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#31

Variedades - Cultura - Informações Ano III

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Formato A4 | internet livre

Argentina

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Janeiro/2022 - #31

- Brasil - Portugal

Foto: pixabay.com

Um belo conto de Natal

O menino e o homem sem nome Páginas 39 a 41 A PRESENTE REVISTA TEM COMO FINALIDADE PASSAR INFORMAÇÕES PARA O PUBLICO 60+, SEM CONFLITOS DE INTERESSES E SEM FINS LUCRATIVOS.


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Cada um tem sua história e a liberdade para decidir qual caminho quer seguir, se é hora de mudar de rumo ou continuar lutando pela melhor qualidade de vida possível. Está chegando ou passou dos 60 anos, ou mesmo tem interesse pelo assunto, entre em contato e sugira histórias, cursos, eventos.

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Jornalista Responsável

Manoel Carlos Conti Mtb 67.754 - SP


Editorial

seja bem-vindo Manoel Carlos Conti Jornalista

Para o primeiro editorial de 2022 preparei algo diferente mas que tem tudo a ver com nossa revista que não passa de uma espécie de álbum das lembranças e aprendizados de cada um de nós. Li em algum lugar “Todo mundo sabe que é impossível nunca brigar com o seu irmão, um irmão, basicamente, foi feito para discordar, especialmente se for mais novo. Mas o amor vai além das brigas, é amor que não acaba. Conta comigo, mano! ”. Somos em quatro irmãos, perdemos nossos pais muito cedo mas tivemos a magia (além da ajuda de alguns parentes) de nos formarmos dignamente. Hoje nossa matéria de capa parece chegar um pouco atrasada pois é sobre um assunto passado, mas achei tão lindo esse texto de meu irmão Marcelo que resolvi dar um destaque especial pela sua sensibilidade. Acho impressionante a capacidade que todos nós temos (ao menos demonstramos em nossas colunas) de juntar letrinhas uma depois da outra e conseguir passar ideias simplesmente espetaculares de nossos aprendizados e experiências. Sempre digo que essa revista é um sonho, ao menos para mim e pelo que tenho visto, para milhares de seguidores que recebem e espalham a todos os cantos nossas historinhas. Chegamos numa idade em que somos do bem, como dizem muitos jovens; passou nosso tempo de brigar e de guardar mágoas e com isso, espalhamos o bem, seja aqui ou nas nossas conversas dentro dos nossos grupos e de nossas famílias. Se tiver de tomar vacina, remédios, fazer cirurgia, tratamento, nada para nós, ao menos nessa altura da vida, vemos como um problema. Os medos passaram e muitas vezes isso não é bom, principalmente quando subimos num banquinho para trocar uma lâmpada ou retirar uma cortina do varão... Sempre falo para meus irmãos, ‘somos vitoriosos’ e mesmo nosso caçula que já não esta fisicamente entre nós, ele, bem como muitos outros que já partiram estão em nosso pensamento e assim ao nosso lado. Confúcio (552 - 489 a.C.) um pensador chinês disse “Quem não sabe o que é a vida, como poderá saber o que é a morte? ”. Boa leitura, para todos meus irmãos.

“Confúcio, nascido entre 552 a.C. e 489 a.C. foi um pensador e filósofo chinês do Período das Primaveras e Outonos. A filosofia de Confúcio sublinhava uma moralidade pessoal e governamental, os procedimentos corretos nas relações sociais, a justiça e a sinceridade” wikpédia

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Nosso time de Colunistas Herodoto Barbeiro 4e5 Silvia Triboni 7 a 10 Sérgio Frug 11 e 12 Thais B. Lima 13 e 15 Sandra Schevinsky 17 a 18 Marisa da Camara 19 e 20 Veterinária USP 21 e 23 João Aranha 25 Cidália Aguiar 27 e 28 Norberto Worobeizyk 29 e 31 Lawrence G. Nogueira 33 a 34 Rosa Maria 35 a 38 Marcelo Conti (CAPA) 39 e 41 Malu Navarro Gomes 43 a 46 Fabio F. Sá 47 e 48 Laerte Temple 51 e 52 Luiz A. Moncau 53 e 54 Lenildo Solano 55 e 56 Katia Brito 57 e 59 Tony de Sousa 61 e 62 Malu Alencar 63 e 65 Marly de Souza 67 e 68 Cida Castilho 69 e 70 Ebe Fabra 71 a 73

AVISO LEGAL: Não há intenção de infringir direitos de autoria. Este Revista é apenas para fins educacionais e de entretenimento. Os direitos das fotos e textos pertencem àqueles citados nas reportagens, aos quais agradecemos imensamente This magazine is distributed via the internet to the Cancer Institute


Crônicas do Brasil

Ele é terrivelmente evangélico Heródoto Barbeiro Jornalista/Historiador

A polêmica ganha o campo religioso. Desde a primeira constituição da república existe a separação entre a Igreja e o Estado. O Brasil é um país laico. Não tem religião oficial como na época do Império, quando o imperador exercia alguma influência na religião oficial que era o catolicismo. Ninguém desconhece que a maioria da população professa a fé católica, mas os evangélicos começam a se organizar para ter uma representação no poder federal. E o caminho para isso é a política. Para tanto é preciso formar um grupo de pressão que influencie nas decisões do governo, participe das decisões mais importantes e, de fato, consolide a liberdade de escolha religiosa. Nem todos concordam com isso. O debate ganha espaço na imprensa e formam-se grupos de um lado e do outro. Por que não abrir para os pastores as mesmas possibilidades que usufruem o clero católico? Afinal, desde a proclamação da independência padre e bispos atuam abertamente e ocupam cargos eletivos como deputados e senadores. São atuantes na maçonaria. A polêmica deveria se ater às constituições do Brasil. A carta de 1934 reafirma a liberdade religiosa e proíbe nas escolas o ensino de religião. Há quem diga que os católicos querem retomar a influência que perderam. Pela primeira vez surge um nome que é candidato da igreja evangélica, cuja base eleitoral são os protestantes. O candidato deixa bem claro que vai defender os interesses dos crentes do Brasil, considerados, até então, como uma minoria. A nova constituição autoriza o ensino religioso nas escolas públicas, mas ninguém é obrigado a assistir às aulas. É uma forma de oprimir a consciência das crianças, diz o pastor na Assembleia Nacional Constituinte. Depois de muitas idas e vindas fica registrado que” nós os representantes do povo brasileiro, pondo a confiança em Deus, reunidos em Assembléia Nacional Constituintes para organizar um regime democrático, que assegure à nação a unidade, a liberdade, a justiça e o bem estar social e econômico.” O candidato tem um sólido currículo. Vem das camadas médias da população, é mestre em Ciências da Religião e doutor em Educação. É o primeiro nome evangélico a figurar no cenário político. O que mais chama a atenção é que ele é pastor da igreja presbiteriana. Ele tem posições avançadas como o apoio do direito do divórcio e que o nome de Deus não deveria estar na constituição. Ninguém sonha que um ministro terrivelmente evangélico possa chegar ao Supremo Tribunal Federal. O pastor Guaracy Silveira é eleito constituinte, uma posição nunca antes

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conquistada por um evangélico. É verdade que era o único crente em uma reunião esmagadora de católicos. Seus discursos bem fundamentados, sua maneira pausada de falar na tribuna impressiona a todos. Parece que está em um culto religioso. Além disso, é um aliado dos partidos que defendem os operários e uma melhor distribuição de renda no país. Tudo foi por água abaixo 3 anos depois quando Vargas deu um golpe de Estado e implantou a ditadura do Estado Novo. Nova constituinte só em 1946 e lá estava novamente o incansável deputado Guaracy Silveira para defender os mesmos pontos programáticos que havia defendido na constituinte anterior.

FOTO: BLOG DO HERÓDOTO

Acordo Obsoleto, Durmo Atualizado www.durmoatualizado.com.br

Seniors ativos, curiosos, empreendedores e eternos aprendizesUm blog com dicas fáceis e diversas desde cortar custo de aquisição de remédios, como tirar uma ideia da cabeça e tornar-se um projeto a aplicativos que facilitem o seu dia a dia. Desenvolvido por Marcelo Thalenberg colunista do Magazine 60+

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Mudança de Hábito

Blues Zones Sardenha

Entrevista com o cofundador Dr. Gianni Pes Fotos enviadas pela colunista Silvia Triboni Viajante Sênior e Repórter 60+

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Acredito que você já saiba o que são, e onde estão localizadas as Blue Zones. Aquelas 5 regiões do mundo em que as pessoas chegam aos 100 anos, ou mais, e com muita saúde! Talvez já tenha lido meu artigo anterior em que contei sobre o meu interesse por tudo que possa nos inspirar à construção e manutenção de nosso protagonismo sênior, e sobre a minha decisão de estudar as Blue Zones. Caso negativo, nesta matéria apresento uma síntese sobre as famosas zonas azuis, e divulgo a criação de minha missão Centenarian que tem por objetivo explorar as famosas zonas azuis, tendo iniciado o estudo pela primeira região declarada Blue Zone – a Sardegna, na Itália, onde estive em outubro deste ano. Leia aqui. Blue Zones - Sardegna nos dias de hoje – Entrevista com o cofundador Dr. Gianni Pes Deste modo, e como prometido no artigo anterior, apresento aqui uma das primeiras matérias sobre o que apurei sobre o viver dos centenários sardos: uma entrevista realizada nada mais, nada menos, com um dos cofundadores das Blue Zones, o Professor Gianni Pes, que gentilmente recebeu-me em Cagliari, capital da Sardegna, onde pudemos conversar sobre a vida atual daquela Blue Zone e outros tópicos interessantes. Vamos à ela! Giovanni Pes é médico e pesquisador sênior do Departamento de Medicina Clínica e Experimental da Universidade de Sassari, Sardenha, Itália. É cofundador das Blue Zones, sendo também responsável pela identificação e certificação de outras zonas azuis ao redor do mundo. Dr. Pes é expert em nutrição, dietética, diabetologia e geriatria e continua a se concentrar em fatores nutricionais e de estilo de vida associados a uma vida longa. Silvia Triboni – Professor Gianni muito obrigado por este privilégio de poder entrevistá-lo e poder saber um pouco sobre a sua experiência, sobre o seu trabalho associado à longevidade dos habitantes da Sardegna, e

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sobre a criação das Blue Zones. Agradeço e peço que nos conte um pouco de sua trajetória. Professor Gianni Pes - Muito obrigado, eu sou médico e trabalho na Universidade de Sassari, na Sardenha, na Itália. Tudo começou há quase 20 anos quando eu estudava a distribuição da mortalidade entre as pessoas daquela região e descobri que havia uma parte montanhosa central da ilha onde a mortalidade era menor do que em qualquer outro lugar. Pensei que naquela área o número de centenários deveria ser maior do que em outros lugares e, então, eu e o meu colega começamos a visitar uma a uma todas as municipalidades da Sardegna. Foi quando descobrimos muito rapidamente que havia uma concentração de centenários em seis ou sete aldeias no topo das montanhas da ilha. Demos àquelas regiões o nome de Blue Zone porque nós tínhamos um marcador azul que usávamos todas as vezes que nós descobríamos uma região onde o número de centenários ultrapassava o que tínhamos como referência. Foi quando decidimos escrever os primeiros artigos científicos que adotamos este termo BLUE ZONE. Na época eu não imaginei que isso se tornaria tão famoso mundialmente. Silvia Triboni - Após quase 20 anos, os descendentes das pessoas pesquisadas que naquela época tinham 60 ou 70 anos de idade, podem estar agora com 90 ou mais anos. Esses descendentes seguem a receita de seus ancestrais para uma vida longa e saudável? Como é a vida dos descendentes daqueles primeiros centenários identificados na pesquisa? Professor Gianni Pes - Em primeiro lugar, gostaria de dizer que eu tive a sorte de estudar os centenários 20 anos atrás, e hoje em dia para que eu possa comparar de alguma forma, eu precisaria olhar para o estilo de vida deles, por exemplo, para a dieta. Acho que existem algumas diferenças entre os centenários de há 20 anos com os centenários de hoje em dia. Não sei se é o número de centenários é o mesmo ou está subindo. Alguns colegas dizem que provavelmente a zona azul desaparecerá e isto é muito triste para mim. Espero que estejam errados. Mas, de acordo com alguns colegas, existem indicações de que a força da longevidade está a diminuir, e, segundo eles, a razão é o estilo de vida das gerações mais jovens que é diferente do estilo de vida dos antigos centenários. Eu realmente espero que eles estejam errados e a Blue Zone continue a existir. Silvia Triboni - Espero que sim também, Professor! E falando sobre o atual estilo de vida das pessoas idosas de hoje em dia, gostaria de saber se eles são influenciados pela tecnologia, e uso de redes sociais? Se sim, isto é positivo, ou não, para a longevidade. Professor Gianni Pes: Eu diria que em geral na Sardegna as pessoas mais idosas são capazes de usar a tecnologia mas de uma forma bem simples. Muitos deles são capazes de usar o celular ou, em alguns casos e raramente usam o computador. Os centenários de 20 anos atrás viviam em um ambiente cultural completamente diferente. Eles eram às vezes pobres pastores, ou fazendeiros, e representavam uma cultura que está praticamente desaparecendo. Não eram familiarizados com a tecnologia, mas agora a situação mudou, por exemplo, a maioria deles tem um celular e podem ligar para os parentes. O turismo em massa nas Blue Zones

Silvia Triboni: As Blues Zones se tornaram mundialmente famosas,

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a atraírem um grande número de turistas ansiosos por conhecerem, de perto, a receita da longevidade. O turismo é mau, ou não, para o ecossistema das Blue Zones? Professor Gianni Pes: Eu realmente penso que é perigoso. Temos testemunhado uma espécie de turismo em massa nas Blue Zones. Infelizmente, e provavelmente, devido ao nosso trabalho muitas pessoas querem visitar todas as Blue Zones. Silvia Triboni – Professor, eu soube que a Blue Zone de Okinawa está sofrendo pelo turismo em massa. É verdade? Professor Gianni Pes - Entre as Blue Zones, provavelmente em Okinawa o nível de longevidade está decrescendo. Não especificamente por causa do turismo, mas pelo fato de que a geração mais jovem não segue mais a tradição dos mais velhos, especialmente quanto à dieta. Seguem a dieta ocidental e esquecem a tradicional dieta de Okinawa rica em alimentos do mar e em vegetais. Passaram, provavelmente, de uma dieta baseada em vegetais para uma dieta com mais carne e gordura. Novas Blue Zones?

