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PRAÇA DO

ESTUDANTE ROLEZINHO CENTRAL


BANCA EXAMINADORA

Profª Drª. Liza Maria de Souza Andrade

Profª Drª. Vânia Raquel Teles Loureiro

Profª Dr. Caio Frederico e Silva

Profª Drª. Maribel Aliaga

Arquiteto e Urbanista Luiz Eduardo Sarmento Araújo Brasília, janeiro de 2019.

UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Departamento de projeto, expressão e representação

TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO Kariny Nery de Moraes

PRAÇA DO ESTUDANTE - ROLEZINHO CENTRAL Este caderno apresenta o trabalho final de graduação como parte das exigências do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília. Orientação: Liza Maria de Souza Andrade.


CEILÂNDIA | URBANISMO TÁTICO | PARTICIPAÇÃO | COMUNIDADE | PADRÕES

PRAÇA DO

ESTUDANTE


AGRADECIMENTOS [...]E quando eu tiver saído Para fora do teu círculo Tempo, tempo, tempo, tempo Não serei nem terás sido Tempo, tempo, tempo, tempo Ainda assim acredito Ser possível reunirmo-nos Tempo, tempo, tempo, tempo Num outro nível de vínculo Tempo, tempo, tempo, tempo Portanto, peço-te aquilo E te ofereço elogios Tempo, tempo, tempo, tempo Nas rimas do meu estilo Tempo, tempo, tempo, tempo. Caetano Emmanuel Viana Teles Veloso

Dedico este trabalho em memória de Antônia Pereira Neves por tudo ela carregou em vida e carrega em um plano espiritual extra físico. Agradeço a todas as forças que regem e atuam sob as forças da natureza. À minha família, Lindalva Nery, Paulo Roberto, Luana Nery, Reginaldo Souza e Allano Eurido por todo o apoio e dedicação; À minha orientadora Liza Andrade, por ser ter luz e irradiar boas práticas pela FAU-UnB, visando sempre o interesse social como prática arquitetônica e por toda paciência e tranquilidade com orientações norteadoras e bastante humanas; SEI;

Ao Daniel Melo pela parceria nos projetos do DA CEI EU

Á Maribel Aliaga, por todo o auxílio e empatia que começou em BH-2010 com um dose de Gym, tônica e limão; Ao Josué por toda paciência nas resoluções dos percalços; Ao Professor Caio Frederico por ter sido um dos docentes mais exemplares da FAU-UnB; Á todos os colegas de turma que me ajudaram diversas vezes nas dificuldades; Á todos meus amigos de fora da FAU-UnB que me encorajaram e acreditaram no meu processo; Á todos os docentes que colocaram o seu ego acima de qualquer diploma de doutorado, impossibilitando que o conteúdo chegasse de forma humilde aos dicentes. Não menos importante, agradeço, sem dúvida, a todos e todas que expressaram comentários e atitudes de cunho racistas e segregacionista dentro da FAU-UnB. A todos e todas meu muito obrigada. Não que eu seja hipócrita, mas todos me ensinaram a enfrentar as dificuldades da vida.


Canteiro central no centro da Ceilândia. Local próximo a Feira Permanete da Ceilândia.


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COMO USAR O CADERNO? Este caderno apresenta todas as etapas do trabalho final de graduação. Compila, desde as primeiras pesquisas e ações na Ceilândia-DF, até o produto final: uma proposta de requalificação da Praça do Trabalhador com participação comunitária. O caderno estrutura-se em quatro partes:

IMAGEM DA AUTORA.


Praça do Estudante | 7

04-etapa verde Apresenta o resultado da proposta de projeto participativo, a elaboração de soluções acordadas pela comunidade em formato esquemático e a proposta final com a junção técnica e participativa.

03-etapa azul Apresenta o processo de aproximação com o público e a participação comunitária.

02- estapa vermelha

Apresenta todo o disgnóstico técnico dos aspectos funcionais do objeto de estudo: as análises DIMPU - dimenssões morfológicas do processo de urbanização - (HOLANDA e KOHLSDORF, 2000), elaboração de pradrões espaciais utilizando a metodologia de padrões de acontecimentos de projeto (ALEXANDER, et al 1977 e ANDRADE, 2014), princípios do urbanismo tático, pesquisa de boas práticas culturais e sociais recorrentes na Ceilândia e pesquisa de repertório de intervenções urbanísticas com participação comunitária.

01-etapa amarela Apresenta temas introdutórios relativos aos conflitos e as problemáticas em torno do objeto de estudo, como considerações desde aspectos históricos a aspectos físicos e locais.


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A PROPOSTA Com intenções urbanas, o trabalho em questão visa analisar a necessidade de requalificação da maior praça da Ceilândia - IX Região Administrativa do Distrito Federal, a Praça do Trabalhador. Com enfoque em espaços públicos que ressaltem a cultura e o lazer em área periférica e criminalizada, o trabalho visa estudar mediante análise do método DIMPU, dimensões morfológicas do processo de urbanização (HOLANDA e KOHLSDORF,2000), o uso de metodologia de participação comunitária e a aplicação da metodologia de padrões de acontecimentos (ALEXANDER, 1977 e ANDRADE, 2014). Na visão de Lynch, 1997, o observador tem um papel ativo na percepção do mundo e uma participação criativa no desenvolvimento de sua imagem. Deve ser capaz de ajustá-las às necessidades variáveis. O que procuramos não é uma forma definitiva, mas uma ordem aberta, passível de continuidade em seu desenvolvimento. Com base no autor, este estudo não é, nem tão pouco almeja ser, totalmente técnico, desconsiderando a experiência sensorial da população. Não cabendo, como resultado final, uma proposta utópica. Sem finalidade de usar o desenho do espaço urbano como um fator determinante, a intenção é valorizar e reafirmar o espaço público na área central da Ceilândia, a Praça do Trabalhador. Buscou-se analisar as potencialidades locais e a diversidade cultural e social com contextualização histórica e de repertórios referenciais para a construção de padrões espaciais que auxiliam a fomentação de diretrizes para a proposta final. As análises consideram os aspectos históricos, políticos, sociológicos, culturais, físicos, arquitetônicos, urbanísticos e legais na Ceilândia, a Região Administrativa mais populosa do Distrito Federal com mais de 528 mil habitantes. Sua área é de aproximadamente 231 km², sendo considerada a maior RA-Região Administrativa do Distrito Federal, localizada a cerca de 28km da rodoviária do Plano Piloto – dados segundo a Administração da Ceilândia.


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PROTESTOS NO DIA 14 DE MAIO DE 2015 S.P FONTE: http://noticias.uol. com.br/


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QUAL O FOCO? GERAL A partir das considerações pertinentes ao local do projeto, se tem por objetivo propor a intervenção urbanística de requalificação para a área da Praça do Trabalhador da Ceilândia. Mediante o uso de metodologia com participação comunitária, o objetivo mais importante é fomentar a movimentação comunitária para ações que visem a melhora do espaço em questão.

ESPECÍFICOS PRIMÁRIOS Considerando as potencialidades que já ocorrem na Ceilândia, para iniciar o processo foi necessário conhecer o lugar e o que ele pode revelar por meio de um mapeamento cultural – por onde anda o Ceilândense? O questionamento visa conhecer a movimentação cultural e cotidiana na cidade. Identificar potencialidades locais – Boas práticas já corriqueiras na Ceilândia.

ESPECÍFICOS SECUNDÁRIOS Traçar técnicas participativas e parâmetros de projeto. Desenvolver a proposta comunitária aliada aos conhecimentos técnicos.


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O PASSO A PASSO O processo de consolidação deste trabalho envolve métodos técnicos, de competência dos profissionais da área, e participativos, que competem à comunidade, com a seguinte estruturação: 1° - Apresentação de temas introdutórios relativos aos conflitos e às problemáticas em torno do objeto de estudo, como considerações desde aspectos históricos a aspectos físicos e locais; 2° - O diagnóstico dos aspectos funcionais do objeto de estudo: a identificação das problemáticas com as análises das dimensões morfológicas, DIMPU (dimensões morfológicas do processo de urbanização), que comtemplam a dimensão bioclimática, funcional, econômica, sociológica, expressivo simbólica e topoceptiva (HOLANDA e KOHLSDORF, 2000); 3°- Elaboração de padrões espaciais utilizando a metodologia de padrões de acontecimentos de projeto (ALEXANDER, 1997 e ANDRADE, 2014) e princípios do urbanismo tático; 4° - Pesquisa de boas práticas culturais e sociais recorrentes da Ceilândia; 5° - Pesquisa de repertório de intervenções urbanísticas com participação comunitária visando identificar as potencialidade de projetos já executados para produção de padrões de acontecimentos aplicáveis à proposta. Buscou-se o levantamento de casos em que a população tenha sido engajada em todos os processos;


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6° - Aproximação com o público: visando atingir maiores camadas da população como instrumento de aproximação incial, foi criada uma página na rede facebook — em parceria com DANIEL MELO, também morador de Ceilândia, cujo trabalho final de graduação em arquitetura e urbanismo tem como temática o processo participativo na Feira da Ceilândia; 7°- A aplicação de questionários em versões digital (na página Da Cei Eu Sei) e, posteriormente, física em escolas na Ceilândia. O questionário foi formulado dos padrões gerados pelos diagnósticos. E desenvolvimento de mapa mental para reconhecimento do simbolismo da cidade.; 8° - O PICNIC DA CEI - evento organizado com o intuito de envolver ativamente a população no processo de intervenção na praça como local de lazer. Dentro do evento foram desenvolvidas várias oficinas, estreitando a relação de pertencimento do local como oficinas de horta urbana, de pintura na praça, de fotografia com foco em pessoas negras, de mobiliário de palet e batalha de rima; 9° - Quadro interativo – dinâmica utilizada para que as pessoas refletissem sobre as necessidades individuais e coletivas na praça; 10°- Jogo dos padrões morfológicos com mapa aéreo da praça – inserção da comunidade; 11° - O que nós queremos: projeto participativo da comunidade. É a elaboração de propostas acordadas pela comunidade em formato esquemático;W 12° - Proposta final com a junção técnica e participativa.


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POR QUE ESSE TEMA?

A crítica se constrói na fundamentação do tema e do título. Escolheuse analisar a produção da cultura recorrente em áreas periféricas como a Ceilândia. A atividade de examinar o comportamento de conscientização da população em relação aos seus direitos à cidade é explicitada com o subtítulo, o “rolezinho”.

O QUE É O “ROLEZINHO”? “Tem de proibir esse tipo de maloqueiro de entrar num lugar como este”. A frase, registrada por Laura Capriglione, é de uma frequentadora do Shopping Internacional de Guarulhos, revoltada com a chegada de centenas de jovens pobres que marcaram, via redes sociais, de se encontrarem em um dos mais frequentados shoppings de São Paulo.

A denotação da palavra “rolezinho” vem da gíria brasileira, “rolê”, o que significa “dar um passeio”. O “rolezinho” é uma reunião organizada por jovens moradores da periferia, de maioria negros e pardos, com renda mensal mínima. Marcado geralmente pelas redes sociais, o intuito do” rolezinho” é passear por áreas as quais não estão disponíveis no contexto social e espacial das periferias, como parques, shoppings Centers, praças entre outros. Geralmente são espaços públicos situados em áreas mais nobres de classe média a alta. O movimento teve origem em

São Paulo, em finais de 2013, e alastrouse em outras cidades. Os “rolezinhos” começaram a ser reprimidos pelos shoppings com seus seguranças, pela polícia e pelos frequentadores. A atuação policial resulta na detenção de alguns jovens, porém, pela ausência de motivações claras para detêlos, o que se vê como repressão é a detenção sob a acusação de desacato. Considerando que eles não furtaram nada, por que eles são detidos? Será mesmo desacato? Ou cor de pele? Vestimentas? Falta de estereotipo de classe média? Gosto musical? Afirma o professor da Universidade de Brasília, Alexandre Bernardino que a proibição da entrada nos shoppings está ligada ao perfil dos jovens que fazem os “rolezinhos”. “É claramente uma manifestação de preconceito em relação a um determinado grupamento social que se caracteriza por pobreza e por negritude, um grupo que se manifesta politicamente, no sentido mais amplo da palavra, e que não pode ter seu direito de manifestação e de ir e vir cerceado em um lugar público, porque o lugar é privado, mas é aberto ao público, então é público”, defende. “Ao se vestir como Mano Brown1♣, Zé Luís, um sujeito com horror a crime, virou ladrão”. [...]” Os debates extremados à direita e à esquerda estão ignorando as pessoas que participam do rolezinho. É hora de entender a periferia.” Beguoci, 2014.

Segundo o que vemos nas redes sociais, a justificativa dos jovens é de ocupar o espaço que lhe é público por direito. Os jovens participantes dos “rolezinhos” afirmam estarem cientes do estereotipo que eles carregam pela condição social que estão inseridos. Eles

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♣. Rapper brasileiro, morador do bairro Capão Redondo na periferia de São Paulo. Nasceu na década de 70 e é vocalista da banca Racionais Mc’s. O Rapper conheceu de perto o cotidiano de ser um jovem negro, de baixa renda e morador de uma periferia bastante criminalizada. Fato que evidencia em suas composições musicais.


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dizem ser merecedores de possuir os mesmos bens materiais que a classe mais alta possui e, por consequência, de frequentar os mesmos locais sem que sejam mal vistos. “Uma das heranças da escravidão é o preconceito contra negros e mulatos, cuja imagem, entre policiais e parte da população, é ligada à delinquência. Um policial de São Paulo chegou a dizer: ‘Pra mim, todo negro em carro novo é suspeito. E, se correr, eu atiro”. (DIMENSTEINS, 2006, p. 34)

A intensão de muitos é causar o desconforto evidenciando a diferença entre as classes com o perfil físico: um dos fatores mais importantes para eles é estarem na moda pra irem a um “rolezinho”. A moda dos jovens que participam do “rolezinho” é bem característica nas periferias do Brasil: boné da moda, bermuda estampada, tênis de mil reais, uma camiseta bacana e um óculos de sol caro. Assim como as meninas, que devem estar de Melissa no pé, shortinho e blusa colada, tudo para sensualizar e interagir com os meninos. A finalidade, além da diversão, de novas amizades e interação em um ambiente social totalmente diferente da realidade que eles vivem, é ressaltar que a existência do estereotipo físico dos jovens da periferia não necessita estar ligado à criminalização da juventude, de um modo geral.

HÁ ROLEZINHO NA CEÍ? Este trabalho não tem a pretensão de estabelecer uma relação direta entre esse movimento iniciado em São Paulo com as demais cidades do Brasil. Tem como pretensão entender a geração de jovens que se encontram em situação de desfavorecimento social, cultural e espacial. Consideraremos, portanto, o” rolezinho” como uma apropriação espacial do meio público concedido ao cidadão por direito constitucional, como uma manifestação da geração de jovens conscientes. Diante do conceito de “rolezinho”, identificaremos alguns pontos que afirmam o “rolezinho” na Ceilândia. Sendo evidente a diferença cultural entre as regiões mais nobres e as mais periféricas de Brasília, os atuais dados acerca da criminalidade nas cidades do entorno do Plano Piloto apontam a carência de alternativas sociais, culturais e espaciais que não minimizem a população servida de espaços hostis, ermos e segregados. Sem a intenção de se posicionar como um projeto ideal, este projeto é uma resposta crítica e reflexiva aos problemas vigentes nas periferias do Brasil: alta taxa de mortalidade de jovens negros, gangues, pichações, espaços ermos e marginalizados, falta de espaços públicos de qualidade, entre outras problemáticas.

Série PASSINHO, Cultura na Favela. Acrílica. Muhammaed Bazila. Site: www.muhabazila.com


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O ROLEZINHO NA CEILÂNDIA SETOR “O” POR ONDE ANDA O CEILÂNDENSE?

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EXPANSSÃO DO SETOR O

20

M

07

12

CEILÂNDIA NORTE

M 28

P NORTE

10

11

GUARIROBA

17

24

30 03

15 OCORRÊNCIAS CULTURAIS E DE LAZER NA CEILÂNDIA 01 Cei My Name 02 Favela Core 03 Da Rua de Baixo 04 New Cei City 05 Sujo Simples 06 Batalha do Cantador 07 SarauVá 08 SDF - Sai da Frente 09 Casa 07 da Norte 10 Projeto Cultural Bateria Nota Show 11 Jovem de Expressão - RUAS 12 Samba da Comunidade 13 Samba da Guariba 14 Samba 10 15 Casa Nova - privado 16 Beer House - privado 17 Escola de Samba Águia Imperial 18 Meninos de Ceilândia 19 Samba das Pretas 20 Elemento 05 21Batalha das Gurias 22 Quadrilha Mala Véia 23 Casa Ipê 24 Da Cei Eu Sei 25 Tapera Pub - privado 26 Espaço Cultural Túnel do Tempo 27 Marcelo Salgados 28 Coletivo DUCA 29 Coletivo Ceicine 30 Espaço Cultural Filhos Do Quilombo 31 Bar tropical 32 Restaurante Chapéu de Couro 33 Panificadora Gonçalina 34 - Bar Maria Maria 35 - 14 irmãos 0M

500M

1000M

25

35 32

35 35 33 CEILÂNDIA SUL

09 08

11

Casa do Cantador

24

Ginásio Rgional da Ceilândia Sol Nascente

27 13

26

Cio das Artes Ceilândia Sul Praça da Bíblia Guariroba

31

P NORTE Ceilândia NORTE

19 02

Praça do Trabalhador

01

Praça do Cidadão Feira da Ceilândia QNQ

06 05

2000M

P SUL

04 GUARIROBA 22 06 21

14 34

15


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01 Cei My Name - o coletivo NoizQCei busca divulgar a cultura local para os próprios moradores por meio do Evento Cei My Name. A programação inclui shows de bandas de rock e DJs da região. Tenda eletrônica, oficinas de dança e grafite, além de food trucks e estandes de tatuagens.

NORTE

02 Favela Core - o evento busca divulgar a cultura local para os próprios moradores.

NORTE

Durante a execução das etapas desenvolvolvidas neste trabalho, um dos questionamentos iniciais era desvelar quais os meios de lazer e diversão atuantes na Ceilândia e como isso se relacionava com os altos índices de criminalidade presentes nos noticiários. Que a cidade não é somente dormitório, já sabemos, e para isso foram realizadas pesquisas, sem metodologia definida, de maneira mais livre, com a população para conhecimento da movimentação de diversão na cidade. Todos os NOVA QNL lugares marcados QNJ no mapa foram QNJ (CHAPARRAL) visitados em seus respectivos horários de funcionamento em um período de um ano, desde o início do plano de trabalho de Diplomação 01. Diante mão, não houve ocorrências criminais QNL as visitas,QNL que afetassem pelo contrário, os locais eram sempre movimentados, o que contribuía para a sensação de segurança. Este mapa apresenta a atuação de Ong’s, coletivos, bares e restaurantes mais frequentados na cidade. Predominantemente, a ocorrência das atividades se dão por jovens, entre 18 e 29 anos, que realizam eventos gratuitos nas áreas demarcadas. Atualmente a Ceilândia possui um amplo panorama de diversidade cultural, a maior parte das pessoas que foram entrevistadas, de maneira informal, pontuavam a incoerência entre os dados policiais e a diversão na cidade.

03 Da Rua de Baixo - o evento busca divulgar a cultura local para os próprios moradores. 04 New Cei City - o evento busca divulgar a cultura local para os próprios moradores. 05 Sujo Simples - o evento busca divulgar a cultura local para os próprios moradores. 06 Batalha do Cantador - A Casa do Cantador acabou absorvendo não só as culturas tradicionais nordestinas, mas também a arte urbana, o rap. Mais de 100 jovens se unem para batalhas de rimas. A maioria descente de nordestinos. 07 Sarau-VA - Sarau Voz e Alma - O Sarau busca retomar com valor e potência a descriminalização da cultura musical na periferia. O evento tem participações de lideranças artísticas da cidade, todos enaltecendo a Ceilândia. 08 SDF - Sai da Frente - o evento busca divulgar a cultura local para os próprios moradores. 09 Casa 07 da Norte - o evento busca divulgar a cultura local para os próprios moradores.

