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25.06.2018 | 12h30 30.06.2018 | 08h

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30.06.2018 | 10h 29.06.2018 | 19h + 19h30 30.06.2018 | 11h

27.06.2018 | 15h45 + 18h

29.06.2018 | 17h

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coordenadas cosmogrรกficas 30.06.2018 | 14h30

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01.07.2018 | 10h

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coordenadas cosmográficas Coordenadas Cosmográficas1 foi uma ação coletiva desenvolvida por 30 artistas pesquisadores (mestrandos e doutorandos) do Programa de Pós-graduação em Arte da Universidade de Brasília que cursaram a disciplina Métodos de Deriva e outros deslo-

camentos da linha de pesquisa Métodos e Processos em Arte Contemporânea, ministrada pela Profa. Dra. Karina Dias e pela Doutoranda Júlia Milward no primeiro semestre de 2018. A ação, que teve duração de três dias, foi composta de intervenções artísticas pela cidade de Brasília. Os trabalhos expostos reverberaram as questões abordadas em sala de aula durante o semestre, entre elas o pensamento da viagem como movimento do/no mundo: um movimento em direção à concretude do mundo (a sua materialidade) e a uma topologia mental, uma finisterra do espírito como afirma Kenneth White. Nesse desejo de espaço, espaçamo-nos... somos um corpo movendo-se no espaço2, criamos pai­ sagem, inventamos lugares, deambulamos, talvez, em busca de um alhures possível. Assim, cada coordenada à sua maneira instituiu um ponto de observação nômade e nesse movimento nos sentimos, a um só tempo, geógrafos e astrônomos. Olhamos a terra como se olha o céu. Compreendemos que toda imagem fabrica distâncias, sinaliza os confins de um mundo que só conhecemos de passagem. Emergiu daí uma efêmera paisagem no/do cotidiano revelada pela junção de certa maneira de olhar e dos caminhos percorridos. Se a extrema proximidade à cidade que habitamos pôde se transformar no horizonte que incita o movimento, que aponta que todo lugar possui espessuras variáveis é porque a viagem aqui é a prática-de-um pensamento e um pensamento-em-prática. Os eixos que conduziram as nossas reflexões/ações foram: Estar com a terra... uma sensação de universo; O mapa, uma topologia mental; A estrada: o mundo. Agradecemos aos nossos companheiros de viagem: Gaston Bachelard, Jorge Luis Borges e Maria Kodama, Ítalo Calvino, Fra Mauro, James Cowan, Julio ­Cortazar e Carol Dunlop, Eric Dardel, Li Po, Kenneth White, Marguerite Duras, Michael Heizer, Richard Long, Francis Alÿs, Giuseppe Penone, Daniel Arasse, Yoko Ono, Anselm Kiefer, Mayana Redin, Cecília Bona, Cildo Meirelles, Patricio Guzmán, Cresques Abraham, Vincenzo Coronelli, Mademoiselle de Scudery, Fischli & Weiss, Pascal Quignard, Michel Onfray, Robert Smithson, Leornardo da Vinci, Patrick Pound, Jeff Wall, Jean-Baptiste Camille Corot, Hokusai, Marcel Broodadthaeers ... Brasília, Inverno, Karina Dias e Júlia Milward

1 O Coordenadas Cosmográficas é a terceira edição desse evento que começou com o Coordenadas Vagabundas em 2015 e o Coordenadas Orbitadas em 2017. As edições aconteceram sempre a partir das questões desenvolvidas no âmbito das disciplinas vinculadas ao Programa de Pós-Graduação em Arte da Universidade de Brasília ministradas pela Profa. Dra. Karina Dias. 2 WHITE, Kenneth. Le plateau d’albatros, introduction à la géopoétique. Paris: Grasset, 1994. As expressões em itálico são todas de autoria desse mesmo autor.

