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aumenta um ponto

hist贸rias, lendas e causos das comunidades Rede Comunidades Semi谩rido Apoio


Essa publicação é uma compilação de relatos, histórias, contos, causos, lendas ou folclore, fatos extraordinários acontecidos (ou imaginados) contados por moradores das comunidades que integram a Rede Comunidades Semiárido. Os textos foram produzidos em cumprimento à tarefa “Quem Conta Um Conto ganha Um Ponto“. A tarefa fez parte da Jornada das Comunidades, uma gincana que teve o objetivo de integrar as comunidades e incentivar a sua participação nas atividades de mobilização da Rede. As histórias são testemunhos que carregam em si informações históricas, antropológicas, sociológicas, linguísticas e psicológicas, formando um rico retrato cultural das comunidades.

Coordenação: Marcos Carmona Projeto gráfico: Luiz Eduardo Lomba Rosa Ilustrações: Marcelo Valle http://www.mobilizadores.org.br/jornada/


A Passagem do lobisomem Lucineia Santos - Redondo II/PB

Por meio de almas, frases, vou contar-lhe uma antiga história contada pelo meu avô, o senhor Arsênio Rosendo. Um simples agricultor e ex-morador da comunidade de Redondo II. Em frente a sua residência se encontra uma estrada que dá acesso a outros sítios vizinhos. Seu Arsênio, como era conhecido pela vizinhança, tinha hábitos constantes durantes todas as noites. Deitava-se na calçada de sua residência e nela tirava várias sonecas. Em uma dessas noites, resolveu fazer o que era de costume fazer, tirar mais um cochilo. Ao acordar percebeu-se que, justamente na estrada que fica em frente sua casa, passava por ali um animal diferente. Ele tinha o corpo peludo, de cor preta e era orelhudo. Logo seu Arsênio pensou. É o lobisomem. O animal continuou a andar no sentido de Redondo e seu Arsênio por ser tão corajoso não se intimidou com a presença do animal, apenas resolveu entrar para dentro de sua casa e acomodar-se no seu dormitório. No dia seguinte , toda comunidade de Redondo ficou informada da presença do lobisomem rondando na estrada no silêncio da noite


A Saga de Lampião na caatinga Ceiça Campos - Quixabeira/AL

Ano de 1922 - Sinhô Pereira abandona o cangaço e Lampião assume o lugar do chefe. A primeira grande façanha é um assalto à casa da baronesa Joana Vieira de Siqueira Torres, em Alagoas. Lampião, recém “nomeado“ líder do bando de Sinhô Pereira, ataca Água Branca e assalta o casarão da Baronesa Joana Vieira, viúva do Barão de Água Branca. A baronesa de Água Branca, dona Joana Vieira Sandes, era viúva do Barão de Água Branca; Joaquim Antônio de Siqueira Torres; e já contava mais de 90 anos quando sua residência foi invadida e assaltada por Lampião e seu bando, como o primeiro ato do Rei do Cangaço, como chefe efetivo de um bando. Era o mês de Junho de 1922. Por muito tempo as joias roubadas da Baronesa de Água Branca, ornaram a figura da rainha do Cangaço, Maria Bonita.


A Verdadeira história de Julieta Nalri Pereira - Barreiros/PB

Desde criança o sonho de Julieta era ser mãe. Porém aos dezesseis anos muitas manchas roxas, sem motivos aparente, começaram a surgir em seu corpo. Seus pais procuraram um médico, mas devido aos poucos recursos da medicina na época, a doença foi diagnosticada sem cura. Então recorreram a um senhor da região que era tido como sábio. Ele a tratou com remédios naturais e disse que ela estava curada, desde que não tivesse filhos, pois isso significaria sua morte. Assim, seus pais à proibiram de namorar e casar-se, já que não existiam métodos contraceptivos e uma gravidez seria inevitável. Passou-se dois anos e em uma tarde ao passear com suas amigas ela viu um rapaz que estava de passagem por sua comunidade, ela não o conhecia, mas ao vê-lo disse: - Esse será meu marido! Ao chegar mais tarde em casa, para sua supresa, o rapaz estava lá. Ele se chamava Zé e era vaqueiro e, a família de Julieta costumava dar acolhida aos vaqueiros da região. Houve uma troca de olhares e ele prometeu voltar na outra noite. O namoro começou apesar dos protestos dos pais dela e uma semana depois Zé já a pediu em casamento, que não foi aceito pelos pais da mesma. Apesar da recusa o vaqueiro destemido falou: - Se vocês não permitirem, a gente vai fugir! Diante disso, três meses depois o casamento foi realizado e dois meses depois Julieta estava grávida. Apesar da grande alegria, a aflição atingia seus familiares. Ela teve uma gravidez tranquila, e sua filha Irma nasceu saudável. Porém quando a criança completou um mês de vida, Julieta começou a sentir fortes dores e foi levada para o hospital. Sentindo que era seus últimos momentos de vida, ela chamou seu pai e seu marido e fez o último pedido: - Zé, entregue nossa filha aos meus pais para que eles a criem. E pai, cuida da minha filha como se fosse eu!


O Cemitério da Bailarina Joaquim Cardoso - Espinheiros/CE

Vou comentar uma história do ano de 1877. Aconteceu que minha bisavó contou à minha mãe. Eram duas mulheres, Maria e Jacinta. Em uma tarde quente as duas estavam pilando milho em um pilão de madeira. Jacinta com o corpo suado bebeu uma caneca de água, logo em seguida Jacinta caiu no chão rocha como morta. Na época havia duas doenças perigosas, a cólera e a chamada bailarina. Às cinco horas da tarde resolveram fazer o enterro, no entanto a doença era contagiosa. Chegando no cemitério, chega a chuva com uma grande tempestade, relâmpagos, trovoadas. Então a cova encheu de água e resolveram não enterrar a moça. Armaram a rede em uma árvore de 2 metros de altura e voltaram para casa e retornariam novamente a manhã cedo. Mas a família teve um susto quando abriram a porta, a moça estava sentada em cima da rede, no batente da porta. A notícia se espalhou e Jacinta ficou reconhecida como morta-viva. Jacinta ficou envergonhada e foi morar com um tio dela na Paraíba e nuca mais deu notícia. Até hoje existe um cemitério histórico na comunidade chamado Cemitério da Bailarina.


