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CAMPANHA

2 SETEMBRO 2010 ANO 96 - N.º 4823 FUNDADOR José Ferreira Lacerda DIRECTOR Rui Ribeiro

PREÇO: 0,80 euros (IVA incluído) SEMINÁRIO DIOCESANO – 2414-011 LEIRIA TEL. 244 821 100/1 • FAX 244 821 102 E-MAIL: jornal@omensageiro.com.pt WEB: www.omensageiro.com.pt

|Última

ECONOMY

Nº DE2703206MPC

DESTAQUE

CARTA DE D. ANTÓNIO MARTO PARA O ANO PASTORAL DE 2010-2011

CHAMADOS À

CARIDADE

CULTURA

Primeiro Festival Gótico do País | P. 4

misericordioso e libertador de Deus, o sinal mais credível para dizer quem é Deus, Deus amor, e o que quer de nós”, traça os três objectivos principais para o ano pastoral de 2010-2011: • redescobrir a caridade como forma (estilo) de ser da existência cristã, pessoal e comunitária; • desenvolver a espiritualidade da gratuidade, da disponibilidade, da partilha e do serviço; • repensar e reorganizar os serviços sócio-caritativos nas comunidades cristãs. Páginas 2 e 3

SOCIEDADE

Utilização para actividades lectivas | P. 6

Leiria rendeu-se ao Entremuralhas Orfeão de Leiria assina protocolo com a Leirisport para usar estádio

ECLESIAL

<

Anna Cervova

Prestes a iniciarmos mais um ano pastoral, damos conta nesta edição da nova Carta Pastoral que D. António Marto está a concluir. O Bispo diocesano começa por recordar o cenário do projecto pastoral em curso e dedica este ano à “acção sócio-caritativa, como corolário dos anos anteriores, dedicados ao acolhimento, à vocação cristã e à revitalização da fé e corresponsabilidade na Igreja”. Após definir a caridade cristã como “expressão do amor

Falecimento | P. 9

Padre Manuel Ferreira

Prémio de 15 mil euros para vencedor | P. 5

Bienal de Artes Plásticas e Design Industrial da Marinha Grande

D. João Venâncio | Última

Um Bispo abridor de caminhos

ADLEI protesta cortes e apela à mobilização | P. 7

Modernização da Linha do Oeste

EVENTO

Dia 19 de Setembro, às 16h00, na Catedral de Leiria

ORDENAÇÃO SACERDOTAL DE MIGUEL SOTTOMAYOR A diocese de Leiria-Fátima terá a alegria de celebrar a ordenação presbiteral de Miguel Sottomayor, no dia 19 de Setembro, às 16h00, na Catedral de Leiria. O Bispo D. António Marto apela à participação alargada de sacerdotes, religiosos e leigos nesta festa da Igreja diocesana, e pede às comunidades que intensifiquem nesta ocasião a sua oração pelas vocações de consagração e por este futuro sacerdote.

HISTÓRIA

Artigo inédito de Saul António Gomes

Fr. João da Cruz e as obras do Mosteiro da Batalha em 1588 P. 12 e 13


2 DESTAQUE

O Mensageiro 2.Setembro.2010

EDITORIAL

Rui Ribeiro

Pastor, teólogo e amigo

prui@iol.pt Num destes dias foi-me permitido ter um contacto com o esboço da carta pastoral que D. António Marto está a finalizar e com a qual se apresentam os desafios para o presente ano pastoral. O documento não é longo, o que permite uma leitura continuada, mas, como sempre, é profundo. D. António tem o perfil de um teólogo, atendo à sociedade e suas mutações constantes. Ao mesmo tempo que denota uma singular capacidade de síntese da fé, sabe também, e de forma muito fina, ler os acontecimentos com o olhar de crente. Esta carta pastoral, na linha das anteriores, apresenta esta dupla vertente de sociólogo atento e de teólogo e pastor preocupado e solícito. Quem tem acompanhado D. António nas suas intervenções e celebrações, ter-se-á certamente já comovido com a sua própria comoção em determinados momentos. Saberá também que ela se deve à verdade e sinceridade que A diocese de lhe brota do coraLeiria-Fátima é ção quando fala e a privilegiada quando pensa. O por ter consigo nosso bispo revela um homem, um humanismo que não um teólogo e profundo, deixa ninguém inum pastor com diferente. esta grandeza. Quem, por ouMais ainda pela tro lado, lê os seus sua simpatia e escritos e intervensociabilidade ções também terá já notado a sua grande lucidez espiritual e intelectual, aliada a uma enorme capacidade de síntese e comunicação. De facto, D. António sabe fazer parecer fácil o que é difícil e sabe, com arte e esmero, tornar belo o que parecia não o ser. A diocese de Leiria-Fátima é a privilegiada por ter consigo um homem, um teólogo e um pastor com esta grandeza. Mais ainda pela sua simpatia e sociabilidade. As já 4 cartas pastorais que publicou e dirigiu à diocese são verdadeiros catecismos da fé cristã, que devem fazer parte dos nossos livros de consulta e mesmo até de manuais de educação cristã. Ao rever cada uma destas cartas pastorais, não pude deixar de sentir uma espécie de Castelo interior que se ia construindo passo a passo, momento a momento. Para além da reflexão social e teológica, brota de cada uma delas um forte aroma espiritual que eleva o espírito e conforta a alma, o que aliás é bem expressivo nas orações com que terminam. A diocese prepara-se para receber a nova carta pastoral; com ela inicia uma nova caminhada na concretização do Projecto Pastoral; sintamo-nos desde já agradecidos pelo dom do bispo que temos e louvemos a Deus por o ter colocado no nosso caminho, certamente porque ela, a Senhora de Fátima, assim o pediu.

Compreender o projecto pastoral da diocese

“Testemunhar Cristo, fonte de esperança” Há cinco anos a diocese de Leiria-Fátima dava por terminado o percurso Sinodal com a publicação do Projecto Diocesana para os anos seguintes. Este projecto impôs-se como obrigatório e como resposta aos desafios lançados pelo próprio Sínodo e aos desafios do Papa: “Na sequência do jubileu do ano 2000, João Paulo II convidou a Igreja a levar por diante uma eficaz programação pastoral, tendo como fundamento a meditação sobre o mistério de Cristo (cfr. NMI 15). E Bento XVI, na homilia do início do seu pontificado, declara que o seu verdadeiro programa de governo é o de não fazer a sua vontade nem seguir as suas próprias ideias, mas colocar-se, com toda a Igreja, à escuta da palavra e da vontade do Senhor e deixar-se conduzir por Ele, de tal modo que seja Ele mesmo a guiar a Igreja nesta hora da nossa história. O Sínodo Diocesano, por seu lado, apela ao empenho na renovação eclesial e recomenda a elaboração de um plano diocesano de pastoral (cfr. OS 108)”. Em Maio de 2005, ficou definido o Projecto Pastoral diocesano num itinerário que concretizava uma vivência progressiva da fé a realizar nos 6 anos seguintes. “Partimos conscientes de que o amor misericordioso de Deus Pai, expresso no mistério de Cristo e no envio do Espírito Santo, nos acolhe e nos convida para a Sua intimidade, e ao acolhimento de todos os homens nossos irmãos; está aqui o fundamento para o despontar da vocação pessoal (1.º ano). Saber-nos assim amados por Deus, ao ponto de Ele nos querer como seus filhos, faz-nos cantar de alegria e descobrir que Ele tem um modo próprio para falar a cada um de nós; desperta em nós, então, o desejo de O amar

também, pelo que se está mais disponível para corresponder ao seu chamamento e assumir uma vocação pessoal, acompanhados pela mediação eclesial (2.º ano). Todos os esforços da Diocese, quer ao nível da formação quer ao nível da vivência espiritual, hão-de contribuir para aprofundar a nossa comunhão com Deus, em ordem à vivência e testemunho feliz das razões da nossa fé (3.º ano). A experiência pessoal e comunitária do mistério cristão há-de levar-nos a querer pôr a vida comunitária de acordo com o que acreditamos e vivemos na nossa relação com Deus Pai, Filho e Espírito Santo, para que o mundo acredite (4.º ano). Conhecendo a solicitude amorosa de Deus por todos os seus filhos, em especial pelos mais frágeis, havemos de nos organizar melhor para servirmos Cristo nos nossos irmãos mais desfavorecidos, procurando fazer-lhes o bem de que precisam (5.º ano). Não basta, todavia, a nossa caridade para com os mais frágeis, é preciso que ela acompanhe também aqueles que lutam, com o seu trabalho e saber, por um mundo mais justo, segundo os desígnios de amor de Deus Pai; daí o empenho em difundir e construir a fraternidade entre os homens, na justiça e na paz universais (6.º ano)”. Este percurso foi, então esquematizado para ser vivido ao longo de 6 anos, divididos em biénios, cada um com um tema geral, e sendo proposto para cada ano uma temática própria, a saber: Primeiro Biénio (20052007): A vocação pessoal é dom e missão 1.º ano, o acolhimento como atitude fundamental 2.º ano, desenvolver a pastoral das vocações Segundo biénio (20072009): A vivência comunitária do Evangelho é o melhor

anúncio 3.º ano, cuidar da formação dos cristãos 4.º ano, promover a comunhão fraterna Terceiro biénio (20092011): O Serviço à pessoa é o caminho da Igreja 5.º ano, testemunhar o Evangelho em obras e palavras 6.º ano, tornar os cristãos sinais vivos de Cristo na sociedade Ao entrar na diocese, D. António Marto assumiu desde logo a concretização deste Projecto Pastoral e empenhouse na sua concretização, tendo desde logo marcada o início de cada ano com a publicação de uma carta pastoral, na qual anunciava os desafios que eram lançados e apontava caminhos de resposta aos mesmos: 1º ano: “Descobrir a beleza e a alegria da Vocação cristã “ 2º ano: “Testemunhas da ternura de Deus” 3º ano: “Ir ao coração da Fé” 4º ano: “Ir ao coração da Igreja” 5º ano: “Chamados à caridade” O percurso definido sofreu já alterações no que diz respeito às datas, uma vez que foi introduzido um ano de solidificação de ideias e conteúdos. Entretanto algumas conclusões parece terem já sido assumidas: - Desde logo, e motivada pela sensibilidade própria de D. António, a diocese passou a falar e a sentir a alegria da fé. É hoje comum ver nos diocesanos a expressão alegre da vivência cristã, contra a monotonia e algum tédio que por vezes parecem querer minar os cristãos. Expressão máxima desta alegria foi sentida e vivida no último ano a quando da realização da Festa

da Fé. - Por outro lado, a diocese deu passos largos nas questões relacionadas com o acolhimento e o testemunho cristão. Renovaram-se espaços físicos e criaram-se ou impulsionaramse serviços que promoveram a vocação. Testemunho belo é o facto de o presente ano pastoral começar com a admissão de 6 seminaristas diocesanos. - Também a formação produziu bons e salutares frutos, em várias escolas vicariais, paroquiais ou diocesanas que procuram levar a formação básica a todos os quadrantes. Neste campo da formação o êxito maior estará certamente nos muitos grupos de reflexão e oração que anualmente fazem o Retiro Popular. - Finalmente o ano findo, ficará marcado pelo incremento da comunhão eclesial, entre as várias comunidades paroquiais. De salientar os encontros de formação com o senhor bispo e os Conselhos Pastorais e Económicos, bem como a formação de equipas vicariais responsáveis pelos sectores de acção pastoral. Agora iniciamos um novo ano pastoral, com o qual iniciamos um novo biénio voltado para o exterior, o testemunho e a solidariedade. No presente ano a caridade ocupa o lugar central, estando D. António a terminar a publicação da carta pastoral. Dela damos já um pequeno resumo, advertindo, porém, para eventuais alterações que ainda poderão ser feitas.

Cartas pastorais de 2006, 2007, 2008 e 2009


DESTAQUE 3

O Mensageiro

2.Setembro.2010

Carta de D. António Marto para o Ano Pastoral 2010-2011

Chamados à caridade Passa por toda a Carta Pastoral uma notável e singular síntese da fé cristã. D. António Marto, centra o leitor no essencial da fé e daí tira as mais variadas e inquietantes conclusões para a diocese. D. António começa por recordar o cenário do projecto pastoral diocesano, no qual é incluído o presente ano pastoral. Dedicado à “acção sócio-caritativa, este ano é apresentado como corolário dos anos anteriores, dedicados ao acolhimento, à vocação cristã e à revitalização da fé e corresponsabilidade na Igreja”. Depois de definir a caridade cristã como “expressão do amor misericordioso e libertador de Deus, o sinal mais credível para dizer quem é Deus, Deus amor, e o que quer de nós”, D. António traça os 3 objectivos principais para o presente ano pastoral: - redescobrir a caridade como forma (estilo) de ser da existência cristã, pessoal e comunitária - desenvolver a espiritualidade da gratuidade, da disponibilidade, da partilha e do serviço - repensar e reorganizar os serviços sócio-caritativos nas comunidades cristãs Partindo de uma análise sucinta dos “rostos de pobreza no cenário do mundo actual” (sócioeconómico, culturas e humano), o prelado conclui de forma contundente que “o problema central que atormenta a vida de muitos e da sociedade neste cenário é a falta de amor”. Esse o desafio que se lança à Igreja, e de modo particular à Igreja de Leiria-Fátima neste ano. Sempre centrando a sua reflexão na Palavra de Deus, D. António recorda 3 paradigmas Bíblicos (lava-pés, bom samaritano e juízo universal), para concluir como a caridade, o amor cristão, é mais do que solidariedade ao justiça e se transforma em “ relação, doação e serviço de amor concreto a todo o ser humano necessitado de ajuda”. Uma “caridade de proximidade” que deve ser organizada, comprometer toda a comunidade cristã e que, por tudo isso, deve ter um rosto concreto e uma definição concreta. Neste sentido, D. António propõe que a caridade seja anunciada, celebrada e vivida, fazendo, para isso, algumas propostas concretas: - sensibilizar, educar e formar os cristãos para a vivência e tes-

temunho da caridade - alimentar esta sensibilidade com um verdadeiro itinerário espiritual (escuta e meditação da Palavra, conversão de coração e fervor espiritual) para o que poderá ajudar o Retiro Popular - incrementar um conjunto de acções concretas de relações pessoais, sinceras, acolhedoras e pacientes - abrir os olhos e o coração para tomar consciência das pessoas que vivem em situação de necessidade (desafio a que as comunidades tracem um quadro o mais completo possível das diversas formas de pobreza e fragilidade). - um forte e original desafio para que a catequese (com especial relevo a preparação do crisma) proporcione a aprendizagem da capacidade de doação, partilha e serviço - proposta ousada para revitalizar a celebração da Eucaristia, nomeadamente o abraço da paz, o momento do ofertório e a Oração Eucarística - incremento do interesse pela cooperação missionária entre as igrejas, nomeadamente com a diocese do Sumbe, geminada com Leiria-Fátima - avaliar e repensar o serviço sócio-caritativo diocesano (Cáritas, comissão justiça e paz, pastoral da saúde,

Excertos da carta pastoral

“Como eu vos fiz, fazei vós também” pastoral da mobilidade) - constituição de grupos-sociocaritativos em todas as paróquias e incentivo ao trabalho em rede a nível das vigararias - promoção de experiência de voluntariado e boas vontades - formação cristã dos agentes da acção sócio-caritativa - intervenção junto das famílias para que, à luz do tema proposto, “reacendam o fogo da caridade que nelas existe” - dinamizar o serviço de animação vocacional nas comunidades paroquiais - acompanhar o Santuário e Fátima nas suas celebrações para que se torne “escola de caridade de serviço aos irmãos”. D. António, como é seu apanágio, brinda-nos com uma carta pastoral que é uma verdadeira síntese da fé e que pode desde já suscitar um novo fulgor na caminhada espiritual da igreja de Leiria-Fátima. O desafio está lançado, a cada um o empenho e a dedicação para que dê fruto. Pe Rui Ribeiro

O percurso pastoral Este ano pastoral é dedicado à caridade e à acção sócio-caritativa. Vem na continuidade dos anos precedentes dedicados ao acolhimento, à vocação cristã, à revitalização da fé e à comunhão e corresponsabilidade na Igreja. A caridade engloba os temas anteriores, inspira-os e é como o seu coroamento, fazendo-os amadurecer e frutificar. Para este Ano Pastoral propomo-nos três objectivos: redescobrir a caridade como forma (estilo) de ser da existência cristã, pessoal e comunitária; desenvolver a espiritualidade da gratuidade, da disponibilidade, da partilha e do serviço aos irmãos; repensar e reorganizar os serviços sócio-caritativos nas comunidades cristãs. Como lema bíblico escolhemos uma frase de Jesus extraída do seu discurso de despedida na Última Ceia: “Como eu vos fiz, fazei vós também” (Jo 13, 15). E como símbolo escolhemos precisamente o ícone do “lava pés” dos Apóstolos, onde se encontra a frase citada, a evocar o gesto de Jesus como fonte, modelo e sentido de todo o serviço de caridade. Para uma caridade mais criativa Perante os desafios do cenário traçado compreendemos o apelo de João Paulo II a “uma nova fantasia da caridade”, isto é, uma caridade mais criativa face às novas interpelações. Mas ainda tem sentido falar de caridade, hoje? Não seria mais próprio falar de justiça? Antes de mais, convém esclarecer que a caridade não se reduz a dar uma esmola ou a prestar uma ajuda ou assistência. É muito mais que isso. A caridade é, ao mesmo tempo, relação, doação e serviço de amor concreto a todo o ser humano necessitado de ajuda. Assim entendida, engloba, inspira e anima o empenho pela justiça na sociedade. Trata-se da “caridade social ou política”, de que nos ocuparemos no próximo ano. Paulo VI afirmava que “a justiça é a medida mínima da caridade”. A caridade não substitui a justiça. Por sua vez, a justiça nunca poderá tornar supérfluo o amor de proximidade como relação, serviço, partilha, apoio concreto e consolação ao próximo, àquele que sofre, sobretudo aos pobres e desprotegidos. É desta “caridade de proximidade”, enquanto actividade organizada da comunidade cristã, que tratamos aqui como testemunho do Evangelho, que faz crescer a cultura da solidariedade e contribui para a civilização do amor. A Igreja, casa e escola da caridade Chegados aqui vamos tirar algumas conclusões de ordem prática que sirva de orientação à programação da pastoral sócio-caritativa. Antes de mais, a caridade é uma componente fundamental da vida e da missão da Igreja, de cada comunidade cristã e de cada fiel cristão, tal como o são o anúncio do Evangelho e a celebração dos Sacramentos da Graça. A Igreja vive da caridade: anuncia-a, celebra-a e testemunha-a. A caridade deveria pois tornar-se o estilo habitual de viver da comunidade cristã, a sua linguagem quotidiana, o modo com que ela se aproxima de cada pessoa, a marca de todo o itinerário catequético, a forma que deve caracterizar toda a relação, a atitude com que se exerce cada ministério e serviço. De resto, ela é uma linguagem universal que não precisa de intérpretes. Desde sempre a Igreja anunciou o Evangelho com os gestos da caridade. “O amor do próximo, radicado no amor de Deus, é um dever antes de mais para cada um dos fiéis, mas é-o também para a comunidade eclesial inteira, e isto a todos os seus níveis: desde a comunidade local, passando pela Igreja particular, até à Igreja universal na sua globalidade. A Igreja também enquanto comunidade deve praticar o amor” (DCE n. 20). A comunidade cristã, no seu conjunto, é portanto sujeito da caridade e esta não é delegável a um grupo de boa vontade, a uma instituição social ou a especialistas na matéria. Assim, a primeira preocupação de cada comunidade deverá ser a de sensibilizar, educar e formar todos os seus membros para a vivência e o testemunho da caridade. Como? Nas indicações que seguem propomos um itinerário de formação e de acção.

