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editorial ao leitor

Mistério da Fé

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Alessandro Di Meio/Ansa

)) Raio cai na cúpula do Vaticano no dia do anúncio de renúncia do Papa

p8 Bento XVI

Fieis surpresos com a renúncia do Papa Bento XVI

urante a missa, em um dos momentos da liturgia católica, a assembleia de fiéis proclama em coro a construção “Eis o mistério da fé!” como resposta ao chamamento do sacerdote. “Fé” e “mistério” sempre estiveram intrinsecamente imbricados, talvez seja pela necessidade da existência do segundo verbete para a materialização do primeiro. Fidelidade, confiança e crença numa religião são os sinônimos usados pelo dicionário brasileiro para definir “fé”. Por sua vez, cabe ao “mistério” os sinônimos de causa oculta, desconhecimento e incompreensível como palavras comuns à sua definição. O que se quer com isso, porém, é simplesmente fazer uma ligação da pequena frase, porém vasta de questionamentos, com a renúncia do Papa Bento XVI na última segunda-feira de Carnaval, dia 11 de fevereiro, e visualizar que poucas vezes – apenas três vezes na história – a Igreja Católica se viu diante de uma situação semelhante. O pontífice alegou falta de vigor na sua saúde frente às “transformações do mundo”. Bastou o reboliço da surpresa com o anúncio se acalmar para iniciar a avalanche de notícias evidenciando que a raiz do “abandono” é bem mais profunda. Logo a fé na igreja, inevitavelmente, balança na mesma proporção que parece resistir às transformações do tempo. Há mistérios nos escombros da Igreja que vão muito além de Bento XVI. Nesta edição, obviamente, não desmistificamos esses mistérios, mas mostramos relatos de pessoas que chegaram perto, mas tão perto do Papa que, basta a Fé para ilustrar os mistérios da emoção. Você acompanha ainda, leitor, uma entrevista com padre Flávio Augusto, que fala sobre o lançamento da Campanha da Fraternidade e o papel da juventude na Igreja.

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História

Professor lança livro sobre Mossoró na obra de Câmara Cascudo

Entrevista

Padre Flávio Augusto fala sobre a juventude e Campanha da Fraternidade

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Coluna

Rafael Demetrius: Seu emprego é para toda vida?

Adoro comer Colunista Davi Moura: Bolo de Nutella com Iogurte

• Edição – C&S Assessoria de Comunicação • Editor-geral – Wil­liam Rob­son • Editor – Higo Lima • Dia­gra­ma­ção – Ramon Ribeiro • Projeto Gráfico – Augusto Paiva • Im­pres­são – Grá­fi­ca De Fa­to • Re­vi­são – Gilcileno Amorim e Stella Sâmia • Fotos – Carlos Costa, Marcos Garcia, Cezar Alves e Gildo Bento • In­fo­grá­fi­cos – Neto Silva Re­da­ção, pu­bli­ci­da­de e cor­res­pon­dên­cia Av. Rio Bran­co, 2203 – Mos­so­ró (RN) Fo­nes: (0xx84) 3323-8900/8909 Si­te: www.de­fa­to.com/do­min­go E-mail: re­da­cao@de­fa­to.com Do­min­go é uma pu­bli­ca­ção se­ma­nal do Jor­nal de Fa­to. Não po­de ser ven­di­da se­pa­ra­da­men­te.

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conto

joSÉ NicoDemoS*

Vaidade obsessiva

(

Envie sugestões e críticas para o e-mail: aristida603@hotmail.com

)

Q

ueria ser modelo, dessas quase só pele sobre os ossos, já era de compleição muito frágil, no fim foi parar num leito de hospital. Comia quase nada, e a mãe não cessava de reclamar, poderia pegar uma fraqueza geral. Sabia de exemplos pelo noticiário da televisão. Preocupava-se. Se fosse dessas gordinhas... Muito pelo contrário, era alta acima da média da mulher brasileira, e afinal de contas carecia de mais alguns quilos em relação à altura. A mãe lhe mostrava isso, e não tinha jeito. Ser modelo era-lhe já uma obsessão, e entendeu de alimentar-se, por conta própria, exclusivamente de frutas e verduras, mas porções diminutas. Quase nada para um adulto. A mãe dizia um suicídio lento. A filha não se importava, inclusive se aborrecia. A mãe era antiga. Nada de proteínas de origem animal. muito menos carboidratos, que a mãe dizia nutriente indispensável à atividade muscular e mental. Bastava ser o suficiente à nutrição. Privar-se de uma alimentação completa, à base dos elementos nutritivos indispensáveis ao organismo, isto lhe haveria de trazer problemas de saúde futuros. Era uma moça que cursava faculdade, e devia muito bem saber disso. Ainda chegou a ter fotos publicadas numa revista comercial, de menor importância, fazendo a propaganda de não

O seu ideal de vida eram as passarelas da moda elegante, com fotos nas grandes revistas do gênero.

sei quê produto de beleza, mas não passou disso. O seu ideal de vida eram as passarelas da moda elegante, com fotos nas grandes revistas do gênero. Teve o primeiro aviso do organismo, ou seja, sintomas de uma fraqueza geral, com um mal-estar insuportável, e o médico mandou-lhe que se alimentasse corretamente, tratava-se de uma carência de proteínas e carboidratos e afinal de contas de uma alimentação equilibrada. Não deu ouvido ao médico, apesar de quase reduzida a pele e osso e da fraqueza que mal lhe permitia o sustentar-se sobre as pernas, a cabeça rodando feito carrossel, como é uso dizer. A mãe preocupada, vendo a hora che-

gar o pior. Aquilo era uma atitude despropositada, e até pensou em levar a filha a um psiquiatra, em vez de a um nutricionista. Já era uma questão mental. Tudo em vão. A moça a cada dia comia menos, o medo de engordar qualquer coisa, apesar do peso muito abaixo do correspondente à sua altura, portanto uma anormalidade. Sua obsessão de ser modelo era de todo surda. Depois de uma semana internada, sob terapia intensiva, a mãe, que não dormia, o medo de perder a filha, única, a situação era grave, segundo os médicos, chega o telefonema do hospital, a princípio cauteloso, depois decisivo: A filha acabara de morrer.

