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Mahalo Press | Ano 1 | #1 | Distribuição gratuita

Yuri Soledade

O baiano que chegou de mansinho, conquistou os havaianos e se tornou cidadão das ondas grandes

Fernando de Noronha Os melhores tubos, as competições e tudo que rolou em fevereiro na Esmeralda do Atlântico

Meio ambiente Surfista conta como foi a ação que denunciou sujeira nos mares de Salvador após o Carnaval

09 www.mahalo.com.br


Foto: Marcelo Pedro

Foto: Daniel Smorigo / ASP

Foto: Stuart Gibson

Yuri Soledade

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Fala do editor

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Bate pronto

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De olho na série

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Dica do Top

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Só sei que foi assim

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Perspectivas WT

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Conceito

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Looks

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Fala do mestre

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Mundo Mahalo

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Você tem fome de quê?

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Skate

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Shaper room

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Sons, filmes e afins

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Interface

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Esmeralda do Atlântico

Competições e muitas ondas boas marcam o mês de fevereiro em Fernando de Noronha

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Ameaça aos mares

Surfista baiano Bernardo Mussi denuncia quantidade de lixo na Barra, em Salvador, após o Carnaval

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Foto de capa: Yuri Soledade extrapola os limites da temida onda de Maverick’s (Foto: Fred Pompermayer)

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Conheça mais sobre o baiano que conquistou o Hawaii, surfando ondas gigantes


Viva a arte da retribuição

Yordan Bosco yordanbosco@mahalo.com.br

Em um alerta meio descompromissado, mais muito bem-humorado, em relação ao cuidado com o meio ambiente, Raul Seixas compôs, em 1974, o verso “Buliram muito com o planeta/ E o planeta como um cachorro eu vejo/ Se ele já não aguenta mais as pulgas/ Se livra delas num sacolejo”. Trecho da canção As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor, a frase pode ser também uma metáfora com a Lei de Newton, que diz que “toda ação corresponde a uma reação”, e com o famoso dito popular “é dando que se recebe”. Portanto, assim como a reação da natureza aos maus-tratos do homem vem em forma de catástrofes ambientais e climáticas, as consequências das ações positivas que realizamos são revertidas em coisas boas no futuro. Sintonizado com o recado de Raulzito, com a Lei de Newton e com o velho dito popular, o grupo MAHALO apresenta seu mais novo produto, a revista MAHALO PRESS. Além de estreitar a comunicação com o público consumidor e de oferecer ao segmento do surf e dos esportes de ação uma alternativa editorial bacana, a revista MAHALO PRESS representa um processo ousado de semeadura, que tem como principal objeto de colheita o crescimento cultural do mercado. Mais que isso, este projeto nasce do espírito de agradecimento e retribuição com todos aqueles que, de uma forma ou de outra, contribuíram para o nosso sucesso ao longo dos anos. Não à toa, Mahalo, que é uma palavra havaiana, significa agradecimento. Com distribuição gratuita, conteúdo editorial rico e diversificado, projeto gráfico arrojado e material de primeiríssima qualidade, chegamos para propor aos

A revista MAHALO PRESS é uma publicação bimensal do grupo Mahalo, Wave Beach, Edye e Asa Classic Wear e tem tiragem de 30 mil exemplares. A revista é produzida pelo Departamento de Comunicação das empresas.

leitores informações que traduzam nosso estilo de vida praieiro, despojado e conectado com o mundo. Através de lugares fantásticos, de ondas perfeitas, de histórias e personagens bacanas e das reflexões dos nossos colunistas, esperamos que você viaje por nossas páginas. O cara E, por falar na Lei de Newton, o surfista baiano Yuri Soledade, radicado há 17 anos no Hawaii, foi recompensado com uma vida de sonhos, por todas as suas ações de dedicação, trabalho e coragem. Depois de passar por muitos perrengues e perseverar bastante, o baiano é reconhecido como um dos melhores surfistas de ondas grandes do planeta. Ele viaja pelo mundo, tem uma linda família e ainda é sócio de um dos restaurantes mais badalados da ilha de Maui, onde reside. Em uma matéria mais que especial, mostramos a fantástica história de vida de Soledade. Ele nos conta como foi a chegada ao Hawaii, com 18 anos de idade, US$ 50 no bolso e sem saber falar inglês; explica sobre suas conquistas empresariais; e detalha toda a evolução nas ondas grandes. Preparamos, ainda, uma viagem ao arquipélago de Fernando de Noronha, que será contada, nesta edição, sob diversos ângulos. Fomos ainda às praias da Barra, em Salvador, e descobrimos que um grupo de surfistas está chamando a atenção para a quantidade de lixo que é jogada no oceano e realizando ações constantes de retirada de resíduos do fundo do mar. Enfim, o menu está pronto e agora é com você. Boa leitura! Mahalo!

Edição e produção: Yordan Bosco (DRT–BA 2992); Projeto gráfico, diagramação e tratamento de imagens: Alexandre Karr; Revisão: Socorro Araújo; Assessoria comercial: Fabiano Gonçalves; Colunistas: Fábio Tihara, Gabriel Almeida, Lucius Gaudenzi, Luiz Augusto Pinheiro e Tony Almeida; Colaboraram nesta edição: (textos) Bernardo Mussi, Fábio Gouveia e Guilherme Guimarães; (fotos) Andrew Kemp, Bruno Veiga, Daniel Smorigo, Diego Freire, Erik Aeder, Fabriciano Júnior, Francisco Pedro, Fred Pompermayer, James Thisted, José Augusto, Lucios Gaudenzi, Sandro Sanper, Stuart Gibson e Tracy Kraft Leboe; Produção Look Mahalo: Sandro Sanper e Gabriel Almeida; Impressão: Vox Editora.

Os textos assinados reproduzem as opiniões dos seus autores e não necessariamente do veículo e do grupo. Contatos por e-mail: yordanbosco@mahalo.com.br e comunicação@mahalo.com.br. Telefone: (71) 3443-1540. Correspondências: Avenida Tancredo Neves, nº 2915 - Loja 75 - Salvador Shopping, Caminho das Árvores Salvador – BA - CEP 40 820 021


Arquivo pessoal

“Quase sem conseguir falar de tanto frio, ele me olhou nos olhos e disse: Falei para os outros empresários que já tinha patrocínio”

As recompensas de Yuri

Tony Almeida Diretor-presidente do Grupo MAHALO

Era um dia chuvoso de junho, no comecinho dos anos 90, e ventava forte na praia de Stella Maris, em Salvador. Assistia ao Sea Club / Wave Beach de Surf, um evento profissional que era, na verdade, a primeira grande competição que nossas lojas patrocinavam. No meio daquele agito todo e de surfistas profissionais renomados no cenário nacional, me chamou a atenção um moleque franzino, de 13 anos. À medida que ele passava as baterias, alguns empresários o assediavam, para patrociná-lo. Antes da semifinal, lembro que chovia e ventava muito e ele aguardava sentado na areia, sem camisa e tremendo de frio, a disputa começar. Então, peguei uma toalha de praia grande com minha mulher, fui até ele, abracei e o cobri. Quase sem conseguir falar de tanto frio, ele me olhou nos olhos e disse: “falei para os outros empresários que já tinha patrocínio”. Começou naquele momento uma parceria e uma grande amizade, que já dura cerca de 20 anos. Estou falando do surfista de ondas grandes, empresário, pai de família, amigo e, acima de tudo, do grande homem que é Yuri Soledade Souto Maior. Não por acaso, a minha felicidade foi imensa quando na primeira reunião sobre as pautas da MAHALO PRESS me foi apresentado um perfil com Soledade. Acho que nenhum outro atleta no Brasil, e talvez no mundo, represente tanto a filosofia e a história de uma marca como este ilheense tem feito com a MAHALO. A histó-

ria de vida de Yuri, como você pode conferir na reportagem desta edição, é marcada de luta, determinação, dedicação, simplicidade, honestidade, muito trabalho, conquistas e sucesso. Ele e o nosso grupo trilharam, lado a lado, um caminho muito parecido. Portanto, ver a matéria de Yuri editada em nossa revista, com ele surfando ondas gigantes e contando suas aventuras, me deu um orgulho muito grande. Sentimento semelhante ao que tive quando li, anos atrás, uma reportagem no jornal A Tarde mostrando o surfista que havia passado em primeiro lugar, se eu não me engano, no vestibular para Engenharia Química da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Lembro que a matéria era ilustrada com uma foto grande em que ele aparecia com livros e uma prancha. Sempre que Yuri vem ao Brasil, conversamos muito, trocamos ideias e celebramos a vida. E uma das coisas que mais me impressionam é que Yuri não mudou quase nada em relação àquele moleque franzino de 13 anos, que conheci tremendo de frio em Stella Maris. Continua com a mesma sensibilidade, o mesmo humor, o mesmo carisma e a mesma dedicação. A história de Yuri serve de exemplo e inspiração pra muita gente. Um cara que traçou seus sonhos e foi em busca deles com honestidade, determinação e perseverança e conseguiu vencer todas as suas dificuldades com inteligência, bom humor e a cabeça erguida. Por isso me sinto feliz e orgulhoso de tê-lo como atleta e como amigo há tantos anos.


Arquivo pessoal

Bino começa Nordestino com tudo

Foto: Bruno Veiga

Vice-campeão nordestino e batizado de “rei do nordeste” em 2010, o surfista baiano Bernardo “Bino” Lopes começou com tudo na disputa do regional deste ano. Segundo colocado no ranking, após duas etapas, Bino mostrou que será difícil alguém lhe tirar o caneco dessa vez. Ele fez um pódio em Paracuru (CE), na abertura do circuito, e outro em Fernando de Noronha (PE), na segunda prova. Em Paracuru, o baiano ficou na terceira colocação e foi superado apenas pelo potiguar Jhon Max e pelo cearense Arthur Silva. Já em Noronha, onde defendeu o título, Bino arrebentou, passou todas as baterias em primeiro, mas na decisão perdeu o ritmo e ficou em quarto lugar na prova, vencida pelo cearense Pablo Paulino.