QNL 10 Projeto Cultural Bateria Nota Show - Projeto social com área de atuação mais influente no Sol Nascente e no P norte, visa aliar projeto social com carnaval. Os jovens recebem aulas de diversas categorias, como ginástica, dança, percursão, artesanato, entre outros. Os cursos são gratuitos. 11 Jovem de Expressão - RUAS - Com intuito de reduzir o índice de violência na região, especialmente entre a população jovem. A Ong procura debater os conflitos para alcançar situações com não violência. 12 Samba da Comunidade - Ceilândia foi a primeira região administrativa do Distrito Federal a receber o projeto em 2012, que tem como objetivo levar a cultura do samba de raiz para as localidades onde o ritmo não é tocado e divulgado, aproximando o público do gênero. 13 Samba da Guariba - Já existia na parte Norte da cidade o Samba da Comunidade, com o intuito de levar o samba para a parte Sul da Ceilândia, surge o


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Samba da Guariba. O evento não só movimenta a economia local, mas também alivia o preconceito que possa existir sobre o samba para algumas pessoas da comunidade. 14 Samba 10 - o evento busca divulgar a cultura local para os próprios moradores. 15 Casa Nova - espaço privado que tem como foco o fomento do forró. Na casa de shows acontecem alguns Happy Hour’s dos cursos da Universidade de Brasília da Ceilândia. 16 Beer House - privado - popularmente conhecido como o Outback da Ceilândia, a cervejaria foi fundada em 1995 e até hoje é um dos principais pontos da cidade. 17 Escola de Samba Águia Imperial - sediada na cidade de Ceilândia, no Distrito Federal. A escola foi campeã do carnaval de Brasília por 4 vezes, em 1998, 1999, 2006 e 2008. 18 Meninos de Ceilândia - Fundado em 1995 com o intuito de suprir a falta de entretenimento e atividades culturais da cidade. Com enfoque no estilo frevo, a intenção era criar um bloco de carnaval gratuito e acessível à comunidade. Para o primeiro desfile na rua, foi confeccionado um boneco gigante que foi batizado de Menino de Ceilândia e foram chamados músicos para animar o percurso do bloco. Hoje o bloco atua como organização sem fins lucrativos com oferta de diversos cursos para a comunidade. 19 Samba das Pretas - O samba foi organizado por um grupo de mulheres de maioria negras, para evidenciar não só o samba, mas também todas as mulheres negras e periféricas. 20 Elemento 05- Vila dos Sonhos - O projeto originou-se a partir do grupo de rap PR15 - atuante na QNR/QNQ da Ceilândia desde a década de 90. O projeto social busca evidenciar todas as práticas já recorrentes na periferia com cursos e aulas de percurssão, pipa, rima, grafite, torneios de basquetebol no shopping Jk, entre outros. 21 Batalha das Gurias - o coletivo Batalha das Gurias (BDG) luta por mais espaço das mulheres no rap e pelo empoderamento feminino. Bárbara, Bruna, Camilla, Dih, Elisandra, Estéfane, Juliana, Karolyne, Kashu e Isis são as atuais organizadoras, mas elas representam as muitas jovens que encontram na BGD um espaço de expressão e de voz. Criado em 2013 por cinco mulheres que participavam de batalhas de rimas no Museu da República, o coletivo começou

com o intuito de incentivar a participação feminina no rap a partir de um grupo exclusivo para as mulheres. 22 Quadrilha Mala Véia - criada em 1980 por um grupo de amigos e através da dança de quadrilha junina reune vários jovens da comunidade. 23 Casa Ipê - DesCentro Cultural feminista e LGBTQI -Espaço feminista que respira arte, cultura, poesia, música e ativismo de mulheres em Ceilândia, florindo em todas as cores as noites de quarta-feira na Quarta o Quê, sarau aberto à comunidade onde o palco dá voz e vez privilegiada às minorias e aos artistas locais. 25 Tapera Pub - Rock - o Tapera Pub fica na Ceilândia Sul e há cinco anos agita a cidade com bandas que tocam rock, MPB e reggae. Além de curtir o som de artistas locais o espaço está entre os mais frequentados de rock no Distrito Federal. 26 Espaço Cultural Túnel do Tempo - é impressionante a quantidade de vinis dos mais diversos estilos musicais espalhados pelas paredes do local, além de uma área reservada para livros, o bar tem uma opção para quem quer beber , bater um papo, jogar sinuca e ouvir música boa da MPB à black music. 27 Marcelo Salgados - Para se fazer um lanche rápido na cidade e saborear salgados especiais, como a coxinha e o pastel, certamente um dos locais mais frequentados é a lanchote do Marcelo. Luz simples e em uma entrequadra local o estabelecimento é sempre lotado. 28 Coletivo DUCA - Departamento Urbano de Comunicação e Arte, executou o curta-metragem do documentário De Quem É Essa Terra, na Praça do Cidadão, em Ceilândia Norte. O filme trata de temas como especulação imobiliária e meio ambiente e integra o projeto Clima e Territórios, com participação de coletivos de cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Santarém, Recife, Salvador e, claro, Brasília. 29 Coletivo Ceicine - O Coletivo de cinema de Ceilândia surgiu no ano de 2006 atuando, inicialmente, em videoclipes de alguns grupos de RAP da CEILÂNDIA. O grupo é formado por pessoas que estão envolvidas no processo de realização e reflexão sobre cinema e que de alguma forma estão produzindo cultura na periferia, discute a possibilidade real de se


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produzir uma obra cinematográfica e os caminhos para a produção dessa obra, a periferia pensar e produzir cinema, inclusive construindo perspectivas de produção e linguagens locais. Entre as autorias do grupo estão os filmes Branco Sai, Preto Fica e A cidade é uma só? Composição: Adirley Queirós, Wellington Abreu, Francisco Amorim e Breitner Tavares. 30 Espaço Cultural Filhos Do Quilombo - No Ano de 2011 a Agefis - Agência de Fiscalização do Distrito Federalretirou a tenda onde se treinava capoeira. Diante disso, artistas da comunidade Sol Nascente e os simpatizantes engajados com a causa se mobilizaram na resistência contra a desativação do espaço. O Espaço Cultural surgiu da necessidade de um lugar físico para reunir pessoas com o mesmo ideal. Oficinas de capoeira, artesanato, percussão e teatro, danças folclóricas, casa de farinha, biblioteca e eventos beneficentes agitam moradores do Sol Nascentede forma gratuita. 31 Bar tropical - o segundo bar mais frequentado pelos apreciadores de rock, mpb e samba. 32 Restaurante Chapéu de couro - um dos restaurantes mais conhecidos da Ceilândia, tem como carro-chefe da casa é a carne de sol e funciona no mesmo local e com as mesmas características há 32 anos. 33 Gonçalina padaria - A Panificadora mais tradicional da Ceilândia e com a melhor qualidade. 34 Bar Maria Maria - localizado no Psul, o bar possui mesas ao ar livre próximas à Avenida Elmo Serejo e é um dos mais frequentados em dias ensolarados. 35 Se veio à Ceilândia, obrigatoriamente deve-se comer um hambúrguer no Bustruck 14 irmão. Não se sabe ao certo se eram de fato 14 irmão de uma família, mas são várias lanchonetes com a mesma qualidade da maionese verde na área central da Ceilândia. 36 Amigos do Quarentão - Na década de 80, O quarentão era o único salão de festas no início de Ceilândia. O espaço era onde hoje encontra-se instalado o atual restaurante comunitário no centro de Ceilândia. No início a juventude da cidade se divertia curtindo o funk/soul da época, era o chamado mundo no passinho. O espaço físico utilizado pelo Quarentão acabou há mais de 20 anos, porém as festas ainda acontecem na área comercial da entrequadra 17/19 da Ceilândia. 37 Telebar - o ponto do forró na Ceilândia. Icônico, o espaço funciona de sexta a segunda e sempre com eventos em que predominam o estilo musical forró.


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ÚLTIMAS NOTÍCIAS SOBRE A CEILÂNDIA

O Brasil é o país onde mais se mata no mundo, superando muitos países em situação de guerra. Em 2012, 56.000 pessoas foram assassinadas. Destas, 30.000 são jovens entre 15 a 29 anos e, desse total, 77% são negros. A maioria dos homicídios é praticada por armas de fogo, e menos de 8% dos casos chegam a ser julgados. Mais absurdo que estes números, só a indiferença.

Reportagem acerca da vulnerabilidade social e racial nas cidades a margem do Plano Piloto.

A morte não pode ser o destino de tantos jovens, especialmente quando falamos de jovens negros. As consequências do preconceito e dos estereótipos negativos associados a estes jovens e aos territórios das favelas e das periferias devem ser amplamente debatidas e repudiadas. FONTE: https://anistia.org.br/entre-em-acao/ peticao/chegadehomicidios/


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ETAPA AMARELA


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urbano ur.ba.no adj (lat urbanu) Relativo ou pertencente à cidade. 2 Habitante da cidade, em oposição a rural. 3 Característico ou próprio da cidade.

“top down” [...]A decisão política é autoritária, em um nível central.” (CARVALHO; BARBOSA; SOARES, 2010) onde “as decisões são tomadas por autoridades que têm um certo controle do processo e decidem o que e como serão implementadas as políticas.” (SABATIER, 1983 apud DE OLIVEIRA, 2006)

urbanismo tático

urbanismo emergente

espaço público

“um protótipo de curto prazo que pode dotar de informações para o planejamento de longo prazo”, sendo “construída a partir de grupos de pessoas empoderadas, ou seja, urbanismo cidadão” de forma a reconhecer “o valor das ações informais no espaço público e incorporar na forma de políticas públicas urbanas inclusivas de longo prazo” Deixando de ser apenas “top-down”. Lydon, 2011.

O urbanismo emergente se identifica com a participação espontânea, ao criar novos caminhos para se fazer cidade; e com a participação conquistada. Porém aplicadas as estruturas tradicionais de planejamento visando, segundo Benner (2013), quebrar a hierarquia de poder que historicamente atormenta o processo de planejamento. O urbanismo emergente se baseia nos “processos de organização social e urbana que surgem sem mediação ou ‘provocação’” (FREIRE, 2009).

Do latim ‘público’ deriva de publicus, significando aquilo que diz respeito a todos. São considerados espaços abertos públicos urbanos, todos os espaços urbanos abertos à livre escolha e às ações espontâneas dos indivíduos. São espaços dotados de acessibilidade pública e designados, construídos ou apropriados para atividades funcionais, sociais ou de lazer. Lynch (1991). “Portanto, o urbano é uma forma pura: o ponto de encontro, o lugar de uma reunião, a simultaneidade. Essa forma não tem nenhum conteúdo específico, mas tudo a ela vem e nela vive.” (LEFEBVRE, 1999).

tático tá.ti.co É um componente de uma estratégia, com a finalidade de se atingir uma meta desejada. Um caminho para realizar um plano


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intervenção

autonomia

empoderamento

in.ter.ven.ção sf (sub. feminino) 1 Ato ou efeito de intervir. 2 Med Operação. 3 Intercessão, mediação, ato de emitir opinião, contribuir com ideias etc.

au.to.no.mia (substantivo feminino). 1.capacidade de governar-se pelos próprios meios. Direito reconhecido a um país de se dirigir segundo suas próprias leis; soberania. Direito de um indivíduo tomar decisões livremente; independência moral ou intelectual. 2.fil segundo Kant 1724-1804, a capacidade da vontade humana de se autodeterminar segundo uma legislação moral por ela mesma estabelecida, livre de qualquer fator estranho ou exógeno com uma influência subjugante, tal como uma paixão ou uma inclinação afetiva incoercível. (...) a capacidade de desejar o que se quer, ou seja, de exprimir na ação reflexiva de dois momentos: a enunciação consciente da vontade (o que leva em conta as exigências morais ligadas à realização de formas intersubjetivas de vida conscientemente assumidas e partilhadas) e o impulso do desejo. (SAFATLE, 2013 p. 87 e 88).

em.po.de.ra.men.to Seguindo a definição de Paulo Freire:“Implica, essencialmente, a obtenção de informações adequadas, um processo de reflexão e tomada de consciência quanto a sua condição atual, uma clara formulação das mudanças desejadas e da condição a ser construída. A estas variáveis, deve somar-se uma mudança de atitude que impulsione a pessoa, grupo ou instituição para a ação prática, metódica e sistemática, no sentido dos objetivos e metas traçadas, abandonando-se a antiga postura meramente reativa ou receptiva” (Schiavo e Moreira, 2005, apud, Leila Castro Valoura).

heteronomia he.te.ro.no.mia (substantivo feminino). Define-se como a tutela de alguém por outra pessoa. Essa relação é justificada, de maneira geral, pelo fato das pessoas serem incapazes de exercer sua autonomia e se autogovernar. Tornando necessária a intervenção externa para que a situação não fuja do controle.

emponderar

em.po.de.rar (v.t.d. e v.pron) Significa em geral a ação coletiva desenvolvida pelos indivíduos quando participam de espaços privilegiados de decisões, de consciência social dos direitos sociais. Entrequadra reside ncial e comercial - Ceilândia Sul


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DIREITO À CIDADE Henri Lefebvre, sociólogo e filósofo francês, em seu livro publicado originalmente em 1986, desenvolve o termo “direito à cidade”. Ele introduz uma crítica baseada nas consequências da produção capitalista na organização das cidades com ênfase na luta de classes como consequência da desordem urbana e exclusão da população. A sociedade capitalista é uma totalidade não consumada e por isso aberta a inúmeras contradições que fazem com que as características particulares do espaço se tornem genéricas, globais e desarticuladas. É uma crítica à produção burocrática que aliena os habitantes de forma a se pensar a cidade somente de maneira administrativa, técnica e científica. Lefebvre(2011) defende o direito à cidade como o direito do cidadão em criar coletivamente seu espaços, sendo a garantia de que a cidade e o habitar sejam de produção coletiva. Cabe ao coletivo a ação de transformar o espaço urbano.

O direito à cidade é muito mais que a liberdade individual em ter acesso aos recursos urbanos: é um direito de mudar a nós mesmos mudando a cidade. Além disso, é um direito coletivo, e não individual, já que a transformação depende do exercício de um poder coletivo para remodelar os processos de urbanização. A liberdade de fazer e refazer as nossas cidades, e a nós mesmos, é ao meu ver, um dos direitos humanos mais preciosos e ao mesmo tempo mais negligenciados. (Harvey, 2008, p. 02)

Como complemento ao pensamento de Lefebvre(2011), Harvey(2014) define o direito à cidade de não somente ser o direito a acessar recursos urbanos, mas

o direito de tomada de decisão da cidade, configurando à cidade um exercício de ação coletiva. Harvey(2014) faz uma análise crítica da história da urbanização com enfoque no exercício do mercado imobiliário. É o liberalismo direcionando o processo de urbanização, transformando a qualidade de vida em questão de mercadoria, é como se o acesso urbano fosse a grande moeda de troca definida pelo poder de compra. A grande maioria dos projetos governamentais para as cidades favorecem as grandes empresas e as classes mais altas com maior acesso a recursos. As discussões que giram em torno ao direito à cidade são norteadas a partir das questões de quem comanda a relação entre a urbanização e o sistema econômico. As grandes questões acerca da cidade são inteiramente discutidas com um olhar distanciado, macro e globalizado. Este trabalho tem a proposta de discussão com o olhar mais


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verticalizando e parcelando o centro antigo das cidades com empreendimento2. “As grandes cidades brasileiras se desenvolvem historicamente baseadas em contínua presença do setor privado, além do planejamento e de políticas públicas, Há, portanto, a necessidade de buscar, no setor privado do desenvolvimento imobiliário urbano, parâmetros de sustentabilidade urbana que complementem e atuem em consonância com aqueles pautados pela atuação pública”. (LEITE, Carlos, 2012).

Surgem, na década de 60, as primeiras críticas e protestos acerca da qualidade do meio urbano, tanto pelo poder público, quanto pela iniciativa privada. É nessa mesma época que surgem protestos visando a reposição de grandes áreas degradadas após a Segunda Guerra Mundial.

aproximado e caracterizado pelas potencialidades locais.

A transformação da cidade pós II Guerra Mundial A compreensão da transformação da paisagem das cidades a partir do seu crescimento e suas mudanças na segunda metade do século XX evidencia a relação entre os subúrbios e seus contingentes com os centros antigos que se modificam em seu traçado urbano, na forma das edificações e com o seu sistema viário, principalmente nos Estados Unidos. A cidade, que hoje possui subúrbios, favelas e assentamentos irregulares, antes era um loteamento rural que resguardava suas características e que ao longo do tempo sobrepôs as edificações, adensando,

No início da década de 70, o planejamento urbano apoiava-se em bases quantitativas dominadas por disciplinas variadas: sociologia, geografia, política e economia. Foi quando, por todo mundo, seria implementado políticas e programas para refazer essas áreas, a exemplo no Governo de Pereira Passos no Rio de Janeiro, com a implementação da Av. do Chile e adjacências, do Catumbi, do Estácio, e da cidade nova, além das violentas remoções de favelas. (DEL RIO 1990). As tendências arquitetônicas dessas décadas focaram nos espaços para edifícios individuais pensados isoladamente da malha urbana já construída e dos edifícios já existentes, os edifícios mais antigos. Essa tendência, bastante evidente nas grandes áreas das cidades afetadas pela II Guerra Mundial, seria desenvolvida seguindo os princípios e novos paradigmas da carta de Arquitetura Moderna e da Carta de Atenas3♣.

2 ♣. Se Entende como empreendimento: intervenções públicas e privadas realizadas na década de 60 com a intensão de renovação urbana nos centros degradados após a II Guerra Mundial. Del Rio, 1990, afirma que as cidades eram vistas erroneamente como simples problemas de funcionamento, maximização de investimentos e viabilização da reprodução e acumulação do capital. Era a adequação das áreas centrais de acordo com os planos diretores e as políticas propostas para proporcionar os mercados imobiliário e financeiro.

3 ♣. O CIAM – Congresso Internacional de Arquitetura Moderna - surge a fim de obter resposta ao crescimento acelerado da


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A consequência dessa nova urbanização era a deterioração4♣ das áreas centrais, com o esvaziamento social e econômico, por fatores que vão desde características físicas dos espaços centrais como o estilo de vida da classe média. Jan Gehl (2013) afirma que os modernistas não priorizam os espaços públicos, as áreas de pedestres e tampouco enxergam o papel do espaço urbano construído como local de encontro. As ideologias do planejamento urbano, como priorizam a dimensão humana, passam, nos anos 60, a caracterizar a produção de conhecimento através de pesquisadores e teóricos do planejamento urbano visando uma cidade saudável5♣. Foi, também, nessa época que a grande quantidade de carros invadem as cidades, dificultando ainda cidade com a preocupação no crescimento das imediações das cidades que acumulam funções permitindo que seu contingente trabalhe e desenvolva suas atividades na própria localização por meios de automóveis privados. A Carta de Atenas, elaborada por um grupo internacional de arquitetos, após uma série de congressos nos quais discutiram-se os problemas causados pelo rápido crescimento das cidades, foi finalizada no IV Congresso do CIAM, em 1933, na cidade de Atenas, após analisarem 33 cidades. A ênfase da Carta é o potencial da arquitetura e da planificação como definidor da forma da cidade propondo quatro funções básicas para o seu melhor funcionamento: habitação, trabalho, recreação e circulação. A separação dessas funções básicas resulta em diretrizes para cada uma delas destacando a melhoria na qualidade de vida nas moradias, com questões mínimas de conforto, afastamentos necessários da rua, questões de gabarito e localização.

4 ♣. Deterioração física, econômica e social. Buscava-se nos subúrbios a nova maneira de viver, onde tudo era planejado para o comodismo e o conforto, assim os grupos mais desfavorecidos se instalaram nos centros abandonados e com edifícios antigos deteriorados (Del Rio, 1966).

5 ♣. Expressão utilizada por Jan Gehl. Segundo ele a cidade saudável: “O desejo de uma cidade saudável é intensificada se o caminhar ou o pedalar foram etapas naturais do padrão de atividades diárias. Hoje, percebe-se um rápido crescimento dos problemas de saúde pública por que grandes segmentos da população, em vários lugares do mundo, tornaram-se sedentários, uma vez que os carros fazem todo o transporte porta a porta. Um convite sincero para caminhar e pedalar, como fenômeno netunal e integrado à rotina diária, deve ser um aspecto inegociável de uma política unificada de saúde (Jan Gehl, 2013, p.7).

mais as condições de interações com a cidade. O aumento crucial dos carros no século XX ocupou os espaços disponíveis da cidade para preenchimento de automóveis, tanto com o aumento na quantidade de vias, quanto o de estacionamentos6♣. A construção de vias adicionais é praticamente um convite direto para aderirem ao uso do transporte individual. Jane Jacobs, Em Morte e Vida das Grandes Cidades, (1961), critica os aspectos modernistas de planejamento urbano. Os princípios formais modernistas, mais precisamente o CIAM, que produziram seu documento síntese, a carta de Atena, na qual setorizam e organizam espacialmente a cidade. Jacobs (1961) expõe de maneira clara a rotina do seu bairro, Greenwich Village – NY, e defende a diversidade social, a rotina de contatos com a comunidade, a concentração de diversos usos, o tamanho das quadras, os edifícios antigos, os usos das calçadas, dentro outros aspectos, que buscam confrontar com o planejamento feito até então.

6 ♣. Se mais vias significam mais tráfego, o que acontece se forem convidados menos carros - em vez de mais? O terremoto de 1989 em São Francisco causou tanto estrago à Embarcadero, ao logo da Baía, uma das artérias vitais e de tráfego intenso com destino ao centro, que ela teve que ser fechada. Dessa forma, de um só golpe, removeu-se importante rota para o centro da cidade, mas antes que alguns planos para sua reconstrução saíssem da prancheta, ficou claro que a cidade se virava bem sem ela. Os usuários, rapidamente, adaptaram-se a nova situação e, em lugar de uma via expressa danificada de dois andares, hoje há um bulevar com bondes, árvores e amplas calçadas. Nos anos seguintes, São Francisco continuou a transformar autopistas em calmas ruas de bairros. Podem-se encontrar exemplos similares em Portland, Oregon; Milwaukee, Wisconsin; e Seuk, na Coreia do Sul, onde o desmantelamento do sistema de largas avenidas reduziu a capacidade e a quantidade de tráfego (Jan Gehl, 2013, p.9).


