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Outubro 2011| Lado Direito

N.º 2 | Outubro de 2011

SEGUE-O

IV Congresso Distrital de Lisboa Conhece melhor a recém-eleita Presidente da Comissão Política Distrital de Lisboa | 4

Nova rubrica: Tribuna da Liberdade

Rubrica Internacional China: A Dona do Mundo por Miguel Turnbull página 8

por Samuel de Paiva Pires página 6

O

novo espaço que Samuel de Paiva Pires preenche com artigos mensais onde expõe a sua opinião sobre a actualidade, recorrendo à sua íntegra capacidade de análise e compreensão.

U

ma Rubrica que marcará presença em todas as posteriores edições do “Lado Direito”, contando com a descrição detalhada da actualidade mundial por Miguel Turnbull.


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nesta edição Página 4

IV Congresso Distrital de Lisboa Página 6

Tribuna da Liberdade por Samuel de Paiva Pires Página 7

Saúde: Cuidados Paliativos por Isabel Galriça Neto Página 8

equipa

Rubrica Internacional China: Dona do Mundo por Miguel Turnbull

Editor Joana Martins Rodrigues

Página 10

Opinião João Empis António José de Moraes Baptista

Colaboradores Filipe Carneiro de Almeida João Empis Joaquim Henriques

Página 12

Agenda

Corrector Linguístico Ricardo Raposo


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EDITORIAL JOANA RODRIGUES | EDITOR DE “LADO DIREITO”

Quando as novas tecnologias anulam a concretização Desde o virar de milénio que as novas tecnologias, enquadrando neste parâmetro todos os meios de comunicação que excluam a privação física, têm assolapado a vida de todos nós. A velocidade com que se avança na técnica, no pormenor e na tentativa de superior qualidade é tal que, volvidos onze anos, não conseguimos descrever sucintamente todo o avanço científico. Este sucede de forma cada vez mais acelerada, pois cada descoberta dá azo a mais procura e, consequentemente, a outro maravilhoso achado. Acontece que, ultimamente, toda a concretização proporcionada por estes fantásticos meios apenas trouxe o caos, ou a inexequibilidade de boas medidas, de boas ideias. Felizmente, existem excepções. Todavia, a meu ver, são pouco relevantes quando for analisado o fruto do futuro. Todos assistimos aos confrontos que sucederam em Inglaterra em meados de Agosto. Confrontos esses que se proporcionaram graças à eficiência de certos meios de comunicação, como são exemplo as funcionalidades da rede social Facebook ou do sistema de um telemóvel Blackberry que movem e mantêm informadas milhares de pessoas. Consequências desastrosas, contudo, é impertinente acusar a evolução tecnológica dos males causados. Outro acontecimento que servirá de óptimo exemplo para o que pretendo clarificar, foi a concretização da manifestação da “Geração à Rasca”. É bom que assumam o termo “concretização” como muitíssimo importante, pois é aí que pretendo chegar.

Por outro lado, num meio que me é mais familiar, apesar de não ser relevante nomear qual, meios como o referido Facebook e outros semelhantes são constantemente referenciados como campos a desbravar, pois permitirão fazer chegar a informação ao maior número de pessoas, num menor tempo e… sem trabalho nenhum! Esta ideia parece-me fascinante, exequível, pouco trabalhosa. No fundo, é o futuro que todos queremos! Para meu agrado, as ideias até avançam; são criados grupos, novos “utilizadores” de redes sociais que incorporam em si a faceta mais moderna de determinada instituição ou acção a ser desenvolvida. Os “likes” atingem números exorbitantes e os comentários de apoio são escritos de forma cuidada e até erudita. Posto isto, é possível admitir que esta extravagante evolução apenas traz benefícios. A situação inverte-se quando, ao fazermos uma análise ou um relatório que represente a produção, os frutos de determinado projecto, veremos que todos os pontos para os quais sorrimos de orgulho devido ao “check” nele ajuntado, são apenas itens que se traduzem nos “meios” de como atingir os “fins”. Mais, esses “meios” são os meios de comunicação que, como o nome indica, servem de intermediários entre o sujeito e o resultado ambicionado. Portanto é um erro e/ou sinal de desonestidade intelectual regozijarmo-nos ao perceber que o futuro dos projectos é as redes sociais ou a divulgação de manifestações ou reuniões via SMS. Reuniões essas que apenas servirão para agendar uma outra. Talvez eu tenha tido a má sorte de nunca ficar do lado dos que agem, mesmo que essa acção não se enquadre na minha concepção de “útil” ou “necessário”. É imperativo que as novas gerações percam tempo usufruindo da facilidade comunicativa com que nos deparamos actualmente, contudo é também importante que não olvidem que esses meios apenas servem para comunicar e raramente serão simultaneamente o “meio” e o “fim” de alguma vontade.