Uma aventura na selva Adriano Adão - Cacimba Cercada/AL Uma vez eu ganhei 4 bilhetes para uma viagem à selva num safari. Para esta viagem, levei comigo três amigos, o Murilo, o Oclácio e o Oclécio. Quando lá chegamos, vimos muitos animais: elefantes, tigres, papagaios... Enquanto passeávamos pela selva, deparamo-nos com um grupo de animais selvagens que estavam lendo histórias. Ao vê-los, eu fiquei muito assustado, mas eles eram inofensivos. De repente, ouvi uma voz: “Os animais disseram quem são aqueles animais estranhos que parecem macacos mas com menos pêlo?“ - disse um deles, olhando de maneira estranha para nós, enquanto folheava as páginas do livro. Apresentamo-nos e eles também se deram a conhecer. Ficabamos a saber que eram uns animais muito especiais. À certa altura, descobrimos que andavam ali caçadores . Eu e os meus amigos ajudamos os animais a fugir. Montamos uma armadilha aos caçadores. Eles caíram na armadilha e a polícia apanhou-os. Os animais ficaram mais confiantas com as atitudes de seus amigos que lhes ajudaram a prender os caçadores. Mas isso era o que eu pensava! Porque, mais tarde, vieram mais caçadores. E desta vez, eram muito mais espertos que os anteriores. Nós tínhamos que ter uma ideia e depressa, mas estes animais eram muito espertos, e ajudaram-nos a chegar a uma solução. Tivemos a ideia de lhes pregar um grande susto para que nunca mais ninguém viesse caçar e incomodar estes animais que só queriam viver em paz. Por fim, conseguimos afugentar ali os caçadores, eles tremendo de medo. Os animais começaram a fazer seus maiores barulhos, os caçadores saíram correndo tanto que atravessaram o rio nadando. Do outro lado estava a policicia imediatamente elas os preenderam. Os animais agradeceram-nos muito, pois, finalmente, podiam viver em paz sem medo de serem caçados.


A cobra preta mamifera Daniel Caldeira - Batalha/PB

Em pleno varão, onde os passáros começavam a voar, ali onde ninguém acreditava ou ao menos suspeitava, na casa de Dona Maria, que estava em fase de amamentação, vivia uma cobra preta, abrigada no leito de sua cama. A cobra só saia à noite enquanto Maria dormia com sua criança no colo. Com a calda a serpente tapa a boca da criança pra que ela não chore e vai procurar o seio da mãe da criança, afim de tomar seu leite. A mãe, adormecida, pensa que é a criança que está mamando e não se dá o trabalho de se levantar. Passando alguns dias, Maria percebe que sua criança estava emagrecendo gradualmente , sem que pudesse apontar a causa de seu definhamento. E essa rotina segue por dias, até que, casualmente, uma noite, José, o marido de Maria, chegando de uma viagem, se depara com a situação. Então ele rapidamente procura um objeto para matar a cobra e o primeiro objeto que encontra é um pedaço de madeira. Matando a cobra a pauladas, ao esmaga-lá, o leite que a mesma ingeriu se espalha pelo piso, mostrando que a cobra estava a mamar há muito tempo . Historia narrada por Amelina Gonsalvés de Assis Obs : pode parecer ficção , mas ela promete que é verdade .


O roubo de São José Alênicon Souza - Redondo/PB

Se no sudeste, de acordo com a tradição católica, é São Pedro quem responde pelo departamento das chuvas, cá no nordeste é com São José que os agricultores se entendem. Talvez porque José, enquanto trabalhador, carpinteiro, pai de família e provedor da casa, tendo vivido em uma região tão árida quanto a nossa, mais do que ninguém, entenda o drama dos agricultores sertanejos, em tempos de estiagens prolongadas. São José é também o padroeiro do Ceará, e nós do Alto Sertão, oeste da Paraíba estamos tão religiosamente influenciados por São José quanto pelo Padre Cícero. Aliás, como já observava perplexo o célebre Jackson do Pandeiro: “Como tem Zé na Paraíba!” No desespero da seca, se as rezas, promessas e novenas parecem não lograr efeito, há um último recurso que raramente falha: roubar São José. A pessoa deve, ao meio dia, entrar numa residência sem ser visto pelos moradores e raptar um quadro ou estátua do santo e levá-la para sua casa. Então é só aguardar as chuvas. O rapto deve acontecer antes do dia dedicado ao santo, 19 de março. Se chover, a família deverá devolver a imagem “debaixo de acompanhamento”, ou seja, em um andor enfeitado de flores e fitas, em procissão, com benditos, velas, bandeirinhas e muitos fogos de artifício. Se não chover, será devolvida de maneira simples, o “ladrão” deve apenas trazê-la e pendurá-la na parede ou lugar de origem. Mas lembre-se, isso deve ocorrer ainda no mesmo ano. Na década de 1990, durante a seca, duas imagens de São José foram roubadas da casa do meu avô, no Redondo. No mesmo ano choveu e houve abundância nas colheitas. Ambas foram devolvidas no mesmo dia, ao fim do ano com muita festa e louvor.


Deodato e outros heróis Naldy Pereira - Barreiros/PB

As noites na casa de Deodato e sua filha Caimina eram sempre recheadas de historias, pai e filha estavam sempre metidos em todo tipo de aventura e ninguem ousava duvidar de sua veracidade. Foi em uma dessas noites que ela nos contou seu encontro com o temivel Guará... Era comum as mulheres daquela época lavarem roupa no açude e, naquela manhã, Caimina estava lavando roupa sozinha. Foi quando o temido bicho apareceu e Caimina não se intimidou. Corajosa que só ela, tirou a chinela e partiu pra cima do bicho. A luta foi intensa, porque o bicho era feroz, mas Caimina também não arredava e, depois de algum tempo, o impensável aconteceu. Caimina tinha matado o Guará de chinelada. E a quem duvidava de sua história ela exclamava: -E eu minto pai?? Ao que o velho Deodato, respondia: -Nunca "fia"!!! Mas quem não acreditaria??!!! E na outra noite estavam todos querendo ouvir mais uma história da dupla.


