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HORA

27 OUTUBRO 2011 ANO 98 - N.º 4881 FUNDADOR: José Ferreira Lacerda DIRECTOR: Rui Ribeiro PREÇO: 0,80 euros (IVA incluído) SEMINÁRIO DIOCESANO – 2414-011 LEIRIA TEL. 244 821 100/1 • FAX 244 821 102 E-MAIL: jornal@omensageiro.com.pt WEB: www.omensageiro.com.pt

Na noite de 29 para 30, às 02h00, vamos atrasar os relógios para a 01h00. Entramos, assim, na hora de Inverno.

FUNDADO EM 1914

CULTURA

JORNADAS NACIONAIS DE PASTORAL FAMILIAR

Nota do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura sobre o romance “O Último Segredo” de José Rodrigues dos Santos | P. 4

DESTAQUE

FAMÍLIA

Uma imitação requentada

COMPROMISSO NA VERDADE

Este fim-de-semana | P. 5

Neste fim-de-semana, realizam-se em Fátima as Jornadas Nacionais de Pastoral Familiar, com o tema geral “Família: Compromisso na verdade”. São oportunidade de formação, com exposições, trabalho de reflexão e partilha em grupo, mas também ocasião de fortalecer a união das famílias, através da oração e do encontro com outros casais, que trazem experiências de vida diferentes. Nesta edição, destacamos o papel da família como transmissora de valores e garante do futuro da humanidade. Páginas 2 e 3

1.º Congresso de História e Património da Alta Estremadura SOCIEDADE

Ribeiro e Castro fala da democracia cristã | Última

Valores, comunidade e nós... “de fio dental, com os suspensórios da troika”

P. 8

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DOCUMENTO

EVENTO

Com o apoio de

8.º CONGRESSO DA ASSOCIAÇÃO DE IMPRENSA DE INSPIRAÇÃO CRISTÃ 11 e 12 de Novembro de 2011 Seminário Diocesano de Leiria Informações e inscrições:

www.caiic2011.wordpress.com


2 DESTAQUE

O Mensageiro

27.Outubro.2011

Rui Ribeiro prui@iol.pt

Repensar a família

Talvez por ser a instituição mais basilar da sociedade, a família tem sido agredida de várias formas no contexto da modernidade, que parece ter decidido romper, sem mais, com a cultura tradicional. E nome de uma pretensa modernidade, busca-se por todos os meios aniquilar o passado e a história. Como se o mundo e as nossas vidas começassem a existir somente a partir de agora. Mais que valorização do presente e construção do futuro, pretende-se apagar o passado. A família é a grande vítima de todo este esforço pretensamente moderno. Os atentados contra ela são de toda a ordem e os resultados começam a ver-se: desagregação completa do tecido social, crise cada vez mais crescente da sociedade e dos indivíduos. Já não sabemos quem somos, não nos interessa mais saber de onde vimos e pouco parece importar para onde vamos. Algumas instituições e alguns pensadores mais visionários não se cansam de chamar a atenção e despertar os A Igreja sempre mais incautos. Uma luta percebeu que a que não é fácil, quando sistema mercantilista defesa da família onão olha a meios ara compreende atingir fins. Uma luta mais que a que se torna desigual contratualidade quando uma mentira de um estado de parece valer mais que vida. A instituição mil verdades. A Igreja sempre familiar é mais que defendeu a instituição um contrato social familiar. Sempre viu ou uma parceria nela a base da cidade entre duas partes. dos homens e também da cidade de Deus. E fê-lo sempre que defendeu, e até valorizou, o matrimónio, como também sempre que alargou a discussão para temas mais vastos como sejam a defesa da vida, a educação das novas gerações e o apoio aos mais idosos. A Igreja sempre percebeu que a defesa da família compreende mais que a contratualidade de um estado de vida. A instituição familiar é mais que um contrato social ou uma parceria entre duas partes. Por isso, os valores da justiça, da verdade e sobretudo do amor, são fundamentais na discussão do tema. Agora que se podem já sentir os efeitos das propostas ditas modernas, é imperioso que não se calem as vozes da verdade e se levantem as vozes da razão. Por isso, serão de louvar as iniciativas que várias instituições vão promovendo na defesa da família. Não confundindo essa defesa com um saudosismo retrógrado, mas com uma valorização da essência da instituição familiar. Sem medos nem preconceitos, mas com garra e entusiasmo. É tempo de mostrar que a vida, a nossa vida, pode ser bem mais bela do que os pretensos modernismos pretendem fazer dela. A propósito das jornadas nacionais da pastoral familiar, O Mensageiro destaca esta semana a família, na sua vertente de construtora da sociedade e garante do amanhã da humanidade.

Família, compromisso na verdade

A transmissão dos valores Neste fim-de-semana em Fátima realizam-se as 23ª Jornadas Nacionais de Pastoral Familiar, como o tema geral “Família Compromisso na verdade”. “Estas Jornadas são essencialmente uma oportunidade de formação, com exposições, trabalho de reflexão e partilha em grupo, mas são também ocasião de fortalecer a união das famílias, através da oração e do encontro com outros casais, que trazem experiências de vida diferentes. Trata-se, por isso, de uma oportunidade aberta não só às pessoas que trabalham na Pastoral Familiar, mas a todos aqueles casais que gostariam de fortalecer a sua prática de vida cristã em casal e em família, aos que se sentem perdidos no rebuliço da vida e das preocupações quotidianos, muitas vezes dominados pela crise, nomeadamente de valores, que avassala a nossa sociedade contemporânea. A questão dos valores e sua transmissão será debatida e estudada, em duas conferências que tratarão de temas como “como cativar para os valores da família hoje” e “responsabilidade e compromisso”, e um painel que abordará a afectividade, a cidadania e a transcendência. A família é «o centro da vida da Igreja», segundo a expressão de João Paulo II, e é igualmente o ponto de partida de toda a vida social, é o ponto de encontro, o centro onde vêm repercutir o fluxo e refluxo da vida em todas as suas dimensões. “A família foi sempre considerada como a primeira e fundamental expressão da natureza social do homem” (João Paulo II, Carta às Famílias, 1994, n.º 7). Constitui para nós um grande desafio reafirmar e viver os valores da família cristã, fazendo dela o modelo e a opção dos lares cristãos na nossa sociedade e sabendo que a partir das famílias cristãs a vida sorri de novo no coração do nosso tempo. S. Paulo na Carta aos Efésios sintetiza o tema da vida familiar com a expressão: «grande mistério» ( Ef 5, 32) e fala dos casais cristãos deste modo: “Assim os maridos devem amar as suas esposas como aos seus próprios corpos. Aquele que ama a sua mulher, ama-se a si mesmo” (Ef 5, 28-30).

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EDITORIAL EDITORIAL

Na família é visível e está presente este «grande mistério» do eterno amor já presente na criação, revelado em Cristo e confiado à Igreja. Esta imagem do amor ao próprio corpo serviu, para falar da relação matrimonial, aos casais de Éfeso e serve ainda hoje para iluminar as famílias, qual lugar de manifestação do amor de Deus para com a humanidade. “Esta é, por certo, uma apresentação nova da verdade eterna acerca do matrimónio e da família, à luz da Nova Aliança. Cristo revelou-a no Evangelho, com a sua presença em Caná da Galileia, com o sacrifício da Cruz e com os sacramentos da sua Igreja” (Carta de João Paulo II às Famílias, 1994, n.º 17). O sacramento do matrimónio está fundado sobre a natureza. Jesus quer ser o garante desta ordem natural, quer tomá-la na sua total pureza e em toda a sua exigência. Ao fazer do matrimónio sacramento, dá-lhe uma nova exigência de amor, em vista ao reino de Deus, retomando tudo na sua exigência primitiva e querendo renovar o casamento num amor novo, num amor divino. Unidos em matrimónio, o homem e a mulher, são um verdadeiro sinal do amor paterno e materno de Deus que transmitem aos seus filhos e, ao mesmo tempo, são uma imagem da aliança de amor e de fidelidade entre Cristo

e a Igreja. Num tempo como o nosso, em que parece diminuir a função de muitas instituições, o direito à vida se põe em causa e a qualidade de vida muitas vezes se deteriora, o matrimónio como sacramento é chamado a ser fonte de luz orientadora no coração da humanidade, a família cristã pode e deve tornar-se lugar de serenidade autêntica e de crescimento harmonioso da sociedade e um testemunho exemplar de como é possível a vitalidade desta célula primária ao serviço da solidez do tecido social. A família é o «fundamento e célula vital da grande e universal família humana, célula primeira e vital da sociedade» (GS 52). Isto significa que a família prefigura a coesão interna e a qualidade moral da sociedade inteira. Uma qualidade que é necessariamente a garantia social dos valores éticos e humanos. «Na Igreja é hoje mais nítida a consciência de que «o bem estar da pessoa e da sociedade humana e cristã está intimamente ligado a uma favorável situação da comunidade conjugal e familiar» (GS 47) e de que «a futura evangelização depende em grande parte da Igreja doméstica» (FC- Familiaris Consortio -52). Mas não basta conhecer e proclamar o pensamento da Igreja sobre o matrimó-

nio e a família. É necessário também ter em conta as situações sócio-económicas e culturais concretas em que elas se encontram (cf. FC 4) e as dificuldades que têm de enfrentar. Conscientes de que o matrimónio é uma vocação e uma missão, caminho de realização e de felicidade, e para que a família seja verdadeira comunidade de amor, comunidade de vida e comunidade de graça tem a acção pastoral da Igreja prestado atenção à preparação remota, próxima e imediata do matrimónio e procurado acompanhar os casais e as famílias na integração nas comunidades. “Na visão cristã, o matrimónio, para além da feliz aventura dum amor que gera comunhão e vida, é sinal sacramental que anuncia, com a força do testemunho, o amor de Deus pelos homens, revelado no amor de Cristo pela Igreja. A pastoral familiar destina-se primordialmente a ajudar os casais a fazerem a exaltante descoberta do que é o matrimónio, seus dons e seu contributo para o desenvolvimento da Sociedade e da Igreja” (Instrução Pastoral sobre a Família-CEP -1992, n.º 10). Sendo os filhos o mais precioso dos dons do matrimónio (GS 50), uma das missões primordiais da família é a sua educação humana e cristã. “ Os filhos, como


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O Mensageiro

27.Outubro.2011ro.2011

Papa pede cultura e política familiar

A família é um Evangelho vivo Na mensagem (vídeo) com a qual encerrou o Encontro Mundial das Famílias realizado no México em 2009, Bento XVI pediu mobilização social para promover «uma cultura e uma política da família». É necessário, assegurava o pontífice, «desenvolver uma cultura e uma política da família que sejam impulsionadas também de maneira organizada pelas próprias famílias». Na ocasião o Papa apelou às famílias para que participem nas associações que promovem a identidade e os direitos da família, segundo uma visão antropológica coerente com o Evangelho», e convidou tais associações a coordenar-se e a colaborar entre elas para que sua actividade seja mais incisiva. Recordando a doutrina da Igreja sobre a família, o papa lembrou então que ela é «célula vital da sociedade, o primeiro e decisivo recurso para o seu desenvolvimento, e tantas vezes o último amparo das pessoas às quais as estruturas estabelecidas não chegam a cobrir satisfatoriamente nas suas necessidades». «Por sua função essencial – acrescentou –, a família tem direito a ser reconhecida na sua própria identidade e a não ser confundida com outras formas

XXIII JORNADAS NACIONAIS DA PASTORAL FAMILIAR FAMÍLIA COMPROMISSO NA VERDADE Fátima 28, 29 e 30 de Outubro de 2011 SEMINÁRIO DO VERBO DIVINO

PROGRAMA 6ª feira, 28 21h30 – Serão de introdução às Jornadas “À volta do tema...” 23h00 – Oração da noite

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fruto do amor, são por sua vez fonte do amor” (Carta Pastoral da CEP 2004). “Se os pais, ao darem a vida, tomam parte na obra criadora de Deus, pela educação tornam-se participantes da sua pedagogia conjuntamente paterna e materna. Os pais são os primeiros e principais educadores dos próprios filhos: são educadores porque pais” (Carta às Famílias, n-º 16). “Também aqui a pastoral familiar procura oferecer aos pais luzes e apoios, mediante as mais variadas estruturas pastorais e em diferenciados lugares e momentos como sejam a paróquia através da catequese da celebração dos sacramentos, a escola através da educação moral e religiosa católica, a pastoral juvenil, os movimentos de crianças e jovens e grupos de casais e movimentos familiares em diversificadas iniciativas e oportunidades de formação” (cf Instrução Pastoral da Cep, n.º 15). A hora que vivemos tem de ser de confiança e de conjugação de esforços. A acção pastoral neste campo concreto exige confiança perante tantas perplexidades com que as famílias se defrontam e realismo diante das situações novas originadas pela mudança civilizacional que vivemos. É deste modo, também, que a Igreja toma parte nas alegrias e nas esperanças, nas tristezas e nas angústias (GS) do caminho quotidiano dos homens, consciente de que dentre as numerosas estradas que o homem percorre, «a primeira e a mais importante é a família» (Carta às famílias, n.º 2). A família é lugar próprio e tempo favorável para consciencializar os seus membros para a concretização da opção vocacional de cada um, e para a responsabilidade de serem promotores das diferentes formas de realização vocacional. Às famílias cristãs pertence serem berço de vocação abertas ao acolhimento, à generosidade e ao acompanhamento que o despertar e o crescer da vocação, concretamente da vocação de consagração, exigem.

de convivência, assim como a poder contar com a devida protecção cultural, jurídica, económica, social, de saúde e, muito particularmente, com um apoio que, tendo em conta o número dos filhos e os recursos económicos disponíveis, seja suficiente para permitir a liberdade de educação e de eleição da escola». O Santo Padre considerou que a família cristã, «vivendo a confiança e a obediência filial a Deus, a fidelidade e o dom dos filhos, o cuidado dos mais fracos e a prontidão para perdoar, se converte num Evangelho vivo que todos podem ler, um sinal de credibilidade talvez mais persuasivo e capaz de interpelar o mundo de hoje». Neste contexto, o Papa deixou à

família a tarefa de levar «o seu testemunho de vida e a sua explícita profissão de fé aos diversos âmbitos de seu meio, como a escola e as diversas associações». Desta forma, pediu às famílias que se comprometam «na formação catequética dos seus filhos e nas actividades pastorais da sua comunidade paroquial, especialmente aquelas relacionadas com a preparação ao matrimónio ou dirigidas especificamente à vida familiar. Trabalhar pela família é trabalhar pelo futuro digno e luminoso da humanidade e pela edificação do Reino de Deus». A família, concluiu, está chamada «a ser evangelizada e evangelizadora, humana e humanizadora».

Sábado, 29 09h15 – Oração da manhã 09h45 – Apresentação do encontro – Apresentação dos participantes – Mensagem da Comissão Episcopal 10h45 – Pausa 11h15 – Conferência: Como cativar para os valores da família hoje - Eduardo Sá 13h00 – Almoço 14h30 – Painel • Viver a afectividade Graça Mira Delgado • Viver a cidadania Jorge Cotovio • Viver a transcendência Pe. José Frazão Moderadores: Graça e António Alves Vieira 16h00 – Pausa 16h15 – Reunião e trabalho de grupo 18h30 – Terço na Capelinha 20h00 – Jantar 21h30 – “Prós e Contras” 23h00 – Encerramento do dia Domingo, 30 09h30 – Oração da manhã 10h00 – Conferência Responsabilidade e compromisso D. Ilídio Leandro 11h00 – Avaliação e encerramento dos trabalhos 11h15 – Pausa 11h45 – Celebração da Eucaristia e envio 13h00 – Almoço A par deste programa geral desenvolve-se também um programa juvenil em dois grupos dos do 12 aos 16 anos e acima dos 16 anos), que inclui várias actividades em torno da temática da família.

VII Encontro Mundial das Famílias

«A Família: o trabalho e a festa» Terá lugar em 2012, em Milão, o VII Encontro Mundial das Famílias sob o tema: «A Família: o trabalho e a festa» e decorrerá em Brasília, o Encontro Mundial do Movimento das Equipas de Nossa Senhora. Como preparação deste encontro foi publicado um conjunto de catequeses, que os grupos, as famílias e as paróquias poderão usar. O documento aborda a forma como a família habita o “espaço” social e vive o “tempo” humano de hoje, na intimidade da casa, no trabalho diário e no descanso, através de um conjunto de 10 reflexões distintas. Para o coordenador do grupo de trabalho que elaborou esta catequese preparatória, D. Franco Brambilla, “é preciso converter as casas em espaços de profunda intimidade entre casais, entre pais e filhos”. Aquele responsável, bispo auxiliar de Milão, chamou ainda a atenção para o facto de, hoje em dia, “o trabalho estar a marcar profundamente o estilo de vida das famílias”, transformando-as em “sujeitos de necessidades”, onde falta o “sentido da festa”.

Na conferencia de imprensa de apresentação, o arcebispo de Milão manifestou a esperança de que este conjunto de textos “anime o caminho de todas as dioceses do mundo, e se torne uma referência útil, não só para a pastoral familiar”. “É preciso realizar um grande trabalho de comunicação, para que estes conteúdos não fiquem restringidos a alguns e não sejam apenas património intra-eclesial” sublinhou o cardeal Dionigi Tettamanzi. Este ano celebra-se o trigésimo aniversário da criação do Conselho Pontifício para a Família (CPF), facto lembrado pelo presidente daquele dicastério , cardeal Ennio Antonelli Os Encontros Mundiais das Famílias foram criados por João Paulo II, que convocou o primeiro em Roma, no ano 1994, por ocasião do Ano Internacional da Família convocado pelas Nações Unidas. Os seguintes encontros realizaram-se no Rio de Janeiro (1997), Roma (2000, ano do grande jubileu), Manila (2003), Valência (2006) e México (2009).