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Findado o congresso distrital, o “Lado Direito” quis saber de que forma a recém-eleita Presidente da Comissão Política Distrital visualiza o futuro do Distrito de Lisboa, perspectivando o passado tendo em conta as características e No passado dia 17 de Setembro, realizou-se em Lisboa, na as possibilidades do presente. Numa pequena entrevista, Sede do partido, o IV Congresso Distrital da Juventude conhece melhor Catarina Alves. Popular. A concelhia de Lisboa, presidida por Raquel Paradella Lopes, acolheu no Caldas congressistas e convidados de todas as concelhias do distrito de Lisboa, procurando assim eleger o novo Presidente da Comissão Política.

IV Congresso Distrital de Lisboa da Juventude Popular

Os candidatos Catarina Alves e André Carreira apresentaram, cada um, uma moção de estratégia global que seria alvo de votação por parte dos congressistas eleitos. A primeira candidata, com o apoio dos restantes subscritores, desenvolveu a moção “Trabalho, mérito e seriedade”, o outro postulante apresentou o projecto “Apostar na Juventude”

Depois de algumas horas onde o debate foi flagrante, ambas as moções foram alvo de uma votação pública, de onde o projecto “Apostar na Juventude” conseguiu uma maioria relativa, cuja diferença entre a outra candidata foi de um voto apenas.

Lado Direito (LD) - Terminado o IV Congresso Distrital, como avalias a participação das diversas concelhias no congresso distrital? Catarina Alves (C.A.) - O IV Congresso Distrital de Lisboa da Juventude Popular, foi o meu segundo congresso a nível do Distrito, no entanto tenho a certeza que este foi o mais participado, mesmo de todos os anteriores. Num universo de cerca de 85 delegados, a adesão foi quase de 100%, o que é sem dúvida de louvar. Portanto a participação e mobilização das concelhias não podia ter sido mais satisfatória. Foi um congresso no qual se discutiram verdadeiramente estratégias e propostas para o desenvolvimento do Distrito.

LD - O que distingue a tua participação na anterior CPD da actual? C.A. - Os dois anos que passaram sob a alçada do Luís Chiti, foram dois anos de muito trabalho e aprendizagem. Foi um mandato muito positivo, que fez muito pelo Distrito de Lisboa, no entanto esse período deu-me legitimidade e permitiu-me perceber o que ainda existe para desenvolver. O que distingue a minha participação será só mesmo o cargo que ocupo Joana Rodrigues na Comissão Política Distrital, porque irei trabalhar da Editora do “Lado Direito” mesma forma, com empenho e dedicação. Acredito Coordenadora do Gabinete de Comunicação da Concelhia de Lisboa que são as pessoas que fazem os lugares e não os da Juventude Popular lugares que fazem as pessoas.

O resultado obtido anteriormente inverteu-se aquando da votação, quer para a Mesa do Congresso, quer para a futura Comissão Política Distrital. A lista encabeçada por Catarina Alves foi eleita, tendo Vasco Costa, Tiago Curado e Lígia Piedade como Vice-Presidentes e Frederico Dique dos Santos como Secretário-Geral da mesma.


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LD - Na tua equipa estão integradas pessoas capazes de assumir os diferentes cargos? C.A. - Eu acredito veementemente que sim, caso contrário não teriam sido desafiadas a fazerem parte do projecto. Tentei criar uma base de trabalho com pessoas da maioria dos concelhos, desde militantes base, a presidentes concelhios, porque são esses acima de todos que conhecem as realidades locais. Dando uma particular ênfase à representatividade do maior número de concelhos possível. Apostei numa equipa muito jovem, porque acho que a Juventude Popular precisa de espíritos " completamente livres, completamente soltos". Todos têm provas dadas, quer a nível político, de trabalho nas suas concelhias, e também ao nível dos valores e princípios.

contacto. Pode ser levado a efeito um contacto da distrital para a concelhia no âmbito de uma iniciativa, ou até pode acontecer o inverso, isto é a ser a concelhia a recorrer e solicitar o apoio da distrital. Dou como exemplo a participação que a distrital irá ter junto da concelhia do CDS – PP de Vila Franca de Xira, no âmbito da Feira Anual, no sentido de ajudar os jovens deste concelho a filiar mais jovens da região. A distrital fará o seu papel de acompanhamento e dinamização dos jovens do Distrito, quer com iniciativas próprias quer colaborando e ajudando em iniciativas locais.

