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editorial ao leitor

Desafios da Inclusão

A

Boa leitura, Nara Andrade

p4 Entrevista

Nutricionista Kaline Melo fala dos riscos de praticar exercícios sem se alimentar e sem orientação profissional

inclusão de alunos com deficiência em escolas regulares já é prevista por lei. No entanto, este é um processo que está longe de se concretizar, já que ainda existe muita resistência, tanto por parte das escolas, como da própria família que temem o isolamento da criança não só por vivermos em tempos onde o bullying acontece cada vez mais nas escolas, além de problemas como a falta de estrutura e de profissionais qualificados para atender a essa determinada clientela. DOMINGO traz essa semana, os desafios da inclusão de crianças portadoras de deficiência visual na escola regular em Mossoró. O pequeno Pedro Henrique, de apenas 6 anos, portador de deficiência visual, está vivenciando a experiência de ingressar numa escola regular. Se para ele a nova escola é um universo completamente novo e cheio de desafios, para a Escola Municipal Professor Francisco Morais Filho e sua a equipe profissional é uma experiência bastante desafiadora, principalmente, por nunca ter tido um aluno cego. João Ferreira, secretário da Associação de Apoio ao Deficiente Visual (ADVM), diz que apesar de recursos enviados pelo Ministério da Educação (MEC) e todo cuidado que o município de Mossoró, através da Secretaria de Educação, tem tido na qualificação de profissionais no atendimento especializado, ainda falta estrutura. Também nesta edição um material sobre como os profissionais que precisam usar roupas mais pesadas, como terno e gravata, enfrentam a estação mais quente do ano, o verão. DOMINGO conversou com profissionais, como o vicepresidente do Fórum Desembargador Silveira Martins em Mossoró, juiz Herval Sampaio, sobre a exigência que alguns juízes fazem dos advogados utilizarem ternos durante as audiências. Para o juiz, o uso de roupas pesadas em uma cidade como Mossoró é desnecessário e que deveria existir uma maior flexibilidade em relação a essa questão. Ainda nesta edição, DOMINGO fala do grande espetáculo de solidariedade dos amigos do engenheiro agrônomo José Valdir, que luta contra um tumor na cabeça. Reunidos, o grupo de amigos está promovendo o show “Viva Zé Valdir” que terá toda verba arrecadada revertida para custear as despesas do tratamento de alto custo. Na sessão de entrevista, a nutricionista Kaline Melo fala dos riscos de praticar esportes sem se alimentar de forma correta, das dietas de revista e dá orientações sobre como se exercitar de forma saudável.

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Desafios da inclusão

Presença de alunos portadores de deficiência ainda é desafiadora para escolas regulares públicas e privadas

Elegância x Calor

Profissionais falam do desgaste de trabalhar com roupas pesadas enfrentando as altas temperaturas

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Sua carreira

Rafael Demetrius: 10 dicas para falar em público

Adoro comer

Colunista Davi Moura: Penne com calabresa

• Edição – C&S Assessoria de Comunicação • Editor-geral – Wil­liam Rob­son • Editora – Nara Andrade • Dia­gra­ma­ção – Rick Waekmann • Projeto Gráfico – Augusto Paiva • Im­pres­são – Grá­fi­ca De Fa­to • Re­vi­são – Gilcileno Amorim e Stella Sâmia • Fotos – Carlos Costa, Marcos Garcia, Cezar Alves e Gildo Bento • In­fo­grá­fi­cos – Neto Silva Re­da­ção, pu­bli­ci­da­de e cor­res­pon­dên­cia Av. Rio Bran­co, 2203 – Mos­so­ró (RN) Fo­nes: (0xx84) 3323-8900/8909 Si­te: www.de­fa­to.com/do­min­go E-mail: re­da­cao@de­fa­to.com Do­min­go é uma pu­bli­ca­ção se­ma­nal do Jor­nal de Fa­to. Não po­de ser ven­di­da se­pa­ra­da­men­te.

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conto

josÉ Nicodemos*

A figura da felicidade

(

Envie sugestões e críticas para o e-mail: aristida603@hotmail.com

)

O

s fins de semana, o Dr. Lopes costumava passar no sítio de sua propriedade, em Buraco Dágua. Ia distrair o enfado das lidas forenses, complicações processuais. Era juiz de direito, havia mais de vinte anos, e já se sentia cansado do ofício. Revigorava-se ali em meio à natureza. De madrugadinha, o leito ao pé da vaca, depois o banho de rio, em cuecas. De tardinha, o seu uísque no alpendre da frente, a ouvir, deliciado, as graúnas cantando dentro do carnaubal até onde a vista podia alcançar. A casa ficava num alto, donde se podia contemplar toda a beleza panorâmica do lugar, em geral, e do rio, em particular. Ao pé dele, Dr. Lopes, o negro Peroba, às suas ordens. Peroba era o vivente mais velho dali, a vida inteira na luta com bichos. Nunca, em toda a sua existência, botou o pé além dos limites do seu mundo geográfico. De maneira que toda a sua experiência humana, e de mundo, se restringia a Buraco Dágua, onde nascera e fora criado. “Um inocente das coisas do mundo” – dizia o Dr. Lopes, tomado de uma gran-

Peroba era o vivente mais velho dali, a vida inteira na luta com bichos. Nunca, em toda a sua existência, botou o pé além dos limites do seu mundo geográfico.

de ternura pelo negro Peroba. Queria-lhe grande bem. Talvez fosse o caso de muitos moradores da rua verem, no negro Peroba, quase um bicho do mato, uma existência infeliz. Sempre pensava, consigo, em silêncio, o Dr. Lopes, observando-lhe a felicidade de ânimo com que cuidava dos bichos, em principal lavando o cavalo, de tardezinha, amarrado a uma forquilha do alpendre. Um homem feliz em (e com) seu pequeno mundo entre o rio e o carnaubal. . E de cada vez, mais o Dr. Lopes se

compenetrava de que a verdadeira felicidade se figurava naquele homem, preso a seu chão, como as carnaubeiras. Era, Peroba, a mais completa ignorância das dores e tragédias do mundo, e sendo limitado a seu mundo verde, também não sentia falta dos prazeres da cidade, nunca experimentados. A verdadeira felicidade estava na pureza do ser, e de ser. No alheamento total das coisas do mundo – refletia, enternecido, o Dr. Lopes. E era-lhe, o negro Peroba, a mais autêntica figura da felicidade humana, em carne e osso.

