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“O MPLA TrAnSFOrMOU-SE nUMA AGLOMErAÇãO nEPÓTICO-OLIGÁrQUICA” EnTrEvISTA: Jornalista, socióloga e activista, Luzia Moniz é um dos nomes sonantes da diaspóra angolana em

portugal, onde reside há algum tempo, destacando-se em várias acções de realce com a plataforma para o desenvolvimento da Mulher Africana (pAdEMA). durante largos anos entregou-se de corpo e alma ao jornalismo, através da Agência Angola press (Angop), como correspondente em território luso e também em Maputo, Moçambique. P.20 Director: José Kaliengue

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O DIÁRIO DA NOVA ANGOLA Edição n.º 1567 Sexta-feira, 16/08/2019 preço: 40 Kz

LiTo CAhoNgoLo

Funcionários do Porto do Lobito acusam a direcção de interferência na actividade sindical ● Mais de 700 trabalhadores do Porto Comercial do Lobito (PCL) queixaram-se nesta Quarta-feira, 14, de interferência do Conselho de Administração na actividade sindical ao nível daquela empresa pública. P. 9

I edição da ExpoHotel Angola pode juntar mais de 500 expositores ● A Associação de Resorts e Hotéis de Angola (AHRA) realiza de 26 a 29 de Setembro próximo a I edição da ExpoHotel Angola, a decorrer em simultâneo com o 1º Congresso Nacional sobre Hotelaria e Turismo, e espera a participação de mais de 500 expositores. P. 18

Caso CnC

COnDEnADOS

EM FOCO. Os advogados dos réus do caso CnC, excepto o de Eurico da Silva, consideraram injustas as penas aplicadas aos seus assistidos por concluírem que a sentença seguiu um percurso que não ficou demonstrado durante a fase de produção da provas. P. 2 BAI Directo_ O Pa’ s_276x42,733mm.pdf

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Confiança no Futuro

● A Selecção Nacional sénior feminina de basquetebol não conseguiu garantir o passe para as meias-finais, após perder, por 88-54, ontem, frente ao Senegal, país anfitrião, em jogo dos quartos-de-final do Campeonato Africano das Nações, Afrobasket, prova que decorre na cidade de Dakar. P. 26

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EM FOCO

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O PAÍS Sexta-feira, 16 de Agosto de 2019

Os cinco réus do caso CNC ouviram a leitura do acordão em pé por mais 3 horas

Advogados saem furiosos da última sessão do caso CNC Os advogados dos réus do caso CNC, excepto o de Eurico da Silva, consideraram injustas as penas aplicadas aos seus assistidos por concluírem que a sentença seguiu um curso que não ficou demonstrado durante a fase da produção da provas texto de André Mussamo fotos de Lito Cahongolo

O

antigo ministro dos Transportes, Augusto da Silva Tomás, que vinha sendo julgado desde 31 de Maio último, foi ontem condenado a 14 anos de prisão e multa de 18 meses, entretanto, seu mandatário interpôs recurso. Augusto Tomás é o que entre os cinco acusados no processo CNC ficou com a sentença mais pesada, atendendo que Isabel Bragança, ex-directora ajunta do CNC para a área de administração e

“Isto é perigoso e assustador. É por isso que estou a repensar muito seriamente se devo continuar a exercer advocacia em Angola”

finanças foi condenada a 12 anos. Manuel Paulo (antigo directorgeral) e Rui Moita foram condenados a 10 anos, tendo sido a pena mais baixa aplicada a Eurico da Silva, sentenciado a dois anos de prisão (pena suspensa por dois anos). Eurico da Silva, que foi apelidado pelos causídicos dos restantes có-réus como sendo o “delator”, é o que menos sentiu a mão pesada da justiça,segundo o colectivo de juízes pela sua menor participação nos actos delituosos de que todos vinham acusados pe-


O PAÍS Sexta-feira, 16 de Agosto de 2019

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e se Uma rádio qu o das p mantém no to e tem u audiências e q quatro s emissoras na is a províncias m nda, a populosas (Lu uela g Huambo, Ben e Huíla). A sala de audiências do Tribunal Supremo foi pequena para as pessoas interessadas em testemunhar a última sessão do caso CNC

lo Ministério Publico (MP) e pela sua predisposição em colaborar com a justiça desde o despolectar do caso. Assim, apenas Augusto Tomás permanece nos calabouços, onde se encontra desde 21 de Setembro do ano passado, atendendo que todos os recursos interpostos são com efeitos suspensivos, o que quer dizer que as penas não são executadas imediatamente, mantendo-se a situação carceraria dos réus. Segundo Sérgio Raimundo, a lei é omissa quanto a prazos, mas orienta a que recursos do género devam ser céleres, atendendo até a existência de um réu a quem foi aplicada a medida de coacção mais gravosa do nosso ordenamento jurídico. Sérgio raimundo pondera largar advocacia O advogado Sérgio Raimundo “pondera” deixar de exercer a advocacia, de tão desiludido que está com o curso da justiça no país.

O causídico faz parte da equipa de defesa do réu Augusto da Silva Tomás, ex-ministro dos Transportes, que ontem foi condenado a 14 anos de prisão e multa de 18 meses a razão de 120 Kwanzas/dia. “Isto é perigoso e assustador. É por isso que estou a repensar muito seriamente se devo continuar a exercer advocacia em Angola. Não há condições para o exercício sério de advocacia porque não há uma verdadeira administração da justiça neste país”, desabafou Sérgio Raimundo no depois da última audiência que serviu para a leitura do acórdão. Raimundo diz que a justiça está a tentar demonstrar à sociedade que as coisas mudaram, mas não é verdade. “Se for para mostrar à sociedade que estamos a mudar, não usem a justiça. Usem outra coisa, que é governar bem e melhor para o povo”. Sérgio Raimundo considera que se a justiça fosse justa no país “todos os ministros de então estariam no banco dos réus”.

“vamos parar de mentir” “Negativa” foi a palavra utilizada por Bruce Manzambi Felipe, advogado de Manuel Paulo, para descrever a decisão que foi ontem proferida em nome do colectivo de juízes da Câmara Criminal do Tribunal Supremo. “Que sentença é que nós assistimos? Uma sentença confusa, injusta. Por que não se citou certos nomes? A justiça tem de ser feita com transparência”, desabafou. Para o advogado, muitas pessoas citadas, tanto por testemunhas e declarantes e outras ainda pelos co-réus, deviam igualmente ser chamadas para este julgamento. “Estamos com medo de quê e de quem?”, questionou Bruce Filipe, para depois concluir: “Ou condenamos todos, ou absolvemos todos”, tendo adjectivado a sanção aplicada ao seu defendido como um “sacrifício”. O causídico, que também interpôs recurso, considerou a decisão proferida pelos juízes uma sentença injusta e finalizou dizendo: “vamos parar de mentir”.

Sérgio Raimundo e Bruce Mazambi Filipe, os rostos dos mais inconformados com a decisão do colectivo de juízes

M Luanda 99.1 F FM Benguela 96.3 FM Huambo 89.9 99.3 FM Huíla


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DESTAQUES EM FOCO. PÁG. 08 “Ele é que está a nos dar força”.

o editorial SOCIEDADE. PÁG. 12 gpL e unicef reforçam parcerias no sector social.

CArTAZ. PÁG. 14 vou continuar a lutar pelo meu país e pela música”.

ECOnOMIA. PÁG. 18 iª edição da Expohotel Angola pode juntar mais de 500 expositores

HOJE:

Pacíficos, resignados ou desatentos?

E

m qualquer parte do mundo em que fosse anunciado um pacote de privatizações de empresas públicas, algumas delas absolutamente nevrálgicas e estratégicas para o Estado, e da forma como está a ser feito em Angola, sem as devidas explicações sobre o montante e arrecadar, sobre o estado ou evidências de inviabilidade, e ainda mais quando se está a julgar gestores públicos que defraudaram o Estado, mostrando que o problema está mais na gestão, no tipo de pessoas escolhidas para as lideranças do que nas empresas ou nos seus espaços de negócios, imediatamente se desencadeariam uma série de petições para se obter tais explicações. Estranhamente, em Angola, e com a Lei do Trabalho vigente, nem os sindicatos, nem os trabalhadores parecem interessados no que se está a passar, nem a sociedade civil, nem a oposição política. veremos o que nos reserva o futuro.

o que foi dito MUnDO . PG. 24 israel pesa restrição de visita a legisladores dos EuA.

É pretensão do Executivo melhorar o fornecimento de energia eléctrica nos municípios de Cacolo e Muconda, na Lunda-Sul” João Baptista Borges Ministro da Energia e Águas

O PAÍS S exta-feira, 1 6 d e A gosto d e 2 019

5 40

os números do dia

Projectos sociais nos domínios da educação e saneamento básico constam no plano integrado de intervenção dos Municípios para o Soyo, província do Zaire.

Tanques, para criação de seis mil alevinos, foram abertos este ano na comuna da Luvemba, município do bailundo (huambo), numa iniciativa privada.

128

800

O associativismo estudantil é um dos alicerces para a uma ampla participação dos jovens no desenvolvimento social e económico do país” Ana Paula do Sacramento neto Ministra da Juventude e desportos

Mil 662 casos de malária, dos quais 1.682 em mulheres grávidas, foram registados em diversas unidades sanitárias da província do bengo de Janeiro a Junho deste ano.

Professores do ensino primário, de nove Zonas de Influência Pedagógica (ZIP), da província do Cuando Cubango, participaram numa acção formativa em matérias de Diferenciação Pedagógica II e Educação Especial.

vamos continuar a trabalhar para estarmos bem na fase final do Campeonato do Mundo, a disputar-se no Brasil” Pedro Gonçalves Treinador da Selecção Nacional de futebol em sub-17


O PAÍS Sexta-feira, 16 de Agosto de 2019

5 e assim... José Kaliengue director

A pergunta de Zoe e a meia-verdade

Hoje no online de O PAÍS leia a entrevista com o apresentador do Fala Angola, Salú gonçalves, e encontre algumas respostas sobre o programa líder de audiências no país

H

www.opais.co.ao Angola: A Estrada Nacional Nº 100, que liga Luanda ao Sumbe e ao Lobito, continua em estado crítico. Com as chuvas que se avizinham será muito mais difícil o escoamento de produtos (daniel Miguel)

o que vai acontecer Cultura o Ministério da Cul-

tura promove hoje, em Luanda, uma sessão de discussão pública da proposta de Lei sobre o poder das Autoridades Tradicionais. o referido diploma visa hierarquizar as atribuições, para evitar a usurpação de competências e sobreposição de autoridade, bem como definir o papel e o carácter das possíveis associações que possam representar as autoridades tradicionais e serem interlocutores junto do Estado.

Desporto A partir das 9:00 de amanhã, os caminhos vão dar ao Centro de Convenções de Talatona, palco do Campeonato Africano de Culturismo e de Fitness. Luanda acolhe pela primeira vez o evento da iFbb (Federação internacional de Culturismo e Fitness) que tem a chancela da Associação provincial de Culturismo e Fitness. o presidente da Associação, bráulio Martins, assegurou que o evento decorre num único dia entre às 10:00 e às 18:00 e estão disponíveis 600 bilhetes de ingresso em valores que variam entre os três mil e os sete mil kwanzas. pela 1ª vez haverá competição feminina em África.

Economia A Agência Nacio-

nal de petróleo, gás e biocombustíveis (ANpg) anunciou em comunicado apresentações de licitaçõesde blocos petrolíferos da bacia do Namibe e benguela para Luanda, dubai, houston e Londres, entre 3 e 23 de Setembro. Foi aberto o registo para os investidores interessados, de acordo com a ANpg, a concessionária de hidrocarbonetos, dando conta que as apresentações começam a 3 de Setembro, em Luanda, sendo o prazo de inscrição até ao dia 29 deste mês, seguindose houston (EuA), a 10 de Setembro, Londres, a 17 de Setembro, e dubai a 23 de Setembro.

Cultura o músico brasileiro

gabriel o pensador, aproveitou os dias que antecedem a sua participação, amanhã, no festival “o Sol da Caparica”, em Almada, portugal, dedicado à música lusófona, para surfar em águas angolanas. gabriel está desde Terça-feira na cidade do Tômbwa, no Namibe, onde acredita existirem as melhores condições do mundo para surfar, nesta época do ano, devido às ondas fortes do local.

Girabola Zap o

desportivo da huíla e o FC bravos do Maquis têm boas memórias do encontro que vão repetir hoje, às 15:00, no Estádio do Ferrovia, no Lubango.

á uma palavra, ou sugestão que não falta nas capas das revistas “femininas” ou cor-de-rosa ocidentais: sexo. Ele vem de todas as formas, se não é sobre como se lhe tirar mais prazer é sobre como dar mais prazer, etc., com morango, com azeite, com o que for, mas está sempre presente, há décadas. depois de conversar sobre o assunto com o seu namorado da época, em 2016, a jornalista americana Zoe Mendelson decidiu fazer uma pergunta ao google: “as mulheres ejaculam?” E de lá para cá, bem, ela e uma colega criaram a página pussypedia, tudo em torno da dita cuja. São milhares as visitas à página, as contribuições, os artigos, e ela continua a dizer não ter ainda recebido as respostas certas. ou seja, o corpo feminino continua a ser um mundo por descobrir (se calhar ainda bem, dirão alguns), uma aventura, apesar da chamada revolução sexual, da emancipação, da igualdade de gênero e de todos os movimentos feministas, alguns deles sem saber bem o que fazem também. Numa entrevista à bbC, a jornalista diz não ser necessária uma penepedia porque o corpo da mulher é que não foi suficientemente estudado. Meia-verdade, acho eu. A noção que os homens têm sobre o seu corpo resume-se ao volume e a maior parte jamais juntou o físico a mente, ao prazer propriamente dito. A diferença é que os homens não têm de fazer a pergunta que Zoe colocou ao google, quanto ao resto, para a maior parte, o conhecimento só mesmo nos mapas de anatomia.

E também... Dia do Filósofo (no Brasil) -16 de Agosto A data homenageia o profissional dedicado aos estudos da filosofia. Essa área do conhecimento estuda temas relacionados às reflexões acerca da existência humana, da natureza, do Universo, dos valores éticos e morais, da política, religião, entre outros assuntos inerentes ao pensamento filosófico. Os filósofos utilizam, como ferramentas para basear e expressar as suas ideias, argumentações lógicas e análises conceptuais. Entre os principais nomes da filosofia, destacam-se Aristóteles, Platão e Sócrates, este último consagrado por muitos autores como o “pai da filosofia ocidental”.


6 Media Nova, S.A Presidente do Conselho de Administração Filipe Correia de Sá Administradores Executivos Luís gomes paulo Kénia Camotim Propriedade : Socijornal Depósito Legal: Nº 244/2008 Contribuinte: 5417015059 Nº registo estatístico: 48058

O PAÍS Sexta-feira, 16 de Agosto de 2019

nO TEMPO DO KAPArAnDAnDA

Director Geral de Publicações: José Kaliengue jose.kaliengue@opais.co.ao

OPAÍS

Director: José Kaliengue Sub-Director: daniel Costa, daniel.costa@opais.co.ao Chefe de Redacção: Eugénio Mateus, eugenio.mateus@opais. co.ao Grande repórter: André Mussamo andre.mussamo@opais.co.ao Editorias : Política: ireneu Mujoco ireneu.mujoco@opais.co.ao (Editor) Sociedade: paulo Sérgio paulo.sergio@opais.co.ao (Editor) romão brandão romao.brandao@opais.co.ao (Sub-editor) Economia Luís Faria (Coordenador-Editor) luis.faria@opais.co.ao Desporto: Sebastião Félix sebastiao.felix@opais.co.ao (Editor) Mário Silva mario.silva@opais.co.ao (Sub-editor) Cartaz: Jorge Fernandes jorge.silva@medianova.co.ao (Sub-editor) Redacção: Norberto Sateco, Alberto bambi, Augusto Nunes, rila berta, Miguel Kitari, domingos bento, Neusa Filipe, Afrodite Zumba, Milton Manaça, Antónia gonçalo, Maria Teixeira, iracelma Kaliengue, patrícia oliveira, Stela Cambamba, Zuleide de Carvalho (benguela),brenda Sambo, Maria Custódia, Kiameso pedro e Adjelson Coimbra. Arte: Ladislau bernardo (Coordenador) valério vunda (Coordenador adjunto)Lourenço pascoal, Annette Fernandes, Nelson da Silva e Francisco da Silva. Fotografia: Carlos Moco (Editor), daniel Miguel (Sub-editor), pedro Nicodemos, Jacinto Figueiredo, Carlos Augusto, virgílio pinto, Lito Cahongolo (repórteres fotográficos), rosa gaspar e Yuri dos Santos (Assistentes de departamento) Revisão: António Setas Agências: Angop, AFp, reuters, getty images

Assistentes de Redacção: Antónia Correia, rosa gaspar, inês Monteiro e Sílvia henriques Impressão e acabamento: dAMEr, S. A. Luanda Sul, Edifício damer Distribuição: Media Nova distribuição Tel: +244 943028039 distribuidora@medianova.co.ao pontodevenda@medianova.co.ao Assinaturas: Juelson paim Tel: +244 945 501 040 bruno.pedro@medianova.co.ao Online: Venâncio Rodrigues (Editor)isabel dalla e Ana gomes Sítio Online: www.opais.co.ao Contactos: info@opais.co.ao Tel: 914 718 634 -222 003 268 Fax: 222 007 754 Sede: Condomínio ALphA, Talatona- Luanda. Tel: 222 009 444 república de Angola

16 de Agosto 1648 - Capitulação das forças 16 de Agosto 1929 -Tumultos holandesas em Luanda, no contexto da reconquista portuguesa de Angola.

palestinianos eclodem no Mandato britânico da palestina entre palestinianos e judeus e continuam até ao final do mês. No total, 133 judeus e 116 palestinianos são mortos.

