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Jornal mensal do Concelho de Oeiras Diretora: Graça Tracana

SERGIO MARTINHO

N.º 67 outubro 2013 Gratuito

Concelho em movimento

p.7-10

• p. 4, 5 Alcoolismo

• p.2

Correio de Oeiras esteve presente numa reunião aberta dos Alcoólicos Anónimos e testemunhou histórias de vidas consumidas pela chaga social que é o alcoolismo, uma doença.

Bombeiros

• p.6,7

Vários comandantes de corporações de bombeiros de Oeiras falam das imensas tarefas que têm de realizar e da falta de recursos para cumprir as suas missões.

Especial Autárquicas

• p. 8-9

Saiba como decorreu o processo eleitoral autárquico em Oeiras. Quem são os novos eleitos na Câmara Municipal e nas Juntas de Freguesia de Oeiras.

Crime & Justiça

• p.14-15

História do rapaz mantido refém durante 33 horas numa casa de banho e o polémico Caso Sónia Brazão em destaque, entre outros temas .

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Atualidade

2 • outubro 2013 DRAMAS VIVIDOS NO CONCELHO

«O alcoolismo é uma doença democrática» U

Paula Lucena, técnica de saúde com 23 anos de experiência num centro de tratamento de alcoólicos, não tem quaisquer dúvidas: «como o alcoolismo é uma doença terrível e muito democrática, que atinge ricos e pobres e todo o tipo de pessoas, e a exemplo de todos os outros concelhos do país, há graves problemas de alcoolismo em Oeiras, apesar deste concelho apresentar excelentes indicadores socioeconómicos». Vidas consumidas pelo álcool F., alcoólica em recuperação, oriunda de «uma família tradicional», começou a beber sistematicamente «ao fim do dia, depois do trabalho», após ter perdido o seu filho. De forma gradual, o organismo foi sendo intoxicado pelas bebidas alcoólicas. «É o meu padrão, a minha forma de fugir dos problemas. O álcool era um anestésico fantástico. Bebia um copo e tudo ficava perfeito, afogava a minha dor e a minha ansiedade», conta F. O problema é que, no alcoolismo, não se consegue parar: «com o tempo, as doses foram aumentando. Passei a beber antes, durante, e depois do jantar. Perdi o controlo. No dia seguinte, de ressaca, sentia culpa e remorso. Ora, como sou medianamente inteligente, não percebia por que não conseguia parar de beber?». Apesar de alcoólica, F. estava determinada em ser uma mulher de sucesso. As manhãs eram um

calvário. «Quando ia trabalhar, tinha de fazer um esforço imenso para ter essas duas vidas. O meu marido também bebia e eu separei-me, mas nem assim

-se alcoólico, embora sem nunca deixar de trabalhar. «Bebia tanto que, durante o fim-de-semana, nem conseguia sair do sofá, não tinha quaisquer forças».

FOTOS: DIREITOS RESERVADOS

m repórter do Correio de Oeiras assistiu a uma reunião aberta dos Alcoólicos Anónimos, realizada na Biblioteca Municipal de Oeiras. Testemunhou histórias marcadas pelo abuso de álcool e o trabalho empenhado de um grupo de ajuda no combate a uma «doença terrível»: o alcoolismo.

•NUNO SÁ

Estima-se que 700 mil portugueses sejam alcoólicos

parei de beber». Foi nas reuniões dos Alcoólicos Anónimos (AA) que conseguiu o auxílio necessário para lutar contra tão funesta doença. Também em recuperação e vindo de uma família

Durante dez anos, andou a «tentar» deixar de beber, mas as recaídas eram frequentes. Foi um «sorriso franco», captado numa reunião dos AA, que fez clique na sua cabeça. Hoje, diz ter «uma

«É um grave problema de saúde pública», frisa Paula Lucena, assistente social de formação. «perfeitamente funcional», M. bebeu compulsivamente durante mais de três décadas, «desde os 19 anos». Tornou-

vida nova». Até consegue «dançar sem estar com os copos, divirto-me perfeitamente sem álcool», partilha. PUB

FICHA TÉCNICA

2725-461 Mem Martins

Diretora: Graça Tracana

Contactos: 21 920 22 40

Redação: Carlos Tomás, Nuno Sá e Verónica Ferreira.

Direção : direcao.gracatracana@gmail.com

Colaboradores: Linda Alagoínha e Mariana Branco.

Noticias/ Eventos : redacao.correiodeoeiras@gmail.com

Fotografia: Sérgio Martinho.

Maquetes : design.mpalavra@gmail.com

Conceção Gráfica: Vera Tracana.

Publicidade : comercial.oeiras@gmail.com

Departamento Publicidade: Clara de Castro, José Aguiar, José Rebelo e Maria Almeida.

Faturação : contabilidade.mpalavra@gmail.com

Blog: www.correiodeoeiras.blogspot.com Periodicidade: mensal Tiragem média: 35000 Propriedade: Mérito da Palavra, Lda.; NIF: 510015603

Impressão: Gráfica Funchalense Morelena - 2715 Pero Pinheiro INTERDITA A REPRODUÇÃO DE TEXTOS, IMAGENS E ANÚNCIOS DE PUBLICIDADE SEM O DEVIDO CONSENTIMENTO DA DIREÇÃO DO JORNAL

Registo da ERC N.º: 125477

AS NOTÍCIAS DESTE JORNAL FORAM REDIGIDAS

Depósito Legal: 277926/08

AO ABRIGO DO ACORDO ORTOGRÁFICO.

Morada: Rua Drº Sousa Martins, Nº 27

Problema de saúde pública A doença do alcoolismo é uma chaga social em Portugal e no mundo. Estima-se que existam 700 mil portugueses alcoólicos. «É um grave problema de saúde pública», frisa Paula Lucena, assistente social de formação. Para vencer o problema, «o contributo dos grupos de ajuda, como os Alcoólicos Anónimos, é inestimável». A doença é horrível, sim, mas há boas notícias. «60% dos alcoólicos consegue recuperar em ambulatório», sublinha Paula Lucena.


