Issuu on Google+

15 e 16 de outubro de 2010 no Centro de Educação (UFPB) - Campus I - João Pessoa - Paraíba GT: Nº 8 - Fundamentos da educação e EAD

MONITORIA VIRTUAL NO ENSINO SUPERIOR: A EXPERIÊNCIA DO LABORATÓRIO DE PRÁTICAS EM RELAÇÕES PÚBLICAS DA UFPB Josilene Ribeiro de Oliveira1 - UFPB Jamile Miriã Fernandes Paiva2- UFPB Erika de Franças Morais3 - UFPB Narjara Bárbara da Silva Xavier3 - UFPB

Resumo Este trabalho relata a experiência do projeto de monitoria "Laboratório de práticas em Relações Públicas", o qual une as vantagens de um Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) com as formas de ensino tradicionais, envolvendo quatro disciplinas da habilitação de Relações Públicas, do Curso de Comunicação Social, da UFPB. Com o propósito de analisar como o uso da plataforma Moodle vêm influenciando o desempenho dos alunos e como eles avaliam a utilização de tal recurso, ao término do semestre 2010.1, foi realizada uma pesquisa de opinião, cujos resultados são apresentados neste relato. O objetivo é socializar e debater como os princípios da educação a distância e as inovadoras tecnologias de informação e comunicação (TIC) podem ser integrados em cursos superiores presenciais. Palavras-chave: Avaliação da experiência; impactos; integração do ambiente virtual e presencial.

1 INTRODUÇÃO O projeto de monitoria "Laboratório de práticas em Relações Públicas", aprovado4 pela Pró-Reitoria de Graduação/Coordenação de Estágio e Monitoria sob o Edital PRG/CEM/01/2010, envolve quatro disciplinas da habilitação de Relações Públicas, do Curso de Comunicação Social, do Departamento de Comunicação e Turismo – DECOMTUR, Centro de Ciências Humanas e Letras – CCHLA. As disciplinas ‘Laboratório de Comunicação Dirigida I’, ‘Laboratório de Comunicação Dirigida II’, ‘Laboratório de Planejamento em Relações Públicas’ ‘Laboratório de Administração e Assessoria de Relações Públicas’ integram a grade curricular obrigatória do curso. São disciplinas teórico-práticas que atendem alunos do quarto ao sétimo períodos do curso, tendo como objetivo comum “capacitar os alunos para elaborar e desenvolver diagnósticos e prognósticos de comunicação, instrumentos, ações e estratégias de comunicação dirigida, sob o formato de programas, planos e projetos de Relações Públicas para organizações”, sejam elas instituições públicas, empresas privadas e/ou organizações do 1

Professora Assistente do Curso de Comunicação Social da UFPB; Coordenadora do Projeto de Monitoria “Laboratório de práticas em Relações Públicas. E-mail: josilene_rp@yahoo.com.br 2 Professora Assistente do Curso de Comunicação Social da UFPB. Membro do projeto de monitoria “Laboratório de práticas em Relações Públicas. E-mail: jamilepaiva@ig.com.br 3 Alunas do Curso de Comunicação Social e monitoras da disciplina Laboratório de Planejamento em Relações de Públicas, períodos 2010.1 e 2010.2. 4 O projeto obteve a melhor nota dentre todos os projetos submetidos a aprovação da PRG/CEM, na seleção do projetos de ensino 2010.


15 e 16 de outubro de 2010 no Centro de Educação (UFPB) - Campus I - João Pessoa - Paraíba GT: Nº 8 - Fundamentos da educação e EAD