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Davi Moura

entrevista

KaLiNe MeLo

“Durante o exercício, a hidratação é fundamental”

Por Nara Andrade naraandrade@gmail.com

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os últimos dias, foram noticiadas mortes de pessoas durante ou logo após a prática de exercícios físicos. DOMINGO conversou com a nutricionista mossoroense Kaline Melo, de 27 anos, graduada pela Universidade Potiguar (UnP), que atua em nutrição esportiva e clínica, sobre os riscos da prática de educação física de forma indiscriminada, sem orientação de um profissional, além dos ris-

DOMINGO – Na ânsia de perder peso, muitas pessoas deixam de fazer uma dieta com acompanhamento de nutricionista, as famosas dietas de revistas? KALINE MELO – Muito se fala em emagrecimento na mídia e a cada dia surgem dietas diferentes: dieta das frutas, dietas da lua, dieta das estrelas, entre muitas outras dietas. Sem 4

cos de seguir dietas bastante restritivas facilmente encontradas nas revistas. Kaline Melo é especializanda em Nutrição Esportiva pela Universidade Gama Filho (UGF), especialista em Nutrição em Nefrologia pelo Instituto Cristina Martins (ICM), em Curitiba (PR), em 2012, e especialista em Nutrição Clínica no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP), no Recife (PE), em 2010.

contar as dietas das revistas, prometendo verdadeiros milagres na perda de peso. Muitos pacientes chegam ao consultório e comentam que perderam peso com a dieta X, mas quando voltam a se alimentar como antes, obtêm o ganho de peso novamente. Esse desejo de emagrecer por conta própria pode tornar o plano de emagrecimento difícil de ser cumprido. É importante

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lembrar que temos um metabolismo que precisa de nutrientes para funcionar adequadamente. A falta de pelo menos um deles (ou até excesso) pode dificultar o processo de emagrecimento. Quando submetemos nosso organismo a essas dietas restritas, ocorrem diversos desequilíbrios que podem tomar uma proporção maior e se tornar perigosos ao organismo.


entrevista QUAIS os riscos desses tipos de dietas? NÃO são baseadas em evidências que priorizam os princípios da nutrição e não reforçam a importância da educação alimentar. Muitas são restritas a um único grupo de alimentos ou nutrientes, o que pode desencadear desequilíbrio nutricional. Quando existe a perda muita rápida de peso, o indivíduo geralmente não está perdendo gordura corporal, e sim, massa magra. Não são orientadas por profissional especializado. Nessas dietas, geralmente ocorre o que chamamos de efeito “sanfona”. Não existem trabalhos com evidências científicas, validando essas dietas. Podem desencadear distúrbios alimentares, como por exemplo a ansiedade e compulsão alimentar por deficiência e desequilíbrio de neurotransmissores, responsáveis por saciedade, compulsividade e fome. OUTRA questão bastante preocupante é a prática de atividades físicas de forma indiscriminada sem avaliação médica prévia. Quais cuidados devem ser tomados por quem pretende iniciar uma atividade física? O PRIMEIRO passo é a avaliação médica, afinal, o coração, circulação e músculos serão mais exigidos, principalmente para os sedentários. Então, antes de dar o primeiro mergulho ou levantar o primeiro peso, não se esqueça de fazer um checape completo sem descartar, depois, a avaliação física na academia. Uma vez liberado pelo seu médico, o próximo passo é transformar sua ida à academia numa rotina. Não existe fórmula mágica adequada a todos. Nem no que se refere ao tipo de esporte até a frequência. Cada pessoa tem seu ritmo, seus objetivos e suas limitações, que devem ser averiguadas e respeitadas. MUITAS pessoas deixam de comer antes de se exercitar, por achar incômodo malhar, por exemplo, de barriga cheia. Essa é uma prática correta ou representa um risco à saúde? A PRÁTICA de treinar em jejum pela manhã ou treinar em outro horário sem se alimentar “achando” que vai queimar mais gordura. Esqueça, não faça isso. Assim, a única coisa que você vai fazer é queimar seu músculo. Se o indivíduo estiver em jejum, corre o risco de ter hipoglicemia durante o exercício, já que quando o açúcar no sangue está baixo, neste momento então, as proteínas passam a ter importante participação no metabolismo e ressíntese de

energia, o que não é interessante para o ganho de massa muscular. O QUE é recomendado comer antes de treinar? ALIMENTAÇÃO é imprescindível, afinal, você pode dirigir um carro sem combustível? Então, por que seu organismo seria diferente? Até 1 hora antes dos exercícios, consuma alimentos que dão energia ao músculo. Mas nada de exagerar no lanchinho para não dificultar a digestão e a glicose estar disponível para aos músculos. Melhores fontes: carboidratos, de preferência de baixo a moderado índice glicêmico pães torrados, biscoitos de água e sal, frutas (banana, maçã, pera), batatadoce, cereais, algumas barras energéticas à base de carboidrato, carboidratos em gel ou líquido. OUTRA dúvida bastante recorrente é sobre o consumo de água durante o treino. É correto fazer pequenas pausas para beber água ou é melhor deixar para tomar depois? DURANTE o exercício, a hidratação é fundamental, para aqueles que fazem atividades intensas com duração superior a 1 hora, podemos lançar mão de bebidas isotônicas, que devem ser consumidas com moderação e orientação, ou carboidratos em forma de gel ou líquido para manter o desempenho, dependendo da atividade física. FACILMENTE, são encontradas em revistas receitas de águas que, segundo as publicações, ajudam a emagrecer, como a água de berinjela e água de gengibre. Muitas pessoas passam o dia tomando essas águas, substituindo pela água normal. Esse hábito é saudável? Essas águas funcionam realmente? Como? OS CHÁS são bebidas obtidas pela adição de partes de vegetais (folhas, flores, frutas e cascas) em água quente. São ótimas opções para serem consumidas depois das refeições, nos lanches. Os chás podem proporcionar benefícios à saúde, porém não devem ser substituídos pela água. O ideal é que o uso dos chás seja indicado por um profissional da saúde, pois é preciso conhecer a eficácia da planta e sua ação no organismo. ALGUMAS pessoas tomam água de gengibre durante o treino, isso é eficaz? O GENGIBRE é um alimento o qual possui um baixo valor calórico, além de conter alguns minerais importantes