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coordenadas cosmográficas •

Efêmeros

Segunda-Feira (25.06.2018) FREDERICO CHAVES | 12h30-13h | Saída: Cantinho da boca do Beijódromo-UnB | Chegada: Restaurante Universitário da UnB + 30 metros | Quarta-Feira (27.06.2018) ALLA SOÜB D’NADAH | 15h45 | Transmissão ao vivo de lá onde esteve | Sexta-Feira (29.06.2018) FATIMA MADEIRO | 15h | 713 Sul, Bloco M, jardim em frente à casa 63, próximo ao Sesc e IPHAN | LURDINHA FABRO| 16h | Posto de Gasolina da UnB BIDÔ GALVÃO | 17h | Beijódromo, UnB| LUCIANA FERREIRA | 19h (encontro); 19h30 (saída) | Quiosque do Parque Olhos D’agua; entrada principal | Sábado (30.06.2018) CÉSAR BECKER | 8h | Feirinha do Park Way na quadra 14 | NINA ORTHOF | 10h | Aeroporto Internacional de Brasília | SAMARA LIMA | 11h | Passagem subterrânea 107/207 Sul |

IRIS HELENA | 12h | Antigo Touring Club (próximo a parte superior da Rodoviária) | FRANCISCO ROCHA | 14h | Passagem subterrânea 107/207 Norte | LAURA VIRGINIA | 14h30 | CLN 207 Bloco A sala 103 | NINA ORTHOF | 15h | 206/207 Norte | MARIA EUGENIA MATRICARDI | 15h30 | Entre as Quadras 206/207N | CRISTIAN DUTRA | 16h30 | 215 Norte | PATRICIA TELES | 17h30 | Esplanada | KRISHNA PASSOS | 19h30 | Calçada no gramado do Congresso Nacional | Domingo (01.07.2018) LUIZ OLIVIERI | 9h | Anexo do Museu Nacional | VINICIUS FERNANDES | 10h | Teatro Nacional | LUDMILLA ALVES | 11h30 | Praça das Fontes; Parque da Cidade |

* Itinerantes ANNE ROSSIGNOLI | Durante as intervenções. JOSÉ DE DEUS | Durante as intervenções. CLARISSA DE CASTRO | Durante as intervenções. ALEXANDRE RANGEL | Durante as intervenções. IANNI LUNA | Durante as intervenções LIVIA BRANDÃO | Durante as intervenções

(I)móvel TATIANA TERRA | Lago Oeste

MARCOS ANTONY | 15h | Lago Norte | ROSA SCHRAMM | 16h | 416N | KABE RODRÍGUEZ | 17h | Parque Ecológico Ezechias Heringer Ae 27 - Guará | (CANCELADO) DANI ESTRELLA | 17h | obra no final asa norte |

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25.06.2018 | 12h30

Frederico Chaves

Quantos ombros há entre o beijo e a fome? Deslocamento dadaísta. O dadaísmo continua sendo a resposta mais coerente ao nosso tempo nonsense. Data: 25/06/2018, dia do cotonete. Saída: Cantinho da boca do Beijódromo-UnB. Chegada: Restaurante Universitário da UnB + 30 metros.

https://www.youtube.com/watch?v=nbrwnSF4f8U&feature=youtu.be

https://www.youtube.com/watch?v=mVgJnUflXBw

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Frederico Chaves BEIJINHO NO OMBRO VALESCA POPOZUDA Desejo a todas inimigas vida longa Pra que elas vejam a cada dia mais nossa vitória Bateu de frente é só tiro, porrada e bomba Aqui, dois papos não se cria e nem faz história

Acredito em Deus, faço Ele de escudo Late mais alto que daqui eu não te escuto Do camarote, quase não dá pra te ver Tá rachando a cara, tá querendo aparecer

Acredito em Deus, faço Ele de escudo Late mais alto que daqui eu não te escuto Do camarote, quase não dá pra te ver Tá rachando a cara, tá querendo aparecer

Não sou covarde, já tô pronta pro combate Keep calm e deixa de recalque O meu sensor de piriguete explodiu Pega a sua inveja e vai pra... (Rala, sua mandada!)

Não sou covarde, já tô pronta pro combate Keep calm e deixa de recalque O meu sensor de piriguete explodiu Pega a sua inveja e vai pra... Beijinho no ombro pro recalque passar longe Beijinho no ombro só pras invejosas de plantão Beijinho no ombro só quem fecha com o bonde Beijinho no ombro só quem tem disposição Beijinho no ombro pro recalque passar longe Beijinho no ombro só pras invejosas de plantão Beijinho no ombro só quem fecha com o bonde Beijinho no ombro só quem tem disposição Desejo a todas inimigas vida longa Pra que elas vejam a cada dia mais nossa vitória Bateu de frente é só tiro, porrada e bomba Aqui, dois papos não se cria e nem faz história

Beijinho no ombro pro recalque passar longe Beijinho no ombro só pras invejosas de plantão Beijinho no ombro só quem fecha com o bonde Beijinho no ombro só quem tem disposição Beijinho no ombro pro recalque passar longe Beijinho no ombro só pras invejosas de plantão Beijinho no ombro só quem fecha com o bonde Beijinho no ombro só quem tem disposição [sugestão de final] José Celso: EVOÉ! Fora Temer: EVOÉ! Lula livre: EVOÉ! Justiça aos terceirizados: EVOÉ! Rubinho Barrichello: EVOÉ! Fica Dilma: EVOÉ! Romero Brito: EVOÉ!

