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2ª Edição - 2018

NAZARÉ MARÉS DE MAIO |

Agenda

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Património

Distribuição gratuita

Concelho

Concelho da Nazaré

Nazaré, Sítio, Pederneira, Valado dos Frades e Famalicão.

Eventos

Agenda com os eventos, festas e romarias anuais.

Monumentos

Património existente no concelho.


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ÍNDICE

NAZARÉ

MARÉS DE MAIO REVISTA NAZARÉ MARÉS DE MAIO 2018 Edição: Nazaré Marés de Maio Propriedade: Nazaré Marés de Maio – Associação para o Desenvolvimento Integrado do Concelho da Nazaré Morada: Praça Fenda na Muralha, 60 2450-285 Nazaré NIPC: 514 772 395 Coordenação: Rui Gerardo Paginação: Miriam Conceição Design Gráfico: Mi Design Fotografia: Vítor Estrelinha-CMN; Museu Dr. Joaquim Manso; Júlio Limpinho; Manuel Pinto; Hélio Matias; Diogo Pedro e António Balau. Impressão: MX3 Tiragem: 5.000 exemplares Periodicidade: Anual Distribuição: Gratuita Colaboradores: Ângelo Godinho, Cecília Louraço, Dóris Santos, Eugénio Couto, Graciano Dias, João Paulo Delgado, Rui Gerardo; Sara Vidal, Susete Cardoso, Hélio Matias, Eugénio Viola, Ciência Viva, Fundação Mário Botas, Rancho Tá-Mar, Confraria de Nossa Senhora da Nazaré, Confraria do Cirio da Prata Grande, Associação «O Sótão», Clube Naval da Nazaré, Biblioteca da Nazaré, Museu Dr. Joaquim Manso-Museu da Nazaré, BIR - Valado de Frades, Maria Carreira, Luís Silvério, Eugénio Viola, Ernesto Pedro (Pastelaria A Nau), Armando Macatrão E-mail: nazaremaresdemaio@gmail.com Próxima Edição: Maio de 2019 por ocasião do Nazaré Marés de Maio 2019

Marés de Maio Inicativas Nazaré Marés de Maio Nazaré Canhão da Nazaré e Ondas Gigantes Tow-in Forte de S. Miguel Arcanjo Ascensor Expressões da Nazaré Arte Xávega Traje Tradicional da Nazaré Jardim da Pedralva Monumentos da Nazaré Antiga Casa da Câmara e Pelourinho Igreja da Misericórdia Igreja Matriz da Pederneira Capelas da Nazaré Sete Saias Rancho Folclórico Tá-Mar Monte de S. Bartolomeu Carnaval da Nazará Doçaria Tradicional Gastronomia Lagoa da Pederneira Valado dos Frades Festival de Jazz do Valado Luís Silvério Campos do Valado Biblioteca Instrução e Recreio Caminho Real Monumentos da Nazaré Banhos Quentes Nazaré Mário Botas Artes de Pesca Mar de Portugal Marina da Nazaré Qualidade das Águas Futebol de Praia Círio da Prata Grande Confraria da N. Sra da Nazaré Serra da Pescaria

02 02 08 14 15 16 18 20 22 24 26 28 30 31 32 34 36 38 40 42 44 46 48 50 53 55 56 58 60 62 64 66 68 70 72 74 76 78 80 84 3


Nazaré Marés de Maio O Nazaré Marés de Maio - Associação para o Desenvolvimento Integrado do Concelho da Nazaré é coordenado por um Grupo de Trabalho constituído por Cecília Louraço e Sara Vidal (Casa do Adro-Associação Cultural), Susete Cardoso (Externato Dom Fuas Roupinho), Graciano Dias (ACISN-Associação Comercial, Industrial e de Serviços da Nazaré), João Delgado (Mútua dos Pescadores), Eugénio Couto e Ângelo Godinho (Liga dos Amigos da Nazaré) e Rui Gerardo, contando ainda com a colaboração permanente de Dóris Santos (Museu Dr. Joaquim Manso – Museu da Nazaré).

as características e atitudes dos vários parceiros, as iniciativas serão mais valorizadas e irão auxiliar o cumprimento dos objetivos do projeto associativo.

Somos um conjunto de pessoas que individualmente ou em representação de diferentes entidades (públicas e privadas), respeitando a missão, visão e objetivos de cada uma delas, aproveitando as suas capacidades, procura conjugar esforços para a realização mais rápida dos objetivos deste projeto e alavancar a sociedade com capacidade de refletir sobre si mesma para melhor projetar e executar o seu futuro coletivo. Associando a esta conjugação de esforços

Nenhum outro elemento da natureza como o Mar, tem um peso tão acentuado na forma como moldou as características dos habitantes do concelho, mesmo nas freguesias rurais, ainda que, naturalmente, com um peso diferente em relação aos habitantes da sede de concelho. O Mar é elemento transversal, não só ao concelho da Nazaré como a toda a região. Melhor dizendo, o Mar, não é só símbolo do concelho ou da região, é, porventura, o principal símbolo nacional, deste país atlântico, com uma costa extensa em

Porquê Nazaré? Nazaré porque é o lugar da realização do evento e sede da associação, localidade que dispensa quaisquer outros atributos face à sua tipicidade, riqueza cultural, beleza natural e paisagística de um território que se identifica como um concelho misto marítimo e rural com enorme potencialidade para o desenvolvimento integrado social e económico.

Porquê o Mar?

que o Mar é elemento de ligação de povos, regiões, cruzador de culturas, fomento de riqueza e de uma particular forma de estar que nos identifica. O Mar como nenhum outro elemento da natureza moldou o território, a nossa cultura, os nossos hábitos alimentares, os nossos ritmos de vida, deu-nos oportunidades e também profundas tristezas.

Porquê Marés? Marés pela sua simbologia enquanto fenómeno natural regular de esvaziamento / enchimento / transformação que influência e é determinante para uma maior ou menor oportunidade de sucesso da atividade humana.

Porquê Maio? Em Maio, dever-se-á captar os visitantes e dar-lhes motivos e condições únicas para voltarem várias vezes ao ano. Num concelho em que o turismo assume uma relevância cada vez maior, serão os seus aspetos diferenciadores e absolutamente inimitáveis que permitirão, a um concelho com estas características, assumir a sua marca e a sua natureza, como mais-valias de peso que conduzirão ao seu desenvolvimento sustentado e sustentável.

Iniciativas Nazaré Marés de Maio 2018 5 de Maio de 2018 personalidades abordando o papel da cultura na construção das sociedades avançadas, críticas e participativas; - Leitura de poesia por crianças «Uma Mensagem com Futuro»; Data de Realização: 5 de Maio às 15h no Casino Salão de Festas.

NAZARÉ

ABERTURA

A apresentação e abertura das iniciativas que integram o Nazaré Marés de Maio 2018 contempla: - Projeção sobre o NAZARÉ MARÉS DE MAIO, com declarações várias sobre o significado e objetivos da iniciativa; - Abertura Oficial com as intervenções institucionais e personalidades convidadas; - Atuação da Tuna da Universidade Sénior da Nazaré; - Atuação do Coro da Banda de Alcobaça Momento Musical; - Declarações de artistas, autores ou

MARÉS DE MAIO

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Nazaré Marés de Maio

HERÓIS ou MERCADORIA? Instalação artística ao ar livre, que apela à reflexão crítica sobre a presença dos nazarenos na pesca do bacalhau. Projeto desenvolvido pelo pescador e artista plástico João Delgado, com a colaboração da Mútua dos Pescadores, Museu Dr. Joaquim Manso, Museu Marítimo de Ílhavo e Célia Quico / Casas do Quico.

No âmbito do mesmo projeto, no dia 31 de maio, será apresentado o documentário “Nazarenos nos Mares de Fim do Mundo”, produzido com o apoio da Câmara Municipal da Nazaré, uma recolha de depoimentos de nazarenos que foram à pesca do Bacalhau entre os anos 1950 e 1970. Inserido na programação do Ano Europeu do Património Cultural 2018 Data de Realização: 5 de Maio, às 18h, na Praça Sousa Oliveira. Organização: Uma iniciativa conjunta de Mútua dos Pescadores, Casas do Quico e Museu Dr. Joaquim Manso


PELOS QUE ANDAM SOBRE AS ÁGUAS DO MAR Entre 1921 e 1923, Raul Brandão documentou nas páginas d´Os Pescadores a dimensão do nosso mar e quem dele fazia vida. Esta obra, escrita há mais de 90 anos, permanece como um dos mais belos roteiros literários dos nossos portos, praias e rias. Este espetáculo de teatro-documentário inspira-se na viagem e nas palavras de RAUL BRANDÃO e no trabalho com as comunidades piscatórias da Nazaré, Montijo, Setúbal, Sesimbra e Portimão. Data de Realização: 5 de Maio, às 21h30, no Cine Teatro da Nazaré. Organização: Um projeto de Raquel Belchior com a colaboração do Grupo Etnográfico de Danças e Cantares da Nazaré

6 de Maio de 2018

PESCA DO BACALHAU CAMPANHA DE 1967 NAVIO VIMIEIRO A exposição fotográfica faz uma abordagem realista e crua da vida a bordo de um bacalhoeiro português típico da década de sessenta. O autor, Virgílio Varela, oficial de marinha a desempenhar funções a bordo do navio “Vimieiro”, oferece-nos através da sua objetiva a campanha de 1967, onde é demasiado percetível a dureza do trabalho a bordo e a impressionante capacidade de trabalho, resistência e sofrimento que tinham os pescadores nacionais que embarcavam para “os mares do fim do mundo”. Data de Inauguração: 6 às 15h no Palácio Real - Sitio | Confraria N. S. Nazaré e decorre até dia 18 de maio. Organização: associação Biblioteca da Nazaré.

DEBATE PESCA DO BACALHAU CAMPANHA DE 1967 - NAVIO VIMIEIRO

13 de Maio de 2018

Sessão/debate com a presença de especialistas e investigadores sobre a matéria em causa – “A Pesca do Bacalhau”. Dr. Álvaro Garrido, historiador, consultor e ex-diretor do Museu Marítimo de Ílhavo; Prof. da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra com a coordenação do Grupo de História Económica e Social; investigador do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra. Virgílio Varela, autor das fotografias e oficial piloto de marinha, tendo exercido funções no Navio Vimieiro, em 1967. Data de Realização: 6 de Maio, às 15h30, no Palácio Real - Sítio | Confraria N. S. Nazaré Organização: associação Biblioteca da Nazaré.

Vídeo-Projeção de uma sequência de imagens das aguarelas de Alfredo Roque Gameiro. Alfredo Roque Gameiro (1864-1935) é considerado um dos mais importantes aguarelistas portugueses do período naturalista. Filho de marinheiro, ALFREDO ROQUE GAMEIRO sentiu como ele o apelo do mar, sendo o seu sonho de criança seguir o mesmo destino de seu pai, que não chegou a concretizar-se tendo, em grande parte, tomado a forma de temática fundamental na sua obra de pintor aguarelista. As suas obras são a expressão de uma grande sensibilidade à cor e à luz, que lhe permite

À BEIRA-MAR

Entrada gratuita

10 de Maio de 2018 CRIATIVIDADE E INOVAÇÃO – da TEORIA à PRÁTICA Apresentação dos Workshops ou Aula Aberta a realizar em 2018/2019. Iniciativa do Nazaré Marés de MaioAssociação para o Desenvolvimento Integrado do Concelho da Nazaré. Apresentação de um conjunto de workshops a desenvolver durante 2018 e 2019 com a designação «CRIATIVIDADE E INOVAÇÃO – da TEORIA à PRÁTICA», abordando múltiplas temáticas com diversas parcerias de entidades e empresas públicas e privadas. Nesta apresentação, direcionada essencialmente a pessoal docente, os parceiros abordarão as diferentes temáticas que irão realizar na área cultural, artística, segurança, turística, económica, etc. Data de Realização: 10 de Maio, às 17h30, no Hotel Praia

Entrada gratuita por inscrição.

transmitir fielmente a realidade observada, sobretudo na representação de paisagens marítimas, marinhas, a que a técnica da aguarela se adequa particularmente, estando a Praia da Nazaré, que visitou várias vezes, bem representada no conjunto da sua obra sobre a orla marítima portuguesa. Data de Realização: 13 de Maio, às 15h, na Antiga Casa Câmara | Pederneira Organização: Iniciativa da Casa do Adro-Associação Cultural

Entrada gratuita

17 de Maio de 2018 VIOLÊNCIA NO NAMORO Iniciativa integrada no «Criatividade e Inovação – da Teoria à Prática» do Nazaré Marés de Maio-Associação para o Desenvolvimento Integrado do Concelho da Nazaré Apresentação do programa do IPDJ de apoio e ação de sensibilização sobre a violência no namoro. Data de Realização: 17 de Maio, às 14h30, no Externato D. Fuas Roupinho.

Entrada gratuita por inscrição.

Entrada gratuita

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18 de Maio de 2018

MEMÓRIA DA AREIA A areia da praia guarda momentos passados que os ventos e as marés revelam como quem folheia um livro de memórias – marcas do trabalho de um pescador, vestígios de vida marinha, sinais de um passeio à beira-mar… A História das civilizações resulta de processos contínuos de encobrimento e (re) descoberta, pela mão do homem, semelhantes aos das marés e da ação do vento. “Memória da areia” reúne fotografias captadas ao longo da praia, assumidas como metáforas da passagem do tempo e da inevitável transitoriedade da Vida. Se, por um lado, evocam memórias e transmitem a tranquilidade de uma deambulação onírica, por outro lado, despertam-nos para a urgência de uma mudança, para uma postura crítica diante o frágil equilíbrio ambiental resultante da ação e da presença humana. Estará patente ao público no Museu Dr. Joaquim Manso, com abertura no dia 18 de maio, Dia Internacional dos Museus, e decorre até 31 de Maio. Data de Inauguração: 18 de Maio, às 10h, no Museu Dr. Joaquim Manso. Organização: Iniciativa da Casa do Adro – Associação Cultural, em parceria com o Museu Dr. Joaquim Manso

Partindo da antologia de poesia sobre a Nazaré, “Canto de Mar”, SAFRA é uma aventura musical onde a palavra em forma de poema é dita, não cantada. Cinco músicos em palco convidam o espectador a viajar pela Nazaré, nas palavras de vários autores, acompanhadas de música instrumental originalmente criada para o espetáculo: João Quintino, bateria; Cláudio Magalhães, guitarra elétrica e teclas; Rui Arroja, baixo elétrico; Tânia Calhaço, leitura; e Filipe Vidal, leitura, guitarra acústica e teclas. Produção do agrupamento musical «SAFRA»

Inserido na programação do Dia Internacional dos Museus do Museu Dr. Joaquim Manso. Data de Realização: 18 de Maio, às 15h, no Teatro Chaby Pinheiro | Sítio da Nazaré Organização: Iniciativa da Casa do AdroAssociação Cultural em parceria com o Museu Dr. Joaquim Manso

19 de Maio de 2018 DESCOBRIR E FOTOGRAFAR A NAZARÉ

SAFRA - MÚSICA e POESIA COM O MAR LÁ DENTRO No dia 18 de maio celebra-se o Dia Internacional dos Museus. Em 2018, o dia é dedicado ao tema “Museus hiperconectados: Enfoques novos, públicos novos”, pretendendo sensibilizar o público para o facto de os museus “serem um meio importante para os intercâmbios culturais, o enriquecimento de culturas, o avanço do entendimento mútuo, a cooperação e a paz entre os povos”. E que melhor forma de nos entendermos senão através da música e da poesia, tendo o mar como eixo privilegiado para os intercâmbios culturais? É com este propósito que convidamos a assistir a “SAFRA - música e poesia com o mar lá dentro”, espetáculo inserido na programação do Dia Internacional dos Museus do Museu Dr. Joaquim Manso e no evento “Nazaré Marés de Maio 2018”.

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Nazaré Marés de Maio

Atividade lúdica - peddy paper – que decorre nos três núcleos populacionais que compõem a Nazaré: Sítio, Praia e Pederneira. Pretende-se promover os valores do património cultural, ambiental, turístico e das gentes do território; promover estilos de vida saudáveis; elevar os níveis de aptidão física relacionados com a saúde; Promover através de percursos estabelecidos o enriquecimento cultural dos participantes sobre a Nazaré e seu concelho. «DESCOBRIR E FOTOGRAFAR A NAZARÉ» é composto ainda por outros peddy paper que abrangerão as outras localidades do concelho: Valado de Frades, Famalicão e Fanhais Data de Realização: 19 de Maio, às 14h30, no Norpark, Praia do Norte. Organização: Liga dos Amigos da Nazaré.

MOMENTO MUSICAL AO AR LIVRE Momento musical ao ar livre com atuação do Coro do Grupo Mútua – dos Trabalhadores da Mútua dos Pescadores e Ponto Seguro Data de Realização: 19 de Maio, às 17h, na Taberna Ti Izelino Organização: Mútua dos Pescadores

DE NOVO MAR

«De Novo Mar» aborda a memória individual e coletiva como pontos de partida essenciais para a construção do futuro e de uma nova sociedade. Tendo a diáspora como referência sociodemográfica e as manifestações populares de devoção ao Espírito Santo no Arquipélago dos Açores como pano de fundo etnográfico, este espetáculo pretende explorar as diferentes dinâmicas da memória – matriz, fonte de aprendizagem, núcleo de coesão social e identidade, húmus, âncora para o futuro – para lançar ao público um desafio: Qual o valor atual da etnografia na representação de quem somos e na construção de novos caminhos? Produção do grupo GEFAC— Grupo Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra. Data de Realização: 19 de Maio, às 21h30, no Cine-Teatro da Nazaré. Organização: Casa do Adro-Associação Cultural

20 de Maio de 2018 O MAR— EXPOSIÇÃO DE FILATELIA e LANÇAMENTO DE POSTAL Abertura da exposição de filatelia e lançamento de bilhete-postal com carimbo CTT de 1º dia. Iniciativa do Nazaré Marés de Maio em parceria com os CTT e a Federação Portuguesa de Filatelia. Dia Europeu do Mar e Dia da Marinha Data de Realização: 20 de Maio, às 15h, no Palácio Real - Sítio. Organização: Nazaré Marés de Maio


25 de Maio de 2018 (RE) PROJEÇÕES

Este projeto educativo resulta da parceria entre o Externato D. Fuas Roupinho e o Museu Dr Joaquim Manso, com a colaboração da Reaction AV, entre outras entidades. Inserido na programação do Ano Europeu do Património Cultural 2018 Data de Realização: 25 de Maio, às 21h30, na Pr. Sousa Oliveira - Capitania do Porto Nazaré

29 de Maio de 2018 “(Re)Projeções” é um projeto educativo que, no ano letivo 2017-2018, marca a parceria entre o Externato D. Fuas Roupinho e o Museu Dr. Joaquim Manso. Os alunos do curso de Artes Visuais (11º e 12º ano) aventuram-se num novo desafio, que tem como objetivo renovar e explorar tradições associadas às vivências nazarenas. Através de um vídeo-mapping num espaço público da praia da Nazaré, os alunos (re) criarão artisticamente elementos do património nazareno, como os padrões dos “cachenés” (lenços do traje tradicional feminino), baseando-se na coleção do Museu Dr. Joaquim Manso e em espólios familiares.

RECURSOS DO NOSSO MAR— QUE APLICAÇÕES? Workshop ou Aula Aberta sobre os recursos do mar. Prémio «Fundação Ilídio de Pinho» – Ciência na Escola - 2017/2018 Data de Realização: 29 de Maio, às 14h, no Externato Dom Fuas Roupinho. Organização: Externato Dom Fuas Roupinho

Entrada gratuita por inscrição.