(como magnésio e potássio) e vitaminas (folato e vitamina B6). O gingerol é uma das substâncias ativas presentes no gengibre com ações benéficas ao organismo: antioxidante, antifúngico, anti-inflamatório, analgésico. O gingerol também é conhecido por sua ação termogênica, auxiliando na perda de peso para quem procura emagrecer, e pode ser usado durante treino: água com gengibre picado. Porém, é necessário ressaltar que se deve tomar cuidado com o consumo excessivo de gengibre, pois alguns estudos mostraram que a alta ingestão pode provocar efeitos adversos, como aborto em mulheres principalmente no início da gestação, aumento do fluxo sanguíneo nas mulheres em período menstrual, surgimento de quadros de úlcera, azia e gastrite. QUAL a orientação para quem quer fazer uma atividade física de forma saudável? PRIMEIRO passo, depois de uma avaliação médica, é procurar uma atividade física com a qual você se identifique, e não treinar por conta própria, portanto procure uma academia e verifique se o profissional que te orientará é formado em educação física, somente ele tem um conhecimento de áreas específicas para atuação no treinamento corporal, e na hora de prescrever o treinamento de um aluno, esse profissional utiliza todos esses conhecimentos para ajudar esse aluno a atingir seus objetivos específicos, de forma segura e objetiva. Outro ponto importante é buscar um profissional nutricionista, para te orientar na alimentação, que é um fator fundamental para garantir um bom resultado. Uma nutrição correta ajuda a evitar a fadiga, otimiza o período de recuperação, diminui o risco de lesões, além de garantir a correta reposição dos estoques de energia. Por outro lado, não atingir as demandas nutricionais adequadas pode prejudicar a recuperação pós-treino e comprometer a saúde dos indivíduos. Por isso, é indispensável o acompanhamento de um nutricionista para avaliar quais nutrientes deverão ser inseridos na alimentação do praticante, de forma que ele alcance seus objetivos sem desenvolver uma carência nutricional. Na elaboração de uma dieta para o desportista, devem ser levados em conta diversos fatores, como as rotinas de treino, os tipos de atividades, os hábitos alimentares, o histórico familiar de doenças, o percentual de gordura, a massa muscular, entre outros.

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Educação

)) Pedro Henrique está tirando de letra a nova experiência

Desafios da

Inclusão Com apenas 6 anos, Pedro Henrique vive a experiência de entrar para uma escola nova. Sua chegada também é um desafio para a unidade educacional, já que Pedro é portador de deficiência visual

D

esde a segunda-feira (27), Pedro Henrique Freitas Batista, de apenas 6 anos, vive uma experiência nova. Com o início do ano letivo na rede municipal de ensino, o menino que até o último ano frequentava a Unidade de Educação Infantil (UEI) Maria das Dores, onde estava matriculado desde os três anos, entrou para uma nova unidade educacional, a Escola Municipal Professor Francisco Morais Filho. A situação seria comum, se não fosse o 6

fato de o pequeno Pedro ser portador de Deficiência Visual. Diferente do que muitos poderiam pensar, o menino está tirando de letra toda a situação, segundo a equipe de profissionais do colégio, em vez de ficar isolado em um canto devido à sua deficiência, Pedro tem sido bastante participativo durante as aulas, interagido bem com os coleguinhas de turma, que também o receberam muito bem. Nesses poucos dias de convivência, o

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)) Silvia Vale, coordenadora pedagógica


Educação menino tem surpreendido a todos na escola, mas uma atitude em especial chamou a atenção de todos. A coordenadora pedagógica Silvia Vale conta que a professora chegou a pensar em ficar com Pedro na hora do intervalo para ele não fica sozinho, mas ele fez questão de sair para o pátio e acompanhado por uma pessoa da escola aproveitou a hora do recreio como todas as outras crianças. Se para o menino estar em um ambiente novo, com pessoas diferentes, e ainda tendo que lidar com conteúdos pedagógicos novos, mais avançados, a experiência é desafiadora para a escola e toda equipe de profissionais. A inclusão de uma criança com deficiência visual também tem sido um desafio, mesmo que a escola em questão já viesse realizando um trabalho voltado para a inclusão de alunos portadores de qualquer que fosse sua deficiência. “A gente já vinha se preparando para receber da melhor forma possível esse público, há quatro anos, além de receber alguns materiais pedagógicos voltados para a inclusão do aluno com deficiência na escola regular, a escola também vinha adquirindo esse tipo de material com recursos próprios. Não deixa de ser um desafio, porque até o momento nós já havíamos tido uma aluna com baixa visão, mas um aluno cego é a primeira vez”, explica a coordenadora. Uma das coisas que tem ajudado a escola no trabalho com Pedro tem sido a parceria com o Centro de Apoio ao Deficiente Visual (CADV). A diretora da Escola Municipal Professor Francisco Morais Filho, Vanuzia Saldanha, afirma que existe um intercâmbio com o centro. “Representantes do CADV vêm visitar a escola para acompanhar o desenvolvimento do aluno. Há um intercâmbio de estratégias pedagógicas e sugestões de atividades que podem ser aplicadas

Descobrimos a cegueira quando ele já tinha 8 meses. Faltou chão, mas mesmo cego ele é feliz, faz tudo que uma criança normal faz, assiste TV, gosta de estudar, é muito inteligente”

Claudineide Freitas Leite Mãe de Pedro Henrique

)) Professora de Pedro Henrique usa atividades em alto relevo para que ele possa perceber formas para garantir todo o suporte educacional à criança portadora de deficiência visual, nesse caso o aluno Pedro Henrique”, complementa. No dia que a reportagem da DOMINGO visitou a escola de Pedro Henrique para conversar com o menino e a equipe de profissionais responsáveis pela unidade educacional, encontramos o menino e seus colegas de turma ainda muito agitados, pois haviam acabado de voltar do intervalo. A professora Eliana Maria Pires, educadamente, pediu para a gente aguardar um pouco enquanto acalmava a turma para voltar a dar aula, já que a reportagem pediu para acompanhar um pouco da aula para perceber o comportamento do menino. Quando a turma se acalmou, a professora retomou o conteúdo que estava lecionando antes do intervalo, sobre a letra “P”, para isso ela usou a conhecida cantiga “Pirulito que bate-bate”. Depois a professora perguntou se a turma conhecida outras palavras que iniciavam com a letra “P” e o menino, mal esperando a professora concluir a pergunta, rapidamente levantou o braço dizendo que seu nome começava com a letrinha estudada, depois dele, as demais crianças da turma continuaram falando outras palavras iniciadas com a mesma letra. Para a mãe do menino, Claudineide Freitas Leite, a atitude do menino não foi surpresa. Ela disse logo, “ele já sabe todas as letras, e sabe contar também”. Como forma de incluir todos os alunos na mesma atividade, a professora utilizou cola colorida e desenhou um pirulito nos cadernos de todos os alunos, pois assim nem Pedro, nem os demais alunos

