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4898#OMensageiro#23FEV

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DOCUMENTO

23 FEVEREIRO 2012 ANO 98 - N.º 4898 FUNDADOR: José Ferreira Lacerda DIRECTOR: Rui Ribeiro PREÇO: 0,80 euros (IVA incluído) SEMINÁRIO DIOCESANO – 2414-011 LEIRIA TEL. 244 821 100/1 • FAX 244 821 102 E-MAIL: jornal@omensageiro.com.pt WEB: www.omensageiro.com.pt

P. 8

FUNDADO EM 1914

RD

DESTAQUE

BREVE HISTÓRIA DA QUARESMA

A CAMINHO DA PÁSCOA

A Quaresma é uma caminhada de 40 dias que nos conduz à Páscoa. É o grande período em que toda a Igreja se recolhe, e se purifica para preparar essa festa maior da nossa fé. Nesta edição, apresentamos uma breve história deste tempo especial, reflectimos sobre o percurso temático da liturgia dominical e deixamos um apontamento sobre o canto litúrgico quaresmal. Páginas 2 e 3

MENSAGEM PARA A QUARESMA DE 2012

Caminhar na fé rumo à humanização da sociedade

Cada ano volta a Quaresma. Não volta como um tempo repetitivo, monótono ou triste. É antes um “tempo cheio” de quarenta dias, que nos é oferecido como dom de Deus para renovarmos o nosso caminho pessoal e comunitário de fé. A Igreja pede que este tempo seja vivido simultaneamente por todos os cristãos, que seja um caminho percorrido por todos em comunhão e solidariedade. São, pois, quarenta dias para nos despertar do estado de “anestesia espiritual” em que por vezes caímos: despertar no íntimo do

coração o desejo de Deus, tantas vezes esquecido; renunciar aos ídolos sedutores mas alienantes; alcançar um maior conhecimento da misericórdia infinita do Senhor; exercitar mais intensamente a caridade fraterna. Na nossa diocese costumamos dar à vivência quaresmal a tonalidade do tema condutor do ano pastoral: “Testemunhas de Cristo no mundo” sobre a missão dos cristãos na sociedade de hoje. Esta vivência é ainda iluminada e enriquecida pela bela Mensagem do Santo Padre para a Quaresma de 2012, cuja leitura e meditação recomendo vivamente, inspirada em Heb 10, 24 “Prestemos atenção uns aos outros para nos estimularmos ao amor e às boas obras”. O dom da reciprocidade e da partilha fraternas A identidade e a missão do cristão no mundo distingue-se,

sem dúvida, pelo amor fraterno: “Nisto conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros como Eu vos amei” (Jo 13, 35). A vivência da Quaresma convida-nos, particularmente, “a estar atentos uns aos outros, a não se mostrar alheio e indiferente aos destino dos irmãos. (...) Se cultivarmos este olhar de fraternidade, brotarão naturalmente do nosso coração a solidariedade, a justiça, bem como a misericórdia e a compaixão. O Servo de Deus Paulo VI afirmava que o mundo actual sofre sobretudo de falta de fraternidade: ‘O mundo está doente. O seu mal reside mais na crise de fraternidade entre os homens e entre os povos, do que na esterilização ou no monopólio que alguns fazem dos recursos do universo’.” (Bento XVI). O agravamento da crise sócio-económica que atravessamos urge, da nossa parte, um interesse maior pelas pessoas

e famílias mais atingidas, quer dizer, abrir os olhos às suas necessidades, uma maior e mais efectiva solidariedade. Para este efeito, tendo ouvido o Conselho Presbiteral, decidimos que a renúncia quaresmal deste ano – fruto do dom e da partilha de cada um – será destinada à Caritas Diocesana. Caminhar juntos na santidade no meio do nosso mundo Para realizarmos a nossa missão de cristãos no mundo, a Quaresma convida-nos também a caminhar juntos na santidade através do testemunho de fidelidade ao Senhor no amor, nas boas obras de justiça e desenvolvimento humano, no serviço de humanização do mundo. Com efeito, o mundo é para os cristãos um verdadeiro lugar de graça, de vocação e missão, de santificação. A cultura alimentada pela fé leva à verdadeira humanização. O

Evangelho vivido eleva a qualidade de vida, o tecido cultural e fecunda os talentos e as riquezas materiais e espirituais na perspectiva do bem comum. Em ordem a cultivar e alimentar esta espiritualidade do compromisso social e da santificação no mundo propomos, como nos anos anteriores, a realização do Retiro para o Povo de Deus, durante a Quaresma, sob a forma de lectio divina enriquecida pelo testemunho de alguns santos ou de outros exemplos luminosos de empenho social. Acompanhando-vos com a oração, desejo a todos uma Quaresma santa e rica de frutos de graça e santidade, de modo a fazer brilhar no mundo a luz de Cristo, por intercessão da BemAventurada Virgem Maria.

Leiria, 17 de Fevereiro de 2012 † António Marto, Bispo de Leiria-Fátima


2 DESTAQUE

O Mensageiro 23.Fevereiro.2012

EDITORIAL EDITORIAL

Rui Ribeiro prui@iol.pt

Para viver a Quaresma

DR

Iniciamos esta semana o Tempo da Quaresma. Tempo único na Igreja para uma conversão das pessoas e das estruturas. Objectivo: responder mais e melhor aos desafios da fé. Na nossa diocese continua a guiar-nos o mote de sermos mais “testemunhas de Cristo no mundo”. E é nessa perspectiva que se deve orientar a referida conversão que este tempo incentiva a concretizar. Na tradição da Igreja, há e pelo menos 4 propostas que adquirem relevo especial nestes quarenta dias: o jejum a abstinência, a oração e a partilha. O jejum significou durante muito tempo a privação de alimento. Concretizava-se em fazer um dia apenas com apenas uma refeição. Obrigava todos os crentes com mais de 18 anos e menos de 59. Além disso a abstinência propunha a escolha de uma alimentação mais pobre (ligada à selecção de uma alimentação de peixe em troca de carne). Obrigava todos os que tinham mais de 14 anos de idade. Já há vários anos que se tem divulgado a ideia de que tanto o jejum como a abstinência podem e devem referir-se outras situações da vida, que não simplesmente a alimentação. Pode jejuar-se e fazer-se abstinência em outras coisas, como sejam a diversão, a Internet, uso do telemóvel, e muitas outras coisas que a sociedade consumista impôs e que afinal podem e devem O percurso tem ser controladas. Há neste campo uma uma duração abertura maior por parte da Igreja, no de cada um descobrir na sua concreta de 40 dias. sentido vida, em que campos poderá fazer o O desafio é grande. jejum e a abstinência. A cada um compete Além destas práticas, a oração tomá-lo a sério e surgiu como proposta o sentido de pôr-se a caminho. se lhe dedicar maior atenção, tempo A começar já. e disponibilidade. Retiros, encontros de oração e participação em variadas celebrações são um óptimo caminho para este esforço. De especial atenção, a escuta, leitura e meditação da Palavra de Deus é uma proposta relevante. Nesse sentido a nossa diocese iniciou há alguns anos o chamado Retiro Popular, como experiência singular. Trata-se de encontros semanais em pequenos grupos para leitura, meditação e oração. Às paróquias fica o desafio de proporcionar a formação dos grupos e aos fiéis fica o desafio de integrarem algum desses grupos, paroquiais, regionais, sectoriais. A criatividade é muito grande. A partilha como expressão de renúncia e ao mesmo tempo de caridade, concretiza-se na chamada “Renúncia Quaresmal”. Ela é o resultado de uma transformação da renúncia em dádiva e ajuda aos mais necessitados. A proposta diocesana é que as entregas sejam para a Cáritas Diocesana, que deverá administrá-las para aopoio de famílias ou instituições mais carênciadas. Para além destas propostas, a diocese conta ainda com a Peregrinação Diocesana a Fátima – esse ano no dia 25 de Março – que deve ser vivida em espírito quaresmal. Trata-se de uma ocasião para viver e sentir os frutos da caminhada, da oração e da comunidade diocesana. Uma actividade a integrar nos propósitos da vivência da Quaresma e a não deixar perder nem desviar do seu sentido. Para o presente ano, outra proposta concreta se prende com a mensagem do Papa para esta Quaresma. Centra-se na atenção aos outros e apela para a ajuda espiritual que deve acompanhar a ajuda material. O Mensageiro publicou na última edição esta mensagem para que possa ser lida, meditada e vivida. O percurso tem uma duração concreta de 40 dias. O desafio é grande. A cada um compete tomá-lo a sério e pôr-se a caminho. A começar já.

Breve História da Quaresma

A CAMINHO DA PÁSCOA A Quaresma é uma caminhada de 40 dias que nos conduz à Páscoa. Os Hebreus caminharam 40 anos no deserto para só depois alcançarem a Terra Prometida; foram 40 anos de vida dura, sacrificada, de purificação da idolatria. Moisés permaneceu 40 dias no Sinai antes de receber a Lei, em oração e penitência diante da majestade de Javé. Elias caminhou 40 dias no deserto para chegar ao monte de Deus. Cristo jejuou 40 dias no deserto antes de iniciar a sua vida pública. A Quaresma é o grande período em que toda a Igreja se recolhe, e se purifica para preparar a Páscoa: façamos a Quaresma “juntos”, “na Igreja”, unidos a todos os cristãos do mundo. A nossa Quaresma será, por isso: a) 40 dias de luta: com Cristo lutador, resistamos às tentações e ao pecado; b) 40 dias de penitência: como os Hebreus no deserto, aceitemos sacrifícios para purificar nossas almas. Aliviar a fome dos mais pobres será o fruto tangível da nossa penitência e do nosso “jejum”; c) 40 dias de formação cristã e de oração: a Palavra de Deus que escutaremos com mais frequência e interesse nos porá em maior contacto com Deus. A instituição litúrgica da Quaresma (Quadragésima - 40 dias), organizada em Roma na segunda metade do século IV (383), está ligada, na sua origem, a outras duas instituições muito importantes da Igreja Antiga: – A preparação próxima dos Eleitos para a celebração dos Sacramentos da Iniciação Cristã, na Vigília Pascal (Catecumenato); – A preparação dos Penitentes

para a sua reconciliação com a Igreja, na Quinta-Feira Santa (Ordem dos Penitentes). Na liturgia e catequeses quaresmais devem sobressair dois aspectos característicos deste tempo: a sua índole baptismal e a sua índole penitencial. Reparemos como as orações e leituras das duas primeiras semanas realçam o aspecto penitencial. Nas três semanas seguintes o aspecto baptismal. Na última semana (Semana Santa ), à luz dos últimos acontecimentos da vida do Senhor, preparamo-nos para celebrar dignamente o Mistério da morte e ressurreição de Jesus. A Quaresma só tem sentido como tempo de preparação para a compreensão e vivência da Morte e Ressurreição do Senhor (Mistério Pascal) que tornamos presente, de uma forma especial, nas celebrações litúrgicas do Tríduo Pascal (coração do ano litúrgico). Terá sentido celebrar a Quaresma e não celebrar o Tríduo Pascal? Seria como fazer uma caminhada sem atingir a meta. Como prepararmos a celebração do Mistério Pascal ao longo da Quaresma? O Mistério Pascal de Jesus deve ser o nosso mistério: «morremos para o homem velho e ressuscitamos para o homem novo» (Rom 6, 1-11) O Sacramento do Baptismo insere-nos no Mistério Pascal, daqui a necessidade de renovarmos a graça do Baptismo, mediante a virtude e o Sacramento da Penitência e assim, nos prepararmos para a Páscoa. A prática das obras de penitência, na multissecular experiência da Igreja, continua a ser-nos apresentada como meio de ascese: o je-

jum, a oração e a esmola, o perdão das ofensas e a vida fraterna. Mas a penitência não é apenas um esforço humano; ela é obra de Deus em nós, que requer: – a leitura e audição da Palavra de Deus, sobretudo nas assembleias litúrgicas, mas também nas nossas casas, em família e nos grupos de trabalho paroquial; – a participação nas Celebrações Eucarísticas, mesmo durante a semana, porque são sempre actualização do Mistério Pascal e alimento para a nossa caminhada espiritual, as celebrações da Palavra, da Penitência, etc. O Sacramento da Penitência ou da Reconciliação é o encontro com o perdão divino, que nos é oferecido por Jesus Cristo e que chega até nós mediante o ministério da Igreja. Neste sinal eficaz da graça, torna-se visível o rosto de um Deus que conhece como ninguém a nossa condição humana e se aproxima de nós com uma grande ternura. É a festa do encontro pessoal entre o pecador arrependido e o Deus vivo, através da mediação do ministério sacerdotal. É Cristo quem acolhe o pecador, o reconcilia com o Pai e no dom do Espírito Santo o renova como membro vivo da Igreja. O Sacramento do Perdão renova assim a nossa relação com o Pai, com o Filho e com o Espírito Santo, em cujo Nome nos é dada a absolvição dos nossos pecados. O Sacramento da Reconciliação é o «regresso à casa do Pai», é o «encontro com Cristo morto e ressuscitado por nós», é a «oferta da vida nova do Espírito».


