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AGENDA

4 OUTUBRO 2012 ANO 98 - N.º 4928 FUNDADOR: José Ferreira Lacerda DIRECTOR: Rui Ribeiro PREÇO: 0,80 euros (IVA incluído) SEMINÁRIO DIOCESANO – 2414-011 LEIRIA TEL. 244 821 100/1 • FAX 244 821 102 E-MAIL: jornal@omensageiro.com.pt WEB: www.omensageiro.com.pt

Assembleia diocesana Dia 14, 16h00 Sé de Leiria

FUNDADO EM 1914

SOCIEDADE

DESTAQUE

Leiria | P. 6

Piscinas municipais têm novo regulamento De 5 a 13 de Outubro | P. 6

Leiria recebe “Marcha contra desemprego”

CULTURA

Leiria | P. 7

Castelo de Sons volta ao castelo Marinha Grande | P. 7

Leituras e música na Feira do Livro ECLESIAL

Seminário de Leiria | P. 9

Centro de Formação e Cultura inicia novo ano lectivo

Debate em Fátima | Últ.

Pedro Jerónimo

Comunicar ou não comunicar Deus ao mundo

RECORDAMOS 98 ANOS DE (IN)FORMAÇÃO

P. 2 e 3


2 98 ANOS O MENSAGEIRO

Rui Ribeiro prui@iol.pt

Uma vida com sabor

No próximo Domingo O Mensageiro celebra 98 anos de vida. A longevidade é por si só assinalável, mas outra razão parece também reforçar a homenagem de gratidão devida pelos leitores, pela diocese, pelo distrito e mesmo pelo País. De facto O Mensageiro não é um jornal qualquer, não é mais um no meio dos muitos que existem pelo País fora. Trata-se não só do mais antigo do distrito, como também, em muitos casos, é o único documento histórico seguro para fazer a história da cidade e do distrito, bem como a diocese de Leiria. Nasceu por causa da diocese e lutou por ela como mais ninguém o fez. E nesta luta pela restauração da diocese foi fazendo caminho e traçando a história do distrito. Nascido do amor à diocese, esteve sempre ligado a pessoas concretas e cresceu rodeado de amigos, de benfeitores e de amizades. Hoje quem quiser falar de O Mensageiro não poderá deixar de falar do grupo de Nascido do amor amigos que o rodeiam no fundo são a à diocese, esteve esuaquealma. Este facto é sempre ligado a assinalável, embora pessoas concretas também possa estar e cresceu rodeado ligado ao caminhar de amigos, de mais lento do próprio benfeitores e de jornal. As amizades amizades. Hoje são sempre boas, mas quem quiser falar também significam de O Mensageiro compromissos que não poderá deixar muitas vezes impeo desbravar de de falar do grupo dem novos caminhos. de amigos que o Seja como for, O rodeiam e que no mensageiro orgulhafundo são a sua se de ser obrigatoalma. riamente necessário consultar para quem quiser conhecer a história do distrito de Leiria. Orgulha-se de manter uma linha editorial que privilegia a formação sobre a informação. E, honra lhe seja feita, cumpre a sua missão. Tratase de um jornal que, queiramos ou não, marca a forma como muitos dos cristãos da diocese vêem e encaram o mundo. É graças a ele que alguns sabem ver mais do que nos dizem as televisões e as conversas de café. É, enfim, por ele que alguns, muitos, conseguem manter viva a sua fé, traduzida em algo mais que a celebração rotineira e tradicional. Com 98 anos de idade, O Mensageiro está velhinho, cansado e obviamente tem muitas dificuldades em atravessar o mundo da tecnologia actual. Pode questionar-se, por isso, sobre o dia de amanhã. Pode perguntar-se sobre o seu contributo para o futuro. Mas por ser velhinho pode também levantar bem alto o que poucos poderão fazer: contar a história, recordar o passado e aviva-lo. Pode enfim ajudar o futuro com a memória viva do passado. Parabéns e felicidades para O Mensageiro.

4.Outubro.2012

O mais antigo semanário do distrito de Leiria

O Mensageiro, quase um século de vida Comum acordo Por óbito do Rev. Cón. José Ferreira de Lacerda, falecido a 20 de Setembro de 1971, por testamento lavrado no 2° Cartório Notarial de Leiria a 29/11/1953, folhas 27,v./ Livro n°5, foram constituídos seus herdeiros, em partes iguais, o Seminário Maior de Leiria e a Fábrica da Igreja Paroquial da Freguesia dos Milagres. Da “Relação de bens” datada de 3/6/1972, não consta o jornal “O Mensageiro”. Segundo constou na altura, os representantes das instituições, terão decidido, por comum acordo, que o jornal “O Mensageiro” ficaria para o Seminário Diocesano de Leiria. Mas, por questões legais, teve de se optar por outras vias. A edição do jornal “O Mensageiro” n°2803, de 30/ 9/7], publicada na semana a seguir ao óbito do Padre Lacerda, já regista como Proprietários os “Herdeiros do Padre José Ferreira de Lacerda”. O registo de matrícula da sociedade comercial

Arquivo

EDITORIAL EDITORIAL

O Mensageiro

por quotas de responsabilidade limitada que adoptou o nome de firma “Herdeiros do Padre José Ferreira de Lacerda, Lda”, só foi feito a 10 de Novembro de 1972. A partir do n°2803 de 30/9/1971 “O Mensageiro” regista como Director e Editor o Padre António Francisco Pereira que, à data do óbito, era Secretário de Redacção. Para percebermos que a constituição da Sociedade Comercial entre o Seminário Maior de Leiria e a Fábrica da

Igreja Paroquial da Freguesia dos Milagres era uma solução transitória, no dia 19 de Março de 1974, por acordo, foi dissolvida a dita sociedade, cujo capital era de 50.000$00 e bem assim a liquidação da partilha, tendo sido adjudicada ao Seminário Diocesano de Leiria a propriedade do jornal “O Mensageiro”. As dificuldades não se ficaram por aqui. Peloof.n°1394/SRI, datado de 6/8/74, emitido pelos Serviços de Registo da Im-

prensa, o Director Geral da Informação, informa que o Seminário, por não ser empresa jornalística, não pode titular a propriedade dum jornal “regional”. Face ao conteúdo do Of.n°1394/74, o P. Gameiro respondeu a 7 de Novembro de 1974, informando o Director Geral da Informação que o Seminário ficava a aguardar a publicação da Nova Lei da Imprensa, esperando que ela viesse a modificar as normas em vigor. Depois das diligências efectuadas e a troca de correspondência, com a data de 27/3/1975, cerca de um ano após o 25 de Abril, é recebido o of.n° 613/SR1,Ref.M.264, dirigido ao Reitor do Seminário Diocesano de Leiria, que diz o seguinte: “Para os devidos efeitos, informo VReva de que foi considerada a propriedade do periódico “O MENSAGEIRO” a favor desse Seminário. Mais informo que, continua a ser o mesmo o número de inscrição da empresa em causa, ou seja 11/174.

As direcções do jornal na história Após a morte do Padre Lacerda, ocorrida a 20 de Setembro de 1971, ficou Director Interino do jornal o Padre António Francisco Pereira, que já era Secretário de Redacção. A administração ficou ao cuidado do Prof. Manuel Matias Crespo, ao tempo Preceptor na Prisão-Escola de Leiria. Em 23 de Dezembro de 1971 assumiu as funções de Secretário da Redacção Miguel Trindade Elias. A partir do Of. datado de 7 de Novembro de 1973, de que se conserva cópia, dirigido pelo Reitor do Seminário ao Vigário Geral da Diocese, deduz-se que o mesmo Vigário Geral havia emitido parecer de que o Seminário devia iniciar negociações em ordem à alienação do Jornal, mas que os responsáveis do mesmo Seminário não dispunham de dados suficientes para se pronunciarem. Este documento indicia a existência de algumas dificuldades para a equipa do

Seminário poder assegurar a publicação ou talvez alguma reserva quanto à orientação do mesmo. O que é facto é que o jornal continuou a sair com regularidade. A 8 de Abril de 1974, o Prof. Matias Crespo, administrador do jornal, ao mesmo tempo que respondia à solicitação que lhe havia sido feita pelos responsáveis do Seminário sobre a situação económica do jornal pedia que fosse revisto o ordenado. A partir de 3 de Novembro de 1977, em virtude de o Prof. Matias Crespo não poder continuar a administrar o jornal, por motivos de saúde, a Comissão Administrativa do Seminário assumiu esse encargo, ficando incumbidos dessa responsabilidade os Padres António das Neves Gameiro e João Vieira Trindade que, nesta ocasião, procederam à transferência dos ficheiros, que se encontravam em casa do Prof. Crespo, para o

Seminário. A direcção do Jornal foi mantida pelo Padre António Francisco Pereira até ao seu falecimento, ocorrido a 11 de Junho de 1987. Para assegurar a publicação do jornal o Reitor do Seminário indigitou o Padre João Vieira Trindade. A proposta foi aceite pela Direcção-Geral da Comunicação Social, conforme consta do despacho de 4 de Agosto de 1987. O Padre João Trindade manteve-se nestas funções até 4 de Outubro de 1990. O Prof Matias Crespo, que regressara à chefia de Redacção a 1 de Outubro de 1987, assumiu a Direcção do jornal a 11 de Outubro de 1990. Depois de uma década de total disponibilidade veio a cessar funções a 5 de Outubro de 2000, tendo-lhe sido prestada merecida homenagem pelo muito trabalho e dedicação ao jornal mais antigo do Distrito de Leiria. Desde 12 de Outubro de 2000 a 1 de Setembro de

2005, a direcção do jornal foi assumida pelo Reitor do Seminário de Leiria, Dr. Virgílio do Nascimento Antunes. A edição do dia 8 de Setembro de 2005 saíu sob a responsabilidade do novo Reitor do Seminário, Dr. Manuel Armindo Pereira Janeiro. A partir de 15 de Setembro de 2005, o Padre Rui Acácio Amado Ribeiro, dotado de excepcionais qualidades jornalísticas, aceitou o convite que lhe foi feito pelo Reitor do Seminário para dirigir o jornal. Agregando a si um qualificado grupo de colaboradores, assumiu a direcção dum jornal que, não obstante ter quase um século de história que o torna o mais antigo do Distrito, soube imprimir-lhe um novo rosto e dotá-lo de conteúdos que o tornaram importante instrumento de cultura e evangelização para o nosso tempo.


98 ANOS O MENSAGEIRO 3

O Mensageiro

4.Outubro.2012ro.2011

Rostos de uma casa

Directores de O Mensageiro

Pe José Ferreira Lacerda Nasceu no dia 23 de Abril de 1881, em Monte Real. Aos 12 anos, Setembro de 1893, entrou no Seminário Menor de Leiria. Seis anos depois foi para Coimbra frequentar o curso de teologia. Tendo terminado o curso, foi nomeado Perfeito do Seminário. No dia 6 de Novembro de 1904, foi ordenado sacerdote. Nesse mesmo ano foi nomeado para a paróquia de Alvorge, Ansião, onde esteve dois anos. Em 1906, por sua conta e risco, foi viver para a Vieira de Leiria, acabando por ser nomeado pároco em Julho desse mesmo ano. Finalmente, em Fevereiro de 1909 assumiu a paróquia dos Milagres, onde esteve por mais de 60 anos. Entretanto foi vereador da Câmara de Leiria, entre 1908 e 1910, e manteve uma intensa actividade politica. A 7 de Outubro de 1914, fomentando um movimento para restaurar a Diocese de Leiria, reconquistando-a à Diocese de Coimbra e ao Patriarcado de Lisboa, José Lacerda funda o jornal O Mensageiro como veículo de uma causa desejada pelo clero e por muitas forças da sociedade leiriense. Foi seu director até à morte, no dia 20 de Setembro de 1971.

Pe. António Francisco Pereira Nasceu no dia 27 de Julho de 1915, em Amoreira, Fátima. Aos 13 anos (Outubro de 1928) ingressou no seminário Diocesano, tendo terminado os Estudos Preparatórios em 1934. Depois de frequentar as aulas de teologia, concluiu o curso em 1938. Foi ordenado diácono no dia 2 de Abril desse mesmo ano e Presbítero no dia 7 de Agosto de 1938. Nesse mesmo ano leccionou Português e Geografia no Seminário, e por ali ficou até 1943. Nesse ano, continuando no Seminário, assumiu a paróquia da Azóia. Depois, entre 1945 e 1948, foi pároco de Colmeias. A partir desta data colaborou como auxiliar dos párocos de Maceira, Freixianda e Pataias. Depois ajudou o Pe Lacerda, nos Milagres, ao mesmo tempo que continuava a leccionar no Seminário Dominicano de Aldeia Nova. Em 1967 foi nomeado secretário da redacção do jornal . Com a morte do Pe Lacerda em 1971, assumiu em Setembro as funções de director, funções que desempenhou até Junho de 1987.

Pe João Vieira Trindade Nasceu no dia 27 de Fevereiro de 1931, em Alburitel, Seiça. Aos 13 anos (1944) ingressou no Seminário Diocesano de Leiria. Aí completou o curso de teologia em 1956. Ordenado sacerdote no dia 12 de Agosto de 1956, foi nomeado coadjutor da paróquia da Marinha Grande, onde esteve durante 5 anos. Em 1961, assumiu a paroquialidade da paróquia de Urqueira. Depois, em 1965, foi pároco de Mira de Aire e em 1973, regressou a Leiria para integrar a equipa formadora do Seminário. Em 1989 foi nomeado Notário-Actuário adjunto do Tribunal Eclesiástico. Em 1995, assumiu a capelania do Hospital de Leiria. Na linha destas funções foi assistente da Associação dos Enfermeiros e Profissionais de Saúde e em 2001 foi nomeado capelão da Santa Casa da Misericórdia de Leiria. Durante os anos em que intergrou a equipa formadora do Seminário, assumiu as funções de director de O Mensageiro, entre Junho de 1987 e Outubro de 1990.

Professor Manuel Matias Crespo Nasceu no dia 14 de Maio de 1916 na freguesia do Coimbrão. Aí fez o curso de instrução primária. Terminado este foi residir para Almada. Em Lisboa frequentou o liceu e a Escola do Magistério Primário, tendo terminado em 1937. No ano seguinte veio para Leiria, leccionando nas Escolas de S. Estêvão e no Internato Distrital. Em 1947, transitou para a Prisão-escola, como educador e aí permaneceu até 1986, altura em que foi aposentado. Entre muitas actividades que desempenhou foi dirigente da Acção Católica, Presidente da Assembleia Geral do Orfeão de Leiria, da Sociedade Filarmónica de S. Tiago dos Marrazes, vereador da Câmara Municipal de Leiria. Em Outubro de 1990 assumiu as funções de director de O Mensageiro, a pedido do reitor do Seminário, cargo que ocupou até Outubro de 2000.

D. Virgílio do Nascimento Antunes Antunes Nasceu no dia 22 de Setembro de 1961 em São Mamede, Batalha. Frequentou o Seminário Menor de Leiria e fez o Curso Filosófico-Teológico no Instituto Superior de Estudos Teológicos de Coimbra. Depois da ordenação sacerdotal, em 29 de Setembro de 1985, colaborou pastoralmente nas paróquias da Barreira e das Cortes, até 1992. De 1985 a 1992 foi formador no Seminário Diocesano de Leiria. Durante estes anos leccionou as disciplinas de Religião, Português e História, do ensino secundário. De 1992 a 1996 realizou estudos de especialização em ciências bíblicas, no Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica de Jerusalém, tendo obtido o mestrado e licenciatura canónica em Exegese bíblica. Tendo regressado à Diocese de Leiria-Fátima, em 1996, foi nomeado Reitor do Seminário Diocesano de Leiria, funções que desempenhou até 2005. Esteve ao Serviço do Santuário de Fátima, desde Setembro de 2005, onde, durante três anos foi capelão. Foi Reitor do Santuário de Fátima de 25 de Setembro de 2008 a 10 de Junho de 2011. Foi nomeado Bispo de Coimbra, pelo Papa Bento XVI, no dia 28 de Abril de 2011. A sua ordenação episcopal ocorreu na Igreja da Santíssima Trindade do Santuário de Fátima, no dia 3 de Julho de 2011. Foi director de O Mensageiro durante os anos em que foi reitor do seminário, de 2000 a 2005.

Pe Rui Acácio Amado Ribeiro Nasceu no dia 23 de Junho de 1967, em França. Aos 13 anos de idade ingressou no Seminário Diocesano de Leiria, onde completou os estudos correspondes ao ensino secundário. Ingressou no Seminário Maior de Leiria em 1985 tendo terminado o curso em 1991. Ordenado diácono nesse ano, esteve a trabalhar no Centro Hospitalar de Deficientes Profundos, em Fátima. Foi ordenado em Julho de 1992 e nesse mesmo ano foi nomeado professor e formador no Seminário Menor de Leiria. Durante 8 anos, esteve no Seminário desempenhando várias funções: professor, educador, director espiritual e responsável pelo Pré-Seminário. Nos anos 2000-2001 frequentou um curso de comunicação social em Paris. De novo no Seminário acumulou com as funções de pároco das Cortes. Em 2003, saiu do Seminário e assumiu a capelania da Prisão-Escola ao mesmo tempo que continuava pároco das Cortes. No ano 2008 assumiu a paróquia da Cruz da Areia, tendo 2 anos depois ficado com a paróquia da Barreira e Cortes. Actualmente é também vigário da vara, funções que acumula com a direcção de O Mensageiro (desde 2005), director do serviço pastoral da Comunicação Social, membro do Colégio de Consultores, membro do Conselho Pastoral Diocesano, Membro do Conselho Presbiteral, e membro do Gabinete de Informação e Comunicação.


