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ARMAZENAMENTO E COMERCIALIZAÇÃO DE GRÃOS NO BRASIL  CAPÍTULO 1    Viçosa ‐ MG 


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SECAGEM E ARMAZENAGEM DE PRODUTOS AGRÍCOLAS

Editor Juarez de Sousa e Silva Professor Titular Associado Departamento de Engenharia Agrícola / CBP&D-Café Universidade Federal de Viçosa

VIÇOSA – MG 2008


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2 edição – 2008

copyright 2008 by ISBN ----------------Editora Aprenda Fácil Rua José Almeida Ramos, 37 – Ramos CEP: 36.570-000 Viçosa – MG

Ficha catalográfica preparada pela Seção de Catalogação e Classificação da Biblioteca Central da UFV

Secagem e armazenagem de produtos agrícolas / Editor Juarez de Sousa e Silva. – Viçosa : Aprenda Fácil, 2008. Xiv,560p. : il.(algumas col.)+1 CD-ROM (4¾ pol.)

S444 2008 29cm

Disponível também em CD-ROM. Inclui bibliografia 1. Produtos agrícolas - Secagem. 2. Produtos agrícolas - Armazenamento. I. Silva, Juarez de Sousa e, 1944-.

CDD 22.ed. 631.568

Impresso no Brasil


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PREFÁCIO Há trinta e oito anos, em associação com os meus colegas e alunos, tento acumular conhecimento e experiência profissional na área de Secagem e Armazenagem de Produtos Agrícolas. Antes, como professor e pesquisador efetivo da Universidade Federal de Viçosa, e hoje como professor voluntário da mesma instituição e pesquisador do CBP&D – Café (Consorcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café), venho participando de uma das equipes mais importantes e ativas do Brasil no que se refere aos assuntos da pós-colheita de produtos agrícolas. Dessa forma, o material aqui apresentado, é um registro de partes dos conhecimentos adquiridos por nossa equipe, que vêm, de maneira responsável, estudando e trabalhando para o engrandecimento da área de estudo e da agricultura brasileira. Pode parecer, para grande parte dos leitores que nos honraram com a leitura do nosso primeiro livro (Pré-Processamento de Produtos Agrícolas e editado em 1995) que o material em pauta seja, numa primeira vista, semelhante ao material apresentado naquela época. De certo modo, o leitor está correto. Entretanto, quatorze anos se passaram, aprendemos mais e novos colegas se juntaram à nossa equipe para acrescentar não somente material novo, mas também novos conhecimentos para esta segunda edição. Com capítulos e assuntos adicionais importantíssimos, nova abordagem, racionalização de páginas e com nova e extensa ilustração, este livro vem preencher lacunas, tanto nas áreas de cereais e perecíveis como também na de preparo e armazenagem do café. Colocamos também, à disposição do leitor, as novas tecnologias relacionadas ao assunto, que foram desenvolvidas nos últimos oito anos na UFV. Esta obra contém, na sua forma eletrônica, figuras e vídeos que podem auxiliar o professor a preparar suas aulas para o ensino de pós-colheita. É parte fundamental do CURSO BÁSICO DE SECAGEM E ARMAZENAGEM DE PRODUTOS AGRÍCOLAS oferecido, via Internet, pelo SITE (www.pos-colheita.com.br). O Editor


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DEDICATÓRIA Dona Amélia José de Sousa, minha mãe “in memoriam” Eugênio de Sousa e Silva, meu pai “in memoriam”. Dona Sônia Maria de Sousa e Silva, minha esposa.

Homenagem Especial: - meus professores e funcionários do DEA/UFV - meus alunos e colaboradores - meus filhos e netas

Agradecimento Especial: Geraldo Lopes de Carvalho Filho (pela grande amizade)


EDITOR: JUAREZ DE SOUSA E SILVA Professor Titular Aposentado - DEA – UFV / CBP&D - Café - PhD Contatos: jurez@ufv.br

COLABORADORES: ADÍLIO FLAUZINO DE LACERDA FILHO Professor Adjunto – UFV – DS ADRIANO DIVINO LIMA AFONSO Professor Adjunto – UNIOESTE /PR – DS CONSUELO DOMENICI ROBERTO DS em Engenharia Agrícola DANIEL MARÇAL DE QUEIROZ Professor Adjunto - UFV- PhD DANIELA CARVALHO LOPES DS em Engenharia Agrícola EDNEY ALVES MAGALHÃES DS em Engenharia Agrícola EVANDRO DE CASTRO MELO Professor Adjunto - UFV – DS FÁTIMA CHIEPPE PARIZZI Ministério da Agricultura - DS FERNANDO LUIZ FINGER Professor Adjunto -UFV - PhD FRANCISCO DE ASSIS CARVALHO PINTO Professor Adjunto - UFV – PhD FREDERICO FAÚLA DE SOUSA Professor Adjunto – UFLA - DS GILMAR VIEIRA Professor Adjunto UFD - DS IVANO ALESSANDRO DE VILLA Professor Adjunto - DEA – UEG - DS


JADIR NOGUEIRA DA SILVA Professor Titular – DEA-UFV JOSÉ CARDOSO SOBRINHO Professor Adjunto UFRS – DS LÊDA RITA D'ANTONINO FARONI Professora Adjunta – UFV - DS PAULO CESAR CORRÊA Professor Adjunto – UFV – DS PEDRO AMORIM BERBERT Professor Adjunto – UENF -DS MARILSON GONÇALVES CAMPOS Técnico de Operações – CONAB- SUREG/GO DS RICARDO CAETANO REZENDE Prof. Adjunto - UEG - DS ROBERTA MARTINS NOGUEIRA MS em Engenheira Agrícola ROBERTO PRECCI LOPES Professor Adjunto - UFRRJ - DS SÉRGIO MAURÍCIO MAURÍCIO LOPES DONZELES Pesquisador da EPAMIG - DS SOLENIR RUFFATO Professora Adjunta DEA- UFMT SUELY DE FÁTIMA RAMOS SILVEIRA Professara Adjunto –UFV – DS

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I

SUMÁRIO PREFÁCIO Páginas

CAPÍTULO - 1 ARMAZENAGEM E COMERCIALIZAÇÃO DE GRÃOS NO BRASIL

1

1. INTRODUÇÃO

1

2. O POTENCIAL AGRÍCOLA BRASILEIRO 2.1. Estimativa da Área Plantada 2.2. Estimativa da Produção

2 3 4

3. SEGURANÇA ALIMENTAR E IMPORTÂNCIA DA PEQUENAPRODUÇÃO

5

4. A ESTRUTURA BRASILEIRA DE ARMAZENAGEM 4.1. Armazenagem e a Pequena Produção

8 12

5. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO

14

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

16

7. LITERATURA CONSULTADA

17

CAPÍTULO - 2 ESTRUTURA, COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES DOS GRÃOS

19

1. INTRODUÇÃO

19

2. ESTRUTURA E FUNÇÕES DOS GRÃOS 2.1. Cobertura Protetora 2.2. Tecido Meristemático 2.3. Tecido de Reserva

19 20 20 20

3. PROPRIEDADES FÍSICAS DOS GRÃOS 3.1. Ângulo de Repouso 3.2. Massa Específica Granular 3.3. Porosidade 3.4. Velocidade Terminal 3.5. Tamanho e Forma dos Grãos 3.6. Condutividade Térmica 3.7. Difusividade Térmica

22 22 24 26 28 28 30 31


II 3.8. Calor Específico 3.9. Resistência Elétrica 3.10. Propriedades Dielétricas

31 32 32

4. LITERATURA CONSULTADA

35

CAPÍTULO - 3 PRINCÍPIOS BÁSICOS DE PSICROMETRIA

37

1. INTRODUÇÃO

37

2. PROPRIEDADES DO AR ÚMIDO 2.1. Temperaturas de Bulbo Seco (t) e de Bulbo Molhado (tm) 2.2. Pressão Parcial de Vapor (pv) e Pressão de Saturação (pvs) 2.3. Razão de Mistura (w) 2.4. Umidade Relativa (UR) 2.5. Umidade Absoluta (Ua) 2.6. Umidade Específica (Ue) 2.7. Grau de Saturação (Gs) 2.8. Temperatura do Ponto de Orvalho (tpo) 2.9. Volume Específico (ve) 2.10. Entalpia (h)

38 38 39 39 39 39 40 40 40 40 40

3. MEDIÇÃO DA UMIDADE DO AR

41

4. CÁLCULO DA TEMPERATURA DE BULBO MOLHADO

43

5. TABELAS E GRÁFICOS PSICROMÉTRICOS 5.1. Exemplo de Aplicação da Tabela Psicrométrica 5.2. Gráfico Psicrométrico

45 46 49

6. OPERAÇÕES QUE MODIFICAM O AR 6.1. Aquecimento e Resfriamento do Ar 6.2. Secagem e Umedecimento 6.3. Mistura de Dois Fluxos de Ar

55 57 57 59

7. LITERATURA CONSULTADA

61

CAPÍTULO - 4 INDICADORES DA QUALIDADE DOS GRÃOS

63


III 1. INTRODUÇÃO

63

2. PERDA DE GRÃOS ARMAZENADOS 2.1. Considerações Gerais 2.2. Fungos de Campo 2.3. Fungos de Armazenamento

64 64 64 64

3. INDICADORES DA QUALIDADE 3.1. Aspectos Relacionados à Secagem 3.2. Teor de Água ou Umidade Contida nos Grãos

66 67 69

4. MÉTODOS DE DETERMINAÇÃO DO TEOR DE UMIDADE 4.1. Métodos Diretos ou Básicos

74 74

5. TEOR DE UMIDADE DE EQUILÍBRIO 5.1. Pressão de Vapor x Umidade de Equilíbrio 5.2. Determinação da Umidade de Equilíbrio