A semente da melância Luzenira Gomes Bezerra - Pedra Branca/PE

: Nos anos 1988, quando cheguei em Pedra Branca, conheci um velho pelo nome de seu Avilino. Um nobre agricultor, ele era contador de história e uma delas é essa. Ele contou que plantou uma semente de melância. Quando o pé de melância brotou, ele foi conferir o tamanho, mas a melância era tão grande que, pra ele ver, teve que subir em uma escada pra chegar em cima da melância. Quando ele chegou em cima, avistou a cidade de Gravatá, que fica a 30 km. Seu Avilino não gostava quer ninguém sorrisse das historia dele. Ele contava com uma moral do contador de história, só as lembranças e as histórias.


O choro da criança Jázia Almeida – Queimadas/PB

Minha mãe contava nas noites que passaram, que, nos tempos mas antigo, os bebês morriam de uma doença chada gasto (infecção ) e eram enteradas em encruzilhadas ou em morros de pedras. Um certo dia dona Josa foi tirar leite da vaca bem cedo, como de custume, e aí perto tinha um pequeno morro de pedra. Ela escutou o choro de uma criança bem alto, mas não se assustou e continuou a tirar o leite. E seguidamente escutou o choro novamente. Ela observou e nada e, mais uma vez, o chorar mais forte. Então ela parou e lembrou que sua avó e o senhores mais velho diziam que as crianças choravam porque eram pagãos (crianças que não era batizada) e queriam se batizar. Daí ela batizou o choro da criança e nunca mais ela ouviu o choro da criança


Lobo em pele de cordeiro Suênia Kadidja – Engenho Velho/CE

Como dizia o velho ditado "lobo em pele de cordeiro" História narrada por Maria Bezerra. Em tempos em que a escuridão reinava, Luzes de lampião acesas era o que clareava, Um lobisomem atrevido, pelas redondezas andava, O bicho era tão inteligente que em pele de carneirose enrolava. A meia noite se ouvia as pisadas e a respiração ofegante, E a reca de cachorro que acompanhava o tal do elegante, Latia tanto que até os mais velhos achavam aquilo intrigante. E um senhor com raiva daquele "funaré" irritante, Decidiu acabar com a farra do tal lobisomem Petulante, E prometeu daquele dia em diante pegar o bicho em flagrante. E o povo que achava que era conversa de enredeira, Ia era ter tamanha surpresa, que ia acabar com a Chiadeira. Pois num é que o velho numa noite de lua cheia, Avistou na cabeça da ladeira O tal do filho de chocadeira. Correu pra acompanhar a infeliz da zoadeira. Chegando perto do bicho o velho logo se espantou. Viu o bicho enrolado em pele de carneiro e suspeitou, Esse tal desse lobisomem que de bicho nem o nome Não vale nem o que come. O velho sabido que só ele,olhou prum lado pro outro Puxou da calça o revolver que até brilhava O bicho que de tanto medo se mijava Pediu até pelo amor de Deus "compadre não me mata". Por fim o velho descobriu que de bicho não se tratava Que o bicho que o povo falava era um rapaz que por ali andava. Quando o povo ficou sabendo, que o tal do bicho horrendo, Era homem e não lobisomem todo mundo se calava.


Comadre Florzinha Andréia Cândida – Oitis/CE A Comadre Florzinha (também conhecida como Cabloquinha) é um espírito da protetora da floresta, que afugenta com seu chicote de cipó qualquer pessoa que ofereça algum tipo de ameaça a seus domínios. Um fato interessante sobre esse ser, é que seu assovio engana as pessoas, quanto mais perto o som estiver mais longe ela está, e quanto mais longe se ouvir o som mais perto de você ela estará. Dizem que sua aparência é de uma criatura de estatura pequena, cabeça grande, em relação ao corpo, orelhas grandes e pontudas e cabelos cor de fogo. Agora vou contar-lhes dois fatos que ocorreram com pessoas da comunidade. 1º Historia: Conta o meu avô que, quando jovem, costumava sair para caçar e um dia, quando voltava de uma caçada com um amigo, o seu cachorro começou a perseguir um animal e sumiu na mata a sua frente. Pouco tempo depois, ele e seu amigo começaram a ouvir barulho de latidos muito altos e foram ver o que estava acontecendo. Quando chegaram lá não acreditaram no que viram, o cachorro estava amarrado pela perna com um cipó a vinte palmos de altura. Assustados os dois não contaram conversa, desamarraram o cachorro e foram o mais rápido possível para casa. 2º Historia: José de Diná era um escravo que prestava serviço a uma família da comunidade. Certo dia, a mando dos patrões, ele foi cortar lenha em uma mata próxima, chamada Baixa Funda, Ao chegar lá, começou a fazer o que lhe fora mandado. Algum tempo depois de começar a cortar a lenha, começou a ser chicoteado. Apavorado voltou para casa sem lenha alguma e, ao ver os machucados seu patrão, quis saber o que havia acontecido. Ainda sem saber o que tinha acontecido, ele tentou explicar o melhor possível, mas ele mesmo relatava que só tinha visto o cipó, não quem o segurava. Então seu patrão o recomendou que, ao sair para a mata, ele levasse consigo um rolo de fumo, para ele entregar à entidade, pra que assim pudesse trabalhar em paz. E foi isso que ele fez, rezando para nunca mais desagradar tal criatura.