Pai Santo, dai-nos o Espírito do Amor. Abri os olhos do nosso coração às necessidades e aos sofrimentos dos irmãos; inspirai as nossas palavras e obras para confortarmos os que andam cansados e oprimidos; e ensinai-nos a servi-los de coração sincero, segundo o exemplo e o mandamento de Cristo. Fazei que a vossa Igreja seja o testemunho vivo da verdade e da liberdade, da justiça e da paz, para que em todos os homens se renove a esperança do mundo novo.


4 CULTURA

O Mensageiro 2.Setembro.2010

Primeiro Festival Gótico do país ultrapassou fronteiras

a9)))) promove cinema

3 Meses, 3 Ciclos, 3 Autores A partir do dia 2 de Setembro e durante 3 meses, todas as quintas feiras haverá cinema português no Teatro Miguel Franco, em Leiria, às 21.30h. Promovida pela associação a9)))), esta acção “tenta trazer a Leiria uma parte da história do cinema português, ignorado em grande parte pelas cadeias de exibidores comerciais, mas que português tem uma história que merece sair para fora das salas das cinematecas”. Ciclo 1 - 2 de Setembro - O Cerco; 9 de Setembro - Continuar a Viver ou Os Índios da Meia-Praia; 16 de Setembro – Vidas; 1 de Outubro – Pandora. António da Cunha Telles é, por ventura, um dos mais importantes produtores de cinema português na segunda metade do século XX. Como realizador tem uma obra desequilibrada mas importante. E nada melhor que iniciar um ciclo de cinema no Teatro Miguel Franco com um filme onde Miguel Franco é protagonista. Ciclo 2 - 7 de Outubro - Gente da Praia da Vieira; 14 de Outubro - Terra Fria; 21 de Outubro - Falamos de Rio de Onôr; 28 de Outubro - Vilarinho das Furnas. António Campos podia ser só o realizador de Leiria, mas a sua obra documental é de uma importância ímpar no panorama nacional, traçando o retrato etnográfico de um país ao longo de 35 anos de intensa actividade. Cilco 3 - 4 de Novembro - O Sangue; 11 de Novembro - Onde Jaz o Teu Sorriso; 18 de Novembro - Juventude em Marcha; 25 de Novembro - Ne Change Rien. Pedro Costa é a nova geração de cineastas (embora tenha começado a filmar nos anos 80) com uma enorme repercussão no estrangeiro.

No dia 5 de Setembro

Teatro infantil na Golpilheira “Sementinha Story” é o espectáculo teatral que, no próximo dia 5 de Setembro, às 15h00, sobre ao palco do Centro Recreativo da Golpilheira, produzido pela companhia leiriense “O Nariz” Teatro de Grupo. Dirigida sobretudo às crianças, a peça resulta de um texto da autoria de Luís Mourão, que abre a porta para um mundo de aventura, onde a amizade e os sonhos prevalecem. Uma história marcada pela diferença em que uma semente persegue o seu sonho, expondo-se a diversas aventuras. Numa linguagem simples e acessível, os espectadores são levados e envolvidos por esta viajem onde intervêm diversas personagens fantásticas, impedindo ou facilitando a concretização do sonho.

Fantástico, único e desmistificador, assim se apresentou em Leiria nos passados dias 27 e 28 de Agosto o Entremuralhas, primeiro festival gótico realizado em Portugal, que ultrapassou fronteiras e trouxe até ao Castelo mais de 1400 pessoas, superando todas as expectativas iniciais. Num ambiente medieval e simultaneamente futurista em que se sentia sobretudo o grande entusiasmo do público que acorreu para assistir a este evento, decorreram conferências subordinadas ao tema “Margens e Rupturas”, que encheram os Paços Novos do Castelo de participantes interessados nos assuntos abordados, bem como a apresentação de cinema fantástico, de realizadores portugueses. A exposição “A ferro e pedra”, de Alexandre

DR

Tearo José Lúcio da Silva (Leiria) • O GATO DAS BOTAS - A VERDADEIRA HISTÓRIA | animação | de Jérôme Deschamps, Pascal Hérold | 2 a 7 de Setembro, 15h30; dia 4, 21h30 Teatro Miguel Franco (Leiria) • O CERCO | drama | ciclo dedicado ao realizador António de Cunha Telles | 2 de Setembro, 21h29 • SEM NOME | drama | de Cary Joji Fukunaga | c/ Paulina Gaitan, Edgar Flores, Kristyan Ferrer | 6 a 8 de Setembro, 21h30; dia 8, 18h30 Cine-Teatro de Monte Real • O GATO DAS BOTAS - A VERDADEIRA HISTÓRIA | 2 a 5 de Setembro, 21h30 Auditório Municipal da Batalha • SOLDADOS DA FORTUNA | acção | de Joe Carnahan | c/ Liam Neeson, Quinton ‘Rampage’ Jackson, Bradley Cooper | 3 a 6 de Setembro, 21h30 Cine-Teatro Actor Álvaro (Vieira de Leiria, Marinha Grande) • A ILHA DE IMPY | animação | de Reinhard Kloss | 5 de Setembro, 15h00 e 17h00 • GOLPE DE ARTISTAS | comédia | de Peter Hewitt | c/ Christopher Walken, Marcia Gay Harden, Morgan Freeman | 5 de Setembro, 21h30 Cine-Teatro da Nazaré • GOLPE DE ARTISTAS | 2 a 8 de Setembro, 21h45 e 00h15 Cine-Teatro de Alcobaça • A ORIGEM | acção | de Christopher Nolan | c/ Leonardo DiCaprio, Marion Cotillard, Ellen Page | 5 e 6 de Setembro, 21h30; dia 5, 17h00

Leiria rendeu-se ao Entremuralhas

Estrela, revelou peças que, estrategicamente inseridas nos diversos espaços do Castelo, não deixaram ninguém indiferente, quer pela força que transmitiam, quer pelo arrojo das formas esculpidas. Com a noite chegou a música, e os sons evoluíram etéreos e contagiantes, num clima quase mágico em que a simbiose criada entre o público os músicos, o castelo e a cidade que se avistava das muralhas, foi

algo de único e transcendente. As sete bandas que actuaram nestes dois dias, tanto no Palco Alma (Ashram, Ataraxia, Collection D’Arnell Andréa e Ordo Rosarius Equilibrio), como no Palco Corpo (Project Pitchfork, Uxu Kalhus e Covenant), deixaram no ar o fascínio dos sons medievais e neo -clássicos, além do poder e energia dos sons da Cold/ Darkwave, do Synthpop de reminiscências EBM e do

electro-gótico de descendência industrial. O público fez jus às características atribuídas à cultura gótica, e a boa educação, o civismo e respeito pelo ambiente e pelo património estiveram patentes ao longo dos dois dias do festival. Entremuralhas chegou e conquistou. Os primeiros passos desta iniciativa não tiveram nada de hesitante e o profissionalismo demonstrado ao nível da organização conjunta da Câmara Municipal de Leiria e da Fade In – Associação de Acção Cultural, que contou ainda com o precioso trabalho voluntário de muitos funcionários da Autarquia, dos Bombeiros Municipais e Voluntários de Leiria, faz antever que o próximo Entremuralhas seja o culminar de um evento que transformou já a cidade de Leiria na Capital da Música Gótica.

Exposição temporária na Marinha Grande

Museu do Vidro apresenta Vilma Libana O Museu do Vidro, na Marinha Grande, tem patente a exposição “Vilma Libana - Arte da Gravura em Vidro”. Trata-se de uma mostra monográfica dedicada à obra da artista, nomeadamente da arte da gravura em vidro, um processo que permite explorar a superfície do vidro, inicialmente plana, conferindo baixorelevo à imagem. Vilma Teresa Franco Roque nasceu na Marinha Grande, filha de José Ma-

nuel Roque de Jesus (Libano), conceituado artista marinhense, gravador à roda, gravador a ácido e lapidário, iniciou a sua carreira artística como gravadora em 2004, seguindo as passadas do pai e herdando deste a tradição, a arte e a mestria da gravura a ácido sobre o vidro. As principais temáticas abordadas nas gravuras executadas pela artista compreendem retratos de personalidades nacionais e estrangeiras ligadas às ar-

tes, política ou religião; cenas religiosas, individuais ou compostas; cenas tauromáquicas, entre outras. As formas das peças variam entre cálices, taças, jarras, compoteiras e jarrões. A artista de renome nesta área conta no seu currículo, com nove exposições individuais e participação em duas exposições colectivas. A internacionalização aconteceu em 2009, em Espanha, onde foi convidada a expor no Centro Cultural

de La Guardia. As suas peças já atravessaram as fronteiras da Europa. As obras mais representativas do seu trabalho reúnem-se nesta mostra, que pretende divulgar e valorizar o percurso singular da artista. A exposição está patente até 30 de Novembro de 2010 e pode ser visitada de terça-feira a domingo, das 10h00 às 19h00, de Junho a Setembro e das 10h00 às 18h00, de Outubro a Maio.

Na Praia da Vieira

“Reviver o Passado” com animação cultural O grupo de danças e cantares “Reviver o Passado” actua no próximo sábado, 4 de Setembro, pelas 22 horas, na Praça dos Pescadores, na Praia da Vieira, freguesia de Vieira de Leiria. O espectáculo encerra a programação cultural das praias do concelho da Marinha Grande. O grupo de danças e cantares recria trajes, costumes e vocábulos da população da Praia da Vieira. Recorda o passado, inclusive o movimento migratório de pescadores da-

DR

CINEMA

quele lugar para as margens do Tejo, no início do século

XX, em busca de melhores condições de vida.

A Câmara Municipal da Marinha Grande faz um balanço positivo da animação cultural da presente época balnear, que se realizou desde 10 de Junho até 4 de Setembro, na Praia da Vieira e em São Pedro de Moel. O objectivo foi acolher os milhares de pessoas que escolhem o património natural, histórico e cultural do Concelho da Marinha Grande para descansar e/ou visitar, proporcionando-lhes momentos de diversão, bem-estar e lazer.


CULTURA 5

O Mensageiro 2.Setembro.2010

Prémio de 15 mil euros para vencedor da Bienal da Marinha Grande

A Câmara Municipal da Marinha Grande vai atribuir o “Prémio Pintor Fernando de Azevedo”, no valor de 15 mil euros, ao vencedor da Bienal Internacional de Artes Plásticas e Design Industrial, a decorrer de 22 a 31 de Outubro, no Parque Municipal de Exposições. As obras a concurso deverão ser apresentadas de 16 a 22 de Setembro, sendo aberta a participação a artistas plásticos e designers nacionais e estrangeiros. Preferencialmente, deverão ser de expressão contemporânea e deverão corresponder à temática para 2010: “Artes Plásticas: O Vidro e o Design Industrial”. A Bienal terá como Comissário o presidente da autarquia, Álvaro Marques Pereira, e como directores de arte Raquel Fernandes da Silva Guerra Prates e o artista João Murillo. O júri

DR

Artes Plásticas e Design Industrial

é composto por: pintora Emília Nadal, presidente da Sociedade Nacional de Belas Artes; escultora Luiza Gonçalves, membro da direcção da Cooperativa Árvore; engenheiro António Noivo, consultor técnico vidreiro de reconhecido mérito; João Prates, director do Centro Português de Serigrafia; e Miguel Matos, curador e crítico de arte, director da publicação “Umbigo”. O prémio “Pintor Fer-

nando Azevedo” será patrocinado pela empresa Gallo Vidro e a obra premiada fica a pertencer à Câmara Municipal da Marinha Grande. Artistas em destaque Recorde-se que a Bienal Internacional de Artes Plásticas e Design Industrial é um salão de arte contemporânea, nas áreas de pintura, escultura, instalação, desenho, fotografia e design industrial.

Na edição deste ano, será homenageado o mestre vidreiro marinhense Diamantino dos Santos (Pimenta), numa exposição retrospectiva da sua obra (extra-concurso), que terá lugar próprio e o devido destaque no catálogo da Bienal. Também o artista Artur de Cruzeiro Seixas, expoente máximo do movimento surrealista, será homenageado neste certame, com uma exposição evocativa. Paralelamente, estarão patentes uma exposição colectiva do movimento “Nouvelle Figuration”, com alguns dos nomes mais expressivos do movimento que dominou o cenário criativo francês nos anos 60/70, e uma exposição colectiva de artistas plásticos e designers nacionais e internacionais.

Protocolo com Biblioteca de Instrução Popular

Fonoteca de Vieira de Leiria vai reabrir A Câmara Municipal da Marinha Grande aprovou já a minuta do protocolo a celebrar com a Biblioteca de Instrução Popular, com vista à reabertura da Fonoteca Municipal de Vieira de Leiria, situada no Cine-Teatro Actor Álvaro. Será assim reactivada

esta fonoteca, criada em 2005, de cujos equipamentos e instalações a comunidade tem estado privada nos últimos dois anos. Segundo a autarquia, este espaço funcionou em tempos como “um verdadeiro centro juvenil na Vieira de Leiria, com recurso a

equipamentos modernos e susceptíveis de motivar o interesse dos jovens, bem como da população activa, pela ligação às novas tecnologias de informação e comunicação”. Espera-se que a fonoteca volte a ter esse papel, já que “a Biblioteca de

Instrução Popular de Vieira de Leiria tem uma enorme expressão enquanto pólo dinamizador da participação social naquela freguesia, nomeadamente com actividades especialmente dirigidas para a população juvenil”.

MÚSICA | TEATRO | EVENTOS

Biblioteca Municipal - Marinha Grande •”Um dia mal-humorado” - hora do conto (3ªs, 11h00 e 5ªs, 15h30) •”Carros” - filme (8/09, 15h30) Museu do Vidro - Marinha Grande •”Guilherme, o Grãozinho de Areia” - leitura animada (4ªs a Sáb.) •”Meter as mãos no vidro” - famílias (~28/09, 11h00 e 15h00) Praça dos Pescadores - Praia da Vieira •”Reviver o passado” (4/09) Centro Recreativo da Golpilheira - Batalha •”Sementinha Story” - teatro (5/09) Café Concerto - Pombal • Palco aberto (6ªs do mês, 23h00) Osso da Baleia- Pombal •”Vigilância,protecção e sensibi. ambiental” (~10/9, 9h30~12h30) Piscina Municipal - Ourém •”A Biblioteca vai à Piscina” (~17/09) Ribeira de Seiça - Ourém • Ciência Viva no Verão (~4/09)

EXPOSIÇÕES

Sede a9))))/Célula e Membrana - Associaçã - Leiria •”Isto não faz sentido” (~15/09) Agromuseu Municipal Dona Julinha - Ortigosa •”Sacas de retalhos à moda antiga” (3ªs~6ªs) Museu do Vidro - Marinha Grande •”Vilma libana-arta da gravura em vidro” (~30/11) • Museu Marquês de Pombal - Pombal •”O Marquês de Pombal no Postal Ilustrado” (~30/09) Museu Municipal - Ourém •”Ourempublica” (~12/10) Mercado Municipal - Ourém •”Mercado de Ourém” - fotografia (~2/09) Galeria Municipal - Ourém •”Antese” - pintura (~29/09) •”Traços” - pintura (4~26/09)

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Inscrições até 10 de Setembro

Maratona Fotográfica na Marinha Grande Municipal. O concurso decorrerá num espaço geográfico específico a que corresponde o concelho da Marinha Grande, circunscrito a uma categoria definida e respectivas temáticas que forem sendo apresentadas nos diferentes pontos de controlo.

