Page 1

MENSAGEM DE NATAL DE D. ANTÓNIO MARTO | P. 25

9 DEZEMBRO 2010 ANO 97 - N.º 4837 FUNDADOR José Ferreira Lacerda DIRECTOR Rui Ribeiro

PREÇO: 0,80 euros (IVA incluído) SEMINÁRIO DIOCESANO – 2414-011 LEIRIA TEL. 244 821 100/1 • FAX 244 821 102 E-MAIL: jornal@omensageiro.com.pt WEB: www.omensageiro.com.pt

A LUZ DUMA NOVA HUMANIDADE

ECONOMY

Nº DE2703206MPC

DESTAQUE

UMA CASA NO CORAÇÃO E AO SERVIÇO DE TODA A DIOCESE

SEMINÁRIO DIOCESANO DE LEIRIA

LMFerraz

Após a conclusão da 1.ª fase das obras no edifício do Seminário Diocesano de Leiria, a inauguração dos espaços agora renovados decorre no dia 8 de Dezembro, festa da Padroeira desta instituição, a Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria. A esse propósito, publicamos um caderno especial de 16 páginas a cores, associando-nos, assim, a esta festa de toda a Igreja de Leiria-Fátima. Páginas 9 a 24 E para sublinhar a importância do Seminário, no coração e ao serviço da Diocese, abrimos com a carta que o Santo Padre escreveu em Outubro aos seminaristas de todo o mundo. Páginas 2 e 3

PUB

CULTURA No Teatro José Lúcio | P. 4

Júlio Pereira apresenta “Geografias”

SOCIEDADE Proposta da CIP | P. 6

“Fazer acontecer a regeneração urbana” para aumentar PIB e criar empregos

ECLESIAL Viva + Jesus | P. 8

Profissão Solene da Irmã Sílvia Visita Pastoral | P. 25

D. António está nas Colmeias Museu do Vidro celebra 12 anos No mês de Dezembro | P. 7 de 9 a 12 de Com menos Dezembro. Museu de Arte Sacra | P. 5 iluminações, Vigararia de Exposição de Leiria aposta na Monte Real Natal em Fátima Aldeia de Natal já se prepara... Na Marinha Grande | P. 5


2 DESTAQUE

O Mensageiro 9.Dezembro.2010

Rui Ribeiro

O nosso Seminário

prui@iol.pt A propósito da inauguração oficial da parte restaurada do Seminário de Leiria, O Mensageiro faz nesta edição um alargado historial, juntando algumas reflexões oportunas acerca do Seminário. Em Outubro demos a conhecer um pouco mais do Seminário como espaço e escola de formação de jovens candidatos ao sacerdócio. Nesta edição olhamos para a instituição como espaço físico e de capital importância na orgânica da pastoral diocesana. As obras que agora se apresentam são apenas a primeira fase de um conjunto bem mais ambicioso e necessário, para dotar o seminário do mínimo de infra-estruturas adequadas aos tempos modernos. O actual edifício data da década de 60, altura em que as exigências eram outras. Na época o edifício era dos mais modernos do género em todo o país. Entretanto, as coisas mudaram e o que era moderno tornou-se obsoleto. Por isso, não será preciso perder tempo a discutir a necessidade e a oportunidade ou não das obras que estão em curso. Importa mais que tudo o empenho e a dedicação de todos e cada um, porque todos e cada um poderão certaAcreditamos mente ajudar que as condições com o mínimo exteriores muito dos mínimos. A ajudarão ao obra é da dioaproveitamento cese, que não interior e espiritual existe sem as que primeiramente pessoas, logo a se busca obra é nossa. E por ser nossa requer interesse, acompanhamento e dedicação de todos. Iniciadas em 2005, as obras desta primeira fase podem ser já visitadas e apreciadas. A verdade é que muitos dos melhoramentos não se vêem, são quilómetros de fios e cabos, que percorrem o interior das paredes e proporcionam uma melhoria geral. Os grupos e movimentos que desejarem podem já usufruir destas condições melhoradas em retiros e encontros de oração e reflexão que o espaço obviamente proporciona. Acreditamos que as condições exteriores muito ajudarão ao aproveitamento interior e espiritual que primeiramente se busca. E se o exterior de uma comunidade, como de uma pessoa, é revelador do seu interior, então podemos dizer que a diocese está de parabéns pelo que possui e proporciona aos que procuram maior conhecimento de Deus. Com os nossos votos de parabéns à comunidade do seminário, esperamos que este contributo que agora publicamos, reverta em maior apreço pela instituição. Uma última palavra de agradecimento às muitas empresas envolvidas nos trabalhos e que se disponibilizaram para ajudar na publicação desta edição.

Carta do Santo Padre Bento XVI aos Seminaristas

“O mundo tem necessidade de sacerdotes, de Queridos Seminaristas, Em Dezembro de 1944, quando fui chamado para o serviço militar, o comandante de companhia perguntou a cada um de nós a profissão que sonhava ter no futuro. Respondi que queria tornarme sacerdote católico. O subtenente replicou: Nesse caso, convém-lhe procurar outra coisa qualquer; na nova Alemanha, já não há necessidade de padres. Eu sabia que esta «nova Alemanha» estava já no fim e que, depois das enormes devastações causadas por aquela loucura no país, mais do que nunca haveria necessidade de sacerdotes. Hoje, a situação é completamente diversa; porém de vários modos, mesmo em nossos dias, muitos pensam que o sacerdócio católico não seja uma «profissão» do futuro, antes pertenceria já ao passado. Contrariando tais objecções e opiniões, vós, queridos amigos, decidistesvos a entrar no Seminário, encaminhando-vos assim para o ministério sacerdotal na Igreja Católica. E fizestes bem, porque os homens sempre terão necessidade de Deus – mesmo na época do predomínio da técnica no mundo e da globalização –, do Deus que Se mostrou a nós em Jesus Cristo e nos reúne na Igreja universal, para aprender, com Ele e por meio d’Ele, a verdadeira vida e manter presentes e tornar eficazes os critérios da verdadeira humanidade. Sempre que o homem deixa de ter a noção de Deus, a vida torna-se vazia; tudo é insuficiente. Depois o homem busca refúgio na alienação ou na violência, ameaça esta que recai cada vez mais sobre a própria juventude. Deus vive; criou cada um de nós e, por conseguinte, conhece a todos. É tão grande que tem tempo para as nossas coisas mais insignificantes: «Até os cabelos da vossa cabeça estão contados». Deus vive, e precisa de homens que vivam para Ele e O levem aos outros. Sim, tem sentido tornar-se sacerdote: o mundo tem necessidade de sacerdotes, de pastores hoje, amanhã e sempre enquanto existir. O Seminário é uma comunidade que caminha para o serviço sacerdotal. Nestas palavras, disse já algo de muito importante: uma pessoa não se torna sacerdote, sozinha. É necessária a «comunidade dos discípulos», o conjunto daqueles que querem servir a Igreja de

todos. Com esta carta, quero evidenciar – olhando retrospectivamente também para o meu tempo de Seminário – alguns elementos importantes para o vosso caminho a fazer nestes anos. 1. Quem quer tornar-se sacerdote, deve ser sobretudo um «homem de Deus», como o apresenta São Paulo (1 Tm 6, 11). Para nós, Deus não é uma hipótese remota, não é um desconhecido que se retirou depois do «bigbang». Deus mostrou-Se em Jesus Cristo. No rosto de Jesus Cristo, vemos o rosto de Deus. Nas suas palavras, ouvimos o próprio Deus a falar connosco. Por isso, o elemento mais importante no caminho para o sacerdócio e ao longo de toda a vida sacerdotal é a relação pessoal com Deus em Jesus Cristo. O sacerdote não é o administrador de uma associação qualquer, cujo número de membros se procura manter e aumentar. É o mensageiro de Deus no meio dos homens; quer conduzir a Deus, e assim fazer crescer também a verdadeira comunhão dos homens entre si. Por isso, queridos amigos, é muito importante aprenderdes a viver em permanente contacto com Deus. Quando o Senhor fala de «orar sempre», naturalmente não pede para estarmos continuamente a rezar por palavras, mas para conservarmos sempre o contacto interior com Deus. Exercitar-se neste contacto é o sentido da nossa oração. Por isso, é importante que o dia comece e acabe com a oração; que escutemos Deus na leitura da Sagrada Escritura; que Lhe digamos os nossos desejos e as nossas esperanças, as nossas alegrias e sofrimentos, os nossos erros e o nosso agradecimento por cada coisa bela e boa, e que deste modo sempre O tenhamos diante dos nossos olhos como ponto de referência da nossa vida. Assim tornamonos sensíveis aos nossos erros e aprendemos a trabalhar para nos melhorarmos; mas tornamo-nos sensíveis também a tudo o que de belo e bom recebemos habitualmente cada dia, e assim cresce a gratidão. E, com a gratidão, cresce a alegria pelo facto de que Deus está perto de nós e podemos serví-Lo. 2. Para nós, Deus não é só uma palavra. Nos sacramentos, dá-Se pessoalmente a nós, através de elementos corporais. O centro da nossa

relação com Deus e da configuração da nossa vida é a Eucaristia; celebrá-la com íntima participação e assim encontrar Cristo em pessoa deve ser o centro de todas as nossas jornadas. Para além do mais, São Cipriano interpretou a súplica do Evangelho «o pão nosso de cada dia nos dai hoje», dizendo que o pão «nosso», que, como cristãos, podemos receber na Igreja, é precisamente Jesus eucarístico. Por conseguinte, na referida súplica do Pai Nosso, pedimos que Ele nos conceda cada dia este pão «nosso»; que o mesmo seja sempre o alimento da nossa vida, que Cristo ressuscitado, que Se nos dá na Eucaristia, plasme verdadeiramente toda a nossa vida com o esplendor do seu amor divino. Para uma recta celebração eucarística, é necessário aprendermos também a conhecer, compreender e amar a liturgia da Igreja na sua forma concreta. Na liturgia, rezamos com os fiéis de todos os séculos; passado, presente e futuro encontram-se num único grande coro de oração. A partir do meu próprio caminho, posso afirmar que é entusiasmante aprender a compreender pouco a pouco como tudo isto foi crescendo, quanta experiência de fé há na estrutura da liturgia da Missa, quantas gerações a formaram rezando. 3. Importante é também o sacramento da Penitência. Ensina a olhar-me do ponto de vista de Deus e obriga-me a ser honesto comigo mesmo; leva-me à humildade. Uma vez o Cura d’Ars disse: Pensais que não tem sentido obter a absolvição hoje, sabendo entretanto que amanhã fareis de novo os mesmos pecados. Mas – assim disse ele – o próprio Deus neste momento esquece os vossos pecados de amanhã, para vos dar a sua graça hoje.

Pedro Jerónimo/Arquivo

EDITORIAL

Embora tenhamos de lutar continuamente contra os mesmos erros, é importante opor-se ao embrutecimento da alma, à indiferença que se resigna com o facto de sermos feitos assim. Na grata certeza de que Deus me perdoa sempre de novo, é importante continuar a caminhar, sem cair em escrúpulos mas também sem cair na indiferença, que já não me faria lutar pela santidade e o aperfeiçoamento. E, deixando-me perdoar, aprendo também a perdoar aos outros; reconhecendo a minha miséria, também me torno mais tolerante e compreensivo com as fraquezas do próximo. 4. Mantende em vós também a sensibilidade pela piedade popular, que, apesar de diversa em todas as culturas, é sempre também muito semelhante, porque, no fim de contas, o coração do homem é o mesmo. É certo que a piedade popular tende para a irracionalidade e, às vezes, talvez mesmo para a exterioridade. No entanto, excluí-la, é completamente errado. Através dela, a fé entrou no coração dos homens, tornou-se parte dos seus sentimentos, dos seus costumes, do seu sentir e viver comum. Por isso a piedade popular é um grande património da Igreja. A fé fez-se carne e sangue. Seguramente a piedade popular deve ser sempre purificada, referida ao centro, mas merece a nossa estima; de modo plenamente real, ela faz de nós mesmos «Povo de Deus». 5. O tempo no Seminário é também e sobretudo tempo de estudo. A fé cristã possui uma dimensão racional e intelectual, que lhe é essencial. Sem tal dimensão, a fé deixaria de ser ela mesma. Paulo fala de uma «norma da doutrina», à qual fomos entregues no Baptismo (Rm 6, 17). Todos


DESTAQUE 3

O Mensageiro 9.Dezembro.2010

pastores hoje, amanhã e sempre enquanto existir” “Quando o Senhor fala de «orar sempre», naturalmente não pede para estarmos continuamente a rezar por palavras, mas para conservarmos sempre o contacto interior com Deus. (...) é importante que o dia comece e acabe com a oração; que escutemos Deus na leitura da Sagrada Escritura; que Lhe digamos os nossos desejos e as nossas esperanças, as nossas alegrias e sofrimentos, os nossos erros e o nosso agradecimento por cada coisa bela e boa, e que deste modo sempre O tenhamos diante dos nossos olhos como ponto de referência da nossa vida”.

DR

vós conheceis a frase de São Pedro, considerada pelos teólogos medievais como a justificação para uma teologia elaborada racional e cientificamente: «Sempre prontos a responder (…) a todo aquele que vos perguntar “a razão” (logos) da vossa esperança» (1 Ped 3, 15). Adquirir a capacidade para dar tais respostas é uma das principais funções dos anos de Seminário. Tudo o que vos peço insistentemente é isto: Estudai com empenho! Fazei render os anos do estudo! Não vos arrependereis. É certo que muitas vezes as matérias de estudo parecem muito distantes da prática da vida cristã e do serviço pastoral. Mas é completamente errado pôrse imediatamente e sempre a pergunta pragmática: Poderá isto servir-me no futuro? Terá utilidade prática, pastoral? É que não se trata apenas de aprender as coisas evidentemente úteis, mas de conhecer e compreender a estrutura interna da fé na sua totalidade, de modo que a mesma se torne resposta às questões dos homens, os quais, do ponto de vista exterior, mudam de geração em geração e todavia, no fundo, permanecem os mesmos. Por isso, é importante ultrapassar as questões volúveis do momento para se compreender as questões verdadeiras e próprias e, deste modo, perceber também as respostas como verdadeiras respostas. É importante conhecer a fundo e integralmente a Sagrada Escritura, na sua unidade de Antigo e Novo Testamento: a formação dos textos, a sua peculiaridade literária, a gradual composição dos mesmos até se formar o cânon dos livros sagrados, a unidade dinâmica interior que não se nota à superfície, mas é a única que dá a todos e cada um dos textos o seu pleno significado. É importante conhecer os Padres e os grandes Concílios, onde a Igreja assimilou, reflectindo e acreditando, as afirmações essenciais da Escritura. E poderia continuar assim: aquilo que designamos por dogmática é a compreensão dos diversos conteúdos da fé na sua unidade, mais ainda, na sua derradeira simplicidade, pois cada um dos detalhes, no fim de contas, é apenas

explanação da fé no único Deus, que Se manifestou e continua a manifestar-Se a nós. Que é importante conhecer as questões essenciais da teologia moral e da doutrina social católica, não será preciso que vo-lo diga expressamente. Quão importante seja hoje a teologia ecuménica, conhecer as várias comunidades cristãs, é evidente; e o mesmo se diga da necessidade duma orientação fundamental sobre as grandes religiões e, não menos importante, sobre a filosofia: a compreensão daquele indagar e questionar humano ao qual a fé quer dar resposta. Mas aprendei também a compreender e – ouso dizer – a amar o direito canónico na sua necessidade intrínseca e nas formas da sua aplicação prática: uma sociedade sem direito seria uma sociedade desprovida de direitos. O direito é condição do amor. Agora não quero continuar o elenco, mas dizer-vos apenas e uma vez mais: Amai o estudo da teologia e segui-o com diligente sensibilidade para ancorardes a teologia à comunidade viva da Igreja, a qual, com a sua autoridade, não é um pólo oposto à ciência teológica, mas o seu pressuposto. Sem a Igreja que crê, a teologia deixa de ser ela própria e torna-se um conjunto de disciplinas diversas sem unidade interior.

6. Os anos no Seminário devem ser também um tempo de maturação humana. Para o sacerdote, que terá de acompanhar os outros ao longo do caminho da vida e até às portas da morte, é importante que ele mesmo tenha posto em justo equilíbrio coração e intelecto, razão e sentimento, corpo e alma, e que seja humanamente «íntegro». Por isso, a tradição cristã sempre associou às «virtudes teologais» as «virtudes cardeais», derivadas da experiência humana e da filosofia, e também em geral a sã tradição ética da humanidade. Di-lo, de maneira muito clara, Paulo aos Filipenses: «Quanto ao resto, irmãos, tudo o que é verdadeiro, nobre e justo, tudo o que é puro, amável e de boa reputação, tudo o que é virtude e digno de louvor, isto deveis ter no pensamento» (4, 8). Faz parte deste contexto também a integração da sexualidade no conjunto da personalidade. A sexualidade é um dom do Criador, mas também uma função que tem a ver com o desenvolvimento do próprio ser humano. Quando não é integrada na pessoa, a sexualidade tornase banal e ao mesmo tempo destrutiva. Vemos isto, hoje, em muitos exemplos da nossa sociedade. Recentemente, tivemos de constatar com grande mágoa que sacerdotes desfiguraram o seu ministério, abusando

sexualmente de crianças e adolescentes. Em vez de levar as pessoas a uma humanidade madura e servir-lhes de exemplo, com os seus abusos provocaram devastações, pelas quais sentimos profunda pena e desgosto. Por causa de tudo isto, pode ter-se levantado em muitos, e talvez mesmo em vós próprios, esta questão: se é bom fazer-se sacerdote, se o caminho do celibato é sensato como vida humana. Mas o abuso, que há que reprovar profundamente, não pode desacreditar a missão sacerdotal, que permanece grande e pura. Graças a Deus, todos conhecemos sacerdotes convincentes, plasmados pela sua fé, que testemunham que, neste estado e precisamente na vida celibatária, é possível chegar a uma humanidade autêntica, pura e madura. Entretanto o sucedido deve tornar-nos mais vigilantes e solícitos, levando precisamente a interrogarmo-nos cuidadosamente a nós mesmos diante de Deus ao longo do caminho rumo ao sacerdócio, para compreender se este constitui a sua vontade para mim. É função dos padres confessores e dos vossos superiores acompanhar-vos e ajudar-vos neste percurso de discernimento. É um elemento essencial do vosso caminho praticar as virtudes humanas fundamentais, mantendo

o olhar fixo em Deus que Se manifestou em Cristo, e deixar-se incessantemente purificar por Ele. 7. Hoje os princípios da vocação sacerdotal são mais variados e distintos do que nos anos passados. Muitas vezes a decisão para o sacerdócio desponta nas experiências de uma profissão secular já assumida. Frequentemente cresce nas comunidades, especialmente nos movimentos, que favorecem um encontro comunitário com Cristo e a sua Igreja, uma experiência espiritual e a alegria no serviço da fé. A decisão amadurece também em encontros muito pessoais com a grandeza e a miséria do ser humano. Deste modo os candidatos ao sacerdócio vivem muitas vezes em continentes espirituais completamente diversos; poderá ser difícil reconhecer os elementos comuns do futuro mandato e do seu itinerário espiritual. Por isso mesmo, o Seminário é importante como comunidade em caminho que está acima das várias formas de espiritualidade. Os movimentos são uma realidade magnífica; sabeis quanto os aprecio e amo como dom do Espírito Santo à Igreja. Mas devem ser avaliados segundo o modo como todos se abrem à realidade católica comum, à vida da única e comum Igreja de Cristo que permanece uma só

em toda a sua variedade. O Seminário é o período em que aprendeis um com o outro e um do outro. Na convivência, por vezes talvez difícil, deveis aprender a generosidade e a tolerância não só suportando-vos mutuamente, mas também enriquecendo-vos um ao outro, de modo que cada um possa contribuir com os seus dotes peculiares para o conjunto, enquanto todos servem a mesma Igreja, o mesmo Senhor. Esta escola da tolerância, antes do aceitar-se e compreender-se na unidade do Corpo de Cristo, faz parte dos elementos importantes dos anos de Seminário. Queridos seminaristas! Com estas linhas, quis mostrar-vos quanto penso em vós precisamente nestes tempos difíceis e quanto estou unido convosco na oração. Rezai também por mim, para que possa desempenhar bem o meu serviço, enquanto o Senhor quiser. Confio o vosso caminho de preparação para o sacerdócio à protecção materna de Maria Santíssima, cuja casa foi escola de bem e de graça. A todos vos abençoe Deus omnipotente Pai, Filho e Espírito Santo. Vaticano, 18 de Outubro – Festa de São Lucas, Evangelista – do ano 2010. Vosso no Senhor, Benedictus PP XVI


4 CULTURA

O Mensageiro 9.Dezembro.2010

SAAL/2010 nas Cortes

Salão Artístico de Autores Locais Vai realizar-se nas Cortes, nos dias 11 e 12 de Dezembro, o SAAL/2010 - 14.º Salão Artístico de Autores Locais, promovido como habitualmente pela CARTES - Associação de Autores das Cortes. Esta bienal de arte, que se realiza desde 1985, vai contar este ano com a presença de 21 participantes nos domínios da pintura, do desenho, da fotografia, da ilustração, da escultura, do artesanato, da bijutaria e da literatura, para além de trabalhos variados dos alunos das quatro escolas da freguesia das Cortes. A abertura oficial do certame será no dia 11, sábado, às 14h00, com a apresentação da publicação “CARTES em revista 2010”. O SAAL/2010, que vai decorrer de novo nas instalações da Junta de Freguesia das Cortes (Rua Xavier Cordeiro, 19), conta ainda com a presença de um notável artista convidado da nossa região, a do caricaturista Zé Oliveira, que vai expor uma série de trabalhos da sua lavra na iniciativa paralela que é o “Vértice”.

No Teatro José Lúcio da Silva

Júlio Pereira apresenta “Geografias”

“Cerzideiras” na Marinha Grande A Câmara da Marinha Grande inaugurou, dia 5 de Dezembro, a exposição de pintura “Cerzideiras” da artista Fátima Oliveira Pinto, no Museu Joaquim Correia. Trata-se de uma mostra de pintura e desenho patente até 31 de Janeiro de 2011, podendo ser visitada de segunda a sexta-feira, das 9h30 às 12h00 e das 14h30 às 17h00.

Fórum no Colégio de S. Miguel

“Integração Social”

O Colégio de S. Miguel, em Fátima, recebe no próximo sábado, pelas 16h00 o Fórum de Testemunhos “Integração Social”. Trata-se de uma iniciativa conjunta da Associação Promotora do Livre Acesso a Projectos Educativos, do Município de Ourém e do Conservatório de Música de Ourém e Fátima e conta com o apoio do Colégio de S. Miguel, do Jornal de Leiria e do Hotel Anjo de Portugal.