O lobisomem é Elvira Valéria Rélvia - Olho D’Água/CE Decidi escrever sobre essa história porque minha mãe e a minha vó já haviam me falado bastante, mas nunca a história toda, sempre contando por partes e mesmo assim eu sempre achei interessante. Na comunidade Olho D'Água Comprido viveu uma velha senhora chamada Elvira, ela morava em uma casinha de palha. Elvira era magra, alta, cabelos brancos, unhas grandes, seus olhos eram cobertos por uma nata e suas pestanas eram imóveis. Elvira casou-se com um homem que a mãe não aprovava e então a mãe lhe rogou uma praga,"Olhe você vai casar com esse homem, mas vai virar lobisomem toda lua cheia e o único filho que terá você irá comer". E foi o que aconteceu, ela comeu e vomitou um pedaço da criança, depois, já humana, ela enterrou, mas esqueceu uma das mãos fora da terra. Os cachorros encontraram e o delegado da cidade, que residia na comunidade, obrigou Elvira a desenterrar o seu filho e levar entre duas telhas sobre a cabeça, andando até a cidade, para que a criança tivesse um enterro normal. O delegado, ao que parece, encobriu a história, por não haver como explicar o lado sombrio e folclórico. Ele disse apenas que ela perdeu o filho. Como lobisomem, Elvira corria as sete freguesias (ou seja, os sete lugares), ela comia os animais que encontrasse durante suas andanças. Dizem que, certa vez, perto de acabar a transformação, ela encontrou-se com um homem, que apontou uma arma. Em sua forma normal, ela pediu por sua vida e ele não atirou, contanto que ela prometesse não mais se transformar. Ela disse que não poderia pois era uma praga. Após todos comentarem o desaparecimento de alguns animais e se perguntarem quem poderia ser o lobisomem, ele disse "O lobisomem é Elvira". Elvira tornou-se uma espécie de velho do saco, usada pelas mães para que seus filhos passassem a obedecer. Elvira morreu de velhice com mais de 80 anos. Ao que parece não resistiu mais se transformar em lobisomem.


Lampião e a criança esquecida Nivia Silva - Tingui/AL

Havia aqui no povoado Tingui uma família que estava em casa. Era de tarde, quando de repente escutaram um barulho de cascos de cavalo, ou seja, uma cavalaria que se aproximava de sua residência. Os donos da casa juntamente com seus filhos saíram correndo em fuga, pois sabiam que se tratava de Lampião e o seu bando. E, na correria, acabaram esquecendo um dos filhos (uma menina de apenas 2 anos). Quando Lampião e seu bando entraram na casa, a criança era a única que se encontrava. A menina começou a chorar de medo, e a mulher de Lampião, Maria Bonita, procurou consolar aquela inocente. Ela passou a mão na cabeça da criança e perguntou aonde estavam os pais dela. A menina respondeu que não sabia e que no momento se encontrava tonta. Maria Bonita gostava muito de crianças e logo entendeu que os pais na fuga esqueceram aquela pequena,e a própria não sabia aonde se guardava o dinheiro (assim, a criança foi poupada). O bando acabou achando o baú da família, no qual se encontrava o dinheiro, o pegaram e foram embora. A família da criança voltarou pra casa aflita, pensando que a criança poderia estar morta ou ter sido raptada. Quando chegaram, tamanha foi a alegria que sentiram quando viram que a criança estava bem. Essa história ocorreu com meus familiares.


A fundação do Tingui Catarina e Odete Xavier - Tingui/AL

Em meados dos anos inicias do séc.XIX chegava a esta terra uma família, no qual o chefe se chamava Arnaldo, este fugitivo de guerra. Encontrando terras desocupadas para criar o que quisesse, por aqui mesmo ficou. Devido a uma enorme quantidade de uma erva chamada Tingui, se originou o nome do Sítio Tingui. Não sabemos ao certo sua naturalidade, há quem diga ser holandês. Do nosso conhecimento, só sabemos que ele teve um filho por nome de Braga. Esse por sua vez gerou muitos filhos os quais deram origem a uma outra comunidade vizinha, o Alto dos Coelhos. Como era orgulho dos brancos obter escravos, Arnaldo tinha um de sua inteira confiança. Talvez por uma pequena desobediência, ele foi castigado, esse que jurou vingar-se. Até que um dia, tomando conhecimento que seu "senhor" havia comprado veneno para matar onça (que eram abundantes na região), ele encontrou a solução para concretizar sua vingança. Um dia seu “senhor“, ao sair para Água Branca e ao montar em seu cavalo, pediu água. Ele imediantamente colocou veneno e levou ao seu “senhor“. Ao beber a água, logo caiu do cavalo e morreu. O negro fugiu. Foram à procura dele e o encontraram no Rio Moxotó, divisa de Alagoas com Pernambuco. Estava descansando debaixo de uma caraibeira. Ali mesmo foi enforcado e enterrado na areia do rio. Assim, aqui se encontra o resultado da geração de Arnaldo Coelho de Oliveira.


História do Zoitomove Willas Soares - Tingui/AL

Naquele tempo, um homem voltava de Água Branca e chegando ao meio do caminho, onde só havia o silêncio da noite, avistou dois olhos de fogo que roncava muito. Assombrado, percebeu que a tocha que ele havia visto corria rapidamente atrás dele. Com muito medo, arrochou a correr e se escondeu numa moita na Serra do Padre. E a tocha passou direto. O homem ficou tão gelado, tão pálido, quase morrendo de medo que correu para o Tingui. Chegando, foi contar para os amigos, dizendo: “Sabe o que eu ví ! Um monstro com dois zoios de fogo roncando e correndo atrás deu.“ Os amigos cairam na gargalhada e falaram: “Você viu foi um zoitomove.“ O homem respondeu: “Eu não ví zoito ou nove não! Só era um, mais bem grandão e roncava muito... quase me pegou, se eu não caio na moita......“


A roupa dos noivos Mayhara Vieira - Tingui/AL

Antigamente quem queria casar só poderia ser na cidade, porque não havia igreja na comunidade. Sendo assim, os noivos e os padrinhos tinham que se deslocar para a cidade, que era Água Branca. Mas o transporte não era carro, porque ninguém tinha. Então o cavalo era o meio de viagem, que era uma viagem cansativa. Até aí, nenhum grande problema, mas a grande questão era como os noivos e padrinhos poderiam chegar à igreja com os trajes do casamento limpos. Então, a resolução era que eles iam com roupas simples, que usavam em dias de festa e novena de santos e levavam o vestido de noiva e a roupa do noivos em malas, que um padrinho ficava responsável de levar, e quando chegassem na igreja trocavam de roupa na sacristia. A noiva ia vestida com sua roupa simples e com um capa que se chamava "parapó". Depois de ocorrer a cerimônia, os noivos trocavam de roupa novamente e a noiva vestia o parapó de novo. Quando chegavam na comunidade, duas pessoa iam ao encontro dos noivos, com duas pernas de peru, cozinhadas lógico, e entregavam a eles. Então novamente os noivos trocavam de roupa e iam receber os cumprimentos dos convidados, almoçarem e depois dançarem ao som da sanfona e triângulo na sala da casa dos pais da noiva, onde acontecia o casamento.


