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16,7cm x 24cm

21 mm

Psicologia organizacional Capital humano e capital psicológico Motivação, stress e bem-estar Assédio moral no trabalho Equipas de trabalho Novas organizações Expressão facial Equipas virtuais Comunicação não verbal Liderança Ética e tomada de decisão Responsabilidade social

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Qualidade de serviço Empreendedorismo

Esta obra, pioneira em Portugal, pretende dar uma perspetiva da Psicologia da Saúde Ocupacional como uma área da Psicologia do Trabalho e das Organizações que se debruça sobre a proteção e a promoção da saúde e do bem-estar dos trabalhadores (National Institute for Occupational Safety and Health – NIOSH). Para tal, está organizada em quatro partes, nas quais se aprofunda a conceção teórica desta disciplina; a saúde ocupacional em contextos específicos – atendimento, emergência, educação e hospitalar; os diferentes fatores da vida do indivíduo fora e dentro do contexto de trabalho, que influenciam a saúde dos profissionais – família, aposentação, contratação contingente e assédio moral; e a prevenção e intervenção no domínio da Psicologia da Saúde Ocupacional, apresentando áreas, estratégias, ações e práticas deste domínio.

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ISBN 978-989-693-051-6

www.pactor.pt

9 789896 930516

Maria José Chambel

Deste modo, este livro tem como principais destinatários todos os que pretendam adquirir ou aprofundar conhecimentos na área da Psicologia da Saúde Ocupacional e, de um modo mais específico, todos os psicólogos que intervêm em contexto do trabalho e das organizações, bem como os estudantes de Psicologia, Recursos Humanos e áreas afins.

Coordenação:

Os capítulos foram escritos por professores e profissionais de Portugal, Espanha e Brasil, que têm dedicado grande parte da sua atividade profissional à investigação e/ou à ação no âmbito da Psicologia da Saúde Ocupacional e, mais especificamente, à temática abordada no respetivo capítulo. Em todos podemos encontrar não só a preocupação em integrar e desenvolver as temáticas de acordo com os pressupostos teóricos que as fundamentam, mas também a preocupação em fornecer guias de atuação que permitam conduzir a implementação de estratégias, ações e práticas de promoção da saúde em contexto organizacional.

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Psicologia da Saúde Ocupacional

Psicologia da Saúde Ocupacional

Psicossociologia do Trabalho e das Organizações

16,7cm x 24cm

Psicologia da Saúde Ocupacional Coordenação:

Maria José Chambel

9cm

Coordenadora e Autora

Maria José Chambel Professora associada com agregação na Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa (FP-ULisboa). Tem um doutoramento em Psicologia Social e leciona no âmbito da Psicologia do Trabalho e das Organizações. É coordenadora das pós-graduações em Crise e Emergência (cocoordenação com a Professora Teresa Ribeiro) e em Psicologia da Saúde Ocupacional. É membro do Centro de Investigação em Ciências Psicológicas da ULisboa, no qual coordena o grupo de Carreiras e Organizações, e tem participado e coordenado vários projetos de investigação. Os seus principais interesses de investigação incluem a análise do contexto organizacional para explicar a relação de emprego, o stress e o bem-estar no trabalho.

Autores

Alejandro Orgambídez-Ramos | Alexandra Marques Pinto | Ana Cristina Limongi-França | Andreia Costa Tostes | Anette Souza Farina | Claudia Rus | Daniel Branquinho Moura | Fábio Alessandro Affonso Antonio | Filipa Castanheira | Isabel Martínez | Jesús Yeves | Joana Pereira | Joana Soares Cugnier | Joana Vieira dos Santos | João Aguiar Coelho | João Viseu | José Carlos Zanelli | Laura Lorente | Magda Macedo Madalozzo | Maria Helena André | Maria-Helena Almeida | Maria-João Alvarez | Mariana Neto | Marisa Salanova | Narbal Silva | Pedro Lobo | Renata Schirrmeister | Rui Pedro Ângelo | Saul Neves de Jesus | Sérgio da Borralha | Sílvia Lopes | Susana Llorens | Suzana da Rosa Tolfo | Thiago Soares Nunes | Vânia Sofia Carvalho

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EDIÇÃO PACTOR – Edições de Ciências Sociais, Forenses e da Educação Av. Praia da Vitória, 14 A – 1000-247 LISBOA Tel: +351 213 511 448 pactor@pactor.pt DISTRIBUIÇÃO Lidel – Edições Técnicas, Lda. R. D. Estefânia, 183, R/C Dto. – 1049-057 LISBOA Tel: +351 213 511 448 Marketing: marketing@lidel.pt www.lidel.pt LIVRARIA Av. Praia da Vitória, 14 A – 1000-247 LISBOA Tel: +351 213 511 448 • Fax: +351 213 173 259 livraria@lidel.pt Copyright © 2016, PACTOR – Edições de Ciências Sociais, Forenses e da Educação ® Marca registada da FCA – Editora de Informática, Lda. ISBN edição impressa: 978-989-693-051-6 1.ª edição impressa: março 2016 Paginação: Carlos Mendes Impressão e acabamento: Cafilesa – Soluções Gráficas, Lda. – Venda do Pinheiro Depósito Legal n.º 406283/16 Capa: José Manuel Reis Todos os nossos livros passam por um rigoroso controlo de qualidade, no entanto, aconselhamos a consulta periódica do nosso site (www.pactor.pt) para fazer o download de eventuais correções. Não nos responsabilizamos por desatualizações das hiperligações presentes nesta obra, que foram verificadas à data de publicação da mesma. Os nomes comerciais referenciados neste livro têm patente registada. Reservados todos os direitos. Esta publicação não pode ser reproduzida, nem transmitida, no todo ou em parte, por qualquer processo eletrónico, mecânico, fotocópia, digitalização, gravação, sistema de armazenamento e disponibilização de informação, sítio Web, blogue ou outros, sem prévia autorização escrita da Editora, exceto o permitido pelo CDADC, em termos de cópia privada pela AGECOP – Associação para a Gestão da Cópia Privada, através do pagamento das respetivas taxas.


Índice Os Autores.................................................................................................................... XI Prefácio.......................................................................................................................... XXI José M. Peiró

Apresentação da Obra................................................................................................. XXV PARTE I

1

Desenvolvimentos Teóricos Capítulo 1

3

Psicologia da Saúde Ocupacional: Desenvolvimento e Desafios Maria José Chambel

Introdução...................................................................................................................... 3 Indicadores de saúde ocupacional................................................................................ 4 Indicadores de bem-estar no trabalho..................................................................... 5 Indicadores de bem-estar fora do contexto de trabalho.......................................... 7 Riscos psicossociais...................................................................................................... 9 Nível organizacional.................................................................................................. 9 Nível interpessoal..................................................................................................... 13 Características do trabalho...................................................................................... 14 Interface com outras áreas....................................................................................... 16 Diagnóstico dos riscos psicossociais...................................................................... 17 Considerações finais...................................................................................................... 18 Referências..................................................................................................................... 18 Capítulo 2

25

Determinantes Psicossociais no Trabalho e Efeitos na Saúde: do

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Reconhecimento à Prevenção Mariana Neto e Maria Helena André

Introdução...................................................................................................................... 25 Causas da perda da saúde............................................................................................ 26 Da Antiguidade ao século XXI: castigo divino, humores e miasmas, tríade epidemiológica, redes de causalidade e determinantes.......................................... 26 Teorias da ecologia social: determinantes sociais da saúde e da doença............... 26 Mecanismos de influência do ambiente na saúde: embedding, expossoma e embodiment.............................................................................................................. 28 Determinantes psicossociais associados ao trabalho................................................... 29 Determinantes de nível intermédio........................................................................... 29 Ambiente psicossocial do trabalho.......................................................................... 31 Principais mecanismos fisiopatológicos dos determinantes psicossociais do trabalho..................................................................................................................... 31 III


Psicologia da Saúde Ocupacional

Doenças relacionadas com o trabalho..................................................................... 32 Inquéritos e sondagens de opinião europeus às condições de trabalho................. 33 Efeitos dos determinantes psicossociais na saúde: do reconhecimento e sistemas de compensação............................................................................................................ 34 Abordagens europeias e internacionais................................................................... 35 O sistema português de prevenção e reparação: uma reestruturação inadiável..... 38 O papel dos parceiros sociais e do cidadão.................................................................. 43 Enquadramento internacional e europeu................................................................. 43 Velhos e novos riscos para a saúde e segurança.......................................................... 44 Que respostas? Que papel para os parceiros sociais e as autoridades públicas?... 45 Considerações finais...................................................................................................... 46 Referências..................................................................................................................... 47 Capítulo 3

51

Validação de uma Medida de Saúde Organizacional para a População Portuguesa

Saul Neves de Jesus, João Viseu, Pedro Lobo, Alejandro Orgambídez-Ramos, Daniel Branquinho Moura, Joana Vieira dos Santos, Joana Pereira, Sérgio da Borralha e Claudia Rus Introdução...................................................................................................................... 51 Metodologia................................................................................................................... 53 Caracterização da amostra...................................................................................... 53 Instrumentos.................................................................................................................. 54 Procedimento........................................................................................................... 56 Análise de dados...................................................................................................... 56 Resultados..................................................................................................................... 59 Discussão....................................................................................................................... 64 Considerações finais...................................................................................................... 65 Escala de Perceção de Saúde Organizacional (EPSaO).......................................... 66 Referências..................................................................................................................... 67 Capítulo 4

71

Modelos Explicativos do Stress Laboral Laura Lorente e Jesús Yeves

Introdução...................................................................................................................... 71 Modelos teóricos............................................................................................................ 72 Modelo dos Dois Fatores......................................................................................... 72 Modelo das Características do Trabalho.................................................................. 74 Modelo das Exigências-Controlo............................................................................. 74 Modelo da Conservação de Recursos..................................................................... 76 Modelo do Esforço-Recompensa............................................................................. 79 Forças e debilidades dos modelos prévios.............................................................. 81 Modelo das Exigências-Recursos............................................................................ 82 Extensões do modelo: recursos pessoais.......................................................... 87 Modelo das Exigências e dos Recursos do Trabalho.............................................. 89 Considerações finais...................................................................................................... 90 Referências..................................................................................................................... 91 IV


Índice

PARTE II

95

Contextos Específicos Capítulo 5

97

A Relação com o Cliente: Fonte de Stress ou de Bem-Estar no Trabalho? Filipa Castanheira

Introdução...................................................................................................................... 97 Encontros e padrões de serviço.................................................................................... 97 A relação com o cliente: um mal necessário?................................................................ 99 A relação com o cliente: uma oportunidade.................................................................. 104 A eficácia dos processos: como se pode investir nas pessoas, sem desinvestir no negócio?......................................................................................................................... 107 Considerações finais...................................................................................................... 108 Referências..................................................................................................................... 108 Capítulo 6

