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AMOR

VOCÊ PODE

Unidos para sempre Edição nº 1 - Ano 1 Curitiba, Novembro de 2011

Conheça a vida e os sonhos de Yayá

+60 Revista

Entenda um pouco mais da velhice

Exercício físico é saúde

Tocar junto com a banda

Idosos encontram no trabalho uma forma de distração com responsabilidade


Editorial

Sidnéia Rosa Gonçalves

+60 Revista

Diretor Sidnéia Rosa Gonçalves MTb 2524/10

Orientador Professor Hélio Marques Diagramação Everton Luiz da Rocha Mossato

A revista + 60 é um produto de conclusão do curso de Jornalismo da Unibrasil – 2011, com tiragem de 2.000 exemplares, circulação em Curitiba e Região, com distribuição gratuita.

Rua Jacob Berlezi, 6-A Jd Paraná – Colombo, Paraná CEP: 83.412-160 Fone: 41-85251865 contato: sid.goncalves@yahoo.com.br © Todos os direitos reservados, Proibida a reprodução sem autorização prévia e por scrito.

Terceira idade

A Revista +60 lança sua primeira edição. Ela quer envolver público idoso, agregando conhecimentos dando exemplos dos próprios idosos. Além de poderem participar com suas mais engraçadas e emocionantes histórias. A velhice é um período da vida onde é possível fazer tudo o que quiser: trabalhar, ajudar, passear, fazer exercícios físicos e namorar. Precisa, é claro, saber até aonde o corpo aguenta chegar. Nesta primeira edição, damos destaque ao idoso que continua trabalhando mesmo depois de aposentado, que é o caso de Zigmundo Czajkowski e Daura Carneiro. Mostramos também que é possível superar as dificuldades, com força de vontade. A ideia é gerar mais discussão de assuntos relacionados ao idoso. Fazer com que ele se identifique com o que está lendo, que encontre na revista +60 um apoio para dúvidas e esclarecimentos, por meio de uma leitura suave a agradável. Boa leitura!

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Índice 4| Saúde é vida e exercício físico é saúde

Amor Unidos para sempre Pág. 8

Você Pode Envelhecer é... fazer tudo o que se tem vontade Pág. 12

Capa Tocar junto com a banda

Idosos encontram no trabalho uma forma de distração com responsabilidade.

Pág. 16 Entrevista Paulo Carneiro Pág. 20 25| Legislação Direito do Idoso 27| Volta por cima Força de vontade não pode faltar 30| Agenda + 60

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Saúde

Saúde é vida e exercício físico é saúde

Cadeira Pressão de Pernas Aparelho para exercício de pressão nos membros inferiores

playlandia.com.br

Melhora a flexibilidade dos membros inferiores e superiores, quadril e função cardiorespiratória

playlandia.com.br

Simulador de Esqui

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Ronaldo no aparelho Simulador de Esqui no Passeio Público

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xercício físico é importante em qualquer idade. E para a terceira idade auxilia no controle de doenças como: diabetes, artrite, doenças cardíacas, colesterol alto e hipertensão. Além de ajudar na digestão, espantar a depressão e melhorar os reflexos e velocidade. Porém é preciso ficar atendo aos limites de cada pessoa, não exagerando nos exercícios. É importante também um acompanhamento médico. Segundo o site www.scf.unifesp.br, o idoso frágil precisa ir com calma nas atividades físicas. Elas devem ser divididas em sessões de curta duração, de 5 a 10 minutos e realizadas mais vezes durante o dia. Já pessoas sem complicações de saúde podem exagerar nos exercícios. Curitiba tem a disposição 64 academias espalhadas pela cidade, o que facilita o contato dos idosos com os exercícios, sem ter que gastar nada. O idoso Ronaldo Miguel José de Souza tem 82 anos e realiza exercícios diariamente no Passeio Público, diz que sua saúde melhorou muito depois que começou a se exercitar. “Não tenho preguiça”, diz Ronaldo que faz todos os dias 40 minutos de exercício físico, inclusive domingos e feriados. Diz ainda que melhorou muito sua saúde e disposição. Um dos principais aparelhos usados por Ronaldo é o Elíptico – Simulador de Esqui. Este aparelho melhora a flexibilidade dos membros inferiores, quadril, membros superiores e a função Continua...