Bruno Veiga expõe em Noronha Cores de Noronha é o nome da exposição que o fotógrafo baiano Bruno Veiga realizou em Fernando de Noronha entre os meses de fevereiro e março. A mostra, patrocínio cultural da MAHALO, ASA CLASSIC WEAR e EDYE, é baseada em imagens produzidas pelo fotógrafo nos últimos três anos. São 20 imagens que retratam a beleza da ilha e imagens de surfe. Veiga explica que a ideia de fazer uma exposição de Noronha, em Noronha, partiu porque já havia acumulado muito material bacana sobre o lugar e queria dividir isso com as pessoas.

Nova York terá prova milionária de surf A Quiksilver e a Association of Surfing Professionals (ASP) anunciaram o Quiksilver Pro New York, marcado para acontecer entre os dias 4 e 15 de setembro em Long Beach, Nova York. Válido como a sexta etapa do ASP World Tour 2011, o Quiksilver Pro New York é a primeira competição do circuito mundial a ser realizada na Costa Leste dos EUA. O evento distribuirá um total de US$1 milhão em premiação, valor inédito no surf profissional. O Quiksilver Pro New York faz parte da expansão do Quiksilver Pro Global Series, que também inclui a etapa de abertura do World Tour, o Quiksilver Pro Gold Coast na Austrália (que rolou no início de março) e o The Quiksilver Pro France, que acontece em Hossegor, França (4 a 15 de outubro).

Megarampa agita Sampa em julho A terceira edição da Megarampa, maior evento de skate brasileiro, está marcada para os dias 1º a 3 de julho, no Sambódromo do Anhembi, na capital paulista. A Megarampa brasileira é a única instalada no Hemisfério Sul. A pista tem mais de 100 metros de extensão e quase 30

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metros de altura - equivalente a um prédio de nove andares. O skatista Bob Burnquist participou da reunião para confirmar a realização do evento. “Estou muito feliz com a volta desse show. Não vejo a hora de retornar a São Paulo e andar na pista outra vez”, comemora Bob Burnquist, bicampeão do evento.


Basílio Ruy / Brasil Surf Pro

Ian Costa é da equipe MAHALO

Foto: Fabriciano Júnior

Salvador, 12/1/2011 - Uma das maiores revelações do surf baiano, o jovem Ian Costa, 16 anos, é o mais novo integrante do time de surfistas da equipe MAHALO. O atleta se junta agora aos profissionais Bino Lopes, Ulisses Meira e Bruno Galini; ao big rider (surfista de ondas grandes) Yuri Soledade; e a Renata Tambon para defender a bandeira de uma marca que está entre as que mais crescem e se fortalecem no Brasil. O surfista possui também os títulos baiano e estudantil das categorias Iniciante (até 14 anos) e Mirim (até 16 anos).

Alagoano de surf começa forte

Foto: Sandro Sanper

Um dos circuitos mais organizados do Nordeste, o Tchuk Jhones Apresenta: 1ª Etapa do Circuito MAHALO Alagoano de Surf 2011 começou a todo vapor nos dias 19 e 20 de fevereiro. Patrocinada pela MAHALO e organizada pela Federação de Surf do Estado de Alagoas (Fesea), a competição terá seis etapas, até o final do ano, que definirão os campeões estaduais de 10 categorias. A próxima prova acontece nos dias 30 de abril e 1º de maio na paradisíaca Praia do Francês. A expectativa dos organizadores é que, assim como na etapa de abertura, participem atletas de outros estados. Os campeões da primeira etapa foram: Open: Joabson Santos (PE); Grommets: Matheus Oscar (AL); Mirim: Thiago da Silva (PE); Iniciante: 1) Júlio César (AL); Junior: 1) Welid Santos (AL); Open: Joabson dos Santos (PE); Feminino: Ana Paula (PE); Longboard: Robson Fraga (SE); Grand-Master: Fábio Nascimento (AL); Master: Klinger Peixoto (AL); Senior: Klinger Peixoto (AL).

Brasil Surf Pro começa em junho A Associação Brasileira de Surf Profissional (Abrasp) divulgou o calendário do circuito nacional de surf profissional, o Brasil Surf Pro 2011. Serão cinco etapas. A abertura será em junho, no Cupe, em Pernambuco, e o encerramento será na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, em dezembro. O Brasil Surf Pro define os campeões brasileiros da temporada. O catarinense Jean da Silva defende o caneco masculino e a paulista Suelen Naraísa defende o título feminino. O ilheense Bruno Galini brigou até a última etapa pelo título e ficou em terceiro lugar no ranking de 2010. Calendário BSP 2011 8 a 12 de junho – Praia do Cup – Ipojuca – PE 13 a 17 de julho – Praia Geribá – Búzios – RJ 14 a 18 de setembro – Praia de Itamambuca – Ubatuba – SP 2 a 6 de novembro – Praia da Joaquina – Florianópolis – SC. 14 a 18 de dezembro – Prainha ou Barra da Tijuca – Rio de Janeiro – RJ

Chef surfista realiza encontro gastronômico em Salvador O surfista, chef e colunista da MAHALO PRESS Lucius Gaudenzi se une às chefs paulistas Paula Labaki e Luana Budel e às baianas Elibia Portela e Lena Labaki Catering para realizar, no dia 16 de abril, em Salvador, Uma Noite de Aromas, Sabores, Cores e Arte Culinária na Bahia. O evento reunirá amantes da gastronomia e da arte culinária em um ambiente alegre e descontraído. Com caráter beneficente, o encontro destinará parte da sua renda ao Núcleo Assistencial para Pessoas com Câncer (Naspec). Gaudenzi mora na Austrália, viaja pelo mundo e estuda alta gastronomia em universidades como a Hostec, na Austrália, e a Le Cordon Bleu, em Paris.

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Punta Rocas foi um dos picos que Galini mais aproveitou durante os dez dias que esteve no Peru

Fotos: Arquivo pessoal

Foto: James Thisthed

Galini faz temporada de treinos no Peru Para descansar da desgastante temporada passada e buscar inspiração para as competições deste ano, o campeão nordestino e terceiro melhor surfista do circuito brasileiro de 2010, Bruno Galini, se mandou para o Peru no final de janeiro, onde passou dez dias. Na sua segunda viagem ao país, o ilheense se concentrou na região de Punta Hermosa, onde surfou em picos como Cabaleros, Puerto Viejo, Señoritas, Puntas Rocas e Pico Alto. De acordo com o atleta, o melhor swell rolou no fim da barca. “Um dia antes do meu retorno, Punta Rocas quebrou com três metros perfeitos. Mas, no último dia, surfei Pico Alto pela primeira vez e peguei altas ondas com uma prancha de 10 pés, emprestada de Oscar Morante”, conta Galini. “Foi lá onde tomei minha maior série

na cabeça, com ondas de mais de quatro metros. Mas foi em Pico Alto também, nesse dia, que fiz uma das melhores sessões de surf da minha vida”, detalha. De acordo com o surfista, foram dez dias intensos de treino no Peru. Ele conta que concentrou bastante suas energias no surf, já que não havia muita coisa pra fazer por lá. Galini revela ainda que gosta muito da cultura peruana, que é completamente diferente do modo de vida aqui do Brasil, sobretudo da Bahia. “O mais impressionante é que não chove”, observa. Já na volta ao Brasil, Galini enfrentou duas competições de cara. Participou da abertura e da segunda etapa do nordestino profissional, em Paracuru (CE) e em Fernando de Noronha (PE). As duas provas aconteceram em fevereiro e, em ambas, o ilheense parou nas quartas-de-final. “Não foi um começo muito bom para quem tem o objetivo de conquistar o bicampeonato. Mas o circuito está apenas começando e vamos com tudo para melhorar no ranking”, explica o atleta, que ocupa a nona colocação na classificação do regional.


O Parque Ecológico da Prainha foi criado em 1999 e é uma conquista dos surfistas cariocas

Fotos Ulisses Meira

Ulisses Meira indica a Prainha, no Rio Um dos lugares mais mágicos da Cidade Maravilhosa, o parque ecológico tem altas ondas e natureza exuberante

Foto: Arquivo pessoal

Radicado no Rio de Janeiro desde 2002, o surfista profissional Wlisses Meira indica, como um programa bacana, passar o dia no Parque Municipal Ecológico da Prainha, na Cidade Maravilhosa. Além de ser uma das ondas mais consistentes do Rio, a Prainha é um local maravilhoso para contemplar a natureza durante o dia inteiro. O paraibano mora no Recreio dos Bandeirantes e costuma ir à Prainha de duas a três vezes por semana, de bicicleta, com a mulher, Catarina, e com a filha Sarah, de 2 anos. “Pedalamos uns 40 minutos e quando descemos a última serra nos deparamos com aquele visual maravilhoso. As on-

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das são fortes, consistentes e tem um ambiente maravilhoso fora d’água. Costumamos ficar no quiosque do Pedrão, que é um cearense muito gente boa. Gostamos do sanduíche natural e da torta de banana que ele faz”, explica Meira. O Parque Municipal Ecológico da Prainha é uma conquista dos surfistas do Rio de Janeiro, que se mobilizaram para impedir que fosse construído um condomínio no local nos anos 90. O parque foi criado em 1999 e tem área delimitada pela orla da Prainha e pelos morros do Caeté, Boa Vista e Pedra dos Cabritos. A área tem predominância de Mata Atlântica e ainda é possível encontrar espécies de árvores primárias, como a carrapateira e as figueiras. Foto: Fabriciano Júnior

Ulisses gosta de ir à Prainha com a mulher, Catarina, e a filha, Sarah, de 2 anos


Nilton Santos / Divulgação SuperSurf

Jojó vai pra galera em Huntington Beach Jojó de Olivença conta o episódio em que foi aclamado pelos americanos por ser o primeiro surfista negro a chegar a uma final do tradicional OP Pro, em 1993 O ano foi 1993 e o local Huntington Beach, Califórnia, EUA. Em seu primeiro ano de dedicação total ao circuito World Qualifyng Series (WQS), para conquistar uma vaga para o World Championship Tour (WQS), lá estava o baiano Jojó de Olivença no evento mais tradicional do circuito, o OP Pro. A segunda colocação conquistada, em uma final contra Sunny Garcia, foi determinante para o baiano ingressar na divisão de elite de 1994 e ficar lá por cinco temporadas. Na prova, derrotou estrelas do quilate de Kelly Slater, Shane Beschen, Rob Machado, Martin Potter e Richie Collins. Porém, apesar de toda a badalação da

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prova e do sucesso a cada bateria, um fato inusitado chamou a atenção de Jojó e de outros brasileiros que estavam em Huntington. O que aconteceu, então, Jojó? “Foi um dos momentos mais inesquecíveis da minha carreira. Eu era ovacionado pelo público americano a cada apresentação e não entendia nada, porque sabia que quase ninguém me conhecia. Bom, mas fui surfando, vencendo e recebendo o apoio da galera. Só depois do pódio fui saber o porquê de toda aquela aclamação e constatei que era por causa de minha etnia. Na verdade, eu fui o primeiro surfista negro que eles viram chegar tão longe em uma competição daquele porte”.


