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DOCUMENTO

16 FEVEREIRO 2012 ANO 98 - N.º 4897 FUNDADOR: José Ferreira Lacerda DIRECTOR: Rui Ribeiro PREÇO: 0,80 euros (IVA incluído) SEMINÁRIO DIOCESANO – 2414-011 LEIRIA TEL. 244 821 100/1 • FAX 244 821 102 E-MAIL: jornal@omensageiro.com.pt WEB: www.omensageiro.com.pt

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FUNDADO EM 1914

DESTAQUE

MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI PARA A QUARESMA DE 2012

“PRESTEMOS ATENÇÃO UNS AOS OUTROS, PARA NOS ESTIMULARMOS AO AMOR E ÀS BOAS OBRAS”

DR

“A Quaresma oferece-nos a oportunidade de reflectir mais uma vez sobre o cerne da vida cristã: o amor. Com efeito este é um tempo propício para renovarmos, com a ajuda da Palavra de Deus e dos Sacramentos, o nosso caminho pessoal e comunitário de fé. Trata-se de um percurso marcado pela oração e a partilha, pelo silêncio e o jejum, com a esperança de viver a alegria pascal.” Páginas 2 e 3

CULTURA

Livro e exposição | P. 4

ECLESIAL

SOCIEDADE

Carnaval na região| P. 6

Colmeias | P. 11

Visita Pastoral | Entrevista ao pároco da Marinha Grande| P. 9

“Os valores do Evangelho não podem ficar dentro da igreja” Folia em tempos Educadores “Imagens das de austeridade aprofundam Letras” e “Al missão à luz da fé Dente” em Leiria

Encontro de Saberes no Museu do Freixial: “Entidades culturais e comunicação social”

Comemorações | P. 7

Cruz Vermelha há 108 anos em Leiria

Polémica no IC9 | P. 7

Câmara de Ourém reivindica nó em Fátima

Vocações | P. 11

Encontros para crianças e jovens Santuário anuncia fim de obras | Última

Centro Pastoral de Paulo VI reabre portas

Daniela Sousa

Oficina e debate | P. 5


2 DESTAQUE

O Mensageiro 16.Fevereiro.2012

EDITORIAL EDITORIAL

Rui Ribeiro prui@iol.pt

Prestar atenção

Iniciamos mais uma Quaresma com uma bonita e motivante mensagem de Bento XVI. Partindo da frase retirada da carta aos Hebreus “prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras» (10,24), o papa apresenta-nos uma delicada reflexão sobre a vida, feita de relação e de união. E mais uma vez , ele põe o dedo na ferida que verdadeiramente se tornou chaga do nosso tempo: o individualismo, o egoísmo levado ao extremo. Bento XVI, na linha da antropologia cristã, não concebe a pessoa vivida isoladamente e metida apenas nas suas coisas. Ecoa bem no fundo do seu coração a frase de Caim depois de ter matado o seu irmão “porventura sou eu guarda do meu irmão?”. Sim, és, reponde o papa sem a menor hesitação. E não apenas guarda, como sem ele nem tu mesmo és nada. Só compreendendo a ligação profunda que nos une a todos como criaturas, mas também como humanos, é que podemos compreender a vida dedicada aos outros, numa atitude de permanente atenção por eles e pelo seu bem. O Papa entende de forma A mensagem que singular que a vida de Bento XVI propõe cada um só ganha senpara esta Quaresma tido quando vista na com os outros é de extrema relação e quando essa relação actualidade e vai mais longe que a significará, para os partilha da mesma que a quiserem pôr condição. A preocupaem prática, uma ção pelo outro chega autêntica ascese ao ponto de querer o espiritual. seu bem material e espiritual. A solidariedade é aqui encarada de forma muito mais completa que as ideias modernas. Ser solidário não é simplesmente ajudar o irmão necessitado de pão. É mesmo querer o seu bem, tudo fazer para que ele esteja bem e se sinta bem exterior e interiormente. A mensagem que Bento XVI propõe para esta Quaresma é de extrema actualidade e significará para os que a quiserem pôr em prática, uma autêntica ascese espiritual. Com esta visão, ultrapassamos a visão ritualista e pietista da caridade e do sacrifício que este tempo nos pede para viver. Entramos bem no âmago da condição humana e navegamos na mais pura visão cristã do homem e da santidade. Contra o individualismo que cega o olhar, contra o egoísmo que reduz a vida aos gostos pessoais e contra o orgulho de quem se pensa ser rei e senhor do universo, eis uma palavra cristalina que dignifica a nossa condição humana e nos faz ser filhos de Deus. Este é também um caminho para perceber melhor os trilhos que nos fizeram chegar à crise que continuamos a sentir em cada dia. Haveria melhor condições de vida e certamente estaríamos mais bem posicionados, se desde sempre tivéssemos prestado atenção ao nosso irmão.

Mensagem de Bento XVI para a Quaresma de 2012

“Prestemos atenção uns aos outros, para Irmãos e irmãs! A Quaresma oferece-nos a oportunidade de reflectir mais uma vez sobre o cerne da vida cristã: o amor. Com efeito este é um tempo propício para renovarmos, com a ajuda da Palavra de Deus e dos Sacramentos, o nosso caminho pessoal e comunitário de fé. Trata-se de um percurso marcado pela oração e a partilha, pelo silêncio e o jejum, com a esperança de viver a alegria pascal. Desejo, este ano, propor alguns pensamentos inspirados num breve texto bíblico tirado da Carta aos Hebreus: «Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras» (10, 24). Esta frase aparece inserida numa passagem onde o escritor sagrado exorta a ter confiança em Jesus Cristo como Sumo Sacerdote, que nos obteve o perdão e o acesso a Deus. O fruto do acolhimento de Cristo é uma vida edificada segundo as três virtudes teologais: trata-se de nos aproximarmos do Senhor «com um coração sincero, com a plena segurança da fé» (v. 22), de conservarmos firmemente «a profissão da nossa esperança» (v. 23), numa solicitude constante por praticar, juntamente com os irmãos, «o amor e as boas obras» (v. 24). Na passagem em questão afirma-se também que é importante, para apoiar esta conduta evangélica, participar nos encontros litúrgicos e na oração da comunidade, com os olhos fixos na meta escatológica: a plena comunhão em Deus (v. 25). Detenho-me no versículo 24, que, em poucas palavras, oferece um ensinamento precioso e sempre actual sobre três aspectos da vida cristã: prestar atenção ao outro, a reciprocidade e a santidade pessoal. «Prestemos atenção»: a responsabilidade pelo irmão O primeiro elemento é o convite a «prestar atenção»: o verbo grego usado é katanoein, que significa observar bem, estar atento, olhar conscienciosamente, dar-se conta de uma realidade. Encontramo-lo no Evangelho, quando Jesus convida os discípulos a «observar» as aves do céu, que não se preocupam com o alimento e todavia são objecto de solícita e cuidadosa Providência divina (cf. Lc 12, 24), e a «dar-se conta» da trave que têm na própria vista antes de reparar no argueiro que

está na vista do irmão (cf. Lc 6, 41). Encontramos o referido verbo também noutro trecho da mesma Carta aos Hebreus, quando convida a «considerar Jesus» (3, 1) como o Apóstolo e o Sumo Sacerdote da nossa fé. Por conseguinte o verbo, que aparece na abertura da nossa exortação, convida a fixar o olhar no outro, a começar por Jesus, e a estar atentos uns aos outros, a não se mostrar alheio e indiferente ao destino dos irmãos. Mas, com frequência, prevalece a atitude contrária: a indiferença, o desinteresse, que nascem do egoísmo, mascarado por uma aparência de respeito pela «esfera privada». Também hoje ressoa, com vigor, a voz do Senhor que chama cada um de nós a cuidar do outro. Também hoje Deus nos pede para sermos o «guarda» dos nossos irmãos (cf. Gn 4, 9), para estabelecermos relações caracterizadas por recíproca solicitude, pela atenção ao bem do outro e a todo o seu bem. O grande mandamento do amor ao próximo exige e incita a consciência a sentir-se responsável por quem, como eu, é criatura e filho de Deus: o facto de sermos irmãos em humanidade e, em muitos casos, também na fé deve levar-nos a ver no outro um verdadeiro alter ego, infinitamente amado pelo Senhor. Se cultivarmos este olhar de fraternidade, brotarão naturalmente do nosso coração a solidariedade, a justiça, bem como a misericórdia e a compaixão. O Servo de Deus Paulo VI afirmava que o mundo actual sofre sobretudo de falta de fraternidade: «O mundo está doente. O seu mal reside mais na crise de fraternidade entre os homens e entre os povos, do que na esterilização ou no monopólio, que alguns fazem, dos recursos do universo» (Carta enc. Populorum progressio, 66). A atenção ao outro inclui que se deseje, para ele ou para ela, o bem sob todos os seus aspectos: físico, moral e espiritual. Parece que a cultura contemporânea perdeu o sentido do bem e do mal, sendo necessário reafirmar com vigor que o bem existe e vence, porque Deus é «bom e faz o bem» (Sal 119/118, 68). O bem é aquilo que suscita, protege e promove a vida, a fraternidade e a comunhão. Assim a responsabilidade pelo próximo significa querer e favorecer o bem do outro, desejando que também ele se abra à lógica do bem; interessar-se pelo

irmão quer dizer abrir os olhos às suas necessidades. A Sagrada Escritura adverte contra o perigo de ter o coração endurecido por uma espécie de «anestesia espiritual», que nos torna cegos aos sofrimentos alheios. O evangelista Lucas narra duas parábolas de Jesus, nas quais são indicados dois exemplos desta situação que se pode criar no coração do homem. Na parábola do bom Samaritano, o sacerdote e o levita, com indiferença, «passam ao largo» do homem assaltado e espancado pelos salteadores (cf. Lc 10, 30-32), e, na do rico avarento, um homem saciado de bens não se dá conta da condição do pobre Lázaro que morre de fome à sua porta (cf. Lc 16, 19). Em ambos os casos, deparamo-nos com o contrário de «prestar atenção», de olhar com amor e compaixão. O que é que impede este olhar feito de humanidade e de carinho pelo irmão? Com frequência, é a riqueza material e a saciedade, mas pode ser também o antepor a tudo os nossos interesses e preocupações próprias. Sempre devemos ser capazes de «ter misericórdia» por quem sofre; o nosso coração nunca deve estar tão absorvido pelas nossas coisas e problemas que fique surdo ao brado do pobre. Diversamente, a humildade de coração e a experiência pessoal do sofrimento podem, precisamente, revelar-se fonte de um despertar interior


DESTAQUE 3

O Mensageiro

16.Fevereiro.2012ro.2011

nos estimularmos ao amor e às boas obras” (Heb 10, 24) para a compaixão e a empatia: «O justo conhece a causa dos pobres, porém o ímpio não o compreende» (Prov 29, 7). Deste modo entende-se a bem-aventurança «dos que choram» (Mt 5, 4), isto é, de quantos são capazes de sair de si mesmos porque se comoveram com o sofrimento alheio. O encontro com o outro e a abertura do coração às suas necessidades são ocasião de salvação e de bem-aventurança. O facto de «prestar atenção» ao irmão inclui, igualmente, a solicitude pelo seu bem espiritual. E aqui desejo recordar um aspecto da vida cristã que me parece esquecido: a correcção fraterna, tendo em vista a salvação eterna. De forma geral, hoje é-se muito sensível ao tema do cuidado e do amor que visa o bem físico e material dos outros, mas quase não se fala da responsabilidade espiritual pelos irmãos. Na Igreja dos primeiros tempos não era assim, como não o é nas comunidades verdadeiramente maduras na fé, nas quais se tem a peito não só a saúde corporal do irmão, mas também a da sua alma tendo em vista o seu destino derradeiro. Lemos na Sagrada Escritura: «Repreende o sábio e ele te amará. Dá conselhos ao sábio e ele tornar-se-á ainda mais sábio, ensina o justo e ele aumentará o seu saber» (Prov 9, 8-9). O próprio Cristo manda repreender o irmão que cometeu um pecado (cf. Mt 18,

15). O verbo usado para exprimir a correcção fraterna – elenchein – é o mesmo que indica a missão profética, própria dos cristãos, de denunciar uma geração que se faz condescendente com o mal (cf. Ef 5, 11). A tradição da Igreja enumera entre as obras espirituais de misericórdia a de «corrigir os que erram». É importante recuperar esta dimensão do amor cristão. Não devemos ficar calados diante do mal. Penso aqui na atitude daqueles cristãos que preferem, por respeito humano ou mera comodidade, adequar-se à mentalidade comum em vez de alertar os próprios irmãos contra modos de pensar e agir que contradizem a verdade e não seguem o caminho do bem. Entretanto a advertência cristã nunca há de ser animada por espírito de condenação ou censura; é sempre movida pelo amor e a misericórdia e brota duma verdadeira solicitude pelo bem do irmão. Diz o apóstolo Paulo: «Se porventura um homem for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi essa pessoa com espírito de mansidão, e tu olha para ti próprio, não estejas também tu a ser tentado» (Gl 6, 1). Neste nosso mundo impregnado de individualismo, é necessário redescobrir a importância da correcção fraterna, para caminharmos juntos para a santidade. É que «sete vezes cai o justo» (Prov 24, 16) – diz a Escritura –, e todos nós somos frágeis e imperfeitos (cf. 1 Jo 1, 8). Por isso, é um grande serviço ajudar, e deixar-se ajudar, a ler com verdade dentro de si mesmo, para melhorar a própria vida e seguir mais rectamente o caminho do Senhor. Há sempre necessidade de um olhar que ama e corrige, que conhece e reconhece, que discerne e perdoa (cf. Lc 22, 61), como fez, e faz, Deus com cada um de nós. «Uns aos outros»: o dom da reciprocidade O facto de sermos o «guarda» dos outros contrasta com uma mentalidade que, reduzindo a vida unicamente à dimensão terrena, deixa de a considerar na sua perspectiva escatológica e aceita qualquer opção moral em nome da liberdade individual. Uma sociedade como a actual pode tornar-se surda quer aos sofrimentos físicos, quer às exigências espirituais e morais da vida. Não deve ser assim na co-

munidade cristã! O apóstolo Paulo convida a procurar o que «leva à paz e à edificação mútua» (Rm 14, 19), favorecendo o «próximo no bem, em ordem à construção da comunidade» (Rm 15, 2), sem buscar «o próprio interesse, mas o do maior número, a fim de que eles sejam salvos» (1 Cor 10, 33). Esta recíproca correcção e exortação, em espírito de humildade e de amor, deve fazer parte da vida da comunidade cristã. Os discípulos do Senhor, unidos a Cristo através da Eucaristia, vivem numa comunhão que os liga uns aos outros como membros de um só corpo. Isto significa que o outro me pertence: a sua vida, a sua salvação têm a ver com a minha vida e a minha salvação. Tocamos aqui um elemento muito profundo da comunhão: a nossa existência está ligada com a dos outros, quer no bem quer no mal; tanto o pecado como as obras de amor possuem também uma dimensão social. Na Igreja, corpo místico de Cristo, verifica-se esta reciprocidade: a comunidade não cessa de fazer penitência e implorar perdão para os pecados dos seus filhos, mas alegra-se contínua e jubilosamente também com os testemunhos de virtude e de amor que nela se manifestam. Que «os membros tenham a mesma solicitude uns para com os outros» (1 Cor 12, 25) – afirma São Paulo –porque somos um e o mesmo corpo. O amor pelos irmãos, do qual é expressão a esmola – típica prática quaresmal, juntamente com a oração e o jejum – radica-se nesta pertença comum. Também com a preocupação concreta pelos mais pobres, pode cada cristão expressar a sua participação no único corpo que é a Igreja. E é também atenção aos outros na reciprocidade saber reconhecer o bem que o Senhor faz neles e agradecer com eles pelos prodígios da graça que Deus, bom e omnipotente, continua a realizar nos seus filhos. Quando um cristão vislumbra no outro a acção do Espírito Santo, não pode deixar de se alegrar e dar glória ao Pai celeste (cf. Mt 5, 16). «Para nos estimularmos ao amor e às boas obras»: caminhar juntos na santidade Esta afirmação da Carta aos Hebreus (10, 24) impele-nos a considerar a vocação universal à santidade como o caminho constante na vida espiritual, a aspirar

aos carismas mais elevados e a um amor cada vez mais alto e fecundo (cf. 1 Cor 12, 31 – 13, 13). A atenção recíproca tem como finalidade estimular-se, mutuamente, a um amor efectivo sempre maior, «como a luz da aurora, que cresce até ao romper do dia» (Prov 4, 18), à espera de viver o dia sem ocaso em Deus. O tempo, que nos é concedido na nossa vida, é precioso para descobrir e realizar as boas obras, no amor de Deus. Assim a própria Igreja cresce e se desenvolve para chegar à plena maturidade de Cristo (cf. Ef 4, 13). É nesta perspectiva dinâmica de crescimento que se situa a nossa exortação a estimular-nos reciprocamente para chegar à plenitude do amor e das boas obras. Infelizmente, está sempre presente a tentação da tibieza, de sufocar o Espírito, da recusa de «pôr a render os talentos» que nos foram dados para bem nosso e dos outros (cf. Mt 25, 24-28). Todos recebemos riquezas espirituais ou materiais úteis para a realização do plano divino, para o bem da Igreja e para a nossa salvação pessoal (cf. Lc 12, 21; 1 Tm 6, 18). Os mestres espirituais lembram que, na vida de fé, quem não avança, recua. Queridos irmãos e irmãs, acolhamos o convite, sempre atual, para tendermos à «medida alta da vida cristã» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte, 31). A Igreja, na sua sabedoria, ao reconhecer e proclamar a bem-aventurança e a santidade de alguns cristãos exemplares, tem como finalidade também suscitar o desejo de imitar as suas virtudes. São Paulo exorta: «Adiantai-vos uns aos outros na mútua estima» (Rm 12, 10). Que todos, à vista de um mundo que exige dos cristãos um renovado testemunho de amor e fidelidade ao Senhor, sintam a urgência de esforçar-se por adiantar no amor, no serviço e nas obras boas (cf. Heb 6, 10). Este apelo ressoa particularmente forte neste tempo santo de preparação para a Páscoa. Com votos de uma Quaresma santa e fecunda, confio-vos à intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria e, de coração, concedo a todos a Bênção Apostólica