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Clarissa de Castro

Carlos de Lira nasceu em 1931 em Além Paraíba, interior de Minas Gerais. Motivado pelo sonho da nova capital migrou para Brasília em 1963. A imensidão plana de Brasília incomodou o artista. Em 1972, realiza uma cadeia de montanhas, no alto da cidade, no limite ao norte de Brasília logo após a Ponte do Bragueto. Carlos de Lira morre tragicamente em 11 de julho de 1973 no Voo Varig RG-820. Em 2016, a construção do Trevo da Saída Norte, projeto do Governo do Distrito Federal, previa a destruição da obra para implantação de viadutos. Apesar de um longo processo judicial movido pelos descendentes do artista, o Estado ganhou o litígio. Assim, em janeiro de 2017, a maior obra de Carlos de Lira foi destruída. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_de_Lira

Série Grão, Carlos de Lira, 1972. Saída Norte, Brasília/DF. Registro realizado em 2015. Fonte: Wikipedia..

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Clarissa de Castro

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27.06.2018 | 15h45 + 18h

Alla Soüb D’nadah

O QUE ANDA, MAS AINDA SEM NOME. Composição Urbana, Balão do Mirante / DF / 2018

Aonde mora a casa? Que paisagem posso chamar de vizinha? Minha casa é onde meus rabiscos estão. A paisagem é também afetação, mescla natural, monstruosa e humana. Aqui no horizonte me deparo com a cerca que cerca todo nascer de lua, frágil e simbólica existe para separar bairros. O horizonte é suprimido e a grade entra em primeiro plano. O lugar mais bonito do novo bairro é um balão gigante para carros, não se pensaram mais nas praças. O lugar da lua é a cerca – lugar do limítrofe, fronteira, da marca, ferida, intervenção. Em uma noite de lua cheia e cidade vazia são agregadas fitas neon nos arames farpados aparentes, a ação se desenvolve em uma linha sublunar em tom lusco-fusco. A saída da lua da cerca é sempre um alívio do tipo “Vai mana!”. Costurei o que poderia ser dilace­ rado, aberto, escancarado, transformado em fenda-brecha-passagem. A composição segue no Balão do Mirante e com as iterações do vento e das pessoas a cada passagem micro-mudanças acontecem. A fita visibiliza o vento e denuncia a dança das coisas, enquanto a marca segue imprevisível. Não abandono o desejo da fenda, transformo-o. Videos: www.vimeo.com/oqueandamasaindasemnome

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27.06.2018 | 15h45 + 18h

Alla Soüb D’nadah

Apoio: Tita Mélo Videos: www.vimeo.com/oqueandamasaindasemnome Imagens dos vídeos: Iêda Figueiró e Thamara Layla

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29.06.2018 | 15h

Fátima Madeiro

História Natural a partir do jardim da 713 Sul O ofício dos naturalistas consistia em ordenar, classificar e catalogar a natureza a partir de uma observação minuciosa. Essa busca pela sistematização do mundo natural produziu uma série de métodos artificiais para o estudo das plantas. O sistema de Lineu, por exemplo, considerava a morfologia e os órgãos reprodutores para uma adequada classificação e nomeação das espécies. A obra História Natural a partir do jardim da 713 Sul dialoga com os postulados científicos desenvolvidos a partir do século XVIII e se inspira nas imagens que circulavam nos compêndios e nos atlas de botânica para construir um sistema igualmente artificial para as plantas coletadas nesse jardim. A escolha desse espaço foi motivada pelas minhas constantes caminhadas pelos jardins dessa quadra e por encontrar nesses espaços uma diversidade de plantas que, muitas vezes, não são percebidas pelas pessoas que circulam ali. Além disso, espero despertar naqueles que entrarem em contato com a obra um interesse pelas imagens científicas, pois as considero fontes históricas para o estudo imagético da natureza, além de serem obras que conjugam um olhar estético e ordenador do mundo natural.