Foto: Fred Pompermayer

“Hoje vivo para superar os meus limites”

Por Yordan Bosco

Foto: Stuart Gibson

Um dos surfistas mais respeitados do planeta quando o assunto é surf em ondas gigantes, o baiano Yuri Soledade trilha um caminho muito especial, desde quando partiu de Salvador para o Hawaii, há 17 anos. Chegou à ilha de Maui com passagem conquistada em um campeonato e teve de se virar com US$ 50 no bolso. Passou dificuldades, trabalhou como lavador de pratos e se dedicou, durante todo esse período, a surfar ondas grandes. O tempo passou, as dificuldades foram superadas e hoje, aos 35 anos, o baiano de Ilhéus constituiu família, é sócio do restaurante onde lavou pratos e goza do sonho de “ser feliz, puxando os limites do esporte que tanto ama”.


Apesar de surfar em Maverick’s com muita frequência, Soledade confessa que ainda tem muito o que aprender sobre esta onda (nesta foto e ao lado)

Foto: Fred Pompermayer

“Existe sempre é um respeito muito grande pelo oceano. Aquele frio na barriga sempre dá, mas no dia que estiver com medo paro de surfar essas ondas, pois, se você está com medo, lá não é seu lugar”.

Sorrisão fácil, gozador ao extremo e um astral sempre lá em cima. Essas características, trazidas desde os tempos da adolescência, continuam fortes em Yuri Souto Maior Soledade. Reconhecido internacionalmente como um dos melhores surfistas de ondas gigantes do mundo, Soledade passou por um processo de transformação, conquistas e amadurecimento muito grande, durante as quase duas décadas que mora no Hawaii. As responsabilidades de administrar um dos restaurantes mais badalados da ilha de Maui, de cuidar dos três filhos, junto com a mulher, Maria Soledade, e de ter que estar sempre preparado para encarar as ondas mais cabulosas do planeta não mudaram o humor desse ilheense. O carisma e a maneira simples e divertida de viver são os mesmos de quando era moleque, em Olivença e em Salvador. O próprio surfista é quem garante que o Yuri empresário, pai de família e big rider famoso não difere quase nada do moleque franzino, que, junto com os amigos, bagunçava no fundo dos ônibus que levavam a garotada da Uniclubes

para competir, aos domingos, no circuito colegial, no Litoral Norte baiano. Soledade se define como um homem realizado. “Tenho uma família linda, meu próprio negócio, minha casa e os melhores amigos que alguém pode desejar”. Porém, para chegar a esse patamar, ele não teve vida fácil. Desembarcou no Hawaii aos 18 anos e, embora tivesse as referências do tio Paulo Magulu e do amigo Fábio Balboa nas ilhas, teve que se virar sozinho para sobreviver e conquistar seu espaço. “A chegada foi muito difícil. Cheguei com US$ 50 no bolso, sem falar inglês e muito menino. Passei muitos momentos difíceis e, em muitos dias, não tinha dinheiro para comer. Pensava em voltar o tempo todo”, conta Soledade. O surfista explica que um dos fatores que contribuíram para que ele não desistisse de tudo no meio do caminho foi a chegada no Hawaii dos amigos baianos Danilo Couto, Márcio Freire e Maurício

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Foto: Stuart Gibson

Momento relax nas Ilhas Fiji

“Jojoba” Abreu. “Aos poucos, fui criando raízes e hoje posso dizer que ajudei muita gente a realizar o sonho de conhecer e até de morar no Hawaii”, declara. E sobre os seus próprios sonhos, Soledade não titubeia ao afirmar que o maior deles está dentro de casa. “É ter a minha família nesse paraíso. Devo muito a minha mulher, Maria, que sempre está do meu lado e me ajuda a realizar todos os outros sonhos”, destaca o surfista, pai de Kaipo, de 12 anos, Kiara, 8, e Koa, 3. Quando não está com a família, dentro d’água ou viajando, Soledade, com certeza, pode ser encontrado no restaurante Paia Fish Market. “É uma atração aqui da ilha de Maui. Todo mundo conhece e sempre vai prestigiar”, orgulha-se. Assim como o respeito adquirido junto aos havaianos por surfar ondas grandes, a aquisição de parte do estabelecimento também foi um

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processo de conquista muito gradual. “Comecei trabalhando no cargo mais baixo, lavando os pratos. Depois, fui subindo, até chegar à gerência. Logo depois surgiu a oportunidade de comprar uma parte. Tenho duas sócias e me dou superbem com elas”, declara. Em relação a conciliar as atividades empresariais com o surf, o big rider explica que as sócias também trabalham e o ajudam. “Quando estou em Maui, sou eu que faço tudo, mas quando preciso viajar elas entram em ação. Também devo muito aos meus funcionários, pois eles seguram qualquer problema. Lá funciona como uma família e existe uma divisão de lucros. Todos são responsáveis pelo bem-estar do restaurante”. A ilha de Maui é conhecida pelas ondas gigantes e pelo vento forte. Por essas características, é um local bem propício para a prática de esportes de vento. “Aqui tem altas ondas, mas muitos dos melhores picos são secretos e você tem que morar aqui para poder ir surfar neles”,


Ladeira abaixo em Jaws, em sessão de town-in

explica Soledade. Ele destaca ainda uma semelhança entre Maui e Bahia, devido ao clima bem parecido e ao povo que é bem tranquilo. “Quando cheguei aqui, me senti em casa”.

“Continuo o mesmo Yuri de sempre. Tentando sempre ser um exemplo para as novas gerações, tanto como pessoa quanto como atleta.”

Foto: Fred Pompermayer

Ondas gigantes Há muito tempo, Yuri Soledade não precisa provar mais nada pra ninguém, quando o assunto são as ondas gigantes. É figura carimbada todos os anos nos três picos mais temidos por surfistas de todo o planeta: Jaws (Hawaii), Mavericks (EUA) e Teahupoo (Tahiti). E sempre se destaca nessas ondas, seja de tow-in (puxado por um jetski) ou na remada. No dia 16 de janeiro deste ano, junto com Danilo Couto e Márcio Freire, protagonizou um capítulo importante na história do surf de ondas grandes, ao surfar, na remada, ondas de quase 10 metros em Jaws (veja box). É lógico que todo o know-how de Soledade nas ondas grandes foi construído ao longo dos 17 anos que mora no Hawaii. Porém, o baiano começou a descobrir o feeling para essa atividade, considerada coisa de maluco por muitos, bem antes de pensar em se mandar para o paraíso do surf mundial. “Sempre gostei das ondas grandes, mas foi durante uma etapa do circuito baiano amador, em Itacaré, que pude sentir o feeling de tentar superar os meus limites. Depois desse dia, fiquei viciado e nunca mais parei. Hoje vivo para superar os meus limites”, declara.


Com toda monstruosidade, a onda de Jaws é um dos locais onde Yuri mais se sente em casa

Maverick’s e Jaws são as ondas preferidas de Soledade. Jaws, considerada a onda mais desafiadora do mundo pelos especialistas, fica praticamente no quintal de casa. Lá, o baiano tem a oportunidade de testar todas as condições de mar em todas as épocas do ano. “Durante várias temporadas treinei muito em outros lugares, até chegar em Jaws. Mas, quando fui pela primeira vez, senti que lá era o meu lugar”, confessa. “Durante a temporada de 2004/2005, realmente comecei a encarar a vida de um atleta profissional e, desde então, venho me aperfeiçoando nas ondas grandes, seja na remada ou no tow-in. Mas, com ênfase em Jaws, que virou um objetivo de vida”, detalha. Não menos cabulosa, a onda de Mavericks também mexe muito com os nervos do surfista. “Fui várias vezes para lá no ano passado. Fiz tow-in e peguei na remada. Fiquei feliz com as minhas performances lá. Durante o campeonato de Mavericks, peguei altas ondas na remada, mas acredito que tenho muito a aprender com aquela onda”. Embora sempre mencione a palavra limite, Soledade parece que ainda não conhecer os seus. Pelo menos no surf. Quando perguntado se alguma vez já se deparou com condições extremas de ondas e teve de “puxar o bico” enquanto outros surfavam, ele respondeu, com a maior simplicidade: “Ainda não. Espero que demore a acontecer, mas sei os meus limites e, no dia que chegar, vou ser o primeiro a dizer que não vai dar”. E em relação ao medo? “Existe

sempre é um respeito muito grande pelo oceano. Aquele frio na barriga sempre dá, mas, no dia que estiver com medo, paro de surfar essas ondas, pois, se você está com medo, lá não é seu lugar”. Exímio praticante do tow-in, Soledade deixa explícito que sua maior adrenalina é mesmo descer as ondas na remada, a depender da condição do mar, claro. “O tow-in é um surf de dupla, então depende muito do parceiro. No fundo, é ele quem escolhe a onda e o lugar por você. Na remada, é só você e o mar, não depende de ninguém. Com certeza, na remada é mais desafiador e emocionante”. No tow-in, Soledade iniciou durante a temporada 98/99. “Como Maui tem vários outerreefs (ondas que quebram distante da costa), comprei o meu primeiro jet com o intuito de surfar na remada. Vale ressaltar que era totalmente contra o tow-in, mas, como a atividade estava crescendo muito, acabei entrando na onda”, revela. Trio de ferro Quando Yuri Soledade partiu para morar no Hawaii, ele era patrocinado pelas lojas Wave Beach, era bastante conhecido no cenário regional amador e começava a participar de provas

