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O SOBREVIVENTE

Renan Calheiros se fortalece na disputa pela presidência do Senado Com votação aberta, Renan é o mais forte candidato à presidência do Senado. Mas a eleição é difícil. Se vencer, assumirá o comando da Casa pela quinta vez. 2

ANO XX - Nº 1004 - 11 A 17 DE JANEIRO DE 2019 - R$ 3,00 NOVA ERA

AGRICULTURA

França Moura troca ondas do rádio pela internet

Diversificação é alternativa para monocultura da cana

Radialista diz que emissoras AM chegaram ao fim, tragadas pelas FM. 24

Eucalipto, soja, melancia e outras culturas alteram método secular de produção agrícola no estado. 13

TRÁFICO DE INFLUÊNCIA

Juízes são acusados de manipular inquérito sobre morte de advogado

l Geraldo Amorim e Raimundo Campos teriam agido para incriminar Sinval José Alves (foto) como mandante do crime l Réu nega dívida com a vítima: “Foi invenção de um funcionário após frustrada tentativa de extorsão” 8 e 9

ELEIÇÃO NA ASSEMBLEIA TESTA FUTURO POLÍTICO DE RENAN FILHO Olavo Calheiros sai da disputa, mas consenso entre governador e Marcelo Victor parece distante. 6 e 7


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EDITORA NOVO EXTRA LTDA CNPJ: 04246456/0001-97 Av. Aspirante Alberto Melo da Costa - Ed. Wall Street Empresarial Center, 796, sala 26 - Poço - MACEIÓ - AL CEP: 57.000-580

EDITOR: Fernando Araújo CHEFE DE REDAÇÃO: Vera Alves CONSELHO EDITORIAL

Luiz Carnaúba (presidente), Mendes de Barros, Maurício Moreira e José Arnaldo Lisboa

SERVIÇOS JURÍDICOS Rodrigo Medeiros

ARTE Fábio Alberto - 98711-8478 REDAÇÃO - DISK DENÚNCIA 3317.7245 - 99982.0322 IMPRESSÃO Jornal do Commercio E-mail: contato@novoextra.com.br

As colunas e artigos assinados não expressam necessariamente a opinião deste jornal

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COLUNA SURURU DA REDAÇÃO

“Jornalismo é oposição. O resto é armazém de secos e molhados” (Millôr Fernandes)

Rolo tucano

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governador Renan Filho promete resolver – possivelmente ainda este ano – o imbróglio jurídico herdado do Governo Téo Vilela sobre a chamada Área B do polo industrial de Marechal Deodoro. Trata-se do imóvel destinado às indústrias Portobello, Cimento Zumbi, Lè Mix Concreto, E-Paletes Bioenergia e outras ali instaladas na gestão de Vilela. A terra em litígio foi desapropriada de forma fraudulenta na gestão de Luiz Otávio Gomes, o secretário de Infraestrutura que mandou e desmandou no governo tucano. A fraude foi contestada, mas o governo pressionou a Justiça e obteve liminar que garantiu a invasão da área pelo Estado. Após várias piruetas jurídicas, o Tribunal de Justiça reconheceu a posse legítima da família que ocupava as terras desapropriadas de forma ilegal, mas até hoje o Estado não indenizou o posseiro, e o litígio permanece. O impasse reside no fato de que os responsáveis pela fraude terão que ser denunciados à Justiça por improbidade administrativa, sob pena de o Estado ficar legalmente impedido de indenizar a família espoliada.

Renan, o sobrevivente

Agora que a votação aberta foi derrubada, Renan Calheiros é hoje o mais forte candidato à presidência do Senado e sua campanha inclui uma aproximação com o governo Bolsonaro. “O sentimento do MDB é de ajudar o governo e fazer as mudanças de que o país precisa. Eu só posso ser produto da indicação da minha bancada se concordar com isso”, disse Calheiros à Folha de S. Paulo. Se vencer o pleito, será a quinta vez que Renan assumirá a presidência da Casa. A campanha atual deve ser a mais difícil de sua carreira, como foi para conseguir se reeleger como senador, na última eleição.

Denúncia

São graves as denúncias do advogado Sinval José Alves contra os juízes Geraldo Amorim e Raimundo Campos, acusados de interferência indevida no inquérito que investigou a morte do advogado Fernando Cabral. As acusações também envolvem a OAB e os delegados responsáveis pelas investigações do crime.

Nome forte

O procurador-geral de Justiça de Alagoas, Alfredo Gaspar de Mendonça Neto, desponta como forte candidato a prefeito de Maceió na próxima eleição. No último pleito, o chefe do MP abriu mão da disputa ao Senado para não romper aliança com o governo do Estado, mas na eleição municipal deve contar com o apoio de Renan Filho.

Sinal vermelho

A venda da Ceal fez sua principal prestadora de serviços acender a luz vermelha. Com a privatização, todos os contratos são zerados, mesmo ainda em vigor. Na área de pessoal, os trabalhadores contratados pela então estatal elétrica passarão para uma empresa terceirizada.

O TJ e os russos

O caso do desembargador 1ao-Alcides Gusmão que renunciou cargo às vésperas de tomar

posse na Presidência do Tribunal de Justiça do Estado ainda vai render muitas conversas e negociações entre os senhores da toga. A renúncia, até agora não devidamente explicada, antecipou a posse do desembargador Tutmés Airan, mas não encerrou o caso.

- É que na reunião do Pleno 2desembargador em que se discutiu a questão, o Washington Luiz

sugeriu que Alcides Gusmão deveria, por direito, suceder a Tutmés Airan no final de seu mandato. Nenhum dos desembargadores presentes questionou a sugestão, deixando a polêmica no ar.

- O problema é que o desem3o próximo bargador Kléver Loureiro, da lista de sucessão

natural, não estava presente à reunião e nem foi consultado. Pelo regimento do TJ, quem renunciar ao cargo de presidente perde a vaga e vai para o fim da fila. Foi assim com o desembargador Pedro Mendonça, que renunciou à sua vez, antecipando a posse do desembargador Otávio Praxedes.

- Na reunião que tratou do caso 4bargador ninguém perguntou ao desemWashington Luiz se ele havia combinado com Kléver Loureiro, dono da bola da vez.

- Faz lembrar o caso em que o 5instruções jogador Garrincha ao ouvir as do técnico Feola sobre

a estratégia para enfrentar a antiga União Soviética na Copa de 1958, perguntou: “O senhor já combinou com os russos?”.

O plano B de Guedes

O ministro Paulo Guedes, que não esconde o que pensa, deixou deputados e senadores de orelha em pé. Sem meias palavras, advertiu que se não aprovar a reforma da Previdência irá propor a desvinculação total das despesas previstas na Constituição e passar para o Congresso a missão de gerir o Orçamento da União. Com isso, deputados e senadores decidirão como e onde cortar des-pesas que eles próprios criaram a partir de 1983, para adequar o Orçamento ao Teto de Gastos Públicos pelos próximos 20 anos. Isto significa reduzir verbas para Educação, Saúde, Segurança e outras áreas sensíveis. Em outras palavras, toma que o filho é teu.

Pastoril nacional

Subjugado pelo crime organizado e afundando na sua maior crise política e econômica, o Brasil levou as cores para o centro do debate nacional. Tudo porque a ministra Damares disse que “agora, menino veste azul e menina, rosa”. Em outra trincheira, o presidente Jair Bolsonaro briga para trocar por azuis as cadeiras vermelhas da Câmara dos Deputados.

Repasse federal

O governo federal transferiu R$ 9,2 bilhões para Alagoas durante o exercício de 2018. Os recursos foram investidos sobretudo em obras de infraestrutura de vários municípios.


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JORGE OLIVEIRA arapiraca@yahoo.com Siga-me: @jorgearapiraca

Bajuladores

O general não vê isso com bons olhos pela nossa relação comercial com os países árabes e a ameaça terrorista pelo mundo que pode afetar o Brasil, um país que não vive em conflito com a banda de lá. Se a mudança era para bajular o Trump - que usou isso como plataforma de sua campanha nos EUA -, seus áulicos por aqui vão esperar um pouco mais. Esse alinhamento cego do Brasil com os Estados Unidos é feito de forma atabalhoada, precipitada – e até ingênua. Daqui a dois anos, Trump vai tentar a reeleição. Se perder, como ficam nossas relações diplomáticas e comerciais com o novo governo, certamente mais sereno, sensato e equilibrado do que isso que está aí?

Oco

Esse governo oco, sem ideias e propostas para governar, chegou ao poder por acaso, no rastro da corrupção petista que contaminou o país. Entulhou os ministérios de gente inexperiente sob o prisma – e com razão – de que só pessoas honestas poderiam ocupar os espaços. Mas não se preocupou em fazer uma varredura na vida pregressa da equipe e olhar para o próprio umbigo. Aliás, isso não foi feito nem na própria família, que adotou o Queiroz como PC Farias de Flávio, filho do presidente, que trincou a retidão dos Bolsonaro. Com o telhado de vidro estilhaçado, pedaços caíram na cabeça de alguns nomeados. Guedes responde a três processos no Ministério Público por crimes financeiros, Onyx está envolvido na Lava Jato que apurou doações ilegais da JBS de R$ 200 mil em suas contas e o presidente tem ido à televisão para desmentir que Queiroz é seu laranja.

A casa de Noca

Barra de S. Miguel, AL - O governo do Bolsonaro entrou numa camisa de força porque a sua equipe ainda não desceu do palanque. Os meninos do presidente continuam entretidos com os brinquedinhos da internet e o pai ocupa seu tempo respondendo aos internautas. Enquanto isso, no mundo real, o que se vê é um governo tonto, vazio, batendo cabeça e tentando se defender de uma infinidade de acusações contra alguns de seus integrantes tão despreparados quanto o próprio chefe. Por exemplo: Onyx Lorenzoni acha que é normal desviar R$ 100 mil em passagens aéreas da Câmara dos Deputados para participar da então campanha do chefe. E o pior: Rodrigo Maia, no afã de chegar à reeleição a qualquer custo e não desagradar o amigo, fecha os olhos para a ilegalidade como se o dinheiro torrado não tivesse saído dos cofres públicos. A confusão generalizada tem cheiro de pânico tanto no plano interno como no externo. O diplomata Ernesto Araújo, o novo chanceler, vai atuar como homem de Neandertal, aquele das cavernas. Nega inclusive a globalização na sua visão curta e cega de ódio ideológico. Viramos uma nação de macacos de auditório do Trump até nas mínimas imitações como a de se comunicar sobre os afazeres do governo por twitter. O brasileiro não esquece o mal que os Estados Unidos fizeram ao país patrocinando a ditadura militar e mantendo agentes da CIA aqui nas décadas

Honestidade?

Vê-se, então, que a vestal da honestidade está dissolvendo como bolha de sabão. Para piorar, não existe proposta para a economia, além das ideias de Guedes de entregar o país com a venda indiscriminada de empresas estatais, as mais rentáveis que atraem os olhos do capital estrangeiro, principalmente dos norte-americanos. Uma delas é a Petrobras, uma das maiores do mundo na área de petróleo. O pretexto é que a empresa foi fonte de corrupção da petezada. Com esse argumento, Guedes pretende negociar a estatal. Aliás, pesquisa recente do Datafolha mostra que mais de 60% dos brasileiros são contra essa desestatização inoportuna, desenfreada e sem critérios.

Governos

Essa barafunda é fruto dos vários governos paralelos que se formaram em torno de Bolsonaro na Esplanada dos Ministérios: o governo do Guedes, o dos generais, o dos filhos, o do Moro e o do Onyx. E como no reino encantado da Inglaterra, Bolsonaro está como a rainha Elizabeth: “Reina, mas não governa”.

de 1960/70 para ensinar tortura tão ao gosto de alguns militares, inclusive do capitão admirador desse método medieval. A equipe de transição teve quase três meses para preparar um plano de governo mas o que se viu foi uma mixórdia, que reuniu um bando de trapalhões, confusos e alheios sobre os problemas do país. Paulo (Posto Ipiranga) Guedes apresenta-se como o sabe-tudo com soluções para todos os males. Diagnostica as doenças da economia que todos os brasileiros conhecem, mas não receita nenhum tipo de remédio eficaz para combater os sintomas. Bateu na mesma tecla dos outros governos: a solução para tudo está na Reforma da Previdência, raciocínio preguiçoso para quem não tem nem rascunho de proposta. Na outra ponta, o seu chefe, o capitão, sem nada na cabeça, fala ao vento. Disse duas ou três bobagens sobre a economia, imediatamente desmentido por seus auxiliares, caso inédito na república. Onyx apressou-se em dizer à imprensa que o presidente se “equivocou” ao falar sobre aumento de impostos. Que mico! Será que isso não foi discutido com a equipe de transição? Como se não bastasse, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, seu homem de confiança na secretaria de Governo do Planalto, procurou os jornalistas para dizer que “nada” ainda é certo quanto à mudança da embaixada do Brasil para Jerusalém.

E o Queiroz?

Nem bem acabou a ressaca da posse e a família Bolsonaro volta a ser questionada sobre a conduta de Queiroz, o assessor de Flávio, filho do presidente. Mas dessa vez quem arrastou o capitão para se explicar em público foi nada menos do que o general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, que, numa entrevista à GloboNews foi categórico: “O Queiroz precisa dar explicações mais consistentes sobre as movimentações financeiras dele”. Pronto, surgiu o primeiro ruído de crise no governo provocada pela sinceridade contundente do auxiliar direto do presidente.

Suavizar

Acossado, na quinta-feira, 3, o capitão procurou a TV do Sílvio Santos, porta-voz do governo, para suavizar as declarações do seu general. Mas não conseguiu explicar os arranjos financeiros nebulosos do assessor que comprometem a sua família. Mais uma vez tentou, diga-se, a bem da verdade, mas não convenceu o seu general da lisura dos negócios do Queiroz, uma espécie de PC Farias na vida dos Bolsonaro.

Dinheiro

Fabrício Queiroz trabalhava com Flávio na Assembleia Legislativa do Rio. Durante muito tempo ele administrou os salários dos empregados do gabinete do deputado sacando dinheiro na boca do caixa até o montante de R$ 1.200.000,00, como apurou o Coaf. Descoberto, negou-se a prestar depoimento ao Ministério Público, mas não se furtou em ir à TV do Sílvio Santos para dar uma entrevista, onde, entre outras coisas, falou que sabia “fazer dinheiro”, desde, claro, que a máquina para imprimir as cédulas fosse pública.

Entrevista

Ao se recusar a depor, Queiroz não só desrespeitou a justiça como os brasileiros que precisam conhecer melhor os seus negócios com o filho do presidente. Na entrevista ao SBT, o assessor mostrouse nervoso ao ensaiar o próprio enredo que criou para tentar se safar das acusações. Agora, a justiça tem a obrigação de intimá-lo para esclarecer como tanto dinheiro dos empregados do gabinete de Flávio foi parar nas suas contas.

Comprovante

Os eleitores do Bolsonaro certamente acreditam que o próprio presidente teria interesse em que o Queiroz se apresentasse ao MP. Acham, inclusive, que isso iria elucidar também o mistério dos R$ 24.000,00 que caíram na conta da mulher do presidente. Esse dinheiro teria saído da conta corrente de Queiroz que se diz um ótimo vendedor de

carros, negócio que lhe rendeu uma boa fortuna em 2016 sem nenhum tipo de comprovante.


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Jogou a toalha

GABRIEL MOUSINHO M n gabrielmousinho@bol.com.br

esmo que não tenha sido sua iniciativa, mas plenamente do seu conhecimento, o deputado Olavo Calheiros viu que estava malhando em ferro frio. Jogou a toalha na eleição da Mesa Diretora da Assembleia e desistiu de disputar a presidência, que fatalmente será ocupada pelo deputado Marcelo Victor que tem apoio da maioria do parlamento. O que mais atrapalhou Olavo nessa reta final foi a decisão do governador em perseguir e demitir alia-

Apostando Pedra no caminho

A decisão do ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal, de estabelecer votação aberta para a eleição da presidência do Senado foi um golpe que o senador Renan Calheiros não esperava. Contando com votos cujos senadores não gostariam de aparecer, Calheiros pode ter prejuízos eleitorais. Trabalhando para que a votação fosse secreta, a exemplo de outras oportunidades, Renan não contava com a posição do STF que obriga votação aberta.

Enfrentamento

Pelas últimas movimentações em Brasília, o grupo de Renan Calheiros estaria disposto a enfrentar o Supremo Tribunal Federal e realizar as eleições para a Mesa Diretora com o voto secreto. Isso seria um teste para a democracia neste país, considera o próprio ministro Marco Aurélio, que concedeu a liminar indicando voto aberto para a sessão que escolherá o novo presidente do Congresso Nacional.

Segunda vez

Se isso ocorrer, será a segunda vez que o Senado Federal desobedece a uma ordem judicial. A primeira foi com o próprio senador Renan Calheiros quando presidia o Senado. Ele ganhou a parada.

Chances

Embora já existam vários candidatos, a cada dia cresce a possibilidade do deputado Rodrigo Maia continuar presidente a Câmara dos Deputados, ganhando mais apoios. A candidatura de JHC parece perder força a esta altura do campeonato. Ele deve, agora, se não der certo, negociar para continuar na Mesa Diretora da Casa.

A mudança no secretariado do governo é uma aposta que o governador Renan Filho está fazendo, no sentido de dar nova forma para a administração que se inicia. Preocupado com as finanças e os apertos que virão por aí, o governador arrisca uma fórmula mais dura de enfrentar as dificuldades.

Corte

O corte em cargos comissionados, mesmo que atinja aliados, será uma das soluções encontrada por Renan, que sabe das dificuldades que irá enfrentar a partir de agora e a tentativa de manter o pagamento em dia do funcionalismo.

Vai com tudo

Mesmo que aliados do Palácio descartem qualquer relação da reforma administrativa com a eleição da Mesa Diretora da Assembleia, é muito estranha a demissão de secretários 72 horas depois que foram reempossados nos cargos.

Prejuízo

Quem perdeu mais nesse imbróglio foi Mellina Freitas, que responde a processo crime por suposto desvio de recursos quando foi prefeita de Piranhas. Agora, sem foro privilegiado, Mellina volta a responder às ações penais em primeira instância.

dos, como se esta posição alterasse a disposição dos deputados em eleger Marcelo Victor presidente da Assembleia Legislativa. Ao jogar a toalha, a vitória de Marcelo Victor está consolidada, aguardando apenas o dia da eleição. Nesse episódio fica claro que a imposição não é amiga da perfeição e que o diálogo e as composições são fatores inerentes para se conseguir bons resultados. O governador Renan Filho perde, no início do ano, sua primeira batalha com a Assembleia Legislativa.

