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Editorial Consumo médio de ovos cresce 50% em relação aos anos 2000 Segundo levantamentos da ABPA – Associação Brasileira de Proteína, o consumo per capita de ovos pode atingir cerca de 240 unidades em 2020, aumentando pouco mais de 4% em rela-

Mundo Agro Editora Ltda. Rua Erasmo Braga, 1153 13070-147 - Campinas, SP

ção ao ano passado. Tendo como parâmetro inicial esse volume estimado para os anos 2020, o gráfico abaixo aponta o volume médio de ovos consumido em períodos de 10 anos a partir dos anos 70. De acordo com os analistas do OvoSite, os parâmetros levantados mostram o grande crescimento realizado nos anos 2000, apontando crescimento de quase 37% em relação aos anos

Publicação Bimestral nº 57 | Ano VI Março/2020

90. Esse índice só não foi maior porque o trabalho de divulgação e conscientização dos benefícios do ovo na alimentação da população capitaneado pela Associação Brasileira de Proteína Animal e Instituto Ovos Brasil teve início a partir de meados dos anos 2000. Com isso, resultados maiores foram alcançados nos anos 10 do presente século, quando se atingiu consumo médio de 184 ovos, equivalentes a aumento de quase 50% em relação aos anos 2000. Por ora, os anos 20 estão apenas no seu início e a projeção inicial da ABPA para o corrente ano tem enormes possibilidades de ser superada. Além disso, a tendência é de que nos próximos anos o consumo per capita de ovos continue aumentando. Assim, o índice de crescimento previsto de 30% na comparação com os anos 10 com certeza será superado. Boa leitura!

Publisher Paulo Godoy paulogodoy@avisite.com.br Redação Giovana de Paula (MTB 39.817) imprensa@avisite.com.br Comercial Natasha Garcia e Paulo Godoy (19) 3241 9292 comercial@avisite.com.br Diagramação e arte Mundo Agro e Luciano Senise senise@senise.net

Sumário 05 06 09 10 14 16 18 21

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EXPEDIENTE

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Qual é o marketing que o agronegócio precisa?

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Rodrigo Capella aponta os diferenciais relativos a uma boa estrutura de comunicação para o agronegócio

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Instituto Ovos Brasil prevê aumento na produção de ovos em 2020 Evolução técnica do Programa Ovos RS Simplesmente Ovo Instalações para codornas de postura Biofilme pode dobrar prazo de validade do ovo Mantiqueira e Zona Sul lançam experiência gratuita de “fazendinha” no Rio de Janeiro Novos padrões para animais de produção trazem benefícios econômicos e melhoras para o bem-estar animal Asgav divulga report parcial da 3ª edição da campanha de verão 2019/2020 Vagas do Condomínio Avícola serão ampliadas com novo galpão em 2020 Produção de ovos de qualidade em sistemas de base ecológica Kemin anuncia João Gomes novo presidente na América do Sul Uniquímica cria parceria e volta a vender peças Lyon no Brasil Desempenho do ovo Pintainhas de Postura Matérias - Primas Ponto Final – Sonia Bazan

Internet Gustavo Cotrim webmaster@avisite.com.br Administrativo e circulação financeiro@avisite.com.br

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Revista do Ovo

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Eventos

2020 Abril 07 a 09

21º Simpósio Brasil Sul de Avicultura e 12ª Brasil Sul Poultry Fair Local: Chapecó, SC Realização: Nucleovet - Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas/SC Telefone: (49) 3329.1640 | (49) 3328.7825 E-mail: secretaria@nucleovet.com.br Site: www.nucleovet.com.br

Julho 21 a 23

X Encontro Técnico Avícola Informações nas Redes Sociais: @ encontroavicola e facebook/ encontrotecnicoavicola Local: Vivaro Centro de Eventos - Maringá-PR Realização: Integra e Sindiavipar Telefone: (44) 3031-2057 E-mail: eventos@creventos.com.br

Outubro 06 a 09

Alimentaria Foodtech Barcelona, Espanha - Gran Via Venue www.alimentariafoodtech.com/en/

Novembro 04 e 05

Canadian Poultry Expo Countdown 2020 Stratford, Ontario https://poultryxpo.ca/

Há cinco anos no OvoSite

Países importadores de ovos comerciais em 2014 Campinas, 27 de Fevereiro de 2015 - O bom desempenho das exportações de ovos comerciais no último trimestre do ano passado permitiu que o setor encerrasse o ano com variação positiva. Além disso, em dezembro, um novo país passou a adquirir ovos do Brasil: Hong Kong. A distribuição do volume importado pelos países em 2014 indica que os Emirados permaneceram como maior importador de ovos. Para lá, foram exportados 124,6 milhões, representando quase 68% de aumento e sendo responsável por 78,2% do volume anual exportado pelo Brasil. Angola também permaneceu como segundo maior importador de ovos. Entretanto, reduziu em 71,2% seu volume e foi responsável por apenas 12,2% das exportações brasileiras. Uma perda significativa, considerando que em 2013, foram responsáveis por 43,1% dos embarques. Em terceiro lugar, vem a Bolívia que aumentou sua representatividade em 3,38 pontos percentuais e tomou o posto que, em 2013, pertenceu à Congo. Naquele ano, o país importou cerca de 2,4 milhões e, ano passado, 7,8 milhões, sendo responsável por 4,90% das exportações brasileiras.

As quatro mais lidas do OvoSite em Fevereiro

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Ovos: preços continuam evoluindo As baixas disponibilidades de mercadorias têm proporcionado aos produtores de ovos a disputa por melhores preços diante da dificuldade em atender a demanda existente. Com isso, obtiveram novo avanço nos preços – 1º na semana, 2º no mês, 11º no ano – atingindo um patamar verificado pela última vez no já distante junho de 2018. Aliás, preço médio acima do atual, somente o praticado no bimestre março e abril de 2017.

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Ovos: evolução diária em fevereiro segue abaixo da média histórica A primeira semana de fevereiro vai chegando ao final em mercado firme e com disponibilidades ajustadas na base de produção. Mesmo assim, após alcançar forte reajuste no segundo dia de negócios da semana, os preços permaneceram inalterados.

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Mercado de ovos abre fevereiro firme e com reajuste expressivo No primeiro dia de negócios de fevereiro os produtores de ovos brancos e vermelhos conseguiram expressivo reajuste. A caixa de ovos brancos em SP passou a ser comercializada até a R$89,00, aumento de 20% sobre o valor de 1º de janeiro. Na caixa de ovos vermelhos o aumento foi mais significativo, a um máximo de R$104,00, crescimento de quase 29% sobre o valor de abertura do ano.

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Ovos: preços seguem evoluindo abaixo da média histórica de fevereiro O que poderia ser a melhor semana do mês para os negócios vai chegando ao seu final sem que as expectativas de atingir a barreira dos R$100,00 na comercialização da caixa de ovos brancos se confirmasse. Mesmo assim, no penúltimo dia de negócios da semana o produtor de ovos conseguiu pequeno ajuste.


IOB

Instituto Ovos Brasil prevê aumento na produção de ovos em 2020 Produção de ovos atingiu recorde histórico em 2019

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Ricardo Santin, Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal: “O mercado interno tem absorvido praticamente toda a produção. É um fato histórico para o país, pois o Brasil alcançou a média mundial de 230 unidades consumidas por pessoa em 2019, demonstrando confiança na proteína do ovo, como uma alternativa saudável para a boa alimentação”, analisa o presidente

egundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal – ABPA, em 2019, a produção de ovos foi de 49 bilhões de unidades, representando um aumento de 10% em relação 2018. As exportações (considerando in natura e processados) alcançaram 821 toneladas em janeiro, volume 48% inferior às 1.579 toneladas embarcadas no mesmo período do ano passado. Os ínfimos valores de exportação corroboram em evidenciar que o mercado interno está aquecido. A qualificação do consumo, trabalhada há bastante tempo pelo Instituto Ovos Brasil demonstra resultados positivos. O consumo atingiu o recorde de 230 ovos percapita, informa Ricardo Santin, presidente do Conselho do IOB e Diretor Executivo da ABPA. O consumo de ovos deu um grande salto. Isso é reflexo do árduo trabalho que o Instituto Ovos Brasil vem realizando desde 2007 com a ajuda de várias entidades de classe, parceiros e veículos de comunicação. O instituto exerce um papel institucional fundamental na valorização do ovo e aumento de consumo. Através de distribuição de material infor-

mativo, palestras, conscientização dos profissionais da saúde e sensibilização da população, trabalha para levar a mensagem dos benefícios do consumo de ovos para todos os públicos. As ações realizadas ajudam a fazer com que o ovo tenha cada vez mais destaque nas refeições da população e nas recomendações médicas. Publicamos matérias em jornais, revistas e televisão, levando sempre uma mensagem positiva totalmente baseada em trabalhos científicos, gerando muita credibilidade para o público e deixando a disposição nossa nutricionista para o esclarecimento de dúvidas. O instituto tem como contribuintes os produtores de ovos do Brasil, empresas ligadas a produção de ovos, associações relacionadas a produção de alimentos e demais integrantes da cadeia produtiva de postura comercial. É uma entidade dirigida por um conselho com representantes dos produtores e das entidades estaduais que sabem que o ovo é o melhor alimento que existe e que uma população bem nutrida é mais inteligente, saudável e feliz. O Instituto Ovos Brasil é de todos. Participe você também! Revista do Ovo

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Produção, Marketing e Consumo

Evolução técnica do Programa Ovos RS Ao analisar os dados obtidos com as avaliações realizadas pela equipe técnica do Programa Ovos RS ao longo das 07 edições observamos significativas mudanças no que concerne a biosseguridade dos estabelecimentos e sanidade dos planteis

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Programa Ovos RS surgiu em 2012 a partir de uma demanda dos produtores de ovos associados ASGAV/RS, que sofriam com a queda no consumo de ovos observada principalmente durante o verão, quando a produção é ainda maior e sofriam também com um consumo per capita historicamente estagnado. Por outro lado, a produção de ovos no Brasil sempre esteve um passo atrás do segmento de corte visto que, seu foco sempre foi o mercado interno e não acompanhou as evoluções técnicas e estruturais no mesmo passo que a produção para corte que sempre buscou a exportação. Considerando estes dois cenários, o Programa Ovos RS foi criado para promover o consumo de ovos e para alavancar a evolução técnica necessária na produção.

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Revista do Ovo

Neste contexto, em 2013 teve início o processo de avaliações técnicas do Programa Ovos RS junto aos estabelecimentos participantes. O primeiro grande avanço conquistado com este programa foi justamente a “abertura das porteiras” dos estabelecimentos de ovos para a avaliação por médicos veterinários e zootecnistas capacitados pelo Programa para avaliar o nível de atendimento a legislação. Através das avaliações e emissão de relatórios detalhados das não conformidades observadas e de oportunidades de melhorias, tem havido contínua busca por adequação e evolução. Fazem parte das atividades técnicas do Programa Ovos RS ainda, a integração e maior comunicação entre o setor produtivo, seus técnicos e o serviço oficial, de forma que as exigências legais se tornem mais compreensíveis para aque-

les que vão realmente aplicá-las no dia a dia. Por meio desta maior proximidade entre produtores e serviço oficial houve maior compreensão e envolvimento em cumprir as etapas necessárias ao registro das granjas durante os anos de 2018 e 2019 e mais do que isto, tem se conseguindo conscientizar os produtores e colaboradores da importância de adotar todas as medidas de biosseguridade garantindo o bom status sanitário de nossas aves. Os estabelecimentos membros do Programa Ovos RS receberam um suporte diferenciado durante o processo de migração de estabelecimento relacionado (E.R.) para Inspeção Federal (S.I.F.) iniciado com a atualização do RIISPOA em 2017. De lá para cá muitas ações foram realizadas com intuito de assegurar uma transição que atenda a nova legislação e que não cause impactos negativos à produção. Os estabelecimentos membros do Programa Ovos RS também contaram com suporte adicional do Instituto Senai de Alimentos e Bebidas do RS que realizou auditorias para averiguar o andamento dos estabelecimentos ao processo S.I.F. com atenção especial ao controle de qualidade na produção e registros das atividades realizadas. Este trabalho realizado pelo Senai não onerou os estabelecimentos, visto que os custos foram absorvidos


pelo Programa Ovos RS em parceria com o FUNDESA, e propiciou a atualização da documentação de qualidade do estabelecimento, imprescindível perante a nova legislação alcançando níveis semelhantes as demais indústrias de alimentos. Ao analisar os dados obtidos com as avaliações realizadas pela equipe técnica do Programa Ovos RS ao longo das 07 edições (Figura 01) observamos significativas mudanças no que concerne a biosseguridade dos estabelecimentos e sanidade dos planteis. Houve muito investimento em estrutura física para adequação a legislação e mais consciência na importância da realização de controles e procedimentos que preservam o status sanitário das aves. Este é um ganho para toda a avicultura comercial uma vez que normalmente os estabelecimentos de postura permeiam regiões com grande densidade de produção de frangos de corte. Ao mesmo tempo, aves mais saudáveis necessitam menos intervenções e tratamentos com produtos veterinários que podem deixar resíduos nos ovos, produzem ovos de maior qualidade e são mais produtivas resultando em ganhos aos consumidores e aos produtores. Anualmente, o Programa Ovos RS oferta encontros de capacitação onde são debatidos temas técnicos de interesse, empresas apoiadoras apresentam seus produtos e serviços destinados à postura comercial e o serviço oficial aborda os aspectos legais relevantes. Nestas ocasiões, os colaboradores dos estabelecimentos são convidados a participar e a capacitação recebida também se reflete em melhores resultados em diversos itens avaliados pelo Programa Ovos RS. Revista do Ovo