DR

Até 10 de Setembro estão abertas as inscrições para o “Perspectivas III – Concurso de Fotografia do Concelho da Marinha Grande”, a realizar na forma de uma Maratona Fotográfica, na modalidade de Fotografia Digital, no dia 18 de Setembro de 2010. A iniciativa é organizada pela Câmara Municipal e o ISDOM – Instituto Superior D. Dinis, com o objectivo de “estimular e promover a criatividade artística, a produção cultural e o conhecimento e divulgação do concelho”. Podem concorrer pessoas com idade a partir dos 14 anos, com nacionalidade ou residência portuguesa, devendo os mesmos assegurar os equipamentos e materiais necessários à participação. A inscrição está disponível em www.cm-mgrande.pt. O “Perspectivas II” terá início às 09h00, no Museu do Vidro, e terminará 19h00, nas instalações do Arquivo

No Museu do Vidro será entregue a cada concorrente um passaporte, que deverá ser apresentado em todos os pontos de controlo para registo da passagem. Será ainda entregue a informação dos primeiros temas a fotografar, local e horário do ponto de controlo seguinte, e assim sucessivamente. As fotografias serão entregues no último ponto de controlo, onde deverão estar já previamente seleccionadas para serem descarregadas em computadores da Câmara Municipal da Marinha Grande, segundo a ordem dos temas a fotografar. O concorrente apenas poderá apresentar a concurso fotografias da sua autoria. A inscrição e respectiva entrega das fotografias pressupõe a declaração em como os trabalhos apresentados no final da maratona são da sua autoria, em respeito pelo regime jurídico dos Direitos de Autor.

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6 SOCIEDADE

O Mensageiro 2.Setembro.2010

No âmbito do projecto Espaço Social de Porto de Mós, o gabinete de acção social da Câmara Municipal de Porto de Mós está a organizar de Agosto a Setembro uma campanha de recolha de bens alimentares. Os produtos angariados durante a campanha ficarão armazenados no Espaço Social de Porto de Mós, cujas instalações se situam junto à Cercilei, e posteriormente serão distribuídos pelas pessoas que, após sinalização e avaliação dos requisitos, sejam beneficiárias. Os bens poderão ser entregues na Câmara Municipal de Porto de Mós (9h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30) ou nas Juntas de Freguesia dentro dos respectivos horários de funcionamento.

Município de Pombal

Promoção do Dia da Educação No dia 7 de Setembro, pelas 9h00, o Município de Pombal promove o Dia da Educação, no Teatro-Cine de Pombal. À semelhança de anos anteriores, pretende dedicar um dia para abordar assuntos sobre a Educação, coincidindo com o início do ano lectivo 2010-2011. Este evento reúne os educadores de infância, professores do 1.º ciclo do ensino básico, 2.º, 3.º ciclos e secundário, bem como outras entidades representativas do sector educativo, numa sessão de trabalho onde se abordam todos os assuntos relacionados com a educação no concelho de Pombal.

Orfeão assina protocolo com Leirisport O Orfeão de Leiria (OL) acaba de firmar um acordo com a Leirisport, EM, para a utilização de várias salas do Estádio Municipal Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria, já a partir do início do próximo ano lectivo, 2010/11. O acordo agora alcançado “vai permitir ao Orfeão de Leiria colmatar algumas das suas necessidades de espaço para as actividades das escolas de música e dança”, explica Henrique Pinto, presidente da instituição.

Passeios pedestres em Setembro

DR

A Câmara Municipal organiza dois passeios pedestres na freguesia da Marinha Grande, que decorrem nos dias 12 e 26 de Setembro, a partir das 9h00. As iniciativas pretendem proporcionar momentos saudáveis e de lazer, em contacto com o meio ambiente do concelho, e têm acolhido grande

receptividade. Os interessados deverão comparecer junto ao palco do Parque Mártires do Colonialismo, na Marinha Grande. A Autarquia cede transporte até ao início do percurso e lanche. Percursos: Dia 12: 9h00 (Concentração no Parque Mártires do Colonialismo) - Escola

Pinhal do Rei / Pero Neto / Albergaria - 10 Km (Dificuldade moderada) Dia 26: 9h00 (Concentração no Parque Mártires do Colonialismo); Comemoração do Dia Mundial do Coração; Percurso citadino com início e fim no Parque Mártires do Colonialismo – 8 km; (dificuldade moderada).

Porto de Mós

Inauguração da Casa Velório No dia 21 de Agosto teve lugar, em Porto de Mós, a cerimónia de inauguração da nova Casa Velório A obra, com início em Outubro do passado ano, custou 206,286,21 euros, financiamento inteiramente suportado pela Câmara Mu-

nicipal de Porto de Mós, a quem pertence. Após o descerramento da placa e do ritual de bênção, a cerimónia de inauguração foi seguida de missa no local, presidida pelo padre da paróquia, José Alves.

Agrupamentos geminação

Feira ‘Fesmonte’ Vai ser promovido um evento de gastronomia e actividades económicas (tasquinhas) a decorrer na freguesia de Monte Redondo, nos dias 10, 11 e 12 de Setembro. Designado como ‘Fesmonte’, a Feira de Gastronomia e Actividades Económicas de Monte Redondo, promete nesta edição de 2010, com um programa que vai muito além da boa gastronomia da região. Os eventos dos três dias serão realizados no Largo da Feira de Monte Redondo. pub

Telemóvel: 917 511 889 Telefones: BARREIROS (sede): 244 840 677 JUNCAL: 244 470 610 Fernando - 919 890 630

Escuteiros recebidos na Marinha Grande O Presidente da Câmara Municipal da Marinha Grande recebeu no dia 6 de Agosto, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, cerca de meia centena de escuteiros alemães dos Agrupamentos de Anzing e Poing, no âmbito do 20º aniversário da geminação daqueles grupos com o Agrupamento 36, da Marinha Grande. Aqueles jovens alemães, dos 10 aos 33 anos, encontram-se no concelho marinhense desde o dia 31 de Julho e até 14 de Agosto, para fomentar o intercâmbio com os escuteiros marinhenses e participar nas diversas actividades culturais

DR

Em Monte Redondo

Telefone: 244 828 450 Fax: 244 828 580 Rua Machado Santos, n.º 33 2410-128 LEIRIA

ra Municipal de Leiria. A formalização do acordo será já no próximo mês de Setembro, através da assinatura de um protocolo que levará a música e a dança a este equipamento

Na Marinha Grande

Cursos para jovens Encontram-se abertas as inscrições para a segunda edição do curso (co-financiado) de Técnico de Segurança e Higiene no Trabalho. Uma oportunidade para os jovens pombalenses (com menos de 25 anos de idade) para «aprenderem uma profissão numa empresa, enquanto terminam o 12.º ano». A empresa de formação profissional CSIS – Consultores de Gestão, Lda. promove em Pombal dois cursos de aprendizagem de Técnico de SHT destinados a jovens até aos 25 anos de idade e com habilitação escolar ao nível do 9.º ano. A primeira edição iniciou em Julho com 18 formandos, sendo que a segunda edição se encontra programada para Outubro. Os cursos decorrem em horário laboral e têm uma duração aproximada de 2 anos (cerca de 40% dos quais decorrem em formação prática em empresas da região). Tratando-se de acções co-financiadas, os formandos têm acesso a Bolsa de Profissionalização, Subsídio de Alimentação e Despesas de Transporte pagas. As pré-inscrições decorrem até 15 de Setembro em www.csis.pt.

A iniciativa de utilizar as salas do Estádio Municipal surgiu do OL e contou com a disponibilidade e colaboração da Leirisport, assim como com o apoio e intermediação da Câma-

desportivo. “Este acordo possibilita-nos apostar cada vez mais no crescimento do OL, quer nas suas actividades regulares, quer no desenvolvimento de novos projectos”, refere Henrique Pinto, acrescentando que «contribuirá também para a dinamização do edifício do Estádio Municipal de Leiria, que é um importante cartão-de-visita da cidade».

DR

Recolha de bens alimentares

Utilização de salas no Estádio Municipal

DR

Espaço Social de Porto de Mós

e desportivas programadas neste âmbito. O Presidente da Câmara, Álvaro Pereira, desejou as boas-vindas e convidou os presentes a desfrutarem “do nosso património e das

potencialidades que temos para oferecer, de modo a que levem uma boa imagem do nosso concelho e o desejo de querer voltar”. Manifestou o seu “respeito e regozijo pelo papel dos es-

cuteiros a nível mundial, na sociedade. Os vossos compromissos com a entreajuda, a aventura, a partilha, o respeito pela natureza, são dignos de ser valorizados e preservados”. Acrescentou que as acções dos escuteiros “são desenvolvidas com uma missão inteiramente voluntarista, o que, na sociedade actual, é uma mais-valia para quem o pratica e para quem beneficia desse espírito altruísta”. Ao Agrupamento 36 deixou também uma palavra de gratidão pelo trabalho que desenvolvem durante todo o ano para a comunidade.


SOCIEDADE 7

O Mensageiro 2.Setembro.2010

ADLEI quer mobilizar a região

Informática Iniciação

Apelo à modernização da Linha do Oeste Após o anúncio da REFER de cancelar o investimento previsto para o processo de modernização da Linha do Oeste (99 milhões de euros para os anos 2010/ 2013), a ADLEI – Associação para o Desenvolvimento de Leiria emitiu um comunicado público de “preocupação e desacordo em relação a tal decisão”. Segundo a associação, esta é uma “preocupação que se manifesta com maior veemência quando este investimento, anunciado em Agosto de 2009, é uma ínfima parte dos 3,1 mil milhões de euros previstos para os próximos

anos na modernização da linha ferroviária clássica do país”. Considerando que “a Linha do Oeste é uma das vias sistematicamente sacrificadas, agora mais uma vez, no processo em curso de modernização da viaférrea nacional”, a ADLEI considera que “este novo adiamento vem juntar-se ao incompreensível arrastamento da elaboração do Plano Estratégico da Linha do Oeste mandado elaborar há mais de quatro anos sem que, até hoje, a opinião pública conheça o conteúdo das suas propostas ou qualquer estudo prévio”. Nesta linha, apela-se

“aos responsáveis políticos que tutelam a REFER para a necessidade e justeza da reconsideração da decisão do abandono do investimento, já que o distrito de Leiria e as populações que a Linha do Oeste serve, aguardam há mais de três décadas pela sua modernização”. Um apelo é também dirigido “ao envolvimento das instituições do Poder Local e do movimento associativo do distrito na exigência de uma solução urgente para Linha do Oeste”, estando a ADLEI disponível “para uma análise conjunta sobre a actual situação do processo de modernização”.

Jovem para OTL Longa Duração

O CIBA – Centro de Interpretação Batalha de Aljubarrota procura um/a jovem entre os 19 e os 25 anos, para participar no programa de Ocupação de Tempos Livre (OTL) de Longa Duração patrocinado pelo Instituto Português da Juventude, que decorrerá naquele espaço (São Jorge - Porto de Mós), de 6 de Outubro a 6 de Novembro de 2010. O horário da actividade é das 14h00 às 17h00, de terça-feira a sábado. Info: rita.canavarro@fundacao-aljubarrota.pt.

Escolas encerradas em Leiria

terá no entanto, custos muito elevados. Também a fusão de agrupamentos e a integração das escolas secundárias nessas unidades de gestão corresponde a

uma decisão política exclusivamente orientada para cortar verbas no ensino e na qualidade das respostas educativas. Estas medidas, como a FENPROF já afir-

O Centro Recreativo da Golpilheira assinou um protocolo de parceria com a Planicôa – Cooperativa de Planeamento e Desenvolvimento Rural, Local e Regional, com sede na Guarda, no âmbito da formação profissional. Esta instituição desenvolve acções de formação em vários distritos, chegando agora ao distrito de Leiria, no concelho da Batalha, e será no centro Recreativo da Golpilheira que iniciara a sua actividade. A primeira acção de formação será um curso de Informática-Iniciação, com a duração de 25 horas. Info: 962586007 e 919408852.

Centro de Interpretação Batalha de Aljubarrota

Novo ano escolar começa com reduções nos estabelecimentos de ensino O Ministério da Educação efectuou um corte para o ano escolar 2010-2011 nos estabelecimentos de ensino do primeiro ciclo que tenham até 20 alunos. Depois das medidas do Governo terem sido muito contestadas pelas associações de pais e professores, o certo é que a maioria dos estabelecimentos não voltam a funcionar. A FENPROF assume mesmo que esta iniciativa do Ministério da Educação do “encerramento das escolas do 1º Ciclo é uma medida de puro embaratecimento do sistema que,

Formação no Centro Recreativo

Câmara da Batalha abre candidaturas

Inscrições para bolsas de estudo mou, acarretarão maiores sacrifícios para as crianças, muitas delas já deslocadas de outras escolas que, em anos anteriores, encerraram, novas responsabilidades para municípios que já dificilmente conseguem assumir as actuais e um aumento do desemprego, quer de docentes, quer de trabalhadores não docentes, sendo, provavelmente, esse o principal objectivo a atingir pelo Governo.” Para Leiria, encerram as escolas do primeiro ciclo do Pedrógão, Figueiras e Barracão (Colmeias). Joaquim Santos

Acção da Câmara Municipal de Leiria em Agosto

O período de apresentação das candidaturas/ renovações para a atribuição de Bolsas de Estudo pelo Município da Batalha decorre de 1 de Setembro a 15 de Outubro, de acordo com o Regulamento Municipal de Atribuição de Bolsas de Estudo. Podem candidatarse estudantes residentes no concelho da Batalha que se encontrem matriculados no ensino superior. O requerimento e o formulário de candidatura, depois de devidamente preenchidos, deverão ser entregues no edifício dos Paços do Município, acompanhados dos documentos comprovativos das condições de acesso. Info: 244769110 ou www.cm-batalha.pt. pub

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Limpeza do espelho de água do rio Lis A Câmara Municipal de Leiria levou a cabo no início do mês de Agosto uma intervenção no rio Lis, entre a ponte Afonso Zuquete e a ponte do Arrabalde, com a colheita manual dos aglomerados de limos que infestam o rio nesta altura do ano, bem como a remoção de resíduos verdes que se encontravam à superfície. Estas algas, habitualmente designadas por limos, deterioram bastante o efeito visual do rio Lis, sendo que na Beira Litoral as macroalgas são uma das principais infestantes aquáticas dos rios. As zonas intervenciona-

das com maior intensidade foram os troços junto às pontes, por se encontrarem mais sujas, essencialmente com os resíduos lançados pelos transeuntes. Os trabalhos de limpeza do espe-

lho de água foram levados a cabo por oito colaboradores da autarquia que, com o auxílio de quatro embarcações manobradas por bombeiros municipais, retiraram manualmente do rio cerca

de quatro toneladas de resíduos durante a semana em que decorreu a limpeza. No final da acção, o aspecto paisagístico do troço intervencionado melhorou visivelmente, o que só foi possível devido ao grande esforço e espírito de equipa fomentado entre todos os colaboradores envolvidos nos trabalhos. A Autarquia equaciona, agora, uma eventual alternativa mecânica, em futuras acções de limpeza do rio, tendo em consideração que a eutrofização do mesmo é uma situação recorrente que implica periodicamente este tipo de intervenção.

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8 ECLESIAL

O caso Queiroz

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A notícia começou por surgir de forma ténue, quase a medo e só depois passada a avalanche. Dizia-se que a selecção nacional de futebol estava “abandalhada” pelas declarações pouco “ortodoxas” que o treinador teria feito relativamente à intervenção que a selecção teria sofrido, ainda durante o estágio de preparação do mundial. A Autoridade Antidopagem de Portugal exigiu que a verdade fosse reposta e a polémica estalou. Há já apelos para as autoridades internacionais e fazemse ameaças no sentido de que o caso pode sair para a esfera civil. Entre informações e contra-informações, o caso está a fazer notícia e tem já repercussões mais graves do que as que já se conhecem, como a suspensão do treinador e a saída de vários jogadores que começam a não querer representar a selecção nacional. Mais graves porque são o exemplo do mau serviço que estamos a prestar a Portugal e ao jornalismo. Pelo meio fica a nossa indiferença, misturada com a curiosidade e alguma descrença em relação ao que se vai passando. No geral todos estamos convencidos de que ainda não se contou metade da história e há ainda muito por dizer. Entretanto vamos conversando, rindo e troçando, com este estado de coisas e alguns, poucos, apontam o dedo acusador. Ao mesmo tempo assinamos todos a petição para que mais uma mulher não seja apedrejada por ter desrespeitado a lei de um país que não é o nosso, que nem sabemos onde fica, mas que queremos seja como o nosso. Repugna-nos a delapidação feita à pedrada, mas rimo-nos com a delapidação feita com palavras e acusações. Enfim os casos não são comparáveis, mas não deixa de ser interessante ver a reacção do povo português a estas coisas. Carlos Queirós, e sem pretender defendê-lo, tem direito a ser ouvido e informado em primeira mão. Ora o que os jornais têm feito, sabe-se lá a mando de quem, é um julgamento prévio com uma condenação anunciada. Num destes dias foram comunicados resultados e quando se quis ouvir o acusado, ele apenas pode dizer que não fora ainda informado da sentença de que era acusado. É triste, mas é a nossa comunicação no seu melhor. De há alguns anos para cá os nossos jornalistas armaram-se em detectives privados, e o jornalismo em Portugal passou a ser investigação não lícita e deixou de ser informação. A procissão ainda vai no adro. O Verão caminha para o fim e as férias para muitos até já acabaram. Lendo os jornais, não nos deixemos facilmente “embriagar” pelo que vemos e ouvimos, há coisas que não são bem assim. E se são contadas assim é porque alguém está interessado nisso… sabe-se lá porquê?!. Rui Ribeiro