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29.06.2018 | 15h

Fรกtima Madeiro

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29.06.2018 | 16h

Lurdinha Fabro

Estou em um período “nômade”, onde neste instante habito a UNB, e a respiro em diversos lugares e formas: Colina, Maquete, Faculdade de Educação, IDA, suas calçadas, suas árvores, a grama, a poeira, o vento, as formigas... O encantamento em manusear os diversos ingredientes para fazer o “meu” Giz de Cera, na aula de Materiais em Artes, sentir os pigmentos, os cheiros, as temperaturas, e por fim o giz materializado. O pigmento usado foi a “terra” mais pura, a de um formigueiro. Comecei a observar os formigueiros da UNB, e eles foram me arrebatando e em certos momentos esquecia que estava ali apenas observando, “A realidade geográfica exige uma adesão total do sujeito, através da sua vida afetiva, de seu corpo, de seus hábitos, que ele chega a esquecê-los, como pode esquecer sua própria vida orgânica (DARDEL, 2011, p. 34).” E o que dizer de hoje! Primeiro, a visita ao formigueiro dizimado de onde retirei a terra para fazer o “meu” giz de cera. E depois em outra coordenada...no estacionamento... Olhar para baixo, e ver a delicadeza da procissão de formigas carregando as flores brancas, organizadas, fortes, corajosas, elas nos deram um SHOW!!!

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29.06.2018 | 16h

Lurdinha Fabro

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29.06.2018 | 17h

Bidô Galvão Em suspenso

Percorremos o caminho do vento tentando preencher com AR sacos de plástico vazios, enquanto uma voz de mulher ofegante alimentava o nosso cansaço, ou, a nossa falta de AR. Fluxos intensos formavam linhas invisíveis, quase palpáveis! Como já dizia Gil: “é sempre bom lembrar que um copo vazio está cheio de AR”. Eu diria que é sempre bom lembrar que um saco vazio pode estar cheio de AR e que uma alma vazia precisa VENTAR!

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Luciana Ferreira

29.06.2018 | 19h

Noite A noite pode ser entendida como um espaço de resistência dentro da cidade iluminada. Por noite, não nos refe­ rimos ao céu estrelado (impossível de ser visto nos espaços urbanos), mas aos lugares onde o escuro profundo, de algum modo, ainda é preservado como experiência possível. Onde poderíamos encontrá-la? Propusemos uma expedição à procura da noite, percorrendo uma trilha interna no parque Olhos D´água, no li­ mite do horário de fechamento do parque quando as luzes são apagadas, para descobrirmos se podemos encontrá-la ali.

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30.06.2018 | 08h

César Becker

Estar aqui é estar lá A grande escala torna-se pequena, a escala reduzida torna-se grande. Um ponto num mapa se expande para o tamanho do massivo rochoso. Um massivo rochoso se contrai num ponto. Robert Smithson Um pedaço de calcário é retirado do cume de uma falésia. Este ato consiste em extrair, distinguir da condição original, recortar a pedra. O fragmento é então deslocado a 95 km de distância e realocado como espécie de marco, pedra fundamental. Fundada em uma base de concreto, o mineral é acompanhado de inscrições que correspondem com a distância do seu local de extração e uma seta que indica sua possível orientação. O local desta instalação se situa aos arredores de um trilho de trem em altitude à paisagem ao redor. A demarcação revela nada mais e nada menos do que o desejo de estar lá, em outro lugar, aquém do horizonte pela evasão da seta que nos transporta. Trata-se na verdade de uma prática que ultrapassa as possibilidades do cálculo, transborda o espaço de coordenadas, implica operações intuitivas da ordem da imaginação e do devaneio. Para quem se coloca diante do marco, é proporcionada a possibilidade de estar em volta dos cumes calcários. Porém, o fragmento não pretende reconstituir precisamente seu local de origem, é um deslocamento de ponto de vista em função de uma posição física para um confronto imaginário em face às montanhas e cumes que nos habitam. 16


30.06.2018 | 08h

CĂŠsar Becker

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30.06.2018 | 10h

Nina Orthof CABINEIRA, 2018.