4 98 ANOS O MENSAGEIRO

O Mensageiro

4.Outubro.2012

RECORDAR TRÊS FIGURAS INCONTORNÁVEIS DE O MENSAGEIRO José Ferreira de Lacerda

O fundador conquistador Quem se considera leiriense e não sabe a história de José Ferreira de Lacerda é um cidadão incompleto no que respeita ao conhecimento das grandes conquistas e transformações da cidade do século XX. Mais do que caracterizar biograficamente esta figura, importa perceber que foi um vulto que pelo seu estado inconformado, conseguiu várias valências para esta região, de forma assertiva e determinada. O sacerdote, jornalista e um interessado pelo desenvolvimento do distrito de Leiria, fundou a 7 de Outubro de 1914, com o preço de 2 centavos (20 réis), um periódico que viria para ficar e que durante quase um século foi testemunha e base de registo de muita da história de Leiria.

Mas, o jornal que fundara, foi também objecto de alterações profundas, sendo ele muitas vezes protagonista da história. Mais do que conquistas em termos de obras importantes para a região, ou de promoção à cultura e um precioso serviço de evangelização, O Mensageiro foi o principal responsável, pelo força do seu fundador e director, pela conquista da Diocese de Leiria que fora perdida no século XIX. Neste número especial de 98 anos de O mensageiro, recordamos duas figuras de O Mensageiro: Pe. Júlio Pereira Roque (braço direito de José Ferreira de Lacerda e seu substituto quando este esteve na Grande Guerra) e Alfredo Matos (historiador e autor de inúmeros textos

de valor histórico, publicados em O Mensageiro). Volvidos quase 98 anos, importa continuar a senda de registo jornalístico e de conquistas de causas, tão necessárias nesta conturbada crise do século XXI, bem distante da realidade dos anos em que iniciou a sua actividade jornalística de 1914. Da era do chumbo e do papel, convive-se em paralelo com os suportes digitais (ainda por provar a sua eficácia). Pelo legado que o seu fundador nos deixou, pelas suas conquistas, este instrumento de comunicação de Leiria deve lograr a sua continuidade de missão. O jornal que conquistou a Diocese, assim merece! Joaquim Santos

Alfredo Matos

Notável jornalista e historiador

Fez os seus estudos secundários e superiores no Seminário de Leiria entre 1927 e 1937. Era sobrinho do Pe. Júlio Pereira Roque (Jupero), um dos combatentes pela restauração da diocese de Leiria e dinamizador de O Mensageiro. Profissionalmente, foi funcionário superior de uma grande empresa industrial, em Lisboa, onde faleceu em 1992. Foi investigador da história do seu distrito sobre a qual publicou várias obras (Dom Frei Brás de Barros, Dom João III e a Construção da Sé de Leiria; A comarca de Porto de Mós; Alqueidão da Serra: Apontamentos para a Sua História; Um passeio na História do Juncal; A Escola de Frei José e de Frei Manuel da Conceição na Serra de Santo António) e olissipógrafo (Lisboa em 1758), e dedicou-se a questões religiosas (O Infante D. Henrique, Homem de Fé; 8 Dias com os Videntes da Cova da Iria em 1917). Sob

o pseudónimo Ruy de Lena publicou a novela Amores à Beira Liz. Colaborou com assiduidade e desde cedo nos jornais da sua região – Ecos do Alcoa, de Alcobaça; Voz do Mar, de Peniche; Gazeta das Caldas, das Caldas da Rainha; Região de Leiria, A Voz do Domingo e O Mensageiro, todos de Leiria; o último, dirigido pelo Pe. José Ferreira de Lacerda. O jornal O Mensageiro foi aquele em que mais duradouramente escreveu, usando o pseudónimo

Monge dos Candeeiros. Foi um jornalista militante, desenvolvendo – tanto quanto a Censura prévia da época e os proprietários dos jornais consentiam – campanhas de interesse local, em particular a favor da sua «pátria pequenina». Colaborou ainda no Diário Popular, n’A Defesa, jornal da arquidiocese de Évora, e n’ A Luta, de Nova Iorque. O jornalista militante era um amador. Nunca foi remunerado. O investigador histórico era também um amador.

Pe. Luciano Cristino recorda Alfredo Matos

“Apreciei os seus estudos históricos, principalmente sobre os concelhos de Leiria e de Porto de Mós” Comecei a apreciar os artigos de Alfredo de Matos, no jornal O Mensageiro, de Leiria, quando fiz o meu curso no Seminário Diocesano de Leiria. Conheci-o pessoalmente, quando ouvi a sua magnífica conferência sobre D. Frei Brás de Barros e a construção da Sé de Leiria, pronunciada no Ginásio da Escola Comercial e Industrial de Leiria, em Junho de 1957, publicada, no ano seguinte, em edição da Gráfica de Leiria, que ele pôs à disposição do Sr. Bispo de Leiria, para que fosse enviada aos antigos alunos do Seminário, para obtenção de fundos para a construção de um novo edifício, que então andava para ser construído. Ainda conservo a primeira carta com que ele, no já longínquo dia 10 de Janeiro de 1961, respondeu a uma consulta que lhe fiz, sobre a história da minha terra, carta cheia de evocações da sua própria vida e recheada de bons conselhos ao jovem que eu era, nessa altura. Após alguns anos de interrupção, motivada pela minha ausência em Roma, retomei a minha correspondência com ele, em 1967 e pelo tempo fora, até pouco tempo antes do seu falecimento, em 1992, tesouro precioso que guardo no meu arquivo particular. Continuei a apreciar os seus estudos históricos, principalmente sobre os concelhos de Leiria e de Porto de Mós, em que eu admirava sobretudo a extrema preocupação que ele tinha de se documentar, principalmente no Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Ficou exarado o reconhecimento de Agostinho Tinoco, no registo bibliográfico de Alfredo de Matos que fez, na prestigiada obra Dicionário dos Autores do

Distrito de Leiria (1979), recentemente reeditada (2004): “Deve o autor deste Dicionário à gentileza e solicitude daquele seu bom Amigo o favor de várias informações respeitantes a alguns dos escritores nele referidos, as quais muito contribuíram para um melhor conhecimento da sua obra ou da sua biografia”. Foi também muito grande a colaboração que deu ao seu antigo colega de Seminário, o Padre José Carreira, que elaborou o valioso livro O clero da diocese de Leiria e o seu passado, saído postumamente, em 1984, em que o autor assinala, como uma das principais fontes do seu trabalho, as “informações de Alfredo de Matos”, que este, depois, generosamente me cedeu, em cópia. Tanta é a minha gratidão para com ele que, num estudo que fiz sobre A vila de Leiria em 1385, me senti na obrigação de o dedicar “A Alfredo de Matos, meu primeiro guia na Leiria medieval”. Por duas vezes mais, tive ocasião de lhe prestar a minha homenagem: quando, numa evocação do Padre José Ferreira de Lacerda, no encerramento do centenário do nascimento

dessa grande figura do clero leiriense, de quem Alfredo de Matos era um indefectível Amigo; e na abertura da Biblioteca que leva o seu nome, no Alqueidão da Serra. Numa e noutra oportunidade, lembrei o quanto lhe devia e ainda hoje devo. Sou testemunha da veneração que tinha pelo seu tio, o Padre Júlio Pereira Roque (Jupero), e o esforço que fez para que a sua acção em prol da restauração da diocese de Leiria, ao lado do outro nome que acabo de referir, o Padre Lacerda, não fosse esquecida. Recordo a maneira cativante como me recebeu, por duas ou três vezes, na sua residência da Rua António Patrício, de Lisboa, numa das quais apreciei sumamente as suas qualidades culinárias, ao comer um saboroso prato de arroz, que ele cozinhou na ausência da sua dedicada Esposa, Srª. D. Maria Luísa. (...) Faço votos para que a obra de Alfredo Matos dispersa seja reunida e posta nas mãos de quem queira documentar-se sobre a história de toda a região de Leiria.

Pe. Luciano Cristino


98 ANOS O MENSAGEIRO 5

O Mensageiro 4.Outubro.2012

Júlio Pereira Roque foi o braço direito do fundador de O Mensageiro

Evocando Jupero, sacerdote e jornalista Alfredo de Matos não se cansou de evocar, e com razão, o Pe Júlio Pereira Roque, seu tio. No “Legado Alqueidanense”, ele fotografa a cores vivas, como nenhum fotógrafo, a alma do seu tio e as circunstâncias que envolveram um atentado. A evocação que se segue não consta do legado de Alfredo de Matos e é a transcrição gráfica efectuada pelo Padre Américo Ferreira, a partir de gravação sonora, da oração laudatória do Padre Júlio Pereira Roque, proferida pelo Cónego Dr. José Galamba de Oliveira, no dia 25 de Outubro de 1970, em Alqueidão da Serra, na inauguração de placa toponímica com seu nome, no contexto das celebrações do 350º aniversário da criação da freguesia.

“Não era eu que devia estar aqui. O culpado é o meu incorrigível desejo de servir, junto a dificuldade de dizer um não. Fora convidado o Senhor Cónego Lacerda, companheiro de armas do Senhor Padre Júlio Pereira Roque, nas duras batalhas travadas pela restauração da diocese e noutros campos de acção. Ninguém melhor do que ele poderia e saberia fazer reviver a figura e a personalidade deste homem invulgar: pormenores biográficos, anedotas históricas, factos conhecidos ou inéditos, de tudo o Senhor Cónego Lacerda se serviria, para, no seu estilo inconfundível, nos deliciar por uns momentos. Ninguém, mais do que eu, lamenta que uma gripe seguida de um forte ataque de reumatismo, o tivesse impedido de vir. Sugeri outras personalidades mais competentes e curiosamente adornadas com o pó das bibliotecas e arquivos, como o Senhor dr Cristino, culto professor do nosso Seminário e o dr Luciano e este, mais a mais, membro do mesmo concelho. Estou sinceramente arrependido de não ter insistido num destes nomes e de não ter recusado aceitar o convite. Que não era para tapar um buraco, diziam, e tinham razão. O buraco fica aberto na mesma. Sentimos todos a ausência do Senhor

Cónego Lacerda, por cujas melhoras fazemos os mais ardentes votos; e eu continuo a sentir pena de não estar simplesmente no meio de vós. Não se trata de figuras de retórica nem desacordo com a festa que nos reuniu aqui. É óptima ideia cuidar das nossas aldeias e vilas, recordar os homens bons que nos precederam, pôr em justo relevo os seus inegáveis valores. E penso que não é de somenos importância a vinda aqui das Exmas. Autoridades. Precisamos de elevar o nível de vida da gente do campo e da serra, é certo: de melhores salas de aulas, vias de comunicação, previdência e assistência, energia eléctrica, água potável, etc. Mas não podemos esquecer que é aqui, na aldeia, que em geral, se forjam e temperam caracteres dos grandes homens. Mal de nós se o olvidamos. E tenho pena de que durante tanto tempo a província estivesse na situação do Ultramar: objecto de injusto desprezo, e, até as vezes de total abandono. Deus queira que ainda se venha a tempo. Mas receio que nos encontremos diante de um movimento irreversível de abandono da aldeia para uma concentração urbanística aonde, teimosamente, continua a ocorrer a concentração da actividade industrial. Mas não foi a isto que vim. Desculpem. É de Jupero, o Padre Júlio Pereira Roque que tenho de tratar. Como, se não o conheci, ou, pelo menos, me não recordo dele? Cantei missa em Julho de 26 e o Padre Júlio morria dois anos depois. Não tive tempo de saber que tipo de homem era: se baixo ou alto, magro ou gordo, a cor do cabelo, a natureza do olhar, o timbre de voz, a forma do rosto. Nem é preciso afinal. Só se eu fosse pintor ou escultor para fixar plasticamente o seu tipo físico! Ouvi dizer que era um homem duro, agarrado às suas ideias, às vezes mal humorado, pouco aberto a diálogos. Talvez fosse. E que tem isso? Que poderia a gente esperar de alguém

criado na escola do padre Afonso, nesta terra, hoje alindada, mas então dura e inóspita onde só a teimosa insistência do homem fazia as pedras produzir pão, azeite e batatas e a erva magra da serra, com os pequenos arbustos transformar-se em carne ou leite? Que sabe disso a mocidade de hoje, vestida de malhas fabricadas por máquinas e de fibras artificiais em vez de estamanha e riscadilho e das mantas tecidas nos teares da aldeia e das camisolas fortes, feitas durante os longos serões do inverno ou nos lazeres da vida pastoril, com a lã das ovelhas, fiada pelas velhas e pelas moças da terra? Era dura a vida. Eram de rija têmpera os homens! Nem sei como foi a infância nem a juventude do Padre Pereira Roque. O que eu sei é que nos encontramos diante de um homem que formou um nobre ideal e que se soube bater por ele. Não é entre fumos de tabaco ou de álcool, no café ou na taberna, na excitação fácil de companhias duvidosas ou de lúbrica música de batuques que se preparam os homens de amanhã. A gente é como a seara. Mal vai se não cai geada e se não há treino de luta. Jupero foi um combatente, um lutador. Não se gastou em questiúnculas; pequenas escaramuças como de zaragateiros não lhe detiveram o caminho. A sua terra, o seu concelho, a sua região, os necessários ou almejados melhoramentos, a sua diocese, o clero, a instrução, a Igreja, eis os elementos de que se entretecia o ideal pelo qual batalhou até ao fim. Nascido em Alqueidão da Serra, a 7 de Maio de 1876, veio a falecer a 18 de Outubro de 1928. Morreu novo; 52 anos; talvez incompreendido de alguns, mas com uma grande alegria na alma. Pode dizer-se que, por serviço de Deus, das almas e da Igreja, o que mais o apaixonou foi a restauração da nossa diocese. Fora extinta em 30 de Setembro de 1881. Logo em 1885 co-

meçou a reacção por parte de um homem leigo, um benemérito que a História não pode esquecer – Vitorino da Silva Araújo. Este, porém, não era da têmpera rija de Jupero. Recomeça a campanha em 1903. E, de então por diante, não pára, não descansa, não desanima, não depõe as armas. Atacado, escarnecido, desacompanhado, Jupero forma com o clero de Porto de Mós um pequeno grupo. Vem novas adesões de freguesias vizinhas. Depois, é o clero da vigararia de Leiria, a princípio um pouco hesitante, para não desgostar o Senhor Bispo de Coimbra. A arma de que se serve é a pena, ora em cartas particulares, ora sobretudo na imprensa, o Portomosense de que é assíduo colaborador. Fui ler os seus artigos para o conhecer melhor. Vi nele um homem possuído por uma ideia, que o domina, o comanda, o conduz. Bate sempre as mesmas teclas; insiste, repete quase num estilo matraqueador de moderno mentalizador marxista. E tanto bate, tanto bate que arrasta os outros. É um chefe. Leiria vibra e deixa-se arrastar. Monárquicos e republicanos, padres e leigos, católicos e indiferentes, o comércio, as famílias mais representativas da terra, todos se dão as mãos. Não faltam os operários, os artistas, como então se dizia. O teatro Dª Maria Pia enche-se para uma grande assembleia em que toma parte a melhor gente da terra. Porto de Mós vai agradecer. El-rei recebe uma luzida comissão. Há promessas que se esvaem. Jupero insiste, a imprensa diária e regional alinha com o “Portomosense”. Desde os grandes diários como a Palavra, do Porto, o Século, o Diário de Notícias, o Correio da Noite, o Correio da Tarde, o Diário Ilustrado, a Época, a Nação, o Correio Nacional até aos mais afastados jornais da Província e as mais categorizadas revistas como a Revista Católica, os Ecos de Roma e a Voz de Santo António, é um coro unânime de aplausos, de aprovações, de apoios a Jupero.