se sentiram diferentes. Como a professora utilizou a cola, o desenho do pirulito ao secar, ficou em alto relevo e Pedro pode perceber através do tato o formato do pirulito. Essa formar de incluir todos os alunos tem sido usada em todas as atividades. Muita coisa Eliana Pires conta que tem trazido da Especialização em Atendimento Educacional Especializado, e ela garante que a pós-graduação tem garantido muitos subsídios para a inclusão do pequeno Pedro e qualquer outro aluno que porventura venha precisar de um atendimento especial. Pedro Henrique também faz atendimento no CADV, e é lá onde ele está aprendendo o Braille (ver box). Orgulhosa, a mãe conta que Pedro já está aprendendo a letra “P”. Ainda falta estrutura DOMINGO conversou com João Ferreira, Secretário da Associação de Apoio ao Deficiente Visual em Mossoró (ADVM), para saber como está o processo de inclusão da criança, do estudante, cego na escola regular. O secretário informou que a associação vem acompanhando o trabalho das escolas, que recebe do Ministério da Educação (MEC) recursos para o atendimento desse público. Segundo João Ferreira, entre os recursos estão, computadores com softwares que possibilitam que alunos com deficiência aprendam a utilizar o computador. Esses equipamentos vêm para salas de Atendimento Educacional Especializado (AEE), presente em cerca de 30% das escolas da rede municipal de ensino, responsável pela Educação Básica e Fundamental I.

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Educação No entanto, o secretário da ADVM explica que esses computadores vêm com um software ultrapassado. “Os computadores enviados pelo MEC ainda utilizam o programa Dosvox, que é bastante limitado. Hoje, já existem programas mais avançados, como exemplo, o Jaws, que atualmente é o melhor software para deficientes visuais utilizarem o computador, pois garantem cerca de 95% de autonomia na utilização do equipamento”, frisa. O secretário também falou do trabalho realizado pelo município através da Secretaria de Educação. Ele afirma que o município tem tido o cuidado de qualificar pessoas para garantir a inclusão de alunos portadores de deficiência na escola regular. Porém, ele fala que a quantidade de pessoas que estão sendo qualificadas ainda não corresponde com a necessidade do município. “Mesmo tendo os recursos enviados pelo MEC e a qualificação de pessoas ainda não é o suficiente, é preciso mais. O CADV, por exemplo, também não tem estrutura nem a quantidade certa de pessoas para atender toda demanda”, enfatiza. Escolas particulares DOMINGO também procurou algumas escolas da rede privada para saber se estão preparadas para receber crianças portadoras de deficiência visual. O diretor de uma das unidades procuradas, Alexandre Burlamaqui, explicou que a escola dispõe da estrutura básica exigida para o atendimento dessa clientela.

)) Claudineide Freitas Leite mãe de Pedro Henrique

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)) Eliane Maria Pires, Professora De acordo com o diretor, o colégio possui identificação em Braille nas salas de aula e pisos táteis direcionais. Sobre a disponibilidade de material pedagógico voltado para esse público, Alexandre explica que o colégio não dispõe por não possuir nenhum aluno com essa necessidade específica. “Receber um estudante com necessidades especiais, seja ela qual for, é sempre um desafio, que as escolas têm que encarar quando for necessário”, comenta. DOMINGO também tentou contato com outros colégios particulares, mas não recebeu retorno antes do fechamento desta edição. Artigo sobre o tema Em um artigo publicado sobre a Inclusão da Criança com Deficiência Visual na Escola Regular, Eliana Cunha de Lima, ortoptista, membro da Sociedade Brasileira de Visão Subnormal, assessora do Serviço de Apoio à Inclusão da Fundação Dorina Nowill para Cegos, afirma que concretizar na rotina escolar o que foi estabelecido por lei é um dos grandes desafios da atualidade. “Hoje, ouvimos depoimentos recorrentes de alunos com deficiência visual e de suas famílias no sentido de que falta qualificação por parte dos professores; há ausência ou insuficiência de materiais adaptados e acessíveis que possibilitem um desempenho escolar adequado; e os ambientes são pouco permeados com atitudes que realmente favoreçam a verdadeira inclusão”, comenta. Segundo Eliana Cunha de Lima, ao mesmo tempo, as declarações dos educadores revestem-se cada vez mais de tons de súplica de quem não sabe o que fazer e como desempenhar seus papéis para contemplar a inclusão de todos. Para ela, frustração, ansiedade e desesperança são sentimentos comuns a todos os atores envolvidos no atual cenário educacional e que levam à reflexão sobre quais mudanças a escola regular

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Durante conversa com a reportagem, Pedro Henrique fez questão de dizer que a palavra “jornal” começava com a letra “J”

deve promover para garantir uma prática pedagógica adequada a todos os alunos. “É fato que o professor deve conhecer a temática da deficiência visual com foco no aluno. Aprender o sistema de leitura e escrita em Braille, as variáveis que acompanham a percepção visual dos alunos com baixa visão e os recursos por eles utilizados para obtenção de um maior rendimento escolar, noções básicas de orientação e mobilidade, recursos tecnológicos são exemplos de competências a serem desenvolvidas para o pleno desenvolvimento da criança com deficiência visual”, enfatiza. Eliana Cunha de Lima diz ainda que não acredita ser suficiente apenas a legislação e a “boa vontade” para haver a verdadeira inclusão escolar. “Torna-se indispensável que cada escola busque a capacitação dos seus educadores e professores; realize adaptações curriculares e adquira material escolar acessível como parte fundamental do processo. Além disso - e mais do que tudo isso – a escola deve garantir um ambiente acolhedor, onde o respeito à dignidade do ser humano não seja apenas discutido, mas exercitado por toda a comunidade escolar”, conclui.


