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Novo cobra inscrição de pré-candidatos

Esta é a expectativa do presidente do Sindivarejista, Edson de Castro, com o fim do Difal, que será sancionado pelo governador Ibaneis Rocha

Partido institui taxa de R$ 4 mil para filiados que pretendem se submeter a processo seletivo das eleições para prefeito em 2020

Entrevista - Página 2

Ano VIII - 410

Brasília, 27 de abril a 3 de maio de 2019

Chico Sant’Anna - Página 4

ISABELLA LANAVE

Lula: “Quero sair com a cabeça erguida” Depois de um ano preso, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva concedeu a primeira entrevista à imprensa. Reiterou sua inocência e chamou o ministro da Justiça e ex-juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol de mentirosos. “Não troco minha dignidade pela minha liberdade”, asseverou. Pelaí - Página 3

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Fortalecer as empresas e gerar empregos


Brasília Capital n Política n 2 n Brasília, 27 de abril a 3 de maio de 2019 - bsbcapital.com.br

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x p e d i e n t e

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ENTREVISTA EDSON DE CASTRO

Fortalecer as empresas e gerar empregos ANTÔNIO SABINO/BSB CAPITAL

longo prazos, em mais tributos.

O que é o Difal? – É uma legislação criada em 2015 que obriga as pequenas e microempresas a recolher esse diferencial das compras realizadas nos estados e não podem implementar a compensação tributária mediante aproveitamento de créditos. O que representa o fim dessa cobrança para o setor produtivo? – O fim do Difal fortalece empresas optantes do Simples Nacional que comercializam mercadorias provenientes de vários estados. Como foi possível acabar com este tributo? – Foi uma negociação do empresariado junto à Câmara Legislativa com respaldo do GDF. O projeto de lei 307/2019, proposto pelo Buriti, foi aprovado pela Câmara e será sancionado dia 30 pelo governador Ibaneis Rocha, em solenidade no Sesc da Ceilândia, às 10h. Pretendemos reunir pelo menos 600 empresários nessa festa. Quanto o Difal representa de custo para as empresas? – O fim do Difal vai diminuir o custo de aquisição dos produtos por parte das empresas do DF, que hoje acabam pagando 5% de ICMS sobre o valor da nota fiscal de entrada da compra interestadual. A medida já foi adotada por alguns estados, a exemplo de Goiás, para aquecer a economia e gerar empregos. E deu resultados positivos? – Vivemos num país com 12 milhões de desempregados e já tivemos há poucos anos 14 milhões de desocupados. Isso é grave. O GDF

Castro: negociação com o GDF e com a Câmara

Orlando Pontes

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a terça-feira (30), o setor produtivo fará uma grande festa no teatro Newton Rossi, do Sesc de Ceilândia, para comemorar a sanção, pelo governador Ibaneis Rocha (MDB), da lei que acaba com o Diferencial de Alíquota (Difal), incidente no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no Distrito Federal. À frente da iniciativa, que considera um “marco histórico” para o empresariado local, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista (Sindivarejista), Edson de Castro (foto), concedeu entrevista ao Brasília Capital.

estima uma desoneração tributária de R$ 83 milhões em 2019, alcançando R$ 90 milhões em 2021. Apesar da redução na arrecadação, o governo acredita que a medida, ao fomentar o desenvolvimento dos pequenos negócios, resultará, a médio e

E o desemprego pode cair? – Esta é a nossa expectativa. O Difal vinha causando prejuízos incontáveis à economia. Temos hoje 15 mil lojas fechadas em entrequadras e em shoppings por uma série de razões, entre elas, o Difal, aluguéis altos, falta de estacionamento, excessiva carga tributária e insegurança. Esperamos que, a partir da sanção da lei pelo governador Ibaneis Rocha, esse cenário mude. As lojas fechadas representam mais de 75 mil pessoas desempregadas. Qual a garantia a sociedade pode ter de que pagando menos imposto o comércio vai contratar mais trabalhadores? – Não temos dúvida de que pagando menos impostos o comércio terá condições de reduzir parte da massa de desempregados. Os impostos asfixiam o setor produtivo e isso tem que mudar. O próprio secretário de Fazenda, André Clemente, ao defender o fim da cobrança argumentou que impor aos optantes do Simples a cobrança do Difal significa aplicar a micro e pequenas empresas o regime de tributação equivalente ao das médias e grandes empresas. Como o Sindivarejista participou dessas tratativas? – Foi o Sindivarejista quem mais defendeu, nos últimos anos, o fim do Difal, que trouxe prejuízos ao comércio e agravou o desemprego. Felizmente, o governador mostrou-se sensível às reivindicações do comércio e remeteu aos deputados distritais o projeto que acabou aprovado.