De repente, apaga-se a luz. Suspende-se a campanha em Novembro de 1904. Aparentemente e na imprensa, apenas. 1913. Nove anos vão passados; debaixo das cinzas havia brasas vivas. As exéquias por alma do Senhor Bispo-Conde, na Sé de Leiria, dão ensejo a uma reunião do Clero. E a campanha recomeça com novo vigor. Jupero escreve, agora no Mensageiro, nascido a 7 de Outubro de 1914 e no qual o seu fundador, editor e proprietário, o Senhor Cónego Lacerda, o convida a colaborar. Jupero responde às objecções, torna pública a carta e a maneira de sentir do Senhor Bispo-Conde e a representação solenemente entregue a Sua Magestade. A pequenina faúlha, atiçada em Porto de Mós pelo Padre Júlio Pereira Roque e em três períodos por ele mantida, surte efeito. Jupero vê os seus esforços coroados de êxito. Triunfa. O bispado de Leiria, em má hora extinto, sem razão, ressuscita. Leiria, diocese, assemelha-se aos estados tampões, como a Bélgica e a Polónia. De vez em quando, os grandes atiram-se a ela, com fúria leonina e instinto de chacais. O exemplo do passado é lição para o presente. Não sei o que teria acontecido se determinadas e insensatas ambições, os não tivessem encontrado unidos e alertados. Por agora afastou-se o perigo. Mas a honra da nossa terra, o interesse da Igreja e das almas e da glória de Deus, o nome dos que nos precederam exigem de nós, prudência, vigilância e fortaleza na defesa e na luta. Que alegria imensa não terá enchido a alma, a transbordar naquele dia glorioso de 5 de Agosto de 1920, quando a Diocese esteve em Leiria para receber o bispo mandado por Deus! Não se julgue, porém, que o problema da restauração do bispado lhe absorveu totalmente as energias. Bem pode dizer-se que não havia problema importante de ordem geral, como a educação religiosa, o ataque demo-maçónico ao clero, ou

de ordem regional, como o caminho de ferro de Tomar à Nazaré que não tivessem a senti-los a pena apurada de Jupero, um dos mais notáveis polemistas de entre os jornalistas amadores do seu tempo. Era o “nunc dimittis” (1). Jupero recebera uma missão da Providência: lutar pela restauração da diocese. E cumpriu com galhardia. Agora podia recolher-se com a missão cumprida. Não sei como o mundo o tratou. O Senhor chamou-o a Si. Oito anos depois entregava a alma a Deus. Mas deixava em testamento a gente da sua terra e a nós todos, o exemplo dum homem que soube lutar por um ideal nobre, num combate sem quartel. E seguiu-o até à vitória final. Nem a todos os que lutam está reservado o triunfo. Mas todos os que sabem lutar recebem, ao menos a mais alta recompensa: o testemunho da própria consciência do dever cumprido. A pedra que aqui fica é a memória de um homem que honrou a sua família e a sua terra, que teve um nobre ideal a norteá-lo, que soube servir com denodo Deus, a Igreja e a Pátria. Que a sua memória perdure e sirva de exemplo aos homens de hoje e de amanhã e que o Alqueidão da Serra, com muito mais possibilidades hoje do que ontem, seja viveiro fecundo de homens que, a exemplo do Padre Júlio Pereira Roque, no seguimento do Divino Mestre, com nobreza e desinteresse saibam servir.

José Galamba de Oliveira (1) Palavras do velho Simeão quando pegou o Menino Jesus nos braços, no Templo de Jerusalém: “Nunc dimittis servum tuum, Domine, secundum verbum tuum in pace: Quia viderunt oculi mei salutare tuum. Quod parasti ante faciem omnium populorum: Lumen ad revelationem gentium, et gloriam plebis tuae Israel.” (Agora, Senhor, podes deixar o Teu servo partir em paz, segundo a Tua palavra, porque os meus olhos viram a Salvação, que preparaste em favor de todos os povos: Luz para iluminar as nações e glória de Israel, Teu povo. (Lucas 2, 29-32)). http://www.alqueydam.com/


6 SOCIEDADE

O Mensageiro

4.Outubro.2012

Poupar é palavra de ordem

Joaquim Santos

Novos regulamentos das piscinas municipais já estão em vigor

Congratulemo-nos Ao longo dos anos O Mensageiro tem desempenhado um papel importante, senão mesmo único, na área do distrito de Leiria. Nasceu da idade e da vontade do Pe Lacerda que, contra tudo e contra todos, fez dele a arma para a conquista da restauração da diocese. Como se de um filho se tratasse, o jornal era sua propriedade e era também a sua força de viver. O Mensageiro, nascia assim de forma privada e sem compromissos com a igreja institucional. Uma publicação deste tipo acabou por adquirir um perfil muito próximo do seu editor e proprietário. O crescimento do jornal foi obra de um esforço pessoal e naturalmente seguiu o rumo dado pela pessoa que dava a cara. Significa isto que os leitores foram granjeados por entre os amigos, conhecidos e contactos pessoais. A diocese foi restaurada, reconheceu que era devedora a O Mensageiro, mas ainda assim não o assumiu como sua propriedade, aliás nem essa pretensão seria aceite de ânimo leve pelo seu fundador. Com o correr dos anos o Pe Lacerda percebeu que deveria legar este seu filho, pois que se lhe adivinhava uma longevidade que ultrapassava a do seu criador. Foi assim que, ainda em vida, o Pe Lacerda tratou da transferência do jornal para o Seminário, que se assumiu como novo proprietário da publicação. Desde então foram 5 os directores que, escolhidos pelo Seminário, assumiram as funções de director da publicação. O legada do seu fundador marcou o rumo que o jornal seguiu durante os anos que se seguiram até ao presente. Os amigos, leitores e assinantes, mais de 1500, foram assistindo a pequenas transformações que são também o cunho pessoal de cada um dos seus directores. Actualmente o jornal O Mensageiro pretende oferecer uma chave de leitura para os problemas que a vida social vai trazendo para a praça pública. Nesse sentido orgulha-se de ser o único, mesmo que o faça de forma menos exaustiva, o que se compreende pela falta de espaço de tempo e de condições. Os cristãos, os mais simples e humildes, de entre aqueles que se identificam com a diocese, encontram aqui em cada semana uma chamada de atenção para as realidades do quotidiano, o início de uma reflexão que depois deve ser continuada em casa e mesmo no grupo de amigos. Sem a pretensão de querer dizer tudo, O Mensageiro quer pelo menos abrir e apontar caminhos. A redacção

Os novos regulamentos das Piscinas municipais de Leiria, Caranguejeira e Maceira já estão em vigor desde o dia 1 de Outubro. O novo modelo de funcionamento foi aprovado pela Leirisport e apresentado, em reunião no dia 27 de Setembro, aos clubes e outras entidades utilizadoras destes equipamentos. Em comunicado, a Leirisport deixa claro que a exploração das piscinas da Caranguejeira e da Maceira é “comprovadamente deficitária ano após ano, tendose cifrado, em 2011, em €117.666,77 e -€101.953,14, respectivamente”. Ainda no mesmo documento é dito que “O Complexo Muni-

cipal de Piscinas de Leiria tem apresentado resultado operacional positivo, mas subsistem ineficiências que têm de ser corrigidas”. Assim, as alterações aos regulamentos destas três instalações visaram adequar o seu funcionamento e os recursos que lhe estão afectos à difícil situação económico-financeira do Município de Leiria e da Leiriport. No mesmo comunicado a administração da empresa municipal explica que “a necessária diminuição de custos será alcançada através da redução dos horários de funcionamento, dos encargos com energia e com os recursos humanos e ainda

pela redução dos apoios da Câmara Municipal de Leiria à utilização por clubes e outras entidades”. As piscinas de Leiria continuam a estar abertas de segunda a sexta-feira, entre as 7h30 e as 22h00, e aos sábados, das 8h30 às18h00, passando a encerrar aos domingos. Ao nível dos gastos energéticos, estão a ser adoptadas medidas que permitirão “poupanças mensais significativas, na ordem dos 20%, que se traduzem em 2.774,00 euros nas piscinas de Leiria e 1.580,00 euros em cada uma das outras duas piscinas”. “As medidas adoptadas nas piscinas da Maceira

e Caranguejeira irão reduzir o défice de exploração, poupando cerca de 40.000,00 euros de despesas de funcionamento em cada uma das instalações”, lê-se ainda no documento. Para potenciar o aumento das receitas, as tabelas de preços foram ajustadas, de modo a captar utentes para os horários não nobres e a atrair novos públicos. Os preços de tabela mantêmse no que respeita à entrada individual (2,40 euros no Complexo Municipal de Piscinas de Leiria, 2,10 euros nas Piscinas Municipais da Caranguejeira e da Maceira).

Organização da Comunidade Intermunicipal do Pinhal Litoral (CIMPL)

Debate “Internacionalização – Vantagens das abordagens colaborativas” A Comunidade Intermunicipal do Pinhal Litoral (CIMPL) realiza no dia 4 de Outubro um seminário sobre “Internacionalização – Vantagens das abordagens colaborativas”, no auditório da OPEN, a partir das 14h45, na Marinha Grande.

Luís Mira Amaral, administrador SPI - Sociedade Portuguesa de Inovação, Renato Homem, director de operações da Salsa, Sara Medina, administradora SPI – Sociedade Portuguesa de Inovação e Jacob Jeremias Nyambir, embaixador de Moçambique em Portugal

são os oradores convidados. Um seminário que surge integrado nas acções de dinamização da Rede Urbana para a Competitividade e a Inovação do Pinhal Litoral, constituída pelos municípios de Pombal, Leiria, Marinha Grande, Batalha

e Porto de Mós, que tem como parceiros as respectivas câmaras municipais, bem como outras instituições de relevo da região.

Numa iniciativa da União dos Sindicatos

Leiria recebe “Marcha contra o desemprego” A União dos Sindicatos do Distrito de Leiria promove de 5 a 13 de Outubro a “Marcha contra o desemprego” que terá início em Braga e que passará, no distrito de Leiria, no dia 10 de Outubro. A “Marcha contra o desemprego” passará pelas 07h30 na zona industrial de da Formiga, em Pombal junto à empresa Sumol/ Compal, seguido de deslocação à Câmara Municipal

e pelas 11h30 passará junto à Plastidom, na estrada da Estação, em Leiria, seguindo para a Gândara dos Olivais, e depois seguirá para o centro da cidade de Leiria. Ao início da tarde a marcha estará na Marinha Grande. Uma iniciativa para contestar a actual situação do país e o elevado nível de desemprego que, em comunicado, a CGTP-IN considera ser possível combater com

a aplicação do “Programa de Desenvolvimento dirigido à Revitalização do Tecido Produtivo, com o envolvimento e mobilização da sociedade e dos trabalhadores em particular” e ainda com o “Dinamizar a procura interna através do consumo o que passa pela melhoria de salários, incluindo o salário mínimo nacional, e das prestações sociais”. A CGTP também defende a necessidade de

“Reforçar o papel dos centros de emprego na captação de ofertas de emprego, assegurando ao mesmo tempo a qualidade e o respeito pelas normas legais e contratuais, incluindo salários” e ainda a criação de “um imposto extraordinário que desincentive a distribuição de dividendos por parte das empresas e a transferência de mais valias para o exterior”.


SOCIEDADE / CULTURA 7

O Mensageiro 4.Outubro.2012

Na Marinha Grande

A ovelha vai estar em destaque

Agromuseu Dona Julinha comemora Dia Mundial do Animal

Manuel Gorjão Henriques mostra

Em Leiria

Centro de Interpretação Ambiental acolhe formação “Charcos com Vida” O Centro de Interpretação Ambiental de Leiria recebe no próximo dia 14 de Outubro a acção de formação “Charcos com Vida” cujo objectivo é dotar o formando de uma ferra-

Na Marinha Grande a Feira do Livro continua a decorrer no jardim municipal Luís de Camões, numa iniciativa da Junta de Freguesia até ao próximo domingo. Esta quinta-feira o evento abre as portas pelas 20h00 e uma hora depois está programado um momento de poesia com Norberto Barroca, seguindo-se fados com Deolinda Bernardo e José Pires. No dia seguinte a animação nocturna, a partir das 21h00 fica por conta do grupo “Desbundixie” e no sábado a partir das 16h00 haverá animação infantil e às 21h00 actuará a Orquestra da Amieirinha e depois subirá ao palco o Grupo Coral da Amieirinha. O encerramento da Feira do Livro está programado para as 23h00 de domingo. DR

butos. Numa roda à volta do animal, serão contadas histórias sobre ovelhas. Depois os participantes na actividade vão manufacturar uma ovelha usando rolos de papel higiénico, bem como tiaras de ovelha para enfeitar a cabeça dos mais pequenos. Uma iniciativa dirigida a maiores de três anos e que custa 2,10 euros que é precisamente o valor de entrada no museu. DR

No dia 4 de Outubro assinala-se o Dia Mundial do Animal e o Agromuseu Municipal Dona Julinha, na Ortigosa, vai realizar a iniciativa “As dóceis ovelhinhas”, entre as 10h00 e as 12h00 e entre as 15h00 e as 17h00. O museu vai dar uma especial atenção à ovelha, animal da quinta, muito dócil, através de um exemplar que estará no local para todos aprenderem as suas características e atri-

Feira do Livro oferece animação até domingo

menta para a exploração pedagógica e conservação da biodiversidade. Durante a iniciativa será feita a demonstração de actividades educativas de exploração de charcos,

a inventariação e caracterização biológica de charcos, bem como o planeamento, desenho e construção de um charco. Acreditada pelo Conselho Científico-Pedagógico

de Formação Contínua, esta acção de formação é constituída por vários módulos. Os interessados podem obter mais informações junto do Centro de Interpretação Ambiental.

“Ritmos de cor e composição”

O Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria inaugura no dia 5 de Outubro, feriado nacional, pelas 18h00, a exposição de pintura “Ritmos de cor e composição”, da autoria de Manuel Gorjão Henriques. Uma mostra, com entrada livre, para ver, diariamente até dia 11 de Novembro, entre as 18h00 e as 22h00.

Durante seis meses

Centro histórico de Leiria com ruas fechadas ao trânsito Em Leiria, o trânsito estará interrompido nas ruas Mestre de Aviz, D. António Costa e do Comércio, no Centro Histórico, pelo prazo de seis meses, devido à realização de obras nos edifícios. A circulação automóvel é permitida apenas para cargas e descargas e ainda para residentes.

Ficha de Assinatura

DR

Assinaturas normal/benfeitor: 20/40 Euros (Nacional), 30/60 euros (Europa) e 40/60 (Resto do Mundo)

No dia 5 de Outubro, pelas 22h00

Castelo de Sons volta ao Castelo de Leiria A Sala do Palácio do Castelo de Leiria volta a acolher esta sexta-feira, feriado nacional, pelas 22h00, a iniciativa Castelo de Sons - Ensemble Eça de Queiroz, desta vez subordinado ao

tema “Sonorizando Afonso Lopes Vieira”. Uma iniciativa organizada pela SAMP – Sociedade Artística e Musical dos Pousos e da Câmara Municipal de Leiria que convida ao

público a viajar com a personagem de Bartolomeu Marinheiro, à descoberta de novas sonoridades, a partir da poesia de Afonso Lopes Vieira, onde o som das palavras é ornamentado com

uma vasta paleta sonora. O valor da entrada é de quatro euros e as crianças até aos 10 anos não pagam.