Aperto no município

Enquanto o governador Renan Filho adota medidas para cortar gastos e manter a máquina funcionando, o prefeito Rui Palmeira também aperta o cinto. Começou no final do ano passado abortando o Festival de Verão, que em outras épocas trazia atrações de nomes consagrados na música brasileira.

Pequenas mudanças

Pelas informações de bastidores, o prefeito Rui Palmeira irá fazer apenas modificações pontuais em algumas secretarias, mas deverá manter os principais auxiliares. Os cortes de cargos comissionados já não parecem ser uma solução para a crise financeira que se avizinha.

Muito barulho

Mesmo tendo sua liminar derrubada em poucas horas no final do ano passado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, o ministro Marco Aurélio criou um tumulto sem tamanho, e que poderia ter beneficiado pelo menos 170 mil criminosos pelo país afora. A decisão do ministro causou um mal-estar sem precedentes no Brasil.

Alívio

O comércio de Maceió respirou aliviado com as vendas de final de ano. Os resultados, dizem diretores lojistas, foi bem razoável e melhor mesmo do que se esperava. Agora os comerciantes farão uma queima de estoques com preços accessíveis para continuar

oxigenando o mercado.

Tradição no Iate

Mais uma vez o Iate Clube Pajussara sai na frente e anuncia para o dia 9 de fevereiro a sua famosa prévia carnavalesca Verde & Branco. O comodoro Moacir Albuquerque informa que o frevo estará a cargo da orquestra Expresso Latino e o Samba Necvinic completará a noitada de animação no Iate. Para a festa imperdível, as mesas já estão à venda para sócios e convidados pelos telefones 3231-8877 e 32313842.

Área de risco

A mudança na direção do Departamento de Trânsito é uma ação de risco do governo de Renan Filho. Até agora sem interferências políticas, daí o êxito da administração de Cacá Gouveia que foi referência para todo Brasil, se espera que o projeto continue, para evitar que o órgão não volte a ser o que era antes.

Tavares em alta

O nome do ex-procurador-geral de Justiça, ex-prefeito de Traipu e ex-secretário da Defesa Social Eduardo Tavares tem sido bastante sondado para a Prefeitura de Maceió. Gestor dos mais eficientes, ele se notabilizou pelo combate sem trégua à corrução em Alagoas. Sem partido desde que desistiu de disputar uma vaga de deputado federal, alguns partidos estão de olho para uma candidatura majoritária de Tavares, que tem se movimentado no mundo político com inteligência e grande jogo de cintura.


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Governador Renan Filho move as peças do xadrez de olho na cadeira do Senado a ser disputada em 2022

Desistência de Olavo abre caminho para eleição certeira de Marcelo Victor como presidente da Assembleia

QUEBRA DE BRAÇO

Eleições na Assembleia testam futuro político de Renan Filho Olavo Calheiros desiste mas consenso entre governo e ALE parece distante ODILON RIOS Especial para o EXTRA

A

s mudanças nos últimos dias para as eleições da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa (ALE) não são definitivas, mesmo com a desistência de Olavo Calheiros (MDB) e a permanência de Marcelo Victor (SDD) no páreo. Tudo pode acontecer até 1º de fevereiro, quando os deputados vão para a urna de madeira na Casa, em voto secreto, para escolher, primeiro, o novo

presidente; segundo, a chapa com os demais integrantes da Mesa. A certeza deste momento é que estas eleições estão casadas com as de 2022. O governador Renan Filho (MDB) é candidato ao Senado. São duas situações: sabe que seu rival é Fernando Collor, que buscará a reeleição. Renan Filho precisará renunciar ao mandato seis meses antes do pleito. Em seu lugar assume o vice, Luciano Barbosa (MDB). O segundo nome na linha de sucessão ao governo estará sentado na presidência da Assembleia. E tem muitos poderes. É na Assembleia que funciona a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que legaliza (ou engaveta) todos os projetos do governo com passagem pelo Legislativo. É a Assembleia que decide se o governador continua no car-

go ou sofre impeachment. Uma maioria governista ou um grupo de deputados na oposição pode ser o sonho ou o pesadelo de um chefe de Executivo. Todo este eixo pode ser alterado pelo perfil do presidente da Assembleia. Se for governista, tende a ser um aliado; oposicionista, nem o céu é o limite. O caso mais emblemático na história recente de Alagoas- e bastante lembrado nos últimos dias - foi o do Governo Ronaldo Lessa, que contava com uma feroz oposição do grupo dos 14 na Assembleia. Mas, o passado parece ser neste caso uma roupa que não serve mais parodiando o poeta- ao menos é a análise de quem está no grupo de Marcelo Victor e no staff do governador.

ENDURECEU

Renan Filho determinou a exoneração de comissionados no governo indicados por deputados que sustentam a candidatura de Marcelo Victor.


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UMA FOTO E MUITAS MÁGOAS Apesar de Olavo Calheiros ter desistido da disputa pelo comando da Assembleia, não é certo que o governador promova um armistício com Marcelo Victor, que se mantém candidato à presidência da Assembleia em um grupo com 20 ou 22 parlamentares. Victor precisa de, no mínimo, 14 votos para ser o novo presidente da Casa. Tecnicamente, estaria eleito. A Assembleia tem 27 deputados. Porém, as eleições serão no dia 1º de fevereiro. Como nada é certo para o futuro após a desistência de Olavo Calheiros- a rixa entre governo e deputados aflorou mágoas do passado, desabafos à boca miúda, muitos encontros para mostrar o tamanho do grupo de Marcelo Victor e uma surpreendente proposta de conciliação bem no início das costuras para as eleições na Assembleia. Apoiadores de Marcelo Victor acreditavam que o governo ofereceria um nome de consenso na disputa pela Assembleia. Seria o de Ricardo Nezinho (MDB), derrotado nas eleições à Prefeitura de Arapiraca após ter sido ridicularizado por

Olavo Calheiros não conseguiu agregar apoios em torno de seu nome seu projeto Escola Sem Partido. “Poderia ser o nome dele, mesmo que o governo retirasse, entendeu?”, disse um dos integrantes do grupo de Victor. Mas o grupo não esperava o tensionamento das relações. E o governo também não esperava a publicação de uma foto com 19 deputados declarando apoio a Marcelo Victor. Foi, então, que o jogo endureceu. Renan Filho determinou a exoneração de comissionados no governo indicados por deputados que sustentam a candidatura de Marcelo Victor.

Atingiu até a secretária de Cultura, Mellina Freitas, filha do desembargador Washington Luiz Damasceno Freitas (em fase de reconstrução do poder no Tribunal de Justiça, após ter sido afastado do cargo pelo Conselho Nacional de Justiça). Ela é sobrinha do deputado Inácio Loiola, que declarou seu voto a Victor. E Mellina atuou bastante na reeleição do governador. Tudo isso porque o governo considerou “desnecessária” e “uma afronta” a foto. Antes da imagem, havia uma possibilidade de consenso. Agora, esta condição ficou bem distante. “Mas nada é impossível quando se fala em política”, disse um parlamentar. AZEDOU As demissões azedaram de vez as relações entre governo e Assembleia. O Executivo imaginava um enfraquecimento do grupo de Marcelo Victor, o que não se confirmou; os deputados mantiveram a posição de apoio. “Era assustador você imaginar Calheiros no Senado, Calheiros no governo e Calheiros comandando a Assembleia”, explicou um deputado. Para ele, mesmo sendo um calheirista convicto, a família do senador Renan Calheiros agregaria

força demais, apostando que Renan-pai se elege presidente do Senado em fevereiro. O silêncio do governo após as demissões dos indicados por deputados “marcelistas” e a permanência do grupo no entorno de Victor levou à crença que o jogo dos dois lados não resolveu a situação. “Não vejo problemas com o Olavo. Mas, a quantidade de reuniões realizadas pelo Marcelo Victor é impressionante. Não é isso o que se assiste no lado do governador. O Olavo poderia ser consenso, mas o governo preferiu partir logo para o ataque, retirando o cargos”, analisa um deputado. “Ninguém fala que depois destas eleições vai ser criado um grupo de oposição. Mas, sim, que não existiu diálogo”, explica. O governo também acredita nisso. Uma fonte diz que Renan Filho quer, neste segundo mandato, uma administração mais técnica, com menos pressão da Assembleia. Portanto, mesmo com a renúncia de Olavo e provável vitória de Marcelo Victor, a base será reconstruída. Os próximos passos prometem ser vibrantes.


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MORTE NA CASA DE CÂMBIO

Advogado acusado de matar sócio diz ser vítima de armação

Sinval José Alves denuncia autoridades

Sinval José Alves acusa juízes e delegados de forjarem provas JOSÉ FERNANDO MARTINS josefernandomartins@gmail.com

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ítima de um complô encabeçado por integrantes do Judiciário alagoano e alvo de um inquérito forjado por membros da Polícia Civil. Essas são algumas das alegações do advogado Sinval José Alves, que teria encomendado a execução do sócio, o também advogado José Fernando Cabral de Lima. A trama ainda envolveria uma frustrada venda de sentença resultando em vingança. Hoje, Sinval Alves encontra-se detido no Presídio Baldomero Cavalcante, em Maceió, onde afirma estar passando por crises de depressão devido às acusações que, segundo ele, são infundadas. O advogado José Fernando Cabral foi executado a tiros no dia 3 de abril do ano passado dentro de uma casa de câmbio situada na Galeria Ivone Mendes, na Avenida Sandoval Arroxelas, na Ponta Verde, em Maceió. Dois homens invadiram o estabelecimento exigindo dinheiro antes de efetuar os disparos. Após o crime, a dupla fugiu em uma motocicleta. O acusado estava presente ao lado do sócio durante a execução do crime. No dia 11 do mesmo mês Sinval José Alves foi preso como autor intelectual do homicídio. O motivo da execução seria uma dívida no valor de R$ 600 mil, situação negada pelo réu. Irlan Almeida e Denisvaldo Bezerra teriam sido contratados para cometer o assassinato. Porém, Sinval José contesta tudo o que foi apurado e investigado pelas autoridades. Conforme declarações

do advogado, dois magistrados de Alagoas estão interferindo na regular tramitação do processo; seriam eles: o juiz do Tribunal de Justiça (TJ-AL) Geraldo Amorim e Raimundo Campos, da Justiça Federal (JF-AL). Amorim era amigo da vítima, já Campos é irmão da viúva, a médica Lenilde Campos Cabral. “Ambos estão dando uma grande pressão para minha condenação. São fatos e atos que violam os direitos humanos e garantias constitucionais em minha causa”, contou ao EXTRA. As interceptações teriam ocorrido desde o início das investigações. “Interferiram no exame de corpo de delito pois entraram no local do evento com o pessoal da perícia técnica e, na noite do evento constrangeram médicos do Instituto Médico Legal”. E continuou: “Interferiram e agiram nos bastidores do inquérito policial recomendando aos delegados plantarem provas. Tentaram também me coagir em vídeo, por exemplo, no episódio no dia anterior à minha prisão ocorrida no dia 11 de abril por volta de 9h30 da manhã, ocasião em que estavam comigo os advogados Flávio Saraiva Victor Mansur e João Leite”. O inquérito, que segundo ele teria sido forjado, foi conduzido pelos delegados Simone Marques e Eduardo Mero. “Realizaram ligações telefônicas com meus aparelhos celulares apreendidos e entregues voluntariamente com senha, o que consiste em produção de prova irregular, má-fé das autoridades e tentativa de construção de provas falsas. Com esse artifício, fizeram contato com diversas pessoas pas-

sando-se por mim e cometendo falsidade ideológica. Fizeram ainda contato com um dos réus, o Irlan Almeida, conhecido como Baiano, passando-se por mim, o que caracteriza fraude processual grave. Devemos adotar medidas judiciais cabíveis contra isso”. Toda conduta dos delegados, para o advogado, foi endossada pelos magistrados. “Um delegado encontrou-se com Irlan, em Salvador, um dia antes da audiência marcada na delegacia daquela cidade e tentou combinar depoimento que fosse desfavorável a mim”, disse. As denúncias já chegaram ao Ministério Público de Alagoas (MP-AL). O promotor de Justiça que ofertou a denúncia, Napoleão Amaral, desacreditou nas informações passadas pelo réu. “Há provas suficientes que levam ao advogado como mandante do assassinato. Ele está apenas querendo tumultuar e jogar dúvidas no processo”, afirmou ao EXTRA. Quanto aos delegados, o juiz John Silas da Silva, titular da 8ª Vara Criminal de Maceió, em novembro do ano passado indeferiu o pedido manejado pela defesa do réu de oitiva dos integrantes da Polícia Civil, presidentes do inquérito, “haja vista que não há justificativa plausível para a oitiva das autoridades”. Já os magistrados citados pelo acusado anunciaram que só de pronunciarão sobre o caso se as denúncias forem parar na Corregedoria de Justiça de cada tribunal competente. A assessoria da Polícia Civil informou que os delegados citados só irão comentar as denúncias quando acionados oficialmente.

RÉU TAMBÉM ACUSA OAB

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té a Ordem dos Advogados do Brasil, em Alagoas está no rol de acusações. “Os dois magistrados também atuaram junto à direção da OAB e do Tribunal de Ética e Disciplina (TED). Fizeram um lobby de modo que a própria entidade atuasse contra mim, o que resultou na suspensão temporária da minha carteira da OAB e a minha retirada da sala de estado maior”. E ainda relatou: “Na ocasião do julgamento do processo disciplinar, que deve tramitar em sigilo, representantes da OAB, quebrando as regras do processo, foram à TV e fizeram uma reportagem sensacionalista me expondo moralmente”. Em nota, a OAB declarou que repudia as declarações do advogado acusado de assassinato: “A Ordem possui ordenamento para os processos éticos e a suspensão cautelar de advogado é prevista, onde a composição plena do Tribunal de Ética, em sessão especial, deliberou por aplicar a suspensão, portanto tendo sido uma decisão colegiada, sem qualquer ingerência pessoal de seus integrantes, mas unicamente uma posição da maioria dos 40 Juízes que compõem as oito turmas julgadoras”. “A infeliz e inaceitável acusação feita acerca de qualquer interferência externa no processo disciplinar que é sigiloso, só demonstra que o advogado tenta fustigar o procedimento de forma a criar um factoide para encobrir a seriedade das decisões tomadas e assim fazer com que a gravidade dos fatos que envolvem a sua pessoa sejam minimizados”, informou. “Diante do que se mostra do conteúdo das declarações do advogado, resta claro que a intenção é ludibriar a imagem da Ordem, refletindo apenas seu inconformismo diante das decisões dadas em seu desfavor, as quais devem ser combatidas, caso assim entenda, pelas vias recursais próprias, e não com essa forma pouco recomendável de ataques públicos. A OAB-AL adotará as providências previstas para novo processamento em desfavor do mencionado advogado face às graves violações ao Estatuto da Ordem advindas das declarações dadas”, finaliza a nota.


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MORTE NA CASA DE CÂMBIO

Dívida teria sido inventada após tentativa de extorsão Réu diz que ex-colega inventou a história do débito de R$ 600 mil por vingança JOSÉ FERNANDO MARTINS josefernandomartins@gmail.com

Advogado José Fernando Cabral foi morto em simulação de latrocínio

P

arte das acusações de Sinval José Alves também recai sobre no advogado Wolfran Cerqueira Mendes, ex-parceiro de trabalho e amigo da vítima: “Desde o início do ano de 2017, Wolfran vinha manifestando sua constante insatisfação tanto em relação ao fato de ter que dividir espaço com colegas e demais funcionários, bem como por entender que sua remuneração estava abaixo dos méritos que ele acreditava possuir, acreditando estar desprestigiado devido aos altos valores envolvidos em algumas ações”. Uma dessas ações envolveria uma usina de cana-de-açúcar de Alagoas. “Wolfran Cerqueira Mendes manifestava especial interesse no processo movido pela empresa Renk Zanini contra a nossa cliente Usina Coruripe, através do qual a primeira cobrava indenização da segunda em face de operações comerciais realizadas entre ambas. Perto de setembro de 2017, um juiz da primeira instância, proferindo despacho desfavorável para a Coruripe, determinou bloqueio de certa quantia de bens, que garantissem valor da pretensão da parte contrária”, contou. “Diante disso interpusemos normalmente agravo de instrumento perante o Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL) visando reverter aquela decisão. Processo foi distribuído e teve como relator o desembargador Alcides Gusmão. Mais uma vez, Wolfran fez contato com o colega doutor Fernando, o qual por sua vez, teve contato comigo, a fim de nos reunirmos. Essa reunião aconteceu no início de setembro, no mesmo local, ou seja a sala de reuniões da casa de câmbio. Esse ex-colega propôs que eu levasse para a diretoria da cliente

proposta segundo o qual, a quantia de R$ 600.000 a partir de um suposto representante dele, para obter decisão favorável, uma vez que, sem essa medida era impossível”, relatou o acusado. “Nessa reunião propôs também que eu, Fernando e ele tivéssemos alguma vantagem acrescentando aos R$ 600.000 mais R$ 900.000 para encaminhamento da proposta junto a cliente, de modo que esses R$ 900.000, após recebidos fossem distribuídos igualmente entre ele, Fernando e eu, à base de R$ 300. 000 para cada um. Mas, recusamos essa opção. Esse advogado ficou extremamente irritado. A situação ficou mais difícil quando perto do dia 19 de setembro o relator do agravo concedeu liminar em favor da minha cliente. A liminar simplesmente foi concedida porque a tese era sustentável e harmonizava-se com a jurisprudência do Tribunal de Alagoas e de outros tribunais. Jamais foram apresentadas quaisquer propostas de compra de decisão, advogado, nem mesmo houve tentativa de extorquir indevido valor do cliente. A decisão judicial foi

proferida em condições absolutamente normais, dentro das regras legítimas do processo. Todavia o advogado Wolfran Cerqueira Mendes manifestou-se extremamente irritado pelo fato de não ter logrado êxito em sua tentativa de extorsão”, disse. “Acredito seja dessa operação frustrada que o mesmo construiu a inverossímil e falsa versão de eu fosse devedor da quantia de R$ 600.000. Posto que frustrei que ele se apropriasse de tal quantia”, finalizou. OUTRO LADO Ao EXTRA, o advogado Wolfran Cerqueira negou todas as informações passadas pelo acusado. “Para mim, o acusado, por intermédio de seus defensores, deveria buscar se ater aos autos ao invés de criar factoides na mídia. Como operador de Direito, vejo como preocupante a tentativa de desqualificar pessoas, instituições privadas e públicas, bem como poder constituídos, sob o pálio da ampla defesa e contraditório. A verdade é única!!! Perdi um amigo e irmão e é só o que tenho a declarar”.