Brasília Capital n Política n 3 n Brasília, 27 de abril a 3 de maio de 2019 - bsbcapital.com.br GETÚLIO ROMÃO

PARQUE DO CORTADO - O governador Ibaneis Rocha entregou, domingo (21), novos melhoramentos no Parque do Cortado, uma área de preservação de 56 hectares próximo à QI 25 de Taguatinga, como parte da compensação ambiental paga pela construtora MRV pela obra do JK Shopping. Um investimento de R$ 2,5 milhões. Foram plantadas mudas de ipê amarelo batizadas com o nome das autoridades presentes.

Lula: Dellagnol e Moro são mentirosos

Bolsonaro, o carteiro

ISABELLA LANAVE

Durante a assinatura da lei que cria a Empresa Simples de Crédito (ESC), quarta-feira (24), a representante do Sindicato do Comércio Varejista do DF, Bernardeth Martins, pediu a Jair Bolsonaro que entregasse uma carta à primeira-dama, Michele. A ESC é uma tentativa do governo de facilitar o acesso ao crédito produtivo para as micro e pequenas empresas e para os microempreendedores individuais. Já o pedido na carta a Michele é para que ela abra as portas do Planalto para um desfile de crianças deficientes e com síndrome de Down. Bernardeth é proprietária da loja Ciranda Cirandinha e promove regularmente este tipo de evento inclusivo. RESPOSTA - Ao Brasília Capital a empresária disse que o sonho de realizar o desfile na sede do Executivo é para mostrar a todo o país que as crianças com deficiências têm os mesmos direitos de todos os cidadãos brasileiros. “O presidente colocou a carta no bolso e me disse que a entregaria à dona Michele. Estou otimista e ansiosa pela resposta”, completou. ARQUIVO PESSOAL

Bernardeth com Bolsonaro: carta para Michele

Troca-troca imoral

Após um ano na prisão, Lula se diz tranquilo: quem não dorme bem é o Moro e o Dallagnol

O ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva concedeu, sexta-feira (26), sua primeira entrevista desde que foi preso, dia 28 de abril do ano passado. Condenado a 8 anos e 10 meses no caso do tríplex do Guarujá, Lula reiterou ser inocente e chamou o ministro da Justiça e ex-juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol de mentirosos. A entrevista de duas horas foi dada aos jornalistas Florestan Fernandes Jr., do jornal El País, e Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. BATALHA JURÍDICA - “Sei muito bem qual lugar a história me reserva. E sei também quem estará na lixeira”, afirmou o petista durante o encontro que ocorreu após oito meses de negociação entre os dois veículos e sua defesa — e uma batalha jurídica que começou com a censura pelo STF da conversa, o recuo e liberação meses depois, e uma tentativa da PF de transformar a entrevista em coletiva de imprensa, sem o consentimento prévio do entrevistado.

INOCÊNCIA - Lula pediu para fazer “um micropronunciamento” antes de começar a responder as perguntas dos entrevistadores. Atacou Moro, responsável pela sua condenação, a Operação Lava Jato, e o procurador Deltan Dallagnol. “Reafirmo minha inocência, comprovada em diversas ações”, disse, diante de delegados e de três oficiais armados, todos a serviço da PF, que fazem parte da estrutura do Ministério da Justiça, conduzido por Moro. COMPROMISSO - “Não tem problema que eu fique aqui para o resto da vida. Quem não dorme bem é o Moro. Quando vejo na televisão essa gente que me condenou, sabendo que eles são mentirosos, que forjaram uma história, aquela história do powerpoint do Dallagnol, nem o bisneto dele vai acreditar naquilo. Eu tenho muitos momentos de tristeza aqui. Mas o que me mantém vivo, e é isso que eles têm que saber, é que eu tenho um compromisso com este país, com este povo”.

O distrital Reginaldo Veras (PDT/foto) mandou o seguinte texto para o Brasília Capital: “Como deputado e cidadão, estou envergonhado com a potencial troca de favores entre o governo e a Câmara Federal para aprovação da Reforma da Previdência. Foi noticiado pela imprensa que o governo, por meio de um ministro, prometeu liberar R$ 40 milhões em emendas parlamentares aos que votarem a favor da proposta. Isso é tão imoral que foi questionado até pelos governistas. Não se pode fazer uma nova política com as questionáveis e seculares ações dos mandatários da nação. Não adianta trocar as pessoas, se não há a renovação de ideias e atitudes”.

