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SEGUE-O

Universidades JP — Uma boa aposta! | 8 Ainda este ano se vai realizar mais uma edição das Universidades JP, organizadas pelo Gabinete de Estudos Gonçalo Begonha. Vem conhecer a perspectiva do Coordenador do GEGB, relativamente aos frutos da pråtica desta actividade pedagógica.

E agora, TunĂ­sia? - O futuro do paĂ­s pioneiro da “Primavera Ă rabeâ€? por Daniel Albino | 4

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Rubrica Internacional Primavera à rabe: Mudança de Estação por Miguel Turnbull |6

s tempos sĂŁo de mudança. O mundo Ă rabe torna-se o centro de todos os noticiĂĄrios e, a qualquer instante, notĂ­cias de Ăşltima hora podem surgir nas nossas televisĂľes. Daniel Albino e Miguel Turnbull debruçam-se sobre a “Primavera Ă rabeâ€?, proporcionando-nos uma credĂ­vel anĂĄlise sobre a actualidade


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nesta edição Página 4

E agora Tunísia? O futuro do país pioneiro da “Primavera Árabe” Por Daniel Albino Página 6

Rubrica Internacional: Primavera Árabe: Mudança de Estação por Miguel Turnbull Página 6

Universidades JP—Assim se faz melhor JP por iago Loureiro

equipa

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Tribuna da Liberdade por Samuel de Paiva Pires Página 11

Coluna literária por Miguel Turnbull Página 12

Opinião Marco Marques Patrícia Braz Pires

Editor Joana Martins Rodrigues

Colaboradores Filipe Carneiro de Almeida João Empis Joaquim Henriques

Corrector Linguístico Ricardo Raposo

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Agenda


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EDITORIAL

serem reis neste país de cegos.

Agora, aquilo que me provoca arrepios só de pensar: os passivos. No nosso quotidiano essa JOANA RODRIGUES | EDITOR DE palavra até nem tem uma conotação pejorativa. “LADO DIREITO” Vejamos o seguinte exemplo: fumador activo e fumador passivo. Bem, não será preciso exemplificar mais. Todavia, para mim e neste contexto, “passivo/s” é de facto péssimo! E, à nossa volta, feliz ou infelizmente (isto, porque seria terrível se a maioria fosse “dos bons”), vemo-nos rodeados de “gente” passiva – relembro que me refiro apenas a jovens – que aproveita a vida de uma forma descontraída. Se frequenta a faculdade é apenas porque “O meu pai matava-me, se eu não tirasse um curso superior!”. Como este exemplo, Activos e passivos existem outros milhares. Milhares que se traduzem Ultimamente tenho-me deparado com uma certa na concentração de licenciados ou jovens em vias ambiguidade no que diz respeito à forma como é de, que nada próspero podem ou vão proporcionar possível caracterizar a juventude. Juventude, no seu ao nosso país. sentido mais lato. Essa dupla caracterização divideEu costumava acreditar que quem é de facto bom, se, nem mais nem menos, pelos que são activos e quem consegue atingir os seus objectivos, sem que os que são passivos. isso lhe seja imposto, tem sucesso; consegue Sendo este texto uma opinião e, como tal, superar os que andam “por andar”. Contudo, hoje completamente parcial, tenho a prerrogativa de não acredito em nada disso. Hoje acredito que, exprimir as minhas ideias tais quais elas são, sem mais do que nunca, vivemos num “salve-se quem complexos e/ou medos de ferir susceptibilidades. puder”. Acredito que, com o passar do tempo, me Voltando à caracterização, classifico os activos sinto mais pessimista no que diz respeito à condição como pessoas que efectivamente se debruçam humana. Todavia, a História é cíclica, logo se por sobre as questões da actualidade e que, quando um lado, os males se repetem, o bem (se é que se confrontados com uma questão, não de cultura pode apelar assim) repetir-se-á. geral, mas do que pensam do quotidiano, se Agora interrogam-se do porquê da pertinência dos aprontam imediatamente a responder de forma activos e passivos. Ao que eu respondo que, a meu coerente e arrojada. Diminuindo em larga escala o ver, os activos são aqueles que, a bem ou a mal, lato sentido da minha caracterização, é possível ainda conseguem prosperar. Essa prosperidade, afirmar que dentro da Juventude Popular há jovens muitas vezes, nem sequer é visível – reflecte-se na activos – quase todos, atrevo-me a assegurar. Isto actividade intelectual e proactiva. Os passivos são deixa-me, de certa forma, contente e feliz por aqueles que ainda têm pés para andar, porque os partilhar com centenas de pessoas uma instituição “parvos” dos activos se preocupam. É triste e que consegue fazer com que cresçamos. revoltante. É injusto? Não. É a vida que nunca foi e Provavelmente, não será da Instituição. Será das nunca será perfeita. próprias pessoas que a procuram! Essa ideia ainda me agrada mais. Afinal, há pessoas capazes neste país, com ideias próprias e sem complexos de


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agora

Tunísia?

