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Estratégia como prática na produção do desfile de uma escola de samba

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Estratéégia como Prática P na P Produção do d Desfile de d uma Esccola de Sam mba Autoria: A Ana Carolina Júlio, J César Tureta T

RES SUMO As eescolas de samba são o organizaç ões tipicam mente brasileiras, cujoo objetivo principal é desfiilar no carnnaval. Em um sentido aamplo, o caarnaval não significa ap apenas um festejo, f mass toda sua preparaação, que en nvolve um conjunto orrganizado de d práticas eestratégicass para que a escolla consiga realizar r sua apresentaçãão na avenid da. Nesse seentido, nossso objetivo é analisar a organnização da prática do o estrategizzar na prod dução do desfile d de uuma escolaa de sambaa capixxaba, mais especificam mente no prrocesso de produção dos d carros aalegóricos. Para tanto,, utilizzamos a peerspectiva da d estratégiia como prática sociall, tendo coomo base as ideias dee organnização dass práticas de d Theodoree Schatzki. Realizamos um estuddo de caso qualitativoq descrritivo, entree janeiro e fevereiro de 2015, por meio de observaação não participante, p , entreevistas expploratórias, análise doocumental e fotografiias. Para a análise dos d dados,, utilizzamos o prrocedimento o de análi se de contteúdo temáático à possteriori. Os resultadoss indiccam que a agremiação a ma série de problemas, p teve que liddar com um à escassez de recursoss princcipalmente, o que dem mandou dos ppraticantes criatividade no desenvvolver da produção doo carnaaval. Conclluímos que os entenddimentos a respeito dee como a pprática do estrategizar e r aconntece no caarnaval atu ual foi funndamental para p sua organização o o. Tendo em e vista a valorrização dos elementos visuais v e esstéticos, ter sensibilidad de na escolhha de cores, formatos e tamaanhos se appresentou co omo um coomponente importante do estrateggizar na pro odução dass alegoorias. Palaavras-chavee: Estratégiaa Como Práática. Práticaas Organizaativas. Theoodore Schatzzki. Escola De S Samba. Carnnaval. 1. IINTRODUÇ ÇÃO As escollas de samb ba são assocciações recreativas e musicais, m tippicamente brasileiras, b cujo objetivo prrincipal é deesfilar no caarnaval (GO OLDWASSE ER, 1975). A Apesar da imagem i de da a essas agremiaçõe a es por partee do senso festaa e falta dee ordem serr comumennte associad comuum, é intereessante notaar que uma escola de samba s é cap paz de produuzir (durantte todo um ano) e executaar (por aproximadam mente uma hora) um desfile orrganizado. O desfile carnaavalesco é desenvolvid do a partir da apresen ntação de allasi e carross alegóricossii em uma sequêência lógica, de modo o que seja ppossível con ntar uma hiistória, o ennredo da ag gremiação. Assim m, em um sentido s mais amplo, o carnaval nãão significa apenas um m grande fesstejo, e sim “[...] toda a sua preparação, ao longo dda qual um novo enred do transform mar-se-á graadualmente em samba-enreddo, em alegorias e em ffantasias [....]” (CAVA ALCANTI, 11994, p. 15)). Para que o dessfile aconteça é necesssário que muuitas pessoaas trabalhem m intensameente ao longo do ano, fazenndo com que q a produ ução do deesfile se deefina a partir de um conjunto de d práticas organnizativas (T TURETA; ARAÚJO, 2013) qu ue ganha fo orma na aavenida (VE ERGARA; MOR RAES; PAL LMEIRA, 1997). Várias attividades sãão realizadaas tendo em m vista os ob bjetivos da aagremiação: disputar o títuloo de campeãã ou fazer uma u apresenntação que a mantenhaa no grupo eespecial, po or exemplo. Muittas dessas atividades a têm t caráterr estratégico e, por seerem compoonentes do campo daa práticca (SCHAT TZKI, 2001 1), só podeem ser enteendidas a partir do cottidiano organizacionall (JAR RZABKOW WSKI, 2005)). Nesse senntido, este trabalho se alinha ao movimento o da práticaa que gganhou forçça nas décad das de 19700 e 1980, qu uando o deb bate entre tteoria e práttica tornou-se ceentral nas ciências so ociais e ocoorreu uma “virada” em e direção ao estudo da práticaa 1


(SCH HATZKI, 2001). Com isso, a ideiia de que ass organizaçõ ões precisam m ser analissadas comoo um pprocesso emergente, composto por um co onjunto de práticas qque se enco ontram em m consttante estaddo de (re)constituição,, resultado das interaações sociaais cotidianas, ganhouu espaçço (CZARN NIAWSKA,, 2004; SCH HATZKI, 20 006). A viradaa para a práttica influencciou as teorrias sobre esstratégia orgganizacionaal, surgindoo nessee campo a abordagem m da Estraatégia como o Prática Social S (EPSS) (WHITT TINGTON; CAIL LLUET, 2008; 2 JAR RZABKOW WSKI; SPE EE, 2009; GOLSOR RKHI et al., 2010; WHIITTINGTON N, 2011). Os O trabalhoos de EPS adotam a difeerentes persspectivas e autores daa práticca para anaalisar o estrategizar (str trategizing),, como a Teeoria da Esstruturação de d Giddenss (JAR RZABKOW WSKI, 2008), a noção de capital,, campus e habitus dee Bourdieu (GOMEZ,, 20100), a análisee de discurso o e poder dde Foucault (KRONBE ERGER; CL LEGG, 2011 1), a Teoriaa Ator-Rede (DEN NIS et al., 2011), 2 etc. A Apesar de ap presentar um ma abordaggem interesssante para o entenndimento dee como as práticas p se oorganizam, as ideias dee Theodore Schatzki fo oram poucoo sistem matizadas em termos empíricoss (NICOLIN NI, 2013; SANTOS; SILVEIRA A 2015) naa análiise do estrattegizar. Parra Schatzki (2005), as práticas p são o constituídaas por um conjunto c dee atividdades organnizadas, em m que os prraticantes atuam a em uma u arena, na qual deeterminadass ações e fins sãoo prescritos ou aceitáveeis em deteerminadas situações, s teendo cada prática p umaa form ma própria de d organizaçção (SCHAT TZKI, 2002 2). Entender como o esstrategizar se organizaa passaa a ser um aspecto a relev vante para o estudo da prática estrratégica. Diante disso, d nosso o objetivo é analisar a organização da prátiica do estraategizar na proddução do deesfile de um ma escola dee samba cap pixaba. Nestte estudo, fo focamos o processo p de proddução dos carros aleg góricos da agremiação o. Para tal, um dos auutores acom mpanhou a proddução das alegorias, a assim como o desfile carnavalesco c o da escola.. A escolhaa do objeto escoola de sambba deve-se ao fato de o mesmo possuir p caraacterísticas que são intteressantes paraa o estudo da teoria da prática. Essas agreemiações possuem carracterísticass próprias: impproviso, trabbalho volu untário e foortes relaçõ ões afetivass coexistem m com plan nejamento, tercceirização e contratação o de profisssionais especializados,, o que criaa a especificidade das escoolas de sam mba (BLASS S, 2007). A Além disso, não n há imposição rígidda de objetiivos, o que perm mite que uma u escola possa se ((re)inventarr constantem mente (VE ERGARA; MORAES; M PAL LMEIRA, 1997). 1 Com o inntuito de allcançar nos so objetivo o, realizamo os um estuddo de caso qualitativoq descrritivo, entrre janeiro e fevereiroo de 2015, por meio de observaação não participante, p , entreevistas expploratórias, análise ddocumental e fotograafias. Em relação à análise e interppretação doos dados, empregamo e os o proced dimento de análise dee conteúdo temático à posteeriori (FRAN ANCO, 2012 2; SONPAR R; GOLDEN N-BIDDLE, 2008). Para reallizar a discussão propoosta, este trrabalho estáá dividido nnas seguintees sessões: Estraatégia com mo prática, Organizaçção das práticas, p Metodologia M a, Apresentação dos resulltados, Disccussão dos resultados, C Consideraçõ ões finais e Referênciass. 2. E ESTRATÉG GIA COMO O PRÁTIC CA A pesquuisa em estrratégia tem sido amplaamente baseada na tradiição microeeconômica, que a considdera como um proc esso top-d down e deeliberado ((CARTER; CLEGG; KORNBERGE ER, 2010), trratando a esstratégia com mo sinônim mo de planejjamento racional, uma proppriedade daas organizaçções, separaando o pen nsar do agirr e o planej ejamento daa execução (WH HITTINGTON, 2002; WILSON;; JARZABK KOWSKI, 2004; WH HITTINGTO ON, 2006). Com m a virada em direção o ao estudo da prática, os estudoss sobre estrratégia assumiram um novvo foco, innteressando--se em com mpreender o processo o de formuulação, elaaboração e impplantação daa estratégiaa (WHITTIN NGTON, 1996; 1 WILS SON; JARZ ZABKOWS SKI, 2004; JAR RZABKOW WSKI; SPEE E, 2009). 2