86 89 91

6. CALOR LATENTE

92

7. AMOSTRAGEM 7.1. Tipos de Amostragens 7.2. Equipamentos 7.3. Formação e Apresentação das Amostras 7.4. Identificação das Amostras

93 94 95 98 98

8. AFERIÇÃO E CALIBRAÇÃO DE DETERMINADORES DE UMIDADE 8.1. Métodos de Calibração de uma Escala de um Determinador Indireto 8.2. Equipamentos Necessários 8.3. Calibração 8.4. Operacionalização dos Testes

99 99 100 100 101

9. LITRARURA CONSULTADA

107

CAPÍTULO - 5 SECAGEM E SECADORES

109

1. DEFINIÇÃO E IMPORTÂNCIA

109

2. PRINCÍPIOS GERAIS DA SECAGEM

109

3. SISTEMAS DE SECAGEM

113


IV 4. SECAGEM NATURAL

114

5. SECAGEM ARTIFICIAL 5.1.Ventilação Natural 5.2. Ventilação Forçada 5.3. Manejo e Recomendações para Ventilação em Silos Secadores 5.4. Formas de Carregamento do Silo 5.5. Movimentação do Produto no Silo 5.6. Operação e Monitoramento da Secagem 5.7. Duração da Secagem 5.8. Considerações

115 115 115 118 118 120 122 122 123

6. SECAGEM COM ALTAS TEMPERATURAS 6.1. Classificação dos Secadores com Altas Temperaturas 6.2. Classificação Quanto à Operação 6.3. Classificação Quanto à Utilização 6.4. Modificações e Recomendações na Operação e no Manejo

124 124 140 141 143

7. ANÁLISE DO CONSUMO ENERGÉTICO

145

8. LITERATURA CONSULTADA

145

CAPÍTULO - 6 ESTUDO DA SECAGEM EM CAMADA ESPESSA

147

1. INTRODUÇÃO

147

2. EQUAÇÃO DO BALANÇO DE ENERGIA 2.1. Solução pelo balanço de energia

147 150

3. MODELOS DE SECAGEM 3.1. Modelo de Hukill 3.2. Modelo de Thompson 3.3. Validação dos Modelos

152 153 164 172

4. LITERATURA CONSULTADA

176

CAPÍTULO -7 SECAGEM DE GRÃOS COM ENERGIA SOLAR 1. INTRODUÇÃO

179 179


V 2. SECAGEM SOLAR EM TERREIROS 2.1. Manejo e Características Técnicas do Terreiro

179 181

3. SECADOR HÍBRIDO (TERREIRO-BIOMASSA)

182

4. ENERGIA SOLAR 5. O COLETOR DE ENERGIA SOLAR 5.1. Construção do Coletor Solar

184 185 186

6. SECAGEM COM ENERGIA SOLAR 6.1. Manejo dos Secadores Solares 6.2. Quantidade Necessária de Secadores Solares Rotativos 6.3. Terreiro Suspenso Portátil 6.4. Terreiro Suspenso Móvel 6.5. Secador Flex

188 190 192 193 193 194

7. FUTURO DA SECAGEM COM ENERGIA SOLAR

195

8. LITERATURA CONSULTADA

197

CAPÍTULO - 8 ENERGIA NO PRÉ-PROCESSAMENTO DE PRODUTOS AGRÍCOLAS

199

1. INTRODUÇÃO

199

2. COLHEITA E ENERGIA

200

3. RACIONALIZAÇÃO DE ENERGIA 3.1. Recomendações Práticas 3.2. Manutenção de Equipamentos e Iluminação

201 201 202

4. CONSUMO DE ENERGIA E EFICIÊNCIA DE SECAGEM 4.1. Eficiência do Secador

204 206

5. COMBUSTÃO, COMBUSTÍVEIS E FORNALHAS 5.1 Combustão 5.2. Combustíveis 5.3. Transformações Químicas Relacionadas com a Combustão 5.4. Ar Necessário à Combustão 5.5. Fornalhas

207 207 207 209 209 212

6. ADAPTAÇÃO DE FORNALHAS

222


VI 6.1. Construção das Fornalhas

223

7. CUIDADOS PRELIMINARES 7.1. Início de Operação

224 224

8. LITERATURA CONSULTADA

224

CAPÍTULO - 9 COMPOSIÇÃO DO CUSTO DE SECAGEM

229

1. INTRODUÇÃO

229

2. CLASSIFICAÇÃO DOS CUSTOS

230

3. O CUSTO DA MÃO-DE-OBRA

232

4. OUTRAS CLASSIFICAÇÕES DE CUSTOS 5. DESEMPENHO DE SECADORES 5.1. Avaliação do Desempenho

232 234 234

6. CUSTO DE SECAGEM

236

7. EXEMPLO DE APLICAÇÃO 7.2. Parâmetros Relativos ao Ar 7.3. Uso de Energia 7.4. Especificação do Secador 7.5. Simulação de Secagem 7.6. Custos 7.7. Análise dos Resultados

238 238 239 239 240 240 240

8. LISTA DE SÍMBOLOS

244

9. LITERATURA CONSULTADA

246

CAPÍTULO - 10 ELEÇÃO E CONSTRUÇÃO DE VENTILADORES

249

1. INTRODUÇÃO

249

2. CLASSIFICAÇÃO

249


VII 3. USO DOS VENTILADORES NA SECAGEM

252

4. GRANDEZAS CARACTERÍSTICAS 4.1. Altura de Elevação 4.2. Potências 4.3. Rendimentos

252 252 253 253

5. ESPECIFICAÇÃO DOS VENTILADORES 5.1. Queda de Pressão no Produto 5.2. Queda de Pressão na Chapa 5.3. Queda de Pressão em Dutos

254 255 256 256

6. CURVAS CARACTERÍSTICAS DOS VENTILADORES 6.1. Curva Característica do Sistema 6.2. Lei de Semelhança

256 259 259

7. VENTILADOR CENTRÍFUGO DE PÁS RADIAIS

260

8. O VENTILADOR E SUA CONSTRUÇÃO 8.1. Descrição do Ventilador 8.2. Construção e Detalhes dos Componentes 8.3. Montagem dos Componentes 8.4. Materiais Necessários

261 262 262 264 268

9. LITERATURA CONSULTADA

268

CAPÍTULO - 11 AERAÇÃO DE GRÃOS ARMAZENADOS

269

1. INTRODUÇÃO

269

2. OBJETIVOS DA AERAÇÃO 2.1. Resfriar a Massa de Grãos 2.2. Inibir a Atividade de Insetos-praga e Ácaros 2.3. Inibir o Desenvolvimento da Microflora 2.4. Preservar a Qualidade dos Grãos 2.4. Uniformizar a Temperatura 2.5. Prevenir o Aquecimento dos Grãos 2.6. Promover a Secagem Dentro de Certos Limites

270 270 271 273 276 277 278 279

3. SISTEMA DE AERAÇÃO

279

4. OPERAÇÃO DO SISTEMA DE AERAÇÃO

282


VIII 4.1. Como Resfriar ou Aquecer uma Massa de Grãos

283

5. SUCÇÃO OU INSUFLAÇÃO DO AR 5.1. Ventilação Positiva 5.2. Ventilação Negativa

285 285 286

6. ACONDICIONAMENTO DO PRODUTO

286

7. SISTEMA DE TERMOMETRIA 7.1. Instalação do Sistema de Termometria 7.2. Monitoramento do Produto Armazenado

287 288 288

8. CÁLCULO DE UM SISTEMA DE AERAÇÃO

290

9. LITERATURA CONSULTADA

294

CAPÍTULO - 12 MANUSEIO DE GRÃOS

297

1. INTRODUÇÃO

297

2. TIPOS DE TRANSPORTADORES 2.1. Transportador Helicoidal ou Rosca Sem-Fim 2.2. Elevador de Caçambas 2.3. Fita Transportadora 2.4. Transportadores Pneumáticos

297 298 305 312 319

3. LITERATURA CONSULTADA

322

CAPÍTULO - 13 BENEFICIAMENTO DE GRÃOS

325

1. INTRODUÇÃO

325

2. BASES PARA SEPARAÇÃO 2.1. Tamanho 2.2. Peso 2.3. Forma 2.4. Cor 2.5. Condutividade Elétrica 2.6. Textura do Tegumento

325 326 327 328 329 329 330


IX 3. ETAPAS DO BENEFICIAMENTO 3.1. Recepção 3.2. Pré-Limpeza 3.3. Secagem 3.4. Limpeza 3.5. Separação e Classificação 3.6. Tratamento 3.7. Transportadores e Acessórios

331 332 332 332 332 332 333 333

4. PLANEJAMENTO DE UMA UBS

334

5. CONTROLE DE QUALIDADE E CLASSIFICAÇÃO

334

6. QUALIDADE DOS PRODUTOS 6.1. Teste de Envelhecimento Precoce 6.2. Fatores que Afetam a Qualidade

334 335 336

7. PADRONIZAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO 7.1. Elaboração dos Padrões 7.2. Certificado de Classificação 7.3. Operacionalização da Classificação

336 337 339 340

8. LITERATURA CONSULTADA

340

CAPÍTULO - 14 ESTRUTURAS PARA ARMAZENAGEM DE GRÃOS

343

1. INTRODUÇÃO

343

2. CARACTERIZAÇÃO DE UNIDADES ARMAZENADORAS 2.1. Unidades para Armazenagem a Granel 2.2. Armazenagem a Granel na Fazenda 2.2. Fumigação e Vedação do Silo 2.3. Armazenagem Convencional