terceiro. A partir da investigação do ambiente organizacional (1º Fase), propõe-se que os alunos planejem estratégias e ações de comunicação (2º Fase), executem e implementem instrumentos e ações de comunicação (3º Fase), assim como avaliem seus resultados (4º Fase), visando atender a demanda da ‘organização-cliente’. Assim, a disciplina exige além do embasamento teórico, a orientação sistemática e o acompanhamento contínuo das práticas dos alunos nas empresas, contribuindo para construção de conhecimentos basilares para o profissional de Relações Públicas. Assim, a monitoria dá suporte à prática dos alunos nas organizações, por meio do acompanhamento regular de suas atividades, tanto através de espaço para interação virtual entre o professor responsável pela disciplina, o monitor-tutor5 e os alunos, na plataforma Moodle6, quanto na sala de aula e em orientações presenciais. Neste trabalho discutimos mais especificamente como a experiência da monitoria online, usando um Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), vêm influenciando o desempenho dos alunos e como eles avaliam a utilização de tal recurso. Para tanto, ao término do semestre 2010.1, foi realizada uma pesquisa de opinião. Os resultados são apresentados neste relato da experiência, o qual tem o propósito de socializar e debater como as inovadoras tecnologias de informação e comunicação (TIC) podem ser usadas como recurso de apoio aos cursos superiores presenciais.

2 MARCO TEÓRICO Sem dúvida as novas tecnologias tornam-se essenciais não só para a ampliação da comunicação e dos relacionamentos (F. ANDRADE, 2009). No âmbito do ensinoaprendizagem em cursos superiores a utilização dos recursos tecnológicos se tornou praticamente inevitável, seja como simples ferramenta de pesquisa e busca de materiais ou como mediadora no processo de ensino-aprendizagem, como observado com a popularização da Internet - ícone de todos os meios digitais. A internet disseminou e fortaleceu a modalidade de ensino a distância, possibilitando que milhares de pessoas tivessem acesso ao ensino superior e a cursos de formação continuada, implementados por políticas de educação e programas de governo, como é o caso da Universidade Aberta do Brasil, voltados para capacitação de professores da rede básica de ensino e a população em geral. Em paralelo a crescente demanda pela EaD, observa-se uma grande explosão do uso de tecnologias, técnicas e métodos virtuais de ensino na educação presencial. Esta que outrora caminhava de modo independente vem paulatinamente apropriando-se das novas ferramentas de comunicação e interação, visando acompanhar a nova realidade, em que linguagens, culturas e hábitos estão se modificando em função da tênue fronteira entre o virtual e o real (OLIVEIRA J. et al, 2009). Para Martins e Giraffa (2009, p. 2): [...] as potencialidades de interação, colaboração, exploração, simulação, investigação presentes nas TDs (Tecnologia Digitais, o mesmo que TICs) sugerem

5

Denominamos Monitor-tutor o aluno que desenvolve atividades de monitoria nos dois ambientes de aprendizagem presencial e virtual, sob a orientação de um professor responsável pela disciplina. 6 Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment - Moodle é um software livre, de apoio à aprendizagem. O Moodle é um sistema de administração de atividades educacionais destinado à criação de comunidades on-line, isto é, um pacote de software que permite aos docentes criar sítios Web para as disciplinas que lecionam. Mais informação em: <http://moodle.org/>


15 e 16 de outubro de 2010 no Centro de Educação (UFPB) - Campus I - João Pessoa - Paraíba GT: Nº 8 - Fundamentos da educação e EAD transformações nas formas de ensinar e aprender, uma vez que utilizando estes recursos construímos e consumimos conhecimento de forma diferente...