Bombeiros são homenageados O líder do governo na Câmara Legislativa, Cláudio Abrantes (PDT), entregou, quarta-feira (25), moções aos bombeiros militares do DF que atuaram em Brumadinho (MG), após a tragédia pelo rompimento da barragem do Córrego do Feijão, deixando cerca de 400 mortos. DIVULGAÇÃO

Abrantes: gratidão e reconhecimento


Brasília Capital n Política n 4 n Brasília, 27 de abril a 3 de maio de 2019 - bsbcapital.com.br

Brasília

Acompanhe também na internet o blog Brasília, por Chico Sant’Anna, em https://chicosantanna.wordpress. com Contatos: blogdochicosantanna@gmail.com

Por Chico Sant’Anna

Novo cobra inscrição de pré-candidatos a prefeito São notórios na política brasileira os acordos financeiros para assegurar uma legenda e muitos os casos em que os candidatos tiveram que desembolsar recursos próprios e até bancar suas campanhas para ter o direito de concorrer. Agora, contudo, o Partido Novo resolveu tabelar o preço da expectativa de obter a condição de candidato a prefeito em 2020. Um pedágio para dar acesso ao caminho de se obter a legenda. Edital lançado pelo partido estipula uma taxa inicial de R$ 4 mil para que os potenciais candidatos sejam submetidos a um processo seletivo que definirá os candidatos nas próximas eleições municipais. O edital envolve as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Salvador, Fortaleza e Recife. As inscrições dar-se-ão, pela internet, de 16 de abril e 15 de outubro de 2019. Para se tornar postulante a potencial pré-candidato a prefeito, o filiado se submeterá a um processo em três etapas: cadas-

Não sendo aceito, não há previsão de devolução dos R$ 4 mil.

Medida elitista

Novo: candidato sem dinheiro para pagar inscrição não tem espaço para disputar eleição

tramento, com envio de informações pessoais e profissionais, quando deverá comprovar “experiência mínima de oito anos em posições relevantes em gestão no setor público e/ou privado, com elevadas práticas de governança”, dentre outros requisitos. CONVENÇÃO – Caso seja aprovado nessa etapa, é a hora de pagar a taxa

de R$ 4 mil, que não garantea candidatura. Será preciso passar por entrevistas, testes comportamentais e avaliação pelos diretórios nacional, estadual, municipal. Mesmo aprovado na sabatina, a vaga não estará garantida. Pelo edital, a palavra final é da convenção partidária municipal, que tem “a prerrogativa para aprovação das nominatas”.

Estrutural: união de lulistas a bolsonaristas Com uma população de 45 mil pessoas, a 10 Km do Buriti, a cidade Estrutural, que nasceu da ocupação por trabalhadores sem moradia da borda do lixão, tem tradição de se antepor aos governos. Embora registre os menores níveis escolares do DF, a população é participativa na política. E já colocou saia-justa nos governadores Cristovam Buarque, Rollemberg e, agora, Ibaneis. Na Estrutural existe um movimento de lideranças contrárias ao atual administrador, Germano Guedes (PRB). Agrupamentos que apoiaram outros candidatos nas

eleições, e mesmo que apoiaram Ibaneis, querem uma fatia da cidade. E o que parecia impossível se materializa: uma articulação que congrega desde apoiadores de Bolsonaro a Lula, de Eliana Pedrosa a Miragaya, passando por Rosso e Fraga. Todos apoiando uma chapa que disputará, dia 19 de maio, o comando do Conselho Comunitário. Do outro lado, uma chapa apoiada por microempresários, com simpatia da Administração. No centro de tudo, as Chácaras Santa Luzia, uma franja de terra próxima ao Parque Nacional, cuja desocupação foi

determinada pela Justiça no governo Rollemberg. Com apoio de lideranças locais, a área vem sendo ocupada, apesar das remoções. Segundo denúncias, tem gente que não tem casa para morar, mas também pessoas donas de moradia na própria Estrutural e que buscam ganho financeiro. A Chapa 2, de oposição – que reuniu pessoas de diferentes ideologias – defende a regularização da ocupação. A Chapa 1, que reza na cartilha do governo, defende que o local seja preservado, como definiu a Justiça, inclusive como proteção ao Parque Nacional, a Água Mineral.