A aboordagem da d EPS trata a estratégia e como um m fenômen no social (JAR RZABKOW WSKI; BAL LOGUN; S SEIDL, 200 07), um co onjunto de atividadess humanas orgaanizadas (W WHITTING GTON, 20007). O estrategizar e compreend nde as interações e negociações doos múltiplo os atores eenvolvidos (JARZABK KOWSKI; B BALOGUN N; SEIDL, 20007). A estrattégia, portan nto, não é uum atributo organizacio onal ou excllusiva da allta direção, senddo construuída por todos e nas atividades cotidianas dee uma orrganização (WH HITTINGTON; CAILL LUET, 20008; JARZAB BKOWSKI; SPEE, 20009; GOLSORKHI et al., 2010; CAR RTER; CLEG GG; KORN NBERGER, 2010; WHIITTINGTON N, 2011). Todavia,, como destacam Jarzaabkowski, Balogun B e Seidl (20077), o conceeito de EPS S abrannge uma am mpla gama de atividaades, o que dificulta a compreennsão do quee é ou nãoo estraatégia. Diannte disso, a estratégia pode ser definida co omo aquelaas atividadees que têm m conseequência para p os ressultados, orrientação, sobrevivênccia e vantaagem com mpetitiva daa organnização, meesmo quand do essas connsequênciass não são parte de umaa estratégiaa pretendidaa ou fformalmentee articuladaa (JARZAB BKOWSKI; BALOGU UN; SEIDL L, 2007; MANTERE, M , 20055). O estrattegizar envo olve práticaas, práxis e praticantees (WHITT TINGTON, 2006). Ass práticcas compreeendem pro ocedimentoss internos e rotinas, bem b como práticas seetoriais quee influuenciam o estrategizar e (WHITTIN NGTON, 20 006). O estu udo da práxxis, por suaa vez, foi a motivvação origiinal dos priimeiros trabbalhos da EPS E (VAARA; WHIT TTINGTON N, 2012). A práxiis trata dos episódios (eventos ouu atividades) que ocorrrem durantte todo o processo p doo estraategizar (JA ARZABKOW WSKI; BAL LOGUN e SEIDL, 20 007; VAAR RA; WHITT TINGTON,, 20122). O que oss praticantess realmente fazem é a práxis p da esstratégia, deesde a elabo oração até a execuução do estrategizar e (WHITTIN NGTON, 2006). 2 Pro o fim, quaanto ao prraticante, a persppectiva da EPS trata de todos oos atores so ociais que estão e envollvidos no estrategizar, e , consiiderando não n somentee o alto eescalão, ou os atores intra-organnizacionais (VAARA;; WHIITTINGTON N, 2012). Chia e Mackay M (200 07) ressaltam m que, ao laançar mão da d lente da pprática, os estudos que adotaam a perspeectiva da EP PS deveriam m se preocu upar em definir o term mo prática, guiando-se g (teórrica e empiiricamente) por essa definição. Nesse senttido, este tr trabalho considera as contrribuições dee Schatzki em relaçãoo às práticaas sociais e organizatiivas, articullando essa persppectiva com m a EPS. 3. A ORGANIIZAÇÃO DAS D PRÁT TICAS Apesar de d Schatzki ser um doss principaiss autores no o campo da teoria da prática, p seuss trabaalhos careccem de ap plicação em mpírica e aprofundam a mento teóricco (SANT TOS, 2014;; NICO OLINI, 20113), o que evidencia e um ma lacuna de d estudos. No Brasil,, as ideias de d Schatzkii têm sido usadaas na análise das prátticas organ nizacionais ainda de fforma emerrgente (verr SAN NTOS; SILV VEIRA, 2015; SANTO OS, 2014; OLIVEIRA A; CAVEDO ON, 2013; TURETA,, 20111). O termo prática soccial vai além m da simplees descrição o da ação hhumana, refferindo-se a um cconjunto dee ações corp porais de faazer e dizerr. As práticcas são um conjunto de d múltiplass ações situadas no n tempo e no n espaço, oou seja, em um dado co ontexto (SC CHATZKI, 2001). Nãoo há frronteiras ríggidas separando as prááticas, umaa vez já quee as mesmaas estão em m constantee mudaança, sendoo abertas e melhor ccompreendid das atravéss de seu ddinamismo. Assim, ass práticcas podem se sobreporr. Ou seja, uma ação pode p perten ncer a mais de uma práática. Além m dissoo, as práticaas também incluem attividades irrregulares, únicas ú e quue estão em m constantee mudaança (SCHA ATZKI, 200 03). Um concceito imporrtante de Scchatzki é a inteligibilid i dade das prááticas, respo onsável porr organnizar a açãoo dos praticcantes e as práticas socciais, que são inteligívveis por serem dotadass de finnalidade (N NICOLINI, 2013; SCHA ATZKI, 20 002). Assim, a ação hum mana é guiada por um m 3