113

Psicologia da Saúde Ocupacional em Organizações de Emergência Rui Pedro Ângelo

Introdução...................................................................................................................... 113 Características gerais das OE........................................................................................ 113 Exigências e recursos pessoais, sociais e ambientais e normativos nas OE................ 114 Programas de promoção da Psicologia da Saúde Ocupacional nas OE....................... 119 Custos ao nível da Psicologia da Saúde Ocupacional nas OE................................ 119 Promoção da Psicologia da Saúde Ocupacional nas OE........................................ 120 Programas de promoção do bem-estar psicológico das OE................................... 121 Matriz de elaboração de um programa de promoção do bem-estar psicológico das OE...................................................................................................................... 122 A promoção da saúde ocupacional nas OE numa ótica aplicada............................ 123 A promoção do bem-estar psicológico das OE numa ótica aplicada...................... 124 Importância da resiliência psicológica nas OE.............................................................. 126 Indicadores de resiliência organizacional................................................................. 127 Programas de promoção da resiliência psicológica nos operacionais, equipas e OE.......................................................................................................................... 128 Nível individual.................................................................................................... 128 Nível grupal......................................................................................................... 130 O papel dos líderes....................................................................................... 130 A importância da tomada de decisão dos líderes na resiliência das OE...... 131 Nível organizacional............................................................................................ 132 Considerações finais...................................................................................................... 133 Referências..................................................................................................................... 133

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Capítulo 7

135

Promoção da Saúde Ocupacional em Contexto Escolar: da Saúde Física ao Bem-Estar Profissional dos Professores Alexandra Marques Pinto e Maria-João Alvarez

V


Psicologia da Saúde Ocupacional

Introdução...................................................................................................................... 135 Stress profissional na docência..................................................................................... 136 Prevenção do burnout e promoção do bem-estar......................................................... 137 Burnout profissional: caracterização do problema................................................... 138 Prevenção do burnout: da abordagem cognitivo-comportamental à mindfulness... 141 Engagement profissional: que papel na promoção do bem-estar dos professores?. 145 Comportamentos de promoção da saúde..................................................................... 146 Importância e benefícios da adoção de comportamentos de saúde na idade adulta para a saúde física, mental, social e profissional.......................................... 146 Comportamentos de saúde nos professores........................................................... 149 Recomendações para os comportamentos de saúde na idade adulta................... 151 Preditores dos comportamentos de saúde.............................................................. 152 Dados mundiais, portugueses e para professores relativos à atividade física, alimentação saudável (consumo de frutas e vegetais) e cessação tabágica........... 153 Atividade física.................................................................................................... 154 Alimentação saudável......................................................................................... 154 Cessação tabágica............................................................................................. 155 Programas de promoção da saúde e do bem-estar no local de trabalho............... 156 Considerações finais...................................................................................................... 157 Referências..................................................................................................................... 158 Capítulo 8

167

Psicologia da Saúde Ocupacional em Contextos Hospitalares João Aguiar Coelho, José Carlos Zanelli e Andreia Costa Tostes

Introdução...................................................................................................................... 167 Estabelecimento de uma política de prevenção de riscos psicossociais...................... 170 Estrutura organizacional necessária para a implantação da política de prevenção de riscos psicossociais.................................................................................................. 171 Especialização e atividades do psicólogo da saúde ocupacional................................. 173 Unidades estruturais do hospital objetos de avaliação e intervenção........................... 175 Metodologia da gestão de prevenção de riscos psicossociais..................................... 176 Participação dos interessados no processo de gestão preventiva............................... 179 Formação dos profissionais em gestão preventiva de riscos psicossociais................. 179 Papel e competências dos gestores para a prevenção de riscos psicossociais........... 180 Considerações finais...................................................................................................... 181 Referências..................................................................................................................... 182 PARTE III

185

Outras Influências Capítulo 9

187

A Relação Trabalho-Família

Vânia Sofia Carvalho e Maria José Chambel Introdução...................................................................................................................... 187 Conceptualização teórica............................................................................................... 188 O paradigma negativo da relação trabalho-família.................................................. 189 O paradigma positivo da relação trabalho-família.................................................... 190 VI


Índice

O paradigma integrativo da relação trabalho-família............................................... 192 As consequências da relação trabalho-família.............................................................. 194 O bem-estar no trabalho.......................................................................................... 194 Do bem-estar no trabalho ao bem-estar subjetivo.................................................. 196 Visão organizacional da relação trabalho-família........................................................... 197 As práticas amigas das famílias............................................................................... 197 Práticas de recursos humanos de envolvimento...................................................... 198 As características do trabalho.................................................................................. 200 Liderança.................................................................................................................. 202 Cultura de suporte à família...................................................................................... 203 Considerações finais...................................................................................................... 204 Referências..................................................................................................................... 206 Capítulo 10

215

A Aposentação e suas Repercussões: a Construção e Desconstrução do Trabalho na Vida Quotidiana Anette Souza Farina

Introdução...................................................................................................................... 215 O significado do trabalho no mundo contemporâneo................................................... 216 Quotidiano: estrutura e organização da vida em sociedade.......................................... 218 A aposentação e suas vicissitudes................................................................................ 221 Qualidade de vida na aposentação: saúde física, psicológica e social......................... 223 Discussão: interpretação dos resultados....................................................................... 224 Comparação entre os grupos........................................................................................ 225 Considerações finais...................................................................................................... 226 Referências..................................................................................................................... 228 Capítulo 11

231

Os Formatos Contingentes de Emprego

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Sílvia Lopes e Maria José Chambel

Introdução...................................................................................................................... 231 O contexto atual e as diferentes modalidades de trabalho existentes.......................... 231 As imposições do mercado de trabalho........................................................................ 232 As necessidades das empresas e dos trabalhadores.............................................. 233 Trabalho permanente vs. trabalho contingente: de modalidades de trabalho tradicionais a modalidades de trabalho alternativas................................................ 234 Trabalhadores temporários de agência.............................................................. 235 Trabalhadores on-call.......................................................................................... 236 Trabalhadores sazonais...................................................................................... 237 Trabalhadores terceirizados/trabalhadores em outsourcing............................... 238 Trabalhadores independentes............................................................................. 239 Trabalhadores a termo........................................................................................ 239 As repercussões do trabalho contingente para a saúde ocupacional........................... 240 Insegurança no trabalho........................................................................................... 240 Características do trabalho...................................................................................... 242 Práticas de recursos humanos................................................................................. 244 Contrato psicológico................................................................................................ 246 Motivações............................................................................................................... 248 VII


Psicologia da Saúde Ocupacional

Desejo de ter um trabalho permanente.................................................................... 250 Considerações finais...................................................................................................... 252 Referências..................................................................................................................... 252 Capítulo 12

259

Assédio Moral no Trabalho: Conceitos, Aspetos Culturais e de Gestão de Recursos Humanos, Consequências e Possibilidades de Intervenção Suzana da Rosa Tolfo, Narbal Silva, Thiago Soares Nunes e Joana Soares Cugnier

Introdução...................................................................................................................... 259 O que define assédio moral no trabalho........................................................................ 260 Práticas de assédio moral no trabalho........................................................................... 261 Cultura organizacional, gestão de recursos humanos e assédio moral no trabalho..... 265 Consequências do assédio moral no trabalho............................................................... 270 Métodos de intervenção e prevenção sobre o assédio moral nas organizações.......... 272 Considerações finais...................................................................................................... 278 Referências..................................................................................................................... 280 PARTE IV

285

Prevenção e Promoção da Qualidade de Vida no Trabalho Capítulo 13

287

Promoção da Saúde no Trabalho: para um Modelo de Organizações Saudáveis e Resilientes Isabel Martínez, Marisa Salanova e Susana Llorens

Introdução...................................................................................................................... 287 Análise de fatores psicossociais.................................................................................... 290 Fundamentação científica da avaliação de fatores psicossociais........................... 291 Componentes do modelo REDE de avaliação psicossocial.................................... 293 Evidência empírica recolhida na aplicação do modelo REDE.................................. 294 Organizações saudáveis e resilientes: avaliação e intervenção em HERO.................... 296 O modelo HERO....................................................................................................... 297 A metodologia HERO............................................................................................... 298 Resultados de investigação em HERO..................................................................... 299 Intervenções positivas.................................................................................................... 300 Considerações finais...................................................................................................... 304 Referências..................................................................................................................... 304 Capítulo 14

309

Gestão da Qualidade de Vida no Trabalho: Fundamentos, Identidade e Valores Ana Cristina Limongi-França, Fábio Alessandro Affonso Antonio e Renata Schirrmeister

Introdução...................................................................................................................... 309 VIII


Índice

A metodologia completa BPSO_96 com aplicação ES: esforço dos gestores e satisfação dos empregados........................................................................................... 311 Identidade pessoal e organizacional.............................................................................. 314 O constructo identidade associado a escolas de pensamento de QVT.................. 318 Fontes psicossociais na construção da identidade organizacional......................... 319 Valores pessoais e o estado pessoal de qualidade de vida no trabalho....................... 321 Compatibilidade diádica entre gestores e subordinados e impactos na perceção da qualidade de vida................................................................................ 325 Considerações finais...................................................................................................... 327 Referências..................................................................................................................... 328 Capítulo 15

335

Um Procedimento para Identificar Pontos de Ancoragem da Cultura de Saúde e Segurança Magda Macedo Madalozzo e José Carlos Zanelli

Introdução...................................................................................................................... 335 Fatores-núcleo da cultura de segurança....................................................................... 336 O procedimento para a identificação de pontos de ancoragem................................... 340 Pesquisa etnográfica por meio da observação participante.................................... 341 Observações descritivas..................................................................................... 341 Observações focalizadas.................................................................................... 343 Observações seletivas........................................................................................ 343 Entrevistas semiestruturadas com os fundadores e principais gestores................. 343 Consulta de documentos e outros materiais............................................................ 344 Análise dos dados.................................................................................................... 344 Pesquisa etnográfica: observação participante.................................................. 344 Entrevistas semiestruturadas.............................................................................. 345 Análise de documentos e materiais.................................................................... 346 Interpretação dos resultados.................................................................................... 346 Considerações finais...................................................................................................... 349 Referências..................................................................................................................... 350 Capítulo 16