DESTAQUE 3

O Mensageiro

23.Fevereiro.2012ro.2011

“Ler” o mistério pascal na história, nas alianças e no culto

Antigo Testamento

Novo Testamento

Evangelho

Domingo I

Uma visão geral do conjunto dos três anos permite-nos concluir não só uma unidade temática que proclama em cada ano o essencial do Mistério Pascal na História, nas Alianças e no Culto, mas ainda uma unidade crescente e evolutiva em todos os anos, de modo que, de Domingo a Domingo, se percorre em cada ano a evolução do Mistério Pascal, desde a primeira à última Criação. Vejamos: Domingo I: Criação - Pecado - Dilúvio - Aliança - Fé e Culto, são a situação terrena do homem, cujo modelo nos é apresentado em Cristo, a primeira Criatura que venceu o pecado, no dilúvio do Seu Sangue de Aliança, para instaurar o novo culto do homem a Deus. Domingo II: A Vocação, o Sacrifício e a Fé de Abraão, nosso pai na fé, descrevem o modelo de vida que os crentes são chamados a imitar, no seu viver como peregrinos com Cristo, a caminho do monte da glória, onde a divindade se revela na humanidade que assume e transfigura. Domingo III: A água do deserto, a lei de Moisés e a presença do Senhor libertador, são expressões do amor de Deus que em

A

Criação e Pecado

Pecado e Graça

Tentação de Cristo

B

Dilúvio e Aliança

Dilúvio e Baptismo

Idem

C

Profissão de Fé

Fé em Cristo

Idem

Domingo V Domingo IV Domingo III Domingo II

Os ciclos temáticos da liturguia dominical quaresmal Ano

A

Vocação de Abraão

Nossa Vocação

Transfiguração

B

Sacrifício de Abraão

Deus entrega o Filho por nós

Idem

C

Fé de Abraão e Aliança

A nossa pátria está nos Céus

Idem

A

A água do deserto

O amor de Deus em nosso coração

A Samaritana e a água viva

B

A Lei de Moisés

Cristo crucificado: sabedoria e escândalo

Purificação do Templo e anúncio do novo Templo

C

O Senhor liberta

O Caminho do deserto é exemplo

Converter-se ou perecer: conversão

A

Unção do Rei (Luz de Deus)

Viver como filhos da Luz

Cego de nascença e a luz de Deus

B

Infidelidade e Castigo: conversão

Mortos pelo pecado, ressuscitados pela graça A serpente do deserto e Cristo elevado na cruz

C

A Páscoa na Terra Prometida

Reconciliados com Deus em Cristo

O filho pródigo e a reconciliação

A

Visão da Ressurreição

A nossa ressurreição

Ressurreição de Lázaro. Vida do Ressuscitado

B

Nova Aliança gravada no coração

Oração de Cristo ao Pai

O grão de trigo enterrado dá muito fruto: glorificação

C

Esquecer o passado: mundo novo

Ressuscitar com Cristo

A mulher adúltera encontra reencontra a sua dignidade

Domingo de Ramos Profecia da Paixão: o Servo Sofredor Cristo humilhou-Se e Deus exaltou-O (A B C) Cristo Se fez água viva, novo templo e conversão perfeita, que conduzem da escravidão à libertação; esquema dinâmico e celebrativo do Mistério Pascal no Sacramento do Baptismo. Domingo IV: A escolha, a unção de David como rei, as infidelidades, castigos, conversões e libertações

dum povo que celebrava a Páscoa, falam da história de Israel, com uma nova história. Os cegos de nascença no pecado, situação da humanidade após o pecado, encontram a luz da salvação na Cruz que os reconcilia com o Pai. O Espírito Santo, concedido para remissão dos pecados

é o autor desta nova fase da História da Salvação. Domingo V: A mensagem dos profetas, que anunciaram a Ressurreição e uma Nova Aliança para o mundo novo, alcança a sua realização na ressurreição de Lázaro, onde Cristo anuncia a Sua própria morte e ressurreição como

Paixão de Cristo

princípio de vida fecunda, e na conversão da mulher adúltera que reencontra a sua dignidade de filha de Deus, livre e salva. Domingo de Ramos: Toda esta obra da salvação, anunciada e descrita pelos profetas, é realizada em Cristo que entra triunfalmente em Jerusalém a ca-

Instrumentos e canto litúrgico na Quaresma É por isso que, na Quaresma, restringimos a manifestação de nossa alegria nas celebrações e nos revestimos de símbolos que demonstram o nosso caminhar penitencial. Dessa forma, os instrumentos musicais são silenciados, restando apenas o órgão ou mais usualmente o violão para sustentar a voz e dar o tom durante os cantos. Porém, retirar os demais instrumentos não significa pobreza no canto. Muito pelo contrário, é a oportunidade de demonstrarmos, pelo canto, a nossa vivência quaresmal, a nossa reflexão e preparação para a grande celebração da Igreja, a Páscoa do Senhor. Além disso, a ausência dos instrumentos

ajuda a marcar apropriadamente o tempo litúrgico vivido, permitindo que todos os sentidos percebam a profundidade do mistério celebrado. É preciso saber viver o símbolo. Na liturgia, o símbolo tem a função de tornar presente uma outra realidade. A cor roxa dos paramentos e alfaias, a ausência do hino do Glória e a presença apenas da voz são algumas das muitas formas de demonstrar que, durante a Quaresma, contemos a nossa alegria e participamos mais profundamente do sacrifício de Cristo. É o momento de nos recolhermos em reflexão sobre o que é necessário para vencer o pecado e estarmos prontos para a vida nova jun-

to a Cristo. Páscoa é ressurreição, tempo de alegria e vitória. É para este tempo de júbilo que guardamos, por 40 dias, toda a alegria que os instrumentos musicais podem transmitir. Na Vigília Pascal do Sábado Santo, a luz retorna e o hino do Glória é entoado com intensidade e louvor, de forma marcante, a simbolizar toda a nossa alegria por Cristo que venceu a morte, ressuscitou e nos resgatou do pecado. É para esse momento que reservamos a presença dos instrumentos musicais, para glorificar o Senhor com a nossa música e nossos dons. LMFerraz

A Instrução Geral do Missal Romano diz que “no Tempo da Quaresma o toque do órgão e dos outros instrumentos é permitido somente para sustentar o canto. Excetuam-se, porem, o domingo ‘Laetare’ (IV na Quaresma) as solenidades e as festas.” (IGMR 313) Assim, os instrumentos musicais calam-se na Quaresma para, na Páscoa, retornarem com toda alegria. Quaresma é tempo de penitência e conversão, como forma de preparação para celebrar o Cristo que vence a morte e o pecado. Mas para vivermos a ressurreição é preciso passar pela cruz. Não há outro caminho.

minho da Paixão gloriosa que O conduzirá à Glória Celeste. O Mistério Pascal é toda esta maravilha proclamada nas leituras da Missa ao longo dos Domingos da Quaresma nos seus três ciclos anuais.


4 CULTURA

O Mensageiro 23.Fevereiro.2012

Celebrar a memória Teatro José Lúcio da Silva (Leiria) • ZÉ COLMEIA | Animação | de Eric Brevig | 11 de Março, 15h30 Teatro Miguel Franco (Leria) • MELANCOLIA | Drama | de Lars Von Trier | c/ Kirsten Dunst, Charlotte Gainsbourg, Kiefer Sutherland | 27 de Fevereiro, 21h30; 28 de Fevereiro, 21h30 e 29 de Fevereiro, 18h30 e 21h30

EXPOSIÇÕES

Teatro José Lúcio da Silva - Leiria •”Utopia azul” - o olhar da criança voltado para o futuro (~25/02) m|i|mo -Museu da Imagem em Movimento - Leiria •”Da suspensão do tempo e outros registos” - foto. e escultura (~29/2) •”Zona Letal, Espaço Vital” - arte contemporânea (~14/04) •”Oficna do Olhar” - exposição permanente Edifício Paços do Concelho - Leiria •”As invasões francesas” - painés e vídeo (~31/03) Edifício Banco de Portugal - Leiria •”Do princípio ao fim” - joalharia contemporânea e pintura (~31/3) Museu Escolar - Marrazes •”Máscaras de Carnaval” (~30/03) Casa-Museu João Soares - Cortes •”A República” - colecção de António Pedro Vicente (~29/02) Museu Joaquim Correia - Marinha Grande •”Retratos” (3ªs~6ªs) •”Mulher, cavalo e árvore” - desenho de Carlos Reys (3ª~sábados) •”O 18 de Janeiro de 1934” (~25/02) Galeria Paços do Concelho - Tomar • Desenho de Manuel Baptista (~31/03)

MÚSICA | TEATRO | EVENTOS

Teatro José Lúcio da Silva - Leiria •”Primavera” - música com The Gift (23/02, 21h30) • John & Jehn + Nice Weather for Ducks - música (25/02, 21h30) Teatro Miguel Franco - Leiria •”1º trupe de teatro juvenil de Leiria”- curso (23/02, 17h30~20h00) •”Ensaio sobre o amor” - teatro (25/02, 21h30) Sala Jaime Salazar Sampaio - Leiria •”As peúgas” - comédia de (maus) costumes (25/02, 22h00) •”Dos pequenos gestus”- teatro a partir da infância (26/02, 11h00) Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira - Leiria •”Contos e cantigas” - hora do conto (25/02, 16h00) •”Eu visito a biblioteca” - animação infantil (27/02, 10h00) m|i|mo - Muse da Imagem em Movimento - Leiria •”Oficina de cianotipia” (23/02, 10h00 e 14h30) • Muscia antiga-workshop (24/2,21h;25 e 26/2,10h e 14h30; 26/2,18h30) •”Yoga no Museu” (25/02, 10h00) •”Mimo dramático” - animação infantil (25/02, 10h30~12h30) •”Câmara obscura” (28/02, 10h00 e 14h30) •”Às quartas, danças e outros” - dança (29/02, 15h30) • Teatro de sombras e oficinas criativas (3ªs~6ªs) Moinho de Papel - Leiria •“Viagem à Fábrica do papel (3ªs~6ªs, 10h00 e 14h30) •“Fazer farinha e transforma-lá em pão” (3ªs~6ªs, 10h00 e 14h30) •“Queres pintar? Vai ao moinho vai...” (3ªs~6ªs, 10h00 e 14h30) •“O saber de mão em mão” (3ªs~6ªs, 10h00 e 14h30) •“A dobrar a dobrar no moinho vais criar” (3ªs~6ªs, 10h00 e 14h30) •“O meu caderno” ((3ªs~6ªs, 10h00 e 14h30) Denicapri - Leiria • Mentira Infantil - workshop (26/02, 10h00~13h00) Casa-Museu João Soares - Cortes •”A que sabe esta história” - hora do conto (24/02, 10h00) Biblioteca Municipal - Marinha Grande •”O tigre xadrez” - hora do conto (3ªs, 11h00 e 5ªs, 15h00) Arquivo Municipal - Marinha Grande •”Ciclone de 1941” - apontamento documental (~29/01, 8h30~17h30) •”Wilburg e seus aigos” - filme (29/02, 15h30)

Cerca de 800 antigos alunos regressam ao Colégio de São Miguel “As memórias são como livros escondidos no pó, As lembranças são os sorrisos que queremos rever devagar. Queria viver tudo numa noite Sem perder a procurar O tempo ou espaço Que é indiferente para poder sonhar.” Luís Represas, dos Trovante, não frequentou o Colégio de São Miguel, possivelmente nem nunca ouviu falar de nós e, no entanto, soube, por dentro, o que sentiram todos os antigos alunos que no sábado dia 11 de março encheram o átrio principal do Colégio. Às 15.00 horas a Eucaristia de Ação de Graças abriu a tarde com um olhar comovido do Senhor Diretor, que tudo contemplava agradecido pelos 50 anos de escola. As suas palavras colocaram tudo nos devidos lugares: “...não foi a vinda do professor Marcelo o momento alto do cinquentenário, mas sim este dia, em que os antigos alunos

DR

CINEMAS

regressam a casa...”. Estava assim tudo dito. Todos os professores e funcionários que vieram abraçar esta multidão não contiveram as lágrimas. Para os professores talvez tenha sido um dos dias da colheita, sendo que todos os outros são o dia da sementeira. Os mais novos aventuraram-se no Peddy Paper, enquanto os outros deambularam saudosos pelos corredores e entre

cumprimentos e comoção contavam histórias da vida… A música e o convívio fraterno, à volta de uns mimos deliciosos aqueceram--nos a tarde. A noite fria não os prendeu em casa… a vontade de estar com os outros de há tantos anos venceu e o jantar serviu para recordar, para surpreender, para reavivar o espírito de pertencer a esta grande

Família! “Tire-nos uma fotografia… entrámos em 1974 no colégio!” – ouvia-se de uma mesa; “Nós saímos há quatro anos…” – diziam outros! E as vozes diferentes uniram-se todas quando se entoou o hino: “Nós somos em campo aberto / asas prontas a voar / procurando o rumo certo / para bem alto chegar”. Um participante

Liga dos Amigos do MASE organiza em Fevereiro

“Cinema no Museu” A Liga dos Amigos do Museu de Arte Sacra e Etnologia (LAMASE) irá promover no próximo sábado, 25 de Fevereiro, pelas 21h30, no Museu de Arte Sacra e Etnologia, em Fátima, a iniciativa “Cinema no Museu”. Pretende-se com este

evento convidar ao longo do ano personalidades ligadas ao cinema ou não, desafiando-os a escolherem um filme para depois comentar e proporcionar momentos de partilha sobre os vários aspectos cinematográficos. Para esta primeira sessão foi convidado Vítor

Ferreira, natural de Fátima, estudante de cinema na Universidade del Cine em Buenos Aires (Argentina). O filme por ele escolhido foi “Janela Indiscreta” (1954) de Alfred Hitchcock. A participação é gratuita para os sócios da Liga, sendo o valor da entrada para

não sócios de “3 filmes”. O evento inclui ainda “ Arte com sabores”, sendo servido um porto de honra. O museu abrirá as suas portas pelas 21h00 para quem deseje visitá-lo.

“Cantábilis” homenageia Adriano Santos O grupo Coral “Cantábilis” – C.G.D.-Leiria, vem publicamente homenagear o seu muito querido companheiro, Sr. Adriano Santos que inesperadamente nos deixou. Foi membro fundador do mesmo grupo e gerente do B.N.U. - Leiria, tendo dado muito de si a todos nós. Dedicou-se generosamente na Direção do grupo e na divulgação da música que amava. O nosso sentido obrigado. Descanse em paz.


CULTURA 5

O Mensageiro 23.Fevereiro.2012

Efeméride comemorada a 4 de Março

A Orquestra Típica de Ourém, da Academia de Música Banda de Ourém, irá assinalar o seu 30.º aniversário no dia 4 de Março. Pelas 15h00 celebrar-se-á uma missa solene na Igreja Paroquial de N.ª Sr.ª da Piedade – Ourém. Já no Cine-Teatro Municipal de Ourém, pelas 16h30, será inaugurada uma exposição documental sobre a história desta Orquestra, seguindo-se depois, pelas 17h00, o concerto comemorativo do 30.º aniversário. Este concerto contará com a participação dos antigos elementos desta secção, estando registados mais de uma centena. O espectáculo será composto por projecções multimédia e várias surpresas. A Orquestra Típica de Ourém foi fundada pelo maestro Armando Rodrigues com o objectivo de cultivar e divulgar a música de cariz tradicional portuguesa. Trata-

DR

Orquestra Típica de Ourém comemora 30.º aniversário

-se de um agrupamento constituído por 63 músicos, divididos por um coro misto, esquematizado a

quatro vozes e por uma componente instrumental comportando vários naipes: bandolins, bando-

Realização do TASE

“Ensaio sobre o amor” O TASE (Teatro de Animação de Santa Eufémia) vai levar à cena, no próximo dia 25 de Fevereiro, pelas 21h30, no Teatro Miguel Franco em Leiria, a peça “Ensaio sobre o amor”, uma adaptação de “A loja do ourives”, de Karol Wojtyla (Papa João Paulo II).

Vieira de Leiria

“Ocuparte” A “Ocuparte”, que será promovida pelo Teatresco, em Vieira de Leiria, no dia 25 de Fevereiro tem como objectivo “de estar presente numa ‘ocupação simbólica da praça, divulgando as actividades culturais e artísticas do concelho, desenvolvidas quer por associações e colectividades, quer por pessoas individuais”. A “Ocuparte” termina pelas 17hoo com um desfile recriando o Enterro do Entrudo.

las, guitarras, clarinetes, flautas, acordeão e percussão. Alguns dos temas são cantados a solo por ele-

mentos integrantes do coro. Esta conceituada orquestra tem pisado vários palcos no país e estrangeiro. Destacam-se quatro deslocações além fronteiras, duas em França (Auinay-sous-Bois e Plessis-Trévisse), uma a Espanha (Villarreal “Festival Internacional de Instrumentos de Corda” e Burriana) e uma a Itália (Europeade – Bolzano) onde deixou vincado o seu nível artístico. Em Julho de 2005 esteve em digressão no arquipélago dos Açores. Actualmente, encontra-se a dirigir a orquestra o Maestro José António Santos, cujo trabalho apresentado tem sido reconhecido nos concertos recentemente realizados em vários pontos do país. Fruto da recolha de temas do cancioneiro popular oureense junto de vários grupos etnográficos, foi editado em 2009 o trabalho discográfico “Memórias”.