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Estimula o sistema nervoso central, alongamento e fortalecimento dos grandes grupos musculares

Simulador de Caminhada Aumenta a mobilidade dos membros inferiores e desenvolve a coordenação motora

playlandia.com.br

Alongador 3 alturas

playlandia.com.br

Saúde

cardiorrespiratória. Para manter as pernas firmes, utiliza o Pressão de Pernas, que fortalece os membros inferiores. Antes dos exercícios ele faz alongamentos e caminhada para aquecimento. A academia ao ar livre tem a disposição o Volante de Rotação Diagonal que trabalha a articulação dos ombros, o Volante Alongador Horizontal que trabalho o alongamento e fortalecimento muscular, Simulador de Caminhada trabalha o condicionamento físico entre outros.

Para conhecer todos os aparelhos e descobrir onde tem uma academia ao ar livre próximo de você, acesse o site da Prefeitura de Curitiba.

bancodeprofissionais.com

www.curitiba.pr.gov.br

Ronaldo fortalece pernas no aparelho Pressão de Pernas

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Amor

Unidos para sempre Casal vive junto hĂĄ mais de 50 anos e dĂĄ exemplo de companheirismo, respeito e paciĂŞncia. Sezinando e Santa revelam como vivem juntos por tanto tempo

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viver junto tanto tempo. “É um aturar o outro, é perdoar e não levar tão a sério coisas pequenas”. Do casamento surgiram 3 filhos, sendo 2 deles casados e com filhos e 1 solteiro, o que ainda dá algumas preocupações para o casal. Moram sozinhos, dividem espaço somente com duas cachorrinhas e agora mais quatro filhotes que, por enquanto, estão na casa. A casa é própria, adquirida com muito sacrifício, depois de muitos

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revistacasamentoecia

A

s pessoas no geral são muito diferentes uma das outras e isso não é novidade. Mas esta diferença não impede o casal, Sezinando de Assis Cardozo (Zico), de 70 anos, e Santa Rodrigues Cardozo de 68 anos, de viverem juntos há 51 anos. Conheceram-se jovens durante o período escolar. Zico dizia aos amigos que namorava Santa, porém esqueceu de avisar a ela, só ele sabia do namoro. Ela só ficou sabendo desta história depois que tinha casado. Casados há mais de cinco décadas, Zico diz que é preciso ter paciência para


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anos de trabalho. Quando casaram trabalhavam na roça. Certa vez Zico derrubou uma árvore em cima de Santa. O desespero foi total, mas não na aconteceu, somente os galhos atingiram ela. Depois Zico conseguiu trabalho como caminhoneiro e viajava muito, ficava às vezes três meses longe de casa. Santa era doméstica e ganhava pouco para ajudar a manter a casa. Atualmente, ele está aposentado e ela ainda tenta se aposentar. Para ajudar na renda, o casal tem duas casas alugadas no mesmo local onde moram. Eles realizam as atividades juntos, levantam, cuidam dos afazeres de casa, Santa sempre nos serviços mais domésticos e Zico nos reparos da casa, construída por ele mesmo. Zico sempre dá uma de pedreiro e não deixa a esposa reclamar de nada. Os dois são hipertensos e um cuida do outro, pois é um problema de saúde que atrapalha, e muito. E Santa ainda tem diabetes e tireóide. Como vivem sozinhos, não têm compromisso com refeições e horários, então saem para comer fora, vão à casa de parentes e fazem passeios. Os filhos também aparecem às vezes.