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DIREITO DE TER DIREITOS A participação: processo vertical nas decisões Entretanto, não se compra o direito à cidade em concessionárias de automóveis e no Feirão da Caixa: o aumento de renda, que possibilita o crescimento do consumo, não “resolve” nem o problema da falta de urbanidade nem a precariedade dos serviços públicos de educação e saúde, muito menos a inexistência total de sistemas integrados eficientes e acessíveis de transporte ou a enorme fragmentação representada pela dualidade de nossa condição urbana (favela versus asfalto, legal versus ilegal, permanente versus provisório). (Rolnik, 2013 p. 9)

No contexto das nossas periferias, temos na maior parte das vezes espaços desumanos, mal articulados e esquecidos pela iniciativa pública e privada. São áreas que geralmente fogem da democracia da participação popular e crescem de forma espontânea originando os espaços residuais, que geralmente são territórios de abandono, vulneráveis na implantação de uma infraestrutura. São lugares desestruturados, incômodos, inseguros, rejeitados e à margem de qualquer exploração rentável (PEREIRA, 2011). Regenerar e rearticular espaços públicos residuais e já existentes requer parcerias públicas e privadas como ferramenta de ação urbana. O foco são soluções apropriadas com elementos que deem apoio aos usuários locais, considerando os potenciais e limites do sítio físico e as questões que compõem a determinada localidade: questões econômicas, sociais, culturais e políticas. Vale ressaltar que essas soluções devem evidenciar práticas positivas já ocorridas no espaço público e , quando possível, replicá-las em áreas da mesma cidade visando a criação de

uma rede de boas ações. A cidadania expressa um conjunto de direitos que dá à pessoa a possibilidade de participar ativamente da vida e do governo de seu povo. Quem não tem cidadania está marginalizado ou excluído da vida social e da tomada de decisões, ficando numa posição de inferioridade dentro do grupo social. (DALLARI, 1998. p.14).

As relações entre o planejamento urbano e a participação nos colocam desafios de diferentes naturezas: política, jurídica, econômica, espacial, social, cultural, entre outras. As questões relacionadas às diversas formas de poder da sociedade acarretam efeitos espaciais bastante negativos, a desigualdade do acesso à riqueza é refletida diretamente na oferta de espaço público de qualidade. Para melhor entendimento, é importante reafirmar que a cidade não se constrói instantaneamente, são diversos processos. A cidade é um organismo dinâmico e não homogêneo. Nas grandes cidades brasileiras, o processo de crescimento de áreas com maior concentração de pobreza foi, e ainda é, considerado como indesejado pelo Estado.Tal processo é apontado como causador da desordem urbana e social. No início do século XX, a atitude do


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Estado foi de repressão das áreas com maior concentração de pobreza, remoções de casas e realocação de moradores em áreas mais afastadas, fato este de grande ocorrência até hoje nas novas áreas de ocupações irregulares.

Artistas de mãos dadas em passeata "Contra a censura pela Cultura". Da esquerda para a direita: Tônia Carrero, Eva Wilma, Odete Lara e Norma Benghel.

FONTE: http://www.imagem.ufrj.br/index.php?acao=detalhar_imagem&id_img=412

No Brasil, na década 80, coube entre os estudiosos do urbanismo o conceito de que cabe ao estado o papel de intermediar diversas demandas e ações de todos os grupos sociais que vivenciam a cidade. As deliberações do planejamento urbano enquanto instrumento por parte do estado é extremamente tecnocrático 7♣ com interesses heterogêneos. Sandercock(2005) afirma que as formas tradicionais de fazer e pensar o planejamento urbano, que são totalmente monopolizadas pelo Estado, estão atreladas às potências das minorias, ou seja, é necessário compreender que os espaços públicos cotidianos, mesmo apostados por Ong’s e movimentos sociais, constituem uma base alternativa de planejamento urbano com a finalidade de apontar os potenciais existentes. Sandercock (2005) afirma também que não trata de somente relatar eventos cotidianos ocorrentes do espaço, mas dar a eles significados onde a comunidade se torne, além de personagens, coautores do planejamento. O posicionamento das decisões e ações é estabelecido pelo Estado/Governo para a população, distanciando a capacidade da população de decisão sobre si mesmo. A população situa-se sob a tutela do Estado, das políticas, dos profissionais e de tudo que rodeia as decisões e ações, assim é a heteronômia.

7

♣. Entende-se como tecnocracia um sistema social em que o poder político e a gestão da sociedade, em seus diversos aspectos, encontram-se na mão de especialistas, técnicos e cientistas. A palavra começou a ser usada no meio científico durante a década de 1930 para abordar a crescente importância que químico-físicos vinham adquirindo no processo de desenvolvimento social. Mais adiante, o termo foi também sendo apropriado para designar o protagonismo de outras categorias de especialistas – incluindo engenheiros, economistas, cientistas e militares – na s decisões públicas e instituições políticas. Nas Ciências Sociais, o termo tecnocracia é bastante ambíguo, ganhando interpretações e sentidos variados. A ideia de deixar a gestão da sociedade na mão dos técnicos não é exatamente nova. De Aristóteles a Francis Bacon, não faltam pensadores na história que simpatizavam com a ideia de uma civilização tecnocrática, politicamente baseada nos critérios de competência. O que se coloca em discussão é que poderes políticos devem ser concedidos aos setores puramente técnicos. BOBBIO, Norberto. Dicionário de política. Brasília: Editora UnB 11ed, 1998


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ESPAÇO PÚBLICO

AUTONOMIA Segundo Nunes (2006), a participação é uma atitude voluntária. Participar significa tomar parte em discussões e em decisões, desde o momento em que o problema se apresenta até aquele de pôr em prática as soluções encontradas nas discussões. Nos últimos anos, a população tem retomado seus direitos na cidade por conta própria, a maioria é o pensamento coletivo que é traduzido em ações mais concretas. A autonomia aplicada a um grande grupo abre a possibilidade de autogoverno. É o conceito de que a comunidade pode participar de forma saudável com diálogo, respeitando as diferenças políticas, de raça, gênero, cor, sexo, etc. A participação se institucionalizou primeiramente no Estatuto da Cidade em 2001, que tornou-se exigência para a elaboração e implementação das políticas urbanas com orçamentos participativos, mutirões autogeridos, ações concretizadas pela comunidade, as zonas especiais de interesse social (ZEIS). Conforme dados do IBGE de 2010, quase 85% da população brasileira habita áreas urbanas, planos diretores participativos, entre outros.

A expressão espaço público surge na França em meados da década de 70, de uma nova abordagem da cidade em que se passa a valorizar a requalificação em vez da reabilitação. ASCHER, 1998, em seu livro [Metapolis – acerca do futuro da cidade, de François Ascher] foca em conhecer as novas dinâmicas que delineiam as cidades francesas, e destaca algumas problemáticas dos espaços públicos, que são resultantes da transformação das práticas urbanas e dos usos e estatutos dos espaços. Associado ao uso do espaço coletivo de tutela do Estado/Governo, o espaço público foi definido enquanto espaço de convívio, reuniões, práticas sociais e culturais, assim como lugar de contradição simbólica e política. O espaço público, com definição ampla, não está atrelado somente à espacialização, mas também social portando diferentes significados. Carrega, sobretudo, o direito pleno de ir e vir com ruas, avenidas, parques, praças, orlas, canteiros, etc. O espaço público é por natureza mais aberto e a primeira função que o distingue do espaço privado é a facilidade de acesso. O espaço público é de todos e de ninguém em particular, em princípio, todos o podem usar com os mesmos direitos.


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A ARQUITETURA COMO IMPERATIVO E o papel do arquiteto? Ele (o arquiteto) tendeu a se transformar em um servente dos interessados do poder privado e da ideologia do poder público, o que anula intrinsicamente as possibilidades de desenvolvimento de uma cultura crítica, pois, se o faz no contexto da sociedade neoliberal, arriava-se a ficar sem fonte de trabalho. Embora o arquiteto continue a defender seu papel social e cultural, há, na verdade, certo de tipo de prática da profissão que se tornou incompatível com o exercício da crítica (MONTANER e MUXÍ, 2014, p. 38)

A definição da função do arquiteto é incerta, não se faz importante definir qual a função do arquiteto nesse trabalho, mas sim pontuar algumas atribuições pertinentes à profissão relacionadas à disputa de poder, território, política, etc. No início do século XXI, com o monopólio de poder econômico e político, a função do profissional de arquitetura e urbanismo se torna mais incerta e multidisciplinar. MONTANER e MUXÍ (2014) afirmam que o arquiteto passou a se inclinar para os interesses do poder privado e para a ideologia do poder público, ou seja, é um desajuste entre a cultura e formação profissional do arquiteto com a demanda da sociedade neoliberal. Antes mesmo que de sair da academia, já surgem questões, do modelo de universidades com acesso a mais favorecidos refletindo em um perfil profissional dos arquitetos que se baseiam em um grupo que minoria em quantidade, mas é maioria no acesso à

riqueza e ao poder. MONTANER e MUXÍ (2014) afirmam que o grande desafio hoje é formar universitários que fortaleçam as alianças coletivas da comunidade e que atuem pela democracia e pelas igualdades. A lógica da obra do arquiteto está inserida, diretamente, em uma relação de poder e controle social de massa. O discurso recorrente das entidades profissionais demanda aos arquitetos o incrível poder de “transformar o mundo”. Precisa considerar o fato de que o projeto físico é o principal meio de controle social. As decisões do arquiteto implicam diretamente da vida coletiva da população. Para a contribuição social do arquiteto, visando a diminuição das desigualdades, ser exercida de forma plena, se é necessário, a aproximação do olhar no espaço, o reconhecimento do método de autoconstrução, a confiança nas análises coletivas da comunidade, e o próprio posicionamento de que o arquiteto, não necessariamente, será o principal agente transformador das cidades. No cenário atual, o poder público e o privado prevalecem sob as decisões coletivas, temos um sistema heteronômico, que vem de cima pra baixo. Esse sistema interfere diretamente nas reurbanizações de favelas, desapropriações de áreas com sensibilidade ambiental já ocupadas de maneira irregular e revitalizações de áreas já consolidadas, expulsam-se os mais pobres dando ênfase à valorização imobiliária. É remodelar a cidade com demandas dos mais poderosos como as grandes construtoras imobiliárias.


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Qual a atuação do arquiteto hoje? Visando responder questionamento acerca da profissão e do profissional de arquitetura e urbanismo, o instituto DataFolha, juntamente com o CAU/BR, realizou mais de 2.419 entrevistas em 177 municípios com a população economicamente ativa, entre 18 e 75 anos (101 milhões de pessoas), aprofundadas em grupos de discussão realizados nas cinco regiões do país. O Objetivo era traçar um plano de longo prazo para a valorização profissional e a promoção da Arquitetura e Urbanismo para todos, com pesquisas quantitativa e qualitativa, de forma a traçar um panorama abrangente sobre o que a população brasileira pensa sobre o tema. Taxa de população ativa, sendo a maior parte entrevistada homens com média de idade de 37 anos.

No total da pesquisa, aproximadamente 05 de 10 entrevistados fazem parte da classe C, o que corresponde a 49% da população. Em relação ao grau de escolaridade, a minoria, 18% já cursou ou cursa o ensino superior. Os demais, 82%, correspondem a ensino fundamental e médio.

Como o Brasil constrói?


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Dos entrevistados, 54% já fizeram reformas ou construções. Destes, menos de 15% utilizaram os serviços de um arquiteto ou engenheiro na obra. Contratação de arquitetos

Cerca de 70% das pessoas que compõem a população economicamente ativa afirmam que contratariam os serviços de um arquiteto e urbanista para construções ou reformas. A parcela dos que já contrataram os serviços de arquitetos e urbanistas é de 7%. Entre as pessoas com curso superior e das classes AB, essa taxa é mais que o dobro, chegando a 16%. Os arquitetos no planejamento das cidades Diante dos dados, pode-se perceber que a população com mais baixo grau de escolaridade encontra-se na classe mais baixa de renda, a classe C. Somente 7% da população já utilizou os serviços de um arquiteto e urbanista. Nota-se que a maior parcela da população não possui condições financeiras de onerar o profissional, ficando, assim, restrito o acesso da população das classes mais inferiores.


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MULHER FAZENDO SEU BARRACO NO INÍCIO DA CEILÂNDIA. FONTE ADMINISTRAÇÃO DA CEIL^^ANDIA,

Dos entrevistados, 54% já fizeram reformas ou construções. Destes, menos de 15% utilizaram os serviços de um arquiteto ou engenheiro na obra. Contratação de arquitetos


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PRINCIPAIS RODOVIAS DF-001 (EPCT) DF-002 (Eixo Rodoviário) DF-003 (EPIA) DF-075 (EPNB)

BR-060 BR-070 As informações deste mapa foram obtidas a partir do Plano Diretor de Transportes Urbanos (PDTU) do DF aprovado em 2012.

DF-085 (EPTG) DF-095 (EPCL) BR-020 | BR-030 BR-040

0km

5km

10km


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BRASÍLIA É O DISTRITO FEDERAL Da ponte pra cá �. 8

Brasília, capital do Brasil desde 1960, foi concebida por projeto por meio de concurso público. Tevd como ganhadora a equipe do urbanista Lúcio Costa. Era o cruzamento de dois eixos na região centro-oeste. A ocupação do quadrado do Distrito Federal se dispersa concentrando os empregos e serviços no Plano Piloto e as moradias da massa às margens. A ocupação do Plano Piloto era prevista de forma regulada, com apenas 500 mil habitantes, ao ultrapassar, seriam criadas cidades satélites, já idealizadas antes mesmo da inauguração de Brasília pelo governo local. Era a dualidade entre o Modernismo genuíno e o modernismo periférico. O contingente migratório de homens para a construção de Brasília, inicialmente, locados por construtores em imensos acampamentos de obras (Holanda, Kohlsdorf’s, 2013, p. 39) que futuramente iriam acarretar as invasões e favela, estruturam a segregação dos menos favorecidos financeiramente. Afirma PAVIANI, 1985, que para estes só restou a pressa dos governantes em erguer “núcleos semi urbanizados” na periferia do centro, por vezes distanciados em mais de 40 km, e carentes de oportunidades de trabalho. De acordo com plano urbanístico de Brasília, o crescimento de Brasília seria por cidades-satélites, separadas da “cidade mãe” por uma faixa sanitária de 25km capaz de preservar o Lago Paranoá e a imagem do Plano Piloto. Porém implementam-se as cidades-satélites antes da inauguração da capital, como recurso governamental diante das soluções habitacionais encontradas pelos operários da construção civil sem acesso aos custos de superquadras ou excluídos dos acampamentos de obra. (Holanda, Kohlsdorf’s, 2013, p. 48) É então que são implantados os programas habitacionais nas cidadessatélites, que às vezes possuem arquitetos e engenheiros. As famílias recebiam lotes de no máximo 200m², com pequenas casas de zero a três cômodos. Inicialmente sem qualquer saneamento básico, somente com a previsão de água encanada e energia elétrica. “Confusos, os critérios de localização sempre contribuíram para a fragilidade da compacidade do conjunto urbanizado[...]” (Holanda, Kohlsdorf’s, 2013, p. 48). Algumas cidades são locadas em áreas próximas a nascentes, é o caso de Taguatinga e Ceilândia. Quando ocorrem as primeiras transformações consideráveis no projeto de Lúcio Costa, em 1958, com a implantação de Taguatinga, afirma 8 ♣. Título musical da composição de Mano Brown que retrata a segregação da periferia do Capão Redondo, a implantação das novas infraestruturas e a segregação espacial. Aribui-se o título à faixa sanitária de 25km (DF 001, EPCT) para preservação do Plano Piloto em relação às demais “cidades-satélites” (Holanda, 2011), já previstas antes da inauguração do Plano Piloto.


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Aldo PAVIANI (2001) observa que a cidade consolida-se de forma poli nucleada, sendo Brasília, pertencedora de todos os municípios implantados – as RA’s. Deve-se salientar que dos 500 mil habitantes estimados na década de 50 para Brasília, chega somente a Ceilândia cerca de 330 mil habitantes e Brasília, nos anos 2000, chega a possuir 240 mil habitantes. O geógrafo Aldo Paviani (2001) afirma que o estatuto do Plano Piloto de Brasília estipulou para a Capital as funções políticas e administrativas e coibiu a instalação de indústrias pesadas ou as que gerassem poluição ambiental. “Apesar da restrição, Brasília cresceu e, hoje, é uma grande cidade.” (Paviani, 2002). Brasília, metrópole incompleta. Considerando Brasília como uma metrópole secundária ou terciária, haja vista o elevado número de habitantes e suas atividades exercidas, como o congresso, a universidade e centros tecnológicos. Ele define Brasília possuidora de várias cidades. Com uma dessas cidades sendo central e pertencedora das maiores funções geradores de emprego, o centro de Brasília, o Plano Piloto, e as demais cidades, as RA’s. É considerada metrópole incompleta por não possuir produção industrial de importância econômica em âmbito nacional. Assim, consideraremos Ceilândia como uma cidade não mais satélite, que orbita em um corredor sanitário de 25 km e assim como uma cidade

Reunião comunitária na Ceilândia

FONTE: https://www.achetudoeregiao.com.br/df/ceilandia/fotos.htm

de Brasília com quase 600 mil habitantes. [...] Circundando o Plano Piloto, as cidades-satélites possuem perspectiva menos promissora, pois, apesar de terem se constituído a partir de pranchetas, longe estão de incorporar o “planejamento urbano” do Plano Piloto de Brasília; tanto que pesquisas entre seus moradores revelam de maneira clara um sentimento de segregação. Sentemse excluídos por apresentarem carências múltiplas em termos de qualidade de vida, possibilidades de emprego nas localidades de residência, infraestruturas, como esgotamento pluvial, asfalto e iluminação pública, equipamento de lazer, hospitais e escolas locais com recursos humanos e tecnológicos, segurança pública, transporte público eficiente, etc. A percepção de exclusão é observada até mesmo nas cidades-satélites com ruas asfaltadas e transporte por metrô, o trem suburbano. [...] PAVIANI, 2014.

Anúncios em jornais impressos da Campanha de Erradicação de Invasões - CEI


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Praça central do núcleo satélite de Taguatinga

Fonte:http://cidades.ibge.gov.br/painel/fotos.php?lang&codmun=530010&search=%7 C%7Cinfogr%E1ficos%3A-fotos

Feira Permanente da Ceilândia - Início de Ceilândia, 1971

FONTE: http://blog.clickgratis.com. br/00219722290/566612/historia-deceilandia.html

De maneira mais abrangente, o Brasil como um todo possui suas disparidades sociais e econômicas. São expostos constantemente nas mídias de massa os meios de corrupção do Brasil e a má qualidade de suas cidades. A maioria dos problemas é recorrente nas cidades brasileiras, como violência, desigualdade, questões raciais e de gênero. Possuidora da maior população de Brasília, a Ceilândia é a cidade mais populosa do Distrito Federal e a primeira cidade no Ranking da violência.

CEILÂNDIA

Ceilândia, também conhecida como Região Administrativa RA IX, situa-se no extremo oeste do Distrito Federal, a aproximadamente 28 km da RA IX – Brasília (Codeplan, 2007). Primeiramente Ceilândia divide-se em três grandes áreas: Ceilândia Norte, Ceilândia centro, Ceilândia Sul e Guariroba. E posteriormente as demais subdivisões: setor “o”, expansão do setor “o”, P norte, P sul, QNQ e QNR, Condomínio Privê, após a Expansão do Setor “O”, Condomínio Sol Nascente e Condomínio Pôr do Sol. Segundo PDL de 97 – Plano Diretor Local, Ceilândia foi criada como desmembramento de Taguatinga e suas áreas urbanas, juntamente com samambaia, formam uma grande área metropolitana.


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DF

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BRASIL 09

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DISTRITO FEDERAL

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19

18

01 Luziânia 02 Gama 03 Jardim ABC e Alphaville Brasília 04 Minha Casa Minha Vida Parque do Riacho (Riacho Fundo 2) 05 Ocupação 26 de Julho (MTST Samambaia) 06 Ceilândia 07 Santo Antônio do Descoberto 08 Águas Lindas de Goiás 09 Brazlândia 10 Águas Claras 11 Estrutural 12 VILA CAUHY 13 Jardins Mangueiral 14 Jardim Botânico 16 Minha Casa Minha Vida Paranoá Parque (Paranoá) 17 Sobradinho 18 Planaltina 19 Formosa 20 Planaltina de Goiás POLARIDADE, CENTRALIDADE E INTENSIDADE DE OCUPAÇÃO PERIMETRO DO DISTRITO FEDERAL GOIÁS RESERVATÓRIO DE ÁGUA PRINCIPAIS VIAS E RODOVIAS ALTA INTENSIDADE DE OCUPAÇÃO MÉDIA INTENSIDADE DE OCUPAÇÃO BAIXA INTENSIDADE DE OCUPAÇÃO CENTRALIDADE PLANO PILOTO CENTRALIDADE TAGUATINGA | CEILÂNDIA | SAMAMBAIA CENTRALIDADE GAMA CENTRALIDADE SOBRADINHO CENTRALIDADE PLANALTINA

As informações deste mapa foram obtidas a partir do Plano Diretor de Transportes Urbanos (PDTU) do DF aprovado em 2012.