Como operador de Direito, vejo como preocupante a tentativa de desqualificar pessoas, instituições privadas e públicas, bem como poder constituídos, sob o pálio da ampla defesa e contraditório”. WOLFRAN CERQUEIRA MENDES Advogado

FACÇÃO TERIA SE NEGADO A EXECUTAR CRIME Sinval José Alves teria tentado contratar membros de facção criminosa para a execução do sócio José Fernando Cabral. Inicialmente, o advogado seria morto em uma fazenda, mas o fato de os assassinos terem que ir ao local de carro contribuiu para a criação de uma nova estratégia: a execução, disfarçada de assalto, seria na casa de câmbio do bairro da Ponta Verde. As informações são de Irlan Almeida, um dos acusados de cumprir os planos de Sinval: executar o amigo advogado. O motivo seria que o mandante teria desaparecido com R$ 600 mil referentes aos honorários de uma ação da Usina Coruripe, uma dívida que se negava a pagar. A declaração de Irlan Almeida ocorreu na terça-feira, 30 de outubro, durante audiência de instrução presidida pelo juiz John Silas, no Fórum do Barro Duro, em Maceió. Almeida negou ser um dos executores do advogado, mas confirmou saber de todo o plano operacional. “O advogado tentou contratar dois faccionados que se recusaram a cometer o crime porque era contra as regras da facção”. Sendo assim, outros dois homens teriam sido contratados para o serviço. Durante depoimento, Irlan Almeida afirmou que ocultou essas informações da Polícia Civil por medo de citar nomes de faccionados e acabar morrendo no presídio. Porém, a história de Almeida não convenceu o juiz John Silas. Denisvaldo Bezerra da Silva, outro acusado pela execução de José Fernando Cabral, também negou ter participado do crime.


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ABUSO DE AUTORIDADE

o alvo foi errado, que houve abuso de poder e de autoridade, quando há desvio de conduta, os policiais respondem por isso. Inclusive o Estado pode e deve indenizar qualquer cidadão diante de situações deste tipo, de constrangimento ilegal. Mas para isso, tudo deve ser comprovado”, diz Moraes.

Idosa tem a casa invadida pela PM duas vezes em 1 mês

STF Em 2015, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu condicionar a invasão de residências pela polícia sem uma ordem judicial se houver “fundadas razões” que indiquem um crime em flagrante ou em execução dentro da casa. Por essa decisão, a invasão pode ocorrer inclusive à noite, mas os policiais deverão sempre justificar a ação posteriormente. De acordo com Moraes, uma denúncia anônima não sustenta este tipo de abordagem pois é necessário que haja indícios suficientes de que realmente esteja acontecendo a prática de atividades ilícitas dentro daquele domicílio.

Militares não apresentaram mandado de busca e apreensão em uma das ações SOFIA SEPRENY s.sepreny@gmail.com

“C

asa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial”, é o que diz a Constituição Federal brasileira. Em regra, a polícia só pode entrar em uma casa com uma ordem judicial, mas como em toda regra há exceções. O EXTRA recebeu a denúncia de duas situações em menos de um mês com uma mesma pessoa em Maceió. A casa da vítima, uma senhora de 77 anos, foi invadida por policiais militares pela primeira vez, sem mandado judicial algum, em busca de drogas. De acordo com policiais à época, a busca se deu depois de uma denúncia anônima. Sem mandado de busca e apreensão, policiais militares entraram na casa pela porta da frente durante a tarde, intimidando a filha da vítima. No local, documentos, roupas, objetos, entre outros materiais pessoais foram completamente revirados. De acordo com ela, como nada

encontraram, foram embora. Na segunda vez, cerca de 25 dias depois, no dia 6 de dezembro de 2018, policiais militares voltaram à mesma residência, dessa vez junto com a Polícia Civil, com cães farejadores e com um mandado de busca e apreensão expedido pela 15ª Vara Criminal da Capital. No mandado, a ordem era de buscar e apreender drogas, armas, veículos, documentos e outros objetos relacionado a prática de atividades ilícitas. Em denúncia feita ao Ministério Público Estadual, o filho da vítima relatou a truculência com que a família foi tratada. Os policiais chegaram ao amanhecer do dia, procurando por qualquer objeto que pudesse fazer jus ao mandado. A senhora, dona da casa, chegou a passar mal e teve que ser levada para emergência, segundo seu filho. “Foi o maior constrangimento, a rua toda cheia de policiais fortemente armados, como se a casa fosse de bandidos. A dona dela é minha mãe, que mora com minha irmã, meu irmão e meu sobrinho, estudante de Direito. Nem ele eles respeitaram”, contou o autor da denúncia. “Uma senhora de cadeira de rodas, deitada na cama, ter

POSIÇÃO DA PM

Fotos mostram casa revirada após ação policial policiais armados perguntando onde estaria a droga, isso é um absurdo, um abuso de autoridade”, finalizou. Pela segunda vez, nada foi encontrado e de acordo com a família, os PMs pediram desculpas pelo transtorno e perguntaram se teriam alguma inimizade na vizinhança, porque as buscas se deram depois de denúncias anônimas. Até o momento, segundo o filho da vítima, não há novidades sobre a denúncia junto ao MP. O presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/ AL, Ricardo Moraes, esclarece que, via de regra, os cumprimentos de mandados de busca ou prisão são executados ao amanhecer do dia e que policiais podem utilizar força

necessária proporcional. Com a autorização da justiça eles podem entrar nos lugares estabelecidos sem esperar uma contrapartida. “O mandado judicial é exatamente para isso, para legalizar aquela ação”, explica Moraes. “Eles podem utilizar da força, mas essa não pode ser excessiva, nem abusiva. Nesses casos, se for comprovado o abuso, os policiais respondem por isso”. Ainda segundo a comissão, existe todo um respaldo legal para o cidadão, para entrar em um domicílio, via de regra é necessário a apresentação de ordem judicial, além de ter que se cumprir um protocolo. “Em situações sem mandado, em uma ação ilegal, em que

A Polícia Militar esclareceu por meio de nota que a entrada em residência para interromper flagrante delito não demanda ordem judicial e pode ser feita durante o dia ou à noite, sem consentimento do morador. Ainda segundo a PM, o cumprimento de mandado judicial é feito apenas pelo dia e todas essas situações estão de acordo com os artigos 150 do Código Penal e 3º, alínea b da lei 4.898/65, por imposição da própria Constituição Federal (artigo 5º, XI). Independente de haver mandado de prisão, de busca e apreensão, ou ambos concomitantemente, os limites para o uso da força e da autoridade encontram-se na legalidade. “Para avaliá-los, no sentido de existir um possível abuso que seja contrário à legislação, nos casos que envolvam policiais militares, é necessário uma investigação sobre um caso concreto. Por fim, essa apuração é feita pela corregedoria-geral da Corporação, a quem a população em geral pode se dirigir e relatar os possíveis fatos”, diz a nota.


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CNJ EM AÇÃO

TJ terá de anular enquadramento de servidores Jurista denunciou mudança em lei estadual JOSÉ FERNANDO MARTINS josefernandomartins@gmail.com

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Judiciário de Alagoas foi acionado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) quanto à volta do antigo enquadramento, medida que autoriza servidores efetivos a terem acessos a outros cargos sem a necessidade de concurso público. O Tribunal de Justiça modificou por meio de resolução, no dia 15 de agosto de 2017, um dos parágrafos da Lei Estadual nº 7.889/2017, de 16 de junho, para conquistar essa brecha. A alteração chamou a atenção do jurista Diego de Melo Silva, que levou a questão ao CNJ. “O enquadramento dos servidores foi abolido desde a promulgação da Carta Magna de 1998. A Corte de Alagoas protagonizou a produção de um ato totalmente teratológico, que obteve a aprovação da maioria dos seus integrantes, fulminando a possibilidade de pessoas estranhas ao corpo de servidores ingressarem mediante a aprovação em concurso público, operando um verdadeiro privilégio para poucos”, considerou. No dia 7 deste mês, o CNJ publicou a decisão do plenário, que conforme o jurista, combate mais uma tentativa de a Corte alagoana emplacar “suas aberrações jurídicas e favorecimentos”. Isentou-se da votação o corregedor Nacional de Justiça, ministro alagoano Humberto Martins, que se declarou suspeito, já que o caso envolve colegas do estado. O CNJ, por unanimidade, julgou parcialmente procedente o

pedido do jurista, para: declarar a nulidade do enquadramento automático dos servidores ocupantes dos cargos de Analista Judiciário Especializado e Analista Judiciário (que ingressaram antes da vigência da Lei Estadual 7.323/2012), no cargo de Analista Judiciário, Área Judiciária, com a consequente determinação para que o TJ-AL tome as medidas necessárias ao devido reenquadramento desses servidores em cargos com atribuições, responsabilidades e requisitos de ingresso compatíveis. Pediu ainda para que o Judiciário alagoano declarasse a nulidade do art. 2° da Resolução TJ-AL 12/2017, determinando-se à Corte que adote as providências necessárias ao retorno dos servidores aos cargos decorrentes do enquadramento e determinou ao Tribunal que readequee as vagas ofertadas em concurso público, regido pelo Edital 01/2017, no caso de eventual impacto da adoção das medidas anteriores. Em resposta ao CNJ, o Tribunal de Justiça informou que os servidores ocupantes dos cargos de Analista Judiciário Especializado e Analista Judiciário foram automaticamente enquadrados como Analista Judiciário – Área Judiciária com o objetivo de prestigiar as áreas de apoio direto à atividade judicante e em razão da alteração promovida pela Lei 7.323/2012; apresentou a relação de servidores que fizeram a opção pela movimentação entre áreas e especialidades, bem como indicou o quantitativo de cargos previstos na Lei 7.889/2017.

EDITAL DE CITAÇÃO USUCAPIÃO - PESSOA(S) EM CUJO NOME ENCONTRA-SE REGISTRADO O IMÓVEL, RÉUS INCERTOS, EVENTUAIS INTERESSADOS, bem como seus respectivos CÔNJUGES, se CASADOS forem COM PRAZO DE 30 (TRINTA) DIAS O(a) Exmo(a) Dr(a). Pedro Ivens Simões de França, Juiz(a) de Direito da 2ª Vara Cível da Capital, na forma da Lei, etc. FAZ SABER a todos que o presente Edital virem ou dele tomarem conhecimento que tramita por este Juízo os autos de Usucapião n.º 0709955-87.2017.8.02.0001, requerida pelo(a) CRISTIANE LEITE MAGALHÃES, alagoana, solteira, advogada inscrita no OAB/AL 5391, portadora do RG sob o nº 1.345.255 SSP/AL e CPF 939.319.484-04, residente e domiciliada na Rua Durval Guimarães, 1896, apt. 304, Ponta Verde, Maceió, Alagoas, CEP 57035-060. Por intermédio do presente, ficam os réus, confrontante(s), bem como seu(s) cônjuge(s), se casada(o)(s) for(em), em caso de que se encontrem em lugar incerto e não sabido e eventuais interessados, fica(m) ciente(s) de que, neste Juízo de Direito, tramitam os autos do processo epigrafado, bem como CITADA(S) para responder(em) à ação, querendo, no lapso de tempo abaixo mencionado, contado do transcurso do prazo deste edital. IMÓVEL USUCAPIENDO: IMÓVEL URBANO situado na Rua Maria Vitória de França Chaves (antiga Rua do Rosário), 82, Poço, nesta Capital, Edificação de alvenaria, coberta com telha canal; Possui um pavimento; Uso comercial; Situada na Rua Maria Vitória de França Chaves, nº 82, no bairro do poço, na cidade de Maceió em Alagoas. Limitada à direita pela casa de número 94, à esquerda pela casa de número 80 e aos fundos pelo Residencial Villa Bella nº 148. Área do terreno: 230,55m2; Área construída:128,30m2; Medida frontal: 8,70m; Medida lateral direita: 26,50m; Medida lateral esquerda: 26,50m; Medida do fundo: 8,70m. A requerente mantém posse do referido imóvel de boa-fé, mansa, pacífica, contínua e ininterrupta, sem oposição de terceiros, há mais de 15 anos. PRAZO: O prazo para responder à ação, querendo, é de 15 (quinze) dias, contados da juntada do mandado no processo ADVERTÊNCIA: Não sendo contestada a ação no prazo marcado, presumir-se-ão aceitos como verdadeiros os fatos articulados pelo autor na petição inicial (art. 344 do CPC). E, para que chegue ao conhecimento de todos, partes e terceiros, foi expedido o presente edital, o qual será afixado no local de costume e publicado na forma da lei. Maceió, 12 de dezembro de 2018. Pedro Ivens Simões de França Juiz de Direito


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SOB SUSPEITA

Ex-presidente da Assomal vira réu por apropriação indébita Atual diretoria acusa major Wellington Fragoso de desviar R$ 460 mil da entidade BRUNO FERNANDES bruno-fs@outlook.com

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ex-presidente da Associação dos Oficiais Militares de Alagoas (Assomal), major Wellington Fragoso, foi indiciado pelo crime de apropriação Indébita após ter sido acusado de se apossar de aproximadamente R$ 460 mil durante sua gestão de três mandatos ininterruptos, de 24 de janeiro de 2009 a 24 de janeiro de 2017, à frente da entidade. A denúncia foi oficializada por meio de documentos referentes a contabilidade após uma auditoria realizada pela nova diretoria da Assomal. O titular da delegacia de Pilar, o delegado José Carlos André dos Santos, foi designado por uma comissão criada pela Delegacia Geral para investigar o caso devido a sua experiência na área contábil. Além de apropriação indébita, o major também foi acusado de utilização de documentos falsos. O inquérito policial, concluído no mês de dezembro de 2018, foi encaminhado à Justiça alagoana na sexta-feira da semana passada, 4. Entre as suspeitas de para onde o dinheiro possa ter ido está a quitação da taxa de Marinha, FGTS, Eletrobras, Prefeitura, causas trabalhistas e o pagamento de uma indenização por

danos morais a uma ex-funcionária que teria sido assediada por um exdiretor dentro da instituição. Segundo o delegado José Carlos André, responsável pela investigação e posterior indiciamento, embora os documentos apresentados pela atual diretoria, que tem à frente o coronel José Cláudio Nascimento, apresentem um deficit de R$ 460 mil, apenas em uma quantia de R$ 32 mil pôde ser comprovado o crime de apropriação indébita. “Eles entregaram todos os documentos realizados pela auditoria, e durante as investigações, foram constataram inconsistências que podem ter sidos causadas por supostos erros de digitação. Desse montante denunciado pela diretoria, pudemos constatar que R$ 32 mil não aparecem em prestações de contas, ou contas bancárias da associação, o que caracteriza o crime”, explicou o delegado. Ainda segundo o delegado, todos os envolvidos foram ouvidos e não conseguiram explicar para onde o dinheiro teria ido. Sobre a acusação de falsificação de documentos, José Carlos André informou que, embora os representantes da Assomal tenham apresentado provas, elas não foram suficientes para caracterizar o crime de falsificação. “Apesar de constatar o crime de apropriação indébita, não achamos provas suficientes para indiciá-lo pelo crime de falsificação de documentos. Enviamos tudo o que foi apurado à Justiça que acionará o Ministério Público Estadual para aprofundar a investigação e dizer se houve ou não todos os crimes citados”, declarou.

Major Fragoso teria desviado recursos da entidade que representa oficiais da PM O atual presidente da Assomal, coronel José Cláudio Nascimento, além de realizar a denúncia na Delegacia Geral, também entrou com uma representação no Ministério Público Estadual. O major responderá na 4ª Vara Criminal da Capital, conforme o processo nº 070021197.2019.8.02,0001, pelo crime de apropriação indébita majorada, previsto no Art. 168, §1º, III da Lei 2.848/40 CP. “Nossa entidade representa os oficiais militares da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, conhecedores da legislação vigente. A categoria merece uma representação digna e honrada e em casos negativos como este, que resultou no indiciamento do antigo gestor, deve ser cobrada a responsabilidade de quem de direito”, esclarece o coronel. Vale lembrar que, apesar de ter sido derrotado pela atual gestão na última tentativa de reeleição, em 2017, o major Fragoso é acusado pela atual diretoria de tentar a todo custo retornar à presidência da entidade. As tentativas são realizadas por meio de “via judicial, técnicas processuais protelatórias, abusivas e inoportunas e até mesmo por meios atentatórios ao estatuto da associação”, segundo nota encaminhada à imprensa pela assessoria de comunicação da Assomal.

OUTRO LADO

Em nota, o ex-presidente da Assomal, major Wellington Fragoso, se disse vítima de perseguição política por parte da atual diretoria da entidade. Ele classificou como inadmissível “o que essa turma da Assomal está querendo fazer”. “Quando eu virei presidente da entidade, ela estava com muitas dívidas de impostos não pagos pelas gestões anteriores, mas mesmo assim enfrentamos e pagamos mais de R$ 700 mil em diversos acordos com a União. Colocamos todo FGTS dos funcionários em dia, como também pagamos vários acordos trabalhistas. Em nenhum momento foi desviado um só centavo da entidade”, assegurou o major. Ainda segundo o ex-presidente, a dívida que a Eletrobras está cobrando da Assnmal não foi feita durante sua gestão e estaria em nome na Polícia Militar de Alagoas. Já as taxas de localização de Marinha, que estabelece que terra de Marinha é aquela que vai até 30 metros após a praia, estariam em negociação com a Procuradoria-Geral da União para que seja corrigido. “Esse espaço não chega a atingir nem a frente da Assomal. Não chega nem no asfalto”, afirmou o major na nota.


