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editorial ao leitor

Em pouco tempo

O

Edilson Damasceno

Entrevista

Boa Leitura,

p4 A secretária Fernanda Kallyne, do Desenvolvimento Social, aborda o trabalho que vem sendo desenvolvido com crianças e jovens.

que fazer quando não se tem outra fonte de renda e seu único trabalho está ameaçado? É que os comerciantes informais que atuam na Rua Coronel Gurgel, no Centro de Mossoró, serão os primeiros a deixar seus locais de trabalho, conforme pressão do Ministério Público à Prefeitura Municipal. Mas não será algo abrupto. E a própria Prefeitura reconhece que não poderá fazer a ação sem que tenha espaço adequado para acomodar os chamados camelôs. O secretário municipal do Desenvolvimento Econômico, Mairton França, afirmou à Revista Domingo que um projeto de construção do Shopping Popular está em andamento. Nesta edição, você conhecerá duas personagens ligadas à história do mercado informal: Maria das Dores, 42, e Fátima Veras, 50. A primeira vende água de coco em carrinho que fica em frente à Caixa Econômica Federal. A segunda comercializa cestas que são vendidas em datas comemorativas. Elas, de uma maneira ou de outra, questionam o futuro. Saiba um pouco da vida de um camelô e o que levou duas mulheres a optarem pelo mercado informal. Ainda nesta edição, nas páginas 4 e 5, a secretária municipal do Desenvolvimento Social, Fernanda Kaline, responde questões ligadas ao trabalho da sua pasta, bem como de temas referentes à diferença entre política pública e política partidária.

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Na informalidade Saiba como é a vida de quem sobrevive no comércio informal e da preocupação das autoridades públicas sobre a retirada dos camelôs do Centro da cidade.

Música A Banda Cruviana, que une Filosofia, Política e Ideologia, lançará seu primeiro CD no mês de julho.

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Sua carreira

Rafael Demetrius: Como transformar um diretor escolar em um gestor

Adoro comer

Colunista Davi Moura: Receita de arroz doce by Angélica Vitali

• Edição – C&S Assessoria de Comunicação • Editor-geral – Wil­liam Rob­son • Editor interino – Edilson Damasceno • Dia­gra­ma­ção – Rick Waekmann • Projeto Gráfico – Augusto Paiva • Im­pres­são – Grá­fi­ca De Fa­to • Re­vi­são – Gilcileno Amorim e Stella Sâmia • Fotos – Carlos Costa, Marcos Garcia, Cezar Alves e Gildo Bento • In­fo­grá­fi­cos – Neto Silva Re­da­ção, pu­bli­ci­da­de e cor­res­pon­dên­cia Av. Rio Bran­co, 2203 – Mos­so­ró (RN) Fo­nes: (0xx84) 3323-8900/8909 Si­te: www.de­fa­to.com/do­min­go E-mail: re­da­cao@de­fa­to.com Do­min­go é uma pu­bli­ca­ção se­ma­nal do Jor­nal de Fa­to. Não po­de ser ven­di­da se­pa­ra­da­men­te.

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conto

josÉ nIcoDemos*

(

A redoma

N

Envie sugestões e críticas para o e-mail: aristida603@hotmail.com

)

o enterro de Sebastiana apenas os carregadores do caixão, a mãe, o pai, o único irmão, uns poucos da vizinhança. Morrera por tuberculose pulmonar numa cela da cadeia pública, por falta de tratamento médico. Os pais tinham a certeza de que a filha, que nunca lhes mentira, estava presa injustamente, acusada de um crime que não cometera. Essas injustiças que se praticam, comumente, com pessoas de cor e sem nome de família. Aos treze anos da sua idade Sebastiana foi trabalhar como faxineira na casa do Dr. Gustavo, advogado de respeitável nome nos meios forenses. Pela sua índole, honesta e submissa. Sebastiana dede logo se tornara como que pessoa de casa. Quase uma agregada. Era pessoa de toda confiança. Não tinha acessos limitados, nos cuidados domésticos. Vai que um dia desaparece, para nunca mais ser encontrada, a redoma de ouro, maciço e de lei, com o retrato da mãe do Dr. Gustavo, e que ele guardava com a devoção de quem guarda uma relíquia sagrada. Talvez quase mais do

Vítima de um câncer do fígado, num leito de hospital, e pressentindo a última hora, a filha única do Dr. Gustavo mandou chamá-lo, queria fazer-lhe uma confissão, não demorasse.

que isso. Procura daqui, procura dali, revirando-se a casa toda, de sorte que não restava mais onde procurar. Debalde. E foi o que sucedeu: o Dr. Gustavo logo cismou de Sebastiana, não poderia ter sido outra pessoa. E não teve dúvidas em formular queixa na polícia, com rigorosas recomendações. Sob torturas de toda sorte, a desgraçada, não as suportando mais, acabou por confessar o furto que, em verdade, não cometera. E foi condenada no processo, de acordo com o texto da lei. Adoeceu de tuberculose

antes do comprimento da pena, fome e maus-tratos. E sobreveio-lhe a morte, meses. Vítima de um câncer do fígado, num leito de hospital, e pressentindo a última hora, a filha única do Dr. Gustavo mandou chamá-lo, queria fazer-lhe uma confissão, não demorasse. – Fora ela que furtara a redoma, e explicou-lhe, com detalhes: desmanchar para o anel de formatura do namorado. E pediu, chorando, em pranto de tenebroso remorso, confissão ao capelão do hospital.