Vaticano, 3 de Novembro de 2011 Benedictus PP. XVI


4 CULTURA

O Mensageiro 16.Fevereiro.2012

Joaquim Santos e Mário Silva apresentam livro e exposição

CINEMAS

Teatro Miguel Franco (Leria) • MELANCOLIA | Drama | de Lars Von Trier | c/ Kirsten Dunst, Charlotte Gainsbourg, Kiefer Sutherland | 27 de Fevereiro, 21h30; 28 de Fevereiro, 21h30 e 29 de Fevereiro, 18h30 e 21h30

EXPOSIÇÕES

Teatro José Lúcio da Silva - Leiria •”Utopia azul” - o olhar da criança voltado para o futuro (~25/02) m|i|mo -Museu da Imagem em Movimento - Leiria •”Da suspensão do tempo e outros registos” - foto. e escultura (~29/2) •”Zona Letal, Espaço Vital” - arte contemporânea (~14/04) •”Oficna do Olhar” - exposição permanente Edifício Paços do Concelho - Leiria •”As invasões francesas” - painés e vídeo (~31/03) Edifício Banco de Portugal - Leiria •”Do princípio ao fim” - joalharia contemporânea e pintura (~31/3) Fórum Fnac - Leria •”Um dia pergunto o teu nome” - fotografia de Cátia Alves (~20/02) Museu Escolar - Marrazes •”Máscaras de Carnaval” (20/02~30/03) Casa-Museu João Soares - Cortes •”A República” - colecção de António Pedro Vicente (~29/02) Museu Joaquim Correia - Marinha Grande •”Retratos” (3ªs~6ªs) •”Mulher, cavalo e árvore” - desenho de Carlos Reys (3ª~sábados) •”O 18 de Janeiro de 1934” (~25/02) Galeria Paços do Concelho - Tomar • Desenho de Manuel Baptista (~31/03)

MÚSICA | TEATRO | EVENTOS

Teatro José Lúcio da Silva - Leiria •”II Leiria Dance Competition 2012” - dança (17~19/02) •”Primavera” - música com The Gift (23/02, 21h30) Teatro Miguel Franco - Leiria •”1º trupe de teatro juvenil de Leiria”- curso (16 e 23/02, 17h30~20h00) Sala Jaime Salazar Sampaio - Leiria •”As peúgas” - comédia de (maus) costumes (25/02, 22h00) •”Dos pequenos gestus”- teatro a partir da infância (26/02, 11h00) Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira - Leiria •”Números com asas” - bebeteca (16/02, 10h15; 18/02, 16h00) •”O baile de máscaras da Miffy” - conto (17 e 22/02, 10h30 e 14h30) •”Eu visito a biblioteca” - animação infantil (20 e 27/02, 10h00) •”Contos e cantigas” - hora do conto (25/02, 16h00) m|i|mo - Muse da Imagem em Movimento - Leiria •”Oficina de cianotipia” (16 e 23/02, 10h00 e 14h30 e 11/02, 15h00) •”Colecção de sapatos” - som, poesia e desenho (17/2, 10h00 e 15h00) •”Mimo dramático” - animação infantil (18 e 25/02, 10h30~12h30) •”Zona Letal, Espaço Vital” - formação (18/02, 14h30~17h00) •”Novas tecnologias” - graffiti digital (18/02, 17h00) •”Câmara obscura” (28/02, 10h00 e 14h30) •”Às quartas, danças e outros” - dança (29/02, 15h30) • Teatro de sombras e oficinas criativas (3ªs~6ªs) Moinho de Papel - Leiria •“Ai que susto!” - máscaras de pão (16/02, 9h30 e 14h30) •“Concertos com história” - do moinho à tipografia (17/02, 21h30) •“Viagem à Fábrica do papel (3ªs~6ªs, 10h00 e 14h30) •“Fazer farinha e transforma-lá em pão” (3ªs~6ªs, 10h00 e 14h30) •“Queres pintar? Vai ao moinho vai...” (3ªs~6ªs, 10h00 e 14h30) •“O saber de mão em mão” (3ªs~6ªs, 10h00 e 14h30) •“A dobrar a dobrar no moinho vais criar” (3ªs~6ªs, 10h00 e 14h30) •“O meu caderno” ((3ªs~6ªs, 10h00 e 14h30) Casa-Museu João Soares - Cortes •“Tardes na casa-museu João Soares” (22/02, 14h30~15h30) Rancho Folcórico - Freixial •”VI Encontro de saberes” (18/02, 21h00) •”Como aplicar o marketing nas acti. culturais e criativas” (18/2, 10h00) Biblioteca Municipal - Marinha Grande •”O tigre xadrez” - hora do conto (3ªs, 11h00 e 5ªs, 15h00) Arquivo Municipal - Marinha Grande •”Ciclone de 1941” - apontamento documental (~29/01, 8h30~17h30) Vila da Batalha •Desfile de carnaval (19/02, 15h00)

“Imagens de Letras” e “Al Dente” O leiriense Joaquim Santos vai apresentar no dia 3 de Março, pelas 15h00, no restaurante Mandoline, no Telheiro, o seu livro “Imagens de Letras”. Com prefácio de António Eça de Queiroz, bisneto do grande escritor Eça de Queiroz, este livro reflecte a “percepção do autor sobre a vida nacional, que se degrada cada vez mais”, mas também “um lado intimista”, que o leva a percorrer temas como o amor, a partilha, o bem comum e Deus.

Exposição “Al Dente” Este livro é ilustrado com pinturas de Mário Silva que, no mesmo dia e no mesmo espaço, irá inaugurar uma exposição intitulada “Al Dente”. Patente neste restaurante durante seis semanas, a mostra inclui uma instalação-surpresa e retrata a contemporaneidade deste mestre da pintura, considerado como uma das referências das artes do século XX e XXI em Portugal. Nesta exposição, centra-se nas naturezas mortas e em

“obras do foro emocional, trabalhando o ensaio lírico abstracto repleto de uma intensa luminosidade e inegavelmente envolto em mistério”. A apresentação do livro de Joaquim Santos e a exposição de Mário Silva serão assim um duplo momento cultural, a apelar à “introspecção sentimental”, contando ainda com a actuação de André Ferreira que proporcionará

mágicos momentos de música clássica.

Incentivo à leitura na Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira

Bebeteca e visitas para crianças No dia 16, às 10h15, e no dia 18, às 16h00, terá lugar na Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira, em Leiria, mais uma edição da Bebeteca “Cantinho do Embalo”. Promovida pela Fundação Calouste Gulbenkian e organizada pela Câmara de Leiria, a Be-

beteca destina-se a bebés dos 6 aos 36 meses, pais e agentes educativos. Nesta edição, apresenta a história “Catatuas”, de Quentin Blake, que se distingue pela forma como o texto e as imagens se complementam na construção de uma história, cuja interpretação

depende da leitura combinada e articulada de ambas as linguagens. Nos dias 20 e 27 de Fevereiro, pelas 10h00, decorre no mesmo local o projecto “Eu visito a Biblioteca”, que visa desenvolver nas crianças o gosto pela leitura e pela utilização da

biblioteca. Após a visita, segue-se um momento lúdico para as crianças do pré-escolar, com um jogo ou uma história, e, para as crianças do 1.º ciclo, um jogo para localização dos recursos de informação nas estantes.

na nossa estante

Loja, Contra-Loja e Armazém Carlos Garcia de Castro Edições Colibri Preciso desde já de começar a falar da loja. Vou defini-la, para clareza do meu espírito dela. Por consciência minha da loja que me educou, e das outras como ela, que eu conheci, provinciais. Sob qualidade, porém, duma cidade baça. Loja: termo que adquiriu extensão a todo o espaço funcional de satisfação indiferenciada de comércio ou de serviços. Perdeu o típico de ser casa de venda a retalho ou de oficina. Perdeu o carácter da proximidade coloquial, vicinal, que implicava acolhimento. Nas lojas tradicionais se dava uma forma peculiar de relação humana. A diferença radical entre as antigas lojas e as também, não obstante, assim de novo designadas, encontro-a interiormente em mim, quando alguns amigos se admiram de eu não usar computador nem telemóvel, não ter cartões de crédito nem de Multibanco. A falta da minha loja tornou-me homem antigo, rebelde e compulsivamente analfabeto, que lamenta o consumismo com que aqueles aparelhos se aparentam. E não fico sozinho nesta irmandade. Milhentas pessoas há assim analfabetas, até nomes de fama.

Castelo de Vide na Idade Média José Augusto Oliveira Edições Colibri Castelo de Vide emergiu num contexto de dupla fronteira, quando ocupava a estrema do avanço cristão, na faixa raiana que limitava a leste o domínio português. A ocupação do território foi promovida por membros de uma pequena nobreza à procura de estatuto e de terras, ligados às Ordens Militares do Templo e do Hospital e, mais tarde, ao séquito de D. Afonso, irmão de D. Dinis. A história medieval do concelho ficou profundamente marcada pela situação geográfica: na economia e numa paisagem de fronteira desenhada por uma colectividade ciclicamente ameaçada pela guerra, que encontrava na pecuária e, por contraditório que pareça, nas transacções com Castela as suas principais fontes de riqueza.

Lourenço Marques

– Acerto de contas com o passado (1951-1965)

Nuno Roque Da Silveira Edições Colibri Comprometi-me a continuar em segundo volume exactamente a segunda parte daquele “Um outro lado da guerra”, mas com o meu batalhão em zona de descanso, na Lunda, depois da atribulada passagem por terras de Zemba, Mucondo e Maia Fernanda. Indo adiantada a compilação, ao começar a descrever as férias de trinta dias a que todos tínhamos direito, e a que aproveitei para uma saltada a Lourenço Marques, hoje Maputo, de visita a meus pais e a um irão que ali viviam, desato a recordar um pouco de toda a minha infância e adolescência, vividas á volta de deambulações por esse mundo colonial português com epicentro numa breve mas riquíssima estadia de perto de três anos naquela cidade.


CULTURA 5

O Mensageiro 16.Fevereiro.2012

VI Encontro de Saberes no Museu Etnográfico do Freixial

“Entidades culturais e comunicação social”

No âmbito das comemorações do seu 10.º aniversário, o Museu Etnográfico do Freixial promove, no sábado dia 18 de Fevereiro, uma jornada cultural que começa com uma oficina durante a tarde e termina com uma tertúlia/debate à noite.

vendo ser efectuadas para rffmuseu@gmail.com No seguimento desta temática, “Entidades culturais e a comunicação social” será o tema da VI edição do Encontro de Saberes, organizado por este museu, a começar às 21h00, com entrada gratuita. Sendo uma “relação muitas vezes incompreendida”, o diálogo entre os órgãos de comunicação social e as pequenas associações e outras entidades culturais estará no centro do debate, procurando na partilha de experiências encontrar soluções para melhorar os canais de comunicação.

Num primeiro painel, serão apresentados dois casos de sucesso: o festival “O Chícharo da Serra”, por Lino Pereira, presidente da associação ForSerra; e a Livraria Arquivo enquanto promotora de eventos culturais, por Paula Carvalho. Num segundo momento, intervirão dois jornalistas, Manuel Leiria, do jornal Região de Leiria, e Luís Miguel Ferraz, do jornal O Mensageiro e do Jornal da Golpilheira. Seguir-se-á um espaço de debate, moderado por Anselmo Crespo, jornalista da SIC. Info: museu.rffreixial.com

Músicos da SAMP animam doentes e visitantes com som e movimento Doentes, visitantes e profissionais do Hospital de Santo André (HSA) tiveram uma tarde especial proporcionada pelos músicos da Sociedade Artística e Musical dos Pousos (SAMP), que animaram com danças e melodias os corredores e enfermarias dos vários serviços do hospital, como forma de assinalar o Dia Mundial do Doente. A iniciativa teve como objectivo envolver toda a comunidade hospitalar em torno da música, com uma forma diferente de desejar rápidas melhoras aos doentes internados. Pouco passava das 16h00 quando, sob a direcção de Paulo Lameiro, director artístico da SAMP, os pequenos cantores do coro Piccolini, saudaram

DR

Dia do Doente com música no HSA

os visitantes presentes na entrada principal do HSA. Estava dado o mote para que as equipas móveis, compostas por bailarinas, vozes, guitarras, flautas, clarinetes, saxofones e outros instrumentos, se juntassem à cantoria e

contagiassem os presentes que esboçavam sorrisos diante do insólito momento artístico. Após a saudação inicial, equipas móveis dividiramse dois a dois para levar a música aos corredores e internamentos do HSA,

deixando a animação da entrada principal do hospital a cargo dos pequenos cantores, que durante hora e meia cantaram e encantaram quem por ali passava, ou esperava para visitar familiares e amigos neste dia. À medida que as equipas móveis se deslocavam, “distribuíam” música que ecoava pelos corredores do hospital em direção aos serviços de Pediatria, Obstetrícia, Ginecologia, Cardiologia e Medicina I e II. Junto dos elevadores, os professores da SAMP, com os seus clarinetes entusiasmados, incentivavam os clarinetes mais tímidos, dos alunos, em salas de aula improvisadas e abertas ao público.

Comemorações em agenda

Bodas de Prata do Coral Cantábilis Para comemorar as Bodas de Prata, o Coral Cantábilis da C.G.D. de Leiria, vai levar a efeito o primeiro evento deste ano. Assim, no dia 19 de Fevereiro (Domingo), o grupo irá participar na Missa das

11h30 na Sé de Leiria. Seguidamente o grupo e alguns amigos irão confraternizar num Restaurante da cidade. Durante este ano já estão agendados os seguintes acontecimentos: no dia 28

de Abril, pelas 16h00, no Museu de Imagem e Movimento (MIMO), junto ao castelo, um encontro de Coros com um Coral de Santander. E no dia 5 de Maio pelas 15h30, no mesmo local (MIMO) com a parti-

cipação do Cantábilis, uma exposição de quadros por Dina malheiros e o lançamento do livro “Memórias de Moçambique” por Elisa Pinto.

