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JORNAL DE

ARTES

Artes Plásticas | Artes Cênicas | Cinema | Música | Literatura Porto Alegre | Setembro | 2013 | R$ 3,00 www.facebook.com/jornaldeartes www.issuu.com/jornaldeartes


Porto Alegre |Setembro | 2013 | ARTES | 2 ARTIGO

MARTIN FIERRO Por

Mário Rossini de Porto Alegre/RS

José Hernandez nasceu numa chácara no interior da província de Buenos Aires em 1834.Hernandez teve infância triste pela morte prematura da mãe em 1843.Na estância teve vivência campeira, desde a marcação, lida no campo, trato com o gado, até enfrentamento dos “malones”. Conhece na prá ca as agruras da vida do gaúcho. Sua formação ocorreu durante o governo deferalista. Em 1853 se engaja nas lutas militares e polí cas ao lado dos rosistas. Seu pai era filho de comerciante espanhol e sua mãe prima de uma das eminentes figuras polí cas de seu tempo, Juan Mar n Pueyrredón. As duas famílias eram diferentes em matéria de opção polí ca: os Pueyrredón eram “Unitários” e os Hernandez eram “Federalistas”. Os Unitários, mais sofis cados, com orientação liberal, eram comerciantes e exportadores a favor de um Estado forte e centralizador, sediado em Buenos Aires, subordinando as Províncias. Já os Federalistas (Rosas)defendiam maior autonomia para as províncias e sua força vinha dos caudilhos provinciais, estancieiros e militares. MARTIN FIERRO foi considerado por Leopoldo Lugones o maior clássico da literatura gauchesca de todos os tempos . A primeira parte, El Gaucho Mar n Fierro , foi publicado em 1872 , e La Vuelta de Mar n Fierro publicado em 1879. Esta grandiosa obra de José Hernandez se converteu num marco cultural no Sul da América La na. As edições originais foram feitas em folhetos grampeados (78 páginas a 1ª.Parte e 59 a 2ª.Parte) e não no formato tradicional de livro. Hernandez optou por fazer o lançamento em folhetos para pode ser mais acessível ao homem simples do interior, chegando aos bolichos, galpões e armazéns, como era costume à época. Naquela tempo de pouca alfabe zação, havia a figura do leitor cole vo, que lia para uma platéia de analfabetos, além dos cantores populares que passavam a diante trechos enormes do poema. Somente em 1910 surgiu a versão em livro no formato tradicional. As duas partes tem tamanhos e conteúdos diferenciados. A primeira Parte “El Gaucho Mar n Fierro” é formada por 13 cantos e 2316 versos. Possui um discurso de crí ca social, polí ca e ideológica. A segunda parte tem 33 cantos e 4894 versos, mantém a visão crí ca sobre a condição do gaúcho pobre e destaca a sabedoria do idoso VIZCACHA. Na maior parte a obra está escrita em sex lhas. José Hernandez faz todo relato na primeira pessoa, na maior parte do livro é Mar n Fierro quem fala. A exceção é quando surge o sargento Cruz, aliado de Fierro ou como no caso dos seus filhos. Inexiste descrições sicas de Mar n Fierro. Em alguns momentos surge uma voz na terceira pessoa. Há registro de ter exis do um sujeito de nome Mar n Fierro, um gaúcho pobre, engajado a um batalhão, que Hernandez teria conhecido na fronteira (Livramento1871). Mar n Fierro foi escrito para destacar a figura do gaúcho já como uma classe social . Hernandez descreveu todos os valores de uma época, que hoje para muitos pode parecer superado e poli camente incorreto. Mas eram valores daquela época. Alguns cri cam o papel secundário da mulher na obra. Outros cri cam a visão que ele passa sobre o negro e os índios. Mas o próprio Hernandez esclarece na época do lançamento da primeira parte que ele queria ser fiel aquilo que presenciava. Dizia ele : “O Gaúcho é a classe deserdada de nosso país.” Mar n Fierro “é um pobre gaúcho, com todas as imperfeições...” E mais : “Esforcei-me em apresentar um po que personificasse o caráter de nossos gaúchos, o modo de ser, de sen r, de pensar e de se expressar que lhes é peculiar,...com todos os rompantes de al vez, sem moderação até o crime, e com todos impulsos e arrebatamentos, filhos de uma natureza que a educação não poliu ou suavizou”. Portanto, Mar n Fierro não é um personagem do século XXI. Destaco como principal na obra de Hernandez o saldo de valores, às vezes impercep veis , que ele nos apresenta em seu infinitos ma zes . Um belo poema de protesto social, conceitos morais, polí cos e ideológicos que influíram na personalidade do escritor durante o processo cria vo de sua obra. Este é o aspecto interessante e revelador. MARTIN FIERRO é uma obra de sensibilidade, de alto poder de síntese, deixa transparecer uma experiência madura, amarga, resultado de uma longa e intensa luta por sua paixão polí ca vivida com fervor pelo poeta. O primeiro escritor a defender abertamente a figura do “GAUCHO”, que era uma classe subes mada, menosprezada, perseguida implacavelmente, em um determinado momento da história pampeana. A luta pela liberdade, o direito de viver em sua pátria, sua terra na va e o respeito à condição humana do gaúcho, significou o ideal na trajetória de vida do poeta Hernandez, porque essa classe social – o gaúcho – levava o seu sangue, sua própria raça e seu drama mais ín mo. Hernandez foi o líder mais autên co de sua causa. Foi excepcional espectador e protagonista desse drama. Em sua aguda sensibilidade de poeta, alcançou sua máxima expressão. Hernadez percebe que o homem trabalhador, habitante das planuras, está fadado a desaparecer ou transformar radicalmente seu modo de vida e seu caráter racial. Os estadistas porteños davam toda a atenção aos imigrantes europeus, desalojando os na vos de sua terra natal. Predominava um “espírito europeizante”, intransigente e urbano. Hernandez, poeta de grande sensibilidade, compreendeu o drama do gaúcho que levava o seu sangue. Com sua pena valente, foi o primeiro escritor a defender com fervor a figura do “gaúcho”. Uma obra de espírito moderno, repleta de aguda observação social e polí ca, realizada com uma plas cidade de imagens original e vocabulário próprio do homem do pampa. O ambiente urbano e literário da época olhou com desdém a obra. No entanto teve alguém que compreendeu, sen u e a valorizou desde o primeiro momento e a guardou no seu humilde coração. Foi o povo gaúcho, sua gente, que pressen u que aqueles maravilhosos versos era a transfiguração de seu drama e da sua voz em forma de protesto projetada no tempo e na história. Para Hernandez a raça gaúcha era também parte do povo argen no e merecia por esta razão, o respeito e a compreensão dos governantes ,os Unitários porteños que eram a elite urbana e intelectual do país. O es lo “gauchesco” tem seu primeiro registro em 1777 com o poema “Canta um guaso em es lo Campestre los triunfos del Señor Don Pedro de Cevallos” de autoria do padre Juan Baltasar Maziel. O Poema inicia assim : “Aqui me pongo a cantar...abajo de aquestas talas...”. O leitor que conhece os versos de Hernandez constata que ele usou a mesma frase no primeiro verso de Mar n Fierro: “Aqui me pongo a cantar”. Na realidade a origem deste verso vem das “payadas”, do improviso, da tradição oral de uma época, assim como “Era uma vez...” Hernandez coloca seu discurso na primeira pessoa, na voz de um homem do campo, simples, iletrado aproxima a escrita a fala inculta. No Brasil temos a primeira edição em português de J.O.Nogueira Leiria(1972). Mais recentes as traduções de Walmir Ayala e Paulo Betencur. Mar n Fierro é daqueles livros que todos conhecem, mesmo sem jamais o terem lido. É um clássico por que retrata a realidade de um povo, existe uma iden ficação com um determinado modo de vida e cultura.