CABINEIRA é o nome antecessor à “ascensorista” estipulado no Brasil, no início do séc. XX. O nome é utilizado para convocar a imagem da cabine onde a ação toma corpo. Participantes são convidad_s a se posicionarem de maneira considerada em geral como “muito próximas” e assim permanecerem. Algum desconforto social pode emergir à medida que o tempo decorre. Existe uma solução para isso e ela é acionada durante a ação. A vista é panorâmica e a saída, opcional.

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30.06.2018 | 11h

Samara Lima [essa mirada nĂŁo tem nome] um corpo caminha um corpo observa pulsa respira adentra no azul pausa, e segue mirar o cĂŠu o infinito um convite

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30.06.2018 | 12h00

Íris Helena

Livro do Tombo, 2018. Os tapumes que vemos nas ruas a esconder e nos anteparar das obras de construção civil, tornam-se materialidade para uma série de livros que se desdobraram no espaço. O manuseio vertical nos insinua a abertura de uma janela, na qual uma paisagem-narrativa se desenrola em partes. Nos tapumes-página, estão impressas, entre espaços “vazios”, duas imagens, extraídas dos Arquivos Públicos do DF. Ambas relacionadas à migração de trabalhadores, rumo à construção da capital brasileira, Brasília. Estão também, incrustradas sobre as madeiras, as duas moedas, que homenageiam no anverso o Plano de Integração Nacional (PIN - 1970) e o Plano Piloto, respectivamente. Dois mapas de projetos que motivaram diásporas trabalhadoras. Tais elementos ao serem deslocados e inseridos nesse mecanismo articulado de abrir-fechar proporcionado por dobradiças, funcionam como pistas ou vestígios de uma escavação que por vezes remontam, por outras repelem narrativas históricas possíveis referentes às apostas retirantes num futuro incerto. A palavra tombo aparece em duplo sentido. Primeiro, seguindo a definição de origem portuguesa de inventariar, registrar e tombar patrimônios e pertences; em segundo, o termo ganha o sentido literal de baque e queda.

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Francisco Rocha

30.06.2018 | 14h

mur-muro

Francisco Rocha, 2018 Instalação sonora (10’17”) Numa passagem subterrânea de Brasília encontram-se vestígios de uma multidão caminhante que prefere não estar lá. mur-muro é uma instalação sonora realizada a partir de caminhadas por lugares populosos. Ao atravessar as passagens subterrâneas de Brasília, a cidade é deixada do lado de fora. Os sons dos veículos passando logo acima do túnel tornam-se distantes e o conversar das pessoas desaparece por completo. A travessia deste espaço, em geral, se dá de forma apressada e silenciosa. Com excessão das intervenções artísticas que proliferam nos muros brancos das passarelas, poucas são as interações humanas que ali acontecem. Eventualmente, o olhar de dois transeuntes podem se cruzar ali, evocando ameaça ou cumplicidade. As passarelas subterrâeas foram criadas como rota de ligação entre dois pontos, construídas para não serem vistas. Evitadas pelos caminhantes, com medo de encontrar alguém ou de não encontrar ninguém. A instalação sonora pretende trazer para estes espaços a sensação de que, mesmo entre dois muros e abaixo da terra, a cidade ainda está presente. https://youtu.be/spp9VG1hTQc

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30.06.2018 | 14h30

Laura Virgínia Mirante

Mirante é um trabalho sobre a paisagem vista de uma sala na comercial da 207 norte para a quadra não construída na SQN 207. Os visitantes de Mirante são voyeurs da ação que acontece lá fora na paisagem entre duas bailarinas que se estendem, se distanciam, se aproximam, em escalas bucólicas e gregárias. Os visitantes-voyeurs recebem um Souvenir HaiCai após o passeio. Coração longe... Olhará as estrelas? Vento no rosto.

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30.06.2018 | 15h

Nina Orthof

CABINEIRA CABINEIRA é o nome antecessor à “ascensorista” estipulado no Brasil, no início do séc. XX. O nome é utilizado para convocar a imagem da cabine onde a ação toma corpo. Participantes são convidad_s a se posicionarem de maneira considerada em geral como “muito próximas” e assim permanecerem. Algum desconforto social pode emergir à medida que o tempo decorre. Existe uma solução para isso e ela é acionada durante a ação. A vista é panorâmica e a saída, opcional.