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Produção, Marketing e Consumo

Encontro de Capacitação e Entrega de Certificados Membros e Apoiadores Programa Ovos RS Para 2020 já estamos desenvolvendo a programação da VII edição do encontro de capacitação, bem como um curso destinado a implantação de boas práticas de fabricação em fábricas de ração. A grande maioria dos estabelecimentos produtores de ovos possuem fábricas próprias para a produção das rações necessárias aos seus animais, mas não havia uma atenção especial a este setor e a legislação também deixava estas instalações no limbo. Atualmente temos uma legislação (IN 14 de 2016) em vias de entrar em vigor que contempla fábricas de ração para produção própria que utilizam medicamentos veterinários em sua composição. Atentos a esta situação e ao impacto que a alimentação tem na produção de ovos (cerca de 60% dos custos de produção advém da alimentação) a ASGAV está ofertando este curso aos seus associados a fim de otimizar e qualificar também este setor dentro da Postura Comercial.

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Está em curso também a formatação de uma certificadora da qualidade de ovos. Idealizada após constatar evolução técnica dos estabelecimentos participantes do Programa Ovos RS, esta certificadora está sendo desenhada para avaliar de forma completa os diferentes sistemas de produção de ovos considerando biosseguridade, bem-estar, sanidade, rastreabilidade, qualidade, inocuidade dos ovos produzidos. Em um trabalho que reúne a expertise da equipe Senai de alimentos e bebidas com pesquisadores, técnicos, representantes de empresas, além de produtores e colaboradores de estabelecimentos de postura estamos desenvolvendo um escopo de avaliação adequado ao seguimento. “Não basta somente investir em ações para incentivar o consumo, a área técnica, a gestão, operação e estrutura dos estabelecimentos devem ser constantemente trabalhados e com suporte organizado. Na evolução de um programa que dá este amparo ao produtor, também buscamos incrementos, diferencias e muita informação.”...registra

Eduardo Santos coordenador do programa ovos RS e membro oficial da WEO/IEC - Organização Mundial da Industria e Produção de Ovos. O Programa Ovos RS conta com equipe técnica treinada e capacitada anualmente e com uma consultoria especializada que conduz as atividades da área. A Asgav e Programa Ovos RS, trouxeram para o Brasil uma Conferencia de Lideranças denominada CONBRASUL OVOS – Conferência Brasil Sul da Indústria e Produção de Ovos, um evento especial inspirado nas conferencias globais da WEO/IEC que em sua segunda edição em 2019, superou expectativas, dobrou o público em relação a 1ª edição e certamente firmou-se como um dos principais eventos do setor a nível nacional, pois atrai participantes de diversos estados do país e a participação internacional também vem aumentando. A 3ª edição já está confirmada para os dias 30 de Maio a 02 de Junho na cidade de Gramado/RS.


Nutrição

Simplesmente Ovo Alimento de Verdade! O ovo é uma fonte de proteína, cerca de seis gramas por unidade, contém ômega 3, especificamente, DHA (29mg); A luteína e zeaxantina (250mcg) estão bio disponíveis porque estão envoltos em gordura

Lúcia Endriukaite Nutricionista do Instituto Ovos brasil e responsável por pesquisas técnicas e elaboração de artigos, encartes e materiais informativos e educativos para população e profissionais. Contribui com a realização de palestras na divulgação do ovo.

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crescimento físico e mental estão interligados e dependem de fatores como alimentação, ambiente familiar, trocas entre as pessoas que fizeram e/ou fazem parte da vida. A alimentação é um dos pilares fundamentais para o desenvolvimento e crescimento de um indivíduo. Os nutrientes estão envolvidos em todos os momentos de vida que incluem a preconcepção, pois se não houver um consumo de nutrientes equilibrado a fecundação pode não acontecer e, portanto, como num circuito, o cuidado se faz necessário todo o tempo (1). É sabido que o ovo, rico em colina, promove o desenvolvimento do hipocampo do feto; entretanto as necessidades de colina permanecem aumen-

tadas mesmo após o nascimento, afinal, o bebê está em franco desenvolvimento e necessita deste nutriente para seu desenvolvimento cognitivo, mas as necessidades vão mais além – a colina é fundamental para a manutenção de todo o organismo em todas as faixas etárias (2,3). A luteína e a zeaxantina, dois carotenoides presentes na gema, tem ação antioxidante e atuam na proteção da macula; as evidências mais recentes são de que a luteína é encontrada também no cérebro e, portanto, tem uma ação no combate a radicais livres e melhoram a cognição. A presença de luteína nos primeiros 1000 dias, pode promover a saúde do cérebro ao longo da vida (4). O ômega 3, na forma DHA (ácido docosa-hexaenóico) é um outro nutriente essencial e importante para o cérebro, especialmente na memória (5). Triptofano, tirosina, ácido glutâmico são aminoácidos relacionados a síntese de neurotransmissores que atuam na regulação do bem-estar, do sono e do impulso. Estudo realizado com praticantes de exercício físico demonstrou que o consumo do ovo inteiro é mais eficiente para síntese de massa muscular, porque mantém os níveis de leucina séricos elevados até quatro horas pós exercício (5). Os estudos têm demonstrado cada vez mais que a sinergia entre os nutrientes é fundamental para o melhor funcionamento e equilíbrio do organismo. Na prática, tudo está relacionado! O ovo é uma fonte de proteína, cerca de seis gramas por unidade, quantidade adicional necessária para a gestante. Contém ômega 3, especificamente, DHA (29mg); A luteína e zeaxantina

(250mcg) estão bio disponíveis porque estão envoltos em gordura. A vitamina D, outro nutriente importante, além de favorecer a absorção de cálcio, também presente no ovo, melhora os aspectos mentais, a depressão por exemplo (7). Enfim, todo o conjunto de nutrientes além dos citados acima estão muito bem embalados em um composto de carbonato de cálcio que também é biodisponivel e se chama ovo, um alimento saboroso, prático, versátil e é considerado um alimento de verdade.

Referências: 1- Vitolo, MR. Nutrição – da Gestação ao Envelhecimento. Editora Rubio, 2014 2- Zeisel SH. The fetal origins of memory: the role of dietary choline in optimal brain development. Pediatr. 2006; 149(5 Suppl): S131-6 3- Zeisel SH, da Costa K. Choline: na essential nutriente for public health. Nutrition Reviews, 2009; 67(11):615-623 4-Stringham, JM, Johnson EJ, Hammond, BR. Lutein across the lifespan: From childhood Cognitive Performance to the Aging Eye and Brain. 5- Vliet, SV, Beals, JW, Martinez, IG; Skinner, S; Burd, N. Achieving Optimal Post-Exercise Muscle Protein Remodeling in Physically Active Adults through Whole Food Consumption Nutrients 2018, 10, 224; doi:10.3390/ nu10020224 6- US Departament of Agriculture, Agricultural Research Service. 2016. Nutrient Data Laboratory. USDA National Nutrient Database for Standar Reference, Release 28 (Slightly revised). Version Currente: May,2016. Acesso em 05/02/2020. Revista do Ovo

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Coturnicultura

Instalações para codornas de postura O aumento do interesse pela coturnicultura pode ser percebido pelo crescimento de estudos acadêmicos sobre questões de melhoramento genético, nutrição, manejo, equipamentos para a produção das aves e também para tecnificação na produção de ovos

Autores: Sarah Sgavioli* e Cristhiano Ferreira Calderaro, Universidade Brasil. Descalvado – SP Parte do capítulo: Instalações para codornas, do livro: Codornas Japonesas e Europeias: Genética, Nutrição, Manejo e Bem-estar Animal, publicado em 2019, pela editora Novas Edições Acadêmicas. *Autor correspondente: sarahsgavioli@yahoo.com.br

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coturnicultura é um ramo da avicultura brasileira que cria, melhora e fomenta a produção de codornas. Nos últimos anos, essa atividade registrou um avanço significativo na comercialização de seus produtos como ovos, carne, matrizes e o esterco. O aumento do interesse pela coturnicultura pode ser percebido pelo crescimento de estudos acadêmicos sobre questões de melhoramento genético, nutrição, manejo, equipamentos para a produção das aves e também para tecnificação na produção de ovos. Apesar da prevalência de produção em pequenos produtores, a coturnicultura tem deixado de ser uma alternativa apenas para o pequeno produtor, pois com o aumento do mercado consumidor, principalmente dos ovos, produtores de médio e grande porte também têm explorado essa cultura. A comercialização de ovos é a principal alternativa para o início da produção coturnícula, sendo que após o segundo ano é possível aumentar a escala de itens comercializados, com produção de carne, comercialização de esterco e até a produção de aves para revenda. Porém essas opções dependem de

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Revista do Ovo

uma cadeia produtiva estabelecida. Devido ao retorno financeiro e crescimento da demanda por produtos de codornas, como os ovos, a coturnicultura teve um crescimento exponencial na última década. Atrelado a este crescimento, houve o desenvolvimento das instalações para criação das aves.

Diretrizes gerais para as instalações de codornas Apesar das fases de criação das codornas serem estabelecidas em três: cria (1 a 21 dias de idade), recria (22 a 42 dias de idade) e produção (42 dias até o descarte das aves), na prática as fases de cria e recria, devido ao curto período, pode ser compreendida de 1 a 35 dias de idade, ou seja, as codornas não são movimentadas antes de atingirem o início da postura de 30 a 35 dias. A fase de produção de ovos inicia após as aves atingirem 35 dias de idade sendo necessária a transferência para as gaiolas de postura. As instalações devem ser preparadas com antecedência para a recepção das aves, o que inclui a verificação dos equipamentos e possível manutenção com o objetivo de não haver imprevistos durante a recepção das aves. Além disso, é

extremamente importante que as instalações tenham apenas aves de mesma idade, portanto, que se utilize o sistema “todos dentro todos fora” (all in all out).

Equipamentos Para a fase de cria/recria são utilizados bebedouros pendulares ou de copo de pressão e comedouros tubulares ou de bandeja para aves criadas no chão, além de bebedouros do tipo nipple com ou sem “copinho” e comedouros do tipo calha para aves criadas em gaiolas. O aquecimento é realizado por meio de campânulas, fornalha ou turbina a gás, lâmpadas ou tubos com água quente. Para a fase de produção as aves devem ser transferidas para gaiolas de postura, com bebedouros tipo nipple e comedouros tipo calha.