Nome: ___________________________________________ ____________________________________________ Rua: _____________________________________________ _______________ N.º _______________ Localidade: ____________________________ C. Postal: _____ - ____________________ Telf.: _______________________________ E-mail:___________________________@_______________ Enviar esta ficha, recortada ou fotocopiada, para: O Mensageiro - Lg. Padre Carvalho - 2414-011 LEIRIA ou forneça-nos os seus dados através do endereço de correio electrónico jornal@omensageiro.com.pt


8 ECLESIAL

O Mensageiro

4.Outubro.2012

Família há oito séculos

A terceira arca H

á oito séculos, a jovem Clara de Assis inicia uma aventura sob o manto maternal de Nossa Senhora dos Anjos. Trezentos anos depois a mesma estrela de Assis cintilou nas terras de Montemor-o-Velho sob o olhar da mesma Senhora Nossa e Rainha, bem juntinho da Ermida de Nossa Senhora de Campos. O século XVI foi para a Ordem de Santa Clara em Portugal o mais florescente, qual luminosa primavera no coração da Igreja. O primeiro Mosteiro deste século nasceu junto às águas correntes do Mondego. Do céu continuava vigilante a doce rainha e mãe dos pobres, Santa Isabel de Portugal, que suavemente desejou adormecer sob as dobras do manto pobre da virgem Clara. As fundadoras do Mosteiro de Montemoro-Velho foram D. Isabel, viúva de D. João de Castro, na companhia de outras senhoras da alta nobreza,

que começaram a viver em comunidade, desprezando tudo o que é efémero para viverem somente segundo a vida do Espírito. Tão firmes eram as suas vocações, que obtiveram de D. Manuel o real beneplácito para pedir ao Papa Alexandre VI o respectivo documento para fundarem um mosteiro. Centradas apenas no essencial atraíam pela sua vida santa e de grande fidelidade à altíssima pobreza o beneplácito de vários reis e numerosas personalidades como D. Manuel, D. João III, D. Catarina, D. João IV, D. Pedro II, D. João V, D. Afonso de Castelo Branco, Bispo de Coimbra e outras pessoas que generosamente com elas partilhavam os seus bens. Mas como aconteceu ao mosteiro de Santa Clara-aVelha também este seria vítima das irregularidades do caudal do Mondego, que por diversas vezes causara estragos no mosteiro de Montemor-o-Velho, a tal

ponto que teve que se pensar numa transferência para um local mais seguro. Sandelgas surgiu como sítio ideal para acolher as religiosas. Ali não tinham que temer a fúria do Rio. A transferência de toda a Comunidade ocorreu em Maio de 1691. O novo mosteiro de planta rectangular, encontrava-se rasgado por múltiplas janelas e portas que contribuíam para dar vida à fachada, evitando a monotonia. Era simples e sóbrio nos seus traços arquitectónicos, nele resplandecia a beleza da pobreza franciscana. Para sul do edifício conventual estendia-se um vasto terreno que se achava vedado por um alto muro. A cerca, com as suas hortas e jardins semeado de fontes e lagos, oferecia-se às Irmãs como local de trabalho e de lazer mas sobretudo de contemplação e oração. Este espaço sem dúvida intemporal, substituía o clássico claustro, local aprazível e calmo

que facilmente permitia o encontro com Aquele que é a eterna beleza. As santas virgens elevavam-se em contemplação, no meio do frondoso bosque de cedros. Não muito longe do mosteiro, existem actualmente alguns degraus que permitem o acesso à chamada fonte das freiras, situada abaixo do nível do solo. A poucos metros, ergue-se a fonte de S. João, na qual um nicho com colunas jónicas abriga a escultura do Santo em pedra de Ançã. A fonte é decorada de azulejos xadrezados do século XVII. A rematar este pequeno conjunto arquitectónico, encontra-se uma cruz de pedra. A vida claustral das Irmãs de Sandelgas processou-se normalmente até à extinção das ordens religiosas ocorridas em 1834. O período que se seguiu revelou-se bastante conturbado, tendo culminado numa portaria governamental que, a 15

de Setembro de 1848, transferia as religiosas de Sandelgas para o Mosteiro de Santa Clara de Coimbra. O período era propício ao desrespeito pelos bens da Igreja e a venda do mosteiro a particulares foi permitida. Este veio a ser adquirido em hasta pública em 19 de Agosto de 1865 pela família Moura-Gusmão. De Montemor-o-Velho fica-nos a beleza e o encanto das lendas: Há muito, muito tempo, os primeiros habitantes dali enterraram dentro das muralhas do Castelo, duas arcas. A primeira arca continha a felicidade e a riqueza. Tinha tanto ouro que se aberta fartaria todo Portugal. A outra arca contém a peste. Uma vez aberta trará a desgraça, a miséria e a fome, não tendo piedade por ninguém. Muitos, movidos pela audácia ou pelo desespero de tempos difíceis, aproximaram-se das arcas para abrir a da fortuna… mas… logo paravam atónitos e per-

plexos, petrificados com o medo de abrir a arca da peste pois esta, se aberta, traria ainda mais desgraça e miséria… E as arcas lá continuam à espera de um dia alguém ter a ousadia de as procurar e a imprudência de as abrir.... Em 1503, com a fundação do Mosteiro, uma terceira arca é oferecida aos habitantes de Montemor-o-Velho. Nesta terceira arca não se encontram ouro nem prata, peste, fome ou miséria mas somente o Príncipe da paz, a verdadeira felicidade, o verdadeiro Pão da Vida – Jesus Cristo. Quem d’Ele comer tem a vida eterna e nunca mais terá fome nem sede. É a arca da Nova Aliança, a arca da verdadeira vida, a arca da tenda que Deus veio montar entre nós para habitar com o Seu povo.

O DOM DA FÉ

cer no passado como amigo e fala connosco também nos nossos dias. A sua palavra está próxima de nós, como refere S. Paulo, citando a Escritura: “É junto de ti que está a palavra: na tua boca e no teu coração”. E acrescenta explicitando que se trata da palavra que os apóstolos de Jesus Cristo anunciam: “Esta palavra é a da fé que anunciamos” (Rm 10, 8). É para dar a conhecer a palavra de Deus que a Igreja a anuncia também hoje, como nos tempos passados. Por este anúncio o homem pode conhecer Deus e nele acreditar. Consciente da importância deste anúncio para que os homens ouçam falar de Deus, S. Paulo pergunta: “Como hão de acreditar naquele de quem não ouviram falar? E como hão de ouvir falar, sem alguém que o anuncie?” (Rm 10, 14). De muitas formas este anúncio é feito diretamente nos dias de hoje: na catequese, na liturgia, na leitura

pessoal da Bíblia, nas pregações, nos testemunhos e nas conversas entre as pessoas. Mas há também formas indiretas de comunicar a palavra de Deus: a vida e as ações dos crentes, o testemunho dos santos, a arte sacra, os acontecimentos, os sinais maravilhosos ou as graças extraordinárias de certas experiências pessoais ou os relatos de quem as viveu... Um exemplo bíblico referido pelo Papa Bento XVI na carta apostólica “A Porta da Fé” (n.10) ilustra bem como a palavra de Deus transmitida pelos mensageiros pode tocar a pessoa no seu íntimo e ali fazer despontar a graça da fé. “Narra São Lucas que o apóstolo Paulo, encontrando-se em Filipos, num sábado foi anunciar o Evangelho a algumas mulheres; entre elas estava Lídia. ‘O Senhor abriu-lhe o coração para aderir ao que Paulo dizia’ (Act 16,14). O sentido contido na expressão é

importante. São Lucas ensina que o conhecimento dos conteúdos que se deve acreditar não é suficiente, se depois o coração – autêntico sacrário da pessoa – não for aberto pela graça que permite ter olhos para ver em profundidade e compreender que o que foi anunciado é a Palavra de Deus”. O acolhimento da palavra de Deus não é portanto somente questão de ouvidos e de inteligência, de escuta e de compreensão. É também do coração que é tocado, iluminado e adere, como diz S. Paulo: “Acredita-se com o coração” (Rm 10,10). E Bento XVI explica: “O coração indica que o primeiro ato, pelo qual se chega à fé, é dom de Deus e ação da graça que age e transforma a pessoa até ao mais íntimo delas mesma”. É necessário por isso prestar atenção à palavra de Deus onde quer que ela nos sejam anunciada.

Jesus alertou para isso ao avisar: “Vede, pois, como ouvis, porque àquele que tiver, ser-lhe-á dado; mas àquele que não tiver, serlhe-á tirado mesmo o que julga possuir” (Lc 8, 18). A beata Teresa de Calcutá comenta de uma forma muito interessante, no sentido da oração, as palavras de Jesus. Diz: “Escuta em silêncio. Quando o teu coração transborda com um milhão de coisas, não consegues ouvir a voz de Deus. Mas, assim que te pões à escuta da voz de Deus no teu coração pacificado, ele enche-se de Deus. Isso requer muitos sacrifícios, mas se temos realmente o desejo de rezar, se queremos rezar, temos de dar este passo. Trata-se apenas do primeiro passo, mas se não o dermos com determinação, nunca alcançaremos a última etapa, a presença de Deus.

É por isso que a aprendizagem deve ser feita desde o início: escutar a voz de Deus no nosso

coração; e Deus põe-Se a falar no silêncio do coração. Depois, da plenitude do coração sobe o que a boca deve dizer. Aí opera-se a fusão. No silêncio do coração, Deus fala e tu só tens de escutar. Depois, da plenitude do teu coração que se encontra repleto de Deus, repleto de amor, repleto de compaixão, repleto de fé, a tua boca falará. 
Lembrate, antes de falares, que é necessário escutar e só então, das profundezas de um coração aberto, podes falar e Deus ouvir-te-á”. A voz de Deus e a sua palavra não nos vem somente através da Bíblia e do exterior de nós. Ele falanos também através dos acontecimentos e sinais da nossa vida e das intuições que experimentamos no nosso íntimo. Quem prestar atenção e se dispuser a escutar Deus, recebe, mais cedo ou mais tarde, o dom da fé e esta pode crescer e fortalecer-se dentro de si próprio.

Pe Jorge Guarda

Vigário Geral da Diocese

Fé vem da escuta de Deus http://padrejorgeguarda.cancaonova.pt

S

endo a fé dom de Deus, perguntarás: Como é possível recebê-lo, ou o que devemos fazer para o obter? O caminho é a escuta de Deus, pois Ele decidiu comunicar connosco, falar-nos e oferecer-nos os seus dons. Deu-se a conhe-

Irmãs Clarissas de Monte Real


DIOCESE 9

O Mensageiro 4.outubro.2012

“Expressar a Fé na Catequese e na Vida” “Expressar a Fé na Catequese e na Vida”, foi o tema proposto à reflexão de cerca de trezentos Catequistas, da diocese de Leiria-Fátima, reunidos na tarde de sábado, 29 de Setembro, no seu Encontro Anual de Abertura do Ano Catequético. O tema, proposto pelo Serviço Diocesano de Catequese, insere-se no “Ano da Fé” proposto pelo Santo Padre, para a Igreja universal, e na Nota Pastoral do nosso Bispo, “ O Tesouro da Fé, Dom para Todos”. Guiou-nos nesta reflexão, o Dr. Juan Ambrósio, professor na Universidade Católica. Com base em diversos excertos da Carta do Papa, “ A Porta da Fé”, e em jeito de testemunho pessoal, levou-nos, em crescendo, à consciencialização de que a Fé não é uma simples crença. A Fé vive-se

DR

Encontro Diocesano de Catequistas

numa dinâmica existencial que implica cada momento, pensamento e ato da nossa vida. Viver em dinâmica de Fé introduz na vida de comunhão com Deus e molda toda a existência do crente que se abre à Sua graça. Ter Fé implica conhecer e compreender os conteúdos, as verdades da fé para poder aderir, com a vida toda, numa relação pessoal e dinâmica, não apenas a essas verdades, mas ao Deus que nos é revelado

por meio delas. Assim, não basta, na catequese, ensinar conteúdos doutrinais. Não se apreende a Fé sem a experimentar na vida. É fundamental proporcionar aos catequizandos experiências de vivência da Fé. A Fé na vida; pois só se aprende fazendo, só se vive, vivendo. A Fé é herança recebida e a transmitir. Será pelo testemunho que catequistas, pais, educadores, transmitirão às crianças e jovens os critérios da formação da sua

personalidade, de uma Fé que molde a vida e de uma vida moldada pela Fé. A Fé é o entrelaçar do divino com o humano. Vivese em comunidade mas tem de ser personalizada. Alimenta-se da Palavra e do exercício da comunhão com Deus e com os irmãos na vida quotidiana. Assim, a catequese educa para a vivência da Fé na vida pessoal e comunitária. Mas a Fé enquanto ensino, proposta e testemunho, só marcará a vida, só fará viver, na medida em que fizer vibrar os afectos, gerar laços vitais, mobilizar a inteligência, interpelar a liberdade, der sabor à vida. Grande tarefa tem a catequese, e toda a comunidade responsável pela mesma, de educar para a Fé na vida, e como estilo de vida! Belmira de Sousa

Centro de Formação e Cultura

1º semestre do ano lectivo 2012/13 Hoje, dia 4 de Outubro, inicia o primeiro semestre do presente ano lectivo com as seguintes propostas formativas: Curso Geral de Teologia, serão ministradas aulas de duas disciplinas: “Teologia Fundamental”, pelo Dr. Jorge Guarda, à quinta-feira e “Introdução à Bíblia” pelo Dr. Gonçalo Diniz à segunda-feira. Em ambos os

casos o horário das aulas é das 19h15 às 20h45. Na Formação Complementar, há também duas propostas formativas, “A (i)lógica do dom: uma chave de leitura para a teologia” pelo Doutor Pedro Valinho que decorrerá à segundafeira e “Arte e Iconografia Cristã” pelo Dr. Marco Daniel Duarte à quinta-feira. O horário das aulas será das

21h00 às 22h30. Os cursos realizam-se no Seminário Diocesano de Leiria, têm ritmo semanal e uma duração de 30 horas lectivas, em 15 sessões. Em qualquer deles, podem inscrever-se todas as pessoas maiores de dezasseis anos. As matrículas podem ser efectuadas também durante a primeira semana de aulas.

Mais informações junto do Centro de Formação e Cultura (Seminário Diocesano de Leiria), em www.leiriafatima.pt/cfc, por email: cfcleiria@gmail.com, pelo tel. 244 103 816 ou pelo telm. 918 022 575.

Na Freixianda, Ourém

XXIV Encontro Nacional dos Jovens Sem Fronteiras “Festa da Missão Sem Fronteiras” é o tema do Nacional, na abertura do Ano da Fé, que conta com 42 grupos pertencentes aos Jovens Sem Fronteiras (JSF) vindos do Minho ao Algarve. Nesta Festa encontram espaços de celebração,

reflexão, debate em grupo, animação cultural e música. Do programa deste evento, a realizar de 5 a 7 de Outubro, salienta-se a manhã de reflexão sobre “Música e Missão”, orientada pelo padre José Luís Borga e a Eucaristia de En-

cerramento presidida por D. António Marto, Bispo de Leiria-Fátima. A noite de sábado é de Festival da Canção, a 3ª edição na história do Movimento. Aproveitando o facto de ser feriado o primeiro dia, os JSF vão juntar-se por Re-

giões e fazer uma Assembleia Regional antes de se dirigirem, de autocarro, até à Freixianda. Este XXIV Encontro Nacional vai lançar as comemorações dos 30 anos dos Jovens Sem Fronteiras e dos 20 anos de Sol Sem Fronteiras.

Breves Novos materiais e formação

6.º ano de catequese O Serviço Diocesano de Catequese (SDC) de Leiria-Fátima informa, na sua página, que está prestes a chegar às livrarias o novo catecismo para o 6.º ano, com o título Creio em Jesus Cristo. Para já, os respectivos catequistas poderão consultar e descarregar o primeiro bloco de catequeses do Guia do Catequista, com as sessões até ao Natal, bem como o Plano Pedagógico para este ano catequético. O SDC adianta ainda que, durante a manhã de sábado dia 3 de Novembro, a equipa que trabalhou na elaboração deste catecismo virá ao Seminário de Leiria orientar uma acção de formação sobre esta matéria. “Será uma oportunidade para ficar uma visão global da proposta deste 6.º ano de catequese”, dirigida especialmente aos catequistas que irão trabalhar este volume já neste ano pastoral, mas que poderá interessar a “outros que possam vir a trabalhá-lo proximamente, aos secretariados e coordenadores da catequese e aos párocos”. De referir, por último, que também na Escola Diocesana Razões da Esperança haverá uma proposta para a 2.ª hora (das 22h00 às 23h00) especificamente dirigida ao trabalho de preparação das catequeses deste catecismo do 6.º ano.

Bairro das Almuinhas, Marrazes

Festa em honra de Nossa Senhora de Fátima Nos próximos dias 5, 6 e 7 de Outubro realizam-se os tradicionais festejos em honra de Nossa Senhor de Fátima, padroeira do Bairro das Almuinhas, Marrazes. Do programa consta, no primeiro dia, o passeio de bicicleta, às 15h00, a eucaristia e reflexão às 21h00 e a actuação do acordeonista Vergílio Pereira e Manuel Ribeiro. No sábado a procissão de velas e a celebração da eucaristia será às 20h15, na Igreja Nossa Senhora de Fátima; o arraial será animado pelo conjunto musical “Reticências…”. O ultimo dia de festejos conta com a eucaristia solene e procissão às 15h00 e com as seguintes actuações: Alunos da Escola de dança Diogo Carvalho, Rancho da Região de Leiria e ainda Henrique Nogueira. Durante o fim-de-semana os visitantes terão à sua disposição um serviço de bar com petiscos e bebidas regionais.


10 ECLESIAL

Antífona de Entrada: Est 13, 9.10-11 Senhor, Deus omnipotente, tudo está sujeito ao vosso poder e ninguém pode resistir à vossa vontade. Vós criastes o céu e a terra e todas as maravilhas que estão sob o firmamento. Vós sois o universo. Leitura I: Gen 2, 18-24 Salmo Responsorial: Salmo 127 (128), 1-2.3.4-5.6 (R. cf.5) Refrão: O Senhor nos abeçoe em toda a nossa vida. Repete-se. Leitura II: Hebr , 9-11 Aclamação ao Evangelho: Aleluia 1 Jo 4, 12 Refrão: Aleluia. Repete-se. Se nos amamos uns aos outros, deus permanece em nós e o seu amor em nós é perfeito. Refrão. Evangelho: Mc 10, 2-12 Naquele tempo, aproximaram-se de Jesus uns fariseus para O porem à prova e perguntaram-Lhe: «Pode um homem repudiar a sua mulher?». Jesus disse-lhes: «Que vos ordenou Moisés?». Eles responderam: «Moisés permitiu que se passasse um certificado de divórcio, para se repudiar a mulher». Jesus disse-lhes: «Foi por causa da dureza do vosso coração que ele vos deixou essa lei. Mas, no princípio da criação, ‘Deus fê-los homem e mulher. Por isso, o homem deixará pai e mãe para se unir à sua esposa, e os dois serão uma só carne’. Deste modo, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu». Em casa, os discípulos interrogaram-n’O de novo sobre este assunto. Jesus disse-lhes então: «Quem repudiar a sua mulher e casar com outra, comete adultério contra a primeira. E se a mulher repudiar o seu marido e casar com outro, comete adultério». Apresentaram a Jesus umas crianças para que Ele lhes tocasse, mas os discípulos afastavam-nas. Jesus, ao ver isto, indignou-Se e disse-lhes: «Deixai vir a Mim as criancinhas, não as estorveis: dos que são como elas é o reino de Deus. Em verdade vos digo: Quem não acolher o reino de Deus como uma criança, não entrará nele». E, abraçando-as, começou a abençoá-las, impondo as mãos sobre elas. Palavra da salvação.