Estamos diante de uma mudança de paradigmas na educação, passando de uma longa fase em que as situações de ensino estavam focadas no professor, para um outro momento em que a aprendizagem focaliza o aluno (aprendente). Logo, os objetivos de aprendizagem, agora referidos e definidos em termos de competências, nos levam a um novo planejamento metodológico (MAYOR, 2004; ALBA, 2005; BENITO y CRUZ, 2005 apud BUENO, TORELLÓ e FERNÁNDEZ 2009, p. 4). Nesse contexto, observamos que as TICs colocam novos desafios para todos os envolvidos no processo de ensino aprendizagem - pedagogos, docentes, gestores educacionais, alunos, governo, IES etc. E, tendo em vista o fato do ensino superior brasileiro se caracterizar predominantemente por ser um sistema profissionalizante, isso se torna ainda mais desafiante, pois há que se considerar as competências e habilidades específicas requeridas para cada profissional/profissão, dentro de sua área de conhecimento. A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) - nº. 9.394/96 dá certa autonomia para as instituições de ensino na elaboração de sua estrutura curricular, permitindo que cada instituição conduza seus cursos dentro de um perfil mais próximo de suas áreas de atuação, propiciando ao aluno uma formação mais adequada a um mundo em transformação (TONDATO; FRANÇA, 2002). No caso das relações públicas, habilitação da comunicação social, isso se torna indispensável, pois essa atividade profissional se dedica ao trabalho de legitimar as ações organizacionais perante a sociedade e gerenciar o relacionamento entre elas e seus públicos, usando a comunicação como instrumento. Segundo Tondato e França (2002, p. 9) o ensino de Relações Públicas requer: [...] uma formação humanística que permita a construção do conhecimento por parte do aluno, ao mesmo tempo que o insere no mercado de trabalho, (além de) um corpo docente acadêmico conhecedor das exigências do mercado nas disciplinas de formação geral, e profissionais que traduzam seu conhecimento prático dentro das expectativas de uma formação universitária.

Deste modo, o ensino de relações públicas deve levar em consideração o contexto e a demanda social, contemplando as necessidades da região onde os cursos estão inseridos, sem perder de vista a perspectiva dos centros regionais e, obviamente, da globalização. Devemos lembrar ainda que os profissionais de relações públicas trabalham diretamente com a gestão da comunicação entre a organização e seus públicos, os quais, invariavelmente, estão em permanente processo de mudança e adaptação a realidade econômica e social como um todo. Por todos este fatores, tanto o ensino como a prática de RR.PP. não podem desconsiderar as TICs.

3 METODOLOGIA Dividimos a descrição dos precedimentos metodológicos em dois momentos: a) Da Monitoria – descrição do processo de desenvolvimento da monitoria; b) Da Pesquisa – descreve o processo de avaliação dos trabalhos realizados pelo projeto de monitoria na plataforma moodle. 3.1 DA MONITORIA


15 e 16 de outubro de 2010 no Centro de Educação (UFPB) - Campus I - João Pessoa - Paraíba GT: Nº 8 - Fundamentos da educação e EAD

Seguindo as recomendações da Portaria nº 2.253, de 18 de outubro de 2001 e atualizada pela Portaria nº 4.059, de 10 de dezembro de 2004, que regulamentam a inclusão de atividades não-presenciais até o limite de 20% da carga horária do curso nas instituições de ensino no Brasil, a experiência com o moodle transformou o curso presencial em semipresencial, combinando aulas presenciais e à distância através de sistemas de gerenciamento de conteúdo. A partir do estudo de cada ementa, criou-se um plano de atividades (rubrica), para cada disciplina, no qual foram definidos os temas e sub-temas, os objetivos a serem alcançados, as atividades e formas de avaliação para cada semana no AVA, face ao objetivo geral da disciplina. Durante o projeto de monitoria foram realizadas duas reuniões gerais com todos os professores envolvidos e alunos, uma no início das atividades e outra ao término do período 2010.1. Além destas, ocorreram reuniões semanais entre cada professor orientador e seu monitor, nas quais se discutia textos/bibliografia/atividades para a disciplina, definiu-se tarefas do monitor etc. Salientamos que os monitores participaram ativamente de diversas atividades, tais como levantamento e revisão bibliográfica sobre temas das disciplinas, preparação de aulas, correção de exercícios de alunos, acompanhamento de fóruns e correção e outras tarefas na plataforma Moodle. Deste modo, o monitor-tutor tornou-se co-responsável pela sala de aula virtual, com liberdade e oportunidade de sugerir e discutir diretamente com o professor estratégias pedagógicas e atividades que resultassem em um melhor aproveitamento do ambiente virtual de aprendizagem. Por sua vez, o professor além de ministrar as aulas presenciais responsabilizou-se por produzir conteúdos e materiais para a disciplina, editar e administrar a sala de aula virtual.