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entrevista

‘O homem é um ser social e possui individualidade’ Por Edilson Damasceno Da Redação

O

que são políticas públicas sociais? O que significa o termo assistência social? São perguntas que apresentam respostas com duplo sentido: uns creem que se trata de algo que remete ao aspecto políticoeleitoral; outros, de que é alguma coisa relacionada ao aspecto da desigualdade social. As duas respostas, de certa maneira, estão corretas. Mas, se formos analisar ao chamado “pé da letra”, não é uma coisa ou outra. Para a secretária municipal do Desenvolvimento Social, Fernanda Kallyne, por algum tempo houve essa dupla compreensão. “Durante muito tempo, a assistência social era compreendida como benemerência, filantropia e assistencialismo; acontece que, desde os últimos anos, a assistência social tem se consolidado como um direito social, como uma política pública não contributiva, que o Estado tem o dever de ofertar a quem dela necessitar”, informou a secretária, acrescentando que a assistência social é executada por instituições e profissionais especializados para “enfrentar os problemas da questão social, dotados especificamente de natureza técnica”. Nesta entrevista, a secretária responde sobre políticas públicas desenvolvidas pela Prefeitura de Mossoró, além da assistência às crianças e jovens vítimas da violência doméstica, dentre outros temas. Acompanhe abaixo:

DOMINGO – Como funcionam as políticas públicas municipais de apoio ao jovem? FERNANDA KALLYNE – As políticas públicas municipais de apoio à juventude funcionam por meio da oferta de programas, projetos e serviços que potencializem para uma atuação proativa e participativa do jovem na sua escola, na sua família, na sua comunidade, fazendo assim que esse jovem tenha oportunidades de acesso às políticas de saúde, educação, esporte, la4

FERNANDA KALlYNE zer, profissionalização, favorecendo o crescimento e desenvolvimento familiar, social, cultural e profissional. Para tanto, diversas atividades são oferecidas, com foco nos mais variados temas da atualidade e do cotidiano de vida desses jovens. COMO se dá a assistência às crianças e adolescentes vítimas da violência doméstica? É preciso haver alguma denúncia? O Centro de Referência Especia-

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lizado da Assistência Social (CREAS) é uma entidade governamental, integrante dessa secretaria, que presta atendimento especializado às crianças e adolescentes (e suas famílias) vítimas de violência, incluindo o abuso e a exploração sexual. Inclui ações nas áreas psicossocial, jurídica e pedagógica. As ações ofertadas por meio do Serviço de Proteção Especializado a Famílias e Indivíduos (PAEFI) vítimas de violação de direitos visam à proteção, prevenção e enfrentamento da


entrevista violência infanto-juvenil. Portanto, são realizadas abordagem social e busca ativa para identificação, sensibilização e atendimento às crianças e adolescentes em situação de violência. Vale destacar que o CREAS recebe demandas de casos de todas as instituições da rede de proteção municipal à criança e ao adolescente, inclusive do disquedenúncia nacional – disque 100 –, para atendimento dessas crianças vítimas de violência. A INTERVENÇÃO do Município em alguma família que necessite de ajuda, seja por meio de orientação ou de ação prática, poderá ser feita de que maneira? PODERÁ ser feita por meio dos diversos serviços existentes na rede assistencial do Município de Mossoró, com destaque para as unidades de CRAS (Centros de Referência da Assistência Social), destinados ao atendimento psicossocial, e que por sua vez se encontram distribuídos em vários bairros da cidade, e ainda, temos o Plantão Social, que oferece apoio e orientação social, em 24 horas de funcionamento. EXISTE algum trabalho de combate ao uso de drogas? Como funciona? O TRABALHO voltado para o combate à drogadição acontece através da prevenção, por meio do trabalho educativo que é ofertado para crianças, adolescentes, jovens e suas famílias nos atendimentos dos serviços de convivência e fortalecimento de vínculos, e ainda, na identificação e encaminhamento de adolescentes e jovens usuários de drogas para a rede de serviços existentes no município de Mossoró. COMO é a atuação da secretaria junto ao Conselho Municipal de Entorpecentes? A SECRETARIA tem representação nesse conselho, para que dessa forma as ações voltadas a essa temática possam se desenvolver de forma articulada e intersetorial com as demais políticas públicas deste município. A ASSISTÊNCIA Social tem atuação ampla. Existe algum levantamento acerca das necessidades de Mossoró no aspecto social? JÁ PRODUZIMOS anteriormente um diagnóstico social, que fez um levantamento acerca da oferta dos serviços oferecidos à população nos diversos segmentos, famílias, crianças, adolescentes, jovens, idosos, pessoas com