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O Mensageiro

27.Outubro.2011

Nota do Secretariado Nacional para a Pastoral da Cultura sobre o romance “O último segredo” de José Rodrigues dos Santos

CINEMAS Teatro José Lúcio da Silva (Leiria) • RIO | Animação | de Carlos Saldanha | 6 de Novembro, 15h30 Teatro Miguel Franco (Leria) • PLANETA DOS MACACOS: A ORIGEM | Ficção Cientifica | de Ropert Wyatt | c/ Andy Serkis, Freida Pinto e James Franco | 27 de Outubro, 21h30 • PLANETA DOS MACACOS: A ORIGEM | Ficção Cientifica | de Ropert Wyatt | c/ Andy Serkis, Freida Pinto e James Franco | 27 de Outubro, 21h30 • CARROS 2 | Animação | de Brad Lewis, John Lasseter | 30 de Outubro, 11h00 • A VIAGEM DO DIRETOR | Drama | de Eran Riklis | c/ Gila Almagor, Mark Ivanir, Noah Silver, Reymond Amsalem | 30 de Outubro, 15h30 e 31 de Outubro, 21h30 Cine-Teatro de Monte Real (Leiria) • CARROS 2 | Animação | de Brad Lewis, John Lasseter | 29 de Outubro, 21h30 e 30 de Outubro, 15h30

EXPOSIÇÕES Teatro José Lúcio da Silva - Leiria •”Sensibilidades 25” - fotografia (~30/10) Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira - Leiria •”No meu pequeno mundo aqui em baixo” - foto. Ana L. Pinho (~31/10) Edifício Banco de Portugal - Leiria •”Subúrbio d’um azul anluarado” - Roberto Chichorro (~31/10) Edifício Paços do Concelho - Leiria •”Passe, cidadão!” (~30/11) m|i|mo -Museu da Imagem em Movimento - Leiria •”Oficina do Olhar” (exposição permanente) •”O movimento das coisas/coisas em movimento” - vídeio arte (~31/10) Célula e Membraba/a9)))) - Leiria •”Nora. Eine Idyle” - pintura e desenho de Jochen Dietrich (~2/01) •”A cassete das nossas vidas”- Pedro Serrazina e Natalie Woolf (~30/1) Casa-Museu João Soares - Cortes •”Os grafitos medievais do Mosteiro da Batalha” (~31/12) Museu Joaquim Correia - Marinha Grande •”Retratos” (3ªs~6ªs) Parque Municipal de Exposições - Marinha Grande •”Food Design” (~30/10)

MÚSICA | TEATRO | EVENTOS

Castelo - Leiria • Yoga no Castelo (29/10, 10h00) Teatro José Lúcio da Silva - Leiria´ •”Toda a gente sabe...que toda a gente sabe” teatro (28/10,21h30; 29/ 10,15h30 e 21h30; 30/10, 15h30) Teatro Miguel Franco - Leiria •”Vertentes e desafios da segurança” - seminário (28/10, 9h00~18h00) Sala Jaime Salazar Sampaio - Leiria •”As peúgas” - teatro (29/10, 22h00) Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira - Leiria •”Contar e encantar” - hora do conto (29/10, 16h00) m|i|mo - Museu da Imagem em Movimento - Leiria • Oficina de Cianotipia (27/10, 10h00 e 14h30) • Câmara Obscura (29/10, 15h00) Auditório Municipal - Batalha • Libert Fortuny e Mário Laginha - Jazz na Batalha (29/10) Biblioteca Municipal - Marinha Grande •”Os vizinhos da casa azul” - hora do conto (3ªs, 11h00 e 5ªs, 15h00) •”As princesas” - filme (26/10, 15h30) Arquivo Municipal - Marinha Grande •”Memórias” - 1ª fábrica da Marinha Grande (~31/10, 8h3~17h30) Parque Municipal de Exposições - Marinha Grande • Conferências sobre Design e mostra de Projectos (~30/10)

Gândara dos Olivais

“Noite de Vinil” A Liga Social e Cultural Campos do Lis – IPSS vai realizar no dia 5 de Novembro, na Gândara dos Olivais, uma “Noite de Vinil”. A partir das 22h00, o dj “Charles” vai animar a noite com uma excelente iluminação dos “Robots dos Anos 80”.

Uma imitação requentada O romance de José Rodrigues dos Santos, intitulado “O último segredo”, é formalmente uma obra literária. Nesse sentido, a discussão sobre a sua qualidade literária cabe à crítica especializada e aos leitores. Mas como este romance do autor tem a pretensão de entrar, com um tom de intolerância desabrida, numa outra área, a história da formação da Bíblia por um lado, e a fiabilidade das verdades de Fé em que os católicos acreditam por outro, pensamos que pode ser útil aos leitores exigentes (sejam eles crentes ou não) esclarecer alguns pontos de arbitrariedade em que o dito romance incorre. 1. Em relação à formação da Bíblia e ao debate em torno aos manuscritos, José Rodrigues dos Santos propõe-se, com grande estrondo, arrombar uma porta que há muito está aberta. A questão não se coloca apenas com a Bíblia, mas genericamente com toda a Literatura Antiga: não tendo sido conservados os manuscritos que saíram das mãos dos autores torna-se necessário partir da avaliação das diversas cópias e versões posteriores para reconstruir aquilo que se crê estar mais próximo do texto original. Este problema coloca-se tanto para o Livro do Profeta Isaías, por exemplo, como para os poemas de Homero ou os Diálogos de Platão. Ora, como é que se faz o confronto dos diversos manuscritos e como se decide perante as diferenças que eles apresentam entre si? Há uma ciência que se chama Crítica Textual (Critica Textus, na designação latina) que avalia a fiabilidade dos manuscritos e estabelece os critérios objectivos que nos

devem levar a preferir uma variante a outra. A Crítica Textual faz mais ainda: cria as chamadas “edições críticas”, isto é, a apresentação do texto reconstruído, mas com a indicação de todas as variantes existentes e a justificação para se ter escolhido uma em lugar de outra. O grau de certeza em relação às escolhas é diversificado e as próprias dúvidas vêm também assinaladas. Tanto do texto bíblico do Antigo como do Novo Testamento há extraordinárias edições críticas, elaboradas de forma rigorosíssima do ponto de vista científico, e é sobre essas edições que o trabalho da hermenêutica bíblica se constrói. É impensável, por exemplo, para qualquer estudioso da Bíblia atrever-se a falar dela, como José Rodrigues dos Santos o faz, recorrendo a uma simples tradução. A quantidade de incorreções produzidas em apenas três linhas, que o autor dedica a falar da tradução que usa, são esclarecedoras quanto à indigência do seu estado de arte. Confunde datas e factos, promete o que não tem, fala do que não sabe. 2. Chesterton dizia, com o seu notável humor, que o problema de quem faz da descrença profissão não é deixar de acreditar em alguma coisa, mas passar a acreditar em demasiadas. Poderíamos dizer que é esse o caso do romance de José Rodrigues dos Santos. A nota a garantir que tudo é verdade, colocada estrategicamente à entrada do livro, seria já suficientemente elucidativa. De igual modo, o apontamento final do seu romance, onde arvora o método históricocrítico como a única chave legítima e verdadeira para

entender o texto bíblico. A validade do método de análise histórico-crítica da Bíblia é amplamente reconhecida pela Igreja Católica, como se pode ver no fundamental documento “A interpretação da Bíblia na Igreja Católica” (de 1993). Aí se recomenda o seguinte: «os exegetas católicos devem levar em séria consideração o carácter histórico da revelação bíblica. Pois os dois Testamentos exprimem em palavras humanas, que levam a marca do seu tempo, a revelação histórica que Deus fez… Consequentemente, os exegetas devem servir-se do método histórico-crítico». Mas o método histórico-crítico é insuficiente, como aliás todos os métodos, chamados a operar em complementaridade. Isso ficou dito, no século XX, por pensadores da dimensão de Paul Ricoeur ou Gadamer. José Rodrigues dos Santos parece não saber o que é um teólogo, e dir-se-ia mesmo que desconhece a natureza hipotética (e nesse sentido científica) do trabalho teológico. O positivismo serôdio que levanta como bandeira fá-lo, por exemplo, chamar “historiadores” aos teólogos que pretende promover, e apelide apressadamente de “obras apologéticas” as que o contrariam. 3. A nota final de José Rodrigues dos Santos esconde, porém, a chave do seu caso. Nela aparecem (mal) citados uma série de teólogos, mas o mais abundantemente referido, e o que efetivamente conta, é Bart D. Ehrman. Rodrigues dos Santos faz de Bart D.Ehrman o seu teleponto, a sua revelação. Comparar o seu “Misquoting Jesus. The Story Behind who Changed

the Bible and Why” com o “O Último segredo” é tarefa com resultados tão previsíveis que chega a ser deprimente. Ehrman é um dos coordenadores do Departamento de Estudos da Religião, da Universidade da Carolina do Norte, e um investigador de erudição inegável. Contudo, nos últimos anos, tem orientado as suas publicações a partir de uma tese radical, claramente ideológica, longe de ser reconhecida credível. Ehrman reduz o cristianismo das origens a uma imensa batalha pelo poder, que acaba por ser tomado, como seria de esperar, pela tendência mais forte e intolerante. E em nome desse combate pelo poder vale tudo: manobras políticas intermináveis, perseguições, fabricação de textos falsos… Essa luta é transportada para o interior do texto bíblico que, no dizer de Ehrman, está texto repleto de manipulações. O que os seus pares universitários perguntam a Ehrman, com perplexidade, é em que fontes textuais ele assenta as hipóteses extremadas que defende. 4. Resumindo: é lamentável que José Rodrigues dos Santos interrogue (e se interrogue) tão pouco. É lamentável que escreva centenas de páginas sobre um assunto tão complexo sem fazer ideia do que fala. O resultado é bastante penoso e desinteressante, como só podia ser: uma imitação requentada, superficial e maçuda. O que a verdadeira literatura faz é agredir a imitação para repropor a inteligência. O que José Rodrigues dos Santos faz é agredir a inteligência para que triunfe o pastiche. E assim vamos.

Leiria acolhe 8.ª edição do festival

“Marionetas em Novembro Entre 3 de Novembro e 7 de Dezembro, terá lugar em Leiria a 8ª edição das “Marionetas em Novembro”, uma iniciativa que integra um conjunto de espectáculos, oficinas de trabalho e

exposições dedicados ao universo das marionetas e das formas animadas. Organizado pela Câmara de Leiria, com o apoio de diversas entidades, este evento dedicado à infância

e juventude, é já uma referência cultural na cidade e na região, tendo como objectivos a criação de hábitos culturais e a captação de novos públicos. A programação é com-

posta por quatro espectáculos, uma exposição, três oficinas e a projecção de um filme. Será nos teatros Lúcio da Silva e Miguel Franco e no m|i|mo - museu da imagem em movimento.


CULTURA 5

O Mensageiro

27.Outubro.2011

Ourém recebe este fim-de-semana

1.º Congresso de História e Património da Alta Estremadura O cine-teatro municipal de Ourém prepara-se para receber o 1º Congresso de História e Património da Alta Estremadura, que terá lugar no próximo fim-de-semana e que contará com o desenvolvimento de diversas temáticas, tais como Arqueologia; História; História da Arte; Património Cultural; Património Natural. Trata-se de uma iniciativa conjunta do Centro do Património da Estremadura (CEPAE), do Município de Ourém e do Centro de Formação “Os Templários”. As sessões são creditadas pelo Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua (15 horas - 0,6 créditos). Deixamos o horário das várias intervenções: 28 de Outubro 17h30 - Sessão de abertura 29 de Outubro 09h05 - O Habitat Pré-histórico de Castelo da Loureira (Alvaiázere): Problemática e Interpretação, por Rui Santos e Alexandra Figueiredo 09h30 - Alguns dados inéditos da pré-história e proto-história dos concelhos de Castanheira de Pêra e Figueiró dos Vinhos, sua correlação com a arqueologia da serra da Lousã e serra da Estrela, por Nuno Ribeiro, Anabela Joaquinito e António S. Pereira 09h55 - A Idade do Bronze na Alta Estremadura: depósitos metálicos e sua conexão com o espaço, por Raquel Maria da Rosa Vilaça

10h20 - Reminiscências das sociedades metalúrgicas nalgumas grutas do nordeste estremenho, por Ana Graça 11h15 - Arqueologia no Nordeste do Distrito de Leiria: O Povoado Fortificado de N.ª S.ª dos Milagres/Castelo Velho – (I.ª Fase Bronze Final/Bronze Final e I.ª Idade do Ferro) – Pedrógão Grande, por José Costa Santos 11h40 - Organização política, territórios e economia na transição entre a Idade do Bronze e a Idade do Ferro na Alta Estremadura, por Paulo Félix 12h05 - O monte do Castelo (Ourém): conhecimentos actuais, por Jaqueline Pereira e Sofia Ferreira 12h30 - O projecto de investigação arqueológica do Núcleo do Castelo de Leiria: enquadramento, objectivos e resultados, por Vânia Carvalho e Isabel Inácio 14h30 - Olaria Romana do Morraçal da Ajuda, Peniche: Uma “indústria” da Lusitânia litoral, por Guilherme Cardoso, Eurico Sepúlveda, Severino Rodrigues e Inês Ribeiro 14h50 - De indígenas a Romanos: o caso da família dos Sulpícios da Região de Leiria, por João Pedro Bernardes 15h10 - O sitio dos Cortiçais: naufrágio de época romana na costa meridional de Peniche, por Jean-Yves Blot e António Dias Diogo 15h30 - A villa Romana da Columbeira – Bombarral, por Guilherme Cardoso, Eurico de Sepúlveda, Severino Rodrigues, Inês Ribeiro, Luísa Batalha 15h50 - “Ruim sítio, ruins ares e vizinhança de brejos”: modelização e reconstituição da evolução da lagoa de Óbidos entre o Período Clássico e a Idade Moderna, por Alexandre Monteiro e Sérgio Pinheiro

na nossa estante

D. Dinis - Actas dos Encontros sobre D. Dinis em Odivelas Vários autores Edições Colibri Odivelas, no seu todo, tem uma notável tradição histórica. E grande parte desse legado foinos deixado por El-Rei D. Dinis, vulto incontornável para a nobre e centenária história deste nosso Concelho. Foi um rei fora do seu tempo, um rei ousado, com visão estratégica, preocupado com as questões ambientais, com a arte, ensino e educação porque acreditava que eram os alicerces de um país. Era um homem culto, mais administrador que guerreiro, e terá tido a visão histórica de que para construir o futuro era essencial ter um reino com fronteiras consolidadas, para poder organizar o território a nível administrativo e implementar políticas de povoamento, de desenvolvimento económico, florestal e agrícola. D. Dinis foi O Lavrador ou O Rei-Agricultor, pelo impulso que deu à actividade agrícola, e ainda O Rei-Poeta ou O Rei-Trovador, pelas Cantigas de Amigo e de Amor que compôs. Evocar o Rei D. Dinis é revisitar a nossa identidade como povo e como nação.

A Narrativa no Movimento Neo-Realista: As Vozes Sociais e os Universos da Ficção Vítor Viçoso Edições Colibri Este estudo é uma problematização da função estético-ideológica do Neo-Realismo, num contexto sociocultural e político específico, tendo em conta que as obras deste movimento, para lá da sua qualidade estética, são um documento, no plano do imaginário social associado a uma cultura da “resistência” à ditadura, imprescindível para o estudo da nossa História contemporânea. Através da análise textual, é também um contributo para uma história da narrativa social portuguesa, desde a década de 30 à de 70 do século XX. Como todas as generalizações são abusivas, convém realçar que, apesar dos imperativos ideológicos, a prática estética de alguns dos seus autores revelou uma capacidade singular de fazer coexistir a comunhão ideológica e a idiossincrasia estética, tal foi o caso de Carlos de Oliveira, Alves Redol, Mário Dionísio, Soeiro Pereira Gomes, Manuel da Fonseca e Fernando Namora, entre outros.