0km

5km

10km


1974

40 | Trabalho final de graduação

Inauguração da Caixa d’Água erguida no local onde foi fixada a pedra fundamental da Ceilândia.

50’

Inauguração do estágio Nacional Mané Garrincha.

70’

1954

Getúlio Vargas comete suicídio. Café Filho toma a liderança do país, mas se afasta após enfarto. O presidente da Câmara dos Deputados (da oposição) assume, mas leva golpe, sendo substituído pelo Presidente do Senado até que Café Filho volta ao poder.

1970

Inauguração do Palácio do Itamaraty e da Catedral de Brasília.

1957

Escolha do projeto urbanístico de Brasília realizado por Lúcio Costa e sua equipe.

1955

Escolha do sítio de Brasília. Sítio Castanho.

1956

Juscelino Kubitschek assume a presidência. Implantação dos primeiros acampamentos para os operários da construção do Plano Piloto. Abril – Juscelino manda ao congresso projeto de lei criando uma Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (NOVACAP). Setembro – é publicado o Edital de Concurso para o Plano Piloto da Nova Capital do Brasil.

60’ 1960

Inauguração de Brasília. Oficialmente transferida a capital do Rio de Janeiro pra Brasília.

1961

Setembro - João Goulart toma posse como presidente em substituição a Jânio Quadros. Sancionada a Lei n° 3.998 que criava a Universidade de Brasília

1964 - 69 Golpe Militar.

1971

O atual governador Hélio Prates lança a pedra fundamental da nova cidade, no local onde está a Caixa D’água. Campanha de Erradicação das Invasões Criação da Ceilândia. Campanha de Erradicação das Invasões (CEI). Criada com o objetivo de abrigar os 80 mil moradores de mais de 15 mil barracos das vilas IAPI, Tenório, Esperança, Bernardo Sayão e Colombo, dos morros do Querosene e do Urubu, Curral das Éguas e Placa das Mercedes. Ceilândia Sul, Norte e Oeste Chegada das primeiras famílias na Ceilândia Sul (QNM 1 a 9 e 17 a 25), Ceilândia Norte (QNM 2 a 10 e QNN 18 a 26) e Ceilândia Oeste (QNN 1 a 9 e 17 a 25). Essas três regiões fazem parte da chamada Ceilândia Tradicional. A primeira vez que um ônibus fez a linha Ceilândia-Plano Piloto foi em 28 de março de 1971 , um dia após a chegada da primeira família. Era um coletivo da TCB e a passagem custou 60 centavos.

1976

Falecimento de Juscelino Kubitschek, em acidente automobilístico no Rio de Janeiro. Setor O As quadras QNO de 1 a 15 foram ocupadas originalmente por moradores beneficiados por financiamentos do Banco Nacional de Habitação (BNH).

1977

Guariroba A região que compreende as quadras QNN 2 a 10 e 18 a 26 foi ocupada pelos cidadãos cadastrados na SHIS (Sociedade de Habitações e Interesses Sociais).

1978

Inauguração do Parque da Cidade Sara Kubitsckek. Inauguração do Abadião, Estádio de futebol Maria de Lourdes Abadia, mais conhecido como Abadião.

1979

Setor P. Dividido em duas partes, o Setor P era um só. As quadras pares - QNP 2 a 36 - . As quadras ímpares - QNP 1 a 19 - na região do antigo Ceilambódromo. Algumas quadras QNN foram criadas nesses setores, é o caso da QNN 32 a 40, região onde fica a Casa do Cantador.


Praça do Estudante | 41

1997 Museu da Memória Viva de Ceilândia

1998

80’ 1982

CEP - Ceilândia O Centro de Educação Profissional de Ceilândia é a escola técnica da região onde os jovens se preparam em diversos cursos.

1984

Feira Central e Permanente da Ceilândia. Inaugurada em junho de 1984. Com uma nova estrutura, a Feira Permanente de Ceilândia, administrada pelo serviço de Feiras da RA IX, possui uma associação (ASFEC), com serviço de som que atende aos 460 boxes.

1985 Expansão do Setor O A ocorrência de uma erosão na Guariroba e no Setor P Sul derrubou cerca de 50 casas. Os moradores foram transferidos para a Expansão do Setor O, dando origem às quadras QNO 16.

1986

Casa do Cantador Inaugurada em 9 de novembro, conhecida como Palácio da Poesia e Literatura de cordel – palco dos grandes festivais de repente promovidos pela FENACREP- Federação Nacional de Associações de Cantadores Repentistas.

1989 Em 25 de outubro a Lei 11.921 criava a nova Região Administrativa do Distrito Federal, que virava, assim, a nova cidade-satélite de Ceilândia. Nova Ceilândia e Nova Guariroba Um programa habitacional da Caixa Econômica Federal foi responsável por financiar casas a servidores públicos que ganhassem até 10 salários mínimos, origina essas duas regiões. A Nova Guariroba, da QNN 36 a 40, e a Nova Ceilândia, da QNN 35 a 39. Setor QNQ Dividido nas quadras de 1 a 6, surgiu de uma reivindicação dos moradores sem condições de ser contemplados pelo programa da Caixa. O governo começou um programa de assentamento que concedia o terreno e dava o prazo de três meses para que o cidadão contruísse a casa.

90’ 1992

O Então presidente Fernando Collor de Mello renuncia ao cargo. Setor QNR Seguindo a política de concessão de terrenos, foi criado o Setor QNR, de apenas uma quadra, uma espécie de expansão da QNQ.

1993

Parque Ecológico e Vivencial do Rio Descoberto A Lei n.º 547/93, autoriza o poder executivo a criar o parque que se localiza na área delimitada pela rodovia BR-070, a leste pelo rio Descoberto, ao sul pelo leito do córrego Capão do Brejo e a oeste pela rodovia DF-190, na divisa com o estado de Goiás. Seus primeiros 500 metros são intensivamente utilizados pela população, Conhecido também popularmente como Parque da Barragem.

1996

Condomínio Privê Criado por meio do programa Orçamento Participativo, é formado por módulos em vez de quadras, do 1 ao 21. Fica localizado do outro lado da BR-070. Sítio Arqueológico da Ceilândia Descoberto pelo arqueólogo Eurico Teófilo Miller, ainda não tombado pela união, recebe frequentemente alunos universitários. O sítio possui uma área cercada de 4 hectares. Museu da Limpeza Urbana Museu próximo à Usina de Lixo de Ceilândia. Surgiu da ideia que os funcionários do antigo SLU (Serviço de Limpeza Urbana) tiveram de juntar as peças que encontravam no decorrer de seu trabalho.

Centro Cultural da Ceilândia Tendo em suas instalações a Biblioteca Pública de Ceilândia Carlos Drummond de Andrade, a Divisão Regional de Cultura, a Divisão Regional de Desporto, Lazer e Turismo, a Brinquedoteca e o Conselho tutelar de Ceilândia.

1999 Segundo mandato a predente de Fernando Henrique Cardoso. Setor Habitacional Sol Nascente Não há uma data precisa de criação o setor. Compreende o Trecho 1, que divide o P Sul do P Norte; e o Trecho 2, abaixo da QNR. Começou com a venda para grileiros de fracionamentos de áreas rurais cedida pela Terracap com o objetivo de formar um cinturão verde.

2000’ 2000

2000 - Setor Habitacional Pôr do Sol Também começou com a venda a grileiros de terras concedidas para uso rural. Eles depois repassavam os lotes.


42 | Trabalho final de graduação

HISTÓRICO 1956.

LEI Nº 2.874, DE 19 DE SETEMBRO DE

Dispõe sobre a mudança da Capital Federal e dá outras providências. “O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: CAPÍTULO I Art. 1º A Capital Federal do Brasil, a que se refere o art. 4º do Ato das Disposições Transitórias da Constituição de 18 de setembro de 1946, será localizada na região do Planalto Central, para esse fim escolhida, na área que constituirá o futuro Distrito Federal [...]” Câmara Dos Deputados Centro de Documentação e Informação. As obras da construção da nova capital iniciam-se em novembro de 1956, após a lei. Sendo inaugurada em 21 de abril de 1960 por Juscelino Kubitschek com o centro cívico já totalmente edificado. No ano de 1969, em Brasília já havia 79.128 moradores em 14. 607 barracos, para uma população de 500 mil habitantes em todo o DF, dados segundo a Administração da Ceilândia. Foi então que o governador da época, Hélio Prates, criou a Campanha de Erradicação das Invasões – CEI, presidida pela primeiradama, Dona Vera de Almeida Silveira. “Em 1971”, já estavam demarcados 17.619 lotes, de 10x25 metros, numa área de 20 quilômetros quadrados – depois ampliada para 231,96 quilômetros quadrados, pelo Decreto n.º 2.842, de 10 de agosto de 1988, para a transferência dos moradores das invasões do IAPI; das Vilas Tenório, Esperança, Bernardo Sayão e Colombo; dos morros do Querosene e do Urubu; e Curral das Éguas e Placa das Mercedes, invasões com mais de 15 mil barracos e mais de 80 mil moradores. Em 27 de março de 1971, o governador Hélio Prates lançava a pedra fundamental da nova cidade, no local onde está a Caixa D’água. O Secretário Otomar Lopes Cardoso deu à nova localidade o nome de Ceilândia, inspirado na sigla CEI e na palavra de origem norte-americana “landia”, que significa cidade. Inicialmente sem infraestrutura adequada,

com carência de água, iluminação pública, transporte coletivo, muita poeira, lama e enxurradas, em nove meses, a transferência das famílias estava concluída, com as ruas abertas em torno do projeto urbanístico de autoria do arquiteto Ney Gabriel de Souza – dois eixos cruzados em ângulo de 90 graus, formando a figura de um barril.

ATRATIVOS 1-Caixa d’água Erguida em 1973, onde foi fixada a pedra fundamental de Ceilândia, monumento histórico e símbolo da Ceilândia. Localizada em um dos cruzamentos principais da área central da Ceilândia. 2-Feira Permanente da Ceilândia Inaugurada em junho de 1984. Com uma nova estrutura, a Feira Permanente de Ceilândia, administrada pelo serviço de Feiras da RA IX, onde possui 460 boxes. 3-Casa do Cantador Projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer, inaugurada em 9 de novembro de 1986, conhecida como Palácio da Poesia e Literatura de cordel. 4-Centro Cultural de Ceilândia Fundado em 20 de Setembro de 1998, tendo em suas instalações a Biblioteca Pública de Ceilândia Carlos Drummond de Andrade, a Divisão Regional de Cultura, a Divisão Regional de Desporto, Lazer e Turismo, a Brinquedoteca e o Conselho tutelar de Ceilândia. 5-Museu da Memória Viva de Ceilândia O museu possui a memória da


Praça do Estudante | 43

história dos primeiros moradores de Ceilândia com materiais que relatam a trajetória dos pioneiros do Distrito Federal e da Ceilândia.

importante do DF, após o Ceara.

6-Museu da Limpeza Urbana Inaugurado em 1996 próximo à Usina de Lixo de Ceilândia. Idealizado pelos funcionários do antigo SLU - Serviço de Limpeza Urbana.

03 de julho de 2002. Localiza-se na CNM 01 – Bloco 01 – Lote 01 – Ceilândia Centro.

7-Abadião Estádio de futebol Maria de Lourdes Abadia, mais conhecido como Abadião.

Inaugurado em 2012, o espaço, que fica na QNN 16 da Guariroba, Ceilândia Sul, atende as modalidades de futsal, handebol, artes marciais e vôlei. Possui acesso para pessoas com deficiência e uma arquibancada com capacidade para mais de mil pessoas.

8-Praça do Cidadão Local onde acontecem diversos movimentos/ festas populares na cidade. Possui também diversos órgãos de atendimento ao cidadão, além de uma quadra de esportes com arquibancada. 9-CEP–Ceilândia O Centro de Educação Profissional de Ceilândia possui cursos técnicos nas áreas de Sistemas de Informações e Gestão Empresarial e Pública, entre outros. 10-Praça do Trabalhador - Cruzeiro  Praça onde foi fixado próximo a Administração Regional de Ceilândia e o CILC, Centro integrado de Línguas da Ceilândia. Praça possui diversos eventos durante o ano. 11-Feira do Rolo Local onde se vende, compra e se troca de tudo. No princípio localizava-se em frente ao Quarentão, posteriormente, localizou-se ao lado da Regional de Ensino da Ceilândia, passou para a parte sul da cidade, próximo ao posto de saúde e hoje se encontra no Setor O. A maioria dos produtos possuem origem duvidosa. 12-Praça dos Eucaliptos Possui este nome pela presença de grande quantidade de árvores de eucalipto. No local há uma pista bem movimentada onde skatistas, ciclistas e jogadores de futebol. Situa-se na praça uma quadra de esporte onde ocorrem campeonatos. 13-Feira do Produtor Rural e Atacadista de Ceilândia  A feira tem 48 mil metros quadrados, é a mais

14-Restaurante comunitário

15-Ginásio Regional da Ceilândia

16-Shopping popular da Ceilândia O Shopping Popular de Ceilândia é um dos grandes centros de compras da maior cidade satélite do Distrito Federal. Com 680 box, o local oferece muitas opções de Confecções, Moda Adulto e Infantil, Celulares e Acessórios, Tabacaria e muitas opções de produtos e serviços. No local funciona também uma unidade do Na Hora, onde os moradores de Ceilândia podem resolver as principais questões junto aos órgãos do Governo do Distrito Federal. 17-Universidade de Brasília / FCE Inaugurada em 2008. A FCE contempla os cursos destinados à área da saúde: enfermagem, farmácia, fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e saúde coletiva. 18-IFB – Instituto Federal de Brasília. Em julho de 2015, o Campus Ceilândia mudouse para sede própria, localizada na QNN 26, Área Especial, entre a Faculdade de Ceilândia da UnB e a linha do metrô no setor P Sul. A escola tem capacidade para atender até 1200 estudantes. 19-Escola parque da Ceilândia Localizada na Ceilândia Sul, local do antigo Sesc da Ceilândia. Escola possui nome do Anísio Teixeira, somente para alunos de escolas públicas do 6° ao 9°.


44 | Trabalho final de graduação

01

06

11

16

02

07

12

17

03

08

13

18

04

09

14

19

05

10

15


Praรงa do Estudante | 45

ETAPA VERMELHO


SETOR “O”

PRINCIPAIS PONTOS DA CEILÂNDIA EXPANSSÃO 46 | Trabalho final de graduação DO SETOR O

ESTAÇÃO CEILÂNDIA

M

LOCALIZAÇÃO DA ÁREA DE NORTE CEILÂNDIA INTERVENÇAO:

A área de intervenção compreende um recorte central da QNM 13 – área especial, na Ceilândia Sul, a Praça do Trabalhador.

O

ESTAÇÃO CEILÂNDIA NORTE

P NORTE

O

A NID

M

E AV O O

O

SOL NASCENTE

O

O

O

A NID

TES RA

O

P LIO HE O

recorte

E AV O

REFERÊNCIAS DA CEILÂNDIA

O

ESTAÇÃO CEILÂNDIA CENTRO

O

Fórum

O

M

O

O

O

Corpo de Bombeiros

CEILÂNDIA SUL

O

Feira Pública Central da Ceilândia Administração Regional Hipermercado Extra

TRANSPORTE PÚBLICO DE MASSA

Casa do Cantador Shopping Popular

parada de ônibus Ceilândia metrô superficial linhas Ceilândia

Shopping JK M

estação de metrô Ceilândia eixo sem transporte público

Hospital

RECORTE DA ÁREA DE INTERVENÇÃO E ESTUDO Ceilândia tradicional

500M

1000M

ESTAÇÃO GUARIROBA

M

metrô subterrânea linhas Ceilândia

Caixa d’água

0M

GUARIROBA

Av. Hélio Prates O

2000M

Área Central da Ceilândia Área subcentral Área de intervenção

P SUL MALHA VIÁRIA Av. PRINCIPAL de atividades e eixo de circulação eixos de circulação via arterial ESTAÇÃO CEILÂNDIA SUL

M

O LIO HE O


VIA

EST

RUT

URA

L

VIA

RAL

UTU

ESTR

Praça do Estudante | 47

VIA

M NORTE

E

UR

UT

R ST

TAGUATINGA

AL

NIDA AVE

TES PRA

AV

PRAÇA DO TRABALHADOR O

QNL

ESTAÇÃO METROPOLITANA

IO EL

STÁD

VIA E

ERE MO S

JO

M

QNL

QNL

PARQUE ECOLÓGICO LAGO DO CORTADO

E

NOVA QNL (CHAPARRAL)

ORT

PARQUE ECOLÓGICO LAGO DO CORTADO

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QNJ

A CO NID AVE

LIO

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N NDÚ A SA NID AVE

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S

RATE

IO P

HEL


14 14 05

SETOR “O”

EXPANSSÃO 19 48 | Trabalho final de graduação DO SETOR O

21

ESTAÇÃO CEILÂNDIA

M

05

CEILÂNDIA NORTE P NORTE

18

07 10 ESTAÇÃO CEILÂNDIA NORTE

M

EQUIPAMENTOS PÚBLICO 01 Fórum 02 Corpo de Bombeiros 03 Centro de Saúde 04 Escola Parque 05 Polícia Civil 06 CRAS - Centro de referência de assistência social 07 Feira Pública 08 Administração Regional 09 Grupo de Escoteiros 10 Biblioteca Pública e Conselho Tutelar 11Centro de Ensino fundamental 12 Centro de Ensino médio 13 Escola Classe 14 Terminal de Ônibus 15 UPA 16 Estádio Elmo Serejo 17 Escola tecnica da Ceilandia 18 Polícia Militar 19 CAIC - Centro de Atenção Integral a Criança 20 SESC 21Centro olimpico 22 Hipermercado Extra 23 Ginásio público 24 Casa do Cantador 25 Shopping Popular 26 CILC 27 Shopping JK 28 Restaurante comunitario 29 Caixa D’agua 30 Freira do Produtor 31 Nova Sede Administrativa 32 Estádio abadião 33 Centro comunitário da criança 35 UnB Ceilândia - laboratório 36 HRC - Hospital Regional da Ceilândia

M

0M

1000M

E AV

28

29

01 06 20

25

TES RA

recorte

OP

A NID

LI HE

22

E AV

08 ESTAÇÃO CEILÂNDIA CENTRO

30

M

26

15

CEILÂNDIA SUL 32

19 17

GUARIROBA SOL NASCENTE

ESTAÇÃO GUARIROBA

18

M

35 12 23

P SUL

33

Av. Hélio Prates Estação de metrô - Ceilândia

500M

AH NID

07

03

2000M

06

24

ESTAÇÃO CEILÂNDIA SUL

M


VIA

EST

RUT

URA

L

VIA

RAL

UTU

ESTR

Praça do Estudante | 49

VI

M NORTE

UR

UT

TR

S AE

TAGUATINGA

AL

05

LIO

HE IDA

N AVE

TES PRA

PR

ES AT

36

PARQUE ECOLÓGICO LAGO DO CORTADO

04

PRAÇA DO TRABALHADOR 12

06

ESTAÇÃO METROPOLITANA

05

EREJO

MO S

IO EL

STÁD

VIA E

QNL

QNL

QNL

16

M

31

14

PARQUE ECOLÓGICO LAGO DO CORTADO

T

RTE

LIO

HE

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QNJ

QNJ

CIAL

02

Ú NO

D SAN

03

IDA

27

MER A CO NID AVE

LIO

A HE NID AVE

N AVE

M NORTE

TES PRA


50 | Trabalho final de graduação

A PRAÇA DO TRABALHADOR

02

ENTORNO

0M

01

PRAÇA DO TRABALHADOR

02

HIPERMERCADO

02

ESCOLA

250M

500M

1000M


Praรงa do Estudante | 51

01

03


52 | Trabalho final de graduação

É LUGAR OU NÃO LUGAR?


Praรงa do Estudante | 53


DE DIA... 54 | Trabalho final de graduação

É PRA PESSOA ?


Praรงa do Estudante | 55

OU PRA CARRO?


DE NOITE... 56 | Trabalho final de graduação

É PRA FICAR ?


Praรงa do Estudante | 57

OU PRA CORRER?


58 | Trabalho final de graduação

QUEM PASSA NA PRAÇA? 01

06

03

02

04

05

passar

passar

passar de bicicleta

comprar

brincar

atravessar

atravessar

ir trabalhar

atravessar

cair

circular

circular

ir à Administração

ir à Administração

levantar andar

06

correr lazer

vender permanecer circular


Praça do Estudante | 59

O QUE TEM NA PRAÇA?

lixeira feita pela comunidade

banco de concreto pintado com tinta

banco de concreto pintado com tinta

carros estacionados no gramado dentro da praça

PEC - Ponto de Apoio Comunitário

muro e cercas

poste de iluminação. Altura 10m.