Silvia Triboni: Professor, o senhor já ouviu falar de Veranópolis, uma cidade no Brasil age-friendly e com alto índice de longevidade? Professor Gianni Pes – Sim. Estou feliz por saber que há cidades que podem se candidatar a serem Blue Zones. Ainda que sejam não oficiais, podem vir a ser desde que possam comprovar cientificamente as condições de longevidade. Um ponto muito interessante, é que há governos, como o exemplo de Singapura, que decidiu seguir, o que podemos chamar, a filosofia das Blue Zones. O governo de Singapura, na Ásia, decidiu contar com nosso trabalho sobre as Blue Zones para modificar, ou tentar modificar, o estilo de vida de pessoas idosas, por exemplo ajudando-os a ter um contato mais próximo com a geração mais jovem, criando, por exemplo, casas onde avós e netos vivem juntos. Isso é emocionalmente muito importante. Esse intercâmbio entre as gerações é realmente uma das coisas mais importantes para se envelhecer graciosamente. Qual é a receita de longevidade dos centenários da Sardegna? Silvia Triboni: O senhor afirma que a genética não é o fator determinante para a especial longevidade do povo da Sardegna. Quais são os fatores mais importantes para este fenômeno? Qual é a receita de vida longa dos centenários da Sardegna? Professor Gianni Pes: Primeiramente, devo dizer honestamente que não podemos mais seguir a vida dos anciãos sardos porque eles viviam em uma era completamente diferente da atual. Não podemos viver como os pastores sardos, por exemplo. Estamos vivendo em uma sociedade moderna e rápida. Então, a única coisa que po- Fundadora do pr ven Seas, Re demos aprender com a zona azul da Sardenha é tentar pegar alguns aspecDeputy Ambassad tos específicos de suas vidas, como, por exemplo, o da atividade física. Lisb Não precisamos ir para as montanhas como os pastores da Sardenha www.acrossse que caminhavam 30 quilômetros por dia. Isso foi algo excepcional mesmo Linkedin: Si naquele tempo. Nós não podemos fazer isso em nossas vidas cotidianas, Instagram - @acr mas podemos tentar aumentar a nossa atividade física e principalmente a atividade física aeróbica em espaços abertos. Outra coisa que nós podemos tentar modificar é a nossa dieta. Diminuir a quantidade de gorduras e açúcares que comemos todos os dias,

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rojeto Across Seepórter 60+ e dor na Ageing2.0 bon evenseas.com ilvia Triboni ross_seven_seas

tentando comer mais frutas e vegetais como faziam os velhos sardos. Podemos também tentar melhorar o nosso relacionamento com as outras pessoas e familiares. Em grandes cidades os parentes são negligenciados, não são cuidados, então isso deveria mudar se quisermos viver, não digo necessariamente até os 100 anos, mas, pelo menos, para envelhecermos sem doenças. O que é importante não é viver mais, mas sem doenças. Este é o esforço que devemos fazer. Silvia Triboni - Parar de consumir o leite de vaca e reduzir o consumo da carne, como fazem os longevos da Sardenha, pode ser um bom começo? Professor Gianni Pes – Reduzir o consumo da carne é importante. Entre os anciãos da Sardenha a carne era consumida apenas uma ou duas vezes por mês. Eles comiam muito queijo mas não do leite de vacas, mas de ovelha ou cabra. A qualidade do queijo e do leite são completamente diferentes. Isso significa que são proteínas animais que podem ser consumidas especialmente após uma certa idade, porque você sabe que tendemos a perder músculos com a idade, e aumentar o consumo de proteínas de origem animal é bom, mas não de carne. Proteínas animais como leite, queijo ou ovos que não são tão perigosos. Há preconceito etário na Sardenha? Silvia Triboni – Atualmente há um grande debate sobre o preconceito etário. Gostaria de saber o seu ponto de vista sobre o etarismo, na Itália, e, especificamente na Sardenha. Há etarismo naquela Blue Zone? Professor Gianni Pes - Não na Sardenha, mas sim em outras regiões da Itália. Este tipo de discriminação está aumentando porque a geração mais jovem as vezes não está disponível para cuidar de pessoas idosas. O preconceito de idade na Blue Zone é quase ausente pois os longevos ali são muito respeitados pelos jovens. A população tem orgulho de ter estes centenários. Eles representam o símbolo da força de toda a população. Mas eu não posso excluir isso no futuro, que esta atitude atual desapareça. Ninguém sabe. Temos que esperar para ver se algo vai realmente mudar. Silvia Triboni - Suas palavras são muito importantes e vou compartilhá-las muito entre brasileiros e portugueses, pois precisamos saber que hoje, na Blue Zone Sardegna o etarismo não existe. Terminando a nossa conversa, peço-lhe as suas palavras finais para os meus amigos e leitores brasileiros e portugueses, os quais certamente terão muito orgulhoso de poder aprender com os seus conselhos. Professor Gianni Pes: Eu diria que o melhor conselho é o seguinte: tente amar as pessoas que vivem ao seu lado. É o melhor conselho. Não para ter uma vida longa, mas para envelhecer graciosamente. Silvia Triboni: Muito obrigada Professor Gianni Pes! Imagens: Silvia Triboni Assista o vídeo da entrevista realizada em Cagliari, Sardenha, Itália, no dia 16.10.2021: https://youtu.be/v61_pmdBSOQ

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Cultura Geral

Propósito e Circunstância Sergio Frug

Quero chamar a minha própria atenção para a importância que damos às circunstâncias e seus aspectos que rotulamos como positivos ou negativos, permitindo assim que interfiram de maneira fundamental nas nossas escolhas e na consecução dos nossos objetivos. Mudamos muito facilmente, mudamos com os ventos e quase nunca temos clareza do que queremos, deixando para decidir o que fazer a cada momento ao sabor dos desejos ou das necessidades prementes. Assim não mudamos efetivamente nunca, estamos sempre a mercê dos fatos e dos julgamentos e raramente a serviço dos propósitos que adotamos, se é que adotamos. A força do propósito é nossa, enquanto a força das circunstâncias pertence à acidentalidade e quem sabe aos desígnios superiores que nos guiam. A força do propósito é Arca de Noé, é nau segura, enquanto as circunstâncias são ondas, marolas e marolinhas. Eventualmente dilúvios ou tsunamis, mas isto é caso extremo. No dia-a-dia precisamos vigiar a nossa mente como se vigia uma montaria, conduzindo-a sempre para onde efetivamente queremos e não para onde nos conduz a miríade de pensamentos. Aí acontece que seguimos sempre o mesmo tipo de idéia ou emoção negativa, criticando isso ou aquilo, temen-

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Foto: czec


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do isso ou aquilo, desprezando isso ou aquilo e nos esquecendo então do que é que verdadeiramente estamos nos propondo. Ficamos totalmente envolvidos por nossas simpatias e antipatias, enquanto as instâncias superiores do nosso Ser não encontram caminhos para nos abrir os olhos e orientar a nossa consciência. Assim no final das contas acabamos escolhendo o que aparentemente pode oferecer melhor proveito e acabamos abandonando inúmeros projetos promissores e provavelmente as grandes tarefas coletivas por falta de persistência e confiança. Quando, porém, o propósito se torna algo profundo e verdadeiro, sempre conectado com suas bases espirituais e ideológicas, as circunstâncias passam a perder a importância negativa para se tornarem novos indicadores de pertinência e sincronicidade. Entendo, porém, que a base de tudo está no compromisso. Diz a Bíblia que não se pode servir a dois senhores ao mesmo tempo e isto me parece certo. Ou servimos ao Propósito, ou servimos às circunstâncias ou ainda, o que é mais comum, servimos apenas às conveniências. Porque como poderíamos nos juntar em grandes empreendimentos renovadores antes de desenvolver a firmeza de propósito? Como iríamos lidar com os desafios, tanto externos como externos, que surgiriam constantemente colocando em xeque a nossa intenção e a nossa capacidade de convivência? Paz de espírito e firmeza de propósito. Propósito é como Amor. Se for mais fraco do que as circunstâncias, perece.

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Benefícios

Memória afetiva e emoções Thais Bento Lima gerontóloga e colunista do SUPERA Ginástica para o Cérebro

Você sabe, o que são funções cognitivas? Se não, vai aprender um pouco aqui e entenderá como elas são importantes para o funcionamento cerebral. As funções cognitivas são responsáveis pelo funcionamento do cérebro, determinando a capacidade do indivíduo em aprender, processar e compreender. Ela engloba a memória, atenção, funções executivas, habilidade visuoespacial e linguagem. Quem nunca ouviu falar sobre, “estou com problemas de memória, ando esquecendo as coisas, não consigo me recordar sobre o que fiz”... Essas são algumas das frases comuns do nosso cotidiano e aqui vamos buscar entender o motivo dessas reclamações. A memória faz parte da essência do indivíduo, onde ele traz consigo sua história de vida e o como foi marcante cada acontecimento vivido e experimentado, deste modo para isso acontecer temos que ter emoção em cada momento que ficará em nossa memória. Existem alguns tipos de memória como memória de curto prazo, que guarda a informação por curto período e dentro da memória de curto prazo existem alguns subtipos como memória imediata, que é quando o indivíduo tem que guardar algum conhecimento em pouco tempo, como o nome de um objeto e a memória de trabalho ou operacional,em que a pessoa deve armazenar a informação para processar algo, um exemplo dessa memória são os cálculos mentais. Além disso, temos a memória de longo prazo, como a memória declarativa ou explícita, onde o indivíduo consegue contar algo. A memória não-declarativa, um exemplo seria como a prática de algo, que pode ser lembrado e ensinado verbalmente, como aprender a pilotar um avião. Também temos a memória semântica, que se refere a linguagem, conhecimento

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do mundo por meio das palavras. Por fim, a memória episódica e/ou autobiográfica, que são os acontecimentos marcantes da história de vida de cada pessoa, por isso temos muitas reclamações e/ou medos, quando se fala de memória, pois os indivíduos têm receio de esquecer ou de perder autonomia das suas vidas. As emoções são uma condição em que o indivíduo apresenta fisiologicamente e mentalmente, que ocasiona diversas reações, contudo ela pode modificar o estado do indivíduo no momento, tendo como consequência modificações no comportamento e na aprendizagem. Você já percebeu, que quando uma pessoa tem emoção positiva no momento do aprendizado e/ou de um evento, ele tem mais chances de se recordar posteriormente daquele episódio ou do aprendizado? Esses são momentos únicos, que podemos guardar como lembranças, por isso a ideia de trazer um acontecimento na vida de alguém como algo positivo e marcante pode gerar recordações. A emoção é uma resposta, quem nunca se emocionou com uma festa de aniversário surpresa e/ou com um presente que não esperava? Certamente, já ocorreram esses momentos em sua vida e você se recorda com muito carinho e amor. Na escola, você se recorda mais da professora que ensinava com amor ou da que estava ali por obrigação? Não é difícil responder essa pergunta, mas pelo motivo de que a emoção e a memória são interligadas, nesse sentido a emoção provocada gera uma memória, principalmente se a emoção for positiva. As memórias desencadeiam emoções ou as emoções despertam as memórias? Quantas vezes você não sorriu, chorou, sentiu raiva ou alegria ao lembrar-se de um acontecimento ou de alguém? E quantas tantas vezes, ao sentir medo, por exemplo, não lembrou de uma situação do passado? Refletindo sobre essas questões percebemos que há uma relação entre memória e emoção, mas o que diz a ciência sobre o assunto? De acordo com pesquisadores, as emoções são a associação entre respostas comportamentais e fisiológicas, geradas a partir de uma experiência. Por exemplo, muitas pessoas sentem-se nervosas ao se apresentarem em público e nessas situações acabam transpirando em excesso, as mãos ficam trêmulas e a voz falha. Esses sinais são, portanto, as respostas fisiológicas e comportamentais que algumas pessoas manifestam ao vivenciarem a experiência da exposição. Ainda conforme apresentado em estudos científicos, regiões específicas do cérebro identificam quais informações decorrentes das emoções devem ou não ser armazenadas. Esse é conhecido como aprendizagem. Nesse sentido, podemos afirmar que emoção, aprendizagem e memória complementam-se. O resgate das memórias pode ser realizado de modo inconsciente ou consciente, através de estímulos direcionados, que por sua vez, podem se dar por meio de atividades simples ou intervenções específicas, veja alguns exemplos: - Olhar fotos, com pessoas queridas e/ou de momentos marcantes; - Construir uma árvore genealógica, contendo o nome desde os ascendentes da família ao descendente mais jovem;

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- Ouvir músicas antigas; - Terapia de reminiscências - através dela é possível recordar acontecimentos da própria vida (memórias autobiográficas). E você, o que desperta a sua memória afetiva? O cheiro de terra molhada, o barulho do carro parecido com o do carro que o seu avô possuía, a flor preferida da sua esposa quando ainda namoravam, o bolinho de chuva que a sua mãe fazia no final da tarde… Temos um desafio para você! Escolha um dos exemplos citados e sozinho ou juntamente com as pessoas que moram com você, recorde uma boa lembrança e desperte emoções positivas.

Bibliografia consultada: CARVALHO, Clecilene Gomes; Campos-Junior, Dejanir José; Souza, Gleicione Aparecida Dias Bagne. Neurociência: Uma Abordagem Sobre As Emoções E O Processo De Aprendizagem. Revista da Universidade Vale do Rio Verde, v. 17, n. 1, 2019. p. 1. ISABELLA RABELO. Assessoria de Imprensa Supera. Conheça os tipos de memória e suas funções. 2019. Disponível em: https://metodosupera.com.br/conheca-os-diversos-tipos-de-memoria-e-suas-funcoes/. Acesso em: 24 ago. 2021. SENAC. Conceito de emoção. Disponível em: https://www.cursosead.sp.senac. br/neurociencia_emocoes/03_recurso_web/. Acesso em: 22 ago. 2021. YASSUDA, Mônica Sanches; ABREU, Viviane Peixoto Salgado. Avaliação Cognitiva. In: FREITAS, Elizabete Viana de; PY, Ligia; CANÇADO, Flávio Aluizio Xavier; DOLL, Johannes; GORZONI, Milton Luiz. Tratado de Geriatria e Gerontologia. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. Cap. 132. p. 1252-1258. CARVALHO, Clecilene Gomes; Campos-Junior, Dejanir José; Souza, Gleicione Aparecida Dias Bagne. Neurociência: Uma Abordagem Sobre As Emoções E O Processo De Aprendizagem. Revista da Universidade Vale do Rio Verde, v. 17, n. 1, 2019. p. 1.

Texto escrito por: Gabriela dos Santos, Mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Gerontologia pela Universidade de São Paulo (USP), Graduada em Gerontologia pela USP, com Extensão pela Universidad Estatal Del Valle de Toluca. Assessora científica. Ana Paula Bagli Moreira, Gerontóloga pela Universidade de São Paulo (USP), com extensão pela Universidad Estatal Del Valle de Toluca – México. Assessora científica do projeto de pesquisa de validação do Método SUPERA e pós-graduanda em MBA em Gestão de Saúde pelo Centro Universitário São Camilo. Profa. Dra. Thais Bento Lima-Silva, Docente do curso de Graduação em Gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), Coordenadora do curso de pós-graduação em Gerontologia da Faculdade Paulista de Serviço Social (FAPSS), pesquisadora do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e diretora científica da Associação Brasileira de Gerontologia (ABG). Membro da diretoria da Associação Brasileira de Alzheimer- Regional São Paulo. E assessora científica e consultora do Método SUPERA.

