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Elementos para o estudo das escolas de samba dos últimos grupos de acesso da cidade do Rio de Janeiro

Autor: Júlio César Valente Ferreira e-mail: jcvferreira@hotmail.com Resumo Este trabalho tem como objetivo traçar os elementos necessários para as pesquisas em escolas de samba dos últimos grupos de acesso da cidade do Rio de Janeiro, considerando os marcos de análise postos para o estudo das escolas de samba pertencentes ao primeiro grupo, objetos praticamente exclusivos no exame deste tipo de manifestação carnavalesca. A terminologia “últimos grupos de acesso” especifica que o recorte será o local de desfile, pois os dois primeiros grupos de escolas de samba desfilam na Avenida Marquês de Sapucaí (também conhecido como Sambódromo), no centro da cidade, e os três últimos se apresentam na Avenida Intendente Magalhães, no subúrbio da cidade. 1. Introdução "O carnaval carioca é hoje um rentável produto para a mídia, uma ferramenta publicitária de grande valor e com elevado preço de mercado, ou seja, trata-se de um gigantesco e rentável negócio para todos os envolvidos. Mas não é para qualquer um." (PEGADO, 2005). A afirmativa acima se aplica quando se faz o recorte das escolas de samba do grupo especial e do primeiro grupo de acesso, que contam com transmissão televisiva e cobertura de diversas rádios AM e FM de grande porte e desfilam na Avenida Marquês de Sapucaí (popularmente, denominado “Sambódromo”), principal palco de exibição das escolas de samba e situado na região central da cidade, local de primazia dos festejos carnavalescos (FERREIRA, 2008). Entretanto, quando a análise foca as escolas de samba das três ultimas divisões do carnaval carioca, que desfilam na Avenida Intendente Magalhães, situado no subúrbio da cidade e afastado das regiões de primazia das festividades carnavalescas, a realidade ganha outros contornos como, por exemplo, não contarem com a cobertura da mídia (com exceção de sítios especializados em carnaval). Quando o recorte se refere às escolas de samba do grupo especial, as mesmas são estudadas há muito tempo e a produção é muito diversificada e contempla diversas publicações. Os estudos destinados às escolas de samba dos grupos de acesso são escassos, conforme destaca Victorio (2010), devido a pouca visibilidade social que estas escolas possuem.


Tendo como base o trabalho apresentado por Cavalcanti (1999), apresentaremos os marcos de análise das escolas de samba dos últimos grupos de acesso a partir das três ideias centrais que a autora pontua como elementares para a compreensão dos desfiles das escolas de samba: a dimensão agonística desta festa carnavalesca, a sua forma artística altamente elaborada e a ligação com importantes processos urbanos. 2. Referencial teórico Conforme já destacado, a maior parte dos trabalhos referentes às escolas de samba que desfilam na cidade do Rio de Janeiro dedica-se àquelas consideradas como as principais e que desfilam no Grupo Especial, a primeira divisão da hierarquia competitiva entre as agremiações. Com relação à história das principais escolas de samba, temos as obras de Cabral (1974) (1996) (2011), Brasil (2010), Ericeira (2009), Fernandes (2001) e Jório e Araújo (1969). Sobre a sistemática de preparação de um desfile de uma escola de samba do grupo especial e a infraestrutura demandada para esta confecção, destacamos os trabalhos de Barbieri (2009), Cavalcanti (1999) (2006), Leopoldi (1978), Souza (1988) e Souza (2001). Os aspectos gerenciais da preparação do desfile e de sua execução, bem como os ensaios, são tratados nas publicações de Magalhães (2006), Moraes (1996), Oliveira (2009) e Palmeira Filho (1996). As questões do ponto de vista econômico destas escolas de samba são focadas nos estudos de Erp (2002), Matos (2007) e Prestes Filho (2009). Investigações pormenorizadas de escolas de samba classificadas como tradicionais no carnaval carioca, realizadas geralmente através de etnografias, são encontradas nos trabalhos de Bezerra (2010), Goldwaiser (1975) e Pavão (2004). Também encontramos estudos direcionados às alas e setores específicos destas escolas de samba como mestre-sala e porta-bandeira, bateria, velha guarda e passistas, verificados em Gonçalves (2008), Kuijlaars (2009), Rodrigues Junior (2008) e Toji (2006). Temas transversais como a formação dos trabalhadores deste segmento e os produtos culturais desta manifestação carnavalesca são encontrados nas publicações de Cardoso (2008), Melo (2000), Valença (2003), Valença (2005) e Vasconcelos (1999). Também podem ser salientadas as investigações relacionadas aos projetos sociais desenvolvidos nos equipamentos das escolas de samba em Costa (2002), Costa (2004) e Gonçalves (2003). Com relação às escolas de samba do primeiro grupo de acesso, destacamos os trabalhos de Oliveira Neto (2008), Prestes Filho (2009), Valença (2005), Vasconcelos (1999) e Victorio (2010). Cabe ressaltar que, devido à proximidade entre este primeiro grupo de acesso e o grupo especial, uma escola de samba na época da pesquisa posicionada no primeiro grupo de acesso pode estar presente na atualidade no Grupo Especial e vice-versa. Apesar do número de publicações que abordem as escolas de samba do primeiro grupo de acesso não ser tão amplo, consideramos interessante dividir estes grupos de acesso para estudos posteriores, visto que há sensíveis diferenças entre os mesmos, tendo como divisor o local de desfiles. A realidade do grupo de acesso que desfila na Avenida Marquês de Sapucaí difere muito daquela verificada nos grupos de acesso que desfilam na Avenida Intendente Magalhães. Procedendo este recorte, encontramos somente quatro publicações dedicadas às escolas de samba dos últimos grupos de acesso: a tese de doutorado de Ferreira (2008), a


dissertação de mestrado de Barbieri (2010a), o artigo de Barbieri (2010b) e o artigo de Ferreira e Lobo (2012). Para o recorte promovido, o estudo de Prestes Filho (2009) deve ser lido com atenção, pois os dados colhidos envolvem como espaço amostral as escolas de todos os grupos de acesso. O trabalho de Ferreira (2008) dedica-se a traçar um panorama geral dos desfiles das escolas de samba que desfilam na Avenida Intendente Magalhães, com especial atenção à análise da produção alegórica e da indumentária destas escolas. A publicação de Barbieri (2010a) foca na construção das relações sociais estabelecidas para a preparação do carnaval de uma escola de samba que há três anos pertence à penúltima divisão do carnaval carioca. O artigo de Barbieri (2010b) auxilia-nos a visualizar a divisão hierárquica das escolas de samba e as possibilidades de movimentação dentro deste sistema. O trabalho de Ferreira e Lobo (2012) mostra o processo de produção do desfile de uma escola de samba que no ano da pesquisa desfilava na última divisão do carnaval carioca. 3. Método 3.1 Universo e amostra Com relação à hierarquia dos grupos de escolas de samba que desfilam na cidade do Rio de Janeiro, o Grupo Especial é aquele no qual se encontram as principais escolas de samba, sendo organizado pela LIESA (Liga Independente das Escolas de Samba). O primeiro grupo de acesso (denominado Série A) é gerenciado pela LIERJ (Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro). E os três últimos grupos de acesso (denominados Grupos de Acesso B, C e D) são organizados pela AESCRJ (Associação das Escolas de Samba da Cidade do Rio de Janeiro). Em 2013, os desfiles das escolas de samba promovidos na cidade do Rio de Janeiro contarão com a participação de 69 agremiações. Este número varia a cada ano, pois atualmente os critérios para a promoção e o rebaixamento nos grupos das escolas de samba estão interligados àqueles adotados na hierarquização dos blocos de enredo, cujos desfiles são organizados pela Federação de Blocos Carnavalescos do Estado do Rio de Janeiro (FERREIRA e LOBO, 2012). Além disto, este número pode sofrer alterações a cada ano por conta do processo denominado “enrolar a bandeira”, que significa quando uma escola de samba desiste de desfilar e não volta mais a se apresentar. Este processo que já se abateu em escolas que já desfilaram no Grupo Especial nunca mereceu atenção por parte dos pesquisadores do carnaval. Apresentamos a seguir o quadro para 2013, pois houve a unificação dos antigos Grupos de Acesso A e B, gerando desta forma uma nova hierarquização das escolas de samba, cuja configuração é apresentada na Tabela 1. Para a composição deste trabalho, não foi adotada uma seleção de amostra mais pormenorizada por se tratar de uma pesquisa que visa estabelecer em linhas gerais elementos de diferenciação, a partir do posicionamento de marcos referenciais de análise, entre as escolas de samba tendo como recorte o local de desfile.