353

Medicina do Trabalho

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Maria-Helena Almeida

Introdução...................................................................................................................... 353 Quadro legal e estratégico da Medicina do Trabalho.................................................... 354 Um pouco de história............................................................................................... 354 Organização e acesso aos serviços de saúde......................................................... 354 A educação médica, a formação contínua e a qualidade do desempenho dos profissionais de saúde................................................................................................... 364 A formação............................................................................................................... 364 Os recursos médicos................................................................................................ 365 O perfil e os determinantes da saúde da população ativa............................................. 367 A demografia e o emprego....................................................................................... 367 A saúde..................................................................................................................... 369 A saúde mental......................................................................................................... 371 Acidentes de trabalho............................................................................................... 373 IX


Psicologia da Saúde Ocupacional

Algumas considerações éticas................................................................................. 378 Considerações finais...................................................................................................... 380 Referências..................................................................................................................... 380

Lista de Siglas................................................................................................................ 383 Glossário de Termos – Português Europeu/Português do Brasil............................. 385 Índice Remissivo........................................................................................................... 387

X


Os Autores Coordenadora e Autora Maria José Chambel Professora associada com agregação na Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa (FP-ULisboa). Tem um doutoramento em Psicologia Social e leciona no âmbito da Psicologia do Trabalho e das Organizações. É coordenadora das Pós-Graduações em Crise e Emergência (cocoordenação com a Professora Teresa Ribeiro) e em Psicologia da Saúde Ocupacional. É membro do Centro de Investigação em Ciências Psicológicas da ULisboa, no qual coordena o grupo de Carreiras e Organizações e tem participado e coordenado vários projetos de investigação. Os seus principais interesses de investigação incluem a análise do contexto organizacional para explicar a relação de emprego, o stress e o bem-estar no trabalho. É autora de mais de 50 artigos em revistas científicas internacionais, de 12 livros e de mais de 40 capítulos.

Autores Alejandro Orgambídez-Ramos Doutor em Psicologia das Organizações e do Trabalho pela Universidade de Huelva (Espanha). É professor auxiliar convidado na Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve (FCHS-UAlg) e membro do Centro de Investigação sobre o Espaço e as Organizações (CIEO). As suas linhas de interesse assentam-se nas temáticas relacionadas com o engagement, o burnout e a paixão no trabalho.

Alexandra Marques Pinto Doutora em Psicologia pela ULisboa, docente da FP-ULisboa e investigadora do Centro de Investigação em Psicologia desta mesma universidade. Tem desenvolvido e orientado diversas investigações no domínio dos processos de adaptação, com particular incidência nos processos de stress, coping e bem-estar, aplicadas a diversos contextos e populações de risco (e.g. professores, estudantes, first responders, profissionais de saúde), procurando evidenciar fatores de risco e de proteção para as reações às experiências de stress (e.g. burnout, Perturbação de Stress Pós-Traumático – PSPT) e fatores de promoção do bem-estar (e.g. engagement, bem-estar subjetivo). É editora de livros e autora de diversos artigos neste âmbito, publicados em revistas nacionais e internacionais.

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Ana Cristina Limongi-França Professora titular da Universidade de São Paulo. Psicóloga, mestre, doutora e livre­ ‑docente. Criou e dirige o Núcleo de Gestão da Qualidade de Vida no Trabalho (GQVT). Coordenadora da Fundação Instituto da Administração (FIA). Professora convidada no Instituto Politécnico e Universitário de Maputo (Moçambique). Professora visitante na Universidad Del Valle em Cali (Colômbia). Especialização pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (POLI-USP). Participante do Colloquium Participant Case Learning (CPCL) da Harvard Business School (2008). Membro fundador da Associação XI


Psicologia da Saúde Ocupacional

Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV). Presidente Nacional da Associação Brasileira de Medicina Psicossomática (ABMP) entre 2013 e 2017. Coordenou o Projeto Educação e Futuro da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP) e a Comissão Cultura e Extensão também na FEA-USP. Autora de vários livros e capítulos, entre os quais: Stress & Trabalho – Editora Atlas – e Psicologia do Trabalho – Editora Saraiva.

Andreia Costa Tostes Possui graduação em Pedagogia (1986), pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), e em Psicologia (1992), pela Universidade do Vale do Itajaí. Mestre em Administração (2000) e doutora em Engenharia de Produção (2006), pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Pós-doutoramento pelo Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto (2014), com foco na gestão preventiva de riscos psicossociais. Junto à Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina, desenvolve atualmente atividades profissionais na Escola de Saúde Pública, vinculada à Divisão de Pesquisa. É consultora na área de planeamento e gestão em entidades públicas, privadas e sem fins lucrativos. Orienta projetos visando a implantação e desenvolvimento de Programas de Orientação para a Aposentação. É coordenadora de gestão do Instituto Zanelli – Saúde e Produtividade, no qual organizou todas as edições do Congresso Brasileiro de Orientação para a Aposentação. E-mail: pesquisa.act@gmail.com.

Anette Souza Farina Investigadora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo – Centro de Psicologia Aplicada ao Trabalho. Concluiu o seu doutoramento na mesma Universidade. É responsável pela formação profissional, acompanhamento dos estágios dos cursos de licenciatura, pós-graduação e capacitação profissional. Tem colaborado com diferentes instituições na implantação e coordenação de MBA na área da Psicologia Organizacional e do Trabalho. É colaboradora do Ministério da Educação/Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, na avaliação da qualidade de instituições de ensino superior e de cursos de Psicologia. Destacam-se nos seus interesses de pesquisa os temas sobre os fenómenos psicossociais do trabalho e dos processos organizativos na sua relação com a subjetividade e a saúde. É autora de vários textos científicos relacionados com os temas de interesse mencionados.

Claudia Rus Professora de Psicologia dos Recursos Humanos e do Trabalho na Universidade Babes-Bolyai, Roménia A sua investigação foca-se nos tópicos do desempenho organizacional, aprendizagem e mudança nas organizações, nomeadamente nas forças de segurança, capital psicológico positivo e gestão do stress.

Daniel Branquinho Moura Mestre em Psicologia Social e das Organizações pela FCHS-UAlg. Frequenta o curso de doutoramento em Psicologia na mesma instituição. As suas linhas de interesse assentam nas temáticas relacionadas com a Psicologia Positiva no Trabalho.

Fábio Alessandro Affonso Antonio Mestre em Administração pela FEA-USP na área de Gestão de Pessoas nas Organizações. Especialista em Gestão de Qualidade de Vida no Trabalho pela FIA. Especialista XII


Os Autores

em Administração Hoteleira pelo SENAC. Licenciado em Administração de Empresas pela FEA-USP. Membro do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Gestão da Qualidade de Vida no Trabalho da FEA-USP e do grupo de pesquisa Valores, Dignidade e Gestão da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atua como docente e investigador nas áreas de comportamento organizacional, compatibilidade de valores humanos, qualidade de vida no trabalho, metodologia científica e carreira. Ademais, coordena o programa de Aconselhamento de Carreira da Escola Superior de Administração e Gestão Strong (ESAGS).

Filipa Castanheira Professora auxiliar na Nova School of Business and Economics da Universidade Nova de Lisboa (UNL). Obteve o seu doutoramento em Psicologia Social pela FP-ULisboa em 2009. Os seus interesses de investigação incluem as práticas de recursos humanos e as relações de emprego, em que se destacam os estudos desenvolvidos sobre os formatos de contratação contingente e os novos modelos de desenho de trabalho, centrados nas relações humanas, como fonte de significado, motivação e bem-estar nas organizações. Das suas publicações são de destacar os artigos em revistas internacionais, das quais se destacam Human Resource Management, Economic and Industrial Psychology, International Journal of Training and Development, Journal of Managerial Psychology, Journal of Business and Psychology e Journal of Organizational Behavior.

Isabel Martínez Doutora em Psicologia pela Universidade de Valencia e professora na Universidade Jaume I de Castellón (Espanha) em várias licenciaturas e mestrados. É investigadora da equipa WoNT – Work Organization Network. Desempenha vários cargos de gestão na Universidade – Conselho Assessor da Inserção Profissional – e é coordenadora de práticas extracurriculares da Faculdade de Ciências da Saúde. Participa em vários projetos de investigação na Psicologia da Saúde Ocupacional. Investigou sobre o stress e o burnout no trabalho e atualmente sobre aspetos da Psicologia Positiva como o engagement, a autoeficácia, a liderança, a resiliência, as emoções positivas e as organizações saudáveis e resilientes.

Jesús Yeves Bolseiro de investigação do Departamento de Psicologia Social da Universidade de Valência e membro do Instituto Universitário de Investigação em Psicologia dos Recursos Humanos do Desenvolvimento Organizacional e da Qualidade de Vida Laboral (IDOCAL). Entre os anos de 2010 e 2013 foi bolseiro de investigação no Observatório de Inserção Profissional e de Acompanhamento Laboral da Universidade de Valência (OPAL). Atualmente, colabora em diferentes projetos de investigação relacionados com o stress e os fatores psicossociais, a inserção laboral dos estudantes universitários, aquisição de competências e melhoria da qualidade de vida laboral. Tem várias publicações sobre a inserção laboral e a saúde ocupacional.

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Joana Pereira Mestre em Psicologia, na especialização em Psicologia da Linguagem e Logopedia pela Universidade Autónoma de Lisboa (UAL). Bolseira de investigação da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), no projeto de investigação intitulado Using Assistive Robots to Promote Inclusive Education – UARPIE. Encontra-se a desenvolver funções psicopedagógicas no Colégio Pedro Arrupe. XIII


Psicologia da Saúde Ocupacional

Joana Soares Cugnier Doutoranda do programa de pós-graduação em Psicologia da UFSC com período de estágio doutoral na equipa de investigação WoNT – Work Organization Network – da Universidade Jaume I de Castellón (Espanha) e bolseira da Fundação CAPES, Ministério da Educação do Brasil. Psicóloga pela UFSC (2007), especialização em Gestão de Pessoas nas Organizações (2008), especialização em Coordenação de Grupos na Abordagem Psicodrama pela Associação de Psicodrama Atuare (2008) e mestrado em Psicologia pela UFSC (2012). Os temas de interesse em Psicologia das Organizações e do Trabalho são: sentidos e significados do trabalho, stress laboral, assédio moral no trabalho, gestão de pessoas e organizações saudáveis.

Joana Vieira dos Santos Doutora em Psicologia das Organizações (2011) pela FCHS-UAlg, sendo professora auxiliar desta instituição. Pós-doutoramento pela Universidade Metodista de São Paulo. Exerce funções de subdiretora do mestrado em Psicologia Social e das Organizações, bem como de coordenadora departamental de Mobilidade, pela Faculdade de Ciências Humanas e Sociais. É membro do CIEO. Os atuais interesses de investigação centram-se em dinâmicas organizacionais e no seu impacto para a saúde e bem-estar dos colaboradores.

