REVISTA NAZARÉ MARÉS DE MAIO 2019

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3ª Edição - 2019

NAZARÉ MARÉS DE MAIO |

Agenda

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Património

Distribuição gratuita

Concelho

Concelho da Nazaré

Nazaré, Sítio, Pederneira, Valado dos Frades e Famalicão.

Eventos

Agenda com os eventos, festas e romarias anuais.

Monumentos

Património existente no concelho.


HOTEL Todos viajamos por lazer ou necessidade, seja qual for o caso, a visita ao Mar Bravo nunca deixa de ser marcante, devido à vista inigualável para o mar presente em todos os 16 quartos, tornando assim qualquer estação do ano bonita. Com uma sala que concilia um ambiente relaxante com uma boa opção para trabalhar ou reunir, este Hotel tem sempre como elemento diferenciador a vista frontal da Praia da Nazaré.

RESTAURANTE As janelas rasgadas permitem que se disfrute com um sabor especial a comida atlântica servida no Mar Bravo. Almoços de grupos, ocasiões particulares, um bom jantar a dois ou até refeições em trabalho são contempladas com um serviço singular num local distinto. A sala privada com capacidade para cerca de 30 pessoas é ideal para festas exclusivas e reservadas.

SERVIÇOS RECEPÇÃO ABERTA 24H COFRES NO QUARTO AR CONDICIONADO TV POR CABO GARAGEM

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Praça Sousa Oliveira nº 71, 2450 - 159 Nazaré | T.262 569 160 / 919 903 282 | info@marbravo.com


ÍNDICE

NAZARÉ

MARÉS DE MAIO REVISTA NAZARÉ MARÉS DE MAIO 2019 Edição: Nazaré Marés de Maio Propriedade: Nazaré Marés de Maio – Associação para o Desenvolvimento Integrado do Concelho da Nazaré Morada: Praça Fenda na Muralha, 60 2450-285 Nazaré NIPC: 514 772 395 Coordenação: Rui Gerardo Paginação: Miriam Conceição Design Gráfico: Mi Design Fotografia: Museu Dr. Joaquim Manso, Júlio Limpinho, Manuel Pinto, Hélio Matias, Antti Särkilahti, Gisela Barg Särkilahti, José Júlio Macatrão, Sérgio Cardina, José Luís Serrador, Ricardo João, Instituto Hidrográfico, I.S.N, Capitania do Porto da Nazaré, Eugénio Couto, Grupo Etnográfico de Danças e Cantares da Nazaré, Abel Cunha, José Maria Carvalho Júnior, Aníbal Freire, Associação Biblioteca da Nazaré , Daniel Meco, Ocean Puzzle, Paula Alexandra Santo, Sara Leonardo, Rossana Manã e Vitor Estrelinha. Impressão: MX3 - Artes Gráficas Tiragem: 2.000 exemplares Periodicidade: Anual Distribuição: Gratuita Colaboradores: Ângelo Godinho, Cecília Louraço, Dóris Santos, Eugénio Couto, João Paulo Delgado, Rui Gerardo, Sara Vidal, Susete Cardoso, Hélio Matias, Confraria de Nossa Senhora da Nazaré, Museu Dr. Joaquim Manso, Armando Macatrão, Instituto Hidrográfico, ISN, Cecilia Nunes, Grupo Etnográfico de Danças e Cantares da Nazaré, Anibal Freire, Associação Biblioteca da Nazaré, Daniel Meco, Sara Vieira,

Nazaré Marés de Maio Inicativas Nazaré Marés de Maio Nazaré Lances da Arte Xávega Assoreamento do Promontório Fenómeno do assoreamento Mar, a Floresta e o Ambiente Expressões da Nazaré Carnaval Água do Mar e seus beneficíos Como se formam e medem as ondas Ruas Típicas Quem não rema já remou Jogos d’Antigamente Misterioso desaparecimento da Redinha Expressões da Nazaré Campos do Valado Lavadeiras - Semelhanças nas diferenças Quem foi S. Sebastião Aníbal Freire Fanhais Aspetos da Nazaré Jaime Rocha Nadadores Salvadores da Nazaré Golfinhos Nazaré. A arte da construção naval Estação salva-vidas da Nazaré Consumo de Peixe Nazaré - Uma vila no centro da Nazaré Círio da Nossa Senhora da Vitória Qualidade das águas do Mar Procissão do Senhor dos Passos O litoral dos Coutos de Alcobaça Agenda de Eventos

02 07 10 12 14 16 18 20 22 24 30 32 34 40 42 44 46 48 52 58 60 62 64 66 67 68 70 74 76 78 80 82 86 88

Mário Bulhões, Maria Virgínia Henriques (D.G.Univ. Évora). E-mail: nazaremaresdemaio@gmail.com Próxima Edição: Maio de 2020 por ocasião do Nazaré Marés de Maio 2020

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Nazaré Marés de Maio

ASSOCIAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO INTEGRADO DO CONCELHO DA NAZARÉ NAZARÉ MARÉS de MAIO ASSOCIAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO INTEGRADO DO CONCELHO DA NAZARÉ é uma associação de direito privado, sem fins lucrativos, com sede na Nazaré, registada no Ficheiro Central de Pessoas Coletivas com o nº 514 772 395 e que tem por objeto social apoiar e estimular a cidadania e o desenvolvimento no Concelho da Nazaré e da região onde se insere e de forma integrada. Nazaré Marés de Maio, enquanto evento, surge quando, através do Fórum dos Amigos da Nazaré, se conclui que a Nazaré estava deficitária de atividades culturais e artísticas que permitissem a promoção da Nazaré através destas vertentes. Em outubro de 2016, um grupo é constituído e adaptam um projeto antigo da autoria de João Paulo Delgado e cria o evento que se denomina Nazaré Marés de Maio. Com a consolidação da base de funcionamento do grupo sentiu-se a necessidade de o dotar de personalidade jurídica para prosseguir os objetivos propostos, pelo que se avançou para a constituição da associação privada sem fins lucrativos adotando o mesmo nome – Nazaré Marés de Maio.

A ORIGEM DO NOME NAZARÉ Porque o local-base e o âmbito geográfico de atuação deste projeto é o concelho da Nazaré. No entanto, o seu âmbito de atuação é alargado a toda a região onde se insere, quando os projetos ou iniciativas a desenvolver em parceria com outras entidades sejam de elevado interesse comunitário. Por outro lado, porque o desenvolvimento do concelho da Nazaré beneficia grandemente com a existência desta atuação concertada com a região, quer no aspeto económico, ambiental, cultural, desportivo, religioso e comunidade escolar.

MARÉS Pela sua simbologia enquanto fenómeno natural regular de esvaziamento/enchimento/ transformação que influencia e é determinante para uma maior ou menor oportunidade de sucesso da atividade humana.

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Nazaré Marés de Maio

MAIO Por ser o momento do ano em que, através do evento, se deverá captar os visitantes e dar-lhes motivos e condições únicas para voltarem várias vezes ao ano. Num concelho em que o turismo assume uma relevância cada vez maior, serão os seus aspetos diferenciadores e absolutamente inimitáveis que permitirão, a um concelho com estas características, assumir a sua marca e a sua natureza, como mais-valias de peso que conduzirão ao seu desenvolvimento sustentado e sustentável. Por essa razão o evento se realiza durante o mês de Maio.

PORQUE O FAZEMOS A razão de base da existência do projeto é alavancar a sociedade com capacidade de r efletir sobre si mesma para melhor projetar e executar o seu futuro coletivo é o objetivo comum. Aproveitando as capacidades individuais do grupo e respeitando a missão, visão e objetivos de cada uma das entidades representadas fez-se uma conjugação de esforços para a realização mais rápida dos objetivos. A conjugação de esforços com as características e atitudes dos vários parceiros, as iniciativas serão mais valorizadas e irão auxiliar no cumprimento dos objetivos, onde a palavra ACREDITAR é a chave de todo o projeto. Acreditar na sua validade, pertinência, qualidade e conceito. Acreditar que através dele, mais facilmente se atingem os objetivos que um concelho com estas características, e a região onde se insere, permanentemente deverá perseguir ou seja, melhorar a vida de quem nela vive ou trabalha e proporcionar através do evento momentos inolvidáveis a quem periodicamente o visita. Acreditar que um projeto com estas características poderá ser um incremento válido para a criação de novos públicos, interna e externamente, criação e desenvolvimento de capacidade crítica, facultar novos ângulos de visão, promover a participação e cidadania. Em suma – alavancar uma sociedade com capacidade de refletir sobre si mesma para melhor projetar e executar o seu futuro coletivo.

OBJETIVO • MISSÃO VISÃO • VALORES Enquanto ASSOCIAÇÃO, a NAZARÉ MARÉS DE MAIO tem como objetivo apoiar e estimular a cidadania e o desenvolvimento do concelho da Nazaré e da região onde se insere de forma integrada: • Promover o desenvolvimento local e/ou regional integrado através da dinamização sócio cultural e económico e da promoção de iniciativas nas áreas de recursos humanos, da formação, do ambiente, da igualdade de oportunidades e do género, do turismo e do património, da cultura, desporto, lazer e do apoio às atividades produtivas; • Desenvolver as ações constantes no seu plano de atividades, preferencialmente em cooperação com outras entidades; • Contribuir para potenciar as atividades económicas, culturais, desportivas e de lazer no concelho e da região, apoiando iniciativas de investimento e criando condições favoráveis de acesso aos programas nacionais bem como a fundos comunitários direcionados ao desenvolvimento das mais variadas atividades; • Contribuir para o fortalecimento do movimento associativo em todas as suas vertentes; • Elevar a qualidade de vida dos cidadãos do concelho e da região, estimulando uma democracia avançada, ancorada na participação ativa e em dinâmicas de verdadeira cidadania, igualdade de oportunidades e justiça social; • Desenvolver a cooperação e solidariedade entre os seus associados e parceiros, na base de realização de iniciativas relativas à juventude; • Promover o estudo, investigação e difusão de notícias relativas aos jovens cooperando com todas as entidades públicas e privadas visando a integração social e o desenvolvimento de políticas adequadas à sua condição. Perante o exposto digamos que: A nossa MISSÃO é o desenvolvimento humano e consequentemente da melhoria local e regional de um território através do conhecimento e do exercício de cidadania associativa. A nossa VISÃO é o acreditar ser este o caminho que a associação traçou para cumprir a sua missão, através de uma estratégia integrada de parcerias e trabalho em rede. Os nossos VALORES são os princípios que nos servem de guia para os comportamentos, ati-


tudes e decisões de todos nós, associação e parceiros, na busca dos objetivos comuns e que sirvam na execução da MISSÃO na direção da VISÃO de todos.

CONTEXTUALIZAÇÃO DO PROJETO ACREDITAR é a chave de todo o projeto porque acreditamos que a conjugação de esforços de vários parceiros, individual ou em rede, conseguirá partilhar que o próprio conhecimento atinja os objetivos fazendo passar a mensagem final que se pretende por forma a alavancar uma sociedade com capacidade de refletir sobre si mesma e melhor projetar e executar o seu futuro coletivo. Com o slogan inicial «Criatividade e Inovação – Da Teoria à Prática» rapidamente evoluímos para «CIDADANIA E DESENVOLVIMENTO» não só pela sua abrangência e coincidência com o s objetivos e estatutos da associação mas também porque a sociedade projetará e executará o seu futuro se se conseguir que a mensagem atinja objetivamente diferentes destinatários socioeconómicos onde a comunidade escolar tem um papel importante neste projeto se todos os parceiros conseguirem transmitir e partilhar através do conhecimento uma atitude cívica, um relacionamento interpessoal e um relacionamento social e intercultural.

PORQUÊ INTEGRADO? Porque acreditamos que o processo de desenvolvimento neste projeto implica entre outras, as seguintes linhas de ação: • Problematizar as questões considerando a cooperação institucional; • Deixar de agir de forma avulsa e passar à prática do planeamento por objetivos; • Transformar o individualismo dos atores institucionais em parcerias; • Transformar as atividades de diferentes instituições em trabalho em rede.

QUE DESENVOLVIMENTO? «Desenvolvimento» é toda ação ou efeito relacionado com o processo de crescimento, evolução de um objeto, pessoa ou situação em uma determinada condição. Por esta razão, a noção de desenvolvimento deve estar relacionada tanto a coisas, pessoas, situações ou fenómenos de variados tipos. Ao contribuir para o desenvolvimento humano, acreditamos e estamos seguros

e convictos que contribuímos de igual forma para a melhoria positiva do concelho da Nazaré, da região e do País.

CIDADANIA PORQUÊ? Todos sabemos que cidadania é um conjunto de direitos e deveres ao qual uma pessoa está sujeita em relação à sociedade em que vive. Também sabemos que os direitos e deveres de um cidadão devem andar sempre juntos, uma vez que o direito de um cidadão implica necessariamente numa obrigação de outro cidadão. Esse conjunto de direitos e deveres, meios, recursos e práticas que dá à pessoa a possibilidade de participar ativamente da vida e do governo de seu povo. Ora, a Democracia Associativa é, na sua essência, a estrutura política e o sistema de relações, com o objetivo de facilitar a negociação social pluralista e as suas prioridades e necessidades. Também sabemos que a Democracia é levada a reestruturar-se na contemporaneidade e conduz-nos a repensar os modelos participativos e representativos utilizados até ao momento. No conceito de democracia associativa, existe a ideia de que a maior parte das funções públicas poderiam ser executadas por associações livres de cidadãos. Entendemos e destacamos a importância que o papel das associações tem na promoção de ideais democráticos como participação, igualdade, justiça, legitimidade, deliberação e eficiência. Consequentemente e porque a Nazaré Marés de Maio é uma associação, acreditamos que nessa qualidade e condição - associativismo somos particularmente favoráveis e impulsionadores do exercício da Democracia, constituindo por isso um importante fator de construção da nova cidadania e definição da identidade local, e para a integração social e expressão cultural no exterior do sistema economicista dominante.

Pretende-se que o presente portefólio seja essencialmente constituído por iniciativas, projeções e ações que possibilitem um melhor desenvolvimento humano através da temática «CIDADANIA E DESENVOLVIMENTO». Com a constituição das parcerias e do respetivo portefólio, a Nazaré Marés de Maio inicia este projeto que se irá desenvolver através da realização de diversas ações tais como: • Workshops ou aulas abertas de iniciação; • Sessões de sensibilização e esclarecimentos; • Colóquios e seminários; • Exposições; Projeções e Tertúlias; • Visitas, Jantares e Fóruns Temáticos; Em complementaridade, dar-se-á continuidade às ações e iniciativas e a realização de atividades conjuntas no evento «Nazaré Marés de Maio». Saliente-se ainda o facto de o projeto assentar na constante abertura, recetividade e articulação com outros projetos, desde que haja interesse dos parceiros e dos destinatários. Mais se regista, que a pedagogia tem de estar contida nas diferentes ações ou iniciativas pois o objetivo do projeto assenta na melhoria no processo de aprendizagem e desenvolvimento dos indivíduos, através da reflexão, sistematização, construção significativa e partilha dos conhecimentos.

PORTFÓLIO DE SERVIÇOS PORQUÊ? A Nazaré Marés de Maio pretende, através da constituição de diferentes parceiros, construir um portefólio de serviços que permita a disponibilização e divulgação de projetos e iniciativas dos diversos parceiros junto da comunidade escolar e de outras entidades públicas e privadas.

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PORTEFÓLIO DE SERVIÇOS - CIDADANIA E DESENVOLVIMENTO O portfólio pretende ser uma ferramenta facilitadora na articulação das Escolas com Stakeholders, assentando no reforço do paradigma de parceria no sentido de torná-lo uma opção sistemática que seja integrada e refletida e se concretize na adoção de práticas que incorporem relações horizontais e potenciem situações de aprendizagem, em articulação com a comunidade para assim os Alunos possam desenvolver competências como o pensamento crítico, o trabalho colaborativo, a resolução de problemas, a cidadania proactiva, entre muitas outras. O presente portfólio pretende ainda constituir uma ferramenta facilitadora para a concretização do Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória, homologado pelo Despacho n.º 6478/2017, 26 de julho. No seguimento do supracitado, o presente portfólio é uma ferramenta aberta, em permanente construção, de articulação, promoção e desenvolvimento de Serviços de Cidadania e Desenvolvimento, assente em iniciativas, projetos ou ações propostas no âmbito da exploração da cidadania, desenvolvimento sustentável, trabalho colaborativo, relacionamento interpessoal, social e intercultural de e para Entidades Públicas e Privadas, como Sócios de uma Associação, Clientes de uma dada Empresa ou qualquer Grupo de Pessoas, como Pais, Funcionários, Colaboradores, entre muitos outros.

OBJECTIVOS Os objetivos transversais das ações promovidas com os diversos parceiros assentam em objetivos base, como os a seguir mencionados: • Desenvolver competências pessoais e sociais • Promover pensamento crítico • Desenvolver competências de participação ativa • Desenvolver conhecimentos em áreas não formais • Contribuir para o desenvolvimento de uma atitude cívica individual (identidade cidadã; autonomia individual; direitos humanos) • Desenvolver o relacionamento interpessoal (comunicação; diálogo) • Desenvolver o relacionamento social e intercultural (democracia; desenvolvimen-

to humano sustentável; globalização e interdependência; paz e gestão de conflitos)

PARCEIROS e PARCERIAS Sabendo que uma parceria é uma combinação em que duas ou mais partes estabelecem um acordo de cooperação para atingir interesses comuns o mesmo será dizer que este projeto nunca atingirá os seus objetivos se não existirem parceiros de diversos quadrantes. As parcerias podem ser estabelecidas com sujeitos individuais ou coletivos, públicos e privados, que possam e queiram desenvolver o seu trabalho contribuindo dessa forma para o desenvolvimento económico, social e cultural de um território. Os parceiros e as parcerias neste projeto s e funcionarem com estratégia e dinamismo certamente que obterão vantagens. Todos estamos cientes que os benefícios gerados pelas parcerias entre empresas/entidades com o objetivo de oferecer vantagens são muitas e conquistam cada vez mais adeptos entre os empreendedores. Estas parcerias consistem, basicamente, em gerenciar relacionamentos de auxílio mútuo nos quais todos saem a ganhar: o empreendedor, o parceiro e o destinatário. Aumenta as possibilidades de fidelização, reduzindo custos em marketing e somando esforços para aproveitar as oportunidades de cada mercado. Quando falamos neste tipo de parcerias com os objetivos definidos falamos de uma ação do marketing de relacionamento, que foca em perfis individualizados para oferecer vantagens e fidelizá-los. Outra vantagem será a entidade «vir à tona» quando é lido e interpretado o presente projeto.

• Associação Biblioteca da Nazaré • Associação dos Profissionais de Proteção e de Segurança de Dados • Associação Nadadores Salvadores da Nazaré • Associação Portuguesa de Esducação Musical • Autoridade Maritima Nacional • Autoridade Nacional Proteção Civil – CDOS Leiria • Banco de Portugal • Câmara Municipal da Marinha Grande • Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra • Conceito Publicidade • Confraria de Nª Senhora da Nazaré • Cooperativa António Sérgio para a

Economia Social • Direção Geral das Políticas do Mar • Direção Geral de Educação • Esad CR – Escola Superior de Arte e Design – Ipl – Campus 3 – Caldas Da Rainha

• Escola Azul – Programa Escola Azul (Dgpm) • Estado-Maior da Armada – Marinha Portuguesa (em análise) • Estado-Maior do Exército • For-Mar – Centro de Formação Profissional das Pescas e do Mar • Fundação Oceano Azul (em análise) • Fundação Portuguesa das Comunicações • Grupo Etnografico de Danças e Cantares da Nazaré • IAPMEI (em análise) • Instituto Hidrográfico • IPDJ – Instituto Português da Juventude e do Desporto (Leiria) • IPMA – Instituto Português do Mar e da Atmosfera • Liga dos Amigos da Nazaré • Ministério da Cultura (em análise) • Ministério da Saúde • Ministério do Ambiente e da Transição Energética • Ministério do Planeamento e das Infraestruturas • Museu Dr. Joaquim Manso – Museu da Nazaré • Mútua dos Pescadores • Ocean Puzzle – On_da Wave • Oceanário de Lisboa (em análise) • Pederneira – Nazaré Paróquia • Plano Nacional de Leitura • Radio Nazaré • Rtp Arquivo • Rtp Ensina

EVENTO “Nazaré Marés de Maio” Anualmente, em Maio, a Associação Nazaré Marés de Maio promove o «destino Nazaré» através da promoção cultural e artística. Realiza com o mesmo nome um evento e edita uma revista onde se promove a identidade nazarena – história, tradições, turismo, património material e imaterial, gastronomia, etc – bem como aspectos científicos sobre o mar e a floresta abordados de forma pedagógica.

English version

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Nazaré Marés de Maio


Iniciativas Nazaré Marés de Maio 2019 19 de Abril de 2019

3 de Maio de 2019 A RAIZ, O ROSTO E A ALMA NAZARENA Diz a autora, Sara Leonardo, que durante todo o ano de 2018, dedicou-se a fotografar a comunidade da Vila da Nazaré, nos usos, costumes e tradições. Documentou a cultura do povo nazareno, marcada principalmente pela atividade da pesca e pelas contingências temporais que ela acarreta. Hoje a freguesia da Nazaré é constituída por três núcleos habitacionais - a Pederneira, a praia da Nazaré e o Sítio da Nazaré. A RAIZ -A procissão do Senhor dos Passos, O ROSTO - A festa do Homem do mar, A ALMA -As festas da Nossa Senhora da Nazaré.

DIA ESCOLAR DO MAR

Mobilização ativa da sociedade, em particular das crianças e jovens, para a compreensão da influência do mar em nós e da nossa influência no mar. Este evento é uma das etapas do Agrupamento de Escolas da Nazaré na estratégia Escola Azul que tem como objetivo desenvolver as competências e as atitudes nos nossos alunos (4º ano do 1º ciclo do ensino básico e do ensino secundário -10º ano ciências e tecnologias). O evento consiste em proporcionar diferentes experiências aos alunos em diversos locais do Porto da Nazaré. Esta iniciativa está integrada no programa da Comissão Europeia «Vamos Limpar a Europa» Organização: Agrupamento de Escolas da Nazaré e NMM.

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ERA UMA CLASSE

DESENHOS NAZARENOS DO SÍTIO À PRAIA Alunos da ESCOLA SUPERIOR DE ARTE & DESIGN, de Caldas da Rainha deslocam-se à Nazaré para reproduzirem a vila através do desenho. Organização: ESAD CR // NMM // LAN // Ocean Puzzle

Nazaré

Lançamento de Obra Literária. Trata-se de um livro editado pela ASSOCIAÇÃO BIBLIOTECA DA NAZARÉ e escrito por MÁRIO GALEGO que percorre a história de vida do guitarrista Silvino Marques Pais da Silva. Organização: Associação Biblioteca da Nazaré

Valado dos Frades

Re(Viver) Re(Criar) Re(Utilizar) Exposição de artesanato onde a artesã Fátima Barroso expões diversos artigos alusivos à Nazaré, tipificando o TRAJE, as TRADIÇÕES, o AMBIENTE e BELEZA NATURAL

4 de Maio de 2019

Famalicão

PARA ALÉM DO MAR ROTEIRO FOTOGRÁFICO

Sítio da Nazaré

15 de Maio de 2019 DESENHOS NAZARENOS DO SÍTIO À PRAIA

É uma pequena mostra fotográfica da comunidade que constitui o concelho da Nazaré, composta por três freguesias – Nazaré, Famalicão e Valado dos Frades. AUTORES: Antti Särkilahti, Gisela Barg Särkilahti, Cecília Louraço, José Luís Serrador, José Júlio Macatrão, Júlio Limpinho, Manuel Pinto e Sérgio Cardina. A exposição, em instalação artística de rua, estará patente ao público até 31 de Maio e pode ser observada em seis lugares do concelho da Nazaré – Praia, Sítio, Pederneira, Famalicão, Valado dos Frades e Fanhais, sendo de realçar que, por roteiro se tratar, todas as fotografias expostas são diferentes sem repetição de imagens. Organização: NMM

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Nazaré Marés de Maio

Pederneira

Fanhais

Exposição dos trabalhos de desenho realizados pelos alunos da ESCOLA SUPERIOR DE ARTE & DESIGN aquando da visita que fizeram à Nazaré. Organização: ESAD CR // NMM // LAN // Ocean Puzzle.