sensoo de propóssito (NICOL LINI, 2013;; SCHATZK KI, 2002). A prática seeria, então, uma malhaa de m múltiplas açõões organizzadas e arraanjos materriais. A organização deessas práticcas, por suaa vez, se dá em torno de três dimennsões: enten ndimentos, regras e eestrutura teeleo-afetivaa (SCH HATZKI, 20002 e 2005)). O entenndimento daa prática reefere-se ao know-how w, a habiliddade de um m praticantee realizzar atividaddes que co ompõem deeterminada prática, asssim como a capacidaade de essee praticcante entennder essa prrática (que ppor sua vezz, é dotada de significaado e propó ósito para o praticcante). O entendimen e nto da prátiica é sociaal, é compaartilhado peelos praticaantes dessaa práticca, que conncordam (o ou seja, têm m o mesmo o julgamentto), pelo m menos tacitaamente, em m relaçção ao que faz f sentido fazer f (SCHA ATZKI, 200 02). As regraas, por sua vez, dizem m respeito àss instruçõess e normas que são fo ormuladas e presccritas (de foorma mais ou o menos exxplícita), esttando, comu umente, vinnculadas a mecanismos m s de pooder e autorridade, assim m como a saanções (SCHATZKI, 2002). 2 Vale ressaltar qu ue as regrass não são necessariamente a explicitaçção de um entendimeento. As m mesmas seriam melhorr comppreendidas como uma forma de codificação o das regulaaridades daas ações passsadas, quee podeem ter uma força normativa e influuenciar o cu urso das açõ ões futuras, especifican ndo como e quaiss ações devvem ser exeecutadas (SA ANTOS; SIILVEIRA, 2015). 2 As rregras orien ntam a açãoo dos iindivíduos, uma vez qu ue os mesm mos as levam m em consiideração paara julgar o que faz ouu não ssentido fazeer, o que con nvém ou é, ao menos, aceitável a fazer (SCHAT ATZKI, 2002 2). Já a esttrutura teleo o-afetiva reefere-se ao senso de propósito ((fins e meiios para see alcannçar esse fim), f uma complexa combinaçãão de prop pósitos, em moções e humor h doss indivvíduos. Essaa estrutura é aprendidda pelos ind divíduos no processo dde socializaação, sendoo reforrçada pela repetição das d práticass e sançõess (explícitaas ou tácitaas) (NICOL LINI, 2013;; SCH HATZKI, 20002). Assim m, o que faaz sentido para p uma peessoa fazerr depende da d estruturaa teleoo-afetiva, ouu seja, dos fins que ella almeja e do que ela “sente” aao se engajar em umaa práticca (SCHAT TZKI, 2001 1). 4. M METODOL LOGIA i de alcançar o oobjetivo da pesquisa, utilizamos u o método do o estudo dee Com o intuito caso qualitativoo-descritivo.. Por meio do estudo de d caso, é possível p invvestigar um m fenômenoo d eventoss sociaal em seu coontexto, preeservando aas caracteríssticas holístiicas e os siggnificados dos da viida real (YIIN, 2001). Na N pesquisaa social, o pesquisador p r lida com pproblemas de d pesquisaa que são caracteerizados porr sua compplexidade, o que demaanda uma vvariedade de d métodos,, mentar dos iinstrumento os de coletaa de dados ((BAUER; GASKELL, G , deviddo ao caráteer complem 20022). Diante disso, realizou-se estte estudo por p meio de d observaação não participante, p , entreevistas explloratórias, análise a doccumental e fotografiass (tiradas ppor um doss autores e colettadas na internet). Resssalta-se quee a pesquisaa de campo foi realizadda por um dos d autores. Desssa forma, as notas de campo aprresentadas estarão e em primeira ppessoa para destacar a preseença da pesqquisadora. A coletaa de dados foi f realizadaa tomando como referência as obbservações de d Schatzkii (2006), que connsidera que as a organizaações são fenômenos so ociais que aacontecem, estando em m consttante estaddo de (ree)constituiç ão. Portan nto, o pesquisador deve viveenciar seuu aconntecimento na n medida em que elee se desdob bra. A obseervação foii a principaal forma dee acessso às práticaas empregad das na proddução do dessfile carnav valesco. A ppesquisa de campo tevee inícioo no final de outubro de 2014 e término no início de fevereiro dde 2015. O acesso aoo camppo se deu em m outubro, no entanto,, o acompan nhamento da d produçãoo dos carross alegóricoss ocorrreu sistematticamente a partir de jaaneiro. Para quee a produçção dos carrros alegóriicos pudessse ser anallisada, a peesquisadoraa acom mpanhou o cotidiano c daa escola de samba em diferentes espaços e orgganizacionaiis: barracãoo 4


pesaddo (onde oss carros aleegóricos forram produziidos) e sam mbão do povvo (local dee realizaçãoo do deesfile). Ao longo de 34 dias foram m realizadaas 12 observ vações, totaalizando 23 horas e 155 minuutos, o que gerou 53 páginas esscritas em Word, com m fonte Tim mes 12 e esspaçamentoo simpples. As entreevistas explo oratórias forram outra fonte f de dad dos. Entre oos meses de outubro dee 20144 e janeiro de d 2015 forram realizaddas sete enttrevistas, co om duração média de 1 hora e 188 minuutos. Os sujjeitos de peesquisa forram selecion nados de acordo a com seu envolv vimento naa produução do dessfile, uma vez v que as enntrevistas tiinham o intu uito de reallizar um con ntato iniciall com o campo e os integran ntes da escoola e tirar dú úvidas sobree o objeto dde estudo e a produçãoo do deesfile. Não havia um roteiro r estruuturado ou semi-estruturado. Além m disso, as entrevistass não fforam gravaadas, mas reegistradas em m diários de campo e depois d transscrito para o Word. Os docuumentos coleetados foram m o regulam mento do caarnavaliii, a setorização o do desfilee carnaavalescoiv, o script do o desfilev e resultado final f da apuração do carnaval. Eles foram m escollhidos porquue contribuíam para o entendimen nto de como o a prática eestratégica na n escola dee sambba se orgaaniza formaalmente. A fotografiaas foram tiradas com m a autoriização doss integgrantes da esscola e foraam utilizadaas para ilustrrar o desenv volver das ppráticas estrratégica. Para preeservar a id dentidade ddas pessoass e da agreemiação, oss nomes daa escola dee sambba, da ciddade homenageada no enredo o e dos entrevistaddos foram omitidos. Identtificaremos os entrevistados por leetras, conforrme o Quad dro 1: Entrrevistado E1 E2 E3

Cargoo/Função na escola e Diretoraa adjunta de caarnaval Direetor de carnav val C Carnavalesco Destaquee do carro abrre-alasvi E4 e Estilista E5 Forneceddor do Rio de Janeiro Coreógrafoss da comissão de frente e E6 Aderecistas E7 Estilista e exx-carnavalesco o da escola Quadroo 1 – Entrevisstas exploratórrias Fonte: Elaborado peela autora

Duração dda entrevista 2 hhoras 30 m minutos 1 hhora 1 hhora 2 horas e 30 minutos 50 m minutos 1 hora e 220 minutos