344 345 346 352 354

3. OPERAÇÕES DE ARMAZENAGEM 3.1. Cálculo da Capacidade de um Armazém

355 358

4. ELABORAÇÃO DE PROJETOS 4.1. Localização e Dimensionamento 4.2. Aspectos de Engenharia 4.3. Investimentos e Financiamentos

360 360 361 362


X 5. PÓ ORIUNDO DO MANUSEIO DE GRÃOS 5.1. Origem do Pó 5.2. Características do Pó Combustível 5.3. Concentração de Pó

366 367 368 368

6. LITERATURA CONSULTADA

369

CAPÍTULO - 15 MANEJO DE PRAGAS NO ECOSSISTEMA DE GRÃOS ARMAZENADOS 371 1. INTRODUÇÃO

371

2. PRINCIPAIS FATORES DE DETERIORAÇÃO 2.1. Temperatura da Massa de Grãos 2.2. Umidade 2.3. Estrutura do Armazém e suas Inter-relações 2.4. Disponibilidade de Oxigênio 2.5. Longevidade das Sementes 2.6. Respiração 2.7. Maturidade Pós-Colheita 2.8. Germinação 2.9. Microrganismos

372 372 373 373 373 373 374 374 374 375

3. DETERIORAÇÃO DOS GRÃOS POR MICRORGANISMOS 3.1. Fatores que Afetam a Atividade dos Microrganismos 3.2. Controle dos Microrganismos de Grãos Armazenados

375 376 376

4. INSETOS DE GRÃOS ARMAZENADOS 4.1. Danos Diretos em Grãos e Subprodutos 4.2. Danos Indiretos em Grãos e Subprodutos

377 377 378

5. ÁCAROS

379

6. ROEDORES E PÁSSAROS

380

7. CONSEQÜÊNCIAS DA ARMAZENAGEM INADEQUADA

381

8. PRINCIPAIS INSETOS E SUAS CARACTERÍSTICAS

383

9. PROGRAMA DE CONTROLE

385

10. CONTROLE DE INSETOS

386


XI 10.1. Controle Legislativo 10.2. Controle Físico 10.3. Controle Químico 11. LITERATURA CONSULTADA

387 387 391 404

CAPÍTULO - 16 CONTROLE DE PRAGAS POR ATMOSFERAS CONTROLADAS

407

1. INTRODUÇÃO

407

2. USO DE ATMOSFERA CONTROLADA

408

3. EFEITOS DAS CONDIÇÕES AAC 3.1. Composição Gasosa 3.2. Efeito da Temperatura 3.3. Efeito da Umidade Relativa 3.4. Efeito da Hermeticidade da Célula Armazenadora

409 409 410 411 411

4. AMBIENTES COM BAIXAS CONCENTRAÇÕES DE OXIGÊNIO

412

5. CONSIDERAÇÕES PRÁTICAS

414

6. LITERATURA CONSULTADA

416

CAPÍTULO - 17 SECAGEM E ARMAZENAGEM DE PRODUTOS AGRÍCOLAS

417

1. SECAGEM E ARMAZENAGEM DE MILHO 1.1. Secagem Artificial do Milho

417 418

2. SECAGEM E ARMAZENAGEM DE ARROZ 2.1. Classificação do Arroz 2.2. Grupos 2.3. Subgrupos 2.4. Classe 2.5. Grãos quebrados 2.6. Fragmentos de grãos 2.7. Secagem do Arroz 2.8. Secagem de Arroz para Sementes 2.9. Secagem de Arroz Parboilizado

424 424 425 426 426 427 428 428 434 435


XII 2.10. Armazenagem do Arroz 2.11. Armazenagem a Granel

436 436

3. SECAGEM E ARMAZENAGEM DE CAFÉ 3.1. Classificação e Qualidade do Café 3.2. Secagem em Terreiro Convencional 3.3 - Terreiro Híbrido - Solar e Biomassa 3.4 - Secagem em Altas Temperaturas 3.5. Secagem em Lote com Leito Fixo 3.6. Secadores de Fluxos Concorrentes 3.7. Seca-aeração 3.8. Secagem Parcelada 3.9. Secagem com Energia Solar 3.10. Secagem com Ar Natural e em Baixas Temperaturas 3.11. Secagem Combinada 3.12. Armazenamento e Beneficiamento 3.13. Armazenamento de Café Beneficiado

439 440 443 449 450 451 454 454 455 455 455 456 462 466

4. SECAGEM E ARMAZENAGEM DE TRIGO 4.1. Anatomia e Composição Química do Grão de Trigo 4.2. Limpeza do Trigo 4.3. Secagem do Trigo 4.4. Armazenamento do Trigo 4.5 – Classificação do Trigo

469 469 469 470 472 474

5. SECAGEM E ARMAZENAGEM DE FEIJÃO 5.1. Secagem a Altas Temperaturas 5.2. Aeração do Feijão

475 475 476

6. SECAGEM E ARMAZENAGEM DE SOJA

480

7. SECAGEM E ARMAZENAGEM DE CACAU 7.1 - Cuidados na Secagem 7.2. Secagem com Ventilação Natural 7.3. Secagem em Alta Temperatura

482 482 483 484

8. CURA DA CEBOLA 8.1. Colheita 8.2. Perecibilidade 8.3. Cura 8.4. Armazenamento da Cebola

488 488 488 489 491

9. FENAÇÃO 9.1. Características Gerais da Fenação 9.2. Técnicas de Produção de Feno

493 493 493


XIII 9.3. Secagem no Campo 9.4. Uso de Secadores 9.5. Armazenamento do Feno 10. LITERATURA CONSULTADA

494 494 495 496

CAPÍTULO - 18 ARMAZENAMENTO DE FRUTAS E HORTALIÇAS

501

1. INTRODUÇÃO

501

2. CONSIDERAÇÕES GERAIS

502

3. RESPIRAÇÃO

503

4. PRODUÇÃO DE ETILENO E SEUS EFEITOS

504

5.VIDA DO FRUTO 5.1. Crescimento e Desenvolvimento 5.2. Maturação 5.3. Amadurecimento 5.4. Senescência

506 506 507 508 508

6. PERDA DE ÁGUA

509

7. CONSIDERAÇÕES PRÁTICAS

511

8. DISTÚRBIOS FISIOLÓGICOS 8.1. Distúrbio Devido ao Congelamento 8.2. Distúrbio Devido ao Frio

512 512 512

9. DISTÚRBIOS CAUSADOS PELA CÂMARA 9.1. Umidade Relativa 9.2. Concentração de O2 9.3. Concentração de CO2 9.4. Concentração de Etileno 9.5. Distúrbios Provocados pela Luz

514 514 514 515 516 517

10. TRATAMENTOS PRÉ-ARMAZENAGEM 10.1. Limpeza 10.2. Classificação por Tipo e Qualidade 10.3. Tratamentos Profiláticos 10.4. Recobrimento da Superfície

517 517 518 518 519


XIV 10.5. Pré-resfriamento

519

11. ARMAZENAGEM REFRIGERADA 11.1. Princípios de Refrigeração 11.2. Componentes do Sistema de Refrigeração

523 523 524

12. CONSTRUÇÃO DE CÂMARAS 12.1. Umidade 12.2. Armazéns Revestidos 12.3. Ventilação

525 526 526 526

13. DETERMINAÇÃO DE CARGA TÉRMICA 13.1. Tempo de Funcionamento do Equipamento 13.2. Cálculo da Carga Térmica 13.3. Carga de Calor Cedido pelas Paredes 13.4. Exemplo de Aplicação

526 527 527 528 533

14. LITERATURA CONSULTADA

537

CAPÍTULO - 19 SEGURANÇA DE PRODUTOS NA PÓS-COLHEITA

539

1. INTRODUÇÃO

539

2. PRODUÇÃO PRIMÁRIA 2.1. Produção de Grãos e Derivados: Micotoxinas

540 540

3. PROGRAMAS PRÉ-REQUISISTOS 3.1. Boas Práticas Agrícolas na Produção de Produtos Agrícolas

542 543

4. O SISTEMA APPCC 4.1. Definições Importantes 4.2. Etapas e Princípios do APPCC

545 546 547

5. APLICAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DO APPCC NA SEGURANÇA DO CAFÉ

551

6. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

559


ARMAZENAMENTO E COMERCIALIZAÇÃO DE GRÃOS NO BRASIL  CAPÍTULO 1    Viçosa ‐ MG


Capítulo

1 ARMAZENAGEM E COMERCIALIZAÇÃO DE GRÃOS NO BRASIL

Juarez de Sousa e Silva Marilson Gonçalves Campos Suely de Fátima Ramos Silveira

1. INTRODUÇÃO O setor agrícola brasileiro vem contribuindo para o crescimento econômico e a ele são delegadas importantes tarefas, como, por meio do aumento da produção e da produtividade, ofertar alimentos e matérias-primas para o mercado interno; gerar excedentes para exportação, ampliando a disponibilidade de divisas; transferir mão-deobra para outros setores da economia; fornecer recursos para esses setores; e consumir bens produzidos no setor industrial. A modernização da agricultura brasileira contou com acentuada participação do Estado. Esse processo teve início a partir dos anos 30, mas somente no período que se estende dos anos 60 ao final dos anos 70 foi verificado aprofundamento maior nas transformações do setor. A criação do Sistema Nacional de Crédito Rural, em 1965, e a disponibilidade de crédito a juros subsidiados nos anos 70 foram decisivas para a consolidação tanto da agricultura capitalista no País quanto de um parque industrial de insumos e máquinas agrícolas. Até o fim da década de 70, o crescimento da produção agrícola ocorreu devido principalmente à expansão da área cultivada, com a incorporação de terras pertencentes à fronteira agrícola. Apesar de que novas áreas, ainda, continuam sendo abertas para dar lugar a cana-de-açúcar e a soja, foi a partir daquela data que essa tendência começou a mudar, e já nos anos 80 o crescimento da produção vem ocorrendo em virtude do incremento na produtividade, com incorporação de novas variedades e técnicas modernas de produção. Com o grande crescimento da economia brasileira durante a década de 70, a agricultura apresentou avanços significativos, principalmente as culturas destinadas ao mercado externo. Nesse período, além de elevadas taxas de crescimento da agricultura brasileira como um todo, houve pronunciada segmentação da produção em produtos exportáveis e de consumo doméstico. 1