31 de Maio de 2018

NAZARENOS NOS MARES DE FIM DO MUNDO

O documentário “Nazarenos nos Mares do Fim do Mundo” será projetado na fachada da Capitania da Nazaré, tendo como objetivo central comemorar o Dia Nacional do Pescador, homenageando desta forma todos os pescadores da Nazaré e, particularmente, os que andaram no Bacalhau. As condições de trabalho a bordo, as relações laborais, os rendimentos auferidos, a ausência, a saudade da família, os impactos na vida de pescadores e famílias causados por prolongadas ausências, são os focos centrais que o documentário visa explorar e evidenciar, registando assim testemunhos tocantes por quem “habitou a barriga dos navios nos mares do fim do mundo”. Data de Realização: 31 de Maio, às 21h30, na Pr. Sousa Oliveira - Capitania do Porto Nazaré. Organização: Uma iniciativa conjunta de Mútua dos Pescadores, Casas do Quico e Museu Dr. Joaquim Manso e apoio da Câmara Municipal da Nazaré PUB

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Mostra Gastronómica do Bacalhau

5 a 27 de Maio de 2018

Maio 2018

Restaurante A Lanterna

Restaurante Vista Mar

Estabelecimentos Aderentes

Rua Mouzinho de Albuquerque, Nazaré Arroz de Bacalhau com Amêijoas e Cataplana de Bacalhau com Amêijoas

Restaurante Mar à Vista

Restaurante Maresia

Restaurante Maria Matos

Restaurante Maria do Mar

Restaurante Katarina

Largo N. Senhora da Nazaré, Sítio Massa de Bacalhau com Marisco e Bacalhau Assado na Brasa com Batata à Murro

Restaurante Quebra-Mar

Av. Manuel Remígio, Nazaré Bacalhau à Maresia e Bacalhau à Brás

Av. Manuel Remígio, Nazaré Bacalhau à Casa e Bacalhau Grelhado na Brasa

Rua do Guilhim, Nazaré Bacalhau na Brasa com Batata à Murro e Arroz de Bacalhau

Restaurante Sete Saias I

Restaurante Nova Casa Cação

Restaurante Bela Vista

Restaurante Forno d’Orca

Restaurante Sete Saias II

Restaurante Fonte Mar

Largo Cmdt Cândido dos Reis, Nazaré Bacalhau Frito à Casa e Bacalhau com Natas

Av. Manuel Remígio, Nazaré Bacalhau à Casa e Bacalhau Grelhado

Rua Branco Martins, Nazaré Bacalhau com Natas e Bacalhau Frito

Restaurante A Lota

Praça Sousa Oliveira, Nazaré Bacalhau à Lagareiro e Bacalhau à Lota

Casa de Petiscos Cova Funda

Rua Alexandre Herculano, Nazaré Bacalhau à Casa e Bacalhau Gratinado

Restaurante Ribamar

Largo das Caldeiras, Nazaré Cataplana de Bacalhau e Bacalhau à Chefe

Largo das Caldeiras, Nazaré Bacalhau à Casa e Bacalhau à Brás

Largo da Fonte Velha, Sítio Bacalhau à Casa e Bacalhau Grelhado com Batata com Pele

Restaurante A Celeste

Av. da Republica, Nazaré Bacalhau à Celeste e Bacalhau com Migas

Restaurante O Bartidor

Rua Alexandre Herculano, Nazaré Bacalhau à Isabel e Massa de Bacalhau

Av. da Republica, Nazaré Bacalhau Assado em Cama de Grelos Salteados e Bacalhau à Lagareiro

Restaurante Bússola na Onda

Restaurante Mário Peixe

Restaurante A Pangeia

Rua Branco Martins, Nazaré Bacalhau à Casa e Bacalhau Assado

Av. Manuel Remígio, Nazaré Bacalhau Espiritual e Bacalhau no Forno

Rua do Mirante, Pederneira Massada de Línguas de Bacalhau com Grão

Restaurante O Varino

Restaurante O Casalinho

Restaurante O Gaivinha

Restaurante Aleluia

Restaurante O Tamanco

Restaurante Conde Escolástico O Raúl

Restaurante A Gaivota

Restaurante Sombra e Sol

Rua dos Lavradores, Nazaré Bacalhau Grelhado e Bacalhau à Varino

Rua Branco Martins, Nazaré Bacalhau à Lagareiro e Bacalhau à Gaivinha

Rua Três de Setembro, Nazaré Bacalhau à Casa

Largo Cmdt Cândido dos Reis, Nazaré Bacalhau à Chefe

Restaurante Casa dos Bêcos

Beco da Independência, Nazaré Bacalhau com Migas e Bacalhau à Casa

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Nazaré Marés de Maio

Praça Sousa Oliveira, Nazaré Bacalhau com Espargos e Bacalhau com Broa

Av. da Republica Arroz de Línguas de Bacalhau e Bacalhau à Brás

Largo Cmdt Cândido dos Reis, Nazaré Bacalhau à Casa e Caldeirada de Bacalhau

Largo da Praça de Touros, Sítio Bacalhau Grelhado na Brasa com Batatas, Migas e Salada

Restaurante Mar Bravo Praça Sousa Oliveira, Nazaré Bacalhau à Mar Bravo

Rua Mouzinho de Albuquerque, Nazaré Bacalhau à Vista Mar e Bacalhau no Forno com Broa

Largo das Caldeiras, Nazaré Bacalhau à Maria Matos e Bacalhau à Espanhola

Rua dos Galeões, Nazaré Bacalhau à Chefe e Bacalhau com Espinafres

Restaurante Casa Marques Rua Gil Vicente, Nazaré Bacalhau à Casa

Restaurante O Pitéu

Largo das Caldeiras, Nazaré Bacalhau à Casa

Restaurante O Romão

Av. do Município, Nazaré Bacalhau à Lagareiro e Bacalhau à Casa

Restaurante Ma’Ruim Rua das Traineiras, Nazaré Bacalhau à Casa

Restaurante A Tasquinha

Rua Adrião Batalha, Nazaré Bacalhau à Tasquinha e Cataplana de Bacalhau

Restaurante Zé do Anibal

Praça Sousa Oliveira, Nazaré Bacalhau à Brás e Bacalhau Assado na Brasa

Restaurante A Caravela

Praça Sousa Oliveira, Nazaré Bacalhau à Casa e Bacalhau Grelhado

Restaurante A Tosca

Rua Mouzinho de Albuquerque, Nazaré Bacalhau Meia Cura Gratinado com Alioli e Bacalhau Confitado com Puré de Grão

Restaurante Taberna da Praia Av. da Republica, Nazaré Caldeirada de Bacalhau

Restaurante O Bizarro

Rua António Carvalho Laranjo, Nazaré Bacalhau à João do Porto e Caldeirada de Bacalhau

Restaurante Taberna Ibérica Afonso’s

Travessa do Elevador, Nazaré Pataniscas de Bacalhau c/ Arroz de Feijão e Salada de Grão com Bacalhau


Ensino Básico 5.º | 6.º | 7.º | 8.º | 9.º Informática 8.º e 9.º Restaurante-Bar | 9.º Ensino Articulado de Música

Ensino Profissional Desporto Estética Informática

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NazarĂŠ MarĂŠs Foto: Vitor Estrelinha | C.M.N

de Maio


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Descubra como é esta vila turística e o seu concelho e prepare as suas férias na NAZARÉ! Nazaré é uma das mais típicas vilas portuguesas que goza de uma localização excecional, de frente para uma praia de areia fina, descrevendo uma curva ampla, e que oferece as melhores vistas panorâmicas obtidas a norte da vila (Sítio), a este (Pederneira) e a sul (Serra da Pescaria). Localizada a 110 quilómetros a norte de Lisboa e a sul de Coimbra, a 210 km a sul do Porto, a 360 Km a sul de Vigo e a norte de Faro, e a 270 km a oeste de Badajoz, Nazaré é considerada por muitos a mais típica do país, pela sua beleza natural que apaixona todos aqueles que a visitam. A Nazaré possui um clima ameno, e os seus habitantes são simpáticos e hospitaleiros. Tornou-se durante décadas uma verdadeira inspiração para pintores e outros artistas de todo o mundo. Por encontrar-se dentro de uma região com uma herança histórica e patrimonial, a Nazaré é um lugar ideal para passar umas férias inesquecíveis. A Nazaré tem cerca de 10.000 habitantes e está dividida em 3 núcleos populacionais: Praia, Sítio e Pederneira. A sua origem está relacionada com uma interessante lenda sobre D. Fuas Roupinho, alcaide-maior de Porto de Mós. Reza a história que Fuas Roupinho estava a caçar nas montanhas de Pederneira, no final do ano de 1182, quando apareceu um veado, que fugiu a alta velocidade na direção de um penhasco e, perseguindo-o a cavalo, apercebeu-se que não tinha tempo para parar, apenas teve tempo para pedir o auxílio à Virgem. Milagrosamente, o seu cavalo acabou por parar junto ao fim do abismo e, tanto Fuas Roupinho como o seu cavalo, escaparam ilesos. D. Fuas Roupinho, como forma de agradecimento pela assistência divina, mandou erguer uma capela à Virgem nesse mesmo penhasco (Ermida da Memória).

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Nazaré Marés de Maio

Visitar a Nazaré é conhecer a sua história, o seu povo, os seus costumes e tradições, assim como descobrir a sua gastronomia, os seus monumentos, as suas praias e muito, muito mais. A Praia, de origem recente, pois o mar ocupou quase toda a área atual da vila até ao século XVII, é a vila baixa, de planta geométrica, com um grande areal de areia fina (Praia de Banhos). Aqui, vai encontrar muitos hotéis, comércio e bons restaurantes. Descobrirá as ruas perpendiculares ao mar, com casas caiadas de branco, a Secagem do Peixe, as capelas de Santo António, de Nossa Senhora dos Aflitos e de S. Pedro, e onde se destaca também o seu porto e marina de recreio, localizada no sul da praia (Praia do Sul), que serve como refúgio aos barcos de pesca e de recreio. A captura do peixe é vendida na lota local. Na marina há que destacar que é ali que se encontra o centro logístico do Tow-In Surfing. O Sítio, que se localiza no cimo do promontório da Nazaré, é lugar de peregrinação religiosa desde o século XII, associado à lenda de Nossa Senhora da Nazaré e ao culto mariano. O acesso pode ser de carro, a pé através de um caminho (Ladeira do Sítio), mas o Ascensor é muito mais prático e atrativo, uma vez que proporciona vistas estonteantes sobre o oceano e a baixa da vila. O Miradouro do Suberco, a 110 metros acima do nível do mar, oferece um dos mais belos panoramas marítimos do país e não só. Neste local não deve perder a visita à Capela da Memória, ao Santuário de Nossa Senhora da Nazaré, ao Museu Dr. Joaquim Manso – Museu da Nazaré e ao Forte de São Miguel Arcanjo, com o seu famoso farol. Bem como, a Praia do Norte, que é um lugar ideal para praticar desportos, tais como o tow-in surfing, o surf, o bodyboard, devido às enormes ondas da região ou atividades de pesca.

A Pederneira, encontra-se no cimo de um penhasco a este da Praia e é o berço da vila. Vale a pena visitar a Igreja Matriz e a Igreja da Misericórdia, contemplar os Antigos Paços do Concelho e o simbólico Pelourinho. É o local ideal também para relaxar com a oferta de vistas panorâmicas fantásticas sobre toda a região. Além disso, o Monte de S. Brás e as dunas da Aguieira fornecem um agradável contraste natural. Na periferia da Nazaré encontramos Famalicão, com a Praia do Salgado e a Igreja de S. Gião (descoberta em 1961, atribuída ao período visigótico e classificada de interesse nacional) e Valado dos Frades, terras de Cister muito famosas pelos seus campos agrícolas e com a desconhecida Lagoa Natural de Valado dos Frades e a Estação de Caminhos-de-Ferro. A gastronomia nazarena é caracterizada pelos seus pratos de peixe e marisco de diversas espécies e formas de preparação, destacando-se a caldeirada, o peixe fresco grelhado a típica massa de peixe, o arroz de marisco e a açorda de marisco, o arroz de tamboril e as cataplanas de peixe e/ou de marisco, o carapau “enjoado” (meio seco) grelhado... são alguns do pratos típicos muito saborosos e apreciados. Quanto aos doces, salientam-se os Tamares, as Sardinhas doces, os Nazarenos e os Foquins, todos eles doces conventuais. A Nazaré é um lugar perfeito e ideal para relaxar, visitar e passar longos e curtos períodos de férias inesquecíveis durante o todo o ano, mercê das diferentes atividades religiosas, culturais e desportivas que se realizam no concelho.

Texto: NMM Foto: Vitor Estrelinha | C.M.N


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“Terra de Imagens e de Inspirações” 14 |

Nazaré Marés de Maio

Foto: Vitor Estrelinha | C.M.N


Património

Palácio Real Construído em 1718, o Palácio Real tinha como principal objetivo acomodar a Família Real quando esta, em peregrinação, se deslocava à Nazaré. Existem registos das visitas do Rei D. João VI acompanhado pelos Príncipes D. Pedro, D. Miguel e pela Rainha D. Maria I. Os Círios, peregrinações coletivas ao Santuário, tinham a possibilitado de se alojarem no Paço, no mês de setembro, durante o período das festas em honra de Nossa Senhora da Nazaré. O piso térreo destinava-se ao comércio. A fachada principal ostenta uma ampla varanda balaustrada, que funciona como entrada principal do edifício. Com a queda da Monarquia e a consequente implantação da República, a utilização do palácio passou a assumir contornos muito característicos da Nazaré, como a realização de bailes de carnaval e outras festividades. O edifício foi também utilizado enquanto Patronato, escola para educação feminina, a partir de 1937. Até 2003, o Palácio Real serviu como jardim-de-infância para dar resposta às necessidades sociais da população. Sofrendo obras de recuperação e manutenção, o Palácio Real, para além de albergar os serviços administrativos da Confraria de Nossa Senhora da Nazaré, é um importante espaço cultural permitindo a realização de exposições e outras atividades culturais.

Monumento

Mãe Nazarena A “Mãe Nazarena” surge de traje tradicional, abraçando os filhos com os olhos no mar e a Nazaré à cabeça, como uma canastra de peixe. Simboliza o sofrimento das mães e mulheres que viram os seus entes queridos partirem para o mar e muitas vezes não regressaram. É da autoria do escultor Celestino Alves André, tendo sido inaugurada em 2005.

Texto: NMM Foto: Vitor Estrelinha | C.M.N

Expressão da Nazaré Sarría (substantivo)

É raro utilizar-se o termo aguaceiro faz-se, preferivelmente, uso do termo sarría. Este termo é utilizado, por exemplo, na expressão. Êa que sarría que caiu há bcad! Texto: NMM Fotos: Vitor Estrelinha | C.M.N

Nota: bcad = bocado Origem: «Expressões da Nazareth» de Armando Macatrão

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O Canhão da Nazaré e as ONDAS GIGANTES O Canhão da Nazaré é o maior vale submarino da Europa e um dos maiores do mundo. Recorta a plataforma continental numa extensão máxima de 170 km e uma profundidade superior a 5.000 metros na planície abissal onde vai desembocar. Está relacionado com a falha de origem tectónica Nazaré-Pombal. Este vale submarino não só provoca grandes alterações ao nível do trânsito sedimentar litoral – diretamente ligado ao fenómeno das reduzidas extensões de areia a sul da Nazaré e assoreamento da própria Praia da Nazaré – como é geradora de grande afluência de águas ricas em nutrientes e plâncton, o que permite a existência de uma fauna muitíssimo rica em espécies de elevado interesse comercial. Mas, para além disso, o Canhão da Nazaré é o principal gerador das famosas Ondas Gigantes da Praia do Norte. O promontório da Nazaré – em cuja extremidade se situa o Forte de S. Miguel Arcanjo – separa duas praias distintas. A sul, temos a praia da Nazaré, a principal e denominada “praia de banhos”, com uma grande extensão de areia branca e um mar calmo, sereno e límpido. A norte do promontório temos a Praia do Norte, também conhecida como a “praia das ondas gigantes”.

A onda é “dividida” em duas; a que percorre o canhão ganha velocidade, seguindo em direção à Praia do Norte, sem obstáculos e reencontrando a corrente proveniente daquela praia e por conseguinte em sentido oposto, acrescendo-lhe alguns bons metros. A onda que se dirige à Praia da Nazaré não tem esse impacto porque a baía encarrega-se de anular a “magia” e encantamento do canhão. As ondas gigantes não são permanentes; apenas surgem mediante a conjugação de alguns fatores, como por exemplo o período da onda (superior a 14 segundos), o vento (fraco) e a direção da onda (Oeste/Noroeste). Outro fator é a ocorrência de tempestades no Atlântico Norte, normalmente entre outubro e março (outono/inverno), que trazem uma ondulação considerável até ao canhão, onde este normalmente se encarrega de triplicar o tamanho da onda. Quando a meteorologia alerta para a existência de tempestades no mar e previsão de ondas de 8 metros na costa portuguesa é sinal que, na Praia do Norte, a onda atinge com relativa facilidade os 20/30 metros pelo efeito do Canhão da Nazaré

Textos: NMM Fotos: Manuel Pinto

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TOW-IN SURFING ou SURF DAS ONDAS GIGANTES Tow-in surfing é uma técnica onde um surfista é rebocado por um Jet-Ski até à onda muito grande, uma vez que esta se move muito rapidamente para o surfista apanhá-la apenas na remada. Outra técnica é a equipa constituída por motorista e surfista; muitas vezes trocam de papéis na água durante uma sessão, analisando o estado do mar e verificando se estão reunidas as condições que lhes permita prever se as ondas estão adequadas a prática do Tow-In. Curiosidade: - O primeiro campeonato de tow-in no mundo, o “Tow-In World Cup” (2002), foi vencido pela dupla formada por um havaiano e um brasileiro, Garret McNamara e Rodrigo Resende; - Com o tow-in, Garret McNamara surfou a maior onda já registada até novembro 2017, com 68 pés (23,77 metros), na Praia do Norte; - A 8 de novembro de 2017 o surfista brasileiro Rodrigo Koxa bateu o recorde por 61cm (24,38 metros) - As ondas da Praia do Norte permitem aos surfistas conquistar o maior número de prémios mundiais;

Expressão da Nazaré Ah menhés da praiaaaaaa! Ah mulheres da praia! Expressão que é dita pelas nazarenas quando estão muito irritadas e indignadas e que querem contar a alguém o que lhes aconteceu ou solicitar o apoio moral de outras nazarenas. A partir daí, espalhava-se a palavra aos sete cantos da Nazaré. Origem: «Expressões da Nazareth» de Armando Macatrão

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APARTAMENTOS VIVENDAS TERRENOS LOJAS 17


Monumento

Forte de São Miguel Arcanjo

Localizado na extrema do Promontório da Nazaré, o Forte de S. Miguel Arcanjo foi construído no reinado de D. Sebastião, em 1577. Trata-se de uma fortaleza militar destinada a defender o povoado e porto da Pederneira dos piratas argelinos, marroquinos e normandos. E m 1 6 0 0 , Fi l i p e I I ordenou a reconstrução da fortaleza, seguindo a planta do arquiteto florentino João Vicente Casale para, em 1644, D. João IV mandar remodelar e ampliar este forte, dispondo do traçado que atualmente conserva. Fortificação de planta irregular, é composta por dois meios baluartes virados a terra e traçado atalhado virado ao mar. Era constituído por corpo da guarda, armazéns e paiol. Na porta de entrada, sob um lintel, encontra-se a imagem de São Miguel Arcanjo (mutilada pelas lutas liberais) e a legenda “El-Rey Dom Joam, o Quarto – 1644”. Na primeira Invasão Francesa, o forte foi ocupado por soldados franceses, mais tarde expulsos pela população

do Sítio e da Pederneira, tendo sido este ato símbolo da resistência popular. Em 1903, foram efetuadas obras de consolidação e restauro para instalação de um farolim contemporâneo, composto por lanterna pintada de vermelho sobre a muralha do forte com altura de 8 metros, que tem sistema iluminante composto por ótica de cristal omnidirecional fixa, de luz branca e alcance luminoso de 14 milhas a uma altitude de 50 metros. Tinha guaritas e Torre Sinaleira, esta substituída pelo sinal sonoro de aviso em dias de nevoeiro. Hoje, o Forte S. Miguel Arcanjo é um espaço cultural aberto todo o ano, onde poderá observar: o Centro Interpretativo do Canhão da Nazaré; informação sobre o submarino alemão U-963, afundado no final da 2ª Guerra Mundial ao largo da Nazaré; o Surfer Wall, espaço museológico onde big riders mundiais expõem as pranchas com que enfrentaram as ondas grandes da Praia do Norte; a exposição histórica e documental “O Forte de S. Miguel Arcanjo: Guardião da Memória” e fotográfica “Praia do Norte” e, ainda, exposições temporárias, que apresentam os trabalhos artísticos de artistas da Região. Texto: NMM Foto: Vitor Estrelinha | C.M. N Foto: Manuel Pinto

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Património

Ascensor da Nazaré O Ascensor é referência obrigatória para todos os que visitam a Nazaré, sendo um dos seus ex-libris e Património Municipal. Em finais do século XIX, no intuito de servir os interesses da população e de facilitar a chegada dos peregrinos até à Senhora da Nazaré, foi fundada uma parceria para a construção de um ascensor mecânico, sendo autor do projeto o engenheiro de origem francesa Raul Mesnier du Ponsard, discípulo de Gustave Eiffel e também responsável pela maioria dos elevadores de Lisboa. Inaugurado a 28 de julho de 1889, o elevador da Nazaré é considerado como uma das melhores iniciativas da história da Nazaré incrementando o crescimento do Sítio. Verificando que o Ascensor permitiria angariar fundos para manutenção do seu Hospital, a Confraria de Nossa Senhora da Nazaré adquiriu-o em 1924 para, em 1932, o vender à Camara Municipal da Nazaré. As primeiras carruagens eram movidas por meio de uma máquina a vapor, que esteve em funcionamento até 1963, data do único acidente que registou em 129 anos de existência. Em 1968, voltou à atividade com novos carros e um novo sistema de tração, de transmissão e acionamento elétrico, provido de um triplo sistema de travagem, que funcionaram até setembro de 2001, quando foram substituídos por novas carruagens, mais modernas, confortáveis e seguras, inauguradas a 24 de junho de 2002, passando as suas cores a ser azuis. Texto: NMM Foto: Vitor Estrelinha | C.M.N

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Nazaré Marés de Maio

Hoje, o Ascensor da Nazaré é um funicular moderno, muito confortável e seguro, sendo o transporte por cabo que mais passageiros transporta em Portugal (897.422 passageiros em 2016). Razão para tal? Percurso interessante e vista panorâmica de cortar a respiração.

