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editorial ao leitor

Transtornos

O

Entrevista

Boa leitura, Nara Andrade

p4 Diretora executiva da Fenaj, Valci Zuculoto, fala do Expocom 2013, em Mossoró, e bandeiras de luta dos jornalistas

número de mossoroenses sofrendo com o atraso na entrega da tão sonhada casa própria é grande. Engana-se quem pensa que esse problema afeta apenas os clientes de imóveis populares; compradores de empreendimentos de alto padrão vivenciam a mesma situação. Em Mossoró, tem empreendimentos com mais de dois anos de atraso, outros sequer começaram a ser construídos. O advogado Ramirez Fernandes fala dos direitos dos clientes nessas situações de descumprimento do contrato, enquanto representantes de construtoras culpam a burocracia. Nesta edição, DOMINGO também traz uma matéria sobre os bazares virtuais nas redes sociais, onde pode ser encontrado de tudo. Ainda na edição desta semana, uma matéria sobre o segundo ano da Quadrilha Junina Inclusão com Paixão, da Companhia de Artes Sem Limites. Em entrevista à revista, a representante da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), Valci Zuculoto, fala do Intercom Nordeste, realizado pela Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN), e das lutas históricas dos jornalistas brasileiros.

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Sua casa atrasou? Atraso na entrega de imóveis tem se tornado comum em Mossoró

Bazar Virtual

Nova onda de consumo, páginas de compra, venda e troca de produtos, está virando mania entre usuários de redes sociais

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Coluna

Rafael Demetrius: 10 atitudes insuportáveis no ambiente de trabalho

Adoro comer Colunista Davi Moura: Alfajor Caseiro

• Edição – C&S Assessoria de Comunicação • Editor-geral – Wil­liam Rob­son • Editor – Nara Andrade • Dia­gra­ma­ção – Rick Waekmann • Projeto Gráfico – Augusto Paiva • Im­pres­são – Grá­fi­ca De Fa­to • Re­vi­são – Gilcileno Amorim e Stella Sâmia • Fotos – Carlos Costa, Marcos Garcia, Cezar Alves e Gildo Bento • In­fo­grá­fi­cos – Neto Silva Re­da­ção, pu­bli­ci­da­de e cor­res­pon­dên­cia Av. Rio Bran­co, 2203 – Mos­so­ró (RN) Fo­nes: (0xx84) 3323-8900/8909 Si­te: www.de­fa­to.com/do­min­go E-mail: re­da­cao@de­fa­to.com Do­min­go é uma pu­bli­ca­ção se­ma­nal do Jor­nal de Fa­to. Não po­de ser ven­di­da se­pa­ra­da­men­te.

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conto

josÉ NIcoDemos*

Um presente da chuva

(

Envie sugestões e críticas para o e-mail: aristida603@hotmail.com

)

A

quilo vivo, molhado, acomodando-se ao corpo dele. Era um vira-lata abrigando-se do frio da chuva. O mendigo, conhecido por Bilé, viu que era um filhote de vira-lata, desses jogados na rua, e teve-lhe pena. Eram iguais. Agasalhou-o na sobra de sua manta quase em farrapos. Grossa de sujo. Desde há muitos anos Bile dormia ali na porta principal da igreja, abrindo para debaixo da torre. Sozinho. Até que lhe apareceu, correndo da chuva, aquele cachorrinho, que não o largou mais. Andavam, comiam e dormiam juntos. Moradores da rua. E desde então passaram a se entender, humanamente. Bilé deu-lhe o nome de Ferrugem, pela semelhança da cor. Sem ser amestrador de cães, não teve dificuldade em ensinar-lhe muitas coisas, entre as quais o ficar de pé sobre as pernas traseiras, estendendo uma das patas da frente às pessoas a quem estendia a mão rogando a esmola pelo amor de Deus. Foi o bastante para chamar a atenção das pessoas, admiradas com o cachorrinho imitando o gesto humilde de Bile – “Uma esmola pelo amor de Deus”. E ninguém lhe negava o ato de caridade. Uma espécie assim de paga pelo gesto sabido de Ferrugem. De olhar humano. As pessoas – até – o procuravam, a

Desde há muitos anos Bile dormia ali na porta principal da igreja, abrindo para debaixo da torre. Sozinho.

Bile, para dar-lhe um trocado, divertiamse com Ferrugem. Fazia tudo o que o dono mandava, como por exemplo, ir buscar-lhe um toco de cigarro à vista. Qualquer coisa. Antes de Ferrugem, Bilé era um homem tristemente fechado em si mesmo, nunca se lhe viu nos beiços caídos e nos olhos carrancudos a mais ligeira expressão de um sorriso. Dele, só se ouvia – Uma esmola pelo amor de Deus. Depois do cachorrinho, que a chuva lhe trouxera, passou a sorrir, falar, até brincar com as pessoas que lhe pareciam mais acessíveis. Era um outro homem. Como que Ferrugem lhe devolvera a condição humana. O interesse pela vida.

E esse novo jeito de ser fez com que Bilé, antes evitado pelo mau cheiro e pelo ar de bicho feroz, se tornasse, por assim dizer, um vivente humano. Digno de compaixão, em vez daquele desprezo de narizes mais sensíveis e de olhos olhando de banda. Já no extremo da idade canil, ou já passando disso, de repente Ferrugem fechou os olhos, e não os abriu mais. Foi isso numa de manhã. Bilé chorava como choraria se lhe tivesse morrido um filho. Choro alto, comovido e comovente. E quando foi de tarde, o mendigo também fechou os olhos para sempre. Foi-se com o presente que um dia lhe trouxera a chuva. O único amigo. O companheiro fiel.

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entrevista

VaLcI ZUcULoto

‘Por enquanto ele (jornal impresso) ainda está reinando absoluto’

Por Nara Andrade naraandrade@gmail.com

F

ormada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), com mestrado e doutorado pela PUC do Rio Grande do Sul, a jornalista Valci Regina Mousquer Zuculoto esteve em Mossoró participando da edição 2013 do Intercom Nordeste, realizado pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Coordenadora nacional da Exposição de Pesquisa Experimental em Comunicação (EXPOCOM), categoria de Jornalismo, acompanhou a edição regional realizada dentro da programação geral da Intercom Nordeste. Valci Zuculoto, que também integra a diretoria executiva da Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ), conversou com a Revista DOMINGO sobre sua participação no evento e sobre as lutas dos jornalistas brasileiros, como a questão da reconquista da obrigatoriedade do diploma e a aprovação de um piso nacional para a profissão.

