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alvinegro de torcedor pra torcedor

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meufigueira.com.br 19 de outubro de 2010 | nº 15

Contagem: faltam quatro pré-jogo

É o número de vitórias que separam o Figueira do acesso. Vencer hoje mantém 5º colocado longe

Henrique Santos

S

obe Furacão! Sob este lema, o Figueirense entra em campo, às 21h, para encarar o Bahia, adversário direto rumo à Série A do próximo ano. Falar que o apoio da torcida é essencial para novo triunfo alvinegro já se tornou repetitivo, porém após uma semana conturbada em que algumas vozes pediam a cabeça de Márcio Goiano, um dos grandes responsáveis pela atual fase, não custa nada ressaltar que quem estiver no Scarpelli precisa deixar a desconfiança de lado e levar o time à nova vitória. Que a corneta fique em casa ou, no máximo, nas catracas. Em uma decisão, como a de hoje, a torcida decide e com certeza vai fazer a diferença nesta noite. Confiança – O técnico Márcio Goiano bancou os retornos de Lucas e Reinaldo na última partida. O resultado foi a bela vitória por 2 a 0, com destaque para o bom futebol e a eficiência, tanto na frente quanto na defesa.

6 0 4

Pendurados Roger, Hélder, Coutinho, Baraka, Maicon e Firmino

Suspenso

Machucados Willian, Héber, Tássio e Jean Carioca

Próximos jogos Icasa x Figueira (sab, 23/10, 16h) Figueira x Sport (sab, 30/10, 16h) Ipatinga x Figueira (ter, 2/11, 21h)

Para o jogo de hoje, a escalação será a mesma de sábado, com Túlio no meio e Firmino no ataque. O volante sofreu uma pancada no joelho, mas recuperouse a tempo de ser o companheiro de Ygor na proteção à zaga. Já o jovem meia alvinegro também continua, após dúvida entre ele e Vinícius Pacheco. O esquema adotado no começo da Série B, o 4-5-1, será repetido nesta reta final por causa da ausência de Willian. Com isso, os meias Fernandes e Maicon ganham liberdade para chegar ao gol e concluir. Sábado, o camisa 8 fez o segundo tento diante do Santo André e o 10 finalizou, deu bons passes e ajudou na marcação. Time Porreta – O Bahia frequenta o G4 desde o começo da Série B, com direito a alguns tropeços, em especial na era Renato Gaúcho. Agora sob o comando de Márcio Araújo, conhecido do torcedor do alvinegro, ganhou consistência e é candidatíssimo ao acesso. O tricolor tem o mesmo número de pontos do Figueirense, atrás na

(G) Wilson (Ricardo) (L) Lucas (Z) João Goiano (Z) Roger (L) Juninho (V) Ygor (V) Túlio (M) Maicon (M) Fernandes (A) Firmino (A) Reinaldo Técnico: Márcio Goiano

53 gols pró 28 gols contra Jogos da 30ª rodada

Renato Ferro

Apoio e paciência é o papel da torcida. Falta pouco para o acesso

tabela pelo saldo de gols. A força dos baianos está em três pilares: bons laterais, meia veloz e ataque forte. Destaque para Ávine, Morais e Jael. Jancarlos, lateral-direito especialista na bola parada, não joga por causa de grave lesão. No turno, o jogo na Bahia entre os adversários de hoje à noite ficou no 2 a 2, com dois pênaltis escandalosos contra o Figueirense. Gols de Willian e Reinaldo, que fazia sua estreia.

52 pontos

Decisão – Foram três jogos que podem ser considerados decisivos nesta Série B até aqui, todos em casa. Derrota para o América-MG e vitórias diante do Coritiba e da Ponte Preta. Para vencer o confronto direto contra o Bahia, a torcida tem que apoiar desde o primeiro minuto e relembrar tempos não tão antigos, quando os adversários sofriam no caldeirão do Estreito. Pra cima Figueira!