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No início dos anos 80, com aumento das taxas de inflação, redução do volume de crédito rural e conseqüente elevação das taxas de juros, por iniciativa do Estado, a ênfase dada ao crédito rural deslocou-se para a apólice de garantia de preços mínimos, que a partir daí iria tornar-se o principal instrumento de política agrícola brasileira, contribuindo para a consolidação da produção capitalista na agricultura. Em breve relato sobre o crescimento da economia brasileira nos anos 80, GASQUES e VILLA VERDE (1990), comparando as taxas de crescimento entre os setores da economia, constataram que a agricultura foi um dos setores mais dinâmicos, com crescimento médio anual de 3,1%, superando o crescimento industrial. Esses autores verificaram que: a) As lavouras de subsistência foram superadas por lavouras comerciais, como as de café, cacau, milho e soja. b) O crescimento da agricultura ocorreu mais em função da substituição de cultura do que pela incorporação de novas áreas. c) Houve enfraquecimento do modelo de crescimento extensivo baseado na expansão de área, sendo o aumento de produtividade agrícola o principal responsável pelo aumento de produção. d) A queda dos preços agrícolas marcou o comportamento do mercado na década de 80, problema este que praticamente atingiu todos os produtos, tanto da agricultura quanto da pecuária. As características da agricultura, os aumentos na produtividade e as quedas nos custos de produção, juntamente com as políticas agrícolas, foram os principais fatores que possibilitaram o crescimento da agricultura mesmo com preços reais decrescentes. 2. O POTENCIAL AGRÍCOLA BRASILEIRO Em comparação com outros países cuja agricultura possui importância econômica, o Brasil apresenta condições privilegiadas para, de forma rápida, ampliar a produção e modernizar o comércio de produtos agrícolas. Alguns fatores que podem contribuir para viabilizar estas condições são: a) Sistema de transporte - abertura de novas vias de transporte e utilização e ampliação das hidrovias em substituição ao transporte rodoviário contribuirão, significativamente, para reduzir os custos de escoamento da produção das regiões produtoras para regiões consumidoras e portos. b) Novas agroindústrias – se adaptadas às novas exigências de competitividade e instaladas, preferencialmente, próximas às regiões produtoras, contribuirão para a redução do custo de transporte da matéria-prima. Prova disso, é que, além de indústrias de transformação, o número de abatedouros para aves, suínos e bovinos que vêem sendo instalados no Centro Oeste e Norte do Brasil. c) Educação empresarial – faz-se necessária uma mudança do perfil do empresário agrícola brasileiro no sentido de se adaptar, de forma rápida, às exigências de um mercado globalizado, principalmente no que diz respeito as Boas Práticas de Produção que melhorem a qualidade final do produto e a segurança alimentar. d) Educação comercial - postura semelhante deve ocorrer no setor de comércio externo brasileiro em relação a seus parceiros do resto do mundo, com PAGE 18

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mudança na forma de exportação. e) Novo mercado interno – devido ao tamanho da população brasileira, são importantes o incremento e a modernização do mercado interno em função da adoção e do desenvolvimento de novas tecnologias e novos produtos. f) Uso racional da terra – a ocupação racional da terra e o uso de técnicas modernas de produção, além de evitar os custos de ociosidade, manteriam a qualidade do solo. g) Disponibilidade de áreas - grandes áreas contínuas mecanizáveis e apropriadas para cultivo durante todo o ano a custo relativamente inferior ao de outros países produtores favorecem o investimento na produção. h) Qualidade total. Novos modelos administrativos, com técnicas mais eficientes para gerenciamento e comercialização da produção, podem promover grandes produção de alimentos. 2.1. Estimativa da Área Plantada Em sua oitava avaliação para a safra 2007/2008, a CONAB estimou uma área plantada total 1,6% superior à cultivada na safra anterior, passando de 46,21 milhões de hectares para 46,97 milhões, o que indica que foram incorporados quase 760 mil hectares (Tabela 1). Se comparado com o incremento verificado em períodos, imediatamente, anteriores à primeira edição deste livro, pode-se notar que nos últimos 11 anos, o aumento de área plantada foi, em média, 1,1 milhões de hectares por ano agrícola. Sugere-se ao leitor, consultar os dados de estimativas de safra e de área plantadas, que são publicados mensalmente e distribuídos, gratuitamente, pela CONAB (www.conab.gov.br) Outras culturas que não constam da Tabela 1, como batata, banana, abacaxi, cebola, alho e uva etc, também se destacam pelos expressivos volumes de produção, pela dimensão das áreas cultivadas e pelo contingente de mão-de-obra envolvido. Vale ressaltar a área atualmente ocupada com cana-de-açúcar (acima de 7 milhões de hectares para a safra 2008) e, segundo o (IBGE - 1996) a atividade com a pecuária, em 1996, ocupava a expressiva área 177 milhões de hectares sendo 56% com pastagens plantadas, principalmente nas regiões onde se exercem controles rigorosos na área de sanidade animal, visando à obtenção de altos rendimentos de leite e carne, bem como a liberação das exportações de produtos pecuários.

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TABELA 1 - Estimativa de área plantada no Brasil - safras 2006/2007 e (em 1.000ha)

PRODUTO ALGODÃO AMENDOIM TOTAL ARROZ FEIJÂO (Safras 1, 2, e 3) MILHO Safras (1 e 2) SOJA TRIGO DEMAIS PRODUTOS BRASIL

06/07 (a) 1.096,8 102,6 2.967,4

SAFRA 07/08 Abril /08 (b) Maio/08 (c) 1.095,1 1.090,4 112,8 115,3 2.928,0 2.924,5

2007/2008

VARIAÇÃO % Abs. (c-a)/a (c-a) 0,6 6,4 12,3 12,6 1,4 43,0

4.087,8

3.830,8

3,897,6

4,7

190,2

14.054,9 20.686,8 1.757,5 1.561,4 46.212,6

14.469,8 21.158,5 1.818,9 1.400,4 46.701,5

14.605,4 21.219,1 1.818,9 1.413,1 46.969,0

3,9 2,6 3,5 9,5 1,6

550,5 532,3 61,4 148,4 756,4

Fonte: CONAB (www.conab.gov.br) – Levantamento Maio/2008

2.2. Estimativa da Produção A estimativa da produção brasileira de grãos da safra 2007/2008 foi de 142,12 milhões de toneladas, o que representa aumento de 7,9% ou 10,36 milhões de toneladas superior a da safra de 2006/2007 (Tabela 2). Com um incremento 10,044 milhões de hectares, em relação ao ano 2000 (primeira edição deste livro), ou seja, com 37% de aumento de incremento de área plantada, foi verificado, para o mesmo período um incremento de 71% na produção de grãos. Esse fato vem comprovar que o aumento da produção brasileira não se deveu somente ao aumento de área plantada mas, também, pela adoção de tecnologia moderna que aumenta a produtividade. TABELA 2 - Estimativa da produção de grãos no Brasil (em mil toneladas).

PRODUTO ALGODÃO (caroço) ARROZ FEIJÂO (Safras 1, 2, e 3) MILHO Safras (1 e 2) SOJA TRIGO DEMAIS RODUTOS BRASIL

SAFRA 07/08 Abril /08 (b) Maio/08 (c) 2.436,9 2.432,4 11.955,4 11.996,1

06/07 (a) 2.383,6 11.315,9

VARIAÇÃO % Abs. (c-a/a) (c-a) 2,0 48,8 6,0 680,2

3.339,8

3.437,0

3.500,7

4,8

160,9

51.369,8 58.391,8 2.233,7 2.716,1 131.750,6

56.233,2 59.988,7 3.824,0 2889,2 140.774,4

57.877,1 59.502,6 3.824,0 2.982,5 142.115,5

12,7 1,9 71,2 9,8 7,9

6.507,4 1.110,8 1.590,3 266,4 10.364,9

Fonte: CONAB (www.conab.gov.br) – Levantamento Maio/2008

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A Figura 1 mostra os dados oficiais sobre a atual capacidade armazenadora brasileira que, com exceção da região sudeste, continua mostrando um déficit de capacidade. Nos últimos cinco anos, conforme a CONAB (www.conab.gov.br), a capacidade estática instalada no Brasil vinha crescendo numa média de 3,7 milhões de toneladas ano (Tabela 3). Para o ano 2006 a capacidade total foi de, aproximadamente, 122 milhões de toneladas, sendo que 22% desse total é, ainda, constituído por armazenagem convencional e, segundo a distribuição da capacidade por Entidade, as oficiais ficam com 5%, as cooperativas com 21% e a grande maioria (74%) com entidades privadas.