Primeiro “Concerto com História”

“Do Moinho de Papel à Tipografia Judaica”

O Moinho de Papel irá receber, na próxima sexta-feira, dia 17 de Fevereiro, a partir das 21h30, o primeiro dos cinco espectáculos de entrada livre que integram o ciclo “Concertos com História”, dinamizado pelo Orfeão de Leiria Conservatório de Artes (OLCA). Sob o tema “Do Moinho de Papel à Tipografia Judaica”, alunos e professores da Escola de Música do Orfeão de Leiria (EMOL) irão celebrar o património da cidade e dar a conhecer o contexto histórico dos vários locais emblemáticos da onde decorrem os concertos. O concerto no Moinho de Papel será antecedido de um breve comentário sobre o seu percurso histórico, contextualizando a importância deste local na história da cidade de Leiria e dando a conhecer o seu contributo cultural e social para o desenvolvimento da região. O concerto inaugural da edição deste ano dos “Concertos com História” fará uma viagem no tempo entre os séculos XVII e XX, apresentando um repertório que vai desde o Barroco até à actualidade. LMF

“Como aplicar o marketing nas actividades culturais e criativas” é o tema da oficina, com duração de seis horas (10h00-17h30). O formador será Óscar Casaleiro, responsável pela comunicação do Museu da Presidência da República, que abordará temas como o marketing cultural e a publicidade, a construção de marca cultural e a aplicação de estratégias de comunicação. Terá ainda especial destaque para os métodos de abordagem aos meios de comunicação social. As incrições serão limitadas e terão o custo de 25 euros por pessoa, de-

Restaurante D. Nuno

Fado em Ourém Vai realizar-se uma noite de fados no Restaurante D. Nuno, em Ourém, no dia 25 de Fevereiro. Teresa Tapadas e Maria Teresa Azóia são as fadistas que serão acompanhadas à guitarra por Tó Silva e Ricardo silva e à viola por João Silva.


6 TRADIÇÕES / HISTÓRIA

O Mensageiro 16.Fevereiro.2012

Carnaval na região

São poucos os motivos que os portugueses encontram para andarem felizes. Os pacotes de austeridade que todos sentem na ‘pele’ devem ser motivos dos cursos carnavalescos de todo o País, incluindo os da nossa região como os de Pataias, Nazaré, Porto de Mós e outras localidades onde esta festa da folia tem tradição. Embora o Governo tenha tomado uma posição de que o dia seja de trabalho, até porque se eliminaram quatro feriados nacionais (dois civis e dois religiosos), os portugueses não querem corresponder a esta decisão, colocando um dia de férias ou então beneficiando das decisões de algumas autarquias que mesmo assim ousaram

conferir aos seus trabalhadores a tão desejável tolerância de ponto. Como já é tradição, em vésperas de folia, o Agrupamento de Escolas de Mira de Aire e de Alvados sai à rua com o desfile de Carnaval de 2012. No próximo dia 17 de Fevereiro, pelas 10h15, com encontro marcado junto ao Largo da Igreja de Mira de Aire. Igualmente no dia 17, o Centro Tradicional da Marinha Grande é palco da realização de mais um desfile de Carnaval, promovido pela Câmara Municipal, a partir das 9h30. A iniciativa contará com a participação de cerca de mil crianças, dos jardinsde-infância e escolas do 1º Ciclo do ensino básico

das freguesias de Marinha Grande e Moita. Já em Pataias se espera muita animação. No seguimento do que tem acontecido nos últimos anos, o Carnaval de Pataias, vai ser uma realidade, assumindo-se como um dos mais brilhantes e conceituados Carnavais populares da região. Haverá o corso infantil a 17 de Fevereiro, pelas 10h00, com cerca de 600 crianças e os habituais corsos de Carnaval a 19 e 21 Fevereiro, das 15h00 às 18h00, no centro da Vila, com 900 foliões bem animados. Em Pombal haverá o grande desfile de Carnaval das Escolas do Concelho, que decorrerá no dia 17 de Fevereiro, com início às

10h00 na rotunda do Bombeiro na Avenida Heróis do Ultramar. Na Batalha o Carnaval tem início marcado para as 15h00 do dia 19 de Fevereiro, esperando-se a irreverência e a originalidade de mais de 1000 foliões. A criatividade das escolas e das associações concelhias, a par das diversas equipas de animação contratadas para o efeito, vão marcar a diferença nesta grande manifestação de alegria. O corso percorrerá as principais artérias da Vila da Batalha - Pavilhão Multiusos, Rotunda da Igreja Matriz, Célula B, Rotunda do Emigrante e terminando no Pavilhão Multiusos. O Município da Batalha procederá a algumas al-

sua edição de 11 de N aAgosto de 1915, no nº 45, Jupéro publica no jornal O Mensageiro, um texto que coloca em causa os conteúdos da imprensa chamada ‘jacobina’, ou seja, jornais ligados à maçonaria. A Igreja Católica reforçava a sua posição, com argumentos que repudiavam este tipo de edições, como a que exemplificamos no semanário leiriense. «É um facto que merece registo especial a frequência com que a imprensa vermelha (não pensem que é de vergonha) se refere a coisas catholicas, merecendo-lhe particular interesse a nossa organização.»1. A secção dedicada ao conflito mundial "A Guerra" deixa também de ter uma publicação regular, pelo que na edição nº 49, de 8 de Setembro de 1915 de O Mensageiro, se justifica desta ausência com a falta de informações vindas do teatro da guerra. Mas, tudo continua na mesma, adianta o periódico. «A carnificina continua, eis o que se depreende da leitura dos últimos telegramas»2. A edição nº 53, de 6 de Outubro de 1915, O Mensageiro comemorou um ano de actividade,

Em 1915, o Bispo de Coimbra D. Manuel da Silva, efectuou uma visita pastoral a Leiria, iniciando a mesma em Colmeias

procedendo a alterações no jornal, aumentando o número de páginas, das habituais 4 para 6. Nessa edição deu-se destaque à visita pastoral a Leiria de D. Manuel da Silva, Bispo de Coimbra. A sua visita começou na paróquia de Colmeias, uma das mais antigas do Bispado de Leiria. Aproximava-se o Bispo de Coimbra a Leiria e aos movimentos para a restauração da Diocese. «Como noticiámos o Venerando Prelado de

Coimbra começou a visita pastoral á sua diocese pelo nosso concelho. A freguezia que teve a honra de receber o virtuoso e sábio antistete que ora preside á diocese de Coimbra foi a freguesia das Colmeias. Acertada foi a escolha, pela religiosidade de seus habitantes e pelo zelo e acrisolada fé do digno pároco, reverendo João Maria d’Assis Gomes»3. Quase a terminar o ano de 1915, surge também um texto de Jupéro, enviado de

Sintra, justificando a sua ausência na colaboração em O Mensageiro. Jupéro, era capelão de Penha Longa e foi preso por haver suspeitas de agressão a um trabalhador, António Alves Trindade, que veio a falecer na sequência de um suposto incidente com o sacerdote. O caso agitou a imprensa da época. No jornal O Mensageiro surge uma nota de agradecimento por tudo o que o sacerdote foi para o periódico, criticando o

LMF

A folia em tempos de tristeza da austeridade

terações na circulação do trânsito no interior da Vila da Batalha. As ruas da cidade de Ourém também vão receber no dia 19 de Fevereiro o seu desfile de Carnaval 2012. Os festejos seguirão o modelo do ano passado. As associações, entidades,

jornal O Século, que tinha dado notícia desta prisão mas não informando que fora depois colocado em liberdade. «Nem por um momento sequer acreditamos na aleivosia do Século – que célere em dar a notícia da prisão não deu a da imediata soltura»4. Em Março de 1916, no nº 76, O Mensageiro informa que Portugal vai entrar na Grande Guerra, após a declaração de guerra por parte da Alemanha. Logo na edição seguinte, o jornal leiriense dá nota da aproximação de D. Manuel II a Portugal, numa carta enviada ao Conde de Sabugosa, mostrando-se disponível para colaborar com o seu País neste momento difícil. «Peço que torne públicas quanto possíveis as seguintes instruções: Em vista do estado de guerra, toda a questão política deve ser posta de parte: devemos pensar unicamente na nossa bem amada terra e unir todos os nossos esforços para a victoria final dos aliados. Todos devem oferecer os seus serviços ao governo português.»5. 1 Jupéro; «A organização catholica e a imprensa jacobina»,

escolas e grupos vão integrar o cortejo carnavalesco. Espera-se que, a exemplo do que aconteceu no ano passado, os oureenses partilhem este dia de festa e encham o percurso habitual do cortejo com alegria, cor e muita animação. Joaquim Santos

REFLEXÕES SOBRE O SÉCULO XX - 12

Joaquim Santos Jornalista

A guerra, o primeiro aniversário de O mensageiro e a visita pastoral do Bispo de Coimbra a Leiria in O Mensageiro, nº 45, de 11 de Agosto de 1915, p.1. 2 «A Guerra», in O Mensageiro, nº 49, de 8 de Setembro de 1915, p. 2. 3 «Visita pastoral de S. Exa. Rev. o Sr. Bispo Conde», in O Mensageiro, nº 53, de 6 de Setembro de 1915, p.1. 4 «Padre Júlio Pereira Roque», in O Mensageiro, nº 64, de 22 de Setembro de 1915, p.1. 5 «Notas e Impressões», in O Mensageiro, nº 77, de 22 de Março de 1916, p. 1.


SOCIEDADE 7

O Mensageiro 16.Fevereiro.2012

Programa comemorativo da “nossa” delegação

Ciclo de tertúlias “Diálogos com a Região”

Cruz Vermelha há 108 anos em Leiria Ocorre no próximo dia 23 de Fevereiro a passagem do 108.º aniversário da abertura da Delegação de Leiria da Cruz Vermelha Portuguesa. A efeméride será assinalada nesse dia com o içar das bandeiras no largo fronteiro à delegação, às 09hh0, seguindo-se a montagem, no largo do Papa, da nova tenda insuflável da CVP, onde decorrerão acções de sensibilização de primeiros socorros destina-

das a crianças das escolas do primeiro ciclo. À tarde, pelas 17h00, será feita a recepção às autoridades oficiais e convidados, no auditório do Museu Moinho do Papel, onde decorrerá a apresentação pública do “empenhamento actual do efectivo da delegação e os projectos para o próximo futuro”. A ocasião será ainda aproveitada para a apresentação de uma actividade programada para os dias 6 e 7 de Julho,

designada “Seminário Porto de Mós”, de âmbito nacional e internacional, da iniciativa da Cruz Vermelha Portuguesa, Faculdade de Ciências de Lisboa, Delegação da Unesco em Portugal e Câmara Municipal de Porto de Mós, a ter lugar no Centro de Congressos de Porto de Mós e subordinada ao tema “Turismo, Ordenamento do Território, Biodiversidade e Energias”, no contexto das alterações climáticas.

No dia 25 de Fevereiro, sábado, na tenda montada no largo do Papa, será feito o rastreio de tensão arterial, glicemia e colesterol e será prestado apoio à população em geral pela equipa de primeiro socorro em “Bikes Socorro”. No mesmo dia, pelas 19h00, decorrerá um convívio para voluntários, “com incentivo à manutenção e desenvolvimento do espírito de corpo, coesão, equipa e voluntariado”.

Continua polémica em torno do traçado do IC9

Câmara reivindica nó em Fátima prevista uma ligação directa entre este IC e a A1, numa zona condicionada em matéria de ambiente, pelo que essa ligação não foi aprovada pelas entidades competentes. De acordo com o projecto em execução, que conhecemos, verifica-se que não está prevista qualquer ligação entre aquelas vias. Na sequência de diversos contactos com alguns intervenientes no processo de construção do IC9, sabe-

A Câmara de Ourém aprovou no dia 7 de Fevereiro a reivindicação de uma ligação directa entre o IC9 e a A1, em Fátima. A proposta de José Manuel Alho foi aprovada por unanimidade, tendo sido delegada no presidente da Câmara, Paulo Fonseca, a representação do Município nas acções a levar a cabo. O documento foi redigido nos seguintes termos: “Numa primeira fase do projecto do IC9, estava

se que existe um estudo que prevê uma ligação, numa zona sem condicionantes, conforme esquema que se anexa, mas não existem indicações para concretizála, levando a temer que não passe do projecto. Considerando que esta ligação é de fundamental interesse estratégico para cumprir os objectivos que justificaram a construção do IC9, e em particular as expectativas criadas relativamente à facilidade das

ligações nacionais, através da A1 e também um mais rápido acesso a Leiria, pela mesma via, venho propor que a CMO apresente uma declaração dirigida ao Governo da República, exigindo a construção da ligação em causa, sob pena de se concluir pela fraca utilidade do IC9, já que pouco contribuirá para o desenvolvimento regional da zona em que se integra, em particular para o concelho de Ourém”.

Adelino Antunes falou de bullying Subordinada à temática do bullying , decorreu no Colégio Dr. Luís Pereira Costa, no dia 3 de Fevereiro, uma sessão de escola de pais, dinamizada por Adelino Antunes, doutorado em sociologia. O prelector afirmou que “não podemos adiar as questões dos nossos filhos para amanhã”, sendo fundamental “educar pelo afecto e pelo respeito”. Nesta iniciativa, que contou com a presença de encarregados de educação e de professores, tornou-se evidente a necessidade de “envolver filhos/alunos nas suas actividades, nas suas decisões”. “É imprescindível que a criança conheça as regras”, assegurou. “Não se pode olhar para

DR

«Preparar o aluno para ser boa pessoa»

a criança só como ela é, mas com tudo o que a rodeia”, alertou Adelino Antunes. “Não basta confiar a educação dos nossos filhos à escola. Interessa mais reunir as ferramentas para

procurar as verdades que aí vêem. A Escola tem a função de aprendizagem para a cidadania e é muito importante aprender a lidar com o outro”. Recordando que “usamos mais a punição do que o louvor” e que “o castigo deve levar ao reconhecimento de um acto mal feito”, afirmou que “é importante que o professor se consciencialize de que, antes de ter um bom aluno, tem de preparar o aluno para ser boa pessoa”. “A violência nasce da não-comunicação e não há violência sozinha”, pelo que “o bullying é a provocação ou aviltamento de pares, usando a violência de forma continuada, com o intuito de granjear o po-

der através de recalcamento de outros”. Adelino Antunes alertou também para a importância de saber “que tipo de amigos têm os nossos filhos nas redes sociais”, recordando que, muitas vezes, “o agressor é também vítima dos contextos”. O caminho passa por “repensar a esperança e cultivar a alegria”, sendo que “pais e professores deverão andar de mãos dadas, não esquecendo de que a melhor forma de entender as crianças é recordarmo-nos de quando fomos crianças”. Estiveram presentes mais de uma centena de encarregados de educação, que consideraram “muito interessante” esta acção.

NERLEI debate “ambiente como factor crítico de desenvolvimento” No âmbito do ciclo de tertúlias “Diálogos com a Região”, a NERLEI – Associação Empresarial da Região de Leiria recebe no próximo dia 15 de Fevereiro, pelas 18h00, a sétima tertúlia subordinada ao tema “O Ambiente como Factor Crítico de Desenvolvimento”. O director-geral da Agência Portuguesa do Ambiente, Nuno Lacasta, e o presidente da Câmara Municipal de Leiria, Raul Castro, farão uma abordagem sucinta de enquadramento ao tema. Outros convidados estarão presentes, nomeadamente representantes da OIKOS – Associação de Defesa do Ambiente e do Património; SIMLIS – Saneamento Integrado dos Municípios do Lis, SA; RECILIS – Tratamento e Valorização de Efluentes, SA e a CADRM – Comissão de Ambiente e Defesa da Ribeira dos Milagres. Este ciclo de tertúlias é desenvolvido no âmbito do projecto Leiria Região de Excelência, assumindo-se como um espaço de reflexão sobre a região, no qual, as ideias apresentadas pelos convidados e por todos os presentes, com as suas interrogações e as suas convicções, contribuem para o surgimento de sugestões concretas para a qualificação da região, promovendo um novo olhar e uma nova forma de sentir este território. Estas Tertúlias terão uma periodicidade mensal, com temáticas que oportunamente serão divulgadas. O Leiria Região de Excelência é um projecto de desenvolvimento regional que está a ser promovido pela NERLEI, em conjunto com a ADLEI (Associação de Desenvolvimento de Leiria), a CIMPL (Comunidade Intermunicipal do Pinhal Litoral) e o IPL (Instituto Politécnico de Leiria).