O MAR, A FLORESTA E O AMBIENTE Trabalhos e fotografias da autoria dos alunos do 5º ao 8º ano no âmbito da disciplina de Ciências Naturais e do 1º ano do curso de Comunicação, Marketing, Relações Públicas e Publicidade do Colégio Rainha D. Leonor. Organização: Colégio Rainha D. Leonor, (das Caldas da Rainha) e Minerália.

PLANETA ou PLÁSTICO Exposição de posters no âmbito do Desafio Escolas Summit Júnior 2019, da National Geografic. Organização: Colégio Rainha D. Leonor (das Caldas da Rainha) e Minerália.

25 de Maio de 2019 FÓSSEIS MARINHOS CONTAM A IMPORTÂNCIA DOS OCEANOS NA EVOLUÇÃO DA VIDA

QUEEN’S AROMATIC HERBS – AROMÁTICAS, SAÚDE E SUSTENTABILIDADE

Workshop de dinamização sobre a formação dos fósseis marinhos, com a contextualização da importância dos oceanos para o aparecimento da vida no ambiente terreste, pelos alunos do 7º e/ou 10º Ano no âmbito da disciplina de Ciências Naturais e/ou Biologia e Geologia. Organização: Colégio Rainha D. Leonor (das Caldas da Rainha).

FEIRA DOS FÓSSEIS MARINHOS E MINERAIS Atividade dinamizada em articulação com o “Workshop de Fósseis marinhos contam a importância dos oceanos na evolução da vida”, “Binas Marinhas” e Exposição/Feira “Queen’s Aromatic Herbs – Aromáticas, Saúde e Sustentabilidade”. Organização: Colégio Rainha D. Leonor (das Caldas da Rainha), Minerália e Museu Dr. Joaquim Manso.

Exposição dos trabalhos realizados pelos Alunos no âmbito do concurso “Queen’s Reuse & Recycling”, um concurso de reutilização no âmbito do projeto “Queen’s Aromatic Herbs – Aromáticas, Saúde e Sustentabilidade”. Organização: Colégio Rainha D. Leonor (das Caldas da Rainha).

CANTAR MAIS: PRÁTICAS MUSICAIS E ATIVIDADES ARTÍSTICAS Ação de Formação de Curta Duração A partir dos recursos do projeto Cantar Mais pretende-se organizar, realizar e desenvolver atividades artísticas e musicais, refletindo com os formandos a sua aplicação nos diversos contextos educativos em que desenvolvem a sua atividade.

25 de Maio a 8 Junho de 2019

MOSTRA GASTRONÓMICA DO CARAPAU PUB

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Foto: Ricardo João | Confraria de Nossa Senhora da Nazaré

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Património

Os Lances da Arte Xávega no mar da Nazaré Um dos tipos de pesca tradicional mais conhecido na Nazaré é a arte xávega. Antigamente “esta arte de arrastar era uma arte muito importante, dava pão a muita gente”. Pelas suas próprias características, era uma arte de borda-d’água exigindo um ritual à beira mar, o que condicionava a sua prática durante a época balnear, sendo, por isso, proibida ou limitada a lugares pré determinados durante o Verão. Vários factores de ordem económica, social e tecnológica conduziram, primeiro a uma adaptação e, posteriormente, à decadência desta forma de pescar. Não bastou a redução da dimensão dos barcos e da companha, o corte do bico da proa, a utilização de motor fora de bordo, “esta arte tem de acabar; pode o mar estar chão p’rà gente entrar no mar onde a rede está na água e temos que ir pró porto - primeiro que lá cheguemos… é tudo gente velha, passam-se horas e horas sem a gente se poder defender”, desabafava um pescador, nos já longínquos anos 1990. Nessa altura ainda haveria algumas (poucas) artes, entre elas, a do ti’ João da Lecaida (João Soares Pombinha), a do Joaquim da Barrila (Joaquim Alexandre Martins), do Carlos Alberto, dos Penicheiros, do António Periquito, dos dois Galegos, … Como enfrentavam o mar estes pescadores, verdadeiros heróis e marinheiros? Nas grandes barcas de arte xávega com cerca de 8,33 metros ou nas pequenas xávegas cuja dimensão se fixou em cerca de 4,60 metros, com uma companha de cerca de 7, 8 ou 9 elementos (às vezes, e mais recentemente, menos), os pescadores partiam para os seus lances à procura do sustento para a sua família.”Veio raso, o barco vai de leva” e, de acordo com os sinais de terra e de mar, colocava-se a rede no lance determinado onde permanecia o tempo estabelecido (cerca de 1h 30m),

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Nazaré Marés de Maio

Na enseada da Nazaré distinguiam-se para Sul da então foz do rio Alcoa, os lances da Esprangeira (Pangera ou Prangera), Ferro Morto, Parcelo, Dois Bicos, Juncal, A Velha, A Nova e o Sisal (quase encostado às Pedras – Salgado) e a Norte, o Brasil, Latas, Sprum, Lance Norte, Esquininha, Coroa, Paus, Moiteira, Borda do Poço e Salgueiro. distanciada da praia aproximadamente 300 braças. Actualmente, algumas destas denominações são lembradas na toponímia da vila e até na designação de alguns estabelecimentos de restauração e ligados ao turismo. Cada um destes lances era bem conhecido dos nossos pescadores e por eles próprios definidos e marcados a partir do enfiamento dos sinais de terra e de mar. Os sinais de terra eram dados por determinados montes, esquinas, casas, portas, janelas, ruas e, por isso mesmo, sujeitos a transformações urbanas e paisagistas. Variavam de mar para mar, ou seja de lance para lance; o sinal de mar era comum a todos os lances - “a chaminé do palácio real a encostar à torre da Igreja de Nossa Senhora da Nazaré no Sítio” (algumas companhas orientavam-se pela chaminé do Hospital, bem próxima). Os sinais tinham que ser rigorosamente cumpridos porque “se a gente fechar um sinal, podemos ficar sem a rede por causa da pedra ou desviar o lance”. Os lances a Sul não tinham sinais específicos, estavam associados às armações que aí trabalhavam - “as artes não empachavam as armações porque trabalhavam mais à borda-d’água”. Cada um dos outros lances era determinado pelos respectivos sinais de terra e mar: • Brasil – (conhecido pela abundância de peixe e hoje ocupado pelo molhe Norte do porto de abrigo) – Malha à quina da taberna do Delgado. Tratavase de uma mancha pelada na encosta

da Pederneira, também conhecida por “malha do João Abreu”. Do mar, quando se via essa malha a coincidir com a esquina da taberna do Delgado, arriava-se aí o ferro; o enfiamento norte, à semelhança dos outros lances, era dado pelo sinal de mar. • Latas – Entre o Brasil e o Sprum, sem sinal específico de terra, o que realça o saber dos mestres desta arte. • Sprum – Malha (a mesma malha já referenciada) ao meio da rua (Av. Manuel Remígio), entre a quina sul do barracão do João Álvaro e da casa do Delgado. Anteriormente, guiavam-se pela quina das cabanas do Albertino (à data da entrevista já demolidas) e o hotel D. Fuas, na mesma área de localização (actualmente também já demolido). • Lama – Entre o Sprum e o lance Norte (sem sinal específico de terra). • Lance Norte – Poço do Barata, às 3 janelas da Fábrica do Visconde (à época já demolidas), posteriormente “um poste de luz” na mesma linha do poço do Barata (av. Manuel Remígio). • Esquininha – Carreiros do Zé da Madrinha (encosta da Pederneira), à quina sul do Alberto (estaleiro na av. Manuel Remígio). • Coroa – “Malha branca” também denominada “Zabreira” “ e que parece pigarço” na mesma encosta da Pederneira, no meio da rua da lota e à quina sul da mesma. Anteriormente era o casarão do Mazorra (na mesma área e já inexistente). • Paus – Porta aberta da cabana do Saca-Rolhas com a quina da loja, na rua das Traineiras, também conhecida por rua da Maria Russa. • Moiteira – Janelas da casa do Zé Quinzico (por norte do Alfredo) a meio da rua dos Pescadores e arriava-se o ferro na rua António Carvalho Laranjo. • Borda do Poço – À praça Manuel Arriaga e quina da casa da “Espanhola”. • Salgueiro – Não tinha sinal específico. “Ia-se pela praça fora, à quina da Capitania a fechar à esplanada (Pr. Sousa e Oliveira), encostado, mas de forma a não “empachar” a Borda do Poço.”


O regime de exercício de pesca por arte xávega está devidamente regulamentado. Outrora a atribuição dos lances a cada um dos pescadores era feita através de sorteio na Casa da Administração do Concelho a 20 de Outubro de cada ano. Entravam numa urna tantos números quantos o número de donos de redes. A extracção dos números era feita por cada proprietário ou, na sua ausência, pelo administrador do concelho, lavrando-se auto circunstanciado. A numeração indicava ordem de lançamento (1º, 2º, …) e, consoante essa ordem, cada pescador escolhia o lance. Os pescadores podiam fazer troca de números, mas tinham que avisar o arrais da companha que lhes era imediatamente a seguir. Com a instalação da Capitania na Nazaré (1893) passou a ser esta entidade a estabelecer uma escala rotativa de marcação dos lances, quer relativamente aos “mares” quer em relação às horas, de modo a proporcionar a todos os pescadores as potencialidades que cada lance oferecia. No areal, embarcações com um remo levantado na ré indicavam que “tinham

lanço”. Cedo começava a faina. De manhã, o primeiro lance tinha lugar por volta das 7/8 horas. Era o “sejo da manhã” (ensejo); depois do lusco-fusco era o “sejo à noite” (ensejo). Os lances de dia eram “os mais amarados”, “mais fora”, “com mais corda” (a rede ficava mais distante da borda); os de noite, “porque o peixe vem procurar comida à costa”, eram os mais próximos de terra. Noutros tempos, antes da vulgarização do uso do relógio, quando as artes eram colocadas na água, o cabo de mar içava uma bandeira alaranjada na lota e, para indicar o fim do tempo de permanência

da rede (1h30 m) arriava a mesma bandeira. Iniciava-se, então, o alar das redes, que duraria cerca de meia hora. Hoje resta-nos a memória e a vontade de dignificar e valorizar a nossa herança cultural, preservando as embarcações tradicionais, o “saber fazer”, transmitindo-o às gerações mais novas. É a mutação própria de uma cultura que se transforma enquanto se adapta aos tempos modernos e à prática de uma pesca sustentada com recurso às novas tecnologias. Texto: Cecília Nunes Fotos: Museu Dr. Joaquim Manso - D.R.C do Centro.

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Natureza

Assoreamento do Promontório Ocasionalmente, durante do verão, observa-se o aparecimento no troço de costa a norte da baía de uma praia efémera posicionada a sensivelmente meia distância entre a pedra do Guilhim e o seu interior, sempre no mesmo local, designada comumente por Praínha. Estudos recentes mostram que este aparecimento ocorre quando persiste durante várias semanas um regime de ondulação proveniente de NNW, caraterizado na maior parte do tempo por uma altura significativa relativamente baixa (1m). Nestas condições, duas coisas acontecem: a primeira é a redução do efeito de desvio da direção das ondas provocada pela presença do canhão, isto devido ao facto de estas alinharem as suas cristas quase paralelamente aos bordos canhão e, simultaneamente, terem uma altura relativamente baixa. Nestas condições, o transporte de sedimentos é sempre dirigido para sul em toda a extensão da praia do Norte, gerando uma acumulação plena de sedimentos até à passagem entre a ponta do promontório e a pedra do Guilhim; a segunda é que, pelo facto de a ondulação se aproximar mais lateralmente à costa a norte,

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a proteção induzida pelo promontório é proporcionalmente muito mais eficaz, ocorrendo um elevado contraste de energia de onda entre a praia do Norte e o interior da Baía, ou seja, a vertente norte do interior da baía é atuada por uma ondulação muito fraca, quase residual, que mal consegue contornar o promontório. A determinada altura, esta combinação de fatores faz com que a praia do Norte encha completamente ao ponto de a areia começar a passar para sul pelo espaço entre a pedra do Guilhim e o promontório e, já no interior da baía, este passe a ser direcionado para terra junto à arriba norte. Neste local, devido à baixa energia das ondas, o transporte sólido de sedimentos é demasiado lento, ao ponto de não conseguir compensar a quantidade de sedimento que vai transpondo o promontório. Ao ser mantido este desequilíbrio durante algumas semanas, torna-se inevitável o aparecimento da acumulação sedimentar da Praínha, que nalguns casos é suficientemente volumosa e extensa para ligar a praia do Norte ao interior da baía. Texto: Instituto Hidrográfico Foto: Manuel Pinto


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“Terra de Imagens e de Inspirações”

Foto: Manuel Pinto

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Praia do Norte; à esquerda: situação típica de verão; à direita: situação típica de inverno

Fenómeno do assoreamento da praia da Nazaré comparativamente com as praias a norte Entre a praia Praia do Norte e a baía da Nazaré o regime de ondulação atuante é completamente distinto, aspeto que determina decisivamente o transporte de sedimentos de praia. No primeiro caso, a praia não só se encontra desabrigada e virada a oeste, como ainda recebe em pleno a ação das ondas provenientes de NW durante a maior parte do tempo. Isto induz um transporte litoral de praia, designado por deriva litoral, direcionado para sul. Este transporte é barrado pelo promontório da Nazaré, podendo acumularse areia até ao seu topo, ou até mesmo chegar junto à pedra do Guilhuim (figura, esquerda). No entanto, devido à presença de ondas locais de SW, como resultado de processos de rotação e interferência induzidos pelo canhão da Nazaré, este transporte sofre frequentemente uma inversão de sentido no último quilómetro da praia, o que produz um recuo na praia que pode ir até 200 m junto ao promontório (figura, direita). A magnitude deste recuo depende da variação da intensidade da ação destas ondas locais ao longo das estações do ano, observando-se um pulsar sazonal da linha de costa comanda do por este efeito. Durante o verão, a fraca ondulação persistente de NW induz um enchimento progressivo e pleno da praia do Norte, ocorrendo até condições para que o sedimento se esgueire para dentro da baía na passagem existente entre a pedra do Guilhim e o cabo propriamente dito. No caso da baía, a praia encontra-se muito abrigada da ondulação, para além do facto da orientação da sua linha de costa ser em média muito próxima da perpendicular à direção de aproximação das ondas. Deste modo, a energia de onda que chega à praia não só é muito inferior como também tem uma orientação que não induz transporte, visto ser necessário a onda atingir a costa com um certo ângulo para que o sedimento entre em movimento. Por esta razão, a praia da Baía mantém sempre uma robusta massa de areia e cascalho, que, embora podendo sofrer alterações em extensão e altura durante o ano, se mantém praticamente inalterada durante décadas. O sedimento que alimenta esta praia provém de norte, de forma intermitente e sempre que o transporte na praia do Norte se dirija em média para sul e, simultaneamente, existam condições de transposição no promontório. Texto e fotos: Instituto Hidrográfico Foto Dir: Manuel Pinto

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Vai chamá pai ò Zé Mafra!

À lêt estragad’! A quem sais tu?

Vai chamar pai ao Zé Mafra!

Ah leite estragado! A quem sais tu?

Esta expressão é, normalmente, dita por uma pessoa a quem outra chamou pai, por engano. O Zé Mafra teve filhos de várias mulheres.

Expressão dita pelas mães aos filhos que são pouco desembaraçados.

Nazaré Marés de Maio

Origem: «Expressões da Nazareth» de Armando Macatrão


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O Mar, a Floresta e o Ambiente

EQUILÍBRIO ENTRE O VERDE (DA FLORESTA) E O AZUL (DO MAR) É FUNDAMENTAL PARA A VIDA NA TERRA ENTÃO HÁ QUE REDUZIR, PRESERVAR E AMAR.

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Foto: José Luís Serrador

ARTESANATO

Foto: E. Couto

RELÓGIO DE SOL (Sítio da Nazaré)

Expressões da Nazaré Tá o mar a galgá o Pardão. Está o mar a galgar o Paredão. Frase usada para lembrar o homem ou rapaz de que tem o cabelo comprido. Aqui os termos mar e Pardão substituem os termos cabelo e orelhas, respetivamente. O primitivo paredão-caes da Praia foi construído para proteger as casas de particulares dos ataques devastadores do mar bravo. A obra construiu-se devido à Carta de Lei publicada 12 de Junho de 1901 que criou mais um imposto de 1% sobre o pescado. Insatisfeitos com a medida tomada pelo Governo, os pescadores reclamaram pedindo que a importância a cobrar fosse aplicada na construção de uma doca de abrigo, registando-se, assim, naquela data a primeira vez em que a classe piscatória se manifestou publicamente para que se construísse um Porto de Abrigo. Os ânimos dos pescadores foram acalmados após as autoridades locais se comprometerem a pedir ao Governo a construção de uma doca (depois de estar construído o Paredão). A construção do Paredão fez-se de sul para

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norte e teve início no dia 11 de Agosto de 1904. Nesse dia foram cravadas as primeiras estacas na praia, em frente da Rua dos Calafates e, no dia 14 do mesmo mês, foi colocada a primeira pedra nas fundações. No dia 5 de Outubro de 1906 foram interrompidos os trabalhos de construção do Paredão por falta de verba. Só foi possível recomeçar a sua construção a 2 de Agosto do ano seguinte. Em 12 de Dezembro de 1907 o Paredão já se estendia até à Rua Gil Vicente. Somente a 15 de Dezembro de 1909 foi atingida a extensão linear do Paredão com o comprimento de 270 metros, atingindo, assim, o início da Praça Sousa Oliveira. Os restantes 130 metros do Paredão, que incluía a construção de uma alta muralha no extremo norte da Avenida da República, só foram concluídos em Julho de 1915. O imposto de 1% sobre o pescado continuou, durante muitos anos, a ser injustamente cobrado aos pescadores da Nazaré. Origem: «Expressões da Nazareth» de Armando Macatrão


Foto: Autor Desconhecido

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Evento

CARNAVAL da NAZARÉ

O CARNAVAL MAIS TÍPICO DE PORTUGAL

O Carnaval da Nazaré é uma das maiores festas da vila que atrai milhares de visitantes e turistas. É o evento mais ansiosamente aguardado pelos nazarenos, que o vivem de forma profunda e apaixonante. Para o percebermos temos que o sentir.

Foto: Manuel Pinto

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Nazaré Marés de Maio

Foto: Manuel Pinto


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Água do Mar

7 Benefícios para a sua saúde Na edição anterior abordámos a história dos Banhos Quentes que surgiu na Nazaré em meados do século XIX, com o primeiro estabelecimento de «banhos quentes» a surgir em 1888 (a norte) e o segundo mais a sul em 1903. Era o período do «ir a banhos» onde famílias inteiras se deslocavam à Nazaré à «procura de saúde e repouso» ora para os «banhos de mar», ora para os «banhos de sol» ora para os «banhos quentes». Em finais dos anos cinquenta do século passado «os banhos quentes» caíram em desuso levando ao encerramento dos referidos estabelecimentos. Mas, com os avanços da medicina e das tecnologias ao serviço da medicina, a tradição do ir a banhos regressou face aos benefícios para a saúde, designando-se por «talassoterapia» a nova terapêutica dos banhos quentes salgados. E porquê? Ir à praia é ótimo, o sol faz lindamente à saúde se tomarmos as devidas precauções, mas também a água do mar é capaz de maravilhas pelo nosso organismo. Como contém altas quantidades de sódio, iodo, zinco, potássio, entre outros, pode ter um efeito curativo no nosso corpo.

Vejamos todos os benefícios da água salgada. 1. Ajuda nas alergias de pele Quando o nosso corpo entra em contacto com a água, os elementos que a compõem são absorvidos pela nossa pele. Assim, se estivermos com algum eczema, alergia, descamação da pele, ela vai ajudar e muito na cura. Mesmo as doenças de pele que têm origem emocional, como a psoríase ou acne (que surge muitas vezes devido a perturbações no sistema nervoso) melhoram substancialmente com os sais minerais da água do mar em conjunto com o sol. 2. Tem propriedades antissépticas, ou desinfetantes Como é muito rica em sal e cloreto de potássio, a água do mar ajuda a desinfetar feridas e consequentemente a curálas. Estes mesmos compostos também ajudam a fortalecer o organismo, uma vez que estimulam o melhor funcionamento das células do corpo, principalmente as imunológicas. Claro que convém sempre passar água potável sobre a ferida no final.

dos músculos, por isso banhar-se no mar ajuda bastante a reduzir as dores musculares e o stress do dia-a-dia. A longo prazo pode até atrasar o surgimento de doenças reumáticas. Incrível! 5. Acelera o metabolismo O iodo que existe na composição da água do mar estimula a tiróide e faz com que o sistema metabólico funcione melhor. Isto pode ajudar a regular o peso e também a sentirmo-nos mais despertos e positivos. 6. Melhora a composição sanguínea Depois de um banho de mar, os glóbulos vermelhos presentes no nosso sangue aumentam em média 5 a 20% bem como os glóbulos brancos, que ajudam o nosso organismo a combater as infeções. Assim sendo, se sofre de anemia, sistema imunológico frágil ou mesmo diabetes, um banho de mar por dia, não sabe o bem que lhe fazia! Conhece o ditado? 7. Combate doenças respiratórias É mais do que certo que a água do mar ajuda e muito a limpar os pulmões. Primeiro, o facto de mergulharmos e expirarmos o ar quando o fazemos, estimula a limpeza dos brônquios e depois, também a brisa marinha favorece bastante os nossos pulmões acabando com tosse com expetoração, catarro, asma… E não se esqueça dos múltiplos benefícios que outros elementos marinhos e outras substâncias que se extraem da água do mar tais como as algas, as lamas e até mesmo as areias. São só vantagens, por isso, quando for à praia, tente sempre banhar-se na água do mar, desfrutar o sol (com as devidas precauções), faça caminhadas na areia e sinta a brisa do mar. Desfrute juntamente com os seus familiares e amigos ou na tranquilidade de um dia só na companhia do mar e do seu livro. As praias da Nazaré esperam por si.