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ARTES Artes Plásticas | Artes Cênicas | Cinema | Musica | Literatua

Jornal de Artes é uma publicação da MURUCI Editor Editor | João Clauveci B. Muruci Editora de Literatura | Djine Klein (djineklein@gmail.com) Design Gráfico/Capa/Diagramação | Mauricio Muruci Email | jornaldeartes@yahoo.com.br Site | www.issuu.com/jornaldeartes Site |www.facebook.com/jornaldeartes CNPJ | 107.715.59-0001/79 - Fone | 51 3276 - 5278 | 51 9874 - 6249

EXPEDIENTE Colaboradores desta edição Davi Pretto, Giovani Borba, Paola Wink, Romar Beling, Mário Rossini, Berenice Sica Lamas, Mariana Lopes, Djine Klein, Carlos Sekko

Capa: Ilustração de Carlos Sekko Desenho sob a técnica de nanquim aguado e colorização digital


Porto Alegre |Setembro | 2013 | ARTES | 3

Elvio Vargas na Estação Trensurb/foto Cloveci Muruci

POESIA

AS ESTAÇÕES DE ÉLVIO VARGAS Por

Romar Beling de Porto Alegre/RS* Um dos méritos indiscu veis da poesia (talvez de toda a boa literatura, e certamente de toda a melhor arte) é a capacidade de síntese. Dizer muito com poucas palavras, ou concentrar ao máximo a significação, ampliando seu alcance, é sinal de evolução efe va no uso da linguagem. Quando consegue a ngir o equilíbrio extremo entre imagem, ritmo e enunciação, a poesia nos enleva, abre nossos olhos para o que até então ninguém havia enxergado. Deste quilate, ar sta de condensação e de criação até sazonal, é o gaúcho Élvio Vargas (foto acima). Nascido no Alegrete, em outubro de 1951, reside em Porto Alegre. É membro da Academia Rio-grandense de Letras, conduz diversos projetos culturais e colabora em várias inicia vas, numa combinação entre as artes. Na poesia, estreou com o volume O almanaque das estações, em 1993. Levou mais de uma década para animar-se, ou sen r-se impelido, a um segundo tulo, Água do sonho, em 2006. Enquanto o primeiro havia saído pelo Ins tuto Estadual do Livro (IEL), o segundo apareceu em edição do autor. E outros seis anos foram necessários para que um terceiro conjunto de inéditos fosse apresentado ao leitor, reunidos sob o nome de Penhascos de vigília, em 2012. Na verdade, além da publicação esparsa, sobrepassando anos, as ragens costumam ser mais enxutas, de forma que Élvio entrega seus poemas a um seleto grupo de amigos. Numa prova de que seus livros são disputadíssimos, e que deles não se abre mão, é pra camente impossível que exemplar dos seus dois primeiros livros apareça em alguma livraria ou sebo. Quem tem, não larga. Logo, quem não pegou, que se arranje de algum modo para ler. Outra constatação disso é que, ao contrário do impulso capitalista e comercial segundo o qual quanto mais se imprimir ou mais se alardear a existência, mais se vende, Élvio não quer saber de nada disso. Ele é poeta, e como poeta se preocupa com o que tem a dizer, o que quer dizer, e quando quer dizer. No seu caso, importante é a poesia, e a sua obra, e não o fato de que alguém quer porque quer lê-lo. Por outro lado, em tempos de mídias sociais ou de exposições constrangedoras para chamar a atenção e “vender-se”, Élvio muito pouco se importa com publicidade ou divulgação. Quem quer lê-lo encontrará uma forma. Quem não quer, não tem nada com a história mesmo. No instante em que lançou, em 2012, o terceiro volume de inéditos, o fez com uma oportuna e simultânea reedição dos seus dois livros anteriores, tudo num único lote. O volume Estações de vigília e sonho: poesia reunida, com inéditos, saiu sob o selo daEditora Gazeta Santa Cruz, em 213 páginas, e agrega ainda a sua fortuna crí ca, com inúmeras manifestações, depoimentos e ensaios de ar stas e crí cos literários, de Armindo Trevisan a José Édil de Lima Alves e José Eduardo Degrazia. Tem-se, assim, num único livro, em edição caprichada, o conjunto dos poemas de Élvio, selecionados e revisados por ele próprio. É uma pequena Bíblia da melhor poesia e da melhor reflexão sobre a vida, que se deve ter sempre à mão. Até porque, uma vez mais, por decisão do autor, a ragem é limitada. E isso significa que quando menos se esperar, novamente terá esgotado, e os desavisados que se virem para encontrar exemplar. Na poesia de Élvio, não há sequer necessidade de apontar direcionamentos ou derivações. É apenas e tão somente palavra escrita alçada à mais alta qualidade, e quanto a isso não há por que fazer julgamentos ou juízos. Entre seus temas, a saudade, as nostálgicas reflexões sobre a terra natal, as amizades, a passagem do tempo, as perdas, a dificuldade e a necessidade de lidar com a idade que chega; temas essencialmente humanos, que são os que, afinal, importam. O silêncio infiltrado entre as palavras, entre os versos, entre longos suspiros não necessariamente carregados de pesar, e sim de consolo, é uma de suas marcas. Silêncio, quietude, sintonia, parceria, a silenciosa concordância entre pessoas que se respeitam e se admiram, a silenciosa concordância que nasce da condição humana. Ler, ficar quieto, olhar a paisagem de uma tarde de sol, e entender a vida. É isso que Élvio nos propicia. E poderia haver algo melhor? Poderia haver algo mais nobre e vital?