Iniciativa é realizada há quatro anos

36 escolas de Leiria participam na Geração Depositrão A campanha Geração Depositrão da Associação Gestora de Resíduos, já está a decorrer a todo o vapor. Pelo quarto ano consecutivo as escolas nacionais alinham com Depositrões para a recolha de REEE (Resíduos de Equipamentos Eléctricos e Electrónicos) e pilhas usadas. Esta edição envolve mais de 600 escolas e mais de 290.000 alunos em todo o País, em torno da sensibilização dos jovens em idade escolar para a importância da recolha dos Resíduos de Equipamentos Eléctricos e Electrónicos (REEE) e de Pilhas e Acumuladores, bem como para as boas práticas ambientais.

Triénio 2012/2014

Casa do Povo de Arrabal elege novos órgãos No passado dia 7 de Janeiro, realizou-se a tomada de posse dos elementos que integram os Órgãos Sociais da Casa do Povo de Arrabal para o triénio 2012/2014. Os novos órgãos sociais são assim compostos: Assembleia Geral – Presidente: Afonso Marcelino dos Santos; Secretário: Joana Teresa Faria Marcelino e Cláudio Manuel Cunha da Silva. Direcção – Presidente: Nuno Vitorino Crespo dos Santos; Vice-Presidente: Susana Margarida Ferreira Bernardino Cadima; Secretário: Sílvia Pereira dos Santos; Tesoureiro: José Carlos dos Santos Carreira; Vogal: António José Marques de Faria. Conselho Fiscal – Presidente: Jorge Rodrigues de Faria; Secretário: Emanuel Tiago Dias dos Santos e Ana Margarida Faustino Marcelino.


8 ECLESIAL

O Mensageiro 16.Fevereiro.2012

[COLUNA SEMANAL]

Família há oito Séculos

CAMINHO... COM A

CARTA PASTORAL 18

3. Vasto mundo, minha paróquia 3.8. A família, principal recurso da sociedade A mensagem cristã encoraja a família a algo de grande, de belo, de fascinante e de promissor: a humanidade da família, graças ao amor divino que a anima por dentro, pode renovar a sociedade segundo o desígnio do seu Criador. De facto, a família é o primeiro berço e a primeira escola onde se vive e aprende o amor fraterno, o sentido mais verdadeiro da solidariedade, da justiça, da honestidade, da rectidão, das virtudes sociais tão importantes para a cidadania responsável. Assim, o mundo pode tornar-se mais belo e habitável para todos e a qualidade de vida melhora em favor de toda a sociedade. Em 2012, de 30 de Maio a 3 de Junho, realizar-se-à em Milão (Itália) o VII Encontro Mundial das Famílias Católicas sobre o tema “A Família: o trabalho e a festa”. Com este mesmo título, o Pontifício Conselho para a Família apresentou já o documento preparatório com dez catequeses. Estas procuram iluminar a relação entre a experiência da família e a vida quotidiana na sociedade e no mundo. São um bom instrumento de trabalho para a Pastoral Familiar ao longo do ano pastoral.

Para reflexão... o da sociedade

está organizada incipal recurs idade/paróquia 3.8. A família, pr un m co ia a ss no iliar da rno e de cidadan • A pastoral fam las de amor frate co es m re se a s e ajuda as família responsável?

A vinda do Senhor O meu amigo possuía uma vinha numa fértil colina. Cavou-a, tirou-lhe as pedras e plantou-a de Bacelo escolhido. Edificoulhe uma torre, construiu nela um lagar. Depois esperou que desse uvas (Is 5,1). Vinha escolhida e cuidada pelo Senhor é a Igreja e, no seio da mesma, as Ordens e Congregações Religiosas. Na verdade, os Consagrados, escolhidos e chamados a uma missão especial, são cepa escolhida que Jesus plantou na sua vinha e da qual espera colher abundantes frutos de santidade. Ao longo dos séculos, tal como Jesus proclamou no Evangelho, o trigo cresce ao lado do joio. Contudo, chegado o tempo da colheita, o “agricultor” procede à separação. Os Consagrados não são do mundo. Embora vivam no meio das vicissitudes desta vida terrena, o Senhor desafia-os a viver com o olhar e o coração fixos no Céu. Mas também eles transportam o “tesouro” em vasos de argila e, por vezes, esquecem a sua missão e altíssima vocação a que foram chamados, deixam-se envolver demasiado nos cuidados deste mundo e em vez de bons frutos produzem abrolhos e agraços. Por isso o lamento do profeta Isaías sobre a vinha do Senhor continua a ecoar no tempo. Sempre que na Igreja nasce uma Ordem ou Congregação Religiosa segue-se um tempo mais ou menos longo de intenso fervor e fidelidade ao carisma do fundador. Mas, depois subtilmente vem o relaxamento, a indisciplina, novas mentalidades, novos tempos. Também a Ordem de Santa Clara sofreu as intempéries da crise espiritual, e em alguns mosteiros as Irmãs deixaram-se envolver demasiado pelos cuidados deste mundo, adoptando os padrões da sociedade da época. O Senhor, porém, é “um Deus cioso” e não abandona a sua vinha a qualquer preço. E como outrora no jardim do Éden, Ele desce pela

tardinha a visitar o seu campo: chega o tempo da colheita, da separação e da purificação. Como afirma S. Pedro: chegou o momento de começar o julgamento e começa pela casa de Deus (1 Ped 4,17). Tem na mão a pá de joeirar para separar o trigo do joio. Nos finais do século XVI após o cisma da Igreja Anglicana, as Irmãs Clarissas na Inglaterra pareciam condenadas à extinção. Clandestinamente refugiaram-se em diversos países da Europa, sobretudo nos Países Baixos. Mas alguns mosteiros aderiram ao cisma e actualmente ainda existem as Clarissas Anglicanas. Na Irlanda o decreto de Cromwell obrigava todas as religiosas a contraírem matrimónio. As Irmãs, reafirmando fidelidade a Jesus, seu único Esposo, abandonaram os mosteiros e enquanto algumas se refugiaram em casas particulares outras optaram pelo exílio continuando a viver a sua consagração. Esta onda de hostilidade estendeu-se em grande escala ao longo dos séculos XVIII e XIX. Em 1782 José II, imperador da Áustria, influenciado pelo pensamento de Voltaire e outras correntes hostis à Igreja, deu início a uma dura perseguição aos religiosos. Suprimiu no seu reino todos os mosteiros que não se dedicavam ao ensino ou assistência social. Em consequência desta lei 38 000 religiosos foram expulsos dos seus mosteiros e os seus bens confiscados. Esta situação no reino austríaco foi como um rastilho de pólvora que rapidamente se estendeu a toda Europa, atingindo o seu ponto máximo com a Revolução Francesa. Também em França, com força de lei, foram suprimidas todas as Ordens religiosas que não prestassem qualquer assistência social. Depois, com o aparecimento do laicismo e a formação de governos laicos em vários países, a Vida Monástica ficou a ferro e fogo. Grande número de mosteiros foram extintos, os seus

bens confiscados e muitos religiosos guilhotinados ou cruelmente assassinados em nome da tal “liberdade, igualdade e fraternidade”. Apanhadas neste “fogo cruzado” também muitas filhas de Santa Clara, como tantos outros religiosos de outras Ordens e Congregações tingiram as suas vestes no sangue do Cordeiro porque ousaram obedecer antes a Deus que aos homens. Em consequência destas perseguições e leis anti-religiosas o número

de Irmãs Clarissas diminui consideravelmente na Europa. Todavia a chama que ainda fumegava não se extinguiu. À vinha do Senhor, aparentemente reduzida a cinzas, estava prometida uma alegre e promissora primavera. No século XX mudadas as circunstâncias político-sociais a Ordem de Santa Clara refloresceu com novo vigor e frescura. Deus nunca perde batalhas, pois tudo concorre para o bem daqueles que O amam. Irmãs Clarissas de Monte Real

Visita Pastoral - 22 a 26 de Fevereiro

Maceira 22 de Fevereiro (quarta-feira) 20h00 – Recepção do Senhor Bispo na Igreja Paroquial – com a presença dos agentes de Pastoral na Igreja 20h30 – Celebração Eucarística da Quarta-feira de Cinzas no Salão Paroquial 21h30 – Bênção da Casa Paroquial restaurada 23 de Fevereiro (quinta-feira) 11h00 – Visita à Fábrica de Cimentos (CMP) Maceira Liz 15h00 – Visita à igreja do Porto do Carro* 16h00 – Visita à igreja da Maceirinha* 17h15 – Visita à igreja do Vale Salgueiro* 18h00 – Visita à igreja da Costa* 19h00 – Missa na Igreja de A-do-Barbas com a presença das imagens dos padroeiros das igrejas visitadas 21h30 – Assembleia Paroquial no Salão Paroquial – com a presença de todos os agentes de Pastoral 24 de Fevereiro (sexta-feira) 15h00 – Celebração do Sacramento da unção dos doentes na Academia Social e Cultural de Maceira 17h00 – Visita à igreja de Alcogulhe de Cima 17h30 – Visita à igreja de Cavalinhos 18h15 – Visita à igreja da Pocariça 19h00 – Missa na Igreja do Vale da Gunha com a presença das imagens dos padroeiros das igrejas visitadas 21h30 – Encontro de casais promovido pela Pastoral Familiar na igreja do Vale da Gunha 25 de Fevereiro (sábado) 11h00 – Encontro com o 6º, 7º e 8º ano da catequese no Santo Amaro 15h00 – Encontro com as crianças do 1º ao 5º ano na Sede dos Escuteiros 16h30 – Missa campal (presença das imagens dos padroeiros) 21h00 – Encontro com os jovens do 9º e 10º ano e jovens crismados, na igreja da Maceirinha – Pastoral juvenil 26 de Fevereiro (domingo) 11h00 – Missa campal (presença das imagens dos padroeiros) 12h30 – Almoço no Pavilhão dos Bombeiros – convidamos todos os paroquianos para o almoço. As sopas ficarão ao encargo das comissões das igrejas e cada centro de culto ficará encarregado de trazer um género de alimento e bebidas para partilhar


DIOCESE 9

O Mensageiro 16.Fevereiro.2012

Visita Pastoral à Diocese Entrevista ao padre Armindo Castelão Ferreira, pároco de Marinha Grande

O Bispo diocesano, D. António Marto, esteve em visita pastoral à paróquia da Marinha Grande, de 8 a 12 de Fevereiro. A esse propósito, entrevistámos o pároco, padre Armindo Castelão Ferreira. Que pensa desta iniciativa do Bispo diocesano de fazer uma visita pastoral a todas as paróquias? Sejam quais forem as consequências desta visita, ela por si mesma tem um valor inestimável: revela as preocupações do Bispo por aqueles que lhe estão confiados. Como em tantas ocasiões ele disse: ninguém ama o que não conhece. Ela tem, por isso, como primeiro e principal objectivo conduzir ao que deve ser essencial na relação do Bispo com os diocesanos: relação de amor e de serviço. Visitando os diocesanos e os párocos, o Bispo conhece-os no seu “habitat” e assim está em melhores condições para dar a sua palavra de orientação para os caminhos que devem ser seguidos pelas comunidades e pela Diocese, para animar e fortalecer os mais desanimados e, de uma maneira mais personalizada, prover

as comunidades dos meios e acções mais necessários à concretização da sua missão. Conhecendo melhor os padres e as comunidades, poderá fazer uma gestão mais eficaz dos recursos humanos ainda disponíveis. Por outro lado, também as comunidades ficam a conhecer melhor o seu Bispo: assim o poderão olhar como um amigo, próximo, representante de Cristo à maneira dos Apóstolos, não como um “extra-terrestre” ou um “distante”, chefe. Só assim atenderão à sua palavra. Com a visita também se procura, como objectivo fundamental, abrir as comunidades cristãs ao mundo. Insere-se no lema deste ano que é: ”Brilhe a vossa luz diante dos homens”; também esta tem em vista, como objectivos: “despertar nos cristãos a consciência da sua missão no mundo em ordem à evangelização e humanização das realidades temporais; promover uma espiritualidade e uma formação do compromisso na sociedade; desenvolver o apostolado laical, pessoal e associado, nos diferentes âmbitos da vida”. Como se preparou a comunidade para receber o Bispo? O Conselho Pastoral assumiu toda a estruturação e orientação da preparação, bem como a execução. O conselho pastoral e outros responsáveis de movimentos e serviços

participaram na reunião preparatória dos animadores da “lectio divina” com o Senhor Bispo. Organizámos e distribuímos a cada um dos membros do conselho pastoral uma pasta com todos os documentos Distribuímos às pessoas em todas as missas dominicais e através das crianças e adolescentes da catequese uma pagela com a oração própria da visita Em todas as missas, quer de semana, quer dominicais, inserimos na oração universal a oração pelo bom êxito da visita O Boletim paroquial publicou durante 5 meses artigos sobre a visita e a figura e missão do Bispo. Fizemos o programa que foi proposto ao senhor Bispo, procurando que ele englobasse a vertente religiosa, mas também civil. Em cada comunidade, o representante no conselho pastoral promoveu a constituição de grupos da “lectio divina”. Editámos uma pagela com o programa integral da visita e contactámos as direcções de escolas e de agrupamentos escolares para sensibilização dos professores. Enviámos convites às associações e colectividades de carácter social, cultural ou desportivo ou recreativo. E também a 800 famílias para o encontro dos casais. Os catequistas de todos os níveis fizeram encontros com as crianças e adolescentes das catequeses.

Fotos: Daniela Sousa

“Os valores do Evangelho não podem ficar dentro da igreja”

Qual foi o critério na elaboração do programa? Como já acima indiquei a preocupação foi que ninguém ficasse sem saber desta presença e que todos se sentissem interpelados e desafiados a participar num ou mais dos encontros. Como o Senhor Bispo diz que não vem para visitar paredes ou estruturas, mas pessoas. Procurámos essencialmente mobilizar e animar para que ninguém faltasse aos encontros a eles destinados. Demos especial atenção ao “mundo exterior à comunidade cristã”. Quisemos manifestar que o cristão não se opõe nem pode alhear-se ao mundo exterior, mas mais, ainda é um aliado natural a todos e cada homem ou instituição que associe homens de boa vontade para o aperfeiçoamento do mundo em humanismo, vida espiritual e solidariedade. Daí o encontro com autarcas, dirigentes associativos, professores e casais. De forma geral, como decorreu a visita? Decorreu muito bem. As cinco celebrações a que o Senhor Bispo presidiu

foram muito participadas, desde a dos idosos até à final de encerramento. Os encontros específicos: com idosos, com os autarcas e os dirigentes associativos, com as crianças, adolescentes e jovens, com casais e aquele a que chamamos assembleia paroquial, foram de interesse por aquilo que as pessoas tiveram oportunidade de reflectir, de falar e de ouvir. Até mesmo os encontros em cada comunidade durante a tarde de cada dia tiveram uma participação que não esperava. Houve algum momento especial que queira destacar? O momento especial que quero destacar foi o encontro com os dirigentes associativos e autarcas. Não pelo número de participantes, mas antes pelo significado e pela alegria que despertou em todos pela comunhão, compreensão e solidariedade que despertou. Ainda um outro momento: a assembleia paroquial, com apresentação do estudo do projecto do futuro centro pastoral, há tantos anos sonhado.