Em relaçção à análisse dos dadoos, foi utilizzado o proccedimento dde análise de d conteúdoo temáático à posteriori (FRA ANCO, 20112; SONPA AR; GOLDE EN-BIDDLE E, 2008). Procurou-se P e identtificar quaiis foram ass práticas estratégicass mais marrcantes na produção dos carross alegóóricos. Quaatro catego orias centraais emergiram dos daados, sendoo que umaa delas foii desaggregada em m subcatego orias, confoorme pode ser observaado no Quaadro 2. Ass categoriass referrem-se às práticas p esttratégicas, enquanto que q as subcategorias descrevem atividadess centrrais em tornno das quaiss a prática see desdobrou u. Categoorias Carnavaalizando o enrredo Reutilizzando materiaais

Subcattegorias Aproveeitando a estru utura dos carroos Reutilizzando escultu uras Contrattando especiallistas Jogandoo as regras do jogo Quadro 2 – Categoriass emergentes dda análise doss dados Fonte: Elaborado E pelaa autora

No tópiico a segu uir serão aapresentado os os resulltados da pesquisa, que foram m organnizados de acordo a as caategorias e subcategoriias do quadrro apresentaado anteriorrmente. 5


5. A APRESENT TAÇÃO DO OS RESUL LTADOS 55.1. CARNA AVALIZAN NDO O ENR REDO Em 20155, o enredo da escola dde samba tin nha o seguin nte título: “A Alfavii: sob o caminhoss das ááguas, às suuas ordens””. De acorddo com o script do deesfile, o enrredo de 201 15 era umaa homeenagem a cidade c Alfa,, um dos m municípios mais m antigoss do Estadoo, que comp pletava 2000 anos. Segundo a diretoria de carnavaal e o carnaavalesco, o enredo foii sugerido por p um doss enreddistasviii e escolhido e peela presidênncia da agrremiação no o início do ciclo carnaavalesco dee 20144/2015, em abril de 20 014. A hom menagem à cidade feitaa no enredoo era uma tentativa t dee patroocínio. Por isso, i o enred do era cham mado pela diiretoria esco ola de “enreedo caça níq quel”. As escollas de samb ba da regiãão metropollitana de Vitória/ES V reecebem um ma ajuda dee custoo do governno do estado o e da prefeeitura de Viitória. Todaavia, esse vaalor é pago na vésperaa ou atté mesmo após a o desfille. Com o inntuito de am menizar essa situação, o governo do estado e a preefeitura dispponibilizam cartas de crréditos paraa as escolas da Grande Vitória. Co om as cartass de crrédito, as agremiações a s podem coomprar apeenas parte dos d materiaais necessários para a produução do desfile, uma vez v que as cartas são aceitas a som mente em algguns estabeelecimentoss comeerciais locaalizados na cidade do Rio de Jaaneiro/RJ. Além A dissoo, essa ajud da de custoo goveernamental não seria suficiente ppara cobrirr todo o cu usto de proodução de um desfilee carnaavalesco. Essses fatores levaram a escola de saamba a optaar por um ennredo patrocinado. Porr exem mplo, na vééspera do carnaval, c um ma única pena p de faisão (consiiderada a pluma p maiss luxuoosa do carnnaval) pode custar até R$ 89. Um ma fantasia de d um destaaqueix centrral de carroo alegóórico é com mposta por até duas m mil penas dee faisão, ou seja, cercaa de R$ 175 5 mil. Valee ressaaltar que um m carro aleg górico não ttem apenas um destaqu ue central, ccontando taambém com m cercaa de 3 semi--destaques e 15 compoosições de caarrox. O probleema de um m enredo paatrocinado é que depo ois que a eescola gravaa o samba-enreddo não se pode voltarr atrás, ou seja, mesm mo que a escola e não receba o dinheiro d doo patroocínio, não há h como mu udar o enreddo. 55.2. REUTIL LIZANDO MATERIA AIS Até a véspera do desfile de Vitória/ES,, a escola de samba em análise não haviaa recebbido a ajuda de custo do governoo do estado e da prefeitura. Além m disso, a promessa dee patroocínio por parte p do preefeito da ciddade homen nageada tam mbém não hhavia se co oncretizado.. Este parecia serr o “pior an no da escolla” em funçção dos problemas finaanceiros. Diante D dessee cenárrio, a diretooria e o carn navalesco ooptaram porr reduzir o número n de aalas e alteraar o projetoo dos ccarros alegóóricos. Coub be ao carnavvalesco repensar as fan ntasias, a esstrutura, as esculturas e e os addereços doss carros aleegóricos. D Durante umaa observaçãão, por exeemplo, o caarnavalescoo afirm mou que: “eu entro [no barrracão pesadoxi] e começo ollhar o que tem m e o que dá pra p aproveitar.. Eless iam dá issoo aqui tudo [esculturas] pros outros [outras agremiações]. See desssem... Não ia tter nada aqui pra fazer... Ass escolas que eu trabalhei nunca n tiveram m dinh heiro. Aí quanndo eu venho pra cá, que era e uma [escolla] que tinha dinheiro, nãoo tem!! (risos). Eles [a diretoria da escola] falarram bem assim m: é por isso que q a gente tee conttratou, a gentee sabia que vo ocê ia consegu uir fazer o carn rnaval sem din nheiro” (notass de campo).

Havia, ainda, a umaa grande prreocupação o por parte do carnavvalesco em m manter a interppretação doo enredo. A história qque seria co ontada na avenida a nãoo poderia ser alterada,, aindaa que a form ma de contar essa histtória sofressse transform mações. Esssa preocupaação existiaa 6


pelo fato de a escola enviaar antecipaddamente o script do desfile à liga das escolass de samba,, descrrevendo a apresentaçã a o do desfil e, assim co omo o que cada elemeento do desfile (dentree eles os carros alegóricos) a representari r ia. Para lidaar com isso o, dentro deessa prática estratégicaa ocorrreram duass atividadess centrais eem torno das d quais a produção dos carros alegóricoss aconnteceu: aprovveitando a estrutura e doos carros e reutilizando r esculturas. 5.2.1. Aproveitan A do a Estruttura dos Carros Alegóricos Para quee a produçãão das aleggorias pudessse ser iniciada, a escoola precisav va comprarr ferraagem, madeira, isopor, cola, pregoos, tintas e adereços (ttecidos, peddrarias, passsamanarias,, etc.).. Além dissso, a mão-d de-obra que executaria a produção o dos carross alegóricoss (ferreiros,, esculltores, pinttores e adeerecistas) taambém preecisava ser contratadaa. Por contta da crisee finannceira, a agrremiação precisou levaantar recurssos – com a bilheteriaa e a venda de bebidass dos eensaios, proomovendo feijoadas f e ccom seus in ntegrantes, que q doaram m parte do material m quee seriaa usado na produção p daas alegorias - para obteer materiais e contratarr mão-de-ob bra. Isso fezz com que o barrracão pesado fosse “abberto” apenaas na segun nda quinzenna de janeirro de 2015,, três ssemanas anttes do desfile. O carnavvalesco e a diretoria d dee carnaval op ptaram, então, por reapproveitar a estrutura e dee ferroo dos carross alegóricoss do carnavval de 2014, fazendo apenas a pequuenas modifficações. O projeeto inicial dos d quatro carros aleggóricos do desfile de 2015, que havia sido o feito peloo carnaavalesco e estava e repreesentado em m quatro maquetes de issopor, não ffoi seguido. Durante ass três semanas em m que os carros c alegóóricos foraam produzid dos, esse pprojeto foi modificadoo inúm meras vezes, sem que ou utras maqueetes fossem feitas. A produção do segu undo carro aalegórico, in ntitulado “Á Águas que aabençoam e alimentam m a fé””, ilustra bem m a atividaade “aproveeitando a estrutura dos carros aleggóricos”. Esssa alegoriaa repreesentava a iggreja matrizz da cidade de Itapemirrim. “Ao acompanhar o dia-a-dia do d barracão id dentifiquei quee um dos carrros alegóricoss de 2014 2 represent ntava uma igreeja (ver fotografia 1), uma vez que o en nredo daquelee ano falava sobre uuma cidade no ordestina. Paraa o carnaval dde 2015, a estrrutura de ferroo i e dos altares seriaam mantidas, representanddo a Igreja de Alfa (verr da igreja fotog grafia 2). Desssa forma, bo oa parte da estrutura desse carro foi con nservada, sem m que a história a seer contada na avenida a fosse modificada” (notas de cam mpo).