CINEMA Teatro Miguel Franco (Leiria) • LISBOA DOMICILIRIA | documentário | de Marta Pessoa | 8 de Dezembro, 21h30 • NE CHANGE RIEN | documentário | de Pedro Costa | Jeanne Balibar, Rodolphe Burger, Arnaud Dieterlen | 15 de Dezembro, 21h30 Cine-Teatro de Monte Real • A ORIGEM | ficção cientifica | de Christopher Nolan | c/ Cillian Murphy, Ellen Page, Joseph Gordon-Levitt, Ken Watanabe, Leonardo DiCaprio | 10 e 11 de Dezembro, 21h30; dia 12, 15h30 Cine-Teatro Álvaro (Vieira de Leiria) • NANNY MCPHEE E O TOQUE DE MAGIA | aventura | de Susanna White | 12 de Dezembro, 15h00 e 17h00 • SÓ ELES | drama | de Scott Hicks | c/ Clive Owen, Emma Booth, Laura Frase | 12 de Dezembro, 21h00

MÚSICA | TEATRO | EVENTOS

Teatro José Lúcio da Silva - Leiria •”Júlio Pereira Trio” - música (10/12, 21h30) •”Hamlet sou eu” - teatro Praga (12/12, 16h00) Teatro Miguel Franco - Leiria •”Álccol... não... obrigado!” - teatro (10/12, 21h00) •”O Tesouro” - teatro extremo (11/12, 16h00) •”Os bebés ouvem Natal” - concerto para bebés (12/12, 10h30 e 11h45) •”Guitarra 66, de Tó Trips” - música (18/12, 22h00) • Festa de Natal da Escola de dança Diogo de Carvalho (19/12, 15h e 18h) Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira - Leiria •”Auto de Natal” - hora do conto (10/12, 10h30 e 15/12, 14h30) •”Rosa & Espinhos” - apresentação do livro (18/12, 15h00) m|i|mo -Museu de Imagem e Movimento - Leiria •”Oficina de teatro de sombras” - teatro (11/12, 15h00) •”República - a coisa pública” - workshop (11 e 18/12)

DR

Exposição no Museu Joaquim Correia

O Teatro José Lúcio da Silva, Leiria, recebe no dia 10 de Dezembro, 21h30, o músico Júlio Pereira, com o seu último trabalho “Geografias”. Inconfundível, Júlio Pereira supera-se a cada novo projecto. Grande responsável, com discos marcantes, pela revitalização dos cordofones tradicionais portugueses, sempre os submeteu à frescura de novas soluções acústicas. O último álbum “Geografias”, distribuído em Portugal com edição Iplay e em Espanha edição Resis-

tência, marca o reencontro de Júlio Pereira com o virtuosismo do músico que, num passado ainda recente, revolucionou o panorama da música instrumental portuguesa, nomeadamente com cavaquinho, braguesa e o meu bandolim. Neste concerto, com o acompanhamento de Miguel Veras (viola) e Sofia Vitória (voz e teclados), o multi-instrumentista volta a trazer para a ribalta os instrumentos tradicionais de cordas e leva-os a percorrer latitudes menos comuns à música

•”Oficina de brinquedos” - infantl/juvenil (18/12, 15h00) •”Cinderela” - musical em patins (19/12, 17h00) Banco de Portuga - Leiria •”Fábrica do Pai Natal” - Aldeia de Natal (~23/12) Jardim Luís de Camões - Leiria •”Praça dos Reis Magos” - aldeia de natal (~23/12) •”Espaço de solidariedade” aldeia denatal (~17/12 e 20~23/12) Largo 5 de Outubro - Leiria •”Oficina das invenções e criações” - aldeia de natal (~23/12) •”Recreio dos Duendes” - aldeia de natal (~23/12) Livraria Arquivo - Leiria •”Feliz Natal, Pequeno Rei” - hora do conto (11/12, 16h30) •”A vida não basta” - encontros na Arquivo (16/12, 18h30) Fnac LeiriaShopping - Leiria •”Marketing de peso” - apresentação do livro (11/12, 21h30) •”O Coliseu” - música de João Pedro Pais (11/12, 17h00) •”Áurea ao vivo” - música (18/12, 17h00) Casa-Museu João Soares - Cortes • Serões literários das Cortes (11/12, 21h30) •”Viva a vida” - ginástica geriátrica (13/12, 15h00) Biblioteca Municipal - Marinha Grande •”O Natal especial da Rena Rubi” - hora do conto (2ª a 6ª, 10h00~14h30) •”O Natal mágico do Mickey” filme (15/12, 15h30) Museu do Vidro - Marinha Grande •”Meter as mãos no vidro” -infantil/juvenil (4ªs a 6ªs, 10h00 e14h30) Capela de S. Silvestre - Marinha Grande •”Grupo Coral calçada Romana” - concerto de Natal (11/12, 16h00) Igreja Nossa Senhora dos Milagres - Marinha Grande •”Coral do Ateneu de Leiria” e “Tertúlia dos Anos de Ouro” (12/12, 16h00) Igreja Nossa Senhora doRosário - Marinha Grande • Apresentação de tertúlia e grupos corais (19/12, 16h00) Biblioteca Municipal - Batalha •”Hora do conto” (11/12) Pavilhão Gimnodesportivo - Batalha • Festa de Natal - actividades para crianças (12/12) Biblioteca Municpal - Pombal • Ateliê de doces e segredos de Natal (11/12, 15h00)

portuguesa parece condensar todo o património estético de trinta anos de carreira. Ao centro, um bandolim e o seu tocador. À volta, o pulsar contemporâneo da diversidade, eterna ousadia de um músico generoso e genial. Às portas do lançamento do seu próximo projecto, o concerto de Júlio assinala a maturidade da tournée “Geografias”. Júlio Pereira (cavaquinho e braguesa) será acompanhado por Miguel Veras (viola) e Sofia Vitória (voz e teclados)

Café Concerto, Teatro-Cine - Pombal • Tributo a Elvis Presley - música (11/12, 22h00) • Música (16h00~24h00) Ilha - Pombal • Banda Filarmónica Ilhense - concerto de Natal (11/12, 20h30)

EXPOSIÇÕES

Teatro José Lúcio da Silva - Leiria •”Roteiros de inquietação no feminino (~9/01) Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira - Leiria •”50 anos de escutismo no 127” (~29/12) m|i|mo -Museu de Imagem e Movimento - Leiria •”Negativo positivo” - (~01/05) •”[Re Play]” - (~01/05) •”Oficina do Olhar” (exposição permanente) Livraia Arquivo - Leiria • Escultura - Filipe Curado (~9/12) Associação Célula e Membrana/a9)))) - Leiria •”Natal” (10/12~05/01) Fnac LeiriaShopping - Leiria •”Olhar as subculturas” - fotografia (~21/01) Museu Escolar - Marrazes •”A instrução na 1ª República” (~24/12) Agromuseu Municipal Dona Julinha - Ortigosa •”Sacas de retalhos à moda antiga” (3ªs~6ªs) Biblioteca Municipal - Marinha Grande •”Os vizinhos da casa azul” - hora do conto (2ª a 6ª (10h00 e 14h30) Museu do Vidro - Marinha Grande •”Vilma Liban”- arte da gravura em Vidro (~27/03) Galeria Mouzinho de Albuquerque - Batalha •”Aguarelas” - pintura de Artur Franco (~19/12) Museu Municipal - Ourém •”OUREMPUBLICA” - implantação da República em Ourém (~31/12) Paços do Concelho - Tomar • Fotografias de Cruz-Filipe (~31/12) Teatro-Cine - Pombal • Pintura - Óscar Almeida (~30/12)


CULTURA 5

O Mensageiro 9.Dezembro.2010

Na Marinha Grande

No Museu de Arte Sacra

ços culturais marinhenses de referência obrigatória. Ali estão representadas algumas das mais brilhantes peças concebidas pelos artistas vidreiros da Marinha Grande e alguns dos momentos mais marcantes das várias etapas desta indústria, que se instalou no concelho há mais de 250 anos pela mão do irlandês John Beare, depois continuada e impulsionada pela família Stephens. O museu acabou por ser instalado num edifício construído dentro do perímetro da fábrica, na

segunda metade do século XVIII. O Palácio Stephens, assim designado por ter sido mandado construir pelo industrial Guilherme Stephens, é um edifício de três pisos, de traçado arquitectónico neoclássico, que começou a ser recuperado em 1996. No rés-do-chão do Palácio são exibidas as exposições temporárias. Nos pisos superiores, o Museu do Vidro apresenta a exposição permanente, organizada em núcleos, segundo aspectos do vidro como: técnicas de fabrico e decoração das

peças, função dos objectos, épocas de produção, tipo de objectos, entre outros. No 1º andar estão expostas as peças mais significativas da colecção de vidros de cristalaria, de produção industrial, do acervo do Museu do Vidro. No 2º andar a exposição está organizada em dois núcleos, estabelecidos segundo critérios relacionados com aspectos tecnológicos da produção de vidro. A colecção de vidros do museu possui objectos manufacturados entre os séculos XVII e XX em vários centros de fabrico nacionais, bem como um conjunto de obras de arte (esculturas, pinturas, instalações, etc.), produzidas em finais do século XX por artistas plásticos portugueses e estrangeiros. O Museu do Vidro está aberto ao público de Terçafeira a Domingo, das 10h às 18h, de Outubro a Maio; e das 10h às 19h, entre Junho e Setembro.

De 8 a 24 de Dezembro, na cidade de Fátima, o Museu de Arte Sacra e Etnologia, do Instituto Missionário da Consolata, abrirá gratuitamente aos seus visitantes a Sala da Natividade. Os Presépios e Meninos Jesus nela expostos constituem o maior conjunto patrimonial que nas colecções museológicas portuguesas representa o tema de Jesus Cristo na infância. Reunidos pela fé e pela dedicação coleccionista do Padre António Rosado Belo, alguns agrupamentos de peças de importante valor artístico dão testemunho das grandes linhas da história devocional e cultual do Menino Jesus no nosso país. Esta iniciativa pretende chamar a atenção para o verdadeiro significado do Natal, permitindo ao visitante fruir da mensagem natalícia através do património artístico. Os textos que contextualizam as colecções, escritos pelo Cónego António Rego, têm sido muito elogiados pelos visitantes do museu, quer pela mensagem transmitida, quer pela forma como enquadram cada núcleo expositivo. A partir do que viram exposto, as crianças que visitarem a Sala da Natividade, poderão realizar uma pintura num pequeno atelier preparado para a ocasião. A visita a este museu pode ser efectuada diariamente, excepto à segunda-feira, das 10h00 às 17h00.

DR

O Museu do Vidro da Marinha Grande, situado no Jardim Stephens comemora no dia 13 de Dezembro de 2010 (segunda-feira) o seu 12º aniversário, com entradas gratuitas e actividades para o público infantil. A Câmara Municipal preparou um atelier de jogos didácticos, a decorrer das 09h30 às 10h30, e as entradas para todos os visitantes serão gratuitas. Pretende-se convidar as crianças e os seus familiares a participar nas comemorações deste espaço cultural. Instalado no Palácio Stephens, o Museu do Vidro reúne colecções e saberes que testemunham a actividade vidreira portuguesa sob as perspectivas industrial, artesanal e artística, desde meados do século XVII/XVIII até à actualidade. Trata-se do único museu em Portugal especificamente vocacionado para o estudo da arte, artesanato e indústria vidreira. O Museu do Vidro é considerado um dos espa-

DR

Museu do Vidro comemora 12 anos

Exposição de Natal em Fátima

Nas igrejas da Marinha Grande

Concertos de Natal

Musical em patins no Teatro José Lúcio da Silva

“Cinderela” em Leiria

Um musical sobre rodas. O espectáculo “Cinderela” estará em cena no Teatro José Lúcio da Silva, dia 19 de Dezembro, a partir das 17h00. Esta peça conta a história de uma dócil e formosa donzela, de nome Cinderela, que vivia com a sua detestável madrasta e duas mesquinhas meias-irmãs. Na ausência do pai, a madrasta atribui-lhe mil e uma tarefas, tratando-a como escrava. Certo dia, o príncipe do reino oferece um baile, ao qual Cinderela vai, traja-

Ficha artística

da de forma irreconhecível, conquistando o coração do herdeiro. Uma vez mais, conjugando várias formas de representação com a beleza da patinagem, a magia e a fantasia levar-te-ão a um mundo onde o sonho se pode transformar em realidade. Um espectáculo único e fascinante, proporcionado por patinadores e actores profissionais, entre os quais se destacam Patrícia Candoso, Amílcar Azenha e Camilo Reis.

DR

Direcção técnica: Frederico Sá | Produção: Frederico Sá e Diana Caetano | Adaptação e encenação: Miguel Coelho | Coreografia: Frederico Bernardo | Cenografia: Rendilogo Figurinos e adereços: Paula Pires | Baseado na história: Cendrillon ou la petite pantoufle de verre (Charles Perrault)

A Câmara Municipal da Marinha Grande convida a população a assistir aos Concertos de Natal, a realizar nos dias 11, 12 e 19, pelas 16h00, em igrejas das três freguesias do concelho. A entrada é livre. Com esta iniciativa, a Câmara Municipal pretende assinalar a quadra natalícia oferecendo aos munícipes um momento musical intimista onde serão interpretados temas da época, de autores portugueses e estrangeiros. Programação 11 de Dezembro, 16h00, Capela de S. Silvestre – Moita: Grupo Coral Calçada Romana. 12 de Dezembro, 16h00, Igreja Nossa Senhora dos Milagres - Vieira de Leiria: Coral do Ateneu de Leiria, Tertúlia dos Anos de Ouro. 19 de Dezembro, 16h00, Igreja Nossa Senhora do Rosário - Marinha Grande: Tertúlia dos Anos de Ouro, Grupo Coral do Arrabal, Grupo Coral Cantábilis, Coral do Pátio da Inês.

Exposição de fotografia no IPJ de Leiria

“Biodiversidade em Ródão”

“Biodiversidade em Ródão” é a exposição de fotografia que está patente, na Direcção Regional do Centro do IPJ, em Leiria (Loja PONTO JA), entre 29 de Novembro e 17 de Dezembro. Esta é uma iniciativa conjunta entre a Câmara Municipal de Vila Velha de Ródão e a Associação de Estudos do Alto Tejo, entre outras entidades e que visa sensibilizar a população em geral e os jovens, em particular, para a protecção do ambiente.

WWW.FACEBOOK.COM/OMENSAGEIRO


6 SOCIEDADE Instituto da Juventude comemora

Dia Internacional do Voluntariado No âmbito das comemorações do Dia Internacional do Voluntariado e do Ano Internacional da Juventude, a Direcção Regional do Centro do Instituto Português da Juventude preparou um programa diversificado, com o objectivo de sensibilizar os mais jovens para o voluntariado como uma forma nobre de exercer a participação cívica. Está patente uma exposição fotográfica sobre voluntariado, até 17 de Dezembro.

Coro Gaudia Vitae de Mira de Aire

Serão de S. Martinho

Numa primeira iniciativa do Coro Gaudia Vitae - Associação Cultural, teve lugar no passado dia 13 de Novembro, um Serão Convívio alusivo ao S. Martinho. Mesmo com o mau tempo que se fez sentir, a população quis associar-se a uma noite de música, cultura e gastronomia, com vários tipos de sopas, petiscos diversos e como não podia deixar de ser as castanhas assadas, tudo acompanhado de vinho e saborosa água-pé.

O Mensageiro 9.Dezembro.2010

Obras de requalificação

Marinha investe 796 mil euros até 2013 A Câmara Municipal da Marinha Grande iniciou no dia 16 de Novembro a requalificação das Ruas Natália Correia e troço da Rua Miguel Torga, ambas situadas no lugar da Várzea, freguesia de Marinha Grande. A empreitada tem como objectivo a requalificação de ruas que, face à sua debilidade ou ausência de infraestruturas básicas, carecem de obras de remodelação e demolição. Está prevista a remodelação integral das redes de drenagem de águas residuais, doméstica e pluvial, da rede de abastecimento de água e execução integral da estrutura do pavimento, incluindo passeios e estacionamentos. Serão executados os seguintes trabalhos: - 1500 ml de colector

pluvial em manilhas de betão armado; - 1450 ml de conduta de abastecimento de água; - 1100 m2 de pavimentação com camadas betuminosas; - 9300 m2 de pavimentação em calçada. As obras deste projecto foram adjudicadas pelo valor de 378.000 euros, acrescidos de IVA, e têm um prazo de execução previsto de oito meses. Devido ao normal curso das obras, serão impostas restrições à circulação automóvel. No dia 4 de Novembro, no Centro Cultural e Paroquial da Passagem, realizou-se uma reunião com os moradores do lugar da Passagem, Boco e Casal de Anja, na freguesia de Vieira de Leiria, com o objectivo de apresentar o projecto de execução da rede de sanea-

mento destes lugares. Na reunião estiveram presentes o Presidente da Câmara, Álvaro Pereira; o Vice-Presidente, Paulo Vicente; o Presidente da Junta de Freguesia de Vieira de Leiria, Joaquim Vidal e uma técnica da Divisão de Infra-estruturas e Redes Municipais da Câmara da Marinha Grande. As mais de cem pessoas presentes escutaram as explicações da Autarquia relativas ao projecto de Saneamento Integrado da Bacia do Rio Lis: Redes de Saneamento de Boco, Passagem e Casal de Anja. A primeira fase de execução da rede da Passagem, cujos trabalhos já se encontram a decorrer, contempla: Campos do Liz, Rua da Fonte, Travessa dos Loureiros e Beco dos Loureiros, Travessa da Cepa, Rua Manuel

Engrácio, Travessa dos Pedrosas, Rua Joaquim Tomé, Travessa dos Migueis, Largo Nossa Sr.ª da Ajuda, Rua do Boco, Rua da Vieira, Rua da Cerca e Travessa da Cerca, Rua da Fruta, Rua Alto da Cerca, Rua do Campo de Futebol. No Boco as primeiras ruas a ser intervencionadas são a rua do Campo, rua dos Vales e a rua do Boco. Esta beneficiação implica um investimento total de 796.052,79 €, a realizar até 2013, por duas fases. A primeira fase prevê um investimento de 71.184,00€ para a rede do Boco e 150.358,38€ para a rede da Passagem. A segunda fase irá abranger obras no valor de 574.510,40€.

Em Leiria

Jantar de Solidariedade

Infraestruturas científicas e tecnológicas

Aprovados projectos ‘Mais Centro’ O Mais Centro-Programa Operacional Regional do Centro aprovou 35 novos projectos, entre os quais, dois do Instituto Politécnico de Leiria. Este programa vai apoiar infraestruturas científicas e tecnológicas, correspondendo a um investimento de 107 milhões de euros, com uma comparticipação do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) de cerca de 66 milhões de euros. Trata-se de centros de transferência de tecnologia e de centros de I&D vocacionados para a cooperação com empresas, cujos promotores são as universidades da Região, institutos politécnicos, centros tecnológicos, outros centros de transferência de tecnologia e outras entidades do sistema científico e tecnológico. Alfredo Marques, Presidente da Comissão Directiva do Mais Centro, sublinha que «se trata do maior apoio dado na Região Centro ao sistema científico e tecnológico» e que estes projectos «têm uma enorme importância para a Região e para o País, porque se trata de criar condições para as empresas poderem inovar, incorporando na produção de bens e serviços aquele que é hoje o factor decisivo do sucesso: o conhecimento. Deste modo, estarão em condições de obter ganhos de produtividade e de competitividade e de dar um importante contributo para a criação de um novo paradigma na economia nacional e para relançar o crescimento».

Proposta da CIP prevê acréscimo anual do PIB de 900 milhões de euros

“Fazer Acontecer a Regeneração Urbana” O impacto da proposta da CIP, Confederação Empresarial de Portugal, para dinamização do Mercado de arrendamento e reabilitação urbana prevê no período de 18 a 20 anos: - Um crescimento anual do PIB (Produto Interno Bruto) de cerca de 900 milhões de euros, que representará um valor acumulado entre 16.000 e 18.000 milhões de euros - A criação de mais de meio milhão de empregos - Uma receita na ordem dos 29.000 milhões de euros em impostos e cerca de 13 milhões de euros em contribuições para a Segurança Social - Impacto zero no aumento da despesa pública e no agravamento do défice A CIP apresentou, recentemente, um projecto ambicioso para “Fazer acontecer a regeneração urbana”, que visa um conjunto de medidas com incidência ao nível fiscal, legislativo e jurídico, para possibilitar a reabilitação urbana e impulsionar o Mercado de Arrendamento.

DR

No dia 21 de Dezembro terá lugar pelas 19h30, nas instalações do Regimento de Artilharia nº 4 de Leiria, o Jantar de Solidariedade, promovido pela Câmara Municipal de Leiria, ASA – Associação Social Adventista, Associação de Solidariedade Académico de Leiria, Delegação de Leiria da Cruz Vermelha Portuguesa, Lions Clube de Leiria e Rotary Club de Leiria. O Jantar de Solidariedade, destina-se a famílias e pessoas carenciadas do Concelho de Leiria, que neste dia terão uma refeição condigna oferecida por estas entidades, com o objectivo de evocar o espírito natalício entre os leirienses que lutam com dificuldades, que o advento da crise económica acentuou nos últimos tempos.

O projecto visa uma intervenção não apenas no edificado, ou no parque habitacional, mas na revitalização das cidades, repovoando os centros urbanos, atraindo investimento, aumentando a sustentabilidade ambiental, dinamizando negócios, melhorando o ordenamento do território, aumentando a mobilidade local das pessoas e a mobilidade territorial das famílias. Através do recurso a empresas portuguesas com know-how e soluções de eficiência energética e urbanísticas de base nacional, o projecto da CIP prevê a criação de mais de

meio milhão de postos de trabalho e um acréscimo do PIB anual em cerca de 900 milhões de euros anuais, durante um período estimado de 18 a 20 anos. Financeiramente o projecto “Fazer acontecer a regeneração urbana” traduzse num aumento de receita para o Estado e contribui para uma efectiva redução do défice; Economicamente, implica a criação de riqueza e a dinamização do tecido empresarial nacional; e Socialmente, representa a criação de centenas de milhares de postos de trabalho, ao longo de vinte anos. Para além disso, oferecerá, a prazo, às famílias

portuguesas a garantia de que poderão encontrar habitações adequadas às suas reais necessidades e possibilidades. Adicionalmente, este plano irá ainda potenciar mercado para o desenvolvimento das indústrias conexas à da construção e do imobiliário e a outras áreas de negócio e investimento. Segundo António Saraiva (na foto), Presidente da CIP, “o projecto “Fazer acontecer a regeneração urbana” vai contribuir para dinamizar a economia e para aumentar a riqueza nacional: por cada emprego criado no sector da construção, geram-se mais dois empregos adicionais; por outro lado, por cada euro que se investe em construção, gera-se um total de 2 euros e 19 cêntimos em actividade económica, directa e indirecta. Ou seja: há um efeito multiplicador do investimento em construção e imobiliário”.


SOCIEDADE 7

O Mensageiro 9.Dezembro.2010

No mês do Menino Jesus

Leiria de Natal Com a cidade ‘despida’ das habituais iluminações de Natal, efectuou-se um reconhecimento sobre a zona central de Leiria, onde habitualmente é montada a ‘Aldeia de Natal’. Com a chuva, vento e frio, mesmo assim as muitas crianças das escolas do concelho não deixaram de visitar esta aldeia edificada na cidade, relembrando com os presépios construídos com vários materiais, o nascimento do Menino Jesus que nasceu há quase 2011 anos em Belém. Mas, mesmo com a metrópole sem as muitas luzes e enfeites que lhe davam mais beleza e encantamento, esta ‘Aldeia de Natal’, inaugurada no dia 6 de Dezembro, vai trazer a ‘Fábrica do Pai Natal’, no edifício do Banco de Portugal, ‘Recreio dos Duendes’ no Largo 5 de Outubro e a ‘Praça dos Reis Magos’ no Jardim Luís de Camões, entre outras atracções que vão figurar

Fábrica do Pai Natal No Edifício Banco de Portugal há estrelas, luzes, bolas, brinquedos, contos e magia, e não falta um trono onde o Pai Natal recebe as crianças e as suas cartas com pedidos de presentes. Estamos na Fábrica do Pai Natal! Aqui os duendes atarefados dão os últimos retoques e apelam à imaginação para que todos possam viver momentos de alegria inesquecíveis. Horários: 10h00-12h00 e 14h0017h00 (dias úteis), 10h00-12h00 e15h00-18h30 (sábados) e 15h00-18h30 (domingos e feriados).

14h00-16h00 (dias úteis), 15h00-18h30 (fins-de-semana e feriados).

Oficina das Invenções e Criações No Largo 5 de Outubro (em frente ao Edifício Banco de Portugal) diversas instituições e empresas locais animarão este espaço com actividades e oficinas lúdicopedagógicas. Horários: 16h30-18h30 (dias úteis), 10h0012h00 e 15h00-18h30 (sábados), 15h00-18h30 (domingos e feriados).

Praça dos Reis Magos

Recreio dos Duendes

No Jardim Luís de Camões três reis magos, uma estrela e a lua cheia de gente. Três piratas encontram-se numa encruzilhada. Um é mouro, outro é cristão e o terceiro é judeu. Das peripécias e das aventuras que vivem em busca da Estrela do Natal. Horários: 10h00-12h00 e

No Largo 5 de Outubro uma área dedicada ao divertimento ao ar livre, onde os visitantes podem apreciar o Presépio e a Mostra de Natal com trabalhos alusivos à época, realizados por alunos e utentes dos estabelecimentos de ensino do pré-escolar, 1.º CEB, instituições de

até dia 23. A ‘Fábrica de Natal’ vai trazer aos meninos contos, magia, luzes, estrelas brinquedos, não faltando o trono do Pai Natal. Mas, no recinto desta ‘Aldeia de Natal’ não faltam as barracas das vendas, carrocel, quiosque dos gelados, forno da aldeia e o tradicional café e filhós. Nesta ‘Aldeia de Natal’ de 2010 existe também o ‘Espaço Solidariedade’ que conta com a presença de algumas instituições que vão aproveitar a ocasião festiva para divulgar as suas actividades e efectuarem algumas vendas, angariando as tão necessárias receitas. Nesta edição de 2010, a ‘Aldeia de Natal’ reflectirá o contexto de crise, com reduções significativas no seu orçamento, aproximando-se do valor de 40 mil euros, valores bem inferiores a 2009 que somou 84.689 euros. Texto e fotos Joaquim Santos

solidariedade social com centro ocupacional e associações juvenis, do concelho de Leiria. Um carrossel, um quiosque de gelados e um forno de aldeia fazem as delícias de crianças e adultos com muita animação, as tradicionais filhós e o café da avó.