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O relacionamento amoroso do casal continua ativo. “Ainda namoramos, não com tanta frequência com o antigamente (risos)”, fala Santa. Ele conta que o coração dispara como antes, que o amor os une cada vez mais. Não acontece todos os dias, mas quando acontece é bom como antes. Estão acostumados um com o outro, se um sai fica longe o outro sente falta. Mesmo idosos fazem planos para o futuro, pensam em vender a casa e morar na praia. Santa tem um pouco de medo, devido aos problemas de saúde, mas não descarta a possibilidade. Santa diz ainda que hoje os casamentos não duram porque ninguém tolera um o outro, falta paciência nos relacionamentos. Zico também fala que sempre foi um homem que ajudou a esposa, não ficava bebendo em bar e nunca deixou faltar nada em casa, o que ajudou a manter um relacionamento saudável. Ela também nunca foi uma mulher que pegava no pé do marido. Zico e Santa vivem uma relação desejada por muitos. Já tiveram discussões como todos os casais, mas o sentimento de um pelo outro falou mais alto e continuam até hoje vivendo felizes para sempre.


Casal Zico e Santa continuam namorando ap贸s 50 anos

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VocĂŞ pode

YayĂĄ nunca desistiu do sonho e conseguiu realizar

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Envelhecer é ... fazer tudo o que se tem vontade

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onhos, planos, vontades são coisas que as pessoas buscam a vida toda e não é diferente com Dona Maria da Aparecida da Silva (Yayá). Desde a infância pensava em ser professora, gostava de escrever sempre tentava ensinar o que podia, mas com a vida humilde e difícil que teve não conseguiu concluir nem o antigo primário. Isso não fez com que Yayá parasse sua vida. Casou, teve 4 filhos e hoje está com 86 anos de muita experiência e vontade de aprender a cada dia. Por meio do programa da Fundação de Ação Social (FAS), Curitiba se inscreveu no curso Oficina da Voz, porque queria contar histórias para crianças e tinha dificuldade. Já na primeira aula durante a apresentação dos alunos a professora perguntou se eles gostariam de escrever, uma vez que percebeu a facilidade que tinham em contar suas próprias histórias. Todos aceitaram

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Yayá mostra os 5 livros que ajudou escrever

e o curso que era para voz, passou a ser para escrita também. Dona Yayá, que estudou até a 3ª série, buscou se esforçar ao máximo, pediu ajuda para os filhos e amigos, até que começou a escrever e contar uma história, depois outra e outra. Durante os cursos os participantes apresentam suas histórias, fazem comentários, alteram o que precisa e encaminham para diagramação. Yayá e os outros 12 participantes do curso agora escrevem livros que relatam momentos da vida de cada um e trazem conhecimento para os leitores que podem imaginar um passado contado de outra forma.

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Eles já escreveram cinco livros, o primeiro com o título de Também somos Crianças: no presente, as brincadeiras do passado e história da vida, o segundo Nossas músicas nossas vidas, terceiro Envelhecer é, quarto Construindo Histórias, quinto Exposição de Memórias – Cenas que movimentam a vida. E está para chegar o sexto que o tema é Liberdade. O título ainda não foi decidido. Yayá diz que sente emoção quando lê o livro. “Muitas coisas que a gente lê, a gente volta como se estivesse vivendo a história novamente”. Ela ainda espera despertar interesse no leitor, vontade de fazer a mesma coisa. “Eu, uma

pessoa simples, sem estudo, tive este arrojo, com um encorajamento da professora, mas sempre tive vontade de escrever, faltava um empurrão, que as pessoas não desistam do que querem”. Ela conta ainda que é muito gratificante poder entregar o livro, autografar para as pessoas, ver as pessoas interessadas em saber as histórias escrita por eles. Yayá ainda realiza trabalho voluntário, contando histórias para crianças e outros idosos do Hospital de Clínicas, um trabalho desenvolvido pelo Instituto História Viva. Faça como Yayá aproveite as oportunidades, muitas vezes falta um empurrão para fazer algo que realmente se gosta, porque você pode, basta querer.


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Zigmundo se diverte no trabalho


capa

Tocar junto com a banda Idosos encontram no trabalho uma forma de distração com responsabilidade, trocando conhecimentos e habilidades, mesmo depois dos 60.