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Divã

Eu, EU,

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Sandra Regina Schewinsky

Psicóloga - Neuropsicóloga

Quando pensamos em novos tempos, Ano Novo, vida nova, sempre temos palestras motivacionais, várias vinhetas, pensamentos e desejos mil. O que me chama atenção é a ideologia do EU! Vou explicar! Em tempos pandêmicos temos várias pessoas que suplantaram o próprio temor e se colocaram a serviço da coletividade. O que seria de nós sem os profissionais de saúde que adoeceram ao cuidar do próximo, dos garis que garantiram o não acumulo de lixo, o pessoal do saneamento básico, aqueles que se arriscaram para termos luz, água, telefone, comida. Policiais e bombeiros que chegaram junto na hora da tragédia e não on-line, entre muitos outros profissionais. Sou absolutamente agradecida aos heróis do dia a dia, anônimos, simples e corajosos! Mas, percebo que apesar desses heróis, estamos sendo bombardeados pela ideologia EU É QUE IMPORTA! Querido leitor, não quero tirar o valor da vida individual, quero apenas refletir sobre o discurso de que EU defino toda a minha vida, independentemente do outro ou do coletivo. Temos exemplos clássicos: - Meu plano de governo é mais importante do que as vidas. – Tenho direito a não tomar vacina e não me importo em contaminar ou enfraquecer o vírus. – Meu lucro é o que importa, vou vender osso para os pobres. – Quero me divertir, vamos aglomerar. Outros comportamentos que independem da pandemia, como supervalorização da estética, ganancia por lucros desmedidos, consumismo sem consciência, descarte errado do lixo por preguiça de fazer certo, dar celular para as crianças ficarem quietas e não atormentarem. Todos os dias as mensagens EU SOU O MAIS IMPORTANTE, assolam nossa mente sem nos darmos conta do quanto esse EU centrismo enfraquece a humanidade. Não evoluímos ao ponto que estamos pelo individual, mas sim pela individualidade comprometida com o bem comum, com a consciência que uma vida melhor para todos é melhor para mim. Evoluímos a partir do momento em que temos responsabilidade com todos, em que TODOS IMPORTAM e EU também!

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Ilustração: M.Conti

Feliz 2022 para todos Sandra

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A vida como ela é

Você fala sozinho? Marisa da Camara Terapeuta Energética Radiestesista

“Falar é uma necessidade, escutar é uma arte.” (Johann Goethe) O ato da escuta é muito poderoso, tanto no que tange ao gesto de abertura de nosso coração, ao acolher as palavras de um terceiro, quanto na reflexão evocada e consequente evolução de aprendizado. Daí a arte. Falar, implica ouvir. Por quantas vezes aconselhamos um amigo, um filho ou um irmão e, ao ouvirmos nossa própria fala, pensamos: “Nossa! Eu estou falando isso para mim!” A fala nos faz refletir, rever conceitos, ampliar possibilidades e encontrar soluções, entre outros. Quando nos divorciamos, enviuvamos ou simplesmente saímos da casa da família, e vivemos sozinhos, conquistamos muitas coisas, mas perdemos a possibilidade do diálogo constante, variado e, muitas vezes, fluído. Para quem tem a fala como fonte de autoescuta terapêutica, de desenvolvimento de raciocínios e abertura de novos caminhos, fica um vácuo, imperceptível a muitos. Penso ser intrínseco ao ser humano buscar uma forma de adaptação ao que lhe falta ou lhe aflige. Assim sendo, alguns se recolhem, outros buscam contatos verbais, ao vivo ou pelas redes sociais, e alguns conversam consigo mesmos, em voz alta, praticando a autoescuta, objetivando sua terapia e desenvolvimento evolutivo. Aí surge a questão: isto é patológico? Minha percepção é que “falar sozinho” é conversar com alguém imaginário ou consigo mesmo, sem dar-se conta dessa ocorrência, por ter alucinações auditivas, por exemplo.

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Foto: arquivo


Falar consigo mesmo, em voz alta, se ouvindo, com consciência, refletindo sobre sua fala, para elaborar um pensamento, uma tese, não há mal algum. Em tempos de solitude, pela pandemia ou por qualquer outra ocorrência da vida, praticar a autoescuta pode ser muito positivo. Exceto se isso lhe incomodar ou a frequência e formato dessas ocorrências chamarem à sua atenção ou de terceiros. Para quem vive sozinho é importante observar comportamentos agitados ou de ansiedade, se você fala sozinho, respondendo a vozes em sua cabeça, para buscar ajuda médica, ou se você só tem sido uma boa companhia para você mesmo, praticando a autoescuta.

Ilustração M.Conti

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Papo Animal

Dicas e cuidados com filhotes Saúde Única, sonhos coletivos FMVZ - USP

É senso comum que filhotes são fofos e por isso muitas pessoas dão preferência à adoção/ aquisição de pets nessa fase da vida. Porém, cuidar dos animais nesse período é um desafio e tanto uma vez que, além de terem demandas diferentes dos adultos, precisam aprender alguns comportamentos para uma boa convivência com a família. Mas são os humanos que têm a responsabilidade de ensinar e prover o que eles necessitam para que possam crescer em segurança e com boa saúde física e emocional. Por isso, trouxemos informações para ajudar quem decidiu ter um filhote de cachorro em casa. Para começar, é importante preparar a casa para receber o cachorrinho. Alguns locais e objetos podem representar riscos para o filhote como escadas, janelas, sacadas, piscinas e materiais cortantes, de modo que o acesso do animal a esses itens deve ser restringido. Existem também produtos, plantas e alimentos tóxicos para os cães e que devem ser conhecidos pelos responsáveis para que possam ser mantidos fora do alcance dos animais. Cabe ressaltar que, apesar de alguns produtos de limpeza serem tóxicos para cães, a higienização do ambiente é importante para sua saúde, visto que o sistema imunológico dos filhotes não está completamente desenvolvido e, além disso, o esquema vacinal leva alguns vários meses até estar completo, sendo importante encontrar opções eficientes e seguras para a desinfecção do ambiente. Além de seguro, o ambiente deve ser confortável para o animal. Para isso, é aconselhável promover o acesso do cão a brinquedos, cama, bebedouro e comedouro limpos e, se for o caso, tapetes higiênicos, além da companhia de sua nova família. Temos que considerar que

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Foto: Alvan Nee - unsplash.com

o filhote foi separado de sua família, o que pode deixá-lo ansioso e inseguro, de modo que, estar perto da nova família, recebendo carinho e atenção, faz com que ele se sinta mais tranquilo, o que ajuda a minimizar choros e latidos. Nesse sentido, para reduzir a ansiedade da separação, é interessante que o filhote tenha algum pano com o cheiro da mãe e irmãos durante os primeiros dias no novo ambiente. Os brinquedos ajudam a distrair e exercitar o animal para que ele tenha mais sono depois. A ansiedade da separação pode atingir os cães adultos também, quando os tutores saem de casa. Para evitá-la, ao retornar, os humanos devem agir e falar com o animal de forma calma e feliz, sem fazer festa, para naturalizar esses momentos para o animal. Após alguns minutos, com o animal já calmo, pode iniciar o contato afetuoso, com as brincadeiras de costume. A alimentação adequada à fase de desenvolvimento é importante para a saúde e cada raça tem suas especificidades. De modo geral, o desenvolvimento do filhote se completa aos 18 meses. No entanto, antes de oferecer o alimento escolhido, deve-se considerar sua alimentação anterior e fazer uma transição gradual para a nova dieta, para que se adapte e não venha a apresentar diarreia e outros problemas digestivos. Também cabe ressaltar que, até os 2 meses de idade, os cachorros precisam do leite materno, de modo que a aquisição de um filhote antes dessa idade faz com que seja necessária a utilização de um sucedâneo. De qualquer forma, discuta as opções com o veterinário. Além da alimentação, são necessários outros cuidados básicos com a saúde do novo membro da família. Medidas preventivas são essenciais para evitar que o animal adoeça e para que esse tenha um crescimento saudável. Dentre os cuidados que devem ser preconizados pelo veterinário para o filhote estão a vacinação, a vermifugação, o controle de pulgas e carrapatos e a castração. Se decidir não castrar o animal, o tutor deve ser paciente com as alterações de comportamento dos animais, devido aos hormônios reprodutivos, e ser responsável para que não ocorram crias indesejadas. Quando bebês, os cães não sabem o local correto para fazer suas necessidades e cabe aos tutores ensiná-los. Esse processo de aprendizagem leva algum tempo e requer

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bastante paciência. Os animais preferem superfícies absorventes para fazer suas necessidades, por isso os tapetes higiênicos são uma boa alternativa ao terreno natural de terra e grama. Além disso, é interessante colocar o tapete higiênico perto de onde o filhote costuma ficar, já que o controle dos esfíncteres ainda está em desenvolvimento. Até que aprendam, é interessante levá-los ao local correto nos momentos em que tendem a fazer as necessidades, como logo após acordar ou comer, e permanecer junto a eles para recompensá-los imediatamente, com carinho ou petiscos. Caso o animal faça as necessidades no local errado, não é adequado brigar, pois ele não entenderá o motivo. Ao invés disso, deve-se limpar bem para que o cheiro não estimule que isso ocorra novamente. Até ele aprender é recomendável tentar antecipar a vontade dele e levá-lo para o local correto, esperando até que façam o xixi e o cocô. Também durante a fase de filhote, especificamente de 0 a 3 meses, é quando o animal aprende muitos comportamentos relacionados à sociabilização. Nesse período é importante apresentar o cachorro a diferentes experiências, pessoas, animais, objetos e barulhos, a fim de evitar que ele cresça com medo. Vale lembrar, contudo, alguns cuidados fundamentais nesse momento: se os filhotes ainda não estiverem imunizados, essas intervenções devem ser feitas em ambientes seguros e entre indivíduos livres de doenças; além disso, os animais aos quais serão apresentados devem ser dóceis, garantindo que o filhote tenha uma experiência agradável e positiva; os objetos e barulhos que podem ser interpretados como assustadores pelo cãozinho devem ser apresentados gradualmente e durante brincadeiras. Alguns outros comportamentos também podem ser desenvolvidos pelo animal quando filhote, os quais nem sempre serão agradáveis para a família, como por exemplo roer e morder objetos que não devem ser mordidos e roídos. Nesses casos, é importante não machucar ou traumatizar o animal durante a correção – uma boa alternativa, é oferecer, em substituição, brinquedos que possam ser destruídos; morder faz parte do comportamento natural de filhotes e por isso ele deve saber o quê ele pode morder e até mesmo destruir de tanto morder. O adestramento pode auxiliar na correção de comportamentos negativos e no desenvolvimento de comportamentos positivos. E ele pode ser iniciado desde o momento em que o animal chega à casa! Além disso, pode ajudar a criar e fortalecer vínculos afetivos entre o animal e seus responsáveis. Essas são apenas algumas dicas importantes que devem ser consideradas quando se decide por adquirir um filhote. A infância e adolescência são períodos agitados que exigem tempo e paciência para ensiná-los, tal qual com os humanos, mas pode e deve ser um período prazeroso e divertido para todos. Alternativamente, para quem não quer passar por essa fase, a adoção de um animal já adulto pode ser a opção mais adequada; eles são igualmente capazes de dar amor incondicional, com a vantagem de já se conhecer o tamanho e o comportamento deles. Se desejar mais informações sobre filhotes, visite o site Cão Cidadão, disponível no endereço www.caocidadao.com.br. Texto escrito por Rachel Befi Goulart com a colaboração de Evelise Oliveira Telles, membros do Projeto Santuário. Para sugestões ou dúvidas, entre em contato pelo e-mail: papoanimal60mais@gmail.com. Nos siga nas redes sociais: Instagram: @projetosantuariousp e Facebook: Projeto Santuário - FMVZ USP. Ficaremos muito felizes por ter vocês conosco!

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60+

magazine

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Contos II

Meritocracia

Panacéia ou solução? João F Aranha

Cidadão e Repórter

Foto: Agência Brasil

Histórias de superação nos levam a amar a meritocracia. São relatos emocionantes de pessoas que vencem preconceitos, racismo, oportunidades desiguais e outras mazelas próprias de um sistema que geralmente se mostra injusto. Escrevem-se livros, que depois se transformam em filmes de sucesso, que nos levam a crer que a sociedade justa é meritocrática, pois as perspectivas são iguais para todos, desde que se tenha talento e se trabalhe arduamente. Dessa forma a mobilidade sócio-econômica torna-se a melhor resposta para a desigualdade. A elite passa a acreditar que faz parte de uma casta que alcançou esta posição por mérito próprio. Poucos são os que vencem essas barreiras e muitos são aqueles que se amarguram por se verem apartados dos melhores empregos e das melhores escolas para seus filhos. Este outro lado da moeda diz que a meritocracia, portanto, é uma farsa, pois uma sociedade que busca ser justa não pode se basear só na possibilidade de ser livre para ascender. Casos isolados de meritocracia não justificam a massa dos que sofrem a opressão de uma desigualdade estrutural. Uma exceção não funciona quando se analisa o todo. Muitos são os que vivem com dignidade e decência, dando sua contribuição fundamental para a sociedade, embora não reúnam as condições mínimas para ascender, levando a pecha de indolentes, preguiçosos e pouco ambiciosos.

Justiça suspende construções habitacionais na cracolândia

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Caminhos de Portugal

Um Natal português Cidália de Aguiar Bióloga, professora, repórter 60+

Árvores de Natal, presépios e sal Mais um Natal português se passou, caracterizado pelo frio, pela nostalgia (para alguns) e pelas tradições. Árvores de Natal fazem hoje em dia sentido para todos durante esta época. O pai Natal também. Presépios cada vez menos. Natal de outros tempos Na minha infância, numa família muito pequena, mas tradicional, as memórias levam-me, sempre que se aproxima esta época, à preparação do presépio em casa. Grande momento em que eu e os meus pais nos dirigíamos para o pinhal, no tempo em que se podia ir sem perigo de assaltos ou desgraças semelhantes. O objetivo era colher musgo, em quantidades apreciáveis, para em conjunto fazermos o presépio. Areia branca do mesmo local também não era desprezada, pequenos ramos de pinheiro e algumas pinhas. O presépio era construído com uma base em cartão ou caixas, sobre a qual se dispunha o musgo, os cordeiros, o burro e a vaca, pastores, anjos, e claro, o menino Jesus, a Virgem Maria e S. José. Os três reis magos nos seus camelos também não podiam faltar, os carreirinhos de areia e muitas vezes uma lâmpada que os meus pais dispunham para iluminar toda a cena. Ficava bem bonito este arranjo e era um grande acontecimento familiar. Na véspera de Natal era a altura de colocar o sapatinho de cada um na chaminé, onde, no outro dia bem cedo, se iriam buscar as prendas que o menino Jesus lá colocaria durante a noite.

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Fotos: Cidália de Aguiar

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Curiosamente, o Natal que lembro sempre com maior nitidez ocorreu nos meus 7 ou 8 anos, estando doente e acamada com febre. No dia de Natal os meus pais trouxeram-me algo que pedia há muito, uma boneca toda vestida, com meias, touca, sapatinhos e tudo! O que me faz assomar uma lágrima saudosa e agradecida quando o recordo é o semblante alegre dos meus pais e o facto de terem sido eles que costuraram toda a roupinha para a boneca. Outros tempos, em que o significado era maior que o produto em si. Longe do consumismo de hoje, das prateleiras sem fim das grandes superfícies e do ar “blasé” e enjoado das crianças que têm tudo. Natais modernos Mais tarde, importou-se a árvore e o pai natal. Já não era supostamente o menino Jesus que punha os presentes no sapatinho, mas sim o velhote rotundo de barbas que descia pela chaminé e fazia a distribuição. A minha filha passou a receber desde barbies a toda uma panóplia de bonecas. Muitas vezes, pais mais ausentes durante uma parte do dia devido aos seus afazeres profissionais compensam com muitos presentes. Quando já escrevia, a “carta ao pai Natal” era reformulada várias vezes, porque a publicidade já era agressiva na altura. Ainda fizemos o presépio com a figurinhas da minha meninice durante anos. Mas ao lado a árvore também fazia a sua aparição. Também era um grande momento a sua decoração, o pinheirinho na base do qual passamos a vislumbrar os presentes. Fiz sempre questão de colocar umas pequenas pinhas pintadas pelo meu pai com purpurina ou tinta brilhante, mesmo depois de ter partido. Também guardei durante muitos anos o menino Jesus e todos os bonequinhos de barro que continuaram a fazer parte do presépio. Lembram-me os natais da minha infância e as pessoas que, entretanto, desapareceram, porque o natal para mim é agora também nostalgia. Mantendo a tradição do presépio Interessantes são os presépios em sal. Decerto nunca ouviu falar – fazem-se nas salinas de Rio Maior, sobre as quais já escrevi antes. Os salineiros, com sal, fazem presépios maravilhosos onde lá estão as figurinhas características. Os carneiros, os pastores, as figuras centrais, presépios brancos que se desdobram por diferentes lojas e locais. Claro que também há árvores de Natal, renas e o ancião de barbas e vestes vermelhas, mas isso é outra história.