Espaço Solidariedade (dias 4 a 17 e 20 a 23) No Jardim Luís de Camões espaço de divulgação e promoção das actividades e projectos das instituições de solidariedade social do concelho. Nesta partilha e convívio entre instituições e comunidade, materializa-se o espírito humanista do Natal. Horários: 12h00-18h00 (dias úteis), 10h00-18h00 (sábados) e 14h00-19h00 (domingos e feriados).


8 ECLESIAL

O Mensageiro 9.Dezembro.2010

[COLUNA SEMANAL]

CAMINHO... COM A

CARTA PASTORAL

9

Viva + Jesus!

DR

Profissão Solene da Ir. Sílvia Maria

2. DE DEUS-AMOR AO AMOR DO PRÓXIMO (...)

2.3. O Ícone do Juízo Universal (Mt 25, 31-46): ...Foi a mim mesmo que o fizestes. Na história da espiritualidade cristã, dificilmente encontramos um texto que tenha suscitado um fascínio tão grande como este discurso de Jesus sobre o Juízo Universal. Não estamos perante uma reportagem de tipo jornalístico sobre o fim do mundo e o juízo final. Trata-se do discurso conclusivo de Jesus para mostrar que a dimensão do amor do próximo está no centro do Reino de Deus, que foi apresentado ao longo do Evangelho. Esse amor ao próximo joga um papel decisivo nas opções de cada um em relação a Cristo. Esta mensagem é-nos apresentada numa cena grandiosa, cheia de elementos simbólicos: a convocação de todos os povos diante de Cristo, Pastor da humanidade, Senhor e Juiz da história. “Tive fome e destes-me de comer...” Esta página evangélica diz-nos que, no final, todos seremos julgados pelo amor. A grande surpresa dos “julgados” é precisamente o critério do exame ou juízo: “Tive fome e destes-me de comer ... Senhor, quando foi que te vimos com fome...?”. O critério do juízo é o amor manifestado nas obras de misericórdia. “Foi a mim mesmo que o fizestes” Contudo, a grande novidade do texto é que Cristo se identifica com aqueles que passam fome, sede, nudez, doença, prisão... “Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes”. Já não se pode separar Cristo dos necessitados, dos pobres. O que se faz de bem a eles, é ao próprio Cristo que se faz. Não os servindo, não se serve a Cristo. Jesus é amado no amor de uns pelos outros. Nesta passagem, Jesus enumera as obras de misericórdia. A salvação ou a ruína passam por estes pequenos/grandes gestos quotidianos. Todos podemos percorrer o caminho das obras de misericórdia, actualizando-as nos dias de hoje. Elas são os sinais postos no caminho do amor. Sintetizando, podemos concluir com um belo texto do Papa Bento XVI: “A caridade é o distintivo do cristão. É a síntese de toda a sua vida: do que crê e do que faz. É a luz que dá bondade e beleza à existência de cada homem. É o comportamento de quem responde ao amor de Deus e faz da própria vida um dom de si a Deus e ao próximo. É o caminho da santidade. A vida dos santos, de cada santo, é um hino à caridade, um cântico vivo ao amor de Deus”!

Proposta para reflexão... do próximo

or ao amor Capítulo 2 - De Deus-Am je, e na nossa Final • Nos dias de ho 2.3 - O ícone do Juízo dem e devem to, em que gestos se po comunidade em concre por Jesus? sericórdia enumeradas actualizar as obras de mi

Mediaram apenas 20 e poucos dias entre a Profissão Solene da nossa Irmã Rita Maria e da nossa Irmã Sílvia Maria. Porque não as duas Festas no mesmo dia? Por conveniência, que se deduz facilmente. No dia 31 de Outubro viu a Nossa Irmã Sílvia Maria os seus desejos satisfeitos a sua felicidade ao alcance da mão. Mas a Irmã Sílvia Maria quer apresentar o seu testemunho: “Eu pertencia à Comunidade Neocatecumenal da Brandoa. Aí a minha Fé se aprofundou, de modo particular estudando a Palavra de Deus e vivendo a Eucaristia. Outros meios de formação me levaram a um maior conhecimento de Jesus Cristo. Chegei até a compreender bem que Deus conduzia a minha história, que me amava e queria que eu colaborasse com Ele na salvação da humanidade, através do testemunho da Oração e aceitaçõ da Sua Vontade. Desde há anos sentia o desejo de me entregar ao Amor que se entregou por mim e todos nós. Queria concretizar este desejo consagrando-me a Deus numa Ordem contemplativa. Tentei fazê-lo, mas a idade já avançada não o permitia. Aos 70 anos entrei em contacto com as Irmãs Clarissas, que não

me puderam receber. Indicaram-me, no entanto, a Ordem da Visitação de Santa Maria. Falei com estas Religiosas ainda nessa semana. Convidaram-me a fazer, entre elas, uma experiência vocacional. Estive oito dias no Mosteiro e senti que era ali o meu lugar. E isto sem dúvida alguma da minha parte. Saí então, e dois meses depois voltei ao Mosteiro. Fiz o meu tempo de noviciado, depois os votos temporários, sempre muito alrgre e feliz. O tempo passou e chegou o dia mais belo, o dia de pronunciar os meus Votos Religiosos de Castidade, Obediência e Pobreza, por toda a vida, ao serviço da Igreja e da comunidade universal. Faltava-me a aceitação desta comunidade para a Profissão Solene e a aceitação da Santa Igreja, sinal que Deus me aceitava como esposa de Jesus Cristo, para colaborar na obra de salvação da humanidade e glória de Deus, pela oração e aceitação da sua vontade . Foi para mim o dia mais feliz, porque se realizou o meu sonho: entreguei-me Áquele que se entregou por mim! Como gostaria que o meu testemunho de entrga voluntária, consciente e responsável, tocasse muitos corações de jovens e adultos, quer para o sacerdócio,

quer para a vida contemplativa. Se ouvirdes o apelo de Jesus: “Vem e segue-Me” – sede generosos. Deus precisa de vós, o mundo precisa de novos evangelizadores, a Igreja nossa Mãe precisa de santos! “Depois do testemunho da nossa Irmã Silvia Maria, as suas Irmãs Religiosas querem dar testemunho dela ou melhor, querem louvar e agradecer a Deus por este membro que fez aumentar o número de Professas nesta comunidade. É a nossa irmã uma dessas pessoas que sabe amar a Deus e ao próximo. Tem gosto em fazer feliz quem a rodeia. Sempre alegre, a sua jovialidade não sente o desgaste dos anos, nem as inevitáveis dificuldades que a vida apresenta. A sua pouca saúde também não faz sombra à sua constância e franca boa disposição. Trabalha muito, não se poupa, sabe actuar em qualquer campo, pronta para tudo o que parece difícil e ás vezes o é. Mas leva tudo a bom termo. A sua piedade, a sua doação a Jesus e Maria, são as fontes da sua coragem. Deus seja bendito por esta nossa Irmã! Que Ele a conduza a um grau de santidade muito elevado. As Irmãs do Mosteiro da Visitação Batalha

Caminho Neocatecumenal de Leiria-Fátima em convívio O tema Novíssimos - morte, juízo, inferno e paraíso - esteve como pano de fundo do encontro que reuniu, na Casa de Retiros São José (Seminário Diocesano de Leiria), de 2 a 5 de Dezembro, as comunidades das paróquias dos Marrazes (3), São Mamede (2) e Bajouca (1). Momentos de oração, reflexão e convívio marcaram o encontro que terminou com a Eucaristia dominical.

Foto (captada com telemóvel): Pedro Jerónimo


Suplemento integrante da edição 4837 de O MENSAGEIRO, de 09.12.2010. Não pode ser vendido separadamente.

Caderno especial

Seminário Diocesano de Leiria Inauguração dos espaços renovados na 1.ª fase das obras na festa da Padroeira - Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria

8 de Dezembro de 2010


ESPECIAL • SEMINÁRIO DIOCESANO DE LEIRIA 11

O Mensageiro

9.Dezembro.2010

O edifício do Seminário ao serviço de toda a Diocese!

P. Armindo Janeiro Reitor

Concluída a primeira fase das obras de conservação e introdução de melhorias no edifício do Seminário Diocesano de Leiria, eis-nos chegados ao dia em que o nosso Bispo, D. António Marto, fará a bênção dos espaços renovados que servirão a Comunidade do Seminário e a Casa de Retiros, dedicada a São José. Durante mais de dois anos (de finais de 2005 a meados de 2008), com a ajuda de pessoas e empresas especializadas, estudámos a melhor forma de executar as opções aprovadas pela autoridade competente, sempre no respeito pela lógica arquitec-

tónica do edifício e no desejo de integrar, na medida do possível, as mais-valias que as energias renováveis e as novas tecnologias nos podiam oferecer. Com o contributo de um grupo alargado de técnicos, foi possível, na Comissão de Acompanhamen-

to da Obra, tomar as decisões que puseram em andamento os trabalhos da primeira fase. Nos últimos dois anos, trabalhámos na sua execução, não sem dificuldades, mas também com o apoio de muitos. Gostaria, por isso, de agradecer a todos, não

Comissões para as obras no edifício do Seminário Comissão de Acompanhamento Padre Manuel Armindo Pereira Janeiro (Reitor do Seminário e Coordenador das obras) Padre Jorge Manuel Faria Guarda (Vigário Geral) Padre Cristiano João Rodrigues Saraiva (Ecónomo Diocesano) Padre Pedro Miguel Ferreira Viva (Ecónomo do Seminário) Monsenhor Henrique Fernandes da Fonseca Padre António Lopes de Sousa.

Angariação de fundos P. Armindo Janeiro P. Jorge Guarda Jacinta Santos Joaquim Mexia Joaquim Silva Júlio Martins Manuel Valentim Vítor Joaquim

Registo no ICS N.º 100494 Semanário - Sai à 5ª Feira Tiragem da edição - 7.500

distinguindo ninguém e lembrando expressamente quantos nos ajudaram com os seus donativos. É, pois, tempo de dar graças a Deus pelo caminho percorrido e pedir ao Senhor da messe a perseverança necessária para, em tempos difíceis, levar a bom porto a obra começada. Estamos, sensivelmente, a meio! Os alunos do Seminário e quantos frequentam a Casa de Retiros São José, para tempos de maior vivência espiritual e/ou formação humana e cristã, já usufruem das melhorias introduzidas, falta-nos agora fazer o mesmo por aqueles que aqui vivem (padres), trabalham nos serviços diocesanos e/ou realizam as suas actividades. Como as dificuldades vão ser ainda maiores e atingem a todos, só a colaboração e o contributo de toda a Diocese nos permitirá avançar neste grande objectivo comum. Desde o início das obras (trabalhos na igreja e na biblioteca, execução da primeira fase e implementação dos principais sistemas para o funcionamento do edifício), foram gastos 4.250.000 euros: o Seminário assumiu 2,5 milhões, o Economato Diocesano assumiu um milhão e, de toda a Diocese, recebemos 750.000 euros em donativos, aproximadamente.

FICHA TÉCNICA Suplemento integrante da edição 4837 de O MENSAGEIRO, de 09.12.2010. Não pode ser vendido separadamente. Director Rui Ribeiro (TE416) Coordenação geral, desenho gráfico e paginação Luís Miguel Ferraz (CP5023) Textos Alexandra Cantante, D. António Marto, Luís Miguel Ferraz, Martinho Nunes Brito, Padre André Batista, Padre Manuel Armindo Janeiro, Padre Rui Ribeiro Fotos Luís Miguel Ferraz, Patrício Oliveira, Paulo Adriano Secretariado Ana Vala Administração André Batista Propriedade/Sede (Editor) Seminário Diocesano de Leiria - Largo Padre Carvalho - 2414-011 LEIRIA - Reitor: Armindo Janeiro (Pe.) Contribuinte 500 845 719 Contactos Tel.: 244 821 100/1 - Fax: 244 821 102 - Email: jornal@omensageiro.com.pt - Web: www.omensageiro.com.pt Impressão e Expedição CORAZE - Oliveira de Azeméis - Tel: 256 600 580 / Fax: 256 600 589 - E-mail: grafica@coraze.com Depósito Legal 2906831/09

Precisamos, por isso, dado o volume de obra a fazer e as exigências diárias do Seminário, da ajuda possível de todas as comunidades cristãs e de quantos sentem esta causa e esta casa como suas! Uma das formas de ajudar é começar a usar a Casa de Retiros São José para a sua finalidade primeira, ou seja, como espaço de oração e reflexão, onde grupos, pequenos ou grandes, pela escuta da Palavra de Deus, se dedicam à descoberta e meditação do amor terno e misericordioso de Deus Pai, capaz de rasgar novos horizontes às nossas vidas. Queremos ser, nestes tempos de crise e de grande apatia, sinal de esperança, oferendo condições para que quem procura possa encontrar a “fonte da nossa alegria”: Jesus Cristo! É por Ele, no Espírito Santo, que nos sabemos amados por Deus Pai e chamados à comunhão fraterna na sua Igreja para que o Mundo acredite. A Casa de Retiros São José estará também aberta a outras actividades de carácter cultural e social, desde que não contradigam a sua finalidade primeira.

Tabela de Assinaturas para 2010 Destino Nacional Europa Resto do Mundo

Normal Benfeitor 20 euros 40 euros 30 euros 60 euros 40 euros

Preço avulso - 0,80 euros


12 ESPECIAL • SEMINÁRIO DIOCESANO DE LEIRIA

O Mensageiro 9.Dezembro.2010

antes

antes

antes

antes

durante

durante

durante

durante

depois

depois

depois

depois

PUB

gep.comercial@mail.telepac.pt Av. Visconde do Amparo, 235 Lote 13 • Marrazes • Leiria Tel. 244 881 947

Indústria e comércio de artigos para o lar, Lda.

Largo do Rossio, 41 Caxieira - Santa Eufémia 2420-289 LEIRIA Tel./Fax 244 732 245 Telm. 918 473 013 cruzlartexteis@gmail.com www.cruzlar.com

Jardins do Chinchorro Dedicamo-nos a: • Construção e Manutenção de jardins • Venda e Produção de Plantas (Estufa e Loja)

Armazém e Exposição

Rua do Pastor, n.º 14 • Boa Vista • 2420-399 LEIRIA T. 244724659 / 915669950 • Fax. 244724846 • decoralia.lda@gmail.com

• Venda de acessórios e artigos de rega (Loja)

Encontramo-nos em: Rua dos Voluntários 25 de Novembro, 52E 2425-173 BAJOUCA Contacte-nos:

Tlf. (Loja): 244 686 454 Tlm. (Cristina): 918 732 248 Tlm. (Orlando): 918 100 112

Construção Civil Estuques Projectados Rebocos Tectos Falsos Divisórias R. do Bonjardim - Eguins 3100-081 ALBERGARIA DOS DOZE Pombal - Leiria Tels. 236 93 21 09 / 963 02 43 97 E-mail: cpg_firma@hotmail.com

Rua N.ª Sr.ª da Memória, n.º 31 Casal do Meio 2495-015 S. Mamede

T. 244 744 137 F. 244 745 285 Tm. 919 357 622


ESPECIAL • SEMINÁRIO DIOCESANO DE LEIRIA 13

O Mensageiro

9.Dezembro.2010

Refuncionalização dos espaços Alexandra Cantante Arquitecta

Vem de longe a reflexão sobre a necessidade de proceder à adaptação dos espaços do edifício do Seminário Diocesano para que, quer a comunidade do Seminário quer os serviços, movimentos, instituições diocesanas e outros organismos que deles se servem ou venham a servir-se, possam funcionar sem grandes constrangimentos.

5. Residência de Padres: com 12 quartos de diferentes dimensões (9 + 3), duas salas privadas, uma capela e uma sala de convívio.

Projecto de arquitectura Procura integrar as exigências específicas das seguintes valências: Seminário, Casa de Retiros/Formação (1.ª fase das obras), Centro Pastoral (2.ª fase) e Residência de Padres (3.ª fase).

7. Serviço geral da Casa a) Portaria, cozinha, copa, dispensa, duas salas para rouparia, lavandaria, zona técnica; carpintaria; arrumos, garagens.

6. Pessoal de serviço a) 4 Quartos para o pessoal interno; refeitório; zona própria para o pessoal de cozinha;

1. Comunidade do Seminário (Pré-Seminário, Seminário Menor, Ano Propedêutico, Seminário Maior) com 22 quartos para alunos e 3 para superiores, duas salas de convívio, 2 salas de aulas, capela, pátio interior, refeitório, espaço para jogos, balneários exteriores (apoio ao campo de futebol); se necessário, esta valência pode aumentar progressivamente até ao triplo dos quartos e anexar entre 3 a 5 salas; a estes espaços acresce ainda: Reitoria, Secretaria, Sala de actos, Laboratório, Bibliotecas geral e do Livro antigo e o Depósito. 2. Casa de Retiros/Formação (religiosa ou outra compatível) com 42 quartos duplos (destes, 4 para pessoas com deficiência), recepção, secretaria, capela e oratório, 7 salas de diferentes dimensões, bar, quarto para o orientador e pátio exterior; se necessário, esta valência pode aumentar progressivamente até mais do dobro dos quartos (88) e usar mais 3 salas. 3. Centro Pastoral Diocesano: a) 2 Gabinetes com quarto (Bispo e Vigário Geral), Câmara Eclesiástica (com espaço para arquivo vivo e histórico), Tribunal Eclesiástico, Economato Diocesano, Sala de actos; b) 45 Gabinetes (30 simples, 14 duplos, 1 triplo) e 3 salas, para sede e preparação das actividades de 16 Secretariados e Comissões, 25 Movimentos, Associações e outros organismos (GASPA, redacção e arquivo do jornal O Mensageiro…); c) 3 Quartos com escritório para convidados/ conferencistas/hóspedes; d) A solução para o Museu e Arquivo diocesanos poderá condicionar a afectação dos espaços. 4. Espaços comuns: a) Para a execução das iniciativas dos movimentos e serviços diocesanos ou de outras instituições: 17 salas; 1 igreja, 3 capelas e 2 oratórios; 3 refeitórios; Aula Magna e recepção, Bar e Sala de apoio; Cripta e pátio interior; Ginásio; b) Sala de televisão e jornais; salas de jogos (bilhar e ping-pong), salas de visitas; c) Gabinete médico/enfermagem.

1.ª fase das obras

2.ª fase das obras

3.ª fase das obras

O Seminário Diocesano de Leiria foi projectado e construído nos anos sessenta. Acolhia então jovens vocações em regime de internato e a partir da idade de frequentar o ensino preparatório. Era nesses tempos um enorme edifício preparado para uma só função, a de Seminário, e funcionava com grandes áreas de camaratas e quartos, salas de aula, grandes espaços de culto e uma portaria centralizada, em que todos os espaços faziam parte de um único núcleo funcional. Nos dias de hoje, porém, o espaço outrora ocupado deixou de ser necessário para a função original. Os espaços excedentes puderam, por isso, abrir-se ao serviço de toda a comunidade, proporcionando espaços para retiros, acções de formação, encontros, sedes de movimentos e obras, para além dos espaços de Seminário. Foi necessário, por isso, repensar o edifício de modo que pudesse ser preparado para diversos eventos a decorrer em simultâneo. Sem grandes certezas quanto a ocupações futuras, foi fundamental adaptar o edifício sem perder a sua qualidade. Foi especial preocupação do Reitor garantir que a flexibilidade de utilização do edifício não prejudicasse a sua robustez e identidade, sem perder de vista o fim último para que fora criado. Ser Seminário continua a ser a sua grande finalidade. Procurou-se, pois, uma modularidade que permitisse crescer e retrair, abrir ou fechar, sem que se altere a sua matriz estrutural. Esta intervenção de reconversão foi pensada para três fases, das quais se encontra hoje concluída apenas a primeira. Nesta fase, cuidou-se das áreas de quartos do Seminário e Casa de Retiros com os respectivos espaços comuns. Foi preocupação na organização do edifício permitir a convivência de diversos grupos com distintas actividades, necessidades e modos de viver os espaços e os silêncios. Foram ainda criados novos espaços de oração. As novas capelas foram criadas para pequenos grupos, permitindo uma grande proximidade e fazendo do altar o seu centro. Além disso, procurou-se que fossem espaços acolhedores, convidativos à meditação individual e preparados para oração comunitária. As combinações de distribuição de alojamento são inúmeras, sendo possível alterar o funcionamento sem operar modificações no edifício. As áreas dos quartos duplos variam entre os 12,40m2 e os 15,00 m2, com instalações sanitárias próprias, sendo alguns preparados para pessoas dependentes ou com mobilidade reduzida. Foram ainda introduzidas duas novas portarias para acesso a pessoas externas ao edifício sem invasão de espaços privados ou residenciais, o que permite o funcionamento de eventos (mesmo os ruidosos...) em simultâneo com a vida de estudo ou oração. Para além dos aspectos da ocupação, a remodelação foi ainda uma oportunidade para rever questões relacionadas com a conservação do edifício, a eficiência energética, o cumprimento de normas de segurança, renovação de redes de água, eléctricas e informáticas e redução da necessidade de futuros trabalhos de manutenção. A principal preocupação do projecto foi, ainda antes de todos os aspectos técnicos, garantir que o carácter do espaço recriado tivesse um ambiente sereno, silencioso, sóbrio e capaz de proporcionar a interioridade de que o Mundo hoje tanto precisa...


14 ESPECIAL • SEMINÁRIO DIOCESANO DE LEIRIA

O Mensageiro 9.Dezembro.2010

Resumo histórico

O Seminário, “coração da Diocese” P. Manuel Armindo Janeiro Reitor

João Paulo II, na exortação apostólica “Pastores do Rebanho” (PR), sobre “O Bispo, servidor do Evangelho de Jesus Cristo para a esperança do mundo”, refere-se ao Seminário como “um dos bens mais preciosos” de uma diocese (48). Se olharmos para a história da nossa Diocese – e o mesmo, certamente, se dirá de todas as outras – o que sobressai, em primeiro lugar, é o cuidado pelo Seminário. Não admira por isso que, mesmo em condições políticas, sociais e até eclesiásticas adversas, esta porção do povo de Deus tenha sabido suscitar vocações sacerdotais. Pode mesmo dizer-se que foram os momentos difíceis que mais ajudaram a Diocese a perceber a importância do Seminário. 1 – Das origens até à extinção, em 1911 Coube a D. Pedro Vieira da Silva (1671-1676), mais de um século depois do decreto tridentino De reformatione, de 1563, a PUB


ESPECIAL • SEMINÁRIO DIOCESANO DE LEIRIA 15

O Mensageiro

9.Dezembro.2010

edificação do primeiro Seminário Diocesano, junto ao Convento de Santo Agostinho, sobre a margem esquerda do Rio Lis. O nome desse bispo ficou assinalado sobre a entrada do edifício, por baixo do seu brasão episcopal, numa lápide em latim, atribuída a D. Inácio da Fonseca Manso, bispo de Leiria (1818-1834), cuja tradução é a seguinte: “Pedro, enquanto viveu, não consentiu que se pusesse aqui este brasão; e, se lhe fosse dado, ainda hoje do túmulo o não consentiria”. O seminário, entregue aos religiosos do mesmo Convento, por doação de 18 de Dezembro de 1672, com o passar dos anos, foi sendo abandonado, de tal modo que, quando D. Manuel de Aguiar entrou no bispado, em 1790, o edifício estava quase em ruínas. Por isso, este prelado teve de organizar, no seu próprio palácio, sobranceiro à Sé, um colégio para a formação eclesiástica de alguns jovens pobres. Em 1803, ele mesmo deu início à reconstrução do antigo edifício, reabrindo-o no ano seguinte e confiando-o, desta vez, aos religiosos da Congregação da Missão. Durante a terceira invasão francesa (1810-1811), a cidade de Leiria foi saqueada e os melhores edifícios incendiados, incluindo o paço episcopal e o próprio seminário. Logo que pôde, D. Manuel de Aguiar reparou-o e reabri-o (Outubro de 1812). Estabeleceu nele a própria residência e aí veio a falecer em 1815. Quando as tropas liberais se apoderaram da cidade, em Janeiro de 1834, o seminário foi novamente fechado, vindo a reabrir a 19 de Outubro de 1850, por obra do bispo D. Manuel José da Costa. Com a extinção da diocese de Leiria (1881), os bens do Seminário foram adjudicados ao Seminário Patriarcal de Santarém, mas, por intervenção do deputado leiriense Dr. Adriano Xavier Lopes Vieira, esses bens foram transferidos, por carta de lei de 29 de Maio de 1884, para o Seminário de Coimbra, conservando-se porém, no Seminário de Leiria, enquanto nele estivessem instalados o Liceu e os alunos internos destinados ao estado sacerdotal (dados cedidos pelo Cón. Luciano Cristino) Ali continuou a funcionar o Seminário Menor, até que o governo da República o incorporou nos bens do Estado, em 1911, extinguindo aí o ensino eclesiástico (P. José Fernandes de Almeida, “O seminário de Leiria, achegas para a sua história”, Leira 1987 [Almeida], 98).