Especialistas em direito eleitoral afirmam que a cobrança de taxas pelo Novo não é irregular, nem apenas uma medida arrecadatória, mas aponta para uma elitização do partido. Ao cobrar altas taxas, a legenda fecha as portas para lideranças com menor poder aquisitivo. Os juristas também questionam de que forma o recurso será contabilizado: doação ou contribuição semelhante à de filiados? “Mas a taxa é anterior à filiação. Qualquer ingresso de dinheiro nos partidos está sujeita a aprovação do TSE. Vai ser por via bancária? Tem uma série de requisitos legais”, alega um advogado. O candidato ao GDF, Alexandre Guerra, não quis comentar. O presidente do partido, Edvar Correa, não respondeu à reportagem. Mesmo comportamento teve o jornalista Paulo Roque, candidato do Novo ao Senado: silêncio.

CREDENCIAL Os Conselhos Comunitários estão previstos na Lei Orgânica do DF. Em tese, todos os projetos de uma cidade devem passar pelo crivo deles – mesmo que esses não tenham poder deliberativo. As administrações regionais devem prestar contas aos Conselhos. O agrupamento vencedor se credenciará como força política para 2022. Ter um Conselho opositor nos calcanhares não é bom. Agnelo sentiu isso quando os Conselhos do Plano Piloto se insurgiram contra sua proposta de PPCUB. Na Estrutural, o clima tende a ficar mais esgarçado caso a Chapa 2 vença.


Segurança noite e dia para todos.

O GDF foi lá e

fez.

Pode procurar Vinicius de Melo/Agência Brasília

• O GDF foi lá e fez 14 delegacias funcionarem 24 horas.

Pedro Ventura/Agência Brasília

• Foi lá e colocou 109 viaturas novas nas ruas. • Foi lá e adotou o monitoramento eletrônico para proteger mulheres de agressores. • Foi lá e está construindo novo prédio para a 17ª DP. Vinicius de Melo/Agência Brasília

• Foi lá e colocou educação e segurança para trabalharem juntas nas escolas, com o novo modelo de gestão compartilhada. • Foi lá e lançou o programa Mulheres pelo DF, com o objetivo de gerar capacitação, empoderamento, autoestima e tirar mulheres de situações de violência doméstica.

Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

• Foi lá e adotou medidas de ação e prevenção sobre as chuvas e ventos fortes na capital.

O GDF vai lá e faz. E você vai lá e confere. Acesse DF.GOV.BR e comprove.

Ação é fazer o que precisa ser feito. O GDF vai lá e faz.


Brasília Capital n Cidades n 6 n Brasília, 27 de abril a 3 de maio de 2019 - bsbcapital.com.br

O caos na saúde e o mito do Homem Cordial No último dia 17, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal lançou uma Portaria, a 272, que reedita normas de conduta para os servidores no atendimento aos pacientes e impõe penalidades até pelo que seja considerado vazamento de informação – o que pode incluir denúncias da precariedade das condições de trabalho e de assistência à população. O Sindicato dos Médicos do Distrito Federal vai realizar uma mesa redonda, na quinta-feira (02) para discutir esse assunto – médicos, autoridades e a imprensa foram convidados. Como reafirma o que já é previsto, a portaria só tem efeito no campo das percepções e sensações, mas não no campo administrativo ou na melhoria da oferta de serviços de saúde à população. Não tem nenhum efeito no déficit de servidores e leitos hospitalares, na falta crônica de medicamentos e materiais para realização de exames e procedimentos nem na inadequação das estruturas físicas das unidades de saúde sucateadas ao longo dos anos. Desprovida de sentido para fortalecimento da prática administrativa,

a Portaria 272/19 da SES-DF se mostra uma peça de marketing de governo e filosófica. É uma aplicação no serviço público do conceito do “Homem Cordial”, cunhado com base na definição do caráter do brasileiro como hospitaleiro, generoso, gentil e emotivo. O historiador Sérgio Buarque de Holanda consolidou o conceito, em 1936, na obra Raízes do Brasil. Mas, sob a luz das ciências sociais, definiu que as virtudes do “Homem Cordial” não são sinônimos de bons modos, muito menos de bondade ou amizade. A atitude polida do indivíduo seria, segundo Buarque, um disfarce que se presta à manutenção do status quo, o estado das coisas, eximindo a parte boazinha, gente boa, o cordial, de sua obrigação formal na relação com o outro. Isso transposto à situação da rede pública de saúde do Distrito Federal se traduziria no seguinte registro de um usuário de hospital público à ouvidoria do GDF: “não tinha remédio, nem conseguiram um leito para me internar, fiquei deitado no chão do corredor do hospital e passei um mês