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O futuro do país pioneiro na Os candidatos… As primeiras eleições após a queda de ‘Primavera Árabe’ O processo… Volvidos 10 meses da imolação de Mohamed Bouazizi, comerciante tunisino que deu origem ao movimento de contestação, hoje designado ‘Primavera Árabe’, ao então Presidente da Tunísia, General Zine El Abidine Ben Ali, que desde Novembro de 1987 chefiava os destinos daquele país do Norte de África, na sequência de um golpe militar, a Tunísia acaba de entrar numa nova fase. Passadas quatro semanas de violentos confrontos que ditaram a fuga de Ben Ali para a Arábia Saudita, o Conselho Constitucional indicou o Presidente do Parlamento Fouad Mebazaâ como Presidente da República interino, com base no artigo 57 da Constituição, sendo Mohamed Ghannouchi, Primeiro-Ministro demissionário, reconduzido no cargo. Contudo, a insatisfação crescente ditou a demissão do mesmo no mês seguinte. Sucedeu-lhe Beji Caid Essebsi, responsável por levar ao país as primeiras eleições livres, após a saída de Ben Ali. As eleições para a Assembleia Constituinte, que foram inicialmente marcadas para Julho pelo Governo de transição tunisino, acabaram por ser adiadas para 23 de Outubro, de forma a garantir a normalidade do processo.

Ben Ali - eleições para a Assembleia Constituinte e nomeação do Governo interino -, elegeram 217 deputados para a Assembleia Constituinte que terá, num prazo de um ano, de fazer uma nova Constituição, formar um novo Governo e eleger um novo Presidente para a Tunísia. Concorreram a estas eleições: o Ennahda - Partido Islamita Moderado - fortemente reprimido durante a vigência da ditadura de Ben Ali; o Partido Democrata Progressista - pólo Democrático e modernista - composto por cinco pequenos partidos de esquerda; o Afek Tounes - partido Liberal; e o Ettakatol partido de centro-esquerda, liderando uma lista de 105 formações políticas do país.

Os resultados… O sufrágio contou com uma participação de mais de 70% da população tunisina eleitora, tendo as eleições sido fortemente participadas, quer do lado


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com uma participação massiva de observadores internacionais e jornalistas. O vencedor das primeiras eleições foi o Partido Moderado Islâmico - Ennahda, que arrecadou 41,47% dos votos expressos, conquistando 90 lugares dos 217 da Assembleia Constituinte. Seguindo -se o Partido do Congresso pela República, com 30 lugares e o Ettakatol, de esquerda, com 21 lugares. Ficando, assim, compostos os primeiros lugares dos novos representantes do povo tunisino. O líder do Partido mais votado, Rachid Ghannouchi, regressou à Tunísia 16 dias após o início dos confrontos, depois de ter passado os últimos 22 anos no exilo forçado pelo ex-presidente Ben Ali. Apurados os resultados eleitorais, os novos representantes tunisinos encontram-se em negociações para a formação do novo Governo interino, que deverá conduzir a Tunísia no próximo ano.

- Argélia, Líbia, Jordânia, Mauritânia, Omã, Iémen, Arábia Saudita, Líbano, Egipto, Síria, Marrocos também foram afectados pelos movimentos de contestação política inseridos na Primavera Árabe; - A ‘Primavera Árabe’ já depôs o Presidente Egípcio, Hosni Mubarak, que abdicou após fortes manifestações no país; - O Coronel Kadhafi, recusando-se a abandonar o poder, mergulhou o país numa guerra civil, que opôs as forças militares leais ao governo e os rebeldes, acabando por vitimar o próprio General nas mãos dos Rebeldes;