16 de Agosto

1980

-refugiados cubanos, que se afirmam desencantados com os EuA, desviam três aviões dos Estados unidos para Cuba, elevando para seis o número de aviões desviados no espaço de uma semana

CArTA DO LEITOr

vêm aí as chuvas director do opAíS saudações e boa Sextafeira. o dia 15 de Agosto marca, oficialmente, o fim do tempo de Cacimbo em Angola. E com isto, quero dizer que a província de Luanda, capital de Angola, ficou tranquila nesse período. Mas, vêm aí as chuvas. isto é um facto, aliás, é obra da natureza. das autoridades da província, de modo geral, espero que tenham criado condições para acudir os problemas quando cair a chuva. Eles são sempre os mesmos e podem ser evitados no tempo seco. A limpeza das valas de drenagem, esgotos e terraplanar ruas não asfaltadas deve ser feita com base nas directrizes das administrações locais e municipais para não se repetir casos feios em Luanda. José Hungalo viana

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dr


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14/02/19

11:07


POLÍTICA

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O PAÍS Sexta-feira, 16 de Agosto de 2019

“Ele é que está a nos dar força” Um dos filhos de Augusto Tomás, condenado ontem a 14 anos de prisão, disse, depois de uma visita ao pai, que, apesar da condenação, o ex-ministro dos Transportes está calmo, sereno e tem encorajado a família para que, nesse momento difícil, esteja unida LiTo CAhoNgoLo

A Domingos Bento

pesar da condenação a 14 anos de prisão e 18 meses de multa, a família de Augusto Tomás, que ontem esteve presente no Hospital Prisão de São Paulo, em Luanda, mostrouse calma e confiante no recurso interposto pelos advogados de defesa e disse que o ex-ministro segue tranquilo e tem motivado a família a estar coesa. Um dos filhos do ex-ministro, depois da visita ao pai, por volta das 14 horas, disse que, apesar da condenação, o ex-ministro dos Transportes está calmo, sereno e tem encorajado a família para que, neste momento difícil, esteja unida. Para o filho, que prefere não ser identificado, a condenação do pai foi uma “injustiça”, mas, ainda assim, explicou que o antigo governante está “tranquilo” e confiante no bom resultado do recurso interposto. “Ele inclusive é que está a nos dar forças. Vamos esperar pelos próximos dias, mas ele está bem”, frisou o filho, sem muitos argumentos. Por seu lado, uma das esposas do ex-ministro, que apareceu no tribunal por volta as 13h50 transportada numa viatura top de gama (um Cadillac Escalade), cinzenta, disse, numa curta conversa com o OPAÍS, que não tem comentários para descrever o processo que condenou o seu esposo a 14 anos de prisão e ao pagamento de 18 meses de multa. Visivelmente tranquila, a senhora, que evitou prestar mais

Ex-ministro Augusto Tomás e a família confiantes num bom resultado do recurso ao TS

quaisquer declarações, explicou, enquanto caminhava para o interior da unidade penitenciária, que a família só poderá prestar algum pronunciamento caso haja necessidade para o efeito, “mas de momento não temos nenhum comentário”. Depois de condenado, o antigo ministro voltou ao Hospital Prisão de São Paulo por volta das 13h25. Logo de seguida, cerca de 30 minutos depois, os familiares de Augusto Tomás chegaram em massa em viaturas luxuosas que chamaram a atenção dos curiosos que estiveram de plantão à espera do antigo governante. A família, constituída por irmãos, esposas e filhos, entrava e

saia normalmente da visita sem qualquer alvoroço, o que facilitou o trabalho dos agentes penitenciários que a todo instante barravam a aproximação de jornalistas e de outros curiosos junto ao estabelecimento penitenciário. Consigo, a família carregava pequenos artigos em pastas que, supostamente, seriam para Augusto Tomás. Dentre os produtos transportados, um dos familiares carregava, nas mãos, uma lâmina de comprimidos e uma caixa preta de óculos. No entanto, ontem, desde o principio da manhã até à hora que o ex-ministro deu entrada na unidade penitenciária, transportado numa de um comboio de cinco viaturas, sob um sol abrasa-

dor, o ambiente que se vivia na Prisão Hospital de São Paulo era de pura tranquilidade. Na parte de fora, para além dos familiares que faziam o movimento o “entra e sai”, um grupo disperso de pessoas ficava a apreciar o cenário sem grandes agitações. Dentre os curiosos, uns aplaudiam a condenação do ex-governante como sendo uma via certa para o efectivo combate à corrupção, enquanto outros “pediam a cabeça” de todos aqueles que surripiaram os cofres do país. Porém, apesar da espectativa criada em volta do dia do julgamento final, a Quinta-feira seguiu tranquila nos arredores do bairro Nelito Soares.

Jurista discorda da condenação do ex-ministro dos Transportes

P

edro Kaparakata, um conhecido advogado e crítico da governação, disse discordar da sentença de 14 anos de prisão efectiva aplicada ao ex-ministro dos Transportes, Augusto Tomás, pelo Tribunal Supremo, decorrente do caso Conselho Nacional de Carregadores (CNC). Comentando a sentença, Pedro Kaparakata disse trata-se de um processo com um pendor político que recaiu a um governante que tinha poucas possibilidades de se defender. Em breves declarações a OPAÍS, o jurista apontou que Augusto Tomás foi vítima de uma cabala política, alegando haver casos mais candentes de peculato, cujos indiciados encontram-se em liberdade. Kaparakata foi mais longe ao afirmar que os juízes terão atendido a uma solicitação do poder político para demonstrar que se está combater os crimes de corrupção no país. Disse que cada detentor de poder político cria a sua política de governação, e que “ a corrupção não é o mal maior neste país, e o seu combate é apenas uma máquina de diversão”. Na sua opinião, gostaria de ver nos bancos dos réus outros dirigentes ou antigos governantes acusados de delapidarem o erário público, mas que se encontram em liberdade, depois de serem ouvidos pela justiça. O jurista disse estar céptico quando à actuação dos tribunais, explicando que na vigência do antigo juiz presidente do Tribunal de Contas nunca tinha sido detectada qualquer irregularidades no Conselho Nacional de Carregadores. “Como é que foram detectados estes desvios em tão pouco tempo?” interrogouse a fonte, dizendo ser necessário que se faça mais investigação para a descoberta da verdade material”.


O PAÍS Sexta-feira, 16 de Agosto de 2019

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Conflitos exigem compromissos nacionais - embaixador na Etiópia O embaixador de Angola na Etiópia, Francisco da Cruz, afirmou que a gestão de conflitos requer compromissos nacionais, cada vez mais cuidados e inclusivos, sobretudo num ambiente internacional de grandes desafios e ameaças decorrentes do terrorismo, da violência extrema e do crime transnacional, entre outros

D

e acordo com o diplomata, enquanto no passado a estabilidade política era assegurada com recurso à ameaça da força militar, no presente é alcançada através de sistemas democráticos, com uma combinação de participação, diálogo, mediação e compromisso na procura

de soluções políticas em que todos podem e devem beneficiar.

O embaixador, igualmente Representante Permanente junto da UA e UNECA, foi Quarta-feira, 14, um dos principais oradores num workshop que teve como cartaz o “Fórum PanAfricano para a Cultura de Paz - Bienal de Luanda”, que Angola alberga de 18 a 22 de Setembro.

Organizado pelo Escritório da UNESCO em Addis-Abeba, o evento destinou-se a Parceiros para o Desenvolvimento de África e abordou também a Liberdade de Imprensa no continente, disse a ANGOP. Na sua intervenção, Francisco da Cruz disse que a experiência, sobretudo no contexto africano, tem provado que a preservação da paz depende não só de acordos políticos, económicos ou militares, mas, e sobretudo, do engajamento activo, profundo e patriótico dos cidadãos de um país, unidos na sua diversidade social, religiosa ou partidária. Segundo o diplomata, daí a importância da cultura da paz, deste conjunto de valores, atitudes e comportamentos que reflectem o respei-

to pela vida, pelo ser humano e a sua dignidade, que deve ser divulgado e praticado por todos e por cada um. Realçou que a cultura da paz põe em primeiro plano os Direitos Humanos e condena a violência em todas as suas formas e promove a adesão aos princípios de liberdade, justiça, solidariedade e tolerância, assim como a compreensão entre os povos e as pessoas. “Como um país que viveu décadas de violência e divisões, Angola defende a paz como um processo abrangente e dinâmico que requer relações não violentas, não só entre os Estados ou entre estes e os seus cidadãos, mas também entre indivíduos, grupos sociais, e entre os seres humanos e o seu meio ambiente” sublinhou. O diplomata vincou que este evento continental que Angola vai acolher é parte da implementação da Agenda 2030, da Organização das Nações Unidas, incluindo o Objectivo do Desenvolvimento Sustentável 16 e aspirações da Agenda 2063 da União Africana e suas iniciativas, “A Agenda para a Paz” e “Silenciar as Armas até 2020”.

Por seu turno, a directora do Escritório de Ligação da UNESCO à UA e UNECA, Ana Elisa Afonso, fez uma antevisão detalhada do que vai marcar a Bienal de Luanda, destacando a realização, em simultâneo, e os objectivos do Fórum de Parceiros: Aliança por África; Fórum das Ideias, da juventude e da Mulher, assim como o Festival das Culturas. Para esta primeira edição do Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz Bienal de Luanda, a decorrer na capital angolana, perspectivam-se as presenças do Presidente do Egipto (Presidente da UA), do Mali (Campeão da UA para a Cultura), do Congo (Presidente da Conferência Internacional dos Grandes Lagos), da Namíbia (Presidente da SADC) e da Etiópia (única mulher presidente em África). Na qualidade de convidados especiais, os Chefe de Estado da RDC, Cabo Verde (Presidente da CPLP), Ellen Johson (Presidente do Júri do Prémio Felix Houphoet-Boigny), DirectorGeral da UNESCO, Presidente da Comissão da UA, comissários desta e o Nobel da Paz, Dennis Mukwege. pub


SOCIEDADE

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O PAÍS Sexta-feira, 16 de A gosto de 2019

“poupança” de materiais de apoio inquieta líderes do PAT Os dirigentes preocupados com o cenário dizem que, se os meios de apoio às sessões de formação contínua não forem usados, há o risco de se comprometer os objectivos do programa dr

Alberto Bambi

D

e acordo com alguns responsáveis pela acção formativa dos municípios de Longonjo e Ukuma, na província do Huambo, a resistência em utilizar livros, quadros, impressoras e outros meios disponibilizados pelo Projecto Aprendizagem para Todos (PAT) surgiu devido a uma alegada recomendação passada por dirigentes provinciais, segundo

a qual, depois das actividades, o material devia permanecer intacto, porque tinha de ser devolvido aos locais de origem. “Recebemos ordens superiores, ao nível da província, para não usar muito os aparelhos, quadros e outros materiais que recebemos do PAT, felizmente numa proporção que facilita o processo de formação em curso, no município, porque, se estragassem haveríamos de ser responsabilizados por isso. Então, nós decidimos manter os quadros aqui no Centro de Recursos local, onde também guardamos as impressoras, que nem se-

“O material foi dado para ser usado, não é para ser devolvido e não existe nenhuma ordem superior para se guardar e devolver, porque, se assim fosse, não faria sentido disponibilizá-los”

quer possuem tinteiros”, revelou o responsável das Zonas de Influências Pedagógicas(ZIP) na presença do director da repartição municipal da Educação do Longonjo A notícia desagradou completamente os representantes da coordenação central do PAT, que se encontravam na referida municipalidade a constatar o andamento da terceira fase da 3ª Etapa da formação contínua dos professores contemplados pelo Projecto de Aprendizagem para Todos, que, ao questionarem quem teria deixado tal ordem, receberam como resposta um silêncio,

de quando em quando intercalado com a expressão “chefes, só estamos a cumprir ordem”. Por causa disso, a equipa de constatação, integrada por acessores do projecto e representantes do sector de ensino da Direcção Provincial da Educação do Huambo, recordou aos elementos que encabeçam o programa no Longonjo que a utilização dos materiais de apoio do PAT foi o apelo que mais dominou o encontro com os financiadores realizado no ano passado, em Luanda. Aliás, um dos altos mandatários aproveitou a oportunidade de registo constatada para encorajar, ironicamente, os professores e responsáveis do munícipio visitados a usarem os meios até se estragarem, ao ponto de dizer que “se fosse para os cuidar aqui e não serem utilizados, o melhor era ficarem no local de origem, porque não são só vocês que sabem guardar. Pelo que apurou OPAÍS, igual situação foi registada pelos supervisores na escola primária número 1 localizada na sede municipal do Ukuma, onde, no centro de recursos instalado nesse estabelecimento de ensino, estes encontraram conjuntos de manuais de apoio totalmente selados, além de impressoras e paineis solares não instalados. Mas foi a supervisora da coordenação central do PAT, Juliana Rocha, que, ao constatar o mesmo problema no centro de recursos do Bailundo, onde as impressoras se mantinham novas, recomendou o uso imediato dos meios disponibilizados pelo projecto. “O material foi dado para ser usado, não é para ser devolvido e não existe nenhuma ordem superior para se guardar e devolver, porque se assim fosse, não faria sentido disponibilizá-los”, esclareceu a supervisora, asseverando que os financiadores teriam motivos para se entristecer, se essa situação continuar. A seguir, pediu a colaboração


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O PAÍS Sexta-feira, 16 de Agosto de 2019

Autorização de uso na hora O fenómeno da resistência na utilização dos quadros e outros materiais de apoio, que se ia tornando conjuntural por par-

te das ZIP e equipas de outros dirigentes municipais envolvidos no PAT, voltou a ser diagnosticado no município do Cachiungo, onde o Arquivo/opAíS

do seu colega Abel da Silva, coordenador das ZIP na província do Huambo, para passar a palavra a todos docentes, directores e coordenadores das ZIP, bem como aos directores municipais da educação. Abel da Silva tinha considerado, momentos antes de receber a recomendação de Juliana, que as situações ocorridas sobretudo no Longonjo e Ukuma teriam a ver com um mal-entendido, resultado do apelo incessante dos dirigentes do sector da educação do Huambo para se preservar ou cuidar dos materiais de apoio, de modo que se mantenham funcionais. Sobre este assunto, a supervisora da coordenação central do PAT tranquilizou a sociedade, realçando que, se a informação fluir sem detupação da mensagem, não surgirão problemas do género.

responsável do ensino geral, Agostinho Satchissokele justificou-se alegando que só havia quatro para 10 escolas, quando questionado pela supervisora nacional, Juliana Rocha. “Por um lado, é para evitar ciúmes, por outro, e o mais preocupante, nós temos medo de os distribuir porque não podemos mexer nada sem autorização dos superiores, por isso optamos por mantêlos aqui”, revelou o chefe do ensino geral local, tendo-se prontificado para recuar da sua decisão caso Abel da Silva, seu superior hierárquico, ao nível da província, autorizasse naquele instante a distribuição dos mesmos. Por seu turno, o coordenador provincial das ZIP não hesitou, tendo imediatamente ordenado a entrega dos quadros, a começar pelas escolas mais necessitadas, reiterando que é para isso que o PAT disponibilizou os materiais de apoio. Curiosamente, a Direcção Municipal da Educação do Cachiungo, na pessoa do seu líder, Manuel

Sequesseque, sabia que havia uma, entre as dez escolas primárias da sede municipal contempladas pelo Projecto Aprendizagem para Todos, que tinha nas salas de aulas os quadros bastante danificados. Madre obrigada a tirar quadros da caixa Missionária da congregação de São José de Cluny, Maria Luís Camissombo, responsável da escola primária católica da sede do município de Chinguari, província do Bié, foi aconselhada a tirar os quadros da caixa. A supervisora nacional, destacada na conhecida por “cidade invicta” até ao dia 28 do corrente mês, orientou que os referidos materiais não podiam permanecer dentro dos plásticos e encaixotados, já que foram disponibilizados com o fim de serem afixados nas salas de aulas e usados. O exercício de retirar os quadros de cor verde da cobertura de papelão foi, imediatamente, cumprido pela freira, antes da delegação de supervisão integrada se retirar do

local, de modo a garantir que os mesmos passassem a ser utilizados. Uso louvado no Mungo Ao receber a visita da equipa de supervisão integrada, o centro de recursos da escola primária número 1 da sede municipal do Mungo foi a primeira secção a ser visitada, tendo o cenário observado correspondido às expectativa dos visitantes, ao ponto de terem manifestado satisfação total. “Aqui, sim, o material está a ser mesmo usado e estão de parabéns por isso” desabafou a supervisora Juliana Rocha, que se apercebeu da utilização dos meios de apoio do PAT ao ver os manuais fora dos selos e das caixas e ter notado que os quadros estavam aplicados, bem como a disposição de outros materiais teoricamente acabados de ser usados, já que a delegação de que fazia parte chegou na hora do intervalo.