Figura 1 – Capacidade armazenadora e produção de grãos no Brasil. TABELA 3 – Evolução do aumento anual da capacidade estática de armazenagem no Brasil (em mil toneladas) PERÍODO Capacidade Evolução

2000 87.833,0 -

2001 89.227,0 1.394,00

2002 89.734,2 516,2

2003 93.358,6 3.624,4

2004 100.056,0 6.697,4

2005 106.538,7 6.482,7

2006 121.987,7 15.449,0

Fonte: CONAB Dez/2006 (www.conab.gov.br)

3. SEGURANÇA ALIMENTAR E IMPORTÂNCIA DA PEQUENA PRODUÇÃO A segurança alimentar é um assunto de relevância para todos os países, estando sua importância diretamente relacionada ao tamanho da população e à extensão territorial. Em países populosos e com grandes extensões territoriais como o Brasil, deve-se priorizar a regularidade do abastecimento de alimentos e matérias-primas agrícolas que fazem parte do consumo diário da população, adequando os preços à demanda de todas as classes de renda. A dependência de fontes instáveis, estabelecendo insegurança na Secagem e Armazenagem de Produtos Agrícolas

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oferta de produtos agrícolas, cria variabilidade de preços e torna-se intolerável para a população com hábitos de consumo conservador e de baixa renda. Historicamente, foi atribuída à pequena produção a função de fornecer ao mercado consumidor os produtos alimentares básicos - arroz, feijão, milho e mandioca. Também a ela estão associados os conceitos de pequeno produtor, baixa produtividade, baixa capitalização, baixa modernização, baixa produção e baixa qualidade. Em geral, os produtores tradicionais produzem arroz, feijão e mandioca, produtos que apresentam elasticidade-renda pequena mesmo entre as populações de baixa renda, que são os principais consumidores destes produtos. Mesmo quando produz frutas, hortaliças, soja, café e proteína animal, cuja elasticidade-renda é alta, este grupo tem produção pequena para proporcionar aumento significativo em sua renda. No que se refere à importância dos pequenos produtores quanto à produção de alimentos básicos (arroz, milho, feijão e mandioca), é importante ressaltar que tais produtos são típicos do subsetor de subsistência e baixa renda da agricultura. Não obstante, existem pequenos proprietários que se dedicam à produção tecnificada de hortigranjeiros, suínos, aves e mesmo grãos. Estes diferem dos pequenos produtores tradicionais por produzirem produtos de alta elasticidade-renda, adotarem tecnologia moderna, possuírem nível de instrução mais elevado e alta capacidade administrativa e, geralmente, estarem ligados a grandes grupos, a cooperativas ou a esquemas de comercialização eficientes. Entende-se por agricultura moderna aquela fortemente integrada ao mercado urbano de insumos e produtos, baseada em intenso fluxo de informações sobre preços, quantidades demandadas/ofertadas, em observação de padrões de qualidade e acesso às tecnologias disponíveis. Portanto, a agricultura moderna é compatível não somente com grandes empresas agrícolas, mas com qualquer agricultor individualmente, capaz de interpretar mensagens e aplicá-las na atividade produtiva. Na agricultura moderna, rompem-se os padrões de produção e administração que redundam na produtividade de fatores muito aquém daqueles que apresentam condições técnicas, econômicas e socialmente justificáveis, conforme definido por ALVES (1987). O modelo de desenvolvimento atualmente implantado no Brasil, baseado na industrialização intensiva em capital, apesar de provocar mudanças positivas nas relações agricultura-indústria, enfatizando o uso de insumos modernos na agricultura, concentra-se principalmente nas grandes e médias propriedades, cujos proprietários têm facilidade de acesso ao crédito subsidiado e, ainda, estímulo à produção de exportáveis. Esse modelo é incapaz de resolver os problemas estruturais do setor composto pelos pequenos produtores, que permanecem, na sua maioria, atrelados ao ciclo do subdesenvolvimento: baixo nível de renda - baixa capitalização - baixa produção - baixa produtividade. Em decorrência do processo de modernização, coube à agricultura comercial a ocupação de terras mais férteis, enquanto que, para os pequenos produtores, exceto aqueles que ocupavam menores extensões de terra, pouco a pouco foram deslocados para áreas que apresentam menor fertilidade relativa. Os produtores mais competentes e donos de terras férteis substituíram as culturas de arroz, feijão e mandioca pelas de cana-de-açúcar, soja, café, laranja e outros produtos mais rentáveis, principalmente na Região Sudeste, excetuando-se os cultivos irrigados de arroz e feijão, que são altamente PAGE 18

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tecnificados. No caso da pequena produção de grãos, a maioria dos produtores caracteriza-se por empregar técnicas tradicionais de produção voltadas, basicamente, para o sustento da unidade familiar, gerando pouco excedente para comercialização. Contudo, quando computados conjuntamente, estes produtores geram produções expressivas. Neste caso, a produção está associada aos produtos domésticos (típicos da pequena produção) e aos preços muito instáveis, contribuindo para que o nível de renda monetária destes produtores seja, em média, muito pequeno. Assim, os pequenos produtores, com exceção daqueles organizados nas estruturas dos complexos agroindustriais e/ou no sistema de cooperativas, têm poucas possibilidades de comercializar a produção diretamente com os mercados consumidores, ou de retê-la, aguardando melhores preços. Em geral, vendem o produto aos atravessadores, que percorrem as unidades produtivas, comprando o produto ao preço que melhor lhes convém e transportando-o para os mercados consumidores, onde obtêm melhores preços. Desse modo, o lucro da atividade do pequeno produtor é transferido para o “atravessador” ou agente de comercialização, que transaciona diretamente o produto. A presença marcante de pequenos produtores na agricultura, embora com baixo nível de renda e à margem do processo de modernização, é demonstrada pela estrutura fundiária brasileira (Tabela 4). Segundo o IBGE, em 1995 havia, aproximadamente, 3,406 milhões de estabelecimentos rurais ocupando área de 42,839 milhões de hectares com média de 12,58 hectares por estabelecimento que representa 12% da área de todos os estabelecimentos. TABELA 4 – Distribuição percentual, por tamanho, das propriedades rurais no Brasil em 2003. Estratos de área (hectares) Até 10 De 10 até 25 De 25 até 100 De 100 até 1.000 Mais de 1000 Totais

Imóveis Quantidade 1.409.752 1.109.841 1.179.173 523.335 68.381 4.290.482

% 32,9 25,9 27,5 12,2 1,6 100,0

Área total Hectares % 6.638.598,60 1,6 18.034.512,20 4,3 57.747.897,80 13,8 140.362.235,80 33,5 195.673.396,40 46,8 418.456.640,80 100,00

Fonte: Apuração Especial do SNCR, realizada em outubro de 2003 (INCRA, 2003a). OBS: Dados brutos, excluídos os imóveis com inconsistência na situação jurídica.

Quanto à produção de grãos, especificamente as culturas de arroz, milho, feijão e soja, os estabelecimentos com área até 50 ha foram responsáveis, em média, no ano de 1970, por 43% da produção de arroz, 64% da produção de milho, 73% da produção de feijão e 60% da produção de soja. No ano de 1985 ocorreu redução na participação das propriedades desse estrato de área, na produção destas culturas. Contudo, em relação ao total produzido, os percentuais de participação das propriedades na faixa de até 50 ha são significativos, sendo, para cada cultura mencionada, respectivamente, de 27%, 53%, 66% e 26%. A maior participação dos pequenos produtores de grãos concentra-se nas culturas de feijão e milho, os quais contribuíram com, aproximadamente, 60% da Secagem e Armazenagem de Produtos Agrícolas

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produção total do País, em 1970 e 1985 (Tabela 5). Segundo SANTOS (1993), o número de pessoas ocupadas e a produtividade da exploração são também importantes indicadores quando se considera a pequena produção. Em 1980, 52% das pessoas ocupadas na agricultura estavam em propriedades que abrangiam áreas de até 20 ha e 69%, em propriedades com áreas de até 50 ha. TABELA 5 - Distribuição percentual da produção de grãos, segundo o tamanho das propriedades rurais, em 1970 e 1985 Estrato de área (ha) Até 10 10-20 20-50 50-100 até 1.000 até 10.000 Acima

Arroz 70 85 19,5 11,8 8,9 4,7 14,9 10,3 11,5 10,6 33,9 38,9 10,7 20,9 0,6 2,8

Milho 70 85 19,9 15,3 18,6 15,5 25,6 21,8 11,3 12,1 20,4 27,9 4,0 7,0 0,2 0,5

Feijão 70 85 32,8 28,2 18,4 16,4 22,0 22,2 10,0 12,3 14,8 18,0 1,9 2,8 0,1 0,1

Soja 70 14,5 21,4 24,9 8,9 25,6 4,6 0,1

85 3,1 7,5 15,2 11,0 41,7 6,3 0,2

Fonte: FIBGE (Censo Agropecuário – 1970 a 1985).