Características Distância: 318 metros (50 em túnel) Desnível: 134 metros Inclinação: 42% Via própria, cercada, de declive constante; cabo a descoberto sobre roldanas.


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Eventos

Agenda

Festas da Nazaré Festa Religiosa

8 de Setembro de 2018

Festa Popular

8 a 16 de Setembro de 2018 As Festas da Nazaré  acontecem anualmente no  Sítio da Nazaré, desde a  Idade Média, para comemorar o  milagre  de  Nossa Senhora da Nazaré  que, a 16 de Setembro de 1182, salvou o cavaleiro D. Fuas Roupinho de uma queda mortífera do cimo do promontório da Nazaré. Por altura das Festas, na segunda metade do século dezanove juntava-se no Sítio uma multidão de vinte a trinta mil pessoas, muitas das quais vinham em romarias organizadas, os  Círios. Os mais importantes vinham de Mafra, Círio da Prata Grande, de Porto de Mós, de Óbidos, de Lisboa e de muitas outras povoações da Estremadura. Os  romeiros  e os festeiros instalavam-se em casas, em tendas montadas no Sítio e no pinhal, nos alpendres da igreja, onde houvesse lugar. As Festas tinham uma componente religiosa centrada no Santuário, com missas, pregações e procissões, e, uma componente profana espalhada pelas ruas e largos do Sítio, constando de touradas, danças, jogos, corridas de cavalos, pirotecnia, malabaristas, ou espetáculos de teatro, ópera, música, entre outros divertimentos onde a comida e a bebida tinham um lugar privilegiado. A parte comercial era uma componente bastante forte. À noite os espetáculos de fogo-de- artifício preso e aéreo atraíam milhares de pessoas e eram visíveis a dezenas de quilómetros do Sítio. As Festas mantiveram-se bastante afamadas e concorridas até meados da última década do século vinte. Em 2001 foram deslocadas para um recinto vedado, no pinhal, fora do Sítio, o que levou a que hoje estejam quase extintas, pois perderam o encanto e tradição multisecular que as distinguia das demais, desejando todos os que as vivenciaram que renasçam, tal como a  Fénix  pintada na abóbada da Capela da Memória, no Sítio.

ERA NAZARÉ E SÃO MARTINHO DO PORTO

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Expressões da Nazaré Palec

(substantivo)

Costumava-se considerar como palecs unicamente os camponeses que, após as vindimas, vinham com trouxas e cestos de palha passar férias à Nazaré. Com essa gente criou-se a tradição de dar banhos que hoje está extinta. Essa tradição consistia em um banheiro-pescador olhar pela segurança dos palecs enquanto tomavam banho. De modo que, após a alvorada, durante o mês de Setembro, era natural ver-se essa gente de colete, chapéu preto, em combinação ou pijama, com calças arregaçadas ou saias levantadas, agarradas a um banheiro-pescador, molharem-se até à cintura e rolarem na força das ondas carregadas de areia. Enquanto para uns esse género de tomar banho era mero divertimento para outros era uma autêntica peregrinação porque lhes era dada a oportunidade de exporem os seus corpos com os seus males aos milagres da água salgada. Hoje, o termo palec é utilizado para caracterizar todo o indivíduo que não é da Nazaré. Há quem prefira escrever este termo com o final (paleco). Não é habitual, no entanto, no linguajar nazareno pronunciarem-se as vogais finais de termos terminados em o bem como em e. O feminino de palec é paleca

Vai tud no carr cmà Ingrácia. Costureira de profissão, a Engrácia Codinha Esgaio trabalhou na Rua Mousinho de Albuquerque, n.º 46, com uma amiga conhecida por Francisca da Bôta. A determinada altura a Engrácia apresentou a Francisca a um conhecido com o nome de João Marques Barrela. Esse Senhô Barrela, assim o povo o tratava, possuidor de uma loja de fazendas na Praça Sousa Oliveira, n.º 11, tornou-se no amante da Francisca. O dito Vai tud no carr cmà Ingrácia entrou em voga quando, certo dia, a Engrácia, a Francisca e o Senhô Barrela foram vistos a passear num carro de mulas pela parte Sul da Praia da Nazaré (recorde-se que, naquele tempo, aquela zona era desabitada). Presentemente, o dito é usado em dois casos diferentes; diz-se Vai tud no carr cmà Ingrácia quando várias pessoas conhecidas são vistas dentro de um carro que pode ou não ir para um lugar secreto. O outro caso, que é o mais comum, é se a pessoa que vai para entrar num carro aparentemente cheio, diz que não cabe lá. Nessa ocasião há sempre alguém que responde de dentro: Oh, ist vai tud no carr cmà Ingrácia! A Engrácia nasceu na Nazaré a 18 de Outubro de 1890 e faleceu a 26 de Dezembro de 1975, também, na Nazaré.

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Nazaré Marés de Maio

Tás ta ri cmò Zé Paiva! Estás a rir-te como o Zé Paiva! Diz-se a quem se ri às gargalhadas. O José Paiva, conhecido por Zé Paiva, tinha uma loja de mercearias na Rua da Subvila, n.º 12. O povo, quando passava em frente da sua loja, ouvia-o rir às gargalhadas. Ao Sr. José Paiva está associado um pequeno episódio que revela bem a afinidade que pode haver entre as pessoas e determinados animais, nomeadamente cães. O Sr. José Paiva gostava de caçar, por isso, possuía cães de caça. Como eram muitos os animais que tinha, costumava reuni-los com a ajuda de um apito próprio. Esses animais gostavam tanto do seu dono que, no dia do funeral do Sr. José Paiva, seguiram o cortejo fúnebre até ao cemitério. Nesse mesmo dia, também, recusaram sair de cima da terra que enchia a cova, tapando o caixão. No dia seguinte, familiares do defunto, que visitaram o referido local, depararam com uma enorme cova feita sobre o lugar onde se encontrava enterrado o caixão. Os cães de caça tinham, obviamente, em vão, tentado resgatar ex-dono da cova funda. O Zé Paiva nasceu a 5 de Fevereiro de 1896, no Valado dos Frades, e faleceu a 27 de Dezembro de 1960, na Nazaré

Ai qu’inganes cmò Tó-Tó! Ai que enganos como o Tó-Tó! Conhecido por Tó-Tó, o António Traquinhas Garcia, certa vez, depois de ter sido aceite para trabalhar num barco, adoeceu. Esteve uns dias de cama, na casa onde morava (Rua Nova da Areia, n.º 21), mas, quando recuperou, o dono do barco já não lhe quis dar trabalho. Desolado, o Tó-Tó queixou-se pelas ruas da Praia em como tinha sido enganado. Ai t’indanes! foi a frase que ele repetiu várias vezes durante as queixas. Se ele não tem tido dificuldade em pronunciar certas palavras, ele teria dito antes Ai que enganos! Mas, claro, foi precisamente o humor que há na expressão Ai t’indanes! que não escapou aos ouvidos do povo. Usa-se a frase Ai qu’inganes cmò Tó-Tó para indicar que alguém voltou ou vai voltar atrás à palavra. O Tó-Tó faleceu na Nazaré, no dia 5 de Fevereiro de 1935.


Mar à Pinoca.

Ficô injoad cma um carapau sêc!

Diz-se da maior onda que o mar produz.

Ficou enjoado como um carapau seco!

O António Gabriel Vigia, nascido na Nazaré a 11 de Fevereiro de 1886 e conhecido por Pinoca (Pi-nó-ca), certa vez, enquanto pescava no mar, apanhou tremenda tempestade que o fez abandonar a vida de pescador. Tornou-se boieiro e passou a dizer o seguinte: S’o mar até aqui na me matô, já na me mata. Pois, no dia 5 de Fevereiro de 1951, pelas 12:55, enquanto passava com a sua parelha de bois pela Praça Dr. Manuel de Arriaga, uma gigantesca onda, após galgar o baixo e antigo Paredão, arrastou consigo uma barca que lhe foi esmagar o crânio contra a parede oeste da Farmácia dos Pescadores. A barca, que vitimou o Pinoca, encontrava-se na Praça Dr. Manuel de Arriaga devido ao mau tempo; chamava-se Nossa Sr.ª de Monserrate e pertencia a João Figueira Facada (João Casalinho). Como variantes desta expressão temos: Tá mar à Pinoca! (Está mar à Pinoca!); Tá um mar à Pinoca! (Está uma mar à Pinoca!); Vê um mar à Pinoca (Veio um mar à Pinoca) e Havia de te dá uma volta de Mar à Pinoca! (Havia de te dar uma volta de mar à Pinoca!) nazareno pronunciarem-se as vogais finais de termos terminados em o bem como em e.

Diz-se de quem não gostou do que ouviu ou do que lhe disseram. Os carapaus meio secos são conhecidos por carapaus enjoados. Técnica de preparação dos Carapaus enjoados: Amanha-se o carapau, isto é, tira-se-lhe a tripa. Seguidamente, o carapau amanhado é posto num alguidar com água e sal (deve usar-se uma chávena de sal por cada cento de carapau, devendo a água cobrir o peixe); nessa moira, o carapau deve permanecer durante trinta minutos. Após serem tirados da moira, os carapaus devem ser lavados e escalados (prolonga-se a abertura do ventre até à cauda). Finalmente, os carapaus devem ser estendidos sobre um paneiro feito com rede de pesca e postos a secar ao sol __ dois dias de sol forte são suficientes para os carapaus ficarem secos. Ao longo da revista encontra mais expressões e as suas origens. Origem: «Expressões da Nazareth» de Armando Macatrão

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Património

A Arte Xávega

A arte xávega era um dos mais emblemáticos processos de pesca artesanal na Nazaré. A embarcação de fundo chato e proa em bico elevado, com ré cortada e costado pintado em faixas lisas; a rede própria e todo o processo de pesca, que culmina com o “alar da rede”, caracterizam este tipo de pesca artesanal que, durante décadas, contribuiu para o sustento de muitas famílias de pescadores. A partir dos anos 1980, a construção do porto de abrigo e a implementação de novas técnicas e orientações europeias aceleraram a decadência desta pesca. A faina desenrolava-se no areal da praia, utilizando uma rede de cerca 150 a 50 braças (braça = 1,828 m), constituída por “saco”, “mãos” e “cordas”, guarnecida pela tralha das panas e dos chumbos, e complementada pelos odres, seminhos e ferros. Ao longo do século XX, assistiu-se à diminuição da dimensão da rede e da embarcação (que inicialmente era toda preta), assim como foi reduzindo o número de elementos da companha. A rede era colocada na água, em determinadas zonas (“lances”), com o auxílio da embarcação. A sul da foz do rio Alcoa, distribuíam-se os lances Esprangeira, Ferro, Morto, Parcelo, Dois Bicos, Juncal, A Velha, A Nova e o Sisal. A norte, o Brasil (deixou de existir após a construção do Porto de Abrigo), Latas, Sprum, Lance Norte, Esquininha, Coroa, Paus, Moiteira, Borda do Poço e Salgueiro. Todas as companhas alternavam por estes lances, que se diferenciavam pela riqueza de pescado. A companha era geralmente composta por 8 homens: o arrais, à ré; 3 remadores no banco do meio, os “revezeiros”, os que

“vão de caras p´ró mar”; 2 no banco da proa e outros tantos no “banco” sobre a coberta. Para colocar a rede no mar, a extremidade da mão sul (que era maior) da rede era fixada numa recoveira ou varola, no areal da praia, e a restante era transportada no paneiro da ré da embarcação, de onde era lançada em forma de cerco, em várias zonas, de acordo com os “sinais” de terra e do mar; a outra mão era trazida também para terra e fixada noutra recoveira ou varola. Para todos os lances, o “sinal de mar” era dado pela “chaminé do Palácio Real a encostar à torre do Santuário de Nossa Senhora da Nazaré”. Na praia, o barco era puxado “para o topo” por uma junta de bois (substituídos, posteriormente, por trator). Até meados do século XX, assim que “as artes eram postas na água”, o cabo-de-mar içava uma bandeira alaranjada na lota. Após permanecer na água cerca de hora e meia, a bandeira era arriada e iniciavase o “alar da rede”. Num ritmo lento e cadenciado, dois “cordões humanos” de homens e mulheres puxavam as duas cordas – mão esquerda agarrada à corda junto ao pescoço, braço direito estendido – e arrastavam a rede pela areia acima. Quando o saco vinha cheio (“aboiado” ou “inté às armelas”), o arrais cortava o linhol ou porfio, retirando o pescado (sardinha ou carapau) para ser transportado em “xalavares” ou “lavadeiros” para a lota. Se o saco viesse vazio (“estremado”) era o desespero da companha. Atualmente, a exposição de embarcações tradicionais na Praia da Nazaré, uma organização conjunta do Município da Nazaré com o Museu Dr. Joaquim Manso, inclui o barco de arte xávega “Perdido”, registado na Capitania da Nazaré em 1949, pelo proprietário Emílio Caneco Bexiga, tendo como construtor naval Porfírio do Carmo Oliveira. Texto: DS/Museu Dr. Joaquim Manso - 2018 Foto: Vitor Estrelinha | C.M.N

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Património

Traje Tradicional da Nazaré O traje tradicional da Nazaré distingue-se pela sua continuidade no dia-a-dia e por se afirmar como marca identitária desta vila piscatória. Prático e funcional, as suas formas e materiais adaptavamse à faina do mar e a um trabalho que implicava a exposição diária à maresia e humidade da praia. Oferecia liberdade de movimentos, sendo simultaneamente leve e agasalhador. De acordo com o modelo vulgar desde as primeiras décadas do século XX até aos anos 1960-80, o pescador “ia ao mar” com camiseta axadrezada de escocês, ceroulas do mesmo tecido (com atilhos na bainha, para rapidamente arregaçar e transformar em calções), cinta e barrete (onde guardava alguns pertences, uma vez que as ceroulas não tinham bolsos). Em tempo frio, poderia acrescentar calças de surrobeco e casaco “de retina”, de cores escuras. Nos períodos festivos, o homem vestia calças de surrobeco e camisola de caxemira (camisa) com três pestanas à frente e várias carreiras de botões. Poderia também agasalhar-se com um gabão ou varino, em dias muito frios. Ainda hoje o traje tradicional feminino é usado por muitas mulheres da Nazaré no seu quotidiano. “Saia de cima” e “saias de baixo”, algibeira do lado direito, avental de “riscado”, “casaco” ou blusa simples, xaile traçado, lenço “cachené”, chapéu (hoje já não usado) e chinelas (outrora, frequentemente descalças), compõem as vestes de trabalho, onde predominam os tecidos grosseiros e escuros. Mas é nos dias de festa que o traje feminino vibra de cor. A nazarena mostra então toda a sua vaidade no colorido dos bordados do avental, das blusas e “cachenés”, nos brincos e cordões de ouro e no brilho das chinelas de verniz. É o tempo das “sete saias”! No dia-a-dia, usam-se 2 ou 3 saias; em tempo de festa, a partir dos nos anos 1930-50, vulgarizou-se o número 7, número cabalístico das “7 cores do arco-íris”, “7 dias da semana”, “7 virtudes”, “7 pecados mortais”, “7ª onda” (vem raso para o barco entrar ao mar)... Mas a escolha do número de saias é acima de tudo pessoal. Embora sejam diversas as origens atribuídas ao uso de várias saias na Nazaré, sendo o facto de proporcionar maior elegância à mulher um critério justificável, certo é também que elas permitiam que a mulher se agasalhasse durante as longas horas de vigília na praia – enquanto as “saias de baixo” tapavam as pernas, as de “cima” protegiam a cabeça e os ombros do frio. As “sete saias” tornaram-se icónicas e indissociáveis da imagem etnográfica e turística da Nazaré e do próprio país. O Museu Dr. Joaquim Manso, no Sítio da Nazaré, é detentor de uma considerável coleção do traje tradicional da Nazaré, acompanhando a sua evolução ao longo do século XX. Estão em exposição modelos femininos e masculinos de trabalho, festa e luto.

Texto: DS/Museu Dr. Joaquim Manso - 2018 Foto 01: Vitor Estrelinha | C.M.N Foto 02: António Balau Foto 03: DS/Museu Dr. Joaquim Manso

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O Pangeia Restaurante surge da ideia de criar um Restaurante singular, com uma cozinha e ementa variada de elevada qualidade e distinção, onde a proximidade do mar proporcionasse o clima perfeito para a fusão de aromas e sabores. Dotado de uma vista única e características impares, procurou-se dotar o espaço da elegância e conforto que tornam experiência do nosso cliente tão significativa e inesquecível quanto possível. A variedade gastronómica e vinícola proposta, tendo origem nos quatro cantos do mundo, procura valorizar o que de melhor o nosso Portugal tem para oferecer, em total sintonia com as melhores cozinhas mundiais.

Especialidades • Trilogia de Polvo; • Polvo Grelhado na Brasa; • Polvo com Crocante de Broa; • Gambas “Pangeia”.