Se fosse para os cuidar aqui e não serem utilizados, o melhor era ficarem no local de origem, Convite para Concurso Público porque não são só Convite para Concurso Público A Convenção da Corrente de Benguela (BCC) é uma organização inter-governamen Convite para Concurso Público vocês que sabem A Convenção da Corrente de Benguela (BCC) é uma organização inter-governamental multiestabelecida porestabelecida Angola, Namíbia e para África doSulorganização Sul (as Partes) com omultiobjectivo d sectorial por Angola, Namíbia e África do (as Partes) com o objectivo de orientar Concurso Público A Convenção da Corrente de Convite Benguela (BCC) é uma inter-governamental guardar” sectorial asectorial colaboração regional umNamíbia sistema integrado de(as gestão baseado em ecossistemas, estabelecida Angola, e África do Sul Partes) com o objectivo de orientarem ecos a colaboração regional para umporpara sistema integrado de gestão baseado Arquivo/opAíS

A Convenção da sustentável Corrente de Convite Benguela (BCC) é uma organização inter-governamental multi- à desenvolvimento recurso àintegrado uma abordagem ecossistema em relação para Concurso Público a colaboração regional para com um sistema de gestãodebaseado em ecossistemas,

sectorial estabelecida porGrande Angola,Ecossistema Namíbia África doabordagem Sul Partes) de com ode objectivo de orientar governação oceânica do Marinho da(as Corrente Benguela (BCLME). desenvolvimento sustentável com recurso à euma ecossistema em desenvolvimento sustentável com recurso à uma abordagem de ecossistema em relação à A Corrente de Benguela (BCC) é uma de organização inter-governamental multia Convenção colaboraçãodaregional para um sistema integrado gestão baseado em ecossistemas, governação oceânica do Grande Ecossistema Marinho da Corrente de Benguela (BCLME). governação oceânica do Grande Ecossistema daPartes) Corrente de Benguela (BCL Osectorial Secretariado dasustentável BCC propostas de empresas competentes de estabelecida porconvida Angola, Namíbia do Sul (as com/ ofirmas objectivo de orientar desenvolvimento com recursoeMarinho àÁfrica uma abordagem de ecossistema emconsultoria relação à / a colaboração regional para um sistema integrado gestão baseado ecossistemas, governação oceânica do convida Grande Ecossistema daconsultoria Corrente de Benguela (BCLME). consórcios / pessoas individuais para realizarde aMarinho seguintede para um em Projecto designado O Secretariado da BCC propostas empresas competentes / firmas de consultoria / desenvolvimento sustentável com recurso àauma abordagem ecossistema em da relação à por «Melhoramento daindividuais Resistência às Alterações Climáticas do de Sistema de Projecto Pescas Corrente consórcios / pessoas para realizar seguinte consultoria para um designado O Secretariado da BCC convida propostas deMarinho empresas / firmas de consultoria / governação oceânica Grande Ecossistema da competentes Corrente de Benguela (BCLME). de porBenguela»: «Melhoramento dado Resistência às Alterações Climáticas do Sistema de Pescas da Corrente consórcios / pessoas individuais para realizar a seguinte consultoria para um Projecto designado de Benguela»: O da BCC convida propostas empresas firmas de consultoria / porSecretariado da Resistência às Alterações Climáticas do Sistema de Pescas da Corrente 1.«Melhoramento Os consultores irão realizar uma de análise das competentes lacunas na / monitoração e alertas consórcios pessoas individuais para realizar a seguinte consultoria para um Projecto designado de Benguela»: 1. previas Os /consultores irão realizar uma análise das lacunas na monitoração e alertas de condições meteorológicas extremas e eventos ambientais existentes por «Melhoramento da às climáticas Alterações extremas Climáticas Sistemaambientais de(CCorV) Pescas da previas de condições meteorológicas edoeventos existentes associados àsResistência alterações ou a variabilidade e Corrente formular 1. Os consultores irão realizar uma análise das lacunas na monitoração e alertas de Benguela»: associados às para alterações climáticas ou a variabilidade (CCorV) e formular recomendações colmatar as lacunas previas de condições meteorológicas extremas e eventos ambientais existentes recomendações para colmatar as lacunas 1. associados Os de consultores realizarclimáticas uma análise lacunas na monitoração alertasou às irão alterações ou das a variabilidade (CCorV) e eformular Os Termos Referência pormenorizados estão disponíveis na página: www.benguelacc.org previas devan condições meteorológicas extremas e ambientais existentes recomendações colmatar asestão lacunas Os Termos deBen Referência pormenorizados disponíveis naeventos página: www.benguelacc.org ou através do Dr. Zylpara (ben@benguelacc .org ). àsZyl alterações climáticas ou a variabilidade (CCorV) e formular atravésassociados do Dr. Ben van (ben@benguelacc .org ). Ospropostas Termos de Referência pormenorizados estão na local, página:dawww.benguelacc.org As devem serpara apresentadas asdisponíveis 16:00, hora Namíbia, no dia 30ou de recomendações colmatar asaté lacunas através do Dr. Ben van Zyl (ben@benguelacc .org ). As propostas devem ser apresentadas até as 16:00, hora local, da Namíbia, no dia 30 de Agosto de 2019. Os Termos Referência pormenorizados estão disponíveis na página: www.benguelacc.org ou Agosto de de 2019. As propostas devem apresentadas até .org as 16:00, hora local, da Namíbia, no dia 30 de através do Dr. Ben van ser Zyl (ben@benguelacc ). Agosto de 2019. As propostas devem ser apresentadas até as 16:00, hora local, da Namíbia, no dia 30 de Agosto de 2019.

O Secretariado da BCC convida propostas de empresas competentes / firmas de con consórcios / pessoas individuais para realizar a seguinte consultoria para um Projecto d por «Melhoramento da Resistência às Alterações Climáticas do Sistema de Pescas da de Benguela»:

1. Os consultores irão realizar uma análise das lacunas na monitoração previas de condições meteorológicas extremas e eventos ambientais e associados às alterações climáticas ou a variabilidade (CCorV) e recomendações para colmatar as lacunas

Os Termos de Referência pormenorizados estão disponíveis na página: www.benguela através do Dr. Ben van Zyl (ben@benguelacc .org ). As propostas devem ser apresentadas até as 16:00, hora local, da Namíbia, no Agosto de 2019.


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SOCIEDADE

O PAÍS Sexta-feira, 16 de Agosto de 2019

Funcionários do Porto do Lobito acusam a direcção de interferência na actividade sindical Mais de 700 trabalhadores do Porto Comercial do Lobito (PCL) queixaram-se nesta quarta-feira, 14, de interferência do Conselho de Administração na actividade sindical naquela empresa pública

Ezequiel Carvalho (no Centro), falando em conferência de imprensa

Constantino Eduardo, em benguela

S

egundo argumentam, o presidente do Conselho de Administração, Agostinho Felizardo, estará a impor o funcionário Gabriel Chivindiquia como responsável sindical, por, alegadamente, este reunir o perfil que melhor se enquadra aos interesses da direcção da empresa. Mas os demais trabalhadores dizem que o referido sindicalista já não inspira confiança e, por isso, promoveram, a 9 de Abril de 2019, “um abaixo-assinado” com 700 funcionários para destituilo, e reconhecido pelo secretáriogeral do Sindicato Provincial dos Trabalhadores e Telecomunicações, Bernardo Henriques, no dia 12 de Abril. Os funcionários acham estranho o facto de Gabriel Chivindiquia ter apresentado a sua carta de demissão do cargo de 1º secretário

sindical na empresa e, dias depois, fruto de uma alegada promessa de nomeação, manifestado o interesse de continuidade no cargo, facto que indicia, na óptica deles, corrupção “activa” por parte da direcção. “Se nós formos ver na Lei Geral de Trabalho, nos artigos 7º, 43 e 45 e os artigos 1º e 7 da Lei Sindical, assim como no artigo 50º da Constituição, notamos aqui o tropeço naquilo que a própria lei, no artigo 7º da LGT, determina que “os movimentos sindicais são autónomos”, lembra Ezequiel de Carvalho, membro da comissão ad hoc. No entender de Ezequiel de Carvalho, um dos que falaram na Quarta-feira em conferência de imprensa, na Centralidade do Lobito, tal procedimento fere a Constituição da República e demais normativos, daí que considere inadmissível. “Só o facto de o PCA defender a manutenção de um primeiro secretário, estamos perante a vio-

lação dos artigos plasmados tanto na Constituição como na Lei Geral de Trabalho e na Lei Sindical”, disse, ponderando avançar com dois processos – crime e civil – de calúnia e difamação contra Agostinho Felizardo, por este tê-los considerado “de indisciplinados”. Por sua vez, Ernesto Muabe, um outro trabalhador que reivindica direitos, chama a atenção da direcção da empresa portuária para a necessidade de se pautar pelos princípios legais que regem os sindicatos. “Quando uma figura máxima de um conselho aparece com esse tom de palavras insultadoras, leva-nos mesmo a perder credibilidade a estas figuras”, disse o trabalhador, que reivindica aquilo a que chama de seu direito. Contactada pela imprensa, logo após a conferência de imprensa, a direcção do Porto Comercial do Lobito deixou garantias de que, nos próximos dias reagirá aos depoimentos acusatórios dos funcionários.

gpL e unicef reforçam parcerias no sector social O Governo provincial de Luanda (gpL) e Fundo das Nações unidas para a infância (unicef) em Angola assinaram, ontem, um protocolo de cooperação, com objectivo de desenvolver acções conjuntas para fomentar a educação, a saúde e a protecção de crianças

O

representante do Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef) em Angola, Abubacar Sultan, revelou que os acordos vão incidir em todas as áreas que têm a ver com a criança, fundamentalmente aquelas que necessitam de maior intervenção, como o desenvolvimento da primeira infância, saúde (imunização e nutrição) e educação (fundamentalmente na melhoria e qualidade de ensino e acesso). Vão ainda trabalhar nas áre-

as de protecção da criança em três vertentes fundamentais, no apoio ao processo de registo de nascimento, sobretudo nas maternidades e na expansão de toda capacidade de oferta; na violência contra a criança, articulando com o Instituto Nacional da Criança e as autoridades municipais de acção social. Há já um trabalho em curso no domínio da administração da justiça para a criança, no apoio ao julgado de menores e adolescentes em conflito com a lei. “Estamos ainda a propor algumas intervenções

no âmbito do VIH/SIDA, água e saneamento do meio, vamos trazer também alguma inovação para a melhoria do saneamento básico, virado fundamentalmente para a prevenção de doenças nos bairros e comunidades mais carenciadas”. Na sua intervenção, o governador da província de Luanda, Sérgio Luther Rescova Joaquim, afirmou que no protocolo de cooperação estão espelhadas as principais áreas de actuação, e foram privilegiados o sector da educação, assistência social e protecção da criança no âmbito da preservação dos seus direitos. Pelo facto, tem a certeza de que poderá ter acções com base no plano anual que venham incidir nas comunidades. O governador lembrou também que há crianças que vivem em situação de vulnerabilidade, sendo que com esta parceria a situação será ultrapassada. A actuação está focada nos mu-

dr

nicípios, pelo facto, serão retalhistas conforme o tipo de acção que venham a desenvolver. Em função disso, apelou a todas as instituições ligadas ao GPL, particu-

larmente as relaccionadas com o sector social, no sentido de darem o maior apoio possível e engajamento adequado na parceria que foi celebrada ontem.


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CArTAZ seu suplemento diário de lazer e cultura

Virgílio Fire

Vou continuar a lutar pelo meu país e pela música” volvidos cerca de 15 anos, o músico virgílio Mateus da Silva “virgílio Fire”, que se encontra paralítico devido a lesões na coluna, em consequência de um acidente de viação ocorrido em 2004, pretende lançar novos temas musicais, de modos a voltar a brindar os seus admiradores, no seu característico e excêntrico “Kuduro”, na Kazukuta e pela rebita Antónia Gonçalo

O

artista, que canta desde 1993, autor de vários sucessos como “Kazucuta Dance”, que encheu as pistas de dança durante a década de 1990 e o consagrou no Top Rádio Luan-

da em 2001, referiu que o país é rico em termos de estilos musicais, como o Kuduro, Semba, Rebita e Kazucuta. Entretanto, para Virgílio Fire estes ritmos não têm sido explorados da melhor maneira pelos artistas. Daí, urgir a necessidade em resgatá-los. O que tem feito depois da ocorrência do acidente de viação, em 2004? Nunca parei de cantar. Tenho participado em algumas actividades. Tenho sido convidado a participar em alguns espectáculos de colegas, como do Moniz de Almeida, Kelly Silva, do meu tio Maya Cool e outros. Os mais recentes foram há dois meses, com Maya Cool, em dois eventos, um deles, no Z a ngo.

Com o Kelly Silva foi na Sexta-feira passada, em Talatona. Além disso, abraço também outras actividades, como a de tentar entrar no mundo empresarial. Encara esses convites como uma demonstração de solidariedade entre os músicos? Entre os mais antigos há ainda união, mas com alguns novos, que vão aparecendo, há muitas intrigas. Digo que sempre existiu isso, mas não tanto como agora. Não há respeito entre eles, mas, no final, o trabalho que fazem é apenas um: engrandecer a cultura angolana. Como tem sido o feedback do público diante das suas apresentações? Sempre com aquela saudade, a mesma satisfação, a de verem o Virgílio Fire em palco. Quando sou convidado a dar a minha voz, sou muito bem recebido. Mas, aos poucos, vou preparando alguma coisa para ver se brindo o povo angolano. Refere-se ao lançamento de um álbum brevemente? Não. pretendo lançar quatro músicas. Tudo farei para que estas estejam no mercado no princípio do próximo ano. o virgílio Fire é um artista que tem a música no sangue. para além do Kuduro, faço outros estilos, como Kazucuta, que também fará parte do projecto. vou trazer também a rebita, quer dizer, estilos que hoje poucos artistas fazem. o que tenho obser-

vado, o Semba que é característico do nosso país e é feito por muitos artistas conhecidos no nosso mercado. Mas estou a falar da rebita, Kazukuta, que são estilos nossos e ainda assim pouco cantados. Nós somos ricos em termos de estilos musicais, mas não são bem explorados. Então, precisamos resgatá-los. O que acha que deva ser feito de modo a que se resgatem esses estilos musicais? Irmos aos nossos ‘kimbos’, às demais províncias, pesquisar e conversar com quem de facto conhece. A música angolana de raiz, nos últimos tempos, não aparece muito porque tem sido pouco feita. Hoje vêem-se mais músicas comerciais do estilo Kizomba. Enfim. Portanto, estamos preocupados porque o que estamos a fazer é cultura. Precisamos resgatar os nossos valores, as nossas raízes, porque um povo sem cultura é um povo disperso. Se os artistas começarem a fazer com frequência, as pessoas também vão acostumar-se a ouvir. Não digo que não se deva fazer músicas comerciais, mas temos de resgatar o que é nosso de facto. É o que nos identifica como angolanos. É isso que vai tentar mostrar no projecto que pretende desenvolver? Sim! Trabalhando com Lito Graças, Betinho Feijó, que são pessoas que conhecem bem a nossa música. Às vezes fico triste ao ouvir esses trabalhos que nada têm a ver com a nossa cultura. Esse também é um dos motivos que fizeram com que me ausentasse um pouco dos estúdios. Precisamos pesquisar mais para melhor representar à cultura angolana através da música. Para isso, devemos aproveitar músicos como Lito Graça, da banda Semba Master, Quintino, da Banda Movimento, Calabeto, Carlos Burity e outros ‘kotas’. Precisamos de ir ter com eles, para fazer música de raiz. Então, a sua condição física actual não interferiu no gosto que sem-


O PAÍS Sexta-feira, 16 de Agosto de 2019

pre nutriu pela música? De modo algum. Não interferiu. Embora estivesse parado cerca de 12 anos e foram momentos que serviram para reflexão. É o tempo, as circunstâncias de vida. Parei também para fazer outros trabalhos. Como sabe, a música rouba muito tempo, como os trabalhos realizados nos estúdios. Tive mesmo que dar esse tempo, mas não significa dizer que esteja fora da música, ou que deixaria de cantar. Tem no mercado vários estilos musicais, como Kuduro, Semba, Rebita e Kazucuta. Isso mostra o interesse que sempre teve em aprimorar outras sonoridades? Na música “No Mato Kuia” procurei o Lito Graças para fazê-lo. A questão é procurar pelas pessoas certas. Eu não condeno os que fazem músicas comerciais, mas acho que chegou a hora de resgatar os outros estilos musicais. Se formos a Moçambique, o primeiro estilo musical que te vão mostrar é a Marrabenta, e é apresentada até mesmo por artistas jovens. Mas aqui, raramente os artistas jovens cantam esses estilos musicais. É tido como um dos percursores do estilo musical Kuduro. Que avaliação faz deste ritmo? Esse estilo é nosso. Nós vimos ele a nascer. Por isso, o Ministério da Cultura devia pegar e não o menosprezar. Os outros lá fora já começaram a pegar tanto o Kuduro como a Kizomba. Daqui a pouco vamos perder a Kizomba. Isso porque chega um momento em que é necessário o envolvimento da política do Estado. Falo propriamente do Ministério da Cultura. Eles têm que agarrar esse e outros estilos musicais, falar com os artistas, para saber como devem proceder. Devem ajudar a legalizar as coisas, ter tudo em dia, para que amanhã não apareça ninguém que duvide da sua origem, devido à falta de registos. Os artistas já fizeram a sua parte. Agora, a Cultura deve fazer também a sua parte. Quer com isso dizer que o Ministério da Cultura tem dado pouca atenção ao Kuduro? Sim. Devia dar mais atenção, porque estamos a falar de coisas nossas. Esse é um dos motivos que fazem com que os artistas também fiquem desmoralizados. Sentem que a Cultura deveria estar com eles, e constatamos o contrário. Não sou eu apenas a reclamar, mas vários artistas, que, infelizmente, não têm coragem em falar publicamente. Isso não se deve ao facto de o Kuduro, de certa forma, estar a ser

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‘marginalizado’, devido à maneira com que alguns artistas o apresentam, assim como o conteúdo das músicas, muitas vezes obsceno? Isso também se deve à falta de direcção. A própria Cultura devia direccionar esses artistas, de modo a não se comportarem de tal maneira. Esse ministério é a mãe da música angolana, e tem que saber direccioná-los. Quando deixamos as coisas à deriva, vemos o que temos visto: palavras obscenas, aparecem semi-nuas e outros factores que não engrandecem o estilo musical. Não seria necessário primeiro os artistas organizarem-se e só depois o ministério intervir? Se a cultura continuar com os braços cruzados, vão sempre aparecer mercenários e pára-quedistas. Muito deles nem sequer sabemquem são os percursores deste estilo musical, e como nasceu. Nem sobre músicos como Tony Amado e o Sebem, que muito deram para que o Kuduro e a sua internacionalização. Temos ainda o Camilo Travassos, Semal do Arraso, Dog Murras, o Rei Tanice, nomes que a nova geração acredito não saber. Se perguntares a um deles em quem se inspirou, vão dizer que não se inspiraram em ninguém, que começaram a cantar do nada. Não assumem, e aí está a desorganização. Temos uma nova ministra e acredito que dias melhores virão.