16h30 - Roteiros arqueológicos de Peniche-Berlengas, proposta de um projecto, por Paulo Costa e Jorge Russo 16h50 - “O Último Pezeiro” – Vivências de uma época na Mata do Urso, por Maria Luísa Marques Batalha Santos 17h10 - Da arte sineira à linguagem dos sinos: a relevância de património material e imaterial a preservar. O caso da fundição de sinos da Boca da Mata (Alvaiázere), por Maria Adelaide Furtado 17h30 - Dos moinhos de vento às torres eólicas: contextualização do aproveitamento da energia eólica no âmbito do património natural e cultural na região de Sicó, por João Forte, Sérgio Medeiros, Lucinda Silva, Hugo Neves, Gustavo Medeiros, Pedro Alves, Carlos Ferreira, Marise Silva, Cláudia Neves, Hugo Mendes 18h10 - A Casa-Museu Afonso Lopes Vieira [CMALV] em S. Pedro de Moel como núcleo de um património cultural, por Cristina Nobre 30 de Outubro 09h05 - Visão Patrimonial de Ourém na perspectiva de gestão autárquica de Turismo e Cultura, por João Fiandeiro Santos e Luís Mota Figueira 09h30 - Centro Interpretativo de Atouguia da Baleia: Um Projecto Museológico Participativo, por Raquel Janeirinho, Rui Venâncio e Jorge Martins 09h55 - O Museu do Hospital e das Caldas: uma visão assistencial, por Tânia Jorge e Dora Mendes 10h20 - O Museu da Nazaré: da identidade à problematização das representações do mar, por Dóris Santos 10h45 - A região da Alta-Estremadura: património(s) e identidade(s), por Fernando Paulo Oliveira Magalhães

Portalegre em momentos de poesia Antologia – 40 autores Coord. de Deolinda Milhano

Memórias do Senhor Jeremias - o Gato das Botas Brancas Manuela de Azevedo

Toponímia Gandaresa (Apontamentos) Mário Cupido

A Intemporalidade dos Valores Mário Cupido

Voz de Mira

Voz de Mira

Edições Colibri

Edições Colibri

Uma única motivação! Uma inspiração comum, cantar Portalegre, cantar a nossa Cidade-Mãe onde muitos cresceram e aprenderam a amar a poesia; onde beberam a influência benéfica deste afecto maior à arte poética. Cantar Portalegre uniu-nos mais e, cada um à sua maneira, procurou exaltá-la, relevando os seus encantos naturais que tantos são e tanto nos tocam. Por amor à verdade, por imperativo de justiça, diga-se, graças à iniciativa da Dra. Deolinda Milhano que foi a criadora de “Momentos de Poesia” que durante cerca de três anos fizeram o encanto de centenas de pessoas que têm da arte poética a paixão e o gosto, quer como protagonistas, quer na qualidade de assistentes em tardes que deixaram uma marca indelével na cultura poética da nossa cidade. Assim surge, naturalmente, esta Antologia na sequência desejada por muitos e agora concretizada, também pela Dra. Deolinda Milhano, ao convidar os antologiados que convicta e amavelmente deram a sua anuência através da palavra escrita.

O Jeremias, já o vi várias vezes, não é um gato. É um companheiro muito especial. Sempre presente nas ausências. Contra os vazios, ronrona. E grita quando é preciso. Sente, manifesta-se, reage. Dialoga, na sua variação de sons – não digam que os gatos só miam!!! – e na sua rica linguagem corporal de meneios, olhares e saltos. Altivos, sempre. Além de o Jeremias ser o que é, o que mais vale – com o devido respeito a todos os gatos, incluindo a minha Skattie! – é a história que faz dele um protagoniza prendado. Sabedor e atento às realidades que lhe tocam. Com este senhor de botas brancas sente-se uma espécie de retorno à infância. Retorno a outras infâncias de diferentes tons, com pêlos e miaus de várias cores e sentidos. Este senhor Jeremias é um gato com muitas histórias dentro. Como as tinham os gatos de Hemingway, Baudelaire, Dumas, Põe e de tantos outros escritores. Macho ou fêmea, o gato figura como um “alter ego” feminino com o qual os escritores trocam emoções.

A Gândara nasceu da água e renova-se com ela num milenar vaivém de avanços e recuos. Ribeiros, valas, lagoas e lagos serpenteiam e regam terras de cultura, negras e férteis; matos e arvoredo de plural espécie por ali vegetam, abraçando pedras e pedreiras com as suas raízes. Mantos de pinhal estendem, em harmoniosa conjugação, sombras refrescantes, em terrenos de areia. Em dias de calor, as cigarras cantam, escondendo-se com os troncos dos pinheiros que as disfarçam. Homens e mulheres labutam na terra. Toda esta realidade se acumula nos topónimos. Estes nomes indicam o caminho dos homens, e também o seu passado e neles reside a sua memória. Representam uma parte importante da relação com o seu mundo real e físico e com o seu mundo espiritual; representam a satisfação de uma primária necessidade humana de dar nomes a esses mundos porque o homem só assimila intelectualmente aquilo que tiver um nome que identifique semântica e pragmaticamente os objectos que preenchem a sua vida e que dela fazem parte.

É de palavras, afinal, que trata este livro. E de um povo. E da sua identidade, robustecida em alicerces/raízes que, ao aos ano, século após século, se veio enrijecendo. Até se perder na penumbra do tempo a linha, só aparentemente nítida, do rosto que hoje nos é dado a contemplar. Este livro resguarda-se nos recantos meio misteriosos, meio mágicos, de um território que se reparte entre o fascínio do mar, as sombras densas do pinhal e as leiras negras da terra fecunda, a Gândara. Provérbios, ditos, sentenças, corruptelas, lengalengas são arrumados por categorias… e são interpretados com a segurança de quem estudou palavras e frases no seu contexto e na prática quotidiana e no uso que delas se faz. Tais interpretações e significados conduzem-nos, não raro, a verdadeiras surpresas; ora aguçam, ora satisfazem a nossa curiosidade e, quase sempre, traduzem-se no enriquecimento de quem assim se vê confrontado com expressões que lhe não eram estranhas, mas cujo sentido, e boa verdade, não havia vislumbrado na totalidade dos seus detalhes.


6 SOCIEDADE Marinha Grande em mapas A Câmara Municipal da Marinha Grande promoveu no dia 18 de Outubro, pelas 21h00, no Auditório da Biblioteca Municipal, uma conferência para a população, intitulada “O Concelho em Mapas - O Contributo do SIG para o Município”. Esta conferência esteve a cargo das técnicas da Área de Informação Geográfica da Divisão de Ordenamento, Planeamento e Projectos desta Autarquia. A iniciativa teve como principal objectivo dar a conhecer à população a importância que um Sistema de Informação Geográfica (SIG) detém ao nível de um Município bem como a apresentação de alguns dos projectos que foram desenvolvidos ou se encontram em desenvolvimento actualmente nesta área. O SIG constitui uma ferramenta importante de apoio a tomadas de decisão, uma vez que permite integrar uma grande diversidade de informação geográfica, organizada em camadas ou níveis de informação (layers), que associa a representação física do território (mapas, cartas ou plantas) com a sua caracterização descritiva que constitui a base de dados alfanumérica.

Colóquio em Leiria

Futuro do rio Lis em análise Vai realizar-se na quinta-feira, dia 3 de Novembro, pelas 20h30, o colóquio subordinado ao tema “Rio Lis: Passado, Presente e Futuro”. A iniciativa decorrerá no Centro de Interpretação Ambiental de Leiria, em Leiria, numa organização da Oikos – Associação de Defesa do Ambiente e do Património da Região de Leiria, que conta com o apoio da Câmara Municipal. Este colóquio terá como oradores Judite Vieira, SubDirectora da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Leiria (IPL), e Mário Oliveira, professor da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do IPL e da Oikos, sendo moderado por Nuno Carvalho, Presidente da Direcção da Oikos.

27.Outubro.2011

Câmara apresenta estudo prévio para construção de edifício

O novo mercado da Marinha Grande A Câmara Municipal da Marinha Grande promoveu nos dias 12 e 14 de Outubro reuniões com os vendedores do Mercado Municipal, para apresentação do estudo prévio para a concepção do novo edifício. No dia 18 de Outubro, realizou uma reunião com a Associação Comercial e Industrial da Marinha Grande, com o mesmo intuito. O vice-presidente da Câmara, Paulo Vicente, informou que as reuniões tinham como objectivo dar a conhecer e auscultar os vendedores sobre o Estudo Prévio do novo Mercado Municipal que a Câmara pretende executar no terreno anexo aos estaleiros municipais, perto do Parque da Cerca. Paulo Vicente referiu ainda que, “colher a opinião e os contributos dos vendedores é importante para o projecto pois permitirá, que se possam considerar alguns ajustes no que será projectado, concertando as imposições legais deste tipo de equipamento às reais necessidades dos vendedores, bem como dos clientes”. Proposta para o mercado Prevê-se a construção de um edifício para os postos de venda fixos e a instalação de estruturas cobertas para o mercado de levante. A área de intervenção integra ainda um parque de viaturas para veículos de vendedores e uma área de estacionamento para clientes. A consolidação do tecido urbano na área Central da Marinha Grande reduz a existência de grandes áreas livres para a instalação tão próxima quanto

possível do centro urbano de um equipamento tão necessário como o Mercado Municipal. Para além da escassez, os terrenos da área em causa são do Domínio Municipal, o que obvia qualquer necessidade de aquisição de terreno para a concretização deste equipamento. A opção por esta localização para implantar este equipamento público, prende-se com a sua grande proximidade com o centro urbano da Marinha Grande e a sua relação com a área urbana recentemente requalificada no âmbito do Programa Polis. Este programa dotou esta zona da cidade de excelentes acessibilidades e espaços públicos qualificados, entre eles o Parque Urbano da Cerca e a requalificada Ribeira das Bernardas. No domínio das infra-estruturas, a disponibilidade de área de estacionamento automóvel ao longo da Av. John Beare, que margina a poente todo o parque urbano, bem como a fluidez da nova rede viária, assumem-se como determinantes para a escolha desta localização para o Novo Mercado Municipal. A área da intervenção tem uma área total de 14.295m² e compreende duas parcelas distintas e a área de espaço público envolvente necessária à boa articulação urbana entre o existente e a proposta. A proposta integra a criação de um arruamento de serviço com apenas um sentido de circulação, assente em parte no caminho já existente, com origem a poente na Rua Miguel Torga e que permite a circulação para sul paralelamente à Ribeira das Bernardas entroncan-

do na Rua do Matadouro antes da Rotunda da Portela, permitindo uma adequada distribuição dos fluxos viários. A circulação particular que se processa neste arruamento não obriga à adopção de soluções convencionais de pavimentação impermeáveis, assim, preconiza-se após o início na Rua Miguel Torga, que este arruamento seja pavimentado com recurso a pavé com abertura permeável. A solução apontada na faixa de circulação será similar à proposta para as zonas de estacionamento, com a particularidade de aqui ser adoptada uma estereotomia com maior permeabilidade. A Sul do novo arruamento, estará implantada a edificação que conterá os espaços de venda permanentes e as estruturas cobertas de serviço aos vendedores de levante. Articulado entre estes dois espaços encontra-se o núcleo de apoio, que integra sanitários para público, balneários para vendedores e áreas de apoio. Nesta área que se pretende seja o núcleo funcional do Novo Mercado está ainda proposta a existência de 46 lugares de estacionamento ao ar livre para utentes - clientes do equipamento, que deverão ser objecto de condicionamento específico para aumentar a sua rotatividade. Ao longo do novo arruamento são ainda criados 20 lugares de estacionamento para clientes A área exterior, compreende espaços pavimentados e áreas permeáveis com tratamento paisagístico com espécies vegetais. A via de circu-

lação terá um enquadramento vegetal em ambos os lados em toda a extensão confinante com a Ribeira, procurando manter uma perspectiva de continuidade nos percursos pedonais de transitam pelo Parque Urbano da Cerca a Sul. Na parcela a Norte terá exclusivamente função de parqueamento das viaturas dos vendedores durante os três dias de funcionamento semanal do mercado. A ocupação prevista é de 72 lugares, e dada a natureza sensível do solo e procurando preservar as suas capacidades, a área deste parqueamento será pavimentada com recurso a grelhas de enrelvamento com combinações que assegurem as necessárias capacidades de carga exigíveis e a permeabilidade do solo para a natural drenagem das águas das chuvas por infiltração. Não se prevêem movimentações de terras e desaterros ou aterros, para além da correcção de pendentes de escoamento superficial, nem a passagem de qualquer infraestrutura subterrânea. O dimensionamento dos espaços de venda pretende dar resposta às necessidades de instalação dos vendedores com áreas concessionadas pelo Município, melhorando as condições específicas para cada sector ou tipo de produtos. A adequação dos locais de venda as exigências regulamentares de cada tipo de produto será devidamente assegurado no desenvolvimento do estudo prévio.

“Histórias da Terra” no Agroal

“São tantas as histórias por contar…” A primeira edição da actividade Histórias da Terra serviu de pretexto para a reunião de algumas dezenas de pessoas no Centro de Interpretação do Parque Natureza do Agroal no passado dia 21 de Outubro. O espaço envolvente, os mais variados participantes e o ambiente intimista proporcionaram desde logo uma atmosfera familiar e propícia à partilha de saberes e tradições. O pontapé de partida foi dado pelo contador de histórias Carlos Oliveira, que apresentou ao público “A Árvore Generosa” de Shell Silverstein. Uma história acompanhada por alguns momentos musicais que conta a relação entre uma árvore e um menino, relação esta que de acordo com as opções do menino, depois homem, pode ser

DR

Conferência

O Mensageiro

para toda a vida ou talvez não. De seguida, foi possível apreciar um texto da autoria de Helena F. Dias, que subordinado ao tema da iniciativa propõe uma reflexão sobre a Terra e o que esta representa para cada um de nós, de acordo com a

forma como a vemos e tratamos. O passo seguinte, já com bolos e chá a aquecerem o espírito, consistiu em passar o foco da acção para o público presente, em particular os mais idosos, depositários de conhecimentos ancestrais e

memórias longínquas de quem já muito viveu. As cadeiras dispostas em círculo, o interesse em partilhar experiências por parte dos mais velhos e a vontade dos mais novos em receber esse legado, permitiram uma tertúlia descontraída e um momento sincero de troca de experiências. A despedida foi feita com a promessa de novas edições da actividade Histórias da Terra. Todos ficaram convocados para um novo encontro de memórias e afectos onde a criação de um espaço cultural vivo e a sensibilização para a preservação da Natureza é uma constante e uma prioridade. Esta iniciativa foi organizada pela empresa municipal OurémViva e contou com o apoio da Junta de Freguesia de Formigais.


SOCIEDADE 7

O Mensageiro 27.Outubro.2011

Em Vermoil

Intervenção junto de crianças hiperactivas e com problemas de comportamento

Bodo das Castanhas e Tasquinhas 2011 nacional, com centenas de títulos conseguidos nas mais diversas camadas e modalidades; - Da Sociedade Filarmónica Vermoilense, uma filarmónica centenária, com uma excelente banda, com mais de 75 jovens a frequentar a escola de música, provenientes, predominantemente, das freguesias de Vermoil, Meirinhas, Santiago de Litém e Pombal; - Da Associação de Vizinhos e Amigos dos Matos da Ranha, uma associação cultural que tem preservado as tradições deste povo e que garante o fornecimento de água à população. Este ano organiza o passeio BTT realizado no domingo. Além das tasquinhas gastronómicas, ainda há a tasquinha das castanhas, que será apresentada pela Associação Desportiva da Ranha, que movimenta a equipa de futebol sénior e com mais de 80 alunos a frequentar as camadas jovens na formação. Este clube tem estádio com campo relvado, campo pelado, polidesportivo, excelentes

bancadas, bar e uns dos melhores balneários do concelho de Pombal, estando situada na confluência de três freguesias: Vermoil; Meirinhas e Carnide, um excelente local para servir estas três freguesias. Participam, ainda, no certame, mais 2 colectividades da freguesia: Centro Social Júlio Antunes, com valências de: Apoio Domiciliário; Centro de Dia; Lar de Idosos; e Creche. Apresentará trabalhos de artesanato realizados pelos utentes. A Associação Clássicos de Vermoil, uma recente associação, que reúne sócios com veículos motorizados antigos. Realiza no sábado o passeio dos clássicos por terras do Marquês. Quanto ao programa, destaca-se na sexta-feira o concerto da Filarmónica e o Baile com Dinis Brites. No sábado à tarde haverá entretenimento para crianças e o passeio dos clássicos. À noite um fantástico espectáculo de magia e ilusionismo com LanyDrack e baile com duo F.M. No domingo logo pela

manhã o passeio BTT, à tarde actua o Rancho Folclórico dos Parceiros, seguido do espectáculo dos Acordeões em Sintonia e baile com Nelson Marto. Durante todo o dia de Domingo realiza-se a Feira dos Frutos Secos, nas várias artérias do centro de Vermoil, onde todos se podem abastecer das melhores castanhas, nozes, passas de figo entre muitos outros frutos secos. Durante o fim-de-semana haverá concentração de caravanistas no campo de futebol de Vermoil. O que move a Junta de Freguesia de Vermoil a realizar e organizar esta festa centenária – Bodo das Castanhas –, é dar a conhecer a nossa identidade cultural, transmiti-la às gerações vindouras, manter as nossas tradições, projectando-as no futuro, promover produtos do nosso artesanato como a cestaria e tanoaria, tudo com muita animação para confraternização, convívio de amigos e partilha de felicidade.