House Speciality - Octopus Rua Abel Silva nº 50 | Nazaré | Tel. +351 917 934 726

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Natureza

Jardim da Pedralva Com a vinda de centenas de turistas e banhistas, nos anos 1930, uma Comissão de Iniciativa, cujo presidente era José Pedro, decidiu que a Nazaré necessitava de um parque no Monte Branco, onde se pudessem vislumbrar os horizontes e as perspetivas encantadoras da praia e arredores. Aí foi construído um lindo parque arborizado, com um lago e um campo de ténis. É hoje um aprazível jardim, dotado de algumas infraestruturas de lazer. Do seu ponto mais alto é possível admirar uma das mais belas vistas panorâmicas da vila da Nazaré. Ao passearmos por este belo parque podemos observar um conjunto de bancos de pedra com conjuntos azulejares da década de 1930. Este afloramento rochoso, conhecido por Pedralva ou Monte Branco, localiza-se na zona oriental da Nazaré e é constituído por uma argila branca que acabou por caracterizar a rocha e se refletir no próprio nome desta elevação.

Texto: NMM Foto: Vitor Estrelinha | C.M.N

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FONTE DA VILA A FONTE DA VILA é uma fonte que foi mandada construir pelo CardealRei D. Henrique em 1565 e, segundo alguns autores, terá sido a primeira fonte que abasteceu a Pederneira com água própria para consumo. Com um espaldar de três bicas e tanques ao nível do solo, mexidos por volutas no topo, a Fonte da Vila teve uma elevada importância no apoio aos Círios que se deslocavam ao Santuário da Nossa Senhora da Nazaré, nomeadamente os oriundos de Santarém, a quem se atribui, no século XVII, a construção do espaldar.

Texto: NMM Foto: Vitor Estrelinha | C.M.N

CORETO Mandado construir pela Confraria de Nossa Senhora da Nazaré em 1897, o Coreto localiza-se no Largo da Nossa S e n ho r a d a Na z a ré , e m f re n te a o Santuário. Constituído por uma base em alvenaria e cantaria e o restante em ferro fundido, é um bom exemplo da arquitetura civil da região. Serviu, durante largos anos, para atuação de bandas de música, em especial durante as Festas em Honra de Nossa Senhora da Nazaré (setembro).

Texto: NMM Foto: Vitor Estrelinha | C.M.N

LADEIRA DO SÍTIO Até à construção do Ascensor, este era o caminho pedonal que ligava (e ainda liga) as duas partes da vila da Nazaré – a Praia e o Sítio. Inicialmente em areia, foi posteriormente calcetado de forma a melhorar o acesso ao Santuário de Nossa Senhora da Nazaré e também ao Hospital. Ainda hoje, percorrer a Ladeira do Sítio é admirar a beleza da Nazaré, a sua praia e casario, as suas ruas que correm para o mar, até ao horizonte. Texto: NMM Foto: Vitor Estrelinha | C.M.N

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FORNO D’ORCA A Gruta do Forno d’Orca situa-se na base do promontório, junto ao acesso à Praia do Norte, e mostra a evolução geológica da Nazaré. Esta caverna natural está moldada numa estrutura de pedra calcária com bastantes evidências da atividade erosiva ao longo do tempo. Nesta caverna poderá ver a erosão típica do mar de elevado hidrodinamismo. Quando o mar está calmo, a Gruta do Forno d’Orca fica bem longe da água e, portanto, a sua entrada é geralmente fácil. Mas, quando o mar está em maré alta, com ondas fortes que violentamente batem contra o promontório, a água entra na caverna. Texto: NMM Foto: Vitor Estrelinha | C.M.N

MURAL MEIA LARANJA Nas paredes do muro que cercam o Miradouro da Meia Laranja, na Rua Dr. José Laborinho Marques da Silveira, junto ao início da Ladeira do Sitio, foram recentemente pintadas cenas figurativas que retratam a Nazaré antiga. O principal motivo de inspiração foi a dura vida dos pescadores locais, tendo o seu autor ido buscar essa inspiração a fotógrafos que captaram essas imagens no seu tempo, como Álvaro Laborinho, Artur Pastor e Bill Perlmutter. Foi autor Filipe Ferreira, natural da Nazaré, licenciado em Artes Plásticas, na ESAD, de Caldas da Rainha. Texto: NMM Foto: Vitor Estrelinha | C.M.N


Monumento

Antiga Casa da Câmara e Pelourinho Na Pederneira, no Largo Bastião Fernandes, junto à Igreja Matriz, encontram-se os antigos Paços do Concelho. É um bom exemplo de edifício de arquitetura civil, de grande fachada retilínea, decorada com elementos seiscentistas. Por cima da porta principal podemos observar um frontão com as armas nacionais. As origens do atual edifício são um tanto obscuras, pois trata-se de um imóvel presumivelmente reconstruído, que terá substituído um outro anterior. Prova disso é a reconstrução no final do século XVIII da torre sineira, destruída pelo terramoto de 1755. Funcionou como edifício dos Paços de Concelho da Pederneira até 1855. Desde então, teve diversas utilizações: foi açougue, cadeia, tribunal e edifício da instrução primária. Em 2005, o edifício recebeu obras de requalificação, tendo a intervenção sido concebida de modo a criar um espaço polivalente com capacidade para acolher atividades culturais e recreativas. Está classificado como Monumento de Interesse Municipal desde 12 de Setembro de 1978. Texto: Câmara Municipal da Nazaré Foto: Vitor Estrelinha | C.M.N

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Expressão da Nazaré Já se virô um barc com set arrases! Já se virou um barco com sete arrais! Houve uma ocasião em que um pequeno barco, no qual vinham sete mestres, se deslocou das Bóias em direcção a terra. Como é natural, cada um dos mestres quis dar ordens de como o barco havia de encalhar. Uns diziam para se remar de uma maneira; outros diziam para se remar de outra - o barco acabou por se virar! As Bóias era uma zona da enseada da Nazaré onde, antigamente, se fundeavam os barcos de maior porte, após regressarem da pesca do alto mar. Essa zona deixou de ser utilizada por embarcações após a conclusão do Porto de Abrigo (anos 80, do século XX). A moral desta expressão e desta história é que só deve haver uma pessoa a dar ordens, qualquer que seja a situação. Na Nazaré, o termo arrases é o plural de arrais. Origem: «Expressões da Nazareth» de Armando Macatrão


Agenda Monumento

Igreja da Misericórdia

Situa-se no Largo da Misericórdia, na Pederneira. No final do século XVII, destinava-se a albergar a Irmandade da Misericórdia e a administrar o Hospital da Pederneira. Mas, com a extinção da Irmandade em 1877, a Igreja passou para a Real Casa de Nossa Senhora da Nazaré, hoje Confraria de Nossa Senhora da Nazaré, que fundou o Hospital do Sítio da Nazaré e continuou a obra de assistência. Os historiadores continuam por decifrar a verdadeira data da sua construção. Nesta igreja, ao gosto da arquitetura religiosa maneirista, no altar-mor de talha dourada barroca, guarda-se a imagem do Senhor dos Passos, de grande devoção popular, o qual é celebrado, em procissão de três dias, três semanas após o Carnaval. Por baixo deste, um altar de caixa envidraçado, conserva uma imagem de Cristo Morto. Classificada como imóvel de Interesse Público desde 1978.

XXI Festival Nacional de Folclore 21 de julho de 2018

Texto: NMM Foto: Vitor Estrelinha | C.M. da Nazaré PUB

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Monumento

Igreja Matriz da Pederneira

Na Pederneira, na Rua Abel da Silva, ergue-se a Igreja Matriz da Pederneira, também conhecida como Igreja da Fábrica Paroquial de Nossa Senhora das Areias e de S. Pedro da Pederneira. É um templo religioso construído entre os séc. XVI e o séc. XIX, de uma só nave coberta por uma abóbada. É composta por uma capela-mor com altar de talha dourada do século XVII. Destaca-se a grande bancada da Irmandade, ornada de talha dourada setecentista. As paredes da nave e da capela-mor são revestidas por um silhar de azulejos tipo “padrão”, verdes, azuis e amarelos, do século XVII, rematados por azulejos tipo “tapete”. Na capela-mor, sobre duas portas, quadros cerâmicos embutidos com a cruz dos Bulhões ostentam a seguinte inscrição: “Os devotos de Santo António mandaram azulejar esta capela. Ano de 1637”.

Expressão da Nazaré É de pêxe! É de peixe!

Como quem diz ‘dá sorte’. Origem: «Expressões da Nazareth» de Armando Macatrão

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Texto: NMM Foto: Vitor Estrelinha | C.M.N


CONDOMINIO “FONTE DA VILA” – NAZARÉ

VIVENDAS “VENDA NOVA”– S.MARTINHO DO PORTO

VIVENDAS “SALIR”– SALIR DO PORTO

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Monumento

Capelas da Nazaré Capela de Santo António

Capela N. Sra dos Aflitos

Capela de S. Pedro

Foi construída em 1760, a mando dos monges cistercienses de Alcobaça, sendo uma pequena capela retangular, de espaço único e amplo, dedicada ao culto de Nossa Senhora dos Aflitos. A fachada encontra-se revestida a azulejos de padrão, azuis e brancos, com portal de arco quebrado e sobrepujado por um óculo. O conjunto é rematado por uma graciosa torre sineira.

Situada na marginal, na parte norte da vila da Nazaré, esta capela foi mandada construir pelos pescadores, com o dinheiro que retiravam aos seus quinhões (1% do pescado vendido). Templo de nave única, coberta por teto de caixotões de madeira e paredes revestidas por um silhar de azulejos azuis e brancos. A capela-mor, de cobertura em abóbada de berço, é sobreposta por frontispício, interrompido pelo escudo de armas, sobre quatro colunas coríntias, que rodeiam a imagem do Santo. A fachada é completamente revestida de azulejos azuis e brancos, tendo um registo de azulejos figurando o Santo António. O portal, inscrito em duas arquivoltas, tem por cima uma rosácea.

O interior é revestido por um silhar de azulejos de padrão floral, em tons azuis, amarelos e brancos. Nas paredes laterais do altar-mor, encontram-se dois painéis figurativos, representando, do lado da Epístola, a “Estigmatização de S. Francisco” e, do lado do Evangelho, “Santo António e o Menino Jesus”.

A Capela de S. Pedro situa-se na Avenida Vieira Guimarães, junto à antiga Casa dos Pescadores, hoje Câmara Municipal da Nazaré, tendo sido inaugurada no dia 22 de maio de 1941. Esta pequena capela de uma só nave foi cedida à Confraria do Santíssimo Sacramento da Pederneira, a qual ainda hoje a mantém. Era muito conhecida a procissão de S. Pedro, patrono dos pescadores, que percorria as principais ruas da vila e que terminava num grande arraial no Bairro dos Pescadores.

O altar-mor apresenta colunas pseudosalomónicas de capitéis cúbitos e, ao centro, uma maquineta com uma imagem. A iluminação interior é assegurada por um óculo, no frontispício, e dos 3 janelões laterais. Os azulejos que se encontram na zona do altar são do século XVIII e os da nave são do século XIX.

Expressão da Nazaré Na deu pe leme! Não deu por leme

Diz-se de quem não se apercebeu do que lhe foi feito. Origem: «Expressões da Nazareth» de Armando Macatrão

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Capela N. Srª dos Anjos Situada na estrada que liga Pederneira à Nazaré, a sua construção remonta ao século XVI. Templo singelo de feição quinhentista, com uma só nave; do seu antigo aspeto arquitetónico apenas lhe resta a entrada em alpendre. Esta ermida é utilizada sobretudo para a realização da Procissão do Senhor dos Passos, que se realiza durante três dias, durante a Quaresma, três semanas após o Carnaval. Classificada como Monumento de Interesse Público. Texto: NMM Foto: Vitor Estrelinha | C.M.N

Expressão da Nazaré Vai seca, seca, e nad’ ah oh! Vai, seca, seca, e nada Ah oh! A parte do saco da rede onde o peixe é escorrido tem o nome de secador. Então os pescadores costumam dizer na parte final do lance ‘seca, seca’ para escorrer a água toda e ver finalmente o resultado da pescaria. Quando não há peixe, dizem ‘seca, seca ….. e nada ah oh!’. Origem: «Expressões da Nazareth» de Armando Macatrão

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Tradição

SIGNIFICADO DAS SETE SAIAS DA NAZARÉ O povo diz que representam as sete virtudes; os sete dias da semana; as sete cores do arco-íris; as sete ondas do mar, entre outras atribuições bíblicas, míticas e mágicas que envolvem o número sete.

Não há uma explicação única para o uso das 7 saias na Nazaré. Fazem parte da tradição nazarena que foi ficando, ao longo das décadas, transmitida aos filhos e legitimada pelo uso. Mas, todos são de comum acordo que o uso das várias saias (7 ou não) da mulher da Nazaré está sempre relacionado com a vida do mar. As nazarenas costumavam esperar os seus familiares da volta da pesca, na praia, sentadas no areal, passando aí muitas horas de vigília. Usavam as várias saias para se cobrirem, as de cima para protegerem a cabeça e ombros do frio e da maresia e as restantes a taparem as pernas. Daí, o número elevado de saias que usavam frequentemente. Diz o povo que representam as 7 virtudes; os 7 dias da semana; as 7 cores do arco-íris; as 7 ondas do mar, entre outras atribuições bíblicas, míticas e mágicas que envolvem o número 7. Ainda relacionado com este número mágico 7, a explicação que alguns estudiosos avançam é que, quando os barcos esperavam raso no mar para encalhar, o raso geralmente acontece de 7 em 7 ondas alterosas. Assim, as nazarenas contavam pelas próprias saias, dobrandoas levemente, uma a uma, até à última saia e última onda – desse modo, não se enganavam na contagem. A continuação do uso das 7 saias nos dias de hoje já tem a ver com razões estéticas femininas, com a vontade de manter viva a tradição e porque é, afinal, um traje bonito de se ver, que as nazarenas não enjeitam, os nazarenos gostam de ver e o turista muito aprecia. Saliente-se que o traje nazareno feminino não parou no tempo, nem se tornou uma peça museológica, antes pelo contrário, tem acompanhado as variações da moda – saias mais curtas ou mais compridas; novos tecidos, cores e padrões.

Origem: DS/Museu Dr. Joaquim Manso - 2018 Fotos 01: Vitor Estrelinha | C.M.N Fotos 02: Júlio Limpinho Fotos 03: Álvaro Laborinho/Museu Dr. Joaquim Manso

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Colectividade

Rancho Folclórico Tá-Mar O Rancho Folclórico Tá-Mar da Nazaré, foi fundado no ano de 1934, e usou inicialmente o nome de “Rancho da Nazaré”. A partir de 1936, quando da sua exibição no Teatro Nacional de D. Maria II em Lisboa, na festa de homenagem ao ilustre escritor Dr. Alfredo Cortez, estando em cena a peça de sua autoria “Tá-Mar” dedicada à Nazaré e seu povo, adoptou este Grupo o nome de: RANCHO FOLCLÓRICO “TÁ-MAR” Este Rancho que pela sua genuinidade, é considerado o mais típico de Portugal, tem por finalidade manter vivas e dar a conhecer ao mundo as tradicionais danças e cantares da Nazaré, que tanto interesse desperta, pela alegria que emanam e pelo seu sabor especial a coisas do mar. Para a sua orquestra, adoptaram-se os instrumentos rudes e mais usados pelos pescadores antigos que, à falta de melhor, cantavam as suas cantigas com o acompanhamento do cântaro, das pinhas e da garrafa com garfos que o taberneiro lhes emprestava. Os componentes deste Rancho, apresentam-se com o autêntico traje da Nazaré, e só da Nazaré, porque no mundo inteiro não existe outra terra onde ele tenha sido usado pelo povo, embora, recentemente, tenham aparecido algumas imitações, efectuadas por pretensos grupos folclóricos de outras localidades. São inúmeras as exibições que este Rancho tem efectuado no nosso país e no estrangeiro, quer em festivais de folclore, filmagens ou programas de televisão, pelo que se pode afirmar ser este Rancho Folclórico, um dos melhores cartazes de propaganda de Portugal.

Todas as suas danças e cantares falam do mar e do pescador da Nazaré, em homenagem àquele que no dia á dia, se bate com o seu traiçoeiro companheiro de todos os dias, umas vezes ganhando e outras, infelizmente perdendo.

RANCHO INFANTIL “TÁ-MAR” DA NAZARÉ O Rancho Infantil “Tá-Mar” da Nazaré foi fundado no ano de 1980, e a sua primeira apresentação ao público teve lugar no Cine Casino da Nazaré, em Fevereiro do mesmo ano. Este grupo folclórico tem como principais objectivos, não só a divulgação da cultura local, quer no âmbito da dança, música e trajo tradicional, como também a sensibilização das camadas mais jovens para os valores culturais da Nazaré, evidenciandoos, contribuindo desse modo, para um melhor conhecimento da identidade cultural da região e simultaneamente para ensinar a estimar todo o património e tradição da Nazaré. Exibindo o trajo tradicional desta vila piscatória, o Rancho Infantil “Tá-Mar”, eles em trajo de trabalho, elas em trajo de festa, tal como reza a tradição, dançam e cantam ao mesmo mesmo tempo. É importante realçar também que este grupo folclórico permite uma saudável ocupação dos tempos livres das crianças dos 3 aos 12 anos que o constituem, e que nos dão a certeza que a tradição não morrerá.

Texto: Rancho Folclórico Tá-Mar da Nazaré Foto: Vitor Estrelinha | C.M.N

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Património

Monte de S. Bartolomeu Baliza dos navegantes – é avistado a mais de 35 km de distância – o Monte de São Brás é uma excecional elevação de origem magmática, que emerge no meio de uma paisagem dunar coberta pelo pinhal de Leiria, sendo por isso considerado uma “ilha” de flora mediterrânica endémica, onde se destaca o pinheiro bravo. O seu interesse histórico-religioso e natural é inegável. Achados arqueológicos vieram confirmar a ocupação castreja pré-romana deste morro, outrora conhecido como Monte Seano. A sua ligação à Lenda de Nossa Senhora da Nazaré é reconhecida na dupla nomenclatura (S. Brás e S. Bartolomeu), derivada das relíquias destes santos trazidas por D. Rodrigo e Frei Romano. Acessível por escadas, no cume a cerca de 156 metros de altitude, a espetacularidade do panorama surpreende e encanta. Ali se encontra a guarita do vigia florestal e uma pequena capela, local de uma secular romaria a S. Brás, realizada anualmente a 3 de fevereiro, festa profano-religiosa que marca o início dos Festejos de Carnaval. O interesse da flora local, o valor

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paisagístico e a originalidade geológica valeram-lhe, em 1979, o estatuto de “Sítio Classificado”. A vegetação é variada, testemunho de antigas associações florísticas ricas em elementos mediterrânicos. As duas encostas do Monte são bem distintas e os 32 hectares que constituem a área classificada oferecem a inesperada diversidade de cerca de 150 tipos de plantas vasculares, dos quais 15 são endemismos ibéricos. Entre as espécies vegetais predominantes encontram-se o carrasco, o medronheiro e o aderno. Na avifauna pode admirar-se o Peneireiro e a Águia de Asa Redonda.

FESTAS DE S. BRÁS As origens da Romaria de S. Brás, considerada uma das mais genuínas manifestações populares da Nazaré, perdem-se nos tempos e confundem-se com a lenda. De acordo com a tradição oral, quando Frei Romano e D. Rodrigo, último rei visigodo na Península Ibérica, se refugiaram na Nazaré trouxeram, para além da imagem de Nossa Senhora da Nazaré, as relíquias de S. Brás e de S. Bartolomeu. A veneração aos dois santos resistiu ao passar dos tempos; e se S. Bartolomeu deu o nome ao Monte onde se situa a ermida, S. Brás mantém a sua romaria como uma das mais importantes festas populares de toda a região. Na Nazaré, a Romaria de S. Brás, com data fixa a 3 de fevereiro, marca o início das festividades carnavalescas. .

