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Módulo 5. 1. Descrição e interpretação da actividade cognoscitiva Análise comparativa de algumas Teorias Explicativas do Conhecimento

Prof. MARINA SANTOS 2011

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A questão do conhecimento Principais problemas gnosiológicos: Problema da origem ou fonte; Problema da natureza ou essência; Problema da possibilidade, valor e limites. Principais teorias explicativas do conhecimento: Modelos que atribuem ao objecto o papel fundamental no conhecimento. Modelos que atribuem esse papel ao sujeito. Modelos que atribuem peso equivalente a ambos – sujeito e objecto.

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Conhecimento como movimento a partir do OBJECTO Natureza Ou Essência

Origem ou Fonte

É possível conhecer a realidade sensível. REALISMO

Resulta da impressão dos dados no sujeito.

EMPIRISMO É impossível conhePossibilidade.,Valor e cer a realidade. Limites CEPTICISMO

Conhecimento como movimento a partir do SUJEITO É possível conhecer as ideias. IDEALISMO

O conhecimento deduz-se a partir das ideias.

Conhecimento como movimento a partir do SUJEITO + OBJECTO Não é possível conhecer a realidade em si, mas apenas a representação desta. FENOMENISMO É organização dos dados sensoriais efectuada pelas categorias do sujeito.

RACIONALISMO

APRIORISMO

É possível conhecer a realidade.

É impossível conhecer a realidade metafísica.

DOGMATISMO

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CRITICISMO

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A origem ou fonte do conhecimento * * Colocar o problema da fonte ou origem do conhecimento é determinar se as nossas capacidades sensoriais, ou as nossas capacidades racionais, ou ambas, são a base de onde provêm os nossos conhecimentos ou ideias.

Como conhecemos? De onde provém o conhecimento? Conhecemos através dos sentidos? => Empirismo Conhecemos através da razão? => Racionalismo Conhecemos através dos sentidos e da razão? => Apriorismo Prof. MARINA SANTOS 2011

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3 Teorias Explicativas do conhecimento sobre a origem/fonte do conhecimento «O problema central da teoria do conhecimento é, com efeito, estabelecer se o conhecimento se reduz a um puro registo, pelo sujeito, de dados já organizados independentemente dele num mundo exterior (físico ou ideal), ou se o sujeito intervém activamente no conhecimento e na organização dos dados.» (Jean PIAGET, Lógica e Conhecimento Científico,1967)

Formigas, Aranhas e Abelhas Vamos agora procurar compreender e criticar algumas teorias interpretativas e explicativas do conhecimento, incidindo na origem do conhecimento. Para tal, recorreremos à metá-fora de Francis Bacon “as formigas, as aranhas e as abelhas” (ver texto). Cada um destes animais simboliza uma teoria explicativa do conhecimento.

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Perspectiva histรณrica Racionalismo

Descartes (1596 -1650)

Locke

Espinoza

Leibniz

Berkeley

Empirismo

Hume (1711-1776)

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Wolff

Kant

(1724-1804) 6


Formigas, Aranhas e Abelhas «Aqueles que se ocuparam das ciências foram, ou empiristas, ou dogmáticos. Os empiristas, à maneira das formigas, apenas amontoam e consomem; os racionalistas, à maneira das aranhas, tecem teias a partir de si próprios; o método da abelha situa-se a meio, já que recolhe a matéria das flores dos jardins e dos campos, mas digere-a e transforma-a através de uma faculdade que lhe é própria. E não é diferente o trabalho da filosofia: não se alimenta apenas ou principalmente das forças da mente, nem deposita intocável na memória a matéria que é fornecida pela história natural ou pelas experiências mecânicas, antes o realiza no entendimento, uma vez modificada e transformada. Assim, de uma aliança mais estreita e respeitada entre estas duas faculdades, a experimental e a racional, aliança que até agora ainda não foi conseguida, algo que é bom de esperar.» (Francis BACON, Organon,1620, P1 Aforismo 95)

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As ideias são uma estrutura anterior à percepção e com a qual a realidade percepcionada tem de estar de acordo =>As ideias certas e indubitáveis estão na Razão (a priori) Trabalho das aranhas: tecer teias a partir de si mesmas. Conhecer não é construir as nossas teorias com os meios de que dispomos? Não é verdade que conhecemos melhor aquilo que construímos? A metáfora das aranhas serve bem as posições racionalistas, para quem a única fonte de conhecimento verdadeiro é a razão. ideia

ideia ideia

ideia

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O sujeito tem ideias inatas já inscritas na Consciência. O sujeito submete-se às ideias inatas já inscritas na sua consciência e com as quais a realidade tem de estar de acordo. 8


Nada está no pensamento que não tenha estado primeiro nos Sentidos => Tudo provém da EXPERIÊNCIA (a posteriori) Trabalho das formigas: recolher e consumir. Conhecer não será isso mesmo: recolher informações do meio e fazer uso delas, quando for necessário? A metáfora exprime bem a posição das teorias empiristas, para as quais todo o nosso conhecimento provém da experiência. A metáfora das formigas articula-se bem com uma outra: a da tábua rasa de John Locke. Consciência = “tábua rasa”

Objecto sensível

Órgãos Dos Sentidos

ideia

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O sujeito submete-se ao objecto, que é conhecido na medida em que este produz marcas na sua Consciência. 9


Trabalho das abelhas: recolhem e transformam. Conhecer não será recolher informações e conferir-lhes uma estruturação com sentido e inteligibilidade? A metáfora das abelhas serve agora as posições que procuram conciliar uma dupla origem do conhecimento: a experiência e a razão.