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entrevista

PaDRe FLÁvio AUGUSTo

‘Não é uma Campanha para os jovens, mas com os jovens’

Por Higo Lima Para a Revista Domingo

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Igreja Católica inicia um dos períodos mais importantes dentro do seu calendário anual com a chegada da Quaresma. É também nesta época que o clero aproveita para divulgar a Campanha da Fraternidade, que, a cada novo ano, centra as atenções em uma temática que norteia as discussões e ações da Igreja junto à sociedade. A Campanha da Fraternidade deste ano foi lançada nacionalmente na última quinta-feira, 14, com um motivo especial para os potiguares, que sediou a missa inicial dos trabalhos, em Natal, na Catedral Metropolitana. A capital do Estado foi escolhida em comemoração aos 50 anos da primeira Campanha da Fraternidade, lançada no município de Nísia Floresta, em 1962. Em Mossoró, o lançamento oficial será hoje e o padre Flávio Augusto, vigário-geral da Diocese de Santa Luzia, conversou com a Revista Domingo sobre a atual Campanha, cujo tema é a juventude. “A juventude tem muito a contribuir devido suas características”, disse padre Flávio, que comentou ainda sobre a Jornada Mundial da Juventude, que neste ano, acontece no Brasil, e ainda sobre a atual conjuntura da Igreja Católica.

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entrevista os cinquenta e seis municípios que compõem a nossa Diocese para que possam estar presentes no Rio de Janeiro, assim como fazendo com que a preparação e o retorno da Jornada resultem em bons frutos para a comunidade na qual o jovem está inserido.

DOMINGO – A Campanha da Fraternidade deste ano tem como foco a Juventude. De que forma a Igreja pretende trabalhar o tema justamente com esse público? PADRE FLÁVIO – Ela pretende usar todos os meios que envolvam a juventude, não é uma Campanha para os jovens, mas com os jovens, daí a utilização das redes sociais para envolvê-los nesse debate. Outra forma vai ser envolver os diversos grupos já existentes em atividades para fortalecer o trabalho que já vem sendo desenvolvido. NOS ÚLTIMOS anos, a Igreja vem enfrentando dois desafios: a evasão de fiéis para outras religiões e a crise na diminuição de jovens no sacerdócio. A Campanha da Fraternidade seria uma ação estratégica para reverter esse cenário? Caso não, o que estaria, então, sendo feito? A CAMPANHA da Fraternidade foi pensada em função da Jornada Mundial da Juventude que vai acontecer no Rio de Janeiro de 23 a 27 de julho deste ano. Toda a Igreja está se mobilizando para esse grande evento, que como aconteceu nos eventos anteriores, tem marcado a vida da Igreja no país onde acontece. Quanto à preocupação com eventuais saídas de fiéis da igreja católica, é preciso ter sempre presente que, no Brasil, aquele que nunca participa de nenhuma religião, quando perguntado sempre se disse católico, mesmo que não saiba nem o nome do padre da paróquia onde reside e outras coisas mais... O que temos que nos preocupar é em como atingir o homem e a mulher no mundo de hoje, de forma a lhe ajudar a fazer uma boa e profunda experiência com Deus. ...E Quanto ao sacerdócio? EM RELAÇÃO ao sacerdócio, a Igreja não vive uma crise nos seminários, pelo contrário. A prova disso é que somente em Mossoró nós temos em 2013 mais de 40 (quarenta) jovens no Seminário Santa Teresinha. Os seminários de Natal e Caicó também estão cheios. A Diocese no município de Caicó, inclusive, já está enviando padres para outras dioceses, devido já ter número suficiente de padres naquela região. QUAL o papel do jovem dentro da Igreja? O PAPEL de qualquer pessoa é se

NA VERDADE, qual a importância da Jornada para a Igreja? A JORNADA vai reacender a chama de uma Igreja que se abre a todas as faixas de idade e juventude tem muito a contribuir para que se possa responder com coragem aos desafios do mundo atual.

encontrar com Deus. A Igreja é uma comunidade de pessoas que encontram o significado da vida e querem dar razão de sua fé. A faixa de idade da juventude tem muito a contribuir devido suas características muito próprias: inquietação, sonhos, ardor, esperança etc. A JORNADA Mundial da Juventude deste ano será sediada no Brasil, como o senhor mencionou anteriormente. Pode-se considerar um momento histórico para a Igreja Católica no Brasil. Como a Diocese de Mossoró tem se preparado para o evento? A DIOCESE vem se preparando organizando os jovens de todos

A Juventude tem muito a contribuir para que se possa responder com coragem aos desafios do mundo atual”