Grupo

Entidade organizadora

Dia e Local de desfile

Participantes em 2013

Locais de preparação do desfile

Classificação neutra

Especial

LIESA

Dom. e seg. - Av. Marquês de Sapucaí

13

Cidade do Samba

1ª divisão

Série A

LIERJ

Sex e sáb. – Av. Marquês de Sapucaí

19

Galpões na região central da cidade

2ª divisão

Acesso B

AESCRJ

Dom. – Av. Intendente Magalhães

13

Carandiru e espaços na região da quadra

3ª divisão

Acesso C

AESCRJ

Seg. – Av. Intendente Magalhães

12

Carandiru e espaços na região da quadra

4ª divisão

Acesso D

AESCRJ

Ter. – Av. Intendente Magalhães

12

Carandiru e espaços na região da quadra

5ª divisão

Tabela 1 – Informações sobre os grupos das escolas de samba do carnaval da cidade do Rio de Janeiro.

3.2 Coleta de Dados Este trabalho baseia-se na pesquisa bibliográfica feita pelo autor, buscando sempre contrapor em cada marco referencial de análise as principais escolas de samba do Rio de Janeiro com aquelas que desfilam na Avenida Intendente Magalhães. Além disto, serão utilizados dados coletados pelo autor ao longo dos últimos quatro anos, em que frequentou os desfiles das escolas de samba dos três últimos grupos de acesso. Esta coleta de dados foi realizada através de entrevistas informais, sem o auxílio de questionários ou esquemas previamente concebidos para a condução das mesmas, e o uso de fotografias, trabalhando as mesmas como ilustradora de evidências e fatos. Porém, ressaltamos que a fotografia não é somente uma técnica de produção de imagens que integram objetividade e neutralidade. Este escopo é ampliado para que a fotografia seja analisada como forma de pensamento visual e expressão autônoma (ANDRADE, 2002). 4. Marcos referenciais para o estudo das escolas de samba 4.1 Locais de desfile Barbieri (2010a) destaca a alteração do quadro da hierarquia competitiva. Para este autor, fica bastante evidente a separação e os privilégios obtidos por cada grupo, em relação ao nível que ocupa, no que se refere aos locais de preparação e de desfile. Atualmente, o Grupo Especial e o primeiro grupo de acesso desfilam na Avenida Marquês de Sapucaí, situado no centro da cidade do Rio de Janeiro, com acesso fácil através de ônibus, trem e metrô. Desde a oficialização dos desfiles, ocorrida em 1935, estes grupos desfilam em locais situados na região central da cidade; sendo que, desde 1984, em ambiente construído especialmente para esta atividade, o Sambódromo (CABRAL, 1996).


Os últimos grupos de acesso atualmente desfilam na Avenida Intendente Magalhães, situado no subúrbio da cidade, cujas formas de acesso por transporte de massa são algumas linhas de ônibus locais e outras poucas que partem do centro da cidade. Não há estações de trem ou metrô próximas a esta avenida e muito menos qualquer sistema organizado de estacionamento de automóveis particulares. Até o ano de 1997, todos os grupos das escolas de samba que desfilam na cidade do Rio de Janeiro apresentavam-se em locais situados no centro da cidade. No ano seguinte, segundo projeto implementado pela prefeitura da cidade, os dois últimos grupos de acesso passaram a desfilar na Rua Cardoso de Moraes, em Bonsucesso, bairro do subúrbio com relativa proximidade do centro da cidade e cujo acesso pode ser feito por diversas linhas de ônibus que partem de vários pontos da cidade ou por trem. Em 2002, estes mesmos grupos foram transferidos para a Avenida Intendente Magalhães. O terceiro grupo de acesso (atualmente denominado como Grupo de Acesso B) foi o último a ser transferido do centro da cidade, sendo também deslocado para a Avenida Intendente Magalhães no carnaval de 2005. Esta transferência foi baseada em preceitos verificados em outras cidades do Brasil, onde as escolas de samba não são consideradas o principal produto turístico da época carnavalesca. Dentre os principais motivos alegados estão a comodidade de ocuparem espaços maiores e exclusivos e a liberação de locais mais “nobres” para manifestações de maior apelo de público e financeiro. Entretanto, Ferreira (2008) alerta que esta mudança revela um novo tipo de segregação, onde as manifestações consideradas “decadentes” ou de “pouco apelo popular” são afastadas do centro da cidade pelas formas hegemônicas de manifestações carnavalescas. Ferreira (2008) destaca que a maioria das escolas destes grupos de acesso não aprovou a modificação do local de desfile, apesar de muitas estarem situadas próximas ao local de desfile, facilitando e barateando o trabalho de transporte de fantasias, alegorias e desfilantes. Este autor afirma que a transferência ampliou a diferenciação hierárquica entre estas escolas e aquelas que desfilam no centro da cidade, pontuando elementos que balizam o caráter simbólico espacial do centro urbano como visibilidade positiva e comunicação de discursos a um público diferente daquele que freqüenta a comunidade. Afinal, para quem produz um desfile carnavalesco (um espetáculo), não é interessante apresentá-lo somente a um público “caseiro”. E o centro da cidade representa esta possibilidade, incluindo públicos de diversos bairros da cidade e turistas brasileiros e estrangeiros, diferenciando-se completamente do público que freqüenta a Avenida Intendente Magalhães, basicamente formado por moradores do entorno. Além disso, a diferenciação dos locais de desfile também influencia na preparação da escola de samba, pois os regulamentos são diferentes e preveem tempos distintos para a realização do desfile. Além disto, as dimensões laterais dos carros alegóricas devem ser alteradas (mudança na largura da pista) e a direção de harmonia modifica o andamento da escola durante o desfile (mudança no comprimento da pista) ou sugere à direção de carnaval que altere a quantidade de desfilantes (o que pode ser problemático quando se necessita aumentar este número). Outra diferença está no fato de que na Avenida Intendente Magalhães não há recuo para a bateria.