Altas temperaturas

Elegância

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Calor )) Advogado Demetrius de Siqueira diz que é complicado enfrentar o calor de terno e gravata

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urante o verão os profissionais que precisam trabalhar com roupas mais pesadas como terno e gravata, ou terninhos no caso de mulheres, como os advogados, por exemplo, sofrem para enfrentar as altas temperaturas sem perder a elegância, principalmente em cidades como Mossoró, onde é quente o ano todo. Algumas empresas ao redor do Brasil já atentaram para essa questão e estão procurando proporcionar mais conforto aos seus funcionários como forma de garantir a qualidade do trabalho, evitando assim a queda na produtividade. Certas organizações já permitem que os funcionários trabalhem de bermudas e roupas mais leves, dispensando muitas vezes os fardamentos, ou criando uma opção de farda específica para esse pe-

DOMINGO conversou com profissionais que precisam trabalhar com roupas formais e sofrem para enfrentar as altas temperaturas do verão sem perder a elegância

ríodo do ano. A empresa O Gaveteiro, de São Paulo, e-commerce focado na venda de materiais de escritório, permite que os funcionários trabalhem de bermuda e camiseta, além de oferecer um ambiente chamado Biergarten, com grama artificial, mesinhas, jogos e bebidas para os funcionários. Durante o expediente, os funcionários têm à disposição suco e refrigerante. Toda sexta-feira, após o expediente, a cerveja é liberada para os funcionários. Outra empresa, o GetNinjas, plataforma para contratação de profissionais, liberou a bermuda e camiseta, além de oferecer sorvete aos funcionários. Por enquanto, essa tendência ainda não chegou a Mossoró, e os profissionais precisam se valer de alguns truques pa-

ra não sofrerem tanto com o calor intenso de nossa região. Cultura do terno e gravata DOMINGO visitou o Fórum Desembargador Silveira Martins de Mossoró e conversou com alguns profissionais sobre o assunto. O advogado Demetrius de Siqueira afirma que essa é uma questão bastante complicada. “A gente procura fugir do calor de todo jeito. Ou passando o máximo de tempo sem o blazer, ou evitando a gravata, e mesmo assim ainda é muito difícil enfrentar o calor, mesmo eu sendo natural de Pau dos Ferros, onde também é muito quente, tem hora que é complicado”, frisa. Por outro lado, o advogado lembra

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Altas temperaturas que o terno e a gravata fazem parte da identificação do profissional. Para ele, um advogado participar de uma audiência sem os trajes adequados fica descaracterizado. “Quando a gente está no escritório é fácil porque tem ar-condicionado, o problema é os dias de audiência, porque aí é indispensável, principalmente, devido à exigência de alguns juízes”, comenta. Já a advogada Ana Rízia Martins de Lima afirma que devido ao calor a necessidade de estar sempre vestida com roupas mais formais, com comprimentos maiores, no caso de saias ou o próprio terninho, é muito desgastante e não tem como evitar, já que os profissionais precisam atender à solicitação dos tribunais. “Em determinados horários do dia, alguns espaços do Fórum ficam muito quentes, e uma das estratégias que utilizamos para fugir do calor é ficar na sala da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que é climatizada, nos intervalos entre audiências”, enfatiza. DOMINGO também procurou os responsáveis pelo Fórum Desembargador Silveira Martins de Mossoró e conversou com o vice-diretor, juiz Herval Sampaio, que emitiu sua opinião sobre o assunto. Para o juiz, o uso de terno e gravata

)) Advogada Ana Rízia diz que usar roupas mais formais com o calor é bastante desgastante é mais uma questão de tradição e não de exigência. “Na minha opinião, não deveria haver essa obrigatoriedade. Tem juiz que exige mesmo, mas acho que deveria ter uma maior flexibilidade. Se analisarmos por outro lado veremos que é altamente razoável. Eu, por exemplo, só uso o paletó excepcionalmente, realmente em ocasiões mais formais, que exijam mesmo, no dia a dia não uso, e não deixaria de realizar uma audiência se um dos advogados estivesse de camisa pólo”, complementa.

)) Karla Menezes, Personal Stylist 10

Dicas de Especialista DOMINGO também buscou orientação da Personal Stylist Karla Menezes Duarte sobre como fugir do calor e se manter elegante. A profissional dá dicas de vestimentas para mulheres e homens,

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acessórios, calçados e tecidos que devem ser utilizados por quem precisa enfrentar as altas temperaturas do verão. Karla Menezes adianta que casacos são sinônimos de elegância e não é a toa que Paris é tida como uma das cidades mais elegantes do planeta, pessoas com golas rules e sobretudos. No entanto, essa é uma realidade impossível para quem vive em Mossoró, cidade onde faz calor 365 dias por ano. “Em épocas como esta, de verão, quando o calor é mais intenso, é comum surgir a dúvida de como se portar com elegância em ambientes formais como o de trabalho”, fala. Segundo a personal stylist, seguindo algumas dicas é possível tornar o período menos tortuoso e evitar alguns inconvenientes provocados pelo calor intenso.


Altas temperaturas

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Fuja do calor sem perder a elegância - Karla Menezes Para as Mulheres

Saia Claro que temos que prestar atenção no comprimento, mas a saia lápis costuma ser uma alternativa elegante para os dias de calor, pode ser combinada com camisões ou em conjunto com blazer, nesse segundo caso, devemos chamar a união tailleur (eternizado por Coco Chanel na década de 50), uma das mais clássicas combinações da história e que cai muito bem para as de mais idade. Quanto ao comprimento da saia lápis, o ideal é logo acima do joelho, abaixo disso, podem parecer mais composto, porém dificulta a locomoção. Caso prefiram modelos menos justos, o godê em tamanho midi (no meio da canela) é uma ótima opção para as mais altas. As saias longas também merecem destaque, faça uma opção para as que não tenham forro, pois podem esquentar bastante, outro ponto é a estampa muito colorida, que pode passar um ar de informalidade, na dúvida escolhe por cores sóbrias. Vestidos Cabem em muitas ocasiões, com ressalvas ao comprimento, que deve se aplicar as mesmas regras da saia. Escolha um modelo tubinho ou rodado com pouco volume e em tamanho midi. Vestidos longos podem ser informais demais.

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Para Homens

Terno e Gravata Não há muito o que fazer neste caso. Ternos de Poliéster são um forno por natureza sintética, entretanto, para os que estão dispostos a investir, têm os de lã fria, linho e sarja, que são mais fininhos e frescos. Uma opção é andar o máximo de tempo apenas de camisa e por o terno e a gravata só na hora do expediente. A dica das cores também vale na ala masculina, por que não usar um terno Khaki, por exemplo? Camisas Se você pode dispensar o costume (a calça e paletó), ótimo! Camisas sociais geralmente mantêm o clima social, invista nas camisas Slim fit, que ficam mais ajustadas ao corpo, mas não coladas, se estiver muito quente dobre as mangas até acima do cotovelo. Outra opção é usar camisa de algodão sob blazer para os mais moderninhos.