TAMBÉM neste ano se comemora os 50 anos da Campanha da Fraternidade. Dentro do processo de evangelização, qual o papel da CF para a Igreja e, além disso, qual tem sido o grande legado das Campanhas ano após anos? A CAMPANHA da Fraternidade, a cada ano, faz com que esse tempo da Quaresma assuma um gesto concreto, ou seja, a nossa conversão passa sempre pelo tema que a Igreja nos propõe como reflexão. A CF a cada ano abre sempre essas possibilidades de um gesto de caridade muito concreto a cada ano. Na maioria das vezes, é a Igreja não olhando somente para seus problemas internos, mas especialmente para os grandes desafios que o Brasil precisa enfrentar. OS 50 anos da Campanha da Fraternidade também é um momento importante para a Igreja no Rio Grande do Norte, já que a primeira edição foi lançada no município potiguar de Nísia Floresta, em 1962. Haverá uma programação especial na Igreja no RN? Qual a importância desse momento para a história da Igreja no RN? O PIONEIRISMO da Igreja no Rio Grande do Norte, lançando uma Campanha, que posteriormente se torna nacional, marca a história de nossa Igreja e ao mesmo tempo nos serve de impulso para pensarmos sempre em algo novo no processo de evangelização, não podemos nos contentar fazendo somente aquilo que já está sendo feito, mas procurarmos novas formas de levar a Palavra de Deus a todas as pessoas da melhor forma possível, e tornar a caridade algo sempre mais concreto na vida de cada um de nós. É motivo de orgulho e ao mesmo tempo de muita responsabilidade.

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História

O olhar de

Cascudo

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omo a cidade de Mossoró é construída historiograficamente pela narrativa de Luís da Câmara Cascudo? Essa é a pergunta para o livro “Mossoró não cabe num livro: Luís da Câmara Cascudo, o historiador da cidade”, que o doutorando Bruno Balbino Aires da Costa lança em resultado dos seus estudos. A obra é dividida em três capítulos e, já no início, o foco é para os investimentos da Prefeitura de Mossoró no início dos anos quarenta, época do surgimento da biblioteca, museu, universidade. Uma política cultural nomeada de Batalha da Cultura, iniciada na administração de Dix-sept Rosado, em 1948, quando assumiu o compromisso de criar uma biblioteca pública para Mossoró. Uma batalha que seu principal objetivo era lutar por certo tipo de cultura, notadamente, letrada. Cultura esta que serviu como estratégia identitária para a elaboração de uma narrativa que ligasse os mossoroenses do passado com os mossoroenses do presente. O interesse em “batalhar pela cultura” teve da Prefeitura de Mossoró o esforço maior. Muito embora, a Batalha da Cultura contasse com a colaboração de outros segmentos da sociedade mossoroense e de outros lugares do Brasil. O esforço objetivava garantir para o futuro a preservação da cultura através da memória, promovendo-a, produzindo-a e conservando-a para a construção de uma dada identidade cultural. Identidade esta que evidencia a família Rosado e suas ações no centro da história desse espaço. No segundo capítulo, as condições históricas de possibilidade que fizeram de Luís da Câmara Cascudo o historiador da cidade. Como parte desse projeto identitário esteve a necessidade de se fazer a escrita da história da cidade de Mossoró. Mais do que isso, era preciso projetar e legitimar a história do município. É por isso que no início da década de cinquenta, o prefeito de Mossoró, Vingt Rosado, convida Luís da Câmara Cascudo para escrever a história de Mossoró, pois a história produzida por ele se 6

configuraria como a enunciação da cidade, dando sentido, a partir do passado, aos cidadãos do presente. No terceiro e último capítulo, uma análise do livro Notas e documentos para a História de Mossoró (1955), de Câmara Cascudo. O livro Notas e Documentos para a história de Mossoró foi publicado em 1955, tendo Cascudo selecionado os sujeitos, os acontecimentos, as datas que ele julga serem mais importantes para a história de Mossoró. A origem do nome da cidade é esquadrinhada por ele como sendo o primeiro marco da identidade mossoroense. Um traço presente da gente e não da natureza. Dos índios Monxorós e não do rio Mossoró. Para Cascudo, é o elemento humano, indígena, que nomeia a cidade.

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Ao mesmo tempo em que evidencia a contribuição do índio na formação toponímica da cidade, Cascudo interdita sua contribuição na formação social e étnica do espaço mossoroense. Não só do índio, mas também do holandês. A presença holandesa em Mossoró, segundo Luís da Câmara Cascudo, não trouxe contribuições para a formação social do espaço mossoroense. A estratégia de Cascudo era tornar toda a narrativa da estadia holandesa em Mossoró numa anedota, justamente para impossibilitar qualquer vinculação do sangue e da fé protestante dos holandeses no espaço mossoroense. Ao interditar a contribuição holandesa-protestante em Mossoró, Cascudo evidencia a presença católica de linhagem portuguesa, inscrita na missão dos frades Carmelitas. Estes