DOMINGO – Como está sendo a participação da edição 2013 do Intercom Nordeste? VALCI ZUCULOTO – Está ótima. Como falei na abertura do evento, o Intercom tem o congresso nacional que vai ser em setembro, em Manaus, e essa fase durante o primeiro semestre, quando se fazem os regionais – tem o Regional Nordeste, Regional Sul, Regional Sudeste, Regional Centroeste e Regional Norte – é muito boa porque a gente já vai preparando a integração e, além de haver uma integração da região, como também tem a participação de pessoas de outras regiões, debatedores, palestrantes, é muito importante esse espaço que a Intercom propicia para a discussão, para o debate e 4

para o intercâmbio do ensino, da pesquisa, da extensão, porque aqui tem tudo, tem a pesquisa, tem a discussão sobre o ensino de comunicação, tem a discussão sobre os projetos que são desenvolvidos, enfim é um momento ímpar para comunicação, para os cursos de comunicação, para tudo que é feito na área acadêmica em relação à comunicação e também há uma integração com a área profissional. E no caso do Expocom, que é meu objeto maior aqui, é todo o estímulo que a gente pode dar para que os estudantes de comunicação se interessem e continuem a fazer, além da formação profissional, uma reflexão mais profunda da questão da comunicação e comecem a trabalhar na pesquisa mais organizada e científica

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sobre o que é feito na comunicação. JÁ DÁ para fazer uma avaliação da contribuição dos trabalhos que estão sendo apresentados no Expocom? EU vejo os trabalhos anteriormente, porque a gente vem acompanhando o processo desde a inscrição, da seleção. São trabalhos de ótima qualidade e esse é um momento muito importante porque eles vêm mostrar o resultado final do trabalho, através do paper, do artigo que eles apresentam, e por meio da produção do produto. Temos trabalhos em todas as áreas, nós temos a categoria de Cinema e Audiovisual, a categoria de Jornalismo, a categoria de Publicidade e Propaganda, a categoria de Rádio, TV e Internet, a


entrevista categoria de Produção Transdisciplinar e a categoria de Relações Públicas. Então, temos seis categorias e em cada uma delas temos 14 modalidades, cada modalidade selecionou os cinco melhores trabalhos para ser apresentados nesta edição do Expocom, e o que for premiado aqui, concorre nacionalmente com os finalistas das demais regionais aos prêmios da edição nacional. Então, a qualidade dos trabalhos é muito boa, os que vieram para cá são os melhores dos melhores. EM RELAÇÃO à organização do evento pela a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), qual a avaliação? ESTÁ ótima. No meu caso que vim de tão longe, no ano passado eu participei da regional Sul, agora atravessei o Brasil para estar aqui e ver a organização ótima, impecável, todos os trabalhos sendo apresentados com todas as condições. Para a gente que vem da terra do frio, a única coisa é o calor, também é bom sentir um calorzinho, mas eu digo que a acolhida e a organização estão tão quentes como o calor que está fazendo, muito boa, e eu acho que todos vão sair daqui muito satisfeitos, por terem conseguido debater, apresentar seus trabalhos, conseguiram fazer o intercâmbio necessário, ou seja, Mossoró, a Uern e todo o pessoal da área da comunicação aqui estão dando mais um grande passo em relação ao debate que a Intercom propõe para a área da comunicação. O BRASIL está vivenciando um período de demissões nos grandes veículos de comunicação. Como a Fenaj está acompanhando esse momento? OBVIAMENTE, a gente acompanha com grande preocupação e temos várias atividades, várias ações que estão previstas em relação a essa questão, que é apenas um dos problemas que os jornalistas enfrentam. A Fenaj e os seus 31 sindicatos têm todo um planejamento em relação à questão da valorização da profissão, e uma das questões são as condições de trabalho, o mercado de trabalho, porque nós entendemos que isso seja inclusive uma questão que está diretamente ligada à valorização da profissão e em relação à violência contra o jornalista. Nós colocamos, condições de trabalho, baixos salários, dentro desse espaço, que é o da violência contra o jornalista e contra o exercício do jornalismo. Para valorizar a profissão, nós temos o projeto do piso nacional dos jornalistas que está tramitando na Câmara Federal, temos todo trabalho articulado em relação às negociações coletivas, onde também entra essas questões de mercado de trabalho, de demissões. É interessante chamar atenção, porque já falam que um veículo vai demitir não sei quantos jornalistas, mas a gente tem que ver bem a informação. O sindicato e a

Fenaj têm essa preocupação, de pelo menos saber o que está acontecendo e como está acontecendo, porque às vezes não é só por falta do jornalismo. Em maio a gente lançou a pesquisa sobre o perfil do jornalista e o mais interessante é que a maioria dos jornalistas ainda está dentro da mídia como a gente chama, ou seja, nessa mídia mais convencional, está trabalhando em jornal, rádio, televisão, em sites jornalísticos na internet também, mas está trabalhando dentro da mídia, em algum veículo de comunicação. Também já é grande o número dos que estão trabalhando no que a gente chama fora da mídia, que é em assessoria de imprensa, terceiro setor, assessoria direta a empresas e instituições, mas apesar de se dizer que está em crise, a maior parte dos profissionais está trabalhando nos meios de comunicação tradicionais. Se você acessar a pesquisa, publicada no site www.fenaj.org.br, vai ver que a maioria dos jornalistas brasileiros está trabalhando no jornal impresso, é claro que a maioria é de pequenos e médios jornais. Em segundo lugar vem a internet e só depois vem rádio e TV. MUITOS jornais estão migrando para o universo on-line? Os mais pessimistas afirmam ser o fim do jornal impresso. Qual a sua opinião sobre essa questão? O NOSSO entendimento é que não. Numa observação mais geral parece que é isso que está acontecendo, mas não. O jornalismo pode até diminuir, mas o que eu digo é que a pesquisa nos revelou uma coisa que a gente também achava que era uma tendência de diminuir o espaço do jornal impresso, mas por enquanto ele está lá ainda reinando absoluto. O que a gente pode pensar é que pode, vamos dizer assim, o jornal impresso, assim como aconteceu com o rádio, ele pode ter o seu espaço diminuído, mas o jornalismo não vai deixar de existir. De uma outra forma, o impresso vai se reinventar e o jornalismo vai continuar existindo em outra plataforma. EM 2012, o Brasil foi considerado o 2º país mais perigoso para jornalistas trabalharem. Como a Fenaj vê essa situação? O que é preciso ser feito para garantir a segurança dos profissionais? TEMOS um projeto que está tramitando no congresso federal, que foi iniciativa nossa, da Federação e dos sindicatos, que é o projeto da federalização dos crimes praticados contra os jornalistas, que tem o objetivo de fazer realmente com que esses crimes não fique nas regiões, nas cidades onde foram praticados, porque se fica no local onde ocorreu é normal ter uma disputa maior, a gente não pode dizer que vai acontecer sempre, mas retirar do espaço onde aconteceu a violência contra o jornalista e deixar que seja julgada e que as investigações sejam feitas em nível federal, porque fi-