60 | Trabalho final de graduação

A FORMA URBANA DA PRAÇA As análises das dimensões morfológicas são apresentadas por meio da metodologia do grupo DIMPU - Dimensões Morfológicas do Processo de Urbanização. Estas análises são baseadas no desempenho das expectativas sociais que um lugar oferece e suas dimensões morfológicas. Considera-se que a arquitetura seja uma família de relação das coisas e das relações do homem com o espaço. Dividem-se 6 abordagens: funcional, bioclimática, econômica, expressivo-simbólica, sociológica e topoceptiva (HOLANDA; KOHLSDORF, 2000) e em três passos: a análise das condições do espaço, a avaliação das expectativas sociais e dimensões morfológicas e propostas para as dimensões analisadas. Essas propostas serão baseadas nos padrões Christopher Alexander e Andrade.

PRAÇA DO TRABALHADOR A praça localiza-se na área da Ceilândia Sul. No local encontram-se a Administração Regional de Ceilândia, o Cruzeiro, o CILC (Centro Interescolar de Línguas de Ceilândia). Próximo ao local estão a Escola Parque, dois hipermercados, o fórum da cidade e o Shopping Popular (ou camelódromo). Existe uma área destinada a um novo centro cultural na região, porém não foram encontradas informações mais concretas.

PARTICIPAÇÃO NA PRAÇA DO TRABALHADOR Movimento que atua de maneira efêmera na praça no trabalhador da Ceilândia desde 2015. O evento consiste em uma programação musical e cultural gratuita por dois dias durante à tardes e à noite, como oficinas de slackline, parkour, basquete, intervenção urbana e malabares. O festival promoveu também oficinas e palestras com os internos que cumprem medidas socioeducativas no DF com o rapper Diey Pitalurgh, que palestra para um grupo de adolescentes da Unidade de Internação de Planaltina (UIP). O Festival possui parceria com a ONG atuante na Praça do Cidadão, Jovem de Expressão.


Praça do Estudante | 61

ATIVIDADES NA PRAÇA Dimensão funcional A dimensão funcional analisa a operacionalidade dos espaços, sua adequação e eficiência ao desenvolvimento das mais diversas atividades básicas a uma cidade: circulação, transporte, características das atividades, índice de aproveitamento. (HOLANDA e KOHLSDORF, 2004). É a análise do desempenho das atividades humanas no espaço. Análise e Avaliação Legislação: O PDOT - Plano Diretor de Ordenamento Territorial - é o instrumento básico de política territorial para orientação dos agentes públicos e privados que atuam na produção e gestão de localidades urbanas. Nele, a área em questão está inserida na Zona Urbana Consolidada. Essa zona é composta por áreas predominantemente urbanizadas ou em processo de urbanização de alta, média e baixa densidade com infraestrutura e equipamentos públicos. Geralmente nessa zona urbana as potencialidades desenvolvidas devem ser de uso diversificado de atividades, otimização de transporte e proposta de emprego. A LUOS – Lei de Uso e Ocupação do Solo - vem como complemento do PDOT, definindo os usos e os índices das edificações para controle urbanístico. A área em questão está demarcada como CSIIR 2 – Comercio, Serviço, Institucional, Industrial e Residencial. Uso – legislação: pelo IPDF – Instituto de Planejamento do Distrito Federal, o Plano Diretor Local da Ceilândia (PDL) funciona como instrumento complementar ao PDTO das Regiões Administrativas do Distrito Federal. O objetivo do PDL da Ceilândia é desenvolver o dinamismo em articulação com as duas RA’s adjacentes, Taguatinga e Samambaia. Basicamente sua atuação é de estipular os usos e as ocupações do solo adequando as questões socioeconômicas, racionalizando custos, melhorando a qualidade dos espaços públicos, otimizando a circulação viária e concretizando a

infraestrutura. O PDL aponta a área como centro urbano local inserida na zona dinamizada. A área de estudo em si está marcada como área de revitalização e revisão de projetos, ou seja, área destinada a uso público com propriedade de revisão de projeto à expansão urbana e ao adensamento. Fica restrito a essa área o uso L2(1) – Lotes de menos restrição, porém são admitidas atividades de média incomodidade, são permitidas atividades não-residenciais, desde que respeitados os parâmetros de uso e ocupação do solo. Usos: o uso institucional, como Centro Interescolar de Línguas de Ceilândia e a Administração Regional da Ceilândia agregam uma movimentação considerável e também pontual. Os horários de maior movimentação são entre 8h, 12h, 14h, 18h, 20h e 22h, horários respectivos aos turnos das aulas. A Praça do Trabalhador possui pouca urbanidade, que se dá pela formação de pouca constitutividade nos espaços convexos da praça. As constituições podem ser portas, portões e outros espaços de transição para o movimento humano. Quanto maior a quantidade de portas, maior a impressão de vigilância e segurança – e maior a probabilidade de agregar pessoas. Com 43.475m², a praça possui diferentes usos comerciais nas suas margens, com uma distância de cerca de 260m de um lado a outro da praça, o que não influencia positivamente na praça por configurar-se um grande espaço convexo, mesmo com movimento e fluxo de pessoas. Nota-se a utilização da praça como local de passagem e não de vivência.


62 | Trabalho final de graduação

CARACTERÍSTICAS DOS USOS NO ENTORNO DA PRAÇA Uso Misto Uso Comercial Uso Residêncial Educação Serviços Públicos / Privados Praças

0M

50M

100M

200M

TRANSPORTE PÚBLICO DE MASSA, MALHA VIÁRIA E ATRAÇÃO DE TRÁFEGO DE VEÍCULOS Transporte público de massa Parada de ônibus Parada de ônibus - sem abrigo Malha viária Tráfego médio de veículo leve

0M

50M

100M

200M


Praça do Estudante | 63

A abrangência das atividades evita que se percorram grandes distâncias para que se tenha acesso a bens e serviços, facilitando o transporte a pé, mesmo tendo como uso predominante de oficinas mecânicas. Com sistema viário circundado por vias que dão acesso rápido à Hélio Prates, a praça localiza-se em uma área sub central da Ceilândia. A temporalidade do uso comercial, seja por dias ou por turno, faz com que a vida diurna e noturna na praça fique prejudicada. Por mais que exista comércio à volta da praça a distância ainda é grande a ponto de não levar movimento constante de pessoas. O maior fluxo é na entrada e saída das escolas no período de 2° a 6° em horário comercial. Uma das alternativas é que práticas sejam desenvolvidas por grupos sociais na praça, para melhorar a incidência no desempenho copresencial das áreas livres públicas e do sistema espacial da área considerada. Assim, visando usar a potencialidade da vantagem de usos mistos próximo à praça e criar conectividade entre esses usos, pode-se implantar usos na praça, como quiosque, visando levar a permanência de pessoas no local, melhorar a segurança com fluxo de pessoas em diferentes horários. Valorizando as esquinas e transformando as ruas ao redor. Uso noturno: durante a semana e ao final de semana, não ocorrem atividades noturnas no entorno e dentro da praça, praticamente inexiste uso noturno, a maior parte são pedestres passantes que se deslocam verticalmente na Ceilândia. Esporadicamente ocorrem jogos de futebol na praça, mas pela precariedade da iluminação não são frequentes. Comércio informal: não foi constatada a existência de comércio informal, como quiosques e barracas. Gabarito: As edificações no

entorno possuem gabarito máximo de até 3 pavimentos, o térreo é usado como loja e a calçada como estacionamento e passagem de pedestres. Acesso: o estacionamento ao lado da Administração Regional da Ceilândia abrange o uso das pessoas que vão ao mercado Extra e à própria Administração. Acessibilidade: não foram encontrados rampas e pisos específicos para uso de pessoas com deficiência. Fluxo de pedestre: no interior da praça, o fluxo do pedestre raramente segue as delimitações existentes, fato justificado pela demonstração do fluxo mais espontâneo marcado na praça. Transporte: atualmente, as Vias M1 e M2 são abastecidas de 5 linhas de ônibus. Somente uma linha liga o Sol Nascente ao Taguatinga Shopping (0.44). Outas 03 linhas ligam o Setor “O” a Taguatinga, Samambaia, W3 sul e a Rodoviária do Plano Piloto (0.49, 0.311 e 0.312). A última linha, a via M2 sul e norte ao Guará (0.089). Padrão 60 – praças acessíveis Para a acessibilidade das praças é preciso o tratamento das calçadas, com equipamentos que atendam as pessoas com deficiência, pessoas com dificuldade de locomoção, carrinhos de bebê e etc.


64 | Trabalho final de graduação

CARACTERÍSTICAS DAS ATIVIDADES FREQUÊNCIA: TEMPORALIDADE Diurno Noturno Diurno/noturno Salão de beleza/loja de roupas Xeror/ploter Loja de embalagens Lanchonete/Sorveteria Bar Padaria Restaurante Igreja Mercadinho Distrib. de bebidas Auto peças/venda de carro e acessório Venda de bicicletas Quiosque Banca de Jornal Comida de rua - Churrasquinho Vendedor ambulante. Ag. de turismo

0M

50M

100M

200M


Praça do Estudante | 65

Padrão 120 Caminhos e metas

Padrão 174 - Caminhos com pérgolas

Os caminhos dos pedestres precisam ser ajustados de acordo com suas necessidades e oferecem suficientes metas intermediárias (ANDRADE, 2014). Por isso, caminhos curtos e naturais são a solução.

Esta estratégia consegue, simultaneamente, conformar caminhos e oferecer locais agradáveis, positivos. (ANDRADE, 2014). A instalação de pérgolas em alguns caminhos beneficiará sua agradabilidade.

Padrão 90: Pontos de encontros públicos É necessário ter um lugar para simples encontros. Para isso, é importante que haja bons equipamentos, como bancos e iluminação.

Padrão: dispositivos móveis de comércio A Ceilândia possui um elevado número de vendedores ambulantes em sua avenida de maior fluxo, a Av. Hélio Prates. Os ambulantes buscam um reforço de renda, seja pela falta de emprego ou baixa qualificação. Na maioria das vezes, os dispositivos móveis abrigam desde frutas, verduras, roupas, produtos eletrônicos até comidas feitas no local. Visando o aumento do fluxo de pessoas, é primordial o reconhecimento de práticas já ocasionais desse comércio na Ceilândia.

Padrão 163: Sala de estar externa Assim, como se precisa de um “local de encontro” no âmbito residencial, existe uma necessidade de interação com outros membros da comunidade em locais externos, com benefícios de se estar ao ar livre, com a presença de ventilação, aromas, sol, texturas, e diversos outros elementos que estimulem outros sentidos, além da visão.


66 | Trabalho final de graduação

Padrão: revitalização das fachadas

Padrão: ciclovias integradas com a praça

Os prédios ao redor, em sua maioria, são degradados. É importante considerar as características de cada tipo de comércio.

Devido seu extenso formato, a proposta é que as ciclovias possam permear a praça integradamente com calçadas amplas.

Padrão: diversidade comercial

Padrão: faixa de pedestre bem sinalizada

Com o uso predominante de oficinas mecânicas, a proposta visa a implementação de novos tipos comerciais para complementar os serviços e melhorar o fluxo com a variação das atividades no entorno da praça.

Às margens da praça existem faixas de pedestres má sinalizadas. A proposta é tornar a praça acessível, segura e bem sinalizada.

FLUXO PEDONAL NA PRAÇA

Fluxo de pedonal mais coum Malha viária Muro da escola

0M

50M

100M

200M


Praça do Estudante | 67

A PRAÇA E OS USUÁRIOS A Dimensão Sociológica

A Dimensão Sociológica é relacionada às interações ocasionais nos lugares públicos por parte das pessoas para com os lugares. E a verificação se suas configurações, de cheios e vazios, facilita ou dificulta essas interações. Por se tratar de uma praça, visivelmente seu interior é predominantemente aberto. Suas barreiras visuais e físicas são a Administração Regional, um antigo banheiro desativado e o CILC. Essas barreiras não minimizam o nível de apreciação do espaço, o recinto é apreciável a partir de qualquer ponto do seu interior, o que atrai a permanência de pessoas. Mesmo que seja uma praça, é necessário que seja formada por vários lugares a fim de acolher melhor as pessoas. A quantidade de aberturas nos espaços convexos é baixa, porém é constituída por grandes espaços convexos, como se a praça fosse somente um lugar para passagem. Quanto maior a incidência de menores espaços convexos, maior a tendência à urbanidade na área considerada. Segundo Kohlsdorf (2000), a vida espacial se apoia no conceito de comunidade virtual como campo de encontros prováveis e não como sistema de co-presença real. Trabalha com amostras de arranjos sociais, inferidos dos tipos de solidariedade para sistemas de encontros. A praça é tendenciosamente formal, ou seja, as práticas não são espontâneas com tendência precária à possibilidade de encontros não-programados.

Padrão 90- Pontos de encontros públicos Lugares onde conhecidos e desconhecidos se encontram tendo a ocorrência de eventos específicos ou não. (ANDRADE, 2014).


68 | Trabalho final de graduação

ILHAS ESPACIAIS

Barreiras/Ilhas espaciais Permeabilidade ao movimento humano

0M

50M

100M

200M

CONVEXIDADE

Ilhas espaciais Grandes espaços convexos

0M

50M

100M

200M


Praça do Estudante | 69

CONSTITUTIVIDADE

Ilhas espaciais Acessos

0M

50M

100M

200M

Padrão 69- locais públicos para convivência Criar áreas ao ar livre, delimitadas ou parcialmente fechadas, que sejam próximas de caminhos importantes e que tenham vistas (ANDRADE, 2014).


70 | Trabalho final de graduação

Padrão: sentar ao movimento

Padrão 26: ciclo da vida

Espaços para sentar próximos às calçadas.

Espaços que atendam às necessidades de crianças, jovens, adultos e idoso.

Padrão 61 – pequenas praças públicas Pelo extenso espaço da praça, o ideal é que sejam criados pequenos espaços que aproximem melhor as pessoas. Padrão: plantas trepadeiras: Usar trepadeiras para a transição suave entre os espaços edificados e a paisagem. (ANDRADE, 2014) Padrão 63: dançar na rua Com foco nos acontecimentos culturais da Ceilândia. A intensão é que tenham locais destinados ao fomento cultural.

Padrão: parquinho para as crianças com areia Para que o local contemple a diversidade de idades, é necessário ter um local destinado tanto aos pais, quanto aos filhos.


Praça do Estudante | 71

Padrão: cinema ao ar livre Como um palco de acontecimentos culturais.

Padrão: espaço para feiras e comércio - pequenos recintos com atividades e usos Com o intuito de ativar o local para acontecimentos efêmeros, a proposta visa atenuar as relação comunitárias e aumentar o fluxo de pessoas.

Padrão: esporte comunitário diurno e noturno Em alguns locais da Ceilândia existe a ocorrência da prática de esportes tanto no diurno quanto no noturno. O intuito é aumentar a qualidade dos esportes, possibilitando que grupos e associações possam, também, exercer suas práticas sociais gratuitas para a comunidade.

Padrão 125: escadas para sentar É interessante que os espaços públicos tenham lugares mais altos, possibilitando a visão panorâmica de atividades ocorrentes no espaço.


72 | Trabalho final de graduação

CONDICIONANTES CLIMÁTICAS Dimensão bioclimática Esta dimensão diz respeito aos conceitos de natureza em relação ao homem. Valores ecológicos informam a situação atual do sítio em estudo. Os fatores configurativos do espaço em questão são incidentes no conforto físico dos indivíduos. A área da Região Administração de Ceilândia totaliza 232.319.932,202 m². A hidrografia com principal curso d’água é a Bacia do Rio Descoberto e o Rio Melchior. . Ceilândia possui clima tropical semiúmido,

BIOCLIMÁTICO SOL VENTOS PREDOMINANTES VERÃO VENTOS PREDOMINANTES INVERNO INCLINAÇÃO TERRENO

0M

25M

50M

100M

temperatura média de 21°c, com duas estações bem definidas: o verão e o inverno. A umidade relativa do ar varia entre 60 a 20%, em uma altitude de 1000 a 1200 m acima do nível do mar e, cujo relevo de chapadões sedimentares abrigam a vegetação formada por gramíneas e arbustos. A vegetação predominante é o cerrado, formado por duas camadas: gramíneas e arbustos A praça, de modo geral, possui escasso uso de arborização, sendo presente em locais pontuais da praça prejudicando


Praça do Estudante | 73

a permanência no local. A ausência de árvores propicia a incidência solar direta sobre as pessoas, nas calçadas de acesso, nos percursos internos e nas paradas de ônibus do seu entorno. Inexistem barreiras vegetais que ajudam a reduzir, um pouco, a dispersão de partículas de poeira, assim como a ausência de elemento hídrico na área. Avaliação A taxa de permeabilidade na praça é alta, porém é preciso melhorar a arborização e propor outras alternativas de pavimentação. A vegetação diminui a incidência

GRAMA

ASFALTO

VEGETAÇÃO EXISTENTE Vegetação de grande porte Vegetação de médio porte Vegetação de pequeno porte Área permeável gramada

0M

25M

50M

100M

solar direta no solo, criando sombras e diminuindo ofuscamentos. A falta dela cria ambientes urbanos desconfortáveis ao olho humano. De maneira geral, toda a região da Ceilândia não possui alta densidade, mas a maioria das edificações e espaços públicos abertos possuem a maior parte da área pavimentada, o que implica em aspectos negativos no ponto de vista do desempenho térmico.


74 | Trabalho final de graduação

VEGETAÇÃO EXISTENTE

Flamboyant - Delonix regia

Sibipiruna - Caesalpinia pluviosa variedade peltophoroides Caesalpinioideae

albus

Ipê branco - Handroanthus

Cedro - Juniperus cedrus

Guapuruvu - Schizolobium parahyba

Bougainvillea glabra

Jamelão - Syzygium cumini

A goiabeira - Psidium guajava


Praça do Estudante | 75

Além de utilizar a vegetação como elemento visual para marcar a paisagem nos arredores da praça, deve-se intensificar as áreas de volume arbóreo a fim de auxiliar no controle da insolação e ventilação. Considerando como diretriz o aumento do uso da vegetação e como elemento de valorização do espaço urbano, a intenção é tornar a praça atrativa à sua população, transformando-a em espaço de encontros e convivência. Mascaró (2010) afirma que, para alcançar a sustentabilidade dos ecossistemas urbanos oferecendo o máximo de benefícios aos habitantes, a vegetação deve-se contar com os seguintes componentes: viveiro de árvores saudáveis, gestão integral e apoio da comunidade. As árvores saudáveis desrespeitam a escolha da vegetação: cobertura das copas, distribuição por idades, combinação das espécies e o volume e a composição dos solos. Considerando também as árvores nativas que se já encontram adaptadas no solo e no clima. A gestão integral é o conjunto de atividades, incluindo o manejo com a educação da comunidade e a coordenação entre burocracias que estão acostumadas a atuarem independente. A questão do apoio da comunidade é a importância que a vegetação traz para ela, buscando engajar a comunidade, como ponta pé inicial, à maior consciência e entendimento para uma administração integral.

Padrão 171 – lugares configurados por árvores Consolidação de espaços com a disposição adequada de mesclas de árvores.

Padrão 60- vegetação acessível Necessidade das pessoas de terem um espaço verde perto de onde vivem ou frequentam (ANDRADE, 2014). Padrão: árvores frutíferas Pela demanda de cuidado que as árvores frutíferas necessitam, as ações de podar, colher e cortar, reestabelecem laços comunitários. Padrão 247- pavimento permeável “Embora o asfalto seja fácil de limpar, ele não estimula que se caminhe sobre ele, nem permite que a água das chuvas penetrem no solo, de modo a beneficiar as plantas, nem auxiliam na drenagem natural. Benefícios dos pavimentos permeáveis: mais convidativos a passeios, contemplação; irriga o solo, auxiliando no crescimento vegetal; contribui imensamente na drenagem pluvial, evitando acúmulos de água e problemas decorrentes disso” (ANDRADE, 2014).


76 | Trabalho final de graduação

Padrão 177: horta comunitária Em uma cidade saudável, cada família pode cultivar as verduras necessárias para seu sustento. Os legumes e verduras são os alimentos mais básicos. São os únicos capazes de sustentar, sozinhos, a vida humana; em um mundo ecologicamente equilibrado, o homem tem que alcançar uma relação equilibrada com sua alimentação diária (ANDRADE, 2014). Padrão 207: materiais apropriados Na sociedade industrial existe um conflito básico em relação à natureza dos materiais de construção. As edificações têm aderido ao uso de elementos produzidos em série, impessoais e pouco adaptáveis na obra. Os bons materiais devem ser ecologicamente corretos (ANDRADE, 2014).

desenvolver práticas na ação urbana que reutilizem materiais reciclados.


Praça do Estudante | 77

RECONHECIMENTO DA PRAÇA Dimensão expressivo – simbólico e topoceptivas A dimensão topoceptiva é a capacidade de orientação, localização e identificação dos indivíduos referente às características configurativas dos espaços incidentes na possibilidade de criação de vínculos emocionais, por meio da fruição visual ou da evocação de conteúdos coletivamente significativos (HOLANDA e KOHLSDORF, 2004).