LD - Como definir o espírito da actual Juventude Popular? C.A. - Conforme se pôde constatar através da elevada e empenhada participação dos jovens no último congresso distrital só poderia definir o espírito desta juventude, como sendo participativo. Quero com isto dizer que apesar de divergências que possam existir nesta ou naquela matéria, somos acima de tudo uma juventude preocupada, uma juventude que questiona, uma juventude que participa hoje tendo em conta o futuro dos jovens de amanhã. Somos uma juventude que esta farta de “diz que disse”, uma juventude que não fica de braços cruzados, uma juventude que procura LD - A actual CPD já começou a trabalhar nas soluções! propostas da moção? C.A. - Sim, a esta data estamos precisamente nesse ponto, a estabelecer o nosso plano de actividades. Apesar do pouco tempo que passou, já começámos a estabelecer esforços com os órgãos nacionais a fim de resolver o processo das concelhias impugnadas do Distrito, mantendo sempre em simultâneo o contacto com os militantes locais. LD - Quando pensas contactar as restantes concelhias? Como poderão elas participar? C.A. - Tendo em atenção que a esta data todas as concelhias eleitas se encontram representadas na Comissão Política da Distrital, o contacto é um contacto permanente, sendo assim, um dos passos importantes é implantar ou reactivar as restantes concelhias. Estamos ainda nesta altura numa fase que eu me atrevo a chamar de "arrumar a casa", como referi anteriormente estamos a preparar as nossas primeiras iniciativas. Defendo que a distrital é quanto mais sã, quanto mais produtivas e participativas forem as suas concelhias, neste sentido existem várias formas de

Catarina Alves Presidente da Comissão Política Distrital de Lisboa


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Outubro 2011| Lado Direito políticas de redistribuição de riqueza e regulamentação excessiva, ao mesmo tempo que fomentou o endividamento público financiado pelo BCE. Tendo falhado o projecto de uma constituição europeia, o Euro é hoje um dos últimos instrumentos ao serviço desta por Samuel de Paiva Pires visão. Citando Philipp Bagus, “o Euro provoca o tipo de problemas que podem ser vistos como um pretexto para Vice-Presidente da Mesa da Concelhia de Lisboa da JP a centralização da parte dos políticos. De facto, a construção e instalação do Euro provocaram uma corrente de severas crises: os estados membros podem utilizar a impressora para financiar os seus défices; esta característica do Sistema Monetário Europeu invariavelmente leva a uma crise de dívida soberana. A crise, por sua vez, pode ser usada para centralizar o poder e políticas fiscais. A centralização das políticas fiscais pode então ser utilizada para harmonizar a taxação e acabar com a competição”.

Tribuna da Liberdade

Philipp Bagus, professor na Universidade Rey Juan Carlos de Madrid, escreveu recentemente um interessantíssimo livro que elucida de forma clara o caminho que a União Europeia tem percorrido, em particular no que diz respeito ao sistema monetário. Sugestivamente intitulado The Tragedy of the Euro, está disponível gratuitamente no site do Instituto Ludwig von Mises em http://mises.org/resources/6045/The-Tragedyof-the-Euro. Começando por contextualizar historicamente a introdução do Euro, Bagus perspectiva a União Europeia como sendo um projecto resultante de duas visões opostas. A primeira é a visão liberal, que preponderou no início do projecto europeu, tendo sido promovida por políticos liberais, conservadores e democratas-cristãos de países como Inglaterra, Alemanha e Holanda. A segunda é a perspectiva socialista, que tem nos franceses Jacques Delors e François Miterrand expoentes máximos. Enquanto os primeiros consideram a liberdade individual como o valor mais importante, defendem os direitos de propriedade, o mercado livre e uma Europa sem barreiras fronteiriças que assim permita a livre circulação de pessoas, mercadorias, serviços e ideias, e são extremamente cépticos em relação ao processo de transferência de soberania, centralização e concentração de poder numa entidade supra-estatal, os segundos, por seu lado, sonham precisamente com a reprodução a nível europeu do estado-nação, fundamentado no modelo do Estado Social e, portanto, operando a nível central os processos de redistribuição, regulação e harmonização da legislação de toda a Europa.