*Romar Beling é Poeta, jornalista e editor.Publicou vários livros de poesias e têm participações em muitos outros.


Porto Alegre |Setembro | 2013 | ARTES | 4

POESIA EM PROSA

CRÔNICA DE AMOR E LOBO Por

Djine Klein de Porto Alegre/VimãoRS

I. Poesia germinando antes em mundo grande de dentro. Era bem di cil extrair as palavras para escrever Mariana. Os sen dos só aguçavam um denso silêncio. E a memória insis a em distrair-se com floriinhas à margem. Então aconteceu de um rio longo cruzando as dimensões Norte. O Sul logo fez a escolha de ela nascer meio passarinho e louca. O inverno era intenso. Infância e barquinho veram-se um ao outro. Também tempestades. Mariana criança era uma fuga pra sonho. E porque caminhar paisagem a deixava contente voava aqueles campos com pés ligeiros. Seus cabelos harpa colhiam melodias, as próprias e do mundo contorno. As canções do vento com convite para valsar ele se oferecia, ela bailava a seu contento. Mas um dia a casa sempre cai: a causa de espingarda e um menino rude em lição de caçador, o sonhar com pássaros às vezes o vôo era tão impossível que ela mesma, Mariana teceu asas e se voou. Outro dia fugiram-lhe os olhos de entre as covas e as pálpebras. Na antepressa da fuga foi espiar pra estrada e esta se espichando abriu-se em leque. Cada trilha com muita extensão de convites. Na visão já se via caminhando em pedregulhos. A menina teve lampejos de cotovia e pela primeira vez cantou-se toda. Em bem-te-vi. Muitas vezes Mariana chorava escondidas lágrimas. Desconsolavam-se as águas o rio do corpo, alguma mágoa! Um soluço pra acordar o riso, já enluarada que rindo de si o riso era para dar dó na tristeza. A cara rubra enrugada assustar fantasmas... Depois Mariana aprendeu artes. Confundia o caçador desenhando na terra úmida: as pegadas o rastro, pezinhos ao contrário como um saci uma caipora, visitar auroras. E desenhar a própria estrada com pensamentos acolchoados de nuvem. Depois do temporal é quando o mundo determina-se a ser mais azul. Uma ensolarada manhã de primavera, Mariana linda leve correndo livre. Os campos faziam mais paisagem que de costume, isso foi visão de agoniar insultados velhos lobos: - Que menina teimosa! - Cul va cisnes em seu quintal? - Depois brinca perigos com leopardo-selva!... E porque de lobo já se ia pra cando seus próprios uivos, ouvindo os dele o lobo daquela tarde foi ele quem mais se assustou. Mariana visou por úl ma vez um raio de horror se apagando nos olhos de um velho caçador. II. - Pés miúdos precisam ter juízo quando a seara é longa. - Mas dona Fada eu tenho presa. Respondeu a Mariana. - As farpas ardem é pra distrair conteúdos líricos - Menina teimosa! - Insis u a insultada Fada e por desgosto se calou. Todavia a voz que Mariana escutava não era a da Fada que lhe vinha nas palavras do vento, como ela pensava qual nos Contos de Fadas. Quem dizia conselhos a Mariana, pra ela ter juízo era aquela a de cabelos brancos que morava no bosque ali bem per nho. Naquele mesmo bosque onde ela nha sido Mariana-menina. E que aflita assis a sua criança inventando seus próprios caminhos, olvidando brinquedos. A velha senhora nha tantos medos: - Descansa mais um pouco e escuta meu canto, pequena viajante? ... Essa outra voz vinha rouca de tempo e espera. E acreditava Mariana ser a voz vinda do velho arvoredo. Ou talvez um pássaro em jornada, repousar um pouco e colher laranjas... Então a menina respondia: - Tenho pressa de fábulas para o meu próprio contentamento! Dindinha. E depois desse dia ninguém, não mais se ouviu falar dela por lá, que do bosque das laranjeiras com visão pra estrada ficou de Mariana o melhor silêncio. Dizem ainda hoje: - Aquela sem juízo deve andar pelo mundo brincando liberdades... - Flertando com o filho do velho lobo?...