No caso do Sambódromo, a pista de desfile possui 700 metros de comprimento e 13 metros de largura, e o desfile na Avenida Intendente Magalhães ocorre em um espaço com 250 metros de comprimento e 7 metros de largura. A modificação no local de desfiles dos últimos grupos de acesso gerou um inconveniente para os blocos de enredo que se transformam em escola de samba, pois a pista de desfiles do primeiro grupo de blocos, situado à Avenida Rio Branco, possui pista de desfile com comprimento equivalente, mas com largura na ordem de 12 metros. No que tange à infraestrutura oferecida às escolas de samba no local de desfile, também devem ser destacados determinados elementos. Na Avenida Intendente Magalhães, cerca de 900 lugares gratuitos são oferecidos em cinco arquibancadas tubulares com quatro lances montadas em ambos os lados da pista de desfile. O restante do público assiste de pé ou sentados em cadeiras e bancos trazidos pelos próprios, sendo que a separação para a pista se dá somente através de grades móveis de, aproximadamente, um metro de altura. Há sinalização na pista, além de um cronômetro no final da pista de desfile. A sonorização é feita somente por um caminhão de som que acompanha os intérpretes do samba-enredo e a bateria, que se posiciona logo atrás. As caixas de som distribuídas ao longo da avenida somente são adotadas para música de fundo e informações de utilidade pública entre as apresentações das escolas de samba. 4.2 Composição dos grupos e mobilidade das escolas Com relação à hierarquia dos desfiles dos grupos de escolas de samba que desfilam na cidade do Rio de Janeiro, o Grupo Especial é aquele no qual se encontram as principais escolas de samba, sendo organizado pela LIESA (Liga Independente das Escolas de Samba). O primeiro grupos de acesso (denominado Série A) é gerenciado pela LIERJ (Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro) e os três últimos grupos de acesso (denominados Grupos de acesso B, C e D) são organizados pela AESCRJ (Associação das Escolas de Samba da Cidade do Rio de Janeiro). Este regime hierárquico que organiza a competição dos grupos das escolas de samba sempre existiu. Porém, o número de entidades gestoras, de divisões, o número de agremiações em cada uma delas e a nomenclatura variou consideravelmente ao longo dos anos. A publicação de Cabral (2011) traz esta sumarização ano a ano. Porém, desde que foi publicada esta obra, os itens citados anteriormente já passaram por modificações. A título de exemplo, já ocorreram mudanças para o carnaval de 2013, sendo então necessária a consulta a sites especializados em carnaval para conhecer as últimas atualizações destes itens. Barbieri (2010b) afirma que a evolução no número de escolas de samba desfilando na cidade do Rio de Janeiro é revelador da importância e da relevância deste tipo de manifestação carnavalesca. O autor também afirma que as escolas atingiram o grau máximo de expansão no número de escolas de samba e que a expansão em questão é resultado da expansão da metrópole e incorporação contínua de escolas de samba com sede situada fora dos limites da cidade do Rio de Janeiro. Esta afirmação é corroborada por Ferreira e Lobo (2012), os quais constataram que o atual mecanismo de criação de novas escolas de samba está ligado a certo número de blocos de enredo transformar-se em escolas de samba e vice-versa. Este número de agremiações ao longo dos últimos anos tem sido mantido dentro de uma zona estável, pois o processo de


redução do número de escolas de samba nos grupos hierárquicos foi interrompido pela nova direção da Associação das Escolas de Samba da Cidade do Rio de Janeiro, que tomou posse no segundo semestre de 2012. O caso citado acima confirma a análise de Barbieri (2010b) e Ferreira (2008) que afirmam que a expansão ou a redução de níveis hierárquicos e de agremiações em cada nível obedece a questões conjunturais dependentes dos objetivos momentâneos das entidades gestoras dos desfiles das escolas de samba e de questões políticas. Desta forma, a cada ano, os critérios de promoção e rebaixamento são geralmente modificados pelas entidades gestoras dos desfiles das escolas de samba. Então, ainda não há como traçar um panorama específico para cada entidade. Entretanto, algumas constatações são possíveis. Barbieri (2010b) sinaliza que a trajetória de uma escola de samba traz referências à forma com a qual ascendeu ou caiu na hierarquia. O autor destaca que uma agremiação que atualmente desfila na Avenida Intendente Magalhães é sempre lembrada por sua passagem no Grupo Especial, quando isso tenha acontecido. Ferreira (2008) destaca que o objetivo de toda escola de samba é chegar ao Grupo especial. Entretanto, algumas agremiações (dentre as quais destacamos com mais ênfase as pertencentes aos três últimos grupos de acesso) miram objetivos mais simples, contentando-se em sair da Avenida Intendente Magalhães e chegar ao Sambódromo. Barbieri (2009) pontua que a mobilidade das escolas de samba no Grupo Especial é baixa e se traduz em um grupo onde atualmente pouquíssimas agremiações conseguem penetrar no grau máximo da hierarquia dos grupos das escolas de samba e lá se manterem. Exemplos que corroboram esta observação são fornecidos pelo autor neste trabalho quando constata o otimismo exagerado de algumas agremiações deste grupo ao ocuparem seus barracões na Cidade do Samba. O autor verifica que algumas administrações destas escolas de samba reformaram completamente seu espaço, incluindo em um dos casos a instalação de uma banheira de hidromassagem. Cabe ressaltar que as escolas de samba que deixam de desfilar no Grupo Especial são obrigadas a abandonarem a Cidade do Samba e, quando retornarem após obterem uma vaga de acesso, não necessariamente ocuparão o mesmo galpão. Dentro dos grupos de acesso que desfilam na Avenida Intendente Magalhães, Ferreira (2008) estabelece uma tipologia de trajetórias das escolas de samba. As “escolas em ascensão” são aquelas que rapidamente deixam esta avenida para desfilarem no Sambódromo. As “escolas em declínio” são aquelas cujo movimento se faz no sentido contrário e tendem atualmente a “enrolar a bandeira” ou de transformar em blocos de enredo. As “escolas iô-iô” são aquelas que oscilam entre dois grupos com movimentos alternados de ascenso e queda dentro da hierarquia dos grupos. As “escolas estáveis” são aquelas que conseguem se manter na mesma divisão hierárquica com pouca oscilação verificada. Por fim, Ferreira (2008) indica que a mobilidade é mais variável e provável entre os grupos de acesso que desfilam na Avenida Intendente Magalhães. Segundo o autor, a grande barreira é a divisão mais alta que desfila nesta avenida (hoje denominada Grupo de Acesso B). Em todos os casos analisados pelo referido autor, as escolas de samba que passavam deste