João Aguiar Coelho Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra (UC), diplomado em Administração Hospitalar pela Escola Nacional de Saúde Pública, Lisboa, mestre em Estudos Europeus pela Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho, doutor em Ciências Sociais pela Universidade Fernando Pessoa. Administrador hospitalar desde 1982 (no IPO do Porto desde 2000). Docente da Universidade Fernando Pessoa desde 1995, é um dos responsáveis do primeiro curso de pós-graduação em Gestão de Risco em Estabelecimentos de Saúde. Criou, no IPO do Porto, o serviço de Saúde Ocupacional e Gestão de Risco Geral. Este serviço recebeu da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) o Prémio Prevenir Mais, Viver Melhor no Trabalho 2006, e, em 2015, uma Menção Honrosa atribuída pela Agência Europeia de Segurança e Saúde no Trabalho (AESST) no âmbito do 12.º Prémio Europeu de Boas Práticas em Gestão do Stress e Riscos Psicossociais no Trabalho. É autor de quatro livros sobre temas relacionados com a prevenção de riscos psicossociais.

João Viseu Mestre em Psicologia Social e das Organizações pela FCHS-UAlg, em parceria com a UAL. Frequenta o curso de doutoramento em Psicologia na FCHS-UAlg. Bolseiro de doutoramento da FCT, com um projeto de investigação na área da motivação docente, e investigador do CIEO. A sua área de investigação preferencial relaciona-se com a motivação profissional, saúde organizacional e capital psicológico positivo.

José Carlos Zanelli Psicólogo pela Universidade de Brasília (1974). Especialista em Psicologia Organizacional e do Trabalho pelo Instituto Sedes Sapientiae (1978). Mestre em Psicologia Social das Organizações pelo IMES (1984). Doutor em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (1992), com três pós-doutoramentos: pela Universidade de São Paulo (1998), com foco nas ações de uma gestão estratégica; pela Pontifícia Universidade Católica XIV


Os Autores

de Campinas (2007), com foco nas teorias e tratamento do stress nas organizações de trabalho; e pelo IPO do Porto (2014), com foco na gestão preventiva de riscos psicossociais. Atualmente, é professor e investigador do programa de pós-graduação em Administração do Instituto Meridional de Passo Fundo e diretor do Instituto Zanelli – Saúde e Produtividade. É autor de vários artigos científicos, capítulos de livros e livros publicados. E-mail: jczanelli@terra.com.br ou zanellijosecarlos@gmail.com.

Laura Lorente Possui o doutoramento europeu em Psicologia do Trabalho (2009) da Universidade Jaume I de Castellón (Espanha). Entre 2003 e 2010 foi bolseira de investigação na mesma Universidade, tendo participado em vários projetos e lecionado em diferentes disciplinas da área de Psicologia do Trabalho e das Organizações. Desde 2010 é docente no Departamento de Psicologia Social da Universidade de Valência (Espanha) e membro do Instituto Universitário de Investigação em Psicologia dos Recursos Humanos do Desenvolvimento Organizacional e da Qualidade de Vida Laboral (IDOCAL). Tem várias publicações sobre autoeficácia, bem-estar laboral e saúde ocupacional.

Magda Macedo Madalozzo Psicóloga, doutora em Psicologia das Organizações e do Trabalho pela UFSC (Brasil), mestre em Administração de Empresas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Brasil), pós-graduada em Psicologia Organizacional pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Brasil). Graduada em Psicologia e em Administração pela Universidade de Caxias do Sul (Brasil). Atualmente é docente na Universidade de Caxias do Sul (Brasil) e outras instituições de ensino superior, em cursos de graduação e pós-graduação. Consultora organizacional.

Maria Helena André Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e membro do Conselho Geral da Universidade do Porto. Em 2000 foi feita Comendadora da Ordem do Mérito. Enquanto secretária-geral adjunta da Confederação Europeia de Sindicatos (CES), cargo que ocupou entre 2002 e 2009, coordenou a intervenção da CES no diálogo social europeu e na área das políticas sociais. Foi a negociadora sindical dos dois acordos europeus sobre stress e violência e foi responsável, entre outros, pela compilação e edição dos Guias Interpretativos respetivos. Foi Ministra do Trabalho e da Solidariedade Social do XVIII Governo Constitucional, entre 2009 e 2011. É atualmente diretora do Bureau para as Atividades dos Trabalhadores (ACTRAV) da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

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Maria-Helena Almeida Licenciada pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL). Especialista em Saúde Pública e Medicina do Trabalho. Iniciou atividade de docência (assistente convidada) em saúde comunitária, em 1993 no Instituto de Higiene e Medicina Tropical, tendo transitado mais tarde (1999) para a Unidade de Saúde Pública da Nova Medical School, Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Nova de Lisboa (NMS-FCM, UNL). Mestre em Saúde Comunitária em 1999 (NMS-FCM, UNL). Em 2012, iniciou o doutoramento em Medicina na NMS-FCM, UNL, com o projeto “Desemprego na perspetiva da Saúde Pública”. Atualmente é docente na Unidade de Saúde Pública da NMS-FCM, UNL e diretora-coordenadora da Medicina do Trabalho na Esumédica – S.A. Tem publiXV


Psicologia da Saúde Ocupacional

cado regularmente artigos temáticos (saúde pública e medicina do trabalho). Os seus interesses abrangem áreas da saúde pública, saúde do trabalho, determinantes sociais e desigualdades em saúde.

Maria-João Alvarez Doutora em Psicologia pela ULisboa desde 2002 e professora auxiliar na Faculdade de Psicologia da mesma Universidade onde leciona disciplinas no âmbito da Psicologia da Educação e da Sexualidade. Desenvolve investigação em educação para a saúde, através do estudo de processos motivacionais e autorregulatórios envolvidos em diversos comportamentos de saúde, como a alimentação saudável, a saúde sexual, a higiene oral, entre outros, ao longo do ciclo de vida. É autora de diversos artigos e capítulos em publicações internacionais e nacionais, coordena projetos com equipas internacionais na mesma área e pertence ao conselho editorial de revistas internacionais sobre saúde e bem-estar.

Mariana Neto É licenciada em Medicina pela Faculdade de Medicina da UC. Mestre em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública e em Comportamento Organizacional pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada. Está a terminar o doutoramento em Ciências e Tecnologias da Saúde, “Determinantes Psicossociais da Saúde Associados ao Trabalho”, na FMUL. É especialista em Saúde Pública e tem o Grau de Consultor da Carreira Médica de Saúde Pública. É especialista em Medicina do Trabalho e tem a competência de Gestão de Serviços de Saúde. De 1991 a 1997 foi responsável pelo Gabinete de Saúde Pública da Sub-Região e Saúde de Portalegre. Foi, entre 2001 e 2009, a responsável pela área de Saúde Ocupacional da Direção-Geral da Saúde e, entre 2010 e 2012, Diretora de Segurança Social para o Centro Nacional de Proteção contra os Riscos Profissionais. Atualmente é coordenadora da Unidade de Observação em Saúde e Vigilância Epidemiológica (ONSA) do Departamento de Epidemiologia do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, IP (INSA).

Marisa Salanova Doutora em Psicologia Social e Catedrática de Psicologia Organizacional Positiva na Universidade Jaume I de Castellón (Espanha). É diretora da equipa de investigação WoNT – Work Organization Network. Atualmente é presidente da Sociedade Espanhola de Psicologia Positiva. Tem mais de 300 publicações sobre Psicologia da Saúde Ocupacional (stress laboral, burnout, tecnostress, adição ao trabalho, etc.) e mais recentemente focalizou o seu trabalho na Psicologia Positiva aplicada ao trabalho com publicações sobre o engagement e o flow no trabalho, autoeficácia, organizações positivas e saudáveis e resiliência organizacional. Publicou em revistas como Journal of Applied Psychology, Applied Psychology: An Internacional Review, Anxiety, Stress & Coping, Journal of Cross-Cultural Psychology, Computers in Human Behavior, Group & Organization Management.

Narbal Silva Licenciado em Psicologia, especialista em Psicologia Organizacional e do Trabalho, mestre em Administração e doutor em Engenharia de Produção. Pós-doutoramento em Psicologia Positiva nas Organizações, no Trabalho e em outros Espaços de Vida, no Programa de Pós-Graduação em Psicologia – Instituto de Psicologia da Universidade XVI


Os Autores

Federal do Rio Grande do Sul – Laboratório de Mensuração/Divisão de Psicologia Positiva. Atualmente, é professor associado do Departamento de Psicologia e do programa de pós-graduação em Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina/Brasil. Coordenador da Área I, Psicologia das Organizações e do Trabalho, do programa de pós-graduação em Psicologia (PPGP) da UFSC – membro efetivo do GT/POT, grupo de trabalho e pesquisa na Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Psicologia (ANPPEP). Foi editor da Revista Psicologia: Organizações e Trabalho. Autor de vários livros e artigos, promove intervenções (consultoria) referentes ao Comportamento Humano nas Organizações, em especial, a respeito dos seguintes assuntos: organizações como fenómenos socialmente construídos, cultura organizacional, aprendizagem humana nas organizações, psicologia positiva nas organizações, no trabalho e em outros espaços de vida, qualidade de vida no trabalho, felicidade nas organizações e orientação e projeto de vida na aposentação (pós-carreira).

Pedro Lobo Mestre em Psicologia Social e das Organizações pela FCHS-UAlg, com tese intitulada “Saúde organizacional, os seus efeitos no mal-estar dos colaboradores”. Frequenta o curso de doutoramento em Psicologia na mesma instituição, seguindo a mesma linha de investigação. É membro do CIEO, onde se tem dedicado à investigação científica da Saúde Organizacional e a relação com o bem-estar e o mal-estar dos profissionais.

Renata Schirrmeister Doutora em Ciências pelo Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade de São Paulo, Brasil. Possui licenciatura em Administração (1994) e mestrado em Administração (2006), ambos pela Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Gestão de Pessoas e Administração Geral, em organizações com fins lucrativos e organizações públicas, atuando principalmente em consultoria e desenvolvimento de pessoas. É professora e investigadora em Gestão de Pessoas e Estratégia, atuando nos seguintes temas: comportamento organizacional, identidade organizacional e pessoal, qualidade de vida no trabalho, equipas com múltiplos vínculos contratuais, comprometimento, estratégia, gestão de redes e ambientes de inovação. Participa no Núcleo de Estudos e Pesquisas em Gestão da Qualidade de Vida no Trabalho da Universidade de São Paulo. Recebeu o Prémio Ser Humano Oswaldo Checchia em 2007, da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-Nacional).