Fotoggrafia 1 – Aleggoria do carnaaval de 2014 Fontee: http://www.soues.com.br

Fotografia 2 – Alegoriaa nº 2 sendo fi finalizada Fonte: Fo otografia tirad da pela autora

A práticaa de aproveeitar as estruuturas das alegorias a tam mbém foi oobservada na n produçãoo dos ddemais carrros alegóriccos de 20155. Alguns caarros alegórricos tiveram m sua estru utura iniciall apennas complem mentada com mais ferrragem sold dada. Em outros o casoos, a estrutu ura de umaa 7


alegooria foi retirrada e soldaada em um segundo caarro alegóricco. Dessa fo forma, ambo os os carross eram m transformaados por meio da reutiilização de estruturas. Comparadaa à produçãão de novoss carroos alegóricoos, a reutilização de estrruturas já ex xistentes é mais m barata e rápida. 5.2.2. Reutilizand R do Esculturras De acorddo com o reegulamento do carnavaal 2015, não é permitidoo que uma agremiação a o emprregue em seu s desfile esculturas ou carros alegóricos já utilizadoos por ela mesma em m desfiiles anteriorres. Todaviaa, diferentees escolas podem trocaar esculturass, o que é uma u práticaa comuum entre ass agremiaçõ ões da Grannde Vitória.. Outra opção seria fazzer uma “reeleitura” dee escullturas já utiilizadas, o que q exige m muita criativ vidade por parte p do car arnavalesco,, habilidadee por pparte dos esccultores e não n é uma prrática comu um. Diante da d já mencionada crisee financeiraa e há apenaas 3 semanna do desfilee, reutilizarr escullturas foi uma das atividades a que orienttou a prod dução dos carros alegóricos daa agrem miação. No barracão havia várias esculturas usadas u em carnavais c paassados: cissnes negros,, anjoss cor de roosa, baianas, escravoss, orixás e uma cabeçça de corujja. Em outtra ocasião,, esculltores traballhavam, lixando peças de isopor e retirando as a camadas de papelão o e tinta quee cobriiam as escuulturas usadaas no carnavval de 2014 4. “Fo oi muito intereessante observ var a produção o do 2o carro aalegórico, quee representavaa a Igrreja de Alfa. Todas as escculturas que estavam nesse carro foram retrabalhadass [...] Mas o que m mais me encanttou foi o proccesso de criaçãão dos anjos azuis maioress (ver fotografia 4)) [...]. Em 20 014, o enredo o da escola fa falava sobre a uma cidadee nord destina e havi a um carro co om esculturass de orixás (vver fotografia 3). Em 2015,, esses mesmos oriixás foram trransformados em anjos. Ass pernas dos orixás deram m lugaar a uma saia,, que foi aderreçada com teecido azul. O Os corpos dos orixás foram m encaaixados nessass saias. Os rostos das escullturas foram rrecortados, resstando apenass suass cabeças. Noovos rostos foram feitos [...] e encaixadoos nas cabeçaas dos orixás.. Por fim, os orixáás ganharam asas, espadass e foram pinntados de azu ul” (notas dee campo).

Fotoggrafia 3 – Escuultura do carnaaval 2014 Fontee: http://www.soues.com.br

Fotografia 4 – Escultura daa alegoria nº 2 Fonte: Fotog grafia tirada peela autora

A reutiliização de esculturas e ttambém foi observada na produçção dos dem mais carross alegóóricos da agremiação a em análisee. Houve trroca de escculturas enttre diferenttes escolas,, assim m como outrros exemplo os de “releittura” de escculturas já utilizadas u em m carnavaiss anteriores.. Quanndo comparrada ao proccesso de escculpir novass esculturass, a reutilizaação (seja por p meio dee trocaa ou releiturra de escultu uras) é maiss barata e ráápida. 8


55.3. CONTR RATANDO O ESPECIAL LISTAS Em relaçção à mão-d de-obra conntratada, um ma das coisaas mais inteeressantes na n produçãoo dos carros aleggóricos foi a capacidaade de exeecução do carnavalescco e das equipes quee trabaalhavam no barracão (ssoldadores, escultores, pintores e aderecistas) a ). Em curtoss intervaloss de teempo (a caada dois dias) d era poossível perrceber que os carros ficavam viisivelmentee diferrentes (eram m soldados, ganhavam nnovas estru uturas, escullturas e aderreços, eram m pintados e ilumiinados, etc.). “Enq quanto eu obbservava o ab bre-alas, um dos d soldadorees percebeu que q eu estavaa deslu umbrada com m os detalhes do d carro. Ele se s aproximou e me disse: “vai “ ganhandoo vidaa, né?!”, referrindo-se as traansformações que eu visuaalizava durantte a produçãoo das alegorias. Allém disso, naa véspera do o desfile tive a oportunidade de ir aoo barraacão duas veezes em um mesmo m dia e pude percebeer a mesma capacidade c dee xii execcução. Em meenos de três semanas, trêss carros alegóóricos e três tripés t foram m prod duzidos” (notaas de campo).