grupo, desfilavam na Avenida Marquês de Sapucaí por pouco tempo, retornando à Avenida Intendente Magalhães. 4.3 Mobilidade e pertencimento dos dirigentes, trabalhadores e componentes No caso das escolas de samba do Grupo Especial, Leopoldi (1978) destaca a existência de uma hierarquia da organização formal, responsável pela administração da agremiação, e outra da organização carnavalesca, responsável pela preparação e execução do desfile. Para estas escolas, não se verifica a mobilidade de membros destas hierarquias para ocuparem ao mesmo tempo postos em escolas da mesma divisão. Porém, ao se tratar das escolas de samba dos últimos grupos de acesso, esta mobilidade existe e é necessária para a sobrevivência destas agremiações. Primeiramente, pelo fato de que, caso se cobrasse dedicação plena, a mesma poderia correr o risco de não ter mais componentes e dirigentes. Outra questão é que a participação destas pessoas em outras escolas de samba de extratos superiores estabelece redes sociais importantíssimas na preparação do desfile e na execução do mesmo. Estas redes possibilitam, por exemplo, a obtenção de esculturas, fantasias para desmontagem e reciclagem, peças para completar a bateria da escola, baianas para completarem a ala e não serem punidas pelo regulamento, ritmistas para completarem a bateria, chassis para carros alegóricos, diretores de harmonia para auxiliarem o desfile da agremiação, componentes para completarem o número mínimo de desfilantes exigido no regulamento, dentre outros insumos. Estas redes citadas são destacadas nos trabalhos de Barbieiri (2010a) e Ferreira (2008). 4.4 Cronograma de preparação do desfile O ciclo de vida de um desfile de uma escola de samba dura no máximo um ano. A arte do carnaval é passageira, pois no ano seguinte um novo desfile com nova temática será apresentado (OLIVEIRA, 2009). Para o cumprimento das atividades constituidoras do ciclo de vida do produto referenciado, as escolas de samba do Grupo Especial e, no atual panorama contando com a inclusão das agremiações da Série A, pactuam com as entidades organizadoras dos desfiles destes grupos alguns prazos limites para o término de etapas da preparação deste produto. Cavalcanti (2006) e Oliveira (2009) apresentam estes dados sumarizados neste trabalho na Tabela 02. As escolas de samba dos três últimos grupos de acesso não possuem o calendário como o mostrado acima. Ainda se verifica uma variabilidade muito grande no que tange aos meses em que estas etapas se iniciam, muito por conta do atraso do pagamento da subvenção por parte dos governos municipal e estadual, que ocorre somente a partir de dezembro. Como basicamente esta é a única verba mais vultosa possível de ser captada por estas agremiações, o cronograma de confecção da parte plástica-visual do desfile acaba sendo compactado para os três últimos meses antes do carnaval. Entretanto, nos últimos anos, há em esforço por conta da AESCRJ para que a eleição do samba-enredo que será levado pela agremiação no desfile seja em outubro, com o intuito de gravar os mesmos na forma de CD. Ferreira e Lobo (2012) já constataram que a busca da semelhança do período em que o enredo é lançado pelas escolas de samba do Grupo Especial e da Série A por parte das agremiações dos últimos grupos de acesso vem sendo utilizada para se obterem maiores possibilidades de negociação de obtenção de materiais e esculturas de agremiações de extratos superiores.


Meses

Etapas da produção do desfile

Março e Abril

Escolha e divulgação do enredo

Maio

Início da composição dos protótipos das fantasias

Junho

Início dos trabalhos de composição dos carros alegóricos no barracão

Junho e Julho

Entrega da sinopse do enredo à entidade organizadora do desfile e à ala de compositores da agremiação para a preparação dos sambas-enredos que participarão da escolha do hino

Agosto

Início da competição que definirá o samba-enredo da agremiação

Outubro

Eleição do samba-enredo vencedor da disputa e gravação do mesmo no CD que reunirá os hinos de todas as agremiações que participam do mesmo grupo

Outubro

Apresentação dos protótipos das fantasias e início dos ensaios técnicos

Outubro a fevereiro

Continuação da preparação dos carros alegóricos e das fantasias

Tabela 2 – Etapas da produção do desfile das escolas de samba do Grupo Especial e da Série A.

4.5 Escolha do enredo A cada ano, as escolas de samba pautam suas apresentações a partir do enredo, o qual é a proposição que constitui o fio condutor do desfile, o qual faz referência a fatos históricos, personalidades, culturas, lugares ou situações abstratas (FARIAS, 2007). A criação do enredo envolve dois momentos distintos: o literário e o plástico-visual. O momento relativo ao aspecto literário irá se traduzir na sinopse do enredo, peça literária utilizada pelos compositores como norte para a composição do samba-enredo, composição específica para ser apresentada no dia do desfile. O momento referente ao aspecto plástico-visual será elaborado posteriormente nas alegorias, adereços e fantasias, produzidas nos barracões e nos ateliês (CAVALCANTI, 2006). A responsabilidade sobre o enredo e seu direcionamento artístico cabe ao carnavalesco. Este ator possui grande influência e presença marcante na configuração do desfile das escolas de samba, atuando como importante mediador sociocultural, desempenhando o papel de artista plástico, pesquisador, escritor, diretor de espetáculo, relações públicas e, mais recentemente, executando funções de agente captador de recursos (SANTOS, 2009). Para as escolas de samba do Grupo Especial, por conta das exigências cada vez maiores para o sucesso da empreitada, há a necessidade de aprofundamentos sofisticados nos itens que integram o regulamento, demandando do carnavalesco ou da “comissão de carnaval” vários requisitos para a sua efetivação, sendo então profissionais caros e que acumulam um saber prático elevado e, em alguns casos (com tendência ao crescimento), formação acadêmica específica. Então, a formação do carnavalesco ou da “comissão de carnaval”, seus


canais de comunicação com a sociedade e seus critérios de pesquisa refletem-se diretamente na escolha e, principalmente, no desenvolvimento do enredo, traduzido nas concepções de fantasias, alegorias e adereços, configurando-se em uma barreira simbólica que marca ainda mais a diferenciação das escolas de samba que desfilam na Avenida Marquês de Sapucaí em relação àquelas que se apresentam na Avenida Intendente Magalhães (FERREIRA, 2008). Ferreira (2008) destaca que muitos carnavalescos não possuem intimidade com a parte formal escrita de composição do enredo. Desta forma, esta tarefa é destinada à profissionais especificamente contratados para este fim. No caso dos últimos grupos de acesso, por conta das limitações orçamentárias, esta tarefa é de responsabilidade do próprio carnavalesco ou de algum integrante não remunerado da agremiação. Ferreira (2008) salienta que, para estas escolas de samba, não há uma forma padronizada de apresentação da parte literária, diferentemente do que ocorre no Grupo Especial, onde esta padronização já foi implementada. Com isto, o autor destaca que a pouca fluência na produção do texto dos enredos corrobora a oposição entre o Grupo Especial e os últimos grupos de acesso. No caso das escolas de samba do Grupo Especial, Cavalcanti (2006) mostra que a escolha do enredo ocorre logo após o desfile, através de uma negociação que envolve o carnavalesco, ou uma “comissão de carnaval” conforme destaca Santos (2009) como uma forma atualmente em voga para a execução deste trabalho, e a direção da agremiação. Em muitos casos, o enredo do ano seguinte ocorre antes mesmo do desfile do ano corrente. Entretanto, por conta da liberação dos patrocínios durante os desfiles das escolas de samba, no Grupo Especial um novo componente entrou nesta dinâmica. Trata-se do patrocinador, o qual disponibiliza verbas para que a agremiação prepare seu desfile. Entretanto, como contrapartida, o patrocinador exige a exposição de sua marca, desvirtuando o sentido do patrocínio, transformando-o em verba de publicidade (CALLEIA, 2010). Desta forma, em muitos casos, o carnavalesco ou a comissão de carnaval é contratada pela escola de samba para desenvolver um enredo cujo tema e viés já foram determinados. Com isto, este mediador de grande importância no carnaval fica pressionado por um mercado de trabalho restrito com um número crescente de profissionais e por enredos patrocinados que limitam o exercício da criação deste profissional (SANTOS, 2009). Para o caso das escolas de samba dos últimos grupos de acesso, Ferreira (2008) mostra que é preponderante os enredos de temática afro-brasileira e de homenagens a personalidades. No caso dos enredos de temática afro-brasileira, Ferreira (2008) sinaliza que os discursos de carnavalescos e diretores de escolas de samba destes grupos apontam para a adequação de determinados temas para o enredo de uma agremiação conforme o local de desfile. O autor afirma que, no caso das escolas de samba que desfilam na Avenida Intendente Magalhães, os enredos mais comuns desta temática são aqueles destinados à personalidades negras, configurando certa originalidade a estas agremiações em relação às demais, e à assuntos já considerados “clássicos” por conta de sua adoção desde a década de 60 (CAVALCANTI, 1999). Porém, este componente de originalidade é relativizado por Ferreira (2008), quando o mesmo constata em entrevistas com os carnavalescos destas agremiações o principal motivo que destina a escolha do enredo para esta temática. Segundo o autor, os carnavalescos alegam que este tipo de enredo é mais barato de ser levado para a avenida por conta das maiores possibilidades de utilização de materiais menos nobres e reciclagem de