Qual a principal mensagem ou marca deixada por D. António Marto? Aos de fora: os valores espirituais do Evangelho são caminho de realização da pessoa e da própria sociedade e não podem ser esquecidos ou relegados para dentro da igreja. Para os de dentro: não tenhais medo de trabalhar por Cristo e fazer entrega a Cristo; Ele não tira nada, dá tudo. Os cristãos precisam de ser fermento. O mundo exterior não mete medo a ninguém. “A fé em Jesus Cristo Salvador não permite aos fiéis desertar do mundo que Deus confiou aos homens como dom e missão para o tornar casa comum e digna de todos.” A marca deixada foi da simplicidade, amizade, proximidade, sensibilidade. A do pastor que se interessa por todos (os de dentro e os de fora) e para todos tem uma palavra de ânimo, coragem e confiança. Quais as expectativas criadas a partir da Visita Pastoral? Foi já definida alguma prioridade pastoral ou tomada alguma decisão em ordem à renovação da dinâmica paroquial? Quanto a estas questões, não devo antecipar nada. Deixarei para a avaliação e revisão que o Conselho Pastoral irá fazer. No entanto posso afirmar que ansiamos pela publicação das palavras do Senhor Bispo dirigida nos diversos encontros para continuarmos a interiorizá-las para encontrarmos formas concretas de as pôr em prática na pastoral de todos os movimentos e serviços pastorais, de modo a implementarmos um movimento na Marinha Grande que permita que os mais de 35 mil marinhenses olhem para Cristo através da Igreja e da comunidade cristã e O descubram como o tudo das suas vidas.


10 ECLESIAL

O Mensageiro 16.Fevereiro.2012

Leituras | VII Domingo Tempo Comum Janela sobre a Missão Antífona de Entrada: cf. Salmo 12, 6 Leitura I: Is 43, 18-19.21-22.24b-25 Salmo Responsorial: Salmo 40 (41), 2-3.4-5.13-14 (R. 5) Leitura II: 2 Cor 1, 18-22 Aclamação ao Evangelho: Lc 4, 18; Refrão: Aleluia. Repetese; O Senhor me enviou a anunciar a boa nova aos pobres, a proclamar aos cativos a liberdade. Refrão Evangelho: Mc 2, 1-12 Quando Jesus entrou de novo em Cafarnaum e se soube que Ele estava em casa, juntaram-se tantas pessoas que já não cabiam sequer em frente da porta; e Jesus começou a pregar-lhes a palavra. TrouxeramLhe um paralítico, transportado por quatro homens; e, como não podiam levá-lo até junto d’Ele, devido à multidão, descobriram o tecto por cima do lugar onde Ele Se encontrava e, feita assim uma abertura, desceram a enxerga em que jazia o paralítico. Ao ver a fé daquela gente, Jesus disse ao paralítico: «Filho, os teus pecados estão perdoados». Estavam ali sentados alguns escribas, que assim discorriam em seus corações: «Porque fala Ele deste modo? Está a blasfemar. Não é só Deus que pode perdoar os pecados?». Jesus, percebendo o que eles estavam a pensar, perguntou-lhes: «Porque pensais assim nos vossos corações? Que é mais fácil? Dizer ao paralítico: ‘Os teus pecados estão perdoados’, ou dizer: ‘Levanta-te, toma a tua enxerga e anda’? Pois bem. Para saberdes que o Filho do homem tem na terra o poder de perdoar os pecados, ‘Eu te ordeno – disse Ele ao paralítico – levanta-te, toma a tua enxerga e vai para casa’». O homem levantou-se, tomou a enxerga e saiu diante de toda a gente, de modo que todos ficaram maravilhados e glorificavam a Deus, dizendo: «Nunca vimos coisa assim». Palavra da salvação.

Semanas em cheio As duas semanas que passámos no Gungo correram bem, graças a Deus. Lembram-se daquela carrada do camião? Pois é, demorámos dez horas a chegar ao Gungo. A carrada varejava muito e com o mau estado da picada… mas chegámos e bem, ainda que cheios de sono e todos “partidos”. Mas valeu a pena. Com os materiais que levámos pudemos dar continuidade à construção da moagem que deu mais uns passos. Também pudemos iniciar o fabrico de manilhas e neste momento já temos quatro feitas. O primeiro lugar da sua aplicação vai ser junto à moagem. Vamos fazer uma cisterna com seis manilhas (um metro enterrada e dois em altura) com capacidade para um pouco mais de nove mil litros de água. A caleira da moagem estará encaminhada para lá. Como

está a começar a época das chuvas, vai ser uma boa oportunidade de aproveitar aquele tanque. Na moagem já só faltam alguns acabamentos como colocar o telhado em chapa de zinco lacada que seguiu no contentor, acabar alguns pisos, colocar portas e janelas e pouco mais. A inauguração já está marcada para dia 26 de Fevereiro. Depois ainda faltarão alguns pormenores, mas o importante é pôr a máquina a moer milho. É verdade, a moagem também já lá está (vê-se na foto). O Amândio levou-a na carrinha e foi recebido com uma ruidosa salva de palmas pelas pessoas que lá estavam a trabalhar naquele dia. Como sabem, a outra parte da equipa esteve na Donga. A primeira semana foi ocupada com a formação de agricultura. Contámos

AO SABOR DA PALAVRA

porque gostamos delas, interessam-nos todos os aspectos da sua vida. É interessantíssimo ver os miúdos quando estão a brincar juntos: quando se zangam isso não dura muito, e passado um tempo já estão novamente amigos. Porque a inocência do seu ser ainda não foi corrompida pelo calculismo e cinismo dos adultos. Deus é então como as crianças. É verdadeiramente amigo, a tal ponto que perdoa sempre as ofensas que lhe fazem. Ele nunca desfaz a relação de amizade que tem com todos os homens. Por isso é que Deus diz ao povo exilado na Babilónia: “Sou eu que, em atenção a mim, tenho de apagar as tuas transgressões e não mais recordar as tuas faltas.” Porque a essência de Deus é a misericórdia, o amor, e por isso ele não pode fazer mal a ninguém, Ele vem dizer ao povo para não se deixar ficar preso ao passado, aos seus erros, aos seus pecados: “Não vos lembreis mais dos acontecimentos passados”. Deus dirige-se ao povo desanimado e frustrado e dá-lhe

Cânticos | Iº Domingo do Advento (26/02/2012)

INÍCIO: Chegaram os dias de penitência - Lau 220 O povo de Deus - Lau 574 SALMO RESPONSORIAL: Todos os vossos caminhos, Senhor - Lau 818 APRESENTAÇÃO DOS DONS: Um novo coração - Lau 833 Se me envolve a noite escura - Lau 744 COMUNHÃO: Nem só de pão vive o homem - Lau 519 Comungando Teu corpo - Lau 231 PÓS-COMUNHÃO: O Senhor salvou-me - Lau 609 Só no Espírito de Deus - Lau 789

FINAL: Irmãos convertei - Lau 441 Anunciaremos teu Reino Senhor - Lau 153

leia, assine, divulgue, anuncie! O MENSAGEIRO

Pe. Francisco Pereira pe.francisco@mac.com

7º Domingo do Tempo Comum 19 de Fevereiro de 2012

Fazer as pazes

Todos sabemos que uma das coisas mais difíceis da nossa vida é fazer as pazes com quem nos zangamos. Porque está-nos no sangue o desejo de vencer sempre, de nunca aceitar a derrota, No entanto quando gostamos muito de alguém estamos sempre prontos a desculpar as suas faltas porque essas pessoas fazem parte de nós mesmos,

DR

(19/02/2012)

com formadores que vieram de Luanda e estiveram presentes onze formandos, além das nossas manas. Na semana seguinte veio uma formadora de Benguela, a D. Henriqueta, para a formação dos líderes da Pastoral da Criança. Participaram 36 pessoas, entre homens e mulheres. A formação correu muito bem e no fim via-se a alegria das pessoas pelos conhecimentos adquiridos. Graças a Deus, este é um projecto que está a pegar no Gungo e como as crianças precisam de quem cuide delas e olhe para elas com novos olhos e uma renovada atitude.

Voltámos ao Sumbe e nesta semana temos estado a concluir alguns pequenos trabalhos que tinham ficado por terminar aquando da inauguração (como alguns acabamentos de pedreiro, colocação de caleiras, etc). Outra tarefa tem sido a preparação de portas e janelas para colocar na moagem. Amanhã, domingo, iremos celebrar à Tuma. Sem mais por agora, despeço-me com um abraço de toda esta equipa. Ficam as fotografias da moagem e manilhas e também do grupo da Pastoral da Criança.

os seus conselhos, como se fosse um pai a preparar o filho para as duras batalhas da vida. A redenção prometida pela boca do profeta acontece com Jesus Cristo. Nele descobrimos a capacidade de perdoar, como Ele mesmo disse ao paralítico: “Os teus pecados estão perdoados.” Neste Evangelho encontramos de novo a paternidade divina que se compadece de cada homem ao tratar o paralítico por filho. Esta palavra revela todo o amor que Deus tem por cada pessoa. Deus caminha, desde sempre, ao nosso lado, preocupa-se em proporcionar a cada um a possibilidade de ser livre e feliz, quer que todos integrem a comunidade dos filhos amados de Deus… Para isso, Ele está sempre disposto, de forma totalmente gratuita e incondicional, a oferecer o perdão que purifica, que liberta e que coloca o homem numa órbita de vida nova. Deus oferece-nos o seu amor que nos integra na família de Deus, que nos liberta do egoísmo e do pecado e que introduz em

nós mecanismos de vida eterna; mas nós temos de ultrapassar o imobilismo que tolhe os dinamismos de vida nova, o comodismo que nos impede de acolher os desafios de Deus, a auto-suficiência que não nos deixa estar disponíveis para Deus. Porque no nosso coração há, inscrito desde todos os tempos, um código de amor, de bem, impresso por Deus, como nos diz S. Paulo. Só que nós, e para citar um meu ilustre professor, vamos tapando essa luz com camadas sucessivas de alcatrão, que a vão obscurecendo. Encontramos a harmonia da nossa vida se conseguirmos entender este amor de Deus e o seu perdão infinito que nos é dado a todos, e aceitamos o desafio de ser perdoados por ele, de deixarmos que ele mude a nossa vida, derretendo o alcatrão que nos cobre o coração, para sermos de novo crianças radiosas e livres.


DIOCESE 11

O Mensageiro 16.Fevereiro.2012

BREVES

Milagres acolhe Ultreia

“Mostrar o rosto de Cristo” Foi pequena a Igreja do Santuário do Senhor Jesus dos Milagres para, no passado Domingo acolher todos os que quiseram estar presentes na Ultreia Diocesana no dia 12 de Fevereiro. Estaria muito perto dos 400 o número de cursilhistas que se associaram a mais esta iniciativa do Secretariado Diocesano, com a excelente organização do Centro de Ultreia de Leiria. Numa data em que era muito presente ainda, o 4º aniversário (6 de Fevereiro) da partida para o Pai do Irmão e fundador do MCC, Eduardo Bonnín de Aguiló, e fieis à sua mensagem de que “Amigo é aquele com quem se pode pensar em voz alta”, e centralizada na temática da Família, a Ultreia decorreu com a alegria de quem vive em DECOLORES e partilha o amor de Cristo, sentindo em todo o irmão cusilhista a empatia e a amizade que

só sente aquele que conseguiu abrir o seu coração a Cristo, deixá-lo entrar e ali permanecer, que só sente aquele que consegue, nos seus ambientes, mostrar esse amor e a sua grandeza, nas suas atitudes, na sua ajuda ao próximo. A presença de vários sacerdotes de algumas paróquias da diocese, alegrou os presentes e foi motivadora de redobrado entusiasmo para que a experiência de um cursilho de cristandade continue a mostrar o rosto de Cristo, animando, convencendo e entusiasmando. A sociedade está em mudança, a família é hoje confrontada com maiores dificuldades, económicas mas sobretudo de valores, as gerações mais jovens lutam hoje com uma grande incerteza no futuro mas também com um profundo «vazio afectivo» dentro das suas próprias casas. Urge por isso dar a

conhecer o rosto jovem de Cristo e o seu amor incondicional, pois «é através da nossa vida vivida e testemunhada, que rasgamos o sulco da nossa história e acrescentamos vida aos Actos dos Apóstolos» (Encontro Nacional de Escolas MCC). Para tal é necessário coragem para continuar o caminho, coragem para desafiar os obstáculos, ultrapassando-os sem medo, coragem para apostar na mudança, coragem para repensar o MCC, coragem para «fazer o que ainda não foi feito». Este é o desafio que deixamos a todos os cursilhistas da nossa diocese. A escola e as actividades do MCC na diocese estão abertas para vos receber, como aberto está o nosso coração ao amor daquele que por nós deu a Sua vida, e que nos mostrou o Seu rosto num cursilho de cristandade, e que nos

Serviço de Animação Vocacional cria encontros acolheu, ouviu e teve um encontro pessoal connosco, no silêncio do Sacrário. Na carta apostólica “Porta Fidei” (Porta da Fé), do Papa Bento XVI, em que se proclama o Ano da Fé (Out 2012 a Out 2013), podemos ler: «Possa este Ano da Fé tornar cada vez mais firme a relação com Cristo Senhor, dado que só n’Ele temos a certeza para olhar o futuro e a garantia dum amor autêntico e duradouro» Que melhor garantia podemos ter para o futuro, senão a desse amor autêntico e duradouro? Como ouvimos num dos testemunhos na Ultreia, «Sou Feliz, porque o Senhor me ama!» Com Ele e com o Seu amor, TUDO PODEMOS! De coração, um sentido agradecimento a todos os que estiveram presentes! Movimento dos Cursilhos de Cristandade

Na Vigararia de Colmeias

Profissionais da educação aprofundam missão à luz da fé Tendo como ponto de partida a Carta Pastoral do Bispo da Diocese de Leiria-Fátima, intitulada “Testemunhas de Cristo no Mundo”, teve lugar uma reunião de pessoas ligadas profissionalmente à Educação, e outras igualmente interessadas nesta problemática, num total de cerca de duas centenas de participantes, no passado dia 27 de Janeiro. Realizou-se no Salão Paroquial de Vermoil, com a presença do Bispo D. António Marto, a fim de, em conjunto, reflectir e partilhar pareceres, ideias e testemunhos sobre as questões da educação nos dias de hoje. O tema, como é sabido, é muito querido à Igreja, considerando que também ela deseja, agora e sempre, uma melhor formação e educação. Esti-

veram presentes os Párocos da Vigararia de Colmeias, de que fazem parte, as Paróquias de Albergaria dos Doze, Colmeias, Espite, Matas, Meirinhas, Memória, São Simão de Litém, e Vermoil. Coube ao pároco anfitrião a abertura da sessão. Depois, usou da palavra Fernando Neves, professor do Colégio S. Miguel, de Fátima, que moderou o encontro. Com o apoio dos meios audiovisuais, introduziu o tema o Vigário Padre João Feliciano e, logo de seguida, sucederam-se os testemunhos de pessoas ligadas à escola e à educação: Maria da Natividade, da Escola Básica de Colmeias, Miquelina Sidronio, professora residente nas Matas, António do Carmo Costa, Director do Externato de Albergaria

dos Doze e residente em São Simão, e Ana Isabel Neiva, professora residente nas Colmeias. Todos procuraram dar, e deram, o seu testemunho com vontade, lucidez, verdade, interesse e até amor, interesse que também motivou o público presente, já de si muito desejoso de falar e ouvir falar, sobre questões da sua própria vida particular e profissional. A reunião indicou, claramente, que há quem tenha gosto pela profissão que abraçou e que é considerada por muitos, como uma missão. Depois seguiu-se a intervenção do Senhor Bispo. Na linha do que escreveu na carta pastoral já mencionada, falou da educação como a aventura mais fascinante, salientando a sua finalidade de realização pessoal e

“Tesouro Escondido”

O Serviço de Animação Vocacional (SAV) da Diocese continua a promover encontros para crianças e adolescentes com o objectivo de despertar desde cedo nos mais jovens a questão vocacional. Estes encontros destinam-se aos grupos de catequese das paróquias da Diocese que se preparem para a celebração da sua Primeira Comunhão, Profissão de Fé e Crisma, com diferentes propostas consoante o grupo. Várias paróquias têm já vindo a pedir esta colaboração ao SAV trazendo as suas crianças e adolescentes a estes encontros que decorrem sempre ou num seminário ou nalguma comunidade religiosa. No passado Sábado, dia 11, aconteceu mais um destes encontros, desta vez com um primeiro grupo de 35 crianças da paróquia de Maceira que se preparam para fazer a sua Primeira Comunhão. Este projecto tem o nome de “Tesouro Escondido”. Ao longo de toda a manhã as crianças são levadas a percorrer um percurso dinâmico de procura de um “tesouro” que desconhecem, até o encontrarem e descobrirem que esse tesouro precioso é a Eucaristia. Aí compreendem, através de um momento de adoração do Santíssimo, o valor desse grande Dom que irão receber na sua Primeira Comunhão. A Eucaristia é verdadeiramente o grande “Tesouro Escondido” para as suas vidas. Naquele percurso são levados a estabelecer a ligação da Eucaristia com o sacerdócio e a contactar com uma comunidade que viva alguma vocação de especial consagração. Este contacto serve muitas vezes para desmistificar ideias feitas sobre conventos e seminários, além de colocar com naturalidade a questão vocacional na vida destas crianças.