4.Outubro.2012

JANELA SOBRE A MISSÃO

Pe. Vitor Mira

vitormira67@gmail.com

De visita ao Longundo (continua)

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Missão do Gungo está dividida em 12 centros, estando agregadas várias aldeias a cada um deles. Um dos mais distantes e inacessíveis é o do Longundo, local até agora visitado uma única vez, a pé, pela equipa missionária, desde 2006. A quase totalidade da equipa missionária, num

AO SABOR DA PALAVRA

Cânticos | XXVIII Domingo do Tempo Comum (14/10/2012) INÍCIO Eu estou à porta e chamo - Lau 361 SALMO RESPONSORIAL Enchei-nos da vossa misericórdia - Lau 330 APRESENTAÇÃO DOS DONS A palavra do Senhor fez o céu - Lau 1127 COMUNHÃO Dou-vos um mandamento novo- Lau 301 Não fostes vós que me escolhestes - Lau 512 PÓS-COMUNHÃO Cantar-vos-ei na presença dos anjos do Senhor - Lau 208 FINAL Quem me seguir - Lau 708

leia, assine, divulgue, anuncie!

O MENSAGEIRO

Pe. Francisco Pereira pe.francisco@mac.com

27º Domingo do Tempo Comum 7 de Outubro de 2012

Coisas a prazo

V

ivemos num mundo em que tudo existe a prazo: a expressão que melhor definiria este tempo é aquela que aparece quase sempre nas embalagens dos produtos que compramos: “Consumir de preferência ante do fim de ...”. Isto é reflexo da superficialidade com que se vive nos dias de hoje, da cultura da imagem, do movimento, das atitudes radicais. Perdeu-se o tempo para apreciar as pequenas coisas

total de seis pessoas, partiu do Sumbe, de jipe, pelo Seles, acompanhados pelo catequista geral do centro, numa viagem que demorou – viemos depois a sabê-lo - 11 horas, num total de 225 km. Eu e a mana Teresa (angolana) estávamos na Donga por razões de programa e atividades. Foi daí que partimos, cada um de nós como “penduras” das motorizadas do Genito Jaime e do Pedro Ernesto. Antes de partirmos, as várias pessoas com que falei não me sabiam dizer ao certo nem a distância nem o tempo de viagem. Partimos então, por volta das quatro da tarde (nada cedo) à descoberta do desconhecido. Os primeiros quilómetros ainda foram percorridos no que resta de uma picada que há mais de 35 anos não é reparada. Logo aí a velocidade tinha que ser muito reduzida e o trilho bem escolhido entre pedras soltas, buracos enormes, piso inclinado,

da vida, com calma: por isso surgem tantas piadas sobre alentejanos, que não vivem em correria como as pessoas das cidades. Esta precariedade das coisas reflecte-se também nas relações entre as próprias pessoas: uma relação entre homem e mulher só dura enquanto os dois sem sentem satisfeitos com o que o outro lhe dá. Quando a satisfação dessa relação diminui é terminada e cada qual segue o caminho procurando uma nova satisfação com outras experiências. Mas esta instabilidade é proclamada como uma coisa natural, pois o que é defendido é a felicidade instantânea (à imagem dos pudins ou das sopas instantâneas, ou da comida préfabricada), que não requer esforço, luta, conquista. As pessoas hoje procuram alcançar logo o fim sem desfrutar o caminho para lá chegar, a realidade é o caminho e não o momento do fim. Mas esta caminhada tem muito mais piada se for realizada com companhia. por isso Deus disse que não era bom que o homem estivesse só, e por isso lhe

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Leituras | XXVII Domingo do Tempo Comum (7/10/2012)

O Mensageiro

zonas de terra solta… mas lá fomos, por vezes a “levar” com o pó da mota da frente. Percorridos uns 12 km a mota do Genito começou a apresentar dificuldades com a roda de trás a ficar bloqueada. Acabámos por ter que parar e ali mesmo “abrir” a oficina de mecânica guardada numa pequena mochila que ele levava. Verificámos que era um rolamento que se tinha desintegrado e os fragmentos andavam à solta. Felizmente, na mochila milagrosa vinha um rola-

mento novo para o lugar do fragmentado. Feita a reparação, a viagem continuou, mas com o sol cada vez mais descaído no horizonte, a esconder-se cada vez com maior frequência atrás dos morros que íamos contornando. Numa das últimas aparições vimo-lo enorme, de um laranja muito vivo, à nossa direita, a dar-nos a certeza da despedida; à esquerda uma neblina suave a ganhar tons de penumbra e a certeza de uma distância desconhecida.

deu uma companheira: a diversidade sexual surgiu, foi criada por Deus, para que a diversidade fosse mais enriquecedora, pois é das diferenças que surge a riqueza. Por isso Jesus Cristo, no Evangelho deste domingo, nos diz que nem o homem pode abandonar a mulher nem a mulher abandonar o homem: a diversidade dos dois unida forma uma única entidade, específica que por isso não pode ter um tempo determinado, como também não se pode determinar o tempo de vida de uma pessoa. Deus não existe a prazo, a sua salvação não tem limite de validade: é para todos os tempos e para todos os homens. Não pode haver amor a prazo, embora seja isso que muita gente deseja nos dias de hoje; há muita gente a reclamar que os casamentos deviam ser feitos com prazo de validade: mas isto e mais uma prova desta sociedade fast-food, em que se corre em busca de mais tempo, mas ele é cada vez menos e por isso as pessoas vivem cada vez mais insaciadas e por isso buscam cada vez mais satisfações

imediatas. As telenovelas, os valores da moda, a opinião pública, têm-se esforçado por apresentar o fracasso do amor como uma realidade normal, banal, que pode acontecer a qualquer instante e que resolve facilmente as dificuldades que duas pessoas têm em partilhar o seu projecto de amor. Para os casais cristãos, o fracasso do amor não é uma normalidade, mas uma situação extrema, uma realidade excepcional. Para o casal que quer viver na dinâmica do Reino, a separação não deve ser uma proposta sempre em cima da mesa. Não tenhamos vergonha de viver calmamente a vida, de parar, de interromper algumas das nossas actividades, para termos mais tempo para aquele que está junto de nós: aquele que atendemos na loja, aquele que ouvimos nas aulas, aquele que sorri para nós no autocarro, aquele que vive connosco. Que Jesus não tenha vergonha dos seus irmãos que tantas vezes têm vergonha uns dos outros.


PORTUGAL 11

O Mensageiro 4.Outubro.2012

“50 anos do Concílio Vaticano II”

Lisboa recebe jornadas sobre Liturgia, Arte e Arquitectura O cardeal-patriarca, D. José Policarpo, e o presidente do Conselho Pontifício da Cultura, cardeal D. Gianfranco Ravasi, vão intervir nas jornadas “Liturgia, Arte e Arquitectura nos 50 anos do Concílio Vaticano II”, que Lisboa recebe em Novembro. A iniciativa que se realiza nos dias 15 e 16 desse mês é organizada pela Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa e Patriarcado de Lisboa, revelou o site do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC), uma das entidades que apoia o encontro. “Liturgia” é o primeiro dos temas a ser abordado, na manhã do dia 15, com intervenções de frei Bento Domingues (“A liturgia no contexto conciliar”), padre João Norton de Matos (“Espaço litúrgico e identidade da Igreja à luz do Concílio Vaticano II”), e padre Arlindo Magalhães (“A comunidade da Serra do Pilar: a

liturgia na pastoral”). Após as conferências realiza-se um debate com os oradores, moderado pelo cónego Luís Manuel Pereira da Silva, especialista em Liturgia. A sessão prossegue depois do almoço com o tema “Liturgia e Arte”, que será reflectido pelo padre José Tolentino Mendonça, director do SNPC (“A arte como linguagem da liturgia”), Paulo Pires do Vale (“Liturgia e arte contemporânea”) e padre Joaquim Félix (“A Capela da Árvore da Vida: Arte e Arquitectura”). O colóquio que se segue é moderado por Marco Daniel Duarte, historiador de arte. O dia termina com a conferência “A retoma do diálogo Igreja-Arte”, pelo cardeal Gianfranco Ravasi, que a 16 e 17 de Novembro marca presença em Guimarães e Braga para o Átrio dos Gentios, plataforma do Conselho Pontifício da Cultura para o diálogo entre

crentes e não crentes. “Liturgia e arquitectura” é o assunto que abre o segundo dia, com o arquitecto Glauco Gresteri, da Universidade de Pescara, em Itália (“Bolonha e o Cardeal Lercaro: a igreja ao serviço da cidade”), Bernardo Miranda (“Pensar um lugar para a liturgia: o aggionarmento como programa”) e João Alves da Cunha (“Evolução das igrejas: do Concílio à actualidade”), com moderação do arquitecto Diogo Pimentel. O último tema em discussão será “Liturgia, arte e arquitectura. Que futuro?”, com o cónego Luís Manuel Pereira da Silva (“Liturgia”), Marco Daniel Duarte (“Arte”) e Diogo Pimentel (“Arquitectura”), seguido de debate moderado pelo padre João Norton de Matos. As Jornadas, apoiadas pela Ordem dos Arquitectos e Sociedade Nacional das Belas Artes, encerram com a conferência “A

actualidade do Concílio Vaticano II”, proferida pelo cardeal-patriarca de Lisboa, adianta a página do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, que apresenta o horário do encontro e o acesso à ficha de inscrição.

Educaçã em Portugal

Escola católica tem papel único mas enfrenta preconceitos dentro da Igreja O secretário-geral da Associação Portuguesa de Escolas Católicas considera que estes estabelecimentos lutam contra opções governamentais adversas e opiniões desfavoráveis dentro da própria Igreja, apesar do papel singular que têm desempenhado na educação em Portugal. “Muitos cristãos” e “consagrados” não compreendem a “riqueza” da Escola Católica devido a “pré-conceitos, percepções de elitismos e outras coisas mais”, a que se juntam “entraves de natureza política”, frisa Jorge Cotovio em texto enviado à Agência ECCLESIA, a propósito da Semana

Nacional da Educação Cristã, que a Igreja assinala até domingo. O responsável salienta que a Igreja tem marcado presença importante no ensino em Portugal, dado que “ninguém como ela se empenhou tanto na promoção da cultura e da educação, mau grado variadíssimos condicionamentos”. Jorge Cotovio também critica os pais católicos “que se deixam levar pela ‘cantiga’ dos filhos (e amigos dos filhos), às vezes bem pequenos, e não subscrevem a inscrição” nas aulas de Educação Moral e Religiosa Católica, e que por isso “cometem uma

falta grave”. “Se todos os pais e mães que participam habitualmente na missa dominical fossem coerentes também a este respeito, haveria muito maior frequência desta disciplina, sobretudo no ensino secundário”, frisa o director pedagógico do Colégio Conciliar de Maria Imaculada, em Coimbra. O docente está convencido que “talvez” houvesse “melhor educação” se todas as crianças, adolescentes e jovens que participam na catequese, escuteiros e outros movimentos juvenis se inscrevessem nas aulas de EMRC. “Temos aqui um espa-

ço privilegiado para ‘moralizar’ a ‘escola pública’ e educar os estudantes para a dimensão moral e religiosa, assim como para a compreensão dos elementos mais profundos da cultura nacional”, aponta Jorge Cotovio. Diante destes obstáculos, a que se juntam as queixas sobre os “horários maus” da disciplina, o “programa pouco atraente”, o “professor que não ‘presta’” ou os “colegas que não se inscrevem”, a Igreja tem “muito a fazer” e a “sensibilizar”, acrescenta.

Breves “Descobrir a solidez da fé: urgência e missão”

Semana Nacional da Educação Cristã Desde o dia 29 de Setembro, até ao próximo dia 7 de Outubro celebra-se a Semana Nacional da Educação Cristã – 2012, subordinada ao tema “Descobrir a solidez da fé: urgência e missão”.. A Nota pastoral para a Semana Nacional da Educação Cristã refere que “a fé cristã, dinamismo do encontro de Jesus com o ser humano, tem lugar no seio da comunhão dos que vivem a fé dos Apóstolos tal como nos é transmitida pela Igreja, comunidade dos crentes. A fé é o encontro com Jesus, vivido em Igreja, que dá um renovado sentido à nossa vida e nos abre novos horizontes de existência, que não podemos calar. Todos têm o direito de conhecer o verdadeiro rosto de Jesus; e nós, cristãos, temos o dever de O mostrar, sem medo, por meio de palavras e de obras”. Assim, ao longo de todos estes dias somos convidados, particularmente os pais, educadores, catequistas, docentes de EMRC, sacerdotes e comunidades cristãs, a tomar consciência de que “educar na fé” consiste, primeiramente, em ajudar a encontrar e conhecer Jesus, a viver da certeza desse encontro e, integrados na comunidade dos crentes, a sermos Suas testemunhas, animados pelo amor que Ele é. Inserida nesta semana estão as Jornadas Nacionais de Catequistas, a decorrer em Fátima, de 5 a 7 de Outubro, subordinada ao tema “Da Catequese Familiar à Catequese Intergeracional”. No dia 7 de Outubro, encerramento da Semana, a celebração será às 11h00, transmitida da Sé de Santarém pela Rádio Renascença, presidida por D. Manuel Pelino Domingues. Às 12h30 realiza-se a peregrinação dos Educadores Católicos a Fátima, Igreja da Santíssima Trindade e Centros pastoral Paulo VI.

Formação no Porto

“E-vangelizar” No próximo dia 5 de Outubro, as «Edições Salesianas» estão no Porto para um encontro de formação para agentes pastorais, denominado «E-vangelizar». O E-vangelizar é um mega encontro de formação para agentes pastorais, destina-se a todos aqueles que estão interessados em melhorar as suas competências de anúncio do Evangelho. Esta iniciativa, conta com o apoio da Província Salesiana Portuguesa, assenta “na oferta de mais de 30 workshops através dos quais os participantes melhoram as suas competências de anúncio do Evangelho”, revela um comunicado enviado à Agência ECCLESIA. Ao longo do dia, cada inscrito pode frequentar cinco ateliês diferentes que estão divididos em três níveis mediante o grau de experiência de animação pastoral dos participantes. As temáticas são “variadas e abrangentes, e, desta vez, vão estar mais atentas ao Ano da Fé, proposto pelo Papa Bento XVI e que terá início a 11 de Outubro”, lê-se na nota. As inscrições podem ser feitas através do site da editora (www.edisal.salesianos.pt).


12 MUNDO

O Mensageiro

4.Outubro.2012

Leste da República Democrática do Congo

Papa pede ajuda para refugiados Bento XVI apelou no passado Domingo, 30 de Setembro, ao apoio da comunidade internacional para os refugiados no leste da República Democrática do Congo, situação que mereceu uma reunião de alto nível nas Nações Unidas, manifestando “preocupação” pelo assunto. “Estou particularmente próximo dos refugiados, das mulheres e crianças, que por causa dos persistentes confrontos armados passam por sofrimentos, violências e profundo malestar”, disse, na residência pontifícia de Castel Gandolfo, arredores de Roma, após a recitação da oração do Angelus. O Papa deixou votos de que as partes envolvidas encontrem “vias pacíficas de diálogo e de protecção

de tantos inocentes” e se regresse “o mais rapidamente possível à paz”. Bento XVI aludiu, em particular, à necessidade de repor a “convivência fraterna desta população tão provada, bem como em toda a região”. O actual conflito já causou cerca de meio milhão de deslocados e coloca em confronto as autoridades congolesas e o M23, movimento saído de uma ante-

rior rebelião cujos membros tinham sido integrados no exército após um acordo assinado com Kinshasa a 23 de Março de 2009. Além da situação na república africana, o Papa dedicou parte da sua reflexão aos “ricos desonestos”, retomando uma passagem da Bíblia contra as “riquezas acumuladas à conta de abusos”. “As palavras do Apóstolo Tiago colocam de

sobreaviso contra o desejo vão de bens materiais e constituem um forte apelo a utilizá-los na perspectiva da solidariedade e do bem comum, agindo sempre com equidade e moralidade, a todos os níveis”, explicou. Bento XVI disse ainda que os católicos “não devem sentir ciúme” e têm de saber apreciar “todos os gestos e iniciativas de bem”. Na saudação em francês, o Papa aludiu ao início do ano universitário, considerando que o mundo académico é “um lugar no qual Deus não pode esta ausente”. Após cerca de três meses de estadia em Castel Gandolfo, Bento XVI regressou ao Vaticano na segunda-feira passada.