Paróquia da Boa Vista

DR

dado nalgumas realizações da paróquia, tal como nos confirmou o pároco José

Henrique que fez dinamizar estas “Festas das Colheitas 2011”, nos dias 22 e 23 de

Assinaturas normal/benfeitor: 20/40 Euros (Nacional), 30/60 euros (Europa) e 40/60 (Resto do Mundo) Outubro. A edição deste ano consistiu num lindo cortejo das colheitas no sábado, seguindo-se a bênção no adro da igreja da Boa Vista e o típico leilão. Na tarde de domingo, celebrou-se missa e o prolongamento do leilão das oferendas. Neste ano de 2011, devido ao mau tempo, não se realizou a tradicional procissão com a imagem do Sagrado Coração de Jesus nem a sardinhada. Joaquim Santos

28 Outubro a 1 Novembro

Feira de São Simão em Alcobaça Os frutos secos são a principal atracão da secular Feira de São Simão a decorrer de 28 de Outubro a 1 de Novembro, em Alcobaça. Os visitantes podem

encontrar frutos típicos da época entre castanhas, pinhões, nozes, amêndoas e produtos alimentares regionais como queijos, enchidos e licores que es-

tarão expostos em vários stands. O evento, a decorrer de sexta-feira a terça-feira, numa tenda junto ao mercado municipal, assinala a

O “Juntos no Desafio – Guia para a promoção de competências parentais”, um programa dedicado à intervenção junto de crianças hiperactivas e com problemas de comportamento, dos psicólogos leirienses, Paulo José Costa, Susana Heleno e Carla Pinhal, vai promover oficinas de trabalho práticas para pais, terapeutas e professores. «Apesar de este programa ser de utilização livre, para a sua implementação sugere-se a realização de um conjunto de sessões estruturadas, com vista à supervisão e acompanhamento dos agentes envolvidos no processo», explica Paulo José Costa, profissional do Serviço de Pediatria do Hospital de Santo André. «Propomos assim a dinamização de oficinas de trabalho, que poderão até ser programados por uma instituição ou organismo interessado na sua implementação», sublinha o psicólogo. Estão previstas já duas acções. A primeira decorre no dia 5 de Novembro, sábado, em Leiria, entre as 09h30 e as 18h00, e será especialmente dedicada a psicólogos, educadores, professores e outros profissionais. A segunda decorrerá também em Novembro, com datas ainda por definir, e será dedicada a pais de crianças hiperactivas e com problemas de comportamento.

Ficha de Assinatura

“Festas das Colheitas 2011” O povo mostrou ao longo de séculos que a união e a determinação fazem com que se materialize tanta coisa para benefício colectivo das suas comunidades. É assim na Paróquia da Boa Vista, desde longa data, com as tradicionais “Festas das Colheitas”. Em Outubro, das suas colheitas, os paroquianos organizam uma festa que tem como objectivo, leiloar as suas oferendas para juntar fundos para a Igreja. Do resultado financeiro deste gesto, já se tem aju-

DR

O Bodo das Castanhas e Tasquinhas 2011, realiza-se em Vermoil nos próximos dias 28, 29 e 30 de Outubro. Esta feira de frutos secos além de centenária é das mais importantes, deste género, na região, sendo enriquecida com a mostra gastronómica. A mostra gastronómica é carinhosamente feita pelas colectividades que mais se destacam na freguesia de Vermoil, e algumas delas têm mesmo elevado valor para o concelho de Pombal, pois formam a nível cultural e desportivo, não só crianças e jovens da freguesia de Vermoil, mas também, de freguesias vizinhas do concelho de Pombal e Leiria. Este ano as 3 tasquinhas gastronómicas estão a cargo: - Do Atlético Clube de Vermoil, que dá formação no atletismo a mais de 80 jovens, sendo um clube da maior importância para o concelho de Pombal, com elevado prestigio a nível distrital e começa a ser uma referência a nível

“Juntos no desafio”: oficinas para pais, terapeutas e professores

celebração do Dia de São Simão (28 de Outubro) e do Dia de Todos-os-Santos (1 de Novembro).

Nome: ___________________________________________ ____________________________________________ Rua: _____________________________________________ _______________ N.º _______________ Localidade: ____________________________ C. Postal: _____ - ____________________ Telf.: _______________________________ E-mail:___________________________@_______________ Enviar esta ficha, recortada ou fotocopiada, para: O Mensageiro - Lg. Padre Carvalho - 2414-011 LEIRIA ou forneça-nos os seus dados através do endereço de correio electrónico jornal@omensageiro.com.pt


8 DIOCESE

O Mensageiro

27.Outubro.2011

[COLUNA SEMANAL]

Família há oito séculos

CAMINHO... COM A

A regra

CARTA PASTORAL

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1. Os desafios de hoje 1.1. Por quem os sinos dobram? O fim de um mundo No passado dia 1 de Julho, o Papa Bento XVI, evocando os sessenta anos de sacerdócio, caracterizava assim o tempo da sua ordenação sacerdotal: “ Em 1951, o mundo era totalmente diferente: não havia televisão, não havia internet, nem computador nem telemóvel. Parece realmente um mundo pré-histórico aquele do qual vimos. Sobretudo, as nossas cidades estavam destruídas; de igual modo a economia e reinava uma grande pobreza material e espiritual. Mas também havia uma forte energia e vontade de reconstruir este país e de renová-lo, na Comunidade Europeia sobretudo, sobre o fundamento da nossa fé. Assim começámos com grande entusiasmo e com grande alegria naquele momento”. Hoje assistimos, de facto, ao nascimento dum mundo novo que é, ao mesmo tempo, fascinante e difícil, cheio de possibilidades e de contrastes tremendos. É, antes de mais, um mundo marcado pela globalização que abriu novas possibilidades e novos horizontes a todos os níveis desde o conhecimento à mobilidade e aos mercados. Experimentamos porém como a globalização desregulada dos mercados financeiros e económicos produziu uma crise sem precedentes com consequências sociais de desemprego, de exclusão social e pobreza tremendas. Todos reconhecem hoje que esta crise é a ponta do iceberg de uma outra mais funda e profunda que é da ordem dos valores e de défice de espiritualidade. O nosso mundo é plural e pluralista: nele vivem e convivem diferentes crenças, religiões e culturas, sendo, portanto, um mundo permanentemente sujeito à tentação do relativismo e do individualismo. Torna-se difícil encontrar uma plataforma de valores fundamentais comuns e partilhados por todos. As novas tecnologias seduzem a ponto de se confiar que a técnica resolva todos os problemas e nos dispense de pensar a vida pessoal, familiar e social com fundamentos sólidos. Vão-se impondo os interesses individuais enquanto se põem de parte o bem comum e a solidariedade. Todos estes problemas criam um ambiente de incertezas, de insegurança e de medos em relação ao futuro. Estamos a viver uma certa cultura do desencanto, de crise de confiança na vida, na bondade da vida e do mundo. A crise de confiança é também uma crise de fé na outra dimensão de vida aberta ao mistério de Deus e do seu amor que salva e sustenta o mundo. Por quem os sinos dobram? – é o título dum livro de Ernst Hemingway que escolhi para realçar a crise do momento presente. Os sinos dobram pelo fim de uma era, de um mundo, de uma estação cultural que era compacta e sólida e anunciam, tristemente, o surgir duma cultura do vazio, da desconstrução dos fundamentos sólidos (de grandes ideais, de valores, de grandes causas e projectos): uma cultura que, entretanto, se instalou na sociedade e que leva o mundo a invocar um “suplemento de alma” e uma renovada esperança de salvação.

Para reflexão...róquia, como é compreendida a preseneçaa

unidade/pa ente como se viv • Na nossa com mundo? Habitualm no s ão ist cr s e missão do no e vida? mundo vive-se relação entre fé cristãos com o s à do iço e rv ja se re e Ig ão mútua • A relação da dade, colaboraç ie ar lid so , go álo encontro, di e à sociedade? pessoa humana

No silêncio do claustro de S. Damião, Clara e suas Irmãs tornaram-se alpinistas do Absoluto. Todos sabemos que a condição principal para a subida é reduzir a bagagem ao ínfimo, deixar para trás o que é acidental, tudo o que impede a subida. Em S. Damião, a Comunidade não vivia na miséria, nem em condições degradantes. Todavia não havia espaço para futilidades ou coisas supérfluas. Tinham o essencial para viverem com dignidade. Clara era nobre de nascimento e de sentimentos, por isso, dotada de rara sensibilidade humana e feminina. Em 1247 surge a Regra de Inocêncio IV, que permitia possuir bens e rendas. Estas normas vão contra o desejo de Clara, que desejava viver a Altíssima Pobreza que é Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso, Clara, no mesmo ano, para salvaguardar a forma de vida que observava há quase quarenta anos, apressa-se a redigir o Testamento, uma belíssima síntese do carisma da Ordem para, logo a seguir, escrever a Regra. “A partir de então, entre 1247 e 1252, Clara lança-se numa aventura inédita, vai confirmar à História a sua ousadia: põe mãos à obra e escreve, ela própria, a sua Regra que é uma epopeia de amor a narrar a luta que ela sustentou ao logo de toda a vida” (“Clara a constelação e o signo”). Em toda a história da Igreja, Clara é a primeira mulher a escrever uma Regra e a vê-la aprovada. A Regra de Santa Clara é compos-

ta por 12 capítulos. Um texto com normas muito práticas, linguagem simples, clara e directa. Segue os princípios da Regra escrita por S. Francisco para os seus Irmãos: o seguimento evangélico, a exigência da pobreza, a vida em comunidade e a obediência à Igreja. Mas não é uma cópia da Regra dos Frades Menores. Clara soube adaptá-la com rara sabedoria, sensibilidade e prudência às exigências da psicologia feminina e à vida contemplativa. Nela existe um grande respeito pela pessoa de cada Irmã, sem olhar à sua condição social, isto num tempo em que as classes sociais eram acentuadas. As irmãs formam uma família, não segundo os laços do sangue, mas uma família que Deus reuniu e uniu no Seu amor. Todas, sem excepção, têm iguais deveres e direitos. No capítulo IV escreve: “A abadessa deve convocar as Irmãs pelo menos uma vez por semana. Com elas trate de todos os assuntos respeitantes à utilidade e bem espiritual da Comunidade. Com efeito, muitas vezes, é ao mais pequenino que o Senhor revela aquilo que mais convém”. Portanto, todas têm o direito de manifestar o seu parecer. Todas têm “liberdade de expressão”, diríamos nós no século XXI, mas na Idade Média isso era uma realidade pouco comum, mesmo nas ordens religiosas. Para Santa Clara, que dava prioridade à vida fraterna, cessavam as classes. Eram todas Irmãs. O cargo de superiora, nas grandes abadias, conferia o estatuto de grande senhora. Na Regra de Santa Clara, pelo contrário, surge como um serviço, norma que ela não estabeleceu apenas com tinta no papel, mas é fruto da sua vivência prática no dia a dia, pois exerceu-o para com as suas Irmãs, não um dia mas ao longo de mais de quarenta anos. Na Regra escrita por Clara respira-se um clima de simplicidade, sobriedade e clareza. A sua longa

Sábado 19h00 – Sé 19h30 – Franciscanos

MISSAS DOMINICAIS

Domingo 08h30 – Espírito Santo 09h00 – Franciscanos 09h45 – Paulo VI 10h00 - S. Francisco 10h30 – Franciscanos 10h00 – S. Romão 11h00 – S. Agostinho 11h00 – Hospital 11h30 – Cruz da Areia 11h30 – Seminário e Sé 18h30 – Sé 19h30 – Franciscanos 21h30 – Sª Encarnação

experiência revela que é possível viver sem bens de raiz mas sim do trabalho próprio, da esmola e confiança absoluta na Providência do Pai do Céu. Porque a pobreza liberta e faz vibrar as “cordas” do Evangelho em toda a sua originalidade. Clara não se fechou no seu pequeno mundo, fezse ao largo, à voz do Senhor lançou as redes e, por isso, foi projectada através dos séculos, até ao nosso tempo. Com olhar clarividente escancarou as portas da santidade iluminadas com o clarão do Evangelho. Clara não escreveu uma Regra apenas para o seu tempo, foi muito mais longe. E essa mesma Regra, que tem oito séculos de vida, chegou, com a mesma novidade e frescura, ao século XXI. “Por incrível que pareça, tudo quanto o Concilio Vaticano II, no Perfectae Caritatis, preconiza para as Comunidades do terceiro milénio está escrito desde há 800 anos na Regra de Clara: sobre a pobreza, o diálogo, a dignidade humana, a corresponsabilidade no governo, o trabalho como meio de sustento, a formação permanente, a recepção de candidatas, a habitação, a fidelidade à Doutrina da Igreja e a obediência responsável. Clara foi tão inovadora que seria caso para dizer: ou Clara se inspirou no Perfectae Caritatis ou o Perfectae Caritatis se inspirou em Clara” (“Clara a constelação e o signo”). Clara é de ontem. Clara vive hoje em cada umas das irmãs que observam a sua Regra, e continua a ser luz no mundo, como o é cada cristão que, como ela, acolhe e vive o Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Irmãs Clarissas de Monte Real

Encontros sociais

“O cristão na cidade” Integrado no tema pastoral da diocese “testemunhas de Cristo no mundo”, as paróquia das Cortes e Barreira estão a desenvolver em paralelo um projecto de encontros sociais com o tema genérico “o cristão na cidade”. Trata-se de uma série de 9 encontros, ao ritmo mensal, durante os quais são apresentados testemunhos vivos de cristãos que na sua vida profissional procuram viver os valores da fé. O modelo destes encontros é tirado dos antigos serões passados em casa em volta da lareira, e durante os quais eram conversados temas e narradas experiências que animavam os mais novos. Abertos a todos os interessados, os encontros realizam-se nas instalações da paróquia com inicio às 21h00 e terminando às 23h00. Os temas abordados trarão testemunhos de cristãos envolvidos na política, no desporto, na vida artística, na saúde e na justiça, entre outros.


DIOCESE 9

O Mensageiro

27.Outubro.2011

Fé e Arte, um diálogo de séculos

Visita Pastoral à Diocese

“Por terras do Lis” Como foi oportunamente divulgado, o Departamento do Património Cultural da diocese de Leiria-Fátima organizou a primeira visita guiada ao património edificado da Diocese, mais concretamente às três catedrais de Leiria. Orientada pelo Professor Saúl Gomes, a visita teve grande afluência de participantes que ultrapassaram a centena e meia,

tendo também contado com a presença do Sr. Bispo, D. António Marto. Em cada um dos monumentos visitados – igreja da Penha, igreja de São Pedro e Sé de Leiria – tivemos um apontamento musical (coro, solista e órgão, e órgão, respectivamente) que enriqueceram ainda mais a excelente tarde cultural. Dando seguimento ao programa estabelecido, a próxima visita, denomina-

27 a 30 de Outubro da “Por terras do Lis”, será no dia 19 de Novembro às igrejas paroquiais do Souto da Carpalhosa e de Regueira de Pontes e ao Santuário do Senhor Jesus dos Milagres. A concentração está marcada para as 14.45h, junto à igreja do Souto da Carpalhosa. Para quem pretender deslocar-se de Leiria, em autocarro e se o número de interessados o justificar, haverá transporte

com saída do Seminário, pelas 14 horas e chegada ao mesmo local, por volta das 19h. O custo do bilhete será de 7,5euros por pessoa; as reservas deverão ser feitas através do telefone 962540255 ou 244837291 ou ainda pelo mail coelhomartins@iol.pt, até ao dia13 de Novembro. Pelo Departamento do Património Cultural da Diocese de Leiria-Fátima Filomena Martins

Catequistas acolheram propostas de animação vocacional

“Testemunhas de Cristo no mundo” “Uma experiência espiritual forte” e ajudas importantes para a paróquia “com vontade de as pôr em prática”. Assim uma catequista avaliou a sua participação no encontro de animadores que teve lugar no Seminário de Leiria, no passado dia 22 de Outubro. Foi organizado pelo Serviço Diocesano de Animação vocacional sob o tema “Testemunhas de Cristo no mundo” e com os objectivos de proporcionar o crescimento espiritual e oferecer propostas práticas para o despertar vocacional de crianças, adolescentes e jovens.

Uma outra catequista disse ter vivido “uma experiência maravilhosa” e percebido que, com pequenos gestos, disponibilidade e partilha, podia irradiar a luz de Cristo na sua comunidade e sobretudo na catequese. Outros exprimiram a sua satisfação pela experiência vivida e pelas ajudas encontradas para a sua missão de educadores da fé e de testemunhas da luz de Cristo no mundo, na sua vida quotidiana. Estiveram presentes duas dezenas e meia de pessoas provenientes de 10 paróquias. O programa

Paróquia de Aljubarrota

Homenagem ao padre Ramiro Portela A paróquia de Aljubarrota vai prestar uma singela homenagem ao seu pároco, padre Ramiro Portela, que este ano celebra os 50 anos do seu sacerdócio. A homenagem será no dia 30 de Outubro, dia em que o homenageado festeja também os seus 76 anos de vida. Com o tema geral de Festa da Fé, foi elaborado um programa que consta da celebração da Eucaristia às 12h00, seguida de almoço partilhado e um cortejo missionário, com início às 15h00. No final, às 16h00, haverá uma sessão solene durante a qual haverá o primeiro encontro de grupos corais das paróquias vizinhas. Terminará a homenagem com a consagração a Nossa Senhora. O Mensageiro associa-se a esta homenagem e felicita o padre Ramiro pelos seus anos de vida e de consagração.

incluiu um momento de leitura orante da palavra de Deus com a ajuda de símbolos e gestos. Na segunda parte, foram apresentados os projectos “Tesouro escondido”, para o trabalho vocacional com as crianças que se preparam para a primeira comunhão; “Vem e vê”, para os pré-adolescentes que estão no caminho para a sua profissão de fé; e “Para além da porta”, para os adolescentes que desejam ser crismados. Em ordem à formação de animadores vocacionais, numa rede a difundir em todas as paróquias, o

Serviço de Animação Vocacional proporciona um curso denominado “chama que chama” no âmbito da escola diocesana “Razões da Esperança”. No presente ano pastoral, há 21 pessoas inscritas que já iniciaram o percurso formativo. Deste modo poderão ajudar melhor os mais novos na descoberta do dom e do apelo que Deus concede a cada pessoa para bem realizar a sua missão humana e cristã no mundo. Padre Jorge Guarda

DVD com a apresentação da Carta Pastoral

“Testemunhas de Cristo no mundo” Estão disponíveis no GASPA (Gabinete de Apoio aos Serviços Pastorais), no Seminário de Leiria, dois DVDs com a apresentação que o Senhor Bispo fez na assembleia diocesana, no passado dia 2 de Outubro. Um foi gravado pela Telepace e tem apenas a apresentação da Carta Pastoral, com a duração de cerca de meia hora. O outro, com a duração de cerca de uma hora, tem a intervenção do Senhor Bispo e também a do Dr. Acácio Catarino sobre a “Inserção dos cristãos na sociedade de hoje”. Podem ser pedidas cópias no GASPA ou na Comunidade Canção Nova, para a gravação feita por esta comunidade, pagando os custos do material. Os DVDs podem ser usados neste início ou ao longo do ano pastoral para uma assembleia paroquial ou mesmo numa reunião de determinado grupo comunidade. Na apresentação da Carta pastoral “Testemunhas de Cristo no mundo” é a palavra e a imagem de D. António que esclarece os objectivos e o essencial da mensagem que nos oferece para este ano de 2011-2012.