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AGRICULTURA DIVERSIFICADA

Terras de usinas arrendadas pela Prefeitura de Capela viraram riqueza para pequenos agricultores

Revolução dos pequenos desafia usinas de Alagoas Diversificação no campo altera modelo secular de produção; futuro também passa pela melancia, banana, eucalipto e soja ODILON RIOS Especial para o EXTRA

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crise do setor sucroalcooleiro está mudando a imagem dos canaviais. Aos poucos, o que os olhos testemunharam por séculos - incluindo a queima da palha da cana, terra arrasada pela destruição do meio ambiente e o semi-escravagismo herdado do Brasil colonial- vai sendo substituído por agricultores familiares e uma extraordinária produção de abacaxi, inhame, macaxeira, melancia, feijão, laranja, batata doce e outras culturas em áreas dominadas pelos canaviais. A colheita ainda é muito modesta se comparada à grandeza das lavouras da cana, mas as terras antes dominadas quase na sua totalidade pelo imenso deserto verde testemunham uma reação inédita na história de Alagoas, cujo objetivo converge a um modelo de policultura (o oposto da monocultura). Capela é um dos muitos exem-

plos. A Prefeitura arrendou 4 áreas das usinas Capricho e João de Deus, as duas fechadas. Entregou tarefas de terras a pequenos agricultores, muitos deles fornecedores de canade-açúcar endividados por atrasos nos pagamentos das usinas. Em parceria com a Emater, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), eles produzem macaxeira, inhame, feijão, milho e verduras. O PAA, do Estado, e o PNAE compram a produção, que também abastece a feira do município e ainda é transportada, com ajuda da Prefeitura, para a Ceasa, em Maceió. Desafio do município, diz o secretário de Agricultura, Luiz Antônio de Almeida Silva, o Tonho da Pimenta, é organizar o cultivo de culturas de ciclo mais longo, como macaxeira, inhame, folhas (alface, couve, pimentão, tomate) à beira do Rio Paraíba. Também foram distribuídos 30 mil alevinos. Um dos projetos é a construção de uma casa de farinha para aproveitar a produção

de mandioca; uma casa de bolo e uma fábrica de sacola ecológica, com os restos da macaxeira. “É um produto que se decompõe em menos tempo e preserva a natureza”, diz o secretário. Toda a produção hoje é feita sem uso de agrotóxicos e também beneficia trabalhadores rurais sem-terra que ocupam áreas ocio-

EM PILAR

700 famílias são atendidas pela Secretaria de Agricultura no programa “Plantando o Futuro”. Os moldes são semelhantes aos de Capela: as famílias recebem lotes com dois mil metros quadrados para plantar hortaliças e legumes. A produção vai para as escolas.

Matriz: cooperativa quer convencer empregados de usinas a virar empreendedores sas enquanto esperam que as terras sejam destinadas à reforma agrária. Gedalva dos Santos é uma das atendidas. “Antes eu bebia bastante e não tinha emprego. Hoje, eu tenho terra e produzo batata doce, feijão e macaxeira”. A produção é comprada pelo município. Ela planta em 2 tarefas de terra. Em Pilar, 700 famílias são atendidas pela Secretaria de Agricultura no programa “Plantando o Futuro”. Os moldes são semelhantes aos de Capela: as famílias recebem lotes com dois mil metros quadrados para plantar hortaliças e legumes. A produção vai para as escolas. O governo cedeu o trator, a grade aradora e os equipamentos. Outras cidades seguem caminhos semelhantes. Ano passado foram R$ 14,8 milhões investidos do Fundo de Erradicação e Combate à Pobreza (Fecoep) destinados à agricultura familiar. Em 3 anos e 5 meses foram entregues 223 tratores para este mesmo fim.


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AGRICULTURA DIVERSIFICADA

Relatório mostra evolução de novas culturas A

mudança radical nas áreas rurais de Alagoas não pode ser explicada sem passar pelo fechamento das usinas. Nos últimos anos foram as do grupo João Lyra – Guaxuma, em Coruripe; Laginha, em União dos Palmares; e Uruba, em Atalaia, esta reaberta como Coopervales; e a Usina João de Deus, em Capela; logo depois foi a paralisação das usinas Roçadinho, em São Miguel dos Campos; Cansanção Sinimbu, em Jequiá da Praia; Triunfo, em Boca da Mata; e a destilaria Porto Alegre, em Colônia Leopoldina. Mais recentemente, fecharam as usinas Cachoeira, em Maceió; Paisa, em Penedo; e, Capricho, em Cajueiro. Mesmo antes do fechamento destas usinas, parecia existir um ambiente preparado para o ocaso destas empresas. Em seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), na Universidade Federal de Alagoas (Ufal), para habilitação em Jornalismo, Wende Evangelho mostra que, em 18 anos, foram perdidos 160 mil hectares de área plantada da cana-de-açúcar. Na safra 1986/1987, a cana ocupou 680 mil hectares; no início dos anos 2000, foram 460 mil hectares. Em 2018/2019, é a previsão da safra, estão projetados 301 mil hectares, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A produção vinha caindo. Na safra 2010/2011, eram 29 milhões de toneladas de cana; em 2015/2016, 18 milhões. A Conab prevê nesta safra 13 milhões de toneladas. Alagoas tinha 30 usinas; hoje, são 17. Apenas quatro

moeram na safra 2017/2018. “Este é o panorama da principal atividade agrícola do estado: redução da área plantada, encolhimento da produção e desativação do parque fabril”, diz Evangelho. Todo este panorama obrigou quem dependia direta ou indiretamente das usinas a procurar novas formas de sobrevivência. O relatório “Diversificação Agrícola na zona Canavieira de Alagoas”, elaborado pelo governo do Estado, aponta que nas 52 cidades onde a canade-açúcar ainda é produzida “existe um fato novo e irreversível”: “uma oportunidade para o desenvolvimento da agricultura familiar e da produção de alimentos em Alagoas”. Esse fenômeno é identificado nos últimos 4 anos. E uma das principais explicações é a redução drástica da área de plantação da cana (- 22,5%) e na produção (- 19,2%). Essas áreas estão sendo substituídas por novas culturas.

CAMPO ALEGRE

é outra cidade a registrar um salto extraordinário na produção de mamão: mais de 12.000% num intervalo de 10 anos. Em Junqueiro essa variação foi de 41.800%, em uma década, na produção de soja.

Em Coruripe, por exemplo, a produção de milho cresceu 21.000%; a área disponível para o plantio esticou 3.000%. Isso apenas em 2015. Foi neste ano que a produção de milho saltou de 28 toneladas para quase 6 mil toneladas. Campo Alegre é outra cidade a registrar um salto extraordinário na produção de mamão: mais de 12.000% num intervalo de 10 anos. Em Junqueiro essa variação foi de 41. 800%, em uma década, na produção de soja. Estas iniciativas ainda são muito ligadas ao conhecimento empírico dos produtores. Diferente, por exemplo, da cana-de-açúcar em que existem pesquisas sobre novos tipos da planta, sofisticando a lavoura, no ambiente da agricultura familiar a realidade é outra. “O que percebemos durante a pesquisa é que o produtor ‘escolheu’ determinada produção baseado em seu conhecimento empírico e rede de relacionamento no mercado, buscando de fato num primeiro momento um caminho mais fácil para produção e comercialização”, afirma Eugênio Gomes, um dos responsáveis pela pesquisa no governo. A maioria transformou este momento, diz o pesquisador, numa espécie de laboratório. “Alguns por meio da experiência irão continuar a diversificação. Mas houve o movimento que ainda carece de estruturação”, analisa. Isso porque, na análise de Eugênio Gomes, faltam estudos de mercado que meçam as necessidades da região e de outros locais; não se sabe exatamente o potencial dessas áreas de cana; faltam projetos

Eugênio Gomes e Antônio Santiago destacam que diversificação ainda precisa de investimentos de investimento para geração de alto valor agregado junto à produção local aumentando a competitividade e a geração de riqueza; aos agricultores familiares, ainda é preciso ações que colaborem na organização e sustentabilidade desses grupos, por exemplo, em associações e cooperativas viabilizando programas de qualidade de produção e acesso a novos mercados. É como se ainda tudo estivesse no começo. Produzimos macaxeira, por exemplo. Mas não temos ideia quanto desta macaxeira vai para as mesas alagoanas ou de outros estados. “Percebemos esse processo de importação de produtos básicos que vem de Petrolina, em Pernambuco, e Juazeiro, na Bahia. Muita coisa, que Alagoas pode e deve produzir com tranquilidade, está sendo importada de lá”, reflete Eugênio. “Isso vem mudando desde 2015. Existe produção destas 52 cidades que colaboram muito com o consumo interno e já tem transformado a realidade. 2015 é o ano em que o processo sustentado de redução da área destinada à plantação da cana, bem como a sua produção, sofre brusca e firme redução. Assim, a diversificação é um fato irreversível. O produtor já compreende o melhor retorno e rentabilidade. O que precisa ser feito é um melhor planejamento da produção e na comercialização com o melhoramento da infraestrutura das feiras livres”, detalha. Antônio Dias Santiago, ex-secretário de Agricultura

do Governo Renan Filho, é considerado um dos melhores quadros em Alagoas quando o assunto é agricultura familiar. O pesquisador também foi um dos responsáveis pelo relatório “Diversificação Agrícola na zona Canavieira de Alagoas” e crê em um momento diferente no campo. Mas, para ele, ainda não é possível dizer que o ciclo da cana-de-açúcar está chegando ao fim. “Longe disso, a cadeia produtiva da cana-de-açúcar, apesar de toda a crise que vem enfrentando é muito sólida em Alagoas”, acredita. O açúcar é uma commoditie e o etanol é dependente da política de preços da Petrobras. Porém, segundo ele, existem fortes transformações que não podem ser desconsideradas. “A monocultura, independente da atividade principal sempre é muito arriscada. Essa é a razão pela qual defendemos a diversificação do setor ou melhor, da área cultivada em nosso estado. Alagoas é conhecida por importar grande parte de todos os produtos consumidos pela população e também importa os componentes básicos da alimentação animal, milho e farelo de soja”, explica. Só que ele lembra que um dos pilares do setor sucroalcooleiro é a intensidade e a regularidade das chuvas. “Nos últimos sete anos, com exceção de 2017, não foi favorável ao crescimento e desenvolvimento da cana-de-açúcar, mesmo com aumento do uso da irrigação em nossos canaviais”, analisa.


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Há muita pesquisa e planejamento em prática na diversificação das culturas. Fornecedores de cana, por exemplo, e empresários rurais cultivam frutas, grãos, raízes, criam peixes e gado. “Essa última atividade já é realidade principalmente nas áreas acidentadas que impedem a mecanização da cana-de -açúcar”, conta Santiago. “Temos um exemplo atual que a mudança de atividade agrícola é possível. Arapiraca, que na década de 90 sentiu a necessidade de buscar soluções para o campo, pois, a principal cultura econômica ali desenvolvida era o fumo, e hoje a região, e não somente o município de Arapiraca, é responsável pela produção e abastecimento das feiras e supermercados de folhosas e condimentares, além de ter se tornado uma grande produtora e exportadora de mudas de hortaliças”, afirma o ex-secretário. O cenário é bastante favorável para a diversificação de culturas em Alagoas. Isso porque temos um número significativo de fornecedores de cana “e que não têm como adotar todas as técnicas modernas de produção, a exemplo de irrigação e adubação, e que tem como consequência baixíssima produtividade agrícola”. Por outro lado, “temos em Alagoas um elevado número de assentamentos e de pequenos produtores que podem fortalecer o setor produtivo com outras culturas a exemplo de raízes, hortaliças, fruticultura e criação de pequenos animais, somente para dar alguns exemplos”. A exemplo do que acontece em Capela, as feiras que escoam os produtos (resultado da diversificação do uso da terra das usinas) ganham ainda mais destaque. “Mas, ainda há necessidade da implantação de novas e modernas feiras que são fundamentais na comercialização e apoio ao pequeno produtor rural, favorecendo os dois lados: produtor e consumidor”, finaliza Santiago.

Duas famílias e duas histórias no campo em Alagoas

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uas famílias em Alagoas são tradicionais no campo. Os Dantas, de Major Isidoro, tinham uma produção mais voltada à agricultura familiar, sem cana-de-açúcar; os Antunes plantam cana desde a época dos engenhos. Edgar Antunes Filho tem 37 anos. É presidente da Associação dos Plantadores de Cana (Asplana). Sua família planta cana desde o seu bisavô, quando ele ainda era dono de engenho. A Asplana tem 7 mil fornecedores de cana, 90% deles são pequenos produtores. Edgar conhece o filme. “Já vi muitas vezes o fornecedor mudar para outras culturas e até para a criação de gado. Mas, o açúcar é uma commoditie, os preços variam no mercado internacional. E quando a situação melhora, ele volta para a cana”, explica. Ele vê fornecedores hoje plantando eucalipto, soja, maracujá. Vê também fornecedores endividados, sem linha de crédito, no rastro da crise das usinas. “Existem filhos de fornecedores que não seguem o caminho da família. Arrenda a terra para a usina”, analisa. Edgar não muda o perfil; o pai, Edgar Antunes, é fornecedor de cana e também cria gado. O presidente da Asplana tem dois filhos. O de 10 anos manifesta interesse pela cana. “Se depender de mim, segue este caminho”, aposta. A família teve um auge na produção: 60 mil toneladas na safra 2002/2003. “Nem meu bisavô conseguiu tanto”, lembra. Mas crê que naquela época existiam vantagens na produção. “Na época do meu bisavô, que ainda era dono de engenho, não existia uma produção em larga escala, a lavoura não era mecanizada. Ele tinha uma margem de lucro muito maior”. Como analisa hoje? “Hoje vivemos submetidos a multas. Somos obrigados a comprar e fiscalizar o uso de equipamentos de proteção individual. Existe trabalhador obrigado a usar um óculos numa região de bastante calor. Somos punidos se ele não usar. A legislação do campo tem de ser diferente da cidade”, afirma. Acredita que o governo Jair Bolsonaro vai ajudar bastante na flexibili-

40 SÓCIOS

Ano passado, surgiu um sindicato voltado a agricultores familiares. Hoje ele tem 40 sócios. Porém, hoje as muitas terras improdutivas das usinas na região não plantam alimentos que poderiam abastecer a feira de Matriz: 80% dos produtos comercializados, diz Ramon Dantas, 27 anos, vêm de fora.

Ramon Dantas e Edgar Antunes, exemplos de famílias tradicionais que apostam no novo zação das regras trabalhistas e atrair, mais uma vez, os fornecedores para a cana-de-açúcar. Já a família Dantas que hoje se estabeleceu em Matriz de Camaragibe, na região norte de Alagoas, veio de cidade de Major Isidoro. Os pais de Ramon Dantas moravam num sítio. Os filhos estudaram na Escola Agrotécnica de Satuba. Aos 21 anos, o irmão de Ramon, Rômulo, fundou uma cooperativa em Matriz. Hoje ele tem 29 anos e 135 cooperados. O começo foi duro. Primeiro porque o êxodo rural convencia potenciais agricultores familiares que eles deveriam ser empregados. Daí eles saíam de Matriz e se mudavam para Maceió em busca de trabalho ou para plantar cana em Mato Grosso ou trabalhar em indústrias na cidade de Rio Verde, em Goiás. Ano passado, surgiu um sindicato voltado a agricultores familiares. Hoje ele tem 40 sócios. Porém, hoje as muitas terras improdutivas das usinas na região não plantam alimentos que po-

deriam abastecer a feira de Matriz: 80% dos produtos comercializados, diz Ramon Dantas, 27 anos, vêm de fora. Apesar de, aos poucos, ex-funcionários das usinas ou outros trabalhadores estarem se transformando em agricultores familiares, a cultura geral ainda é de resistência ao que se considera moderno demais. Sindicato e cooperativa buscam mostrar a existência de caminhos para linhas de microcrédito. A Prefeitura de Matriz e a usina também não ajudam na mudança de eixo, que é a diversificação de culturas. “O trabalho é mostrar ao agricultor o potencial das terras. A agricultura familiar é libertadora, quando se vê um assalariado da usina se tornar agricultor familiar, que faz o horário dele, que potencializa o próprio capital, faz o próprio investimento se tornar maior, a agricultura familiar vira um caminho. Todos os solos que existem no mundo existem na nossa região, nossa terra tem muito nutriente. Muita gente torce para dar errado. E nossa luta continua”.


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Serviço de Geologia do Brasil vai se posicionar na próxima semana Mais de 100 especialistas estão envolvidos no estudo; moradores pedem mais clareza no plano de contingência

MARIA SALÉSIA sallesia@hotmail.com

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o próximo mês completa um ano o problema relacionado aos abalos sísmicos no bairro do Pinheiro, em Maceió, e nada de concreto foi apresentado. Há suspeitas de que o fenômeno pode ter sido causado pela exploração de sal na região, pelo aparecimento de uma dolina (depressão no solo) ou pela localização do bairro em uma área tectonicamente ativa. Porém, estudos mais aprofundados estão sendo feitos por equipe técnica do Serviço Geológico do Brasil que na próxima semana vai se reunir com moradores e imprensa para dizer a quantas andam as investigações. A área afetada de aproximadamente 900 metros por 300 metros está se ampliando, as rachaduras das casas aumentando e imóveis que não tinham fissuras agora começam a ser afetados. O monitoramento continua e técnicos buscam respostas para o abalo que teve magnitude de 2,5 graus na Escala Richter. Embora “falte conclusão definitiva”, relatório da CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais), órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia,

aponta sugestões para prevenção de novos abalos. De princípio, técnicos sugerem que seja elaborado Plano de Contingência Municipal contemplando, especialmente, as especificidades do bairro do Pinheiro. Outra recomendação é que implante núcleos de apoio comunitário, a fim de facilitar a comunicação entre população e Defesa Civil. Desenvolver estudos de vulnerabilidade estrutural e social nas áreas de influência do processo, implementar projetos de drenagem urbana e canalização do esgotamento sanitário, para minimizar a infiltração de efluentes no terreno e sua saturação também fazem parte das recomendações dos técnicos responsáveis pelo relatório que pedem ainda que seja implantado e intensificado o monitoramento da evolução do processo. Apesar das sugestões da CPRM, Cláudia Mendes, moradora do Pinheiro e afetada pelo fenômeno, disse que não há qualquer obra sendo realizada pela Prefeitura de Maceió naquela área. Ela pondera que como o momento é instável e ainda não se sabe a causa do problema, não é prudente abrir “buracos” para sane-

Moradores das casas e ruas afetadas por rachaduras no Pinheiro continuam vigilantes amento ou outra recomendação, pois poderá causar problemas maiores. “Acredito que estejam planejando ações, mas tudo tem que ser feito com muita cautela por não saber a causa.”, disse ao acrescentar que os estudos e as ações estão sendo feitas, mas tudo lento por se tratar de um caso talvez inédito no Brasil. Já o plano de contingência está quase concluído. Pelo menos foi o que nos informou o pessoal da Defesa Civil”, finalizou.Já a moradora Thayse Veiga diz que o plano deve ser mais claro no sentido de como a população agir se acontecer problema maior. O secretário municipal de Defesa Civil, Dinário Lemos, argumenta que o órgão mantém monitoramento da área através de medições para saber se continua havendo dilatação das rachaduras. “É um fenômeno complexo”, resumiu Lemos. E acrescenta que o cadastro das famílias para a inclusão na ajuda humanitária já começou e quem não foi encontrado ou tem pendência deve procurar o órgão imediatamente. Em relação ao tremor de terra de magnitude 2,6 na escala Richter, registrado em dezem-

bro de 2018, no município de São Brás, Dinário Lemos disse acreditar que não haja relação com o de Maceió, mas os técnicos do Laboratório Sismológico (LabSis) - que monitora a intensidade e distribuição dos movimentos da terra na Região Nordeste- teriam mais propriedade para responder.