52 pontos

19 de outubro de 2010, terça, às 21h Carlos Eugênio Simon (juiz, RS) Altemir Hausmann (bandeira, RS) e Lilian da F. Bruno (bandeira, RJ)

Fernando (G) Arilton (L) Alison (Z) Nen (Z) Ávine (L) Fábio Bahia (V) Marcone (V) Hélder (M) Morais (M) Adriano (A) Jael (A) Técnico: Márcio Araújo

49 gols pró 34 gols contra

Cada jogo que passa é um a menos e não vai ter volta. O momento é de apoio incondicional ao time, ao treinador, a todo o grupo, nos jogos em casa principalmente. A torcida tem que apoiar para alcançarmos o objetivo e voltarmos o mais rápido possível para a Serie A Wilson

entrevista nas páginas 2 e 3

Classificação P 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20

Equipe Coritiba América-MG Figueirense Bahia Sport Ponte Preta Portuguesa D. de Caxias ASA São Caetano Paraná Guarat. Náutico Bragantino Icasa Vila Nova Ipatinga Santo André Brasiliense América-RN

P 56 52 52 52 46 45 43 42 41 40 39 38 37 37 36 35 30 29 28 26

J 29 29 29 29 29 29 29 29 29 29 29 29 29 29 29 29 29 29 29 29

V 17 16 15 15 13 12 13 13 13 11 11 9 11 8 10 10 8 7 6 6

E 5 4 7 7 7 9 4 3 2 7 6 11 4 13 6 5 6 8 10 8

D 7 9 7 7 9 8 12 13 14 11 12 9 14 8 13 14 15 14 13 15

GP 50 46 53 49 44 43 51 37 42 41 38 38 31 35 39 35 37 40 29 26

GC 36 33 28 34 31 34 42 40 41 43 37 42 48 28 41 47 49 48 47 55

SG 14 13 25 15 13 9 9 -3 1 -2 1 -4 -17 7 -2 -12 -12 -8 -18 -29

Terça-Feira, 19/10, 19h30: Guaratinguetá x Icasa, São Caetano x Portuguesa, Brasiliense x Ipatinga, Ponte Preta x Bragantino. Terça-Feira, 19/10, 21h: Coritiba x Vila Nova-GO, Figueirense x Bahia. Terça-Feira, 19/10, 21h50: Duque de Caxias x Sport, Náutico x Paraná, América-RN x Santo André, América-MG x ASA.


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19 de outubro de

“Momento é de apoio inco entrevista

Wilson, goleiro e ídolo da torcida alvinegra, fala da relação com a torcida, o clube e a cidade. Ressa Carlos Amorim/ FFC