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Caminhos da Argentina

En las entrevistas de trabajo hay demasiados sesgos y prejuicios: incluso un simple apretón de manos es decisivo para ser contratado Norberto Worobeizyk

En las entrevistas de trabajo hay demasiados sesgos y prejuicios: incluso un simple apretón de manos es decisivo para ser contratado Todas las actividades que impliquen una decisión discrecional en un contexto de muchas variables suelen estar abocadas a los sesgos, los prejuicios y el ruido: los jurados populares, determinados diagnósticos médicos, las evaluaciones académicas y, por supuesto, las entrevistas de trabajo. Por eso no es extraño que los entrevistadores tienda, a menudo sin ser conscientes de ello, a preferir los candidatos que son culturalmente similares a ellos o a aquellos con los que tienen algo en común, como el sexo, la etnina o la formación, tal y como sugiere este estudio de 2012. Un simple apretón de manos Además de los sesgos (como que la belleza juega un papel importante en la entrevista: una persona fea y desgarbada tendrá más problemas para ser contratada), también hay ruido, tal y como lo define Daniel Kahneman en su libro titulado, precisamente, Ruido. Es decir, que diferentes entrevistadores reaccionan de forma también diferente ante el mismo candidato y llegan a diferentes conclusiones. Nuestros juicios no solo están llenos de sesgos, están llenos de ruido (y no importa el tema que analicemos) En Xataka Ciencia Nuestros juicios no solo están llenos de sesgos, están llenos de ruido (y no importa el tema que analicemos) Ser contratado, pues, no depende solo de tus aptitudes como trabajador, sino del tipo de entrevistado que te ha tocado tener. O el día

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de la semana que ese trabajador está desempeñando su trabajo. O incluso la primera impresión (la calidad de un apretón de manos es un predictor significativo de las recomendaciones de contratación, sorprendentemente, tal y como sugiere este estudio de 2002): Por ejemplo, hay pruebas sólidas de que las recomendaciones de contratación están vinculadas con las impresiones que se crean en la fase de relaciones informales de una entrevista, esos dos o tres primeros minutos en los que se charla amistosamente para que el candidado se sienta cómodo. ¿Cuál es la solución para resolver este problema? Básicamente, mecanizar más los procesos de contratación. Hay gente que confía en las personas. En los profesionales. Incluso en el juicio humano. Y, por contrapartida, considera que las directrices o los algoritmos son fríos, rígidos y alérgicos a la empatía.

Em entrevistas de emprego, existem muitos preconceitos e prejuidios: até um simples aperto de mão é decisivo para ser contratado

Foto blog do colunista

Nas entrevistas de emprego existem muitos preconceitos e preconceitos: até um simples aperto de mão é decisivo para ser contratado Todas as atividades que envolvem uma decisão discricionária em um contexto de muitas variáveis geralmente ​​ estão fadadas ao preconceito, ao preconceito e ao barulho: júris populares, determinados diagnósticos médicos, avaliações acadêmicas e, claro, entrevistas de emprego. Portanto, não é surpreendente que os entrevistadores tendam, muitas vezes sem saber disso, a preferir candidatos que sejam culturalmente semelhantes a eles ou aqueles com os quais tenham algo em comum, como gênero, etnia ou formação, como tal. Como este 2012 estudo sugere. Um simples aperto de mão Além dos preconceitos (como o de que a beleza desempenha um papel importante na entrevista: uma pessoa feia e magricela terá mais problemas para ser contratada), há também o ruído, conforme definido por Daniel Kahneman em seu livro intitulado, justamente, Noise. Em outras palavras, entrevistadores diferentes também reagem de maneira diferente ao mesmo candidato e chegam a conclusões diferentes. Nossos julgamentos não são apenas cheios de preconceitos, eles são cheios de ruído (e não importa o tópico que analisamos) In Engadget Science Nossos julgamentos não são apenas cheios de preconceitos, eles são cheios de ruído (e não importa o tópico que analisamos) Ser contratado, então, não depende apenas de suas habilidades como trabalhador, mas do tipo de entrevistado que você teve.

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Ou o dia da semana em que o trabalhador está realizando seu trabalho. Ou mesmo a primeira impressão (a qualidade de um aperto de mão é um indicador surpreendentemente significativo de recomendações de contratação, como este estudo de 2002 sugere): Por exemplo, há fortes evidências de que as recomendações de contratação estão vinculadas a impressões criadas na fase de relacionamento casual de uma entrevista, aqueles primeiros dois ou três minutos de bate-papo amigável para deixar o candidato à vontade. Qual é a solução para resolver este problema? Basicamente, mecaniza mais os processos de contratação. Existem pessoas que confiam nas pessoas. Nos profissionais. Mesmo no julgamento humano. E, por outro lado, considera as diretrizes ou algoritmos frios, rígidos e alérgicos à empatia. Leia mais em

reddebuenasnoticias.com

Situada às margens do Rio da Prata, Buenos Aires é a cidade com mais traços de cidade européia da América do Sul. divulgação

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Condominio

A obrigação do Síndico nas cobranças das cotas condominais Lawrence Gomes Nogueira Advogado sócio da Advocacia Aurichio Sindico morador e Sindico Profissional

Mudança na legislação tornou mais rápida a cobrança dos devedores dos condomínios. Como abordamos no texto anterior o artigo 1.348 do Código Civil estabelece quais são as obrigações do sindico, sendo a cobrança das cotas uma delas, inciso VII do referido artigo. Se o síndico não cumprir com essa obrigação, poderá sofrer sanções desde a remoção do cargo de sindico e até ações judiciais. Desta forma, o sindico deve estar sempre atento com a inadimplência e tomar todas as medidas cabíveis para a cobrança dos inadimplentes. O prazo prescricional para a ação de cobrança é de cinco anos, nos termos do artigo 206 do Código Civil. Frisa-se que a inadimplência alta em um condomínio gera desiquilíbrio nas contas, pois o rateio das despesas é planejado para que pague as contas sem objetivar lucros, salvo em casos de necessidade de arrecadação extra e com aprovação em assembleia. Até 2015, quando foi alterado o Código de Processo Civil, as ações de cobrança das cotas condominiais seguiam pelo rito ordinário, ou seja, havia a necessidade de uma ação de cobrança com uma

O SUPERA é um curso diferente de tudo que você já conhece. Com apenas uma aula semanal de duas horas, você conquista uma mente saudável, com mais concentração, raciocínio, memória, criatividade e autoestima. Estas habilidades melhoram o desempenho na escola, alavancam a carreira e garantem mais qualidade de vida. Encare este desafio e experimente uma forma incrível de viver. Nossa metodologia não tem limite de idade: todo mundo pode viver esta emoção. magazine 60+ #31 - Janeiro/2022 - pág.33


sentença condenatória transita em julgado e posteriormente iniciar a fase de execução, que é a busca de bens do devedor. Contudo, com a nova legislação, as ações passaram a ser direta de execução de um título extrajudicial, sem a necessidade de uma sentença judicial, tornando muito mais célere a busca de satisfação do crédito dos condomínios, vez que demorava anos até se obter a sentença definitiva, já que há vários recursos possíveis em nosso ordenamento jurídico. Essa alteração se deu justamente pela demora no recebimento dos valores pelo condomínio e para acabar com os devedores que se escondiam atrás da legislação para ficar anos e anos sem pagar as cotas condominiais. Portanto, com a atualização da legislação, os síndicos e condomínios possuem ferramentas mais rápidas para a busca do crédito, como por exemplo, a negativação do devedor nos órgãos de proteção e a execução direta do débito. A legislação atual determina uma ordem de buscas para a satisfação do crédito dentro da ação de execução, através de convênios com instituições, iniciando com a penhora de ativos financeiros (BACENJUD), pesquisa de veículos (RENAJUD), pesquisa de bens (ARISPJUD) busca de declarações de imposto de renda (INFOJUD) entre outras ferramentas de busca de bens. Uma das medidas mais drásticas na execução da dívida condominial é o envio do próprio bem a leilão judicial para a satisfação do débito, infelizmente, sendo este, por vezes, o único caminho para que o condomínio possa receber o valor das parcelas em aberto. Oportuno salientar que a impenhorabilidade do bem de família não se aplica aos débitos condominiais de acordo com o IV do par. 3º da Lei 8009/90, já que é uma dívida oriunda do próprio bem.

Foto: Jornal do Síndico

Mas para que o sindico e o condomínio possam executar a dívida de cotas condominiais em aberto se faz necessário que suas contas estejam aprovadas e comprovadas em juízo tais aprovações, podendo ser essa a única forma de defesa do devedor na execução da dívida. Por isso é de extrema importância para o condomínio que o Sindico esteja sempre atento para as aprovações de contas do período e que as cobranças das cotas em aberto não demorem mais de 5 anos para sua cobrança, cumprindo assim o determinado no artigo 1.348 do Código Civil. Você acompanha a inadimplência do seu condomínio? Sabe se foi feito a prestação de contas e se estas foram aprovadas? Mande suas dúvidas e sugestões de temas para nosso email lawrencegnogueira@adv.oabsp.org.br

lawrencegnogueira@adv.oabsp.org.br

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Falando em escrever

Glenda Dias dos Santos Rosa Maria Rodrigues Castello Consultora em Direitos Autorais

Ano Novo 2022, puxa que alegria estar por aqui com saúde, na ativa e com muita vontade de divider com vocês assuntos interessantes . Para a edição de janeiro/22 a Castello Editorial tem a honra de apresentar a profissional Glenda Dias que com certeza irá contribuir com sua experiência como gerontóloga, conheçam… Glenda Dias dos Santos – 37 anos – Trabalha há 13 anos com pessoas idosas. Gerontóloga, mestre em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP, especialista em Neuropsicologia e em Reabilitação Cognitiva pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas. Atualmente, trabalha no Hospital do Coração Hcor da Associação Beneficente Síria realizando projetos para a melhoria da qualidade de vida e da saúde das pessoas idosas. Nos momentos de lazer, gosta de realizar esportes, estar com a família e amigos, apreciar a natureza, estudar o autoconhecimento e aprender artesanato. Aprendizagem ao longo da Vida – um dos pilares para um Envelhecimento Ativo

Glenda Dias dos Santos

Gerontóloga – Mestre em Ciências pela FMUSP;

Especialista Pleno em Projetos Hcor

O envelhecimento populacional é um fenômeno mundial, que tem ocorrido de maneira acelerada, principalmente em países em desenvolvimento. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), em 2017 as pessoas com idade igual ou superior a

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Glenda Dias


dos Santos

60 anos representavam 30,2 milhões. A previsão é de que, em 2025, seremos o sexto país em número de pessoas idosas, com aproximadamente 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, devendo atingir 41,5 milhões em 2030. Existem muitos desafios para que o envelhecimento aconteça com qualidade de vida. Dessa maneira, ações e políticas públicas direcionadas às pessoas idosas, visam à garantia de direitos, a redução das injustiças e da exclusão social, e ao favorecimento da sua participação ativa na sociedade. Uma das ações da Organização Mundial da Saúde (OMS), no final dos anos 1990, foi a substituição da expressão “envelhecimento saudável” por “envelhecimento ativo” que pode ser compreendido como o processo de otimização das oportunidades de saúde, participação e segurança visando melhorar a qualidade de vida ao envelhecer, para que seja uma experiência positiva, incentivando a participação social, econômica, cultural e civil para todos os indivíduos. Assim, abrange políticas públicas que incentivam modos de viver mais saudáveis em todas as etapas da vida. O termo “ativo” refere-se à participação contínua da pessoa idosa em assuntos sociais, econômicos, culturais, civis e espirituais, e não somente a capacidade de estar fisicamente ativo ou de estar participando da força de trabalho. Deste modo, envolve todas as pessoas que estão envelhecendo, permitindo que as pessoas reconheçam seu potencial para o bem-estar físico, social e mental ao longo do curso de vida. Os pilares do Envelhecimento Ativo são fundamentais para orientar as ações estratégicas do setor público e também podem ajudar as pessoas a traçar trajetórias ao longo de todo o curso de vida, que favoreçam um maior bem-estar na velhice. São divididos em três pilares: 1 - Saúde: favorecer o acesso aos serviços sociais e de saúde para atender às necessidades físicas e/ou cognitivas e aos direitos das pessoas em processo de envelhecimento. 2 - Participação: integrar a pessoa idosa em atividades socioeconômicas, culturais e espirituais que proporcionem uma sensação de realização, sentido de vida e pertencimento. 3 - Segurança: garantir proteção, segurança e dignidade às pessoas idosas, por meio do desenvolvimento de políticas e programas de seguran-

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ça, social, física e financeira. Em 2015 foi publicado um documento, estruturado por pesquisadores estrangeiros da área da longevidade, que destacou a importância de acrescentar nos fundamentos da Política do Envelhecimento Ativo o item aprendizagem ao longo da vida. O conceito de aprendizagem ao longo da vida ressalta a importância da promoção do aprendizado em ambientes formais e informais, contribuindo para a saúde, a participação social, o capital intelectual e o financeiro do indivíduo. Como por exemplo, a importância da educação em saúde para o autocuidado; educação financeira para gerenciar renda e despesas; educação tecnológica para manter-se conectado. Desse modo, a necessidade de aprendizado é variada e constante ao longo do curso de vida e favorece o bem-estar do indivíduo e a solidariedade entre as gerações. Segundo a perspectiva Life-Span, dominante na Psicologia do Envelhecimento, o desenvolvimento das capacidades cognitivas ocorre durante toda a vida. Dessa maneira, é fundamental a oferta de programas que incluam diversas atividades e estímulos para otimizar as habilidades cognitivas e prevenir o declínio físico, psicológico e social. Nesse contexto, os programas educacionais destinados para as pessoas idosas, como os oferecidos nas universidades, são instrumentos que favorecem o desenvolvimento e a manutenção das habilidades cognitivas, a socialização, troca intergeracional, oportunidade de atualização, aquisição de conhecimentos, participação em atividades culturais, sociais, políticas e de lazer. Segundo o educador Paulo Freire, o ser humano está em constante construção e sempre há a possibilidade da aquisição de novos conhecimentos, seja em contexto formal como na escola ou em contexto informal como em rodas de conversas. Não existe tempo específico para a conquista de novos aprendizados, sempre estamos aprendendo em diferentes situações como ao iniciar um novo esporte, participar de eventos e de debates em grupos, conhecer novas pessoas expandindo a rede de contatos, ler livros e revistas, aprender novo idioma, assistir vídeos, iniciar uma psicoterapia, experimentar novos sabores, conhecer lugares diferentes, ou seja, ser aprendiz pela vida toda. Vamos aproveitar, esse início de ano que somos motivados para iniciar novos projetos e tirar do papel aquilo que estamos planejando há muito tempo? Muitos começam e param, outros nem começam. Precisamos de uma dose de empreendedorismo na vida, sair da zona de conforto e da área dos sonhos e partir para a ação. Para isso,

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“envelhe saudá

X

“envelhe ativ


ecimento ável”

X

ecimento vo”

liste suas metas e objetivos, mantenha o foco, amplie a sua rede de contatos, desenvolva a automotivação, tenha determinação e dedicação, desenvolva a inteligência emocional e invista em seus estudos. Quando se faz algo e percebe a evolução, há um grande ganho de motivação e confiança que gera satisfação, renova o otimismo e fortalece a autoestima do ser humano. Assim, as pessoas motivadas são capazes de contagiar todo um ambiente com a sua energia e determinação. Que 2022 que seja um ano repleto de realizações! Referências Benvenutti, M. Desobedeça: a sua carreira pede mais. São Paulo. Editora Gente, 2021. Duarte, YAO. Compreendendo o “envelhecimento ativo” como uma política de saúde. Saúde Coletiva, vol. 4, núm. 17, bimestral, 2007, p. 134. Envelhecimento Ativo: um marco político em resposta à Revolução da Longevidade. Centro Internacional de Longevidade Brasil (ILC-Brasil). Rio de Janeiro, Julho 2015. http://ilcbrazil. org/wp-content/uploads/2016/02/Envelhecimento-Ativo-Um-MarcoPol%C3%ADtico-ILC-Brasil_web.pdf Organização Mundial de Saúde. Envelhecimento ativo: uma política de saúde. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde. 2005; 60p Scoralick-Lempke NN; Barbosa AJG. Educação e envelhecimento: contribuições da perspectiva Life-Span. Estudos de Psicologia I Campinas I 29(Supl.) I 647s-655s I outubro - dezembro 2.