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6 SOCIEDADE

O Mensageiro 23.Fevereiro.2012

15 a 17 de Março em Monte Real

Projecto “Maior” foi um dos mais votados pelos portugueses

DR

IV Congresso Nacional da Sociedade Portuguesa da Patologia da Coluna Vertebral

Câmara, Cruz Vermelha e APDAF de mãos dadas

Protocolo para gestão do apoio às famílias carenciadas de Ourém O Município de Ourém, a Cruz Vermelha Portuguesa e a APDAF – Associação para a Promoção e Dinamização do Apoio à Família - assinaram na semana passada um protocolo de cooperação destinado a gerir a verba proveniente da Ação Promocional e de Angariação de Fundos Cruz Vermelha Portuguesa / Sonae Continente – Natal 2011. Esta acção contou com a participação do Agrupamento 977 Ourém – Corpo Nacional de Escutas e outros voluntários a quem coube a tarefa de embrulhar presentes na época de Natal. A verba, no valor de 1.000,00 euros, destina-se a apoiar famílias desfavorecidas ou em risco social do concelho, referenciadas pelo Município.

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censura é operante no periódico O Mensageiro, a partir da edição nº 83, de 3 de Maio de 1916, com dois cortes visíveis na secção "Cartas do Brasil", de João de Leiria, na página dois. Na edição 84, de 10 de Maio de 1916, continua a censura mas apenas com uma pequena falha no texto "Os Celeiros Paroquiais", também na página dois. A censura começa a ser mais visível, com cortes enormes nos textos, na primeira página de O Mensageiro, na sua edição nº 85, de 17 de Maio de 1916, justamente em três textos: "Pela Semana", com corte total do seu conteúdo e "Capelães Militares", com praticamente todo o texto cortado. Existe um terceiro corte, de uma área reduzida, mas que não se percebe qual seria o texto porque nem sequer apresenta o título. Nesta edição nº 85, o jornal O Mensageiro começa a reforçar o assunto das capelanias militares, mas pelos vistos, a mão operante da censura cortou o principal trecho do texto. «A opinião pública está sendo vivamente agitada, no actual momento, por esta magna questão – assistência religiosa aos

nossos soldados em campanha. (corte muito longo do texto); Desça o Governo do pedestal em que se encontra, e percorra as aldeias de Portugal e verá como se fazem votos ao Altíssimo pela victoria das nossas armas e promessas pelo regresso feliz dos entes que lhes são caros. Penetre nos templos das cidades onde permanecem os soldados mobilisados e verá os actos do culto concorridíssimos por aqueles que amanhã terão de defender a nossa querida Pátria. (corte muito longo do texto); Todos os exércitos em campanha teem a assistência religiosa; o próprio governo inglez, onde a religião oficial é a protestante, tem a assistência católica junto aos seus regimentos, dirigindo ainda há pouco o Imperador da Inglaterra elogios ao heroísmo dos capelães católicos e condecorando muitos. E são relativamente poucos os soldados católicos nas fileiras porque a maioria da nação é protestante. Imite o nosso governo o governo inglez e demonstre que a união sagrada para que se tem apelado, e de que tão mau uso se tem feito, não é utopia mas um facto,» (a seguir, houve um corte muito longo do texto)1.

Missão Sorriso apoia HSA

Entre os dias 15 e 17 de Março realizou-se, em Monte Real (Leiria), o IV Congresso da Sociedade Portuguesa da Patologia da Coluna Vertebral (SPPCV). Neste encontro, que reuniu cerca de 150 participantes - médicos especialistas na área de coluna vertebral e enfermeiros diferenciados neste tipo de cuidados -, os temas em destaque foram a deformidade degenerativa do adulto, a osteoporose, a mielopatia espondilótica cervical, a cirurgia da hérnia discal lombar e as metástases vertebrais. “Para além das novidades no tratamento das patologias da coluna vertebral, nesta reunião da SPPCV debatemos a investigação feita em Portugal nesta área”, refere Nuno Reis, presidente da SPPCV. A Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral foi constituída em 2003. As doenças da coluna vertebral são inúmeras e, no seu conjunto, constituem situações incapacitantes para o quotidiano de quem as possui. Entre as doenças da coluna encontram-se a estenose canalar, a escoliose, a hérnia discal, a doença discal degenerativa, a espondilartrose, entre outras. As lesões da coluna por traumatismo são relativamente comuns, principalmente nos casos de acidentes de trânsito e quedas de altura. A coluna pode também ser afectada por tumores benignos ou malignos, necessitando de intervenção cirúrgica.

O jornal O Mensageiro, a partir de 1916, foi alvo do lápis azul da censura

A edição nº 87 de O Mensageiro, de 1 de Junho de 1916, exactamente no mês em que a Inglaterra formaliza o convite para as nossas tropas se juntarem com os militares britânicos, aparece com um texto na primeira página que começa a sensibilizar para o cenário de guerra que se avizinhava para os soldados portugueses. As palavras "melhores em

todo o mundo", "Soldados portugueses! Nós vos saudamos", juntando recordações dos actos heróicos de D. Nuno Álvares Pereira e de Afonso de Albuquerque, são parte integrante de um texto que faz um paralelo do passado como desejável para a futura participação portuguesa na Grande Guerra. Na edição nº 91 de O Mensageiro, de 28 de Ju-

O projecto “Maior”, de melhoria de acessibilidades para a população idosa da Consulta Externa do Hospital de Santo André – Centro Hospitalar Leiria-Pombal (CHLP), e de promoção do envelhecimento activo, foi um dos projectos escolhidos pelos portugueses para receber o apoio da Missão Sorriso. A entrega oficial dos prémios foi ontem, quinta-feira, dia 26 de Janeiro, e «reconheceu da melhor forma o empenho dos profissionais da Consulta Externa em melhorar as condições de acesso para os mais idosos, tornando-o um serviço “Amigo do Idoso”, mais humano e mais próximo de todos», salienta Helder Roque, presidente do Conselho de Administração do CHLP. Amália Pereira, directora da Consulta Externa e coordenadora do “Maior”, explica que «perante o envelhecimento que se observa na nossa população, deparamo-nos com um maior número de pessoas idosas com doença que recorrem ao nosso hospital, daí a necessidade que sentimos de o adaptar a esta população crescente». «O nosso projecto visa, essencialmente, a promoção da saúde com movimento, autonomia, independência, oportunidade e recuperação da população idosa».

nho de 1916, novamente um texto na primeira página sobre os capelães militares, aqui com uma referência do autor identificado como Vasco da Cunha, sobre a probabilidade da censura ser operante na sua redacção. Assim não viria a acontecer porque o seu conteúdo foi publicado na íntegra. «Vamos escrever este artigo com todos os preventivos contra a censura, não aconteça terem os leitores d’O Mensageiro a desagradável surpreza de ao abrirem o jornal este lhes aparecer em claro. Escrevendo assim coactos, não diremos tudo o que deveríamos dizer e sentimos, mas somente o que julgamos embora e surpreender o cutelo que impende sobre a imprensa»2. Na edição seguinte, nº 92, de 5 de Julho de 1916, igualmente primeira página de O Mensageiro, um extenso comunicado sobre as capelanias militares do Cardeal Patriarca de Lisboa, D. António I, dirigido a Bernardino Machado, Presidente da República Portuguesa. A missiva, entre outros assuntos, destacava a necessidade de o Governo se manifestar quanto à sua posição na temática das capelanias militares.

REFLEXÕES SOBRE O SÉCULO XX - 13

Joaquim Santos Jornalista

A censura operante em O Mensageiro «Quando seja conhecida a forma de aos vários regimentos se assegurar a assistência religiosa, os Bispos tratarão de munir os indispensáveis poderes espirituais os sacerdotes, que se mostrem dignos de exercer o alto ministério, e hajam de acompanhar os seus irmãos ao campo da honra e do sacrifício…»3. 1 «Capelães Militares», in O Mensageiro, nº 85, de 17 de Maio de 1916, p. 1. 2 Capelães Militares», in O Mensageiro, nº 91, de 28 de Junho de 1916, p.1 3 «Capelães Militares», in O Mensageiro, nº 92, de 92 de 5 de Julho de 1916, p.1.


SOCIEDADE 7

O Mensageiro 23.Fevereiro.2012

Aurora Cunha apadrinha grande evento em Fátima A atleta Aurora Cunha foi a convidada especial da apresentação da Corrida e Caminhada da Paz, que terá lugar no próximo dia 11 de Março em Fátima. Um evento que juntará grandes nomes do desporto e personalidades várias, com destaque para Naide Gomes, Tiago Marto, Obiqwelu, Roberto Chichorro, entre muitos outros. “É com muito orgulho e satisfação que apadrinho uma iniciativa que vai ser um grande sucesso, não só pelo cariz desportivo, mas também solidário”, afirmou Aurora Cunha. Para além de participar na conferência de imprensa, a atleta visitou ontem algumas escolas do concelho, promovendo a Corrida e Caminhada da Paz, apelando ao jovens para que se inscrevam.

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Atletas de topo na “Corrida & Caminhada da Paz”

“São apenas 2,5 que depois reverterão a favor das instituições da vossa terra. Não custa nada participar”, disse. Nestas sessões Aurora Cunha contou ainda muitas das peripécias do seu percurso e das muitas provas onde foi campeã. Domingos Neves, presidente do Grupo de

Atletismo de Fátima, que em 2012 assinala 25 anos, lançou “aquele que considera ser o primeiro passo de uma grande caminhada (…) nesta nossa cidade, cidade altar do Mundo, cidade da Paz”. Sobre os objectivos da iniciativa, apontou, em primeiro lugar a promoção da prática desportiva, “as-

sociando-lhe os valores da solidariedade, entre-ajuda e amizade”. Para Paulo Fonseca, presidente da Câmara, “o atletismo é uma das bandeiras mais relevantes de Fátima”, fenómeno que “associado ao centro mundial da paz, da tolerância e do diálogo multicultural”

faz o “casamento perfeito” para receber este “grande evento”. Em representação do Santuário de Fátima, parceiro da Corrida & Caminhada da Paz, esteve o Padre Cristiano Saraiva, referindo que “o Santuário se associou a esta iniciativa desportiva organizada pelo GAF, porque em 1917 o mundo estava em guerra e Nossa Senhora traz aos Pastorinhos uma mensagem de Paz”, e acrescenta: “Quando falamos de Fátima, PAZ é sempre uma palavra que nos vem à memória”, fazendo votos para que o acender da tocha, previsto para este dia, “seja um símbolo que fique na memória de cada um de nós, como responsáveis pela promoção da Paz”.

Programa O programa do dia 11 de Março vai iniciar-se com a concentração no Estádio Municipal, às 9h30. Às 9h45, no Santuário de Fátima é acesa a Tocha da Paz que será levada por atletas até ao estádio Municipal e entregue a Naide Gomes, que aceitou ser madrinha desta iniciativa do GAF. E é a partir do Estádio Municipal que tem início a Corrida e Caminhada da Paz. Ao meio-dia, na Capelinha das Aparições tem lugar uma celebração de evocação da Paz. Depois é o regresso ao estádio para o almoço e convívio entre atletas e participantes.

Leiria-Fátima, Oeste, Médio Tejo e Lezíria do Tejo querem unir-se A contraproposta apresentada ao Governo para a reorganização turística no distrito de Leiria, que já reunia um alargado consenso de autarcas, deputados e outras entidades regionais, saiu reforçada da reunião do Conselho Empresarial da Região de Leiria (CERL) que decorreu ontem, dia 13, no edifício NERLEI e na qual participaram autarcas do distrito, deputados, associações, empresários do sector, os presidentes do turismo Leiria/Fátima e Oeste e ainda o chefe de gabinete da Secretária de Estado do Turismo, José Pedro Amaral. Recorde-se que o Governo adiantou que a reorganização de turismo iria ser feita com base nas NUT II (Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve) o que levaria a uma divisão dos concelhos que integram actualmente o Turismo de Leiria/Fátima. Ourém (Fátima), por pertencer ao distrito de Santarém, passaria a pertencer ao

Turismo de Lisboa e Vale do Tejo; os restantes concelhos (Batalha, Marinha Grande, Leiria, Pombal, Porto de Mós), do distrito de Leiria, seriam integrados na região Centro. Face a isto, a mobilização dos principais agentes regionais conseguiu um consenso alargado e apresentou uma contraproposta ao Governo que passa por manter os actuais concelhos que compõem Leiria/Fátima unidos, dado que existem décadas de trabalho em comum que não deve ser ignorado, uma identidade cultural e articulações diversas ao nível de outras entidades; optar por uma ligação a Lisboa e não a Coimbra e excluir as áreas metropolitanas da união de territórios. Assim, foi proposto ao Governo criar uma nova região turística que agregue Leiria/Fátima e as NUT III do Oeste, Médio Tejo (Templários) e Lezíria do Tejo. Esta contraproposta foi reafirmada e explicada

na reunião do CERL ao chefe de gabinete da Secretária de Estado do Turismo. Os intervenientes na reunião, nomeadamente Paulo Fonseca, presidente do Turismo Leiria/Fátima, e António Carneiro, presidente do Turismo do Oeste reafirmaram ao representante da Secretária de Estado do Turismo a necessidade de as novas entidades a criar terem competências próprias para a promoção interna e externa e de serem criados mecanismos que motivem a participação mais activa dos privados. Após ouvir as razões e motivos que levou à apresentação da contraproposta ao Governo, José Pedro Amaral, referiu que a reorganização com base nas NUT II “não é um dogma” mas que efectivamente “tudo aponta nesse sentido”. O representante da Secretária de Estado do Turismo avançou ainda que “o Governo entende

que estas entidades são de base local” e que como tal “as câmaras municipais são importantes, mas que é também necessário envolver os privados”. Foi deixada ainda a garantia de que “terão competências de promoção interna, externa e ainda de estruturação da oferta” e que haverá “protecção total e absoluta de todas as marcas turísticas já existentes”. O CERL é um órgão consultivo da direcção da NERLEI para questões estratégicas relacionadas com o desenvolvimento regional. A NERLEI, que já havia tomado uma posição de apoio a esta contraproposta apresentada ao Governo, decidiu realizar esta reunião para que esse consenso pudesse ser alargado, o que se verificou, indo agora fazer chegar à Secretária de Estado do Turismo aqueles que foram os principais argumentos apresentados em defesa desta contraproposta.

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Conselho empresarial da NERLEI debateu reorganização do turismo

Tráfego de aviação civil em Monte Real

Ministro da Defesa diz que abertura de BA5 a aviação civil está em estudo

José Pedro Aguiar-Branco, Ministro da Defesa, afirmou no dia 14 de Fevereiro que a abertura da Base Aérea de Monte Real ao tráfego civil é uma “matéria que está a ser objecto de estudo com os ministros respectivos”. As declarações do governante aos jornalistas foram proferidas no final de uma visita à BA5, que decorreu ao longo de toda a manhã. Raul Castro, Presidente da Câmara Municipal de Leiria e único autarca que acompanhou o Ministro da Defesa na visita, disse esperar que o estudo que está a ser elaborado para avaliar qual a melhor alternativa complementar ao Aeroporto da Portela, para instalar as bases das companhias aéreas de baixo custo, garanta imparcialidade na análise das diferentes hipóteses que estão em cima da mesa. O autarca de Leiria deixou claro, contudo, que, independentemente do desfecho deste processo, tem a expectativa que a Base Aérea nº5 venha a ser aberta ao tráfego aéreo civil, tendo em conta que permitiria servir uma região muito vasta e importante para o País. “É uma ambição legítima de toda a Região Centro”, sublinhou. A Base Aérea de Monte Real tem uma área total de 482 hectares e 862 efetivos, três por cento dos quais são pilotos, revelou o Comandante Paulo Mateus ao ministro da Defesa.