3.1.2 Das atividades realizadas no moodle: Orientando-se pelas ementas e programas de cada disciplina, as atividades realizadas no moodle foram distribuídas e organizadas em 16 semanas, totalizando uma carga horária de 30 horas não presenciais e 120 horas presenciais, em conformidade com o calendário escolar da graduação para o Campus I da UFPB. Todas as atividades propostas foram realizadas, conforme descrito a seguir. • Gerenciamento das informações e comunicação - consistiu no monitoramento da comunicação entre os alunos participantes do curso, articulação e acompanhamento da interação entre os alunos dentro do AVA, principalmente nos Fóruns de Discussão, bem como postagem de avisos e/ou envio de recados individuais via Moodle, falando sobre a situação e motivando o aluno a participar. • Atividades On-line: Glossário; Fóruns sociais (Bate papo e Passando a Limpo, serviam para tirar dúvidas sobre as atividades práticas ou assuntos teóricos abordados em sala de aula) e temáticos (dedicado a um tema específico tratado na aula presencial); Portfólio individual (para registro da impressões, apontamentos individuais do aluno sobre o tema/assunto das aulas); Tarefas (resolução de cases, exercícios ou envio de resenhas críticas); Questionários (após a discussão dos capítulos/assuntos que abordam Planejamento de Comunicação, nas aulas presenciais, foram elaboradas questões a serem respondidas pelos alunos no Moodle). • Resumo/Gabarito dos exercícios resolvidos pelos alunos: Após a discussão dos alunos, eram postadas no Passando a Limpo um resumo da discussão e/ou respostas de cada


15 e 16 de outubro de 2010 no Centro de Educação (UFPB) - Campus I - João Pessoa - Paraíba GT: Nº 8 - Fundamentos da educação e EAD

questão com as suas devidas justificativas/explicações, com base no capítulo de referência. • Controle de Notas: Paralelamente ao relatório de notas do Moodle, foi implementada um planilha excel, atualizada semanalmente com as notas dos alunos, que eram obtidas com a realização das atividades do Moodle, para que ao final do período esta se tornassem uma nota válida (entre 0,0 e 10,0) na disciplina. • Síntese de participação dos alunos no AVA - Semanalmente era postada uma síntese com comentários sobre o desempenho da turma no AVA e as notas dos alunos. 3.2 DA PESQUISA O método de pesquisa aplicado nessa experiência abrangeu aspectos qualitativos e quantitativos, com destaque para utilização da pesquisa participante, considerando que todos os agentes envolvidos no processo de implementação do curso híbrido - professor, monitores e alunos - participaram da análise de sua própria realidade, sendo as autoras deste artigo respectivamente professores e monitores que utilizaram a plataforma moodle para apoiar as aulas presencias. De um universo de 98 alunos que cursaram as quatro disciplinas, no período 2010.1, aplicamos um questionário com uma amostra de 27 estudantes das disciplinas Laboratório de Planejamento em Relações Públicas’ e ‘Laboratório de Administração e Assessoria de Relações Públicas’, na última semana de aula do período letivo. O questionário foi estruturado em 3 partes que contemplaram os seguintes aspectos: A experiência com o moodle; Atividades no moodle e; o trabalho da monitoria. As questões foram elaboradas no formato de afirmações para as quais os alunos eram solicitados a dizer se concordavam ou discordavam, usando a escala de Likert. O resultado foi tabulado em planilha do Excel, analisado descritivamente através de gráficos, apresentados e discutidos a seguir.

4. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ALCANÇADOS COM O PROJETO Os resultados aqui apresentados referem exclusivamente ao período 2010.1, no qual, devido a questões burocráticas, as atividades da monitoria on-line tiveram início apenas em abril, ou seja, praticamente no meio do semestre letivo. Estruturamos os resultados em apenas dois gráficos, que tratam dos aspectos que contemplam os objetivos deste artigo: analisar como o uso do AVA influencia o aprendizado e desempenho dos alunos e; identificar como os aprendentes avaliam as atividades realizadas em tal ambiente. Desta forma, o Gráfico 1 apresenta a avaliação dos alunos sobre a contribuição da experiência com o moodle para o aprendizado. O Gráfico 2 traz suas percepções sobre as Atividades no moodle.