O surfista em três momentos: Com Danilo Couto e Márcio Freire, com a família e no Paia Fish Market


“Hoje, posso dizer que sou um homem realizado. Tenho uma família linda, meu próprio negócio, minha casa e os melhores amigos que alguém pode desejar.” Fotos: Arquivo Pessoal

Foto: Fred Pompermayer

profissionais. Tinha acabado de entrar na faculdade de Engenharia Química, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), mas sabia que seu destino seria outro. Para viajar, Soledade contou com a ajuda do empresário Tony Almeida, que até hoje é seu patrocinador, através da MAHALO. Quando chegou no Hawaii, o baiano passou parte do seu primeiro Inverno em Oahu e parte em Maui. Quando a temporada acabou, ele resolveu ficar em Maui para tentar um trabalho e poder esperar o próximo inverno. Segundo ele, na época, não havia crowd em Maui e muitas vezes tinha que surfar sozinho. “Por isso, comecei a chamar os meus amigos de infância para me visitarem. Então, atletas como Mauricio Abreu, Danilo Couto e Marcio Freire vieram na sequência e estão aqui ate hoje”. Batizados pelos havaianos de Mad Dogs (Cachorros Loucos), Soledade, Couto e Freire têm histórias muito parecidas. Amigos de adolescência e competidores na Bahia nos anos 90, eles sempre se ajudaram e estão juntos nos maiores desafios. “Somos amigos de infância. Quando mudei para o Hawaii, a única coisa que faltava eram os amigos. Portanto, fui convidando eles para morar aqui e eles vieram. Hoje somos todos irmãos, buscando o mesmo objetivo de vida, que é ser feliz puxando os limites do esporte que tanto amamos”.


Surfista versátil, Soledade mostra, nas Ilhas Fiji, que também é bom nas manobras modernas

Fotos: Tracy Kraft Leboe

Foto: Stuart Gibson

idade s 35 ano nos de a 1 1 s Idade: ao 3 anos mo surf: Início n or: há 1 mirim; vice-ca id t e p m o o fis c n o r o ia p a m Co peão eão b m p a m ic a c b ; : mpeão nior Títulos vice-ca stino jú i; e u d r re a o M n de th- Sho peão circuito in (Nor ). o w n lo o l t u a a e sion ão P os d peonat , e Maresias, S m a c s no aii on, Haw ii: 17 anos e Oreg a w a 5 anos H no ndes: 1 a r g Tempo s a de ond : 15 anos Tempo in de tow Tempo y le r a ob M Som: B i u a :M a Cidade Olivenç armegiana. ojó de p J : à gundo lo é o il Íd cada se rido: F e e f t e n r e p Prato tensam : Usar in Viver é . s as vida de noss ilo de vida Est Surf é: idade é: Felic ia ertence Famíl Deus p A : o r Futu

A sessão na remada em Jaws, no dia 16 de janeiro, entrou para a história do surf

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A saga dos Mad Dogs No dia 16 de janeiro deste ano, Yuri Soledade, Márcio Freire e Danilo Couto escreveram seus nomes na história do surf. No maior swell da temporada até então, as boias marcavam séries acima dos 25 pés em Jaws e apenas surfistas “locais”, puxados por Jetski, estavam no mar. Mas o trio, acompanhado pelo “local” Francisco Porcella e pelo carioca Tiago Candelot, remou para o out side e desceu as maiores ondas do dia, na remada. Soledade descreve que, naquele dia, Danilo veio de Oahu e se juntou a ele e a Freire. “Já sabíamos que ia bombar, pois as boias estavam altas e a condição perfeita, com pouco vento e direção de oeste”, comenta. De acordo com o atleta, foi uma emoção incrível descer aquelas “bombas” ao lado dos melhores amigos, puxando o limite do surf de ondas grandes. “Aquela sessão mudou o que se pensava a respeito do limite da remada. E o melhor de tudo é que fomos nós que mostramos para o mundo”. A atitude, considerada suicida por muitos, repercutiu internacionalmente e os baianos foram tratados como heróis, inclusive pelos havaianos. “O reconhecimento da mídia internacional e da comunidade local é muito gratificante, pois estamos colhendo os frutos daquilo que lutamos a vida toda”, agradece. Os havaianos passaram a chamar o trio baiano de Mad Dogs. “Eles não acreditam como podemos ter tanta coragem, sem sermos havaianos. O comentário foi de que mudamos toda a geração do surf de ondas grandes para sempre. Vamos entrar para a história como os pioneiros de Jaws”, comemora.


Foto: Daniel Smorigo

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O mês de fevereiro foi bastante intenso para os surfistas e fotógrafos que estiveram em Fernando de Noronha. Sob o sol escaldante de sempre, a Esmeralda do Atlântico ferveu com muita badalação e altas ondas. Nas águas da Cacimba do Padre e do Boldró, a presença dos melhores surfistas do país e de estrelas internacionais

Foto: Fabriciano Júnior

Fevereiro de tubos, disputas e agito

A combinação do Verão do Nordeste brasileiro com ondas fortes, tubulares e grandes faz do arquipélago de Fernando de Noronha um dos destinos mais cobiçados pelos surfistas brazucas durante o período. Acrescente a isso paisagens deslumbrantes, águas cristalinas, público selecionadíssimo e uma das provas mais importantes do circuito mundial de acesso (World Qualifyng Series –WQS) e você pode ter ideia do que foi o mês de fevereiro nas ilhas. Foi um período de altas ondas, com a invasão dos melhores surfistas do país, como Adriano Mineirinho, Jadson André, Heitor Alves e Alejo Muniz. Marcaram presença também as estrelas internacionais C.J. e Damien Hobgood, Brett Simpson e Fredrick Patacchia, entre outros. Além dos sete dias de

prova do Hang Loose Pro Contest, que valeu como etapa Prime do mundial e distribuiu US$ 250 mil, rolou a segunda etapa do circuito Nordestino Pro. Só de profissionais, Noronha recebeu quase 200 atletas entre os dias 10 e 20 de fevereiro. Sedenta por pontos e dólares, mas, sobretudo, por bons tubos, a tropa se espalhou pelos poucos picos de surf da ilha, porém a maioria esmagadora se concentrou nas ondas mais constantes da Cacimba do Padre e na Laje do Bode, que ficam praticamente coladas, e no Boldró, um pouco mais afastado. E foi justamente na Cacimba onde rolaram as competições e onde se posicionaram os fotógrafos. Profissionais como os baianos Bruno Veiga, que se mandou para Noronha no início de janeiro, e Fabriciano Júnior, que ficou apenas uns 10 dias, mas trouxe na bagagem ou, melhor, no HD do seu lap top centenas de imagens. “Noronha

Vila dos Remédios


Foto: Daniel Smorigo

é um lugar fantástico para trabalhar porque reúne uma luz maravilhosa, águas cristalinas, paisagens exuberantes e a presença de surfistas de ponta”, comemora Fabriciano Júnior. Sobre a Ilha Localizado a 360 quilômetros do litoral do Rio Grande do Norte, o arquipélago de Fernando de Noronha pertence ao estado de Pernambuco e é formado por 21 ilhas e ilhotas. A principal delas e única habitada é a que também leva o nome de Fernando de Noronha. Com apenas 17 quilômetros quadrados e cerca de 2 mil habitantes, o local tem como principal fonte de renda o turismo, que é desenvolvido de forma sustentável, segundo informações da administração da ilha. Atualmente, existem dois voos diários para a Noronha. Um de Recife e outro de Natal. Fotos: Fabriciano Júnior

Alejo fez a festa no Hang Loose Pro

O baiano Bruno Galini em intimidade com as ondas da Cacimba do Padre

O jovem Ícaro Lopes mostra disposição

Cearense Heitor Alves foi semifinalista do Hang Loose Pro

Fevereiro foi um mês de festa para o surf brasileiro. Fernando de Noronha recebeu, entre os dias 14 e 20, os melhores surfistas do país e estrelas internacionais para celebrar o 25° ano do evento de surf mais tradicional da América Latina. E quem comemorou em melhor estilo mais uma edição do Hang Loose Pro Contest foi o jovem catarinense Alejo Muniz, de 21 anos. Novo integrante da elite do surf mundial, Muniz conquistou uma vitória fantástica na prova, que começou em 1986, na Joaquina, em Santa Catarina, passou pelos litorais paulista e pernambucano e desde o ano 2000 é disputado na Esmeralda do Atlântico. Com a vitória sobre o australiano Dion Atkinson (AUS), Muniz embolsou US$ 40 mil e passou a ser o 14º brasileiro a figurar na galeria dos campeões, nas 28 edições do Hang Loose Pro Contest (em 1999 e em 2000 foram realizadas duas competições). A partir deste ano, o evento ganhou status de Premium. Ofereceu premiação de US$ 250 mil e beneficiou o campeão com 6.500 pontos no ranking unificado da ASP. “Vencer é o melhor sentimento de todos. E este é o maior campeonato do Brasil. No ano passado, cheguei bem perto (parou na semifinal), mas agora deu tudo certo e começar o ano assim não poderia ter sido melhor. Vencer aqui em Fernando de Noronha é demais”, comemorou Alejo Muniz, logo após subir ao pódio, montado na praia da Cacimba do Padre.