Concelho

Jornal Mensal • 3

PINTURA

CM OEIRAS

“Ares da Serra” até 10 de novembro M

ário Rocha, artista plástico minhoto com uma competência peculiar para absorver e ilustrar a paisagem e cores do campo, pode agora ver fruído no Centro Cultural Palácio Egipto (CCPE). Natural de Perre, aldeia a 7km de Viana do Castelo, Mário Rocha inaugurou a sua exposição com um invulgar desfile de Cabeçudos de Viana do Castelo pelas ruas limítrofes ao CCPE no passado dia 20 de setembro. Homem simples embebido de cultura tradicional das aldeias que o viram crescer e se desenvolver, fez pintor e artista das cores, formas e aromas da terra. “Ares da

Serra” é uma homenagem à ruralidade que marcou gerações e às muitas culturas da qual somos seus herdeiros. A exposição pode ser visitada até 10 de novembro de terça-feira a domingo, das 12h00 às 18h00, encerra aos feriados. Paralelamente decorrerá, dia 12 de outubro pelas 18h00, uma Palestra sobre obra do Pintor Mário Rocha pelo Presidente do Instituto Politécnico de Viana do Castelo, Prof. Doutor Rui Teixeira. Nos sábados, 26 de outubro e 9 de novembro, serão realizadas visitas-jogo para um público familiar, pelas 15h00, com inscrição gratuita no CCPE. • VERÓNICA FERREIRA

BIBLIOTECA OPERÁRIA OEIRENSE

A

autarquia intervencionou o histórico edifício do centro de Oeiras foi alvo de obras de restauro e conservação, através do Setor de Valorização de Património do Departamento de Projetos Especiais. Situada no número 119 da Rua Cândido dos Reis, a Biblioteca Operária Oeirense (BOO) viu ainda reparadas infraestruturaselétricas: elétricas, envolveram: cobertura (incluindo beirados) e tetos estucados, paramentos exteriores e interiores, cantarias, carpintarias em pavimentos assoalhados e vãos interiores e exteriores (portas, portadas, caixilharias e ferragens), escadaria exterior, guardas das varandas, rede elétrica existente (mormente iluminação da fachada principal).

80 Anos de história “Depois do Pão, a instrução”. Este

CM OEIRAS

Investimento de 75 mil euros

A paixão pela equitação é, para a AEJC, inclusiva, no respeito pela diferença

foi o lema que deu vida à associação fundada a 17 de julho de 1933 que tinha como principal objetivo «organizar e manter uma biblioteca para instrução PUB

dos seus associados, criar e patrocinar aulas e meios de cultura cívica; promover a realização de conferências e leituras públicas, destinadas á formação

mental e moral da população Oeirense». Até meados do século XX, a BOO era a única instituição que incentivava a leitura e o uso do livro. Anos passaram, e hoje a Biblioteca Operária Oeirense é um símbolo de história e memórias da vila. Para os tempos modernos, a BOO promove oficinas de música (guitarra, piano, flauta e técnica vocal), teatro, pintura e artes decorativas com vista à sensibilização dos seus sócios para aprendizagem e práticas das artes. Na sua vertente musical, a BOO abrange dois grupos coais: Cramol e ComSoante e o agrupamento musical Sexteto Cantabile. Em 2013, a Biblioteca Operária Oeirense insiste em manter o seu nome original, ainda que a realidade social não seja a mesma, e conta com cerca de 2200 sócios. •VERÓNICA FERREIRA PUB


Mobilidade

4 • outubro 2013 MARGINAL SEM CARROS OCORREU NO DIA 22

Questões da mobilidade no concelho de A

No Ano Europeu do Ar, a Semana Europeia da Mobilidade 2013, que começou no dia 16 e terminou a 22 de setembro, mobilizou Portugal. No Continente e nos arquipélagos da Madeira e dos Açores, os municípios promoveram atividades que incentivaram os cidadãos a optar pelos meios de transporte sustentáveis. Oeiras, como já é tradição, não fugiu à regra, culminando a semana na realização da «Marginal sem Carros», ação que fechou a Estrada Marginal das 10H às 13H do dia 22, um domingo, entre Caxias e o Forte de São Julião da Barra (Oeiras), com pessoas de todas as idades a circularem a pé e de bicicleta, pondo a conversa em dia e desfrutando da vista panorâmica de areal e mar da Linha. «É, mesmo, fantástico estarmos a caminhar numa estrada de que tanto gostamos, sem carros e a olhar esta paisagem maravilhosa», refere, ladeando os repórteres do Correio de Oeiras que também calcorrearam quilómetros, uma senhora dos seus 40 anos, moradora no concelho. A Semana Europeia da Mobilidade é uma iniciativa anual impulsionada pela Comissão Europeia desde 2002 (quem coordena, em Portugal, a ação é a Agência Portuguesa do Ambiente), embora o evento mais célebre, o Dia Europeu sem Carros (22 de setembro), já se celebre desde o ano 2000. Campanha europeia Esta campanha anual, segundo se explica no website oficial a nível europeu, PUB

FOTOS: SÉRGIO MARTINHO

Semana Europeia da Mobilidade passou pelo concelho e culminou na iniciativa «Marginal sem Carros», no dia 22 de setembro. Altura para se fazer o ponto de situação de problemas e soluções de Mobilidade em Oeiras.

«Marginal sem Carros» decorreu, como é hábito, no Dia Europeu sem Carros (22 de setembro)

visa «encorajar as autoridades locais a introduzir e promover medidas de transporte sustentável e convidar os seus cidadãos a experimentar alternativas ao uso do automóvel». Nesta semana dedicada ao transporte amigo do ambiente (sustentável, não poluente) e economico-socialmente vantajoso, foram realizadas inúmeras atividades com o mote «Ar limpo – está nas tuas mãos», uma campanha para chamar a atenção sobre o impacto do transporte na qualidade do ar e encorajar os cidadãos a melhorarem a sua saúde e bem-estar ao mudarem a forma como se deslocam no dia-a-dia. A este propósito, Janez Potocnik, o comissário europeu para o Ambiente, frisou a importância dada este ano às «escolhas quotidianas sobre o transporte e o impacto na qualidade do

ar que se respira» e sobre a saúde. Mobilidade sustentável em Oeiras Oeiras é um dos municípios mais motorizados do país e acresce que Portugal é um dos países mais dependentes do carro. Neste sentido, o Município tem

para resolver vários problemas relacionados com a rede de transportes, como é o caso do SATU e a reorganização dos trajetos da rede Combus, a escassez de estacionamento, e os elevados preços dos passes.