deficiência, enfim, a todos os usuários dessa política garantidora de direitos. No cotidiano das ações, os CRASs realizam e atualizam periodicamente o mapeamento dos territórios nos quais estão inseridos, para subsidiar o planejamento e desenvolvimento de ações que previnam situações de vulnerabilidade e risco social nas comunidades. EXISTE alguma ação conjunta envolvendo o Desenvolvimento Social com outras secretarias? A GRANDE maioria das ações executadas por essa secretaria acontece em parceria com outras secretarias e demais órgãos integrantes tanto do Governo quanto de instituições e segmentos representativos da sociedade civil, a exemplo dos conselhos setoriais, de assistência social, da criança e do adolescente, do idoso, pessoas com deficiência, entre outros. É POSSÍVEL reduzir ou até mesmo acabar com a chamada diferença social (isso em termos de ação completa e que envolve educação, saúde, cultura)? O TRABALHO tem como foco principal a redução da desigualdade das famílias e indivíduos, por meio da oferta de programas, serviços e benefícios socioassistenciais, e ainda o acesso facilitado destes, as demais políticas públicas existentes, para que de fato, na prática, possibilite a melhoria da qualidade de vida dos que acessam,

com destaque para o público mais vulnerável. EXISTE uma complexa diferença entre o que pensa o poder público e o que diz a maioria da população acerca da assistência social. O que vem a ser o termo “assistência social”? DURANTE muito tempo, a assistência social era compreendida como benemerência, filantropia e assistencialismo; acontece que desde os últimos anos, a assistência social tem se consolidado como um direito social, como uma política pública não contributiva, que o Estado tem o dever de ofertar a quem dela necessitar. Dessa forma, a assistência social passa a ser executada por instituições e profissionais especializados para enfrentar os problemas da questão social, dotados especificamente de natureza técnica. A SOCIEDADE está preparada para viver sem as diferenças? O HOMEM é um ser social e possui individualidade. Assim sendo, para que possamos viver sem diferença, é necessário que aconteça um processo de transformação da nossa sociedade, no qual, todos nós, na condição de indíviduo, de ser social, que vivemos em comunidade, possamos reconhecer as diferenças de todos e não de apenas alguns, e que, enfim, se possa acolher a todos nesse processo de diferença. Penso que, a partir de então, teremos inclusão.

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Camelô

Sobrevivendo na

informalidade

Camelôs serão retirados de espaços no Centro a partir de construção de shopping popular; Prefeitura não quer criar problema social maior, apesar da exigência do Ministério Público

O

que fazer quando se fica desempregado e não se vê a chamada luz no fim do túnel? Uns se entregam à depressão, à bebida e às drogas; outros, não se conformam em ficar esperando um emprego “cair do céu” e vão à luta. Nesses casos, vale de tudo para sobreviver e o comércio informal é a saída. O que fazer quando você está com três filhos? Qual a solução? A quem recorrer? E quando os filhos pedem comida, o que dar a eles? Foi pen6

sando na resposta de tais perguntas que Maria das Dores, 42, não pensou duas vezes ao aceitar a única oportunidade de trabalho que surgiu há pouco mais de dez anos. Ela estudou até o quarto ano do ensino fundamental e não encontrava meios de se inserir no mercado de trabalho. Até que tentou, mas foi em vão. Chegou a trabalhar de empregada doméstica, mas sentiu que não valia a pena. Diante disso e com três filhos para sustentar, ela tomou uma decisão: foi vender

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água de coco nas ruas da cidade. Hoje, passado esse tempo, Maria das Dores deixou de ser empregada para ser dona do próprio negócio. Mas, quem disse que a vida dela tem sido fácil? Diariamente, Maria das Dores sai do Abolição V (zona oeste). Ela não tem mais filhos menores e o caçula vai completar 18 anos. O mais velho mora com uma tia e o do meio casou recentemente. Todos foram educados e alimentados com o dinheiro obtido pela venda de água de coco.