3. Funciona como esfoliante natural Além dos seus minerais contribuírem para que a nossa pele se mantenha nutrida, o sal tem, mais uma vez, um papel importante. Ele funciona como esfoliante para a pele, por isso, se massajar o rosto com o sal que fica na pele depois de a água secar, vai ver que eliminará muitas toxinas, para além de estar a estimular o rejuvenescimento celular (adeus rugas!) 4. Favorece o relaxamento muscular Para além do efeito “massagem” que o balanço das ondas do mar nos proporciona, a água salgada é rica em magnésio. O magnésio é o responsável pelo relaxamento e recuperação Texto: NMM

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PARQUE AQUÁTICO

Nova Gerência Estrada da Praia do Norte - Sítio da Nazaré / 2450-504 - Nazaré +351 262 552 249 / info@norpark.pt / www.norpark.pt


Fig. 01

Natureza

Como se formam e medem as ondas e as ondas gigantes A ocorrência das ondas gigantes ao largo da Praia do Norte na Nazaré está intrinsecamente ligada à existência do Canhão da Nazaré, o maior canhão submarino da margem continental portuguesa e um dos maiores do mundo. O Canhão da Nazaré constitui um vale submarino profundo que rasga a plataforma continental ao largo da Nazaré, estendendo-se por cerca de 200 quilómetros desde a região abissal ao largo até muito próximo da costa. Na sua parte terminal (a chamada cabeceira do canhão), localizada a poucas centenas de metros da praia da Nazaré, a profundidade no canhão atinge os 200-300 metros. No entanto na área circundante onde se inscreve o canhão o fundo marinho não excede as poucas dezenas de metros de profundidade. Esta grande diferença de profundidades entre o Canhão da Nazaré e a plataforma continental circundante vai ser responsável por modificações substanciais nas ondas que se propagam desde o largo em direção à costa. As ondas de superfície induzem perturbações (de pressão, de corrente) abaixo da superfície que vão diminuindo progressivamente em profundidade. Ao largo, estas perturbações extinguemse muito acima do fundo marinho pelo que as ondas não são afetadas pela presença deste. Quando as ondas chegam a zonas com menores profundidades, contudo, a presença do fundo vai afetar as perturbações associadas à onda. Um dos resultados desta interação com o fundo é a diminuição da velocidade de propagação da onda em direção a costa.

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Quando uma onda se aproxima da zona próximo da costa da Nazaré, os sectores da onda que se propagam nas áreas adjacentes ao Canhão da Nazaré (isto é a Norte e a Sul do canhão) vão propagar-se com velocidade progressivamente menor à medida que vão chegando a zonas com profundidades cada vez menores. No entanto o sector da onda que se propaga sobre o vale profundo que é o Canhão da Nazaré vai continuar a não ser afetado pelo fundo e vai manter a velocidade que tinha ao largo da costa. Dessa diferença de velocidade de propagação da onda em direção à costa resulta uma deformação da onda (isto é das linhas de cristas e de cavas) que nas zonas pouco profundas próximo do canhão dá lugar à existência de zonas onde partes da onda vão convergir e interagir de forma construtiva. Dessa convergência vai resultar uma amplificação da onda, isto é um aumento da altura das ondas nessas áreas. Este processo de modificação das características de propagação das ondas devido às diferenças no fundo marinho é designado por refração das ondas devida á topografia. No caso da Nazaré, as orientações do fundo marinho e do Canhão da Nazaré, conjugadas com a orientação dominante da ondulação proveniente do largo (tipicamente dos sectores de Noroeste ou de Oeste) levam a que este processo de amplificação seja mais eficaz na área costeira imediatamente a Norte do canhão, isto é ao largo da Praia do Norte. A deformação das ondas é aí tão importante que frequentemente conduz a uma quebra a própria continuidade das linhas de cristas e


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cavas, fazendo com que a interação acima referida se faça entre uma onda que se propaga na área imediatamente a norte do canhão e uma onda diferente que se propaga ao encontro daquela a partir da zona do canhão. A figura 3 ilustra este processo de refração das ondas devido à topografia do canhão e de consequente amplificação. Ela corresponde ao resultado de uma simulação da propagação de um conjunto de ondas ao largo da Nazaré usando um modelo numérico. As diferentes cores correspondem a diferentes valores de amplitude da onda. Ao largo a amplitude da onda varia entre os 5m acima da superfície do mar nas cristas e 5 metros abaixo da superfície do mar nas cavas, isto é as ondas têm aí 10m de altura. Trata-se pois de grande ondulação proveniente de Oeste, gerada muito ao largo da costa Portuguesa por tempestades na bacia do Atlântico Norte e que se propaga em direção à costa da Nazaré. A simulação mostra que já perto de costa os sectores das ondas que se propagam sobre a plataforma adjacente ao canhão vão ficando progressivamente “para trás” relativamente á parte da onda que se propaga sobre o canhão. A interação entre duas partes da onda que convergem é particularmente importante ao largo da Praia do Norte gerando aí (nesta simulação) ondas com 20m de altura. Note-se também na figura que o mesmo mecanismo de refração das ondas devido à topografia do Canhão da Nazaré vai conduzir a uma atenuação das ondas em frente à praia da Nazaré, uma vez que aí as secções da onda divergem. Assim, o Canhão da Nazaré que é a razão da existência das ondas gigantes na Praia do Norte é também um fator de proteção da praia e do porto da Nazaré relativamente às más condições de mar. O processo de amplificação acima descrito ocorre também noutros canhões submarinos do Mundo que, tal como o Canhão da Nazaré, se estendem até muito próximo da costa. Na área ao largo da Nazaré, contudo, manifestam-se ainda outros processos complexos,

alguns ainda mal conhecidos, que contribuem para a amplificação adicional das ondas e, pensamos, para a singularidade desta área. Entre eles o padrão complexo das correntes geradas pelas ondas junto a costa (a chamada deriva litoral) ao largo da Praia do Norte, que permite que estas correntes sejam em certos momentos direcionadas contra as ondas que se aproximam, opondose a estas e promovendo uma amplificação adicional. Ou a verdadeira parede vertical que é o flanco Norte do Canhão da Nazaré na área próximo da costa, a qual pode igualmente promover uma amplificação prévia das ondas que daí se propagam. A maré e o vento local vão ambos conduzir a variações na altura da superfície do mar e ao estabelecimento de correntes e estas podem vão contribuir para moldar a forma final da onda extrema que ocorre naquela região. É esta complexidade que torna ainda impossível de prever com rigor quais vão ser as características das ondas gigantes na Praia do Norte mesmo que seja possível prever com bastante rigor as condições de agitação ao largo. A medição das ondas ao largo da Nazaré é atualmente realizada pelo Instituto Hidrográfico recorrendo a duas grandes boias instaladas ao largo da costa (figura 1), uma localizada a cerca de 11 quilómetros as sudoeste do porto da Nazaré em águas com cerca de 90 metros de profundidade e a segunda localizada a cerca de 50 quilómetros a oeste-sudoeste da Nazaré, em águas com profundidade de 1800 metros (figura 2). Instaladas entre 2009 e 2011 no quadro do projeto MONICAN apoiado pelo programa EEA Grants-Portugal 2004-2009, estas boias constituem atualmente o núcleo do Observatório do Canhão da Nazaré MONICAN que inclui ainda duas estações maregráficas costeiras situadas nos portos da Nazaré e de Peniche e uma estação meteorológica costeira localizada em Ferrel. Este observatório contribui atualmente para a rede europeia de observatórios do oceano costeiro que junta 33 instituições europeias no projeto europeu JERICO-NEXT.

Fig. 03

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As boias MONICAN medem não só a agitação marítima como também parâmetros meteorológicos (vento, temperatura e humidade do ar, pressão atmosférica) e temperatura da água e corrente a várias profundidades. Os dados colhidos pelas boias são enviados todas as horas para o Instituto Hidrográfico sendo disseminados quer através da página web do Instituto Hidrográfico quer através da página geral de visualização dos dados dos sistemas de monitorização quer através da página específica do Observatório do Canhão da Nazaré MONICAN. As medições realizadas pela boia MONICAN mais afastada da costa são particularmente importantes para inferir a potencial amplificação devido ao Canhão da Nazaré uma vez que vão caracterizar as ondas que provêm do largo e que vão posteriormente sofrer o processo de amplificação associado ao Canhão da Nazaré. Estas boias são mantidas permanentemente em operação no mar, sobrevivendo às condições particularmente difíceis que ocorrem durante as tempestades de Inverno. As maiores ondas medidas até agora por estas boias ao largo da Nazaré ocorreram em Fevereiro de 2010, durante uma tempestade, tendo a boia mais afastada da costa medido alturas máximas de onda próximas dos 21 metros. De notar que estas medições correspondem às ondas ao largo e não às ondas que resultam do processo de amplificação que ocorre ao largo da Praia do Norte. Para termos uma ideia de como as medições ao largo se relacionam com a altura das ondas gigantes próximo da Praia do Norte referem dois exemplos conhecidos. No dia 28 de Janeiro de 2013 o surfista Garret McNamara surfou na Praia do Norte uma onda cuja altura foi estimada em cerca de 30m. Nesse mesmo dia a boia MONICAN localizada ao largo mediu ondas com altura máxima de 8 metros. No dia 17 de Janeiro de 2017 o surfista Hugo Vau surfou uma das maiores ondas já surfadas na Praia do Norte (que as estimativas avançadas por vários dos presentes no local apontavam ser superior a 30m de altura). As nossas boias mediram nesse dia alturas máximas das ondas de 7-9 metros, atingindo os 14.4 metros às 20-21 horas. A medição direta das ondas gigantes na Praia do Norte através de boias fundeadas não é viável, face á energia extrema das ondas nessa área, à fraca profundidade local e à proximidade da costa. A utilização de equipamentos instalados no fundo poderia ser uma alternativa mas estes irão ser grandemente afetados não só pela ação da onda junto ao fundo (com correntes violentas que podem inviabilizar a fixação dos equipamentos) como pelo enorme volume de sedimentos de fundo que são removidos do fundo e postos em suspensão por ação das ondas, o que pode comprometer o funcionamento dos sensores. A medição das ondas a partir da costa, utilizando por exemplo imagens, pode ser afetada

pelas outras ondas próximas que constituam obstáculos à observação integral da onda (isto é da crista e cava da onda). Neste quadro uma medição realizada a partir de imagens ou medições colhidas por um meio aéreo poderá eventualmente constituir a melhor estratégia para “mapear” as ondas gigantes na sua totalidade face às condições excecionais que são encontradas na Praia do Norte. Embora as ondas gigantes da Praia do Norte constituam porventura a manifestação mais mediática da presença do Canhão da Nazaré, esta extraordinária estrutura do fundo marinho exerce todo um vasto conjunto de impactos nas condições do oceano costeiro ao largo da Nazaré. Ela condiciona, por exemplo, a forma como essa área vai responder ao forçamento do vento, potenciando o aporte de águas mais profundas, ricas em nutrientes, para camadas mais superficiais junto a costa, um processo que tem impactos consideráveis na produtividade biológica da área. O canhão modifica as correntes em toda a área criando em certas circunstâncias áreas de retenção ou intensificando correntes para determinadas zonas. No interior do Canhão da Nazaré as vertentes abruptas afastadas por poucos quilómetros vão permitir intensificar as correntes de maré junto ao fundo, originando um mecanismo permanente de erosão dos sedimentos de fundo e promovendo uma mistura importante entre massas de água com origens muito diversas. Ao estenderse até junto a costa o Canhão da Nazaré vai intersectar a região litoral onde se faz o transporte de sedimentos promovido pela agitação marítima (a chamada deriva litoral). Em particular ele vai coletar grandes quantidades de sedimentos que são injetados através da cabeceira durante as grandes tempestades de Inverno. Durante algumas destas tempestades criam-se condições propícias para o desenvolvimento de autênticas avalanches submarinas que rapidamente levam sedimentos desde as zonas do canhão situadas perto de costa até à parte do canhão que corta a planície abissal, em fundos de 3000m ou 4000m, localizada a 30 ou 40 quilómetros ao largo. Todo este conjunto de processos tem profundos impactos nos ecossistemas marinhos contribuindo em grande medida para a riqueza das águas ao largo da Nazaré.

Legenda figuras: Figura 1. A boia costeira MONICAN num dia com condições de mar particularmente calmas. Figura 2. O Observatório do Canhão da Nazaré. Na figura é representada também a batimetria da área com as isóbatas dos 100m, 200m, 1000m, 2000m e 3000m representadas a azul. As faixas azul transparente ao largo correspondem aos corredores de navegação mais costeiros. Figura 3. Resultado de uma simulação numérica que mostra o impacto do Canhão da Nazaré na propagação de ondas de tempestade provenientes de Oeste. As cores correspondem às várias amplitudes das ondas, com as cores correspondentes a amplitudes negativas a indicarem as linhas de cavas e as cores correspondentes a amplitudes positivas a indicarem as linhas de cristas. As linhas a negro correspondem à batimetria da área e permitem identificar o Canhão da Nazaré na forma da estrutura em canal na zona central da imagem, que se estende até próximo da praia da Nazaré. Texto e fotos: Instituto Hidrográfico

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Património

Ruas típicas da Nazaré Percorrer as ruas estreitas, perpendiculares ao mar, onde a vida transcorre ao ritmo de ventos e marés, é descobrir a essência destas gentes. Expansivas e alegres, escondem tristezas num sorriso aberto, falam a cantar e encantam pelo seu modo de ser e de vestir. Going through the narrow streets, perpendicular to the sea, where life runs to the rhythm of winds and tides, is to discover the essence of these people. Expansive and cheerful, they hide sadness in an open smile, they sing and enchant for their way of being and dress.

Texto: NMM Fotos: Gisela Barg Särkilahti

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Colectividade

“Quem não rema, já remou…” memória coletiva da Comunidade Nazarena. Despertar memórias nos mais velhos, dar a conhecer o passado aos mais novos, preservar as tradições é um dos intentos deste Grupo em todos os trabalhos que realiza.

Este Grupo conta com inúmeras participações em Programas de Televisão, tais como “Jardim das Estrelas”, “Praça da Alegria”, “Portugal no Coração”, “Portugal em Direto”, “Portugal Português” e foi o convidado especial do primeiro programa do “Aqui Portugal”. No que concerne às representações fora de Portugal Continental, o Grupo Etnográfico, esteve em representação nas ilhas da Madeira e Açores, em Espanha, França, Andorra e Luxemburgo.

Grupo Etnográfico de Danças e Cantares da Nazaré Esta expressão Nazarena, dá-nos o mote para este breve historial da vida do Grupo Etnográfico de Danças e Cantares da Nazaré. O tempo dos “chamadores” findou, o areal já não está povoado de mulheres e homens na azáfama do trabalho e da vida… Os tempos são outros. A nossa Nazaré, hoje cada vez mais cosmopolita, tem um novo dinamismo, um outro reconhecimento nacional e internacional. No entanto, e num mundo cada vez mais globalizado, onde o processo de aculturação é cada vez mais evidente, há a necessidade de recuarmos um pouco ao nosso passado, à nossa identidade cultural, e recuperar a história do que fomos enquanto povo, enquanto sociedade, para que, por muito que a nossa Comunidade evolua, nunca se perca aquilo que é a sua base identitária, e nunca se esqueça, o muito que as gerações passadas lutaram, para que os de hoje, e os de amanhã, tenham um presente e um futuro mais promissores. Foi com este desígnio que nasceu o projeto do Grupo Etnográfico, que teve a sua fundação a 25 de Julho de 1997. O trabalho que este Grupo se tem permitido a desenvolver, assenta, principalmente na preservação da

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No ano em que completa 22 anos da sua fundação, podemos, com propriedade, encetar uma viagem pelo que tem sido a história e vida deste Grupo. Em junho de 1999 foi admitido como sócio do Inatel, no seguimento do trabalho no qual participou a convite desta Entidade, integrado no Programa Cultural da Expo 98, denominado “Evocação do mar – Trabalho e festa, cantos e danças”, comemorativo do dia da Santa Sé e, a convite da Comissão Nacional dos Descobrimentos, participou ainda no programa “Sabores do mar”, igualmente na Expo 98. Em janeiro de 2001, e tendo completado todo o processo de reconhecimento da sua qualidade etnográfica, foi admitido como membro da Federação do Folclore Português. Reconhecendo que a transmissão da tradição, ancorada nas lembranças e aprendizagens do passado, se alojam na memória individual e coletiva, e que, em parte, é nela que reside a identidade de um povo, o Grupo Etnográfico, tem elevado o nome da Nazaré, e transportado, todos quantos assistem às suas representações, à Nazaré dos anos 20 aos anos 40, período no qual baseou a sua identidade e ancorou a sua pesquisa.

Em 2016, e pelas comemorações do centenário do nascimento de Bonifácio Lázaro Lozano, pintor de veia expressionista, que dedicou uma grande parte da sua obra à gente da Nazaré (a sua terra Natal), participou, em Oeiras, na inauguração de uma rua no Parque dos Poetas, com o nome do Pintor, e no espetáculo, que teve lugar no Teatro Chaby Pinheiro, onde, entre outras coisas, recriou o famoso tríptico, intitulado “Gente de Mar” de Lazaro Lozano.

Mas, a atividade deste Grupo vai muito para além da componente lúdica. Pedra basilar da sua atividade, assenta no profundo trabalho de pesquisa do traje e da tradição oral, que permitem que este Grupo, reúna todas as condições, para que se proponha a realizar exposições “Traje, usos e costumes”, colóquios “Repensar o Folclore”, “Nazaré, Espaços e Memórias” , ”A religiosidade na vida da Nazaré”,e a edição de livros “Nazaré,


Tradição e História” e “Procissão do Mar”. De há uns anos a esta parte, por altura da Quadra Natalícia, o Grupo Etnográfico encetou outro projeto, que tem vindo a ser reconhecido e apreciado tanto pela Comunidade Nazarena, como por todos quantos vêm de visita à Nazaré… os Presépios Tradicionais da Nazaré. Este projeto, além de recriar os presépios das tradicionais figuras

de barro, criou, de raiz, um presépio onde estão representados os 3 núcleos populacionais da freguesia da Nazaré. A pretensão, deste trabalho, foi trazer para o presente o traçado e a organização arquitetónica do passado, trabalho realizado com base na pesquisa do espólio fotográfico de Álvaro Laborinho (ano de 1900 até 1930), bem como, a organização social da população; Retratar as idiossincrasias destes três

núcleos, a Pederneira com a sua ligação à terra, o Sítio com a sua traça religiosa, a Praia com a dicotomia senhorial e dos pés descalços, e no seu conjunto, a coesão e a beleza de um todo. Por altura da Páscoa, e já há 6 anos a esta parte, promove o Desfile Etnográfico, com cerca de 100 figurantes e carros alusivos à vida das gentes da Nazaré, bem como, o Mercado Tradicional como há 100 anos. A história deste PUB

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Grupo, faz-se igualmente, da sua participação, assumindo, igualmente, o papel de co-produtores, nos Musicais “Nazaré d’aquém e d’além” e “Minha Terra minha Gente”, onde os elementos do Grupo Etnográfico participaram e recriaram quadros nazarenos que provocaram sentimentos de saudade e enorme emoção, em quem assistiu.

Em 2016, e no seguimento do reconhecimento da sua qualidade etnográfica, o Grupo Etnográfico foi convidado a assumir a direção de guarda-roupa em 2 produções teatrais, realizadas pelo Grupo de Teatro do Coro de Santa Maria da Murtosa e pelo Grupo de Teatro Área de Serviço do Cartaxo, que levaram à cena a peça de Miguel Torga “O Mar”. Já em 2018, colaborou com a produção do filme e série, para a RTP, “Terra Nova”, com produção do cineasta Joaquim Leitão, na cedência de peças para o guarda-roupa, tendo integrado a equipa de figuração nas cenas rodadas na Nazaré e em Lisboa. No espírito do intercâmbio cultural, o Grupo Etnográfico organiza, anualmente, dois festivais de folclore, em julho e setembro, o primeiro em comemoração do seu ano fundação, com o apoio da Câmara Municipal da Nazaré, e o outro integrado nas Festas em Honra de NªSª da Nazaré, no Sitio da Nazaré, conjuntamente com a Confraria de Nª Sª da Nazaré. Em 2017 e 2018, o Grupo Etnográfico colaborou com o encenador Miguel Jesus, a Coordenadora Raquel Belchior e as atrizes Ana Lúcia Palminha e

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S u z a n a B ra nco , nu ma e nce n ação baseada na obra “Os Pescadores”, de Raul Brandão, resultante de um trabalho de investigação realizado nas comunidades piscatórias de Portimão, Nazaré, Sesimbra, Setúbal e Montijo, e na investigação antropológica de Vanessa Amorim. Uma das atividades que integrou o Projeto Nazaré Marés de Maio. No ano de 2018, o Grupo Etnográfico foi convidado pela Associação de Folclore da Alta-Estramadura, da Federação do Folclore Português, a estar presente no Desfile do Traje Popular Português, que se realizou em Gondomar. O convite foi no sentido de a Nazaré, estar representada com um quadro etnográfico que retratasse as gentes do mar. E assim foi… Recriando o alar da Rede Xávega e o sentimento de dor a que esta população, durante anos, esteve sujeita, pelos inúmeros naufrágios… É importante referir que os elementos do Grupo Etnográfico, são um elemento chave para que se possam realizar

Nuno Pinto - Sem dúvida, a foto que marca em pleno a grandiosidade que foi o desfile deste ano! Marco Tomás - Sem dúvida que as vivências das gentes do mar, em particular das gentes da Nazaré foram retratadas de uma forma exemplar. Sofia Costa - Neste momento até chorei ao ver o vídeo...Conseguiram passar mesmo a mensagem estão de parabéns Sofia Santos - A minha mãe chorou como uma criança. Os seus 65 anos têm muitas lembranças Silvino Ferreira - Vi e revi... quadro arrepiante mas lindíssimooo . Quantas e quantas vezes isto aconteceu na realidade... parabéns adorei este tema do luto Carlos M. Saraiva - Foi um grande gosto ter coordenado este quadro temático com as Boas Gentes da Nazaré. O quadro com o tema “Rio e Mar” em que se mostrou a diferenciação piscatória do alto minho até ao algarve. Esta cena de “Ala Riba” destacou-se pela singularidade. Obrigado a TODOS, essencialmente às Gentes da Nazaré.


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todas as atividades, com qualidade e dignidade. Este Grupo conta com cerca de 45 elementos, que se distribuem pela dança e pela etnografia, e promovem a Nazaré nas cerca de 40 atuações anuais que o Grupo realiza. Qualquer Grupo que se insere numa Comunidade, tem de assumir um papel de responsabilidade social para com ela. O trabalho realizado com o seu componente João Valdemar, surdo-mudo de nascença, tem-se afigurado como um desafio diário, mas grandemente recompensador, e um alerta a todos para promoção da igualdade de oportunidades das pessoas portadoras de deficiência e/ou incapacidade. Igualmente importante, é a colaboração com todas as Entidades do Concelho, para a qual o Grupo

Etnográfico se encontra sempre disponível. A história deste Grupo, também é feita de perdas dolorosas… “ Há gente

Expressões da Nazaré Tivemos a lê’ tod’á noit’! que fica na história, na história da gente”… A homenagem deste Grupo a Ana Maria Delgado, Carlos Alberto Taveira, Emídio Barbosa, Joaquim Remígio “Quim Maçãs”, Mário “Ciúmes do Mar”, Leonel do Rio e, o José Rui Delgado, que foi o primeiro ensaiador do Grupo Etnográfico, o “mestre” que sendo um espírito brincalhão, era exigente em tudo o que dizia respeito à representação da Nazaré. Quando nos deixou, o seu papel foi assumido por M.ª de Lurdes Barqueiro, que, pela Nazaré e pelo Grupo Etnográfico, tem uma paixão e dedicação sem fim. A Direção deste Grupo, é, desde a sua fundação, assumida por Fernando Barqueiro, cuja dedicação à causa do Folclore, à preservação da memória coletiva da Comunidade Nazarena, tem sido, um dos desígnios pessoais e de uma vida. É difícil descrever as pretensões que estão por detrás do trabalho do Grupo Etnográfico… ele reside e constróise a partir do amor que se tem pela Nazaré, pela sua história, do desejo em não deixar morrer as tradições, de perpetuá-las cultivando este orgulho de ser nazareno nas gerações vindouras… O trabalho do Grupo Etnográfico é um reconhecimento a todos quantos remaram pela Nazaré… O nosso bem-haja!