Calças Então não tem jeito, você tem que ir de calça. Ok, mas evite o jeans e malhas grossas, pois estes tecidos impedem sua pele de respirar, e não causam apenas calor, como podem trazer uma série de alergias. Invista na alfaiataria, que é o certo para quem quer passar uma imagem de seriedade. A pantalona, um modelo com padronagem mais ampla e fluida, é um clássico para ser usado. As calças podem ser de tecidos leves, como o linho, sarja e gabardine. Outro ponto é a cor do tecido, não é lenda que o preto retém a luz para si, por isso invista em cores claras, que refletem a luz. Nada mais elegante do que um look total White.

Blusas Aposte nas sem mangas e nas mais soltinhas de tecidos como voal, crepe e chinfon. Entretanto, cuidado! Esses tecidos podem ter transparências comprometedoras para ambiente de trabalho, fique atenta. Evite roupas com golas altas, blusas fechadas até o último botão, procure dobrar as mangas em 3/4, ou de usar tecidos quentes como lã e forros de algodão. Seda e cetim estão liberados se o ambiente for fresco e correr vento, no caso de dias abafados demais, evite porque estes tecidos costumam agravar temperaturas muito altas ou baixas. Se você insiste nos casacos, troque o blazer, por cardigãs de malha e invista na frente única, uma vez que o decote nas costas não serão exibidos.

Acessórios Os sapatos devem ser mais abertos nesta época. Pés que não esquentam fazem toda a diferença. Escolha sandálias com aberturas, quanto mais aberta, maior o salto. Invista também em acessórios mais elegantes, para mesclar com a possível informalidade das peças mais soltas.

Calças Alfaiataria continua sendo a melhor opção, tanto para a formalidade, quanto para refrescar. Uma boa saída é investir nos tecidos de sarja e linho. As cores em tons mais claros também ajudam a minimizar o calor. Dobrar a barrinha das calças, deixando-as cigarretes (nos modelos de sarja), ajuda a dar um frescor.

Sapatos Não há muita diferença entre os sapatos, já que todos precisam ser fechados, mas a meia pode ajudar. Quanto menor o comprimento e menos grossa ela for, menos vai esquentar.

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Solidariedade

)) José Valdir passa por tratamento intenso e de elevado custo contra um tumor na cabeça

“Viva Zé Valdir” Amigos do agrônomo José Valdir se reúnem para realizar show beneficente em prol de seu tratamento de saúde

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o dia 7 de fevereiro, o Teatro Municipal Dix-huit Rosado será palco para um grande espetáculo de solidariedade e amor ao próximo. Nesse dia, será realizado um evento para angariar recursos em prol de José Valdir de Oliveira, que passa por um tratamento médico de alto custo. O show beneficente intitulado “Viva Zé Valdir” foi idealizado por seus amigos. Entre os idealizadores estão Aécio Cândido, Anadja Braz, João Liberalino, Otília Neta, Elza Brito, Fátima Araújo, Carlos Lima, Rogério Dias, Emanuel Braz e Herbert Mota. O evento tem início previsto para as 20h da próxima sexta-feira, 7, e tem como atrações o grupo Vina, a banda Radiola Clube e vários músicos convidados. Toda a renda arrecadada pelo evento será revertida para o custeio das despesas com o tratamento ao qual José Valdir vem se submetendo. Inclusive, o valor que seria pago como cachê para as atrações principais, já que tanto o grupo Vina quanto a banda Radiola Clube e os demais artistas que se apresentarão abraçaram a causa e doaram integralmente seus cachês. Os interessados em participar do evento e colaborar com esse gesto de solidariedade já podem adquirir suas senhas antecipadamente, que estão sendo comercializadas no Café Bagdad, no Liberdade Shopping, e na MPB Pastela12

ria, na Praça de Convivência. Os valores das entradas estão divididos entre inteira (R$ 30,00) e meia (R$ 15,00). SOBRE JOSÉ VALDIR Natural do município de Assú, José Valdir é engenheiro agrônomo, poeta, instrumentista, cantor e compositor. Nos anos 1980, estudou e concluiu o curso de Agronomia na antiga Escola Superior de Agricultura de Mossoró (ESAM), hoje Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA). Na primeira metade dos anos 80, José Valdir participou do grupo Sementes da Trupe, que, além dele, tinha como componentes Herbert Mota, Honorata (Nora), Júlia, Sabiá (percussionista) e Wilson Miguel. Segundo Herbert Mota, o grupo interpretava composições próprias, mas trazia para o cenário artistas excelentes, ainda que iniciantes e de pouca expressão em nível nacional, como é o caso de Tetê Espíndola, Almir Sater, Xangai, Vital Farias, entre outros. “Participamos do ‘Festival do Forte’ em Natal, em 1984, e fizemos apresentações em algumas universidades como em Campina Grande, João Pessoa e Natal. Temos várias composições daquela época que jamais foram gravadas. Não posso deixar de citar, para registro, as festas na famosa casa 14 da vila acadêmica da Esam, onde rolava muita música de qualidade. Desfez-se o grupo e

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cada um seguiu seu caminho, sem, no entanto, perder o contato. Valdir fez por merecer o curso e o diploma de engenheiro agrônomo e estabeleceu-se na atividade agrícola e permanece no Vale do Açu, executando a musicalidade, nas horas vagas”, lembra. DOENÇA Nos últimos dias de 2012, José Valdir foi acometido por problemas de saúde que demandaram um dispendioso e intensivo tratamento, que já está em curso para o combate a um tumor detectado na sua cabeça. O tratamento está sendo realizado em Natal. DOAÇÕES Além de participar do show em prol do tratamento de José Valdir, os interessados em contribuir para o custeio das despesas do tratamento podem fazer doações em dinheiro a através da conta 20.901-5, operação 51, agência 3293-X, do Banco do Brasil.