2.Setembro.2010

Rumores da Visitação

A oração de S. Francisco de Sales S. Francisco de Sales estava tão cheio do Espírito de Deus que vivia habitualmente em oração, numa atmosfera divina, apreciando todas as coisas, todos os acontecimentos à luz de Deus, conduzindo-se sob a sua acção e apreciando tudo n’ Ele. A oração propriamente dita fez progredir maravilhosamente a sua vida interior. A sua fé serena, penetrava, sem raciocínios, sob a luz de Espírito Santo nas coisas Divinas; o seu coração ardente e terno, ajudava-o a permanecer recollhido na presença de Deus. No seu regulamento Episcopal tinha por obrigação uma hora de oração cada manhã antes da Missa. Nas horas de aridez servia-se dum livro; a sua oração era afectiva e contemplativa, cheia de luzes penetrantes e do desejo de servir a Deus generosamente. Ele estava sempre na presença de Deus e a sua união com Ele tornavase mais e mais profunda. E é isto que explica a sua caridade incansável, a sua paciência a toda a prova, a sua coragem indomável, os seus ardores apostólicos, a sua influência, o seu ascendente sobrenatural. O seu olhar, a sua presença, as suas palavras, davam a conhecer Deus respiravam Deus. Vê-lO era receber alguma coisa de Deus. Na oração, na qual permanecia muito tempo, experimentava de uma maneira secreta a presença de Deus e era acariciado pela Divina Bondade com delicadezas sem par. Então o seu espírito permanecia em repouso e recebia luzes extraordinárias e extraordinários esplendores. Ele não tinha que trabalhar muito para se recolher na oração. Parece que lhe tinha sido dado o Dom da inteligência e da sapiência para ver e saborear as coisas divinas e sobrenaturais. Quando entrava em oração, toda a espécie de solicitudes e negócios eram banidos do seu espírito. Não se dava ao cuidado de pensar se estava em consolação ou desolação. Quando Nosso Senhor lhe dava bons sentimentos, recebia-os com simplicidade, se não os não recebia não pensava mais nisso. Gostava até dos abandonos e desolações interiores... Todas as suas acções eram uma

DR

LENDO OS JORNAIS (4)

O Mensageiro

oração contínua; isto podia-se mais facilmente julgar pela sua modéstia que revelava que a sua união com Deus era perfeita. A maneira como ele tratava os assuntos temporais, revelava que tinha sempre o coração em Deus; nada era capaz de perturbar a sua paz. A oração do Pai-Nosso e da Ave-Maria era muitas vezes o assunto das suas ocupações mentais escolheu santo Antão, Eremita para guarda do seu deserto interior. É neste deserto – dizia - que eu permaneço solitário em Deus, no meio de um número de assuntos que me cercam. Passava muito tempo no seu entretenimento. À noite ao deitar e de manhã ao despertar acontecia que não era Ele que se punha na presença de Deus, mas era Deus que se punha na presença dele. Não era ele que procurava a Deus, era Deus que o procurava a ele. O Santo declarou francamente a uma pessoa de confiança que todas as manhãs, quando despertava, sentiase envolvido nesta divina presença, o que não podia proceder da imaginação pois que durante o sono, ela está confusa, errante, vagabunda e não opera nunca da mesma maneira três noites seguidas. O sentimento da presença de Deus formava-se nele sem a sua colaboração. Era a sua

vida de oração que o levava a escrever e a pronunciar palavras inflamadas de caridade. E dizia que, sem premeditação, essas palavras que lhe saíam dos lábios, eram pronunciadas sob o impulso divino. Relendo cada um dos capítulos dos livros por ele escritos, derramava lágrimas, porque via claramente que estas coisa ali escritas não tinham tido origem na sua ciência, mas tinham sido inspiradas por Deus. Podemo apontar aqui algumas graças particulares que recebeu na oração. Tendo comungado da mão do Sumo Pontífice (Clemente VIII) no dia da Anunciação, a sua alma recebeu a graça de muitas luzes sobre o mistério da Encarnação, e ficou a conhecer, de maneira inexplicável, como o Verbo tomou corpo humano pelo poder do Pai e operação do Espírito Santo, no seio castíssimo de Maria, querendo habitar entre nós desde que se fez Homem como nós. Recebeu também do Senhor um conhecimento muito elevado da transubstanciação, sobre a sua entrada na sua alma e também sob o ministério dos Pastores da Igreja. Teve também durante a oração uma revelação particular de Deus, para conhecer como deveria fundar a Ordem das Religiosas da Visitação. E falava disto depois com

grande segurança. No dia da sua ORDENAÇÂO EPISCOPAL, o santo viu com admirável clareza as TRÊS PESSOAS DIVINAS operando nele espiritualmente o que os três Bispos executavam durante esta cerimónia. Aos olhos dos circunstantes ele parecia extasiado. Os Assistentes, admirados do que viam, perguntaram-lhe se se sentia mal e lhe propuseram abreviar a cerimónia. Respondeu com doçura que estava muito bem e pediulhes encarecidamente que continuassem o Ritual sem nada omitir. Nesta visão permaneceu vivamente impressa no seu espírito durante seis semanas. Mas nesta experiência mística o Bem-Aventurado não perdeu o uso dos sentidos exteriores nem interiores. A 22 de Outubro de 1622, Francisco de Sales foi surpreendido pelo Bispo de Calcedónia, seu irmão e Coadjutor e por Luís de Sales, seu irmão predilecto. Encontrava-se só no seu gabinete e tão abstracto, tão abismado em Deus, que eles tiveram dificuldade em fazê-lo falar; e como instassem muito para saber se tinha recebido algum segredo que não lhes queria comunicar disse-lhes : “ Meus Irmãos, deixai-me, por um pouco, a sós com o meu Deus. Ele anunciou-me algo de importante, que por agora não vos posso comunicar.” Pensaram que se tratava da composição de algum livro. “ Não é isso, diz o santo, sabê-lo-eis em breve.” Os seus Irmãos retiraram-se deixando-o gozar do seu Deus. Depois foi celebrar Missa, na qual empregou mais tempo que de ordinário vendo-se bem que não se resolvia a sair do altar por estar arrebatado em Deus. Ninguém ousou interrogá-lo sobre o sucedido, mas todos se convenceram que o Santo tinha recebido nesse dia um aviso celeste sobre a sua próxima morte. Desde então dispôs-se a fazer o seu testamento e as suas despedidas, escondendo discretamente os preparativos debaixo do pretexto de uma viagem à França, a convite do Cardeal de Sabóia... Irmãs do Mosteiro da Visitação, Batalha


DIOCESE 9

O Mensageiro

2.Setembro.2010

BREVES

Natural de Casal do Crespos (Ourém)

Faleceu padre Manuel Ferreira cidade, estudou psicologia no Instituto Superior de Psicologia Aplicada, tendo depois leccionado na Escola do Magistério de Leiria. Em 1987, deslocou-se para os Estados Unidos da América, onde exerceu o sacerdócio junto dos emigrantes portugueses. Nos últimos anos, residia em Fátima, prestando serviço como sacerdote em comunidades religiosas e paróquias, conforme lhe era solicitado. Entre as suas características peculiares está a de, mesmo na casa dos 90 anos de idade, ter aprendido a usar o computador e a navegar na internet, o que lhe dava muita satisfação e jovialidade. A Diocese de Leiria-Fátima, ao mesmo tempo que comunica a passagem deste sacerdote para a eternidade, agradece a Deus a vida e o longo e zeloso ministério que ele desempenhou ao serviço da Igreja, em múltiplos campos e lugares. Aos familiares apresenta sentidas condolências e manifesta público e reconhecimento e gratidão à direcção e pessoal de serviço da Casa Diocesana do Clero, pela paciente, dedicada e competente assistência

prestada ao falecido. Na homilia da celebração das exéquias, D. António Marto começou por valorizar o sentido da vida do irmão sacerdote ao afirmar que “o mistério da vida não está no facto de viver, mas na interrogação sobre: de que se vive, para que se vive, como se vive?”. O Pe Manuel valorizou a sua vida na medida em que lhe seu um sentido e um objectivo muito particulares, que o ministério sacerdotal lhe conferiu. Comentando a 1ª leitura, o prelado incentivou a compreender aquela que é a “sabedoria divina viver na verdade, viver na caridade”, como forma de ver e ir mais longe do que o horizonte humano. Ou seja “não é o poder, as aparências, os títulos que tornam o homem grande. O que o torna grande junto de Deus é a humildade, a generosidade de serviço, do amor gratuito, desinteressado. E retomando as ideias da 2ª leitura, convidou, por isso, a que todos contemplassem o mistério da vida como mistério de comunhão com Cristo e em Cristo, pois só assim se lhe descobre o verdadeiro sentido. A fé e a relação com

“Caridade: dom na partilha e no serviço”

D. António Marto na celebração de Santo Agostinho DR

No dia 28 de Agosto, aos 93 anos, faleceu o padre Manuel Ferreira, na Casa Diocesana do Clero, em Fátima, onde residia. Natural de Casal dos Crespos, Ourém, era o sacerdote mais idoso da Diocese de Leiria-Fátima, tendo exercido o ministério durante 70 anos. O funeral realizou-se Domingo, dia 29, na igreja paroquial de Nossa Senhora da Piedade, em Ourém, sendo sepultado no cemitério de Vale Travesso. Filho de Luís Ferreira e de Maria Libânia, Manuel Ferreira nasceu em 12.04.1917, em Casal dos Crespos, freguesia de Nossa Senhora da Piedade-Ourém. Foi ordenado sacerdote no Santuário de Fátima em 31.12.1939. Ao longo da sua vida ao serviço da Igreja, foi professor nos Seminários da Figueira da Foz e de Leiria, no Liceu desta cidade e em Ourém. Desempenhou o ministério pastoral em várias paróquias, entre as quais se destacam Minde e Alqueidão da Serra, de que foi pároco durante vários anos. Foi ainda capelão dos irmãos de S. João de Deus em Barcelos e no Telhal e dos Irmãos Maristas, em Lisboa. Nesta

Deus dão à vida uma dimensão que os não crentes nunca poderão entender. Por isso “quem crê nunca está só, nem na vida nem na morte”…”Quanto mais estamos na companhia de Cristo e de todos os que lhe pertencem, tanto mais a nossa vida será sustentada por aquela confiança a que S. Paulo deu expressão: “Disto estou certo: nem a morte nem a vida... nem coisa alguma nos poderá separar do Amor de Deus … (Romanos 8, 38-39)”. O crente entende, assim, a morte como uma porta de entrada na eternidade e nunca como um fechar dessa porta. O mistério sacerdotal enquanto serviço e entrega desinteressada aos irmãos, é forma singular de viver verdadeiro sentido da vida. Por isso o sacerdote só pode ser alguém feliz e consciente de ter sabido viver a vida dom de Deus. O Mensageiro associa-se ao clero diocesano e à diocese e celebra, com a morte do Pe Manuel, o dom da vida.

Paróquia da Sé

Acolhimento e despedida de sacerdotes .Acolhimento da nova equipa sao da nova equipa sacerdotal «Sinto-me em casa» foram palavras do padre Gonçalo Diniz, na homilia do Domingo dia 29 de Agosto, na Eucaristia da sua tomada de posse como pároco da Sé de Leiria. Esta expressão mostra, em toda a sua simplicidade, a grandeza dos pequenos gestos e daquilo que é, de facto, a comunhão fraterna. Mostra-nos ainda, como a paróquia é capaz de, pela sua vivência concreta, passar o testemunho da comunhão, do acolhimento fraterno e atento, da co-responsabilidade, que foram centros vitais da acção pastoral dos últimos anos. O novo Vigário paroquial padre José Augusto e o colaborador pastoral Diácono Miguel Sottomayor, também manifestaram a sua alegria e disponibilidade para a mis-

são que naquele momento assumiam, referindo que é um caminho para fazermos todos em conjunto. «Agradeço o acolhimento que nos prepararam, a vossa presença e calor e conto convosco» foram as palavras do novo pároco à representação da paróquia (Conselho Pastoral e Conselho para os Assuntos Económicos) que acompanhou a nova equipa pastoral a almoçar. Desde o primeiro momento procurámos que os nossos gestos fossem simples, mas manifestassem acolhimento sincero e a nossa presença fosse o sinal eloquente da nossa disponibilidade pela qual dizemos ao novo pároco e aos seus colaboradores directos: «Conte connosco para continuar a construir, nesta cidade de Leiria, a Igreja de Jesus Cristo» Ir. Assunção

Despedida dos seus padres “Agradeço-vos, do coração, a possibilidade que tive de ser padre convosco e para vós”, declarou, visivelmente emocionado, o padre Joaquim Batista na mensagem final que dirigiu às centenas de pessoas reunidas na Sé de Leiria no domingo, dia 22 de Agosto, para a despedida solene do seu pároco e do vigário paroquial, padre Leonel Batista. “Vou partir mas não me despeço. Continuo a ser o mesmo padre e a servir o mesmo Senhor e a mesma Igreja”. Mais do que homenagem ou festa de despedida, o padre Joaquim Baptista fez questão de interpretar a presença de tão numerosa assembleia como uma “festa para celebrar a vida vivida em comum, para cimentar a amizade que nos uniu,

para partilhar afectos que nos envolveram”. O padre Leonel Batista pronunciou também breves palavras de saudação e de agradecimento, após o que a assembleia irrompeu em prolongada ovação, em sinal de gratidão e de reconhecimento. Ambrósio Santos, em representação do Conselho Pastoral e de toda a comunidade, agradeceu aos dois sacerdotes os anos de sacerdócio generoso e fiel gastos ao serviço da paróquia da Sé, em atitude de permanente disponibilidade e de doação sem reservas. “Obrigado por terem sido padres para os nossos filhos e para os nossos netos. Obrigado por serem padres para nós”, disse. No final, nos claustros da Sé, teve lugar um almoço convívio que reuniu cerca de duas centenas de participantes. A.S

Presidindo a celebração eucarística em honra de Santo Agostinho, padroeiro da diocese de Leiria-Fátima, na igreja que lhe é dedicada na cidade de Leiria, no dia 28 de Agosto, D. António Marto apelou à prática da caridade fraterna nas comunidades cristãs e à relação pessoal, dom e serviço para com os mais pobres e vulneráveis da sociedade actual. O bispo de Leiria-Fátima aproveitou a ocasião para introduzir no tema que será abordado ao longo do ano pastoral na Diocese: a caridade e a acção sócio-caritativa. Em breve será publicada uma carta pastoral em que o mesmo será desenvolvido e se indicarão as orientações pastorais para o pôr em prática nas comunidades, serviços e instituições. A propósito da caridade, D. António Marto citou S. Agostinho, que disse: “Se queres ver a Deus, tens à tua disposição a ideia justa: ‘Deus é Amor’. Que rosto tem o amor? Que forma, que estatura, que pés, que mãos? Ninguém pode dizer. Contudo, tens pés que conduzem à Igreja, tens mãos que dão aos pobres, tens olhos com os quais chegas a ver os que estão em necessidade. Perguntasme ‘Em que campo devo exercitar este amor?’ No da caridade fraterna. Poderias dizer-me, com efeito: ‘Nunca vi a Deus’, mas nunca poderás dizer-me: ‘Nunca vi um homem’. Ama pois o teu irmão. Se amas o irmão que vês, poderás, ao mesmo tempo, ver a Deus, porque verás a própria caridade e Deus habita na caridade”. Na celebração estavam presentes sacerdotes, religiosos, religiosas e fiéis leigos de várias proveniências da Diocese, numa representação expressiva da sua variedade. No final, D. António Marto agradeceu ao Padre Joaquim Baptista, que deixou de ser pároco da Sé para assumir a mesma missão noutra paróquia, o seu serviço pastoral e a colaboração e acolhimento pessoal, e saudou o novo pároco da Sé, Padre Gonçalo Diniz, formulando votos de uma missão fecunda. Ambos os sacerdotes estavam presentes bem como vários outros. Padre Jorge Guarda

“Vida que não acaba”

Dom Serafim está de luto Pelo falecimento, no dia 25 de Agosto, de seu irmão e padrinho, António Augusto, de 92 anos, está de luto Dom Serafim de Sousa Ferreira e Silva, bispo emérito de Leiria-Fátima, a quem a Diocese apresenta sentidas condolências. Para o falecido imploramos de Deus o acolhimento na morada eterna, na comunhão com todos os fiéis que já comungam da “vida que não acaba”. António Augusto de Sousa Ferreira e Silva nasceu em Santa Maria de Avioso, Maia, a 21 de Agosto de 1918. Casou-se em 1947 com Carolina e teve dois filhos. Faleceu a 25 de Agosto de 2010. Haverá missa em sua memória na igreja paroquial de Santa Maria de Avioso, no dia 31 de Agosto de 2010, às 19 horas. Padre Jorge Guarda Vigário Geral

Casa Jovem em Fátima

Santuário acolhe grupos de jovens No Santuário de Fátima, na antiga capela da reconciliação na colunata sul encontra-se a Casa Jovem. Quem lá chega tem à sua espera uma equipa de acolhimento que o encaminha para uma sala de convívio, para uma sala onde são projectados filmes ou para um local mais reservado de oração na capela. Segundo o responsável pela casa, padre Angel Ramirez, o objectivo deste espaço, é levar a mensagem de Fátima “de forma específica aos jovens”. Este ano, decidiu-se abrir as portas durante quatro meses, desde Junho até Setembro.


10 ECLESIAL

O Mensageiro 2.Setembro.2010

Tempo Comum (05/09/10)

Antífona de Estrada: Salmo 118, 137.124 Leitura I: Sab 9, 13-19 (gr. 13-18b) Salmo Responsorial: Salmo 89 (90), 3-6.12-14.17 (R. 1) Refrão: Senhor, tendes sido o nosso refúgio através das gerações. Repete-se Leitura II: Flm 9b-10.12-17 Aclamação ao Evangelho: Salmo 118 (119), 135; Refrão: Aleluia. Repete-se; Fazei brilhar sobre mim, Senhor, a luz do vosso rosto e ensinai-me os vossos mandamentos. Refrão EVANGELHO: Lc 14, 25-33 Naquele tempo, seguia Jesus uma grande multidão. Jesus voltou-Se e disse-lhes: «Se alguém vem ter comigo, e não Me preferir ao pai, à mãe, à esposa, aos filhos, aos irmãos, às irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não pode ser meu discípulo. Quem de vós, desejando construir uma torre, não se senta primeiro a calcular a despesa, para ver se tem com que terminá-la? Não suceda que, depois de assentar os alicerces, se mostre incapaz de a concluir e todos os que olharem comecem a fazer troça, dizendo: ‘Esse homem começou a edificar, mas não foi capaz de concluir’. E qual é o rei que parte para a guerra contra outro rei e não se senta primeiro a considerar se é capaz de se opor, com dez mil soldados, àquele que vem contra ele com vinte mil? Aliás, enquanto o outro ainda está longe, manda-lhe uma delegação a pedir as condições de paz. Assim, quem de entre vós não renunciar a todos os seus bens, não pode ser meu discípulo». Palavra da salvação.