Infelizmente, e embora eu seja um simpatizante dos objectivos primordiais da UE, norteados pela visão liberal, não é difícil observar que a UE encontra-se hoje dominada e liderada por partidários da visão socialista, sendo uma entidade que tende para um constante reforço do processo de centralização de poder, que aumenta o défice democrático – que, como o filósofo britânico Roger Scruton evidencia em As Vantagens do Pessimismo, não é uma deficiência a ser colmatada pela UE mas sim uma característica estrutural do funcionamento das instituições europeias – e que produz cada vez mais legislação que já ninguém pode entender no seu todo, regulamentando cada vez mais aspectos da vida dos indivíduos e acabando por realizar uma espécie de planificação económica através da via monetária que se tem revelado particularmente ruinosa, como a crise das dívidas soberanas tornou evidente.

Até na intolerância por muitos demonstrada, que reduz o debate a europeístas vs. eurocépticos, como se muitos dos alegados eurocépticos não fossem também europeístas, embora não partidários desta visão socialista da UE, e na linguagem utilizada, por exemplo, ainda recentemente, por Durão Barroso quando propôs que todos amássemos incondicionalmente a UE, observamos cada vez mais reminiscências de uma mentalidade socialista que pretende reproduzir o nefasto nacionalismo a nível europeu, cujas experiências históricas passadas parecem ainda não ter servido de lição a quem nos lidera. Permitam-me ironicamente adaptar aqui uma célebre – pelos piores motivos – expressão de um ex-Presidente da República, Jorge Sampaio, para finalizar afirmando que há mais vida para lá do europeísmo socialista. Bagus está sem dúvida cheio de razão quando nos diz que “está longe da verdade que o fim do Euro signifique o fim da Europa ou da ideia A visão socialista é a que tem preponderado Europeia; significaria apenas o fim da versão socialista desde a entrada do Euro em circulação, que se tornou desta”. um factor ao serviço da centralização de poder em Bruxelas, reforçando tendências como a realização de


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Cuidado Paliativos por Isabel Galriça Neto Deputada à Assembleia da Republica Directora da Unidade de Cuidados Paliativos e Continuados do Hospital da Luz

Trabalhando desde sempre na área da saúde, cedo me fui preocupando com as questões da cidadania, com as questões da promoção da dignidade do ser humano e com a promoção do bem comum. Estando em contacto com doentes em fim de vida, com doenças graves e incuráveis, e com as suas famílias, percebi o quanto faltava fazer pela garantia de acesso aos cuidados de saúde especializados que a eles se destinam - os cuidados paliativos. Esses cuidados são importantíssimos e foi necessário sensibilizar a sociedade civil para os direitos desses doentes, bem como promover acções que visassem a tomada de medidas concretas e mais eficazes para mudar o quadro de insuficiência e indignidade que existia, e ainda existe. Estas situações de doença grave e avançada, são transversais a todas as famílias portuguesas, em todas as idades e classes sociais, e não dizem apenas respeito aos mais idosos. Foi de alguma forma surgindo a ideia de que a resolução para essas questões de sofrimento poderia ser a eutanásia - acto que não resolve activamente o sofrimento dos que estão em fim de vida, hoje em dia desnecessário, mas antes acaba com a vida dessas pessoas. Encontrei no CDS, designadamente na pessoa do Dr. Paulo Portas, um enorme acolhimento e claro entendimento da necessidade de trazer esta problemática para dentro dos foros políticos mais estritos, nomeadamente na Assembleia da Republica. Estando em clara comunhão com os valores do CDS, decidi dar o passo de concorrer a eleições para deputada à AR em 2009, consciente da responsabilidade e do desafio que isso representava. Prefiro que sejam outros a fazer o balanço do meu trabalho, que desde já considero positivo. O facto de desempenhar diariamente a actividade clínica e convivendo com doentes e as respectivas famílias presenciando cada situação, ajuda-me a manter uma enorme ligação aos problemas do quotidiano. Desde que fui eleita que tenho tentado cumprir as minhas funções dando o meu melhor, e reforço que não sou de forma alguma, nem quero ser, apenas "a deputada dos Cuidados Paliativos", estando habitualmente ligada às questões globais da saúde, da ética e da sociedade de uma forma geral. Vivo assim a actividade política, no seu sentido mais estrito, como mais uma actividade de serviço na minha vida (e não como uma actividade para me servir). É uma actividade em que o trabalho e o mérito devem marcar presença imprescindível. Entendo que esta é a única forma de estar na política. Entendo ainda que os jovens, numa perspectiva de desenvolvimento dos seus talentos e das suas capacidades e de enriquecimento da sua personalidade, podem e devem participar progressivamente na vida política. Contudo, sem perderem a perspectiva de enriquecimento noutras vertentes da sua vida pessoal, sem perderem a sua ligação ao mundo do trabalho, às forças vivas da comunidade, e resistindo à tentação de desempenhar a actividade política numa "bolha" artificial, que cria desvios face à realidade. Correndo o risco de ser interpretada como naive ou possuindo uma visão romanceada do mundo, reitero que vale a pena ter uma visão alargada do mesmo, onde o serviço prestado ao outro e a excelência desse serviço tenham lugar, onde o individualismo se esbata e a politica seja efectivamente um meio (e não um fim!) para a construção de um mundo melhor, mais belo e mais justo.