SOS BAIRRO PINHEIRO O medo e insegurança ainda tomam conta dos moradores afetados pelos tremores em Maceió. Os imóveis estão desvalorizados e entre as hipóteses levantadas por especialistas está a de que o fenômeno pode ter sido provocado por uma acomodação de terra a muitos metros abaixo da superfície. No entanto, levantamentos efetuados em campo permitiram a caracterização de três graus de intensidade (alto, médio e baixo) de evidências de instabilidade, de acordo com a intensidade de atingimento, dado pela quantidade, abertura e persistência das trincas mapeadas. Após protesto de moradores do Bairro do Pinheiro, o prefeito Rui Palmeira decretou no dia 5 de de-

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Pinheiro não pode ser vítima da burocracia do Estado

tes e pedem agilidade nas respostas zembro situação de emergência nos bairros do Pinheiro, Mutange e Bebedouro devido aos tremores, fissuras e rachaduras na área. A medida foi tomada por recomendação da Defesa Civil Nacional, já que as áreas afetadas estão sendo ampliadas e mesmo assim sem diagnóstico. Com a medida, todos os órgãos públicos municipais foram convocados para atuar em conjunto com a Defesa Civil de Maceió em relação a assistência à população atingida, caso haja necessidade. Inclusive, os próprios moradores poderão participar da ação. “Autoriza-se a convocação de voluntários para reforçar as ações de resposta ao desastre e realização de campanhas de arrecadação de recursos junto à comunidade, com o objetivo de facilitar as ações de assistência à população afetada pelo desastre”, diz trecho do documento. O decreto permite, ainda, a dispensa de licitação para aquisição de equipamentos que irão ajudar na realização de estudos na área. Outro ponto é que também irá viabilizar liberação de recursos junto ao governo federal. Inclusive, na primeira quinzena de dezembro do ano passado o prefeito Rui Palmeira foi a Brasília em busca de apoio para o problema dos tremores.

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oradores do bairro do Pinheiro e adjacências criticam lentidão do poder público alagoano em relação ao caso dos tremores naquela área e dizem que não podem ser vítimas da burocracia do Estado. Eles questionam o fato de o governo de Alagoas não ter se manifestado sobre o caso e até que ponto Estado e Município estão integrados. E comparam que o caso do Pinheiro é complexo porque não existe fenômeno similar no Brasil e talvez no mundo. Outro motivo de crítica e preocupação está relacionado ao fato de o Ministério Público Estadual ter colocado processo em sigilo e só após oito meses é que “descobriu que não é de sua competência” e remeteu o caso ao Ministério Público Federal. “Queremos ver o poder público agir. O sigilo causa mais medo. A população precisa saber o que está acontecendo”, disse um morador ao questionar por que a comunidade científica do estado não estar envolvida, sendo evitada. Angustiados, dizem que não pretendem colocar culpa em ninguém, mas querem saber qual o tamanho do buraco “lá embaixo”, porque o poder público está lento para agir e o porquê do sigilo, já que há quase 10 meses sete mil imóveis e quase 20 mil habitantes apenas no Pinheiro vivem a angústia do medo e da incerteza. “O problema existe, os buracos e rachaduras existem desde 2005 e é preciso esperar um prédio cair para se saber de quem é a responsabilidade pelo que acontece naquele solo?, perguntou o morador.

Eles relataram, ainda, que o governador Renan Filho (PMDB) não se manifestou, mas o prefeito Rui Palmeira (PSDB) também não foi ao local prestar qualquer tipo de solidariedade. “Temos sensação de tragédia anunciada no Pinheiro. Até que ponto o Estado está integrado com o município de Maceió? Os recursos federais já chegaram? Cadê o plano de trabalho?”, querem saber. A preocupação é que o período de chuva está chegando e as famílias afetadas estão em casas quase “condenadas”, mas não têm para onde ir. “As pessoas não dormem quando chove e nesse meio tempo ficamos órfãos do Estado. O laudo tem que ser agilizado e se o problema for galerias que sejam fechadas”.

CALAMIDADE

Eles pedem que ao invés de situação de emergência, o fato se torne causa de calamidade pública. O problema afetou não apenas o lado financeiro e social, mas principalmente o psicológico de moradores da área. E questionam: o que você faria se fosse morador do Pinheiro?

17 Eles afirmam que os abalos sísmicos são consequências, pois há alguns anos a área tem dado alerta sobre o problema. E apontam que algumas hipóteses têm que ser consideradas como as de que a mineração de sal do local estar provocando essas fissuras nas casas; a super exploração do aquífero estaria causando essa subsidência (afundamento do solo); a causa tectônica, de ordem geológica e a movimentação de terra em função do acúmulo de água na superfície da região do Pinheiro. ”As três coisas podem estar trabalhando juntas. O abalo assustou, é consequência, mas faz parte de um processo muito maior e complexo”, comparou um morador. Ele cita o geocientista Heródoto Goes, de Minas Gerais, que disse que o que mais chamou a atenção (nesse caso) foi constatar, a partir do mapeamento de evidências superficiais, que o afundamento do bairro persiste e que a área atingida se ampliou desde março, acelerando o processo de rachadura das residências. Vale ressaltar que o Ministério Público Estadual pressionou, pediu agilidade, e segundo a assessoria, agora o caso compete ao Ministério Público Federal de Alagoas. Porém, no MPF a informação é de que desde o início da apuração dos fatos o órgão está empenhado nesta ação conjunta, mas como a causa encontra-se em fase de análise e não saiu conclusão, com um procedimento a ser apurado, “todo mundo continua acompanhando”. A assessoria do MPF afirmou, ainda, que “a pauta é do pessoal da (PFDC) Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão”, em Brasília. Em contato com o órgão em Brasília, a resposta não foi nada animadora. Segundo a assessoria da PFDC, esse tipo de representação precisa ser formalizado, mas que não há qualquer informação prévia sobre o caso. Pediu prazo para verificar, mas até fechamento desta edição não respondeu. Para protestar que há quase um ano o problema avança e continua sem solução e ainda cobrar resposta do poder público, moradores atingidos pelos tremores realizaram passeata no início do mês de dezembro. Vestidos de preto, com o slogan “SOS Bairro do Pinheiro”, alegaram que o temor é que o fenômeno cause uma tragédia, pois as fendas nas casas e apartamentos só aumentam. Sem contar que o asfalto em algumas vias do bairro também apresenta rachaduras. Eles pedem que ao invés de situação de emergência, o fato se torne causa de calamidade pública. O problema afetou não apenas o lado financeiro e social, mas principalmente o psicológico de moradores da área. E questionam: o que você faria se fosse morador do Pinheiro?


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SAÚDE MENTAL

n arnaldosanttos.psicologo@gmail.com

Instintos ... A inteligência é o único meio que possuímos para dominar os nossos instintos. (Freud)

Papel branco

O branco tem a simbologia de um papel onde a pessoa possa colocar suas metas e objetivos para o ano que está iniciando. Pode também utilizar a simbologia no primeiro dia da semana. O janeiro simboliza ou pelo menos indica início de uma jornada, em que sempre há perspectivas para se realizar algo de positivo. Daí a campanha ser realizada exatamente em janeiro de cada ano.

O quê?

As pessoas, geralmente, se preocupam no início do ano com o que vai comprar (carro, casa, moto, joias, enfim), ou planejar uma viagem, dieta, se inscrever numa academia, fazer um curso, mas não planeja ou não se preocupa com a saúde mental. O que eu fiz ou deixei de fazer no ano anterior e o que eu posso fazer este ano para melhorar a minha vida? Essas questões devem levar em consideração a saúde mental. O que estou fazendo com a minha vida? O que fiz de certo? O que fiz de errado? O que não posso fazer? O que eu posso fazer? Tudo relacionado com a saúde mental. Esse é, em síntese o principal objetivo da campanha Janeiro Branco.

Quais?

Quais comportamentos eu posso melhorar para ter uma vida com mais saúde, inclusive mental? Quais pensamentos estou tendo? Eles estão me ajudando ou me prejudicando? Estou me alimentando adequadamente? Que alimentos são saudáveis?

Janeiro início

C

om o objetivo de alertar sobre a necessidade de preservar e discutir sobre saúde mental, a campanha Janeiro Branco foi criada pelo mineiro Leonardo Abrahão, em 2013. E o que representa esse preservar? A campanha tem o objetivo de fazer com que as pessoas e os representantes das instituições, sejam públicas ou privadas, possam refletir, debater, conhecer, planejar e É ter consciência de que cuidando da mente e não só do corpo a pessoa possa ter uma vida saudável e feliz. O saudável pressupõe corpo e mente; portanto, é preciso que neste primeiro mês do ano a pessoa possa fazer uma reflexão do que está fazendo em todos os seus aspectos: vida amorosa, vida familiar e a vida no trabalho, principalmente. É no trabalho que dispensamos a maior parte de nosso tempo, cerca de 6, 8, 10, 12 horas ou mais, por dia.

... feliz

Portanto, “quem cuida da mente, cuida da vida!”, da sua própria vida e ela pode ser saudável e feliz.

Janeiro fim

Caso a pessoa não consiga responder às questões relacionadas aos comportamentos ou pensamentos, se estão prejudicando ou não o seu dia a dia, nada mais sensato do que procurar um psicólogo.

Esquizofrenia

realizar ações em prol da saúde mental da comunidade. É intuito, também, que as pessoas e os representantes das instituições possam realizar ações para combater o adoecimento mental das pessoas, independente de onde elas estão inseridas, seja nas redes sociais, ruas, praças, parques, avenidas, esquinas, bares, restaurantes, aeroportos, rodoviárias, mídias, igrejas, escolas, prefeituras, câmaras de vereadores, assembleias legislativas, hotéis, boates, hospitais, postos de saúde, residências e vários outros espaços. dos sentidos. Podem ser: auditivas, visuais, olfativas, do tato ou de movimento.

Lógico

e os mitos

A esquizofrenia é caracterizada por uma desorganização do pensamento, além de alterações da personalidade. A pessoa apresenta alteração de pensamento, percepção (sentidos), emoção, movimento e também dos comportamentos. Muitos confundem delírio com alucinação. Em termos bem simples, o delírio seria a visualização de um objeto ou de um comportamento distorcido do seu real sentido (significado), manifesta-se na mente e é a tentativa do psicótico (desordem mental) em reconstruir seu mundo. Representa a tentativa de cura de sua própria psicose; enquanto a alucinação seria a visualização de um objeto ou de um comportamento inexistente.

Bizarro

O delírio caracteriza-se, também, pela perda do juízo da realidade. A pessoa pode, por exemplo, achar que alguém está falando com ela. Os temas apresentados pela pessoa são muitos, inclusive bizarros, como por exemplo, urinar na rua, conversar com um poste. As pessoas que apresentam os sintomas acreditam que os pensamentos são reais e os comportamentos são “normais”. As alucinações são percepções irreais dos órgãos

Outra característica do portador de esquizofrenia é a alteração do pensamento. A pessoa perde a capacidade de raciocínio lógico. Utiliza bastante neologismos, ou seja, cria novas palavras para expressar coisas específicas de seus delírios e alucinações, sem um raciocínio lógico ou compreensível.

Embotamento afetivo

As alterações da afetividade estão muito presentes nas pessoas portadoras de esquizofrenia. Ou seja, elas perdem a capacidade de expressar suas emoções, tornando-se indiferentes, isto é, apresentam um “embotamento afetivo”, além de reações afetivas inadequadas.

Associações sem nexo

Outra característica marcante da esquizofrenia refere-se à desorganização do pensamento, que seria a incapacidade de ter um pensamento formal com nexo. Seria também uma espécie de afrouxamento de associações do pensamento.

Janeiro é ...

Assim, o mês de janeiro é um ótimo momento para que as pessoas possam fazer uma retrospectiva do que estão fazendo da vida e o que podem fazer para melhorá-la, seja em qualquer setor: emocional, financeiro, afetivo, educacional, enfim. E essa retrospectiva pode ser feita a cada semana, a cada mês. Lembrando que ter saúde mental implica em uma série de comportamentos e não apenas relacionados a pensamento.

... ter consciência

Arnaldo Santtos é Psicólogo Clínico CRP-15/4.132. Atendimento virtual pelo site: www.vittude.com. Consultório: Rua José de Alencar, 129, Farol (atrás da Casa da Indústria), Maceió-Alagoas. Atendimento também na CLÍNICA HUMANUS: Rua Íris Alagoense 603, Farol, Maceió-AL. (82) 3025 4445 / (82) 3025 0788 / 9.9351-5851 Email: arnaldosanttos@uol.com.br arnaldosanttos.psicologo@gmail.com.


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Elisa e o Brasil

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lisa nasceu nos primórdios do novo governo federal e sua proposta de passar a limpo este país secularmente assaltado por sua elite dirigente, estatal e empresarial, aboletada nos 3 poderes da República. Os eternos sugadores dos recursos e das esperanças do brasileiro. No momento, ela busca entender seu “novo mundo”, encontrar seu espaço nele, iniciar sua socialização com o ambiente. Busca sinais de que é amada, bem cuidada. Quer carinho, colo, o toque e a “conversa” dos pais. São formas de comunicação a que ela responde se acalmando. Diferentemente dela, o novo governo antes de assumir já era inusitada e fortemente fustigado pela esquerda (que capturou a mídia brasileira), como se já fosse governo. E não teve um único dia de “refresco” desde que assumiu as rédeas da Nação. Os 100 dias de trégua dados aos novos governos – todos

ELIAS

corruptos e ladravazes - desta feita não houve. Em 3 meses, Elisa vai começar a interagir com as pessoas à volta. Seu repertório irá aumentando com o tempo numa evolução acelerada e constante. O novo governo também precisa de tempo. Não pode continuar sendo pautado por este tipo de “jornalismo” que só interessa a petistas e comunistas. De onde se originam. É tempo de dar espaço para o novo. Uma criança ao nascer é um livro em branco que deverá ser preenchido ao longo da sua vida. O mesmo se dá com o novo governo. Suas ações iniciais são promissoras ao sinalizar a limpeza das áreas sensíveis do governo da mancha vermelha petista-emedebista-comunista, ao nortear novos padrões para os costumes, ao sinalizar o novo modelo econômico que pretende acabar com as mamatas e roubalheiras de grosso calibre sempre havidas em todos os governos e, levar a Nação ao seu

A

n Economista

verdadeiro lugar que é no primeiro mundo. Ou, nas medidas por vir da área do ministro Moro que certamente serão marco referencial das mudanças na forma de se governar e gerir os recursos públicos, como também na área do combate ao crime organizado que – como venho afirmando há mais de 2 anos – tomou conta de nossas cidades e é comandado por figuras relacionadas diretamente com os primeiros escalões nos estados. Nos 3 níveis. Elisa aos 30 anos poderá estar vivendo em “outro país”.

CLÁUDIO

Esperança cho que no mês de abril de 2018 escrevi crônica sobre a esperança. Naquela ocasião, revisitei a mitologia greco -latina relembrando a parábola muitas vezes referida da caixa de Pandora. Dispenso repetir a história, para gáudio de quem não aprecia a mitologia. Apenas, devo referir que, aberta por Pandora a caixa do titã Epimeteu todos os males hoje conhecidos pela humanidade foram soltos. Percebendo a tolice que fizera, Pandora rapidamente fechou dita caixa, logrando ainda prender o que de bom ali estava guardado: a esperança. É essa esperança que por todos os séculos vem acendendo os nossos ânimos, estimulandonos a sempre seguir adiante sejam quais forem os obstáculos. 2018 afinal partiu em viagem definitiva para o tempo que se renova com a chegada de 2019. Todas as análises referem as vi-

FRAGOSO

cissitudes que vivemos na área econômico-financeira, na segurança e na conturbada política. Pode-se dizer que o ano que passou pode ser definido por duas palavras: confronto e polarização. Não foi o único, na história da humanidade, a ser definido por tais vocábulos. Para as novas gerações, todavia, foi sem dúvida um ano tenso moldado pelo confronto de ideias e a polarização entre direita e esquerda. Alguns poderão questionar-me o tom crítico, pois para esses o confronto de ideias é do espírito do estado democrático. Claro que concordo com o princípio. No entanto, democracia, por ser baseada no debate das ideias, não tolera o extremismo além do debate, a polarização. Assim, quando vejo 2018 como um ano de confronto e polarização, assumo o tom crítico ao acirramento dos ânimos entre direita e esquerda, rejeitando

VIEIRA n Advogado e escritor, membro da Academia Maceioense de Letras

ambas o enfrentamento saudável das ideias, como ficou bem patente já na pré-campanha política, estendendo-se por todo o pleito. Ufa! Que alívio tenha terminado sem mortos, mas com um ferido, o candidato Bolsonaro, afinal eleito. Agora, é hora de pensarmos no amanhã. Lembro de minha infância -adolescência quando se idealizava o ano em final como sendo

Com renda per capita dentre as maiores do mundo, níveis de segurança e criminalidade comparáveis ao do continente europeu; modelo educacional que varreu para o fundo do baú os desvarios e pérfidas experiências petistas-comunistas; com padrão de saúde análogo aos países asiáticos; líder do agronegócio mundial; que deu forte guinada na sua dependência tecnológica se equivalendo às potencias intermediárias globais desse mercado e, que tem ótima prestação de serviços públicos, sem cartórios, apadrinhamentos, roubalheiras ou criminosas ações subterfúgias que 3 décadas atrás oprimia a todos. Estará vivendo num país rico, próspero e de muito futuro. Bem diferente do seu avô. Que teve que aturar e lutar contra toda essa bandalha. Embora, agora, esperançoso com o que o novo governo promete ser o início da nova caminhada do país rumo ao primeiro mundo. Que espero, sem volta. Bem-vinda então minha neta.