Cânticos | XXIV Domingo do Tempo Comum (12/09/10)

Servir por Amor na Aldeia da Mata A missão na Aldeia da Mata (Diocese de Portalegre - Castelo Branco) decorreu de 7 a 15 de Agosto e participaram 11 missionários durante a semana e dois elementos de reforço no fim-de-semana. O trabalho foi repartido entre actividades com crianças, visita ao Lar, às famílias e doentes, animação de Eucaristia, orações diárias do Rosário, e muito mais! Na segunda e na quarta-feira à noite tivemos trabalhos de grupo para reflectir sobre temas ligados à comunidade. Formaram-se três grupos com um total de cerca de 60 pessoas. Durante o dia houve visita às famílias, principalmente a doentes e idosos que estão em suas casas. Também houve trabalho com crianças; mesmo que não sendo muitas, deu para fazer alguma animação com elas. O dia de quinta-feira, foi praticamente todo passado no Lar de Santo António. Que alegria, que brilho em muitos daqueles olhos por receberem visitas que nem sequer conheciam, ou das

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Leituras |XXIII Domingo do

quais já não se lembravam, ainda que outros ainda nos recordassem. Os avós lá contaram as suas histórias, fizeram os seus desabafos e alguns até tiveram os seus devaneios. Também tivemos o prazer de receber a visita do Sr. P. David que veio visitar o grupo, o que foi uma alegre surpresa. Outro momento muito significativo foi a procissão das velas. Foi, de

facto, uma ocasião muito especial… Muitos foram os que se juntaram a este louvor demonstrando a sua devoção a Nossa Senhora. O caminho percorrido foi iluminado por muitas velas, mas mais do que isso, foi iluminado pelos corações da população da Aldeia da Mata... O pequeno cesto que transportava Nossa Senhora estava também ornamentado com flores de papel que

algumas crianças fizeram numa das actividades, para agradecer e louvar Nossa Senhora. Agradecemos também ao P. Paulo Dias e P. Rui Rodrigues que nos acolheram e nos ajudaram nesse serviço de Amor à comunidade, agradecemos também a todas as pessoas envolvidas para o êxito desta Missão. Celina Pedro

discípulos de Jesus devem evitar que a ganância ou o desejo imoderado do lucro manipulem as suas vidas e condicionem as suas opções; em contrapartida, são convidados a procurar os valores do “Reino”. Como na leitura do profeta Amós que escutamos neste domingo em que se fala da ânsia dos vendedores em recomeçarem as suas actividades para terem mais riqueza às custas dos que mais precisam. E esta não é uma situação tão incomum nos nossos dias, em que sentimos que cada pessoa se tenta aproveitar dos outros. Mas como diz S. Paulo: “recomendo que se façam preces, orações, súplicas e acções de graças, por todos os homens, pelos reis e por todos os que exercem autoridade.” Ele convida os crentes a fazerem do seu diálogo com Deus uma oração universal, onde caibam as preocupações e as angústias de todos os nossos irmãos, sem excepção. Deixa claro que a oração não pode ser a expressão de uma vida vivida em

“circuito fechado”, em que o crente apresenta a Deus, exclusivamente, os seus problemas, as suas questões, os seus desejos, os seus pedidos, e em que, eventualmente, lembra a Deus aqueles que lhe são próximos; mas a oração tem de ser a expressão da comunhão e da solidariedade do crente com todos os irmãos espalhados pelo mundo inteiro – conhecidos e desconhecidos, amigos e inimigos, bons e maus, negros e brancos… Todo o crente, no seu diálogo com Deus, tem de deixar transparecer a ilimitada capacidade de amar e de ser solidário com todos os homens. A parábola deste domingo é muito desconcertaste: alguém que é despedido por má administração, acaba por aumentar o seu pecado para conseguir que os clientes do seu patrão lhe retribuam o favor. Jesus diz-nos para não sermos ingénuos, para percebermos que os mecanismos do mundo são diferentes dos mecanismos de Deus. Jesus no fim acaba por ser taxativo: “Nenhum

servo poderá servir a dois senhores. […] Vós não podereis servir a Deus e ao dinheiro.” Ou seja: na nossa vida, na vida de cada um de nós não podemos viver em meias tintas. Temos de nos definir, de afirmar de uma vez por todas o que queremos fazer. Somos muito sensíveis à injustiça, à violência, mas quando alguma coisa nos fere, nos toca no coração, mas no fundo continuamos a jogar com aquilo que vai acontecendo na nossa vida, interpretando os acontecimentos à nossa maneira, de acordo com os nossos desejos. E assim vamos alimentando a injustiça, porque todos queremos ser ajudados, mesmo que para isso os outros tenham de ser prejudicados. Porque aquilo que fazemos nunca é inocente, tem sempre um objectivo, busca sempre um resultado. No entanto nem sempre queremos aceitar o resultado que nasce das nossas acções.

INÍCIO: Fiz de ti a luz das nações – Lau 403 Nós somos o Povo do Senhor – Lau 533 SALMO RESPONSORIAL: Vou partir – Lau 889 APRESENTAÇÃO DOS DONS: Escuta Israel – Lau 342 Eu cuidarei das minhas ovelhas – Lau 359

AO SABOR DA PALAVRA

COMUNHÃO: Deus enviou ao mundo – Lau 277 Ó sagrado banquete – Lau 576 O Senhor alimentou-nos – Lau 579 PÓS-COMUNHÃO: Cantarei ao Senhor – Lau 211 FINAL: Confiarei no meu Deus – Lau 236 Dá-nos um coração – Lau 259

Pe. Francisco Pereira pe.francisco@mac.com

Justiça Sábado 19h00 – Sé 19h30 – Franciscanos

MISSAS DOMINICAIS

Domingo 08h30 – Espírito Santo 09h00 – Franciscanos 10h00 – Paulo VI 10h00 - S. Francisco 10h30 – Franciscanos 10h00 – S. Romão 11h00 – S. Agostinho 11h00 – Hospital 11h45 – Cruz da Areia 11h30 – Seminário e Sé 18h30 – Sé 19h30 – Franciscanos 21h30 – Sª Encarnação

XXIII Domingo do Tempo Comum

Quanta injustiça nós encontramos no mundo, quanto sofrimento da parte dos pobres, tantas vezes por causa da exploração de que são vítimas, não apenas económica mas também sentimental. A liturgia sugere-nos, hoje, uma reflexão sobre o lugar que o dinheiro e os outros bens materiais devem assumir na nossa vida. De acordo com a Palavra de Deus que nos é proposta, os


IGREJA EM PORTUGAL 11

O Mensageiro

2.Setembro.2010

PORTUGAL

MUNDO

Aprender a caridade com Madre Teresa

Imprensa Católica

Ano pastoral do CNE novos “porque a televisão é uma montra assídua da pessoa da Madre Teresa e do seu sorriso”, traduz o chefe nacional do CNE. Cada região vai desenvolver o tema dentro do enquadramento dado a nível nacional. Será a criatividade de cada um dos mais de 1000 agrupamentos espalhados a nível nacional a ditar as actividades inspiradas na Madre Teresa e que vão ser propostas a cada uma das quatro secções de escuteiros no seu processo educativo – lobitos, exploradores, pioneiros e caminheiros. Carlos Alberto Pereira explica que é localmente que o projecto educativo do CNE se desenvolve. Em ano pastoral sem acampamento nacional, o CNE quer imprimir as tónicas do serviço e da caridade nas suas restantes actividades. O CNE vai organizar um seminário onde quer reflectir sobre o futuro do seu modelo educativo. “Neste espaço vamos ter uma tónica importante de serviço”, adianta o chefe nacional.

O Conselho Pontifício das Comunicações Sociais (CPCS) está a preparar uma jornada de reflexão sobre a missão da imprensa católica no mundo. O Congresso Mundial para a Imprensa Católica realiza-se de 4 a 7 de Outubro, no Vaticano, e vem fechar o ciclo de trabalhos iniciado com os congressos sobre televisão e rádio, que decorreram em 2006 e 2008, respectivamente. O arcebispo D. Cláudio Maria Celli, presidente da CPCS, refere que “a grande questão de base é sempre a mesma: no contexto social de hoje, na Igreja de hoje, que papel deve desempenhar a imprensa católica?” “O tema do Congresso”, acrescenta o mesmo responsável, “não se refere só à Igreja católica, mas à imprensa católica na era digital, porque actualmente há mais pessoas a ler os jornais na internet do que a comprar um exemplar em papel. É inegável que as novas tecnologias estão a abrir perspectivas mais amplas, ricas e estimulantes”.

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As actividades do Corpo Nacional de Escutas – CNE no próximo ano pastoral vestem-se de branco e azul, as cores das vestes de Madre Teresa de Calcutá e do hábito das Irmãs Missionárias da Caridade, congregação fundada pela “mãe dos pobres”. Depois de São Paulo e do Beato Nuno de Santa Maria, o CNE quer indicar a Beata Teresa de Calcutá como modelo de valores de vida “intemporais”, em especial, “o serviço e a caridade”, indica à Agência Ecclesia Carlos Alberto Pereira, chefe nacional do CNE. A “mãe dos pobres” como ficou conhecida é a terceira figura que conclui um triénio no CNE dedicado a grandes figuras do Cristianismo que servem de inspiração e modelo de vida aos jovens escuteiros. Madre Teresa de Calcutá (1910-1997), a “figura mais contemporânea” das três escolhidas, é também a que os escuteiros melhor conhecem. Os jovens e adolescentes pela proximidade temporal, “ainda se lembram dela”; os mais

Vaticano prepara Congresso

Também as duas reuniões nacionais, denominados conselhos nacionais, a decorrer ao longo do ano terão como reflexão central a vida e o testemunho de Madre Teresa de Calcutá. “Madre Teresa é um bom modelo para mostrar os valores eternos mas também a essência da nossa condição humana”, afirma Carlos Alberto Pereira, acrescentando ser essencial mostrar aos jovens “valores intemporais do Cristianismo”. O Corpo Nacional de Escutas é a maior associação juvenil portuguesa, im-

plantado através de mais de 1000 agrupamentos espalhados por todo o continente e regiões autónomas, inserida e enquadrada no maior movimento juvenil mundial. Em Portugal conta com um efectivo de 60 mil jovens e de 9 mil adultos. O CNE destina-se à formação integral de jovens dos 6 aos 22 anos de idade, permitindo que cada um seja protagonista do seu próprio crescimento e desempenhe um papel construtivo na sociedade.

Cursilhos de Cristandade em Portugal Os Cursilhos de Cristandade estão a festejar 50 anos de existência no nosso país. Trata-se de um movimento de leigos, inserido na Igreja, que convida os fiéis a viverem os fundamentos da sua fé, apoiados pelo Evangelho, e a descobrirem a sua vocação pessoal, em comunidade. Os cursilhos nasceram em Espanha, na Ilha de Palma de Maiorca, em 1944, por iniciativa de Eduardo Bonnín Aguiló. Na altura com 27 anos, o jovem deparava-se na com uma sociedade desenraizada de Cristo e procurou criar, especialmente junto dos mais jovens, um espírito mais apostólico e de maior testemunho da fé. Depois de um período de expansão em Espanha, os Cursilhos de Cristandande começaram a espalhar-se

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Movimento celebra Bodas de Ouro

pelo mundo inteiro a partir de 1953. Em Portugal, o primeiro cursilho de cristandade realizou-se em Fátima, no dia 30 de Novembro de 1960. Desde a sua implantação, mais de 100 mil pessoas já tomaram parte nas actividades do movimento. O modelo dos Cursilhos de Cristandade apoia-se muito na criação de grupos. Depois da participação num

primeiro cursilho, os fiéis são convidados a continuarem a caminhar em grupo, nas comunidades, realizando encontros (ultreias) onde partilham as suas experiências de fé. O movimento, que adoptou São Paulo como padroeiro, é considerado pela Igreja como um fruto do Espírito Santo. Em 2000, durante a 3ª Ultreia Mundial do movimento, o Papa

João Paulo II realçou que, após tomarem parte nas experiências de cursilho, os fiéis “aprendem a considerar com olhos novos as pessoas e a natureza, os acontecimentos diários e a vida em geral”. Hoje em dia, os Cursilhos de Cristandade estão presentes em 50 países, de 5 continentes diferentes, abrangendo mais de dois milhões de homens e mulheres. O movimento português deixa um convite a todos quantos queiram associar-se aos festejos do seu cinquentenário, que terão como ponto alto a Ultreia presidida pelo Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, no próximo dia 9 de Outubro, no ginásio do Atlético Clube de Portugal.

Escócia

Preparação para acolher o Papa O arcebispo de Glasgow pretende que os seus fiéis encarem as próximas semanas como um desafio espiritual, preparando a vinda de Bento XVI ao país. O dia 16 de Setembro vai ficar conhecido como a data da primeira visita de Bento XVI ao Reino Unido, e a Escócia será recordada como o primeiro ponto de paragem. Numa carta pastoral, divulgada pelo site da Arquidiocese de Glasgow, D. Mário Conti considera esta visita como “um momento de graça” e “um acontecimento histórico” para o país. Os preparativos logísticos há muito que já começaram, mas para o arcebispo de Glasgow “uma coisa são os preparativos físicos, outra são os pastorais e espirituais”. A arquidiocese de Glasgow já forneceu às paróquias um vasto conjunto de materiais de apoio, para servirem de suporte ao trabalho dos sacerdotes, junto dos fiéis. O prelado vê a presença de Bento XVI como um passo importante para “apoiar a fé e encontrar a valentia para enfrentar as dificuldades, socorrendo a dor que a Igreja e cada um deve experimentar, num mundo imperfeito e em constante mudança”. Durante a sua estadia na Escócia, Bento XVI vai realizar uma visita à Rainha Isabel II, no palácio real de Holyroodhouse, em Edimburgo.

Cristãos e muçulmanos

“Divisões podem ser superadas” A Igreja católica alemã enviou uma saudação especial a todos os muçulmanos, numa altura em que se assinala o fim do Ramadão, manifestando o desejo de que se consiga superar as divisões existentes entre as duas religiões. A mensagem partiu de D. Robert Zollitsch, arcebispo de Friburgo e presidente da Conferência Episcopal Alemã (CEA). O final do mês de Agosto marcou também o fim do período de jejum e oração de todos os muçulmanos, “uma fidelidade às tradições religiosas que é olhada com simpatia pela Igreja Católica”, diz o líder da CEA, em declarações publicadas pela Rádio Vaticano. O arcebispo mostrou-se esperançado de que a reflexão da fé contribua para aproximar cristãos e muçulmanos, em todo o mundo. Para isso, é preciso que “eles se empenhem, para promover uma liberdade religiosa completa”, sublinhando depois o trabalho da Igreja alemã, “a favor das necessidades legítimas dos muçulmanos”.


12 HISTÓRIA

O Mensageiro 2.Setembro.2010

Fr. João da Cruz e as obras do Mosteiro da Batalha em 1588 Interessou-se D. Filipe I, de Portugal, pelo Mosteiro da Batalha. Este soberano possuía um debuxo do monumento, o qual, por diminuto, o não satisfazia, levando-o a ordenar ao celebrado arquitecto Filipe Terzio a execução de novos desenhos em que se pudesse observar, de forma minuciosa, “a traça do edificio e a sua grandeza.” (Couseiro, capº 68). Escreveu Fr. Luís de Sousa que D. Filipe I, atendendo às dificuldades económicas que a comunidade dominicana da Batalha conhecia, “emendou liberalmente suas faltas e ficou suprindo com sua grandeza o desazo dos Frades (…). Merece memoria quem advertio a el-Rei, e procurou e chegou ao cabo o melhoramento, que foi o Padre Frei João da Cruz, da primeira vez que foi Provincial. E com tudo, dado que se vive hoje com mais largueza, e a casa sustenta de ordinario setenta Religiosos, ainda he de esmolas: porque a mercê apontada ficou feita nas mesmas offertas: reduzirão-se somente a hum ponto mais alto e conveniente na valia.” (História de S. Domingos, Parte I, Livro VI, capº XXI). É bem provável que a generalidade dos frades da Batalha, seguindo o exemplo de um Fr. Bartolomeu dos Mártires, insigne mestre do studium teológico batalhense para cuja fundação concorrera decisivamente, assim como do bispo de Leiria, ao tempo, tenham apoiado prontamente a entronização de Filipe I. Esta situação não pode ter deixado de suscitar as simpatias do monarca Habsburgo para com o real mosteiro no qual, aliás, jaziam os monarcas e ínclitos infantes da idade de ouro da dinastia de Avis, entre eles os avós maternos de Isabel, a Católica. Em 1580, por ocasião das Cortes de Tomar, o mosteiro clamava, bem o sabemos, pelo acabamento de muitas obras. Desde a década de 1530 que o estaleiro gótico vinha definhando criticamente. Às obras por concluir somavam-se as constantes reparações das partes do edifício que por várias ordens de razões se apresentavam danificados e a necessitarem de arranjos. Para além disso, também os padres dominicanos, nesse final de século e já depois de encerrado o Concílio de Trento, sentiriam algum desconforto para o exercício dos seus ofícios litúrgicos, sobretudo porque a estrutura gótica da majestosa igreja conventual se revelaria de difícil adaptação aos novos cânones e preceitos ideais de montagem dos cenários mais adequados às novas pastorais tridentinas.