- As eleições no Egipto estão marcadas para dia 28 de O futuro… Novembro, Os partidos laicos e o sector laico da depois de Sociedade tunisina mostraram já terem sido preocupação pela vitória dos moderados adiadas. islamitas, sendo esta preocupação partilhada por alguns membros da comunidade internacional, que se mostraram preocupados com a possibilidade da Tunísia se virar para o fundamentalismo islâmico. Outros aspectos relevantes:

Daniel Albino Vice-Presidente da Comissão Política de Lisboa


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O ano de 2011 terá certamente um capítulo de destaque nos livros de história, pelos eventos que tiveram lugar no seu decorrer. Indubitavelmente, a crise nas economias europeias e todas as suas repercussões políticas terão tido um impacto primário na agenda internacional portuguesa. No entanto, o ano iniciou-se chamando a atenção global para uma nova realidade política nos países árabes do norte de África.

de algo ainda mais dramático, as ideologias. As novas tecnologias permitiram, então, um fácil por Miguel acesso a todas as formas de influência ideológica, face às quais os governos, por muito opressivos que sejam, não têm capacidade de controlo.

Primavera

A mudança

O status quo da região foi abalado de uma forma totalmente nova e imprevisível. Lembremo-nos que estes estados são caracterizados por terem poderes estabelecidos com níveis muito altos de Um simples evento na Tunísia despoletou repressão das liberdades individuais e um processo que rapidamente se alastrou aos seus vizinhos, provocando um terramoto nos poderes caducos da região, que sem meios para confrontar as exigências dos povos e a pressão da comunidade internacional, foram abandonando o poder. Os governos da Tunísia e do colectivas e com uma forte impermeabilidade Egipto foram derrubados por manifestações face a influências externas. Ora, é neste civis, enquanto outros governos, como o de aspecto que o papel das novas tecnologias foi Marrocos, foram mais expeditos ao anunciar fundamental. A globalização, para além de medidas de liberalização e de flexibilização permitir a transferência a nível global de da participação civil no processo decisório. bens e capitais, permite a rápida transferência


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Ao se aperceberem da volatilidade da situação, os governantes espalhados pelo mundo árabe Turnbull sentiram a necessidade de se aproximarem dos desejos das suas populações. Na Líbia existiu de facto uma Guerra Civil, na qual a comunidade internacional interveio, mas não sem muitas críticas e reticências. A recente morte do ditador Kadafi parece ter posto fim ao conflito. Neste momento, o líder sírio Bashar alAssad, apesar da promessa de reformas institucionais, continua irredutível na forte repressão das manifestações, lutando contra os ventos da mudança.

Árabe

de estação

Em pouco menos de um ano deram-se enormes mudanças na geopolítica da região Mediterrânica, que, de um modo ou de outro, se fizeram sentir na Europa. Desde logo, problemas relacionados com emigração que obrigaram a Itália a revogar momentaneamente o espaço Schengen e, mais importante ainda, uma apreensão generalizada devido à dependência que o sul da Europa tem face aos recursos energéticos vindos do Magrebe. A Europa está agora expectante para observar como se vão desenrolar os processos de transição de poder em países habituados a décadas de autocracias saídas do vazio pós colonial. É obvio que a comunidade internacional espera que exista

uma suave transição para democracias representativas. Esta condição permitiria a criação de um ambiente menos tenso nas relações entre o Ocidente e o mundo árabe, pois se atendermos a Francis Fukuyama as “democracias não combatem outras democracias”. Para a Europa é de todo o interesse a criação de um cordão de democracias árabes em torno das suas fronteiras. Além do evidente efeito de escudo contra países islâmicos mais radicais, a crescente dependência energética face à Rússia e a sua possível utilização por parte de Moscovo como arma política pode ser menorizada através da construção de relações positivas com as emergentes democracias árabes. Temos de ter em conta que o processo de transição não será fácil na maioria dos casos. A inexistência de instituições democráticas funcionais, as cicatrizes sociais criadas pelas descriminações perpetradas pelos regimes depostos e toda uma falta de cultura democrática serão, certamente, obstáculos que brotarão no caminho destes povos. A Europa poderá ser chamada a dar o seu contributo e aí a utilização do seu Soft Power (influência positiva através da

Miguel Turnbull Colaborador do Gabinete de Estudos e Formação Política


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UNIVERSIDADES JP Uma boa aposta

satisfação que vejo exemplos como o desta publicação, que, de alguma forma, cumprem a nobre missão de fazer a Juventude Popular crescer em qualidade.