Texto: Ana Mafalda Barqueiro Fotos: Grupo Etnográfico Danças e Cantares da Nazaré e Abel Cunha

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Estivemos a ler a noite inteira Expressão que significa que apanharam pouco peixe, que até deu para ler (simbolicamente, falando).

Vai escar barc’s à Viêra! Vai buscar barcos à Vieira Expressão irónica utilizada quando se prevê que alguém não apanhou nada ou não vai apanhar nada. Como quem diz ironicamente ‘a pesca é tanta, tanta, que os barcos da Nazaré não chegam para trazer o peixe e é preciso ir à Vieira de Leiria buscar mais barcos’!

É má’s pêxe q’arêa! É mais peixe que areia! Expressão que é dita por alguém que não está a gostar nada da conversa, que está chateado ou contrariado.

Origem: «Expressões da Nazareth» de Armando Macatrão English version


Travessa da Capitania, 3 · Praça Sousa Oliveira 2450-050 Nazaré · Portugal T. 928 024 911 · 964 277 168 · geral@by-the-sea.pt

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Fig. 01

Património

Jogos d’Antigamente Outros tempos, outros jogos À semelhança do que se passava um pouco por todo o país, até aos anos 1980 eram frequentes as brincadeiras coletivas de rua entre as crianças da Nazaré. Os jogos ajudavam à socialização, ensinavam o respeito a regras e a comportamentos de grupo e libertavam tensões. Uns exclusivamente masculinos, outros femininos e outros ainda mistos, nestes momentos de diversão infantil escolhia-se o espaço da rua, da praia ou os próprios barcos; recorria-se a objetos de produção popular e artesanal, seguindo-se todo um esquema tradicional de regras, cantilenas e movimentos. Na memória de muitos nazarenos estão jogos como os “bates”, “tá abafado”, “o monte”, “a banca”, “jogo da palheta”, “jogar aos aparelhos”, “saltar de barca em barca”, “saltar ao eixo”, entre outros. Relembramos aqui dois desses jogos tradicionais, baseandose a informação sobre os mesmos num levantamento junto da comunidade realizado em 1980 por um grupo de estagiárias no Museu Dr. Joaquim Manso.

O MONTE

O “Monte” jogava-se na praia ou nas ruas, durante todo o ano, mas sobretudo na época balnear. Bastava a presença de duas crianças, mas os participantes podiam ser mais. Era necessário uma tábua, uma pedra, moedas ou botões. Quando se realizava na rua, fazia-se um pequeno monte com areia; na praia, colocava-se uma tábua sob a areia.

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English version

No meio do “monte”, abria-se um buraco, onde eram colocados os botões ou as moedas (tantos quantos os jogadores, 1 moeda ou 1 botão para cada jogador). Os jogadores dispunham-se em roda, de joelhos. Cada um, na sua vez, atirava a pedra para o monte na tentativa de fazer descobrir as moedas ou os botões aí escondidos, ficando com eles. A jogada terminava quando todas as moedas ou todos os botões tinham sido descobertos; e recomeçava-se... As moedas usadas eram de $50 ou 1$00. Os botões eram de “casa alta” ou de “casa baixa”; os primeiros valiam o dobro dos segundos. Por isso, jogavam-se primeiro os de menor valor (o mesmo sucedendo quando se jogava com moedas), usando-se apenas os botões de “casa alta” ou as moedas de 1$00 quando o jogador já esgotara os de “casa baixa” ou as moedas de $50. Dizem que, para o lado sul da praia, utilizavam mais os botões; para o lado norte, as moedas. No Sítio, o jogo podia ser chamado de “terrina”.

A BANCA

Na semana da Páscoa, as ruas da Nazaré ainda se animam com grupos, sobretudo de mulheres, a jogar à “Banca” (ou “Pela”), com grande alarido e diversão. Duas equipas, separadas por uma caixa de sabão ou de peixe (“Banca”), têm como objetivo marcar pontos com uma bola de lona (“Pela”), tipo bola de ténis. Para seleção das respectivas equipas, os líderes combinam


entre si duas hipóteses de escolha que são colocadas a cada um dos elementos. Por exemplo, “Queres o Sol ou queres a Lua?”, “Queres limão ou laranja?” (ou outros pares), formando-se assim as equipas. Combina-se previamente o dinheiro da aposta, a quantia que cada jogador tem de dispor e esse valor é entregue a um elemento. Uma moeda atirada ao ar decide qual a equipa que joga em primeiro lugar e “em cima”, mais próximo da banca. Ganha a equipa que perfizer primeiro 31 “tentos”. Um elemento da “equipa de cima” atira a bola com a mão e grita “um” (número de pontos que fará, se não perder). Ao 2º ponto, gritará “dois” e assim sucessivamente, de cada vez que joga a bola. Qualquer jogador da “equipa de baixo” agarra a bola e atira-a para a banca, de forma a acertar (depois de agarrar a bola do chão, o jogador da “equipa de baixo” dá três passos, antes de atirar à banca). Se acertar, o elemento da “equipa de cima” “cai fora”, sendo substituído por outro da mesma equipa. Este procedimento vai sendo repetido até se esgotarem os jogadores da “equipa de cima”. Nessa altura, mudamse os campos e as equipas levam consigo a pontuação até aí conseguida. Na próxima jogada, recomeçam exatamente onde tinham parado. Marcam-se pontos (“tentos”) quando a resposta da “equipa de baixo” é falhada. Se a bola for apanhada pela “equipa de baixo” sem tocar no chão considera-se como se a bola tivesse batido na banca; o elemento de cima “cai fora”, perdendo ponto. Contam os mais velhos que era frequente o jogo ser interrompido quando um dos elementos, em jeito de brincadeira, fugia com o dinheiro, indo os restantes jogadores em sua perseguição.nTradicionalmente, o valor reunido destinava-se à compra de amêndoas. Este jogo é ainda muito popular, embora tenha vindo a perder o carácter espontâneo de outrora, que mobilizava logo pela manhã os jovens para as ruas. É com ele que se inicia o célebre livro de Branquinho da Fonseca, “Mar Santo” (1952), inspirado na Nazaré. Atualmente, no fim-de-semana da Páscoa, o Município da Nazaré organiza este e outros jogos tradicionais em eventos turísticos, junto à praia. “Na rua cheia de barcos, aquelas raparigas a jogar à péla, com seus gritos e saltos, espalhavam em volta uma alegria tão natural que já ninguém reparava. Mas quando se calaram para em segredo escolherem outra vez parceiras – Queres o Sol ou queres a Lua? – um dos pescadores que estavam deitados na areia, ergueu a cabeça, ficando a olhar para elas (…)”. Branquinho da Fonseca

Fig. 02

Fig. 03

Fig. 1 - Jogando “ao monte”, na praia da Nazaré, abril de 1980. Museu Dr. Joaquim Manso / Direção Regional de Cultura do Centro | Foto: VE / CMN Fig. 4 – Jogando “à banca” nas ruas da Nazaré, 2014. Museu Dr. Joaquim Manso / Direção Regional de Cultura do Centro. | Foto: VE / CMN

Fig. 04 Texto: Dóris Santos | Coordenadora do Museu Dr. Joaquim Manso / Direção Regional de Cultura do Centro.

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História Trágico-Marítima

O misterioso desaparecimento da “Redinha” Numa manhã fria de 8 Novembro de 1946, com boas condições de tempo, fazia-se ao mar com uma tripulação de 14 homens, incluindo o seu experiente mestre José Légua Varino, a traineira da pesca do alto, registada na capitania do porto d Nazaré no dia 2 de Novembro do mesmo ano, com o nome de “Redinha”. Seria a sua 2ª e derradeira viagem, após a saída do estaleiro de construção naval do mestre Policarpo Isaac. A Redinha deveria ter regressado no dia seguinte, á tarde, como era normal, depois de um dia á “pesca com anzol”, tal como o haviam feito as outras traineiras da pesca do alto que operavam, sensivelmente, na mesma área, naquele dia e noite. Passaram dias, semanas, meses, anos e da “Redinha” nem sinal. Em vão esperaram os familiares dos tripulantes e toda a comunidade nazarena, por um sinal, um avistamento, algo que fosse descoberto a boiar ou desse á costa, durante dias, semanas, meses. Nada. Até hoje, nada se soube do como e do porquê de tão insólito desaparecimento. A brutal tragédia havia descido sobre pais, noivas, irmãos, tios, avós, amigos, enfim, toda a comunidade piscatória. O luto, a dor, a angústia e o desgosto, não mais abandonariam aquelas casas que se manteriam durante muitos anos na penumbra e de portas apenas entreabertas. Entre os desaparecidos, havia pais e filhos, irmãos, primos. Deixavam em terra o luto eterno de viúvas, órfãos e namoradas, famílias destroçadas. O desaparecimento da “Redinha” iria passar a fazer parte do imaginário da longa história trágico-marítima nazarena. Este trágico acontecimento, devido ao facto de nunca terem sido apuradas as circunstâncias em que ocorreu, deu azo, á época, a uma série de teorias mirabolantes conforme a maior ou menor imaginação do seu autor:

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“ … um barco da pesca da sardinha, do Norte, teria abalroado a Redinha (teria sido ouvido á boca pequena), e os seus tripulantes mortos”; “um barco de pesca francês, um “simok” (que habitualmente pescavam por aquelas bandas) a teria abalroado e cortado a meio, de noite e os tripulantes abandonados á sua sorte” teria sido ouvido em surdina, numa taberna da Nazaré, numa conversa entre dois tripulantes franceses, em francês, claro; “um submarino russo havia arrastado a Redinha para as profundezas do oceano e os seus tripulantes levados para a Rússia, (porque a Redinha fazia espionagem”. eu sei lá! Desgraçadamente, muito provavelmente, tudo não terá passado de uma série de circunstâncias coincidentes que se conjugaram para tão trágico desfecho.

Já lá vão sessenta e três anos e o seu desaparecimento continua envolto em mistério. O que a seguir exponho é apenas uma teoria, baseada em algum conhecimento, experiência das coisas do mar, e também alguma busca. Creio não estar muito longe do que realmente terá acontecido. Após a chegada á área de pesca e fundeada a embarcação, os aparelhos de pesca eram lançados á agua e, por norma, recolhidos antes do pôr-do-sol. Depois de arrumado o pescado no porão e preparados os aparelhos para serem lançados á água na madrugada seguinte, os tripulantes procuravam abrigar-se o melhor que e onde podiam depois de comerem alguma coisa do farnel que levavam de casa nos seus “foquins” para dormirem até de madrugada e reiniciarem então a faina. A zona onde este tipo de embarcações operava era muito próxima da linha da passagem já então muito intensa

de navios mercantes que rumavam no sentido Norte ou Sul ou vice-versa. A maior parte dos navios que navegavam por essas paragens eram pesados navios de casco de ferro, de manobra muito lenta, de apenas um hélice e um leme, movidos a vapor, com máquinas alternativas que provocavam muita trepidação, muito ruido por todo o navio, sobretudo no seu interior. Nas pontes de navegação, com as espessas e pesadas portas e janelas encerradas por causa do vento e frio, praticamente nada se ouvia do exterior a não ser a trepidação e o embate da proa do navio na ondulação. O radar, nessa época, ainda era inexistente nos navios mercantes. A fraca ou talvez mesmo falta de sinalização nocturna da “Redinha”, o facto de passar todo o período da noite fundeada até chegar a madrugada para reiniciarem a faina da pesca, algum cansaço ou displicência da sua tripulação que deveria estar toda a descansar no interior da traineira, excepto o jovem “vigia” que deveria estar desperto e que também o cansaço terá vencido tudo isto poderá explicar uma muito provável colisão que não foi atempadamente apercebida pelo vigia nem pelo navio que navegava, sem o saber, em rota de colisão. Colidido e cortado ou arrastado para o fundo pela sua própria amarração presa na roda de proa do navio sem que a tripulação da “Redinha” e do próprio navio, que navegava apenas com os faróis de navegação acesos, se tenha apercebido da sua aproximação ou que o vigia não tenha tido tempo para reagir ou reagido tardiamente (acordar a tripulação, levantar o ferro, pôr o motor em marcha, etc.) e evitar a fatal colisão, que a ter lugar, muito provavelmente não terá sido detectada no próprio navio, se consideramos que a “Redinha” era uma embarcação de madeira com 8 metros de comprimento, e que qualquer ruido do hipotético embate ou os gritos de


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Havias de levá um smiç cmá Redinha! Havias de levar um sumiço como a Redinha! Praga que se roga quando se deseja que a pessoa, a quem a praga é dirigida, desapareça para sempre.

algum tripulante terá sido anulado pelo marulhar do embate da proa do navio na vaga e do barulho interno (máquinas alternativas) do navio, tudo isto aliado á total escuridão ao redor deste. Sabemos que as condições de tempo e mar eram boas para a faina da pesca, mas não sabemos se nessa área havia condições á formação de nevoeiro, o que a ter acontecido será mais um elemento que terá contribuído para o trágico desfecho. Por outro lado, o não avistamento de qualquer corpo ou destroço flutuante terá a ver com o súbito afundamento e/ou com a direcção dos ventos e correntes nos dias subsequentes ao naufrágio que terão afastado qualquer náufrago ou destroço para mais longe da costa (lembremo-nos do que aconteceu aos corpos e objectos do acidente da ponte sobre o rio Paiva que, passados dias, deram á costa no norte da Galiza). Nesse tempo as noticias não eram, como hoje, conhecidas quase em cima do acontecimento; as embarcações não eram providas de rádio, VHF, equipamentos de salvação capazes, excepto uns duros e incómodos coletes que estavam sempre fechados a cadeado numa caixa de madeira, não havia televisão, telemóveis, nem existiam os helicópteros nem navios de busca e salvamento prontos a operar, de imediato, ao primeiro sinal de emergência. Hoje, teríamos sabido o que de facto aconteceu ou talvez nem mesmo tivesse acontecido.

Mário Barroso Nazaré

Este trágico desaparecimento irá engrossar o já imenso rol do “pragário” nazareno: “havias de levar um sumiço como levou a “Redinha”. Este texto, por vontade do seu autor, não cumpre os requisitos do novo acordo ortográfico. Texto: E. Couto Foto: José Maria Carvalho Júnior

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Embarcação similar

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808 201 736

Rua Branco Martins, 27 Rua Adrião Batalha, 71 T. 262 551 118 | 965 131 671 43


Expressões da Nazaré Tá mar. Está mar. A expressão Tá mar utiliza-se para indicar que o mar está bravo. Na edição de 30 de Março de 1946, do jornal de Leiria intitulado O Mensageiro, encontra-se publicada, numa retrospetiva histórica e com o título A Nazaré coisas ouvidas, lidas e vistas por José Pedro, a seguinte notícia, referente ao ano de 1936: “Os pescadores da Nazaré, acompanhados pelo Presidente da Comissão de Iniciativa desta localidade, procuraram em Lisboa nos seus ministérios os titulares das pastas das Finanças e Comércio e Indústria, mas os respetivos ministros não se encontravam nos seus gabinetes, sendo os comissionados recebidos pelo secretário do ministro das Finanças, e pelo chefe de gabinete do ministro do Comércio e Indústria, ficando de transmitir aos ministros o pedido dos pescadores, ou seja a construção do porto de abrigo na Nazaré. - Ao espectáculo da peça «Tá-Mar», de Alfredo Cortês, realizado hoje no Teatro Nacional, em Lisboa, assistiram cem pescadores e peixeiras da Nazaré, que foram a Lisboa de propósito para ver o desempenho do trabalho teatral, cuja acção é passada na linda praia da Nazaré. No final, exibiram-se no palco os pescadores e peixeiras com os seus cantos e danças nazarenas, sendo muito aplaudidos. A pedido do público, foram os números bisados. Em homenagem ao autor da peça «Tá-Mar», resolveu o Rancho da Nazaré adoptar o título do drama.” No mesmo jornal da cidade de Leiria, através do mesmo correspondente, na edição do dia 11 de Maio de 1946, é publicada outra notícia, referente ao ano de 1936, em que o título da peça Tá-Mar vem novamente mencionado: “Em Lisboa um estabelecimento de calçado lançou no mercado uma forma e qualidade de fabrico próprio para praias, na qual se aplicava a divisa Tá-Mar em homenagem à praia da Nazaré. Na mesma cidade um estabelecimento do Rossio expôs numa montra especial camisas de escocês de padrões semelhantes aos usados pelos pescadores da Nazaré. O fundo da montra foi transformado num quadro que representa um barco afrontando uma grande vaga com legenda Tá-Mar. O modelo das camisas não é igual ao que usam os pescadores da Nazaré. José Pedro, ainda, na edição de 29 Junho de 1946, do Mensageiro, redige uma notícia histórica, referente ao ano de 1937 da seguinte maneira: “O maestro Rui Coelho completou uma nova ópera em 3 actos e 5 quadros, de carácter rigorosamente português, inspirada na peça Tá-Mar, de Alfredo

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Cortês, cuja acção é passada na Nazaré.” Curiosamente, no verão de 1937, na Praia da Ericeira, inaugurou-se o Café-Cervejaria Tá-Mar, nome inspirado no drama de Alfredo Cortês. Na Nazaré, a expressão Tá-mar, além de ter dado origem a outras expressões, é o nome de um dos ranchos de folclore locais - Rancho Folclórico Tá-Mar, foi o nome de um café outrora localizado na Praça Sousa Oliveira o café Tá-Mar, foi o nome dado a uma padaria que se encontrava na Rua da Subvila n.º 33 a Padaria Tá-Mar , é o nome de um bolo de pastelaria o Tá-mar: pequeno barquinho feito de uma espécie de pasta de obreia, recheado com uma base de ovos e coberto com uma fina camada de chocolate. Tá-Mar já foi, também, o nome dado, pela extinta firma Santos Lda, da Nazaré, a uma marca de vinho. É, de facto, notável o poder inspirador ou a força significante que esta pequena expressão Tá-Mar possui em si, motivando a criatividade de diversas mentes e de maneiras tão diferentes.

Óóó salha! Expressão utilizada pelos pescadores quando puxam ou empurram os barcos, para marcar o ritmo e combinarem as forças em simultâneo.

Quem na’ rema já remou! Quem não rema, já remou Expressão que significa, na Nazaré, que aqueles que nunca remaram, são filhos ou netos de pescadores.

Tant’ se me dá que corra p’ó nort’, corra p’ó sul! Tanto se me dá que corra para o norte ou corra para o sul Expressão que significa que não está nada preocupado com a situação e o seu evoluir.


Seca fat’s d’òliad. Seca fatos de oleado! Diz-se da pessoa que é maçadora. Na Nazaré, em meados do século XX, por exemplo, era comum avistarem-se imensos fatos de oleado secando nas ruas e em quintais, principalmente, antes dos bacalhoeiros partirem para as longas viagens de sete ou mais meses, para os lados da Terra Nova e da Gronelândia. As mulheres dos bacalhoeiros compravam, nas lojas de fazendas, um tecido de algodão chamado pano-cru (assim é designado por não possuir qualquer coloração) e levavam-no às costureiras que se encarregavam de fazer os fatos, por medida, para os seus familiares. Uma fábrica de fiação localizada à entrada de Alcobaça (na estrada Valado-Alcobaça) era a principal fornecedora das lojas de fazendas locais. Aos fatos acabados era, depois, aplicada uma série de demãos de óleo de linhaça. Cada demão de óleo aplicada ao pano-cru levava cerca de uma semana a secar. Assim, os fatos, se tornavam impermeáveis após várias demãos e após várias semanas. Um fato de oleado completo é composto de um sueste (chapéu), um casaco, um par de calças, um par mangas (denominadas manguitos) e de um avental.

O avental era utilizado por aqueles pescadores que a bordo dos navios escalavam o peixe. O fato de oleado, além de ser usado pelos antigos bacalhoeiros, era usado pelos pescadores da Pesca do Candil, ou seja, por aqueles que se dedicavam (e dedicam) a pescar carapau na enseada da Nazaré. Esse tipo de pesca obriga a que os pescadores permaneçam várias horas no mar. As velas de pano-cru dos barcos antigos (batéis, por exemplo) também eram tratadas com óleo de linhaça.

Ao longo da revista encontra mais expressões e as suas origens.

Origem: «Expressões da Nazareth» de Armando Macatrão

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Tradição à sua mesa!

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Património com História

LAVADEIRAS - Semelhanças nas…diferenças!

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Vale a pena pormenorizar o que a imagem mostra…ao fundo uma construção com dois túneis por onde a água do rio passa, é um moinho onde muita tonelada de milho do Valado foi moída… depois junto às margens as pedras onde as lavadeiras “batem e esfregam” a roupa, reparar que muitas dessas pedras são antigas mós do moinho onde já não servem!

Poderão duas localidades separadas por apenas 5 Km serem diferentes e em simultâneo terem afinidades? Podem…o Valado é a antítese da Nazaré… na cultura, personalidade, actividade laboral, hábitos, etc…, mas se nos focarmos nas Lavadeiras, onde o modo de trabalhar…os cuidados a ter…tudo, tudo é diferente, encontramos no entanto algumas similitudes! Bastará compararmos esta primeira imagem, para identificarmos (mesmo para um leigo) quais são as lavadeiras do Valado e…da Nazaré. Como que “abraçando” o Valado há 6 rios e muitos pequenos regatos, que definem uma componente agrícola r econhecida, mas dentro de estes rios, sobressaem 3 – o Nasce Água, o rio do Abegão ou dos Moinhos e o rio das Águas Belas que para além de garantirem uma componente da rega agrícola, pela zona onde correm sem poluição…em fundos de areia branca onde pululam pequenos tufos de agriões…são um convite “obrigatório” para que as Valadeiras e as Nazarenas neles fizessem e desenvolvessem a sua actividade. Nesta “semi-confusão” com que nos deparamos é, no entanto, bastante fácil separar pela diferença do vestir…no arrumo da roupa na gamela…a Nazarena e a Valadeira.

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Este rio do Nasce Água é resultado da água sobrante que nasce ali a escassos metros e que era canalizada para abastecimento domiciliário do concelho! As condições de limpidez e ambientais eram de tal modo, que era possível entre os tufos de agriões que espontaneamente nasciam, beber directamente da água que só depois escorria para o “tanque” da lavagem. Rio do Abegão ou dos Moinhos…Rio das Águas Belas…Rio do Calixto…Rio do Nasce Água…Rio de Longe, todos deixando “escorrer” as suas águas límpidas…serenas…de fraco caudal e…com um fundo em areia branco oriunda das dunas que os circundam! Há ainda o Rio da Areia, fora deste contexto geográfico, mas também utilizado para lavar roupa, no entanto só utilizado pelas Valadeiras.

