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Ano 10 - n. 7 - Fevereiro 2017

Entrevista com o presidente Edson Marinho

Trinta anos de Mangueira do Amanhã: preservando e cultivando a raiz da Estação Primeira


EDITORIAL Foto: Rodrigo Rigon

É tempo de festa! Caros leitores, Esta é uma edição da sua Cartilha do Samba pra lá de especial! Os motivos para festejarmos são incontáveis! Para começar, é carnaval! Existe motivo mais justificável para comemorarmos, que não a chegada dos dias em que somos todos literalmente iguais? O “Rei” se transformando em “mendigo”, o “empresário” virando “menino”, o “famoso” na pele de um “operário” e o “machão” dando uma de “princesa”... Os preconceitos, tabus e dissabores são totalmente colocados de lado. Cá para nós? Merecemos dias como estes né? Outro motivo para comemorar se deve ao ano de muitas conquistas por parte da Aesm-Rio. Através de muita luta e perseverança, nossa diretoria e os presidentes das escolas filiadas enfrentaram com muita dedicação um ano de crise econômica e recessão. No entanto o que veremos na Avenida será um belo espetáculo com o que temos de melhor: o talento de cada criança que se esbaldará na pista de desfile.

E por fim o nosso maior motivo de festa: é que em junho deste ano a Associação das Escolas de Samba Mirins completará quinze anos de fundação, sempre fomentando a cultura do samba, a educação das crianças e acima de tudo o bem estar delas. Trocando em miúdos, nosso maior motivo de orgulho e celebração é o cultivo do sorriso nos lábios de cada componente, a emoção de cada menino e de cada menina que nos brinda com sua evolução. É exatamente isto que nos faz seguir. É puramente por isto que a Aesm-Rio trabalha ao longo de todos estes anos. É por este motivo que existe a Cartilha do Samba. Nos faz olhar para traz e ver que tudo valeu a pena e ainda se encher de alegria para trilhar nosso rumo em direção ao futuro! Vida longa à Associação das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Ricardo Dias | Editor

EXPEDIENTE REVISTA CARTILHA DO SAMBA Diretor Editorial: Arleson Resende – MTB 34078/RJ Editor: Ricardo Dias Reportagens: Arleson Resende e Ricardo Dias Edição de Imagens: Ana Valéria Gonçalves Textos: Edson Marinho, Jorge Castanheira, Marcelo Alves, Arleson Rezende, Ricardo Dias, Anderson Baltar e Vicente Magno Fotos: Marcelo O’Reilly, Rodrigo Rigon, Dayse King e Ana Valéria Gonçalves. Nesta edição há imagens de acervo pessoal e oriundas da internet. projeto Gráfico e diagramação: DIAGRAMA Comunicação Agradecimentos: À diretoria da Associação das Escolas de Samba Mirins do Rio de Janeiro, Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, RioTur, Assessoria de Comunicação da RioTur, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro,Tv Brasil, Guaracamp e Piraquê. Agradecimentos Especiais: Jorge Castanheira, Vicente Datolli, Anderson Baltar, Vicente Magno, Jurema Gaspar, Arcindo José (Soca), Jorge Luiz, Ricardo Dias, Marcelo O’Reilly e Dayse King Tiragem: 10.000 exemplares distribuídos gratuitamente Circulação: Distribuição em todos os dias de desfiles na Passarela do Samba, instituições de ensino, centros culturais, agências de turismo, rede hoteleira, e nas 16 comunidades das escolas de samba mirins.

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direToria aesm-rio Presidente: Edson Marinho Presidente de Honra: Paulo Cesar Alves Vice Presidente e Diretor Jurídico: Jorge Xavier Diretor Financeiro e Controle: Écio Bianchi diretoria de Comunicação e marketing: Arleson Resende, Ana Valéria Gonçalves, Luis Pimenta e Ricardo Dias (Rick) Diretoria de Operações e Eventos: Alexandre Moraes Diretor de Projetos e Relações Comunitárias: Ricardo Dias (Rick) diretor de políticas públicas e Carnaval: Jefferson Rocha Diretoria de Patrimônio: Antônio Farias Diretor de Planejamento e Desenvolvimento: Luiz Antônio Diretor Pedagógico: Érica Lobo diretoria de esportes e lazer: Arthur Acácio e Ricardo Henrique Dias Diretor Musical: Hugo Bruno Diretora Sócio Cultural: Miriam Cervo de Barros Diretora Secretária: Maria das Graças de Carvalho presidente do Conselho deliberativo: Miriam Cervo de Barros Conselho Fiscal: Arcindo José e Patrícia Santos locutores oficiais: Marcelo Pacífico e Kayke Santos aesm-rio – associação das escolas de samba mirins do rio de Janeiro rua Haddock lobo, 72 – sala 302 – estácio Cep: 20211-270 – rio de Janeiro fone: (21) 4141 9693 Email: aesmrio@gmail.com revista Cartilha do samba | Veículo impresso oficial da aesm-rio email: cartilhadosamba@gmail.com


Foto: Ana Valéria Gonçalves

MENSAGEM Edson Marinho, presidente da AESM-RIO

Aesm-Rio a debutante do Samba 2

017 está sendo um ano atípico para o carnaval mirim, pelo fato de estarmos completando 15 carnavais. E quem poderia imaginar que alcançaríamos essa marca? Lembro-me quando à época da fundação da Aesm, muitos foram os questionamentos e as dificuldades, mas toda mudança gera desconforto e com o tempo vão sendo contornados e objetivos surgem para serem superados. É em nome dessa vontade de superação que a diretoria da Associação das Escolas Mirins atua, sempre visando o melhor para as crianças e jovens desfilantes nas agremiações filiadas. Muitos são os contratempos, mas também temos de enumerar as conquistas das diretorias das escolas e sambistas. Creio que a maior de todas foi a credibilidade junto aos pais e responsáveis das crianças, entidades e órgãos governamentais, mas principalmente junto às próprias crianças e jovens. Os nossos pequeninos têm consciência de que para participarem de todas atividades nas escolas de samba e no desfile precisam estar estudando. Nosso carnaval é feito para a criança, com a participação direta de nossa petizada nas escolas envolvidas em trabalhos de pesquisas, opiniões, sejam através de programas sociais desenvolvidos nas comunidades ou nas escolas, tendo o carnaval como uma ferramenta alternativa para o ensino.

Junto aos órgãos governamentais, entidades e empresas a Aesm nesses 15 anos vem cumprindo com os acordos e normas, o que torna o carnaval da garotada um evento cada vez mais sólido e respeitado, por parte do grande público amante da maior expressão cultural de nossa cidade. A cada ano as dependências do Sambódromo recebem mais pessoas para assistir nossas crianças. É com muita satisfação que convidamos a todos os envolvidos com o carnaval do Rio de Janeiro para festejarem com a Aesm-Rio, nossas agremiações e crianças esses 15 anos de sangue, suor e lágrimas, mas também de alegrias, superação e realizações. Vamos brindar e sambar! Sambar com as crianças, as aplaudindo e incentivando, pois já está mais do que comprovado que cuidando, preservando e incentivando as escolas mirins, teremos a garantia da manutenção do nosso carnaval. Um carnaval de muita paz e alegria a todos. Principalmente para nossas crianças! E um Viva para a Aesm-Rio...

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Foto: Acervo Pessoal

MENSAGEM Marcelo Alves, presidente da Riotur

Samba Mirim não é brincadeira! E

ngana-se quem pensa que carnaval é só festa. Carnaval, antes de tudo, é trabalho sério - especialmente quando o assunto é o futuro das escolas de samba. Escola de samba mirim não é brincadeira! Cuidar para que a nova geração cresça carregando valores como amor, cuidado, compromisso e respeito pela história de sua agremiação é uma responsabilidade que vem sendo cumprida com êxito, especialmente de 15 anos para cá, desde a fundação da AESM-Rio. Se a cada ano o espetáculo apresentado no Sambódromo se supera em qualidade, é resultado dessa ação feita na formação de novos sambistas, nas bases de cada comunidade, sempre com muito amor e com muita vontade de fazer a diferença na vida dessas crianças. Toda vez que uma menina brinca de girar a saia enquanto empunha uma bandeira imaginária, ou toda vez que um menino batuca qualquer brinquedo ou utensílio doméstico que encontre em seu caminho, o carnaval renasce. E é para que esse brilho não se apague nunca que tanta gente se empenha para fazer da terça o dia mais encantador do calendário de desfiles da Sapucaí. O desfile mirim é fruto de um lindo trabalho realizado por quem se preocupa com o futuro da nossa

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mais importante manifestação cultural. Um trabalho louvável, feito com muita responsabilidade, dedicação e carinho, e que merece a gratidão e a reverência de toda a sociedade. E que merece, principalmente, o seu prestígio! Venha se encantar com os sambistas do amanhã! Reserve a terça para curtir as crianças e o futuro do carnaval: vai ser um espetáculo emocionante e imperdível!


Foto: Ana Valéria Gonçalves

MENSAGEM Jorge Castanheira, presidente da Liesa

Terça de carnaval, a terça-feira gorda D

epois de receber as apresentações da Série A, na sexta-feira e no sábado; e do Grupo Especial, no domingo e na segunda-feira, a Passarela do Samba tem mais um dia de festa. Praticamente encerrando os desfiles do Sambódromo (não podemos esquecer que ainda falta o Sábado das Campeãs), a Marquês de Sapucaí vai ser palco para o futuro do samba: é a vez das crianças. As Escolas de Samba Mirins, a nova geração da folia, mais uma vez irão lotar o Sambódromo. E não pensem que são apenas os familiares daqueles pequenos sambistas que ali estarão. O público comparece porque sabe que verá, de novo, um espetáculo de qualidade. E poderá ser testemunha do surgimento de novos grandes intérpretes, sorridentes porta-bandeiras, passistas com muito samba no pé. O desfile mirim ajuda a deixar aquele gostinho de “quero mais” para os nossos desfiles. A criançada enche de alegria a Passarela e renova, a cada ano, a certeza de que nossa festa será eterna, superando todas as crises e dificuldades. Bom Carnaval a todos!

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Foto: Acervo Pessoal

Nossa gente fábio arerê

Laís Ramos

Foto: Filipe Brito

Cria da Pimpolhos da Grande Rio, Lais Lucia Ramos começou no carnaval brincando em ala, mas logo se apaixonaria pela arte do bailado dos casais de Mestre Sala e Porta -bandeira. Pelas mãos de Mestre Belenzinho e Dona Mery, responsáveis pela ala de casais na Mirim de Caxias, a menina começou em 2008 a empunhar uma bandeira no grupo. Seu talento logo chamaria a atenção e assim Laís seria escolhida para assumir o terceiro pavilhão da escola. Daí para o posto principal foi um pulo. Hoje ela é a responsável pelo pavilhão principal da ARES Vizinha Faladeira, onde arrebatou diversos prêmios e ajudou a escola levantar o titulo no Grupo D. Todo este sucesso rendeu um convite para assumir o segundo pavilhão do GRESE Império da Tijuca, onde emplacará o segundo carnaval. Arrebenta Laís!

Foto: Acervo Pessoal

O rei momo do carnaval carioca iniciou sua militância no samba como passista na escola de samba mirim Estrelinha da Mocidade, aos sete anos. O comandante da folia integrou o carro de som da escola mirim de Padre Miguel entre 2002 e 2006. Na Mocidade Independente foi componente da ala das crianças, ala jovem e ritmista. O proativo sambista atuou como diretor de harmonia, mestre-sala e diretor de bateria, além de ter desfilado em escolas como Boi da Ilha, Unidos de Padre Miguel e Acadêmicos do Cubango.

Vinicius ferraz

Thiago Acácio Um talento que não cabe explicação. Talvez assim possamos resumir Thiago Acácio, o premiado Intérprete que brilhou à frente do microfone da Estrelinha da Mocidade por cinco carnavais e que hoje empresta sua potente e afinada voz à Unidos de Vila Kennedy. Com passagens por escolas como Acadêmicos do Engenho da Rainha e Unidos de Lucas, Acácio retorna neste carnaval ao posto de primeiro cantor da Vila Kennedy, escola que cantou no ano de 2015. No Samba Mirim ele simplesmente é vencedor de dois Estandartes de Ouro, além de ser agraciado com vários troféus por seus desempenhos marcantes na Avenida com a Estrelinha. Um gogó de ouro de fato!

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Foto: Acervo Pessoal

Vinicius Ferraz despontou para o carnaval como o “menino que sugeriu o enredo sobre o segredo” ao carnavalesco Paulo Barros, contribuindo assim para acabar com o enorme jejum de títulos da Unidos da Tijuca e para o primeiro campeonato do festejado artista, hoje na Portela. De lá pra cá muita coisa mudou na vida de Vinicius. Com passagens por escolas como Infantes do Lins e Estrelinha da Mocidade, o artista plástico fez residência artística no MUSAC de Sevilha e de Castelli e expôs seus trabalhos no Tate Mordern de Londres! No Brasil seu talento pôde ser apreciado no Centro Cultural dos Correios, e atualmente Ferraz está com a exposição “Era Uma Vez” no MAC de Niterói.