A fugitiva Nubia Oliveira - Tingui/AL

E tudo aconteceu numa manhã de domingo na comunidade Tingui, ano de 1987. Comunidade com poucos moradores, mas moradores esses observadores, atentos a tudo e a qualquer fato que porventura viesse a ocorrer. Pois bem, lhes digo meus amigos, que nesse dia acontecera e homem, mulher, fosse jovem, idoso ou criança, todos vieram a observar o ocorrido. Eis que surgiu então uma mulher de branco, bonita, cabelos esvoaçantes, pele fidalga, olhos azuis, descalça, correndo em disparada pelas ruas da localidade. De imediato, o fato aguçou a curiosidade de todos, que correram para ver de onde ela tinha vindo, o que estava fazendo ali, quem era ela... e o caminho o qual ela tomou foi em direção a serra, numa corrida desenfreada... e todos em sua busca foram... Depois de muito procurarem, acabaram-na encontrando em meio aos espinhos... não havia uma só parte do corpo que não estivesse cheia de espinhos.... as pessoas que atrás dela foram a resgataram e a trouxeram de volta para a comunidade... e por essa estranha já havia pessoas esperando. Era uma fugitiva de um manicômia (esse fato realmente aconteceu).


O dia que fizeram a festa Jailma Gonçalves Feitosa – Tabuleiro/AL

Algumas décadas atrás era tempo de festa junina, o pessoal gostava de fazer várias comidas derivadas do milho para festejar o São João e o São Pedro aqui no Distrito Tabuleiro - como dura essa tradição até hoje por aqui. Mas só quem tinha roça nessa época era o Sr. Antônio Vicente. O homem era tão ruim que saía da sua casa e subia a serra pra vigiar a roça durante a noite. O pessoal não sabia como fazer para conseguir o milho, depois de ter pedido para ele e ele não ter concedido. Foi então que cinco homens tiveram uma ideia... Já era mais de onze da noite - naquele tempo esse horário era muito tarde - a lua não tinha saído aquele dia e o Sr. Antônio Vicente já tinha subido no pico da serra, armado sua rede no pé de umbuzeiro onde era sua roça e já estava dormindo. De repente, chegam cinco assombrações vestidas de branco e dizem com um tom de voz assombrada: “No tempo que eu era vivo comia carne no dente, agora que eu já estou morto eu vou comer Antônio Vicente“. Repetiram umas três vezes essa frase e seu Antônio Vicente saiu em disparada, descendo a ladeira para chegar logo a sua casa. Chegando lá, por causa do susto, o velho estava mais branco que as assombrações que tinha visto. Seu Antônio, depois do susto, só voltou na roça com mais de um mês. Quando chegou lá, viu que não tinha mais futuro, a roça estava toda virada ao avesso, eram poucos os pés de milho que se contavam. E os cinco homens depois das boas risadas, aproveitaram a roça e pegaram vários sacos de milho para fazer a festa no dia seguinte. A festa começou às 18h e só terminou ao raiar do dia e comida era o que não faltava: canjica, mungunzá, bolo de milho... Tinha tanto que no final da festa ainda sobrou e o pessoal levou pra casa para comer com café.


A comunidade e o sonho do seu povo Maria Andrade – Maxi/AL Havia uma comunidade em que seu povo sempre sonhava por um lugar melhor. Era um lugar de povo humilde, agricultores que vivem na luta do dia a dia. Festa comunitária não se falava muito ali, quando se tinha festa era apenas encontros religiosos, onde a juventude se reunia na sombra de um pé de árvore chamado umbuzeiro para louvar a Deus, fazer aula de catequese e até mesmo a 1ª comunhão era feito na sombra daquele famoso umbuzeiro. Um belo dia, ao meio desses encontros, a juventude se despertou para buscar um sonho, o sonho da construção de uma capela. Por sua vez, uma jovem chamada Maria, que sempre coordenava aos encontros, articulou a juventude para que todos conscientizassem seus familiares para se unirem e lutarem por um lugar melhor e diante disso começar a realizar o sonho daquele povo. Então, aos onze dias do mês de outubro de 2009, começaram a união de um povo que juntos lutariam pelos mesmos objetivos, havendo ali uma reunião para formar uma associação e juntos buscarem dias melhores. Nessa reunião, indagou a jovem ao povo da reunião: “Qual será a nossa primeira luta?“. Responderam todos: “A construção da nossa capela.“ Terminando a reunião, saíram todos com o compromisso de participar das vendas de bingos e sorteios e ir em busca de doações em comércios, prefeitura e povo em geral. Depois dessa reunião, se pensava em trabalhar com coletividade. No ano de 2010, já se recebia nas reuniões pessoas de secretarias municipais, pessoas do banco do nordeste para se fazer projetos, como também já se tinha parceria com associação vizinha da Quixabeira, trator para se arar terra entre outras.... Chega o grande dia do início da construção da tão sonhada capela e começou fazendo os mutirões aos sábados e domingos, onde se via a alegria dos pedreiros, jovens e mães de família, trabalhando sem parar, todos voluntários para o sonho realizar. Chagando ao fim da construção em 2011, ali realizando naquela comunidade a 1ª festa de padroeiro para o povo louvar e ao mesmo tempo se animar. A cada noite era uma emoção, com apresentações, dramatizações com jovens e crianças da catequese e ao mesmo tempo se envolviam, participavam e contagiavam toda a comunidade. Uma beleza de se vê. E assim continua a caminhada, trabalhando juntos em prol de toda comunidade.