Precisamos pesquisar mais para melhor representar a cultura angolana, através da música. Para isso, devemos aproveitar músicos como Lito Graça, Quintino, Calabeto, Carlos Burity e outros ‘kotas’

Estou sempre aberto, desde que sentemos e avaliemos o trabalho a ser concretizado. Desde que sejam cenas construtivas, com mensagens promissoras. Se estivermos a fazer músicas com conteúdos errados, vamos também influenciar Está aberto a trabalhar com novos negativamente o público, printalentos? cipalmente as crianças, que hoje também consomem essas sonoridades. Nesse momento, o país precisa de músicas com conteúdos positivos e incentivos, atendendo o período de crise. Precisamos de coisas boas para direccionar o nosso público. Por isso, aconselho aqueles praticam isso a reverem. Muitos deles são pais, mães, tios e têm família. Pautando-se por isso, não estariam apenas a prejudicar os seus fãs, com também as suas famílias.

Eu não condeno os que fazem músicas comerciais, mas acho que chegou a hora de resgatar os outros estilos musicais

Quando olha para trás, há mais ou menos 20 anos, que registo tem o músico Virgílio Fire? Vejo como o artista que fez a sua parte e ainda tem muito por fazer. Sou jovem e ainda tenho muito para dar ao meu país. Aquilo que fiz pelo país não me arrependo e vou continuar a lutar por Angola e pela música. A sua carreira musical é assinalada com sucessos musicais como “Man Lolas”, “No Mato Kuia”, “Assunto com Presunto”, “Festa da Sogra”, “Kazucuta Dance”, as-

sim como a consagração em 2001 no Top Rádio Luanda. Qual é o sentimento, ao ver esses resultados? Acho que fui o primeiro a conquistar o prémio neste estilo musical. Para mim, é coisa direccionada por Deus. Ganhei, mas reconheço que os outros também tinham potencial para tais êxitos. Vejo com aquele sentimento de dever cumprido, agradeço e sempre agradeci a confiança do público, porque o voto foi a nível das 18 províncias. Dizer que continuarei a fazer boa música, que o povo angolano merece e precisa. Como é que gostaria de ser visto daqui a 20 anos? Como uma pessoa que fez a sua parte para o engrandecimento da cultura angolana. Que eventos considera os mais marcantes na sua carreira? Foi o “26 anos de Televisão Pública de Angola em Benguela”. Isso, em 2001. As ruas estavam todas cheias, havia pessoas nos tectos das casas só para me verem cantar. Eu nunca vi aquilo. No Uíge, lotamos os campos. No Namibe, onde o público me levantou e pôs-me no ar, e quando me largaram o fio de ouro e outros acessórios sumiram (risos)… mas, foram bons tempos. Não me arrependo do fiz no passado. Embora surgissem muitas promessas daquilo que iriamos arrecadar e infelizmente não aconteceu.

Actualmente há maior abertura no mercado musical? Há mais oportunidades, embora durante algum tempo os mesmos rostos apareciam sempre em vários eventos, coisa que sempre reprovei. O país é grande, temos vários artistas e cada um com o seu talento e devem ter as mesmas oportunidades. Tanto os mais velhos como o Calabeto, Carlos Buruty e outros que têm o seu espaço no mercado. Por exemplo, o show que trouxe à tona músicas dos Irmãos Almeidas, realizado pelo projecto “Show do Mês” foi bem aderido. O público cantou e ficou encantado, emocionado aos ouvir as sonoridades. Tem tido contacto com o músico Sebem? Tenho, sim. Sei que esteve fora do país. Actualmete encontra-se em já em sua casa. Trata-se de uma pessoa muito querida, tida por mim como um irmão. Ele já esteve pior, mas graças a Deus tem melhorado. Por isso devemos ter muita força para continuar a apoiá-lo, porque o Sebem continuará a ser ele mesmo na música angolana, principalmente no estilo Kuduro. Por isso, devemos entregar tudo a Deus, porque ele sabe o que faz. Se permitiu que tanto eu como Sebem, que sofremos um acidente, ainda assim cá estamos, é porque está a preparar algo para nós. Dou força à família, e apelo aos amigos para que continuem a visitá-lo.


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CArTAZ

O PAÍS Sexta-feira,1 6d eA gostod e2 019

Música

Hanna Gomez, primeira finalista do Unitel Estrelas ao Palco a lançar um álbum Depois de ter participado na i edição do concurso imitando Whitney houston, Ana gomez cantou sobre amor e fidelidade na sua primeira obra discográfica dr

sua carreira, que é recente, muitas outras participações serão feitas, e, talvez com os seus ex-companheiros de batalha. Entretanto, confessou não ter esperado poder lançar um álbum tão logo saísse do Unitel Estrelas ao Palco.

Adjelson Coimbra

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anna Gomez, classificada em 2º lugar pela interpretação de músicas icónicas de Whitney Houston no Unitel Estrelas ao Palco, apresentou nesta Quarta-feira, 14, o seu primeiro álbum, intitulado “Meu Eu”, na esplanada Sky Bar, em Luanda. Sob égide da produtora QuebraGalho, de Caló Pascoal, o álbum da cantora de 22 anos, que deu os “primeiros passos” no grupo coral “Vozes Celestiais” da Igreja Católica de São Lucas, está composto por 11 músicas. “Neste álbum retratei vários temas, dentre os quais se destacam o amor e a fidelidade. Não podia deixar de agradecer a Deus pelas maravilhas que operou na minha vida, por isso o álbum conta também

nhecendo bem esse estilo musical, pensei em não lhe tirar o seu lado de Whitney. Assim, fizemos uma música que representasse a cantora que imitou”, explicou. Por isso, de acordo com o produtor, uma das músicas mais bonitas do álbum é “You Make Me Feel”, pelo facto de em Angola nunca a ter ouvido. E para fazer “o casamento perfeito nada mais sugestivo do que a voz de Hanna Gomez e Yola Semedo”. Nesta obra discográfica participaram ainda Totó, Fill Júnior (membro dos Dream Boys falecido em Fevereiro último) Mallaryah, Kiki Franklin, Vernon Ice Black, guitarrista consagrado americano que trabalhou com Whitney Houston, Céline Dion, Lionel Richie, Aretha Franklin e Micael Bolton. Os fãs da cantora poderão ouvir a música através do aplicativo Kisom, disponível no Google Play Store.

com uma música gospel”, disse. Questionada sobre a ausência de vozes dos seus companheiros do Unitel Estrelas ao Palco no álbum, respondeu que, numa primeira fa-

se, optou por cantar com artistas que admira, como são os casos, a título de exemplo, de Yola Semedo e Totó. Acrescentou ainda que durante a

Produção do álbum Caló Pascoal, destacado produtor e cantor angolano, foi o coordenador musical do concurso em causa. Pressionado a escolher com quem trabalhar entre os seis finalistas, revelou, embora todos fossem bons, ter sido atraído por Hanna Gomez, tanto pela humildade, como pelo poder vocal. “Eu quase não dormi para fazer esse álbum, pelo facto de a Hanna vir de um concurso em que imitou Whitney Houston. E pretendíamos fazer um álbum, sobretudo de Soul Music, que é outra ‘vibe’. Co-

AUTOrIDADES

DETEnÇãO

SAÚDE

CELEBrIDADES

Diploma sobre autoridades tradicionais vai à consulta

Rapper A$AP Rocky condenado por agressão na Suécia

Peter Murphy sofreu um ataque cardíaco

Liam Hemsworth após separação de Miley Cyrus: “Desejo-lhe felicidade”

O Ministério da Cultura promove hoje, em Luanda, uma sessão de discussão pública da Proposta de Lei sobre o Poder das Autoridades Tradicionais. O referido diploma visa hierarquizar as atribuições, para evitar a usurpação de competências e sobreposição de autoridade, bem como definir o papel e o carácter das possíveis associações que possam representar as autoridades tradicionais e serem suas interlocutoras junto ao Estado. Segundo uma nota de imprensa, o Executivo pretende reforçar a cooperação entre o Estado e as autoridades tradicionais, face a sua proximidade com as comunidades, para promoção da saúde, manutenção da paz.

Um tribunal sueco condenou, esta Quarta-feira, o rapper norte-americano A$AP Rocky a uma “sentença condicional” por agressão. O rapper, cujo nome verdadeiro é Rakim Mayers, não terá assim de cumprir pena de prisão na Suécia, a não ser que reincida naquele país. O caso passou-se numa rua de Estocolmo, a 30 de Junho, quando Rocky e dois dos seus seguranças terão agredido uma pessoa, alegando autodefesa contra dois homens que estariam a seguir a sua equipa. O tribunal entendeu que os réus não se encontravam numa situação que justificasse autodefesa e considerou que, no geral.

Peter Murphy, vocalista dos Bauhaus, sofreu um ataque cardíaco Terça-feira à noite, em Nova Iorque, e foi levado para o hospital Lenox Hill, com dificuldades respiratórias. Apesar de pouco ter sido divulgado sobre o seu estado de saúde, o cardiologista que o está a acompanhar revelou que foram colocados “stents na artéria coronária direita” e que o músico começou a tomar medicamentos para o coração. Os concertos de Murphy por se realizarem no Le Poisson Rouge, em Nova Iorque foram adiados sem dia. Em comunicado, a família agradeceu pelo apoio dos fãs.

Conheceram-se em adolescentes e apaixonaram-se. O público viu-os crescer, manifestou o apoio na sua separação e celebrou a reaproximação até ao casamento em Dezembro de 2018. Miley Cyrus, 26 anos e Liam Hemsworth, 29 anos, separaram-se. A cantora refugiou-se em Itália e o actor na sua terra natal, na Austrália. Na Terça-feira, 13, Hemsworth abordou o assunto nas redes sociais ao colocar uma imagem de uma praia, ao início do anoitecer. “Uma nota rápida para dizer que a Miley e eu separamonos recentemente e desejo-lhe saúde e felicidade”, garante.

Enquanto apresentava o álbum, Hanna deixou cair algumas lágrimas de felicidade

ERA UMA VEZ EM HOLLYWOOD

Era uma vez em Hollywood de Quentin Tarantino tem lugar em Los Angeles de 1969, onde tudo está em mudança. Rick Dalton (Leonardo DiCaprio), estrela de TV, e o seu duplo de muitos anos, Cliff Booth (Brad Pitt), confrontam-se com uma indústria que já não reconhecem.

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ECOnOMIA

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Caculo Cabaça tem novo empreiteiro

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i edição da Expohotel Angola pode juntar mais de 500 expositores A Associação de risorts e hotéis de Angola (AhrA) realiza de 26 a 29 de Setembro a i edição da Expohotel Angola, a decorrer em simultâneo com o 1º Congresso Nacional sobre hotelaria e Turismo, e espera a participaçao de mais de 500 expositores

Brenda Sambo

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ob lema “Hotelaria aposta certa no Desenvolvimento” a Associação de Hotéis e Resortes de Angola (AHRA) realiza a I edição da Expo Hotel Angola numa área de 25 mil metros quadrados, nas instalações do centro de produção da TPA, na Camama. O presidente da Associação dos

Hotéis e Resorts de Angola (AHRA), Armindo César, disse, ontem, à imprensa, que a associação pretende, com o evento, dinamizar a rede hoteleira no país. A AHRA, de acordo com o responsável, pretende juntar todos os produtores do mercado interno num único espaço, no sentido de estabelecer parcerias com os hoteleiros, uma vez que o país não tem divisas para atender toda a demanda. Por isso, chama a atenção aos industriais do país que produzem

bens essenciais para a indústria hoteleira, desde a indústria têxtil, fabricantes de copos, talheres, produtores agrícolas, fábricas de detergentes e outros, no sentido de exporem os seus produtos na ExpoHotel. Com isso, avançou o responsável, pode desenvolver-se a economia e fortalecer a indústria nacionais. “Estamos a prever a participação massiva de todos os industriais do país, pois, ao contrário das outras feiras, vai permitir um contacto e negociação directa com todos os empresários”, disse. Salientou que a iniciativa da AHRA enquadra-se no Programa de Apoio à Produção Nacional, Diversificação das Exportações e Substituição de Importações (PRODESI) do Executivo, que recomenda que se aumente mais a produção interna, por formas a aumentar a exportação. Para a organização da exposição, a AHRA prevê desembolsar Kz 360 milhões e cada empresa expositora

terá direito a uma área de exposição que varia de nove a 36 metros quadrados, sendo que cada participante poderá pagar Kz 250 mil por cada stand. Adiantou ainda que existem alguns operadores do sector que consomem produtos fabricados pela indústria local, mas ainda de forma reduzida, nomeadamente produtos agrícolas e roupas de cama. Sobre a questão dos preços, referiu que a associação pretende negociar com os grandes no sentido de estabelecerem pacotes especiais para os hoteleiros e com preços razoáveis. “Se queremos que os produtos nacionais estejam nos hotéis e restaurantes, esses devem ser fornecidos a bom preço”, explicou. Quanto ao congresso, esse será de carácter nacional, vai contar com algumas individualidades de Cabo Verde, África do Sul, Zâmbia e Botswana, tudo na pespectiva de recolha de experiências.

empresa OMATAPALO, em parceria com GRINER, assumem a conclusão da obra do maior complexo hidroeléctrico do país, a Barragem de Caculo-Cabaça, situada a jusante de Laúca no território da província do Cuanza-Norte. O novo consórcio substitui o então constituído pela CGGC (China Group Corporation) e Niara Holding que começaram a obra no primeiro semestre de 2017. A escolha do novo empreiteiro é uma decisão presidencial que optou pela reformulação do consórcio empreiteiro, tendo sido o GAMEK autorizado a lançar novo concurso público. A nova modalidade do contrato, avaliado em milhões de dólares, obriga a que o empreiteiro principal garanta que 30% do custo da obra seja destinado à contratação de empresas de matriz nacional nas mais diversas especialidades. Em nota, o Ministério da Energia e Águas esclarece que é destituída de qualquer fundamento a notícia que refere que a mudança de empreiteiro visou única e exclusivamente a “substituição dos então”. Caculo-Cabaça situa-se no curso médio do Rio Cuanza, a montante das quedas de Caculo Cabaça, estando a barragem localizada a cerca de 19 quilómetros a jusante da barragem de Laúca. Segundo o desenho inicial, a infra-estrutura terá uma barragem de betão com 103 metros de altura máxima e 553 metros de desenvolvimento de coroamento, permitindo armazenar cerca de 440 milhões de metros cúbicos de água. A barragem terá um descarregador de cheias frontal, com cinco vãos controlados por comportas, para um caudal dimensionado para dez mil e 20 metros por segundo e uma descarga de fundo constituída por duas condutas de seis metros de diâmetro. Além do corpo central da barragem, existirão duas portelas, ambas na margem esquerda, que poderão ser fechadas com diques em betão com 525 metros e 192 metros de desenvolvimento e 36 metros e quatro metros de altura máxima, respectivamente.


