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DESTAQUE

Conheça a escola rural que tirou nota 10 no Ideb e virou notícia nacional

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MACEIÓ - ALAGOAS ANO XIX - Nº 993 - 12 A 18 DE OUTUBRO DE 2018

‘MALDIÇÃO’ DO 2º MANDATO VIRA DESAFIO PARA RENAN FILHO Governador promete concluir obras em andamento, mas terá pela frente um duro cenário nacional

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ALAGOAS TEM JEITO

Estado detém os piores indicadores sociais do País e a saída começa pela Educação. Mas em meio a esse deserto de ideias para sair dessa vergonhosa posição, existem alguns oásis que se destacam não apenas no cenário local, mas também nacional e internacional P/13 a 18

R 3,00

COMÉRCIO DO VOTO EM ALAGOAS TEVE DE DENTADURA A MATERIAL DE CONSTRUÇÃO Preço variou de R$ 100 a R$ 150; prática é escancarada e TRE não tem estrutura para evitar esses crimes eleitorais P/8

JUSTIÇA LIBERA LISTA DE CREDORES DA LAGINHA; INDENIZAÇÕES SERÃO PAGAS ATÉ JULHO DE 2019

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MACEIÓ, ALAGOAS - 12 A 18 DE OUTUBRO DE 2018

Último bastião do atraso

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- O Nordeste resistiu bravamente à onda de mudança que varreu o Brasil de Norte a Sul ao impedir a vitória de Jair Bolsonaro já no primeiro turno.

“Jornalismo é oposição. O resto é armazém de secos e molhados” (Millôr Fernandes)

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- A última trincheira petista manteve-se de pé graças ao maior curral eleitoral do País em que se transformou o programa Bolsa Família.

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- Da Bahia ao Maranhão são quase 8 milhões de famílias “beneficiadas” com esse programa social que funciona como bastião do atraso a serviço do PT desde 2002.

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- Criado há 16 anos para quebrar o ciclo da pobreza via transferência de renda, o Bolsa Família não cumpriu esse objetivo e até hoje nenhuma dessas famílias se emancipou. Ao invés disso, o programa reacendeu a prática do coronelismo ao criar na região o maior reduto do voto de cabresto da história do País.

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- É esse feudo petista que elege e reelege presidentes, governadores, prefeitos e demais aliados do PT ao longo das últimas 4 eleições gerais. E mesmo agora, quando o petismo é praticamente varrido de quase todo o Brasil, o Nordeste insiste em se manter no atraso, com boa parte de sua população vivendo na miséria.

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- Não à toa, os maiores índices de estrema pobreza estão no Nordeste, detentor dos piores IDHs (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil. Mas os petistas continuam mentindo e se perpetuando no poder à custa da miséria e do analfabetismo, bancados pelas migalhas do Bolsa Família.

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- Vale aqui lembrar a música “Vozes da Seca”, de Gonzaga e Zé Dantas: “...Seu doutor uma esmola, a um homem que é são; ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”. Sessenta anos depois, o grito de dor dos nordestinos continua sufocado pela seca e pela miséria.

Pobreza extrema

Dados divulgados pelo jornal Valor revelam que dos 10 estados com maior número de famílias em situação de miséria no País, 8 são do Nordeste, com Maranhão liderando o ranking de extrema pobreza no Brasil.

Saudades de ACM

Encomendado à Consultoria Tendência, o levantamento mostra ainda que na Bahia a miséria cresceu mais rapidamente. Lá, a proporção de famílias vivendo na extrema pobreza dobrou em 4 anos. Há mais de 10 anos sob tacão petista, os baianos devem estar com saudades de ACM, o coronel que mandou e desmandou no estado por várias décadas.

COLUNA SURURU DA REDAÇÃO

PT, nunca mais

Já o Acre lidera o ranking da miséria na região Norte. Em 4 anos dobrou o número de famílias que vivem na pobreza extrema. Assim como a Bahia, o Acre é comandado pelo PT há mais de uma década. A diferença é que no Acre a população mandou o petismo para o lixo da história. Antes tarde do que nunca!

Ervas daninhas

A vitória estrondosa de Rodrigo Cunha e JHC prova que Alagoas conhece o caminho das urnas para combater as oligarquias que há décadas devastam o estado. Mas vai demorar outras décadas para impedir a reeleição de taturanas e ervas daninhas que ainda contaminam o solo alagoano.

Coruripe nota 10

Coruripe, que sempre estampou as páginas policiais Brasil afora, virou manchete como campeão nacional do ensino fundamental. É de lá a escola pública nota 10 do Ideb. O fato prova que a saída é pela educação, nunca pela bala.

Fadiga de material

A partir de janeiro de 2019, o senador Biu de Lira e os deputados federais Ronaldo Lessa, Cícero Almeida e Carimbão já podem pendurar as chuteiras e se aposentar. Expirou seus prazos de validade. Biu de Lira diz ter sido traído pelos alagoanos, mas a verdade é que o senador foi rejeitado até mesmo pelos eleitores de Junqueiro, sua terra natal e seu maior reduto eleitoral.

Pão de Açúcar

Hora de fazer

Rodrigo Cunha e JHC representam a esperança do povo alagoano no resgate da decência no serviço público. No entanto, como tudo, a dupla tem prazo de validade e precisa mostrar serviço para não cair na mediocridade nem derrapar na corrupção. O povo está cansado desse feudo político que há mais de um século mantém Alagoas no atraso. Por isso não basta posar de bom moço nem fazer da retórica oposicionista um meio de vida, pouco se diferenciando dos parasitas da política.

Chega de firulas

A derrota de Biu de Lira e a operação comandada por Renan Filho para salvar o mandato de Renan-pai revelam que o uso das emendas parlamentares como política de governo não convence mais os eleitores. Mais que uma ponte ligando nada com nada ou açudes e cisternas, o povo quer mudanças na estrutura de poder que efetivamente levem ao desenvolvimento do estado.

Meta difícil

Para chegar ao Senado em 2022, Renan Filho precisa mostrar mais que projetos em seu segundo governo. Seu desejo somente se realizará com obras que realmente marquem sua administração, que vá além de pagar folha de pessoal e da mera assinatura de ordens de serviço.

Depois de mamar por 8 anos nas tetas do governo tucano de Téo Vilela, o ex-prefeito de Pão de Açúcar, Jorge Dantas, trocou Pedro Vilela por Sérgio Toledo. Conhecido pela alcunha de Jorge Gabiru, Dantas certamente foi atraído pela mala preta dos cartórios. No domingo de eleição o ex-prefeito foi flagrado fazendo boca de urna e, como tem processos na Justiça, foi detido pela PF, conduzido até sua residência e proibido de sair às ruas.

Preço do voto

Os políticos com mandato que perderam a eleição é porque não compraram voto ou a compra foi insuficiente. O resto é lero-lero e oba-oba, choro de derrotado.

Caga-sebo

Comenta-se no rádio corredor que o fato de Cícero Almeida ter menos votos que o folclórico Papa Capim reduziu o ex-prefeito a um mero caga-sebo, minúscula ave, menor que o papa-capim.

Juízes corruptos

O Conselho Nacional de Justiça afastou o juiz Clésio Coelho Cunha, do TJ-Maranhão por corrupção. O Plenário do CNJ também determinou o afastamento da desembargadora Tânia Garcia de Freitas Borges, presidente do TJ de Mato Grosso por atos de improbidade. Deve ser terrível viver nesses estados onde magistrados sujam a toga com atos de corrupção.

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EDITOR: Fernando Araújo CHEFE DE REDAÇÃO: Vera Alves

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MACEIÓ, ALAGOAS - 12 A 18 DE OUTUBRO DE 2018

JORGE OLIVEIRA

Votar em branco é protestar Brasília - No rastro do Bolsonaro vão chegar à Câmara, assembleias estaduais e no Senado 72 militares. O PSL do presidencial elegeu 39 deles. É ou não é um novo estado policialesco que leva para o parlamento policiais que defendem a bandeira pública do Bolsonaro: bandido bom, é bandido morto? Nessas eleições não estava na pauta desses candidatos a construção de novas escolas, postos de saúde, preservação do meio ambiente, construção de casas populares e propostas sociais. Via-se principalmente nos programas deles a construção de novas delegacias, presídios, postos policiais, mais viaturas e mais policiais nas ruas. Pobre país esse nosso que prefere a instalação de presídios a novas escolas. Aqueles candidatos que não se pautaram pela segurança pública e não levaram à população propostas para protegê-la da violência, infelizmente, ficaram no meio do caminho. O Espirito Santo, por exemplo, elegeu para o Senado dois policiais. Um delegado, que se identificava como o protetor das vítimas do trânsito, e um policial da Swat que se apresentava nos programas com um colete à prova de bala. Ambos passavam a imagem de “homens da lei” dispostos a proteger as famílias em um dos estados mais violentos do país, recordista na morte de mulheres. O quadro que se desenha para o Brasil no futuro é sombrio. De um lado, Haddad, o candidato do PT, que tem como marqueteiro um ex-presidente condenado a doze anos de prisão por corrupção que dita as regras de dentro do presídio. Do outro, um político fascista, truculento e obscuro, que sustenta propostas policialescas tão radicais que até assusta quando aparece falando na televisão. Incapaz de formular um plano de governo, apela sempre para o economista Paulo (Posto Ipiranga) Guedes todas as vezes que é questionado sobre o futuro da economia do país que pode vir a administrar. Depois do primeiro turno, quando se decidiu quem iria para a próxima etapa, o que se viu na rede social foi um bombardeio de agressões entre Bolsonaro e Haddad, disputando a primazia de quem era mais baixo nível nos insultos. Nenhum deles, portanto, apareceu na internet falando sobre propostas para governar o país. Hadadd, porém, foi o mais original dos dois. Nem bem o dia amanheceu, na segunda-feira foi o primeiro a entrar no presídio da Polícia Federal para se orientar com o seu guru Lula para essa reta final. Da cadeia, onde ficou toda manhã, Haddad saiu como um ventríloquo. Falou à Nação orientado pelo guru, que ainda se acha o político mais importante do país. Não sabe ele, coitado, que o Nordeste, seu último reduto eleitoral, começa a tomar o rumo da direita, pois, na região o Bolsonaro foi muito bem votado. De sua casa na Barra da Tijuca, de onde falou para o JN, Bolsonaro fez declarações contundentes contra o seu vice, o general Hamilton Mourão. Desqualificou-o por ter dado declarações com as quais ele não concorda como acabar com o décimo terceiro dos trabalhadores e fazer uma nova Constituição de notáveis excluindo o parlamento, a representação popular. É a primeira vez que um capitão repreende um general publicamente, mesmo que timidamente para não ferir a sensibilidade hierárquica de outros comandantes. E para quem achava que o general ia ficar calado depois do esporro, veja o que ele disse em resposta a Bolsonaro: “Tenho minhas críticas. Agora, o presidente é ele. Só não sou um vice anencéfalo (sem cérebro)”. O pau já está comendo na Casa de Noca.

arapiraca@yahoo.com Siga-me: @jorgearapiraca

Opção

Diante dessa barafunda, onde é embaraçoso se fazer uma opção entre uma organização criminosa que quer se reinstalar novamente no país e um representante fascista que pretende resolver os problemas à bala, o eleitor certamente estará desorientado. Infelizmente, por obrigação, vai ter que optar pelo menos pior. Mas se quiser não compactuar com um desses candidatos, a proposta é votar em branco para não legitimar o vencedor. Votar em branco também é uma forma de protestar contra essa situação anárquica no país, que tem dois candidatos indesejáveis. E mais: o eleitor que fizer essa opção não vai se sentir culpado e nem se cumpliciar com a tragédia anunciada que se avizinha no país com a vitória de um desses candidatos.

Adesão

Alguns partidos já escolheram seus candidatos no segundo turno. PSOL vai pedir votos para Haddad. PSDB decidiu ficar neutro, mas liberou militantes e dirigentes para optar. PTB já acenou que vai de Bolsonaro. PSB vai estar ao lado do Haddad mas também liberou seus governadores no segundo turno para escolherem seus candidatos a presidente. Dessa forma, o Brasil vai conhecendo a cara da direita e da esquerda até o final da campanha.

Perigo

Bolsonaro anunciou que por enquanto não participa dos debates na TV por recomendação médica. Mais uma vez os brasileiros vão ficar órfãos das ideias do capitão, que prefere as redes sociais ao confronto da suas ideias com outro candidato. E certamente, assim, vai se preservar até o final da campanha, depois de botar quase 20 milhões de votos na frente de Haddad no primeiro turno.

Bolsonaro já fala com seus assessores como se fosse o presidente. Já está, inclusive, escolhendo seu ministério. Mas um dos escolhidos, o economista Paulo Guedes, já saiu das páginas de economia dos jornais para as de polícia. O Ministério Público abriu investigação para apurar o envolvimento dele com fundos de pensão. O Posto Ipiranga do Bolsonaro embolsou milhões de reais em transações duvidosas que agora estão sendo investigadas. A Polícia Federal já foi acionada e deve entrar no caso.

Chega!

Defensiva

Fuga

Lula pediu a Haddad para não visitá-lo no presídio. A justificativa é de que o candidato a presidente precisa cuidar mais da sua campanha, percorrer o país em busca de voto. Mas, na verdade, Lula não quer mais a sua imagem de presidiário colada com a do seu candidato. Chegou à conclusão de que não pega bem o Haddad ser assessorado por ele, um condenado por corrupção que não tem previsão para deixar a cela.

Com essa notícia do envolvimento do seu principal assessor em um caso nebuloso, Bolsonaro agora deve pensar melhor em indicá-lo ministro da Fazenda, como já havia divulgado. Para quem prega a falsa moralidade, Bolsonaro deve anunciar à Nação que o seu guru na área econômica não é esse poço de honestidade que ele vende aos seus eleitores.

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Resposta das urnas

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eleitorado brasileiro custou, mas começou a entender que está chegando a hora de mandar para casa ou para a cadeia todos os políticos envolvidos em corrupção, e que não são poucos. O resultado das urnas deu uma demonstração de que aos poucos o Brasil vai vivendo novos tempos. Foi uma resposta clara, objetiva, mesmo não tendo atingido todos os que estão envolvidos na Operação Lava Jato e outras semelhantes que vão de vento em popa pelo Brasil afora. Os que ficaram ainda irão ter tempo suficiente de mudar a velha prática do é dando que se recebe da compra de votos, da maneira de fazer política em tradicionais currais eleitorais. Parece que, agora, a coisa vai.

GABRIEL MOUSINHO gabrielmousinho@bol.com.br

Carreira encerrada Arrastão O deputado federal Cícero Almeida parece mesmo que encerrou sua carreira política, com uma votação considerada pífia para a importância dos cargos que já exerceu até agora. Sua votação foi tão fraca que até o Papa Capim teve mais votos do que o ex-prefeito de Maceió.

Com o resultado das eleições do último domingo, o governador Renan Filho deve, a partir do próximo mês, pensar numa ampla reforma no seu secretariado e principais auxiliares. Muita gente vai cair, avaliam pessoas ligadas ao governador.