navalesco contar com m duas grandes equiipes especiializadas e O fato de o carn experientes conntribuiu parra essa cappacidade dee execução o. Cada um ma das equ uipes tinha,, aproxximadamennte 15 profisssionais; senndo uma forrmada por soldadores, s escultores e pintores e a ouutra por adderecistas. Os O soldadoores eram profissionai p is capixabaas, os escu ultores (quee tambbém eram piintores) eram m da cidadee de Parintin ns/AM, enq quanto que a equipe de aderecistass era fformada porr profission nais do Rio de Janeiro//RJ e integrrantes da coomissão de frente. Em m cada uma das duuas equipess havia um coordenado or, que recebia do carnnavalesco ass instruçõess geraiis de como as a alegoriass deveriam sser produzid das. Os esculltores tambéém trabalhaavam na “Feesta do Boi de Parintinns” e em outtras escolass de saamba de Sãão Paulo/SP P e do Rio dde Janeiro/R RJ. Os aderrecistas do R Rio de Janeeiro/RJ, porr sua vvez, também m trabalhav vam na esccola de sam mba cariocaa “Beija-Floor”. Os inteegrantes daa comiissão de freente também m trabalhavvam como aderecistas. a Segundo uum dos correógrafos, a maiooria dos membros da comissão c coomeçaram no n Grupo dee Acesso, eem 2008. Do D grupo dee acessso, eles passaram para uma escolaa do Grupo B e depois para o Gruupo Especiaal. Devido a falta de condiçõões financeeiras das aggremiações, especialmeente das doo grupo de acesso, oss c ap prenderam a fazer suass próprias faantasias, asssim como as a alegoriass integgrantes da comissão que usariam naa coreografiia da comisssão de freente. Segun ndo um doss integrantees: “sempree sobraa pra gente ajudar a fazzer o que vaamos usar na coreograffia”. 55.4. JOGAN NDO AS RE EGRAS DO O JOGO Havia um m entendim mento compaartilhado po or parte dos integrantess da agremiaação de quee seriaa difícil “brrigar” pelo campeonatoo do carnav val 2015. Os O integranntes da esco ola também m relataaram que, nos n últimos anos, a dissputa pelo carnaval c esttava cada vvez mais aciirrada, umaa vez qque uma esscola poderia ganhar oou perder posições porr décimos. Em 2014, a escola dee sambba objeto deste d estudo o ficou em 4o lugar na n disputa, perdendo o 3o lugar por p poucoss décim mos. Diantee disso, a diiretoria de ccarnaval se reuniu paraa analisar ass notas de caada um doss dez qquesitos de julgamento oxiii. “A gennte fez uma análise dass notas. Aí a gente perrcebeu: nãoo podeemos mais perder p ponto os em quesittos primord diais” (notass de campo)). A diretooria de carn naval e a prresidência da escola decidiram d qque era neccessário darr mais atenção a alguns quessitos de julggamento, co ontratando novos n profiissionais: caarnavalescoo (respponsável peelos quesito os fantasia e alegoriaa), coreógrrafos (respoonsáveis peelo quesitoo comiissão de freente) e casaal de mestree sala (MS) e porta bandeira (PB B) - respon nsáveis peloo quesiito MS e PB. P A direttoria e a prresidência entendiam e que q essas ccontratações poderiam m 9


garanntir notas altas a para quatro doss dez quesiitos de julg gamento, o que poderia fazer a diferrença. Os inntegrantes da d escola coostumavam dizer: “Com missão é quuesito! Casaal é quesito! Carnnavalesco é quesito!”, ressaltanddo a imporrtância dessses profissiionais paraa o desfile.. Assim m, mesmo acreditando a o que seria ddifícil “brig gar” pelo caampeonato, a escola nãão pretendiaa ficar mais uma vez em 4o lugar na diisputa pelo carnaval, o que foi tiddo como um m resultadoo ruim m. Quanto ao a carnavalesco, os dirretores de caarnaval relaataram que oobservavam m o trabalhoo do prrofissional contratado c há h alguns annos, uma veez que semp pre o acharaam muito talentoso. “A A gentee ficava imppressionado o! Ele [o carrnavalesco]] vinha consseguindo faazer bons deesfiles, com m qualiidade de fanntasia e aleegoria. A geente via um m monte de ferro e de repente saiia um carroo [...]. como é quee esse cara [o [ carnavaleesco] conseegue?” (notaas de campoo), referindo o-se ao fatoo de, m mesmo sem m recursos financeiross e em um ma pequenaa escola doo grupo dee acesso, o carnaavalesco conseguir apresentar fanttasias e aleg gorias bem feitas. É intteressante reessaltar quee antess de se deddicar ao caarnaval, o ccarnavalesco o atuava em m quadrilhhas juninas da Grandee Vitórria, produziindo fantasiias. Assim, como ocorrre nas pequ uenas escolaas do grupo o de acesso,, as quuadrilhas poossuem pou ucos recursoos financeirros para pro oduzir sua aapresentação o. Portanto,, o carrnavalesco contratado estava habiituado a lid dar com situ uações de rrestrição orççamentária. Um bbom desfilee dependeriia de dinheiiro, mas tam mbém de um u bom carrnavalesco. Segundo o diretoor adjunto de carnavaal: “Quanddo cê sabe que q uma esscola não teem dinheiro o e mesmoo assim m ela consegue fazer um bom desfile. On nde é que tá o pontoo chave? É um bom m carnaavalesco quue consegue administrar ar os recurso os!” (notas de d campo). Um dos traços do carnavalesc c co contratad do era o uso o de uma m mistura de cores. c Valee ressaaltar, que ass fantasias e os carros alegóricos projetados para o carrnaval 2015 5 eram bem m colorridos. De acordo a com m alguns inntegrantes da d escola, esse coloriido é a asssinatura doo carnaavalesco. Paara alguns, nos últimoss anos, o caarnaval da escola e estavva “muito trradicional”,, uma vez que as alas e os caarros alegóriicos eram majoritariam m mente de um ma mesma cor, com um m suavee degrade de d cores entre os setorres da escolla (ver setorização). D De acordo co om um doss estiliistas da esccola, o novo o carnavaleesco “grita”” por meio de uma miistura de co ores, sendoo mais vivo e vibrrante, ao mesmo tempoo em que usa u como baase as cores da escola (o verde, o melho e o braanco). verm O coloriido não era apenas um m traço do trabalho t do carnavalessco, mas tam mbém umaa form ma de compeensar o uso de materiaiis mais simp ples nas fan ntasias e nass alegorias. Segundo o carnaavalesco: “A A minha saacada do coolorido é isso... porquee quando voocê trabalha com umaa escalla monocroomática, é gritante g quaando uma fantasia ou alegoria nnão tá comp pleta [maiss simpples]” (notass de campo)). Além daa mistura de d cores, hhavia uma preocupação p o por partee do carnav valesco em m relaçção aos dettalhes do acabamentoo dos carro os alegóriccos. Durantte as obserrvações noo barraacão, era comum c ouv vir a seguinnte afirmaçção: “Não adianta terr carro graande e mall acabaado”. “Há 2 dias do dessfile, observei que o carro abre-alas a estavva praticamen nte pronto. Noo carro o havia uma escultura de cabeça de co oruja (a masco cote da escolaa), que estavaa send do pintada porr um dos esccultores de Paarintins. A corruja, que tinh ha barbatanas,, estav va ficando coolorida, uma mistura de azul, roxo e aamarelo (ver fotografia 5).. Todaavia, o carnaavalesco afirrmou que ain nda faltava uum “tcham” (detalhes doo acab bamento), dizzendo que nãão sabia aind da o que iriia fazer, mass que estavaa penssando” (notas de campo).

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Fotoggrafia 5 – Carrro abre-alas Fontee: Fotografia tiirada pela auto ora “No dia seguinte voltei ao barrracão e pude observar o que ppedras e confeetes prateadoss e azzuis brilhantess foram coloccados na corujja, que tambéém ganhou deetalhes pretoss (pinttura) nos olhoos, no bico e na testa (ver fotografia 5).. No desfile pude p perceberr maiss um detalhe, havia uma peequena máquin na instalada enntre a cabeça e a barbatanaa da escultura, fazenndo com que a coruja do ab bre-alas soltassse bolhas de sabão” (notass de campo).