Velho, ornado por longa barba branca, alquebrando, cansado de existir; aquele que chegava, o Novo, era simbolizado por um bebê róseo, sorridente, olhos brilhantes de perspectivas. Ao Velho, dele despediamo-nos com poucas saudades; ao Novo recebíamos com esperança. E é essa mesma esperança que devemos cultuar, acreditando na nova administração do País. Parece – e por enquanto apenas parece – que muitas das mazelas brasileira serão debeladas. Como já escrevi anteriormente, o novo presidente começou bem, não sucumbindo ao toma lá, dá cá ávido dos partidos políticos. Sem dúvidas também tem falado a língua do povo. Daí a aprovação de mais de sessenta por cento da população às medidas adotadas. Que a esperança nos mantenha de olhos brilhantes e confiantes na solução das crises que afetam o País. Adeus Ano Velho! Bem-vindo Ano Novo.

O novo governo também precisa de tempo. Não pode continuar sendo pautado por este tipo de “jornalismo” que só interessa a petistas e comunistas. De onde se originam. É tempo de dar espaço para o novo. Uma criança ao nascer é um livro em branco que deverá ser preenchido ao longo da sua vida.

Como já escrevi anteriormente, o novo presidente começou bem, não sucumbindo ao toma lá. dá cá ávido dos partidos políticos. Sem dúvidas também tem falado a língua do povo. Daí a aprovação de mais de sessenta por cento da população às medidas adotadas.


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Um início ainda meio desencontrado

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omo era de se esperar, a primeira semana do governo Jair Messias Bolsonaro não poderia ser diferente do que foi. Com a redução de ministérios, com escolhas de pessoas não políticas, alguns personagens indicados como ministros, até certo ponto desconhecidos do grande público, discursos diferentes entre a área econômica e a de gestão política, cobranças de transparência nas ações, as eleições para escolha dos futuros presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado da República, foram alguns dos assuntos mais destacados a partir da posse do novo presidente do Brasil. Diante de tudo isso, é humanamente impossível se cobrar alguma coisa em tão pouco tempo de governo. É claro que o brasileiro tem pressa, fruto de 16 anos de governabilidade de um só grupo, tendo à frente o Partido dos Trabalhadores, coadjuvado pelo MDB e mais alguns outros partidos,

que, agora, estão afastados dessa vitrine de gestão. Então está claro que da noite para o dia não se resolve todos os problemas que o novo governo tem pela frente. Talvez seja necessário, pelo menos, 100 dias para se ter uma ideia real do quadro encontrado e do quadro futuro. Continuo afirmando que acredito no novo governo do Brasil. Até a ministra dos Direitos Humanos, Damares Regina Alves, merece, pelo menos, começar a mostrar o que foi fazer em seu ministério. Estão creditando a alguns assessores do presidente Bolsonaro a informação de que ele está sendo aconselhado a exonerar, ou melhor, a substituir logo agora, antes que ela venha a causar mais estragos dentro do governo, depois que viralizou na redes sociais um vídeo onde a ministra, muito feliz e sorridente, dizia que sempre acreditou que “menino veste azul e menina veste rosa”. Pior sinal, uma besteira.

E lá se foi o ano velho...

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empre que começa um novo ano é interessante refletir e verificar se o saldo foi positivo. Morreu 2018 e poderíamos dizer que foi tumultuado. Politicamente falando, houve uma reviravolta na direção do Brasil. Há 16 anos o Partido dos Trabalhadores comandava tudo. O país quase chega ao fundo do poço. Muita corrupção, muito roubo, falta de controle em tudo. Não se pode andar livremente nas ruas, propina e verba de campanha se confundem. Dois fatos marcantes aconteceram em 2018: a prisão de Lula e a facada no Bolsonaro. O ex-presidente foi pressionado durante muito tempo até que, depois de uma apoteótica exibição, bateu em Curitiba. De lá para cá, o STF organizou várias armadilhas para livrá-lo da cadeia e nada deu certo! Bolsonaro em plena campanha levou uma facada que quase o leva a óbito. Foi o fator preponderante para sua eleição. Até hoje ninguém descobriu os autores intelectuais do crime e o povo espera o desenrolar dos acontecimentos. As eleições do ano velho foram atípicas: o povo respondeu derrotando algumas velhas raposas e elegen-

do figuras de direita pouco conhecidas. Ainda não foi o suficiente, mas um bom começo. Na Presidência do Brasil um candidato de direita com apoio das Forças Armadas. A população cansou de PT e de vermelho; resolveu mudar e arriscar em novas propostas. Espero que dê certo! No auge da crise, o brasileiro pediu intervenção militar. Sabiamente, as Forças Armadas ficaram caladas e partiram para o melhor caminho: as eleições. Em quase todo o país, militares se elegeram e outros foram indicados para cargos-chave no governo do Bolsonaro. Vamos ver se a nova experiência dará certo. Pior que estava é impossível ficar! Promete o novo presidente cicatrizar algumas feridas deixadas pelo PT. Lembraremos certas loucuras que precisam ser corrigidas: excesso de cargos em comissão nos 3 Poderes, desvio de verbas públicas no Legislativo e no Executivo, mordomias exageradamente graves, nepotismo na área pública, cartões corporativos, punição aos corruptos que conseguiram escapar da Lava Jato e por aí vai... Sugeriríamos uma boa auditoria em todos os Poderes Legislativos,

JORGE

MORAES n Jornalista

Bastou a frase dita para que as críticas ao comportamento da ministra Damares pipocassem de todos os lados, com pouca defesa por parte dos seus colegas ministros. Pouco se ouviu sobre o assunto por parte do presidente Bolsonaro, e não poderia ser diferente. No mais, acho a equipe econômica do governo muito boa. E pergunto: onde andava esse povo, que só agora apareceu? Continuo acreditando que, com o comando do ministro Paulo Guedes, deveremos sobreviver a tudo que possa ocorrer daqui para

ALARI ROMARIZ

TORRES n Aposentada da Assembleia Legislativa

municipais, estaduais e federal, diminuindo, inclusive, parte do duodécimo de todos eles. E exigir que devolvessem o que levaram. Fazer no Supremo Tribunal Federal uma boa avaliação para verificar onde os ministros estão errando e puni-los na medida do possível. Ficaríamos apresentando sugestões por um tempo infinito, pois a corrupção chegou a um limite insuportável, entretanto, as pessoas que assumiram os destinos do país devem saber de quase tudo. Algumas perguntas deveriam ser feitas: quem sustenta os movimentos populares que lutam pela libertação

frente. É como se diz comumente: “pior do que estava não pode ficar”. Quantos aos demais ministros indicados, entendo, também, que cada um foi escolhido dentro da melhor expectativa, e isso por si só já traz uma certa tranquilidade. A confiança em Jair Bolsonaro é tão grande, por parte especialmente do seu eleitor, que qualquer nome ou coisa que ele diga serve como um bálsamo para a esperança do brasileiro. Tirando a classe política, especialmente a oposição que anda caladinha, até quem não votou nele já começa a diminuir o ritmo nas críticas e está deixando o grupo do “quanto pior, melhor”. Nesta primeira edição do EXTRA em 2019, não poderia ser diferente o artigo. Ano Novo, esperança de dias melhores, e concluo com as palavras ditas esta semana pelo presidente Jair Bolsonaro: “Não podemos errar. Se isso ocorrer, a oposição toma o nosso lugar e não foi para isso que fui eleito. Espero que cada um faça a sua parte, e faça muito bem, com transparência, respeito, decência e dignidade”. Bolsonaro disse isso na posse dos presidentes do BNDES, Caixa Econômica e Banco do Brasil. Falou, está falado!

de Lula? De onde vem tanto dinheiro? As passagens aéreas dos políticos de esquerda que visitam o ex -presidente e se hospedam em hotéis caros, são pagas pelo povo? Está tudo torto e o nosso Brasil precisa de uma boa faxina e de novas regras de administração do dinheiro público, pois os políticos acham que, ao assumirem cargos no governo, assumem também o dinheiro do Estado. E aí a confusão está institucionalizada! Lá se foi 2018! Que Deus o leve para bem longe! Pensemos agora em 2019. Que venha com mais seriedade e traga homens de bem, com o objetivo de consertar tantos erros cometidos anteriormente. Pensemos num Brasil mais livre, mais solto, com mais visão de futuro, com bancos oficiais menos competitivos, educação bem melhor, saúde saindo da UTI, segurança mais eficiente. Imaginemos um país com deputados e senadores mais sérios, menos preocupados com o “toma lá, dá cá”, empresários que não precisem pagar propina aos homens do governo para conseguir obras. Enfim, estamos rezando por dias melhores, por um Brasil limpo, para que nossas famílias possam trabalhar tranquilas e em paz. Seria pedir demais? Deus na causa!

Continuo acreditando que, com o comando do ministro Paulo Guedes, deveremos sobreviver a tudo que possa ocorrer daqui para frente. É como se diz comumente: “pior do que estava não pode ficar”.

Está tudo torto e o nosso Brasil precisa de uma boa faxina e de novas regras de administração do dinheiro público, pois os políticos acham que, ao assumirem cargos no governo, assumem também o dinheiro do Estado. E aí a confusão está institucionalizada!


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O confisco da zabumba O

dia corria modorrento naquela longínqua Comarca. Entediado, aguardava o início da próxima audiência. De repente, num movimento brusco, a porta do gabinete se abre e o enorme susto. Diante de mim se apresenta a soturna figura. Trajava paletó preto, bigodes e cabelos mais pretos que o paletó, o penteado a la Carlos Gardel denunciava o uso de não menos que um frasco de creme, brilhantina ou sei lá o quê. Tinha a tez um tanto quanto macilenta. Não fosse a ofuscante luz da primavera, juraria que estava diante de um morto vivo. Só faltava ao dito os tufos de algodão nas narinas. Disfarçando meu lastimável estado, levanto-me, pernas ainda bambas e cordialmente o recebo: – Pois não senhor. – Bom dia doutor. Aurélio Troncoso, causídico; posso entrar? Tamanho foi meu susto que só notei o humilde casal postado logo atrás da sinistra figura após o cumprimento. – Fiquem à vontade, fiquem à vontade. Em que posso ser útil? Cerimoniosamente, querendo coadunar a gravidade de sua figura com a liturgia da profissão, o dito causídico narrou: – O que me traz aqui é o seguinte: esse cidadão é um sanfoneiro conhecido pelo apelido de Totonho Xamego, e essa senhora chama-se Josefa dos Santos Silva, proprietária dum barzinho lá na “Rua do Rego Sujo”. Estranhe não doutor, é por causa do esgoto a céu aberto, mas, como ia dizendo, todo mundo só a conhece por “

Zefa do Bar”. Pelo início da narrativa, vi que não estava diante de um episódio de assombração, relaxei e pedi: – Pois não, prossiga! – Pois bem – disse, temperando um inexistente pigarro. – No último sábado a Zefa contratou os serviços musicais do conjunto de forró, aqui do Totonho. - Zefa, que até então continuava calada, interrompeu: – Foi mermo doutor, o movimento tava fraco lá no bar e eu, procurando minhas melhora, inventei de fazer um “armoço musical”. – Concordei e pedi para o causídico prosseguir. Já se tornando simpática, a antes sinistra figura continuou: – Como ia dizendo doutor! Então, o conjunto do Totonho passou a animar o bar da Zefa. O senhor sabe como é músico né, de vez em quando uma birita, e o volume do som foi subindo. Até que, se sentindo incomodado, algum vizinho ligou pra Polícia. Não sei se era gente importante, ou se foi o bicho que fez do acontecido, só sei que imediatamente chegou um monte de viaturas. Sirenes ligadas, luzes piscando e lotadas de homens armados até os dentes. Aí doutor, numa operação que parecia a SWAT, os rádios dos homens de instante em instante diziam: “Ok, positivo e operante… – E o outro – Copiei, estou em QOP. Operação no Bar da Zefa em andamento…Indivíduos imobilizados; aguardo novo comando…desligo”. Segundo me contou o próprio Totonho, chegaram até a berrar: “ Ei, você aí, arreia a sanfona. Você, jogue a zabumba no chão”.

As bactérias estão loucas

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ão há dúvida alguma de que a bola da vez para a grande mídia seja o novo governo. Nada, nem ninguém que dele faça parte é aceito com a naturalidade que merece, pois se trata de uma quebra de sequência de mandatos aos quais essa mesma mídia, com raras exceções, estava intrinsicamente arraigada. Sem ter autoria, chegoume essa afirmativa que bem traduz esse momento atual por que passa a nossa imprensa: “Não existe bactéria que comemore a chegada do antibiótico”. Pelo contrário, elas se rebelam, multiplicam-se, transformam-se em outras, a ponto de ter-se criado uma droga para cada tipo. Aberrações são vistas e ouvidas em todo momento, desvirtuando declarações, discursos e procurando incutir na mente dos incautos uma realidade diferente da pretendida pelos declarantes. Deu, e ainda está dando, para sentir a ce-

leuma que está causando o comentário da ministra Damares sobre uma coisa que todos nós sempre soubemos, mas que a catastrófica ideologia de gênero não quer aceitar, que “menino veste azul e menina veste rosa”. E ela não falou em homem e mulher. É aí onde o bicho pega. Menino nasce menino e menina nasce menina. A tal ideologia é que quer incutir na criança, antes mesmo de ter formação para discernir, que ela não tem sexo. Acabou-se a medicina no que concerne a seu exame para verificação do sexo do bebê. Quanta insanidade. Mas, vejam só: não por acaso, no governo passado criou-se uma propaganda na área da saúde onde conclamava para a prevenção de dois tipos de câncer. Para o câncer de mama, embora esse também incida nos homens em pequeno percentual, foi criado o “outubro rosa”; e para o câncer de próstata, aí sim,

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ISAAC SANDES

DIAS n Promotor de Justiça

– A verdade doutor –, prosseguiu – é que levaram tudo, sanfona, zabumba, triângulo; tudinho, do coitado do Totonho. Só tou lhe incomodando porque é o ganha pão desse miserável. Agora, totalmente relaxado e sensibilizado pelos fatos, pensei num bom juridiquês: tais fatos se encaixam perfeitamente no princípio da insignificância, sem falar na desproporção de forças e recursos empregados. Até a tipicidade dos fatos deixa dúvidas. Sem que revelasse tais questões aos aflitos cidadãos, disse-lhes que não pouparia esforços no sentido de providenciar a devolução de seus instrumentos de trabalho, visto que estávamos numa quinta-feira e o dia seguinte seria fatal para a assinaturas de novos contratos de animação de “armoços musicais”. Imediatamente fui à secretaria da Vara, localizei o Termo Circuns-

JOSÉ MAURÍCIO

BRÊDA n Economista

com certeza só atingível o sexo masculino, o “novembro azul”. E por que não houve grita de seus seguidores se só se tratou de adultos? O que não foi feito pela ministra. Ela disse, claramente, meninos e meninas. Mas os palhaços da mídia vieram vestidos exatamente ao contrário no

tanciado de Ocorrência, tirei cópia, levei-a até a Defensora Pública e lá, quase digitei o competente requerimento liberatório. Volto para minha sala para adiantar meu parecer. Então, um grande obstáculo: o velho computador trava. Ao ver sua embaixada ameaçada, o causídico “Adams” vem em meu socorro e oferece seu notebook. Aceito e começo a redigir. Termino e procuro conectar à impressora. Surpresa: quebrada também. Diante do segundo boicote, procuro me socorrer de um reles pen drive, ninguém possuía um. Corro com o note debaixo do braço até a sala da escrivã onde imprimo o parecer sob vistosa má vontade e boquinhas enviesadas. Todos deram um profundo e aliviado suspiro. Faltava apenas sensibilizar o nobre magistrado. Mas isso eu julguei ser obra fácil. Cerimoniosamente me dirigi ao gabinete do MM. Uma vez lá, até exagerei o estado de desespero do sanfoneiro. Mas, pensei: tudo pelo bem da causa. Após minha pungente oração para sensibilizar o magistrado, em suspense aguardei a redentora resposta de concordância. Mas, para surpresa de todos envolvidos naquela via crucis, o nobre magistrado, usando de toda a pose que seu cargo permitia, fez um meneio de cabeça, rodou na luxuosa cadeira e solenemente disparou: – Farei uma análise perfunctória do caso. Despacharei amanhã às onze horas. Congelado de espanto e frustração, voltei à minha sala e, diante do sanfoneiro, do causídico e Zefa do Bar, só pude lhes dizer: – Amigos… zabumba só amanhã! intuito de bagunçar. No meio dessa celeuma toda, convidaram a senhora ministra para uma entrevista na televisão. Os cinco entrevistadores, em certos momentos, pareciam digladiaremse para ter sua vez de massacrar a entrevistada. Uma jovem jornalista indagou por que a ministra disse, certa feita, que a mulher nasce para ser mãe? No que ela foi clara na resposta: “Sim, ela nasce com ovários, útero e mamas; só não dará cria por opção”. E digo eu: foi pela opção de nossas mães que nós estamos aqui, também aptos a dar continuidade à perpetuação de nossa espécie. A propósito, declaração como sendo de Aguinaldo Silva, noveleiro, diz que “venderam a ministra Damares como uma espécie de ‘maluquete xiita’ e ontem ela provou que na verdade é outra coisa: uma mulher conservadora, sim. Mas sensata, convencida do que diz, preparadíssima e disposta a fortalecer os vínculos na célula mater da sociedade que é a família”. As bactérias estão loucas.

Congelado de espanto e frustração, voltei à minha sala e, diante do sanfoneiro, do causídico e Zefa do Bar, só pude lhes dizer: – Amigos… zabumba só amanhã!

Para o câncer de mama, embora esse também incida nos homens em pequeno percentual, foi criado o “outubro rosa”; e para o câncer de próstata, aí sim, com certeza só atingível o sexo masculino, o “novembro azul”.