cam menos sujeitas a pressões. A gente entende que essa é uma ação muito necessária e estamos batalhando mesmo pela aprovação desse projeto, para que melhorem as condições do exercício da profissão de jornalista. EM 2009, o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou a exigência do diploma para jornalistas. No ano passado, o Senado aprovou a proposta de emenda constitucional 33/2009, que estabelece a exigência do diploma de curso superior em jornalismo como requisito para o exercício da profissão de jornalista. Existe alguma novidade em relação ao assunto? A REGULAMENTAÇÃO faz parte da valorização da profissão que é resgatar a volta da obrigatoriedade do diploma de jornalismo. Já conquistamos no Senado, agora está na Câmara, está bem avançado. A Fenaj e os sindicatos acabaram de lançar toda campanha, com novas logos. Agora temos que convencer os 501 deputados, boa parte já está convencida. Além de várias outras ações em decorrência dessa para fazer com que a profissão volte, reconquiste a regulamentação, depois de reconquistar o diploma nós entramos na batalha de atualizar a regulamentação, a legislação da nossa profissão, porque têm muitas funções exercidas por jornalistas que não estão reconhecidas, na nossa regulamentação, a de assessor de imprensa, por exemplo. Também consideramos importante a conquista do Conselho Nacional de Jornalistas. UMA reivindicação histórica da Fenaj é o piso nacional dos jornalistas equivalente a seis salários mínimos. Na sua opinião, é realmente viável a definição de um piso unificado? ATÉ o ano passado, o piso em Santa Catarina era um dos piores do país. Não pode nem alegar falta de condições, porque se olhar o PIB do Estado, as condições das empresas de comunicação de lá, não justifica pagar tão pouco. Mas, a gente acha que é inimaginável porque realmente está muito defasado, está muito achatado o nosso salário, então no momento que a gente começa a recuperar, porque até isso a gente está fazendo, é ir aumentando. Nas negociações coletivas lá em Santa Catarina, a gente já conseguiu aumentar bastante, e já estamos em negociações novamente. Com essas conquistas estaduais, quando for aprovado o piso nacional, não será um valor tão inimaginável e não vai ter um impacto tão grande, porque a grande preocupação é se vai causar uma onda de demissões e isso não deve acontecer. É o que eu estava dizendo antes, se a mídia continua empregando, absorvendo essa grande quantidade de jornalista, é sinal de que tem condições de contratar e melhorar as condições salariais e as condições de trabalho dos profissionais.

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Transtorno

Atraso na

entrega de

imóveis

Problema é mais comum do que se pode imaginar; é grande o número de mossoroenses sofrendo com o problema da entrega de imóveis

)) Empreendimento

de alto padrão, Jardins de Mossoró deveria ter sido entregue até dezembro de 2012

C

omprou um imóvel, mas ainda não recebeu? Você não está sozinho. O número de mossoroenses com o mesmo problema é maior do que se pode imaginar. E engana-se quem pensa que essa situação é vivenciada apenas por compradores de unidades populares, como os inclusos no programa do Governo Federal “Minha Casa, Minha Vida”, mas muitos compradores de empreendimentos imobiliários de alto padrão. Um exemplo de grande empreendimento imobiliário que descumpriu o prazo de entrega das unidades foi o condomínio fechado Jardins de Mossoró, da TBK Empreendimentos. A primeira etapa do Jardins de Mossoró deveria ter sido entregue em dezembro de 2012, mas as obras não foram 6

concluídas. As outras três etapas nem começaram a ser construídas e a segunda já deveria ser entregue agora em junho. A revista DOMINGO conversou com um cliente do Jardins de Mossoró, que preferiu não se identificar, afirmando que sua casa deveria ser entregue em janeiro, mas ainda não recebeu. “Não entrei na Justiça ainda porque no contrato tem uma cláusula afirmando que a empresa tem até seis meses de carência depois do prazo definido para a entrega. No entanto, esse prazo de seis meses termina no próximo mês de julho, a obra está parada e minha casa ainda nem começou a ser construída. Estou esperando completar o prazo para entrar na Justiça, porque moro de aluguel”, comenta.