Tiago Loureiro, Coordenador do Gabinete de Estudos da Juventude Popular, faz uma reflexão sobre a utilidade das Universidades JP— momento de extrema importância para a estrutura partidária —, admitindo que o percurso da JP não se deve limitar à conquista de filiações, mas ir além dessas expectativas.

Assim se faz

Na verdade, uma JP mais forte não é apenas uma JP com mais militantes. Essa tarefa de engrandecer as nossas fileiras, que tão bem temos sabido levar a cabo, não vive sem o equivalente crescimento intelectual e político daqueles que a nós se juntam a cada dia que passa. Uma JP melhor JP maior é uma JP que, crescendo cresce também, Por Tiago Loureiro quantitativamente, sobretudo, qualitativamente.

Coordenador do Gabinete de Estudos Gonçalo Begonha

Começo este texto agradecendo o simpático convite da Joana para dar o meu contributo no Lado Direito. Enquanto coordenador do Gabinete de Estudos Gonçalo Begonha, é com muita

Somos diferentes daqueles com quem somos normalmente comparados. Nunca gostamos de viver como um mero satélite do partido, nem como um rebanho de braços úteis apenas na hora de fazer número com bandeiras na mão. Sempre fomos conhecidos como a “jota” que não esquece que a política, antes de representar votos ou os lugares, representa princípios e ideias. Essa maneira de estar deve ser encarada como uma mais-valia para a JP. Até porque é exactamente isso que tem vindo a representar para o CDS e até para o país. Tal constatação é fácil de obter ao olhar para o Governo, onde rapidamente podemos identificar um ex-Presidente da JP como ministro e dois ex-militantes


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e dois ex-militantes como secretários de estado, ou para a bancada parlamentar do partido, onde brilham alguns dos mais destacados militantes da história da JP e dois dos seus melhores quadros da actualidade. Somos, de facto, uma escola de políticos de qualidade e não um centro de emprego ou uma oportunidade de uma carreira fácil.

destaque – nos enriquece a capacidade de pensar e nos oferece uma série de competências e conhecimentos que nos tornam melhores militantes, mais úteis à JP e ao CDS e, em consequência, mais úteis ao país.

Tal coisa não seria verdade, se a formação política no seio da JP não tivesse sido sempre tão valorizada. Essa é uma das nossas marcas. Não temos apenas as melhores ideias: sabemos trabalhá-las e melhora-las.

António Lobo Xavier, José Pacheco Pereira, Paulo Rangel, Raul Rosado Fernandes, Paulo Portas e Pedro Passos Coelho, são apenas alguns nomes que compõe o grupo de notáveis de que falava. Figuras de inegável impacto na sociedade portuguesa e com uma indesmentível capacidade para acrescentar algo a quem os ouve.

Um dos grandes palcos para o desenvolvimento das nossas ideias de sempre, para o debate de ideias novas, para o combate de argumentos e para as discussões que façam incidir a luz sobre novos e melhores caminhos a percorrer, sempre foi a Universidade JP.

Esta é uma tradição que importa manter viva. Mais: importa fazê-la crescer, tornando-a cada vez melhor e fazendo com que o seu contributo seja visto como cada vez mais indispensável para aqueles que têm a sorte de ser os seus primeiros e principais beneficiários.

Todos aqueles que tiveram a oportunidade de participar nesta experiência estão habituados a olhá-la com um carinho especial. Na verdade, não há na JP momento mais especial do que aquele em que a partilha de experiências e a aquisição de competências com algumas das mais relevantes personalidades da nossa praça – seja a nível político ou académico, ou simplesmente figuras da sociedade civil, responsáveis por factos dignos de

Perante a riqueza histórica que o passado da Juventude Popular representa, importa que no futuro saibamos cumprir a missão de a honrar tornando-a melhor. Por isso, estou certo de que a Universidade JP perdurará como o momento decisivo para esse crescimento. E assim se fará uma JP melhor.


