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NGONGO DIz EM TRIBUNAL QUE “UM PAÍS NÃO SE CONSTRÓI COM REVANCHISMOS”

SOCIEDADE: A audiência de ontem do julgamento do general Zé Maria foi dominada pelas declarações inesperadas do general Roberto Leal Monteiro “Ngongo,” antigo primeiro substituto do Chefe de Estado Maior General e chefe da Direcção Principal de Operações das FAPLA à data em que ocorreu a célebre Batalha do Cuito Cuanavale. Advertiu que faria uma declaração política e disse que o julgamento está a fragilizar a “inteligentsia” angolana e a transformar uma vitória numa derrota. P. 10

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Director: José Kaliengue

O DIÁRIO DA NOVA ANGOLA

Edição n.º 1623 Sexta-feira, 11 /10/2019 Preço: 40 Kz

Conselho de Ministros aprecia família de notas qaue irá de Kz 200 a 10 mil

“1º DE AGOSTO USURPOU COMPETÊNCIAS NO CASO CAPITA”, DIz EGAS VIEGAS EM FOCO. depois do “longa metragem” produzida pela direcção do clube militar nesta Quarta-feira, em

Luanda, em relação ao impedimento da viagem do internacional da Selecção Nacional de futebol em sub-17 para o Brasil, finalmente a Federação corrigiu a falha e o atleta viaja hoje. O MININT já tinha um documento de proibição desde 27 de Setembro. Jurista diz que apenas os pais e a Justiça poderiam impedir a viagem. P. 2 dr

● De acordo com o comunicado de imprensa saído da reunião, orientada pelo Presidente da República, João Lourenço, a referida família de notas vai denominar-se “Série 2020”. P. 32

Isabel dos Santos atribui bolsas de mérito a estudantes de Cabo Verde ● Isabel dos Santos anunciou ontem o programa “Bolsas de Mérito Isabel dos Santos” que irá beneficiar estudantes da Universidade de Cabo Verde com o pagamento integral de propinas e um estágio curricular na Unitel T+ ou entidades parceiras. P. 18

‘“AVARENTOS’ QUEREM TRAVAR A LUTA CONTRA A CORRUPÇÃO” BAI Directo_ O Pa’ s_276x42,733mm.pdf

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Confiança no Futuro

P. 9

● A Selecção Nacional de futebol com muletas defronta hoje os nigerianos, em partida referente à final do Campeonato Africano, no Estádio São Filipe, às 16:00. P. 26

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EM FOCO

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O PAÍS Sexta-feira, 11 de Outubro de 2019

“O 1º de Agosto não tem legitimidade para impedir a saída do Capita” Depois do longa metragem produzida pela direcção do clube militar nesta Quarta-feira, em Luanda, em relação ao impedimento da viagem do internacional da Selecção Nacional de futebol em sub-17 para o Brasil, finalmente a Federação corrigiu a falha e o atleta viaja hoje dr

Sebastião Félix

PRESIDENTE DA FAF, ARTUR ALMEIDA, disse que o jogador tinha alguns condicionalismos

PRESIDENTE DO 1º DE AGOSTO, CARLOS HENDRICK, a sua direcção fez um comunicado a justificar

O

especialista em Direito Desportivo, Egas Viegas, assegurou ontem a OPAÍS que a direcção do 1º de Agosto não tem legitimidade para impedir a viagem do avançado Capita ao Brasil, palco do Mundial em sub-

“O 1º de Agosto não tem legitimidade para impedir a saída do Capita. Houve usurpação de competências”

17 que aquele país acolhe de 26 de Outubro a 17 de Novembro próximo. O jurista referiu que o exercício do Poder Paternal é feito pelos país e não pelo clube. Assim, a direcção do clube presidido por Raul Hendrick não deveria, nesta Quarta-feira, inviabilizar a ida do rapaz à cidade de Goiania, onde vai decorrer o estágio. Os pais de capita, segundo o especialista, são os únicos que teriam condições para o efeito, se notassem algumas irregularidades. Deste modo, o litígio entre o 1º de Agosto e o internacional angolano não o impede de jogar na Selecção Nacional. Egas Viegas disse que houve usurpação de competências por parte de Carlos Hendrick e isto fere princípios fundamentais. O especialista avançou a este jornal que, em casos mais delicados, os órgãos com competência para impedir a saída do internacional angolano seriam a Procuradoria ou os tribunais. Mas isso devia ser fundamentado, uma vez que é menor e houve autorização por parte de vários órgãos. “O 1º de Agosto não tem legitimidade para impedir a saída do Capita. Houve usurpação de competências”, disse o jurista. Carlos Hendrick “dispara” no escuro Por sua vez, os argumentos do presidente Carlos Hendrick à imprensa revelaram alguns “disparos” no escuro, apesar de o jogador estar disposto a partir para um outro clube. O dirigente chegou a afirmar que Capita não treina há muito tempo e que é uma falta de respeito aos seus colegas da Aca-


O PAÍS Sexta-feira, 11 de Outubro de 2019

demia por ter abandonado. “Que exemplo é que este jovem vai dar aos outros?” questionou o presidente do 1º de Agosto à imprensa durante a “novela” Capita. O internacional angolano tem litígio com o clube militar pelo facto de alguns clubes europeus estarem interessados no seu passe. Como é evidente, o seu agente contactou o 1º de Agosto, mas, este clube não anuiu e, por conseguinte, o atleta abandonou o estágio. Por isso, terá sofrido a retaliação da direcção do clube presidido por Carlos Hendrick nesta Quarta-feira. Capita foi o melhor marcador do CAN que a cidade de DarEs-Salam, Tanzânia, acolheu no ano passado. A Selecção Nacional de futebol em sub-17 regressou ao país com a medalha de bronze ao peito, bem como com o apuramento ao Mundial que começa no dia 26 do corrente mês no Brasil.

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FAF corrige a falha e Capita viaja

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Federação Angolana de Futebol (FAF), depois de ter agido como espectadora em relação ao caso Capita, corrigiu a falha ontem, no fim do dia, segundo um comunicado. O órgão que rege a modalidade no país assumiu que o internacional angolano viaja hoje para o Brasil, palco do estágio em Goiania e do Mundial em sub17. As partes reuniram-se e concluíram que o atleta deve representar a Selecção Nacional, mesmo tendo litígio com o 1º de Agosto. Por esta razão, o atleta viaja hoje às 23:00, no voo TAAG, companhia de bandeira. No comunicado, a FAF assumiu que está em con-

tacto permantente com a família do atleta. Aliás, estão a trabalhar na recuperação psicológica do internacional para se juntar ao grupo. O atleta vai ao Brasil com um membro da equipa médica e um oficial de segurança. A FAF reiteirou que assume a responsabilidade e que o problema que impediu a saída do atleta é público, por isso, escusa-se a detalhar outros aspectos inerentes a viagem do rapaz. Fonte do órgão que rege a modalidade no país disse que nos próximos dias é imperioso haver uma explicação mais detalhada sobre “o triste papel” da FAF neste processo.

“A criança é prioridade”

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ministra da Juventude e Desportos, Ana Paula Sacramento, em relação ao caso Capita, disse que no ordenamento jurídico angolano a criança é prioridade. Por isso, não houve razões de se impedir a saída do avançado da Selecção Nacional. Pelo documento do Ministério da Juventude e Desportos (Minjud), a Federação Angolana de Futebol (FAF) devia embarcar o atleta. Entre outros assuntos, a minsitra disse que 1º de Agosto não apresentou qualquer documento e ser prematuro fazer-se uma análise sobre o caso. Mas os técnicos do gabinete jurídico vão reunir-se para analisar a questão em relação a atutude do 1º de Agosto e Capita.

Documento do Minint compromete A novela Capita envolveu também o Ministério do Interior (Minint) nesta Quarta-feira. Este órgão, à luz de um documento com o número 10890, remetido ao Serviço de Investigação Criminal (SIC), Serviço Migração Estrangeiros (SME) e ao director adjunto do Aeroporto para a Segurança, solicitava a tomada das medidas necessárias que impedissem a saída “ilegal” do atleta. O documento que impediria a saída do internacional pelas autoridades no Aeroporto vem datado de 27 de Setembro passado, implicando que os factos tivessem sido, quiçá, previamente preparados.

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4 DESTAQUES POLÍTICA. PÁG. 08 Camalata Numa quer uma UNITA mais dinâmica depois do XIII Congresso.

SOCIEDADE. PÁG. 12

“Todo doente mental deve ser acolhido”.

ECONOMIA. PÁG. 18 Governo quer apoio do sector empresarial.

HOJE:

Impostos só com dinheiro

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m comparação com os primeiros nove meses de 2018, a Sexta região tributária, que engloba as duas províncias do Cunene e do Cuando Cubando, recolheu menos 60 milhões de Kwanzas. No ano passado, neste período, haviam sido pagos de impostos três mil milhões, 427 milhões, 863 mil e 123 Kwanzas. resta saber até onde irá o “prejuízo” nas contas finais do ano. Com toda a propaganda que se tem feito, que também não sai barato ao Estado, ou a AGT está a vender gato por lebre e o alargamento da base tributaria é uma miragem, pelo menos naquelas duas províncias, ou aumentou a fuga ao fisco e tem de se perceber as razões e meandros, ou ainda, a redução da actividade económica está a demonstrar que o Estado ou encontra estratégias para dar vida às empresas, ou inventem-se os impostos que se quiser e a propaganda mais elaborada, seja o que for, a arrecadação vai descer, apenas porque se não houver economia não há impostos, pois também não há dinheiro para pagá-los.

o que foi dito MUNDO . PG. 23 Pompeo diz que o tratamento da China a muçulmanos é uma “enorme violação dos direitos humanos”.

A JMPLA deve ser porta-voz das principais preocupações e aspirações dos jovens angolanos, no geral, junto do Executivo” João Lourenço Presidente do MPLA

os números do dia

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Mil crianças serão vacinadas contra o sarampo na sede municipal de Mbanza Kongo, província do Zaire, durante a campanha de imunização iniciada esta semana, segundo as autoridades locais.

100 115

Mil e 260 kg de peixe congelado em estado avançado de deterioração foram apreendidos numa câmara frigorífica, em Saurimo, na Lunda-Sul.

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CARTAz. PÁG. 14 Alberto Sebastião ‘Littera-Lu’ “O livro Ensaboado & Enxaguado está repleto de erros”.

o editorial

O PAÍS Sexta-feira, 11 de Outubro de 2019

Mil barris de petróleo serão processados na refinaria do Soyo, província do Zaire, segundo o Ministério dos recursos Minerais e Petróleo na primeira apresentação técnica.

Mil camponeses da província da Huíla serão formados, até 2021, em adaptação às mudanças do clima, pelo projecto de “Integração da resiliência das Alterações Climáticas nas Actividades Agrícolas.

O elevado índice de devastação do meio ambiente coloca em risco o habitat e a vida dos povos, daí a necessidade de se destinar mais recursos financeiros para se pôr cobro à situação Dom Filomeno Vieira Dias Presidente da CEAST

O Executivo angolano está preocupado em reduzir os transtornos mentais com o serviço integrado nos cuidados de saúde e a humanização dos serviços” Eusébio Manuel director Nacional da Saúde Pública em Exercício


O PAÍS Sexta-feira, 11 de Outubro de 2019

5 e assim... José Kaliengue director

Hoje no online de O PAÍS leia a entrevista com o cientista político Paulo Faria e saiba mais sobre ciência política e políticas públicas em implementação em Angola

Consumado

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www.opais.co.ao Quito (Equador) Protestos de indígenas aumentam pressão sobre o Presidente Lenín Moreno e suas medidas de austeridade.(dr)

o que vai acontecer Política O Governo de Angola e o Fundo Internacional para o desenvolvimento Agrícola (FIdA) assinam no dia 23 do corrente mês um contrato de financiamento de projectos de apoio a produtores agrícolas, avaliado em 150 milhões de dólares. de acordo com a nova representante angolana junto do FIdA, a embaixadora Fátima Jardim, as negociações decorrem até à data marcada para a assinatura do acordo. Pequenos produtores angolanos podem melhorar a produção agrícola com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU), que aprovou o projecto do Governo angolano de apoio à resiliência

Sociedade Mais de 50 crianças com hidrocefalia serão operadas, gratuitamente, a partir da próxima semana até dezembro próximo, no Centro Neurocirúrgico e de Tratamento da Hidrocefalia do Kifica, Luanda, com apoio do “Programa BFA Solidário”. O programa lançado no passado Sábado disponibilizou ao Centro Neurocirúrgico 20 milhões de kwanzas, com o propósito de melhorar as condições de saúde das crianças desfavorecidas que padecem da doença. O programa contempla intervenções cirúrgicas segundo uma avaliação médica prévia a ser realizada e ajudar na compra de equipamentos

Economia Angola participa, pela primeira vez, no concurso africano e árabe universitário de programação, a decorrer no Egipto, na primeira quinzena de dezembro próximo, de acordo com Valeriano Messele Marcelino, responsável pela organização do evento a nível nacional. A participação será feita com três equipas vencedoras do concurso angolano universitário de programação (AOCPC), realizado nos dias 6 e 7 de Setembro, em que participaram mais de 30 universidades angolanas, cujos vencedores são o Instituto Superior de Petróleos (Ispetc) e duas equipas do Instituto Superior de Telecomunicações (Isutic)

Encontro Angola participa na jornada das celebrações do dia Mundial do Algodão, que acontecem, entre hoje e sexta-feira, na Suíça, sob a égide da Organização Mundial do Comércio (OMC). A delegação angolana, encabeçada pelo do ministro do Comércio, Joffre Van-dúnem Júnior, participa na Sessão Plenária de Alto Nível da celebração do dia Mundial do Algodão , data proposta à OMC por países produtores de algodão conhecidos como C4 (Benin, Burkina Faso, Chade e Mali). A data foi oficialmente adoptada pela Assembleia Geral das Nações Unidas para celebrar os benefícios sócio económicos da produção e comércio do algodão no mundo

epois de “marimbondos”, o novo apelido daqueles de quem o Presidente da República não gosta por lhe estarem a estorvar o caminho é o de “avarentos”. Fez-me lembrar uma canção de Zeca Afonso, numa passagem, o refrão, em que diz “eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada”. O título original da canção é “Vampiros”. Não tarda, João Lourenço vai também chamálhes vampiros. Mas eles quem? Aí está a maka, o Presidente ainda não tratou por “tu” os nomes dos seus “inimigos” de estimação, vulgo “não deu o nome aos bois”. Mas já abriu um pouco a cortina, são do MPLA, ficou dito ontem, ainda que João Lourenço duvide que o sejam mesmo. Então, fica claro que a luta contra a corrupção, os ataques ao Presidente, é tudo assunto interno do MPLA. Melhor explicando, estamos todos a sofrer consequências do bilo interno do MPLA. Entre os que roubaram e os que não roubaram, embora fique difícil saber quem é quem, porque não se assume claramente o indicar de dedos. “Estado de guerra” consumado. Ou o Presidente está mesmo confiante de que o MPLA é o povo, ou este discurso, mais de ruptura, expõe em demasia o partido, numa altura em que o povo tem fome, quer “sangue” e tem eleições à espreita. Uma visitação ao fervor e aos guilhotinamentos por altura da Revolução Francesa, quando se instaurou a República, pode fazer bem ao MPLA, levando-o a perceber como é insaciável a sede do povo por sangue de culpados e como este povo depois se farta do sangue e quer justiça. As posições vão-se extremando, o que é normal num processo de transição em que vários interesses são postos em causa, mas está na hora de o MPLA se sentar e encontrar consensos, senão o país vai pagar um preço alto.

E também... Dia Mundial do Ovo - 11 de Outubro de 2019 (Sexta-feira) O Dia Mundial do Ovo celebra-se na segunda Sexta-feira de Outubro. Os grandes objectivos deste dia, cuja data foi introduzida pela Comissão Internacional do Ovo em 1996, passam por divulgar os benefícios dos ovos para a saúde e aumentar o consumo deste tipo de alimento. Os ovos são ricos em proteínas, vitaminas e minerais, enquanto são pobres em teor calórico.