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Outra cliente de construtora que está sofrendo com a demora para entrega do imóvel é a servidora pública Samyra Silva. Ela afirma que comprou um apartamento no condomínio Cidade Jardim, pelo “Minha Casa, Minha Vida”, em 2011, e até o momento as obras ainda não foram iniciadas. “Eu assinei um contrato de adesão com a construtora e eles afirmaram que as obras seriam iniciadas a partir da assinatura do contrato com a Caixa Econômica, mas até o momento esse contrato ainda não foi assinado. Mas, na hora da compra eles afirmaram que o prazo para a assinatura era de cinco meses. Estou pensando em desistir, mesmo tendo de pagar uma multa de mais de 20%. Uma amiga minha comprou uma unidade no mesmo condomínio e desistiu, comprou


Transtorno outro e já vai receber agora neste mês”, conta. EMPRESAS A revista DOMINGO entrou em contato com as empresas responsáveis pelos dois empreendimentos citados acima para saber o motivo do atraso. O assessor financeiro da TBK Empreendimentos - empresa responsável pelo Jardins de Mossoró -, Katiano Alves, explica que o atraso foi provocado por um problema junto ao banco que financiaria a obra. “Em setembro do ano passado, o banco que financiaria a obra sofreu uma intervenção pelo Banco Central e, em decorrência disso, a empresa não teve acesso aos recursos que seriam liberados para a construção das três últimas etapas”, afirma. Segundo ele, a primeira etapa já possui cerca de 100 casas construídas necessitando de detalhes de acabamento e

conclusão da infraestrutura do condomínio. Essa etapa deveria ter sido entregue em dezembro, já com o prazo de carência de seis meses. Katiano Alves afirma que, para resolver o problema, a empresa está buscando duas alternativas. A primeira é um repasse bancário; já a segunda seria a parceria com outra construtora, que assumiria a obra. “Estamos negociando, para em breve conseguirmos retomar as obras, já que 89% do empreendimento de 424 casas já foi vendido”, enfatiza. Já o representante em Mossoró da Paiva Gomes - empresa responsável pelo Condomínio Cidade Jardim -, Kleber Fernandes, afirmou que o prazo de entrega do empreendimento é de 24 meses depois da assinatura do contrato, que ainda não foi explicado. “A Paiva Gomes está fazendo tudo que está dentro de suas possibilidades, o terreno já está murado, a rua está ilumina-

da e asfaltada, mas o início das obras depende da instituição financeira. Tenho R$ 21 milhões para receber, e só vou receber quando os contratos com a instituição financeira forem assinados. Toda essa demora é provocada pela enorme burocracia do programa Minha Casa, Minha Vida”, explica. Sobre o fato de a empresa não ter alertado aos clientes sobre a possibilidade de uma demora tão longa para a assinatura dos contratos com a Caixa Econômica, o representante da Paiva Gomes afirmou que não poderia informar porque não esperava que demorasse tanto. BUROCRACIA O presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil de Mossoró (SINDUSCON), Jorge do Rosário, que também é proprietário de uma construtora, afirma que a burocracia é um problema para construtoras e clientes. “Os clientes culpam as construtoras

)) Condomínio Cidade Jardim sem previsão para início das obras

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Transtorno pela demora para o início das obras, mas às vezes não são bem informados pelos corretores, que é preciso esperar a assinatura do contrato com a Caixa. Conheço empreendimentos que tiveram o précontrato assinado há 3 ou 4 anos e ainda não tiveram o contrato com a caixa assinado. Para quem comprou está atrasado, o cliente é prejudicado, e a construtora também, porque só recebe o financiamento com assinatura do contrato”, comenta. ORIENTAÇÃO JURÍDICA O advogado Ramirez Augusto Pessoa Fernandes explica que o contrato é uma lei entre as partes e foi feito para ser cumprido. “Todo contrato tem um prazo de início da obra e entrega do imóvel. No entanto, aqui em Mossoró, infelizmente, as empresas estão descumprindo os acordos firmados na hora da compra”, explica. Ramirez Fernandes afirma que possui vários clientes que estão sofrendo com o atraso da entrega de imóveis. Uma coisa que tem se tornado comum em Mossoró é o argumento que existe um período de carência ou tolerância de seis meses, após o prazo de entrega definido no contrato. No entanto, ele afirma que esse prazo de carência só é válido em caso fortuito ou força maior, que não compreendem os imprevistos comuns nessas obras. “Esse argumento é ilegal, o Código Civil não prevê esse prazo de carência

)) Advogado Ramirez Fernandes

para todas as obras, mas aqui em Mossoró a exceção está virando regra”, frisa. Entre os direitos dos clientes que estão passando por essa situação estão: solicitar na Justiça a entrega imediata do imóvel, sob pena de multa diária pelo descumprimento da ação judicial, rescisão contratual com direito à devolução

)) Jorge do Rosário, presidente do Sinduscon de Mossoró

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do valor pago corrigido. O advogado explica que os clientes têm direito a perdas e danos, com multa pela rescisão contratual, um ano de aluguel, e lucro cessante pelos aluguéis que poderiam ter recebido pelos possíveis aluguéis do imóvel. “Os clientes também poderiam alegar danos morais, pela frustração do sonho da casa própria. A Justiça em Mossoró já está despertando para isso e concedendo ganho de causa aos clientes prejudicados”, lembra. EXEMPLO Diferente da maioria das construtoras que atuam no mercado mossoroense, a empresa comandada pelos empresários Genário Freire e Leopoldo Medeiros não possui nenhum problema judicial. Procurado pela revista DOMINGO, Leopoldo Medeiros afirma que isso é fruto da grande preocupação com o cliente. “Desde que entramos no mercado mossoroense temos o maior cuidado com a questão do planejamento das obras. Por isso temos apenas seis empreendimentos lançados, sendo quatro entregues. Além disso, entregamos o que prometemos, não mudamos os materiais utilizados na obra”, relata. Leopoldo Medeiros lembra que comprar imóvel na planta representa um grande risco aos clientes, e a empresa tem que passar toda segurança na hora da compra.