De acordo com o último censo do IBGE, a agricultura familiar está presente em 86% dos estabelecimentos agrícolas brasileiros, ocupando 30,5% da área total e que a sua força econômica é traduzida por representar 38% do Valor Bruto da Produção Nacional, sendo responsável pela produção de 84% da mandioca; 67% do feijão; 49% do milho; 31% do arroz e quantidades expressivas de soja, suínos, leite e outros produtos importantes para o abastecimento interno e para as exportações. 4. A ESTRUTURA BRASILEIRA DE ARMAZENAGEM A produção brasileira de grãos (cereais, leguminosas e oleaginosas) na safra 2007/2008, estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), foi de, aproximadamente, 142 milhões de toneladas. Como dito anteriormente, na última estimativa foi detectado um acréscimo corresponde ao acréscimo de 7,9% em relação à safra anterior, em que foram produzidas 131,7 milhões de toneladas, até então considerada recorde. Os pesquisadores atribuem esse resultado ao melhor emprego da tecnologia disponível e ao uso de variedades mais produtivas, já que a produção foi, proporcionalmente, muito maior que o aumento de área plantada. Apesar da expressiva produção de grãos e do aumento de capacidade estática verificada nos últimos anos, a rede armazenadora brasileira é, ainda deficiente tanto em relação à sua distribuição espacial quanto à modalidade de manuseio da produção agrícola. Do seu surgimento até o início da década de 70, a rede armazenadora brasileira concentrou-se no litoral e só avançou para o interior em condições muito especiais, conforme a cultura. Sua modalidade, em termos de manuseio dos produtos, voltou-se, PAGE 18

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predominantemente, para a guarda e conservação em sacaria, e a partir dos anos 70 o sistema de armazenagem a granel foi adotado. Em 2005 a armazenagem a granel já correspondia a 51% do total. Ganhou mais destaque ainda e, em 2006, segundo a CONAB, a armazenagem a granel já representava 78%. A falta de uma estrutura armazenadora bem dimensionada, que garantisse um fluxo de abastecimento uniforme durante o ano, reduzindo as excessivas flutuações nos preços dos produtos agrícolas, preocupava as autoridades governamentais. Em 1956, visando promover o estabelecimento de um sistema coordenador de armazéns e silos capaz de fazer face às questões de infra-estrutura, foi criada a Comissão Consultiva de Armazéns e Silos, diretamente vinculada à Presidência da República. Os governos estaduais, por sua vez, criaram órgãos para atuar no setor, como a Companhia Estadual de Silos e Armazéns (CESA-RS), Companhia de Armazéns e Silos do Estado de Minas Gerais (CASEMG), a Central de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (CEAGESP), a Companhia Paranaense de Silos e Armazéns (COPASA), dentre outros. No entanto, já naquela época, a política de armazenamento foi distorcida, fazendo restrições à atividade da armazenagem em fazendas, pois, no entender do governo, o agricultor, com a posse do produto, poderia exercer pressões e provocar o estabelecimento de preços elevados. Nos anos 60 foram criadas a Superintendência Nacional de Abastecimento (SUNAB), a Companhia Brasileira de Alimentos (COBAL), a Companhia Brasileira de Armazenamento (CIBRAZEM) e a Comissão de Financiamento da Produção (CFP), voltadas para as questões de produção, abastecimento e preços. Por muitos anos, a CFP desempenhou importante papel na fixação de preços mínimos dos produtos agrícolas e no delineamento da política agrícola brasileira. A CIBRAZEM tornou-se órgão central do Sistema Nacional de Armazenamento, encarregado de coordenar e normatizar o setor. O Cadastro Nacional de Armazenagem, implantado a partir de dezembro de 1974, com o objetivo de quantificar e qualificar a rede nacional de armazenagem, e o lançamento do Programa Nacional de Armazenagem (PRONAZEM), com o objetivo de financiar a construção de unidades armazenadoras, a juros subsidiados, proporcionaram a expansão da rede de armazenagem do País. O PRONAZEM possibilitou a ampliação da capacidade estática de armazenamento, de 38,3 milhões de toneladas, em 1975, para 72 milhões de toneladas, em 1988, tendo a rede oficial uma capacidade de 10,8 milhões de toneladas e a rede particular a capacidade de 61,2 milhões de toneladas. Apesar desse esforço, o armazenamento nas fazendas continua inexpressivo e em 2006, segundo a CONAB (Figura 2), a armazenagem na fazenda participou com apenas 15% da capacidade estática total.

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Figura 2 – Distribuição da capacidade armazenadora por localização. Nos anos 80, o processo de aceleração inflacionária e a falta de uma política específica para o setor armazenador contribuíram para o descompasso entre a produção e a armazenagem, afetando também a estrutura do sistema armazenador. Em 1990, com base na Lei nº 8.029, de 12 de abril, e com o objetivo de realizar uma ampla reforma administrativa, o Governo Federal fundiu a CIBRAZEM, a COBAL e a CFP em uma única estrutura, denominada Companhia Nacional de Abastecimento-CONAB, com a missão de atuar como instrumento do Estado no subsídio à formulação e à execução das políticas agrícola e de abastecimento, visando assegurar o atendimento às necessidades básicas da sociedade, preservando e estimulando os mecanismos de mercado. Tendo iniciado suas atividades em 1º de Janeiro de 1991, a CONAB tornou-se a empresa oficial do Governo Federal, encarregada de gerir as políticas agrícolas e de abastecimento, visando assegurar o atendimento das necessidades básicas da sociedade, preservando e estimulando os mecanismos de mercado. Possui estrutura convencional, contando com Conselho de Administração, Conselho Fiscal e Diretoria Colegiada, integrada pela Presidência, Diretoria de Gestão Administrativa e Financeira (Diafi), Diretoria de Logística e Gestão Empresarial (Digem) e Diretoria de Gestão de Estoques (Diges). A CONAB, que pode ser acessada pelo SITE (www.conab.gov.br) atua em todo território nacional, por meio de suas Superintendências Regionais e, vinculadas a elas, existem 96 Unidades Armazenadoras (UA). Tem como instrumentos básicos a Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), Prêmio para Escoamento de Produtos (PEP), Contrato de Opção, Prêmio de Risco para Aquisição de Produto Agrícola Oriundo de Contrato Privado de Opção de Venda (PROP), Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (PEPRO), Prêmio para Equalização do Valor de Referência da Soja em Grãos (PESOJA), Vendas em Balcão - programa destinado aos pequenos criadores e agroindústrias de pequeno porte. Promove, através de meio seguro, a comercialização eletrônica de produtos e serviços relacionados às atividades finalísticas e de produtos e insumos para terceiros e, também, presta serviços de armazenagem e de classificação de produtos agrícolas. Realiza levantamento de safras, mantém informações e séries históricas de indicadores agropecuários, análise de mercado e conjunturas agrícolas. Na área social, atua em parceria com o Fome Zero, do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), sendo responsável pela logística do recebimento, armazenamento e distribuição dos donativos. Promove, também, via leilão PAGE 18

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eletrônico, a compra de alimentos para atendimento aos índios, quilombolas e assentados que se encontram em situação de carência alimentar. Atuando no Programa de Apoio à Agricultura Familiar, realiza a compra direta, a compra antecipada e os contratos de garantia de compra. Os produtos agropecuários adquiridos pelo Governo são vendidos através de leilões, ou em “balcão”, para pequenos criadores. Realizados nas Bolsas de Cereais ou Mercadorias, em rede interligada nacionalmente, os pregões públicos são amplamente divulgados, o que garante a transparência aos negócios. O sistema de armazenagem é um dos componentes da política agrícola cuja finalidade principal é garantir o fluxo de abastecimento constante, proporcionando maior estabilidade de preços e de mercado. É necessário que a rede de armazenagem pertença a um sistema integrado, a fim de dinamizar a comercialização, reduzir custos e beneficiar os agentes de produção e consumidores. O crescimento da produção brasileira de grãos nos últimos anos é um indicador da necessidade de formular e efetivar uma política de armazenagem que proporcione ao setor condições de crescimento e modernização compatíveis às alcançadas pela economia agrícola nacional. O Brasil tem, atualmente, capacidade para armazenar cerca de 122 milhões de toneladas de grãos (Figura 1). Porém, dos armazéns existentes, ainda existem 22% do tipo convencional, e, destes, muitos se encontram abaixo do padrão técnico exigido para a boa conservação de produtos agrícolas. Assim, existe a necessidade de ampliar de modo considerável o número de unidades armazenadoras que atendam os padrões técnicos de armazenagem. Além disso, é preciso modernizar, recuperar ou construir novas unidades armazenadoras nas regiões carentes. Como a política do governo visa manter apenas uma rede para a armazenagem estratégica, a ampliação da rede brasileira de armazenagem fica a cargo da iniciativa privada que de qualquer modo, vem paulatinamente aumentando a sua capacidade. A estrutura brasileira de armazenagem de grãos apresenta-se, aproximadamente, distribuída da seguinte forma: menos de 15% na propriedade agrícola (fazenda), mais 75% coletora (cooperativa, armazém, indústria, armazéns gerais e comércio), 2% intermediária (terminais intermodais) e 6% terminal (portos, indústria e comércio). Apesar dos esforços realizados, o sistema brasileiro de abastecimento demonstra fragilidade e inadequação, quando comparado ao da Argentina. Nos Estados Unidos, 65% da capacidade total de armazenagem está localizada na fazenda, enquanto na Argentina ela corresponde a 35%. Já a armazenagem coletora representa, respectivamente, 30% e 25% do total instalado nesses países (Tabela 6). O atual sistema de escoamento da safra brasileira prejudica o sistema de armazenagem, em razão da estrutura precária dos sistemas de transporte rodoviário, ferroviário e hidroviário. Esta situação prejudica principalmente o produtor, que comercializa seu produto, na maioria das vezes, a preços inferiores ao custo de produção. Para tornar sua produção agrícola competitiva nos mercados interno e externo, estimular o incremento da produção e incentivar o investimento em tecnologia, o Brasil deverá modificar o atual perfil da estrutura de armazenagem, adequando-a às Secagem e Armazenagem de Produtos Agrícolas

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necessidades de oferta e demanda e incentivando, prioritariamente, a armazenagem na fazenda, juntamente com outras medidas que tornem as unidades coletoras e intermediárias adequadas ao processo. TABELA 6 - Percentual da capacidade instalada de armazenagem a granel no Brasil, nos Estados Unidos e na Argentina Armazenagem Fazenda Coletora Intermediária Terminal Outras