Centenas de famílias passearam pela Marginal, longe do fumo e do ruído dos carros


Mobilidade

Jornal Mensal • 5 PUB

Oeiras

A «Marginal sem Carros» é uma iniciativa que conquista cada vez mais fiéis

Em matéria de Mobilidade, Acessibilidades e Estacionamento, é certo que há obra visível (alguns exemplos: ligação VLN – Miraflores, Av. Cáceres Monteiro, Av. Cesária Évora, entre o Bairro dos Navegadores e o Casal da Choca, Porto Salvo, etc; a requalificação do Largo da Estação de Oeiras; o reordenamento viário no Jamor; e a criação de vários novos parques de estacionamento: Fábrica da Pólvora; Instituto Gulbenkian de Ciência; Extensão do Centro de Saúde de Paço de Arcos; Rua N.ª Sr.ª da Conceição, em Carnaxide; Ribeira de Algés, etc). No entanto, há ainda muito por fazer, e de forma sustentável, na área da Mobilidade, Acessibilidades e Estacionamento, nomeadamente, melhorar e manter as passadeiras, o pavimento rodoviário e os passeios; criar passa-

gens de peões com iluminação noturna e sinalização própria; eliminar as barreiras arquitetónicas à circulação dos munícipes com mobilidade limitada; a criação da ligação pedonal sobre a Ribeira de Caxias (com acesso direto à estação) e ligação pedonal na Terrugem sobre a linha ferroviária que possibilite o acesso direto à Estrada Marginal; a criação dos chamados «corredores verdes», em prol da biodiversidade; e a requalificação dos acessos pedonais e dos atravessamentos na Marginal. O executivo liderado por Paulo Vistas (do movimento IOMAF), que acaba de ganhar as eleições autárquicas no concelho de Oeiras, deverá estar muito atento a estas situações.

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• NUNO SÁ


Bombeiros Voluntários

6 • outubro 2013 BOMBEIROS NÃO CALAM A REVOLTA NO CONCELHO DE OEIRAS

DIREITOS RESERVADOS

«Somos um exército que não é

E

les apagam fogos, socorrem doentes, auxiliam vítimas de acidentes rodoviários, salvam pessoas no mar, abrem portas a quem se esqueceu das chaves dentro de casa, dão formação em escolas e, entre mais missões, ainda ajudam animais em perigo. As sete corpora-

ções de bombeiros voluntários do concelho de Oeiras não têm mãos a medir e, segundo os comandantes ouvidos pelo Correio de Oeiras, até pagam do próprio bolso a ajuda que prestam aos cidadãos.

dos Bombeiros Voluntários Progresso Barcarenense (de Barcarena) coloca o dedo na ferida: «somos o único exército do país que não é pago. As Forças Armadas são pagas, a GNR é paga, a PSP também, o INEM igualmente, mas os bombeiros voluntários são isso mesmo. Não recebem nada e ainda pagam para trabalhar. No entanto, são obrigados por lei a prestar uma série de serviços aos cidadãos e não se podem recusar. Sobrevivemos graças às quotas dos nossos sócios e aos subsídios do Estado e da Câmara Municipal de Oeiras, mas a verba que nos é atribuída não dá para as encomendas. Os valores definidos para os subsídios remontam a 2007 e, como se compreende, tudo aumentou desde então, desde a água à eletricidade e aos combustíveis». «Mendigos» O comandante dos voluntários com sede em Barcarena vai mais longe: «os contribuintes têm direito ao socorro. Não têm nada a ver com os nossos problemas financeiros. Desde 1994 que não há um investimento sério nem qualquer

plano governamental para reequipar os bombeiros. Agora, com a crise, é que isso não será possível. O caso de Oeiras nem é o pior, mas não é com cerca de 20 mil euros mensais, a ter de pagar os salários às equipas de pronto-socorro que são obrigatórias (são os únicos assalariados e só trabalham durante o dia), demais consumíveis, água, luz e gás, que conseguimos sobreviver. A maioria das corporações está a optar por alugar instalações para práticas desportivas, bares, etc, para arranjar formas de sobrevivência. Mas recordo que a segurança dos cidadãos, segundo a Constituição da República, é uma obrigação do Estado. Os bombeiros não podem continuar a ser tratados como mendigos». Gatinhos resgatados Questionado sobre a última operação que tinha feito na última segunda-feira, no fim de setembro, Carlos Carvalho, o comandante dos Bombeiros Voluntários de Algés, foi lacónico: «hoje tivemos de ir resgatar dois gatinhos bebés que ficaram trancados num quintal de difícil acesso.

REBUÇADOS PEITORAIS

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Carlos Gomes Santos, comandante

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FUNDADO EM1935 1935 FUNDADO EM

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Seiva de Pinhei www.santoonofre.com www.santoonofre.com


Bombeiros Voluntários

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pago»

Felizmente tudo correu bem. É considerado um serviço de emergência e nós temos de o fazer. Bem como abertura de portas, transporte de doentes urgentes e não urgentes, entre muitas outras coisas». Também o responsável se queixa da falta de fundos: “neste momento, estamos com prejuízo e, cada vez que uma viatura avaria, é uma dor de cabeça, porque não sabemos onde ir buscar o dinheiro para a reparação. Mas damos o nosso melhor e, quando não temos meios, contamos com a ajuda das outras corporações. Os corpos de bombeiros não são ilhas e ajudam-se uns aos outros sempre que tal é necessário e no país inteiro. Mas era bom que olhassem para nós de outra maneira, porque sem apoios há corporações que, provavelmente, terão de fechar as portas. Nós vivemos com dificuldades para pagar os simples custos de funcionamento». Jorge Vicente, comandante dos Voluntários de Linda-a-Pastora, é outra voz que se junta às críticas: «os bombeiros têm de prestar sempre socorro e, quando há um acidente, se tivermos de levar um ferido ao hospital, ninguém nos paga isso. São milhares de euros que as corporações gastam nesse tipo de transporte e que ninguém paga. Ou melhor, paga a corporação. Nós operamos na CREL e na A5, imagine-se o número de feridos que não temos de transportar mensalmente ao hospital à nossa custa. Alguém tem de rever isto e o Estado deve assumir as suas responsabilidades. Isto, para já não falar que pagamos o gasóleo ao preço normal. De que me adianta ter um auto-tanque fantástico, se depois não tenho dinheiro para o colocar a andar?». Apesar de tudo, Jorge Vicente não tem dúvidas: «as pessoas podem contar connosco e com todos os bombeiros voluntários do concelho de Oeiras. A nossa missão está acima de tudo e as pessoas que precisam de ajuda não podem esperar e devem ter resposta aos