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No estudo da História Humana salta à vista a forma cíclica como diversos impérios nascem e morrem. Praticamente todos os povos do globo já formaram ou fizeram parte de uma potência que sendo regional ou global exerceu um poder hegemónico limitado no tempo. A formação e queda destas potências é devida a diversos conjuntos de factores muito próprios das realidades geopolíticas, económicas, militares e sociais de cada um dos povos. Historicamente o poder dos impérios é analisado pela sua capacidade militar e pela forma como conseguem exercer a sua influência sobre outros povos. Assim, os impérios clássicos eram genericamente expansionistas territoriais apoiando-se nos seus recursos de Hard Power e exerciam uma influência directa sobre os seus subordinados. Nos tempos actuais a grande força dos impérios reside na sua capacidade económica e - num mundo onde as trocas comerciais de bens, serviços e capitais são globais - na capacidade de influenciar outras economias. Este novo tipo de domínio tem de um modo geral origem na Grã-Bretanha do final do século XIX, no auge do liberalismo clássico. A partir deste ponto, a influência sobre a economia mundial passou a figurar na análise feita à emergência das potências. É neste sentido que iremos olhar para a China do final do século XX e início do século XXI. O surgimento deste país como grande player do comércio internacional e a sua grande pujança económica está a provocar uma mudança no eixo tradicional do domínio económico mundial e deve ser estudado seu desenvolvimento estrondoso.

que as repercussões dos efeitos do desenvolvimento económico nas exigências sociais se reduzam ao mínimo.

O MELHOR DE DOIS MUNDOS

DONA DO COMÉRCIO DE CAPITAIS

A China é secularmente intransigente na sua abertura ao mundo e á influência cultural exterior. São bastante conhecidas as guerras que travou contra potências europeias, em meados do século XIX para evitar que fossem estabelecidas zonas de influência directa estrangeira no seu território, as Guerras do Ópio. Este isolamento foi aprofundado durante o dominio Maoista e da sua revolução cultural que acaba precisamente com a sua morte em 1976. O seu sucessor, Deng Xiauping, é o arquitecto de uma nova China e daquilo que ficou conhecido como o Milagre Chinês. Em 1978 dá-se uma abertura gradual da do país ao comércio internacional e ao capitalismo. Na verdade esta medida é limitada geograficamente à zona sudeste do país por ser a mais industrializada e por permitir uma melhor via para as trocas comerciais. O restante da China continua limitado pelo Comunismo puro criando-se a célebre frase “Um país, dois Sistemas”. Analisando as implicações desta medida temos a fusão do melhor dos dois sistemas. Por um lado a abertura a uma economia de mercado que promove o desenvolvimento tecnológico e industrial e que usa o factor produtivo mais abundante do país, trabalho barato (note-se que é o país mais populoso do mundo). Por outro lado o forte controlo social sobre a população, derivado do sistema Comunista, permite