2– Interregno: de 1911 até 1918 Neste período, embora tivéssemos vocações “em número e qualidade, graças ao zelo apostólico dum clero modelar...” (Almeida, 115), elas eram encaminhadas para Coimbra ou Lisboa (Seminário de Santarém), consoante a respectiva zona de anexação. 3 – Da casa do Padre Carvalho ao Seminário da Quinta da Bela Vista O P. Joaquim José Carvalho foi o último vice-reitor do Seminário antigo, após a extinção da Diocese, ao qual dedicou toda a sua vida de padre, sem nunca dali ter saído, para desempenhar qualquer outro cargo. Em 17/12/1918, na sua quinta da Bela Vista, em Leiria, o P. Carvalho recebeu os primeiros 7 seminaristas (seis internos e um externo), tendo-se ordenado 3: João Ferreira Órfão, João Pereira Venâncio, Faustino Jacinto da Costa (Almeida, 118). Em 29/8/1919, na expectativa da nomeação e da vinda do novo bispo para a Diocese restaurada, «O Mensageiro» de Leiria anunciava um próximo convite ao clero para se reunir, a tratar da forma de criar o Seminário Diocesano. O convite é assinado pelo P. Joaquim José Pereira, da Caranguejeira, decano do clero leiriense. A solução “imediata e provisória” passou por instalar os seminaristas em edifício independente arrendado, próximo do Terreiro. O Seminário começou com 8 alunos. Nove dias após a sua entrada na Diocese, D. José Alves Correia da Silva, em provisão de 14/8/ 1920, escrevia: “O Seminário é o futuro da Diocese, como os filhos são a esperança da família. Da educação que os pais derem aos filhos depende a paz e a estabilidade da casa, o sossego da velhice e a continuação dos exemplos e tradições legados pelos avós. Em ponto maior sucede o mesmo com os Seminários... A prosperidade de uma Diocese aquilata-se pelo seu Seminário” (A. Zúquete, “Leiria, Subsídios para a História da sua Diocese”, Leiria 1945, 295). D. José foi também morar para o Largo do Terreiro. Esta vizinhança revelou-se muito útil para o alojamento dos seminaristas, pois ali (no Paço Episcopal) se estabeleceram duas camaratas, “suficientemente espaçosas” (Almeida, 123). O seminário iniciou o ano de 1920-21 com 18 alunos. Porque o espaço se tornou

pequeno, nos inícios de 1922, o Seminário mudou-se para a rua de Marcos Portugal. Mas como rapidamente se revelou insuficiente, o edifício teve de sofrer sucessivas ampliações para receber o número crescente de alunos. Até que, em provisão de 25/7/1951, D. José dava a notícia da instituição de um pequeno Seminário em Fátima para formar seminaristas do 1.º e 2.º Ano de Preparatórios. Na bênção e inauguração festiva do Seminário Menor de Nossa Senhora da Fátima, perante o clero da Diocese e os seminaristas, D. José declarava: “Sou pobre. De riquezas e bens materiais nada tenho que possa vir a deixar àqueles que me sucederem no governo desta Diocese. Mas provera a Deus que eu lhes pudesse legar uma geração de sacerdotes tão bons e zelosos como aqueles com que me encontrei, ao vir para aqui. Tenho para mim que esta é a maior riqueza que lhes poderei deixar” (Almeida, 128). Este Seminário funcionou entre 1951 e 1964 (13 anos) e por lá passaram 412 alunos; ordenaram-se 25. Nos dois seminários, em Outubro de 1951, estudavam 142 alunos: 59 em Fátima e 83 em Leiria. Mas era intenção de D. José dotar a Diocese de um único edifício capaz de acolher todo o Seminário Diocesano. Pensado primeiro para Fátima, haveria de ser o seu sucessor a realizar esse sonho, não em Fátima, mas em Leiria, no espaço – quinta da Bela Vista – onde ele – João Pereira Venâncio – tinha sido acolhido como seminarista - Casa do P. Carvalho. A bênção da primeira pedra do novo seminário realizou-se em 10/6/1962 e os alunos iniciaram ali os seus esPUB

tudos em 2/11/1965, com 187 alunos. A inauguração solene, no entanto, deu-se mais tarde, em 22/05/1968. O edifício fora pensado para 250 alunos divididos em três secções independentes: Seminários Menor, Médio e Maior, mas logo no primeiro ano do seu funcionamento as camaratas tiveram de ser aumentadas para receber todos os candidatos. 4 – Grandes mudanças Pouco depois de inaugurado, eis que as grandes mudanças sociais e eclesiais da segunda metade da década de 60 chegam também aos Seminários. Leiria não foi excepção: a partir de 1968, ano da solene inauguração, os alunos começam a fazer exames de equivalência no Liceu; de 1971 a 75, os anos correspondentes aos actuais 2.º e 3.º Ciclos passam a frequentar o Liceu; com o 25 de Abril, o 3.º Ciclo regressa ao Seminário, mas o 2.º Ciclo continua a ter aulas fora; em 1981, o Seminário deixa de receber alunos para 2.º Ciclo. Em 1971, no que se refere

ao Seminário Maior, é criado o Instituto Superior de Estudos Teológicos (ISET), em Coimbra, do qual a nossa Diocese é também fundadora. No ano seguinte, os nossos alunos começam a passar progressivamente para Coimbra. Em 1981, 10 anos depois, o Seminário Maior regressa a Leiria e recomeça com 4 alunos. Em 1995, passados 14 anos, os alunos (17) voltam a frequentar o ISET, integrando a comunidade do Seminário Maior de Coimbra. Em 1996, o Seminário deixa de receber, progressivamente, alunos do 3.º Ciclo e é criado o Pré-Seminário; nesse mesmo ano, as Dioceses do Centro lançam o Ano Propedêutico, a funcionar em Leiria. Em 2010, os alunos do Seminário Maior passam a frequentar a Faculdade de Teologia da Universidade Católica e a integrar a comunidade do Seminário Maior de Lisboa.


PUB


ESPECIAL • SEMINÁRIO DIOCESANO DE LEIRIA 17

O Mensageiro

9.Dezembro.2010

Entrevista ao reitor

“Uma realidade em mudança” Entrevista de Rui Ribeiro De 7 a 14 de Novembro, celebrámos em todas as dioceses de Portugal a Semana dos Seminários. Foi mais uma ocasião para dar a conhecer esta instituição, promover uma campanha de oração pelos seminaristas, formadores e pessoal auxiliar, bem como promover a ajuda financeira (materializada nos ofertórios das celebrações do dia 14). A Semana do Seminário é uma iniciativa anual da Igreja, com o objectivo de sensibilizar as nossas comunidades cristãs para a importância do Seminário como espaço privilegiado para a formação daqueles que são chamados a servir a Igreja como presbíteros. Formação que tem como pilares fundamentais as vertentes humana, espiritual, intelectual e pastoral. Inspira-se na eclesiologia de comunhão emanada dos documentos conciliares do Vaticano II, e tem como sua expressão uma Igreja ministerial edificada na unidade do Espírito e na pluralidade de dons e ministérios, que o mesmo Espírito suscita para o serviço da sua missão, entre os quais se encontra o ministério presbiteral. Numa expressão de D. Alberto Cosme do Amaral, o seminário diocesano é a “menina dos olhos da Diocese”. E se durante muito tempo estes olhos estiveram bem vivos e abertos, não podemos negar que outros momentos houve em que se fecharam de forma lenta. Actualmente, o seminário de Leiria-Fátima está a passar por profundas mudanças que vão desde a estrutura do edifício à modalidade de formação dos alunos. Uma reestruturação que requer colaboração de todos. Por ocasião dessa semana, estivemos à conversa com o reitor, padre Armindo Janeiro, para conhecermos melhor as pessoas e a estrutura actual. Reproduzimos a entrevista então publicada. Quantos alunos tem a Diocese actualmente no Seminário, e como estão distribuídos? Neste momento, estão dez alunos a viver o tempo de Seminário: um em Estágio (Patrício Oliveira), outro no Ano Pastoral (Miguel Alves), quatro no Seminário Maior (António Cardoso, João Jordão, Tiago Silva e Fábio Bernardino) e quatro no Ano Propedêutico (Dany Gil, Eduardo Caseiro, João Paulo e Paulo Jorge). O Ano Propedêutico conta ainda com mais quatro alunos: dois de Coimbra, um de Aveiro e outro de Évora.

O perfil dos seminaristas tem mudado nos últimos anos? Que rapazes procuram actualmente o seminário? Nos últimos cinco anos, cerca de metade dos que chegaram ao Ano Propedêutico eram jovens adultos, com uma experiência de vida muito diferente dos que antes vinham do Seminário Menor. A maioria foi acompanhada pelo Pré-Seminário. Alguns, por outras formas de acompanhamento no discernimento vocacional, propostas pelas Dioceses. Quanto aos que procuram o Seminário, não há propriamente um modelo: cada um tem a sua história e que é única e irrepetível. As motivações são várias, mais ou menos claras, e, por vezes, ancoradas em dimensões segundas do mistério cristão. Alguns levaram muito tempo a decidir-se, outros tiveram de vencer grandes obstáculos para aqui chegar. Nesta longa caminhada, muitos acabaram por cristalizar o seu modelo de padre que agora tem de ser repensado à luz da proposta que a Igreja faz a todos os candidatos ao sacerdócio. Este é o trabalho do Seminário e, em concreto, do Tempo Propedêutico. Qual o projecto actual da formação dos candidatos ao sacerdócio? O projecto de formação para o ministério ordenado brota da renovação conciliar (1962-65) e foi actualizado na “exortação apostólica pós-sinodal Pastores dabo vobis que João Paulo II dirigiu ao episcopado, clero e fiéis sobre a formação dos sacerdotes nas circunstâncias actuais”. No número 57 diz que “toda a formação dos candidatos ao sacerdócio é destinada a dispô-los de modo particular para comungar da caridade de Cristo, Bom Pastor”. Deste modo, se retoma a afirmação do decreto conciliar Optatam totius, número

4, relativamente aos seminários maiores: “a educação dos alunos deve tender para o objectivo de formar verdadeiros pastores de almas segundo o exemplo de Nosso Senhor Jesus Cristo mestre, sacerdote e pastor”. Por isso, o tempo de Seminário é a grande oportunidade, oferecida a todos os candidatos ao sacerdócio, para contemplar e se identificar com Cristo que lhe revela o rosto do Pai. Daqui nasce e se estrutura uma resposta pessoal, mediada pelos projectos educativos específicos, segundo as diferentes realidades e carismas eclesiais, para o serviço do Reino Deus. As actuais circunstâncias não facilitam um maior desenraizamento dos seminaristas e do seminário em relação à diocese? Como se procura solucionar este problema? A história mostra que a instituição Seminário é uma das que mais está sujeita às mudanças sociais, culturais e eclesiais. E o ritmo das mudanças aumentou nos últimos tempos! Basta recordar as diversas configurações pelas quais passou o nosso Seminário, depois da abertura do actual edifício, em 1965. Mas para que algo mude é preciso que uma realidade mais profunda permaneça e suporte essa mudança. No caso do Seminário, ele é suportado pela consciência de pertença a esta porção do Povo de Deus que é a diocese de Leiria-Fátima. Trata-se, por isso, de encontrar, no presente, as formas de relação mais adequadas. Nos últimos cinco anos foram lançadas dinâmicas de acompanhamento de adolescentes, jovens e adultos que têm crescido de uma forma consistente. Em relação aos alunos do Seminário Maior, eles passam os fins-de-

semana na Diocese. Este ano, por exemplo, acompanham os padres do Seminário no trabalho de sensibilização das comunidades cristãs e, sobretudo, dos seus membros mais jovens, para o ministério ordenado. A diocese vive a realidade do seminário? Sente-o como seu? Vive, mas não chega! Não basta preocupar-se com o Seminário! É preciso que esta preocupação se torne operativa e assim cresça o número daqueles – e há já um número significativo! – que se ocupam e cuidam da instituição central da vida da Diocese. Esta mudança, no entanto, não se faz por decreto, implica conversão pessoal e um outro compromisso eclesial. É uma obrigação de todos, mas, como o fermento na massa, precisa do testemunho e iniciativa daqueles que sentem intimamente a importância desta causa… O Seminário é também o reflexo do estado espiritual da Diocese, nos seus diversos dinamismos. Em termos de futuro quais as perspectivas, projectos e planos para a formação dos seminaristas? Embora tenhamos de atender sempre à situação específica de cada adolescente, jovem ou adulto, a proposta comum passa pelo que está organizado na Diocese (Pré-Seminário e Propedêutico) e em Lisboa (Seminário e Faculdade de Teologia da Universidade Católica), para onde passaram este ano os alunos do Seminário Maior.

Para os adolescentes, olhando para o percurso feito nos últimos cinco anos e tendo em conta a reacção positiva dos que estão mais adiantados, em relação à possibilidade de reabertura do Seminário Menor, a partir do 10º Ano de Escolaridade, parece-nos que esse dia não tardará muito. Outras dioceses já o fizeram antes de nós. Será, pois, mais uma proposta de acompanhamento no discernimento vocacional de adolescentes, a juntar aos dois grupos existentes, de cerca de vinte elementos cada. Que outras formas de formação vão sendo experimentadas lá fora? Não há aqui espaço para elas? No caso dos jovens, o caminho proposto pelo Concílio e que se tem vindo a percorrer em outros contextos eclesiais, passa pelo aprofundamento da experiência do Tempo Propedêutico, seguindo-se, depois, o Seminário Maior. No que diz respeito aos adultos, como já estamos a fazer, num grupo de discernimento vocacional específico, cada caso é acompanhado pessoalmente e, tendo em conta a situação de cada um e o sentir da Igreja sobre a formação dos candidatos ao sacerdócio, procuramos delinear um projecto de formação, em diálogo com o nosso Bispo, que leve à identificação com Cristo Bom Pastor. Este projecto implica sempre a formação teológica superior e a experiência da vida comunitária sacerdotal.


18 ESPECIAL • SEMINÁRIO DIOCESANO DE LEIRIA

O Mensageiro 9.Dezembro.2010

Seminário Diocesano

Dany

�������������

Fábio

Eduardo Pre-Seminário

dão r o J João

Paulo

João Paul o

Tiago

Seminário Maior

Propedêutico

Alunos

1. A equipa formadora Reitor: Pe. Manuel Armindo Pereira Janeiro (Leiria-Fátima) Prefeito: Pe. André Antunes Batista (Leiria-Fátima) Director Espiritual: Pe. Pedro Alexandre Pinto dos Santos (Coimbra)

2. Os alunos Dany Gil (Leiria-Fátima, Paróquia de Atouguia) Eduardo Domingues Caseiro (Leiria-Fátima, Paróquia da Barreira) Fábio Daniel Mota Freches (Aveiro, Paróquia de Vera Cruz) João Augusto de Paula dos Santos (Coimbra, Paróquia de Meãs do Campo) João Paulo Martins Reis (Leiria-Fátima, Paróquia de Albergaria dos Doze) Paulo José Carvalheiro Jorge (Leiria-Fátima, Paróquia da Marinha Grande) Ricardo José Tavares Ribeiro (Coimbra, Paróquia de Avô) Telmo Miguel Ferreirinho Seco (Évora, Paróquia de S. Salvador)

Os alunos do Seminário Maior de Leiria, neste momento, realizam o seu percurso formativo integrados no Seminário Maior de Lisboa (Seminário Maior de Cristo Rei - Olivais) Fábio Manuel Carvalho Bernardino – 4.º ano (Paróquia de Aljubarrota) Tiago Alexandre Jesus Silva – 3.º ano (Paróquia de Aljubarrota) João Ricardo dos Santos Jordão – 2.º ano (Paróquia de Carriço, Coimbra) António José Botas Cardoso – 1.º ano (Paróquia de Albergaria dos Doze) Além destes, temos mais dois seminaristas maiores que já concluíram o curso, um em “Ano Pastoral” na paróquia de Minde, outro em “Estágio” na paróquia da Maceira. São, respectivamente: Miguel Nunes Alves (Paróquia de Caniçal, Diocese do Funchal, Madeira) Patrício Alexandre Lopes Oliveira (Paróquia de Caxarias)

Níveis de formação Seminário Maior

Tempo Propedêutico

Seminário Menor

Pré-Seminário

Apoiamos a equipa formadora do Seminário Maior de Lisboa e acolhemos os nossos alunos aos fins-de-semana para, connosco, participarem no trabalho de sensibilização das comunidades cristãs para o ministério ordenado. Neste ano pastoral, visitaremos as vigararias da Batalha e de Porto de Mós. Momento alto, tal como sucedeu nos últimos anos, será a vivência do Tríduo Pascal com o nosso Bispo, na Sé. Acompanhamos também os que, terminados os estudos teológicos, procuram, durante o tempo de estágio, compreender e inserir-se na dinâmica das comunidades cristãs, que irão servir depois da recepção das ordens sacras.

Iniciativa das dioceses do Centro – este ano com um aluno de Aveiro, dois de Coimbra, quatro de Leiria-Fátima e aberta a outras, como seja a de Évora com um aluno –, procura criar as condições necessárias a uma experiência de fé mais profunda que ajude os candidatos ao Seminário Maior a avançar no discernimento vocacional, na iniciação à vida comunitária e na descoberta da beleza do ministério ordenado. Durante o ano, para melhor definir o estilo de vida dos presbíteros, convidamos padres das dioceses dos alunos para virem partilhar a seu percurso sacerdotal.

Na sequência do trabalho anteriormente referido e na medida em que as circunstâncias o aconselharem, havendo candidatos para tanto, retomaremos o Seminário Menor (do 10.º ao 12.º ano) para a “transmissão dos valores cristãos em ordem ao seguimento de Cristo” (João Paulo II, Pastores do Rebanho, 48). Esta possibilidade não anula a hipótese do Pré-Seminário ou Seminário em família até ao Ano Propedêutico (depois de concluído o 12.º ano), é antes mais uma proposta que o Seminário oferece no acompanhamento vocacional.

Ou “seminário em família, como itinerário vocacional específico de acompanhamento, orientação e discernimento para os que se propõem entrar para o Seminário Maior em ordem ao sacerdócio” (D. António Marto, “Descobrir a beleza e a alegria da vocação cristã”, 4,2), é a nossa prioridade. Nestes últimos cinco anos, de uma forma gradual e a partir dos encontros do primeiro sábado de cada mês, foi possível criar um espaço de encontro que se tem vindo a alargar e a consolidar. Neste momento, temos dois grupos de acompanhamento vocacional para adolescentes e um para jovens e adultos.


ESPECIAL • SEMINÁRIO DIOCESANO DE LEIRIA 19

O Mensageiro

9.Dezembro.2010

Pré-Seminário de Leiria-Fátima

Objectivos

O renascer da Esperança O Pré-Seminário na Diocese de Leiria-Fátima é uma instituição Diocesana, integrada na estrutura do Seminário Diocesano de Leiria, constituída no ano pastoral 1994/ 95, sendo então director o padre Rui Acácio Amado Ribeiro. Desde então vários padres têm assumido a direcção deste serviço. Ao longo destes 13 anos, o Pré-Seminário trilhou um percurso bastante irregular, pela indefinição quanto ao seu responsável, por opção da Diocese em prescindir deste serviço, por resultados imediatos em número de participantes pouco animadores... Em 2003/04 houve uma iniciativa por parte dos Seminaristas Maiores para manter viva esta estrutura, o que se materializou na dinamização de um encontro com os rapazes que nos anos anteriores tinham sido acompanhados pelo Pré-Seminário. No ano 2006/2007 os padres André Batista e Armindo Janeiro (Reitor do Seminário), com a colaboração de outros sacerdotes da Diocese (José Batista, Albino Carreira, Nelson Araújo, Pedro Viva e Rui Acácio), promoveram 7 Encontros Vocacionais mensais (ao 1.º sábado de cada mês) e um acantonamento final, como resposta possível ao apelo lançado pelo Bispo Diocesano, em sintonia com o Projecto Pastoral da Diocese, na procura de uma maior dinamização da Pastoral Vocacional na Diocese. Participaram nestes encontros, ao longo do ano, 80 rapazes, de 25 paróquias da Diocese. Na Carta Pastoral “Descobrir a Beleza e a Alegria da Vocação Cristã”, D. António Marto escrevia no número 4.2, a propósito

de um acompanhamento vocacional a realizar em cada idade: “Temos ainda o ‘pré-seminário’ ou ‘seminário em família’, como itinerário vocacional específico de acompanhamento, orientação e discernimento para os que se propõem entrar para o Seminário Maior em ordem ao sacerdócio”. Na Carta Pastoral “Testemunhas da Ternura de Deus”, volta a fazer referência ao Pré-Seminário no número 4.3, definindo como um dos objectivos o “incrementar o Pré-Seminário para os interessados no discernimento da vocação sacerdotal”. Foram dois apelos directos que o nosso Bispo lançou para que fosse criada esta estrutura para acompanhar quem quer acolher em si o dom da vocação ao sacerdócio. Actualmente, a estrutura do Pré-Seminário na Diocese de Leiria-Fátima apresenta uma dupla face: grupo “Samuel”, para rapazes que frequentam do 6.º ao 8.º ano de escolaridade; e o grupo “S. Paulo”, para os rapazes mais velhos, com uma proposta mais estável de um grupo com mais maturidade. O padre André Batista foi nomeado por D. António Marto em 2007 como director do Pré-Seminário. Por inerência deste serviço, está integrado na equipa formadora do Seminário e participa colegialmente da responsabilidade de toda a vida desta Instituição. Conta com a colaboração pontual na organização das actividades do Pré-Seminário dos seminaristas maiores e de alguns padres, religiosos e leigos da Diocese. Para conhecermos um pouco melhor o trabalho que está a ser efectuado, fomos conversar com ele.

Calendário das Actividades Mês

Dia

Actividade

Outubro

9 e 10

Reencontro e lançamento do ano

Novembro Dezembro

Janeiro Fevereiro Março Abril

6

1.º Sábado (Grupo Samuel e participantes a 1.ª vez)

13 e 14

Grupo S. Paulo

4

1.º Sábado (Grupo Samuel e participantes a 1.ª vez)

11 e 12

Grupo S. Paulo

18 a 20

Quem frequenta o 10.º, 11.º ou 12.º ano

8

1.º Sábado (Grupo Samuel e participantes a 1.ª vez)

15 e 16

Grupo S. Paulo

5

1.º Sábado (Grupo Samuel e participantes a 1.ª vez)

12 e 13

Grupo S. Paulo

5

1.º Sábado (Grupo Samuel e participantes a 1.ª vez)

26 e 27

Grupo S. Paulo (recolecção da Quaresma)

2

1.º Sábado (Grupo Samuel e participantes a 1.ª vez)

9 e 10

Peregrinação Diocesana a Fátima

21

Missa Crismal (vêm todos com os párocos)

21 e 22

Grupo 10.º a 12.º ano participa na celebração do Lava-pés e da Morte do Senhor

Maio Junho Julho

7

1.º Sábado (Grupo Samuel e participantes a 1.ª vez)

21 e 22

Grupo S. Paulo

4

1.º Sábado (Grupo Samuel e participantes a 1.ª vez)

11 e 12

Grupo S. Paulo

12 a 16

Encontro de Verão (geral)

16 a 19

Encontro de Verão (S. Paulo)

tros muitas vezes pelas actividades que propomos e pelo convívio. Contudo, à medida que vão crescendo e vão tendo que fazer algumas opções, vão também tomando maior consciência do que implica ser pré-seminarista, enquanto os coloca já na perspectiva do sacerdócio. E as famílias acompanham este trajecto.

Pe. André Batista Prefeito Quantos rapazes fazem a formação do Pré-Seminário? Neste momento mantemos o contacto com 80 rapazes. Contudo, este número inclui aqueles que frequentaram apenas um ou outro encontro sem continuidade. Podemos referir o número de 35 como referência dos rapazes que frequentam o Pré-Seminário regularmente.