LMFerraz/Arquivo

Saul António Gomes

Resulta claro, nomeadamente das considerações do cronista Fr. Luís de Sousa, que passou pelo mosteiro em 1621, que os retábulos levantados nas capelas da cabeceira da igreja eram pobres e inadequados à solenidade das celebrações litúrgicas que a sensibilidade do tempo requeria. Não é sem significado que, no final do século XVI, a capela de S. Gonçalo, vizinha à de Santa Bárbara e è sacristia, recebeu um grande retábulo e altar da invocação do Nome de Jesus (Couseiro, capº 73). As cartas que seguidamente publicamos, e cujo conhecimento devemos à generosa solicitude do nosso colega e bom amigo Dr. Pedro Pinto, do Centro de Estudos Históricos da Universidade Nova de Lisboa, trazem uma nova luz sobre a história do monumento justamente nos finais de Quinhentos. São três cartas da autoria de Fr. João da Cruz, o citado provincial da Ordem de S. Domingos, assinadas todas elas em 1588 e dirigidas ao Conde de Linhares, do qual era, aliás, capelão. Este Conde de Linhares era D. Fernando de Noronha, parente, como se sabe, dos Marqueses de Vila Real, senhores de Leiria e da Batalha. D. Fernando de Noronha, sequaz do partido filipino, pertencia ao Conselho de Estado e era vedor da Fazenda Real. Passavam por ele, assim, os assuntos relacionados com despesas com obras régias no reino nomeadamente as da Batalha. E é justamente sobre este aspecto que as cartas que aqui se editam mais particularmente interessam. A 25 de Janeiro de 1588, Fr. João da Cruz dirige-se ao Conde de Linhares lamentando o “descuido” de António Taca na renovação de parte dos vitrais e na feitura que cumpriam ao edifício

(Carlos Vitorino Barros, O Vitral em Portugal…, págs. 45-48 e 282283). Não estava, aliás, Mestre António Taca, o terceiro deste nome com responsabilidades na obra de vidraça no edifício monástico, nas melhores graças do padre dominicano que não lhe esconde censura. Entre as demais obras projectadas, Fr. João da Cruz alude a uma varanda, cuja construção deveria facilitar o acesso dos religiosos à capela-mor, sem que tivessem de passar pelos claustros e pela sacristia, assim como a obras que implicavam o túmulo do rei D. Duarte. Pretendia-se deslocar este para dentro da capela-mor e levantá-lo cerca de uma vara, ou seja, sensivelmente, um metro. Por seu turno, a “varanda” em causa deveria corresponder à abertura de um corredor de circulação, decerto entre os dormitórios da comunidade, localizados na área dos claustros de D. Afonso V e novos, mais a nordeste do monumento, e a igreja conventual. Um espaço de circulação que se projectava, cremos, ao nível do pavimento superior do edifício, então sujeito a maior circulação e usos da comunidade residente do que hoje qualquer visitante pode depreender. Todavia, um projecto de “varanda” que não parece ter sido levado a cabo. Por carta de 6 de Fevereiro do mesmo ano, tomamos nota de que se processavam obras no “coro” por detrás do capítulo. Este “capítulo”, em princípio, deverá ser a ainda hoje existente sala capitular, se bem que o coro dos frades da Batalha, segundo, por exemplo, o autor de O Couseiro, se situa-se, em pleno século XVII, na capela-mor da igreja monástica, na qual, de facto, se encontra profundidade suficiente para

instalação de qualquer cadeiral monástico. Um cadeiral que servisse, como vimos pelo testemunho de Fr. Luís de Sousa, relativo à abertura da década de 1620, para uma comunidade com pouco mais de 70 frades. Celebrariam neste coro, os religiosos, capítulo e, por o fazerem, também a esse lugar se aplicaria designação comum, em 1588, de capítulo? Não é, de todo, uma hipótese a descartar. Há ainda que considerar a terceira carta, datada de 22 de Julho de 1588, na qual Fr. João da Cruz anota a urgência de se concluírem obras em curso e dar início a outras necessárias. No demais, as cartas de Fr. João da Cruz aludem à vida da comunidade local. As questões com os pagamentos de mantimentos para os frades, vinho e peixe, o luto de Pedro Homem, que creio ser o vedor das obras do mosteiro, a necessidade de se estabelecer um novo regimento em matéria de controle dos privilégios consignados por tradição aos pedreiros das obras do monumento. E alguns assuntos pessoais, ainda, como o pedido feito ao Conde de Linhares em ordem a que interviesse na corte a fim de se obter, para um sobrinho do suplicante e seu capelão, o posto de cavaleirofidalgo na casa do Cardeal, ou seja, do todo-poderoso Arquiduque Alberto, governador, ao tempo, de Portugal. As obras referentes à mudança do túmulo de D. Duarte foram seguramente levadas a cabo. Segundo o já várias vezes citado autor de O Couseiro (capº 71), D. Duarte e sua mulher, D. Leonor de Aragão, estavam sepultados “ambos em moimentos de pedra levantados, e n’elles esculpidas suas figuras, e estão ao pé dos degraus do altar”. Do primitivo

túmulo de D. Duarte e de sua mulher, hoje nas capelas imperfeitas, só se conserva a tampa funerária com os esculturas jacentes representando os monarcas. A demais arca funerária terá de ser posterior. A inscrição exposta no parietal do túmulo, aos pés do real casal, aponta para uma letra tardia que não medieval. Perguntamo-nos se não será resultado das obras que, em 1588, se projectavam para esse túmulo. Paleograficamente é uma cronologia aceitável para os caracteres inscritos nesse parietal. Se bem que, como se viu, se mencione, no Couseiro, numa cronologia de meados de Seiscentos, “os moimentos de pedra”, ou seja, duas arcas tumulares. O modelo desta composição funerária, contudo, imitava o do túmulo de D. João I e D. Filipa de Lencastre, na capela do Fundador. Também esse sarcófago, segundo Fr. Luís de Sousa, resultava da junção de duas arcas de pedra individuais, mas de tal maneira unidas que pareciam uma só. Esta aparência de arca única, contudo, resultava, em boa medida, da tampa que cobria o jazigo, peça única sobre a qual repousam os reis fundadores da nova dinastia de Avis. Este modelo de sarcófago conjugal, pelo que respeita a D. João I e a D. Filipa de Lencastre, não pode deixar de resultar de uma configuração consentida pelo rei D. Duarte. E, assim como se fizera para os seus reais progenitores, também para ele e sua esposa, cremos, se projectou túmulo semelhante. Admitimos como possível que o plano da “arca” tumular eduardina pertença ao próprio Eloquente. Que há semelhança plástica entre os sarcófagos dos dois casais régios, denunciando um momento de execução muito próximo, isso é uma evidência. A oficina escultórica que trabalhou a cobertura do primeiro túmulo não pode deixar de ser a responsável pela obra preparada para D. Duarte e D. Leonor de Aragão, até porque as estátuas dos monarcas revelam qualidade plástica semelhante, mau grado o pouco que se tem escrito sobre o assunto. Ainda que, por benefício da dúvida da crítica iconográfica ou artística, geralmente avessa a cronologias precisas, se possa considerar a possibilidade de ter sido já D. Afonso V, quando, por 1455-1456, fez trasladar de Toledo para a Batalha, os restos mortais de sua mãe, o responsável pelo figurino plástico da arca tumular de seus pais. Importa sublinhar, contudo, que as cartas que agora ficam do conhecimento público, atestam que o túmulo de D. Duarte foi


HISTÓRIA / OPINIÃO 13

O Mensageiro 2.Setembro.2010

deslocado e reposicionado na capela-mor cerca do ano de 1588. Foi então, cremos, que o túmulo eduardino conheceu, justamente por debaixo do altar da capela mor, devidamente sobrelevado cerca de um metro por respeito e consideração devidos à dignidade e à majestade de tais reais senhores, aquela que seria a sua localização mais longa na história do mosteiro. Só no século XX, como se sabe, seria transferido para as capelas imperfeitas. Na capela do Fundador, levantara-se um altar, em 1434, aos pés do túmulo de D. João I e de D. Filipa de Lencastre. Por 1588, o túmulo de D. Duarte e de D. Leonor de Aragão era colocado aos pés do altar-mor da igreja monástica. Numa composição arquitectónica original, batalhina e dominicana, que se aproxima do esquema pontifício, romano, do altar-mor sobre o túmulo de S. Pedro. A responsabilidade intelectual desta solução, como se viu, deve atribuir-se a Fr. João da Cruz, capelão do influente Conde de Linhares e que viria a assumir o cargo temeroso de provincial dominicano. Fr. João da Cruz era um dominicano influente e esclarecido, ao qual não escapavam os ventos eclesiais próprios da reforma tridentina. A sua passagem pelo Mosteiro da Batalha deixou marcas de reconfiguração, para fins litúrgicos, da igreja conventual. Já em 1587, Fr. João da Cruz residia na Batalha, de onde pretendia sair, aliás, em Julho de 1588, lamentando que tardasse a chegada ao convento de Fr. Gonçalo da Silva, que o substituiria nas funções de provedor das obras e reformas, arquitectónicas como de administração da casa, que ali vinha desempenhando.

Documentos Doc. 1

1588 JANEIRO, 25, [Batalha] — Fr. João da Cruz, capelão do Conde de Linhares, escreve-lhe, dando-lhe conta dos atrasos nas obras do Mosteiro da Batalha, sobretudo no que respeitava ao conserto de vidraças e à feitura de novas, empreitada que Mestre António Taca retardava em concluir, assim como em relação à capela-mor e ao túmulo do rei D. Duarte, referindose, ainda, dos pagamentos, a que procedera, de contas relativas ao ano de 1577. TT — Cartório Jesuítico, Mº 9, Doc. 10 † Senhor. Antonio Taca descuida-se em acabar esta obra das vidraças, deve ter obra doutra parte, eu vou acabando. Queria em meu tempo concertar e gastar do dinheiro que Vossa Senhoria ouve pera estas obras e dar conta della. Faça me Vossa Senhoria merce que, se falarem no seu despacho, se

lhe responda que se lhe não ha-de dar ate se concertarem as vidraças <e as> que agora se mandarão fazer de novo, deste ano de 88. Do pasado lhe dei certidão que tinha comprido com a obrigação ordinaria. Doutra maneira não acabara esta obra em meu tempo porque entenda que quem vier de novo que não entendera a obra tam bem como eu. Antonio Madeira chegou aqui a 14 deste Janeiro. Fezemos conta a algum dinheiro me deu 1 e creo que dera todo o que se devia se o ouvera em Leiria ou nestes lugares comarcãos. O asentamento do Conde d’Alcoutim o levou. Dise-me que mandase a Pederneira e Atougia que lé pagaria todo o reste. Asi o farei. De-lhe Vossa Senhoria os aguardecimentos, tem diferente condição da de seu pai. O orçamento se fez tudo a menos valia porque comprei o ano pasado o vinho a quinhentos e cinqoenta e no orçamento paga-me a 400, que he o preço a que se vende agora em Algibarota que he o pior e mais barato; as pe[s]cadas compro-as a 640 e 2 pagams[e] a 600 reis. Em mais de cem mil reis fiquei enganado mas por acabar contas consenti que se pagase o ano pasado pelo preço deste e menos alguma cousa. Do acresentamento detremino fazer nestes meses que me ficão huma varanda que va sair a capela mor pera não irmos pelas crastas e sancrestia. Como fezer a traça manda-la-ei a Vossa Senhoria. Creo sera necesario chegar a sepultura del Rei Dom Duarte pera debaixo do altar, o qual se ha-de alevantar huma vara. Como se fezer a traça manda-la-ei a Vossa Senhoria. O mestre das obras ouvera de vir ver esta obra já que tem ordenado desta casa a conta del Rei noso senhor. De 25 de Janeiro de 88. Capelão de Vossa Senhoria, Frei Joam da Cruz. [No verso] Ao Conde meu senhor.

Doc. 2

1588 FEVEREIRO, 6, Batalha — Fr. João da Cruz, capelão do Conde de Linhares, solicita-lhe intervenção a fim de um seu sobrinho ser tomado por moço fidalgo na casa do Cardeal, referindo-se, ainda, a dinheiro gasto com as obras da serventia do coro por detrás do capítulo do Mosteiro da Batalha. TT — Cartório Jesuítico, Mº 9, Doc. 11 † Senhor. Não poderão minhas cousas ter algum ser se Vossa Senhoria lhe não der. O duque me fez merce escrever ao cardeal lhe tome meu sobrinho seu moço fidalgo no mesmo foro não sei como isto tera effectu se Vossa Senhoria lhe não poser a mão. Tristão Monteiro leva a seu cargo solicitar este negocio. Vossa Senhoria me fara muito grande merce dar-lhe ordem do que ha-de fazer. Não peço isto com mais palavras porque as não tenho pera encarecer quanto estimarei esta merce. O Senhor dê a Vossa Senhoria o que lhe deseja este seu criado. Da Batalha, a 6 de Fevereiro de 88. A divida do duque tenho aplicada pera ajuda do gasto da serventia do choro por detras do capitulo. (Ass.) Capelão de Vossa Senhoria, Frei Joam da Cruz.

Doc. 3

1588 JULHO, 22, [Batalha] — Fr. João da Cruz, capelão do Conde de Linhares, manifesta-lhe o desejo de sair do Mosteiro da Batalha, informando-o acerca da situação de luto de Pedro Homem, e da necessidade de se estabelecer um novo regimento para exame dos pedreiros das obras da Batalha, em matéria de privilégios, para cuja concessão, aliás, tanto o vedor delas como o prior do Mosteiro deveriam pronunciar-se. TT — Cartório Jesuítico, Mº 9, Doc. 18. † Senhor. Alargua-se a obrigação de eu estar nesta casa com se escusar o padre frei Gonçalo da Silva de vir pera ella. Mandei ao provincial, inda não veo reposta se aceita a escusa. Enfadara-me muito esperar tanto se não resultara daqui hum bem que me alivia o trabalho, que he acabarem-se estas obras que estavão começadas, e continuarem-se outras que se começarão. Noso Senhor foi servido levar pera si a molher de Pedro Homem. Ficaram-lhe seis filhos e filhas os quaes o prendem e forção não sair da terra. A filha he grande e os filhos piquenos e não tem quem guarde as filhas e crie os filhos. Está muito desconsolado. Seria algum alivio de seu trabalho mandar Vossa Senhoria tomar resulução no seu negocio. Entende que à sombra de Vossa Senhoria se fará piamente. Falei com Belchior Couceiro procurador dos lavradores, dise-me que se contentara com se examinarem os pedreiros previligiados. E com se dar novo regimento ao veador com ordem de como se hão-de dar os previlegios. A ordem que me parece deve ser ha que a camara de Leiria ou a desta vila elegão hum pedreiro que seja o examinador, porque sendo da terra que conhecem os officiais não pode aver engano. E pode-o aver com se irem examinar com o mestre das obras del Rei. E que o veador não posa dar previlegios sem o prior desta casa. Vossa Senhoria me fara grande merce em mandar dar concluzão a este negocio. Pedro Homem não he ingrato as merces de que Vossa Senhoria recebe. Nosso senhor etc. A 22 de Julho de 88. (Ass.) Capelão de Vossa Senhoria, Frei Joam da Cruz. [No verso] Ao Conde de Linhares, meu senhor.

Notas 1 2

Riscou: “a d”. Riscou: “des contos”.

P

or amor a Cristo, que a fascinou e a quem se entregou para O contemplar, amar e imitar na pobreza, Clara de Assis amou também a Igreja e contribuiu para a sua renovação espiritual. As palavras que escreveu a Inês de Praga valem, sem dúvida alguma, também para ela: “Considero-te colaboradora do próprio Deus e um suporte dos membros mais débeis do seu Corpo Místico” (Santa Clara de Assis: escritos, biografia, documentos, 99). Na Regra, estabeleceu que ela e as irmãs permanecessem “sempre submissas e sujeitas aos pés da santa Igreja” e “firmes na fé católica” (Santa Clara..., 70-71). E no seu Testamento recomendou à Santa Igreja e ao Sumo Pontífice que ajudassem todas as suas “irmãs presentes e futuras”, para que elas se conservarem sempre fielmente no ideal da pobreza evangélica que prometeram a Deus “e ao nosso beatíssimo Pai Francisco” (Santa Clara..., 80). Clara foi também reconhecida pela Igreja, nomeadamente por Papas e Cardeais, que aprovaram a sua entrega a Cristo, a apreciaram e ajudaram a seguir a sua vocação e a ordenar a comunidade das irmãs que a seguiam. Assim, em 1253, foi visitada pelo Papa Inocêncio IV, que nessa época residia em Assis. Este Papa, “que reconheceu a vida de Clara como superior à de qualquer mulher do seu tempo, não hesitou em honrá-la na hora da sua morte com a sua visita”. Clara manifestou-lhe grande devoção e pediu-lhe que lhe concedesse o perdão NO CORAÇÃO dos seus pecados. O Papa respondeu: DA IGREJA “Oxalá eu não precisasse mais de tal graça”, e concedeu-lhe a absolvição total e a bênção, o que deixou Clara exultante de alegria por ter podido ver o representante do Senhor sobre a terra (Santa Clara..., 165-166). A opção radical de Clara para seguir Cristo na pobreza e na virgindade e o testemunho da sua vida extraordinária marcaram o seu tempo e suscitaram em muitos o desejo Pe. Jorge Guarda de a imitar. Assim se conta na sua Vigário Geral da Diocese “Legenda”: “A fama da santidade da virgem Clara espalhou-se rapidamente pelas regiões circunvizinhas, e de toda a parte acorreram mulheres seduzidas pela fragrância do seu perfume. (...) Todas pretendiam seguir a Cristo em fervorosa emulação. Todos desejavam partilhar desta vida evangélica que o exemplo de Clara inspirava” (Santa Clara..., 131-132). Esta mulher atraía assim muitas pessoas para Cristo e para a vida evangélica, não apenas as que entravam no mosteiro mas também outras que seguiam a Cristo nas próprias situações de vida. “A fonte de bênçãos celestes” que rebentou em Assis, isto é, o movimento espiritual suscitado por Francisco e Clara, transformouse em torrente, refere a “Legenda”, e com os seus braços alegrou “a cidade de Deus” (cf Sl 45,5), ou seja, a Igreja. Clara tornou-se luz para o mundo e ganhou muitas almas para Cristo: “O cultivo da castidade cresce imenso no meio do mundo e, seguindo o caminho traçado por Clara, o estado virginal readquiriu novo interesse aos olhos de toda a gente. Tal abundância de flores cultivadas por Clara, transformou a Igreja numa autêntica primavera de renovação, realizando-se o que ela mesma para si implorou. ‘confortai-me com flores, fortalecei-me com frutos, porque desfaleço de amor’ (Ct 2,5)” (Santa Clara..., 133). Tomás de Celano testemunha que entre Clara e as irmãs clarissas domina de uma tal maneira e acima de tudo a virtude da mútua e contínua caridade que “as une de tal modo nas suas vontades que, mesmo numa fraternidade de quarenta ou cinquenta pessoas, como são em alguns lugares, a identidade do querer e do não querer faz de todas elas uma só alma”. Comentado estas palavras, Chiara Lubich, que também se considerou herdeira espiritual da santa de Assis e da qual adoptou o nome, escreve: “Se assim é, compreende-se como aquele rasto de luz que Santa Clara deixou atrás de si tenha chegado até nós agora, apaixonando-nos e fomentando nos nossos corações o desejo de não deixar senão o mesmo rasto atrás de nós. Esse rasto de luz não era outra coisa que a presença de Cristo que vivia nela e entre as clarissas. As suas vidas, que tiveram o seu ponto de partida na pobreza, confluiram para aqui: no viverem o Corpo místico, no viverem a Igreja” (Cristo dispiegato nei secoli, 42-43). O perfume da vida e da herança espiritual de Clara de Assis continua a expandir-se na Igreja. Brotam novos frutos quer pelo seu exemplo e inspiração quer pelas suas irmãs clarissas, que a imitam na entrega total a Cristo, na vida de pobreza, na fraternidade e na oração incessante pela Igreja e pelo homens.