Diego Rzatki/ Ney Pacheco

“O

que o Figueirense quer contratando o quarto reserva do Flamengo?”. O comentário feito por muitos torcedores alvinegros mostrava o clima de desconfiança que cercou sua contratação no início de 2007. Não precisou muito para o goleiro Wilson acabar com as dúvidas e conquistar um lugar na história do Figueira. Meses depois de estrear com a camisa alvinegra com uma vitória por 3 a 0 em um clássico contra o Avaí, ele se destacava com grandes atuações na campanha que levou o Furacão à final da Copa do Brasil. Três anos depois, Wilson é um dos grandes ídolos do Figueirense. São 217 jogos, 97 vitórias, 55 empates, 65 derrotas, 297 gols sofridos e três gols marcados com a camisa alvinegra, de acordo com os dados do Arquivo Histórico do clube. Aos 26 anos, o goleiro que voa como um gavião se diz feliz e realizado no Figueirense e em Florianópolis. “Sou profissional, mas para me fazer sair daqui a proposta tem que valer muito a pena”, disse ao alvinegro em entrevista realizada na última sexta-feira, 15 de outubro. Onde você nasceu e como foi seu começo no futebol? Nasci em Santo André (SP) e quando eu tinha três anos de idade meu pai foi trabalhar no Rio de Janeiro. A princípio era pra montar apenas uma filial da empresa e depois voltar para São Paulo, mas acabamos ficando. No condomínio onde eu morava, juntamos os amigos, os pais incentivavam e fizemos um jogo contra o Brás de Pina Country Club. Acabei me destacando e fui chamado para jogar o campeonato metropolitano de futsal pelo Brás de Pina com 10 anos de idade. No meio do ano de 1994, fui chamado pra jogar no Fluminense. Lá eu conheci o Nélio, que jogava futsal no Flu e futebol de campo no Flamengo. O pai dele acabou me convidando para fazer um teste no campo do Flamengo em 1995. Nunca tinha jogado campo, mas peguei um pênalti e acabei me destacando no primeiro dia. Fiquei feliz da vida. O treinador gostou, pediu a documentação e me inscreveu no Flamengo. Algum goleiro te inspirou, foi exemplo no começo da carreira? Comecei em 1994, na época da Copa do Mundo e o Taffarel estava muito bem. No Flamengo, comecei a ver o Julio César mais de perto. Nos juniores, ele já tinha muito destaque e depois no profissional sempre o via treinar e jogar, para aprender, né? Quando eu cheguei aos profissionais ele ainda estava lá. Me espelhei muito nele. Ele sempre conversava comigo, me dava conselhos. Hoje é um dos melhores do mundo e merece estar onde está. Até hoje o observo para tentar aprender alguma coisa a mais. O que você sabia do Figueirense antes de vir para cá e como surgiu a oportunidade de vir? Eu estava no Flamengo sem ter muita oportunidade. Pensava em

Fotos: Diego Rzatki

o Dalton não estava num bom momento e havia críticas a mim, mesmo sem ter me visto jogar. Mas sempre mantive a tranquilidade. Se aparecesse a chance, eu podia mostrar para quem não me conhecia que eu tinha condição de vestir a camisa do Figueirense. Me recuperei da lesão quando faltava uma semana para o clássico e o Mário Sérgio estava chegando, mas o Rogério Micale dirigiu o time no jogo contra o Avaí. Fui escalado para essa partida, vencemos por três a zero e foi só alegria. O vice-campeonato da Copa do Brasil aconteceu justamente nesta época. O que podes destacar daquela campanha? Marcou, ficou na história. É inesquecível, eu jogando uma competição nacional naquele nível. O grupo era muito bom e ganhou confiança ao superar cada fase. Não conquistamos o título por circunstâncias da partida, mas, com certeza, vai ficar marcado. Foi meu início no Figueirense. Fiquei muito feliz com a campanha, fez com que eu me firmasse.

Wilson Rodrigues de Moura Júnior, o camisa 1 do Figueirense buscar outro clube para ter mais chance de jogar. Fui emprestado para a Portuguesa (RJ) e para o Olaria. O Anderson Barros tinha vindo para cá em 2006 e eu trabalhei com ele no Flamengo. Quando ele veio, passei a acompanhar o Figueirense, até pensando no futuro, pelo Anderson me conhecer e eu poder ter uma oportunidade. Em 2006, acompanhei a boa campanha que o Figueirense fez no Brasileiro e também ouvia sobre a estrutura, que todo mundo elogiava. Em 2007, eu estava na pré-temporada do Flamengo e veio o convite. OAndrey tinha saído e estavam querendo um goleiro. Não pensei duas vezes, mas o Flamengo não queria liberar, pois já tinha liberado o Getulio. Queriam ficar comigo, mas eu achava que aqui seria uma boa oportunidade. Eu conversei com o Ney Franco, que era o técnico, e com o Isaías Tinoco, superintendente de futebol, eles entenderam e me liberaram. Antes de você chegar, o Figueira teve bons goleiros como Edson Bastos eAndrey. Quando você chegou, o Dalton não estava bem e você foi questionado por ser “o reserva do reserva do Flamengo”. Como foi chegar e superar a desconfiança? Cheguei com toda essa desconfiança por não ser conhecido. No meu terceiro dia de treinamento, eu tive uma contusão. No Departamento Médico, acompanhei os comentários. O time estava mal,