Quais os planos de futuro em relação ao Pré-Seminário? O Pré-Seminário tem sido uma realidade bastante dinâmica nos últimos anos, adaptando-se à necessidade de responder aos grupos que se vão formando. Este ano, por exemplo, temos um acréscimo de pré-seminaristas do 10.º ano, pelo que optámos por propor alguns encontros destinados especialmente a estes. Penso, contudo, que devemos ainda aprofundar a relação pesso-

Como está organizado e quais os projectos ou esquemas de formação do Pré-Seminário? O Pré-Seminário está organizado em dois grupos por idades: o grupo “Samuel” (do 6.º ao 8.º ano) e o grupo “S. Paulo” (do 9.º ao 12.º ano). O primeiro tem os seus encontros apenas durante o dia de Sábado, ao passo que o segundo permanece connosco ao longo do sábado e do domingo. A estes propomos ainda uma recolecção durante a Quaresma, oportunidade para dialogar pessoalmente e para a vivência em conjunto de algumas celebrações da Semana Santa. Este ano haverá ainda alguns encontros específicos para quem frequenta o ensino secundário. Anualmente, definimos a orientação dos temas a partir das orientações diocesanas. Este ano, o tema será: “Seminário, casa e escola de caridade”. O Pré-Seminário é reconhecido como espaço de formação para o sacerdócio, tanto pelos rapazes, como pelas suas famílias? Sinto que os pré-seminaristas mais novos frequentam os encon-

Contactos Padre André Batista Seminário de Leiria 2414-011 LEIRIA Telefones: 244 832 760 / 964 881 054 E-mail: pre-seminario@leiria-fatima.pt Página web: www.leiria-fatima.pt/pre-seminario

O Pré-Seminário é um serviço da Diocese de Leiria-Fátima que proporciona aos adolescentes e jovens da Diocese um espaço de discernimento e acompanhamento no seu crescimento vocacional e de fé pela descoberta do verdadeiro rosto da Igreja. Procura ajudar a promover na Diocese uma cultura da vocação ao sacerdócio. Destina-se a rapazes a partir dos 12 anos que manifestem sinais de abertura ao dom da vocação sacerdotal e estejam disponíveis para descobrir e deixar entrar esse dom na sua vida.

al, ao estilo da direcção espiritual, e a relação com as famílias dos pré-seminaristas.


Contactos Rua da Ucha, n.º 24 Cova Alta 2495-108 Santa Catarina da Serra Tel. 244 749860 Fax 244 749869 geral@fluxoterm.com www.fluxoterm.com

Fundada em 2001, a Fluxoterm é uma empresa de prestação de serviços integrada na área da climatização e redes hidráulicas. Desde o seu início, tem vindo a crescer de uma forma sustentada. A qualidade dos serviços prestados é hoje uma aposta ganha, fruto da formação contínua e especializada dos seus colaboradores e do empenho de toda a equipa.

No Seminário de Leiria Serviços prestados

PUB

• • • • • • • • •

Climatização Canalização Rede de gás Ventilação Tratamento de água Energia solar Rede de esgotos Rede de incêndio Centrais de bombagem


ESPECIAL • SEMINÁRIO DIOCESANO DE LEIRIA 21

O Mensageiro

9.Dezembro.2010

O Ano Sacerdotal na Diocese de Leiria-Fátima

O Ano Sacerdotal, sob o lema “Fidelidade de Cristo, fidelidade do padre”, proposto pelo Papa Bento XVI a toda a Igreja, por ocasião do 150º aniversário da morte do Santo Cura d’ Ars, foi acolhido e vivido na Diocese de Leiria-Fátima no contexto do Projecto Pastoral Diocesano: “Testemunhar Cristo, fonte de esperança”. D. António Marto, em carta pastoral para o ano 2009/10 “Ir ao Coração da Igreja”, convidava as comunidades cristãs e seus membros a contemplar, amar e servir a Igreja pelo que ela é profundamente, pois só assim se poderá entender correctamente o ministério ordenado: «“Ir ao coração da Igreja” – escrevia – permite-nos também “ir ao coração do sacerdócio ministerial”, sobretudo neste Ano Sacerdotal proposto pelo Santo Padre para toda a Igreja. Leva-nos a compreender melhor o dom do sacerdócio e a sua beleza dentro e ao serviço da Igreja, mistério de comunhão, e da sua missão» (4,6). Em carta enviada ao Presbitério sobre o Ano Sacerdotal (25.6.2009) afirmava: «A referência ao Santo Patrono não pode ser vista como uma “cópia” conforme ao modelo. Deve ser, antes, compreendida como uma dinâmica espiritual e pastoral de que ele continua a ser inspirador» e fazia votos, tanto na Carta Pastoral como na Carta ao Presbitério, para que, neste Ano Sacerdotal, cada um dos membros do seu Presbitério chegasse a dar «um salto qualitativo na sua vida espiritual e pastoral». Neste sentido, D. António, acolhendo a sugestão do Santo Padre, propôs a evocação de duas figuras do presbitério de Leiria «que deixaram marcas pelo seu testemunho e pela sua acção pastoral: D. João Pereira Venâncio (1904-85) e o Padre Rogério Pedro de

Oliveira (1946-89), por ocasião dos 25 e 20 anos da sua morte, respectivamente» (Carta Pastoral, 4,6). No decorrer do ano pastoral, muitos foram os momentos em que se rezou pelas vocações sacerdotais e se reflectiu sobre o ministério dos Presbíteros. Além de vigílias de oração, conferências (Santuário de Fátima) e outros encontros de formação, também o Seminário Diocesano propôs à comunidade um espaço de reflexão sobre o ministério ordenado a partir de testemunhos sacerdotais, situados em diferentes contextos eclesiais, sociais e culturais. Os encontros decorreram em ambiente de acção de graças a Deus pelo dom do sacerdócio ministerial à Igreja e ao Mundo. A mesma acção de graças nos foi dado viver na evocação do P. Rogério Oliveira (Catedral, 9.11.2009). Na celebração eucarística, D. António Marto recordou-nos os motivos da nossa gratidão: o P. Rogério foi “homem de Igreja e da Igreja-Comunhão”, exerceu a sua missão com seriedade, qualidade e exigência; na sua relação com os irmãos presbíteros, procurou, como amigo e irmão, viver e testemunhar a fraternidade sacerdotal, empenhando-se quer na sua formação permanente quer na construção da Casa Diocesana do Clero; na promoção do apostolado laical, estruturou a Pastoral Familiar e organizou a Escola de Formação Teológica de Leigos. Nas palavras de D. António, o “P. Rogério abriu caminhos de comunhão e renovação; lançou sementes na nossa Igreja Diocesana que frutificaram e cujos frutos ainda perduram”. A outra figura escolhida foi D. João Venâncio, segundo bispo da Diocese restaurada, natural da freguesia de Monte Redondo, concelho, distrito e diocese

de Leiria. Por iniciativa de D. António foi constituída uma Comissão que, no seguimento das celebrações do centenário do seu nascimento e ao ritmo da vida da Diocese, propôs, para a segunda metade deste ano, alguns momentos evocativos da sua pessoa e obra. Assim, aquando da celebração da dedicação da Catedral (13/7), lembrámos os padres que ele ordenou, as comunidades paroquiais que criou, os institutos de vida consagrada que acolheu e as instituições (educativas, sociais…) que fundou; a anteceder a Peregrinação de Outubro ao Santuário de Fátima, apresentaremos o livro “D. João Pereira Venâncio - Servir em tempos de mudança”, com as comunicações proferidas no centenário do seu nascimento, e lembraremos o seu intenso trabalho na difusão da mensagem de Fátima em todo o mundo; alguns dias mais tarde (24/10), na reabertura ao culto da igreja paroquial de Monte Redondo, faremos uma romagem ao cemitério onde repousam, em campa rasa, os restos mortais deste pastor humilde; a terminar as comemorações, no dia 8 de Dezembro, Solenidade da Imaculada Conceição e dia da Padroeira do Seminário, data escolhida por D. João para a sua ordenação episcopal (8/12/54) e entrada solene na Diocese como Bispo residencial (8/12/58), recordaremos os seus trabalhos como formador de seminaristas e grande impulsionador da construção do novo edifício do Seminário de e em Leiria (1962-65). Nesse dia faremos também a bênção da primeira fase das obras de renovação do “seu Seminário” que se destinam à Comunidade do Seminário e a uma Casa de Retiros. O percurso de vida de D. João atravessa o século XX (1904-85) e a sua acção de pastor cruza-se, a meados do século, com os principais acontecimentos da Igreja e do Mundo. Os primeiros vinte e cinco anos do seu ministério passa-os, discreta mas eficientemente, ao serviço do Seminário que, como aluno, viu renascer e, depois, como superior e professor, ajudou a consolidar, ao ponto de, em 1953, a Santa Sé o nomear

Visitador Apostólico dos Seminários de Portugal. Como Bispo da Diocese, realizará um dos seus grandes sonhos, que o era também do seu antecessor (D. José): construir um edifício capaz de acolher os alunos dos seminários diocesanos de Fátima e de Leiria. Mas o seu trabalho a favor da juventude não se limitou ao Seminário: intuindo a importância da educação num contexto social e cultural em profunda mutação, constrói dois colégios, um na Marinha Grande e outro em Fátima; atento às necessidades da formação laical para enfrentar os desafios dos novos tempos, reorganiza a Acção Católica e acolhe como “providencial” o Movimento dos Cursos de Cristandade; como padre conciliar, prepara a Diocese para a recepção das orientações do Concílio e com esse objectivo manda especializar muitos padres. Numa época conturbada por conflitos nacionais e internacionais, pede os seus diocesanos que rezem incessantemente pela paz PUB

e, ancorado na protecção maternal da Mãe Imaculada, dedica-se à difusão da Mensagem de Fátima em Portugal e no Mundo – visita mais de trinta países! – e aproveita todas as ocasiões para fazer ouvir os apelos da Senhora do Rosário: deles fala aos Padres do II Concílio do Vaticano e sobre eles escreve aos Bispos do mundo inteiro; convida e acolhe, em Fátima, o Papa Paulo VI. Aos 68 anos, para surpresa geral, o Santo Padre aceita o seu pedido de resignação (1/07/1972) com palavras de “reconhecimento e apreço, pelo zelo generoso, constantemente demonstrado (…), vivido em discreta e escondida abnegação, mas nem por isso menos fecundo em resultados” (Carta Apostólica de 7/10/72). Viveu ainda mais 13 anos, sempre empenhado em tarefas apostólicas como as de Presidente Internacional do Exército Azul (hoje Apostolado Mundial de Fátima) e Superior Geral dos Cónegos Regrantes de Santa Cruz, vindo a falecer, em Leiria,

a 2/8/85. As razões da sua resignação não são conhecidas. Houve quem falasse em questões de saúde e no desgosto provocado pela mudança do Seminário Maior para Coimbra. Contudo, sabendo da sua total entrega ao ministério, que as palavras de Paulo VI confirmam e as de D. Alberto, seu sucessor (1972-92), testemunham, ao descrevê-lo como “verdadeiro homem de Deus que viveu intensamente possuído por Deus”, é-nos legítimo pensar que ele agiu como sempre viveu, lúcida e generosamente, isto é: ao sentir que o seu dar-se já não era suficiente para enfrentar os novos desafios eclesiais e sociais, pediu a resignação. Esta grandeza humilde do homem, padre e bispo João Venâncio, qual servo «bom e fiel», é forte apelo à verdade e radicalidade do nosso seguir a Cristo Bom Pastor, que deu a vida por todos nós e nos convida a servi-Lo, dando a vida pelos nossos irmãos.


22 ESPECIAL • SEMINÁRIO DIOCESANO DE LEIRIA

O Mensageiro 9.Dezembro.2010

Testemunho de um antigo aluno cabo-verdiano

O Seminário Diocesano de Leiria e outras Dioceses das ex-colónias portuguesas

Martinho Nunes Brito Antigo aluno

‘m bem Nossa Senhora de Fátima Santa Rainha di Céu Pa’m bem reza na sê Altar Ês Oração de nha cretcheu Permitam que inicie com estes simples versos, em crioulo, da morna Nossa Senhora de Fátima, do grande poeta e compositor Beleza, natural de cabo Verde. Traduzo para que fiquemos todos a perceber o seu significado:

Vim à Nossa Senhora de Fátima, Santa e Rainha do Céu Rezar junto ao Seu Altar Uma oração com todo o meu amor. Pode parecer estranha esta forma de iniciar o meu testemunho, mas não o é, no meu entender. Antes do ano de 1965, seria impensável a presença do crioulo no Seminário Diocesano de Leiria, mas a partir daí passou a ser normal. Isso tornou-se possível graças ao abraço fraterno de dois prelados de latitudes diferentes, mas operários da mesma seara, a Igreja Santa de JESUS CRISTO, Senhor Nosso. Decorriam os trabalhos do Concílio do Vaticano II. D. José do Carmo Colaço, então bispo de Cabo Verde, e D. João Pereira Venâncio eram parceiros na mesma campanha conciliar. O Bispo de Cabo Verde precisava de proporcionar aos seus seminaristas a continuidade dos estudos no plano superior e não dispunha de meios humanos e espaço físico e académico para o efeito. Por certo, os senhores Bispos de Timor e Macau terão feito, nessa mesma ocasião, cruzar as suas ideias, preocupações e aspirações, a respeito dos seus seminaristas em formação, com a disponibilidade generosa do senhor D. João Venâncio.

Em boa hora, qual dádiva do céu, surge a oferta do Bispo da Diocese de Leiria, que lhes disponibiliza o espaço conveniente (Seminário Maior de Leiria) e consequentemente os meios humanos necessários (pessoal docente e não só). É assim que, em Outubro de 1965, de Cabo Verde rumam para Portugal, com destino a Leiria, os dois primeiros alunos cabo-verdianos para frequentar os Estudos Teológicos. Em 1967, chegariam os primeiros alunos de Timor e Macau. O senhor D. João soube sentir a razão e a força da partilha do que de Deus recebera e assim abriu as portas da sua casa diocesana, o Seminário de Leiria, aos outros irmãos. Nessa senda, os horizontes se tornaram mais largos e consequentemente atingiram-se novas latitudes, no além-mar, então conhecidas como Províncias Ultramarinas de Cabo Verde e Timor e ainda o protectorado de Macau. No período compreendido entre 1965 e 1972, o Seminário Diocesano de Leiria teve uma população de perto de 240 alunos, distribuídos pelos três módulos (Seminário Menor, Médio e Maior). Desse número, faziam parte 38 alunos provenientes das ex-colónias Ultramarinas: - Cabo Verde – 8 alunos de Teologia - Timor – 16 alunos de Teologia - Macau - 12 de Teologia e 2 do ensino secundário. Nessa mistura de proveniências, podiam-se encontrar África, Europa, Ásia e até mesmo Oceânia. Da África vieram os de Cabo Verde, da Ásia os de Macau (Protectorado de Macau, China Continental, Goa) e da Oceânia os de Timor. A transmissão dos conhecimentos pelos bons e sábios mestres era de elevado nível e isso comprometia os discentes de tal modo que o saber assimilado era incontestado na sua segurança. O Seminário passou a ter uma cultura mais extensa e alargada, pois cada grupo que chegava trazia o que de seu tinha e expunha-o à comunidade e recebia do que já existia em normal partilha e bom entendimento. Não houve choque, pois os responsáveis pela formação e os colegas alunos tiveram toda a abertura e capacidade de acolhimento, sem dramas nem preconceitos de relevo, porém rico em compreensão e com bom espírito de caridade. Houve dádivas recíprocas e despretensiosas. A música era uma disciplina bem trabalhada e vivenciada como expressão da alegria que envolvia as nossas almas, e como tal foi assumida com seriedade e rigor. O Seminário dispunha de um coro polifónico, sob a orientação do senhor Dr. Carlos Silva, de boa memória, com tal qualidade que foi convidado para interpretar o Te Deum da inauguração da estátua equestre de D. Nuno Álvares Pereira, junto ao Mosteiro da Batalha, acompanhado pela

Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional de então, com direcção do maestro Frederico de Freitas Branco, em Abril de 1968. A abertura de espírito do Seminário era tal que até possibilitou a um ou outro aluno interessado em ter aulas de música no exterior, como foi o caso de dois alunos de Teologia que se deslocavam a Lisboa, um dia por semana, à escola de canto gregoriano da professora Júlia Almendra, para estudar não só o gregoriano como também regência, harmonia, órgão e composição. Eram solicitações e disponibilidades dos novos tempos pós-conciliares. Gostaria de referir, a título de exemplo, o facto de em 1967, pela primeira vez, ter entrado uma viola (violão em Cabo Verde) no Seminário, como elemento tradutor de uma cultura vinda do exterior, pela mão de um cabo-verdiano chamado Martinho Nunes Brito. Foi desde logo abraçado por todos, alunos e professores, servindo até para uma interligação entre o Seminário e algumas paróquias nos seus festejos locais ou em encontros de jovens, como algo de bom e aproveitável. Desapareceu desde então o tabu de que o Seminário não era lugar para um instrumento considerado, até aí, menor ou mesmo de impiedade ou profano. Hoje ninguém estranha que se sirva desse instrumento para louvar a Deus com toda a dignidade. Graças a essa ousadia de um aluno de um dos Seminários acolhidos, outros alunos interessaram-se por aprender a arte e a técnica de manusear as cordas da viola e com alguma mestria, não só interpretando, como também compondo melodias e canções já editadas em discos e CD e proporcionando concertos públicos de qualidade. Refiro-me, concretamente, ao primeiro aluno que se entregou à aprendizagem desse instrumento, o João Junqueira, para além de outros que se seguiram. Nessa altura, ouviu-se cantar e tocar mornas, coladeras e outros estilos de música cabo-verdiana, modas e canções em tétum de Timor, entoações de canções chinesas de Macau, baladas e canções portuguesas e até mesmo canções em outras línguas estrangeiras, sempre acompanhadas à viola, melódica, acordeões, pandeiretas, órgãos … etc., não ficando de fora o interesse de alguns professores em tomar parte nesse projecto. Permitam que me recorde do senhor Dr. Filipe Galamba, com o seu acordeão. No espaço temporal de 1967 a 1972, deu-se grande abertura para o exterior e um enquadramento alargado a um tempo novo em que o perfil do seminarista passou a sentir-se e a ser visto como peça normal da sociedade em que vivia, de forma natural. Por força de uma melhor e maior consciencialização da responsabilidade pessoal do aprumo e demonstração vivencial dos valores adquiridos, a “uni-formalidade” do

visual, a partir de então, extinguiu-se. Refiro-me à forma do trajar e ao uso do fato de estilo uniforme e outras circunstâncias da indumentária. A partir de então, o uso da batina e de outros acessórios concomitantes foi abolido. O mesmo se dirá das célebres deslocações extra-portões do Seminário, que perderam a sua forma organizada e enquadrada, qual pelotão militar, passando a orientar-se pela personalização dos indivíduos. A interacção com o mundo real do exterior tornou-se efectivo, se bem que mais exigente e comprometedor, desaparecendo as barreiras fictícias que limitavam a verdade das vocações e ficando mais transparente o assumir das decisões pessoais e colectivas do homem no seu todo. Também foi um período de grande eficácia no desporto. No futebol, a equipa do Seminário era quase imbatível e chegou mesmo a despertar alguma cobiça dos clubes da cidade sobre alguns desportistas, pela sua qualidade e técnica. Interessante referir que, no calor do envolvimento na contenda, também se ouviam alguns “ditérios” característicos da refrega, que por vezes produziam alguns efeitos práticos, no físico, resultando em futuras cicatrizes que hoje comprovam a sua história. Mas também o basquetebol e o voleibol foram excelentemente praticados por bons executantes, sobretudo de Macau e Timor, que trouxeram mais-valias ao desporto no Seminário, envolvendo alunos e professores. O teatro também foi um espaço razoavelmente bem tratado e assumido, se bem que apenas internamente, servindo bem para alívio do “stress” quotidiano que se ia acumulando durante o ano lectivo, para além da aquisição da sabedoria artística e enriquecimento da cultura literária. A miscelânea cultural foi de grande relevo e bem aproveitada, até na forma do desenvolvimento e prática dos estudos, pois no decurso da Teologia havia quem dispusesse já de alguns meios tecnológicos tais como gravadores áudio, máquinas dactilográficas e fotográficas, etc., e que os disponibilizava a bem da comunidade, favorecendo a partilha dos apontamentos, como documentos auxiliares do estudo, de forma trabalhada. Hoje direi com muito entusiasmo: Bem-hajas Seminário da Diocese, outrora de Leiria e agora de Leiria-Fátima! Por tudo quanto acabo de dizer – e muito mais havia a dizer – formulo aqui e agora os meus agradecimentos (e julgo que partilhados por quantos como eu por aqui passaram) ao senhor D. João Pereira Venâncio e ao Seminário Diocesano de Leiria, pela verdade e boa sabedoria que foram capazes de entender e repartir com caridade.

Leiria, 8 de Dezembro de 2010


ESPECIAL • SEMINÁRIO DIOCESANO DE LEIRIA 23

O Mensageiro

9.Dezembro.2010

PUB

PUB

SERRAÇÃO E CARPINTARIA, LDA. MADEIRAS NACIONAIS E ESTRANGEIRAS MÓVEIS E CARPINTARIA IC2, 47 - São Jorge • 2480-062 CALVARIA DE CIMA Tel 244 481348 • Fax 244 482010 • saraivaslda@mail.telepac.pt


24 ESPECIAL • SEMINÁRIO DIOCESANO DE LEIRIA

O Mensageiro 9.Dezembro.2010

Nota Episcopal Uma casa no coração e ao serviço de toda a Diocese

O Seminário precisa de ajuda! † António Marto Bispo de Leiria-Fátima Dois desafios importantes marcam o início do presente ano pastoral: o lançamento do segundo biénio do Projecto Pastoral Diocesano, dedicado ao aprofundamento da dimensão comunitária da vida cristã, e o arranque da primeira fase das obras de conservação e introdução de melhorias no interior do edifício do Seminário. É uma feliz coincidência, porque se com a nova etapa do Projecto Pastoral queremos cuidar do edifício espiritual da Diocese – indo ao coração da fé – com estas obras vamos melhorar os espaços que darão apoio aos seus dinamismos pastorais. Para o futuro, nesta casa coexistirão duas dinâmicas essenciais à vida do Povo de Deus: a formação dos candidatos ao sacerdócio e a formação dos fiéis leigos. Olhando para o edifício, aberto em 2/11/1965, temos de reconhecer que o nosso antecessor (D. João Venâncio e quem o acompanhava) pensou em grande, ao dotar o Seminário dos meios necessários para que pudesse cumprir a sua missão. Agora é a nossa vez! Como então, também hoje somos convidados a responder aos novos desafios com ousadia e generosidade. Temos de ser dignos da herança recebida e do tempo que nos é dado viver! Vamos todos dar o nosso contributo.

Como? Que cada comunidade/centro de culto assuma as obras do Seminário como suas, pois o que está ao serviço de todos por todos deve ser participado; que cada cristão se sinta co-responsável pelo seu bom êxito e colabore nas iniciativas propostas. Proponho três formas de colaboração: com a oração , promover o ambiente favorável às vocações; com a formação, melhorar a participação na vida eclesial e social; com festas e outras iniciativas, participar na angariação de fundos para as obras do Seminário. Neste sentido, faço um apelo à iniciativa dos reverendos párocos para sensibilizarem e dinamizarem as comunidades e os centros de culto para esta causa que é de todos nós. Espero, pois, que todos possamos amar esta obra e contribuir generosamente para ela com a consciência de que o Seminário é uma casa no coração da Diocese e ao serviço de toda a Diocese!

Leiria, 24 de Outubro de 2008

Visite a página do seminário em:

www.leiria-fatima.pt/seminario

Concerto Canções de Esperança Por iniciativa de João Junqueira, antigo aluno do Seminário de Leiria, apoiada e assumida pela Associação de Antigos Alunos do Seminário, irão realizar-se, no Centro Pastoral Paulo VI, em Fátima, nos dias 11 e 12 de Dezembro, dois espectáculos a favor das obras no edifício do Seminário Diocesano. É uma forma generosa e ousada de mostrar o quanto estão agradecidos pelo muito que receberam do Seminário. Mas esta gratidão não é, não deve nem pode ser só deles: é antes de toda a Diocese, pois ali se formaram e continuam a formar os que a servem a tempo inteiro, e ali estão alojados os serviços que dinamizam a comunidade diocesana, nos seus diferentes níveis de acção. Com este espectáculo, a apresentar no Sábado, às 21h00, e no Domingo, às 17h00, João Junqueira, acompanhado por 25 músicos profissionais, mais alguns amigos, oferece duas horas de música de mensagem cristã, “provocadora e inquietante (…), e com sabor a um Natal de Jesus, tão arredado das preocupações dos homens de hoje”. Vamos, pois, encher a sala no Sábado e no Domingo. Não será difícil, se em todas as comunidades houver interesse em ajudar esta Instituição que tanto tem dado e continua a dar à vida da Diocese. Os bilhetes, ao preço de 12,50 euros, estão disponíveis nas Paróquias e na portaria do Seminário (244 832 760).