Ao longo da primeira década do século XXI assistiu-se a um aumento exponencial dos fluxos do comércio internacional de capitais, o chamado paradigma da globalização financeira. Também neste campo a China tem tomado um papel preponderante sendo a principal exportadora de capitais com cerca de 24% do fluxo internacional (dados de 2007). Esta posição é facilmente explicada pelo acumular de divisa resultante dos superavits comerciais supramencionados. São fundamentalmente duas as áreas de exportação de divisa chinesa, Investimento Directo Estrangeiro e compra de dívida externa de países. A primeira tem-se verificado através da compra de empresas estrangeiras por parte de grandes clusters e multinacionais chinesas sendo que essas compras se efectuam preferencialmente em sectores estratégicos tanto da indústria como da energia e existe uma predominância nas relações com países em vias de desenvolvimento. A segunda foi acelerada pela crise das dívidas públicas que têm atingido recentemente as países industrializados e é feita através da criação de fundos soberanos. A China está neste momento a consolidar a sua posição como maior credor mundial, sendo o maior comprador da dívida federal americana.

DONA DO COMÉRCIO DE PRODUTOS

CHI

O sistema que surge, Economia Socialista de Mercado, permite a criação das condições ideais para o desenvolvimento galopante da economia que viria a ter lugar nas por Miguel décadas de 1990 e 2000. Nestes anos abundância de mão-de-obra barata aliada a um nível de exigências sociais baixo, permitiu à China ganhar vantagem comparativa em produtos de pouca especialização o que atraiu o investimento de capitais estrangeiros em massa. Aliando políticas restritivas à importação com mediadas de fomentação das exportações o país conseguiu ritmos de crescimento na média dos 9% ao ano, segundo os dados da Organização Mundial de Comércio, permitindo superavits na Balança Comercial e por conseguinte na Balança de Pagamentos. A China é agora (2009) a 2ª maior economia mundial com um PIB acima de 9000 milhões de dólares PPP e a primeira potência exportadora singular de mercadorias, ultrapassando a Alemanha, com um crescimento médio de 19% no hiato 2000-2009 e com um share mundial de quase 10%. (ver tabela de dados da OMC para a China).

dona do


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Outubro 2011| Lado Direito DONA DA SUA VONTADE

O estudo destas potências económicas emergentes é fundamental para desvendarmos o futuro. Nós, geração de Seria de esperar que com a próximos decisores, iremos encontrar um mundo bastante entrada de capitais e com o superavit comercial que a China experiencia, a sua moeda, o yuan, sofresse uma enorme valorização mas na verdade as autoridades chinesas aplicam medidas para manter a sua moeda de baixo valor. Esta Turnbull medida tem implicações evidentes na competitividade de uma economia, afectando o real preço dos produtos no mercado internacional e atribuindo uma vantagem imediata aos produtos chineses, sendo por isso uma intervenção estatal amplamente criticada e inclusive condenada pela OMC. Esta prática é uma clara interferência à liberalização do comércio mundial o que vai contra os ditames da própria organização apesar de esta não dispor de mecanismos eficientes para sancionar os países praticantes. A China é ainda acusada da utilização de medidas de dumping como forma de beneficiar os seus produtos. Estas consistem na venda de produtos no mercado externo a preços inferiores aos praticados no mercado interno, indo por vezes ao extremo de serem inferiores ao custo de produção, limitando por isso a regulação do preço desses produtos pelas leis da oferta e da procura. Obviamente que estas medidas são transversalmente condenadas mas o resultante disso é a utilização de um outro proteccionismo por parte dos estados vítimas, o anti-dumping o que por sua vez provoca um acentuar de de dumping por parte do primeiro agressor. No fim, devido á falta de capacidade por parte das organizações para fazer face a todas estas medidas de atropelo da liberalização da economia mundial, a China vai conseguindo evitar quaisquer sanções e vai inexoravelmente crescendo em poder económico.