Percebe--se assim que q por meiio das cores e do acab bamento, o carnavalesco buscavaa comppensar o faato de a escola, por qquestões fin nanceiras, teer carros aalegóricos e esculturass consiiderados peequenos. 6. D DISCUSSÃ ÃO DOS RE ESULTADO OS A organiização da prática do esstrategizar vai v além da performancce do desfille, uma vezz que a produçãoo de um deesfile pode ser subdiv vidida em dois d conjunntos de ativ vidades quee organnizam essa prática: pro odução do ddesfile e o desfile d proprriamente ditto. É nesse sentido quee “o caarnaval aconntece o ano o todo” (CA AVALCANT TI, 1994), que q a escolaa de sambaa e o desfilee carnaavalesco vãão além da performance p e desse desffile. A escolhha por carnaavalizar um m “enredo caaça níquel” foi uma daas estratégiaas adotadass pela escola de samba. A possibilidad p de de patrocínio por parte p da ciddade homen nageada foii deterrminante paara a escolhaa desse enreedo, uma veez que havia um entenddimento (SC CHATZKI,, 20022) por parte da presidên ncia e da diiretoria da agremiação o (estrategisstas) de que o carnavall era uuma festa cara. c A esco olha do enrredo não leevou em co onta apenas aspectos culturais c ouu históóricos, uma vez que a diretoria d esttava preocup pada em “colocar a esccola na avenida”. Essaa preoccupação refflete o objettivo princippal de uma escola de samba: desfi filar (GOLD DWASSER,, 19755), estando diretamentte relacionaada a estru utura teleo-afetiva (SC CHATZKI, 2002) quee organnizou essa prática. Allém disso, percebe-se que, ao prrometer o ppatrocínio, o prefeito,, mesm mo sendo um u ator extterno (JARZ ZABKOWS SKI; BALO OGUN e SE EIDL, 2007 7), que estáá fora da estruturra formal da d organizaação, influeenciou indirretamente a estratégia da escola,, podeendo ser coonsiderado um u estrateggista. Todav via, conform me mencionnado, um enredo e caçaa níqueel não garannte patrocín nio, uma veez que a esccola pode não n receber o dinheiro prometido.. Foi justamente o que ocorrreu durante a observação. Até a vééspera do ddesfile de Vitória/ES, V a prom messa de pattrocínio porr parte do prrefeito da ciidade Alfa não n havia see concretizaado. Diante desse d cenário, havia um m entendimeento de que 2015 estava va sendo o “pior ano daa escolla”, um anoo de crise financeira, f e de que seeria preciso produzir o carnaval mesmo m sem m dinheeiro. Assim m, a diretoriaa de carnavval e o carn navalesco (ttambém tido dos como esstrategistas)) optarram por ussar como esstratégia a reutilização o de materiiais, produzzindo as aleegorias porr 11


meioo de duas attividades ceentrais: o approveitamen nto da estruttura dos carrros e a reuttilização dee escullturas. Maiss uma vez, a preocupaação de “co olocar a esccola na aveenida” estav va presente,, relaccionando-se com a estru utura teleo--afetiva (SC CHATZKI, 2002) 2 que oorganizou essa e prática.. Eviddencia-se, taambém, que a estratéggia inicial de produziir as alegorrias de aco ordo com o prim meiro projetoo feito pelo carnavales co não foi seguida. Haavia, ainda, um cuidad do por partee do caarnavalescoo em manterr a interprettação do en nredo, uma vez v que a eescola já hav via enviadoo o scrript do desffile à liga das d escolas dde samba, descrevendo d o o que cadda elemento o do desfilee (denttre eles os carros c alegó óricos) reprresentaria. Esse E cuidad do com a intterpretação do enredo,, por ssua vez, relaaciona-se co om as regrass (SCHATZ ZKI, 2001) que organizzaram essa prática. p É intereessante resssaltar que nem todoss os elemeentos e prááticas impo ortantes naa produução de um m desfile esstão abarcaddos nas reg gras explícittas e formaais que organizam suaa produução. A possibilidade de reutilizaar materiais é um exem mplo de práática relevan nte que nãoo consttam no reggulamento do d carnavall. Apesar diisso, havia um entenddimento com mpartilhadoo (por parte da diretoria d dee carnaval, do carnav valesco e dos escultorres, todos tidos t comoo estraategistas) acerca da imp portância deesse elemen nto na produ ução do desffile de 2015 5. Para quee a reutilizaação de matteriais (ou seja, s da estrrutura dos ccarros e de esculturas)) fossee exequível, há apenass 3 semanaas do desfille, a diretorria de carnnaval e o caarnavalescoo buscaaram a conntratação dee equipes e specializadas. Tanto a diretoria qquanto o caarnavalescoo entenndiam (SCHATZKI, 2002) quee as equipes eram capazes de produzir três carross alegóóricos e trêss tripés em apenas a 3 seemanas, umaa vez que os escultoress e os adereecistas eram m muitoo experienttes e também m trabalhavvam na “Festa do Boi de Parintinss” e em outtras escolass de saamba de Sãoo Paulo/SP e do Rio dee /RJ. É possívvel afirmar que os esccultores e os aderecistaas eram praaticantes daa prática dee produuzir alegorias, sendo por isso háábeis na reealização daas atividadees que com mpõem essaa práticca, nesse caso, c esculp pir e adereççar alegoriaas. Tais habilidades h referem-se, ainda, aoo know w-how, aos entendimen e ntos desses ppraticantes (SCHATZK ( KI, 2002) em m relação à prática. Ass práticcas mencioonadas eram m, ainda, ddotadas de significado e propósitto para os praticantess (estruutura teleo--afetiva), qu ue também desejavam “colocar a escola na aavenida” (SC CHATZKI,, 20011). Evidenciiamos, tamb bém, que oss integrantees das equip pes eram esstrategistas, e não só o carnaavalesco. Conforme C mencionado, para a EPS S, os níveis hierárquicoos mais baix xos também m são importantes atores no processo p do estrategizaar, a pesar de não terem m, necessariaamente, um m mo estrategistas (VAAR RA; WHITTINGTON,, 2012). papel formal com Outra estratégia ado otada pela ppresidência e pela direto oria de carna naval foi jog gar as regrass do joogo, ou sejaa, se preocup par com os quesitos dee julgamento o que seriam m levados em e conta naa apuraação do desfile. d Iden ntificamos que essa prática estava organnizada em torno doss entenndimentos (SCHATZK ( KI, 2002) dee que a disp puta pelo carnaval eraa acirrada, de d que paraa garanntir notas altas a era preciso dar aatenção aoss quesitos, e de que o carnavalessco era um m profiissional “chhave”, já qu ue influenciiava diretam mente dois quesitos (ffantasia e alegoria). a A presiidência e a diretoria d op ptaram por j ogar as regrras do jogo com o intuuito de coloccar a escolaa na avvenida e obbter uma bo oa colocaçãoo na disputa pelo carnaval. O quee evidencia a estruturaa teleoo-afetiva (SC CHATZKI, 2001) que oorganizou essa e prática. Para quee a estratég gia de jogaar as regrass do jogo pudesse p acoontecer, a diretoria d dee carnaaval passouu a observar o trabalhoo dos carnaavalescos que q se destaacavam no desfile dass escollas da Graande Vitória. Assim, observar o trabalho dos carnavvalescos fo oi uma dass atividdades que compôs c essa prática. H Havia um entendimento por partee da diretoriia de que o carnaavalesco a ser contrataado deveriaa ser hábil em e administrar recursoos e capaz de d produzirr um bbom desfilee mesmo sem m dinheiro . Tais habillidades refeerem-se, ainnda, ao know w-how, aoss entenndimentos (SCHATZK KI, 2002) do carnavaalesco com mo um prat aticante da prática dee carnaavalizar o ennredo.