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Novo investimento

Ano novo, velhas dívidas

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assados pouco mais de um mês desde o lançamento da Letra Imobiliária Garantida (LIG), inclusive anunciada pela coluna, já foram realizadas 36 emissões desse produto de investimento, totalizando mais de R$ 2 bilhões, segundo dados da B3 (antiga BM&F Bovespa). Por enquanto é um investimento para milionário, mas a tendência é que a procura pela LIG aumente depois que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) regulamentar a distribuição do produto para pequenos investidores, o que permitirá que ele seja amplamente oferecido pelas redes de agências dos bancos, pelas corretoras e plataformas de investimento.

Casa própria

Quem pretende financiar a casa própria usando o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) pode não conseguir realizar seu sonho. Isso porque o novo presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, confirmou essa semana que o funding do FGTS e da poupança, para financiamento imobiliário, chegou no seu limite. Segundo ele, para continuar a expandir o crédito imobiliário será preciso vender crédito da carteira da Caixa e isso pode demorar a acontecer.

ECONOMIA EM PAUTA n Bruno Fernandes – n bruno-fs@outlook.com

Criptomoeda indígena

Depois da euforia das compras de Natal e das comemorações do Réveillon, o mês de janeiro é um período de reflexão, que exige do consumidor muito planejamento para não começar o ano com as finanças desajustadas. Um levantamento realizado pela CNDL e pelo SPC Brasil revela que apenas 9% dos brasileiros dizem ter condições de pagar as despesas sazonais do início de ano, como IPTU, IPVA e material escolar, com os próprios rendimentos. A pesquisa ainda mostra que 11% dos entrevistados não fizeram qualquer planejamento financeiro para pagar esses compromissos neste início de ano.

O presidente Jair Bolsonaro cancelou o contrato para criação de uma criptomoeda indígena sob um contrato de R$ 44,9 milhões com a Universidade Federal Fluminense (UFF). Segundo o jornal O Globo, a Fundação Nacional do Índio (Funai) fechou um contrato com a UFF no dia 28 de dezembro, poucos dias antes do fim do Governo Temer. O contrato buscava elaboração de serviços como mapeamento funcional, criação de banco de dados territoriais e implementação de criptomoeda para populações indígenas.


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NOVOS TEMPOS

França Moura adere à rádio web após 40 anos na AM e FM Profissional defende migração de rádios tradicionais para a internet Bruno Fernandes

BRUNO FERNANDES bruno-fs@outlook.com

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u as rádios AM migram para FM e para web ou elas vão deixar de existir”. É assim que França Moura, radialista há mais de 40 anos, acredita que será o futuro do rádio em Alagoas. Iniciando uma nova etapa em sua vida, com uma nova transmissão realizada exclusivamente na internet, a Web Rádio Cidadania, inaugurada em 2 de janeiro deste ano já mostra que chegou para ficar e pode representar uma nova etapa na comunicação estadual. Intercalando a apresentação do programa com uma entrevista ao EXTRA, o entusiasmo era visível no rosto do experiente radialista, ainda mais quando eram anunciados, no fundo do pequeno estúdio montado na Rua do Imperador, o número de ouvintes que estavam “sintonizados” com seu programa naquele momento. “Iniciamos há pouco tempo e já temos 300, 400 pessoas nos escutando. E é maravilhoso saber disso”, relata França sobre a nova função de saber exatamente quantas pessoas estão escutando seu programa naquele momento, algo que não é possível saber de forma exata em rádios convencionais. “Fiquei quatro meses parado após o anúncio do fim do programa Cidadania, que era transmitido pela Rádio Correio AM 1200, e não via a hora de voltar a trabalhar. Durante esse tempo resolvi criar a web rádio com meus dois filhos”, explicou o apresentador. Em setembro de 2018, o radialista emitiu uma nota explican-

Web rádio criada pelo radialista e seus filhos funciona em um prédio comercial na Rua do Imperador do ter feito o impossível para levar um jornalismo sério e transparente, mas a inanição técnica, e a total falta de condições necessárias para manutenção da programação, o forçaram a tomar a decisão do fim do programa.

CONCESSÃO Segundo o radialista, o custo estimado para uma pequena rádio migrar da categoria AM para a FM é de aproximadamente R$ 250 mil que é pago em concessão e pode ser financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

FUTURO DO RÁDIO EM ALAGOAS

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árias rádios AM começaram a migrar para FM, a exemplo da Rádio Arapiraca, Rádio Princesa das Matas que cobre todo o Vale do Paraíba, chegando a União dos Palmares e Santana do Mundaú, Rádio Milênio, entre outras. O processo, embora forneça melhor qualidade de áudio para os veículos de comunicação, não é nada barato. Segundo o radialista, o custo estimado para uma pequena rádio migrar da categoria AM para a FM é de aproximadamente R$ 250 mil que é pago em concessão e pode ser financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Esse valor vai depender da potência do transmissor utilizado pela empresa, e pode ultrapassar a casa dos milhões. “Uma rádio como a Gazeta AM, por exemplo, vai gastar no mínimo R$ 3 milhões para realizar o processo”, explica o apresentador.

Com simplicidade na apresentação de seu programa, aliado ao conteúdo factual e programas jornalísticos, apresentado também pelo seu amigo de longa data, o radialista Jorge Moraes, França Moura acredita que embora todo começo seja difícil, a rádio web é o futuro, mas que também depende da estruturação da rede 3g e 4g do estado. “O maior exemplo que uso é do Canadá. Lá, existe uma antena de telefonia a cada mil metros. Isso possibilita o ouvinte conectar na rádio sem se preocupar se a internet vai cair ou não. Algo que ainda é muito precário aqui no estado”. Hoje a Web Rádio Cidadania é transmitida através do agregador Rádios Net, que abriga mais de mil rádios do Brasil e do mundo. Para ter acesso ao conteúdo, basta instalar o aplicativo Rádios Net, disponível no Android e no iOS e pesquisar o nome da rádio. Após isso, o recomendado é salvar em seus favoritos para escutar a programação oferecida durante 24h pela emissora online. Além do aplicativo, o ouvinte pode ter acesso ao material através do site www.programacidadania.com.br.


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POLÊMICA

Jurista diz que venda da Ceal é nula Richard Manso acredita que leilão será anulado em razão de ações no STF MARIA SALÉSIA sallesia@hotmail.com

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venda da Ceal por R$ 50 mil no dia 28 de dezembro tem causado polêmica, mas para o jurista Richard Wagner Cavalcanti Manso, a estatal foi vendida em termos. Segundo ele, tudo será anulado em razão das Ações Civis Originárias - ACOs 1767 e 3132- que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) e que tentam barrar a negociação. Além desses processos que ainda serão julgados, a CPI da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) sobre a Ceal teve decisão de retornar o controle das ações da companhia para o governo de Alagoas. Outro entrave, diz, é que apenas uma empresa participou da licitação, valor com subfaturamento e aporte financeiro que vem do próprio governo de Alagoas e União em razão dos contratos que existem. Manso afirma que os cidadãos devem ficar atentos e desconfiados das privatizações no Brasil e que todas devem ser questionadas, pois existem erros graves. No caso da Ceal, o jurista argumenta que a empresa é viável, dá lucro, vem pagando o aporte financeiro e não há motivo para este impasse. “Estão usando as estatais para cobrir rombos descobertos através da Operação Lava Jato.

Richard Manso reafirma nulidade do leilão de privatização da distribuidora de energia alagoana, vendida por R$ 50 mil no final de dezembro último

Aí vendem as estatais para dar suporte ao mercado financeiro”, comparou. O jurista baseou sua posição de que o leilão da Ceal é criminoso e marcado por insegurança em suas duas ações que tramitam na Justiça e cujo resultado pode ser positivo ou negativo. Mas adianta que dependendo da decisão, se não for favorável, vai recorrer. “Existem muitos recursos. A questão não vai acabar em dois ou cinco anos”, previu. E acrescentou que está esperando o STF voltar do recesso e que as diligências determinadas pelo ministro Ricardo Lewandowski sejam cumpridas. REPÚDIO Na ocasião da privatização, o Sindicato dos Urbanitários de Alagoas repudiou a decisão e emitiu nota onde lamenta que o governo tenha privatizado a maior empresa pública que presta serviço no Estado de Alagoas. “A CEAL foi entregue ao capital privado no dia 28 de dezembro de 2018 por apenas R$ 50 mil. A empresa compradora não apresentou deságio, ou seja, não vai oferecer redução da tarifa. A CEAL era considerada a mais atrativa das Distribuidoras e, mesmo assim, foi entregue sem qualquer concorrência, o que põe por terra os argumentos

apresentados pelo governo de que haverá redução de tarifa para o consumidor final. O Sindicato vem travando uma luta de mais de 20 anos contra a privatização da CEAL.”, ao acrescentar que empresa privada só visa lucro e só investe onde há retorno financeiro, a questão social não é levada em consideração. O presidente do sindicato da categoria, Nestor Powell, desabafou, ainda, que a empresa não foi vendida e sim entregue por R$ 50 mil, valor de um carro popular. Ele pondera ao afirmar que existem alguns aportes previstos para que a empresa vencedora assuma o controle acionário, mas que deveria haver mais empresas na concorrência para que o processo fosse transparente. “A batida do martelo aconteceu em 28 de dezembro e tem todo tramite pela frente para que a empresa assuma o controle. Não podemos afirmar, mas existem as combinações no mercado para que isso aconteça”, disse Powell. O sindicalista adiantou que enquanto isso, existem algumas ações jurídicas em tramitação que poderão afetar todas transições que aconteceram não só com a Ceal, mas em outras distribuidoras. “Estamos na luta e confiamos na Justiça”, finalizou.

Eletrobras estende prazo de transferência da Ceal para até 31 de março Até o próximo mês de março muitas águas podem rolar em relação a venda da Ceal e outras estatais. Esta semana, o site InfoMoney informou que a Eletrobras estendeu o prazo para transferência de controle da Companhia Energética de Alagoas (Ceal) e da Amazonas Distribuidora para até 31 de março. No entanto, a assessoria de Comunicação local (Alagoas) disse que não se pronuncia sobre o processo de transferência de controle da empresa, “porque não somos os porta-vozes do assunto. Quem conduz o processo é o BNDES”. Já assessoria do BNDES, no estado do Rio de Janeiro, foi procurada para mais informações, mas não atendeu as ligações. Para Richard Manso, a insegurança jurídica pode ter sido o motivo pelo qual a Eletrobras decidiu por prazo maior para a transferência. “O

leilão foi duvidoso, viciado e é preciso transparência antes de qualquer decisão”, argumentou o jurista. ENTENDA O CASO A novela envolvendo a Ceal não teve seu último capítulo com o leilão no final do ano passado. Se depender do jurista Richard Manso, ainda há muito enredo pela frente. Defensor da causa há mais de 20 anos, Manso relembra que o impasse teve início em 1997, quando as ações da Companhia Energética de Alagoas foram entregues à Eletrobras e os passivos trabalhistas ficaram com os cofres alagoanos. Isso, afirmou, graças ao acordo na Era Divaldo Suruagy/Manoel Gomes de Barros para pagar folhas salariais em atraso. Em 1998, Manso ingressou com a ação popular para barrar a privatização.


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O HOMEM DA CAPA PRETA

Livro de Ivan Barros desmistifica figura de Tenório Cavalcanti

Obra remete o leitor a fatos do cotidiano de um homem que se tornou mito e era temido, amado e odiado

Geoberto Espírito Santo lança livro sobre cidadão Viagem à Grécia teria inspirado criação de sua quarta obra MARIA SALÉSIA sallesia@hotmail.com

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MARIA SALÉSIA sallesia@hotmail.com

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menino franzino Tenório Cavalcanti, nascido na zona rural de Palmeira dos Índios em 1906, migrou para o Rio de Janeiro pelos idos da década de 1920 e nos anos 50 e 60 dominou a Baixada Fluminense, desafiando a elite de Duque de Caxias. Se tornou um político autodidata e seu estilo agressivo de enfrentar os adversários teria criado a fama de mito. Sua Lurdinha, uma submetralhadora alemã, era companheira inseparável e estava sempre escondida em uma capa, razão pela qual ganhou a alcunha de “o homem da capa preta”. Isso é o que conta a história, mas o escritor Ivan Barros, em seu livro “Tenório Cavalcanti- Além do Mito- o homem da capa preta” o desmistifica mostrando que ao lado dessa pessoa temida, havia um cidadão que sofreu, foi perseguido e lutou pela dignidade social e humana e pelo ideal de liberdade, “tal qual um Dom Quixote Caeté”. O livro é de leitura fácil e contagiante. A história do homem da capa preta é instigante e prende o leitor do começo ao fim. Formado em Direito pela Faculdade Nacional do Rio de Janeiro, advogou em causas polêmicas, sofreu mais de um atentado e “por milagre não foi atingido”. Foi preso, orador eloquente, político atuante e um pacato pai de família. No capítulo intitulado “Em Palmeira dos Índios”, o escritor relata fatos interessantes como o de gostar de passar férias por lá. Só lendo a obra para se deslumbrar com tantos detalhes e fatos. “Em Palmeira muita gente queria conhecer o doutor Natalício. Era respeitado, admirado e amado... Gostava de andar a cavalo pelas ruas de Palmeira”. Em 1954 fundou o jornal ”A luta democrática” usado para combater os adversários. Porém, uma passagem do livro um tanto pitoresca se passou na Câmara dos Deputados no RJ, quando um parlamentar o acusou de protetor do jogo e do lenocínio. Acostumado a só “matar homem”, Tenório então sacou o revólver e gritou: “Vai morrer agora mesmo”. O desfecho? Tem que ler a página 30 do livro.

EXERCÍCIOS DE CIDADANIA

Tenório Cavalcanti gostava de música e livros. Sua vida, diz Ivan Barros na obra, “foi novelesca. Mas como protagonista principal era astro”. Tenório foi o zorro da infância do autor do livro e anos depois colega de trabalho na redação do Luta, no Rio de Janeiro. O livro vem recheado de fatos e intrigas. Capítulo como o do crime do Sacopã, onde Tenório Cavalcanti foi peça do enredo, é um atrativo à parte. “Nem o suicídio de Vargas, nem a guerra do Vietnã, eclipsou da imprensa o crime do Sacopã”. Figura contraditória, mais exótica do que nociva, Tenório Cavalcanti era um homem batalhador, “só que seu cajado era a metralhadora”. E nos anos de convivência com o homem da capa preta, ou melhor, o amigo Tenório, Ivan Barros escreveu com propriedade que “era assim Tenório. Gostava de frases feitas, citava Cícero, Demóstenes, Xerxes, Dante e Virgílio”. Tema de livros e de filme, Tenório Cavalcanti morreu com 80 anos. Continua sendo uma lenda, um mito. “Às sextas-feiras, passeava pela vila envolvido na capa preta onde a arraia-miúda com devoção contemplativa beijava-o e tocava-o. E a todos dizia: ‘Cobrem-me o corpo cicatrizes de 40 balas”. Para saber o fim de Tenório e conhecer algumas de suas frases de efeito e até mesmo os versos que ele gostava de declamar em homenagem a Palmeira, tem que adquirir o livro.

livro Espírito Cidadão, do engenheiro civil Geoberto Espirito Santo, foi inspirado após uma viagem à Grécia, mas garanto que a obra não é um presente de grego. Ao navegar na coletânea de seis capítulos distribuídos em 318 páginas o leitor não terá que necessariamente fazer uma leitura linear. Cada divisão tem vida própria e não precisa ter pressa para chegar ao fim. A apreciação fica a critério e ao tempo do leitor. No primeiro capítulo “Introdução e Estrutura”, o autor diz que se engana quem pensa que em um livro o sumário, o prefácio, introdução e a apresentação não são feitas para ser lidas. Segundo ele, é a partir daí que a leitura se torna mais fácil e prazerosa. E nesse exercício de cidadania, como bem diz o autor, procurou agrupar esses ensaios em torno de quatro perguntas fundamentais como Por que fazer, para que fazer, como fazer, quando fazer, questionamentos fundamentais “nesse processo de planejamento que pode servir em maior dimensão para o país e para nossa própria vida”. Porém, avisa, que “não conseguiremos reconstruir um país, ou uma empresa, sem que se mude a cabeça das pessoas”. O livro é de leitura prazerosa, mas carece de atenção para que se leia e entenda as entrelinhas. O capítulo 2- Por que fazer- apresenta ao leitor uma nova ordem mundial, onde o autor faz um passeio pela divisão do mundo em dois blocos ideologicamente antagônicas, remete à queda do muro de Berlim, apresenta conflitos étnicos, entre outros fatos relevantes da História. Se existe “receita básica” para tanta metamorfose ou se a crise da água terá fim ou até mesmo a quantas anda “o caos tributário”, é preciso se debruçar neste capítulo que instiga o leitor a querer mais. “A teoria Geo” abre o capítulo três – Para que fazer. Segundo o autor, ela “nasceu visando preparar pessoas e empresas para encarar esses novos sistemas de forças não como ameaças, mas como oportunidades de sobrevivência e desenvolvimento”. E a partir da página 107 do livro há explicações da teoria, e de forma descontraída, o autor trata de justificar que apesar da coincidência com iniciativas de seu nome, foi desenvolvida pelo americano Leland

Russel. O tema cinismo e pilantropia, civilização da seca, segurança alimentar também fazem parte do capítulo. “Como fazer” vem no capítulo quatro que apresenta algumas etapas da vida política brasileira. Passa pela militância do PT, derrubada do presidente Fernando Collor, economia política e governo FHC, volta da inflação e outros. Ele “volta ao começo” e faz um “aviso ao público” e faz um “paradoxo da globalização”. É um capítulo recheado de informações importantes e esclarecedoras que vale a pena se debruçar e ler. E assim, “Quando fazer” aparece no capítulo cinco. O que dizer do tema “pernas de aquiles” e da “toga à tanga” que já abre com frase intrigante de que “apesar de conter alguns avanços, a Constituição/88 foi feita de costas para o futuro”. E assim, “o Estado que eu quero”, reinventar o governo e fanatismo ideológico também são de leitura prioritária. No último capítulo, “o que foi feito” já vem com a “agitação neoconservadora”. Logo, “quando foi derrotado por Collor, Lula logo criou um governo paralelo”. Apontou “caminho e estrada”, a “paixão pelo fracasso”, desemprego e empregabilidade, e entre corvos e urubus; embrute cruel; tarifas de energia e quem será “a próxima vítima”. Como bem disse Álvaro Machado, em sua apresentação, “mais de que um livro de cabeceira para políticos, empresários, estudantes, esta publicação é de extrema valia para todos que, independentemente da condição de inserção no nosso arcabouço social, estão comprometidos em analisar e discutir o Brasil e o mundo”. E para complementar, o professor Eduardo Magalhães, no prólogo, ordena: “Mãos à obra. Olhos ao livro. Centenas de páginas pra ler antes de dormir e um oceano de saber a conquistar”.