MErCADOS

Mercado TAXA DE JURO Taxas de Juro Taxa bNA Libor uSd 6M Libor gbp 6M Libor JpY 6M Euribor 6M Luibor 6M

Cot. 14/08/19 15,500% 2,080% 0,803% -0,055% -0,406% 15,900%

∆ Diária (p.p) 0,000 0,046 0,007 0,000 -0,005 -0,020

Libor USD 6 Meses 2,098 2,032 1,966 1,900 8/Ago

Mercado ACCIONISTA Índices Accionistas Cot. 14/08/19 dow Jones (EuA) 25 479,42 S&p 500 (EuA) 2 840,60 FTSE 100 (inglaterra) 7 147,88 ibovespa (brasil) 100 258,00 CSi 300 (China) 3 682,40 Nikkei 225 (Japão) 20 655,13

Cot. 14/08/19 365,5810 1,1144 1,2060 105,7600 15,4015 4,0518

∆ Diária (%) -3,046 -2,929 -1,421 -2,944 0,454 0,976

Cot. 14/08/19 55,23 59,48 1 515,90 17,28 2,14 259,20

∆ Diária (%) 1,271 -0,322 -0,017 -0,760 1,874 2,122

∆ Diária (%) -3,275 -2,969 0,912 1,737 -0,186 -1,445

Luibor Taxas BNA Luibor o/N Luibor 1 Mês Luibor 3 Meses Luibor 6 meses Luibor 9 meses Luibor 1 Ano

12/Ago

Mercado Accionista O aumento dos riscos de desaceleração da economia global, proximamente, contribuiu nas perdas dos mercadosbolsistas.Osíndices,Dow Jones (EUA) e o S&P 500 (EUA), reduziram 3,05% e 2,93% ao fixaremse em 25.479,42 e 2.840,60, pontos respectivamente.

27.050 26.400 25.750 25.100 8/Ago

10/Ago

12/Ago

14/Ago

Mercado Cambial Oeurodepreciou0,32%aofixar-seem 1,1144 USD por unidade da moeda. A desaceleração da economia da Zona Euro, no IIº trimestre de 2019, pressionou a cotação do euro.

EUR / USD

Mercado DAS COMMODITIES Commodities WTi Crude Fut. brent Crude Fut. gold 100 oz Fut. prata Fut. gás Natural Fut. Cobre Fut.

10/Ago

Mercado Interbancário As expectativas de desaceleração da economia mundial, como resultado das incertezas sobre a evolução das negociações comerciais entre os EUA e a China, poderá ter contribuído para o aumento da Libor USD 6 meses em 4,6 p.b., ao fixar-se em 14/Ago 2,08%.

Dow Jones (EUA)

Mercado CAMBIAL Taxas de Câmbio uSd/AKZ Eur/uSd gbp/uSd uSd/JpY uSd/ZAr uSd/brL

1,125 1,117 1,109 1,101 8/Ago

10/Ago

12/Ago

14/Ago

Brent C rude F ut. 63,7 60,8 57,9 55,0 8/Ago

10/Ago

12/Ago

14/Ago

Luibor 1 Ano Cot. 14/08/19 13,50 14,29 14,44 14,68 15,19 15,78

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O PAÍS Sexta-feira, 16 de Agosto de 2019

∆ Diária (p.p) 0,000 -0,010 -0,010 -0,010 -0,010 0,000

Luibor As taxas de juro continua a seguir tendência decrescente na generalidade das maturidades. A excepção registou-se na maturidade Overnight e a 12 meses que se mantiveram em 13,5% e 15,78%, respectivamente.

16,10% 15,90% 15,70% 15,50% 8/Ago

10/Ago

12/Ago

Mercado de Matérias-primas Os receios de redução da procura, em consequência da desaceleração da economia mundial, pressionaram a cotação da matéria-prima. O WTI e o Brent recuaram 3,28% e 2,97% ao fixarem-se em 55,2 e 59,5 USD, respectivamente.

BrEvES China vai retaliar caso Trump volte a aumentar taxas em Setembro A China afirmou ontem que vai retaliar caso Washington avance com um aumento das taxas alfandegárias adicional de 10% sobre vários produtos chineses, a partir de Setembro, numa guerra comercial que ameaça a economia mundial o governo chinês disse que tomará as “contramedidas necessárias”, mas não deu detalhes. o presidente dos Estados unidos, donald Trump, anunciou, no início do mês, que vai impor taxas alfandegárias suplementares de 10% sobre um total de 300 mil milhões de dólares de importações oriundas da China, a partir

de 01 de Setembro. Com aquela decisão, as alfândegas norte-americanas passariam a cobrar taxas sobre todos os produtos oriundos da China, abalando ainda mais as cadeias de distribuição globais. o anúncio feito ontem pela China não refere a decisão de Trump de adiar as taxas sobre 60% daquele valor, até dezembro, visando prolongar as negociações. devido ao ‘superavit’ da China nas trocas comerciais com os EuA, o país asiático não pode retaliar com a subidas das taxas sobre produtos norteamericanos.

vale Moçambique revê em baixa previsão da produção de carvão para 10 milhões de toneladas Factores relacionados com o clima e operacionais fizeram com que a previsão de produção de carvão da vale Moçambique em 2019 tenha sido revista em baixa de 14 milhões para 10 milhões de toneladas, disse quarta-feira, em Maputo, o presidente da empresa. Márcio godoy, presidente da subsidiária do grupo brasileiro vale, usava da palavra numa conferência de imprensa realizada na capital moçambicana para divulgar os resultados fi-

nanceiros e de produção do segundo trimestre de 2019, segundo a agência noticiosa AiM. o director financeiro, Marcelo Tertuliano, disse que a queda verificada nos preços do carvão fez com que o resultado da empresa no segundo trimestre tenha sido negativo em 145 milhões de dólares, um agravamento de 20,83% face ao resultado igualmente negativo de 120 milhões de dólares no primeiro trimestre.

Banco de Moçambique reduz Taxa MIMO em 50 pontos base para 12,75%

14/Ago

A taxa de juro de referência em Moçambique, Taxa MiMo, foi reduzida em 50 pontos base para 12,75%, segundo a decisão tomada recentemente em Maputo pela Comissão de política Monetária do banco de Moçambique. Aquela comissão decidiu ainda reduzir também em 50 pontos

base as taxas da facilidade permanente de depósitos e da facilidade permanente de cedência para 9,75% e 15,75%, respectivamente, e manter os coeficientes de reservas obrigatórias para os passivos em moeda nacional e em moeda estrangeira em 14,00% e 36,00%, respectivamente.


EnTrEvISTA

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O PAÍS Sexta-feira, 16 de Agosto de 2019

O MPLA transformou-s aglomeração nepótica o Jornalista, socióloga e activista, Luzia Moniz é um dos nomes sonantes da diaspóra angolana em portugal, onde reside há algum tempo, destacando-se em várias acções de realce com a plataforma para o desenvolvimento da Mulher Africana (pAdEMA). durante largos anos entregou-se de corpo e alma ao jornalismo, através da Agência Angola press (Angop), como correspondente em território luso e também em Maputo, Moçambique. Na política foi um dos rostos do MpLA, o partido no poder, também nas terras de Camões, tendo-se afastado devido a supostas intrigas urdidas no seio desta agremiação política lá mesmo na antiga metrópole. por isso, é sobre política, associativo e jornalismo que opAíS conversa com Luzia Moniz. E, claro, não ficou de fora o associativismo e, sobretudo, as mulheres e a situação dos emigrantes em portugal

Dani Costa

O

que faz por estes dias uma socióloga, jornalista e antiga correspondente da ANGOP em Lisboa, Portugal, depois de ter dirigido a delegação neste país, passado pela Divisão África e também por Maputo como correspondente? Faço parte da Diáspora africana, angolana, sou activista politícocultural, estou à frente da PADEMA – Plataforma para o Desenvolvimento da Mulher Africana e continuo a fazer jornalismo. Estou com a Milonga no Buétnico, um jornal sobre Migração criado por nós. Quais são as razões que a levaram a desvincular-se da agência? Não sente saudade de casa? Não foi desvinculação. Foi mais um fim de missão. De etapa. É um capítulo, uma etapa que se fechou na minha vida. E muito bem fechada. Teria algumas dificuldades em me rever no que a ANGOP se tornou, numa estrutura pesada e burocratizada, reflexo do país. Saudades? Sim, dos meus “compagnons de route” que grande parte já não estão lá. Depois de ter exercido as funções de segunda secretária e também secretária para a Informação do MPLA em Portugal, o que se passou para abandonar esta formação política? Isso é uma longa história. Saí por-

que me recuso a pactuar com a estupidificação das pessoas pela mediocrização das instituições. O MPLA foi fundado por intelectuais que passaram todos por Portugal. Mas, ironicamente, o MPLA em Portugal não tem intelectuais no seu seio. Como aqui não respirámos o “oxigénio da Paz”, os intelectuais da Diáspora não estão disponíveis para “mise en scene” e simulacros de democracia, nem aceitam a

mordaça como método de disciplina política. Bati com a porta quando percebi que era a cabeça de cartaz da perseguição do então embaixador e seu adjunto (o adido de imprensa) e que não tinha espaço para continuar a pensar, a ser livre. Um embaixador que se dava ao trabalho de fazer as actas do seu CAP em Lisboa. Por outro lado, a ideia – talvez romântica - que tenho de um partido político é a de um espa-

ço onde a política, o debate político está no centro. No MPLA não há isso. Reparem: o presidente do partido decretou que Ilídio Machado foi fundador e seu primeiro presidente e não vejo ninguém no MPLA, nem os historiadores, questionarem isso. Em Portugal, uns são militantes porque precisam de apoio financeiro para as associações a que pertencem, ou querem preservar os empregos na embaixada e nos

“O MPLA foi fundado por intelectuais que passaram todos por Portugal. Mas, ironicamente, o MPLA em Portugal não tem intelectuais no seu seio” Como aqui não respirámos o “oxigénio da Paz”, os intelectuais da Diáspora não estão disponíveis para “mise en scene”

consulados, outros porque querem conquistar um lugar nessas instituições do Estado angolano e outros ainda porque querem manter ou chegar ao Comité Central e dai alcançar outros patamares, outros lugares a nível da Administração Central do Estado. Tudo o que não me interessa. Não há ideais, nem convicções, muito menos projectos políticos. Há muita confusão ideológica, cimentada pelo poder. O MPLA transformou-se numa aglomeração nepótica oligárquica. Hoje, sinto que estou mais à esquerda do que o MPLA. Em 2013, se a memória não me atraiçoa era apontada como sendo uma das conselheiras de Isaías Samakuva, depois de uma visita do ainda líder da UNITA a Portugal. Chegou a ocupar esta função? Esta foi uma das muitas inventonas do então adido de imprensa. Umas semanas antes de terem montado essa monstruosa falsidade eu publiquei um artigo no Club K, assinado obviamente, porque a cobardia não faz morada em mim, em que denunciava alguns comportamentos incorrectos da Embaixada e do Consulado em Lisboa, a quem tinha solicitado apoio para a realização de uma quinzena cultural africana, com destaque para a literatura angolana, na Escola Americana de Lisboa. Escrevi e responderam-me com um tumular silêncio, ao mesmo tempo que decidiram dar apoio a um projecto de amigos meus cabo-verdianos para a realização de uma actividade de divulgação da morna, alusiva ao Dia de África, numa instituição de ensino superior em Lisboa.


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se numa oligárquica” Em resposta ao meu artigo e para justificaram o não apoio a um projecto de promoção da cultura angolana brindaram-me com essa inventona, porque naquelas cabeças mono, de verdadeiros oportunistas, ser da UNITA ou ter ligações aos partidos da Oposição angolana é um crime de lesa-pátria. Não conheço Samakuva. Nunca o vi nem mais gordo, nem mais magro, fora dos écrans. Não seria assessora de Samakuva em circunstância alguma. Porque só aceito fazer política por convicção. Nas minhas convicções políticas, a UNITA não está presente. A UNITA vive hoje um momento de incerteza, segundo alguns opositores de Isaías Samakuva, por causa da indefinição em relação a um novo mandato ou não. O que aconselharia ao substituto de Jonas Savimbi neste momento, se fosse consultada? Sou das pessoas que acham que em política não pode valer tudo. Não costumo acreditar em “Dons Sebastiões” salvadores da pátria, homens previdenciais e coisas do género. Não aceito que em democracia haja insubstituíveis ou intocáveis. Os políticos devem bater-se por ideais, por projectos, por objectivos, e não por lugares tout court. Se não são capazes de os atingir devem colocar os lugares à disposição. Só assim se cria a cultura da responsabilização política individual. Por isso, diria a Samakuva que tentasse encontrar alguém na UNITA capaz de transformála de partido de protesto a partido de poder. Que conseguisse priorizar os problemas do país, das pessoas, em detrimento das questões da própria formação política. Que percebesse que protestar contra o assassinato das Julianas Kafriques ou dos Rufinos é mais importante que reclamar os votos, que compreendesse, como me diz o meu amigo Domingos Simões Pereira, que construir a democracia é mais importante que realizar eleições. E que não se constrói democracia sem liberdade, sem igualdade. Que a essência da democracia não são as eleições, mas sim as liberdades e as

igualdades. “Quanto mais perto do poder está um partido, mais longe na lista de candidatos surge o nome da primeira mulher para o círculo nacional”. É uma afirmação que fez há algum tempo. Mantém-se actual? Sim, mantém-se. Fiz essa afirmação numa entrevista que dei ao semanário português Expresso, na sequência de uma análise sociológica sobre o lugar das mulheres nas listas dos partidos políticos candidatos às eleições de 2017 que apresentei numa Conferência em Lisboa sobre o processo eleitoral em Angola e a construção da democracia. Ao analisar as listas e os programas dos partidos angolanos concorrentes às eleições de 2017, conclui isso porque na lista do MPLA (partido no poder) a primeira mulher aparecia em quinto lugar, na UNITA (primeiro partido da Oposição) estava em quarto e na CASA-CE (terceira força política da AN) em terceiro. Para além disso, os programas eleitorais destes partidos, em matéria de igualdade de género apresentam soluções de autêntico retrocesso civilizacional, como, por exemplo, ter como referência as igrejas para alcançar tal desiderato. Nessas listas, as mulheres ocupavam uma grande percentagem de lugares não elegíveis ou eram suplentes. Por exemplo, na lista do MPLA para o Círculo Nacional entre os candidatos a efectivos tinha 33 por cento de mulheres e para suplentes 41, na UNITA a relação era 29/35 e na casa 32/29. Isso explica o retrocesso que temos de representatividade do género que no nosso Parlamento passou dos mais de 38% de mulheres na legislatura anterior para os actuais 27%, não atingindo sequer os mínimos definidos pela SADC, 30 por cento de mulheres em todos os órgãos de tomada de decisão. Isto é muito preocupante, num momento em que a agenda 2030 da ONU define a paridade como objectivo a alcançar e que temos outros países africanos que caminham nesse sentido, com destaque para o Rwanda, campeão mundial, com 68 por

“Não conheço Samakuva. Nunca o vi nem mais gordo nem mais magro, fora dos écrans. Não seria assessora de Samakuva em circunstância alguma” cento de mulheres no Parlamento, Namíbia com 46, África do Sul e Senegal com 42 por cento, ou ainda Moçambique com 40 por cento e a Guiné Bissau com um Governo paritário. O mesmo número de ministras e ministros. Gostaria de ver Angola nesse pelotão da frente. Qual tem sido o lugar das mulheres na política em Angola? Grosso modo ainda é um lugar de subalternidade. Faltam mulheres em pastas estruturantes da governação e da sociedade. Porquê que as três principais figuras políticas do país são homens? Porquê que não temos, nunca tivemos uma mu-

lher à frente de um órgão estruturante do regime como Tribunais, Comissão Nacional Eleitoral ou Procuradoria Geral da República? Porquê que não há preocupação com o equilíbrio de género. O combate pela igualdade de género não está bem direcionado quando as mulheres que estão nos órgãos políticos estão mais preocupadas em defender, repetir o discurso político dos seus líderes partidários (homens) do que afirmar a necessidade, por exemplo, de estabelecerem quotas como forma de discriminação positiva e de se reparar uma injustiça. E não me falem em ascensão política das mulheres pelo mérito, porque aos homens ninguém pede mérito. E não vejo mérito nenhum. Onde está o mérito de homens que deixaram dois milhões de crianças fora do sistema de ensino, outorgando-lhes automaticamente o passaporte de acesso à universidade da criminalidade, da exclusão e da miséria? Ou onde está o mérito de homens que transformam um país com imensos recursos num dos piores Estados do mundo para uma criança nascer? Se isso é mérito, por favor, deemme o demérito das Mulheres. Luísa Damião, sua antiga companheira de tarimba na ANGOP, é hoje a vice-presidente do MPLA. Estaremos mais próximo do dia em que teremos uma mulher na presidência do país, depois de termos Agostinho Neto, José Eduardo dos Santos e agora João Lourenço? Conheço bem a Luísa, é uma batalhadora, empenhada e dedicada àquilo que faz. Com a actual Constituição da República não estamos mais próximos de ter uma mulher na presidência do país. Estamos mais longe do que antes de Fevereiro de 2010. Os partidos políticos angolanos estão muito masculinizados. Tal como os conhecemos, não acredito que esses partidos, onde os homens dominam tudo, decidem tudo, até quando e

como colocar uma mulher na vice-presidência, indiquem para cabeça lista alguém que não seja um deles. Quando a sociedade, no seu todo, olhar para os Direitos das Mulheres como Direitos Humanos, o panorama muda. Esse é um combate de todos. Desmond Tutu diz que “perante uma injustiça, a neutralidade favorece o opressor”. Por isso, não pode haver neutros neste combate. As mulheres em Angola têm mais destaque nos partidos da Oposição ou no seio do partido da situação? São menos invisibilizadas no partido no poder, pela simples razão de pertencerem ao partido que tem grandes vantagens nos media. A comunicação social nacional, sobretudo a pública, dá destaque desproporcional ao partido no poder. Uma mulher de um partido da Oposição tem o dobro ou triplo dos trabalhos para tornar visível, em termos mediaticos nacionais, a sua acção. Continua a identificar-se como uma Winnie-mandelista? Porquê? Sou de esquerda, feminista e panafricanista convicta. E Winnie Mandela, feminista, uma das fundadoras da Organização Pan-africana das Mulheres (OPM) era uma intrépida lutadora pelas liberdades, combatente anti-apartheid e contra todas as formas de dominação. Activista dos 19 aos 81 anos. Sou Winnie-mandelista. Sou Deolindista, de Deolinda Rodrigues, uma das maiores referências da Luta do povo angolano contra a dominação. Winnie e Deolinda, duas grandes africanistas. Trocou Angola por Portugal. As razões foram muito fortes? Não troquei uma coisa por outra. Nem é possível essa troca. NKwame Nkrumah disse: “Sou africano, não por ter nascido em África, mas, sobretudo, porque a África nasceu dentro de mim”. Revejo-me completamente nesta afirmação. Estou em Portugal porque as circunstâncias assim o ditaram. Primeiro por razões académicas e depois por familiares. Já está devidamente inserida na sociedade portuguesa, ou ainda se sente uma estrangeira num país alheio? Sou estrangeira em Portugal, até agora não tenho outra nacionali