6 Media Nova, S.A Presidente do Conselho de Administração Filipe Correia de Sá Administradores Executivos Luís Gomes Paulo Kénia Camotim Propriedade : Socijornal Depósito Legal: Nº 244/2008 Contribuinte: 5417015059 Nº registo estatístico: 48058

O PAÍS Sexta-feira, 11 de Outubro de 2019

NO TEMPO DO KAPARANDANDA

Director Geral de Publicações: José Kaliengue jose.kaliengue@opais.co.ao

OPAÍS

Director: José Kaliengue Sub-Director: daniel Costa, daniel.costa@opais.co.ao Chefe de Redacção: Eugénio Mateus, eugenio.mateus@opais. co.ao Grande repórter: André Mussamo andre.mussamo@opais.co.ao Editorias : Política: Ireneu Mujoco ireneu.mujoco@opais.co.ao (Editor) Sociedade: Paulo Sérgio paulo.sergio@opais.co.ao (Editor) romão Brandão romao.brandao@opais.co.ao (Sub-editor) Economia Luís Faria (Coordenador-Editor) luis.faria@opais.co.ao Desporto: Sebastião Félix sebastiao.felix@opais.co.ao (Editor) Mário Silva mario.silva@opais.co.ao (Sub-editor) Cartaz: Jorge Fernandes jorge.silva@medianova.co.ao (Sub-editor) Redacção: Norberto Sateco, Alberto Bambi, Augusto Nunes, rila Berta, Miguel Kitari, domingos Bento, Neusa Filipe, Afrodite Zumba, Milton Manaça, Antónia Gonçalo, Maria Teixeira, Iracelma Kaliengue, Patrícia Oliveira, Stela Cambamba, Zuleide de Carvalho (Benguela),Brenda Sambo, Maria Custódia, Kiameso Pedro e Adjelson Coimbra. Arte: Ladislau Bernardo (Coordenador) Valério Vunda (Coordenador adjunto)Lourenço Pascoal, Annette Fernandes, Nelson da Silva e Francisco da Silva. Fotografia: Carlos Moco (Editor), daniel Miguel (Sub-editor), Pedro Nicodemos, Jacinto Figueiredo, Carlos Augusto, Virgílio Pinto, Lito Cahongolo (repórteres fotográficos), rosa Gaspar e Yuri dos Santos (Assistentes de departamento) Revisão: António Setas Agências: Angop, AFP, reuters, Getty Images

Assistentes de Redacção: Antónia Correia, rosa Gaspar, Inês Monteiro e Sílvia Henriques Impressão e acabamento: dAMEr, S. A. Luanda Sul, Edifício damer Distribuição: Media Nova distribuição Tel: +244 943028039 distribuidora@medianova.co.ao pontodevenda@medianova.co.ao Assinaturas: Bruno Pedro Tel: +244 945 501 040 Bruno.Pedro@medianova.co.ao Online: Venâncio Rodrigues (Editor)Isabel dalla e Ana Gomes Sítio Online: www.opais.co.ao Contactos: info@opais.co.ao Tel: 914 718 634 -222 003 268 Fax: 222 007 754 Sede: Condomínio ALPHA, Talatona- Luanda. Tel: 222 009 444 república de Angola

Comercial e Marketing: Senda Costa 922682440 Vladimir Teixeira email: comercial@medianova.co.ao Tiragem: 15 000 exemplares

1967

11 de Outubro -As autoridades bolivianas afirmaram que o corpo de Ernesto “Che” Guevara foi enterrado numa sepultura secreta.

1976

11 de Outubro - daniel Arap Moi foi proclamado Presidente do Quénia, sucedendo a Jomo Kenyatta, falecido a 22 de Agosto.

1991

11 de Outubro - O Presidente Fidel Castro anunciou um Estado laico e de economia mista e culpou a então UrSS da crise económica cubana, durante o IV Congresso do PCC, em que foi reeleito líder do partido.

CARTA DO LEITOR

Hora de separar o lixo, há quem viva dele dr

Caro director do Jornal O País, Agradeço a criação deste espaço, onde o leitor também tem voz. Sou Licenciada em Ambiente e Gestão do Território pela Universidade Metodista de Angola desde 2012, gostaria de dar o meu contributo para uma situação que me inquieta bastante. É visível o aumento do número de pessoas que observamos diariamente a revirar os contentores de lixo, chegam a deitar o lixo para o chão, são confundidos com mendigos, nem sempre corresponde à verdade, muitos vão à procura de latas e garrafas, artigos que têm gerado rendimento para muitas famílias. Gostaria de apelar a quem de direito, aos nossos gestores públicos, principalmente nas centralidades e condomínios, a

implementação gradativa de contentores diferenciados, assim com a consciencialização das pessoas para este facto, pode parecer difícil, mas se não dermos os primeiros passos, nunca sairemos da mesmice, pois o caminho faz-se caminhando. Apelo também aos estimados leitores deste jornal a darem o seu contributo, no sentido de separar os artigos mencionados a partir de casa, para facilitar a vida de quem encontrou neste trabalho a sua fonte de rendimento… Podemos fazer mais, pelo nosso ambiente e para uma vida melhor Os meus cumprimentos,

Domingas Correia

Escreva para o Jornal OPAÍS através do e-mail info@opais.co.ao ou ligue para estes contactos Tel: 222 003 268 Fax: 222 007 754


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POLÍTICA

O PAÍS Sexta-feira, 11 de Outubro de 2019

Camalata Numa quer uma UNITA mais dinâmica depois do XIII Congresso dr

Ex-secretário-geral, entre 2008-2012, volta a recandidatar-se à liderança deste partido, durante o XIII Congresso Ordinário, em Novembro, e caso ganhe promete fazer profundas mudanças internas Ireneu Mujoco

A

pesar de ser apenas hoje que a Comissão de Mandatos deste congresso se vai pronunciar sobre a validação das candidaturas dos cinco concorrentes, Camalata Numa está convencido de que a sua vai passar e já pensa no que vai fazer. Caso venha a ser eleito para presidente da UNITA, no XIII Congresso Ordinário a realizar-se de 13 a 15 de Novembro, em Luanda, o ex-secretário-geral desta força política promete transformá-la numa força do “centro de poder”. Esta é uma das muitas prioridades que pensa fazer avançar, e admite que, com a não recandidatura do ainda actual presidente do partido, Isaías Samakuva, tem as portas escancaradas para concretizar este desejo, depois de não ter po-

dido fazê-lo em 2015. Camalata Numa concorreu, há quatro anos, com Lukamba Paulo “Gato” e Isaías Samakuva, no XII Congresso, mas apesar da derrota sofrida não atirou a toalha ao tapete, e afirma estar em condições para voltar a concorrer ao lado de outros candidatos. Em conversa, ontem, com O PAÍS, de entre as muitas prioridades de um eventual consulado, Numa pensa fazer da UNITA um partido auto-suficiente e revitalizar o projecto de Muangai. A revitalização deste projecto passa pela sua actualização, ou seja, “ensinar a doutrina deste partido com base no que está consagrado neste mesmo projecto”, sublinhou. Numa diz ser importante que os cidadãos, sobretudo a juventude, saibam a importância deste projecto lançado em Março de 1966, no Moxico, numa pequena localidade chamada Muangai, daí o nome. Apesar de ainda não estar em campanha, pensa trabalhar com

todos, incluindo com os que não votarem nele, numa perspectiva de congregar todas as franjas do partido, sem olhar para a origem de cada um. “ Vamos trabalhar com todos os que se revêem no projecto da UNITA, sejam bakongo, Kimbundu, ovimbundu, cokwe, ngangela, Kunyama, e outros”, afirmou. Elenco de direcção Caso lhe seja confiada a nova direcção da UNITA, Camalata Numa pensa introduzir algumas al-

“O presidente Samakuva está a defender aquilo que sempre defendi, em termos de candidatos às eleições presidenciais”

terações no “esqueleto principal”, aventando a possibilidade de abertura de vice-presidências para permitir que as mulheres ocupem também lugares de destaque na direcção. Para ele, à LIMA, a organização feminina da UNITA, deve-lhe ser dada a possibilidade para que comece a ter membros no topo da hierarquia, para que um dia, quando este partido for Governo, elas não tenham dificuldades para dirigir. General na reforma e ex-deputado à Assembleia Nacional, Camalata Numa admite também o alargamento da Comissão Política do Comité Permanente (CPCP), órgão deliberativo da UNITA. Disse não continuar a fazer sentido a composição dos seus membros que é de 250 membros, tendo em conta o universo de quadros e militantes que o partido possui. Cabeça de lista nas eleições O pré-candidato à liderança do partido do “Galo Negro”, concorda com Isaías Samakuva que, recentemente, defendeu que o cabeça de lista do seu partido para as eleições gerais não seja necessariamente o presidente do partido. “O presidente Samakuva está a defender aquilo que sempre defendi, em termos de candidatos às eleições presidenciais”, afirmou, para quem o partido possui políticos que podem concorrer neste sentido. “Refiro-me ao próprio presidente Samakuva, o Lukamba (Gato) e o Adalberto, que a imprensa diz ter muita aceitação no meio urbano”, apontou. Referiu que o mais importante é que o partido apresente um candidato que corresponda às expectativas dos eleitores e que tenha bom resultado para governar Angola. Futuro de Samakuva Camalata Numa considera Isaías Samakuva como sendo “Património do Partido” por tudo o que fez, não só pelo seu percurso como militante, mas, sobretudo, o que fez nestes últimos 16 anos à frente da UNITA. “Se eu for eleito, vou convidá-lo para fazer parte da nossa equipa de trabalho, vai ter um lugar na Comissão Política”, garantiu Camalata Numa.

Reunião sobre vítimas de conflito

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Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos e a Comissão para Reconciliação em Memória das Vítimas de Conflitos Políticos realizam, hoje, em Luanda, a sua 6ª reunião de trabalho. Segundo uma nota a que o OPAÍS teve acesso, em análise estarão as propostas de despachos sobre a emissão de certificados de óbito, visita ao local onde será erguido o monumento à memória das vítimas, a aprovação da música produzida por artistas nacionais sobre o projecto, o plano de extensão da acção a todas as províncias, bem como a proposta da sigla da Comissão. O Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos é um mecanismo para o diálogo convergente no sentido de alcançar a paz espiritual da sociedade.

Em análise estarão as propostas de despachos sobre a emissão de certificados de óbito Com o referido plano, o Executivo pretende, igualmente, criar uma plataforma de abordagem dos pendentes de um passado doloroso que possam perigar a reconciliação. O Projecto visa também dar tratamento às famílias e pessoas que sofreram os males resultantes de episódios de violência física ou espiritual e construir as bases para tratamento social e institucional dos males específicos causados no contexto da guerra civil. O Executivo quer ainda, com este plano, reforçar o mecanismo de justiça social, paz sustentável e prevenir a repetição de acontecimentos violentos no futuro.


O PAÍS Sexta-feira, 11 de Outubro de 2019

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Presidente do MPLA reconhece o papel da juventude na mudança do país Para o presidente do MPLA, a direcção que sair do VIII Congresso da JMPLA, que decorre desde ontem, em Luanda, terá muitos desafios, que passam por contribuir para a materialização do programa do partido sufragado nas eleições gerais de 2017, no que diz respeito à resolução dos problemas da juventude dr

Maria Custodia

O A questão do Imposto Sucessório é o assunto mais quente no debate na Assembleia Nacional

presidentedoMPLA, João Lourenço, defendeu ontem, em Luanda, que a força de uma nação reside na força da sua juventude, daquilo que ela for capaz de fazer, de realizar de nobre, de épico e de patriótico em prol do bem comum. João Lourenço discursava na abertura do VIII Congresso da JMPLA e disse que não obstante as liberdades e as garantias dos cidadãos asseguradas pela Constituição, é importante que os jovens se deixem guiar de forma consciente por pessoas, partidos políticos e organizações da sociedade civil que sejam idóneos e responsáveis. Para o presidente do MPLA, a nova direcção que sair deste conclave terá muitos desafios, que passam por contribuir para a materialização do programa do partido sufragado nas eleições gerais de 2017, no que diz respeito à resolução dos problemas da juventude angolana por via da implementação das políticas públicas e na busca de outras sinergias que a JMPLA deve saber mobilizar usando o talento, a criatividade e o sentido de inovação.

JMPLA deve ser porta-voz das principais preocupações e aspirações dos jovens angolanos junto do Executivo

No entender de João Lourenço, a JMPLA deve ser porta-voz das principais preocupações e aspirações dos jovens angolanos junto do Executivo, assim como levar para este segmento da sociedade as posições correctas sobre os fenómenos que acontecem. O também Presidente de República desafiou ainda a JMPLA a mobilizar outros jovens angolanos a se juntarem à campanha de solidariedade que o Executivo, a sociedade civil, empresários, entidades e instituições nacionais e estrangeiras vêm promovendo na mobilização de bens para as populações do Sul do país atingidas pela seca severa que está a fustigar e matar vidas humanas e a animais. Contra a campanha de destabilização Por outro lado, o presidente do MPLA denunciou a existência de um grupo de cidadãos nacionais, aparentemente do partido, que estão a financiar campanhas de destabilização e intoxicação contra Angola, de forma a criar um cenário de instabilidade. Segundo João Lourenço, esses mesmos cidadãos estavam embrulhados na corrupção e surripiaram o erário em benefício próprio “Essa campanha não é contra o Presidente da República. Essa campanha é contra o nosso país. E o que é mais triste é que ela não vem sendo movida nem por forças estrangeiras, nem por forças da Oposição. Vem sendo movida por nacionais aparentemente do MPLA. E digo aparentemente porque não se portam como tal e que ainda têm o descaramento de falar em nome do povo”, apontou. O político lamentou ainda o facto de jovens estarem a ser pagos para levarem a cabo esta campanha que visa desprestigiar a imagem de Angola e o esforço em prol do combate contra a corrupção. “Esses jovens que alinharam na campanha são bons jovens? São jovens exemplares? Estão realmente a defender os interesses da Juventude? Nós pensamos que não. Estão a fazê-lo por quaisquer cem euros e se calhar nem isso terão, porque aqueles avarentos também não lhes vão pagar muito mais”, frisou. Combate à corrupção João Lourenço considera ter o apoio da Juventude para continuar o combate contra a corrupção e outros males, reconhecendo que os índices de desemprego são altos e que é preciso trabalhar para dar emprego à esta franja da sociedade.


SOCIEDADE

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O PAÍS Sexta-feira, 11 de Outubro de 2019

“Um país não se constrói com revanchismos” CArLOS MOCO

A audiência de ontem foi dominada pelo interrogatório inesperado do general roberto Leal Monteiro “Ngongo,” antigo primeiro substituto do Chefe de Estado Maior General e chefe da direcção Principal de Operações das FAPLA na data em que ocorreu a célebre Batalha do Cuito Cuanavale, e de trabalhadores do Serviço de Inteligência e Segurança Militar (SISM) Paulo Sérgio

“U

m país não se constrói com reva nch i smos, se optarmos por esta via, o país não irá longe”, afirmou ontem o deputado do MPLA Roberto Leal Monteiro “Ngongo,” ao concluir os esclarecimentos que prestava diante da equipa de juízes do Supremo Tribunal Militar encarregue do julgamento do general António José Maria. Esta declaração espontânea do deputado, que foi ouvido como testemunha, surpreendeu todos os presentes na sala, pois, apesar de ter sido autorizado pelo tribunal a proferir o desabafo, que advertiu previamente que seria político, não esperavam que fosse bastante incisiva. Os juízes optaram por não consignar na acta, ao que Sérgio Raimundo, o líder da equipa de defesa, protestou, mas não teve êxito. A instância do tribunal manteve a sua decisão e nem por via da consignação de um protesto na acta o causídico conseguiu demovê-la. O parlamentar compareceu ao

tribunal dois dias depois de a equipa de advogados do general na reforma Zé Maria, ex-chefe do Serviço de Inteligência e Segurança Militar (SISM), ter manifestado ao tribunal que preteria deste interrogatório, como dos de França VanDúnem, França Ndalu e Salomão Xirimbimbi, por considerar que já foram produzidas provas suficientes para se proferir a sentença. No entanto, Roberto Leal Monteiro compareceu na sala de audiências, quando todos menos esperavam, com o intuito de contribuir para a descoberta da verdade material e advertir aos juízes e a sociedade de que este processo em nada abona o bom nome do país. “Nós estamos a fazer, infelizmente, daquilo que nos devia vangloriar uma derrota. Até fontes estamos a queimar. Não há serviços de inteligência que queimam as suas fontes”, frisou. Acrescentou de seguida que “todos os serviços de inteligência no mundo têm as suas fontes”. No seu ponto de vista, a forma como a fonte dos documentos sobre a Batalha do Cuito Cuanavale (o espião luso-sul-africano-moçambicano Manuel Vicente da Cruz Gaspar) está a ser exposta poderá inibir as outras de colaborarem com os

serviços secretos angolanos. Questionado por Sérgio Raimundo se os documentos e mapas sobre a Batalha do Cuito Cuanavale ainda são classificado como secretos, a testemunha recorreu ao facto de a lei angolana que define a classificação de documentos estabelecer que essa categoria vigora por um período de 25 anos, para fundamentar que considera não constituírem segredo militar. Sublinhou que um documento considerado segredo militar na África do Sul não tem a mesma classificação em Angola, até porque, se aquele país não divulga “é por não pretender que se saiba que a supremacia branca foi derrotada”. Para si, o mais importante seria o reconhecimento do trabalho

“Nós estamos a fazer, infelizmente, daquilo que nos devia vangloriar uma derrota. Até fontes estamos a queimar. Não há serviços de inteligência que queimam as suas fontes”

que realizado pelo SISM para conseguir documentos que retractam o reconhecimento das autoridades sul-africanas sobre a derrota que sofreram em território angolano. “É isso que deve ser divulgado para o ego de todos os angolanos e demostração de que as ex-FAPLA (Forças Armadas Populares de Libertação de Angola) cumpriram com o seu papel na defesa da soberania e da integridade de Angola”, declarou. No seu ponto de vista, acções do género vão ajudar os historiadores a contar a “verdadeira história” sobre tais acontecimentos que ocorreram na província do Cuando Cubango, na década de 1980. Em colação a outras versões, quer seja da UNITA (que participou com o seu antigo braço armado, as extintas Forças Armadas de Libertação de Angola), da África do Sul, de Cuba e da ex-União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (actual Rússia). Ministros testemunharam apresentação pública de documentos sobre a batalha O general “Ngongo”, como é mais conhecido nas lides militares, chamou a atenção dos presentes de que há documentos sobre a referida batalha que já foram expostos em conferências nacionais e internacionais, algumas realizadas no exterior do país, que contaram com a participação de membros do Executivo liderado por João Lourenço, a entidade que terá ordenado ao general Fernando Garcia Miala, chefe do Serviço de Inteligência e Segurança do Estado (SINSE), que solicitasse ao general na reforma Zé Maria a devolução dos documentos sobre a referida batalha, que havia retirado do SISM sem autorização, no prazo de 48 horas. Citou como exemplo a conferências sobre a batalha do Cuito Cuanavale realizada em países como a Inglaterra, a Rússia e Cuba. Na conferência realizada na Inglaterra, o ministro da Defesa, Salviano de Jesus Sequeira, foi um dos intervenientes, através do sistema de videoconferência. Além das conferências naqueles países, o mesmo governante participou noutra realizada em Luanda pelo grupo parlamentar do MPLA. Neste evento, também foi lida e apresentados a acta de capitulação do então exército de segregação racial sul-africano, na qual assumem a derrota e invocam a necessidade

de se libertar Nelson Mandela da cadeia. Já no evento que decorreu na Rússia, onde o general Zé Maria apresentou publicamente o referido documento, além do general “Ngongo”, que participou como convidado das autoridades daquele país, esteve presente o ministro dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, João Ernesto dos Santos Liberdade.