Uma tacada só

Quase sempre, no segundo mandato, prefeito ou governador não têm um desempenho como no primeiro. Mas isso é o que o eleitorado não espera do governador Renan Filho, que apresentou uma tonelada de promessas durante o Guia Eleitoral.

O senador Renan Calheiros conseguiu, de uma só vez, enterrar politicamente Ronaldo Lessa, Cícero Almeida e Maurício Quintella. Lessa começou a perder o jogo quando o senador abriu alguns redutos eleitorais para o deputado Paulão e deixou Lessa a ver navios.

Péssima escolha

Bem cotado anteriormente para o Senado da República, Ronaldo Lessa deixou o cavalo passar selado, como se diz na gíria. Preferiu os encantos do Palácio dos Martírios e abandonou a ideia para não prejudicar Renan Calheiros. Deu no que deu.

Esperança

Vida nova

Sem adversários, já era esperada a vitória de Renan Filho por uma ampla votação. Agora, ele se prepara para realizar um governo capaz de lhe projetar nacionalmente, o que tem tentado até hoje. O governador pensa em voos mais altos daqui pra frente e não descarta uma candidatura à presidência da República ou, no mínimo, a vaga de Fernando Collor daqui a quatro anos.

Surpresas

As urnas trouxeram muitas surpresas nessas eleições, quando políticos tradicionais foram rejeitados nas urnas. Além de Ronaldo Lessa, Biu de Lira e Maurício Quintella, o eleitorado também mandou para casa o ex-prefeito Cícero Almeida, que teve uma votação decepcionante.

Compra de voto

Até que a Justiça Eleitoral tentou evitar, mas a compra de voto, como em eleições anteriores, funcionou em todo o estado de Alagoas. Os cadastros, pela eleição de alguns candidatos, funcionaram na capital e no interior.

Acertou

O Ibope, ao contrário de outros estados da federação, acertou em cheio nas eleições majoritárias em Alagoas. Excetuando-se o governador Renan Filho que praticamente não tinha adversário depois da saída do senador Fernando Collor, o Ibope acertou na eleição para o Senado.

Dupla derrota

Quem também não teve muita sorte com a aliança com o governo foi o deputado federal Givaldo Carimbão, que perdeu a eleição e ainda levou junto seu filho Carimbinho, que também não conseguiu se reeleger na Assembleia Legislativa.

Em extinção

A prática velha de fazer política em Alagoas parece que aos poucos vai se acabando. Nestas eleições o eleitor mandou pra casa velhos conhecidos da política alagoana e promete fazer mais renovações em 2020.

Quem compra fica

Não tem lei no mundo que proíba, definitivamente, a compra de votos em Alagoas. Se o eleitor olhar direitinho que foi eleito em 7 de outubro, salvo algumas exceções, vai saber os contumazes compradores de votos que estão sempre em evidência.

Pendurados

Muitos candidatos que venderam quase tudo em busca de um mandato estão com a mão na cabeça. Sem dinheiro e com compromissos a pagar, ou estão desparecidos ou não atendem mais aos telefonemas dos credores.

Ainda não

A disposição do ex-ministro Maurício Quintella de pendurar as chuteiras caso perdesse a eleição parece que não vai se concretizar. Quintella, que obteve uma grande votação para o Senado, deve ser aproveitado na equipe do governador Renan Filho e sobreviver até as próximas eleições.

Cotação

Bom articulador e com trânsito tranquilo em Brasília, Arthur Lira é um dos nomes mais cotados para a presidência da Câmara dos Deputados. Ex-presidente das comissões de Constituição e Justiça e de Orçamento, Lira é a aposta dos remanescentes da Câmara na capital federal na próxima legislatura.


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Os vitoriosos e os perdedores de Alagoas

ANÁLISE POLÍTICA MARCELO BASTOS ELABORA RANKING PÓS-ELEIÇÕES JOSÉ FERNANDO MARTINS josefernandomartins@gmail.com

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e acertar o nome de todos os candidatos eleitos em Alagoas fosse jogar na Mega-Sena, o analista político Marcelo Bastos teria feito a quina. Bastos acertou a composição do Senado e da Câmara dos Deputados, só errando um nome à Assembleia Legislativa (ALE). Claro que a reportagem não considerou o acerto da reeleição do governador Renan Filho (MDB), que já estava evidente. Os palpites do analista foram publicados na edição da semana passada, dois dias antes do pleito de 7 de outubro. O erro de Marcelo Bastos foi em relação ao Cabo Bebeto (PSL), que conseguiu uma cadeira na ALE. Em vez de Bebeto, o analista apostou na eleição de outro militar: Sargento Ramalho (PPL). “Cabo Bebeto não conseguiu se eleger vereador. Desta vez, surpreendentemente, teve 31.573 votos. O que fez eu errar? Não vi a possibilidade de ele superar o vereador e candidato à Assembleia Francisco Sales e o Sargento Ramalho. Os votos de Cabo Bebeto vieram do fenômeno ‘Jair Bolsonaro’, que é do mesmo partido”, explicou. A ALE, a partir de janeiro de 2019, na ordem de quantidade de votos, será formada por: Jó Pereira – MDB (53.707), Ricardo Nezinho – MDB (43.961), Olavo Calheiros – MDB (40.466); Marcelo Victor - Solidariedade (39.422), Davi Davino Filho - PP (39.342), Antônio Albuquerque -PTB (38.556), Paulo Dantas – MDB (38.397), Cibele Moura - PSDB (37.824), Fátima Canuto PRTB (37.151), Yvan Bel-

trão - PSD (34.403), Jairzinho Lira – PRTB (32.165), Cabo Bebeto - PSL (31.573), Gilvan Barros Filho - PSD (31.316) e Galba Novaes MDB (30.481). E os que conseguiram menos de 30 mil votos: Flávia Cavalcante - PRTB (29.561), Marcos Barbosa PPS (29.079), Marcelo Beltrão - MDB (28.434), Bruno Toledo - Pros (28.431), Inácio Loiola - PDT (27.828), Leo Loureiro – PP (27.130), Angela Garrote – PP (26.845), Breno Albuquerque - PRTB (26.355), Francisco Tenório PMN (25.432), Tarcizo Freire – PP (24.709), Dudu Ronalsa – PSDB (24.095), Davi Maia - DEM (23.748) e Silvio Camelo - PV (15.594). Segundo análise de Bastos, Jó Pereira, a deputada estadual mais votada, apenas repetiu o feito das eleições de 2014. “Ela ficou em segundo e Rodrigo Cunha em primeiro lugar. Como Cunha disputou o Senado, Jó Pereira, que vem de uma família com nome forte na política, conseguiu manter seu eleitorado após os quatro anos”. Entre os fracassos apontados pelo analista estão os da ex -prefeita de Arapiraca Célia Rocha (PTC) e da deputada Thaise Guedes, que não conseguiu se reeleger. “Célia Rocha, que foi deputada federal com mais de 100 mil votos, teve 16 mil. Já Thaíse Guedes foi murchando a cada mandato. Ainda mais depois daqueles escândalos de ‘laranjas’ que acabou envolvendo até a Polícia Federal. Tudo somou para essa diminuição de eleitores”, explicou. Quanto à Câmara Federal, o acerto de Marcelo Bastos foi de 100%. A bancada alagoana, em Brasília,

Para Marcelo Bastos, entrada de Cabo Bebeto na ALE foi a única surpresa em Alagoas será formada por: JHC - PSB (178.642), Arthur Lira - PP (143.858), Marx Beltrão - PSD (139.458), Sérgio Toledo - PR (98.201), Nivaldo Albuquerque - PTB (84.956), Isnaldo Bulhões -MDB (71.847), Severino Pessôa - PRB (70.413), Paulão - PT (60.900) e Tereza Nelma - PSDB (44.207). Um dos que tentaram entrar na Câmara dos Deputados e fracassou é Fernando James (PTC), filho do ex-presidente e senador Fernando Collor. “Isso provou que os votos de Collor não são transferíveis ao filho”, disse o analista. Já os senadores eleitos foram Rodrigo Cunha – PSDB (895.738) e Renan Calheiros – MDB (621.562). Maurício Quintella – PR (494.027) surpreendeu e passou Benedito de Lira – PP (364.316) quase também ameaçando o velho Calheiros. “Se Quintella tivesse mais 15 dias de campanha poderia ter conquistado o segundo lugar, mas ele esta-

va engessado. Só podia fazer campanha contra Cunha e Biu de Lira. Tinha que manter o elo com Renan Calheiros, que era seu principal rival na segunda posição. Mas Quintella é o que chamamos de perdedor vitorioso”. Sobre o governo do Estado, Renan Filho reeleito no primeiro turno com 1.001.053

votos. Em segundo lugar apareceu Josan Leite – PSL (143.208), seguido por Pinto de Luna - Pros (94.653). “Josan conseguiu aparecer mais uma vez pela onda Bolsonaro. Mas, esperava mais votos por parte dele. Pinto de Luna entrou no meio do jogo mal tendo tempo de fazer campanha”, avaliou.

Luiz Jatobá Filho, CPF 002.873.504-87, residente na Fazenda Nova, Zona Rural de São Miguel dos Campos-AL, torna público que requereu ao IMA/ AL, a Regularização da Licença de Operação, para Atividade de Exploração de 4.411,87 Ha de cana de açúcar distribuídos nas Fazs Nossa Senhora das Graças, Bom Sucesso, Choan1 e Choan 2 ( Campo Alegre); Santa Adélia ( Coruripe); Caxacumba, São João, Pitomba, Escuro 1 e 2, Coités 2, 3, 5, 7, 9, 10, 11 e 12, Fazenda Nova, São Sebastião, Cumbe e Carobas ( São Miguel dos Campos); Tabatinga, Santa Paula, Pecó 1 e Pecó 2, São Francisco e Pangamonha ( Roteiro); Pau Paraíba ( Jequiá da Praia).


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Confira o ranking dos vencedores e perdedores elaborado pelo analista político OS VITORIOSOS Renan Filho (MDB) – Foi reeleito com 77,6% dos votos dispensando o segundo turno. A vitória massiva de Filho virou manchete nacional. Renan Calheiros (MDB) – Apesar de estar envolvido em diversos escândalos, entre eles da Lava Jato, reafirmou seu poder em Alagoas. Rodrigo Cunha (PSDB) – Com uma campanha focada no ‘novo’, Cunha angariou mais votos na sua passagem pela Assembleia Legislativa rendendo uma cadeira ao Senado. JHC (PSB) – Fazendo ‘dobradinha’ com Rodrigo Cunha, foi o deputado federal mais votado. A reeleição foi a única da família Caldas. O pai João Caldas e o irmão Doutor João Caldas ficaram de fora. Caldas pai tentou a Assembleia e Doutor João a Câmara Federal pela Bahia. A mãe, Eudócia Caldas, é suplente de Cunha. OS PERDEDORES Cícero Almeida (PHS) – Conforme Marcelo Bastos, o ex-prefeito de Maceió corre o

risco de não conseguir mais nem uma cadeira na Câmara dos Vereadores. Ronaldo Lessa (PDT) – Faz uma campanha envelhecida para um eleitorado que se renova a cada eleição. Teve o azar de competir com candidatos com propostas semelhantes, como JHC. Heloísa Helena (Rede) – Nome forte, com voz potente. Mas, Heloísa, calejada com coligações, tenta fazer tudo ao seu modo: sozinha, o que seria seu principal defeito. Benedito de Lira (PP) –

Um dos principais rivais de Biu é a idade: 76 anos. Sua imagem pode ficar ultrapassada demais, tanto para a Prefeitura quanto para a Assembleia Legislativa. SUCESSÃO PRESIDENCIAL Jair Bolsonaro (PSL) ou Fernando Haddad (PT): quem será o presidente do Brasil? De acordo com Marcelo Bastos, Bolsonaro tem grande chance de vencer no segundo turno. Caso haja uma virada, seria um feito

inédito. “Se Bolsonaro vencer, seu governo será um mistério. Nunca participou do Executivo. Mas, como ele terá o poder, será fácil de fazer parcerias. Quando ele quis se candidatar, ninguém quis apoiá-lo. Agora, como o nome dele está na alta roda, surgem os aliados”. Sobre Haddad, Bastos faz as seguintes considerações: “Ele não é um candidato natural. Os votos dele são do Lula e os de repúdio contra Bolsonaro. E a aversão que ele sofre é contra o PT. Nada é dele. Haddad precisa so-

mar apoio para não estar fadado ao fracasso. Tem que afastar a imagem de fantoche de Lula”. Com 100% das urnas apuradas, Bolsonaro teve 49.276.990 votos (46,03% dos válidos), e Haddad, 31.342.005 (29,28%). O terceiro colocado, Ciro Gomes (PDT), somou 13.344.366 (12,47%). “A chapa ideal deveria ter sido Ciro Gomes presidente e Haddad vice -presidente. Ciro, seria eleito, sem carregar o peso do Partido dos Trabalhadores”, finalizou.


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Compra de voto em Alagoas teve de dentadura a material de construção

ELEIÇÕES 2018

PREÇO VARIOU DE R$ 100 A R$ 150; PRÁTICA É ESCANCARADA E NÃO TEM JUSTIÇA QUE RESOLVA

MARIA SALÉSIA sallesia@hotmail.com

A

inda em clima de eleição e torcida pelo candidato que será o futuro presidente do Brasil, a compra de voto é assunto corriqueiro nas redes sociais e em rodas de amigos. Em Alagoas não é diferente. Passada a euforia da vitória dos eleitos e contabilizadas as derrotas, essa prática, mais uma vez, vem à tona e ressuscita práticas antigas como a troca de dentadura pelo voto ou até mesmo material de construção. Neste pleito, várias pessoas foram presas na capital e no interior de Alagoas cometendo irregularidades. Alguns cabos eleitorais foram pegos com dinheiro no bolso e houve até quem o escondeu dentro da cueca. A lista com nomes de eleitores, adesivos e santinhos de campanha também fizeram parte da lista no crime de corrupção eleitoral. O comércio aberto de compra de voto é tão escancarado que não há Tribunal que resolva. O cadastro eleitoral na política alagoana corre solto e não é novidade para ninguém. Apenas a cada pleito ganha novas modalidades e valores. Este ano, o preço do voto foi “tabelado” e variou de R$ 100 a R$ 150. Mas, dependendo do candidato e da negociação chegou a R$ 200 ou mais. As “lideranças” não ficam de fora e o valor recebido dependeu de seu desempenho e confiança. Em uma lista encaminhada ao EXTRA com nomes e reinvindicações, os valores e objetos oferecidos dependiam da necessidade do eleitor. Houve caso em que quem conseguisse quatro ou cinco votos teria “aju-

CRIME ELEITORAL

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da com óculos”, emplacamento de moto ou R$ 500,00. Dois votos trocados por uma caixa de água, bateria de moto, troca de lente dos óculos, R$ 200 ou R$ 300,00, cinco sacos de cimento, alimentos ou “uma consulta das pernas para operar”. Quem conseguisse três votos, em troca poderia escolher um milheiro de tijolos, seis telhas ‘brasilit’, dentadura ou R$ 200,00. Quem tinha apenas um voto a oferecer poderia levar R$ 100,00. O cadastro “pós-pago” pode até parecer novidade, mas há algum tempo a prática vem ganhando adeptos. Houve período em que o eleitor recebia metade da cédula e após a eleição era obrigado a dizer qual a cor da roupa do candidato. Caso acertasse, recebia a outra parte do dinheiro. Desta vez, a “confiança” no político serviu de moeda de troca e a fatura só seria paga após a eleição. Mas o cadastro “pré-pago” é que deu as cartas neste pleito. O eleitor recebeu o