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[COLUNA SEMANAL]

Família há oito Séculos

CAMINHO... COM A

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3. Vasto mundo, minha paróquia 3.9. Fátima e a civilização do Amor e da Paz Como poderia faltar a referência a Nossa Senhora no nosso percurso pastoral deste ano? Ela mesma nos ilumina o caminho com o seu apelo em Fátima, chamando os cristãos a assumirem a sua responsabilidade no mundo. Eis como o Papa Bento XVI interpretou a actualidade deste apelo na sua homilia de 13 de Maio de 2010: “Iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída. Aqui revive aquele desígnio de Deus que interpela a humanidade desde os seus primórdios: ‘Onde está Abel, teu irmão? (...) A voz do sangue do teu irmão clama da terra até mim’ (Gn 4,9). (...) Com a família humana pronta a sacrificar os seus laços mais sagrados no altar de mesquinhos egoísmos de nação, raça, ideologia, grupo, indivíduo, veio do Céu a nossa bendita Mãe oferecendo-se para transplantar no coração de quantos se Lhe entregam o Amor de Deus que arde no seu. (...) Só com este amor de fraternidade e partilha construiremos a civilização do Amor e da Paz”. Podemos associar-nos espiritualmente ao lema do Santuário para este ano: “Quereis oferecer-vos a Deus?”. É o pedido que Nossa Senhora faz aos pastorinhos e espera a resposta da nossa generosa disponibilidade aos desígnios de Deus para a salvação e a paz do mundo lacerado por injustiças, ódios e conflitos. A peregrinação diocesana no 5º Domingo da Quaresma há-de ajudar-nos a acolher o convite de Maria e a corresponder-lhe tornando-nos construtores de relações de paz, promovendo a reconciliação e a justiça e empenhando-nos na defesa do bem comum e da solidariedade. Ofereço-vos uma oração, adaptada da liturgia, para alimentar o empenho no mundo que nos propomos ao longo deste ano pastoral:

Pai Santo, Nós vos damos graças porque iluminastes o mundo por meio de Jesus Cristo: concedei-nos a sua luz todos os dias da nossa vida. Orientai-nos e fortalecei-nos com o vosso Espírito, para que vivamos sempre segundo o Evangelho. Dirigi e santificai os nossos pensamentos, palavras e acções e dai-nos um espírito dócil às vossas inspirações. Ajudai-nos nos trabalhos e empenhos no mundo, para que as nossas obras sirvam ao bem comum, à promoção da justiça, do respeito da dignidade humana, da fraternidade entre as pessoas, da caridade social e da paz. A Virgem Maria seja para nós estímulo e modelo no testemunho das vossas maravilhas diante dos homens. Ámen. À protecção de Nossa Senhora de Fátima e à intercessão dos beatos Pastorinhos confiamos o bom êxito do percurso pastoral da nossa Igreja Diocesana. Feliz Ano Pastoral! Saúda-vos afectuosamente,

† António Marto, Bispo de Leiria-Fátima

Leiria, 8 de Setembro de 2011 Festa da Natividade de Nossa Senhora

Para reflexão...Amor e da Paz

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Chama-se Inês. Nobre de nascimento, mais nobre ainda pela virtude. Sendo filha de reis da terra, tornou-se princesa do Céu ao desposar o Filho de Deus. Filha do rei Premislau Ottokar I da Boémia (actualmente República Checa) e da rainha Constância da Hungria, nasceu na cidade de Praga em 1205. Pelos frutos se conhece a árvore, diz Jesus. E o tronco de onde nasceu este fruto é de facto um tronco singular. Nele corria abundantemente a seiva da santidade. Procedente das principais famílias reais da Europa Central, por parte do pai - descendia dos santos Venceslau e Ludmila, reis da Boémia, sobrinha de Santa Edwiges da Silésia (uma região que actualmente pertence à Polónia, República Checa e Alemanha), prima de Santa Isabel da Turíngia e tia de Santa Margarida da Hungria- o sangue real corria-lhe nas veias e o clarão da santidade resplandecia na vida. Segundo o costume da época entre as famílias reais, aos três anos de idade, foi dada em casamento a Boleslau da Silésia mas, pela morte do príncipe, Inês ficou livre do compromisso em 1211. Passados apenas dois anos, foi prometida a Henrique VII filho do imperador Frederico II da Alemanha. Para receber uma educação esmerada e digna de uma futura imperatriz, foi enviada para a corte de Viena. Porém, a jovem, fisicamente muito bela e cheia de qualidades humanas e cristãs, não se deixou encandear pela vida fácil, atractiva e fútil da corte. Entretanto, o príncipe a quem tinha sido prometida faltou ao pacto, casando com uma filha do arquiduque Leopoldo da Áustria. Inês rejubilou com a libertação. Ela sentia intimamente que Jesus a tinha escolhido para ser Sua propriedade exclusiva - nos misteriosos desígnios de Deus nada acontece por acaso - e comprometeu-se a guardar para Ele o tesouro da sua virgindade.

Alguns anos mais tarde, em 1233, é o próprio Frederico II, imperador do Sacro Império a pedi-la em casamento. O seu destino era ser rainha, imperatriz. Mas a jovem princesa, decidida, recusa a proposta. Com S. Paulo também exclamava: Considero tudo como lixo comparando com o bem supremo que é conhecer Jesus Cristo meu Senhor. Em 1225 chegaram a Praga os primeiros Frades Menores. Com os seus bens, a princesa edificou-lhes um convento. Por eles teve notícia da vida de Santa Clara de Assis. A chama do amor evangélico que já ardia no coração da virgem Inês ganhou nova vida e decidiu também ela abraçar a Cristo pobre e crucificado, vivendo em simplicidade e sob a mais alta pobreza, imitando a virgem Clara. Desfez-se de todos os seus bens, distribuiu o dinheiro pelos pobres e construiu um hospital que entregou aos cuidados dos Irmãos Crucíferos da Estrela Vermelha, por ela fundados para darem assistência aos mais pobres. Depois construiu um mosteiro para as Irmãs Clarissas. Neste mosteiro organizou a vida religiosa. Pediu directamente ao mosteiro de São Damião algumas Irmãs. Pouco tempo depois, chegaram cinco irmãs, enviadas pela própria Santa Clara, do mosteiro de Trento, e não de Assis. No Pentecostes de 1234, uma notícia fulminante atravessou o coração do Império: uma jovem de sangue real, a princesa Inês de Praga tinha tomado o hábito das Irmãs Pobres de Santa Clara. Sendo rica fez-se pobre por amor a um bem maior e mais precioso que todas as riquezas deste mundo. Então, Clara de Assis, a transbordar de alegria espiritual, escreveu-lhe quatro cartas para a animar a prosseguir com determinação, sem desfalecimentos ou retrocessos a obra começada. Na sua primeira carta, provavelmente ainda em 1234, Clara escrevia: À venerável virgem,

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Santa Inês de Praga

CARTA PASTORAL

senhora Inês, filha do excelentíssimo e mui ilustre rei da Boémia, Clara, serva indigna de Jesus Cristo. A fama da vossa vida santa e exemplar chegou aos meus ouvidos. Ela está difundida em toda a parte, o que é para mim razão de alegria e júbilo no Senhor. Com efeito, mais do que qualquer outra mulher tivestes o ensejo de desfrutar as pompas, honras e dignidades deste mundo e tivestes até a oportunidade dum legítimo casamento com o ilustre imperador, como correspondia à sua e vossa dignidade. Mas a tudo renunciastes, preferindo abraçar com todo o afecto de alma e coração a santíssima pobreza, escolhendo um Esposo de linhagem mais nobre, o Senhor Jesus Cristo que guardará imaculada e incólume a vossa virgindade. Graças ao exemplo de Inês, o mosteiro de Praga transformou-se num foco de irradiação de santidade que deu origem a outros mosteiros em diversos países da Europa, sobretudo na Polónia. Durante 40 anos que Inês viveu no mosteiro foi um verdadeiro exemplo de humildade, simplicidade e dedicação, vivendo sempre com fidelidade segundo a Regra e ideal de Santa Clara. No dia 6 de Março de 1282 partiu para a casa do Pai para celebrar a sua Páscoa eterna com aquele Filho de Deus a quem ela tanto amou. Foi canonizada por João Paulo II a 12 de Novembro de 1989. A sua festa celebrase a 2 de Março. Irmãs Clarissas de Monte Real


DIOCESE 9

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Bispo de Leiria-Fátima exorta à responsabilidade e ao testemunho dos cristãos

“A mochila do peregrino contém certamente o desejo de paz” Num encontro promovido e organizado pela Vigararia de Fátima, realizado ontem à noite, o bispo de Leiria-Fátima exortou todos os que trabalham nesta cidade nas mais diversas área do acolhimento ao peregrino e ao turista “a serem, com a sua presença e a sua atividade, testemunhas de Cristo no Mundo”. As estruturas de acolhimento, os vários serviços oferecidos e as pessoas envolvidas devem ser equipados e dirigidos “com dignidade, atenção e amor”. D. António Marto sublinhou que “não obstante o fenómeno da secularização e devido também à crise mundial de valores, há no mundo uma busca de paz e de espiritualidade, acompanhada pelo reconhecimento da importância cada vez maior do elemento religioso”. “A mochila do peregrino contém certamente o desejo de paz, um dom de Deus, posto nas mãos das pessoas

de boa vontade”, disse. Concretamente sobre Fátima, D. António disse que “sem exagero”, “o Santuário de Nossa Senhora de Fátima representa, de algum modo, o coração espiritual do país, como lhe chamou Bento XVI”. Além disso, destacou, “Fátima tornou-se para Portugal e muito além das suas fronteiras lugar-símbolo de paz, de reconciliação e de unidade de corações, de povos e de culturas”. “Como todos os santuários, também o nosso participa da missão evangelizadora da Igreja e dos desafios que hoje se lhe põem, enquanto lugar privilegiado de acolhimento, centro de unidade pessoal, fraterna e eclesial, caminho de paz, espaço de misericórdia e conversão, sinal de esperança, lugar de anúncio e de revitalização da fé, oásis de repouso e de contemplação”, disse. É portanto grande a responsabilidade de quem acolhe em Fátima.

“É necessário que os agentes turísticos e comerciais não sejam dominados apenas por interesses económicos, mas estejam conscientes da função humana, social, cultural e evangelizadora que desempenham”, sublinhou. Para D. António, que elencou oito fatores necessários ao bom acolhimento, “exige-se uma oportuna convergência de esforços humanos e uma adequada consciência dos papéis e das responsabilidades por parte de todos os protagonistas envolvidos”. A “atenção respeitosa, na cordialidade, no diálogo respeitador da sensibilidade e da cultura dos visitantes”, “o aspeto humanizador e evangelizador do acolhimento”, a valorização das “visitas aos lugares religiosos de valor artístico ou histórico”, são três desses fatores diferenciadores, que devem atuar lado a lado, considera o prelado, com a “competência profissional” e com

a colaboração entre todos para que Fátima tenha um “ambiente saudável, acolhedor, fraterno, limpo e digno de tudo”. D. António recomendou ainda guias-turísticos “adequadamente formados e subsídios informativos bem cuidados” e que exista “colaboração recíproca entre o Santuário e todos os agentes e demais entidades e interessados neste sector do turismo religioso”. Um último fator foi apresentado como necessário para “fazer de Fátima um lugar de beleza, de fé e de paz”: o “conhecimento fundamental da mensagem de Fátima por parte de todos os cristãos empenhados nesta atividade”. A Vigararia de Fátima, que promoveu este encontro no Hotel D. Gonçalo, integra as paróquias de Atouguia, Fátima, Santa Catarina da Serra e São Mamede. LeopolDina Simões

Em tempo de Páscoa

Uma proposta nova! A casa de Retiros de São José do Seminário Diocesano de Leiria, como já foi anunciado, vai oferecer uma proposta nova, aberta a todos: jovens, adultos e famílias cristãs! Em ambiente de silêncio e oração, e em profunda alegria, faz-nos o convite à meditação e à contemplação do maior Mistério que a Igreja nos dá a viver, a Páscoa do Senhor! O orientador será o Padre Manuel Afonso, Director espiritual do Seminário Maior de Braga e Superior da Comunidade Shalom também de Braga. Em tempos de crise e de incertezas, ouvimos, com agrado, vozes que alertam para que a vida dos cristãos seja cada vez mais autêntica e comprometida. O desafio de maior autenticidade de vida é ur-

gente, também para os mais jovens, que são a grande esperança para o mundo e para a Igreja, como lhes lembrou recentemente a Conferencia Episcopal Portuguesa, depois das JMJ de Madrid: “É nesta hora que sois chamados a ser protagonistas na transformação da sociedade, enraizados em Cristo e firmes na fé”. A firmeza da fé vem do encontro pessoal com Cristo; não chega ser e sentir que sou Igreja. Isto mesmo referiu também o novo responsável pelo Departamento Nacional da Pastoral Juvenil, Padre Eduardo Novo, ao afirmar que esta atitude de vida só será possível numa “experiência profunda de encontro pessoal com Cristo”. Na Carta Pastoral Testemunhas de Cristo no Mundo, o nosso Bispo D.

António Marto propõe alguns objectivos e um deles é “promover uma espiritualidade e uma formação do compromisso cristão na sociedade”. O testemunho e o compromisso cristãos só acontecem na nossa vida se nos deixarmos encontrar e apaixonar por Ele. O Santo Padre Bento XVI, no início do seu Pontificado e agora na proclamação do Ano da Fé, colocou no centro da atenção da Igreja aquilo que ele tem mais a peito “o encontro com Jesus Cristo” e “a força e a beleza da fé!” Sobre a Nova Evangelização, que ele tanto tem incentivado, indica qual deve ser o sentido do testemunho dos cristãos “só na total identificação de cada cristão com o Ressuscitado é possível surgir o mundo novo, só assim o rosto do

Deus verdadeiro pode ser reconhecido por todos”. Bons desafios estes, para, em Tempo Pascal, na oitava da Páscoa, saborearmos a Vida na sua plenitude, Jesus Ressuscitado, Vivo, no meio de nós! Como aos discípulos de Emaús, é Ele que vem ao nosso encontro, é Ele que nos aquece o coração, fica connosco e Se dá a conhecer ao partir do pão! Este primeiro tempo de oração e silêncio começa na sexta-feira, dia 13 Abril, ao jantar, e vai até ao almoço do Domingo, dia 15. As inscrições terminam no dia 6 de Abril. www.leiriafatima.pt/seminario; seminário@leiriafatima.pt; 244832760 ou directamente no Seminário de Leiria. Pela organização Jacinta Santos

BREVES Paróquia de Monte Redondo

Festival de Sopas e concerto com Pe. Luís Borga No próximo dia 3 de Março, às 20h00, realizase um Festival de Sopas no Centro Social Nossa Senhora da Piedade em Monte Redondo, seguindo-se o espectáculo, às 21h30, pelo padre José Luís Borga. As receitas do evento revertem a favor das obras da igreja paroquial.