Camelô E ela não esconde o que a motivou a ir trabalhar na rua: “Foi filho. Tinha que trabalhar e sustentar os filhos”, disse, acrescentando que quando começou a vender água de coco trabalhava para um homem, cujo nome ela disse, mas o repórter não vai informar. Depois de algum tempo, o empresário resolveu que não iria mais continuar no ramo. Sem perspectiva, mas com um dinheirinho que conseguiu juntar, Maria das Dores soube de uma pessoa que queria vender um carrinho e não pensou duas vezes: pegou a economia e o comprou por R$ 400,00. “Eu estava desempregada e vendia para os outros. O dono fechou os carrinhos, e se eu estava dando lucro para ele, por que não vender para mim?”, perguntou. Maria das Dores interrompeu a conversa com o repórter, para atender a um cliente. Na retomada do papo, ela afirmou que a função que exerce informalmente não a deixa sem cumprir suas obrigações. “Pago R$ 70,00 de água, R$ 90,00 de luz e R$ 50,00 da casa que comprei no Abolição V”, afirmou a mulher. Maria das Dores ocupa espaço em frente à Caixa Econômica Federal na Rua Coronel Gurgel, Centro. Em média, ela vende até 150 cocos por semana. “Depende da semana”, informou. E ela investe semanalmente cerca de R$ 180,00 no produto e mais R$ 50,00 em gelo. O copo da água de coco sai por R$ 2,00. Perguntada se ela acharia melhor ter um emprego formal e direito a ganho mensal de um salário mínimo, Maria das Dores respondeu que prefere a profissão que exerce hoje. “A barraquinha é melhor. Sou empregada e dona ao mesmo tempo”, disse. Ela ainda não fez as contas sobre o lucro, mas enfatizou que consegue pagar suas contas e comprar alimentação. A única preocupação de Maria das Dores diz respeito à ação que a Prefeitura de Mossoró vai fazer com as pessoas que trabalham na informalidade no Centro da cidade. “Eles, tirando a gente do meio da rua, vão colocar onde? Será que as pessoas que saem da Caixa vão lá onde a gente vai ficar somente para tomar uma água de coco?”, indagou. A resposta sobre a dúvida dela será tirada mais abaixo. Porém, ela ainda tem mais dúvidas: “Se for a questão de cobrar (imposto), deveriam cobrar e deixar a gente no nosso lugarzinho. Será que esse outro canto vai ser melhor para a gente?” Francisca Veras, 50, é outro exemplo de perseverança. Sem espaço no mercado de trabalho, ela vende cestas (de presente e relacionadas à data comemorativa) há 20 anos. “Só vendo em datas

comemorativas”, disse a mulher, deixando claro que expõe seus produtos de quatro a cinco vezes ao ano. “Quando cheguei aqui, não tinha nenhuma barraca”, lembrou. Antes, era só ela quem vendia cestas, mas agora já tem concorrência. Ela teve de se adequar à realidade e negocia o valor do produto de acordo com a necessidade do cliente. “Já teve tempo de eu vender cesta de até R$ 80,00”, disse. A venda de cestas não é feita exclusivamente no Centro. Ela mantém uma lojinha. Porém, disse que o fiado predomina. “80% das vendas são de fiado. Tem gente que deve desde outubro do ano passado. Você perde a amizade. Prefiro ficar mal, mas eu cobro. Trabalhar com venda é complicado”, comentou. O lucro, disse ela, é pouco. Mas, garante a continuidade da atividade. Francisca Veras estudou até a 1.ª série do ensino médio e disse que se arrependeu de parar de estudar. Ela afirmou que, se pudesse optar entre o emprego formal e a informalidade, preferiria ser empregada. Francisca reconheceu, porém, que é difícil encontrar emprego com

pouco estudo. Por isso, disse, que orienta sua filha a continuar estudando. “Até hoje eu me arrependo de não ter continuado a estudar. Dou conselho à minha filha para ela continuar estudando; é o futuro. Não culpo meus pais, e se eu tivesse estudado, não estaria aqui”, disse, acrescentando: “O trabalho na rua é difícil. É um mundo de altos e baixos.” SAÍDA Tanto Maria das Dores quanto Francisca Veras deverão deixar seus locais de venda. É que a Prefeitura de Mossoró está sendo pressionada a retirar os ambulantes que trabalham ao longo da Rua Coronel Gurgel. A ação partiu do Ministério Público, que quer fazer valer o Código de Postura Municipal e o Código das Cidades – uma lei federal. “O Município não quer ser acusado de omissão, mas ao mesmo tempo não pode simplesmente tirar os ambulantes do local. São famílias carentes e que precisam da atenção do poder público”, disse o secretário municipal do Desenvolvimento Econômico, Mairton França. Segundo o secretário, além da Rua

)) Fátima Veras está na informalidade há 20 anos Jornal de Fato | DOMINGO, 15 de junho de 2014

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Camelô Coronel Gurgel, outro ponto crítico se constata na calçada da Conab, onde ambulantes instalaram barracas para vender produtos que podem ser encontradas no interior do estabelecimento. “Temos problemas sérios na Cobal. São problemas urbanísticos, econômicos e ambientais. Por que as pessoas querem comprar nas calçadas? O comerciante que tem seu negócio dentro da Cobal se sente injustiçado, pois paga seus impostos e concorre com quem está na calçada ali de maneira ilegal e irregular”, disse. No caso dos ambulantes que trabalham no mercado informal no Centro da cidade, o secretário do Desenvolvimento Econômico afirmou que todos os camelôs serão retirados e orientados à formalização de seus negócios. O incentivo virá da Lei Municipal do Microempreendedor Individual. “O prefeito (Francisco José Júnior) tem interesse em criar um programa de governo para regularizar a situação de todos os que estão na informalidade, com apoio do Sebrae e demais parceiros, com a qualificação do ponto de vista gerencial, para que eles (os camelôs) possam abrir suas empresas individuais”, disse França. Com a legalização e a criação de empresas individuais, o secretário disse que os camelôs terão acesso às políticas de crédito que existem nas instituições bancárias. A meta da Prefeitura de Mossoró é acabar com a informalidade e possuir estatísticas do setor. “Uma vez que os camelôs se legalizarem e tiverem seus CNPJs, poderão fazer empréstimos, poderão recorrer ao capital de giro e investir em seus negócios”, comentou. Mairton França afirmou que a ocupa-

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Com a legalização e a criação de empresas individuais, o secretário disse que os camelôs terão acesso às políticas de crédito que existem nas instituições bancárias. A meta da Prefeitura de Mossoró é acabar com a informalidade e possuir estatísticas do setor.