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EnTrEvISTA

dade que não seja a angolana, por opção própria, mas sinto-me confortável, gozo de todos os direitos e liberdades em Portugal. Menos votar ou ser eleita para cargos políticos, naturalmente. Mas há muito mais vida para lá da política partidária. Estar numa organização de e por mulheres da Diáspora africana é uma forma de fazer política. E que política!!! O que é ser negro em Portugal? É pertencer a uma parte da população portuguesa invisibilizada, discriminada, num país estrutural e institucionalmente racista, onde essas questões não são tabu e onde cresce exponencialmente a tomada de consciência por parte dos negros em relação aos seus direitos de cidadania e onde esse movimento de africanos e afrodescendentes pelo seu real lugar na sociedade é imparável. Portugal continua a realçar apenas os aspectos negativos das ex-colónias ou houve uma mudança substancial? Em Portugal há uma imprensa que, em matéria de relação com novos estados africanos, reflete, grosso modo, os interesses do próprio Estado. A mesma imprensa que endeusou Isabel dos Santos é a mesma que hoje leva João Lourenço ao colo. Qual é a imagem que se tem de Angola, dos angolanos e dos seus dirigentes? O que pensa a elite portuguesa? A imagem de Angola no mundo em geral não é positiva. Tenho viajado e contactado políticos, académicos e activistas e o que oiço não é nada animador. E Portugal não foge à regra. O discurso público português depende do maior ou menor interesse, geralmente económicofinanceiro As visitas de Marcelo Rebelo de Sousa a Angola e de João Lourenço a Portugal possibilitaram mesmo o início de um novo ciclo nas relações entre os dois países? As visitas de Estado e seus rituais fazem parte do folclore político. O importante nisso é substância, o que está por detrás das cortinas, das negociações, dos projectos. Há uma certa euforia à volta disso. Normalmente, a euforia é efémera. Não acredito em relações sustentáveis apenas porque A visitou B e vice-versa. Acho que é necessário muito mais do que isso. Sobretudo o estabelecimento de relações de igual para igual, com vantagens recíprocas. Parece que ainda estamos longe.

O PAÍS Sexta-feira, 16 de Agosto de 2019

“Saí de Angola, mas Angola não saiu de mim” Dirige há algum tempo a Plataforma de Desenvolvimento da Mulher Africana (PADEMA). Quais são as acções e os efeitos visíveis do trabalho que têm desenvolvido? A PADEMA tem a sua acção centrada no empoderamento da Mulher da Diáspora africana, os seus valores culturais e identitários, a igualdade de género e de oportunidades. As nossas acções dentro e fora de Portugal são imensas, sempre com o objectivo de dar voz às Mulheres da Diáspora africana, retirá-las da invisibilidade a que estão votadas, da periferia, e trazê-las para o palco central da sociedade moderna. Por isso mesmo, a PADEMA é membro fundador da Rede Parlamentar do Conselho da Europa para as Políticas das Diásporas e da Rede da Sociedade Civil para a Década Internacional da ONU para os Afrodescendentes. Denunciamos internamente, na Europa e no Mundo a discriminação interseccional de que ainda são vítimas as Mulheres da Diáspora Africana, mostramos as nossas culturas e o nosso património histórico-cultural, bem como o papel das mulheres africanas e afrodescendentes no mundo, entre imensas coisas que todos os dias fazemos dentro e fora de Portugal. Criamos, por exemplo, uma exposição itinerante biográfica e documental sobre três heroínas africanas da luta de libertação contra o colonialismo português: Deolinda Rodrigues, de Angola, Titina Silá, da Guiné Bissau, e Josina Machel, de Moçambique, com o objectivo de dizer ao Mundo que a nossa luta também foi feita no feminino. Inaugurada em Lisboa, essa exposição já esteve no Rio de Janeiro e proximamente estará em patente na Guiné Bissau. Como a solidariedade como elemento estruturante das culturas africanas está também em nós, juntamos muito recentemente, em Lisboa, sete embaixadores de África, Europa, Ásia e Oceania para pintar uma te-

la em solidariedade com as vítimas moçambicanas de ciclones, por exemplo Há uma nova vaga de jovens angolanos a emigrar para outros países. Qual a incidência em Portugal e o que tem escutado destes novos emigrantes sobre Angola e as razões do abandono do país? Diferentemente do final da década de 1980 e década de 90, os novos

“Os novos emigrantes angolanos, que hoje não fogem da guerra, são constituídos por jovens mulheres e homens com preparação académica”

emigrantes angolanos, que hoje não fogem da guerra, são constituídos por jovens mulheres e homens com preparação académica. São sobretudo emigrantes por razões económicas, em busca de melhores condições de vida para si e famílias. Alguns regressam a Portugal onde já estiveram nos anos 90. Os poderes públicos nacionais deviam analisar seriamente esse problema e encontrar formas de segurar os quadros nacionais e de atrair os da Diáspora. Sabendo-se que mais de 50 por cento dos emigrantes em Portugal são pobres, o que se pode dizer dos angolanos, sobretudo dos que nos últimos tempos voltaram a eleger este país como o melhor sítio para viverem? A análise desse tipo de dados é sempre comparando com a realidade local. Ou seja, pobre de Portugal com o cidadão luso da classe média. Quem emigra por razões económicas tem como base de referência a situação do país de origem. Por isso, emigra pre-

ferindo ser pobre para os padrões do país de acolhimento, o que não significa necessariamente a mesma coisa para o país de origem, sabendo que terá escola gratuita e de qualidade para os filhos, acesso aos serviços nacionais de saúde e outros apoios que os sistemas de segurança social na Europa comunitária em geral oferecem em caso de pobreza, sobretudo às famílias com crianças. A pobreza entre os imigrantes é uma realidade grave não escamoteada em Portugal que associações de imigrantes têm denunciado junto das autoridades, das quais exigem medidas para solucionar o problema. Muitos angolanos, depois de algum tempo no exterior, manifestam sempre o desejo de regressar ao país que os viu nascer. Pensa da mesma forma? Naturalmente. Apesar disso, acredito que a Diáspora tem um papel central na construção de um país moderno. Saí de Angola, mas Angola não saiu de mim.


MUnDO

O PAÍS Sexta-feira, 16 de Agosto de 2019

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pequim acusa EuA de estarem envolvidos em ‘actividades criminosas contra a China’ em hong Kong O Ministério das relações Exteriores da China declarou que os EuA pactuam com elementos criminosos nos protestos em hong Kong

Protestos em Hong Kong, uma razão mais na tensão entre a China e os EUA

A

s tensões entre China e EUA aumentaram, recentemente. Após declarações das autoridades americanas, o Governo chinês volta a acusar Washington. “Os políticos dos EUA distorcem os factos e seguem dois pesos e duas medidas, o que já está perto de

uma histeria. Eles pactuaram com elementos radicais criminosos e estão insanamente envolvidos em actividades criminosas contra a China em Hong Kong”, declarou o Escritório do Comissário do Ministério das Relações Exteriores da China nesta Quinta-feira (15). No dia 14, o Presidente dos EUA, Donald Trump, sugeriu um encontro pessoal com o líder chinês Xi Jin-

ping com o intuito de discutir a actual crise em Hong Kong. “Eu conheço o Presidente Xi da China muito bem. Ele é um grande líder e muito respeitado pelo seu povo. Ele também é um bom homem em assuntos difíceis. Não tenho dúvida alguma de que o Presidente Xi quer resolver o problema de Hong Kong rapidamente e humanamente. Ele pode fazer isso. Talvez um encontro?”, escreveu o presidente americano. Já no dia 13, o Presidente Trump havia escrito na sua conta no Twitter que os serviços de inteligência americanos tinham reportado um movimento de tropas chinesas perto de Hong Kong. Tal afirmação criou um mal-estar em Pequim, que, por sua

burundi inicia vacinação contra o Ébola para profissionais de saúde

O

Burundi começou a vacinar os seus agentes de saúde contra o Ébola, iniciando com aqueles próximos à fronteira com a República Democrática do Congo, disse a Organização Mundial de Saúde (OMS) na Quarta-feira. O Burundi não registou casos de febre hemorrágica, mas a doença viral se espalhou no Leste do Congo desde Agosto de 2018, uma epidemia que já matou pelo menos 1.800 pessoas. Os esforços para controlar o surto foram dificultados pela violência das milícias e por alguma resistência local à ajuda externa. A OMS informou que o Ministério da Saúde do Burundi começou a vacinar trabalhadores da saúde no posto de fronteira de Gatumba na Terça-feira usando o rVSV-ZEBOV da Merck. “Embora esta vacina ainda não tenha sido aprovada e o seu uso comercial ainda não esteja autorizado, mostrou-se eficaz e segura durante os surtos de Ébola na África Ocidental”, disse a OMS num comunicado.

vez, conclamou os EUA a “não meterem o seu nariz nos assuntos de Hong Kong”. Além disso, o Comité de Relações Exteriores do Congresso dos EUA avisou, numa moção bipartidária, que se Pequim usar a força contra os manifestantes, a China sofre-

Pequim avisou os EUA a “não meterem o seu nariz nos assuntos de Hong Kong”

rússia elogia milagre depois de avião fazer aterragem de emergência perto de Moscovo

O “A vacina é usada para fins humanitários para proteger as pessoas em maior risco de um surto de Ébola. Ela será administrada à equipa de saúde e da linha da frente, trabalhando em áreas prioritárias onde haja risco de transmissão. ” A declaração da OMS não informou quantas doses da vacina da Merck estariam disponíveis para a campanha de imunização, que está a receber apoio financeiro da aliança de vacinas GAVI. O vizinho Uganda também está em alerta máximo, já que duas pessoas, parte de uma família que visitava o Congo, morreram de Ébo-

la. Um terceiro membro da família morreu depois de voltar para casa. Na semana passada, o Uganda iniciou o seu maior teste de sempre com uma segunda vacina experimental contra o Ébola, que está a ser desenvolvida pelo fabricante de medicamentos norte-americano Johnson & Johnson, em colaboração com a biotecnológica dinamarquesa Nordic da Baviera. Uma epidemia de Ébola na África Ocidental de 2013 a 2016 tornou-se a maior epidemia do mundo quando se espalhou pela Guiné, Libéria e Serra Leoa e matou mais de 11.300 pessoas.

ria “condenação universal e consequências rápidas”, declararam os congressistas americanos Eliot Engel e Michael McCaul. Hong Kong tem sido palco de protestos há meses. Os manifestantes lutam contra um projecto de lei de extradição (já retirado). Tal lei, se aprovada, permitiria a extradição de suspeitos de Hong Kong para a China continental. A violência dos protestos tem sido notória. Foram registados numerosos embates com a Polícia local e agressões. O aeroporto de Hong Kong tornou-se num dos palcos das manifestações. Centenas de vôos foram cancelados e brigas entre manifestantes e passageiros têm sido frequentes.

s russos comemoraram um milagre na Quinta-feira, quando um avião de passageiros transportando 233 pessoas fez uma aterragem de emergência num milharal, nos arredores de Moscovo, após atingir um bando de pássaros logo a seguir à descolagem. O Ministério da Saúde informou que 23 pessoas sofreram ferimentos, mas que ninguém morreu, quando o Ural Airlines Airbus 321 caiu num campo a Sudeste de Moscovo depois de atingir um bando de gaivotas, interrompendo o funcionamento dos seus motores. A televisão estatal disse que a manobra estava a ser apelidada de “milagre sobre Ramensk”, uma referência ao distrito de Moscovo onde o avião desceu, a mais de 1 Km do aeroporto internacional de Zhukovsky. A agência de notícias Interfax citou uma fonte dizendo que uma pessoa sofreu ferimentos graves. O tablóide Komsomolskaya Pravda elogiou o piloto Damir Yusupov

como um “herói”, dizendo que ele salvou 233 vidas, ao “ter magistralmente desembarcado de um avião sem o seu trem de aterragem e com um motor defeituoso num campo de milho”. Alguns fizeram comparações com o vôo 1549 da US Airways, que realizou uma aterragem no rio Hudson em 2009, depois de atingir um bando de gansos. Os motores foram desligados quando fez a aterragem de emergência e também não teve o seu trem de aterragem accionado, disse Elena Mikheyeva, porta-voz da autoridade de aviação civil da Rússia. Um passageiro anónimo entrevistado pela televisão estatal disse que o avião começou a tremer violentamente logo após a descolagem. “Cinco segundos depois, as luzes do lado direito do avião começaram a piscar e havia um cheiro a queimado. Então aterramos e todos fugiram”, disse ele. O avião deveria voar para Simferopol, na Crimeia, a península anexada pela Rússia em 2014.


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OPInIãO

O PAÍS Sexta-feira, 16 de Agosto de 2019

CArLOS FErnAnDES

Trump deixou o Tratado InF. O que vem a seguir – o Tratado de Controlo de Armas nucleares?

O

presidente dos E UA, Don a ld Trump, anunciou a 2 de Agosto a retirada do seu país do Tratado de Armas Nucleares de Médio Alcance. Assim, os Estados Unidos e a OTAN empreenderam uma campanha cuidadosamente organizada para desacreditar a posição da Rússia sobre o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (INF) (na sigla em inglês) e, de igual modo, branquear a política de longo prazo de Washington, que há muito visava denunciá-lo. Tais declarações foram feitas pelo assessor presidencial para a Segurança Nacional, John Bolton, e pelo secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, depois de os Estados Unidos se retirarem, unilateralmente, deste tratado, em 2 de Agosto. O secretário de Estado Mike Pompeo, no seu tweet a 2 de Agosto, comentando o que estava a acontecer, em quatro frases cometeu igual número de erros ao mesmo tempo, ao afirmar que os Estados Unidos deram à Rússia seis meses para regressar ao cumprimento do acordo (uma notificação preliminar de seis meses sobre uma eventual retirada está plasmada no Tratado INF); que a Rússia, supostamente, se recusou a fazêlo (a outra parte não pode recusar a notificação); que os Estados Unidos não cumprirão o tratado quando outros o violarem (isto é, os próprios Estados Unidos) e que a Rússia é responsável por ele (é estranho que, de acordo com Washington, Moscovo seja geralmente responsável por tudo o que acontece nos Estados Unidos). Numa declaração separada do chefe da diplomacia americana em 2 de Agosto, a responsabilidade foi novamente posta no la-

do russo, mas sem a menor evidência de “não-cumprimento” do contrato. E eles não foram trazidos por Washington nos últimos sete anos. A falta de evidências tem, sido recentemente, uma “nova tendência ascendente” dos anglo-saxões, que se encaixam no conceito notório de “Highly likely” (altamente provável) e não exige pelo menos alguma confirmação. No dia 30 de Julho de 2019, o Departamento de Estado dos EUA “superou” novamente. No seu certificado “factual” relativo ao Tratado INF, ele distorceu novamente (por quanto tempo!) a posição da Rússia em relação às razões do termo da sua vigência. O documento tocou em várias questões que indicam o desencadeamento de uma campanha de desinformação conduzida a partir de Washington relacionada com o referido acordo. Nos últimos sete anos, as delegações oficiais russas realizaram cerca de 30 consultas sobre o cumprimento dos representantes americanos, seis reuniões de especialistas técnicos das partes e duas reuniões da Comissão Especial para verificar a sua conformidade. Além disso, várias reuniões bilaterais foram realizadas a um nível muito alto, incluindo este ano em Sochi e Genebra. Deve-se notar que muitos desses contactos foram iniciados pelo lado russo. Moscovo, com base em características tácticas e técnicas reais, mostrou que o míssil russo 9M729 não é de forma alguma uma “violação” do Tratado INF, já que o seu alcance máximo de vôo não excede os 480 Km. Isso não nos permite considerálo um míssil de “menor alcance”, que inclui mísseis de 500 a 1000 Km. Com a sua manifestação pública, em Janeiro deste ano, no Patriot Park, o lado russo fez uma abertura sem prece-