FMME celebra aniversário

Retiro “Luz no meu caminho” A Fundação Maria Mãe da Esperança convida todos os interessados para o 25º aniversário do retiro “Luz no Meu Caminho”, que se celebra de 15 a 18 de Março. As inscrições para o retiro, que terá lugar no Seminário de Leiria, poderão ser feitas através dos telefones 925729568; 925729614 e 925729514 ou pelo E-mail fmme@leiriq-fatima.pt.

Visita Pastoral - 14 a 18 de Março

Pataias 14 de Março (quarta-feira) 18h00 – Acolhimento, no adro da igreja, em Pataias 19h00 – Missa, na igreja de Pisões 20h00 – Jantar partilhado 21h30 – Encontro para dirigentes das associações e autarcas 15 de Março (quinta-feira) 15h00 – Visita ao Centro Paroquial de Assistência 16h30 – Visita à comunidade e oração do Rosário, em Paredes de Vitória 18h00 – Visita à comunidade e breve oração, em Mélvoa 19h00– Missa, na igreja da Martingança 20h00 – Jantar partilhado 21h30 – Assembleia paroquial em Pataias (membros dos Conselhos e das Comissões, catequistas, ministros extraordinários da comunhão, zeladores do Apostolado da oração, membros dos Movimentos e responsáveis dos Serviços paroquiais..) 16 de Março (sexta-feira) 17h30 – Encontro com doentes e idosos/Celebração da Unção dos doentes, em Pataias 19h00– Missa, na igreja da Moita 20h00 – Jantar partilhado 21h30 – Encontro com os crismandos e outros jovens, em Pataias 17 de Março (sábado) 16h00 – Encontro com os adolescentes (7º ao 9º ano), em Pataias 17h30 – Encontro com as crianças (1º ao 6º ano), em Pataias 19h00 – Missa vespertina, na igreja da Burinhosa 20h00 – Jantar partilhado 21h30 – Encontro com casais, no Quartel dos Bombeiros 18 de Março (domingo) 11h30 – Missa/celebração com crisma, na igreja de Pataias 13h00 – Almoço/convívio, no adro da igreja


10 ECLESIAL

O Mensageiro 23.Fevereiro.2012

Leituras | I Domingo da Quaresma D. António aprova ladainha e oração oficial aos dois Pastorinhos Antífona de Entrada: Salmo 90, 15-16 Leitura I: Gen 9, 8-15 Salmo Responsorial: Salmo 24 (25), 4bc-5ab. 6-7bc. 8-9 (R. cf. 10); Refrão: Todos os vossos caminhos, Senhor, são amor e verdade para os que são fiéis à vossa aliança. Repete-se Leitura II: 1 Pedro 3, 18-22 Aclamação ao Evangelho: Mt 4, 4b; Refrão: Glória a Vós, Jesus Cristo, Senhor. Repete-se; Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus. Refrão Evangelho: Mc 1, 12-15 Naquele tempo, o Espírito Santo impeliu Jesus para o deserto. Jesus esteve no deserto quarenta dias e era tentado por Satanás. Vivia com os animais selvagens e os Anjos serviam-n’O. Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia e começou a pregar o Evangelho, dizendo: «Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho». Palavra da salvação.

Cânticos | II Domingo da Quaresma

(4/03/2012)

Santuário celebra festa dos beatos Francisco e Jacinta Marto O Santuário de Fátima assinalou, dia 20 de Fevereiro, a festa litúrgica dos beatos Francisco e Jacinta Marto, durante a qual foi aprovada pelo Bispo diocesano a oração oficial dos mais novos dos três Pastorinhos. No dia do 92.º aniversário da morte da Beata Jacinta, foi assim rezada a nova ladainha que, além de vários textos litúrgicos, recorre à homilia do Papa João Paulo II na cerimónia de beatificação, em Maio de 2000. “Deus de infinita bondade, que amais a inocência e exaltais os humildes, concedei, pela intercessão da Imaculada Mãe do Vosso Filho, que, à imitação dos bem-aventurados Francisco e Jacinta, Vos sirvamos na simplicidade de coração para podermos entrar no reino dos Céus”, refere a oração conclusiva, no final da ladainha, recentemente divulgada pelo Santuário.

A celebração da festa litúrgica teve início na Capelinha das Aparições, com a recitação do Rosário. Seguiu-se uma procissão até à Igreja da Santíssima Trindade, para a Missa, durante a qual todas as crianças presentes foram convidadas a subir ao altar. O reitor do Santuário, padre Carlos Cabecinhas, disse na homilia que “a santidade não é um privilégio reservado a alguns eleitos: todos somos chamados a ser santos”. “Nos pastorinhos, a santidade adquire, para nós, um rosto familiar, próximo e, sobretudo, possível”, prosseguiu. Antes da Eucaristia, duas telas dos beatos Francisco e Jacinta Marto foram colocadas na Igreja da Santíssima Trindade. De acordo com o testemunho reconhecido pela Igreja Católica das três crianças conhecidas como Pasto-

DR

(26/02/2012)

rinhos de Fátima (Lúcia, Francisco e Jacinta), ocorreram seis aparições da Virgem Maria na Cova da Iria e imediações, uma a cada mês, entre Maio e Outubro de 1917. In Ecclesia

INÍCIO: Quem puderá subir à montanha - Lau 709 Caminhamos para o vosso altar - Lau 190 SALMO RESPONSORIAL: Caminharei na terra dos vivos - Lau 194 APRESENTAÇÃO DOS DONS: Jesus Cristo amou-nos - Lau 1050 Um novo coração - Lau 833

AO SABOR DA PALAVRA

COMUNHÃO: Jesus tomou consigo - Lau 459 Todas as vezes que comerdes - Lau 814 PÓS-COMUNHÃO: Senhor Tu és a luz - Lau 779 O Senhor salvou-me - Lau 609 FINAL: Senhor Tu amas o mundo - Lau 778 És Senhor minha força - Lau 341

Pe. Francisco Pereira pe.francisco@mac.com

1º Domingo da Quaresma 26 de Fevereiro de 2012 Sábado 19h00 – Sé 19h30 – Franciscanos

MISSAS DOMINICAIS

Domingo 08h30 – Espírito Santo 09h00 – Franciscanos 09h45 – Paulo VI 10h00 - S. Francisco 10h30 – Franciscanos 10h00 – S. Romão 11h00 – S. Agostinho 11h00 – Hospital 11h30 – Cruz da Areia 11h30 – Seminário e Sé 18h30 – Sé 19h30 – Franciscanos 21h30 – Sª Encarnação

O arco-íris Na nossa vida há um tempo especial para a renovação das coisas. Quando o Inverno está quase a acabar é chegada a altura de nos prepararmos para a primavera que se aproxima. É a altura da limpeza das casas para que percam o ar tristonho do inverno. Também é altura de fazer a poda das árvores e dos jardins para que tudo tenha mais força para despontar

na sua plenitude na altura da Primavera. Para nós há também um tempo especial de purificação, de limpeza interior. É esse tempo que começámos quarta-feira passada, dia de cinzas e que vamos vivendo até à maior festa do ano para os cristãos: a Páscoa. Este tempo especial permite-nos fazer uma recapitulação da nossa vida, iluminando-o com o Evangelho; e tomar as medidas necessárias para continuar a percorrer o caminho que cada um traçou para si. Esta é a altura indicada para retomar o caminho, quando descobrimos que nos perdemos. É disso que nos fala o Evangelho de hoje: ao longo de toda a sua vida, simbolizada na expressão “quarenta dias”, Jesus confrontou-se com dois caminhos, com duas propostas de vida: ou viver na fidelidade aos projectos do Pai, fazendo da sua vida uma entrega de amor, ou frustrar os planos de Deus, enveredando por um caminho messiânico de poder, de violência, de autoridade, de despotismo, ao jeito dos grandes deste

mundo. Jesus escolheu viver na obediência às propostas do Pai; da sua opção, vai surgir um mundo de paz e de harmonia, um mundo novo que reproduz o plano original de Deus. É por isso que nós acreditamos. É por isso que somos baptizados. Porque ele deu a vida por nós, morreu e ressuscitou. E este facto singular é a base de toda a nossa fé e a fonte do nosso baptismo, que não tira a imundície corporal, como diz S. Pedro na sua primeira epístola, mas que nos leva a alcançar de Deusa boa consciência. Essa boa consciência dá-nos o discernimento para descobrir o que está mal na nossa vida, o que precisa de ser limpo, de ser tirado. Diante das dificuldades, das propostas contrárias aos valores cristãos, é em Cristo – o Senhor da vida, do mundo e da história – que colocamos a nossa confiança e a nossa esperança A água com que somos baptizados é, também segundo S. Pedro, sinal da água do dilúvio que purificou toda a Terra da maldade dos homens. Mas

é interessante repararmos que Deus condena o mal que os homens praticavam entre si. Apenas Noé, que era justo (alguém que fazia o bem aos outros) se salvou, com a sua família e os animais para repovoar a terra. É nessa altura que Deus estabelece a primeira aliança com a Criação: promete nunca mais repetir o Dilúvio, e o sinal dessa promessa é o arco-íris, sinal do arco da guerra deposto por Deus. A Aliança que Deus faz com Noé aparece, assim, como um puro dom de Deus, um fruto do seu amor e da sua misericórdia. É uma Aliança incondicional e sem contrapartidas, que resulta exclusivamente da bondade e da generosidade de Deus. Cada vez que vemos o arco-íris lembremo-nos também das promessas baptismais, e das vezes que não cumprimos essas promessas. Experimentemos por mãos à obra e tornar cada vez mais presente o Reino de Deus em nós.


DIOCESE 11

O Mensageiro 23.Fevereiro.2012

Primeiro santo português, evocado pelo Bispo de Viana do Castelo

O bispo de Viana do Castelo escreveu uma mensagem pelos 850 anos da morte de São Teotónio (1082-1162), cuja memória litúrgica se celebrou no dia 18 de Fevereiro, afirmando que este pode “iluminar” os cristãos perante a “situação económico-social menos agradável” no país. “Que ele nos ajude a libertar-nos do individualismo contrário à comunhão fraterna própria dos cristãos e a despertarmos para o mesmo sentido de cidadania de que ele foi exemplo e hoje é imprescindível”, assinala “o noso” D. Anacleto Oliveira, no documentomdivulgado pela página diocesana na Internet. Para o prelado, o primeiro santo português é ainda

um exemplo de “comunhão e solidariedade cristã” que deve levar os católicos a estender “as mãos aos mais carenciados de bens materiais e espirituais”. “Que esta esperança, a partir do nosso testemunho prático de cristãos, se estenda a todos os outros nossos concidadãos”, apela. A Diocese de Viana está a preparar um programa de iniciativas, em 2012, para promover maior conhecimento da figura deste santo, um dos seus padroeiros. Além das Jornadas Teotonianas, D. Anacleto Oliveira convida à participação no XXXIV Encontro Diocesano de Pastoral Litúrgica e à missa da festa de São Teotónio, a que preside, na Catedral vianense.

DR

Mensagem pelos 850 anos da morte de São Teotónio

O primeiro santo português, nascido em Ganfei (Valença do Minho), assumiu especial protagonismo como conselheiro de D. Afonso Henriques e como primeiro prior do Convento de Santa Cruz de Coimbra, onde, segundo D. Anacleto Oliveira, participou na “formação de uma consistente consciência nacional”. “São Teotónio não foi apenas o primeiro santo

português a ser canonizado depois da fundação da nossa Pátria. Ele foi também um dos conselheiros mais preciosos do nosso rei fundador, na conquista do território e na organização da sua população como nação”, indica o bispo de Viana. A sua canonização foi aprovada pelo Papa Alexandre III (1159-1181).

Jornada da Juventude em Lisboa

«Missão Metrópoles» A Baixa de Lisboa é o local escolhido pela Igreja Católica para a Jornada da Juventude que se vai realizar a 1 de Abril, no âmbito da ‘Missão Metrópoles’, iniciativa que vai incluir eventos culturais e litúrgicos. As igrejas do centro histórico da capital vão propor diversas actividades a partir das 14h30 desse dia, Domingo de Ramos, uma semana antes da Páscoa, revelou o Patriarcado lisboeta em nota enviada à Agência ECCLESIA. No fim do dia os participantes rumam até à Sé Patriarcal para participarem na missa presidida pelo cardeal-patriarca, D. José Policarpo, seguindo-se um concerto no Largo de São Domingos, também na Baixa, que encerra o encontro dedicado ao tema ‘Em Cristo a alegria e a sabedoria!’. A ‘Missão Metrópoles’, idealizada pelo Conselho Pontifício para a Promoção

da Nova Evangelização, vai decorrer na diocese de Lisboa de 22 de Fevereiro, Quarta-feira de Cinzas e primeiro dia da Quaresma, a 15 de Abril, domingo após a Páscoa. As catequeses que o cardeal-patriarca profere nos domingos da Quaresma a partir da catedral vão este ano ser transmitidas em directo por vídeo, através da página dedicada à ‘Missão Metrópoles’ que o Patriarcado de Lisboa abriu na sua página, havendo várias paróquias que as querem transmitir nas suas igrejas. Cada intervenção, dirigida a destinatários específicos, é antecipada por um vídeo apresentado na quarta-feira anterior, onde D. José Policarpo resume o tema e lança um convite à presença no encontro que começa às 18h00 e termina com a celebração da missa. O primeiro vídeo, agen-

dado para quarta-feira, antevê a catequese quaresmal de 26 de Fevereiro, dirigida às pessoas que estão a preparar-se para receber o Baptismo. As famílias, agentes culturais, “obreiros da solidariedade e da caridade”, “responsáveis pela construção da comunidade” e os jovens são os destinatários privilegiados das restantes cinco catequeses. O programa da ‘Missão Metrópoles’ prevê a leitura de textos de Santo Agostinho a 24 de Março, pelas 16h00, na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, iniciativa que o cardeal-patriarca pretende que se transforme no anúncio da “fé cristã aos que não têm fé”. O evangelho segundo São Marcos, que constitui o centro das leituras proclamadas nas missas durante este ano, vai ser lido integralmente na Sé Patriarcal a 15 de Abril, a partir das 16h00.

Várias igrejas de Lisboa recebem as Jornadas Penitenciais, que têm como objectivo a reconciliação com Deus através do sacramento da Penitência (confissão). O cardeal-patriarca sublinha que o projecto mostra a “preocupação” do Papa “com uma nova evangelização na Europa, continente que foi a base do cristianismo e que ultimamente tem caído numa espécie de indiferentismo” e “agnosticismo”. A iniciativa, que ser realiza também em Barcelona, Budapeste, Bruxelas, Dublin, Frankfurt, Liverpool, Paris, Turim, Varsóvia, Viena e Zagreb, constitui “o momento de recuperar e reavivar os desafios e as perspectivas” do Congresso Internacional da Nova Evangelização (ICNE), que Lisboa recebeu em 2005, afirma D. José Policarpo.

BREVES Caritas Diocesana de Setúbal

Jantar solidário a favor dos desempregados A Cáritas diocesana de Setúbal organiza, a 10 de Março, um jantar solidário a favor dos desempregados daquela região. Esta iniciativa conta com a “participação de fadistas de várias gerações e ainda com a cantora Micaela como forma de assinalar também o Ano Europeu do Envelhecimento Activo e do Diálogo entre Gerações”, sublinha um comunicado enviado à Agência ECCLESIA. O jantar custa 20 euros e, segundo o programa, “a hora é de sermos solidários”. As inscrições podem ser feitas, directamente, na Cáritas diocesana ou no Centro Social Paroquial padre Ricardo Gameiro Lopes, na Cova da Piedade.