O O

idoso de 65 anos Zigmundo Czajkowski (Zig), mesmo depois de aposentado não parou de trabalhar. Ele chega às oito horas no trabalho sempre muito bem humorado. Zig é casado, pai de dois filhos e apaixonado por curiosidades e rádio. A sete anos é aposentado por tempo de serviço e nunca deixou de trabalhar. Ele diz que nunca parou, porque sempre surgiram novas oportunidades e desafios, somente no hotel que trabalha hoje já trabalhou cinco vezes e não se arrepende. Passou por vários hotéis de Curitiba, sempre na parte de controladoria, o que gosta de fazer. Por ele não passa

nada, nenhuma comanda sem conferência, apartamento sem diária ou estorno indevido. Tudo é detalhadamente conferido, checado, analisado e justificado. Isso devido à grande experiência que adquiriu ao logo dos anos de profissão. Além de controlar tudo, Zig ainda contribui com ideias e sugestões que faz toda a diferença na parte administrativa da empresa. Para ele é uma satisfação poder contribuir. Trabalho para ele é algo de muita responsabilidade. No ambiente de trabalho Zig é muito respeitado, todos escutam sua opinião e nunca passou por nenhuma situação desagradável por ser

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Zig trabalha e tem tempo para suas curiosidades idoso, bem pelo contrário, leva na esportiva todas as brincadeiras feitas com ele, “lá vem o polaco, olha o velhinho descendo.” Ele mesmo diz o “velho está chegando”. Também trata com respeito todos os colegas e aprende muito com a troca de experiência com os mais jovens, na recepção, restaurante, comercial, entre outros setores. Para Zig o trabalho é mais importante para ele, do que ele para o trabalho. O dinheiro ajuda, mas não é o principal. “O trabalho para mim faz bem, isso porque gosto do que estou fazendo, penso que devo trabalhar, levantar cedo, colocar as coisas em dia, busco sempre estar atualizado com as questões relacionadas ao meu local de trabalho”.

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Zig trabalha apenas quatro horas por dia, porque além do seu trabalho tem obrigações com seus filhos, sua esposa, com sua casa e com suas curiosidades, hobby que aprendeu a gostar desde criança. Ele pesquisa curiosidades das mais várias e manda tudo que consegue para nove programas de rádio. Uma forma de participar da grande paixão que sente pelo rádio e para isso ele não precisa ganhar nada, só o prazer em participar. Com tantas atividades, não dá tempo de pensar na hipertensão que às vezes incomoda, pois seu trabalho é importante, porque seus filhos precisam dele e ainda consegue se divertir pesquisando e conhecendo a cada dia coisas novas


Daura tranquila na cadeira de balanço em sua casa

Daura exercita memória com jogos no computador interessantíssimas. Assim como Zig ocupa seu dia e esquece que é idoso, Daura Carneiro, de 72 anos também não se lembra da idade. Não tem um compromisso fixo com o trabalho, mas tem um compromisso com o filho. Ele é dono de uma revista e tudo graças ao apoio que Daura tem dado. Ela não desanimou nunca, mesmo nas situações mais difíceis que enfrentaram. Chegou até a escrever, tirar fotos, fazer pesquisas, buscar fontes para incluir na revista, além de entregar pessoalmente o material ao público, serviço que realiza até hoje, com muita disposição e amor no que faz. Daura não consegue ficar parada. “Não quero ver a banda passar, quero

ir junto com a ela”, frase usada para dizer que gosta de participar de tudo, baile, festas, trabalho, decisões em casa, brincadeira com filhos e netos. “Ficar só olhando não tem graça”.

“ O trabalho para mim faz bem, isso porque gosto do que estou fazendo "

Zigmundo Czajkowski

Ela é dedicada no que faz, e mesmo depois de idosa, decidiu enfrentar uma

sala de aula na faculdade. Para realizar os trabalhos precisou fazer um curso de informática. Antes corria das máquinas fotográficas e agora adora fotografar e ser fotografada. Daura diz que começou a viver em 1998, com 58 anos de idade, quando seu filho decidiu de início montar o jornal que depois viraria a revista que trabalha até hoje. Ela se envolve do começo ao fim de cada edição e tem garantido um espaço para seus contos, leitura preferida de Dona Daura, que muitas vezes utiliza dos contos para dar exemplo de vida. Vontade de viver e aprender são o que não falta para pessoas como Zig e Dona Daura, que dão exemplo de dedicação.