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30.06.2018 | 15h30

Maria Eugênia Matricardi

De lugar a lugar algum Abrir caminhos entre quadras. Em contraposição ao fluxo constante da horizontalidade automobilística, insistente via rápida, chegar do ponta A ao ponto B importa menos que traçar via de desvio. A partir de uma forma geométrica, uma rota circular abduz o espaço, pés no chão em senda obstinada a nada. Um ponteiro de metal, uma corda de 20 metros, corpo-compasso, forma geométrica objetiva que nada traduz de objetividade, tinta em spray para demarcar o espaço que se dilata na disrupção de outro tempo: lentidão e continuidade. Se Lucio Costa chamava os caminhos abertos na grama por passantes como caminhos de desejo, as calçadas não foram ­co­nstruídas a partir desta escuta. A experiência da ação demanda meses de passos, corpo-relógio que não afere o tempo, mas sente na pele, no mergulho em camadas que se desvelam no movimento, repetição silenciosa, zen, abertura para perguntas, mais que respostas. Caminhar para construir vias inexistentes, lugares possíveis. Encruzilhada circular.

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30.06.2018 | 15h30

Maria Eugênia Matricardi

Fotos de Vinícius Fernandes Lugar: Entre as quadras 206N e 207N Ação duracional ainda em processo Evento coordenadas Cosmográficas Brasília-DF 2018

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30.06.2018 | 16h30

Cristian Dutra

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30.06.2018 | 16h30

Cristian Dutra

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30.06.2018 | 16h30

Cristian Dutra

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29.06.2018 | 17h30

Patricia Teles

“Em italiano andare a Zonzo significa perder o tempo vagando sem objetivo” (CARERI, 2003, p.185-186)

https://giphy.com/gifs/df-bsb-braslia-52FJdFAuUCmM3WGDkG

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30.06.2018 | 19h30

Krishna Passos Mirações - Experiência híbrida

Vivencia, deslocamento, viagem, projeção espacial, ficção real, intervenção, videoarte em luneta e observação astronômica amadora.

Durante divagações em um museu e observatório astronômico, do início do século XX, entre seus enormes telescópios e, seus simples e diminutos sistemas de observação estrelar, um vento sopra de longe, entre a grandeza e pequenez de ser. Dali emergem sensações entre estar distante e perto no tempo, entre o passado e o pressente do agora, ali, ligados aos sonhadores de estrelas. A ponte entre passado e presente, entre longe perto está em nós. Dessa forma, transpondo possibilidades de observação para eixos traçados da arquitetura monumental, no planalto central, a ideia foi, buscar enquadramentos e vetores de diálogo entre o satélite lua e os traços geometricamente desenhados pela inteligência encarnada humana. Supondo a inteligência suprema e, a inteligência humana, partes de uma mesma inteligência, fruímos experimentar observações astronômicas e geológicas em videoarte.

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30.06.2018 | 19h30

Krishna Passos

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01.07.2018 | 09h

Luiz Olivieri Extraclasse, 2018.

Extraclasse (2018) é uma série de 13 trabalhos, impressões em papel e com dimensões de 45 x 45 cm emolduradas.

descrição da ação: Pedi para os meus alunos do ensino médio de uma escola pública do DF anotarem os sons (paisagens sonoras) que escutassem em suas casas no período de 48 horas. Ao ler os relatos, fiquei impressionado com as imagens que alguns deles provocavam. A série extraclasse é uma seleção dessas descrições de sons: territórios sonoros de escuta localizados entre a poesia crua do cotidiano e a violência. Agradeço aos estudantes que contribuíram com as suas percepções.