Hora da retirada dos documentos do SISM gera controvérsia O horário em que foram retirados os documentos da sede do SISM, que originaram a acusação de o ex-responsável máximo dessa instituição ter cometido os crimes de insubordinação e de extravio de documentos, aparelho ou objecto que contém informações de carácter militar e de insubordinação, voltou a gerar divergências. Os membros da equipa de operacionais do SISM que esteve de serviço nesse dia foram unânimes em afirmar que as carrinhas chegaram à instituição às 18 horas e só terminaram de transportar os materiais para as residências do arguido à meia-noite. Trata-se de Mendes Epalanga (oficial dia), Manuel Alberto (oficial dia adjunto), Isidro da Costa e domingos Bastos (motoristas) e Adilson João (electricista). Este último disse que esteve encarregue do transporte dos materiais para a casa do general na reforma da Praia do Bispo. Porém, as declarações deles foram contrariadas pelos trabalhadores civis da mesma instituição destacados na direcção de Transportes. Crisando Moreno, fiel de armazém do SISM, declarou que as carrinhas contendo tais materiais chegaram à repartição de Transportes (onde estão instalados dois contentores do acusado) no período da manhã. Essa informação confirma a do general Zé Maria, de que os documentos foram retirados de dia e não à noite.


O PAÍS Sexta-feira, 11 de Outubro de 2019

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Especialista defende que 90% das mortes por suicídio podem ser evitadas O médico Eusébio Manuel afirma que o suicídio pode ser prevenido, bem como mais de 90% das mortes podem ser evitadas, caso se preste mais atenção à saúde mental dos indivíduos e às variações de comportamento. O especialista falava à margem da VII Conferência sobre a Problemática do Suicídio em Angola, realizada ontem, em Luanda Stela Cambamba

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m sete províncias onde está implementado o programa de saúde mental registou-se de 2016 a 2019 a afluência de 85 mil e 742 pessoas, que buscaram os serviços da rede integrada de saúde. A lista é liderada pelos transtornos de humor,

Nem todo o caso de suicídio é declarado pela família ou pela comunidade

com destaque para a depressão, ansiedade, transtornos por abuso de substâncias psico-activas e a esquizofrenia , seguidos das alterações neuróticas, stress e somatomorfos. Em representação da ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, Eusébio Manuel, que falava no acto de abertura do evento, explicou que o comportamento suicida, que começa por ideias, planificações,

tentativas de suicídio e vai até ao suicídio consumado, tem afectado um número alarmante de pessoas em todo o mundo e passou a ser considerado um problema de saúde pública. A conduta suicida leva ao surgimento de muitos outros problemas com repercussão na diminuição da qualidade de vida das pessoas, pelos sentimentos de medo, insegurança, desespero e alienação, frequentemente relacionados com o surgimento de quadros psicopatológicos. Massoxi Vigário, coordenadora Nacional do Programa de Saúde Mental, revelou que existe uma relação total em pensar saúde mental com a promoção da vida. Lamenta o facto de haver províncias com apenas um médico em cada região, o que não corresponde à demanda que se tem registado. De acordo com a especialista em saúde mental, nem todo o caso de suicídio é declarado pela família ou pela comunidade. Existem comunidades que registam em menos de um ano três mortes por suicídio e assim se protegem, por isso, o registo de 2500 mortes por suicídios a nível nacional em cinco anos não é real, segundo a especialista. Disse que o sistema de tratamento de dados em diferentes ser-

viços encarregues de registar estas ocorrências não é eficaz, pelo que há números que ficam sempre de fora. Assim, a cifra actual pode ser multiplicada por dois, três ou mesmo quatro. O Programa Nacional de Saúde mental fez recentemente sete anos e debate-se com o déficit de recursos humanos, que tem sido a grande barreira para que mais pessoas possam aceder ao serviço, mas por agora consideram terem tido uma boa-nova porque, no último concurso público, aumentou-se o número de psicólogos clínicos no projecto. O Ministério da Saúde de Angola, através do Progama de Saúde Mental e Abuso de Substâncias, juntamente com a Direcção Nacional da Acçaõ Social e Escolar do Ministério da Educação, realizaram a “VII Conferência sobre a Problemática do Suicídio em Angola”, com o objectivo de juntos prevenirem o suicídio. De modo a se poder dar uma resposta integral e voltada para a saúde mental das pessoas em risco, e assim poder salvar mais vidas, esta é uma oportunidade para todos os sectores da sociedade se juntarem e chamar a atenção para as necessidades que afectam as pessoas em risco de suicídio, tentativa de suicídio, sobreviventes e pessoas enlutadas por suicídio.


SOCIEDADE

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O PAÍS Sexta-feira, 11 de Outubro de 2019

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COMUNICAÇÃO À IMPRENSA A Fortaleza Seguros, que entrou no mercado segurador angolano em 2016, acaba de lan• ar a primeira plataforma de venda de seguros online em Angola. Luanda, 11 de Outubro de 2019 Ð A plataforma de seguros online est‡ dispon’ vel no site da Fortaleza Seguros e Ž a primeira em Angola que permite efectuar a compra de seguros em tempo real. A nova plataforma pode ser utilizada de forma pr‡ tica em qualquer computador, telem— vel ou tablet com acesso ˆ internet e sem necessidade de instalar aplicativos. O seguro de viagem foi o escolhido para a primeira fase da plataforma de seguros online que pretende oferecer uma nova e melhorada experi• ncia na compra de seguros, contudo o plano de expans‹ o prev• a inclus‹ o de outros seguros Fortaleza. Esta nova plataforma digital da Fortaleza Seguros Ò privilegia a comodidade do cliente e a facilidade na ades‹ o aos seguros, que podem agora ser feitos online, onde e quando o cliente pretenderÓ , sublinha a ‡ rea de Inova• ‹ o e Marketing da Fortaleza Seguros.

“Todo o doente mental deve ser acolhido”

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coordenadora nacional do Programa de Saúde Mental, Massoxi Vigário, defende que para além de se capacitar os profissionais de saúde mental, há a necessidade de munir todos os trabalhadores do sector da Saúde. Qualquer técnico que lide com a pessoa humana deve estar munido de instrumentos que lhe facilite identificar sinais suspeitos. Depois da conferência, a notificação de registo de casos ou comportamentos de suicídio será obrigatória, assim como a consumação. Isso vai permitir que todos os técnicos que trabalham nos bancos de urgência ou noutros sectores consigam dar resposta adequada e multi-sectorial. Isso implica uma capacitação, segundo aquela responsável, com objectivos de conhecer os sinais e o profissional, ao interagir com o cidadão, na comunidade ou numa unidade hospitalar, deva dar um atendimento mais integrado ao paciente, pensando que se trata de uma pessoa em risco, que pode suicidar-se. Quanto às estratégias para combater mortes por suicídio, apenas este ano o projecto começou a trabalhar na saúde mental e no sector de tóxico-dependentes. Segun-

do a coordenadora, estes planos vão dar resposta às situações de suicídio, violência urbana ou doméstica, entre outras. Por seu turno, Fernanda Alves, representante da Organização Mundial da Saúde (OMS), afirmou que o suicídio pode afectar todo o tipo de pessoa e em qualquer lugar. Sendo que, contrariamente ao que as pessoas pensam, o suicídio não é um desafio unicamente dos países desenvolvidos, em função da nossa realidade, que aponta para 80% dos suicídios que ocorreram em países de baixa, e média renda. Por tal facto, a OMS apela aos países a reforçarem os sistemas de Saúde Mental e de cuidados em todos os contextos, assim como identificar o risco de suicídio o mais cedo possível, a fim de prestar apoio atempado. Deste modo, os países podem reduzir significativamente o número de casos de suicídio e salvar milhares de vidas. A conferência visou ainda promover a compreensão sobre o suicídio, aumentar a conscientização sobre os riscos do suicídio e das tentativas de suicídio para a saúde pública, bem como apelar para que a prevenção do suicídio seja uma prioridade na agenda política nacional.

Numa altura em que cada vez mais pessoas compram online as suas viagens de avi‹ o, os viajantes angolanos e residentes em Angola podem a partir de hoje, comprar em tempo real e de forma aut— noma o seu seguro de viagem, para qualquer parte do mundo, sem necessidade de se deslocarem a um local f’ sico. Para alŽ m da presen• a nacional, nos mais de 130 balc› es de atendimento do Banco Millennium Atlantico, com o lan• amento desta inovadora plataforma de venda de seguros online, a Fortaleza Seguros refor• a a sua presen• a nos canais digitais e remotos, onde neste momento j‡ Ž poss’ vel aderir aos seguros e reportar sinistros atravŽ s do Whatsapp (924 744 544) e atravŽ s da Linha Fortaleza 24/7, atravŽ s do nœ mero 923 165 166. Sobre a Fortaleza Seguros Fundada em 2016, a Fortaleza Seguros surgiu no mercado segurador angolano em parceria com o Banco Millennium Atlantico, com vontade e determina• ‹ o para acrescentar valor e apostar em solu• › es diferenciadas. Focada nos seus clientes, aposta numa gest‹ o de proximidade, no desenvolvimento de soluções que contribuam para a sua fidelização, e na valorização da qualidade e no aumento significativo dos níveis de serviço. Potenciando as sinergias existentes entre o sector banc‡ rio e o segurador, a Fortaleza Seguros acredita que podem contribuir de forma positiva para o crescimento e desenvolvimento do mercado segurador angolano e para o valor percepcionado pelos seus consumidores, quer sejam particulares quer sejam empresas. Ap— s tr• s anos de actividade, no segmento de particulares a Companhia serve um leque diversificado de clientes, oferecendo-lhes produtos inovadores e direccionados para as necessidades de diferentes momentos do seu dia a dia. No segmento empresas tem vindo a apostar em diferentes sectores de actividade, designadamente nos sectores estruturantes para a economia nacional.

Para mais informa• ›e s, contactar Direc• ‹ o de Inova• ‹ o e Marketing m: +244 923 165 165 @: inovacao.marketing@fortalezaseguros.ao


O PAÍS Sexta-feira, 11 de Outubro de 2019

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raiva da separação leva padrasto a matar enteada de 4 anos Após ter recebido a notícia da separação, um cidadão, no Huambo, espancou mortalmente a enteada de 4 anos de idade, para se vingar da ex-mulher dr

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Polícia Nacional no Huambo confirmou esta informação ontem, alegando que se trata de um cidadão de 20 anos de idade, que já se encontra detido. O crime aconteceu no bairro Calomboula e teve como motivação a não aceitação da separação. De acordo com informações da Polícia local, o facto acon-

teceu após a separação da mãe da vítima do acusado, padrasto. Este, em gesto de vingança, espancou a menor até esta encontrar a morte. Para se livrar do corpo, segundo contam as testemunhas, o acusado levou a menina já sem vida à margem do rio Calobrinco, no bairro S. Pedro. O acusado foi encaminhado às autoridades competentes para os devidos tratamentos legais.

Avô acusado de ter provocado a morte de neto de 1 ano

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Polícia Nacional (PN) na Huíla registou a detenção de um cidadão de 58 anos de idade, camponês, acusado de crime de homicídio, de que foi vítima o seu neto de apenas um ano. O pequeno Ndjumbuali, de um ano de idade, estava nas costas da mãe quando esta foi empurrada pelo seu pai, durante um desentendimento entre ambos. Ndjumbuali não resistiu à morte porque a mãe caiu sobre ele. A morte do pequeno não foi imediata, registou-se horas depois, segundo a Polícia. O facto aconteceu na localidade de Catolotolo, município da Chibia, no interior de uma residência, e terminou com a detenção do

senhor 58 anos de idade. De detenção não é tudo, na Huíla consta no balanço enviado pelo porta-voz da PN, superintendente Carlos Alberto, a detenção de um pastor da Igreja Pentecostal Arca da Aliança, de 44 anos de idade, como presumível autor do crime de ofensas corporais contra um menor de 11 anos de idade. O facto aconteceu no município do Lubango, no bairro Lucrécia Paim, quando a vítima e o seu amigo se dirigiam à residência do seu pai. No percurso encontraram-se com o acusado, que os interpelou, alegando que estes teriam arremessado bidons contra a sua viatura e espancou o menor, acção que lhe causou ferimentos diversos.


CARTAz seu suplemento diário de lazer e cultura

Alberto Sebastião ‘Littera-Lu’

“O livro Ensaboado & Enxaguado está repleto de erros”

A língua é um instrumento de comunicação e de identidade/ afirmação cultural. Entretanto, ela obedece a um padrão normativo, no caso vertente, o gramatical. Por essa razão, está-se por publicar pela União Tolerância Linguística (UTL), o livro Enxaguando a língua ensaboada - Lições de gramática e linguística portuguesa(s), que tem à testa Littera-Lu, com quem conversamos. O interlocutor de OPAÍS refere que a obra é um corrector gramatical e sócio-linguístico do livro Ensaboado & Enxaguado - Língua Portuguesa & Etiqueta, de José Carlos de Almeida Jorge Fernandes fotos de Carlos Moco

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stá prestes a lançar o livro “Enxaguando a língua ensaboada” que, além de trazer questões relativas à língua portuguesa, é uma réplica ao livro “Ensaboado & Enxaguado”, de José Carlos de Almeida?

Sim. Nós, União Tolerância Linguística (UTL), estamos prestes a lançar o livro “Enxaguando a língua ensaboada - Lições de gramática e linguística portuguesa(s)”. É um a obra que, além de servir como corrector gramatical e sóciolinguístico do livro “Ensaboado & Enxaguado - Língua Portuguesa & Etiqueta”, de José Carlos de Almeida, jurista, professor e autor angolano, surge como um instrumento defensor e promotor, embora não tenha uma gramática externaliza-

da do Português Angolano, língua materna de muitos, aquele português falado por uma boa parte de angolanos, letrados ou não, em situações formais ou não. Surge, também, para demonstrar aos demais puristas e conservadores dos dogmas da velha tradição gramatical que, conforme refere Bagno, ‘’nada na língua é por acaso’’ e que ‘’o modo estranho de falar uma língua tem, do ponto de vista das ciências sociais, uma explicação’’ que não se prende única e exclu-

A transcrição fonética apresentada no livro não segue os símbolos da AFI (Alfabético Fonético Internacional)

sivamente ao correcto e ao errado. Quais os pontos fortes do seu livro e o que aponta como pontos fracos do livro “Ensaboado & Enxaguado? Além da questão sobre a variante angolana do português, aborda também assuntos atinentes ao preconceito linguístico e à forma como muitos, aqueles que não se enquadram no padrão linguístico estrangeiro e externo, são excluídos de certos convívios sociais por demonstrarem alguns ‘’falares’’ diferentes do habitual, fruto, nalguns casos, das interferências das línguas bantu locais e de algumas patologias da linguagem; apontando, por fim, alguns promotores de tais acções desumanas. Neste aspecto de multiplicidade de falares, o que trará de diferente o livro “Enxaguando a língua ensaboada”? É um pequeno livro que faz uma mini-abordagem acerca daquilo que em Angola se fala e que é tido por muitos, lamentavelmente, como um crime, um lixo, sinónimo de desaculturação linguística, falta de boca, falta de escolaridade, falta de gramática, atentado, transgressões lexicais, semânticas, morfo-sintácticas, desrespeito, delinquência linguística, etc., explicando, finalmente, alguns fenómenos linguísticos mais recorrentes em Angola.