“Portais de Verdade e de Fé, novos espaços de evangelização”

Dia Mundial das Comunicações Sociais As Redes Sociais são o tema escolhido por Bento XVI para o 47º Dia Mundial das Comunicações Sociais, segundo informação disponibilizada hoje pela Sala de imprensa da Santa Sé. “Redes Sociais: portais de Verdade e de Fé, novos espaços de evangelização” é o nome da mensagem que Bento XVI vai escrever para o próximo dia 12 de Maio, domingo que antecede a Solenidade de Pentecostes e data em que, por recomendação dos bispos, se celebra

as comunicações sociais. “Já não se trata de utilizar a internet como um «meio» de evangelização, mas de evangelizar considerando que a vida do homem de hoje se exprime também no ambiente digital”, refere o Conselho Pontifício das Comunicações Sociais, reconhecendo a evangelização no ambiente digital “como um dos mais significativos desafios nos dias de hoje”. A mensagem vai reflectir, no contexto do Ano da

Fé, sobre se a tecnologia pode “ajudar as pessoas a encontrar Cristo pela fé”, numa altura em que as relações humanas passam pelo ambiente digital, e também pela necessidade de “apresentar o Evangelho” como resposta a uma contínua pergunta “humana de sentido e de fé” que “emerge da rede e nela mesma se faz estrada”. O Conselho Pontifício indica que o desenvolvimento e a “grande popularidade das redes sociais”

permitiram a acentuação de um “estilo dialógico e interactivo na comunicação e na relação”. A mensagem vai ser publicada no dia 24 de Janeiro, Festa de São Francisco de Sales, padroeiro dos Jornalistas. O Dia Mundial das Comunicações Sociais foi estabelecido pelo II Concílio do Vaticano através do decreto «Inter Mirifica», de 1963.

Cartório Notarial de Leiria A cargo do Notário Pedro Tavares Certifico, para fins de publicação, que neste Cartório e no Livro de Notas para Escrituras Diversas n° 224-A de folhas oitenta e quatro a folhas oitenta e seis se encontra exarada uma escritura de Justificação Notarial no dia vinte e sete de Setembro de 2012. outorgada por: Adelino Ferreira Bom e mulher Emília Esperança, casados no regime da comunhão geral de bens, naturais de Amor, Leiria, residentes na Rua dos Sócios, n° 16, Coucinheira, Amor; Leiria, nif 115 346 554 e 149 515 863, na qual disseram Que são donos e legítimos possuidores dos imóveis identificados em documento complementar elaborado nos termos do artigo 64° do Código do Notariado que fica a fazer parte integrante desta escritura. Que os imóveis das verbas vinte e cinco, vinte e seis e vinte e sete vieram à sua posse do modo seguinte: a vinte e cinco e vinte e sete por doação meramente verbal que lhes foi feita por Domingos Pereira e Joaquina Esperança, pais dela, por volta do ano de mil novecentos e cinquenta e seis, a vinte e seis por compra meramente verbal a Patrício Ferreira Bom e Teresa Duarte, pais dele, por volta de mil novecentos e sessenta. PRÉDIOS SITUADOS NA FREGUESIA DE AMOR, CONCELHO DE LEIRIA NÚMERO VINTE E CINCO - terreno de cultura, com a área de setecentos metros quadrados, sito em Outeiro da Berta, a confrontar do norte com Domingos Pereira, sul com Manuel Cruz Neto, nascente com José Domingues Carreira e poente com caminho, inscrito na respectiva matriz sob o artigo 4321, com o valor patrimonial tributário de 118,92€ NÚMERO VINTE E SEIS - terra de mato, com a área de novecentos e sessenta metros quadrados, sito em Matos, a confrontar do norte com Joaquina Alexandre, sul e poente com Jacinto Diniz Pedro e nascente Joaquim Diniz, inscrito na respectiva matriz sob o artigo 5038, com o valor patrimonial tributário de 75,16€. NÚMERO VINTE E SETE - terra de semeadura, com a área de mil e vinte e quatro metros quadrados, sita em Pardieiro, a confrontar do norte com serventia, sul com Joaquim Roleiro Bom, nascente com herdeiros de José Dinis Pedro e poente com estrada, inscrito na respectiva matriz sob o artigo 10418, com o valor patrimonial tributário de 1.040€. Que, assim, vêm possuindo esses prédios como seus, há mais de vinte anos, como proprietários e na convicção de o serem, cultivando-os e colhendo os seus frutos, cortando mato, plantando e vendendo árvores, cumprindo as obrigações fiscais a eles relativas, posse que vêm exercendo ininterrupta e ostensivamente, com conhecimento de toda a gente e sem oposição de quem quer que seja, assim de modo pacífico, contínuo, público e de boa fé, pelo que adquiriram por usucapião a propriedade sobre os indicados imóveis. Que dada a forma de aquisição originária não têm documentos que a comprovem. Que para suprir tal título vêm pela presente escritura prestar estas declarações de justificação com o fim de obterem no registo predial a primeira inscrição de aquisição dos referidos prédios. Vai conforme ao original na parte fotocopiada não havendo na parte omitida nada que amplie restrinja, modifique ou condicione a parte fotocopiada. Maria Leonor de Almeida Pereira, funcionária do Cartório em epígrafe, no uso de competência cuja autorização pelo Notário respectivo foi publicado nos termos da Lei sob o número 128/3 a 31/01/2011, em Leiria, vinte e sete de Setembro de dois mil e doze. A Funcionária, (Leonor Pereira)

“Colocar a questão de Deus”

Entrega do “Prémio Ratzinger” Bento XVI vai entregar a 20 de Outubro o segundo “nobel” da Teologia, o “Prémio Ratzinger”, a um filósofo francês e um teólogo norte-americano. O galardão, que este ano chega à sua segunda edição, distingue o percur-

so de Rémi Brague, também historiador, e Brian Daley, sacerdote jesuíta, com o objectivo de “colocar a questão de Deus”, disse em conferência de imprensa o presidente da Fundação do Vaticano Joseph Ratzinger. Já o cardeal Camillo

Ruini, presidente do Comité Científico da mesma instituição, falou de Rémi Brague como alguém que “une à força especulativa e à visão histórica uma fé cristã e católica profunda e explícita, sem complexos” e de Brian Daley como “um

grande historiador da teologia patrística”. O prémio consiste num pergaminho e num cheque de 50 mil euros.

F. Costa Pereira Médico Especialista Doenças da boca e dentes

Rua João de Deus, 25- 1º Dt. - LEIRIA CONSULTAS COM HORA MARCADA 2ª, 4ª e 5ª: 11h-13h e 15h-19h, 3ª: 10h-13h e 15h-19h, Sábados: 9h30-15h Tel. 244 832406


OPINIÃO 13

O Mensageiro 4.Outubro.2012

ESBOÇOS - XV

Joaquim Santos Jornalista

Conteúdos de O Mensageiro, um jornal com 98 anos de vida

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Fotos: DR

este início de mês de Outubro, do ano de 2012 o jornal O Mensageiro assinala 98 anos de um caminho de mérito jornalístico. A 7 de Outubro de 1914 o Pe. José Ferreira de Lacerda iniciava mais que um jornal mas também um instrumento que resultou em vantagens históricas para a recuperação da Diocese de Leiria, para além de servir muitos interesses que dotaram a cidade de inúmeras valências que a valorizaram. Num momento de mutações profundas no paradigma comunicacional (uns defendem publicações on-line e outros edições de papel), atrevo-me neste momento histórico de O Mensageiro, que quase perfaz um século de existência, a reflectir sobre o tipo de conteúdos da comunicação social, muito especialmente deste jornal carregado de simbolismo e valor. Uma característica o distingue: sai das paredes da Igreja para abraçar a vida dos seus leitores, acompanhando, comentando, apontando, questionando, apoiando e

participando na dinamização da vida civil. Quanto à temática desta crónica, imagine o leitor que tem na banca a possibilidade de assinar um jornal que tem apenas conteúdos de carácter religioso ou então com informação exclusiva de um determinado sector de actividade, como dentistas ou canalizadores. Compraria esse periódico? Com a excepção do desporto ou da decoração de interiores, dois sectores que movimentam massas nacionais que sustentam estas publicações com a necessária publicidade, os editores de jornais com outras temáticas têm de criar produtos atractivos, mais genéricos, que entrem na própria vida dos cidadãos. O jornal O Mensageiro, para além de se dedicar à vida semanal da Diocese de Leiria-Fátima, também divulga os principais acontecimentos da Igreja em Portugal e no mundo e tenta corresponder à vida da sociedade leiriense, justamente aquela que recebe o periódico. Com esta estratégia e critério jornalístico, O Mensageiro consegue cumprir com duas missões nobres, servir a sua Diocese mas também publicar um registo do evoluir da sociedade leiriense, estabelecendo também um patamar de aproximação entre a Igreja e o seu povo. A Igreja não se deve (não pode) distanciar dos protagonistas deste território, aqueles que dinamizam iniciativas no seio do Clero, mas que também pertencem a clubes desportivos, associações e vários tipos de colectividades da sociedade civil, gostando de se verem retratados nas suas acções públicas. O Mensageiro tem tido esta linha editorial, considerando que é uma mais-valia para os

seus leitores. A edição em papel é essencial porque o seu público-alvo, na grande maioria, não acede às publicações electrónicas. Aliás, já referi noutros registos que as edições electrónicas ainda não provaram o que valem, especialmente na sua viabilidade económica, também no acesso de cidadãos de idades acima dos 40-50 anos. Voltando a falar nos conteúdos de O Mensageiro, julgo que é essencial o jornalismo de proximidade, bem longe do jornalismo de causas do seu fundador, mas com a dinamização de um trabalho que se embrenhe na realidade do espaço diocesano. Os nossos jornalistas, para obter conteúdos originais e muitas vezes em exclusivo, deslocam-se para o centro dos acontecimentos da Igreja mas também da manifestação de rua, do empresário que sofre com a diminuição dos seus negócios ou com a sua ascensão, com os espectáculos que são cultura e conhecimento dos leirienses, com a participação desportiva das várias modalidades existentes dos clubes do distrito. E todos estes intervenientes das iniciativas privadas ou colectivas da sociedade civil são nossos assinantes ou poderão vir a sê-lo, porque se identificam com o jornal, sentindo-se retratados nas suas acções e iniciativas. Uma publicação exclusivamente eclesial interessará muito mais ao seio da Igreja ou a pequeníssimos nichos, as excepções de cidadãos. Se for apenas pela via electrónica, menos disponível ficará e com um interesse muito relativo. Afasta-se o acesso às muitas pessoas que não são utilizadoras da Internet (em Portugal, 44,7%), sabendo que grande percentagem desta percentagem apenas

acedem para ver o seu email. Fica a pergunta, porque não editar nos dois suportes, chegando a mais pessoas? Obviamente que a Igreja pode usar os seus órgãos de comunicação para evangelizar, num sentido formativo de todos os seus leitores. Mas, no mundo de hoje, com públicos exigentes e tão abertos ao quotidiano que nos rege, editar um jornal ou um site, apenas com assuntos do Clero, julgo que poderia ser arriscadíssimo, no que concerne ao interesse geral que venha a despertar dos habitantes da Diocese de Leiria-Fátima, também no que concerne à sua viabilidade económica, acho muito improvável esta materialização. Conheço algumas publicações de sectores específicos da sociedade mas são distribuídas apenas nos agentes alvos e de forma gratuita, porque ninguém os compraria. Por exemplo, as associações de construção civil, o sector automóvel, laboratórios ou clínicas de saúde. Muitos destes movimentos são portadores de publicações que promovem estes sectores da sociedade ou da economia portuguesa mas, igualmente a gratuitidade está na ordem do dia, com periódicos a circularem livres de cobrança, como forma de se promoverem, ou de difundirem novos produtos e serviços e as suas vantagens. O Mensageiro é um jornal da Diocese de Leiria-Fátima mas também generalista, tocando nos aspectos fundamentais dos cidadãos deste território. O mapa jornalístico que traça é vasto porque as suas orientações são que se consiga estar presente junto de todos os nossos leitores, na vida do seio da

Igreja mas também no rol dos muitos acontecimentos do distrito, retratado historicamente por este jornal desde há quase 100 anos. Ainda há pouco tempo falava com um investigador que se deslocou ao Arquivo Distrital de Leiria para investigar um assunto em torno das pontes do rio Lis e referiu-me um dado curioso: “bebeu” história com O Mensageiro das décadas de 30-40 porque era o único jornal que a registava. Muitos dos periódicos desse tempo, especialmente o semanário Região de Leiria, eram essencialmente jornais em que predominavam anúncios. O Mensageiro, 98 anos depois, continua com a sua missão de legar aos seus assinantes ou leitores ocasionais, a vida da sua Diocese que ajudou a restaurar em 1918, mas também de todo o distrito que muito ganhou por ter um jornal assim. Os conteúdos são discutíveis, sempre. Mas, julgo que a organização de O Mensageiro é um marco e um trunfo. O que me falam as personalidades com que me cruzo nos meus afazeres jornalísticos, é que poderia ser um jornal ainda mais presente na sociedade leiriense. Ele é desejado e até lamentado por não ser visto nesta ou naquela iniciativa. Assim, com mais conteúdos da sociedade, com mais presenças nas iniciativas, reformulando a sua paginação, o tipo de impressão e de papel, teríamos mais e melhor produto. É o que dizem por aí, opinião com que concordo. Esperamos que seja a prenda dos seus quase 100 anos. Parabéns O Mensageiro, pelos 98 anos de informação e formação, cristã e civil.

JORNALICES

Pedro Jerónimo

Curioso dos media

Comunicar ou silenciar?

E

coam ainda na minha cabeça algumas intervenções nas Jornadas das Comunicações Sociais (ver última página). Enriquecedor, sem dúvida, ouvir bispos, padres, leigos e até um ateu, que ali se assumiu publicamente. Todos com uma preocupação comum: defender e promover a comunicação. Até o ateu usou de palavras escutadas a um Papa, que mais não foram que uma reprodução das de Jesus: “não tenhais medo!” Medo de falar de Deus, de testemunhá-lo. Até dentro da própria Igreja. Já dizia o padre Tolentido que nós, Igreja, nos deixamos levar facilmente pela inércia e as preocupações do mundo, pelos ritualismos de sempre. Guardo do encontro esse desafio a confiar em Deus e a deixar que Ele actue. Não o fazer é estar a assumir uma postura de silenciamento ao próprio Deus. Não o fazer é renegar um chamamento a ser Igreja no mundo, com o mundo, pelo mundo. E esse é feito de pequenos mundos, os do dia-a-dia. Família, trabalho, escola... Não o fazer é querer viver para mim mesmo, no meu mundo, onde só eu conto e os outros não importam. Isso não é ser Igreja, isso não é comunicar Deus. Porque Deus é Amor. No jornalismo acontece o mesmo, quando os interesses económicos se sobrepõem à missão de comunicar a verdade. Silenciamentos. Silêncio...