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Viva Cultura

Um belo conto de Natal

O menino e o homem sem nome Marcelo Conti

Tinha o costume de ficar parado ao lado do portão principal. Na calçada, apoiado sobre as pernas finas, debruçava o corpo vez por outra para frente brincando com o equilíbrio enquanto o tempo passava. Devia ter pouco mais de 10 anos, e a roupa simples, mas surrada, chinelos de dedos de sola gasta, não tiravam daquela imagem um brilho natural. O sol forte da primavera de dezembro batia no corpo minúsculo, e com o movimento que fazia uma das alças da camiseta insistia em escapar descendo pelo antebraço esquerdo, ao que, num ato mecânico e displicente os dedos de uma das mãos tratavam de colocá-la de volta ao lugar. Não se importava com o vaivém da rotina diária dos trabalhadores que cruzavam o portão, para dentro ou para fora; pessoas apressadas passavam e o viam, não fazendo ideia de onde vinha e tampouco o que fazia ali. Dia seguinte, a mesma coisa. Mesmo lugar, mesmo horário, mesma roupa. Tudo repetido. Passou um tempo com aquela figurinha ali quieta, porém como dizem os moderninhos “causando”. Até que alguém, um homem, o abordou para saber quem era, e o que fazia ali por tanto tempo, enfim, o que queria. Levantou o corpo, manteve a cabeça baixa, e de um dos bolsos da bermuda tirou um minúsculo carrinho de madeira. Mal feito, mal pintado, disforme. Mas, seu. Estendeu a mão trazendo à frente o brinquedo, que certamente levava na bagagem uma ainda curta porém linda história de vida. Desconcertado com a simplicidade daquele momento, o homem brincou com o garoto perguntando se o carrinho havia sido feito por ele, e se estava à venda porque queria dar de presente ao netinho. A resposta foi direta, objetiva: “Quero que façam um desse para mim”. “Como? Olha, querido amiguinho, isso aqui não é uma fábrica de brinquedos...” Não houve permissão nem tempo para que a frase fosse concluída. “Papai disse que os carros começam a ser feitos na fundição, porque partes deles saem daqui. Se alguém puder escrever ao Papai Noel, queria muito igual a este,

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só que grandão.” “Como você sabe tudo isso? Bem, de qualquer forma eu vou entrar agora para o trabalho e posso falar com meu chefe, quem sabe ele...”, novamente a fala foi interrompida, agora acompanhada de um olhar singular que sabemos como é quando vem de uma criança. “Entro lá com o senhor... Entro e falo com esse homem. Quero conhecer a fundição.” Por que será que essas pequenas criaturas têm a capacidade de nos envolver, mesmo que saibamos tantas respostas para suas perguntas, a ponto de impossivelmente delas escapar? Aquela mãozinha, o corpo frágil, olhos negros lindos paradoxalmente iluminando o dia! Como pode? “Deu vontade de dar um abraço em você, sabia?”, disse o homem sem nome. Silêncio de eternos segundos. “Olha, infelizmente não posso levar você lá. Vou fazer o seguinte: entro para o trabalho e se você vier amanhã falamos novamente”. E rumou portão adentro. “Se você vier... Claro que virei, ora bolas!” E o que é o “amanhã”, no entanto, para uma criança, se não um mosaico colorido de esperança? O que vem a ser um dia após o outro para quem acredita que um simples carrinho de brinquedo possa preencher o espaço vazio, não físico de casa, mas da alma refeita pela conquista? A noite que separa um dia do outro muitas vezes é longa, mas jamais será perdida na crença e na esperança de quem sonha. E crianças têm mais motivos para sonhar. Pois, na ausência do homem com quem conversou o menino não viu o amanhã, nem o depois de amanhã, e nem mesmo o depois, e o mais depois ainda... Prostrado no lugar de sempre, vindo não se sabe de onde, lá estava ele diariamente fazendo o habitual movimento com o corpo, brincando com a alça da camiseta, guardando no bolso esquerdo da bermuda o seu pseudo carrinho. Na mente os sonhos que o levariam a distâncias intangíveis. Considerou que a falta de seu amigo poderia ter sido em função de algo grave e, portanto, muito pior do que a quebra na sequência que a conversa entre eles implicaria. A rotina na fundição mantinha o movimento intenso do entra-e-sai de veículos e pessoas. Os olhos do menino tinham apenas a direção dos caminhões que pelo portão passavam transportando material que, imaginava, seria destinado a outros veículos e, certamente um dia, ao seu. Nunca mais o homem sem nome deu as caras por ali. A possibilidade da conquista de seu objetivo era diametralmente distante a cada novo dia, posto que sua única chance até então simplesmente sumiu. Desapareceu no tempo e no espaço, diferentemente dos dias que vão e vem, para nunca mais surgir à sua frente. Ilustração: M.Conti Já era conhecido de tanta gente, agora. Mas, pouco falava, e dele poucos se aproximavam. Não havia consternação, porque sua história correu fundição adentro e assim todos sabiam que ali estava menos um mendigo do que alguém que colocou na cabeça que de trás do muro alto às suas costas sairia a realidade transformada dos seus sonhos. Permanecia tão mergulhado nos pensamentos que, certa vez, nem percebeu um movimento anômalo à sua volta. Só se deu conta mesmo quando ouviu o roncar forte do motor de um enorme caminhão. O veículo atravessou o portão em direção à rua, e sobre

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sua carroceria estava uma peça gigante, algo que nunca tinha visto na vida, mas de uma beleza singular. Os contornos de aço brilhavam no reflexo dos últimos raios solares do dia, e expunha aquele enorme objeto como se fosse uma estátua iluminada diante dos olhos do garoto. Atrás, outro veículo. Mais uma peça desta vez pouco menor, porém não menos intensa na beleza e no efeito que fazia aos seus olhos. Atraído, levantou-se lentamente, e pôs-se em pé. Nunca havia feito isso. A alça esquerda da camiseta caiu novamente até o antebraço, mas a concentração da mente estava naquela espécie de desfile que os veículos proporcionavam ao sair, aos poucos, de dentro da fundição. “Meu Deus, qual dessas peças poderá ir para o carro? Talvez esta, ou aquela, ou nenhuma delas? Peças tão grandes como essas não devem ser para carros. Papai mentiu para me agradar...” pensava boquiaberto enquanto acompanhava com os olhos a sequência do que via. Finalmente, um último veículo passou à sua frente já quando a tarde se transformava em penumbra. Voltou-se o menino para o lugar onde por dias e dias costumava ficar. Antes, porém, que o portão fechasse completamente o soar forte de uma sirene tomou conta do lugar. Estranhou aquilo. Primeiro foram os olhos vivos que se levantaram, depois a cabeça, e finalmente o corpo. Rendeu-se à alça da camiseta desta vez, estava absorvido. O som da sirene despertava uma curiosidade impar, porque jamais a tinha ouvido. Caminhou vagarosamente e, ao se aproximar do portão da fundição foi convidado a entrar. Ficou petrificado ao ver uma carruagem iluminada e colorida de vermelho, puxada por quatro cavalos devidamente “vestidos com roupa de gala”, e tendo como cocheiro ninguém mais nem menos que Papai Noel. Atrás, todos os funcionários cantavam músicas natalinas, fazendo uma coreografia simples, mas quentes ao coração. Passavam pelo menino, e paravam. Absolutamente tomado pela surpresa, somente se deu conta de que o homem sem nome estava à sua frente quando por ele lhe foi dirigida a palavra. “Como vai, meu garoto? Lembra-se de mim? Sou o dono disso tudo que está vendo. Tenho alguns amigos, e consegui localizar Papai Noel; pedi a ele que entregasse algo que fizemos especialmente a você. Espero que goste, porque parte de seu presente foi feita por todas as pessoas que você está vendo agora, com amor e carinho, como tudo o que é feito aqui na fundição.” Papai Noel desceu daquela engenhoca especialmente “construída” para a ocasião, e entregou um grande pacote ao menino. Incrédulo, e já cercado por todos, desfez o embrulho com a “habilidade” que toda criança tem quando ganha um presente. No primeiro rasgo o interior do pacote brilhou contra a luz, agora artificial, e na sequência a revelação da surpresa: um carrinho lindo, novo, reluzente. O menino nem piscava, para não perder tempo em olhar seu presente. “Obrigado!” balbuciou. “Não agradeça a mim”, disse o homem sem nome. “Quem trouxe seu carrinho foi Papai Noel. Aliás, resolvemos contratá-lo para também ficar conosco.” O menino correu ao encontro do bom velhinho. Emocionado, Papai Noel abraçou o garoto, e ao beijá-lo deixou o bigode escorregar revelando parte de sua boca. “Conheço você?”, indagou com voz terna, e olhando o contorno de uma boca que lhe parecia familiar. As lágrimas correram o rosto do Papai Noel, descolando sobrancelha e barba falsas, derretendo a maquiagem, fazendo uma mistura descolorida que deixava a marca sobre o ombro esquerdo do garoto, sem a alça da camiseta, claro. Aos poucos a imagem do pai se ofereceu à sua frente. E, na mescla do clima e da emoção generalizada e incontida, o menino só teve tempo de sussurrar: “Papai, eu sabia que você não tinha mentido pra mim...”

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Aprendizagem na 3ª idade

Por um envelhecimento saudável Malu Navarro Gomes Pedagoga Psicopedagoga Educadora no projeto Feliz Idade

O ser humano necessitou, desde sempre, para garantir sua sobrevivência, agregar-se a seus iguais. Sozinho, pela fragilidade física, para falar apenas de uma das condições que apresenta, não sobreviveria. Em sociedade, no entanto, não apenas tornou-se mais ativo e forte para enfrentar diferentes desafios como adquiriu noções que transformaram e elevaram sua capacidade cognitiva bem como seu estado de resistência. A vida em sociedade provoca nas pessoas a noção de pertencimento, empatia, solidariedade, para citar apenas alguns exemplos. Ao mesmo tempo desperta sentimentos ambíguos como o de amor e ódio, de liberdade e busca pelo poder, orgulho e vaidade, insatisfação e realização e tantos outros que muitas vezes levamos uma vida inteira para reconhecê-los e modelá-los em nosso comportamento diário. Outras conformações ocorreram resultantes do convívio social. A linguagem é um exemplo disso. Para garantir uma convivência minimamente pacífica com seus pares, códigos gestuais e de voz começaram a ser compartilhados e acabaram sendo formalizados como a linguagem de um determinado grupo. Com o refinamento da cognição, o pensamento, a imaginação e a criatividade garantiam que os grupos se movimentassem na construção de realidades diferenciadas tanto no plano individual quanto social, tanto de forma objetiva como subjetivamente. O que foi descrito em apenas quatro parágrafos foi um processo longo para a humanidade e cada passo dado representou largo espaço de tempo para que tudo se consolidasse da forma como hoje nos apresentamos e à sociedade atual. Chegarmos onde estamos custou muito esforço intelectual e físico, muita disciplina e determinação. Tudo indica, porém, que ainda evoluiremos em direção a outras e novas possibilidades; algumas que o futuro já nos aponta. O viver de forma a se tornar um idoso é uma dessas possibilidades. Nunca, como nos tempos atuais, pudemos observar uma quantidade tão grande de pessoas que atingem idades avançadas, muitas delas lúcidas e saudáveis ultrapassando os cem

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Foto: borgesogato.com

anos. A velhice foi considerada como etapa do desenvolvimento humano há pouco tempo. Antes era tida como sendo da competência da Psicologia do Excepcional já que sua discussão associava a velhice quase que exclusivamente a questões como limitações e dependência de diferentes ordens e graus. Na atualidade, quase figurou na Classificação Internacional de Doenças – CID.11 – designada como doença. A Organização das Nações Unidas – ONU – considera idosa, a pessoa com sessenta anos ou mais que vive no Brasil, um país em desenvolvimento. Nos países desenvolvidos, idoso é quem apresenta idade a partir dos sessenta e cinco anos. Se nos referimos ao idoso brasileiro, é preciso questionarmo-nos se estamos, como cidadãos, preparados para viver a velhice e, como sociedade, preparados para garantir e defender uma velhice que perdure por muitos anos? Com os avanços nas áreas da medicina, das ciências humanas, da tecnologia, para só citar algumas, é possível dizer, que a criança nascida hoje terá muito mais chance de viver e chegar à velhice em vantagem frente à nossa geração, a de nossos pais e avós. Mas se a pergunta se limitar ao tempo presente: você está preparado/preparada para viver uma velhice que perdure por muitos anos? A resposta provavelmente será: “Não!” Muitos, se não a maioria de nós, simplesmente vive a velhice da mesma forma que viveu a infância, a adolescência e até mesmo a fase adulta, ou seja, cuidando do tempo presente e de seu futuro próximo. Como poderíamos agir de forma diferente, se não tínhamos sequer a noção do significado que o envelhecer começa a representar? E se eu chegar aos 90 anos, como pretendo estar e viver? Como poderei me preparar para viver tanto e viver bem? Falaremos muito durante as próximas edições da Magazine 60+ sobre esse assunto, propondo práticas para o idoso e sua família. Falaremos também sobre os fundamentos que norteiam as ações do projeto Feliz Idade, projeto idealizado para auxiliar o idoso em seu envelhecimento saudável. Um dos propósitos do projeto Feliz Idade é garantir às pessoas idosas assim como às suas famílias, ferramentas para que possam viver – ou conviver, da melhor forma possível com – os diversos momentos que caracterizam o envelhecimento saudável, sobretudo vivê-los felizes, porque é a felicidade que todos desejamos alcançar. É sabido que o envelhecimento saudável e ativo resulta de muitas variáveis, a começar pela genética. Hábitos adquiridos e um estilo de vida cultivados nas etapas que precedem a velhice interferem para o bom envelhecimento ou para uma velhice mais comprometida em termos da saúde. Alimentar-se bem, não pular refeições, comer sem pressa, tranquilamente, saboreando a comida, variar o que come considerando alimentos naturais, frutas, legumes e verduras, hidratar-se ingerindo água ao longo do dia, tomar um bom café da manhã e cuidar para que o lanche da noite seja leve, tudo isso e muito mais irá resultar em mais saúde e bem estar. Essas orien-