Imagem do Rio do Abegão onde se “misturavam” as Nazarenas e as Valadeiras, ao fundo 2 tuneis do moinho

Ao fundo da imagem o estendal, estamos no rio do Nasce Água

Nazarenas já com a “trouxa” devidamente acomodada à cabeça, preparam-se para o retorno à Nazaré, ao deixarem o rio do Nasce Água

Claro que há alguns “pormenores” q u e a c a b a m p o r c o m ple me nt a r definitivamente este trabalho das lavadeiras… por exemplo, o estendal, onde a roupa depois de lavada e torcida para lhe r etirar o excesso da água, é estendida para secar. Compreende-se perfeitamente no que é fundamental para as Nazarenas, já que permite dobrar melhor a roupa lavada…mais facilmente ser “acomodada” nas gamelas e…muito mais leve para percorrerem os cerca de 4/5 Km até à Nazaré! Mas de todos os locais onde era costume lavar a roupa, não deixa de ser absolutamente necessário voltar ao…rio do Abegão. Ficava mesmo na berma da estrada (mais perto principalmente para as Nazarenas), mas igualmente estarem também numa localização que mais facilitava as Valadeiras!


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Aqui, lado a lado temos duas realidades diferentes, que conseguimos muito facilmente identificar, enquanto na imagem da direita vemos 4 Nazarenas, já com a trouxa da roupa bem arrumada aprontando-se para chegar à estrada a caminho da Nazaré…na imagem da esquerda temos uma indiscutível Valadeira! No Valado era o homem quem conduzia e manobrava o carro das vacas, mas à mulher estava destinado o burro com uns seirões, que elas manobravam e serviam como soe dizer-se “eram pau para toda a obra”. Desde levar utensílios, alfaias e os filhos para o campo…ou para irem lavar no rio, levando a roupa e muitas vezes outra vez os… filhos! Era no fim uma “comunidade” que comungavam durante algumas horas de trabalho em simultâneo com um desfilar de “ditos” … anedotas… acontecimentos de vizinhança!... Mas este rio do Abegão “teve uma vivência extremamente fértil”, não se tendo ficado só nesta vertente das lavadeiras…é por outro lado conhecido internacionalmente, já que na décadas de 1960/1970, se dará certamente a grande explosão da procura turística da Nazaré (talvez principalmente Franceses) e então podemos avaliar o grande volume de correspondência trocada com o seu país. De tal modo que um realizador francês ao elaborar uma longa metragem sobre o filme – Lavadeiras de Portugal – aqui mesmo veio captar imagens!

Bom, mas estes eram os rios do Valado, onde todos os dias as Valadeiras e as Nazarenas se deslocavam.

Duas imagens muito sugestivas de Nazarenas, a deslocarem-se para um dos rios do Valado, sendo de certeza gerações diferentes, reparamos que todas vão descalças pisando um alcatrão que não deve ser muito “agradável”! Na imagem da esquerda…vão da Nazaré para o rio…na imagem da direita é já a viagem do regresso a casa. Uma curiosidade, as imagens foram captadas praticamente no mesmo local…junto ao monte de S. Bartolomeu!

Uma última questão: nunca esta área dos rios tão fixada por estrangeiros e nacionais que ao ali passarem foram sensibilizados pelo movimento e cor, NUNCA as instâncias autárquicas procuraram uma intervenção que não teria outro sentido que não fosse a chamada da atenção para um pouco da História e de fomentar um pouco da vertente turística. No fim temos hoje o que resta do Rio do Abegão…SOBRE O QUE NÃO FAÇO QUALQUER COMENTÁRIO!

Texto e fotos: Hélio Matias

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NAZARÉ-PORTUGAL

A MAIOR ONDA, O MELHOR PEIXE. A empresa, fundada em 1987 por Luís Silvério e Odília Silvério, conta com 30 anos de experiência, dedicando-se desde então a comercialização de pescado fresco e congelado.

“A qualidade não é opção mas sim uma obrigação”. No decorrer dos anos construíram na Nazaré uma moderna unidade fabril, equipada para desenvolver diversas operações, tais como: preparação (evisceração e corte) de pescado fresco, congelação e armazenagem de pescado e cefalópedes descongelados. A aposta da Luís Silvério & Filhos, S.A tem sido sempre na qualidade dos produtos, fator que nos permite ser reconhecidos no mercado.


Festas e Romarias

QUEM FOI S. SEBASTIÃO?

Sebastião era filho duma família militar e nobre, tendo nascido em Narbona na Gália (hoje França), mas pelos registos de Santo Ambrósio, foi criado pela mãe em Milão. Serviu nas fileiras do exército romano e chegou a ser um dos oficiais predilectos do imperador Diocleciano...mas continuou como protector dos cristãos. Conseguiu converter muitos pagãos, mesmo o Governador de Roma e o seu filho; isto valeu-lhe ter sido denunciado e teve de comparecer perante o Imperador, que esperando muito dum dos seus oficiais em quem mais confiava se sentiu traído. Perante o próprio Imperador, não renegou a sua fé em Cristo por contraponto ao seu lugar no exército. A sentença foi inexorável: amarrado a uma árvore e executado com flechas. Pareceu à guarda que o executou estar Sebastião morto, donde tê-lo abandonado e atirado a um rio. Posteriormente quando uma cristã, Santa Irene o encontrou moribundo, levou-o para casa e tratou-lhe as feridas até estar curado. Isto alcançado, Sebastião apresentou-se ao sanguinário Diocleciano para lhe anunciar o poder de Nosso Senhor Jesus Cristo, censurando-o pelas injustiças que cometia contra os cristãos. Novamente foi condenado, e agora entregue à Guarda Pretoriana, ao

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martírio do Circo, onde então Sebastião foi executado com pauladas e boladas de chumbo até à morte - foi no dia 20 de Janeiro de 228. O corpo foi agora despejado numa fossa, donde a piedosa cristã Santa Luciana o retirou, para lhe dar sepultura junto de São Pedro e São Paulo. Em 680 as suas relíquias foram levadas para a Basílica de São Paulo, mandada construir pelo imperador Constantino. Naquele tempo Roma estava sob os efeitos desastrosos da peste..., mas a epidemia desapareceu quando da transladação; verificou-se o mesmo em diferentes ocasiões - 1575 em Milão, 1599 em Lisboa - ambas livres da peste por intercepção do glorioso São Sebastião. Ele é tido como o protector da Humanidade, contra a fome, a peste, a guerra e os inimigos da religião. É também conhecido como o Apolo Cristão, pois é um dos santos mais representados pela arte, a que não é estranho o método bárbaro da sua execução. Sebastião foi um dos soldados romanos mártires e santos, cujo culto nasceu no séc. IV e que atingiu o seu auge nos séc. XIV e XV. S. Gregório Magno considera o soldado um mártir. São Sebastião é considerado o terceiro Padroeiro de Roma, depois dos Santos Apóstolos Paulo e Pedro. O seu dia é comemorado em 20 de Janeiro.

Porque é o orago de Valado dos Frades Um orago ou padroeiro, é um santo ou anjo a quem é dedicada uma povoação ou templo. A palavra vem de oráculo, que significa a resposta de um deus. Nas freguesias portuguesas surgem frequentemente referências aos seus oragos, o que significa o estender da “protecção” do santo para além do templo a toda a povoação e que não deixa de reflectir as origens antigas dessas freguesias - de facto sendo hoje

unidades políticas e administrativas, sòmente subordinadas ao poder civil, as suas origens remontam à paróquia católica, que em tempos era a malha inicial da administração em Portugal. S. Sebastião é um dos mártires mais conhecidos da Antiguidade, e a sua festa e popularidade remontam ao séc. IV, mas é desde a Alta Idade Média que ela mais se afirma, por ter sido tema entre os pintores renascentistas que o representavam “atado a uma árvore, nu e cravado com setas”. Os fiéis invocam-no desde a Antiguidade, como advogado especial contra “as pestes”. Para encontrarmos a correlação entre o que está anteriormente e a razão da escolha para ser o padroeiro de Valado dos Frades, teremos de encontrar explicações que o ajudem a perceber, sim, porque não foi decerto uma decisão arbitrária ou de simples designação sem um suporte correcto. Valado dos Frades enquanto agregado populacional tem uma “vida” relativamente recente...convém não esquecer que Rio de Moinhos, sim é muito mais antigo e habitacional. Sabe-se hoje que o mar entrava pela Ponte da Barca e aflorando o sopé da Quinta do Campo, invadia os terrenos das Matas e Hortas e a Estação do Caminho de Ferro, estendendo-se até Maiorga e Casal da Areia. Sabe-se também que só no tempo do Marquês de Pombal, já em pleno séc. XVIII…há pouco mais de 250 anos, se deu início ao enxugo dos campos do Valado. Ora bem, estamos na presença dum quadro geográfico onde a humidade e a putrefacção de águas estagnadas eram uma constante, e daí as condições de insalubridade, a que a presença de mosquitos era certamente uma certeza. Ante este cenário, teremos de concluir que a proliferação e a propagação de doenças teriam todas as possibilidades para se desenvolverem, e daí a frequência de - pestes. Para uma população rural que começava a instalar-se, sem muitos meios para se precaver destas contrariedades


e profundamente católica, é completamente perceptível que só o refúgio num ente superior e com “poderes” para contrariar este quadro lhe poderia dar forças para continuar. De tudo o que se disse no ponto anterior e pela crença popular que de certeza possuíam, não custa perceber que o “porto de abrigo”, leia-se patrono... é S. Sebastião.

A origem da festividade Durante muitas décadas, Valado dos Frades foi uma terra que viveu só da sua capacidade de produção agrícola, que envolvia um complexo sistema produtivo em circuito de economia verdadeiramente fechado. Assim para fazer face às suas próprias dificuldades de caracter económico, que por vezes se confundia com um caracter de sobrevivência, é perfeitamente natural a concomitante criação de gado – vacas, galinhas e…o sempre presente e fornecedor de enormes capacidades face às dificuldades alimentares…o porco. As dificuldades eram de tal ordem, que durante o processo da criação do porco, as pessoas pediam a “intervenção“ do

seu santo padroeiro, para que se nenhuma doença ou qualquer outro problema afectasse a vida e sobrevivência daquele, ser-lhe-ia ofertado no dia da festa – 1º Domingo depois do dia 20 de Janeiro – uma ou duas chouriças, nalguns casos mesmo do tamanho do próprio animal – oferta esta que também simbolizava o melhor do porco, já que o resto da carne era para salgar. Será certamente por esta particularidade que as festas também são conhecidas por – Festas das Chouriças ou das Choiriças…como os Valadeiros mais gostam de referir!

Generalidade das festas até 1960 Depois do Natal, a população por modos diversos, começava a preocupar-se com as festas do seu padroeiro, havendo um envolvimento muito sincero em que por tudo o que antes se disse ninguém ficava alheio a este “ movimento”, começava aqui o tentar organizar um grupo – os Festeiros – sobre quem recaía o grande volume de todo o trabalho a desenvolver, a dinâmica que nos levará ao grande dia – o Valado será então visitado por centenas de forasteiros, havendo um revisitar de familiares que estão longe…enfim é uma festa das pessoas. PUB

Valado dos Frades (Junto à estação dos Comboios)

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Os Festeiros, logo durante o mês de Dezembro, iniciavam o Peditório, que consistia no seguinte: Percorriam as casas da aldeia, levando consigo foguetes e morteiros, e alguns sacos onde eram depositados os donativos; as pessoas davam geralmente um ou dois pratos de milho (não esqueçamos que o Valado era na época um grande produtor de milho, a cultura principal de então) ou uma nota de 20$00 (hoje 1 cêntimo); se a dádiva era mais valiosa tinha direito a que se deitasse um foguete ou morteiro,. Ao receber o donativo os festeiros agradeciam dizendo – S. Sebastião a ceite por esmola, a que o ofertante respondia – e a vocês as passadas. As primeiras festividades realizavam-se no Largo da Igreja, em que o cariz religioso se sobrepunha a qualquer outro. A Igreja actual é o resultado duma reconstrução sobre uma pequena capela que aí existiu, ela já do orago de S. Sebastião.

No fim, a Filarmónica e atrás dela o Povo. Até à década de 1970, os andores eram só pintados, mas a partir dessa data começaram a ser ornamentados com flores e verdura, deixando também as pessoas que os transportavam de vestir capas ou opas.

Uma das imagens mais antigas, quando a Filarmónica Valadense passava na Praça, logo atrás do Pálio – note-se que no que é hoje o Largo Dr. Manuel Colares Pereira (da Junta) está um candeeiro que encima a pia do gado (hoje no largo da loja dos Cações), e no centro da Praça há um candeeiro. O regente da Filarmónica é Álvaro Gomes Ferreira, que se descortina no 1º plano com o chapéu na mão.

A seguir à Missa Cantada, celebrava-se a Procissão. À frente vai o Guião, que é uma bandeira vermelha com o formato de “rabo de andorinha”, pendente de um mastro. Seguem-se as bandeiras dos santos e organismos da paróquia. Logo depois os andores com as imagens dos santos que se veneram na paróquia, realçando-se o de S. Sebastião, transportado inicialmente por antigos combatentes da 1ª Grande Guerra, mais tarde pelos da Guerra Colonial e actualmente por quem está a cumprir o serviço militar, por exemplo. Vem depois o Pálio, e sob ele 2 padres, um que tinha vindo proferir o sermão durante a missa e o padre da paróquia.

Andor do Sagrado Coração de Jesus, já com diferente visual

Andor de S. Sebastião, transportado por ex-combatentes da 1ª Grande Guerra, na rua Prof. Arlindo Varela, ainda não alcatroada Maquete da Igreja antes das transformações há pouco introduzidas

A festa resumia-se fundamentalmente à Novena, à Missa Cantada, acompanhada por uma Banda de Música, e onde o pároco convidado ajudando o padre da paróquia na celebração, proferia o Sermão. a que se seguia a solene Procissão para percorrer um po ssível itinerário “nobre” pelas ruas da aldeia. A exibição da Filarmónica na Praça até o Sol se pôr, procedendo-se simultaneamente ao leilão das tão afamadas chouriças.

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Andor do Sagrado Coração de Jesus, somente pintado


Jovem com o seu cesto de ofertas, bolos e chouri-

Descrição das festas pós 1960

ças, já na Praça e depois da Procissão, notando-se ao lado uma pequena mesa que ia servir de apoio

Era inevitável, também as Festas das Chouriças tiveram de evoluir e surgir com uma fisionomia totalmente remodelada, a começar para já pelo seu espírito e pelo espaço em que começaram a ocupar…mudaram-se as mentalidades… mudaram-se as festas! As festas primeiro mudaram-se para a Praça Dr. Oliveira Salazar, agora Praça 25 de Abril, depois Avenida dos Combatentes, todo o espaço envolvente ao Pavilhão Gimno-Desportivo e também no circuito envolvente desportivo da B. I. R. Pós 1967, começaram a desfilar à frente da Procissão o Cortejo dos cestos. As décadas de 1960 e 1970, foram para o Valado um tempo de desafogo económico, com o florescimento e plenitude de empresas de cerâmica, bem como um grande desenvolvimento e alta rentabilidade no campo agrícola – certamente como o Valado nunca viveu – foi a “loucura” das cenouras. As pessoas tinham dinheiro, viviam bem e exibiam-no. As Festas das Chouriças disso também sofreram influência, mudando-se por completo a filosofia e o espectáculo. As ofertas deixaram de consubstanciar somente as belas chouriças, as sacas com 5 litros de milho ou feijão, os bolos de noiva, um galo corado pronto a ser consumido e…passaram também a ser ornamentadas com notas de dinheiro.

para o serviço de leilão.

É uma nova época das Festas, onde o próprio Poder Público faz a sua aparição, é o figurino que quase se transmite até aos dias de hoje. Cumulativamente surge em grande força toda uma componente “profana” com espectáculos de variedades, ornamentação eléctrica das ruas, uma verdadeira feira de diversões (barracas de farturas, pista de carros eléctricos…), estendendo-se este período de festas por um período de uma semana. Estamos perante uma transmutação total, de que sobra a parte litúrgica na sua verdadeira essência.

Imagem muito característica duma realidade que foram as Festas das Chouriças, onde desfilavam os cestos de ofertas com algumas chouriças e bolos, misturados com notas de dinheiro. Ao fundo, com uma gabardina azul, Jacinto Preto. Se muitos e muitos Valadeiros foram imprescindíveis para a realização e mérito das Festas, Jacinto Preto, pelos anos em que sempre esteve disponível, pela afeição que dedicou às Festas, merece uma referência especial – testemunhando-lhe o mérito dos seus dotes inigualáveis de leiloeiro das ofertas ao Santo. As Festas começam a ter um cariz diferente do que até então tinha acontecido, os tempos são outros, como atrás se disse, e há novas ideias a surgir para completar o já existente. É em 1967 que surgem as Ornamentações, a contratação da Banda Feminina de Alvarenga…grande novidade, bem como um Grupo de Gaiteiros, que durante o Sábado percorreram as ruas do Valado.

Imagem que sintetiza muito bem como eram as ofertas para o “Santo” – atrás um tabuleiro com bolos e chouriças, mais à frente uma simples e singela saca com algum milho ou feijão, carregada de simbolismo – era preciso DAR. Oferta dum saco de milho ou feijão.

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Joaquim Preto

Banda de Alvarenga

É também por esta data que vem de Tomar alguém que vem ajudar os Festeiros na ornamentação dos cestos, tendo por isso sido solicitado às pessoas para entregarem as chouriças no Sábado, tendo ficado guardados na sede da Junta. No Domingo os cestos saíram em desfile para o Largo da Igreja, e desfilando depois transportados por raparigas vestidas com traje regional, à frente da procissão…o êxito foi tal que ainda hoje se mantém. Por outro lado, os emigrantes em França foram contactados para uma possível colaboração, que foi espectacular. Os Festeiros criaram uma Bandeira dos Emigrantes onde colaram as notas com o nome do respectivo ofertante.

Comissão das festas e juízes Organizar as Festas, é um trabalho que exige disponibilidade e gosto, nem sempre sendo possível e fácil encontrar quem o queira fazer, mas o bairrismo sempre providenciou para que fossem encontradas as pessoas certas, levando à constituição das Comissões de Festas. Gente de trabalho que ao seu merecido descanso tira horas e horas para tudo estar pronto, e esse investimento começa algum tempo antes – organizar os contactos com a filarmónica, fazer contratos com empresas de ornamentação, elaborar e mandar imprimir programas de publicidade, etc. – é um trabalho que não se pode delinear em pouco tempo.

Juízes da Festa – Joaquim Feteiro Ferreira e Isabel Barril

Expressão da Nazaré Já me dás f’lhoses! Já me dás filhoses! Sinal de impaciência em relação a alguém. Origem: «Expressões da Nazareth» de Armando Macatrão

Texto e fotos: Hélio Matias English version

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Personalidade

Aníbal Freire DIPLOMAS E CERTIFICADOS

Nasceu na Nazaré a 29 de Abril de 1959. Desde cedo, pela mão de seu pai, iniciou o estudo do Acordeão, revelando capacidades que levaram a que passasse a frequentar o Instituto de Música Vitorino Matono desde os 7 anos de idade. Começando por estudar com o professor Joaquim Raposo, passou a trabalhar com o próprio professor Vitorino Matono tendo, com ele, alcançado êxitos até aí inéditos no Acordeão português. Frequentou a Escola de Música do Conservatório e o Instituto Gregoriano de Lisboa, onde cursou Piano, História da Música, Acústica, Composição, Canto Gregoriano, Educação Vocal, Órgão e Formação Musical. Participou em inúmeros espectáculos e concertos obtendo, no entanto, relevante êxito nos concursos nacionais e internacionais a que concorreu. Destaca-se o facto de ter sido o primeiro acordeonista português a alcançar o título de Campeão do Mundo na categoria júnior, em 1972. Repetiu este título e foi Campeão do Mundo na categoria sénior, em 1974. Aníbal Freire não se destaca apenas como concertista. Também como professor, director artístico, organizador,compositor e maestro tem contribuído para a divulgação do Acordeão com eventos conhecidos internacionalmente e trazendo a Portugal os mais consagrados acordeonistas do Mundo. Como professor, tem preparado os seus alunos para concursos nacionais e internacionais destacando-se asexcelentes classificações obtidas a nível mundial, sendo também nesta actividade, Campeão do Mundo. Também como pedagogo, tem ministrado Masterclasses em Espanha, Itália e Bélgica, para além de Portugal. É membro de júri internacional. Passamos a apresentar algumas das etapas do percurso artístico de Aníbal Freire.

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• DIPLOMA DO CURSO GERAL DE ACORDEÃO, em curso dirigido pelo Prof. V. Matono. • DIPLOMA DO CURSO SUPERIOR DE ACORDEÃO, em curso dirigido pelo Prof. V. Matono. • DIPLOMA DE PROFESSOR DE ACORDEÃO, curso dirigido pelo Prof. Vitorino Matono. • CURSO DE ACORDEÃO, dirigido pela Professora Elsbeth Moser. • CURSO “A MÚSICA DE ÓRGÃO E O ACORDEÃO”, dirigido pelo Prof. José Manuel Azkue. • CERTIFICADO DE CURSO DE PROFESSOR DE ACORDEÃO NA ESPECIALIDADE DE “PEDAGOGIA SUPERIOR”. • CURSO DE ACORDEÃO dirigido pelo Prof. Peter Soave. • CURSO DE ACTUALIZAÇÃO PEDAGÓGICA do Centro Internacional de Estudos de Acordeão, dirigido pelo Prof. Friedrich Lips. • CURSO DE ACORDEÃO dirigido pelo Professor Vladislav Semyonov. • CURSO DE TÉCNICA ALEXANDER dirigido pelo Prof. Cláudio Jacomucci. • CURSO DE COMPOSIÇÃO, CURSO GERAL DE PIANO, HISTÓRIA DA MÚSICA E ACÚSTICA do Conservatório Nacional. • CANTO GREGORIANO E CURSO DE FORMAÇÃO MUSICAL do Instituto Gregoriano de Lisboa

Como organizador e director artístico, foi responsável por diversos eventos, tais como: • 1 Prémio – Internacional de Acordeão “Cidade de Alcobaça” • 4 Troféus Ibéricos de Acordeão – 1994, 1995, 2006 e 2007. • 23 Troféus Nacionais de Acordeão – de 1996 a 2007. • 22 Semanas Internacionais do Acordeão – de 1994 a 2003 – realização de cerca de 120 Concertos. • Inúmeros Cursos de Acordeão em Portugal – de 1994 a 2018. • 50º Troféu Mundial de Acordeão em 2000 na cidade de Alcobaça. • 59º Troféu Mundial de Acordeão em 2009 na cidade de Albufeira. • Fundou (em 1995) e preside à ASSOCIAÇÃO DE ACORDEÃO DE PORTUGAL. Foi fundador, é presidente de direcção e maestro da Orquestra Típica e Coral de Alcobaça.