Ulisses Meira à vontade em sua primeira temporada

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Foto: Bruno Veiga

Bino Lopes frequenta Noronha há sete anos e por isso tem intimidade com as ondas locais

Bino Lopes cumprimenta o fotógrafo Bruno Veiga

O japonês Masatoshi Ohno brinca de esconde-esconde

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relata o acidente ocorrido com a nau-capitânia comandada por Gonçalo Coelho, que afundou próximo ao arquipélago. Antes de se tornar o paraíso turístico e ecológico, Noronha foi um presídio, de 1737 a 1942, sendo que de 1938 em diante recebia apenas presos políticos do Estado Novo.

Bruno Galini (à esquerda) e Bino Lopes checam o mar antes de entrar

Fotos: Fabriciano Júnior

Foto: Bruno Veiga

A data oficial do descobrimento de Fernando de Noronha é 10 de agosto de 1503. O arquipélago foi descoberto pelo navegador e escritor Américo Vespúcio, que comandava uma das embarcações da frota de seis navios da expedição. Em 1505 e1506, Vespúcio descreve as ilhas e


Fotos: Fabriciano Júnior Foto: Daniel Smorigo

A primeira vez de Ulisses

O havaiano Fredrick Patacchia protagonizou bons momentos

Adriano Mineirinho foi uma das estrelas internacionais em Noronha

A minha primeira temporada, agora em fevereiro, me rendeu bons materiais, bons resultados e elogios dos amigos pelas performances. As ondas são fortes, cavadas, velozes e perfeitas. Durante os 16 dias que permaneci, as melhores sessões foram no Boldró, com uns dois metros, e na Cacimba, com ondas de dois metros e meio. A ilha é linda e tem muita coisa legal pra fazer. Além do surf, é claro, o mergulho por lá é alucinante. Mas tem coisas que devem melhorar na administração. Além da coleta de lixo ineficiente, acho que deveriam instalar mais lixeiras. Quem tá de fora tem a impressão que é tudo perfeito por lá, mas, de perto, se percebe os problemas. Muitas coisas são caras pela dificuldade de transporte e logística, mas tem preços que são abusivos, a exemplo da gasolina, que custa R$ 4 o litro, e do pão francês, que custa R$ 0,50 a unidade. Sem falar na taxa de preservação ambiental, que custa R$ 40 a diária. (Por Ulisses Meira)

Itim Silva, do Ceará, entra seco no expresso da Cacimba

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O fundo da folia Surfista e ambientalista, Bernardo Mussi comenta sobre a experiência de retirar, junto com amigos, milhares de latinhas de bebida no mar da Barra, em Salvador, após o Carnaval do ano passado Se tem uma coisa que me enche de orgulho como surfista é poder pensar e agir naturalmente em favor do meio ambiente. É um sentimento sincero e tão verdadeiro que só pode ser explicado por causa da relação visceral que tenho com esta atividade. Para mim, o surf é um grande estilo de vida. Ele me alimenta com uma alegria contagiante, me faz praticar saúde e me surpreende com fortes emoções. Sinto-me um cara politicamente

avançado, socialmente solidário e religiosamente múltiplo. Talvez por estas qualidades e pela devoção espiritual que todo surfista reserva à natureza é que me sinto ainda um cara ecologicamente apaixonado. E vou citar uma experiência pessoal. Ano passado, logo após o Carnaval de Salvador, me reuni com alguns amigos ligados ao surf para mergulhar

Bernardo Mussi Surfista desde 1977

Fotos: Francisco Pedro/Divulgação

A lembrança do carnaval da Bahia traz momentos mágicos para muitos. Porém, para a vida marinha das praias da Barra, o resultado é catastrófico


o meio ambiente. A paixão sincera e gratuita pela natureza nos manteve independentes para seguir firmes na ideia da mudança de comportamento, na melhora da educação das pessoas e na crença de que as empresas de qualidade devam manifestar suas responsabilidades neste processo junto com a iniciativa pública. Até hoje, procuro compartilhar a experiência dessa ação, sempre que encontro alguma oportunidade. Fico muito feliz por revelar meus sentimentos sinceros sobre o assunto, enfatizando a influência do surf na formação da minha consciência ecológica. E nada melhor que fazer parte do primeiro número desta que promete ser uma revista extremamente importante para sacramentar este sentimento. Uma honra... Surf, meio ambiente e mahalo a todos! O Fundo da Folia poderá ser acessado no blog do autor: http://bbmussi.wordpress.com

Foto: José Augusto

na área do Farol da Barra e retirar centenas de latinhas de cerveja e refrigerante do fundo do mar. Fizemos aquilo por instinto, sem qualquer motivação política ou econômica. Fizemos aquilo pela tristeza ao ver nosso santuário surrado pela alegria de uma festa que pensa na sustentabilidade muito mais com uma visão promocional do que real. As fotos e as imagens em vídeo foram traduzidas em uma matéria que foi batizada com o título O Fundo da Folia. Sua repercussão atravessou as fronteiras do Brasil e continua gerando muitas polêmicas. Por conta do impacto na mídia, recebemos ao longo do ano diversas propostas para realizar outras ações desse tipo em conjunto com algumas empresas. Mesmo sabendo que existe uma contribuição direta para o meio ambiente, senti na maioria dos convites que havia um objetivo muito mais institucional, de autopromoção, do que social. E esta não é nossa essência. Preferimos fazer nossa ação sem compromissos “empresariais”, já que nosso desejo sempre foi por medidas que pudessem evitar que os resíduos cheguem até o fundo do mar. Acreditamos na necessidade de atacar as causas, muito mais que os efeitos deste problema, através de ações que gerem políticas sociais sustentáveis. Por isso creio que O Fundo da Folia se tornou motivo de orgulho e uma grande referência para nós surfistas ao demonstrar nossa relação verdadeira com

Está aí um dos motivos do amor e da luta de Bernardo “Bonga” Mussi pelo bem-estar das praias da Barra

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Slater começa vencendo e renovação parece distante Por Yordan Bosco

Com uma vitória na abertura do Tour 2011, na Austrália, é muito pouco provável que Kelly Slater se aposente nesta temporada. Além da supremacia do “Careca”, a história dos últimos 20 anos mostra que apenas três foram campeões mundiais com menos de 24 anos de idade Foto: Kirstin Scholtz / ASP Images

A abertura ASP World Title (WT), na Gold Coast, Austrália, no começo de fevereiro, tinha tudo para marcar uma nova era no esporte, sobretudo pela força da nova geração e pela possível aposentadoria do decacampeão Kelly Slater nessa temporada. Mas o “Careca” resolveu embolar tudo, com uma vitória sensacional no Quiksilver Pro, após derrotar a eterna promessa australiana, Taj Burrow, na grande final. Com a vitória do norte-americano, a dúvida sobre sua presença ou não no resto do mundial praticamente é zerada. As perspectivas de mudança no cenário e o possível surgimento de um novo nome na galeria dos campeões mundiais também começaram a cair no descrédito dos especialistas. Embora o atual vice mundial Jordy Smith (AFR), 23 anos, e os estreantes

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Alejo Muniz, 21, e Matt Wilkinson (AUS), 22, tenham chegado entre os cinco com muitos méritos, o domínio do Quiksilver Pro foi mesmo de Slater, 39, Burrow, 32, e do portuga Tiago Pires, 31. O fato é que, embora Jordy Smith, Jeremy Flores (23), Adriano Mineirinho (24) e Julian Wilson (22) apareçam com força total e com grandes possibilidades de renovação na linha de frente do Tour, as estatísticas mostram que nos últimos 20 anos apenas três surfistas com idade abaixo de 24 conquistaram o caneco da ASP. Kelly Slater imperou aos 20, aos 22, aos 23 e aos 24 anos, em 1992, 1994, 1995 e 1996; C.J. Hobgood venceu aos 22, em 2001; e Andy Irons foi o melhor do mundo aos 24, em 2002. Com isso, fortalece a possibilidade de veteranos como o próprio Slater (se continuar), Joel Parkson (AUS), Mick Fenning (AUS), Dane Reynolds (EUA) e Taj Burrow chegarem na frente no final do ano.

Foto: Steve Robertson / ASP Images

O brasileiro Alejo Muniz mostrou força na estreia e ficou em quinto lugar na primeira etapa


Mick Fanning, por exemplo, só conseguiu seus títulos mundiais aos 26 e aos 28 anos (em 2007 e 2009). Sunny Garcia só desencantou em 2000, aos 30, e Mark Occhilupo, um dos maiores de todos os tempos, só cravou seu nome na galeria dos campeões aos 33, em 1999, após retornar às competições, depois de um longo período afastado. Em 1993, o título foi para quem menos se esperava: o havaiano Derek Ho, com 30 anos na época. Dos 10 títulos de Slater, em quatro ele tinha mais de 33 anos de idade. Novos rumos Comentarista de surf dos canais ESPN, o jornalista Edinho Leite aposta que o cenário será outro nesta temporada, devido ao novo (e confuso) sistema de pontuação no ranking mundial unificado – World Ranking (WT e WQS). “Um ano em que novas peças vão se encaixar num tabuleiro mais dinâmico e com menos casas disponíveis. Acredito que seja o poente de uma geração que conseguiu se manter na elite por conta das contas”, explica o jornalista, dias antes de Slater vencer o Quiksilver Pro. Para o jornalista esportivo do Jornal do Commercio (PE) Marcelo Sá Barreto, o abismo entre as pontuações do WT e do WQS sempre impossibilitou a oxigenação da elite mundial. “Isso é ruim para um esporte que tem uma legião de praticantes em todo o mundo, porque faz estacionar a competição nos mesmos nomes”, critica. Para este ano, o jornalista pernambucano acredita que “o WT deve seguir a mesma linha ascendente, técnica e financeiramente falando, de temporadas anteriores. Mas não vai ser, certamente, o melhor dos últimos tempos”, defende. “Não há novidades suficientes para abalar as estruturas”. O “Careca” fica ou não? Além do formato de classificação e permanência na elite, o fenômeno Slater foi o grande responsável pela escassez de renovação na galeria dos campeões nas duas últimas décadas, devido a sua hegemonia no tour. A permanência ou não do ídolo na batalha daqui pra frente será preponderante para definir os rumores do circuito. De acordo com o assessor de imprensa da ASP South America e um dos maiores especialistas sobre o assunto no mundo, João Carvalho, a possibilidade do “Careca” permanecer na disputa por mais essa temporada é grande. “A vida dele é competição e ele permanece surfando no mesmo nível da molecada. Dando aéreo, rabetada, sempre com manobras modernas no repertório. Ele já deixou a dúvida no ar na primeira coletiva de imprensa do ano, na Gold Coast, e, se começar bem, quem sabe embala, apesar de confessar não saber ainda se vai disputar todas as eta-