DIOCESE 25

O Mensageiro

9.Dezembro.2010

Vigararia de Monte Real aguarda visita pastoral

Visita Pastoral à Diocese

Com a Bíblia na mão e a leitura orante da palavra de Deus, assim dezenas de grupos de cristãos das paróquias da vigararia de Monte Real (Leiria), começaram a preparação espiritual para receberem a visita do bispo da Diocese, que decorrerá entre Janeiro e Abril de 2011. Na reunião com 120 animadores e os párocos, no dia 30 de Novembro, em Monte Redondo, em que se fez o ponto da situação da caminhada de cada paróquia, D. António Marto afirmou que este método de oração é fundamental hoje para a revitalização espiritual dos cristãos e abrir muitos corações ao dom de Cristo. Na ocasião, as pessoas presentes viveram um momento de leitura orante (lectio divina) do texto evangélico da parábola do Senhor da vinha, incluindo a partilha da experiência pessoal e a oração em

Pedro Jerónimo/Arquivo

Oração Bíblica alimenta espera

comum. Na sua meditação, D. António Marto lembrou que cada cristão é chamado a dar testemunho da sua fé no mundo, em todos os espaços da vida. E exortou a aproveitar a visita pastoral para lançar o convite a outros para trabalharem também na “vinha do Senhor”, ilustrando com os ecos que tem encontrado noutras paróquias. O itinerário espiritual

proposto para a visita pastoral inclui cinco temas, cada um deles com base num texto bíblico: as inquietações do homem de hoje, Jesus Cristo luz para a vida, Jesus Cristo revelador do mistério de Deus, a Igreja dos Apóstolos e a Vocação e missão do cristão. Para cada um deles há subsídios para que os animadores possam facilmente orientarem os grupos nesta experiência de

9 a 12 de Novembro oração. O significado deste modo de abordagem da Bíblia para se encontrar com Cristo está bem expresso nestas palavras de São Bernardo: “Guarda, também tu, a palavra de Deus, porque ‘são bem-aventurados os que a guardam’; guarda-a de tal modo que ela entre no mais íntimo da tua alma e penetre em todos os teus sentimentos e costumes. Alimenta-te deste bem e tua alma deleitar-se-á na abundância. Não te esqueças de comer o teu pão, não suceda que desfaleça o teu coração, pelo contrário, sacia a tua alma com este manjar delicioso. Se assim guardares a palavra de Deus, certamente ela te guardará a ti. Virá a ti o Filho em companhia do Pai” (LH I, 157). Padre Jorge Guarda

Colmeias

9 de Dezembro (quinta-feira) 15h00 - Recepção do Sr. Bispo 15h15 – Encontro com as crianças da Escola 16h00 – Merenda 17h00 – Visita a Empresas 19h00 – Missa no Barracão – Convívio 21h00 – Encontro com os agentes Pastorais 10 de Dezembro (sexta-feira) 12h00 – Visita ao Lar – Agodim 12h30 – Almoço no Lar 15h00 – Visita às crianças da Bouça 15h30 – Encontro com as crianças da Escola 15h45 – Visita ao Lar - Raposeira 17h00 – Visita a empresas 19h00 – Missa na Igreja Velha – Convívio 21h00 – Encontro Vicarial em Vermoil 11 de Dezembro (sábado) 11h30 – Missa com os idosos na Escola com Unção dos Doentes seguido de almoço 15h00 – Visita ao novo lar “Associação Humanitária Os Amigos das Colmeias” 15h45 – Visita à Loja Social da CSVP 18h00 – Missa das Crianças da Catequese 19h00 – Encontro com os Jovnes e adolescentes e Jantar convívio com os Jovens 12 de Dezembro (domingo) 10h30 – Missa de Encerramento da Visita com tomada de posse dos Conselhos Económicos e pastoral seguido de almoço convívio.

Mensagem de natal de D. António Marto 1. O Natal “amigo do homem” O Natal é “amigo do homem”, cantava Santo Efrém, um Padre da antiga Igreja do Oriente. Comparava-o a Jesus: “O Natal volta cada ano através dos tempos; envelhece com os idosos e renova-se com o Menino que nasceu... Sabe que a natureza não poderia prescindir dele. Como tu, Jesus, ele vem em auxílio dos homens em perigo. O mundo inteiro, ó Senhor, tem sede do dia do teu nascimento. Seja pois também este ano semelhante a ti: traga a paz entre o céu e a terra”. O Natal, amigo do homem, é portador duma mensagem única de amizade. As primeiras palavras do evangelho de S. João concentram a grandeza e a ternura do Natal cristão: “O Verbo (Palavra) fez-se carne e veio habitar no meio de nós” (1, 14). Sim, em Jesus temos a Palavra e a Presença de Deus, amigo dos homens. O nosso Deus vem até nós com a sua ternura, deseja encontrar-nos e visitar-nos, não nos deixa sós, não nos abandona, como um pai e uma mãe não deixam de seguir os próprios filhos no seu caminho de crescimento. Ele vem trazer às pessoas, às fa-

mílias e aos povos o dom de uma nova fraternidade, da concórdia e da paz. Vem acender nos corações a luz de uma nova humanidade, a luz da compaixão pelos pobres, pelos pequenos e pelos que sofrem. A contemplação de Deus feito menino, pequeno ser humano, com rosto de ternura, faz-nos sentir um frémito de alegria que se comunica, em certa medida, a toda a sociedade. 2. Luz duma nova humanidade Celebramos o Natal de 2010 no “Ano Europeu de Combate à Pobreza e à Exclusão social”. Despedimo-nos de uma década difícil como não imaginávamos. Todos experimentamos o mal estar de uma sociedade afectada pela crise financeiro-económica, pela escassez do precioso bem do trabalho para todos, pela insegurança do futuro, pelo aumento da pobreza e pelo sofrimento de muitos pobres – uma sociedade psicológica, cultural e espiritualmente cansada, desiludida, esgotada. O nosso mundo está desorientado por causa da crise do mercado que se julgou omnipotente, dos poderes anónimos de capitais financeiros que torturam e escravizam o homem

e de uma globalização que por vezes não tem alma nem rosto. Estamos perante um mundo com corpo de gigante e alma de anão! O mundo precisa de alma, de um suplemento de alma, que só pode provir de Deus. A luz do Natal de Cristo deve ajudar-nos a ver este momento com um novo olhar de esperança, como uma oportunidade histórica para uma conversão (mudança) de mentalidade e de critérios e modos de vida, a nível pessoal, familiar, educativo, empresarial e político, sem se deixar abater pelos inevitáveis problemas e dificuldades. Não se pode continuar a viver como dantes. Este Natal é um convite a um estilo de vida mais sábio através de um consumo mais sóbrio e sustentável, a uma solidariedade de maior partilha com os necessitados, a uma cidadania social mais consciente e mais forte da parte de todos, a uma nova cultura política que ponha o bem comum acima dos jogos e equilíbrios do poder partidário, à colocação das necessidades dos mais pobres no topo das políticas económicas; em síntese, a um novo humanismo, a uma nova cultura com fundamentos

Joaquim Santos

A Luz duma Nova Humanidade

espirituais e morais. Hoje temos necessidade de dar passos corajosos para novas escolhas de vida e o Menino do Natal tem toda a força de Deus para que tal aconteça. Na actual situação de emergência social peço a todos que vivam o Natal com um gesto de partilha significativa com os mais necessitados, mesmo renunciando a determinadas prendas supérfluas. Neste contexto, a Conferência Episcopal instituiu um Fundo Social Solidário a favor das vítimas da crise em todas as dioceses. Também a

Caritas lançou a operação “Dez Milhões de Estrelas – um Gesto pala Paz”, convidando as pessoas e as famílias a adquirirem uma vela, pelo preço de um euro, para a acenderem na noite de Natal. Cada vela constitui um sinal e o meio através do qual prestamos a nossa ajuda aos mais desamparados e desprotegidos. A todos os diocesanos desejo um Santo Natal e um Feliz Ano de 2011, ricos de esperança em Jesus Cristo Salvador, de fraternidade e de solidariedade. † António Marto, Bispo de Leiria-Fátima


26 ECLESIAL

O Mensageiro 9.Dezembro.2010

(12/12/10)

Antífona de Entrada: cf. Filip 4, 4.5 Leitura I: Is 35, 1-6a.10 Salmo Responsorial: 145 (146), 7.8-9a.9bc-10 (R. cf. Is 35, 4) Refrão: Vinde, Senhor, e salvai-nos. Repete-se Ou: Vinde salvar-nos, Senhor. Repete-se Leitura II: Tg 5, 7-10 Aclamação ao Evangelho: Is 61, 1 (cf. Lc 4, 18); Refrão: Aleluia. Repete-se O Espírito do Senhor está sobre mim: enviou-me a anunciar a boa nova aos pobres. Refrão EVANGELHO: Mt 11, 2-11 Naquele tempo, João Baptista ouviu falar, na prisão, das obras de Cristo e mandou-Lhe dizer pelos discípulos: «És Tu Aquele que há-de vir, ou devemos esperar outro?». Jesus respondeu-lhes: «Ide contar a João o que vedes e ouvis: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a Boa Nova é anunciada aos pobres. E bem-aventurado aquele que não encontrar em Mim motivo de escândalo». Quando os mensageiros partiram, Jesus começou a falar de João às multidões: «Que fostes ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento? Então que fostes ver? Um homem vestido com roupas delicadas? Mas aqueles que usam roupas delicadas encontram-se nos palácios dos reis. Que fostes ver então? Um profeta? Sim – Eu vo-lo digo – e mais que profeta. É dele que está escrito: ‘Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, para te preparar o caminho’. Em verdade vos digo: Entre os filhos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Baptista. Mas o menor no reino dos Céus é maior do que ele». Palavra da salvação.

Cânticos | IV Domingo do Advento (19/12/10) INÍCIO: Levanta-te, Jerusalem – Lau 470 Meu Senhor eu vos amo – Lau 498

Apostolado da Oração

Congresso Eucarístico Com a participação de 380 pessoas (representantes de 32 paróquias) da Igreja Diocesana - Bispo, presbíteros, consagrados e leigos-, realizou-se o nosso Congresso Eucarístico, em Fátima , nos dias 27 e 28 de Novembro de 2010, subordinado ao tema “Eucaristia: comunhão com Cristo e com os outros”. Animados pelo dom da Fé e robustecidos no encontro com Jesus Eucaristia, os congressistas apresentam alguns desafios que podem ser fermento de renovação nas nossas comunidades: 1. Baseados nas conferências: Eucaristia: mistério acreditado; Eucaristia: mistério celebrado; Eucaristia: mistério vivido – e Sagrada Comunhão e culto do mistério eucarístico fora da Missa – em que foi feita uma análise da Exortação Apostólica do Papa Bento XVI - Sacramento da Caridade -, os congressistas propõem-se a seguir as exortações, sugestões e insistências do Papa que considera a Eucaristia o cume da vida cristã, a fonte, fogo e centro para o qual

tudo converge. A Eucaristia é um ícone da Santíssima Trindade - é uma dádiva da Santíssima Trindade, o Pai dá o Filho, o Filho entrega-se e o Espírito Santo consagra e converte o pão e o vinho. O Papa fala da beleza da liturgia - Deus é a suma beleza a mais profunda e a mais divina - devemos ter gosto pela palavra e saboreá-la. Exorta, também, que celebremos a Eucaristia com alma e participemos de forma mais activa e humana na Missa, que é o nosso tesouro e que precisa de ser preparada; assim como a comunhão que se prepara com o sacramento da reconciliação para que possamos sentar-nos à mesa do banquete. A Eucaristia deve ser vivida ao longo do dia . Um dia pode ser 24 horas de Missa. Vivendo unido ao sacrário e em oferecimento, que é o prolongamento da celebração eucarística. 2. As atitudes no acto de adoração são: tempos de escuta, silêncio, relação de intimidade com o Senhor e interiorização da palavra de

DR

Leituras | III Domingo do Advento

Deus. Lembremos que foi um dos apelos do Anjo nas aparições em Fátima. Lançou-se este desafio: que haja mais experiências de adoração com crianças, nas nossas paróquias. 3. Dos sete sacramentos, o maior é o da Eucaristia, Sacramento da Caridade. Antes da Missa já devemos fazer Caridade - exemplo: o lava-pés. Ele prepara a Eucaristia. Comungar os outros antes de comungar Jesus. Comungar diviniza, cura, atrai e modifica-nos. 4. Foi dada a informação e feito o apelo à participação de alguns elementos no Congresso Eucarístico Internacional a realizar na Irlanda, em Junho de

2012. 5. Como nos convertemos? Vivendo em coerência eucarística, que exige testemunho público da Fé e viver em plenitude todas as dimensões da nossa vida. O culto de Deus não é privado. Há que atender os valores fundamentais. Na família, educação, na sociedade...a missão é comunicar Cristo a todos. A Eucaristia muda a vida, muda o mundo. Cristo manifesta-se nosso contemporâneo: “Eu estarei convosco até ao fim dos tempos”.

tos ressuscitam não diz que os pobres ficam ricos, com aquela riqueza material que a maioria das pessoas procura, porque Jesus sabe que a verdadeira riqueza não é aquela que nasce do dinheiro, das terras e prédios, das acções nas empresas e SGPS’s, etc. A verdadeira riqueza são as boas acções, é uma consciência limpa e tranquila, é a alegria de ver cumprido. Trabalhemos então com tranquilidade para a construção do reino de Deus, “esperando com paciência a vinda do Senhor”, como diz S. Tiago. Contudo sabemos que Deus está connosco e por isso temos de tomar a iniciativa da salvação do mundo mas sabemos que as coisas não acontecem de repente: é preciso saber esperar que o mundo encontre o seu caminho, a graça de Deus não actua da noite para o dia, assim como o milho e as batatas não aparecem de repente. Se calhar porque a maioria das pessoas só conhece as batatas já crescidas, no supermercado, é que não sabem apreciar as coisas

que têm. Vivemos, como João Baptista, preocupados em saber se o Messias já chegou, correndo sempre à procura da última novidade, e corremos tão depressa que acabamos por ultrapassar mesmo aquilo que é verdadeiramente importante. Se nos dizem “Aí está o vosso Deus!” nós não o aceitamos porque não nos interessa encontrar Deus, porque assim temos sempre uma desculpa para as nossas acções. Temos de encarar este Senhor de frente, parar para o podermos encontrar, ou melhor, para nos deixaros encontar por Ele. Porque só no silêncio e na calma do nosso interior Deus bate à nossa porta e o podemos deixar entrar. Claro que é muito difícil descobrir Deus no meio da correria para fazer as compras de Natal. E se nos aparece um Menino a dizer que é Jesus, não ligamos porque esperamos alguém muito sério e severo que nos facilite o trabalho de nos interrogarmos sobre o que devemos fazer.

SALMO RESPONSORIAL: Venha o Senhor – Lau 854 APRESENTAÇÃO DOS DONS: Senhor trazei-nos a paz – Lau 777 Ao nosso encontro vieste – Lau 157

AO SABOR DA PALAVRA

COMUNHÃO: Eis que uma virgem conceberá – Lau 317 O pão que comemos – Lau 570 PÓS-COMUNHÃO: Como Maria diz sim a Deus – Lau 916 Senhor cantarei eternamente – Lau 756 FINAL: Vem vem senhor – Lau 851 Cristo é camino – Lau 247

Pe. Francisco Pereira pe.francisco@mac.com

Esperança

III Domingo do Advento

Sábado 19h00 – Sé 19h30 – Franciscanos

MISSAS DOMINICAIS

Domingo 08h30 – Espírito Santo 09h00 – Franciscanos 09h45 – Paulo VI 10h00 - S. Francisco 10h30 – Franciscanos 10h00 – S. Romão 11h00 – S. Agostinho 11h00 – Hospital 11h30 – Cruz da Areia 11h30 – Seminário e Sé 18h30 – Sé 19h30 – Franciscanos 21h30 – Sª Encarnação

À medida que nos aproximamos do Natal os sinais de alegria e de esperança aumentam cada vez mais. Mas olhando para a realidade que nos rodeia vemos que estes sinais são ainda uma utopia, que não há meio de a paz chegar ao mundo e de os homens se entenderem. Ao terminarmos a primeira decada do terceiro milénio a promessa da paz permanece sempre viva na Palavra de Deus. A questão é torná-la presente

na vida dos homens, fazer dessa promessa uma realidade efectiva, e isso é a nossa tarefa. Torna-se cansativo saber o que é necessário para encontrar e não o conseguir realizar. Mas não podemos desistir, porque o próprio Deus nunca desiste. Ele continua a dar-nos esperança, continua a apresentar-nos as razões para lutar contra o imobilismo. Mais uma vez o senhor diznos: “Tende coragem, não temais.” Por isso devemos continuar a nossa luta diária para mudar o que está mal. E este Natal é uma boa oportunidade para reiniciar essa luta pelo bem, sabendo que seremos sempre poucos para mudar o mundo, mas que esses poucos são suficientes para mudarmos o nosso mundo. Vamos pôr mãos à obra. Sabemos o que temos a fazer, é o próprio Jesus que o diz, respondendo à pergunta de João Baptista: as curas e o anúncio da Boa Nova aos pobres. E reparemos que ao passo que Jesus diz que os cegos passam a ver, os coxos passam a andar, que os mor-


27 IGREJA EM PORTUGAL 11

O Mensageiro

9.Dezembro.2010

Comunicar com os jovens

Pastoral Juvenil apela ao diálogo da pastoral da Igreja”: Sem pôr de lado determinada linguagem simbólica, “que também é importante”, o vogal da Comissão Episcopal do laicado e família considera que os responsáveis eclesiais têm de simplificar os seus processos de linguagem junto dos mais novos, desde as homilias até aos próprios documentos que são publicados. “Muitas vezes, uma linguagem demasiado hermética, conservadora ou documental não chega directamente aos jovens, não os toca nos seus problemas, nos seus desafios actuais, e isso é um dado importante”, sublinha o actual bispo de Viseu. Como forma de contribuir para a resolução desta lacuna na pastoral da Igreja, os diversos grupos de jovens que integram o Departamento Nacional da Pastoral Juvenil foram convidados a elaborar um documento, onde partilha-

Mensagem da Confederação do Voluntariado

“Um dom para a mudança”

A Confederação Portuguesa do Voluntariado (CPV) considera que esta realidade é “um dom para a mudança do paradigma civilizacional” na sociedade actual.

DR

Os jovens constituem uma força essencial para divulgar a mensagem da Igreja, nos mais diversos meios, mas têm de identificar-se com o essencial da fé católica, que é muitas vezes difícil de assimilar e, consequentemente, de partilhar. Este problema esteve em destaque na última reunião do Conselho Nacional de Pastoral Juvenil (CNPJ), que teve lugar em Fátima nos dias 3 e 4 de Dezembro. Da agenda dos trabalhos constava o estudo e reflexão sobre o documento “Repensar juntos a pastoral da Igreja em Portugal”, publicado pela Conferência Episcopal Portuguesa (CEP). De acordo com D. Ilídio Leandro, em declarações à agência ECCLESIA, foi a partir da abordagem àquele texto, e às propostas que ele contém, que se chegou a uma matéria que “deve ser, hoje em dia, um dos elementos fundamentais

rão as suas preocupações, sensibilidades e desafios. “Este trabalho será posteriormente apresentado à CEP” revelou D. Ilídio Leandro. Destaque também na reunião do CNPJ para a preparação do projecto «Fátima Jovem» 2011. Segundo o prelado, ficou clara a vontade demonstrada por todos os responsáveis de fazer daquele acontecimento “um pólo de afirmação dos jovens na Igreja”. “Há uma cumplicidade entre o Santuário e os

jovens, que devem ser os motores e condutores da celebração”, apelou D. Ilídio Leandro. A respeito da Jornada Mundial da Juventude 2001, o Departamento Nacional divulgou no seu site (http://www.ecclesia.pt/ pjuvenil/) a segunda e terceira catequeses de preparação para o grande encontro com o Papa, em Madrid.

Festival Nacional da canção de mensagem

Patriarcado vence com “Bom Mestre”

“É com base na experiência humanizadora da dádiva, isenta de interesses materialistas, que a mudança de paradigma tem de acontecer”, assinala o presidente da Confederação, Eugénio Fonseca. Numa mensagem publicada a propósito do Dia Internacional do Voluntariado, que se celebrou a 5 de Dezembro, a CPV agradece a todos os homens e mulheres “que decidiram assumir o exercício pleno da sua cidadania, partilhar capacidades e competências ao serviço dos outros sem nada esperar em troca”. “Num mundo que evidencia o ter como factor dominante na realização das pessoas em sociedade, ser voluntário/a é um desafio exigente”, indica o documento, enviado à Agência ECCLESIA. A CPV realça ainda o facto de este ano de 2010 ter sido escolhido pelo Parlamento Europeu para a intensificação do combate “ao maior flagelo da humanidade que é a pobreza e a exclusão social”. “Neste combate, desde sempre, esteve, na linha da frente, a força do voluntariado, sem o reconhecimento mediático proporcional à sua dimensão, mas suficientemente eficaz para atenuar, de forma significativa este flagelo”, refere-se. A CPV destaca ainda que o “voluntariado sempre foi, e terá de continuar a ser, dinamismo fundamental na sociedade portuguesa”. Eugénio Fonseca sublinha a realização do I Congresso Português do Voluntariado, a 4 e 5 de Dezembro, e diz que o mesmo visou “marcar o início” da participação do CPV nas comemorações e actividades do Ano Europeu do Voluntariado, que se vai assinalar em 2011. Os trabalhos deste Congresso contaram com cerca de 300 participantes, vindos de pelo menos 16 instituições de solidariedade social.

Em Coimbra

Semana Solidária no Justiça e Paz De 6 a 11 de Dezembro, na cidade de Coimbra realiza-se a «Semana Solidária no Justiça e Paz». Integrado nesta iniciativa da Pastoral Universitária daquela cidade, os estudantes são convidados a participar, dia 10 de Dezembro, no Jantar Solidário com Concerto. «Se sofres com a crise experimenta a partilha». Esta frase serve de inspiração ao Fundo Solidário com o qual se procura atender à realidade de muitos estudantes do Ensino Superior em grandes dificuldades económicas. “Num tempo em que muitos sentem a crise económica desafiamos a comunidade académica (e não só) a «experimentar a alegria da partilha»” – sublinha um comunicado enviado à Agência ECCLESIA. Os participantes terão oportunidade de comprar telas e outras peças oferecidas para o efeito... ajudando assim aqueles que não têm dinheiro para pagar os seus estudos.

DR

Com o tema «Bom Mestre», a diocese de Lisboa arrecadou o primeiro lugar do VIII Festival Nacional da Canção Mensagem, um certame que se realizou dia 5 de Dezembro em Fátima. O evento, organizado pelo Departamento Nacional da Pastoral Juvenil, contou com a participação de 14 dioceses, provenientes de norte a sul do país e ainda da Madeira e Açores. De acordo com D. Ilídio Leandro, vogal da Comissão Episcopal do laicado e família, apesar do festival ter começado com cerca de hora e meia de atraso, devido a uma falha de energia, “não faltou entusiasmo às centenas de jovens para cantarem bem alto o tema proposto para a edição deste ano”, que era “Enraizados e Fundados em Cristo, Firmes na Fé”. O prelado, que participou na entrega dos prémios aos grupos vencedores, no Centro Pastoral Paulo VI, disse em declarações à

BREVES

Agência ECCLESIA que “se tratou de um testemunho muito belo dado pelos jovens”. A iniciativa procura, todos os anos, realçar aquilo que de melhor se vai fazendo na música jovem cristã, levando para o palco as canções que mais se destacaram a nível diocesano. Na edição 2010 do Festival Nacional da Canção

Mensagem, para além do primeiro lugar do pódio, ganho pela diocese de Lisboa (paróquia de Belém), destaque para o Algarve (Sé de Faro), que arrecadou o segundo posto, com o tema «Em ti fundamos o coração». O terceiro lugar foi atribuído a Lamego, com a canção «Por ti eu vivo», tema que conquistou ainda

o prémio «Ser», votado por todos os grupos presentes. Por fim, a diocese de Coimbra foi a escolhida pelo júri, no que diz respeito à canção com melhor mensagem, com o tema «Firmes em ti». O próximo Festival Nacional da Canção Mensagem está marcado para os dias 7 e 8 de Dezembro de 2011.

Secretariado Nacional da Liturgia

Agenda 2011 para PDA

O Secretariado Nacional de Liturgia (SNL) da Igreja Católica acaba de disponibilizar uma versão, em formato digital (Excel), da sua Agenda Litúrgica para 2011. A Agenda Litúrgica apresenta o conjunto das celebrações litúrgicas ao longo do tempo que começa com o I Domingo do Advento (o ano litúrgico não coincide com o ano civil, tendo começado no passado dia 28 de Novembro) e vai até à véspera do mesmo Domingo do ano seguinte.