)) Câmara Cascudo

foi convidado a escrever sobre a História de Mossoró


História seriam, para ele, os verdadeiros agentes da formação espiritual e social do espaço mossoroense. Para Luís da Câmara Cascudo, este espaço seria também constructo da expansão dos currais de gado que, juntamente com as missões católicas, povoariam e conquistariam os territórios do interior do Rio Grande durante no século XVIII, em específico Mossoró. Para Cascudo, o espaço mossoroense seria também uma construção do olhar e da paisagem do viajante Henry Koster, que visitou a fazenda de Santa Luzia no início do século XIX. Ao narrar a visita de Henry Koster, Cascudo considera que o ver e fazer ver do viajante contribui para a construção da própria imagem de Mossoró no século XIX. Henry Koster seria, para ele, a grade que possibilitaria a visibilidade do espaço mossoroense no novecentos. Como quer fazer crer Cascudo, Mossoró seria formada pela ação conjunta das missões católicas, da expansão dos currais e do olhar do viajante. Estes eram considerados por Cascudo como os primeiros formadores do espaço mossoroense. Luís da Câmara Cascudo adiciona, ainda, outros sujeitos à história da cidade. Personagens que “plantaram” a cidade, representados pelos “homensbons” vinculados ao grupo político dos Conservadores que atuariam na cidade como força atuante, tanto politicamente como economicamente, para a evolução do núcleo urbano. Para além das múltiplas imagens e textos que Cascudo construiu para o espaço mossoroense, esteve o discurso de Mossoró como a cidade da liberdade. Ao tratar da escravidão e da abolição em Mossoró, Cascudo constrói uma visão romântica, apoteótica e heroica dos abolicionistas ao se posicionarem contra o sistema escravista. Para Cascudo, haveria nos senhores de escravos uma “vontade” de libertar o escravo muito antes da abolição, pois haveria nesses senhores o sentimento humanista, solidário. Ao versar sobre a benevolência dos proprietários de escravos, Cascudo silencia as resistências dos escravos e os conflitos sociais com os senhores. Ao falar da liberdade em Mossoró, Cascudo não se referiu à conquista da liberdade a partir do negro, mas sim a benevolência dos senhores em libertá-los. Para ele, Mossoró é considerada a “terra da liberdade” não pela ação do negro, se assim o fosse, Cascudo teria destinado uma narrativa que destacasse o papel do escravo na construção da sua própria liberdade. Pelo contrário. A liberdade que

)) O Rio Apodi Mossoró teve papel importante para a construção de Mossoró identifica o espaço mossoroense é outra; é a liberdade concedida e não conquistada. Desta maneira, Luís da Câmara Cascudo enaltece o feito abolicionista de Mossoró instituindo uma imagem para a cidade a partir de sua singularidade, por ser a única do Brasil, segundo ele, a comemorar a data da abolição da escravatura por meio de festas, atos cívicos, hinos e desfiles. Cascudo constrói uma narrativa que toma Mossoró como uma cidade da liberdade, servindo de referência para a instituição de uma identidade e de uma memória para Mossoró.

Luís da Câmara Cascudo ao escrever sobre Mossoró inventa seu passado, construindo mitos de origens, instituindo sua genealogia ancestral, elegendo seus heróis fundadores, definindo suas tradições, catalogando monumentos, delimitando um patrimônio, atribuindo sentidos e significados aos lugares e aos sujeitos da história, impondo ritos e recordando datas. O seu processo imaginário de invenção da cidade e de escrita de sua história constrói imagens e símbolos através das quais Mossoró sonha a si mesma.

)) O Rio Apodi Mossoró teve papel importante para a construção de Mossoró

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Bento XVI

Os Ăşltimos dias de um

Papa

A 11 dias de se despedir definitivamente do Papa, fiĂŠis mossoroenses relembram encontro com Bento XVI, que deixou legado no Rio Grande do Norte 8

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assada a surpresa inicial com o anúncio de renúncia do Papa Bento XVI, ainda não é claro o impacto – mesmo que simbólico – que a decisão do pontífice terá na Igreja Católica. O ainda atual titular da cadeira de Pedro escolheu uma segunda-feira de Carnaval, dia 11 de fevereiro, para oficializar a sua decisão de deixar a liderança no próximo dia 28 de fevereiro. Se o mundo foi pego de surpresa, aqueles fiéis que um dia tiveram a oportunidade de chegar perto do maior líder católico se viram por um momento sem resposta, sem palavras para descrever ou supor o que motivou o cardeal alemão Joseph Ratzinger a abandonar a condu-

ção do seu rebanho. No discurso lido na segunda-feira passada, Bento XVI justifica que, “pela idade avançada”, já não tem mais forças para exercer adequadamente o ministério petrino (de São Pedro, tido pela Bíblia como o fundador e primeiro pároco da Igreja Católica). Dias depois, o próprio Vaticano fez questão de trazer à tona notícias evidenciando as complicações de saúde sofridas pelo Papa. O legado de Bento XVI é resumido em uma liderança de apenas 7 anos e 10 meses, considerado curto, sobretudo se comparado com o seu antecessor, Papa João Paulo II, que permaneceu no trono durante 27 anos. Nesse tempo, Bento XVI veio ao Brasil apenas uma vez, em 2007, e estava sendo esperado pela segunda vez no mês de julho, durante a Jornada Mundial da Juventude, que será sediada no Rio de Janeiro. Foi no mesmo evento, em Madrid, Espanha, que o jornalista mossoroense Everton Lima, em 2011, chegou próximo do Papa Bento XVI. Mesmo que sem contato direto, e distante cerca de cinco metros do pontífice, a descrição do momento é cheia de emoção. Primeiro por estar participando do evento, em grupo com outros jovens católicos, depois pela comoção do rápido instante de ver o líder de sua igreja tão próximo de si. “Você tem fé e, às vezes, acha que só você tem esse sentimento. De repente você encontra uma multidão de gente do mundo todo, jovens que está com você, que tem a mesma fé e sentimento que você tem”, descreve Everton, lembrando que estava com o grupo quando viu o papôdromo passar dentro da área isolada. “É natural que tenhamos toda uma euforia porque, afinal de contas, foi a primeira vez que vi o Papa de tão perto. A gente quer saber como é a maior liderança da Igreja”. O jornalista lembra que Bento XVI, quando escolhido pelo conclave do Vaticano, em 2005, já era esperado em um mandato rápido, justamente devido a sua idade, hoje com 85 anos. “Ele já tinha a saúde fragilizada. Não se percebe muito, mas já era visto nele