01 09

01 02

PRAÇA DO TRABALHADOR

0M

250M

04

PONTO VISADO

500M

06

10

PERCURSOS

02

07

03

PERCURSOS - VISUAIS

01

08

05

1000M

ANÁLISE SEQUENCIAL

01

02

04

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08

09

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06

07

10


78 | Trabalho final de graduação

Padrão: arte urbana local Um dos principais meios de expressão, não somente da Ceilândia, mas em todas as periferias, é a arte urbana. Um espaço colorido aumenta não só a identificação do espaço pelos usuários, como o sentimento de pertencimento por meio dos artistas locais.

Padrão: caminhos marcados por vegetação Usar a vegetação como identificação do espaço mesmo antes de chegar até ele. Usar a vegetação para que ela seja perceptível desde o entorno da praça.

Padrão: sinalizações de pertencimento As sinalizações facilitam a localização no espaço. Deixar claro aos usuários para onde ele irá e de onde ele está vindo. É interessante criar placas com mensagens para que as pessoas sintam o pertencimento do local.

Proposta de sinalização feita pelo poder público

Proposta de sinalização feita pela comunidade


Praça do Estudante | 79

INFRAESTRUTURA Dimensão econômica e financeira Segundo dados da PDAD 2015 – Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios, a população urbana estimada da Ceilândia tradicional é de 395.152 habitantes. Atualmente, existem duas ARIS – Área de Regularização e Interesse Social significativas à margem da Ceilândia, ARIS Pôr do Sol e ARIS Sol Nascente, que juntas possuem um total de 94.199 habitantes. Em 2013, o total, incluindo Ceilândia, Pôr do Sol e Sol Nascente, era de 451.872 habitantes, que, ao comparar com os dados de 2015, tem-se o crescimento de 4,06%. A maioria da população da Ceilândia é constituída por pessoas do sexo feminino,

INFRAESTRUTURA

Iluminação pública Drenagem de águas plúviais, esgoto, comunicação

0M

50M

100M

200M

51,82%, exceto no Pôr do Sol e Sol Nascente onde o percentual é mais equilibrado, de um total de 94.199 habitantes, 47.521 é do sexo feminino e 46.678 do sexo masculino. O número de domicílios urbanos estimados de toda Ceilândia, incluindo o Pôr do Sol e o Sol Nascente, é de 142.231 e, considerando a população urbana estimada, é de 489.351. A média de moradores por domicílio urbano é de 3,44 pessoas. Já a média de moradia da Ceilândia tradicional é de 116.932 domicílios. De 142.231, a grande maioria, 134.206, mora em casas, 1.237 em barracos, 4.833 em apartamentos e 666 em uso misto.


en

tr

80 | Trabalho final de graduação quadra tipo da Ceilândia

co m

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calçada e mais de 94,00% não têm rua asfaltada e meio fio. Iluminação pública atende a 88,50% dos domicílios pela rede geral da Ceilândia Tradicional.

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10 m 25 m

Macroparcela

Microparcela 10m

10m

25m

10m

Uso Residencial geminado

As entrequadras são pertencentes, em sua maioria, à Terracap e estão destinadas à construção de equipamentos públicos, como predominantemente escolas, os demais são igrejas e outros comércios. Infraestrutura: quase a totalidade dos domicílios conta com o abastecimento de água. De um total de 116.932 domicílios, 115.762 são abastecidos por rede geral de água pela Caesb. 114.048 por esgotamento sanitário - Caesb. 116.854 abastecidos de energia elétrica - Ceb e somente 78 com gambiarras. 110.228 com coleta seletiva - SLU. Iluminação pública, ruas asfaltadas, meios-fios são expressivos entre os domicílios da Ceilândia Tradicional. A quase totalidade dos domicílios é atendida pela infraestrutura urbana na rua onde mora. 113.580 domicílios são atendidos por asfalto. Já nos setores Pôr do Sol e Sol Nascente, 98,50% não têm rede de água pluvial, 95,33% não têm

Avaliação Em relação à existência de problemas de ordem ambiental nas cercanias dos domicílios, ruas esburacadas e entulho foram os problemas mais detectados com 48,14% e 22,63%, respectivamente. A pesquisa revelou que 53,95% contam com Ponto de Encontro Comunitário (PEC). Em relação a domicílios ocupados segundo as áreas públicas comuns próximas às residências, 41,79% com ciclovia e 17,92% têm, mesmo que de pequeno porte, arborização próxima de suas residências. De uma maneira geral, a configuração morfológica das áreas públicas refletem diretamente nos custos de infraestrutura urbana. As áreas verdes são, de maneira geral, desfavoráveis economicamente, tornando-se menos onerosas quando dispostas em menores quantidades, com tamanhos modestos e concentradas no tecido urbano. Na praça há a presença de infraestrutura básica, porém com precariedade. A iluminação noturna não está direcionada corretamente, os postes de energia não atendem à demanda dos pedestres. Há baixa permeabilidade no solo em algumas áreas dificultando a infiltração da água pluvial, quebrando o ciclo e ocasionando uma sobrecarga na drenagem artificial e possivelmente alagamentos. Padrão: sistema de gestão de águas pluviais Aplicação de sistema de escoamento superficial que sane os problemas atuais e seja sustentável.


Praça do Estudante | 81

Padrão 33: vida noturna O espaço bem iluminado consegue ser articulado em vários horários, aumentando o dinamismo das atividades. Os postes de iluminação são gerais e não estão na altura dos pedestres.

Padrão: transporte público com veículos menores Atualmente o transporte público por micro-ônibus não contempla o eixo vertical da cidade, ou seja, não há fluxo de transporte que passe nas entrequadras e comércios locais.

Padrão: ciclovias integradas Um dos principais meios de locomoção dos moradores da Ceilândia é a bicicleta. Atualmente a cidade possui ciclovia em áreas pontuais e pouco integrada com o espaço público. Padrão: biciletário Com a junção do comércio com a diversidade de usos e as ações, espera-se que os frequentadores da praça usem a bicicleta como meio de transporte.


82 | Trabalho final de graduação

COMPARATIVO DE ÁREA ENTRE ALGUMAS PRAÇAS DE BRASÍLIA

Praça do Trabalhador - Ceilândia

Praça do DI- Taguatinga

Praça do Cidadão - Ceilândia

Praça dos três poderes - Plano Piloto

Praça dos três poderes 675.000m²

Praça do Relógio - Taguatinga

Praça do Trabalhador 40.000m²

Praça do DI 624.000m²

Praça do Relógio 370.000m²

Praça do Cidadão 318.000m²


Praça do Estudante | 83

QUEM JÁ FEZ? BOAS PRÁTICAS LOCAIS

PRAÇA DO CIDADÃO HISTÓRICO DA PRAÇA Como estudo de caso local acerca de boas práticas culturais desenvolvidas na Ceilândia, o projeto em questão visa considerar as ações que ocorrem frequentemente na Praça do Cidadão. A intenção é gerar uma rede de boas práticas culturais que encadeiem ações em diversas áreas públicas na Ceilândia. De antemão, não foram encontrados relatos ou catalogações específicas acerca do projeto e da implantação da Praça do cidadão da Ceilândia. Sabe-se que, na década de 90, a praça era completamente degradada com usos marginalizados, então, a administração local implantou algumas edificações à margem da praça com usos institucionais, como a Agencia do trabalhador, o Posto Policial, entre outros. A praça é fechada com quatro acessos que cortam transversalmente o espaço, atribuindo ora caráter de praça, ora caráter de pátio com acessos para o entorno. Entre o ano de 2005/2006, a praça passa por uma requalificação, algumas ONG’s locais instalam-se nesses edifícios da praça propondo revitalizações com a comunidade local. A partir desse ano, a ONG Jovem de Expressão, instalada até hoje na Praça do Cidadão, faz, frequentemente, intervenções na praça, retirada de uma fonte degradada para implantação de uma pista de dança, execução de rampas de acessibilidade, oficinas, aulas, entre outras ações. O projeto funciona de segunda a sábado, no período da tarde, com cerca de 150 alunos diariamente. A próxima intervenção está marcada para o dia 18/12/2015 com a implantação de bancos e algumas mudas de árvore

PARTICIPAÇÃO NA PRAÇA DO CIDADÃO O Jovem de Expressão é um programa social que visa promover a saúde dos jovens, diminuir sua exposição à violência e vulnerabilidade às DSTs, além de apoiar ações de empreendedorismo. O programa faz parte de um projeto do Grupo Caixa Seguros, Rede Urbana de Ações Sociais (R.U.A.S), Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e Organização das Nações Unidas para aEducação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Esse programa causa diretamente nos jovens um engajamento em relação ao espaço por eles utilizado. A maior frequência de eventos culturais é gerada pelos jovens que atuam na praça.


84 | Trabalho final de graduação

ESCOLA

parque infantil com areia

ONG

arquibancada

comércio local

quadra de escola esportes

palco banca de lazer/brincar revista FARMÁCIA POPULAR

parada de ônibus

coreto PRAÇA DO CIDADÃO

quiosque

encontros

comércio local

quiosque comércio local


Praça do Estudante | 85

AVENIDA JARDINS - QNM 29 CEÍ + LIMPA + BONITA Moradores da Ceilândia Sul fazem intervenção em área residual ao lado da Agefis, agência de ficalização do do Distrito Federal. Anteriormente, a área era utilizada como depósito de lixos e, com a articulação de moradores e artistas da cidade, foram implantados jardins, execução de duas calçadas, que anteriomente era de terra batida. A ação foi feita para impedir que jogassem lixo no espaço. Há indícios de que a Administração Regional da cidade teve participação na implantação do projeto na retirada do lixo. Foram envolvidas na reforma cerca de 40 pessoas. Segundo a reportagem da jornalista Gabriella Moll, da Agência Brasília, o motorista Dalmir Sirqueira, de 41 anos, foi de casa em casa pedir ajuda para revitalizar o espaço. Após a mobilização popular, a Administração Regional de Ceilândia apoiou o grupo oferecendo mão de obra, material de construção e limpeza.

Padrão 01 Arte urbana, grafite por artistas locais Padrão 2 Jardim suspenso com material reutilizado

Padrão 03 canteiro com vegetação ou horta urbana

Avenida Jardim

"Conseguimos doações, e o esforço coletivo foi definitivo para chegarmos a esse cenário."

Dalmir Sirqueira, de 41 anos, morador local.


86 | Trabalho final de graduação

BOAS PRÁTICAS GLOBAIS

Fachada das habitações no Beco, com intervenções artisticas. FONTE: www. correioweb.com.br

MERCADO SUL - BECO CULTURAL

Fachada das habitações no Beco, com intervenções artisticas. FONTE: www. correioweb.com.br

Movimento cultural no Beco. FONTE: Fonte: Blog Barão DF foto: Joaquim Dantas

Logo da ocupação Mercado Sul vive. FONTE: http://www. mercadosul.org/

Construído na década de 50 em Taguatinga, antes mesmo da inauguração de Brasília, o Mercado Sul se fez um dos primeiros centros comerciais do DF. O comércio ia bem até o início da década de 70, época de fortalecimento comercial nas “cidades-satélites’ do DF. Chegam redes de supermercados, armazém, armarinho, açougue, lanchonetes, etre outros, fazendo com que o Mercado Sul entrasse em decadência. Foi então que durante as décadas de 70 e 80, o espaço vira reduto da boêmia de Taguatinga. Passando a funcionar no Mercado Sul e em sua redondeza boates, bares e casas de prostituição. A partir dos anos 90, inicia-se a revitalização do Mercado Sul. Hoje, mais conhecido como Beco da Cultura, possui uma trajetória cultural de avanço nos últimos 10 anos. -Foram criados importantes processos culturais e artísticos que hoje são referências em Brasília e no Brasil. -Pontos de cultura, coletivos de comunicação livre e cultura digital, redes, grupos de teatro, artesãos, artistas e agentes culturais recriam o espaço com as reivindicações da ocupação. -Emponderamento espacial que gira em torno do direito à cidade, à moradia e à ocupação cultural de espaços públicos. -preservação arquitetônica e do modo de vida de pessoas que ali vivem e trabalham.


Praça do Estudante | 87

Micrópolis, formado desde 2010, recém formado em Belo horizonte, realiza trabalhos independentes e com colaboradores externos, propondo transformações no espaço urbano e na vivência da cidade por meio de Ações, projetos e discussões que transponham as fronteiras disciplinares da arquitetura e que estejam relacionados ao nível da microescala e do cotidiano.

Calafate, bairro da região oeste de Belo Horizonte, onde foram desenvolvidas pesquisas, experimentos e projetos em articulação com parceiros locais, moradores, comerciantes e a universidade, iniciado em fevereiro de 2014. Investigadas as práticas culturais e políticas emergentes da vizinhança, buscamos testar processos de reconquista do espaço público e seu uso coletivo por meio de iniciativas micro-arquitetônicas e gráficas. Estruturou-se a metodologia de imersão no bairro em três momentos, apresentados abaixo. Eles não estão divididos cronologicamente, nem hierarquicamente, mas são simultâneos, de modo a possibilitar interferências entre si. O que os diferencia é o limiar entre o caráter investigativo e o propositivo. Isto é, são aplicados ora para nos informar, ora para ativar transformações no bairro. É claro que qualquer observação, por mais discreta que seja, constitui em si mesma um elemento transformador do espaço. Ao mesmo tempo, toda ação concreta traz algum aprendizado sobre o lugar.

Circuito Silva Lobo (2015) FONTE: http://www. micropolis.com.br/


88 | Trabalho final de graduação

O Sou da Paz começou como uma campanha pelo desarmamento, lançada em 1997 por um grupo de estudantes para jogar luz sobre um tema até então desconsiderado no debate sobre segurança pública. Um estudo da ONU, realizado em 1996, apontava o Brasil como o país onde mais se matava por armas de fogo em todo o mundo. Ou seja, um fator de risco que aumentava significativamente as mortes violentas no país era o grande volume de armas em circulação e uma cultura de valorização das armas de fogo. O instituto atua em São Paulo promovendo o envolvimento com a comunidade na revitalização de praças localizadas em áreas densas, com ausência de infraestrutura e, na maior parte, os locais são térreos ermos e baldios. Acredita-se no poder da transformação de jovens através de ações sociais e culturais. Foram revitalizadas 05 praças com inserção de quadra esportiva, playgroud, arquibancada, mesas, música, entre outras ações.


Praça do Estudante | 89

Somos um estúdio colaborativo de intervenções urbanas, comunicação e arte pública. Desenvolvemos ideias e soluções para a cidade através de processos colaborativos, participativos e multidisciplinares. Nossa Visão Cidades pensadas à escala humana, sustentáveis e resilientes, atrativas, criativas, com qualidade de vida e boa urbanidade. Nossa Missão Promover a cultura urbana e a cidadania, melhorar a experiência das pessoas nas cidades através da ativação dos espaços públicos e sua adequação às dinâmicas da vida social.

Realização do Casa Fora de Casa, um projeto de intervenção urbana que recorreu às diversas linguagens artísticas como instrumento para exploração, discussão e apropriação das áreas verdes do Setor Sul, em Goiânia. Casa Fora de Casa é um projeto de artes integradas que promove uma reflexão sobre a cidade que temos e que queremos, através de uma agenda cultural que reúne ações de formação, debates, excursões urbanas e apresentações artísticas. O projeto procura fortalecer redes de pessoas e estimular um maior protagonismo da população na resignificação e apropriação dos espaços públicos da cidade, através de um conjunto de momentos-chave.


90 | Trabalho final de graduação

Para realizar o mundo que todos sonham, o instituto ELOS acredita que o caminho é transformar em comunidade. O Instituto surgiu em Santos, mas atua em todo Brasil. Um dos processos é a VIVÊNCIA OÁSIS, uma ação que convida líderes de diferentes áreas para engajar os grupos comunitários. O processo consiste em impulsionar os processos de desenvolvimento local a partir de uma ação prática. O método consiste em 07 etapas: 1- Olhar a bundância: reconhecer potencialidades do lugar; 2- Criação de afeto: conhecer as pessoas da comunidade; 3- Sonho: buscar sonhos em comum na comunidade; 4- Planejar juntos: enumerar sonhos e transformá-los em ações reais com os recursos da comunidade; 5- Milagre: colocar a mão na massa com a comunidade; 6- Celebração: celebrar em comunidade cada etapa desenvolvida; 7- Re-evolução: identificar na comunidade quais são os próximos sonhos.


Praรงa do Estudante | 91

ETAPA AZUL


92 | Trabalho final de graduação

PROCESSO PARTICIPATIVO O público da praça é predominantemente flutuante, dada a sua extensa área e suas atividades inteiramente comerciais em seu entorno. A permanência frequente na praça é somente em eventos pontuais, e, na maioria das vezes, utilizada para acessar a Administração Regional da Ceilândia e o CILC- Centro Interdisciplinar de Línguas de Ceilândia. Visando atingir maiores camadas da população como instrumento de aproximação inicial, foi criada uma página na rede facebook — em parceria com DANIEL MELO, também morador de Ceilândia, cujo trabalho final de graduação em arquitetura e urbanismo tem como temática o processo participativo na Feira da Ceilândia, em Ceilândia. 1° - PASSO - APROXIMAÇÃO: o intuito da página Da Cei Eu Sei (facebook.com/daceieusei) é promover a participação comunitária na construção da cidade, educar sobre urbanismo tático e desenvolver a rede de coletivos que atua em Ceilândia. Abaixo, um texto explicativo sobre a missão do coletivo: “Da Cei quem sabe sou eu: eu, você, nós e os nossos – antes de brasilienses, ceilandenses. Há quem nasça em uma cidade dada: o ceilandense, antes de o ser, fez Brasília nascer. As Vilas do IAPI, Tenório, Esperança, Bernardo Sayão e Colombo; os morros do Querosene e do Urubu; o Curral das Éguas e a Placa das Mercedes* tornaram-se Ceilândia. Inaugurada em 1971, Ceilândia foi o berço dos construtores da capital brasileira, que aqui criaram raízes e tiveram seus filhos. Esta página visa ativar a conscientização da população em relação aos seus direitos à cidade com participação ativa em seus espaços. A participação é uma atitude voluntária, que significa tomar partido em discussões e em decisões, desde o momento em que o problema se apresenta até aquele de pôr em prática as soluções encontradas. Ninguém melhor para pensar e fazer o espaço que quem o vivencia.


Praça do Estudante | 93

Da Cei Eu Sei compreende dois trabalhos de conclusão de curso da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília, os quais propõem transformar o espaço público por meio do urbanismo tático e da participação comunitária na Ceilândia. A página nasce com a intenção de ser uma ferramenta de apoio para apresentar e conectar os trabalhos e a comunidade ceilandense. Praça do Estudante – Um rolezinho na Cei é um trabalho que, considerando aspectos sociais, culturais, físicos e urbanísticos da Ceilândia e sua notável população jovem, possui como finalidade propor intervenções urbanas na atual Praça do Trabalhador, por meio de estruturas temporárias, plantio de mudas, pintura e criação de mobiliário, pintura de muros com arte de rua entre outros. Feira da Cei – Da eira à beira propõe a requalificação da Feira Central de Ceilândia e de seu entorno imediato, buscando reunir, evidenciar e integrar os valores históricos e simbólicos do centro e transformar a cena da cidade, ressignificando o lugar e conferindo- lhe identidade e valor de memória arquitetônica – da eira à beira, do pátio à cobertura –, a inserir-se no imaginário popular e no circuito turístico e cultural da metrópole Brasília. Com o intuito de evidenciar os próprios moradores da Ceilândia, criou-se a Cei [des] percebida, um espaço na página destinado a moradores que querem compartilhar sua história de vida e seus questionamentos acerca da cidade onde vivem. Foram feitas duas entrevistas, Alex Magalhães, pedagogo, 26 anos e Vinícius Remmer, jornalista, 26 anos.