15 e 16 de outubro de 2010 no Centro de Educação (UFPB) - Campus I - João Pessoa - Paraíba GT: Nº 8 - Fundamentos da educação e EAD O moodle... 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% ...enriqueceu a disciplina.

...me ajudou a apreender melhor os conteúdos

Discordo plenamente

0%

0%

0%

0%

0%

15%

Discordo

7%

7%

11%

4%

4%

19%

Nem concordo nem discordo

11%

19%

44%

22%

11%

15%

Concordo

63%

63%

33%

56%

48%

33%

Concordo plenamente

19%

11%

11%

19%

37%

19%

...me f ez estudar muito mais.

...melhorou e agilizou ...é uma excelente ...gerou uma a comunicação entre ferramenta de apoio sobrecarga de a turma, o professor ao ensino presencial. trabalho na disciplina.

Gráfico 1: A experiência com o moodle

A maioria dos aprendentes (19% + 63%) 'concorda plenamente' ou 'concorda' que o moodle enriqueceu as disciplinas. A questão seguinte, a qual avalia se o AVA ajudou a apreender melhor os conteúdos ministrados, obteve percentuais similares (11% + 63%), e em ambos os casos apenas 7% discordam. Com base nestes resultados, identifica-se que a monitoria virtual e a realização de atividades na plataforma moodle atingiram seu propósito apoiar e ampliar os debates, a interação, dando continuidade e complementando as aulas presenciais. Na afirmação "o moodle me fez estudar muito mais", os respondentes foram mais reticentes, posto que 11% 'discorda' e 44% deles 'nem concorda nem discorda' de tal proposição. Tais percentuais sugerem que maioria dos alunos não mudaram a rotina de estudo em função do uso do AVA. Os 33% e 11% restantes, respectivamente, "concorda" ou "concorda plenamente" com a afirmação, porque possivelmente sentiram-se mais estimulados a estudar para obter uma nota/média melhor com a realização das atividades cobradas a cada semana. Quando indagados se “o moodle melhorou e agilizou a comunicação entre a turma, professor e monitores” 56% concordam e 19% concordam plenamente com a afirmação, comprovando a interatividade e eficácia do recurso para melhoria da comunicação. No caso dos 22% que 'nem concorda nem discorda', tomando por base a observação in-loco e os relatórios do moodle, concluímos que sejam alunos que não utilizaram efetivamente a plataforma e/ou não procuraram a monitoria virtual para tirar dúvidas ou pedir alguma informação. A mesma conclusão se aplica aos 4% que discordam da proposição. A grande maioria dos alunos concordam (48%) e concordam plenamente (37%) que a plataforma “é uma excelente ferramenta de apoio ao ensino presencial”. A apenas (4%) discorda da afirmativa. Estes percentuais reforçam os resultados alcançados através da execução de Plano de Ensino no AVA, por meio dos temas abordados de acordo com a ementa da disciplina e seus objetivos. Quanto a afirmativa "o moodle gerou uma sobrecarga de trabalho na disciplina”, somando-se os percentuais (15% + 19%) dos alunos que 'discorda plenamente' e discorda,


15 e 16 de outubro de 2010 no Centro de Educação (UFPB) - Campus I - João Pessoa - Paraíba GT: Nº 8 - Fundamentos da educação e EAD

chegamos 34%. Vale salientar que este resultado refere-se basicamente a visão dos alunos de uma das disciplinas (Laboratório de Assessoria e Administração em Relações Públicas), a qual adotou uma cobrança e ritmo mais suave, realizando atividades pontuais no moodle. Por sua vez, o percentual dos que concordam plenamente ou concordam (19% + 33%) que houve sobrecarga são justamente dos alunos da outra disciplina (Laboratório de Planejamento em Relações Públicas), em que houve cobrança e regularidade semanal de inserção de atividades. Destacamos que em função de tais resultados e para o melhor desenvolvimento do projeto, a monitoria virtual do período 2010.2 fez algumas adaptações, como, por exemplo, a divisão das atividades por unidade, com a finalidade de diminuir a sobrecarregar dos alunos que além das aulas presenciais têm que desenvolver um projeto prático em empresas. As atividades no moodle... 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0%

...têm boa conexão com as ...são chatas e complicadas. aulas presenciais.