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Aposta otimista

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s vendas de veículos no mercado brasileiro foram maiores do que todas as previsões feitas ao longo de 2018. Os dados revelados pelo Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores), logo no primeiro dia útil do ano, indicam isso. No entanto, os percentuais de crescimento de um ano contra o outro são mal explicados. Isso acontece porque veículos comerciais pesados muitas vezes ficam fora das estatísticas. Assim, podem ser divulgados três números que acabam por causar certa confusão. Em 2018 sobre 2017, o comércio de automóveis e veículos comerciais leves (picapes e furgões) cresceu 13,7%, de 2,17 milhões para 2,47 milhões de unidades; veículos pesados (caminhões e ônibus), de 67 mil para 96 mil unidades (mais 42%). Assim, no total, venderam-se 2.566.235 unidades, crescimento de 14,6% sobre 2017. O ano passado foi impactado por três eventos perturbadores de fluxo normal de vendas: greve dos caminhoneiros, Copa do Mundo de Futebol e as incertezas de eleições gerais, além do grande número de feriados. Fenabrave fez quatro previsões de vendas e a Anfavea, três. Nenhuma das entidades acertou, embora a Anfavea (em outubro último), tenha antevisto 13,7%. Em janeiro de 2018, essa coluna previu 14,1% e, assim, chegou perto. Ainda estamos longe do recorde de 2012 (3,802 milhões de unidades). Mas tudo indica que o mercado continuará a se recuperar este ano, principalmente em razão de reformas econômicas do novo Governo Federal. Uma boa notícia, no final do governo anterior, foi a redução

FERNANDO CALMON n fernando@calmon.jor.br

27 do seguro obrigatório de responsabilidade civil para simbólicos R$ 12,00, no caso de automóveis, a partir de 2019. A Seguradora Líder até sugeriu um aumento das indenizações, em vez da redução do preço do seguro, porém trata-se de iniciativa tardia. Houve abusos e descontroles desde sua criação em 2007. Há outros aspectos positivos a considerar. A base comparativa continua baixa, após uma redução em torno de 50% no auge da depressão, e a frota circulante precisa de renovação. Um indicativo do aumento da procura sustentável por carros novos é a estagnação na comercialização de veículos usados. Segundo a Fenauto, a federação nacional das associações de comerciantes independentes, houve aumento de apenas 0,4% em 2018 sobre 2017 no volume de vendas de carros usados. Nos anos anteriores recentes era regra um crescimento em torno de dois dígitos. Qual, então, seria uma boa previsão para o crescimento do mercado de veículos novos em 2019? Segundo Sérgio Vale, da MB Associados, que assessora a Fenabrave (federação nacional das associações de concessionárias), “no momento ficamos com 11%, porém se iniciativas econômicas importantes forem implantadas pode se alcançar mais de 13%.” Anfavea, por sua vez, antevê que as vendas totais devem crescer 11,4% sobre 2018, atingindo 2,86 milhões de unidades. Expansão da produção seria de 9% para 3,14 milhões de unidades, enquanto as exportações cairiam tanto em volume (590 mil unidades ou 6,2% menos) quanto em valores (US$ 13,9 bilhões ou 3,9% menos). Esta coluna é mais otimista. Em ano difícil de prever, sem saber a profundidade das reformas, ainda assim aposta em 13,8%.


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ROSA OU AZUL?

Ditadura das cores foi imposta pelo mercado da moda, diz professora Declaração de ministra aqueceu debate sobre o que crianças devem vestir JOSÉ FERNANDO MARTINS josefernandomartins@gmail.com

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osa para meninos e azul para meninas. Essa era a dica de moda de grandes confecções norte-americanas no início do século XX. Rosa, à época, era considerada uma cor enérgica, uma vez que é derivada do carmim ou vermelho-carne. Já o azul era o tom adequado para as meninas, que tinham que ter modos sutis e delicados. Décadas depois, o jogo virou. Mais do que simples cores, azul e rosa se tornaram símbolos, respectivamente, de masculinidade e feminilidade. E atualmente, essas colorações viraram até debate político diante das recentes declarações da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves: “Menino veste azul e menina veste rosa”. Antes de qualquer característica de gênero, o azul e o rosa são cores impostas pela indústria da moda. “Antigamente não haviam roupas infantis para menino e menina. Existiam apenas roupas para crianças”, explica Andréa Almeida, figurinista e professora de Moda da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Para facilitar a vida das mães, as crianças usavam um tipo de vestido até os quatro anos de idade. O traje facilitava a troca de fraldas deixando tudo mais prático. O que era tão comum no passado, hoje parece inconcebível um

garoto usar “saias”. E as cores das roupas? “Eram opacas e cruas já que tingir tecidos era caro e nem todos tinham dinheiro para exibir vestimentas coloridas”, explicou. Uma demonstração de que rosa era a cor mais popular entre meninos está em uma carta de baralho cartomântico chamado Petit Lenormand. A empresa gráfica chamada Dondorf ilustrou esse oráculo no final do século XIX. Na carta de número 13, cujo emblema é uma criança, podemos ver um menino correndo com uma camisa de babados cor-de-rosa. “Ele também está de calça porque se trata de um garoto de sete ou oito anos de idade, que não mais precisava de fraldas”, analisou a professora. Em ilustrações da época não é difícil encontrar meninas vestidas de azul com certa frequência. A moda é o retrato de uma geração e uma cor pode significar várias mensagens em distintas ocasiões. “O preto, por exemplo, em bailes representa a elegância. No velório, o luto. Também pode ser a cor comum em tribos, como roqueiros ou góticos. Mas há algo que a cor não influencia: o caráter”, frisa a especialista. “Meninos e meninas têm direito de usar a cor que quiserem. Mas a ministra esqueceu de outros tópicos. Essas crianças também têm o direito de escola e saúde pública de qualidade, entre outros pontos que são de responsabilidade do governo”. Sobre a indústria da moda, Andréa Almeida relatou ainda que há casos que as empresas escolhem cores para uma estação apenas para vender o estoque encalhado da tiragem anterior. “Só vemos a ponta do iceberg, o produto pronto nas lojas. Abaixo de tudo isso tem todo um estudo mercadológico”.

A professora de moda Andréa Almeida mistura as duas cores no visual

Gravura do final do século XIX mostra um menino com roupa rosa

AVANÇO DA TECNOLOGIA

A youtuber paulista Maíra Medeiros, do canal Nunca Te Pedi Nada, publicou no dia 4 de janeiro o vídeo cujo título é “Pq menino veste azul e menina veste rosa”. Após buscas sobre esse tipo de imposição cultural, a youtuber descobriu que, em 1918, o catálogo da loja de departamentos chamada Earnshaw’s Infans Department, entre outras, defendia que eram os meninos que deveriam vestir cores quentes e as meninas cores frias. “A revista Time publicou em 1927 um top 10 de lojas de departamen-

to, sendo que seis delas achavam que roupas azuis deveriam ser usadas por meninas e rosas por meninos”. No entanto, muitos consumidores ainda preferiam os tons claros ou brancos. O motivo seria economia. “Naquele tempo a maneira mais fácil de limpar roupa de criança, que sujava muito, era usando água sanitária. Então a maioria das mães compravam para seus filhos roupas brancas”, ressaltou. Na década de 30, Adolf Hitler simbolizava homens gays, nos campos de concentração, com triângulos rosas. Foi a partir daí que essa cor virou “não masculina”. E nos anos 80, a moda se aproveitou do avanço da ciência. “Nessa década aconteceu a popularização dos exames pré-natal. Era com o ultrassom que as famílias iriam começar a saber o sexo do bebê antes do nascimento. Foi quando as lojas começaram a fazer enxovais diferentes para cada gênero”, salientou. Outra razão que impulsionou essas vendas foi o sabão em pó e a máquina de lavar, tecnologias que tornaram dispensável o uso de produtos que manchavam as roupas das crianças.

IDEOLOGIA

Após ser criticada nas redes sociais por dizer que “menino veste azul e menina veste rosa”, a ministra Damares Alves afirmou que o pronunciamento era uma “metáfora” e que meninos e meninas podem vestir o que quiserem. A ministra ainda destacou que a declaração era uma “metáfora contra a ideologia de gênero”.


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ABCDO INTERIOR

n robertobaiabarros@hotmail.com

Não há tempo

Mas no meio do caminho tem uma pedra chamada tempo. O ASA amarga a sua pior crise, mas a sua torcida é lutadora e quer ver o seu time do coração sair do fundo do poço, que é a série D do Campeonato Brasileiro de Futebol. É uma tarefa árdua e dificílima, mas existem guerreiros como o próprio Moisés Machado que comprou a briga em respeito à torcida de um clube que já proporcionou muitas alegrias ao povo arapiraquense.

Uma tábua de salvação

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... A informação é do jornalista palmeirense Henrique Romeiro: o deputado federal Marx Beltrão deve convocar o ministro da Economia Paulo Guedes para dar explicações, na Câmara, sobre desvinculação de recursos federais.

pós dois anos de “introspecção”, o prefeito de Arapiraca, Rogério Teófilo, finalmente decide ajudar a Agremiação Sportiva Arapiraquense – o glorioso ASA de Arapiraca, que hoje está nas mãos do esforçado vereador Moisés Machado. Em baixa, o time alvinegro recebe os mimos do prefeito que investe grana pública para recuperar até o Estádio Fumeirão.

... Durante sua posse, o ministro disse que há alternativas, caso a reforma da Previdência não seja aprovada, de desvincular recursos orçamentários como forma de melhorar as contas públicas.

Bem orientado

Mas essa boa vontade do gestor arapiraquense passa, sem dúvida, pelas mãos de marqueteiros experientes, que o orientam a adotar medidas populares para melhorar sua imagem que anda um pouco desgastada pela inércia que se instalou em seu governo durante os primeiros 24 meses de administração.

Fase humilhante

Se o prefeito arapiraquense tivesse o mesmo ímpeto de agora, inclusive atraindo investidores endinheirados para ajudar o time, o ASA com certeza estaria em um outro patamar, bem longe dessa fase humilhante a que foi relegado, com uma “mãozinha” de políticos aproveitadores que só davam as caras quando o time estava no auge.

Que continue assim

Que o prefeito arapiraquense continue com esse mesmo ímpeto, mesmo aceitando ser enganado por sua equipe de marketing que em nada o ajudou durante os dois primeiros anos de inércia administrativa.

Amistoso

O amistoso neste sábado (12), às 17 horas, do ASA contra o Flamengo de Arcoverde (PE) será no Estádio Coroacy da Mata Fonseca e o ingresso custará R$ 10 mais 1 kg de alimento não perecível para não sócios. Já para o sócio-torcedor a entrada é livre mais 1 kg de alimento opcional. A intenção da diretoria alvinegra é poder arrecadar alimentos para ajudar a uma instituição de Arapiraca e adquirir renda para o próprio time. “Como o sócio-torcedor já contribui mensalmente para o ASA, ele tem entrada garantida como benefício e facultativo para doar 1 kg de alimento”, afirmou o presidente executivo Moisés Machado.

Antes da estreia

O jogo contra o Flamengo Sport Club, de Arcoverde (PE) será o segundo amistoso do ASA e o último antes de estrear o Campeonato Alagoano, no dia 20, contra o Murici, no Estádio Coroacy da Mata Fonseca, às 16 horas. A estimativa de público, segundo a diretoria, é de 2.500 torcedores.

Finalmente

Depois da reclamação de um grupo de vereadores que solicitou e não recebeu documentos de ações da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, que tem como gestora Anadja Gomes de Almeida, finalmente o pedido foi atendido e entregue à Câmara de Vereadores de Arapiraca. O grupo de vereadores da base de sustentação do prefeito Rogério Teófilo, que tanto insistira na posse da documentação, agora tem como tarefa a análise dos documentos enviados.

PELO INTERIOR

Vamos aguardar

... Para Marx isso prejudicaria investimentos em áreas como Educação e Saúde. O deputado está atento, e vem dando sinais disso nas redes sociais, que ele domina muito bem. ... Moradores do loteamento Sonho Verde II, localizado no bairro Nilo Coelho, no município de Arapiraca, estão insatisfeitos com a distribuição de água. ... Segundo os denunciantes que adquiriram os imóveis pelo Programa Minha Casa Minha Vida, a ligação pela Casal não foi liberada e eles só têm acesso à água fornecida pelo dono do conjunto habitacional sob pagamento de R$ 50,00 por mês.

Agora, a Câmara já inicia o procedimento de análise dos documentos e cópias estão sendo entregues aos 17 vereadores. Pelo andar da carruagem, algo estranho paira no ar, daí o interesse de se obter um relatório sobre as ações daquela pasta. É aguardar para ver o resultado. Com a palavra os vereadores arapiraquenses.

... Há alguns relatos de que a qualidade desta água é duvidosa. “É uma água salgada, imprópria para consumo. Algumas pessoas dizem ter doença de pele devido o uso da água.”, disse um morador.

Sumiço de Élio

... “Após vistoriado e constatado a implantação, conforme projeto aprovado, é marcada uma data para interligação no sistema. Estamos na expectativa de que até o próximo mês a Casal esteja assumindo o abastecimento do loteamento”, completou.

Há pouco mais de duas décadas, Élio, um inquieto funcionário do saudoso Hospital Santa Maria, foi sequestrado em Arapiraca e até hoje sua família permanece aflita e sequer teve o sagrado direito de encontrar seu corpo e sepultá-lo com dignidade.

Quem o sequestrou?

Mas a pergunta que não quer calar: quem foi o responsável por seu sequestro e, com certeza, assassinato? Bom, as autoridades policiais na época falavam em uma certa motivação, mas jamais o autor ou autores foram responsabilizados. E, com certeza, não serão.

... Um dos responsáveis pelo loteamento Sonho Verde 2 informou estar aguardando uma vistoria por parte da Casal.

... Dinheiro de rodo saindo pelo ladrão em uma determinada prefeitura do interior alagoano, envolvendo três figuras do high society: um licita, outro constrói e o dono do mundo simplesmente paga. E o prefeito satisfeito? Bom, feliz. ... Aos nossos leitores, desejamos um excelente final de semana, com paz, muita saúde e harmonia. Até a próxima edição!


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PARIPUEIRA CELEBRA SANTO AMARO Festa lota cidade e abençoa início de mais um ano

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antendo a tradição, Paripueira estará em festa a partir desta sexta-feira, 11, até o próximo dia 15, para comemorar as festividades de Santo Amaro, seu santo padroeiro. Todos os anos, milhares de fiéis acompanham a procissão da cidade em homenagem ao santo. O evento é um dos mais importantes e tradicionais da cidade, por sua relevância religiosa e cultural. O prefeito Haroldo Nascimento considera a comemoração muito importante não só para a fé da população, mas também para a economia local. “Além da questão religiosa que representa a festa de Santo Amaro para o nosso povo, esse é um evento que tradicionalmente atrai visitantes, movimenta a economia local e se faz presente no calendário cultural da Região Norte. A nossa gestão tem estado junto, apoiando, participando, buscando a cada ano ampliar mais ainda essa festa”, relatou o gestor. Com um investimento de pouco mais de cem mil reais, a prefeitura municipal montou toda a infraestrutura

da festa, segurança local e atrações musicais, além de reforço no plantão de atendimento à saúde. A ideia é que toda população possa apreciar a procissão. A festa do padroeiro conta com shows gratuitos, apresentações

circenses, missas e orações desde o dia 11. Para encerrar as comemorações, acontece a grande procissão de Santo Amaro no dia 15, saindo da Igreja Matriz e com show pela noite das bandas Saia Rodada e João Trinta.

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RECONHECIMENTO

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Menina que criou biblioteca pública será homenageada Mell transformou garagem da casa dos avós em espaço de leitura para a comunidade ARTHUR FONTES Estagiário sob supervisão da Redação

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rtistas alagoanos decidiram prestar uma homenagem para a Mell, a menina de 11 anos que transformou em biblioteca pública a velha garagem do sítio dos avós em um povoado próximo a Mata Grande, Sertão alagoano. A ação solidária será realizada no dia 23 deste mês às 21h30 no restaurante Filé do Zezé, na Jatiúca com o objetivo de arrecadar fundos para ajudar Mell a fazer a manutenção da biblioteca. Os artistas que estarão presentes na confraternização doarão de forma generosa todo o seu cachê para a homenageada seguir com o seu sonho de espalhar e incentivar a leitura no Sertão do estado. Além disso o dinheiro do ingresso dos espectadores também será encaminhado para Mell, o couvert individual custa R$ 15 e a mesa para quatro pessoas custa R$ 60. A noite promete ser de grandes homenagens e contará com a presença de artistas locais como: Allan Bastos, Toinho Antunes, Pompe, Julio Uça, Jeff Joseph, Carla Araújo, Igbonan Rocha, Nara Cordeiro, Geraldo Benson, Daniel Maia, Allison Ferreira, VJ James, Jimmy, Herman Torres e Serginho Lamecci entre outros. Segundo o produtor do evento, Marcus Assunção, cada artista irá

cantar quatro músicas e fazer uma homenagem direcionada a Mell. ‘’A ideia principal é confraternizar em prol da bela atitude da Mell e também comemorar os músicos aniversariantes do mês de janeiro. Juntamos o útil com o agradável, uma boa música com uma ótima iniciativa e assim deixando o projeto vivo’’, esclareceu, o produtor do evento Marcus Assunção. Criada pelos costumes do campo, Mell mora com a mãe, a avó e o avô em um povoado próximo ao município de Mata Grande, interior de Alagoas. A menina com apenas dez anos dedica boa parte do seu tempo à leitura, e trocou as bonecas pelos livros. Apaixonada pelo mundo da leitura, a menina Ana Mell transformou o seu maior sonho em realidade: adaptou a garagem da casa localizada no do sítio do avô em uma biblioteca pública, com o intuito de que todos em sua comunidade possam ter acesso à leitura. Quem quiser apoiar a iniciativa poderá fazer também sua doação na conta de Marina Fortes Rocha Assunção. Confira os dados: Marina Fortes Rocha Assunção Banco do Brasil Agência: 3179-8 Conta: 141572-7

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Biblioteca criada por Mell virou ponto de concentração de estudantes


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Edição 1004  

11 a 17 de janeiro de 2019

Edição 1004  

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