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Espiral de sombras


© do texto: Xavier Seoane, 2013 © desta edición: Kalandraka Editora, 2013 Rúa Pastor Díaz, n.º 1, 4.º A - 36001 Pontevedra Tel.: 986 860 276 faktoria@faktoriakdelibros.com www.faktoriakdelibros.com Faktoría K de Libros é un selo editorial de Kalandraka Primeira edición: setembro, 2013 ISBN: 978-84-15250-56-2 DL: PO 359-2013 Reservados todos os dereitos


XAVIER SEOANE

Espiral de sombras

TAMBO


A Ana Lúa


LIBRO PRIMEIRO

CORAZÓN DE MAIOLA


I RAÍZ DE DESTRUCIÓN I DESTRUÍMOS o amor para chegar á cinza. Destruímos a cinza para chegar ao resplandor. Destruímos o resplandor para chegar á memoria. Destruímos a memoria para chegar ao soño. Destruímos o soño para chegar á voz. Cando quixemos dicir, dixemos a palabra, dixemos a lenda, dixemos o nome. O silencio é, agora, a oquedade de luz dun soño morto.

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II DESTRUÍMOS a pedra para crear a sombra porque a sombra era poder de salvación. Destruímos a sombra para que a morte non cegase a raíz dos nosos soños. Destruímos a palabra que nomeaba o sol, a ferida da lúa sobre as follas, a píntega da fonte a murmurar sementes de ouro. Destruímos o pan, a luz, o nome. Destruímos a vida para enxalzar a morte.

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III CONSTRUÍMOS un muro para anegar o sangue. Construímos un valo para cegar o pan. Construímos unha gaiola de prata para as bágoas e un arneiro de arame e de seda para as mans. Miramos o crepúsculo desde a máis cega xanela da alba. Vimos unha brancura que arrasaba pero a inmensidade era tanta que as fontes do firmamento se apagaron. Verdes gromos de froitos prohibidos podreceron nas gallas. Crinas negras das ondas galoparon o mar. Toda palabra foi imposible. Toda luz inalcanzable.

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LIBRO PRIMEIRO: CORAZÓN DE MAIOLA I) RAÍZ DE DESTRUCIÓN

Destruímos o amor para chegar á cinza ......................................... 11 Destruímos a pedra para crear a sombra ....................................... 12 Construímos un muro para anegar o sangue ............................. 13 II) AS CONTAS DA DERROTA

Deixa que as bestas nos perdoen ........................................................... 14 Quen puxo tanto silencio nas palabras? ......................................... 15 Non sentiches nunca o paporroibo salaiar na horta ............. 16 Corazón de maiola ........................................................................................... 17 III) FOGAZAS DE ESPERANZA

De que está feita a túa alxaba, alba? .................................................. 18 Colleu a avoa o orballo ................................................................................. 19 Somos do mesmo sangue dos ríos e das árbores ...................... 20 IV) TODO CÁLIZ

Lenda .......................................................................................................................... 21 Todo cáliz ................................................................................................................ 22 Era a fame da fame .......................................................................................... 23 Nunca volverás á auga .................................................................................. 24 Hai na luz un alento ....................................................................................... 25 Arreda, arreda, lobo .......................................................................................... 26 Ah herba abenzoada ......................................................................................... 27 V) HEERA PARA UNHA MAIA LONGA

Heera (Coroación da maia) ....................................................................... 28 Laio da cerva morta ........................................................................................ 29 Milleira da alba ................................................................................................... 30 Para un liño irisado ......................................................................................... 31 Heera II .................................................................................................................... 32 Loanza da xesta .................................................................................................. 33


LIBRO SEGUNDO: PAN DE RAPOSO I) UR

Ur ................................................................................................................................... 36 Dun Mythos morto ........................................................................................... 40 Dun exilio sen nome ....................................................................................... 42 Dun fanado horizonte ................................................................................... 44 De tempos e avoengos ................................................................................... 47 Dun pergamiño en sombra ....................................................................... 53 Dunha nova ramada ....................................................................................... 55 Blues Negro (Nevermore) .......................................................................... 56 II) PARA UNHA ESTIRPE MORTA

Para unha estirpe morta .............................................................................. 58 Das vellas frondes ............................................................................................. 66 III) ARA SELENIS

Ara selenis .................................................................................................................. 69 Dunha saga inconclusa ................................................................................. 71 Dunha fouce maltreita .................................................................................. 73 Aliaxe de sombras ............................................................................................. 75 Pergamiño John Moore (Sombras do XIX) ................................ 78 1936-1939 (Nocturno no Campo das Ratas) ................................ 81 Para unha estrela oculta ............................................................................... 83 Nacional Sexta (Dun tempo e dun silencio) ............................... 87 Tempus non mirabilis ....................................................................................... 90 Boca de ás (Elexía a Ramón Sampedro) ......................................... 95 Cáliz de sete estrelas (Loanza do ilustrado) ................................ 97 Consagración do sermo Dunha verba aterecida I .......................................................... 101 Dunha verba aterecida II ........................................................ 103 Dun conxuro sen tempo ........................................................................... 106

LIBRO TERCEIRO: PEDRA DA SERPE I) EIDOS DE SOMBRA

Dun reino acedo e xordo .......................................................................... 111 Dun escuro retorno ....................................................................................... 113


De inclementia ................................................................................................... 114 Tan só unha físgoa ......................................................................................... 115 Para un pasto imposible ............................................................................ 116 Rastro de luz e sombra .............................................................................. 118 II) DUNHA ESCURA MILICIA

Dunha xusta no sol ....................................................................................... 119 Albada ..................................................................................................................... 120 Dunha pitanza loba ...................................................................................... 122 Canción do setestrelo .................................................................................. 125 Espiral ...................................................................................................................... 127 Dunha núa pregaria ..................................................................................... 129 III) DUNHA ARA SALVAXE (AROU! AROU!)

O druída indomable .................................................................................... 130 Arou! Arou! ....................................................................................................... 131 Táboas da lei ...................................................................................................... 133 Dunha raíz silenciosa .................................................................................. 134 Cántiga do arco verde ................................................................................. 135 Ben veñas, maio ............................................................................................... 136 Pedra da serpe ................................................................................................... 138 Ens infinitum ....................................................................................................... 140 Do retorno ............................................................................................................ 142 Dun óbolo sen nome .................................................................................... 144


Este libro acabouse de imprentar o día 1 de setembro de 2013. A cuberta e o interior en Bookprint e a sobrecuberta en Gráficas Anduriña.


Espiral de sombras g  

Faktoría k de libros. Colección Tambo.