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Novembro 2011| Lado Direito entrasse em incumprimento. Com estes incentivos, não admira que os políticos dos países do sul da Europa tivessem aproveitado a oportunidade para prometer aos eleitores mais benefícios, assim conseguindo vitórias eleitorais e alargando redes clientelares onde a por Samuel de Paiva Pires promiscuidade entre políticos, banqueiros e empresários é a regra. E tanto na Zona Euro como nos EUA, a Vice-Presidente da Mesa da Concelhia de Lisboa da JP actividade dos bancos centrais é também ela perversa, pois não só criam dinheiro a partir do nada e mantêm taxas de juro artificialmente baixas, como se prestam ainda à função de credor de último recurso, resgatando bancos privados mal geridos em vez de os deixarem falir, como defende o mercado livre e o capitalismo.

Tribuna da Liberdade

Mas os ocupantes de Wall Street e os seus camaradas europeus falham redondamente quando ao criticarem este panorama o denominam como capitalista, visto que na realidade aquilo a que assistimos é mais correctamente designado por crony capitalism, ou seja, uma perversão do capitalismo em que os privados se tornam próximos do poder político e fazem depender O Paradoxo dos Indignados o seu sucesso dos favores que este lhes confere. O diagnóstico dos sintomas está correcto, mas a doença O mês que passou viu as ruas de centenas de cidades em não é demasiado capitalismo mas sim pouco capitalismo. O capitalismo e o mercado livre fundamentam-se, como todo o mundo serem varridas por uma vaga de indignações e ocupações. Enquanto na Europa o efémero Kaiser assinala, na concorrência entre actores privados como os bancos e empresários, na ausência de agências movimento já perdeu força, nos Estados Unidos da de planeamento monetário centralizado, na falência de América os ocupantes de Wall Street continuam a empresas que são geridas de forma irresponsável, numa aumentar os seus números. Motivados pelo livro moeda forte que assegure o poder de compra do panfletário Indignez-vous! da autoria do intelectual dinheiro das pessoas, e na ausência de relações francês Stéphane Hessel e, certamente, pelo promíscuas entre o governo e as elites económicas. Ou revanchismo patente em Inside Job, uma película seja, exactamente o oposto daquilo a que vimos cinematográfica à boa maneira de Hollywood, plena de assistindo um pouco por todo o Ocidente. pseudo-moralismo esquerdista, os “indignados”, a começar por Hessel, acertam no diagnóstico mas falham A solução dos indignados para um problema que redondamente na cura, conforme Axel Kaiser1 e Russ é reflexo da expansão do aparelho estatal é mais estado, Roberts2 evidenciam. o que é perfeitamente ilógico: é o paradoxo dos Os indignados acertam em cheio quando reclamam contra a relação promíscua entre o poder político e a banca. Tanto nos EUA como na Europa, assistimos nas últimas décadas a uma convergência de interesses entre políticos e banqueiros. Os políticos expandiram o aparelho estatal a coberto do Estado Social, prometendo benefícios e direitos como forma de ganhar eleições, e ao aperceberem-se que não seria aceitável aumentar (ainda mais) os impostos cobrados aos contribuintes, descobriram que a forma que tinham de continuar a financiar as suas clientelas eleitorais e partidárias era através de empréstimos, ficando em larga medida à mercê da banca. Na Zona Euro, acresce ainda uma outra perversão, a da moeda única. Esta incentivou os países conhecidos jocosamente como PIIGS a endividarem-se a juros baixos, que se justificavam em virtude dos investidores terem encarado os títulos de dívida destes tão seguros quanto os da Alemanha, crendo que esta e a França os resgatariam se algum deles

indignados. Para Hessel, se os políticos e burocratas tiverem mais poder, o sistema será menos corrupto. A evidência histórica mostra precisamente o contrário, e não é por acaso que os países mais corruptos são aqueles onde o estado e os políticos têm mais peso na sociedade. Esta solução errada baseia-se em ideias que há muito vêm fazendo escola no pensamento político, tendo contribuído para alguns dos maiores desastres da humanidade, nomeadamente a combinação entre o colectivismo e o bem comum na perspectiva de Rousseau e a rejeição da liberdade individual que é o fundamento essencial da civilização ocidental.