A torcida do Grêmio começou a me chamar de frangueiro. A do Figueirense gritou meu nome. O torcedor mostrou que mesmo naquela situação, tomando seis, confiava em mim. Comecei a ter um carinho ainda maior pela torcida

Entre tantos jogos que você fez pelo Figueirense, tem algum que te marcou mais? É difícil escolher um. Lembro de dois com mais carinho: um pela semifinal da Copa do Brasil, o jogo da volta contra o Botafogo, no Maracanã. O Botafogo vinha com uma grande equipe, o futebol mais bonito do Brasil, jogando em casa. Vários jogadores do Figueira tinham vindo da base e sentiram a pressão. Mesmo perdendo, eu acabei fazendo uma grande partida, com defesas importantes. Naquele dia, não conseguimos jogar tão bem, mas garantimos a classificação. O outro jogo foi contra o Criciúma, no primeiro jogo da decisão do campeonato catarinense de 2008 no Scarpelli, por ter sido meu primeiro título pelo clube. Ganhamos de um a zero e eu fui escolhido o destaque da partida, fazendo defesas importantes. E que jogo você gostaria de esquecer? Aquele contra o oAtletico-GO no Serra Dourada pela série B do ano passado. Tomei um gol por debaixo das pernas, num lance fácil, em que a bola veio devagar. Naquele de pegar a bola e querer sair rápido, acabei tomando o gol. Se pudesse, apagaria essa partida. A torcida do Figueira mostrou o quanto gostava de ti ao gritar teu nome naquele fatídico jogo contra o Grêmio, aquela derrota de 7x1. A torcida do Grêmio começou a te vaiar e a torcida do Figueirense começou a gritar teu nome. Durante o jogo, conseguisse perceber isso? Poderia apagar esse jogo também, mas na hora eu percebi sim. A gente já estava tomando cinco ou seis e eu dividi uma bola com o atacante gremista na área. A torcida do Grêmio começou a me chamar de frangueiro. A torcida do Figueirense começou a gritar meu nome.Aquilo me deu força, alegria, pelo torcedor mostrar que mesmo naquela situação, tomando seis, confiava em mim. Come-


e 2010 | nº 15

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ondicional a todo o grupo”

alta também o bom trabalho de Márcio Goiano e o comprometimento dos jogadores com a conquista do acesso cei a ter um carinho ainda maior pela torcida. Você recebeu proposta para sair do Figueirense? Por que preferiu ficar? Já tive a possibilidade de sair algumas vezes. No final do ano sempre tem as especulações, até no meio da temporada também. Em 2008, quando rescindi o contrato com o Flamengo, falei para o Eduardo Uram – meu procurador e parceiro do clube – que a minha vontade era ficar aqui. Pelo bom trabalho que eu vinha fazendo, o reconhecimento da torcida comigo e o meu reconhecimento pelo clube, que no momento difícil me deu oportunidade. Tenho carinho pelo Figueira e me sinto feliz, realizado e adaptado à cidade. Para mim, é isso que importa. Não tem porque sair pra algum lugar e me prejudicar. Até como aconteceu com o Andrey, que saiu, e hoje está encontrando dificuldade. Lógico que eu sou profissional, mas só saio se pintar algo muito bom, que valha muito a pena para mim e para o clube. Já se sente um manezinho depois de tanto tempo? Já. Os próprios jogadores falam que eu sou catarinense, não sou mais do Rio. Moro aqui, comprei um apartamento aqui. Meus pais também têm vontade de vir para cá e logo virão morar em Florianópolis. Em 2008, qual foi o fator principal pro Figueirense ter caído? Na minha opinião, a dificuldade começou na saída do Gallo. A gente tinha um grupo bem estruturado, que se adaptou bem ao trabalho do Gallo e a partir da saída dele, a coisa desandou. Muitos jogadores sentiram a saída dele, alguns até foram embora com ele. Os profissionais que vieram depois, não conseguiram encaixar o trabalho como o Gallo encaixou. A coisa complicou, o clima ficou pesado com os resultados negativos. Quando a fase é ruim, as coisas dão errado e acabou culminando com o rebaixamento. No ano passado, o que faltou para subir para a série A? Perdemos pontos importantes dentro de casa, principalmente para equipes que não foram bem no campeonato. Tínhamos um elenco de qualidade, bom. No final do ano, alguns comentários vieram à tona, dizendo que alguns jogadores não estariam tão comprometidos. Diferente do grupo deste ano, que tem um comprometimento muito grande, está muito fechado. O que este grupo atual tem a mais em relação ao ano passado e que pode contribuir para conquistar o acesso à série A? Comprometimento e amizade entre os jogadores. São todos muito amigos. É um grupo muito fechado. A gente nunca vê ninguém reclamando de nada. Como falei em outras oportunidades, como começou o ano, com a indecisão toda, a transição, depois um número excessivo de jogadores no plantel no início, era um grupo que tinha tudo pra dar errado. Na maioria dos clubes, sempre que