Foto: Ana Valeria Gonçalves

PANORAMA AESM-RIO por Ricardo Dias

Aesm-Rio – Sempre é hora de celebrar! Um ano de muitas vitórias! Assim podemos resumir 2016. Apesar da crise que assolou e até hoje assusta o nosso país, nós da Aesm-Rio temos motivos de sobra para celebrar! A começar pelos excelentes desfiles que fizeram a alegria da garotada, e encantaram o público que esteve presente na Avenida Marquês de Sapucaí. As agremiações mirins mostraram que podem “tirar da cabeça o que não se tem no bolso” e assim usaram e abusaram da criatividade e da emoção. Ao final, quem levou a melhor foi o GRCESM Mangueira do Amanhã, que pelo segundo ano consecutivo arrebatou a maior quantidade de prêmios oficiais e garantiu a capa do CD de sambas de enredo para o carnaval de 2017. E foi em tarde de festa na quadra do GRES Acadêmicos do Salgueiro, que a Verde e Rosa Mirim subiu ao palco para “colher os frutos” do seu excelente carnaval. Juntamente das outras quinze agremiações, o que se viu foi um verdadeiro show de samba no pé e alegria para comemorar os troféus conquistados na última folia. A criançada pôde relembrar os momentos inesquecíveis de mais um carnaval, tudo isso regado a muitas guloseimas, refrigerante e sorvetes. Na ocasião também foi definida a ordem dos desfiles para este ano. O presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, o Sr Jorge Castanheira, mais uma vez prestigiou a festa e compôs a mesa juntamente de outras personalidades do carnaval. O presidente Edson Marinho conduziu o sorteio. Outra festividade que marcou o ano que passou foi a do lançamento do cd dos sambas de enredo. Novamente

o produto para 2017 leva a assinatura da dupla de músicos Alexandre Moraes e Hugo Bruno. Alexandre é o responsável pela direção musical da instituição. Na ocasião as agremiações apresentaram as obras ao som da bateria da Pimpolhos da Grande Rio, vencedora do troféu Estandarte de Ouro Mirim 2016. Novamente a criançada se esbaldou e pôde se deliciar com uma deliciosa macarronada preparada pelo próprio presidente Marinho, que é um “cozinheiro de mão cheia”. E para iniciar o ciclo de celebrações, mais festa! Sendo que desta vez para eleger a Côrte Mirim Oficial do carnaval. Numa disputa acirrada pelas coroas, sagraram-se vencedores Leonardo Pereira (Rei Momo); Sarah Honorato (Rainha do carnaval); Daniela Fogaça (Primeira Princesa); Nataly Manhães (Segunda Princesa) e Walace Monteiro (Cidadão Samba). O júri contou com nomes como Wilson Dias, Manuel Dionízio, Aldione Serra e Thuany Rocha. A Côrte Oficial do Carnaval da Cidade do Rio de Janeiro marcou presença e sambou com os petizes até o fim da festa. Já no último dia 19 de fevereiro foi a vez dos pequenos participarem da cerimônia de lavagem simbólica do Sambódromo, evento que já entrou para o calendário oficial da cidade e que a cada ano lota mais as arquibancadas. Cada agremiação filiada levou cerca de dez crianças, em um total de 160 componentes, formando uma bela ala de baianinhas que encantou os expectadores presentes. É a criança sempre fazendo a diferença e marcando presença através do trabalho realizado pela Aesm-Rio. Revista Cartilha do Samba | AESM-RIO | 7


É tempo de festa! A Aesm-Rio completa 15 anos! Por Ricardo Dias

É tempo de muita festa! Afinal de contas não é todo dia que se completam quinze primaveras não é verdade? A Associação das Escolas de Samba do Rio de Janeiro – Aesm-Rio comemora seus quinze anos de fundação, e chega à “puberdade” debutando com todo este frescor bem próprio da idade: fervilhando de idéias, cheia de gás e com muitos anseios! Tantos foram os momentos inesquecíveis, tantos personagens importantes! Isso sem falar das incontáveis emoções que vivemos juntos neste período. Do sonho das agremiações fundadoras Aprendizes do Salgueiro, Corações Unidos do Ciep, Golfinhos da Guanabara (atualmente Golfinhos do Rio de Janeiro), Herdeiros da Vila, Mangueira do Amanhã, Miúda da Cabuçu e Petizes da Penha, ao atual formato com dezesseis escolas filiadas, a instituição se fortaleceu e hoje é uma realidade do carnaval de nossa cidade. O orgulho é tanto não cabe no peito de cada um que compactua da missão de usar o samba como ferramenta 8 | AESM-RIO | Carnaval 2017

para educar e de quebra ajudar na preservação da nossa cultura maior. Cada diretor, cada presidente das agremiações filiadas, cada colaborador ou parceiro nosso, tem parcela valiosa quando se trata do sucesso da Associação! Foram inúmeras realizações visando não só carnaval, mas o bem estar de cada menino e de cada menina que por aqui já passaram. E quantos desfiles inesquecíveis entraram para a história da Sapucaí? Desde a época em que as crianças abriam a festa, até hoje quando passaram a encerrar as atividades no Sambódromo Carioca, incontáveis apresentações chamaram a atenção pela qualidade e pela garra dos pequenos componentes. Impossível a Cartilha do Samba citar algum exemplo sem cometer a injustiça de deixar uma ou outra de fora. Sem contar a saudade de escolas que hoje não desfilam mais e deixaram sua marca nos nossos corações, como é o


Fotos: Ana Valeria Gonçalves

caso do GRCESM Mel do Futuro, que se encontra licenciado, e da Virando Esperança, que desfilou como convidada um ano e logo encerrou suas atividades. Como é cantado em verso e prosa no nosso hino oficial: somos uma família. A Família Aesm-Rio! Que como qualquer outra tem os seus membros diferentes, cada qual com sua característica própria, mas sempre reconhecendo o valor de cada um dentro daquele processo. NESTES QUINZE ANOS NÓS QUEREMOS AGRADECER... Pela credibilidade, carinho, prestígio e acima de tudo por contar com tantos amantes desta incrível manifestação cultural que é o Samba Mirim. O que nos move é saber que acima de tudo promovemos o bem ao próximo e o desenvolvimento cultural e social da criança. Aqui os astros principais são os pequeninos! Temos a noção de que se tratam de momentos únicos nas vidas deles, e que eles guardarão esta experiência para sempre. Cada aplauso ou incentivo nos quase 700 metros de desfile naquela Avenida iluminada fica guardado com eles na alma! Como toda “criança” que chega à adolescência, sabemos que as responsabilidades não pararão por aqui. O futuro está só começando! Mas o desafio é o combustível principal para seguirmos melhorando a cada ano.

Nossas comemorações se estenderão por todo o ano. Em junho que se aproxima a Aesm-Rio realizará uma grande festa para celebrar estes quinze anos em grande estilo. E nossos príncipes e princesas do samba estarão conosco mais uma vez para mostrar que aqui a criança tem o seu devido valor. Até porque eles merecem... Vida longa à Associação das Escolas Mirins do Rio de Janeiro!

Aqui os astros principais são os pequeninos! Temos a noção de que se tratam de momentos únicos nas vidas deles, e que eles guardarão esta experiência para sempre. Cada aplauso ou incentivo nosquase 700 metros de desfile naquela avenida iluminada fica guardado com eles na alma!

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Foto: Internet

PANORAMA LIESA

Novidades do regulamento prometem “esquentar” os desfiles e o pós carnaval Por Ricardo Dias

A Liga Independente das Escolas de Samba estabeleceu uma série de alterações no regulamento para os desfiles das escolas do Grupo Especial. A justificativa é de que seja necessário imprimir mais velocidade e dinamismo aos desfiles. Para isso foram reduzidos o tempo das apresentações, o número de alegorias e até as paradas para apresentações diante do júri oficial. As medidas também visam garantir a volta da transmissão ao vivo de todas as 12 escolas na ordem de apresentação. De acordo com o novo regulamento os desfiles irão começar meia hora mais tarde, no entanto as escolas terão o tempo máximo de apresentação reduzido de 82 minutos para 75 minutos. Houve também uma redução no número de alegorias permitidas: de cinco a seis, com a permissão de um carro acoplado. Justificando este “maior dinamismo”, a Liesa disponibilizará uma cabine dupla de jurados no Setor 6, para que com isso as escolas tenham menos uma parada para exibição dos quesitos comissão-de-frente e casal de mestresala e porta-bandeira. A medida tem causado polêmica entre profissionais, personalidades e estudiosos da folia. Para o jornalista, escritor e biógrafo do carnaval Fábio Fabato, as novidades podem “atravessar” caso haja divergência nas

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notas de dois jurados diferentes que assistem de um mesmo ponto a uma mesma apresentação: “A grande lógica do julgamento é espalhar cabines varrendo vários pontos da avenida. Duas cabines em um mesmo local significa que uma mesma apresentação atingirá duas sensibilidades. Imaginem que por exemplo um casal receba notas 10,0 e 9,5 de dois julgadores que assistiram a mesma apresentação? Sem contar que por ventura uma ventania pode destruir uma apresentação e de cara acabar com duas notas. Creio que isso possa dar problema” – argumentou Fabato. Para o presidente Jorge Castanheira a avaliação é outra: “Isso é uma adaptação, uma evolução para dar mais fluidez ao desfile. Além disso, muitos componentes reclamavam que quatro paradas travavam muito a escola” - defendeu Castanheira. A conferir... Confira o que muda para o desfile de 2017: 1 - Início do desfile passa para às 22h. 2 - Duração do desfile, tempo mínimo continua sendo 65 minutos, o máximo passa 75 minutos. 3 - Permanecem quatro cabines com 36 jurados, sendo agora duas delas juntas no Setor 6. 4 - Numero de alegorias fica de 5 a 6 carros, sendo um carro acoplado e seguem permitidos até três tripés.


Foto: Site Lierj

PANORAMA LIERJ

Excelência em busca do sonho Especial Os desfiles da Serie A do Rio de Janeiro há muito deixaram o papel de meros coadjuvantes do carnaval da nossa cidade para figurarem entre um dos mais esperados eventos de nossa folia. Outrora tido como um “espetáculo menor” e até de público reduzido, o que vemos hoje na realidade é um “aperitivo” para o show que acontece domingo e segunda respectivamente na Avenida Marquês de Sapucaí. Isso é resultado do trabalho de uma competente diretoria, que de alguns anos para cá vêm trabalhando incansavelmente pela excelência do carnaval das agremiações que sonham com a vaga na Elite do Samba Carioca. O que no passado era somente um “grupo de acesso” ao sonhado Especial, hoje é uma realidade consolidada, até pela quantidade de agremiações com enorme tradição que compõem atualmente a Serie A. Ainda falando desta tradição, para termos uma idéia, das quatorze escolas que brigam pelo título de campeã, três delas já se sagraram vencedoras no grupo principal: Unidos do Viradouro, Estácio de Sá e Império Serrano. Além disso, de todas elas, somente quatro nunca desfilaram entre as ditas “grandes”: Acadêmicos do Sossego, Alegria da Zona Sul, União do Parque Curicica e Acadêmicos do Cubango. Até a vice-campeã de 2016, Unidos de Padre Miguel, já “passeou pelo paraíso” na década de 60.

Interessante mesmo é notar que ano após ano a disputa pela única vaga no Grupo Especial se torna cada vez mais acirrada, e para 2017 isso não deverá ser diferente. Uma infinidade de bons temas que variam do Poeta Manoel de Barros (que será cantado pela escola da Serrinha) às saudosas marchinhas de carnaval (enredo da Porto da Pedra) prometem encantar o expectador folião. Outra novidade é o horário do inicio dos trabalhos: Sossego (sexta) e Rocinha (sábado) entram na Passarela às 22h. Imperdível... Confira a ordem dos desfiles: Reprodução: Site Lierj

Por Ricardo Dias

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Casal de mestre-sala e porta-bandeira

Fotos: Acervo Aesm-Rio

Presidentes

Foto: Dayse King

Sergio Murilo, primeiro presidente da Aesm-Rio

Sergio Murilo e Helcy Gomes

Marilene Monteiro Casais mirins durante festividade

AESM-Rio: 15 anos de sangue, suor, lágrimas, talentos revelados e bons serviços prestados ao carnaval por arleson rezende

Apesar de feito por crianças o carnaval mirim é pensado por gente grande, quando nos referimos à administração e organização das escolas que atendem a um público estimado de 40 mil foliões com idade entre cinco e dezoito anos no Rio e Região Metropolitana. Pessoas que tomam como missão o trabalho desenvolvido para que a festa aconteça sem nenhum imprevisto, sendo sucesso de público e crítica. Neste contexto destaca-se o trabalho desenvolvido pela Associação das Escolas de Samba Mirins do Rio de Janeiro, AESM-Rio, com um olhar de aprendizagem e embasamento cultural. A instituição responsável por representar as agremiações integrantes do Grupo Mirim foi fundada em 26 de junho de 2002 após a ruptura da maioria das escolas filiadas à Liga Independente das Escolas de Samba Mirins – LIESM. Insatisfeitos com os rumos que o carnaval vinha tomando, diretores de sete agremiações entre as dez representadas pela Liga pediram desfiliação com o objetivo de fundarem uma entidade que pensasse o carnaval como ferramenta de ensino, não seguindo os moldes dos desfiles adultos. O fator preponderante para a ruptura do grupo foi um julgamento nos desfiles das escolas mirins, até então, organizados pela Liga, porém a ideia não era aceita por parte 12 | AESM-RIO | Carnaval 2017

dos dirigentes das agremiações, que entendiam o carnaval mirim como uma alternativa ou extensão para o aprendizado em sala de aula. O resultado do julgamento gerou muitos questionamentos, motivando assim, a iniciativa de diretores de escolas como os professores Sérgio Murilo e Marilene Monteiro, além de Helcy Gomes, entre outros a formarem uma entidade que representasse as escolas, repensando a organização do carnaval da garotada. “Reuniu-se um grupo de escolas para pensar numa associação que visasse a aprendizagem e a cultura ao contrário de seguir moldes adultos. Após várias reuniões outras agremiações foram se inserindo ao grupo e quando se percebeu já éramos quase totalidade” – revelou Marilene Monteiro. Participaram de todo o processo de fundação da AESM dirigentes como Paulo Cesar Alves, Antônio Farias, Darcília Lima, Luís Molot e Jane de Abreu. Sendo as agremiações fundadoras as seguintes: Golfinhos da Guanabara (atual Golfinhos do Rio de Janeiro), Mangueira do Amanhã, Corações Unidos do Ciep, Miúda da Cabuçu, Aprendizes do Salgueiro, Petizes da Penha e Herdeiros da Vila. Após a fundação da Associação das Escolas de Samba Mirins, a segunda medida a ser adotada foi a legalização da instituição. Mas o reconhecimento tanto da Liga Mirim quanto


de outras entidades e órgãos públicos não vieram de imediato. Muitos questionavam a existência da nova associação por não entenderem os motivos do afastamento com a Liga, que organizava os desfiles mirins desde 1989. Marilene Monteiro declarou que os questionamentos foram inúmeros: “Tivemos inúmeros problemas com o Juizado de Menores na época, com a própria Liesa e Riotur que não entendiam a razão dessa nova entidade e tiveram muita dificuldade na aceitação. Tivemos reuniões com esses órgãos onde se argumentava seriamente”. Os diretores da AESM-Rio tiveram um árduo trabalho para provar a todo instante a seriedade do que pretendiam fazer. Um trabalho de convencimento constante, fazendo do carnaval mirim uma perspectiva de aprendizagem que encaminhe crianças e adolescentes para um futuro profissional, propiciando a preservação da memória cultural da cidade e de suas comunidades. Uma das dificuldades na época foi a relação extremamente conflituosa com a LIESM, pois as agremiações desfilavam no mesmo dia no Sambódromo. Inicialmente se apresentavam as escolas filiadas à Liga e em seguida pisavam forte na Passarela do Samba as escolas que integram a AESM-Rio. Os primeiros encontros que definiram os diretores da AESM aconteceram na quadra da Mangueira, sendo o professor Sérgio Murilo o primeiro presidente da entidade. Seu mandato durou dois anos. Com o falecimento de Sérgio – seu sucessor (Naval) assumiria, mas este abdicou do cargo por não ter condições de administrar e indicou Paulo Cesar Alves como presidente e Edson Marinho como seu vice. A chapa liderada por Paulo Alves foi aclamada, porém sua administração não durou até o previsto. Paulo renunciou e Edson Marinho assumiu a presidência em 2007, com um mandato tampão até o ano seguinte. Em 2008 Marinho se candidatou, sendo aclamado para liderar a entidade.