PRÉMIOS QUE ALCANÇOU COMO ACORDEONISTA • 1º PRÉMIO - TROFÉU NACIONAL DE ACORDEÃO – 1970 • 2º PRÉMIO - TROFÉU IBÉRICO DE ACORDEÃO – 1971 • 1º PRÉMIO - TROFÉU MUNDIAL DE ACORDEÃO – 1972 Cat. Júnior (primeiro concertista português a alcançar o título de Campeão do Mundo júnior)

• 3º PRÉMIO - TROFÉU MUNDIAL DE ACORDEÃO – 1973 • 1º PRÉMIO - TROFÉU MUNDIAL DE ACORDEÃO – 1974 Cat. Sénior (primeiro concertista português a alcançar o título de Campeão do Mundo sénior)

• 1º PRÉMIO - CERTAME INTERNACIONAL DE ACORDEÃO – 1979 • 3º PRÉMIO - CERTAME INTERNACIONAL DE ACORDEÃO – 1981 • 1º PRÉMIO - TROFÉU NACIONAL DE ACORDEÃO – 1984 • 1º PRÉMIO - V CERTAME INTERNACIONAL DE ACORDEÃO – 1985 Texto e fotos: Aníbal Freire

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Freguesia

Fanhais

Fanhais é uma aldeia da freguesia de Nazaré, no concelho da Nazaré, que se situa a cerca de 8 km no sentido Norte e a cerca de 4 km de Valado dos Frades para sul e o «Memórias Paroquiais de Alcobaça», nº 5 Vol III, refere a existência de Fanhais em 1752. Segundo uma das lendas conta que já há muitos anos nos tempos ainda dos reis, um rei mais as suas aias estavam a passar pela Nazaré de cavalo enquanto iam para a Batalha. Ao ir para a Batalha tiveram de passar por Fanhais que nesta altura ainda não existia. Como o terreno era muito arenoso um dos cavalos ficou com as patas enterradas, a aia disse para o seu rei: - O cavalo falhou”! E o Rei exclamou para o seu cavalo: - “Falhais!” E daí surgiu o nome da localidade que com o passar do tempo o nome se foi alterando até ficar Fanhais. Fanhais era uma aldeia pobre e muito isolada até ao princípio do século XX apesar de aí passar a linha férrea da Linha do Oeste, tendo inclusivamente uma paragem – Apeadeiro de Fanhais. O Brigadeiro Albertino Carreira Mariano, nascido em Fanhais em 12 de Setembro de 1912, é o nome mais relevante desta pequena aldeia, a qual o homenageou no monumento da rotunda e na “Rua Brigadeiro Mariano”. Pelos seus esforços Fanhais foi dotada de telefone público, teve melhoria das ligações rodoviárias e abertura de uma estrada para a Nazaré por meio de ligação à EN 242. Foi ainda devido aos seus esforços que Fanhais teve fontanários

Fotos: Vítor Estrelinha

públicos em 1954, rede elétrica em 1959, calcetamento de ruas e cemitério, e o abastecimento de água também estava nos seus objetivos mas só se concretizou depois do seu falecimento, que ocorreu em 13 de Julho de 1974. Tem uma coletividade denominada Liga dos Amigos de Fanhais, fundada em 1958 também com a contribuição de Albertino Carreira Mariano e muitos outros residentes em Fanhais e, graças ao empenho deles a Liga dos Amigos de Fanhais foi dotada de um edifício-sede em 1967. A aldeia está dotada de eletricidade desde 1959, a qual trouxe a televisão e colocou a aldeia em contacto com o Mundo, através das imagens televisivas, pois as comunicações de qualquer teor, naquela época, eram muito difíceis. A sua riqueza enorme em floresta de Pinheiro-bravo foi em tempos o “motor” de toda a atividade laboral, para além da agricultura em regime de minifúndio, como todo o País o era até aos anos 1980. Imaculada Conceição ou Nossa Senhora da Conceição é o santo padroeiro da aldeia de Fanhais.

Texto: NMM Fotos: Wikipédia Fotos Dir: Júlio Macatrão

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Cercado dos Veados Numa área de seis hectares, no Pinhal de Nossa Senhora da Nazaré sito no Sitio da Nazaré (estrada da Praia do Norte) existe um cercado onde os veados coexistem, num habitat protegido, com mais uma espécie de cervídeos – os gamos – e com outras espécies animais, nomeadamente lebres e aves, num projeto que visa, em primeira instância, promover a biodiversidade do Sítio da Nazaré através do repovoamento com espécies que já existiram na zona, nomeadamente animais de médio porte. A opção pelos cervídeos surge como uma evocação à lenda do milagre de D. Fuas Roupinho. O cercado do Pinhal de Nossa Senhora da Nazaré tem funcionado como um espaço natural, orientado para a área da educação e sensibilização ambiental, recebendo visitas frequentes das escolas do concelho e da região. Textos: NMM | Foto: Autor Deconhecido

Muralha do Sítio Foi construída com o objetivo de proteger o aglomerado urbano das tempestades de areia vindas de poente e de norte. Construída em pedra, com passagens em arco completo em alguns arruamentos, envolve uma parte do centro histórico do Sítio da Nazaré. A construção da Muralha do Sítio iniciou-se em 1736 e teve o seu fim em 1750, com o objetivo de evitar a invasão das areias, o que não viria a resultar, dando origem à plantação do pinhal a norte do Sítio da Nazaré. As várias portas existentes foram sendo tapadas para impedir a entrada das areias, anulando a versatilidade da mesma, enquanto muralha de proteção com acessos de e para os campos de cultivo que existiam a poente e a norte. Pelos anos de 1750 o Sítio encontrava-se quase submerso pelas areias trazidas pelos ventos do norte, com casas e fontes enterradas, sendo frequente os habitantes terem de sair pelos telhados por não o poderem fazer pelas portas e janelas. Fora da muralha, em 1751, é semeada vegetação vinda de São Gião e taparam-se mais quatro portas da muralha. Em 1753 caiu uma grande parte da muralha que foi reparada em Janeiro e Fevereiro de 1754. Administrador e Mesários da Real Casa da Nazaré ordenaram a plantação de pinheiros, de forma a conter a invasão das areias.

Azulejos

Azulejos Foto: Manuel Pinto

Muralha do Sítio Texto: NMM Foto: Sérgio Cardina

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Elevador da Nazaré

Texto: NMM | Foto: Vítor Estrelinha

O elevador da Nazaré liga o centro da vila (praia) ao Sitio (Santuário de Nossa Senhora da Nazaré) e foi inaugurado em 28 de Julho de 1889, e faz em 2019 a bonita idade de 130 anos. Com uma extensão de 380 metros (50 metros em túnel) e uma inclinação de 42%, o percurso demora 5 minutos e, dentro do género, é um dos transportes com maior tráfego, atingindo mais de um milhão de passageiros por ano. O percurso é um dos mais belos de Portugal pela extraordinária vista panorâmica.

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Personalidade

Jaime Rocha (antologia escolhida pelo autor com poemas dispersos em antologias e revistas literárias), 2014 e “Preparação para a Noite”, 2017. Na prosa, os romances “Tonho e as Almas”, 1984, “A Loucura Branca”, 1990, “Os Dias de Um Excursionista”, 1996, “Anotação do Mal”, 2007, (galardoado com o Prémio de Ficção do Pen Clube, em 2008); “A Rapariga Sem Carne”, 2012, “Escola de Náufragos”, 2016 e “O Estendal e Outros Contos”, 2019.

Jaime Rocha nasceu a 7 de Abril de 1949 na Nazaré, em sua casa, na Rua da Bonança 100. Após os estudos secundários no Externato Dom Fuas Roupinho, nesta vila, e terminado o sétimo ano dos liceus no Liceu Gil Vicente, em Lisboa, frequentou a Faculdade de Letras na mesma cidade. Viveu em França nos últimos anos da ditadura e de regresso a Portugal, após o 25 de Abril de 1974, enveredou pelo jornalismo, tendo sido esta a sua profissão ao longo da sua vida profissional. Exerceu jornalismo nomead amente nos s e m a n á r ios “O Jornal”, diário “Portugal Hoje” “Diário de Lisboa”, Revista “Grande Reportagem” e jornal “Público”, com o seu nome civil, Rui Ferreira e Sousa. Tendo desde 1982 passado a assinar os seus livros com o pseudónimo Jaime Rocha. Depois das primeiras colaborações literárias nos juvenis do “Diário de Lisboa” e do diário “República”, publicou o seu primeiro livro, “Melânquico” (poesia) em 1970, ainda com o primeiro pseudónimo de Sousa Fernando. A partir daí, publicou vários livros no domínio da poesia, da ficção e do teatro, estando a maioria da sua obra editada na editora Relógio d’Água, de Lisboa.

Na poesia destaca-se “Beber a Cor”, 1985, “Os Que Vão Morrer”, 2000, “Zona de Caça”, 2002, “Do Extermínio”, 2003, “Lacrimatória”, 2005, “Necrophilia”2010 (Prémio de Poesia do Pen Clube 2011), “Lâmina”

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No teatro, destaca-se “O Construtor”, seguido de “Quinze Minutos de Glória” e “O Terceiro Andar”, 1998, (Esta última peça vencedora do Grande Prémio APE de Teatro1998); A peça “O Construtor” foi seleccionada, em 1994, para o Prémio Europeu de Teatro, em Berlim; Seis Mulheres Sob Escuta, (Prémio Eixo Atlântico de Textos Dramáticos, 1999); “Casa de Pássaros”, 2001; “O Jogo da Salamandra e Outras Peças”, 2001; “Homem Branco Homem Negro” (Grande Prémio de Teatro SPA/ Novo Grupo, 2005); “Azzedine e Outras Peças”, 2009; “Agamémnon – A Herança das Sombras” e “Filoctetes – A Condição do Guerreiro”, ambos em 2012, edição da Associação Portuguesa de Estudos Clássicos, Coimbra; “O Regresso de Ortov”, 2013 e “As Troianas”, 2018, em conjunto com a escritora Hélia Correia. A sua primeira peça representada

intitula-se “A Repartição” e foi levada à cena, na Comuna, pelo Grupo de Teatro da Faculdade de Ciências de Lisboa, em 1989. O Teatro de Carnide encenou, em 1998, “Depois da Noite o Quê?”, uma réplica à obra de José Saramago, “A Noite”. Ao longo dos últimos anos têm sido representadas diversas peças suas pelos grupos de teatro O Bando, a Comuna, Teatro Aberto, Teatro Experimental de Cascais, Teatro Acert de Tondela, Teatro da Trindade, Útero Teatro. “O Terceiro Andar” foi estreado pelo Grupo de Teatro Universitário da Universidade de Manchester. Em 2005 foi representada a peça “Homem Branco, Homem Negro” pelo Schauspiel Essen, no Festival de Teatro de Mulheim. Em 2006, estreia-se “Morcegos” pelo Teatro O Bando, peça traduzida e representada em 2007, em Londres, Amesterdão e Lille. Algumas destas peças estão traduzidas em alemão, inglês, espanhol, francês, holandês e romeno. Nos últimos dois anos, tem colaborado com o Grupo de Teatro Musgo, de Sintra, tendo sido já sido encenada a peça “O Construtor”, numa encenação de Paulo Campos dos Reis. Em março deste ano, duas peças suas, “O Terceiro Andar e Outros Textos” e “Ortov Sai do Escuro” foram estreadas em Sintra, a primeira intitulada “do outro lado, o MURO” no teatro Olga Cadaval, pelos alunos da Escola Secundária Santa Maria, com encenação de Mário Trigo e a segunda no Palácio da Riba Fria, encenada por Paulo Campos dos Reis. Sobre esta última peça, Jaime Rocha tem trabalhado, desde há uma década, em torno de uma figura chamada Ortov que representa o homem contemporâneo à procura de um lugar no mundo e de um discurso lógico que consiga transmitir aos outros o caos de informação que se passa à sua volta. O desespero, o sonho, o medo, a alegria, a morte, o corpo, a ironia, a natureza, o absurdo, a guerra, a paixão, a cumplicidade com o outro, são alguns dos temas que são tratados por Jaime Rocha numa escrita que os críticos consideram como de uma singularidade muito própria e que não se enquadra em nenhuma família literária vigente, tanto no


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poético como no dramático. E assinalam no seu texto, a estranheza, a beleza imagética, a atmosfera de grande tensão, um gosto especial pela ironia e pelo cómico de situação e a descrição alegórica do universo figural. Ao longo da sua vida literária que este ano completa 50 anos de edições, foi bastante influenciado, primeiro pelos neo-realistas portugueses como Redol, Santareno, Torga, Manuel da Fonseca, entre outros, depois pelos surrealistas, tanto escritores como pintores, portugueses, franceses, belgas, alemães. Entre eles, encontram-se Max Ernst, Magritte ou Delvaux e autores decisivos como Kafka, Artaud, Genet, Beckett, Dostoievsky, Baudelaire, Poe, Rilke, Michaux ou Apollinaire. Dos portugueses, o autor costuma referir a importância que tiveram para si os poetas Antero do Quental, Mário Sá-Carneiro, Herberto Helder, Luiza Neto Jorge ou Mário Cesariny, assim como o romancista Raul Brandão, entre outros. O autor procurou na escrita um modo próprio de se exprimir tendo sempre por base a realidade e a sua mundividência, nomeadamente a sua memória de infância e adolescência passadas inteiramente na Nazaré, com mar ao pé da porta, tendo integrado dentro de si, do seu ser literário, uma paisagem, uma expressão característica, uma língua, um lugar, a emoção colectiva de uma comunidade em confronto permanente com a morte, a luta cruel pela sobrevivência, o sofrimento, o luto, os mitos, os naufrágios e também a alegria da festa e da solidariedade de um povo que viveu anos a fio da pesca. Desta realidade, podem citar-se os seus romances “Tonho e as Almas” e “Escola de Náufragos” e o livro de poemas “Mulher Inclinada Com Cântaro”. Genericamente, a obra literária de Jaime Rocha nasceu aqui, nesta terra de mar revolto, de muitas mortes, de muitos desejos e sonhos. Nasceu conjuntamente com a memória das gerações de homens, mulheres e crianças, anteriores a ele, nas ruas, nos becos, na praia, nos barcos, nos sítios altos circundantes, nas casas, nos livros, nas palavras que foi ouvindo e lendo, num caldo de vivências humanas e literárias únicas, integradas na paisagem local, a que juntou as outras encontradas pelo mundo, as de um espaço urbano terrivelmente assustador, sobrepovoado e um tanto desumanizado. Nos próximos dois anos serão editados os livros “O Mundo de Ortov”, uma compilação exaustiva dos seus textos dramáticos sobre/com esta figura e que será levado à cena também pelo Teatro Musgo, um novo livro de poemas, um livro de contos e, em 2020, a reedição revista do seu primeiro romance, “Tonho e as Almas” que servirá de pretexto para assinalar os 50 anos de vida literária do autor. Texto e Foto: Associação Biblioteca da Nazaré

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Associação

Nadadores Salvadores da Nazaré A Associação de Nadadores Salvadores da Nazaré é uma associação, sem fins lucrativos, fundada em 18 de dezembro de 2001, quem tem como principal missão a prevenção e salvamento de pessoas, bem como representar os nadadores salvadores, em todas as suas vertentes. A A.N.S.N. tem sede nos balneários norte da praia da Nazaré.

A A.N.S.N. nasceu com o intuito de organizar e elevar a categoria de nadador salvador, bem como colmatar a falta de nadadores salvadores na nossa região, com isso a Associação passou a formar nadadores salvadores tendo para tal, se associado á Federação Portuguesa de Nadadores Salvadores tendo um formador qualificado pelo ISN , na própria Associação. A A.N.S. tem ao longo dos anos elaborado planos de segurança para a praia da Nazaré e ,em estreita parceria com os concessionários da Praia da Nazaré (INN BAR, BUSSOLA NA ONDA , ADERIVA BAR, SOL E MAR), tendo para tal durante a época balnear um dispositivo de vinte e um Nadadores Salvadores, que estão ao

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longo do areal, nas zonas dos concessionários e tendo a moto 4 que Patrulha todo o areal. A A.N.S.N. desde o início do projeto das ondas da Praia do Norte, que colabora na segurança dos surfistas de ondas gigantes, em dias que a previsão do mar está grande, ao sempre que a organização assim o solicita. Sendo certo, que esta modalidade do surf trouxe uma mais valia a nível turístico para a Nazaré, também é importante que todas as condições de segurança estejam implementadas para que os surfistas se sintam seguros, e esse é o nosso papel. A A.N.S.N. tem colaborado desde da sua fundação com diversas instituições locais e nacionais participando e colaborando nas suas diversas atividades, bem como promovendo ações de sensibilização para a problemática do afogamento e primeiros socorros nos vários ciclos do ensino escolar, com isso esta Associação tem um papel relevante na capacitação dos mais jovens para a necessidade da prevenção do afogamento. Entre as várias instituições mencionamos a Cercina, Externato D. Fuas Roupinho, EPN Nazaré, C+S Amadeu Gaudêncio, Santa Casa da Misericórdia. Participamos como parceiros no programa ESCOLA

AZUL e com a Nazaré Mares de Maio, tendo como objetivo através destas iniciativas chegar ao maior número de pessoas possível, dando-lhes conhecimento do mar e suas problemáticas a nível de salvamento e outras. A A.N.S.N. tem ao longo dos anos melhorado a capacidade de resposta que uma praia como a Nazaré, precisa, tem para tal em estreita sintonia com a Autoridade Marítima local, concessionários e Camara Municipal da Nazaré e Juntas de Freguesia da Nazaré, resolvido e colmatado até ao momento todas as situações de falta de nadadores salvadores que existe na Nazaré. Ao longo destes anos de existência, fomos pioneiros na aquisição de mota 4 e mota de agua de salvamento, pois a nazaré, é das poucas ao mesmo a única praia que pela sua envolvência consegue ter pessoas na praia durante todo o ano, em virtude de ser uma praia urbana com uma proximidade muito grande ao mar, e isso traz vantagens mas também alguns problemas de segurança, para quem por desconhecimento ao por descuido se aproxima muito do mar, e com isso tivemos durante alguns anos algumas situações de acidentes com perdas de vida na nossa praia, que nos preocupava, tentamos durante alguns


anos sensibilizar, as varias entidades para esta situação, propondo soluções, entre elas estava sempre o patrulhamento/vigilância da mesma durante todo o ano . Em 2017, o Senhor Presidente da Camara Municipal da Nazaré pôs em marcha um plano para que a praia da Nazaré pudesse ser patrulhada por um dispositivo de Nadadores Salvadores durante todo o ano, tendo se realizado um protocolo com esta Associação, em setembro de 2017, tendo como objetivo principal, prevenção de acidentes na nossa praia. Para tal a CMN meteu ao nosso dispor uma carrinha para patrulhamento da praia no inverno e um dispositivo de cinco nadadores salvadores, sendo um o coordenador geral e responsável pela equipa. Como Objetivo futuro tem esta Associação o intuito de conseguir uma torre de Vigilância para que os nadadores salvadores da equipa de Inverno possam estar na praia, em melhores condições. A Nazaré neste momento poderá dizer-se que é uma das praias mais seguras e atrativas para as pessoas poderem relaxar e passarem um dia de praia em segurança. Texto e Fotos: Daniel Meco

O mundo dos golfinhos

Descobre factos sobre golfinhos que tu não fazias ideia! Sabias que em toda a costa portuguesa é possível observar golfinhos? Na área da Nazaré é possível avistá-los com frequência no verão! Os golfinhos são mamíferos tal como os humanos, mas vivem na água. Como todos os mamíferos eles conseguem regular a tempe-ratura interna através do seu metabolismo, respiram ar e amamen-tam as suas crias. Existem diversas espécies de golfinhos em todo o mundo, 75 espécies para ser mais preciso. Deste número, em Portugal podemos observar pelo menos 6 espécies de golfinhos, sendo que na Nazaré vê se com mais frequência 2 espécies, o golfinho comum e o golfinho roaz.

Fazes ideia de como é que os golfinhos conseguem encontrar as suas presas a grandes distâncias? Os golfinhos conseguem detetar as suas presas através do processo de ecolocalização. O processo de ecolocalização começa pela produção de som, em forma de cliques, pelo golfinho. Este som produzido irá propagar-se no oceano e quando embater numa potencial presa, uma parte do som será refletida em direção ao golfinho que irá receber no seu maxilar inferior. Através deste processo o golfinho con-segue saber qual o formato, a distância e a velocidade a que a presa se encontra, por vezes até consegue saber qual é a espécie!

Sabias que os golfinhos têm impressão digital? Os golfinhos não têm uma impressão digital como o ser humano, mas podem ser conhecidos pela sua barbatana dorsal. A barbatana dorsal é uma parte do corpo que se encontra muito exposta e como tal fica bastante suscetível para a aquisição de cicatrizes ou cortes. Assim cada golfinho, dependendo da sua experiência de vida, irá ter uma barbatana dorsal com características únicas. Os investigadores que estudam golfinhos, para descobrirem mais informação utilizam muitas vezes o método de foto-identificação. Este método baseia-se na captura fotográfica da barbatana dorsal dos golfinhos. Ao recolher várias fotografias de vários anos irá permitir acompanhar o golfinho ao longo do tempo, sabendo assim mais sobre a sua vida e causando o mínimo impacto. Texto: Sara Vieira Fotos: Ocean Puzzle

Golfinho Comum

Golfinho Roaz

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Tradição com história

Nazaré. A arte da construção naval Durante séculos, a construção de embarcações em madeira foi uma importante atividade económica na Nazaré, animando vários estaleiros. É documentada a importância do centro que existia na Pederneira ao tempo das Descobertas, aproveitando a madeira do Pinhal de Leiria e o mar interior da lagoa (já não existente). Ao longo da costa portuguesa, o panorama de embarcações era muito variado e colorido, atendendo ao tipo de pesca e às áreas geográficas a que se destinavam. No final do século XIX, Ramalho Ortigão afirmava: “a variedade de formas das nossas embarcações de pesca é fenomenal, e nela se reflecte a alma profundamente marítima do nosso povo”. Baldaque da Silva, na sua notável obra “Estado Actual das Pescas em Portugal" (1891), efetuou um levantamento exaustivo dessas tipologias tradicionais, estudo que ainda hoje é a grande referência para o conhecimento do património náutico português. Como escreveu Alves Redol: "Há árvores que estão no pinhal por engano (…). Parecem barcos já feitos, à espera que os ponham a boiar” (“Uma Fenda na Muralha”, 1959). Quase todas as madeiras tinham boa aplicação, conforme se destinavam ao casco e seus acessórios, à decoração das câmaras e alojamentos, ou a pequenas embarcações, mastros e remos. Mas, era necessário saber escolher as árvores a cortar, trabalhadas depois no estaleiro com recurso a várias ferramentas e equipamentos, a partir de grades e moldes. Por fim, os calafates isolavam a embarcação, colocando estopa embebida em breu e alcatrão nas juntas; a pintura era o passo final e, embora não fosse muito complexa, embelezava e identificava a embarcação. Na Nazaré, assim como por todo o litoral português nas últimas décadas, os estaleiros navais tradicionais, localizados sobretudo a sul, foram desaparecendo. Popular e genericamente denominados de “calafates”, homenageamos aqui todos esses homens de cujas mãos saíam as embarcações em que os pescadores da Nazaré se faziam ao mar, como o

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Fig. 01

conhecido “barco de arte xávega” (ou “neta”), as barcas ou o barco do candil. O Museu Dr. Joaquim Manso – Museu da Nazaré é detentor de documentação e múltiplos objetos relacionados com a construção naval, nomeadamente projetos, ferramentas, moldes, grades e miniaturas de Porfírio e António do Carmo Oliveira, Policarpo Vicente Isaac, Júlio do Carmo Salvador, Fernando de Carvalho e António Luís Júnior. Deste último, localmente conhecido por “Tonico”, resultou o restauro das cinco embarcações tradicionais do Museu que estão em exposição na praia da Nazaré, num protocolo de colaboração com o Município da Nazaré. A ele se devem também várias miniaturas, modelos, moldes, grades e

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ferramentas, compradas ou oferecidas a esta instituição. António Luís Júnior (1929-2017) nascera na Marinha Grande, mas cedo veio para a Nazaré, quando os seus pais aqui se estabeleceram. Ainda na escola primária, acompanhando António Salvador, iniciou a aprendizagem da construção naval nos estaleiros de Júlio Salvador, localizados nas traseiras da lota (hoje Centro Cultural da Nazaré). Depois de ter sido marceneiro em Pataias, regressou a esta vila com cerca de 15 anos, para trabalhar ao balcão da padaria onde o pai exercia a profissão; mas, diariamente, depois do almoço, a atração pelos barcos falava mais alto e continuava a frequentar o estaleiro de Júlio Salvador. Após ter estado na Armada Portuguesa durante quatro anos (onde trabalhou nas oficinas de restauro de navios e baleeiras), regressou à Nazaré com 24 anos para definitivamente trabalhar no seu local de eleição – o estaleiro. Desde logo foi responsabilizado pelo seu mestre a fazer os “riscos” das embarcações, que eram desenhados no chão de madeira, num dos armazéns da fábrica de conservas de peixe. A traineira Gregório Carlinhos foi o seu primeiro “risco”. Entretanto, o estaleiro mudou para o


“Barracão dos Catataus”, na Rua dos Galeões. Após a aposentação de Júlio Salvador no início dos anos 1960, com mais dois trabalhadores, António Luís Júnior continuou aí a sua atividade, construindo todo o tipo de embarcações (mais de 100) da Nazaré e de outras praias (como São Martinho do Porto). Com a construção do porto de abrigo no início dos anos 1980, as mesmas instalações foram deslocadas para um dos armazéns aí construídos, passando a dedicar-se sobretudo à construção de barcos de recreio. “Rumo à Vida” foi a última embarcação que saiu do seu estaleiro. Nos últimos anos, o Mestre ocupou-se com o restauro ou a realização de miniaturas, às quais, no entanto, dedicava a mesma perfeição e rigor como às antigas embarcações tradicionais, que sempre preencheram a sua vida. A sua oficina encerrou no Verão de 2016. Em 2013, o Museu Dr. Joaquim Manso dedicou-lhe a exposição fotográfica “António Luís Júnior. O último calafate

da Nazaré. Imagens de Gisela e Antti Särkilahti. 2012-2013” e a tertúlia “António Luís Júnior. A arte naval em madeira”. Em 2015-2017, a partir de entrevista realizada no seu estaleiro, foi gravado o documentário “António Luís Júnior. O Último Calafate da Nazaré” (2015-2017), uma produção do Museu Dr. Joaquim Manso e Câmara Municipal da Nazaré (com recente revisão / som por Célia Quico), apresentado a 27 de maio de 2017, no “Nazaré. Festa de Filmes do Mar” / Nazaré Marés de Maio 2017.