94 | Trabalho final de graduação

Vinícius Remer, jornalista, 26

“[...] toda vez que a Ceilândia é representada nos veículos de comunicação era relacionado à violência, e mesmo eu tendo vivenciado isso de uma maneira tão forte na minha vida eu sabia que a Ceilândia não se resumia a isso, à questão da violência. ” Não nasci em Ceilândia, mas eu nasci em Taguatinga. Eu morei aqui (em Ceilândia) até os

6 anos de idade. Acho que minha relação inicial com Ceilândia começa com a questão da violência. Assim, teve um fato na minha vida, que isso até foi a influência para o meu TCC, [que] foi a questão do meu pai. Meu pai foi assassinado aqui em Ceilândia, eu tinha 6 anos de idade. Ele foi sequestrado, foi um latrocínio, roubo seguido de morte, só acharam o corpo dele depois de três dias e foi uma violência que marcou a história da minha vida. Esse é o meu contato inicial com Ceilândia. A partir da morte do meu pai, eu fui morar em Taguatinga. Morei lá boa parte da minha adolescência, [...] quando eu entrei na faculdade eu também morava em ‘Taguá’. Fazendo faculdade de jornalismo, tipo um ou dois anos antes de eu me formar, eu voltei a morar em Ceilândia, e aí comecei a perceber algumas relações. Assim, toda vez que a Ceilândia era representada nos veículos de comunicação era relacionado a violência, e mesmo eu tendo vivenciado isso de uma maneira tão forte na minha vida eu sabia que a Ceilândia não se resumia a isso, à questão da violência. Isso não é a forma como eu queria representar a cidade, e então eu pensei: cara, eu quero produzir um trabalho nessa cidade que eu moro, nessa cidade em que eu nasci, praticamente. Eu comecei a ver várias coisas acontecendo na cidade, assim, sabe? Em questão de movimentos culturais, de Sarau, de shows, de coletivos… Toda uma riqueza cultural que existe em Ceilândia. E eu falei: vou representar a cidade de outra forma. Então eu fui atrás do histórico da cidade, de coisas que eu não conhecia, de onde ela surgiu, da questão da vila do IAPI... Eu comecei a me ligar muito nos filmes do Adirley Queirós, que também abriu um pouco minha cabeça ‘pra’ poder começar a ver essa relação de periferia mesmo e de como essa questão da violência às vezes está um pouco impregnada na vida das pessoas que são periféricas. Eles [as pessoas periféricas] não têm um lugar, um espaço estimável. A Rodoviária do Plano Piloto talvez seja um espaço estimável para todas as pessoas do DF, mas talvez o CCBB não seja, ‘sacou’?

A questão do meu TCC… Assim, quando estava produzindo, vi uma coisa que ficou muito evidente para mim dessa questão ‘periferia e Brasília’. [Era] Aniversário de Brasília, eu fui pra festa lá na Esplanada e fui de metrô. Quando é aniversário de Brasília é feriado aqui, porque é Tiradentes aqui, ‘né’? E o metrô funcionou até 19h30, dia de feriado. Aí’ você já começa a pensar: é festa, você vai pro Plano e só tem transporte pra ir, e ‘tipo’, como é que você volta? É festa ‘pra’ quem? E isso virou um título no meu TCC, “Aniversário de Brasília, pra quem?”. Quando eu cheguei lá, comecei a perceber... Cheguei no momento que tinha um líder comunitário lá falando no telão: “Brasília é uma coisa só, Brasília é o Distrito Federal”. Esse cara ‘tava com trejeitos de pessoa de periferia, com boné aba reta, sabe? Comecei a perceber que a polícia abordava sempre as pessoas que poderiam ser meus vizinhos. É como a polícia fala, a questão do ‘peba’. E aquilo ali começou a me irritar profundamente… É Brasília, falam que é todo o Distrito Federal, mas não aceitam essas pessoas nesse espaço aqui, sabe? Eu vi isso dessa forma naquele momento. Talvez aceite a gente, ‘pra’ trabalhar e ‘pra’ fazer qualquer coisa em curto prazo, mas ‘pra’ conviver, ‘pra’ usufruir, ‘pra’ ter o direito mesmo à cidade, não. A questão da cultura da cidade é meio que centralizada, ainda. A maioria das coisas que vêm pra cá, é meio que essa questão de edital, sabe, de contrapartida? Porque você ganha mais pontos por levar [projetos] ‘pras’ outras RA’S. Acho que Ceilândia tem um potencial ‘massa’, só que não existe interesse do governo, não existe interesse de ninguém [em] investir. Então ‘é nois por nois’ sempre. É a galera que tem que suar ‘pra’ ir atrás de várias paradas. Endereço eletrônico do tcc do Vinicius Remmerhttps://issuu.com/ viniciusremer/docs/reportagem-produto


Praça do Estudante | 95

Alex, pedagogo, 25

“[...] pela mídia, elas não sabem nem o que é a Ceilândia, mas entendem que é uma coisa negativa; elas nunca foram à Ceilândia.” “Eu sempre morei na Ceilândia. Na verdade eu nasci aqui. E eu acho que quando eu era pequeno eu não gostava de ser ceilandense. Eu fiz muitos cursos fora da Ceilândia e quando falava que eu era da lá, era aquela hora de todo mundo virar, né? “Eita, é da Ceilândia! Esconde a bolsa!”. Então eu não gostava. Até pouco tempo atrás eu ainda não gostava. Tipo colocar que morava na Ceilândia em aplicativos de relacionamento: eu sempre colocava Brasília. Mas hoje eu amo esse lugar, e eu quero cuidar dele. E quero que as pessoas saibam que eu sou daqui. Aqui, como em qualquer lugar, você tem acesso a tudo que, vamos dizer, é ‘errado’. A Ceilândia é referencial em muita coisa. Ela é referencial também na solidariedade. Nas pesquisas que eu ‘tava fazendo, a Ceilândia é onde mais tem trabalho voluntário, e dos próprios moradores. Nós temos aquela característica de periferia, então a gente quer se ajudar. Mesmo aquela pessoa que não gosta de nascer aqui, ela acaba percebendo a diversidade que a Ceilândia é e como ela é maravilhosa, o que oferece pra gente. O potencial, na verdade, porque ela ainda não tem muita coisa pra oferecer, mas tem potência pra isso. O meu curso e as leituras que eu tive, as experiências trocadas em sala de aula, me fizeram ter muito orgulho de onde eu nasci e onde eu

quero morar por muito tempo. Eu aprendi a conviver com o preconceito. Infelizmente é ruim dizer que eu me acostumei. Durante muito tempo eu não fiz nada contra isso e as pessoas enxergam primeiro o preconceito de um status e depois a pessoa. Nada na Ceilândia era de graça; não tinha um curso de natação de graça. O máximo que conseguíamos era algo mais barato no SESI, na época. Se eu tivesse tido mais acesso a muita coisa, eu acho que eu estaria mais adiantado na minha vida. A Ceilândia não me deu muitos recursos pra eu chegar onde eu cheguei. Eu vim sozinho, veio eu e minha mãe pra onde estou.

Essa visão que as pessoas têm da Ceilândia é uma visão que não é realidade. É uma visão antiga, que foi realidade um dia, mas não é mais. Só que pela mídia, elas não sabem nem o que é a Ceilândia, mas entendem que é uma coisa negativa; elas nunca foram à Ceilândia. Já me perguntaram se a minha rua tinha asfalto. Toda vez que uma reportagem é feita na Ceilândia, procuram um lugar sem asfalto, com lixão e as pessoas morrendo afogadas. Elas têm uma visão da Ceilândia que não é mais a realidade, mas elas são apegadas a isso. Estamos vivendo uma onda de conservadorismo no mundo inteiro, e isso coloca na cabeça das pessoas que (a realidade) não vai mudar nunca.”


96 | Trabalho final de graduação

2° PASSO - QUESTIONÁRIO: Após as primeiras visitas na praça, notou-se que a maior parte do público tinha a faixa etária entre 17 e 29 anos e eram estudantes. O segundo passo consistiu na aplicação de questionários em versões digital (na página Da Cei Eu Sei) e, posteriormente, física. O questionário foi formulado a partir das análises morfológicas e dos padrões por elas gerados. Com o objetivo de confirmar as demandas percebidas por estudos técnicos, a intenção era descobrir outras eventualidades, informar a comunidade, e, principalmente, mostrar possibilidades reais de intervir por meio de ações no urbanismo e na qualidade de espaços Públicos O questionário foi aplicado para 69 pessoas em versão digital e 67 em versão física e 67 em versão digital, totalizando 136 pessoas.


Praça do Estudante | 97

RESULTADOS PRINCIPAL MEIO DE TRANSPORTE?

PRINCIPAL ATIVIDADE?

44 18

CITE O QUE VOCÊ ACHA DE POSITIVO NA CEILÂNDIA:

APENAS TRABALHAM

26

TRABALHAM E ESTUDAM

30

APENAS ESTUDAM

32

VOCÊ ACHA QUE HÁ INCENTIVOS GOVERNAMENTAIS PARA REALIZAÇÃO DE EVENTOS CULTURAIS NA CEILÂNDIA?

35

101

SIM

NÃO

DE UM MODO GERAL, O QUE COSTUMA FAZER PARA SE DIVERTIR NAS HORAS DE LAZER NA CEILÂNDIA?

52

FREQUENTAM PRAÇAS E ESPAÇOS PÚBLICOS VÃO À REUNIÕES COM AMIGOS VÃO AO SHOPPING JK

8 8 8 6

VÃO À CASA DO CANTADOR PRAÇA DO TRABALHADOR

PESSOAS RELATARAM SUA ORGANIZAÇÃO URBANA

BARES E RESTAURANTES PRAÇA DOS EUCALIPTOS TEATRO

1

10

10

FICAM NA CEILÂNDIA NÃO FAZEM NADA

34

12

PESSOAS RELATARAM A CULTURA LOCAL

QUANDO VOCÊ PENSA EM PRAÇA NA CEILÂNDIA, QUAL SERIA? PRAÇA DO TRABALHADOR

34

PRAÇA DO CIDADÃO

25

PESSOAS RELATARAM SEUS MORADORES

PRAÇA DA BIBLÍA

14

PRAÇA ENTRE QUADRAS

28

PRAÇA ENTRE QUADRAS

PRAÇA DOS EUCALIPTOS

16

PRAÇA DOS EUCALIPTOS

30

PRAÇA DO CIDADÃO

22

PRAÇA DO TRABALHADOR

18

PRAÇA DA BÍBLIA

QUAL PRAÇA VOCÊ MAIS FRENQUENTA NA CEILÂNDIA?

8 PRAÇA CENTRO DE CEILÂNDIA 2 PRAÇA DOS ESTUDANTES

1 1

8

PRAÇA DA GUARIROBA PRAÇA CENTRO DE CEILÂNDIA

NENHUMA PRAÇA

1 PRAÇA DA GUARIROBA

13

15

10 NENHUMA PRAÇA

QUANTAS VEZES POR SEMANA VOCÊ FREQUENTA PRAÇAS NA CEILÂNDIA?

JÁ PARTICIPOU DE ALGUM PICNIC NA PRAÇA DO TRABALHADOR?

FREQUENTAM PRAÇAS E ESPAÇOS PÚBLICOS

UMA VEZ POR SEMANA UMA VEZ

15

26

SOMENTE EM EVENTOS

60

30

AOS FINAIS DE SEMANA

JÁ FREQUENTOU A PRAÇA DO TRABALHADOR DE CEILÂNDIA PARA: LAZER ALGUM COMÉRCIO PRÓXIMO IR AO CILC ATRAVESSAR IR À ADMINISTRAÇÃO

6

16

33

NUNCA FREQUENTAM

TRABALHAM PRÓXIMO

45

50

60

68

4

60

SIM

NÃO


98 | Trabalho final de graduação

ESSA PRAÇA ESSA PRAÇAESTÁ EST NA SUA ROTINA DE DIVERSÃO? O POR FALTA DE SEGURANÇA O POR MORAREM DISTANTE

O POR FALTA DE EVENTOS CULTURAIS O, POIS NÃO CONHECE O, POIS NÃO SAI NA CEILÂNDIA O, POIS NÃO VAI A PRAÇAS

1

46

30

8

O POR FALTA DE MANUTENÇÃO

5 6

JA OUVIU F AL AR NA PRAÇA DO TRABALHADOR?

12

QUAL EVENTO MAIS LEGAL QUE JÁ PARTICIPOU NA PRAÇA DO TRABALHADOR? FORAM PARA O ELEMENTO EM MOVIMENTO FORAM EM SHOWS NUNCA FORAM FORAM A APRESENTAÇÕES CULTURAIS ENCONTRAR AMIGOS

1

15

SIM

NÃO

40 45

SIM, QUANDO HÁ EVENTOS

3 3

104

15

22 22

VOCÊ SE SENTE CONFORTÁVEL PARA PASSAR PELA PRAÇA DE DIA? E DE NOITE? POR QUÊ?

30

NÃO FREQUENTAM A PRAÇA DURANTE A NOITE POR ACHAREM INSEGURA PASSAM APENAS DURANTE O DIA POR SER MAIS SEGURO

2

CAPOEIRA

5

36

20

NÃO PASSAM PELA PRAÇA

PASSAM TANTO DE DIA QUANTO DE NOITE

ESCOLA DE SAMBA

PRA VOCÊ, O QUE FALTA NA PRAÇA DO TRABALHADOR? SEURANÇA INFRAESTRUTURA (lixeiras, banheiros, bebedouros, áreas verdes, etc...) ENTRETENIMENTO CULTURAL

40

SE HOUVESSE FEIRAS EVENTUAIS COM DIVERSIDADE DE COMÉRCIO NA PRAÇA DE TRABALHADOR VOCÊ IRIA?

50

60

SE HOUVESSE LUGAR PERMANENTE DESTINADO A CULTURA, LAZER, ARTE, MÚSICA, E CURSOS DE CAPACITAÇÃO, VOCÊ PARTICIPARIA?

SE HOUVESSE QUIOSQUES COM FUNCIONAMENTO NOTURNO NA PRAÇA DO TRABALHADOR, VOCÊ OS FREQUENTARIA?

120

16

126

10

110

26

SIM

NÃO

SIM

NÃO

SIM

NÃO

É FÁCIL ACESSAR A PRAÇA DO TRABALHADOR POR MEIO DE TRANSPORTE PÚBLICO?

EM DIAS DE SOL INTENSO, É AGRADÁVEL A PERMANENCIA NA PRAÇA?

86

50

108

18

SIM

NÃO

NÃO

SIM


Praça do Estudante | 99

EM RELAÇÃO A OUTRA PRAÇA DA CEILÂNDIA, A PRAÇA DO CIDADÃO: VOCÊ CONHECE ESSA PRAÇA? EVENTOS ESPECÍFICOS

42

JÁ OUVIU FALAR

32 32

PASSAM PELA PRAÇA

10

NUNCA OUVIU FALAR

66

JÁ PARTICIPOU DE ALGUMA MANEIRA DA ONG JOVEM DE EXPRESSÃO QUE ESTÁ NA PRAÇA DO CIDADÃO? QUAL?

2 SIM, CURSO DE DESENHO

1 SIM, CURSO DE RAGGA 1 SIM, CURSO DE FOTOGRAFIA

60

SIM, EM EVENTOS CULTURAIS PELO JOVEM DE EXPRESSÃO

1

NÃO

8 7 SIM, PROJETO PICASSO NÃO PICHAVA 9 SIM, AULAS DE DANÇA

FARMÁCIA POPULAR E AGÊNCIA DO TRABALHADOR

JÁ PARTICIPOU DE ALGUM EVENTO NA PRAÇA DO CIDADÃO DA CEILÂNDIA? QUAL?

18

NÃO

24

SIM, CURSO DE CENOGRAFIA

NÃO, POR NÃO ACHAR ATRATIVO OS EVENTOS CULTURAIS

VOCÊ PARTICIPA DE ALGUMA ONG NA CEILÂNDIA OU DE ALGUM GRUPO DE TEATRO, DANÇA, MÚSICA ENTRE OUTROS?

VOCÊ JÁ PARTICIPOU DE ALGUMA MOBILIZAÇÃO POLÍTICA, NO SENTIDO DE LUTA E REIVINDICAÇÃO, POR DIREITOS SEUS E DA COMUNIDADE QUE ESTÁ INSERIDO?

VOCÊ CUDARIA COM SUAS PRÓPRIAS MÃOS DA PRAÇA EM ALGUM MUTIRÃO PARA MELHORÁ-LA?

102

32

100

36

67

49

NÃO

SIM

NÃO

SIM

SIM

NÃO

ASSINALE O QUE VOCÊ GOSTARIA QUE TIVESSE NA PRAÇA

25

ESPAÇOS PARA VÁRIAS IDADES

15

MOBILIÁRIO URBANO DE QUALIDADE

43

ESPORTE COMUNITÁRIO

PARQUINHO PARA AS CRIANÇAS

15

ESPAÇO PARA SENTAR PRÓXIMO A CALÇADA

33

24

30

DESCANÇAR NA SOMBRA

CALÇADAS BOAS PARA CAMINHADAS COM SOMBRA

45

JOVENS USANDO A PRAÇA


100 | Trabalho final de graduação

23

FAIXA DE PEDESTRE BEM SINALIZADA

PISO ADEQUADO COM SEGURANÇA

BICICLETÁRIO

45

COBERTURA POR PERGOLADO EM ALGUMAS ÁREAS

92

ÁRVORES FRUTÍFERAS

45

25

33

PARQUINHO INFANTIL COM AREIA

40

32

27

ESPAÇO PARA EVENTOS E SHOWS

ILUMINAÇÃO NOTURNA

40

33

102

sinalizada BARRAQUINHAS DE COMIDAS

QUIOSQUES NOTURNOS E DIURNOS

ESPAÇO PARA FEIRAS E COMÉRCIOS

PADRÕES NA PRAÇA CINEMA AO AR LIVRE BARRAQUINHAS DE COMIDA JOVENS USANDO A PRAÇA PARQUINHO INFANTIL PARA AS CRIANÇAS ESPAÇO PARA EVENTOS E SHOWS ESPORTE COMUNITÁRIO ÁRVORES FRUTÍFERAS QUIOSQUES NOTURNOS E DIURNOS

33 33 ESPAÇO PARA FEIRAS 33 PISO ADEQUADO 32 DESCANÇAR NA SOMBRA 30 MONILIÁRIO URBANO 30 BICICLETÁRIO 27 VÁRIAS IDADES 25 ILUMINAÇÃO NOTURNA 25 PARQUINHO 24 FAIXA DE PEDESTRE 23 CALÇADAS BOAS

COBERTURA POR PERGOLADO

43 40 40

45 45 45

92

102

CINEMA AO AR LIVRE


Praça do Estudante | 101

3° PASSO – MAPA MENTAL Juntamente com a aplicação do questionário, foi iniciada uma atividade para desenvolvimento de mapas mentais. O desenho de mapas mentais corresponde à representação imagética, segundo elementos de Kevin Lynch, de lugares em referências topoceptivas, apenas com o auxílio da memória. Nos mapas criados, é possível identificar a presença do ponto simbólico que mais representa a Ceilândia, a Caixa d’água. Segundo o adolescente, autor do desenho, é uma utopia ver a Ceilândia rodeada de quadras e áreas de lazer. Scanned with CamScanner

Com os desenhos, foi possível perceber o anseio por espaços públicos que contemplassem áreas mais arborizadas, com maior infraestrutura de lazer, entre outros. A simbologia da Ceilândia se faz presente pela caixa d’água.

MAKALLISTER, 17 ANOS, MORADOR DA CEILÂNDIA

4° PASSO - O PICNIC DA CEI Com o intuito de envolver ativamente no processo de intervenção e reafirmar a praça como local de lazer, foi realizado o evento PICNIC da CEI. O evento estava programado para duração de 6h, contando com a presença e auxílio de vários coletivos atuantes na Ceilândia. A crítica do evento gira em torno da ausência de espaços verdes para que as pessoas permaneçam. Atualmente em Brasília os PICNIC’s ocorrem com frequência em áreas muito arborizadas e de fácil acesso para os moradores do Plano Piloto. O questionamento gerado foi: por que não ter um picnic em área com ausência de verde? O Objetivo era, também, estudar como as pessoas usariam o espaço. Antes disso, a intenção era de resistir no espaço mesmo sem infraestrutura.


102 | Trabalho final de graduação

Problemáticas para a ocorrência do evento

Foi marcada uma reunião com o Administrador José Vilson para falar sobre o uso da praça de 15h às 22h de um sábado. Inicialmente, foram apresentadas a proposta do projeto e as intenções. Houve vários fatores para embarreirar o evento: foi protocolado um ofício em nome da FAU-UnB para liberação da praça, fornecimento de energia e montagem de tenda. Estavam descritas no ofício todas as atividades, o não uso de bebida alcoólica e a intensão do projeto. Foi cobrada uma taxa de menos de $1.00 real por metro quadrado da área da praça que seria usada. Eu, a autora do projeto, já com a liberação em mão, me neguei a custear o uso de área pública e segui o processo adiante. Juntamente com o referido ofício, por normas da Administração Regional da Ceilândia, foi protocolado um pedido na Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal solicitando policiamento ao 8° Batalhão de polícia Militar. Meu posicionamento é contrário em relação a essa necessidade estabelecida por normas da Administração em solicitar policiamento. A presença da polícia já exprime, por si só, repressão aos jovens moradores de periferia. O evento estava estipulado para cerca de 80 a 150 pessoas. Esse público foi atingindo durante todas as atividades desenvolvidas na praça.


Praรงa do Estudante | 103


104 | Trabalho final de graduação

DE DIA...

PROPOSTA


Praça do Estudante | 105

DE NOITE...

INTERVENÇÃO


106 | Trabalho final de graduação


Praรงa do Estudante | 107


108 | Trabalho final de graduação


Praรงa do Estudante | 109


110 | Trabalho final de graduação

Dinâmicas produzidas no Picnic da Cei As oficinas utilizadas como dinâmicas visaram, além de englobar os usuários, demonstrar a possibilidade de essas ações serem realizadas pela própria comunidade. 5° passo: oficina de horta urbana 6°passo: oficina de pinte sua praça com Iuba 7° passo: batalha de rima 8°passo: oficina do negro na fotografia 9° passo: oficina de mobiliário de palet 10° passo: painel interativo Ao longo do evento, foi instalado um painel interativo para que os usuários tivessem mais liberdade em expressar suas motivações acerca do bem-estar da praça. O painel ficou durante 6 horas na praça e obtivemos como resultado: pista de skate, parquinho, quadra de vôlei, esporte, cultura, lazer e cidadania. JOGO DOS PADRÕES Com as análises e observações, foram realizadas dinâmicas para mapear os padrões de projeto extraídos com a participação comunitária. A comunidade apontou os cartões ilustrativos dos padrões no local que julgaram adequados dentro do mapa da praça.