o peso do tempo”, descreve Everton. Dom Mariano Manzana, bispo da Diocese de Santa Luzia, chegou mais próximo ao Papa, em 2010, quando integrou uma comitiva de arcebispos da Regional Nordeste 3, divisão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em uma visita de cortesia ao Papa, em Roma. O arcebispo comenta que o encontro com Bento XVI “foi um momento voltado para aprofundar os questionamentos conjunturais que mexem com o país”. O bispado mantém uma ligação mais próxima com o Vaticano, é o intermédio entre as decisões da alta cúpula e as paróquias. Mesmo em contato constante com interlocutores em Roma, dom Mariano Manzana também foi surpreendido com a decisão do seu líder maior. “Depois do choque inicial, entendi a decisão com muito respeito e admiração”. Para dom Mariano, a decisão é tomada por muita “humildade em reconhecer sua limitação, porque para conduzir a barca de Pedro é necessário não somente a palavra e a oração, mas também o vigor”.

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Bento XVI

)) Bento XVI

beatifica Irmã Lindalva

O Papa Bento XVI sai do topo hierárquico da Igreja Católica, mas deixa um importante legado para o Rio Grande do Norte. Em 2007, na sua vinda ao Brasil, mesmo não tendo pisado em solo potiguar, ele encaminhou um representante à cidade de Assú para oficializar a beatificação da Irmã Lindalva, a primeira fase antes da canonização, a proclamação de um santo. A irmã Lindalva é natural do município de Assú e foi barbaramente assassinada com 44 facadas, aos 40 anos, em 1993, em Salvador/BA. Desde então, parte daquela cidade, bem como os seus conterrâneos na cidade de Assú, alimentam profunda devoção à religiosa, alinhada com a ordem Filhas da Caridade de São Vicente de Paula. A beatificação foi concedida por Bento XVI 14 anos depois do episódio, evidenciando total atenção de Roma com o processo de beatificação da Irmã Lindalva. Em um dos trechos do seu discurso, o pontífice usa também como justificativa para a saída precoce do papado as “rápidas transformações” de um mun-

do “sacudido por questões de grande relevo para a vida da fé”. O trecho, por sinal, traz em si uma das marcas da gestão de Bento XVI: conservadorismo e pouca abertura para questões morais. Em contrapartida, porém, Bento XVI deixou claras marcas de simpatia para movimentos populares de demonstração de fé, como as romarias de fiéis ao casarão do século XIX que abriga os restos mortais de irmã Lindalva e, no vizinho Estado do Ceará, outro exemplo é o processo de discussão em torno do Padre Cícero, reativado. Em meados de 2011, uma equipe do Jornal de Fato viajou a Juazeiro do Norte (CE) e conversou com o padre italiano José Venturelli, encaminhado pelo vaticano na tentativa de atenuar os ânimos no processo de beatificação de Padre Cícero. Padre Cícero morreu em 1934, aos 90 anos, proibido de subir ao altar para celebrar missa. Quase oito décadas depois de sua morte, se transformou em um verdadeiro messias do sertão. Embora ainda não ostente um lugar ao lado dos santificados, o povo nor-

destino tratou de ignorar a ortodoxia da Igreja e seguir na sua fé irrestrita ao “Padim Ciço”. “Padre Cícero tem uma importância agregadora para a Igreja Católica”, revelou Venturelli. Quando cardeal, Joseph Ratzinger, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, incentivou a diocese do Crato a estudar o processo de reabilitação de Padre Cícero. Anos depois, em 2006, já no papado, uma comitiva cearense entregou ao Vaticano uma nova remessa de documentos.

A decisão de Bento XVI é inédita nos últimos 600 anos, o suficiente para evidenciar uma crise na Igreja Católica. Historiadores ainda divergem sobre o número de papas que renunciaram aos seus postos, mas há unanimidade em três casos: Ponciano, Celestino V e Gregório XII.

Ponciano O italiano nascido em 175 assumiu o comando da Igreja Católica após um conclave em 230, uma época marcada pela divisão do catolicismo. Ele e outros líderes da Igreja foram exilados pelo imperador romano Maximino Trácio na Sardenha, uma ilha do mar Mediterrâneo. Percebendo que jamais conseguiria retornar ao Vaticano, decidiu renunciar ao posto.

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São Celestino V Renunciou no mesmo ano de sua eleição, em 1294. Vivia como eremita até a sua nomeação. A escolha de um desconhecido foi a opção do conclave para acabar com a guerra pela sucessão de Nicolau IV, morto dois anos antes. O novo Papa logo expôs as razões que o impediam de desempenhar suas funções: sua humildade e saúde. Ele abdicou em 13 de dezembro de 1294 e alguns dias depois o cardeal Bento Gaetani foi eleito para sucedê-lo sob o nome de Bonifácio VIII.

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Gregório XIII Nascido em Ve n e z a e m 1327, Angelo Correr foi eleito papa com mais de 80 anos de idade. Ele assumiu o posto em 1406. A renúncia ocorreu em 1415, como parte de uma negociação no Concílio de Constança para acabar com as disputas de poder dentro da Igreja durante o período do Grande Cisma do Ocidente – uma crise na Igreja Católica que perdurou de 1378 a 1417. Como seu sucesso, foi eleito Marinho V. Gregório se tornou um bispo respeitado e morreu um ano depois.


Brasileiros na escolha do Papa

Bento XVI Dom Raymundo Damasceno, atual arcebispo de Aparecida e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB);

Dom Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo, 78 anos, aparece em todas as listas de aposta como forte candidato da América latina para ser escolhido.