Bazar virtual

Nova onda

Páginas de compra, venda e troca de objetos usados viraram mania nas redes sócias; nelas é possível encontrar quase tudo

E

)) Página do Bazar Dazamigas, em redes sociais, maior Bazar Virtual em Mossoró

les viraram a nova onda de consumo, conquistando a todo instante um número maior de seguidores. Conhecidos como Bazares Virtuais, as páginas de venda, compra e troca de objetos usados virou mania nas redes sociais. Nessas páginas, é possível encontrar quase todo tipo de produto, desde peças de roupas até carros e imóveis. Os internautas mossoroenses também aderiram à onda. Uma prova disso é o grande número de participantes nos grupos existentes em Mossoró. Um dos maiores é o Bazar Dazamigas, que já conta com mais de 3.550 membros. Nessa página, podem ser encontrados produtos novos e usados e a variedade é grande. Lá é possível encontrar roupas, lingeries, bijuterias, maquiagem, calçados, celulares, móveis, bicicletas, motocicletas, jogos eletrônicos, cosméticos, presentes, lembrancinhas, artigos para festas, serviços, livros e imóveis. A partir da experiência no Bazar Dazamigas, Kettiane Pimentel decidiu criar uma página com um público mais específico, o Bazar das Amigas Evangélicas. Kettiane Pimentel, que é formada em ciências biológicas e pós-graduada em gestão ambiental, explica que criou a nova página porque achou que era um bom meio de proporcionar a venda de objetos que não desejava mais, e comprar coisas com um valor mais acessível. “Além disso, por ser um grupo voltado apenas para meninas evangélicas, seria uma forma de conhecer e interagir com jovens de outras igrejas”, conta. Segundo a administradora do Bazar das Amigas Evangélicas, Kettiane Pimentel, no grupo têm as pastas determinadas para cada tipo de coisa, como calças, sapatos, blusas, vestidos, saias, tiaras, livros evangélicos.

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Nova onda “A pessoa tira uma foto do objeto que quer vender e posta no álbum correspondente, sempre lembrando de colocar o preço”, explica. Quando alguém se interessa pelo produto, entra em contato e marca de se encontrar com o vendedor para ver o produto e se gostar, compra. Ainda é possível trocar um produto pelo de alguém que esteja interessado no seu e que tenha preços correspondentes. A administradora, que mora no bairro Abolição, conta que já vendeu algumas peças para pessoas de diferentes regiões da cidade. “Elas gostaram das minhas peças e compraram. Como a gente ia participar de um encontro de jovens da igreja, combinei de encontrar com as compradoras durante o evento, e deu tudo certo. Mas, quando não tem uma programação em comum, as participantes combinam de uma ir na casa da outra, ou marcam um encontro em comum”, frisa. Outro lado Apesar de ser uma modalidade crescente de consumo, os Bazares Virtuais ainda não são uma unanimidade entre os consumidores. Uma jornalista, que preferiu não se identificar, afirma que ainda participa de uma dessas comunidades nas redes sociais, mas que desistiu de procurar artigos para comprar e mesmo de tentar vender suas peças, já que percebeu que muitas vezes o produto não corresponde com as descrições feitas, e que algumas

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)) Kettiane Pimentel, administradora do Bazar das Amigas Evangélicas

pessoas postam coisas muito desgastadas ou fora de moda. A integrante afirma que já pensou em

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sair do grupo, porque lota a caixa de entrada do seu e-mail, com os anúncios das publicações.


Sem limites

Inclusão

no São João

Quadrilha formada por deficientes físicos comemora segundo ano de atividades com agenda cheia de apresentações durante todo o período junino

M

antida pela Companhia de Artes Sem Limites, a Quadrilha Junina Inclusão com Paixão chega ao seu segundo ano. Neste ano, a quadrilha, que deve realizar diversas apresentações ao longo de todo o período junino, vem com o tema “A chama da inclusão vai aquecer seu coração”. A quadrilha, que possui 21 integrantes, contando com o puxador, se apresenta durante trinta minutos ao som de várias músicas dos grandes nomes da música nordestina. A coreografia da quadrilha é assinada pelo diretor artístico do grupo, Herbert Menezes. A responsável pela quadrilha, Benômia Rebouças, presidente do Fórum das Mulheres com Deficiência, afirma que o maior benefício do grupo é o resgate dos participantes, que estavam excluídos da sociedade.

“O nosso objetivo é mostrar que essa festa tão popular, que são os festejos juninos, é para todas as pessoas”, frisa. Benômia Rebouças conta que a quadrilha é formada por pessoas com diferentes tipos de deficiência, entre elas cinco surdos, cadeirantes, portadores de síndrome de down. A coordenadora da quadrilha lembra que o grupo tentou aumentar o número de integrantes já para as apresentações deste ano, mas devido à impossibilidade de conseguir um número maior das cadeiras de rodas especiais utilizadas para a apresentação, o projeto foi adiado para o próximo ano. “O nosso principal patrocinador, a Orto Rio Ortopedia, que cede essas cadeiras, não conseguiu neste ano, mas se comprometeu a conseguir para o próximo ano”, comenta. O figurino que será utilizado neste

)) Apresentação da

quadrilha junina Inclusão com Paixão

ano será confeccionado pelo carnavalesco Francisco das Chagas, no entanto Benômia faz questão de enfatizar que o desenho da roupa foi feito por Yaskara Samara, que é portadora de deficiência física e uma das integrantes da quadrilha. A quadrilha participou da abertura do Festival de Quadrilhas Juninas da Inter TV Cabugi, em Monte Alegre, na Arena Deodete Dias do Mossoró Cidade Junina, no São João do Colégio do Mater Christi. Vai se apresentar no Hiper Bompreço e pretende fazer uma apresentação na Praça Vigário Antônio Joaquim, em frente à Catedral de Santa Luzia. INTERAÇÃO Uma das participantes da Quadrilha Junina Inclusão com Paixão é a jovem Maria Estela, de 21 anos, portadora de Síndrome de Down. A mãe de Maria Estela, dona Maria Dalva, diz que a quadrilha é uma diversão, uma família. “Minha filha adora, ela ama essa quadrilha, ama dançar. É uma alegria, ela se sente útil. Ela está no grupo desde o início”, comenta.