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)) Maria das Dores vende água de coco nas ruas há mais de 10 anos ção das calçadas só é permitida com autorização do poder público municipal, e isso está previsto no Código de Postura de Mossoró, atualizado em 2010. Ele voltou a dizer que a Prefeitura está sendo pressionada pelo Ministério Público e disse que a alegação é a de que o direito do cidadão à cidade é o que tem pesado. Diante disso, frisou que bancas de revistas, barracas de CDs e DVDs, carrinhos de água de coco e outros não podem permanecer nas áreas em que estão. “É uma exigência do Ministério Público”, afirmou. O secretário disse, contudo, que o poder público municipal não pode simplesmente retirar os camelôs. “O poder público não pode desampará-los e o prefeito está estudando um local para a construção de um shopping popular.” Quando acontecer a retirada dos informais da cidade, disse que haverá fiscalização intensa, para evitar que as áreas voltem a ser ocupadas. “Se a gente não fiscalizar, voltará tudo. Não podemos criar prédios sempre”, disse. Mairton França comentou ainda que

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toda a ação de retirada dos camelôs ocorrerá cuidadosamente. “Entendemos que são famílias carentes e não vai ser uma coisa agressiva. O Ministério Público sugeriu que usássemos a polícia para retirá-los. O Município não pode ser acusado de omissão, mas, ao mesmo tempo, não quer criar um problema ainda maior. Tudo será feito com calma.” E já tem prazo para tal medida. Ainda segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico, a ação relacionada à Lei Municipal do Microempreendedor Individual será posta em prática depois que a Câmara Municipal aprovar a reforma administrativa, cujo projeto será enviado ao Legislativo. Pelo prazo informado pelo secretário, a discussão de tudo será iniciada a partir de 1.º de julho. “Vamos discutir o assunto depois da reforma administrativa e poderemos saber quais as secretarias que vão trabalhar o assunto. Esperamos que o projeto (de reforma) seja aprovado no dia 27 ou dia 30 (de junho) por meio de uma sessão extraordinária na Câmara. A ideia será colocada em prática já em 1.º de julho”, enfatizou.


Cultura

‘A Cruviana’

Filosofia, política e ideologia na música Banda lançará seu primeiro CD em julho e mantém agenda de shows ao longo deste mês Jornal de Fato | DOMINGO, 15 de junho de 2014

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Cultura

I

ntervenções culturais, políticas e filosóficas. Todas unidas em um mesmo ambiente. Ou melhor: em uma mesma sintonia. Mesma melodia. Mesmos sons. Mesma voz. Ligadas em um pensamento de vanguarda e que remete ao socialismo. Especificamente ao idealismo político de esquerda. Assim é a banda A Cruviana, formada por estudantes universitários, sendo que alguns são militantes políticos e culturais. Mas será possível seguir, por exemplo, a tendência marxista, na música? Obviamente que a resposta é positiva. Afinal, a cultura se apresenta de maneira forte nesse aspecto e nada melhor que expor ideias que acompanhem alguma mensagem de cunho político. E a música é o melhor instrumento de transmissão de alguma mensagem.

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A Cruviana, banda mossoroense formada por estudantes, sendo que alguns componentes são militantes políticos e culturais, Max Medeiros e Bob Aquino que são vocalista e guitarrista respectivamente, são alguns dos organizadores das intervenções artísticas que acontecem no Beco dos artistas

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Não é de hoje que se percebe a mistura que envolve ideologia, política e música. Na Ditadura Militar que ocorreu no Brasil, a qual se configurou pela repressão da democracia e a extinção do direito de expressão, alguns artistas utilizaram a música para protestar. O protesto de hoje, guardadas as devidas proporções, se equiparam ao que se viu no passado. Mas agora a ideologia cede espaço para algo mais filosófico e envolve o bem coletivo, como a ética e a moral. E é assim, embalada pela ideologia e seguindo um propósito político, que a banda A Cruviana segue. A identificação da banda, enviada ao repórter por um de seus membros, Bob Aquino, remete à questão dita acima: “Bom, somos A Cru-

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viana, banda mossoroense formada por estudantes, sendo que alguns componentes são militantes políticos e culturais, Max Medeiros e Bob Aquino que são vocalista e guitarrista respectivamente, são alguns dos organizadores das intervenções artísticas que acontecem no Beco dos artistas, localizado na travessa Martins de Vasconcelos, as músicas autorais tornaram-se conhecidas entre os frequentadores do beco quando a banda ainda se chamava Projeto Revestrés, que era composto por Max e Bob. Muitas das letras têm mensagens de esquerda ou abordam temáticas filosóficas e existenciais...”. Os dois anos de “estrada”, já que A Cruviana surgiu – de maneira incipiente – em 2002 com outro nome, “Projeto Revestrés” – motivaram seus componentes. Tanto que o primeiro CD sairá no mês que vem, segundo informações passadas por Bob Aquino. A produção do primeiro trabalho não impede, contudo, a agenda de shows. Tanto que a banda tem quatro shows ao longo deste mês.