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Com o fim destes estaleiros, fecha-se um longo ciclo da história da carpintaria naval do país e da Nazaré. Que consigamos estudar, preservar e valorizar o seu legado, para que este perdure para as gerações vindouras... Texto: Dóris Santos | Coordenadora do Museu Dr. Joaquim Manso / Direção Regional de Cultura do Centro Fig. 1: VE / CMN Fig. 2 a 4: Museu Dr. Joaquim Manso Fig. 5: A Passaporte / Museu Dr. Joaquim Manso

Fig. 04

Fig. 05

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Património

Estação salva-vidas da Nazaré 110 anos ao serviço da comunidade marítima local O Instituto de Socorros a Náufragos e o salvamento marítimo em Portugal Muito antes de ter ratificado importantes instrumentos internacionais relacionados com a salvaguarda da vida humana no mar, como é o caso da Convenção SOLAS, de 1974, e da Convenção SAR, de 1979, através das quais assumimos responsabilidades perante toda a comunidade marítima que usa as áreas marítimas que nos foram atribuídas por via da ratificação da Convenção SAR, Portugal contava já com um dispositivo de estações salva-vidas (ESV) localizadas ao longo da costa marítima para prestar o socorro a náufragos e dar assistência a marinheiros e embarcações. Este dispositivo começou a ser definido e edificado depois da criação do Real Instituto de Socorro a Náufragos, em 1892 – rebatizado como Instituto de Socorros a Náufragos (ISN) aquando da implantação da República, em 1910 -, por vontade e determinação da Rainha D. Amélia, contando, atualmente, com 27 estações, das quais 24 estão operacionais. As primeiras ESV foram criadas por iniciativa das comunidades locais onde este serviço público assumia

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maior necessidade, como é o caso das comunidades piscatórias e, mais tarde, das comunidades de recreio que desenvolvem as suas atividades no mar e nas praias. Mais tarde, foram também atribuídas ao ISN responsabilidades na área da assistência a banhistas nas praias e em outros locais balneares, funções que incluem hoje a aprovação dos conteúdos programáticos dos cursos de nadadoressalvadores, o licenciamento das escolas e associações de nadadores-salvadores, a homologação dos equipamentos destinados a serem usados nesta atividade, a certificação dos profissionais desta área – os nadadores-salvadores -, e a possibilidade de realizar auditorias à atividade em apreço. Em termos institucionais, O ISN é um órgão da Autoridade Marítima Nacional (AMN), integrado na estrutura da Direção-Geral da Autoridade Marítima, com competências de direção técnica para as áreas do salvamento marítimo, socorro a náufragos e assistência a banhistas, tendo, entre outras, as seguintes atribuições: • Estudar e propor as modificações a introduzir aos procedimentos de

natureza técnica no que respeita à prestação de serviços com vista ao salvamento marítimo, socorro a náufragos e assistência a banhistas; • Proceder a auditorias técnicas às instalações, embarcações e materiais das ESV, em colaboração com a respetiva Autoridade Marítima Local – o capitão do porto; • Promover ações de formação e treino no âmbito da operação e manutenção das embarcações salva-vidas e demais meios de salvamento; • Propor recompensas para atos de coragem, abnegação e humanidade; • Proceder a inspeções aos equipamentos, materiais e dispositivos de assistência a banhistas, e verificar o cumprimento das disposições relativas à assistência a banhistas; • Licenciar o exercício da atividade de assistência a banhistas por pessoas coletivas que tenham como objeto de atividade exclusivamente o salvamento marítimo, socorro a náufragos ou a assistência a banhistas; • Certificar as escolas e os cursos de nadadores-salvadores; • Certificar os nadadores-salvadores e emitir o respetivo cartão profissional.


A ESV da Nazaré como elemento da salvaguarda da vida humana no mar A história da Nazaré esteve, desde sempre, ligada ao mar e às atividades marítimas. Com a fixação das populações junto à orla marítima do local hoje chamado de Nazaré, foi necessário garantir a sua segurança no desenvolvimento de atividades comerciais como é o caso da pesca que envolvia inúmeros acidentes de onde resultava a morte de muitas pessoas. Por outro lado, a beleza natural deste lugar, também desde cedo atraiu cidadãos do interior para usufruírem do mar, da praia e do sol, atividade que rapidamente cresceu tendo tornado a Nazaré num dos principais spots de veraneio da Região Centro. Foi por isso que bem cedo as gentes da Nazaré fizeram chegar à Rainha D. Amélia - então Presidente do Real Instituto de Socorros a Náufragos -, uma petição onde solicitavam a instalação de um farol no Forte de S. Miguel Arcanjo, a colocação de uma embarcação salvavidas e de algumas boias de salvação. Assim, em ata de uma reunião dos Corpos Gerentes do Real Instituto de Socorros a Náufragos, que teve lugar a16 de março de 1896, no Palácio das Necessidades, ficou redigido o seguinte: “Foi presente um abaixo assignado dos habitantes da Nazareth, com 62 assignaturas pedindo para aquella praia um pharol no forte, um salva-vidas e algumas bóias de salvação. Foi tomado na devida consideração para logo que o estado financeiro do Instituto possa satisfazer aquella despesa ser montado ali um posto de socorro de 1ª classe.” Para dar seguimento a tal desiderato, o Real Instituto de Socorros a Náufragos adquiriu, em 1906, a antiga Casa dos Frades, situada na praia da Nazaré para onde se mudou, no dia 4 de julho de 1908, a Capitania do Porto da Nazaré, que tinha sido inaugurada a 18 de abril de 1895. A ESV foi inaugurada em 1909, tendo sido lançado à água a embarcação “Nossa Senhora dos Afflitos”, responsável

pelo salvamento de muitas vidas. A “Comissão Organizadora da Festa”era composta pelo Benemérito do ISN Cândido Rodrigues, por D. Maria José Rosa Rodrigues, sua filha e madrinha do salva-vidas; pelo padre António de Almeida (de Óbidos); pelo Comandante Hipácio de Brion, Inspector do ISN; pelo 1TEN Jaime Heitor da Silva Costa, um Cadete da Escola do Exército, filho do Comandante Brion e pelo Cabo de Mar Joaquim Bericardo de Sousa Lobo. No “Relatório da gerência do anno de 1909”, era feita a seguinte descrição: “Nazareth – Inaugurou-se em Julho esta estação que ficou sendo uma das melhores e mais bem montadas. Esta inauguração e o lançamento ao mar

da barca de salvação expressamente construída para esta praia, fizeramse com a assistencia do inspectorsecretario, dando logar a uma das melhores e mais enthusiasticas festas que se teem feito n’aquella praia. Este melhoramente foi recebido com a maior alegria por parte dos pescadores. Como ficou annexa á estação a antiga capella de Nossa Senhora dos Afflictos, muito da devoção da classe marítima, fez-se com a solennidade a bênção da capella, procissão e baptismo da barca que se ficou chamando Nossa Senhora dos Afflictos, e a grande festa nocturna com fogo de artificio. Entre os pescadores

organisou-se uma irmandade que tomou a seu cargo o que diz respeito ao culto. sua Majestade a Rainha, nossa Augusta e solicita Presidente, foram dirigidos telegrammas de agradecimento.” Dia da inauguração da Estação da Nazaré em julho de 1909. Indelevelmente ligado a esta fase da ESV, ficou o nome do Cabo-de-Mar Joaquim Bernardo de Sousa Lobo, localmente conhecido por “Joaquim da Rita”, que, pela sua coragem e bravura em inúmeros salvamentos, deixou o seu nome para sempre ligado a esta ESV e ao ISN. Este Cabo-de-Mar, que era oriundo de Ílhavo, e aqui se fixou, à semelhança de muitos dos seus conterrâneos, viria a ser alvo de numerosas homenagens, tendo inclusive sido condecorado com o grau de cavaleiro da Torre e Espada. O papel de uma ESV nos dias de hoje pese embora o fim último de uma infraestrutura deste tipo continue a ser o de prestar o socorro a náufragos, fruto da evolução da sociedade, passaram a assumir outras funções relacionadas com a segurança de pessoas e bens. Hoje, sem se descurar a suma missão principal, a partir das ESV é possível prestar apoio a todo o tipo de atividades náuticas, recreativas e lúdicas realizadas na faixa de mar e de costa próxima da linha de água. Indo ao encontro das necessidades que vão surgindo decorrentes do desenvolvimento de atividades com interesse para o País, como o turismo, a AMN tem dado orientações aos seus órgãos e serviços locais para estarem mais preparados para apoiar também esta área de interesse público, reforçando a vigilância e atenção, nomeadamente em relação às praias durante a época balnear e em locais não vigiados. É isso que também a ESV está preparada para fazer hoje, sob coordenação do Capitão do Porto da Nazaré. Embora localizada dentro do porto de pesca da Nazaré, portanto um pouco mais afastada das praias, está dotada de meios que lhe permitem aproximarse da linha de água pelo lado do mar e prestar assistência a pessoas que sejam

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vítimas de um qualquer acidente A sua guarnição é constituída por 1 sota-patrão e 2 marinheiros salva-vidas, esperandose poder recrutar este ano mais um elemento que falta para a completar. Ao nível dos meios operacionais, conta com uma embarcação salva-vidas de média capacidade com 8,60 metros e com dois motores de 150HP, equipada com todo o equipamento de salvamento e primeiros socorros; com uma mota de salvamento marítimo de 155HP de potência equipada com uma maca de resgate; e com um bote para operar em águas abrigadas com 4 metros de comprimento e um motor de 40HP de potência. Em termos da atividade operacional, esta ESV continua a salvar vidas tendo sido necessário realizar 14 saídas de socorro em 2018 para prestar assistência a 9 pessoas e a 10 embarcações. Daqui

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resultou o salvamento de uma vida e a salvação de uma embarcação. Já em 2017, tinham sido realizadas 10 saídas de socorro que envolveram a assistência a 7 pessoas e a três embarcação, dali resultando o salvamento de uma pessoa. Como a segurança dos que usam o mar e a orla costeira para o desenvolvimento de atividades profissionais ou lúdicas começa em si, e apesar de existirem, como aqui vimos, obrigações legais do Estado, equipamentos e profissionais preparados para prestarem do socorro e assistência a pessoas no mar e em terra, nunca é demais alertar para os perigos que espreitam quando não são cumpridas as mais elementares regras de segurança. Por isso, se vai ao mar, prepara-se em terra; o mar é amigo, mas deve ser respeitado em todas as circunstâncias. Se vai à praia, esteja atento aos perigos

que pode encontrar e proteja-se a si e aos seus. A ESV da Nazaré continuará preparada para cumprir a sua missão e os profissionais que ali prestam serviço mantêm a mesma abnegação e determinação de outros que os antecederam para continuar a salvar vidas no mar e na orla costeira quando tal for necessário.

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Texto e Fotos: José António Velho Gouveia Capitão de Mar e Guerra Director do ISN


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Consumo de Peixe Alguns dos muitos benifícios 1. Fornece proteínas para o corpo Os peixes são grandes fontes de proteínas e podem ser usados para substituir as carnes e o frango da dieta. As proteínas são nutrientes importantes para a formação da massa muscular, dos cabelos, da pele, das células e do sistema imunológico, sendo um nutriente essencial para a saúde. Peixes magros como robalo, garoupa e linguado são fontes menos calóricas de proteínas, enquanto os peixes gordos como salmão, atum e sardinha contêm mais calorias.

2. Previne doenças cardiovasculares Os peixes são fontes de gorduras boas, especialmente os provenientes de água salgada, como atum, sardinha e salmão, pois são ricos em ômega-3, nutriente presente nas águas profundas do mar. O ômega-3 atua no organismo reduzindo o colesterol ruim e aumentando o colesterol bom, além de reduzir a inflamação e melhorar o sistema imunológico. Com isso, o consumo de peixes reduz o risco de doenças cardiovasculares como aterosclerose e infarto, além de prevenir outros problemas, como o AVC.

3. Melhora a memória e previne Alzheimer Consumir peixe regularmente previne a perda de massa cinzenta no cérebro, que está ligada ao surgimento de

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doenças degenerativas como o mal de Alzheimer. Esse benefício está ligado à presença de ômega-3 e de nutrientes como cálcio e fósforo, importantes para a transmissão impulsos nervosos.

4. Alivia os sintomas de artrite Peixes ricos em ômega-3, como salmão, atum e cavala, ajudam a aliviar os sintomas da artrite por terem propriedades anti-inflamatórias. Ao aumentar os níveis de ômega 3 no organismo, a inflamação nas articulações é reduzida e as dores diminuem. Esse benefício também pode ser obtido consumindo suplementos com óleo de peixe ou ômega 3, mas é importante destacar que o consumo do alimento natural potencializa os benefícios dos seus nutrientes.

5. Fornece vitamina D Os peixes são as melhores fontes de vitamina D na alimentação, especialmente os peixes gordos, pois essa vitamina fica armazenada na gordura dos alimentos. A vitamina D funciona como um hormônio esteroide no organismo, sendo importante para prevenir problemas como diabetes, infertilidade, câncer e problemas cardíacos. Além disso, a vitamina D aumenta a absorção de cálcio no intestino, ajudando a prevenir osteoporose, especialmente após a menopausa. Texto: NMM Foto: Freepik


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NAZARÉ

UMA VILA NO LITORAL CENTRO DO PAÍS TRADIÇÕES

EVENTOS

RECURSOS NATURAIS

PAISAGEM

ONDAS GIGANTES

GASTRONOMIA

BOAS ACESSIBILIDADES A Nazaré é turisticamente uma das mais importantes imagens de marca de Portugal, dispondo de um riquíssimo património cultural e natural que não pode deixar de desfrutar. A par do sol e mar, Nazaré é por excelência também um destino «City Breaks» graças a uma variedade de atrações temáticas (religiosa, cultural, social, desportiva incluindo uma diversidade de eventos, festas e romarias) onde importa salientar os fortes valores naturais e de biodiversidade a nível da floresta, da fauna, da flora e por excelência da qualidade paisagística e ambiental, permite uma oferta de atividades de animação turística ajustadas aos diferentes segmentos do Turismo de Natureza. Por outro lado, graças a uma enorme variedade de paisagens e elevada diversidade de habitats naturais a Nazaré tem condições que permitem a realização de programas de observação de aves em habitats distintos e com um grande número de espécies. Refira-se ainda que, por registar um clima ameno durante quase todo o ano, permite que seja possível realizar um conjunto vasto de atividades outdoor, onde a segurança do destino, os sabores da gastronomia, a oferta de alojamento, o bom acolhimento e a simpatia das pessoas constituem igualmente, valores que definem a excelência de Nazaré também como destino de Turismo de Natureza.

Fotos Esquerda 1. Paula Alexandra 2. Júlio Limpinho 3. Manuel Pinto Fotos Direita 1. Júlio Limpinho 2. Manuel Pinto 3. Rossana Manã

English version Texto: NMM

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Nazaré Marés de Maio


Foto: Manuel Pinto PUB

Adega Oceano

Hotel 2 Estrelas

Restaurante

Avenida da repĂşblica, 51 | 2450 101 NazarĂŠ Tlf.: 262 561 161/261 | Tlm.: 967 857 578 info@adegaoceano.com

www.adegaoceano.com

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Círio de Nossa Senhora da Vitória O Círio de Nossa Senhora da Vitória é uma romagem da Nazaré à Ermida de Nossa Senhora da Vitória, em Paredes, concelho de Alcobaça, e cuja origem se pressupõe remontar ao século XVI. Tem início na manhã da Quinta-Feira de Ascensão e parte do Santuário de Nossa Senhora da Nazaré, no Sítio. Após três voltas ao Santuário, os anjos recitam as loas de partida, seguidos pelos juízes, banda filarmónica, acompanhantes a cavalo e restantes devotos que assistem ao ritual, espalhados nas escadas do Santuário e no Largo (“Terreiro”). Todo o cortejo dirige-se para Paredes, num percurso de cerca de 11 Km, hoje feito parcialmente a cavalo e de carro. Ao chegar à Ermida de Nossa Senhora da Vitória, dão-se três voltas em torno da mesma, os anjos entoam novas loas, assiste-se à missa e tem lugar uma procissão com a respetiva imagem. Antes do regresso, a meio da tarde, depois do almoço e do convívio, efetuam-se as três últimas voltas à capela e os anjos cantam as loas de despedida “à Senhora da Vitória”. Chegados ao Sítio, na “Buzina”, dá-se a “passagem da bandeira”, momento alto da romaria, que assegura a continuidade do círio. Repetem-se as três voltas ao Santuário de Nossa Senhora da Nazaré e a entoação das loas finais pelos anjos. O círio termina depois de percorridas as ruas principais da Praia, já no fim de tarde. Texto: Museu Dr. Joaquim Manso / Direção Regional de Cultura do Centro

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Localizado no centro da Nazaré, a 2 minutos da Praia, o Hotel Praia é um hotel de ambiente descontraído, contemporâneo e de design. Este hotel de 4 estrelas reúne as condições ideais para fugir da rotina do dia-a-dia com uma escapadinha de fim de semana ou uns excelentes dias de férias, assim como uns dias de trabalho num ambiente relaxante. O hotel oferece aos seus clientes wi-fi gratuito. O hotel dispõe de ótimas condições para a realização de reuniões e eventos de empresas com várias salas com capacidade até 120 pessoas.

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Qualidade das águas Praias do Concelho da Nazaré

Praia da Nazaré

Praia do Salgado

Praia do Norte

Equipamentos e Serviços Vigilância: Sim Sanitários: Sim Limpeza de Praia: Sim Acesso deficientes: Sim Animais domésticos: Não Painel informativo: Sim Apoios de praia: Sim Estacionamento: Sim Regime de marés: Maré semi-diurna. Mesotidal: 2-4m Temperatura da água: varia entre os 15ºC e os 17ºC na época balnear. Regime de ventos: Ventos dominantes de Norte/Noroeste nos meses de verão Temperatura do ar: A temperatura máxima do ar nos meses mais quentes varia em média entre os 24ºC e os 28ºC. Tipologia: Praia urbana com usos intensivo. Actividades Recreativas: Desportos vários e pesca desportiva.

Equipamentos e Serviços Vigilância: Sim Sanitários: Sim Limpeza de Praia: Sim Acesso deficientes: Animais domésticos: Não Painel informativo: Sim Apoios de praia: Sim Estacionamento: Sim Regime de marés: Maré semi-diurna. Mesotidal: 2-4m Temperatura da água: varia entre os 15ºC e os 17ºC na época balnear. Regime de ventos: Ventos dominantes de Norte/Noroeste nos meses de verão Temperatura do ar: A temperatura máxima do ar nos meses mais quentes varia em média entre os 24ºC e os 28ºC. Tipologia: Praia equipada com uso condicionado Actividades Recreativas: Pesca desportiva, Surf e Windsurf.

Equipamentos e Serviços Vigilância: Sim Sanitários: Não Limpeza de Praia: Acesso deficientes: Animais domésticos: Painel informativo: Não Apoios de praia: Não Estacionamento: Sim Regime de marés: Maré semi-diurna. Mesotidal: 2-4m Temperatura da água: varia entre os 15ºC e os 17ºC na época balnear. Regime de ventos: Ventos dominantes de Norte/Noroeste nos meses de verão Temperatura do ar: A temperatura máxima do ar nos meses mais quentes varia em média entre os 24ºC e os 28ºC. Actividades Recreativas: Surf e Bodyboard.