Me sinto feliz, realizado e adaptado à cidade. Para mim, é isso que importa. Não tem porque sair para algum lugar e me prejudicar. Só saio se pintar algo muito bom, que valha muito a pena para mim e para o clube

tem um grupo muito grande de jogadores, fica uma parte de fora e sempre tem panelinha, falando mal de um ou de outro. Aqui a gente nunca teve isto. É um dos principais fatores para a gente estar fazendo essa grande campanha e no final vai fazer a diferença. Em algum momento a fase de transição da diretoria passada para a atual interferiu no resultado em campo? Não. A negociação começou no ano passado, mas não tinha nada definido. Depois que mudou, do que aconteceu esse ano, lógico que alguns jogadores vieram perguntar o que estava acontecendo. Eu e o Fernandes sempre conversamos que tínhamos que nos preocupar com o que iria acontecer dentro de campo. Não tínhamos que nos preocupar com essa “briga de cachorro grande”. O grupo assimilou isso, não atrapalhou em nada dentro de campo, mesmo a gente tendo um início ruim no estadual, a equipe se superou, cresceu bastante e por pouco não chegamos à final do campeonato. No returno da série B houve uma queda de produção. Como vocês estão encarando isto? Como o grupo trabalha para superar esse momento difícil? Estamos procurando manter a tranquilidade. A gente sabia que seria difícil manter aquela sequência boa, dando espetáculo em casa e goleando. Os times iam nos observar mais, marcar mais e a sequência pesada de jogos ia dificultar. O jogador não é máquina e sente. Não tem como não sentir. Esse desgaste é um dos principais fatores. O grupo é tranquilo e consegue superar as dificuldades, como fez durante todo o ano. É manter a tranquilidade e o trabalho e assim vamos conseguir as vitórias que precisamos para obter o acesso. Você considera a cobrança da torcida exagerada, levando em conta os resultados? Vou ser sincero. Fiquei chateado com as vaias depois do jogo contra o Bragantino. Achei um pouco exagerado, por estarmos no G4. Muita gente queria estar no nosso lugar. Pegamos um adversário difícil de jogar, que marca e bate muito, tem a defesa menos vazada no campeonato junto com a gente. Não é uma má equipe, mesmo estando lá embaixo. Pelo menos não defensivamente. As vaias foram excessivas. Você avalia que em 2008 a saída do treinador foi um dos pontos cruciais para a queda. Como estás vendo a cobrança ao técnico atual, mesmo com os bons resultados? Como você avalia o trabalho do Márcio Goiano? Vejo o Márcio Goiano na mesma situação do Gallo. Tem o grupo na mão, os jogadores estão com ele. O time é o que é hoje graças ao trabalho dele. A gente vem fazendo essa campanha fruto do trabalho dele, pela união que ele pregou no grupo. Acredito que o trabalho dele é fundamental para conseguirmos nossos objetivos. Estamos fazendo uma grande campanha. Os números deles são