14 INSTITUCIONAL ANÁLISE POLÍTICA

Orlando Fernandes Jornalista

Que futuro para a RTP? (II)

A

RTP tem hoje receitas do Orçamento do Estado, da contribuição

O Mensageiro

4.Outubro.2012

audiovisual e das receitas comerciais. As duas primeiras são pagas pelos contribuintes, mas por duas vias diferentes. E, para financiar a RTP que o Governo quer agora concessionar - isto é, sem a RTP 2 e os canais regionais – a transferência do orçamento, no valor de 90 milhões de euros – deixará de ser necessária já a partir do próximo ano. Sobra a contribuição audiovisual, na factura da luz, e que vale 140 milhões de euros por ano. Não percebo a indignação daqueles que estão contra a manutenção da taxa audiovisual para financiar o serviço público, ou melhor,

CARTÓRIO NOTARIAL DE ALCOBAÇA A cargo do notário Rui Sérgio Heleno Ferreira EXTRACTO DE JUSTIFICAÇÃO CERTIFICO, para efeitos de publicação, que por escritura de vinte e sete de Setembro de dois mil e doze, iniciada a folhas cento e duas do Livro de Notas para Escrituras numero cinquenta e très4desto Cartório: FERNANDO MOTA DE OLIVEIRA e mulher BELMIRA MARQUES FERREIRA DE OLIVEIRA, casados sob o regime da comunhão de adquiridos, naturais ele da freguesia de Milagres e ela da freguesia de Monte Redondo, ambas do concelho de Leiria, residentes na Rua do Canto, n.º 753, Bidoeira de Cima, Leiria, NIF 124 623 75,1 e 204 335 400, respectivamente, justificaram a posse dos seguintes bens: UM - Prédio rústico composto de pinhal, com área de mil quatrocentos e quarenta metros quadrados, sito em Vale Coelho, freguesia de Milagres, concelho de Leiria, inscrito na matriz da referida freguesia sob o artigo 4320º, descrito na Segunda Conservatória do Registo Predial de Leiria sob o número mil quatrocentos e vinte e seis / Milagres, ai registado a favor de Adelino Lisboa e mulher Maria Mendes dos Santos, casados na comunhão gerei, residentes em Bidoeira de Cima, Leiria, pela apresentação trinta de vinte de Maio de mil novecentos e noventa o dois. DOIS - Prédio rústico composto de pinhal, com área de setecentos e cinquenta metros quadrados, sito em Vale do Lobo, freguesia de Milagres, concelho de Leiria, que confronta a norte com Luísa de Jesus viúva, a sul com Aires Fernandes Lisboa, a nascente com caminho e a poente com José Norte, inscrito na matriz da referida freguesia sob o artigo 108.56.°, omisso na Segunda Conservatória do Registo Predial Que o bem acima identificada um UM veio à posse dos justificantes no mês de Junho de mil novecentos e noventa e dois, por compra verbal que fizeram a aos referidos titulares inscritos, sendo impossível fazer a escritura por falecimento do vendedor e indisponibilidade da vendedora e dos seus herdeiros. Que o bem acima identificado DOIS veio à posse dos justificantes por volte do ano de mil novecentos e noventa, por compra verbal que fizeram a Joaquim da Silva Pereira e mulher Emília da Mota Pereira, casados que foram na comunhão geral, residentes que foram em Barracão, Colmeias, Leiria, compra essa que não lhes foi nem é agora possível fazer por escritura pública por falecimento dos vendedores. Certo é porém, e do conhecimento geral, que vêm possuindo os bens desde há mais de vinte anos, sem interrupção, ostensivamente e sem oposição de ninguém, na convicção, que sempre tem sido também a das outras pessoas, de serem eles os seus únicos e verdadeiros donos. Na verdade, foram os justificantes e mais ninguém que durante todo este tempo têm desfrutado os ditos bens e têm praticado neles os actos normais de conservação e de defesa da propriedade. Que assim, e na falta de melhor título, os justificantes adquiriram os identificados bens por usucapião, que aqui invocam por não lhes ser possível provar a aquisição pelos meios extrajudiciais normais. Que vai conforme o original na parte fotocopiada, não havendo na parte omitida nada que altere, modifique ou restrinja a parte transcrita. Alcobaça, vinte e sete de Setembro de dois mil e doze. O Notário, (Rui Sérgio Heleno Ferreira)

FARMÁCIAS DE SERVIÇO Avenida (4), Baptista (5), Central (6), Godinho Tomáz (7), Higiene (8), Antunes (9), Lis (10) e Oliveira (11). TELEFONES ÚTEIS Bombeiros Municipais - 244 832 122 | Bomb. Vol. Leiria (Ger.) - 244 882 015 | Bomb. Vol. Leiria (Urg.) - 244 881 120 | Bomb. Volunt. Batalha - 244 765 411 | Bomb. Volunt. P. Mós - 244 491 115 | Bomb. Volunt. Juncal

Registo no ICS N.º 100494 Semanário - Sai à 5ª Feira Tiragem média - 3.000

percebo. Se pagarmos ao Estado, não há problemas, se for para um privado, já é uma vergonha. Mas, afinal queremos ou não o serviço público? Admitindo que sim, têm de ser os contribuintes a garantir esse financiamento. Tudo o resto é demagogia. Agora, a realização do serviço público de televisão pode ser feita por um privado. Este é um dos muitos mitos – ou apenas preconceito – que é necessário extinguir. Aliás, ouve-se todos os dias os privados a vangloriarem-se do serviço público que prestam em relação ao que faz a RTP. Afinal, é possível. Qual é o pecado original

desta proposta? Oferecer uma receita garantida ao novo concessionário, nos tempos que correm, sempre, configura uma situação de concorrência desleal em relação à SIC e TVI. Seria, verdadeiramente, mais uma PPP, porque o Estado garante procura – 140 milhões por ano durante 20 anos – ao novo concessionário. Seria perpetuar um modelo de negócio que está instalado e que o Governo diz querer acabar. Desta vez na comunicação social, com todas as dependências que isso geraria do novo ´dono` da RTP em relação ao poder político em funções. O serviço público de televisão deve ser alvo de

CARTÓRIO NOTARIAL DE ALCOBAÇA A cargo do notário Rui Sérgio Heleno Ferreira EXTRACTO DE JUSTIFICAÇÃO CERTIFICO, para efeitos de publicação, que por escritura de vinte e sete de Setembro de dois mil e doze, iniciada a folhas cento e duas do Livro de Notas para Escrituras numero cinquenta e très4desto Cartório: FERNANDO MOTA DE OLIVEIRA e mulher BELMIRA MARQUES FERREIRA DE OLIVEIRA, casados sob o regime da comunhão de adquiridos, naturais ele da freguesia de Milagres e ela da freguesia de Monte Redondo, ambas do concelho de Leiria, residentes na Rua do Canto, n.º 753, Bidoeira de Cima, Leiria, NIF 124 623 75,1 e 204 335 400, respectivamente, justificaram a posse dos seguintes bens: UM - Prédio rústico composto de pinhal, com área de mil quatrocentos e quarenta metros quadrados, sito em Vale Coelho, freguesia de Milagres, concelho de Leiria, inscrito na matriz da referida freguesia sob o artigo 4320º, descrito na Segunda Conservatória do Registo Predial de Leiria sob o número mil quatrocentos e vinte e seis / Milagres, ai registado a favor de Adelino Lisboa e mulher Maria Mendes dos Santos, casados na comunhão gerei, residentes em Bidoeira de Cima, Leiria, pela apresentação trinta de vinte de Maio de mil novecentos e noventa o dois. DOIS - Prédio rústico composto de pinhal, com área de setecentos e cinquenta metros quadrados, sito em Vale do Lobo, freguesia de Milagres, concelho de Leiria, que confronta a norte com Luísa de Jesus viúva, a sul com Aires Fernandes Lisboa, a nascente com caminho e a poente com José Norte, inscrito na matriz da referida freguesia sob o artigo 108.56.°, omisso na Segunda Conservatória do Registo Predial Que o bem acima identificada um UM veio à posse dos justificantes no mês de Junho de mil novecentos e noventa e dois, por compra verbal que fizeram a aos referidos titulares inscritos, sendo impossível fazer a escritura por falecimento do vendedor e indisponibilidade da vendedora e dos seus herdeiros. Que o bem acima identificado em DOIS veio à posse dos justificantes por volte do ano de mil novecentos e noventa, por compra verbal que fizeram a Joaquim da Silva Pereira e mulher Emília da Mota Pereira, casados que foram na comunhão geral, residentes que foram em Barracão, Colmeias, Leiria, compra essa que não lhes foi nem é agora possível fazer por escritura pública por falecimento dos vendedores. Certo é porém, e do conhecimento geral, que vêm possuindo os bens desde há mais de vinte anos, sem interrupção, ostensivamente e sem oposição de ninguém, na convicção, que sempre tem sido também a das outras pessoas, de serem eles os seus únicos e verdadeiros donos. Na verdade, foram os justificantes e mais ninguém que durante todo este tempo têm desfrutado os ditos bens e têm praticado neles os actos normais de conservação e de defesa da propriedade. Que assim, e na falta de melhor título, os justificantes adquiriram os identificados bens por usucapião, que aqui invocam por não lhes ser possível provar a aquisição pelos meios extrajudiciais normais. Que vai conforme o original na parte fotocopiada, não havendo na parte omitida nada que altere, modifique ou restrinja a parte transcrita. Alcobaça, vinte e sete de Setembro de dois mil e doze. O Notário, (Rui Sérgio Heleno Ferreira)

- 244 470 115 | Bomb. Volunt Ourém - 249 540 500 | Bomb. V. M.te Redondo - 244 685 800 | Bomb. Volunt. Ortigosa - 244 613 700 | Bomb. Volunt. Maceira - 244 777 100 | Bomb. Vol. Marinha - 244 575 112 | Bom. Volunt. Vieira - 244 699 080 | Bom. Voltun. Pombal - 236 212 122 | Brigada de Trânsito - 244 832 473 | Câmara M. de Leiria - 244 839 500 | Câmara Eclesiástica - 244 832 539 | CENEL (Avarias) - 800 246 246 | C. Saúde A. Sampaio - 244 817 820 | C. Saúde Gorjão Henriques - 244 816 400 | C. P. (Est. de Leiria) - 244 882 027 | Cruz Vermelha - Leiria - 244 823 725 | Farmácia Avenida - 244 833 168 | Farmácia Baptista

um concurso autónomo, ao melhor preço, pelos três privados que controlam televisões, os dois actuais e o novo. Mas com tudo o que isso implica, ou seja, com as pessoas que estão hoje na RTP porque a televisão pública presta um serviço público. Serão 1000, 1500, do total de quase dois mil funcionários? Não sei, mas essa avaliação não é difícil de fazer. A concessão da RTP 1, com um orçamento da ordem dos 40 milhões de euros, continuaria, assim, a gerar interessados, mas com o risco, o risco que deve ter qualquer negócio. Ainda assim, confesso, gostaria de ver os dois gru-

pos privados a concorrerem à prestação do serviço público, ao cheque de 140 milhões e à estrutura de pessoal que o justifica. Agora, o Governo não tem margem de recuo. Tem mesmo de avançar com o processo de concessão da RTP, com as correcções necessárias, sob pena de perder a força política, neste dossiê e nos outros. Ao fim de pouco mais de um ano de governação, é fácil perceber o que está em causa, e é muito mais do que a RTP. Para o bem e para o mal, Pedro Passos Coelho sabe que muito do seu futuro, e do País, vai depender do que for capaz de fazer nesta operação.

Cartório Notarial de Leiria A cargo do Notário Pedro Tavares Certifico, para fins de publicação, que neste Cartório e no Livro de Notas para Escrituras Diversas n° 224-A de folhas trinta e três a folhas trinta e quatro se encontra exarada uma escritura de Justificação Notarial no dia vinte de Setembro de 2012. outorgada por: Dr. Vitorino das Neves Vieira Pereira, casado com Maria Gabriela Santos da Fonseca Vieira Pereira em separação de bens, natural de Cortes, Leiria, residente na Rua João de Deus n° 5, 2° em Leiria, nif 132 597 063 Disse o primeiro: Que, com exclusão de outrem, é dono e legítimo possuidor, do prédio rústico, composto por terra de cultura, vinha e oliveiras, com nove mil trezentos e cinquenta metros quadrados, sito em Abadia, Vale Coelho, na freguesia de Cortes do concelho de Leiria, descrito na Primeira Conservatória do Registo Predial deste concelho sob o número cinquenta e seis, inscrito na matriz sob o artigo 2491, com o valor patrimonial e atribuído de 3281,27€, registado a favor de Artur Alves Pereira das Neves, Maria Julieta Simões de Figueiredo Alves Pereira, Joaquim Alves Pereira Júnior e Perpéctua Lopes Alves Pereira pela apresentação quarenta e oito de quatro de Março de mil novecentos e oitenta e seis. Que o imóvel veio à sua posse por compra meramente verbal que lhes foi feita por volta de mil novecentos e oitenta e seis não se tendo celebrado escritura por não se conseguirem juntar todos os interessados. Que, assim, vem possuindo esse imóvel como seu há mais de vinte anos, como proprietário e na convicção de o ser, cultivando-o e colhendo os seus frutos, cumprindo as obrigações fiscais a ele relativas, posse que vem exercendo ininterrupta e ostensivamente, com conhecimento de toda a gente e sem oposição de quem quer que seja, assim de modo pacífico, contínuo, público e de boa fé, pelo que adquiriu por usucapião a propriedade sobre o aludido imóvel. Que dada a forma de aquisição originária não tem documentos que a comprovem. Que para suprir tal título vem pela presente escritura prestar estas declarações de justificação em ordem ao estabelecimento de novo trato sucessivo no registo predial. Vai conforme ao original na parte fotocopiada não havendo na parte omitida nada que amplie restrinja, modifique ou condicione a parte fotocopiada. Maria Leonor de Almeida Pereira, funcionária do Cartório em epígrafe, no uso de competência cuja autorização pelo Notário respectivo foi publicado nos termos da Lei sob o número 128/3 a 31/01/2011, em Leiria, vinte de Setembro de dois mil e doze. A Funcionária (Leonor Pereira)

- 244 832 320 | Farmácia Central - 244 817 980 | Farmácia Coelho - 244 832 432 | Farmácia Higiene - 244 833 140 | Farmácia Lino - 244 832 465 | Farmácia Oliveira - 244 822 757 | Farmácia Sanches - 244 892 500 | Governo Civil - 244 830 900 | Guarda N. Republicana - 244 824 300 | Hospital de S.to André - 244 817 000 | Hospital S. Francisco - 244 819 300 | Polícia Judiciária - 244 815 202 | Polícia S. Pública - 244 859 859 | Polidiagnóstico - 244 828 455 | Rádio Táxis - 244 815 900 | Rádio Alerta - 244 882 247 | Rodoviária do Tejo - 244 811 507 | Teatro JLS (Cinema) - 244 823 600

Fundador José Ferreira Lacerda Director Rui Ribeiro (TE416) Redacção Joaquim Santos (CP7731), Ana Vala (CP8867). Paginação O Mensageiro Colaboradores Ambrósio Ferreira, Américo Oliveira, André Batista (Pe.), Ângela Duarte, Carlos Alberto Vieira, Carlos Cabecinhas (Pe.), Cláudia Mirra, José Casimiro Antunes, Francisco Pereira (Pe.), João Filipe Matias (CO798), Joaquim J. Ruivo, Jorge Guarda (Pe.), José António C. Santos, Júlia Moniz, Maria de Fátima Sismeiro, Orlando Fernandes, Pedro Jerónimo (CO1060), Saúl António Gomes, Vítor Mira (Pe.). Administração / Publicidade André Antunes Batista (Pe.). Propriedade/Sede (Editor) Seminário Diocesano de Leiria - Largo Padre Carvalho - 2414-011 LEIRIA - Reitor: Armindo Janeiro (Pe.) Contribuinte 500 845 719 Contactos Tel.: 244 821 100/1 - Fax: 244 821 102 - Email: jornal@omensageiro.com.pt - Web: www.omensageiro.com.pt Impressão e Expedição Empresa do Diário do Minho, Lda - Tel: 253 303 170 - Fax: 253 303 171 Depósito Legal 2906831/09

Tabela de Assinaturas para 2012 Destino Nacional Europa Resto do Mundo

Normal Benfeitor 20 euros 40 euros 30 euros 60 euros 40 euros

Preço avulso - 0,80 euros


DESPORTO 15

O Mensageiro 4.Outubro.2012

Triatlo | Primeiro lugar na etapa vale subida ao Top 10 mundial

liga portuguesa de futebol profissional

João Silva repete vitória no Japão

I Liga 5.ª Jornada 30 de Setembro P. Ferreira x Benfica (1-2) V. Guimarães x Sp. Braga (0-2) Sporting x Estoril (2-2) Rio Ave x Porto (2-2) Gil Vicente x Moreirense (4-3) Beira-Mar x V. Setúbal (1-1) Olhanense x Nacional (1-2) Nacional x Académica (0-2) J 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5

V 3 3 3 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 0

E 2 2 1 4 3 3 3 3 3 2 2 2 2 2 1 3

D 0 0 1 0 1 1 1 1 1 2 2 2 2 2 3 2

Pts 11 11 10 7 6 6 6 6 6 5 5 5 5 5 4 3

5.ª Jornada 7 de Outubro Benfica x Beira-Mar . dia 6, 20h30, Sport Tv1 V. Setúbal x P. Ferreira . 16h00 Nacional x Gil Vicente . 16h00 Sp. Braga x Olhanense . 16h30, Sport Tv1 Estoril x Rio Ave . 17h00 Académica x V. Guimarães . 18h30, Sport Tv1 Porto x Sporting . 20h45, Sport Tv1 Moreirense x Marítimo . dia 8, 20h10, Sport Tv1

liga portuguesa de futebol profissional

II Liga 8.ª Jornada 30 de Setembro Benfica B x Leixões (0-0) Naval x D. Aves (1-2) Porto B x Penafiel (1-1) Belenenses x Tondela (4-0) Feirense x U. Madeira (3-1) Marítimo B x Portimonense (1-0) Arouca x Atlético (2-0) Trofense x Sp. Covilhã (1-1) Sp. Braga B x V. Guimarães B (0-0) Freamunde x Sporting B (0-2) Santa Clara x Oliveirense (1-1) 1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º 17.º 18.º 19.º 20.º 21.º 22.º

Equipa Belenenses Sporting B Oliveirense Benfica B Arouca Penafiel D. Aves Leixões Tondela Marítimo B Portimonense U. Madeira Trofense Porto B Sp. Covilhã V. Guimarães B Santa Clara Atlético Naval Sp. Braga B Feirense Freamunde

J 8 8 8 8 8 8 8 7 8 8 8 8 8 8 8 8 7 8 8 8 8 8

V 7 6 5 4 4 4 3 3 3 4 3 3 2 1 1 1 1 2 1 0 1 0

E 0 1 2 3 3 2 4 3 3 0 2 2 4 4 4 4 4 0 2 5 2 2

D 1 1 1 1 1 2 1 1 2 4 3 3 2 3 3 3 2 6 5 3 5 6

Pts 21 19 17 15 15 14 13 13 12 12 11 11 10 7 7 7 7 6 5 5 5 2

9.ª Jornada 7 de Outubro Sporting B x Porto B . dia 6, 17h00 D. Aves x Belenenses . dia 6, 18h30, Sport Tv1 Portimonense x Benfica B . 11h15, Sport Tv1 Oliveirense x Feirense . 15h00 Tondela x U. Madeira . 15h00 V. Guimarães B x Santa Clara . 16h00 Penafiel x Sp. Braga B . 16h00 Leixões x Naval . 16h00 Sp. Covilhã x Freamunde . 16h00 Atlético x Trofense . 16h00 Marítimo B x Arouca . 16h00

Delly Carr/ITU Media

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º

Equipa Benfica Porto Sp. Braga Académica Sporting Estoril P. Ferreira V. Setúbal Gil Vicente Marítimo V. Guimarães Moreirense Rio Ave Nacional Olhanense Beira-Mar

Dois anos consecutivos a vencer a etapa de Yokohama (Japão) do Campeonato do Mundo de triatlo. O feito é de João Silva, 23 anos, natural da Benedita, Alcobaça, e que actualmente representa o Sporting. Já tinha festejado em 2011 e voltou a fazê-lo este ano (29 de Setembro). À entrada da 8.ª etapa do mundial ocupava o 18.º lugar, mas com a vitória subiu até ao 10.º. O segredo, diz, está na dedicação. “A sorte dá muito trabalho, como se costuma dizer. Estou muito contente. Foi um excelente resultado, mas não se faz nada sem trabalho, foi esse o segredo”, disse o atleta à agência Lusa, recusando a ideia de que o território japonês lhe daria sorte.