Venda de voto: lista com reivindicação de eleitor é prática comum no período eleitoral

dinheiro alguns dias antes da votação e empenhou a palavra de que iria votar naquele candidato. O problema é crônico e vem de longas datas. Para conquistar de maneira ilícita a simpatia do eleitorado, vale tudo. Um caso clássico é a troca do voto por dentadura. O fato, que faz lembrar práticas de meados do

século XX, continua cada vez mais atual e nos remete a um episódio pitoresco em que um político de Alagoas comercializava o voto distribuindo a dentadura. Além do crime, a mercadoria era transportada em um cesto e o eleitor provava “os dentes” que melhor se adequasse à sua boca. Embora pareça folclore, ainda existe a troca.

este ano, a lei de combate à compra de votos completou 19 anos e ainda é comum pessoas transformarem seu voto em mercadoria, trocando-o por benefícios individuais. Embora a prática seja crime e cause cassação e inelegibilidade, a cada eleição muitos candidatos fazem vista grossa para o problema e continuam a cometer o delito. Vale lembrar que para o candidato as punições legais vão desde prisão de 4 anos, multa, o risco de tornar-se inelegível por 8 anos e cassação de mandato caso, ao final do processo, tenha sido eleito e empossado. No andamento da campanha eleitoral, cabe ainda impugnação da candidatura. Ao eleitor, por sua vez, cabe prisão e multa. Segundo o art. 299 do Código Eleitoral é considerado crime eleitoral “dar, oferecer, prometer, solicitar ou receber, para si ou para outrem, dinheiro, dádiva, ou qualquer outra vantagem, para obter ou dar voto e para conseguir ou prometer abstenção, ainda que a oferta não seja aceita”. Portanto, o voto não tem preço e faz parte da democracia e é preciso ficar atento para que uma pessoa corrupta não tenha o poder de decidir seu destino durante quatro ou oito anos. Assim, não venda seu voto.


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‘Maldição’ do 2º mandato vira desafio para Renan Filho

REELEIÇÃO GOVERNADOR PROMETE CONCLUIR OBRAS, MAS TERÁ PELA FRENTE DURO CENÁRIO NACIONAL ODILON RIOS Especial para o EXTRA

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governador Renan Filho (MDB) busca exorcizar a “maldição” do segundo mandato. É algo que desafiará o chefe do Executivo durante os próximos quatro anos. Ele terá de mostrar capacidade para continuar os investimentos nas áreas sociais e de infraestrutura, mesmo com o país enfrentando uma turbulência na política que afeta a economia para que, mais adiante, se construam as condições para eleger um sucessor em 2022, com Renan Filho disputando as urnas em direção ao Senado Federal. Até lá, o caminho é longo. Desde que a emenda da reeleição foi aprovada quando Fernando Henrique Cardoso presidia o Brasil, todos os governadores alagoanos disputaram um segundo mandato e foram reeleitos. E todos tiveram administrações pífias após o bis nas urnas. Ronaldo Lessa e Teotonio Vilela Filho foram reeleitos em Alagoas desde a emenda FHC. Ronaldo elegeu o sucessor, Téo Vilela, mas com um segundo mandato sem programas sociais ou obras de impacto capazes de entrar para a história. Bem diferente do mesmo Ronaldo Lessa, quando assumiu o governo pela primeira vez, realizando concursos públicos e pagando os salários dos servidores em dia. Téo Vilela também assistiu a um fim de governo menor que quando assumiu pela primeira vez. Após resolver as greves que estouraram logo no início do primeiro mandato, Vilela anunciou empréstimos que somavam mais de R$ 2 bilhões, dinheiro suficiente para gerar um boom econômico, além de acordos de refinanciamento da dívida pública e um megaplano de segurança lançado com

Renan Filho garantiu que vai superar dificuldades e uma boa administração no segundo governo

pompa e circunstância e que se reduziu a estratégias policialescas, incluindo o coturno no pescoço dos mais pobres. O dinheiro dos empréstimos chegou. Os outros planos morreram na praia. Renan Filho sempre questionou o destino errado (e duvidoso) do dinheiro destes

EIXO PARADO

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as, existe uma obra aparentemente simples e travada no governo: o eixo Cepa, que promete desafogar o trânsito na Fernandes Lima com a construção e readaptação de um trecho de 9 quilômetros de asfalto, também passando por dentro do Horto Florestal (próximo ao Walmart, direção

empréstimos. O Tribunal de Contas e o Ministério Público Estadual fingiram não ouvir a gravidade das denúncias. Reeleito, o governador Renan foi às redes sociais. Gravou um vídeo de 3 minutos e 21 segundos. Sabia da “maldição” envolvendo o segundo mandato dos chefes de Executivo. No ví-

Tabuleiro dos Martins-Centro). A obra foi embargada há quase 10 meses. O Ibama, que administra o Horto, alega remoção de 3 hectares a mais de Mata Atlântica, não previstos no projeto. O órgão federal fala em desvio e aumento do trajeto; o governo nega. Em maio, os dois lados assinaram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para o replantio de áreas nativas.

deo, agradeceu o apoio nas urnas e lembrou das dificuldades dos governadores alagoanos na reeleição. “Poucos conseguiram fazer um segundo governo melhor que o primeiro”, disse Renan Filho, prometendo superar as dificuldades “que não serão poucas. A eleição presidencial está divi-

E tudo permanece como está: aguardando uma definição. Também existe um “grande e permanente problema para a administração estadual”, a dívida pública, segundo aponta o professor Cícero Péricles. Problema que, segundo ele, vai sendo equacionado nos últimos anos e diminuindo de importância nas despesas públicas por causa dos acordos com a União. “E isso tanto permitiu um

dindo o país, a crise econômica avança” e os sistemas de proteção social “aos mais pobres estão ameaçados”, referência indireta a uma provável vitória de Jair Bolsonaro (PSL), da extrema direita brasileira mais ligada ao fascismo de cunho religioso-cristão, que teve bastante destaque no país nos anos 30, com os integralistas. No primeiro mandato, o governador conseguiu aquilo que Vilela e Lessa nunca avançaram: renegociou a dívida pública, abriu escolas em tempo integral e colocou em prática um programa de governo que aumentava impostos e, ao mesmo tempo, irrigava obras públicas, como os hospitais em construção, com dinheiro do Fundo de Combate à Pobreza. As propostas lhe deram a reeleição, com 77,3% dos votos. O governador prometeu realizar concursos públicos todos os anos e concluir obras que estão em andamento: além dos hospitais e unidades de pronto-atendimento, inaugurar os Centros Integrados de Segurança Pública, rodovias, escolas, ginásios, aumentar a quantidade de comunidades atendidas no Vida Nova nas Grotas e a primeira etapa da duplicação da AL-101 Norte.

melhor desempenho da gestão estadual, como deve aumentar a capacidade do Estado em tomar mais créditos na próxima gestão. É bom lembrar que o endividamento é algo positivo quando realizado para investimentos que geram impacto econômico e social e seu pagamento cabe dentro do orçamento estadual de forma a não impedir as outras despesas essenciais”, destaca o economista.


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Liberar uso de armas atrai eleitor alagoano

EFEITO BOLSONARO “OS PRINCIPAIS AFETADOS POR UM POSSÍVEL GOVERNO BOLSONARIANO SERÃO SEUS ELEITORES FESTIVOS”, DIZ CIENTISTA SOCIAL ODILON RIOS Especial para o EXTRA

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que explica a derrota de Jair Bolsonaro (PSL) nas urnas do Nordeste e o sucesso dele nas capitais da região, como Maceió? A simplicidade para resolver problemas complexos, maior flexibilização no porte e posse de armas ajudam a explicar o “mito”, mas isso vai além. Entrevistada pelo EXTRA, a cientista social Ana Cláudia Laurindo analisa o desempenho de Bolsonaro no Nordeste e em Alagoas.

O que pode explicar a vitória de Bolsonaro em capitais no Nordeste como Maceió e a derrota dele nas urnas pelo interior? Sem rapidez na análise, considerando a complexidade dos elementos agregados, reconhecemos dois territórios de vitória para o candidato citado na capital alagoana, apesar de serem eles antagônicos. A classe de maior poder aquisitivo, como empresariado urbano e agrário, reuniu consigo a classe média e maioria religiosa ortodoxa, dando votação massiva. No entanto, no extremo tivemos as grotas, favelas e boa parte da periferia identificada com a proposta de liberação das armas, votando no mesmo projeto. O eleitorado de Haddad em Maceió veio das camadas de formação humanista e militantes. O interior nordestino, e também alagoano, aqui graças ao Bolsa Família e ação do MST, é destacadamente o nicho no qual a política econômica e social do PT foi melhor percebida. O agricultor com sua parcela de terra, produzindo e vendendo alimentos, e os

beneficiários do Bolsa Família não confiam em Bolsonaro. Disso também resultou maior quantidade de votos jovens entre os que aderiram a ele. Pais de famílias optaram por Haddad. O Governo Renan Filho (MDB) vem conseguindo bons resultados na redução da violência. E Bolsonaro propõe flexibilizar a legislação sobre o desarmamento para combater a sensação de insegurança provocada pela violência. Não é uma contradição? Apesar de ser crítica à concepção de Segurança Pública do Governo Renan Filho, não há como fazer comparativo com as propostas de Bolsonaro, inteiramente voltadas para a prosperidade do mercado de armamento, sem planos de controle ou previsão racional de resultados outros que não sejam a população entrar em processo de autodestruição, sem barreiras formais de contenção. Renan tem um plano político; Bolsonaro tem um mote de campanha que pode

Cientista social, Ana Cláudia Laurindo adverte para riscos de uma eventual vitória de Jair Bolsonaro

lhe garantir vitória, mas o amanhã ninguém consegue imaginar, o que torna sua proposta causadora de terror. As redes sociais são culpadas por potencializar esta ameaça constante de que seremos vítimas de violência do outro, segundo também pensam os seguidores de Bolsonaro? As redes se tornaram instrumentos de potencialização de qualquer estratégia bem montada, nisso não se avalia culpa. Porém, no caso do clima de medo disseminado, há um misto de circunstâncias envolvidas, e vão desde as memórias da recente ditadura que o país viveu aos casos de crimes cometidos por apoiadores de Bolsonaro. A força sempre foi utilizada como instrumento de poder e contenção de políticas progressistas, contudo, agora existe um diferencial que torna o momento mais delicado: formação de milícias saídas

do povo e contra o povo. Quem não sentir medo desse fenômeno que as instituições brasileiras continuam ignorando está mergulhado em ingenuidades. A campanha de Bolsonaro empolga o eleitor pela simplicidade em se resolver graves problemas sociais mas assusta outras pessoas. O que explicaria isso? A negação do eleitor de Bolsonaro em saber o quê, de fato, ele pensa? A campanha de Bolsonaro reúne o que há de mais sombrio nas personalidades que compõem o quadro social brasileiro a partir de interesses de poder. É feita sem as bases formais com as quais estamos acostumados desde a redemocratização. Seu plano de governo é falsamente simplório, mas é um projeto de dissecação da democracia, com destituição do contraditório, eliminação do PT e muita militarização. O projeto econômico é incoerente com o

rótulo de honestidade que colou em si mesmo, pois enfraquece a autonomia do país, privatiza, se exime do povo. Fez uma grande balbúrdia perseguindo categorias, minorias e afrontando a racionalidade, oferecendo ao rico mais riqueza e ao pobre mais violência! Assim está passando. Poucos leram seu Plano de Governo. Os principais afetados por um possível governo bolsonariano serão seus eleitores festivos, que não estão se precavendo para enfrentar o que pode vir. Os assustados, os críticos, os que não votarão nele, de algum modo já estão vislumbrando saídas, pois o instinto de sobrevivência avisa. Os iludidos pagarão mais caro. Não terão aquilo que acreditam e perderão o pouco que a história de lutas sociais dos ancestrais lhes conferiu. O caos social de um governo de Bolsonaro engolirá primeiro seus fãs e seguidores. O que sobreviver do país após as primeiras hecatombes contará a história.


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MAIS DE 53.600 VOTOS Jó Pereira é reeleita para Assembleia Legislativa Deputada estadual foi a mais votada em Alagoas

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tuante e competente, a deputada estadual Jó Pereira foi reeleita com mais de 53.600 votos e emplacou a colocação de deputada mais votada de Alagoas. Sempre com propostas que contribuem para a população alagoana como um todo, a parlamentar ficou muito emocionada com o resultado e garantiu que ainda mais trabalho está por vir. “Não foi uma conquista apenas do período eleitoral, mas fruto de um mandato que teve uma interlocução com a sociedade muito grande. Foi uma construção com as pessoas, o reflexo que o mandato teve na sociedade. Sinto-me muito mais

responsável e comprometida para criar vínculos cada vez mais fortes com a sociedade civil organizada, com os movimentos sociais, para construirmos uma Alagoas cada vez mais justa e inclusiva, com muita participação popular”, frisou Jó Pereira. Com contribuições significativas durante sua vida política no parlamento, a deputada criou, por exemplo, a lei do Programa Alagoano de Aquisição de Alimentos (PAA), da agricultura familiar, os debates em torno do Plano Estadual de Educação (PEE), o Orçamento da Criança e do Adolescente (OCA) além de R$100

milhões destinados, através de emenda parlamentar no Orçamento de 2018, para o tratamento das pessoas com câncer. Com diversas iniciativas criadas e feitas para a sociedade, ela garantiu um próximo mandato com ainda mais trabalho, dedicação e compromisso com os alagoanos: “Será um mandato de muito acolhimento, muito cuidar das pessoas e, acima de tudo, muito amor, pois quando a gente dedica amor aos outros, a gente ouve mais, se coloca mais no lugar do próximo”, finalizou a deputada que almeja ainda mais mudanças e transformações no estado em prol da sociedade.