Adaptado ao circuito e bastante respeitado pelos “gringos”, Mineirinho está cada vez mais à vontade. Este pode ser o seu ano Foto: Steve Robertson / ASP Images

pas da temporada. Vai ser suspense o ano todo!”, acredita Carvalho. Marcelo Sá Barreto também aposta que a aposentadoria de Slater neste ano passa necessariamente pela sua participação nas tradicionais etapas australianas, que abrem o ASP World Title. “Caso inicie 2011 com o pé direito, pode ter certeza que ele vai estar no circuito, com a faca entre os dentes, louco pela 11ª taça”, comenta. “Mas, se pudesse dar um conselho ao “Slats”, diria: vai curtir a vida e se aposenta dessa bagaça em grande estilo”, brinca.

Galeria dos campeões mundiais dos últimos 20 anos 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010

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Damien Hardman (AUS) - 26 anos Kelly Slater (EUA) - 20 anos Derek Ho (HAW) - 30 anos Kelly Slater (EUA) - 22 anos Kelly Slater (EUA) - 23 anos Kelly Slater (EUA) - 24 anos Kelly Slater (EUA) - 25 anos Kelly Slater (EUA) - 26 anos) Mark Occhilupo (AUS) - 33 anos Sunny Garcia (HAW) - 30 anos C.J. Hobgood (EUA) - 22 anos Andy Irons (HAW) - 24 anos Andy Irons (HAW) - 25 anos Andy Irons (HAW) - 26 anos Kelly Slater (EUA) - 33 anos Kelly Slater (EUA) - 34 anos Mick Fanning (AUS) - 26 anos Kelly Slater (EUA) - 36 anos Mick Fanning (AUS) - 28 anos Kelly Slater (EUA) - 38 anos

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Foto: Stuart Gibson

“Inspirada nos momentos de descontração e diversão dos havaianos durante os dias de chuva e grandes ondas, a MAHALO criou uma coleção com modelagens que valorizam o conforto e o bem-estar, sem perder o estilo despojado e sofisticado”

Nova coleção MAHALO apresenta conforto, tendência e estilo Através de produtos, eventos e ações de comunicação, a marca MAHALO expressa toda sua filosofia surfwear. Com um longo histórico de ações de fomento ao esporte e à cultura e de concretização do seu conceito, a marca vem se solidificando entre as líderes do mercado brasileiro do segmento. São inúmeros patrocínios a campeonatos e atletas de surf e a eventos musicais; produtos confeccionados com tecnologias para melhorar o desempenho dos praticantes do esporte; e uma linha de vestuário caracterizada pela qualidade, durabilidade e visual tão valoroso quanto os atributos citados. Além disso, a marca vem, a cada dia, atentando para as tendências e, através de pesquisas e do feeling da equipe de criação, dita a moda por onde passa, sem deixar de lado a alma surf. Para fundamentar tudo isso, podemos conferir nas melhores lojas de moda surf as novidades sobre a coleção da MAHALO de Inverno 2011, que já se encontra nos pontos de vendas espalhados por todo o Brasil. Inspirada nos momentos de descontração e diversão dos havaianos durante os dias de chuva e grandes ondas, a MAHALO criou uma coleção com modelagens que valorizam o conforto e o bem-estar, sem perder o estilo despojado e sofistica-

do. Confecção constituída entre modelos de bermudas, que valorizam o desempenho nos esportes aquáticos, bermudas com tecidos ecologicamente corretos, camisas de manga comprida cheias de estilo, regatas, camisetas e moletons, jeans, mochilas, acessórios, entre outros. Todos com cortes diferenciados, proporcionando conforto dentro do estilo freestyle. Além de proteger do frio, a MAHALO criou modelos que proporcionam ventilação, porque não podemos esquecer que, mesmo no Inverno, existe momentos de muito calor. A combinação de cores das estampas, utilizando tons sobre tons, e com cores mais quentes nas malhas, deu a cara de uma coleção de Inverno, sem perder a identidade de uma marca de alma surf, litorânea (lifestyle). A MAHALO veste bem, de uma maneira atual, sem perder a essência do surf style, e valoriza a cultura surfwear. As roupas e acessórios da marca te fazem integrante de um grupo de pessoas que se importam com a preservação do meio ambiente, utilizando produtos que não agridem o ecossistema na sua produção. Também conta com artigos ecologicamente corretos e estampas de conscientização, confeccionados através de reciclagem e reaproveitamento de materiais.


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eida Produção abriel Alm nper e G a S ro d n Sa as Fotografi ire re F Diego em va Maquiag Superno de Moda ra to u d ro P alho Modelos ando Carv ger, Fern o R n a V Yuri Falcão Caroline

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Kelly Slater é um dos maiores exemplos de conduta profissional no meio esportivo

“Penso que é nos momentos de vacas gordas que o atleta precisa trabalhar mais seu lado pessoal e profissional, fazendo as coisas corretas e arcando com seus compromissos, tendo uma boa postura perante marca, mídia e todos em geral”.

Educar para crescer

Fábio Gouveia Um dos principais ídolos do surf nacional de todos os tempos e o maior “quebrador” de tabus internacionais pra “nóis”

Ninguém nasce sabendo, mas, uma vez tendo aprendido, certas ações podem ser chamadas de vacilo. No último Espécie Fia (coluna do site Waves) falei do investimento a longo prazo das empresas e dos atletas que encerravam suas carreiras, algumas vezes prematuramente, por falta de apoio. Também falei dos que dedicavam uma vida no surf competição e finalizaram suas carreiras sem ter tido oportunidade de fazer outra coisa dentro das marcas que os patrocinaram por algum período. A profissão de esportista não é nova, porém, no surf, este ramo vem carregado ainda de aprendizado, ou seja, cada vez mais se profissionalizando. Agora é a vez de analisarmos também a postura de alguns (ou muitos) perante a necessidade de se ter uma carreira duradoura e novas oportunidades pós-pendurada de lycras de competição e até mesmo da prancha. De longe, não sou o dono da verdade e cada um tem, em certa altura, a noção de saber o que faz. Para fazer coisas corretas também errei, erro e, mesmo em fase de aprendizado, procurar o bom-senso facilita as coisas. Muitos no meio do surf não têm um contrato com as empresas que os patrocinam, porém, aos que têm esta cláusula de “zelar o nome da marca onde quer que esteja”, faz-se necessário embutir a obrigação da postura do atleta. Leia-se: estar fazendo coisa errada carregando a “farda” do patrocinador. Isso mesmo. Igual aos tempos de colégio, quando moleque era pego fazendo arruaça fora da escola com a identificação da instituição. Geralmente, a primeira fase de explosão de um atleta é quando o cara ainda é bastante jovem, na casa dos 16 pra 20 anos. Com o corpo em ebulição, a dosagem do ego ainda está para se estabilizar, logo é normal aquela frase: “O cara tá estrelinha, tá se achando”. Nesse período, a paciência talvez não seja ainda uma virtude, pois moleque quer saber mais é de apenas surfar, de se divertir, sem

prestar atenção no que está à sua volta. Depois é a fase do “de repente, pô! tenho de baixar a minha bola”... Ou, então, claro, as coisas vão sendo amenizadas no decorrer do tempo, pois, muitas vezes, sentimos que o buraco é mais embaixo. Fase boa é muito bom, mas muitos esquecem da fase ruim. Se tratando de juventude, muitos nem tiveram tempo de conhecer o outro lado da moeda. Penso que é nos momentos de vacas gordas que o atleta precisa trabalhar mais seu lado pessoal e profissional, fazendo as coisas corretas e arcando com seus compromissos, tendo uma boa postura perante marca, mídia e todos em geral. Perante a marca, leia-se também facilitar a vida de outros profissionais dentro da empresa, seja atendendo solicitações para trabalhos de marketing ou utilizando adequadamente seus produtos, uma coisa que muitos, muitas vezes, não levam a sério. Já vi “n” vezes atletas não usando corretamente a “farda” do patrocinador, até mesmo usando produtos de outras marcas e, muitas vezes, de concorrentes em locais públicos. Perante a mídia, existe aquele lance do cara ficar amarradão de estar saindo nas paradas, de estar sendo propagado. Quando é uma TV e um grande veículo impresso, então... Claro que, dentro do profissionalismo, é preciso ter uma dosagem, mas, no geral, precisa-se atender bem a todos, ser solícito, pois “eles” também fazem os seus trabalhos. Trabalhos esses que podem botar o atleta lá em cima, como também lá pra baixo, como muitas vezes acontece. Então, boa postura, paciência e disponibilidade são passos para o período de “vacas magras”. Esse sim é o mais difícil e é onde muitos veem suas carreiras começar a declinar, ou seja, a luz se distanciando do fim do “tubo”. Depois, não adianta chorar, mesmo tendo colega de profissão querendo defender. Este texto é uma reprodução da coluna Espécie Fia, do site waves.com.br