Regueira de Pontes

27 de Outubro (quinta-feira) 18h00 – Recepção ao Senhor Bispo, no adro da igreja Paroquial 18h30 – Eucaristia na Igreja Paroquial 19h30 – Jantar no salão paroquial 21h30 – Assembleia Paroquial no auditório da Filarmónica de Chãs 28 de Outubro (sexta-feira) 18h00 – Eucaristia com os doentes na Igreja Paroquial 21h30 – Encontro no salão paroquial 29 de Outubro (sábado) 15h30 – Encontro com as criaças da Catequese da Infância (do 1º ao 6º anos) dos dois Centros de Catequese da paróquia (Regueira de Pontes e Chãs), no salão paroquial 16h00 - Encontro com os adolescentes que frequentam a Catequese (do 7º ao 9º anos dos referidos dois Centros), no salão paroquial 15h00 - Encontro com os crismandos, no salão paroquial 18h30 - Eucaristia com a Bênção da nova Igreja de Chãs, seguido de convívio-bufet, no salão pastoral da igreja de Chãs. 30 de Outubro (domingo) 11h30 – Eucaristia solene de encerramento da Visita Pastoral, para toda a paróquia, na igreja paroquial, com a administração do Crisma, seguindo-se um almoço partilhado no salão paroquial.

3 a 6 de Novembro |

Milagres

3 de Novembro (quinta-feira) 16h30 – Recepção ao Senhor Bispo junto ao Santuário 17h00 – Missa no Santuário dos Milagres com idosos e doentes 18h00 – Visita à Casa Social dos Milagres e a uma Exposição de Trabalhos dos Idosos no Centro de Convívio 20h30 – Vigília com casais na Igreja de S. António, Casal da Quinta 21h30 - Chá-convívio com as Famílias no Casal da Quinta 4 de Novembro (sexta-feira) 16h30 – Visita a uma empresa familiar na Mata dos Milagres 17h30 – Encontro formativo com a Direcção, Professores e Trabalhadores do Colégio Sr. dos Milagres 21h30 - Missa festiva, destinada a todos os jovens na Igreja de S. Luzia, Mata dos Milagres 22h00 - Chá-convívio com os jovens na Mata dos Milagres 5 de Novembro (sábado) 15h00 – Encontro com criaças da Catequese: 1º ao 6º ano, Milagres 16h00 - Encontro com adolecentes da Catequese: 7º ao 10º ano, Milagres 17h30 - Encontro com os membros da Junta de Freguesia, Assembleia de Freguesia e representantes das Colectividades 20h30 - Missa vespertina com a comunidade das Figueiras 21h30 - Assembleia paroquial nas Figueiras 22h30 - Chá-convívio com os participantes 6 de Novembro (domingo) 11h00 – Missa de encerramento da Visita Pastoral no Santuário, com celebração do Crsima 13h00 - Almoço-buffet no Centro paroquial com as Comissões das Igrejas e Junta de Freguesia

Ordenação Presbiteral no Seminário

Patrício Oliveira

A terminar a Semana dos Seminários, no Domingo dia 13 de Novembro, às 16h00, na Sé de Leiria, D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima, ordenará presbítero o diácono Patrício Alexandre Lopes Oliveira, natural da paróquia de Caxarias, Concelho de Ourém, a exercer o seu ministério na paróquia de Maceira. Para evocar estes dois acontecimentos haverá no sábado, dia 12 de Novembro, das 21h30 às 22h30, na igreja Seminário de Leiria, uma vigília de oração pelas vocações ao ministério ordenado, aberto a toda a Diocese. No próxima edição contamos publicar uma entrevista com o novo sacerdote.


10 ECLESIAL

O Mensageiro

27.Outubro.2011

do Tempo Comum (30/10/11)

Antífona de Entrada: Salmo 37, 22-23 Leitura I: Mal 1, 14b – 2, 2b.8-10 Salmo Responsorial: Salmo 130 (131), 1.2.3; Refrão: Guardai-me junto de Vós, na vossa paz, Senhor. Repetese; Ou: Guardai-me na vossa paz, Senhor. Repete-se Leitura II: 1 1 Tes 2, 7b-9.13 Aclamação ao Evangelho: Mt 23, 9b.10b; Refrão: Aleluia. Repete-se; Um só é o vosso pai, o Pai celeste; um só é o vosso mestre, Jesus Cristo. Refrão EVANGELHO: Mt 23, 1-12 Naquele tempo, Jesus falou à multidão e aos discípulos, dizendo: «Na cadeira de Moisés sentaram-se os escribas e os fariseus. Fazei e observai tudo quanto vos disserem, mas não imiteis as suas obras, porque eles dizem e não fazem. Atam fardos pesados e põem-nos aos ombros dos homens, mas eles nem com o dedo os querem mover. Tudo o que fazem é para serem vistos pelos homens: alargam os filactérios e ampliam as borlas; gostam do primeiro lugar nos banquetes e dos primeiros assentos nas sinagogas, das saudações nas praças públicas e que os tratem por ‘Mestres’. Vós, porém, não vos deixeis tratar por ‘Mestres’, porque um só é o vosso Mestre e vós sois todos irmãos. Na terra não chameis a ninguém vosso ‘Pai’, porque um só é o vosso pai, o Pai celeste. Nem vos deixeis tratar por ‘Doutores’, porque um só é o vosso doutor, o Messias. Aquele que for o maior entre vós será o vosso servo. Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado». Palavra da salvação.

Janela Sobre a Missão

Vou partir Continuação da edição anterior Inicialmente, o padre David foi por três anos, que entretanto se foram prolongando, indo agora já no sexto ano de presença. Tem feito um belo trabalho e dado tudo o que pode por aquela missão. Penso que o ideal seria que outro padre, que não eu, o fosse substituir, o que daria outra envolvência do clero diocesano neste projecto. Como tal de momento não é possível, e tendo em conta a necessidade do padre David regressar a Portugal, disponibilizei-me eu para partir. Faço-o com a mesma alegria e a mesma disponi-

AO SABOR DA PALAVRA

Cânticos | Todos os Santos (1/11/11) INÍCIO: Eu vi a cidade santa - Lau 381 Os santos cantavam - Lau 1146 SALMO RESPONSORIAL: É esta a geração - Lau 306 APRESENTAÇÃO DOS DONS: Deus é amor - Lau 275 Ubi Caritas - Lau 88 COMUNHÃO: Vinde a mim vós todos - Lau 862 Bem-aventurados - Lau 1128 PÓS-COMUNHÃO: Louvai louvai o Senhor - Lau 479 FINAL: Hinos de glória - Lau 424 Todos unidos - Lau 819

Cânticos | Dia de Fiéis Defuntos (2/11/11)

Pe. Francisco Pereira

pe.francisco@mac.com 31º Domingo do Tempo Comum 30 de Outubro de 2011

A herança A herança é aquilo que de mais valioso recebemos dos nossos pais. É o que garante a continuidade da

bilidade da primeira vez e com este sentido de que a Igreja não se confina aos limites de uma diocese, mas se deve abrir ao mundo. Este ano pastoral, em que o lema da nossa diocese é “Testemunhas de Cristo no Mundo” e o nosso bispo chama a atenção para as grandes carências materiais e espirituais do mundo em que vivemos, reforça ainda mais em mim a convicção de que esta partida é um chamamento de Deus. Agradeço todo o apoio que os membros do Grupo Missionário Ondjoyetu têm dado a este projecto, bem como tantos padres, paróquias de que tenho sido pá-

DR

Leituras | XXXI Domingo

história da humanidade, é o que faz com que as diversas gerações se sintam ligadas entre si porque receberam uma mesma herança, têm a mesma história, a mesma cultura. Por isso a herança que se recebe não é algo morto, parado ou fixo. É antes uma coisa viva que faz parte de quem a recebe e que a leva a continuar a sua progressão, desenvolvendo-a e transformando-a para depois a passar aos seus sucessores. E é assim que o mundo vai evoluindo. O povo de Israel recebeu uma valiosíssima herança, que se foi mantendo ao longo dos tempos: a sua Aliança com Deus. Mas esta herança foi perdendo as suas características originais de liberdade e amor entre os

Cânticos | XXXII Dom. Tempo Comum (6/11/11)

INÍCIO: Vinde benditos de meu Pai - Lau 863 Vamos confiantes ao troo da graça - Lau 843

INÍCIO: Eu venho Senhor à Vossa presença - Lau 377 Alegre-se o coração dos que procuram o Senhor - Lau 142

SALMO RESPONSORIAL: Espero vir a contemplar - Lau 346

SALMO RESPONSORIAL: A minha alma tem sede - Lau 105

APRESENTAÇÃO DOS DONS: Tomai Senhor e recebei - Lau 821 Pobres e fracos que somos - Lau 663

APRESENTAÇÃO DOS DONS: Deus amou de tal modo o mundo - Lau 274 Escutai Senhor a prece - Lau 343

COMUNHÃO: Vinde a mim vós todos - Lau 862 Quem come a minha carne - Lau 703

COMUNHÃO: Buscai o alimento - Lau 187 Vinde benditos de meu Pai - Lau 863

PÓS-COMUNHÃO: Cantarei eternamente - Lau 214

PÓS-COMUNHÃO: Eu canto para sempre - Lau 358 Senhor Tu és a Luz - Lau 779

FINAL: Ditosos os que Te louvam sempre - Lau 297 Dai graças ao Senhor Ele é bom - Lau 261

FINAL: Anunciaremos Teu Reino Senhor - Lau 153 Cristo é caminho - Lau 247

roco e tantas outras, irmãs religiosas, leigos (desde crianças a velhinhos, passando por catequistas, professores de Moral e muitas outras pessoas anónimas), empresas e instituições diversas. Também quero deixar a minha palavra de gratidão a tantas pessoas amigas que me têm dado apoio pessoal neste novo

passo, a começar pela minha família. Mesmo estando longe, continuo a contar com esse apoio e oração na certeza de que todos ides comigo. Quando um missionário parte, acompanham-no todos os que se identificam com as razões que o levam a partir. Padre Vítor Mira

aliados, para se transformar num contrato sem sentido, árido, cheio de alíneas e acrescentos, que não beneficiava nenhuma das partes, ou melhor beneficiava aqueles que detinham o poder e por isso podiam manipular as gentes normais. É por isso que Deus, pela boca do profeta Malaquias se insurge contra os que detinham o poder no seu tempo pois já não seguiam a sua Lei mas tinham criado uma outra nova lei, que só servia para amedrontar o povo: “Porque somos desleais uns com os outros profanando a aliança dos nossos antepassados?” Por outro lado os cristãos de Tessalónica são elogiados por S. Paulo pois aceitaram a palavra de Deus com toda a liberdade, assim como os primeiros judeus o fizeram. Mas S. Paulo diz que sempre se fez igual aos que o rodeavam, não vivendo à custa dos que estavam com ele, como muitos sacerdotes judeus faziam. É por essa humildade de Paulo que o anúncio que ele fazia era aceite pelos cristãos não como palavra humana, mas como Palavra de Deus que realmente é, e que está precisamente a actuar entre eles , os que acreditavam na morte e ressurreição de Cristo. O Evangelho vem-nos lembrar que ninguém é superior aos outros, todos somos pecadores, todos fomos salvos por Jesus Cristo. É por isso que Jesus diz aos que o rodeavam: “Vós, porém, não vos deixeis tratar por mestres, que um só é o

vosso mestre, e vós sois todos irmãos.” Não podemos por isso julgar que somos mais importantes ou mais espertos que os outros. A nossa grande diferença em relação aos não cristão é que nós aceitámos a graça de Deus, aceitámos a sua salvação. Foi Ele é que derramou seu olhar e a sua misericórdia sobre nós. A Igreja, testemunha do Reino e dos valores propostos por Jesus, tem de ser uma comunidade de irmãos que vivem no amor. Nela, não podem ser determinantes os títulos, os lugares de honra, os privilégios, a importância hierárquica. Na comunidade cristã, a única coisa determinante é o serviço simples e humilde que se presta aos irmãos. Aos olhos de Deus não há padres, doutores, leigos ou seminaristas. Mas sobretudo todos somos baptizados, todos fazemos parte desta Igreja, todos queremos caminhar, avançar, para que a nossa herança comum iniciada há 2000 anos continue a ser valiosa, a ter sentido e a desenvolver-se, orientandonos apenas pela moção do Espírito Santo, que continua a actuar na Igreja, mesmo que às vezes não pareça. Mas isso também é uma questão de Fé e se nos lembrarmos que é Deus que actua verdadeiramente na Igreja somos capazes todos de pôr as mão à obra e construir o Reino de Deus. Unidos no caminho da esperança alcançaremos a salvação da humanidade.


ECLESIAL • PORTUGAL 11

O Mensageiro

27.Outubro.2011

Assembleia da União dos Frades Menores da Europa

Frei Vítor Melícias considera que a ‘troika’ está a abusar das condições do financiamento a Portugal e defende que as medidas de austeridade estão a servir interesses económicos instalados, menosprezando as necessidades dos pobres. Portugal e Grécia “estão carregados com imposições financeiras que são verdadeiramente usurárias, e é preciso que alguém denuncie e se oponha a isto”, afirmou à ECCLESIA o responsável da província portuguesa da Ordem dos Frades Menores, um dos ramos do franciscanismo católico. O religioso diz seguir com “muita preocupação” as medidas de austeridade implementadas pelo Governo, que “não têm como primeiro objectivo as pessoas e os mais pobres”: “Estamos a definir regras em defesa dos interesses financeiros, da banca e dos interesses estabelecidos”, apontou. “Essa não é, seguramente, a solução que deve ser adoptada”, sublinhou o sacerdote, durante a sua presidência na 10.ª assembleia da União dos Frades Menores da Europa, realizada em Lisboa, Fátima e Linda-a-Pastora (Oeiras) entre 18 e 22 de Outubro, com a presença de mais de 60 religiosos.

DR

“Europa, uma missão e um desafio”

A iniciativa, intitulada “Europa, uma missão e um desafio”, contou com a participação do responsável mundial dos Franciscanos, frei José Rodríguez Carballo, para quem a crise no continente tem solução desde que os organismos políticos e económicos coloquem “a pessoa no centro”, em vez do “dinheiro” e da “ganância”. “Há que ver o futuro com a esperança e um franciscano não pode olhálo de outra forma”, apontou o religioso espanhol, que acentuou a necessidade de os religiosos da congregação continuarem a ser “frades do povo”. Frei Rodríguez Carballo acentuou que a ordem

fundada no século XIII por São Francisco de Assis deve “continuar a pregar, primeiro com a vida e depois com a palavra, o evangelho de Jesus Cristo”, dentro de uma sociedade “muito secularizada” mas que também “tem sede de valores autênticos e evangélicos”. “Queremos chegar a todos: aos de longe, quer dizer aos que não crêem ou que têm a fé um pouco adormecida, e também aos que estão próximos, isto é, que se sentam crentes e chamados a serem evangelizadores”, acrescentou. No encontro, que segundo frei Vítor Melícias pretendia analisar as “formas de presença, acção e

contacto” dos Franciscanos “com o povo e com aqueles que decidem o seu destino”, foram igualmente eleitos os novos membros do Conselho Permanente da União dos Frades Menores da Europa. O organismo, cuja vicepresidência foi confiada ao religioso português, vai ser dirigido pelo frade italiano Carlo Serri, sendo também composto pelos frades Filemon Janka (Polónia), Dominique Joly (França) e Lovro Gavran (Bósnia-Herzegovina).

BREVES Combater «preconceitos» nas redacções

“Diálogos da Igreja na Comunicação no 3.º Milénio” A Igreja Católica deve ajudar os meios de comunicação social a combater os “preconceitos nas redacções” disse, na passada sexta-feira, José Luís Ramos Pinheiro, administrador do Grupo r/com - renascença comunicação multimédia. O apelo foi lançado, no Porto, numa conferência sobre ‘Diálogos da Igreja na Comunicação no 3.º Milénio’. “Aos preconceitos das redacções, há que intervir culturalmente, quer do ponto de vista da própria Igreja, que tem que ajudar a desmontar e a descodificar as situações de forma a poder atacar na base esses preconceitos e entregar a mensagem da forma mais clara que lhe seja possível, mas também para que os chamados consumidores da informação sejam capazes de fazer as suas próprias escolhas”, indicou Ramos Pinheiro. No quadro da competência profissional dos jornalistas, este responsável alerta para o excesso de informação que dificulta o trabalho dos profissionais e a percepção do público. “Hoje em dia os tempos estão difíceis para os jornalistas”, sublinha, porque aquilo que parece ser notícia num momento desenvolve-se de uma forma diferente do previsto. “Isto causa uma dificuldade acrescida ao trabalho da comunicação e isso, depois, também tem consequências nos próprios destinatários e utilizadores”, salienta o presidente do Grupo r/com.