seus problemas no mais curto espaço possível de tempo. É isso que tentamos fazer e aprimorar todos os dias». Segundo o Correio de Oeiras apurou, o voluntariado dos bombeiros é total: não só não auferem salário, como também não têm qualquer benefício social ou fiscal. No concelho de Oeiras existem os Voluntários de Algés, Barcarena, Carnaxide, Dafundo, Linda-a-Pastora, Paço de Arcos, e Oeiras. • CARLOS TOMÁS Bombeiros De acordo com a lei, um Corpo de Bombeiros é uma unidade operacional tecnicamente organizada, preparada e equipada para o cabal exercício de várias missões. A saber: o combate aos incêndios; o socorro às populações em caso de incêndios, inundações, desabamentos, abalroamentos e em todos os acidentes, catástrofes ou calamidades; o socorro a náufragos e buscas subaquáticas; o socorro e transporte de sinistrados e doentes, incluindo a urgência pré-hospitalar; a prevenção contra incêndios em edifícios públicos, casas de espetáculos e divertimento público e outros recintos, mediante solicitação e de acordo com as normas em vigor, nomeadamente durante a realização de eventos com aglomeração de público. Fazem ainda parte da missão das corporações de bombeiros a emissão, nos termos da lei, de pareceres técnicos em matéria de prevenção e segurança contra riscos de incêndio e outros sinistros; a colaboração em outras atividades de proteção civil, no âmbito do exercício das funções específicas que lhes pertencerem; a participação noutras acções para as quais estejam tecnicamente preparados e se enquadrem nos seus fins específicos; e, também, o exercício de atividades de formação cívica, com especial incidência nos domínios da prevenção contra o risco de incêndio e outros acidentes.

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Política

8 • outubro 2013 ESPECIAL: ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS

Oeiras vai continuar com Câmara Municipal Inscritos: 95.772 Votantes: 44.733

teve 22,04% dos votos e o PSD manteve 18,73% do eleitorado.

FOTOS: DIREITOS RESERVADOS

Resultados

«É uma honra suceder a Isaltino Morais» Em euforia desde o primeiro momento, os apoiantes do eleito presidente da Câmara de Oeiras não se acanharam de bradar o nome de Isaltino Morais intercalando-o com o de Paulo Vistas. O edil de Oeiras agradeceu o apoio dos munícipes, o voto de confiança e garantiu que irá dar continuidade à obra iniciada por Isaltino Morais há 30 anos. «Sem a vossa força não seria possível continuar a fazer, por isso garanto que Oeiras continuará mais à frente nos próximos quatro anos», disse.

IOMAF (Paulo Vistas) – 29,42% PS (Marcos Sá Rodrigues) – 20,64% PSD (Moita Flores) – 19,75% PCP – PEV (Daniel Branco) – 9,88% CDS-PP (Freitas do Amaral) – 3,77% BE (Carlos Gaivoto) – 3,75% PAN (Paula de Sousa Real) – 2,59%

Assembleia Municipal

Moita Flores assume derrota

Inscritos: 95.772 Votantes: 44,730 IOMAF – 26,61% PS – 21,13% PSD – 18,43% PCP-PEV – 11,93% BE – 4,90% CDS-PP – 4,20% PAN – 3,17%

Assembleia de Freguesia Inscritos: 95.772 Votantes: 44,727 IOMAF – 28,11% PS – 22,04% PSD – 18,73%

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Paulo Vistas, acompanhado pela familia na fotografia, venceu as eleições autarquicas à Câmara Municipal de Oeiras com 29,42% dos votos

A

pós uma longa campanha rodeada de polémicas, o nome de Isaltino Morais vai continuar a ser ouvido pelas ruas do concelho com a eleição de Paulo Vistas, seu sucessor, para presidente do executivo camarário. Durante a campanha as sondagens mostravam-se pouco claras, por vezes davam vitória ao movimento independente de cidadãos Isaltino Mais à Frente (IOMAF), outras colocava o social-democrata Francisco Moita Flores na frente. Foi necessário esperar pelo derradeiro dia de eleições para desmistificar

a vontade dos oeirenses. Apesar da reforma administrativa que veio mudar o mapa do concelho no que respeita ao número e dimensão das suas freguesias, o IOMAF conseguiu vitória em todas as eleições – Câmara Municipal (29,42%), Assembleia Municipal (26,61%) e Assembleia de Freguesia (28,11%). Nos três casos os resultados foram claros face ao Partido Socialista que conseguiu 20,64% para a autarquia à frente do PSD que se ficou nos 19,75%, para a Assembleia Municipal o partido rosa conseguiu 21,13% e os laranjas alcançaram somente 18,43%, e para a Assembleia de Freguesia o PS

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Durante semanas, muitos foram os oeirenses que acreditavam na mudança de cor e posição política do concelho. O protagonista dessa mudança seria Francisco Moita Flores. Após escrutínio, as dúvidas foram dizimadas e a figura do IOMAF reforçada. «Reconhecemos que não temos os resultados esperados», falou o rosto do Partido Social Democrata à Câmara de Oeiras após os primeiros resultados finais. «Por melhor que tenha sido a nossa campanha, e foi e as melhores propostas para os oeirenses saíram do PSD, não conseguimos atingir os nossos objetivos», lamentou e acrescentou «assumimos a não realização dos objetivos que era conseguir a Câmara de Oeiras e assumo responsabilidades totais e pessoais por esta não vitória».