Praรงa do Estudante | 111


112 | Trabalho final de graduação

Foram selecionados todos os intens do questionário, 20 padrões levantados nas análises e mais 6 padrões adicionados pela comunidade. As atividades durante todo o dia no picnic, inclusive, a metodologia de jogo dos padrões, mostraram-se satisfatórias tanto para a comunidade, quanto para fins do projeto.

PADRÕES ADICIONADOS PELA COMUNIDADE


Praรงa do Estudante | 113

comer e beber nos quiosque


114 | Trabalho final de graduação

ETAPA VERDE


Praça do Estudante | 115

O PROJETO PARTICIPATIVO DA COMUNIDADE Se essa praça fosse minha Todas as cidades, grandes ou pequenas, têm sempre uma praça onde aconteceram fatos que, pela sua importância, trazem para aquela área um valor histórico bem maior do que o representado pela sua função urbana (Marcos Tamoio apud FERREZ, 1978).

Conceitua-se ‘praça’ de acordo com cada cultura, modo de uso e tratamento. Entre os gregos e os romanos da antiguidade, a praça – chamada de ágora ou fórum – era um espaço voltado à transmissão de conhecimento e cultura, de exposição de ideias e tomada de decisões. Apesar de assumir papéis distintos e apresentar uma diversidade morfológica, o papel da praça, possui em sua concepção, o caráter de espaço coletivo, lugar de manifestação, de culto e de ritos, de lazer, de delito, propício à interação social. Ligada diretamente à sua inserção, a praça é delimitada pelo local onde está inserida e pelo seu entorno, vias de pedestres, lotes lindeiros, edificações próximas, altura das edificações, posicionamento das edificações, relação entre cheios e vazios, tamanho, tipo e espaçamento da arborização, calçadas e ruas. Todos elementos estão associados e interagindo de maneira visual e física dando-lhe forma e significado a praça. No Brasil esses espaços constituíram duas formas distintas: uma, nas aldeias e assentamentos indígenas existentes, e outra, nas vilas e cidades implantadas no âmbito urbano. Essas duas formas vão entrelaçar-se após a descoberta pelos portugueses, no início do processo de colonização, já que espaço da praça encontra-se presente nas aldeias e assentamentos indígenas, constituindo um espaço centralizado e apropriado de forma ritualística como local sagrado. Atualmente, no Brasil, a ideia de praça está diretamente relacionada com um espaço urbano ajardinado ou arborizado, ou seja, onde a vegetação é priorizada. A função social da propriedade e da cidade está ligada à função exercida pelas praças públicas na organização do espaço territorial e como local para promoção da sociabilidade e do acesso aos direitos sociais.


116 | Trabalho final de graduação

RESULTADO DO JOGO DOS PADRÕES PROPOSTA COMUNITÁRIA 01


Praça do Estudante | 117

PROPOSTA PARTICIPATIVA Após a aplicação do jogo dos padrões, a comunidade, em comum acordo, chegou a duas propostas. Foi aplicado um questionário, por meio de plataforma digital, facebook, para saber qual proposta se adequaria melhor. O resultado obtido foi: 34 partipações no total, 20 pessoas assinalaram a proposta 01 e 14 pessoas assinalaram a proposta 02. PROPOSTA 01 As intervenções desejadas foram de que se tivesse intervenções fixas na praça: comércio e um centro cultural. Segundo os usuários participantes da metodologia, além de iluminação, pontos de vivência, mobiliário urbano, o comério e o centro de convivência viria a acrescentar a quantidade de

DE ACORDO COM OS PADRÕES DE ACONTECIMENTOS ASSINALADOS ANTERIORMENTE PARA A PRAÇA DO TRABALHADOR, QUAL PROPOSTA VOCÊ ACHA MAIS ADEQUADA PRA VOCÊ E SUA COMUNIDADE? PROPOSTA 01 PPROPOSTA 02

14

20


118 | Trabalho final de graduação

RESULTADO DO JOGO DOS PADRÕES PROPOSTA COMUNITÁRIA 02


Praça do Estudante | 119

PROPOSTA 02 Alguns usuários propuseram o uso comercial na área de maneira efêmera com feiras livres, comércio por dispositivos móveis e eventuais eventos culturais que atraíssem o público. O foco desse grupo foi a intervenção com mobiliário que agregue mais as pessoas.

Ambas as propostas locaram o cinema ao ar livre, eventos noturnos, comércio formal e informa, fixo ou efêmero, áreas mais agradáveis, horta comunitária, ciclovia compartilhada, entre outros.


120 | Trabalho final de graduação

O PAISAGISMO Os centros urbanos necessitam de melhor qualidade de vida e o paisagismo é um dos instrumentos que podem ser utilizados para melhoria na qualidade ambiental urbana. A arborização urbana, jardins verticais, calçadas verdes, telhados verdes, jardins filtrantes são técnicas que além de melhorar o visual do ambiente, são facilitadoras para melhorar a qualidade ambiental. O paisagismo é uma especialidade da arquitetura e pode ser definido como a arte e técnica de promover o projeto, planejamento, gestão e preservação de espaços livres por meio de arborização e jardinagem. As Conferências e Relatórios Internacionais realizados desde o início da década de 70, Conferência de Estocolmo (1972), até a Conferência das Nações Unidas Sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio + 20) realizada no Rio de Janeiro(2012) tem sido instrumentos importantes para que as lideranças mundiais e a sociedade reconheçam que é necessário promover mudanças nos padrões insustentáveis de consumo e produção. Assim como na música há sons e silêncios intercalados, um bom projeto de paisagismo precisa de lugares e não lugares. (Abbud, 2010, p. 25)

ABBud (2010) ressalta, em seu livro Criando Paisagens, que não há projeto sem definição de lugar. Lugar é todo aquele espaço agradável que convida ao encontro das pessoas ou ao nosso próprio encontro. Esse espaço é estimulante para atividades tanto de lazer quanto de trabalho. Local onde as pessoas possam ler, cantar, descansar, passar, permanecer, etc. O não lugar, por ele é conceituado como o espaço que une dois lugares, ou seja, passagens, algo feito para ligar e não permanecer.

ELEMENTOS DO PAISAGISMO VOLTADOS PARA PRAÇAS As praças são configuradas por uma série de atributos que promovem a qualidade do espaço urbano livre. Estes atributos referem-se às condições de conforto garantindo a permanência e a sensação de bem estar dos usuários. Para este trabalho, seguiremos a sistematização de reportório para nortear a proposta final da praça.


Praça do Estudante | 121

QUEM JÁ FEZ? BOAS PRÁTICAS JARDIM BOTÂNICO DE BARCELONA Aberto ao público em 1941 , possui 14.000 hectares. O projeto rompe propostas até então conhecidas para espaços verdes, adaptando-se à topografia irregular. O resultado são formas que substituem a sinuosidade pela geometria que se adequa ao terreno.

THE GOODS LINE - SIDNEY, AUSTRÁLIA Projetado pelo ASPECT Studio em parceria com o CRHOFI, o parque linear elevado tem como resultado de uma das iniciativas públicas a sua renovação urbana. Possui 500m². Esteve em funcionamento até 1854, como uma das linhas de trem desativas. Com a proposta de criação de polo cultural, o espaço foi intencionalmente desenhado, buscando a criação de subespaços para diversos usos e ocupações.

FONTE: https://aasarchitecture.com

BOAS PRÁTICAS

- Criação de polo cultural - Percurso de dinâmico - Descobrir o local

- Subespaços com possibilidades de diferentes usos e ocupações FONTE: https://www.archdaily.com.br/br/01-154723/

- Mobiliário de qualidade


122 | Trabalho final de graduação FONTE: http://www.landezine.com

ESPACE LIBRE - A TODDLERS PLAYGROUND - PARIS, FRANÇA O projeto foi excutado em 2014. É dedicado ao primeiro contato da criança com o espaço. Com 1.900m², o espaço divide-se em três partes: térreo, área elevada para adultos e playgroud para crianças. O terreno, não muito acentuado, possui delimitações suaves na topografia com traçado geométrico e com cantos arredondados. FONTE: http://www.landezine.com

BOAS PRÁTICAS

- O espaço como brinquedo - diferenciação de piso para estimulo sensorial - desenho dinâmico - área para as crianças FONTE: http://www.landezine.com


Praça do Estudante | 123

MINERAL ROOF GARDEN BURLE MARX - SÃO PAULO [1983]

FONTE: https://www.archdaily.com.br

PARQUE IBIRAPUERA - BURLE MARX - SÃO PAULO

BOAS PRÁTICAS

- diversidade de espécies - espaços dinâmicos - desenho de piso como conformação de espaços

FONTE: https://www.architectural-review.com


124 | Trabalho final de graduação

A PRAÇA DO ESTUDANTE POR QUE PRAÇA DO ESTUDANTE? De acordo com os resultados obtidos e com o nível de engajamento no processo, a maior parte dos usuários são jovens. Durante todo o processo participativo tivemos uma maior atuação dos estudantes na praça. E então houve o questionamento, por parte da comunidade, de se alterar o nome.

quiosques bicicletário skatepark

administração regional calçada para correr, passear, andar

bicicletário

calçada do estudante cinema ao ar livre

estacionamento para a administração e para a praça

comércio informal

quadra de esporte

transporte público


Praça do Estudante | 125

horta comunitária ponto de ginástica coletiva e pública

playgroud

redário

espaço de vivência

revitalização de fachadas e dinamismo de usos quiosques bicicletário

centro de vivência comunitária espaço de vivência cinema ao ar livre espaço para eventos abertos e shows

quiosques e vivência

escola


126 | Trabalho final de graduação

E A INTERVENÇÃO?

2 1

3

1

0M

25M

50M

100M


Praรงa do Estudante | 127


128 | Trabalho final de graduação

PAISAGISMO


Praรงa do Estudante | 129

0M

50M

100M

200M


130 | Trabalho final de graduação

0M

50M

100M

200M


Praรงa do Estudante | 131


132 | Trabalho final de graduação

ANTES


Praรงa do Estudante | 133

DEPOIS


134 | Trabalho final de graduação

ANTES


Praรงa do Estudante | 135

DEPOIS


136 | Trabalho final de graduação

UM MÓDULO PRA CHAMAR DE MEU! Os módulos de ações foram pensados visando solucionar as grandes áreas ociosas no espaço da praça. Com base na participação comunitária os módulos podem ser dispostos da maneira que couber aos usuários que seguirão as ações na praça.

1 - ÁREAS DE VIVÊNCIA

1 -marcação de piso

2 - pergolado

3 - pergolado com estrutura de piso e possibilidade de ser acoplado em outro módulo

4 - pergolado com estrutura de piso e possibilidade de ser acoplado em outro módulo sendo usado com mobiliário

2 - ÁREAS DE REDÁRIO

5-redário com estacas de madeira

6-redário em módulo

7-redário em árvore


Praça do Estudante | 137

MONTE O SEU ESPAÇO! Os módulos de ações foram pensados visando solucionar as grandes áreas ociosas no espaço da praça. Com base na participação comunitária os módulos podem ser dispostos da maneira que couber aos usuários que seguirão as ações na praça.

AÇÃO 4 + AÇÃO 6 = MÓDULOS DISPOSTOS QUE CRIAM ESPAÇOS MAIS AFETIVOS


138 | Trabalho final de graduação

3 - ÁREA DE COMÉRCIO NA PRAÇA

2 + 8 = ÁREA DE ALIMENTAÇÃO COM PERGOLADO

8 -módulos usados como quiosques

4 - ÁREA DE CULTURA NA PRAÇA

+ + =

9 -módulos usados como pavilhão


Praça do Estudante | 139

MONTE O SEU ESPAÇO!

6

+

9

=

complexo cultural com pavilhão e área de vivência


140 | Trabalho final de graduação

QUAL O MATERIAL DOS MÓDULOS? Inicialmemete foi pensado para que fosse executado em estrutura metálica, porém há a possibilidade de ser construído com materiais alternativos.

módulo com estrutura em madeira

módulo com estrutura em madeira usado como pergolado

módulo com estrutura em madeira usado como redário

PRÓXIMOS PASSOS REALIZAÇÃO DE CARTILHA Com o intuito de criar autonomia na comunidade para a ocupação da praça, se tem como objetivo a realização de uma cartilha explicativa das maneiras de ocupar o espaço e como as ações podem ser desenvolviedas por eles mesmo. A cartilha terá a função de integrar os estudos técnicos que compete a esse trabalho para que a comunidade tenha melhor acesso a informação.

A COMUNIDADE 1° DESENVOLVER MÉTODOS CONSTRUTIVOS

COMO FAZER? TORNAR AS INFORMAÇÕES TÉNICAS EM LINGUAGEM MAIS TRANSPARENTE (METODOLOGIA A SER DESENVOLVIDA)

QUEM FARIA O PROJETO? INICIATIVA DA AUTORA


Praça do Estudante | 141

PLATAFORMA DIGITAL DE AÇÕES CULTURAIS NA CEILÂNDIA

Com o intuito de mapear a ocorrência dos acontecimentos na Ceilândia, a plataforma digitital deverá ser um espaço colaborativo de mapeamento de pessoas importantes no processo participativo, lugares com potenciais e ações culturais.

A COMUNIDADE 1° Mapear principais agentes multtiplicadores do espaço. 2° dar autonima para que a comunidade se articule com mais facilidade para novas ações 3° aproximação para a comunidade cuide e se interesse pelos assuntos relacionados ao lugar O LUGAR 1° Mapear e conhecer lugares com potencial de microplanejamento. 2° Ter autonpmia em realizar eventos no espaço púlbicos 3° localização digital do espaço para mais pessoas acessarem COMO FAZER? Mescla de saberes acadêmicos: tentar auxílio colaborativo de estudantes da área de tecnologia. QUEM FARIA O PROJETO? INICIATIVA DA AUTORA


142 | Trabalho final de graduação

PLANTIO DE MUDAS

Com o objetivo de futura arborização na praça, se tem a demanda levantada pela comunidade para que os usuários participem do processo de inserção de vegetação. QUEM COORDENARIA? A comunidade

QUAIS ESPÉCIES PLANTAS? Apresentar propostar para a comunidade com prioridades para as plantas nativas do cerrado. A decisão será comunitária..

ONDE CONSEGUIR AS MUDAS? Em articulação com a comunidade foi levantada possibilidade de recolherem doações de viveiros parceiros grupos comunitários QUAIS OS MATERIAIS NECESSÁRIOS?


Praça do Estudante | 143

SINALIZAÇÃO DO PERTÊNCIMENTO

Ação proposta pela comunidade com a finalizade de sinalizar a praça e sinalizar as espécies arboréas já existente no local. QUEM COORDENARIA? A comunidade

Apresentar propostar para a comunidade com prioridades para as plantas nativas do cerrado. A decisão será comunitária..

ONDE CONSEGUIR OS MATERIAIS A comunidade irá atrás da realização do objetivo.

QUAIS OS MATERIAIS NECESSÁRIOS?


144 | Trabalho final de graduação

QUEM FEZ ESSE TRABALHO?

Lindalva Nery, Paulo Roberto, Luana Nery, Reginaldo Alves, Luany Nery, Wagner Dias, Márcio Dias, Alexandre Cidade, Milsinho, Kátia Dias, Caio Dias, Allano Maciel, Celeste Maciel, Pedro Ernesto, Gaia Schuler, Caio Fiuza, Elasir Fiuza, Daniel Melo, Odilha Maria, Gabriela Rocha, Marlon Pedro, Henrique Souza, Alex magalhaes, Laila Pereira,Vanessa Carvalho, Dennys Mendes, Nanni, Rafael Assis, Eduardo Ruas, Rafael Assis, Vinicius Remmer, Patrick Martins, Malu Cardioli, Olivia Nasser, Daniel Texeira, Amanda Sicca,Júlia Costa, Dudu Mano, Lais Magalhães, Andre – Cei My Name, Coletivo Art Garagem, Coletivo Batida Cardiaca, Debóra, Valéria, Projeto Social Bateria Nota show, Coletivo MOB,Manuella Carvalho, Sandra Marinho, Luiz Eduardo Sarmento, Gustavo Guedes, Luiz Henrique, Caio Monteiro Damasceno – IUBA, Elefantes brancos, Projeto Social Elemento 5, João Henrique Senna, Danton – projeto morro, DJ Jéssica Melo, DJ HB, Dj Tyrone, DJ Bruno Marques, CILC – Ceilândia, Escola classe 7 da Ceilândia, Emerson – Coletivo Samba da Guariba.


Praรงa do Estudante | 145


146 | Trabalho final de graduação

BIBLIOGRAFIA LEITE, Carlos. Cidades Sustentáveis, cidades inteligentes. São Paulo: bookman, 2013. DEL RIO, Vicente. Introdução ao Desenho Urbano no Processo de Planejamento; Pini. 1990 JACOBS, Janes. Morte e Vida das Grandes Cidades, tradução Carlos S. Mendes Ros. São Paulo; wmf martinsfontes, 1961 ALEXANDER, C.; ISHIKAWA, S.; SILVERSTEIN, M. Uma linguagem de padrões. Tradução de A. Salvaterra. Porto Alegre: Bookman, 2013. ANDRADE, Liza Maria Souza de. Conexão dos padrões espaciais dos ecossistemas urbanos: a construção de um método com enfoque transdisciplinar para o processo de desenho urbano sensível à água no nível da comunidade e da paisagem. 2014. 544 f., il. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo)—Universidade de Brasília, Brasília, 2014. CODEPLAN. Dados socioeconômicos retirados do portal Brasília em números. Disponível em: http://brasiliaemnumeros. codeplan.df.org.br. Acesso em: 26 jul. 2017. GEHL, Jan. Cidades para pessoas. São Paulo. Editora Perspectiva, 2013. MICRÓPOLIS. Circuito Silva Lobo - Propostas de intervenção urbana e identidade visual. Disponível em: http:// issuu.com/mach11/docs/fm316¬_-_etapa_3_junto_-_web_-_ issu2. Acesso em: 26 jul. 2017. ROSSI, Aldo. A Arquitetura da Cidade. São Paulo. Martins Fontes, 2001. HUTCHISON, Edward. O Desenho no Projeto da Paisagem. São Paulo, GG, 2012. L. ROSA, Marcos. Micro Planejamento: Práticas urbanas criativas. São Paulo, Cultura, 2011. LYNCH, Kevin. A Imagem da Cidade, tradução Jefferson Luiz. São Paulo, wmf martinsfontes 2997-2011. L. MASCARÓ, Juan. Infra-estrutura Urbana. Porto Alegre, Mais Quatro, 2005. L. MASCARÓ, Juan; MASCARÓ, Lucia. Vegetação Urbana. 3° edição, Porto Alegre, Mais Quatro, 2010. ABBUD, benedito. Criando Paisagens: Guia de Trabalho Em Arquitetura Paisagística. 4° edição, São Paulo, Senac, 2010.


Praça do Estudante | 147

SIQUEIRA, Vera Beatriz. Burle Marx. São Paulo, Cosac Naify, 2009. DEL RIO, Vicente; SIEMBIEDA, William. Desenho Urbano Contemporâneo no Brasil.1° edição, Rio de Janeiro, LTC, 2013. PAVIANI, Aldo. Brasília: Moradia e Exclusão. Brasília, UNB, 1996. ROLNIK, Raquel. Cidades Rebeldes. São Paulo, boitempo, 2012. SANDERCOCK, Leonie. Tornando o Invisível Visível: Uma História de Planejamento Multicultural. Califórnia, University of California Press, 1998. DALLARI. Direitos Humanos e Cidadania. São Paulo, Moderna, 1998. ASCHER, François. Os Novos Princípios do Urbanismo. São Paulo, Romano Guerra MONTANER, Josep Maria; MUXI, Zaida. Arquitetura e crítica. 2ª edição. Barcelona, Gustavo Gili. SABATIER. Top Down and Bottom-Up Appoaches to Implementation Research. Cambridge (UK), Journal of Public Policy, 1998. LEFEBVRE, Henri. A revolução Urbana. Belo Horizonte: UFMG, 1999. LEFEBVRE, Henri Le retour de la dialectique: 12 mots clef pour le monde moderne. Paris: Messidor/ Éditions Sociales, 1986. LEFEBVRE, Henri. O direito à cidade. 5° ed. Tradução de Rubens Eduardo Frias. São Paulo: Centauro Editora, 2011. SCHIAVO, Marcio R.; MOREIRA, Eliesio N. Glossário Social. Rio de Janeiro: Comunicarte, 2005.


148 | Trabalho final de graduação

Profile for Kariny Nery

PRAÇA DO ESTUDANTE DA CEI, rolezinho central.  

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