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01.07.2018 | 10h

VinĂ­cius Fernandes

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01.07.2018 | 11h30

Ludmilla Alves

Primeiro de Julho de 2018 em Brasília Esse era o objetivo das experiências, projetar emissários no tempo... Convocar o passado e o futuro para ajudarem o presente. [La Jetée. Chris Marker] Na tentativa de decifrar ações datadas do ano de 2018, uma viajante do tempo procura recompor certa sequência de acontecimentos a partir de indícios encontrados na antiga cidade de Brasília. Suas primeiras pistas são uma lista de verbos e um muro. Os verbos listados: arder, petrificar, desferir. Ela pensa no tempo. Nos gestos. Nos passos rasgando o espaço desde uma data que não alcança. Depois de tudo, as ações de todos neste mundo teriam sido de um só indivíduo? Indivídua. Hominídea. A letra a. Quantas vezes terá a língua mudado de forma para corresponder ao espírito dos tempos? Quantas vezes teremos realmente correspondido ao Tempo? Depois de tudo, as ações de uma pessoa teriam sido feitos de todos? O tempo é o selvagem ou o são os gestos? O intempestivo, o extemporâneo, o repentino, o súbito. O acidente que faz rolarem pedras paradas – acredita-se que estivessem paradas. O dormente. O levante. Mas essa é uma especulação futura. O presente do passado relata que, no dia Primeiro de Julho, um grupo de pessoas carregou pedras e alinhou-se diante de um paredão na Praça das Fontes, em Brasília. Ao sinal, lançaram as pedras contra a parede – do verbo desferir. O gesto teve duração de aproximadamente 3 segundos. Supõe-se que as marcas deixadas são inscrições aproximadamente dirigidas ao pós-futuro ou à pré-história. Então o muro, esquecido nos confins do centro, teria sido caverna com manchas e vestígios que sonharam a desferida do golpe.

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01.07.2018 | 11h30

Ludmilla Alves

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01.07.2018 | 15h

Marcos Antony (...) VAI MALANDRA

Intervenção Urbana/ Lago Paranoá/ DF/ 2018

A Brasília surge de gesto simples de cruzamento de eixos, gesto de quem toma posse, a posse que não possui os despossuídos! Espaços são poder dentro manutenção da cidade, o lazer são espaços para quem pode! Ao pensar esse trabalho reflito o que seria da organização da cidade fundada na racionalização da vida sem a intervenção de seus agentes construindo abstratos e absurdos? Vai malandra é uma imersão do interior para exterior, uma criação de uma ação contra os costumes, um atentado a normalidade. Enquanto obra site, utiliza-se do espaço para existir. sua dimensão estrutural de “flutuar”, a torna excêntrica, lúdica, tosca... constituída de fragmentos de aparente aleatoriedade. Penetrar, preencher, deambular, marcar, criar outros espaços livres anárquicos. Utilizar deste mote auto estruturador para um formar de improviso, uma espacialização popular beirando o espírito colorido do carnavalesco (Funk), Esse recorte (massa) população que acessa o Funk o que os motiva é a busca da diversão, mas também se ver representado nas ambiguidades que cercam seu cotidiano, algo do seu jeito de ser. Uma ginga que permeia seu cotidiano, nas falas, nos modos, em suas construções. Por isso o viés construtivo da embarcação. O errante navegador, parafraseando Michel de Certeau: Navegar “é perder o lugar. É o processo indefinido de estar ausente e em busca de um próprio” (Certeau 1998) Navegar como forma de penetrar no espaço da cidade! Por que voltar a se perguntar pelos espaços? O próprio Perec (1974), no seu livro Especie de espacios, esboça algumas orientações: buscar por estratégias de aproximações no campo das ações e da presença do cotidiano como por exemplo, o exercício do espaço pelas situações ordinárias. Ou seja, para Perec, o exercício pelo espaço está ligado a questão de que somos “cegos” em relação àquilo que nos constitui, a ­cotidianidade. Mas eu acrescentaria uma outra justificativa: é necessário ver a nossa cotidianidade, porque ela está escapando das nossas mãos. Devemos olhar para esse espaço porque corremos o perigo de perdê-lo. Apoio técnico: Tauan Gon e César Becker Fotos: Vinicius Fernandes

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01.07.2018 | 15h

Marcos Antony

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Rosa Schramm

01.07.2018 | 16h

Vertere

Con(sidera)ções sobre a caminhada

Quando pensamos em equilíbrio pressupomos um ponto médio entre pesos que se anulam sob essa referencia. Como nos equilibramos sobre os dois pés? Se o nosso cume, o nosso ponto médio, é a cabeça, consideremos as outras forças que atuam nesse jogo ponderal. A proposição desse percurso é sopesar esses elementos que participam da experiência da caminhada. Como ponto de partida consi­ deraremos a vertical em sua origem latina, que designa um movimento ascendente ao ponto em que verte e volta a “cair”. Essa noção amplia a coordenada espacial ao apreciar o movimento do verter, que se afasta da ideia estática que geralmente se tem da vertica­ lidade. A ação ocorre através de instruções cinestésicas de um percurso com volta para trás, em que vertemos a horizontalidade e a frontalidade. Voltamos ao ponto inicial tendo à nossa vista o horizonte de onde estivemos, prolongando a experiência do percurso. Como nos orientamos no espaço? Possibilidades, versões e inversões desde uma espacialidade íntima.