28 IGREJA NO MUNDO

BREVES João Paulo II

Beatificação depende de confirmação de milagre A beatificação de João Paulo II, falecido em Abril de 2005, está pendente do reconhecimento de um milagre atribuído à sua intervenção por parte do Vaticano. Em entrevista à Agência ECCLESIA, o postulador da causa de canonização de João Paulo II, padre Slawomir Oder, confessou ser “difícil dizer” quando é que o falecido Papa polaco será beatificado, evitando apontar qualquer data para a cerimónia. O “advogado” de Karol Wojtyla neste processo, iniciado há mais de cinco anos, esteve em Portugal para apresentar o livro “João Paulo II. Santo”. As mais de 100 testemunhas que falaram no processo diocesano – cujas declarações são a base do que o Pe. Oder afirma no livro – não são identificadas, embora algumas sejam descritas como membros da equipa papal. A reconstituição da vida de João Paulo II, a partir do que foi até agora o processo de beatificação, mostra Karol Wojtyla, grande figura do século XX, como um Papa que viveu na sua própria carne a mensagem evangélica, nos limites da pobreza, na humildade, na sensibilidade às necessidades do outro, sempre espirituoso e jovial. Bento XVI anunciou no dia 13 de Maio de 2005, quarenta e dois dias após a morte de João Paulo II, o início imediato do processo de canonização de Karol Wojtyla, dispensando o prazo canónico de cinco anos para a promoção da causa. Em Dezembro de 2009, o actual Papa assinou o decreto que reconhece as “virtudes heróicas” de Karol Wojtyla, primeiro passo em direcção à beatificação. Recorde-se que, num caso semelhante, o de Madre Teresa de Calcutá, a beatificação aconteceu em 2003, seis anos após a sua morte. O padre Slawomir Oder admite que existem muitas pressões e impaciência, tanto da imprensa como mesmo de muitos fiéis, em relação ao processo de João Paulo II, mas afirma claramente a importância do seu trabalho numa “perspectiva histórica”. “Temos de tornar objectiva a convicção de santidade”, afirma, precisando que esta é “um dom para a Igreja, hoje e no futuro”. Nesse sentido, pede aos católicos que saibam “esperar”, explicando que o estudo do caso miraculoso só poderia começar após o reconhecimento das virtudes heróicas, o que aconteceu há menos de um ano. A segunda etapa do processo de beatificação consiste no exame dos milagres atribuídos à intercessão do “venerável”. Se um destes milagres for considerado autêntico, o “venerável” é considerado “beato”. Os trâmites processuais para o reconhecimento do milagre acontecem segundo as normas estabelecidas em 1983. A legislação estabelece a distinção de dois procedimentos: o diocesano e o da Congregação, dito romano. O primeiro realiza-se no âmbito da diocese na qual aconteceu o facto prodigioso. O bispo abre a instrução sobre o pressuposto milagre na qual são reunidas tanto os depoimentos das testemunhas oculares interrogadas por um tribunal devidamente constituído, como a completa documentação clínica e instrumental inerente ao caso. Num segundo momento, a Congregação para as Causas dos Santos examina os actos processuais recebidos e as eventuais documentações suplementares, pronunciando o juízo de mérito. Os acontecimentos extraordinários atribuídos à intercessão de João Paulo II, ainda em vida, não têm validade para esta fase do processo. Embora tenham sido numerosas as curas inexplicáveis atribuídas pela intercessão de Karol Wojtyla, o padre Slawomir Oder, destaca a cura da freira francesa Marie Simon Pierre, que sofria da Doença de Parkinson. A religiosa pertence à congregação das Irmãzinhas das Maternidades Católicas e trabalha em Paris, tendo superado, em 2005, todos os sintomas da doença que sofria há quatro anos.

O Mensageiro 9.Dezembro.2010

Bento XVI à Comissão Teológica Internacional

“Não há justiça sem verdade” Bento XVI afirmou que a “noção de igualdade democrática” é um “dom do Cristianismo” à sociedade, lamentando que esta não compreenda as raízes dos seus ideais. O Papa falava perante os membros da Comissão Teológica Internacional (CTI), organismo que congrega alguns dos mais prestigiados teólogos católicos, reunidos no Vaticano para a sua reunião anual. “Num mundo que, tantas vezes, aprecia muitos dons do Cristianismo – como por exemplo a

ideia de igualdade democrática – sem perceber as raízes dos seus próprios ideais, é particularmente importante mostrar que os frutos morrem se as raízes da árvore forem cortadas”, disse. Para Bento XVI, “não há justiça sem verdade e a justiça não se desenvolve plenamente se o seu horizonte for limitado ao mundo material”. “Para nós, cristãos, a solidariedade social tem sempre uma perspectiva de eternidade”, precisou. O Papa deixou um

conselho, referindo que não se “pode ser teólogo na solidão: os teólogos têm necessidade dos pastores da Igreja, assim como o magistério tem necessidade de teólogos que cumpram a fundo o seu serviço”. A teologia, acrescentou, só é verdadeira a partir do “encontro com Cristo”, frisando que o teólogo é alguém que “fala com Deus, pensa sobre Deus e procura pensar com Deus”. Nesse contexto, a reflexão teológica ajuda ao diálogo com os crentes de outras religiões e mesmo com os

não crentes, “graças à sua racionalidade”. “Cristo morreu para todos, ainda que nem todos o saibam ou o aceitem”, declarou. A fé leva os cristãos ao “serviço dos outros” e é, segundo o Papa, “manifestação do amor divino”. O encontro da CTI abordou temas como a questão de Deus nas religiões monoteístas ou a integração da Doutrina Social no contexto mais amplo do ensinamento da Igreja.

Secretário de Estado do Vaticano

Aproveitar o Advento para a conversão No final da sua visita ao Cazaquistão, o Secretário de Estado do Vaticano desafiou fiéis a porem de lado o materialismo «Quem quer encontrar a Deus, deve caminhar continuamente até ao seu interior, indo em direcção contrária à que é indicada pela mentalidade materialista, individualista, hedonista». De acordo com um comunicado de imprensa da Santa Sé, esta foi a principal mensagem deixada pelo cardeal Tarcísio Bertone na Eucaristia que encerrou este Sábado, dia 4 de De-

zembro, a visita pastoral do secretário de Estado do Vaticano ao Cazaquistão. Dirigindo-se aos fiéis durante a missa que presidiu na Catedral dedicada a S. José, em Karaganda, o prelado lamentou a cultura do visível que actualmente domina o mundo. «Cada dia, também aqui, somos confrontados com uma realidade concreta que nos rodeia, com uma força tão grande que parece que não há mais nada» criticou o prelado, para quem o Advento vem apontar para algo bem diferente. «A realidade é que o in-

visível vale muito mais do que o visível», argumentou D. Bertone, apoiando-se na figura de João Baptista, que abriu caminho à conversão de todos os homens e mostrou que Deus pode habitar em cada pessoa. Para conseguir compreender este mistério, «é necessário superar a ideia de que o homem tem apenas uma dimensão horizontal, visível», referiu o representante do Vaticano, acrescentando que «falta atenção e sensibilidade pela dimensão vertical, invisível». Durante a sua homilia,

o Cardeal Tarcisio Bertone lembrou que «o Senhor vai nascer para nos salvar e só na medida em que abraçarmos esta fé de todo o coração é que poderemos ter a certeza que seremos verdadeiramente redimidos». O Secretário de Estado do Vaticano espera que esta quadra natalícia permita a cada homem alcançar a alegria, a paz e a plenitude do amor, «contribuindo, com a graça de Deus, para a transformação positiva do mundo».

Bento XVI reconhece

A importância da clausura na Igreja Bento XVI manifestou o seu reconhecimento e estima pelos homens e mulheres que se retiram à vida contemplativa, durante a catequese que pronunciou na audiência pública, no Vaticano. O Papa quis destacar a importância desta vocação na Igreja, ao falar de uma santa medieval, Juliana de Norwich, escritora e mística inglesa do século XIV. “Mulheres e homens que se retiram para viver em companhia de Deus, precisamente graças a essa decisão sua, adquirem um

grande sentido de compaixão pelos sofrimentos e fraquezas dos outros”, afirmou. Em português, Bento XVI explicou que Juliana de Norwich, santa nascida em 1342, é venerada “tanto pela Igreja Católica como pela Comunhão Anglicana”. “Inspirada pelo amor divino, que a ela se manifestou em dezasseis visões, escolheu a vida de anacoreta, totalmente dedicada à oração, à meditação e ao estudo. Vivendo assim na companhia e amizade de

Deus, cresceu nela um grande sentido de compaixão pelas tribulações e fraquezas dos outros”, disse. O Papa acrescentou que “homens e mulheres de todas as idades e condições procuravam devotamente o conselho e o conforto de Juliana; e ela, de viva voz e por escrito, em todos sabia acender o optimismo fundado na certeza de sermos amados por Deus e protegidos pela sua Providência”. “Se entregarmos a Deus os desejos mais puros e profundos do nosso coração, nunca ficaremos

desiludidos; no seu amor, tudo resulta para o nosso maior bem”, acrescentou. Aos peregrinos de língua portuguesa, Bento XVI pediu: “Da infinidade de coisas – tantas vezes duras – da vida, aprendei a elevar o coração até ao Pai do Céu, repousando no seio da sua infinita bondade, e vereis que as dores e aflições da vida vos farão menos mal”. Zenit


OPINIÃO 29

O Mensageiro 9.Dezembro.2010

RABISCOS

TESTEMUNHAS DO AMOR

Pedro Jerónimo Curioso dos media

“Yes, we can!”

O

fascínio pela fotografia fez-me deter, por largos minutos, diante da televisão, que transmitia um documentário sobre o dia-a-dia do fotógrafo oficial da Casa Branca (Estados Unidos da América), Pete Souza. A capacidade de registar emoções, em imagens, foi um dos pormenores que me despertou a atenção. Momentos únicos os que este descendente português, bem como a sua equipa, tem conseguido – 8 milhões de fotografias em 16 meses. Algumas delas de um comício, onde milhares de estudantes universitários vibravam a cada palavra de Obama. “Yes, we can!” (Sim, nós podemos!), repetia. Mudar o mundo, era o que tinha em mente. “Se conseguirmos numa universidade, conseguimos num bairro. Se conseguirmos num bairro, conseguimos numa cidade. Se conseguimos numa cidade, conseguimos num país. Se conseguirmos num país, conseguimos em vários”, finalizava. O apelo aos pequenos gestos reporta-me ao saldo da recente campanha do Banco Alimentar. Uma interessante ‘fotografia’ da generosidade do povo português, sobretudo em tempos de crise. Uma demonstração de que, confiados em Deus, “sim, nós podemos”. pedro.jeronimo@iol.pt

Pete Souza

Pe. Jorge Guarda

Vigário Geral da Diocese

A Emília Vitória

P

róximo de nós, nas nossas aldeias, bairros ou cidades, há gente que conhecemos como testemunhas de amor. São pessoas que vivem numa dedicação aos outros fora do comum. Quem se aproxima delas sempre encontra algum modo de ajuda: acolhimento afectuoso, uma palavra amiga e animadora, um conselho, uma oferta ou qualquer outra expres-

são de amor. Tais pessoas suscitam a admiração dos outros, mas nem sempre o reconhecimento devido. Hoje quero falar de uma dessas pessoas da minha aldeia que bem conheci. Emília Vitória (19172005) era uma costureira. Nesta arte ganhava a vida, carregando a sua máquina à cabeça para casa das clientes, onde trabalhava todo o dia. Depois, em sua casa, segundo as encomendas, fazia ainda novas peças de roupa ou remendava as já usadas. Foi também uma mestra que ensinou muitas raparigas, da aldeia ou de outras, por vezes distantes, que andavam com ela. Não sabia ler, mas conhecia bem os segredos da arte da costura e comunicava-os sem reservas às suas aprendizas. A estas instruía também na vida cristã. Solteira e admirada por muita gente, era procurada frequentemente para ser madrinha em baptismos, crismas e casamentos. Arranjou assim muitos afilhados e afilhadas, que procurava acompanhar

nas suas vidas, dava-lhes o folar, presentes e conselhos. Eles tornaram-se a sua família alargada. Se ela nutria por eles afecto e carinho, também era retribuída na mesma moeda. Na sua generosidade para com eles, era incansável. Mulher de fé e de grande devoção, tornou-se também uma missionária, mesmo sem sair para longes terras. Falava espontaneamente da fé e dela dava testemunho a quem encontrava. Rezava e ensinava a rezar, tanto na igreja como na sua casa e naquelas para onde ia trabalhar. Os missionários, especialmente os franciscanos e os combonianos, encontraram nela também uma generosa e fiel amiga, apoiante e colaboradora. Difundia as agendas, calendários e outras publicações. Acolhia os missionários na sua casa e participava nas orações, encontros e festas. A igreja da sua paróquia e a respectiva comunidade cristã beneficiou das suas dádivas frequentes, do seu zelo de apóstola e de muitos dos seus serviços, nomea-

damente na decoração dos altares e na limpeza das roupas, por longos anos. Em relação aos doentes, aos idosos e aos pobres não foi menor o seu amor. Partilhava com generosidade os seus bens com as pessoas em necessidade, visitava os enfermos, quer no hospital quer nas suas casas. Sempre levava uma palavra de ânimo, a promessa da sua oração e o estender da sua mão amiga para dar a ajuda adequada em cada situação. Era uma mulher muito desprendida dos seus bens de tal modo que as suas mãos sempre se abriam para socorrer o seu próximo em aflição. Faziao com alegria. Várias vezes lhe ouvi dizer uma palavra que soa ao Evangelho de Jesus: “Quanto mais dou, mais tenho. Não me falta nada”. De modo geral, tinha boas relações com toda agente. Gostava de conversar e de estar com os outros. Visitava as pessoas amigas, os afilhados e os familiares. Mostrava-se sempre com um ar de pessoa feliz,

positiva, optimista. Mesmo quando, na fase final, adoeceu gravemente, não se deixou vencer pela enfermidade. Pelo contrário, lutou para alcançar as melhoras, ainda que estivesse desapegada da vida e desejasse muito ir para o Céu. Se, como diz Jesus, “não há maior amor do que dar a vida pelos amigos”, a Emília Vitória viveu o amor com grande generosidade, cultivando a relação de afecto, a doação e o serviço ao seu próximo. Esta mulher fez da fé cristã e da prática da caridade, da compaixão para com os necessitados e da amizade para com todos o seu estilo de vida. Viveu feliz, fazendo felizes muitos outros. O seu rosto irradiava satisfação e alegria de viver. Merece que o seu exemplo seja conhecido. Certamente, Jesus e a Virgem Maria, que ela amou com extrema fidelidade, a acolheram na eterna morada do Céu.

WWW.OMENSAGEIRO.COM.PT O

Papa anda de novo nas notícias. Foi insultado em Barcelona e falou do preservativo num livro (Luz do Mundo, Lucerna 2010). Parece que a sociedade não entende mesmo a Igreja. Olha que novidade! Nunca entendeu. Podemos até caracterizar cada geração pelos motivos da sua crítica anticatólica. O tema hoje é... sexo. O que traz à discussão elementos curiosos e efeitos profundos. O debate do preservativo mostra-o bem. Imagine um jornalista perguntar ao médico: “Devo fumar cigarros com filtro?” A resposta natural é que não deve fumar. Então o jornal publica a manchete: “Medicina é contra o filtro.” O mal é o tabaco, mas os médicos também acham que uma vida saudável não precisa de filtros para respirar. Então um jornalista mais insistente consegue que o médico diga: “Se faz o erro enorme de fumar, então use filtro”, e o jornal publica a novidade: “Medicina muda de posição sobre o filtro.” Foi uma tolice deste calibre que se verificou agora.

O Papa não mudou de posição. A Igreja é contra o adultério, prostituição, promiscuidade e fornicação. Ensina que o sexo, uma das coisas mais maravilhosas que Deus fez, só deve ser vivido numa relação estável e fecunda no seio do matrimónio, sem barreiras artificiais contraceptivas. “Usar deste dom divino, destruindo o seu significado e a sua finalidade, ainda que só parcialmente, é estar em contradição com a natureza do homem” (Encíclica Humanae Vitae, 1968, n.º 13). Foi neste âmbito, dentro dos casais católicos, que a questão do preservativo foi controversa há anos, quando Paulo VI reafirmou a doutrina de sempre. É evidente que nos outros casos a questão fica radicalmente diferente. No pecado gravíssimo do sexo fora do matrimónio, o preservativo torna-se um detalhe. Quem despreza o sexto mandamento, cometendo adultério ou recorrendo à prostituição, não tem escrúpulo de violar essa outra regra menor. A Igreja opõe-se às campanhas de

promoção do preservativo, não por repúdio fanático do instrumento, mas porque esse meio, pretendendo proteger a saúde, promove a promiscuidade e aumenta o risco de sida. A sociedade hoje anda viciada em libido, como de tabaco há anos. Castidade, pureza, fidelidade são incompreensíveis. Isso passa e voltaremos ao normal. Sabemos bem como delírios colectivos, a que assistimos tantas vezes e parecem imparáveis, se esfumam depois. O problema destas fúrias culturais está nos estragos que deixam. A França de setecentos e a Rússia de novecentos quase se destruíram na embriaguez da revolução. Agora a cultura preservativa ameaça as sociedades que inquinou. Queda drástica de fertilidade e casamento, envelhecimento da população, degradação da família estiolam o crescimento, dinamismo social, vitalidade cultural. Pior que os tumultos antigos, o vício hedonista deteriora o tecido humano por definhamento. Entretanto

o vício ataca a Igreja com disparates daquele calibre por ignorar o sentido da doutrina. Os papas são incompreendidos e insultados há dois mil anos. Nos primeiros séculos todos morreram mártires. Depois houve papas raptados, enxovalhados, presos, assassinados. Há cem anos era normal a maçonaria gritar e atirar projécteis às janelas do palácio pontifício. O antecessor do actual bispo de Roma foi alvejado com quatro balas. Sempre se atacou a Igreja. Os motivos é que variaram. Os antigos romanos perseguiam por razões religiosas, como depois os protestantes. Os bárbaros pretendiam credibilidade política, como Napoleão ao prender Pio VII. Os iluministas e maçons tinham um modelo social, como os soviéticos e maoistas. Criticou-se o Papado por defender os indígenas, condenar o absolutismo, ter riquezas, ser pobre, criticar as Cruzadas, promover as Cruzadas, controlar a Inquisição, instituir a Inquisição, etc. Tudo

CLIPPING

João César das Neves Economista

O tema da nossa geração* serviu para insultar papas. Nesta vastíssima variedade de dois milénios, o nosso tempo conseguiu a proeza de ainda ser original. A razão dos insultos de Barcelona, como de Londres, foi homossexualidade e preservativo. Esse é o tema que na História marcará a nossa geração. * In DN online (06/12/10)


30 INSTITUCIONAL / OPINIÃO

O Mensageiro 9.Dezembro.2010

SINAIS DOS TEMPOS

Ficha de Assinatura Assinaturas normal/benfeitor: 20/40 Euros (Nacional), 30/60 euros (Europa) e 40/60 (Resto do Mundo) Nome: ___________________________________________ ____________________________________________ Rua: _____________________________________________ _______________ N.º _______________ Localidade: ____________________________ C. Postal: _____ - ____________________ Telf.: _______________________________ E-mail:___________________________@_______________ Enviar esta ficha, recortada ou fotocopiada, para: O Mensageiro - Lg. Padre Carvalho - 2414-011 LEIRIA ou forneça-nos os seus dados através do endereço de correio electrónico jornal@omensageiro.com.pt

D. João Alves

Bispo Emérito de Coimbra

Só com purificação da memória é que poderá haver tolerância e paz

É

F. Costa Pereira Médico Especialista Doenças da boca e dentes

Rua João de Deus, 25- 1º Dt. - LEIRIA CONSULTAS COM HORA MARCADA 2ª, 4ª e 5ª: 11h-13h e 15h-19h, 3ª: 10h-13h e 15h-19h, Sábados: 9h30-15h Tel. 244 832406

Dr. Rui Castela Médico Especialista - Doenças dos Olhos Operações - Contactologia

CONSULTAS ÀS TERÇAS E QUINTAS FEIRAS POR MARCAÇÃO Consultório - R. João de Deus, 17-1ºEsq. - Leiria

Telefones: 244 832 288 e 244 870 500

JOGOS | N.º 49/2010 (Confirme em www.jogossantacasa.pt) Euromilhões: 8, 19, 28, 32, 46 + 4, 7 Totoloto: 5, 13, 15, 22, 36, 47 + 4 Loto2: (Realizado após fecho de edição) Joker: 3 6 3 0 6 9 7 Totobola: X12 X1X 112 1121 FÁRMÁCIAS DE SERVIÇO Tomaz (9), Avenida (10), Baptista (11), Central (12), Godinho Tomaz (13), Higiene (14), Antunes (15) e Lis (16).

Registo no ICS N.º 100494 Semanário - Sai à 5ª Feira Tiragem - 7.500

certo que o esforço de aproximação de vários povos inimigos é um facto. Basta olhar para os povos da União Europeia. É certo que as várias igrejas e confissões religiosas que se mantiveram adversárias, agora, em boa parte pela acção do movimento ecuménico, são capazes de se olharem com cordialidade. É certo que as experiências de proximidade e fraternidade entre as Igrejas têm-se multiplicado um pouco por toda a parte. Lembramo-nos todos, por certo, do encontro de Assis de numerosas confissões cristãs e não cristãs para reflexão e oração, encontro da iniciativa do papa João Paulo II que teve de vencer hesitações e oposições mesmo da Cúria Romana. Apesar destes sinais corajosos e reconfortantes tem vindo a aparecer, nos últimos anos, sinais preocupantes que se julgava ultrapassados. Estou a referir-me aos atentados contra os cristãos no Norte de África, no Médio Oriente, no Extremo Oriente e, mesmo, na América Latina. Foram atentados por ra-

TELEFONES ÚTEIS

zões religiosas e políticas. Cito, apenas, alguns desses casos como exemplo: o massacre, por muçulmanos, de uma comunidade de religiosos contemplativos no norte de Argélia. Apesar deste massacre, a mesma ordem religiosa resolveu enviar nova comunidade que vive, no mesmo lugar, a sua vida religiosa, em paz, até aos nossos dias Na América Latina há o caso do assassinato de Mons. Romero quando celebrava a eucaristia e o massacre da equipa orientadora de uma Universidade Católica orientada pelos Jesuítas. Por fim, o caso mais recente na catedral de rito Siro Católico de Bagdade onde um grupo terrorista matou os três padres que presidiam à Eucaristia e cerca de 50 cristãos que participavam na celebração. Em qualquer destes casos houve uma forte condenação do acontecido pela população anónima e pelas autoridades internacionais incluindo os papas que ao tempo iam exercendo o ministério de sucessores de Pedro, ou seja, presidindo à Igreja. Observando, atentamente, estes hediondos crimes descobre-se que foram razões religiosas e políticas que os provocaram, servindo-se de pessoas marcadas pelo ódio, pela vingança e pela intolerância fundamentalista. Trata-se, como é evidente, de fenómenos extremamente complexos e de difícil erradicação. O Papa João Paulo II afirmou, várias vezes, que para haver proximidade, compreensão e perdão entre os seres humanos, era necessário realizar a purificação da memória. É que o espírito humano, entre as suas actividades, tem a de guardar para o futuro as impressões que se deram na sua existência. Se essas impressões não são preconceituosas e agressivas provocam bem estar, se,

Bombeiros Municipais - 244 832 122 | Bomb. Vol. Leiria (Ger.) - 244 882 015 | Bomb. Vol. Leiria (Urg.) - 244 881 120 | Bomb. Volunt. Batalha - 244 765 411 | Bomb. Volunt. P. Mós - 244 491 115 | Bomb. Volunt. Juncal - 244 470 115 | Bomb. Volunt Ourém - 249 540 500 | Bomb. V. M.te Redondo - 244 685 800 | Bomb. Volunt. Ortigosa - 244 613 700 | Bomb. Volunt. Maceira - 244 777 100 | Bomb. Vol. Marinha - 244 575 112 | Bom. Volunt. Vieira - 244 699 080 | Bom. Voltun. Pombal - 236 212 122 | Brigada de Trânsito - 244 832 473 | Câmara M. de Leiria - 244 839 500 | Câmara Eclesiástica - 244 832 539 | CENEL (Avarias) - 800 246 246 | C. Saúde A. Sampaio - 244 817 820 | C. Saúde Gorjão Henriques - 244 816 400 | C. P. (Est. de Leiria) - 244 882 027 | Cruz Vermelha - Leiria

pelo contrário, não correspondem à realidade, nem à verdade, são preconceituosas e determinam uma relação geradora de conflitos e de insatisfação. Foi por isto que interveio João Paulo II apelando à purificação da memória para que a paz seja possível, porque ela não se constrói sobre preconceitos. Cada um de nós pode durante a sua existência, longa ou curta, enumerar casos em que o preconceito destruiu relações felizes e verdadeiras. O papa pediu purificação da memória, coisa que não é fácil, principalmente quando o preconceito se firmou com forte raiz. Embora isto seja difícil é o melhor caminho para uma vida tranquila. Se repararmos, tantos preconceitos entre os membros de muitos casais, nas famílias, entre grupos, países, confissões religiosas, grupos políticos, ideologias… o preconceito é acolhedor para o que vai no sentido da preferência pessoal, sem se preocupar muito com a objectividade e a verdade do que tenha chegado e é arquivado na memória. Mesmo no campo religioso o que aí vai de coisas nefastas e algumas delas vindo de há séculos. O que foram as relações entre cristãos de várias confissões! As guerras religiosas de morte em que tantos perderam a vida. As relações entre cristãos e muçulmanos que tanto se prolongaram e tão prejudiciais foram até ao ponto de arrasarem todos os sinais culturais do adversário odiado. Explica-se, em boa parte, à luz desta informação, o ódio persistente de certos muçulmanos fundamentalistas, organizados em movimentos terroristas que semeiam a morte sob o lema que o Ocidente e, particularmente, os Estados Unidos da América são Satanás que têm de ser aniquilados. Extrair o mal do coração humano é extremamente

difícil pois ele renasce pelo desconhecimento da realidade objectiva e pela força do preconceito. O ser humano é capaz de realizar maravilhas, como é capaz de realizar os maiores crimes. Há gente que dá a sua vida totalmente ao serviço do próximo, especialmente aos mais pobres em tantas partes do mundo, o que é maravilhoso. Ao mesmo tempo, há quem crie Auschwitz e outros campos semelhantes para dizimar multidões pelo gás letal, só porque são de determinado povo ou ideologia! Tem toda a razão João Paulo II ao afirmar que para haver paz, cordialidade, respeito de uns pelos outros e felicidade é urgente que se vão purificando as memórias dos germens de ódio, de vingança, de guerra, e de morte. O cristianismo é uma energia que, segundo o seu divino Fundador, Jesus Cristo, há-de servir por todos os meios o amor sem exclusão seja de quem for e muito menos dos pobres e deficientes. Alguma coisa já se progrediu neste sentido, mas é tão frágil o que se tem alcançado, pois qualquer desorientado pode destruí-lo. Que não venha o desalento porque os seres humanos, maravilhosos como são, podem, com a luz da recta razão e com a luz de Deus, evitar o mal e praticar o bem. Há que lutar, sem desânimo, por um mundo muito mais tolerante, logo desde a infância. Infelizmente o clima que se vive hoje por esse mundo além a partir do nosso país, é um clima crispado, agressivo, sem respeito, quantas vezes, pelo nome e honra dos semelhantes. Urge purificar, frequentemente, a memória para que a fraternidade solidária seja uma realidade e não haja mais atitudes de morte contra os cristãos, nem contra qualquer dos seres humanos.