dentes, provando que este míssil não se enquadra nas restrições do Tratado INF. A Rússia informou aos adidos militares dos países estrangeiros, bem como representantes da mídia, os dados estritamente fechados sobre esse míssil, embora não fosse obrigado a fazêlo, já que todas as actividades de inspeção do acordo haviam terminado há 18 anos. Deve notarse que os representantes dos Estados Unidos e outros países da OTAN decidiram boicotar e não compareceram a esta reunião. Por sua vez, Washington ainda não apresentou aos representantes da Rússia nenhum dos seus mísseis de alcance curto e médio, que foram usados ao testar o sistema de defesa anti-mísseis dos EUA como objectos interceptores. Não mostrou, também, a sua base combinada de defesa de mísseis instalada na Roménia, que tem capacidade ofensiva, nem a construção de uma infra-estrutura similar na Polónia. Os Estados Unidos tentaram esconder da comunidade mundial não apenas os tipos de mísseis intermédios e de alcance mais curto que eles usaram nos últimos 20 anos como alvos de intercepção. E isso representa um total de seis tipos de mísseis. Os EUA só admitiram, indirectamente, nos documentos do Pentágono, que durante este tempo lançaram 117 foguetes como mísseis alvo para testar a eficácia do sistema ABM. O lado russo estava sempre interessado em manter o tratado de 1987. E mesmo quando a Casa Branca anunciou a sua suspensão de participação desde o dia 2 de Fevereiro deste ano, Moscovo respondeu da mesma forma apenas no dia 3 de Julho. A liderança russa propôs uma moratória bilateral sobre a implantação de mísseis intermédios e de alcance

mais curto em regiões onde ainda não estão disponíveis. Mas os Estados Unidos recusaram. Como resultado, descobriu-se que Moscovo não é responsável pela retirada dos EUA do Tratado INF. Mesmo assim, John Bolton, assessor de Segurança Nacional do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já acusou a China de se retirar do Tratado sobre a Eliminação de Mísseis de Alcance Intermédio e de Curta Distância. Bolton observou que os Estados Unidos planeiam posicionar as suas instalações militares no Extremo Oriente, já que a China, supostamente, possui milhares desses mísseis. “Eles não faziam parte do Tratado sobre a Eliminação de Mísseis de Alcance Intermédio e de Menor Alcance, logo eram livres para fazer o que quisessem”, disse Bolton sobre as autoridades chinesas. Washington está, portanto, a tentar garantir a segurança dos seus aliados e as suas forças de desdobramento. No dia 13 de Agosto, a sua posição foi apoiada publicamente pelo Departamento de Estado, por intermédio da assessora do chefe da agência para controlo de armas e segurança internacional, Andrea Thompson, que foi além e afirmou que tais negociações já estavam em andamento com certos países asiáticos. Enquanto isso, a China está alarmada com as intenções dos EUA de desenvolver e implantar mísseis de médio alcance na região da Ásia-Pacífico. A este respeito, Pequim ameaçou Washington com uma tomada de medidas retaliatórias. O chefe do Pentágono, Mark Esper, lembre-se, deixou claro o seu interesse no início da implantação de novos mísseis na Ásia. Esta afirmação foi feita apenas algumas horas depois que os Estados Unidos se retiraram do Tratado de Mísseis de Alcance Intermediário

e de Menor Alcance. Ao mesmo tempo, o chefe do Pentágono não especificou, exactamente, onde os mísseis americanos poderiam ser instalados na Ásia. Além da China, o Irã e a Coreia do Norte permanecem - países que são militarmente muito capazes e cujos modos independentes são muito irritantes para os americanos. Portanto, não é de surpreender que os Estados Unidos já estejam a se preparar para implantar mísseis de alcance médio, anteriormente proibidos pelo Tratado INF, na Ásia. São cálculos geopolíticos, e não alguns medos sobre violações russas inexistentes, que alimentam as ambições de se armarem. Aqui estão as verdadeiras razões para os EUA se retirarem do Tratado INF. A questão de quem se beneficiará disso permanece, na melhor das hipóteses, mera retórica. Porque os riscos de segurança afectam a todos: a Rússia, os Estados Unidos e o mundo inteiro. Há 15, os Estados Unidos deixaram o Tratado ABM, o próximo passo é o Tratado INF, e então a quebra do Tratado de Controlo de Armas Nucleares (START-3, na sigla em inglês) não está descartada. Neste caso, pela primeira vez em 50 anos, o mundo permanecerá sem as limitações das capacidades nucleares. A administração Trump já começou a elaborar novas acusações contra a Rússia, a fim de se retirar do START-3. Para isso, como no caso do Tratado INF, a evidência não é necessária, basta fazer acusações forçadas. E o mais desagradável é que, para esses propósitos, os americanos vão parar em nada e especularão até sobre a dor e as tragédias humanas. A comunidade mundial deve entender que esses passos levarão inevitavelmente ao colapso do sistema existente de segurança global no mundo.


TEMPO

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Fonte: INAMET

prEviSÃo do TEMpo *** 3 diAS *** pArA AS priNCipAiS CidAdES válida de 15 a 17 de Agosto de 2019 Ê Ê

INSTITUTO NACIONAL DE METEOROLOGOA E GEOFÍSICA - CENTRO NACIONAL DE PREVISÃO DE TEMPO (CNPT) Ê

Ê

PREVISÃO DO TEMPO *** 3 DIAS *** PARA AS PRINCIPAIS CIDADES, válida de 15 a 17 de Agosto de 2019Ê Data 15/ 08/ 2019

CIDADE

Mín

Data 16/ 08/ 2019

Máx

Estado do Tempo

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Data 17/ 08/ 2019

Estado do Tempo

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Estado do Tempo

LUANDA

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Céu parcialmente nublado, neblina.

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Céu pouco nublado, neblina.

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Céu parcial nublado, neblina.

CABINDA

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Céu parcialmente nublado, neblina.

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Céu nublado pela manhã/ neblina.

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Céu nublado pela manhã/ neblina.

SUMBE

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Céu parcialmente nublado, neblina.

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Céu nublado pela manhã/ neblina.

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Céu nublado pela manhã/ neblina.

CAXITO

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Céu nublado pela manhã/ neblina.

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MBANZA CONGO

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Céu nublado pela manhã/ neblina.

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Céu parcial nublado, neblina.

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UIGE

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Céu nublado pela manhã/ neblina.

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NDALATANDO

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Céu nublado pela manhã/ neblina.

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Céu nublado pela manhã/ neblina.

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Céu nublado pela manhã/ neblina.

MALANJE

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Céu nublado pela manhã/ neblina.

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Céu nublado pela manhã/ neblina.

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Céu nublado pela manhã/ neblina.

DUNDO

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Céu nublado pela manhã/ neblina.

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Céu nublado pela manhã/ neblina.

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Céu parcialmente nublado a limpo.

SAURIMO

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Céu pouco nublado a limpo

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Céu pouco nublado a limpo

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Céu pouco nublado a limpo

BENGUELA

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Céu nublado pela manhã/ neblina.

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Céu nublado pela manhã/ neblina.

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Céu pouco nublado a limpo

HUAMBO

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Céu limpo

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CUITO

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Céu limpo

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Céu limpo

LUENA

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LUBANGO

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Céu limpo

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Céu limpo

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Céu limpo

MENONGUE

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Céu limpo

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Céu limpo

MOÇÂMEDES

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Céu nublado pela manhã/ neblina.

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Céu nublado pela manhã/ neblina.

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Céu nublado pela manhã/ neblina.

ONDJIVA

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Céu limpo

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Céu limpo

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Céu limpo

Céu parcial nublado, neblina. Céu parcial nublado, neblina. Céu parcial nublado, neblina.

Das 18 horas do dia 15 às 18 horas do dia 16 de Agosto de 2019. Províncias de Cabinda, Zaire, Bengo, Luanda, Uíge, Malanje, Cuanza-Norte, Cuanza-Sul, Lunda-Norte, Lunda-Sul: Céu pouco ou parcialmente nublado, apresentando-se nublado pela madrugada e manhã. possibilidade de ocorrência de nevoeiro ou neblina matinal em alguns municípios das províncias de Luanda, Cabinda, Zaire, uíge, Malanje, CuanzaSul, Cuanza-Norte e Lunda-Norte. rEGIãO CEnTrO: Províncias de Benguela, Huambo, Bié e Moxico Céu pouco nublado ou limpo, tornando-se nublado ao entardecer. Muito nublado pela manhã ao longo da faixa litoral. rEGIãO SUL: Províncias do Namibe, Huíla, Cunene e Cuando Cubango Céu pouco nublado ou limpo, tornando-se nublado ao entardecer. Muito nublado pela manhã ao longo da faixa litoral. possibilidade de ocorrência de nevoeiro ou neblina matinal em alguns municípios da província do Namibe.

A Meteorologista: Urssula Gonçalves. Luanda, 14 de Agosto de 2019 Aeroporto Internacional 04 de Fevereiro, Rua 21 de Janeiro – Tel.: 949320641 – Luanda. Site: http://www.inamet.gov.ao; emails: geral@inamet.gov.ao / geral.inamet@angola-portal.aoÊ

TEMPO nO MAr Fonte: INAMET

boLETiM METEoroLÓgiCo pArA A NAvEgAÇÃo MAríTiMA 1. SITUAÇãO GErAL ÀS 18:00 TU DO DIA 15 DE AGOSTO DE 2019: Circulação de Sudoeste moderada entre os paralelos 4°S a 6°S, circulação de Sudoeste-Sul fraca a INSTITUTO NACIONAL DE METEOROLOGIA – INAMET moderada entre os paralelos 6°S a 12°S, circulação de SudesteE GEOFÍSICA moderada entre os paralelos 12°S a 14°S Centro Nacional de Previsão do Tempo e circulação de Sudoeste-Sul moderada entre os paralelos 14°S a 18°S. BOLETIM METEOROLÓGICO PARA A NAVEGAÇÃO MARÍTIMA

2. PrEvISãO vÁLIDA ATÉ ÀS 18:00 TU DO DIA 15 DE AGOSTO DE 2019: 1. SITUAÇÃO GERAL ÀS 18:00 TU DO DIA 14 DE AGOSTO DE 2019: Circulação de Sudoeste moderada entre os paralelos 4°S a 6°S, circulação de Sudoeste-Sul fraca a moderada entre os paralelos 6°S a 12°S, circulação de

ondas maxímas de até 3.0 metros dedealtura no extremo Sul da região do Namibe, 3. Aviso: Sudeste moderada entre os paralelos 12°S a 14°S e circulação Sudoeste-Sul moderada entre os paralelos 14°S amarítima 18°S. VÁLIDA ATÉ a AS18°S. 18:00 TU DO DIA 15 DE AGOSTO DE 2019: Entre 2.osPREVISÃO paralelos 16°S 3. Aviso: Ondas maxímas até 3.0 metros de altura no extremo Sul da região maritima do Namibe, Entre os paralelos 16°S a 18°S.

REGIÃO

ESTADO DO TEMPO

VENTO

(ATÉ 200 MILHAS DA COSTA)

ALTURA DA ONDA (METROS)

ESTADO DO MAR

DIRECÇÃO FORÇA (KT)

Cabinda (4°S – 6°S)

Neblina ou nevoeiro

Zaire, Bengo, Luanda e Cuanza-Sul (6°S – 12°S) Benguela (12°S – 14°S)

Neblina ou nevoeiro Parcialmente nublado

Namibe (14°S – 18°S)

Parcialmente nublado

VISIBILIDADE HORIZONTAL (KM)

Sudoeste

Até 10

Até 2.8

Muito agitado

Fraca pela manhã (Superior a 5)

Sudoeste a Sul

05 à 10

Até 2.8

Muito agitado

Fraca pela manhã (Superior a 5)

Sudeste

Até 14

Até 2.8

Muito agitado

Fraca pela manhã (Superior a 7)

Sudoeste a Sul

Até 19

Até 3.0

Muito agitado

Fraca pela manhã (Superior a 7)

DESCrIÇãO SInÓPTICA DAS 18:00 TU DO DIA 14/08/2019 ÀS 18:00 TU DO DIA 15/08/2019. depressão, com pressão de 1015hpa. o seu vale depressionário estende-se em toda a costa marítima de Angola. o anticiclone de Santa helena irá deslocar-se para o Leste, com o seu centro de 1030hpa, influenciando o padrão e a intensidade do vento. Assim, prevê-se ondas máximas de até 3.0 metros de altura para a região marítima do Namibe. para as regiões marítimas de Cabinda, Zaire, bengo, Luanda, Cuanza-Sul e benguela prevê-se ondas maximas de até 2.8 metros de altura. visibilidade fraca devido à possibilidade de ocorrência de nevoeiro ou neblina matinal. CArTA DO vEnTO MÁXIMO E DA ALTUrA DA OnDA MÁXIMA PrEvISTA os contornos a cores indicam a altura máxima da ondulação e os contornos em tom cinza indicam os possíveis incrementos das vagas devido à influência do vento local.


DESPOrTO

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Kabuscorp: o grande ausente dANiEL MiguEL/Arquivo

O Wilson, amarelo, atleta do Petro de Luanda, tenta ultrapassar o defensor do Recreativo do Libolo do Cuanza-Sul

Festa do desporto rei regressa aos relvados do país

Kabuscorp do Palanca, clube com uma das “claques” mais ruídosas do Campeonato Nacional, é o grande ausente desta edição do Girabola. A formação do Palanca baixou para o provincial, segundo uma orientação da FIFA, por não ter resolvido, à horas, a dívida que tinha com o ex-craque brasileiro Rivaldo. Deste modo, a maior festa do desporto rei em Angola fica mais pobre nas bancadas, uma

vez que os seus adeptos cantavam e dançavam nas bancadas do primeiro ao último minuto. Nos jogos com o Petro de Luanda, um dos seus rivais, a animação começava logo de manhã no Palanca e culminava depois do apito final. O presidente de direcção do Kabuscorp do Palanca, Bento Kangamba, um homem do futebol, segundo alguns analistas, deixa saudades, porque as suas intervenções foram sempre polémicas.

desportivo abre com Maquis dANiEL MiguEL/Arquivo

Dezasseis clubes disputam a partir de hoje o girabola 2019/2020. o 1º de Agosto é o tetra campeão nacional e entra na prova com o objectivo de revalidar o título Sebastião Félix

O

Girabola 2019/2020, festa do futebol sénior masculino angolano, regressa hoje aos relvados do

país. A prova, que começou em 1979 e baptizou o 1º de Agosto como campeão, vai ser disputada por dezasseis clubes. Os regulamentos da Federação Angolana de Futebol (FAF), órgão que rege a modalidade, impõem trinta jogos. Na primeira volta, as equipas realizam quinze partidas, ao passo que no segundo turno do certame batem-se pelo mesmo número. Assim, no Girabola, vários actores fazem parte da festa em vários

domínios enquanto decorrem as jornadas. Os dirigentes criam as condições técnicas e administrativas, ao passo que os atletas animam os adeptos nas bancadas. Por sua vez, os treinadores são obrigados a dar o litro para não serem “chicoteados” antes de terminar a primeira volta. Os árbitros fazem parte do escalão mais criticado pelos adeptos, treinadores e dirigentes, sempre que a prova arranca.

1ª JOrnADA progresso Williet d huíla F huambo 1º de Maio Sagrada Santa rita Sport Cabinda

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1º de Agosto petro b Maquis CC FC Académica interclube Caála Libolo

Eles têm a obrigação de ter um papel preponderante nos jogos, uma vez que a prova é muito exigente. O 1º de Agosto, tetra campeão nacional, e o Petro de Luanda, candidatos naturais ao título, reforçaram-se, logo, vão baterse mano a mano. Entre as dezasseis equipas em prova, algumas vão entrar na corrida ao título, mas não terão rotação para continuar. Como é evidente, outras terão como foco a permanência no Girabla, sobretudo na segunda volta. A crise financeira e económica que assola o país deixou de rastos muitos clubes, por isso o Benfica do Lubango desistiu da prova. O Williet de Benguela o subistituiu e espera, como novato na prova, dar o litro e ser revelação.

Militares da Região Sul no Estádio 11 de Novembro, em Luanda

O

Desportivo da Huíla começa o Girabola hoje com o Bravo do Maquis do Moxico, no Estádio do Ferrovia, às 15:00. Os huílanos, donos de casa, querem começar com vitória, uma vez que foram incapazes de conquistar a Supertaça. Por isso, o técnico Mário Soares mostrou-se confiante nos treinos ao longo da semana à imprensa.

Por sua vez, Zeca Amaral disse que a sua equipa está preparada para o embate desta tarde na cidade do Lubango. O técnico da formação do Moxico perdeu por uma bola a zero com 1º de Agosto num jogo treino, mas alegou que conseguiu ver os sectores que tinham mais debilidades para os corrigir antes do arranque do campeonato.


O PAÍS Sexta-feira, 16 de Agosto de 2019

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Afrotaça adia jogo do campeão nacional

Depois de ter regressado na época passada aos franceses do Le Havre, o poste internacional angolano Valdelicio Joaquim é o novo reforço do Petro de Luanda, tendo em vista a temporada basquetebolística 2019/20, segundo fonte de OPAÍS. O jogador encontra-se ao serviço da Selecção Nacional sénior masculina que prepara o Mundial da China, prova a decorrer de 31 deste mês a 14 de Setembro. Valdelício Joaquim nasceu em Luanda, a 15 de Abril de 1990. Para esta temporada, a direcção do Petro de Luanda, liderada por Tomás Faria, tem como objectivo revalidar o título do Unitel-Basket, Campeonato Nacional e vencer a Taça de Angola.