O atual presidente à frente da entidade fortaleceu as relações com órgãos como a Prefeitura do Rio de Janeiro, RioTur, LIESA e outras instituições. Diversas foram as tentativas de troca do dia de desfiles das escolas mirins, mas devido ao trabalho desenvolvido pela diretoria liderada por Marinho e empenho dos dirigentes das agremiações, o fortalecimento do grupo mirim a cada ano aumenta, resultando em credibilidade, prova disso é o fato dos portões do Sambódromo serem fechados devido à lotação nos setores de arquibancadas. Quem imagina que a AESM organiza apenas os desfiles está redondamente enganado. Cabe à associação o planejamento de atividades como os eventos festivos e esportivos, além de gerenciar os projetos desenvolvidos nas comunidades como oficinas, práticas e cursos oferecidos às crianças e jovens. À Aesm cabe organizar os torneios esportivos, festas de lançamento do CD dos sambas de enredo, premiações, sorteio que define ordens de desfile e até mesmo a festa de apresentação dos enredos, durante anos realizada na Cidade do Samba. Na gestão de Edson Marinho se promoveu a manutenção de medidas adotadas que deram certo como o Troféu Olhômetro e a criação do Estandarte do Samba Mirim, bem como o novo modelo na produção do registro das obras das escolas com o CD e o lançamento da Revista Cartilha do Samba – veículo editoria oficial da Aesm. Em 15 anos de existência muitas foram as dificuldades e obstáculos a serem superados, mas segundo Edson Marinho (o presidente que está há 11 carnavais à frente da associação) a alegria no sorriso de cada componente ao entrar na avenida fantasiado cantando o samba de sua escola, é recompensador: “Ver que as crianças estão felizes por estarem fantasiadas e cantando o samba de suas escolas, me faz pensar que vale apena todo o sacrifício que é organizar os desfiles e estar à frente da AESM-Rio” – finalizou. Fotos: Acervo Aesm-Rio

Entrega do Troféu Olhômetro

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Fotos: Ana Valeria Gonçalves

Foto: Acervo Pessoal

Arquivo do Samba Mirim Pablo Marques, um talento em prol da música Por Arleson Rezende

Um dos talentos mais promissores surgidos nas escolas de samba mirins nos últimos anos é intérprete da tricolor Corações Unidos do Ciep. O cantor de 13 anos deu seus primeiros passos para a música aos quatro anos e desde então vem se revelando um verdadeiro artista. Pablo viu na irmã sua inspiração para cantar, e graças ao diretor da escola onde estudava fez um teste e foi aprovado. Hoje ele é um dos principais intérpretes de samba enredo do Samba Mirim. Quando surgiu o interesse pela música e quais são suas referências e estilos preferidos? Minha irmã mais velha sempre cantou, e sempre que a ouvia cantar eu me alegrava. Então ficava curioso para saber o que aquilo tinha que tanto me deixava feliz, e na curiosidade de uma pequena criança comecei a cantar. Eu tinha quatro anos. Como você concilia os estudos e a música? De segunda a sexta me dedico mais aos estudos e aos sábados e domingos à música, no entanto tiro um tempo de três horas ou mais para estudar. Muitas das vezes pego na matéria, dou “um ritmo” e monto uma pequena música, fazendo com o que estudei entre mais fácil na mente. Como foi a sua chegada na Corações Unidos do Ciep?  Quando estava no 4º ano do ensino fundamental da Escola Municipal Antônia Vargas Cuquejo fui convidado pelo diretor Carlos Roberto de Freitas para fazer um teste vocal. Isso aconteceria no dia da escolha do samba que iria para a Sapucaí no ano seguinte. Como fui aprovado, fomos juntos de outros professores e alunos ao Cacique de Ramos para participar da final da Corações Unidos. No fim da apuração dos votos veio a resposta de tanto esforço para compor a música: nossa escola se sagrou campeã! Nós festejamos bastante pois fazia muito tempo que a Antônia Vargas Cuquejo não vencia o concurso. Há quanto tempo você atua como intérprete de samba de enredo e quais os demais estilos musicais você curte? Há três anos canto samba de enredo pela Corações Unidos 14 | AESM-RIO | Carnaval 2017

do Ciep. Gosto de MPB, pop, black music, sertanejo, bossa, pagode e músicas religiosas. Além da música, existe gosto por algum outro estilo de arte? Dança, teatro, entre outros. Nos momentos de lazer, o que mais gosta de fazer?  Andar de bicicleta e ler livros de poesias e histórias clássicas. Já participou de eventos? Quais? Cantei no Dia das Crianças no Park Shopping através do curso de canto que faço lá mesmo. Além disso já cantei no happy hour com meu professor de canto Renato Barros neste mesmo shopping, e participei de um recital, entre outros eventos. Também me apresentei no casamento da minha irmã, para emoção da minha família. Um ídolo na música?  Alcione. Qual seu prato preferido, sobremesa, cor, escola de samba e time do coração? Macarrão à Parisiense e bife. De sobremesa, sorvete de flocos. As cores preferidas são o azul, branco e vermelho. As minhas paixões são o Flamengo e a Portela! Para encerrar descreva a emoção de dar o grito de guerra do Corações Unidos do Ciep na avenida. Primeiro vem à minha mente “Obrigado Deus, por ter feito valer a pena todo o esforço e dedicação”. Toda aquela tensão que sempre tenho antes de pisar na Avenida acaba quando dou o grito de guerra da Corações Unidos do CIEP. Durante o desfile a alegria em mim é notável. São meses de trabalho. É uma imensa emoção.


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MIÚDA DO CABUÇU Foto: Marcelo O’Reilly

Fundada em: 14/06/1991 Cores da bandeira: Azul e Branco Presidente: Antônio Faria Intérprete: Richard Carnavalesco: Paulo Alves

maCHine – a mÁquina de FAZER SAMBA Compositor: Richard CANTA MIÚDA DESFILA COM FELICIDADE ESSE ENREDO TEM VALOR ELE É MERECEDOR DA NOSSA HOMENAGEM NINGUÉM VAI ME CALAR QUEM TE CONHECE SABE SUA HISTÓRIA NASCEU NO ÉDEN NO SAMBA FOI MORAR MACHINE CHEGOU PRA BRILHAR TRAZER NO SANGUE A ARTE DO SAMBA FILHO DE PASSISTA E BAIANA

COM O TEMPO FICOU CONHECIDO E O POVO PARAVA PRA TE VER SAMBAR NO SAMBA NO CHARME E NO SOUL FOI ABENÇOADO EM PRIMEIRO LUGAR VIAJOU O MUNDO INTEIRO CRIOU PROJETOS FUNDOU ESCOLA MIRIM COMEÇOU COMO SERVENTE HOJE É O SÍNDICO DA SAPUCAÍ A SUA HUMILDADE FAZ A GENTE APLAUDIR

Sinopse

O enredo do GRCESM Miúda do Cabuçu presta uma homenagem ao “síndico da passarela” José Carlos Faria Caetano, o popular Machine. Mostraremos na avenida esse carioca que carrega no sangue a arte do samba. Fotos: Marcelo O’Reilly

CRIADO PELO MESTRE XANGÔ AINDA CRIANÇA FOI VENCEDOR

CARREGA NO PEITO SÃO JORGE GUERREIRO SEU ETERNO PROTETOR

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TIJUQUINHA DO BOREL Foto: Marcelo O’Reilly

A TIJUQUINHA ENCANTA EM SOLO SAGRADO

Compositores: Josemar Manfredini, Totonho, Dudu e Fadico participação Vocal: Dandan Do Samba, Matheus Viana, Gabriel Lucas, Igor Cesário, Daniel Andrade e Ricardo Moreno HOJE TEM FESTA NA ROÇA QUEM QUISER PODE CHEGAR SE A COLHEITA É BOA É PRA COMEMORAR SEMEANDO A ESPERANÇA ENCONTREI O PARAISO SOU TIJUQUINHA DA PRA VER NO MEU SORRISO DIVINA É A LUZ DO ALVORECER A EMOÇÃO EU NÃO VOU CONTER GERMINA EM TEU SOLO A MINHA ESSÊNCIA TERRA DO TEU VENTRE A EXISTÊNCIA NUM SOPRO DIVINO DO CRIADOR A VIDA SE FEZ O BARRO MOLDOU AFLORA TÃO RARA BELEZA OS RIOS A MÃE NATUREZA A DESAGUAR EM TEU SEIO CULTIVAR

PLANTAR COLHER AMOR CUIDAR DO NOSSO CHÃO REGADO AO SUOR DO TRABALHADOR FLORESCE O PROGRESSO DESSA NAÇÃO A VIDA NO CAMPO COM MUITA ALEGRIA NA ESCOLA PRA GANHAR VALOR VESTINDO A MINHA FANTASIA NO MUNDO DOS SONHOS DO AGRICULTOR CRIANÇA ENCANTADA PELA PLANTAÇÃO EM SOLO SAGRADO BRINCANDO NO CHÃO TEM FESTA NA SAPUCAI PRO MUNDO INTEIRO SE DIVERTIR O SANFONEIRO JÁ CHEGOU PEGA A VIOLA E VEM PRA CÁ NESSA CADÊNCIA SÓ NÃO DANÇA QUEM NÃO QUER MEU AMOR "VAMO SIMBORA" QUE VAI TER ARRASTA PÉ CHEGA DE PROSA CADA UM PEGUE SEU PAR NINGUÉM VAI FICAR PARADO ATÉ O DIA CLAREAR

Sinopse

A Tijuquinha do Borel percorre a amorosa via-terra- fêmea da Mãe Natureza e vislumbra-nos com os seus encantos “sagrados”. Incorpora os fenômenos naturais e traz num contexto místico e folclórico – o sopro do criador: a vida se fez e do barro se moldou... E tudo se revela no encanto da exuberância da fauna e da flora e das riquezas naturais; afaga a terra ao talento do homem em plantar e colher. Viva o mundo dos “sonhos do agricultor”, que incentiva a criançada a plantar e pela terra sentir amor. Fotos: Marcelo O’Reilly

Fundada em: 19/06/2002 Cores da bandeira: Amarelo Ouro e Azul Pavão Presidente: Francisco Peres (Jacó) Intérpretes: Ewerson Breno Carnavalesco: Pedro Beline

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INOCENTES DA CAPRICHOSOS Foto: Marcelo O’Reilly

Fundada em: 04/04/1991 Cores da bandeira: Azul Royal, Azul Turquesa e Branco Presidente: Jefferson Rocha Intérpretes: Éric Esteves e Bernardo Martins Carnavalescos: Paulo Cavalcanti e Pamela Priscila

sou Curumim, sou inoCenTes SOU DA TRIBO DE JAPOROMIRIM! Compositores: Thiago Brito e Diego Oliveira participação vocal: Lorrane CAPRICHOSOS EU SOU CURUMIM INOCENTES AZUL E BRANCO ETERNAMENTE JAPOROMIRIM GUERREIRO NA FOLIA A MINHA TRIBO É SÓ ALEGRIA

OKÊ JURÊMA OKÊ O LAGO REFLETE A LUZ DE JACI GUERREIRA MULHER OS LÁBIOS DE MEL O AMOR DE PERI E CECI CACIQUEANDO NA AVENIDA LÁ VOU EU PRA DEVORAR A ALEGRIA DE VIVER DEFENDER MINHA FLORESTA FEITO CAIPORA VEM BRINCAR DE ÍNDIO QUE CHEGOU A HORA

Sinopse

A Inocentes da Caprichosos canta e conta lendas da tribo fictícia Japoromirim. O Pajé, o mais velho dos índios, evoca os espíritos guerreiros, os guardiões dos feitos de Tupã, o Deus do bem, para contar as lendas da floresta ao mais jovem dos Curumins daquela tribo. Ao ouvir aquelas histórias, o jovem Curumim resolve por si próprio desvendar se são apenas lendas ou realidade aquelas histórias e, desbravando terras distantes, tira as suas próprias conclusões sobre tudo aquilo que ouvira, encantando-se com um mundo de mistérios e aventuras. Fotos: Marcelo O’Reilly

PAJÉ HOJE VAI CONTAR MUITAS HISTÓRIAS DE ARREPIAR SOB AS BENÇÃOS DE TUPÃ O SOL HOJE TEM A LUA COMO PAR LENDAS DE UM LINDO PINDORAMA BROTANDO EM FARTURA NO ENCANTO DAS ÁGUAS O GUARANÁ O UIRAPURU VITÓRIA RÉGIA E O BOTO COR DE ROSA ETA TERRA MISTERIOSA

VEM VAMOS JUNTOS SONHAR DEIXA A IMAGINAÇÃO GUIAR SER FILHO DO SOL CACIQUE RAONÍ O NOSSO ELDORADO É AQUI

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GOLFINHOS DO RIO DE JANEIRO Foto: Marcelo O’Reilly

TeTeu JosÉ deus na GreCia, MENINO DO RIO E REI NA MARÉ Compositores: Alexandre Moraes, Hugo Bruno e Dedé Russinho EU SOU CRIANÇA GOLFINHOS A TE ABRAÇAR COM CARINHO DEUS DA GRECIA TETEU JOSÉ MENINO DO RIO REI NA MARÉ NO VENTRE FLUMINENSE NASCEU ITAPERUNA SEU NOBRE LUGAR FOI BATIZADO PELO NOME DE ALCEU AINDA MENINO NO RIO FOI MORAR FILHO DE EUCLIDES E JÚLIA CONCEIÇÃO TRAZ DA INFANCIA SUA DOCE VOCAÇÃO DE SER ARTISTA A CANTAR, REPRESENTAR SURGE O SAMBISTA TRILHANDO SEU CAMINHO ENCONTRA EM LUCAS O SUBLIME PERGAMINHO

UM GUERREIRO TRICOLOR DE CORAÇÃO EM DEVOÇÃO NOSSA SENHORA APARECIDA TITIO TETEU TRANSBORDANDO DE EMOÇÃO GOLFINHOS HOJE CANTA SUA VIDA REALIDADE ABRE A RODA VEM SAMBAR NÃO SE APAGA O SORRISO DE CRIANÇA NA SUA VOZ A LOCUÇÃO VAI ECOAR BRILHA NOSSA ESPERANÇA TETEU LÁ NA MARÉ UM LIDER É PREFEITO CULTURAL TETEU NOBRE GLOBAL COM SEU PLIM PLIM NO NOSSO CARNAVAL

Sinopse

O GRCESM Golfinhos da Guanabara embarca em uma curiosa viagem para conhecer a história deste homem tão presente na Maré. A nossa garotada entra com garra na Sapucaí para homenagear o produtor Teteu José. Fotos: Marcelo O’Reilly

Fundada em: 06/06/1996 Cores da bandeira: Azul e Amarelo Presidente: Valéria Pires Intérprete: Nego Wesley Carnavalesco: Cassio Carvalho

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AINDA EXISTEM CRIANÇAS DE VILA KENNEDY Foto: Marcelo O’Reilly

Fundada em: 21/04/1991 Cores da bandeira: Vermelho e Branco Presidente: Maria da Conceição Cardoso (Turquinha) Intérpretes: Rodrigo Tinoco e Vinícius Vila Kennedy Carnavalesco: Sylvio Cunha

TurquinHa É samBa, riGor E FANTASIA Compositores: Lucio Mariano e Americo da Costa Borges

ILUSTRE MAJESTADE OH! LINDA FLOR É PEDRA PRECIOSA TRAZ NO PEITO O ABRIGO ACREDITA NA PAZ LIBERTA DAS RIQUEZAS MATERIAIS NO SORRISO E NAS LAGRIMAS DE PAIXÃO E AFETO NAS ORAÇÕES AS MANIFESTAÇÕES O FUTURO DA CRIANÇADA COM DIREITO A LIBERDADE SUA FORÇA E ENERGIA COM SENTIMENTO E PENSAMENTO A VERACIDADE

AINDA EXISTEM CRIANÇAS BATE FORTE CORAÇÃO QUE EMOÇÃO A VILA KENNEDY NA AVENIDA TRAZ A MINEIRA VALENTE GUERREIRA FILHA DE ESPERA FELIZ