Paróquia da Marinha Grande

Bênção dos Bebés de contributo para um futuro melhor da sociedade. Indicou a importância dos valores no processo educativo e que este deve abarcar as diferentes dimensões da pessoa humana: intelectual, afectiva e relacional, vontade, consciência e o espírito. Focou ainda a importância do testemunho pessoal de fé por parte dos professores cristãos, que não podem deixar de procurar estar entre os mais competentes. Houve ainda um período de intervenções do público presente, resultando um debate vivo e bem interessante. O tempo passou rapidamente e foi pena. Haveria, certamente, muito mais a dizer.

No passado dia 5 de Fevereiro teve lugar na Igreja Matriz da Marinha Grande Nossa Senhora do Rosário uma celebração destinada aos Bebés até aos dois anos de idade que evocou a apresentação do Menino Jesus no templo de Jerusalém. Participaram 50 Bebés acompanhados pelos seus pais, avós e familiares num momento litúrgico de especial significado. Poderia pensar-se que a presença de um tão grande numero de bebés na igreja iria converter-se em choros impacientes, mas a verdade é que tirando dois ou três que a determinado momento fizeram ouvir a sua voz, verificou-se não só uma certa tranquilidade, mas inclusivamente que seguiam com os olhitos muito abertos e os ouvidos muito atentos tudo o que se ia desenrolando. Uma magia no ar fez-se sentir com uma mímica e um balão que ia passando e os pais anunciavam o nome dos seus bebés, também os cânticos produziram uma atitude de fascínio que só eles poderão explicar, mas que era visível nas suas expressões. A celebração foi presidida pelo pároco, Padre Armindo, consistiu na proclamação de uma passagem do Evangelho após a introdução e saudação, seguida de uma pequena reflexão em torno da leitura escutada. Depois, os pais foram convidados a acender uma vela a partir de uma lamparina que se encontrava acesa, símbolo da luz de Cristo que a todos ilumina, e colocando as suas mãos sobre a cabeça dos seus bebés acompanharam a oração de Bênção que o sacerdote pronunciou. Jorge Sousa


12 ECLESIAL

MUNDO Encontrar novos padres e religiosos

Bento XVI quer Igreja atenta Bento XVI pediu aos vários responsáveis da Igreja Católica que promovam um discernimento “vigilante” das novas vocações para o sacerdócio e a vida consagrada, oferecendo aos jovens um “acompanhamento espiritual sábio e vigoroso”. “É importante que se criem, na Igreja, as condições favoráveis para poderem desabrochar muitos ‘sins’, respostas generosas ao amoroso chamamento de Deus”, escreve o Papa, na mensagem para o 49.º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, que se vai celebrar a 29 de Abril. O documento, divulgado pela Santa Sé em sete línguas, incluindo o português, tem como tema ‘As vocações, dom do amor de Deus’. Segundo Bento XVI, é tarefa da pastoral vocacional “oferecer os pontos de orientação para um percurso frutuoso” de cada crente, ajudando a redescobrir “a beleza e a importância do sacerdócio e da vida consagrada”. “Por isso é preciso anunciar de novo, especialmente às novas gerações, a beleza persuasiva deste amor divino, que precede e acompanha: este amor é a mola secreta, a causa que não falha, mesmo nas circunstâncias mais difíceis”, assinala. A mensagem papal destaca também a importância do “amor ao próximo, sobretudo às pessoas mais necessitadas e atribuladas” como “o impulso decisivo que faz do sacerdote e da pessoa consagrada um gerador de comunhão entre as pessoas e um semeador de esperança”. “A relação dos consagrados, especialmente do sacerdote, com a comunidade cristã é vital e torna-se parte fundamental também do seu horizonte afectivo”, prossegue. O Papa fala numa “verdade profunda” da existência humana, sublinhando que todas as pessoas são “fruto de um pensamento e de um ato de amor de Deus, amor imenso, fiel e eterno”. “O amor a Deus, do qual os presbíteros e os religiosos se tornam imagens visíveis – embora sempre imperfeitas –, é a causa da resposta à vocação de especial consagração ao Senhor através da ordenação presbiteral ou da profissão dos conselhos evangélicos (castidade, pobreza e obediência)”, refere ainda.

Homenagem aos 60 anos de ordenação sacerdotal

“O esplendor da Verdade, a beleza da Caridade”

O livro “O esplendor da Verdade, a beleza da Caridade”. Homenagem dos Artistas a Bento XVI por ocasião do 60.º aniversário da sua ordenação sacerdotal” vai ser apresentado a 18 de Fevereiro na cidade italiana de Roma. A sessão presidida pelo presidente do Conselho Pontifício da Cultura, o cardeal italiano Gianfranco Ravasi, conta também com intervenções do arquitecto espanhol Santiago Calatrava e do músico e compositor estónio Arvo Pärt, revela a agência de notícias do Vaticano. O volume corresponde à exposição de homenagem pelos 60 anos da ordenação de Bento XVI, organizada em 2011 no Vaticano, com trabalhos de criadores contemporâneos de diferentes áreas artísticas, como pintura, fotografia, escultura, cinema, música, literatura e poesia. O livro publicado pela Livraria Editora Vaticana apresenta fotografias da mostra e uma análise dos trabalhos dos artistas que participaram na exposição, como o padre português José Tolentino Mendonça, que esteve presente com um poema inédito.

O Mensageiro 16.Fevereiro.2012

PORTUGAL Jornadas de Estudos Teológicos em Lisboa

“O Concílio Vaticano II na vida da igreja” De 7 a 8 de Maço tem lugar na Faculdade de Teologia, em Lisboa, as XXXIII Jornas de Estudos Teológicos subordinadas ao tema “O Concílio Vaticano II na vida da igreja: A condição crente, hoje”. O programa, com inicio

às 17h00, divide-se em 3 subtemas: “Memória de uma realidade presente” onde será apresentada uma conferência pelo moderador J.E. Borges de Pinho e um Documentário por J. M. Pereira de Almeida; “A experiencia cristã e a vivên-

cia eclesial como serviço” englobando a apresentação de um painel por José Nunes e uma conferência por D. Nuno Brás, seguindo-se no último dia a apresentação do subtema “Esperança cristã e caminhos de futuro” que inclui um painel

por J. Jacinto de Farias e a Conferência moderada por Alfredo Teixeira. As inscrições e outras informações podem ser consultadas na página da Universidade: www.ft.lisboa.ucp.pt.

Dia Nacional da Caritas destaca situações de desemprego e solidão

“Edificar o bem comum – tarefa de todos e de cada um” O presidente da Comissão Episcopal responsável pela Pastoral Social da Igreja Católica referiu que “esperar tudo do Estado” para a garantia de condições de vida condigna é um “engano irresponsável”. D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga, fala em “graves situações de desencanto e de ruptura verdadeiramente alarmantes” que exigem “um caminho diferente do passado, optando claramente pelo bem comum”, sem perder de vista “o destino universal dos bens do mundo”. Essa resposta, assinala, deve fazer face a um “crescente desemprego” que gera e agrava “ambientes

amargos nas famílias e na sociedade”, bem como ao “isolamento dos idosos”, que conduz à solidão extrema “na própria morte”. “Muitas famílias de todas as idades, particularmente as suas crianças, não conseguem prover às suas necessidades básicas”, alerta na mensagem para o Dia Nacional da Caritas, que vai ser celebrado a 11 de Março. A iniciativa tem este ano como tema ‘Edificar o bem comum – tarefa de todos e de cada um’. “A solidariedade mais profunda radica em cada pessoa e em toda a sociedade, nas suas múltiplas relações de co-responsabi-

lidade, começando pelas relações de proximidade”, observa o presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana Segundo o prelado, o dia da Caritas deve levar os cristãos a desenvolver “uma forte consciência social e a intensificação das actividades solidárias”. Neste sentido, aponta três linhas de acção às quais considera que não tem sido prestada a devida atenção: a existência de grupos de acção social em todas as paróquias; o tratamento estatístico dos casos sociais acompanhados; a intervenção junto dos poderes públicos, sempre que

necessário. D. Jorge Ortiga acrescenta que as comunidades devem ser formadas para uma “cultura de responsabilidade pelos outros”: “Ninguém é estranho na vida do cristão e muitos problemas deixariam de existir se as respostas acontecessem em termos de proximidade”. Sobre a Caritas, organização católica para a solidariedade e ajuda humanitária, o arcebispo de Braga refere que esta tem, diante de si, uma “responsabilidade enorme de acção e animação para a resposta imediata, e de fundo, a problemas inadiáveis”.

Encontro Nacional de Assistentes dos CPM

“Um amor de qualidade” No dia 4 de Fevereiro realizou-se, no Hotel Santo Amaro em Fátima, o 1º Encontro Nacional de Assistentes de Equipas dos Centros de Preparação para o Matrimónio (CPM). Estiveram presentes 25 Assistentes de 9 Dioceses que partilharam algumas ideias de como poderemos contribuir para melhorar o futuro da Família em Portugal, a partir das expe-

riências pessoais de cada um e das realidades existentes em cada Diocese. Esteve presente o Sr. Dom Joaquim Mendes, Bispo Auxiliar de Lisboa e membro da Comissão Episcopal do Laicado e Família, que deixou a todos os presentes palavras de incentivo para este importante trabalho Pastoral com os noivos que pretendem o Sacramento do Matrimónio.

O Assistente é, normalmente, um sacerdote que acompanha, a Equipa CPM na preparação dos Encontros e está ao serviço dos noivos durante as sessões, ajudando-os a descobrir a dimensão espiritual do matrimónio e a conseguir “um amor de qualidade”, numa descoberta do “ser” e do “existir” da família como “Igreja Doméstica”. O CPM é uma associação

de fiéis, que tem por objectivo a preparação de noivos para o Matrimónio, sempre na fidelidade à doutrina da Igreja, através de uma pedagogia e metodologia próprias, assentes na revisão de vida e no testemunho de vida de casais católicos, assistidos por Sacerdotes e apoiados na reflexão e diálogo conjugais. CPM


OPINIÃO 13

O Mensageiro 16.Fevereiro.2012

LUZ ENTRE OS HOMENS

Pe Jorge Guarda

Vigário Geral da Diocese

http://padrejorgeguarda.cancaonova.pt

Católicos seduzidos por “terapias da alma”

J

esus Cristo apresentouse aos homens como luz do mundo e disse que quem praticasse a verdade aproximava-se da luz, “de modo a tornar-se claro que os seus atos são feitos segundo Deus” (Jo 3,21). Exortou a caminhar na luz e não nas trevas, pois “quem caminha nas trevas não sabe para onde vai” (Jo 12, 35). Aos discípulos preveniu-os para se não deixarem transviar

ANÁLISE POLÍTICA

Orlando Fernandes Jornalista

A salvação de Portugal

A

Grécia e Portugal não se conseguem entender sobre as condições de um financiamento adicional de €130 mil milhões que, pelo menos temporariamente, evitará o incumprimento. Como já se sabia muito

por falsos profetas que se “apresentam disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes”; deveriam conhecê-los “pelos seus frutos” (cf Mt 7, 15-20). Os frutos que não apresentem as marcas do espírito de Cristo não se podem reconhecer como vindos dele. Por seu lado, S. Paulo, ao saber de cristãos enganados por mensagens que alguém lhes apresentou, exortou-os a abrirem os olhos para reconhecerem que se estavam a afastar do verdadeiro Evangelho (cf Gl 1, 6-9). Os alertas valem para os cristãos de hoje que estão a deixar-se iludir e enganar. Procurem na Igreja, nas suas múltiplas propostas, e encontrarão nela a verdadeira luz de Cristo, o evangelho e uma autêntica família espiritual. Há hoje muita gente com a sensação de vazio na alma. E mais ainda são os que experimentam mal estar, incómodos e problemas múltiplos na vida. Buscam solução ou maior satisfação espiritual e deparam-se com propostas aliciantes que lhes falam de modo positivo, por

vezes, com indicação de terem recebido mensagens de figuras sobrenaturais como Jesus, a Virgem Maria, um anjo ou santo. Dessas entidades celestes dizem receber conforto para os seus problemas e instruções sobre os modos de os resolver. Com frequência, tais propostas misturam numa espécie de “salada de fruta” ingredientes de diferentes tradições religiosas e espirituais com elementos de psicologia ou de pensamento positivo. Ensinam a prática de exercícios de concentração, em ambiente descontraído, por vezes com incenso oriental... Prometem bem-estar, cura, desenvolvimento espiritual, felicidade... E tudo muito fácil e gratificante. Os mestres são simpáticos, as atividades cativantes e os grupos compreensivos e calorosos. Vendem livros, cursos, conferências, CDs... e tudo o que permita continuar a praticar em casa os ensinamentos recebidos. As propostas vão ao encontro das necessidades do “eu” e do seu bem-estar. Tudo está ao seu alcance.

E “eu” é deus! Este “eu” inchado, hipertrofiado, infantilizado é, sem dúvida, uma das principais características destas ofertas. Quem segue por este caminho tende a isolar-se, a não ouvir quem o contraria, julga que esses estão num mau momento, pois o “eu” é que tem a verdade. Sente sempre mais desejo de cultivar o que aprendeu e de se reunir com quem pensa do mesmo modo. Assim se torna sempre mais uma dependência, pois a pessoa perdeu o sentido crítico, está apaixonado e só vê virtudes no caminho que abraçou. As propostas de “terapia da alma” ou as espiritistas não são compatíveis com a fé católica. Antes de mais, porque a sua fonte são visões ou “mensagens” que se pretendem estar a receber de entidades sobrenaturais ou cósmicas e não da Palavra que Deus e do Evangelho de Jesus Cristo. A sua imaginação leva-os a crer ouvirem tais entidades. Há quem fale de uma conexão com o “Eu superior”, uma espécie de metade da pessoa que

está invisível, no céu. Isto não corresponde de modo nenhum à visão católica sobre a pessoa humana como unidade do corpo e da alma. Falam do “karma” da pessoa, que é um conceito das religiões orientais e nada tem de compatível com a mensagem cristã. Admitem a existência de vidas passadas e a reencarnação, conceitos igualmente incompatíveis com a convicção cristã de que a vida da pessoa humana, criada por Deus mediante a geração humana é única e irrepetível, tendo a sua plenitude na eternidade após a ressurreição. Concebem a pessoa como energia, o que não corresponde à noção bíblica e cristã do espírito. Pode um católico aderir a tais propostas? Não, se pretende ser fiel à sua identidade de discípulo de Cristo. Como já referi, o próprio Jesus alertou os seus discípulos para não se deixarem enganar por falsos profetas que viriam em seu nome para seduzir os crentes. Quando uma pretensa terapia espiritual se centra no “eu”, nos seus desejos e interesses, leva as

pessoas a atitudes egocêntricas, criando divisão, aderindo a ideias e convicções alheias à fé cristã, então os frutos não são tão humanizadores e criadores de bem estar como as pessoas creem e julgam ter. Quando alguém na praia vai molhar os pés no mar e é surpreendido por uma onda que o arrasta, pode perder a vida. Algo de semelhante, no campo espiritual, pode suceder a quem se aproxima do espiritismo e das propostas de “terapia da alma”, de grupos de meditação ou de espiritualidade, de ofertas para o alargamento da consciência, despertar da energia pessoal e entrar em conexão com entidades celestes. São propostas de moda que seduzem alguns católicos pouco seguros e mal informados sobre a identidade da fé cristã. Nesse caminho correm o risco de serem envenenados, perderem a verdadeira fé cristã e mesmo a saúde e o bem-estar mental...

antes da adesão da Grécia à União Europeia, os Gregos são, em matéria económica e financeira, o oposto dos alemães e da esmagadora maioria dos seus parceiros europeus. Utilizam na estatística, na contabilidade pública e privada, na interpretação dos contratos e no cumprimento das suas obrigações princípios e regras muito peculiares e muito desalinhados com as prevalecentes na União Europeia. Por outro lado, como parecia evidente a muitas pessoas, não se pode sujeitar um doente a sessões intensas de quimioterapia e, simultaneamente, exigirlhe que corra a maratona! Ninguém precisa de ser especialista em economia para entender que um País não é uma empresa e que os diagnósticos e terapias têm que ter em consideração, para além das realidades económicas e financeiras, o impacto político e social das medidas de saneamen-

to e reestruturação. Se a crise grega tivesse sido resolvida há dois anos com bom senso e sem querer fazer dela um “exemplo moral”, tudo teria saído mais barato aos Gregos, aos restantes Estados Europeus e aos investidores privados que se fiaram nas contas nacionais gregas auditadas pelas instituições comunitárias. Como não foi e os gregos também não ajudaram, surgiu a necessidade de negociar um novo acordo. As negociações foram suspensas, parece por desentendimentos à volta de 300 milhões de Euros. Provavelmente serão retomadas e algum acordo será alcançado, nem que não seja porque a Chanceler Merkrel finalmente se deu conta do imbróglio em que nos meteu. O problema é que a Grécia acabou para os Europeus e a Europa para os Gregos. Qualquer acordo a que se chegue vai ter

que ser revisto em breve, porque nem a população grega o quer aplicar, nem a previsível conjuntura económica e financeira europeia permitirá a sua concretização. Cresce o número de especialistas que acham que a Grécia só evitará um longo e penoso calvário se abandonar o Euro, recuperar a sua soberania cambial e monetária, desvalorizar a moeda e estimular a economia com as medidas de política monetária que o seu banco central considerar adequadas. Dir-se-á que, com o abandono do Euro, a economia grega contrairá pelo menos 40%. Mas quanto é que já contraiu e vai contrair com a terapia que lhe propõem? Merecida ou imerecidamente, a tragédia grega pode ser a salvação de Portugal pois se começa a reconhecer que foram cometidos erros que não se podem repetir.