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Dívidas trabalhistas serão quitadas até julho de 2019

MASSA FALIDA DA LAGINHA ADMINISTRADORA JUDICIAL DIVULGA LISTA ATUALIZADA DE CREDORES JOSÉ FERNANDO MARTINS josefernandomartins@gmail.com

IMPASSE NA TRIÁLCOOL

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emorou, mas saiu. Enfim a lista atualizada dos credores da Massa Falida da Laginha foi divulgada pela administradora judicial Lindoso e Araújo Consultoria Empresarial Ltda. Ex-funcionários de João Lyra aguardavam uma posição sobre o cálculo final dos recebimentos desde o mês de abril. Com a publicação da lista também veio a notícia de que os pagamentos trabalhistas devem ser concluídos até julho do ano que vem. A informação é do administrador José Lindoso Silva. Ainda está em análise da Justiça o pedido para a disponibilização de R$ 110 milhões para pagamento imediato dos credores. No entanto, o valor não cobriria todas as dívidas trabalhistas. Segundo Lindoso, “com este recurso, os valores equivalentes aos serviços prestados pelos credores trabalhistas após a decretação da falência serão pagos em sua integralidade. Ainda com este valor disponibilizado, serão pagos aos credores trabalhistas que prestaram serviço entre o pedido de recuperação judicial e a convolação em falência”, informou ao EXTRA. São 17.259 credores com um saldo total de R$ 270,4 milhões. “Apenas com esses pagamentos, a Massa Falida da Laginha terá pago aproximadamente 40% do saldo dos credores trabalhistas extraconcursais. Além dos pagamentos mencionados, embora o juízo universal já tivesse deferido o pagamento de cinco salários mínimos para todos os credores trabalhistas, em razão do questionamento deste pagamento por um advogado e credor, a administradora judicial requereu autorização para a continuidade deste pagamento, inclusive para credores que não têm processo trabalhista em face da massa falida, mas que cadastraram os seus dados bancários junto ao site da Laginha”. Ainda segundo o administrador, ao final desses pagamentos, a massa fali-

Administrador judicial José Lindoso confirma leilão da Usina Guaxuma na próxima terça, dia 16

da já terá pago mais de R$ 135 milhões aos seus credores trabalhistas. “Uma vez o dinheiro liberado pela Justiça de Alagoas, o valor será encaminhado às Varas responsáveis para o pagamento dos trabalhadores. Caso não haja empecilhos no caminhar dos próximos trabalhos, acredito que pagaremos todos os credores trabalhistas até a metade do ano que vem”.

NOVO LEILÃO Para continuar viabilizando o pagamento a todos os credores, a Massa Falida irá realizar o leilão da Usina Guaxuma, marcado, em primeira praça, para o dia 16 deste mês de outubro pelo valor da avaliação de R$ 815 milhões. Se fechar negócio, será a terceira usina da qual João Lyra terá que se despedir. No ano passado, o usineiro assistiu à venda das usinas Vale do Paranaíba e Triálcool, ambas localizadas no estado de Minas Gerais. No leilão estão contempladas as terras e a indústria do complexo industrial da Usina Guaxuma. Caso não seja vendido em primeira praça, a segunda está agendada para o dia 30 e o lance mínimo será de 50% do valor de avaliação, ou seja, cerca de R$ 407 milhões. Os interessados em adquirir a usina poderão efetuar o pagamento em três parcelas semestrais, com a primeira parcela em até 180 dias do lance à vista de no mínimo 25% (vinte e cinco por cento), nos mesmos termos que ocorreu no leilão das usinas localizadas em Minas Gerais.

A empresa Terra Forte Empreendimentos e Participações S.A que arrematou a Usina Triálcool, situada em Canápolis (MG), está com problemas para usufruir do bem adquirido. Segundo consta nos autos do processo da Massa Falida Laginha, na segunda, 8, a empresa informou que a carta precatória direcionada para a Comarca de Canápolis e expedida com o intuito de materializar o mandado de imissão de posse ainda não foi cumprida, pois o movimento social que se encontra nos imóveis alegou nos autos que já se encontrava naquelas propriedades antes mesmo da arrematação ter sido realizada, e ainda que há uma Ação de Reintegração de Posse em trâmite perante a Vara Agrária da Comarca de Belo Horizonte, que possui como objeto alguns dos imóveis da usina. Ainda segundo o processo, a Terra Forte afirmou que a imissão na posse precisa ocorrer de forma urgente, diante da necessidade de iniciar os tratos culturais no solo das propriedades e realizar o plantio da safra do ano de 2019. “Determinamos o cumprimento do mandado de imissão na posse dos bens adquiridos pelo arrematante em leilão judicial, conforme carta e mandados já expedidos por este juízo, devendo, todavia, ser feito um cronograma de desocupação através da realização de audiência entre as partes. Assevere-se, outrossim, que o uso de força policial só deverá restringir-se ao estritamente necessário ao cumprimento da ordem judicial”, decidiram os magistrados do processo falimentar José Eduardo Nobre Carlos, Leandro de Castro Folly, Marcella Waleska Costa Pontes de Mendonça e Phillippe Melo Alcântara Falcão.


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Alagoas tem jeito Educação ou lero-lero?

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alar em educação em Alagoas é quase chover no molhado. Desde sempre convivemos com os piores índices e colocações nos rankings da categoria e com as mesmas e inócuas promessas de que “está melhorando”. Balela. Alagoas tem índices africanos, o continente mais pobre e atrasado do planeta. E não vai sair desta posição se não forem tomadas medidas radicais e urgentíssimas para alterar essa tragédia que se abate sobre nosso povo. Autoridades irão sacar “números positivos” como: “avançamos do 26º para o 20º lugar no Ideb”. Mas “esquecem” o valor absoluto da nota: nos anos iniciais do ensino fundamental foi 4,9 e nos finais, 4,2. O estado está 5 anos atrasado em relação à meta estabelecida para 2013! No ensino médio, o “bicho pega”. A nota foi de miseráveis 3,3 (a desculpa é: o país também não está bem avaliado ou o estado saiu da 27ª para a 16ª posição). Mal com-

parando, é como o corredor que ultrapassa “adversários” tão ou mais vulneráveis, mas se encontra a anos-luz do pelotão da frente. A pergunta é: você contrataria alguém com esta nota para sua empresa? Mas no meio do deserto de ideias, propostas e ações para nos retirar da incomoda posição, existem oásis que se destacam não apenas no cenário local, mas também nacional e internacional. Prova inconteste de que as desculpas esfarrapadas de sem-

pre são apenas cortina de fumaça para esconder incompetência, incúria e o uso politiqueiro da educação. Nesta edição vamos conhecer o que está acontecendo em Coruripe, poderíamos citar também Jequiá da Praia, Teotônio Vilela e Roteiro, municípios paupérrimos que alcançaram números absolutamente díspares da realidade de Alagoas. Com parcos recursos, visão de longo prazo, muita criatividade, enorme esforço das equipes pedagógicas e real priorização da educação pela administração, eles estão alcançando resultados comparáveis ao dos países melhores colocados (onde o Brasil se encontra na rabeira) nos rankings internacionais. Aquelas redes municipais demonstram cabalmente que é possível dar um salto quântico na educação do estado. E, portanto, é preciso repensar urgente a nossa estratégia educacional. Alagoas tem pressa. Os tempos são outros. Mudaram. Chega de lero-lero. Os economistas Elias Fragoso e Edimilson Veras indicam de forma objetiva em artigo do projeto Alagoas tem Jeito caminhos a serem trilhados para isso.


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ALAGOAS TEM JEITO Melhor escola pública do Brasil é de Coruripe COM 9,9 NO IDEB, ESCOLA JOSÉ WILSON MELO ULTRAPASSA META DE 2022 E PROVA QUE É POSSÍVEL FAZER EDUCAÇÃO DE QUALIDADE

MARIA SALÉSIA sallesia@hotmail.com

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no Povoado Areias, localizado a 5km do centro de Coruripe, Litoral Sul de Alagoas, que se encontra a melhor escola pública do ensino Fundamental do Brasil. Para chegar à campeã, a estrada é de barro e o verde das plantações entre poucas casas é de perder de vista. Lá, o ambiente é limpo, alegre e cercado por livros e outros atrativos que vão além da sala de aula. Porém, a maioria dos estudantes enfrenta diariamente uma viagem de ônibus de até duas horas para vir e outras duas para voltar. A adversidade e os obstáculos físicos são apenas detalhes e servem de estímulo para alunos e profissionais da Escola Municipal Vereador José Wilson Melo Nascimento que no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2017 conseguiram nota 9,9. No geral, o município ficou com 8,5 com o feito de ser o melhor índice do Brasil. Com nota superior à média nacional que é de 5.8 e ultrapassando meta de 2022, o município com pouco mais de 53 mil habitantes é modelo em educação de qua-

lidade e ensino para o estado e o resto do país. Tal resultado elevou o nome de Alagoas e despertou interesse de leigos e especialistas da área. Para saber qual o segredo e trajetória até chegar ao 1º lugar do Brasil, os economistas e professores universitários Edimilson Veras e Elias Fragoso foram a Coruripe e constataram que é possível existir ensino público de qualidade, inclusive em escola da zona rural. Para Fragoso, em um sistema educacional em que o conteudismo continua dominando, o modelo de Coruripe “é um achado nacional” e não é preciso inventar a roda, a receita encontra-se no município que conseguiu o feito de ser o melhor na educação fundamental. O especialista observou, ainda que, o plano de trabalho do município foi constituído num padrão de alto nível, o que levou ao resultado mais que satisfatório. Na visão de Edimilson Veras a qualidade e a manutenção da equipe por longo período é um dos fatores para a conquista. Encantado com o resultado, Veras afirmou que para se fazer educação pública de qualidade é preciso que todos deem as mãos. “É um trabalho fantástico,

Professora Bartyra Barbosa foi responsável pela turma 9.9 da escola; Edimilson Veras consi-dera resultado nota 10

eu acho. Diante da realidade do Brasil, 7 é muito bom e 9 já é um sonho e mais que isso, sem palavras”, disse se referindo à escola 9.9 que para ele é 10 e ao 8.5 resultado do município. O secretário municipal de Educação de Coruripe, Arthur Rocha, ainda comemora o feito, mas disse que o trabalho é contínuo. Para ele, a conquista é fruto de um trabalho árduo que vem se lapidando há 20 anos e intensificado a partir de 2013. Ele credita a vitória à equipe que aceitou o desafio, se qualificou, buscou metas e planos de ação a fim de oferecer o que há de melhor para a educação do município. “Não é fácil. Existe o investimento, a aposta, mas a equipe precisa querer que a coisa aconteça e a nossa é comprometida”, elogiou Rocha.

Segundo ele, essa experiência vitoriosa será multiplicada através da confecção de uma cartilha com o passo a passo das ações desenvolvidas que serviram de base para que o município chegasse a tal patamar. A iniciativa busca inspirar outras localidades, além de ser um legado deixado pela atual gestão. Na verdade, Coruripe se tornou referência em modelo de educação a ser implantado em Alagoas e no resto do país. Prova disso é que um município do Maranhão vai trazer uma equipe para conhecer as ações desenvolvidas. Fazer educação de qualidade é possível e exige dedicação. Não é à toa que a estrutura da escola que conseguiu um feito inédito no Brasil é modesta e alguns alunos enfrentam dificuldades pessoais. De acordo a coordenadora da escola cam-

peã, Heline Mariane Rocha Batista, com formação em Pedagogia e Biologia, o trabalho realizado foi visando nota 10. Como chegou ao 9.9, vão lutar por esse 1% pois, para ela, o resultado do desenvolvimento dos alunos foi 10. “A gente tem alguma coisa para lutar para 2019. A partir de agora vai ter muito mais cobrança”, frisou. A professora nota 10, Bartyra Barbosa, comemora a conquista e diz que o trabalho foi árduo, porém gratificante. Segundo ela, o resultado é fruto de um plano de ação sólido e de planejamento contínuo. “Sabemos que a educação transforma a vida das pessoas. A conquista foi impactante, mas esperávamos nota boa, pois nossos alunos além de sonhadores são muito bons. O resultado foi bem merecido e para mim eles são 10”, afirmou. O prefeito Joaquim Beltrão disse que com a conquista de melhor Ideb de Alagoas o desafio se tornou maior. Mas pondera que a educação em Coruripe vem perseguindo essas metas há muito tempo. “Enxergo como resultado do esforço e de uma dedicação extraordinária, mas principalmente de um planejamento de metas a serem cumpridas. Só tenho elogios para a equipe pela conquista”, agradeceu, ao acrescentar que na educação pública brasileira existem pessoas boas, comprometidas e com vontade de fazer acontecer.


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ALAGOAS TEM JEITO Em Coruripe “é trabalhado o pedagógico social”. A afirmação é de Maria José Marques, gerente administrativa e pedagógica da Semed, que garantiu que grande parte da conquista se deve aos pais que são comprometidos com a escola e com a educação dos filhos. “No município de Coruripe há compromisso com a educação, pois sabemos que a escola não está para reprovar. Além do que para se fazer educação pública é preciso união. Nossa meta é que o crescimento continue, pois muitas vezes é mais difícil manter que chegar lá e nossa equipe é muito comprometida”, elogiou. Quem também é só elogios para os profissionais de educação de Coruripe é a articuladora municipal Fabiana Rocha que comemora o feito de contar com um corpo discente e docente capaz de fazer o ensino público do estado se destacar nacionalmente como o melhor na educação. “A transversalidade na educação é fundamental. Aqui nada foi quebrado, a equipe continua a mesma. Além do que Coruripe tem os melhores profissionais frutos de qualificação e comprometimento”, argumentou. A capacitação continuada dos educadores é marca registrada da atual gestão. Além das qualificações nas escolas, existem na Secretaria Municipal de Educação (Semed) e fora do município. Foi o caso da continuação do Programa de Desenvolvimento de Liderança- PRODELIdirecionado aos gestores e coordenadores pedagógicos e ministrado pelo carioca Júlio Furtado, professor, mestre, doutor em educa-

Alunos da escola José Wilson participam de atividades na biblioteca

Secretário Arthur Rocha, economistas Elias Fragoso e Edimilson Veras

ção e autor de dois livros. “Todo mundo se envolve de verdade, mergulha de cabeça. Aqui (Coruripe) o povo briga por uma vaga na escola pública e é isso que queremos que aconteça no Brasil inteiro”, comparou. Ele disse ainda que com o resultado do melhor Ideb de Alagoas e ter a escola com a melhor qualificação do Brasil é preciso que a equipe esteja cada vez mais capacitada para continuar no topo do ranking. Para a socióloga com mestrado em Educação Brasileira, Ana Claudia Laurindo, o aumento de um

índice tão relevante quanto o Ideb não se consegue por uma via única de ação pedagógica, mas será resultado de um conjunto. “A escola rural tem a orientação da multisseriação, que para alguns parece aumentar o desafio, mas na verdade possibilita contato com diversos níveis de saberes ao mesmo tempo. O louvor da ação foi conseguir conjugar a multisseriação para o benefício coletivo, algo que só é possível com formação de professor e recurso didático-pedagógico na escola. Tendo esta base, o resto foi conquista do alunado”.