Sinopse Este ano levaremos para a avenida uma singela homenagem à nossa fundadora e presidente Maria da Conceição Cardoso, a popular Dona Turquinha. Uma dama do samba e grande representatividade do samba na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Fotos: Marcelo O’Reilly

QUE LUMINOSIDADE RESPLANDECE O SONHO A DIVINDADE EM SUAS MÃOS OBRA ENCANTADO GERAÇÕES TRANSFORMANDO PASSARELAS E ALTARES EM PALCOS DE FELICIDADE APLAUSOS AO SEU TALENTO DE SEUS CORTEJOS O ESPLENDOR DE SUA ARTE A MARAVILHA O ORGULHO DAS ARTESÃS DO CHAPÉU ABENÇOADO EM MUITA FÉ ESPERANÇAS E CONQUISTAS

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IMPÉRIO DO FUTURO Foto: Marcelo O’Reilly

SERRA DE BAMBAS: DE MOLEQUINHO A PRETINHO DA SERRINHA Compositores: Ala de Compositores participação Vocal: Bia, Isadora e Nathuane SOU IMPERIO DO FUTURO NASCI NO BERÇO DE BAMBA NOSSA CULTURA É POPULAR SOU RAIZ EU SOU O SAMBA “SERRA” DOS MEUS SONHOS DOURADOS HOJE E AMANHÃ HONRAREMOS TEU PASSADO SINTO ORGULHO POR TI AONDE EU NASCI E FUI CRIADO QUALQUER CRIANÇA TOCA UM PANDEIRO UM SURDO E UM CAVAQUINHO ASSIM CANTOU UM “BAMBA DA SERRA” VAMOS FALAR DE “MOLEQUINHO A PRETINHO”

“SERRINHA” REFERÊNCIA CULTURAL O PASSADO É PRESENTE NESTE CARNAVAL MOLEQUINHO CRIOU ESCOLA DE SAMBA SURGINDO NOMES E OBRAS IMORTAIS COMPOSITORES MESTRE-SALA PORTA-BANDEIRA RITMISTAS E MUITO MAIS “TOCANDO A VIDA” COM OS AMIGOS E O CAVACO SOU “PRETINHO DA SERRINHA” SEGUINDO O PASSO NO COMPASSO AGORA PODEREMOS ATÉ PROVAR QUE MELODIA MORA LÁ NA “SERRINHA”

Sinopse

“SERRA DE BAMBAS: DE MOLEQUINHO A PRETINHO DA SERRINHA!” é um enredo pontual para a Serrinha, “berço de Bambas”, local de origem da Escola de Samba Império Serrano e também da Escola de Samba Mirim Império do Futuro. Muitos sambistas talentosos fincaram suas raízes fazendo a história nas páginas do Samba. Fotos: Marcelo O’Reilly

Fundada em: 05/08/1983 Cores da bandeira: Verde, Branco, Ouro e Prata Presidente: Arandi Cardoso dos Santos (Careca) Intérprete: Jade Sandyrah Carnavalesco: Joselito Lázaro dos Santos

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CORAÇÕES UNIDOS DO CIEP Foto: Marcelo O’Reilly

Fundada em: 15/08/1985 Cores da bandeira: Laranja, Amarelo e Branco Presidente: Marilene Monteiro Intérprete: Pablo Marques Carnavalesco: Comissão de Carnaval Mirim

arTeiros, arTÍfiCes e arTisTas. É na ARTE QUE O HOMEM SE ULTRAPASSA Compositores: Oficina de Compositores

OLHEI O "RELÓGIO" QUE ME FEZ REFLETIR OBRA IMORTAL DE SALVADOR DALÍ A ARTE VEM PINTAR A PASSARELA É UM DESEJO ARQUITETADO DESSE MARQUÊS QUE É TROPICAL NO CLÁSSICO LUXO E RIQUEZA EXALTA A BELEZA DO MEU CARNAVAL SEJA NA POESIA OU NA ESCULTURA SALVA A LITERATURA VIVA O ARTISTA NACIONAL

CORAÇÕES UNIDOS VEM CANTAR A HISTÓRIA DA ARTE HOJE VAI SE REVELAR SOU UM MENINO CURIOSO EU SOU MUITO ESTUDIOSO UM ETERNO APRENDIZ EU TIVE UM SONHO COLORIDO A SEMANA DA ARTE EMOLDURANDO O MEU PAÍS BRASIL O EUROPEU AQUI CHEGOU COM O ÍNDIO MISCIGENOU E O NEGRO CARNAVALIZOU

A arte desde os primórdios foi responsável pela transformação da vida nas sociedades bem como pela recuperação dos povos após grandes tragédias. Todas as grandes transformações sociais ao longo da história contaram com a arte para que conscientizar e empoderar o povo nas suas conquistas. O GRCESM Corações Unidos do Ciep trará as artes e seus artistas para a Sapucaí neste Carnaval. Fotos: Marcelo O’Reilly

NA TRAGÉDIA GREGA BERÇO DO TEATRO NA ARTE MODERNA PABLO PICASSO

Sinopse

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filHos da ÁGuia Foto: Marcelo O’Reilly

mulHeres noTÁVeis do reino da ÁGuia

Compositores: Beto Fininho e Wanderley Monteiro SOU FILHO DA ÁGUIA ESTOU AQUI PRA ENSINAR SE VOCÊ QUISER OUVIR VOU CANTAR PRA TE CONTAR TUDO AQUILO QUE APRENDI

MULHERES NOTÁVEIS DA PORTELA SÃO ÁGUIAS MÃES GUERREIRAS ESTRELAS AZUIS QUE BRILHAM NO CÉU DE MADUREIRA E OSWALDO CRUZ TUDO COMEÇOU COM AQUELA QUE DEU A LUZ AO FUNDADOR Ô Ô Ô ACOLHEU TANTO BAMBA E AO MUNDO DO SAMBA EMPRESTOU O SEU AMOR LATA D’ÁGUA NA CABEÇA LÁ VAI SEM ELA A ESCOLA NÃO SAI

É NO ASFALTO QUE O SAMBA DÁ OLÉ E A PASSISTA É COMPARADA AO REI PELÉ GLORIAS DA FAMÍLIA PORTELENSE VOZES QUE ECOARAM NO TERREIRO MULHERES QUE UNIRAM SAMBA E FÉ CORAJOSAS NO PAPEL DE BATUQUEIRO UM CISNE QUE HONROU O PAVILHÃO AZUL E BRANCO PASTORAS E BAIANAS QUITUTEIRAS A RAINHA PIONEIRA À FRENTE DE UMA BATERIA A DAMA QUE JÁ FOI PORTA-BANDEIRA A PRIMEIRA TRADUÇÃO DE GARRA E ALEGRIA E AINDA HOJE VAMOS MANTENDO A TRADIÇÃO COM TEMPERO E ATITUDE COM FORÇA E PAIXÃO NO CORAÇÃO

Sinopse

O enredo do GRCESM Filhos da Águia é uma homenagem a todas as mulheres notáveis da Portela. Nossas verdadeiras “mães guerreiras”. Estrelas azuis que brilham no céu de Osvaldo Cruz e Madureira. Fotos: Marcelo O’Reilly

Fundada em: 31/07/2001 Cores da bandeira: Azul e Branco Presidente: Celso Andrade Intérprete: Rafael Faustino Carnavalesco: Luciano Moreira

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PIMPOLHOS DA GRANDE RIO Foto: Marcelo O’Reilly

Fundada em: 10/08/2002 Cores da bandeira: Verde, Vermelho e Branco Presidente: Camila Soares Intérprete: Ruan Paiva Carnavalesco: Clebson Prates

100 anos de samBa, PIMPOLHOS DE BAMBA

Compositores: Fabrício Machado, Nathália Moratelli, Leonardo Saleiro, Ruan Paiva, Clewerson Ribeiro, Juliane Magalhães, Chalana Saleiro e Nathália Macedo

TOCA JONGO BATUQUEIRO HOJE VOU ME ACABAR NÃO DEIXE O SAMBA MORRER RESPEITE ONDE A GENTE CHEGOU TEM TITITI HOJE NA SAPUCAÍ VEM PRA CAXIAS PIMPOLHOS DE BAMBA PODE APLAUDIR NOSSA ESCOLA DE SAMBA O VELHO HOMEM NOS ENSINOU EU SOU CANTOR E NÃO SOU PUXADOR

CEM ANOS DE GLÓRIA VAMOS CANTAR BATE O TAMBOR HOJE TEM ALUJÁ VEM DA BAHIA O AGUERÉ SEM PRECONCEITO EU LEVO O AXÉ VEM EMBARCAR NESSA FESTA POPULAR ERA SEMBA DE LÁ VIROU SAMBA DE CÁ BONS VENTOS TROUXERAM NOVOS LAÇOS DE UNIÃO O TELEFONE TOCOU DEU ASAS A IMAGINAÇÃO ESSA MAGIA NEM O TEMPO APAGOU ENTRA NA RODA ESPALHANDO O AMOR OH TIA CIATA CHAMOU

A Escola de Samba Mirim Pimpolhos da Grande Rio apresenta, em seu 15º ano desfilando na Marques de Sapucaí, uma homenagem ao centenário do samba. Iremos contar com nossas crianças os personagens e enredos que contribuíram para a resistência e respeito pelo samba. A Pimpolhos irá fazer uma volta ao passado em forma de agradecimento a todos que lutaram pela nossa arte.Viva ao samba! Axé. Fotos: Marcelo O’Reilly

VEM PRO TERREIRO ESSE POVO É FESTEIRO

Sinopse

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MANGUEIRA DO AMANHÃ Foto: Marcelo O’Reilly

Fundada em: 12/08/1987 Cores da bandeira: Verde e Rosa Presidente: Arcindo José (Soca) Intérprete: Dowglas Diniz Carnavalesco: Bruno Faria

a BaHia de ioiÔ e de iaiÁ e CARLINHOS BROWN

EH! BAHIA FESTA DE REIS IEMANJÁ NO TABULEIRO DA BAIANA SINHÁ TEM CARURU ACARAJÉ E VATAPÁ CAPOEIRA CAPOEIRA CAMARÁ COM A PATOTA DE COSME VAMOS FESTEJAR BRILHA NO CÉU A LUZ DE UM IMORTAL É BALÃO DE SÃO JOÃO SALVE O DIVINO! LÁ VEM MANGUEIRA DO AMANHÃ!

Compositores: Dowglas Diniz, Alan Luiz, Helton Dias e Maequinhos Papão SUBI A LADEIRA DO PELÔ SOU CRIANÇA MEU SENHOR E NUM SONHO SAUDEI A OXALÁ SAMBA IOIÔ SAMBA IAIÁ

ÔÔÔ TIMBALADA EU VOU ÔÔÔ NA TERRA DE SÃO SALVADOR

Sinopse

Vem, vamos juntos conhecer essa maravilhosa terra, cheia de encantos e magia, com uma mistura de raças e cores, guiada por “Oxum, Ogum e Oxalá” protetores desta terra descoberta por Cabral. Com seus “temperos e cheiros” naturais, com o sabor bem gostoso do vatapá, do bobó, do acarajé e o gosto inconfundível do dendê com o dengo da baiana e a ginga do capoeira, com um toque quente da pimenta malagueta. Fotos: Marcelo O’Reilly

VEM CONHECER A BAHIA TERRA SAGRADA DE ENCANTO E MAGIA EU VOU PEDIR AOS SANTOS PROTEÇÃO COM MUITA FÉ E NA LAVAGEM DO BOMFIM BANHO DE AXÉ MAS SE OUVIR O BATUQUE DO BROWN VOU BRINCAR MEU CARNAVAL

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ESTRELINHA DA MOCIDADE Foto: Marcelo O’Reilly

Fundada em: 02/06/1992 Cores da bandeira: Verde e Branco Presidente: Gabriel Azevedo Intérprete: Millena Wainer Carnavalesco: Reinalto Silveira

aliCe no paÍs da esTrela-Guia

Compositores: Millena Wainer, Lucas Azevedo, Victor França, Jotinha, Robert Pierrout, Vitor Jaime, Mateus A. Almeida, Rafael Faustino, Raphael Gravino, Thatiane Carvalho, Igor Souza e Igor Dos Reis NA ESTRELINHA A ESPERANÇA ESTAMPADA NO SORRISO DE CRIANÇA VERDE E BRANCO NÃO TEM JEITO BRILHOU UM NOVO DIA NO PAÍS DA ESTRELA GUIA

A RAINHA MÁ VIROU BOAZINHA FEZ DA DINAH MANSA GATINHA NO SALÃO DO CHÁ SORRI A NOBREZA CORRE ARGANAZ FAZ A FESTA NA MESA NO EMBALO DE UM SOM DIFERENTE CONHECI A CORTE DA ESTRELA GUIA MALUCO OLHA ALI O CHAPELEIRO AGORA ELE TEM LOUCA COMPANHIA A LEBRE FELIZ O GATO RISONHO PEQUENA GRANDEZA DE UM SONHO OS ANIMAIS DA FLORESTA EM FESTA NUM SORRIDENTE JARDIM MAS TODA HISTÓRIA SE REPETE CAÍ NO BURACO E TUDO TEVE FIM

Sinopse

Alice nunca conseguira esquecer a beleza e os amigos que fizera no país das maravilhas. E se fosse possível voltar pra lá? Será que a Rainha ainda seria má? O que teria acontecido com o Valete de Copas? Quantas cabeças já teriam sido cortadas? Valeria a pena cair de novo em um buraco e enfrentar as peripécias da última viagem? Mesmo com muito medo, Alice desejou tão forte, com tanta vontade, que uma pequena luz se aproximou no jardim. Era a Estrelinha, convidando Alice a embarcar em um vôo fantástico rumo ao espaço. Fotos: Marcelo O’Reilly

NÃ DÁ PRA ESQUECER O QUE SE GUARDA NO CORAÇÃO TANTOS MISTÉRIOS CREI NA IMAGINAÇÃO QUERO MARAVILHAS RECORDAR UMA LUZ INVADE MEU OLHAR A ESTRELA NO JARDIM A ME GUIAR VOANDO ENTRE COMETAS E PLANETAS DEVANEIO PELO ESPAÇO SIDERAL AH QUE LEGAL A GENTE CHEGOU

TÁ TUDO IGUAL ? SERÁ QUE MUDOU ? MALDADE NÃO TEM AGORA TODO MUNDO É DO BEM

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APRENDIZES DO SALGUEIRO Foto: Marcelo O’Reilly

SALGUEIRO APRESENTA: O RIO NO CINEMA Compositores: Dudu Botelho, Miudinho, Anderson Benson e Luiz Pião SALGUEIRO APRESENTA O RIO NO CINEMA JÁ NÃO HÁ MAIS LUGAR PRA NOS VER NA PASSARELA CADA UM É UM ASTRO QUE ENTRA EM CENA NO MAIOR ESPETÁCULO DA TELA A CINELÂNDIA REENCONTRAR A LUZ SE APAGA ACENDE A VIDA PROJETA SONHOS NA AVENIDA A TERRA EM TRANSE MOSTROU VISÃO SINGULAR E O TESOURO DE ATLÂNTIDA FOI ABRAÇADO PELO MAR ONDE ESTÁ? DIZ AÍ CARLOTA JOAQUINA VEIO DESCOBRIR NA BUSCA O BONDE DA LAPA MADAME SATÃ PEQUENA NOTÁVEL REQUEBRA ATÉ DE MANHÃ