Embora a Chanceler Merkel e o deputado Martin Schulz, com um sentido de oportunidade notável, tenham decidido colocar mais algumas achas na fogueira que poderá cremar Portugal, parece que quem manda, ou influencia os que mandam, já terá chegado às seguintes conclusões: Por causa da recessão Europeia, designadamente a Espanhola, alguns dos pressupostos do acordo de resgate (como o crescimento das exportações em 40% entre 2011 e 2016 e o crescimento do PIB à taxa média de 2% entre 2014 e 2016) não se verificarão; - Portugal não conseguirá regressar aos mercados em 2013 para financiar cerca de 27 mil milhões de Euros, ainda que tente através do sistema bancário nacional com recurso ao FMI; - É necessário evitara o contágio da crise grega, Portugal tem cumprido as obrigações assumidas no plano de resgate e a relação com a Troika é

excelente; - O montante de fundos necessários para financiar Portugal até ao fim de 2014 é relativamente pequeno (entre 30 a 50 mil milhões). Qualquer reestruturação da dívida portuguesa não pode abranger os credores privados, pois os Estados repetidamente têm afirmado que a medida adoptada na Grécia era pontual. É assim muito provável que a Troika estenda o pacote de ajuda até ao final de 2014, o reforce com um montante que poderá chegar aos 50 mil milhões e alivie algumas das condições de consolidação fiscal. Portugal regressaria aos mercados em 2015 com a confiança sustentada numa economia reestruturada e já em crescimento, nas finanças públicas consolidadas e no respeito pelos direitos dos detentores privados da dívida pública que emitiu.


14 OPINIÃO

O Mensageiro 16.Fevereiro.2012

CEDILE Telefone 244 850 690 ECOGRAFIA / DOPPLER / ECOCARDIOGRAFIA TAC / MAMOGRAFIA / RX / OSTEODENSITOMETRIA RESSONÂNCIA MAGNÉTICA ARTICULAR Telefone +351244850690 / Fax 244850698 Largo Cândido dos Reis, Nº 11 / 12 • 2400-112 LEIRIA

Telemóvel: 917 511 889 Telefone: 244 828 450 Fax: 244 828 580 Rua Machado Santos, n.º 33 2410-128 LEIRIA

Telefones: BARREIROS (sede): 244 840 677 JUNCAL: 244 470 610 Fernando - 919 890 630

F. Costa Pereira Médico Especialista Doenças da boca e dentes

Rua João de Deus, 25- 1º Dt. - LEIRIA CONSULTAS COM HORA MARCADA 2ª, 4ª e 5ª: 11h-13h e 15h-19h, 3ª: 10h-13h e 15h-19h, Sábados: 9h30-15h Tel. 244 832406

FARMÁCIAS DE SERVIÇO Sanches (16), Tomáz (17), Maio (18), Avenida (19), Baptista (20), Central (21), Godinho Tomáz (22) e Higiene (23).

TELEFONES ÚTEIS

Bombeiros Municipais - 244 832 122 | Bomb. Vol. Leiria (Ger.) - 244 882 015 | Bomb. Vol. Leiria (Urg.)

Registo no ICS N.º 100494 Semanário - Sai à 5ª Feira Tiragem média - 3.000

PUB / INSTITUCIONAL CARTÓRIO NOTARIAL DE MANUEL FONTOURA CARNEIRO PORTO DE MÓS Certifico para fins de publicação, que por escritura de justificação celebrada neste Cartório Notarial, no dia oito de fevereiro de dois mil e doze, exarada a folhas dez do livro de Notas para Escrituras Diversas Duzentos e Sessenta – A, JOSÉ DOS SANTOS PEREIRA DAS NEVES e cônjuge CONCEIÇÃO DE OLIVEIRA NEVES, casados sob o regime da comunhão de adquiridos, naturais da freguesia de Santa Catarina da Serra, concelho de Leiria, lá residentes em Loureira, Nifs: 179 587 200 e 179 587 218; Que, com exclusão de outrém, são donos e legítimos possuidores dos seguintes bens: DOIS: Um oitavo indiviso do prédio rústico sito em Fasarga ou Fazarda, freguesia de Santa Catarina da Serra, concelho de Leiria, composto de terra de semeadura com oliveiras, com a área de sete mil e duzentos metros quadrados, a confrontar do norte com Herdeiros de Manuel Marques Vieira, do sul com António Pereira da Cruz, do nascente com António Alexandre das Neves e do poente com estrada, descrito na Segunda Conservatória de Registo Predial de Leiria na ficha duzentas e uma, únicos direitos de que são titulares, sem qualquer relação com os lá registados pelas inscrições correspondentes às apresentações catorze de nove de julho de mil novecentos e oitenta e sete, trinta e oito de nove de julho de mil novecentos e noventa e três, vinte e duas de vinte e sete de março de mil novecentos e noventa e cinco, três mil novecentas e setenta e quatro de vinte e seis de agosto de dois mil e dez e três mil novecentas e setenta e cinco de vinte e seis de agosto de dois mil e dez, inscrito na matriz sob o artigo 2404, com o valor patrimonial IMT correspondente de € 113.56. TRÊS: Cinquenta e nove quatrocentos avos indivisos do prédio rústico sito em Lagoa do Boi, freguesia de Santa Catarina da Serra, concelho de Leiria, composto de terra de semeadura, pinhal e mato, com a área de sete mil e setecentos metros quadrados, a confrontar do norte com Manuel Pereira, do sul com Luís dos Anjos Alves, do nascente com Herdeiros de José Vicente Novo e do poente com António da Silva Testa, descrito na Segunda Conservatória de Registo Predial de Leiria na ficha três mil oitocentas e vinte e oito, únicos direitos de que são titulares, sem qualquer relação com os lá registados pelas inscrições correspondentes às apresentações trinta e uma de vinte e seis de maio de mil novecentos e noventa e oito e duas mil trezentas e trinta e quatro de catorze de setembro de dois mil e dez, inscrito na matriz sob o artigo 3265, com o valor patrimonial IMT correspondente de € 126,18. Que os bens relacionados sob as verbas DUAS e TRÊS vieram à sua posse por compra verbal a Joaquim Marques das Neves e esposa Júlia da Conceição Santos, residentes em Magagia, Santa Catarina da Serra, Leiria, compra essa que teve lugar no ano de mil novecentos e oitenta e três, já no seu estado de casados. Não obstante não terem título formal de aquisição dos referidos bens, foram eles que sempre os possuíram, os relacionados sob as verbas DUAS e TRÊS em compropriedade, desde aquelas datas até hoje, logo há mais de vinte anos, em nome próprio, defenderam a sua posse, pagaram os respectivos impostos, gozaram todas as utilidades por eles proporcionadas, cultivaram-nos e colheram os seus frutos, sempre com o ânimo de quem exerce direito próprio, ostensivamente e sem oposição de quem quer que seja, sendo reconhecidos como seus donos por toda a gente, posse essa de boa fé, por ignorarem lesar direito alheio, pacífica, porque sem violência, contínua e pública, por ser exercida sem interrupção e de modo a ser conhecida pelos interessados. Tais factos integram a figura da usucapião, que os justificantes invocam, como causa de aquisição dos referidos bens, por não poderem comprovar a sua aquisição pelos meios extrajudiciais normais. Cartório Notarial de Manuel Fontoura Carneiro em Porto de Mós, oito de fevereiro de dois mil e doze. A colaboradora com delegação de poderes, (Ana Paula Cordeiro Pires de Sousa Mendes)

- 244 881 120 | Bomb. Volunt. Batalha - 244 765 411 | Bomb. Volunt. P. Mós - 244 491 115 | Bomb. Volunt. Juncal - 244 470 115 | Bomb. Volunt Ourém - 249 540 500 | Bomb. V. M.te Redondo - 244 685 800 | Bomb. Volunt. Ortigosa - 244 613 700 | Bomb. Volunt. Maceira - 244 777 100 | Bomb. Vol. Marinha - 244 575 112 | Bom. Volunt. Vieira - 244 699 080 | Bom. Voltun. Pombal - 236 212 122 | Brigada de Trânsito - 244 832 473 | Câmara M. de Leiria - 244 839 500 |

RECORTES

Pe José Tolentino

Doutor em Teologia Bíblica

A Quaresma vem ao nosso encontro

U

m dos mais espantosos apelos de Quaresma que conheço não foi assinado por um eclesiástico, nem por um teólogo, mas sim por um poeta. Escreveu-o T. S. Eliot em 1930, três anos após a sua conversão, e deu-lhe um nome austero, sem o cómodo encosto que por vezes é o dos adjetivos: chamou-lhe simplesmente “Quarta-feira de Cinzas”. Nesse poema, dizem-se três coisas fundamentais. Se as soubermos ouvir, percebemos que elas correspondem a caminhos muito objetivos (a mapas pessoais e comunitários) de conversão. E não é esse o desafio da Quaresma, e desta Quaresma em particular? 1. A Quaresma vem ao nosso encontro para que nos reencontremos. Os traços que o poeta desenha coincidem dramaticamente com os do nosso rosto: damos por nós a viver uma vida que não é vida, acantonada entre lamentos e amoques, sem saber aproveitar verdadeiramente

Câmara Eclesiástica - 244 832 539 | CENEL (Avarias) - 800 246 246 | C. Saúde A. Sampaio - 244 817 820 | C. Saúde Gorjão Henriques - 244 816 400 | C. P. (Est. de Leiria) - 244 882 027 | Cruz Vermelha - Leiria - 244 823 725 | Farmácia Avenida - 244 833 168 | Farmácia Baptista - 244 832 320 | Farmácia Central - 244 817 980 | Farmácia Coelho - 244 832 432 | Farmácia Higiene - 244 833 140 | Farmácia Lino - 244 832 465 | Farmácia Oliveira - 244 822 757 | Farmácia

a oportunidade que cada tempo constitui, como se tivéssemos capitulado no essencial, e passássemos a olhar para as nossas asas (e para as dos outros) sem entender já o papel delas. “Esmorecendo, esmorecendo”. 2. A Quaresma vem ao nosso encontro para nos devolver ao caminho pascal. O que é que nos dá o sentido de redenção no tempo? – pergunta o poema. E o poema evangelicamente responde: o sentido de transformação é-nos dado quando aceitamos trilhar um caminho. O que nos permite passar do cerco das coisas triviais à revigoração da fonte, o que do sono nos dá acesso à vigília iluminada da vida é aceitarmos o desafio de nos fazermos de novo à estrada, e à estrada menos óbvia e mais adiada que é aquela interior. A Páscoa é a grande possibilidade de revitalização. Mas é preciso consentir naquela imagem brutalmente verdadeira do profeta Ezequiel: por agora somos mais uma sucata de restos, do que uma primavera do Espírito. 3. A Quaresma vem ao nosso encontro para que a tensão criadora do Espírito de Jesus redesenhe em nós a vida. Interessantes são os verbos que o poeta usa como prece: “que sejamos instigados”, “que sejamos sacudidos”. A Quaresma faz-nos passar do “deixa andar”, e do viver espiritualmente entorpecido ao estado da corda tensa. Aquela que é capaz de avizinhar da nossa humanidade reencontrada a música de Deus. In Ecclesia

Sanches - 244 892 500 | Governo Civil - 244 830 900 | Guarda N. Republicana - 244 824 300 | Hospital de S.to André - 244 817 000 | Hospital S. Francisco - 244 819 300 | Polícia Judiciária - 244 815 202 | Polícia S. Pública - 244 859 859 | Polidiagnóstico - 244 828 455 | Rádio Táxis - 244 815 900 | Rádio Alerta - 244 882 247 | Rodoviária do Tejo - 244 811 507 | Teatro JLS (Cinema) - 244 823 600

Fundador José Ferreira Lacerda Director Rui Ribeiro (TE416) Redacção Luís Miguel Ferraz (CP5023), Joaquim Santos (CP7731), Ana Vala (CP8867). Paginação O Mensageiro Colaboradores Ambrósio Ferreira, Américo Oliveira, André Batista (Pe.), Ângela Duarte, Carlos Alberto Vieira, Carlos Cabecinhas (Pe.), José Casimiro Antunes, Francisco Pereira (Pe.), D. João Alves, João Filipe Matias (CO798), Joaquim J. Ruivo, Jorge Guarda (Pe.), José António C. Santos, Júlia Moniz, Maria de Fátima Sismeiro, Orlando Fernandes, Paulo Adriano Santos, Pedro Jerónimo (CO1060), Pedro Miguel Viva (Pe.), Saúl António Gomes, Sérgio Carvalho, Verónica Ferreirinho, Vítor Mira (Pe.). Administração / Publicidade André Antunes Batista (Pe.). Propriedade/Sede (Editor) Seminário Diocesano de Leiria - Largo Padre Carvalho - 2414-011 LEIRIA - Reitor: Armindo Janeiro (Pe.) Contribuinte 500 845 719 Contactos Tel.: 244 821 100/1 - Fax: 244 821 102 - Email: jornal@omensageiro.com.pt - Web: www.omensageiro.com.pt Impressão e Expedição Empresa do Diário do Minho, Lda - Tel: 253 303 170 - Fax: 253 303 171 Depósito Legal 2906831/09

Tabela de Assinaturas para 2011 Destino Nacional Europa Resto do Mundo

Normal Benfeitor 20 euros 40 euros 30 euros 60 euros 40 euros

Preço avulso - 0,80 euros


DESPORTO 15

O Mensageiro 16.Fevereiro.2012

D 0 1 2 4 4 8 6 7 8 9 10 10 10 9 12 10

Pts 48 43 40 32 32 26 22 21 20 19 18 18 16 15 14 14

Equipa Estoril D. Aves Moreirense Naval Atlético Penafiel Arouca Leixões Oliveirense Santa Clara Belenenses Sp. Covilhã Trofense Freamunde U. Madeira Portimonense