A número 1 em educação no estado está localizada na zona rural

ESCOLA ATIVA Chegar no topo não foi tarefa fácil, mas a Escola Municipal Vereador José Wilson Melo Nascimento chegou lá. São cerca de 700 alunos da Educação Infantil ao nono ano do ensino fundamental que participam de vários projetos implantados pelo município. Um deles é o “Juntos, nós podemos ir além!” que desenvolve ações coletivas, valoriza a troca de experiências entre as escolas e a inserção de atividades lúdicas e dinâmicas nas unidades escolares, como aulões e simulados online mediante o apoio de articuladores de ensino e coordenadores ligados ao Programa Escola 10. Através da Biblioteca Ativa é desenvolvido o hábito da leitura, habilidade de falar em público, aprimoramento do vocabulário e ações como frase secreta, o título você quem diz, mude o final da história, use a imaginação que contribuem para o sucesso. Mas nem sempre foi assim. A distorção de fluxo era de mais de 68%, salas multisseriadas era prática comum, além do que existiam mais de 100 escolas rurais

(que foram transformadas em 20 polos educacionais). O investimento na infraestrutura, na qualificação dos profissionais e o comprometimento da família levaram à reviravolta na educação pública de Coruripe. Agora, são especialistas, mestres e até doutor quem cuida da educação do município. Por lá, evasão quase não existe, os alunos participam no contraturno de atividades como xadrez, balé, dança, violão, jiu-jitsu, coral e uma gama de atividades oferecidas pelo município. Com cerca de 13 mil alunos na rede municipal, Coruripe comemora o feito de ser o número 1 do estado e do Brasil na educação. Outro excelente resultado para o município veio da Escola Municipal José Buarque da Silva, que garantiu o segundo lugar a nível nacional com a nota 9,6. Em Alagoas outros municípios também se saíram bem. Foi o caso de Jequiá da Praia (7.2), Teotônio Vilela (6.9) e Roteiro (6.3), sinal de que existem oásis plantados no deserto da educação de Alagoas. Que tal seguí-los?


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PACTO POR ALAGOAS Deputados federais reeleitos e eleitos lançam propostas e assumem compromisso

Bancada federal para 2019 teve renovação de

44% no quadro

VALDETE CALHEIROS Especial para o EXTRA

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bancada federal de Alagoas irá começar o ano legislativo em janeiro de 2019 com uma oxigenação de 44% no seu quadro de parlamentares. Dos nove representantes da Câmara dos Deputados, quatro são novatos: Isnaldo Bulhões (MDB), Sérgio Toledo (PR), Severino Pessôa (PRB) e Tereza Nelma (PSDB). Foram reeleitos os demais: Arthur Lira (PP), João Henrique Caldas (PSB), o JHC, Marx Beltrão (PSD), Nivaldo Albuquerque (PTB) e Paulão (PT). O EXTRA procurou os deputados federais para ouvir propostas dos parlamentares sobre o Pacto por Alagoas. O Pacto consiste na união entre a iniciativa privada e o governo com o objetivo de lançar projetos, estratégias que melhorem os índices econômicos e sociais ainda negativos no estado.

Arthur Lira

JHC

Reeleito com 178.645 votos ou 12,25% dos votos válidos, o parlamentar avalia que o esgotamento fiscal do Estado nas três esferas demanda uma maior participação do setor privado. Não apenas com as receitas, mas como gestores de projetos estratégicos e específicos. Para ele, ao Estado caberá sempre as fundamentais ações sociais e estruturantes no plano macro, porém ações pontuais e específicas, onde a dinâmica do setor privado possa atender de forma mais célere, deverão sofrer influência de pessoas, empresas e ONGs. Ele disse que é fundamental repensar o modelo estatal brasileiro, adequando-o à realidade onde há uma redução drástica de receita. Saúde, segurança e educação deverão continuar sob os auspícios da estrutura do Estado, porém nada impede que áreas como esporte e cultura – fundamentais para o tecido social – sofram uma maior influência do modelo privado, que tem se mostrado mais eficiente nessas ações. “Durante minha história promovi parcerias com empresas como o Google e Facebook em Alagoas, sempre exitosas e que contribuíram para o público-alvo, especialmente empreendedores, então enxergo esse tipo de parceria com bastante naturalidade, desde que sempre realizada com o máximo de transparência possível, o que dá credibilidade a esse tipo de ação”, citou.

Reeleito com 143.858 votos ou 9,86% da preferência dos eleitores, o deputado diz que para melhorar os índices negativos de Alagoas precisam ser sanadas as “profundas desigualdades sociais”. Segundo ele, a classe política e o setor produtivo devem pautar suas atuações em parcerias que busquem viabilizar recursos e obras para os municípios. “É papel dos agentes políticos dar condições para se empreender, manter a segurança fiscal e jurídica, bem como destinar recursos públicos para infraestrutura, saúde, educação, segurança, dentre outras áreas”, acrescentou. Na avaliação do parlamentar, tudo isso cria um ambiente favorável ao desenvolvimento social e econômico dos municípios alagoanos. Com isso, cabe aos empresários manter os investimentos no estado, tanto para ampliar os negócios aqui instalados como para novos empreendimentos. Dessa forma cria-se um ciclo positivo que vai aumentar a competitividade do Estado no cenário nacional. “Devemos dinamizar ainda mais nossa economia, fortalecendo setores que são importantes atualmente, como turismo e agronegócio, e atraindo novos segmentos. Só assim vamos gerar emprego e renda para nossa gente, pontos fundamentais para a dignidade da vida das famílias alagoanas. E esse compromisso com Alagoas renderá a conquista diária para proporcionar uma qualidade de vida melhor para nossa gente”, explicou.


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Marx Beltrão Reeleito com 139.458 votos ou 9,56% dos votos válidos, Beltrão lembrou que como deputado federal por Alagoas e ministro do Turismo destinou cerca de R$ 1 bilhão em investimentos para o estado nos últimos quatro anos. De acordo com o político, são centenas de obras com recursos garantidos em andamento e para serem iniciadas em todas as regiões. Isso aquece a economia, gera empregos, oportunidades de negócios e melhora os índices de desenvolvimento. “Por isso, acredito que a série Pacto por Alagoas deve ter uma palavra-chave: otimismo. Por quê? Porque estamos prontos para avançar mais. Alagoas é modelo na gestão pública e fiscal em relação aos outros estados do país, o turismo bateu todos os recordes e segue crescendo, nossa educação de Coruripe teve o maior índice do Idb do país. São exemplos de que com união do setor produtivo e setor público, responsabilidade, podemos, sim, superar índices ainda negativos melhorando a economia, geração de empregos e educação em todos os cantos de Alagoas”, sintetizou.

Severino Pessôa Deputado estadua e eleito para a Câmara dos Deputados com 70.413 votos ou 4,83% dos eleitores, Pessôa afirma que, em virtude da forte crise financeira que afeta todo o país, o estado de Alagoas vem sofrendo reflexos negativos, onde pequenas e médias empresas estão quebrando e tal situação tem contribuído negativamente com a redução dos postos de trabalho. “Um dos fatores preocupantes é o aumento dos impostos, que reduz ainda mais a confiança dos empresários, provocando um forte desestímulo no setor. O reequilíbrio da situação fiscal de Alagoas é possível sim, com a união e a participação efetiva da classe política, com projetos que possam estimular a simplificação de alguns impostos em curto prazo”, avaliou. Para o deputado eleito, certamente há muitos planos de investimento, mas há um temor na tomada de qualquer decisão sem que antes haja um horizonte de previsibilidade. “É nessa hora que a política tem seu papel importante na busca do destravamento da economia”, finalizou.

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Paulão O petista, que foi reeleito com 60.900 votos ou 4,18% da preferência do eleitorado, afirmou que a primeira questão a ser considerada é a quem esse pacto vai servir. “Alagoas tem problemas de toda ordem que vão muito além de uma proposta de pacto pura e simples. O que precisa no estado é o envolvimento real de todos os segmentos da sociedade para enfrentarmos os problemas crônicos que temos. Desde a matança de jovens negros e pobres na periferia até o enfrentamento massivo dos problemas na educação. Não basta apenas se falar em pacto sem uma definição real de rumos. E essa definição passa por uma discussão com a sociedade como um todo. Agentes públicos precisam cumprir o papel de fomentar políticas públicas para quem mais precisa e o setor privado pode e deve apoiar com iniciativas de responsabilidade social. Mais que um pacto, o que precisamos é de atitudes e parcerias que visem o bem comum”, avaliou.

José Elias

JORNALISTA POLÍTICO

O EXTRA conversou também com o jornalista José Elias, colunista de política há décadas. Ele falou sobre a relação que denominou de “capitalismo selvagem x políticos corruptos”. Segundo ele, falta entrosamento na relação entre empresários e políticos para tirar Alagoas, agonizando, do fundo do poço. “Todos só enxergam vantagens pessoais e não olham, em nenhum momento, para a cruz que carrega a sociedade. O desemprego toma conta do país e a violência assusta até os considerados destemidos”, frisou. Desacertos produzem um confronto, em cima do ringue, do capitalismo selvagem contra “representantes” do povo corruptos. Choque deles sobra para quem está nas ruas, sem lenço nem documento, proteção zero da cabeça aos pés. E, como consequência, as drogas transformam famílias em reféns dos bandidos. Renan Filho – renovando mandato por mais quatro anos – possui capacidade de negociar um pacto de

paz. Com crédito na balança, aplaudido nas esquinas, governador conquistou autoridade para comandar processo de crescimento do Estado. Tem moral pra pedir seriedade aos produtores de rique-


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ALAGOAS TEM JEITO

Educação e caminhos

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ELIAS FRAGOSO

má qualidade da formação educacional é irmã siamesa da baixa produtividade, gêmea dos subsalários, do subemprego, da baixa qualificação, do atraso econômico e da pobreza que nos agrilhoa em círculo vicioso que implora urgente mudança. E a saída é pela educação. Foi assim que países iniciaram o salto da pobreza para o clube dos ricos (o PISA indica que países que alcancem a média da OCDE - Organização para Cooperação e Desenvolvimento - podem, em tese – em conjunto a outras ações – atingir em 6 décadas renda per capital similar à dos EUA). Encaminhar a questão da educação no Brasil significa ter presente a questão ideológica que pauta o setor, o centralismo ineficaz da gestão no Ministério da Educação que se replica nos estados e municípios, a ação aparelhada das escolas superiores da área da educação que insistem na visão de formar “pensadores da educação” (sic!) e não professores para a sala de aula, na necessária melhoria da qualidade dos cursos de aperfeiçoamento, no uso político da educação que subverte prioridades e dificulta avanços ou a falta de visão de longo prazo. O propósito da proposta do projeto Alagoas tem Jeito não é criar digressões sofisticadas sobre os temas a serem abordados. O foco direto é mostrar bons exemplos práticos de como fazer acontecer. Nesse contexto, na educação infantil o modelo (demanda ajustes para o cenário brasileiro) da cidade italiana de Reggio Emilia, considerada uma das 10 melhores pré-escolas do mundo e de ótimos resultados, pode ser o norte a seguir. Mas é preciso que a educação infantil seja de fato priorizada e deixe, por exemplo, de ser repositório de docentes em vias de aposentação, ou dos desmotivados ou daqueles com inadequação a outras áreas. Na educação fundamental, o case de Coruripe (visto na reportagem anterior) é ótimo exemplo a ser seguido não apenas

no estado, mas por todo o país, dado seus excelentes resultados. Deve ser replicado. No ensino técnico, será preciso ampliar o número de unidades, modernizar o currículo, não se ater apenas às atividades analógicas ou práticas técnicas do século passado e adotar também as tecnologias do século XXI. O ensino médio não mais atende as necessidades dos alunos ou do mercado. Precisa ser totalmente reformulado, descentralizado para os municípios e – paulatinamente – reduzido de tamanho com a migração da maior parte dos alunos para o ensino técnico ou profissional. Nos dois casos, o horário integral é a meta. No ensino superior voltado à preparação de docentes, é urgente mudar o enfoque do preparo metodológico-pedagógico além introduzir as TICS na habilitação do docente à sala de aula e ao novo modelo de escola que se quer. A Universidade Estadual precisa redesenhar sua atuação. Reduzir drasticamente o enfoque em carreiras saturadas (e por consequência, mal remuneradas) e investir em formação de pessoas para as profissões do século XXI. É preciso romper com esse paradigma. Sabemos que os recursos são finitos e que não dá para se fazer tudo ao mesmo tempo. E nem no curto prazo. Alagoas deve priorizar a educação infantil e os anos iniciais do ensino fundamental orientada pelo modelo próprio desenvolvido por Coruripe. As demais séries e níveis de ensino seriam trabalhados na medida do possível, avançando-se paulatinamente em direção a cada um deles. Não há revolução educacional em 4 anos. É coisa para décadas. Mas, certamente, será um excelente início se a rota for essa. Claro, depende da quebra de vários paradigmas conhecidos. Coruripe nos dá um bom exemplo de como fugir das armadilhas da burocracia, da politicagem e da ineficiência na educação. No limite, é o caminho.


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Para refletir: Meu sentimento em relação à eleição para o Senado em Alagoas é de um lado de esperança e, na outra ponta, de extrema tristeza” (De um leitor)

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PEDRO OLIVEIRA pedrooliveiramcz@gmail.com

Nada a comemorar

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erminado o pleito, desarmados os palanques, começamos a contabilizar as “perdas e danos” que as eleições deixaram como resultado. O governador Renan Filho, que concorreu praticamente sem opositor, ganhou dentro do previsto em WO, com nenhuma vitória meritória como sua mídia capenga tenta mostrar aos alagoanos e ao país (77,30% dos votos). Em 1994 Divaldo Suruagy (sem estar no cargo de governador, o que já oferece uma ampla e lucrativa vantagem), ganhou com 79,39% dos votos, concorrendo com um ex-prefeito da capital, Pedro Vieira, e o superintendente do Sebrae, ex-vereador de Maceió e ex-secretário de Estado Marcos Vieira. Isto sim, uma vitória consagradora. A atual, uma “vitória de pirro”. Ainda na majoritária o resultado nos brindou com dois extremos: a eleição emblemática do deputado Rodrigo Cunha para o Senado com 895.759 votos, resultado de uma campanha limpa, com a mensagem de esperança que o alagoano se identificou e um passado político digno de ser mostrado. Na outra ponta o equívoco do voto leva os eleitores a dispensar outra esperança na candidatura do jovem deputado federal e ex-ministro dos Transportes, Maurício Quintella, com larga folha de serviços prestados e ressaltado a nível nacional, optando pela continuidade “contaminada” de Renan Calheiros, conhecido nacionalmente por sua postura nada republicana que envergonha Alagoas, mas ao que parece aceita pelos alagoanos. Na Câmara Federal a bancada sofreu também alguns abalos para melhor e para pior. Fará falta a presença simbólica de Heloisa Helena, o melhor nome entre todos os que disputaram, teve uma votação expressiva mas perdeu a vaga por conta de uma legislação eleitoral fisiológica e com “donos”. Foi perseguida e “roubada” pelas malas de dinheiro sujo de candidatos que literalmente compraram o mandato e a perseguição mesquinha e injusta de setores do governo estadual.

Minha mãe

Parece que a Virgem Santíssima não gostou nada de ser chamada de “mãe” pelo deputado Givaldo Carimbão que, aos gritos, atacou o ministro da Cultura em sessão patética que serviu de chacota nacional. – “Maria é minha mãe...Maria é minha mãe”, urrava e fazia insinuações maldosas contra a mãe do ministro. A igreja católica, que sempre foi a garantia de eleições do deputado, entronchou a cara. Aí deu no que deu: nem Carimbão, nem Carimbinho.

E o nosso quando vai?