fantasias, adereços e esculturas obtidas por doação. Para a temática de homenagem a personalidades, Ferreira (2008) afirma que estas escolas de samba buscam homenagear pessoas cuja realidade seja mais próxima (e, neste caso, inserido em uma mesma realidade material que, logicamente, não demandará materiais caros) ou personagens históricos negros e mestiços (retornando à questão exposta no parágrafo anterior). Este tipo de enredo possibilita a estas escolas angariar fundos a partir do apoio do homenageado, caminhando de forma tímida aos denominados enredos patrocinados. Entretanto, neste caso, este relacionamento ainda se dá em cenários referentes a uma relação no domínio da patronagem, do personalismo e do favor (DA MATTA, 1979). Pouco ainda se produziu no que tange aos enredos patrocinados destinados às apresentações na Avenida Intendente Magalhães, sendo um caso analisado de forma pormenorizada por Barbieri (2010). 4.6 Escolha do samba-enredo O samba-enredo elabora musicalmente o tema proposto pelo enredo. Neste momento, há um confronto de duas visões de mundo dentro de uma escola de samba envolvendo dois atores de grande importância na produção do desfile: o carnavalesco e os compositores (CAVALCANTI, 2006). Todo o processo para a escolha do samba-enredo que a agremiação defenderá no desfile é descrito por Cavalcanti (2006), incluindo uma descrição pormenorizada destas etapas e da constituição da ala de compositores. O estudo de caso retratado pela autora refere-se a uma escola de samba do Grupo Especial. Atualmente, o quadro descrito por Cavalcanti (2006) sofreu mudanças, as quais são pontuadas em parte por Calleia (2010). No que tange ao relacionamento entre a ala de compositores e o carnavalesco, o maior ponto de tensão está na primazia da intervenção do segundo. Isto é, cada vez mais o carnavalesco tem o aval da direção da agremiação para interferir no processo de criação do samba-enredo. Os compositores devem criar seus hinos debruçados sobre uma base já estabelecida pelo carnavalesco, cerceando as possibilidades dos mesmos em divagar sobre o tema proposto pelo enredo (Calleia, 2010). Esta intervenção chega ao ponto do carnavalesco estabelecer a obrigatoriedade da inserção de palavras ou expressões fixas; hoje em dia muito em voga por conta dos patrocinadores que obrigam a colocação de palavras-chaves ou expressões-chaves alusivas às marcas que o patrocinador deseja expor. Como o processo de confecção de enredos patrocinados é uma realidade ainda muito distante das escolas de samba dos últimos grupos de acesso, os compositores das escolas de samba que desfilam na Avenida Intendente Magalhães deparam-se com este problema quando o enredo é uma homenagem à alguma personalidade. Posteriormente, há o processo de constituição de parcerias. Hoje, praticamente temos sambas-enredos vencedores destas disputas assinados por diversas pessoas. Foi-se o tempo em que bastavam no máximo três compositores para criarem letra e melodia do sambaenredo. Além destas funções básicas, algumas pessoas compõem a parceria por serem responsáveis em arregimentar torcedores para estarem presentes na quadra durante as fases de seleção ou por captarem verba para patrocinarem a torcida, disponibilizando gratuitamente comida e bebida, e/ou para remunerarem os profissionais que apresentarão o samba-enredo durante as fases de seleção. Como forma de se reduzir os gastos, há os denominados “sambas de escritório”, que são apresentados por associações de compositores oriundos de diversas


agremiações, visto que, atualmente, para apresentar em samba-enredo na disputa, a parceria não precisa ser filiada à ala de compositores da agremiação em questão. Apesar dos gastos serem elevados para a manutenção do samba-enredo na disputa, muitas parcerias se apresentam para competir. No caso do Grupo Especial e no Grupo A (em proporções menores) há a possibilidade de se auferir uma quantia significativa por conta da gravação e execução do samba-enredo vencedor da disputa, além de ser uma importante conquista para se inserir nos currículos, possibilitando assim mais chances de se estabelecer profissionalmente neste ramo. Por fim, há o componente emocional estampado no orgulho do compositor em ter seu samba-enredo escolhido para ser o representante da escola de samba. No caso das escolas de samba das três últimas divisões, o processo descrito nos parágrafos anteriores avança. Mesmo em uma escola do último grupo, parcerias se apresentam e a disputa envolve significativo número de composições. Isto ocorre, pois uma vitória neste tipo de disputa, independente da escola de samba, contabiliza pontos positivos para os compositores, obtendo condições para que os mesmos almejem postos nas parcerias que elaboram sambas-enredos para as escolas de samba que desfilam no Sambódromo ou tentem se estabelecer profissionalmente no universo do samba. 4.7 Barracões Barbieri (2010a) pontua que, historicamente, as escolas de samba utilizavam suas próprias quadras ou locais próximos a elas para a preparação de seu desfile (em especial, as fantasias e alegorias e adereços). O primeiro espaço compartilhado de convívio entre as escolas de samba, que reunia inclusive escolas de diferentes grupos, foi o Pavilhão de São Cristóvão (hoje, Centro de Tradições Nordestinas). Também antigos galpões abandonados da Companhia Docas S/A, situados na região portuária do Rio de Janeiro, eram e continuam sendo utilizados por escolas de samba de diferentes grupos (SOUZA, 1988). Atualmente, as escolas do Grupo Especial preparam seus desfiles na Cidade do Samba (empreendimento construído pela prefeitura da cidade do Rio de Janeiro), um complexo de grandes espaços especificamente preparados para este fim. Nestes espaços, as escolas de samba deste grupo preparam alegorias, adereços e boa parte das fantasias em grandes galpões cujos diversos setores de produção do desfile se comunicam no mesmo espaço físico. As transformações trazidas pela Cidade do Samba na preparação do desfile das escolas de samba do grupo especial são analisadas por Barbieri (2009), Blass (2008) e Oliveira (2009). Nestes trabalhos são apresentadas fotos dos barracões antigos e dos atuais das escolas de samba do Grupo Especial, mostrando uma diferença abissal na infraestrutura oferecida. As escolas dos grupos de acesso continuam preparando seus carnavais em espaços improvisados e, em alguns casos, ainda adotando espaços das próprias quadras. Estes espaços improvisados sofrem melhorias na medida em que a escola ocupante possui recursos financeiros que possam ser destinados a este fim. Atualmente, os galpões adotados pelas escolas de samba do Grupo Especial antes da transferência para a Cidade do Samba foram ocupados por agremiações da Série A. Entretanto, merece destaque as “Cidades do Samba” alternativas conhecidas como “Carandirus”, sendo o nome em questão remetente à casa de detenção da capital paulista. O Carandiru I era localizado no centro da cidade do Rio de Janeiro em um grande