Cidade Junina

Diversidade

de atrações na

Praça de Eventos Concurso de Maquete Junina, festival de sanfona, barracas de comidas típicas e feira de artesanato são algumas opções

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Cidade Junina

A

programação do Mossoró Cidade Junina não se volta exclusivamente a shows artísticos, “Chuva de Bala” e quadrilhas juninas. Se você não curte estes atrativos, outros podem se encaixar na sua preferência. E podem ser apreciados na Praça de Eventos, localizada ao lado da Estação das Artes Elizeu Ventania. É lá onde está a diversidade de projetos idealizados por alunos da rede pública municipal de ensino. Fala-se aqui do concurso de Maquete Junina, que envolve a disputa entre alunos do 3º ao 5º anos e do 6º ao 9º anos do Ensino Fundamental. Tudo começa neste domingo, 15. Neste ano, de acordo com informações passadas pela Secretaria Municipal de Comunicação Social, seis escolas estão na disputa. Os grupos inscritos, compostos por até dez estudantes, confeccionaram suas maquetes dentro da temática “Festas Juninas”. As maquetes ficarão expostas na Praça de Eventos para apreciação e votação do público. A coordenadora do projeto, Ana Karina, informou que será exposto um banner que mostrará como os alunos confeccionaram seus trabalhos, os quais poderão ser avaliados de quinta-feira a domingo, das 18h às 23h, durante o período do Mossoró Cidade Junina. Cada visitante receberá uma cédula com a relação das maquetes e poderá votar em dois trabalhos, de grupos diferentes. As duas com maior votação receberão prêmio em dinheiro e troféu. A escola vencedora levará R$ 1 mil. A segunda colocada será agraciada com R$

)) Concurso de Maquete junina começa na Praça de Eventos 500,00. Os votos serão calculados por representantes das secretarias da Educação e do Desenvolvimento Social. E a passadinha pela Praça de Eventos pode ser um pouco demorada. É que, além do concurso de maquetes, você poderá apreciar as delícias da Feira de Comidas Típicas, que oferece iguarias diferenciadas e próprias deste período. E ainda existe a opção da Feira de Artesanato.

Se você acha pouco ou prefere algo voltado ao público infanto-juvenil, as atrações do projeto “Botando Boneco Artista” podem ser a melhor alternativa. Neste domingo, as atrações são Marcos Vinícius e Caçuá dos Mamulengos, que se apresentam na Praça de Eventos. E a sua permanência no local pode ser esticada um pouquinho para assistir ao Festival Canta Sanfona.

Veja algumas alternativas deste domingo Tapera Copa Atrações: Lú Seresteira Local: Praça do Memorial da Resistência Memorial Jazz Atrações: Alysson Brazuka Local: Espaço Cafezal / Memorial da Resistência Boca da Noite Atração Atrações: Forró Pé de Serra Local: Espaço Cafezal / Memorial da Resistência Noite à dentro Atrações: Marcos Júnior e Banda Local: Largo do SEBRAE Noite à dentro Atrações: Banda Flor de Muçambê Local: Largo do SEBRAE

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Show no adro da Capela de São Vicente Atrações: Dayanne Nunes Local: Adro da Capela de São Vicente

Pau de Arara Eletrônico Local: Cidadela

Chuva de Bala no País de Mossoró Local: Adro da Capela São Vicente Cidadela Local: Ao lado da Capela São Vicente Música Ao Vivo Atrações: Jonas Filho e Banda Local: Ao lado da Capela São Vicente

Música ao Vivo Atrações: Pé de Serra Local: Praça de Convivência Música ao Vivo Atrações: Israel Kenedy Local: Praça de Convivência