A historia da comunidade Salgadinho Iraneide Santos – Salgadinho/AL

A comunidade Salgadinho foi fundada com muita garra, enfrentamos tudo para podermos conseguir aquela terra. Pessoas que ajudaram desde o inicio da jornada, pessoas que entraram agora, nos ajudaram e ainda ajudam para que nossa comunidade cresça. Não falo crescer financeiramente, crescer com todo mundo, ajudando a plantar, colher, criar animais, enfim... Embora tudo isso, a água não tem. Mas a comunidade junta, um dia para cada pessoa, nos ajuda a colocar água para os animais que ficam em seus hectares.


A encruzinhada mal assombrada Fabio Pereira – Serra do Meio/AL Em uma noite de sexta feira, eu e meus irmãos voltávamos da escola. Como minha casa ficava um pouco distante do ponto do carro, tínhamos que andar mais ou menos uns dois quilômetros. Era uma noite sombria, não se via um palmo a nossa frente, o silêncio pairava no ar, ouviam-se apenas o som do vento nas árvores. O canto da coruja rasgava o silêncio da noite. Em nosso percurso, tínhamos muito medo em passar pela encruzilhada, pois histórias tenebrosas eram contadas sobre esse local. Antigamente em nosso povoado crianças pagãs (não batizadas) eram enterradas nas encruzilhadas. Tal prática era comum, visto um grande número de crianças que vinha a óbito. Segundo os mais velhos, a cada sete anos, as crianças enterradas nessas encruzilhadas choravam como uma forma de chamar atenção para serem batizadas. Por esse motivo, tínhamos muito medo em passamos nesse local, sem contar na pequena e velha igreja que tinha no centro da encruzilhada. Nesse dia, eu vinha um pouco mais a frente, quando de repente ouvi um choro de criança. Fiquei paralizada e lembrei-me das histórias que meu avô me contava. Quando olhei para pequena igrejinha, avistei um vulto, que flutuava de um lado a outro da estrada. Ao olhar novamente, percebo que era uma alma de criança pagã. Meus pés ficaram dormentes, travei. Seu rosto era pálido, os olhos fundos, jeito de criança morta. Veio-me um arrepio do fundo alma. Ela parou e fixou os olhos em mim. De repente, começou a se distanciar, passando entre as árvores e os arames das cercas. Ao chegar a certa distância, parou, me olhou novamente. Ao virar o rosto para chamar meus irmãos, ela desapareceu. Ao chegar em casa contei a minha mãe, mas ela não acreditou, falou que foi coisa da minha cabeça. Ao conversar com meu avo, ele me disse que, tinha viso uma alma pagã, e me pediu para criar coragem e batizá-lo caso visse novamente.


No tempo de Corisco Cinthia Gomes – Caraibeiras dos Teodósios/AL

Ha muito tempo atras, dizem os mais antigos, as primeiras famílias vieram morar em Caraibeiras. Dona Maria conta as historias que foram passadas de pais pra filhos, quando moravam no alto, numa casa simples. Se espalhou que uma família tinha muito dinheiro e jóias em ouro. Quando falava que Corisco, "mais conhecido como diabo louro", e seu bando estavam por perto, todos ficavam com medo e se escondiam nas matas pra não serem encontrados. Mas uma certa noite ele veio até essa família para pegar seu dinheiro e o ouro que ela tinha guardado. Se resistisse, desse prá cabra valente, era morto. Ele deu tudo que tinha e ainda comeram e beberam na sua casa e passaram a noite, só foram embora de manhã. Durante muito tempo o povo que vivia nesse lugar ficaram com receio que ele voltasse, então quem tinha dinheiro e outros bens escondia em caixas de madeiras e enterrava e fingia que não tinha nada. Também se fala que quando algumas pessoas morreram, que tinham enterrado o dinheiro, apareciam em sonhos pros parentes acharem e mostravam o local que estava enterrado o dinheiro. E a pessoa que sonhou não podia falar pra ninguém, senão a botija sumia. Diz a lenda, é um mistério. Historia contada por uma moradora de Caraibeiras dos Teodosio.


Curado de tudo Ronaldo Magalhaes – Franklândia/CE

Deixo aqui mais uma pequena história. Essa fala do senhor Cândido Abelha, um jovem que apareceu na nossa comunidade, viveu mais de 100 anos. Uma pessoa considerada por todos como curado de tudo, pois ele andava com 4 ou 5 sacos, esses com roupas velhas, canecas velhas, entre outras coisas. Quando as pessoas da comunidade lhe davam comida, ele guardava nos sacos e só comia após dois ou três dias. Comida azeda, podre, mas era assim que ele gostava. Quando as pessoas entregavam café ou água, ele colocava num caneco sujo e enferrujado e, interessante, só bebia rodando a latinha. Dizia que era pra um lado não ficar com raiva do outro. Sentava meio dia, no Sol mais quente que tivesse, em terra limpa e ficava l''á por horas. Ninguém viu ele reclamando dor ou qualquer coisa em relação à saúde. Um homem verdadeiramente curado e protegido por Deus. Testemunho dos mais velhos da comunidade e meu, que ainda conheci.


Histórias e lendas Delvânia Aparecida Ferreira – Coxá/CE

Quem da nossa comunidade nunca ouviu falar da lenda que ronda o hoje conhecido Serrote do Diamante? Segundo a qual, antigamente era um lindo e gigantesco palácio, que com o passar dos anos se tornou encantado. Contam os mais antigos, que a pessoa que conseguir desencantá-lo ficará com todos os seus bens, tornando-se assim uma pessoa rica. Alguns dizem que, para tal feito, é necessário pegar o carneiro de ouro, outros dizem que é um pássaro grande e amarelo entre outras inúmeras hipóteses. Era dificil o acesso ao local, porém, com o passar dos anos, mineiros comecaram a trabalhar na região e, para transportar melhor os equipamentos, construíram estradas no local, possibilitando assim um melhor acesso ao Serrote do Diamante. Hoje o local é um ponto turístico. Além de sua beleza natural, através de uma promessa, foi colocada no topo da pedra uma pequena estátua do Padre Cícero. Devido ao grande movimento de pessoas, as comunidades se reuniram para construir uma capela e comprar uma imagem maior do Padre Cícero. A imagem, tendo 1,60 m de altura, foi inaugurada a capela no dia 20 de dezembro de 2014, com uma grande procissão. Hoje o Serrote do Diamante é muito conhecido nas comunidades vizinhas!