Brasil 15* 79* 2 6* -

EUA 65* 30 10 10 -

Argentina 35 25 20 10 10

Fonte: Ministério da Agricultura * Conab 2006

4.1. Armazenagem e a Pequena Produção Como visto, a armazenagem na fazenda representa ao redor de 15% da capacidade total de armazenagem no Brasil, o que induz efeitos perversos, como perdas quantitativas e qualitativas de grãos, já que o segmento de pequenos produtores praticamente não possui unidades armazenadoras com o mínimo de adequação. A deficiência de armazenagem na fazenda, aliada à descapitalização do pequeno produtor, exige comercialização imediata da produção. É muito freqüente realizar-se a colheita antes que o produto atinja condições ideais de comercialização. Este fato, aliado à estrutura de transporte inadequada, favorece o aumento do índice de perdas. Por outro lado, por questões culturais ou financeiras, parte do produto que fica retido na propriedade é manuseada e armazenada inadequadamente, contribuindo para intensificar as perdas. Dentre os diversos fatores que têm contribuído para o baixo índice de armazenagem nas fazendas, destacam-se a inadequação das tecnologias difundidas e o baixo nível de renda dos produtores. Como dito anteriormente, a participação do pequeno produtor e do agricultor familiar em culturas de arroz, milho, feijão e soja atingem percentuais significativos em relação à produção total. No entanto, principalmente para o milho e feijão, parte da produção é destinada ao autoconsumo. A inadequação da armazenagem dessa parcela da produção acarreta perdas superiores a 20% do total armazenado, devido ao ataque de roedores, pássaros, insetos e microrganismos. Programas de extensão e assistência técnica ao produtor rural promovidos pelos governos federal e estaduais, como o MG II, em Minas Gerais, e o Pró-Rural, no Paraná, alcançaram relativo sucesso com a instalação de microunidades armazenadoras em comunidades de pequenos produtores. Por falta de continuidade, ou por falta de conhecimento da tecnologia por parte do serviço de extensão, pouco contribuíram para alterar o perfil da armazenagem nesse segmento da produção. Com algumas exceções, o pequeno produtor apresenta características peculiares, como baixo grau de instrução e pouca capacidade de associação, o que dificulta a PAGE 18

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construção de unidades armazenadoras comunitárias. Nos estados das regiões Sudeste e Sul encontram-se as principais forças do movimento cooperativista, que, nos últimos anos, vêm se estendendo para os estados da Região Centro-Oeste. Nesses estados, a agricultura moderna está mais acessível aos pequenos produtores, principalmente os integrados à agroindústria, sobressaindo os do Estado de Santa Catarina. A falta de uma política governamental voltada para a pequena produção, os baixos salários dos técnicos e o ineficiente sistema de extensão são alguns dos fatores que causam lentidão no processo de mudança do sistema tradicional para o sistema moderno de produção. Além dos fatores mencionados, na grande maioria, o volume de produção por produtor e a parcela comercializável são muito pequenos, quando considerados isoladamente. O baixo valor comercial do produto resulta em baixo nível de renda monetária para o pequeno produtor tradicional. Dessa forma, torna-se difícil para a extensão rural prover técnicas de secagem e armazenagem seguras e compatíveis com a capacidade de investimento do pequeno produtor. Portanto, o provimento de técnicas compatíveis para o segmento da pequena produção constitui um desafio e deve ser solucionado com a participação efetiva do governo. Também, a dificuldade de acesso ao crédito por parte de pequenos e médios produtores e a inexistência de uma linha especial de financiamento para a construção de silos, secadores, etc. constituem outro empecilho para a expansão da armazenagem nas fazendas. Apesar dos problemas apresentados, inclusive a limitação dos recursos disponíveis para pesquisas, o esforço de técnicos e pesquisadores de algumas instituições de pesquisa vem proporcionando o desenvolvimento de equipamentos e sistemas de secagem e armazenagem de baixo custo, de fácil adaptação para o pequeno produtor, além de processos que permitem manter a qualidade dos grãos armazenados, visando maior controle de pragas e menores danos causados durante o manuseio e o transporte dos produtos agrícolas. Secadores de grãos de pequena e média capacidade, construídos em alvenaria e equipados com fornalhas de alta eficiência energética e aparelhos de determinação de umidade, de baixo custo e de simples operação, foram desenvolvidos na Universidade Federal de Viçosa e, amplamente, difundidos entre pequenos e médios produtores de várias regiões brasileiras. Pequenos secadores de grãos e silos que empregam diferentes tecnologias de fabricação vêm sendo desenvolvidos e testados por algumas empresas de pesquisa e extensão em trabalho conjunto com produtores. A Companhia Estadual de Silos e Armazéns do Rio Grande do Sul (CESA), a EMATER/RS e EMBRAPA/SC têm obtido êxito junto a pequenos produtores e núcleos comunitários, oferecendo-lhes tecnologia para pequenos silos e secadores comunitários, que são utilizados para o processamento de milho, feijão, trigo, cevada, alfafa, erva-mate e raspas de mandioca. No Departamento de Engenharia Agrícola da UFV, encontra-se à disposição do agricultor tecnologia para a fabricação de silos em ferro-cimento e solo-cimento, com contenção de tela metálica e impermeabilização plástica, com capacidade estática variada. Devido ao baixo custo e à facilidade de manuseio, estes silos podem ser amplamente utilizados por pequenos e médios produtores de grãos. Secagem e Armazenagem de Produtos Agrícolas

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5. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO Em virtude da inadequação da rede armazenadora brasileira, a comercialização de grãos, principalmente por pequenos e médios produtores, é realizada imediatamente após a colheita, ou até mesmo antes dela, resultando em perdas na colheita, no transporte e no valor do produto. Em grande parte, os produtos são colhidos antes de atingirem a umidade ideal para colheita, o que facilita a ocorrência de danos físicos aos grãos e ataque de pragas. O sistema rodoviário é responsável por grande parte do escoamento da produção agrícola brasileira. A precariedade das rodovias (ABAG, 1993) implica elevação de 50% no consumo de combustíveis e 38% no custo operacional dos veículos de carga. Do mesmo modo que a estrutura da armazenagem brasileira não é totalmente adequada e eficiente, a estrutura de transporte de cargas não é apropriada e apresenta a seguinte composição: rodoviária 63%, ferroviária 22%, cabotagem 12% e hidroviária 3%. Apesar de o frete rodoviário implicar elevações de custo, que muitas vezes causam a perda na competitividade do produto brasileiro (a exemplo da soja), a maior parte da produção é comercializada durante o período de safra, provocando elevação nos preços dos fretes rodoviários de até três vezes o praticado no período da entressafra. O desgaste das rodovias, o grande movimento de veículos de carga e o acúmulo de caminhões nas unidades coletoras, que resultam da necessidade de deslocamento imediato da safra, implicam maiores custos e riscos para o produtor, o qual ainda arca com o ônus de estar transportando grande massa de água e impurezas, uma vez que o produto não foi processado na fazenda. A estrutura em que se apóia a pequena produção de grãos, particularmente a de produtos alimentares como arroz, feijão e milho, processados em pequenas quantidades e em unidades impróprias, dispersas espacialmente, sujeitos a limitações de capital e dependentes da obtenção de créditos, contribui para agravar as deficiências do sistema de comercialização. O caminho percorrido pelo produto segue, na maioria das vezes, complicadas trajetórias entre a área de produção e os armazéns terminais ou centros consumidores. Esse “passeio” do produto, sob condições inadequadas, compromete sua qualidade e contribui para a elevação das perdas. Em mercados desenvolvidos, produção e consumo estão separados no espaço e no tempo. Entre produtores e consumidores existem muitos intermediários, como transportadores, processadores e armazenadores, que realizam com eficiência a movimentação dos produtos das regiões produtoras para os centros consumidores. Em se tratando da pequena produção, os produtores que se associam às cooperativas ou integram-se aos complexos agroindustriais conseguem melhores condições para produzir e comercializar sua produção e, conseqüentemente, melhorar seu nível de renda. As constantes flutuações de preços dos produtos agrícolas causam desequilíbrio na oferta, na procura e na renda do produtor. A instabilidade dos preços leva os produtores, principalmente os pequenos, a formar expectativas pouco otimistas quanto à renda futura, incentivando-os cada vez mais a se precaverem no sentido de reduzir os PAGE 18