Texto: NMM Fotos: Vitor Estrelinha | C.M.N


HOTEL Todos viajamos por lazer ou necessidade, seja qual for o caso, a visita ao Mar Bravo nunca deixa de ser marcante, devido à vista inigualável para o mar presente em todos os 16 quartos, tornando assim qualquer estação do ano bonita. Com uma sala que concilia um ambiente relaxante com uma boa opção para trabalhar ou reunir, este Hotel tem sempre como elemento diferenciador a vista frontal da Praia da Nazaré.

RESTAURANTE As janelas rasgadas permitem que se disfrute com um sabor especial a comida atlântica servida no Mar Bravo. Almoços de grupos, ocasiões particulares, um bom jantar a dois ou até refeições em trabalho são contempladas com um serviço singular num local distinto. A sala privada com capacidade para cerca de 30 pessoas é ideal para festas exclusivas e reservadas.

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Agenda

CARNAVAL Sábado Magro

23 fevereiro 2019

Desfiles

2, 3 e 5 março 2019

Bailes

1 a 6 março 2019

Desfile da Criança 1 março 2018

Nazaré, Valados dos Frades e Famalicão

Evento

CARNAVAL da NAZARÉ

O CARNAVAL MAIS TÍPICO DE PORTUGAL

O Carnaval da Nazaré é uma das maiores festas da vila que atrai milhares de visitantes e turistas. É o evento mais ansiosamente aguardado pelos nazarenos, que o vivem de forma profunda e apaixonante.

É o Carnaval mais típico de Portugal porque existe uma associação carnavalesca do traje tradicional do pescador e da mulher da Nazaré. Único, tradicional e genuíno porque nada se assemelha ao formato do Carnaval da Nazaré, pois este é organizado e vivido no âmbito de nós para nós. O Carnaval da Nazaré não são apenas os tradicionais dias de carnaval. O Carnaval da Nazaré nasce no primeiro minuto do primeiro dia do ano e é composto por: PRIMÊRA, corresponde à primeira marcha de Carnaval do ano, emitida pela Rádio Nazaré imediatamente a seguir às badaladas do Ano Novo. MOTE constituído através de uma expressão do dialeto nazareno, que define o Carnaval para esse ano. MARCHA GERAL é a marcha principal do Carnaval do ano, obrigatoriamente associada ao mote escolhido. REIS de CARNAVAL são nazarenos que, de uma forma ou de outra, mais contribuem ou contribuíram para o Carnaval nazareno. O seu reinado é uma forma simpática de prestar homenagem ao seu amor pelo Carnaval da Nazaré. S.BRÁS é a festa popular que marca

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o início dos festejos de carnaval a 3 de Fevereiro. BAILES de MÁSCARAS organizados por algumas associações que dispõem de salas de baile. Estes bailes realizam-se um em cada fim-de-semana antes do Carnaval: Casino (Nazaré), Mar Alto (Nazaré), Planalto (Sitio), Pederneirense (Pederneira), BIR (Valado de Frades), Estrela do Norte (Famalicão) entre outras são alguns dos bailes de máscaras tradicionais. MARCHAS de CARNAVAL Não existe nenhum grupo de Carnaval que não tenha a sua marcha, incluindo algumas empresas locais. São criadas mais de quarenta marchas originais em cada ano. GRUPOS CARNAVALESCOS multifacetados, mistos, de vivência exclusivamente masculina ou exclusivamente feminina BANDAS INFERNAIS São grupos carnavalescos que apenas saem no Domingo Gordo e o objetivo é pura e simplesmente fazer barulho. CÉGADAS, sátiras típicas nazarenas, que são teatro popular levadas à cena nos bailes de Carnaval. BAILES de CARNAVAL são palco de reunião da comunidade onde pessoas de todas as idades e classes sociais ali se encontram para só saírem ao nascer

do sol. Vive-se a festa num caos organizado, onde a multidão organiza-se de forma espontânea em rodas e cordões de gente, dançando ao som de bandas musicais locais SÁBADO MAGRO ou dia das Bicicletas milhares de figurantes saem à rua agrupados em grupos carnavalescos, é a forma local de reunir amigos à volta da mesma mesa e na vontade de festejar um dia de Carnaval. Designa-se por Dia dos Bicicletas porque foi o grupo Os Bicicletas que em 1978 que reanimou este dia que estava a desaparecer do calendário tradicional do Carnaval da Nazaré. ENTERRO do SANTO ENTRUDO realiza-se na quarta-feira de cinzas. O cortejo para o Enterro do Santo Entrudo percorre a marginal da vila ao som de uma banda musical e termina no areal da frente à Praça Sousa Oliveira onde se realiza o julgamento do Santo Entrudo, constituído por carpideiras (choram os mortos) e testemunhas de defesa e acusação; o juiz decide em função das deixas declamadas em tribunal. É o resumo de tudo o que se passou no Carnaval da Nazaré. Excertos de vários textos: www.blogcarnavalnazare.com Foto: Vitor Estrelinha | C.M.N


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Gastronomia

Doçaria Tradicional O fabrico de doces típicos da Nazaré remonta ao início do século XX. António Jacinto de Sousa, jovem empresário da panificação na vizinha freguesia de Pataias, com o seu espírito criativo e empreendedor, com a ajuda das freiras do convento de Cós, criou as receitas dos doces «TÁMAR», «SARDINHA» e «NAZARENO», doces estes que ainda hoje são ex-libris da Nazaré. Para os produzir e comercializar, António Jacinto de Sousa estabeleceu-se na Nazaré, criando a fábrica e balcão de venda denominada Pastelaria Sousal, que se situava no início da Rua Mouzinho de Albuquerque. A Pastelaria Sousal foi o primeiro estabelecimento da especialidade na Nazaré, de que há memória. Posteriormente, um outro empresário da Nazaré, igualmente criativo e empreendedor, Gama Lopes Coutinho, criou uma outra doçaria “FOQUIM”. O “TÁMAR», a “SARDINHA”, o “NAZARENO” e o “FOQUIM” podem ainda hoje ser deliciados em diversas pastelarias da Nazaré. Saliente-se que, com a evolução e comercialização desta doçaria pelo resto do país, o “TÁMAR” também se designa por “BARQUINHO” e o “FOQUIM” por “COPO”.

Expressão da Nazaré Tá c’a costa negada

Está com a costa negad A mulher referida está com a menstruação.

Bebeu áuga da fontinha

Bebeu água da fontinha Visitou a Nazaré e ficou preso(a) aos seus encantos. TÁMAR

Já det’s à costa? Já deste à costa Saiu da Nazaré e já regressou, ao fim de pouco tempo.

Andou pró norte e pró sul

Andou para o norte e para o sul Conversa puxa conversa……

SARDINHA

Fiquei atuada c’mós porc’s

Fiquei atuada como os porcos Quando uma mulher não gostou daquilo que ouviu ou presenciou.

Calma e ma’ rase! Calma e mar raso É uma forma de acalmar quem está muito nervoso e excitado. NAZARENO

Tá mar um brid

Está o mar como um vidro Expressão utilizada quando o mar está muito calmo, parecendo um vidro reflector.

Tá mar um cão

Está o mar como um cão Utilizada quando o mar está levadio, como se fosse um cão raivoso. Texto: Ernesto Pedro (Pastelaria “ANau”) Fotos: Diogo Pedro e NMM

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FOQUIM

Origem: «Expressões da Nazareth» de Armando Macatrão


BEM-VINDO ÀS CASAS DO QUICO VENHA FICAR CONNOSCO EM CASA NA NAZARÉ

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Gastronomia Sequinho da Patarroxa

Carapau enjoado grelhado

Fotos: Restaurante Taberna D’Adélia

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Rua das Traineiras, nº12 2450-196 Nazaré T. +351 262 552 134 T. +351 963 442 901 geral@tabernadadelia.pt

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RESTAURANTE TAPAS - WINEBAR

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Praça Manuel de Arriaga, 32 2450 Nazaré T. +351 262 071 830 restaurantemar.nazare


História

Lagoa da Pederneira Lagoa da Pederneira “era um extenso lençol de águas quietas, abrigadas, muito viscosas” representando para as populações das suas margens uma fonte de riqueza deveras importante. A Lagoa aparece referenciada numa carta romana como seno petronero tendo toda a sua orla sido povoada desde os tempos pré-históricos. A Lagoa, durante os séculos catorze e quinze, devido à desflorestação das encostas, em seu torno e nas bacias hidrográficas dos rios que aí desaguavam, sofreu um progressivo e profundo assoreamento que levou por vezes ao encerramento da barra, causando a morte das abundantes espécies de peixes e de moluscos que durante séculos alimentaram as populações da região. A barra situava-se no local hoje denominado Pontes da Barca, a sul da Nazaré . No início do século dezassete a Lagoa acabou por desaparecer quase por completo, dando lugar a pântanos e sapais. Das obras de drenagem efectuadas pelos monges de Alcobaça nestes terrenos resultantes do recuo das águas, surgiram os férteis campos aluviais da Maiorga, da Cela e de Valado dos Frades. Texto: João Oliva Monteiro, Actas das I Jornadas sobre Cultura Marítima, Nazaré, 1995 Foto 01: Vitor Estrelinha | C.M.N

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Eventos

Agenda Páscoa Jogos tradicionais Sexta Feira Santa

Mário Barroso Nazaré

Jogo do Cântaro

Festival de Folclore do Rancho Tá-Mar da Nazaré Sábado de Páscoa

Desfile do Grupo Etnográfico Danças e Cantares da Nazaré Domingo de Páscoa

Foto: Vitor Estrelinha | C.M.N

Número Azul

808 201 736

Rua Branco Martins, 27 Rua Adrião Batalha, 71 T. 262 551 118 | 965 51 131 671


Freguesia do Concelho da Nazaré

Valado - Terra de Cister Imagine… O Valado por razões mais geográficas que de outra índole, “estabeleceu-se” por esta área há cerca de 300 anos… A lagoa da Pederneira certamente muito contribuiu para tal, sendo uma reentrância por onde o Atlântico entrava, na verdade já desde os séculos XIII e XIV, começava a darse o seu assoreamento e consequente aparecimento de dispersas pequenas lagunas…condições mais que propícias às endémicas malárias e outras enfermidades, por este meio ambiente propiciado. Em plena era “Pombalina”, é encarregue um primo do Marquês dos trabalhos de enxugo e, portanto, salubridade no que se deveria de transformar o fundo da lagoa da Pederneira…os ubérrimos campos agrícolas do Valado dos Frades. Enquanto as terras afectas iam sendo cedidas a colonos ou aos habitantes das povoações, as da Granja do Valado, mantinham-se na posse do Mosteiro que lhe acrescentou importância de modo a que depois do séc. XIV, passou a exercer funções de Escola Agrícola contribuindo para a conquista e secagem dos pauis.

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Nasceu deste sucesso o aumento da sua área e a mudança do seu nome de “Granja do Valado”, que integrava já outras quintas como a da Torre e a da Almoinha, passando a chamarse Quinta do Campo…pelo novo e excelente terreno, (campo), agora por si explorado.

É já com este nome que o Real Mosteiro, para suster velhas querelas com a Casa da Nazaré e a Confraria da Pederneira, requer o Tombo da quinta do Campo… que teve o Alvará Régio em 16 de Dezembro de 1779. Em Março 1782 foram concluídas a sua medição e demarcação, que incluiu representantes das vilas de Óbidos, Caldas da Rainha, Salir do Porto e Peniche…o que dá uma ideia da sua extensão! Constavam já a maior parte dos edifícios actualmente existentes, salvo a casa de habitação que foi construída

sobre um pequeno convento e uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição! P r a t i c a m e n te intacta como propriedade autónoma, esta Quinta do Campo foi confiscada à Ordem de Cister quando da extinção das Ordens Religiosas em Portugal (1832) e adquirida em Hasta Pública pelo Conde de Vila Real, que a vendeu a um cidadão de Pontevedra – D. Manuel Yglesias – o qual mandou construir os edifícios actuais de traça francesa ( i n s p i r a ç ã o n o r m a n d a ) , p o r te r contratado um técnico francês para explorar os seus terrenos. Pela grande extensão de terreno de que dispunha, negociou a cedência da área necessária para a passagem do Caminho de Ferro - Linha do Oeste - com a condição da estação não ser nem na Nazaré nem em Alcobaça, mas sim em Valado dos Frades. Por morte de D. Manuel Yglesias, a Quinta foi dividida entre os seus nove filhos, mas só duas das suas filhas Guilhermina e Dolores – conservaram a parte que lhes coube, e que constituiu a actual (?!) Quinta do Campo! Estas duas senhoras foram casadas com Carlos O´Neil, cuja família não tem nada a ver com o Valado – em 1ª núpcias com Guilhermina e por morte desta com a sua irmã Dolores.


De toda esta “opulência” chegam-nos ainda hoje muitas referências em termos de construção. Como curiosidade a referência no topo Sul do palácio, à presença dum “torreão” que sobressai e como que se projecta sobre a Ladeira da Quinta, é o chamado Mirante, donde é possível perscrutar o horizonte que se estende por quilómetros, e visualizar muita da área pertencente à Quinta. Se tivéssemos que eleger um “ex-libris” para o Valado, julgo que ficaria bem a Ladeira da Quinta! Como o próprio nome sugere, é uma acentuada ladeira, mas não mais do que por uma centena de metros e que se estende desde o Mirante até se desvanecer depois da ponte do rio da Areia. A sua importância advém de ser por ela e durante décadas o caminho obrigatório para os Valadenses que dia após dia iam para os campos úberes que preenchiam o fundo da Lagoa da Pederneira. Era efectivamente um “corrupio” d i á r i o … ho me n s e c a r ro s de v a c a s fundamentalmente! Imediatamente após a ponte do rio da Areia e do lado esquerdo de quem desce a referida ladeira, mesmo “encostado” à margem daquele rio e numa pequena reentrância…eis a Fonte dos Namorados, singela…de água potável…e com uma inscrição numa pequena parede no topo datada de 1932. O porquê do nome e da tanta referência que se lhe faz, perder-se-á no tempo, no entanto atendendo à época em que tudo decorre, talvez consigamos encontrar e aceitar como plausível (sem querer romancear) o seguinte: Eram tempos de grande rigor social, que não raras as vezes eram os pais a definir com quem e como se daria a relação entre jovens com idade de namorar… geralmente às 5º feiras e Domingos. Claro que a oportunidade de mais alguns minutos de “conversa” poderia chegar ao Domingo quando um grupo de amigos (as) se dispunham a descer a Ladeira e aí por alguns momentos aumentarem o tempo que por estatuto social lhes era imposto. Será esta a fundamentação para a sua e t i m o l o g i a ( ? ! ) … t a lve z n ã o s e j a descabida...

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Esta zona que desde a Quinta do Campo se estende até ao sopé do monte onde se situa o Bárrio, é a de regadio, onde a horticultura grande riqueza propiciou ao Valado. Mas caminhando no sentido oposto, para o Norte, eis-nos chegados ás terras mais “altas”, de sequeiro e extensos pinhais. Bem no seu interior, a uns escassos 4/5 Kms, deparamo-nos com uma aprazível lagoa…que conhecemos por Lagoa Grande, distinta em muitos aspectos de outras que nas imediações existem! Lugar paradisíaco…relativamente extenso…águas profundas e sombreadas por frondosos pinhais, foi durante décadas um ponto de acesso difícil, não havia estrada e onde chegávamos por exemplo de carro das vacas, para desfrutar de um alegre e saudável piquenique ou um pouco temeroso banho.

Pela sua superfície e nível constante, é de aceitar que uma ténue nascente de água alimentava esta beleza aqui “plantada”.

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Foi como que desprezada…nunca uma simples placa sinalizou a sua localização e por razões múltiplas começamos hoje a temer pela sua sobrevivência! Nã o te m o Va l ado u m p a s s a do aristocrático, e por isso mesmo não surgem palacetes…janelas…brasões, que a isso estaria associado, de tal modo nos ficamos circunscritos a poucas construções cuja “traça” nos prenda a atenção. Ressalta e individualiza-se neste panorama a vetusta e imponente (para a dimensão da nossa aldeia) Estação dos Caminhos de Ferro.

Integrada na Linha do Oeste…com um edifício central e de grandes dimensões onde estavam instalados os serviços administrativos e no 1º andar uma área residencial para os funcionários, prolongava-se depois para um cais de embarque de passageiros contiguo a um jardim que era a “coroa de glória” do Valado…sempre no pódio das estações floridas, arrecadando em 7 anos, três 1º, dois 2º e dois 3º lugares. Separado e estendendo-se na continuidade

deste, um grande Armazém onde eram tratadas todas as questões relativas ao transporte de mercadorias, para um pouco mais à frente estava instalado um prédio de 1º andar, residência de funcionários ferroviários, junto ao actual Parque de Merendas, e já demolido.

Esta era a descrição que à Estação pertencia, no entanto é obrigatório referir os bonitos painéis de azulejos que forram as paredes voltadas de frente para a zona onde paravam os comboios. Fabricados na Fábrica de Aveiro em 1929, representam em tons de azul paisagens de Nazaré…Sítio da Nazaré e…Alcobaça. De grande meticulosidade e em tons de azul inalterado nestes cerca de 90 anos, são ainda hoje um “regalo” para quem os contempla… Do texto ressalta que sendo o Valado uma terra quase sem história, tem, no entanto, na personalidade dos Valadenses a mais valia que o fez “desabrochar” como terra que em muitos aspectos suplantou no tempo, muitos dos seus vizinhos… Texto: Hélio Matias Fotos: Vitor Estrelinha | C.M.N (Actualidade) Fotos: Hélio Matias (Passado)


Evento

FESTIVAL DE JAZZ DE VALADO DOS FRADES Este Festival nasce numa coletividade, Biblioteca Instrução e Recreio, que foi fundada para combater o analfabetismo na população rural, em 1933, sendo pioneiro na divulgação do jazz na região centro! O jazz começa em Valado dos Frades há cerca de 32 anos, com a realização de concertos pontuais integrados em outras iniciativas que a colectividade ia desenvolvendo, como, Comemorações dos Aniversários, Festas de Verão, etc. Em 1992, realiza o primeiro Festival, apenas com dois concertos, a segunda edição aparece em 1999 e desde aí é organizado sem interrupções até ao 21º a decorrer este ano. Dos jazzistas nacionais que hoje são reconhecidos, poderíamos dizer que já “todos tocaram” no Valado ao longo dos anos, a maioria antes de terem o estatuto que têm hoje!

Com Direção Artística do Maestro Adelino Mota, é organizado por um grupo de 15 voluntários, apaixonados por jazz e que teimam em “pôr o nome da sua terra no mapa”. Muitas histórias já há para contar, algumas delas contadas em livro, pelo amigo e jornalista Mário Galego, em 2004 e uma reedição com mais histórias em 2013, também disponível em E-Book.

a 3ª Edição, sempre através dos respetivos concursos, sendo-lhe mais uma vez atribuído o apoio para o Quadriénio de 2018 a 2021. Desde 2017, que abriu algumas atividades ao concelho, nomeadamente na comemoração do Dia Internacional do Jazz. Conta ainda com o apoio do Município da Nazaré e Junta de Freguesia e t ambém da “Antena 1” e “Antena 2”, devido a parceria com estas rádios públicas.

Prova do reconhecimento da sua i mportância cultural é o facto de ser apoiado pela Direção Geral das Artes e organismos que a antecederam desde Texto: Eugénio Viola Fotos: Vitor Estrelinha | C.M.N PUB

Valado dos Frades (Junto à estação dos Comboios)

geral@vinhadalhos.pt • T. 262 188 477

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Nazaré Marés de Maio


stock de peixe seco, e desta forma ter capacidade de fornecer este novo produto todo o ano.