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Entrevista

PAULO CARNEIRO

PSICÓLOGO

Entenda um pouco mais da velhice

O

psicólogo Paulo Carneiro, de 24 anos, formado pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, responde perguntas sobre a fase da velhice. Como é difícil aceitar que se está velho, que tem cabelos brancos e rugas. A sociedade nos impõe um modelo de bonito e feio e estar fora dos padrões se torna angustiante. O importante e ser um idoso ativo e viver bem. +60 Como entender o medo que algumas pessoas têm de envelhecer? Paulo Carneiro Envelhecer é um processo que realmente traz uma série de angústias para a pessoa. A cada dia a morte se torna um fator mais presente, e também por que devido aos condicionamentos biológicos, o corpo está amadurecendo a cada instante. A cada minuto o corpo vai perdendo o seu vigor, a angústia surge da impossibilidade de agir frente a essa situação. Nada podemos fazer para retomar o vigor do nosso corpo e ninguém pode fugir desse processo natural que é envelhecer. Outro fator que colabora com esse medo é o véu da sociedade que nos impõe o quê e como devemos pensar, nos trazendo moldes nos quais se não nos adaptamos devemos ser exilados. O ser humano é um ser gregário, um ser que

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Continua...


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Entrevista necessita de afeto. +60 Por que alguns envelhecem mais rápido que outros mentalmente? Paulo Carneiro Envelhecer está ligado há um tempo cronológico, assim como a um relógio biológico. Cada pessoa é um ser único e devido a isso nunca encontraremos nenhum outro ser com as mesmas características. Cada sujeito tem seu próprio relógio biológico, sua própria personalidade que se molda de acordo com as vivências dessa pessoa, assim como as informações que possui para uma boa saúde física. +60 Como sabemos que velhice chegou? P.C. Envelhecer é uma característica comum a todas as pessoas e faz parte da existência do ser humano. A partir do momento em que nascemos já estamos envelhecendo, porém, a velhice é uma etapa desse desenvolvimento e não o fim. Nessa etapa o ser está mais propenso a viver seu próprio tempo, ou seja, viver consigo mesmo. Seus movimentos diminuem, sua rotina desacelera e seus pensamentos se voltam para si e isso não está ligado à idade cronológica, sendo possível existir pessoas que vivem seu próprio tempo muito antes dos 65 anos de idade. +60 Por que é tão difícil aceitar os cabelos brancos? P.C. Porque teremos que remanejar uma porcentagem dos nossos salários para comprar tintura para escondê-los (risos). Na verdade, é porque estamos condicionados a vários fatores como biológicos que têm a ver com nossas características físicas, como o vigor e as rugas, psicológicos que nos remete aos fatores psíquicos como a memória e a cognição.

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E também a fatores sociológicos, que nos apresentam uma “normalidade”. Quem não está a rigor é isolado. Na sociedade brasileira estamos acostumados a entender a velhice como algo pejorativo, por isso é tão difícil aceitar que estamos entrando nessa fatia de mercado, pois já temos a consciência de como a sociedade nos tratará. +60 Já ouvimos dizer em adultos que voltam a ser criança depois de velhos. Os idosos têm a mesma necessidade que as crianças em chamar a atenção? P.C. Como disse anteriormente, o ser humano é um ser gregário, que necessita de afeto, necessita estar inserido em grupos sociais, ter relações interpessoais. O idoso pode “voltar” a ser criança por diversos fatores. Um deles é a necessidade de chamar a atenção, que estaria mais ligado às questões sociais, mas, o idoso pode se assemelhar a uma criança por fatores de disfunções biológicas, como incontinência urinária, dificuldade de alimentação. Porém esses fatores estão ligados a patologias funcionais, afinal, ninguém tem dificuldades se não houver problema. +60 Quando se descobre uma doença grave na velhice, qual a melhor maneira de agir para que o desespero não torne a gravidade da doença ainda maior? P.C. Ao se deparar com a descoberta de uma doença mais grave a pessoa se depara com a morte, e frente a isso surge mais uma angústia e como falamos anteriormente a angústia é a impossibilidade frente a algo, no caso da morte, é a impossibilidade frente às oportunidades perdidas. Quanta coisa a pessoa deixou de fazer e quanta coisa não pode mais reparar? Devido a isso surge o Continua...