muito bons, melhores que os últimos treinadores que passaram por aqui. Lógico que tem cobrança e podem cobrar, mas estamos na reta final e o apoio é fundamental. Nessa reta final é apoiar o Goiano e dar confiança para o grupo de jogadores para que possamos alcançar o nosso objetivo o mais rápido possível. Você tem twitter e agora lançou um site. Gosta de mexer com as tecnologias, é para ter contato com torcedores e fãs? Eu gosto de internet. Em casa e na concentração, sempre entro no twitter, vejo as notícias, estudo o adversário. Hoje na internet temos tudo. Procuro ver como o jogador bate na bola, cobra pênalti e falta. Também tem esse lado de estar mais perto do torcedor, que gostar de ter contato com o jogador. Foi por isso que lancei meu site (www.wilson1.com.br), para ter um contato maior com o torcedor, que deixa o recado e a gente responde. Além de mostrar meu trabalho, é uma forma de retribuir o carinho do torcedor. Qual você considera a sua maior virtude como goleiro? Acredito que é a velocidade. Sou muito rápido, diferente de muitos goleiros. Até porque não sou muito alto para a posição, então compenso na velocidade. Também sou um goleiro tranquilo e passo isso para a equipe. O que você acha que ainda podes melhorar? Sempre tem algo. Observo outros goleiros para ver o que posso melhorar. Também avalio as críticas para ver o que posso aproveitar. Por exemplo, criticaram minha saída do gol nos cruzamentos e minha reposição de bola e estou trabalhando para melhorar. Passei a prestar mais atenção. Eu sempre tive a reposição de bola boa, mas não vinha me atentando a isso. Observei mais o Zé Carlos, do Avaí, que tem uma das melhores reposições do Brasil. Estou começando a ouvir alguns elogios, que a minha reposição esta melhorando. Como foi fazer um gol? Não vai mais cobrar faltas e pênaltis? Eu sou uma das opções. Treino cobranças, mas os atacantes estão lá para isto. Temos batedores de pênalti como Willian e Reinaldo. Se eles não estiverem na partida ou não estiverem se sentindo bem, eu posso bater. A minha primeira preocupação é defender, mas se tiver oportunidade, vou tentar. O que você gostaria de dizer para o torcedor? Nessa reta final de campeonato, eu sei que bate a ansiedade. Bate no jogador também, mas o momento é de apoiar. Cada jogo que passa é um a menos e não vai ter volta. Então o momento é de apoio incondicional ao time, ao treinador, a todo o grupo, nos jogos em casa principalmente. O torcedor vem fazendo a sua parte, vindo em bom número para os jogos, nos apoiando os 90 minutos e nos momentos de maior dificuldade para que o grupo supere. A torcida tem que apoiar para alcançarmos o objetivo e voltarmos o mais rápido possível para a Serie A.

Fiquei chateado com as vaias no jogo contra o Bragantino. Achei exagerado, por estarmos no G4. Muita gente queria estar no nosso lugar. Pegamos um adversário difícil, que marca e bate muito. As vaias foram excessivas


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19 de outubro de 2010 | nº 15