Capa do Jornal de Fato, na edição do dia 3 de abril de 2005 para noticiar a morte do Papa João Paulo II, antecessor de Bento XVI. A Capa foi escolhida pela Associação Nacional de Jornais (ANJ) para o livro “As melhores primeiras páginas dos jornais brasileiros”.

Odilo Scherer, atual cardeal arcebispo de São Paulo, 63 anos, é o mais novo entre os brasileiros.

Dom João Braz de Aviz, mora em Roma, é prefeito das congregações dos religiosos e tem 66 anos.

A Revista IstoÉ, de circulação nacional, trouxe na capa da sua edição de abril de 2007 uma reportagem sobre o caso da Irmã Lindalva, incluindo uma entrevista com o assassino da beata.

Dom Geraldo Majella Agnelo, 79, atual arcebispo emérito de Salvador (BA).

O padre italiano José Venturelli toma de conta do Horto de Padre Cícero, em Juazeiro do Norte (CE), e foi enviado pelo Vaticano. Uma equipe do JORNAL DE FATO conversou com ele para a edição de setembro da Revista Contexto.

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sua carreira

RafaeL DemeTRiUS Boas empresas apostam nos jovens

Seu emprego é para toda vida?

As boas empresas apostam em um ambiente de trabalho diferenciado, com muita camaradagem, com uma equipe jovem, motivada e que realmente gosta do que faz. Na hora de recrutar novos funcionários, essas empresas, buscam pessoas realmente de grupo, que acreditam e tem o mesmo ideal. Capacitação

S

omos diariamente inundados por regras, dicas e conselhos de como ser mais produtivo no trabalho, como possuir o perfil ideal para aquela vaga, como se tornar líder, como trabalhar melhor. Uma lista interminável em busca de um perfil ideal, o ápice do bom profissionalismo. Mas você já parou pra pensar se sua empresa é tão boa quanto você se esforça pra ser? Ela lhe oferece um bom ambiente de trabalho, se esforça para suprir suas necessidades? Essas são algumas perguntas que você deve se questionar para tentar definir sua empresa. Trabalho e casamento se assemelham em muitos pontos. Ambos exigem dedicação, tempo, paciência e caminham com uma boa dose de expectativas. E, por isso, para se “casar” com uma empresa, é preciso conhecê-la, testá-la e encontrar nela características que sejam importantes para você. Mas como fazer isso? Nos relacionamentos amorosos nós conhecemos a pessoa, namoramos, analisamos as afinidades, qualidades do parceiro, e observamos como devemos corresponder a essas atitudes do companheiro. E com o trabalho não deve ser muito diferente. Essa análise levará você à conclusão se a sua empresa é ou não para casar, o tema de nossa coluna de hoje. x

As boas empresas investem em capacitação. Em meios de o funcionário se desenvolver, como uma universidade corporativa (UCC), MBA, mestrados, treinamentos, cursos de idiomas, ou seja, tudo o que puder contribuir para o desenvolvimento da carreira, em todos os níveis. O que se busca é o desenvolvimento, o aprendizado. Além disso, a empresa está sempre aberta a ouvir a equipe para melhorar cada vez mais. Excelentes Benefícios

Boas empresas destacam em seus programas de gestão de pessoas, bons pacotes de benefícios, o que traz grande comprometimento e engajamento dos colaboradores. Planos de saúde, odontológico, Vale-Alimentação, Vale-Transporte, Participação nos lucros, auxílios creches e educação ajudam a manter o funcionário satisfeito. Diretoria

Toda empresa geralmente têm a cara do dono. Por isso, a proximidade da diretoria, através de uma postura transparente, sincera, humana e bastante dinâmica auxilia a empresa a ter bons resultados, manter as portas da empresa e da sala da diretoria aberta para receber opiniões, dicas, sugestões e reclamações é uma atitude transparente e que faz toda a diferença para a organização.

Antes de tudo

Antes de tudo é necessário pensar no que você preza em uma empresa. Oportunidade de crescimento? Bom ambiente de trabalho? Aprendizado? Bom salário? Estabeleça prioridades e procure se informar com amigos, ou através de sites e revistas sobre as empresas que oferecem as oportunidades que você busca encontrar para se desenvolver profissionalmente. Ajude-se

Ajude-se a chegar onde você deseja. Estabeleça metas; são elas que nos ajudam a não gastar tempo com o que não é necessário e a sermos mais objetivos com nossos desejos. Para facilitar, descubra como sua empresa (ou a empresa onde deseja ingressar) foi formada, qual sua história, seus valores. Seja sensível e perceba o clima organizacional, como são as pessoas que formam a companhia. Nada melhor do que o dia-a-dia para saber se você se identifica com o que faz e tem prazer em realizar suas tarefas. Tente construir uma história feliz, faça a sua parte. O que as boas empresas oferecem? Verdadeira valorização e respeito ao ser humano, crença na evolução de seus empregados, ambiente de transparência e ética na gestão de pessoas são fatores que valeram pontos na hora da escolha das companhias que ocupam os primeiros lugares do ranking “Melhores empresas para se trabalhar no Brasil", segundo pesquisa anual da consultoria internacional Great Place to Work Institute.