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Entrevista desespero, porém se não deixei a vida ir se consumindo, mas sim consumar-se posso me assegurar que vivi de tal modo que quando chegar a hora, a morte terá pouco que levar e assim a angústia frente à morte se torna uma liberdade para aproveitar os últimos grãos de areia da ampulheta da vida com responsabilidade. +60 Como ser um idoso ativo? Paulo Carneiro Tudo que posso responder é o que encontro em meus estudos sobre a transitoriedade, a velhice e a morte, assim como as vivências com meus avós e os amigos deles. A cada instante, a partir do nascimento, somos questionados pela vida e temos a liberdade para tomar posição frente a essas possibilidades. Então acredito que ser um idoso ativo esteja relativizado com ser um ser humano ativo, pois temos a cada instante um momento oportuno de agir, e é nossa responsabilidade agir em prol de nossa qualidade de vida, atuando nos ambientes onde acreditamos que tenha mais valor. +60 Qual a melhor maneira de envelhecer? P.C. A partir do momento em que nascemos, estamos confrontados com a vida. Ela nos faz perguntas a cada instante, nos apresenta uma série de possibilidades, e é nessas oportunidades que nos desenvolvemos. Criamos a nossa própria história, essas oportunidades são únicas, e nem mesmo a própria pessoa volta a tê-las. Sendo assim, acredito que a melhor maneira de envelhecer é ser responsável por aquilo que realizamos, seja uma tarefa cumprida, amar alguém ou mesmo sofrer com coragem, ainda que esses sofrimentos não causem inveja a ninguém.

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+60 A sociedade trata o idoso de forma diferente? P.C. Vivemos numa sociedade que nos impõe um ritual de beleza, que nos coloca um estatuto do qual não podemos hesitar, estando sob a penalidade de sermos marginalizados com o rótulo de “ridículos”. E ser velho para nossa sociedade remonta atributos desagradáveis como: feio, ranzinza, ranheta, inflexível e desmemoriado. Através da generalização a sociedade designa que todos os seres humanos com mais de 65 anos já são velhos, ignorando as capacidades e possibilidades que a pessoa ainda tem como realidade. Sendo assim, acredito sim que a sociedade trata o idoso de forma diferente, pois os generaliza baseando-os em certas idades, pois a partir de certa idade o idoso não pode fazer tal coisa, mas a generalização em detrimento da individualidade eu acredito que seja crueldade. +60 Que tipo de atividade o idoso deve praticar para ter uma vida mais saudável? P.C. Todo tipo de atividade que ele quiser! Se a cada instante temos oportunidades de tomar posição frente a condicionamentos, se somos responsáveis por nossas escolhas devemos ter em mente que o idoso possui a mesma capacidade e deve optar pela atividade que lhe convier desde que tenha valor e sentido. Se houver bem provavelmente a atividade será saudável, a não ser que a capacidade de escolha da pessoa esteja debilitada por patologias.


Legislação

Direito do Idoso

Conhecimento nunca é demais e para garantir o direito dos idosos, em 1º de outubro de 2003, foi criada a Lei 10.741- Estatuto do Idoso. Entre esses direitos está o transporte. Conheça um pouco mais sobre esse direito. Transporte gratuito aos idosos

www.quebarato.com.br

O estatuto do idoso garante duas vagas gratuitas ou desconto de 50%, no mínimo, no valor da passagem em transporte coletivo interestaduais, para idosos que ganham até dois salários mínimos. O idoso que vai desfrutar deste benefício deve apresentar a Carteira do Idoso, no próprio ponto de venda da transportadora e solicitar o “Bilhete de Viagem do Idoso”. Para garantir o direito, é necessário solicitar com no mínimo três horas de antecedência com relação ao horário do embarque. Este bilhete é intransferível. A Carteira do Idoso deve ser feita nas Ruas da Cidadania – Núcleos Regionais da Fundação de Ação Social (FAS), para o Cadastramento Único Federal. Depois é só desfrutar. Mais informações pelo site: www.fas.curitiba.pr.gov.br