Discordo plenamente Discordo

...não deveriam valer nota.

0%

18%

59%

12%

59%

29%

0%

24%

12%

Concordo

47%

0%

0%

Concordo plenamente

41%

0%

0%

Nem concordo nem discordo

Gráfico 2: Avaliação das Atividades no moodle

No quesito “tem boa conexão com as aulas presenciais”, 41% concordam plenamente, 47% concordam e apenas 12% discorda. Desse modo, essas dados explicitam que o alunado percebe claramente tanto a integração entre os dois ambientes - presencial e virtual quanto a importância da utilização do sistema moodle como ferramenta de apoio. Quanto às atividades no AVA serem “chatas e complicadas”, 18% discorda plenamente e 59% discorda. Nenhum aluno concorda com a afirmação. O dado demonstra que, apesar da experiência com o moodle ter gerado sobrecarga, as atividades não são consideradas desagradáveis ou são rejeitadas. Quanto a afirmação "as atividades do moodle não deveriam valer nota”, há praticamente uma discordância unânime, posto que 59% 'discorda plenamente' e 29% 'discorda'. Isto se deve sobretudo ao fato dos alunos perceberem no moodle uma oportunidade de melhorar seu desempenho e o coeficiente de rendimento escolar (CRE). 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS As atividades planejadas e desenvolvidas pelos professores através do projeto de monitoria Laboratório de práticas em Relações Públicas tem como premissa contribuir para a


15 e 16 de outubro de 2010 no Centro de Educação (UFPB) - Campus I - João Pessoa - Paraíba GT: Nº 8 - Fundamentos da educação e EAD

formação de um profissional mais apto e consciente para gerenciar as estruturas comunicacionais nos diferentes tipos de organizações, a tecnologia disponível e as e crescentes demandas de melhoria nos relacionamentos interpessoais e grupais. Ao definir as atividades a serem executadas pelo aluno através da plataforma Moodle, buscamos incentivar a experimentação de novas metodologias de ensino-aprendizagem. Desse modo, promoveu-se uma integração dos princípios da EAD com o ensino presencial, demonstrando-se que a tendência de convergência entre o mundo virtual e real se aplica também a educação. Esta experiência tem possibilitado um acesso mais amplo à informação através de um sistema acessível e interativo, baseado no suporte tecnológico, que contribui para promover a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade, além de criar um ambiente de aprendizagem colaborativa. É relevante ressaltar que a atividade das quatro disciplinas envolvidas se concretiza através de um trabalho em equipe, que envolve engajamento e dedicação de discente e docentes. Assim, o foco desta experiência leva em consideração aspectos culturais, políticos, sociais e econômicos para o egresso atuar de forma ética e efetiva junto à sociedade, atendendo as demandas de diferentes segmentos de públicos, organizações e comunidades. Por fim, cremos que cada vez mais as fronteiras entre o ensino à distância e o ensino presencial serão suplantadas, dando lugar a cursos híbridos, tais quais os que desenvolvemos nesta experiência aqui relatada. REFERÊNCIAS ALMEIDA, Maria Elizabeth Bianconcini. Incorporação da tecnologia de informação na escola: vencendo desafios, articulando saberes, tecendo a rede. In: MORAES, Maria Cândida (Org.). Educação a Distância: fundamentos e práticas. Campinas-SP: Unicamp/NIED, 2002. BUENO, Carmen Ruiz; TORELLÓ, Óscar Mas; FERNÁNDEZ, José Tejada. El uso de un entorno virtual en la enseñanza superior: una experiencia en los estudios de pedagogía de la Universitat Autònoma de Barcelona y la Universitat Rovira i Virgili. In: Revista Iberoamericana de Educación. Universitat Autônoma de Barcelona, España. Disponível em: <http://www.rieoei.org/expe/2193RuizBuenov2.pdf> Acesso em: 29 dez 2009. CABANAS, Maria Inmaculada Chao; VILARINHO, Lúcia Regina Goulart. Educação a Distância: Tutor, Professor ou Tutor-Professor? E-TIC - 5º Encontro de Educação e Tecnologias de Informação e Comunicação. Universidade Estácio de Sá,. Rio de Janeiro, 2007. Disponível em: <http://etic2008.files.wordpress.com/2008/11/unesamariainmaculada.pdf> Acesso em:20 abril 2009. COUTINHO, Laura. Aprendizagem on-line por meio de estruturas de cursos. In: LITTO, Frederic Michael; FORMIGA, Marcos. Educação a Distância: o estado da arte. São Paulo: Pearson Education do brasil, 2009. FRANÇA, Fábio; TONDATO, Márcia Perencin. O ENSINO E A PRÁTICA DE RELAÇÕES PÚBLICAS NO BRASIL. VI Congreso Latinoamericano de Ciências de la Comunicación. Santa Cruz de la Sierra, Bolívia - 5 a 8 de junio - 2002. Disponível em: <www.uel.br/grupo-estudo/gecorp/> GONÇALVES, Fernando do Nascimento. Relações Públicas e as novas tecnologias: solução ou dilema? In: Desafios contemporâneos em comunicação. São Paulo: Summus, 2002.