A LUÍS SILVÉRIO & FILHOS é um caso de sucesso de gestão familiar, apesar de manter ainda a sua génese inicial, ou seja, o c o m é r c i o e t r a n s fo r m a ç ã o d e peixe fresco e congelado. A empresa possui, para o exercício da sua atividade, dois espaços no Porto da Nazaré. A fim de facilitar as operações, dispõe ainda de duas delegações: uma em Peniche, na qual é preparado pescado fresco, e outra no Mercado Abastecedor da Região de Lisboa (MARL) que se dedica exclusivamente à sua comercialização. Toda a estrutura da Luís Silvério & Filhos está focada e orientada para o processo de melhoria contínuo, na medida em que o fornecimento e a qualidade do produto não pode falhar. Dado que a Luís Silvério & Filhos labora continuamente, e tendo em conta que as encomendas são efetuadas num espaço temporal relativamente curto, existe sempre a alternativa para a compra de matéria-prima. A estratégia da Luís Silvério & Filhos passa pela diversidade da oferta, como forma de diminuir o risco de escassez de matéria-prima em determinadas alturas do ano, dando enfoque em produtos com maior margem e cadência de procura. A orientação para o cliente faz parte do ADN da Luís Silvério & Filhos, que privilegia desde sempre o contato direto e pessoal, como forma de fidelização e satisfação do cliente. Este valoriza primordialmente a qualidade, diversidade e capacidade de resposta evidenciada pela empresa. Este foi desde sempre o mecânismo seguido para o produto, com notórios resultados positivos. A satisfação do cliente ao nível do produto, permite à empresa requerer o preço justo e as condições comerciais adequadas ao desenvolvimento do negócio.

O incremento das exportações, para mercados tradicionalmente vocacionados para o consumo de produtos com alto valor acrescentado, foi até à data o grande objetivo estratégico para o qual estava orientada a área comercial. Contudo, os novos hábitos e padrões de consumo estão cada vez mais na ordem do dia. Neste sentido, a Luís Silvério & Filhos sentiu a necessidade de adaptar a sua estratégia à evolução das tendências de mercado. Atualmente a Luís Silvério & Filhos é um dos importantes players no setor do pescado em Portugal mas está a preparar-se para, a médio prazo, ser o principal na Península Ibérica na vertente do peixe seco. Para tal, tem em curso a construção de uma nova unidade de transformação de pescado, que conta com o apoio do Mar 2020, e visa essencialmente: potenciar a diversificação da oferta; aumentar a produtividade, qualidade e competitividade; incrementar o Volume de Negócios e, de uma forma global, tornar a empresa numa referência para o sector. Esta construção acompanha desde logo a evolução tecnológica, uma vez que é eficiente quer do ponto de vista produtivo quer energético. Para além disso, permite à empresa dispor de 4 vezes mais espaço de produção face ao atual, com possibilidade de ampliar mais 2.950m2, e duplicar a capacidade de produção atual. O espaço fabril vai estar dotado dos mais modernos, produtivos e eficientes equipamentos para transformação de pescado, colocados em processos de fabrico otimizados em todas as suas etapas. A nova unidade tem capacidade de congelação de 1,5 Ton/hora, o que permite armazenar pescado para meses em que não existe matéria-prima, mas principalmente possibilita fazer

A capacidade instalada de secagem de peixe é de 400 Kg/hora e a de filetagem é de 300 Kg/hora, sendo estes dois processos novos na empresa e que originam produtos novos. A procura de peixe seco permite criar valor em espécies que não o tem em fresco, como a cavala, o verdinho e a salema. Deste modo a empresa vai criar valor económico a determinadas espécies e valor financeiro a quem depende do seu valor. Vai ser a única empresa na Península Ibérica a transformar peixe seco, o que traduz também numa grande vantagem competitiva. Toda a unidade fabril foi projetada para ser eficiente do ponto de vista energético, nomeadamente: produção de energia para consumo interno, captação de água salgada para uso próprio, tratamento de efluentes e materiais usados no isolamento térmico e na instalação elétrica. Este continua a ser um projeto virado para a economia local e para as preocupações sociais, e que hoje já tem sucessão a trabalhar diariamente ao seu lado para a longevidade do projeto. A empresa contribui há mais de 25 anos para o desenvolvimento social e económico de uma comunidade local, a Nazaré, mas também todas as comunidades piscatórias em Portugal onde a empresa adquire pescado. Do mesmo modo, do ponto de vista de empregabilidade, este projeto vai incrementar em mais de uma dezena de trabalhadores. A Luís Silvério & Filhos é a empresa que mais contribui com apoios para instituições sociais, culturais, recreativas e humanitárias na Nazaré. O sucesso do seu crescimento fomentará mais o contributo já existente. A cooperação histórica da empresa para a sociedade é por demais evidente e constatável na comunidade onde está inserida, podendo e devendo no futuro dar continuidade ao desenvolvimento local, para o qual muito contribuirá os resultados económicos e financeiros resultantes do crescimento da empresa. Texto: Luis Silvério

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Campos do Valado Os Campos do Valado pertencem à vila de Valado dos Frades, uma das freguesias do concelho da Nazaré. Aqui somos surpreendidos por uma vasta zona plana riquíssima de solo muito produtivo – em parte resultante do assoreamento e recuo do mar da antiga Lagoa da Pederneira - irrigado pelos cursos de água que atravessam a freguesia - Rio Alcoa (Rio dos Outeiros), Rio da Areia, Rio do Meio, Rio das Tábuas. Em Valado dos Frades encontramos uma das principais Granjas dos Coutos de Alcobaça – “A Quinta do Campo” - onde, no século XIV, os frades cistercienses fundaram uma escola agrícola, que foi frequentada também por muitos estrangeiros, nomeadamente franceses, que ficaram interessados nas modernas técnicas agrícolas então desenvolvidas, sendo então considerada uma das escolas agrícolas mais modelares instituídas. Nestes férteis terrenos, desenvolveu-se o cultivo de variados produtos hortícolas levando à fixação de população. Atualmente, os Campos do Valado ainda são explorados para a produção hortícola, tais como cenouras, batatas, couves, feijão-verde, alho-francês, beterraba, espinafres, alface e muitos outros produtos hortícolas e frutícolas, abastecendo alguns dos mercados nacionais, como por exemplo o de Lisboa.

Gastronomia Típica

Misturas da “Maria Carreira” - Feijão Catarino (demolhado) - Azeite (q.b) - Cebola - Sal (q.b) - Couve Coração e Couve Lombrada - Nabiço ou Nabiças Cozer o feijão com a cebola cortada aos pedaços e o azeite. Depois do feijão cozido coloca as couves e as nabiças migadas. Acrescenta sal no fim para não encruar o feijão. No fim de tudo estar cozinhado leva um fio de azeite. Fotos: Vitor Estrelinha | C.M.N

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Rancho Flores do Campo, Valado dos Frades

Fotos: Vitor Estrelinha | C.M.N PUB

Regina Fernandes Gerente

Rua Mouzinho de Albuquerque Edifício Cardeal loja B R/c 2450-168 Nazaré T. 262 551 355 | 917 298 758 urhouse4sale@gmail.com

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Colectividade

Biblioteca Instrução e Recreio

Em 1 de Maio de 1933, nasce em Valado dos Frades, uma colectividade denominada, Biblioteca Educativa Valadense, que tinha por finalidade combater o analfabetismo então grassante entre a população rural. Nesta data começou a funcionar regularmente uma biblioteca com cerca de sessenta livros oferecidos pelos associados fundadores, e iniciou-se o ensino nocturno com aulas à luz da candeia. Neste tempo era condição “sine qua non“, para se ser sócio, saber ler e escrever. A 17 de Julho de 1934, em Assembleia Geral, a colectividade passou a designar-se por Biblioteca Instrução e Recreio, e os seus objectivos alargados à cultura e ao desporto. Em 2 de Maio de 1938 inaugurou um campo de jogos e após vencer o Campeonato Distrital de Futebol em 1957/58, a equipe de futebol sénior da Biblioteca, participou pela primeira e única vez no Campeonato Nacional da III Divisão em 1958/59. Nos anos sessenta a Biblioteca tinha como modalidades desportivas o futebol, hoje em dia direcionado apenas às camadas jovens e praticado em condições dignas com a implementação do campo sintético e o atletismo, mas no início dos anos setenta, por perca do terreno do Campo de Futebol, esta modalidade esteve interrompida até 1978, altura em que é construído um novo espaço desportivo. É também em meados dos anos setenta que se inicia a prática do Hóquei-Patins, num ringue construído pela população mas situado em terreno particular, o que levou à interrupção e recomeço da modalidade diversas vezes até aos anos

noventa. Com a inauguração do Pavilhão e o regresso de alguns dos antigos praticantes, a sua prática federada reinicia-se em 1995, atingindo o seu momento mais alto com a conquista do Campeonato Nacional da III Divisão na época de 2008/2009. O Basquetebol é uma modalidade que se começa a expandir no final dos anos setenta, e durante os anos oitenta, é por diversas vezes e em escalões diferentes Campeã Distrital, treinando no ringue ao ar livre e jogando no Pavilhão em Alcobaça, facto este que levou à sua suspensão em 1989, após a conquista da Taça de Honra Distrital em seniores. O seu recomeço é coincidente com a inauguração do Pavilhão Gimnodesportivo de Valado dos Frades. A Patinagem Artística, tem o seu início em 1995 e é actualmente a modalidade com maior palmarés da BIR, com várias conquistas de Campeonatos Nacionais e Europeus. O Futsal, com início em 2008, atualmente está sem atividade. No que às actividades recreativas e culturais diz respeito, a Biblioteca tem um passado marcado pelo Teatro amador representado pelos seus associados. Por altura do quinquagésimo aniversário, realizaram-se uma exposição etnográfica e histórica da vida do Valado e da Biblioteca, exposições de pintura com artistas locais e feiras do livro, surgiu nessa época o grupo de música popular portuguesa QUADRILHA, e realizaram-se entre outros espectáculos, Mário

Viegas, Sérgio Godinho, Jorge Palma, Samuel, Manuel Freire, Paco Bandeira, Teatro da Rainha, GEFAC, etc. Atualmente, já com 84 anos de vida, passaram pelos palcos dos eventos realizados pela Biblioteca, em regra no âmbito das TASQUINHAS, festa cultural e gastronómica de referência do Verão no concelho da Nazaré, nomes grandes como, Brigada Vítor Jara, Xutos e Pontapés, Os Deolinda, Roda dos Quatro Caminhos, Luis Portugal, etc. No entanto, um dos maiores feitos culturais da Região passa pela organização do Festival de Jazz de Valado dos Frades, por onde têm passado os mais conceituados músicos nacionais e internacionais desta área musical. A movimentação desta coletividade de utilidade pública continua a crescer como é exemplo o aparecimento de novas seções como a columbofilia ou a secção Motard e muitas outras que possam aparecer, pois consegue com a sua dignidade mobilizar centenas de sócios que trabalham de modo desinteressado e em voluntariado, não deixando que ela pare.

O lema desta coletividade, considerada uma das mais ecléticas do distrito de Leiria, que foi a primeira a ter uma televisão no Valado e a primeira a disponibilizar a Telé-Escola á população, é hoje orgulhosamente cumprido com a oferta na sua sede de espaços dedicados à leitura, internet e ATL, e proporcionando cultura e desporto nas suas mais variadas vertentes a uma população que de outra forma raramente lhe acederia.

Texto: Eugénio Viola Foto: Vitor Estrelinha | C.M.N

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Agenda

Tasquinhas Primeiro fim-de-semana de Agosto

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Património

CAMINHO REAL O Caminho Real liga a Pederneira à EN-242, junto à Ponte da Barca, situando-se o troço classificado (Sítio de Interesse Municipal por deliberação da Assembleia Municipal de 19 de Fevereiro de 2009) na zona mais a sul, a qual apresenta grande qualidade paisagística. O primitivo porto interior da lagoa da Pederneira foi utilizado desde os tempos mais remotos. Muito mais tarde, no século XIII, os monges de Alcobaça exportavam sal a partir da Pederneira e, nos séculos XIV e XV, apesar dos problemas de assoreamento da barra, o porto detinha grande importância económica. Em finais do século XVI, as condições de navegabilidade estavam de tal forma degradadas que o porto foi mudado para a recém-fundada vila da Pederneira, a norte da povoação antiga, que se tinha desenvolvido junto da lagoa. Próximo deste local, encontram-se ainda os vestígios mais antigos do Caminho Real, cujo traçado, na sua maior parte, foi posteriormente muito alterado.

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No século seguinte, a vereação da Pederneira solicita à Coroa a reparação do caminho calcetado entre a ladeira da Barquinha ( junto da Ponte das Barcas) e Famalicão, por onde se fazia o transporte de madeira do pinhal de Leiria, para ser embarcado em direção a Lisboa. Sabe-se que o caminho era parcialmente calcetado, pelo menos a partir do século XVIII. Embora parcialmente coberto por alcatrão, encontram-se ainda vestígios de calçada de pedra relativamente pequena, mal aparelhada e de dimensões irregulares (espécie de calhau rolado) com enchimento de terra ou argamassa. Lateralmente, está rematada por pedras aparelhadas que servem de travamento ao dispositivo. A sua classificação visa a preservação da memória do sítio, impedindo a interrupção e desvio do traçado e destacando através de sinalética apropriada a importância de um caminho que durante séculos serviu as populações locais Texto: NMM Foto: Vitor Estrelinha | C.M.N

Expressão da Nazaré Dá cá os rêmes!

Dá cá os remos O mesmo que dizer ‘dá cá o garfo e a faca’.

Havias de levá’ um smiç’ c’má Redinha!

Havias de levar sumiço como a Redinha No dia 8 de novembro de 1946, a traineira Redinha desapareceu com catorze homens sem deixar rasto. Por isso, é uma espécie de praga que se roga a alguém.

Na deu pe leme.

Não deu por leme. Diz-se de quem não se apercebeu do que lhe foi feito.

Origem: «Expressões da Nazareth» de Armando Macatrão


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Promontório do Sítio da Nazaré O Promontório da Nazaré é uma formação rochosa sedimentar, relacionadas com eventos geodinâmicos decorridos entre o Cretácico Superior (Cenomaniano) e o Eocénico, já no Cenozoico. Os sedimentos presentes na base desta formação são oriundas rochas marinhas, com características fossilíferas, e o seu topo apresenta rochas aluviais, fluviais e continentais. No topo do Promontório, relativamente próximo do Forte de São Miguel, é possível encontrar um complexo filoniano de basaltos olivínicos correlacionados com o Complexo Basáltico de Lisboa. O Promontório da Nazaré possui elevado interesse científico e pedagógico, na medida em que reflete episódios relacionados com a abertura do Atlântico Norte e testemunha a evolução paleogeográfica e paleoambiental desta região, ao longo de cerca de cem milhões de anos.

ESTÁTUA «VEADO» Escultura de homenagem ao Surf e ao Milagre da Nossa Senhora da Nazaré. A estátua, que representa um surfista com uma prancha de surf e uma cabeça de veado, pretende ser uma representação da ligação entre o Milagre da Nazaré e a Onda da Praia do Norte. Está localizada na estrada que liga o Sítio ao Forte de S. Miguel Arcanjo, sendo uma obra da autoria da escultora Adália Alberto. Foi inaugurada em 26 de novembro de 2016.

Textos: NMM Foto: Manuel Pinto

Textos: NMM Foto: Vitor Estrelinha | C.M.N

Monumento à Mulher Nazarena De forma circular de betão, o monumento intercala três proas com três figuras de nazarenas no seu traje de trabalho. As suas proas encontram-se parcialmente cobertas com painéis de azulejos representativos do quotidiano da mulher da Nazaré. Criado por Fernando Pedro, este monumento foi inaugurado a 9 de maio de 1998. Textos: NMM Foto: Júlio Limpinho

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Duna da Aguieira

A Duna da Aguieira é considerada a maior duna consolidada da Europa. Acredita-se que a sua preservação se deve em grande parte à existência do Pinhal de Leiria. A duna atinge uma altitude máxima de 158 m e uma largura que ultrapassa por vezes os 6 km. Texto: NMM Foto: Vitor Estrelinha | C.M.N

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Restaurante “O Luis”

Especialidades:

O Barco - Marisco • Arroz de Marisco • Arroz de Camarão • Açorda de Marisco Massa de Robalo • Marisco Vivos • Peixe grelhado na brasa Rua dos Tanques nº7 | Sítio | 2450-065 Nazaré | T. 262 551 826

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História

Os Banhos Quentes da Nazaré Em meados do século XIX, com os avanços da medicina, criase o hábito de “ir a banhos”, recomendado pelo seu duplo benefício higiénico e terapêutico. A qualidade sulfúrica das águas da Nazaré, associada à amenidade do clima, trazia famílias inteiras a esta praia, à “procura de saúde e de repouso”. Para além dos “banhos de mar” e dos “banhos de sol”, muitos veraneantes vinham também para os chamados “banhos quentes”. Havia dois estabelecimentos de “Banhos Q uentes”, um conceito extremamente moderno de exploração das qualidades terapêuticas da água salgada. Há notícias de, já antes de 1888, os “banhos quentes salgados” serem dados com gamelões de madeira (pela família dos Vascos). A norte, erguia-se o elegante estabelecimento de Cândido Rodrigues, fundado em 1888 por Bruno José Marques da Rosa e, em 1892, adquirido por aquele gerente da Companhia das Pescarias. Em 1906, o edifício foi completamente remodelado, adaptado às mais modernas condições terapêuticas. Abria para a temporada entre 1 de agosto e 31 de outubro. A sul, ficavam os Banhos Quentes do farmacêutico João Duarte Vieira, em funcionamento desde 1903 e remodelados em 1930. Após ter sido comprado por Joaquim Marques Palhoça, em 1944, funcionaria até aos anos 1980, quando finda a exploração de José Absalão. Uma canalização metálica trazia a água desde o mar, puxada durante a maré-cheia pela força de uma bomba; reservada em depósitos, a água era aquecida por uma caldeira e normalmente era despendida numa noite. No interior do estabelecimento, o paciente podia tomar banhos de imersão ou duches de agulheta, segundo a prescrição médica. Os tratamentos duravam dias, no mínimo uma quinzena, e traziam grande alívio, ou mesmo cura, a quem padecia de reumatismo. Entre muitos pacientes, destacamos o nome de José Pereira Cardina (1882-1953), que veio para a Nazaré em 1909 tratar-se da doença que o afligia desde a juventude e por aqui ficou, praticamente recuperado, vindo a montar a “Casa Cardina”, célebre na relojoaria de torre em Portugal. Atualmente, próximo do porto de abrigo, um novo projeto de talassoterapia revitalizou esta tradição terapêutica e de bemestar, proporcionada pela água do mar da Nazaré. Mais informação disponível no catálogo “Nazaré. Memórias de uma Praia de Banhos” (coord. Dóris Santos), ed. Museu Dr. Joaquim Manso / IMC, 2011. Texto e fotos: DS/Museu Dr. Joaquim Manso - 2018

Xá andá’ o barc’!

Deixa andar o barco É o mesmo que dizer ‘vamos embora, não ligues, não te preocupes’.

Tá a red’ estremada!

Está a rede estremada Expressão que significa que não se apanhou peixe nenhum.

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Ah ahhh! Na m’atent’s! Vai cansar a mort’! Ah, ahhhh! Não me atentes! Vai cansar a morte! Expressão dita quando se sentem incomodadas. Origem: «Expressões da Nazareth» de Armando Macatrão


Feira do Livro

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Agenda

20 de JULHO a 12 de AGOSTO de 2018

Centro Cultural da Nazaré A FEIRA DO LIVRO DA NAZARÉ, ou FESTA DO LIVRO DA NAZARÉ, é uma organização da associação cultural “Biblioteca da Nazaré”, que regista a sua 43ª edição no ano de 2018. Para além da venda de livros a preços muito convidativos, a FEIRA DO LIVRO DA NAZARÉ tem um conjunto de iniciativas associadas à promoção do livro e da leitura, como exposições, provas literárias, colóquios e a presença assídua de autores e escritores, que fazem dela um evento a não perder.