Brinquedos e Brincadeiras Populares Local: Cidadela

Final Estadual Tradicional Local: Arena Deodete Dias

Burro Táxi Local: Cidadela

Festa de São João Batista Local: Paróquia de São João Batista

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sua carreira

Rafael DemeTRIUs

Como transformar um diretor escolar em um gestor

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verdadeira missão do líder da escola é conciliar as demandas burocráticas e pedagógicas – para garantir que os alunos progridam. Em que medida as condições sociais definem a escola? Até que ponto a escola pode transformar as condições sociais? As duas perguntas, que trazem perspectivas de ações diversas, costumam vir à tona quando se reflete sobre o papel da Educação na sociedade. E dar conta desse compromisso – ou, ao menos, tentar – sempre foi o grande desafio das escolas, embora, muitas vezes, as mazelas sociais funcionem como uma justificativa quando professores e diretores falham em suas tarefas. As famílias e a comunidade demandam da escola soluções para problemas sociais. Cabe ao gestor criar as condições para que a realidade seja trabalhada de forma crítica em sala de aula. Na prática, quem responde diretamente por essa cobrança no dia a dia é o diretor escolar, que muitas vezes não sabe como fazer isso. De modo a colaborar com a gestão escolar e a pedido de nossos leitores, traremos a tona como transformar o diretor em um gestor. Quem é o Diretor? Hoje, na avaliação de secretarias municipais e estaduais, institutos de formação, universidades e do próprio Ministério da Educação, o diretor é a figura central para promover esse ganho de qualidade de que a Educação brasileira tanto necessita. E, da mesma forma que seu papel é importante, sua rotina está cada vez mais complexa. Ele deve, cotidianamente, dar conta de diferentes "gestões": do espaço, dos recursos financeiros, de questões legais, da interação com a comunidade do entorno e com a Secretaria de Educação e das relações interpessoais (com funcionários, professores, famílias). Tudo isso, com um objetivo maior, que, se não é novo, ganhou uma importância que parecia um pouco esquecida nos últimos tempos: a aprendizagem dos alunos. Do lado de dentro Imagine uma escola em que o gestor seja visto como um chefe autoritário, pelo qual todos sentem mais temor do que respeito. Agora vislumbre um cenário apenas de cobrança de resultados e exigência do cumprimento de regras, sem a participação nas decisões conceituais e corriqueiras do dia-a-dia. E se esse mesmo diretor só se ocupar das questões burocráticas do cargo, deixando de lado tudo o que se refere às relações humanas, exceto o trato com alunos indisciplinados, encaminhados à sua sala como uma forma de punição? Talvez nem seja preciso ter tanta imaginação, já que muito dessa postura antiquada e praticamente alheia ao cotidiano educacional - na mais precisa acepção da palavra - ainda está bastante presente em algumas escolas brasileiras.

Valorização humana A postura do diretor imprime marca às relações interpessoais no ambiente escolar. Professores, funcionários, pais e alunos ao mesmo tempo ensinam e têm coisas a aprender. Embora um tanto extremo, o exemplo serve para mostrar que a forma como o gestor se posiciona na escola exerce grande influência sobre como se dão as relações interpessoais. O entendimento de alunos, pais, funcionários, professores e, sobretudo, dos próprios diretores sobre seus papéis na dinâmica escolar é decisivo para determinar a qualidade da instituição. E mais: se todos não enxergam que sua função deve, acima de tudo, colaborar para um processo educativo exitoso, é hora de procurar reverter esse quadro. De olho no entorno A escola se insere num bairro e sua equipe deve conhecer a realidade local. Só assim é possível conhecer as necessidades das pessoas e adequar-se a elas. Embora o grande foco do gestor deva ser a aprendizagem dos alunos, de forma alguma isso diminui a importância do coordenador pedagógico. A parceria entre os dois é uma das mais relevantes na construção de uma escola de qualidade. Para isso, eles precisam estar sempre muito afinados. A principal função do coordenador é cuidar da formação dos professores, um dos aspectos decisivos para implementar o projeto pedagógico decidido coletivamente pela comunidade escolar (processo que, como um todo, é de responsabilidade do gestor). Do lado de fora Nas últimas décadas, as demandas sociais em relação à escola têm aumentado substancialmente. O fenômeno se deve, principalmente, ao crescimento da violência urbana - muitas vezes, associada ao consumo e ao tráfico de drogas -, à falta de perspectivas profissionais e ao aumento da competitividade e do individualismo provocados pela globalização da economia. Cada vez mais, exige-se que a escola colabore para transformar esse cenário, perceptível do lado de fora de seus muros, tematizando-o em suas atividades diárias com o objetivo de melhorar o futuro dos estudantes. Foco educativo Lidar com a burocracia não pode ocupar todo o tempo do diretor. Além de conhecer leis e normas e saber gerir recursos, o foco principal deve ser a aprendizagem de crianças e adolescentes. Assim, a equipe de professores precisa se organizar para promover discussões sobre temas locais e globais. Além disso, a postura da equipe e as situações vivenciadas na escola servem como base para abordar temas como cidadania, tolerância e respeito. Teoria Vs. Prática Na teoria, tudo faz sentido. Mas o dia-a-dia da maioria é muito mais ocupado com a solução de emergências do que com o planejamento pedagógico. Que diretor costuma ter muita dificuldade em dizer o que faz parte de sua rotina de trabalho, pois passa o dia resolvendo problemas. Mas nem tudo na escola é urgente. Ele pode determinar uma divisão de tempo, reservando um horário fixo para atender pais, para reuniões com o coordenador etc. O diretor tem de ter visão pedagógica em todas as suas ações. A finalidade de todo o trabalho é garantir que a relação entre ensino e aprendizagem se concretize, quando isso ocorre, o diretor se transforma, efetivamente, num gestor.