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Ao prodduzir alegorrias coloridaas e preocu upar-se com m os detalhees do acabaamento doss carroos, o carnavvalesco realiizou atividaddes que com mpuseram a prática de carnavalizaar o enredo. Outroos exemploos que ilustrram o know w-how do praticante p (SCHATZK ( KI, 2002) caarnavalescoo foram m os entenddimentos dee que as corres e o acab bamento com mpensam o uso de matteriais maiss simpples e os carrros pequenos, assim coomo de quee não adiantta ter carro grande e mal m acabado.. A prrática de carnavalizar o enredo era, ainda,, dotada dee significaddo e propóssito para o praticcante (estruutura teleo--afetiva), quue também m desejavam m “colocar a escola na n avenida”” (SCH HATZKI, 20001 e 2002)). 7. C CONSIDER RAÇÕES FINAIS F O objetiivo deste artigo a foi aanalisar a organização da práticca do estraategizar naa produução do dessfile de umaa escola de samba capiixaba, especcificamente na produçãão de carross alegóóricos. Paraa tanto, utiilizamos a perspectivaa da estrattégia como prática, a partir doss conceitos de orrganização das práticaas de Theod dore Schatzzki. Apresen entamos um m estudo dee caso qualitativoo em uma escola de saamba do gru upo especiaal capixaba.. Destacamo os, no casoo analiisado, o connjunto de atividades quue compõem m o estrateegizar na prrodução de alegorias e comoo a escolaa teve que lidar com m uma sérrie de prob blemas, à escassez de d recursoss princcipalmente. O que dem mandou dos praticantess improviso e criatividaade no deseenvolver daa produução do carrnaval, habilidades própprias das prráticas carnaavalescas. Fundameental para a organizaçãão da práticca do estrateegizar na esscola pesquiisada foram m os enntendimentoos a respeiito de com mo ela acon ntece no carrnaval atuaal. Tendo em e vista oss elem mentos visuaais e estéticos que passsaram a ser altamente valorizadoss nos último os anos, terr sensiibilidade naa escolha dee cores, form matos e tam manhos se apresentou a ccomo um componente c e impoortante do estrategizzar na proodução caarnavalesca.. Apenas alguns prrofissionaiss especcializados, que incorp poraram essse elemento o da práticca, são cappazes de deesempenharr adeqquadamente as atividad des que podeem conduziir a escola a uma apressentação qu ue atenda ass exigêências das regras r (form mais e inform mais) do dessfile. Uma dass limitaçõess do estudoo foi a ausência de enttrevistas com m roteiro previamente p e definnido, que puudessem contribuir parra o aprofun ndamento de d como as ppráticas se organizam,, a parrtir do relatto dos pratiicantes. Ouutra limitaçãão do trabalho foi o reecorte na produção dee alegoorias, tendoo em vista que q a produução do desffile de uma escola de ssamba é composta porr váriaas atividadees inter-relaacionadas e um recortte como esste pode deeixar escapaar aspectoss relevvantes da prrodução de carros aleggóricos. Dad do que este é um trabaalho em con nstrução, ass entreevistas já fooram realizzadas e outrras atividad des observaadas, sendoo que ambo os os dadoss estãoo em fase dee tratamento o e análise. Estudos futuros pod deriam emppregar a abo ordagem de Theodore SSchatzki paara entenderr comoo o estrateggizar se org ganiza em ooutras form mas de orgaanização (em mpresas, orrganizaçõess não ggovernamenntais, órgão os públicos,, etc.), a fim m de que seeja possívell traçar sem melhanças e diferrenças entre os elem mentos que organizam m a práticaa estratégicca nas mais diversass organnizações. REF FERÊNCIA AS BAU UER, M. W..; GASKEL LL, G. Pesqu uisa qualitativa com texto, t imaggem e som. Rio de Janeiiro: Vozes, 2002. BLA ASS, L. M. S. S Desfile na avenida, trabalho na n escola dee samba: a ddupla face do d carnaaval. São Paaulo: Annab blume, 20077.

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Dezeenas de pessoaas que desfilam m com uma m mesma fantasia. As alas representam partte do enredo que q está sendoo contaddo no desfile. ii São carros ornam mentados que também t repreesentam parte do enredo. Nesses N carros hhá pessoas deesfilando com m fantassias de destaquue, semi-destaaque e compossição de carro o. iii Doccumento públiico disponibiliizado pela ligaa das escolas de samba a to odas as escolass. iv Doccumento interrno da escolaa que trata daa ordem sequ uencial de apresentação doo desfile. A setorização é produuzida pela direetoria de carnaaval e disponibbilizada para as a demais direetorias. v Docuumento produuzido pela direetoria de carnnaval e enviad do para a liga das escolas dee samba. O en nvio do scriptt é umaa obrigação das d escolas e está previsto no regulamen nto do carnav val. O docum mento descrevee o enredo, o sambaa-enredo, a orrdem sequenccial de apreseentação do deesfile (setorizaação) e o quee cada elemen nto do desfilee (alas, carros alegóriicos, etc.) reprresenta. vi Prim meiro carro aleegórico de um ma escola. Cosstuma ser o maaior e mais luxuoso dos carrros. vii Parra preservar a identidade da cidade homennageada no en nredo a identifficaremos peloo codinome Alfa. A viii Auutor do enredoo. ix Pesssoas que desffilam com fan ntasias luxuossas nos pontoss mais altos dos d carros ou nno chão, em frente f as alas.. Nos ccarros há um destaque d centrral (cuja fantassia é a mais lu uxuosa) e algu uns semi-destaaques. x Umaa alegoria tam mbém conta co om composiçõões, pessoas que q desfilam em cima dos carros com fantasias f maiss simples, que compõõem os adereçços desses carr rros. xi Loccal onde os carrros alegóricos são produziddos. xii Peqqueno carro allegórico no qu ual não há pes soas desfiland do. xiii Sãão quesitos preeviamente deffinidos e levaddos em conta na apuração do d desfile. Noo carnaval de Vitória/ES, V oss quesittos são: Baterria; Samba-En nredo; Harmonnia; Evolução; Enredo; Con njunto; Alegor orias e Adereços; Fantasias;; Comissão de Frentee e Mestre-Sala e Porta-Banndeira.

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