A Baixa da Perua Givaldo Silva Santos – Cachoeirinha/SE

Há mais ou menos 5 anos atrás, eu treinava as segundas no time do povoado Macacas, vizinho ao Assentamento Cachoeirinha, Gararu, Sergipe. Desta vez foi pouca gente e não teve treino, então começamos a falar em assombrações e foi anoitecendo e só tinha eu pra Cachoeirinha. Os outros seguiram destino diferentes. É aí onde entra a famosa Baixa da Perua, por sua aparições de caixões e mulheres de branco. Contam que quando passam carroças com animais à noite, as mulheres sentam no banco junto com quem vai guiando. Na ladeira vi um vulto indo de um lado ao outro, quando me aproximei era apenas o cachorro branco de Lampião, um assentado. Moral da história, se eu fosse mais medroso, até hoje eu estava lá.


O fogo do batatão José De Arimatéia Silva – Bebida Velha/RN

Em Bebida Velha, antigamente se falava de um tal de "fogo do batatão" que assustava muita gente naquela época então. Era só vir na estrada ou no tabuleiro a caminhar, logo vinha aquele fogo para direto lhe pegar. O sujeito se assustava e se punha a correr, caçando logo uma moita, pra "mode" se esconder. O sujeito apavorado jurava não mais pecar, pois não queria ser perseguido pro fogo não lhe pegar. Hoje em dia não se vê mais falar do "fogo do batatão", graças a Deus ele se foi e não se encontra mais então. Os antigos ainda dizem que o fogo existiu e que muita gente "braba" ao vê-lo sumiu, outros se tremiam todinho quando ele aparecia, pois pensavam logo que era seu ultimo dia. (Estória popular, contada por anciãos de nossa comunidade)


O poeta que cantou com o diabo Tony Francisco – Marimbas/PB

Em memória do poeta repentista Raimundo Preto. Conta sua filha, Toinha Nonato, que, no começo do século XVIII, ele e seu companheiro iam montados para fazer uma cantoria num sítio distante. Os dois iam proseando, quando Raimundo preto se atrasou pra entrar no mato, enquanto seu companheiro seguiu. Quando Raimundo Preto acompanhou em passagem de um riacho, debaixo de umas oitisicas, um pouco escura, viu quando uma pessoa montou na garupa do cavalo de seu amigo com a frente para traz. Era um homem com os olhos vermelhos de fogo, a língua grande e partida ao meio, chifres. Ele logo percebeu que era o diabo e tinha também um rabo grande. Seu colega não estava vendo. Raimundo Preto perguntou o que ele queria e o diabo respondeu, “Vim cantar com você, caso não aceite, eu levo esse cabra“. Raimundo Preto, por não ter escolha, teve que cantar com aquela criatura macabra. Então começou o duelo entre Raimundo Preto e o diabo. Quando Raimundo fazia um verso grande, o cão fazia outro maior, sem nem um esforço e assim foram duelando por algum tempo. Já cansado e perdendo o duelo e também vendo que seu colega estava esmorecendo por que o diabo queria levá-lo, Raimundo Preto lembrou que usava um rosário bento em seu pescoço. Tirou e começou a cantar, rezando o Pai Nosso e a Ave Maria e batendo no diabo com seu rosário em cruz. Aí foi quando o diabo deu um estouro e desapareceu. Então pararam para descansar, depois seguiram para cantoria com seu amigo, que não entendeu nada que tinha acontecido só depois ele contou para o colega.


Cabeça-de-Cuia Nicole Cardoso – Tanque Velho/PI

Lenda do nosso Estado Piauí Crispim era um pescador que habitava as margens do rio Parnaíba, nas imediações em que o rio recebe as águas do Poti, zona norte de Teresina. Morava com a mãe, já velha e adoentada. Certa vez, depois de passar um dia inteiro sem nada conseguir pescar, Crispim volta para casa cheio de frustração e revolta. Pede à mãe alguma coisa para comer e esta lhe serve o que tinha, uma rala sopa de osso. Irritado, Crispim grita que aquilo é comida para cachorro e, em seguida, pega o osso e parte para cima da mãe, atingindo-a várias vezes. Desesperado, o pescador sai correndo porta afora e se joga nas águas do rio, enquanto a mãe, agonizando, lança-lhe uma maldição: haverá de se transformar em um terrível monstro, que só descansará quando lhe forem sacrificadas sete virgens chamadas Maria. Crispim se transforma no Cabeça-de-Cuia, que surge do fundo das águas para assustar as lavadeiras e ameaçar os pescadores que pesquem em excesso, além do que precisam. Dizem que, durante a noite, o Cabeça-de-Cuia se transforma num velho e sai vagando pelas ruas de Teresina.


Mistério na colheita Railka Sá – Itaizinho/PI

Meus avôs paternos moravam em um sítio quando eu era pequena, e nas férias sempre viajava para visitá-los, assim como meus primos também o faziam. Como não havia luz elétrica, as noites eram muito pacatas e, como não se podia ver televisão, eles sempre contavam histórias para nós. Histórias estas que eles diziam ser verdadeiras, então vou relatar uma delas. Meu avô contou que aconteceu com ele em seu sítio. Durante a época de colheita de algodão, lavoura esta que ele cultivava, era comum contratar trabalhadores para fazer o serviço. Na hora do almoço todos se reuniam embaixo de uma árvore para comer. Foi aí que de repente um dos trabalhadores caiu no chão e começou a se debater, como se estivesse tentando fugir de algo, algo que não foi visto pelos demais. Meu avô se ajoelhou próximo ao trabalhador e orou a oração do Creio em Deus Pai... O rapaz parou de se debater e voltou a si espantado, perguntando a todos se eles não tinham visto a criatura que parecia um homem coberto por pelos pretos como um macaco, que havia o agarrado pelas costas e não estava deixando ele se mover. Isso deixou todos assustados.