Reforma administrativa Apesar de contestação, as freguesias oeirenses foram reagrupadas ficando de


Política

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Paulo Vistas fora Barcarena e Porto Salvo que permanecem únicas. As restantes foram organizadas da seguinte forma: União das Freguesias de Oeiras e São Julião da Barra, Paço de Arcos e Caxias; União de Freguesias Algés, Linda-a-Velha e Cruz-Quebrada/Dafundo; União das Freguesias Carnaxide e Queijas.Recorde-se que a proposta do poder central foi bastante contestada pelos governantes locais. Segundo o Governo, esta reforma tem como objetivos a promoção de maior proximidade entre os níveis de decisão e os cidadãos, com o fomento da descentralização administrativa e reforçando o papel do Poder Local como vetor estratégico de desenvolvimento; valorizar a eficiência na gestão e na afetação dos recursos públicos, potenciando economias de escala; melhorar a prestação do serviço público; considerar as especificidades locais; e reforçar a coesão e a competitividade territorial. Os atuais edifícios das Juntas de Freguesia das localidades agora agrupadas não serão desativados na sua íntegra. Estes serão pelo contrário ponto de ligação entre munícipes e poder local, como já acontecia. A maior diferença estará na utilização prática dos serviços da Freguesia por parte dos cidadãos que terão, assim, que se deslocar mais para determinados assuntos que só podem ser resolvidos na sede da freguesia (Oeiras, Algés e Carnaxide). A nova delegação de competências às “novas” freguesias deverá constar no orçamento de Estado e do município de Oeiras para 2014. •VERÓNICA FERREIRA

Moita Flores, PSD

OEIRAS OS PRESIDENTES DAS JUNTAS DE FREGUESIA: União das freguesias de Algés, Linda-a-Velha, Cruz Quebrada e Dafundo: Carlos Moreira (IOMAF); União das freguesias de Oeiras e S. Julião da Barra, Paço de Arcos e Caxias: Nuno Campilho (IOMAF); União das freguesias de Carnaxide e Queijas: Jorge de Vilhena (IOMAF); Freguesia de Barcarena: Fernando Afonso (IOMAF); Freguesia de Porto Salvo: Dinis Antunes (PS).

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AlgĂŠs

10 • outubro 2013 PUB

PREMIADOS MELHORES ALUNOS DA SECUNDĂ RIA DE MIRAFLORES

; Explicaçþes individuais ou em grupo, a todas as disciplinas do 1º ano ao 9º ano de escolaridade ; Realização de trabalhos de casa, com a explicação e estudo da matÊria em simultâneo ; Acompanhamento e revisão diåria das matÊrias dadas ; Fichas de trabalho regulares de avaliação de conhecimentos ; Preparação intensiva para testes ; Preparação para exames

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Iniciativa do Rotary Club de AlgĂŠs NUNO SĂ

Centro de Explicaçþes Apoio Escolar

Desconto de 15% para irmĂŁos

Fechado em Agosto

INSCRIÇÕES ABERTAS INSCRIĂ‡ĂƒO: 20â‚Ź Valores para 2/3/5 dias/semana

Os melhores alunos da SecundĂĄria de Miraflores exibem os diplomas conquistados

N

um jantar ocorrido no restaurante Caravela d’Ouro, foram entregues prÊmios aos melhores alunos da Escola Secundåria de Miraflores. A iniciativa rotåria acontece todos os anos e visa incentivar o mÊrito. No passado dia 17 de setembro, o restaurante Caravela d’Ouro, em AlgÊs, recebeu a cerimónia anual de entrega dos prÊmios aos melhores alunos da Escola Secundåria de Miraflores, promovida pelo Rotary Club de AlgÊs no sentido de incentivar o mÊrito, promover a educação dos jovens, reconhecer o esforço, o trabalho e o talento acadÊmico. Segundo Jorge Almeida, presidente do Rotary Club de AlgÊs, Ê importante que toda a comunidade contribua para apoiar a educação e estimular o estudo junto dos jovens porque, num tempo cinzento como o que vivemos, os crescentes níveis educacionais das novas geraçþes são um dos sinais de esperança mais seguros que temos. 19 valores em cidadania A cerimónia, que contou com a presença de diversos rotårios oriundos de vårios clubes, com Fåtima Rodrigues em representação da Secundåria de Miraflores e com o Correio de Oeiras convidado como representante da Comunicação Social, foi antecedida por um agradåvel jantar de confraternização. Presentes, tambÊm, estiveram as famílias e os alunos premiados (ganharam um diploma e um prÊmio de 250₏ cada): Maria Catarina Pimentel de Morais (mÊdia de 18 valores; PrÊmio Pena Mechó/Melhor Aluno do 11.º ano a Português), Luís Pereira de Brito Líbano Monteiro (mÊdia de 20; PrÊmio Inåcio Morgadinho/Melhor Aluno do 11.º ano de Matemåtica), Miguel Vaz de Almeida Sobral Domingues (mÊdia de 19; PrÊmio AmÊrico Coito/Melhor Aluno do 11.º ano), e Ana Teresa Mendes Teixeira

(mÊdia de 19; PrÊmio Joaquim Silva Gonçalves/Melhor Aluno do 12.º ano). A professora Fåtima Rodrigues afirmou que mais importante do que estarmos na presença de alunos de 19 valores, Ê termos a certeza de que eles, como pessoas, tambÊm são de 19 valores, porque a estatura moral, ser-se bom cidadão, Ê tão ou mais importante do que ser-se bom aluno. • NUNO Sà Rotary Rotary Ê uma organização de líderes de negócios e profissionais, unidos no mundo inteiro, que prestam serviços humanitårios, fomentam um elevado padrão de Êtica em todas as profissþes, e ajudam a estabelecer a paz e a boa vontade no mundo. O primeiro clube de prestação de serviços foi fundado a 23 de Fevereiro de 1905, quando o advogado Paul Harris com mais três amigos, Sylvester Schiele, comerciante de carvão, Gustavo Loher, engenheiro de minas, e Hiran Shorey, alfaiate, num pequeno escritório em Chicago, quiseram reavivar o espírito de amizade que haviam conhecido nas suas cidades. Considerando que o local onde os sócios se reuniam era rotativo, cada vez no escritório de um deles, resolveram denominar o clube recÊm criado de Rotary. Logo, mais e mais pessoas se iam juntando ao grupo, à medida que o clube se tornava conhecido. São os clubes de rotårios a convidarem alguÊm para ser rotårio. Um potencial rotårio tem de possuir vårias qualidades: ser bom chefe de família, cumprir os deveres de cidadão, cultivar a capacidade de fazer e manter amigos, seguir a Êtica profissional (agindo de acordo com os princípios do Rotary), respeitar normas e princípios religiosos, e manter a integração no movimento rotårio, cooperando.