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adoro comer

DaVI moURa

Comidas Juninas Existem poucas datas que eu ame tanto quanto o São João. Há um quê de mágico no período. As ruas ficam mais alegres, as pessoas ficam mais simpáticas e até as comidas são mais caprichadas. Até os adeptos do rock ficam mais molinhos e se rendem as quadrilhas que, devemos admitir, são super divertidas. É uma tradição na nossa família – e isso é algo bem Nordeste – comemorar essa data em grande estilo. É um mês que a alegria toma de conta e as famílias esquecem as diferenças para se reunir em volta de uma grande fogueira e uma grande mesa de

Queijo de coalho: trata-se de um tipo de queijo de massa branca, muito comum na mesa dos potiguares e bem resistente ao calor. Essa sua característica o garante ser preparado de diversas formas diferentes. Uma das mais queridas pelos nordestinos em geral é quando o mesmo é assado. Salgadinho, apresenta-se como uma boa opção para acompanhar a tapioca. Queijo de manteiga: também conhecido como requeijão do sertão, tem um valor calórico mais elevado do que o queijo de coalho. É o meu favorito de todos os tempos! Além de ser a cara do Nordeste, em minutos pode virar um perfeito fondue, ou até mesmo acompanhar um pão francês bem quentinho. Há quem considere gordura pura, mas é uma paixão! Cocada: é um doce angolano, mas já se estabeleceu no Brasil há tanto tempo que já a consideramos de casa. Saborosa e servida em porções pequenas, sua versão mais comum é feita de coco, mas também se apresenta com leite, chocolate e até polpas de frutas. Uma boa opção de sobremesa ou, para os mais atrevidos, para ir comendo junto com os salgados. Pudim: não é exatamente uma comida típica da época junina, mas, através de pesquisas, já foi comprovado que é a sobremesa favorita do potiguar. Talvez pela sua simplicidade ou por seu sabor leve, mas marcante. Arroz doce: prato mais comum em várias regiões do Brasil, é uma versão açucarada do nordestino "arroz de leite", já que, por aqui, normalmente o comemos salgado. Polvilhado com canela, leite sempre faz sucesso. Pé de moleque: dizem que o original é aquele feito com amendoim e rapadura. Já esse aqui é o bolo mesmo, da massa pretinha, feito com cravos, castanhas e outras iguarias.

quitutes. Ouso dizer que agrega mais pessoas que as próprias comemorações natalinas. Vale lembrar que o mês de junho é a época da colheita do milho, então grande parte dos pratos são feitos com essa deliciosa iguaria bem comum na nossa região. Na minha família, a festividade acontece com muita roupa quadriculada, músicas regionais e até um pouquinho de cachaça e vinho. Minha mãe, como boa matriarca, organiza e convida todos, além de preparar quitutes para ninguém colocar defeito. Acompanhe alguns dos pratos:

deixando-o mais denso e doce. Doces: o potiguar adora um bom doce e são boas companhias para após as refeições. Na festa junina, eles não poderiam deixar de aparecer. Dois dos favoritos são o doce de leite e de mamão com coco. Canjica: é um tipo de mingau de milho e pode ser servida quente ou gelada, polvilhada ou não com canela. Quando pensamos em comidas típicas, essa é a primeira que vem à mente. Milho: servido cozido, com um pouco de sal, para comer direto na palha, remontando bem os momentos de infância. É uma comfort food na certa para quem viveu nessa região na infância. Munguzá: pra quem não conhece, é como se fosse um creme de leite e milho. Pode ser consumido salgado ou doce, muito embora minha mãe sempre tenha nos ensinado a comê-lo salgadinho. Pamonha: outra comidinha super típica e que é a cara do São João. Feita com milho preparado e colocado na própria palha do milho. Bem comum na região centro-oeste do país, onde a mesma é apresentada em suas variações recheadas. Tapioca: pratinho feito com a goma da mandioca, formando discos que são enrolados em charutos. Podem ser servidas no leite de coco ou até mesmo só na manteiga. No geral, são pratos fáceis e que podem ser facilmente feitos em casa. Que tal tentar?

Bolo de milho: o bolinho é um ótimo acompanhante para o café do fim de tarde, já que é uma iguaria consumida durante o ano inteiro. Macio, fofinho e bem gostoso, pode ser feito também com acréscimo de leite condensado, Aproveite e acesse o http://blogadorocomer.blogspot.com para conferir esta e outras delícias! 14

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adoro adoro comer comer

Arroz doce By Angélica Vitali

InGReDIenTes Molho de Abóbora • 2,5l de leite • 300g de arroz • 200g de açúcar • 300ml de leite condensado • 300g de chocolate Belga branco • 15ml de azeite

MODO DE faZeR • Em uma panela grande, coloque o leite, o leite condensado, o açúcar, o azeite e o arroz e leve ao fogo alto; • Quando iniciar a fervura, abaixe o fogo; • Acrescente o chocolate Belga; • Cozinhe em fogo baixo por 40 minutos, mexendo de vez em quando.

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Revista de Domingo nº 660  

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