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Porto Alegre |Setembro | 2013 | ARTES | 5

Esperanza Spaldin | Divulgação MÚSICA

JAZZ CONTEMPORÂNEO Por

Mauricio Muruci de Porto Alegre/RS

BANDAS QUE VOCÊ PRECISA CONHECER

Esperanza Spaldin | Se, realmente, podemos falar, nos dias de hoje, sobre uma musicista de jazz aos moldes e com talento igual ao das grandes personalidades do jazz do início da segunda metade do século XX, como E a James, Ella Fitzgerald, Billie Holiday, Aretha Franklin, Nina Simone, John Coltrane, Dave Brubeck e TheloniousMonk [sim, estamos falando das lendas mesmo!] o nome dela é Esperanza Spalding. Como sugere seu primeiro nome, ela representa um norte para quem busca uma nova lenda no jazz contemporâneo. Não somente a qualidade de sua música impressiona. A sua carreira é também algo notável. Criada somente pela mãe, após nascer em 1984, Esperanza teve seu primeiro contato com a música aos 4 anos de idade ao assis r um concerto de violoncelo [aí estaria determinado o des no daquela menininha que pouco mais tarde se tornaria uma das mais cria vas e influentes contrabaixistas e cantoras de jazz da atualidade]. Com total apoio da mãe, Esperanza começou estudar violino ao qual ela se dedicou até aos 15 anos de idade [já estava na hora de expandir as suas fronteiras musicais, não é mesmo?]. Sua dedicação à musica e ao instrumento a conduziu a ocupar um cargo de professora na Berklee College Of Music em Boston, sendo considerada uma das mais jovens a lecionar na ins tuição. Porém Esperanza conquistou revelação maior ao conquistar o Grammy na categoria de Ar sta Revelação em 2011 [neste ponto da carreira é interessante destacar que ela desbancou Jus n Bieber que disputava o mesmo prêmio, e que, por causa disto, foi alvo de comentários agressivos e preconceituosos dos fãs do rapaz]. Este tulo teve um duplo toque de vitória. Além de a ngir notoriedade mundial abriu caminho para a par cipação em fes vais de jazz do mundo inteiro como o Blue Note Fes val, Europa Jazz Fes val, Musiques de Jazz et d'ailleurs, Jazzy Spring Fes val Bucharest, Warsaw Summer Jazz Days, Montreal Interna onal Jazz Fes val, London Jazz Fes val e muitos outros. No mesmo ano de 2011 cantou no Rio de Janeiro acompanhada do cantor Milton Nascimento com um set list priorizando musicas brasileiras. O repertório de Esperanza Spaldin, tanto em estúdio quanto ao vivo, demonstra um grande fluxo cria vo que vai muito além da simples improvisação. O clima amigável e vívido das sonoridades torna o trabalho de Esperanza mais recep vel ao público nos fes vais. Cria-se um clima de descontração em meio a um forte e intenso fluxo cria vo e de improvisação [realmente uma experiência reveladora]. Este clima de descontração, por sua vez, não é regra dos grandes jazzistas. John Coltrane, por exemplo, as vezes se mostrava demasiado in mista nas sua improvisações de maneira a deixar as apresentações com um clima pouco amigável, até mesmo tenso. Mas isto não ocorre com Esperanza. Fazendo jus ao seu primeiro nome, suas apresentações são vívidas, cheias de cores e cria vidade, deixando o público descontraído, admirando suas sonoridades pouco comuns entre o tom grave do contrabaixo e o tom agudo e um pouco rouco da voz de Esperanza [o qual lembra vagamente o es lo de Elza Soares]. Esperanza tem uma discografia enxuta, mas intensa e cria va, e, dado o recém inicio de sua carreira internacional [apenas três anos] já conta com quatro trabalhos de estúdio: Junjo de 2006, Esperanza de 2008, Chamber Music Society de 2010 e Radio Music Society de 2012. Fredrika Stahl | Nascida em Estocolmo, na Suécia, Fredrica Stahl mescla o jazz com o pop em canções entre o inglês e o francês. "Game is Over" é uma composição do primeiro disco da cantora "A Frac on of You" de 2006 que deu origem ao primeiro vídeo clip da carreira. Depois deste, vieram mais três, "Tributaries" de 2008 "Sweep Me Away" de 2010 e "Off to Dance" de 2013. Os dois primeiros discos carregam uma vertente mais tradicional do jazz, mais requintada e, até mesmo, um pouco aristocrá ca [fruto do cenário europeu jazzís co pré-crise de 2007/08]. Neste contexto a influência deste tom mais tradicional do jazz europeu acabava até mesmo limitando a cria vidade do trabalho de Fredrika Stahl. O apego excessivo á formula mais tradicional possível do jazz é refle da até mesmo no referido primeiro clip da cantora, com o tom fortemente burguês e aristocrá co dos cenários. A par r de "Sweep Me Away" de 2010 Fredrika mostra uma forte mudança em seu es lo que acaba parecendo mais auten co às suas escolhas pessoais como compositora. Neste momento da carreira [o mais atual] as composições já completaram a migração do jazz tradicional para um crossover entre jazz contemporâneo e o pop. Neste sen do, suas composições ficam mais oxigenadas e cria vas, com novos cenários e sonoridades amplamente exploradas. A desvinculação de sua linha de composição do jazz tradicional europeu e sua aproximação com o pop [ainda mantendo o foco no jazz] fez com que suas composições apresentassem um elevado nível de cria vidade e ousadia não visto no início da carreira.