)) José Valdir e a esposa Maira Leiliane


sua carreira

RafaeL DemeTRiUs

10 dicas para falar em público

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m todas as aulas, palestras ou cursos que ministro, sempre alguém me aborda ao final para pedir dicas, orientações e feedbacks sobre como falar em público. Nessa hora, sempre esclareço que ninguém nasceu sabendo falar em público, e sim, que as técnicas são aprendidas e desenvolvidas ao longo de toda uma trajetória pessoal e profissional, sendo fortalecidas pela forma que conduzimos nosso interesse pelo tema. E na coluna de hoje, pensando em colaborar com quem quer melhorar sua postura e oratória, x separei dez dicas que considero como as mais importantes na hora de falar em público. Sugiro que leia, releia, interprete e incorpore-as em sua vida, independente se você é professor, palestrante, vendedor ou apenas alguém que busca melhorar a sua comunicação. 1) Prepare-se para falar. Assim como você não iria para a guerra municiado apenas com balas suficientes para acertar o número exato de inimigos entrincheirados, também para falar não deverá se abastecer com conteúdo que atenda apenas ao tempo determinado para a apresentação. Saiba o máximo que puder sobre a matéria que vai expor. Isto é, se tiver de falar 15 minutos, saiba o suficiente para discorrer pelo menos 30 minutos. Não se contente apenas em se preparar sobre o conteúdo, treine também a forma de exposição. Faça exercícios falando sozinho na frente do espelho, ou, se tiver condições, diante de uma câmera de vídeo. Atenção: embora esse treinamento sugerido dê fluência e ritmo à apresentação, de maneira geral, não dá naturalidade. Para que a fala atinja bom nível de espontaneidade, fale com pessoas. Reúna um grupo de amigos, familiares ou colegas de trabalho, ou de classe, e converse bastante sobre o assunto que vai expor. 2) A naturalidade pode ser considerada a melhor regra da boa comunicação. Se você cometer alguns erros técnicos durante uma apresentação em público, mas comportar-se de maneira natural e espontânea, tenha certeza de que os ouvintes ainda poderão acreditar nas suas palavras e aceitar bem a mensagem. Entretanto, se usar técnicas de comunicação, mas apresentar-se de forma artificial, a plateia poderá duvidar das suas intenções. Respeite seu estilo de comunicação. Você vai se sentir seguro e suas apresentações serão mais eficientes. 3) Não confie na memória, leve um roteiro como apoio. Algumas pessoas memorizam suas apresentações palavra por palavra imaginando que assim se sentirão mais confiantes. A experiência demonstra que, de maneira geral, o resultado acaba sendo muito diferente. Se você se esquecer de uma palavra importante na ligação de duas ideias, talvez se sinta desestabilizado e inseguro para continuar. O pior é que ao decorar uma apresentação você poderá não se preparar psicologicamente para falar de improviso e ao não encontrar a informação de que necessita, ficará sem saber como contornar o problema. 4) Use uma linguagem correta. Uma escorregadinha na gramática aqui, outra ali, talvez não chegue a prejudicar sua apresentação. Entretanto, alguns erros grosseiros poderão ser fatais. Os mais graves que costumam ocorrer são: “fazem tantos anos”, “menas”, “a nível de”, “somos em seis”, “meia tola”, entre outros. Mesmo que você tenha uma boa formação intelectual, sempre valerá a pena fazer uma revisão gramatical, principalmente quanto à conjugação verbal e às concordâncias. 5) Saiba quem são os ouvintes. Cada público possui características e expectativas próprias, e que precisam ser consideradas em uma apresentação. Procure saber qual é o nível intelectual das pessoas, até que ponto conhece o assunto e a faixa etária predominante dos ouvintes. Assim, poderá se preparar de maneira mais conveniente e com maiores chances de se apresentar bem.

6) Tenha começo meio e fim. Anuncie o que vai falar, fale e conte sobre o que falou. Depois de cumprimentar os ouvintes e conquistá-los com elogios sinceros, ou mostrando os benefícios da mensagem, diga qual tema vai abordar. Assim, a plateia acompanhará seu raciocínio com mais facilidade, porque saberá aonde deseja chegar. Em seguida, transmita a mensagem, sempre facilitando o entendimento dos ouvintes. Se, por exemplo, deseja apresentar a solução para um problema, diga antes qual é o problema. Pretende-se falar de uma informação atual, esclareça inicialmente como tudo ocorreu até que a informação nova surgisse. 7) Tenha uma postura correta. Evite apoiar-se apenas sobre uma das pernas e procure não deixá-las muito abertas ou fechadas. É importante que se movimente diante dos ouvintes para que realimentem a atenção, mas esteja certo de que o movimento tem algum objetivo, como por exemplo, destacar uma informação, reconquistar parcela do auditório que está desatenta, etc. Caso contrário é preferível que fique parado. Cuidado com a falta de gestos, mas seja mais cauteloso ainda com o excesso de gesticulação. Procure falar olhando para todas as pessoas da plateia, girando o tronco e a cabeça com calma, ora para a esquerda, ora para a direita, para valorizar e prestigiar a presença dos ouvintes, saber como se comportam diante da exposição e dar maleabilidade ao corpo, proporcionando, assim, uma postura mais natural. O semblante é um dos aspectos mais importantes da expressão corporal, por isso dê atenção especial a ele. Verifique se ele está expressivo e coerente com o sentimento transmitido pelas palavras. Por exemplo, não demonstre tristeza quando falar em alegria. Evite falar com as mãos nos bolsos, com os braços cruzados ou nas costas. Também não é recomendável ficar esfregando as mãos, principalmente no início, para não passar a ideia de que está inseguro ou hesitante. 8) Seja bem-humorado. Nenhum estudo comprovou que o bom humor consegue convencer ou persuadir os ouvintes. Se isso ocorresse os humoristas seriam sempre irresistíveis. Entretanto, é óbvio que um orador bem-humorado consegue manter a atenção dos ouvintes com mais facilidade. Se o assunto permitir e o ambiente for favorável, use sua presença de espírito para tornar a apresentação mais leve, descontraída e interessante. Cuidado, entretanto, para não exagerar, pois o orador que fica o tempo todo fazendo gracinhas pode perder a credibilidade. 9) Use recursos audiovisuais. Esse estudo é impressionante: se apresentar a mensagem apenas verbalmente, depois de três dias os ouvintes vão se lembrar de 10% do que falou. Se, entretanto, expuser o assunto verbalmente, mas com auxílio de um recurso visual, depois do mesmo período, as pessoas se lembrarão de 65% do que foi transmitido. Mais uma vez, tome cuidado com os excessos. Nada de Power Point acompanhado de brecadinhas de carro, barulhinhos de máquina de escrever, e outros ruídos que deixaram de ser novidade há muito tempo e por isso podem vulgarizar a apresentação. Um bom visual deverá atender a três grandes objetivos: destacar as informações importantes, facilitar o acompanhamento do raciocínio e fazer com que os ouvintes se lembrem das informações por tempo mais prolongado. Portanto, não use o visual como “colinha”, só porque é bonito, para impressionar, ou porque todo mundo usa. Observe sempre se o seu uso é mesmo necessário. Faça visuais com letras de um tamanho que todos possam ler. Projete apenas a essência da mensagem em poucas palavras. Apresente números em forma de gráficos. Use cores contrastantes, mas sem excesso. Posicione o aparelho de projeção e a tela em local que possibilite a visualização da plateia e facilite sua movimentação. Evite excesso de aparelhos. Quanto mais aparelhos e mais botões maiores as chances de aparecerem problemas. 10) Fale com emoção. Fale sempre com energia, entusiasmo, emoção. Se nós não demonstrarmos interesse e envolvimento pelo assunto que estamos abordando, como é que poderemos pretender que os ouvintes se interessem pela mensagem? A emoção do orador tem influência determinante no processo de conquista dos ouvintes.