O

jogo da primeira jornada do Girabola entre o Progresso do Sambizanga e o 1º de Agosto, tetracampeão nacional, foi adiado “sine die” devido ao desafio dos militares frente ao KMKM da Tanzânia, em partida referente à segunda mão das eliminatórias de acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões Africanos. Deste modo, a equipa do RI20 aproveita para preparar o jogo diante do representante tanzaniano agendado para 23 deste mês, no Estádio 1 de Novembro, em Luanda, às 16:00. Apesar da vantagem de duas bolas sem resposta na casa do adversário, os pupilos de Dragan Jovic são obrigados a redobrar os esforços para não serem surpreendidos perante os adeptos e sócios. Por esta razão, o treinadoradjunto do 1º de Agosto, Ivo Traça, disse que é imperioso encarar o jogo da segunda mão com muita concentração. “Não podemos permitir o que aconteceu na temporada passada, em que não conseguimos passar da primeira fase”, alertou o técnico. dANiEL MiguEL/Arquivo

valdelício assina no Petro por duas épocas

dANiEL MiguEL/Arquivo

Italee Lucas (vermelho) não conseguiu evitar a derrota da Selecção Nacional no Pavilhão Arena de Dakar

Angola cai aos pés do Senegal no Afrobasket Mário Silva

A

Selecção Nacional sénior feminina de basquetebol não conseguiu garantir o passe para as meiasfinais, após perder, por 88-54, ontem, frente ao Senegal, país anfitrião, em jogo dos quartosde-final do Campeonato Africano das Nações, Afrobasket, prova que decorre na cidade de Dakar. No Pavilhão Arena de Dakar, as angolanas entraram mal nos dois primeiros períodos, ou seja, perderam por 2017 e 21-9 respectivamente.

No reatamento da partida, quer dizer, no terceiro quarto, as comandadas de Apolinário Paquete tiveram uma melhor postura, mas voltaram a perder por 23-15, oito pontos de desvantagem. Nos dez minutos finais do desafio, Italee Lucas e Luísa Macuto, esta última melhor marcadora da Selecção Nacional com onze pontos, tudo fizeram para equilibrar o marcador, porém as senegalesas comandadas em campo por Yacine Diop anularam as investidas das angolas. Assim, o cinco nacional não conseguiu evitar a derrota e o afastamento da fase do título. Deste modo, Angola disputa as

classificas do quinto ao oitavo lugar, enquanto o Senegal vai discutir o passe para a final frente a Moçambique. Nas meias-finais, a selecção da Nigéria defronta esta tarde a sua similar do Mali, a partir das 16 horas. Para chegar às “meias”, as nigerianas eliminaram, por 76-46, a República Democrático do Congo (RDC), ao passo que as malianas venceram, por 60-51, a Côte d’Ivoire. Ainda hoje, a RDC e Côte d’Ivoire disputam as classificativas do quinto ao oitavo lugar do Campeonato Africano das Nações, às 11:30.

António Domingos vence nacional de atletismo

Jurgen Klopp elogia árbitra da Supertaça Europeia

Mercedes volta a surpreender a Ferrari na Fórmula 1

O fundista António Domingos, do Interclube, venceu ontem, na cidade do Cuito, província do Bié, a sétima edição da prova nacional de atletismo, denominada “Cuito Cidade Invicta”, com o tempo de 33 minutos e 43 segundos. Num percurso de 10 quilómetros, a segunda posição coube a Avelino Dumbo.

Apesar das dúvidas em torno da grande penalidade assinalada a favor do Chelsea, que acabou por forçar o prolongamento na Supertaça Europeia, Jurgen Klopp não poupou nos elogios a Stephanie Frappart, árbitra que fez história ao tornar-se a primeira mulher a apitar uma prova da UEFA.

Antes do começo da temporada, a Ferrari era a favorita depois dos testes em Barcelona. Muitos fãs e especialistas previam que a equipa de Maranello estaria à frente depois dos testes da pré-temporada, mas a Mercedes foi quem dominou a primeira fase do campeonato.

Angolanas na rota das campeãs africanas

A Selecção Nacional de andebol júnior feminina está no grupo A do Campeonato Africano das Nações, a disputar-se no Níger, de 5 a 14 de Setembro, ao lado do Senegal, campeão em título, Congo Democrático e da Guiné Conacry, ditou ontem o sorteio realizado em Abidjan, Cote I’voire. Deste modo, as comandadas de Edgar Neto terão de trabalhar bastante para conseguir o passe para outra fase, de modo a conquistar o título, objectivo traçado pela Federação Angolana da modalidade. Para concretizar esta pretensão, o sete angolano é obrigado a terminar a série ao lado do Senegal, campeão em título, na primeira ou segunda posição. Por sua vez, as detentoras do título partem como favoritas para revalidar o ceptro, mas terão que provar durante o torneio. República Democrática do Congo (RDC), Tunísia, Argélia, Benin e Níger, país anfitrião, são as selecções que formam o grupo B. Em cadetes, a Selecção Nacional vai defrontar o Egipto, Tunísia, RDC, Argélia, Guiné Conacry e Níger.


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rICArDO vITA*

Toni Morrison é eterna

T

oni Morrison pertence à Eternidade. O mundo da literatura perdeu no dia 5 de Agosto uma das suas figuras mais fi nas, os Estados Unidos e os negros a sua representante feminina mais reconhecida. Sentiremos a ausência da sua voz íntima profundamente. Nessa voz havia a capacidade de exprimir a Liberdade, ela entendia a violência da opressão. A tristeza com a qual recebemos o anúncio da sua morte provocou também o que a morte geralmente sabe produzir: uniu todos aqueles que entendiam o sentido dessa sua voz íntima além das páginas dos seus livros. Toni Morrison sabia como falar sobre a odisseia do Negro através da memória e da herança do Negro americano. O comércio transatlântico de escravos. A escravatura. A Guerra de Secessão. A segregação e as linchagens. As lutas de resistência e a libertação levadas a cabo pelo Negro americano em todos os momentos. Ela fez com os seus romances o que W.E.B. Du Bois fez com os seus ensaios, especialmente As Almas da Gente Negra (The Souls of Black Folk), uma leitura obrigatória. Uma das maiores contribuições de Toni Morrison para a literatura foi a visão caleidoscópica com a qual via os negros e a rigorosa compaixão com que descrevia os personagens negros. Escolheu escrever somente dentro do rico campo das experiências negras. Em 2015, ela confessou ao jornal The Guardian que escrevia para negros, « da mesma forma que Tolstoi não escrevia para mim quando eu tinha 14 anos de idade em Ohio », e assumiu que não se sentia mal ou limitada com isso. Mas há personagens brancos nos seus livros; escreveu páginas inesquecíveis sobre o « olhar branco » que paira sobre tantos Afro-ameri-

canos. Essa resposta foi simplesmente a sua maneira para dizer que não esperava nenhuma aprovação de nenhum crítico branco. Também revelou no programa de Charlie Rose que aprendeu a assumir a « centralidade da sua raça » com escritores africanos como Chinua Achebe, daí também as cadências da tradição oral africana na sua prosa. Passou toda a sua vida de escritora a tentar ter a certeza de que o personagem branco não fosse dominante em nenhum dos seus livros. Porque o contrário seria afi rmar que as vidas negras não contam ou não têm profundidade sem personagens brancos. Ela não precisava ser consumida nem se preocupar com o personagem branco e isso foi libertador para ela. « Agora podemos ocupar o ofício da escrita no qual os negros falarão aos negros », disse um dia. E marcou a sua soberania, a sua autoridade como uma escritora racializada imediatamente com o primeiro livro, The Bluest Eye (O olho mais azul). Toni Morrison era livre e tinha um nível de liberdade que poucos de nós alcançaram. A sua era a liberdade que negava a negação da Liberdade, como a Négritude de Césaire que negava a negação do Negro. Tudo em Toni Morrison era nobreza. O seu cabelo era a dignidade e a sua voz a da guerreira redentora. Os negros do mundo inteiro perderam uma mãe na literatura. Uma mãe livre e emancipada que queria também libertar os seus fi lhos, porque a Liberdade era o seu valor fundamental. Toni Morrison era a consciência negra, a contadora da sua verdade. Com ela sempre foi necessário transmitir a cultura, a identidade e o sentimento de pertença, de pais para fi lhos e de pais para netos. Estas ligações geracionais formam para ela as únicas cadeias salutares da experiência humana.

Com ela, aprendemos também a ver o papel fundamental que as mulheres negras desempenham na sobrevivência da sua comunidade. Como Calibã, na Tempestade de Shakespeare, ela entendeu o poder das palavras e estudou pacientemente para possuir plenamente a língua com a qual o seu povo é oprimido. E será nesta língua que ela falará poderosamente para também amaldiçoar. Perdemos a nossa mãe. Mas antes despertou-nos, educou-nos e ajudounos a lidar com as nossas feridas mais profundas. E toda a sua vida foi guiada por este desejo de alcançar uma Liberdade maior, para o nosso benefício, e para criar uma Black Conscience. Antes de publicar o seu primeiro romance, aos 39 anos de idade, lutou para promover escritores negros, incluindo activistas do Partido dos Panteras Negras como Angela Davis e Huey P. Newton, na editora Random House onde foi a primeira

Perdemos a nossa mãe. Mas antes despertounos, educou-nos e ajudou-nos a lidar com as nossas feridas mais profundas.

negra a ocupar uma função editorial. Em 1974 coordenou e editou The Black Book, uma colectânea de história e cultura negras. O livro é um testemunho da sabedoria, força e perseverança de homens e mulheres negros empenhados na Liberdade. O volume é composto de recortes profusamente ilustrados que abrangem três séculos de história afro-americana; reproduzindo recortes de jornais, fotografias, anúncios, folhetos e similares. Começou a escrever em 1970 e produziu obras de vários gêneros: romances, contos, ensaios, artigos, música, literatura para crianças. Publicou onze romances, entre 1970 e 2015, e ganhou todos os prêmios. A sua escrita única e incomparável permaneceu ancorada na narração das experiências moldadas pela história e o seu extraordinário e singular percurso culminou em 1993 com a mais alta das recompensas desta arte: o Prêmio Nobel de Literatura. Foi a primeira Afro-americana e a segunda mulher dos Estados Unidos a ganhar este prêmio. Continuou a escrever e a ensinar a literatura em prestigiosas universidades como Princeton. Tornou-se uma crítica literária influente enquanto também produzia artigos e ensaios importantes. Descobri Toni Morrison através de Beloved (Amada), a sua obra-prima, que ganhou o Prêmio Pulitzer em 1988, que li vorazmente em Inglês, e que ainda me recorda os meus anos na Sorbonne onde a minha consciência se consolidava procurando respostas nos bons livros; santos e profanos. O romance conta a história de Sethe e a sua fi lha mais nova Denver após a sua fuga da escravatura. Os outros seguiram, em ordem, The Bluest Eye (O olho mais azul), um livro que conta a triste vida da pequena Peco-

la Breedlove que pensa ser feia e que reza todas as noites pela única coisa que poria fi m ao seu sofrimento: ter olhos azuis. Sula é sobre o regresso de uma jovem escandalosamente sedutora à sua terra natal e o ostracismo que enfrenta lá. Song of Solomon é uma viagem sobre a busca de identidade. Tar Baby, o seu quarto romance, trata de questões de preconceito racial e de classe entre os negros. Jazz é um romance histórico e a segunda parte da trilogia que escreveu sobre a história dos Afro-americanos, que começa com Beloved (Amada) e termina com Paradise (Paraíso). Mas nunca terminei Paradise (Paraíso). Não comprei Love (Amor) nem A Mercy ou Home (Voltar para casa) e ninguém me ofereceu God Help the Child. Arrependo-me por este atraso, porque tinha encontrado respostas nos textos que li e me identifiquei imediatamente com a Toni Morrison porque me pareceu honesta e proba. Não me mentia. A sua morte lembroume da ternura e do respeito que tenho por ela e decidi reler todos os seus livros. Todas as honras e homenagens que Toni Morrison recebeu são justificadas. A nossa gratidão deve ser infinita por ela ter vivido até 88 anos de idade. Também lhe agradeço por ter compilado e publicado os melhores ensaios de James Baldwin, outra voz negra indispensável. E é com deferência que exprimo aqui a minha gratidão por sua existência, e di-lo-ei com uma expressão agradável da sua língua: Thank you, Madam. * é Pan-africanista, afrooptimista radicado em Paris, França. É colunista do diário Folha de São Paulo (Brasil), do diário Público (Portugal) e do diário Libération (França). É cofundador e vice-presidente do instituto République et Diversité que promove a diversidade em França e é empresário.


ÚLTIMA

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O PAÍS Sexta-feira,1 6d eA gostod e2 019

Angola colhe experiência brasileira no combate à corrupção

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Uma delegação da inspecção geral do Estado está no brasil com o objectivo de conhecer o modo de funcionamento do sistema anticorrupção, no que concerne a áreas de investigação, auditoria e controlo, bem como identificar os mecanismos de cooperação dr

primeira universidade privada do Cunene arranca em 2020

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primeira instituição privada de ensino superior na província do Cunene começa a funcionar no ano acadêmico 2020, avançou Quintafeira, em Ondjiva, o director administrativo da mesma, Mário Lumbamba. Localizada na cidade de Ondjiva, o Instituto Superior Politécnico Sul conta com 20 salas de aulas e capacidade para dois mil 100 estudantes em três turnos, ministrando cursos de Direito, Contabilidade e Administração, Engenharia Agropecuária, Informática e Hotelaria e Turismo. Em construção desde 2014, a infra-estrutura recebe trabalhos

finais nas áreas de serviços administrativos, laboratórios de química e biologia, biblioteca e anfiteatro. Mário Lumbamba, que falava à Angop no final da visita realizada pelo Conselho Provincial de Juventude do Cunene, explicou que as condições ligadas ao apetrecho da instituição estão garantidas e vão oferecer dignidade aos estudantes e docentes. O responsável fez saber que estão a trabalhar com o Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação visando a legalização do Instituto Superior Politécnico Sul. O secretário executivo interino do CPJ no Cunene, Marcelino

A

delegação, chefiada pelo inspector-geral, Sebastião Domingos Ngunza, foi recebida pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. O governante brasileiro explicou o contexto político e histórico de Angola e os esforços em combater a corrupção e a improbidade administrativa. O ministro da Justiça e Segurança Pública abordou sucintamente a atribuição da pasta e colocou a instituição à disposição para colaborar e cooperar com Angola. Na agenda da delegação está prevista uma reunião com representantes do Departamento de Recuperação de Activos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI) para conhecer a estratégia nacional de combate à corrupção e à lavagem de dinheiro (ENCCLA).

dos Santos, disse que o acesso ao ensino superior tem sido difícil, mas a entrada em funcionamento deste instituto vai facilitar a situação. A província do Cunene conta desde 2009 com duas instituições do ensino superior públicas, nomeadamente a Escola Superior Pedagógica e o Instituto Superior Politécnico, localizados em Ondjiva, que oferecem os cursos de Biologia, Engenharia Hidráulica, Agropecuária Analises Clínicas.

IDF considera cifras da produção de mel abaixo das capacidade da região

A

s cifras actuais de produção de mel na província do Huambo, planalto central de Angola, numa média de 11 toneladas a cada seis meses, encontram-se muito abaixo do potencial desta região, de acordo com o Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF). O facto foi referido Quarta-feira, à ANGOP, pelo chefe do departamento local do Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF), Amaro Francisco Gime, por a instituição considerar que estas poderiam situar-se a volta das 28 toneladas, tendo em conta o número de apicultores e cooperativas locais. O responsável acrescentou ainda que tal facto se deve à falta de fumegadoras, fatos de colheita e colmeias. Disse que além da falta destes equipamentos essenciais, a produção de mel está a ser afectada grandemente pelo uso de técnicas tradicionais de colheita, com recurso a fogo, uma prática que provoca a morte ao enxame. Apesar da reduzida quantidade que se colhe, o responsável informou que a província do Huambo continua ser a terceira maior produtora de mel no país, superada pelas províncias do Moxico e Bié, quando no passado era apenas superada pelo Moxico. O IDF, de acordo com Amaro Francisco Gime, controla cinco

cooperativas em cinco dos 11 municípios, constituídas, cada uma delas, por 30 a 50 produtores de mel, sendo os municípios do Cachiungo e Ecunha os que mais se destacam. Informou, entretanto, que em todos os municípios existem apicultores individuais, uma vez que a província do Huambo possui enorme potencial para produzir mel, confirmando, também, que o melhor mel do país é produzido nesta região, nas florestas de eucalipto. Quanto ao escoamento, o chefe do departamento local do IDF disse não haver muitas dificuldades, sublinhando que duas das cinco cooperativas fornecem regularmente às grandes e médias superfícies comerciais, por possuírem equipamentos de refinação, engarrafamento e timbragem. Amaro Francisco Gime lamentou os desperdícios da cera, que se retira do mel depois de refinado, por falta de indústrias que poderiam aproveitar o produto como matéria-prima a ser utilizada nas indústrias de cosméticos, farmacêuticas e odontológicas, além de ser aproveitada também em mobiliários, tintas e artigos de couro. Além dos benefícios na alimentação, o mel, líquido viscoso e açucarado produzido pelas abelhas a partir do néctar recolhido de flores, tem propriedades curativas que podem melhorar a saúde humana.

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Jornal OPaís edição 1567 de 16/08/2019  

CASO CNC CONDENADOS www.opais.co.ao

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