Porto Alegre |Setembro | 2013 | ARTES | 6

DANÚBIO GONÇALVES EXPÕE NA CAPITAL GAÚCHA Por

ARTIGO

ARTE E AMIZADE Por

Wagner Patta de Porto Alegre/RS*

Alexandre Boer de Porto Alegre/RS

Aos 88 anos, Danúbio Gonçalves, natural de Bagé, um dos maiores ícones vivos e em a vidade nas artes plás cas do Rio Grande do Sul irá realizar uma grande exposição na Galeria Espaço Cultural Duque, onde mostrará seus desenhos, pinturas, gravuras e colagens demonstrando que o ar sta con nua produzindo provocado por sua cria vidade e ousadia na liberdade de es los. Danúbio – A Glória do pincel tem a curadoria de Wagner Pa a, que selecionou obras das mais diversas fases do ar sta, reconhecido como mestre da gravura, um “artesão paciencioso”, como afirmava Érico Veríssimo. Diversas pinturas foram selecionadas, como algumas da reconhecida série Balonismo, muitos desenhos e outras técnicas que tem como tema o ero smo, frequente em sua obra, assim como os desenhos e gravuras que registram as úl mas charqueadas. Danúbio também é reconhecido por sua obra pública como murais pintados e seus mosaicos, como o que se encontra em frente ao Mercado Público de Porto Alegre in tulado “Memorial da Epopeia Rio-Grandense Missioneira e Farroupilha”, de 31X3m, e o da Igreja São Sebas ão, também na capital gaúcha. É um mestre da gravura, um “artesão paciencioso”, como afirmava Érico Veríssimo. A exposição A exposição está dividida em três segmentos aos quais mostram diversas caracterís cas dis ntas possibilitando novas interpretações. No primeiro andar da exposição é possível encontrar obras de Danúbio em diálogo com ar stas que marcaram sua trajetória ar s ca e influenciaram sua produção. No segundo andar con nuam as obras que influenciaram e dialogam com as obras de Danúbio e podemos apreciar, também, um conjunto de obras que foram trazidas do atelier do ar sta mostrando as principais caracterís cas ao qual o ar sta conquistou sua glória e esplendor.

Danúbio Gonçalves; Balonismo. Foto: Mariana Lopes/Mari Lopes Foto & Imagem

O visitante poderá encontrar no terceiro andar um conjunto de obras inéditas e mais ousadas, com materiais dis ntos, mostrando a produção recente, assim como teremos, pela 1ª vez, a cedência de duas obras de Danúbio, que foram adquiridas recentemente pelo MARGS. Este termo de emprés mo demonstra a importância da exposição na retrospec va do ar sta e o grau de confiança que a Galeria conquistou no cenário do Estado do Rio Grande do Sul.

O ar sta: Danúbio Gonçalves estudou com Candido Por nari e frequentou em Paris a Academia Julian e fez contatos com Vasco Prado e Iberê Camargo. Foi um dos fundadores dos Clubes de Gravura em Bagé e em Porto Alegre. No Atelier Livre da Prefeitura, por mais de três décadas, contribuiu para a formação de gerações de jovens ar stas ensinando, acima de tudo, sua paixão pelo o cio. O curador A Galeria, propôs uma curadoria ousada a Wagner Pa a, que também atua na curadoria do MARGS, auxiliando os curadores em suas exposições. Ele recebeu a contribuição da modelo vivo Ledir Carvalho Krieger e da filha do ar sta, Sandra Gonçalves, para ter acesso às obras no atelier de Danúbio.Ele recebeu a contribuição da modelo vivo Ledir Carvalho Krieger e da filha do ar sta, Sandra Gonçalves para ter acesso às obras no Atelier de Danúbio. “As obras estão distribuídas em justaposição criando diálogos que conduzem o visitante a conhecer aspectos da vida de Danúbio”, afirma Wagner Pa a.

A Galeria A Galeria Espaço Cultural Duque, localizada na Rua Duque de Caxias, 649 no Centro Histórico de Porto Alegre, com quatro andares e um acervo fantás co, com grandes nomes locais, nacionais e internacionais à disposição do público. Para que esta exposição acontecesse foi necessário restaurar diversas obras que estavam no Atelier do ar sta. A prédio da galeria recentemente passou, também, por um restauro de sua estrutura externa e possui três andares exposi vos e um café ao qual o público pode apreciar a arte com o maior conforto possível. A galeria também é totalmente clima zada, com acessibilidade universal e possui total segurança para acomodar as obras de Danúbio Gonçalves.