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tações e outras informações que as complementam devem ser obtidas junto aos profissionais da área da saúde, geriatras, clínicos gerais, nutrólogos, por exemplo, que irão avaliar cada caso e indicar o que for mais recomendado ao idoso. Acostumar-se a fazer uma avaliação médica anualmente pode se tornar um bom hábito. As opções existentes para a realização do atendimento médico anual podem ser encontradas no SUS – Sistema Único de Saúde –, nos convênios médicos particulares pelas pessoas a eles associadas, ou junto a médicos particulares autônomos. O importante, neste caso, é que o idoso faça as consultas periodicamente, para constatar como anda sua saúde. Para isso existem diferentes modalidades de médicos, desde o clínico geral e o geriatra – que focalizam a pessoa como um todo, detectam as áreas de estudo a se ativar e fazem o encaminhamento para os médicos especialistas. Nesta época em que ainda perdura a pandemia, faz-se importante não aceitar informações e indicações vindas de fontes desconhecidas, principalmente no caso de conselhos médicos, pois muitas vezes trata-se de “fake news” que, em lugar de auxiliar as pessoas, ajudam a complicar mais ainda seu estado de saúde. Profissionais competentes, que acompanhem o idoso por um período de tempo significativo, são verdadeiros aliados na busca de respostas que auxiliem a garantir o bem estar e a autonomia do idoso. Ao efetivar a consulta agendada, não esqueça de separar os exames que digam respeito àquela avaliação médica e, se possível, formule perguntas em uma folha de papel para servir de roteiro para aquilo que você pretende saber sobre sua saúde e possíveis alternativas que o médico possa indicar para assegurar sua saúde.

PERGUNTAS DO LEITOR Sr. Athos – São Paulo – SP (por áudio) O que eu gostaria de comentar, sempre baseado na Filosofia Diretriz, que eu sigo: ela é dividida em quatro áreas, sendo uma delas a Educação, a Filosofia na Educação. E essa pergunta do leitor que está aí (referência à pergunta publicada na edição de dezembro/2020 da Magazine 60+) vem bem a calhar, pelo que eu queria dizer. Segundo Epicuro, nunca é tarde demais nem cedo demais para ser feliz. Então eu perguntaria a você qual é a virtude... porque a gente é composto de espírito, a parte psicológica e a parte física, biológica. São as três dimensões para se formar uma integral: a parte espiritual, a psicológica e a biológica. A gente evolui, sempre, nos três sentidos. Aliás, essa é a Lei do Equilíbrio que Jesus Cristo trouxe: Ama a Deus em primeiro lugar e ao próximo como a ti mesmo. Essa lei é de uma profundidade incrível. E, para nós, na Filosofia Diretriz chama Lei do Equilíbrio. Sem ela não há como formar o homem integral e, o homem integral só se forma desenvolvendo as virtudes - ele só é plenamente ele mesmo, quando desenvolve as virtudes. Então eu pergunto a você: além da felicidade – com que o leitor não se identificou – qual a virtude que você acha importante desenvolver nessa idade? Sei que todas são importantes, mas deve ter alguma em especial. A gente sabe, pela Filosofia Diretriz, que o Bem é a soma das virtudes. Então, minha pergunta é nesse sentido. Sr. Athos, obrigada por seus comentários e por sua pergunta. O que posso dizer é que na velhice, após os sessenta anos, uma questão que se faz presente com maior ou menor clareza e frequência, diz respeito à morte e à finitude pessoal. A pessoa sabe que seu fim se aproxima e que não importa quanto tempo ainda lhe reste, um dia essa vida há de terminar. Independente de sua vontade haverá um momento em que a pessoa não mais estará, não mais se fará presente...

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Há pessoas que se rebelam contra esse fato, há pessoas que temem esse momento, há pessoas que se conformam com essa realidade e há aquelas que se dispõem a viver mais intensamente aquilo que lhes faz bem: suas virtudes. Todas deixarão memórias. Todas serão lembradas. Acredito, pelo que percebo e sinto em mim, que a gratiidão seja algo que ocorre como realidade e necessidade de quem se encontra neste período de vida, a velhice. Infelizmente, não fomos educados para sermos gratos e, muitas vezes, na cultura ocidental a gratidão pode adquirir o tom de fraqueza e subserviência e não de virtude para quem se encontra afoito por viver. De repente, sentimos que é hora de agradecermos, sinceramente, a uma Divindade Maior, à natureza, à vida... tudo o que pudemos aprender e realizar. Nossos sentidos parecem desabrochar e somos gratos pelo perfume das flores, pela melodia que nos alegra, pelo paladar do doce que apreciamos saborear, pelas estrelas que vemos no céu, pelo abraço que recebemos e que hoje nos faz tanta falta. Agradecemos o fato de termos nascido, crescido e nos tornado quem somos. Sabemos que poderíamos ter sido melhores, mas sabemos também que aprendemos – e muito – com nossos erros e desajustes. A eles também agradecemos. Gratos também pelas batalhas que travamos conosco mesmos, com o que nos aflige, nos adoece, pois nos momentos em que ficamos tolhidos começamos a compreender o poder de nossa força e resistência. Gratidão pelas pessoas que nos cercam: nossa família – tanto os de sangue como os de alma, os que nos escolheram e foram escolhidos por nós – os amigos, os conhecidos e pessoas que cruzam nossos caminhos – e, mesmo que de forma fugidia, nos deixam alguma mensagem ou ensinamento. A gratidão que também nos faz olhar para o outro e por ele sentir empatia. E sendo empáticos, descobrir o poder que temos de ajudá-lo. E ajudando, estabelecer trocas verdadeiras que acrescentem felicidade à sua vida e à nossa. Isso tudo, caro leitor, é transformador, muda o mundo e é a maior riqueza que podemos levar conosco quando enfim chegarmos ao término de nossa existência física.

Malu Navarro Gomes

Especialista em Psicopedagogia e Neuropedagogia Atenção, concentração e memória. Práticas psicopedagógicas conforme necessiades e objetivos específicos Troca de informações, orientações sobre dinâmicas e atividades apropriadas ao idoso. blog: https://blogdafelizidade.blogspot.com + 55 11 93481 1109 email: qualidadedevidaidosos@gmail.com O BLOG DA FELIZ IDADE FOI CRIADO PARA AJUDAR, PRINCIPALMENTE OS 60+. COM ISSO, VEM RECEBENDO EMAILS E PEDIDOS DE CONSELHO OS QUAIS A EDIÇÃO DO MAGAZINE 60+ ACHA IMPORTANTE QUE TODOS LEIAM. PODE SER QUE UM DESSES CASOS ESTEJA ACONTECENDO COM VOCÊ!

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Amigo do Idoso

Janeiro tem reajuste do salário mínimo Fábio Faria de Sá Diretor do Instituto de Orientação Previdenciária

Janeiro, no Brasil, é tempo de atualização do Salário Mínimo, que determina reajustes dos salários aos trabalhadores do regime CLT, mas, também, contempla os beneficiários do INSS – Instituto Nacional de Seguridade Social. Então, já está vigorando desde o dia 1, o aumento de R$ 112,00, pulando de R$ 1.100,00 para o R$ 1.212,00, o que corresponde, aproximadamente, a aumento de 10,00%. Isso, vai mexer no seu bolso! Sendo contribuinte ou beneficiário do INSS, veja o que muda! No caso dos beneficiários do INSS, todo e qualquer benefício a receber, tem como, menor valor, o piso do salário mínimo. Ou seja, ninguém recebe menos do que R$ 1.212,00, a partir de janeiro de 2022. Boa notícia! Isso vale, para todos os cidadãos contemplados com as aposentadorias por tempo de contribuição ou, também, por idade mínima. Contempla, também, as pensões por morte, o Benefício de Prestação Continuada da Lei Orgânica da Assistência Social (BPC/LOAS), o popular LOAS Idoso e LOAS Deficiente. Todos serão reajustados! No passado, o LOAS só contemplava cidadãos com o valor de meio salário mínimo. Mas, atualmente, o benefício paga o valor integral. Foi uma grande conquista para os cidadãos brasileiros, pois dobrou o valor do benefício e melhorou a qualidade de vida das pessoas, uma vez que, aumentam os gastos com planos de saúde e consumo de mais medicamentos nessa fase da vida. No IOPREV – Instituto Previdência Social, do qual sou diretor, temos percebido um aumento considerável de cidadãos em busca desse benefício, devido ao agravamento das condições financeiras e sociais da população em geral. Em muitos casos, é possível obter o benefício, pois não há a obrigatoriedade de ter contribuído com o INSS, antes dos 65 anos de idade. Mas, há cumprimento de outras exigências a serem atendidas. Veja: - Estar cadastrado no Cadastro Único, obrigatoriamente.

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Foto: Arquivo

Esse cadastro deve ser feito no CRAS - Centro de Referência de Assistência Social. Tem que agendar, antecipadamente, na Prefeitura onde mora; - Ser idoso com idade igual ou superior a 65 anos; - A renda, individual, das pessoas que moram na mesma casa e são da mesma família, não pode ultrapassar o valor de ¼ do salário mínimo. Ou seja, a pessoa não pode ganhar mais de R$ 303,00, a partir de janeiro de 2021; Vale lembrar que, após muita luta na justiça, o valor recebido por algum membro da família, como LOAS ou Aposentadoria, que seja de 1 salário mínimo, não será computado como renda per capita. Desde abril de 2020, a Previdência Social está, administrativamente, concedendo o LOAS para um segundo ou até mais membro da mesma família! Lembrando, também, que filhos casados não entram na renda da família. - No caso do LOAS Deficiente, o cidadão, ainda, precisa passar por avaliação médica, presencial, no INSS para comprovar que não tem condições físicas ou mentais para exercer atividades de forma igualitária com os demais cidadãos há pelo menos 2 anos. LOAS não tem direito a 13 salárioº e não deixa pensão por morte. Oferece apenas o salário mínimo, mensal, durante a vida. Para requerer o BCP, é necessário acessar um dos canais de atendimento do INSS. Veja qual lhe atende melhor: - Por telefone, 135 (ligação gratuíta); - Pelo site ou aplicativo no celular “meu INSS”; Mas, se quiser resolver tudo de maneira fácil e rápida, pode me procurar no IOPREV que fica no Jabaquara em São Paulo. Lá, temos uma equipe de advogados, todos voluntários, que me ajudam a atender a população que tem dúvidas nas questões ligadas à Previdência Social. Atendimentos presenciais às quintas-feiras, das 14 às 17h. Sábados, das 9 às 12h! Dia 13 de janeiro, quinta-feira, próxima, voltamos aos atendimentos presenciais! Venha! É só chegar, nem precisa marcar! Me acha, também, nas redes sociais: @fabiofariadesa

Serviço: Endereço - Av. Engenheiro George Corbisier, 1127 – Metrô Jabaquara Telefone: (11) 5015-0500 Instagram: @fabiofariadesa Facebook: @fabiofariadesa

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apoio cultural: Magazine 60+

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Humor

Retrospectiva 2021 Previsões para 2022 Laerte Temple Doutor em Ciências Sociais Relações Internacionais

Ufa! Contra tudo e contra todos, 2021 terminou. Dizem que foi um ano atípico, mas qual não foi? Lembra dos Maias? Falaram que o mundo ia acabar em 2012. Parei de comprar alimentos, zerei as dívidas (não vou partir devendo) e reconciliei com uns desafetos. Mas o mundo não acabou, tive de comprar comida às pressas e fazer novas dívidas. Telefonei para os desafetos e xinguei todos de novo. Não caio mais nessa história de “o mundo vai acabar”. 2021 foi um ano difícil, até no retorno ao novo normal. A bandidagem trabalhou duro enquanto os honestos ficaram em casa, em homework. Faltou gente na rua para assaltar, a renda caiu e não tiveram auxílio emergencial. Quem não parou, nem com isolamento, foram os políticos. Fizeram as bobagens de sempre sem sair de casa. CPI de araque, menos projetos, mais privilégios e maracutaias. Pelo menos saiu mais barato para o contribuinte. Teve a cúpula do clima furada, bloquearam o Canal de Suez, o Biden picou a mula do Afeganistão, as centrais sindicais apoiaram demitir trabalhador sem vacina, aprendemos o que é precatório etc. O Reino Unido deixou a União Europeia. Vão para onde? Pedir asilo nos EUA? E a rainha? O tempo passa, o tempo voa e a Bethinha continua numa boa. Só que agora solteira. 2021 foi doido. O Palmeiras ganhou duas libertadores no mesmo ano! Será que foi reprise? O STF mandou investigar. O Facebook e o WhatsApp, que bloqueiam todo mundo, foram bloqueados! Até o capitão Kirk foi para o espaço! Quem assistiu Jornada nas Estrelas nos anos 60, ficou sabendo que o capitão James Tiberius Kirk comandava a Enterprise sem sair do chão e que o Dr. Spock nasceu em Boston e não em ShiKahr, Vulcano. Fomos enganados! Revendo 2021, concluo que o povo só se interes-

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o www.petlove.com.br - divulgação

sou mesmo pelo filho do Superman, que saiu do armário, e pela tatuagem da Anitta. Eu nem sabia que o Superman tinha filho e achava que a Anitta era recatada e do lar! Mas, virada de ano é momento de reflexão, planejamento, previsões. Ninguém melhor que o trio Pai Ambrósio, Mãe Joana de Cabrobó e Madame Cacilda da Chapada para trazer alguma luz e dar um gás, se bem que luz e gás aumentaram muito em 2021. Os três tiveram perrengues com o Procon por causa de gente que os consultou, deu errado e processou os videntes. Prever o futuro já não é uma ciência exata e o povo não se mexe. Quando algo dá errado, bota a culpa nos videntes. Entrevistei Pai Ambrósio, Mãe Joana e Madame Cacilda. Com cautela, para evitar processos por fake news, revelaram as seguintes previsões: · 2022 encerra em dezembro, mas como tem eleição e o povo vai ser enganado de novo, o ano pode acabar mais cedo, ou nem terminar. · Antes mesmo da posse, começa a campanha para 2026. Se ninguém inventar de morrer, os candidatos serão os mesmos de 2022, 18, 14. · Não teremos terceira via, nem segunda e nem primeira. No mundo digital não existem vias. É tudo on line, na nuvem. E é para lá que iremos se a coisa não melhorar. Para as nuvens, para o espaço. · Haverá grande debate entre pessimistas e otimistas. Os Pessimistas jurando que de 2022 o mundo não passa e os otimistas garantindo que 2022 será um ano bem melhor. Melhor que 2023. · Os britânicos saíram da União Europeia em 2021. Em 2022, o Brasil sairá do mundo. · Carnaval, BBB, São João e Copa do Mundo, só se o STF deixar. · Por causa da pandemia, os casamentos foram adiados. Em 2022 haverá avalanche de casamentos e depois vendaval de divórcios. Bom para os bufês e os advogados. Azar de quem for padrinho. · O Max Werstappen precisou de uma batida para superar o Hamilton. Será preciso muita batida, cachaça e cerveja para superar 2022. Sempre com otimismo e acreditando, até a última volta! Quem sobreviveu à pandemia, lockdown, homework, CPI, vacina, lives etc., vai encarar 2022 numa boa. Mas, se depender dos políticos, lembrem-se: nada é tão ruim que não possa piorar. Aproveitem bem 2022 porque em seguida virá 2023. Será? FELIZ 2022! Com muita saúde, alegria e otimismo.