para fazer minha cirurgia de urgência. Mas os médicos e enfermeiros foram muito bonzinhos comigo”. Por absurdo que pareça, esse tipo de situação acontece – basta olhar as cartas de agradecimento nos murais e as faixas nas portas dos hospitais para comprovar. Subsequentes relatórios da Ouvidoria do DF mostram que, apesar de a Saúde figurar sempre entre os primeiros motivos de queixa dos usuários de serviços públicos no DF, a pasta é a que recebe mais elogios. Pesquisas realizadas pelo SindMédico mostram a mesma coisa: quando o paciente consegue o atendimento, ele aprova. Reclama quando não consegue o que precisa. Ou seja: o problema é o acesso. E quem tem a obrigação de garantir o acesso e os meios para o bom atendimento é o governo e a gestão da Saúde. Longe de favorecer relações cordiais entre as pessoas, as condições de trabalho na saúde pública do Distrito Federal estão adoecendo os servidores – provocando especialmente depressão, pânico e doenças de fundo psicoafetivo. Cada um faz o que pode

Dr. Gutemberg, presidente do Sindicato dos Médicos do DF e advogado

para sobreviver e manter a sanidade e ainda dar um atendimento minimamente digno aos pacientes. Mas, como os pacientes, a maioria se sente aviltada e hostilizada pelo Estado. A boa vontade na relação com o próximo é uma necessidade cada vez maior em todos os ambientes. Na saúde não é menos. É preciso, no entanto, arregaçar as mangas e adotar as medidas práticas para mudar a realidade com mais do que sorrisos e expressões de afabilidade. Os problemas da assistência à população não serão resolvidos por portaria nem por decreto.

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ESPÍRITO

NUTRIÇÃO

José Matos Tempos difíceis – Lute, supere e vença Em tudo impera a Lei da Unidade. Tudo é um. Assim como uma pessoa passa por crises, o mesmo acontece com famílias, com nações e com o mundo. A crise é só um trecho da estrada, e não a estrada toda. Em cada crise você deve sair mais forte e mais sábio. Quantas crises você já passou e superou nesta vida? Sem dificuldade você não se fortalece. Quanto mais você se afligir, maior a necessidade de sabedoria. José Carlos de Lucca, no livro "Socorro e Solução", analisa com sabedoria esta questão. Vejamos: "É um engano acreditar que pessoas de sucesso são aquelas que sempre acertam na primeira tentativa. A diferença é que elas não desistiram de seus sonhos e começaram de novo com mais sabedoria e vontade redobrada. “O orgulho é o maior inimigo de nossas quedas, e ele fará de tudo para que não tentemos outra vez, porque ele nos faz acreditar que novamente vamos nos dar mal. Problemas estão no caminho de todos nós, mas a maneira de enfrentá-los é que faz toda a diferença. Livre-se da hostilidade em relação aos outros e da autopiedade. Sentimentos como ódio, rancor, revolta, mágoa e raiva são

Caroline Romeiro como barreiras que impedem a circulação da energia divina em nossa vida. Gastamos muito tempo e energia com queixas e lamentações improdutivas, quando deveríamos empregar nossas forças para derrubar as cercas de problemas que nos amarram. “O otimista aprende a agir de uma maneira que cria um futuro positivo. Os problemas que nos cercam hoje estão localizados em áreas que precisamos fazer o processo: recuperação + reeducação + crescimento interior. “Deus sempre age em nosso benefício. Às vezes, Ele usa terremotos para sacudir a nossa vida. A nossa vida passa a ter valor quando é boa não só para nós, mas também para os outros. “Há pessoas que sentem um vazio interior. É que elas não contribuíram para a felicidade dos outros, e isso lhes dá uma sensação de inutilidade que lhes congela a alma. Felicidade é devolução. É o retorno das opções felizes que cada um foi capaz de realizar”. "Cada um de nós compõe a sua história e cada ser em si carrega o dom de ser capaz de ser feliz". “Quem se imagina derrotado, acaba agindo como tal”