Clara de Assis amou a Igreja


14 INSTITUCIONAL

CÂMARA MUNICIPAL DE LEIRIA EDITAL N.º 95/2010 RAUL CASTRO, Presidente da Câmara Municipal de Leiria, torna público, em cumprimento do disposto no n.º 1 do artigo 91.º da Lei n.º 169/99, de 18 de Setembro, na redacção que lhe foi dada pela Lei n.º 5-A/2002, de 11 de Janeiro, o teor da deliberação tomada pelo Executivo Camarário, em 01 de Junho de 2010 e aprovada em minuta. “ Epígrafe: 10.1. Desafectação do domínio público para o domínio privado do Município de Leiria de uma parcela de terreno Largo Capitão Salgueiro Maia, freguesia e concelho de Leiria Texto | A Administração do Condomínio do Centro Comercial Maringá, sito na Av.ª Cidade de Maringá, freguesia e concelho de Leiria, através de requerimento registado em 21 de Maio de 2010, sob o n.º4764/10, solicita a desafectação do domínio público de uma parcela de terreno com a área de 6,24m2 para à implantação de um equipamento seu - ascensor. Considerando que: — A requerente apresentou um projecto de implantação de ascensor no Centro Comercial Maringá, visando a sua adaptação à legislação vigente, designadamente, ao Decreto-lei n.º 163/2006, de 8 de Agosto, que aprova as normas técnicas para melhoria da acessibilidade das pessoas com mobilidade condicionada – processo de licenciamento de obras particulares n.º 780/09; — O projecto apresentado prevê a instalação de um ascensor panorâmico no exterior do edifício, a implantar em área pertencente ao domínio público municipal, conforme planta em anexo; — Para o desenvolvimento e concretização do projecto em causa, face às considerações técnicas e económicas, assume particular relevância a implantação com a localização sugerida; — Para os fins pretendidos pela requerente torna-se necessária a desafectação da parcela de terreno do domínio público com vista à sua integração no domínio privado do Município para eventual cedência em direito de superfície; — Compete ao ente público municipal a adopção de princípios de boa gestão dos bens integrados no seu domínio público, que terá sempre presente a necessidade de uma melhor utilização social desse bens; — É manifesto o interesse público subjacente à desafectação uma vez que, actualmente o acesso ao piso superior é inacessível a pessoas de mobilidade condicionada, não se vislumbrando, ainda, com a solução proposta pela requerente, prejuízos de quaisquer direitos particulares; — O arranjo urbanístico constante de planta anexa à presente deliberação satisfaz o interesse público municipal em causa; A Câmara Municipal, depois de analisar o assunto e nos termos e ao abrigo do disposto na alínea a) do n.º 6 do artigo 64.º e na alínea b) do n.º 4 do artigo 53.º da Lei n.º 169/99, de 18 de Setembro, alterada pela Lei n.º 5-A/2002, de 11 de Janeiro, deliberou por unanimidade manifestar a intenção de submeter à Assembleia Municipal a desafectação do domínio público para o domínio privado do município da parcela de terreno sita no Largo Capitão Salgueiro Maia, freguesia e concelho de Leiria, com a área de 6m2, melhor identificada na planta que se anexa. Mais deliberou, para efeitos do disposto nos n.º 2 e 3 do artigo 53.º do Código do Procedimento Administrativo, conceder o prazo de 15 dias úteis, contados a partir da data da publicação do Edital, para apresentação de quaisquer reclamações e ou sugestões por parte de eventuais interessados. Finalmente, deliberou que à presente deliberação seja dada publicidade nos termos do disposto no artigo 91.º da Lei n.º 169/99, de 18 de Setembro, na redacção dada pela Lei n.º 5-A/2002, de 11 de Janeiro. A presente deliberação foi aprovada em minuta. “ Mais torna público, que o processo respectivo – Genérico 46/ 10 - poderá ser consultado na secção de apoio administrativo ao Departamento de Operações Urbanísticas, de segunda-feira a sexta-feira, durante as horas normais de expediente. Se dentro do prazo fixado não for apresentada qualquer reclamação, proceder-se-á à proposta da desafectação, com vista à integração da parcela de terreno no domínio privado deste Município. Para constar se lavrou o presente EDITAL e outros de igual teor que vão ser afixados nos lugares de estilo e publicados num jornal editado na área do Município de Leiria. Paços do Município de Leiria, 12 de Agosto de 2010. O PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL, (Raul Castro)

JOGOS | Nº 35/2010 (Confirme em www.jogossantacasa.pt) Euromilhões: 1, 6, 13, 30, 49 + 1, 9 Totoloto: 2, 29, 31, 33, 37, 42 + 25 Loto2: 9, 11, 12, 24, 29, 49 + 41 Joker: 0 0 8 6 3 3 0 Totobola: 111 1XX 2X1 111X FÁRMÁCIAS DE SERVIÇO Baptista (2), Central (3), Godinho e Tomaz (4), Higiene (5), Antunes (6), Lis (7), Oliveira (8) e Sanches (9),

Registo no ICS N.º 100494 Semanário - Sai à 5ª Feira Tiragem média - 3.000

O Mensageiro 2.Setembro.2010

CARTÓRIO NOTARIAL DA MARINHA GRANDE NOTÁRIA – Ana Luísa de Melo Pereira Guerreiro Certifico, para fins de publicação, que no Livro de Notas para escrituras diversas número Setenta e Oito – A, deste Cartório, a folhas setenta e cinco e seguintes, foi lavrada escritura de Justificação Notarial, no dia seis de Agosto de dois mil e dez, na qual FERNANDO PEREIRA BRANCO e mulher MARIA GUERRA MENDES MARQUES, casados sob o regime da comunhão geral, naturais da freguesia de Carvide, concelho de Leiria, onde residem na Rua Central, nº 174, Gândara D’Aquém, NIF 105 151 602 e 105 151 599, declararam serem donos e legítimos possuidores com exclusão de outrem do seguinte imóvel: Prédio rústico sito em Gândara D’ Aquém, freguesia de Carvide, concelho de Leiria, com mil quatrocentos e noventa metros quadrados, a confrontar do norte com caminho, do sul com Manuel de Jesus, do nascente com Mário Brito Coelho e do poente com Fernando Pereira Branco, inscrito na matriz em nome de Joaquim Pereira, sob o artigo 3.523, com o valor patrimonial de 32,43 €, não descrito na Segunda Conservatória do Registo Predial de Leiria. O prédio veio à posse dele justificante por doação meramente verbal feita no ano de mil novecentos e sessenta e três, por seus pais Joaquim Pereira e mulher Maria Joaquina Maria Branco, casados que foram sob o regime da comunhão geral, residentes que foram em Gândara d’ Aquém, Carvide, Leiria, já falecidos. Desde aquela data, possuem o referido imóvel, há mais de vinte anos, cultivando-o, amanhando-o, usufruindo do mesmo, posse que sempre foi exercida por eles de forma a considerarem tal imóvel como seu, se interrupção, intromissão ou oposição de quem quer que fosse, à vista de toda a gente do lugar e de outros circunvizinhos, sempre na convicção de exercerem um direito próprio sobre coisa própria. Esta posse assim exercida deve-se reputar de pública, pacífica e contínua. Por tal motivo e muito embora não possam exibir o respectivo título de aquisição, o certo é que adquiriram o mencionado imóvel para seu património próprio por USUCAPIÃO, que aqui invocam, por não lhes ser possível provar pelos meios extrajudiciais normais. Está conforme. Marinha Grande, 06 de Agosto de 2010 A Notária, Ana Luísa de Melo Pereira Guerreiro

CARTÓRIO NOTARIAL DA MARINHA GRANDE Notária Natália Dias Lopes Certifico, para efeitos de publicação, que por escritura de Justificação, lavrada a vinte e sete de Agosto de dois mil e dez, de folhas 137 a folhas 139, do livro de notas para escrituras diversas número 91- L deste Cartório, JOAQUIM FREIRE RODRIGUES SARAIVA e esposa MARIA IVETE MIGUEL GIL SARAIVA, casados sob o regime da comunhão geral, naturais ele da freguesia de Carvide, concelho de Leiria e ela da freguesia de Vieira de Leiria, concelho de Marinha Grande, residentes no Largo Nossa Senhora da Ajuda, número 2, Passagem, Vieira de Leiria, Marinha Grande, NIF 172 894 638 e 183 229 320; PELOS OUTORGANTES FOI DITO: Que são donos e legítimos possuidores, com exclusão de outrem, dos seguintes imóveis: UM PRÉDIO RÚSTICO, sito em PORTO CANCELA, na freguesia de CARVIDE, concelho de LEIRIA, composto de terra de cultura, com a área de mil cento e setenta metros quadrados, a confrontar do norte com Joaquim Seco, do sul com João Freire, do nascente Vala do Moinho e do poente com António Jorge, inscrito na matriz sob o artigo 873, com o valor patrimonial de 723,28 euros e atribuído de setecentos e cinquenta euros, omisso no registo predial. DOIS PRÉDIO RÚSTICO, sito em PORTO CANCELA, na freguesia de CARVIDE, concelho de LEIRIA, composto de terra de cultura, com a área de mil cento e trinta metros quadrados, a confronta do norte com Manuel Rodrigues Saraiva, do sul com Carlos Pereira dos Santos, do nascente com Vala do Moinho e do poente com António Jorge, inscrito na matriz sob o artigo 874, com o valor patrimonial de 515,93 euros e atribuído de setecentos e cinquenta euros, omisso no registo predial. Que o prédio identificado sob o número UM veio à sua posse por doação meramente verbal feita aos justificantes, já no estado de casados, em mil novecentos e setenta por Manuel Rodrigues Saraiva e esposa Maria Rosa Freire, pais do justificante marido, residentes que foram em Passagem, Vieira de Leiria, Marinha Grande. Que o prédio identificado sob o número DOIS veio à sua posse por partilha meramente verbal por óbito de João Freire, tio do justificante marido, que também usava e era conhecido por João Freire, viúvo, residente que foi em Lameiro, Carvide, Leiria, por volta do ano de mil novecentos e setenta. Que, por falta de título, não têm, eles justificantes, possibilidade de comprovar, pelos meios normais, o seu direito de propriedade. Mas a verdade é que são eles os titulares desse direito, pois vêm possuindo os mesmos bens desde aquela data, há, portanto, mais de vinte anos, sempre em nome próprio e na firme convicção de não lesarem direitos de outrem, sem a menor oposição de quem quer que seja e com o conhecimento de toda a gente, ostensiva e ininterruptamente desde o seu início, posse essa que se tem materializado pelo aproveitamento agrícola de que os mesmo são susceptíveis, cultivando a terra, cortando o mato e colhendo os frutos, quer zelando pela sua conservação e pagando os respectivos impostos. Que esta posse, pública, pacífica, contínua e de boa fé, fundamentou a aquisição dos respectivos direitos de propriedade por usucapião, o que pela sua natureza impede a demonstração documental do seu direito pelos meios extrajudiciais normais. ESTÁ CONFORME O ORIGINAL Marinha Grande, 27 de Agosto de 2010 A Colaboradora, (Sandra Marina Rodrigues Gouveia)

TELEFONES ÚTEIS

Bombeiros Municipais - 244 832 122 | Bomb. Vol. Leiria (Ger.) - 244 882 015 | Bomb. Vol. Leiria (Urg.) - 244 881 120 | Bomb. Volunt. Batalha - 244 765 411 | Bomb. Volunt. P. Mós - 244 491 115 | Bomb. Volunt. Juncal - 244 470 115 | Bomb. Volunt Ourém - 249 540 500 | Bomb. V. M.te Redondo - 244 685 800 | Bomb. Volunt. Ortigosa - 244 613 700 | Bomb. Volunt. Maceira - 244 777 100 | Bomb. Vol. Marinha - 244 575 112 | Bom. Volunt. Vieira - 244 699 080 | Bom. Voltun. Pombal - 236 212 122 | Brigada de Trânsito - 244 832 473 | Câmara M. de Leiria - 244 839 500 | Câmara Eclesiástica - 244 832 539 | CENEL (Avarias) - 800 246 246 | C. Saúde A. Sampaio - 244 817 820 | C. Saúde Gorjão Henriques - 244 816 400 | C. P. (Est. de Leiria) - 244 882 027 | Cruz Vermelha - Leiria

EDITAL N.º 96/10 PROCESSO DE LOTEAMENTO N.º 37/88 Lino Dias Pereira, Vereador do Pelouro de Ordenamento do Território e Urbanismo da Câmara Municipal de Leiria, torna público aos proprietários dos lotes constantes do alvará de loteamento n.º 739/ 95, emitido em 04/08/1995, e respectivos aditamentos, para efeitos do disposto no n.º 3 do artigo 27.º do Decreto-Lei n.º 555/99, de 16 de Dezembro, na redacção que lhe foi dada pelo Decreto-Lei n.º 177/01, de 4 de Junho, e pela Lei n.º 60/07, de 4 de Setembro, conjugado com o previsto no art.º 17.º do Regulamento de Operações Urbanísticas do Município de Leiria, que em 2010/02/08 deu entrada nesta Câmara um pedido referente à alteração às especificações constantes da licença do loteamento sito em Arrabalde da Ponte, freguesia de Marrazes, deste concelho, cujo licenciamento decorre os seus trâmites em sede do processo n.º 37/88. O pedido é apresentado por Cassiano Pedro Alonso Gouveia, incide sobre o lote n.º 2 (fracção BI), descrito na Conservatória do Registo Predial de Leiria sob o n.º 4129 e inscrito na matriz urbana sob o artigo 7693 da freguesia de Marrazes, e consta, na generalidade, de alteração do uso da fracção BI, de Comércio para Comércio/Serviços. Todos os proprietários dos lotes inseridos no referido loteamento, dispõem do prazo de dez dias, contados a partir do primeiro dia útil seguinte ao da publicitação deste edital, para se pronunciarem por escrito sobre a alteração pretendida, caso assim o entendam. Para eventual consulta, informa-se que o respectivo processo se encontra patente na Secção de Apoio Administrativo ao Departamento de Operações Urbanísticas, sito na Rua da Cooperativa, S. Romão, freguesia de Pousos, todos os dias úteis entre as 09:00 horas e as 15: 30 horas. Leiria, 20 de Agosto de 2010 POR DELEGAÇÃO DO PRESIDENTE DA CÂMARA O VEREADOR, (LINO DIAS PEREIRA)

AVISO N. º 50/2010 Processo de Loteamento n. º 35/94 Nos termos do n.º 2 do artigo 78.º do Decreto-Lei n.º 555/99, de 16 de Dezembro, na redacção dada pelo Decreto-Lei n.º 177/01, de 04 de Junho, torna-se público que a Câmara Municipal de Leiria emitiu em 12/ 08/2010, em nome de ANTÓNIO PEREIRA GASPAR, o 2.º aditamento ao Alvará de Loteamento n.º 764/96, na sequência da deliberação camarária datada de 11/05/2010, através da qual foram licenciadas as alterações ao lote 2 do loteamento sito em Vale da Bajouca, freguesia de Bajouca, que incidem sobre o prédio descrito na Conservatória do Registo Predial de Leiria sob o n.º 1346, e inscrito na matriz urbana sob o artigo 35 da respectiva freguesia, e que consistem na deslocação do polígono de implantação da moradia e anexo para norte, em sensivelmente 14m, no aumento da área de implantação de 268 m² para 310 m² e na criação de dois pequenos telheiros, sem aumento de área de construção. A área encontra-se abrangida pelo Plano Director Municipal. Leiria, 12 de Agosto de 2010 POR DELEGAÇÃO DO PRESIDENTE DA CÂMARA O VEREADOR, (LINO DIAS PEREIRA)

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P/ Comparência ou Marcações - Tels. 244 811857 / 244 812441 Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, 79 - 1º - F 2400 LEIRIA