1 Axel Kaiser, “The Paradox of the Outraged”, in Ludwig von Mises Institute website, 17 de Outubro de 2011. Disponível em http:// mises.org/daily/5762. Consultado em 1 de Novembro de 2011. 2 Russ Roberts, “Occupy Wall Street and Washington’s History of Financial Bailouts”, in Foreign Affairs website, 21 de Outubro de 2011. Disponível em http://www.foreignaffairs.com/articles/136609/russ-


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Num mês preenchido pelo debate da situação económica europeia e pelas negociações do orçamento de estado português, será interessante ter uma perspectiva de como será produzida riqueza Nova coluna onde, todos os meses, no futuro. No livro “A Revolução da Riqueza”, teremos as perspectivas daqueles que de Alvin e Heidi Toffler, é-nos apresentada a pretendem partilhar com os leitores as ideia de que a presente forma como é encarada a produção de riqueza está suas experiências literárias. desfasada da realidade. Existe uma enorme Este mês, Miguel Turnbull dessincronização entre a tradicional forma Obra: A Evolução da Riqueza de estar na produção e nos negócios e a Autores: Alvin e Heidi Toffler nova realidade provocada pelo desenvolvimento das tecnologias de informação. Desde logo, os autores identificam como nova principal fonte de riqueza o conhecimento. Existe assim uma terceira revolução da riqueza, após as revoluções agrícola e industrial. Todo o livro é escrito com a preocupação de dar exemplos simples e incisivos sobre cada capítulo, para que mesmo um leitor menos conhecedor das matérias possa entender bem o descrito. O capítulo 5 “O choque das velocidades” é especialmente gráfico e dá uma excelente perspectiva das diferentes velocidades com que os diferentes agentes económicos encaram as mudanças.

Critica Literária

Em suma “A Revolução da Riqueza” consiste numa leitura fácil, mas nem por isso menos incidente sobre a mudança do paradigma actual da produção de riqueza. Recomendo, sem reservas, a conhecedores e a leigos igualmente.


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Opinião Nesta edição, dois militantes da Juventude Popular abordam temas como a retrospectiva dos erros cometidos em Portugal e a forma de os corrigir; também é questionada a importância do voto, particularmente, em Portugal

Erros do passado, correcções do presente Muito tem sido discutido, debatido, sobre quais serão as consequências sociais e económicas que o Orçamento de Estado 2012 terá no país. Mas antes de avançar com qualquer análise, penso que é meu dever não só, enquanto apoiante das ideologias políticas defendidas pelo CDS/PP e militante da JP, mas também como cidadão português, que tenho de relembrar que esta situação poderia perfeitamente ter sido amenizada. É um facto incontestável que o anterior governo, liderado pelo senhor licenciado em engenharia José Sócrates, cometeu diversos erros. Erros esses, não só de avaliação nas medidas a ser tomadas para revitalizar a economia, penso aliás, que isso nem terá sido o mais grave, apesar de ter sido uma demonstração de uma enorme incompetência, sendo que a grande maioria dos líderes europeus fracassaram nesse campo, mais gravoso que isso, vexatório até para a população portuguesa, é que a determinada altura, se torna evidente, que se sabe do processo cada vez mais intenso que iria direccionar a situação económica nacional a uma instância recessiva e irreversível e, em vez de assumirem que algo estava errado, que era necessário repensar as políticas e tentar alterar a tendência que se avizinhava, tentam dissimular a

situação com discursos retóricos carregados de declarações falaciosas e pouco consensuais. No entanto, seria incorrecto depositar a culpa toda da situação que se presencia actualmente em Portugal no anterior governo. A responsabilidade inclui outras figuras políticas. A primeira vez que Portugal recebe o apoio comunitário regular é no ano de 1986, quando o Professor Aníbal Cavaco Silva era Primeiro Ministro e, até 2006 (ano em que Portugal deixa de receber o mesmo apoio), pouco foi feito com esse dinheiro que contribuísse aumentar a potencialidade comercial, aumentando consequentemente as exportações. Observou-se um crescimento bastante efectivo do PIB até ao final dos anos 90, algo que perfeitamente justificável tendo em conta que havia muito para evoluir em Portugal. Mas antes de avançar, vamos recuar um pouco no tempo. Em Abril de 1974, cai o regime ditatorial fascista em Portugal e, depois de um curto período onde o General Spínola (25 de Abril de 1974 - 16 de Maio de 1974) e o Doutor Adelino da Palma Carlos (16 de Maio de 1974 - 18 de Julho de 1974) foram Primeiros Ministros em Portugal, assume a liderança de um governo provisório de esquerda apoiado essencialmente pelo PCP e MRPP, o General Vasco dos Santos Gonçalves. É sobre a liderança do General que se dá o Verão quente de 1975 e por pouco Portugal não cai numa Ditadura Comunista.