Histórico de classificações

Histórico de classificações

Histórico de classificações

ANO CLASSIFICAÇÃO 2018 EXCELENTE 2017 EXCELENTE 2016 EXCELENTE 2015 EXCELENTE 2014 EXCELENTE 2013 EXCELENTE 2012 EXCELENTE 2011 EXCELENTE

ANO CLASSIFICAÇÃO 2018 EXCELENTE 2017 EXCELENTE 2016 EXCELENTE 2015 EXCELENTE 2014 EXCELENTE 2013 EXCELENTE 2012 EXCELENTE 2011 EXCELENTE

ANO CLASSIFICAÇÃO 2018 EXCELENTE 2017 EXCELENTE 2016 EXCELENTE 2015 EXCELENTE 2014 EXCELENTE 2013 EXCELENTE 2012 EXCELENTE 2011 EXCELENTE

Texto: www.apambiente.pt Fotos: Vitor Estrelinha | C.M.N

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Praia do Sul

referentes à Praia do sul


A nossa história Ocean Puzzle

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Património

Procissão do Senhor dos Passos da Pederneira - 400 Anos de História Esta manifestação religiosa teve a sua origem pelo ano de 1619, contando até aos nossos dias com 400 anos de existência, tendo apenas sido interrompida entre os anos de 1808-1014, devido às Invasões Francesas que assolaram a nossa região, e em 1872. Epidemia de Febre Amarela no Concelho da Pederneira/Nazaré, esta por uma questão de segurança pública. Tem início numa conjuntura de grande sofrimento para as gentes da Vila da Pederneira, devido à escassez cerealífera que semeou a fome entre a população e o consequente aumento da mortalidade. Rapidamente se tornou numa das mais concorridas procissões, chagando a cativar com passos e penitências, reunindo em certos anos, mais de 20.000 pessoas. Com o passar dos anos, a fama e divulgação da dita procissão, entre a população do Reino de Portugal é tão

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grande e intensa que, o grande concurso de povo que vinha à função dos Santos Passos, por não caber na Igreja (Santuário de Nossa Senhora de Nazaré), tinha o Passo para a cerimónia dos Sermões do Calvário, Despregamento da Cruz e Soledade, ter que ser arrumado, uns anos nas escadas do pórtico desta igreja, e outros nas escadas dos alpendres da parte Sul, onde ainda hoje se conserva o buraco onde se insere a Cruz. Várias são as indicações que nos chegam sobre a Procissão dos passos através dos séculos: por exemplo, em 1728, a “armação” dos Passos levou sete dias e custou 240 réis; em 1790 vieram de Leiria dois oficiais para evitarem excessos e desordens da multidão. Os anos vão passando, e entrando no século XIX, mais propriamente antes das Invasões Francesas, vinha a dita Procissão dos Santos Passos pelo caminho que vem da Vila da Pederneira, a que antes se chamava o “Caminho da Cruz das Almas”, e que por essa razão estava no

princípio de uma ladeira, que subia atá ao Sítio, onde se poderia encontrar um “Passo” ou “Capelinha”, e outro igual, junto ao forno onde a Confraria de Nossa Senhora, cozia telha e tijolo. Depois da dita Invasão Francesa, nefasta para a população da Vila da Pederneira e demais lugarejos em redor da mesma, vem a Procissão pelo caminho que vulgarmente designamos de “Buzina” (nome pelo qual ficou conhecida a entrada do Sítio da Nazaré, depois das Invasões, por lá ter sido colocado uma corneta ou buzina que avisava as populações do aproximar dos soldados franceses). Nos primeiros anos em que se realizou esta mudança, se faziam ou montavam os 3 necessários Passos, em madeira. Porém, no ano de 1830, havendo muita abundância de pescado, especialmente de espécies como o ruivo, goraz, chicharro e pargo, e rendendo à Misericórdia da Pederneira, mais de 700 mil réis, provenientes do “dízimo” atribuído pelos pescadores ao Hospital da Vila da Pederneira, sendo Provedor e Reitor desta Igreja, António Baptista Belo de Carvalho, mandou des-


fazer os 3 antigos Passos, e reedificar outros novos. Almeida Salazar, nas suas “Memórias da Real Casa de N. S. da Nazareth”, assim nos relata a fama da procissão: “Vinham na dita Procissão dos Santos Passos alguns penitentes ferindo seus corpos com disciplinas, e fazendo outros géneros de penitências, e mortificações, e apesar de que aqueles edificantes actos religiosos tinham cessado desde aquela infausta, e memorável época, contudo em 1831 tivemos a consolação de vermos vir uma mulher ainda moça, de joelhos desde a Vila até entrar nesta Igreja, à qual chegou quase desfalecida, e sem já poder dar um passo, e para ela poder cumprir a sua promessa, se demorou muito a Procissão no seu trânsito para este Sítio, e entrou nele já de noite”.

Teremos obviamente de salientar, que era a Misericórdia da Vila da Pederneira quem organizava a dita procissão, e que por estes anos, já a mesma se encontrava em sérias dificuldades económicas, e para se poder realizar a centenária procissão, foi necessário recorrer à boa vontade dos Irmãos e Peregrinos, bem como das esmolas que estes deixavam, para se realizar condignamente este ato religioso. Do que acima citamos, e

passados 6 anos, ou seja, pelo ano de 1868, assim se declara numa das atas da Mesa da Irmandade da Misericórdia da Pederneira: “(…) Pelo Provedor foi proposto que sendo costume haverem Sermões nos Domingos da Quaresma e Procissão do Senhor Jesus dos Passos no quarto Domingo da mesma Quaresma, era sua opinião que para os Sermões fosse convidado o Reverendo José Marques Carepa, e que quanto à procissão dos Passos se fizesse por meio de donativos, pagando esta Santa Casa qualquer resto que falte, e que para auxiliar a Administração desta Santa Casa se nomeia uma Comissão, para cuja Comissão propõem o Reverendo Joaquim Ferreira Borges, João Duarte Vieira, Joaquim Augusto Veríssimo, os quais deveriam ser convidados por meio de ofício para declararem se aceitam este encargo”. Com o decorrer dos anos, a Misericórdia da Pederneira, que organizava como temos vindo a ver e salientar, a Procissão do Senhor dos Passos, entra em decadência financeira, afetando diretamente a manutenção e realização da mesma. O ano de 1871 não é exceção, pois é considerado pelo Provedor da Misericórdia se a sua realização era viável, pois somente com as esmolas dos peregrinos e irmãos, se poderia realizar, o que veio efetivamente a suceder.

Ao findar do ano de 1871, princípios de 1872, a Pederneira sofre uma epidemia (Febre Amarela), o que leva a Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia da, a ponderar se a procissão poderia e deveria realizar, visto que à Pederneira afluíam centenas, mesmo milhares de peregrinos e devotos para acompanharem a procissão. Depois de consultado o Médico da Casa, sobre a conveniência ou inconveniência da sua realização, para a saúde pública, o ilustre Médico respondeu que era de sua opinião, para que se evitasse uma maior propagação da epidemia, que esta não se realizasse. O ano de 1875 é marcado pela Petição que a Irmandade da Misericórdia da Pederneira fez ao Governo de Sua Majestade, referente a uma outra petição do ano de 1871, onde se declara a anexação desta Irmandade à Real Casa de Nossa Senhora da Nazaré, pois os seus baixos ou inexistentes rendimentos não conseguiam suportar as despesas com o Hospital da Pederneira, o mesmo acontecendo com as despesas inerentes com a realização da Procissão, apesar da já mencionada Comissão estar há frente dos destinos da mesma. Assim sendo, todos os bens da Misericórdia da Pederneira passam para a Real Casa de N. S. da Nazaré, o Hospital extinto, e a realização da Procissão

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a cargo da Comissão criada, autoproclamando-se Irmandade do Senhor dos Passos da Pederneira. Finalizando, no ano de 1899, abrilhantam esta Procissão, duas filarmónicas locais, tendo a atividade dos Mesários da Irmandade sido muito elogiada por não se ter poupado a esforços para que aqueles que assistiam pudessem dizer noutras partes deste Reino, que esta tradicional festividade teve o brilho costumado. Já no século XX, o “Diário de Notícias” e o “Século”, entre outros jornais nacionais e regionais, continuam a fazer-lhe boas referências, incluindo ações meritórias dos párocos para um maior prestígio deste ato de culto. E durante largos anos ainda se continuou a fazer a Procissão de Segunda-feira ao cair da noite, a que o uso de archotes, feitos de junco e breu, davam maior luzimento e facilitavam a leitura das pautas musicais. A voz da “Vaizonia”, a Verónica, a todos encantava, tal como ainda hoje, com os seus característicos cânticos nos vários “Passos”, em número de 7. Nos nossos dias, apenas canta ao Domingo, três vezes; à saída da Igreja da Misericórdia, depois do Sermão do Encontro, junto da Capelinha de N. S. dos Anjos e, por último, na escadaria da entrada do Santuário do Sítio, voltando depois a cantar, na Segunda-feira, aquando da entrada das imagens na Igreja da Misericórdia. Convém ainda salientar, que ao contrário de outras localidades do país onde também se realizam estas festividades, mas somente num único dia (Domingo) na Nazaré esta se divide em 3: Sábado, Domingo e Segunda-feira. A origem desta divisão, prende-se com a falta de homens para transportar os andores e insígnias, pois encontravam-se muitas vezes na pesca do bacalhau ou no Ultramar, achando por bem a Comissão organizadora, sabendo que a chegada dos mesmos à Nazaré, acontecia na Sexta ou mesmo no Sábado de Passos, alargar as festividades para assim se poder realizar a mesma, pois somente depois do 25 de Abril de 1974, as mulheres passaram a poder, também elas, levar os andores insígnias, até então, apenas acompanhavam com muita fé o cortejo da mesma Procissão.

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Conta atualmente esta Irmandade com cerca de 4.700 irmãos, no entanto, convém salientar que existe uma tradição inerente a estes “Irmãos”: mesmo depois de falecidos, é norma as famílias dos mesmos continuarem a pagar a cota, ato de devoção. O mesmo se pode traduzir através dos chamados “Ex-votos”, símbolo de um milagre concedido a uma qualquer pessoa, por parte destes Santos, traduzindo-se os mesmos em forma de diversas ofertas, podendo

ser desde uma simples fotografia, até aos mantos e fatos que cobrem as imagens. Os Ex-votos são divididos em três “categorias”: militares, marítimas e de salvamento de doenças. Tal é a devoção das gentes da Nazaré por esta procissão, que os Santos, entenda-se o Senhor dos Passos, o Senhor Morto e N. S. da Soledade, que os fatos e mantos que os cobrem se encontram ofertados pelo menos até ao ano de 2024.

Texto: Mário Bulhões - Técnico Superior de História - Variante de História da Arte, Câmara Municipal da Nazaré – Gabinete de Património e Cultura. Fotos antigas: Álvaro Laborinho / Museu Dr. Joaquim Manso Fotos atuais: Sara Leonardo

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Património

O LITORAL DOS COUTOS DE ALCOBAÇA A evolução morfológica da Lagoa da Pederneira (Nazaré) Apresenta-se uma síntese da evolução da região litoral dos Coutos de Alcobaça com destaque para a antiga Lagoa da Pederneira (Nazaré). A partir do Holocénico Médio as alterações morfológicas e ambientais da área foram muito incrementadas pelas actividades antrópicas. A sequência sedimentar acumulada nos ambientes estuarinos e lagunares revela, desde a Idade Média, um relação estreita com as actividades humanas exercidas nas bacias hidrográficas adjacentes, com destaque para as exercidas pela Comunidade Cisterciense de Alcobaça. A abordagem é feita tendo como base: análise geomorfológica detalhada; localização e identificação de vestígios arqueológicos e históricos; interpretação crítica de documentos escritos e cartográficos; resultados preliminares do estudo dos sedimentos de sondagens realizadas no espaço da antiga laguna.

A proximidade de um litoral acessível e abrigado como as lagoas de Alfeizerão (S. Martinho do Porto) e da Pederneira (Nazaré) proporcionou ao Mosteiro de Alcobaça um recurso natural e estratégico, determinante na organização socioeconómica e espacial dos seus domínios, e da região em geral. A multifuncionalidade que ao longo dos tempos estes espaços desempenharam, terá justificado a forte intervenção humana na manutenção dos sistemas lagunares e portuários, mesmo quando as condições hidrodinâmicas, gerais e locais, favoreciam o assoreamento. O processo evolutivo destes ambientes foi acompanhado de permanente reorganização do espaço de que resultou a deslocação geográfica de pessoas e funções. O sector litoral da Nazaré apresenta características geomorfológicas peculiares. Para o interior, na actual

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planície aluvial podem-se identifcar 3 alvéolos ou sectores: Valado de Frades-Maiorga (interior); Ponte das Barcas-Valado de Frades (intermédio) ; Nazaré-S.Gião (litoral). As áreas baixas (2-10m) e aplanadas (declive cerca de 0,9%) destes alvéolos correspondem, no geral, à extensão máxima atingida pela Lagoa da Pederneira no Último Máximo Transgressivo (ocorrido cerca de 5000 BP). A localização de múltiplos vestígios arqueológicos pré-romanos e romanos na periferia deste espaço, indiciam que a área inundada permaneceu pouco alterada até ao Período Romano (século III a.C.) e que a navegação foi possível até Cós, Maiorga e Fervença. Este local da costa era conhecido por Seno Petronero, designação que persistiu nas representações cartográficas de pequena escala, até ao século XIV. Contudo, o registo sedimentar correlativo deste período (Sondagem Nzs2) indica que o limite do ambiente lagunar terminaria nas imediações do Valado, estando o alvéolo Valado de FradesMaiorga praticamente emerso e transformado em paul (Fig.1-A). Assim, a navegação para o interior, referida em alguns documentos históricos, só seria possível ao longo das linhas de água existentes ou os canais de maré. A proximidade de um espaço lagunar, abrigado e pouco profundo, foi determinante na localização e prosperidade dos vários povoados romanos. A pouca distância está comprovada a existência de três villae romanas (Póvoa de Cós, Rossio da Pederneira, Mina) e de um povoado fortificado (Parreitas). A própria Lagoa estabelecia a fronteira entre o domínio das duas maiores civittas romanas, Eburobrittium (a sul) e Collippo (a oriente) proporcionando a esta última uma “porta” de contacto com o mediterrâneo, alternativa ou complementar às vias terrestres.

Com excepção da referência às várias torres visigóticas que delimitavam e defendiam a Lagoa, e à presença do templo Visigótico de S. Gião, a documentação histórica, relativa à região, é muito escassa até ao século XII. A estabilidade sociopolítica que se seguiu à Reconquista, e sobretudo a instalação da Ordem de Cister em Alcobaça (1153), determinaram um período de prosperidade económica e demográfica, acompanhado de forte desenvolvimento da agricultura, exploração e transformação de minérios (ferro). A prática destas actividades contribuiu para a destruição do coberto vegetal primitivo, devido ao arroteamento de novas terras e à utilização de madeira. A alteração do uso solo terá contribuído para o incremento do assoreamento da laguna, reduzindo significativamente a área imersa (Fig. 1-B), ao mesmo tempo que as necessidades de uso do porto e da extração de sal aumentavam. Na documentação do século XII e seguintes é referido o fecho da barra da laguna e o esforço exigido para a abrir e manter aberta, assim como as consequências nefastas que o isolamento do mar provocava no interior do corpo lagunar e na qualidade de vida das populações. Apesar da área inundada se restringir parcialmente ao alvéolo central e a comunicação com o mar ser esporádica, a crescente necessidade de circulação de pessoas e bens por via marítima, à época a mais fácil e rápida, constituía, em conjunto com a pesca e a salicultura, importante fonte de rendimentos para o Mosteiro de Alcobaça e para a Coroa, estimulando a manutenção artificial de condições para a navegação na Lagoa. Assim, o “porto” não teria, nesta época, uma estrutura física definida, localizando-se os principais pontos de acostagem em posição interior, na margem norte e junto às principais linhas de água. A vila da Pederneira desenvolveu-se a SE da sua actual localização, acima da Ponte das Barcas onde se situaria o “porto” e os estaleiros (Fig. 1-A e B).


Figura 1 - A) Configuração provável da Lagoa da Pederneira há cerca de 2 000 BP. - B) Configuração provável da Lagoa da Pederneira nos séculos XII-XIII

Muitos documentos do século XVI aludem às dificuldades em manter a barra aberta e em drenar os pântanos e sapais existentes nas imediações. O crescimento dos cordões litorais, o avanço das dunas, a constante migração da foz do rio Alcoa e o aumento de calado das embarcações, obrigaram à mudança do “porto” e dos estaleiros para fora da Ponte das Barcas, instalando-se na “Ribeira”, situada na região da actual vila da Nazaré, abaixo do Promontório do Sítio. Neste amplo espaço são retomadas as actividades de construção naval, comércio marítimo e pesca. A cartografia de pormenor dos séculos XVI e XVII representa a área a jusante da Ponte das barcas como um extenso areal, onde serpenteia o rio Alcoa (ou de Alcobaça) que comunica com o mar por uma barra estreita. Esta configuração sugere que a Lagoa já tivesse desaparecido e apenas as superfícies baixas fossem inundadas nos períodos mais chuvosos. Contudo, a circulação de pequenos barcos ao longo dos rios e dos canais, é documentada ainda neste período. A decadência do porto interior foi acompanhada pelo progressivo abandono do espaço “medieval” da Pederneira que se transferiu para o local da actual vila. O topónimo “Lagoa

da Perderneira” terá permanecido para designar o antigo espaço inundado, mesmo depois do desaparecimento do ambiente lagunar. Nos séculos XVII e XVIII, a atracção da população pelas actividades da pesca, dos estaleiros, do armazenamento e transporte das madeiras provenientes do Pinhal de Leiria com destino à Ribeira das Naus em Lisboa, deu origem a um novo aglomerado populacional que se estabeleceu junto ao porto: a “Praia” ou “Ribeira” (primórdios da actual Nazaré). O povoamento deste lugar foi lento devido às frequentes inundações causadas pela erosão do cordão litoral e pela constante migração da foz do rio,apenas estabilizada artificialmente em 1837. Em simultâneo, no cimo do promontório, desenvolveu-se o Sítio, associado à expansão do culto de Nossa Senhora da Nazaré, que acolheu muitos dos moradores da Pederneira, já em decadência. Na Praia, as más condições de acostagem e a migração dos bancos arenosos só permitiam embarque de mercadorias no verão, mantendo-se apenas actividades relacionadas com a pesca. Ao longo do século XVIII as zonas húmidas adjacentes à Lagoa foram drenadas e transformadas em terrenos agrícolas (várzeas e campos).

Razões sociopolíticas (Invasões Francesas, diminuição da população, declínio e expulsão da Ordem de Cister em 1834) impediram a manutenção das estruturas hidráulicas, e parte da várzea foi inundada, retomando a anterior condição de paul (Cela, Campinho, Valado, Maiorga). O posterior crescimento populacional e a expansão da agricultura contribuíram para o aumento da erosão e consequente sedimentação e desorganização da rede de drenagem, agravada pela falta de manutenção das estruturas hidráulicas construídas. Esta situação foi modificada em meados do século XX com a execução de importantes obras de enxugo e correcção torrencial e, mais tarde (década de 80), com o desvio para sul e fixação da foz do rio Alcoa e a construção do Porto de Abrigo da Nazaré. Em síntese, as actividades humanas decorrentes de contextos socioeconómicos gerais e locais, condicionadas por pequenas oscilações climáticas históricas, contribuíram de forma determinante para aceleração das taxas de sedimentação e para o assoreamento da Lagoa da Pederneira e dos sectores baixos da costa, ao longo do último milénio. Texto e fotos: Maria Virgínia Henriques (2012) Departamento de Geociências da Universidade de Évora

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Agenda de Eventos 30 Maio 2019

Círio da Senhora da Vitória Nazaré, Sítio e Paredes da Vitória

30 Maio a 1 Junho 2019

Festival de Jazz do Valado (Parte 1) Bir - Biblioteca, Instrução e Recreio | Valado dos Frades

30 Maio a 9 Junho 2019

Euro Winners Cup Nazaré 2019 | Nazaré

1 Junho 2019

Exposição de Nadir Afonso Galeria Paul Girol

1 e 2 Junho 2019

Festas em Honra de Nossa Senhora da Conceição Liga dos Amigos de Fanhais | Fanhais

6 a 8 Junho 2019

Festival de Jazz do Valado (Parte 2) Bir - Biblioteca, Instrução e Recreio | Valado dos Frades

14 e 16 Junho 2019 Festas de Santo António Pederneira

16 Junho 2019

Procissão de Santo António Nazaré - Pederneira

20 Junho 2019

Procissão do Santíssimo Nazaré - Pederneira

5 a 7 Julho 2019

Women Euro Beach Soccer Cup Nazaré

5 a 7 Julho 2019

Euro Beach Soccer League Nazaré

19 a 21 Julho 2019

Nazare Cup Beach Assoc. Externato D. Fuas Roupinho | Nazaré

19 Julho a 11 Agosto 2019 45ª Feira do Livro da Nazaré Centro Cultural Nazaré

21 Julho 2019

Festas de Santo Isidro Raposos - Famalicão

2 a 4 Agosto 2019 Tasquinhas da Bir Valado dos Frades

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Nazaré Marés de Maio

4 Agosto 2019

Festas da Serra da Pescaria Famalicão da Nazaré

11 Agosto 2019

Festas em Honra de Nossa Senhora da Vitoria Famalicão da Nazaré

15 Agosto 2019

Prova de Natação Joaquim Bernardo Sousa Lobo Praia da Nazaré

23 Agosto a 20 Outubro 2019 Exposição Farmácias e Farmacêuticos Centro Cultural Nazaré

24 Agosto 2019

Exposição Fotográfica de Sérgio Cardina Galeria Paul Girol

30 Agosto 2019

Festas em Honra de Nossa Senhora da Nazaré Sítio da Nazaré

8 Setembro 2019

Procissão de Nossa Senhora da Nazaré Sítio da Nazaré

14 Setembro 2019

Festival de Folclore do Grupo Etnografico da Nazaré Sítio da Nazaré

14 Setembro 2019

Círio de Olhalvo, Penafirme da Mata e Cadriceira Sítio da Nazaré

28 Setembro 2019

Diálogos Criativos com Expressão Ecológica de Ana Antunes Galeria Paul Girol

26 Outubro 2019

Exposição comemorativa Centenário Nascimento José Laborinho Delgado Centro Cultural Nazaré

Outubro 2019 a Março 2020 ONDAS GIGANTES Praia do Norte

10 Novembro 2019

45ª Meia Maratona Internacional da Nazaré Nazaré - Famalicão

15 Dezembro 2019 a 5 Janeiro 2020 Exposição de Presépios Centro Cultural Nazaré


INICIATIVAS NAZARÉ MARÉS DE MAIO 2019

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29 a 31 Dezembro 2019 Festa de Passagem de Ano Nazaré

1 Janeiro 2020

Apresentação dos Reis de Carnaval 2020 Nazaré

17 a 19 Janeiro 2020 Festas das Chouriças Valado dos Frades

19 Janeiro 2020

Fotos: Gisele Barg

Procissão em Honra de S. Sebastião Valado dos Frades

3 Fevereiro 2020 Festa de S. Brás Pederneira

15 Fevereiro 2020

Carnaval da Nazaré | Sábado Magro | Dia dos Grupos Nazaré

22 a 26 Fevereiro 2020

Fotos: Gisele Barg

CARNAVAL DA NAZARÉ

21 a 23 Março 2020

Procissão do Senhor dos Passos Pederneira

5 a 9 Abril 2020

Nazare Cup - Torneio de Andebol Jovem Dr. Fernando Soares | Nazaré

10 Abril 2020

Fotos: Júlio Limpinho

Festa da Páscoa - Jogos Tradicionais da Nazaré | Nazaré

11 Abril 2020

XXXIII Festival de Folclore do Tá-Mar | Nazaré Pelo Rancho Folclórico Tá-Mar da Nazaré

12 Abril 2020

Desfile Etnográfico da Nazaré | Nazaré Pelo Grupo Etnográfico de Danças e Cantares da Nazaré

3 Maio 2020

Festa do Homem do Mar | Nazaré

Fotos: Sérgio Cardina

9 Maio 2020

XXI Festival de Folclore Velha Guarda da Nazaré | Nazaré Pelo Velha Guarda do Folclore da Nazaré

Maio 2020 4ª Edição Nazaré Marés de Maio

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Nazaré Marés de Maio

Fotos: Sérgio Cardina


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Nazaré Marés de Maio