- 244 823 725 | Farmácia Avenida - 244 833 168 | Farmácia Baptista - 244 832 320 | Farmácia Central - 244 817 980 | Farmácia Coelho - 244 832 432 | Farmácia Higiene - 244 833 140 | Farmácia Lino - 244 832 465 | Farmácia Oliveira - 244 822 757 | Farmácia Sanches - 244 892 500 | Governo Civil - 244 830 900 | Guarda N. Republicana - 244 824 300 | Hospital de S.to André - 244 817 000 | Hospital S. Francisco - 244 819 300 | Polícia Judiciária - 244 815 202 | Polícia S. Pública - 244 859 859 | Polidiagnóstico - 244 828 455 | Rádio Táxis - 244 815 900 | Rádio Alerta - 244 882 247 | Rodoviária do Tejo - 244 811 507 | Teatro JLS (Cinema) - 244 823 600

Fundador José Ferreira Lacerda Director Rui Ribeiro (TE416) Redacção Luís Miguel Ferraz (CP5023), Pedro Jerónimo (CP7104), Joaquim Santos (CP7731), Ana Vala (CP8867). Paginação O Mensageiro Colaboradores Ambrósio Ferreira, Américo Oliveira, Ângela Duarte, Carlos Alberto Vieira, Carlos Cabecinhas (Pe.), José Casimiro Antunes, Francisco Pereira (Pe.), D. João Alves, João Filipe Matias (CO798), Joaquim J. Ruivo, Jorge Guarda (Pe.), José António C. Santos, Júlia Moniz, Maria de Fátima Sismeiro, Orlando Fernandes, Paulo Adriano Santos, Pedro Miguel Viva (Pe.), Saúl António Gomes, Sérgio Carvalho, Verónica Ferreirinho, Vítor Mira (Pe.). Administração / Publicidade Pedro Viva (Pe.). Propriedade/Sede (Editor) Seminário Diocesano de Leiria - Largo Padre Carvalho - 2414-011 LEIRIA - Reitor: Armindo Janeiro (Pe.) Contribuinte 500 845 719 Contactos Tel.: 244 821 100/1 - Fax: 244 821 102 - Email: jornal@omensageiro.com.pt - Web: www.omensageiro.com.pt Impressão e Expedição CORAZE - Oliveira de Azeméis - Tel: 256 600 580 / Fax: 256 600 589 - E-mail: grafica@coraze.com Depósito Legal 2906831/09

Tabela de Assinaturas para 2010 Destino Nacional Europa Resto do Mundo

Normal Benfeitor 20 euros 40 euros 30 euros 60 euros 40 euros

Preço avulso - 0,80 euros


DESPORTO 15

O Mensageiro 2.Setembro.2010

1.ª Jornada (15.08) Rio Ave x Nacional (0-1), Marítimo

x V. Setúbal (0-1), Sp. Braga xPortimonense (3-1), P. Ferreira x Sporting (1-0), Naval x Porto (0-1), Beira-Mar x U. Leiria (0-0), Olhanense x V. Guimarães (0-0), Benfica x Académica (1-2) 2.ª Jornada (22.08) V. Setúbal x Sp. Braga (0-0),

Nacional x Benfica (2-1),V. Guimarães x Rio Ave (0-0), U. Leiria x P. Ferreira (0-0), Académica x Olhanense (1-1), Porto x Beira-Mar (3-0), Portimonense x Naval (0-1), Sporting x Marítimo (1-0) 3.ª Jornada (29.08) Rio Ave x Porto (0-2), Nacional x

V. Guimarães (1-3), Sp. Braga x Marítimo (1-0), P. Ferreira x Portimonense (2-2), Naval x Sporting (1-3), Beira-Mar x Académica (2-1), Olhanense x U. Leiria (0-1), Benfica x V. Setúbal (3-0) 1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º

Equipa Porto Sp. Braga Sporting Nacional V. Guimarães Olhanense P. Ferreira Beira-Mar V. Setúbal Académica Benfica Naval U. Leiria Portmonense Rio Ave Marítimo

J V E D Pts 3 3 0 0 9 3 2 1 0 7 3 2 0 1 6 3 2 0 1 6 3 1 2 0 5 3 1 2 0 5 3 1 2 0 5 3 1 1 1 4 3 1 1 1 4 3 1 1 1 4 3 1 0 2 3 3 1 0 2 3 3 0 2 1 2 3 0 1 2 1 3 0 1 2 1 3 0 0 3 0

4ª Jornada (12.09) V. Setúbal x Beira-Mar, Marítimo

x P. Ferreira,V. Guimarães x Benfica, U. Leiria x Nacional. Académica x Naval, Porto x Sp. Braga, Portimonense x Rio Ave, Sporting x Olhanense

liga orangina

II LIGA

1.ª Jornada (29.08) Varzim x Penafiel (3-4), Santa Clara

x Arouca (1-1), Feirense x Freamunde (0-0), Sp. Covilhã x Leixões (2-1), Gil Vicente x Trofense (2-1), Moreirense x Estoril, Oliveirense x Fátima (1-0), Belenenses x D. Aves (1-1) 1.º 2.º 3.º 4.º 5.º 6.º 7.º 8.º 9.º 10.º 11.º 12.º 13.º 14.º 15.º 16.º

Equipa Penafiel Sp. Covilhã Gil Vicente Oliveirense Moreirense D. Aves Arouca Santa Clara Belenenses Feirense Freamunde Varzim Leixões Trofense Estoril Fátima

J V E D Pts 1 1 0 0 3 1 1 0 0 3 1 1 0 0 3 1 1 0 0 3 1 1 0 0 3 1 0 1 0 1 1 0 1 0 1 1 0 1 0 1 1 0 1 0 1 1 0 1 0 1 1 0 1 0 1 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0

2.ª Jornada (12.09) Arouca x Feirense, Penafiel x

Belenenses, Fátima x Varzim, Estoril x Sp. Covilhã, D. Aves x Oliveirense, Trofense x Moreirense, Freamunde x Gil Vicente, Leixões x Santa Clara

Triatlo | Público português ‘empurrou’ jovem de Alcobaça para o título

João Silva de novo campeão da Europa “Triunfo mais saboroso da carreira.” Assim descreveu João Silva a (re)conquista do título europeu, na categoria de Sub23. Para o jovem natural da Benedita, Alcobaça, o apoio do público foi determinante, para que conseguisse levar a melhor sobre o campeão do mundo de elite de triatlo sprint, o inglês Jonathan Brownlee. É precisamente pela liderança do ranking mundial que passa o próximo objectivo do atleta do Clube Olímpico de Oeiras. “É extraordinário, principalmente aqui em casa. As pessoas foram in-

O título de 2008, na Irlanda críveis, espectaculares todo o percurso. Foi graças a elas que tivemos este excelente resultado para Portugal”, expressou João Silva, após a prova que decorreu em Vila Nova de Gaia, no dia 28 de

Agosto. Um momento que o atleta não estranha, pois já conquistara, há dois anos, na Irlanda, o mesmo título. Ainda assim, não deixa de ser uma conquista que o surpreendeu. “Não estava

bem consciente da forma em que estava”, acrescentou. Numa época que “tem sido extraordinária”, o objectivo passa por terminá-la “no topo do ranking mundial”. Até lá, segue-se precisamente o campeonato do mundo de elites e juniores, que se realiza em Budapeste, Hungria, nos dias 8 a 12 de Setembro. Depois… bem, depois o olhar pretende fixá-lo nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, onde quer estar presente. Pedro Jerónimo com Lusa

Futebol | Leiria

Portugal campeão O guarda-redes João Carlos, o defesa Bilro e os avançados Bruno Novo e Jordan Santos integraram a selecção portuguesa – 10 atletas – que venceu a Superfinal da Liga Europeia (Lisboa, 26 a 29 de Agosto). Entre a quadra de atletas do distrito de Leiria, destaque para Bruno Novo, que apontou dois dos três golos com que Portugal venceu a Itália (32). Recorde-se que este é o quarto título de campeão europeu, depois dos de 2002, 2007 e 2008.

Atletismo | Leiria

Os melhores

Ciclismo | Mundial de Master’s contou com Américo e Carlos Vieira

Alpes no melhor desempenho leiriense Vencer era o objectivo, mas o melhor resultado foi um 9.º lugar. Ainda assim, a dupla Américo Vieira e Carlos Vieira, da União de Ciclismo de Leiria (UCL), mostrou que ‘velhos são os trapos’, ao participar em mais um exigente Campeonato do Mundo de Marter’s. “Um dos nossos ‘adversários’ mais fortes foi a chuva. Nós que tínhamos saído de Portugal debaixo de forte canícula, estranhámos como é óbvio, mas consideramos que foi muito positivo”, justificaram, recentemente, os

dois ciclistas ao Diário de Leiria. Escalada aos Alpes, contra-relógio e campeonato de estrada foram as provas em que participaram Carlos e Américo Vieira, de 58 e 62 anos, respectivamente. A melhor prestação no mundial – que decorreu em St. Johann In Tirol, Áustria, de 21 a 27 de Agosto – foi precisamente na escalada, onde Américo Vieira foi 9.º classificado (classe 5, 32 ciclistas) e Carlos Vieira foi 19.º (classe 4, 38 ciclistas). Com a presença de 3000 atletas, em representação de 67 países, a prova foi

considerada – pela organização – como o maior evento de ciclismo do mundo, ao nível de participações. Dupla vitória Entretanto, Luís Gregório (master’s C) e Célia Vieira (master’s), também da UCL, venceram no VIII Circuito em Honra de Nossa Senhora do Pranto, em Chão de Couce, realizado a 21 de Agosto. Na mesma prova, mas na categoria master’s B, Augusto Gonçalves e David Gonçalves foram 4.º e 18.º classificados, respectivamente. DR

I LIGA

Arquivo

liga zon sagres

Carlos Vieira na subida aos Alpes

Juventude Vidigalense (JV, Leiria), Francisco Belo (JV) e Daniela Cardoso (Atlético Clube de Vermoil, Pombal) são os melhores clube e atletas, no escalão de juniores, finda a época 2009/10. O reconhecimento é da Associação Distrital de Atletismo de Leiria (ADAL), a partir do ranking da Federação Portuguesa de Atletismo. Com participações na Taça dos Clubes Campeões Europeus, a JV tem tido neste escalão uma das suas mais fortes equipas, com destaque para o desempenho do seu lançador – do peso e do disco – Francisco Belo. Talvez menos conhecido seja o nome de Daniela Cardoso, uma jovem marchadora, que – segundo a análise da ADAL – registou uma evolução “admirável”.

Hóquei | Leiria PUB

FOTOJORNALISMOS

A zeros. Dois empates, uma derrota, nenhum golo marcado, um sofrido. É este o saldo da U Leiria no arranque da I Liga, que fará uma pausa nas próximas duas semanas. Carlão (na foto, à direita), o ‘homem golo’ das últimas épocas, continua de olho na bola... e nas redes adversárias. Fotos: João Filipe Matias

Inscrições

Com a época 2010/11 ‘à porta’, o Hóquei Clube de Leiria iniciou, recentemente, as inscrições para a Escola de Patinagem (iniciação), Patinagem Artística, Patinagem de Velocidade e Hóquei em Patins (camadas jovens). Mais informações através do sitio na Internet www.hcleiria.net, do e-mail hcl.leiria@gmail.com ou telefones 244 094 062, 964 406 978 e 964 529 352.


ÚLTIMA 2SETEMBRO2010

Há maus descobridores que pensam que não há terra, quando não vêem mais nada do que mar. Francis Bacon, filósofo inglês (1561-1626)

D. João Pereira Venâncio

DR

Um Bispo abridor de caminhos

Gosto do título que escolhi para este meu testemunho, por me parecer o mais adequado para exprimir o que, a meus olhos, melhor define o perfil pastoral de D. João Pereira Venâncio. De entre muitos caminhos por ele abertos, há quatro que me mereceram e continuam a merecer a minha particular atenção. 1.O caminho do acolhimento, da simplicidade e da amizade Como eu, tantos o testemunharam e se deixaram tocar por ele. A sua lhaneza de trato, aliada à sua profunda humildade e sentida amizade, deixaram marcas em quantos tiveram a dita de contactar de perto com o Senhor D. João Pereira Venâncio. Julgo mesmo que

foi este traço da sua personalidade que fez exclamar a peregrinos estrangeiros, de passagem por Fátima, já depois da sua morte: «era um santo de altar»! 2. O caminho da interioridade, fruto da sua profunda união com Deus e da sua extraordinária devoção a Nossa Senhora. As suas homilias, as suas cartas pastorais e pessoais (só eu sou detentor de 52), as suas atitudes orantes não deixavam dúvidas a ninguém. Era um homem possuído de Deus e que comunicava Deus. Absorvia-o a ideia e o desejo de que os seus padres se aliassem em grupos de oração, para uma maior vivência do seu ministério. De Roma, onde participava no Concílio

Vaticano II, pedia-me em carta enviada para Paris: «Procura encontrar-te com o fundador da «Aliança Sacerdotal», o Rev. P. Heris O.P., e conhecer esta obra, que tem por fim insuflar espírito de amor em todo o clero secular ou «regular» e em todas as almas, que os leve a apaixonar-se por Deus, Amor Infinito». De passagem por Paris, vindo de Roma, terminada a primeira sessão do Concílio, pediu-me para o acompanhar ao «Sacré Coeur», aonde foi somente para adorar o Santíssimo Sacramento ali permanentemente exposto. Não foi fácil arrancá-lo da oração profunda em que mergulhava! Quis ir também à «Tour Eiffel». Sabeis para quê? Para, do alto daquela torre, donde se divisa a imensa cidade de Paris, rezar pelo Bispo da Diocese de Paris o Rosário a Nossa Senhora: «Se a minha Diocese, que é tão pequenina, me traz tanta responsabilidade pela salvação das almas, o que não sentirá o Bispo desta cidade! Vamos rezar por ele». Mais perto de nós, não descansou enquanto não introduziu no Santuário de Fátima o Sagrado «Laus Perenne». Acompanhei-o nessa noite de 1 de Janeiro de 1960, no acto inaugural. Como era grande a sua alegria! E quantas vezes, no Santuário de Fátima, o vimos, de joelhos por terra, no meio dos peregrinos anónimos, de terço na mão!

3. O caminho de missionário da Mensagem de Fátima. Nossa Senhora encontrou no Senhor D. João Venâncio o arauto escolhido para fazer chegar a Sua Mensagem aos quatro cantos da Terra. Levou-a a mais de 30 países dos cinco continentes. Levou-a mesmo ao coração do Concílio Vaticano II, aos mais de dois mil Padres Conciliares. Trouxe a Fátima o Papa Paulo VI, abrindo deste modo caminho à vinda a Fátima dos Papas João Paulo II e Bento XVI. Já do Papa João XXIII dizia na sua carta de 11 de Junho de 1963: «parto para Roma para as últimas homenagens ao grande Pontífice, tão amigo de Fátima e tão bom. Depois espero pelo novo Sumo Pontífice, a quem espero homenagear em nome da Diocese e de todos os seus padres. A todos terei presentes na 1ª Bênção!». E, de regresso à sua Diocese, passando por Paris, onde eu prosseguia os meus estudos, a uma pergunta minha sobre o que pensaria de Fátima o novo Papa, respondeu: «a última pessoa com quem estive em Roma, antes de partir para o aeroporto, foi com o novo Papa, Paulo VI, que me disse: «Fátima, que responsabilidade para a Igreja e para o mundo». 4. O caminho do apostolado em meio escolar. Foi este um dos caminhos que mereceram ao

Senhor D. João uma particular atenção. Olhando o panorama religioso da sua Diocese, teve estes desabafos comigo, em Outubro de1962: «a igreja da Marinha Grande está vazia, não só pela ausência da classe operária, mas também da juventude. Vamos levar a Igreja ao coração da Vila, por meio de um colégio, cujo alvará já adquiri». E, embalado por este zelo pastoral, mete ombros á construção, na Marinha Grande, do Externato Dr. Afonso Lopes Vieira, que adquiriu grande prestígio naquele meio, com o seu projecto cultural e cristão. Quanto ao colégio diocesano em Fátima, assim o justificou: «em Fátima, ao lado do Santuário de Oração» vamos construir um «santuário de cultura e fé, um monumento vivo ao Anjo de Portugal, que, por isso, se chamará «Colégio de S. Miguel», colégio por ele talhado nos fundamentos do seu projecto educativo e que ele sempre amou como um filho predilecto. Nas suas muitas deslocações pelo mundo, nunca se esquecia dele, enviando-lhe encantadoras mensagens de saudação e encorajamento, sempre dirigidas a «toda a família do colégio: director, professores, alunos e demais colaboradores». E sentia-se sempre muito feliz com os bons resultados escolares dos nossos alunos e com as actividades em que estes se envolviam. Apenas

um exemplo: «mil parabéns pelo 1º lugar na classificação da 1ª volta. Espero que o S. Miguel mantenha o lugar na 2ª volta, melhorando-o ainda». Referia-se aos resultados dos exames, ao nível distrital, no então Liceu Nacional de Leiria, no ano de 1970. Aquando das grandes lutas pela liberdade de ensino em Portugal, após o 25 de Abril, já resignatário, em carta ao director do colégio dizia: «Creio que posso dar-te os parabéns pela situação actual do Ensino Particular, situação jurídica por que tanto e bem te bateste…é grande passo em frente. Deus louvado e honra a quem tanto se sacrificou por esta meta». Ainda hoje o Colégio de S. Miguel vive da herança do seu fundador, consignada no projecto que o identifica e de que muito se orgulha. Em nenhum outro lugar da Diocese o Bispo D. João Venâncio está tão presente, no quotidiano da vida, como no Colégio diocesano de S. Miguel. De outros muitos caminhos abertos pelo Bispo D. João Pereira Venâncio não faltarão testemunhos, todos eles convergindo no reconhecimento desta figura de homem, de padre e de bispo como um dom de Deus à Igreja e à Humanidade. A nós compete não os esquecer e caminhar por eles. Padre Joaquim Ventura

LMFerraz

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4823#OMENSAGEIRO#2SET