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artigo

Parte final

ENteNDa a mÍDIa – WILLIam RobsoN *

PARA UMA ECOLOGIA DA MÍDIA 2: Materialidades da comunicação e Teoria do Ator-Rede

A

sociedade e a natureza necessitam ser observadas sob o princípio de uma simetria generalizada, que não vislumbra grandes divisões, que torna híbrida a presença de humanos e não-humanos, um processo apontado por André Lemos como “não simplificada ou dicotômica das relações sociais” . Trata-se do princípio de Bruno Latour e Michel Callon denominado de Teoria do Ator-Rede, termo que o próprio Latour não concorda, por não abarcar as complexidades inerentes ao seu pensamento. Esta teoria consiste na derrubada de separações historicamente construídas em circunstâncias até mesmo científicas que estabeleceram dois mundos: o das coisas e o dos homens, sendo necessária uma explicação que integrasse a ambos, e uma investigação capaz de conceder importância equivalente, “estudando-os ao mesmo tempo”. Sendo considerada ora uma metodologia, ora uma teoria, a Teoria do Ator-Rede reestrutura formas de pesquisas e de observar objetos, ações e sujeitos dentro de um “território informacional”, assinalado por Lemos, contribuindo para a “abolição do pensamento dualístico” observado até então nos estudos sociológicos. A teoria incorpora a interação de humanos e não-humanos tornando estes últimos mais que meras extensões do homem. Law, citado por Freire, enuncia que “quase todas as nossas interações com outras pessoas são mediadas através de objetos, como telefone, internet e carta” e, que assim sendo, mostra que o aspecto do social é delineado por uma “rede heterogênea, constituída não apenas de humanos, mas também de nãohumanos, de modo que ambos devem ser igualmente considerados”. Latour recomenda que o exercício desta teoria está diretamente imbricada com o seu conceito de tradução, dispositivo necessário para tornar simétrica a interpretação dos atores. Tradução tem o sentido linguístico de transpor de um idioma para outro, o que para Latour segue o mesmo princípio, mas sob a ótica geométrica, de transpor de um lugar para outro. “Significa oferecer novas interpretações desses interesses e canalizar as pessoas para direções diferentes”, explica. Conclui-se que a base da construção de uma “antropologia das ciências”, de uma “sociologia das associações” em confronto com a

“sociologia do social”, vai de encontro com uma separação das coisas do mundo ou da prevalência do homem sobre as coisas. Na Teoria do Ator-Rede, Latour prefere a expressão “actante” a “ator”, visto que ator se limita a humanos enquanto o outro amplia para os não-humanos. Do mesmo modo, é ampliada a noção de rede, saindo da lógica de conexões, interligações de pontos distintos e separados, estabelecendo uma analogia ao rizoma (de crescimento múltiplo e horizontal), “uma totalidade aberta capaz de crescer em todos os lados e direções, sendo seu único elemento constitutivo o nó”. Rede não significa conexões, mas vínculos, canal de fluxos, actantes em constante relação. Por esta razão que Latour também critica o hífen na expressão “ator-rede”, porque parece já instituir uma nova divisão, aniquilando o processo substancial da rede. Outros nomes foram pensados por Latour para esta teoria: “sociologia da tradução”, “ontologia do actante-rizoma” e “sociologia da inovação”. O teórico propõe apontar que a “sociologia do social não é mais capaz de delinear as novas associações de atores” e que a Teoria AtorRede (ou ANT, em inglês) teria a capacidade de construir este reagrupamento de matrizes sociais. “É preciso seguir os próprios atores, quer dizer, tentar lidar com suas inovações muitas vezes indomáveis, de modo a aprender com eles o que a existência coletiva se tornou nas suas mãos, que métodos é que elaboraram para a ajustar, e quais são os relatos que melhor definem as novas associações que foram obrigados a estabelecer”. É possível estabelecer relação à experiência de Lemos com as mídias locativas, ou seja, “as materialidades do processo e os atoresrede em modos de mediação”. Hanke mostra que “falar em “materialidades da comunicação” significa ter em mente que todo ato de comunicação exige a presença de um suporte material para efetivar-se”. A relação dos dispositivos técnicos e a sociedade remete ao pensamento de Bernard Miège. As TIC (Tecnologias digitais de Informação e Comunicação) reforçam este aspecto social, de produção, consumo e interrelacionamento entre os indivíduos. Com o incremento das TIC, a própria designação da sociedade da informação ficou mais ampla, abarcando características da modernidade. E

para compreender a visão de Miège sobre esta nova sociedade no campo da comunicação, é preciso considerar: a informacionalização; a promoção das tecnologias e das redes como fator dominante ao conteúdo; a modificação e a expansão dos sistemas midiáticos; e o controle transnacional do fluxo de informação e comunicação. O autor mostra que a comunicação moderna não engloba apenas a comunicação pessoal, mas observa o que ele conceituou como “comunicação/informação” (uma das propostas para posicionar a técnica), a partir da observação de uma sociedade midiatizada iniciada em meados do século passado. O conceito de comunicação/informação está associado a uma articulação entre os dois, que supera a visão ideológica ou de manipulação da comunicação, mas vê também que a informação é meio de interação entre os atores sociais. As TIC reforçam esta relação, impregnando-se na sociedade (tecnodeterminismo) e nas redefinições (a formação do self media, por exemplo, p. 48). É o que Miége trata de "dupla mediação", em que a mediação é ao mesmo tempo técnica e, ao mesmo tempo, social, sendo esta uma de suas propostas para posicionar a técnica, além da “temporalidade” e “a questão da inovação” que observa a contribuição das TIC tanto na construção do social, quanto a ruptura e as mudanças de paradigmas.

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Para saber mais

LEMOS, André. Você está aqui! Mídia locativa e teorias “Materialidades da Comunicação e “Ator-Rede”. GT “Comunicação e Sociabilidade”, XIX Encontro da Compós, Rio de Janeiro: UFRJ, junho de 2010. 17 páginas. FREIRE, Letícia de Luna. Seguindo Bruno Latour: notas para uma antropologia simétrica. Comum - Rio de Janeiro - v.11 - nº 26 - p. 46 a 65 - janeiro / junho 2006. LATOUR, Bruno. Como prosseguir a tarefa de delinear associações?. Configurações, nº 2, 2006, pp. 11-27 . MIÈGE, Bernard. Quatro propostas para posicionar a técnica. In: ____. A sociedade tecida pela comunicação. São Paulo: Paulus, 2009, p. 45-62. HANKE, Michael Manfred. Materialidade da Comunicação – Um conceito para a ciência da comunicação? In: Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, 28. 2005. Rio de Janeiro. Anais... São Paulo: Intercom, 2005. Disponível em http://www.intercom.org.br/ papers/nacionais/2005/resumos/R0680-1. pdf. Acessado em 12 de junho de 2011.