ney.meufigueira.com.br | globoesporte.globo.com/blogdofigueirense Diego Rzatki

ney pacheco e tainha

Paulinho quer Charanga na festa do acesso Torcida

Burocracia impede volta imediata

Maurício Locks

Apoio total: o Figueira é maior

N

a entrevista que nós, Ney Pacheco e Diego Tainha Rzatki, fizemos com o Wilson na última sexta-feira, dia 15, e que estampa as páginas centrais deste jornal, três declarações do grande ídolo alvinegro nos chamaram a atenção. A primeira foi atribuir à saída de Alexandre Gallo o rebaixamento de 2008. A segunda foi destacar que o elenco alvinegro é unido e que Márcio Goiano tem o grupo de jogadores na mão. A terceira foi reforçar a necessidade do apoio do torcedor nesta reta final. O time comandado por Alexandre Gallo tinha muitos problemas e ganhou o campeonato estadual de 2008 aos trancos e barrancos, mas o trabalho do treinador tinha o apoio dos jogadores. O técnico saiu logo no começo do campeonato brasileiro, em junho, mas a situação não foi bem digerida pelos atletas, que gostavam muito dele. Para Wilson, os técnicos que vieram depois não conseguiram superar esse problema. Veja só. Houve mais seis meses de campeonato depois que Gallo foi embora.Aescolha do técnico seguinte – Guilherme Macuglia – e a forma

como o problema foi administrado internamente deixou sequelas fatais para o rebaixamento. Fazendo a analogia com o momento atual, qual o grau de risco que a saída de Márcio Goiano traria? Como Gallo, Goiano é querido pelos jogadores. Ao contrário de Gallo, Goiano armou um time que joga bem, é bem equilibrado ofensiva e defensivamente, e tem obtido resultados. Mais do que isso, não faltam seis meses para terminar o campeonato, faltam só nove jogos. Além de tirá-lo, é necessário ter precisão cirúrgica ao escolher o substituto. Será que quem faz campanha sistemática contra Márcio Goiano e espera alegremente qualquer derrota, pensa nisso tudo ou simplesmente quer satisfazer sua vaidade e inflar seu ego podendo encher a boca para dizer que derrubou o treinador? Isso remete à terceira declaração de Wilson. O grupo de jogadores sente a falta de apoio. Os jogadores se abalaram com as vaias após o empate com o Bragantino. Aí cabe a pergunta: se o torcedor não apoiar incondicionalmente o time neste exato momento, quando isso acontecerá? Depois da vitória sobre o Santo

André, são mais nove jogos até o final do campeonato. São mais cinco partidas em casa. São mais quatro vitórias para garantir o acesso. Se não tiver apoio agora, terá quando? O Figueira não pode ser o maior inimigo de si próprio. Os dirigentes, os agregados dos dirigentes, os parceiros, os agregados dos parceiros, os empresários e os agregados dos empresários precisam engolir a sua própria arrogância, sua própria vaidade e apoiar os profissionais do Departamento de Futebol, da gerência aos jogadores passando pelo técnico. Criar instabilidade de dentro para fora é correr o risco de dificultar ainda mais o acesso. Todos os citados acima precisam parar de usar a imprensa, os blogs, o twitter para atacar ou para defender o trabalho do técnico. Precisam parar de criar ruído, de envenenar o clima dentro do clube. O Figueira é maior que essas picuinhas e o momento exige que o time receba o apoio incondicional de todos. É hora de todos mostrarem grandeza para o bem do clube.

Ney Pacheco e Diego Rzatki, o Tainha, mantêm blogs sobre o Figueirense

O que acontece no clube é notícia no site do torcedor do Figueira Enquete

Notícias e opiniões

O que você acha da pressão sobre o treinador Márcio Goiano?

Fotos da IV Carreata Alvinegra (13/10)

Normal, ele está em má fase

Wilson não joga contra o Santo André (15/10) Santo André 0×2 Figueirense: reencontro com o bom futebol

(16/10)

Torcida tem que superar o público das outras decisões (17/10)