O PAÍS Sexta-feira, 11 de Outubro de 2019

Notam-se muitos desses “fenómenos”? Precisamos, e é urgente, de uma variante local padronizada, de uma variante nossa, que não discrimina o que por aqui se fala. Embora muitos apelos se tenham lançado e que o nosso Estado, todo doentio, ainda esteja a marcar passos de tartaruga (só para não dizer que está parado) a fim de perceber, digamos, que há uma necessidade enorme de olharmos para o nosso país linguisticamente. Há, ainda, uma outra necessidade: afugentarmos, de uma vez por todas (permitamnos), este fantasma colonial linguístico. Talvez não haja isso, até agora, porque o nosso “Nguerno” (é assim que muitos ovimbundu, um grupo etnolinguístico de Angola, pronunciam o nome Governo) ainda acha tal língua, essa que o poder político obriga-nos a aprender na escola, uma língua “civilizadora’’, “emancipadora’’, etc. Sei que havia solicitado uma coautoria no livro “Ensaboado & Enxaguado”. Como não foi permitida essa participação, moveu-se “contra” a obra em causa? Foi essa a razão principal para publicação do seu livro? Nunca, em tempo algum, solicitei ou pedi co-autoria a José Carlos de Almeida aquando da elaboração do livro Ensaboado & Enxaguado. Não é isso que levou a União Tolerância Linguística (UTL) a escrever o Enxaguando a língua ensaboada - Lições de gramática e linguística portuguesa(s). Qual foi de facto a razão? A razão principal da publicação do nosso livro é que, após algumas análises feitas ao Ensaboado, verificamos que o livro apresenta, dentre inúmeros problemas presentes, alguns empregos incorrectos de sinais marcadores de entoação, o caso particular da vírgula e do ponto (simples ou final). A vírgula não se usa, num aviso tradicional, entre o sujeito (aqui falamos de sujeitos simples e composto, e não oracional) e predicado; predicado e todos os seus complementos (directo ou indirecto, predicativos, e por aí fora). O autor, confundindo erro gramatical com o de português (que para as ciências da linguagem não existe), acaba também por nos apresentar os erros (aqui já de carácter específico) de base(s) cometidos por ele e que não se poderia, qualquer que seja o livro, constar em várias páginas. Quando algo já se repete constantemente, não é questão de falha: é, pois, de noção. O sujeito não aparece isolado do verbo uma só vez;

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o autor não começa o texto uma só vez com inicial minúscula; não começa, após um ponto, uma só vez um período com inicial minúscula: são aspectos agramaticais muito bem repetidos de forma inexacta ao longo daquele livro. Como assim? O Ensaboado & Enxaguado não tem o mais remoto critério de organização (para além de não obedecer a critérios básicos de investigação científica): os supostos “erros” são encadeados caoticamente, um após o outro, sem nenhuma distribuição baseada em tipos de “erros” (ortográficos, fonéticos, sintácticos, morfológicos). O título do livro não está ligado ao conteúdo seleccionado pelo autor, o item desenvolvido não está relacionado com o título expresso na capa, o que não faz alusão àquilo que se chama relação entre o título e o tema. A imagem da capa não transmite nenhuma mensagem ligada ao tema. O autor desviou o princípio da relação entre o título e o tema, exigidos nos textos não literários. Há tantos erros assim no livro Ensaboado & Enxaguado? José Carlos de Almeida ensina coisas perfeitamente úteis, mas cometendo erros de base, erros que somente um curioso da língua, amador, desconhecedor, simplesmente comete/cometeria, nomeadamente: o uso inadequado da vírgula, a separação do sujeito e do predicado por vírgula, a separação do verbo do seu complemento, erros de transcrição fonética, a ausência de bibliografia, embora se recomende fazer referência bibliográfica ou bibliografia, quando se recorre a outros livros que

Perfi l Littera-Lu, pseudó-

nimo de Alberto Sebastião, é professor do ensino secundário em Luanda e cursa Ciências da Educação, especialidade de Ensino da Língua Portuguesa, no Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCEd) de Luanda.

servem de consulta para a materialização de um texto não literário. Há, ainda, erros no uso de inicial minúscula, erros de acentuação e de ortografia, etc. E há mais? A transcrição fonética apresentada no livro não segue os símbolos da AFI (Alfabético Fonético Internacional), nem segue as normas de transcrição fonética. Logo, há também desvio, na obra em causa, em matéria de fonética, e o que se encontra nele não é uma transcrição fonética. O Carlos Alberto, professor de Fonética e Fonologia, que lhe conte! Está a afirmar que não há qualquer rigor científico no livro em causa? Se o autor do livro Ensaboado & Enxaguado fizesse o trabalho de casa, coisa que só um bom estudioso das ciências da linguagem ou um bom linguista e com formação faria, não estaríamos aqui a bater sempre na mesma tecla. Ao que nos parece, ele até nem sabe a razão por que esse “número considerável de falantes’’, em solo angolano, opta por um uso diferente do Por-

tuguês Europeu. A resposta é muito simples: porque essas regras não atendem às necessidades expressivas e comunicativas dos falantes de Angola, ou seja, elas não dão conta das exigências orais dos falantes e principalmente porque essas regras não fazem parte do seu sistema morfológico, pragmático, sintáctico, fonético e semântico. É uma norma linguística fora de uso, estranha, estrangeira e distante da realidade angolana.

Até ao momento só estão descritos pontos fracos deste livro. Não há pontos fortes? Não descreve os factos da língua nem se esforça em justificar, com explicações razoáveis, a preferência por esta ou aquela forma de uso da língua e, após decretar o que é “certo” ou “errado”, diz “é lixo”, “não é português”, “não se diz”, “quem diz assim está a ser procurado”. Não é, em meu entender, o que chama de pontos fortes.

O que quer com isso dizer? A desinformação de José Carlos de Almeida acerca das noções básicas de linguística, sobretudo da nossa realidade sócio-linguística, levam-no a meter sempre os pés pelas mãos. O que escreve e/ou ensina a respeito da língua carece de fundamentação científica. Ele condena formas de falar que já estão há muito consagrados na norma culta real da língua (e não na fictícia, que só ele conhece), abolindo construções linguísticas que são perfeitamente aceitáveis, resultantes das inevitáveis transformações por que a língua passa.

Não considera correcto esse tipo de abordagem? Para fala, é uma questão de tolerância. Ou seja, devemos aceitar todos aqueles que falam diferente de nós. O que se deve fazer, atendendo a isso, não é tratarmos a realização linguística como “lixo” ou “péssimo português”. Não é ético e nem pedagógico, quanto à língua, estar a fazer juízos de valor. Como professor, se é que [José Carlos de Almeida] tenha passado numa das Escolas, média ou superior, de Formação de Professores, sabe que é grave. Afinal, como se sentiria se alguém tratasse o que você fala como “lixo“ ou péssimo português” e que “deveria pô-lo no lixo”? Num olhar mais democrático, devemos deixar que os falantes, em contexto informal, digam isso, pois até já têm utilizado. Portanto, deve-se simplesmente fazer questão de os aconselhar para que, enquanto estiverem a escrever ou então em contextos formais, não utilizem tal variante. Na língua tudo é uma questão de contexto. O que no contexto A não serve, no contexto B pode servir, vice-versa. O livro Ensaboado & Enxaguado não traz exclusivamente questões relacionadas apenas com a Língua Portuguesa? Pois. Gostámos mais de José Carlos quando se pronuncia em matéria de etiqueta, por denotar mais proficiência nestes domínios do que no domínio da linguagem. Embora nós louvemos a iniciativa e o esforço que José Carlos de Almeida empreende em escrever obras sobre a gramática e sobre a etiqueta, era bom que se colocasse na posição de estudioso da língua e não, ainda, na de professor emérito (porque isso ele não é ainda). Como caracteriza então o livro Ensaboa & Enxaguado? O livro Ensaboado & Enxaguado está repleto de erros — erros de descrição dos fenómenos linguísticos e, sobretudo, erros de conduta: preconceituosa e nada ética. Podemos dizer, portanto, usando as


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CARTAz

palavras do próprio José Carlos de Almeida (p.63), que se trata de “autêntico lixo linguístico”. Qual é a previsão para o lançamento do seu livro de réplica, se assim posso chamar? Infelizmente, sem que algum empresário corresponda minimamente à relevância do nosso livro, se o publicamos ou não, só lhe posso dizer que não, nas presentes condições. Está a falar em apoios para que o livro seja publicado? Tentámos contactar vários mecenas possíveis (desde entidades públicas e privadas), mas todas as respostas foram negativas. No seguimento de várias respostas negativas nesse sentido, tivemos a iniciativa de levar a cabo uma campanha de recolha de fundos de modo a permitir a edição e publicação deste livro [escrito há mais de quatro anos], um instrumento defensor e promotor, embora não tenha uma gramática externalizada, do Português Angolano, língua materna de muitos. Quais foram os êxitos desta campanha? A publicação do nosso livro Enxaguando a língua ensaboada - Lições de gramática e linguística portuguesa(s) muito ficou a depender do êxito desta campanha, por cuja adesão deixamos ficar o nosso mais profundo agradecimento, mas sem sucesso. Os jornais e as televisões têm sido alvo de avaliação, sobretudo nas redes sociais. Quais são as grandes debilidades que detecta? Detectamos, nos jornais e nas legendas de emissoras, grandes debilidades no que diz respeito à ortografia e sintaxe. Infelizmente, e porque isto contribui de forma negativa para a manutenção de um péssimo trabalho de comunicação, a maior parte dos jornalistas angolanos não tem o domínio da língua portuguesa, tudo porque ou teve mau professor ou foi péssimo aluno na língua portuguesa. Assim como é importante a revisão do conteúdo jornalístico, assim também o é o conhecimento da língua portuguesa, pois para transmitir a notícia o jornalista tem de fazer uso da língua. Algumas emissoras e jornais julgam (e perdoemlhes se estão a ser ignorantes ou distraídas) escrever suficientemente bem e acham dispensável a contratação de pessoas especializadas para auxiliar na elaboração de textos.

Refere-se à figura do revisor, tal como vem escrevendo o professor Carlos Alberto, nas redes sociais, no seu “Refrescamento de português ao Domingo? Os jornais, principalmente, por serem uma peça de produção e consumo rápidos, acabam por vir cheios de erros de português. Entretanto, em jornais diários, como, por exemplo, o Jornal de Angola e OPAÍS, em que por vezes há notícias a chegar à redacção em cima do fecho, os erros de ortografia e sintaxe podem justificar-se, ser tolerados, mas num semanário como, Novo Jornal, Hora H e outros, que é feito com tempo, não - é forçoso que um revisor assegure a revisão. Errar é normal, o anormal é quando não se muda de postura, e é isso que de facto ocorre nalguns jornais e emissoras. Qual é o entendimento que se pode ter em relação à língua materna de cada angolano versus língua oficial? Língua materna versus língua oficial, como bem sabemos, o nosso país é um conjunto de nações, mas nenhuma língua dessas nações foi eleita como “oficial” ou de “ensino”. Optou-se, todavia, por se escolher a língua de outra nação, de outro povo, tendo-a somente como oficial e de ensino. Em relação a isso, o nosso Estado privilegiou o protótipo de política linguística exoglótica, que tem a ver com a oficialização de uma língua estrangeira, em detrimento de outros protótipos. Este tipo de política linguística, dizem os estudiosos, é o mais pobre entre os paupérrimos que existem, tratando-se de países multiculturais e plurilingues. Tem as suas vantagens e, devemos admitir, talvez por se afirmar melhor na comunidade internacional, permitindo assim um maior desenvolvimento do país. As suas desvantagens, no entanto, são assustadoras, pois a exterminação da cultura, da língua, da história e da tradição de um povo é uma delas. Tal facto deixaria, contudo, o país “nú”, sem identidade, à beira da sua morte cultural, histórica, linguística e étnica. O nosso país é multicultural e como tal temos vários falares. Qual é a opinião que tem a esse respeito? Etnolinguisticamente, Angola é um país de muitas nações, línguas, povos e culturas. Havendo todas estas multiculturalidades e multilinguismos, já que também o português nos foi imposto desumanamente através de um processo de escravatura que durou cerca de V séculos, acabamos por ter também

Podemos dizer, portanto, usando as palavras do próprio José Carlos de Almeida (p.63), que se trata de “autêntico lixo linguístico” – e com razões suficientes – estes dois elementos presentes no «modus falandi» dos angolanos, sobretudo naqueles que têm algumas línguas africanas de Angola como L1 (língua materna, de contacto), terminando por se registar um português adaptado e moldado, como dizem Gomes e Cavacas (2005), de acordo com as relações sócio-linguísticas da terra na qual essa língua foi imposta. Com efeito, falar-se-á de tudo um pouco, menos tal como se fala ou se falava exactamente na terra de origem, e é isso que ocorre de facto no português falado em Angola em comparação com a norma padrão eleita politicamente. Não é possível que o falar angolano seja igual ao falar da variantepadrão do Português Europeu (PE) que se usa em Angola? Geograficamente, Angola e Portugal aparecem isolados como se fossem ilhas. Dito de outro modo, são países que não são vizinhos, estão separados por uma extensão territorial assaz grande. Por haver isso, países com diferentes aspectos – como os já referenciados – não podem – e de jeito algum! – partilhar o mesmo «modus falandi». A título de exemplo, olhemos agora para os “ingleses” da América, África do Sul, Inglaterra e, por último, da Nigéria. que, apesar de todos esses países falarem a língua inglesa, ca-

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da um apresenta, a nível gramatical, especificidades próprias, o que faz eles serem totalmente diferentes no que à pragmática oral do inglês diz respeito. Indo para a questão da fala propriamente dita... Voltando, uma língua jamais será falada de igual modo dentro do mesmo território, sobretudo aquelas línguas que se deslocaram de um ponto para o outro, pois não existem línguas e sociedades homogéneas e imutáveis. A língua é acima de tudo um elemento cultural… Tal como é a cultura, a língua também muda e varia de região a região, procurando novas formas de comunicação. Variando e mudando, embora seja uma só, ela será falada de determinadas formas, mas nunca perderá um dos seus objectivos, o da interacção verbal entre os seus falantes. O caso prático disso é, na verdade, a língua portuguesa que, embora tenha uma só denominação, é falada de diversas e distintas formas, o que não implica que essas diferentes e variáveis formas de falar constituam «erro». Muito pelo contrário, constituem, sim, uma riqueza linguística para a própria língua. Fonética e fonologia são ciências da língua que explicam os fenómenos dos sons. O que é mais importante falar ou escrever correctamente, tendo em conta a multiplicidade de falares? Para Calossa (2016:28), “A fala e a escrita são duas modalidades pertencentes ao mesmo sistema linguístico [...]. Há, entre elas, diferenças estruturais, porque diferem nos seus modos de aquisição, nas suas condições de produção, transmissão, recepção, uso e nos meios pelos quais os elementos estruturais são organizados”.

Macai (1987:31) apud Calossa (idem), a respeito da escrita e da fala, adianta ainda que “se é verdade que ninguém fala tal qual escreve, nem ninguém escreve tal qual fala, é também verdade que ninguém pode escapar-se da fala quando escreve”. Que enquadramento se pode fazer destes dois pensamentos? Temos de nos conscientizar de que ninguém, ao escrever, acaba por escapar-se a 100% da fala, dado que a adquirimos primeiro, de forma natural e sem imposição; todavia, a escrita é algo que nos foi imposto, fruto de tratados, convenções, acordos políticos, que só secundariamente aprendemos, daí a razão por que, por vezes confundindo fala e escrita, acabamos por carregar o que falamos para a escrita, pensando que a escrita e a fala sejam as mesmíssimas coisas. Estrela et Al (2014) ensinam-nos que os códigos da oralidade e da escrita diferem, o que torna o primeiro mais liberal e o segundo mais rigoroso. Ou seja, não existe uma única norma para falar, visto que ela é individual, mas existem tratados unânimes e exigentes quanto à escrita, daí a razão de o seu uso ser mais exigente e que se obrigue um respeito ao padrão na hora de escrever. Pode eventualmente haver admissão no “atropelo” à fala e não na escrita? É nossa intenção dizer que, se as regras da fala e da escrita não são as mesmas, o mais democrático seria se tolerássemos a fala, dizendo que se pode falar assim, mas que, quanto à escrita, devemos todos colocá-lo na posição pós-verbal, e não olharmos para isso como se fosse um atentado terrorista à língua, uma vez que a fala é natural e espontânea ao indivíduo.