Catecismo Jovem da Igreja Católica

YOUCAT em português

A PAULUS Editora anuncia que o sítio Web oficial do YOUCAT – Catecismo Jovem da Igreja Católica já se encontra disponível em português. www.youcat.org/pt apresenta-se como um espaço onde se pode encontrar um pouco da história deste projecto assim como materiais de apoio e/ou complementares ao estudo do mesmo. Dividido em quatro áreas principias: Leia o livro; Acreditar; Sê criativo e Encontra e partilha, este sítio Web encontra-se já traduzido em oito línguas. Agora disponível também em português, irá chegar a muitos mais jovens pelo mundo fora e continuar a fomentar o estudo do Catecismo da Igreja Católica. Em www.youcat.org/pt podem ser vistos vídeos, fotos, criar grupos de estudo online, testar conhecimentos sobre o YOUCAT, etc. Mensalmente é destacada uma pergunta do YOUCAT, que todos são convidados a comentar e a deixar as suas opiniões. Como não poderia deixar de ser, o sítio Web do YOUCAT apresenta na sua página principal ligações às redes sociais do Facebook e Twitter. Lançado em Portugal a 13 de Abril de 2011, o YOUCAT tem vindo a assumir um papel importante na vida de todos aqueles que, seguindo as recomendações de Bento XVI, se têm dedicado a estudar o Catecismo. Mais recentemente, o Santo Padre voltou a salientar a importância de conhecer profundamente o Catecismo da Igreja Católica. Na Carta Apostólica Porta Fidei, com que proclama o Ano da Fé, são inúmeras as referências ao Catecismo como instrumento fundamental para viver o Ano da Fé. «Para chegar a um conhecimento sistemático da fé, todos podem encontrar um subsídio precioso e indispensável no Catecismo da Igreja Católica.» «Assim, no ano em questão, o Catecismo da Igreja Católica poderá ser um verdadeiro instrumento de apoio da fé, sobretudo para todos os que têm a peito a formação dos cristãos, tão determinante no nosso contexto cultural.» Nas notas com indicações pastorais para o Ano da Fé é também feita referência ao YOUCAT: «O Ano da Fé poderá ser uma ocasião para prestar uma maior atenção às escolas católicas, lugares próprios para oferecer aos alunos um testemunho vivo do Senhor e para cultivar a sua fé com uma referência oportuna à utilização de bons instrumentos catequéticos, com opor exemplo, o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica ou como o Youcat.».


12 MUNDO

Santa Sé aconselha maior eficácia

Controlo do comércio de armas O observador permanente da Santa Sé junto das Nações Unidas, D. Francis Chullikatt, considera que a comunidade internacional precisa de mostrar mais força no controlo do comércio de armas. De acordo com um comunicado divulgado pela sala de imprensa da Santa Sé, o arcebispo indiano está a acompanhar o comité responsável pela preparação da Conferência da ONU sobre o tratado do comércio de armas, prevista para Julho deste ano. O prelado sublinhou a “necessidade de um instrumento legal forte, credível e eficaz, para regulamentar e melhorar a transparência” nesta área. Caso contrário, estará em causa não só “a manutenção da paz e da segurança” mas também “o desenvolvimento humano”, ameaçado pela “difusão de uma cultura de violência e criminalidade”, sublinhou.

Síria

Londres e Vaticano pedem fim da violência O Vaticano e o Governo da Grã-Bretanha pediram o “fim imediato” da violência da Síria, sublinhando a necessidade de “cooperação” para superar a actual crise no país. O apelo foi deixado num comunicado conjunto, publicado no final de dois dias de conversações entre a Santa Sé, sob a presidência do arcebispo Dominique Mamberti, secretário do Vaticano para as relações com os Estados, e uma delegação ministerial da Grã-Bretanha, liderada pela baronesa Sayeeda Hussain Warsi. No domingo, Bento XVI tinha deixado um “apelo urgente”, pedindo o fim da violência e do “derramamento de sangue” na Síria, que enfrenta há 11 meses uma revolta contra o regime do presidente Bashar al-Assad A repressão das manifestações contra o regime sírio terá feito mais de seis mil mortos nos últimos meses, segundo organizações não-governamentais. Segundo a agência oficial síria Sana, um projecto de Constituição elaborado por uma comissão ‘ad-hoc’ será referendado a 26 de Fevereiro. A nota da Santa Sé e do Governo britânico considera que “o uso da violência para fins políticos é deplorável e deve ser posto de lado, em favor do diálogo construtivo”. Neste contexto, foi referido o “papel que os cristãos podem desempenhar” e a importância do diálogo entre religiões. As conversações abordaram ainda as mudanças políticas no Norte de África e Médio Oriente, a chamada ‘primavera árabe’, sublinhando a importância de se levaram a cabo “verdadeiras reformas”, de forma a “assegurar a unidade e o desenvolvimento de cada nação” e responder às “legítimas aspirações de paz e estabilidade de muitas pessoas”. As duas partes expressaram também “a esperança de um regresso às negociações, de boa fé, entre israelitas e palestinos, de forma a conseguir uma paz duradoura”, pode ler-se no comunicado final. O documento aborda a situação na Somália, pedindo uma “estratégia coerente”, por parte da comunidade internacional, para acabar com a crise no país africano. O encontro bilateral aconteceu no 30.º aniversário do restabelecimento de relações diplomáticas e recordou ainda a visita de Bento XVI ao Reino Unido, em Setembro de 2010. O Papa recebeu esta manhã os membros da delegação britânica, que se avistaram também com o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone.

23.Fevereiro.2012

Bento XVI saúda peregrinos portugueses

Um domingo “particularmente festivo” Bento XVI deixou uma saudação aos peregrinos portugueses presentes no Vaticano, no passado dia 19 de Fevereiro, em particular os “familiares e amigos dos novos cardeais” lusófonos, incluindo D. Manuel Monteiro de Castro. O Papa falava a milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, pedindo que os presentes acompanhem os novos cardeais com a “oração e estima” para que estes possam “corresponder, com plena e constante fidelidade, ao dom recebido”. A saudação estendeuse aos grupos de fiéis das paróquias Aldeia Galega da Merceana, Brandoa e Laveiras-Caxias, que acolheram as palavras de Bento XVI com palmas. Além do português D. Manuel Monteiro de Castro, penitenciário-mor da Santa Sé, foi criado cardeal no Consistório deste sábado o brasileiro D. João Braz de Aviz, prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica. A este respeito, o Papa referiu-se a um domingo “particularmente festivo”,

DR

BREVES

O Mensageiro

por causa do Consistório, frisando que a cor vermelha associada aos cardeais simboliza “o sangue e o amor”. Bento XVI aludiu, como fizera na missa, à antecipação da celebração da festa da Cadeira de São Pedro (habitualmente a 22 de Fevereiro, que este ano é quarta-feira de Cinzas), assinalada em Roma já no século IV, para significar a unidade da Igreja, fundada sobre a figura do Papa. A ‘cátedra’ de São Pedro, indicou, é símbolo de uma “missão especial”, na Igreja Católica, recordando que em Roma foram martirizados os Apóstolos Pedro e Paulo (século I), num testemunho de “autoridade, mas a de Cristo, baseada na fé e no amor”. O Papa deixou uma oração a “Maria, mãe da

Igreja”: “Ajuda-me a mim e aos meus colaboradores a trabalhar incansavelmente pela unidade do povo de Deus e a anunciar a todas as pessoas a mensagem de salvação, cumprindo humilde e corajosamente o serviço da verdade na caridade”. Antes, na Basílica de São Pedro, Bento XVI tinha presidido à primeira missa com os 22 cardeais criados no Consistório público de sábado. Antes da celebração, em nome deste grupo, D. Fernando Filoni, prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, dirigiu uma saudação, na qual referiu que “hoje, na Igreja, por causa da sua fidelidade ao Senhor, não faltam o martírio, as tribulações e as perseguições a tantos dos seus membros”.

Esta é a quarta vez que Bento XVI convoca um Consistório (o último tinha sido em Novembro de 2010), com o qual perfaz um total de 84 cardeais criados (63 com direito a voto, mais de metade dos 125 eleitores). Após esta cerimónia, Portugal passou a ter três cardeais, dois dos quais com direito a voto na eleição do Papa: D. Manuel Monteiro de Castro, penitenciáriomor da Santa Sé, e D. José Policarpo, cardeal-patriarca de Lisboa. Natural de Santa Eufémia de Prazins (Guimarães), o mais recente cardeal português foi ordenado padre em 1961 e bispo em 1985, tendo percorrido países dos cinco continentes ao serviço diplomático da Santa Sé. O cardeal Monteiro de Castro, de 73 anos, está no Vaticano desde Julho de 2009, quando assumiu o cargo de secretário da Congregação para os Bispos, antes de ter sido eleito, em Janeiro, para liderar a Penitenciária Apostólica, um dos três tribunais da Cúria Romana.

Bento XVI anuncia sete canonizações para Outubro

Lista de novos santos inclui a primeira indígena norte-americana Bento XVI anunciou no Vaticano a canonização de sete novos santos, no próximo dia 21 de Outubro, entre os quais a primeira beata indígena norte-americana, Kateri Tekakwitha, nascida em 1656 e falecida em 1680, no Canadá. A decisão foi anunciada após o Consistório para a criação de 22 novos cardeais, incluindo o português D. Manuel Monteiro de Castro, e para a canonização de sete beatos, numa cerimónia em latim. A futura santa Tekakwi-

tha nasceu numa localidade dos EUA hoje denominada Auriesville, e foi beatificada por João Paulo II em Junho de 1980. Entre os outros novos santos estão dois mártires: Giacomo Berthieu (18381896), jesuíta morto em Madagáscar, e o catequista filipino Pedro Calungsod (1654-1672), assassinado em Guam. O padre italiano Giovanni Battista Piamarta (1841-1913), a religiosa espanhola Maria Carmela Sallés y Barangueras (Maria

del Monte Carmelo, 18481911), a norte-americana Maria Anna Cope (Mother Marianne of Molokai, 18381918) e a leiga alemã Anna Schäffer, (1882-1925) são os outros nomes anunciados pelo Papa. Habitualmente o processo para a canonização tem uma primeira etapa na diocese em que faleceu o fiel católico e uma segunda etapa tem lugar em Roma, onde se examina toda a documentação enviada pelo bispo diocesano. Qualquer católico ou

grupo de fiéis pode iniciar o processo, através de um postulador, constituído mediante mandato de procuração e aprovado pelo bispo local. Após exame da documentação efectuada pelos teólogos e especialistas, compete ao Papa declarar a heroicidade das virtudes, a autenticidade dos milagres, a beatificação e a canonização. Octávio Carmo Enviado da Agência ECCLESIA ao Vaticano


OPINIÃO 13

O Mensageiro 23.Fevereiro.2012

RECORTES

Aura Miguel

Vaticanista e jornalista

Não nos conformemos

A

nossa liberdade está em saber quando dizer “não” e ao que dizer “sim”. Bento XVI disse, esta semana, que o autêntico cristão não pode deixarse conformar pelo mundo – não o mundo criado e amado por Deus, mas o mundo marcado pelo mal e que hoje resulta, sobretudo, da influência de dois poderes: o da finança e o dos “media”. Poderes em si mesmo úteis e necessários, mas facilmente manipuláveis. O mundo da finança, em vez de favorecer o bem-estar e a vida do homem, oprime-o. O ter e o parecer dominam o mundo e escravizam o homem. E o dinheiro passa a ser uma falsa divindade para adorar. Também o poder dos “media” sobrepõe a aparência e o que lhe convém ao que de facto de passa. O que a opinião pública diz tem mais valor do que aquilo que realmente acontece e o homem acaba por trocar a verdade de si mesmo para se formatar aos elogios dos outros. Ora, é neste campo que se joga a nossa liberdade. O não conformismo cristão é isto mesmo: é ser capaz de dizer “não” à aparência e à pressão da maioria e dizer “sim” à realidade do ser; é ter a liberdade para recriar o mundo, libertando-se das ditaduras da moda, deixando-se plasmar pela Verdade que salva. In RR online (17/02/12)

A

crise em Portugal cria graves problemas de pobreza logo na altura em que a Segurança Social, espartilhada na emergência financeira, está menos capaz de lhes acudir. Muitos dão o Estado-providência como falido. Isso não é verdade. O sector público terá sempre um lugar indispensável no apoio social. O que faliu foi o seu totalitarismo assistencial. Há décadas que, por opções ideológicas e populismo eleitoral, os poderes públicos nacionalizam as esmolas. Metem-se entre pobres e benfeitores, tributando os segundos para ter o mérito de ajudar os primeiros. A fúria regulatória de uma burocracia crescente persegue qualquer obra de solidariedade, enquanto cria alternativas estatais para as estrangular. Foi este suposto Estado-providência que se mostrou insustentável. Agora os poderes públicos têm de encontrar o seu lugar subsidiário numa sociedade equilibrada. A inelutável necessidade de contar com a sociedade e Igreja no apoio

aos necessitados exige também que se reveja a antiga campanha cultural que preparou o assalto público à assistência social. Há décadas que várias forças se dedicam à tarefa de denegrir as multisseculares instituições de caridade cristã, atacando em nome dos pobres aqueles que mais se esforçam para os ajudar. Alguns casos ficaram famosos. O professor José Barata Moura, reputado académico e antigo reitor da Universidade de Lisboa, é autor de algumas das melhores canções infantis e de intervenção da língua portuguesa. O seu primeiro disco, Caridadezinha (Orfeu, 1973), incluía um dos temas mais famosos e poderosos nesta questão: Vamos brincar à caridadezinha. Nele o cantor ridiculariza a “festa, canasta e boa comidinha” onde, com “os desportistas da caridade”, se “rouba muito mas dá prenda, e ao peito terá uma comenda”. Há mais exemplos. O genial Quino (Joaquín Salvador Lavado), criador

P

que ficou para a história: “*caso não sejam tomadas medidas extraordinárias para combater.” Também ainda todos se lembrarão da forma como Teixeira dos Santos “guardou” em segredo o valor do défice em 2009 e que permitiu a Sócrates voltar a ganhar as eleições. Ou do “desvio colossal” que Passos Coelho diz ter encontrado depois da vitória do PSD. E alguém sabe se as estimativas do Governo para o défice deste ano estão correctas? Oficialmente dizem que será de 4,5%. Mas pelos vistos existe um documento, que supostamente também era secreto, e que foi discutido num Conselho de Ministros informal e que apontava já para um défice de 5,4% por causa do pagamento de dívidas a hospitais. E se a isso somarmos o desvio adicional de 0,3% detectado no mesmo documento (por causa do pagamento das pensões

orque é que Portugal chegou à situação de quase falência a que chegou? Porque existe um segredo que, ao longo dos anos, foi bem guardado pelos sucessivos governos e que, em altura de eleições, dava jeito não ser divulgado. E que segredo é esse? O valor do défice público! É público mas não é tornado público. Pelo menos de uma forma transparente. E foi isto que fez com que em Portugal, sempre que mudava o ciclo político, fosse descoberto um défice muito maior do que se pensava. Exemplos não faltam. Ainda todos se lembrarão de Barroso que pediu à primeira Comissão Constâncio que quantificasse o buraco deixado pelo PS. Depois, em 2005, já com Sócrates, a segunda Comissão Constâncio também chegou à conclusão que o défice público afinal era muito maior do que pensava (6,83%), com um asterisco