15 e 16 de outubro de 2010 no Centro de Educação (UFPB) - Campus I - João Pessoa - Paraíba GT: Nº 8 - Fundamentos da educação e EAD

KENSKI, Vani Moreira. DAS SALAS DE AULA AOS AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM. In: XIII ENDIPE - Encontro Nacional de didática e Prática de Ensino, 2006, Recife, 2006. Disponível em: <www.abed.org.br/congresso2005/por/pdf/030tcc5.pdf> Acesso em: 21 abril 2009. LOYOLLA, Waldomiro. O suporte ao aprendiz. In: LITTO, Frederic Michael; FORMIGA, Marcos. Educação a Distância: o estado da arte. São Paulo: Pearson Education do brasil, 2009. MARCHIORI, Marlene; et al. O Ensino do Planejamento nos Cursos de Comunicação/Relações Públicas - Brasil . In: Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XXXII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Curitiba, PR – 4 a 7 de setembro de 2009. Disponível em: <www.uel.br/grupo-estudo/gecorp/artigointercom.pdf> Acesso em: 30 abril 2010. MARTINS, Cátia Alves; GIRAFFA, Lúcia M. M. Metodologia de Projetos via MOODLE: uma investigação acerca das competências necessárias aos docentes do Ensino Fundamental. In: XIV Workshop de Informática na Escola, 2008, Belém. Procedings of XXVIII Congresso da Sociedade Brasileira de Computação, 2008. ____. CAPACIT@NDO: uma proposta de formação docente utilizando o Moodle. Disponível em: < http://www.cinted.ufrgs.br/renote/dez2008/artigos/5c_catia.pdf> Acesso em: 04 mar 2009. MOURA, Cláudia Peixoto de. O ensino de graduação e de pós-graduação em relações públicas no Brasil. In: KUNSCH, Margarida M. Krohling (Org.). Relações Públicas- história, teorias e estratégias nas organizações contemporâneas. São Paulo: Saraiva, 2009. OLIVEIRA J. Ribeiro de; et al. Cursos Híbridos no Ensino Superior: A experiência do ensinoaprendizagem de Planejamento em Relações Públicas, no Curso de Comunicação Social da UFPB. In: Jornada Paraibana de Educação à Distância. João Pessoa. UAB/UFPB virtual, 2009. POLAK, Ymiracy Nascimento de Souza. A avaliação do aprendiz em EAD. In: LITTO, Frederic Michael; FORMIGA, Marcos. Educação a Distância: o estado da arte. São Paulo: Pearson Education do brasil, 2009. VALENTE, José Armando. Formação de professores para uso de informática na educação. Disponível em: <http://www.tvebrasil.com.br/salto/boletins2001/tec/tectxt4.htm.> Acesso em: abril 2009.


MONITORIA VIRTUAL NO ENSINO SUPERIOR (artigo)