Exposição Danúbio - "A Glória do Pincel" De 8 de outubro a 14 de dezembro Na Galeria Espaço Cultural Duque (rua Duque de Caxias, 649) De segunda a sexta, das 10h às 19h e aos sábados das 10h às 17h Entrada Franca Fotos anexadas: Crédito Alexandre Böer 1. Minotauro na Charqueada, de 2000. Técnica acrílica e óleo medidno 0,70 X 0,70; 2. Da série Balonismo, de 2007. 3. A modelo Ledir Krieger pintada por Danúbio Gonçalves

Às vezes percorremos um caminho muito distante em busca daquilo que acreditamos ser certo, mais como podemos definir o correto? Aquele que pode ser considerado modelo a ser seguido? Podemos nos encontrar perdidos por diversas vezes, seguir caminhos que achamos corretos ou simplesmente seguir caminhos para nós vangloriar do resultado final após um longo desafio. O que faz do ar sta se destacar entre tantos mostrando apenas a pureza e angus as de sua personalidade? Como posso não falar de amor quando o universo persiste em mostrar que as únicas razões que podem guiar o homem a glória estão entrelaçadas com sen mentos tão puros como a amizade. A alma quando encontra conforto na expressão surge o ar sta glorioso reconstruindo e retratando aquilo que ele sente, mas nessas perturbações humanas não podemos esquecer as pessoas aos quais são mudadas com tais criações. Às vezes sinto falta de um an go amigo dos meus tempos de colégio, pois almoçávamos juntos numa escadaria em ruínas e me lembro de que o tempo passava de forma diferente, era como se não importasse os valores do mundo, pois somos felizes por ter pessoas especiais em nossa volta. Mas hoje me encontro como curador de uma grande exposição e valores como amizade são valores que vão decidir o rumo ao qual a exposição vai tomar, muitos dos quadros foram escolhidos dando foco na convivência e nas influencias de Danúbio Gonçalves, um ar sta renomado. Nesta exposição busco a glória de um ar sta em seu principal instrumento de trabalho o pincel. Este instrumento fez parte de sua trajetória e mesmo que muitos quadros já estejam em coleções par culares ou na reserva técnica dos grandes museus do Brasil, o pincel con nua na mão do ar sta trabalhando vitorioso a cada dia pintando e produzindo mais. Danúbio passou por todos os estágios, todas as fases, produziu e cri cou, escrevendo sua historia com a ponta do pincel.

*Wagner Pa a é curador da Galeria Espaço Cultural Duque, em Porto Alegre.


Danúbio Gonçalves; Balonismo. Foto: Mariana Lopes/Mari Lopes Foto & Imagem

Danúbio Gonçalves Retrospec va A obra do mais importante gravador bagense e vanguardista da esté ca do realismo socialista nos anos 50, estará reunida na retrospec va da Galeria Espaço Cultural Duque, entre os dias 08 de outubro a 14 de dezembro de 2013. Curador: Wagner Pa a Visitação e funcionamento: Seg. - Sex. 10:00 às 19:00 hrs | Sáb. - 10:00 às 17:00 hrs | (51) 3228 6900 | galeriadaduque@gmail.com www.galeriaespacoculturalduque.com,.br | Rua Duque de Caxias, 649 - Centro Histórico | Porto Alegre RS./ AGENDAMENTO PARA GRUPOS E ESCOLAS CURSOS DE ARTE E HISTÓRIA DA ARTE


Porto Alegre |Setembro | 2013 | ARTES | 8

ARTIGO

Anticuario

O MISTÉRIO DO TEMPO

RESTO BAR Por

Berenice Sica Lamas de Porto Alegre/RS

Rua Gal. Lima e Silva, 985 esq. Joaquim Nabuco Telefone: 3225-4020 Cidade Baixa - Porto Alegre - RS

Bella Vista Arte & Molduras Molduras | Restaurações Quadros | Espelhos Rua Anita Garibaldi, 146 - Porto Alegre-RS Fones (51) 3028 6853 - 3332- 5154 E-mail: bellavistamolduras@gmail.com