Fotos: associação Biblioteca da Nazaré

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Cultura

MÁRIO BOTAS Nazareno, Médico e Pintor

Mário Ferreira da Silva Botas, natural da Nazaré, nascido em 23 de dezembro de 1952, fez os estudos primários e secundários na sua terra natal. Aluno brilhante no ensino primário, terminou o secundário no Externato D. Fuas Roupinho com altas classificações e foi dispensado do exame de admissão à Faculdade de Medicina de Lisboa, onde ingressou em 1970. Licenciou-se com distinção em julho de 1975, mas quase não chegou a exercer a medicina.

Maria João Cantinho, autora, ensaísta e poeta, escreve em “A corrida do Narciso”, na revista Caliban, “(…) em Fevereiro de 1978, Mário Botas parte em busca de tratamento em Nova Iorque. Nesse mesmo ano expõe na Galeria Martin Summers e expõe coletivamente em The Drawing Center. É precisamente aí que encontra o mítico John Cage, o músico que lhe inspira “A Dip in the Lake”, aguarela de uma planta da cidade que pode ser Lisboa. Esses meses vividos nos Estados Unidos, numa solidão fecunda, proporcionar-lhe-ão elementos que se entranham profundamente na sua obra. Essa vivência na megalópole configurar-se-á como um elemento mítico, magma fantástico ou metáfora poética que lhe ocupa a obra, tal como a leitura recorrente de mitos. A preferência pela

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Nazaré Marés de Maio

Surpreendido por uma leucemia em 1974, e sabedor da curta esperança de vida, decidiu dedicar-se exclusivamente à pintura que há muito o seduzia, e o levava nas férias a conviver com pintores estrangeiros.

literatura fantástica de autores como Borges, Blake, Swift e outros, paralelamente à de autores como Pessoa, Cervantes, Rousseau (que o marcará com a ideia do “bom selvagem”), Rimbaud, Lautréamont, Lewis Carroll, etc., inscrevem-lhe na obra essa contaminação entre o mítico e o histórico. E é nesse mesmo ano que conhece a obra de Egon Schiele, na galeria Serge Sabarsky, em Nova Iorque, contacto fulminante que o leva a reconhecer o pintor como um dos seus mestres, a par de Paul Klee. (...)”. Regressado a Lisboa em 1980, entregou-se à criação, à preparação de exposições e outras atividades artísticas, vindo a falecer no Hospital da Cruz Vermelha em 29 de setembro de 1983.


“(…) Eu olhava para os quadros de Mário Botas, alguns tétricos outros só nebulosos, e achava que ele se defendia de dar limites às coisas. Um barco era um despojo, uma pessoa era uma sombra, ou tudo se abismava numa flora telescópica duma agilidade surpreendente, a transformação habitava todas as coisas duma maneira poderosa, não havia contornos, nem idades. Havia só a influência de forças em contacto precário com o todo. Não retratava a individualidade dum objecto, porque nem mesmo chegava a nomeálo na sua pintura. O que chamamos velhice não existia. Penso que a sua morte significou uma forma de fugir à transformação. Só isso. Doutro modo, aquela doçura radiante do jovem que se voltou para nós no terraço, deixando arrastar o cachecol no chão como uma serpente domesticada, não tinha sentido”.

Em Setembro de 1984, realizando a vontade expressa pelo pintor no seu testamento, é instituída a Fundação Casa-Museu Mário Botas, que foi presidida pelo pai do pintor até à sua morte, em 1997. A Fundação tem a sua sede na Nazaré, na confluência da Rua dos Barrancos com a Avenida Vieira Guimarães, no local onde se situava a residência do pintor e seus pais. Em fase de conclusão e de licenciamento para o exercício de atividades culturais, prevê-se a abertura da Sede da Fundação Mário Botas e do seu Museu até ao fim do corrente ano. Após a morte de Mário Botas e até hoje, a sua obra (que se encontra à guarda do Centro Cultural de Belém) continua a ser muito requisitada para exposições em Portugal e no estrangeiro.

Agustina Bessa-Luís, Dicionário imperfeito, 2008

Texto: NMM Fotos: Fundação Mário Botas

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Tradição à sua mesa!

Rua Alexandre Herculano,10 | Nazaré | T. 965 486 501 | www.facebook.com/bartidornazare 69


Património

ARTES DE PESCA Pesca do Candil

A pesca do candil na enseada da Nazaré utiliza a rede de cerco, recorrendo à técnica de candeio durante a pesca noturna. O termo “candil” está associado ao candeio, cuja luz tem o efeito de chamariz, de modo a atrair e concentrar o cardume junto da lancha auxiliar. Este tipo de pesca pode ser realizado também “ao engodo

Redes de emalhar

É uma arte de pesca passiva dado que as redes de emalhar são constituídas por um pano de rede de forma retangular, colocadas na posição vertical através de flutuadores e lastros, em zonas onde passam cardumes. Os peixes, devido ao seu próprio movimento, ficam presos (emalhados) na rede. As redes de emalhar constituídas por três panos de rede sobrepostas e de diferente malhagem são designadas por “tresmalhos”.

Pesca à linha e ao candeio”, cujo cardume é atraído pela fonte luminosa e mantido junto à lancha através do lançamento de engodo constituído por restos de peixe moído. A pesca do candil executa-se a partir das profundidades dos 20 metros na enseada, desde da Pedra do Guilhim, ao longo da praia, até ao Porto da Nazaré.

Pesca do cerco

É um tipo de pesca em que se usa uma rede longa e alta, largada de uma embarcação e manobrada de forma a envolver o cardume e a fechar-se sob a forma de bolsa. A rede de cerco com retenida é o tipo de rede utilizado pela frota da pesca do cerco nazarena. Esta rede é caracterizada pela existência de um cabo na parte inferior da rede (retenida ou jareta), que possibilita o respetivo fecho como uma bolsa, de modo a reter a totalidade dos cardumes cercados. Estas redes podem ser manobradas por uma embarcação, com eventual recurso a uma embarcação auxiliar (chata ou chalandra).

Texto: Adaptação da Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica Fotos: Vitor Estrelinha | C.M.N

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Nazaré Marés de Maio

A pesca de anzol utiliza uma linha principal forte e comprida denominada “madre”, à qual são ligadas linhas secundárias, os “estralhos”, a intervalos regulares, que terminam num anzol com isco. Este método de pesca, designado por “palangre”, baseia-se na atração do peixe utilizando um isco fixo no anzol e do qual o peixe, depois de preso, normalmente não se consegue soltar. Consoante o palangre seja de superfície ou de fundo, são utilizados respetivamente flutuadores ou lastros, para conseguir a flutuabilidade ou afundamento da arte. A pesca do anzol é a técnica de pesca mais selectiva e, simultaneamente, a única arte de pesca que não degrada os fundos marinhos.

Armadilhas

Este método de pesca pertence ao grupo das artes passivas, Tal como as redes de emalhar, a pesca com armadilhas pertence ao grupo das artes passivas, uma vez que é o próprio animal que as procura, normalmente como refúgio ou atraído para o dispositivo para se alimentar, o que depois lhe dificulta ou impossibilita a fuga. Os modelos de armadilhas mais utilizadas na Nazaré são os “covos” (armações em metal cobertas por uma rede, com uma abertura por onde a presa entra e uma tampa do lado oposto por onde se retira a espécie capturada) e os “alcatruzes” (potes de barro ou de plástico, usados para a captura de polvos, que entram na armadilha para procurar abrigo).


NAZARÉ-PORTUGAL

A MAIOR ONDA, O MELHOR PEIXE. A empresa, fundada em 1987 por Luís Silvério e Odília Silvério, conta com 30 anos de experiência, dedicando-se desde então a comercialização de pescado fresco e congelado.

“A qualidade não é opção mas sim uma obrigação”. No decorrer dos anos construíram na Nazaré uma moderna unidade fabril, equipada para desenvolver diversas operações, tais como: preparação (evisceração e corte) de pescado fresco, congelação e armazenagem de pescado e cefalópedes descongelados. A aposta da Luís Silvério & Filhos, S.A tem sido sempre na qualidade dos produtos, fator que nos permite ser reconhecidos no mercado.

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Nazaré Marés de Maio


Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica PUB

Avenida Manuel Remigio, 2450-106 Nazaré | www.facebook.com/Bussola-Na-Onda-1785495241663943/ 73


Porto da Nazaré

Marina da Nazaré

A marina do Clube Naval da Nazaré (CNN) encontra-se no canto nordeste do Porto da Nazaré (39,585288 N / 9,072575 W) tendo sido inaugurada em 1985 numa versão de pontões flutuantes, correntes e poitas com 75 lugares; em 2000 foi substituída pela actual, de pontões flutuantes e estacas, a qual sofreu pequenas ampliações até atingir a capacidade de cerca de 160 lugares que comportam embarcações até 24 metros de comprimento e 3,5 metros de calado. É uma marina bastante abrigada pois beneficia das excelentes condições do Porto da Nazaré na qual o vento predominante é o Norte e as correntes práticamente inexistentes.. Nela se encontram atracadas as embarcações dos sócios do CNN assim bem como a generalidade das embarcações que efectuam actividades Marítimo-Turísticas na Nazaré além das embarcações da Polícia Marítima e Bombeiros. Sendo internacionalmente reconhecida como uma excelente marina, quer no tocante à localização como ao estado de conservação, uma política razoável de preços praticada ao longo de muitos anos tem permitido manter uma taxa de ocupação próxima dos 100%. A marina conta com pessoal integralmente afecto ao seu serviço num regime de turnos que possibilita um acompanhamento permanente durante o horário diurno que é da 09:00 ás 19:00 no Inverno e das 09:00 ás 20:00 no Verão. Encontra-se equipada com sistemas de fornecimento de água e electricidade ás embarcações, controlo electrónico de acessos, video-vigilância, comunicações por VHF (Canais 9 e 16), Wifi, máquina de lavar roupa e Multibanco.

Texto e fotos: Armando José (Clube Naval da Nazaré)

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Nazaré Marés de Maio

Nas suas imediações encontra-se um restaurante concessionado pelo clube o qual, em conjunto com as instalações sanitárias, serão alvo de um processo de remodelação a curto prazo. No Porto da Nazaré existem facilidades para reparação/ manutenção de embarcações que incluem um travelift , áreas para colocação de embarcações em seco e estaleiros além de um posto de abastecimento de combustível para embarcações a nado.


BOAT Marina Shop

é a loja náutica situada no Porto de Abrigo da Nazaré que tem como sócio-gerente o piloto de mota de água Christophe Agostinho. Atleta de alto rendimento do IPDJ e piloto contractado da Aquabike/UIM é actualmente o número 3 no Ranking do mundo! Nascido em França, mas com dupla nacionalidade, escolheu representar as cores de Portugal. Na época 2017 alcançou diversos títulos:

• Campeão Ibérico e de Portugal em RunAbout GP1 • Campeão da Europa e de Portugal em Slalom RunAbout GP1 • 3º classificado no Campeonato da Europa de Endurance RunAbout GP3 • 4º classificado no Campeonato da Europa de RunAbout GP1 • 6º classificado no Campeonato do Mundo de Runabout GP1

Apaixonado pelo mar e por Portugal, decidiu embarcar numa nova aventura: a BOAT Marina Shop. Dedicada ao tema da náutica, foi criada para prestar um serviço completo e personalizado, com valor de excelência.

As instalações com 2500m2 dispõem dos seguintes serviços: • Stand de exposição de embarcações - poderá encontrar

embarcações novas ou usadas • Loja náutica - um espaço onde encontrará tudo para a sua embar-

cação, as principais marcas náuticas do mercado, rapidez nas entregas de fornecedores e preços competitivos. Concessionário oficial Suzuki Marine. • Oficina - reparação e manutenção de embarcações onde poderá contar com aconselhamento de uma equipa profissional. • Espaço exterior - com capacidade para acomodar a sua embarcação. Pórtico náutico para operações com as embarcações, limpezas e lavagens. A BOAT Marina Shop tem ao seu dispor uma equipa jovem e dedicada para o ajudar a cuidar da sua embarcação.

Visite-nos! Segunda-Sexta - 9:00-13:00 - 14:30-18:30 Sábado- 9:00-13:00

T. 262 560 139 | boatmarinashop@gmail.com BOAT Marina Shop

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Qualidade das águas Praias do Concelho da Nazaré

Praia da Nazaré

Praia do Salgado

Praia do Norte

Equipamentos e Serviços Vigilância: Sim Sanitários: Sim Limpeza de Praia: Sim Acesso deficientes: Sim Animais domésticos: Não Painel informativo: Sim Apoios de praia: Sim Estacionamento: Sim Regime de marés: Maré semi-diurna. Mesotidal: 2-4m Temperatura da água: varia entre os 15ºC e os 17ºC na época balnear. Regime de ventos: Ventos dominantes de Norte/Noroeste nos meses de verão Temperatura do ar: A temperatura máxima do ar nos meses mais quentes varia em média entre os 24ºC e os 28ºC. Tipologia: Praia urbana com usos intensivo. Actividades Recreativas: Desportos vários e pesca desportiva.

Equipamentos e Serviços Vigilância: Sim Sanitários: Sim Limpeza de Praia: Sim Acesso deficientes: Animais domésticos: Não Painel informativo: Sim Apoios de praia: Sim Estacionamento: Sim Regime de marés: Maré semi-diurna. Mesotidal: 2-4m Temperatura da água: varia entre os 15ºC e os 17ºC na época balnear. Regime de ventos: Ventos dominantes de Norte/Noroeste nos meses de verão Temperatura do ar: A temperatura máxima do ar nos meses mais quentes varia em média entre os 24ºC e os 28ºC. Tipologia: Praia equipada com uso condicionado Actividades Recreativas: Pesca desportiva, Surf e Windsurf.

Equipamentos e Serviços Vigilância: Sim Sanitários: Não Limpeza de Praia: Acesso deficientes: Animais domésticos: Painel informativo: Não Apoios de praia: Não Estacionamento: Sim Regime de marés: Maré semi-diurna. Mesotidal: 2-4m Temperatura da água: varia entre os 15ºC e os 17ºC na época balnear. Regime de ventos: Ventos dominantes de Norte/Noroeste nos meses de verão Temperatura do ar: A temperatura máxima do ar nos meses mais quentes varia em média entre os 24ºC e os 28ºC. Actividades Recreativas: Surf e Bodyboard.

Histórico de classificações

Histórico de classificações

Histórico de classificações

ANO CLASSIFICAÇÃO 2016 EXCELENTE 2015 EXCELENTE 2014 EXCELENTE 2013 EXCELENTE 2012 EXCELENTE 2011 EXCELENTE

ANO CLASSIFICAÇÃO 2016 EXCELENTE 2015 EXCELENTE 2014 EXCELENTE 2013 EXCELENTE 2012 EXCELENTE 2011 EXCELENTE

ANO CLASSIFICAÇÃO 2016 EXCELENTE 2015 EXCELENTE 2014 EXCELENTE 2013 EXCELENTE 2012 EXCELENTE 2011 EXCELENTE

Texto: www.apambiente.pt Fotos: Vitor Estrelinha | C.M.N

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Praia do Sul

referentes à Praia do sul


Praia do Norte - Sítio da Nazaré 262 562 282 / 910 304 407 norparkinfo@gmail.com / www.norpark.pt

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Colectividade

Futebol de Praia Criada formalmente em 14 de maio de 1999, por um grupo de jovens preocupados em dinamizar a juventude nazarena, o “Futebol de Praia” foi uma aposta no primeiro ano de vida da coletividade Associação Cultura e Desporto “O Sótão”.

Proposto por um dos seus sócios fundadores, estudante de Ed. Física, foi esta modalidade abraçada por todos os elementos da direção, também eles adeptos e praticantes desta modalidade desde criança.

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Nazaré Marés de Maio

Um torneio realizado em “24 horas” foi o modelo adotado dada a dificuldade em se juntarem para planear e organizar atividades com maior regularidade, por serem maioritariamente jovens estudantes universitários e só se encontrarem aos fins-de- semana e nos períodos de férias escolares. O afeto pela modalidade, o sucesso e projeção do torneio a nível nacional e o reconhecimento público da qualidade organizativa, foram o dínamo motivacional que levou sucessivas direções da coletividade a dar continuidade a este projeto desportivo e a alargar o seu campo de atuação. Valorizar o atleta nazareno e a sua qualidade nata para a prática do Futebol de Praia, a par da afirmação da modalidade no país, foram os propósitos primeiros da Associação. Criar formalmente a equipa de Futebol de Praia da ACD “O Sótão”, numa primeira fase (2001), e posteriormente a 1.ª Escolinha de Formação da modalidade (2003), foram os principais objetivos propostos e alcançados. Como entidade organizadora, colaboradora, formativa, convidada e/ou participante, a coletividade promove à quase duas décadas o Futebol de Praia.

É hoje reconhecidamente um clube histórico na modalidade com um papel preponderante na sua afirmação e promoção a nível nacional. Ao longo destas quase duas décadas, a equipa da ACD “O Sótão”, inicialmente formada por uma seleção de atletas oriundos da competição por si organizada, foi sucessivamente reforçada e renovada por atletas convidados ou oriundos da sua formação. Desportivamente a coletividade teve o seu período áureo no ano de 2009 ao sagrar-se Campeão Nacional do então Circuito Nacional de Futebol de Praia, prova antecessora do atual Campeonato Nacional organizado pela Federação Portuguesa. Ao longo dos anos vários foram os atletas e ex-atletas da ACD “O Sótão” que defenderam e defendem as cores da Seleção Nacional, com o expoente máximo nos campeões do Mundo e da Europa, Bruno Novo e Jordan Santos. A coletividade chegou a ser o clube mais representado nos eleitos pelo selecionador nacional da modalidade. Dos 12 internacionais, 11 nazarenos vestiram a camisola do clube Nazareno.


É recorrente o convite da Seleção Nacional à ACD “O Sótão”, para com a equipa da Nazaré realizar jogos de preparação, sempre que uma grande competição se aproxima. É esta uma prova das qualidades do atleta nazareno que a nível nacional e internacional brilha e espalha magia com o seu talento, raça e determinação. Nos últimos anos, a ascensão mediática da modalidade atraiu a atenção de alguns dos clubes portugueses mais representativos que passaram a investir também nesta variante do futebol. Ao filão do viveiro da Praia da Nazaré recorrem com frequência para fortalecerem as suas equipas. Projetos desportivamente aliciantes, como o da ACD “O Sótão”, mas financeiramente mais benéficos para os atletas, seduzem, naturalmente, as melhores peças da equipa nazarena. À coletividade resta desejar sucesso desportivo aos seus ex-atletas orgulhando- se do contributo dado ao seu crescimento e afirmação na modalidade, com a certeza de também saber que estes se sentem orgulhosos por terem defendido e representado o escudo do histórico clube da Nazaré. Apesar de hoje em dia, disputar o escalão secundário da modalidade, os atletas que ficam e outros que a estes se juntam da formação, defendem, como sempre, a história da instituição Nazarena. A ACD “O Sótão” é das

equipas que mais jovens apresenta na sua fileira de jogadores, promissoras estrelas das areias no futuro. O trabalho realizado ao longo destas quase duas décadas é reconhecido pelo próprio selecionador nacional da modalidade que considera a coletividade um exemplo e referência naquilo que pode e deve ser replicado por outros clubes que promovam o Futebol de Praia.

A Câmara Municipal da Nazaré é o principal parceiro da ADC “O Sótão”, desde a génese do projeto desportivo iniciado na década de noventa do século passado. O apoio logístico prestado, o equipamento e infraestruturas desportivas disponibilizadas, entre outros apoios, foram e são fundamentais para o fomento e desenvolvimento da modalidade.