RECORTES

João César das Neves Economista

Brincar à criticazinha*

argentino de Mafalda, a contestatária, numa das suas hilariantes e lúcidas tiras pôs Susaninha a dizer à amiga: “Também fico com a alma ferida quando vejo os pobrezinhos, acredita! Mas quando formos senhoras faremos uma associação de caridade. E organizaremos chás e banquetes com perú, lagosta, leitão... para arranjarmos fundos para comprarmos farinha,

ANÁLISE POLÍTICA

Orlando Fernandes Jornalista

O Estado e a austeridade

dos bancários que não foi acautelada e por um cenário macro mais conservador) chegamos a 5,7%. E se adicionarmos ainda os 600 milhões do BPN que supostamente vão ter de entrar nas contas deste ano chegamos a um défice ligeiramente acima

massa, pão e essas coisas que comem os pobres” (Quino, 1973, 13 anos com a Mafalda, Publicações Dom Quixote, 1983, p.128). A crítica social é compreensível. É sempre fácil ridicularizar os opulentos e todos ficamos chocados pelo contraste entre luxo e miséria. Mas se pensarmos um pouco vemos como esta censura é nociva e contraproducente. Afinal, se há muita coisa a reprovar nos endinheirados, uma das poucas em que os devemos louvar é precisamente quando ajudam os necessitados. Esta ferroada atinge os pomposos quando fazem o bem. Tais repreensões não são feitas do ponto de vista dos desgraçados, os quais, independentemente da motivação da ajuda, ganham muito com ela. Se queremos ajudar os pobres, é bom não desdenhar o dinheiro de quem o tem. Eles ficariam muito prejudicados com a promessa final da canção: “não vamos brincar à caridadezinha.” Além disso, o mesmo contraste estético que mo-

tiva a crítica ressurge claramente nas alternativas. Havia “chás e banquetes” na URSS e já recebi folhetos de congressos sobre a pobreza em hotéis de luxo. Pior, o sucesso destas críticas acabou por ir para lá do pretendido. Não só “estragaram” a palavra caridade, como se costuma hoje ouvir a cada passo, preferindo-se expressões anódinas e vazias, como solidariedade ou assistência, mas tiveram efeito claramente redutor nos esforços de apoio social. É comum ainda hoje, 40 anos depois, ouvir a crítica de “caridadezinha” cada vez que alguém cria uma iniciativa de auxílio. A gargalhada destrói sempre mais do que quer. Claro que a justificação do remoque era mais profunda. Preconizava-se uma revolução social, que garantisse a todos os cidadãos o direito a certo rendimento, seguro pelo Estado. É isso que falha sucessiva e fragorosamente desde 1973, confirmando a maior força social da humanidade, a caridade cristã. * In DN (20/02/12)

dos 6%. Não sei se estas contas estão correctas porque continuam nos segredos dos deuses e só no próximo orçamento rectificativo deveremos saber se realmente está a haver alguma derrapagem do défice. Foram mudando os governos, o segredo foi sendo guardado a sete chaves até descobrimos o segredo mais mal guardado de sempre: que o País tinha chegado a uma situação de quase falência. Isto porque ninguém a não ser os próprios governos em funções, sabia qual era a situação real das contas públicas, impedindo que fossem tomadas medidas preventivas em vez de correctivas, leia-se, austeridade. Até agora, o País não tinha nenhum sistema de fiscalização eficiente das contas públicas para prevenir derrapagens: a oposição e o Parlamento não têm acessão a nada; a oposição e o Parlamento não têm

acesso a nada; os técnicos da UTAO têm de estar sempre a pedinchar dados para fazer relatórios; e os alertas do Tribunal de Contas, por muito bem-intencionado e competente que seja, raramente são ouvidos (o caso da Madeira é um bom exemplo). E todas estas entidades, sejam políticas ou técnicas, têm um poder de fiscalização ‘ a posteriori’, ou seja, quando o mal já está feito. Daí a importância que o novo Conselho de Finanças Públicas que tomou posse vai ter na fiscalização das contas públicas, já que vai ter um poder de fiscalização preventivo. Se for isento como se espera que seja, independente, e fizer os alertas em tempo útil, independentemente do ciclo eleitoral, será o segredo para que Portugal saia da situação dramática em que se encontra.


14 OPINIÃO

O Mensageiro 23.Fevereiro.2012

Opinião | Os dias da rádio

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Divulgação

H

á algum tempo, um amigo meu comprou para a festa de anos da fi lha um pequeno emissor de rádio. O aparelho e o seu ‘mistério’ – afinal de contas, punha as vozes da festa no rádio da sala – dominou aquela tarde. Foi uma festa de anos fora do comum e imagino que, para muitos dos presentes, tenha até sido pouco mais do que um evento bizarro mas estava lá tudo o que a rádio ainda é. O meio que nos sugeriu mundos maravilhosos vive com dificuldade num mundo em que a sugestão já quase não tem lugar, porque tudo nos é visível, porque o ‘real’ nos entra pelos olhos em permanência. A rádio, que se fez, nas palavras de António Durães, na humildade do ‘ser pela metade’ tem, portanto, uma convivência custosa com um ambiente mediático do qual se expurga, tanto quanto possível, o complicado ou o ambíguo. Parte do problema está na mudança de consumos mediáticos das pessoas, mas parte significativa está, também, na gradual desumanização/estandardização do produto rádio nas últimas décadas. É pelo som – foi assim que aprendi… e ensinei – que os jornalistas de rádio sinalizam aos ouvintes a mudança de ambientes, a transição de cenários, a alteração de ritmo na história. É pela voz que se acrescenta gravidade ou leveza, que se acentua isto e se banaliza aquilo. É pela música que se transporta a ação para um determinado tempo e espaço. É pelo silêncio, que às vezes se diz, sem se dizer. Sobretudo numa altura em que comunicação é cada vez mais sinónimo de ruído ensurdecedor, a rádio precisa de recentrar-se no que lhe dá absoluta distinção – o uso da voz humana para estabelecer relações. Um outro cronista neste espaço, Manuel Pinto, gosta de dizer que a rádio é o meio que melhor consegue relacionar-se com a nossa interioridade; a rádio ‘ouvenos’ e torna-se ‘ouvido’. Os meninos na festa de anos viveram uma tarde diferente porque estiveram em contacto com a magia do não visto, com a surpresa e, sobretudo, com a voz humana, a sua e a dos outros, em relação de proximidade. Este universo, que é o da rádio, faz hoje tanto ou mais sentido do que há um século atrás. Luís António Santos in Página1 (13/02/12)

Dr. Rui Castela Médico Especialista - Doenças dos Olhos Operações - Contactologia

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Apontamento para recordar o Dia Mundial da Rádio (13 de Fevereiro) e o conhecido radialista Francisco Igrejas Caeiro (18/08/1917-19/02/2012).

FARMÁCIAS DE SERVIÇO Higiene (23), Antunes (24), Lis (25), Oliveira (26), Sanches (27), Tomáz (28), Maio (29) e Avenida (1).

TELEFONES ÚTEIS

Ficha de Assinatura Assinaturas normal/benfeitor: 20/40 Euros (Nacional), 30/60 euros (Europa) e 40/60 (Resto do Mundo) Nome: ___________________________________________ ____________________________________________ Rua: _____________________________________________ _______________ N.º _______________ Localidade: ____________________________ C. Postal: _____ - ____________________ Telf.: _______________________________

Bombeiros Municipais - 244 832 122 | Bomb. Vol. Leiria (Ger.) - 244 882 015 | Bomb. Vol. Leiria (Urg.) - 244 881 120 | Bomb. Volunt. Batalha - 244 765 411 | Bomb. Volunt. P. Mós - 244 491 115 | Bomb. Volunt. Juncal - 244 470 115 | Bomb. Volunt Ourém - 249 540 500 | Bomb. V. M.te Redondo - 244 685 800 | Bomb. Volunt. Ortigosa - 244 613 700 | Bomb. Volunt. Maceira - 244 777 100 | Bomb. Vol. Marinha - 244 575 112 | Bom. Volunt. Vieira - 244 699 080 | Bom. Voltun. Pombal - 236 212 122 | Brigada de Trânsito - 244 832 473 | Câmara M. de Leiria - 244 839 500 | Câmara Eclesiástica - 244 832 539 | CENEL (Avarias) - 800 246 246 | C. Saúde A. Sampaio - 244 817 820 | C. Saúde Gorjão Henriques - 244 816 400 | C. P. (Est. de Leiria) - 244 882 027 | Cruz Vermelha - Leiria - 244 823 725 | Farmácia Avenida - 244 833 168 | Farmácia Baptista - 244 832 320 | Farmácia Central - 244 817 980 | Farmácia Coelho - 244 832 432 | Farmácia Higiene - 244 833 140 | Farmácia Lino - 244 832 465 | Farmácia Oliveira - 244 822 757 | Farmácia Sanches - 244 892 500 | Governo Civil - 244 830 900 | Guarda N. Republicana - 244 824 300 | Hospital de S.to André - 244 817 000 | Hospital S. Francisco - 244 819 300 | Polícia Judiciária - 244 815 202 | Polícia S. Pública - 244 859 859 | Polidiagnóstico - 244 828 455 | Rádio Táxis - 244 815 900 | Rádio Alerta - 244 882 247 | Rodoviária do Tejo - 244 811 507 | Teatro JLS (Cinema) - 244 823 600

E-mail:___________________________@_______________ Enviar esta ficha, recortada ou fotocopiada, para: O Mensageiro - Lg. Padre Carvalho - 2414-011 LEIRIA ou forneça-nos os seus dados através do endereço de correio electrónico jornal@omensageiro.com.pt

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Tabela de Assinaturas para 2011 Destino Nacional Europa Resto do Mundo

Normal Benfeitor 20 euros 40 euros 30 euros 60 euros 40 euros

Preço avulso - 0,80 euros


DESPORTO 15

O Mensageiro 23.Fevereiro.2012

II LIGA

20.ª JOR. 26.02.12

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º

Equipa Benfica Porto Sp. Braga Marítimo Sporting V. Guimarães Nacional Olhanense Gil Vicente Académica Rio Ave P. Ferreira Beira-Mar Feirense U. Leiria V. Setúbal

J 18 19 19 19 19 18 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19

V 15 14 13 10 10 8 6 5 5 5 5 5 4 3 4 3

E 3 4 4 5 5 2 4 7 7 5 3 3 5 7 3 5

D 0 1 2 4 4 8 9 7 7 9 11 11 10 9 12 11

Pts 48 46 43 35 35 26 22 22 22 20 18 18 17 16 15 14

Marítimo x U. Leiria (dia 24, 20h15, Sport Tv1) Académica x Benfica (dia 25, 20h15, Sport Tv1) P. Ferreira x Nacional (16h00) Beira-Mar x V. Setúbal (16h00) Olhanense x Gil Vicente (16h00) Sporting x Rio Ave (18h15,TVI) Porto x Feirense (20h15, Sport Tv1) Sp. Braga x V. Guimarães (dia 27, 20h15, Sport Tv1)

19.ª JOR. 19.02.12

Rio Ave x Marítimo (1-3) Gil Vicente x Sp. Braga (0-3) U. Leiria x Beira-Mar (0-0) Nacional x Académica (4-1) Feirense x Olhanense (1-1) V. Setúbal x Porto (1-3) Sporting x P. Ferreira (1-0) V. Guimarães x Benfica (realizado após fecho)

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º

20.ª JOR. 26.02.12

19.ª JOR. 19.02.12

I LIGA

Estorial x Freamunde (3-0) Naval x D. Aves (1-1) Trofense x Atlético (1-0) Arouca x Sp. Covilhã (1-1) Belenenses x Portimonense (1-1) U. Madeira x Oliveirense (2-1) Moreirense x Leixões (0-1) Santa Clara x Penafiel (1-1) Equipa Estoril D. Aves Naval Moreirense Arouca Penafiel Atlético Leixões Santa Clara Oliveirense Trofense Belenenenses U. Madeira Sp. Covilhã Freamunde Portimonense

J 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19

V 12 8 8 9 6 7 7 8 6 6 6 5 5 5 4 3

E D 5 2 4 5 7 4 4 6 9 4 6 6 6 6 3 8 6 7 6 7 4 9 7 7 6 8 6 8 7 8 4 12

Pts 41 32 31 31 27 27 27 27 24 24 22 22 21 21 19 13

D. Aves x Moreirense (dia 25, 17h00, Sport Tv1) Oliveirense x Estoril (11h15, Sport Tv1) Atlético x Arouca (15h00) Trofense x U. Madeira (15h00) Freamunde x Belenenses (15h00) Portimonense x Santa Clara (16h00) Sp. Covilhã x Leixões (16h00) Penafiel x Naval (16h00)

Atletismo | Campeonatos de Portugal

Tiago Marto campeão nacional Sem grandes hipóteses dadas à concorrência, Tiago Marto (Grupo de Atletismo de Fátima) voltou a sagrarse campeão nacional de heptatlo, especialidade onde tem dominado nos últimos anos. Destaque ainda para a Juventude Vidigalense, que também viu atletas seus subiram ao pódio dos Campeonatos de Portugal (Espinho, 18 e 19 de Fevereiro). Sempre entre os primeiros, Tiago Marto (5261 pontos) somou, após as provas combinadas de 60 metros planos e com barreiras, saltos em comprimento, em altura e com vara, lançamento do peso e 1000 metros planos, mais onze pontos que o seu mais director perseguidor,

Filipe Oliveira/Atleta-Digital.com

liga portuguesa de futebol profissional

liga portuguesa de futebol profissional

Atleta do G.A. Fátima (n.º 32) entre os festejos Pedro Santos (CPA; 5250), sagrando-se assim campeão nacional. Quem também subiu ao pódio foram Carlos Calado (Grupo de Atletismo de Fátima) e João Alexandre (Juventude Vidigalense), respectivamente medalhas de prata e bronze no triplo salto – vitória para Marcos Caldeira (Benfica). O clube leiriense somou ainda mais uma medalha de prata, por intermédio da sua estafeta

feminina de 4x400 metros planos, constituída por Nidia Reis, Evelise Veiga, Bruna Silva e Sara Martins. Destaque ainda para o título nacional da leiriense Iria Rodrigues (Sporting e ex-Juventude Vidigalense), no lançamento do peso. Os novos campeões nacionais, bem como todos os resultados, estão disponíveis em fpatletismo.pt.