Ambiência e climatização Apesar de possuir elevada rusticidade, as aves são suscetíveis ao calor e ao frio. Por esse motivo os galpões precisam ser bem projetados evitando-se vento, calor e luz em excesso. A construção no sentido leste oeste é obrigatória e tem como objetivo reduzir a inci-


dência solar nas laterais da instalação, o que contribuiu com o manejo da ambiência. Durante as fases de cria e recria, as aves necessitam de fonte de calor suplementar, que pode ser fornecido por meio de campânula ou turbina a gás, fornalha, lâmpada e tubo de água quente, no entanto, esta exigência declina com a idade, devido ao empenamento e a camada de pena que isola a superfície externa da ave. Após este período pode ocorrer comprometimento da perda de calor das aves na fase de produção se a instalação não tiver um sistema de climatização eficiente. Portanto, em todos os tipos de instalações é necessário o sistema de climatização, que pode ser composto por ventiladores, cortinas e nebulizadores, em sistemas de pressão positiva ou exaustores, placas evaporativas, sondas, cortinas ou alvenaria e inlets, em sistemas de pressão negativa. Estes equipamentos têm a função de controlar variáveis físicas e químicas no interior da instalação, como temperatura, umidade, velocidade do ar e concentração de gases. O controle da ambiência das instalações é imprescindível para maximizar a produtividade das aves, por meio da expressão do máximo potencial genético das aves, no entanto, em grande parte dos sistemas de produção de codornas no Brasil, a ambiência é pouco gerenciada, o que pode acarretar em redução dos índices de produtividade devido e queda no bem-estar das aves, com comprometimento de questões relacionadas a fisiologia. A amplitude térmica e a velocidade do vento da região são fatores a serem considerados durante o dimensionamento das instalações para codornas, visto que, amplitude térmica alta pode comprometer o desempenho das aves e a velocidade do vento colaborar com a redução da sensação térmica por calor. Outras medidas simples, como o plantio de árvores, instalação de sombrites, uso de telhas de cerâmica, devem ser consideradas com a finalidade de reduzir o calor latente. O aperfeiçoamento dos aviários, e a adoção de técnicas e equipamentos de condicionamento térmico ambiental têm superado os efeitos prejudiciais de

alguns elementos climáticos, possibilitando alcançar bom desempenho produtivo das aves. Independente do tipo de instalação é importante estudar, avaliar e conhecer as condições climáticas locais no ambiente de produção das codornas. Silva Júnior (2015) coletou dados de temperatura no interior de diferentes tipos de instalações para codornas e constatou que ao longo do ano a temperatura interna dos galpões de produção varia em função do clima da região, sendo a intensidade da variação da temperatura ao longo do ano e a magnitude alcançada para máximas e mínimas, em determinadas épocas, dependentes do tipo de instalação. Os resultados apresentados pelo autor supracitado ainda indicaram melhor ambiente térmico para o galpão climatizado em relação aos convencionais já que ao longo do ano a temperatura máxima não ultrapassou 28ºC. Assim, a climatização dos galpões de criação pode ser uma estratégia a ser utilizada para a manutenção de ambiente adequado, a fim de obter bom desempenho zootécnico, a partir da promoção de um estado de bem-estar rico para as codornas na fase de postura. Todavia, mesmo no ambiente climatizado, existe a dificuldade de atender perfeitamente as condições satisfatórias de temperatura, visto que a temperatura mínima registrada em alguns momentos está abaixo da temperatura mínima da zona de conforto térmico para codornas.

Iluminação Lâmpadas incandescentes são comumente usadas para iluminar galpões de aves; no entanto, sua taxa de conversão de energia elétrica em energia luminosa é baixa e possui baixa durabilidade (vida útil média de 1.000 h), o que aumenta os custos de produção (JORDAN e TAVARES, 2005). A tecnologia de iluminação do ambiente avançou nos últimos anos e as lâmpadas incandescentes tradicionais estão sendo substituídas por lâmpadas diodo emissor de luz (LED). A principal vantagem do LED é sua economia de energia (eles consomem 80% menos energia que as lâmpadas incandescentes e 50% menos

Apesar de possuir elevada rusticidade, as aves são suscetíveis ao calor e ao frio. Por esse motivo os galpões precisam ser bem projetados evitando-se vento, calor e luz em excesso. A construção no sentido leste oeste é obrigatória e tem como objetivo reduzir a incidência solar nas laterais da instalação, o que contribuiu com o manejo da ambiência Revista do Ovo

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Coturnicultura

que as lâmpadas fluorescentes), sua vida útil mais longa e um comprimento de onda que permite que eles sejam usados na fotoestimulação de diversos tipos de aves. Araújo et al. (2011) relatam que as lâmpadas fluorescentes compactas têm custos de instalação mais altos, mas usam 70% menos energia e vivem mais (8 a 10 vezes mais) do que as lâmpadas incandescentes. Os efeitos do sistema de iluminação sobre a criação de codornas incluem a sincronização de funções fisiológicas essenciais para o crescimento, comportamento e a reprodução das aves. A iluminação artificial é aplicada rotineiramente na produção intensiva de ovos e pode ser usada para atrasar ou acelerar a maturidade sexual e estimular a postura de ovos, onde fotoperíodos longos estimulam a maturação sexual das aves e otimizam a produção de ovos (FREITAS et al., 2005).

Instalações para a fase de cria e recria Durante a fase de cria e recria as aves podem ser distribuídas em quatro tipos de instalações, sendo elas:

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• No chão, com círculos de proteção e aquecimento com campânulas a gás. • No chão em galpões abertos, sem círculo de proteção, aquecimento por meio de fornalha ou turbina a gás. • Na gaiola, em sistema piramidal, sem coleta de excretas automática, aquecimento por meio de lâmpadas, fornalha, tubos de água quente ou turbina a gás. • Na gaiola, em baterias verticais, com coleta de excretas e fornecimento de ração automáticos, aquecimento por meio de fornalha ou turbinas a gás e bebedouros tipo nipple.

Instalações para a fase de produção Durante a fase de produção as aves podem ser distribuídas em cinco tipos de instalações, sendo elas: • Baterias verticais, manuais, com bandejas coletoras de excretas, coleta manual dos ovos, bebedouros tipo nipple com ou sem taças ou bebedouros tipo nipple com copo, ou ainda água corrente em tubos de pvc cortados ao meio e comedouros tipo calha com for-

necimento de ração manual. Este tipo de instalação demanda uma maior mão de obra, com um funcionário para cada 12.500 aves. • Gaiolas em sistema piramidal manual, onde a excreta fica embaixo da gaiola e tanta a ração como a coleta dos ovos são realizadas de forma manual e os bebedouros são tipo nipple. • Gaiolas piramidais, com fornecimento de ração e coleta de ovos automatizados, no entanto, as excretas ficam embaixo da gaiola podendo o piso ser suspenso e os bebedouros são tipo nipple. • Gaiolas piramidais automáticas, com retirada de excretas por esteiras, o que permite a retirada diária, bebedouros tipo nipple, fornecimento de ração e coleta de ovos automatizados. Neste tipo de instalação é necessário somente um funcionário para cada 100.000 aves para o manejo das aves. • Baterias verticais automatizadas, com coleta de ovos, fornecimento de ração e coleta de excretas automáticos e bebedouros tipo nipple. Neste tipo de instalação é necessário somente um funcionário para cada 150.000 aves para o manejo das aves.

Considerações finais As instalações para criação de codornas de postura possuem como modelo as desenvolvidas para poedeiras comerciais, portanto, a automatização e climatização é algo desejado e que aos poucos está sendo implementado pelos coturnicultores. Adequações devem ser realizadas, haja vista o tamanho das aves e seu ciclo de vida. Existem vários graus de tecnificação e estruturas, variando entre sistemas familiares com pouca tecnologia empregada, a sistemas altamente tecnificados com criação de um grande número de aves. O alto índice de crescimento do mercado de codornas nos últimos anos e a demanda por ovos fizeram com que alguns coturnicultores investissem em granjas com estruturas caras e modernas. No entanto, a maioria das instalações para codornas de postura ainda são simples e antigas. As referências podem ser solicitadas ao autor correspondente.


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Ciência & Tecnologia

Biofilme pode dobrar prazo de validade do ovo Produto foi desenvolvido por pesquisadores do Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF), Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela FAPESP na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)

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m biofilme que possibilita revestir ovos e prolongar seu prazo de validade foi desenvolvido por pesquisadores do Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF) – um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela FAPESP na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). O material foi produzido à base de quitosana, polímero natural extraído da carapaça de crustáceos como camarão, lagosta e caranguejo. Além de ovos, ele pode ser usado para revestir embalagens de alimentos diversos, conferindo maior resistência mecânica e proteção contra microrganismos. O trabalho contou com a colaboração de cientistas da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). “Além de aumentar a resistência e ter propriedades antifúngica e bactericida, o biofilme permite vedar microfissuras e poros na superfície de ovos. Isso resulta em um aumento do tempo de prateleira do produto”, disse à Agência FAPESP Luiz Fernando Gorup, professor visitante da UFGD e coordenador do projeto ao lado de Eduardo José de Arruda, da mesma universidade.

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Arruda estima que o revestimento prolongue a durabilidade do ovo de 30 para 50 ou até 60 dias, dependendo das condições de armazenamento. O material, que já teve patente depositada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), foi obtido por meio da associação de quitosana e sais de quaternários de amônia de todas as gerações disponíveis comercialmente. Esses compostos, com propriedades antimicrobianas, são usados em concentrações controladas em indústrias de alimentos para desinfecção e como sanitizantes domésticos. A combinação com a quitosana em uma determinada concentração ideal resultou em misturas poliméricas nas quais os sais de quaternários de amônia ficam homogeneamente dispersos ou contidos na estrutura do material. “Essas misturas poliméricas podem ser usadas nas formas de solução, emulsão, gel e dispersões, ou ainda contidas em outras matrizes ou suportes naturais ou sintéticos”, explicou Gorup. Na forma líquida, por exemplo, o material pode ser pulverizado nos aviários diretamente sobre a casca de

ovos ou no banho de desinfecção do produto, na etapa de higienização. Ao perder água rapidamente e secar, a mistura polimérica retorna ao seu estado inicial, de polímero, com cadeias de sais de quaternários de amônia entrelaçadas em sua estrutura. Semelhante a um verniz flexível, o material forma um biofilme que impede a colonização de fungos e bactérias na superfície da casca do ovo, impedindo que os microrganismos penetrem através de microfissuras ou poros. Além disso, ao revestir o produto, impede a perda de umidade, controla gases e, consequentemente, evita a perda de massa do ovo por evaporação, protegendo o alimento em toda a cadeia, da produção à comercialização. “Constatamos, em testes laboratoriais, que ovos recobertos com o material perdem 40% menos massa do que os sem a proteção com o material”, afirmou Gorup. Planos de comercialização A ideia é que o novo material seja disponibilizado para comercialização e aplicação em aviários por pulverização ou banhos de higienização, após a


O material foi produzido à base de quitosana, polímero natural extraído da carapaça de crustáceos como camarão, lagosta e caranguejo. Além de ovos, ele pode ser usado para revestir embalagens de alimentos diversos, conferindo maior resistência mecânica e proteção contra microrganismos

etapa de polimento dos ovos, anterior à seleção por tamanho. O produto pode ser pulverizado por meio de um borrifador convencional ao passar pela esteira transportadora para ser empacotado. “Nosso objetivo é desenvolver junto aos produtores uma solução já na concentração ideal para aplicação por meio de um processo simples, de modo a não afetar financeiramente a cadeia de produção de ovos comerciais, pois são produtos muito baratos”, disse Gorup. Na avaliação dos pesquisadores, as soluções à base de quaternários de amônia empregadas hoje na pulverização de ovos incubáveis para desinfecção do produto não são totalmente eficazes para combater salmonelas e outros organismos. Isso porque, ao secar, os sais de quaternários de amônia presentes nessas soluções se desprendem facilmente da superfície da casca do ovo por qualquer abrasão mecânica durante o transporte, por exemplo. “No caso do biopolímero não há esse risco, pois as partículas do composto estão homogeneamente dispersas na superfície”, comparou. Novas soluções Os pesquisadores estão desenvolvendo, agora, misturas poliméricas

com novos compostos bioativos para cobertura não só de ovos, mas também de frutas e leguminosas. A ideia é desenvolver embalagens “inteligentes” para alimentos. Algumas das vantagens dos novos compostos em desenvolvimento, em comparação com polímeros naturais como a quitosana, quitina, alginatos e pectinas, são melhor custo-benefício e maior segurança de consumo e ambiental. Os novos compostos poderiam ser usados de forma complementar aos revestimentos poliméricos e até em aplicações especiais para diversos produtos e embalagens de alimentos. Dessa forma, teriam menor toxicidade em comparação com os sanitizantes convencionais usados hoje para desinfecção de frutas, verduras e leguminosas e poderiam ser usados para produzir filmes plásticos e outros produtos para revestimento de embalagens e superfícies, explicou Gorup. “Acreditamos que o polímero à base desse composto tem grande potencial para ser usado como filme bioprotetor de frutas e leguminosas e até para produção de embalagens para alimentos”, disse o pesquisador. (Agência FAPESP) Revista do Ovo

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Marketing e consumo de ovos

Mantiqueira e Zona Sul lançam experiência gratuita de "fazendinha" no Rio de Janeiro Ovos Mantiqueira e supermercado Zona Sul lançam o primeiro galinheiro aberto à visitação, dentro de um supermercado no Rio