alvinegro

Publicação de MEUFIGUEIRA

Não há pressão

34 14% 40 16%

170 70%

Exagerada, estão responsabilizando a pessoa errada

Entre 15 e 18 de outubro, foi respondida por 244 torcedores

H

á mais ou menos um ano, a vibração e os instrumentos da Charanga do Paulinho se calaram. Presença sempre assídua e marcante no Scarpelli, a trajetória da torcida se confunde com a própria história das últimas quatro décadas do Figueirense, motivo de sua inspiração e existência. Por decisão da Federação Catarinense, todas as torcidas organizadas que queiram frequentar os estádio catarinenses têm de identificar todos os integrantes na Polícia Militar e pagar uma taxa. Classificada como organizada, a Charanga precisa do cadastramento para continuar a fazer festa nos estádios. Os entraves para a volta são dois. A taxa a ser paga é de R$ 100, mais R$ 10 por integrante. O cadastramento envolve constituição de associação ou sociedade civil, registro de um CNPJ, elaboração e aprovação de um estatuto, entre outros detalhes burocráticos. O desejo de Paulinho é que a Charanga não seja enquadrada como torcida organizada, o que daria a ela o direito de entrar nos estádios com os instrumentos, sem que seja preciso pagar taxa para tanto. Hoje com 61 anos, a maior parte deles dedicados ao Figueirense, o torcedor famoso entre os alvinegros sonha com o retorno da tradicional Charanga do Paulinho, mas não tem a força e o tempo de antes para transformar o projeto em realidade. Paulinho a todo tempo recorda de todos que ajudaram a construir a história da Charanga, mas sonha com novos parceiros que possam ajudar no retorno às arquibancadas. O comandante do grupo de torcedores-instrumentistas atualmente acompanha os jogos junto da torcida ELAS, mas não nega que sente falta do som e do ritmo da sua Charanga. “Eu sonho com isso, com a Charanga de volta. A gente não abandonou pela má fase, somos a

torcida que há mais tempo apoia o Figueira. Vimos o Figueirense eliminar o Avaí em 1973 e sonho em comemorar o acesso com a charanga na arquibancada”, conta, emocionado, o eterno Paulinho da Charanga. Histórico – Em 1972, surgiu a então chamada Charanga do Figueirense, presidida por Hélio Cabrinha, ex-presidente da escola de samba Protegidos da Princesa. Em 1975, sem o apoio financeiro do presidente do Figueirense na época, José Mauro da Costa Ortiga – ou, simplesmente, Major Ortiga –, Hélio Cabrinha, músico popular entre os sambistas, abriu espaço para Paulo da Silva administrar o grupo de amigos que compunham a Charanga. Sujeito humilde e de fala mansa, Paulo vivia o dia-a-dia do Figueirense. Vestiu a camisa do clube nas categorias de base e foi funcionário na rouparia do time. Mas foi na arquibancada que encontrou seu lugar no clube. Ali, deixava de ser o Paulo da Silva para assumir o nome pelo qual ficou famoso: Paulinho da Charanga. O grupo de torcedores que fazia a festa no Scarpelli e onde o Figueira fosse jogar. Os instrumentos não eram muitos: seis paulistas, três repiques, duas caixa clara, dois reco-reco, um instrumento de sopro e algumas frigideiras pequenas. Entre 20 e 25 alvinegros integravam a Charanga, entrando nos estádios que o Figueirense iria jogar, tocando e levando alegria para a massa alvinegra. No estádio Orlando Scarpelli, sua casa, ficava onde hoje é o setor C. Ao falar da torcida que leva seu nome, Paulinho ainda demonstra o amor que tem pelo Figueira. Sempre que o assunto é o Alvinegro, a frase sai naturalmente: “o Figueirense é minha vida”. Para quem trabalhou como gandula para ver os jogos e ajudava a lavar os uniformes do clube em troca de ingresso para os jogos, Paulinho tem mais um obstáculo a superar.

Edição: Tadeu Meyer (jornalista responsável - MTB/SC 03476-JP). Reportagem e textos: Diego Rzatki, Henrique Santos, Maurício Locks e Ney Pacheco. Fotos: Carlos Amorim, Diego Rzatki, Renato Ferro. Projeto Gráfico e Editoração: Tadeu Meyer. Tiragem: 3 mil exemplares. Circulação: gratuita e dirigida aos torcedores do Figueirense que comparecem ao Scarpelli em dia de jogo. Impressão: Gráfica Rio Sul.

alvinegro #15  

de trocedor pra torcedor, o jornal de jogo do Figueirense

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