Viaje com a gente nesse mundo ALO ília MAH m a f a d e t ntamos fazer par ainda, co e venha a o n d a a c r a a b p is e ai ta, crítivista ma Não fiqu nossa re s de pau e r õ a t n s r e o g t u ara es azer PRESS. P através d o. Para f r , o la c ã ç é a , ip a partic s também o e-mail com a su os elogio m a it e c através d A o . t s a t e n iõ o c in cas e op ntre em s sociais. mundo, e o s s o n das rede o e r .b parte d m alo.co a gente: cao@mah falar com e d s a comunica ir e man diversas Você tem h www.ma

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Esporte, vida e saúde

Lucius Gaudenzi Chefe e surfista, mora na Austrália e viaja pelo mundo em busca de ondas e de novos sabores

Fui atleta profissional por dez anos e até hoje pego onda pelo mundo. Baseado neste princípio de viagens constantes e sempre buscando uma alimentação balanceada, que dê energia para o surf, os estudos e o trabalho, irei falar aqui neste espaço e passar umas receitas bem bacanas e fáceis. Para ter um equilíbrio alimentar é muito simples. Comer carboidratos (arroz, feijão, macarrão), proteínas (carne, peixe, frango, ovo), vegetais, frutas e, claro, tomar muito líquido. Sabemos que é muito mais simples ir a um restaurante e pedir algo. Mas, no final, com a vida corrida, horários desbalanceados e tal, terminamos optando por fastfoods. Porém, pequenos detalhes podem mudar isso e te proporcionar mais energia para o dia a dia. Tudo bem. Vai ao Mac? Que tal um frango grelhado com salada? Um copo de suco e um milkshake? Vai comer um PF ou um buffet por quilo? Vamos lá: carboidrato, proteína, salada, suco. Vai num restaurante bacana? Escolhe bem a entrada, o prato principal e a sobremesa. Porém, se quiser fazer algo especial pra você, antes de mais nada, dê um pulinho na feira, no mercado ou então abra a geladeira que terá opções bem simples para fazer uma bela refeição.

Fotos: Arquivo pessoal

SE LIGUE: Em Sydney, devia estar fazendo uns 40 graus. Cheguei no restaurante e não pensei duas vezes em colocar no especial do dia saladas bem leves. Então, comecei fazendo a maionese: cinco gemas de ovo, 100 ml de azeite extravirgem, 500 ml de óleo vegetal, 20 ml de vinagre de vinho branco e suco de um limão. A receita: Coloca as gemas no liquidificador com o vinagre e bate em rotação quase máxima. Vai adicionando o óleo bem devagar, até se incorporar e virar maionese. Adiciona cinco anchovas, 20 gramas de alcaparras, o suco do limão, sal e pimenta a gosto, e começa a adicionar o azeite. Mistura com uns camarões cozidos, no vapor ou na panela, com um fio de azeite e umas gotinhas de limão; 500 gramas de fuzile (ou macarrão de sua escolha) ao dente (em torno de cinco minutos na água fervente), previamente cozido e gelado. Acrescente uma folha inteira de alface e pica as outras para servir de base. À salada de maionese, acrescente folhinhas de rúcula temperadas com azeite e pimenta preta e fatias bem finas de pera. Carboidrato, proteína, vegetais e frutas. Não esquecer de acertar o sal e, se quiser, ainda pode colocar um queijo de búfala, cabra ou parmesão. Toque A combinação de frutas e verduras na salada não tem limites. Eu, particularmente, adoro. Folhas verdes com morango e abacaxi, castanha de caju, enfim, vale criar e usar o que está na época. Pode fazer um molho com uma parte de vinagre balsâmico, 5 de azeite de oliva e um pouco de açúcar mascavo, para quebrar a acidez. Se quiser apenas de frutas, aí vale fazer com suco de laranja e leite condensado!!!


Em meio aos ensaios de Verão e à contagem regressiva para o Carnaval, o centro de Salvador parou para assistir, durante os dias 19 e 20 de fevereiro, o EDYE Apresenta 2ª Etapa do Circuito Socioeducativo de Skate. O evento reuniu os melhores atletas da Bahia e de Sergipe na Pista dos Barris e foi um verdadeiro presente para a galera, que lotou as arquibancadas de uma das melhores arenas para a prática do skate do país. Segundo a organização do evento, 2 mil pessoas foram ao local prestigiar cerca de 100 atletas, de cinco categorias. Quem fez bonito foi Pedro Costa, melhor na Mirim; Walter Neto, campeão Iniciante; Dandara Novato, a melhor entre as meninas; Jefinho, melhor na Amador 2; e Joseval Tapó, a grande estrela na Amador 1. Pedro Costa recebe premiação de Rodrigo Santil pela vitória na Mirim

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Fotos: Andrew Kemp

Skatistas agitam centro de Salvador

Vencedor da categoria Amador 1, Joseval Tapó foi uma das estrelas do evento

“A intenção do Circuito Socioeducativo de Skate é mostrar para jovens, atletas, crianças e público em geral que o skate, além de ser um esporte maravilhoso, é uma importante ferramenta de transformação social”, explica o skatista e um dos organizadores, Rodrigo Santil. “O evento foi muito bom e o público veio em peso. Muito alto-astral”, comemora.

Iran Rodrigo só não superou Jefinho, na categoria Amador 2

Resultados

Feminino 1) Dandara Novato 2) Daniele 3) Roberta Santos 4) Tamara Barbeira

Mirim 1) Pedro Costa 2) Lélo“Quiboa” 3) Felipe Lancelote 4) Maurício “Ratazana” 5) Darlan “de Menor”

Amador 2 1) Jefinho 2) Iran Rodrigo 3) “Madruga” 4) Lucas Valente 5) Dedivan Costa

Iniciante 1) Walter Neto 2) Fabinho 3)“Amendoim” 4) Beatriz Campos 5)“Rato”

Amador 1 1) Joseval Tapó 2) Jailson Café 3) Alison “Cabeça” 4) Carlos “Sem Noção” 5) Araújo


Fotos: Divulgação / Vibe

O paranaense Wagner Ramos, 31 anos, é umas das estrelas do skate internacional

“Não troco por nada a vida que levo como skatista” Por Guilherme Guimarães

O skatista profissional Wagner Ramos é natural de Cascavel, Paraná, e teve seu primeiro contato com o skate aos 8 anos de idade. Hoje, com 31, é um dos skatistas mais respeitados no Brasil e no exterior. Wagner é conhecido pela grande facilidade em acertar manobras muito difíceis em pouco tempo, o que já lhe rendeu boas colocações em campeonatos mundiais, como o X-Games, em Los Angeles, por exemplo, e entrevistas em diversas mídias internacionais, tanto americanas quanto europeias. Hoje, ele representa as marcas Vibe, Hurley, Type-S e Santa Cruz. Há seis anos, escolheu morar com a família em Florianópolis, Santa Catarina, devido à tranquilidade e qualidade de vida que a ilha proporciona. “Nos dias de sol, sempre rola uma praia! Quando o calor ameniza, faço um rolê na Trindade com a galera local: Marcelo Garcia, Brasília, Kinha, Vitinho e vários outros”, conta. E quando o assunto é bowl, Wagner também gosta de

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andar na Hi Adventure e na pista do Pedro Barros, junto com seu irmão, Gugu, Vi e Léo Kakinho, Pedro e Kosake. “Gosto de lá porque, sempre que rola sessão, tem churrasco depois!” (risos). Além de skatista, o paranaense também é um exímio cozinheiro e se dá muito bem com a culinária japonesa. Já rodou o mundo em cima do skate e lembra bem da viagem que fez ao Japão. “Caí e levei uns pontos na cabeça, mas valeu a pena, pois a comida era ótima! A última viagem que fiz pra Argentina também foi muito legal. Na real, todas as viagens são memoráveis! Se parar pra lembrar, sempre acontece algo especial em cada uma delas!”, ressalta. Wagner se diz muito satisfeito com a vida que leva e não pretende mudar nada. As únicas pretensões que tem é continuar evoluindo no skate, não parar de viajar pelo mundo e conhecer cada vez mais lugares e pessoas interessantes. Mas, e fora do skate? “Cara, na verdade, eu gosto mesmo é de assistir filmes, comer muito e jogar sinuca!”, finaliza, sempre com bom humor.


DSD, a plaina do presente

Luiz Augusto Pinheiro Designer das Pranchas MAHALO

Com 29 anos de shaper, eu posso falar que iniciei minha carreira, aos 17 anos de idade, usando, como ferramentas, apenas um sulforme (espécie de ralador), algumas lixas e um taco de madeira. Quando fiz meu primeiro shape foi em uma garagem, sem estrutura apropriada para tal. Mas, após essa experiência, eu passei a procurar equipamentos e técnicas mais aprimorados, que me oferecessem uma qualidade precisa nas minhas pranchas. Do velho sulforme, passei a utilizar a plaina elétrica Makita (queixo duro), depois as famosas plainas Skil 100 e, por último, a Hitachi, da extinta Clark Foam. Atualmente, utilizo a melhor de todas as ferramentas existentes, a Digital Surf Desginer (DSD). Uma criação nacional, do shaper paulista Luciano Leão, que ganhou o mundo e hoje é utilizada pelos melhores shapers do mundo, como Al Merrick, Rusty, Xanadu, Tokoro, Pat Rawson e muitos outros. Essa tecnologia veio para auxiliar os bons shapers a fazerem seu trabalho com maior precisão e uma maior qualidade no seu produto final, pois a máquina depende de um bom designer, para que ele, com seu conhecimento adquirido durante anos de trabalho dentro de uma sala de shaper, desenvolva suas curvas e formas. A DSD conta com um programa computadorizado, o Surfcad, desenvolvido para que os designers possam,

Foto: Yordan Bosco

através de medidas precisas, fazer infinitos modelos de pranchas. Basta o shaper ter uma boa ideia e colocá-la em prática que o programa irá produzir um arquivo, denominado máster. No design visualizado na tela do computador, o profissional trabalha suas formas. Alcançado o projeto desejado, o máster é transformado em Cut, que é o arquivo de leitura da máquina DSD. A máquina reconhece e executa o shape automaticamente, com 100% de precisão no pré-shape, que é finalizado pelo shaper artesanalmente. A máquina, na verdade, funciona como uma impressora. “O que é importante é você ter um bom programa para fazer o seu design. Cada shaper faz suas criações para aquilo que tem na cabeça se tornar uma prancha. A máquina só vai cortar a ideia que ele teve”, explica Luciano Leão. Luciano Leão lançou a DSD em 1994. Porém, seu trabalho de pesquisa começou a partir de uma leitura da revista especializada americana Surfer, em 1986, quando soube de uma máquina computadorizada de fazer pranchas. Em 1991, Leão foi à Califórnia conhecer de perto a novidade. Mesmo sem ter acesso ao equipamento, Leão identificou o funcionamento dela a partir de um pré-shape. Naquele momento, ele começou a trabalhar e aperfeiçoar o que, através de suas mãos, passou a ser a grande revolução na fabricação de pranchas no mundo, a DSD.