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Mensagens

Valores e propósitos e as incertezas do novo ano Luiz Arnaldo Moncau

O ano está começando, e muitos de nós, 60+, sentimos necessidade de reavaliar o que queremos ser e como queremos ser nos anos adiante. Muitos dos objetivos e necessidades da primeira metade da vida já não nos satisfazem. No mundo de hoje, tão complexo e incerto, fica difícil nos posicionarmos diante do amanhã. Quase impossível buscar respostas lá fora. Temos que buscá-las em nós mesmos. Aflora a consciência bem forte de que nós, 60+, temos um enorme valor, algo que grande parte da sociedade ainda não conhece ou não respeita. Aflora a consciência da necessidade de nos mantermos o mais próximo possível desse turbilhão de inovações e mudanças, usando a experiência e sabedoria adquiridas para discernir o que é essencial do que é espuma e agitação. A certeza de que iremos continuar a crescer e aprender novos recursos, para podermos compartilhar esse nosso saber em benefício dos que estão ao nosso redor, sem descuidarmos da luta por manter um mínimo de segurança e estabilidade financeira, pré-requisito para vivermos com dignidade. Independentemente das escolhas de cada um de nós, cresce em mim a dor de ver o país que estamos deixando para nossos filhos e netos. Duas frases martelam minha mente. Uma vem de algum lugar do passado. “A Justiça precede o amor, precede a caridade”. Amor e caridade são importantes, mas é incoerente praticá-las e aceitar passivamente tanta injustiça. Outra frase veio há algumas décadas de um jovem canadense de 15 anos chegando ao Brasil,

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Foto: Twiter

ao ver pela vez primeira uma favela: “Como vocês permitem isso? ”. É verdade. Nós permitimos isso. A desigualdade social é uma enorme e inaceitável injustiça. Nosso silêncio é nossa aceitação tácita com o que aí está. Se dou importância a um mínimo de estabilidade financeira como pré-requisito para viver com dignidade, tenho que aceitar que este é também um direito e necessidade de todos. Somos nós que criamos a sociedade em que vivemos, não dá para transferir essa responsabilidade para terceiros, como governo, políticos e tantas entidades e associações, salvo se participarmos ativamente destes grupos. Caso contrário seremos parte do problema, e não da solução. Falo de valores, mas dos que praticamos através de nossa conduta e comportamento, de nossas lutas. Também os tem os diversos grupos sociais. É a soma desses valores que definem os valores de uma sociedade, seu modo de se organizar e conviver. Entre os valores sociais destaco a crença inabalável no diálogo, no respeito a cada pessoa e no respeito a diferentes modos de pensar. Diferentes grupos buscam formas alternativas de atuar na sociedade e encaminhar soluções para enfrentar desafios ou atingir objetivos que consideram válidos. Precisamos estar abertos para ouvir e entender outros valores, objetivos ou ideologias que difiram dos nossos, pois mais importante que estarmos certos é estarmos abertos para ouvir e buscarmos ser sempre melhores. Existe, porém, um outro valor que continua a me incomodar. Falo da indignação, que é a atitude de não aceitar e lutar contra o que achamos errado. Falo da indignação daquele canadense de 15 anos. Uma sociedade na qual seus membros perdem a capacidade de se indignar é uma sociedade de conformistas, uma sociedade que aceita suas mazelas como naturais e inevitáveis. A sociedade é a soma de todos e de cada um de nós. Somos responsáveis pelas características da sociedade em que vivemos. Precisamos acender em cada um a chama da indignação, não como retórica ou revolta, mas como sentimento propulsor de ações por um país melhor. Com diálogo e respeito pelo outro. A falta de indignação leva ao conformismo, nos leva a aceitarmos como natural as coisas erradas e a raciocinar que não somos responsáveis pelo país que temos. É um raciocínio falso, conveniente e perigoso Precisamos mais desses exercícios do pensamento, estarmos mais preparados e conscientes, reavaliarmos os Propósitos que irão guiar nossos passos, que irão dar sentido a nossas vidas nesse universo em ebulição e que nos ajudarão a deixarmos um legado maior para as futuras gerações.

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Mensagens para leituras e reflexões

A vida no Pantanal Fotos enviadas pelo colunista Lenildo Solano Professor

O maior santuário alagado do planeta, o nosso querido Pantanal, com as chuvas sobrevive as assustadoras queimadas que foi vítima. Em agradecimento vamos contar um pouco da vida neste paraíso: Por aqui seo moço curtimos o dia desde mais cedo quando vai chega a noite até o Sol demora pra ir embora. Despertamos com canto das aves entre elas a aracuã, o revoar dos pássaros e o bailar das coloridas borboletas sem esquecer do nosso cancioneiro, o galo pantaneiro. Para admirarmos a fauna e a flora ricas do lugar vamos citar algumas espécies dos milhares exemplares que mais ficam presentes sob nossos olhares: O tuiuiú símbolo do bioma, tucano, garça branca, socó, jaçanã, ema, colhereiro, gavião, as araras, representando as cores do céu azul e da bandeira do país.

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Temos a onça pintada, anta, capivara, porco, macaco, ariranha jacaré, cobras sendo a mais conhecida, a anaconda do pantanal, a sucuri. Peixes também é de montão ente eles o pacu, pintado, dourado, cachara, curimbatá, piraputanga, jau e a procurada piranha, que dá o afrodisíaco caldo. O vento e a chuva na região fazem lembra da rica vegetação onde se destacam o aguapé, os ipês, cambaras, jacarandás e o milionário pasto que abrigam a maior pecuária da nossa nação. A pescaria e os passeios a cavalo, a barco e chalana são demais apreciados pelos visitantes que vão embora encantados já pensando em voltar. À noite, contemplando a Lua Cheia, tem cantoria e dança curtindo o rasqueado, o cururu e o siriri ritmos tradicionais daqui. A Vida no Pantanal é simples e prazerosa, que agrademos a Deus e pedimos que conscientizemos da necessidade de respeitar e conservar este santuário da Natureza! - Abraços para os nossos queridos colegas e leitores com a esperança termos um novo ano com saúde, paz, oportunidades de trabalho e o alimento em todos os lares! - Nota: Que as notas experiências e conhecimentos se alarguem muito mais neste novo período de participação nesta conceituada revista. Sucesso para todos!

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Em todas as telas

Vamos juntos desconstruir o preconceito contra a pessoa idosa Katia Brito Produtora de conteúdo sobre envelhecimento e longevidade

Bem-vindos a 2022! Aceite meu convite e vamos juntos iniciar o novo ano com a missão de desconstruir o idadismo, o preconceito contra a pessoa idosa, bastante presente na mídia e, principalmente, na forma como nos comunicamos. Pode ter certeza, se você ainda não foi vítima, certamente será, ou pode ser que, mesmo de forma praticamente involuntária, reproduza o idadismo mais presente do que gostaríamos. Uma importante ferramenta nessa desconstrução é o Glossário Coletivo de Enfrentamento ao Idadismo, lançado pela Longevida, consultoria na área do envelhecimento, em um dia muito especial, dia 10 dezembro de 2021, Dia Mundial dos Direitos Humanos. O material tem foco na linguagem, reunindo termos, expressões e depoimentos. Esta jornalista colaborou com a obra, escrevendo a apresentação que referencia a Década do Envelhecimento Saudável (2021-2030). Parabéns a todos envolvidos no projeto, coordenado pela diretora da Longevida, Sandra Gomes! O jornalista responsável é Cláudio Roberto Marques e o design gráfico é da PNZ Comunicação. O Glossário Coletivo, idealizado pela Longevida, foi produzido a muitas mãos. A consultoria contou com a parceria da Prefeitura do Recife, por meio da Gerência da Pessoa Idosa; Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE); Grande Conselho Municipal do Idoso de São Paulo; Secretaria Municipal de Cidadania e Direitos Humanos de São Paulo; Casa Vovó Bibia de Apoio à Família, também de Recife (PE), e o Movimento Atualiza. A publicação está disponível para download gratuitamente no site da Longevida – longevida.ong.br. Um exemplo que abre a publicação, quem nunca foi alvo ou deixou escapar, por exemplo, o “ainda” em frases como “Ainda dirige com essa idade”, “Ainda trabalha”, “Ainda viaja”... Será que há um tempo determinado na vida para fazer isso ou aquilo? O envelhecer limita qualquer possibilidade de viver a vida plenamente? Claro que não. Tendo condições físicas, você pode fazer tudo e muito mais, precisamos sim estimular a independência e autonomia da pessoa idosa. A velhice é ape-

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Evento de lançamento foi no dia 10 de dezembro, Dia Mundial dos Direitos Humanos; em destaque Sandra Gomes, Cláudio Roberto Marques e Jane, intérprete de Libras

nas mais uma fase da vida, com desafios, mas também muita potencialidade. Outra questão infelizmente bastante comum é a infantilização das pessoas idosas. O Glossário traz a frase “A velhice é uma segunda meninice”, que parece a crença de equipes de reportagem que acompanharam a vacinação de vovôs e vovós “fofos” pelo país, agora tomando a terceira dose. A imunização é fundamental para a proteção de todos contra o coronavírus, e assim como o vírus, a infantilização precisa ser combatida. É fundamental respeitar a história de vida e as vivências, também daqueles que apresentam quadros de demência. O excesso de cuidado e proteção podem ter reflexos na saúde física e mental da pessoa idosa, limitando sua autonomia e independência. Da mesma forma, não dá pra acreditar na juventude eterna. A expressão “Ele é jovem de coração” parece positiva, mas não é. A juventude é um tempo que já foi, e a vida prossegue, com um coração alegre e confiante se assim você foi ao longo da vida, mesmo se as oportunidades não foram tão favoráveis. Para o bem ou para o mal, tudo depende das relações construídas, das vivências de cada um, são muitas as velhices. Baixe o Glossário Coletivo e você certamente vai se identificar com alguma expressão, e perceber que, mesmo se policiando, atuando pela causa da pessoa idosa, já soltou um “estou velha para isso, pra aquilo”. Quem nunca... Agora é hora dessa desconstrução, de evoluirmos para uma sociedade que permita a cada um ocupar seu lugar, seja na infância, na juventude e também no envelhecer. Como diz a campanha da Longevida: #Lugardepessoaidosaéondeelaquiser

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Páginas do Glossário Coletivo destacam termos, expressões e depoimentos que expressam o idadismo #velhicenãoédoença Este início de ano marca a retirada do termo “velhice” da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID), que entra em vigor este mês. Fontes da Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmaram a substituição do termo ao presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil (ILC Brasil), Alexandre Kalache. O Movimento brasileiro “Velhice Não é Doença”, capitaneado por Kalache, reunindo importantes instituições e profissionais, teve papel determinante na decisão da OMS. Velhice não é mesmo doença, nem sintoma, é uma fase da vida! Seguimos juntos na luta por um envelhecimento digno e saudável para todos.

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‘Causos’ do Nordeste

As perguntas de Dom Lobo Tony de Sousa Cineasta

Peço licença ao mestre Câmara Cascudo, onde quer que ele esteja, para recontar um dos seus inúmeros causos reunidos no livro “Contos tradicionais do Brasil”. Na nota de rodapé escrita por ele ao final do conto, diz que ouviu essa história de uma empregada chamada Antônia, natural do Piauí. “O causo é o seguinte e o seguinte é este: ” No tempo do reinado, um rapaz trabalhador e correto, vivia com a mãe nas quebradas do sertão, labutando com dificuldade. Por mais que trabalhasse não conseguia o suficiente para suprir as suas necessidades. Então um dia o rapaz falou para mãe: “Minha mãe! Não podemos passar o resto da vida nesta miséria, quase sem ter o que comer. Fique minha mãe com o roçado, as cabeças de ovelhas e bote sua benção que vou pelo mundo ver o que posso fazer. ” A mãe o abençoou, desejou-lhe boa sorte e o rapaz ganhou o mundo. Depois de muito andar, chegou num reinado muito bonito, e estranhou que não houvesse ninguém nas ruas. Apesar de tudo muito limpo e bem cuidado não se via uma única pessoa. E pairava no lugar um silencio assustador. Viu uma casinha bem simples e seguiu naquela direção. Bateu palmas e apareceu um velho que o recebeu muito bem e concordou em hospedá-lo. Enquanto estavam almoçando o rapaz perguntou: - Meu senhor, o que acontece com esse reinado que apesar de muito bonito é tão tris-

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divulgação

te? O velho explicou: - O mal está nos pecados do povo deste lugar, que atraiu para cá um homem muito poderoso e malvado chamado Dom Lobo. Esse homem é dono de um palácio e se alimenta com o coração das pessoas. Cada dia come um coração. Antes porém, faz um jogo com três perguntas. Se a pessoa responder se livra de morrer e pode fazer três perguntas para ele. Mas até hoje não apareceu uma única pessoa capaz de responder as suas perguntas. E o povo vive escondido com medo de chegar sua vez de responder as perguntas. O rapaz dormiu e no dia seguinte pediu ao velho que lhe ensinasse a chegar no palácio de Dom Lobo. Admirando a coragem do rapaz o velho ensinou e lhe desejou boa sorte. Ao chegar no palácio o rapaz admirou-se com o fato das portas abrirem-se sozinhas. O moço enfiou por dentro, sobe aqui, desce ali, até que chegou num salão que era uma beleza. Aí apareceu Dom Lobo, um homem alto, forte como um touro, todo cabeludo, com olhos de gato e uns dentes de onça-tigre. Quando viu o rapaz deu uma gargalhada que estrondou o mundo. Falou com voz grossa de bicho encantado, mandando o rapaz sentar: - Senta ai! Primeira pergunta: - Que é que tanto mais velho mais forte fica? - É o vinho – respondeu o rapaz. - Que é que tanto se tira mais fica? - Água do mar! - Qual é o lugar onde todos vão e ninguém que ir? - O cemitério! - Acertou, cabra danado! Faça as três perguntas que quiser! - Quem é nasceu de uma virgem, batizou-se num rio e morreu numa cruz? O homem rangeu os dentes como um desesperado porque não podia dizer o santo nome de Jesus Cristo. ” O capeta explodiu e sumiu numa nuvem escura de fumaça. Essa nuvem permaneceu sobre a cidade por um tempo até o anoitecer. Quando amanheceu o palácio de Dom Lobo havia sumido. O povo aplaudiu o rapaz e o levaram até o rei pedindo que ele fosse nomeado governador do lugar. O rei atendeu o pedido. “Deram uma casa com todos os preparos, fazenda de gado, muito dinheiro. O rapaz mandou uma carruagem buscar sua mãe e viveu muito bem e satisfeito. ”