 Coisa conhecida;  Objecto para o sujeito;  Realidade conhecida pelo sujeito.

SUJEITO FENÓMENO

E N T E N D I M E N T O

S E N S I B I L I D A D E

OBJECTO NÚMENO

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 Coisa em si;  Objecto independente do sujeito;  Realidade em si mesma.

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Atitude de Kant face ao Empirismo e ao Racionalismo: Concorda Não concorda  Os racionalistas estavam certos  Os racionalistas não estavam ao considerarem a razão como certos ao considerarem que a razão, determinante no conhecimento. por si só e independentemente da experiência, produziria  Os empiristas também estavam conhecimento. certos ao afirmarem que não existe  Os empiristas também não conhecimento do mundo exterior estavam certos ao considerarem que o conhecimento derivaria única e sem o contributo da experiência. exclusivamente da experiência. Kant ultrapassa a oposição Empirismo vs. Racionalismo, pela síntese: O conhecimento implica 2 fontes: a sensibilidade, que capta a matéria, e o entendimento, que lhe dá forma. A matéria (as intuições sensíveis) é a posteriori; a forma (as categorias do entendimento) é a priori. «Sem a sensibilidade nenhum objecto nos seria dado; sem o entendimento, nenhum objecto seria pensado». Prof. MARINA SANTOS 2011

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A disputa Rationalistas-Empiricistas

Segundo Kant, Todo o conhecimento começa com a experiência sensível, mas nem todo provém da experiência.

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Immanuel KANT (1724-1804) «Assim, na ordem do tempo, nenhum conhecimento precede em nós a experiência e é com esta que todo o conhecimento tem início. Se, porém, todo o conhecimento se inicia com a experiência, tal não prova que todo derive da experiência. Pois bem poderia o nosso próprio conhecimento por experiência ser um composto do que receberíamos das impressões sensíveis e daquilo que a nossa própria capacidade de conhecer (apenas posta em acção por impressões sensíveis) produz por si mesma.» (Immanuel KANT, Crítica da Razão Pura) Prof. MARINA SANTOS 2011

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O Apriorismo* Kantiano No conhecimento intervêm um sujeito, dotado de estruturas cognitivas a priori, bem como um objecto ou matéria. O conhecimento resulta dos dados provenientes da experiência, captados pela sensibilidade e que vão ser submeti- os à acção interpretativa do entendimento. A sensibilidade é uma capacidade do sujeito que se limita a ser afectada pelos objectos exteriores. Dispõe de formas a priori: espaço e tempo. O entendimento é uma capacidade do sujeito que organiza e interpreta os dados recolhidos pela sensibilidade. Dispõe de categorias a priori: causa, substância, etc. *A priori = anterior e independente da experiência Prof. MARINA SANTOS 2011

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Sensibilidade e entendimento “Os pensamentos sem conteúdo são vazios, e as intuições sem os conceitos são cegas.” «O nosso conhecimento procede de duas fontes fundamentais do espírito: a primeira é o poder de receber representações (receptividade ou sensibilidade); a segunda, a de conhecer por meio dessas representações (espontaneidade dos conceitos ou entendimento). Pela primeira, um objecto é-nos dado; pela segunda, é pensado. Intuições e conceitos constituem os elementos de todo o nosso conhecimento de maneira que um sem o outro, podem dar conhecimento.» (KANT, Crítica da Razão Pura) Prof. MARINA SANTOS 2011

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Estou a pensar

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Há 2 tipos básicos de conhecimento: Conhecimento a priori, que tem a sua origem nas operações mentais & é independente da Conhecimento a experiência sensível. posteriori, que tem origem na experiên-cia & dela depende. Prof. MARINA SANTOS 2011

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SUJEITO

Conhecimento

Forma

A priori

Entendimento

Organização

OBJECTO

Matéria

Sensibilidade

Captação

Impressões sensíveis A posteriori

Objecto Conhecido = FENÓMENO

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O Criticismo Kantiano Relativamente ao valor e limites do conhecimento, Kant adopta uma posição crítica:  Tal como o racionalismo dogmático, tem confiança nas capacidades racionais para atingir o conhecimento. Porém, afasta-se deste ao considerar que existem limites para o conhecimento.  Na análise crítica da razão humana, Kant considera que as formas a priori da sensibilidade e do entendimento, por si só, são vazias. Estas necessitam da experiência, dos dados recolhidos sensorialmente, para funcionarem: do objecto, da matéria. Neste ponto concorda com o empirismo.  Portanto, é possível um conhecimento verdadeiro, mas apenas dos dados provenientes da experiência, que se submetem à acção organizadora do entendimento humano.  Se na base do processo cognitivo está a experiência, é impossível o conhecimento de entidades metafísicas (Deus, Alma e Mundo). Prof. MARINA SANTOS 2011

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Esquema do processo de conhecimento em Kant: Pensar

Ideais reguladores Deus Alma

Mundo

Razão Conceitos racionais

Juízos sintéticos a priori 2º nível: Conhecimento Científico

Entendimento

Conhecer

Qualidade Quantidade

Causalidade

Conceitos puros

Relação Modalidade

Percepções Espaço

Sensibilidade

Tempo

1º nivel: Conhecimento Sensivel

Intuições sensíveis

FENÓMENO = objecto conhecido Prof. MARINA SANTOS 2011 NÚMENO = coisa-em-si

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