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O Governo de Vasco Gonçalves acaba por cair em compromissos efectuados. E se é verdade que o 25 de Novembro de 1975, mas os governos Orçamento de Estado apresentado para 2012 é provisórios só cessam a 23 de Julho de 1976. severo para a maioria das famílias em Portugal, também é verdade que se queremos ultrapassar Durante dois anos existiram cinco governos provisórios em Portugal. O ano de 1975 foi marcado esta situação crítica e desconfortável, temos de nos unir e agradecer a honestidade apresentada pelo por uma eminente guerra civil. Portugal pouco evolui, e consequentemente muito havia para actual governo. Temos de saldar as nossas dívidas, para reinvestir e voltar a ganhar a confiança dos investir. De relembrar igualmente que pouco foi feito no Estado Novo para desenvolver o país a nível mercados. No entanto, temos de aprender com os erros do passado. Nunca seremos uma grande económico. potência, mas podemos tornar a nossa economia •É facto incontestável que Salazar foi mais sustentável. Com os recursos existentes, é importantíssimo numa instância inicial. Portugal necessário criar condições que nos tornem deparava-se com uma grave crise financeira e social competitivos. Encontramo-nos na periferia da e, o então Presidente de Concelho de Ministros, Europa, mas podemos ser o elo de ligação entre os consegue equilibrar as contas Nacionais. É países Sul-Americanos e o resto da Europa. Falar no igualmente um dado irrefutável que os cofres TGV de passageiros com ligação Porto/ Lisboa seria nacionais tinham imenso ouro guardado e, sem um disparate, mas um TGV de mercadorias a partir dúvida foram feitas algumas obras Públicas que de Sines poderia ser uma enorme valência tiveram alguma influência no desenvolvimento da económica futura para o nosso País. Nação •A

premissa principal do governo salazarista era disciplina e contenção. E apesar de se ter evidenciado alguns esforços em abrir as portas a um investimento externo, foi uma tentativa tardia e pouco eficaz. Portugal tinha muito ouro, mas relações externas muito insuficientes. Retomando a contextualização histórica dos anos 90, e como já referi, Portugal pouco aposta nas relações internacionais, não faz um controlo forte e severo aos empresários em Portugal que acabam por receber ajudas do Estado. Vive-se uma anarquia económica. Outro evento, de igual seriedade, foi o endividamento contraído. Na década de 90 75% da dívida era nacional 25% era estrangeira. No entanto, e pelas facilidades apresentadas pelos nossos parceiros europeus, onde a Alemanha assume um papel fulcral, nos dias de hoje a divida que nós temos para com o estrangeiro ultrapassa os 80%. Fomos desgovernados durante muito tempo, Marco Marques demasiado. Agora temos obrigações a cumprir. Coordenador do Gabinete de Educação da Concelhia de Lisboa Temos prazos e juros para pagar. Temos a TROIKA que controla o nosso comportamento para com os


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Voto em Portugal Votar é, ou deveria ser, tanto um dever como um direito da população. Mas, não! Como sempre, as pessoas preferem o comodismo e o não fazer nada, ao chamado acto cívico, onde podem duma forma subtil dar o seu parecer sobre o que querem para a política e para o futuro do seu país, designado por voto. Será isto coerente com o passado? E a resposta é muito clara, não. Se outrora, os portugueses se queixaram da ‘impotência’ que o seu voto tinha para as contagens, pois supostamente a corrupção na hora do voto era existente e isso criava descontentamento à população, hoje que vivem numa democracia onde a liberdade de expressão existe, preferem não votar e optar sempre pelo caminho mais fácil e mais comum, o criticar, mas nada fazer para mudar o que pensam estar mal. Como militante da Juventude

Popular, acredito que nós, os jovens, somos quem tem maior poder nos dias de hoje para fazer a mudança. Para isto, temos que nos focar nos problemas e arranjar soluções. Parte da solução está na ideia de criarmos maior e melhor consciência política no país e, mais que não seja, sermos activos nela. Para isso, o voto é essencial. Portanto, vota! Para uma maior coerência e verdade na política portuguesa.

Patrícia Teixeira Braz Pires Secretária da Mesa da Concelhia de Lisboa


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dos eleitores, quer no interesse da Comunidade Internacional,

agenda

10 dezembro |4.ª Edição “Lado Direito”

|LADO DIREITO| SEGUE-O

Lado Direito III  

Lado Direito III

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