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riscos. As várias limitações defrontadas pelos pequenos produtores, as constantes flutuações dos preços e o baixo nível de renda por eles auferidos resultam em falta de estímulo para produzir e investir em novas tecnologias. A armazenagem na fazenda não só beneficia os produtores, como também contribui para a redução dos problemas de comercialização das safras agrícolas. Se forem previstas corretamente as demandas futuras em relação às ofertas e se for armazenada a quantidade “correta”, os preços irão subir na entressafra somente o suficiente para cobrir os custos da estocagem desde a colheita até o período em que os produtos forem ofertados ao mercado. A implementação de uma política agrícola voltada para a armazenagem na fazenda e para a implantação de unidades armazenadoras em regiões produtoras onde a demanda de armazenagem seja elevada contribuirá para a elevação do nível de renda do produtor, que terá redução nas perdas e nos riscos decorrentes das flutuações dos preços e estará contribuindo para o desenvolvimento da comercialização. Por outro lado, tal política favoreceria também os consumidores, que contariam com o abastecimento contínuo e se beneficiariam com preços mais estáveis. Ao considerar os aspectos relativos ao crédito para comercialização, verifica-se que, nos últimos anos, o programa governamental tem se concentrado na Política de Garantia de Preço Mínimo (PGPM), que visa reduzir os riscos dos preços a que os produtores estão sujeitos. O Preço Mínimo de Garantia é estabelecido pelo Governo e divulgado anualmente antes da época de plantio. Se o preço de mercado for inferior ao PMG, por meio das Aquisições do Governo Federal (AGF), o governo garante a compra dos produtos que irão compor seus estoques. No Brasil, buscando ampliar a participação da iniciativa privada na comercialização dos produtos agrícolas, no final dos anos 80, o Governo Federal criou o Preço de Liberação de Estoque (PLE), visando estabelecer um limite a partir do qual irá vender seus estoques. Tal limite será determinado pela igualdade entre o PMG e o PLE. A CONAB coloca à disposição do Governo Federal os seguintes instrumentos para sustentação da Política de Garantia de Preços Mínimos – PGPM: 1. AGF (Aquisição do Governo Federal). O produto limpo, seco e classificado, deve ser posto em armazém credenciado pela CONAB. É disponibilizado para produtores e cooperativas e o acesso ocorre através da CONAB ou da agência local do Banco do Brasil. 2. EGF/SOV (Empréstimo do Governo Federal/Sem Opção de Venda). O produto deve ser colocado em armazém credenciado, sob ordem do banco credor. O valor do empréstimo é calculado de acordo com o preço mínimo do produto em garantia. Os bancos têm adotado a praxe de conceder empréstimo no valor máximo de 70% do preço mínimo em vigor. É disponibilizado para produtores e cooperativas e o acesso ocorre através do agente financeiro interessado em operar com a PGPM. 3. EGF – Indústria. O setor de processamento faz o contrato de EGF com o agente financeiro de sua preferência, com o valor limitado a 50% da capacidade de produção. Deve ser comprovado o pagamento de, pelo menos, o preço mínimo ao produtor. Estão incluídos todos os produtos amparados pela PGPM, exceto arroz e soja. O acesso ocorre através de contato direto entre o produtor/cooperativa e o processador/industrial interessado. Secagem e Armazenagem de Produtos Agrícolas

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4. CPR (Cédula do Produto Rural). Processadores de produto podem contratar financiamento para aquisição de CPR com o agente financeiro interessado. Toda CPR deve estar vinculada a uma promessa de entrega de produto do produtor/cooperativa, em uma data acertada entre as partes. Produtos autorizados: algodão, arroz, milho e trigo. O acesso ocorre através do agente financeiro (financiamento para aquisição mediante a apresentação da CPR). 5. PEP (Prêmio de Escoamento de Produto). O Governo Federal, através da CONAB, faz leilão público de um prêmio aos interessados em adquirir produto diretamente do produtor/cooperativa. O prêmio é representado pela diferença entre o “valor de referência” fixado e o preço de mercado. O arrematante do PEP comprometese a utilizar o produto contemplado em regiões de destino previamente determinadas pelo aviso correspondente. O objetivo é garantir o valor de referência ao produtor e à cooperativa, viabilizando o abastecimento do mercado interno. 6. CONTRATO DE OPÇÃO. Trata-se de uma modalidade de seguro de preço bastante difundida em países com mercados agrícolas mais desenvolvidos. Esse contrato é o de Opção de Venda, que dá ao produtor o direito – mas não a obrigação – de vender a sua produção para o Governo, numa data futura, a um preço previamente fixado. Serve para proteger o produtor contra os riscos de queda nos preços de seu produto. Os produtos autorizados atualmente são: algodão, arroz, milho e trigo. Produtores interessados, quando o programa estiver ativo em sua região, devem procurar um corretor de bolsas de mercadorias para poderem participar dos leilões. O arremate somente é possível àqueles que oferecem os maiores prêmios para os contratos. 7. EQUIVALÊNCIA EM PRODUTO. No financiamento do custeio o produtor adquire o direito de pagar a sua dívida com o produto de sua colheita. O preço de referência para a conversão da dívida em quantidade de produto é o preço mínimo. O acesso se dá através dos financiamentos de custeio, por meio do PRONAF (Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar). Os produtos autorizados atualmente são: algodão, arroz, milho e trigo. Ao incidir sobre o valor dos produtos e principalmente sobre os produtos alimentares básicos, o ICMS tem efeitos indesejáveis tanto para os produtores (geralmente pequenos e médios) quanto para os consumidores de baixa-renda, que gastam mais de 30% do total de sua renda em alimentação. 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS 1- A abertura da economia brasileira ao mercado internacional, no início da década de 90, a implementação do plano de estabilização da economia (Plano Real) e a implementação da Tarifa Externa Comum, em janeiro de 1995, para os países que integram o Mercosul, fazem com que os responsáveis pela Política Agrícola passem a desenvolver mecanismos de proteção dos produtos agrícolas brasileiros contra a competição internacional. 2 - A colheita de supersafra nem sempre resulta em ganhos elevados para os produtores, porque seus produtos perdem competitividade tanto no mercado interno quanto no externo, devido às deficiências na rede armazenadora, na estrutura de transportes e em todo o processo de comercialização. PAGE 18

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3 - Medidas imediatas relacionadas à estrutura de armazenagem do País, visando corrigir os problemas de má distribuição, aumentar a capacidade estática e, principalmente, incentivar a armazenagem na fazenda, poderão trazer benefícios ao setor agrícola e, especialmente, aos pequenos e médios produtores de grãos. 4 - Em especial, destacam-se alguns dos principais benefícios decorrentes do incentivo à armazenagem na fazenda, para os pequenos e médios produtores: a) O produtor que dispõe de um sistema de armazenagem em sua propriedade poderá programar a melhor forma para comercializar sua produção, ficando habilitado, inclusive, a utilizar os sistemas de EGF e AGF. b) Não se concentrando no período da colheita, a distribuição e a venda dos produtos agrícolas, ao longo do ano, possibilitarão a obtenção de melhores preços na comercialização, resultando na diminuição das pressões da demanda por transportes, contribuindo para a redução de custo dos fretes e descongestionamento das rodovias e unidades coletoras. c) Sendo a secagem dos produtos realizada na propriedade agrícola (veja capítulo 5, Secagem e Secadores), menor volume de combustível (óleo, gás, lenha ou carvão) será consumido, quando comparado àquele consumido nas grandes unidades armazenadoras. Por exemplo, uma redução no consumo de lenha permitirá um melhor manejo das áreas destinadas ao plantio de eucaliptos para essa finalidade. A redução da poluição nas regiões onde se localizam as grandes unidades armazenadoras, principalmente aquelas próximas aos grandes centros urbanos, é um benefício para o meio ambiente, trazido pela armazenagem na fazenda. d) Armazenando o produto na propriedade e processando-o adequadamente, o produtor poderá cuidar melhor de sua produção. Produto com umidade correta, livre de impurezas e armazenado em local adequado, conserva as características semelhantes àquelas observadas no momento da colheita. Assim, além de preservar a qualidade dos grãos armazenados, estes cuidados irão resultar em diminuição das perdas de grãos na propriedade, beneficiando o produtor no momento da comercialização, não só por dispor de um produto de boa qualidade, mas também pela redução no volume de perdas. 5 – O Brasil tem, atualmente, capacidade para armazenar cerca de 122 milhões de toneladas de grãos, nas mais variadas condições, com poucas apresentando características técnicas ideais. Dos armazéns existentes, quase a metade é do tipo convencional, e, destes, cerca de 70% encontram-se abaixo do padrão técnico médio exigido para a boa conservação dos produtos agrícolas. 7. LITERATURA CONSULTADA 1. ABAG - ASSOCIACÃO BRASILEIRA DE AGRIBUSINESS. Segurança alimentar: uma abordagem de agribusiness. São Paulo, Edições ABAG, 1993.162 p. 2. ALVES, E. Pobreza rural no Brasil: desafios da extensão e da pesquisa. Brasília, CODEVASF, 1987.79p. 3. BARBOSA, T. A pequena produção no Brasil e suas perspectivas. Informe Secagem e Armazenagem de Produtos Agrícolas

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Agropecuário. Belo Horizonte, 14(157): 5-l0, 1988. 4. BROOKER, D.B; BAKKER-ARKEMA, F.W. & HALL,C.W. Drying and storage of grains and oilseeds. New York, An AVI BOOK, 1992. 450p 5. CONAB - COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO. Previsão e acompanhamento de safras. (Acompanhamento da safra 93/94). Brasília, nº 5, julho, 1994. 44p. 6. CONAB - COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO. Indicadores da Agropecuária. Brasília, Ano VIII -Nº 04, Abril/1999. 45p. 7. CONAB - COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO. Indicadores da Agropecuária. Brasília, Ano VIII -Nº 05, maio/1999. 44p. 8. FIBGE - FUNDAÇÃO INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo Agropecuário do Brasil. Rio de Janeiro. 1970 a 1985. 9. GASQUES, J.G. e VILLA VERDE, C.M. Crescimento da agricultura brasileira e política agrícola nos anos oitenta. Brasília, IPEA, 1990. 21p. (série Texto Para Discussão). 10. MARA - MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, DO ABASTECIMENTO E DA REFORMA AGRÁRIA. Programa nacional de armazenagem a nível da propriedade agrícola. Brasília, março, 1993. 39p. 11. SANTOS, M. L. dos. Abastecimento alimentar e o pequeno produtor. São Paulo, USP, 1993. 201p. (Tese D.S.).

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ARMAZENAGEM E COMERCIALIZAÇÃO DE GRÃOS NO BRASIL  

Mostra, de uma maneira geral, como a produção de grãos do Brasil é armazenada e comercializada e quais os programas brasileiros para aquisiç...

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