J 18 18 18 18 18 18 18 18 18 18 18 18 18 18 18 18

V 11 8 9 8 7 7 6 7 6 6 5 5 5 4 4 3

14.ª J.12.02.12

E D 5 2 3 5 4 5 6 4 6 5 5 6 8 4 3 8 6 6 5 7 6 7 5 8 4 9 7 7 6 8 3 12

Pts 38 31 31 30 27 26 26 24 24 23 21 20 19 19 18 12

Estorial x Freamunde (dia 18, 16h00) Naval x D. Aves (dia 18, 17h00, Sport Tv1) Trofense x Atlético (11h15, Sport Tv1) Arouca x Sp. Covilhã (15h00) Belenenses x Portimonense (16h00) U. Madeira x Oliveirense (16h00) Moreirense x Leixões (16h00) Santa Clara x Penafiel (16h00)

federação portuguesa de futebol

federação portuguesa de futebol

II Divisão B

III Divisão

20.ª JOR. 19.02.12

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º

Equipa Torreense Carregado Fátima Pinhalnovense Oriental Mafra Louletano Vendas Novas Sertanense 1.º Dezembro Juv. Évora Tourizense Moura Monsanto Reguengos Caldas

J 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19 19

V 11 10 10 11 10 8 8 8 7 6 6 4 5 3 3 2

E D Pts 6 2 39 6 3 36 5 4 35 1 7 34 3 6 33 8 3 32 5 6 29 4 7 28 5 7 26 4 9 22 3 10 21 7 8 19 3 11 18 8 8 17 7 9 18 5 12 11

Juv. Évora x Mafra (todos às 15h00) Pinhalnovense x Caldas Fátima x Vendas Novas Louletano x 1.º Dezembro Reguengos x Oriental Monsanto x Tourizense Carregado x Torreense Sertanense x Moura

18.ª J. 12.02.12

Moura x Mafra (0-2) Caldas x Juv. Évora (0-0) Vendas Novas x Pinhalnovense (0-2) 1.º Dezembro x Fátima (2-3) Oriental x Louletano (0-1) Tourizense x Reguengos (1-1) Torreense x Monsanto (2-1) Sertanense x Carregado (1-1)

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º

19.ª J. 19.02.12

19.ª JOR. 12.02.12

SUL

série D

Marinhense x Tocha (0-0) Alcobaça x B.C. Branco (0-3) Bombarralense x Peniche (1-2) Pampilhosa x Sourense (1-2) Sp. Pombal x Beneditense (0-0) Folgou: Riachense Equipa B.C. Branco Pampilhosa Tocha Sourense Peniche Sp. Pombal Beneditense Marinhense Alcobaça Riachense Bombarralense

J 17 16 17 16 17 16 16 17 16 16 16

V E D Pts 8 5 4 29 9 1 6 28 7 7 3 28 7 6 3 27 6 8 3 26 7 4 5 25 5 10 1 25 6 4 7 22 4 5 7 17 1 4 11 7 0 6 10 6

Beneditense x Marinhense (todos às 15h00) Tocha x Alcobaça B.C. Branco x Bombarralense Riachense x Pampilhosa Sourense x Sp. Pombal Folga: Peniche

V 11 11 10 8 7 7 4 4 4 4 3 2

E D 2 1 35 1 2 34 2 2 32 1 5 25 1 6 22 0 7 21 5 5 17 3 7 15 1 9 13 0 10 12 0 11 9 2 10 8

Ranha x Arcuda (todos às 15h00) Pelariga x Caseirinhos Castanheira de Pêra x Motor Clube Moita do Boi x Pousaflores Boavista x Alegre e Unido Ilha x Mata Mourisquense

I Divisão

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º

15.ª J.19.02.12

Sufoco e goleada no Porto. O jovem guarda-redes da União defendeu muito, mas não evitou quatro golos. Foto: José Coelho/Lusa

J 14 14 14 14 14 14 14 14 14 14 14 14

associação de futebol de leiria

14.ª J.12.02.12

Rio Ave x Marítimo (dia 17, 20h15, Sport Tv1) Gil Vicente x Sp. Braga (dia 18, 20h15, Sport Tv1) U. Leiria x Beira-Mar (16h00) Nacional x Académica (16h00) Feirense x Olhanense (16h00) V. Setúbal x Porto (18h15,TVI) Sporting x P. Ferreira (20h15, Sport Tv1) V. Guimarães x Benfica (dia 20, 20h15, Sport Tv1)

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º

Equipa Pelariga Moita do Boi Pousaflores Motor Clube Alegre e Unido Boavista Mata Mourisq. Arcuda Ranha Cast. Pêra Caseirinhos Ilha

SUL

Outeirense x Santo Amaro (4-0) Pilado x Nadadouro (1-0) Maceirinha x Lisboa e Marinha (1-1) Gaeirense x Unidos (1-0) Juncalense x Os Vidreiros (5-2) Folgou: Pilado Equipa Lisboa Marinha Outeirense Gaeirense Pilado Juncalense Maceirinha Os Vidreiros Praia da Vieira Santo Amaro Unidos Nadadouro

J 13 12 13 13 13 13 12 12 13 13 13

V 11 8 8 7 7 4 4 4 2 1 1

E D 2 0 3 1 2 3 2 4 1 5 4 5 3 5 1 7 3 8 3 9 2 10

Pts 35 27 26 23 22 16 15 13 9 6 5

Santo Amaro x Praia da Vieira Nadadouro x Outeirense (todos às 15h00) Os Vidreiros x Gaeirense Unidos x Maceirinha Lisboa e Marinha x Pilado Folga: Juncalense

Andebol | Leiria

Challenge não superada A Juve Lis foi eliminada nos 1/8 final da Challenge Cup – seniores femininos – pela equipa turca HC Dnepryanka Kherson. Disputada até ao fim, esta eliminatória realizou-se em Leiria. O equilíbrio foi a nota dominante, traduzido nos resultados: 21-21 no primeiro jogo, 24-25 no segundo.

DR/JV

E 3 4 4 5 5 2 7 6 5 4 3 3 4 6 2 5

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º

Pousaflores x Boavista (2-0) Alegre e Unido x Ilha (2-3) Caseirinhos x Castanheira de Pêra (2-0) Motor Clube x Moita do Boi (1-0) Mata Mourisquense x Arcuda (2-2) Ranha x Pelariga (1-2)

Equipa masculina no pódio no nacional de clubes Participação inédita da Juventude Vidigalense (JV) na fase final do Campeonato Nacional de Clubes da 1ª Divisão em pista coberta – Pombal, 11 e 12 de Fevereiro – ao conquistar os 3.º e 4.º lugares, por intermédio das suas equipas masculina e feminina, respectivamente. No total o clube leiriense registou 12 subidas ao pódio. Depois do bronze em 2010/11, a equipa masculina repete o lugar no pódio, mas desta vez de forma mais confortável. Se

associação de futebol de leiria

na última época o Gira Sol (distrito de Coimbra) foi superado por um escasso ponto, esta a diferença foi de oito. Melhor do que a JV (63 pontos), só mesmo as equipas masculinas do Benfica (106) e Sporting (103). Quanto à formação feminina (58 pontos), igualou o melhor resultado de sempre, 4.º lugar, conquistado pela primeira vez em 2006/ 07. Venceu o Sporting (111), seguido pelo Benfica (87) e Juventude Operário Monte Abraão (69,5).

Individualmente, destaque para a medalha de prata de Juliana Pereira (lançamento do peso) e as de bronze de Ricardo A. Fernandes (800 e 1500 metros livres), Diogo Santos (400 metros), Bruno Gualberto (200 metros), Ricardo Mendes (salto em altura), Adriano Lopes (lançamento do peso), estafeta 4x400 metros – João Moniz, Diogo Santos, Ricardo Fernandes e Bruno Gualberto – e Sónia Marques (triplo salto e salto em comprimento). PJ

Portugal campeão europeu

HONRA

17.ª JOR. 12.02.12

V 15 13 12 9 9 8 5 5 5 5 5 5 4 3 4 3

Freamunde x Moreirense (1-1) Portimonense x Estoril (0-2) Atlético x Santa Clara (0-0) Leixões x Arouca (0-2) Oliveirense x Trofense (5-0) D. Aves x Belenenses (3-1) Penafiel x U. Madeira (3-1) Sp. Covilhã x Naval (0-2)

Bronze de primeira

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º

18.ª JOR. 19.02.12

J 18 18 18 18 18 18 18 18 18 18 18 18 18 18 18 18

NORTE

15.ª J.19.02.12

Equipa Benfica Porto Sp. Braga Marítimo Sporting V. Guimarães Gil Vicente Olhanense Académica Nacional Rio Ave P. Ferreira Beira-Mar Feirense U. Leiria V. Setúbal

18.ª JOR. 12.02.12

Sp. Braga x V. Setúbal (3-0) Marítimo x Sporting (2-0) Benfica x Nacional (4-1)) P. Ferreira x Feirense (3-1) Olhanense x Rio Ave (0-2) Beira-Mar x V. Guimarães (0-1) Porto x U. Leiria (4-0) Académica x Gil Vicente (0-2)

19.ª JOR. 19.02.12

18.ª JOR. 12.02.12 19.ª JOR. 19.02.12

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º

I Divisão

II LIGA

I LIGA

Atletismo | Juventude Vidigalense inédita

associação de futebol de leiria

liga portuguesa de futebol profissional

liga portuguesa de futebol profissional

Avelarense x Nazarenos (1-1) Alvaiázere x Pedroguense (3-0) Portomosense x Atouguiense (4-1) GRAP/Pousos x Meirinhas (2-0) Guiense x Fig.Vinhos (5-0) Pataiense x Vieirense (22) Marrazes x Ansião (7-2) Biblioteca x Alq. Serra (1-1) Equipa Alq. Serra Guiense Portomosense GRAP/Pousos Nazarenos Pataiense Atouguiense Marrazes Alvaiázere Avelarense Vieirense Biblioteca Fig.Vinhos Meirinhas Ansião Pedroguense

J 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17 17

V 13 11 11 11 9 9 9 6 6 4 3 3 4 2 2 1

E D Pts 3 1 41 3 3 36 3 3 36 1 5 34 6 2 33 5 3 32 3 5 30 5 6 23 4 7 22 5 8 17 7 7 16 6 8 15 3 10 15 6 9 12 3 12 9 1 15 4

Vieirense x Biblioteca (todos às 15h00) Nazarenos x Portomosense Pedroguense x Pataiense Alq. Serra x Ansião Atouguiense x GRAP/Pousos Meirinhas x Guiense Fig.Vinhos x Alvaiázere Avelarense x Marrazes

FUTSAL – A selecção nacional de padres conquistou o campeonato europeu – Gyula (Hungria), 6 a 10 de Fevereiro –, ao vencer na final a Croácia (4-3). Emoção até ao fim, com a decisão do título remetida para a marcação das grandes penalidades. “Foi difícil, mas estava controlado”, apesar da desvantagem inicial, porque as “oportunidades de marcar golos iam surgindo”, comentou o capitão de equipa, padre Marco Gil. Durante o torneio os padres portugueses jogaram sete partidas, com Eslováquia, Roménia, Ucrânia, Áustria, Polónia e Bósnia-Herzegovina e Croácia, tendo vencido seis e perdido um. Depois do 2.º lugar alcançado em 2011, na Polónia, chegou o título, que será defendida na próxima edição do europeu, em 2013, na Eslovénia. PJ com Ecclesia


ÚLTIMA 16FEVEREIRO2012

Os olhos são os intérpretes do coração, mas só os interessados entendem essa linguagem. Blaise Pascal, filósofo francês [1623-1662]

Santuário de Fátima anuncia fim das obras de revalorização

Volvidos quase trinta anos após o momento inaugural, a 13 de Maio de 1982 pelo Papa João Paulo II, o Centro Pastoral de Paulo VI recebe actualmente obras de revalorização, iniciadas em 2011. Concluída em breve a intervenção, o Centro Pastoral de Paulo VI reabrirá as suas portas a 10 de Março próximo. A sessão solene de reabertura iniciará às 15h00, com a bênção do edifício, pelo Bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto. A sessão de apresentação do edifício reabilitado terá lugar logo após, no Salão do Bom Pastor. O anuncio da reabertura do Centro Pastoral Paulo VI foi feito dia 9 de Fevereiro, durante mais uma edição do Encontro de Hoteleiros e Responsáveis de Casas Religiosas que Acolhem Peregrinos em Fátima. “O Centro Pastoral de Paulo VI é um espaço que, pela sua polivalência, se tornou num dos pólos fun-

DR

Centro Pastoral de Paulo VI reabre portas

damentais do Santuário de Fátima”, referiu o reitor do Santuário, padre Carlos Cabecinhas, que destacou as várias valências do edifício: apoio a peregrinações, realização de actividades de estudo, formação e espectáculos, e como espaço de alojamento. Este responsável adiantou ainda que a requalificação beneficiou o edifício sobretudo aos níveis da iluminação, acessibilidades, segurança e conforto. O programa da inauguração será o seguinte: 15h00 - Bênção, à entrada do edifício, pelo Bispo de

Leiria-Fátima; Sessão de apresentação do edifício reabilitado, no Salão do Bom Pastor; Palavra do Bispo de Leiria-Fátima; Palavra do Reitor do Santuário de Fátima; Audiovisual sobre o Centro Pastoral de Paulo VI; Momento musical, seguindo-se o Porto de honra. No mesmo Encontro, o padre Carlos Cabecinhas falou também sobre outra obra de grande vulto a cargo do Santuário de Fátima: a construção de um túnel na Avenida D. José Alves Correia da Silva, na zona fronteira ao Santuário, consignada a 23 de Maio

7º Aniversário da morte da Irmã Lúcia

“Maria como modelo de todos os discípulos” No início da eucaristia da peregrinação mensal, celebrada no dia 13 de Fevereiro, na Igreja da Santíssima Trindade, o reitor do Santuário de Fátima, Padre Carlos Cabecinhas lembrou a serva de Deus, testemunha e mensageira da mensagem de Fátima, Lúcia de Jesus, falecida há sete anos, a 13 de Fevereiro de 2005. No momento da oração dos fiéis foi pedido a Deus que “inspire o sentido de justiça aos governantes que trabalham ao serviço de todos” e que “todos os que choram ou estão tristes sintam o calor da presença maternal de Maria”. Nas suas palavras du-

rante a homilia, o reitor do Santuário de Fátima falou de Maria como “mulher da fé”. “Confrontada com os planos de Deus, Maria responde um sim total e incondicional. (…) Na atitude de Maria não há qualquer sinal de egoísmo ou de comodismo, mas há uma entrega total nas mãos de Deus e um acolhimento radical dos caminhos de Deus”, afirmou o reitor. Por isso, Maria é “modelo da entrega da própria vida a Deus, no seguimento de Jesus Cristo, que pela sua entrega nos deu a vida e a vida em abundância”. As atitudes de Maria, “a primeira discípula e o

modelo de todos os discípulos”, interpelam o mundo. “O seu sim interpela-nos, interroga-nos: que atitude tomamos nós diante da vontade de Deus’”, referiu o padre Carlos Casbecinhas. Na próxima QuartaFeira, 15 de Fevereiro, D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima, realizará um encontro com os cristãos da Vigararia da Fátima, particularmente com os que se dedicam profissionalmente a acolher os peregrinos e turistas em Fátima. O encontro, sob o tema “Turismo: desafios do cristão”, será no Hotel D. Gonçalo, às 21h00. LS

de 2011 com o prazo de execução de 540 dias. “A obra do túnel tem um grande impacto para os peregrinos que visitam Fátima, mas também o tem para os que diariamente cá vivem, por isso, pedimos

a compreensão de todos, porque se trata de uma obra necessária”, afirmou. “Temos clara consciência do enorme incómodo que causam as obras e estamos a fazer tudo para que se cumpram os prazos.

Estamos a envidar todos os esforços para que aquela intervenção não demore mais tempo que o necessário”, acrescentou. Com a construção do túnel, os peregrinos passarão a ter acessibilidade directa entre o Centro Pastoral de Paulo VI, os parques envolventes e o Recinto do Santuário, à superfície, sem quaisquer barreiras, já que o trânsito automóvel passará a ser feito a nível do subsolo, pelo túnel. Leopoldina Simões

Divulgação

4897#OMensageiro#16FEV  

O Mensageiro (O Mais Antigo Semanário do Distrito de Leiria): Edição de 16 de Fevereiro de 2012 (N.º 4897).