O lobisomem em forma de porco Dyovany Otaviano - Riacho de Pedra/PE Lobisomem em forma de porco ou porco em forma de lobisomem, eis à questão!!! Há muitos anos atrás no Sítio Riacho de Pedra de Cima, um sítio bastante calmo, bom de se morar e de um povo acolhedor, rondavam boatos de que um homem estava correndo lobisomem em forma de porco. E apesar de suspeitas ninguém sabia de fato quem era a pessoa ou se existia realmente um lobisomem. Vários dias se passaram e o dilema continuava, o medo tomava conta daquele sítio, penetrando no imaginário das pessoas. Até que, em uma noite qualquer dessas de lua cheia, um jovem chamado Geraldo, de uns 18 anos, que fazia companhia a um grupo de senhores e clientes na barraca de seu pai, Joaquim, resolve ir mais cedo para casa, não esperando assim pelo seu pai. Geraldo estava apressado porque passara o dia todo ajudando seu pai na barraca e estava muito faminto e não queria perder a janta quentinha que a mãe fizera. Este jovem rapaz era muito esperto e não ligava muito para essa história de lobisomem que o povo falava e até debochava dizendo que queria topar um dia com esse porco, quero dizer, com esse lobisomem. Porém, Geraldo sempre preferia se prevenir do que remediar e, sendo assim, andava sempre armado com um revólver na cintura e este pertencia a seu pai. Cai a "boquinha da noite" e por volta das 6 horas Geraldo se despede do pessoal e despreocupado pega o caminho para sua casa. Ao se distanciar da barraca do seu pai, este se depara com uma escuridão assustadora, daquelas de arrepiar até o cabelo do dedão do pé. Como à noite era de lua cheia, esta só sairia mais tarde e tudo aparentemente corria bem, até que, de repente e de forma inesperada, Geraldo toma um susto, pois havia tropeçado em um garrancho de árvore que estava no meio do caminho. Ainda bem que só foi o garrancho, imagina se não fosse! Geraldo se recupera do susto e segue cantarolando, até que percebe algo estranho se movimentando na pastagem à beira do caminho e, sem temer, o inacreditável acontece, o jovem se depara com a fera que assombrava o imaginário popular. Com medo, Geraldo tirou ligeiramente o revólver da cintura e puxou o gatilho, porém não disparou. Puxou mais uma vez e novamente não disparou. Diz a lenda que para atirar num lobisomem a pessoa tem que primeiro passar a arma entre as pernas. Lembrando disso, Geraldo, tremendo por estar nervoso, passa arma entre as pernas e dá um disparo em direção ao porco gigante. Este avança para cima de Geraldo. Para não ser atacado, Geraldo corre para trás e grita por socorro, deixando a arma cair, pois vivia um momento tenso, de muito pavor e terror. Este consegue em meio ao desespero pegar a arma e efetuar mais três disparos, que definitivamente atinge o porco lobisomem, espantando-o de uma vez da sua frente. Geraldo volta a barraca do seu pai e conta tudo o que aconteceu com ele e todos ficam abismados e preocupados. Ali mesmo bolam um plano para pegar este lobisomem que corre em forma de porco.


A lenda da cobra preta Nicole Cardoso – Tanque Velho/PI

Há ima história sobre uma cobra de cor preta que quando aparece essa cobra numa casa, onde há mulher que está amamentando, principalmente nos primeiros meses de vida da criança, à noite essa cobra se alimenta do leite materno, sem que ela perceba. Um dia essa mulher resolveu contar que não sabia o que estava acontecendo com seu bebê, pois havia muito leite, mas sempre à noite a criança chorava muito com fome. Assim se passaram vários dias desse jeito... Até que um dia sua cunhada resolveu dar uma olhada no que estava acontecendo à noite. Quando anoiteceu, após algumas horas, que todos estavam dormindo, ela resolveu ir até o quarto. Ao chegar lá tomou um grande susto. A criança que estava deitada do lado da mãe estava com uma cobra do lado, se amamentando do leite da mulher e com seu rabo na boca da criança. Pois dessa forma a criança iria pensar que estava se alimentando da sua mãe, E a mulher com muito sono pensava que estava dando de mamar à criança. Sua cunhada soltou um grito e assim todos levantaram para ver o que estava acontecendo. Todos acabaram descobrindo porque todo dia, à noite, a criança chorava com fome.


Trabalhei, lutei e venci Marye Gomes - Salgadinho/AL

A lembrança de um tempo feliz que recordei que jamais vou esquecer. Mudávamos de lugar para lugar a procura de abrigo. Nós não tínhamos terra nem casa, eu ,meu marido e meus cinco filhos. Hoje tenho nove filhos. Eu era muito fraca naquela época, meu marido trabalhava alugado de dia a noite para poder nos sustentar. Morei em uma casinha na serra de Água Branca, momentos que passei por lá, mas hoje pertence a outra pessoa. Daí vim morar nessa comunidade, Associação Nossa Senhora da Conceição. E meus filhos hoje, uns estão na luta e outros estão formados. Hoje eu digo pra todos vocês trabalhei,lutei e venci. Esta é a história da minha mãe: Maria joaquina


Os antigos penitentes Geovane Oliveira - Sítio Grosso/CE

Vou contar uma história real sobre osso penitente, que meu avó contou. Há um bom tempo atrás a religião dos penitentes era bem conhecida e muito respeitada pelos mais velhos. Sua tradição era muito severa, se cortavam com navais pra se castigar de alguma pertinência que ele n compriar. Acho q muita gente ja ouviu falar dos penitentes que andam emcarpuzados ou cobertos pra não ser reconhecidos.....


O tesouro da meia noite Marcos Silva – Bebida Velha/RN

Nesta ponte entre Bebida Velha e Lagoa da Prata, há uma lenda antiga, que toda noite, quando dá meia noite, um tesouro aparece em cima de uma subida. Mas com este tesouro vem seus protetores, um macaco com rabo de fogo, que fica pulando de um lado para o outro da ponte, e um carro com duas caveiras, uma dirigindo e outra oferecendo carona e em cima do carro os seus caichôes. Este lugar fica no caminho da minha comunidade. Apesar que nunca vi nada, mas tem quem diga que já vio e munca mais passará à noite por esta ponte.

Quem conta um conto  

Essa publicação é uma compilação de relatos, histórias, contos, causos, lendas ou folclore, fatos extraordinários acontecidos (ou imaginados...

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