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om o objetivo de atrair a garotada e suas famílias para uma experiência rural e interativa, a Ovos Mantiqueira e o grupo Zona Sul resolveram apostar em uma novidade na flagship do supermercado na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro: um galinheiro com 200 galinhas que produzirão diaria-

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mente ovos, que serão vendidos na loja. Esta é a primeira iniciativa do gênero dentro de um supermercado no Rio de Janeiro. O lançamento foi no dia 11/01 e, desde esta data, as crianças, acompanhadas de seus pais ou responsáveis, fazem uma visita guiada nas instalações do galinheiro e ver de perto a

produção de ovos pelas galinhas, que desceram a Serra da Mantiqueira e encontraram uma nova casa na Barra da Tijuca, no Rio. Quem quiser comprar, também poderá levar para casa os ovos frescos, produzidos diariamente no galinheiro. Com previsão de produção de 150 ovos por dia, o objetivo é que sejam


coletados e vendidos na hora para o público, garantindo sempre o frescor do alimento. Os clientes poderão comprar desde um único ovo, pacotes de 6 unidades ou outras quantidades, de acordo com a sua preferência. Para completar o clima de roça, eles serão expostos em caixotes de madeira e enrolados em papel. “Esse projeto nasceu da parceria de muitos anos entre o Zona Sul e a Mantiqueira, fruto de uma relação de confiança mútua entre as duas empresas com este DNA inovador, por isso nos sentimos felizes de oferecer essa experiência pioneira para nossos con-

sumidores”, comemora Leandro Pinto, presidente do Grupo Mantiqueira. “Para o Zona Sul é um prazer inaugurar oficialmente um galinheiro onde os animais são criados livres e de maneira natural. E o melhor, além dos ovos serem vendidos aos clientes, também são usados na loja para o preparo de refeições dos colaboradores. Esse projeto que é uma inovação no Brasil elaborado em parceria com a Mantiqueira, aproxima o produtor do varejo e do cliente final apresentando uma forma sustentável de consumo além de uma experiência incrível, confirma Renata Leta,

diretora de marketing do Supermercado Zona Sul. Além do galinheiro, a Mantiqueira conta com o Ateliê do Ovo nesta mesma unidade, onde são servidos cocotes e omeletes, para completar o programa em família. No lançamento, a loja também contará com a participação da chef Regina Tchelly do projeto gastronômico Favela Orgânica, que irá ensinar e preparar receitas saudáveis feitas com o aproveitamento do alimento; além da presença do Egg Truck da Mantiqueira, que oferecerá ao público, ovos fresquinhos mexidos na hora. Revista do Ovo

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Bem-Estar Animal

Novos padrões para animais de produção trazem benefícios econômicos e melhoras para o bem-estar animal Os padrões auxiliam instituições financeiras a estabelecerem objetivos mensuráveis e ambiciosos focados no bem-estar animal

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ovos padrões de bem-estar de animais de produção, conhecidos como Padrões Mínimos de Responsabilidade Para Animais de Produção, ou FARMS Initiative (em inglês Farm Animal Responsible Minimum Standards), já estão começando a influenciar a forma com que grandes corporações globais fazem seus negócios. Desenvolvidos em julho de 2019 pelas ONGs Humane Society International, Compassion in World Farming e World Animal Protection, os padrões da FARMS Initiative fornecem uma estrutura inovadora para as instituições financeiras considerarem o bem-estar animal quando da análise de projetos ligados à agropecuária. A FARMS Initiative conta com cinco conjuntos de padrões - “Padrões Mínimos de Responsabilidade (RMS)” - abordando o bem-estar animal de bovinos de corte e leite, suínos, frangos e galinhas poedeiras. Os padrões são baseados em vários princípios globais e refletem a contribuição das organizações de bem-estar animal e certificação que trabalham mundialmente no avanço dos cuidados, da saúde e das necessidades comportamentais dos animais de produção. Em setembro de 2019, o RMS foi incluído como um recurso central no

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Documento de Orientação Bancária Responsável dos Princípios da Iniciativa Financeira do Programa Ambiental das Nações Unidas (United Nations Environmental Programme Finance Initiative’s Principles for Responsible Banking Guidance Document, em inglês – UNEP FI). Os membros da UNEP FI representam um terço do total de ativos bancários do mundo. Na América Latina, os padrões foram discutidos publicamente pela primeira vez durante o Simpósio Internacional Sobre Bem-estar Animal: uma estratégia de negócio sustentável, realizado em São Paulo no final do ano passado. De acordo com o Dr. Dirk Jan Verdonk, da organização Proteção Animal Mundial, “bancos e investidores estão particularmente interessados em aprender mais sobre nossos padrões, porque maiores níveis de bem-estar animal podem trazer benefícios econômicos, incluindo o aumento na produtividade, a redução dos custos veterinários e diminuição da mortalidade, redução de doenças infecciosas que podem causar grandes perdas financeiras, além de menos estresse para o animal antes e durante o abate. Tornamos o RMS conciso, com uma a duas páginas cada, para que as instituições financeiras pos-

sam revisar e entender com mais facilidade a importância dos principais problemas ao conversarem com empresas de alimentos sobre o bem-estar animal.” Em vários países onde as três organizações criadoras da iniciativa atuam, já há exemplos de bancos que introduziram programas para oferecem melhores taxas de juros aos produtores que atendem na totalidade ou em parte os requisitos da RMS; e se comprometeram a interromper o financiamento de sistemas de gaiolas para galinhas poedeiras e de celas de gestação para matrizes suínas. Houve um aumento significativo na conscientização dos consumidores no Brasil sobre o bem-estar animal, e “bancos e investidores estão entendendo o quanto é importante procurar oportunidades para incentivar as empresas e produtores a melhorar e evitar os riscos potenciais dos que não o fazem”, aponta Carolina Maciel, Diretora da Humane Society International no Brasil. Darren Vanstone, diretor de engajamento e políticas corporativas da Chronos Sustainability, enfatiza a importância do bem-estar dos animais de produção como uma parte essencial dos negócios e uma oportunidade de ganho para empresas de alimentos e instituições financeiras.


"O BBFAW analisa as informações públicas disponíveis, porque isso apoia nosso objetivo de melhorar a transparência corporativa e gerar relatórios sobre o bem-estar dos animais de produção", disse Vanstone. “O relatório de 2018 avalia as abordagens de bem-estar animal das empresas globais de alimentos em quatro pilares: compromisso e política de gerenciamento, governança e gerenciamento, liderança e inovação, e relatórios e impacto de desempenho. Estamos interessados em entender como uma empresa alinha sua abordagem de bem-estar animal com seus valores corporativos e como essa abordagem é implementada em diferentes espécies e localidades. Observamos uma melhoria notável no desempenho corporativo em bem-estar animal desde nossa primeira avaliação em 2012,” completa Vanstone. O bem-estar animal é um tema crescente que aponta para a necessidade de repensar os sistemas atuais

de produção dos alimentos de origem animal. Modelos de negócios eficazes e sustentáveis consideram um equilíbrio entre desempenho ambiental, social e econômico, uma abordagem conhecida como "triple bottom line". Como explica o professor e doutor em administração e finanças da Universidade Federal do Rio de Janeiro e especialista em sustentabilidade e finanças, Celso Funcia Lemme, “Esses três pontos não são conflitantes, mas sim aliados. Não é preciso escolher um ou outro, mas sim combinar os três, levando a modelos empresariais ambientalmente mais equilibrados, socialmente mais justos e economicamente mais eficientes. A lógica do bem-estar animal, que é o foco central da FARMS, está dentro dos novos modelos de negócios que consideram o equilíbrio entre a questão ambiental, social e econômica. O desafio para as empresas e instituições será desenvolver uma produção que diminua o desperdício - já que hoje

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se joga fora um terço da produção mundial de alimentos – e desenvolver uma prática mais inteligente e acessível, que contemple o bem-estar animal”.

Livres de gaiolas, galinhas poedeiras do Amazonas ouvem forró e música ‘brega’ Tida como uma das diretrizes mais modernas em relação ao trato de animais de criação e cada vez mais aceita e valorizada pelos consumidores, especialmente os de fora do país, as boas práticas de bem-estar animal estão se consolidando na agricultura familiar brasileira. Para os produtores, o cuidado com a qualidade de vida dos animais significa abrir (ou garantir) mercados e obter um lucro maior no final do mês. Na Comunidade de São Francisco do Caramuri, zona rural de Manaus (AM), onde vivem 180 famí-

e! Faça a d i f e r e n ça n at u r al m e nt Revista do Ovo

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Bem-Estar Animal

Os padrões da FARMS Initiative fornecem uma estrutura inovadora para as instituições financeiras considerarem o bem-estar animal quando da análise de projetos ligados à agropecuária

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Revista do Ovo

lias de produtores rurais, muitos avicultores já adotam práticas de bem-estar animal, e têm notado uma boa diferença com isso. “A primeira coisa que eu notei foi nas aves mesmo. Na gaiola elas ficam muito abatidas, estressadas, e tem diferença de tamanho dos animais também. A produtividade é quase igual, mas a galinha criada solta tem mais tempo de vida, ou seja, vai produzir por mais tempo”, compara Luciano da Silva Gomes, que junto com a esposa, Eriana de Queiroz Chagas Gomes, cria mil galinhas poedeiras – 600 delas em sistema semiconfinado. Luciano está aos poucos transitando do sistema fechado (criação em gaiolas) para o sistema semiconfinado, onde as aves ficam em um galpão e podem ciscar livremente. O produtor explica que o ovo das poedeiras criadas soltas tem tido a preferência dos consumidores locais, pois é mais vermelho e tem maior durabilidade. “Ele tem muita aceitação em Rio Preto da Eva (cidade do entorno de Manaus) porque parece um ovo caipira”, diz. E não faltam mimos para as galinhas do casal. Até música elas ouvem: de forró a sertanejo e do bolero à “sofrência” da música brega – um ícone da Região Norte do país. “Com algumas galinhas, quando a gente tirava a música, caia a produção de ovos”, diverte-se Luciano, que encosta a caminhonete ao lado do galinheiro e liga o som em alto e bom volume para satisfazer os ouvidos não muito exigentes das galinhas. Além da música, o trato com as aves também requer cuidados com a alimentação, que além do milho inclui folhas de bananeira e água limpa que é trocada com frequência. Segundo Jeam Matos Melo, técnico agropecuário do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), cada vez mais pessoas nas cidades estão buscando produtos ecologicamente corretos e que respeitem o bem-estar animal. “Existe uma normativa do Ministé-

rio da Agricultura em relação a isso. A gente já está recomendando aos produtores que migrem para o sistema de criação solto. O custo de produção vai diminuir em relação ao sistema confinado, além de ser mais prático e mais próximo à realidade do produtor.” E os planos de Luciano e Eriana não param por aí. Na área de 20 hectares onde eles moram e onde ficam os dois galpões das galinhas o casal começou uma lavoura de hortaliças, aproveitando o esterco das galináceas como adubo. Outra ideia é criar gado de corte em uma área de pastagem também adubada com o insumo vindo do aviário. Com isso, a propriedade poderia diversificar as atividades, incrementando ainda mais a renda.

Polo avicultor Atualmente, o Amazonas é o quinto maior polo de avicultura do Brasil, apesar de que o Código Florestal determina que o produtor deve preservar 80% da área no bioma Amazônico, o que parece não atrapalhar as atividades produtivas. “Aqui no Amazonas se produz muito. No entanto, ainda somos importadores de alimentos. Mas no caso da avicultura, temos um plantel de aves de postura com bastante tecnificação, abastecendo os dois milhões de manauaras que vivem na capital e há uma expansão no interior de estado”, afirma o secretário de Produção Rural do Amazonas, Petrucio Júnior. De acordo com o secretário, a intenção do governo do estado é diversificar as matrizes econômicas do Amazonas, que não pode depender, segundo ele, apenas do polo industrial de Manaus. “É importante diversificar as matrizes econômicas, interiorizando o desenvolvimento. Porque há uma desigualdade muito grande entre a capital e o interior. Temos uma preservação de 97% das nossas florestas, mas um desafio muito grande de reduzir a pobreza. Lamentavelmente, 49,2% da população do Amazonas vive na linha da pobreza”, observa.