NA mundo

DONA DO FUTURO? É certo que num futuro próximo iremos continuar a ter “mais” China na economia mundial. As tradicionais economias dos países industrializados vão dando sinais de gangrena por motivos muito variados e ainda dentro deste século é de esperar que as suas economias sejam substituídas pelas dos países das economias emergentes liderados pelos famosos BRIC(S). O desafio da China será conseguir conciliar o crescimento económico com o crescimento de uma cada vez mais forte classe média chinesa que se mune de cada vez mais reivindicações sociais e liberdades económicas e políticas. Numa outra perspectiva a economia chinesa já tem mostrado alguns sinais de abrandamento e inclusive já existe uma crescente deslocação de IDE da China para outros países. O surgimento de outros players concorrentes poderá voltar a baralhar o equilíbrio.

diferente do qual nascemos e fomos habituados. As marés estão a mudar, há que olhar ao fundo e ajeitar o leme.

Miguel Turnbull Colaborador do Gabinete de Estudos e Formação Política


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Opinião

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eflexões de quem se interessa por analisar o entendimento quotidiano no que diz respeito ao dia 5 de Outubro: Comemoração da Fundação da Nacionalidade ou comemoração da Implantação da Republica? Também o relato que retrata a vivência de um ex-militante que cessou este ano funções na Juventude Popular.

Dilema comemorativo Festejou-se hoje, dia 5 de Outubro, a Implementação da República em Portugal. É, portanto, feriado nacional no nosso país. As caras de Afonso Costa e de José Relvas parece que voltam a surgir na varanda do Paços do Concelho, num contexto de festejo desmesurado, no qual se esquece aquilo que deveria constituir o verdadeiro motivo de festejo daquele dia. Refiro-me ao reconhecimento da independência de Portugal no reinado de Dom Afonso Henriques.

mesmo tempo que o Governo Espanhol transfere para a Casa Real aproximadamente 9 milhões de euros, a nossa Administração transfere para a Presidência da República cerca de 16 milhões de euros. Podem apontar o facto de o Rei não ser eleito, mas, em muitos sistemas republicanos, como a Itália, não elegem os seus Chefes de Estado por sufrágio universal, mas sim, por um colégio no Parlamento. É de grande importância referenciar que o próprio Rei tem a sua conduta prevista e limitada por uma Constituição, “deitando por terra” todos os falsos argumentos de se cair num regime de

Os resultados da República estão à vista: incapacidade favorecimentos, de totalitarismo e de opressão. Com um permanente para fazer face à crise, ao desemprego, à Rei, a chefia de Estado é isenta e equitativa. instabilidade política e contestação social. É evidente que também as Monarquias vivem tempos difíceis, contudo, o povo está unido na figura daquele que lhes transmite confiança e que, desde pequeno, foi educado para desempenhar funções como Chefe de Estado: o Rei! Neste aspecto, torna-se claro que a Monarquia é algo que contribui para o acalmar de um povo em tempos difíceis, incitando cada um de nós a contribuir da maneira que pode para contornar as situações adversas. Na Monarquia, o primeiro a dar o

A Republica foi imposta a Portugal de maneira vil e inqualificável. Morreu um Rei, morreu o seu filho, morreu parte de Portugal. O mais irónico é que a República se diz um sistema democrático. Mas, por detrás desta sua névoa caracterizadora, está um sistema dogmático e impositivo que não dá a possibilidade ao povo português de poder escolher, em referendo, o sistema em que preferem viver, talvez porque haja medo de um retrocesso à Monarquia.

exemplo é o Rei, e isso é de louvar! Economicamente falando, e, comparando as estruturas de custos da Monarquia Espanhola com a Republica Portuguesa, a Monarquia é bem mais viável. Vejamos as seguintes comparações: Enquanto que cada espanhol despende 19 cêntimos para a Monarquia, um português desembolsa cerca de 1 euro e 58 cêntimos para a Presidência da República. Ao