Paços de Arcos

Jornal Mensal • 11

FOI INAUGURADO, NO DIA 20, EM PAÇO DE ARCOS

Novo parque de estacionamento mento, Lda. Na cerimónia de inauguração, participaram os presidentes da Câmara Municipal de Oeiras, Paulo Vistas, e da Parques Tejo – Parqueamentos de Oeiras, EM, Luís Roldão. O discurso de Paulo Vistas foi sucinto e envolvente.

FOTOS: MARIANA BRANCO

Projeto aumentado Ao afirmar que o concelho é feito pelas pessoas, o autarca oeirense confirmou a coesão social que a freguesia de Paço de Arcos atingiu e deu os para-

béns a todos os cidadãos que fazem Oeiras. Superando o projeto inicial do parque de estacionamento em número de lugares, houve a necessidade de «se fazer futuro em Oeiras» e aumentar o nível de serviços. Em boa hora se inaugurou mais um espaço útil e destinado a todos, com o presidente do Município a solicitar a todos os moradores na freguesia que fossem atentos e participativos para uma melhor vivência entre todos. • MARIANA bRANCO

O novo parque de estacionamento de Paço de Arcos tem 118 lugares

Localizado por detrás do antigo Quartel dos Bombeiros de Paço de Arcos, o novo espaço de parqueamento das Amendoeiras tem 118 lugares, quatro dos quais reservados a pessoas com mobilidade limitada. Foi inaugurada a mais recente obra de requalificação de espaços da freguesia de Paço de Arcos, no concelho de Oeiras. No passado dia 20 de setembro,

pelas 15 horas, foi mostrado o novo Parque de Estacionamento das Amendoeiras, situado no Largo Luciano Cordeiro. O espaço, que antes era desordenado e de terra, é agora dividido por 118 lugares de estacionamento, quatro dos quais destinados a pessoas com mobilidade reduzida. Investiu-se um total de cerca de 280 mil euros neste novo empreendimento. A intervenção ficou a cargo da empresa VIESA - Vias e Sanea-

Obra veio colmatar a lacuna de parqueamento que existia no centro da vila PUB


CULTURA

12 • outubro 2013 FESTAS DE CARNAXIDE DECORRERAM DE 18 A 22

Património histórico visitado a pé

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ma caminhada pelos principais pontos de interesse histórico

da freguesia proporcionou, a um restrito conjunto de pessoas (entre elas, uma repórter do Correio de Oeiras), um sugestivo levantamento patrimonial de Carnaxide. A iniciativa inseriu-se nas Festas de São Romão, que se realizaram de 18 a 22 e juntaram animação em palco, desporto, religião, e a feira. Na manhã do dia 21 de setembro, pelas 10 horas, um conjunto de moradores no concelho de Oeiras e na freguesia de Carnaxide tiveram a oportunidade de desfrutar de uma caminhada pelos principais pontos de interesse histórico da freguesia. Uma iniciativa muito interessante, a repetir. Foi solicitado que todos levassem uma indumentária confortável, assim como chapéus-de-sol e lanternas. A visita contou com a colaboração de João Figueiredo, como guia e mestre na história de Carnaxide, e de vários membros do Centro Cívico e da Junta de Freguesia de

Vista do Forte de Carnaxide

Carnaxide, caso de Anabela Pires, que recebeu e orientou os caminheiros. A manhã de sol e calor proporcionou a passagem por locais como a Igreja de S. Romão, Coreto do Núcleo Antigo, o Chafariz de Carnaxide (onde alguns puderam beber água própria para consumo), o Aqueduto, construído no século XVIII (em que se incluiu uma passagem subterrânea por mais de 200 metros), e a Casa de Saúde, onde se pôde observar as magníficas instalações que datam do século XX. A última paragem fez-se pelo lavadouro

da vila, onde ali se aprendeu a arte de lavar a roupa, uma tradição que se prolonga há muitas décadas. A visita patrimonial, que findou pela hora de almoço, deu oportunidade aos convivas de conhecerem, no terreno, particularidades e lendas desconhecidas. Festas de São Romão Pelo nono ano consecutivo, Carnaxide voltou a celebrar o seu santo padroeiro, São Romão, com as tradicionais festas que se espraiaram por vários locais da

freguesia. O palco principal dos festejos foi o centro cívico e o jardim, onde decorreu a tradicional feira que acolhe anualmente milhares de fregueses. O programa de 2013 apostou nas pessoas e nas coletividades, criando raízes, preservando costumes, e celebrando o santo padroeiro com a missa solene de ação de graças, ocorrida na Igreja de S. Romão. Também decorreram eventos desportivos, musicais, e moda. Realce para a VII Mostra de Folclore do Concelho de Oeiras e para o lançamento do disco “In Opera”, de Carlos Guilherme, nos dias 18 e 19. O público divertiu-se em cinco dias de festa e celebração comunitária, encerradas com uma Gala de Dança do Clube de Carnaxide, Cultura e Desportos. Iniciativa da Junta de Freguesia de Carnaxide e da Câmara Municipal de Oeiras, patrocinada pela Caixa Geral de Depósitos e com vários outros apoios, as Festas de São Romão realizam-se na segunda quinzena de setembro, quando o verão dá lugar ao outono. •MARIANA BRANCO

FESTA DA VINDIMA 2013

Mais participantes menos vinhos

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omos à vindima mais urbana da Grande Lisboa. Oeiras tem semeado tradição e cultura através da celebração do encerramento da vindima. A ocasião convida todos os munícipes a participar e a desfrutar uma manhã invulgar. Este ano, a Festa da Vindima contou com mais de duas centenas e meia de participantes, entre novos e repetentes munícipes. Alegria e convívio são as palavras-chave deste convívio que apela às memórias de infância de muitos que nele marcam presença. Maria Helena Cruz,

residente em São Domingos de Rana, e o amigo José Carvalho, ambos de 67 anos, residente em Oeiras falaram-nos da sua experiência. A primeira é assídua na vindima de Oeiras desde a sua primeira edição, há cinco anos. «Esta é uma oportunidade única para reviver a infância na localidade de Seito, Sabugal, e aproveitar o convívio», comentou. A opinião é partilhada por José. «Este é o segundo ano no qual participo. Voltei porque gostei da iniciativa, é uma agradável maneira de estar entre amigos e viver bons momentos», disse. Sobre a edição deste ano, ambos elogiaram o esforço da autarquia

em manter a tradição e não deixar que a iniciativa fosse afetada pela conjuntura. Maria Helena Cruz só ressalvou que deviam existir postos de abastecimento de água entre as vinhas porque a área é extensa e muitas pessoas não vêm preparadas para o calor que se faz sentir no decorrer da atividade.