* A série ENTENDA A MÍDIA se propõe a oferecer aspectos reflexivos para estudantes e admiradores dos estudos da comunicação, com aplicações acadêmicas e exemplos do cotidiano. 12

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sua carreira

RafaeL DemetRIUs

10 atitudes insuportáveis no ambiente de trabalho

U

m bom relacionamento com as pessoas dentro do ambiente de trabalho é essencial tanto para a carreira como x para a qualidade de vida. Mas manter um clima amistoso com os colegas profissionais nem sempre é fácil. Desagradáveis e até mal intencionados, alguns perfis desafiam a convivência com piadas excessivas, reclamações ou mesmo puxando o tapete dos outros. Selecionamos dez comportamentos insuportáveis no trabalho e dicas para lidar com cada um deles: 1. INJUSTIÇADA - Reclamona, ela tem certeza que os chefes a perseguem – e percebe isso em cada olhar ou comentário. Passa muito tempo “alugando” os colegas com as suas lamentações. É extremamente sentimental e não tem foco no trabalho. Geralmente deixa a desejar profissionalmente, mas, mesmo assim, jura que é muito competente. O perseguido é um perfil difícil até porque não se sente assim só no profissional. Se um carro espirrar água de poça nela, também vai achar que é pessoal. Mas fugir das responsabilidades, ser a vitima, às vezes é insegurança. O segredo é não entrar na onda e começar a reclamar dos chefes também. 2. FALSO BONZINHO - Parece um anjo à primeira vista. Cordial, faz questão de estabelecer boas relações com todos os níveis hierárquicos. Cedo ou tarde você ficará sabendo de intrigas pesadas feitas pelas costas envolvendo o seu nome. Ele vai negar tudo e sair pela tangente. Mas não se engane, mês que vem tem mais! O famoso “duas caras” é mais um caso de insegurança. Acredita que para crescer não pode ser ele mesmo. Devemos evitar generalizações, mas normalmente essa pessoa tem segundas intenções e quer levar vantagem”. Mas não tente desmascarar o “anjinho”. É melhor manter distância. 3. FOFOQUEIRA INCORRIGÍVEL - Ela parece um radar: está sempre por dentro de tudo que acontece na vida dos outros funcionários e, por isso, não dedica muito tempo ao trabalho. Tende a envolver as pessoas em suas falações e pequenas maldades. Critica a roupa e cabelo das colegas, mas no fundo inveja cada centímetro. A pessoa tem que ter bom senso, mas isso é relativo porque as experiências de vida são diferentes,. Sair de fininho das conversas sobre terceiros é a melhor forma de agir. A fofoca só existe porque alguém está ali para ouvir. Não precisa dizer que não quer falar com ela, mas sinalize que tem outras prioridades e não seja conivente. Busque neutralidade. 4. PUXA-SACO BAJULADOR - É um clássico no mundo corporativo. Em suas relações, classifica as pessoas por cargos – e o mais humilde não costuma receber atenção. Está sempre pronto para elogiar o chefe, mesmo que sutilmente, e extrai dessa prática a segurança que precisa para continuar empregado. Nada de fazer igual para ganhar pontos! Um chefe com vivência maior consegue perceber que está sendo bajulado. Portanto, ninguém perde pontos para o puxa-saco. Existem pessoas solícitas naturalmente, sem forçar a situação. Não se iguale nem seja ingênua.

5. FOLGADO - Ela (ou ele) fica falando de coisas que ninguém realmente quer saber – e normalmente num tom de voz que os obriga a isso. Usa o telefone da empresa para discutir com a madrinha, com o atendente da TV a cabo ou com a amiga que insiste em ficar com aquele cara que não a merece. Se você der a mínima corda, o folgado vai explicar seus problemas em detalhes, sem perceber que você está olhando para o outro lado. No limite, entram em assuntos constrangedores – escatológicos, sexuais, patológicos. “Ambiente corporativo não é consultório sentimental. Mas as pessoas só falam muito porque alguém escuta”. Com medo de passar por chato, quem ouve as histórias excessivas nem sempre consegue sinalizar que aquilo invade a liberdade do seu ouvido. A dica é cortar o assunto e não fazer comentários que vão aumentar o diálogo. 6. CARREIRISTA ESPERTINHO - Está no jogo para ganhar. Ser bem sucedido é quase uma obsessão. Fala o que os chefes gostam de ouvir e não pensa duas vezes ao passar a perna em alguém. Costuma ser competente em suas funções, mas extremamente desleal com os colegas. A dica aqui é simples: nunca compartilhe ideias e projetos com ele, por mais bacana que possa parecer na mesa de bar. Ele vai roubar seusinsights , não duvide disso. Se apegue aos assuntos genéricos, comente sobre o tempo, o programa de TV, o futebol... 7. ULTRASEXY - Ela “dá mole” para os caras, mas se faz de sonsa e desentendida se algum deles reage. No escritório, todo mundo percebe a paquera com o colega: risadinhas, brincadeiras de mão e outras práticas irritantes dominam o ambiente. Tem certeza que é a garota mais desejada da empresa, e tenta tirar algum benefício disso. Provavelmente ela não acredita na sua competência profissional. É preciso que a equipe seja assertiva para mostrar que não gosta daquilo. E evite qualquer elogio à maquiagem ou roupas que possa inflar ainda mais esse ego. 8. GALÃ OFICIAL - Ele não anda pelo corredor, desfila. Não cumprimenta as colegas, joga beijos e piscadinhas. Conta vantagens na hora do almoço para os outros homens e, muitas vezes, mente descaradamente sobre “aquela gata da academia” que nunca existiu. Não fique achando que você é a rainha da cocada preta só porque o cara fez uma brincadeira. Geralmente não é pessoal, esse tipo tende a repetir as gracinhas com todas as outras meninas do andar. Mas se ele extrapolar ou passar dos limites, então expresse seu sentimento com clareza, mas de forma suave. Não é preciso brigar com o garotão bobo e ficar marcada no andar pela sua agressividade. 9. MATRACA SOLTA - Ela não para de falar e tende a ser inconveniente. Faz comentários (geralmente dispensáveis) sobre tudo e atrapalha a concentração dos colegas que querem trabalhar. Em reuniões, os chefes chamam sua atenção por estabelecer conversas paralelas. Não entre no enredo que a pessoa está contando. Deixe que ela fale (quase) sozinha e mantenha os olhos na tela do computador ou folha do caderno. Dessa forma, ficará claro que você não está disponível e o assunto acaba mais facilmente. Aos poucos as conversas vão diminuindo. 10. PIADISTA SEM GRAÇA - Não fez curso de palhaço, mas quer sempre ser o mais divertido. Tenta copiar o colega engraçado de verdade, que tem timing e boas sacadas, mas nunca consegue. O problema? Ele continua insistindo e torrando a paciência dos colegas com suas piadas tolas. A principal lição é parar de dar risadas forçadas. O sorriso, mesmo amarelo, prolonga o constrangimento coletivo e dá corda para o falso comediante continuar seu show. A comunicação envolve as duas pessoas. Se o cara está vendo algum sinal de espaço ali, então vai falar mesmo.