EM UM SIMPLES INSTANTE ORFEU VENCE AS DORES EM SOM DISSONANTE E AS CORDAS DO SEU VIOLÃO SILENCIAM PARA O AMANHECER BRILHA O SOL DE UM DIA DE VERÃO SALTA AOS OLHOS OUTRA DIMENSÃO REVOADA RISCA O CÉU E FAZ AMIGOS ALADOS CANTO DE PAZ MANEIRO DEU A LOUCA EM COPACABANA VI BEIJO DO HOMEM NA MULHER ARANHA E O "KING-KONG" NO RELÓGIO DA CENTRAL MEU SALGUEIRO O "OSCAR" SEMPRE É DA ACADEMIA TOCA O "BIP-BOP", FURIOSA BATERIA AQUI TUDO ACABA EM CARNAVAL O CENÁRIO É PERFEITO DE BRAÇOS ABERTOS SOBRE A GUANABARA O FILME MOSTROU MARAVILHOSA CHANCHADA SOB A DIREÇÃO DO REDENTOR

Sinopse

Seguindo a linha de reedições feitas pela Aprendizes do Salgueiro nos últimos carnavais, trazemos no carnaval 2017 a reapresentação de um grandioso desfile da nossa escola mãe Acadêmicos do Salgueiro – “ Salgueiro Apresenta: O Rio no Cinema”. Essa viagem pra lá de maluca tem como objetivo a busca pelo tesouro perdido de Atlântida, ao longo do desfile vamos vendo as trapalhadas que esses grandes personagens do cinema vão passando. Fotos: Marcelo O’Reilly

Fundada em: 03/11/1989 Cores da bandeira: Vermelho e Branco Presidente: Regina Celi dos Santos Fernandes Intérprete: Pablo Andrade Carnavalescos: Renato Lage e Paulo Henrique Caetano

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PETIZES DA PENHA Foto: Marcelo O’Reilly

Fundada em: 26/06/2002 Cores da bandeira: Verde e Branco Presidente: Darcilia Lima Intérpretes: Jean Oliveira e Jean Alexandre Carnavalescos: Diangelo Fernandes e Felipe Pereira

sorria, VoCÊ esTÁ sendo filmado Compositores: Leozinho Nunes, Fabão, Rodrigo Jacopeti e Jean Alexandre TÔ FILMANDO VOCÊ X SORRIA A PETIZES CHEGOU QUE ALEGRIA A CASA DO RISO É O MEU PAVILHÃO BATE FELIZ MEU CORAÇÃO

O DESENHO QUE ANIMA O VIVER GARGALHOU PRO MUNDO UM JEITINHO DE SER NO CINEMA UM SHOW DE IMPROVISO BRASIL EM CENA A ARTE PELO RISO A FELICIDADE QUE VEM DA TV FAZ O FUTURO MELHOR PRA MIM E VOCÊ E NO GIRAR DA BAIANA HISTÓRIA CELEIRO DE BAMBAS SORRIA AQUI TEM AMOR PELO SAMBA

Sinopse

O GRCESM Petizes da Penha se faz mais “Alegre” do que nunca e, sob a luz do carnaval, traz para a avenida a essência da magia que o riso, pois ele altera o estado de espírito de todo ser humano abrindo as portas para a comunicação com o mundo ao nosso redor. Torna a vida mais colorida e feliz, uma vez que possui a capacidade de espantar a tristeza. O riso é a própria expressão da alegria. Sorria, a GRCESM Petizes da Penha chegou!!! Fotos: Marcelo O’Reilly

CRIANÇA FELIZ FELIZ A CANTAR A LUZ SINGELA QUE VEM DO SORRISO PETIZES VEM PRA EMBALAR O PRESENTE QUE LEVA AO PARAÍSO AO MUNDO INFANTIL PELAS MÃOS PEQUENAS UM TOQUE SULTIL DE BELEZA ENCANTO E PUREZA QUE DÃO O TOM E A COR TEM FANTASIA SOB A LONA VERDE E BRANCO TEM SIM SENHOR

CHEGOU CHEGOU A CARAVANA DA ALEGRIA HÁ HÁ HÁ HÁ A PALHAÇADA VAI ROLAR NESSE PICADEIRO DE MAGIA A PETIZADA VEM BRINCAR

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HERDEIROS DA VILA Foto: Marcelo O’Reilly

sou mesTre TramBique, mÚsiCo E COMPOSITOR. VOU LHE MOSTRAR O SAMBA! Compositores: Marcelinho Moreira, Raoni Vestapane, Dedé Aguiar e Fagundes Fernandes SE LIGA MEU CHAPA VEM NA MINHA ABA MEU RECO-RECO FAZ VOCÊ SAMBAR PLANTEI A SEMENTE BROTARAM OS MEUS IDEAIS SÃO 29 CARNAVAIS EU VIM LÁ DAS BANDAS DE MINAS E ME EMBALEI NO BERÇO DE NOEL ANDANDO NAS CALÇADAS MUSICAIS FIZ VALER A EMOÇÃO O SAMBA BATEU FORTE NO MEU CORAÇÃO NÃO SOU DO TEMPO QUE ELE ERA PROIBIDO MAS APRENDI OUVINDO SEMPRE O MAIS ANTIGO

SUBI O MORRO PISEI FORTE NO TERREIRO ABRACEI O MEU DESTINO DE SER BATUQUEIRO LÁ NA PEDRA DO SAL NO QUINTAL DA CIÁTA ONDE O COURO COMIA REUNIA A NATA OUVI DIZER QUE O SAMBA VEIO DA BAHIA DEIXA FALAR QUEM ME ENSINOU SABIA VI NASCER A ESPERANÇA SALVAR CRIANÇAS PORTANDO SURDO E TAMBORIM SÃO AS ARMAS DE UM BAMBA A BATUCADA QUE EU DEIXEI DE HERANÇA SOU JOSÉ BELMIRO LIMA PRO MUNDO MESTRE TRAMBIQUE CHAMA A DINORÁH QUE A CHAPA QUENTE VAI TOCAR E OS HERDEIROS VÃO PASSAR

Sinopse

O enredo do GRCESM Herdeiros da Vila apresentará uma visão sobre a formação do samba e a criação da escola pela vertente de um dos nosso fundadores que, infelizmente, nos deixou recentemente. Fotos: Marcelo O’Reilly

Fundada em: 22/07/1988 Cores da bandeira: Azul e Branco Presidente: Levi Junior Intérpretes: Yanick Mazzoni, Maiara Morena e Miguel Veiga Carnavalesco: Sidiney Rocha

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noVa GeraÇÃo do esTÁCio de sÁ Foto: Marcelo O’Reilly

Fundada em: 12/10/1990 Cores da bandeira: Vermelho e Branco Presidente: Joel Toledo de Araújo Filho Intérprete: Thatiane Carvalho Carnavalesco: Oziene Furtado

na CadÊnCia do samBa, Vem Joel Toledo de araÚJo, ou XanGÔdo esTÁCio, emBaiXador do morro de sÃo Carlos, no samBa É HoJe a fesTa na sapuCaÍ Compositores: Emanuel Apoteose, Mazinho Brito e Mariano Araújo HOJE É FESTA É ALEGRIA JOEL TOLEDO DE ARAÚJO NA AVENIDA EU SOU ESTÁCIO NOVA GERAÇÃO SALVE XANGÔ PRA SEMPRE NO MEU CORAÇÃO

AI QUE SAUDADE ME DÁ QUE BAILE BOM TEM ARRASTA PÉ TEM SAMBA E DANÇA NO SALÃO WALMIR TEREZA E VALDETE TITICO BOCAMOLE E IVONETE NO JOGO DOS SONHOS AMIGOS GANHOU PODE APOSTAR !!! A SEMENTINHA PLANTOU GERMINOU SOU A NOVA GERAÇÃO A DESFILAR AMOR A FAMÍLIA DEDICAÇÃO O SAMBA EM FORMA DE ARTE A CHAMA DA ALEGRIA ARDE NO PEITO É DE OURO O SEU ESTANDARTE

Sinopse

Em 2017 o Grêmio Recreativo Escola de Samba Mirim Nova Geração do Estácio vem orgulhosamente prestar homenagem ao grande baluarte do samba carioca joel Toledo de Araujo conhecido como Xango do Estácio, figura lendária na comunidade do morro do São Carlos. Em sua trajetória de vida, Joel deixou um legado de belas realizações e melhorias em sua comunidade. Fotos: Marcelo O’Reilly

FOI ELE A VOZ DO MORRO SIM SENHOR PRA VIDA MELHORAR SEU SONHO SE TORNOU REALIDADE ATRAVEZ DA UNIÃO EM PROL DA COMUNIDADE

LÍDER INCANSÁVEL LUTOU COM PERSEVERANÇA PRA VER UM DIA MAIS FELIZ NO FUTURO DAS CRIANÇAS

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G.R.C.E.S.M.

INFANTES DO LINS Foto: Marcelo O’Reilly

CHICO SPINOZA EM CENA Compositores: Rafhael Gravino, Joyce Oliveira, Vinicius Silva, Nilsinho e Vinicius Carvalho EU VOU VIAJAR COM A INFANTES DO LINS LEVAR MINHA ARTE PRA SAPUCAÍ VOU EMBARCAR NESSA FESTA VERDE E ROSA PRAZER SOU CHICO SPINOZA UM DIA SONHEI COM UM UNIVERSO DE MAGIA REALIZEI EM LUZES, CORES, FANTASIAS AQUARELA, LÁPIS E PAPEL É O MUNDO, QUE ME ALIMENTA VESTI PERSONAGENS, CRIEI ILUSÕES NÃO HÁ LIMITES PRA ME ACOMPANHAR A AVENTURA JÁ VAI COMEÇAR E NA DOCE ILUSÃO SER HERÓI OU VILÃO APRENDER A SORRIR, SER ATÉ CAPITÃO DO NORTE A LEOA A CANTAR E A RAINHA DO ROCK A TE TATUAR

NA ESPERANÇA DE UM SORRISO DE CRIANÇA OU NA BELEZA DE UM ESTÁDIO A COLORIR ABRI AS CORTINAS, CONTEIA HISTÓRIA NO CENÁRIO ME DIVERTI CARNAVAL ONDE A CENA PASSEIA, COLORINDO A AVENIDA EM BUSCA DO OURO ME ENCONTREI NA PAULICÉIA EU ME DECLAREI E VI A MÁGICA EM CADA UM DE NÓS UMA PINTADA, LEVEI A NAVEGAR SAUDEI ORIENTAIS, CONTEI A IMIGRAÇÃO BANZAI, ARIGATÔ JAPÃO GRITEI PRO BRASIL ACORDAR AVISEI QUE DOAR, É AMAR SEM MEDO DE ERRAR UM ATO DE FRATERNIDADE COMA BENÇÃO DO SANTO GUERREIRO ILUMINA O POVO BRASILEIRO

Sinopse

A Infantes do Lins homenageará na próxima folia um dos carnavalescos mais talentosos do nosso carnaval brasileiro: Chico Spinosa. O artista que já foi campeão pelo GRES Estácio de Sá e tem passagens em diversas escolas do Rio e de São Paulo, será cantado em verso e prosa pela criançada do Lins de Vasconcelos. Fotos: Marcelo O’Reilly

Fundada em: 01/05/1991 Cores da bandeira: Verde e Rosa Presidente: Erica Renata Intérprete: Bruno Rezende Carnavalesco: Eduardo Minucci

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Foto: Acervo Mangueira do Amanhã

Mangueira visando o Amanhã, há trinta anos revelando talentos e resgatando vidas Por Arleson Rezende

Sendo um dos projetos que compõem o Programa Social da Estação Primeira – a Mangueira do Amanhã teve como inspiração o projeto implantado por Arandi Cardoso dos Santos (o Careca do Império Serrano), cujo objetivo era retirar crianças e jovens do ócio proporcionando-lhes uma ocupação. Resultando em uma oportunidade de melhora na qualidade de vida através do livramento das drogas, abandono e marginalidade com o foco de enraizar as tradições locais e disseminar a maior expressão da cultura do povo carioca - o samba, em especial o carnaval. E como a participação infantil nesse tipo de manifestação sempre foi muito intensa, os resultados não demoraram a aparecer. Daí o surgimento de outras agremiações mirins como a Alegria da Passarela, Império das Princesas Negras e Corações Unidos do Ciep. A escola de samba mirim Mangueira do Amanhã antes de fundada foi idealizada pela cantora Alcione, que motivada pelo trabalho desenvolvido com crianças e jovens atendidos no Morro da Serrinha, viu a necessidade de desenvolver algo nos mesmos moldes pela garotada residente em Mangueira.

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E às vésperas da Verde e Rosa completar 60 anos de fundação a Marrom reuniu algumas pessoas, sensibilizadas com as mazelas e abandono do poder público que na época já assolavam a comunidade e fundaram o Grêmio Recreativo Cultural Mangueira do Amanhã, no dia 12 de agosto de 1987. “O trabalho desenvolvido por Careca com o Império do Futuro serviu de inspiração e espelho para fazer algo parecido com as crianças da comunidade da Mangueira. Tenho isso como missão”, afirmou a cantora. Uma seleção de notáveis como Tia Jô, Tia Alice, Dona Neuma, as irmãs Jurema Gaspar e Yolanda Gaspar, Dona Zica e Arcindo José (o Soca), além da sambista Afonsina Pires (a Dinorah do Grupo As Gatas), foram os fundadores da verde e rosa mirim. Jurema Gaspar, ainda atuante na escola relatou que os primeiros anos foram de muitas dificuldades, mas a força de vontade das pessoas envolvidas no projeto e a fibra da então presidente Alcione foram primordiais para o sucesso da Mangueira do Amanhã: “Muitas pessoas imaginam que por ser a escola de samba mirim da Mangueira e contar com sambistas influentes, as dificuldades não existiram. Pelo


Foto: Dayse King

Dona Zica e Tia Jô

Mestre Russo Fotos: Internet

Soca, presidente da Mangueira do Amanhã Taranta Neto Carnaval de 1990

Rodrigo Explosão

Vitor Art, mestre de bateria da Mangueira

Fotos: Acervo Mangueira do Amanhã

Tuiutí. Ainda na verde e rosa, o 1º mestre-sala Matheus e a 2ª portabandeira Débora começaram na Mangueira do Amanhã, sem falar no premiado casal Matheus e Vitória, responsáveis por defender 1º casal Matheus e Vitória o primeiro pavilhão da verde e rosa mirim e também formam o terceiro casal da escola mãe. No segmento destaca-se o promissor casal de mestre-sala e porta-bandeira Yuri Gomes, de 15 anos e Juliana Lázaro, de 13 anos que há três carnavais vêm sendo tratados como pérolas da agremiação. “Eles têm um potencial enorme. Claro, ainda precisam aprender muito, mas temos ciência de que podem dar muitas alegrias tanto para Mangueira do Amanhã, quanto para a Mangueira mãe”, destacou o diretor de carnaval Ricardo Dias. Quando o assunto é bateria, aí não sobra espaço para a turma de fora que costuma desfilar em mais de uma escola. Na Mangueira a exclusividade para os ritmistas da comunidade é regra! Cerca de noventa e cinco por cento dos ritmistas começaram a batucar na Verde e Rosa Mirim, constatação mais do que percebida, pois diretores consagrados como os Mestres Russo (já falecido), Marrom, Rodrigo Explosão e Vitor Art (atuais responsáveis pela Bateria ‘Tem que respeitar meu Tamborim’) e Hudson (neto de Mestre Taranta), entre outros frequentaram a escola de percussão da Mangueira do Amanhã. Quando nos referimos ao autêntico samba no pé e gingado de malandros e mulatas, o talento brota como água na fonte em Mangueira. Os passistas são em sua maioria oriundos da Mangueira do Amanhã. O mesmo trabalho