Conferência em Lisboa

“Viver a Bíblia com as crianças” Com o intuito de descobrir a Palavra de Deus de forma criativa, o sector da catequese da diocese de Lisboa promove uma conferência, dia 14 de Novembro, sobre «Viver a Bíblia com as crianças». Esta iniciativa decorre no Instituto Diocesano de Formação Cristã, em Lisboa, e terá como oradores Luc Aerens e Bernadette Aerens, da diocese de MalinesBruxelas, (Bélgica).

Igreja tem muito a esperar do novo bispo

Congresso teológico em Coimbra

João Paulo II uma «figura cimeira da Igreja» O Seminário Maior de Coimbra acolheu no passado sábado um congresso teológico dedicado ao beato João Paulo II, a sua visão sobre o Homem e o Mundo, o legado que deixou a sacerdotes e jovens, e a sua ligação a Fátima. Para o bispo de Coimbra, antigo reitor do santuário mariano, o Papa polaco foi uma “figura cimeira da Igreja”, que se destacou através do “anúncio da Boa Nova”, do “acolhimento ao mundo” e da “presença junto dos jovens”. “Fica na História como o Papa de Fátima, algo reco-

nhecido não só em Portugal mas no mundo inteiro, por todas as pessoas que investigam com profundidade a vida, o agir, o pensar e o sentir de João Paulo II”, acrescentou D. Virgílio Antunes, em declarações à ECCLESIA. O congresso, organizado pelo Instituto Superior de Estudos Teológicos de Coimbra, foi subordinado ao tema “João Paulo II: Memória e Presença”, e decorreu precisamente no dia da memória litúrgica do Papa polaco, beatificado em Maio deste ano pelo seu sucessor Bento XVI.

Os participantes tiveram oportunidade de revisitar os passos dados por João Paulo II e reflectir sobre a importância que a sua obra teve na vida da Igreja Católica e de todos os fiéis. “É daquelas pessoas que nós falamos como se fossem da nossa própria família, da nossa própria relação”, realça o prelado conimbricense, que teve oportunidade de conviver de perto com Karol Wojtyla, sobretudo quando ele veio a Fátima em 1982. Confrontado com a probabilidade do Papa

polaco ser canonizado em breve, numa altura em que a Igreja está a investigar a autenticidade de um milagre no México, D. Virgílio Antunes responde também com o “coração”. “Não tenho dúvidas que no mundo inteiro há muitos milhões de pessoas a pedirem a Deus auxílio por meio da intercessão de João Paulo II. O céu já se abriu e há-de continuar a abrir quando um homem como este bate à porta de Deus”, sustentou.

D. Nuno Brás ordenado em Novembro

O cardeal-patriarca de afirmou que “a Igreja tem muito a esperar” do novo bispo auxiliar de Lisboa, D. Nuno Brás, a ser ordenado no dia 20 de Novembro. Em entrevista ao jornal ‘Voz da Verdade’, D. José Policarpo assegura ainda “todo o apoio” ao futuro prelado. “É um começo novo, é uma mudança de vida para o senhor D. Nuno Brás”, refere, a respeito da nomeação do reitor do Seminário dos Olivais. Nesta entrevista, o patriarca de Lisboa recorda ainda que após o falecimento do bispo auxiliar D. Tomaz da Silva Nunes, em Setembro de 2010, pediu à Santa Sé um novo bispo que fosse escolhido de entre o clero de Lisboa. “Fiz questão de referir à Santa Sé que me parecia importante que o novo bispo Auxiliar fosse do clero diocesano de Lisboa”, frisa D. José Policarpo, apontando as vantagens desta escolha: “O senhor D. Nuno tem essa vantagem. Nasceu em Lisboa, é da nossa comunidade e conhece bem a diocese”.


12 ECLESIAL

Vaticano pede reforma do sistema financeiro

Necessidade de criação de «Banco central» mundial

O Vaticano publicou uma nota oficial sobre a necessidade de “reforma do sistema financeiro internacional”, defendendo a criação de uma “autoridade pública” com competência universal, uma espécie de “Banco central mundial”. No documento, da autoria do Conselho Pontifício Justiça e Paz (CPJP), apela-se à criação de “algumas formas de controlo monetário global”, considerando que o Fundo Monetário Internacional (FMI) perdeu “a sua capacidade de garantir a estabilidade das finanças mundiais”. O organismo da Santa Sé aponta para a “exigência de um organismo que desenvolva as funções de uma espécie de ‘Banco central mundial’ que regule o fluxo e o sistema das trocas monetárias, da mesma forma que os Bancos centrais nacionais”. Em causa estão “os sistemas de câmbio existentes, para encontrar um modo eficaz de coordenação e supervisão” num processo que, para a Santa Sé, deve “envolver também os países emergentes e em via de desenvolvimento”. O documento cita a encíclica ‘Caritas in veritate’, de Bento XVI, para apelar a uma “autoridade pública mundial” que seja capaz de favorecer a criação de “mercados livres e estáveis, disciplinados por um quadro jurídico adequado”. O mercado financeiro global, “que cresceu muito mais rapidamente do que a economia geral”, deve ser colocado sob o controlo de um “número mínimo de regras partilhadas”, entende o CPJP, que lamenta a falta de controlo sobre movimentos de capitais e a “desregulamentação das actividades bancárias e financeiras”. Entre as possíveis medidas a tomar apresentam-se “medidas de taxação das transacções financeiras” destinadas também a “contribuir para a constituições de uma reserva mundial, destinada a apoiar as economias dos países atingidos pela crise, bem como para o resaneamento do seu sistema financeiro e monetário”. Uma eventual recapitalização dos bancos, com recurso a fundos públicos, deve ser condicionada pela promoção de “comportamentos ‘virtuosos’ e destinados a desenvolver a economia real”. Lembrando que mais de mil milhões de pessoas vivem hoje com pouco mais de um dólar por dia, o Vaticano afirma que “as desigualdades aumentaram enormemente” no mundo de hoje. Caso não se encontre “um remédio” para as injustiças que afligem o mundo, o CPJP teme que “os efeitos negativos” que daí derivariam para o plano social, político e económico possam “gerar um clima de crescente hostilidade e, no final, de violência”, chegando mesmo a “minar as próprias bases das instituições democráticas, mesmo das que se consideram mais sólidas”. Entre as causas da actual crise, o Vaticano aponta o “liberalismo económico sem regras e sem controlo”, situação já enunciada em 1967, pelo Papa Paulo VI, com a sua encíclica ‘Populorum progressio’. No documento referem-se ainda “três ideologias devastadoras” com responsabilidades na crise - “utilitarismo, individualismo e tecnocracia” – e assinala-se que a situação económica e financeira se deve a “comportamentos de egoísmo, avareza colectiva e açambarcamento de bens em larga escala”. A nota oficial foi apresentada em conferência de imprensa, no Vaticano, pelo presidente do CPJP, cardeal Peter Turkson, que a considerou como um “contributo” para a próxima reunião do G-20, entre 3 e 4 de Novembro em Cannes (França), a respeito da necessidade de uma “acção de conjunto”.

27.Outubro.2011

Antigos Alunos do Seminário de Leiria matam saudades

“Tempos da Idade Média” No passado 5 de Outubro, enquanto fora se celebrava a implantação da República, um grupo de antigos alunos do Seminário de Leiria convivia na “Fundação Oureana” em Ourém, num almoço temático que recuou a tempos da Idade Média. Por paradoxal que pareça, a esse tempo estávamos em Monarquia. Não faltou mesmo muita conversa em latim com viscondes, príncipes, barões, escriba-mor do reino etc… Muitas histórias novas e velhas foram recordadas, e até escritas propositadamente para o momento, em jeito de alta literatura. O convívio que contou com cerca de 60 participantes, este ano, finalmente, com participação avantajada de padres (que também são antigos alunos do seminário), é um dos vários momentos de convívio já habituais durante o ano, entre amigos que o foram em meninos e jovens, e o são hoje de uma forma muito rica, porque não se esfumou nos 30 ou 50 anos já transcorridos. Pelo contrário, esta amizade ainda hoje cresce e se enriquece continuamente pela troca dos saberes acumulados de vidas tão diversas e ricas, de jovens que um dia se senta-

DR

MUNDO

O Mensageiro

ram nas mesmas carteiras, com os mesmos livros, professores e diabruras. A preparação do convívio começou há cerca de 3 meses e pela forma como se faz (com partilha de toda a informação entre todos), leva um rol de sapiência e de textos cheios de um humor culto que daria mesmo para um livro. Veio gente do Minho ao Alentejo, prova de que o Seminário de Leiria tem antigos alunos espalhados por todo o Portugal e pelo mundo, porque chegaram mensagens dos vários cantos (de um mundo

redondo), do Canadá a Moçambique, mas poderiam bem ter chegado de Timor ou da China. O programa, além do almoço temático, em ambiente adequado, incluiu também um roteiro cultural, neste caso com visita guiada e doutamente explicada pelo historiador José Ferraz, a toda a zona histórica do castelo de Ourém. Garantimos que vale a pena. Estes encontros, para gente atenta, exibem claramente o quão rica é a cultura, a vivência e a educação ministrada nos Seminários. Passaram muitos anos, cada

um seguiu a sua vida, mas a amizade destes tempos não desaparece. Mesmo entre gerações diferentes ali representadas, com pessoas nas mais diversas situações económicas, sociais, culturais, opções religiosas ou políticas, o sentir é comum. As recordações são parecidas, os mestres foram os mesmos, e nessa diversidade todos assumem esse espaço mítico (físico e educativo) na nossa juventude – o Seminário. Até um dia destes, companheiros. A próxima é no dia 8 de Dezembro! LM

Gratidão e Esperança marcaram acolhimento de novos párocos

“O pastor ou guia espiritual dos fiéis” Terminou no Domingo, 23 de Outubro, a entrada de novos párocos nomeados em Junho último pelo Bispo de Leiria-Fátima. Foram 21 as paróquias que receberam novos pastores desde o dia 18 de Setembro. As pessoas acolheram calorosamente os seus novos pastores, sem que deixassem de manifestar a sua gratidão num misto de tristeza e de resignação pela saída dos sacerdotes que serviram as suas comunidades. Flores, por vezes em forma de passadeira, momentos musicais, muitas palmas, sorrisos, ofertas e palavras de boas-vindas constituíram algumas das formas de acolhimento. A expectativa

e a esperança dominava o ânimo geral. Presente em nome do Bispo diocesano, o Vigário Geral esclareceu como deve ser entendida a figura e a missão do pároco. Citando as palavras de São Paulo aos Coríntios: Deveis pensar que nós somos servos de Cristo e administradores dos mistérios de Deus (1 Cor 4,1), afirmou que, “na perspectiva da fé, o pároco é na comunidade cristã o pastor ou guia espiritual dos fiéis, em nome de Jesus Cristo e seguindo o seu exemplo. Todavia está para ajudar todas as pessoas. Por isso não deixará também de amar e servir quem tem menos vivência da fé ou não

pertence à Igreja, propondo de forma respeitosa a vida cristã e ajudando a todos a alimentar a espiritualidade e a crescer em humanidade”. Na Vigararia de Leiria, receberam novos párocos as comunidades cristãs de Azoia, Barosa e Parceiros; na de Colmeias houve mudança nas paróquias de Memória, Meirinhas e Vermoil, S. Simão de Litém e Albergaria dos Doze; na de Porto de Mós, passaram a ter outros sacerdotes ao seu serviço Mira de Aire, Serra de Santo António, Alvados e S. Bento, Arrimal, Mendiga, Serro Ventoso e Alqueidão da Serra; na de Ourém, Ribeira do Fárrio, Rio de

Couros, Formigais, Casal dos Bernardos e Urqueira foras as que receberam novos pastores. Além dos párocos mencionados, neste verão, houve ainda outras mudanças de liderança ou assistência pastoral na diocese de Leiria-Fátima: nas capelanias do hospital de Santo André e das prisões, do Mosteiro da Visitação, na direcção dos serviços diocesanos de liturgia e da mobilidade humana, e no apoio espiritual aos movimentos eclesiais do Apostolado da Oração e do Renovamento Carismático Católico. Padre Jorge Guarda


OPINIÃO 13

O Mensageiro 27.Outubro.2011

Divulgação

Nova Evangelização

Encontros para adolescentes, jovens e adultos

Paróquia dos Marrazes Quartas e Sextas-feiras, 21h30, Salão Paroquial (junto à igreja dos Marrazes) Paróquia do Souto da Carpalhosa Segundas e Quintas-feiras, 21h00, Cave da Casa Paroquial (junto à igreja do Souto da Carpalhosa) Até 30 de Novembro

N

a passada semana, em Leiria, participei numa conferência promovida pela Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE). Sob o título geral “Portugal: realidade e esperança”, que dá o nome a um ciclo de conferências a realizar em várias cidades, tratou-se do “caminho e missão dos líderes empresariais”. Os oradores eram pessoas bem posicionadas no meio empresarial português e são cristãos assumidos que procuram que a sua fé ilumine e sustente as suas responsabilidades no mundo laboral e na sociedade, e não apenas na vida individual. A mensagem que deixaram é que, se é verdade que a realidade económica e social que enfrentamos no país é muito difícil e exige a todos dolorosos sacrifícios, não se pode cruzar os braços, é preciso que todos assumam a própria parte de responsabilidade e de solidariedade no seu meio concreto. As dificuldades hão-se tornar-se, com o contributo de todos, novas

oportunidades para sair delas e encontrar um novo rumo e melhores dias para o país. A ACEGE “é uma associação de homens e mulheres de empresa que partilham entre si valores cristãos e procuram aplicá-los no desenvolvimento da sua vida profissional. Propõe-se como missão inquietar e mobilizar as consciências das pessoas, divulgando os valores da Doutrina Social da Igreja partilhados pelos seus membros”. Estes querem “ser vistos como uma referência moral na sociedade portuguesa, contribuindo, através de uma atitude frontal de afirmação e esclarecimento, para fortalecer a sociedade civil, ajudando a difundir uma cultura de responsabilidade.” Os membros da associação e quantos aderem ao “código de ética” que propõem encaram e assumem o trabalho “como um factor essencial para a realização individual e para o progresso social e económi-

C

nossa marca de dignidade é ter proclamado esses princípios como referência fundamental. Os futuros certamente terão muito a criticar-nos, como nós o fazemos aos antigos, mas nunca nos poderão tirar a glória dos largos esforços em prol da dignidade, liberdade e realização pessoal de todos os seres humanos. Este é o padrão por que queremos ser julgados, a referência que tomámos como guia. É verdade que, apesar disso, na era dos direitos humanos permanecem muitas e graves violações. Todas são de lamentar, mas as mais infames são cometidas pelos que juram seguir esses ideais. Os terríveis abusos de Kadhafi, Mugabe e Chávez envergonham menos esta geração que as atrocidades de Guantánamo, defendidas por George W. Bush em nome da lei. Os primeiros atacam os direitos, enquanto o segundo os manipula dizendo defendê-los. Nem estes casos isolados são os piores. A maior traição, a vergonha máxima seria uma sociedade que,

ada época vive valores que considera supremos, descurando os complementares. A França da revolução dedicou-se à liberdade e igualdade, cometendo atrocidades em seu nome, como os imperialistas de Oitocentos deixaram o amor pela glória e honra cair na opressão. As gerações seguintes costumam condenar as tristes consequências das omissões, esquecendo a grandiosidade dos objectivos. Uma sociedade deve sempre envergonhar-se de tudo o que faz de mal, mesmo se o sacrificou a belos ideais. A pior vergonha cultural não está, porém, nos crimes cometidos em nomes de grandes princípios. A degradação máxima é ser infiel àquilo mesmo que se erigiu como supremo. Robespierre, que assassinou centenas em nome da liberdade, é menos vil que Napoleão, que assassinou a liberdade em nome da liberdade. A maior baixeza é trair o próprio ideal. A geração actual é herdeira de outras que cometeram terríveis violações dos direitos humanos. A

LUZ ENTRE OS HOMENS

Pe. Jorge Guarda

Vigário Geral da Diocese

http://padrejorgeguarda.cancaonova.pt

Associação Cristã de Empresários e Gestores co do mundo”. Defendem que deve ser desenvolvido “de forma competente, honesta e empenhada”. Deste modo, torna-se “fonte de afirmação da individualidade e dignidade de cada Pessoa e, simultaneamente, meio de colaboração com Deus na sua contínua obra de criação do Mundo”. Com estas convicções,

RECORTES

João César das Neves Economista

A vergonha*

defendendo um princípio sagrado, viesse a aceitar toda ela uma clara violação de tal valor por puro interesse. A situação mais ignóbil seria uma cultura que hipocritamente aceitasse, aberta e assumidamente, a institucionalização daquilo mesmo que jura repudiar, só porque dá jeito. Não é fácil encontrar situações dessas, mas o nosso tempo conseguiu-o. Existem seres humanos correntemente

procuram “a excelência no trabalho quotidiano e na acção empresarial como um imperativo ético”. Fazem-no com a consciência de assim corresponderem “à enorme responsabilidade” perante a própria Vida e “no projecto de vida de outras pessoas” dentro e fora da empresa. Algumas das suas iniciativas são já conhecidas na sociedade portuguesa: difusão de um “código de ética dos empresários e gestores”, instituição do Fundo Bem Comum, para ajudar desempregados com mais de 40 anos a criarem a sua própria empresa e, a última, apresentada na conferência mencionada, uma caixa com sugestões de boas práticas de gestão para “liderar com responsabilidade”. Em todas elas se procura incarnar na vida profissional os valores cristãos e cívicos que dêem primazia à afirmação e dignificação da pessoa humana e contribuir para “a edificação do bem comum”.