A quase obsessão pelo tema do tempo é uma caracterís ca da contemporaneidade. A finitude humana: por isto talvez esta necessidade imperiosa de fragmentar o tempo, fa á-lo e servi-lo em porções – minutos, horas, dias, semanas, meses, estações, anos, décadas, eras, datas – vamos nos enganando, dispersando, ou nos tornando verdadeiros – e assim ocupando-o - deixando que de quando em vez escape aquele mais inquietante: será que morro hoje? Por isto a sempre surpresa da morte, acidente, doença, abandono, inanição, fome, fatalidade – fado, sina, des no, fortuna, enfim, é o que nos sacode de uma letargia – nos acorda/adormece para a vida ou nos adormece/acorda para a morte – não sei bem. “A vida é tão inevitável quanto a morte”, já sublinhava Calvero, a personagem de Charles Chaplin em Luzes da Ribalta. Estamos espremidos no tempo entre uma e outra. Fa ando, controlando, dominando, à espera. Devir. Precisamos destes recortes temporais como de ar, água e alimento, dividimos o dia na agenda, em horas, preenchemos cada dia subdividido em compromissos que vão disfarçando a vida tão comprida como ela é assim nós a cumprimos também lenta inexorável – começamos a morrer no dia de nosso nascimento, no entanto I think to myself what a wonderful world. O tema do tempo sempre me foi muito atraente. Talvez porque meu tempo interno, o tempo dentro, anda muito descompassado com o tempo externo e o tempo dos outros. Os textos mais ins gantes e clássicos sobre o assunto são o de Santo Agos nho – em Confissões – de Henri Bérgson, de Mar n Heidegger e dos sicos Ilya Prigogine e Stephen W. Hawking, fora Albert Einsten que revolucionou de modo cien fico o conceito. Afinal o passado e o futuro existem ou não? São três os tempos que existem ou somente o presente? Que tal o presente do passado (a memória), o presente do presente (a vivência direta) – por exemplo, neste exato momento o leitor lê este texto - e o presente do futuro (a espera). Tempo em rede. Tempo em relação. Filmes de ficção cien fica que abordam esta problemá ca são meus preferidos, máquinas do tempo ins gantes. Grande sertão: veredas de Guimarães Rosa também trata o tema de forma deliciosa. Ainda Aristóteles reflete sobre isto, afinal em que os gregos não pensaram? Ele afirma em sua sica, que o tempo seria o movimento rela vo ao antes e ao depois. Entretempo, fora do tempo, corte, fragmento, rasura. O universo está em expansão, eu estou em expansão, mas às vezes me contraio, imagine se o universo inventa de se contrair... O caos nas galáxias e no sistema solar... A natureza do tempo, tempo absoluto, imaginário, real, rela vo, em qualquer direção, tempo enlouquecido, selvagem, surto do tempo. Tempo interno, de elaboração, de transformação, de resolução interior. O tempo é uma dimensão enigmá ca da qual não se tem certeza alguma. Tempo real, tempo ilusão, tempo imaginação. O paradoxo do tempo. Para Bérgson o fluxo de consciência é a caracterís ca peculiar de nossa consciência, associada à memoria, tempo que escorre, tempo do mundo, universal e impessoal. Duração. O filme pode passar ao contrário? Meu pai gostava de fazer brincadeiras com o tempo em seus filmes caseiros: o líquido na jarra retornava ao liquidificador ou eu e meus irmãos voltávamos a andar no escorregador do final ao começo, subindo de costas, nos diver amos vendo aquilo na tela, o tempo e as ações reiniciando ao contrário. E Ilya Prigogine ensina que o tempo possui um papel cria vo em todas as áreas e ninguém pode negar a presença das noções antagonistas de ordens e desordens, equilíbrios e desequilíbrios, mas que, sobretudo o tempo precede a existência. O tempo conduz o homem e não ao contrário, o homem nada nesta corrente de irreversibilidade, elemento primordial do universo. Enquanto chronos é sequencial, linear, kairós é dimensão ver cal e profunda, intercruzando o plano horizontal da vida, conforme palavras de James Hollis. E aion o tempo do acontecimento. É o tempo de indagar: quem sou (que modos de ser?), para onde estou indo (isso existe?)? E não serão o relógio ou o sol ou os ciclos cronológicos que dirão, antes a reinvenção do conceito de tempo na subje vidade de cada um, plano ontológico. Contudo, o bolero de Armando Manzanero pode dizer mais do que todos os teóricos e estudos da sica: “con go aprendi ... que la semana ene màs de siete dias...” Ou talvez o conceito de tempo na voz do poeta Drummond: “o poeta conta o tempo pelo amadurecer dos poemas, pelo sen do das coisas imersas de poesia”. Ou Fernando Pessoa: “Hoje já não faço anos. Duro.”

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Costumo achar tudo um tanto lento, porque meu giro é rápido – às vezes veloz turbilhonante - no ler, no escrever, no pensar, no falar, no caminhar, no comer, no dirigir, no perceber, fazer as coisas em geral. Minha mente em demasia. Caos e ordem. Sucessão e bagunça. Nada é fixo, tudo pulsa. Não tem remédio, acostumeime, estou mais adaptada e tolerante. Às vezes interrompo os outros quando falam, porque meu pensamento já está no porvir, sei que isto pode ser danoso às relações interpessoais. O tempo jorra, o tempo nos jorra, nós jorramos tempo, estamos todos dentro dele. Necessitamos, sim, tempos de encontro, dobras, amassados, tempo que dura: de potências e acontecimentos.


Porto Alegre |Setembro | 2013 | ARTES | 9

Cloveci


Porto Alegre |Setembro | 2013 | ARTES | 10

Divulgação

CINEMA

SESSÃO PLATAFORMA DE CINEMA

ILUSTRADOR

Uma base para se estar mais próximo aos filmes, pensando os filmes e pensando o cinema. Por Davi Pretto, Giovani Borba, Paola Wink de