ECONOMIA

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Governo quer apoio do sector empresarial O ministro dos recursos Minerais e Petróleos, diamantino Azevedo, disse nesta Quinta-feira, em Luanda, que o Executivo entende contar com o apoio do sector empresarial nacional e externo para melhorar a economia nacional e a vida da população dr

A

o falar na cerimónia de apresentação técnica (roadshow) sobre o público internacional para a construção da Refinaria do Soyo, na província do Zaire, sublinhou ser importante esclarecer os empresários do sector sobre as acções desenvolvidas pelo Executivo no sector do petróleo e gás, para que sejam intervenientes activos e corrigir o que está mal. Diamantino Azevedo lembrou que, quando a actual direcção do ministério tomou posse, encontrou uma situação difícil no sector de petróleo e gás, derivada de vários factores.

“Por análise própria, mas também daqueles que intervêm nessa indústria que existiam problemas de liderança do sector, modelo de organização do sector e problemas de intervenção do Estado no sector”, referiu. Em função do quadro encontrado, disse que a nova gestão ministerial tomou medidas urgentes e agiu com perspicácia e celeridade, tendo em conta o declínio de produção que se vive no sector, motivado por questões geológicas e de manutenção por falta de investimentos no sector. O Ministério dos Recursos Minerais e Petróleos (Mirempt) lança a 24 deste mês, o concurso público internacional de investimento privado, para a construção de uma refinaria de petróleo no município do Soyo, província do Zaire. O concurso internacional será realizado ao abrigo da Lei 9/16 de 16 de Junho, Lei dos Contratos Públicos e demais legislação aplicáveis.

Nova fábrica de lacticínios começa a produzir a partir do próximo mês Denominada Gulkis, a unidade industrial pertencente ao grupo com o mesmo nome está localizada na Zona Económica Especial (ZEE) e tem a capacidade de produzir 70 mil litros de leite líquido e 70 toneladas de leite condensado por dia dr

Brenda Sambo

A 200 postos de trabalhos foram criados até ao momento, dos quais 180 são para os nacionais

unidade industrial presente no mercado desde 2018, está vocacionada para a produção de produtos como o leite condensado, leite líquido, iogurte, natas, leite de côco e farinha de trigo. Segundo o administrador executivo do grupo Gulkis, Sagar Mukhida, que falou ontem em exclusivo aOPAÍS no âmbito da quarta edição da Expo-Indústria, que se realiza na Zona Económica Especial de Viana (ZEE), neste momento a unidade fabril produz de forma experimental.

Apesar disso, a empresa tem a intenção de colocar os seus produtos a partir do próximo mês no mercado nacional e iniciar a produção em grande escala em 2020. O empresário explicou que o equipamento para a instalação da fábrica é proveniente de França. Para o empresário, a capacidade instalada de 100 mil litros de leite líquido e 25 mil litros de leite condensado por dia, é suficiente para abastecer o mercado interno e não só. Indo mais além, explicou que a empresa tem em carteira o projecto de exportar os seus produtos para alguns países vizinhos, como a República Democrática do Congo e a Namíbia. Isto, sem esquecer que prevê igualmente a produção de alguns produtos da cesta básica como o arroz, a massa alimentar, açúcar e tomate concentrado. A fábrica será também responsável pela produção de material para transporte de produtos como latas e embalagens.

A apresentação técnica (roadshow) para o seu lançamento começou ontem, 10 de Outubro em Luanda, e a outra está marcada para dia 22, no Dubai. Angola é o segundo maior produtor de petróleo da África Subsahriana, atrás da Nigéria, com uma produção de 1,4 milhões de barris/dia, mas importa 80 por cento de derivados de petróleo para fazer face às suas necessidades internas. Para reduzir o défice e consequentemente as importações, no âmbito das reformas em curso no sector petrolífero, estão em cima da mesa os projectos de construção das refinarias do Lobito (Benguela), com capacidade para processar 200 mil barris/dia, e Cabinda, com capacidade de 60 mil barris/dia. O investimento projectado para a refinaria de Cabinda está avaliado em USD 2 dois mil milhões. As obras arrancam este ano e têm conclusão prevista para 2022.

“É a primeira na produção de leite condensado no país e também ao nível da Africa Central”, disse Sagar Mukhida avança que a grande dificuldade, actualmente, tem sido a aquisição de divisas para a aquisição de matériaprima. Até ao momento, a fábrica já criou mais de 200 postos de trabalho dos quais 180 para nacionais. A empresa expõe pela primeira vez na quarta edição da Expo-Indústria, aberta ao público desde anteontem na Zona Económica, no sentido de dar a conhecer os seus produtos ao público em geral. A Expo-Indústria, com mais de 300 expositores, é uma parceria entre o Ministério da Indústria e a Eventos Arena, e conta com empresas nacionais dos sectores de produção de cereais, carnes, algodão, tabaco, açúcar, cerveja, cimento, madeira e mobiliário. Acolhe também empresas dos sectores de refinação de petróleo, pneus, fertilizantes, celulose, vidro, aço, sabão, sal, enchidos, lacticínios, sumos, refrigerantes, água mineral, tintas e vernizes, papel, cartão plástico, varões de aço e material de construção civil. Participam no evento empresas das províncias do Bengo, Benguela, Namibe, Huila, Cuando


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Autoridade reguladora da Concorrência já começou a actuar

dr

Apesar da sua quase efémera existência, a Autoridade reguladora da Concorrência (ArC) já foi notificada de dez casos, tendo proferido três pareceres dr

Chefe de Departamento de Investigação de Condutas,da ARC, Eduardo Thamba

André Mussano

A

s primeiras grandes decisões foram, nomeadamente, em torno do caso envolvendo a aquisição de uma empresa que actua em Angola por outra de direito português e a aquisição da seguradora Tranquilidade por parte de um banco comercial em função da saída de outro ente de direito português. Em ambos casos, depois de ponderadas as razões objectivas, como as quotas de mercado detidas pelos envolvidos na operação, a ARC proferiu decisões favoráveis e deu luz verde à efectivação de ambos os negócios. As informações foram avançadas pelo Chefe de Departamento de Controlo de Concentrações, Inocêncio Muachuingue, quando falava à margem do seminário sobre o Regime Jurídico da Concorrência destinado a jornalistas. A primeira acção pública da Autoridade Reguladora da Concorrência, serviu para abordar o “enquadramento legal e institucional da ARC, o controlo de concentrações e as práticas restritivas da concorrência”. Segundo a equipa da ARC, o seminário serviu de “pontapé de saída” para uma longa jornada de in-

teracção entre a nova instituição e a sociedade. O chefe de Departamento de Investigação de Condutas da ARC, Eduardo Thamba, referiu que o trabalho que a sua instituição está a levar à cabo deriva de principios emanados pela Constituição da República de Angola consagrados no artigo 89.º, “o princípio da sã concorrência, como base da economia de mercado”, pelo que a ARC foi fundada com a missão de assegurar a aplicação da política da concorrência em Angola, tendo em vista o incremento da cultura da concorrência na economia, o funcionamento eficiente dos mercados e o prosseguimento do maior benefício para os consumidores. Para que essa missão se torne efectiva, é preciso levar a mensagem a toda a sociedade, nomeadamente às pessoas, às empresas e às autoridades, visando um fim comum, o “bom funcionamento da economia nacional”. A ARC quer manter-se como entidade de referência em matéria de defesa e promoção da concorrência, na salvaguarda das regras do mercado e da livre concorrência, mas para tal precisa de contar com o concurso de todos. Segundo os prelectores, o tema concorrência urge, porque pelo nosso histórico económico é facil adivinhar que existam práticas “pouco abonatórias” a um bom

ambiente de negócio, pelo que a ARC é chamada a fiscalizar e regular tais eventualidades. À luz da legislação angolana existe a obrigatoriedade de notificação de actos de concentrações de empresas (Artigo 10.º do RLdC). A aquisição, criação ou reforço da quota igual ou superior a 50% no mercado nacional de um determinado bem, ou serviço, assim como duma parte substancial deste, aquisição, criação ou reforço de quota igual, ou superior, a 30% e inferior a 50%, desde que o volume de negócios realizado individualmente em Angola, no último exercício, por pelo menos duas das empresas seja superior a Kz 450 milhões, são outras características que obrigam as empresas a notificar a ARC. Quanto a negócios, cujo conjunto de empresas que participam na operação tenha realizado em Angola no último exercício um volume monetário superior a Kz 3,5 mil milhões, também devem ser levados a conhecimento e deliberação da ARC. Para isso, esta entidade está dotada de vários mecanismos onde não se descartam as sanções. Segundo a legislação, a nova entidade que fica encarregue de fiscalizar e regular a “sã concorrência”, pode fazer recurso a medidas preventivas no que tange ao controlo de concentrações; assim como a medidas repressivas que vão desde a abertura de iquéritos; inspecções e auditorias. São meios de repressão das práticas lesivas à concorrência, multas que variam de 1% a 10% do Volume de Negócios; publicação da sanção no jornal de maior circulação, a expensas do infractor; exclusão da participação do infractor nos procedimentos de contratação pública, por um período de até 3 anos. A Autoridade Reguladora da Concorrência pode também fazer recurso a sanções pecuniárias compulsórias, por cada dia de atraso a contar da data afixada na deliberação, “num montante que não exceda 10% da média diária do Volume de Negócios do último ano, pelo não acatamento de uma deliberação ou pela prestação de falsas informações”.

Isabel dos Santos atribui bolsas de mérito a estudantes da Universidade de Cabo Verde O objectivo é valorizar e incentivar a Educação como chave para o desenvolvimento em África

I

sabel dos Santos anunciou ontem o programa “Bolsas de Mérito Isabel dos Santos” que irá beneficiar estudantes da Universidade de Cabo Verde com o pagamento integral de propinas e um estágio curricular na Unitel T+ ou entidades parceiras. Para a empresária, “a educação básica é de facto fundamental, mas temos de ser mais ambiciosos do que isso. Temos de criar condições para que as pessoas tenham empregos relevantes assim que saem da escola, dando-lhes a formação e as competências”. Isabel dos Santos aponta a formação como toque de caixa para bdesenvolver um papel activo na economia, sendo que o ensino superior desempenha um papel muito relevante nesta matéria. Acrescentou ainda que a aposta “é na educação, para fortificar os recursos humanos e dar oportunidades a jovens sem recursos financeiros, mas que são jovens inteligentes e com muito talento”. O anúncio do programa de bolsas patrocinadas pela empresária foi feito durante a conferência sobre Empreendedorismo Jovem e Inovação, que decorreu na Cidade da Praia e onde Isabel dos Santos foi oradora convidada. Na sua intervenção, transmitiu alguns conselhos aos jovens estudantes, nomeadamente a ideia de que, “para se ser empreendedor e inovar, não é preciso inventar, mas sim encontrar uma solução

inovadora dentro do que já existe num negócio”. Isabel dos Santos partilhou a sua experiência como empreendedora e mulher de negócios com os jovens universitários cabo-verdianos, e deu alembrar que “os gestores de sucesso devem partilhar os seus conhecimentos com a nova geração e preparar os jovens para serem os líderes do futuro”. A empresária entregou ainda dezenas de exemplares do livro “Como conduzir uma negociação” sobre Empreendedorismo e Gestão aos alunos e à biblioteca da universidade, procurando incentivar a leitura e o conhecimento. O período de candidaturas às “Bolsas de Mérito Isabel dos Santos” decorre de 14 de Outubro a 8 de Novembro, em unicv.edu. cv, e para poderem inscrever-se os alunos terão de frequentar um curso de graduação da Universidade de Cabo Verde, ter nota média igual ou superior a 16 valores, fazer uma entrevista, escrever uma carta motivacional, entregar uma carta de referência e apresentar comprovativo de regulamento familiar. Os estágios curriculares para os beneficiários das Bolsas serão na Unitel T+, operadora de telecomunicações móveis em Cabo Verde, ou em entidades parceiras, com possibilidade de futuro acesso directo a outras empresas e prioridade nos processos de recrutamento.


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MERCADOS

Libor USD 6 Meses

Mercado TAXA DE JURO

2,000

Taxas de Juro Libor USd 6M Libor GBP 6M Libor JPY 6M Euribor 6M Luibor 6M

Cot. 09/10/19 1,943% 0,816% -0,068% -0,384% 15,940%

∆ Diária (p.p) -0,021 0,004 0,001 0,003 -0,020

1,980 1,960 1,940 3/Out

Mercado ACCIONISTA Índices Accionistas Cot. 09/10/19 dow Jones (EUA) 26 346,01 S&P 500 (EUA) 2 919,40 FTSE 100 (Inglaterra) 7 166,50 IBovespa (Brasil) 101 248,80 CSI 300 (China) 3 843,24 Nikkei 225 (Japão) 21 456,38

Cot. 09/10/19 382,4034 1,0973 1,2203 107,5800 15,1961 4,1096

∆ Diária (%) 0,695 0,910 0,327 1,268 -0,145 -0,609

Cot. 09/10/19 52,59 58,32 1 506,10 17,81 2,23 256,80

∆ Diária (%) -0,141 0,183 -0,098 0,401 -0,530 0,352

∆ Diária (%) -0,076 0,137 0,594 0,621 -2,360 -0,019

Luibor Taxas BNA Luibor O/N Luibor 1 Mês Luibor 3 Meses Luibor 6 meses Luibor 9 meses Luibor 1 Ano

9/Out

26.690

26.460

26.230

26.000 3/Out

5/Out

7/Out

∆ Diária (p.p) 0,000 0,070 0,060 -0,020 0,060 0,070

EMIS desaconselha utentes a pedirem ajuda a terceiros A Empresa Interbancárias de Serviços (EMIS) registou, no decurso deste ano, 25 queixas de trocas de cartões multicaixa de pessoas que solicitaram ajuda a estranhos, anunciou ontem, em Luanda, o administrador executivo para área de controlo de fraudes, operações e gestão da relação, Joaquim Caniço. Segundo o responsável, que falava à imprensa a propósito destas fraudes, no primei-

ro trimestre deste ano, a EMIS registou 12 queixas, no segundo 10 e no terceiro três queixas. Esclareceu que o sistema de pagamento automático é seguro, mas o elo mais fraco neste processo é O próprio utilizador que não acata as medidas de segurança, como a não partilha de senha, a solicitação de ajuda a terceiros, certificar que uma dada operação foi anulada com sucesso.

Fábrica de cimento eleva produção para 70 % da capacidade Mercado Cambial As incertezas quanto a efectivação do Brexit com um acordo até o dia 31 de Outubro penalizou a cotação da Libra em 0,1% ao se fixar em 1,2203 USD por unidade da moeda.

1,100 1,098 1,096 1,094 3/Out

5/Out

7/Out

9/Out

Brent C rude F ut. 58,4 58,1 57,8 57,5 3/Out

5/Out

7/Out

Mercado de matérias-primas O Brent aumentou 0,14% ao se fixar em 58,32 USD/barril, enquanto a WTI recuou 0,1% ao se fixar em 52,59 USD/barril. Os ajustamentos nas expectativas dos investidores contribuiu para o desempenho dos preços.

A fábrica de Cimento do Kwanza-Sul (FCKS), cuja produção actual corresponde a 30% (450 mil) da sua capacidade instalada (1,5 milhão de toneladas/ ano), vai elevar, a partir de 2020, essa capacidade para 70 por cento, anunciou o seu director de recursos humanos e administração, Joaquim Manuel. O objectivo da elevação da produção para 70 por cento da capacidade instalada, segundo o gestor que falava à Angop, é dar resposta

à previsão de aumento da procura de cimento para obras públicas e privadas, já a partir de 2020. Ao falar à Angop, no segundo dia de trabalho na 4ª edição da Expo-indústria, que decorre na Zona Económica Especial (ZEE) Luanda/Bengo, justificou a baixa de produção estar associado à redução e paralisação de várias obras no país, decorrente da situação de crise económica, que o país vive desde 2014.

9/Out

Sucesso de privatizações depende da transparência - diz advogado Luibor As taxas de juro no mercado monetário interbancário apresentaram tendência indefinida na última sessão, sendo que a Luibor Overnight manteve-se inalterada em 14,87%.

Luibor 1 Ano Cot. 09/10/19 14,87 14,95 15,07 15,94 16,20 16,83

Mercado Accionista O índice bolsista CSI 300 (China) recuou 0,15% ao se situar em 3.843,24 pontos. As expectativas sobre a moderação das taxas de crescimento da segunda maior economia do mundial poderá ter contribuído para as perdas bolsistas.

BREVES

9/Out

EUR / USD

Mercado DAS COMMODITIES Commodities WTI Crude Fut. Brent Crude Fut. Gold 100 Oz Fut. Prata Fut. Gás Natural Fut. Cobre Fut.

7/Out

Dow Jones (EUA)

Mercado CAMBIAL Taxas de Câmbio USd/AKZ EUr/USd GBP/USd USd/JPY USd/ZAr USd/BrL

5/Out

Mercado Interbancário A Libor USD 6 meses recuou 2,1 p.b. ao se situar em 1,943%. As indicações de redução da produção interna, com alguns indicadores sobre o comércio a apurarem contracção, poderão ter contribuído para a redução da Libor.