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adoro comer

DaVi moURa

Delivery da Manjericão Pizza Gourmet e a quinta do wrap Depois de muitos apelos – incluindo meus – as meninas decidiram colocar a sua pizza para delivery! Agora podemos degustar a delícia que é a Manjericão em casa: (84) 3316-2637. Na semana passada visitei o local. Helaine, como sempre, recebeu-me super bem e conversamos bastante. Ela me fez provar uma novidade da casa, que está ainda em fase de testes: o wrap. Trata-se da massa da pizza que a gente já conhece, bem gostosa e leve, só que recheada com todas as delícias possíveis imaginar. Se tudo der certo, vira dia fixo na semana da Manjericão.

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Doce fácil e gostoso para transportar Ao fazer uma viagem com os amigos, por exemplo, na correria, acaba que nem lembramos de levar nada pra comer nas horinhas vagas por não ter nada prático demais. A lista é pra unir gostosura e praticidade na hora de viajar. Confira: - Brigadeiro de colher: a coisa mais fácil do mundo é jogar leite condensado em uma panela e misturar com chocolate. Dá pra levar pronto já ou levar as latinhas de leite condensado e o achocolatado na bolsa. - Geladinho: a sobremesa mais prática do mundo. Leva dentro de uma sacola e põe em qualquer congelador. O pacote com 20 é super baratinho, dá pra deixar toda a família feliz. - Bolo recheado: com R$ 4,00 dá pra comprar um bolo fofo de padaria. Com mais aquele brigadeiro de colher lá de cima, você já tem um bolo recheado da melhor qualidade. Rende pra muita gente e ainda sai barato. - Brownie: o bichinho já vem pronto, embalado no saco plástico. O trabalho que dá é comprá-lo e jogá-lo na bolsa. A parte ruim é o preço. - Qualquer coisa + Nutella: Nutella, amado por 90% das pessoas e odiado fervorosamente pelos outros 10%. Basta passá-la em qualquer coisa que tudo se transforma na melhor iguaria do mundo. - Cocada: uma das minhas favoritas! Molhadinha por dentro, crocante por fora e com a medida correta de coco com leite condensado. Se for caseira, fica no grupinho rico do brownie também. Se for industrializada, por 50 centavos dá pra comprar uma imensa e bem gostosa. - Rapadura: o docinho duro feito com cana de açúcar é a cara do Nordeste. Vendida em tijolinhos, super fácil de transportar e guardar, dá um docinho barato e gostoso pra qualquer viagem. E aí? Concorda? Discorda?

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Cameroon, cachaça, camarão e cia. Trata-se da nova cachaçaria de Mossoró. Aqui realmente é bem diferente, com detalhes em madeira e atendimento no próprio balcão para quem preferir – típico de cachaçaria. Além do ambiente externo, há o interno com mesas mais altas ou opções para grupos de 4 pessoas, no modelo tradicional. Muita gente prefere ficar do lado de fora, ouvindo a música ao vivo que toca em certos dias da semana. A proposta é tocar ritmos bem típicos, como o forró pé de serra original e o samba de raiz. Alguns dos pratos e drinks: Cameroon, o drink da casa: trata-se do drink que deu nome ao local. É uma dose de cachaça feita no hortelã com um camarão pronto para tira gosto. Custa R$ 4,00 e é um dos mais pedidos. O sabor é bem marcante – bom para quem gosta de beber mesmo. Caipirinha: preparada de forma a cair suavemente no paladar, a proporção entre limão, açúcar, cachaça e gelo é perfeita. O copo é no tamanho padrão, mas com certeza você não vai parar na primeira. Custa R$ 5,00. Camarão tailandês: empanado com bifum, aquele macarrãozinho japonês bem fino, o que garante uma textura bastante crocante. O molho que o acompanha é o barbecue, que, diga-se de passagem, foi a escolha perfeita. O prato custa R$ 27,90, dá pra petiscar bem com 3 pessoas e já é considerado o meu favorito! Quer ir? Anote direitinho para não se perder: R. Frei Miguelinho, 599, esquina com a R. Princesa Isabel – Doze Anos - Contato: (84) 8898-8567 – 9907-8558.

Aproveite e acesse o http://blogadorocomer.blogspot.com para conferir esta e outras delícias! 14

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adoro adoro comer comer

Penne com calabresa By Davi Moura

Foto: Pinterest – alwaysinwonder.com

iNGRedieNTes • 2 pacotes de massa tipo penne • 1 cebola grande picadinha • 2 tomates maduros picados • 75ml de molho shoyu • 4 linguiças tipo calabresa • 2 pacotes de molho de tomate • 1 pacote de folhas de louro desidratadas • 1 colher de sopa cheia de manteiga/ margarina • 1 pacote de milho

MODO DE faZeR • Pique a calabresa, a cebola e o tomate. Reserve; • Em uma panela grande, esquente a água da massa e, ao ferver, deposite os dois pacotes de penne. Certifique-se que a panela é grande o suficiente para que você possa misturar o molho depois; • Em outra panela, coloque a manteiga, a calabresa e a cebola. Nesta hora o cheiro vai subir bastante e vai ser a coisa mais gostosa da sua cozinha. Pouco depois, acrescente o shoyu e deixe ferver e vá mexendo de vez em quando; • Acrescente o molho de tomate e o milho e continue deixando ferver; • Quando o penne estiver cozido, despeje a água e reutilize a panela grande. Despeje o molho e misture tudo. Há a opção de fazer gratinado com queijo por cima, mas no nosso caso, a fome estava grande e resolvemos comer logo da panela.

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Revista de Domingo nº 641