Campanha Ovos RS

Asgav divulga report parcial da 3ª edição da campanha de verão 2019/2020 Atividades promocionais incentivam o consumo de carne de frango e ovos na estação mais quente do ano

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campanha de verão de incentivo ao consumo da carne de frango e ovos, promovida por ASGAV/OVOS RS, vem crescendo e sendo sucesso a cada ano. A 3ª edição da campanha, lançada em dezembro de 2019, manteve o foco nas redes sociais, além de comerciais em rádios e diversos outdoors em pontos estratégicos do Estado, como no litoral, região metropolitana e outras regiões. Nas redes sociais, foi registrado um alcance ao redor de 500.000 visualizações dos materiais promocionais neste um mês e meio de atividades. Os comerciais nas rádios 92.3 FM, Jovem Pan – Osório e Rádio Mix, atingiram 65.000 ouvintes por dia, durante os 45 dias da campanha. Já nas estradas, os outdoors da campanha foram visualizados por 200.000 pessoas diariamente neste mesmo período. O encerramento da campanha de verão de incentivo ao consumo de carne de frango e ovos será em março de 2020. “Realmente, a cada ano constatamos uma evolução considerável nestas atividades de verão e ainda conseguimos estar presentes com informações verdadeiras e positivas sobre a carne de frango e ovos, em diversos meios de comunicação”, avalia Nestor Freiberger, Presidente da Asgav/Sipargs. A 3ª edição da campanha de verão de incentivo ao consumo de carne de frango e ovos é uma iniciativa ASGAV – Associação Gaúcha de Avicultura e Programa Ovos RS.

Nestor Freiberger, Presidente da Asgav/Sipargs, aponta que a cada ano a entidade constata uma evolução considerável nestas atividades de verão e ainda consegue estar presentes com informações verdadeiras e positivas sobre a carne de frango e ovos, em diversos meios de comunicação

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Comunicação e Marketing

Qual é o marketing que o agronegócio precisa? Em entrevista exclusiva à Revista do Ovo, Rodrigo Capella aponta os diferenciais relativos a uma boa estrutura de comunicação para o agronegócio

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agronegócio ainda está muito enraizado nas ações de marketing de relacionamento, sejam elas realizadas em feira, agro-revenda, leilão, dia de campo, viagem ou fábrica. É comum, então, as interações com os clientes e prospects contemplarem, na maior parte das vezes, palestra, café da manhã e encontro de agropecuaristas com foco em informações técnicas, entre outras possibilidades. É o que explica Rodrigo Capella, diretor geral da Ação Estratégica – Comunicação e Marketing. Capella é palestrante, atua no agronegócio desde 2004 e tem amplo engajamento no setor. É autor do projeto “Alertas do Agronegócio”, que entrega para deputados e senadores as demandas dos produtores rurais. Ele é autor de livros e de artigos publicados no Brasil e no exterior. Também é idealizador do site Marketing no Agronegócio (www. marketingnoagronegocio.com.br), que apresenta gratuitamente dicas e orientações para os profissionais de empresas de agronegócio. A Revista do Ovo foi conversar com Capella para debater o tema. Ele aponta que para se diferenciar neste

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contexto e ganhar ainda mais visibilidade no mercado, algumas empresas de agronegócio, principalmente as startups e as empresas dos segmentos de máquinas, nutrição vegetal e sementes, apoiam-se em cinco elementos. São eles: a) Engajamento é o mentor: em um evento, uma empresa se destacou ao convidar os agricultores a fazerem um tour diferenciado: visitar uma plantação, segurando um tablet. A cada parada, os agricultores tinham acesso a informações e participavam de jogos de perguntas e respostas para testar o conhecimento sobre a empresa de agronegócio. A ação promoveu um grande engajamento dos agricultores, que queriam aparecer no ranking dos melhores e mostrar que sabiam tudo sobre a empresa. A iniciativa mostrou que, com sinergia e engajamento, as ações de marketing podem ter resultados ainda mais efetivos. b) Experiência não generalizada: oferecer uma rica e contundente experiência ao agropecuarista, baseada em características reais e não generalizadas. Cada região precisa ter ações diferenciadas e que contribuam para a necessidade de se produzir mais em

menos espaço. Uma experiência oferecida a um agricultor do Mato Grosso pode não interessar a um agricultor do Rio Grande do Sul. Uma estratégia interessante é desenvolver vídeos sobre a contribuição da empresa de agronegócio para cada um dos Estados estratégicos. Esta ação agregará valor aos vídeos institucionais - muito comuns no segmento -, mas com cada vez menos apelo, devido ao fato de a informação ser generalizada. c) Valor da praticidade: outro dia assisti a um vídeo no qual um produtor rural dirigia um trator e tomava um chimarrão ao mesmo tempo. Tudo era muito prático: com apenas um toque no botão, o trator mudava de direção. A nítida felicidade do agricultor denunciava que ele estava gostando da praticidade, até então desconhecida. Certamente, outros produtores, ao assistirem ao vídeo, também se interessaram pela tecnologia, comprovando que mais importante do que fazer ações de marketing para lançar uma tecnologia para agronegócio, é mostrar a real praticidade que ela pode oferecer. d) Interatividade natural: muitas empresas de agronegócio têm disseminado, com frequência, conteúdo e


campanhas pelas redes sociais e demais canais digitais, com o objetivo de despertar a interatividade natural. Destacam-se as iniciativas que solicitam participação contínua dos seguidores, como envio de informações referentes a safras, técnicas utilizadas para determinados cultivos, sistemas recém-contratados, tecnologias adotadas. O conteúdo pode gerar infográficos, vídeos, e-books e textos para blogs, entre outros formatos. É o produtor contribuindo para o sucesso de outro produtor, deixando de lado o egoísmo, muito percebido em décadas passadas. e) Vivência da real rotina: a nova geração de agricultores e a mudança constante dos hábitos das antigas gerações têm obrigado muitas empresas de agronegócio a passarem dias e dias no campo, vivenciando rotinas e adequações de processos. As empresas que se baseiam nestes cenários para construir as ações de marketing e de comunicação estão um passo à frente. Iniciativas simples, como adesivos valorizando o empenho e importância do agricultor e sites contando histórias reais de agropecuaristas, têm se mostrado muito eficazes.

Acompanhe na sequência uma entrevista exclusiva com Rodrigo Capella O sr. afirma em seu artigo “O marketing que o agronegócio precisa” que o agronegócio “ainda está muito enraizado nas ações de marketing de relacionamento, sejam elas realizadas em feira, agro-revenda, leilão, dia de campo, viagem ou fábrica. É comum, então, as interações com os clientes e prospects contemplarem, na maior parte das vezes, palestra, café da manhã e encontro de agropecuaristas com foco em informações técnicas, entre outras possibilidades”. Qual é, na sua opinião, a melhor estratégia para o desenvolvimento de um melhor relacionamento, nos dias atuais, envolvidos em redes sociais e de informação tão rápida e direta? Um ponto de extrema importância é promover uma sólida integração entre as ações digitais e ações presenciais. Um projeto de blog, por exemplo, precisa estar

Os cinco elementos (engajamento, experiência, praticidade, interatividade e vivência), quando bem utilizados, juntos ou separadamente, contribuem para as empresas de agronegócio se destacarem em relação à concorrência e aumentarem a relevância no mercado. Como consequência, vão gerar novos negócios Revista do Ovo

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Comunicação e Marketing

Se as atividades nas redes sociais são importantes para impactar e propagar uma mensagem, as iniciativas “olho no olho” são fundamentais para captar anseios, dificuldades, vontades dos produtores

em total sintonia com um dia de campo. Uma iniciativa nas redes sociais deve destacar a mesma mensagem-chave das atividades de assessoria de imprensa. As empresas de agronegócio que entendem esta dinâmica têm maior êxito nas iniciativas de marketing e comunicação. Infelizmente, muitas delas ainda insistem em fazer ações isoladas, sem qualquer conexão, prejudicando objetivos e metas. Neste contexto, algumas dicas podem ajudar as empresas a terem uma boa performance de marketing, tais como utilizar a regra de ouro 90/10. Ou seja, compartilhar 90% das mensagens com foco em prestação de serviço e apenas 10% enfatizando conteúdo realmente publicitário. Essa postura digital precisa estar alinhada com a força de vendas, utilizando o mesmo diálogo e abordagem. Outra recomendação é criar um cenário apoiado em storytelling, narrando histórias de clientes, captadas presencialmente, e apresentando dificuldades e soluções. Vale também

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educar os seus seguidores, com orientações e dicas que irão ajudá-los durante os desafios diários no campo. Enfim, as atividades digitais e as atividades presenciais são e sempre serão complementares. Quanto maior a sinergia entre elas, maior será o sucesso das empresas de agronegócio. Como melhorar o nível de engajamento nos negócios, quando saímos das relações digitais e voltamos ao popular ‘olho no olho’ e o quanto as relações diretas ainda são importantes para o avanço dos negócios dentro do agro? O bom e velho cafezinho é crucial para a realização de negócios dentro dos vários segmentos do nosso agronegócio. Com o “olho no olho”, o relacionamento se intensifica e isso, em algum momento, será importante. Tenho como hábito conversar pessoalmente com produtores e profissionais de empresas e é incrível como o papo avança e se torna totalmente imprevisível, o que é ótimo. Afinal, o imprevisto nos ajuda a crescer, a evoluir. Gosto disso. Nenhuma empresa irá sobreviver sem ter presença digital, mas também morrerá se esquecer das ações presenciais. Se as atividades nas redes sociais são importantes para impactar e propagar uma mensagem, as iniciativas “olho no olho” são fundamentais para captar anseios, dificuldades, vontades dos produtores. Ao dialogar com um produtor, você entra no universo dele, no dia a dia. Isso é fantástico e dará um norte para as suas ações digitais. Sem as conversas e abordagens presenciais você não terá êxito. Isso é fato. Voltando ao seu artigo, nele o Sr. fala de interatividade natural e que “muitas empresas de agronegócio têm disseminado, com frequência, conteúdo e campanhas pelas redes sociais e demais canais digitais, com o objetivo de despertar a interatividade natural”. Em sua opinião, como as empresas do agro devem se preparar para essa troca de informações e de conteúdo e como tornar essa interatividade prática dentro da sua estratégia

comercial e de comunicação? A interatividade entre empresa e produtor dentro do ambiente digital precisa ser natural, contínua e sólida. A empresa que apostar somente na divulgação de produto, eventos ou informações técnicas terá os dias contados. É importante estabelecer uma linha real de aprendizado e de significado, na qual a troca de experiências exista e que o canal seja consultivo, ajudando o produtor no momento em que ele precisar. Para atuar com excelência neste cenário, recomendo a empresa de agronegócio criar um manual de conduta nas redes sociais, especificando funções e abordagens. Na sequência, é interessante ter uma linha editorial para a produção de conteúdo, baseada em mensagens-chave. Um terceiro ponto importante é criar um comitê, com a presença de profissionais de vários departamentos e também de produtores rurais. Isso fará toda a diferença dentro do âmbito digital. Dentro da comunicação atual, com integrar marketing, marketing digital, comercial e assessoria de imprensa para todos os pontos falem o mesmo discurso e qual é o diagnóstico que o Sr. faz sobre o quanto as empresas estão atentas a essa ‘união de discursos’? Excelente pergunta! O grande desafio é ter um mesmo discurso, respeitando as características e o dinamismo de cada uma das atividades. Recomendo que seja feito um grande exercício, com a participação de todos os envolvidos. Com uma folha e uma caneta, os participantes precisam rapidamente descrever como divulgarão o lançamento de um produto da empresa. As ideias e as abordagens poderão ser distintas, mas a mensagem-chave terá que ser a mesma. A mensagem-chave precisa sempre conter objetivo, principal argumento e benefícios competitivos. O alinhamento entre todas as atividades ocorrerá com o tempo. Neste processo, tudo é uma questão de estudo, análise, paciência e de exercício frequente. Infelizmente, grande parte das empresas ainda não se atenta para a importância do discurso único, o que


acaba causando uma grande confusão no público-alvo. Imagine um potencial cliente ler uma reportagem feita com um determinado enfoque, receber a visita de um representante que abordará pontos diferentes e, ainda, quando for fazer uma pesquisa na Internet, ter acesso a informações completamente distintas da reportagem e do que foi passado pelo representante. Resultado: o potencial cliente ficará, certamente, confuso e dificilmente irá adquirir o produto que a empresa quer vender. O Sr. cita ainda que “os cinco elementos (engajamento, experiência, praticidade, interatividade e vivência), quando bem utilizados, juntos ou separadamente, contribuem para as empresas de agronegócio se destacarem em relação à concorrência e aumentarem a relevância no mercado”. Em sua opinião, dentro desse cenário, como gerar novos negócios? Seria esta geração

uma consequência natural da união desses cinco ítens? Verdadeira e intensa. É super importante a geração de novos negócios ter estas características. Neste contexto, a empresa que conseguir unir estes cinco elementos, terá ainda mais êxito. Mas, repare que apenas um destes elementos já poderá contribuir para as condições necessárias para a abertura de um novo negócio. Quando você promove, por exemplo, um engajamento com a mensagem-chave correta (alinhada no exercício frequente), você impactará o futuro cliente de forma assertiva, requisito básico para concretizar uma venda. Quando você tem uma vivência no universo do cliente, você tende a fidelizá-lo e a vender mais para ele. Não há uma regra específica e engessar este processo seria um erro. Há apenas métodos que contribuem para o sucesso de uma venda, respeitando variáveis, características e reais necessidades dos clientes.