O ex-governador de Goiás e ex-senador Marconi Perillo (PSDB) foi preso na última quarta-feira quando prestava depoimento à Polícia Federal em Goiânia. A prisão foi determinada pelo juiz Rafael Angelo Slomp, da 11ª Vara Federal Criminal da capital goiana no âmbito da Operação Cash Delivery, que investiga o pagamento de propina para suas campanhas eleitorais. A prisão é preventiva, ou seja, não tem prazo para acabar. Já o senador Acir Gurgacz (PDT-RO) se entregou também no mesmo dia para começar a cumprir pena de prisão de quatro anos e seis meses por crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Acir foi condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) em fevereiro, acusado de obter, por meio de fraude, financiamento junto ao Banco da Amazônia para renovar a frota de ônibus de uma empresa de transporte pertencente à sua família. O senador se entregou em Cascavel (PR) e foi internado após passar mal devido a problemas de pressão. E nosso quando vai? A pergunta de todos os alagoanos do bem.

Bom para o capitão

Em uma disputa polarizada no segundo turno entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), boa parte dos eleitores brasileiros se mostra indiferente em relação a hipotéticos apoios dos candidatos derrotados no primeiro turno da eleição para a Presidência da República. Pesquisa Datafolha divulgada há dois dias mostra que, do total de eleitores, 72% se dizem indiferentes em relação a um possível apoio de Marina Silva (Rede) a qualquer um dos candidatos que seguem na disputa. Cenário semelhante se repete em relação a hipotético apoio de Geraldo Alckmin (PSDB), considerado irrelevante por 69% dos entrevistados. Um apoio de Ciro Gomes (PDT) também não teria influência para 63% dos eleitores. Mesmo entre quem votou nesses candidatos derrotados no primeiro turno, os posicionamentos deles no segundo turno têm influência restrita.

Palmeira sem saúde

Renan não!

O filho do candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL) foi enfático ao declarar à imprensa nacional: “Renan Calheiros está fora. A gente o quer na oposição. Ele é contra a redução da maioridade penal, é contra rever desarmamento. Sem contar que andava de mãos dadas com o Fernando Haddad”. A declaração é do senador eleito Eduardo Bolsonaro, que será a figura representativa do pai no Congresso Nacional. Aí está um primeiro momento nada agradável para o senador Renan Calheiros que, pelo seu perfil, já poderia estar articulando sua ida “ideológica” para os braços do próximo governo. O momento também deverá ser muito ruim para o governador Renan Filho e consequentemente para os alagoanos.

Lava Jato não para

Em Brasília esta semana conversava com um procurador da Lava Jato e perguntei da possibilidade da Lava Jato acabar. Sua resposta foi: “Não cederemos um milímetro de nossas atribuições institucionais. Não dependemos de gestões partidárias para agir. Esperamos que o próximo governo, seja qual for, apenas não tente atrapalhar, pois aí mostraremos aos brasileiros essa aberração. A Lava Jato vai seguir e no início do ano teremos grandes novidades. Mesmo no período eleitoral as investigações e trabalhos dos juízes e procuradores continuaram, Logo após o segundo turno esperamos que o ex-presidente Lula sofra mais uma condenação, além das outras que poderão vir”.

É preocupante a situação de Saúde Pública em Palmeira dos Índios. Enquanto o prefeito alardeia sua promoção pessoal na imprensa e nas redes sociais (que ele ama) a população reclama alarmada o temor de infestação de escorpiões e outros insetos que começam a aparecer por falta de combate sanitário, uma vez que os agentes de saúde ainda não deram a cara este ano, pelo menos na região central da cidade (imagine na periferia). Depois se alguém for picado vai ter o atendimento precário da saúde terceirizada do município. A revelação me foi feita por um morador, na presença de um secretário do prefeito.

A alface murchou

Fechada desde a semana passada com o candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL), a chamada bancada ruralista passará por reformulação na próxima legislatura. Mais da metade de seus atuais integrantes não renovou o mandato e estará fora do Congresso a partir de fevereiro de 2019. Dos atuais 245 integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária, 117 (47,7%) foram reeleitos. A bancada, uma das mais poderosas da Câmara e do Senado, ainda não sabe estimar quantos dos novos parlamentares vão participar de sua composição no próximo ano.


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MACEIÓ, ALAGOAS - 12 A 18 DE OUTUBRO DE 2018


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JORGE MORAES Jornalista

A urna pune

O

resultado final das eleições no estado de Alagoas deu uma resposta inesperada para alguns candidatos, e que até lamento, e foi muito bom para alguns outros. Cada caso é um caso diferente a se analisar, especialmente nomes apontados como certos na relação oficial e que não alcançaram seus objetivos. No caso de governador do Estado, nenhuma dúvida, apenas se questionar a incompetência da oposição em montar um palanque que, pelo menos, pudesse tornar a campanha mais acirrada, mesmo que isso não viesse a modificar o resultado. Independente de qual nome fosse apresentado pela oposição, o governador Renan Filho seria apontado como favorito, fruto do trabalho realizado nos anos O deputado federal Ca- quatro desse seu pririmbão, depois de mui- meiro mandato, tos mandatos, cometeu credenciando-o alguns pecados capi- a um mandato tais. Primeiro, brigou melhor no prógoverno, com uma boa parte da ximo quando deverá igreja católica que lhe disputar a únidava muita sustentaca vaga para ção; segundo, abando- o Senado da nou um pouco a capital República, em 2022, hoje ocue correu em busca de pada pelo senavotos no interior, onde a dor Fernando Collor de Melo. política é bruta. Esperava até que Renan ultrapassasse a marca dos 80% dos votos válidos, se constituindo na maior votação para um candidato ao governo em Alagoas. Já as duas vagas ofertadas para senador, lá no início do processo, Rodrigo Cunha já se apresentava como um dos eleitos, inclusive brigava para ser o mais votado, como terminou ocorrendo. Estrategicamente, o senador Renan Calheiros tirou Marx Beltrão do páreo, em combinação com Renan Filho, e trouxe para tentar a outra vaga o deputado federal Maurício Quintella, que seria o mais provável a tirar vo-

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ALARI ROMARIZ TORRES Aposentada da Assembleia Legislativa

O recado do povo

tos do senador Benedito de Lira, sem ameaçar Renan Calheiros. Além disso, Biu de Lira foi o candidato mais prejudicado pelas trapalhadas da oposição em relação ao candidato “forte” para governador pelo grupo. Resultado: eleitos Rodrigo Cunha e Renan Calheiros. Chegamos, então, à Câmara dos Deputados. Os menos otimistas não acreditavam nas derrotas de Ronaldo Lessa e Givaldo Carimbão. O primeiro não pode justificar que pendências na justiça lhe atrapalharam. Muito pelo contrário, ninguém nem quis saber disso ou tomou conhecimentos dos fatos. Na verdade, Lessa se empolgou com o fato de ter sido governador do Estado e de ter liderado a bancada federal, em Brasília, e esqueceu de fazer política, como todo mundo fez. No caso do Carimbão, a derrota foi em dose dupla: a dele e do filho – Carimbinho – para deputado estadual. O deputado federal Carimbão, depois de muitos mandatos, cometeu alguns pecados capitais. Primeiro, brigou com uma boa parte da igreja católica que lhe dava muita sustentação; segundo, abandonou um pouco a capital e correu em busca de votos no interior, onde a política é bruta. Adotou o Alto e o Sertão alagoanos como suas bases eleitorais e se deu muito mal. Outra coisa: Maria também é minha mãe, mas não precisava trabalhar isso como o forte de sua campanha. Além do mais, a cada campanha, ele já dava demonstrações de enfraquecimento na perda de votos. Finalmente, chegamos à candidata Heloisa Helena. Ou a minha querida HH muda o seu estilo de fazer política ou nunca mais será eleita para um cargo grande. Ser candidata a vereadora, em Maceió, é fácil, mas uma candidatura com musculatura estadual, é outra coisa. Hoje, ninguém quer saber mais de dinheiro de usineiros – todos quebrados –, voto do crime organizado ou do enfrentamento com os bandidos da política. O povo quer saber de propostas e soluções. Só isso. Na semana que vem, vamos falar sobre a eleição para deputado estadual.

N

ão devemos brincar com o povo brasileiro. E o Partido dos Trabalhadores não entendeu isso. Está abusando muito de tudo o que é sério neste país de meu Deus. As eleições chegaram! O Lula, mesmo preso, comandou os candidatos do PT e aliados pelo Brasil inteiro! A turma de frente no Congresso e fora dele perdeu as eleições! A Gleisi escapou porque não concorreu ao Senado. Fátima, do Rio Grande do Norte, ainda tem chance de se eleger governadora de seu estado. Por aqui só sobrou o Paulão. De resto foi varredura total. Lembrei-me do Jânio Quadros: “Varre, varre, varre, vassourinha...” Em compensação a Janaína Pascoal, que derrubou a Dilma, denunciando-a e advogando contra ela, foi a deputada estadual mais votada em São Paulo. Gastou muito pouco e fez uma campanha limpa. O povo resInsisto no fato de que pondeu à bravura da moça com uma Bolsonaro não é o expressiva votasalvador da pátria. ção. O PSL, partiVirá, apenas, para do do Bolsonaro, acabar com o reina- elegeu vários cando sinistro de Lula. didatos, poucos coChega de sofrer, diz nhecidos em todo Conseo povo. Chega de ma- oguiuBrasil. o PSL fazer a las de dinheiro, de maior bancada no conluio de políticos, Congresso, levanpara lá novos ‘laranjas’ e empre- do parlamentares. sários. Em Alagoas, foi eleito o Cabo Beto para a Assembleia Legislativa, figura nova nos meios políticos. O povo está clamando por mudanças. Não aguenta mais o PT e seus aliados! Não suporta mais pessoas indiciadas ou processadas por desvio de dinheiro público gerindo nossos destinos. Ainda não foi feita mudança total porque o vírus do voto comprado, da corrupção, ainda não foi extinto. No interior de Alagoas as eleições continuaram sendo feitas através de métodos ilícitos: candidatos antigos e filhos de velhos políticos ainda venceram as eleições comprando votos. No Legislativo alagoano não foram pagos os salários dos comissionados. Motivo:

o dinheiro foi para a campanha eleitoral do patrão. Encontrei uma mulher chorando na praça: “O deputado disse que o salário só depois das eleições. Como vou pagar minhas contas?” Ainda precisa ser feita uma boa varredura na Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas. Creio, precisaremos de mais vinte anos para que as eleições sejam limpas. Abertamente pessoas do interior diziam: “O voto está custando de cem a trezentos reais”. E a prova concreta disso é a eleição de velhas raposas do Legislativo alagoano ou seus filhos e parentes. Teremos a partir de 2019 cinco deputadas estaduais. Bom por um lado: a participação da mulher vem crescendo. Ruim por outro: Das cinco, só duas mudarão ou tentarão mudar algo na Casa de Tavares Bastos. Lamentável: Heloísa Helena não vai para a Câmara Federal. Vítima da tal coligação. Alegria, alegria: Teresa Nelma foi eleita deputada federal; fez um bom trabalho na Câmara Municipal de Maceió e mereceu a recompensa. Dos candidatos à Presidência da República, dois vão para o segundo turno: Bolsonaro que veio para derrubar a esquerda e fazer uma bela faxina no país inteiro e Haddad, afilhado de Lula, tentando continuar com a política do PT, que não deixou o Brasil em boas condições. Vários políticos tentaram chegar à Presidência da República, mas só atrapalharam a vitória de Bolsonaro no primeiro turno. Nada foi digno de nota. Parecia até uma peça ensaiada com um objetivo determinado: todos, ou quase todos, foram ministros e aliados de Temer e Lula. Mas o povo não é bobo. Analisou tudo, viu qual era a finalidade de tantas candidaturas de esquerda: atrapalhar o fenômeno Bolsonaro. Insisto no fato de que Bolsonaro não é o salvador da pátria. Virá, apenas, para acabar com o reinado sinistro de Lula. Chega de sofrer, diz o povo. Chega de malas de dinheiro, de conluio de políticos, “laranjas” e empresários. Vamos limpar tudo e conscientizar a classe dirigente de que dinheiro público deve ser usado para o bem da sociedade. O Brasil precisa ser passado a limpo: os políticos devem ser mais honestos, sem assessores “laranjas”. Acabemos com o “toma lá, dá cá!” Viva a democracia! Viva o povo brasileiro! Deus acima de todos!


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A primeira pedra

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u devia estar contente por ser um digno cidadão, eleitor que foi às urnas para levar sua contribuição para pôr fim a quatorze anos de desmandos e corrupção em nosso País. No entanto, as vozes dessas mesmas urnas na Região Nordeste me fizeram triste. Triste pelos achincalhes, memes e Antes de qualquer humilhações que começaram a poapedrejamento do voar a internet e povo nordestino por redes sociais, assacados contra esse suas escolhas nesta sofrido povo em eleição, temos que face de suas escoavaliar o contexto das lhas. A manipulação mesmas e o contexto de votos de que é em que o vive e como vítima o nordestino não é culpa nem vive nosso povo. exclusividade sua. Qualquer povo que tenha sua maioria vivendo abaixo da linha da pobreza está sujeito a trocar seu voto por uma bolsa família, uma feira que alimente a família, um tratamento médico ou qualquer outra benesse necessária à sobrevivência. Quem conhecer de perto o nível de pobreza e indigência em que vive um sertanejo nordestino, compreenderá facilmente o porquê de seu descaso para com a importância cívica do voto. A sede, a fome, a mortalidade

infantil elevada, a indigência na saúde, não são boas conselheiras políticas. Toda essa grita e lapidação bíblica dirigida ao povo nordestino advém do fato de o candidato Jair Bolsonaro não ter derrotado o candidato petista ainda no primeiro turno. Esquecem os desafetos do eleitorado nordestino que quem criou o PT e alimentou as ideologias de esquerda que hoje dividem a nação não foram os nordestinos. O ovo da serpente foi chocado no ninho dos sindicatos do ABC e batizado pelo cantochão da teologia da libertação. Agora, após quatorze anos de desmandos e desgoverno, em que a nação quase foi levada à falência e está à beira do caos, impinge-se ao pobre e ignorante povo nordestino a pecha de ser o responsável pela breve sobrevivência das hostes petistas no presente pleito. O Nordeste não é pobre e ignorante por vontade própria ou falta de inteligência de seu povo. A pobreza e ignorância do povo nordestino é, antes de tudo, caso pensado de suas lideranças que fazem questão de realimentar o ciclo vicioso de pobreza e necessidade que lhes proporcionam um domínio político cuja chave encontra-se no binômio ignorância e carência. Até o fim do século XVII, a região nordestina era a mais rica do País, cuja produção principal era o açúcar, matéria suplantada apenas com o surgimento do ciclo