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Rui Pedro Ângelo Psicólogo (2000), mestre em Stress e Bem-Estar (2005) e doutor europeu em Psicologia Social (2011) com a tese “Psicologia da Saúde Ocupacional dos Bombeiros Portugueses”, pela FP-ULisboa. Coordenador nacional das Equipas de Apoio Psicossocial e chefe da Divisão de Segurança, Saúde e Estatuto Social, da Autoridade Nacional de Proteção Civil. Docente convidado da FP-ULisboa no Curso Pós-Graduado em Psicologia e Intervenção em Crise e Emergência, nas disciplinas de Contextos Organizacionais de Risco, Intervenção com Profissionais e Intervenção Psicossocial em Catástrofes. Autor de vários artigos em revistas científicas internacionais, como a European Journal of Work and Organizational Psychology, Stress & Health e a Revista de Psicologia Social.

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Psicologia da Saúde Ocupacional

Saul Neves de Jesus Doutor na especialidade de Psicologia da Educação (1997) pela UC. Desde 2003, é professor catedrático de Psicologia da UAlg e, atualmente, desempenha as funções de diretor do curso de doutoramento em Psicologia e presidente do Conselho Científico da FCHS-UAlg, tendo sido já diretor e presidente do Conselho Pedagógico desta instituição. É ainda coordenador do CIEO, avaliado com Muito Bom pela FCT, e é o representante de Portugal na Stress and Anxiety International Research (STAR). Os seus principais interesses de investigação centram-se no estudo da motivação e da saúde organizacional.

Sérgio da Borralha Mestre em Psicologia, Aconselhamento e Psicoterapias pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. Frequenta o curso de doutoramento em Psicologia na FCHS-UAlg. Psicólogo clínico na prática privada e membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses.

Sílvia Lopes Sílvia Lopes é, desde 2012, estudante de doutoramento na FP-ULisboa, com financiamento pela FCT. O tema de investigação incide sobre os trabalhadores temporários de agência. Concluiu, em 2011, na mesma Faculdade, o mestrado em Psicologia dos Recursos Humanos, do Trabalho e das Organizações, tendo defendido a sua tese de mestrado sobre o tema do Trabalho Temporário. É autora de artigos em revistas internacionais, nomeadamente: The Spanish Journal of Psychology, Social Indicators Research, Tékhne – Review of Applied Management Studies e Military Psychology. Os seus principais interesses de investigação incluem a gestão de recursos humanos e as motivações, atitudes e comportamentos dos trabalhadores.

Susana Llorens Professora titular em Psicologia Social da Universidade Jaume I de Castellón (Espanha). Coordenadora do mestrado universitário de Psicologia do Trabalho, das Organizações e dos Recursos Humanos e da Comissão da Licenciatura em Psicologia. Membro da direção da equipa WoNT – Work Organization Network – e autora de artigos científicos, capítulos e livros relacionados com a Psicologia da Saúde Ocupacional. Secretária da Sociedade Espanhola de Psicologia Positiva e avaliadora de projetos de investigação da Agencia Nacional de Evaluación y Prospectiva (ANEP).

Suzana da Rosa Tolfo Professora associada do Departamento de Psicologia da UFSC (Brasil). Possui licenciatura em Psicologia, mestrado em Administração e doutoramento em Administração de Recursos Humanos. Foi editora da Revista Psicologia: Organizações e Trabalho. Tem experiência na área de Psicologia das Organizações e do Trabalho, com ênfase nos seguintes temas de atuação e pesquisa: trabalho e subjetividade, gestão de pessoas, desemprego, qualidade de vida no trabalho, sentidos e significados do trabalho, assédio moral. Orienta alunos de mestrado e de doutoramento dos programas de pós-graduação em Psicologia e em Administração da UFSC. Publicou capítulos, livros e artigos em periódicos sobre assédio moral no trabalho, liderança, ética nas organizações, sentidos e significados do trabalho, desemprego e subjetividade, psicologia organizacional e do trabalho. XVIII


Os Autores

Thiago Soares Nunes Doutorando do programa de pós-graduação em Administração da UFSC com período de estágio doutoral na Universidade Autónoma de Barcelona (Espanha) e bolseiro da Fundação CAPES, Ministério da Educação do Brasil. Administrador pela UFSC (2007), especialização em Gestão de Pessoas nas Organizações (2008) e mestrado em Administração pela UFSC (2011). Investigador do Núcleo de Estudos do Trabalho e Constituição do Sujeito (NETCOS/UFSC). Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Gestão de Pessoas, atuando principalmente nos seguintes temas: assédio moral no trabalho, cultura organizacional, gestão e tutoria de cursos à distância.

Vânia Sofia Carvalho

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É, desde 2012, estudante de doutoramento na FP-ULisboa, com financiamento pela FCT. O tema de investigação incide sobre a relação trabalho-família. Concluiu, em 2009, na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da UC, o mestrado em Ciências da Educação. Exerce funções de assistente convidada na FP-ULisboa desde 2015. É coach e coach trainer pela International School of Professional Coaching. É autora de artigos em revistas internacionais, nomeadamente: Social Indicators Research, Career Development Journal e Journal of Managerial Psychology. Os seus principais interesses de investigação incluem a relação trabalho-família em contexto organizacional e bem-estar dos trabalhadores.

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Prefácio El trabajo es una actividad que ocupa una amplia parte de la vida de las personas. Se trata de una actividad productiva que a menudo se desarrolla de forma coordinada con otras personas y que es relevante para quien la lleva a cabo. Puede ser una actividad plena de sentido y una de las fuentes más importantes de realización personal y profesional o por el contrario puede llevar a importantes sentimientos de alienación y deterioro del bienestar y de la salud de la persona. El trabajo puede ser un problema para la salud de las personas pero puede ser también parte de la solución de esos problemas de salud. Conviene recordar aquí las actividades relacionadas, por ejemplo, con la terapia ocupacional. Así pues, la consideración del trabajo como realidad humana y social y como actividad personal es fundamental, y su aproximación desde la psicología para comprender mejor su relación con la salud y el bienestar, es ineludible. La actividad laboral con mucha frecuencia se lleva a cabo en organizaciones (empresas, entidades públicas, etc.). Cabe caracterizar a esas organizaciones como sistemas sociotécnicos complejos impulsados y sostenidos por diferentes grupos constituyentes (stakeholders) que tienen como reto hacer compatibles sus diferentes (a veces contrapuestos) intereses y fines de forma que la organización sea capaz de conseguir su misión y sus objetivos eficaz y eficientemente, con la colaboración de sus miembros y mediante la distribución de funciones y tareas y procesos de coordinación consiguiendo una continuidad a lo largo del tiempo y una proyección viable hacia el futuro. Si tenemos en cuenta esta realidad organizacional en la que con frecuencia se desarrolla la actividad laboral, la cuestión de la salud y el bienestar laboral de las personas cobra nuevas dimensiones y alcanza mayor complejidad. En efecto, esa salud ya no hace referencia únicamente al individuo como trabajador, en su actividad laboral, sino que alcanza a su relación con el sistema y los miembros que lo componen. Ello introduce una amplia gama de facetas que van a tener incidencia sobre la salud de los trabajadores. Cabe mencionar, sin pretensión de exhaustividad, la adaptación de la persona a la cultura y los valores de la empresa, la forma en que participa y se integra en el sistema de trabajo, su relación con la tecnología que ha de utilizar, las prácticas de recursos humanos que se aplican para articular su relación con la empresa, la forma en que es supervisado y dirigido, sus relaciones con otros compañeros o con los destinatarios de sus servicios, etc.

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Además, cabe hablar también de la “salud” de la propia organización. Puede ser un sistema salutogénico que promueve la salud, el bienestar y el desarrollo de sus miembros o por el contrario un sistema patológico que deteriora y degrada a las personas, sus relaciones y el capital humano y social, haciendo difícil o imposible su desarrollo personal y profesional. La Psicología del trabajo y de las organizaciones se ha venido ocupando desde hace más de un siglo de estas cuestiones y ha realizado una amplia gama de contribuciones científicas y profesionales a la mejora de esta compleja realidad. El objetivo a lo largo de ese periodo ha sido contribuir a hacer el trabajo y las organizaciones más humanas y al mismo tiempo XXI


Psicologia da Saúde Ocupacional

más productivas. Se ha buscado reducir los problemas y las patologías que se producen en el trabajo, así como los accidentes laborales y los riesgos para la salud. Se ha buscado también la promoción de la salud y la prevención de accidentes y otros riesgos laborales, prestando especial atención a los riesgos psicosociales. Durante las últimas décadas esta actividad ha ido creciendo y ampliándose y, progresivamente, se ha ido configurando y consolidando como una nueva disciplina que se ha caracterizado como Psicología de la Salud Ocupacional. Esta disciplina ha sido definida por el Instituto Nacional de Salud y Seguridad Laboral (NIOSH) de Estados Unidos, como la aplicación de la psicología para la mejora de la calidad de vida laboral y la protección y promoción de la salud y el bienestar de los trabajadores (www.cdc.gov/niosh/topics/stress/ohp/ohp.html). Por su parte, la Academia Europea de Psicología de la Salud Ocupacional la define como la “contribución de los principios y prácticas de la psicología aplicada a la cuestiones de salud ocupacional. Es el estudio de los aspectos psicológicos, sociales y organizacionales de la relación dinámica entre trabajo y salud” (Houmondt, Leka, & Bulger, 2008:1501). Ambas definiciones prestan especial atención a la aplicación de los conocimientos para la prevención y promoción de la salud en el trabajo, y lo hacen desde una concepción de la salud no de mera ausencia de enfermedad sino en su concepción positiva de bienestar bio-psico-social. Como complemento a esta aproximación creemos necesario resaltar el carácter científico de la Psicología de la Salud Ocupacional y su componente fundamental de investigación, tanto para explicar los fenómenos relevantes que estudia como para fundamentar científicamente las intervenciones y actuaciones profesionales que logran esa prevención y promoción de la salud. Además se trata de una especialidad cada vez más consolidada en la ciencia, la práctica y la profesión psicológica. En este contexto, la obra que ahora el lector tiene entre manos representa una contribución importante y significativa, especialmente en el panorama iberoamericano. En ella se ofrecen contribuciones importantes y una visión amplia y elaborada de aspectos centrales de la disciplina. Su estructura y contenidos resultan especialmente relevantes y atractivos al tiempo que útil e informativa sobre el estado de la disciplina. La primera parte ofrece cuatro capítulos en los que se analizan los desarrollos teóricos fundamentales, su conceptualización, avances y desafíos actuales. También se analizan componentes fundamentales como los determinantes psicosociales del trabajo y sus efectos para la salud, los modelos explicativos del estrés laboral y las implicaciones que todo ello tiene para el desarrollo de metodologías e instrumentos que permitan la evaluación de los fenómenos relevantes. La segunda parte aborda una cuestión fundamental que resulta de gran interés y actualidad. Nos referimos a la contextualización de los principales fenómenos relacionados con la psicología de la salud ocupacional en diferentes ámbitos laborales y profesionales. Los contextos analizados atienden a grupos ocupacionales y fenómenos de relevancia social: los trabajos que requieren atención e interacción con los clientes y usuarios; los trabajos en contextos de emergencia y el desempeño de la actividad profesional y laboral en contextos educativos y sanitarios. Estos capítulos van poniendo el énfasis además en diferentes 1 

Houdmont, J., Leka, S. & Bulger, C. A. (2008). The definition of curriculum areas in occupational health psychology. In J. Houdmont & S. Leka (Eds.), Occupational health psychology: European perspectives in research, education and practice (pp. 145-170). Nottingham: Nottingham University Press.