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01.07.2018 | 17h

Daniela Estrella Expedição subterreno margiante

Essa expedição tinha como objetivo ir até a obras de pavimentação automobilística que estão sendo construídas final da asa norte. Lá no local descemos nas escavações e próximo a um dos novos viadutos. Deitamos na terra para observar de dentro deste loca a chegada da noite. Experiências incríveis suscitaram em estar ali neste espaço transitório dentro da terra, protegido do vento, o som abafado e o céu completamente sem as luzes da cidade só deixando a noite chegar e o breu tomar conta.

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José de Deus Vendo, 2018.

‘Vendo’ é uma série de faixas amarelas que são instaladas pela cidade. Elas são baseadas naquelas em que se vendem lotes, casas e apartamentos e que espalham por aí como se fossem vírus e infectam nossa visão frequentemente. Numa organização urbana cada vez mais focada na individualização de espaços e no levantamento de muros, essas faixas surgem numa tentativa desesperada de venda de qualquer lugar o tempo todo, e fazem parte de um sistema crescente de especulação imobiliária. E esse sistema de especulação faz parte de um grande projeto neoliberal que visa a privatização de tudo e de todos, além do lucro cada vez maior. Nesse contexto surgem as faixas Vendo. Que são basicamente faixas com Vendo escrito e nada mais, nenhuma outra informação é necessária além do verbo. Com elas pretendo Vender, privatizar todo e qualquer por onde passo, seguindo os passos dos grandes especuladores. Mas com elas também pretendo Ver mais a cidade, e prestar mais atenção a lugares tão cotidianos e fugazes que raramente são dignos de contemplação.

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JosĂŠ de Deus

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Alexandre Rangel “Memórias Corrompidas” software art

Versão interativa: http://www.quasecinema.org/memorias

Versão em vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=ImuK476OHXo

The Prescribed Ritual Text of the Past and Present time and space are infinite - Stockhausen year 4444, ruins of mankind memories corrupted by the mixture of man and machine with the language... on a milenar scale conqueror’s languages now useless what remains is this nightmarish landscape stoned remembrances Ethernal Validity of the Soul / Ghost in the Machine Latin, English, Portuguese empires, colonies, feuds forest, city, body ‘The method changes the experience The experience changes the man’ from the need map to the not needed map from techonocracy to chaos from the before than universal *** Áudio baseado na Missa Tridentina (1570), em latim. *** Obs: Versão interativa para rodar em computador. Não funciona, por enquanto, em tablet/telefone.

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Ianni Luna

Não era mais que um ruído, 2018. Escutar o som. Encontrar essa espécie de silêncio. Sonoridades enquanto segredos. A escuta como instância particular do comum agora extraordinário. Os sons: ponto de acesso, `devaneio imóvel`, mundos em potência – nesse gesto radical da escuta. ------https://soundcloud.com/user-622873013/ianni-luna-nao-era-mais-que-um-ruido-2018

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LĂ­via BrandĂŁo

Camadas. A cidade que me atravessou hoje

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Anne Rossignoli

Diferentes miradas de uma mesma viagem

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Tatiana Terra

(i) móvel A invisibilidade das coisas a partir do olhar em direção ao horizonte. O horizonte como ponto inicial para trazer à vista o que hesita em concretude, pois é a forma mais próxima do que é “invisível e se dá a ver”, coexistência entre dois campos, terra e céu, a presença dada por uma inter-relação, um encontro. Ultrapassar o horizonte, mudar os eixos, deslocar-se. Suspensão. Ser tomado pelo silencio profundo e plural, lugar onde se cruzam as perspectivas. Se as coisas do espaço tomam para si o nosso ponto de vista e nos olham, o que nos resta?

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coordenadas cosmogrรกficas *

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Coordenadas Cosmográficas  

Coordenadas Cosmográficas foi uma ação coletiva desenvolvida por 30 artistas pesquisadores (mestrandos e doutorandos) do Programa de Pós-gra...

Coordenadas Cosmográficas  

Coordenadas Cosmográficas foi uma ação coletiva desenvolvida por 30 artistas pesquisadores (mestrandos e doutorandos) do Programa de Pós-gra...

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