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adoro comer

DavI moURa

Promoção mês dos namorados

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Doce Mania

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1º Jantar Harmonizado do Trattoria

Quem tem perfil no Instagram vai poder participar da promoção. No mês dos enamorados, o Adoro Comer e a Brownie e Cia. sorteiam 1 pote de brownie de colher e 10 unidades de brownies variados. Para participar é superfácil: curta esta foto, siga @blogadorocomer e @ browniecompanhia no Instagram e indique mais dois amigos. O sorteio será no dia 17 de Junho! Ah: prêmio válido para todo o Brasil!

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Chocochic Brigaderia Na última sexta-feira, fui convidado pela amiga blogueira Karen Praxedes - http://www.amodadakaren.com.br/ - para participar de um evento que a mesma estava organizando. Karen fez um desfile com várias marcas conhecidas da cidade, tudo animado com um DJ e com delicinhas do Garbos. Um dos pontos altos da festa foi o lançamento da Chocochic Brigaderia, que fez um showroom com vários itens do seu cardápio. Entre mil opções de cupcakes, bem casados e brownies, o destaque ficou por conta do brigadeiro de morango, brigadeiro com chocolate belga e o bem casado com doce de leite. Show de bola! As sócias Crisany e Danielle aceitam encomendas por telefone: (84) 9954-1211. Indico!

Buscaprato Para quem está sempre de uma cidade para outra, a busca por um bar ou restaurante pode ser um dos grandes desafios, e até mesmo um incômodo. Para solucionar isto, um grupo de jovens surpreendeu o mercado com uma proposta inovadora para área de gastronomia. O aplicativo BuscaPrato, vencedor da última edição do Startup Weekend Curitiba, permite que o usuário localize o prato que deseja comer e quais são os mais recomendados pelos usuários, em 10 cidades brasileiras. Disponível para os sistemas iOS e Android, o BuscaPrato já possui, até o momento, mais de 200 mil pratos e 3 mil estabelecimentos cadastrados. O aplicativo é gratuito. Mais informações no site: http://www.buscaprato.com/.

Quem chegou me falando da Doce Mania foi Aylana, nossa colunista do Cozinha Sustentável. Ela disse que tinha uma amiga – a Márcia – que fazia uns doces deliciosos e que eu deveria provar. Márcia faz tudo sob encomenda e vende nas lojas do centro. sua clientela já é fixa e é fácil entender a razão. Das delícias que provei, entre doces e salgadas, destaque para o bolo brownie, que, na verdade ele não é bem um brownie, pois tem mais consistência de bolo. Por ser bem molhadinho e ter a massa mais compacta e menos aerada, lembra um brownie. Com uma dose de chocolate bem concentrada, intercalada com camada de coco cremoso, é um doce que pede bis. E o bolo de morango, com sua massa de chocolate, fofinha e macia e seu recheio com um creme de morango que nos transporta direto pra infância. Doce na medida certa e com sabor de quero mais. As encomendas ficam pelo telefone: (84) 8889-9675. Adorei!

A noite da última quinta-feira (06) transformou o salão interno do Trattoria Nova Betânia em uma verdadeira confraternização vinícola. O primeiro Jantar Harmonizado do ano trouxe os apreciadores da bebida para conhecer a fundo os segredos do universo enogastronômico. A sommelier Fabiana Dall’Onder reservou grandes descobertas aos participantes, com explicações e curiosidades sobre a diversidade e especificidade de cada vinho. Pratos da noite: flan de queijo com molho pesto e pão ciabatta; filé aos 3 cogumelos com gratin de batatas e crocante de parmesão; e, por último, pra fechar com chave de diamante, a torta alemã com nozes. O próximo jantar harmonizado está previsto para acontecer na primeira quinta de julho, no dia 4. Interessados em participar podem entrar em contato com o próprio restaurante Trattoria (84) 3312-6591.

Aproveite e acesse o http://blogadorocomer.blogspot.com para conferir esta e outras delícias! 14

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adoro adoro comer comer

Alfajor Caseiro INGReDIeNtes Ingredientes • 1 pacote de bolacha tipo "Maria" (a redondinha) • 500g de chocolate meio-amargo ou ao leite para cobertura Recheio • 1 lata de leite condensado cozido por 45 minutos na panela de pressão com água até a metade da lata • 1/4 de xícara (chá) de leite • 3 colheres (sopa) chocolate em pó ou 3 colheres (sopa) côco ralado

MODO DE PREPARO • Comece pelo recheio: misture o leite condensado, o leite, a margarina e o chocolate ou o coco e prepare o brigadeiro ou beijinho com ponto mais cremoso do que para enrolar (para saber o ponto, levante um pouco com a colher, se cair em pedaços cremosos está no ponto), desligue e deixe esfriar; • Após esfriar, pegue as bolachas maria e recheie com um colher de sopa do recheio escolhido, achatando levemente uma bolacha contra a outra até preencher com o recheio até a borda; • Derreta o chocolate já picado no microondas (por 1 min e meio) ou em banho-maria; • Passe uma a uma no chocolate derretido e retire com dois garfos, um de cada lado espere escorrer um pouco e coloque em cima do papel manteiga para não grudar; • Espere secar em temperatura ambiente e sirva em uma bandeja

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Revista domingo nº 608  

Revista semanal do Jornal de Fato

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