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Prefácio

aspectos centrales de la psicología de la salud ocupacional: los procesos de estrés y bienestar laboral, las estrategias para la prevención de los riesgos y promoción de la salud laboral en los diferentes niveles de análisis e intervención y en sus dimensiones bio-psico­ ‑sociales y en los aspectos relacionados con la intervención y la gestión de dichos aspectos en las organizaciones. La tercera parte aborda fenómenos centrales para la salud y el bienestar de las personas en el trabajo poniendo en este caso el foco en las características personales y sociales de los trabajadores en interacción con el trabajo. Así, se analizan con detalle las relaciones entre la familia y el trabajo, un tema central para la conciliación y el enriquecimiento mutuo de la experiencia vital en esos dos ámbitos de la vida personal. También se plantean los aspectos más relevantes del retiro y de la jubilación, analizando el significado del trabajo en la vida de las personas en esta etapa de la vida laboral y profesional. El tercer capítulo aborda otra cuestión tremendamente importante e interesante: las diferentes formas temporales y contingentes de empleo y el grado en que atienden a las necesidades de trabajadores y empresas y, sobre todo, sus repercusiones y relaciones con la salud y el bienestar laboral. Finalmente, se aborda un tema también de especial actualidad e importancia: el acoso moral o psicológico en el trabajo. El análisis y las propuestas de intervención sobre este fenómeno de clara incidencia sobre la salud, son de especial interés y utilidad. La última parte aborda otra cuestión fundamental en una obra de esta naturaleza. La Psicología de la Salud Ocupacional tiene una clara vertiente de intervención y una buena parte de su investigación se orienta no solo a comprender y explicar las relaciones de los fenómenos del trabajo con la salud, sino a desarrollar y evaluar estrategias de promoción de la salud y de la prevención de riesgos que pueden deteriorarla. Así pues, esta parte dedicada a la prevención y promoción de la calidad de vida en el trabajo completa de manera excelente los contenidos de la obra. Se plantea un modelo de organización saludable y resiliente que busca contribuir a la promoción de la salud laboral. Se abordan las cuestiones relacionadas con la gestión de la calidad de vida en el trabajo. Se analizan los procesos de la cultura de salud y de seguridad y se plantea el papel de la medicina del trabajo en este contexto. Como puede ya intuir el lector a partir de este breve recorrido, se trata de una obra fundamental para conocer en profundidad los desarrollos recientes en ámbitos y cuestiones centrales de la Psicología de la Salud Ocupacional. En ella se ofrecen los avances y contribuciones de esta disciplina tanto en sus vertientes teórico-científicas como en las profesionales y aplicadas. La selección y organización de las temáticas es muy pertinente y los contenidos de las mismas ampliamente informativos, bien sistematizados y de gran utilidad.

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Por todo ello, nos complace recomendar vivamente la lectura y el estudio de esta obra a todos aquellos que deseen informarse, formarse y prepararse en este apasionante campo de la Psicología, y también a aquellos que ya metidos en la investigación y/o en la práctica profesional de esta disciplina quieran conocer los desarrollos recientes en sus principales temáticas. José M. Peiró IDOCAL, Universidad de Valencia

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Apresentação

da

Obra

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Esta obra, pioneira em Portugal, pretende dar uma perspetiva da Psicologia da Saúde Ocupacional como uma área da Psicologia do Trabalho e das Organizações que se debruça sobre a proteção e promoção da saúde e do bem-estar dos trabalhadores (National Institute for Occupational Safety and Health – NIOSH). Está organizada em quatro partes, contendo cada uma quatro capítulos. A primeira parte centra-se na conceção teórica desta disciplina e no primeiro capítulo é definido o seu objeto de estudo e os indicadores de saúde dos trabalhadores. É também discutido o conceito de risco psicossocial e a necessidade de se considerarem riscos de diferentes níveis. O capítulo termina com exemplos de instrumentos de diagnóstico dos riscos psicossociais. No segundo capítulo, é aprofundada a relação entre o trabalho e a saúde (doença) dos trabalhadores, estabelecendo-se a relação entre os determinantes de diferentes níveis e salientando-se os de nível psicossocial no trabalho. Apresenta-se, também, as perspetivas europeia e internacional sobre a prevenção da saúde dos trabalhadores e o reconhecimento e atuação perante as doenças profissionais, destacando-se o caso do sistema português. No terceiro capítulo, é apresentado o instrumento de avaliação da saúde organizacional desenvolvido por Gomide Júnior e colaboradores (1999), que inclui as dimensões integração de pessoas e equipas e flexibilidade e adaptabilidade às exigências externas, sendo apresentado o estudo de adaptação deste instrumento para os trabalhadores portugueses. No quarto capítulo, é desenvolvida uma revisão dos principais modelos explicativos do stress no trabalho, salientando-se a relação evolutiva que se pode estabelecer entre estes diferentes modelos e a sua aplicabilidade para prevenção e promoção da saúde dos trabalhadores. A segunda parte analisa a saúde ocupacional em contextos específicos, nos quais se reconhece a presença de riscos psicossociais com elevado impacto na saúde dos trabalhadores. No Capítulo 5, destaca-se a relação com os clientes como fonte de stress/bem-estar para os profissionais que desenvolvem a sua atividade no setor dos serviços. Mostra-se a importância do trabalho emocional e das características relacionais do trabalho para explicar a saúde dos profissionais que trabalham no atendimento a clientes. No Capítulo 6, analisa-se as características específicas das organizações de emergência, as suas exigências e recursos profissionais e a importância da resiliência psicológica nestes contextos. Neste capítulo, são também apresentados programas específicos de prevenção e promoção da saúde ocupacional e da resiliência psicológica nos contextos profissionais de emergência. No Capítulo 7, analisa-se a saúde ocupacional dos professores, salientando-se o burnout como resultado das elevadas exigências desta profissão, mas também o engagement como resultado dos recursos disponíveis. Apresenta-se, também, diversificadas estratégias de prevenção e de intervenção no burnout destes profissionais. O capítulo termina com uma revisão exaustiva dos comportamentos de promoção da saúde e das estratégias promotoras desses comportamentos junto dos professores. No Capítulo 8, desenvolve-se a aplicação da Psicologia da Saúde Ocupacional no contexto hospitalar. Destaca-se a necessidade de criar uma estrutura que permita o desenvolvimento de uma política de prevenção dos riscos psicossociais e analisa-se o papel do psicólogo nessa estrutura. Apresenta-se, também, uma metodologia de gestão da prevenção dos riscos psicossociais no contexto hospitalar. XXV


Psicologia da Saúde Ocupacional

A terceira parte debruça-se sobre diferentes fatores da vida do indivíduo fora e dentro do contexto de trabalho que têm influência relevante para explicar a saúde dos profissionais. No Capítulo 9, mostra-se a importância de analisar a relação entre o trabalho e a família, destacando-se a possível relação conflituosa entre o desempenho dos papéis profissional e familiar, mas também a possível relação de enriquecimento entre estes dois papéis. Salienta-se, ainda, as diferentes variáveis organizacionais capazes de explicar a natureza desta relação. No Capítulo 10, desenvolve-se a aposentação como etapa da vida profissional especialmente importante para explicar a saúde dos indivíduos. Depois de destacado o significado dado à atividade profissional, analisa-se as repercussões desta etapa para o bem-estar dos profissionais. Mostra-se a partir dos resultados de um estudo empírico, quais as melhores estratégias para assegurar a vivência desta etapa de forma adaptada. No Capítulo 11, são apresentadas as alterações contratuais do mercado de emprego, destacando-se o aumento do trabalho contingente e caracterizando estas modalidades. Através de uma análise não só das características inerentes as estas modalidades, mas também das características destes trabalhadores, apresentam-se as suas repercussões para a saúde dos trabalhadores. No Capítulo 12, é analisado o assédio moral no trabalho, definindo o fenómeno e analisando os fatores que favorecem a sua ocorrência. São apresentadas estratégias que previnem o seu aparecimento assim como estratégias para atuar nestas situações. A quarta parte dedica-se à prevenção e intervenção no domínio da Psicologia da Saúde Ocupacional, apresentado áreas, estratégias, ações e práticas deste domínio. No Capítulo 13, é apresentada uma metodologia específica – HERO – salientado os seus pressupostos teóricos, etapas e resultados. São dados exemplos práticos da sua utilização em diferentes contextos. No Capítulo 14, desenvolve-se a gestão da qualidade de vida nas organizações, destacando-se os seus pressupostos, objetivos, ações e efeitos. É destacada a necessidade de se atender à qualidade de vida dos profissionais no contexto atual. No Capítulo 15, analisa-se a segurança de trabalho, destacando-se a importância da construção de uma cultura de segurança para prevenir os acidentes de trabalho. Descreve-se um estudo de caso por forma a exemplificar a perspetiva. Por último, no Capítulo 16, destaca-se a Medicina do Trabalho e a sua relação com a psicologia na promoção da saúde dos trabalhadores. Analisa-se a formação do médico do trabalho e a sua atuação no contexto organizacional. Refira-se que foram escolhidos como autores de cada capítulo profissionais de três países – Portugal, Espanha e Brasil –, que têm dedicado grande parte da sua atividade profissional à investigação e/ou à ação no âmbito da Psicologia da Saúde Ocupacional e, mais especificamente, à temática abordada no respetivo capítulo. Em todos podemos encontrar não só a preocupação em integrar e desenvolver as temáticas de acordo com os pressupostos teóricos que as fundamentam, mas também a preocupação em fornecer guias de atuação que permitam conduzir a implementação de estratégias, ações e práticas de promoção da saúde em contexto organizacional. Deste modo, podemos dizer que este livro tem como principais destinatários todos os que pretendam adquirir ou aprofundar conhecimentos na área da Psicologia da Saúde Ocupacional e, de um modo mais específico, todos os psicólogos que intervêm em contexto do trabalho e das organizações, bem como os estudantes de Psicologia, Recursos Humanos e áreas afins. Boa leitura! XXVI