João Silva, que terminou no 9.º lugar nos Jogos Olímpicos – Londres 2012, justificou a vitória em Yokohama com a preparação olímpica, lembrando que o início da época não foi dos melhores. O pódio ficou completo com o vice-campeão olímpico, o espanhol Javier Gomes, e o russo Dmitr Polyanski. João Pereira, o outro português em prova, terminou no 30.º lugar a etapa japonesa, ocupando o 56.º da geral. O Campeonato do Mundo de Triatlo ficará decidido na grande final, agendada para 20 e 21 de Outubro, em Auckland (Nova Zelândia).

Casal Velho leva Supertaça

Leiria na final do Interassociações

FUTSAL - A equipa do C.C.D.S. Casal Velho levou a melhor (5-0) sobre a da A.C.D. Igreja Velha, na decisão da Supertaça da Associação de Futebol de Leiria (séniores masculinos). O jogo decorreu no Pavilhão da Martingança, dia 29 de Setembro.

FUTSAL - A selecção distrital de séniores femininos qualificou-se para a fase final do Torneio Nacional Interassociações (5 a 7 de Outubro, Carcavelos), depois de vencer Setúbal (8-3) e Santarém (4-0). A fase zonal (sul) decorreu nas Caldas da Rainha, nos dias 29 e 30.

federação portuguesa de futebol

federação portuguesa de futebol

federação portuguesa de futebol

associação de futebol de leiria

II Divisão B sul

III Divisão D

III Divisão E

HONRA

3.ª Jornada 30 de Setembro Sertanense x Louletano (1-0) Fátima x Casa Pia (1-0) Mafra x Ribeira Brava (3-0) 1.º Dezembro x U. Leiria (1-1) Carregado x Fut. Benfica (8-2) Quarteirense x Pinhalnovense (2-0) Farense x Oeiras (1-1) Oriental x Torreense (2-1) 1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º

Equipa Fátima Carregado Mafra Sertanense 1.º Dezembro U. Leiria Farense Oriental Quarteirense Torreense Oeiras Casa Pia Fut. Benfica Pinhalnovense Ribeira Brava Louletano

J 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3

V 3 2 2 2 1 1 1 1 1 1 0 0 0 0 0 0

E 0 1 1 0 2 2 2 1 1 1 2 2 2 1 0 0

D Pts 0 9 0 7 0 7 1 6 0 5 0 5 0 5 1 4 1 4 0 4 1 2 1 2 1 2 2 1 3 0 3 0

4.ª Jornada 7 de Outubro Louletano x Oriental . todos os jogos às 15h00 Casa Pia x Sertanense Ribeira Brava x Fátima U. Leiria x Mafra Futebol Benfica x 1.º Dezembro Pinhalnovense x Carregado Oeiras x Quarteirense Torreense x Farense

3.ª Jornada 30 de Setembro Sernache x Alcanenense (3-0) Marinhense x Torres Novas (2-2) Sourense x Sp. Pombal (3-0) Alcobaça x Ol. Hospital (2-2) Caldas x Mortágua (2-1) Penelense x Beneditense (1-0) 1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º

Equipa Sernache Sourense Caldas Penelense Alcobaça Ol. Hospital Sp. Pombal Alcanenense Mortágua Beneditense Torres Novas Marinhense

J 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3

V 3 3 2 2 1 1 1 1 0 0 0 0

E 0 0 0 0 2 1 1 0 1 1 1 1

D Pts 0 9 0 9 1 6 1 6 0 5 1 4 1 4 2 3 2 1 2 1 2 1 2 1

4.ª Jornada 7 de Outubro Alcanenense x Penelense .Todos os jogos às 15h00 Torres Novas x Sernache Sp. Pombal x Marinhense Ol. Hospital x Sourense Mortágua x Alcobaça Benditense x Caldas

3.ª Jornada 30 de Setembro Pêro Pinheiro x U. Tires (0-0) Real x Lourinhense (0-1) Eléctrico x Cartaxo (5-0) Sintrense x Barreirense (4-0) Fabril Barreiro x Peniche (5-1) Sacavenense x Amora (3-0) 1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º

Equipa Sacavenense Sintrense Lourinhanense Fabril Barreiro Eléctrico Barreirense U. Tires Pêro Pinheiro Amora Peniche Real Cartaxo

J 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3

V 3 2 2 2 2 1 1 0 0 0 0 0

E 0 1 1 1 0 1 1 2 1 1 1 0

D Pts 0 9 0 7 0 7 0 7 1 6 1 4 1 4 1 2 2 1 2 1 2 1 3 0

4.ª Jornada 7 de Outubro Barreirense x Eléctrico .Todos os jogos às 15h00 U. Tires x Sacavenense Lourinhanense x Pêro Pinheiro Cartaxo x Real Peniche x Sintrense Amora x Fabril Barreiro

2.ª Jornada 30 de Setembro Atouguiense x GRAP/Pousos (0-3) Guiense x Vieirense (2-0) Meirinhas x Bombarralense (1-1) Marrazes x Alvaiázere (2-0) Figueiró dos Vinhos x Nazarenos (2-3) Pelariga x Avelarense (3-1) Pataiense x Lisboa e Marinha (5-1) Pousaflores x Portomosense (3-2) 1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º

Equipa Pousaflores GRAP/Pousos Pelariga Guiense Nazarenos Marrazes Alvaiázere Portomosense Avelarense Pataiense Meirinhas Bombarralense Vieirense Fig.Vinhos Atouguiense Lisboa Marinha

J 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2

V 2 2 2 1 1 1 1 1 1 1 0 0 0 0 0 0

E 0 0 0 1 1 1 0 0 0 0 1 1 1 0 0 0

D Pts 0 6 0 6 0 6 0 4 0 4 0 4 1 3 1 3 1 3 1 3 1 1 1 1 1 1 2 0 2 0 2 0

3.ª Jornada 7 de Outubro Vieirense x Fig.Vinhos .Todos os jogos às 15h00 Bombarralense x Pousaflores Alvaiázere x Guiense Lisboa e Marinha x Marrazes Avelarense x GRAP/Pousos Nazarenos x Atouguiense Pelariga x Meirinhas Portomosense x Pataiense

Equipas de Leiria no pódio da Supertaça ANDEBOL - Juve Lis (2.º lugar) e Colégio João de Barros (3.º) participaram na decisão da Supertaça (seniores femininos), ganha pela equipa do Madeira SAD. A prova, que contou ainda com o Sports Madeira, decorreu no Pavilhão da Juve Lis (Leiria), dias 29 e 30 de Setembro. No jogo aguardado com maior expectativa, o muito público que presenciou a partida e encheu as bancadas do pavilhão não deu por mal empregue o seu tempo já que pode assistir a um jogo muito equilibrado até ao intervalo. Algum desequilíbrio só parecia notório quando as madeirenses chegaram a uma vantagem de quatro golos (24-20), margem que parecia ser suficiente. A Juve Lis reagiu muito bem e recuperou até ao 25-24. A última posse de bola ainda foi das leirienses que, no entanto, não conseguiram levar o ataque até ao fim, desperdiçando a eventual oportunidade de empatarem o jogo, levando-o para prolongamento. O resultado não se alterou e o título viajou novamente para a Madeira. No jogo de atribuição dos 3.º e 4.º o Colégio João de Barros sentiu grandes dificuldades em ultrapassar o Sports Madeira, que ao intervalo vencia por 12-14. No segundo tempo, a formação de Paulo Félix chegou a estar a perder por 22-18, mas nos últimos sete minutos apareceu muito bem a defender, com muitas intercepções de bola que permitiram rápidos contra-ataques quase sempre concretizados em golo. No final, 25-24 a favor da equipa das Meirinhas (Pombal). Com fpa.pt


ÚLTIMA 6OUTUBRO2012

A realidade não é um monte de factos sem significado. D. Nuno Brás, nas Jornadas das Comunicações Sociais 2012

“Silêncios e Silenciamentos” em debate nas Jornadas das Comunicações Sociais

Igreja tem o dever de traduzir Deus ao mundo de hoje (Re)aprender a comunicar, trabalhando em rede, é a principal conclusão das Jornadas das Comunicações Sociais), que reuniram cerca de 150 pessoas, entre responsáveis por órgãos de comunicação social, jornalistas, leigos, padres e religiosas, em torno do tema “Silêncios e Silenciamento” (26 e 27 de Setembro, Fátima). A questão já tinha sido abordada, dias antes, por D. Pio Alves, presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, em entrevista à agência Ecclesia: a Igreja tem dificuldades em comunicar e o trabalho em rede (ou a falta dele) é um dos reflexos. A conclusão, que tinha sido a mesma do Congresso da Associação de Imprensa de Inspiração Cristã, cerca de um ano antes, voltou a ser recuperada nas Jornadas das Comunicações Sociais de 2012. “Nos variados meios de comunicação social em que a Igreja está formalmente, penso que se impõe com urgência pensar, repensar a real criação de sinergias”, sublinhou D. Pio Alves. Uma medida que se justifica ainda mais no actual contexto de crise económica, tendo em vista uma eficaz gestão de recursos. Preocupações que devem considerar que a presença da Igreja Católica no mundo da comunicação é “parte da sua missão”, disse, por seu lado, D. Nuno Brás, vogal da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais. “A Igreja não pode deixar de estar presente no mundo mediático”, sublinhou o bispo auxiliar de Lisboa, acrescentando que “os disparates mediáticos que encontramos, podemos

“Doença silenciosa” no jornalismo

Carlos Magno

Padre José Tolentino Mendonça (ao centro) e o jornalista António Marujo (à direita) dizer, são normais numa cultura que nasceu, cresceu, viveu e vive ainda hoje à margem do Evangelho”. Um padre inquieto Provocadora e promotora de reflexão, assim foi a intervenção do padre José Tolentino Mendonça no painel “Silêncios e silenciamentos na comunicação do religioso”. O também Consultor do Pontifício Conselho para a Cultura, no Vaticano, começou por afirmar que “poucas vezes nos questionamos, dentro da Igreja, de qual deve ser o nosso papel.” O principal assenta na comunicação, entende. “Nós próprios sabemos falar mal”, “ousamos pouco dar razões da nossa experiência”, porque “interiorizamos a indiferença do mundo”. Um “automatismo de rituais” é a expressão da fé mais frequente entre aqueles que são chamados a ser Igreja. Para o padre Tolentino, “devemos deixar de ser fregueses da nossa paró-

As redacções e o jornalismo português estão a ser vítimas de uma “doença silenciosa”. Quem o diz é o presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), Carlos Magno, no decorrer do painel “Silêncios e silenciamentos no actual contexto mediático”, que reuniu também Orlando César, que dirige o Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas, e Manuel VilasBoas, jornalista da TSF. A doença tem nome e chamase agenda mediática, que segundo Carlos Mago “está cartelizada”.

quia, mas sermos testemunhas na nossa debilidade”. Reconhecendo que o mundo é também ele “uma realidade muito débil”, aponta que “este é o lugar, a hora, para o reflorescimento da experiência cristã”. Para tal, “hoje os cristãos têm o dever de explicar-se. Tem que o fazer porque o mundo comunica numa gramática diferente.” Tolentino vê-os como tradutores, hermeneutas, que explicam “de forma simples”. Numa intervenção em que recordou a missão da Igreja, também através da comunicação social, concluiu afirmando que “enquanto vivermos inquietos, podemos estar tranquilos”.

II, que recuperou, tinham como destinatários sobretudo os jornalistas e os responsáveis dos media ali presentes. O panorama mediático actual (ver caixa, em baixo) leva Carlos Magno a reconhecer que tem havido pouco espaço para a reflexão, devido à superabundância informativa e porque “em muitos sectores do jornalismo perdeu-se a ética”. O que os media veiculam por vezes tem como consequência um “excesso de raiva”. “Há uma enorme e urgente necessidade de silêncio”, rematou.

Um ateu anunciador “É preciso que alguém diga «não tenhais medo».” Quis começar assim a sua intervenção o presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), Carlos Magno, que ali mesmo se assumiu como ateu. As palavras do Papa João Paulo

Jornalistas comprometidos O painel “Silêncios e silenciamentos na comunicação do religioso” reuniu ainda dois jornalistas que habitualmente trabalham o tema religião. Graça Franco (Rádio Renascença) assumiu-se como “membro da tribo” e “silênciodependente”, enquanto que António Marujo (Público) afirmou que “o que me move na vida é uma pessoa: Jesus”.

Para o também jornalista, existe “uma overdose de notícias” e que giram, invariavelmente, em torno das mesmas temáticas. “Os partidos são empresas com alvará para fazer política”, sublinha. Com as fontes cada vez mais profissionalizadas – as assessorias dos partidos políticos e das instituições são disso exemplo – e com a crise que também tem afectado as redacções, “os jornalistas estão a perder vocabulário” e, por isso, é surgirem novidades. “Nós andamos há cinco anos com a mesma agenda mediática”, re-

ferindo ainda que “há demasiado politiquês, futebolês…” Restaurar a ordem editorial nas redacções é o caminho a seguir. “Quem manda num jornal é o director, não a administração”, refere o presidente da ERC, justificando que “a lógica editorial em Portugal estaminada pela direcção estratégica dos jornais”. Por sua vez, Manuel VilasBoas afirmou que o “cenário actual” que se vive na comunicação social “não é confortável” e que a palavra silêncio “é o estigma das redações”.

“Não precisava de ser jornalista, porque o facto de ser crente já me obriga ao anúncio da Boa Nova”, começou por dizer Graça Franco. Do mesmo comungou António Marujo, ao referir que “o que nos une é a santidade comunitária”. A pressa em recolher e difundir a informação leva, por vezes, a atropelos éticos e a que se procurem mais opiniões imediatas do que reflectidas. “Por vezes é importante fazer uma pausa no ‘achómetro’ e dizer: «- Não tenho nada a dizer, porque ainda não pensei no assunto»”, entende a jornalista da RR. Um exemplo disso foi recuperado pelo seu colega do Público, ao referir-se à cobertura noticiosa da manifestação de 15 de Setembro. “Também gostava de ter ouvido que o trabalho não é tudo, que temos família, amigos, necessidade desse tempo”, referiu António Marujo. A presença do religioso na agenda mediática é escassa. Como indicador, Graça Franco deixou alguns dados sobre a quantidade de notícias sobre o tema difundidas pela agência Lusa: 0,7% em 2008, 1,2% em 2010 – ano em que o Papa Bento XVI visitou Portugal – e 0,6% em 2011. “Sobre o religioso há um profundo silenciamento nas redacções”, acrescentou o jornalista do Público. Uma das consequências é que “para as novas gerações a imagem de Jesus Cristo tornou-se praticamente desconhecida”, referiu a jornalista da RR. “A participação de todos é determinante para o testemunho da fé”, sublinhou Marujo. Pedro Jerónimo (textos e fotos)

Num olhar histórico, Orlando César referiu que “a censura oficial e privada” que povoou “os tempos do salazarismo” continua como herança. A imprensa deve “pautar-se pela imparcialidade” e a “deontologia separa o jornalismo do entretenimento”, frisou este responsável. Perante a questão “quem nos vai acudir nestes dias de penúrias?”, de Manuel Vilas-Boas, o presidente da ERC sublinhou que os tempos actuais estão “a precisar de uma manchete a dizer «silêncio»”.

4928#OMensageiro#4OUT  

Os 98 anos d'O Mensageiro em destaque na edição de 4 de Outubro de 2012 (N.º 4928)

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