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Contos I

Mais um ano, mais um sonho que nasce... Reflexões sobre a vida Malu Alencar Historiadora e Produtora cultural

Afinal o que é um ano novo? Segundo meu neto Francisco Miguel, que nasceu em abril de 2013, há dois anos atrás conversando sobre a vida falei do meu aniversário, que gostava muito de ter nascido e que desde muito pequena, todos os dias 5 de dezembro, assim que acordava corria para o quarto dos meus pais e batendo palmas agradecia por ter nascido.... Francisco me olhou e muito sério me disse: - Dodó (assim que me chama), por que você comemora seu aniversário? - Francisco, eu gosto de ter nascido, daí comemorar e agradecer... - Você já pensou que o aniversário é uma prova que você ficou mais velha? - Sim, a cada ano a gente fica mais velha.... mais que justo. - Mas você já pensou que a cada ano que você comemora seu aniversário, você caminha para o fim de sua vida? - Mas isso é natural, é o caminho da vida.... - Sim, mas você gosta de comemorar que a cada ano você está mais perto da morte? O que dizer para um menino que do nada te diz coisas tão profundas? Afinal, ele falou uma verdade. A cada dia caminhamos para o fim de nosso caminho.... E a cada ano caminhamos para um novo desper-

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Foto: blog.myfitnesspal.com

tar, um novo mundo. Afinal, o que é um calendário? A cada 365 dias muda o ano, a cada 10 anos mudamos a década e a cada 100 anos mudamos de século! E a cada segundo muda o minuto e a cada 60 minutos muda a hora e assim a cada 24 horas muda o dia e assim vai, mês, ano.... E a cada ano pensamos na vida e fazemos projetos e criamos sonhos que nem sempre se realizam. Afinal o que é a vida? Tenho pensado muito nesse viver e não tenho respostas. Como uma criança que não sabia escrever, muito menos ler, pode me fazer parar para pensar: afinal qual a razão da vida? Afinal, com a pandemia me reservo, quero continuar vivendo enquanto puder, mas quero viver com plenos poderes do pensar, agir, falar, andar e comandar minha vida, já que ela, só à mim pertence. As vezes fico parada olhando meus netos, Francisco, Maria e Alice, uma nova geração, nascidos no limiar da segunda década do século XXI e vejo a diferença de comportamento de quando nasci, de quando meus filhos nasceram e como agora, a criança parece que tem um chip embutido em algum lugar de seu corpinho, pois antes mesmo de falar: Mamá, Papá.... ou qualquer outra palavra, sabem se conectar com um controle remoto de uma TV ou com o teclado de um celular. Esse fato não é um privilégio meu, mas de todas as crianças que convivo, filhos ou netos de minhas amigas ou amigos. Mas percebo que as relações entre os adultos também mudaram. Com o advento da tecnologia, que facilitou e dinamizou a comunicação, também cerceou a liberdade do ser humano. As pessoas vivem plugadas em aparelhos e mal reparam no riso de uma criança, no quanto tempo trabalham além do horário convencional das 8horas previstas por lei trabalhista, não olham a calçada enquanto andam, não prestam atenção na direção enquanto dirigem pois, estão ouvindo as dicas do “google maps”, ou lendo mensagens no whatsapp. Dormem com celular perto do travesseiro. As pessoas, homens e mulheres, vivem cansadas, estressadas. É isso que é evolução? Se vão fazer um passeio, passam o tempo todo tirando fotos ou selfies para colocar nas redes

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sociais para mostrar o quanto estão se divertindo, o que estão fazendo, comprando ou comendo.... Santo Deus, e a privacidade? Acho que Francisco Miguel, meu neto tem razão, pois ele acha que os adultos criaram um mundo muito estranho. Quero um 2022 de liberdade, livre, com riso solto de pessoas sem medo de covid ou de qualquer outra doença, que haja moradia para todos, que haja trabalho para quem busca um emprego, que haja comida suficiente para matar a fome, que a educação seja o caminho para um mundo mais justo, que a cultura seja a bandeira para um país melhor... Que os sonhos sejam realizados. Que a saúde seja um direito de todos. Que as diferenças sejam respeitadas. Que o preconceito seja considerado um crime contra a humanidade. Que a ética, o respeito e a cidadania sejam o lema de todos que vivem em sociedade. Que 2022 seja o marco de uma Nova Era

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Falando em leitura

Pré Modernismo Marly de Souza C. Almeida Pres. da Academia Contemporânea de Letras

O pré-modernismo não é considerado uma escola literária, pelos pesquisadores, mas foi uma fase importante na literatura brasileira: transição do Simbolismo para o Modernismo. Ocorreu no início do século XX até a Semana de Arte Moderna. Ficou conhecido como um período sincrético, pois unia características do Simbolismo, Realismo e o Parnasianismo. Os escritores não ficavam presos numa única escola. Tinham a liberdade de utilizar características de vários estilos, linguagens e fases literárias, abordando aspectos sociais, políticos, culturais. O sertão do nordeste, as periferias das cidades, o interior do país, começam a ter destaque nas obras literárias. Alguns autores se destacaram nesse período: Lima Barreto (“Triste fim de Policarpo Quaresma”), Euclides da Cunha (“Os Sertões”), Augusto dos Anjos (“Eu”), Monteiro Lobato (“Urupês”, “Cidades mortas”), Graça Aranha (“Canaã”), Raul de Leoni. Características que mais marcaram esse período: · Marginalidade das personagens: o sertanejo, o caipira, o mulato, o caboclo; · Temas: fatos históricos, políticos, econômicos, culturais e sociais; · Ruptura com a escrita rígida, formal, rebuscada de escolas anteriores; · Período de sincretismo estético; · Valorização da cultura popular brasileira, pelo regionalismo apresentado nas obras; · Linguagem mais informal, simples. Um dos poemas mais conhecidos de Augusto dos Anjos é “Versos Íntimos”: “Vês?! Ninguém assistiu ao formidável Enterro de tua última quimera. Somente a Ingratidão – esta pantera

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Euclides da Cunha

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Lima Barreto

Monteiro Lobato

Foi tua companheira inseparável! Acostuma-te à lama que te espera! O Homem, que, nesta terra miserável, Mora, entre feras, sente inevitável Necessidade de também ser fera. Toma um fósforo. Acende teu cigarro! O beijo amigo, é a véspera do escarro, A mão que afaga é a mesma que apedreja. Se a alguém causa inda pena a tua chaga, Apedreja essa mão vil que te afaga, Escarra nessa boca que te beija!” Trecho de URUPÊS, Monteiro Lobato, onde Jeca Tatu é apresentado: “Pobre Jeca Tatu! Como és bonito no romance e feio na realidade! Jeca mercador, Jeca Lavrador, Jeca Filósofo… Quando comparece às feiras, todo mundo logo advinha o que ele traz: sempre coisas que a natureza derrama pelo mato e ao homem só custa o gesto de espichar a mão e colher — cocos de tucum ou jissara, guabirobas, bacuparis, maracujás, jataís, pinhões, orquídeas; […] Seu grande cuidado é espremer todas as consequências da lei do menor esforço — e nisto vai longe. Começa na morada. Sua casa de sapé e lama faz sorrir aos bichos que moram em toca e gargalhar ao joão-de-barro. Pura biboca de bosquímano. Mobília nenhuma. A cama é uma espipada estreita de peri posta sobre chão batido.” Fontes: https://revistagalileu.globo. com/ https://www.educamaisbrasil.com. br/ https://www.todamateria.com.br/ https://brasilescola.uol.com.br/literatura/ Curso de Literatura Cearense Fotos wikipédia

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Nosso cafézinho

Métodos de Café

Fotos: enviadas pela colunista

Cida Castilho Barista

Nesta edição vamos apresentar o método Aeropress. Esse método permite fazer nosso café personalizado direto na xícara, chamado também de “café portátil”. Nossa amiga Barista Biah Sobral, continua cedendo para o Magazine 60+, varios métodos de confeccionar café de maneiras incríveis e de resultados fantástico. Para quem não sabe, Biah Sobral é Barista, iniciou seu primeiro curso com a Cida Castilho e hoje já conquistou vários desafios no ramo cafeeiro. Tenho muito orgulho de ter plantado uma sementinha do café nessa Barista fantástica! Nome do Método: Aeropress Quando foi lançado: 2005 Quem lançou: Aeropress, Inc. Califórnia EUA Histórico: Alan Adler, Norte Americano, Engenheiro e Fundador da AEROPRESS. INC fundada em 1984. Em 2004, começou a estudar os métodos de preparo de café e cafeteiras disponíveis no mercado, com o objetivo de criar algo inovador. Com o intuito de resolver o amargor, encontrou a solução reduzindo então o tempo de extração. E para reduzir o tempo de extração, ele percebeu que precisava usar a pressão e desenvolveu uma câmara fechada, que aumentou a pressão com o empurrão de um êmbolo, extraindo o café de forma mais rápida. Foi em uma feira de café em novembro de 2005 que a cafeteira AEROPRESS fez sua estréia e desde então ficou muito popular no mundo, ganhando o WORD AEROPRESS CHAMPIONSHIP que teve a primeira edição em 2008 .

Descrição: A Aeropress é um método

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de extração de café portátil, de fácil manuseio e podendo ser carregado facilmente por apreciadores de café. Equipamento pequeno, formado por dois tubos de plástico (livre de BPA), lembrando o método French Press , mas que faz uma bebida totalmente diferente. Preparo: Coloque seu café previamente escolhido e de acordo com a moagem na aeropress invertida. Use a proporção de 10 gramas para 100 ml de água (10/1). Escalde o filtro para eliminar qualquer tipo de impureza que possa ter, na sequência adicione a água até cobrir totalmente o café. Mexa lentamente por 15 segundos, e aguarde 25 segundos. Adicione o restante da água em 10 segundos Coloque a tampa com o filtro de papel, inverta sobre uma jarra ou xícara e pressione por 45 segundos. Café encorpado, com acidez notavelmente baixa e sem amargor. Curiosidades: Neste método pode-se variar o tempo de extração, o tempo que leva pra empurrar o êmbolo, a quantidade de café em relação a água, permitindo cafés com características diferentes usando o mesmo método. Método de bom custo benefício, permite qualquer granulometria. Moagens muito fina, requer mais força para empurrar o êmbolo, prepara no máximo 200ml de café. Em 2019 foi lançado o filme The Aeropress Movie Em casa: Use sempre água de qualidade e na temperatura de 95°. Prepare a quantidade de bebidas que será consumida naquele instante. Certifique –se sempre da moagem correta do café. Estabelecimento: Em cafeterias, bares e restaurantes é imprescindível todos os materiais que se faz necessários para a extração do método, é de fundamental importância que o Barista conheça o café que foi cuidadosamente selecionado, ter o domínio das técnicas do método a ser preparado, tornando aquele momento único e que estabeleça o retorno do cliente outras tantas vezes em seu estabelecimento.

Onde encontrar: www.aeropress.com Bibliografia: www.cafepedia.com.br www.aeropress.com

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Receitas Fáceis

DICAS DE EBE FABRA NA COZINHA Fotos e receitas da Colunista

Ebe Fabra Chef de Gastronomia

Entramos no Novo Ano!! Muita saúde, Paz e Alegrias a todos vocês!! Pra quem saiu, viajou neste final de ano, estamos retornando aos nossos lares, e recomeçando nossas rotinas. Vamos começar este ano, com a sobremesa. Uma amiga querida, de Rio do Sul de Santa Catarina, Jacilda, me fez relembrar esta sobremesa de infância, que há anos não fazia . Muitos vão se lembrar!! CHICO BALANCEADO Ingredientes 700 ml de leite 4 ovos (claras em neve, deixe por uĺtimo) separe as gemas 1 lata de Leite Condensado 3 colheres de sopa bem cheias de Maízena MODO DE FAZER: Caramelizar um refratário médio com 1 colher e 1/2 de açúcar. Colocar numa panela todos os ingredientes: O Leite,o Leite condensado. A parte num bowl pequeno, coloque as gemas com a Maízena, e dissolva bem até ficar bem homogênea. Coloque dentro da panela, e mexa bem até dar o ponto do creme, até desprender da panela. Coloque este creme dentro do pirex com o açúcar caramelizado. Bata as claras em neve, com 1 pitada de sal e acrescente, 3 colheres de sopa de açúcar (por último). Coloque por cima do creme e ponha em forno quente a 200°C, por mais ou menos 15 minutos, até dourar! Deixe esfriar e coloque na geladeira!! [16:43, 30/12/2021] Ebe: Passamos para os pratos.....

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PERNIL DESFIADO ACEBOLADO, COM PIMENTÃO E TOMATES Ingredientes: 1 kg de Pernil 1 Cebola picada 5 dentes de alho triturados Sal e pimenta do reino a gosto 1 pimenta dedo de moça pequena pitadinha Folhas de Louro 1 xícara de vinagre tinto MODO DE FAZER: Coloque num recipiente o pernil, dê umas furadas nele com uma faca. Coloque todos os temperos, cubra com um papel filme e deixe descansar por pelo menos 2 horas. Pegue a panela de pressão, coloque um fio de óleo e doure bem o Pernil, de todos os lados, coloque aquela vinha’dalia que restou e acrescente + 3 xícaras de água fervente e assim que começar a ferver, coloque a pressão por 20 a 30 minutos. Tire a pressão e veja se está cozida a carne. Senão estiver coloque nas água fervente e novamente a pressão. Pronta a carne, desfie toda ela e reserve Ingredientes: 2 pimentões..(1 amarelo e 1 verde)cortados em tiras 3 tomates cortadas em meia lua 1 Cebola bem grande, cortadas em meia lua. Pegue uma frigideira grande coloque um fio generoso de azeite, deixe ficar bem quente e acrescente a cebola, o pimentão e o tomate,coloque um pouco de sal e frite bem está mistura. Acrescente a carne desfiada e misture bem!! Acompanhe com arroz branco, com pão francês, fica uma delícia fazer sanduíches!! Com batatas coradas (ao murro) fica delicioso esta receita dou créditos a minha cunhada Lu Fabra!

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CENOURAS A MODA DA DANI.. INGREDIENTES: 3 Cenouras médias cortadas em rodelas grossas Ponha 1 litro de água pra ferver quando estiver fervendo coloque as cenouras e deixe uns 5 minutos, pra ficar al dente, ou como vc preferir, escorra as cenouras.....e já em seguida numa panela coloque 2 colheres de sopa de azeite, com 2 colheres de manteiga, derreta está mistura e acrescente 3 colheres de sopa de farinha de trigo, faça uma misturinha e coloque as cenouras, salpicadas com sal e pimenta do reino, misture bem e está pronta!!

CAPONATA DE BERINJELA,ABOBRINHA E PIMENTÃO Ingredientes: 3 Berinjelas médias ou grandes cortadas em cubos 2 Abobrinhas médias ou grandes cortadas em cubos 3 pimentões verdes/vermelhos e amarelo 3 cebolas cortadas em rodelas Sal, pimenta do reino, rosa, orégano e1 pimenta dedo de moça em cubinhos a gosto. Misture tudo muito bem numa assadeira, e coloque bastante azeite.Cubra com papel alumínio e coloque em forno a 180°C por mais ou menos uma hora....coma com torradas, pão italiano ou o da sua preferência. Esta receita é da minha querida amiga Daniela Belo. Chegamos ao fim de mais receitas fáceis e gostosas!! Beijo grande e até o mês que vem!!

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