Alexandre Lisboa, chefe da Divisão de Espaços Verdes, afirmou ao Correio de Oeiras que este ano a produção vitivinícola ficará abaixo do ano transato. Em 2012 a vinha oeirense produziu cerca de

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50 Mil litros de vinho

José Carvalho e Maria Helena Cruz

55 mil litros e este ano não irá muito além dos 50 mil. Apesar da diferença, o responsável garante que a qualidade do vinho não decaiu. •VERÓNICA FERREIRA PUB


DESPORTO

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CAMPEONATO DA EUROPA DE PATINAGEM ARTÍSTICA 2013

Portugal conquista 18 medalhas

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Foi uma semana de rara beleza por terras oeirenses. Porto Salvo encheu-se de orgulho, beleza, alegria e cor sob as rodas dos melhores patinadores europeus nos escalões júnior e sénior. A realização do Campeonato da Europa de Patinagem Artística 2013 contou com o apoio da Federação Portuguesa de Patinagem, da Câmara Municipal de Oeiras e da Junta de Freguesia de Porto Salvo. A seleção nacional foi composta por dez atletas juniores (seis femininos e quatro masculinos) e nove seniores (seis femininos e três masculinos). A competir com Portugal estiveram 27 atletas italianos, 13 alemães, 12 espanhóis, 11 franceses, nove holandeses, sete britânicos, quatro suíços, um israelita e uma eslovena. Pódio português em solo dance Sílvia Almeida, Iara Rocha e Carolina Varela fizeram o pódio júnior em solo dance. Pintado de cores nacionais, também Emanuel Salvadinho e Pedro Walgode, em juniores masculinos, ocuparam o primeiro e segundo lugares na mesma categoria. As vitórias foram saudadas em apoteose pelo público que encheu as bancadas do pavilhão de Porto Salvo. Organização, atletas, familiares e amigos não esconderam o orgulho nos resultados dos jovens que eleva o nome de Portugal no panorama europeu de patinagem artística em especial por ter sido celebrado no nosso país. Ainda em juniores, destaque para o par de dança Iara Rocha e Emanuel Salvadinho cuja apresentação

DIREITOS RESERVADOS: FPP

pavilhão do clube Leões de Porto Salvo foi o palco escolhido para a realização da competição mais importante de patinagem artística do panorama europeu. Juniores e seniores competiram e a seleção nacional brilhou.

Sílvia Almeida (1.ª), no Campeonato da Europa de Juniores e seniores 2013

deslumbrou o júri valendo-lhes a medalha de ouro à frente dos dois pares italianos, um francês e um alemão. Na Patinagem Livre (Juniores Femininos), Daniela Sardinha conquistou a medalha de prata e no Combinado (Juniores Femininos) a atleta subiu ao lugar mais alto do pódio. Nos seniores também houve prestações de destaque. No Programa Curto das Livres Diana Ribeiro conseguiu o 1.º lugar. No Combinado (Obrigatórias + Livres), Filipe Galego arrecadou a sua segunda medalha de prata do campeonato. Em feminino, Diana Ribeiro garantiu o título europeu. O par de dança Ana Silva e Ricardo Martins fechou a prova de Dança com uma belíssima prestação que lhes valeu o título de vice-campeões. Sebastião Oliveira conquistou, no Programa Longo, a medalha de bronze na Patinagem Livre, à qual ainda juntou a prata no Combinado. No Solo Dance, Ricardo Pinto sagrou-se campeão europeu e Paulo Santos conquistou a medalha de prata. Nos Femininos, Inês Gigante ficou no 3.º lugar. •VERÓNICA FERREIRA PUB

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CRIME & JUSTIÇA

14 • outubro 2013

CRIME & JUSTIÇA por Carlos Tomás

Atriz Sónia Brazão julgada com atenuantes Sónia Brazão julgada com atenuantes Em junho de 2011, quando a sua casa explodiu, Sónia Brazão estava alcoolizada, diz a acusação do Ministério Público (MP) deduzida contra a actriz. Segundo a procuradoria, ela teria mais de 4g/l de álcool no sangue. Os exames médicos terão também detetado a presença de substâncias canabinóides, opiáceos e ansiolíticos. O julgamento da figura pública foi marcado para a última terça-feira, 1 de outubro. A acusação do MP diz que a atriz terá aberto os bicos do fogão de forma intencional, mas não queria rebentar com nada. Assim, está acusada do crime de libertação de gases asfixiantes, incorrendo numa pena que pode ir até aos oito anos de cadeia. Porém, não terá havido qualquer intenção da atriz em provocar a violenta explosão que, a 3 de Junho de 2011, destruiu a sua casa, na Avenida da República, em Algés, Oeiras, a deixou gravemente ferida e danificou outras residência e viaturas da zona. O facto de não querer que a casa explodisse é uma atenuante para Sónia Brazão e, por isso, será julgada por um tribunal singular, já que o Ministério Público acredita que ela não será condenada a uma pena superior a cinco anos de prisão, apesar de a moldura penal prevista para o crime obrigar, em princípio, a um julgamento em tribunal coletivo (as pessoas que cometem crimes que envolvam molduras penais cuja pena mínima aplicada em abstrato seja superior a cinco anos de cadeia têm de ser julgadas por um tribunal coletivo). Na acusação, o Ministério Público relata, ainda, uma outra tentativa de suicídio da actriz, a 27 de junho de 2005, na qual também libertou gás de forma a pôr termo à vida. O incidente foi arquivado. Porém, o procurador do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, PUB

que dirigiu o inquérito, salientou que não existem dúvidas de que a actriz abriu mesmo «intencionalmente os bicos do fogão». Durante a investigação, «foram analisados ao pormenor os relatórios de