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Jornal de Fato | DOMINGO, 17 de fevereiro de 2013

Bem-estar

As empresas devem atentar para a importância de investir no bem estar do profissional, físico, social e na qualidade de vida de seus profissionais, contemplando seu bem- estar intelectual e espiritual. Valorizar cada pessoa como ela é, percebendo seus talentos individuais, procurando saber aquilo que ela realmente gosta de fazer, no que se sente feliz e faz bem, com prazer. As empresas boas que são para casar possuem uma política de RH baseada na valorização do ser humano e na crença da sua evolução, também têm programas que visam dar qualidade de vida, capacitação técnica e evolução pessoal, para que todos os seus funcionários tenham uma visão de mundo mais ampliada, E se minha empresa não for para casar?

Se sua empresa não for uma empresa para casar não adianta se desesperar. Se o seu relacionamento com seu emprego não está dando certo, não desanime. Relacionamentos se desfazem e então cabe a você partir pra outra e tentar ser feliz em outro lugar. A chave do seu sucesso está dentro de você. E lembre-se que não é só a empresa que nos escolhe, também temos que escolher a empresa. Você pode começar a conhecer outras realidades, paquerar com outras organizações e na hora certa pedir o divórcio do seu atual emprego e partir para um novo relacionamento.


artigo

RUY MaRTiNS ALTeNfeLDeR SiLva *

Questão persistente

Q

uase metade dos brasileiros acima dos 25 anos de idade não tem o ensino fundamental completo ou, o que é pior, não possui nenhum grau de instrução. O dado, estarrecedor e preocupante, acaba de ser divulgado pelo IBGE, com base no Censo de 2010 e, de lá para cá, a situação não deve ter sofrido alteração para melhor, dado o prazo de uma ou duas décadas para que medidas produzam efeitos significativos no nível de escolaridade da população. Traduzido em pessoas, esse percentual significa que 54,5 milhões não concluíram sequer os nove anos do ciclo fundamental. E outros 16,2 milhões (14,1% dessa população) foram à frente, concluíram o fundamental, mas não terminaram o ensino médio. Em resumo, perto de 71 milhões de brasileiros, na melhor das hipóteses e com as exceções de praxe, apresentam sérias deficiências de escrita, leitura e aritmética básica – o que, se não os alija do mercado de trabalho, corta pela raiz as probabilidades de ascensão profissional e consequente aumento sustentável de renda. Quando o recorte do Censo de 2010 se estreita para a faixa jovem (de 20 a 24 anos), o cenário ganha tintas menos escuras, mas não menos preocupantes, apesar dos avanços registrados nas duas últimas décadas. Nesse segmento, um quarto dos jovens sequer concluiu o ensino fundamental e outros 22,5% não terminaram o ciclo médio. Somem-se ao quadro outras distorções apontadas pelo Censo, como a média insuficiente de 7,7 anos de estudo; os 30% dos alunos do fundamental com idade para estar no médio; e a elevadíssima taxa de evasão, que coloca 36,5% dos jovens entre 18 e 24 anos fora da escola, e eis que surgem dúvidas pertinentes. Por exemplo, com a baixa escolaridade de boa parte da população, como o País poderá ingressar numa fase de desenvolvimento sustentável? Ou como metade dos brasileiros poderá aspirar a uma vida melhor e a um futuro mais promissor, visto não ostentar as competências e habilidades mínimas requeridas

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para usufruto dos benefícios da atual era do conhecimento? E por aí se poderia ir, com o cenário educacional suscitando mais e mais dúvidas. Melhor que questionar, entretanto, é arregaçar as mangas e, enquanto o Brasil não elege efetivamente o ensino como a prioridade das prioridades nacionais, cada um deverá prestar sua contribuição para atenuar a perversa de-

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sigualdade educacional. É isso que o CIEE vem fazendo, com uma série de programas gratuitos que visam preencher lacunas deixadas pelo sistema de ensino, tanto no campo da alfabetização de adultos, quanto na melhor formação dos estudantes, com cursos, palestras, publicações, educação à distância e outras ações de responsabilidade cidadã.

* Ruy Martins Altenfelder Silva é presidente do Conselho de Administração do CIEE, da Academia Paulista de Letras Jurídicas e do Conselho Superior de Estudos Avançados/ Consea (Fiesp/IRS) Jornal de Fato | DOMINGO, 17 de fevereiro de 2013

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adoro comer

Davi moURa

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Relatos de Carnaval Quando chega o período de Carnaval, todo mundo já fica na expectativa para os 4 dias de folia. Minha festa se resume à tríade já conhecida pelos fãs de um bom recesso em casa: cama, mesa e banho. E desta vez acompanhado: meus tios e prima de Goiânia vieram participar dos festejos nordestinos. Uma diferença básica: enquanto eles e meus pais e familiares foram a Tibau, aproveitar a praia e o sol, eu, a prima e mais dois sobrinhos – que são quase da minha idade, diga-se de passagem – aproveitamos um acampamento dentro de casa, sem sol, só comendo, dormindo e sendo feliz. Lá em Goiânia, o quilo do camarão gira em torno de R$ 120,00, então nosso foco no primeiro dia foi apresentá-la aos locais com pratos com essa iguaria. A primeira parada foi o Real Botequim. Normalmente estaria lotado, mas no Carnaval estava uma tranquilidade, o que fez com que o atendimento fosse ainda melhor. As escolhas foram: a famosa empada de queijo do reino, a coxinha de camarão, filezinho e tequilas para esquentar. Ainda na mesma noite, passamos pela Manjericão Pizza Gourmet e as escolhas foram a de palmito (com nozmoscada, que faz toda a diferença), bacon e cartola com chocolate, minhas favoritas.