E, definitivamente, qual é o marketing que o agronegócio precisa? O agronegócio precisa de um marketing que gere visibilidade, credibilidade, interesse e desejo. Em um primeiro momento, uma empresa de agronegócio precisa ficar visível para o potencial cliente. Muitas perdem vendas ou até mesmo deixam de existir por não direcionar as atividades para este objetivo. Na sequência, as ações precisam focar na credibilidade. Como eu aumento a credibilidade da empresa no mercado? O terceiro passo é despertar o interesse. As iniciativas devem contribuir para que o cliente pesquise mais sobre a empresa, sobre o produto. O quarto e último passo é o desejo. Quando eu falo de desejo, eu falo em vontade, em querer comprar, em querer participar do universo da empresa. Esse é o ponto alto de um processo de venda e de marketing. Se o cliente está neste estágio, dificilmente abrirá as portas para a concorrência.

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Produção

Vagas do Condomínio Avícola serão ampliadas com novo galpão em 2020

O objetivo é viabilizar a participação de cooperados em um modelo automatizado e de grande escala de produção de ovos, de forma eficiente e otimizando o processo produtivo, e sem a necessidade de investimento direto em infraestrutura

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Cooperativa Agropecuária Centro Serrana, Coopeavi, disponibilizará novas cotas para os associados participarem do Condomínio Avícola para Postura Comercial em 2020. A cooperativa dará início à construção do quarto galpão em março e a participação obedecerá aos mesmos critérios de priorização utilizados nos lotes anteriores.

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As cotas de participação são ofertadas na modalidade de operação inovadora, iniciada pela cooperativa em 2016. O objetivo é viabilizar a participação de cooperados em um modelo automatizado e de grande escala de produção de ovos, de forma eficiente e otimizando o processo produtivo, e sem a necessidade de investimento direto em infraestrutura.

O produtor investidor recebe mensalmente relatórios de desempenho, com indicadores sobre a produção diária, consumo de ração, temperatura média e mortalidade. No décimo dia de cada mês, a cooperativa apura e repassa aos cooperados cotistas os custos e o saldo mensal da comercialização. “O objetivo principal é oportunizar aos nossos sócios, principal-


Cada galpão aloja 100 mil poedeiras e, com a nova estrutura, o condomínio Avícola passará a ter 400 mil aves em produção. A capacidade total da área do empreendimento, na localidade de Alto Caldeirão (Santa Teresa), é para 22 galpões, que poderão acomodar 2,2 milhões de galinhas futuramente

mente aos pequenos avicultores, o acesso a um sistema automático de produção, padronizar o manejo e, por consequência, obter melhoria na qualidade do produto, impactando de forma positiva a vida de nossos cooperados”, afirma o presidente da Coopeavi, Denilson Potratz. Cada galpão aloja 100 mil poedeiras e, com a nova estrutura, o condomínio Avícola passará a ter 400 mil aves em produção. A capacidade total da área do empreendimento, na localidade de Alto Caldeirão (Santa Teresa), é para 22 galpões, que poderão acomodar 2,2 milhões de galinhas futuramente. O Condomínio Avícola é um modelo de negócio pioneiro no Brasil, operando um modelo produtivo em forma de serviço a seus cooperados, e surgiu a partir da ideia de um associado com objetivo de democratizar uma produção de alta escala, com tecnologia para os associados. O projeto conquistou a segunda colocação na categoria “Inovação” do 11º Prêmio Somos Coop – Melhores do Ano, realizado pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). Revista do Ovo

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Ciência & Pesquisa

Produção de ovos de qualidade em sistemas de base ecológica A produção de ovos caipira, ou de base ecológica, tem apelo competitivo no mercado e passa a ser uma atividade que pode contribuir para a diversificação dos sistemas de produção Autores: Valdir Silveira de Avila, Elsio Antonio Pereira de Figueiredo, Everton Luis Krabbe e Sabrina Castilho Duarte, pesquisadores da Embrapa Suínos e Aves

Figura 1. Poedeira Embrapa 051

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avicultura de postura tem como objetivo a produção de ovos para a alimentação da população. Busca produzir um alimento nutritivo que é im-

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Revista do Ovo

Foto: Levino J. Bassi

portantíssimo para condição social das famílias, especialmente àquelas de menor poder aquisitivo. A produção de ovos diferenciada, com rastreabilidade, tem apelo competitivo no

mercado, gerando maior renda aos produtores. Para a produção alternativa, entre outras linhagens disponíveis no mercado, foi desenvolvida a poedeira Embrapa 051. Essa galinha possui grande potencial de utilização nestes sistemas de produção devido a melhor adaptação ao sistema de base ecológica (colonial, caipira, capoeira), com aves criadas soltas. A linhagem apresenta ótima capacidade de produção de ovos. As poedeiras coloniais Embrapa 051 são galinhas híbridas, semipesadas resultantes do cruzamento entre linhas Rhode Island Red e Plymouth Rock Branca, selecionadas e especializadas para produção de ovos de mesa de casca marrom e por serem rústicas, se adaptam bem aos sistemas menos intensivos (Figura 1). A principal vantagem de utilizar as galinhas poedeiras coloniais Embrapa 051 na produção de ovos em sistemas alternativos é a fácil adaptação dessa linhagem aliada a boa produtividade. A poedeira alcança viabilidade no final da fase de cria e recria de 99% e ao final do período de produção a viabilidade pode ultrapassar 92%, com 90 semanas de idade. A produção esperada da Embrapa 051 é


de até 345 ovos por ave, na fase de postura, com início de produção na 20ª semana, atingindo pico da produção entre a 27ª e 29ª semana de idade. Os ovos produzidos apresentam peso médio de 57 gramas na 40ª semana. Os principais beneficiados pela criação da galinha são agricultores familiares de todo o Brasil, com a proposta de criação em sistemas semiconfinados para produção de ovos com valor agregado e a possibilidade de redução no custo inicial de investimento com instalações.

Cuidados em relação ao aviário e equipamentos Para a instalação dos aviários devem ser levadas em consideração as realidades climáticas de cada região. A construção deve visar amenizar as condições extremas. Por exemplo, em regiões muito quentes, o aviário deve ter um pé-direito mais elevado para assim permitir um ambiente menos quente para as aves. Em regiões frias, é importante instalar cortinas duplas nas laterais dos aviários para proteger as aves do frio. O local para a construção também deve ser escolhido de forma a evitar solo úmido (parte baixas) e mais elevados para ter uma melhor ventilação. Quanto a posição frente ao sol, recomenda-se que não haja exposição de forma que as aves fiquem expostas ao sol da tarde (mais quente), podendo ser utilizado o plantio de árvores nas laterais para sombreamento. Contudo, recomenda-se que sejam evitadas arvores frutíferas, por atraírem aves de vida livre e outros animais, o que não é interessante, por poderem veicular agentes de doenças ou ainda atacar as aves. É importante que o produtor antes de construir o aviário consulte um técnico para obter auxílio quanto à escolha do melhor local. Na Figura 2, são apresentados detalhes importantes relacionados a edificação e equipamentos. Os aviários devem ser telados com telas de abertura de, no máximo, 1” (uma polegada) para evitar a entrada de aves livres que podem transmitir doenças ou parasitas. A instalação de ninhos é muito importante para que as aves não produzam ovos direta-

mente sobre o piso (cama) diminuindo a quantidade de ovos sujos e, por consequência, contaminados. Em geral recomenda-se no máximo cinco aves por boca de ninho. Recomenda-se a instalação de poleiros, permitindo que as aves exercerem seus hábitos naturais.

Boas práticas para melhor produzir O produtor deverá saber a procedência do material genético que vai utilizar. As aves devem ser adquiridas de incubatórios registrados no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) e serem livres de doenças, especialmente micoplasmoses, aspergilose e salmoneloses. Devem ser oriundas de matrizes livres de enfermidades como a doença de Gumboro, Bronquite infecciosa das galinhas, doença de Newcastle e Encefalomielite aviária. Todas as aves devem ser vacinadas ainda no incubatório contra a doença de Marek. No momento da chegada das aves na propriedade, o aviário deve estar devidamente preparado. Todos os equipamentos deverão ser testados anteriormente à chegada dos pintos para garantir o funcionamento apropriado. No caso dos aquecedores, estes deverão ser ligados algumas horas antes da chegada das aves para estabilizar a temperatura, aquecer a cama e áreas de piso onde as aves permanecerão durante a cria. Os bebedouros e comedouros deverão ser abastecidos com 1 hora de antecedência à chegada das aves. Manusear as pintainhas com cuidado, mantendo-as junto à fonte de aquecimento e próximas ao bebedouro e ração. Anotar o peso das aves e os refugos encontrados retirar do lote e destiná-los adequadamente. Imediatamente após o alojamento, retirar todas as caixas de papelão e material de forração das caixas de transporte e incinerar. O objetivo das boas práticas de manejo nas fases de cria e recria das aves é possibilitar que o lote atinja a maturidade sexual na idade adequada. O referencial mais utilizado é o controle do peso corporal, o qual deve atingir uma uniformidade mínima de

A principal vantagem de utilizar as galinhas poedeiras coloniais Embrapa 051 na produção de ovos em sistemas alternativos é a fácil adaptação dessa linhagem aliada a boa produtividade

80%. Para tanto devem ser considerados todos os cuidados ao longo do desenvolvimento das aves, desde o preparo do pinteiro (local de alojamento das pintainhas com um dia de idade), até o momento em que atingem a idade de transferência para as instalações de produção de ovos. O programa de luz funciona como estímulo para a preparação e amadurecimento do sistema reprodutor. Ele é responsável pela sincronização do início e manutenção da curva de produção de ovos da galinha no decorrer da vida produtiva. O programa de iluminação deve oferecer cerca de 4,5 watts/m e a soma da luz natural mais a luz artificial pode atingir 16:30 horas de luz total diária. Deve ser elaborado levando em consideração a época do ano, a idade e a linhagem utilizada. O produtor deve seguir as orientações contidas no manual de manejo da linhagem. Para garantir a saúde das aves e a qualidade do ovo, de acordo com o potencial genético de cada linhagem Revista do Ovo

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Ciência & Pesquisa

Figura 2. Sistema de produção de ovos com rodízio de piquetes

de poedeiras, é indispensável um bom programa nutricional. A alimentação em geral representa 60% a 70% do custo de produção. Razão pela qual justifica-se a utilização de rações devidamente balanceadas, para que as aves recebam exatamente a quantidade de proteína, energia, vitaminas e minerais conforme sua exigência, nas distintas fases (cria-recria, pré-postura, postura, final de postura) e as recomendações de manejo de arraçoamento indicadas. As rações devem ser produzidas a partir de ingredientes de qualidade e fornecidas em comedouros adequados de acordo com o padrão da linhagem. As rações podem conter alguns aditivos para manter a qualidade da ração, sempre respeitando a legislação do Ministério da Agricultura. Deve ser conhecido e respeitado o período de carência de fármacos veterinários, pesticidas e aditivos utilizados nas formulações, e o descarte de ovos produzidos neste período, seguindo normativas da legislação vigente. Deve ser mantido registros das informações