mado ao local na altura da explosão. Apesar de o magistrado não ter dúvidas de que os bicos do fogão foram abertos pela atriz numa tentativa clara de cometer suicídio, o MP acabou por chegar à conclusão de que Sónia Margarida

que no livro que escreveu, intitulado “Não Desisto”, Sónia Brazão garante, ao contrário do que sustenta o MP, que nunca teve intenção de se matar, nem de provocar a explosão. Mais tentativas de suicídio Sónia Brazão terá cometido três tentativas de suicídio antes da explosão de gás em Algés que queimou grande parte do seu corpo e a deixou entre a vida e a morte. Segundo dados recolhidos pelo Ministério Público, a explosão de gás terá sido a quarta tentativa da atriz para colocar termo à vida. Porém, para efeitos criminais, apenas uma das situações, ocorrida em 2005, poderia configurar crime, já que também consistiu na libertação de gás asfixiante. Esta situação foi, no entanto, arquivada. Nas outras duas situações, ocorridas entre 2005 e 2011, Sónia Brazão ingeriu comprimidos, tendo sido sujeita a uma lavagem de estomâgo, e cortou os pulsos, recebendo tratamento no Hospital de São Francisco Xavier.

ocorrência da Proteção Civil, da EDP e da Digal, e foi também reunida a documentação clínica dos dois feridos resultantes da explosão». O procurador, por sua iniciativa e sem dar conhecimento do facto à PJ, identificou e interrogou o técnico da companhia de gás que foi cha-

Miranda da Fonseca (conhecida no meio artístico por Sónia Brazão) não tinha intenção de provocar a explosão e, muito menos, de causar danos em terceiros e no prédio onde vivia, facto que poderá servir de atenuante na hora de o juiz decidir qual a sentença a aplicar. Recorde-se PUB

Prejuízos avultados Os prejuízos causados pela explosão ocorrida a 3 de Junho de 2011 ascendem a mais de 500 mil euros. A zona da Avenida da República onde se deu a explosão encontra-se recuperada, tendo as paredes mestras de casa da atriz sido refeitas e pagas pelo seguro do condomínio. A provar-se a culpa de Sónia Brazão, os seguros não deverão assumir responsabilidades sobre o sucedido e os vizinhos lesados, bem como os donos das viaturas danificadas, podem ficar sem receber um euro. «Se ela não tiver liquidez, não paga. Ninguém vai preso por dívidas e, ao que parece, ela não tem sequer património para cobrir os prejuízos», explicou, ao Correio de Oeiras, o advogado e criminalista Miguel Teixeira.


CRIME & JUSTIÇA

Jornal Mensal • 15 PUB

Rapaz mantido refém durante 33 horas num WC Um indivíduo raptou um rapaz, de 13 anos, e obrigou-o a passar 33 horas trancado na casa de banho de um apartamento em Carnaxide, Oeiras. O raptor foi preso pela Unidade Nacional de Contraterrorismo da PJ e ficou em prisão preventiva depois de ser ouvido por um juiz de instrução criminal. O rapaz foi raptado a poucos metros de casa, no Seixal, e viveu um fim-de-semana de terror, trancado desde sábado, 21 de setembro, até segunda-feira, dia 23, num WC com menos de quatro metros quadrados. Segundo as autoridades apuraram, o rapto foi praticado pelo senhorio da casa onde vivem os pais do menor e visava forçar aqueles a pagar uma dívida de rendas no valor de três mil euros (cinco meses em atraso). Numa conferência de Imprensa realizada dias depois pela PJ, a força policial alertou para o facto de estarem a aumentar os casos de cobranças de dívidas com recurso à violência e à margem da lei. Problemas de consciência terão levado o sequestrador a entregar o rapaz na esquadra

de Cruz de Pau, na Amora, Seixal. João Batista, 41 anos, terá percebido que a PJ já estava no seu encalço e optou por libertar a vítima após as 33 horas de sequestro. Foi detido pelas 18h30 de segunda-feira, 23 de setembro. O raptor é primo da mãe do menor, que ficou recentemente desempregada. A casa, onde vivem, já tem duas penhoras.

Estufa de droga

Pulseira para agressor

A PSP de Oeiras desmantelou, em setembro, uma rede de narcotráfico que operava no concelho de Oeiras há vários meses e que tinha uma estufa onde cultivavam canábis. Na sequência da operação, desencadeada pelas Brigadas

Agentes da Divisão de Oeiras da PSP detiveram, no dia 26 de setembro, um homem, de 34 anos, por agredir a companheira a soco e a pontapé, tendo ameaçado a mesma de morte, recorrendo a uma caçadeira de canos serrados. Perante os factos, a vítima foi de imediato retirada do local. Na casa do indivíduo foram encontradas, pelas autoridades, uma caçadeira de canos serrados, um aerossol de gás paralisante e cinco munições de calibre 12 milímetros. Presente a primeiro interrogatório judicial, ficou sujeito a termo de identidade e residência, apresentações obrigatórias na esquadra da PSP de Oeiras, e uso de pulseira eletrónica para o afastar da vítima. A violência doméstica é um dos crimes que mais tem aumentado em Oeiras.

de Investigação Criminal, foi preso preventivamente um indivíduo, de 20 anos, e outros dois, de 19 e 21 anos, foram constituídos arguidos e aguardam os trâmites do processo com apresentações semanais na PSP. Os traficantes foram abordados pelas autoridades quando se encontravam no interior de uma viatura estacionada numa zona pouco movimentada. Estavam a consumir droga e tinham na sua posse mais de 8 mil euros. Buscas feitas às respetivas residências culminaram na apreensão de mais dinheiro, droga, fertilizantes usados na estufa de canábis, e pequenas quantidades de MDMA e LSD.

«Pagas ou…» «Pagas ou nunca mais vais ver o teu filho!». Terá sido esta a ameaça feita ao telefone por João Baptista, empresário da construção civil falido, aos pais do rapaz e que os levou a alertar as autoridades. Na prática, apurou o Correio de Oeiras, os inquilinos não estão a pagar as rendas porque descobriram que as residências estão todas penhoradas. A vítima, mantida em cativeiro no apartamento de Carnaxide, segundo revelou a PJ, não foi alvo de violência física e não necessitou de receber cuidados médicos, apesar de estar psicologicamente fragilizada.


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Correio de Oeiras 67  

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