$38,48, valor 0,1% abaixo da média alcançada pelo produto em outubro último, quando ficou em R$38,52. Porém, a disparidade de preço do milho em relação ao ano anterior ainda permanece na casa dos dois dígitos. O valor atual é 16,3% superior, já que a média de novembro de 2017 foi de R$33,08 a saca.

O farelo de soja (FOB, interior de SP) registrou queda em novembro de 2018. O produto foi comercializado pelo preço médio de R$1.278/t, valor 6,8% inferior ao praticado no mês de outubro quando atingiu R$1.372/t. Em comparação com novembro de 2017 – quando o preço médio era de R$1,000/t – a cotação atual registra alta de 27,8%.

Valores de troca – Milho/Frango vivo Valores de troca – Farelo/Frango vivo

No frango vivo (interior de SP) o preço médio de novembro, alcançou R$3,02 kg, atingindo índice de desvalorização mensal de 5,5%. Assim, com a desvalorização do frango vivo e a manutenção na cotação do milho, piorou o poder de compra do avicultor. Nesse mês, foram necessários 212,4 kg de frango vivo para se obter uma tonelada de milho, considerando-se a média mensal de ambos os produtos. Este volume representa cerca de 5,2% de perda no poder de compra em relação ao mês anterior, pois, em outubro, a tonelada do milho “custou” 201,3 kg de frango vivo. Já em relação a novembro do ano passado, a perda chega a 3,8%.

A maior queda verificada na cotação do farelo de soja em relação ao frango vivo em novembro fez com que fossem necessários 423,2 kg de frango vivo para adquirir uma tonelada do insumo, significando melhora de 1,6% no poder de compra do avicultor em relação a outubro, quando 430,1 kg de frango vivo foram necessários para obter uma tonelada do produto. Na comparação em doze meses houve piora de 12,5%, pois, lá, foram necessários 370,4 kg para adquirir o cereal.

Valores de troca – Milho/Ovo

Valores de troca – Farelo/Ovo

O preço do ovo, na granja (interior paulista, caixa com 30 dúzias), obteve valorização em novembro e fechou à média de R$50,71, valor quase 15% superior ao alcançado no mês anterior, quando o produto foi negociado por R$44,12. Com a valorização no preço médio dos ovos e a manutenção no preço do milho, houve melhora no poder de compra do avicultor. Em novembro foram necessárias 12,6 caixas de ovos para adquirir uma tonelada do cereal. Em outubro, foram necessárias 14,6 caixas/t, um ganho de 15,1% na capacidade de compra do produtor. Entretanto, em doze meses, a perda no poder de compra ainda é grande, atingindo 27,3%.

De acordo com os preços médios dos produtos, em novembro foram necessárias aproximadamente 25,2 caixas de ovos (valor na granja, interior paulista) para adquirir uma tonelada de farelo de soja. O poder de compra do avicultor de postura em relação ao farelo registrou ganho mensal de 23,4%, já que, em outubro, 31,1 caixas de ovos adquiriam uma tonelada de farelo. Em relação a novembro de 2017 houve piora de 33,9% no poder de compra, pois naquele período a tonelada de farelo de soja custou, em média, 16,7 caixas de ovos.

novembro novembro dezembro dezembro janeiro janeiro fevereiro fevereiro março março abril abril maio maio junho junho julho julho agosto agosto setembro setembro outubro outubro novembro novembro

53,00 53,00 51,00 51,00 49,00 49,00 47,00 47,00 45,00 45,00 43,00 43,00 41,00 41,00 39,00 39,00 37,00 37,00 35,00 35,00 33,00 33,00 31,00 31,00 29,00 29,00 27,00 27,00

2017 2017

2018 2018

MédiaNovembro Novembro Máximo MínimoMédia Mínimo Máximo 34,50 42,00 R$R$34,50 R$R$42,00

38,48 38,48

50 Revista do Ovo

Preçomédio médioFarelo Farelode desoja soja Preço R$/toneladaFOB, FOB,interior interiordedeSPSP R$/tonelada

1600 1600 1500 1500 1400 1400 1300 1300 1200 1200 1100 1100 1000 1000 950 950 900 900 850 850 800 800 750 750

novembro novembro dezembro dezembro janeiro janeiro fevereiro fevereiro março março abril abril maio maio junho junho julho julho agosto agosto setembro setembro outubro outubro novembro novembro

Preçomédio médioMilho Milho Preço

R$/sacadede60kg, 60kg,interior interiordedeSPSP R$/saca

2017 2017

2018 2018

MédiaNovembro Novembro Mínimo Média Máximo Mínimo Máximo 1.250,00 R$ 1.320,00 R$ R$ R$ 1.250,00 R$ R$ 1.320,00

1.278,00 1.278,00

Fonte das informações: www.jox.com.br


Revista do Ovo

51


Estatísticas e Preços

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52 Revista do Ovo

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Edição 51 - Revista do Ovo  

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