guém é obrigado a aguentar cara feia e abuso. Já na segunda-feira, para nos confraternizar com o resto da família, fomos a Tibau para passar o dia. Acordamos tarde, não pus gasolina no carro e ainda esqueci o documento. Para evitar maiores transtornos, voltei a Mossoró, conferi tudo e fui. Esse atraso nos fez ir direto ao nosso destino de almoço: o famoso bar da Maria Lúcia, lá na praia de Grossos. O mais delicioso caranguejo da região, assim como o bom e velho peixe frito e o baião de dois fizeram o nosso almoço mais feliz. À tarde, retornamos à casa e esperamos o início da noite para sair novamente. O destino foi o 144 Lounge Bar em Tibau, que, por sinal, já voltou a Mossoró desde a última sexta. Caipirinhas, drinks e a tal da batata Frida Kahlo foram as estrelas da noite. Sentamos em uma mesa de frente para o lado do mar, então o ventinho frio foi um ingrediente a mais. E tudo isso a pé: bebida e direção não combinam mesmo. Após descer à praia e subir novamente, paramos no Mr. Empada e, pra variar, comemos mais. O almoço do dia seguinte, terça-feira, com a família toda junta novamente, repetimos a dose em Maria Lúcia, só que o rei desta refeição foi o caldo de camarão, que fiz questão de colocar por cima do peixe frito para ser ainda mais feliz. De volta a Mossoró, o jantar da terça-feira, depois de passar em 7 estabelecimentos diferentes, foi no Pittsburg do Nova Betânia. A escolha foi um tal de sanduíche Chicken Burguer, com hambúrguer de carne e frango – como não sou tão fã do de carne, pedi para retirar. Ponto positivo para o queijo cheddar e o bacon, além do molho rosê que é uma delícia sem fim. Para sobremesa, uma cartola premium, com sorvete e calda de chocolate cremoso. Acompanhado do meu sobrinho guloso, ainda dividimos uma cartola tradicional. Indico demais! No último dia, após uma tarde passeando pelo Centro, morrendo de calor, fomos ao Sandubar, matar a vontade. Comi um sanduíche e meio e nunca vi aquilo tão cheio de pedidos. Todo mundo sentiu falta! Ah, repetimos a dose da cartola do Pitts. Em suma, com exceção de um único local, o saldo foi positivo. Mas faço minhas as palavras da minha prima: “em Goiânia, independente de feriado, os locais abrem normalmente”. Sei bem que Mossoró ficou deserta por estes dias, mas é bom lembrar que, quem ficou, também merece comer bem. Nem todo mundo é movido a álcool durante os 4 dias. E parabéns para quem abriu: fizeram meu feriadão mais feliz. Serviço: Pittsburg - Rua João da Escócia, 1293 - Nova Betânia - (84) 3317 3008 Sandubar - Pç Alípio Bandeira 2064 - Alto Conceição – (84) 3321 6725

Depois de trocar o dia pela noite, a preguiçosa manhã de domingo passou adormecida. Acordamos à tarde e nos dirigimos ao West Shopping. Detalhe: a última vez que eles visitaram a cidade foi há 7 anos atrás – quando as opções não passavam de espetinhos e sanduíches. Hoje já temos um local climatizado para comer, pelo menos. As escolhas deste dia foram do Bonesse, com o risoto de camarão e o frango à parmegiana. Amo o Subway, mas estava com fome de comida de verdade! Claro, sempre tem um sorvetinho depois. Após um longo passeio pela cidade – fantasma, com tudo fechado – passamos em casa para repor as energias e voltar a comer. O destino era o sanduíche mais confortável da cidade: o do Sandubar. Já falei de comida confortável pra você – aquela que te desperta bons sentimentos, a tal da “comfort food”. Só que estava fechado e nunca tivemos tanta raiva em todo o período. Enfim, escolhemos um novo destino em cima da hora, que não vou nem citar o nome, mas já adianto: atendimento ruim, produto ruim e nem uma substituição de alguns ingredientes pudemos fazer. Empresário: treine o seu funcionário, dê estímulos para que o mesmo trabalhe bem mesmo durante o Carnaval. Nin-

Mossoró West Shopping - Av. João da Escossia - Nova Betânia - (84) 34227000 - Bonesse - (84) 3422 7062 Maria Lúcia’s - Entrada de Grossos - (84) 9176 1648. 144 Lounge Bar - R. Venceslau Brás, 144, Centro – (84) 3316 1675 Praça da Convivência - Av. Rio Branco, Centro.

Aproveite e acesse o http://blogadorocomer.blogspot.com para conferir esta e outras delícias! 14

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Bolo de Nutella com Iogurte iNGReDieNTeS • 1 pote de iogurte natural de 170 g • 3 ovos • 1 pote (do iogurte) de açúcar • 1 pote (do iogurte) de chocolate em pó • 3 potes (do iogurte) de farinha de trigo • 1 colher de sopa de fermento • 1 ou 2 potes de 350 g de Nutella para rechear e cobrir (se quiser cobrir e rechear use 2) • 1 pote (do iogurte) de óleo

adoro comer

MODO DE PREPARO • Misture os ovos e o iogurte com um batedor; • Quando eles estiverem bem unidos, ponha o açúcar e o óleo e misture mais um pouco; • Por último, incorpore o chocolate e coloque a farinha aos poucos para que não empelote; • Quando já tiver formado a massa, acrescente o fermento para finalizar; • Despeje essa massa numa assadeira untada e enfarinhada e leve para assar em forno pré-aquecido, em temperatura média, por cerca de 40 minutos; • Quando ele estiver pronto basta recheá-lo ou somente cobri-lo.

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Revista de Domingo nº 551  

Revista semanal do Jornal de Fato