Porto Alegre/RS

Foi com esse desejo que concebemos a Plataforma; imaginando uma estrutura horizontal, pra camente suspensa, onde se pode ir além. Um espaço para compar lhar a experiência cinematográfica da sala, e que além dela, na descoberta de novos filmes, de novos realizadores. Lugar que nos aproxima do horizonte e nos convida à contemplar, nos convida à refle r. A Plataforma carrega um conjunto de idéias e ações que venham a encontrar novos caminhos para a situação paradigmá ca que nos encontramos atualmente na cinematografia brasileira. Vemos uma quan dade grande, ainda que desigual, de ações e inves mentos governamentais, aliado com a facilidade trazida pela transformação para os equipamentos digitais (câmeras, projetores, etc). Vemos uma quan dade bastante significa va, e que cresce exponencialmente, de filmes nacionais lançados, inúmeros novos realizadores de lugares que antes eram desprovidos da possibilidade de produzir. Vemos a formação e crescimento de movimentos e realizadores que buscam uma produção mais horizontal e igualitária de criação cole va, que corre em paralelo e independente de um modelo industrial. Porém há ainda um abismo que distancia a possibilidade de diálogo e inclusão desses filmes e cineastas com produções de grande orçamento e o circuito comercial “de shopping”. Nessa inclusão, quando ocorre, essas obras são forçadas a se enquadrar em um modelo industrial, que se propuseram a contrapor. A democra zação das salas de cinema não legi maria esse novo cinema, afinal essas obras já percorrem um circuito completo por si só. Fes vais, mostras, cineclubes e exibições online que já somam números de público para essas obras, maiores que filmes de grande orçamento que pairam apenas em uma rede convencional de exibição. É imprescindível pensarmos como esses dois modelos de fazer cinema podem interagir sem a necessidade de nenhum deles perder sua personalidade. Essa questão da afirmação e preservação do âmago desse novo cinema também é indiretamente abalada quando ações do estado de financiamento fazem realizadores submeter seus projetos em modelos clássicos, onde são exigidos documentos dignos de uma proposta industrial. Roteiros, metas e jus fica vas. Projetos de realizadores internacionais renomados que trabalham com propostas fluídas e híbridas de encontro e acaso, dificilmente seriam aprovados em editais no modelo encontrado no Brasil. Ainda parece que esbarramos em um pensamento de criação de um produto óbvio, como uma linha de montagem. Mais uma vez, vemos uma tenta va inadequada de controlar e definir o descontrole. A diversidade cinematográfica atravessa as fronteiras entre gêneros, bitolas, formatos, meios de exibição, de linguagem e metragem. Desta mesma maneira, pensamos que uma janela para este outro cinema pode se apresentar de maneiras também diversas, onde o formato com que se apresentam os filmes, é parte de uma proposta ar s ca que busca novas direções. Foi deste pensar os filmes que queremos mostrar, e como mostrá-los, que surge a Sessão Plataforma. Com o entendimento de que a Plataforma não está para uma mostra, tampouco um fes val de filmes. Nossa proposta é oferecer uma sessão única, e mesmo exibindo regularmente, essa premissa da sessão única, faz de cada uma das sessões uma nova edição, para um pequeno universo específico de cinema. Onde cada filme traz uma reflexão, imprime uma idéia, aponta novos caminhos, proporciona um outro olhar. Uma experiência cinematográfica periódica e extensiva; um formato horizontal, ao invés do formato ver cal, intensivo e anual de eventos do gênero. A Sessão Plataforma é apenas uma das vertentes desta rede maior que propomos para refle r, exibir, escrever e produzir junto com esse novo cinema. Desta Plataforma, nosso olhar se lança neste horizonte, em busca da produção contemporânea ao redor do mundo que explora nas possibilidades narra vas e esté cas, sem ar cios mirabolantes, que atritam, provocam e ins gam; que possam reinventar um certo fazer cinematográfico, sob a ó ca das mais diferentes culturas, de onde volta e meia, nos surpreendem aquelas cinematografias pouco conhecidas. A Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia da Secretaria da Cultura de Porto Alegre, em parceria com as produtoras Tokyo Filmes e Livre Associação, dá início no dia 27 de agosto próximo ao projeto Sessão Plataforma. Realizada mensalmente na Sala P. F. Gastal da Usina do Gasômetro (3º andar), a Sessão Plataforma irá exibir filmes de produção recente, de diferentes nacionalidades, com caráter predominantemente independente e sem distribuição comercial garan da no Brasil. Com curadoria de Davi Pre o e Giovani Borba, e produção de Paola Wink, a Sessão Plataforma já tem confirmada para os próximos meses a exibição de importantes filmes que circularam nos principais fes vais do mundo todo e no Brasil passaram apenas pela Mostra de Cinema de São Paulo ou pelo Fes val do Rio, como Room 237, de Rodney Ascher, Bes aire, de Denis Cotê, The Invader, de Nicolas Provost, e Leviathan, de Lucien Castaing-Taylor e Verena Paravel. A cada sessão, a Plataforma vai anunciar o filme seguinte da programação, em um trabalho que procura difundir um novo cinema e uma busca de realizadores com outros olhares, aproximando Porto Alegre do circuito de exibição do centro do país, do qual atualmente a capital gaúcha se vê ainda muito distante. A Sessão vai produzir conteúdo sobre os filmes e os realizadores, par lhando nas redes e no seu site, entre eles, vídeos com os realizadores, ar gos e entrevistas.

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Buteko do Caninha O lugar mais aprazível na Barão do Gravataí, onde o Samba é prioridade. Programação para esse final de setembro Dia 26 de setembro, 20h, Quinta -Feira Kaubi e banda. Dia 27, sexta feira, Swingue e Cia / Swingue Brasil. Sábado “Deco Anderson Costo e seus amigos/ Grupo Pé no Chão/ inicio as 16 h.

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Foto: Mariana Lopes Mari Lopes Foto & Imagem


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O prazer de viver a noite

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Setembro | 2013  

Uma Publicação da Muruci Editor | Porto Alegre-RS | Arte, Cultura, Música, Literatura, Fotografia, Cinema.

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