José Matos Professor e palestrante

O uso da Garcinia Cambogia no tratamento da obesidade A obesidade é uma doença crônica não transmissível, caracterizada por acúmulo de tecido adiposo, quase sempre devido a um desequilíbrio, quando a quantidade de calorias ingeridas através da alimentação é maior que o gasto de energia corporal. Os fitoterápicos são medicamentos obtidos exclusivamente de matérias-primas vegetais e tem se tornado cada vez mais comum a sua utilização para auxiliar diversos tipos de tratamentos, inclusive o da obesidade. Um desses fitoterápicos é a Garcinia Cambogia (foto acima). Estudos têm avaliado tanto sua associação no tratamento da obesidade, quanto sua possível toxicidade. A farmacoterapia da obesidade é ampla e sempre discutida, devendo ser acompanhada de reeducação alimentar e prática de atividade física. O consumo errôneo de fitoterápicos pode induzir a problemas graves, inclusive, se associado a fatores que aumentam efeitos adversos, como a utilização de medicamentos, hábitos alimentares ou características fisiológicas. O extrato de Garcinia Cambogia tem como principal constituinte químico o ácido hidroxicítrico (HCA), que atua inibindo a síntese de gordura, além de reduzir o apetite e o ganho de peso. Trata-se de um fitoterápico registrado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), com indicação para este fim. Porém, existem evidências que mostram que a Garcinia Cambogia está ligada à causa de estresse oxidativo, inflamação e fibrose hepática. Existem poucos dados em humanos sobre a segurança do uso da Garcinia Cambogia e a eficácia de sua relação com a perda de peso. Fazendo-se necessário mais estudos para esclarecer os possíveis benefícios e toxicidades. Então, o ideal é consultar um nutricionista, para escolher a melhor estratégia para uma perda de peso saudável e sem sofrimentos.

Texto: nutricionistas da Equipe Q4 - Bárbara Almeida, Jamile Braz, Juliana Almeida Revisado por: Caroline Romeiro


Brasília Capital n Brasil n 8 n Brasília, 27 de abril a 3 de maio de 2019 - bsbcapital.com.br

Negligência do poder público DIVULGAÇÃO

Mario Pontes (*)

H

á duas semanas, no dia 12 de abril, dois edifícios de quatro andares, construídos no local chamado Muzema, na zona Oeste do Rio de Janeiro, desabaram até o pedaço de parede mais próximo do alicerce, produzindo vinte e quatro cadáveres. Muzema não é a designação de algum obscuro lugar. Situa-se a algumas dezenas de quilômetros do centro da cidade, onde se situam a sede da Prefeitura e seus órgãos responsáveis pelas licenças de construção, assim como os rotineiros atos de fiscalização que a elas se espera venham a ocorrer. Mas, ao que tudo indica, não ocorrem, pelo menos com a frequência necessária e devida! Muzema é um pedaço de terreno plano, situado não no fim do mundo, mas entre Jacarepaguá e a Barra da Tijuca, a extensa praia na qual se erguem muitas dezenas de moderno e elevados edifícios residenciais. Junto deles, um grande número de construções nas quais funcionam vários centros comerciais, cujo exemplo mais conhecido é o Barra Shopping – visitado diariamente por dezenas de milhares de pessoas –, cinemas, teatros, hospitais, igrejas, centros esportivos. A Muzema situa-se à esquerda

O desabamento de dois prédios deixou um saldo de 24 mortos na comunidade da Muzema: descaso

de quem usa a Avenida Ayrton Senna para ir, por exemplo, de Jácarepaguá para a Barra. Bem próxima, exposta a todos os olhares. Ali, em solo o mais inconveniente, os dois edifícios foram construídos ao lado de vários outros de porte semelhante. No mesmo terreno, com seus riscos e inconveniências, bem à vista dos cariocas e, certamente, de autoridades que moram na extensa área da Barra. O que fizeram elas para evitar o desastre? A rigor, nada. Esperaram, como sempre, que o desastre ocor-

resse, para depois de alguns adjetivos constantes do habitual vocabulário da lamentação, elevarem a voz a fim de prometer ou garantir: — Vamos investigar! Porque não investigaram antes, isso jamais foi explicado. A primeira vez que ouvi essa frase, dita por uma autoridade carioca, foi lá pela metade do século passado, quando eu acabava de me tornar morador do Rio. Como é frequente por aqui, chuvas fortes caíram sobre a cidade, no começo do ano, algumas com resultados

fora do comum. O mais espetacular foi a queda de um edifício – de oito andares, se bem me lembro – absurdamente erguido no meio da encosta de um morro de barro vermelho, não em algum subúrbio distante habitado por trabalhadores analfabetos, mas de Laranjeiras, um dos bairros aristocráticos do Rio, bem perto do centro. Talvez ainda estejam investigando o fato, quem sabe!...

(*) Jornalista, morador do Rio de Janeiro

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