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sobre as matérias primas e aditivos eventualmente utilizados. Entre eles encontram-se os antioxidantes e os adsorventes de micotoxinas produzidas por fungos. A produção da ração na propriedade deverá seguir as normas de Boas Práticas de Fabricação (BPF) de Ração ou, caso adquirida de terceiros, deverá ser obtida de estabelecimentos idôneos, preferencialmente certificados. Manter registros do consumo diário de ração, pois, a redução de consumo pode ser indicativo de problemas no lote, seja de manejo incorreto ou doença subclínica. O acompanhamento da condição corporal das aves, dados de produção e qualidade dos ovos devem ser utilizados para se acompanhar a adequação à dieta e ao manejo da alimentação. A qualidade do ovo é afetada pelo tipo da alimentação ofertada as galinhas. A resistência da casca, por exemplo, é determinada pela presença e quantidade de vitamina D, cálcio e outros minerais na ração. A deficiên-

cia de vitamina A pode resultar em pontos de sangue, assim como a precocidade e idade jovem da ave. A cor da gema é influenciada pelos pigmentos dos ingredientes que compõem a ração. O tamanho dos ovos é influenciado entre outros fatores, pela quantidade de proteína e energia, por isso, são necessários em quantidades adequadas na dieta das galinhas. Para fins de planejamento da produção, o criador deve considerar que uma ave consome aproximadamente 6 Kg de ração até iniciar a produção (aproximadamente 18 semanas). Durante o período de produção a ave alcança um consumo diário de até 115 g de ração ao dia. A água de bebida das aves é extremamente importante. Deve ser limpa, com características semelhantes as condições da agua de consumo humano. As fontes devem estar protegidas, evitando que acesso direto de animais e deposição de contaminantes. O consumo de água pode chegar a 300 ml por ave diariamente, dependendo da temperatura. As aves neces-


sitam da água também para controlar a sua temperatura corporal, por isso, da quantidade ideal, é importante que a água chegue até os bebedouros em baixa temperatura. Existem diferentes tipos de bebedouros, desde pequenos cochos, bebedouros pendulares em plástico e os mais modernos são os sistemas de nipple. Os bebedouros abertos, em função da entrada de restos de alimentos e materiais de cama, precisam ser lavados duas vezes ao dia (início e final do dia). O sistema de nipple não precisa dessa limpeza, contribuindo para a redução da mão de obra. Recomenda-se o uso de cloro na água diariamente, através da aplicação direta na caixa de água, buscando níveis de cloro de 3 e 5 ppm conforme a legislação. Em caso de escassez de água, pode-se avaliar o uso de água da chuva, aproveitando a área de telhado do próprio aviário, coletando a água da chuva com calhas e armazenadas em cisternas, entretanto essa água também deve ser tratada com cloro e analisada visando garantir ausência de patógenos, enviar amostras ao laboratório para garantir a qualidade da mesma. A biosseguridade é um dos pontos mais importantes. Aves podem contrair doenças de diversas formas: pelo contato com outras aves de pátio, pelo contato com aves de vida livre, pelo contato com pessoas que carregam bactérias e vírus nos calçados e roupas, pela água ou alimento contaminados, e inclusive pela reutilização de bandejas para ovos que circulam no comércio e depois retornam para as granjas. Por isso, algumas medidas são extremamente importantes, como: • usar tela nos galpões com abertura máxima de 2,5 cm (1 polegada); • não permitir o acesso de pessoas estranhas; • não permitir o acesso de outras aves e animais domésticos; • não reutilizar bandejas para ovos; • utilizar água e alimento isento de contaminação. Além disso, é importante que o criador busque informação com técnicos preparados para adotar um programa de vacinação e controle de parasitos.

Aves doentes não produzem bem e podem produzir ovos contaminados que podem causar doenças nos consumidores.

Comentários finais As aves tendem produzir o maior volume de ovos pela manhã, entre os horários de 9 horas e meio dia. Portanto, nesse período o criador deve ter a máxima atenção. Em caso de acúmulo de ovos nos ninhos, pode ocorrer a quebra de ovos, o que representa perda econômica além de comprometer a limpeza dos ovos que ficarem intactos. Os ovos devem ser coletados pelo menos quatro vezes por dia e armazenados imediatamente em salas frescas, arejadas e adequadamente higienizadas, livre da incidência de raios solares com temperaturas amenas. Após a coleta é importante realizar uma seleção, onde separam-se os ovos pelo tamanho, peso e aspecto. Ovos sem casca, quebrados ou sujos, devem ser separados evitando contaminações e prejuízos na qualidade dos ovos que estão em contato. Os ovos limpos e de bom aspecto devem ser empilhados com no máximo oito bandejas de altura e armazenados em local adequado. Os ovos impróprios para consumo devem ser descartados em composteiras, executando o procedimento de compostagem adequadamente. Concluindo, a produção de ovos caipira, ou de base ecológica, tem apelo competitivo no mercado e passa a ser uma atividade que pode contribuir para a diversificação dos sistemas de produção característicos da agricultura familiar e assentamentos, gerando renda em diferentes períodos do ano, diminuindo a dependência de fatores climáticos adversos, utilizando mão de obra excedente ou disponível na propriedade, numa perspectiva sustentável. Deve ser executada com garantia de procedimentos que assegurem a qualidade dos ovos produzidos e a manutenção de saúde das aves.

Bibliografia Consultada AVILA, V. S. de; KRABBE, E. L.; SAATKAMP, M. G. Poedeira Embrapa 051. 2. ed. Concórdia: Embrapa

Suínos e Aves, 2017. 4 p. Disponível em: https://ainfo.cnptia.embrapa. b r/ d i g it a l / b it s t r e a m / item/169231/1/final8764.pdf. Acesso em: 14 fev. 2020. AVILA, V. S. de; KRABBE, E. L.; CARON, L.; SAATKAMP, M. G.; SOARES, J. P. G. Produção de ovos em sistemas de base ecológica. Concórdia: Embrapa Suínos e Aves, 2017. 32 p. Disponível em: https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/ bitstream/ item/168178/1/final8573.pdf. Acesso em: 14 fev. 2020. AVILA, V. S. de; SOARES, J. P. G. (Ed.). Produção de ovos em sistema orgânico. 2. ed. Rev e Ampl. Concórdia: Embrapa Suínos e Aves; Seropédia: Embrapa Agrobiologia, 2010. Disponível em: http://ainfo.cnptia. embrapa.br/d ig ita l/ bitst rea m/ item/104574/1/Producao-de-ovos-em-sistema-organico.pdf. Acesso em: 14 fev. 2020. OLIVEIRA, P. A. V. de; MATTHIENSEN, A.; ALBINO, J. J.; BASSI, L. J.; GRINGS, V. H.; BALDI, P. C. Aproveitamento da água da chuva na produção de suínos e aves. Concórdia: Embrapa Suínos e Aves, 2012. 38 p. (Embrapa Suínos e Aves. Documentos, 157). Disponível em: https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/ item/79687/1/Doc-157.pdf. Acesso em: 14 fev. 2020. BRASIL. Ministério da Agricultura e do Abastecimento. Secretaria de Inspeção de Produto Animal. Portaria nº 1, de 21 de fevereiro de 1990. Aprova as Normas Gerais de Inspeção de Ovos e Derivados, propostas pela Divisão de Inspeção de Carnes e Derivados - DICAR que serão divulgadas através de Ofício Circular da SIPA.. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 6 mar. 1990. Seção 1. MANUAL de segurança e qualidade para a avicultura de postura. Brasília, DF: Embrapa Informação Tecnológica: CampoPAS, 2004. 97 p. (Qualidade e Segurança dos Alimentos). Disponível em: https://ainfo. cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/ item/18216/1/MANUALSEGUR ANCAQUALIDADEaviculturadepostura. pdf. Acesso em: 14 fev. 2020. Revista do Ovo

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Empresas

Kemin anuncia João Gomes novo presidente na América do Sul João Marcelo Gomes é Médico veterinário com experiência no setor de saúde e nutrição animal assume a gestão da empresa em toda a região com foco no desenvolvimento de pessoas e do negócio de cada cliente

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Cuidar das pessoas. Esta é a estratégia de Gomes para contribuir com o desenvolvimento profissional e pessoal da equipe com a finalidade de oferecer o melhor atendimento e serviço aos clientes

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médico veterinário João Marcelo Gomes assume a presidência da Kemin na América do Sul. Com 25 anos de experiência no setor de saúde e nutrição animal, ele tem forte atuação nas áreas comercial e de gestão no Brasil e em outros países da América Latina. Responsável pela gestão da empresa, ele assume o desafio de manter o crescimento na casa dos dois dígitos conquistados nos últimos anos e ainda ampliar a penetração de mercado através de soluções e serviços em diferentes segmentos, como avicultura, suinocultura, bovinocultura de corte, de leite e grãos. “O objetivo é promover não apenas o desenvolvimento da empresa como um todo, mas, sobretudo, o desenvolvimento dos nossos recursos humanos. Na Kemin, nós temos um modelo de gestão totalmente voltado para pessoas”, afirmou o executivo. De acordo com ele, a ampliação da empresa passa também por um portfólio com soluções e serviços técnicos diferenciados, além de um crescimento das exportações dos produtos desenvolvidos no Brasil para outros países da América do Sul. “Observamos potencial de crescimento. A Kemin já tem presença


importante em quase todos os países da América do Sul e temos condições de ampliar o atendimento nesta região”, salientou Gomes destacando que seu foco de atuação está não apenas no acesso ao mercado, como também no atendimento rápido e de alto nível aos clientes.

Foco no cliente Cuidar das pessoas. Esta é a estratégia de Gomes para contribuir com o desenvolvimento profissional e pessoal da equipe com a finalidade de oferecer o melhor atendimento e serviço aos clientes. “A ideia é estar preparado para surpreender as expectativas de cada cliente. Todas as nossas ações são pensadas para promover melhorias na experiência do cliente. E temos uma base bem construída nos últimos anos aliada a uma equipe técnica e de vendas cada dia mais madura para isso”, afirmou. Ele destaca a visão da empresa de transformar a vida das pessoas, seja através de uma redução de contaminantes, do impacto ambiental da produção, ou até mesmo contri-

buindo com melhorias de performance e rentabilidade no campo. “Esta é a Jornada para a Transformação da Kemin, que é uma empresa muito inspiradora e trabalha muito com desenvolvimento de produtos inovadores para levar aos nossos clientes o melhor produto acompanhado do melhor serviço e do melhor relacionamento”, define Gomes.

Perspectivas de Mercado O momento é positivo. Depois de um ano muito bom para o setor de produção de proteína animal, Gomes entra 2020 com perspectivas otimistas. Medidas importantes vêm sendo tomadas no Brasil, como a aprovação da reforma da previdência, além de reformas administrativas e tributária. Notícias de recuperação do nível de emprego e taxas de juros mais baixas também são positivas. “O acordo comercial discutido entre Estados Unidos e China pode levar a uma competição mais acirrada neste início do ano. No entanto, na mesma medida em

que este acordo entre as duas potências começa a tomar corpo, vemos um movimento na direção de diversificação de mercados do lado do Brasil, como por exemplo a recente visita de uma comitiva, do governo brasileiro e representantes do setor de exportações de proteína animal, à Índia”, defendeu. Ele salienta que, apesar de observar um processo político mais complexo para crescimento no curto prazo na Argentina, ainda está otimista e preparado para atender clientes em toda a região independentemente do cenário político, social ou econômico. “Minha experiência mostra que, quando vivemos em uma região de instabilidades, a melhor estratégia é entender o problema e focar na solução dele. Conhecer profundamente o desafio é a melhor maneira para ganhar escala, desenvolver pessoas e expandir o negócio como um todo. E, na Kemin, a nossa missão é contribuir com ganhos de competitividades do nosso cliente. Nós vendemos e comprovamos eficiência produtiva”, encerrou. Revista do Ovo

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Empresa

Uniquímica cria parceria e volta a vender peças Lyon no Brasil Empresa voltará a comercializar no mercado brasileiro as lâminas para tratamento de bico da Lyon

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Uniquímica entra em 2020 com uma boa novidade para os avicultores de postura comercial. É que a empresa volta a comercializar as lâminas para tratamento de bico da antiga marca LYON, uma das mais utilizadas no Brasil, mas que estavam com suas vendas dificultadas desde que a fábrica encerrou suas atividades em dezembro de 2018, ainda com muitas peças em estoque. Agora as lâminas Lyon passam a ser oferecidos pela Pixon Company, empresa criada pelo executivo José Luis Madrigal, que por muitos anos foi executivo da Lyon e já conhecia a eficiência da Uniquímica nas vendas dos produtos, já que foi uma importante revendedora dos debicadores e lâminas da Lyon por muitos anos. Dessa forma, a Uniquímica abre o ano reforçando sua divisão de equipamentos, que atualmente tem uma linha de equipamentos usados para análises e testes da qualidade dos ovos. Fundada há mais de 45 anos, a empresa tem como foco principal a nutrição animal com ampla linha de Premixes e aditivos, mais equipamentos para apoiar a produção de seus clientes também fazem parte de seu portfólio.