Foto: Dayse King

fÁBriCa de TalenTos e Celeiro de BamBas Próxima de completar três décadas de fundação, diversos foram os talentos revelados pela Mangueira do Amanhã em todos os segmentos existentes em uma escola de samba. A prova do trabalho desenvolvido é quando temos a oportunidade de assistir aos desfiles da Mangueira e notarmos que alguns segmentos são formados em sua totalidade por componentes formados pela escola mirim, além de profissionais do no carnaval que brilham defendendo outras escolas de samba. Como exemplo destacamos o casal de mestre-sala e porta-bandeira Marquinhos Giovanna, que deram os primeiros bailados defendendo o pavilhão verde e rosa. Em 2017 defendem as cores do Paraíso do

Foto: Acervo Mangueira do Amanhã

contrário, foram inúmeras! Mas Graças ao empenho de todos os diretores naquela época e dedicação de Alcione o trabalho começou a render logo resultados”, declarou. Como toda árvore frondosa, os frutos surgiram de imediato, sendo a Mangueira do Amanhã uma fábrica de talentos, sendo consideradas como verdadeiras joias descobertas e lapidadas na escola mirim e fornecidas para a escola mãe, dando continuidade à dedicação e amor para a Estação Primeira que beira os 90 anos de existência, sempre tendo seus segmentos renovados a cada ano. A escola de samba mirim foi fundada na gestão de Carlos Dória (já falecido), figura relevante em todo o processo apoiando a iniciativa e na mesma época em que foi iniciada a construção da Vila Olímpica, no terreno doado pela Rede Ferroviária Federal, sendo esta uma das conquistas obtidas graças ao árduo trabalho da Marrom e demais mangueirenses que não hesitaram em pedir a cessão do espaço. A partir de então com as parcerias junto às grandes empresas formadas, o projeto social que se tornou referência, atendendo crianças com idade entre 05 e 17 anos, além de abrigar escolas, universidade, biblioteca, clínica e uma infraestrutura esportiva comparada às melhores existentes no Brasil, chegando a receber a visita de personalidades como o ex- ministro dos esportes Edson Arantes do Nascimento (Pelé) e do então presidente dos Estados Unidos Bill Clinton em 1997.

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Fotos: Dayse King

Fotos: Acervo Mangueira do Amanhã

Helcy Gomes, Jurema Gaspar e Evelyn Bastos no baile de 15 anos da Mangueira do Amanhã

Maylane Souza, rainha de bateria Bruna Santos, primeira princesa

Nicólle da Silva, segunda princesa

acontece quando nos referimos às rainhas e princesas de bateria. A maior prova é a atual que reina à frente dos ritmistas, Evelyn Bastos. A beldade iniciou como passista e rainha da bateria da escola mirim, a mesma trajetória de sua irmã Emelyn Bastos, que reinou à frente dos pequenos ritmistas da verde e rosa mirim em 2016. Este ano a bateria possui nova rainha e princesas. Maylane Souza de apenas nove anos fará sua estreia. A bisneta do compositor da escola Preto Rico, Bruna Santos, de 11 anos ocupará o posto de 1ª princesa da bateria e Nicólle da Silva que já foi rainha, será em 2017 a 2ª princesa. O intérprete Leandro Santos entoou os sambas de enredo e quadra na pequena verde e rosa, em 2004 antes de ser contratado pela Estácio de Sá e atualmente é o principal cantor da Acadêmicos do Sossego. Um fator que a maioria das pessoas desconhece são os profissionais ligados à música e teatro, que deram seus primeiros acordes e passos na Mangueira do Amanhã, como Duani César Martins, o Duani da Banda Forroçacana, que aos nove anos já era cavaquinista da Mangueira do Amanhã e o ator Tauã Delmiro, que entre 2005 e 2008 foi o responsável por defender os sambas na avenida. MANGUEIRA DO AMANHÃ: A HERANÇA GENÉTICA EM PROL DO SAMBA E CARNAVAL A paixão entre os que nascem e dão os primeiros passos rumo ao samba nos arredores da Estação Primeira de Mangueira é algo que é transmitido de pai para filho, de avós para netos, transferido entre irmãos e primos, sempre mantendo os ciclos e revitalizando os segmentos da escola. Sendo assim, entre os fundadores da Mangueira do Amanhã, parentes e familiares mais novos integraram ou fazem parte dos quadros que administram a agremiação. Como exemplo temos entre fundadoras Dona Zica que integrou a primeira diretoria desempenhando a função de Relações Públicas e sua neta Nilcemar Nogueira que 15 anos após atuou como diretora de carnaval. Dona Neuma em 1987 também atuou com porta-voz e sua filha Helcy da Silva Gomes (Sissi) presidiu a agremiação entre os anos de 2001 e 2009. Também destacam-se o ex-presidente Jorge Ferreira Simões (in memoriam) e sua esposa Jurema 34 | AESM-RIO | Carnaval 2017

Alcione e Alvinho, festa da Mangueira do Amanhã em 2002

Gaspar, que ainda atua como diretora. Esses são alguns exemplos do legado transmitidos de como se manifesta o amor e dedicação pela Mangueira. DEDICAÇÃO TOTAL À MANGUEIRA DO AMANHÃ Ricardo Henrique Dias, diretor de carnaval e sua esposa Dalcimar Maria, que há mais de vinte anos trabalham arduamente durante os ensaios, preparando lanches e organizando documentação e inscrições das crianças, também militam no barracão e ateliê, sempre em prol do desfile. O prazer de ver a criançada verde e rosa brilhando na Sapucaí, não tem preço. Ricardo dá o seguinte recado aos novos integrantes da diretoria: “Para estar ou fazer parte da diretoria da Mangueira do Amanhã, a pessoa tem que amar”. Dalcimar partilha da mesma opinião e enfatiza: “Nosso trabalho é totalmente voluntário, feito com amor, carinho e muito afeto. Tem que se doar”. Outro abnegado é o atual vice-presidente da agremiação, Jorge Luiz Matias Alves que desde 1987 vem desenvolvendo várias atividades na Mangueira do Amanhã, ressalta que com surgimento da Mangueira do Amanhã, a localidade evoluiu. “O morro evoluiu, a juventude evoluiu através do trabalho que é desenvolvido pela Mangueira do Amanhã”. Quando nos referimos à dedicação e amor pelo carnaval da criançada verde e rosa, a entrega e sentimentos se personificam em Soca, presidente da agremiação que trabalha no barracão seis dias por semana, chegando às 9h e saindo às 19h. “Para a coisa acontecer conforme planejamos, temos que tomar frente e colocar a mão na massa literalmente”, disse. O dirigente que em 2017 completa quatro anos à frente da escola revelou que o planejamento e início imediato do desenvolvimento do carnaval são primordiais para o sucesso no desfile. Prova disso são os resultados: a Mangueira do Amanhã é a agremiação mais premiada do grupo mirim nos dois últimos carnavais. Este ano lavará para a avenida o enredo “A Bahia de Ioiô e de Iaiá e de Carlinhos Brown”, de sua autoria e que está sendo desenvolvido pelo carnavalesco estreante Bruno Faria. “Estou muito feliz e empenhado em realizar um trabalho de excelência pela Mangueira do Amanhã”, declarou. Bruno ressaltou que ser o artista responsável por criar as fantasias e alegorias da escola mirim


mais premiada no segmento nos dois últimos carnavais é enorme, mas encara o desafio com garra e entusiasmo. “Chegar para desenvolver um trabalho na agremiação mais premiada nos desfiles de 2015 e 2016 é uma responsabilidade gigantesca. Mas estou motivado e com vontade de elevar cada vez mais o nível que já é excelente da Mangueira do Amanhã”, destacou. E apesar de estar em fase de conclusão do carnaval deste ano, a diretoria da Mangueira do Amanhã já desenvolve o tema para o próximo carnaval. Em 2018 o tema abordado pela garotada do Morro de Mangueira será o maior São João do Mundo. Com as fantasias prontas e alegorias concluídas, a escola levará para a Passarela do Samba o enredo: “A Mangueira do Amanhã te convida para o maior São João do Mundo. Vamos à Campina Grande na paraíba”. O tema é de autoria de Soca, que também assina os quatro últimos enredos, daí a prova de suas várias funções na Mangueira do Amanhã. Segundo o presidente tudo se torna recompensador quando vê a escola desfilando e completando o trigésimo aniversário: “Tudo vale a pena quando a escola começa o seu desfile e vejo a alegria estampada nos rostos das crianças. Tudo é recompensador quando vejo nesses 30 anos de glórias da Mangueira do Amanhã”. manGueira do amanHÃ ValoriZando BaluarTes, HisTÓria, reGiÕes e manifesTaÇÕes CulTurais Por trazer no nome Grêmio Recreativo e Cultural os fundadores e dirigentes da Mangueira do Amanhã sempre focaram desenvolver todo o trabalho voltado com as crianças valorizando pessoas que ao longo desses 79 anos de existência da Estação Primeira fizeram algo de concreto pela agremiação. Por isso os enredos escolhidos e apresentados na Passarela do Samba têm ligação direta com personalidades da escola, pessoas que prestaram relevantes serviços para a cidade e o país, além de exaltar costumes e regiões que fazem parte da cultura brasileira. Em 1988 o primeiro enredo apresentado foi

“Mestre Waldomiro – O melhor de sempre”; em 1990 “Tia alice, um exemplo de vida”; “Os meninos da Mangueira”, 1995; “obrigado Carlos Cachaça”, em 1999 e “Zé espinguela”, em 2001, estão entre os enredos que prestaram homenagens a grandes sambistas da escola. Mas as honrarias às personalidades brasileiras também marcaram época ao longo dessas três décadas. São elas: “maurício de souza (mônica convida sua Turma para o carnaval)”, em 1991. No carnaval de 1996 a homenagem a Chico Anysio com o tema “Escolinha do professor raimundo” e no ano seguinte Pelé foi o enredo da meninada verde e rosa: “De menino a Rei (Homenagem a pelé)”. Carnavais que marcaram época na Mangueira também foram relembrados pela escola mirim. Sambas que se tornaram épicos como “Rio de Janeiro... a Janeiro”; “O Mundo encantado de monteiro lobato”, “Yes, nós temos Braguinha” e “Caymmi mostra ao mundo o que a Bahia e a Mangueira têm”, entre outros foram reeditados pela escola mirim. UMA ESCOLA QUE SALVA E RESGATA VIDAS O projeto social da Mangueira abrange a crianças e jovens na área ao lado da linha férrea com escolinhas de futebol, basquete, ballet, ginástica, futsal, natação e vôlei, além do colégio de educação infantil e o CIEP Nação Mangueirense. O espaço ainda abriga o Camp Mangueira, além de posto de saúde, sala de dança e já possuiu uma universidade. Milhares de jovens foram atendidos, tendo a dignidade resgatada e alcançando os objetivos almejados. “A Mangueira através de seus projetos sociais prepara e inclui os jovens no mercado de trabalho. Já resgatou milhares de pessoas do submundo das drogas, oferecendo um trabalho, estudo e preparação. A Mangueira está localizada numa área assim como muitas no Rio de Janeiro atingidas pelo descaso das autoridades, mas a escola tem essa função de auxiliar e conduzir para o caminho do bem as crianças”, enfatizou Francisco de Carvalho – presidente da Estação Primeira.

Foto: Dayse King Fotos: Dayse King Fotos: Internet

Tauã Delmiro, ator Dalcimar Maria

Duani, músico

Soca ao centro e os casais de mestre-sala e porta-bandeira da Mangueira do Amanhã Bruno Faria, carnavalesco

Revista Cartilha do Samba | AESM-RIO | 35


Fotos: Ana Valeria Gonçalves

Entrev�ta com o presidente Edson Marinho Por Ricardo Dias

Ele é cria do Morro de São Carlos, Estaciano de alma e amante do carnaval e das crianças. A Cartilha do samba entrevista o presidente da Associação da Escolas Mirins do Rio de Janeiro, Edson Marinho: presidente marinho são quinze anos de aesm-rio. qual foi o papel da instituição para o desenvolvimento do samba mirim e para o desfile das crianças? Nosso papel neste período de quinze anos foi fundamental para o crescimento, visibilidade, organização e qualidade do espetáculo feito pela garotada e para eles. Fruto da dedicação de nossa diretoria e também das dezesseis escolas filiadas, que trabalham com muita dedicação para colocar um sonho na Avenida. Isso significou um avanço enorme e o resultado foi o aumento significativo do publico que leva seus filhos e vai prestigiar o nosso trabalho. É muito prazeroso constatar isso. então para o samba mirim existem dois momentos distintos: antes e depois da aesm-rio? Com a chegada da Associação veio também uma mudança de pensamento. Não que antes fosse um trabalho deficiente, mas com a troca de gerência alguns aspectos foram mais valorizados. Um exemplo bem claro é o nosso cd com os sambas de enredo para o carnaval, que não estava sendo produzido e nós retomamos o projeto de registrar as obras. Hoje o produto é esperado e respeitado pelo Mundo do Samba até em outros estados. Nós criamos também ferramentas para fortalecer o desfile, uma comunicação eficaz é outro exemplo. a aesm-rio surgiu após uma dissidência com outro órgão que geria o desfile das crianças. para vocês o objetivo inicial foi atingido? Na verdade, se buscava melhoria e isso é notório que houve. 36 | AESM-RIO | Carnaval 2017

Naquela ocasião eu era presidente de uma agremiação que não fez parte da fundação da Aesm-Rio, mas com certeza o movimento resultou em satisfação por parte dos seus idealizadores. a liga mirim ainda existe? Como é esta relação? A Liga Mirim das Escolas de Samba hoje só conta com uma agremiação, o GRCESM Ainda Existem Crianças na Vila Kenedy, presidida pela Dona Turquinha que também responde pela entidade. No entanto apesar de juridicamente ela existir, a Liga mantém a sua única agremiação desfilando como convidada no nosso desfile. Todos os trâmites, bem como o recebimento da subvenção vinda da prefeitura, entre outros assuntos são tratados através da Aesm-Rio. Temos um excelente relacionamento com eles e um carinho enorme pela Dona Turquinha. o que falta para a aesm-rio atingir a plenitude do trabalho? Nós estamos pleiteando um espaço digno para que a parte social seja mais bem resolvida. Um local onde se possa receber a criança com todo carinho e conforto, contribuindo para que o Movimento do Samba Mirim não fique focado somente no desfile. Nas quadras isso é feito, mas é preciso mais! Existe no papel um projeto focado em educação, cultura, formação de profissionais e acima de tudo de cidadãos. O projeto “Planeta do Samba”, além de servir às agremiações como locais para a confecção do seu carnaval, abrigará também cursos profissionalizantes, reforço escolar com professores altamente qualificados, espaços para a prática de esportes, além de aulas de canto, cavaquinho, percussão, aderecistas, escultores... Que não se formem sambistas, mas pessoas de caráter e cidadãos de bem. O samba é uma ferramenta de inclusão e a criança precisa ser vista! Ela precisa se sentir importante para a sociedade sabendo que está se preparando de forma eficaz para o mundo que o espera lá fora. Tudo isso através de estudo e boa formação! Isso é papel dos nossos governantes!