A conferência a que assisti contribuiu para levar as pessoas a olharem a realidade em que vivemos e assumirem cada uma delas a própria responsabilidade de intervir nela com criatividade, coragem e esperança. Mas também com muito sentido de justiça e solidariedade. A crise em que vivemos está a obrigar-nos a rever os nossos modelos de vida, tanto a nível pessoal como no familiar e no colectivo como povo. Se é importante o papel que cabe ao Estado e aos gestores da coisa pública, não o é menos o dos cidadãos no âmbito próprio em que cada um deles trabalha e na acção concertada com os outros, procurando todos o bem comum. Deste modo, poderá chegar-se a uma sociedade desenvolvida, solidária e justa, onde todas as pessoas tenham voz e vez.

privados por lei dos seus mais elementares direitos, perante a passividade geral e o aplauso de alguns. Ninguém pode duvidar de que um embrião constitui uma vida humana. E ela pode ser legalmente assassinada. Qualquer que seja o prisma de onde se aborde, o aborto é matar uma pessoa em gestação, violação gravíssima do direito supremo à vida. Alguém que, segundo o Código Civil pode ser perfilhado (arts. 1847.º, 1854.º e 1855.º), receber doações (952.º) e heranças (2033.º), mas a quem não se respeita a mais elementar defesa, e cuja morte é subsidiada pelo Estado. Simplesmente porque essa vida é inconveniente. Aplicada a qualquer outra, tais raciocínios levantariam objecções enfurecidas em nome dos valores actuais. Indignamo-nos pelo menor atropelo à dignidade de alguém, mas isto aceitamos sem problemas. É verdade que tal incongruência tem razões ponderosas. Neste caso, a sociedade foi apanhada num terrível conflito de referências básicas. Den-

tro dos direitos humanos, o nosso tempo apregoa acima de tudo a liberdade pessoal. Somos visceralmente contra qualquer limite e opressão. Orgulhamo-nos de combater as tiranias político-económicas, mas existe outra que, sendo de foro íntimo, gostamos ainda mais de desafiar. O império do pudor e decência é muito forte; daí o axioma básico que no campo sexual deve vigorar a mais completa liberdade. Todos os comportamentos voluntários são admissíveis, e até equivalentes, em nome da sagrada liberdade erótica. O drama surge quando esse ideal choca com os direitos básicos de alguém, que para mais não tem voz nem voto. Nesse confronto, o nosso tempo já fez a escolha. Perdeu o direito à vida. Temos toneladas de elaborações retóricas para justificar a injúria. É precisamente por isso que esta é a nossa maior vergonha. * In DN (24/10/11)


14 OPINIÃO / INSTITUCIONAL Lembrando Monsenhor João Pedro baptista da Mata, faleceu no passado dia 17 de Setembro de 2011, em Pirenóplis, Estado de Goiás – Brasil. Era natural da cidade do Funchal – Madeira, onde nasceu a 3 de Setembro de 1926. De uma família de nove filhos surgiram duas vocações religiosas, as irmãos Maria Isabel e Dolores da Mata, das Franciscanas Missionárias de Maria e a vocação sacerdotal do Padre Mata. Foi ordenado presbítero, no Funchal em 31 de Outubro de 1949. Seguidamente, foi professor e director espiritual no Seminário Diocesano do Funchal; professor de

Religião e Moral de 1953/ 55 na Escola Secundária de Francisco Franco e de 1956/58 na escola Secundária Jaime Moniz, ambas no Funchal. Ao mesmo tempo era assistente espiritual da Juventude Católica. Foi pároco da Sé Catedral do Funchal até 1958. A convite do Senhor Cardeal Dom Teodósio Clemente de Gouveia, arcebispo de Lourenço Marques, partiu para Moçambique, onde foi pároco da Sé catedral de Lourenço Marques de 1959 a 1976, sendo-lhe atribuídos os títulos de Cónego e de Monsenhor. Tinha uma grande preocupação pelos mais pobres, ampliando a escola paroquial, que funcionava e horário nocturno para

O Mensageiro

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ajudar na instrução da população nativa mais pobre que de dia trabalhavam na cidade. Além disso, promoveu a construção de 128 casas aos mais carenciados, ao mesmo tempo que promovia e estava a fundar a Aldeia da Paz nos arredores da capital de Moçambique, destinada aos mais abandonados da sociedade. Quando em 1976 o Governo de Moçambique se apoderou da sua obra social, resolveu fixar-se no Brasil, começando a angariar apoios para afundar a Aldeia da Paz, em 15 de Agosto de 1976, vindo fixar a sua sede, a partir de 1979, em Pirenópolis, diocese de Anápolis, a convite do seu Bispo Dom Manoel Pestana.

“A Voz do Domingo” fez referência às Aldeias da Paz em 18.1.1987, na sua epígrafe “A Igreja em Portugal e no mundo”. Posteriormente, fundou mais 5 casas no Brasil destinadas às crianças mais pobres e velhinhas abandonadas, afirmando que Cristo está presente nos mais pobres: “Tive fome e deste-me de comer.” Mateus 25,35-36 Para dar continuidade à sua obra social, juntamente com a Irmã Maria de Deus Aguiar Raposo, fundou as Irmãs Missionárias dos Pobres. A estas Irmãos deixou o exemplo de muita humildade, oração, estudo e firmeza, dizendo-lhe muitas vezes que: “Sem a oração e a

Eucaristia nada se consegue realizar”. Já muito debilitado e na sua cadeira de rodas afirmava: “Sou sacerdote até morrer” e, por isso, nunca deixou de celebrar, mesmo no hospital, embora, com muita dificuldade. Quando em 15 de Setembro, dois dias antes da sua morte, teve de ficar internado, olhou triste para as Irmãs que o acompanhavam e disse “e o povo do Senhor vai ficar sem Missa este final de semana?” Pedia insistentemente a todos, quando celebravam a Eucaristia, que não deixassem de rezar, diariamente o terço em família e, se pudessem viessem à Eucaristia também durante a semana. As suas últimas recomendações para as suas

filhas, as irmãs Missionárias dos Pobres foram: “O exemplo atrai muita gente. Sede humildes, confiantes, corajosas e sensatas. Sede sempre firmes” Desde o final da década de 90, durante a de 90 e até 2002, enquanto a saúde lho permitiu, passou diversas vezes pelas casas de muitos amigos e benfeitores da Aldeia da Paz residentes em Portugal, designadamente, nos concelhos de Leiria, Tomar, Torres Novas e Ourém, que ajudavam a sua obra social. Fazia sempre questão de passar por Fátima e orar na capelinha das Aparições. José da Conceição Martins Rodrigues e Gonçalves Afonso

INSTITUCIONAL CARTÓRIO NOTARIAL DE LEIRIA Notária Natália Dias Lopes Certifico, para efeitos de publicação, que por escritura de justificação, lavrada a dezanove de Outubro de dois mil e onze, de folhas cinquenta e uma a folhas cinquenta e duas do livro de notas para escrituras diversas número 1-B deste Cartório: GUILHERMINO VICENTE FARIA e mulher DEOLINDA DE JESUS COSTA, casados sob o regime de comunhão geral de bens, naturais ele da freguesia de Pousos, concelho de Leiria e ela da dita freguesia de Boa Vista, residentes em Calles 6 (ex 12) e 48, n.º 1489, Villa Elisa, La Plata, Província de Buenos Aires, Argentina, NIF 173 554 695 e 201 850 583; DISSERAM OS PRIMEIROS OUTORGANTES: Que são donos e legítimos possuidores, com exclusão de outrém, do seguinte imóvel: PRÉDIO RÚSTICO, no lugar de Alqueidão, freguesia dita de Boa Vista, composto de vinha com quatro macieiras, duas figueiras e terra com duas macieiras e seis oliveiras e parte de um poço, com área de mil novecentos e vinte metros quadrados, a confrontar do norte e nascente com José Antunes de Faria, de sul com estrada e de poente Manuel de Oliveira Fiúza, inscrito na respectiva matriz em nome do justificante sob o artigo 2.850, com o valor patrimonial para efeitos de IMT e selo e atribuído de € 1230,36, não descrito na competente Conservatória do Registo Predial.

Provilei Associação de Solidariedade Social e Utilidade Pública CONVOCATÓRIA Nos termos da Lei e dos Estatutos, a pedido da Direcção convoco a AssembleiaGeral de Associados da Associação PROVILEI – Associação de Solidariedade Social, a reunir em sessão ordinária, na sua sede, à Rua Vasco da Gama, nº5, 3º, em Leiria, no próximo dia 8 de Novembro de 2011 (terça-feira), pelas 18h00, com a seguinte Ordem de Trabalhos 1. Conta de exploração previsional para 2012 e orçamento de investimentos e desinvestimentos para 2012; 2. Discussão de outros assuntos de interesse para a associação. Se à hora marcada não comparecer o número suficiente de sócios para que a assembleia possa funcionar, esta terá lugar meia hora mais tarde (18h30), com qualquer número de associados presente. Leiria, 20 de Outubro de 2011 O Presidente da Mesa da Assembleia Geral, (Rui Rodrigues)

FARMÁCIAS DE SERVIÇO Higiene (27), Antunes (28), Lis (29), Oliveira (30), Sanches (31), Tomáz (1), Maio (2) e Avenida (3).

TELEFONES ÚTEIS

Bombeiros Municipais - 244 832 122 | Bomb. Vol. Leiria (Ger.) - 244 882 015 | Bomb. Vol. Leiria (Urg.) - 244 881 120 | Bomb. Volunt. Batalha - 244 765 411 | Bomb. Volunt. P. Mós - 244 491 115 | Bomb. Volunt. Juncal - 244 470 115 | Bomb. Volunt Ourém - 249 540 500 | Bomb. V. M.te Redondo - 244 685 800 | Bomb. Volunt. Ortigosa - 244 613 700 | Bomb. Volunt. Maceira - 244 777 100 | Bomb. Vol. Marinha - 244 575 112 | Bom. Volunt. Vieira - 244 699 080 | Bom. Voltun. Pombal - 236 212 122 | Brigada de Trânsito - 244 832 473 | Câmara M. de Leiria - 244 839 500 | Câmara Eclesiástica - 244 832 539 | CENEL (Avarias) - 800 246 246 | C. Saúde A. Sampaio - 244 817 820 | C. Saúde Gorjão Henriques - 244 816 400 | C. P. (Est. de Leiria) - 244 882 027 | Cruz Vermelha - Leiria - 244 823 725 | Farmácia Avenida - 244 833 168 | Farmácia Baptista - 244 832 320 | Farmácia Central - 244 817 980 | Farmácia Coelho - 244 832 432 | Farmácia Higiene - 244 833 140 | Farmácia Lino - 244 832 465 | Farmácia Oliveira - 244 822 757 | Farmácia Sanches - 244 892 500 | Governo Civil - 244 830 900 | Guarda N. Republicana - 244 824 300 | Hospital de S.to André - 244 817 000 | Hospital S. Francisco - 244 819 300 | Polícia Judiciária - 244 815 202 | Polícia S. Pública - 244 859 859 | Polidiagnóstico - 244 828 455 | Rádio Táxis - 244 815 900 | Rádio Alerta - 244 882 247 | Rodoviária do Tejo - 244 811 507 | Teatro JLS (Cinema) - 244 823 600

Que o identificado imóvel veio à posse no ano de mil novecentos e sessenta, por partilha meramente verbal por óbito Manuel Francisco Faria casado que foi com Vitória dos Prazeres, avô do justificante, residente que foi no referido lugar de Alqueidão. Que, por falta de título, não têm, eles justificantes, possibilidade de comprovar, pelos meios normais, o seu direito de propriedade plena. Mas a verdade é que são eles os titulares desse direito, pois vêm possuindo o mesmo bem desde aquela data, há, portanto, mais de vinte anos, sempre em nome próprio e na firme convicção de não lesarem direitos de outrém, sem a menor oposição de quem quer que seja e com o conhecimento de toda a gente, ostensiva e ininterruptamente desde o seu início, posse essa que se tem materializado pelo aproveitamento agrícola de que os memos são susceptíveis, cultivando a terra, quer zelando pela sua conservação e pagando os respectivos impostos. Que esta posse, pública, pacífica, contínua e de boa fé, fundamentou a aquisição dos respectivos direitos de propriedade por usucapião, o que pela sua natureza impede a demonstração documental do seu direito pelos meios extrajudiciais normais. ESTÁ CONFORME O ORIGINAL Leiria, 19 de Outubro de 2011 A Notária, (Natália Dias Lopes)

Dr. Rui Castela F. Costa Pereira

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Registo no ICS N.º 100494 Semanário - Sai à 5ª Feira Tiragem média - 3.000

Fundador José Ferreira Lacerda Director Rui Ribeiro (TE416) Redacção Luís Miguel Ferraz (CP5023), Joaquim Santos (CP7731), Ana Vala (CP8867). Paginação O Mensageiro Colaboradores Ambrósio Ferreira, Américo Oliveira, André Batista (Pe.), Ângela Duarte, Carlos Alberto Vieira, Carlos Cabecinhas (Pe.), José Casimiro Antunes, Francisco Pereira (Pe.), D. João Alves, João Filipe Matias (CO798), Joaquim J. Ruivo, Jorge Guarda (Pe.), José António C. Santos, Júlia Moniz, Maria de Fátima Sismeiro, Orlando Fernandes, Paulo Adriano Santos, Pedro Jerónimo (CP7104), Pedro Miguel Viva (Pe.), Saúl António Gomes, Sérgio Carvalho, Verónica Ferreirinho, Vítor Mira (Pe.). Administração / Publicidade André Antunes Batista (Pe.). Propriedade/Sede (Editor) Seminário Diocesano de Leiria - Largo Padre Carvalho - 2414-011 LEIRIA - Reitor: Armindo Janeiro (Pe.) Contribuinte 500 845 719 Contactos Tel.: 244 821 100/1 - Fax: 244 821 102 - Email: jornal@omensageiro.com.pt - Web: www.omensageiro.com.pt Impressão e Expedição Empresa do Diário do Minho, Lda - Tel: 253 303 170 - Fax: 253 303 171 Depósito Legal 2906831/09

Tabela de Assinaturas para 2011 Destino Nacional Europa Resto do Mundo

Normal Benfeitor 20 euros 40 euros 30 euros 60 euros 40 euros

Preço avulso - 0,80 euros


DESPORTO 15

O Mensageiro 27.Outubro.2011

Leiria é “capital do atletismo”

FOTOJORNALISMOS

Rip Curl Pro Portugal 2011 | O brasileiro Adriano Souza venceu a etapa de Peniche, superando o favoritismo do norteamericano Kelly Slater. Foto: João Filipe Matias

Pts 20 20 17 17 17 12 12 10 9 7 7 7 7 6 5 4

Porto x P. Ferreira (dia 28, 20h15, Sport Tv1) Académica x Sp. Braga (dia 29, 18h15, SportTv1) Benfica x Olhanense (dia 29, 20h30,TVI) Nacional x Beira-Mar (16h00) U. Leiria x V. Setúbal (16h00) V. Guimarães x Rio Ave (18h00, SportTv1) Feirense x Sporting (20h15, Sport Tv1) Gil Vicente x Marítimo (dia 31, 20h15, SpotTv1)

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º

federação portuguesa de futebol

V 4 3 3 3 3 3 2 2 2 2 1 2 1 0 1 0

Juv. Évora x Pinhalnovense Mafra x Fátima (15h00) Caldas x Louletano (15h00) Vendas Novas x Reguengos 1.º Dezembro x Monsanto Oriental x Carregado Tourizense x Sertanense Moura x Torreense

E 0 2 2 1 1 1 3 3 3 2 4 1 2 4 1 2

D 2 1 1 2 2 2 1 1 1 2 1 3 3 2 4 4

6.ª JO. 23.10.11 Pts 12 11 11 10 10 10 9 9 9 8 7 7 5 4 4 2

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º

7.ª JO. 30.10.11

5.ª JORN. 23.10.11 7.ª JORN. 30.10.11

Juv. Évora x Moura (2-0) Pinhalnovense x Mafra (1-1) Fátima x Caldas (3-2) Louletano x Vendas Novas (2-1) Reguengos x 1.º Dezembro (1-1) Monsanto x Oriental (1-1) Carregado x Tourizense (2-2) Sertanense x Torreense (3-0) J 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6 6

V 5 3 3 3 3 2 3 2 2 2 2 2 2 2 2 2

E 1 3 2 2 1 4 1 3 3 3 2 2 2 2 1 0

D 1 1 2 2 3 1 3 2 2 2 3 3 3 3 4 5

Pts 16 12 11 11 10 10 10 9 9 9 8 8 8 8 7 6

Freamunde x Leixões (dia 29) Atlético x Sp. Covilhã Oliveirense x Belenenses D. Aves x Santa Clara Penafiel x Moreirense Trofense x Naval U. Madeira x Estoril Portimonense x Arouca