galpão desativado da Rede Ferroviária Federal. Ali, tapumes de madeira separavam uma agremiação da outra. A quantidade de lixo e sucata abandonados no local e a estrutura bastante depreciada do prédio eram características desta edificação. Barbieri (2010a) pormenoriza aos ambientes constituintes deste prédio, incluindo diversas fotografias do local, bem como Baldan (2010) também mostra em seus trabalho as condições de trabalho no local. Porém, no segundo semestre de 2012, este prédio foi demolido pela prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro por conta do projeto de revitaçlização da área do entorno do porto. Desta forma, estas escolas de samba tiveram seus barracões transferidos para galpões situados nos bairros vizinhos ao centro da cidade. O Carandiru II fica situado em uma rua perpendicular à Avenida Intendente Magalhães, sendo utilizado por vinte e duas escolas dos grupos de acesso das três últimas divisões do carnaval carioca. Segundo Ferreira e Lobo (2012), trata-se de um espaço muito próximo à avenida de desfiles e com condições de salubridade e segurança melhores que o espaço do centro da cidade. O grande problema do Carandiru II é a reduzida área de trabalho (igual para todas as escolas que lá estão) em que mal cabe uma alegoria, sendo que parte desta fica sujeito às intempéries, necessitando de proteção por sacos plásticos. Os tripés das agremiações ficam nos corredores do galpão e sempre são movimentados quando uma agremiação da área vizinha necessita movimentar sua alegoria. Os trabalhos de Ferreira (2008) e Ferreira e Lobo (2012) são ilustrados com fotografias do Carandiru II. Vale ressaltar que Ferreira (2008) também mostra imagens de carros alegóricos sendo preparados na própria quadra da agremiação. 4.8 Ateliês Neste marco encontramos a maior similaridade entre as escolas de samba de todos os grupos. Os responsáveis pelos ateliês são contratados pela escola de samba, pelo carnavalesco ou por um diretor de ala para produzir as fantasias de uma ou mais alas. Somente as fantasias de setores específicos como baianas, mestre-sala e porta-bandeira, comissão de frente e bateria geralmente são produzidos no barracão com alguma forma de terceirização, principalmente na confecção da armação de arame. 4.9 Padrões de contratação de funcionários Ferreira (2008) destaca que a baixa remuneração e a informalidade nas relações trabalhistas são comuns no mundo do carnaval das escolas de samba dos últimos grupos de acesso. A mesma constatação também é posicionada por Erp (2002) ao retratar o padrão de contratação dos funcionários das escolas do Grupo Especial e Série A. O ambiente paternalista oriundo das relações de mecenato estabelecidas corrobora para a informalidade do setor. Lopes, Malaia e Vinhais (2010) destacam que o sucesso dos desfiles das escolas de samba na cidade do Rio de Janeiro foi devido a um modelo de gestão que se adequou às radicais mudanças com administração com funções descentralizadas, participativas, interdependentes e integradas. Oliveira (2009) alerta que o mundo do carnaval possui um viés mais lúdico e romântico que aquele classicamente visualizado em ambientes fabris, identificando então grande resistência para adoção de princípios econômicos no gerenciamento deste tipo de


empreendimento em face do risco de se limitar a intervenção artística e a qualidade do espetáculo. 4.10 Formas de aquisição e uso dos materiais Neste marco referencial, maior atenção será dada às agremiações que desfilam nas últimas divisões, pois no caso do Grupo Especial, sempre há a compra de materiais novos para a composição de novas fantasias, adereços e esculturas. Segundo Ferreira e Lobo (2012), em geral, o carnavalesco da escola de escola de samba solicita a obtenção de material a partir de um cálculo aproximado daquilo que será utilizado a partir dos desenhos das fantasias e das alegorias, descontando o material já existente em estoque e aquele que será obtido por doações. Entretanto, estes cálculos são refeitos praticamente a cada semana, pois a compra de material é feita em lojas especializadas, ateliês que revendem material não aproveitado, escolas de samba que negociam esculturas e fantasias utilizadas em carnavais anteriores, não sendo garantido que a compra planejada inicialmente possa ser efetivada plenamente. Além disso, nem sempre as doações prometidas são efetuadas. Uma estratégia cada vez mais adotada por estas agremiações é a antecipação da divulgação do enredo, para que as mesmas tenham mais tempo para negociar material a ser adquirido de ateliês e escolas de samba parceiras, antes de se realizar a compra de material novo nas lojas especializadas. 4.11 Uso de ferramentas tecnológicas O uso da tecnologia na preparação dos desfiles das escolas de samba não se faz de maneira intensiva, independente do grupo ao qual pertença. No caso das agremiações do Grupo Especial, Oliveira (2009) destaca que existem carnavalescos que já adotaram programas de computação gráfica para preparar as fantasias, enquanto outros adotam as ferramentas tradicionais de desenho em papel. Também em alguns casos encontra-se a adoção de programas computacionais específicos que permitem a simulação da composição dos carros alegóricos, conforme mostram Souza (2001) e Victorio (2010). Sobre o uso de rotinas computacionais relacionadas ao projeto e cálculo das estruturas dos carros alegórica não foram encontradas referências sobre o assunto. Hoje, com o auxílio da computação, é possível simular o conjunto plástico de toda uma escola de samba, o que permitiu por exemplo a existência das escolas de samba virtuais (MACIEL, 2007). 4.12 Ensaios técnicos Consideramos estes ensaios como a continuidade do terceiro elemento preparador de um desfile de uma escola de samba. Os ensaios técnicos são adotados como forma de simular a situação vivenciada no dia do desfile. Nestes eventos também há a captação de recursos com a venda de comidas, bebidas e material de divulgação das agremiações. Apesar de seu aspecto inicial relacionar-se a um controle das atividades praticadas durante o desfile, Magalhães (2006) ressalta que não se trata apenas de uma execução