Presidente Marinho, então o senhor concorda que o apoio dos governantes e até das escolas de samba poderia ser maior? Hoje vemos outros movimentos culturais atraindo cada vez mais os jovens e as quadras de samba com os ensaios cada vez mais vazios. Não seria o momento de as escolas de samba aumentarem o apoio, numa oportunidade de se investir no futuro e atrair a juventude? Sem sombra de duvidas! Das 16 agremiações filiadas, aproximadamente 50% delas tem o que chamamos de “Escolas-mãe”. O que falta a alguns dirigentes é a consciência de que o ideal seria uma parceria com o Carnaval Mirim investindo em material humano para suprir as demandas do futuro. Hoje nas escolas aproximadamente 50% do contingente dos segmentos é oriundo de escolas mirins. O trabalho que é feito na base serve às agremiações adultas desde sempre e não é difícil encontrar adolescentes de 15 anos brilhando em todos os grupos. A resposta é rápida. Infelizmente tem dirigente que sua agremiação mantém uma Mirim, mas não está nem aí para ela. De acordo com o senhor o samba mirim é fundamental para o futuro do carnaval, mas como melhorar esse fomento? Nem tudo é dinheiro. Em principio o ideal é ter a mentalidade que de uma escola mirim dá para se colher bons frutos. É um investimento que pode até ter uma conotação comercial. São inúmeros os casos de sucesso, talentos que foram revelados e que brilham no momento. Falta o “start” de que o investimento é para a própria “escola-mãe”. E como o Senhor chegou na Aesm-Rio? No bairro do Estácio tinha uma escola de samba mirim chamada Sementes do Estácio. A agremiação foi criada no Morro de São Carlos pelo Joel Xangô, que era meu padrinho, e inicialmente presidida pela falecida Dona Solange, esposa do também falecido ex-presidente da Estácio de Sá, Acyr Pereira Alves. Ela já fazia um trabalho lindo lá. A “Sementinha” era filiada a Liga Mirim e fez três grandes carnavais, no entanto por conta de alguns percalços a escola precisou parar. Paralela a Sementes existia a Nova Geração do Estácio, e em reunião foi decidido que um grupo de nove pessoas tocaria a “escolinha”. O primeiro presidente foi o Dominguinhos do Estácio, na seqüência eu cheguei à presidência. Por conta disso começou o meu contato com a Aesm-Rio, à época presidida pelo professor Sérgio Murilo, que tinha como vice o Naval lá da Mocidade. Com o falecimento do presidente, o vice resolveu convocar novo pleito, onde fui convidado a colocar uma chapa sendo vice do professor Paulo Alves, a quem tenho grande admiração, e vencemos por aclamação. Por problemas de saúde após dois anos o Paulo precisou se afastar e eu assumi a presidência. Desde então nós fazemos este

trabalho e eu estou indo para o décimo primeiro carnaval à frente da Associação. Nós notamos grande identificação do senhor com as crianças... Sempre gostou de crianças? Nós fomos crianças né? A criança é o ser mais puro do mundo. É divina, é de Deus! Nós trabalhamos com crianças de diversas comunidades e vemos que as necessidades são as mesmas. É impressionante a carência que vemos. Nós ficamos sensibilizados pois a necessidade é tamanha e a Associação tem a carência até de um espaço para atendê-las. Para dar atenção, carinho e formação. (Neste momento o entrevistado se emociona) O que senhor considera como grande legado do seu mandato? Eu creio que a proximidade em todos os processos. Não sou um personagem. Eu sou o que sou! Não me escondo. No que eu puder ajudar a todos, estou sempre pronto. O maior legado é a administração clara e próxima de tudo e de todos. Eu procuro ser o que sou sem máscaras. E qual foi a formula do sucesso para o notório crescimento nestes quinze anos? Ninguém faz nada sozinho. Nós temos um grupo muito forte que atua na diretoria, além de parceiros fundamentais como a Liesa. Sem contar que o comprometimento das agremiações com esse crescimento é primordial. Existe alguma passagem ou personagem que para o senhor foi fundamental neste período? Eu costumo aprender com as pessoas o tempo todo. Procuro extrair o que elas têm de melhor para oferecer. O professor Sérgio Murilo me ensinou bastante. Eu não concordava com muita coisa, mas aprendi muito. Outra pessoa fundamental foi o professor Paulo Alves que deixou para mim como lição a sensatez, o discernimento e o equilíbrio sempre fundamentais para os rumos que tomamos na administração. Não posso deixar de citar o presidente Jorge Castanheira (Liesa), que nos serve de modelo de gestão e acima de tudo de conduta. Um homem de bem e do bem pelo qual eu tenho o maior carinho e respeito. Ele é grande fã do Samba Mirim e nos prestigia o tempo todo, além de sempre nos ajudar. Esse é um ano de comemorações. Teremos surpresas? Nossa diretoria está preparando uma grande festa pela ocasião destes 15 anos, mas ainda é surpresa. E quais são os planos da Aesm-Rio para o futuro? O nosso futuro deve estar focado no nosso espaço, o Planeta do Samba Mirim, que promete ser um grande “divisor de águas” na nossa história. Precisamos dele para seguir lutando e fazendo o melhor pelas nossas crianças. Revista Cartilha do Samba | AESM-RIO | 37


Foto: Ana Valeria Gonçalves

O defensor do Direito e do Samba Por Arleson Rezende

O jeito tímido e a fala mansa nunca definiriam Jorge Xavier dos Santos Silva como autêntico sambista ou muito menos como advogado. Isso porque o talento não molda ou define a personalidade, e sim nos premia com instantes de inspiração que acabam por resultar em obras que ficam para a eternidade, como os sambas compostos por Doutor Xavier, como é conhecido. Apesar da ainda pequena projeção por parte das pessoas que admiram o samba, Xavier tem muitas histórias para contar, já que por inúmeras vezes emprestou todo seu talento de compositor, e também o de renomado advogado ao carnaval carioca. Torcedor da Imperatriz Leopoldinense, Doutor Jorge faz parte da ala de compositores da agremiação, no entanto ele nutre uma paixão pela Vermelho e Branco do Morro de São Carlos, onde entrou para a galeria dos compositores campeões da Estácio de Sá, sagrando-se vencedor da disputa dos sambas de enredo em 2016 e 2017. Ainda como compositor assina em parceria com Alexandre Moraes e Hugo Bruno o ‘Hino da Aesm-Rio’, obra que ele destaca como uma das mais bonitas de seu repertório pelo fato de fazer referências à todas as escolas pertencentes ao Samba Mirim. A Cartilha do Samba apresenta ao grande público e conta a trajetória de um sambista que com suas habilidades venceu na vida, nas artes e no carnaval, e que há sete anos presta relevantes serviços às agremiações mirins. 38 | AESM-RIO | Carnaval 2017

Como se deu sua proximidade com o samba? Minha aproximação com essa paixão chamada de samba foi através de um renomado compositor conhecido por Niltinho Tristeza, autor de grandes obras. Compomos um samba de enredo para a Imperatriz Leopoldinense e posteriormente fizemos e gravamos outros sambas juntos. Podemos classificar a Imperatriz Leopoldinense como sua escola de samba do coração? Sim! Mas tenho um carinho enorme por outra agremiação, a querida Estácio de Sá. Em sua escola além de compositor, já desempenhou alguma função diferente? Na Imperatriz sou somente compositor. Na Estácio de Sá, além de integrar a Ala dos Compositores, atuo também como conselheiro da escola. Aponte as maiores alegrias e insatisfações no desempenho da função de compositor: Vou citar primeiro as alegrias: é incrível quando divulgam o resultado e seu samba é campeão! De insatisfações aponto quando apostamos as fichas e não levantamos o caneco, mas faz parte. A agremiação tem de escolher o que ela classifica como melhor. Vamos todos para Avenida cantar o samba escolhido com a maior alegria.


Fotos: Ana Valeria Gonçalves

Relate como aconteceu a sua chegada na Associação das Escolas de Samba Mirins? No ano de 2010 fui apresentado ao presidente Edson Marinho e tive a oportunidade de tomar conhecimento do brilhante trabalho prestado por ele e sua diretoria. Na ocasião tive a honra de ser convidado a integrar o quadro de diretores da Aesm-Rio. Quais funções desempenhou nesses sete anos como diretor da Aesm-Rio? Cheguei para atuar como diretor jurídico. Função que até hoje sou responsável e acumulo cargo atuando também como vice-presidente. No último carnaval a Aesm-Rio obteve uma grande conquista que foi a alteração nos horários de início e término dos desfiles. Como se deu a negociação da instituição com as autoridades competentes para modificação no horário? Foi um processo democrático e bem minucioso entre a I Vara da Infância, Juventude e do Idoso e todos os participantes. No final, todos saíram com vantagens. O bem-estar da criança é prioritário. Na opinião do senhor quais as medidas a serem adotadas pelos dirigentes do samba mirim para o crescimento do espetáculo? Entendo que os presidentes não medem esforços e sacrifícios para o crescimento da festa. Na verdade, falta incentivo do

poder público. A Aesm-Rio tem projetos como o do Planeta do Samba Mirim, que sem o incentivo do poder público não tem como avançar. Em 2017 a Aesm-Rio completa 15 anos de fundação. Sintetize a satisfação de fazer parte do corpo de dirigentes da entidade. É inenarrável! Só fazendo parte que se dimensiona a seriedade do trabalho realizado na Aesm-Rio. Tudo é satisfatório. Aponte a sensação de ouvir a sirene na avenida anunciando o início de desfile de uma escola mirim. É uma emoção enorme. Um espetáculo de altíssimo nível em que cada presidente e sua equipe apresenta o resultado do trabalho de um ano. E uma pena o espetáculo ter curta duração. Enquanto dirigente do carnaval mirim em todos esses anos, qual o maior aprendizado ou lição adquiridos pelo senhor? O empenho dos presidentes das agremiações para manter o cunho social afim de ocupar as crianças com atitudes socioculturais. Deixe uma mensagem para os sambistas. As crianças são os futuros sambistas. Ressalto que se quisermos modificar alguma coisa, é preciso respeitá-las para que o futuro seja digno.

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Voando com as asas da liberdade Por Ricardo Dias

Quem assiste ao desfile de uma escola de samba na avenida certamente não tem muita noção de quantas histórias, e dos inúmeros personagens interessantes que estão por trás daquela manifestação cultural. São anônimos que emprestam seu talento aos “encantos de Momo”, em uma soma de esforços para a realização da maior festa do nosso planeta. No entanto em um país onde as mazelas são inúmeras, e o descaso do poder público ainda maior, as oportunidades geradas para o mercado de trabalho por conta do carnaval viram verdadeiras chances de ouro em tempos de crise, e, muitas das vezes, ferramentas que colaboram com a inclusão de cidadãos em nossa sociedade. E o Samba Mirim, que tem um cunho social latente aliando assistencialismo à cultura, acaba virando um terreno fértil para este tipo de ação. 40 | AESM-RIO | Carnaval 2017

Exemplo disso é o trabalho que vem sendo realizado no GRCESM Inocentes da Caprichosos há dois anos. Um projeto idealizado pelo intrépido Jefferson Rocha, presidente da agremiação de Pilares, traz para dentro do barracão da escola mirim alguns jovens em situação de reabilitação social. Fora do carnaval Jefferson é Agente Sócio Educativo do DEGASE - Departamento Geral de Ações Socioeducativas, que executa as medidas judiciais aplicadas aos adolescentes em conflito com a lei. Lá ele mantém um grupo teatral há dezessete anos chamado “Nós do CAI” Centro de Atendimento Intensivo. E foi observando o interesse na reabilitação e na reintegração à sociedade por parte de alguns, que surgiu a idéia de montar uma equipe de carnaval que pudesse oferecer muito mais que “mão de obra” em potencial, mas a possibilidade significativa de chance de crescimento para os colaboradores: “Há dois anos nós mantemos esta


“Um projeto idealizado pelo

Fotos: Ricardo Dias

intrépido Jefferson Rocha, presidente da agremiação de Pilares, traz para dentro do barracão da escola mirim alguns jovens em situação de reabilitação social.”

iniciativa e me dá muito orgulho poder descobrir e ajudar no desenvolvimento de talentos antes adormecidos. Eles se tornam verdadeiros protagonistas da festa ajudando também no futuro do carnaval” – ressalta o presidente. Para a folia que se aproxima a equipe de barracão da Inocentes da Caprichosos conta com três talentos revelados no projeto: Rafael Trajano de 19 anos,que é o chefe do barracão e atua há dois anos na agremiação; Lucinei Santos de 18 anos e Junior Ferreira, 20 anos, que também é compositor e se sagrou campeão este ano no GRES Chatuba de Mesquita, escola do Grupo D que cantará um samba de sua autoria no desfile da Intendente Magalhães. Júnior também é ator e professor de música. Segundo o carnavalesco Paulo Cavalcante que assina o enredo para 2017 juntamente de Pâmela Priscila, a iniciativa deve ser muito comemorada, já que além de ser uma grande ajuda na confecção do carnaval, contribui de forma surpreendente

na reabilitação destes jovens: “Quando recebidos este jovens passam por módulos para acompanhamento psicológico e pedagógico. O projeto contribui e muito na evolução deles” – ressalta o artista, que assim como o presidente, também atua no Degase – CAI como pedagogo. Ainda de acordo com Paulo Cavalcante, tanto Lucinei quanto Gabriel, foram inicialmente descritos como “com poucas chances de evolução” e agora são provas vivas de que é possível mudar de vida. Os outros companheiros de equipe também celebram a parceria com a Instituição. Para o jovem Péricles Júnior, aderecista há dois anos na Inocentes, trata-se de uma experiência nova e diz que se sente muito orgulhoso em poder ajudar: “Somos uma grande família. Participar da reabilitação destes amigos de alguma forma é maravilhoso. Aqui desenvolvemos nossa criatividade e todas as experiências de vida são muito bem vindas” – finalizou o jovem. Um golaço do Samba Mirim e da turma de Pilares! Revista Cartilha do Samba | AESM-RIO | 41


CURTAS

por arleson rezende e ricardo dias

Foto: Internet

Foto: Acervo Pessoal

Blocos terão novo local para desfiles

A Princesinha da Zona Oeste, apelido carinhoso que o GRCESM Estrelinha da Mocidade ostenta, está de presidente novo a partir desta folia! Trata-se de Gabriel Azevedo, que assume a vaga deixada por Célia Andrade. O novo presidente é bem conhecido na agremiação, onde já atuou inclusive como diretor de carnaval em diversas oportunidades. Sorte ao Gabriel neste seu novo desafio e muito sucesso à Estrelinha!