- 244 823 725 | Farmácia Avenida - 244 833 168 | Farmácia Baptista - 244 832 320 | Farmácia Central - 244 817 980 | Farmácia Coelho - 244 832 432 | Farmácia Higiene - 244 833 140 | Farmácia Lino - 244 832 465 | Farmácia Oliveira - 244 822 757 | Farmácia Sanches - 244 892 500 | Governo Civil - 244 830 900 | Guarda N. Republicana - 244 824 300 | Hospital de S.to André - 244 817 000 | Hospital S. Francisco - 244 819 300 | Polícia Judiciária - 244 815 202 | Polícia S. Pública - 244 859 859 | Polidiagnóstico - 244 828 455 | Rádio Táxis - 244 815 900 | Rádio Alerta - 244 882 247 | Rodoviária do Tejo - 244 811 507 | Teatro JLS (Cinema) - 244 823 600

Fundador José Ferreira Lacerda Director Rui Ribeiro (TE416) Redacção Luís Miguel Ferraz (CP5023), Pedro Jerónimo (CP7104), Joaquim Santos (CP7731), Ana Vala (CP8867). Paginação O Mensageiro Colaboradores Ambrósio Ferreira, Américo Oliveira, Ângela Duarte, Carlos Alberto Vieira, Carlos Cabecinhas (Pe.), José Casimiro Antunes, Francisco Pereira (Pe.), D. João Alves, João Filipe Matias (CO798), Joaquim J. Ruivo, Jorge Guarda (Pe.), José António C. Santos, Júlia Moniz, Maria de Fátima Sismeiro, Orlando Fernandes, Paulo Adriano Santos, Pedro Miguel Viva (Pe.), Saúl António Gomes, Sérgio Carvalho, Verónica Ferreirinho, Vítor Mira (Pe.). Administração / Publicidade Pedro Viva (Pe.). Propriedade/Sede (Editor) Seminário Diocesano de Leiria - Largo Padre Carvalho - 2414-011 LEIRIA - Reitor: Armindo Janeiro (Pe.) Contribuinte 500 845 719 Contactos Tel.: 244 821 100/1 - Fax: 244 821 102 - Email: jornal@omensageiro.com.pt - Web: www.omensageiro.com.pt Impressão e Expedição CORAZE - Oliveira de Azeméis - Tel: 256 600 580 / Fax: 256 600 589 - E-mail: grafica@coraze.com Depósito Legal 2906831/09

Tabela de Assinaturas para 2010 Destino Nacional Europa Resto do Mundo

Normal Benfeitor 20 euros 40 euros 30 euros 60 euros 40 euros

Preço avulso - 0,80 euros


DESPORTO 31

O Mensageiro 9.Dezembro.2010

Futebol | U. Leiria já anda em lugares europeus

I LIGA

liga orangina

II LIGA 13.ª Jornada (05.12) Rio Ave x Beira-Mar (1-1),V.

Guimarães x P. Ferreira (1-1), U. Leiria x Sp. Braga (3-1), Portimonense x Sporting (1-3), Benfica x Olhanense (2-0); Nacional x Naval, Académica x Marítimo e Porto x V. Setúbal (realizados após fecho)

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º

Equipa Porto Benfica Sporting V. Guimarães U. Leiria Académica Sp. Braga Nacional Beira-Mar Olhanense P. Ferreira Rio Ave V. Setúbal Marítimo Portimonense Naval

J 12 13 13 13 13 12 13 12 13 13 13 13 12 12 13 12

V 10 9 6 6 6 5 5 5 3 3 3 3 3 2 2 1

E D Pts 2 0 32 0 4 27 4 3 22 4 3 22 3 4 21 3 4 18 2 6 17 2 5 17 7 3 16 6 4 15 6 4 15 5 5 14 4 5 13 6 4 12 2 9 8 2 9 5

14.ª Jornada (19.12) V. Setúbal x Sporting (20.12),

Marítimo x Portimonense, Sp. Braga x Académica (17.12), P. Ferreira x Porto, Naval x U. Leiria, BeiraMar x V. Guimarães (18.12), Olhanense x Nacional, Benfica x Rio Ave (18.12)

zona centro

II DIVISÃO

10.ª Jornada (05.12) Arouca x Varzim (3-3), Santa

Clara x Estoril (1-0), Feirense x Moreirense (2-1), Sp. Covilhã x Penafiel (0-0), Trofense x Belenenses (1-2), Freamunde x D. Aves (1-0), Leixões x Fátima (3-0); Gil Vicente x Oliveirense (12.12)

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º

Equipa Arouca Gil Vicente Leixões Trofense Feirense Penafiel Santa Clara Sp. Covilhã Oliveirense Estoril Varzim Freamunde Moreirense Belenenses D. Aves Fátima

J 10 9 10 10 10 10 10 10 9 10 10 10 10 10 10 10

V 4 4 4 4 4 4 4 4 3 3 2 2 3 2 2 2

E D Pts 5 1 17 4 1 16 4 2 16 4 2 16 3 3 15 3 3 15 2 4 14 2 4 14 4 2 13 3 4 12 6 2 12 5 3 11 2 5 11 4 4 10 3 5 9 2 6 8

11.ª Jornada (19.12) Varzim x Sp. Covilhã, Penafiel x

Santa Clara, Fátima x Feirense, Estoril x Arouca, D. Aves x Leixões, Trofense x Freamunde, Oliveirense x Moreirense, Belenenses x Gil Vicente

série d

III DIVISÃO

10.ª Jornada (05.12) Cesarense x U. Serra (2-2),

10.ª Jornada (05.12) B.C. Branco x Sourense (0-1),

Sp. Espinho x Pampilhosa (0-1), Al. Lordelo x Esmoriz (1-1), Tondela x Eléctrico (3-2), Tourizense x Padroense (2-1), Anadia x Gondomar (2-0), Boavista x Coimbrões (3-0), Sp. Pombal x Sertanense (0-0) Equipa J V E D Pts 1.º Tondela 10 7 2 1 23 2.º Sertanense 10 6 2 2 20 3.º Boavista 10 5 3 2 18 4.º Padroense 10 4 4 2 16 5.º Tourizense 10 4 2 4 14 6.º Anadia 10 3 4 3 13 7.º Al. Lordelo 10 3 4 3 13 8.º Coimbrões 10 3 4 3 13 9.º U. Serra 10 3 4 3 13 10.º Gondomar 10 2 6 2 12 11.º Sp. Pombal 10 3 2 5 11 12.º Esmoriz 10 2 5 3 11 13.º Pampilhosa 10 3 2 5 11 14.º Cesarense 10 2 4 4 10 15.º Sp. Espinho 10 1 5 4 8 16.º Eléctrico 10 1 3 6 6

Monsanto x Ol. Bairro (0-1), At. Riachense x Nogueirense (1-1), U. Tocha x Ac.Viseu (0-1), Marinhense x Gândara (2-3),V. Mocidade x Ág. Moradal (2-0)

11.ª Jornada (08.12) Cesarense x Sp. Espinho,

Pampilhosa x Al. Lordelo, Esmoriz x Tondela, Eléctrico x Tourizense, Padroense x Anadia, Gondomar x Boavista, Coimbrões x Sp. Pombal, U. Serra x Sertanense 12.ª Jornada (12.12) Sp. Espinho x U. Serra, Al. Lordelo

x Cesarense, Tondela x Pampilhosa,Tourizense x Esmoriz, Anadia x Eléctrico, Boavista x Padroense, Sp. Pombal x Gondomar, Sertanense x Coimbrões

associação de futebol de leiria

HONRA 10.ª Jornada (05.12) Fig.Vinhos x Alcobaça (1-2),

Pedroguense x Marinha (0-0), Alvaiázere x Alq. Serra (4-3), Gaeirense x GRAP/Pousos (0-1), Nazarenos x Biblioteca (3-0), Pataiense x Marrazes (2-1), Portomosense x Guiense (2-2), Ansião x Beneditense (0-2) Equipa J V E D Pts 1.º Alcobaça 10 7 2 1 23 2.º Portomosense 10 6 1 3 19 3.º Nazarenos 10 5 4 1 19 4.º Beneditense 10 5 3 2 18 5.º Alvaiázere 10 5 2 3 17 6.º Guiense 10 4 4 2 16 7.º Alq. Serra 10 4 4 2 16 8.º Marrazes 10 4 3 3 15 9.º Pataiense 10 4 2 4 14 10.º GRAP/Pousos 10 4 1 5 13 11.º Pedroguense 10 2 5 3 11 12.º Fig.Vinhos 10 2 4 4 10 13.º Marinha 10 2 3 5 9 14.º Biblioteca 10 2 3 5 9 15.º Ansião 10 2 1 7 7 16.º Gaeirense 10 1 0 9 3 11.ª Jornada (12.12) Fig.Vinhos x Pedroguense,

Marinha x Alvaiázere, Alq. Serra x Gaeirense, GRAP/Pousos x Nazarenos, Biblioteca x Pataiense, Marrazes x Portomosense, Guiense x Ansião, Alcobaça x Beneditense

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º

Equipa Monsanto Ol. Bairro Nogueirense At. Riachense Ac.Viseu Sourense Marinhense B.C. Branco U. Tocha V. Mocidade Ág. Moradal Gândara

J 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10

V 7 6 5 5 5 5 4 3 4 3 3 1

E D Pts 0 3 21 2 2 20 4 1 19 3 2 18 1 4 16 1 4 16 1 5 13 4 3 13 0 6 12 1 6 10 1 6 10 0 9 3

11.ª Jornada (12.12) Sourense x Monsanto, Ol. Bairro

x At. Riachense, Nogueirense x U. Tocha, Ac. Viseu x Marinhense, Gândara x V. Mocidade, Ág. Moradal x B.C. Branco

série e

III DIVISÃO 10.ª Jornada (05.12) 1.º Dezembro x Sintrense (1-1),

Tojal x Bombarralense (4-3), Malveira x Peniche (0-0), Alcochetense x Oeiras (2-0), Odivelas x Crato (3-0), Caldas x Sacavenense (1-0)

1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º

Equipa 1.º Dezembro Caldas Alcochetense Sintrense Sacavenense Odivelas Tojal Crato Malveira Peniche Bombarralense Oeiras

J 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10

V 6 6 5 4 4 4 4 3 2 3 3 2

E D Pts 2 2 20 2 2 20 3 2 18 3 3 15 2 4 14 1 5 13 1 5 13 3 4 12 5 3 11 2 5 11 1 6 10 3 5 9

Um mês sempre a pontuar Do 12.º ao 5.º lugar em quatro jornadas. O feito é da U. Leiria, que nas últimas jornadas da I Liga registou três vitórias e um empate. Apesar da qualificação para as competições europeias não ser, para já, o objectivo da equipa da cidade do Lis, o facto é que o lugar que ocupa contraria essa previsão. “Temos três níveis de objectivos: manutenção, ficar nos oito primeiros lugares, para termos entrada directa na Taça da Liga e, só depois, pensaremos em algo mais” começou por comentar o treinador da U. Leiria, Pedro Caixinha, em declarações à Sport TV, após a vitória (3-1) frente ao vice-campeão nacional, Sp. Braga. “Ainda não atingimos o primeiro objectivo, por isso, não vamos pensar nos outros ainda, mas sabemos que estamos mais perto. Matematicamente, em princípio, mais duas vitórias devem permitir o primeiro nível”, acrescentou. O aproximar do Natal poderá representar para o

João Filipe Matias/Arquivo

liga zon sagres

Carlão já leva oito golos na I Liga técnico leiriense ‘meio presente’, caso a equipa vença, na Figueira da Foz, a Naval 1.º de Maio. A outra metade poderá surgir no início de 2011, quando a U. Leiria receber o Benfica, naquela que será a última jornada (15.ª) da primeira volta. Depois de duas derrotas no final do mês de Outubro, frente ao Porto (1-5) e Sporting (1-2), a equipa comandada por Pedro Caixinha arrancou para um período – Novembro e início de Dezembro – em que só somou pontos. Primeiro um, na Madeira, frente ao Marítimo (1-1), depois mais nove, correspondentes a

três vitórias consecutivas: V. Setúbal (1-0), em Leiria, Portimonense (2-1), no Algarve, e Sp. Braga (3-1), novamente em Leiria. Entre os melhores Oito dos 14 golos que a U. Leiria marcou em 13 jornadas são da autoria de Carlão. Com os dois que conseguiu no último jogo, o avançado brasileiro é já um dos melhores marcadores da I Liga, logo atrás de Hulk (Porto), que soma 11. Pedro Jerónimo pj@omensageiro.com.pt

Futebol | Leiria

Taça Distrito Jogam-se, a 8 de Dezembro, 15h00, os 1/8 final da Taça Distrito da Associação de Futebol de Leiria. A.D. Figueiró dos Vinhos x A.D. Portomosense, R. Pedroguense x U.R.D. Juncalense, G. Alegre Unido x C.C. Ansião, G.D. ‘Os Vidreiros’ x A.C. Avelarense, U. Matamourisquense x GRAP/ Pousos e S.L. Marinha x G.D. Alvaiázere, são os jogos a realizar. Entretanto, já se disputaram dois, a 1 de Dezembro: G.D. ‘Os Nazarenos’ x G.D. Guiense (1-4) e Castanheira de Pêra x S.C.L. Marrazes (0-4).

Atletismo | Leiria

Europeu de corta-mato

A júnior Marta Martins (Juventude Vidigalense) integra a lista de 22 convocados pela Federação Portuguesa de Atletismo, para participar no 17.º Campeonato da Europa de Corta-Mato. A prova irá decorrer em Portugal, mais concretamente em Albufeira, no dia 12 de Dezembro.

Natação | Campeonato Nacional de Clubes da 1.ª e 2.ª Divisão

Bairro dos Anjos ‘bronzeado’ Esteve quase. Por 22 pontos a equipa masculina do Bairro dos Anjos (BA) viu-se arredada da subida, apesar de ter terminado no 3.º lugar (2.ª Divisão). Pela mesma diferença pontual,

também a equipa feminina ficou dois lugares atrás do seu objectivo – 3.º lugar (1.ª Divisão). O Campeonato Nacional de Clubes da 1.ª e 2.ª Divisão, disputado nos dias 4 e 5

FOTOJORNALISMOS

11.ª Jornada (12.12) Sintrense x Tojal, Bombarralense

x Malveira, Peniche x Alcochetense, Oeiras x Odivelas, Crato x Caldas, Sacavenense x 1.º Dezembro

Super-Taça ruma ao Bombarral! Na final da Super-Taça “António Vieira Ascenso” (Associação de Futebol de Leiria) - seniores masculinos - a festa foi do S.C.E. Bombarralense, que venceu o C.D. Pataiense por 1-0. O jogo foi disputado no Campo Fonte da Senhora, Benedita, Alcobaça, no dia 1 de Dezembro. Foto: DR/AFL

de Dezembro, no Porto, não teve o desfecho esperado, pelo menos para as equipas do Bairro dos Anjos, Leiria. Tal como tinha avançado a O MENSAGEIRO o técnico João Paulo Fróis, os objectivos passavam por ter as duas equipas na 1.ª Divisão. A feminina, que já a disputava, iria lutar pelo 3.º lugar, enquanto que a masculina iria disputar os dois primeiros lugares da 2.ª Divisão, precisamente os que dariam acesso à subida. Feitas as contas, nenhum desses objectivos foi alcançado. A equipa feminina terminou no 5.º lugar (64 pontos), atrás do campeão Porto (138) ou do Clube de Natação da Amadora (85, 3.º lugar), enquanto que a masculina classificou-se no 3.º (173), atrás de Sporting (248) e Náutico (194).

Individualmente, destaque para Victoriya Kaminskaya (Pimpões, Caldas da Rainha), campeã nacional nos 200 metros bruços e vice-campeão nos 200 e 400 metros estilos, e César Faria (BA), campeão nacional nos 400 metros livres, vice-campeão nos 200 metros livres e 3.º lugar nos 200 metros costas. Miguel Monteiro Diogo (Clube de Natação de Alcobaça), 3.º lugar nos 200 metros mariposa, e a estafeta 4x200 metros livres do BA – João Paulo Ribeiro, Raul Custodio, Filipe Rosa de Oliveira e César Faria – foram os restantes medalhados, do distrito de Leiria, na 2.ª Divisão. Já na 1.ª, destaque para o 3.º lugar de Ana Marisa Brito (BA) nos 100 metros bruços e de Andreia Anjos (BA) nos 200 metros costas.


ÚLTIMA 9DEZEMBRO2010

Senhor, fazei que eu procure mais consolar do que ser consolado, compreender do que ser compreendido, amar do que ser amado. Pois é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado, e é morrendo que se vive para a vida eterna. Francisco de Assis, frade italiano [1181-82?-1226)

No Seminário de Leiria

Jesus curioso Já foi moda colocar um pai Natal pendurado das janelas. Mas, felizmente, no ano passado, começou a aparecer a bela imagem do Menino Jesus, o verdadeiro Rei das Festas do Natal. Apresenta-se sobre fundo vermelho, olhando em frente, de braços abertos, como quem espera por um abraço, pelo nosso abraço. Alguém, mais atrevido, entendeu que lhe pedia colo: agarrou-o, aconchegou-o a si e…o Bebé fez-lhe festas na barba, deixando-lhe o coração ainda mais enternecido. Assisti à cena, através da minha imaginação, e vi o desconhecido levá-lo para casa. Tentou deitá-lo na cama do filho, mas Jesus apontava para a janela e para a janela o levaram, divertidos. Jesus olhava com atenção e espreitava para cada casa. Sorria encantado sempre que descobria um novo estandarte com a Sua imagem e abençoava aquele lar. Mesmo em frente, por uma janela de sacada, viu uma família reunida entre caixas e figuras. Estavam a montar um Presépio e Jesus rejubilava. Ergueu a mãozita e abençoou-os todos. Pouco depois, pela janela aberta, ouvia-se cantar. Tinham-se reunido à volta do Presépio para cantar ao Menino. E Jesus ouvia, do outro lado da rua. Uma rapariga tocava viola e entoava a segunda voz, um pequenito tocava guizos ao ritmo suave da melodia, o pai tinha um acordeão sobre os joelhos e acompanhava o coro infantil com a sua voz de barítono bem afinada, a mãe, entre duas filhas, aguentava as primeiras vozes daquele Adeste Fideles encantador. Alguns peões paravam em baixo para escutar. E Jesus abençoava uns e outros, debruçando-se mais para melhor ver e ouvir. Mais para a esquerda, outra janela permitia ver um quarto de cama com uma velhinha deitada. Sobre a mesa-de-cabeceira, já alguém colocara um pequeno presépio de barro pintado em tons sépia. A doente olhava-o enternecida e parecia rezar. Jesus, sempre ao colo, esticava-se: parecia querer ouvir aquela avó tão débil. Sim, queria fazer-lhe todas as vontades. E abençoava-a, e às pessoas por quem ela pedia. Tive então uma ideia: fui visitar os meus tios, que moram mesmo defronte da varanda onde Jesus estava e postei-me na varanda para me mostrar. Disse-lhe adeus, atirei-lhe beijos e…o Menino não me abençoava. Fiquei triste e desapontado. Não havia bênção para mim? Sentei-me então com o meu computador portátil e comecei a escrever sobre o meu Menino à janela, que não parava de espreitar, mas não me via a mim. De repente, deu um salto para o meu colo, afastou a minha gravata, abriu-me a camisa e espreitou para o meu coração. Assustei-me com a cara que fez. Pareceume que ia chorar, com o beicinho a tremer. Não resisti ao impulso: “Não chores, meu Menino. Gosto tanto de Ti. Se quiseres, vou já ter contigo, primeiro no confessionário, para que me perdoes, e depois no Sacrário onde Te escondes tão bem”. Parou logo de chorar e abençoou-me! Sim! Abençoou-me, finalmente! E deu um salto para a janela, à tua procura, meu caro leitor. Quer ver-te bem mais perto de Si, neste Natal.

Isabel Vasco Costa Lisboa, 28 Novembro 2010

Exposição de centenas de presépios

Fernanda Figueiredo, contemplando a exposição que montava orgulhosamente Evocando Francisco de Assis, o frade italiano que construiu o primeiro presépio do mundo, no dia 8 de Dezembro, data que assinalou a festa de Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria, Padroeira do Seminário Diocesano de LeiriaFátima, foi inaugurada uma exposição de presépios que fará parte decorativa da entrada principal do edifício.

Os cerca de 270 presépios em exposição, são o resultado de uma colecção particular da leiriense Fernanda Figueiredo, 78 anos, que juntou desde bastante nova algumas peças de rara beleza. Os presépios que guarda com maior valor sentimental foi o que recebeu da sua avó, quando tinha 8 anos de idade (barro) e aquele que fez no

seu primeiro Natal, depois de ter sido mãe do primeiro filho no ano de 1956. Fernanda Figueiredo orgulha-se de ter presépios de várias nacionalidades, mostrando no hall de entrada do Seminário as suas peças de Portugal, Estados Unidos da América, Itália, Espanha, Perú, Equador, China, Venezuela, México, República Checa, Uruguai,

Filipinas, Bélgica, El Salvador, Palestina, Alemanha, Quénia e Rússia. Quanto aos materiais utilizados nos muitos presépios que Fernanda Figueiredo apresenta na sua colecção, podemos encontrar imagens de vários materiais e formatos como barro, madeira, louça, cortiça, papel, porcelana, pedra, pele, veludo, cascas, plástico, plasticina, gesso, madre-pérola, marfinite, ráfia, cristal, metal, alumínio e vidro, carrascas, massapão, pano, ponte de cruz, parafina, prata, serapilheira e esferovite. Esta exposição de presépios constitui uma boa oportunidade para que se possa contemplar a imagem que simboliza o nascimento de Jesus mas também para ver as obras que o Seminário Diocesano realiza desde 2005. A mostra de presépios pode ser vista de segunda a sexta-feira, das 09h30 às 12h30 e das 14h30 às 18h00. Aos sábados e domingo, abre das 14h30 às 18h00. Texto e fotos: Joaquim Santos

4837#OMENSAGEIRO#9DEZ  

O Mensageiro (O Mais Antigo Semanário do Distrito de Leiria): Edição de 9 de Dezembro de 2010 (N.º 4837).