programada de movimentos. Aspectos estéticos que valorizam e auxiliam o desempenho artístico são verificados, permitindo a conjugação de técnica e estética, tornando o mesmo em uma espécie de evento muito consumido. Para corroborar esta afirmação, basta verificar a maciça presença de público nos ensaios promovidos pelas escolas de samba do Grupo Especial e em algumas escolas dos grupos de acesso. Da mesma forma que se verifica nas escolas de samba do Grupo Especial e do primeiro grupo de acesso, há também a realização de ensaios técnicos nas escolas de samba que desfilam na Avenida Intendente Magalhães dentro e fora das quadras. No caso dos ensaios técnicos nas quadras, os mesmos ocorrem nas escolas de samba de todos os grupos. Entretanto, Ferreira (2008) destaca a pouca presença dos componentes e a desorganização da diretoria das agremiações pesquisadas, pertencentes aos últimos grupos de acesso. No caso relatado por este autor, uma agremiação realizou o ensaio em uma rua ao lado da quadra por recomendação do responsável pela bateria da escola. Segundo o mesmo, a pouca presença de público inviabiliza acusticamente a citada atividade no interior da quadra. Porém, no trabalho de Ferreira e Lobo (2012), os mesmos constataram um cenário diametralmente oposto para uma escola da mesma divisão apresentada por Ferreira (2008). Um aspecto interessante de diferenciação ente as escolas de samba tendo como recorte o local de desfile reside no fato de que, no caso das agremiações posicionadas nos últimos grupos de acesso, como as escolas de samba que desfilam na Avenida Intendente Magalhães não podem utilizar a mesma pelo fato desta ser uma via de intenso trânsito (ao contrário da Avenida Marquês de Sapucaí), a única possibilidade é utilizar alguma via com trânsito interrompido e características semelhantes à avenida de desfile. Nos trabalhos de Barbieri (2010a) e Ferreira (2008), esta possibilidade não foi identificada. No artigo de Ferreira e Lobo (2012), este tipo de ensaio foi constatado. Mas, perguntado sobre o fato de ter ocorrido uma medição anterior que verificasse se a via adotada possuía comprimento e largura semelhantes às medidas da pista de desfile da Avenida Intendente Magalhães, o presidente da escola de samba pesquisada afirmou que foi “medida de olho”. Ferreira (2008) também salienta que os ensaios técnicos promovidos pelas principais escolas de samba na Avenida Marquês de Sapucaí afasta o público das quadras das escolas de samba das últimas divisões, por ocorrerem em datas e horários semelhantes, pois estas atividades somente são agendadas às sextas-feiras, sábados e domingos. Como forma de contornar esta limitação, a escola de samba pesquisada por Ferreira e Lobo (2012) programa seus eventos em dias e horários que não rivalizem com aqueles promovidos pela escola de samba do Grupo Especial da região. 4.13 Montagem do desfile Oliveira (2009) destaca que a montagem do desfile das escolas de samba que desfilam na Avenida Marquês de Sapucaí é feita praticamente no barracão, somente sendo realizados serviços de reparos emergenciais e detalhes de última hora na região de armação e concentração das agremiações, sendo que os carros alegóricos são escoltados por agentes do poder público. No caso das escolas que desfilam na Avenida Intendente Magalhães, o cenário é completamente oposto. Muitas agremiações praticamente montam os carros alegóricos na área


de armação e concentração. Em seu trabalho, Ferreira (2008) registrou fotografias de alegorias com muitas partes descobertas de adereços e esculturas, pois as mesmas estavam sendo posicionadas e, no caso das esculturas, até mesmo sendo pintadas ainda. Ferreira (2008) ainda salienta que os carnavalescos não são vistos nesta avenida. Os mesmos entregam o produto e a montagem fica por conta dos integrantes da agremiação. Porém, Ferreira e Lobo (2012) já encontraram carnavalescos trabalhando na finalização dos carros e das fantasias. 4.14 Cobertura da mídia Primeiramente, é válido o registro que a própria competição que é o desfile das escolas de samba no Rio de Janeiro foi fruto da iniciativa em 1932 de um jornal: O Mundo Esportivo (CARDOSO, 2008). Além disto, o autor destaca o papel pedagógico da imprensa para a atual configuração do desfile das escolas de samba. Cardoso (2008) afirma que as escolas de samba foram aliadas dos meios de imprensa como forma de serem aceitas pela sociedade. As agremiações viam na imprensa uma parceira para se mostrarem e se fazerem existir durante a festa carnavalesca na cidade. Após uma série de modificações nos locais de desfile, as quais são retratadas nas obras de Cabral (1974) (1996) (2011), Brasil (2010), Fernandes (2001) e Jório e Araújo (1969), passemos a abordar a cobertura da mídia nas duas avenidas onde ocorrem os desfiles das escolas de samba no Rio de Janeiro. Como local de desfile, o Sambódromo situado a Avenida Marquês de Sapucaí conta com grande infraestrutura e se situa na região central da cidade, local de primazia dos festejos carnavalescos. Apesar desta avenida ser preparada para o desfile do Grupo Especial, o Grupo A conta também com estas facilidades por desfilar no mesmo local. Atualmente, a cobertura televisiva caminha para um patamar de maior equidade, visto que a mesma emissora transmitirá os desfiles dos dois grupos, resguardando logicamente as dimensões destes desfiles e seu poder de atração junto ao mercado consumidor. Desta forma, apesar da cobertura midiática não ser a mesma, as escolas de samba do Grupo A conseguem capitalizar alguma divulgação, pois os veículos de comunicação já se encontram posicionados no local. Com isto, nestas escolas verifica-se o crescimento dos denominados enredos patrocinados. No caso das escolas de samba dos últimos grupos de acesso, a divulgação pelos veículos de comunicação é praticamente inexistente, compondo-se basicamente de sítios da internet especializados nestas escolas de samba. Ferreira (2008) identificou somente um sítio da internet realizando a cobertura. Barbieri (2010) verificou o trabalho de uma rádio comunitária e um sítio da internet. Ferreira (2012) identificou quatro sítios da internet, sendo uma transmitindo a parte sonora do evento com um narrador e um repórter e outra transmitindo imagem e som do evento com um narrador e um repórter. Entretanto, o padrão de transmissão de imagem e som destes sítios foi bem inferior àqueles constatados no Sambódromo, pois não havia captação direta da mesa de som que regula a intensidade dos instrumentos de apoio e dos intérpretes e, no caso da transmissão de imagens, somente foi utilizada uma câmera estática na tribuna de imprensa, situada exatamente na distância média entre o início e o fim da pista de desfile. Desta forma, as imagens das escolas de samba eram mostradas somente quando a mesma passava pela cabine de imprensa. Com isto, cerca de 40% do tempo total de desfile continha a transmissão de alguma imagem. Aliada a isto, como o som era captado diretamente do ambiente, a intensidade do som desta transmissão crescia, atingia seu ápice quando a bateria e o carro de


som passavam na região da pista onde se localizava a cabine de imprensa e decrescia continuamente. Acreditamos que este panorama somente irá se modificar com uma atuação mais efetiva da entidade organizadora dos desfiles das escolas de samba destes grupos, pois as mesmas não contam com quadros específicos que possam lidar com as questões de divulgação. 4.15 Captação de recursos Inicialmente, as escolas de samba captavam recursos através da contribuição de pessoas da comunidade. Posteriormente, surgiu o mecenato exercido pelos controladores do “jogo do bicho”, injetando quantidades significativas de capital, o que transformou por completo o desfile das escolas de samba (CAVALCANTI, 1999) (CAVALCANTI, 2006). Porém, outro ator na concessão de verbas desde a oficialização dos desfiles das escolas de samba é o poder público. Inicialmente, somente o governo municipal adotava a prática da concessão de subvenções financeiras. Atualmente, os governos estadual e federal também disponibilizam recursos financeiros para a produção do desfile. Esta prática é justificada pelo fato do carnaval ser o maior evento turístico do Rio de Janeiro e do Brasil (PRESTES FILHO, 2009). No caso dos desfiles do Grupo Especial, atualmente a LIESA é a responsável pela locação dos espaços publicitários e a rede de televisão que transmite o evento comercializa os espaços publicitários da pista de desfile. Com isso, o Sambódromo oferece uma conjunção de possibilidades de marketing envolvendo produto, praça, preço e promoção (LOPES, MALAIA e VINHAIS, 2010). Conforme já foi explicitado, a participação do poder público é de fundamental importância para todas as escolas de samba. No entanto, muito ainda pode ser encaminhado junto às empresa privadas, pois atualmente as mesmas se relacionam com as escolas de samba dos primeiros grupos através dos enredos patrocinados e do apoio à projetos sociais como parte de seus programas de responsabilidade social. Entretanto, estes apoios não chegam às escolas de samba dos últimos grupos de acesso devido à pouca visibilidade das mesmas. Neste caso, somente o trabalho de projeção destas agremiações junto à sociedade fomentará o surgimento de parcerias privadas. Para as escolas de samba das últimas divisões vislumbram-se atualmente três possibilidades de captação de recursos, as quais são utilizadas concomitantemente: obtenção de renda através de eventos realizados na quadra da escola, captação de verbas através de mecenato praticado por políticos com mandato ou pré-candidatos a estes cargos e rolagem da dívida através de carta de crédito. 4.16 Elementos integrantes da cadeia produtiva da economia do carnaval Para o levantamento do arranjo produtivo local, foi adotado o modelo proposto por Prestes Filho (2009). O autor concebe o desfile das escolas de samba como um produto, o qual tem sua fabricação modelada em etapas que se conectam e não são estanques. A pré-produção traduz-se pela manufatura e suprimento das matérias-primas necessárias à fabricação dos desfiles pelas escolas de samba. A etapa da produção refere-se na