A Prefeitura do Rio de Janeiro através da RioTur definiu que o local onde os tradicionais blocos de embalo e de enredo desfilarão será a Avenida Chile. As agremiações nos dois últimos carnavais se apresentaram na Avenida Graça Aranha em virtude das obras no Centro do Rio. Segundo o presidente da RioTur Marcelo Alves, a Avenida Chile seria mais adequada para receber este evento sem causar tanto impacto no trânsito.

Foto: Acervo Pessoal

Brilhando em outras terras O carnavalesco Clebson Prates, que ajudou o GRCESM Mangueira do Amanhã a conquistar várias premiações ligadas aos quesitos plásticos nos dois últimos carnavais está de casa nova: a Pimpolhos da Grande Rio. Prates assina o enredo “Cem anos de samba – Pimpolhos de Bamba” que celebrará o centenário do mais brasileiro dos nossos ritmos. O artista chega com a missão de conciliar o estilo da agremiação de Caxias, que sempre usou e abusou do recurso da reciclagem em seus desfiles, ao bom gosto que marcou a sua passagem pela Verde e Rosa Mirim. Vale a pena conferir! 42 | AESM-RIO | Carnaval 2017

Foto: Internet

De comandante novo

Zezé mota mais uma vez homenageada na Avenida A atriz e cantora Zezé Motta será homenageada pela segunda vez por uma escola de samba no carnaval. Em 2017 Zezé será tema do Acadêmicos do Sossego com o enredo “Zezé Motta - A Deusa de Ébano”, de autoria do carnavalesco Márcio Puluker. Em 1989 pelo Grupo 2 (atual Série A), a artista foi homenageada pela Arrastão de Cascadura com o tema: “Zezé um canto de amor e raça”.


Foto: Acervo Pessoal

ARTIGO por Vicente Magno

Para coroar uma infância feliz

Jornalista, mestre em Comunicação e Cultura com pesquisa em Carnaval e midiatização das escolas de samba. Também foi diretor de marketing e cultural da mocidade Independente de Padre Miguel.

U

ma típica infância entre Bangu e Padre Miguel contava com brincadeira na rua de paralelepípedos, com pique-esconde, queimado, bola de gude na praça, descida da ladeira com carrinho de rolimã ou uma simples tábua de compensado que deslizava sobre as pedras do chão. Antes e durante o Carnaval era parte do cotidiano se vestir de bate-bola ou correr de outros bate-bolas, mas também ver os vizinhos saírem de casa para desfilar pela Mocidade Independente. Pai portelense e mãe mangueirense até gostavam de Carnaval, mas não se aproximavam da festa. A família ia, no máximo, até o Carnaval na Avenida Cônego de Vasconcelos, antes de virar um calçadão, e por onde passavam blocos da região como Boca Nervosa ou Passa Régua. No entanto, ver os vizinhos e colegas de escola representando o nosso bairro, na zona oeste, enchia de orgulho e de vontade de participar. Início da década de 80, eu era aluno da 3ª ou 4ª série na Escola Municipal Pintor Lazar Segall, em Realengo, muito próximo da Vila Vintém, onde moravam vários colegas. Época de Fernando Pinto, do Tropicalismo ao som do samba, muitas cores e as primeiras lembranças de uma incrível bateria. "Segura a marimba", cantava Aroldo Melodia (o pai do Ito), no primeiro Carnaval que vi pela televisão. E que orgulho. Foi desfile de 1984 "Mamãe, eu

quero Manaus". No ano seguinte, "Alô meu povão de Padre Miguel", mandava Ney Viana (o pai do Igor). Esse ano vi o povo do bairro ser campeão levando o Carnaval com aquele ziriguidum da zona oeste para o Centro e mostrando que sabíamos fazer uma senhora escola de samba. Durante todo ano se dizia que aquele pedaço da cidade era feio, sujo, violento ou quente. A televisão e as pessoas afirmavam com certo desdém que só havia coisa ruim. Azar o deles que ficariam caladinhos ao ver nossa Mocidade Independente, que 'me levava a qualquer lugar' e 'até pelas bandas de lá'. Veio a adolescência com Renato Lage e Lilian Rabelo, num vira virou de afirmação absoluta da minha identidade de jovem suburbano. Só então a escola mirim, a Estrelinha da Mocidade foi criada, já em 1992. Em 1993 eu entrava na universidade. O tempo passou, a infância e a juventude também. Ficou o orgulho por ser quem sou e de onde sou, graças àquela escola de Padre Miguel. Sua gente, seus sambas e seus tambores. Adulto compus quadro da escola-mãe, mas um dos maiores prazeres foi ser convidado para desfilar na Velha Guarda da escola mirim. Algo simples, mas cheio de significado. Foi a coroação daquele infância escolhida pela Mocidade Independente para se sentir importante.

Revista Cartilha do Samba | AESM-RIO | 43


GEOGRAFIA DO SAMBA por arleson rezende

Fotos: Internet

Beija-Flor 2005

Por que será? O que explica tantos anos sem a conquista de títulos por algumas de escolas de samba? Como as vitórias no carnaval vêm se revezando ultimamente entre apenas duas localidades? Desde a década de 1930 quando as disputas nos desfiles das escolas de samba começaram a render títulos para as agremiações, algumas localidades da cidade do Rio de Janeiro começaram a ganhar uma maior “notoriedade” por conta dessas instituições às quais estão sediadas. Adquiriram destaque no cenário cultural da cidade bairros como Madureira, conhecido como a Capital do Samba por abrigar a Portela e Império Serrano. A Mangueira é a escola que traz em seu nome Estação Primeira por ser à época a primeira parada com destino ao subúrbio e municípios vizinhos, após a partida dos trens na Central do Brasil. Na zona norte destacase a Tijuca com o surgimento da escola que revolucionou o carnaval com temas até então não apresentados e uma plástica que diferenciou os desfiles – os Acadêmicos do Salgueiro, sem contar a Unidos da Tijuca e o Império da Tijuca. Nas proximidades do Centro temos a Estácio de Sá, oriunda da Deixa Falar e a Vizinha Faladeira. No subúrbio foram fundadas diversas escolas que participam dos desfiles, às quais destacamos na Zona da Leopoldina, a Unidos de Lucas e Tupy de Brás de Pina. Porém com maior projeção no carnaval e vencedora de fato é a Imperatriz Leopoldinense. Na Zona Oeste são inúmeras as comunidades que possuem agremiações, merecendo relevância a Unidos de Bangu, Acadêmicos de Santa Cruz, Unidos de Padre Miguel e a Mocidade Independente - verde e branca responsável pela inovação das baterias, sendo a primeira a realizar a famosa “paradinha”. Municípios vizinhos 44 | AESM-RIO | Carnaval 2017

como Nilópolis deu ao mundo do samba a Beija-flor, a maior detentora de títulos na era contemporânea dos desfiles. Mas tratando objetivamente do tema que nos propomos, abordaremos as localidades ou regiões, se assim podemos nos referir, que vêm levantando os canecos nos desfiles da elite do nosso carnaval ultimamente. Enquanto nas décadas de 1930, 1940 e 1950, Portela, Mangueira e Império Serrano reinaram absolutas quando o assunto é conquista dos títulos do carnaval (com raríssimas exceções), nos anos de 1960, a história começa a mudar de figura. Surge como campeã a vermelha e branca, que arrebata para o bairro da Tijuca, quatro conquistas, quebrando o monopólio das escolas de Madureira que somando as quatro décadas conquistaram 21 carnavais, variando entre Vai Como Pode, Portela, Prazer da Serrinha e Império Serrano. A Mangueira com sete campeonatos e a região da Leopoldina com duas vitórias alcançadas com Recreio de Ramos (1934), Unidos da Capela (1950) e Vizinha Faladeira em 1937. Nos anos 70 começa a se configurar o atual cenário nas disputas e conquistas dos carnavais. Além das quatro potências carnavalescas, a partir da segunda metade da década, as consideradas grandes escolas começam a perder espaço (assim podemos dizer) e duas novas forças surgem graças ao trabalho e dedicação dos patronos que profissionalizaram essas agremiações. São a Beija-Flor de Nilópolis e a Mocidade Independente de Padre Miguel, que entre os anos de 1976 e 1979 conquistaram títulos, fazendo,


Fotos: Internet

Mangueira 1984

Fotos: Internet

1999). A década marcou também depois de mais de dez anos de espera as conquistas da Beija-Flor, Mangueira e Salgueiro, além da única vitória da Estácio de Sá (1992) e Viradouro (1997). A partir dos anos 2000 a supremacia da Beija-Flor tornou-se indiscutível. Dos dez campeonatos disputados, cinco foram arrebatados pela azul e branca, cabendo à outra ‘Papa Títulos’, a Imperatriz o bicampeonato em 2000 e 2001, além das conquistas da Mangueira, Salgueiro e Unidos de Vila Isabel. O quadro partir de 2010, sofreu modificações com as três conquistas da Unidos da Tijuca (até o momento a maior vencedora da década), duas da Beija-Flor e uma da Unidos de Vila Isabel e Mangueira. E desde então as conquistas de título tem se alternado entre as escolas da Grande Tijuca e a cidade de Nilópolis. Porque será? As escolas da Zona da Leopoldina, Zona Oeste e Madureira perderam o rumo da vitória? Fica o questionamento.

Fotos: Internet

assim com que as consideradas “quatro grandes” amargassem uma fila de espera. A década seguinte já começa com uma surpresa quando nos referimos às conquistas de títulos. A Imperatriz Leopoldinense abre sua série de vitórias. No ano seguinte (1981) conquista o bicampeonato chancelando a verde e branca de Ramos como uma grandiosa do carnaval. A partir de 1984 houve uma quebra no paradigma como a inauguração do Sambódromo, fato que modificou a maneira de desfilar das agremiações. A grande vencedora da época foi a Mangueira, conquistando três carnavais na chamada Passarela do Samba ainda nos anos de 1980. Cabendo também a Mocidade, Vila Isabel e Imperatriz suas primeiras conquistas no Sambódromo. A partir de então constatamos o declínio nas vitórias de Portela e Império que venceram nos primeiros anos da década supracitada. Nunca mais se sagraram vencedoras do carnaval carioca, jejum que persiste por mais de 30 anos. Em 1990 e 1991 a Mocidade leva para a zona oeste dois canecos de forma incontestável, repetindo em 1996. Vitórias que consagraram a estrela guia de Padre Miguel como a maior vencedora da década, assim como a Imperatriz (1994,1995 e

Mocidade 1990

Unidos da Tijuca 2010

Revista Cartilha do Samba | AESM-RIO | 45


Foto: Luana Ramos Dias

ARTIGO por Anderson Baltar

Samba: um amor que vem de berço

Anderson Baltar é jornalista da Rádio Arquibancada (www.radioarquibancada.com.br), webradio especializada em Carnaval.

M

eu amor pela folia começou em uma madrugada de segunda-feira de Carnaval. Tinha eu um ano e oito meses e, desde aquela época, tinha o hábito de trocar a noite pelo dia – algo que, confesso, ainda me apraz até hoje. Minhas olheiras que o digam. A altas horas da madrugada eu disputava a atenção de sua mãe, que tentava simplesmente assistir ao desfile das escolas de samba pela televisão. Ao ver a União da Ilha do Governador adentrando a passarela com o mítico enredo “Domingo”, minha vida tomou um rumo definitivo. Com a pouca habilidade de um bebê para a dança – o que também cultivo até hoje – caí no samba e ri intensamente com a passagem da escola. Nascia ali uma paixão para toda uma existência. Minha experiência, certamente, foi a mesma de outras tantas pessoas. Na infância, fase mais gostosa de nossas vidas, onde tudo é colorido, onde os sonhos não têm limites e a imaginação nos leva a qualquer lugar, o Carnaval dá um toque todo especial e nos faz embarcar em um fantástico mundo de fantasia. Afinal, todo menino é um rei. Com o passar do tempo, passamos a ter consciência do imenso legado cultural que nos foi deixado. Do quanto tantos sambistas foram perseguidos e discriminados e do quanto que se precisou, na base do sacrifício, se fazer para que tenhamos hoje o Maior Espetáculo da Terra. Nesse contexto, o papel da AESM-RIO é fundamental. Através das escolas mirins, damos vazão à imaginação e 46 | AESM-RIO | Carnaval 2017

realizamos os sonhos de milhares de crianças de nossa cidade. Em todas as vezes que estive na Sapucaí para acompanhar os desfiles, confesso que sempre me comovi com a garra e o comprometimento dessa garotada, que faz de tudo para brilhar no palco maior de nossa folia. Graças ao engajamento dessas escolas, temos uma fonte inesgotável de grandes sambistas que, daqui a alguns anos, serão grandes estrelas do Carnaval. Se eu for citar aqui a quantidade de gente bamba que começou nas mirins, teríamos que ter uma revista apenas para isso. Samba é diversão, é prazer, é cultura. Nos ensina a respeitar as tradições, a entender quem somos, quais são nossas referências. E, por meio das escolas mirins, dá um norte para que tenhamos, além de grandes sambistas, cidadãos de bem, integrados à sociedade e que saibam a importância de trabalhar coletivamente para um objetivo em comum. Longe das más influências, das drogas e de criminalidade, sendo bons alunos e já sabendo, desde a mais tenra idade, o que é responsabilidade. Esse legado social é tão importante quanto o cultural e a AESM-RIO nos orgulha por isso. Deixo um grande abraço para estas escolas de samba guerreiras que, a despeito das dificuldades, fazem bonito na terça-feira de Carnaval. Garotada, rasgue o chão dessa passarela. Chegou a hora e a festa é de vocês! Um bom Carnaval a todos nós!


INCONTINÊNCIA URINÁRIA INFANTIL

A

incontinência urinária é um mal que afeta pessoas em todo o mundo, prejudicando a

qualidade de vida e o convívio social.

Trata-se da perda involuntária de urina, que gera situações muito constrangedoras. Vale lembrar que não se trata de uma doença exclusiva da terceira idade, pois a incontinência urinária acomete adultos, jovens e até crianças. Por isso, nunca culpe seu filho por ele ter feito xixi na cama! Somente aos cinco anos de idade que a criança obtém o amadurecimento da bexiga, exceto em casos de alguma doença associada. O não controle da micção pode levar ao constrangimento social, aos quadros de bullying e ao baixo rendimento escolar, assim como desenvolver

traumas

psicológicos.

Atualmente, a uropediatria associa à sua terapêutica os recursos oferecidos pela fisioterapia do assoalho pélvico direcionados exclusivamente ao público infantil. Na incontinência urinária infantil, o objetivo principal é a reeducação funcional da bexiga, e a fisioterapia utiliza no tratamento recursos como a eletroterapia, biofeedback eletromiográfico, gameterapia, cinesioterapia e terapia comportamental. O CREB - Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo - agora oferece mais esse recurso de tratamento, visando a cada dia melhorar o atendimento ao seu público infantil.


É SAMBA

NO PÉ

EGUARACAMP #

NO GOGO.

OCOPINHO MAIS FAMOSO DAS PRAIAS CARIOCAS É APOIADOR DO CARNAVAL RIO 2017, REFRESCANDO MOA ASEDE DOS FOUÕES POR ONDE PASSA.

Revista Cartilha do Samba nº 8 (2017)  

Revista Cartilha do Samba nº 8 Ano: 2017 Editada pela AESM Rio

Revista Cartilha do Samba nº 8 (2017)  

Revista Cartilha do Samba nº 8 Ano: 2017 Editada pela AESM Rio

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