O PAÍS Sexta-feira, 11 de Outubro de 2019

2,000 1,980 1,960 1,940 3/Out

5/Out

7/Out

9/Out

O sucesso do Programa de Privatizações (PrOPrIV), que prevê alienar, parcial e totalmente, 195 empresas públicas e acções até 2022, depende da mensagem que Angola está a passar para os investidores nacionais e internacionais a investir no país. A afirmação é do advogado Paulo Trindade da Costa, quando falava hoje à Angop, a margem da conferência sobre “Privatizações: oportunidades e desafios”, que considerou

a transparência como o primeiro elemento crucial para uma privatização bem sucedida, por permitir dar confiança aos investidores. O advogado também destacou a necessidade de respaldos políticos para se perceber que os resultados não serão imediatos, nomeadamente em retorno financeiro com venda de activos de empresas, mas perceber que aquilo que se perde hoje vai-se ganhar no futuro.


MUNDO

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O PAÍS Sexta-feira, 11 de Outubro de 2019

Ministro diz que apenas se afirmou que o petróleo no NE tem características do venezuelano dr

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou nesta Quintafeira que o governo brasileiro em nenhum momento disse que o petróleo que atinge o Nordeste é da Venezuela

E

m declaração após um leilão de áreas de petróleo, o ministro destacou que nunca se afirmou qual a origem do vazamento de petróleo no Nordeste. A seu ver, o que foi dito é que o produto encontrado nas praias, há mais de um mês, tem características similares ao da Venezuela. Na véspera, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse que “muito provavelmente” a origem é venezuelana e deve

ter vindo de um derramamento, “acidental ou não”. A investigação sobre o caso é “bastante complexa”, mas é uma questão de tempo, o governo chegará à origem, segundo Albuquerque. Para ele, a origem é provavelmente de embarcação carregada do produto. “Essa é a principal linha de investigação.” Nesta Quinta-feira, o governo da Venezuela disse que o país não é responsável pelo petróleo que atingiu praias do Nordeste do Brasil.

Venezuela não se responsabiliza por vazamento de petróleo em praias do Brasil, diz PdVSA

A

companhia estatal de petróleo da Venezuela PDVSA disse nesta Quintafeira que o país não é responsável pelo petróleo que atingiu praias do Nordeste do Brasil, após uma autoridade brasileira dizer na Quarta-feira que a

mancha de óleo provavelmente está relacionada ao produto da Venezuela. Em comunicado, a PDVSA disse que não havia recebido nenhum relato de clientes ou subsidiárias sobre vazamentos de petróleo perto do Brasil.

China está disposta a chegar a um acordo com EUA, diz vice-primeiro-ministroiê Liu He

O

vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, disse nesta Quinta-feira que a China está disposta a chegar a um acordo com os Estados Unidos sobre questões importantes para ambos os lados, a fim de evitar que atritos levem a mais intensificações na guerra comercial, informou a agência de notícias estatal Xinhua. Liu, o principal negociador comercial da China, fez estecomentário em Washington ao se encontrar com o presidente do Conselho de Negócios EUAChina, Craig Allen; o vice-pre-

sidente executivo e chefe de assuntos internacionais da Câmara de Comércio dos EUA, Myron Brilliant; e a nova directora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva. “O lado chinês veio com grande sinceridade, disposto a cooperar com os EUA sobre a balança comercial, acesso ao mercado e protecção do investidor”, afirmou Liu segundo a Xinhua. Liu disse que a China espera que a comunidade internacional trabalhe em conjunto para manter a estabilidade e a prosperidade globais.

Ministro brasileiro de Minas e Energia, Bento Albuquerque

Coreia do Norte diz que pode reverter medidas para estabelecer confiança com EUA

A

Coreia do Norte afirmou nesta Quintafeira que a sua paciência tem limite e que pode reverter medidas adoptadas para estabelecer confiança com os Estados Unidos, criticando o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) por lhe pedir para interromper os seus programas de armas e repudiando um teste de míssil

dos EUA. Os cinco membros europeus do Conselho de Segurança da ONU reuniram-se na Terça-feira para exortar a Coreia do Norte a “adoptar acções concretas” para abdicar dos seus programas nuclear e de mísseis balísticos de maneira completa, verificável e irreversível. O pedido veio dias depois de Pyongyang anunciar que testou um novo míssil balístico disparado de um submarino, a maior dr

Presidente sul-coreano Kim Jong-un

provocação do regime desde que retomou o diálogo com os EUA em 2018. Como parte dos seus esforços para manter o diálogo, que incluiu três reuniões entre o seu líder, Kim Jong-un, e o presidente norte-americano, Donald Trump, a Coreia do Norte parou de testar armas nucleares e mísseis balísticos intercontinentais. Mas o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores nortecoreano pôs em dúvida essa restrição, segundo um comunicado noticiado pela agência de notícias estatal KCNA. “Existe um limite para a nossa paciência, e não existe lei que diga que algo de que tenhamos refreado até agora continuará indefinidamente”, disse o porta-voz. Ele ainda denunciou o que classificou como a injustiça de o Conselho de Segurança da ONU ter abordado a questão da legítima defesa da sua nação. “O facto... está a induzir-nos a reconsiderar os passos prévios cruciais que demos para estabelecer a confiança com os EUA.”


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O PAÍS Sexta-feira, 11 de Outubro de 2019

dr

Activistas contra mudança climática tentam ocupar aeroporto da Cidade de Londres

A Secretário do Departamento de Estado, Mike Pompeo

Pompeo diz que o tratamento da China a muçulmanos é uma “enorme violação dos direitos humanos”

O

secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, disse na Quarta-feira que o tratamento dado pela China aos muçulmanos no oeste do país, incluindo os uigures, é uma “enorme violação dos direitos humanos”, e que os Estados Unidos continuarão a abordar o assunto. “Isto não é somente uma enorme violação dos direitos humanos, mas não achamos que é do interesse do mundo ou da China adoptar esse tipo de comportamento”, disse Pompeo numa entrevista à emissora pública norteamericana PBS. Indagado se o presidente chinês, Xi Jinping, é responsável, Pompeo respondeu: “Xi Jinping comanda o país como o líder de um pelotão de tanques, um pequeno negócio, assim como um país, é responsável pelas coisas que acontecem em seu nome”. Punindo Pequim pelo seu tratamento a minorias muçulmanas, o governo dos EUA ampliou a sua lista negra comercial nesta semana para incluir algumas das maiores startups de inteligência artificial da China e anunciou restrições à emissão de vistos para autoridades do governo chinês e do Partido Comunista que acredita serem responsáveis pela detenção e abuso de minorias muçulmanas na província de Xinjiang. No Domingo, Pompeo pediu que todos os países re-

sistam às exigências chinesas de repatriamento de uigures étnicos, dizendo que a campanha na região de Xinjiang, no Oeste chinês, é uma “tentativa de eliminar os seus próprios cidadãos”. Especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) e activistas, dizem que, pelo menos, um milhão de uigures e membros de outros grupos minoritários maioritariamente muçulmanos, foram detidos em campos na região remota. A China negou maltratar os uigures e disse que Xinjiang é um assunto interno. “Recentemente, o lado dos EUA tem atacado e difamado as políticas da China em Xinjiang, com a justificativa da religião e dos direitos humanos e fazendo comentários infundados e equivocados que contrariam os factos”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Geng Shuang, num boletim diário à imprensa em Pequim. “A China expressa uma forte insatisfação e uma oposição firme quanto a isso”. Num comunicado separado emitido na Terça-feira, a embaixada chinesa em Washington denunciou a restrição de vistos e disse que as acusações norte-americanas de violações de direitos humanos são “pretextos inventados” para interferir nos assuntos chineses.

ctivistas foram ao aeroporto da Cidade de Londres, nesta Quinta-feira, protestar contra a mudança climática, um deles chegou a subir no topo de um avião, mas não conseguiram cancelar vôos. O grupo Rebelião contra a Extinção, que organizou o protesto, havia prometido ocupar o terminal do aeroporto e interromper as operações durante três dias como parte da sua acção na capital britânica. O aeroporto da Cidade de Londres, o quinto maior da cidade e o mais próximo do centro, é popular entre banqueiros, políticos e empresários, devido às suas rotas curtas e vôos regionais. Nesta Quinta-feira, a previsão era de chegada de 18 mil passageiros e 286 vôos. Embora alguns manifestantes tenham entrado no edifício do terminal, os vôos foram mantidos, mas com alguns adiamentos.

O Rebelião contra a Extinção informou que os activistas iriam se deitar, sentar ou se colar às paredes para “usar os seus corpos sem violência para fechar o aeroporto”. Um foi mais longe, escalando uma cerca de arame farpado para dançar no telhado da entrada do aeroporto, enquanto uma banda tocava música. Segundo o grupo, o protesto é contra planos de expansão do

aeroporto, que pretende atender 6,5 milhões de passageiros por ano até 2022 – em 2018 foram 4,8 milhões – e pode haver demanda para até 11 milhões por ano até 2035. “As viagens aéreas são um ícone do nosso frágil sistema económico ‘em cima da hora’. Esse sistema desmoronar-se-á à medida que o caos climático chegar”, afirmou o porta-voz Rupert Read ao ler um comunicado. dr

Presidente da Ucrânia diz que Trump não tentou chantageá-lo

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presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, disse nesta Quinta-feira que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não tentou chantageá-lo durante uma conversa telefónica em Julho ou no encontro em Setembro. Zelenskiy disse que não sabia que a ajuda militar dos EUA à Ucrânia havia sido suspensa na ocasião do telefonema. Tendo sido informado disso pelo seu ministro da Defesa mais tarde, ele abordou o assunto numa reunião ocorrida na Polónia com o vice-presidente norte-americano, Mike Pence, em Setembro. A Câmara dos Deputados dos EUA iniciou um inquérito de impeachment contra Trump, no qual analisa se ele usou um auxílio aprovado pelo Congresso para a Ucrânia como forma de induzir Zelenskiy a investigar o ex-vice-presidente Joe Biden, um dos principais rivais democratas de Trump na dis-

puta eleitoral de 2020, em que buscará a reeleição. Trump alegou, sem provas, que Biden realizou negócios indevidos na Ucrânia. O seu filho, Hunter, integrou o conselho da empresa de gás ucraniana Burisma. Zelenskiy disse a repórteres que o seu objectivo, ao conversar com Trump por telefone, era combinar uma reunião subsequente e pediu à Casa Branca que mudasse a sua retórica sobre a Ucrânia. Disse ainda que Kiev estava aberta a uma investigação conjunta sobre Biden, mas acrescentou que a Ucrânia é um país independente com agências de aplicação da lei independentes que não pode influenciar. “Não houve chantagem. Isso não foi o tema da nossa conversa”, afirmou Zelenskiy a respeito da conversa com Trump, falando aos repórteres numa série de boletins televisivos à imprensa numa pra-

ça de alimentação de Kiev ao longo do dia. Também disse que não houve condições para agendar encontros com Trump, nem mesmo que ele deveria investigar as actividades de Hunter na Burisma. A Casa Branca publicou o seu sumário do telefonema em Setembro. Indagado se a versão ucraniana combina com a dos EUA, Zelenskiy respondeu: “Nem verifiquei, mas penso que combina completamente”. Na Quarta-feira, Biden pediu directamente o impeachment de Trump pela primeira vez. O presidente, por sua vez, continuou a retratar o inquérito como uma difamação partidária e acusou o agente de inteligência dos EUA que arquivou a queixa de um delator que desencadeou o processo de impeachment de ter motivações políticas. Zelenskiy disse não ter desejo de interferir na eleição norte-americana.


ACTUAL

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Bach, Chopin e Soler trazidos em recital de piano na Casa das Artes

A Surto de Ébola no Congo diminui, mas ainda está entrincheirado em áreas inseguras

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epidemia de Ébola no Nordeste da República Democrática do Congo foi confinada a uma área rural repleta de milícias e pessoas em movimento, dificultando a eliminação total, disse a Organização Mundial da Saúde (OMS) na Quinta-feira. Apenas 14 infecções confirmadas foram registadas na semana passada, a menor em um ano e abaixo das 51 em meados de Setembro e 126 em Abril no pico do surto, mostram os números da OMS. “O facto de ser uma área menor é positivo, mas a doença também se mudou para áreas mais rurais e mais inseguras”, disse Michael Ryan, director executivo do programa de emergências em Saúde da OMS, a repórteres no regresso de uma viagem ao Congo. “O vírus está basicamente no ponto em que começou”, disse ele. Sabe-se que mais de 3.200 pessoas foram infectadas pelo vírus, das quais 2.144 morreram desde que o segundo pior surto de Ébola do mundo foi declarado em Agosto de 2018. Ryan disse que o surto se circunscreveu a um triângulo geográfico que se estende entre as cidades de Mambasa, Komanda, Oicha e Mandima, embora ainda esteja a se espalhar a um nível baixo. Melhor rastreamento de pessoas expostas ao vírus mortal, enterros seguros e aceitação de vacinas pela comunidade - 236 mil

até ao momento - ajudaram, disse ele. “Estamos realmente a chegar a um ponto em que estamos cada vez mais no topo das coisas, cada vez mais no topo da vigilância, cada vez mais no topo da prevenção e controlo de infecções”, disse Ryan. “O problema é que ele voltou a áreas profundamente inseguras”. Operações de mineração, legais e ilegais, abundam na zona, com pessoas indo e voltando para as suas aldeias, enquanto milícias como Mai-Mai e Forças Democráticas Aliadas Islâmicas (ADF) também estavam activas, disse ele. “Temos vários grupos MaiMai, uma presença muito grande do ADF nessas áreas, e o ADF demonstrou claramente nos últimos meses que tem realizado ataques”, disse Ryan. As autoridades de Saúde congolesas disseram no mês passado que planeiam introduzir uma segunda vacina contra o Ébola, fabricada pela Johnson & Johnson, para complementar outra vacina em dose única fabricada pela Merck, mas nenhuma data foi anunciada. “Todos queremos ver a segunda vacina em vigor. O objectivo desta vacina não está na zona epidémica, visa proteger pessoas fora da zona epidémica, lugares como Goma, e fornecerá uma espécie de firewall potencialmente ”, disse Ryan, referindo-se a uma cidade de 2 milhões na fronteira com o Rwanda.

O PAÍS Sexta-feira, 11 de Outubro de 2019

pianista Sílvia Torán, madrilena, apresenta-se amanhã, Sábado, a partir das 20 horas, na Casa das Artes, em Talatona, com um programa que inclui J.S. Bach em Fantasía cromática y fuga en ré menor: F. Chopin em Nocturno opus 9 num 2 E Balada num 4 para a primeira parte do recital. Na segunda metade ela propõe P. Antonio Soler com duas sonatas; M. de Falla em Danza núm. 1 de “La vida breve”; ainda I. Albéniz em La Vega e A. Ginastera com 3 danzas argentinas. A pianista Sílvia Torán iniciou os seus estudos musicais aos 6 anos de idade com Avelina López Chiciheri. Em 1974, ingressou no Conservatório Real de Madrid, no departamento de Joaquín Soriano, terminando os seus estudos em 1981 com o Prémio Extraordinário. Em 1982, ela recebeu uma bolsa da Comissão Fulbright

dr

para estudar na Juilliard School of Music em Nova York, onde obteve o “Master of Music Degree” sob a direcção de Earl Wild. Mais tarde, ela estendeu os seus estudos com Almudena Cano em Madrid e Halina Czerny-Stefanska em Cracóvia. Em 1985, ganhou o Primeiro Prémio no Concurso Internacional “Masterplayers” em Lugano, Suíça. Em 1987, ela faz a sua estreia no Carnegie Recital Hall, em Nova York, recebendo críticas elogiosas no New York Times. Em 1991, é premiada com a Academia Espanhola de Belas Artes, em Roma. Em 2011, recebeu o Prémio de Música da Comunidade de Madrid. Pianista madrilena Sílvia Torán

Programação distinta A Casa das Artes, em Talatona, destaca-se na oferta cultural e artística com uma programação eclética, mas que traz a Luanda uma oferta internacional que coloca a cidade na rota de grandes artistas dos géneros mais populares, mas com grande exigência de qualidade, aos

mais eruditos. Para Novembro, estão já anunciados dois concertos da gambiana Sona Jobarteh, uma “enorme” executante de kora e com passagem por palcos das mais importantes cidades do mundo. PUB


TEMPO

O PAÍS Sexta-feira, 11 de Outubro de 2019

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Fonte: INAMET

PrEVISÃO dO TEMPO *** 3 dIAS *** PArA AS PrINCIPAIS CIdAdES Válida de 11 a 13 de outubro de 2019 Ê Ê

REGIÃO NORTE: Cabinda, Zaire, Bengo, Luanda, Uige, Malanje, Cuanza-Norte, Cuanza-Sul, Lunda-Norte, Lunda-Sul Céu parcialmente nublado, alternando com períodos de nublado durante a madrugada e manhã em quase toda a região. Períodos de ocorrência de chuva fraca a moderada em alguns municípios das províncias de Malanje, Uíge, Cuanza-Sul, Lunda-Sul e Lunda-Norte. Possibilidade de ocorrência de chuvisco ou chuva fraca em alguns municípios das províncias de Luanda, Cabinda, Zaire, Bengo e Cuanza-Norte.