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Promoção da Saúde Ocupacional em Contexto Escolar: da Saúde Física ao Bem-Estar Profissional dos Professores

Alexandra Marques Pinto e Maria-João Alvarez

Introdução

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A escola tem desde há muito vindo a ser descrita como uma ecologia geradora de stress para os professores e a docência como uma profissão de risco para a saúde ocupacional (Organização Internacional do Trabalho – OIT, 1981) dadas as elevadas exigências que lhe são intrínsecas, associadas à responsabilidade de educar crianças e jovens nem sempre fáceis de motivar, ensinar ou avaliar. A estas exigências acrescem outros desafios adaptativos colocados pela sociedade atual ao trabalho docente (Heckert, Aragão, Barros & Oliveira, 2001). Entre estes contam-se as alterações na estrutura e funcionamento da sociedade contemporânea, em que se incluem a globalização e a mutação constante de saberes, as convulsões socioeconómicas, as modificações na estrutura familiar e a falta de modelos de referência alternativos, a multiculturalidade e as exigências de inclusão. No sistema educativo, na escola, na carreira docente, têm-se também verificado importantes transformações conjunturais em Portugal, como a massificação do ensino e a carência de recursos físicos e humanos, o número de alunos por turma, a falta de participação dos encarregados de educação na vida da escola, as alterações constantes na definição do papel dos professores, a desvalorização social do estatuto profissional dos docentes, os problemas das colocações e do tipo de vínculo contratual, entre outros fatores (Marques Pinto & Picado, 2011). As respostas de distress perante estas elevadas exigências são frequentes e podem conduzir a riscos para a saúde ocupacional dos docentes associados à doença física e mental, ao absentismo e à deterioração da qualidade do desempenho do professor e do comportamento e rendimento académico dos seus alunos (Jennings, Frank, Snowberg, Coccia & Greenberg, 2013). Neste capítulo, abordamos o tema da saúde ocupacional dos professores numa dupla perspetiva de compreensão da saúde física e do bem-estar profissional. Começamos por caracterizar os problemas do stress e do burnout profissional dos docentes para de seguida analisarmos as principais abordagens à sua prevenção e referirmos os estudos sobre engagement profissional numa perspetiva de promoção do bem-estar destes profissionais. Seguidamente, destacamos a importância da adoção de diversos comportamentos de saúde para a qualidade de vida física, mental, social e profissional dos adultos em geral e dos professores em particular. A finalizar o capítulo defendemos a ideia de que o contexto escolar reúne um potencial valioso de recursos, capaz de alicerçar o necessário investimento em políticas e programas de promoção da saúde e do bem-estar ocupacional destinados aos professores. 135


Psicologia da Saúde Ocupacional

Stress profissional na docência Os professores desempenham um papel fundamental na educação das nossas crianças e jovens e sem eles é difícil imaginar como a cultura e as realizações intelectuais poderiam ser transmitidas às gerações vindouras. Contudo, a sua tarefa é tão pesada e exigente que muitos professores se ressentem negativamente do seu trabalho (Evers, Tomic & Brouwers, 2004). No início dos anos 80, a OIT (1981) denunciou a gravidade do problema do stress profissional dos professores, identificando-o como uma das principais causas de abandono da profissão e classificando a docência como uma profissão de risco de esgotamento físico e mental. A investigação científica fez eco desta preocupação, de tal modo que a docência é uma das profissões mais estudadas na ótica do stress profissional, a nível internacional e também em Portugal (e.g., Dias & Queirós, 2010). Um dos estudos de referência, de Kyriacou e Sutcliffe (1978), remonta aos anos 70 e revelou que 25% dos professores ingleses inquiridos descrevia a sua profissão como muito stressante. Duas décadas depois, Capel (1991) e Cockburn (1996) contabilizaram em 40% e 44%, respetivamente, os professores que nas suas investigações referiam níveis elevados de stress profissional e durante a década de 90 a docência surgiu no topo das listagens de profissões sujeitas a maiores níveis de stress (International Labour Office, 1993). Em Portugal, Cruz (1989 e 1990), num estudo realizado no Norte do país no início dos anos 90, e Marques Pinto, Lima e Lopes da Silva (2003) num estudo efetuado na zona da Direção Regional de Educação de Lisboa na década seguinte, verificaram que 45% e 63%, e 54%, respetivamente, dos professores inquiridos avaliavam a sua atividade profissional como muito ou extremamente geradora de stress. Mais recentemente, diversos estudos realizados em diferentes zonas do país têm igualmente identificado indicadores relevantes de vulnerabilidade ao stress entre os professores portugueses (e.g., Gomes et al., 2006; Rita, Patrão & Sampaio, 2010) e o projeto europeu Stress­Less (2011) revelou que os docentes portugueses eram os que apresentavam níveis mais elevados de stress por comparação com os dos restantes oito países participantes. Neste quadro, a investigação científica tem procurado identificar os fatores que contribuem para a perceção de stress profissional pelos docentes. Uma compreensão integrada dos principais fatores reconhecidos em estudos norte-americanos, europeus e portugueses remete pelo menos para dois níveis de análise do problema (e.g., Jesus 2002; Greenglass, 2005). Num primeiro nível de análise, desde logo importa considerar os fatores sociais que afetam indiretamente os professores pelos condicionalismos que criam no seu contexto de prática. A globalização, a multiculturalidade, as tecnologias converteram-se, nos últimos anos, em eixos fundamentais da sociedade do conhecimento, lançando novos desafios e reformas aos sistemas de ensino e exigindo aos professores um esforço de adaptação enquanto protagonistas e instrumentos de transformação social (Durán, Extremera, Montalbán & Rey, 2005). Paralelamente, as profundas alterações socioeconómicas ocorridas nas últimas décadas têm produzido modificações significativas no papel dos docentes, associadas não só à crescente burocratização da profissão, mas também à transferência dos papéis educativos da família para a escola. De facto, os professores são tidos como principais responsáveis pela aprendizagem, desenvolvimento global e bem-estar de potencialmente todos os alunos com quem trabalham (Marques Pinto, Lima & Lopes da Silva, 2008). 136


Promoção da Saúde Ocupacional em Contexto Escolar: da Saúde Física ao Bem-Estar Profissional dos Professores

Num segundo nível de análise, é necessário ter em conta os fatores organizacionais que afetam diretamente os professores e contribuem para a sobrecarga de trabalho a que estão sujeitos, fatores estes relacionados, por um lado, com exigências da sua prática junto dos alunos e do desempenho de outros cargos na escola e, por outro, com a debilidade dos recursos materiais, de formação e de tempo disponíveis (Marques Pinto, Lima & Lopes da Silva, 2005). Efetivamente, as dificuldades colocadas por problemas recorrentes associados, designadamente, às dificuldades de aprendizagem, desmotivação e indisciplina dos alunos, encontram-se entre os principais fatores de stress referidos pelos professores. A pressão de tempo é outra característica da atividade docente percebida pelos professores como uma importante fonte de stress, pressão de tempo durante o período letivo e, para além deste, na planificação das aulas e preparação de materiais, na realização das avaliações, nas reuniões com os colegas, entre outras atividades. Ainda de salientar como fator de stress o desempenho pelos docentes de outros cargos na escola, designadamente como diretores de turma, membros dos órgãos de gestão, delegados de grupo, os quais lhes exigem competências (e.g., de aconselhamento educacional, de caráter administrativo, de liderança) em que raramente receberam formação (Marques Pinto et al., 2008). Verifica-se assim um desequilíbrio paradoxal entre as elevadas exigências colocadas aos professores e os recursos em termos de formação e outros apoios disponibilizados por uma sociedade que tende a responsabilizá-los pelas falhas do sistema educativo e que tem vindo a desvalorizar o seu estatuto e imagem social (Marques Pinto et al., 2005). Este desequilíbrio entre exigências e recursos percebidos associa-se a sentimentos de falta de controlo, instabilidade e insegurança e constitui um ingrediente essencial para a compreensão do fenómeno do stress profissional dos professores (National Institute for Occupational Safety and Health, 2008). O stress profissional dos professores e as exigências socioprofissionais que lhe estão associadas constituem, em suma, um dos principais problemas com que o setor educativo se confronta, impondo, segundo o Programa de Trabalho da Comissão Europeia “Educação e Formação 2010”, a necessidade de procurar soluções que permitam aos professores gerir melhor o stress relacionado com o trabalho e, desta forma, prevenir impactos negativos na sua saúde/bem-estar e desempenho (StressLess, 2011). Entre os efeitos negativos do stress profissional dos professores, a investigação científica, de cariz essencialmente correlacional, tem revelado que o stress profissional se associa a fenómenos como o aumento das baixas médicas e do absentismo, alienação, baixo commitment, perda de produtividade e abandono da profissão (Durán et al., 2005), bem como a problemas de comportamento e quebras no rendimento académico dos seus alunos (Jennings et al., 2013). O burnout é, contudo, a consequência do stress profissional mais amplamente estudada e é sobre ele que nos debruçamos de seguida.