Uma câmera na mão e um filme na cabeça

Fábio Tihara Jornalista, especializado em sons e vídeos

Na transmissão pela internet do WQS em Noronha, mandei uma pergunta para o jornalista Júlio Adler, que estava fazendo a locução do evento, sobre a série Cambito, que, para quem não sabe, foi um marco para os filmes de surf no Brasil. Quem tem seus 20 e poucos anos talvez não tenha visto ou nem saiba sobre o tal filme. Com a facilidade que temos com a internet, minha pergunta foi justamente o porquê de um filme tão importante como Cambito até hoje não ter sido disponibilizado para download. A resposta foi de que seu autor, Pepê Cezar (produtor de Fábio Fabuloso), nunca autorizou os direitos do filme. Júlio Adler também participou do projeto, como editor. Em minha mente, o impacto desse filme teve proporções parecidas com a que a juventude atual teve com o famigerado Modern Collective e sua geração voadora de Dane Reynolds e Jordy Smith. Era meados de 1996, eu estava acostumado a ver filmes e surfistas gringos e, de repente, me aparece um filme nacional, com surfistas brasileiros e surfando ondas no Brasil. Finalmente me sentia um surfista, porque até então o surf parecia distante, assim como as ondas no Hawaii e na Indonésia. Renatinho Wanderley, Binho Nunes e Neco Padaratz encabeçavam a série que teve três filmes. A trilha sonora é um

caso para ser contado à parte, pois não me passava pela cabeça um filme de surf com bandas nacionais. Os desconhecidos Raimundos e Mundo Livre S/A me fizeram compreender que existia um mundo além de Bad Religion e Pennywise. Um trabalho com uma estética e conceitos que ficaram adormecidos por muito tempo e que hoje esboçam uma reação, visto o nível das produçõaes atuais. Vimos a fracassada tentativa de se fazer um filme de surf para o grande público nas salas de cinema. Surf Adventures provou que filmes de surf devem ser feitos exclusivamente para surfistas. “Para enquadrarmos os heróis, temos que deslocar os cenários” disse Fred 04 e justifica perfeitamente a introdução desse texto. Se antes ansiávamos pelos lançamentos do Taylor Steele, hoje vivemos a realidade de bons diretores, como Rafael Mellin (Samba, Trance & Rock and Roll e Quintal de Casa) e talentos como Pablo Aguiar (Bonjour). Além disso, estamos presenciando a era da instantaneidade, da velocidade da informação, do compartilhamento de arquivos e das redes sociais. Ou seja, se no passado tínhamos que esperar aquele amigo voltar da “gringa” para trazer aquele filme em VHS, o presente é mais rápido e a velocidade está apenas em um clique. E, quem sabe, num clique, um dia dê um google e encontre escrito: ‘Cambito, clique aqui para baixar’.


Reprodução

para ouvir To m m y

Guerrero - Lifeboats and Follies Para quem não sabe, Tommy Guerrero foi um dos pioneiros da lendária equipe de skate Bones Brigade, nos idos dos anos 80, na efervescente Califórnia. Boas influências imagino que não faltaram. Vide o talento que o cara demonstra com a guitarra. Feito por um skatista, mas que agrada aos surfistas, modernistas ou simplesmente pessoas que gostam de boa música. Difícil definir suas melodias, ora passeando pelo jazz, outras pelo rock, deslizando pelo funk e pela soul music, tratando com esmero os instrumentos que passam por suas mãos. Lifeboats and Follies é o quinto disco de sua carreira e conta com participações especiais de Money Mark, Alfredo Ortiz e Marc Capelle. http://www.tommyguerrero.com/ http://www.myspace.com/tommyguerrero

para assistir Bonjour - Pablo Aguiar

Ghostface Killah - Apollo Kids Membro de um dos mais importantes grupos de rap do mundo (Wu-Tang Clan), Dennis Coles, mais conhecido como Ghostface Killah, começa 2011 lançando um petardo pesado, com o hit 2getha Baby, que já é obrigatório em qualquer balada que se preza. Beats pesados, samples de soul e R&B e um flow de quem nasceu para a coisa. Junte nomes como GZA, BustaRymes e Method Man e veja no que dá. Apollo Kids não é um clássico, mas satisfaz os mais exigentes. Num mundo cheio de pose e atitudes fake (Eminem, 50 Cents...), comprove o que é atitude com estilo e elegância gangsta. http://www.ghostfacekillah.com http://www.myspace.com/ghostface

Mount Kimbie - Crooks and Lovers Dominic Maker e Kai Campos é o duo denominado Mount Kimbie. Os ingleses lançaram seu primeiro disco Crooks and Lovers em 2010 e embalam a nova onda do eletrônico mundial. Com um computador, alguns instrumentos e muitas ideias na cabeça, os ingleses reinventam a cena eletrônica e artistas como The XX e James Blake aparecem como novas boas promessas da terra da rainha. Crooks and Lovers é o chamado “eletrônico com cérebro” com o tom minimalista dando lugar ao bate estaca das raves, junto com a pista de dança que cede espaço para aquele sofá confortável, num clima mais ambiente e relaxado. http://www.myspace.com/mountkimbie

A versão tupiniquim para o conceito Modern Collective

Eu Mesmo Faria - Pablo Aguiar, Henrique Daniel, Gustavo Camarão, Marcelo Dada e Rafael Mellin Um surfista, cinco diretores e um filme

Nalu - Rafael Mellin Um sonho de família

v s mais ou o mês (a Podcast d e Over - Take M Cut Copy s e onda Surf, sol

dação) idas da re

ged ´ve Chan Sia - You p po O pop é by getha Ba Killah - 2 ce fa st o Gh e é night Meu nom liss tude is B ala – Soli o Tame Imp n a li ck austra O bom ro - Sing Four Tet ho bom in Barulh

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Na sessão Interface, conheceremos melhor as pessoas que frequentam as lojas da rede MAHALO / WAVE BEACH. Faremos um tour por algumas lojas, a cada edição, para saber quem são, o que pensam e o que andam comprando.

pping orte Sho N r o d a lv Sa a, surfisHALO do formátic – Na MA in o h e il d F o s cnic hopping oare s Filho, té Salvador Norte S veitou Moacyr S re a o S r y do pro oac cana - M na loja MAHALO rca Tracker. Ele a scoliEstilo ba e a e a v m e a ra st d a e p , sta uso e de skate u e se p omo a ta e skati ra s a sh r um á aula c finas p d ra p ra e a d m p n o o s c a , um para ntico timo s do Atlâ o bacana e um ó u também e compro ja Batista de Villa it mos que u te m e o estil re polga m e s o n nha da Ig “As lojas têm um s e o. nca. das vitrin voluntári ontagem o orçamento”, bri m A . to n r atendime pra não estoura do a id u c r te

do Forte da Praia O L A H A M ard por ília – Na e longbo kir e fam d a b o u n b ia A a ob Ricardo - Campeã ficou imbubakir do Forte A ia o ra rd P a a da Praia , Ric De rolé n e imóveis , a loja MAHALO e com d r to e rr , ia o vezes e c ecer, com a famíl a mulher, Andréa bakir diversas m bu nh o o A c c l, a o a il a v v a o d sa arn pressiona e rolé pela famo ado de C modelo nte o sáb óculos Mormaii, .D e ra rt u o d F , o o d r rutura iog com a est Caio e D ra compra os filhos, abelecimento pa e impressionado gia o surfista, lo o est o surpreso de produtos”, e ahia. entrou n uei muit surf na B ix iq o m F d “ o s . o a m u ir o ec Acq pione tamanho mília de da loja, o mbro de uma fa me laza Show roclube P e A o d H AC do WAVE BE ve Beach ales – Na S s to n a a loja Wa o conS d s é o o s, d u o n íd n a ss to Adail dor a de 39 ta s, n le e a u S q a s u re to F g rdana pele n dos San m no seu MAHALO laza Show, Adaílto MAHALO. Sales te m a logo da eP da s co ailton Aeroclub roupas exclusivas tatuagen HALO, Ad até duas e A z d M r fe o o e d id a s a m lç su peç gosto de e ca ais de 70 . “Rapaz, da, boné -roupas m do camisa, bermu imentas da marca ssórios têm muice est jan grife. Tra inco anos só usa v rque as roupas e a s, tanto pra mim c o ta p á e h e is e m m u a lec diz q to be onés e ue me sin bermudas de tacte te, que tem 12 b rq o p ir st ve ais clien explica o Compro m to estilo. meus dois filhos”, mana. se r o p ra s peças a u d e quanto p d ma média compra u

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Mahalo Press  

Revista do grupo Mahalo

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