III Divisão

SUL

Equipa Fátima Oriental Torreense Vendas Novas Sertanense Pinhalnovense Moura Tourizense Carregado 1.º Dezembro Mafra Juv. Évora Louletano Monsanto Caldas Reguengos

J 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7 7

federação portuguesa de futebol

II Divisão B

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º

Equipa Atlético Penafiel Moreirense Santa Clara Leixões Belenenses Sp. Covilhã Estoril Freamunde D. Aves Oliveirense Trofense Naval Arouca U. Madeira Portimonense

J 6 5 5 5 5 6 6 6 5 5 6

V 4 4 2 2 1 1 2 1 1 0 0

E 1 1 2 2 4 4 1 2 1 4 2

HONRA

série D

Tocha x Beneditense (0-1) Marinhense x B.C. Branco (2-4) Alcobaça x Peniche (0-0) Bombarralense x Riachense (11) Pampilhosa x Sp. Pombal (3-2) Folgou: Sourense Equipa B.C. Branco Pampilhosa Sp. Pombal Sourense Beneditense Peniche Marinhense Tocha Alcobaça Bombarralense Riachense

associação de futebol de leiria

D Pts 1 13 0 13 1 8 1 8 0 7 1 7 3 7 3 5 3 4 1 4 4 0

Tocha x Marinhense (15h00) B.C. Branco x Alcobaça (15h00) Peniche x Bombarralense (15h00) Sourense x Pampilhosa Beneditense x Sp. Pombal (15h00) Folga: Riachense

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º

J 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5

V 4 4 3 3 3 3 2 1 1 1 1 1 1 0 0 0

E 1 1 2 1 1 1 1 3 3 2 1 1 1 3 2 0

D 0 0 0 1 1 1 2 1 1 2 3 3 3 2 3 5

associação de futebol de leiria

I Divisão

I Divisão

NORTE

Ansião x Pedroguense (0-2) Guiense x Nazarenos (1-0) Marrazes x Portomosense (0-0) GRAP/Pousos x Avelarense (1-1) Pataiense x Meirinhas (4-1) Biblioteca x Fig.Vinhos (2-2) Alvaiázere x Atouguiense (1-3) Alq. Serra x Vieirense (2-0) Equipa Portomosense Alq. Serra Pataiense Guiense Atouguiense Alvaiázere Nazarenos Biblioteca Marrazes Vieirense GRAP/Pousos Meirinhas Pedroguense Avelarense Fig.Vinhos Ansião

associação de futebol de leiria

Pts 13 13 11 10 10 10 7 6 6 5 4 4 4 3 2 0

Portomosense x GRAP/Pousos Atouguiense x Pataiense Meirinhas x Biblioteca Fig.Vinhos x Ansião Nazarenos x Alvaiázere Pedroguense x Alq. Serra Avelarense x Guiense Vieirense x Marrazes (todos os jogos às15h00)

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º

Pelariga x Ranha (5-3) Cast. Pêra x Caseirinhos (3-0) Moita do Boi x Motor Clube (3-0) Boavista x Pousaflores (1-4) Ilha x Alegre e Unido (0-1) Arcuda x Mata Mourisquense (1-1) Equipa Moita do Boi Pelariga Pousaflores Alegre e Unido Mata Mourisque. Ranha Motor Clube Boavista Cast. Pêra Ilha Arcuda Caseirinhos

J 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3

V 3 2 2 2 1 1 1 1 1 0 0 0

E 0 1 1 0 2 0 0 0 0 2 2 0

D 0 0 0 1 0 2 2 2 2 1 1 3

Caseirinhos x Pelariga Motor Clube x Castanheira da Pêra Pousaflores x Moita do Boi Alegre e Unido x Boavista Mata Mourisquense x Ilha Ranha x Arcuda (todos os jogos às15h00)

3.ª JO.23.10.11

7.ª JORN. 23.10.11 D 0 0 1 1 1 2 4 4 3 3 5 5 3 6 5 6

País e, consequentemente, na Câmara Municipal de Leiria, serão mantidos os apoios a todos os escalões de formação, excluindo apenas os seniores”, referiu a autarquia, em comunicado. Em reunião decorrida a 10 de Outubro, a Câmara de Leiria decidiu: “Apoiar a 100% os escalões de formação, ou seja, escolinhas, infantis, iniciados, juvenis e juniores; O escalão sénior será suportado a 100% pelos clubes; Aplicar uma determinada percentagem de apoio no caso das modalidades que utilizam conjuntamente as instalações desportivas municipais com diversos escalões, incluindo os seniores; Nos casos em que haja uma participação cumulativa com seniores, será aplicada uma percentagem de apoio”.

9 7 7 6 5 3 3 3 3 2 2 0

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º

4.ª JO.30.10.11

E 2 2 2 2 2 3 0 1 3 4 1 1 4 0 2 1

A extinção de alguns escalões e até mesmo de clubes chegou a ser equacionada após as alterações aos regulamentos de cedência e utilização das instalações desportivas municipais, por parte da Câmara de Leiria. Motivo? Os custos que os clubes teriam que suportar. Introduzir o principio do “utilizadorpagador” esteve na base da decisão da autarquia, que a 16 de Agosto aprovou, por maioria, alterar os regulamentos de utilização das instalações desportivas municipais, tais como pavilhões, piscinas, estádio, pista de atletismo e centro de lançamentos. Seria o fim da utilização gratuita, por parte dos clubes. Entretanto, alguns deles mobilizaram-se, conversaram com a autarquia, que reviu a decisão. “Apesar da grave situação financeira que se vive no

3.ª JO.23.10.11

V 6 6 5 5 5 3 4 3 2 1 2 2 1 2 1 1

Vitória na estreia

Esperança para os clubes

Sp. Covilhã x Portimonense (2-0) Naval x Freamunde (1-1) Arouca x Penafiel (0-2) Leixões x Atlético (0-1) Belenenses x U. Madeira (1-1) Moreirense x Trofense (4-1) Santa Clara x Oliveirense (2-1) Estoril x D. Aves (1-0)

5.ª JORN. 23.10.11

J 8 8 8 8 8 8 8 8 8 8 8 8 8 8 8 8

A Associação de Futebol de Leiria promove, a partir do mês de Novembro, cursos de árbitros de futebol 11 e de futsal. Os interessados devem ter, preferencialmente, entre 16 e 31 anos e residirem no distrito de Leiria. As inscrições decorrem até ao final de Outubro. Mais informações junto da associação ou em www.afleiria.com.

Basquetebol | Óbidos

Utilização das instalações desportivas em debate

6.ª JORN. 30.10.11

Equipa Porto Benfica Sp. Braga Marítimo Sporting Olhanense Académica V. Setúbal Gil Vicente Feirense Nacional P. Ferreira Beira-Mar U. Leiria Rio Ave V. Guimarães

Curso de árbitros

SUL

Santo Amaro x Outeirense (2-2) Nadadouro x Pilado (2-0) Lisboa e Marinha x Maceirinha (3-2) Unidos x Gaeirense (1-4) Os Vidreiros x Juncalense (0-3) Folgou: Praia da Vieira Equipa Lisboa Marinha Gaeirense Maceirinha Juncalense Pilado Outeirense Os Vidreiros Nadadouro Santo Amaro Praia da Vieira Nadadouro

J 3 3 3 3 3 2 2 3 3 2 3

V 3 2 2 2 2 1 1 1 0 0 0

E 0 0 0 0 0 1 0 0 1 0 0

D Pts 0 9 1 6 1 6 1 6 1 6 0 4 1 3 2 3 2 1 2 0 3 0

Praia da Vieira x Santo Amaro Outeirense x Nadadouro Pilado x Lisboa e Marinha Gaeirense x Os Vidreiros Maceirinha x Unidos (todos os jogos às15h00) Folga: Juncalense

Valter Ribeiro

II LIGA

8.ª JORN. 30.10.11

8.ª JORN. 23.10.11 9.ª JORN. 30.10.11

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º

niores (Pombal, 11 e 12 de Fevereiro), nacional de lançamentos longos – seniores (Leiria, 3 de Março), taça nacional de lançamentos – juvenis (Leiria, 4 de Março), taça FPA de marcha em pista (Leiria, 31 de Março), olímpico jovem (Fátima, 2 e 3 de Junho), e nacional de esperanças (Pombal, 14 e 15 de Julho).

liga portuguesa de futebol profissional

I LIGA P. Ferreira x Académica (2-0) Olhanense x V. Guimarães (1-0) Beira-Mar x Benfica (0-1) Marítimo x V. Setúbal (1-0) Rio Ave x U. Leiria (2-0) Porto x Nacional (5-0) Sp. Braga x Feirense (3-0) Sporting x Gil Vicente (6-1)

gião: taça FPA de velocidade e barreiras – seniores (Pombal, 7 de Janeiro de 2012), taça FPA de provas combinadas – seniores (Pombal, 7 e 8 de Janeiro), campeonato nacional de pista coberta – juniores (Pombal, 21 e 22 de Janeiro), apuramento do nacional de clubes – seniores (Pombal e Espinho, 28 e 29 de Janeiro), final do nacional de clubes – se-

4.ª JO.30.10.11

liga portuguesa de futebol profissional

Dez das 30 provas que a Federação Portuguesa de Atletismo (FPA) tem já agendadas para 2011/12, vão decorrer na região de Leiria. Apesar de quatro delas ainda não terem local definido, é possível observar que Pombal e Leiria são dois municípios que voltam a merecer a confiança da federação. Provas a realizar na re-

Futebol | Leiria

A equipa do Gaeirense – seniores masculinos – iniciou da melhor forma a Proliga, ao receber e vencer (74-66) o Maia Basket Clube. O próximo encontro – antecipado da 13ª jornada, dia 1 de Novembro, 21h00 – é novamente no Pavilhão de Óbidos, frente ao Angra Basket.

Judo | Leiria

Quatro títulos ficam em casa O Lis Tiger Club organizou, a 15 de Outubro, o 1.º Open de Judo de Leiria que “contou com a participação 14 clubes e 142 atletas”, refere em comunicado. Com um total de 18 subidas ao pódio, o clube leiriense teve em Inês Cruz, Adriana Sousa, Bruno Ramos, Maria Silvério os principais destaques, atletas que terminaram no 1.º lugar.

FUTEBOL – Já é conhecido o calendário da 4ª eliminatória da Taça de Portugal – prova que tem uma nova identidade: “A Taça de todos nós” – que não conta com equipas da região de Leiria. Agendada para os dias 18 a 20 de Novembro, esta fase contará, entre outros, com os seguintes jogos: Naval x Benfica (dia 18), Académica x Porto (19) e Sporting x Sp. Braga (20).


ÚLTIMA 27OUTUBRO2011

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és no mínimo que fazes. Para ser grande, sê inteiro. Assim em cada lago a lua toda brilha, porque alta vive… Fernando Pessoa, poeta e escritor português [1888-1935]

Ribeiro e Castro diz que “vamos de jangada” e acredita que a democracia cristã poderá ser “a outra margem”

Os valores, a comunidade e nós... “de fio dental, com os suspensórios da troika” A vila de Porto de Mós recebeu, no passado dia 21, uma conferência/debate com o deputado José Ribeiro e Castro, sobre o tema “Os valores da democracia cristã”. Apesar de se tratar de uma organização das concelhias de Porto de Mós e Batalha do partido CDS/PP, do qual o convidado já foi presidente e pelo qual é actualmente deputado na Assembleia da República, a conferência não se ficou pelo âmbito político, mas abarcou áreas como a história da democracia cristã e, sobretudo, os valores que esta defende nas várias dinâmicas da construção social. Ribeiro e Castro começou por lembrar o contexto da industrialização e do confronto entre as teorias do liberalismo e do socialismo, a partir dos finais do século XVIII, para o surgimento desta “terceira via” política que foi a democracia cristã. Com maior emergência após a II Guerra Mundial, foi “uma teoria que procurava o equilíbrio” entre o liberalismo, que valorizava em demasia a liberdade do indivíduo na sua acção política e social, e o socialismo/comunismo, que centrava a mesma construção social nas classes e grupos em confronto. Uma questão de valores Marcada pelos valores cristãos e bebendo directamente dos documentos da Doutrina Social da Igreja que começavam a aparecer, como a encíclica “pioneira” Rerum Novarum do Papa Leão XIII, a democracia cristã apoiava o direito dos trabalhadores formarem a sindicatos, mas rejeitava o socialismo e defendia os direitos à propriedade privada. Numa perspectiva de “diálogo”, procura a justiça na vida social, económica e industrial, como por exemplo a melhor distribuição de riqueza, a intervenção do

Estado na economia a favor dos mais pobres e desprotegidos e a caridade do patronato aos trabalhadores. Lembrando o exemplo de Robert Schuman (1886-1963), político democrata cristão luxemburguês, considerado um dos “pais” da actual União Europeia e cujo processo de beatificação foi aberto em 1990, Ribeiro e Castro salientou o papel que a democracia cristã desempenhou na política ocidental, sobretudo nos países do Norte da Europa, numa linha “personalista” que ia contra “os nacionalismos e fascismos que sobrevalorizavam as ideias de pátria, raça e povo” e também contra “os socialismos e comunismos que sobrevalorizavam as classes, os sindicatos e os grupos”. Essa “terceira via” valorizava a “pessoa” e propunha uma “economia social de mercado”, que defendia o mercado livre, mas com preocupações sociais, sobretudo na defesa dos mais desfavorecidos da sociedade. Uma doutrina, uma ideia de comunidade Num tom mais pessoal, o deputado afirmou que a democracia cristã não é uma ideologia, mas uma doutrina. “Não acredito em ideologias, porque nenhuma ideologia resolve os problema sociais, nas suas utopias de construírem o homem novo”, afirmou, defendendo acreditar “numa doutrina que propõe uma via para tornar o homem melhor, na sua perfectibilidade”. Sem os princípios absolutos de uma ideologia, “que escravizam a pessoa”, a doutrina oferece “os valores de base para a decisão livre, segundo as circunstâncias e as condicionantes de cada momento”. “Vivemos numa sociedade postiça, de montras sem armazém; eu acredito nas pessoas e nas doutrinas,

pergunto apenas se a pessoa é séria para aferir o seu carácter e quais as suas convicções, porque é isso que vai determinar as suas decisões”, referiu o conferencista. Nesta situação, que contributo poderá dar a democracia cristã? Ribeiro e Castro responde: “É a forte ideia de comunidade, uma coisa ‘velha’, mas que poderá ser uma nova onda: temos de regressar à comunidade inicial, à terra, à família, às origens, pois só aí vamos encontrar a beleza dos valores perenes”. Será esse o redescobrir da função social dos indivíduos e das instituições, “numa participação cívica feita pelos valores que defendem e que marcam o seu carácter pessoal e comunitário”. Este é o contexto onde a democracia cristã inclui a fé em Deus, como “forma de tornar presente na vida social a ideia de bem e de amor”. “Só com uma moral forte poderá existir verdadeira autoregulação dos poderes políticos e económicos, que foi o que falhou na génese desta crise”, defendeu o deputado, concluindo que “a vergonha é a melhor força de auto-regulação, e a sociedade actual perdeu a vergonha”. O fatinho que nos serve Já quanto à actualidade do País, e da Europa em geral, Ribeiro e Castro afirmou que “estamos numa situação insustentável, não de tanga, mas de fio dental, que ainda por cima é emprestado pela troika”. Usando a imagem de um povo que abandonou uma terra onde era impossível viver, disse que “estamos numa jangada a meio do rio, sem saber o que vamos entrar na outra margem, se será a terra prometida ou uma terra de trevas”. E defendeu que é importante, neste momento, “definir o que

será essa outra margem e caminhar rapidamente para chegar a terra firme”. Há problemas pelo meio, como uma excessiva dívida pública, um modelo de segurança social insustentável, uma descentralização por fazer, um défice demográfico que faz de nós um país “envelhecido”. E são problemas que têm de ser resolvidos na pior altura, quando somos forçados à austeridade pela falta de dinheiro e de crédito. “Não tenho dúvidas quanto à necessidade de austeridade: o próximo orçamento é um para o qual ainda não temos dinheiro, ainda está acima das nossas possibilidades”, disse. No debate que se seguiu, houve ainda espaço para aprofundar algumas das questões pertinentes da actual vida política nacional e internacional, como a necessária revisão da “constituição que é uma mentira pegada”, a maior regulação da actividade financeira, uma maior exigência da classe política e a maior responsabilização dos indivíduos sobre a eleições dos seus representantes, etc. O importante é não cruzar os braços, nem esperar soluções milagrosas vindas de fora, mas sim “resolver a nossa parte do problema, pois não sabemos ainda o que aí vem”. Entretanto, “temos de viver com o fatinho que nos serve”, viver segundo as possibilidades, conseguindo ao mesmo tempo amortizar as dívidas feitas, com juros sempre em crescendo, e ainda com capacidade para acomodar encargos que ainda virão nos próximos anos, como são os resultantes das parcerias público-privadas. “Nós não estamos à beira do abismo, estamos pendurados no meio do abismo, apenas seguros pelos suspensórios… que são a troika”, rematou Ribeiro e Castro. Texto e fotos Luís Miguel Ferraz

4881#OMENSAGEIRO#27OUT  

O Mensageiro (O Mais Antigo Semanário do Distrito de Leiria): Edição de 27 de Outubro de 2011 (N.º 4881).