Rumo à final da Taça Distrito

Equipa Torreense Fátima Pinhalnovense Oriental Carregado Mafra Louletano Sertanense Vendas Novas 1.º Dezembro Juv. Évora Monsanto Tourizense Moura Reguengos Caldas

J 20 20 20 20 20 20 20 20 20 20 20 20 20 20 20 20

V 12 11 12 11 10 9 8 8 8 6 6 4 4 5 3 2

E 6 5 1 3 6 8 6 5 4 5 3 8 7 3 7 5

Moura x Juv. Évora (todos às 15h00) Mafra x Pinhalnovense Caldas x Fátima Vendas Novas x Louletano 1.º Dezembro x Reguengos Oriental x Monsanto Tourizense x Carregado Torreense x Sertanense

D 2 4 7 6 4 3 6 7 8 9 11 8 9 12 10 13

Marinhense x Tocha (0-0) Alcobaça x B.C. Branco (0-3) Bombarralense x Peniche (1-2) Pampilhosa x Sourense (1-2) Sp. Pombal x Beneditense (0-0) Folgou: Riachense Equipa B.C. Branco Pampilhosa Tocha Sourense Peniche Sp. Pombal Beneditense Marinhense Alcobaça Riachense Bombarralense

J 17 16 17 16 17 16 16 17 16 16 16

V E D Pts 8 5 4 29 9 1 6 28 7 7 3 28 7 6 3 27 6 8 3 26 7 4 5 25 5 10 1 25 6 4 7 22 4 5 7 17 1 4 11 7 0 6 10 6

Beneditense x Marinhense (todos às 15h00) Tocha x Alcobaça B.C. Branco x Bombarralense Riachense x Pampilhosa Sourense x Sp. Pombal Folga: Peniche

I Divisão

I Divisão

NORTE

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º

Pousaflores x Boavista (2-0) Alegre e Unido x Ilha (2-3) Caseirinhos x Castanheira de Pêra (2-0) Motor Clube x Moita do Boi (1-0) Mata Mourisquense x Arcuda (2-2) Ranha x Pelariga (1-2) Equipa Pelariga Moita do Boi Pousaflores Motor Clube Alegre e Unido Boavista Mata Mourisq. Arcuda Ranha Cast. Pêra Caseirinhos Ilha

J 14 14 14 14 14 14 14 14 14 14 14 14

V 11 11 10 8 7 7 4 4 4 4 3 2

E D 2 1 35 1 2 34 2 2 32 1 5 25 1 6 22 0 7 21 5 5 17 3 7 15 1 9 13 0 10 12 0 11 9 2 10 8

Ranha x Arcuda (todos às 15h00) Pelariga x Caseirinhos Castanheira de Pêra x Motor Clube Moita do Boi x Pousaflores Boavista x Alegre e Unido Ilha x Mata Mourisquense

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º

associação de futebol de leiria

Outeirense x Santo Amaro (4-0) Pilado x Nadadouro (1-0) Maceirinha x Lisboa e Marinha (1-1) Gaeirense x Unidos (1-0) Juncalense x Os Vidreiros (5-2) Folgou: Pilado Equipa Lisboa Marinha Outeirense Gaeirense Pilado Juncalense Maceirinha Os Vidreiros Praia da Vieira Santo Amaro Unidos Nadadouro

J 13 12 13 13 13 13 12 12 13 13 13

V 11 8 8 7 7 4 4 4 2 1 1

E D 2 0 3 1 2 3 2 4 1 5 4 5 3 5 1 7 3 8 3 9 2 10

Pts 35 27 26 23 22 16 15 13 9 6 5

Santo Amaro x Praia da Vieira Nadadouro x Outeirense (todos às 15h00) Os Vidreiros x Gaeirense Unidos x Maceirinha Lisboa e Marinha x Pilado Folga: Juncalense

ATLETISMO – A Taça dos Clubes Campeões Europeus, no escalão de juniores, está de regresso ao Estádio Municipal de Leiria, prova agendada para o dia 15 de Setembro de 2012. “Decidimos aceitar este desafio [da Associação Europeia de Atletismo], convictos da importância que esta modalidade tem assumido na região e também com o objectivo de promover o distrito junto das comitivas que nos visitarão para participar”, anuncia o clube leiriense no seu sítio na Internet (juventude vidgalense.pt). Recorde-se que a competição já tinha sido realizada na cidade do Lis, em 2011.

Atletismo | Pombal

Meeting Cidade Realizam-se, dia 26 de Fevereiro, na Expocentro, os sextos Meeting Jovem Cidade de Pombal (escalões de benjamins, infantis, iniciados e juvenis) e Meeting Cidade de Pombal (seniores). As provas iniciam-se às 10h00 e 15h00, respectivamente.

HONRA

SUL

17.ª JOR. 12.02.12

18.ª J. 12.02.12 Pts 42 38 37 36 36 35 30 29 28 23 21 20 19 18 16 11

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º

19.ª J. 19.02.12

20.ª JOR. 19.02.12 21.ª JOR. 27.02.12

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º

Juv. Évora x Mafra (1-2) Pinhalnovense x Caldas (2-0) Fátima x Vendas Novas (2-1) Louletano x 1.º Dezembro (1-1) Reguengos x Oriental (0-3) Monsanto x Tourizense (2-1) Carregado x Torreense (1-2) Sertanense x Moura (2-1)

série D

associação de futebol de leiria

14.ª J.12.02.12

III Divisão

SUL

14.ª J.12.02.12

II Divisão B

associação de futebol de leiria

margem mínima (Guiense x Matamourisquense, 2-1) ou após a marcação de grande penalidades (Alqueidão da Serra x Leiria e Marrazes, 22, 8-9 g.p.; Portomosense x Pelariga, 1-1, 4-2 g.p.).

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º

18.ª JOR. 27.02.12

federação portuguesa de futebol

15.ª J.27.02.12

federação portuguesa de futebol

Leiria. Resta saber quem será o últim: G.A.U./Bajouca ou G.R.A.P./Pousos. Eliminatórias são sinónimo de emoção. Foi o que aconteceu nos 1⁄4 final, com os jogos a decidirem-se pela

15.ª J.27.02.12

Quem não marca, sofre a perda de dois pontos. Foi a União quem mais próximo esteve da vitória, mas deu empate. Foto: Lusa

FUTEBOL – A.D. Portomosense, G.D. Guiense e S.C. Leiria e Marrazes são os clubes que já estão nas 1⁄2 finais da Taça Distrito – seniores masculinos – da Associação de Futebol de

Champions de regresso

Avelarense x Nazarenos (1-1) Alvaiázere x Pedroguense (3-0) Portomosense x Atouguiense (4-1) GRAP/Pousos x Meirinhas (2-0) Guiense x Fig.Vinhos (5-0) Pataiense x Vieirense (22) Marrazes x Ansião (7-2) Biblioteca x Alq. Serra (1-1) Equipa Alq. Serra Guiense Portomosense GRAP/Pousos Nazarenos Pataiense Atouguiense Marrazes Alvaiázere Avelarense Vieirense Biblioteca Fig.Vinhos Meirinhas Ansião Pedroguense

J 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17

V 13 11 11 11 9 9 9 6 6 4 3 3 4 2 2 1

E D Pts 3 1 41 3 3 36 3 3 36 1 5 34 6 2 33 5 3 32 3 5 30 5 6 23 4 7 22 5 8 17 7 7 16 6 8 15 3 10 15 6 9 12 3 12 9 1 15 4

Vieirense x Biblioteca (todos às 15h00) Nazarenos x Portomosense Pedroguense x Pataiense Alq. Serra x Ansião Atouguiense x GRAP/Pousos Meirinhas x Guiense Fig.Vinhos x Alvaiázere Avelarense x Marrazes

Natação | Leiria

Quatro pratas Joana Pereira (100 metros mariposa), Marina Teodósio, Carolina Martins e André Marques (todos 100 metros bruços), jovens nadadores do Bairro dos Anjos, subiram todos ao 2.º lugar do pódio do Meeting Internacional do Estoril (18 e 19 de Fevereiro).

Bridge | Leiria

Dois pódios Os pares Mário David/ Antero Correia e Manuel mendes/Joaquim Rebelo (ambos do Bridge Clube de Leiria), classificaram-se no 1.º e 2.º lugares do Torneio de Aberturda da ABC (Leiria, 18 de Fevereiro).


ÚLTIMA 23FEVEREIRO2012

É preciso que a vida social esteja corrompida até ao seu cerne se os operários se sentem em casa quando estão a fazer greve na fábrica, e estrangeiros quando trabalham. O contrário é que devia ser verdadeiro. Simone Weil, filósofa francesa [1909-1943]

Governo apresenta medidas

que estão a ‘sufocar’ muitos cidadãos os quais estão a braços com problemas graves como o incumprimento bancário e a escassez de recursos financeiros para adquirir bens e serviços básicos. O desemprego no último trimestre, segundo dados do INE (Instituto Nacional de Estatísti-

ca), subiu para 14%, um aumento significativo de 1,6% face ao trimestre anterior, alcançando um resultado muito negativo para Portugal. A quantidade de desempregados já se cifra em quase 800 mil, num aumento de 11,8% face ao terceiro trimestre de 2011, um resultado que começa a preocupar

Jovens desempregados em Portugal

Medida “Estímulo 2012” Quem pode concorrer? Podem concorrer as pessoas singulares ou colectiva de direito privado, com ou sem fins lucrativos, que estejam regularmente constituídas, tenham a situação contributiva e fiscal regularizada e tenham contabilidade organizada. As empresas têm que ter ao seu serviço pelo menos cinco trabalhadores, a não ser que a formação profissional seja realizada por uma entidade formadora certificada. Quais são os requisitos? As empresas têm que celebrar um contrato a prazo ou sem termo, a tempo completo, com desempregados inscritos há pelo menos seis meses consecutivos. Além disso, devem registar criação líquida de emprego. À data de apresentação da candidatura, as empresas devem registar um número total de trabalhadores igual ou superior à média dos trabalhadores registados nos 12 meses que precedem a candidatura, acrescida dos trabalhadores apoiados. Durante a duração do apoio financeiro, têm que registar, mensalmente, um número de trabalhadores igual ou superior.

do trabalho, a condições equitativas e satisfatórias de trabalho e à protecção contra o desemprego; 2 - Todos têm direito, sem discriminação alguma, a salário igual por trabalho igual; 3 - Quem trabalha tem direito a uma remuneração equitativa e satisfatória, que lhe permita, e à sua família, uma existência conforme com a dignidade humana, e completada, se possível, por todos os outros meios de protecção social.”. A Declaração Universal dos Direitos do Homem surgiu no pós-segunda guerra mundial e procurou assegurar a dignidade de “todos os membros da família humana e dos seus direitos iguais e inalienáveis”. Será mesmo isto que acontece no mundo de hoje? Não é necessário fazer um novo texto desta declaração universal mas sim aplicar o que nela está escrito. Essa é a tarefa que corrigirá tanta assimetria e injustiça no mundo, tal como a barbárie do desemprego português. Joaquim Santos

35,4% no final de 2011

Governo quer criar 56 mil empregos A medida “Estímulo 2012” é uma iniciativa do Governo que visa comparticipar, até 419,22 euros, o salário de desempregados que sejam contratados pelas empresas. Foi publicada em Diário da República e entra agora em vigor. As candidaturas serão feitas pela Internet. O Governo vai conceder um apoio financeiro que oscilará entre 50% a 60% do salário dos cidadãos que sejam contratados pelas empresas e que estejam sem trabalhar há pelo menos seis meses. O apoio terá uma duração total de seis meses, apesar de poder ser estendido até nove meses no caso de investimentos que o Governo considere “estratégicos”. Para beneficiarem deste apoio, as empresas terão de ter no mínimo cinco trabalhadores, manter o nível de emprego, ou seja, não podem despedir um trabalhador para acolher o recém-contratado; serão obrigadas a dar 50 horas de formação ao novo trabalhador, ou a formá-lo durante seis meses em contexto de trabalho. O orçamento desta medida é de 100 milhões de euros, e a expectativa é criar 56 mil empregos.

o Parlamento Europeu. Os números do desemprego português não perspectivam um futuro nada tranquilo para muitos cidadãos que se sentem privados, a cada dia que passa, dos seus direitos e garantias, especialmente os mais jovens e os de idade avançada. O cenário desta ‘catástrofe’ social deverá ser corrigida entretanto. A sociedade reclama os seus direitos adquiridos, entre estes o do trabalho, consagrado na Declaração Universal dos Direitos do Homem. O jornal O Mensageiro recorda aquele documento, já aprovado em 1948, com o objectivo de se reflectir sobre tantos desvios que existem no que está proclamado e consagrado em termos universais. O direito ao trabalho está bem patente no artigo 23º que refere em três pontos, os valores e garantias que deveriam ser equacionados e assegurados pelos Governos e agora pela recente Troika que tem uma palavra a dizer nos destinos do País: “1 -Toda a pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha

Quais são os apoios financeiros? O apoio corresponde a 50% da retribuição mensal do trabalhador, com o valor máximo de 419,22 euros, durante seis meses. O apoio sobe para 60% (com o mesmo limite máximo) nos seguintes casos: celebração de contrato sem termo, com desempregado beneficiário do rendimento social de inserção, com desempregado com idade igual ou inferior a 25 anos, pessoa com deficiência ou incapacidade, trabalhadora sem o nono ano, ou desempregado inscrito no centro de emprego há mais de 12 meses. Na generalidade dos casos, a medida tem o limite de 20 contratações. Quando é pago o apoio? A primeira prestação, no valor de 419,22 euros, é paga no mês seguinte à decisão. A segunda prestação, correspondente a 838,44 euros é paga até ao fim do terceiro mês de contrato. O remanescente é pago no sexto mês de execução do contrato. O pagamento das prestações está sujeito à verificação da manutenção dos requisitos.

O ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, recebeu recentemente os parceiros sociais para debater soluções para os jovens desempregados, cuja taxa ultrapassava, no final do ano passado, os 35 por cento. A taxa de desemprego dos 15 aos 24 anos atingia os 35,4 por cento no final de 2011, segundo números divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que revelam que houve uma subida significativa no quarto trimestre de 2011, chegando aos 14 por cento, mas o aumento foi ainda mais expressivo entre os mais jovens. No segundo trimestre de 2011, o desemprego jovem estava nos 27 por cento; no terceiro, passou para 30 por cento; no quarto, deu um ‘salto’ de mais de cinco pontos percentuais, para 35,4 por cento, o que significa que há agora, segundo os números do INE, 156 mil jovens desempregados, mais de um terço do total deste grupo etário. É com este pano de fundo que o ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares reuniu com os parceiros sociais, no âmbito do novo cargo de coordenador da Comissão Interministerial de Criação de Emprego e Formação Jovem. De acordo com um comunicado do gabinete do ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, o Governo “compromete-se a apresentar medidas concretas para combater o desemprego jovem”. Portugal receberá nas próximas semanas a visita de uma “equipa de acção” da Comissão Europeia destinada a estudar a forma de utilizar fundos comunitários para reduzir o desemprego jovem.

DR

A situação real do País é vivida sobretudo pela população anónima, a qual sente na pele os efeitos de uma crise portuguesa que mais parece terá ficado para durar. As dificuldades económicas do País têm um espelho concreto no desemprego porque, se as empresas produzem menos, aumenta como consequência o desemprego, visto que as exportações não contribuem decisivamente na correcção necessária para o aumento necessário do número de trabalhadores. A agravar tudo isto está a quebra significativa do consumo, com vários sectores de actividade a serem atingidos com valores históricos, como o sector automóvel que decresceu abismalmente nas vendas. Mas, para existir mais produção e consumo deverá existir emprego. Estes três factores, conjugados, de forma equilibrada, fará aumentar a qualidade de vida das populações. A austeridade dos aumentos de impostos e dos bens transaccionáveis são outras das medidas do Governo e da Troika

DR

O desemprego é a triste realidade de um País em crise


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