INSTITUTO NACIONAL DE METEOROLOGOA E GEOFÍSICA - CENTRO NACIONAL DE PREVISÃO DE TEMPO (CNPT)Ê

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PREVISÃO DO TEMPO *** 3 DIAS *** PARA AS PRINCIPAIS CIDADES, válida de 11 à 13 de Outubro de 2019Ê Data 11/10/2019

CIDADE

Das 18 horas do dia 11 às 18 horas do dia 12 de Outubro de 2019.

Data 12/10/2019

Estado do Tempo

Mín

Máx

Data 13/10/ 2019

Estado do Tempo

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Estado do Tempo

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Máx

LUANDA

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Céu nublado, pela manhã, chuvisco matinal

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Céu nublado, chuvisco/chuva fraca

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Céu parcial nublado, chuvisco/chuva fraca

CABINDA

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Céu parcial nublado, chuvisco/chuva fraca

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Céu parcial nublado, chuva fraca e trovoada

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Céu nublado, chuva moderada/trovoada

SUMBE

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Céu parcial nublado, chuvisco/chuva fraca

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Céu parcial nublado, chuva fraca e trovoada

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Céu nublado, chuva moderada/trovoada

CAXITO

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Céu nublado pela manhã, nevoeiro/chuvisco

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Céu nublado, chuvisco/chuva fraca

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Céu parcial nublado, chuvisco/chuva fraca

MBANZA CONGO

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Ceu parcial nublado, nevoeiro/chuvisco matinal

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Céu parcial nublado, chuvisco/chuva fraca

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Céu parcial nublado, chuvisco/chuva fraca

UIGE

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Céu parcial nublado, chuva moderada/trovoada

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Céu nublado, chuva moderada/trovoada

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Céu nublado, Chuva localmente forte/trovoada

NDALATANDO

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Céu nublado pela manhã, nevoeiro/chuvisco

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Céu parcial nublado, chuva moderada/trovoada

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Céu nublado, chuva moderada/trovoada

MALANJE

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Céu nublado, Chuva localmente forte e trovoada

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Céu nublado, chuva moderada/trovoada

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Céu nublado, Chuva localmente forte/trovoada

DUNDO

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Céu pouco nublado, chuva moderada/trovoada

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Céu parcial nublado, chuva forte/trovoada

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Céu nublado, chuva moderada/trovoada

SAURIMO

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Céu parcial nublado, chuva fraca/trovoada

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Céu parcial nublado, chuva forte/trovoada

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Céu nublado, chuva moderada/trovoada

BENGUELA

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Ceu parcial nublado, nevoeiro/chuvisco matinal

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Céu parcial nublado, chuvisco/chuva fraca

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Céu parcial nublado, chuvisco/chuva fraca

HUAMBO

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Céu nublado, Chuva localmente forte e trovoada

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Céu parcial nublado, chuva moderada/trovoada

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Céu nublado, chuva moderada/trovoada

CUITO

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Céu parcial nublado, chuvisco/chuva fraca

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Céu parcial nublado, chuvisco/chuva fraca

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Céu nublado, chuva moderada/trovoada

LUENA

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Céu pouco nublado, chuva moderada/trovoada

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Céu parcial nublado, chuva fraca e trovoada

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Céu nublado, chuva moderada/trovoada

LUBANGO

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Céu parcial nublado, chuvisco/chuva fraca

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Céu parcial nublado, chuvisco/chuva fraca

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Céu nublado, chuva moderada/trovoada Céu parcial nublado, chuvisco/chuva fraca

MENONGUE

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Céu parcial nublado, chuvisco/chuva fraca

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Céu parcial nublado, chuvisco/chuva fraca

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MOÇÂMEDES

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Pouco ou parcial nublado, neblina matinal

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Ceu parcial nublado, nevoeiro/chuvisco matinal

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ONDJIVA

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Céu parcial nublado, chuvisco/chuva fraca

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Céu parcial nublado, chuvisco/chuva fraca

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Céu parcial nublado, chuvisco/chuva fraca

O Meteorologista: Amílcar Ernesto A. José.

REGIÃO CENTRO: Províncias de Benguela, Huambo, Bié e Moxico Céu pouco ou parcialmente nublado, muito nublado pela manhã ao longo da faixa litoral. Possibilidade de ocorrência de chuvisco ou neblina matinal em alguns municípios das províncias Benguela, Bié e Moxico. REGIÃO SUL: Províncias do Namibe, Huíla, Cunene e Cuando Cubango Céu pouco ou parcial nublado em quase toda região. Períodos de nublado durante a madrugada e manhã nas províncias do Huambo e Moxico, parcialmente nublado no Bié e Benguela. Ocorrência de chuva localmente forte nas províncias do Huambo e Moxico. Possibilidade de ocorrência de chuvisco matinal e chuva fraca nas províncias de Benguela e Bié.

Luanda, 10 de Outubro de 2019

Aeroporto Internacional 04 de Fevereiro, Rua 21 de Janeiro – Tel.: 949320641 – Luanda. Site: http://www.inamet.gov.ao; emails: geral@inamet.gov.ao / geral.inamet@angola-portal.ao

TEMPO NO MAR Fonte: INAMET

BOLETIM METEOrOLÓGICO PArA A NAVEGAÇÃO MArÍTIMA 1. SITUAÇÃO GERAL ÀS 15:00 TU DO DIA 10 DE OUTUBRO DE 2019: Circulação do sudoeste moderada entre os paralelos 4°S a 14°S e para circulação de Sul/Sudeste, moderada a forte entre os paralelos 14°S a 18°S (Namibe). INSTITUTO NACIONAL DE METEOROLOGIA E GEOFÍSICA - INAMET Centro Nacional de Previsão do Tempo

2. PREVISÃO VÁLIDA ATÉ ÀS 18:00 TU DO DIA 10 DE OUTUBRO DE 2019: BOLETIM METEOROLÓGICO PARA A(ENTRE NAVEGAÇÃO AVISO: AVISO DE ONDAS ATÉ 4.0 METROS DE ALTURAS OSMARÍTIMA PARALELOS 14°S A 18°S), NA COSTA DO NAMIBE. 1. SITUAÇÃO GERAL ÀS 15:00 TU DO DIA 10 DE OUTUBRO DE 2019: Circulação do sudoeste moderada entre os paralelos 4°S a 14°S e para circulação de Sul/Sudeste, moderada a forte entre os paralelos 14°S a 18°S (Namibe). 2. PREVISÃO VÁLIDA ATÉ AS 18:00 TU DO DIA 10 DE OUTUBRO DE 2019: AVISO DE ONDAS ATÉ 4.0 METROS DE ALTURAS (ENTRE OS PARALELOS 14°S A 18°S), NA COSTA DO NAMIBE. REGIÃO

ESTADO DO TEMPO

VENTO

(ATÉ 200 MILHAS DA COSTA)

Cabinda (4°S – 6°S) Zaire, Bengo, Luanda e Cuanza-Sul (6°S – 12°S) Benguela (12°S – 14°S) Namibe (14°S – 18S)

ALTURA DA ONDA (METROS)

ESTADO DO MAR

DIRECÇÃO FORÇA (KT) Chuva Fraca

Chuva Fraca ou chuvisco Parcialmente Nublado Parcialmente nublado

VISIBILIDADE HORIZONTAL (KM)

Sudoeste

Até 10

Até 2.0

Períodos agitados

Fraca durante manhã (Inferior a 3)

Sudoeste

12 á 15

2.0 á 2.4

Agitado

Fraca durante manhã (Inferior a 3)

Sul ou Sudoeste

Até 15

Até 2.5

Agitado

Fraca durante manhã (Superior a 4)

Quadrante Sul

Até 20

Até 4.0

Muito agitado

Moderada a boa (Superior a 4)

3. DESCRIÇÃO SINÓPTICA DAS 18:00 UTC DO DIA 10/10/2019 ÀS 18:00 UTC DO DIA 11/10/2019 A alta de Santa Helena, vai manter-se com pressão central 1025hPa para o Sul do oceano Atlântico. Influenciando o padrão e a intensidade do vento. Assim, prevê-se ondas máximas de até 4.0 metros de altura para a região marítima do Namibe. Para as regiões marítimas de Cabinda, Zaire, Bengo, Luanda, Cuanza-Sul, e Benguela prevê-se ondas máximas entre 2.0 e 2.5 metros de altura. Com redução na visibilidade horizontal devido à ocorrência de possibilidade de chuva fraca ou chuvisco em alguns municípios de Cabinda, Zaire, Cuanza-Sul e Luanda.

4. CARTA DO VENTO MÁXIMO E DA ALTURA DA ONDA MÁXIMA PREVISTA Os contornos a cores indicam a altura máxima da ondulação e os contornos em tom cinza indicam os possíveis incrementos das vagas devido à influência do vento local.


DESPORTO

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Angola e Nigéria batem-se na final do Africano

O PAÍS Sexta-feira, 11 de Outubro de 2019

“Os benguelenses estão de parabéns”

dANIEL MIGUEL

A Selecção Nacional de futebol para amputados pretende, hoje, erguer hoje o troféu continental diante dos nigerianos, no Estádio São Filipe, em Benguela, às 16:00 Presidente do CPA, Leonel Pinto, felicita os benguelenses dANIEL MIGUEL

Mário Silva, enviado a Benguela

A

Selecção Nacional, campeã do mundo, e a Nigéria discutem hoje o triféu do Campeonato Africano de futebol com muletas, no Estádio São Filipe, na província de Benguela, às 16:00. A jogar em casa, os angolanos são teoricamente favoritos, diante do seu público. Mas, é ponto assente que devem manter-se focados, porque os nigerianos já mostraram que são auntênticos dadores de pancada. Por conta disto, a Selecção Nacional vai entrar com uma equipa à altura, uma vez que os nigerianos são mais fortes fisicamente. Ainda assim, os angolanos mostraram que são fortes técnica e tacticamente, logo terão como dominar o adversário do país mais populoso de África. Mesmo estando em desvantagem nas bancadas, os nigerianos estão convictos e querem surpreender os angolanos esta tarde no São Filipe. Deste modo, querem entrar focados no triunfo, pois regressar com o triunfo na bagagem é a meta.

A voz dos técnicos

O treinador da Selecção Nacional, Agusto Baptista “Cheto”, adiantou que a equipa está motivada e preparada para vencer o africano. “Vamos jogar com uma selecção que tem dois defesas com poder físico que amedronta os avançados, mas acredito que os meus jogadores sabem como vão ultrapassar os nigerianos”, revelou Augusto Baptista. Augusto Baptista referiu que não será uma partida fácil, mas nada é impossível, uma vez que o grupo pode fazer mais e melhor.

O

presidente do Comité Paralímpico Angolano (CPA), Leonel da Rocha Pinto, felicitou ontem os adeptos benguelenses pelo apoio que estão a dar à Selecção Nacional na 5ª edição do Campeonato Africano das Nações (CAN 2019) de futebol para amputados. Leonel da Rocha Pinto reconheceu que está a ser bonito ver mais de mil pessoas a encherem as bancadas do histórico Estádio São Filipe,

recinto onde o Williet FC local tem realizado os seus treinos. O também presidente do Comité Paralímpico Africano (APC) acrescentou que o calor humano é importante em qualquer jogo. “Os benguelenses estão de parabéns. Foi bom termos escolhido este recinto para acolher o Africano, porque está no centro da cidade e os adeptos não têm razões para apanhar táxi”, admitiu o responsável do CPA. dANIEL MIGUEL

Selecção Nacional preparada para o embate desta tarde em Benguela

Por sua vez, o treinador da Nigéria, Victor Nwenwe, prometeu anular o avançado angolano Adão, atleta com argumentos técnicos e tácticos acima da média. “Os adeptos vão assistir a um bom jogo, porque vão defrontarse as melhores selecções do certame”, admitiu o técnico nigeriano. No entanto, vai apostar no con-

tra-ataque para surpreender a defensiva angolana comandada por Celestino Elias, melhor jogado do mundo no Mundial do México. Nas meias-finais, a Nigéria deixou para trás a Tanzânia (3-2), ao passo que Angola vergou a Libéria, campeã africana, por uma bola a zero, golo marcado por Sabino António.

Libéria e Tanzânia jogam pelo terceiro lugar Esta amanhã, no Estádio São Filipe, em Benguela, a selecção da Libéria, detentora do título, e a Tanzânia, equipa sensação da prova, vão discutir o terceiro lugar da 5ª edição do Campeonato Africano das Nações às 9:00. Depois de perderem a oportunidade de revalidar o ceptro, após derrota de 1-0 frente a Angola, ontem, os liberianos são obrigados a manter a concentração para vencer e terminar o Africano no último lugar do pódio. Para isso, a equipa técnica da

Libéria recuperou a condição física dos atletas, porque esforçaram-se muito no desafio com Angola. No entanto, os compatriotas de Jorge Weah, antiga estrela do futebol mundial, têm de ‘puxar dos galões’ para conseguir o triunfo. Mesmo diante dos campeões em título, a selecção sensação do certame, a Tanzânia, comandada em campo por Alfani, que conquistou a simpatia dos adeptos, prometeu marcar golos esta manhã.

Serra Leoa ocupa a última posição no Africano

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selecção da Serra Leoa ocupou ontem a última posição no Campeonato Africano de futebol com muletas que decorre na cidade de Benguela. Os serra leoneses perderam por (3-0) falta de comparência, em jogo das classificativas do penúltimo ao último lugar. O adversário da Serra Leoa seria os Camarões, selecção que neste momento ocupa a penúltima posição na prova. Os serra-leoneses não apareceram no Estádio São Filipe na hora do jogo.

De acordo com os regulamentos do Campeonato Africano, observou-se o tempo previsto, logo, a equipa de arbitragem atribuiu vitória aos camaroneses. O comportamento da Serra Leoa serviu para protestar contra a falta de comparência que tiveram na jornada inaugural do Africano de futebol com muletas. Na primeira fase, os serra leoneses mediriam forças com a Tanzânia, mas por chegarem tarde ao palco da competição foi-lhes atribuída uma derrota.


O PAÍS Sexta-feira, 11 de Outubro de 2019

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“Objectivo do 1º de Agosto é vencer a liga dos campeões”

AREÓPAGO Sebastião Félix*

Travar o vento com as mãos

dANIEL MIGUEL

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1º de Agosto, um clube com dimensão nacional e internacional, arrastou o seu nome na lama esta semana. O presidente do clube fundado em 1977, Carlos Hendrick, mostrou que está distante de algumas técnicas de resolução de “conflitos”. A gestão é hoje uma ciência transversal e deve ser levada em consideração nas organizações desportivas. Em relação ao caso do atleta do 1º de Agosto e da Selecção Nacional de futebol em sub-17 Capita, o presidente daquela formação tentou travar o vento com as mãos. É ponto assente que o atleta , por causa do seu passe, tem um litígio com a direcção do clube militar, por isso, foi impedido pela direcção de viajar com a Selecção Nacional para o Brasil, palco do Mundial da categoria que começa no dia 26 do corrente mês. Carlos Hendrick, enquanto dirigente desportivo, devia perceber que os interesses da pátria são superiores aos do 1º de Agosto. Aliás, a lógica mostra que os clubes formam os atletas e, estes, por sua vez, representam o país na selecção. Por causa disto, a FIFA, a CAF e a UEFA obrigam os clubes a ceder os atletas aos respectivos países para os jogos oficiais. Perante este cenário, Carlos Hendrick não foi “diplomata”, pois proferiu palavras que comprometem o perfil psicológico do atleta. Alegou também que o atleta não joga há mais de dois meses. Num passado recente houve jogadores na equipa de honras que não tinham clube, mas jogaram. Carlos Hendrick esqueceu-se do provérbio popular que diz “roupa suja lava-se em casa”, portanto, não teve sucesso em travar o vento com as mãos... * Jornalista

Militares cruzam-se com adversários de peso na Liga dos Campeões

Kiameso Pedro

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epois de garantir o apuramento à fase de grupos da 24ª edição da Liga dos Clubes Campeões da CAF, o treinador adjunto do 1º de Agosto, Ivo Traça, assegurou ontem a OPAÍS que o objectivo do clube será conquistar a prova. De acordo com aquele treinador, o clube militar terá muitas dificuldades, uma vez que as equipas com quem vai disputar a fase de grupos reúnem uma vasta experiência na competição. Aliás, Ivo Traça fez saber que o 1º de Agosto precisa de melhorar em alguns aspectos, de modo a evitar surpresas no palco

da competição, cujo arranque está marcado para o dia 30 do corrente mês. “Há alguns aspectos que precisamos de melhorar. Nós não queremos apenas participar. O nosso ob-

jectivo é vencer a prova”, disse. Ivo Traça afi rmou também que para a concretização daquele objectivo, a equipa rubro-negra terá que se organizar desportivamente e administrativamente. “São equipas que têm experiência na prova e penso que não será fácil. Para concretizarmos o nosso objectivo teremos que nos organizar desportivamente e administrativamente”, acrescentou. Por sua vez, o director para o futebol do Petro de Luanda, Sidónio Malamba, admitiu que a sua equipa calhou num grupo onde terá poucas possibilidades de apuramento aos oitavos-de-final. Ainda assim, Sidónio Malamba fez saber que a sua formação tudo irá fazer para vencer todos os jogos, uma vez que é o objectivo da direcção. “Não será fácil, porque calhamos num grupo muito difícil. Mas nós estamos preparados para competir”, frisou.