O Nordeste é a realidade

Q

ueria muito enveredar por outros caminhos que não o da política. Lembrar meus bons tempos da Rua do Macena e arredores. E, como diz o cancioneiro, dos amigos que, em sua O resultado das urnas, maioria, por lá deixei. Quando em que se salvem os reuníamos mais beneficiados das nos na Praça Deocapitais, que renega- doro, para jogar ximbra ou pião; ram essa política de uma favorecimento, reflete colocar caixa de sapabem o que quer a esto emborcada querda com a continua- encobrindo um ção da pobreza extrema paralelepípedo, esperando que e ignorância grassando algum jovem em nossa região. mais velho e afoito a chutasse. Era carreira na certa. Voltar para a minha rua e

armar duas traves pequenas, para uma boa pelada, bem no centro do calçamento. De vez em quando, uma parada brusca para a passagem de um carro e, logo depois, a bola voltava a rolar até que viesse o próximo veículo. Fazer estradas no quintal de minha casa para que nossos carrinhos pudessem trafegar. Até ponte, fazíamos. Muitas vezes, interromper os “afazeres” atendendo às ordens das mães para dar um pulinho na Padaria Leão Branco, do “seu” Vespertino Lima, e pegar o pão embrulhado com papel e cordão. E muito, muito mais para reviver. Palavra que até ao contrário, ou voltando, é “reviver”. Mas dificilmente podemos ficar sonhando com lindas épocas passadas quando vemos o País enaltecer nossa Região Nordeste com lindos poemas já conhecidos, onde se exaltam as qualidades dos

ISAAC SANDES DIAS

Promotor de Justiça

do ouro que se estabeleceu nos meados do século XVIII. De lá pra cá, o foco dos investimentos e desenvolvimento priorizou o Sul e o Sudeste, deixando o povo nordestino à mercê das suas elites dominantes que insistiram na economia agrária como sustentáculo de seus interesses políticos e econômicos. Antes de qualquer apedrejamento do povo nordestino por suas escolhas nesta eleição, temos que avaliar o contexto das mesmas e o contexto em que o vive e como vive nosso povo. Ao votar majoritariamente no candidato petista, o nordestino visou apenas o que era melhor para si e sua sobrevivência, sem qualquer glamour político ou ideológico, pois onde falta pão, saúde e até mesmo água para o consumo diário, não resta espaço para divagações ou maiores análises político-ideológicas. Não se pode negar que a maioria dos governantes ultimamente eleitos sempre deu pouca atenção, assim como carreou poucos investimentos para a região, aí incluídos os próprios nordestinos. Tais fatos, associados à situação de penúria em que vivem, movem essa grande massa de desassistidos na direção não da formação de uma mentali-

dade ideológica, mas sim fisiológica. A fome sempre foi uma das piores conselheiras. Portanto, quem vive e assiste o dia a dia da maioria do povo nordestino, não se espanta ou surpreende ao ver o seu voto ser trocado por uma inscrição no programa do Bolsa Família. Nas críticas e achincalhes lançados contra a opção de voto dos nordestinos, esquecem aqueles outros que, de qualquer forma, operou-se uma verdadeira faxina contra certas oligarquias e candidatos viciados. Assim, foram defenestrados os Sarney, Edson Lobão, Garibaldi Filho, Romero Jucá entre tantos outros. Esse trabalho de faxina feito pelo eleitor nordestino não foi reconhecido até agora por aqueles que apontam o dedo para o olho do outro. Ao apontar o argueiro no olho do Nordeste, esquecem da trave que se encontra no seu. É até compreensível ver alguém que diariamente não sabe se terá algo para comer no café, almoço e jantar fazer barganha do seu voto. Difícil mesmo é ver aqueles que habitam a parte mais rica e desenvolvida do País, de barriga cheia, brincarem e se divertirem com seus votos elegendo palhaços, rinocerontes, macacos e atores pornôs, como se o parlamento fosse um pequeno circo de horrores.

JOSÉ MAURÍCIO BRÊDA Economista

nordestinos, simplesmente para passar a mão em nossas cabeças como dizendo “vocês fizeram errado, mas estão perdoados por isso”. Esquecem de dizer que o nordestino foi e continua sendo espoliado por todos aqueles que o governaram. E que, quem apareceu há mais de uma década como a salvação desse povo sofrido, distribuiulhe migalhas e apoderou-se do que lhe era devido. Os arautos da extinção da miséria só nos legaram uma triste estatística onde, dos sete estados com piores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH), seis estão exatamente no Nordeste; dos sete estados com maiores índices de pobreza extrema, qua-

tro encontram-se aqui entre nós; dos sete estados com os piores índices de Educação, pasmem, cinco estão encravados em nossa região e, dos cinco mais beneficiados com o Bolsa Família, três estão aqui. O resultado das urnas, em que se salvem os mais beneficiados das capitais, que renegaram essa política de favorecimento, reflete bem o que quer a esquerda com a continuação da pobreza extrema e ignorância grassando em nossa região. Ainda bem que o mapa do Brasil está cada vez mais tomado pela cor azul que nos dá a esperança de afastarmos de vez o comunismo travestido de petismo. Porém, essa é a realidade do Nordeste.


MACEIÓ, ALAGOAS - 12 A 18 DE OUTUBRO DE 2018

Cofrinho

Quem nunca guardou algumas moedinhas no famoso porquinho? Hoje em dia, os bichinhos que servem de cofre são variados e nem se quebra mais o material para conseguir ter acesso ao dinheiro. Mas você sabia que guardar moedinhas é prejudicial para a economia brasileira? De acordo com o Banco Central, 1 em cada 4 moedas fabricadas está fora de circulação, somando aproximadamente R$ 620 milhões guardados em cofrinhos pelo país. Isso representa um prejuízo quase incalculável para o Brasil, pois para produzir uma única moeda de R$ 0,5 centavos , o custo chega a R$0,21.

Cobrança de dívidas

Instituições financeiras podem continuar abordando o consumidor para tentar a quitação do débito. Após os famosos cinco anos para o sumiço da dívida, acontece a “prescrição”, que na verdade é a perda do direito que o credor tem de propor ação judicial em face do devedor. Isso quer dizer que, apesar de a dívida continuar existindo, o credor não pode mais exigir o seu cumprimento através de ação judicial, mas pode cobrar de forma extrajudicial. A ação é prevista no Código de Defesa do Consumidor que estabelece que os serviços de proteção ao crédito não podem manter o CPF do consumidor registrado nas listas de negativados por mais de cinco anos a partir da data de vencimento da pendência.

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ECONOMIA EM PAUTA

Bruno Fernandes – bruno-fs@outlook.com

Finanças pessoais

O brasileiro está mudando o hábito de procurar o gerente do banco quando o assunto são finanças pessoais. Pelo menos é o que aponta um estudo feito pelo SPC. Uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) realizada em parceria com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) revelou que ainda que o gerente seja um “cara legal”, muita gente começou também a enxergar a internet como um bom lugar para buscar ajuda sobre educação financeira. Dados do mesmo levantamento mostram que 47% das pessoas consultam a internet, colocando a rede ali bem próxima na disputa enquanto fonte de informações.

Nome sujo

Embora não seja promessa de campanha, é possível limpar o nome sem quebrar a cabeça. De acordo com o Serasa Consumidor, é preciso que a pessoa que está com o nome sujo faça um planejamento financeiro para entender quanto poderá despender do salário sem comprometer outras dívidas fixas. Após isso é necessário procurar o credor e contar sua realidade com as informações de quanto poderia pagar. O recomendável, aliás, é negociar sempre. O Serasa Consumidor, por exemplo, oferece o Limpa Nome, um serviço online através do qual é possível negociar dívidas negativadas no Serasa e também contas atrasadas.


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UNIÃO DOS PALMARES PROSPERA NA ÁREA DE SAÚDE

Setor é considerado prioridade na gestão do prefeito Kil Freitas

O

prefeito de União dos Palmares, Areski Freitas, entregou para a população na última terça-feira, 9, quatro dos 16 novos veículos da Secretaria de Saúde do município para dar suporte e melhorar o atendimento dos palmarinos. Kil, como é conhecido, afirmou que a saúde no município está longe de ser 100%, mas ele faz disso um estímulo para lutar cada dia mais por melhorias para o seu povo. “A gente sabe que durante todo este ano e o ano passado o município vem lutando para melhorar a saúde da nossa cidade e da nossa população. Essa é a nossa maior preocupação. Conseguimos melhorar o atendimento, fazer exames gratuitos nos postos de saúde, distribuir medicamentos nas farmácias populares. Isso tudo foi feito com muito esforço e só tende a aumentar ainda mais. O transporte de pacientes para Maceió recebe o apoio de três ambulâncias novas e uma quarta já está por vir”, declarou o prefeito. A secretaria de Saúde, Geany Vergeth, vem acompanhando e fazendo parte do passo a passo da evolução do município e se sente orgulhosa em estar na contramão da fase delicada que a saúde do país enfrenta. “É uma satisfação enorme quando você sabe que está fazendo as coisas em prol dos menos favorecidos, ajudando ao próximo. E hoje esse é o nosso papel. O sistema único de saúde é um sistema muito financiado, e isso ao invés de nos esmorecer, nos estimula para trabalhar mais pela nossa população e conquistar mais feitos para o nosso município”. Desde que Kil Freitas assumiu a Prefeitura de União dos Palmares, os avanços na cidade caminham a passos largos. Todas as Unidades Básicas de Saúde estão em perfeito funcionamento, contaram com reformas e revitalizações. Além disso, há pouco tempo o prefeito anunciou a construção da UBS no Conjunto Nossa Senhora das Dores.


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CIBELE MOURA

Mais jovem deputada estadual eleita em Alagoas promete política transparente

Cibele Moura foi eleita no último domingo com 37.126 mil votos e é a mais jovem deputada estadual eleita de Alagoas. Com 21 anos, a nova parlamentar do estado mostra compromisso e satisfação por poder representar seu povo

Só tenho que agradecer muito a todos esses alagoanos que depositaram tamanha confiança em mim. Isso mostra que Alagoas quer transformação, quer uma nova política, e é isso que vou representar

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Ela irá compor a bancada da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) a partir de janeiro de 2019 junto com outras quatro mulheres. Cibele é uma das deputadas mais novas do Brasil e tem como bandeira de luta a transparência na política e melhorar os indicadores sociais do estado

Agora vamos focar nos projetos, nas necessidades de Alagoas, porque teremos trabalho duro pela frente. Fui eleita para representar muita gente, e esse é o meu papel. Quase 38 mil votos foi uma vitória muito bonita e trabalhar é nosso próximo passo


Ferro

SAÚDE MENTAL

“Somos feitos de carne, mas temos de viver como se fôssemos de ferro”.

arnaldosanttos.psicologo@gmail.com

(Freud)

“Normalidade”

Dia Mundial da Saúde Mental 10 de outubro

Às vezes a pessoa tem o ego deteriorado, ou seja, não percebe que o outro existe; só ela existe; só ela tem a razão; só ela sabe das verdades. E se também não reconhece os próprios erros, pode, nesse momento, estar ocorrendo um processo psicótico. Assim, alguns parâmetros ajudam a indicar se o comportamento de alguém está dentro de “uma normalidade” conceitual. Outro exemplo de parâmetro de que a pessoa está com saúde mental é que ela tenha noção de suas próprias ações sem perder a noção de tempo e espaço. Muitas vezes a pessoa não tem noção, ou seja, age inconscientemente ou não se reconhece num determinado local (problema).

I

ntransigência (extremismo, fanatismo), intolerância (inflexibilidade) desrespeito e agressividade. Esses são alguns substantivos que estamos sentindo no dia a dia ao dialogarmos, ou tentarmos dialogar, com alguns “amigos”, colegas e familiares. Por que isso está acontecendo? Estamos perdendo a capacidade de dialogar? Isso é saúde mental? Em 1992, há 26 anos, criou-se o Dia Mundial da Saúde Mental pela Federação Mundial de Saúde Mental, cujo objetivo é chamar a atenção da população sobre como está a saúde mental. O que se está fazendo para se ter saúde mental? Será que é dizer a verdade?

“Bolha”

Parece, todos “têm a verdade” sobre um monte de assunto: economia, saúde, educação, segurança. Estamos vivenciando uma espécie de “bolha” que está tomando conta do povo brasileiro nos últimos meses e especialmente na última semana, tudo por causa das candidaturas, agora, de dois presidenciáveis: Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Pois bem, a verdade é muito relativa e com ela existem muitas formas de medí-la. Uma delas é o contraditório ou fatos/comportamentos que comprovem o contrário do que foi dito/feito/realizado sobre uma determinada verdade. E o que tudo isso tem a ver com saúde mental? Tudo. Por que?

Adversidades

Um dos princípios básicos ou um dos conceitos sobre saúde mental é exatamente o equilíbrio emocional entre o que o sujeito pensa/age/fala, ou seja, sua coerência interna e as exigências ou vivências externas. Outro conceito muito simples de saúde mental é que a pessoa esteja com capacidade de administrar a sua própria vida dentro de uma ampla variação de sentimentos, como tristeza, alegria, medo, ciúme, frustrações e assim por diante. Ou seja, apesar de todas essas adversidades, a pessoa possa, assim mesmo, superá-las. E aí vem outra pergunta? Se a pessoa não teve condições de superar? Resposta: não é nada demais.

“Problemão”?

Não é porque a pessoa esteja sofrendo – talvez temporariamente - que ela não possa superar as adversidades num curto, médio ou longo tempo. As pessoas têm, todos os dias, problemas para resolver, seja de grande proporção ou não. Às vezes um simples problema é visto como sendo um “problemão”. Se a pessoa está com equilíbrio emocional, mesmo numa adversidade ela pode visualizar uma solução para um determinado problema. Caso não, está em desiquilíbrio e neste caso nada melhor do que procurar um profissional psicólogo para, junto com ele, descobrir as alternativas, que com certeza existem mas que circunstancialmente não são percebidas

Emoções

Saúde mental é exatamente isso: saber lidar com as diversas emoções que são inerentes a qualquer pessoa, como: alegria, tristeza, coragem, medo, amor, ódio, serenidade, raiva, ciúmes, culpa e frustrações Outro parâmetro é que a pessoa possa reconhecer seus limites. Uma pessoa, por exemplo, com 40 anos não pode iniciar uma carreira de jogador de futebol. Isso seria ilusório e fora da realidade. Por falar em fora da realidade, é bom esclarecer que um dos sintomas mais presentes nas psicoses, ou seja, no transtorno mental já diagnosticado, seja ele qual for, é a não percepção da realidade, do real, isto é, a fantasia e a ilusão prevalecem.

Maturidade

Em outras palavras, ter saúde mental é buscar viver a vida na sua plenitude máxima, respeitando o que é legal (está escrito nas normas e leis) e respeitando a opinião do outro. Saúde mental é, portanto, reconhecer que pode cometer erros; pode superá-los; pode melhorar o dia a dia com amigos, parentes e colegas. É estar aberto a argumentos e aceitálos, enfim, é ser dono de sua própria vida (amorosa, social e profissional) com sensatez, equilíbrio e coerência. Mas, lembrado que caso a pessoa não consiga, nada demais em procurar ajuda (falta) de um profissional psicólogo. Quem procura tem, sim, maturidade intelectual e emocional, não é louco e muito menos maluco.

Arnaldo Santtos é Psicólogo Clínico CRP-15/4.132. Atendimento virtual pelo site: www.vittude.com. Consultório: Rua José de Alencar, 129, Farol (atrás da Casa da Indústria), Maceió-Alagoas. Atendimento também na CLÍNICA HUMANUS: Rua Íris Alagoense 603, Farol, Maceió-AL. (82) 3025 4445 / (82) 3025 0788 / 9.9351-5851 Email: arnaldosanttos@uol.com.br arnaldosanttos.psicologo@gmail.com.