A Nazaré é hoje considerada a capital do Futebol de Praia, e muito se deve ao trabalho da coletividade nazarena. A apaixonante cruzada desportiva da ACD “O Sótão” levou e leva o nome da terra e do atleta nazareno a um patamar impar na modalidade. Foi pois natural que o município apostasse também, como o tem feito noutras modalidades, na realização de eventos nacionais e internacionais de Futebol de Praia na Nazaré, projetando o seu nome cada vez mais longe e ajudando o crescimento da atratividade do concelho para a prática de desportos de praia, crescimento do turismo e dinamização da economia do concelho. Natural foi também eleger a ACD “O Sótão” como equipa anfitriã do Euro Winners Cup 2017 (Liga dos Campeões da Europa de Futebol de Praia) que se repete na época 2018. É este um justo tributo à coletividade que a nível nacional é porta-estandarte da modalidade há anos.

Texto: O Sotão Foto: Vitor Estrelinha | C.M.N

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História

CÍRIO DA PRATA GRANDE História do Círio Desde o século XVII foram muitos os crentes, de diversas localidades, que se deslocaram em romaria para prestarem devoção à Nossa Senhora da Nazaré. Estão registados peregrinações coletivas provenientes da Pederneira, Penela, Santarém, Coimbra, Sintra, Ericeira, Colares, Mafra, São Pedro de Dois Portos, Almargem do Bispo, Óbidos, Porto de Mós, Alcobaça e Alhandra, pertencentes a cerca de 36 círios diferentes. Atualmente, já se contam um menor número. São três os círios que ainda hoje estão presentes nas celebrações religiosas anuais, nomeadamente, o Círio da Prata Grande, Penela e de Olhalvo. Contudo, o culto à Nossa Senhora da Nazaré é anterior a esta data; apesar de não haver registos físicos do mesmo, julga-se que as peregrinações coletivas remontam o início do século XV e a crença na imagem de Nossa Senhora da Nazaré começou a ganhar destaque a partir do milagre de Dom Fuas Roupinho, em 1182. O Círio da Prata Grande começou, precisamente, na Paróquia da Igreja Nova, há muitos anos, quando um morador do Penedo da Arrifana, João Manuel, já idoso, resolveu ir em romagem à Nazaré. Em tempos, existiu uma estrada do tempo dos mouros, que saía de Lisboa em direção a Torres Vedras, atravessava a freguesia da Igreja Nova, desde o Casal do Farelo, passava perto do Lexim, até à Carapinheira, onde tinha um cruzamento para Mafra, Ericeira e outro para o Livramento, Torres Vedras. Segundo dados, já em 1608 vinham de Lisboa e arredores muitos peregrinos ao Santuário de Nossa Senhora da Nazaré da Pederneira. Um dia, estando o Sr. João Manuel a descansar do seu trabalho debaixo de uma árvore, aproximaram-se dele um grupo de peregrinos, tendo chegado à conversa que vinham da Nazaré, onde se tinham feito milagres nomeadamente a salvação de D. Fuas Roupinho. O Sr. João Manuel ficou bastante admirado

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com a fé dos peregrinos, sendo que a sua mulher havia anos que estava doente, e não tinha cura para tal doença; com a sua fé, combinou para no ano seguinte se juntar a eles em peregrinação à Nazaré. Como combinado, no ano seguinte, juntou-se à caravana dos peregrinos, prometendo à Virgem Santíssima, com a sua fé e esperança dum milagre para a sua esposa, que iria nos anos seguintes também em peregrinação à Nazaré, o que veio a acontecer. Após ter pedido ao Prior da Igreja Nova as credenciais eclesiásticas para ter aceitação no Santuário e poder participar na peregrinação nos anos seguintes para agradecer à Virgem de Nazaré, João Manuel levou consigo mais companheiros, um de Arrifana e dois de Igreja Nova; entre os quatro, compraram uma bandeira com as insígnias de “Nossa Senhora da Nazareth da Pederneira”, que no regresso ficava na igreja da sua freguesia.

redigido em 1732 e foi aprovado em 1741; conta com 17 Freguesias, sendo 13 do Concelho de Mafra, 3 de Sintra e 1 de Torres Vedras. Excerto do livro do compromisso:

“Toca esta oubrigação a cada huma das freguezias unidas pasado o circulo de dezasete annos por serem outras tantas as Parrochias em que se clauzura esta duração tendo entre ellas o primeiro lugar a da Igreja nova cabeça e instituidora desta confraria donde se comunicou ás mais; agregando se lhe em segundo lugar a de Mafra, depois Santo Izidoro; dahi monte lavar querendo concorrer com a mesma união passado pouco tempo Cheleiros, São Domingos da fanga da fé, Eriçeira, e Nossa Senhora do Porto; com São Pedro da Cadeira que foi a ultima; A estas freguezias memsionadas se ajuntarão a de São Miguel de Alcainsa, Terrugem e São João das Lampas e N. Senhora da oliveira do Sobral, e pouco depois a todas, Santo Estevão das Galléz, São Silvestre do Gradil, a Azoeira, ocupando finalmente o ultimo lugar da Enchara do Bispo, as quaes todas se achão existentes, e fervorozas e nellas se hade fazer o giro de tal sorte que pasados os dezaseis annos torne aquella mesma donde no primeiro anno tinhâ sahydo, principiando em este de mil e setecentos e trinta e dois no qual se dá a luz este comprimisso...

Texto: Confraria do Círio da Prata Grande

O movimento de aderência por parte dos moradores da Igreja Nova e dos arredores foi-se enraizando, dando origem à Confraria de Nossa Senhora da Nazareth da Pederneira - Círio da Prata Grande, que teve compromisso


Agenda

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Eventos

Nazaré Cup Beach

13, 14 e 15 de Julho de 2018

Torneio de andebol de praia de referência nacional.

Meia Maratona Internacional da Nazaré 11 de Novembro de 2018

No dia 11 de Novembro de 2018, pelas 11 horas, realizar-se-á a 43ª edição da Meia Maratona Internacional da Nazaré, a «Mãe» das meias maratonas em Portugal, a segunda mais antiga da Península Ibérica e a responsável pelo lançamento do movimento «DESPORTO PARA TODOS» Simultaneamente decorre a 12ª Caminhada (3 Km) e a 22ª Volta à Nazaré (10 Km)

» Quarto de banho privado » Ar condicionado

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NAZARÉ

Um dos melhores torneios nacional e internacional de Andebol Jovem. Um torneio onde a palavra-chave é CONFRATERNIZAR através da diversão e da competição. Aqui se aprende o verdadeiro fair play.

» Especialidades da Nazaré » Pastelaria Diversa » Pastelaria Conventual » Bolos Personalizados » Bolos Aniversário » Bolos Batizado / Casamento (00351) 262 561 526 Foto: Vitor Estrelinha | C.M.N

Rua Mouzinho de Albuquerque,35

Nazaré

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Instituição

Confraria da N. Srª. da Nazaré O HOSPITAL

A Confraria de Nossa Senhora da Nazaré é uma instituição religiosa de culto e solidariedade social criada no ano de 1926. Os seus estatutos foram aprovados pelo alvará de 20 de Fevereiro de 1933, do Governador Civil do distrito de Leiria. Através do decreto-lei n.º 22 982, de 26 de Agosto de 1933, tomou “então conta dos bens da casa da Nazareth”, nome pelo qual, após a implantação da República, passou a ser designada a Confraria ou Real Casa de Nossa Senhora da Nazaré. A Confraria de Nossa Senhora da Nazaré que atualmente dirige os destinos da Instituição, Santuário e suas atividades beneméritas, tem desenvolvido nos últimos anos iniciativas que ajudam a dignificar e aumentar a devoção a Nossa Senhora. No seu trabalho diário para além das vertentes sociais e culturais, a Confraria tem dedicado muito do seu tempo e recursos a acções de restauro e melhoramento de forma a restituir ao Santuário e ao culto da Nossa Senhora de Nazaré a grandeza que em tempos conheceu e que por vicissitudes várias, foi sofrendo alguns esquecimentos. Paralelamente ao culto, esta instituição desenvolve a sua atividade benemérita na área da saúde e social através das seguintes respostas sociais:

Onde funciona a Unidade de Cuidados Continuados Integrados (tipologias de Longa Duração e Manutenção e Média Duração e Reabilitação), a Unidade de Internamento Particular, e a Unidade Cirúrgica com o bloco operatório. Na área da saúde existe o Centro Hospitalar com consultas de diversas especialidades, fisioterapia, exames complementares de diagnóstico, serviços de enfermagem e análises clínicas. A Unidade de Cuidados Continuados Integrados (UCCI) do Hospital da Confraria de Nossa Senhora da Nazaré teve início a 5 de Novembro de 2007, através de acordo celebrado entre a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, o Centro Distrital de Segurança Social de Leiria e a Confraria de Nossa Senhora da Nazaré. A UCCI do Hospital da CNSN é constituída por duas Unidades, Unidade de Média Duração e Reabilitação (UMDR) (com 8 camas) e Unidade de Longa Duração e Manutenção (ULDM) (com 18 camas). A UMDR é “uma Unidade de Internamento (…), para a prestação de cuidados clínicos, de reabilitação e de apoio psicossocial, por situação clínica decorrente de recuperação de um processo agudo ou descompensação de processo patológico crónico, a pessoas com perda transitória de autonomia potencialmente recuperável”. Tem como finalidade a estabilização clínica, a avaliação e a reabilitação integral do utente. O período de internamento na unidade tem uma previsibilidade superior a 30 dias e inferior a 90 dias. A Unidade assegura cuidados médicos diários, cuidados de enfermagem permanentes, cuidados de fisioterapia e terapia ocupacional, prescrição e administração de fármacos, apoio psicossocial, higiene, conforto, alimentação, convívio e lazer. A ULDM é “uma unidade de internamento, de carácter temporário ou permanente, (…) para prestar apoio social e cuidados de saúde de manutenção pessoas com doenças ou processos crónicos, com diferentes níveis de dependência e que não reúnam condições para serem cuidadas no domicílio”. Tem como finalidade proporcionar cuidados que previnam e retardem o agravamento da situação de dependência, favorecendo o conforto e a qualidade de vida, por um período de internamento superior a 90 dias. A unidade assegura atividades de manutenção e de estimulação, cuidados de enfermagem diários, cuidados médicos, prescrição e administração de fármacos, apoio psicossocial, controlo fisiátrico periódico, cuidados de fisioterapia e terapia ocupacional, animação sócio-cultural, higiene, conforto, alimentação, apoio no desempenho das atividades da vida diária e apoio nas atividades instrumentais da vida diária.


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Unidade de Internamento Particular

A inaugurada em Março de 2014 é uma resposta na área social e da saúde proporciona todos os cuidados a todas as pessoas que não têm resposta imediata na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, ou cuja resposta seja muito distante da sua zona de residência. É uma Unidade de Internamento Hospitalar de carácter temporário ou permanente. Para garantir a qualidade, segurança e integralidade na assistência prestada, o utente dispõe de serviço médico e de enfermagem 24 horas por dia, e de uma equipa multidisciplinar. Atualmente a Unidade de Internamento Particular contém 21 camas, até ao final deste ano pretendemos um alargamento até às 30 camas.

O Centro Hospitalar

Em Agosto de 2006, esta Instituição iniciou uma nova resposta de saúde denominada Centro Hospitalar com o objetivo de fornecer serviços de saúde, numa perspetiva de proximidade às populações locais e circundantes. Esta resposta também tem vindo a crescer ao longo dos últimos 6 anos, desenvolvendo novos projetos, atualmente, contempla várias consultas de especialidade médica, exames complementares de diagnóstico, um ginásio de fisioterapia, serviços de enfermagem e análises clínicas. Este serviço funciona , todos os dias úteis, das 09h00 às 21h00.

A Instituição contempla ainda outras respostas no âmbito social: Jardim Infantil, Equipamento Residencial para Pessoas Idosas, Centro de Dia, Serviço de Apoio Domiciliário, Centro de Acolhimento Temporário para Crianças e Jovens em Risco e Centro Comunitário.

Unidade Cirúrgica

Composta por um bloco operatório recentemente dotado de equipamento moderno necessário às intervenções cirúrgicas. Esta Unidade atualmente tem 3 camas alocadas no piso do internamento, são única e exclusivamente utilizados pelos doentes submetidos a cirurgias. Em Julho de 2018, esta Unidade irá funcionar no piso do bloco operatório onde irão existir 2 quartos cirúrgicos com 2 camas cada. O Bloco Operatório, está preparado para servir diversas especialidades médico-cirúrgicas, sendo atualmente utilizado pela Cirurgia Geral, Cirurgia Ortopédica, Medicina Dentária e Oftalmologia. A Instituição realiza cirurgias particulares e possuiu protocolo com o SIGIC – Sistema Integrado em Gestão de Inscritos em Cirurgia, nomeadamente com as Administrações Regionais de Saúde do Centro e de Lisboa e Vale do Tejo.

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Medicina Física e de Reabilitação

O Serviço de medicina física e de reabilitação, deixou de ser um serviço apenas prestado aos utentes das unidades de internamento (da RNCCI e da Unidade de Internamento Particular) e em Agosto de 2015, abriu as suas portas ao público externo com um moderno ginásio completamente equipado com tecnologia de elevada qualidade. Este serviço está aberto ao público e abrange convenções com seguradoras e subsistemas de saúde, sendo um dos grandes objetivos colocar um serviço de qualidade ao dispor de toda a população/comunidade. Nesta perspetiva, as vertentes de tratamento incluem, também, a reabilitação nas doenças neurológicas, degenerativas e pediátricas. Apostaremos ainda, num programa de medicina física e de reabilitação dirigido à população sénior, cujo objetivo é para além de incluir os tratamentos de Fisioterapia tradicionais, irá oferecer Classes de Movimento, por forma a aumentar a capacidade funcional, a autonomia e a qualidade de vida do idoso.

No campo da cultura promove actividades no Teatro Chaby Pinheiro, assim como através do Museu Reitor Luís Nesí desenvolve um programa de exposições temporárias e outras iniciativas. A Confraria de Nossa Senhora da Nazaré possui um Arquivo Histórico, inaugurado a 8 de Setembro de 1999, encontra-se instalado no Santuário de Nossa Senhora da Nazaré. Ao longo dos dias todo este trabalho é desenvolvido com uma ligação estreita ao Santuário, pois a presença e o espírito de Nossa Senhora de Nazaré é constante nas vidas de quem trabalha e de todos os que recebem o nosso apoio ou usufruem dos nossos serviços.


Eventos

Agenda

Euro Winners Cup de Futebol de Praia Competição Europeia de Clubes, normalmente designada por Liga dos Campeões de Futebol de Praia. Reune os campeões nacionais e as principais equipas dos países europeus. Masculino e Feminino

25 de Maio a 3 de Junho

Nazaré Dreams Beach Handball Andebol de Praia

Competição de clubes oficial da Federação Europeia de Andebol Masculino e Feminino

Fase Final do Campeonato Nacional de Andebol de Praia

Decisão dos Campeões Nacionais da modalidade.

27, 28 e 29 de Julho

Fase Final do Campeonato de Elite e Campeonato Nacional de Futebol de Praia

Decisão dos Campeões Nacionais da modalidade

24, 25 e 26 de Agosto

22, 23 e 24 de Junho

Euro League de Futebol de Praia

Competição Europeia que reúne a 1ª e 2ª divisão europeia de Seleções. Masculino e Feminino

6, 7 e 8 de Julho

Texto e Foto: Câmara Municipal da Nazaré

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Festa em Honra de Nossa Senhora da Vitória 12 de Agosto de 2018 2º Domingo de Agosto

Natureza

SERRA da PESCARIA A sul da Nazaré, é um afloramento paralelo à orla costeira onde afloram as rochas mais antigas da região da Nazaré, de há cerca de 154 milhões de anos. São depósitos do Jurássico Superior, que mostram uma estreita ligação com a atividade tectónica, ligada à 2ª fase de “rifting” de abertura do oceano Atlântico e separação do supercontinente Pangea. As estruturas presentes na Serra da Pescaria sofreram também alterações tectónicas devido à intrusão diapírica caracterizada por “Margas da Dagorda” que originaram o “vale tifónico” das Caldas da Rainha. Esta formação, delimitada por falhas inversas, originou um vale coberto por sedimentos mesozóicos e cenozóicos, onde, no bordo ocidental, vamos encontrar a Serra da Pescaria. Este vale permitiu, em tempos, a existência da conhecida Lagoa da Pederneira que, devido ao assoreamento natural e também por pressões antrópicas, acabou por sofrer uma colmatação gradual até ao seu desaparecimento no séc. XIX. Esta estrutura do Jurássico Superior é caracterizada, essencialmente, por duas formações distintas: as “Camadas de Montejunto”, que datam do Oxfordiano médio a superior; e as “Camadas de Alcobaça” do Kimeridgiano (episódio transgressivo). Nestas formações, essencialmente calcárias a calcário-margosas, podemos observar duas pistas de dinossauros, uma delas numa camada sub-vertical coberta de icnofósseis do género Thalassinoides. Para além destas pegadas de dinossauro, podemos também observar um elevado conjunto de outros fósseis de organismos essencialmente marinhos como bivalves, gastrópodes, corais, oncólitos, rudistas e espongiários que indicam uma fácies marinha de águas de temperatura mais elevada, correspondente a climas mais tropicais.

Nossa Senhora da Vitória é um título mariano católico venerado em Portugal, salientando-se no concelho da Nazaré a tradição da Freguesia de Famalicão. Na paróquia de Famalicão, um dos cultos populares mais antigos é o de Nossa Senhora do Livramento, cuja imagem se encontrava num pequeno nicho junto à estrada, na localidade de Quinta Nova. Esta imagem foi venerada por muitos que por ela passavam em direção à Nazaré. Mais tarde, teve de ser recolhida para a casa da proprietária do terreno, devido a assaltos e vandalismos. Do culto à Senhora da Vitória em Famalicão, sabe-se que foi trazido pelas gentes da Praia das Paredes da Vitória, a norte da Nazaré, que, no início do século XVI, se vieram aqui fixar, trazendo com eles esse culto. A primitiva imagem da Senhora da Vitória não chegou até aos nossos dias, mas podemos ainda ver a bandeira com a respetiva imagem, a qual facilmente se constata que tem pouco a ver com a imagem que hoje se venera, e que é datada do século XVIII. Escultura em madeira policromada de regular qualidade, com olhos de vidro, representando a Virgem Maria com o Menino ao colo, assente numa nuvem com várias cabecinhas de anjo, evocando a vitória da vida sobre a morte, entre o bem e o mal. Sobre o ombro esquerdo pende um manto azul bordado a efeitos vegetativos dourados, que cai em ligeiras pregas até aos pés. No seu braço esquerdo segura o Menino, de largos caracóis louros. A imagem foi ao longo dos tempos se degradando, tendo sido feitos alguns trabalhos de restauro, que lhe foram retirando a pintura inicial. Foi restaurada profundamente em 20 de Maio de 2005, aquando da comemoração dos 100 anos da sua Coroação, tendo sido feito um trabalho de limpeza até à própria madeira, sendo posteriormente pintada com as cores originais. Da herança que nos chega até hoje, só se pode ver a inúmera quantidade de ouro e mantos, entre outros objetos, que ao longo dos anos, o povo da Paróquia ofereceu à sua Padroeira. A festa de Nossa Senhora da Vitória tem lugar no segundo Domingo de Agosto, trazendo consigo inúmeros romeiros.

A flora desta região é rasteira, típica de zonas costeiras próxima ao mar, está ainda bem conservada e podem-se observar espécies tipicamente mediterrânicas. No bordo ocidental da Serra da Pescaria, no sector litoral da região a Sul da Nazaré, desde a foz do rio Alcoa até ao limite da praia do Salgado, podemos encontrar uma estrutura dunar ativa, bastante complexa, formada por dois cordões dunares, separados por um corredor interdunar onde as associações vegetais evidenciam as diferentes condições mesológicas que caracterizam esta costa 86litoral. | Nazaré Marés de Maio

Texto: NMM Foto Dir.: Manuel Pinto Foto Esq.: Vitor Estrelinha | C.M.N


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Revista marés de maio 2018  

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