Bravos do Maquis encerra preparação no Mundunduleno O Bravos do Maquis (Moxico) realiza hoje a última sessão de treinos, no Estádio Mundunduleno, na cidade do Luena, antes da partida de amanhã frente ao 1º de Maio de Benguela, a contar para a oitava jornada do Girabola 2019/2020, às 15:00. Na sessão, o treinador Zeca

Amaral vai aprimorar os fundamentos técnicos e tácticos, de modo a regressar às vitórias. Por sua vez, o técnico Paulino Júnior vai trabalhar o aspecto anímico dos seus atletas, uma vez que o seu emblema figura na 14ª posição com apenas dois pontos.

Militares e tricolores disputam Supertaça Vlademiro Romero As equipas seniores masculinas de basquetebol do 1º de Agosto e do Petro de Luanda disputam hoje a 24ª edição da Supertaça Vlademiro Romero, no Pavilhão Principal da Cidadela Desportiva, em Luanda, às 19:00. O encontro entre ambas as formações marca oficialmente a abertura da temporada desportiva 2019/2020. A partida colocará frente a frente o campeão nacional e o detentor da Taça de Angola. Nesta partida, o favoritismo é repartido, uma vez que as duas agremiações reforçaram-se com jogadores de qualidade.

Roger Federer apura-se aos quartos-de-final em Xangai O tenista suíço, Roger Federer, duas vezes campeão do ATP Masters 1000 de Xangai, em 2014 e 2017, apurou-se ontem para os quartos-de-final da prova chinesa. Para conseguir o feito, o suíço, de 38 anos, derrotou o belga David Goffin, 14º ATP, em dois setes, com os parciais de (7-6 e 6-4). Foi a décima vitória de Roger Federer em onze encontros diante de David Goffin.

Biles fica a uma medalha do recorde absoluto Simone Biles venceu ontem o concurso geral de ginástica nos Mundiais de Estugarda. Biles é a 16ª medalha de ouro e foi a quinta vez que vence o concurso geral, sendo a primeira mulher a fazê-lo. Aos 22 anos, a rainha da ginástica atual recolhe ao todo 22 medalhas e está a apenas uma do recordista, o bielorrusso Vitaly Scherbo (23), recorde que poderá bater durante estes mundiais no fim de semana - tem ainda as provas individuais de salto, barras assimétricas, salto cavalo e solo.

“É mentira que eu não queria Antoine Griezmann”

Pep Guardiola rende-se ao talento de Phil Foden

Portugal pronto para o jogo com o Luxemburgo para o Euro 2020

Dois jogos cancelados em consequência de tufão

Um dos temas abordados por Lionel Messi na sua entrevista a ‘RAC1’ foi a chegada de Antoine Griezmann ao Barcelona. O argentino, de 32 anos, acabou com os rumores sobre sua relação com o francês. Messi foi directo tendo dito o seguinte: “É mentira que eu não queria Griezmann. Me lembro que disse que era um dos melhores. Nunca tive nada contra ele”, assegurou o craque dos catalães.

O treinador do Manchester City, Pep Guardiola, fez saber ontem à imprensa inglesa que o médio Phil Foden nunca será vendido, por considerar que é o jogador mais talentoso que já viu. “Não lhe demos um novo contrato por acaso. Foden não irá para nenhum lado porque é do Man City. Sabemos que será o nosso novo mago quando o David Silva se for embora”, assegurou o treinador espanhol, de 48 anos.

A Selecção Nacional de Portugal defronta hoje o Luxemburgo, no Estádio de Alvalade, em partida a contar para a sétima jornada do grupo B da fase preliminar de acesso ao Euro 2020, às 19:45. Os pupilos de Fernando Santos são favoritos, porque têm mais soluções no ataque e na defesa. Na classificação, Portugal figura no segundo lugar com oito pontos. Por sua vez, a Ucrânia, de Zinchenko, comanada a série com 13 pontos.

A organização do Mundial de Râguebi confirmou ontem o cancelamento de dois encontros, em consequência do tufão que atingirá o Japão durante o fim-de-semana. Os encontros Inglaterra-França e Nova Zelândia-Itália foram cancelados, que se disputavam em Yokohoma e Toyota. A organização decidiu, como consequência, atribuir dois pontos a cada uma das equipas.


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Tendo sido extinta a USOKO - Associação Mutualista, nos termos da al. a) do n.º 1 do artigo 74.º do seu Estatuto, por delibera• ‹ o do colectivo de associados, tomada em Assembleia Geral, realizada no dia 12 de Abril de 2019, por maioria qualificada de 2/3 dos mesmos, em pleno gozo dos seus direitos. Uma vez criada a Comissão Liquidatária, na referida assembleia, nos termos do n.º 2 do artigo acima citado, para proceder a liquida• ‹ o do respectivo patrim— nio. S‹ o, por este meio, convocadas todas as pessoas singulares ou colectivas que se julgarem com direito sobre qualquer crŽ dito com a extinta associa• ‹ o a virem comprova-lo junto da Comiss‹ o Liquidat‡ ria, no prazo de 30 dias, a contar da data da primeira publica• ‹ o deste edital, devendo para o efeito dirigir-se ao edifício n.º 130, rua Marien N´gouabi, Distrito Urbano da Maianga, município de Luanda, prov’ ncia de Luanda. COMISSÌ O LIQUIDATç RIA, em Luanda,

de Outubro de 2019.

A COORDENADORA Rita Catarina Kianvo Francisco


OPINIÃO

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ASSAD KONDAKJI

Criação de Experiências Certas para os Cliente Angolanos

A

Semana Nacional de Atendimento ao Cliente foi criada pela International Customer Service Association (Associação Internacional do Serviço ao Cliente) em 1984 e posteriormente declarada um evento nacional pelo Congresso dos EUA em 1992. Hoje, empresas de todo o mundo comemoram esta iniciativa para destacar a importância de cultivar a fidelização do cliente por meio de experiências positivas. Em comemoração à Semana Nacional de Atendimento ao Cliente, de 7 a 11 Outubro na África Austral, Assad Kondakji Director de Clientes da MultiChoice Angola reflecte sobre a mudança de paradigma do atendimento ao cliente em África em geral e em Angola em particular. Naera do hiperconsumo, osclientes africanos querem mais: melhor serviço, uma melhor experiência e uma melhor conexão. “A natureza do serviço ao cliente no continente africano está a mudar. Os clientes deixaram de ser observadores passivos e de aceitar uma abordagem de cima para baixo no que diz respeito às experiências do cliente, mas passam a ser os actores centrais para esses processos que os envolvem e querem uma interacção na sua própria língua, no contexto da sua cultura em particular”, escreve Assad Kondakji. As multinacionais de todo o mundo estão a olhar cada vez mais para África e para os seus mercados de consumidores em busca de oportunidades de crescimento. No entanto, muitas dessas organizações estendem a sua presença operacional ao continente, mas deixam a sua necessidade de atendimento ao cliente para fornecedores terceirizados em outros países. Não é incomum entrar em contacto com uma empresa mundial

com um escritório em Luanda, Harare, Lusaka ou Maputo, e verse a falar com um agente de atendimento ao cliente em Portugal, Deli ou Manchester. As funções de “call center” externo não são nada de novo, mas, considerando o âmbito das operações internacionais dessas organizações, não está na hora de investir em comunidades locais com escritórios de atendimento ao cliente localizados? Sem dúvida que um modelo de formato único não funciona em África. Cada país do continente e cada região tem as suas próprias características que regem o comportamento do cliente e as experiências que moldam esse comportamento. Como tal, as organizações africanas necessitam de adaptar a sua actuação ao perfil do cliente tendo em conta a localização. Esse é o motivo pelo qual a MultiChoice está a reformular os seus negócios para revolucionar a experiência do cliente Angolano desde o início. Como organização enraizada nas comunidades africanas onde está presente, a MultiChoice pretende conectar-se e envolver-se verdadeiramente com os seus clientes. O pessoal do “call center, trabalhadores de escritório, agentes e instaladores são todos provenientes de comunidades locais e foram capacitados com competências para cumprir as suas funções individuais na empresa. Estes trabalhadores compreendem o contexto em que os clientes da MultiChoice estão a viver, pois estes vivem sob as mesmas condições. Estes enfrentam os mesmos desafios, passam pelas mesmas experiências e falam a mesma língua. Não é um idioma aprendido como parte de um curso de “call center”, mas a sua língua materna. Isso forma a espinha dorsal do foco de atendimento ao cliente da organização, que é suportado por software e sistemas de gestão de rela-

cionamento com clientes de ponta que permitem que a equipa processe rápida e facilmente as consultas dos clientes. Parte desse foco inclui pesquisas de satisfação do cliente, onde os clientes da MultiChoice têm a oportunidade de ouvir a sua voz. Preocupações ou problemas levantados através desse canal são resolvidos imediatamente com eficiência por meio de telefonemas de acompanhamento pessoal. A experiência do cliente MultiChoice é proporcionada dessa forma, quer os clientes estejam a explorar produtos e serviços, a assistir a conteúdo ou a pagar os seus pacotes, há oportunidades para envolver a equipa de atendimento ao

cliente em todos os pontos de contacto. Esse contacto directo, que elimina a intervenção de terceiros e o atendimento ao cliente entregue a terceiros, garante um tempo de resposta rápido para as consultas dos clientes e a satisfação é mantida e medida durante toda a jornada. Essa direcção progressiva no atendimento é aquela que a MultiChoice Africa está a adoptar em todos os mercados da África Austral e pode ser comparada com os padrões internacionais. Na África contemporânea, criar a experiência certa para o cliente é uma responsabilidade de todos os trabalhadores em todos os pontos de contacto. Como seres huma-

nos, lembramo-nos das experiências e de como nos sentimos em determinadas situações. É por isso que incentivamos os nossos agentes de call center a ouvir além das perguntas e a entender a mudança de vida dos nossos clientes, as pressões que enfrentam e o que é mais importante para eles. Estamos empenhados em usar essas ideias para colocar os nossos clientes no centro das decisões que cada um de nós toma todos os dias ... não apenas durante a Semana Nacional de Atendimento ao Cliente! Concluiu,

Director de Clientes da MultiChoice Angola. dr


ÚLTIMA

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Conselho de Ministros aprecia lei sobre notas dos 200 aos kz 10 mil dr

nal, em circunstâncias particulares graves e excepcionais, quando estejam em causa a segurança, saúde ou o bem-estar colectivos. Sistema de Educação No quadro do sector da educação, o encontro analisou a Lei que aprova a alteração da Lei de Bases do Sistema de Educação e Ensino, diploma que clarifica a tipologia e a designação das instituições de cada sub-sistema de ensino. A aludida proposta de Lei reafirma o papel nuclear do professor e reforça o rigor e experiência para acesso à classe, alinhando a duração da formação do ensino secundário geral com a formação secundária técnico-profissional, a natureza do ensino Secundário e binária do sub-sistema de ensino superior, que inclui o ensino universitário e o ensino politécnico, bem como reafirma a gratuitidade do Sistema de Educação e Ensino para todos os alunos do ensino primário.

O Conselho de Ministros, reunido ontem, Quinta-feira, em Luanda, em sessão ordinária, apreciou a proposta de Lei que autoriza o Banco Nacional de Angola a emitir e pôr em circulação uma nova família de notas de valor facial de duzentos, quinhentos, mil, dois mil, cinco mil e dez mil Kwanzas

D

e acordo com o comunicado de imprensa saído da reunião, orientada pelo Presidente da República, João Lourenço, a referida família de notas vai denominar-se “Série 2020”. Precisa que com esta proposta de Lei pretende-se aprimorar os dispositivos de segurança em todas as notas, bem como alternar o substrato das mesmas, resultando assim em benefícios para quem as usa, tais como maior durabilidade, aumento significativo dos níveis de segurança e melhoria da sua qualidade. Lei de Expropriação Na sessão foi igualmente discutida a proposta de Lei de Expropriação por Utilidade Pública, diploma

legal que estabelece os princípios e os procedimentos a observar pelos órgãos competentes da administração pública na expropriação de bens imóveis e direitos a eles inerentes. A proposta visa a salvaguarda dos direitos que associam aos particulares e todas as demais pessoas que possam ser lesadas pelo acto de expropriação. O comunicado esclarece que são excluídos do âmbito da aplicação desta lei a desocupação forçada, o realojamento, a requisição, expropriação por utilidade privada, ocupação temporária de imóveis, destruição por utilidade pública e o resgate. Foi também apreciada a proposta de Lei de Requisição Civil, instrumento jurídico que estabelece os princípios, as regras e os procedi-

mentos que possibilitam ao Estado o recurso a bens e serviços de entes públicos e privados, mediante justa indemnização, para assegurar o regular funcionamento de serviços ou disponibilização de bens essenciais ao interesse público e aos sectores vitais da economia nacio-

Pretende-se aprimorar os dispositivos de segurança em todas as notas, bem como alternar o substrato das mesmas, resultando em benefícios para quem as usa

Poder Tradicional O órgão colegial discutiu ainda a proposta de Lei que estabelece e regula o modo de organização e de funcionamento das instituições do poder tradicional, o regime de controlo, de responsabilidade e do património, bem como as suas relações institucionais com os órgãos da Administração do Estado e com as Autarquias Locais. Mereceu ainda atenção a proposta de Lei que visa conceder ao Presidente da Republica, enquanto Titular do Poder Executivo, competência para legislar sobre um novo regime jurídico de criação, organização, funcionamento, avaliação e extinção dos Institutos Públicos, com objectivo de assegurar a observância da não duplicação, concorrência ou sobreposição entre os organismos do sector público-administrativos, bem como garantir a sua sustentabilidade administrativa, financeira e patrimonial. Relativamente ao sector dos petróleos, o Presidente da Republica prorrogou para 30 de Abril de 2021, a data do primeiro levantamento de petróleo bruto da área de desenvolvimento do campo Platina, para garantir a continuidade do contrato de partilha de produção celebrado entre a Concessionária Nacional e o Grupo Empreitei-

ro do Bloco 18. Já no domínio dos transportes, o Conselho de Ministros aprovou a alteração das Bases Gerais das Concessões dos Transportes Públicos Rodoviários Urbanos Regulares de Passageiros, tornando obrigatório o uso do sistema de bilhética, de modo a obter-se o controlo do número de passageiros que utilizam esse tipo de transporte. Ainda nesta vertente, aprovou alterações ao regulamento sobre o Exercício da Actividade de Transportes Rodoviários Regulares de Passageiros, com vista a adequá-lo às reformas realizadas na estrutura orgânica da Administração Central e Local do Estado e simplificar o processo de emissão de títulos de concessão para as carreiras interprovinciais de passageiros e de concessão de serviços urbanos de transporte, assim como fixar novas regras de controlo e gestão de transportes públicos regulares. Na mesma ocasião, alterou o Regulamento sobre o Comércio Fronteiriço, com o objectivo de alargar o leque de produtos definidos neste diploma e garantir a subsistência, a segurança alimentar e o abastecimento de bens essenciais de consumo pessoal, doméstico ou familiar às populações fronteiriças. Foram ratificados na sessão desta Quinta-feira, os Planos Directores dos Municípios da Província do Bié, instrumentos de ordenamento do território que contêm directrizes de natureza estratégica e que visam responder às necessidades de desenvolvimento territorial local, apresentando soluções aos problemas de gestão quanto à sua ocupação e uso de solos. Política Externa No quadro da política externa, a reunião aprovou o Acordo-Quadro entre Angola e o Estado da Santa Sé, o Acordo entre os governos angolano e francês, no domínio da Agricultura, bem como o Protocolo de Cooperação entre o Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos de Angola e o Ministério da Justiça da Federação da Rússia. Foi igualmente aprovado o Protocolo de Cooperação entre o Instituto Geológico de Angola (IGEO) e o Instituto ROSGEO (JSC) da Federação da Rússia, no domínio da Geologia. O encontro tomou conhecimento do Memorando de Entendimento entres o governos de Angola e da Federação da Rússia, no domínio dos Diamantes e do Memorando de Entendimento entre ENDIAMA – E.P e ALROSA –PJSC, no domínio das Actividades Geológicas e Mineiras.

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Jornal OPaís edição 1623 de 11/10/2019  

“1º DE AGOSTO USURPOU COMPETÊNCIAS NO CASO CAPITA”, DIZ EGAS VIEGAS

Jornal OPaís edição 1623 de 11/10/2019  

“1º DE AGOSTO USURPOU COMPETÊNCIAS NO CASO CAPITA”, DIZ EGAS VIEGAS