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Estacionamento Gratuito aos idosos Para ter acesso ao benefício, é necessária a emissão de uma credencial na pela Urbanização de Curitiba (URBS). Esta credencial deve ser colocada à mostra no painel do veículo e apresentada às autoridades quando solicitado. É proibido, emprestar a credencial ou estacionar com ela vencida, a pena é de suspensão ou cassação da credencial. A autorização só é válida para vagas com a legenda “idoso”. Esta credencial não impede o uso das demais vagas com o cartão do estacionamento (Estar). Mais informações pelo site: www.urbs.curitiba.pr.gov.br Para o idoso também é assegurado 5% das vagas nos estacionamentos público e privados. Estas deveram garantir melhor comodidade para os idosos (Estatuto do Idoso, art. 41).

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E EXCLUSIVO IDOSO OBRIGATÓRIO USO DO CARTÃO


Volta por Cima

Força de vontade não pode faltar Às vezes pensamos que está tudo bem e, de uma hora para outra, a vida nos prega algumas peças. E é preciso ter força de vontade, levantar a cabeça e dar a volta por cima.

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Dona Otília na lo ja de tecidos que adm inistra

ona Otília Hillu nasceu em Palmeira, no Paraná, e com 14 anos veio com a família morar em Curitiba. Casou-se com Miguel Hillu aos 19 anos de idade e teve 3 filhos. Até então sua vida transcorria normalmente, seu esposo sempre trabalhou com tecidos. As vendas eram feitas de porta em porta, primeiro com tecidos em uma bolsa, igual mascate, depois as coisas começaram a melhorar, colocavam os produtos à venda em um carrinho para puxar e até que conseguiram comprar uma charrete e um cavalo. Ela diz que o esposo amassou muita lama para conseguir criar os filhos e alugar uma porta para montar a loja, isso em 1928. Após estar com um ponto fixo, clientela formada, os

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Volta por Cima

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negócios indo bem e dinheiro entrando seu esposo morreu aos 68 anos, em janeiro de 1970. Dona Otília, na época tinha 52, não sabia administrar a loja da família, pois quem sempre cuidou de tudo foi seu esposo. Começou então o desespero dela. Como fazer compras, administrar pagamentos, escolher fornecedores, cuidar da casa, da loja sem nenhuma experiência. Ela conta que por alguns anos foi muito difícil. Seu esposo não deixou dinheiro, não que ela tivesse encontrado. Tinham uma chácara e terrenos que dividiu entre os filhos. Não ficou com nada para evitar brigas. Continuou com o trabalho na loja. Otília conseguiu dar a volta por cima com sua dedicação e vontade de vencer. Há 18 anos conseguiu comprar uma loja na Rua Riachuelo, bem no centro de Curitiba, e fugiu do aluguel. A loja continua vendendo tecidos. D. Otília aprendeu a vender, comprar, negociar, conhece todos os fornecedores e paga tudo antecipado. Confessa que as vendas hoje são menores que antigamente, pois agora se encontra tudo pronto para comprar. Antes as pessoas

compravam tecidos até para fazer as peças intimas. Aos 94 anos de idade ela continua indo na loja todos os dias, não trabalha mais como antes, mas quer saber tudo que acontece. Os fornecedores sempre ligam para falar com ela e resolver os pedidos. Com a idade que está sente dificuldades para fazer várias coisas. “Meu ouvido já não é mais tão bom, então vou ao médico para colocar um aparelho, assim posso ouvir melhor os clientes, meu olhos também já estão fracos, preciso dos óculos para enxergar”. Dona Otília tem dificuldades de lembrar coisas novas, mas para as coisas antigas sua memória é ótima, não consegue esquecer o que viveu. Ela diz ainda que agradece todos os dias a Deus por poder levantar, tomar banho, se alimentar sozinha na idade em que está. O que não consegue resolver sozinha conta com os filhos e amigos. “Minha família tem boa vontade”. A loja para ela agora é um passa tempo, não tem vontade de fazer grandes viagens, quer ficar junto das pessoas que gosta e fazendo o que gosta. Ela sente todos os dias da sua vida que dá a volta por cima e se sente vitoriosa por mais um dia.