Histórico de sucesso A Uniquímica abre o ano reforçando sua divisão de equipamentos, que atualmente tem uma linha de equipamentos utilizados para análises e testes

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da qualidade dos ovos. Fundada há mais de 45 anos, a empresa tem como foco principal a nutrição animal com ampla linha de Premixes e aditivos, mas equipamentos para apoiar a produção de seus clientes também fazem parte de seu portfólio. A Uniquímica voltará a comercializar no mercado brasileiro as lâminas para tratamento de bico da Lyon, assim como transformadores, reostatos algumas peças e os debicadores em si. Suas vendas estavam dificultadas desde que a fábrica encerrou suas atividades em dezembro de 2018, ainda com muitas peças em estoque. Agora as lâminas Lyon passam a ser oferecidos pela Pixon Company, empresa dos Estados Unidos situada na Califórnia e criada pelo executivo José Luis Madrigal. Por muitos anos Madrigal foi executivo da Lyon e já conhecia a eficiência da Uniquímica nas vendas dos produtos. É que a empresa brasileira foi importante revendedora dos debicadores e lâminas da marca por muitos anos. Em entrevista exclusiva à Revista do Ovo, Madrigal conta que saiu da Lyon no início de 2009, pensando que seu trabalho com a empresa havia terminado. “Comecei a trabalhar com o Hiroshi Katayama e depois com o seu filho, Alex, nos anos 90. Eu senti que era uma boa relação de trabalho para ambos. Me aposentei no México com minha esposa e trabalhei em nossos negócios lá, nas montanhas perto de Guadalajara.

Foi uma surpresa para mim que um dia, em maio do ano passado, fui contatado pelo proprietário do Lyon, que me disse que ele encerrava o negócio porque tinha 92 anos e desde que saí, ele pensava que eu poderia pegar o que restava da empresa e reiniciá-lo novamente”, conta José Madrigal. “Como eu já tinha planos de visitar o Brasil com minha esposa, procurei pelo Alex Katayama, que teve a gentileza de passar um tempo conosco em São Paulo, e mencionei a possibilidade de começar de novo nos negócios de Lyon. Ele me incentivou a fazê-lo e mostrou interesse em trabalhar comigo novamente. Ele até me ofereceu parceria se eu precisasse iniciar o negócio, o que me incentivou a tomar a decisão de iniciá-lo e iniciei as operações em outubro de 2019”, contou o executivo. “Nestes últimos meses, recebi calorosamente a volta aos negócios e a renovação de nosso relacionamento com a Uniquímica no Brasil é de grande importância e satisfação para mim. Eu vejo o Brasil e a Uniquímica como uma grande oportunidade para a Pixon Company”, disse José Madrigal. Para informações, encomendas e reservas das lâminas KH e BC, peças de reposição ou mesmo debicadores Lyon fornecidos pela Pixon Company, pode-se contatar a Equipe Uniquímica pelos telefones (11) 4061-4100 / (11) 986740313 (WhatsApp) ou e-mail suporte@uniquimica.com, ou ainda pelo site www.uniquimica.com.


Estatísticas e Preços

Alojamento de pintainhas de postura segue batendo recordes A

o aumentar 2,5% e alcançar volume próximo de 118,5 milhões de cabeças, o alojamento de pintainhas comerciais futuras poedeiras de ovos brancos e vermelhos atingiu novo recorde. Não foi, porém, um recorde que causasse surpresas, pois a superação dos números anteriores tem sido praticamente constante no setor. Tanto que, entre 2009 e 2019, em apenas uma ocasião (2015) registrou-se ligeiro retrocesso em relação ao ano anterior. Em uma década o volume alojado aumentou 95%, média (nada desprezível) de quase 7% ao ano. Mas a contribuição maior para esse aumento foi dada pelas pintainhas de ovos

brancos, cujo volume em 10 anos aumentou perto de 120%, passando de 44,783 milhões de cabeças em 2009 para 98,335 milhões de cabeças no ano que passou. Como o volume de pintainhas destinadas à produção de ovos vermelhos aumentou proporcionalmente menos – de 15,935 milhões de cabeças para 20,164 milhões de cabeças, incremento de 26,5% - a conclusão é a de que houve significativo aumento na participação das pintainhas de ovos brancos. Efetivamente, elas que em 2009 representavam perto de 74% do total alojado, em 2019 elevaram sua participação para 83% do total – expansão de 12,5%.

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Estatísticas e Preços Desempenho do ovo em fevereiro e no primeiro bimestre de 2020

Adequação ao mercado propicia, nominalmente, a melhor remuneração de todos os tempos R

epetindo o feito de um ano atrás, em fevereiro passado o setor de postura deu mostras de que é possível obter imediata e relevante reversão de mercado, dando estabilidade econômica aos produtores. Pois saiu do menor preço em 12 meses (janeiro de 2020) para a maior cotação nominal de todos os tempos. No início de 2019 observou-se algo parecido. Pois enquanto em janeiro a cotação média do produto retrocedeu ao menor nível da corrente década, no mês seguinte obteve valorização superior a 50%. Desta vez o índice de incremento foi menor: 41%. Mas rompeu um período de estabilidade de preços que (excetuado dezembro, quando o ovo acompanhou a alta das carnes) vinha desde fevereiro do ano passado. E - melhor ainda - propiciou, nominalmente, as maiores cotações já alcançadas pelo produto. De toda forma, é interessante observar que esse movimento de recuperação não começou em fevereiro, teve início em janeiro. Mesmo assim apresentou velocidade raras vezes observadas no setor, pois no curto espaço de cinco semanas foi registrada evolução de 70% no preço pago pela caixa de 30 dúzias

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do ovo branco extra (consideradas, neste caso, cargas fechadas negociadas no atacado da cidade de São Paulo). Neste caso, o valor da caixa passou de R$57,00 para R$97,00 (o ovo vermelho chegou a aproximar-se dos R$120,00/caixa), superando um recorde nominal mantido desde abril de 2017, ocasião em que a caixa de ovos brancos do tipo extra chegou a ser comercializada por, em média, R$96,00. O corolário desse comportamento é que, após fechar o primeiro mês do ano com um valor médio real que nos últimos 10 anos só ficou acima dos baixos preços de 2018, o ovo completou o primeiro bimestre de 2020 apresentando reversão até certo ponto inesperada, pois o valor médio subiu de pouco mais de R$67,00/caixa para R$80,54/caixa, situando-se agora mais próximo aos bons níveis registrados em 2016 e 2017. A despeito do enfraquecimento do mercado no final do mês, o bom desempenho tende a se manter e até melhorar. Não apenas porque estamos iniciando novo mês, mas sobretudo porque entramos na Quaresma, período religioso em que, normalmente, o ovo alcança as melhores cotações de cada exercício.


Milho e Soja Milho ficou quase 26% mais caro que há um ano Comparativamente a idêntico período de 2019, o milho aumentou mais de um quarto no primeiro bimestre de 2020. O preço médio do insumo, saca de 60 kg, interior de SP, variou entre um mínimo de R$49,00 e um máximo de R$57,00 (final de fevereiro) – média de R$53,43, valor cerca de 26% superior ao alcançado pelo produto no bimestre janeiro-fevereiro de 2019, ocasião em que foi comercializado por, em média, R$42,45/saca.

Valores de troca – Milho/Frango vivo No período, o frango vivo (interior de SP) alcançou média de R$3,20/kg, valor 11,71% superior ao de idêntico bimestre do ano passado. Mas como a valorização do milho foi muito mais sensível, de quase 26%, o poder de compra do avicultor em relação ao grão sofreu deterioração. Em 2019, primeiro bimestre, 246,5 kg de frango vivo foram suficientes para adquirir uma tonelada. Neste ano o produtor precisou de mais de 278 kg para adquirir o mesmo volume de milho – quase 13% a mais de frangos, o que significa que seu poder de compra recuou mais de 11%.

Preços do farelo de soja mantêm estabilidade no bimestre No primeiro bimestre de 2020 o farelo de soja (FOB, interior de SP) foi cotado por valor quase 10% superior ao de idêntico período de 2019. De toda forma, os primeiros 60 dias do ano foram percorridos com grande estabilidade já que, cotado em média por R$1.330,00 a tonelada, os preços do farelo registraram amplitude de apenas 2,25 pontos percentuais entre os valores mínimo e máximo.

Valores de troca – Farelo/Frango vivo Uma vez que a valorização registrada pelo frango vivo no bimestre esteve muito próxima (diferença, a favor do frango, pouco superior a 2 pontos percentuais), o poder de compra do produto, embora maior, permaneceu praticamente estável. Ou, considerada a aquisição de uma tonelada de farelo de soja, caiu de (cerca de) 425/kg de frango vivo para pouco menos de 416/kg.

Valores de troca – Milho/Ovo Graças a uma forte reversão de mercado em fevereiro, o ovo fechou o primeiro bimestre de 2020 registrando na granja (interior paulista, caixa com 30 dúzias, valor a granel para cargas fechadas) preço médio em torno de R$/74,60, valor 38% superior ao alcançado no mesmo período de 2019 (R$53,88/caixa). Como o milho apresentou alta anual de, aproximadamente, 26% é óbvio que o poder de compra do avicultor apresentou ligeira alta. Assim, foram suficientes perto de 12 caixas para a aquisição de uma tonelada do grão, poder de compra perto de 10% maior que o registrado no mesmo bimestre de 2019 (13,1/caixas/t).

Fontes das informações: www.jox.com.br

Valores de troca – Farelo/Ovo Já em relação ao ovo, o poder de compra do avicultor teve aumento bem mais significativo. Detalhando, um ano atrás, no primeiro bimestre, a aquisição de uma tonelada de farelo de soja absorveu perto de 23 caixas de ovos. Em 2020, esse volume recuou para menos de 18 caixas, uma queda superior a 20% - que elevou em mais de um quarto o poder de compra do produtor.

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Ponto Final

Características do varejo para o mercado do ovo Sonia Bazan atua na área comercial da Orffa do Brasil e Uniave

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e pensarmos em um produto que nos últimos 03 anos apresentou um aumento de consumo de 60 %, entre os brasileiros, sendo extremamente saudável, rico em nutrientes, custo acessível, de imediato já o identificamos. Isso mesmo! O Ovo, a proteína perfeita, produto que não pode faltar em nossa mesa. Além disso é de fácil acesso e encontramos, sem dúvida, sempre em algum lugar próximo a nossa casa. Os canais de comercialização contribuem para que o caminho do produtor até à casa do consumidor seja realizado de forma satisfatória ao consumidor, que busca produto de qualidade, preço bom e diferenciais que atendam a preferência de consumo de cada um. Podemos citar, lojas de atacado, supermercados, hipermercados, mercados de bairro, Minimercados e também a indústria, todos ligados a um público alvo especifico. No caso do “Atacado”, a venda é feita, na maioria das vezes às pessoas jurídicas, restaurantes, empresas e até pequenos lojistas que trabalham no varejo. O preço, geralmente é inferior aos preços praticados no varejo pelo volume comercializados. Já o varejo, oferta diretamente ao consumidor final e o preço é determinado com base no preço de mercado. A atuação na Indústria (ovoprodutos) também é uma alternativa, a ser avaliada. Como o prazo de validade é maior nos produtos obtidos a partir do ovo industrializado, seus preços são mais estáveis, quando comparados aos convencionais. Além da

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praticidade de uso apresentada ao consumidor final. Importante é avaliar a rentabilidade e os resultados financeiros deste segmento antes de qualquer opção. O produtor, direciona sua produção, ao canal que considera o melhor em termos financeiros e de volumes, de estrutura operacional e logística. Sem dúvida é a parte mais difícil da escolha, pois a sua opção depende o sucesso dos resultados e também do seu crescimento institucional como marca. Após está definição na linha de comercialização, a concretização do negócio depende ainda da entrada da sua empresa na rede escolhida. Apesar das dificuldades, recursos objetivos e diretos, são infalíveis como um comercial competente e atuante que faça o elo de ligação entre o canal de venda / distribuição e a Granja. Caminhos de sucesso são construídos com perseverança e conhecimento, que podem ser atribuídos a escolha correta da forma de atuação. Acompanhar também todo o trajeto feito é parte imprescindível deste sucesso, pois o produto precisa ser trabalhado também dentro da área de venda, com ações de informações que foquem o diferencial do produto na hora da decisão de compra. Ações de merchandising, são infalíveis, pois produto visto e bem posicionado é produto vendido. Estrutura de negócios, produção, conhecimento das tendências de mercado comercialização, inovação, acompanhamento com estratégias de atuação são passos necessários para resultados positivos, duradouros e de sucesso.


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Ponto Final

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Edição 57 - Revista do Ovo