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Prevenção do burnout e promoção do bem-estar Nesta secção do capítulo começamos por caracterizar o problema do burnout profissional, de seguida debruçamo-nos sobre o tema da sua prevenção e finalmente abordamos o conceito de engagement profissional e o seu papel na promoção do bem-estar dos professores. 137


Psicologia da Saúde Ocupacional

Burnout profissional: caracterização do problema O confronto continuado com fatores de stress persistentes e muitas vezes silenciosos, em que as tentativas de coping dos docentes resultam ineficazes, pode conduzir à síndrome de burnout profissional, a qual constitui uma reação disfuncional ao stress profissional cumulativo e prolongado (Leiter & Maslach, 2004; Schaufeli, Leiter & Maslach, 2009). No estudo do burnout profissional, a definição de Maslach (1976) relativa aos profissionais de ajuda e posteriormente alargada por Maslach e Leiter (1997) a todos os tipos de profissões e operacionalizada no MBI – Maslach Burnout Inventory (Maslach, Jackson & Leiter, 1996), é a que reúne maior consenso e maior número de citações. Nesta perspetiva, o burnout profissional dos professores tem sido conceptualizado como uma síndrome tridimensional de exaustão (emocional e/ou física), despersonalização/cinismo e diminuição da realização/ /eficácia profissional. A exaustão constitui uma reação ortodoxa ao stress profissional que envolve sentimentos de desgaste e de esgotamento dos recursos pessoais. A dimensão de despersonalização/cinismo remete para uma componente de coping e refere-se à adoção de atitudes negativas, frias e cínicas face aos alunos ou ao trabalho desenvolvido. Por último, a diminuição da realização/eficácia profissional constitui uma componente autoavaliativa e corresponde a uma perda dos sentimentos de competência e sucesso no trabalho docente (Maslach, 1999). Tal como os estudos sobre stress profissional, os estudos sobre a incidência do burnout na docência colocam de novo os docentes entre os profissionais de mais elevado risco (e.g., Schaufeli, 2005), apresentando alguns níveis de sintomas superiores aos encontrados noutras profissões (e.g., Aloe, Amo & Shanahan, 2014). Investigações comparativas deste tipo realizadas nas últimas décadas (e.g., Mallmann, Palazzo, Carlotto & Aerts, 2009; Maslach et al., 1996; Schaufeli & Enzmann, 1998) revelam que os professores apresentam efetivamente os níveis de exaustão emocional e de despersonalização mais elevados, enquanto a perda de realização pessoal no trabalho não é tão acentuada como noutros profissionais. Investigações realizadas nos mais diversos países sugerem uma preocupação global com este fenómeno que parece estar presente em todas as fases da carreira docente, até mesmo desde a formação inicial (Aloe et al., 2014 ), e afetar professores de todos os níveis de ensino, do básico ao superior (e.g., Azeem & Nazir, 2008; Carlotto & Câmara, 2004). Contudo, os professores são um grupo heterogéneo e a investigação que compara os níveis de burnout entre professores de diferentes níveis de ensino tem revelado que os professores universitários apresentam menores níveis de burnout, designadamente de exaustão emocional e de perda de realização profissional, do que os professores dos ensinos básico e secundário (Carlotto & Câmara, 2004) e que entre estes últimos os professores do básico apresentam menores níveis de exaustão emocional e de despersonalização do que os do secundário (Ferreira & Martinez, 2012). Paralelamente, a literatura tem explorado as relações entre outras variáveis sociodemográficas e profissionais e os sintomas de burnout. A título ilustrativo, vários estudos revelaram que o burnout é mais elevado entre os professores mais jovens e entre os não casados, entre aqueles que lecionam em escolas urbanas ou suburbanas (Aloe et al., 2014), os que têm uma maior carga letiva (e.g., Gomes & Quintão, 2011) e, apesar de alguma inconsistência, que os homens pontuam mais em despersonalização (e.g., Ferreira & Martinez, 2012) e as mulheres mais em exaustão (e.g., Gomes & Quintão, 2011). 138


Promoção da Saúde Ocupacional em Contexto Escolar: da Saúde Física ao Bem-Estar Profissional dos Professores

No que refere a realidade no nosso país, e dada a ausência de critérios clínicos ou de normas estatísticas representativas para o grupo profissional dos professores portugueses (Marques Pinto & Lima, 2011), a determinação dos níveis de incidência desta síndrome nos docentes é uma questão difícil de responder em termos absolutos. Todavia, a aplicação do MBI – Educators Survey (Maslach et al., 1996) tem permitido realizar diversos estudos com amostras de professores de diferentes zonas geográficas e níveis de ensino, passíveis de comparação entre si e com os resultados obtidos noutros países. Um estudo de Marques Pinto e colaboradores (Marques Pinto, 2000; Marques Pinto et al., 2005), realizado no início da década passada com professores dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e do ensino secundário da Direção Regional de Educação de Lisboa (DREL), revelou médias de 18,2 para a exaustão emocional (podendo oscilar entre 0 e 54), de 3,6 para a despersonalização (0-30) e de 33,2 para a realização profissional (0-48). Um outro estudo com professores dos mesmos níveis de ensino, mas realizado em escolas da Região Norte de Portugal no final da década passada, revelou valores de exaustão emocional superiores (M=24,3) e de despersonalização (M=3,1) e realização profissional (M=34,1) bastante próximos (Dias & Queirós, 2010). Um terceiro estudo a referir, realizado por Perestrelo em 2011, com professores do pré-escolar ao ensino secundário da Região Autónoma da Madeira, encontrou valores próximos dos anteriormente referidos nas dimensões de exaustão emocional (M=20,3), despersonalização (M=4,4) e realização profissional (M=34,6). Finalmente, num estudo realizado com docentes de 3.º ciclo a lecionarem na zona do Baixo Alentejo (Quirino, 2008), verificaram-se os valores médios de exaustão emocional mais baixos, de 15,6 e valores de despersonalização e realização profissional bastante próximos dos demais, respetivamente de 3,7 e 35,2. Estes valores encontrados nos vários estudos portugueses referidos são bastante consistentes com os obtidos noutros estudos realizados no sul da Europa, em Espanha (e.g., Gil-Monte & Peiró, 1997), Itália e França (Pedrabissi, Rolland & Santinello, 1993).

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No estudo realizado na DREL, a análise de indicadores compósitos da incidência do burnout, correspondentes à distribuição em três percentis iguais das respostas a cada componente do burnout, revelou um quadro preocupante, uma vez que 6,3% dos docentes apresentava altos níveis de exaustão emocional e de despersonalização e baixos níveis de realização pessoal no trabalho, correspondendo a uma situação de burnout pleno. E, paralelamente, 30,4% dos professores manifestava altos níveis de sintomas em uma ou duas das dimensões do burnout e níveis médios na(s) restante(s), estando pois em risco elevado de evoluírem para burnout pleno (Marques Pinto, 2000; Marques Pinto et al., 2005). Estes resultados constituem provavelmente uma subestimativa dos níveis de incidência do burnout na medida em que esta síndrome se associa frequentemente ao absentismo e ao abandono da profissão docente e, consequentemente, alguns dos professores em burnout poderiam estar ausentes da escola na altura em que o questionário foi aplicado (Marques Pinto et al., 2005). O estudo das consequências negativas do burnout profissional dos professores (ou mais frequentemente dos seus correlatos, pois a maioria dos estudos realizados é de natureza correlacional), tem revelado consequências muito próximas, naturalmente, das identificadas nos estudos sobre o stress profissional na docência e que se podem enunciar em torno de três grandes eixos. Desde logo consequências em termos individuais, respeitantes a sintomas de mal-estar físico e psicológico como úlceras, desordens cardiovasculares, sintomas psicossomáticos, ansiedade, depressão (Guglielmi & Tatrow, 1998), baixo sentido de auto­ 139


16,7cm x 24cm

21 mm

Psicologia organizacional Capital humano e capital psicológico Motivação, stress e bem-estar Assédio moral no trabalho Equipas de trabalho Novas organizações Expressão facial Equipas virtuais Comunicação não verbal Liderança Ética e tomada de decisão Responsabilidade social

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Qualidade de serviço Empreendedorismo

Esta obra, pioneira em Portugal, pretende dar uma perspetiva da Psicologia da Saúde Ocupacional como uma área da Psicologia do Trabalho e das Organizações que se debruça sobre a proteção e a promoção da saúde e do bem-estar dos trabalhadores (National Institute for Occupational Safety and Health – NIOSH). Para tal, está organizada em quatro partes, nas quais se aprofunda a conceção teórica desta disciplina; a saúde ocupacional em contextos específicos – atendimento, emergência, educação e hospitalar; os diferentes fatores da vida do indivíduo fora e dentro do contexto de trabalho, que influenciam a saúde dos profissionais – família, aposentação, contratação contingente e assédio moral; e a prevenção e intervenção no domínio da Psicologia da Saúde Ocupacional, apresentando áreas, estratégias, ações e práticas deste domínio.

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ISBN 978-989-693-051-6

www.pactor.pt

9 789896 930516

Maria José Chambel

Deste modo, este livro tem como principais destinatários todos os que pretendam adquirir ou aprofundar conhecimentos na área da Psicologia da Saúde Ocupacional e, de um modo mais específico, todos os psicólogos que intervêm em contexto do trabalho e das organizações, bem como os estudantes de Psicologia, Recursos Humanos e áreas afins.

Coordenação:

Os capítulos foram escritos por professores e profissionais de Portugal, Espanha e Brasil, que têm dedicado grande parte da sua atividade profissional à investigação e/ou à ação no âmbito da Psicologia da Saúde Ocupacional e, mais especificamente, à temática abordada no respetivo capítulo. Em todos podemos encontrar não só a preocupação em integrar e desenvolver as temáticas de acordo com os pressupostos teóricos que as fundamentam, mas também a preocupação em fornecer guias de atuação que permitam conduzir a implementação de estratégias, ações e práticas de promoção da saúde em contexto organizacional.

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www.pactor.pt

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Psicologia da Saúde Ocupacional

Psicologia da Saúde Ocupacional

Psicossociologia do Trabalho e das Organizações

16,7cm x 24cm

Psicologia da Saúde Ocupacional Coordenação:

Maria José Chambel

9cm

Coordenadora e Autora

Maria José Chambel Professora associada com agregação na Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa (FP-ULisboa). Tem um doutoramento em Psicologia Social e leciona no âmbito da Psicologia do Trabalho e das Organizações. É coordenadora das pós-graduações em Crise e Emergência (cocoordenação com a Professora Teresa Ribeiro) e em Psicologia da Saúde Ocupacional. É membro do Centro de Investigação em Ciências Psicológicas da ULisboa, no qual coordena o grupo de Carreiras e Organizações, e tem participado e coordenado vários projetos de investigação. Os seus principais interesses de investigação incluem a análise do contexto organizacional para explicar a relação de emprego, o stress e o bem-estar no trabalho.

Autores

Alejandro Orgambídez-Ramos | Alexandra Marques Pinto | Ana Cristina Limongi-França | Andreia Costa Tostes | Anette Souza Farina | Claudia Rus | Daniel Branquinho Moura | Fábio Alessandro Affonso Antonio | Filipa Castanheira | Isabel Martínez | Jesús Yeves | Joana Pereira | Joana Soares Cugnier | Joana Vieira dos Santos | João Aguiar Coelho | João Viseu | José Carlos Zanelli | Laura Lorente | Magda Macedo Madalozzo | Maria Helena André | Maria-Helena Almeida | Maria-João Alvarez | Mariana Neto | Marisa Salanova | Narbal Silva | Pedro Lobo | Renata Schirrmeister | Rui Pedro Ângelo | Saul Neves de Jesus | Sérgio da Borralha | Sílvia Lopes | Susana Llorens | Suzana da Rosa Tolfo | Thiago Soares Nunes | Vânia Sofia Carvalho

Ver currículos no interior do livro

Profile for Grupo Lidel

Psicologia da Saúde Ocupacional  

Obra pioneira e atual sobre as teorias e as boas práticas de proteção e promoção do bem-estar, saúde e segurança dos trabalhadores. Livro mu...

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