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Reservar forças

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apelo este ano foi menor, mas o Salão do Automóvel de Paris manteve-se atraente ao público, mesmo com a ausência recorde de 16 marcas. A indústria mundial enfrenta pesados investimentos em quatro níveis de alta tecnologia – eletrificação, conectividade, direção autônoma e compartilhamento – e sem descuidar dos atuais veículos. Por isso tem havido seletividade nos dispêndios. Reservar forças para as novidades compatíveis às datas das grandes feiras mundiais. A exposição francesa completou 120 anos em 2018 (assim como a Renault) e encerra no próximo dia 14. Marcas alemãs dominaram em termos de lançamentos. Uma das grandes atrações foi a sétima geração do sedã BMW Série 3 que cresceu em dimensões (até na clássica grade de duas entradas) e teve o novo interior muito elogiado. Outra atração foi a quarta geração do X5 a ser produzida

nos EUA e China. Os dois novos produtos e o renovado roadster Z4 chegam ao Brasil ao longo de 2019. Arquirrival Mercedes-Benz contra-atacou com o GLE, um SUV de tamanho intermediário e rodas de nada menos que 22 pol. de diâmetro. Classe A, na versão sedã, tem boa chance de ser produzido em Iracemápolis (SP). Também apresentou o novo monovolume Classe B. Estes dois últimos estreiam a primeira caixa automatizada de duas embreagens e oito marchas (antes, sete). Audi, além da segunda geração do hatch A1, apresentou seu primeiro SUV elétrico, o e-Tron, concorrente direto do também estreante EQC400, da Mercedes -Benz, ambos com dois motores – um em cada eixo – para tração 4x4. Renault manteve sua ofensiva elétrica com o subcompacto K-ZE, ainda numa versão conceitual baseada no Kwid, a

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FERNANDO CALMON

FERNANDO CALMON fernando@calmon.jor.br ser produzido na China para se tornar mais acessível. Também apresentou o EZ-Ultimo, um carro-conceito futurista autônomo, elétrico e otimizado para compartilhar. Peugeot deu o troco com o conceitual e-Legend inspirado no estilo do icônico cupê 504, de 1969, mas com motor elétrico de 462 cv. Citroën C5 Aircross estreou e pode ser importado já no próximo ano tendo o mesmo porte do Peugeot 3008. Entre os carros esporte, Ferrari voltou a roubar a cena graças aos espetaculares Monza SP1 e SP2. Ambos são roadsters, mas o primeiro deles tem o lugar do acompanhante coberto. Motor é um V-12, de 6,5 litros e 810 cv, o mais

potente que já produziu para um automóvel de rua. Porsche também chamou atenção pelo conversível conceitual 911 Speedster, mas com linhas definitivas. Estará à venda no próximo ano (apenas 1948 unidades em referência ao ano de fundação da marca). Em meio à ênfase relacionada aos veículos elétricos, voltaram as dúvidas sobre quantos estão mesmo interessados em comprá-los. Na Europa, representam cerca de 2% das vendas e sem sinais de que a demanda vá crescer de forma significativa. Poucos acreditam que em 2030 países como a França vão mesmo limitar a comercialização de carros novos apenas a elétricos puros.

ALTA RODA n ANFAVEA reviu crescimento do mercado interno este ano para 13,7% (previsão da Coluna no começo do ano, 14,1%). Número de financiamento aumentou, pois a taxa de inadimplência atingiu 3,5%, percentual mais baixo da série histórica. Estoques subiram para 40 dias, pouco acima do normal. Apenas a exportação enfrenta dificuldades: deve cair 9% este ano. n EXPECTATIVAS para o Salão do Automóvel de São Paulo (8 a 18 de novembro) continuam muito boas. VW TCross, primeiro SUV da marca com produção local, terá apresentação prévia pelo Facebook no próximo dia 25. Suas linhas serão reveladas na Alemanha, Brasil e China. Interior poderá se manter “escondido” mesmo no Salão. No mercado só no segundo trimestre de 2019. n MERCEDES-BENZ Classe C 2019, produzido em Iracemápolis (SP), recebeu retoques no para-choque dianteiro e lanternas traseiras. Há novas rodas e faróis em LED. Motor 1,5 turbo recebeu um alternoarranque que gera 14 cv extras (sistema

de 48 V) e permite até 10% de economia de combustível quando combinado com desligar e religar o motor em declives suaves. n GUIAR o híbrido Lexus CT200h deixa transparecer solidez e silêncio. Acabamento interno é muito bom, embora pudesse arrojar mais no painel e quadro de instrumentos. Como o hatch manteve altura de rodagem original, raspa com certa facilidade nos famigerados quebra-molas e valetas. Espaço interno e

visibilidade são pontos altos. Porta-malas tem razoáveis 375 litros. n ZF COMPLETA 60 anos de sua fábrica no Brasil, primeira fora da Alemanha. Hoje tem sete unidades no País e uma na Argentina. Empresa adquiriu a TRW há três anos e pretende produzir aqui equipamentos de ponta como câmeras e radares de bordo. Produz freio de estacionamento elétrico para eixo dianteiro, ainda não aplicado em modelos nacionais.


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JOSÉ ARNALDO LISBOA MARTINS Engenheiro Civil e diretor da empresa de pesquisas Dica’s lisboamartins@gmail.com

Cuidado com a quebradeira das urnas eletrônicas!

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ós estávamos em período eleitoral, ocasião na qual eu escrevi alguns artigos sobre pesquisas eleitorais. Num deles, no fim de setembro, eu coloquei o título de “Pesquisas Eleitorais mentirosas e safadas”. O título diz muito bem qual é o assunto Descobriram que uma principal da matéria, pois eu falo melhor maneira de ga- sobre os institutos nhar eleição é inventar de pesquisas eleique as urnas eletrônicas torais, com seus precisam ser trocadas comportamentos mentirosos e sadepois de serem visto- fados. Eles apresentam resultados riadas pelas autoridadiferentes des, pelos fiscais, pelos muito uns dos outros e partidos, pelos candida- não retratam a retos e pelos jornalistas. alidade. Como as eleições do 1º turno já aconteceram, já pudemos ver os resultados nojentos, do

Ibope, da Folha de São Paulo, do Paraná Pesquisas e do Ibrape. O pior é quando os institutos safados, com a maior cara de pau, como a Rede Globo, ficam dizendo que foram os eleitores que, de última hora, resolveram mudar seus votos. Eles deveriam assumir as suas desonestidades e suas mentirosas pesquisas. Ora, eles deram o primeiro lugar a Dilma, disseram que estaria eleito o Eunício Oliveira, Cristóvão Buarque, o Edson Lobão, Romero Jucá, os dois filhos do Sarney, o filho do Collor, a Heloísa Helena, o Cícero Almeida e muitos outros derrotados. Será que foi pouco dinheiro que lhes deram ou foi por que a Rede Globo tem o hábito de mentir? Ainda sobre pesquisas eleitorais, nas eleições de 2014 aconteceu a maior safadeza, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) disse que mais de 10 mil urnas eletrônicas tinham apresentado problemas, tendo sido necessário subs-

tituí-las. É pura safadeza! A Sra. Dilma tinha que sair vitoriosa, pois o Lula estava dominando todos os tribunais. Eles deram a vitória à Sra. Dilma com a tal da estória de urnas que quebraram. Agora, neste ano de 2018, novamente milhares de urnas eletrônicas foram consideradas defeituosas em pleno dia de eleição. Novamente fizeram as suas substituições. Segundo notícias dos meios de comunicação, também foram mais de 10 mil urnas substituídas. Uma coisa absurda! No mundo, nenhum aparelho eletrônico, elétrico, ótico ou mecânico aparece com tantos aparelhos quebrados como as urnas que foram fabricadas, contratadas e compradas pelo TSE. Descobriram que uma melhor maneira de ganhar eleição é inventar que as urnas eletrônicas precisam ser trocadas depois de serem vistoriadas pelas autoridades, pelos fiscais, pelos partidos, pelos candidatos e pelos jorna-

listas. O esquema é dizer que elas quebraram logo no início da votação. Com o que já vem acontecendo em todas as eleições, eu já posso antecipar que, neste 2º turno, umas 20 mil urnas irão dar defeitos, para que o PT saia vitorioso, mesmo que todos os ministros do TSE já tenham dito que elas são perfeitas. Eu notei que, agora, a maneira de melhor ganhar uma eleição é dizer que algumas urnas quebraram. Faz parte do esquema, o testemunho do povo, quando sabendo que as urnas eletrônicas apareceram com defeitos e foram trocadas. Como o esquema já foi descoberto por mim, desde as eleições anteriores, pode ser que as tais urnas não quebrem tanto. Como tá tudo podre, o Bolsonaro que se cuide, pois tem muita gente ganhando muito dinheiro com a quebradeira das urnas e podendo ganhar, também, uma Presidência da República!


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ABCDO INTERIOR

Sucessão de Teófilo Ao julgar o resultado das eleições em Arapiraca, com a vitória consagradora de Ricardo Nezinho para a Assembleia Legislativa, Severino Pessôa, para Câmara Federal e Rodrigo Cunha para o Senado, a sucessão do prefeito Rogério Teófilo, em 2020, promete ser a mais acirrada na segunda cidade mais importante de Alagoas.

Não abre mão

O deputado Ricardo Nezinho, que perdeu as últimas eleições municipais por uma diferença de pouco mais de 200 votos, não abre mão da disputa e os aliados mais eufóricos não escondem segredo e asseguram que ele já está em plena campanha para conquistar a cadeira de Rogério Teófilo que, por sua vez, vai tentar se reeleger.

Tem tempo

Apesar do alto índice de rejeição, Rogério Teófilo ainda tem dois anos de mandato, tempo que, segundo aliados, é suficiente para tocar obras e se recuperar. O prefeito arapiraquense precisa, no entanto, colocar a casa em ordem, com atitudes firmes para estancar arestas existentes dentro da própria administração, que têm sido responsáveis pelo imobilismo da máquina.

Surpresa das eleições

E o Cabo Bebeto (PSL)? Uma surpresa. Eleito deputado estadual, estreou com vitória arrasadora na capital. Teve 31.573 votos no geral e foi o mais votado em Maceió, com 22.066 mil votos. Deixou muitas cobras criadas para trás. Acho que foi o efeito do fenômeno Bolsonaro. (Com Henrique Romeiro)

Medalhões de fora

Outra surpresa foi a votação do ex-prefeito de Maceió e atual deputado federal Cícero Almeida (PHS) que obteve 8.405 votos. Uma votação, digamos assim, para vereador de Maceió. Já o deputado estadual e líder do governo, Ronaldo Medeiros (MDB), conseguiu apenas 24.241 votos. Ficou de fora. O mesmo aconteceu com os também atuais deputados Carimbão Junior (Avante) e Pastor João Luiz (PRTB). Tiveram menos de 13 mil votos.

robertobaiabarros@hotmail.com

Não deu para senador

Benedito de Lira (PP) terminou em quarto, 364.316 votos, uma pena para quem trouxe muitos recursos para Alagoas. Maurício Quintella (PR), na reta final, a vitória bateu na porta, mas depois foi embora. Com 494.027 votos, ficou em terceiro.

Outra surpresa

Ronaldo Lessa (PDT) não saiu da zona de conforto, 55.474 votos. Ficou com a primeira suplência; Carimbão (Avante) não fez a oração de casa, 54.620 votos; ficou com a segunda suplência. Heloísa Helena (Rede) não quis nada com ninguém, 53.793 votos. Ficou sem suplência.

Festa na Pestalozzi

Alegria e dedicação

De acordo com Fabiana Cavalcante, gerente da Pestalozzi, uma data tão importante merece ser comemorada com alegria e dedicação. “Fizemos uma festa linda para receber as crianças da nossa entidade. E, por isso, escolhemos um lugar ao ar livre, em contato com a natureza, onde tivemos várias atrações que motivaram um entrosamento ainda maior entre a criançada, familiares e funcionários da instituição”, explicou.

Atividades

A festa foi garantida para os meninos e meninas da Pestalozzi, ontem, 11 de outubro, em comemoração ao Dia da Criança. Esse ano, o evento teve como cenário o espaço conhecido com Área Verde – às margens da Avenida Ceci Cunha. Em meio às sombras produzidas pelas árvores do local, que permitem uma temperatura amena e ar puro, alunos e usuários da instituição contaram com uma programação diversificada, além de muitas guloseimas.

As atividades contaram com oficina de slime (massa de modelar com textura e cores diferentes), caça ao tesouro, contação de histórias, quebra pote, pintura de rosto e muitas guloseimas. Durante a programação, o artista plástico Marcelo Mascaro fez a entrega de uma tela, pintada por ele durante o evento “Somos Todos Pestalozzi”.

PELO INTERIOR ... O Arapiraca Garden Shopping preparou uma programação diversificada para a comemoração do Dia das Crianças. Mas os adultos também serão privilegiados. ... No feriado desta sexta-feira (12), Dia de Nossa Senhora Aparecida, onde também se comemora a festa da criançada, o shopping abre em horário comercial (das 10h às 22h). Em duas sessões que acontecem às 14h e 16h, o Cinekids traz títulos infantis para a alegria dos pequenos. ... Já no mall, às 15h, vai rolar o ”Dia Kids Garden” com distribuição de doces, balões e algodão doce. Às 17h tem contação de histórias na praça de alimentação e, pensando em contemplar pais e mães que estarão no shopping, a cantora Samilla sobe ao palco para cantar sucessos inesquecíveis. ... Outubro Rosa é uma campanha de conscientização e alerta para as mulheres e toda a

sociedade sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama e do câncer de colo do útero. ... Para marcar esta campanha, a Prefeitura de Palmeira dos Índios, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, realizou na tarde de terçafeira uma grande caminhada em comemoração ao Outubro Rosa. ... Centenas de pessoas se concentraram em frente à sede da Secretaria de Saúde, no bairro Paraiso, e depois saíram pelas principais ruas do município. ... A secretária Municipal de Saúde, Katia Born, alertou os presentes sobre as formas de prevenção e sua importância no combate ao câncer de mama. Durante sua explanação, a secretária destacou a importância do autoexame. ... Na manhã de quarta-feira (10), policiais civis da 5ª Delegacia Regional de Palmeira dos

Índios e policiais militares do 10° BPM, sob o comando do delegado Alexandre Leite, deram cumprimento a um mandado de prisão preventiva em desfavor de Sebastião Severino da Silva, de 49 anos. ... Após investigação minuciosa da 5ª DRP, houve a representação pela prisão preventiva do acusado, que culminou na expedição do mandado pela 4ª Vara Criminal de Palmeira dos Índios. ... Sebastião é acusado do crime de homicídio ocorrido no dia 29/04/2018, no povoado Caraíbas Torta, zona rural de Palmeira dos Índios, que vitimou Cícero José da Silva, 44 anos. ... Além do crime de homicídio, Sebastião já tem passagem pela polícia pelo crime de estupro e porte de arma. (Com assessoria). ... Aos nossos leitores desejamos um excelente feriadão, com paz e muita saúde. Até a próxima edição!


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Edição 993  

12 a 18 de outubro de 2018

Edição 993  

12 a 18 de outubro de 2018

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