transformação em insumos em artigos de consumo final. No caso do desfile das escolas de samba, o espaço de excelência da produção são os barracões e os ateliês. A distribuição refere-se à colocação das mercadorias nos locais onde será comercializada. O consumo e a comercialização do produto em questão, o desfile das escolas de samba, ocorre nos locais destinados ao espetáculo, isto é, as avenidas Marquês de Sapucaí e Intendente Magalhães. Outros locais em que este produto é comercializado estando sob a responsabilidade das agremiações são as quadras. Neste caso, não podemos considerar o consumo do produto final. Mas, a preparação do mesmo cria produtos intermediários que geram receitas utilizadas pelas escolas de samba na confecção de seus desfiles. De acordo com o trabalho de Ferreira (2012), as etapas que guardam maior semelhança da realidade observável nos últimos grupos de acesso com os primeiros grupos das escolas de samba são as de pré-produção e produção, ressalvando, evidentemente, a magnitude do contingente humano, as cifras envolvidas, os locais utilizados e o aproveitamento de material usado anteriormente. A fase de distribuição mostra um descompasso muito grande entre os grupos das escolas de samba. As fases de comercialização e de consumo são as que possuem grande potencial para seu desenvolvimento junto às escolas de samba dos últimos grupos de acesso; porém, tendo como barreiras imponentes os confrontos estabelecidos com as escolas de samba dos primeiros grupos nos cenários em que estas fases acontecem. Neste modelo também se verificam aspectos relativos à economia indireta, a qual é associada a setores que produzem bens e serviços consumidos principalmente, ou exclusivamente, associados com bens culturais. Este aspecto revela também um grande descompasso entre as escolas de samba, pois o potencial de obtenção de renda das indústrias ligadas ao turismo, gráfica e editorial, audiovisual, internet, fonográfica, instrumentos musicais e bebidas nos desfiles da Avenida Marquês de Sapucaí é muito superior, sendo esta mensuração de comparação não efetuada até o momento. Por fim, os direitos imateriais praticamente não são trabalhados nas escolas de samba, exceto em algumas agremiações do Grupo Especial, e as políticas públicas resumem-se à subvenção disponibilizada pelo poder público a todas as agremiações (com diferença muito elevada entre os valores pagos conforme a divisão em que a escola de samba esteja situada) e a reforma de algumas quadras de escolas de samba pertencentes ao Grupo Especial. 5. Considerações finais Conforme visualizamos ao longo deste trabalho, muitas são as diferenças existentes entre as escolas de samba que desfilam na cidade do Rio de Janeiro, tendo como referencial o local de apresentação. Entretanto, diversas estratégias são elaboradas e implementadas por estas agremiações de menor poder aquisitivo no intuito de sempre colocar o “carnaval na rua”. Desta forma, ter estas diferenças claras facilita o estudo das escolas de samba que desfilam na Avenida Intendente Magalhães. Com isso, é possível identificar as necessidades de alteração do quadro teórico já estabelecido e consagrado na análise deste tipo de manifestação carnavalesca, que tem como referencial o desfile das escolas de samba do Grupo Especial.


Cabe ressaltar que o estudo das escolas de samba dos últimos grupos de acesso tem como figuras-chaves para sua análise as lideranças locais das agremiações. Através delas se estabelece uma rede de relações que passa por questões múltiplas como a manutenção do corpo orgânico da agremiação e pela obtenção de recursos dos mais variados tipos, permitindo então que estas agremiações consigam desfilar; diferentemente dos Grupos Especial e de Acesso A, onde além do corpo dirigente ser maior, profissionais integralmente dedicados ao carnaval possibilitam a produção do desfile. Referências ANDRADE, R. Fotografia e antropologia: olhares fora-dentro. São Paulo: Estação Liberdade e EDUC, 2002. BALDAN, L. P. Carandiru, 2009. Textos Escolhidos de Cultura e Arte Populare. Vol. 7, n. 2, p. 245-257, 2010. BARBIERI, R. J. O. Cidade do Samba: do barracão de escola às fábricas de carnaval. in: CAVALCANTI, M. L. V. C. & GONÇALVES, R. (orgs.) Carnaval em múltiplos planos, p. 125-144, Rio de Janeiro: Aeroplano, 2009. BARBIERI, R. J. O. Conflito e sociabilidade em uma pequena escola de samba: o Acadêmicos do Dendê da Ilha do Governador. 148 f. Dissertação (Mestrado em Sociologia) – Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2010a. BARBIERI, R. J. O. Para brilhar na Sapucaí: Hierarquia e Liminaridade entre as escolas de samba. Textos Escolhidos de Cultura e Arte Populares. Vol. 7, n. 2, p.183-198, 2010b. BEZERRA, L. A. A Família Beija-Flor. 243 f. Dissertação (Mestrado em História) – Instituto de Ciências Humanas e Filosofia, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2010. BLASS, L. M. S. Rompendo barreiras: a Cidade do Samba do Rio de Janeiro. Revista Brasileira de Ciências Sociais. vol. 23, n. 66, p. 79-92, 2008. BRASIL, P. G. Da Candelária à Apoteose: 4 décadas de paixão. Rio de Janeiro: Multifoco, 2010. CABRAL, S. As Escolas de Samba: O quê, quem, como, quando e porque. Rio de Janeiro: Fontana, 1974. CABRAL, S. As Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Lumiar, 1996. CABRAL, S. Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Lazuli e Companhia Editora Nacional, 2011. CALLEIA, F. S. Folias de carnaval e lucros do capital. 163 f. Dissertação (Mestrado em Serviço Social) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2010. CARDOSO, V. M. F. “Saudamos a imprensa e pedimos passagem”: um estudo sobre midiatização das escolas de samba do Rio de Janeiro. 103 f. Dissertação (Mestrado em Comunicação) – Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2008. CAVALCANTI, M. L. V. C. O rito e o tempo: ensaios sobre o carnaval. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999. CAVALCANTI, M. L. V. C. Carnaval carioca: dos bastidores ao desfile. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 3ª Ed., 2006. COSTA, M. A. N. Capital social na favela da Mangueira. Rio de Janeiro: Trabalho e Sociedade. vol. 2, n. 3, p. 33-36, 2002. COSTA, C. R. F. O lazer e o poder na escola de samba: Estação Primeira da Mangueira. 150 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia Social) – Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2004. DA MATTA, R. Carnavais, malandros e heróis. Rio de Janeiro: Zahar, 1979.


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Elementos para o Estudo das Escolas de Samba dos Últimos Grupos de Acesso da Cidade do RJ  

Título(s): Elementos para o Estudo das Escolas de Samba dos Últimos Grupos de Acesso da Cidade do Rio de Janeiro. Autor: Júlio César Valente...

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