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Programe-se

Programe-se com a

Agenda www.specialparana.com

A agenda +60 apresenta a programação da cidade para todos os idosos. Tem dança, curso, teatro, museu, cinema. Você escolhe e se diverte.

NATAL – HSBC Data: de 25/11 a 18/12/2011 Realização: Curitiba Data: 25,26, e 27 de novembro, 2, 3, 4, 9, 10, 11, 16, 17 e 18 de dezembro. Horário: 5ª a sáb. às 20h30 Local: Palácio Avenida Endereço: R. Das Flores s/nº. Informações: HSBC Site: www.hsbc.com.br * o evento sempre começa na última semana de novembro e acaba final de semana antes de 20/12.

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+60 FEIRA ESPECIAL DE NATAL Data: de 26/11 a 22/12/2011 Realização: Curitiba Local: Praça Osório e Praça Santos Andrade Informações: Departamento de

Artesanato

Endereço: R. Glória,362 Fone: (41) 3250-7763 Site: www.turismo.curitiba.pr.gov.br E-mail: turismoserv@turismo.curitiba. pr.gov.br Museu de Arte Contemporânea do Paraná Rua Desembargador Westphalen, 16 Centro. Curitiba/PR

Exposições “Os Encontros de Arte Moderna, os conceitualismos no Paraná – mostra do acervo”; “Arabescos”, de Larissa Franco; e “Organóides”, de Paulo Carapunarlo. Período: 10/11/2011 a 25/03/2012 Horário de funcionamento Terça a sexta-feira das 10 às 19h Sábado e domingo das 10 às 16h Agendamento de visitas mediadas: (41) 3323 5265 Informações: (41) 3323 5328 e mac@pr.gov


Serviço Social do Comércio (Sesc)

Artesanato Bonecas, Páscoa e Enfeites de Natal Toda Sexta-feira das 9h às 12h Comerciário: R$55,00/mês Não Comerciário: R$84,40/mês Bolsas, Sacolas, Necessaire em Lona, Chinelos e Pantufas Tosa Segunda e Sexta das14h às 17h Comerciário: R$50/mês Não Comerciário: R$75,20/mês Tricô, Crochê, Macramê, Colagem em Tecido, Tapeçaria, Bordado Toda Terça-feira das 9h às 12h Comerciário: R$37,60 Não Comerciário: R$58

perfiljovem.wordpress.com

R. José Loureiro, 578 Curitiba – PR Telefone: (41) 3304-2266

Tardes dançantes Toda Quinta-feira das 15h30 às 19h Comerciário: R$3,50 Não Comerciário: R$450

Caminhada para Idosos

Toda Terça e quinta-feira das 8h30 às 9h30 Gratuito

Condicionamento Físico

Toda Terça e quinta-feira das 9h30 às 10h30 Comerciário: R$5 Não Comerciário: R$10

Sociedade Universal Baile

Toda Segunda-feira das 15hs às 21h Ingressos: R$10 R. Comendador Roseira, 260 Curitiba - PR Telefone: (41) 3332-0306

www.cinemark.com.br

co-madre.blogspot.com

Fascinação Clube Baile Toda Sexta e Sábado a partir das 21h

Domingos a partir das 17hs Ingressos: R$10 R. Monteiro Tourinho, 440 Curitiba – PR Telefone: (41) 3256-6591

Em Cartaz Além da Estrada Gênero: Drama Elenco: Esteban Feune de Colombi, Jill Mulleady, Guilhermina Guinle, Naomi Campbell Direção: Charly Braun Duração: 86 min. Classificação: 12 Anos Shopping: Mueller e Park Shopping Barigui

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A revista + 60 é um produto de conclusão do curso de Jornalismo da Unibrasil – 2011, com tiragem de 2.000 Curitiba, novembro de 2011 exempla...

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