João Empis Colaborador do Gabinete de Comunicação e do Jornal “Lado


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Até sempre JC; JC-GP e JP Decorria o Ano de 1993 quando eu, um jovem de 13 anos subia as escadas da antiga sede distrital do CDS em Portalegre para ajudar o meu pai, na época dirigente concelhio, na logística da campanha. Muitos dos jovens que estão a ler este artigo não sabem, mas naqueles anos íamos agravar os pêndulos um a um, para depois os colocarmos num fio de corda, para posteriormente os atarmos aos postes e era esse o principal material que tínhamos à nossa disposição para a campanha. Também íamos de terra em terra colar cartazes de tamanho pouco maior que um “A0”. Naquela época, toda a campanha era feita por voluntários, por adultos e jovens que, no meu caso, ainda muito pouco percebia de qualquer doutrina política. Aquilo que nos movia era a esperança de uma nova geração, era a crença que Portugal poderia ser um país melhor, onde os valores que o CDS-PP defendia, que há muitos anos tinham sido ofuscados pelo consulado do primeiro-ministro Cavaco Silva, se erguessem. Comecei a ouvir os discursos dos dirigentes nacionais do CDS e dos dirigentes nacionais da Juventude Centrista – nome da Juventude no início dos anos 90. É importante destacar os discursos que mais me cativaram. São exemplo disso os discursos dos antigos presidentes Nuno Correia da Silva e Pedro Mota Soares. Todavia, também as capacidades de acção e organização de João Rebelo são de salientar. Começava a nascer um novo grupo de jovens e desde 1993 que JC ganhou em Portalegre uma nova dinâmica e uma nova geração que acreditava que a simples vontade do querer, aliada à convicção dos ideais correctos, poderia mudar o país. Realizámos todas as campanhas, percorremos todas as freguesias, e fizemos milhentas actividades no âmbito da dinamização da imagem do CDS e da JC. O primeiro congresso em que participei foi em 1999, um congresso com bastante afluência; quase 900 congressistas. João Almeida saiu vencedor e viria a ser o novo presidente da Juventude Popular. Comecei a participar activamente nos órgãos concelhios quando decidi candidatar-me a presidente da Comissão Política Concelhia de Portalegre, depois da data do referido congresso nacional. Sempre compreendi que quando temos alguma responsabilidade, temos que corresponder às expectativas exteriores; daqueles que dependem de nós. Não sei se foi por essa razão, mas em 2005 fui convidado pelo candidato a presidente João Almeida para integrar o projecto que ele encabeçava. Por acreditar piamente que era o melhor projecto, aceitei ir para a sua equipa e

tentei ao máximo dignificar a qualidade de vogal da CPN. Depois da entrada na CPN, seguiu-se outro convite, desta vez por Pedro Moutinho (outra das grandes amizades que fiz na Juventude Popular). Nessa direcção tive um papel mais activo, cujo exemplo é a criação do Manual do Jovem Agricultor. No congresso de Guimarães, apesar de ter sido convidado a continuar, decidi que era a altura de me afastar da direcção nacional, entendi que poderia continuar a contribuir para a Juventude sem estar internamente integrado. Não posso deixar de referir o último congresso em que participei, o XVIII Congresso Nacional em Lamego. Entendo que nesse congresso saiu o que restava de uma geração; da minha geração. Contudo, se por um lado a saída definitiva da JP me deixou triste e abalado, por outro, a vitória de um grande amigo – Miguel pires da Silva - deixou-me feliz e realizado. Eu e o Miguel passámos por diversos episódios: vitórias, derrotas, traições e outras peripécias. Uma delas sucedeu no passado Congresso em Guimarães onde o meu apoio foi dado ao actual Presidente da Mesa de Congresso Nacional, Michael Seufert. Todavia, prefiro recordar os bons momentos e, nesse sentido, não posso esquecer as alturas em que eu e o Miguel, devido à crença e convicção nos nossos valores, defendíamos até à exaustão, que uma sociedade só se pode construir de forma saudável, quando existe respeito pela família como instituição e pilar fundamental de uma sociedade. Também defendemos que o aborto não poderia ser permitido; isso seria igualmente legalizar um assassinato, no que toca ao nosso ponto de vista. Sustentámos, até ao limite, a ideia de que os jovens portugueses têm o direito de viver num país que reconhece a opulência da sua história, que não deixa que os jacobinos a branqueiem, nem ofusquem o que de melhor nela aconteceu. Continuo a acreditar no que referi, continuo, sozinho ou não, a defender os meus ideais e, por essa razão saiu da Juventude Popular com a esperança que esta instituição preserve os seus bons costumes e cative cada vez mais jovens. Muito obrigado a todos aqueles que me acompanharam nesta caminhada muito significativa da minha vida. Um grande bem-haja e votos dos melhores sucessos, e que continuem o trabalho daqueles que vos antecederam, honrando sempre a história, que é o primeiro passo para o triunfo no futuro.

António José de Moraes Baptista


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agenda

10 novembro |3.ª Edição “Lado Direito”

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Lado Direito II edição  

2º edição do Lado Direito

Lado Direito II edição  

2º edição do Lado Direito

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